Hoje Macau Eventos MancheteFestival de cinema ‘queer’ em Macau é espaço para dialogar O Festival Internacional de Cinema Queer de Macau (MIQFF, na sigla inglesa), que arranca esta sexta-feira, pretende ser um palco de diálogo e onde se questionam preconceitos, disse ontem à Lusa o director Jay Sun. A decorrer entre 05 e 27 de Junho, o MIQFF apresenta 24 propostas, com “uma parte significativa” das obras com origem em países europeus, disse à Lusa o director e fundador do evento, ressaltando “a estreita colaboração com consulados europeus e internacionais”. “Não se limita, de forma alguma, à Europa. Contamos também com a ‘Asian Vision’, que apresenta histórias queer de toda a Ásia”, sublinha. É precisamente com uma obra de Hong Kong que arranca a quarta edição deste evento cinematográfico: “Cyclone” (2026), de Philip Yung, narra a história de uma mulher trans da China continental que viaja até Hong Kong para fazer uma cirurgia de redesignação sexual. A projecção do filme, com estreia mundial no Festival Internacional de Cinema de Roterdão, vai contar com a presença do realizador, do actor Liu Yuqiao e da argumentista Annabelle Kayee Li. Outro dos destaques desta edição, indica Sun, é “Rosebush Pruning” (2026), uma tragicomédia do brasileiro Karim Ainouz, que estreou mundialmente no Festival Internacional de Cinema de Berlim, onde integrou a competição oficial, e tem agora estreia asiática em Macau. Inspirado no clássico italiano de 1965, “De Punhos nos Bolsos”, esta co-produçao de vários países europeus acompanha uma família abastada e disfuncional isolada numa propriedade em Espanha. O filme aparece descrito no portal da Berlinale como uma “sátira negra”, no Festival de Cinema de Sydney, onde vai estar em cartaz este mês, como “comédia e filme LGBTQIA+” e no ‘site’ especializado de cinema IMDB atribui como “comédia negra, thriller e drama”. Na classificação etária em Macau, as autoridades atribuíram a categoria de “Pornografia”, aparecendo no programa a imagem de promoção deste filme – uma fotografia de família – desfocada. Sobre esta decisão, Jay Sun, diz “ser inapropriado comentar”, uma vez que “a classificação é da competência do Instituto Cultural” (IC), não estando o festival “envolvido no processo”. A agência Lusa perguntou ontem ao IC qual o critério para esta classificação, mas até ao momento não recebeu nenhuma resposta. De acordo com a lei de Macau, são considerados produtos “pornográficos ou obscenos” aqueles que “contenham palavras, descrições ou imagens que ultrajem ou ofendam o pudor público ou a moral pública”. “Ainda assim podemos mostrar o filme, desde que respeitemos a lei: projectar após as 23:30 e pagar a taxa correspondente”, nota. Mais participação Na secção asiática, destaque para “East Palace, West Palace” (1996), do chinês Zhang Yuan, e “3670” (2025), obra do sul-coreano Park Joon-ho. Ao longo destes dias, é possível também assistir a “Whisperings of the Moon” (2025), filme cambojano da cineasta chinesa Lai Yuqing, que morreu há poucos meses aos 23 anos. O festival presta ainda homenagem a Rosa von Praunheim (1942-2025), nome artístico de Holger Mischwitzki, com a exibição de várias obras do cineasta alemão, um dos mais influentes defensores dos direitos LGBTQ+ na Alemanha. Sobre a receção do MIQFF, já na quarta edição, Jay Sun, refere que hoje existe “mais abertura para ao cinema ‘queer’ e eventos culturais LGBTQ+”: “Vemos um maior interesse por parte do público, uma maior representação nos ‘media’ tradicionais e mais pessoas dispostas a envolver-se com diferentes tipos de histórias.” Mas o “progresso não é uma linha recta”, admite. “Continuamos a assistir a retrocessos em várias partes do mundo, seja na forma de censura ou de restrições aos direitos da comunidade LGBTQ+. Por isso, não creio que possamos dar por concluído o trabalho”, continua. Por essa razão, diz, este tipo de eventos continua a ser importante, com os filmes a “gerarem diálogos, a desafiarem preconceitos e ajudarem a criar empatia”.
Hoje Macau EventosFRC | Quarteto de cordas com canções de embalar amanhã A Fundação Rui Cunha (FRC) apresenta amanhã, a partir das 17h, o concerto “Ainda Mais Canções de Embalar à Volta do Mundo”, conduzido pelo Quarteto Familiar de Cordas de Vit Polášek, a que se juntam desta vez quatro vozes locais para interpretar cantigas tradicionais infantis de diferentes nacionalidades. Nesta sessão, o público vai ser convidado a escutar 12 novos temas, em representação da Chéquia, Dinamarca, Alemanha, Índia, Mali, Filipinas e China. A família de Vit Polášek tem vindo a recolher diferentes canções de embalar, provenientes dos quatro cantos do globo, pedindo a amigos que vivem em Macau, amadores e profissionais, que as cantem ao vivo e as partilhem com os espectadores na Galeria da FRC. A família gravou e publicou no YouTube alguns temas no passado, mas a maioria terá estreia neste evento, segundo o mentor do projecto. O quarteto de cordas – composto por dois violinos, uma violeta e um violoncelo – foi fundado por Vit Polášek e a mulher Lu Yan, ambos membros profissionais da Orquestra de Macau, acompanhados pelos seus dois filhos, Vit e Lukas, também já peritos em instrumentos de cordas.
Hoje Macau EventosFRC | Recital “Canções à Janela, Sombras da Flauta” acontece hoje Acontece hoje, na Fundação Rui Cunha, mais uma sessão musical com o recital de voz e flauta “Canções à Janela, Sombras da Flauta”. A partir das 18h o público pode desfrutar das actuações de Omyl e Claire, alunas do Curso Vocacional de Música do Colégio Baptista de Macau Em mais uma parceria com a comunidade local, a Fundação Rui Cunha (FRC) apresenta hoje, a partir das 18h, o recital “Canções à Janela, Sombras da Flauta”, com a voz de Omyl que se junta ao som da flauta de Claire. Ambas são alunas do Curso Vocacional de Música do Colégio Baptista de Macau, sendo acompanhadas ao piano pela professora Irene Leong Kei Tong. Segundo uma nota da FRC, o repertório de hoje inclui peças dos compositores franceses Camille Saint-Saëns e Francis Poulenc, o austríaco Wolfgang Amadeus Mozart, o italiano Giuseppe Verdi, o russo Aleksandr Alyabyev, e os chineses Li Yan e Hu Yanjiang. “A educação artística é uma área de ensino que o Colégio Baptista de Macau sempre privilegiou e continua a implementar no seu programa escolar”, pode ler-se, sendo que desde 2006 “que o ensino fundamental oferece aulas de música instrumental aos novos alunos, para que todos tenham a possibilidade de aprender um instrumento”. A criação do Curso Vocacional de Música em 2008, ao nível do ensino secundário, “veio aprofundar o ensino das competências musicais”, sendo uma iniciativa de sucesso, já que os alunos têm sido aceites “em instituições musicais de prestígio na China – como o Conservatório Central de Música em Pequim ou o Conservatório de Música de Xinghai em Cantão –, em Hong Kong, Taiwan, Singapura, Estados Unidos, ou Suíça, produzindo resultados encorajadores”. Talentos natos Hoje pode ouvir-se a voz de Omyl, que se dedica ao estudo de Canto sob orientação da professora Wang Yali, e é também membro do Ensemble Vocal e Coral do CBM. Omyl participou em apresentações importantes e competições internacionais e nacionais, incluindo o 12.º Concurso Internacional de Canto, o 8.º Concurso Liszt-Ferenc, os 13.º Jogos Mundiais de Coros nas categorias de Música Sacra e Ensino Secundário, o 2.º Festival de Música Jovem Pequim-Hong Kong-Macau (BMF), das 36.ª à 41.ª Competição Interescolar de Canto de Macau, entre outras actividades. A aluna possui ainda o certificado ABRSM de Grau 8 em Canto e o certificado de Grau 5 em Teoria Musical. Após a sua graduação, Omyl frequentará o Departamento de Música da Universidade Nacional Sun Yat-Sen (Kaohsiung, Taiwan) para se especializar em Performance Vocal. Claire também integra o Curso Vocacional de Música, onde estuda Flauta com a professora Chow Wai lam. É membro da Banda Sinfónica B e da Orquestra do CBM, bem como do Quinteto de Sopros. Ingressou na Orquestra Jovem de Sopros de Macau em 2020 e, em 2024, recebeu o certificado de Grau 8 em Flauta da ABRSM, com distinção. A estudante participou no 3.º Concurso Internacional de Flauta de Hong Kong e no Concurso Internacional de Flauta Clássica MAESTRIO, frequentou masterclasses com Vincent Lucas (Flautista Principal da Orquestra de Paris), Federica Lotti (Professora de Flauta do Conservatório de Veneza), Gareth Davies (Flautista Principal da Orquestra Sinfónica de Londres) e o flautista húngaro András Adorján. Após a licenciatura, Claire dará continuidade aos estudos de Performance de Flauta na Academia de Artes Cénicas de Hong Kong. Irene Leong Kei Tong é uma jovem pianista, natural de Macau, formada pela Universidade de Educação de Hong Kong com um Mestrado em Educação Musical. Possui os certificados de Piano e Teoria Musical de Grau 8 da Royal Schools of Music (ABRSM), o Diploma de Performance de Piano da ABRSM (DipABRSM) e a Licenciatura da Royal Schools of Music em Performance de Piano (LRSM). Durante os estudos, recebeu orientação do conceituado pianista britânico Jeremy Carter. Participou em diversas apresentações e competições nacionais e internacionais em Macau, Hong Kong, Zhuhai e Taiwan. Actualmente, é Professora Assistente na Escola de Música da Academia de Artes Performativas de Macau e colaboradora da Orquestra Jovem de Zhuhai.
Andreia Sofia Silva Eventos MancheteZhuhai | Novo espaço do LMA abre em Wanzai A Live Music Association, espaço de música ao vivo que funcionou durante vários anos na Avenida do Coronel Mesquita, terá agora nova morada do outro lado da fronteira, em Wanzai, Zhuhai. O acesso mais fácil para lá chegar é através do Terminal Marítimo de Passageiros do Porto Interior, na Ponte 16. O anúncio da reabertura do espaço foi feito ontem na página de Facebook do LMA, com a mensagem “New LMA open in China now!” [Novo LMA abre na China!]. O primeiro concerto está agendado para o dia 13 deste mês, a partir das 21h, com a actuação dos “Fusion Rock Power Project” com os músicos Chung e Ka Hou. Vincent Cheang, responsável pelo projecto do LMA, disse ao HM que o novo espaço em Wanzai “combina actuações ao vivo com o estúdio de arte pessoal”. “O espaço apenas estará aberto ao público para concertos, e irá funcionar como antes”, isto quando o LMA tinha portas abertas em Macau. Recorde-se que o LMA começou por suspender temporariamente a actividade, encerrando depois de forma definitiva, no período da covid-19. Vincent Cheang contou que o novo LMA “está instalado numa antiga fábrica de cassetes e CDs”, “um local profundamente ligado à música”, motivo que cativou o responsável pelo espaço. A abertura do lado de lá da fronteira aconteceu devido a alguns entraves em Macau relacionados com a lei do ruído. “As actuais leis de ruído de Macau são demasiado rigorosas, e os cidadãos abusam do mecanismo de reclamação. Então, para nós, é quase impossível encontrar um local em Macau que não resulte na apresentação de mais reclamações.” Vincent Cheang diz querer “continuar a missão de promover a música independente num local que seja próximo de Macau”, uma proximidade que seja “conveniente para bandas, produtores musicais, DJs e o público”.
Hoje Macau EventosMAM | Aceites obras para nova edição de exposição anual Decorre entre 12 e 14 de Junho o prazo de recolha de obras de arte para a “Exposição Anual das Artes Visuais de Macau”, no auditório do Museu de Arte de Macau (MAM). Segundo uma nota do Instituto Cultural (IC), esta exposição “tem como objectivo a recolha de obras de meios de expressão ocidental”, abrangendo “obras bidimensionais, tridimensionais, de vídeo e criações multimédia”. As submissões devem ser de artistas com residência de Macau, não sendo permitida a participação de um artista em mais do que uma candidatura. Cada participante ou equipa pode apresentar apenas uma obra ou um conjunto de obras originais concluídas em 2024 ou em data posterior. Quanto aos prémios, será instituído um “Grande Prémio do Júri” com um prémio de 80 mil patacas, sendo a obra premiada integrada na colecção do MAM, com atribuição de certificado. Destaca-se o “Prémio de Criatividade Emergente” destinado a incentivar jovens criadores até 30 anos, com prémios de 10 mil patacas. Mantêm-se os “Prémios de Obras Excepcionais”, com 10 vencedores, recebendo, cada seleccionado, um prémio pecuniário de 30 mil patacas. Será depois organizada uma exposição colectiva “em instituições culturais e museológicas fora de Macau”, com o objectivo de “incentivar os vencedores a continuar a criar”, bem como “ampliar as oportunidades de intercâmbio e exibição das obras”. Esta mostra deverá ser realizada no próximo ano. Na mesma nota, o IC diz esperar que, “com um sistema mais aperfeiçoado, prémios mais generosos e um mecanismo de colecção de obras, possa atrair mais quadros artísticos locais para participar na Exposição Anual e promover o desenvolvimento vigoroso das artes visuais em Macau”.
Andreia Sofia Silva Eventos10 de Junho | Teatro D. Pedro V acolhe no sábado recital de música lírica O recital “Viagem vocal: quatro séculos de música lírica em português” sobe ao palco do histórico Teatro D. Pedro V no sábado, às 19h30. O soprano Sílvia Sequeira junta-se à meio-soprano Ashley Chui para interpretar composições de ópera e canção portuguesa desde o período Barroco Alfredo Keil, Fernando Lopes-Graça, P. Áureo e Castro ou José Maurício Nunes Garcia. São nomes que estão na mente de muitos daqueles que, habitualmente ou não, ouvem música clássica e lírica, e que podem agora ver as composições destes mestres no palco do Teatro D. Pedro V este sábado, a partir das 18h30. Integrado no cartaz do “Junho – Mês de Portugal na RAEM 2026”, que visa celebrar o 10 de Junho – Dia de Portugal, Camões e das Comunidades Portuguesas, o espectáculo “Viagem vocal: quatro séculos de música lírica em português” conta com a soprano Sílvia Sequeira em palco, que fará parelha na voz com a meia-soprano Ashley Chui. A acompanhá-las estará o barítono Chris Kun Hang Iek e a pianista Arièle Zanini. Segundo a sinopse do espectáculo, a canção em português “espalhou-se pelo mundo desde os primórdios” embora seja hoje “menos conhecida do que as congéneres em italiano, francês ou alemão”. As composições são autênticas “joias, muitas vezes escondidas, da tradição vocal lusófona”, que mostram o que de melhor se foi fazendo na música lírica e ópera desde o período Barroco até ao século XXI, entre Portugal, Macau e Brasil. Segundo a mesma sinopse, a viagem musical inicia-se entre os séculos XVIII e XIX, num périplo sonoro marcado por composições de luso-brasileiros que “viam Portugal e o Brasil como a sua pátria comum”. Falamos de nomes como Marcos Portugal, falecido em 1830, ou António José́ da Silva “O Judeu”, que viveu entre os anos de 1705 e 1739. Há ainda a reter o nome de José́ Maurício Nunes Garcia, falecido em 1830. Depois, já no século XX, persiste a “ópera e canção romântica de modelo europeu, de compositores como Alberto Nepomuceno (1864-1920) e Alfredo Keil (1850-1907) enquanto os próprios séculos XX e XXI se revelaram férteis em canções de arte e árias de ópera – do Brasil a Portugal, com compositores como Heitor Villa-Lobos (1887-1959), Fernando Lopes-Graça (1906-1994) e Alexandre Delgado (nascido em 1965)”. Não faltam, nesta equação musical, Macau, com as composições do P. Áureo e Castro (1917-1993). Natural dos Açores, este pároco era sobrinho de D. José da Costa Nunes, que era Bispo de Macau quando Áureo e Castro chegou a Macau, a 15 de Setembro de 1931, com apenas 14 anos de idade. Áureo e Castro entrou para o Seminário Diocesano de São José, tendo depois desenvolvido o seu gosto musical. Talentos em palco Com um programa musical repleto de estrelas e de história, cabe a Sílvia Sequeira interpretar um repertório especial. A cantora venceu o primeiro prémio, e também o “Prémio do Público” na primeira edição do Concurso Internacional de Canto Cascais-Opera, realizado em 2024, além de já reunir na sua carreira outros prémios. Numa nota biográfica sobre a sua carreira, lê-se que Sílvia Sequeira “tem vindo a conquistar rapidamente o reconhecimento internacional pela sua extraordinária potência vocal e intensidade dramática, afirmando-se como uma das sopranos dramáticas mais entusiasmantes da sua geração”. Também a meio-soprano Ashley Chui, de Hong Kong, já viu a sua voz e trabalho serem galardoados, ao sagrar-se vencedora, em 2022, do “Prémio Especial” no Ise-Shima International Singing Competition e, em 2024, do BYAA Collectives American Art Elite Award. De Macau sobe ao palco do Teatro D. Pedro V o barítono Chris Kun Hang Iek, “um talento local emergente” que conquistou o primeiro lugar na categoria “Vocal Aberta” do 11º Festival Internacional de Música de Hong Kong. O recitar conta também com a actuação da pianista francesa radicada em Hong Kong, Arièle Zanini, também docente no Departamento de Canto da Hong Kong Academy of Performing Arts e pianista principal da City Chamber Orchestra of Hong Kong.
Hoje Macau EventosCURB | Filme sobre passeios de bicicleta exibido na Ponte 9 O CURB – Centro de Arquitectura e Urbanismo exibe este sábado, dia 6, a partir das 18h30, um documentário sobre o passeio colectivo de bicicleta realizado em Coloane no passado dia 23 de Maio, integrado na iniciativa “On the Move”, que este ano realizou a sétima edição. O local de exibição será no telhado da Ponte 9 – Plataforma Criativa, sede do CURB, situada na Rua das Lorchas. A apresentação deste filme consiste, assim, na segunda parte do projecto “On the Move”, que visa “celebrar o ciclismo como uma forma valiosa de mobilidade, ao mesmo tempo que incentiva os participantes a interagir com a cidade através da cultura, da criatividade e de experiências partilhadas”. O CURB destaca, numa nota, que estes “passeios criativos de bicicleta se tornaram um dos eventos favoritos da comunidade, atingindo de forma consistente a lotação máxima”. Este ano, os passeios fizeram-se em Coloane, o que permitiu “uma exploração mais lenta e consciente da paisagem urbana e natural”. O documentário foi produzido por uma equipa de estudantes do curso de Licenciatura em Comunicação e Media da Universidade de São José (USJ), coordenada pelo professor João Brochado, director do Departamento de Media, Artes e Tecnologia. O filme documenta as experiências, observações e encontros que surgiram ao longo da viagem de bicicleta. Será também apresentada uma “obra de arte visual original” da artista convidada Catarina Cortesão Terra, visando “oferecer uma interpretação artística da experiência ‘On the Move'”.
Hoje Macau EventosFRC apresenta exposição anual de gravura com trabalhos de alunos locais A Fundação Rui Cunha (FRC) apresenta, até este sábado, 6, a “7ª Exposição Anual de Gravura dos Alunos do Ensino Fundamental e Médio de Macau”, com um conjunto de 46 peças criadas por cerca de 200 alunos do ensino Primário e Secundário, seleccionadas por um júri profissional de membros da Associação Juvenil de Gravura de Macau (MYPA), co-organizadora do evento. A competição, que recebeu um total de 270 propostas enviadas por 14 escolas locais, foi, segundo uma nota da FRC, a mais participada de sempre desde o início da competição. Pretende-se “continuar a promover a aprendizagem da arte da gravura no ambiente escolar a partir de processos manuais e tradicionais que pretendem contrariar o uso quase exclusivo das actuais técnicas digitais”. As obras presentes na mostra, que venceram diversas categorias do concurso, abrangem vários métodos de impressão, incluindo relevo, gravura em metal, serigrafia e litografia. “A apresentação técnica geral e a utilização de técnicas de impressão demonstram um avanço significativo em relação ao ano anterior”, revela ainda a mesma nota. O papel da gravura A gravura é peça central desta exposição e “tem desempenhado um papel importante no intercâmbio cultural entre a China e o Ocidente, em Macau”, sendo que, na história moderna, “a tipografia, gravura e impressão litográfica foram introduzidas na China continental através de Macau”. Até aos dias de hoje “continua a influenciar a melhoria da tecnologia de impressão na China, ao mesmo tempo em que estimula o entusiasmo pela criação de gravuras”. A gravura é tida como “um tipo de meio artístico replicável, que é mais propício à comunicação do que a pintura, permitindo que mais pessoas apreciem o trabalho original em diferentes lugares ao mesmo tempo”. Segundo explica a FRC, “embora a rotogravura seja muito atraente, ela precisa de equipamentos profissionais para a sua execução”, mas as “impressões em relevo, o stencil e a monotipia não exigem equipamentos sofisticados, e ainda ostentam uma aparência única”. A Associação Juvenil de Gravura de Macau existe há mais de 20 anos e pretende “promover a arte gráfica junto da geração mais jovem, através da realização de exposições, workshops, promoções na escola, e outras actividades, de forma a fomentar junto da população jovem de Macau uma compreensão mais profunda da gravura e descobrir os talentos do printmaking”.
Andreia Sofia Silva EventosCCCM | Antologia de textos sobre Luís de Camões apresentada em Lisboa “Vasto Império do Coração”, antologia de escritos sobre o maior poeta da língua portuguesa, Luís Vaz de Camões, foi apresentado esta segunda-feira no Centro Científico e Cultural de Macau, em Lisboa. Sara Augusto, professora de literatura e português na Universidade Cidade de Macau, falou de uma obra dada à estampa no ano passado Tão grande é o vulto literário chamado Luís de Camões e a sua obra maior, Os Lusíadas, que inspirou outros escritores de língua portuguesa a escrever sobre ele, ou a escrever como ele, com as suas angústias e inspirações. Foi a pensar nisso que Sara Augusto, professora na Universidade Cidade de Macau (UCM), recolheu textos e poemas sobre o poeta português na antologia “Vasto Império do Coração”, precisamente um verso de António Manuel Couto Viana que dá nome ao livro. A obra foi editada no ano passado, mas foi esta segunda-feira novamente apresentada em Lisboa no Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM). “Vasto Império do Coração” contém “registos poéticos de visitantes, de escritores portugueses que residiram em Macau algum tempo e de escritores nascidos em Macau, revelando laços que celebram, se identificam e que inscreveram Camões na memória colectiva”, conforme explicou, na altura, Sara Augusto. Na sessão desta segunda-feira, intitulada “Uma solidão de pombas: visitar Camões na literatura de Macau em língua portuguesa”, a autora da obra começou por falar, precisamente, do verso escrito por António Manuel Couto Viana no poema “A Camões, Dolorosamente”, que consta no livro “Ponto de não regresso”, editado em 1982. “É um poema magoado, tal como diz a palavra ‘Dolorosamente’ no título e no refrão. Há, portanto, essa mágoa que passa para todo o texto, e claro que aqui não se fala do império físico, mas de um poder maior que perdurou, o do coração, e que se diz nesta língua que é nossa e também de Macau.” Sara Augusto abordou também na sessão outro exemplo de uma escrita mais contemporânea com referências a Camões, e que consta nesta antologia. É o caso de um poema em prosa poética de Carlos Morais José, director do HM, integrado no livro “Macau, o Livro dos Nomes”, editado em 2022. O verso é “Sentirás, meu amor, uma solidão de pombas. Dá-me a tua mão e juntos afagaremos a inscrição na pedra, matriz de tudo. Perdi-te entre as plantas. Disseram-me depois que, regressaras, como um homem seco e coxo, a um país envergonhado. Eu volto sempre ali, não sei se por ti, se pela aspereza das áreas chinesas”. Na visão da professora universitária e autora, verifica-se aqui “a solidão do poeta [Camões], elemento referido em praticamente todos os poemas reunidos nesta antologia”, sendo que a expressão “solidão de pombas” constitui “uma das mais belas metáforas para a vida de Camões naquela cidade”, neste caso Macau. “E também para cada um de nós que vive lá”, destacou Sara Augusto. Imagens e palavras Esta antologia é, portanto, feita de palavras, imagens do jardim e da gruta de Camões, bem como do busto do poeta presente em Macau, lugar de tantas visitas e contemplações. “Vasto Império do Coração” é, portanto, “um estudo dos poemas e dos autores”, contendo, por exemplo, referências ao que escreve o professor Seabra Pereira em “Delta Literário de Macau”, que analisa a presença de Luís de Camões em Macau “no seu sentido simbólico”, disse Sara Augusto. Na sessão, a professora citou um excerto presente na obra de Seabra Pereira, quando este refere que tanto Camões como Fernão Mendes Pinto [autor da Peregrinação] “são referências míticas para a cultura literária de Macau, porque são motivo e fonte de mitos, como narrativa poderosa que se torna ineradicável e incontornável”. Sara Augusto considerou, neste sentido, que Camões e a sua poesia funcionam “como um intertexto para muitos poetas posteriores”, tendo-se transformado, em Macau, “num lugar literário”, ganhando “contornos míticos enquanto narrativa simbólica”. Camões em Macau “não é só um espaço físico”, explícito na gruta de Camões, mas é mais do que isso. Há “a consideração do poeta como objecto de visita literária, como experiência, memória, desejo e identidade cultural”, sendo que “estas memórias e símbolos permanecem nos textos literários”. Sara Augusto trouxe também ao CCCM o exemplo do poeta Bocage, que esteve em Macau entre Outubro de 1789 e Março de 1790, e escreveu o soneto “Camões, Grande Camões, quão semelhante acho o teu fado ao meu?”. “Bocage identificou-se com Camões na mágoa e no exílio”, refere Sara Augusto. Na sessão desta segunda-feira, esteve presente o comissário-geral das Comemorações do V Centenário do Nascimento de Luís de Camões, José Augusto Cardoso Bernardes, que é também professor catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. É responsável, nesta universidade, pela disciplina de Estudos Camonianos, há 30 anos. Bernardes referiu-se a esta antologia como sendo “um belíssimo livro”, elogiando também a escolha para o título. “Vasto, Império e Coração. Qualquer uma destas três palavras está em sintonia com Camões. A vastidão, o Império, no sentido latino de Ordem, e Coração. O título está bem no poeta António Manuel Couto de Viana, que foi um homem de coração e de causas, está bem para Camões e para a Sara. Não foi por acaso que, nos 200 anos de literatura que ela compendiou, retirou este título, que está em sintonia com ela, seguramente”, concluiu.
Andreia Sofia Silva EventosAlbergue SCM | Leong Kit Man apresenta a sua “Ilha dos Amores” A artista Leong Kit Man está de regresso às exposições com “Ilha dos Amores”, em referência ao conhecido episódio d’Os Lusíadas, de Luís de Camões. A mostra é inaugurada amanhã no Albergue SCM e integra o cartaz das comemorações do 10 de Junho – Dia de Portugal, Camões e das Comunidades Portuguesas Não é por acaso que a nova exposição disponível no Albergue da Santa Casa da Misericórdia (SCM) de Macau integra as comemorações do 10 de Junho – Dia de Portugal, Camões e das Comunidades Portuguesas. “Ilha dos Amores”, da artista Leong Kit Man, remete para parte da história relatada na obra maior da literatura portuguesa, “Os Lusíadas”, de Luís de Camões, quando a deusa Vénus compensa os navegadores portugueses depois de realizarem o caminho marítimo para a Índia, proporcionando-lhes um paraíso repleto de ninfas. Camões escreveu assim, nos Cantos IX e X de “Os Lusíadas”, sobre o amor carnal feito e vivido entre navegadores e as ninfas que permaneciam nesta ilha: “Já não fugia a bela Ninfa tanto, / Por se dar cara ao triste que a seguia, / Como por ir ouvindo o doce canto, / As namoradas mágoas lhe dizia. / Volvendo o rosto, já sereno e santo, / Toda banhada em riso de alegria, / Cair se deixa aos pés do vencedor, / Que todo se desfaz em puro amor.” A exposição “Ilha dos Amores” é inaugurada amanhã, a partir das 18h30, na Galeria A2 do Albergue SCM, sendo uma organização do CAC – Círculo dos Amigos da Cultura de Macau. Segundo uma nota da exposição, o público pode ver uma “colecção de pinturas chinesas centrada na estadia de Luís de Camões em Macau e nas imagens vívidas do poema épico de Os Lusíadas”. “Inspirando-se na ilha mítica, a artista capta a sua essência através de uma técnica delicada e requintada”, abordando-se “a interacção entre o Oriente e Ocidente tal como personificada por Macau”, numa “ponte entre duas civilizações distintas”. A mesma nota descreve como a artista, através da sua pintura, “explora a imaginação humana partilhada a partir de um ‘paraíso ideal’, revelando os fios condutores que unem as tradições culturais orientais e ocidentais”. Desta forma, “Ilha dos Amores” faz também uma “sincera homenagem ao rico património cultural de Portugal”. Rolos monumentais Uma das obras que pode ser vista nesta mostra é “The Regret of Love”, sobre a qual Mo Xiaoye, professor do departamento de Belas Artes da Zhejiang Sci-Tech University disse tratar-se de uma “pintura monumental ao estilo Gongbi, com um carácter épico”, tal como a história relatada nos versos d’Os Lusíadas. “The Regret of Love” é um “monumental rolo de seda com quatro metros de comprimento e mais de 1,8 metros de altura”, descreve Lam Kong Chuen, citado numa nota sobre a exposição. Aqui, a artista “constrói um ambiente temporal que se opõe de forma frontal ao acelerar contemporâneo”, onde “o nevoeiro do rio Mekong e correntes subterrâneas no leito desse rio avançam em relação ao espectador”, numa conexão com a viagem marítima relatada na Epopeia portuguesa. Mais do que constituir um episódio que é fruto da imaginação do poeta, os versos sobre a Ilha dos Amores contam também a interligação entre a moral cristã e pagã, povoada pelos amores vividos na ilha, sendo também a forma de Camões celebrar os navegadores portugueses pelos feitos na descoberta do caminho marítimo para a Índia. Leong Kit Man é artista, curadora e professora, sendo licenciada pela Academia Nacional de Artes da China e doutorada em Belas Artes. Dá aulas de Belas Artes e orienta mestrados e doutoramentos na Faculdade de Humanidades e Artes da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST).
Hoje Macau EventosFotografia | “Somos – Imagens da Lusofonia: O Hoje do Passado” nas Casas da Taipa A exposição “Somos – Imagens da Lusofonia: O Hoje do Passado” está patente na Galeria de Exposições das Casas da Taipa até 28 de Junho. A mostra, com curadoria de Francisco Ricarte, agrega as fotografias vencedoras do concurso lançado entre Janeiro e Março deste ano, assim como as menções honrosas e ainda imagens que o júri do concurso achou serem “relevantes por promoverem a comunicação em língua portuguesa e a disseminação das tradições e características lusófonas”. Segundo a Somos, as imagens expostas capturam os costumes, tradições e elementos culturais que sobrevivem aos tempos, sejam edifícios históricos, locais públicos, técnicas artesanais antigas, ferramentas tradicionais de artesãos, ou práticas comunitárias ancestrais. A associação indicou também que ao escolher o tema “O Hoje do Passado”, pretendeu que o foco do concurso fosse as “coisas antigas que perduram no tempo, que ainda hoje têm uma função e um propósito nas nossas sociedades e vidas, marcando a identidade cultural associada a um determinado espaço geográfico”.
Hoje Macau EventosBarcos do Dragão, teatro chinês e desporto em família na agenda de Junho Mais uma página no calendário, mais uma mão cheia de eventos culturais para animar a cidade. O Instituto Cultural (IC) apresentou na sexta-feira o cartaz cultural e de actividades planeadas para Junho, com particular destaque para a organização de alguns eventos desportivos. Nos dias 13, 14 e 19 de Junho realizam-se as “SJM Regatas Internacionais de Barcos-Dragão de Macau 2026”, no Centro Náutico da Praia Grande. Nos primeiros dois dias de competição vão decorrer as provas locais para pequenas e grandes embarcações, enquanto a regata internacional está marcada para 19 de Junho. Entre 16 e 21 de Junho, a Nave Desportiva dos Jogos da Ásia Oriental acolhe a Open de Macau de Badminton 2026, enquanto o Campeonato da FIA de Karting “Arrive and Drive” da Ásia-Pacífico está agendado para o Kartódromo de Coloane entre 19 e 21 de Junho. O IC indicou também que estão abertas as inscrições para várias actividades desportivas pensadas para serem feitas em família. No próximo dia 7 de Junho, realiza-se o evento “Comunidade dinâmica – Dia de Desporto em Família 2026” no Estádio e no Pavilhão Desportivo do Centro Desportivo Olímpico, com competições desportivas para pais e filhos dos 2 aos 10 anos. Este ano, foram introduzidos novos elementos como como tiro com arco, floor curling, lançamentos, pickleball e escalada. Os interessados nestas actividades podem inscrever-se até amanhã, às 22h, através da aplicação móvel Conta Única. Espírito Han Na apresentação do cartaz deste mês, o IC destacou ainda a peça “Escrito em Sons e o musical Nora”, integrados no “6.º Festival Cultural de Teatro Chinês da Grande Baía de Guangdong-Hong Kong-Macau”, bem como o concerto “Leia Zhu e a Orquestra de Macau”, apresentado pela Melco Resorts & Entertainment, e o concerto “Ondas Flutuantes” da Orquestra Chinesa de Macau. Em celebração do Dia do Património Cultural e Natural da China, que se realiza no dia 13 de Junho, o Farol da Guia estará aberto ao público e haverá sessões de experiência gratuitas “Visitando as Ruínas de S. Paulo no Espaço e no Tempo – Exposição de Realidade Virtual nas Ruínas de S. Paulo”, juntamente com visitas guiadas oferecidas por cerca de 20 edifícios históricos e museus. Este mês será também inaugurada a “Cidade e Imagem: o Fio do Tempo – Exposição de Imagens Históricas do Acervo do Arquivo de Macau”, no edifício histórico de Macau. Ao mesmo tempo, o IC destaca exposições que continuam patentes, como “GRANDIOSO ESPÍRITO DE HAN – Exposição de Tesouros da Dinastia Han de Xuzhou” até 14 de Junho e “Duetos da Natureza: Pinturas de Paisagem das Dinastias Ming e Qing do Museu Nacional da China” até 26 de Julho”.
Hoje Macau EventosIC | Marionetas portuguesas recriam Pedro e o Lobo em festival para crianças A companhia portuguesa Trupe Fandanga vai recriar com marionetas a fábula Pedro e o Lobo no terceiro Festival Internacional de Artes para Crianças de Macau, entre 30 de Junho e 30 de Agosto. O festival inclui cerca de mil eventos, entre teatro, cinema, exposições e actividades para famílias O Instituto Cultural (IC) revelou que a Trupe Fandanga vai apresentar, entre 14 e 17 de Agosto, o espectáculo “Os Lobos de Pedra”, no Centro Cultural de Macau. O espectáculo “recria a corajosa história de Pedro e o Lobo”, disse uma porta-voz do IC, numa referência à fábula russa, tornada famosa pela composição musical escrita por Sergei Prokofiev em 1936. “Os Lobos de Pedra” foi criado através de uma parceria entre a Trupe Fandanga e o centro cultural e transdisciplinar Circolando CRL Central Elétrica, ambas com sede no Porto. A sinopse do espectáculo indica que a peça tem como ponto de partida “a viagem de um rapaz aos labirintos do seu coração, onde habitam lobos escuros e lobos luminosos, e todos desejam ser o maior e o mais forte do covil”. O programa conta ainda com a participação de grupos locais e vindos da Austrália e da China continental, disse a presidente do IC na sexta-feira, em conferência de imprensa. Cidade em festa O festival inclui cerca de mil actividades, distribuídas por 55 projectos, entre actuações em palco, um festival com 35 filmes, exposições, uma feira do livro, instalações ao ar livre, um acampamento artístico e workshops. Leong Wai Man disse que os eventos, pensados para crianças e jovens de diferentes idades, vão expandir-se para outros lugares além do Centro Cultural e no vizinho Museu de Arte. A dirigente apontou como objectivos do festival “levar a cultura às comunidades” e “promover uma maior convivência entre avós e netos”, nomeadamente através de workshops para estes grupos etários. Além de cultivar os interesses artísticos desde cedo e alargar os horizontes das crianças e dos jovens de Macau, o festival pretende ainda “criar memórias inolvidáveis para todos os membros da família”, sublinhou a presidente do ICM. O evento, com um orçamento de 23 milhões de patacas, vai ser organizado pelo IC, em conjunto com a MGM, uma das seis operadoras de casinos de Macau, que irá contribuir com cerca de três milhões de patacas. Na mesma conferência de imprensa, foram apresentadas as actividades culturais e desportivas organizadas pelo Governo em Junho, que incluem uma adaptação teatral de “Ensaio sobre a Cegueira”, do escritor português José Saramago. Leong Wai Man disse à Lusa que os alunos de representação da Escola de Teatro do Conservatório de Macau prepararam a adaptação da “famosa obra” de Saramago (1922-2010) como espectáculo de encerramento do actual ano lectivo, em 6 e 7 de Junho.
Hoje Macau EventosUSJ | Projecto do atelier Urban Pratice premiado O projecto do atelier Urban Practice para a Biblioteca da Universidade de São José (USJ), intitulado “Biblioteca Guilherme Lo & Teresa Lei Lo” acaba de ganhar uma menção honrosa nos prémios BLT Built Design Awards 2025, na categoria de Design de Interiores. Segundo uma nota de imprensa do Urban Pratice, liderado pelo arquitecto Nuno Soares, o projecto vai “além da ideia convencional de uma biblioteca”, explorando “o design de interiores como uma ferramenta para moldar ambientes de aprendizagem”. Foi criado “um espaço aberto e fluido onde a circulação, a luz e a acústica trabalham em conjunto para melhorar a experiência do utilizador”. “Guiadas por princípios de arquitectura sustentável, as escolhas de materiais privilegiam a durabilidade, o desempenho acústico e a responsabilidade ambiental. Através de disposições flexíveis, elementos modulares e sistemas energeticamente eficientes, o projecto promove a adaptabilidade ao longo do tempo, ao mesmo tempo que fomenta um ambiente académico confortável e inclusivo”, lê-se na mesma nota. Assim, a biblioteca da USJ é hoje um “espaço contemporâneo onde o conhecimento flui de forma harmoniosa e a arquitectura contribui activamente para a forma como é vivenciado”. Nuno Soares, citado pela mesma nota, disse que hoje em dia “uma biblioteca já não é apenas um local para guardar livros, mas um espaço que convida à interacção e desperta a curiosidade”, sendo que, com este projecto, procurou-se “criar um ambiente onde a luz, a circulação, a acústica e a materialidade se combinam para promover o conforto, a flexibilidade e a inclusão”.
Hoje Macau EventosMúsico | Afonso Cabral actua em Julho em Macau, China, Hong Kong e Japão O músico Afonso Cabral realiza uma série de concertos em Macau, na China, em Hong Kong e no Japão, em Julho, na companhia do guitarrista Pedro Branco, anunciou o agenciamento do artista. A digressão de Afonso Cabral, com Pedro Branco, no Oriente, começa em 2 de Julho em Shenzhen e termina no dia 11 de Julho em Tóquio, no Japão. Pelo meio, o músico tem actuações em Macau, em Zhuhai, em Hong Kong, e em Osaka, Quioto e Nagoya. O agenciamento de Afonso Cabral recorda, em comunicado, que o músico já actuou várias vezes no Japão, tanto a solo como com a banda de Bruno Pernadas e os Minta & The Brook Trout. “Embalado por essas experiências, em ‘Demorar’, o seu álbum mais recente, existe algum espaço para o Japão, nomeadamente devido à música ‘Confusão / ざわめき’ – um dueto com Shugo Tokumaru, escrito e gravado pelo próprio, em Lisboa, e pelo seu convidado, em Tóquio”, lê-se no comunicado. Antes dos concertos no Oriente, Afonso Cabral continua a apresentar ao vivo em Portugal “Demorar”. No dia 6 de Junho, actua em Felgueiras, no Teatro Fonseca Moreira. Afonso Cabral editou o primeiro álbum a solo, “Morada”, em 2019. O segundo, “Demorar”, chegou no final de 2024. Já este ano, o vocalista dos You Can’t Win, Charlie Brown revelou a música “Dança Comigo na Ilusão”, que “desvenda um pouco do que está para vir”. Afonso Cabral, que nasceu em Lisboa em 1986, faz também parte das bandas de Bruno Pernadas, dos Minta & The Brook Trout e do projecto Mais Alto!. Além disso, fundou, com Francisca Cortesão, o estúdio Louva-a-deus, que é também o nome da editora pela qual saiu “Demorar”.
Andreia Sofia Silva EventosLiteratura | “MyWay”, uma viagem pelos lugares de Natividade Ribeiro “My Way – Diário e Escritas Paralelas” é o mais recente livro de Natividade Ribeiro, mulher açoriana, autora e docente que também fez de Macau a sua casa durante muitos anos. Com edição da Letras Lavadas Edições, eis uma obra que mistura registos biográficos com sentimentos sobre lugares que são casa, como é o caso de Portugal e de Macau Antes das letras surgem as imagens que revelam, elas próprias, vivências e memórias: a “janela dos bambus”, a “entrada do jardim Camões” ou objectos como “a sombrinha chinesa”. Há ainda espaço para o desenho da casa em Coloane ou até a fotografia “do jardim da vizinha Lagos”, ou até da “Mesa de Jantar – Lisboa”. É assim o mais recente livro de Natividade Ribeiro, natural de Vila Franca do Campo, ilha de São Miguel, Açores, formou-se em Filosofia e deu aulas em Macau nos anos de 1982 e 1999, tendo tido depois uma posterior experiência de ensino no Instituto Português do Oriente (IPOR), nos anos de 2015 e 2016. De nome “My Way – Diário e Escritas Paralelas”, o mais recente livro da autora, editado no final do ano passado pela Letras Lavadas Edições, revela-se ao leitor uma espécie de diário de bordo pela mais recente passagem de Natividade Ribeiro por Macau, numa ligação aos seus Açores e a outros lugares de Portugal que representam casa para si. Trata-se de um “diário de mês e meio”, entre Macau, Algarve e a ilha açoriana de São Miguel, datado de 2023, “com a liberdade de saltar tempos e espaços, excercendo o poder da mente”, lê-se logo no início. O relato desta vivência começa ainda em Lisboa, no dia 23 de Agosto, com a autora a descrever a viagem a Macau e a recordar os momentos em que, nos idos anos 80, se mudou para o Oriente. “Amanhã iremos revisitar Macau. Foi em setembro de 1982 que para lá fomos viver. Passados estão 41 anos. Ao calor intenso à chegada, disse ‘Macau é como estar nas estufas de ananás do meu pai, em pleno verão da minha ilha’. E respirei um ar familiar, ainda que com outros cheiros.” A chegada fez-se a 25 de Agosto, no Aeroporto Internacional de Hong Kong, e é nesse momento que Natividade Ribeiro vai buscar a referência à ideia do caminho pessoal traçado, “My way”. “Saímos. À porta do avião uma cadeira de rodas à minha espera. Agora a All Ways. My way, all ways gosto destes nomes, minhas pernas. O meu caminho, a minha maneira. Todos os caminhos, todas as maneiras”, lê-se a certa altura. Por entre relatos de idas e vindas, regressos e chegadas, Natividade Ribeiro vai revelando também ao leitor alguns poemas e escritos da sua autoria, nomeadamente “Perfil virtual II”: “Ela desafia tudo / Senhora de tanto / Com olhos ainda inocentes / Reinventa o mundo / Em palavras de liberdade / Vivendo à beira do mar / E em cada alvorada / Ri com as gaivotas.” Alguns dos textos que se lêem em “My Way” foram escritos na Casa Garden, sede da Função Oriente em Macau. “Fechada no quarto belo, escreverei este diário como fiz na adolescência com a Ilha como clausura”, descreve a autora, que não esqueceu as referências a outro poeta bem conhecido do território, Camilo Pessanha. “Pessanha (meu) em tom menor I” é o nome de um dos poemas, com uma estrofe que começa com o verso “Choveu!, sobre bambus e nenúfares”. Entre descrições e narrações A sinopse da obra dá-nos conta que, “além da narração e descrição do quotidiano, há reflexões, interrogações sobre as cidades, o mundo, a actualidade”, tratando-se de um “diário como um livro de viagens por lugares interiores e exteriores, conhecidos e de reconhecimento da autora”. O leitor depara-se com uma “escrita híbrida que já caracteriza a autora”, e com um livro que deambula entre a prosa e poesia, “não excluindo narrativa ficcional, onde o mar, a cidade e até as gaivotas algarvias são personagens”. Na apresentação da obra na Casa de Macau em Lisboa, Natividade Ribeiro destacou as cores escolhidas para a capa do livro, que tem “uma forte simbologia”. O vermelho “presente em todas as festividades de Macau, cor que representa alegria”, e depois o verde que remete para a natureza da ilha de São Miguel e para as próprias “cores da bandeira de Portugal”. No lançamento, Natividade Ribeiro descreveu como as “escritas paralelas a estes registos diarísticos foram acontecendo”, e de como se deu “um ambiente propício a outras escritas”. Os escritos “foram-se colando ao diário como um patchwork, em que os pedacinhos de tecido nas diversas cores, estampas e tamanhos para criar uma nova peça se vão juntando meticulosamente”. Natividade Ribeiro, que já editou anteriormente outros livros, trouxe também alguns desses escritos para “My Way”. “Aproveitei também para fixar alguns textos, com temáticas sobre Macau, de dois dos meus livros, ‘Nada, nada professora’, da Edições do Oriente, e ‘Os três lugares de uma mulher’, da editora Salamandra. Há também dois textos, ‘Jogar com a cidade’, já publicado na colectânea ‘Viagens III’, das Letras Lavadas; e o poema ‘Calçada das Verdades’. Estes textos referem-se a um Macau pós-1999 e quero que cheguem a leitores de lá”, referiu.
Hoje Macau EventosFRC | Debate hoje sobre “Papel de Macau no Multilateralismo Chinês” Cátia Miriam Costa, professora e investigadora do Centro de Estudos Internacionais do ISCTE-IUL, em Portugal, vai estar hoje na Fundação Rui Cunha (FRC) para apresentar, a partir das 18h30, a sessão “O Papel de Macau no Multilateralismo Chinês”, integrada no ciclo “Roda de Ideias”. Segundo uma nota da FRC, a palestra incide sobre o tema da “transferência de Macau para a China, estabelecendo-a como uma Região Administrativa Especial, e a transformação da paisagem do território”. “Graças aos laços históricos com os países lusófonos, durante o período da Administração Portuguesa, Macau emergiu como um território cosmopolita, tradicionalmente aberto ao mundo. Esta longa exposição às ligações internacionais explica a base do papel que o governo central de Pequim atribuiu a Macau”, refere a proposta para esta conferência. Segundo a mesma nota, Macau tornou-se, neste processo, um dos “actores paradiplomáticos da China e a sede da organização internacional por ela criada, o Fórum de Macau”, sendo que o Governo Central alargou “o papel privilegiado de Macau, em matéria de relações externas para incluir as relações com os países de língua espanhola, o que nos leva a reflectir sobre o papel de Macau no multilateralismo chinês”. Cátia Miriam Costa é investigadora do Centro de Estudos Internacionais do ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, onde coordena o Grupo de Estudos de Política Global e Segurança. Dirige também a Cátedra de Inter-regionalismo e Governação Global no Instituto Europeu de Estudos Internacionais, em Estocolmo. Colabora, regularmente, com a Universidade de Macau (Instituto de Estudos Europeus e Instituto de Estudos Globais e Administração Pública), e ainda com a Universidade da Cidade de Macau.
Hoje Macau Eventos10 de Junho | Mostra de Eduardo Leal revela disparidades de Macau Foi divulgado esta quarta-feira o programa de mais uma edição das celebrações do 10 de Junho – Dia de Portugal, Camões e das Comunidades Portuguesas. O destaque de “Junho – Mês de Portugal” vai para uma exposição do fotojornalista Eduardo Leal, intitulada “The Insider”, onde se inclui o projecto “A Pataca”, centrado nas desigualdades económicas de Macau Os contrastes económicos de Macau, uma das regiões com o produto interno bruto per capita mais elevado do mundo, é um dos temas abordados por Eduardo Leal numa exposição por ocasião de “Junho – Mês de Portugal” no território. Eduardo Leal, fotojornalista residente em Macau há quatro anos, é este ano o artista em foco nas celebrações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas em Macau. “The Insider” tem inauguração a 5 de Junho a partir das 18h30 na Casa Garden. Entre os trabalhos que o portuense vai apresentar na exposição organizada pela Fundação Oriente na Casa Garden, está o projecto “A Pataca”, que aborda a dupla identidade da cidade onde reside há vários anos, centrada nas disparidades económicas consideráveis do território. “A exposição viaja através de várias reportagens e projectos que fiz em Macau. Quero contar estas histórias por dentro, mostrar os dois lados da moeda. Em Macau é impossível fugir desta dimensão económica do turismo e casinos”, disse o autor em entrevista com a Lusa. “São os dois lados da moeda. Olho para Macau como um espaço de contrastes: coisas tranquilas e a azáfama, zonas ricas e zonas pobres”, explicou. Leal trabalha como fotojornalista correspondente da agência France-Presse (AFP) e da Bloomberg, cobrindo o Sudeste Asiático, com foco em questões políticas e sociais. O seu trabalho tem sido reconhecido em concursos internacionais como os Sony World Photography Awards e o POY Latin America, e exposto internacionalmente, nomeadamente em Londres, Nova Iorque, Amesterdão, Viena, São Paulo e Hong Kong. Seguindo o tema lusófono das celebrações em Macau, Leal inclui também projectos realizados em Portugal e no Brasil. “Acompanhei um grupo de forcados amadores de Évora e pescadoras açorianas. No caso dos Açores, as mulheres não são vistas como trabalhadoras do mar, mas de terra, e acompanhei a luta delas nesse espaço”, recordou. Imagens do Sul O fotógrafo expõe também um trabalho que documenta as comunidades que residem em “grande isolamento” nos Lençóis Maranhenses, o maior campo de dunas da América do Sul, no nordeste do estado do Maranhão, e outro sobre o maior festival religioso do mundo, o Kumbh Mela, na Índia. “Residi durante dois meses com um Saddhu, um homem sagrado que conheço. No ano em que fiz o projecto, 2019, eram cerca de 120 milhões de pessoas durante os dois meses do festival. No maior dia estiveram reunidas 50 milhões. Portugal teve presença na Índia, não nesta zona, mas temos essa ligação”, sublinhou. A curadoria da exposição é assinada pela artista chinesa Julia Lam. “Quis que fosse uma curadora local para criar uma ponte com o sítio onde estamos. Apesar de ser o mês de Portugal, achei adequado”, disse Eduardo Leal. O programa inclui visitas guiadas a escolas em 11 e 12 de Junho, a palestra “Narrativas Invisíveis”, no dia 17, em diálogo com Lam, e um workshop pago de dois dias, a 20 e 21, sobre criação de narrativas visuais, intitulado “From a Single Shot to Visual Narrative”. “A palestra é um diálogo com a Júlia sobre os projetos, as histórias escondidas por detrás deles, o que acontece em campo, os desafios e as partes menos giras”, detalhou. “Na oficina, quero mostrar como se constrói uma narrativa visual e um projecto”, explicou ainda. Estão previstas visitas abertas ao público a 23 e 28 de Junho, o último dia da mostra. Será também lançado um livro de fotografia com conteúdos adicionais das reportagens. “O livro vai ter mais material das histórias que estão na exposição, para aprofundar o contexto”, acrescentou o fotojornalista. Leal está actualmente a preparar uma possível exposição que retrata as monjas bhikkhuni do Sri Lanka, sobre a ordenação feminina no budismo. A ordenação de mulheres bhikkhunis é uma questão complexa no sul da Ásia, com o Sri Lanka a ser um dos poucos países que restaurou a linhagem feminina formal. Na Tailândia, o ordenamento de mulheres como monjas é proibido, obrigando as devotas a viajarem para o exterior, muitas vezes para o Sri Lanka, para o fazerem. “Foi um trabalho de oito anos, com muitas viagens à Tailândia e ao Sri Lanka”, disse Eduardo Leal.
Hoje Macau EventosComércio | Vinhos do Tejo promovem-se em Macau e Hong Kong O Artyzen Grand Lapa acolheu na segunda-feira uma prova de vinhos da região do Tejo, que contou com a participação de mais de 160 profissionais do sector, media e consumidores, segundo um comunicado da DOC DMC Macau. Após a apresentação em Macau, os produtores da região do Tejo partiram para Hong Kong para participar na Vinexpo Ásia, que arrancou ontem e termina esta quinta-feira. A presença nas regiões administrativas especiais insere-se numa estratégia contínua de promoção internacional, com o objectivo de reforçar a visibilidade e as parcerias na China. Sobre o evento em Macau, o responsável de marketing dos vinhos do Tejo, Martim Pestana, realçou a importância do mercado local para os vinhos portugueses. “Os nossos vinhos destacam-se pela frescura, versatilidade e excelente relação qualidade-preço, características que têm vindo a conquistar tanto profissionais como consumidores na Ásia”, acrescentou o responsável.
João Santos Filipe EventosPintura | Fernando Madruga Gomes estreia-se com exposição no Beco dos Artilheiros Mais de 100 quadros do artista de Macau estão em exibição na “Arkorigin Exposição a Solo”, até 12 de Junho, na escadaria de acesso à Fortaleza do Monte. A figura feminina é o principal tema da mostra Até 12 de Junho, mais de uma centena de pinturas de Fernando Madruga Gomes estão em exposição no Beco dos Artilheiros, na escadaria de acesso à Fortaleza do Monte, no evento denominado “Arkorigin Exposição a Solo”. A exibição marca a estreia do artista nascido em Macau. Entre os quadros com traços impressionistas, destacam-se os vários retratos femininos, muitos imaginados pelo artista, mas também de pessoas como a Princesa Diana ou Anita Mui, a actriz e cantora de Hong Kong. “Eu gosto de pintar retratos porque são as pinturas mais difíceis, e quando pinto gosto desse desafio, de nunca saber se vou conseguir fazer a pintura como quero ou se vou deixar o retrato por fazer, porque já não vou conseguir obter o resultado pretendido”, explicou Fernando Madruga Gomes, ontem, em declarações ao HM. Sobre a predominância da figura feminina, Gomes explica que a escolha se prende com o sentido estético: “Eu não vejo muita beleza nos homens para se traduzir em pinturas. Mas, nas expressões femininas acho que há ali muita beleza, que eu gosto de imaginar e de pintar, e também nas várias roupas que podem ser pintadas nos retratos, e que também são difíceis de desenhar. É uma beleza que se alia ao desafio de pintar elementos mais difíceis”, reconheceu. Os “modelos” utilizados nos retratos são provenientes de diferentes culturas exibindo roupas diversas. Em alguns casos a inspiração provém mesmo da animação, como o caso de um dos retratos em que surge uma mulher vestida como Navegante da Lua, uma inspiração da série de desenhos animados japoneses altamente popular. “No início utilizava modelos para as pinturas, só que nem sempre conseguia que as pessoas que estavam comigo fizessem as expressões que eu procurava. Por isso, com o tempo comecei a recorrer mais a imagens online para me inspirar e pintar”, admite o pintor. Os retratos surgem para Fernando também como uma forma de canalizar as suas emoções: “Quando estou a pintar as caras dos retratos, transmito algumas das minhas emoções, estou a lidar também com aquilo que sinto ou senti e que quero levar para a tela”, revelou. Pintar como cura Além de retratos femininos a exposição apresenta outros dois temas: gatos e flores. E os motivos destas temáticas na obra de Fernando Madruga Gomes têm propósitos opostos. “Pintar flores é algo mais fácil, algo que me sai de forma muito natural, e que tecnicamente não é assim difícil. É uma pintura quase de recuperação”, afirmou. “Não leva muito tempo, mas depois de pensar em como quero pintar as flores é fácil conseguir os resultados que pretendo, é uma pintura mais de recuperação, para relaxar”, reconheceu. No entanto, as obras com os gatos são mais pessoais, têm uma carga emocional maior, ligada à infância e ao crescimento, dividido entre Macau e o Pico, nos Açores. Os retratos de gatos são assim alguns dos animais com quem o artista partilhou parte da vida e dos quais guarda memórias. Filho do proprietário do restaurante Fernando, o pintor de 43 anos afirmou ao HM que a pintura surgiu na sua vida por acaso, depois de um acidente doméstico, por altura da covid-19. Quando fazia exercícios numa barra fixa, durante os confinamentos, Fernando caiu e partiu uma perna, depois da barra ter cedido. Internado no hospital, a pintura tornou-se uma forma de passar o tempo. “Antes de começar a pintar, uns 10 anos antes, tive alguma experiência, muito breve, no desenho de tatuagens. Só que não gostava da forma como desenhava, pelo que acabei por parar. Depois no hospital, para passar o tempo, comecei a desenhar, e percebi que era capaz de pintar”, confessou. Entre experiências e ímpetos, Fernando Gomes admite que em quase três anos pintou mais de 200 retratos. E muitos deles por impulso como aconteceu com o quadro da Princesa Diana. “Foi um quadro que resultou de um dia em que acordei e senti que queria pintá-la, não foi nada planeado. E durante dois dias estive à volta do quadro, sem dormir”, indicou. A exposição apresenta três pinturas de Diana, embora Gomes considere que não tem grande admiração pela figura. “Foram obras feitas por impulso, embora confesse que não são pinturas que me façam feliz, até me senti algo mal, devido à história trágica que a envolve”, contou. No entanto, um dos quadros, com o nome a Última Rosa, valeu Fernando Gomes um “Prémio de Ouro” na categoria de pinturas com óleo nos FADA – Future Art & Design Awards de 2025. Olhos no futuro A exposição “Arkorigin Exposição a Solo” marca a estreia do artista em Macau, e Fernando Madruga Gomes mostrou-se satisfeito por ter oportunidade de mostrar o seu trabalho, tão perto de uma das zonas mais icónicas da cidade, a Fortaleza do Monte. “Surgiu a oportunidade de mostrar os meus trabalhos neste espaço e achei que devia aproveitar a oportunidade. Tenho quadros mais do que suficientes para exibir, por isso, depois tive de fazer a escolha com base no local e no facto de saber que passam muitas pessoas aqui”, explicou sobre os trabalhos em exibição. “Acho que as pinturas em exposição são as mais interessantes para as muitas pessoas que passam por aqui, e foi esse o meu critério”, vincou. Em relação ao futuro, o pintor espera ter oportunidade de ter mais exposições, em diferentes locais, embora o foco esteja em pintar e fazer retratos. A exposição está disponível até 12 de Junho, entre as 7h e as 19h, com entrada livre.
Andreia Sofia Silva EventosA-Má | Nova edição de concurso literário aceita submissões até Setembro Está aberto o período de submissão de textos literários sobre Macau para a quarta edição do Prémio A-Má, da Fundação Casa de Macau, que visa premiar os melhores escritos sobre o território, nas vertentes de cultura e literatura. O objectivo é também divulgar e valorizar a identidade macaense. Os prémios vão dos 200 aos 500 euros A Fundação Casa de Macau volta a organizar mais uma edição do Prémio A-Má, que visa “incentivar e premiar a criatividade no âmbito da divulgação e valorização da identidade macaense”, destaca um comunicado. Até ao dia 15 de Setembro deste ano, os que escrevem sobre Macau podem enviar os seus textos, sendo este “um prémio de escrita”, com o conto a ser a modalidade do concurso. Este texto “pode ser uma narrativa real ou ficcionada”, com o tema a dever ser relacionado com Macau e/ou a cultura macaense, “sob qualquer perspectiva ou interpretação do autor”, explica a fundação. Há prémios pecuniários para os vencedores, que começam nos 200 euros para o terceiro lugar, 300 euros para quem fica em segundo lugar e, finalmente, 500 euros para o primeiro lugar. O júri é composto por três elementos, sendo presidido pelo presidente do Conselho de Curadores da Fundação Casa de Macau e dois membros convidados pela fundação. Numa das sessões públicas de divulgação do prémio, em 2021, Jorge Rangel, presidente do Instituto Internacional de Macau, declarou que o Prémio A-Má visa chamar a atenção para a identidade muito própria da comunidade macaense, e não apenas para o território em si. “Temos de olhar para o amanhã, e crer que tudo o que está a ser feito, e da parte da Fundação também, é olhar para esse amanhã e para esse reforço da identidade.” O responsável disse ser fundamental esse trabalho de preservação tendo em conta “as enormes mudanças” que Macau tem tido. “A Grande Baía é agora o grande projecto do Governo da RAEM, sendo uma iniciativa do Governo Central. Com o crescimento de Hengqin, e todo este crescimento rápido [traz] enormes potencialidades, há muito que fazer. Este é apenas um pequeno trabalho”, acrescentou na altura. Letras orientais A última edição do concurso, a terceira, teve lugar em 2023, tendo sido atribuído o primeiro prémio a Ester Liñares, com o texto “Mui Wong”. Em segundo lugar ficou “A Jornada de Nina”, um trabalho literário de Rute Taveira. Em 2022, Evirges Aparecida Salgado arrecadou o primeiro prémio com “Enigma da Primeira Lua”, seguindo-se os segundos lugares ex-aequo ganhos pelo jornalista e ex-residente de Macau, João Botas, com o texto “Macau Sempre”; e Shee Va, que escreveu “Tomásia”. Na edição de 2021 Caroline Pires Ting, investigadora, ficou em primeiro lugar ex-aequo com o texto “Ressonances between Tao Yuan-Ming (365-427) and Camilo Pessanha (1867-1926): The Paradise as utopic escape”. Ana Cristina Alves, ex-professora da Universidade de Macau e coordenadora do centro educativo do Centro Cultural e Científico de Macau, foi também a primeira classificada com o trabalho “Delírios de A-Má”. Fátima Almeida, residente em Macau, ex-jornalista e actualmente professora universitária, ficou em segundo lugar ex-aequo com o conto “When I first Heard Kun Iam’s Voice”.
Hoje Macau EventosIIM | Imagens de Roberto Badaraco em exposição O Instituto Internacional de Macau (IIM) apresenta, a partir do próximo dia 5 de Junho, uma nova mostra de fotografia. “Natureza de Macau: Aves e Flores” é exibida na H2H (Hold On to Hope), da Associação de Reabilitação de Toxicodependentes de Macau (ARTM), situada na vila de Ká-Hó, em Coloane. Roberto Badaraco, macaense e conhecido por “Bobby” é um “entusiasta de fotografia que cedo, aos oito anos, tomou gosto por ela”, tendo continuado a fotografar depois de se ter aposentado da Polícia Judiciária. O IIM explica que nessa fase da sua vida “passou a dedicar-se quase inteiramente a extrair da sua Canon EOS-1D X e Fujifilm X-T3, fotografias temáticas sobre a natureza”, sendo que “flores e pequenos insectos constituem o seu especial interesse”, sem esquecer as aves. “Bobby” tem apresentado parte do seu trabalho fotográfico nas redes sociais, com imagens que são “fruto da sua paciência e objecto de grata memória”. Já expôs no Encontro dos Macaenses em 2016, através do Instituto Internacional de Macau (IIM). A sua mais recente mostra aconteceu em 2024, no Auditório do Carmo, na Taipa. Esta exposição nasce de uma parceria entre o IIM e ARTM, em colaboração com a Escola Secundária Luso-Chinesa Luís Gonzaga Gomes, divulgando-se “a rica variedade de aves que existe em Macau, de um conjunto de mais de 400 espécimes, bem como as suas características distintas da natureza”. A exposição pode ser vista na galeria da ARTM até ao dia 28 de Junho.
Andreia Sofia Silva EventosCasa de Macau exibe documentário “Som Tam”, de Vanessa Pimentel É exibido esta quarta-feira, dia 27, o documentário “Som Tam: Um Tailandês em Macau”, da autoria da realizadora Vanessa Pimentel, um projecto apresentado em 2023. A exibição acontece na Casa de Macau em Lisboa a partir das 15h30, sendo este documentário um “retrato da multiculturalidade de Macau”. Vanessa Pimentel estará presente na sessão, seguindo-se um debate após a exibição, coordenada por Ruka Borges, também ele realizador e Gonçalo Magalhães. Ambos asseguram “o enquadramento temático do filme”. O documentário em questão fez parte da programação de uma das edições do Festival Macao Films and Video Panorama, tendo o “mérito de nos trazer uma abordagem da vasta multiculturalidade que prolifera em Macau, trazendo a prespectiva da comunidade tailandesa de Macau”, explica a sinopse da autoria da Casa de Macau. Neste festival, a realizadora venceu dois prémios, o “Grand Jury Prize” e ainda o “Audience Choice Awards”, atribuídos pela Associação Audiovisual CUT. História peculiar É certo que Macau “é tradicionalmente conhecida como uma cidade multicultural devido à sua influência e raízes europeias”, descreve ainda a sinopse do documentário, sendo que, nos últimos anos, se transformou “numa economia próspera e um lar para muitos estrangeiros de diferentes nacionalidades”. “Som Tam” aborda a história da comunidade tailandesa em Macau, seguindo JJ, Sakol, Kay e a sua família, Ian Ian e Chatsada, e as vivências de espaços tailandeses em Macau como um supermercado, um restaurante e um festival de rua que há várias décadas se realiza no território. Todos estes elementos “estão reunidos em Macau como cenário”, contando a história de uma comunidade. O documentário espelha também “inúmeras emoções e conflitos que existem num processo de emigração”, nomeadamente sentimentos de “curiosidade, novidade, enfrentamento de outras realidades culturais, incerteza; e que podem mesmo ser sentimentos contraditórios”. Há, depois, o “equilíbrio e a capacidade de nos adaptarmos mais ou menos à cultura do outro, e adoptar ou não hábitos como se fossem nossos, num processo de transformação, onde também partilhamos os nossos costumes com o outro, numa busca por um lar”, descreve a sinopse. Ligada à câmara Vanessa Pimentel nasceu em 1978 em Lisboa. Em 2000, enquanto frequentava o curso de Filosofia na Universidade de Lisboa, começou a trabalhar como assistente de edição no cinema. Abandonou o curso e, desde então, tem trabalhado como montadora de filmes, coordenadora de pós-produção e, mais tarde, como supervisora de continuidade. Trabalhou em várias produções de cinema e documentários, como “Goodnight Irene” (prémio de longa-metragem narrativa no New Orleans Film Festival), “April Showers” (International Rotterdam Film Festival, IndieLisboa International Film Festival e Hamburg Film Festival) e “Go with the Wind” (melhor documentário no Extrema Doc e competição nacional no IndieLisboa International Film Festival). Em 2008, começou a trabalhar em produções portuguesas no estrangeiro. Filmou em Espanha, China continental, Macau, Istambul e Moscovo. Em Abril de 2010, mudou-se para Macau, e continua a trabalhar como realizadora, sendo também um local onde tem vindo a aprimorar outras competências.
Hoje Macau EventosCURB | Fotografias vencedoras de concurso exibidas na próxima semana Já são conhecidas as imagens vencedoras do mais recente concurso de fotografia de arquitectura organizado pelo CURB – Centro de Arquitectura e Urbanismo, e que serão exibidas numa exposição a partir do próximo dia 30 de Maio, na Ponte 9, com a cerimónia de lançamento a começar às 17h. Nicholas Mok arrecadou o primeiro prémio na categoria “Grupo Aberto”, seguindo-se Ip Man Heil no segundo lugar e Chan Peng Nam em terceiro. O júri do concurso atribuiu ainda menções honrosas a Chan Ka Fong, Ip Man Hei e Nelson Silva, entre outros. Na categoria “Grupo de Estudantes” venceu Yeung Hou Sam, seguindo-se Huang Jonson e Dong Laingyu no segundo e terceiro lugares, respectivamente. Também nesta categoria foram atribuídas diversas menções honrosas. Aquela que foi a quinta edição do Concurso de Fotografia Arquitectónica de Macau mostra a “relação entre pessoas e o ambiente construído de Macau”, tendo sido recebidos 306 fotografias apresentadas a concurso por 143 participantes. O CURB diz que os trabalhos “foram avaliados por um painel de jurados experientes que seleccionaram as melhores fotografias para o tema deste ano, tendo em conta a sua qualidade artística e técnica e a originalidade da visão”. A exposição pode ser vista até ao dia 20 de Junho. Este concurso “desafiou os participantes a explorar a relação entre as pessoas e o espaço, e a captar os momentos em que a arquitectura ganha vida”, explica o CURB.