Cultura | Macau participa no programa “Saracoteio – Dança no Ecrã”

Macau, Portugal e Cabo Verde unem-se num programa que celebra a dança em conjunto. O SARACOTEIO – Dança no Ecrã acontece em Macau em Dezembro, no ROLLOUT Dance Film Biennale 2026, com apresentações prévias em Cabo Verde e Portugal nos meses de Setembro e Outubro. Nesta fase, decorrem as convocatórias de artistas

Acontece este ano um programa que celebra a dança e visa também a união entre países e territórios de língua portuguesa. O SARACOTEIO – Dança no Ecrã, reúne dança e vídeo num só evento, estando nesta fase a decorrer a selecção das participações de artistas e grupos não apenas de Portugal, mas também de Macau e Cabo Verde. As parcerias fizeram-se com o Festival Uabá de Cabo Verde e o ROLLOUT Dance Film Biennale 2026-2027 de Macau.

Segundo uma nota oficial da organização, o SARACOTEIO visa “promover a videodança e o filme dedicado ao corpo performático na comunidade de países de língua oficial portuguesa”, sendo que os projectos seleccionados serão apresentados na RAEM em Dezembro, no ROLLOUT Dance Film Biennale 2026-2027.

Mas antes, decorrem apresentações no Festival Uabá, na Ilha de Santiago, Cabo Verde, entre os dias 21 e 25 de Setembro; e depois na 34.ª Quinzena de Dança de Almada – International Dance Festival, em Portugal, entre os dias 25 de Setembro e 11 de Outubro.

A convocatória pede “autores e produtores de filme e vídeo de dança”, que sejam naturais ou residentes de Portugal, Macau e Cabo Verde, e que têm até ao dia 30 de Abril para submeter os projectos. No caso de Macau, os projectos podem ser submetidos à organização do festival ROLLOUT.

Uma das regras para a submissão de propostas é que estas devem ser “apresentadas por realizadores, coreógrafos, companhias de dança ou outras instituições afins que detenham direitos de apresentação de som e imagem”. Serão tidos em conta elementos como a “qualidade técnica e artística do vídeo”, o “desenvolvimento do conceito” e a “qualidade performativa apresentada”.

Eventos de celebração

No caso do festival ROLLOUT, nasceu em Macau e teve a sua primeira edição há exactamente dez anos, descrevendo-se como “um festival bienal de cinema de dança”. A programação inclui, habitualmente, concursos internacionais, exibições de filmes seleccionados, partilhas de artistas, workshops, digressões de exibição e produções encomendadas, entre outras actividades.

O objectivo é, segundo o website do festival, “construir uma plataforma de cinema de dança em Macau que promova possibilidades criativas multifacetadas e redes de intercâmbio”.

Por sua vez, a Quinzena de Dança de Almada – International Dance Festival realiza-se todos os anos e oferece “ao público um conjunto de actividades bem representativas da dança nacional e internacional”. Constitui-se, segundo a organização, como “um espaço de partilha, dedicado à apresentação e promoção da Dança Contemporânea”.

O festival foi criado em 1992 pela Companhia de Dança de Almada, e oferece, além de espectáculos de dança, actividades como workshops, encontros, acções de formação e partilha, exposições, performances digitais ou videodança. O evento tem ainda ligação à Plataforma Coreográfica Internacional, permitindo-se a participação de companhias e criadores independentes de Dança Contemporânea de todo o mundo.

31 Mar 2026

Casa de Portugal conquista “Prémio de Melhor Criatividade” em Desfile

A Casa de Portugal em Macau (CPM) sagrou-se vencedora do “Prémio Melhor Criatividade” atribuído no contexto da participação no Desfile Internacional de Macau 2026. A Associação Casa do Brasil recebeu o “Prémio de Melhor Actuação”, tendo sido ainda distinguidas outras associações locais.

O desfile decorreu este domingo pelas ruas do centro histórico e visou “transmitir a cultura da Rota Marítima da Seda”, tendo sido apresentadas “diversas actuações artísticas na construção da imagem de uma Macau Cultural vibrante”, destaca uma nota do Instituto Cultural (IC).

A parada, que contou com apoios de diversas operadoras de jogo, terminou na Praça do Lago Sai Van e teve como tema “A Rota Marítima da Seda como uma ponte para o intercâmbio cultural”.

No desfile estiveram presentes elementos da cultura chinesa como as folhas de chá, a porcelana e a seda, apresentando-se o “VIVA”, a mascote que, “através de sonhos e viagens”, foi demonstrando aos presentes algumas das características da cultura chinesa e da Rota Marítima da Seda.

História nas ruas

Segundo a mesma nota, “a história [contada através do desfile] começou numa misteriosa noite em que VIVA recebeu uma revelação do Deus do Mar”, e a mascote descobriu depois que tinha de “empreender uma missão de transmissão cultural com três embaixadores culturais, em representação do chá, da porcelana e da seda”.

Desta forma, o público e os grupos artísticos participantes “foram levados numa viagem imersiva” em que “paisagens e arte se fundiram e a antiguidade e modernidade coexistiram”. Pelas ruas de Macau o VIVA e seus “amigos embaixadores” encontraram uma exploração de “Jóias do Oceano”, “Cerimónia do Chá Aromática”, “Cavalgando as Ondas”, “Paisagem da Europa Continental” e “Galáxias Entrelaçadas”, e que “cumpriram finalmente a sua missão”.

Depois, na Praça do Lago Sai Van, aconteceu o espectáculo final “apresentado por grupos artísticos estrangeiros e locais”, onde se exibiu “uma diversidade de formas de artes, incluindo dança, acrobacia, andas, actuações em monociclos, instalações gigantescas de balões e percussão”.

Para o IC, “este espectáculo exibiu o encanto único de Macau como um importante nó na Rota Marítima da Seda através de diversas actuações culturais e artísticas”. Mas o Desfile continua com mais actividades de extensão, nomeadamente três actuações agendadas para o dia 4 de Abril e que se integram na iniciativa “Onde a cultura floresce, a felicidade acontece”.

Estas são apresentadas na Área de Lazer do Edifício Lok Yeung Fa Yuen, no bairro do Fai Chi Kei e no Jardim do Mercado do Iao Hon. Participam diversos grupos artísticos, incluindo a Associação Cultural Indiana e Saúde de Macau, a Associação do Santo Ninõ de Cebu em Macau, a Associação Bisdak de Macau, a Associação Internacional de Dança Oriental de Macau e a Macau Youth Street Dance Association.

Desta forma, fica demonstrado, segundo o IC, “as culturas da Índia, Filipinas e a dança de rua de Macau, trazendo-se vibrações multiculturais à comunidade”.

31 Mar 2026

Concerto | Wu Bai & China Blue, banda de Taiwan na Galaxy Arena em Junho

São chamados os reis do rock em chinês e a sua longa experiência nos palcos, desde 1992, parece comprovar isso mesmo. Os Wu Bai & China Blue actuam em Macau nos dias 6 e 7 de Junho no âmbito da digressão “Rock Star 2 World Tour”, na Galaxy Arena. Oportunidade para voltar a ouvir clássicos, ou então descobri-los pela primeira vez

Macau prepara-se para receber um dos maiores grupos de rock chinês criado nos anos 90. Trata-se dos Wu Bai & China Blue, banda de Taiwan liderada por Wu Bai, nome artístico de Wu Chun-lin, e formada pelos músicos Dean Zavolta na bateria, Yu Ta-hao nos teclados e Chu Chien-hui no baixo. Estes três elementos compõem os China Blue.

Com preços que variam entre as 480 e 1.580 patacas, os bilhetes já estão à venda para os dois espectáculos na Galaxy Arena, no Cotai.

Wu Bai é considerado o “Rei dos Espectáculos ao Vivo”, ou do rock chinês. Segundo informação disponibilizada pela Galaxy, “Wu Bai e a sua banda, formada em 1992, são celebrados pelo seu estilo rock distinto, letras cheias de paixão e performances com muita energia”.

Os dois concertos de Junho marcam o regresso de Wu Bai a Macau depois “de um hiato de dois anos”, destaca a organização. O público pode “testemunhar a sua influência intemporal e a energia incomparável dos espectáculos ao vivo”, da banda. De destacar que a digressão mundial “Rock Star 2 World Tour”, onde se integram estes dois espectáculos, já passou por vários palcos, “recebendo aclamação generalizada e esgotando salas”, é descrito.

Nome marcante

Segundo o website oficial da banda, “Wu Bai é uma das maiores estrelas de rock do universo da música em mandarim”, sendo que esta aventura pelos palcos começou nos idos anos 90. Além de criar a sua própria música, também compõe para outros artistas, como é o caso de Andy Lau ou Jacky Cheung, só para enumerar alguns.

As primeiras músicas de Wu Bai chegaram ao mercado em 1990, com o álbum de compilação “Totally Untuned”, e depois com “Feast”, editado em 1991. “A cena musical taiwanesa notou imediatamente este cantor-compositor único”, lê-se no mesmo website.

O público depressa percebeu que Wu Bai “conseguia escrever música e letras tanto em mandarim como no dialecto taiwanês, além de produzir e arranjar a sua própria música”, o que era “algo inédito para um artista taiwanês na época”. Destacavam-se ainda “a habilidade com a guitarra e sonoridades blues e rock, o que impressionou críticos e o público em toda a região”.

O primeiro álbum a solo surgiu em 1992, com “To Love Somebody is the Happiest Thing”, sendo que, nesse ano, o China Times Express considerou o disco “o álbum mais inovador do ano”.

Depressa percebeu que não podia continuar sozinho em palco e formou os China Blue, “fazendo digressões por várias cidades de Taiwan e trabalhando em bandas sonoras”. Depois, surgiu, em 1994, o segundo álbum, “Wanderer’s Love Song”, com mais de 600 mil cópias vendidas até aos dias de hoje não só em Taiwan como também em Hong Kong, Singapura ou Malásia.

Desde 2011, até hoje, Wu Bai continua a subir aos palcos com a mesma energia de sempre e acompanhado pelos China Blue. Os 20 anos de carreira foram celebrados com a digressão “Big Thanks”, enquanto que os 25 anos foram marcados com “South Wind”. Em 2018, chegou a digressão “Rock Star”.

Em 2023, Wu Bai lançou um novo disco, que em inglês se pode chamar “The Pure White Starting Point”, não se tratando de um “novo Wu Bai, mas sim de um novo começo”, na vida e como artista. No ano seguinte seria lançada uma colectânea de dois discos intitulada “How To Be a Rock Star – Wu Bai and China Blue”, com canções gravadas ao vivo.

30 Mar 2026

“Verdes Anos” exibido hoje na Cinemateca

A programação da Cinemateca Paixão passa hoje pelo cinema português, exibindo um clássico a preto e branco. Trata-se de “Verdes Anos”, de Paulo Rocha, 91 minutos filmado em 1963 e um dos exemplos do chamado “Cinema Novo” feito em Portugal.

O filme, exibido a partir das 19h30, conta as histórias de Júlio e Ilda, dois jovens da classe operária a tentar vingar em Lisboa, capital portuguesa onde a vida pode ser desafiante. Ele tem 19 anos e procura emprego, e um acidente leva-o a conhecer Ilda, que trabalha como empregada doméstica. Na cidade, a sua relação será marcada pela tragédia. Destaque para o facto de a banda sonora do filme ter sido composta por Carlos Paredes, grande mestre de guitarra portuguesa. “Verdes Anos” tornou-se uma das suas composições mais conhecidas.

A exibição de “Verdes Anos” acontece no contexto da secção especial da Cinemateca “Amor, Amor, Amor: Uma série de romance apaixonado”, que pretende revelar diferentes histórias de paixão no cinema. Amanhã exibe-se, por exemplo, outro clássico do cinema alemão, “O medo come a alma”, de Rainer Werner Fassbinder, onde o preconceito se junta ao amor.

Nesta história revela-se a história de Emmi, uma mulher viúva e solitária de 60 anos, que trabalha como empregada de limpeza, que um dia decide combater a solidão e entrar num bar essencialmente frequentado por emigrantes. Lá conhece Ali, que ousa convidá-la para dançar. Depressa a relação entre eles se torna incómoda aos olhos da sociedade. “O medo come a alma” pode ser visto a partir das 21h30 deste sábado, 28.

Prata da casa

Também amanhã, pode ser revisto o novo filme de Tracy Choi, “Girlfriends”, que teve a sua estreia mundial na secção “Vision Asia” do Festival Internacional de Cinema de Busan, na Coreia do Sul.

Também amanhã se exibe, a partir das 16h30, “Iniciantes”, de Mike Mills, revelando-se a história de Oliver, um designer gráfico que se sente atraído por Anna, uma mulher livre e imprevisível. Só as recordações do pai vão dar espaço a Oliver para se permitir estar numa relação longa e com um compromisso sério. Este domingo exibe-se outro clássico do cinema, mas desta vez francês, “Jules e Jim”, já com sessão esgotada. Também a sessão “Os Encontros em Paris”, de 1995, agendada para este domingo, já está esgotada.

27 Mar 2026

Ka-Hó | Botânica e expressões artísticas pelas mãos de Kris Wong

A Galeria H2H (Hold On To Hope), da Associação de Reabilitação dos Toxicodependentes de Macau, acolhe a partir da próxima semana, 4 de Abril, uma nova exposição. Trata-se de “Botanique Cabinet: Life, Memory and Meaning”, de Kris Wong, onde a artista revela a conjugação da botânica com a expressão artística

Há uma nova mostra para ver, a partir do próximo dia 4 de Abril na pacata vila de Ka-Hó, Coloane. E se a natureza abunda na ilha, também é de natureza que se faz a nova exposição patente na Galeria H2H (Hold On To Hope), um projecto da Associação de Reabilitação dos Toxicodependentes de Macau (ARTM) que visa conjugar a recuperação de comportamentos aditivos com expressões artísticas e realização de projectos pessoais.

A galeria tem dado palco a diversas iniciativas de apoio à ARTM ou de divulgação de artistas locais, e desta vez é Kris Wong que apresenta o seu trabalho, na mostra “Botanique Cabinet: Life, Memory and Meaning”. Aqui, a artista procura conjugar o universo da botânica e da preservação de plantas com o mundo da arte.

Nesta exposição em nome próprio, Kris Wong “justapõe espécies de plantas preservadas e arte botânica”, a fim de “interrogar a dupla natureza do meio”. Isto porque, segundo descreve a nota sobre a exposição, “embora as flores mantenham a sua identidade orgânica original, a sua reorganização em objectos estruturados e funcionais cria uma tensão deliberada entre o vivo e o inerte”.

Desta forma, neste projecto o que Kris Wong procura fazer é “examinar a interacção entre a forma orgânica e a construção artificial, utilizando materiais botânicos preservados para explorar os limites do mundo natural”. O que se faz é uma revelação das plantas “como artefactos bioculturais que ligam a diversidade biológica à identidade cultural e actuam como testemunhas materiais de histórias pessoais e colectivas”.

Exploram-se, nesta mostra, ideias ou conceitos como a etnobotânica, convidando-se o público a reflectir também sobre os estudos críticos sobre plantas e a forma como estas “moldam e são moldadas pela experiência humana, actuando como pontes entre a natureza, a cultura e o significado”.

Segundo a ARTM, “cada espécime e obra de arte oferece uma perspectiva única sobre a resiliência, a perda e o significado duradouro da vida vegetal na definição de quem somos”. “Esta exposição questiona como preservamos a memória e a identidade através de objectos naturais, e como as plantas moldam – e são moldadas por – as emoções, a cultura e o significado humanos”, descreve a organização.

Arte e ensino

Kris Wong não só é artista como também tem desenvolvido um intenso trabalho em torno do universo das plantas e da sua preservação. É também educadora, trabalhando, portanto, “na intersecção entre a preservação de espécimes vegetais, a colagem de flores prensadas e a arte botânica em técnica mista”. É formada em preparação e conservação de espécimes, com o curso feito no Reino Unido, e pertence também à World Press Flower Guild, tendo seis anos de experiência na criação de espécimes botânicos e zoológicos.

No território, ministra workshops e cursos “que ensinam todo o fluxo de trabalho — desde a secagem e prensagem até ao tingimento, montagem e emolduramento a vácuo —, orientando os alunos a transformar espécimes feitos por eles próprios em designs que tratam as plantas tanto como objectos científicos quanto como linguagem visual táctil”, explica a ARTM.

Desta forma, Kris Wong procura sempre fazer uma ponte “entre a criação de espécimes e a investigação psicológica sobre memória, stress e resiliência”, tratando as plantas como um “património biocultural”. Para ela, são “testemunhas materiais de histórias pessoais e colectivas que transportam significados através de rituais, festivais e da vida quotidiana”.

27 Mar 2026

Igreja S. Domingos | Orquestra de Macau interpreta música sacra de Bach

Está agendado para o próximo dia 2 de Abril o concerto “Presente de Páscoa: Paixão Segundo São João”, protagonizado pela Orquestra de Macau (OM) na Igreja de S. Domingos, e que apresenta a “obra-prima da música sacra de Bach”, descreve uma nota do Instituto Cultural (IC). Destaque para o facto de o espectáculo acontecer na véspera da sexta-Feira Santa, a partir das 20h.

A OM será dirigida pelo maestro britânico Laurence Cummings, contando-se com a colaboração de vários cantores europeus de música antiga e do Coro Filarmónico de Hong Kong. Para este concerto, a OM “convida o público a purificar a alma com música sacra e a reflectir sobre a fé e a santidade expressas nesta obra-prima, na véspera da sexta-feira Santa”.

A composição “Paixão Segundo São João” baseia-se nos capítulos 18 e 19 do Evangelho de São João e é tida como “uma das obras sacras mais representativas de Bach”, retratando, “de forma expressiva e através de uma linguagem musical requintada e de cariz dramático, a experiência de Cristo antes da crucificação”.

O concerto conta também com o tenor Nicholas Watts, a soprano Miriam Allan, o baixo Callum Thorpe e a contralto Sophie Harmsen, aos quais se aliará o Coro Filarmónico de Hong Kong. O concerto terá uma duração aproximada de 2 horas e 15 minutos, incluindo um intervalo. Os bilhetes estão à venda na Bilheteira Online de Macau e custam 200 patacas.

26 Mar 2026

Panchões | Sands Gallery acolhe mostra com curadoria de Ung Vai Meng

O ex-presidente do Instituto Cultural faz a curadoria de uma nova mostra sobre a história da produção de panchões em Macau. Até Agosto estará patente “Um Século da Fábrica de Pólvora Iec Long em Esplendor – Uma Exposição sobre a História Ressonante e a Memória Estética dos Panchões de Macau”, na Sands Gallery no Cotai

A história da produção de panchões em Macau volta a contar-se, com outros contornos, numa nova exposição organizada pela Sands China em parceria com a Universidade de Ciências e Tecnologia de Macau (MUST). Patente na Sands Gallery, que fica no hotel Four Seasons no Cotai, até ao dia 31 de Agosto, “Um Século da Fábrica de Pólvora Iec Long em Esplendor – Uma Exposição sobre a História Ressonante e a Memória Estética dos Panchões de Macau” tem curadoria de Ung Vai Meng e promete revelar muitas histórias ao público.

A iniciativa nasce de uma parceria com o meio universitário a fim de “preservar o património dos panchões de Macau”, destaca a organização numa nota. Além disso, as mais de 400 peças expostas celebram o centenário da Fábrica de Panchões Iec Long, hoje transformada em espaço de lazer e cultura na Taipa Velha.

As peças expostas incluem “manuscritos originais, ferramentas de fabrico de foguetes e rótulos de embalagens”, oferecendo aos visitantes “uma narrativa rica e multifacetada sobre a história centenária e a importância cultural da indústria de foguetes de Macau, outrora uma das quatro principais indústrias da cidade”.

Nesta mostra colaboram a Biblioteca e a Faculdade de Humanidades e Artes da MUST. Segundo um comunicado divulgado pela Sands China, a exposição “assenta em bases históricas e científicas sólidas”, uma vez que o antigo presidente do Instituto Cultural, e um dos mais reconhecidos artistas de Macau, “dedicou três décadas ao estudo” da indústria de panchões.

O que se mostra na Sands Gallery é fruto da “consolidação sistemática de investigação académica e de raros materiais de arquivo”, considerada pela organização como a “primeira exposição a traçar, investigar e apresentar de forma abrangente o desenvolvimento da indústria”, o que permite ampliar “o impacto da revitalização da Fábrica de Panchões Iec Long”.

Uma “experiência imersiva”

A exposição está dividida em seis partes. A primeira apresenta “uma experiência imersiva introdutória, desenvolvendo-se através das histórias da indústria, do saber artesanal, de arquivos históricos, experiências interactivas e da estética do design de embalagens”. Destacam-se, depois, “o valor estético” dos panchões e as “realidades práticas da produção, operação, transporte e exportação”.

Na parte dois, intitulada “Traçando a história da indústria”, são explicadas “as origens, o crescimento, a transformação e a adaptação da indústria de panchões de Macau através de um conjunto diversificado de materiais de arquivo, incluindo registos oficiais do Governo, relatórios de comércio externo, mapas, fotografias e notícias”. Podem, assim, verificar-se “mudanças demográficas, políticas governamentais e forças de mercado” da época, revelando-se “a trajectória de desenvolvimento desta indústria tradicional”.

Na parte três da exposição, com o nome “Manifestação – O coração do artesão” pode saber-se mais sobre “os processos complexos e o ambiente de trabalho do fabrico de panchões”, com a presença de “tubos, ferramentas, ilustrações e imagens históricas que sobreviveram ao tempo, revivendo-se o espírito concentrado e meticuloso dos artesãos”.

Importância nos anos 50 e 60

Citado pela mesma nota, Ung Vai Meng referiu que “o fabrico de panchões foi uma das indústrias tradicionais mais importantes de Macau”, sendo que, “para muitos residentes mais velhos, representa uma memória colectiva partilhada no último século”. Ung Vai Meng adiantou alguns dados sobre este sector, já que, nas décadas de 50 e 60, “os panchões produzidos em Macau representavam entre 30 por cento e mais de metade da produção mundial, ocupando uma posição crucial no mercado internacional”.

“Tendo em conta o centenário da Fábrica Iec Long, é com grande satisfação que colaboro com a Sands China para apresentar esta exposição, permitindo ao público conhecer melhor esta história e apreciar a arte dos rótulos de embalagens. Espero que a exposição transporte os visitantes no tempo, fazendo ecoar um século que pertence unicamente a Macau”, acrescentou.

Destaque para o facto de a operadora de jogo ter colaborado nos últimos anos na revitalização da antiga fábrica de panchões na Taipa, antigamente ao abandono. Segundo Wilfred Wong, vice-presidente executivo da Sands China, essa revitalização foi assumida em 2023 e, desde então, a empresa tem investido “activamente recursos para dar uma nova vida a este importante período da história industrial de Macau, reimaginando-o como um símbolo cultural onde o património é renovado através da inovação”.

Nesta mostra, Wilfred Wong entende que se uniram “empresa e academia”, sem esquecer que também colaboram entidades como o Museu de Macau e o Arquivo de Macau.

Presença na Art Central

Destaque ainda para o facto de esta temática e exposição estarem presentes na Art Central de Hong Kong, evento cultural que decorre este fim-de-semana, até domingo, e que teve início ontem. A Sands China chama a atenção para o facto de ser “a primeira empresa do sector a participar na Art Central de Hong Kong como parceira associada”, apresentando no evento “a história e estética dos panchões de Macau ao público internacional, juntamente com obras de jovens artistas contemporâneos locais”.

Este domingo, às 15h30, no Art Central Theatre, Ung Vai Meng protagoniza a palestra “Aesthetics in a Square-Inch: A Century of Visual Culture Change Through Macao’s Firecracker Packaging” [Estética num centímetro quadrado: um século de transformação da cultura visual através das embalagens dos panchões de Macau].

Também na Art Central foi inaugurada um espaço de exposições da Sands China com mais de 40 obras de arte, incluindo trabalhos de três “jovens artistas promissores e visionários de Macau”, nomeadamente Lei Ieng Wai, Leong Chi Mou e Dor Lio Hak Man. Apresenta-se também “uma colecção histórica” proveniente da mostra patente na Sands Gallery, em Macau.

A história dos panchões revela-se em duas actividades de extensão presentes na MUST. Uma delas é a mostra “Timeless Treasures: Archival Materials of Macao’s Firecracker Industry” [Tesouros intemporais: Materiais de arquivo da indústria de fogos de artifício de Macau], patente entre 10 de Abril e 31 de Maio na biblioteca da MUST.

Além disso, desde o dia 10 de Março que pode ser vista a mostra “Historical Resonance: Firecracker Label Art From Eastern Guangdong” [Ressonância histórica: a arte dos rótulos de fogos de artifício do leste de Guangdong], no terceiro piso do bloco R da MUST. Esta parte da exposição está disponível para visitas até ao fim deste mês.

26 Mar 2026

Desfile internacional | Grupos musicais lusófonos marcam presença

Dois grupos musicais lusófonos, os CRASSH_Recycled de Portugal e a Associação Cultural MoNo de Moçambique, vão participar no Desfile Internacional de Macau, agendado para este domingo.

De acordo com o Instituto Cultural (IC) do território, os CRASSH_Recycled “levam o público numa viagem auditiva de descoberta” ao “explorar o som de objectos” como baldes, capacetes de segurança, ou objectos que vão encontrando. Entretanto, a Associação Cultural MoNo de Moçambique combina dança tradicional, percussão e canções ancestrais, inspirando-se em rituais, celebrações comunitárias e no simbolismo das tradições orais africanas.

O desfile deste ano terá um orçamento de 3,8 milhões de patacas e tem como tema “A Rota Marítima da Seda como uma ponte para o intercâmbio cultural”, promovendo a imagem de Macau como uma “janela vital para o intercâmbio cultural entre a China e o Ocidente”. Esta edição do desfile, organizado anualmente desde 2011, conta com mais de 10 grupos artísticos, cerca de 1.600 artistas, de países e regiões importantes enquanto centros da Rota Marítima da Seda na Ásia, Europa e África, bem como 50 grupos locais.

A Rota da Seda foi uma antiga e vasta rede de rotas comerciais, ativa entre o século II a.C. e o século XV, que ligava a China ao Mediterrâneo e Europa, facilitando o transporte de seda, especiarias e o intercâmbio cultural, religioso e tecnológico entre o Oriente e o Ocidente.

25 Mar 2026

Cheong Kin Man e Marta Sala, artistas: “As nossas obras expandem-se no tempo; vivem connosco”

Ele é natural de Macau e formado em antropologia. Ela é artista visual, natural da Polónia. Com um projecto artístico conjunto, Cheong Kin Man e Marta Sala estão de regresso ao Oriente para participar na mostra colectiva “Between Image and Index”, na Universidade Baptista de Hong Kong, e para dar uma palestra no domingo, integrada na programação da Art Basel de Hong Kong. Mas há também projectos programados para Macau

Até ao dia 12 de Abril está patente na galeria da Academia de Artes Visuais da Universidade Baptista de Hong Kong a exposição colectiva “Between Image and Index”, onde trazem o vosso projecto “Apocalipses”, com novidades. Que conteúdos pode o público ver?

Após uma decisão conjunta com uma das duas curadoras do evento, Tong Yang, que nos convidou a participar [na mostra de Hong Kong], decidimos trazer a nossa instalação em expansão, “Apocalipses”, e que foi originalmente encomendada para a Bienal de Macau de 2023. Trazemos a peça têxtil original, de dois por dois metros de comprimento, e um vídeo experimental original de 19 minutos. Também foi expandido o livro do artista, que originalmente tinha 60 páginas e que agora, graças ao patrocínio da Fundação Oriente, foi alargado para 720 páginas [edição de 2025]. Acrescentámos também mais três peças têxteis, de 70 por 70 centímetros, que ressoam o conceito original de auto-etnografia da nossa história familiar.

De que forma?

Mais concretamente, um século de migração familiar de Vilnius para a Sibéria, perto da Mongólia, antes do fim da I Guerra Mundial; depois de volta à Polónia durante as deslocações em massa no final da II Guerra Mundial até à vida pós-guerra no sul da Polónia, nomeadamente na região da Silésia, em Katowice. Também foram adicionadas, como um complemento conceptual, duas das 12 bandeiras que criámos para a nossa mais recente série de “happenings” em Berlim, intitulada “Neukölln Trans-Lingual”, e que consistiu numa série de acções artísticas ao ar livre de invenção de línguas para as comunidades multilingues de Berlim, com o intuito de quebrar o gelo entre estas, realizada em Outubro passado. Teve também lugar uma exposição pop-up.

Qual o tema desta mostra colectiva, e de que forma o vosso trabalho se conjuga com os restantes?

Marta Stanisława Sala (MSS): A exposição “Between Image and Index” explora como as imagens contemporâneas podem ser traços significativos que moldam a nossa percepção e compreensão do mundo material e imaterial. O nosso trabalho pode assemelhar-se a uma espécie de altar, inspirado na tradição polaca do “canto sagrado”, que é criado a partir de diferentes têxteis e camadas de narrações, mas movendo-se também com o movimento do ar no espaço. O trabalho pretende ser um convite à interacção como um corpo no espaço da exposição, onde se podem explorar posteriormente diferentes histórias de outras obras. Existem alguns pontos comuns, como diferentes línguas, motivos cosmológicos, jogos com diferentes formas e significados ou também arquivos de memória têxtil familiar.

Na palestra deste domingo na Universidade Baptista de Hong Kong [Pictoriality as Mediator], integrada na programação da Art Basel de Hong Kong, o que vão abordar, concretamente? Como se sentem por fazer parte desta importante feira de cariz mundial?

Cheong Kin Man (CKM): Esta palestra faz parte do programa directo da Art Basel Hong Kong denominado “Exchange Circle”. Claro que é uma grande honra fazermos parte deste programa e conectar, ou mesmo reconectar, o círculo artístico de Macau e Hong Kong, [algo que] tem sido o nosso principal objectivo nesta viagem a Hong Kong e Macau. A curadora principal da exposição, Janet Fong, bem como a curadora Tong Yang, têm a visão de ligar Hong Kong, Macau e Shenzhen a Berlim e Francoforte; sendo, portanto, uma honra juntarmo-nos como dupla que liga também Cracóvia e Katowice e, claro, Lisboa. Somos uma dupla [de artistas] que se baseia na investigação, pelo que participar na Art Basel Hong Kong significa também um envolvimento directo no cruzamento entre a academia, a arte e, se assim o categorizar, o mundo comercial, o que é algo novo para mim. Em relação ao tema da palestra é desafiante para mim, mas, como sempre, irei desconstruí-lo etimologicamente. Enquanto dupla dizemos sempre que trabalhamos sobre a linguagem e a sua ficcionalização como uma ferramenta crítica de pensamento, tanto através da arte como da antropologia. Mas, na verdade, trabalhamos na maioria sobre o visual ou a ficcionalização de sistemas de escrita. Portanto, basicamente, do meu lado, partilharei a minha reflexão sobre simbolismos abstractos com o público internacional presente.

MSS – Da minha parte irei discutir [o conceito de] “pictorialidade” através da vida física dos têxteis. Trabalho com restos de têxteis usados, como retalhos de algodão ou seda, que carregam histórias de produção, exploração e trabalho, mas também traços familiares íntimos. Alguns tecidos no nosso trabalho provêm do meu arquivo familiar; foram cosidos pela minha bisavó, pela minha avó ou pela minha mãe em diferentes épocas e nos vários locais onde viveram. A seda veio da China? Foi comprada noutro lugar? Estes materiais encerram múltiplas possibilidades e histórias orais. Nas nossas instalações, reunimos diferentes tempos e contextos. Procuro os vestígios de uso, como buracos, farrapos, as partes que se desmoronam. Para mim, a pictorialidade não é uma imagem perfeita e acabada, é uma sinfonia de memórias fragmentadas. Encontro beleza no toque imperfeito do trabalho feito à mão, mostrando pontos e remendos visíveis. Aliás, a nossa peça principal e o livro de artista ostentam uma dedicatória numa língua fictícia a “todos os seres que cometem erros”. A minha mediação foca-se na sustentabilidade e na impermanência, na imperfeição e na vulnerabilidade, mas também na força encontrada na pluralidade.

“Apocalipses” já foi mostrada na edição de 2023 da Bienal de Macau. Como se sentem por apresentá-la novamente a Oriente?

CKM – Tem sido uma surpresa ver como tanto Hong Kong como Macau são diferentes da minha imaginação diaspórica, sobretudo Macau, que tem sido totalmente bilingue na minha cabeça [português e chinês], sendo também falante de alemão e francês. O regresso com “Apocalipses” trouxe-me a oportunidade de perscrutar a passagem intermédia entre o que imagino de Macau entre Berlim e Lisboa, bem como aquilo em que Macau se tornou. Isto é algo essencial para a minha investigação de doutoramento sobre o cruzamento entre translingualismo, memória afectiva, arte e diáspora.

MSS – “Apocalipses” também cresceu física e conceptualmente. Esta peça é uma parte viva da nossa prática auto-etnográfica conjunta. Acreditamos na “reciclagem artística”, adicionando constantemente novos elementos das nossas diferentes actividades e viagens. As nossas obras expandem-se no tempo; vivem connosco. Esta apresentação em Hong Kong já é diferente das anteriores, e também devido aos novos diálogos que temos tido com o público. Por exemplo, um artista de Hong Kong que nos visitou, Ken Kan, apresentou-nos recentemente a tradição chinesa do “pak ka pei”, ou seja, “poupão das cem famílias” ou “manta da memória”. Esta ligação entre a minha tradição têxtil polaca e esta tradição local de preservação da memória é exactamente o tipo de “criação de significado” que o nosso trabalho pretende.

CKM – O Consulado Polaco, bem como o Instituto Goethe, ambos sediados em Hong Kong, mostraram entusiasmo pela nossa participação na exposição colectiva, bem como pelas nossas próximas iniciativas em Macau. Isso tem um significado muito especial para nós, pois queremos realmente partilhar a nossa experiência europeia com Macau, uma vez que agora partilhamos a vida entre Berlim, Lisboa, Cracóvia, Katowice e Macau, juntamente com algumas línguas de trabalho (português, alemão, inglês, cantonense, polaco, francês e mandarim). Um Berlim e uma Europa multilingues e translingues como formas de viver têm sido algo muito querido para mim. Isto não só moldou a minha identidade como alguém de Macau que passa um terço da sua vida no velho continente, mas também inspirou a minha prática de criar línguas ficcionais.

“As Espantosas e Curiosas Viagens”, mostra que já fizeram em Lisboa, apresenta-se em Macau em Julho, na Fundação Rui Cunha (FRC). O que trazem de novo?

CKM – Será, na FRC, a nossa primeira exposição em dupla na Ásia e será ajustada com as obras passadas, sendo também expandida com novas obras. Iremos explorar a forma como podemos transformar a nossa exposição e prática comunitária, especialmente a invenção colectiva de línguas, em algo teoricamente útil tanto para a antropologia como para os estudos de Macau. Planeamos alguns “happenings” [acontecimentos ou eventos], que esperamos muito conseguir organizar com participantes de grupos.

MSS – A exposição em Macau será bastante diferente da nossa recente mostra no CCCM [Centro Científico e Cultural de Macau] em Lisboa, feita no Verão passado. Estamos a produzir uma instalação central completamente nova baseada na nossa investigação mais recente. Sinto-me honrada por ter o patrocínio do Consulado Geral da Polónia em Hong Kong e Macau para a nossa participação na exposição “Between Image and Index” e o entusiasmo no apoio da nossa exposição em Macau. Para nós, tal significa mais do que um apoio formal, mas sim um intercâmbio de investigação significativo. As nossas discussões com o Consulado revelaram quão pouca presença cultural polaca existe actualmente em Macau, e sentimos uma forte missão de mudar isso. Ao tecer histórias e materiais polacos no nosso trabalho, estamos a estabelecer um novo caminho artístico entre a Polónia e Macau. Trabalhando intensamente com a nossa curadora, Sara Neves, e recolhendo roupas descartadas e histórias locais durante a nossa estadia, estamos a integrar todas estas novas experiências na mostra. A exposição já está montada, mas está a crescer para se tornar num ambiente artístico e antropológico imersivo.

25 Mar 2026

Gu Yue e 12 alunos da MUST a partir de hoje na Fundação Rui Cunha

A Fundação Rui Cunha (FRC) recebe a partir de hoje, às 18h30, uma nova mostra de arte colectiva intitulada “Intimate Immensity” [Intimidade Imensa] com trabalhos de Gu Yue e 12 alunos de doutoramento da Faculdade de Humanidades e Artes da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST), co-organizadora do evento.

Segundo uma nota da FRC, apresentam-se conjuntos de 17 obras “que representam diferentes formas e estilos”, criadas pelos alunos que receberam orientação de Gu Yue. Estes alunos são Wang Diyi, Meng Zihao, Li Ranqing, Jiang Hang, Zhong Xinzi, He Yiyan, Xu Chen, Wang Chao, Li Jielin, Zhou Zixuan, Wang Jianan e Qi Jiajun. As obras vão estar patentes até ao próximo dia 2 de Abril.

Na galeria da FRC poderão ver-se trabalhos de pintura a acrílico, óleo, aguarela, tinta-da-china, materiais compósitos, impressão e porcelana, sendo resultado de uma “exploração colectiva e a modelação visual de um grupo de jovens artistas que vieram estudar para Macau, vindos da China continental”.

Trata-se de exercícios artísticos que nasceram “das suas experiências mais íntimas”, podendo os observadores “mergulhar numa variedade de temas, incluindo a tensão emocional nas memórias familiares, a ansiedade interna numa sociedade competitiva e os sentimentos privados de dor física”, é revelado.

Espaço intercultural

O facto de estes alunos de doutoramento terem uma componente de “nómada”, por terem vindo estudar para Macau e estarem inseridos “na intersecção cultural única” do território, trazem para as obras de arte “perspectivas que contêm inerentemente a tensão e a riqueza de ‘entre-lugares'”.

O que se vê na exposição são, portanto, imagens que se tornam em “campos experimentais onde múltiplas memórias e as imaginações culturais colidem e se sobrepõem”.

O nome “Imensidão Íntima”, escolhido para titular esta exposição, “deriva da condição humana descrita pelo filósofo francês Gaston Bachelard, na sua publicação de 1958, ‘A Poética do Espaço'”, em referência a um “pequeno espaço físico privado que, através da imaginação poética, se pode vivenciar uma experiência interior infinita e vasta”, é dito na mesma nota.

Desta forma, os artistas que colaboram neste projecto “convidam os espectadores a mergulharem profundamente nestas imagens aparentemente ‘íntimas’, para perceberem as reverberações da ‘imensidão’ desencadeadas pelos tremores das vidas individuais, levando a uma melhor compreensão de si mesmos e dos tempos”, conclui-se.

24 Mar 2026

AMAGAO | Nova exposição chega esta semana ao Artyzen Grand Lapa

“ANO 4” é o nome que espelha a celebração: quatro anos de exposições na galeria AMAGAO, situada no Artyzen Grand Lapa, a apresentar arte em língua portuguesa e feita localmente. A partir das 18h30 desta quinta-feira, dia 26, o público pode ver uma exposição composta por trabalhos de Nuno Calçada Bastos e Ung Vai Meng, artistas locais, e também obras de Fátima Pena ou Álvaro Macieira

Há quatro anos nasceu em Macau uma nova galeria pensada para mostrar alguma da arte contemporânea que se produz no território e também no universo da língua portuguesa. A AMAGAO, localizada no Artyzen Grand Lapa, é hoje gerida por Lina Ramadas e pelo designer e artista macaense Víctor Hugo Marreiros, e celebra esta semana mais um aniversário com a “ANO 4”, que a partir desta quinta-feira, 26, revela ao público 37 trabalhos de 26 artistas naturais não apenas de Macau, mas também de Angola, Brasil, Moçambique, Portugal, Singapura e Timor-Leste.

Os amantes de arte e demais interessados poderão reconhecer alguns deles: Ung Vai Meng, que presidiu ao Instituto Cultural (IC) e que é um dos nomes mais relevantes da arte local, tendo exposto o seu trabalho além-fronteiras; ou Nuno Calçada Bastos, artista português e residente de Macau. Na lista dos artistas constam ainda nomes como Abel Júpiter, Alexandre Frade Correia, Álvaro Macieira, Ben Ieong, David Allen, Raquel Gralheiro ou Susy Bila.

Segundo uma nota enviada às redacções, a AMAGAO descreve este momento como sendo de celebração e partilha. “Desde a sua inauguração que a galeria se tem dedicado a promover artistas locais e internacionais, criando um ambiente vibrante para o intercâmbio cultural e a inspiração.”

Em jeito de balanço, é dito que, neste percurso de quatro anos, “vivemos exposições que desafiaram o pensamento, estimularam a criatividade e fomentaram diálogos significativos sobre arte e sociedade”. Desta forma, a AMAGAO descreve-se não apenas “como um espaço de exposições”, mas como uma galeria que proporcionou “um ponto de encontro para artistas, coleccionadores e amantes de arte em busca de novas perspectivas e experiências enriquecedoras”.

Os agradecimentos

Na mesma nota são referidos os colaboradores que, neste período, ajudaram a construir a AMAGAO, nomeadamente Rutger Verschuren, vice-presidente para Macau do Artyzen Hospitality Group e “equipa de colaboradores”, sem esquecer “a comunidade que apoia, integralmente, a missão” a que a galeria se propôs.

“Estamos entusiasmados com o que o futuro nos reserva e ansiosos por continuar a promover a arte como uma plataforma vital para a expressão e a conexão”, acrescenta a organização.

Susy Bila, uma das artistas que traz agora a sua arte a esta “ANO 4”, não é um nome novo em Macau, tendo realizado uma exposição em nome próprio na AMAGAO em 2023, “Paisagens Interiores”. Na altura, em entrevista ao HM, a artista moçambicana declarou que a “pintura não tem territórios”. Nessa mostra trouxe na bagagem 40 trabalhos feitos com acrílico sobre tela e tinta-da-china onde se revelavam “poemas em diálogo”, como um “reflexo” da relação da artista com a vida, “e da arte como um campo que se abraça a esta vida”.

Do mundo lusófono, chega ainda o trabalho de Álvaro Macieira, artista angolano que é também tantas outras coisas: jornalista, escritor e consultor cultural, nascido a 13 de Maio de 1958. Macieira foi ainda consultor e chefe do Departamento de Imprensa do Ministério da Cultura, sendo hoje membro da UEA – União dos Escritores Angolanos e da UNAP – União Nacional dos Artistas Plásticos.

Com mais de 40 exposições individuais e mais de 40 colectivas, apresentou obras em Paris, Washington, Moscovo, Berlim, Bremen, Dubai, Macau e Luanda. Entre as exposições mais marcantes que fez encontram-se “África Mitológica” (2000), “Catanas da Paz” (2002), “Luanda, Kianda – Cores da Terra” (2009), “África Yetu Kwuia” (2010), “Sínteses” (2020) e “Inspiração e Sagrada Esperança” (2024).

Relativamente a Macau, destaca-se ainda a presença de Alice Costa (Lili), que nasceu e estudou em Macau, tendo-se formado em Direito, e exercido na qualidade de juíza. Contudo, Alice Costa iniciou, desde cedo, uma relação profícua com a pintura, tendo participado num curso de pintura ministrado por Joaquim Franco na Casa de Portugal em Macau. Recentemente fez uma exposição em nome próprio na Creative Macau.

24 Mar 2026

Macau acolhe hoje Fórum Internacional da Gastronomia

A RAEM recebe hoje o “Fórum Internacional da Gastronomia, Macau”, inserido na Festa Internacional das Cidades de Gastronomia, Macau 2026, que começou na sexta-feira e termina domingo, dia 29. A iniciativa é organizada pela Direcção dos Serviços de Turismo (DST).

O fórum de hoje decorre no Centro de Convenções e Exposições da Doca dos Pescadores, e conta com representantes de 50 cidades que pertencem à Rede de Cidades Criativas da UNESCO, da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, criadores de conteúdos e ainda representantes do sector da restauração e académico, na qualidade de oradores.

O fórum tem como tema “Fusão Criativa: Reimaginando a Gastronomia para Além do Prato” e conta com o jornal South China Morning Post, de Hong Kong, como parceiro. Incluem-se três palestras temáticas e três discussões, com arranque às 9h30, e conclusão às 12h30.

Segundo uma nota da DST, o evento visa “promover a transmissão, inovação e intercâmbio das Cidades Criativas de Gastronomia, com vista a criar uma nova força criativa intersectorial e a destacar as vantagens de Macau enquanto plataforma de intercâmbio e cooperação internacional”.

No painel “Fusão Criativa: Reimaginando a Gastronomia para Além do Prato”, os oradores irão debater “como a cooperação intersectorial na área da gastronomia pode impulsionar o desenvolvimento de uma cidade criativa, combinando histórias, experiências e inovação, tornando-se numa nova força que liga a vida quotidiana e o desenvolvimento sustentável”.

Figuras famosas

Do rol de convidados pela DST contam-se personalidades como o gestor de projectos para o Programa da Rede de Cidades Criativas da UNESCO, Qiaobo Ni; e a chefe do Programa de Cultura Jovem e Herança Alimentar, do Gabinete de Juventude e Mulheres da ONU para a Alimentação e Agricultura, Flora Igoe.

Incluem-se também criadores de conteúdos do YouTube, nomeadamente dos canais “Korean Englishman”, de Josh Carrott, que conta com mais de 11 milhões de seguidores; e Ollie Kendal, do canal “Jolly”, que tem um total de 3,5 mil milhões de visualizações acumuladas.

Estes irão falar de “como se pode usar a câmara para apresentar o enredo cultural e histórias em torno da gastronomia, criando conteúdos que ultrapassem fronteiras e causem repercussão global”.

Nos painéis de discussão paralelos participam 13 convidados provenientes de Macau e do exterior a realizar um diálogo aprofundado, sendo que estes painéis se intitulam “Diálogo entre Cidades Criativas: Como gerar experiências de turismo comunitário criativas”; “Da Tradição à Inovação: Formação dos líderes culinários do futuro” e ainda “Criação de Conteúdos Gastronómicos em Prática: Estratégias por detrás de milhões de seguidores”.

Entre os participantes estão a professora e coordenadora do Programa de Gestão de Artes Culinárias da Universidade de Turismo de Macau, Christy Ng; ou ainda Jess Menezes, criadora de conteúdos no Instagram que cresceu em Macau, e tem cerca de 440 mil seguidores na conta “thatfoodiejess”.

Este evento inclui ainda o “Chinese Creative Showcase”, um espaço expositivo que conta com representação de sete cidades membros da Rede de Cidades Criativas do Interior da China: Jingdezhen, Suzhou, Weifang, Changsha, Qingdao, Wuhan e Wuxi, que foi adicionada à rede em 2025.

A Festa Internacional das Cidades de Gastronomia, Macau 2026 decorre na Praça do Coliseu Romano e no Legend Boulevard da Doca dos Pescadores de Macau, na Zona de Aterros do Porto Exterior (ZAPE). Um novo local de evento foi também criado este ano, estando situado na Rua de Cantão e na Rua de Xangai, também no ZAPE.

23 Mar 2026

Cortiça | A transformação sustentável por Jinky Huang

De pequenas ou grandes dimensões, os trabalhos do artista chinês contemporâneo Jinky Huang têm uma componente comum: são feitos com cortiça portuguesa. Huang descobriu este material quando viveu em Itália e, desde então, não mais deixou de imprimir nele a sua visão de uma arte sustentável

A cortiça portuguesa ganhou nova vida nas esculturas e instalações do artista contemporâneo chinês Jinky Huang, que há duas décadas utiliza o material importado de Portugal para promover uma visão de arte sustentável. Huang contou à Lusa que descobriu a cortiça há cerca de 20 anos, quando vivia em Itália, onde passou parte da infância e juventude.

“Vi alguns materiais feitos de cortiça que estavam à venda e achei que era um material muito especial”, recordou. A variedade de aplicações era então limitada, mas o potencial criativo despertou-lhe interesse imediato. “Gosto de trabalhar com materiais novos e especiais. Já fazia instalações, esculturas e até roupas com materiais diferentes. Quando descobri a cortiça percebi que podia ter muito mais formas e possibilidades”, disse.

O artista afirma ter desenvolvido centenas de técnicas e aplicações para o material, que hoje utiliza em esculturas, mobiliário e objectos de design, incluindo cadeiras, esculturas e acessórios. “Do ponto de vista da sustentabilidade, da reciclagem e do respeito pelo ambiente, a cortiça é um dos melhores materiais do mundo”, contou.

A matéria-prima utilizada nas suas obras é importada de Portugal, país que o artista já visitou para contactar produtores. “Portugal tem a melhor cortiça”, afirmou Huang, acrescentando que a espessura e a resistência da cortiça portuguesa são superiores às da produzida na China.

Desconhecimento chinês

As exportações portuguesas de cortiça atingiram, em 2025, cerca de 148 mil toneladas, no valor de 1,1 mil milhões de euros, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), um aumento de 1,7 por cento face a 2024. Apesar de trabalhar com a cortiça há cerca de 20 anos, Huang reconheceu que este material continua relativamente pouco conhecido no país asiático.

“A maioria das pessoas na China só tem contacto com a cortiça através das rolhas de vinho”, afirmou. Segundo Huang, a sua trajectória ajudou a divulgar a cortiça no país: “Hoje, quando muitas pessoas na China falam de arte em cortiça, pensam em mim”.

Em 2024, Portugal exportou 19 milhões de euros em cortiça e produtos de cortiça para a China, segundo dados do comércio internacional baseados na UN Comtrade. Apesar de a China ser um mercado relevante na Ásia, os Estados Unidos e países europeus continuam a absorver grande parte da cortiça portuguesa.

Com o tempo, a utilização da cortiça levou Huang a aprofundar o conceito de sustentabilidade na criação artística. “No início não pensava tanto na sustentabilidade. Só queria fazer algo diferente. Foi a cortiça que me fez compreender realmente o que significam sustentabilidade, reciclagem e respeito pelo ambiente”, afirmou.

Exposição em Xangai

A aposta neste material esteve recentemente no centro da exposição “Deconstruct the Past Codes Hero: the Sustainable Roads”, apresentada em Xangai, a “capital” económica da China, onde Huang reside e mantém o seu estúdio.

A mostra, que recebeu dezenas de milhares de visitantes, reinterpretou duas figuras icónicas da cultura popular asiática – o Rei Macaco, do romance mitológico chinês Jornada ao Oeste, e Astro Boy, personagem criada pelo japonês Osamu Tezuka – através de esculturas e instalações inspiradas na sustentabilidade. Entre os destaques esteve uma escultura do Rei Macaco produzida em cortiça.

Nos últimos anos, o artista apresentou exposições em várias cidades chinesas e afirma que o interesse pelo seu trabalho tem aumentado. “Cada vez mais pessoas conhecem o meu trabalho e visitam as exposições”, disse. Em 2025, realizou quatro exposições na China e prepara agora novas mostras internacionais. Segundo Huang, estão confirmadas exposições em Singapura, Tailândia e Nova Iorque, enquanto decorrem negociações para novos projectos na Europa.

Além da actividade artística, Huang dá aulas e palestras em universidades chinesas, como a Academia Central de Belas-Artes de Pequim, a Academia de Belas-Artes da China e a Universidade Tongji, em Xangai. “O meu objectivo é que mais artistas se juntem a esta ideia. Quero que as novas gerações participem neste movimento”, afirmou.

23 Mar 2026

Casa de Macau | Documentário “Entrar no Vazio: Em busca do sobrenatural” exibido dia 25

Decorre na próxima quarta-feira, dia 25, mais uma sessão de cinema dedicada a Macau na Casa de Macau em Lisboa, uma iniciativa que tem mostrado antigas produções sobre o território. Desta vez, a escolha recai sobre o documentário “Entrar no Vazio: Em busca do sobrenatural”, realizado em 2013 por Rui “Ruka” Borges e António Caetano de Faria, e que constitui uma analogia às festividades Qing Ming (culto dos antepassados). A sessão começa às 15h30.

Segundo uma nota da Casa de Macau, este documentário “tem o mérito de nos trazer uma exploração profunda do património espiritual e cultural de Macau, combinando o contexto histórico da sua modernidade e uma narrativa pessoal”. No fundo, o documentário pretende “esclarecer um pouco sobre o mundo do sobrenatural que polvilha na temática do culto e das tradições orientais”, sendo que Rui Borges estará presente na sessão de exibição para dar o devido enquadramento.

Com a duração de 48 minutos, “Entrar no Vazio” conta com voz-off da jornalista Emily Siu, que conduz o espectador numa “viagem ao sobrenatural enquanto procura os fantasmas que se acredita habitarem nas nuvens de incenso e na fumaça dos foguetes da moderna metrópole de Macau”.

Ainda segundo a sinopse do documentário, “o filme mergulha na vida daqueles que aprenderam as artes do oculto e são procurados quando a medicina ou práticas convencionais falham”, capturando “a essência de uma cidade perdida no tempo, onde a presença sobrenatural é sentida por aqueles que a encontram”. O documentário é bilingue e explora de forma profunda “o património espiritual e cultural de Macau, combinando contexto histórico com narrativa pessoal”.

20 Mar 2026

Armazém do Boi | A beleza de uma perspectiva feminina em exposição

“The Golden Ratio – Macau Exchange Exhibition” traz ao público local, a partir de sexta-feira, visões femininas do que é a beleza no Armazém do Boi. Recorrendo a expressões artísticas e culturais como a instalação, fotografia ou vídeo, dez artistas de Macau e da China mostram emoções, pensamentos e reflexões em torno desta temática

O Armazém do Boi traz para a sua agenda, a partir desta sexta-feira, uma proposta cultural que remete para as visões de beleza a partir de uma perspectiva feminina. “The Golden Ratio – Macau Exchange Exhibition” (Cacece Contemporary Art: Women Artists Series) é o nome da mostra que nos traz trabalhos de artistas como Wang Lu, natural de Chengdu; Bianca Lei Sio-Chong e Hio Lam Lei, de Macau; de entre um total de dez artistas.

Segundo a informação oficial sobre a exposição difundida nas redes sociais do Armazém do Boi, trata-se de uma exposição que pretende dar respostas sobre “quem define os padrões de beleza”.

“Como parâmetro de beleza, a ‘proporção áurea’ foi, ao longo da história, construída em grande parte através de perspectivas masculinas em diferentes campos, em vez de ser estabelecida pelas próprias mulheres. Esta lógica estética centrada na aparência está frequentemente desligada da saúde, do conforto e da realidade vivida pelas mulheres.”

Desta forma, com a evolução de “tendências estéticas, tradições culturais e valores sociais”, as mulheres passam a ser “frequentemente, e de forma invisível, pressionadas a conformar-se a imagens específicas”, além de que “as definições de felicidade são limitadas por estas estruturas”. Desta forma, entende a organização da mostra, “estes padrões, com o tempo, solidificam-se gradualmente em grilhões de valores dos quais é difícil libertar-se, confinando as mulheres a uma forma de ser predeterminada”.

As “dez artistas mulheres consagradas da China Continental e de Macau” participam em “The Golden Ratio” com recurso a vídeo, pintura, fotografia, instalação e outros meios, revelando “emoções interiores, experiências pessoais e perspectivas distintas, que podem ser articuladas num contexto artístico”.

O público pode, assim, ver obras que ” não só desafiam os papéis de género tradicionais e expectativas sociais, como também procuram reimaginar e redefinir uma ‘proporção áurea’ pertencente às mulheres, preparando o terreno para um diálogo profundo”.

Dinâmicas de vida

Um dos exemplos nesta exposição de como a mulher artista se relaciona com o ambiente que a rodeia, e o imagina, reside no trabalho da artista local Bianca Lei Sio-Chong. Com mestrado em Belas Artes obtido na Universidade de Middlesex em 2001, em Londres; e uma licenciatura na mesma área pela Universidade de Nottingham Trent em 2000, em Nottingham, Reino Unido, Bianca tem-se focado “principalmente na relação dinâmica entre o ser humano e os factores ambientais”, nomeadamente o lugar ou o tempo.

Segundo o Armazém do Boi, Bianca pensa também, quando produz arte, sobre “questões decorrentes do rápido desenvolvimento urbano em Macau ao longo da última década, explorando fronteiras entre diferentes meios, suportes de imagem (como a tela) e a própria imagem, bem como entre uma obra de arte e o seu espaço de exposição”.

Também de Macau, apresenta-se o trabalho de Hio Lam Lei, descrita como uma “artista interdisciplinar cujo trabalho abrange imagens em movimento, escultura, gravura, fotografia e texto”. Esta artista “utiliza frequente a Psicologia Analítica como ferramenta de investigação”, sendo que a sua prática artística “examina as normas sociais e a sua influência na autoidentificação dos indivíduos”. Além disso, “o seu interesse de investigação recente centra-se na psicodinâmica subjacente aos rituais e práticas de cura nas tradições religiosas populares Han”.

Da China, mais concretamente de Chengdu, chega-nos o trabalho de Wang Lu, com formação em Belas Artes em Sichuan. É professora associada da Academia de Belas Artes de Chengdu, na área de arte em meios digitais, dedicando-se principalmente a trabalhos em meios digitais, fotografia, imagem e outros. O seu trabalho faz-se, na sua maioria, no formato videoarte.

A curadoria desta mostra é, também ela, dividida entre a RAEM e a China. De Chengdu chega a colaboração de Zhao Huan, também artista e licenciado pela Utrecht Graduate School of Visual Art and Design. Foi fundador do re-C Art Space e do He Duoling Art Museum e ainda iniciador do projecto de arte pública “Symbiosis” e do C.sth Art Group, um “selo artístico feminista interdisciplinar”. Este curador “há muito que se dedica a práticas experimentais que apoiam o intercâmbio artístico, a colaboração e a voz colectiva”.

No caso de Wendy Wong, licenciada pelo departamento de comunicação em inglês da Universidade de Macau, já foi repórter cultural e editora, sendo escritora freelancer, crítica de teatro e curadora. Mais recentemente trabalhou em projectos como “Who Am I With: Li Aixiao”, ou no Festival Internacional de Artes Performativas de Macau (MIPAF), nas edições de 2022 e 2024, entre tantos outros.

20 Mar 2026

FRC | Poesia e leitura em destaque hoje

A Fundação Rui Cunha (FRC) apresenta hoje, a partir das 18h30, a sessão “Um Encontro de Poesia: A Árvore e tudo o que queiram”, que visa celebrar o Dia Mundial da Poesia, data instituída pela UNESCO na 30.ª Conferência Geral em Paris, em 1999. O evento assinala também o Dia Internacional das Florestas, com ambas as datas a serem assinaladas a 21 de Março pelas Nações Unidas.

A sessão de hoje é organizada pelo Clube de Leitura da Associação dos Amigos do Livro em Macau, sendo, segundo descreve a FRC em comunicado, “uma oportunidade para incentivar a leitura, apoiar os poetas e preservar a diversidade linguística e cultural, através da palavra escrita e falada”.

A sessão, a ser conduzida pelo médico e escritor Shee Vá, pretende levar o público a partilhar poemas que tenham um significado especial nas suas vidas, que podem estar sujeitos ao tema da “Árvore”, ou não. O que importa é “homenagear a expressão poética e a sua importância cultural como legado identitário da língua de cada país ou países”.

“A poesia, com a sua capacidade de emocionar, provocar reflexões e transmitir sentimentos, foi capaz de atravessar séculos e civilizações, sendo um dos pilares da arte literária. Se quiser participar, apareça na Galeria da FRC e peça a palavra. Venha preparado para ouvir e ler, contribuindo para enriquecer a experiência das comunidades locais neste desígnio de dar voz ao sentimento dos poetas e tocar almas”, descreve a mesma nota sobre o evento.

19 Mar 2026

Cinema | Quatro coproduções portuguesas em destaque no festival de Hong Kong

Quatro coproduções portuguesas vão integrar o cartaz do Festival Internacional de Cinema de Hong Kong, que vai decorrer entre 1 e 12 de Abril. “O Riso e a Faca” de Pedro Pinho, “Magalhães” de Lav Diaz, “Amílcar” de Miguel Eek e “Last night I conquered the city of Thebes” de Gabriel Azorín juntam-se ao clássico de Manoel de Oliveira “Aniki-Bóbó”

De acordo com a programação do Festival Internacional de Cinema de Hong Kong (HKIFF, na sigla em inglês), divulgada na terça-feira, a categoria Cinema do Mundo inclui o filme “O Riso e a Faca”, a segunda longa-metragem de ficção do realizador português Pedro Pinho. A coprodução entre Portugal, Brasil, França e Roménia foi candidata aos Goya 2026 – prémios espanhóis de cinema – de melhor filme europeu e aos prémios europeus de cinema de 2026 da Academia Europeia de Cinema.

“O Riso e a Faca”, de Pedro Pinho, com Sérgio Coragem, Cléo Diára e Jonathan Guilherme no elenco, estreou-se em Maio no Festival de Cinema de Cannes, em França, valendo à actriz um prémio de representação na secção “Un Certain Regard”. Na secção Mestres e Autores, vai ser exibido “Magalhães”, do realizador filipino Lav Diaz, sobre o navegador português Fernão de Magalhães, que foi o candidato das Filipinas a uma nomeação para o Óscar de Melhor Filme Internacional.

O filme, protagonizado pelo actor mexicano Gael García Bernal no papel do navegador português Fernão de Magalhães (1480-1521), que encetou a viagem de circum-navegação e morreu nas Filipinas. “Magalhães”, com coprodução portuguesa pela Rosa Filmes, conta ainda com a participação da actriz Ângela Machado, no papel de Beatriz Barbosa, mulher do navegador, e dos actores Tomás Alves, Rafael Morais, Ivo Arroja e Valdemar Santos.

Na companhia de mestres

Na mesma secção, está o mais recente documentário do alemão Werner Herzog, “Ghost Elephants”, gravado em Angola, e que se estreou na 82.ª edição do Festival Internacional de Cinema de Veneza.

Entre os documentários a exibir no HKIFF consta “Amílcar”, que resulta de um trabalho de cinco anos em torno do político africano independentista Amílcar Cabral, feito pelo realizador espanhol Miguel Eek. A coprodução entre Espanha, França, Suíça, Cabo Verde e Portugal, pela Lx Films, conta com direcção de fotografia de João Pedro Plácido, e está indicada para o prémio de melhor documentário ibero-americano no Festival de Cinema de Guadalajara, que vai decorrer em Abril.

Na secção Caleidoscópio – Poesia em Movimento do HKIFF estará “Last night I conquered the city of Thebes”, de Gabriel Azorín, uma produção espanhola com a portuguesa Primeira Idade.

O festival vai apresentar ainda vários filmes clássicos restaurados em 4K, incluindo “Aniki-Bóbó” (1942), primeiro filme do realizador português Manoel de Oliveira (1908-2015).

O HKIFF inclui uma competição para curtas-metragens, os prémios Firebirds, e um dos nomeados é “Samba Infinito”, uma coprodução do Brasil e França, realizada pelo brasileiro Leonardo Martinelli.

19 Mar 2026

Arquitectura | CURB volta a organizar competição de fotografia

O CURB – Centro de Arquitectura e Urbanismo volta a organizar a Competição de Fotografia de Arquitectura de Macau, com o tema “Pessoas em Arquitectura”. Os interessados podem submeter até 3 de Maio propostas, com duas categorias disponíveis: a competição aberta e a competição para estudantes

O CURB – Centro de Arquitectura e Urbanismo voltou a lançar um repto aos adeptos da fotografia no âmbito da quinta Competição de Fotografia de Arquitectura de Macau. Os interessados podem submeter até 3 de Maio trabalhos que espelhem a forma como a arquitectura ganha vida com a presença humana. “Pessoas em Arquitectura” é o tema da competição que convida os adeptos da fotografia a explorar as relações entre pessoas e os espaços que habitam e as formas como os movimentos, actividades e interacções do quotidiano moldam o ambiente urbano.

“A arquitectura é mais do que forma ou estrutura, ganha significado através das pessoas que com ela interagem. Concebidos para acolher a vida, os encontros e os momentos de reflexão, os espaços ganham vida através das interacções do dia-a-dia. Através da fotografia, o concurso convida os participantes a revelar como estas dimensões humanas conferem carácter e vitalidade à arquitectura”, descreve o CURB em comunicado.

Desta feita, o concurso irá dividir-se em duas categorias, uma aberta a todos os residentes e outra destinada a trabalhos de estudantes. As fotografias serão avaliadas por um painel liderado por Ines Leong, a que se juntam os jurados Francisco Ricarte, Nuno Soares e Carlos Sena Caires.

Um espelho da cidade

Os vencedores da competição recebem prémios em dinheiro e certificados da organização a atestar o reconhecimento. No grupo aberto, o vencedor do primeiro prémio receber 3.000 patacas, o segundo 2.000 patacas e o terceiro 1.000 patacas. Na categoria para estudantes os prémios pecuniários têm metade do valor.

A competição está aberta a portadores de bilhete de identidade de residente (permanente ou não permanente) válido, portadores de blue-card ou cartão de estudante de Macau. Na categoria para estudantes, é obrigatória matrícula em estabelecimentos de ensino superior ou secundário de Macau, ou do exterior, e ter menos de 30 anos de idade. Cumpridos os requisitos, basta fazer o upload das fotografias no portal do CURB.

Desde a edição de estreia, em 2022, o Concurso de Fotografia de Arquitectura de Macau entrou na agenda cultural da cidade, “suscitando uma participação entusiástica de fotógrafos de todos os níveis, desde profissionais, amadores, estudantes ao público em geral. Ao longo deste período, o concurso atraiu 688 participantes e recebeu 1.611 candidaturas, apresentando resultados excepcionais e um interesse crescente”, indica a organização.

Como vem sendo habitual, depois do anúncio dos vencedores, os trabalhos distinguidos pelo júri serão expostos ao público.

18 Mar 2026

FRC acolhe palestra sobre práticas cristãs ancestrais numa óptica feminina

A Fundação Rui Cunha (FRC) apresenta hoje, a partir das 18h30, a palestra “Itinerarium Egeriae e afrescos de Catacumbas: História e Iconografia na Escrita Feminina e nas Imagens Funerárias”, a cargo da professora associada da Universidade Estadual do Ceará (UECE) Sílvia Siqueira.

A palestra, moderada pelo professor Adérito Fernandes-Marcos, da Universidade de São José, terá como ponto de partida o itinerário da peregrinação de Egéria através de uma “análise comparativa entre o texto escrito, especialmente as passagens bíblicas e algumas imagens presentes em catacumbas e monumentos fúnebres de mulheres, elaboradas entre o III século e o IV d.C”, descreve a proposta do evento.

É atribuído a Egéria a autoria de um livro que retrata a peregrinação pela Pax Romana entre o que é hoje o norte de Itália e a Síria, com várias deambulações por Jerusalém e a actual Istambul.

Sílvia Siqueira considera que as figuras femininas, na arte cristã primitiva, desempenharam papéis significativos na transmissão da fé. “Egéria, devota e peregrina cristã, deixou o registro da sua viagem de peregrinação à Terra Santa. Trata-se de um documento raro e precioso, por ser um dos poucos registos escritos na antiguidade por uma mulher. Ela descreve não apenas a viagem, mas também narra com pormenores a experiência da peregrinação e a prática litúrgica cristã em Jerusalém”, descrever a académica.

A palestra e a cidade

Pegando nos escritos da autora dos tempos da Roma Antiga, entre três a quatro séculos depois de Cristo, Sílvia Siqueira considera que apesar de os documentos terem sido escritos por uma fervorosa peregrina, não há muitas informações sobre a vida prática das devotas cristãs. Como tal, a académica propõe uma análise comparativa entre o relato da experiência de Egéria com imagens de mulheres encontradas em paredes de catacumbas cristãs, inúmeras pinturas e mosaicos que testemunham a cultura figurativa do tempo que a produziu.

A sessão, que tem entrada livre, insere-se na série Palestras Doutorais na Cidade, coordenada pelo professor Adérito Fernandes-Marcos, Director da Escola Doutoral da Universidade de São José, que assumirá a função de moderador.

18 Mar 2026

Óscares | Paul Thomas Anderson foi o grande vencedor da noite

Paul Thomas Anderson foi o rei dos Óscares, após 14 nomeações, com “Batalha Atrás de Batalha” a ser o filme mais premiado com meia dúzia de estatuetas, seguido de “Pecadores”. Entre os “oscarizados” das principais categorias, destaque para Michael B. Jordan, Jessie Buckley, Amy Madigan e Sean Penn

 

“Batalha Atrás de Batalha” confirmou o favoritismo imparável que adquiriu ao longo de toda a época de prémios, em que triunfou na maioria dos colégios de eleitores, e levou seis Óscares para casa – mais do que qualquer outra longa-metragem a concurso este ano – incluindo o tão cobiçado Melhor Filme, na 98.ª gala dos prémios da Academia de Cinema norte-americana, que se realizou ontem, no Dolby Theatre, em Los Angeles.

Três destas estatuetas foram entregues à mesma pessoa: Paul Thomas Anderson. A vontade de consagrar um dos nomes mais relevantes do Cinema norte-americano contemporâneo, depois de 14 nomeações, terá sido um factor importante.

Aliás, esta é uma tendência da Academia que se repete pelo terceiro ano consecutivo. “Oppenheimer” permitiu a consagração de Christopher Nolan, em 2024, e “Anora” fez o mesmo por Sean Baker, no ano passado.

No entanto, desengane-se quem possa assumir que “Batalha Atrás de Batalha” é apenas um prémio de carreira. Trata-se de (mais) uma grande obra de Paul Thomas Anderson, com uma ambição técnica só superada pela sua execução, um elenco ultra-carismático – que valeu a Cassandra Kulukundis o primeiro Óscar de Melhor Casting de sempre – e um argumento colorido de frases que ficam na memória (Melhor Argumento Adaptado foi, de resto, a categoria que rendeu a Paul Thomas Anderson o primeiro Óscar da noite e da carreira). Pelo meio, Sean Penn conseguiu o seu terceiro Óscar, vencendo em Melhor Actor Secundário por assumir o papel de um antagonista marcante.

“Batalha Atrás de Batalha” chega no primeiro ano do segundo mandato de Donald Trump. É um filme que aborda temas como a supremacia branca, abre com uma sequência em que revolucionários salvam imigrantes latino-americanos do exército norte-americano e o palco do ponto intermédio da narrativa é um confronto nas ruas de uma pequena localidade entre agentes da autoridade e manifestantes. No entanto, o filme foi produzido antes de Donald Trump ter sido sequer eleito. A verdade é que “Batalha Atrás de Batalha” fala da América actual, porque na verdade está a falar da América de sempre. É um filme que tem tanto de actual, como intemporal, e esta dupla faceta, somada a um mérito artístico evidente, tornou o filme inevitável.

Multiculturalidade na História

“Tenho muito orgulho nele, por me ter dado o presente das suas histórias sobre o Mississípi, por ter posto a tocar música ‘blues’ para eu ouvir e ter conversado comigo sobre isso”, afirmou Ryan Coogler, vencedor do Óscar de Melhor Argumento Original por “Pecadores”. “Ele era o mais próximo que tive de um avô”, contou, considerando que o tio, que já morreu, continua a dar-lhe presentes até hoje.

Coogler também se mostrou agradecido pelo sucesso de bilheteira de “Pecadores”, que cativou uma grande audiência em todo o mundo. “Estou incrivelmente grato pela interacção do público com a história na sala de cinema”, afirmou. “Isto foi algo em que sempre pensei. Perceber que, com a escrita, o que nos importa muitas vezes também importa a outras pessoas se conseguirmos comunicar os sentimentos da forma certa”, continuou.

“Pecadores” bateu o recorde de nomeações para os Óscares, com 16 indicações, e deu a Michael B. Jordan a primeira vitória como Melhor Actor. Coogler revelou que pensou nele para interpretar o papel duplo de Smoke e Stack Moore antes mesmo de ter pronta a versão final do argumento. “Assim que imaginei o que estes dois personagens iam ser, soube que tinha de telefonar ao Mike”, contou o realizador.

Coogler também elogiou os educadores e aqueles que preparam as próximas gerações, referindo que foi incentivado a fazer filmes por uma professora, quando tinha apenas 17 anos. “Ela leu uma coisa que escrevi e disse, ‘acho que devias ir para Hollywood e escrever argumentos'”, contou.

Elevadas categorias

Olhando para os diversos vencedores e vencidos por categoria, “Batalha Atrás de Batalha”, que o realizador Paul Thomas Anderson adaptou do romance “Vineland”, de Thomas Pynchon, venceu sobre os nomeados “Bugonia”, “Frankenstein”, “Hamnet” e “Sonhos e Comboios”.

Sean Penn, ausente da cerimónia, foi o escolhido entre nomeados que incluíam Benicio Del Toro (“Batalha Atrás de Batalha”), Jacob Elordi (“Frankenstein”), Delroy Lindo (“Pecadores”) e Stellan Skarsgård (“Sentimental Value”).

“Pecadores” obteve o primeiro prémio da noite, com Ryan Coogler a ser distinguido pelo Melhor Argumento Original, suplantando Robert Kaplow, por “Blue Moon”, Jafar Panahi, por “Foi Só Um Acidente”, Ronald Bronstein e Josh Safdie, por “Marty Supreme”, e Eskil Vogt e Joachim Trier, por “Sentimental Value”.

O Óscar de Melhor Design de Produção — ou Dirceção Artística — foi para Tamara Deverell e Shane Vieau, por “Frankenstein”, deixando para trás “Hamnet”, “Marty Supreme”, “Batalha Atrás de Batalha” e “Pecadores”. Enquanto “Avatar: Fogo e Cinzas” garantiu o Óscar de Melhores Efeitos Visuais a Joe Letteri, Richard Baneham, Eric Saindon e Daniel Barrett. Os outros nomeados eram “F1”, “Mundo Jurássico: o Renascimento”, “The Lost Bus” e “Pecadores”.

Lugar ao sentimento

“Valor Sentimental”, de Joachim Trier, vence Óscar de Melhor Filme Internacional. O prémio foi anunciado pelo actor Javier Barden, que recordou a guerra e clamou por “Palestina Livre!” Eram também candidatos a Melhor Filme Internacional “Foi só um Acidente”, de França, e “Sirât”, de Espanha.

Durante a cerimónia, a Academia de Hollywood homenageou os profissionais de cinema que morreram durante o ano que passou, detendo-se em particular no realizador Rob Reiner, na actriz Diane Keaton e no actor, realizador e produtor Robert Redford.

O director de fotografia português Eduardo Serra, a actriz italiana Claudia Cardinale, o dramaturgo britânico de origem checa Tom Stoppard e o realizador húngaro Béla Tarr foram outros homenageados, numa longa lista que também incluía realizadores como Robert Benton, Frederick Wiseman e Marcel Ophuls, e os actores Robert Duvall, Val Kilmer, Catherine O’Hara e Terence Stamp, entre profissionais de diferentes áreas do cinema.

17 Mar 2026

Rota das Letras | Andreia Sofia Silva apresenta livro sobre censura em Macau

Andreia Sofia Silva, que apresentou no domingo um livro sobre a censura do Estado Novo em Macau, considera que a imprensa local nunca foi “plenamente livre e isenta”, e que durante o Estado Novo os jornais de língua portuguesa eram desproporcionalmente atacados pela comissão de censura face às publicações em chinês

 

A jornalista do HM Andreia Sofia Silva apresentou no domingo, no último dia de programação do festival literário Rota das Letras, o seu livro “O Lápis Vermelho – A Censura do Estado Novo à Imprensa de Macau”. Numa sessão apresentada por Frederico Rato, a autora realçou as formas distintas como a Comissão de Censura à Imprensa tratou com dois pesos e duas medidas os jornais em língua portuguesa e os jornais em chinês.

“Descobri depois mais documentação da Comissão de Censura à Imprensa já com provas de que a imprensa chinesa teria ido, também, à censura, mas sem consequências”, explicou Andreia Sofia Silva à Lusa.

“Percebi depois no decorrer da investigação que as diferenças de tratamento para com as duas imprensas, em português e chinês, foram muitas por parte das autoridades”, acrescentou. Entre os exemplos encontrados estão suspensões de jornais portugueses, incluindo O Clarim, da Igreja Católica.

“Com frequência quase semanal o governador enviava os recortes de jornais censurados para o Ministério do Ultramar, em Lisboa, para que as autoridades na metrópole fossem informadas dos temas abordados pela imprensa”, explicou Silva.

Nos arquivos, porém, não encontrou provas de procedimentos semelhantes relativamente à imprensa chinesa. Um exemplo foi o Ou Mun Iat Pou, ainda hoje o maior jornal de Macau, que em determinados períodos reproduziu notícias com os cortes impostos pela censura.

Para Andreia Sofia Silva, esta diferença de tratamento reflecte as limitações da autoridade portuguesa em Macau, sobretudo perante a influência política de Pequim. A investigação desenvolvida ao longo de cinco anos conclui que a censura actuou de forma plena sobre a imprensa portuguesa em Macau, mas de forma limitada à imprensa chinesa, revelando fragilidades da administração colonial portuguesa.

“Através da análise à censura do Estado Novo podemos percepcionar as fragilidades da administração portuguesa face às autoridades de Pequim, constituindo mais uma prova de que Portugal nunca exerceu autonomia plena sobre Macau”, disse.

Antes e depois

O trabalho de investigação da autora decorreu entre 2020 e Janeiro de 2025, com base sobretudo na documentação da Comissão de Censura à Imprensa conservada no arquivo diplomático português.

Andreia Sofia Silva lembra que, ao longo do século XX, os jornais foram também frequentemente utilizados como instrumentos políticos por diferentes forças. Segundo a autora, na imprensa portuguesa “havia uma defesa do império e da necessidade da Guerra Colonial”, enquanto na imprensa chinesa “surgiam notícias com foco nos movimentos de libertação”.

Nos anos da Guerra Sino-Japonesa, por exemplo, a região funcionou como um espaço onde coexistiam várias correntes políticas. “A história traz-nos mensagens e reflexões relacionadas com as especificidades de Macau e das suas gentes, que podem ser lidas também à luz do panorama actual”, disse Silva.

A investigadora considera que história da imprensa na cidade mostra que o exercício do jornalismo no território sempre esteve condicionado por factores políticos e sociais. “A imprensa de Macau nunca foi plenamente livre e isenta, por vários motivos e contextos históricos”, afirmou.

Apesar das mudanças ocorridas nas últimas décadas, Andreia Sofia Silva considera que o jornalismo no território continua a enfrentar desafios estruturais. “Assistimos hoje a um grande decréscimo de massa crítica e de opinião pública. Mas devo dizer que a sociedade de Macau nunca teve muito esse pendor”, concluiu.

16 Mar 2026

Concerto | Kiri T em estreia ao vivo no sábado no Broadway Theatre

O Broadway Theatre será o primeiro palco de Macau em que Kiri T vai actuar. O concerto de estreia está marcado para sábado e a cantora, uma das principais vozes da nova geração de artistas de Hong Kong, promete criar uma atmosfera intimista e de libertação de amarras de timidez

 

Uma das mais interessantes vozes da nova geração de cantores de Hong Kong estreia-se no sábado em Macau. O primeiro concerto de Kiri T no território está marcado para o Broadway Theatre às 20h. Ontem ainda havia bilhetes para os lugares mais afastados do palco, que podem ser comprados na bilheteira online por 680 patacas.

O concerto, intitulado “Olá, introvertido” marca a toada da atmosfera que a artista quer criar no Broadway Theatre: um santuário e “local intimista de refúgio emocional, onde os introvertidos podem libertar-se, conectar-se e curar-se em liberdade através da música”, descreve a organização do espectáculo da artista de Hong Kong.

Desde que surgiu na cena musical da região vizinha, Kiri T (Kiri Tse Hiu Ying), foi conquistando fãs dedicados, apesar da forma errante como salta de géneros musicais a cada registo discográfico, passando do tradicional cantopop para sonoridades indie mais intimistas, ou mais expansivas de rock emo, com desvios cheios de alma R&B adentro ou incursões pela música electrónica. A capacidade para se transformar conferiu a Kiri T a reputação de uma artista com uma visão e expressividade artística em expansão.

“Fluente em cantonês, inglês e mandarim, a cantora transita com facilidade entre os idiomas, combinando um controlo vocal refinado com sinceridade emocional para criar músicas que ressoam profundamente”, descreve a organização.

Apesar do frenesim criativo, Kiri T criou uma persona introvertida focada na escrita de canções que se assemelham a diários emocionais, com reflexões tranquilas e honestas sobre o amor e a vida quotidiana, oferecendo momentos de reconhecimento e conforto em baladas sussurradas.

 

A gentileza dos milhões

Um fenómeno de popularidade, Kiri T acumula milhões de streams em plataformas como o Spotify ou YouTube. Por exemplo, o videoclip da música “You Gotta Screw Up At Least Once”, lançado em há cerca de dois anos, já ultrapassou as 11 milhões de visualizações no YouTube e 15 milhões de streams no Spotify.

No perfil de Spotify, Kiri T refere que cresceu entre Hong Kong, Reino Unido e Estados Unidos. “Adoro belas melodias, instrumentações exuberantes e letras que cortem fundo. Sofro e uma insana ansiedade, mas cachorrinhos tornam tudo melhor.” É assim que a cantora se descreve.

A carreira de Kiri T começou muito cedo. Aos 14 anos já compunha músicas para a diva do cantopop Joey Yung. Antes de chegar aos 20 anos, e com algumas músicas escritas, Kiri T assinava com a editora Goomusic, de Denise Ho. Em 2015, lançou o primeiro single em nome próprio “Twenty-Something”, que acabou por ser remisturado por Lucian ultrapassando 7 milhões de streams no Spotify. Esta exposição acendeu o rastilho que fez explodir a carreira da jovem artista.

Entre singles lançados em inglês ou cantonês, em 2019 foi lançado o disco de estreia de Kiri T “Golden Kiri”, o primeiro de três discos em dois anos.

Em 2022, a cantora ganhou os prémios de melhora cantora e melhor música nos Whats Good Music Awards, com o reconhecimento a ser alargado a outros prêmios de música.

João Luz

12 Mar 2026

Exposição | Aguarelas de Hana Tou Mei Kun no Fantasia 10 até 29 de Abril

A exposição “Aguarelas de Hana Tou Mei Kun”, está em exibição no edifício Fantasia, na Calçada da Igreja de São Lázaro, até ao próximo dia 29 de Abril.

A mostra reúne mais de 30 peças recentes da jovem artista local, “com destaque para paisagens em aguarela, juntamente com esboços e obras em acrílico e pinturas em azulejo”.

De acordo com a curadora Leong Kit Man, as pinturas de Hana Tou Mei Kun “capturam a beleza serena de uma brisa suave e, tal como a pintura, assim é a pintora”. A curadora da mostra descreve a artista como “uma professora de arte empática, gentil e atenciosa, que cultivou inúmeros talentos artísticos jovens”.

Hana Tou Mei Kun foi aluna do artista local Dor Lio Hak Man e prosseguiu estudos em Taiwan, na Universidade Nacional de Chiayi e na Universidade Ming Chuan. Actualmente, é professora de arte

Reflectindo sobre os seus anos de prática, a artista revela que “sempre se sentiu atraída por paisagens em aguarela, com o fluxo rápido e livre das pinceladas a inspirar-lhe grande alegria”, descreve a organização da exposição.

“Aguarelas de Hana Tou Mei Kun” é organizada pela Associação de Arte Jovem de Macau, em colaboração com a Associação Promotora para as Indústrias Criativas na Freguesia de São Lázaro, a 10 Fantasia e a Associação de Comunicação de Professores de Arte de Macau.

A exposição pode ser visitada diariamente, entre as 11h e as 18h, excepto nas segundas-feiras.

 

 

11 Mar 2026

Cinema | Estão abertas até 10 de Abril candidaturas a apoio para curtas

Está aberto o período de candidaturas ao programa de apoio financeiro a produções de curtas-metragens até ao próximo dia 10 de Abril, destinado a residentes portadores de BIR maiores de 18 anos.

O programa tem três categorias: Documentário, Curta-metragem de ficção e Animação, e cada categoria está dividida em três níveis: Avançado, Livre e Iniciados.

O júri do programa será composto por profissionais do sector, convidados pelo Instituto Cultural, que irá seleccionar um máximo de 16 projectos, que vão receber um “montante total até 1,55 milhões de patacas, dependendo da categoria e do nível”. Cada projecto seleccionado poderá receber, individualmente, um valor máximo de 280 mil patacas para custos de produção.

Entre as curtas seleccionadas, o júri seleccionará um máximo de três obras de destaque, cujos participantes terão direito a serviços de planeamento estratégico para festivais de cinema e de promoção comercial internacional, por um ano.

Os interessados podem consultar o regulamento e descarregar o formulário de inscrição no portal do Instituto Cultural. Os formulários e devida documentação têm de ser entregues no Edifício do Instituto Cultural, na Praça do Tap Siac, até às 17h30 de 10 de Abril, ou através de e-mail até às 23h59 do mesmo dia.

O Governo realça que a atribuição deste apoio tem como objectivo “elevar o profissionalismo, a competitividade no mercado e a visibilidade internacional das curtas-metragens seleccionadas. Este ano o programa introduz novas medidas de apoio específico”.

11 Mar 2026