Hoje Macau EventosFRC | História da Diocese de Macau contada por Beatriz Basto da Silva A antiga docente em Macau e investigadora Beatriz Basto da Silva protagoniza hoje, por videoconferência, uma palestra na Fundação Rui Cunha centrada na história da Diocese de Macau, que está a celebrar 450 anos de existência. “A Diocese de Macau – Scientia et Virtus” é o nome da sessão, integrada no ciclo “Serões com História” A Fundação Rui Cunha (FRC) apresenta hoje, a partir das 18h30, uma sessão dedicada à história da Diocese de Macau que conta com a presença online de Beatriz Basto da Silva, ex-residente no território, docente e investigadora na área da história de Macau. A sessão, integrada no ciclo “Serões com História”, que acontece desde 2024, intitula-se “A Diocese de Macau – Scientia et Virtus: Corolário de um impulso com História” e é co-organizada pela Associação dos Antigos Alunos da Escola Comercial Pedro Nolasco (AAAEC). A moderação está a cargo de José Basto da Silva, presidente desta entidade. Segundo uma nota da FRC, Beatriz Basto da Silva irá falar sobre a criação da Diocese de Macau, há 450 anos, pela mão do Papa Gregório XIII, o 226.º sumo pontífice da Igreja Católica. “A legitimação outorgada pela Bula de Gregório XIII, em 1576, consagra em seus termos a criação da Diocese em Macau. Ao novo Bispo é conferida a necessária jurisdição para actuar no Extremo-Oriente”, refere Beatriz Basto da Silva, citada pela mesma nota. Segundo esta, a decisão “teve as raízes nas bulas papais do Século XV, conducentes ao documento ‘Inter Cætere’ do Papa Calisto III (1456)”, tendo sido criado depois o chamado “Padroado Português”, que foi responsável pela “propagação da Fé Cristã”. Um papel importante Nascia, assim, a 23 de Janeiro de 1576, a Diocese de Macau, “inicialmente com jurisdição eclesiástica sobre a China, o Japão e as ilhas adjacentes”, tendo a sua criação confirmado, à época, “o papel que a então colónia portuguesa de Macau desempenhava, como centro de formação e de partida de missionários católicos, nomeadamente jesuítas, para os diferentes países da Ásia”, explica a mesma nota. Para a docente e investigadora, “não consideramos que tal instrumento apostólico seja, na conjuntura, um ponto de chegada, nem se revelará só um ponto de partida”, mas será “talvez que, à luz dessa nova energia, eclode em Macau um fecundo viveiro de rápido crescimento”. Beatriz Amélia Alves de Sousa Oliveira Basto da Silva nasceu na Anadia, Portugal, em 1944, e licenciou-se em História pela Universidade de Coimbra. Chegou em 1970 a Macau, onde foi professora de História no ensino secundário e também professora da cadeira de História de Macau no Centro de Formação de Magistrados. Desempenhou outros cargos de relevo locais, tais como os de Directora da Escola do Magistério Primário e Directora do Arquivo Histórico de Macau, desde a sua criação, em 1979, até 1984. Foi deputada nomeada da V Legislatura da Assembleia Legislativa de Macau, de 1992 a 1996, e integrou o Conselho de Gestão da Fundação Macau, quando se reformou da Função Pública. Pertenceu ainda diversas associações, nomeadamente a Associação Promotora da Instrução dos Macaenses (APIM), a Santa Casa da Misericórdia e a Asianostra/Estudo de Culturas. Além disso, é Membro Académico Correspondente da Sociedade Portuguesa de História, Membro do Conselho Internacional de Arquivos e sócia efectiva da Sociedade de Geografia de Lisboa. Tem várias obras publicadas e conferências proferidas, nomeadamente um livro dedicado ao comércio dos cules em Macau, intitulado “Emigração de cules: Dossier Macau 1851-1894”, além de ter vasta colaboração dispersa por revistas culturais de Macau e de Portugal. A investigadora regeu ainda cursos na área da sua especialidade, tendo feito parte de diversas Comissões, criadas pelo Governo e pela Diocese de Macau.
Andreia Sofia Silva EventosMGM Macau | Exposição “Silk Roads” apresenta um tapete persa e dois quadros italianos A mostra “Silk Roads Beyond Borders”, patente no Poly MGM Museum, no MGM Macau, acaba de receber novas peças que fazem a sua estreia na Ásia. Trata-se de uma “nova fase” de uma exposição que pretende mostrar a história da Rota Marítima da Seda e de como Macau foi importante nesse percurso comercial. Segundo uma nota do MGM, as novas peças adicionadas à exposição são “duas importantes obras do século XVIII de mestres da Escola Veneziana”, e que chegam ao território com o apoio do Consulado Geral de Itália em Hong Kong e Macau. São elas “O Molo do Bacino di San Marco”, de Canaletto, nome artístico de Giovanni Antonio Canal; e “Ca’ Foscari e Palazzo Balbi alla volta del Canal Grande”, de Michele Marieschi. Trata-se de um empréstimo da Fundação Paolo e Carolina Zani, sendo dois quadros pintados a óleo sobre tela que “captam a prosperidade de Veneza como um importante nó nas Rotas da Seda”. Assim, estas duas obras “apresentam a prosperidade de Veneza como porto de transbordo para as mercadorias da Rota da Seda que entravam na Europa”, sendo exibidas “ao lado da seda chinesa, porcelana e outros artefactos”, ilustrando, desta forma, “os processos históricos através dos quais as Rotas da Seda facilitaram o intercâmbio cultural”. Ao lado destes quadros apresenta-se “Golden City”, uma “representação moderna de Veneza” da autoria do artista franco-chinês Zao Wou-Ki. Vindo de Lisboa No rol das novidades disponíveis nesta exposição consta um tapete persa, nomeadamente o “Tapete Farahan com Padrão Herati”, proveniente do Museu Medeiros e Almeida, em Lisboa, Portugal, e que está exposto ao lado do “Tapete do Trono com Padrão de Dragão”, que já é propriedade do MGM. Desta forma, “ao comparar os materiais, motivos e técnicas de tecelagem destes dois tapetes, os visitantes obtêm uma compreensão intuitiva do fluxo bidirecional da arte têxtil ao longo das Rotas da Seda, e de como as tradições artesanais quotidianas refletem séculos de intercâmbio estético entre as civilizações chinesa e ocidental, enriquecendo ambas as tradições”. Outro destaque desta exposição, é a “Marco Polo VR Experience”, com recurso à realidade virtual, tratando-se de uma “viagem imersiva de dez minutos que transporta os visitantes a mais de 700 anos atrás, colocando-os nas pegadas de Marco Polo enquanto viajam de Veneza por locais-chave do intercâmbio cultural entre o Oriente e o Ocidente”. A mostra “Silk Roads Beyond Borders” está disponível para visita desde Outubro de 2025 e trata-se de uma exposição de cariz anual. Contém cerca de 200 peças do tempo da Dinastia Zhou até aos presentes dias, e que espelham todas as trocas comerciais existentes ao longo dos séculos entre a China, Macau e os países ligados à Rota Marítima da Seda.
Andreia Sofia Silva Eventos“Barra Slow Festival” | Segunda edição traz música e workshops aos Estaleiros Navais Decorre no fim-de-semana de 1 a 3 de Maio mais uma edição do “Barra Slow Festival”, que aposta no tema do chá como património para a realização de workshops, concertos e eventos culturais nos Estaleiros Navais. Em destaque, a criação de dois espaços em bambu pela mão da dupla de arquitectos João Ó e Rita Machado A zona da Barra, nomeadamente os Estaleiros Navais junto ao Templo de A-Má, voltam a acolher a segunda edição do “Barra Slow Festival”, uma iniciativa organizada pela União Geral das Associações de Moradores de Macau (UGAMM, ou Kaifong) e que acontece no fim-de-semana de 1 a 3 de Maio, das 12h às 20h, nos Estaleiros Navais nº 1 e 2. O tema deste ano é “Um Sorvo de Chá, Um Vislumbre do Património”, apresentando-se ao público, pela primeira vez dois mercados, nomeadamente o “Mercado da Cultura Asiática do Chá” e o “Mercado do Património Cultural Imaterial”. No que diz respeito a eventos culturais, destaca-se a realização do desfile de moda étnica da região de Guizhou, China, intitulado “Village T”, decorrendo depois a iniciativa “Espelho de Água: Cerimónia de Degustação de Chá” guiada por mestres do chá. O programa do festival inclui ainda “Infuse & Indulge: Cerimónia Culinária do Chá”, bem como duas instalações com bambu, onde se inclui o “Pavilhão do Chá” e o “Palco de Espectáculos do Chá”. O comunicado da organização dá ainda conta da realização, nesse fim-de-semana, de workshops, masterclasses, exposições de design e concertos com entrada gratuita, visando explorar o universo do chá como património. Nesta edição vão estar representadas “cerca de 40 marcas de chá de várias regiões”, disponibilizando-se ao público bebidas, cocktails e demais produtos ligados ao chá num mercado que decorre nos estaleiros navais. A ideia é mostrar “sabores tradicionais robustos” e “bebidas criativas”, revelando-se “o papel diversificado do chá na vida quotidiana”. Destaque para o facto de a primeira edição do “Barra Slow Festival” ter sido realizada em Novembro do ano passado, tendo obtido, segundo a organização, “uma resposta esmagadora”. Com cunho português Na segunda edição do “Barra Slow Festival” participa a dupla de arquitectos João Ó e Rita Machado com a criação de dois espaços feitos em bambu, nomeadamente o “Pavilhão do Chá” e o “Palco de Espectáculos do Chá”, a fim de “promover ainda mais o chá e o património cultural imaterial”. Desta forma, o ” Pavilhão do Chá” promete funcionar “como um espaço tranquilo onde os visitantes podem sentar-se e saborear chá”, dando lugar à iniciativa “Espelho de Água: Cerimónia de Degustação de Chá”. Nesta cerimónia “os convidados são servidos por três mestres de chá diferentes, que irão partilhar perspectivas sobre os chás seleccionados durante uma sessão de degustação de uma hora”. Irá ainda decorrer a “Infuse & Indulge: Cerimónia Culinária do Chá”, uma experiência culinária de dez pratos inspirada no chá e liderada pela chef local Maggie Chiang, formada pelo Le Cordon Bleu. Haverá uma sessão diária deste evento, que combina “a cultura do chá com uma refeição requintada, servida num ambiente envolvente”. Por sua vez, o “Palco de Apresentações do Chá” acolhe “uma série dinâmica de espectáculos e actividades experienciais”. Relativamente ao desfile de moda étnica, participam mais de 50 marcas locais, sendo que a “Village T” foi fundada GU-A-XIN (Yang Chunlin) em Julho de 2024, tendo já realizado mais de 500 desfiles com a marca, incluindo a participação na Gala do Festival da Primavera da Televisão Central da China (CCTV), a London Fashion Week e New York Fashion Week.
Andreia Sofia Silva EventosExposição de fotografia de Greg Girard para ver em Hong Kong Está patente na Galeria WKM, em Hong Kong, uma nova exposição de fotografia de Greg Girard, que viveu durante vários anos na região vizinha e que retratou, entre outras coisas, a antiga “Kowloon Walled City”, demolida em 1994. “HKG-TYO 1974-2023” é o nome da exposição individual do fotógrafo canadiano “conhecido pelas fotografias íntimas e cinematográficas de cenas nocturnas urbanas, paisagens urbanas e o quotidiano de trabalhadores e habitantes locais”, descreve a nota oficial sobre a exposição. Nesta mostra, apresentam-se imagens não apenas de Hong Kong mas de outra “casa” de Greg Girard, nomeadamente o Japão, revelando-se “a era de industrialização e crescimento” do país. Assim, “guiado por uma curiosidade investigativa inabalável e pela apreciação do que é ignorado, as composições exuberantes, encantadoras e, por vezes, melancólicas de Girard capturam a vulnerabilidade e a vitalidade de duas cidades em plena metamorfose”, é descrito. As fotografias que o público pode ver nesta exposição “oferecem um ponto de acesso à euforia e às dores de crescimento que acabaram por moldar Hong Kong e Tóquio tal como as conhecemos hoje, tornando-se cápsulas do tempo que apontam simultaneamente para o presente e para o futuro”. De Kowloon a Tóquio Greg Girard nasceu em Vancouver em 1955, tendo começado a fotografar quando era ainda um aluno do ensino secundário. Depois foi para Hong Kong, Japão e Xangai, tendo ficado “cativado pelas cidades chocantemente futuristas que encontrou”, documentando depois, ao longo da carreira, diversos locais da Ásia numa carreira de fotojornalista. Em “HKG-TYO 1974-2023” reúnem-se, pela primeira vez, as fotografias de Girard de Hong Kong e Tóquio dos anos 70 até aos dias de hoje, sendo que o primeiro contacto do fotógrafo com a região vizinha aconteceu em 1974. Depois chegou a vez de Tóquio, em 1976. A mesma nota dá conta de que “as fotografias desta exposição transportam-nos de volta à perspectiva de um descobridor deslumbrado a cartografar território inexplorado”, mostrando-se locais como Shibuya e Shinjuku, com os seus “letreiros intermináveis que deslumbram acima do pavimento húmido” e que servem de “complemento às calçadas repletas de carros do bairro dos bares de Hong Kong”. São “cidades que nunca dormem e que partilham muitas semelhanças” retratadas nestas fotografias. Não faltam ainda imagens da “fortaleza distópica” da “Cidade Muralhada de Kowloon”, em “Kowloon Walled City from SE Corner”, uma imagem de 1987, que se conjuga com “Platform Conductor, Ikebukuro”, de 1976, uma fotografia que “nos atinge como uma forte rajada de ar à medida que um comboio de metro vermelho reluzente passa a toda a velocidade”. Há ainda “fotografias mais recentes” da série “Snack Sakura”, tiradas entre 2017 e 2025, também relacionadas com estes anos.
Hoje Macau EventosAlbergue SCM | Trabalhos de Hio Lam Lei para ver até dia 24 Decorre, até ao dia 24 de Abril, a mostra “Cruising Through This Mortal Coil – Exposição Individual de Hio Lam Lei”, que desde o dia 25 de Março está patente no Albergue da Santa Casa da Misericórdia (SCM). Trata-se de uma iniciativa da AFA – Art for All Society, e tem curadoria de Chang Chan. Segundo uma nota oficial sobre o evento, os trabalhos artísticos expostos versam sobre “os rituais de oferendas do Festival dos Espíritos Famintos, examinando como as práticas rituais aliviam a ansiedade face à morte e constroem um itinerário simbólico”. Neste projecto, Hio Lam Lei “parte das ansiedades infantis face à morte para confrontar o medo da morte na obra ‘If They Really Exist'”, sendo que, através do vídeo, instalação e desenho, “reimagina as rotas dos espíritos errantes”. “Ao utilizar as jornadas póstumas como um espelho distorcido das trajectórias dos vivos, as obras invertem o olhar: questionam como se pode habitar adequadamente a passagem finita do Ponto A ao Ponto B no tempo, e se os rastos de fantasmas solitários reflectem as vidas outrora vividas pelos vivos”, é ainda descrito.
Hoje Macau EventosFundação Rui Cunha | Livro de Rui Rocha lançado hoje Chama-se “A Oriente do Silêncio e outros Poemas” e é o novo livro de poesia de Rui Rocha, autor ligado à cultura clássica oriental e também ao universo do ensino da língua portuguesa. A obra, lançada hoje na Fundação Rui Cunha, reúne três livros de Rui Rocha já esgotados, “A Oriente do Silêncio” e “Taotologias”, agora revistos, bem como um terceiro livro inédito, “Uma Poética da Morte” A Fundação Rui Cunha apresenta hoje, a partir das 18h30, o lançamento do livro “A Oriente do Silêncio e outros Poemas”, da autoria de Rui Rocha, sendo esta uma sessão co-organizada pela Associação dos Amigos do Livro em Macau. “A Oriente do Silêncio e Outros Poemas” é uma obra que reúne três livros do autor: dois já esgotados, “A Oriente do Silêncio”, editado pela Esfera do Caos, em 2012; “Taotologias”, com edição da Labirinto, em 2016, sendo estas duas edições corrigidas e aumentadas, e ainda um terceiro inédito intitulado “Uma Poética da Morte”. “Uma Poética da Morte” foi editado pela N9NA Poesia este mês, incluindo também “recensões críticas dos dois primeiros livros e uma nota introdutória do autor sobre a corrente literária chinesa que inspirou o seu novo trabalho, uma tradição poética com origem no Budismo Chan (Zen)”, descreve a FRC, em comunicado. Na mesma nota, descreve-se que a poesia de Rui Rocha consiste em “registos do instante subtil, totalizante, intuitivo e, por isso mesmo, simples e conciso, captando a essência das tradições poéticas da China e do Japão”. Trata-se ainda de “um relato sensível do aqui e agora do lugar, transcendendo a dimensão do texto, reservando um espaço para o silêncio entre as palavras”. Vida e Morte Rui Rocha descreve, numa nota introdutória citada nesta nota, que “o poema da morte é um género de poesia que surgiu na tradição literária da China, tendo esta tradição literária sido legada aos países culturalmente tributários da China, como o Japão, a Coreia e o Vietname”. Este poema consta no seu livro inédito. O Budismo Chan foi introduzido pela primeira vez no Japão em 653-656, adoptando o nome “Zen”, na transcrição fonética da palavra chinesa para a língua japonesa. Descreve Rui Rocha que “das ideias centrais do Chan (Zen), para além da meditação nas suas formas mais diversas, destacaria três”, nomeadamente “o conceito vazio, vacuidade (sunyata)”, no sentido de “ausência de essência nas coisas, mas não a sua não-existência como fenómenos – conceito, de resto, igualmente presente no Taoísmo”. O autor destaca também “o conceito de transitoriedade, de finitude em que a consciência do ciclo natural da vida e da morte se inscrevem”, ou ainda “o conceito do viver o ‘aqui e o agora’, pois o aqui e agora é o único momento real que existe na finitude do nosso fio do tempo”. Segundo Rui Rocha, “a poesia sobre a morte é afinal, paradoxalmente, uma reflexão sobre a importância da vida na sua finitude”. O lançamento do livro “A Oriente do Silêncio e outros Poemas” está inserido no contexto da Exposição Colectiva de Fotografia e Arte, “Vanitas — Reflexões sobre Transitoriedade e Legado”, que pode ser visitada na FRC até este sábado, 18. Relação oriental Rui Rocha nasceu em Lisboa em 1948, descendente de uma família luso-chinesa, que vive no território há cerca de quatro décadas. Trabalhou na administração pública local, foi director da Fundação Oriente e do Instituto Português do Oriente, e exerceu funções docentes no Ensino Superior. Aposentou-se em 2017 do cargo de director do Departamento de Língua Portuguesa e Cultura dos Países de Língua Oficial Portuguesa da Universidade da Cidade de Macau. A formação académica em Sociologia, Ciência Política e Educação e Interculturalidade viria a influenciar toda a sua produção literária, com a geografia poética de Macau a permear a génese textual dos seus poemas. Sobre a sua escrita, Isabel Cristina Mateus, professora de Literatura da Universidade do Minho, referiu que “é cada vez mais urgente escutar a voz do silêncio, sentir na pele o pulsar de uma natureza de que há muito culturalmente nos afastámos”. Para Isabel Cristina Mateus, os poemas deste autor emanam “uma intensa quietude, um quase apagamento do eu lírico, uma linguagem objectiva, minimal, uma estilização do traço que, mais do que dizer, pretendem dar a ver esse instante intuitivo de revelação ou iluminação interior”. Além disso, “embora o poeta enfatize esta proximidade à tradição poética chinesa e japonesa, convém notar que uma tal proximidade não anula ou rasura a sua ligação à tradição poética ocidental e, em especial, à tradição poética portuguesa, de Herberto Hélder ou Nuno Júdice, dois poetas que Rui Rocha confessa admirar”, assinala, citada pela mesma nota.
Hoje Macau Eventos25 de Abril | Consulado inaugura exposição sobre arte da revolução Foi inaugurada ontem, domingo, a exposição “As Artes estão na Rua! Portugal 1974-1978”, que aborda a arte feita no período revolucionário do 25 de Abril de 1974, quando chegou ao fim o Estado Novo em Portugal. A mostra pode ser vista gratuitamente até ao dia 30 de Junho no jardim do Consulado-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong. Esta é uma iniciativa do Consulado e do Instituto Português do Oriente (IPOR) e insere-se no programa de comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, tendo curadoria de Margarida Brito Alves, professora da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (UNL) e Cristina Pratas Cruzeiro, também investigadora da UNL, ligada ao Instituto de História de Arte. Segundo uma nota divulgada pelo IPOR, a exposição “parte do repertório imagético e artístico criado durante o período revolucionário português (1974-1978) para desenvolver uma narrativa crítica centrada na relação entre as artes e o espaço público, afirmando a relevância deste enquanto lugar de exercício da cidadania e da educação”. Segundo a mesma nota, a chamada Revolução dos Cravos, que depôs o regime então liderado por Marcelo Caetano graças ao chamado Movimento dos Capitães, “impulsionou uma produção artística e cultural muito relevante em vários domínios”, tendo esta tido expressão “em suportes mais convencionais – como a pintura, a escultura ou a fotografia –, como através de meios então considerados mais experimentais – como a performance, o vídeo ou os formatos multimédia”. Esta é “uma criação inédita do IPOR, inspirada e assessorada pela conselheira do Conselho Consultivo da área consular de Macau Catarina Cortesão Terra”, além do trabalho das duas curadoras, propondo “um olhar aprofundado sobre um dos períodos mais férteis da criação artística portuguesa”.
Andreia Sofia Silva EventosCreative Macau | Nova exposição de fotografia a partir de domingo É inaugurada este domingo, dia 12, uma nova exposição de fotografia na Creative Macau. “Human Presence” é organizada pela Halftone – Associação Fotográfica de Macau, e pode ser visitada até ao dia 5 de Maio, reunindo trabalhos de 14 membros da associação que se dedicam à fotografia de forma profissional ou amadora. Na mostra constam nomes como Carmen Serejo, Cristiana Figueiredo, Elói Scarva, Francisco Ricarte, Henry – Chao Kai Hang, Inela Kovacevic ou João Palla, entre outros. Segundo uma nota oficial, é oferecida ao público “a interpretação [dos fotógrafos] do tema, contribuindo para uma colecção rica e visualmente diversificada”. Neste caso, o tema é a “presença humana” nomeadamente em “sociedades caracterizadas por uma variedade de expressões e representações culturais”. Desta forma, o “foco [das imagens] vai desde a individualidade da figura humana até às formas como os indivíduos pertencem a comunidades, ambientes ou paisagens urbanas”. Esta exposição traz, assim, “um amplo espectro visual e estético, apresentando fotografia tradicional, contemporânea e conceptual, tanto a preto e branco como a cores”. Convida-se, assim, o público a “reflectir sobre a importância da ‘Presença Humana’ na formação das sociedades e das identidades culturais”.
Hoje Macau EventosDaniel Pires recupera em livro legado de Bartolomeu de Gusmão O livro “Obra de Bartolomeu de Gusmão”, do investigador Daniel Pires, que recupera documentos tidos como destruídos do inventor humanista português, foi apresentado ontem em Lisboa. Na personalidade de Bartolomeu de Gusmão, que inventou a primeira passarola voadora “convergiam o idealismo, a procura da transcendência, o visionarismo, a erudição, a criatividade e o espírito científico”, defende o investigador Daniel Pires. “Obra de Bartolomeu de Gusmão”, editado pela Imprensa Nacional, reúne a obra do inventor do primeiro aeróstato operacional, que concebeu em 1709, 74 anos antes dos irmãos Montgolfier, e que registou outros inventos, nomeadamente instrumentos matemáticos. “Um autor polígrafo” Natural da vila de Santos, no Brasil, onde nasceu em 1685, Gusmão morreu em Toledo, em Espanha, aos 38 anos, procurando fugir do Tribunal da Inquisição. Bartolomeu de Gusmão é “um autor polígrafo, que cultivou a poesia, a reflexão filosófica, a ciência, a oratória sacra, o ensaio histórico, a jurisprudência e a decifração de códigos secretos”, nomeadamente dos documentos diplomáticos, disse à agência Lusa Daniel Pires. O seu espólio foi queimado por ordem da Inquisição, que impôs a proibição, durante um século, de o seu nome ser pronunciado. Daniel Pires explicou que recuperou praticamente toda a obra do erudito, “porque naquela época era comum escreverem cartas aos amigos e familiares”, e foram estas as fontes que usou para recuperar os documentos. A investigação levou cerca de dois anos, contou. A obra, de 260 páginas, “traz à colação múltiplos inéditos, exumados da poeira dos arquivos nacionais e estrangeiros”. “Faz-se, assim, justiça a um visionário, intelectual multímodo, humanista e arauto do porvir”, realça a Imprensa Nacional em comunicado. Daniel Pires é licenciado em Filologia Germânica e doutorado em Cultura Portuguesa. Foi leitor de Português nas Universidades de Glasgow, Macau, Cantão e Goa e professor cooperante em São Tomé e Príncipe e Moçambique. É um dos fundadores do Centro de Estudos Bocageanos, que dirige desde 1999, e autor de diversas obras sobre Camilo Pessanha, Venceslau de Moraes, Raul Proença, Padre Malagrida e Marquês de Pombal. O investigador redigiu o Dicionário de Imprensa Periódica Literária Portuguesa do Século XX, o Dicionário de Imprensa do Antigo Regime (1701-1807) e o Dicionário Cronológico de Imprensa de Macau — Século XIX. Pela Imprensa Nacional, publicou a Obra Completa de Barbosa do Bocage, em quatro volumes. Em Maio, Daniel Pires conta publicar, também pela IN, a biografia de Bartolomeu de Gusmão.
Hoje Macau EventosFRC | Inaugura hoje mostra de fotografia em torno da existência É hoje inaugurada, na Fundação Rui Cunha (FRC), a partir das 18h30, mais uma exposição de fotografia, intitulada “VANITAS – Reflections on Transience and Legacy”. O evento reúne, segundo uma nota da FRC, trabalhos de vários artistas que, através da fotografia, poesia e pintura tradicional chinesa, evocam temas como a tristeza, o anseio e a transitoriedade da vida. Apresentam-se trabalhos de seis fotógrafos e artistas locais, nomeadamente Carmen Serejo, Gonçalo Lobo Pinheiro, Francisco Ricarte, João Palla, Sara Augusto e Shee Va, que exploram o conceito de “Vanitas”, como símbolo “da impermanência da vida, a futilidade do prazer e a inevitabilidade da morte”, servindo este exercício para “lembrar que a ambição e os desejos terrenos são transitórios”. Há, na exposição, imagens do túmulo de Camilo Pessanha no cemitério de S. Miguel Arcanjo, ou ainda uma interpretação da impermanência dos ritos egípcios da morte numa exposição recente. É também sublinhada a relevância do Cemitério de Sta. Cruz, em Timor-Leste, pela tristeza das perdas ali ocorridas e como símbolo de identidade nacional, por exemplo. Esta mostra integra também trabalhos de artistas ligados à Associação para a Promoção da Cultura e Arte de Caligrafia e Pintura “Uma Faixa, Uma Rota” de Macau, sendo explorado o conceito de “Vanitas” como “forma de expressão alegórica que procura representar um ideal superior”. A mostra pode ser vista até ao dia 18 deste mês. Não falta também a celebração da poesia, sendo lançado numa data posterior, nomeadamente a próxima segunda-feira, 13 de Abril, o livro “A Oriente do Silêncio e outros Poemas”, de Rui Rocha. Nesta obra é introduzida uma poética da morte e tradição chinesa com origem no budismo Chan (Zen).
Andreia Sofia Silva EventosLisboa | Lançado quarto volume de “Figuras de Jade” de António Aresta Foi lançada ontem, em Lisboa, “Figuras de Jade IV – Os Portugueses no Extremo Oriente”, obra de António Aresta, ex-professor de Filosofia em Macau, que tem escrito sobre a cultura do território. O autor descreve aqui diversas personalidades que ajudaram a contar Macau ao mundo, confessando que já está a trabalhar nos quinto e sexto volumes da mesma obra Decorreu ontem, em Lisboa, na Sociedade Histórica da Independência de Portugal (SHIP), o lançamento da obra “Figuras de Jade IV – Os Portugueses no Extremo Oriente”, da autoria de António Aresta, que deu aulas de Filosofia em Macau entre os anos de 1987 e 1998 e que, desde então, se tem dedicado a escrever sobre a cultura do território. “Figuras de Jade IV” é uma edição do Instituto Internacional de Macau (IIM), feita em 2025, que teve agora o seu lançamento em Lisboa. Em declarações ao HM, António Aresta disse que este volume do livro “mostra que o projecto continua pujante”, tendo estudado já centenas de personalidades portuguesas que ajudaram a mostrar Macau nas suas diversas valências. Porém, o autor destaca uma: Manuel da Silva Mendes, considerando-a “a figura portuguesa mais relevante”. Tudo graças “à sua dimensão intelectual, o seu comprometimento cívico, a sua requintada faceta de coleccionador de obras de arte”, sem esquecer o facto de ter sido “professor e reitor do Liceu, vereador do Leal Senado e advogado”. Na visão de António Aresta, Manuel da Silva Mendes “construiu, coisa rara entre os portugueses expatriados, um vistoso palacete, de ‘tai pan’, na colina da Guia”, tendo “infelizmente falecido prematuramente, vítima de uma doença incapacitante”. Nesta sessão na SHIP foram apresentados os quatro volumes já editados de “Figuras de Jade” o que constituiu, na visão do autor, “uma oportunidade para se voltar a recolocar Macau no centro da informação cultural portuguesa”. Para António Aresta, “a opacidade e invisibilidade de Macau e da cultura chinesa em Portugal é um mistério oriental”. “O orientalismo, os estudos de Macau e a sinologia não são notícia ou interesse para o jornalismo português, o que é pena. Porque a nossa história é tão antiga, muito interessante e valiosa. Macau é um milagre do entendimento entre portugueses e chineses”, destacou. Mais a caminho Ainda segundo António Aresta, o nome “Figuras de Jade” remete para o facto de esta ser “uma pedra preciosa tão apreciada pelos chineses” e “símbolo magno da arte de ser português em Macau e no Extremo Oriente”. Assim, “os portugueses são o jade de Macau, sem eles nada disto existiria ou faria sentido”, pois “inventaram Macau, com a amizade, o trabalho e a cumplicidade dos chineses”, considerou. António Aresta diz estar a trabalhar em mais volumes de “Figuras de Jade”, sendo que o quinto “está no prelo”, prevendo-se “que seja apresentado ainda neste ano em curso”. O autor diz também estar a trabalhar no sexto volume, considerando o trabalho em torno de “Figuras de Jade” como “infinito” e “dependente de três coisas: saúde, o acolhimento do Jornal Tribuna de Macau e o inestimável apoio do IIM”. Longo contexto António Aresta já conta com muitos textos sobre Macau, tendo já escrito obras como “O Neoconfuncionismo na Educação Portuguesa”, editado em 1996, ou ainda “A Educação Portuguesa no Extremo Oriente”, com edição em 1999. O autor tem também editado um livro sobre Manuel da Silva Mendes, que saiu em 2017. Todas essas edições e referida pesquisa permitiu a António Aresta adquirir “uma visão panorâmica e pluridimensional da cultura em Macau, que é muito rica e problemática”. Os quatro volumes já publicados de “Figuras de Jade” demonstram, no entender do autor, “que Macau nunca foi indiferente para os portugueses que estudaram e se interessaram pelas mais variadas coisas”. “Outra coisa muito curiosa, é a vertente benemérita e filantrópica. Muitos dos portugueses que estiveram em Macau ofereceram aquilo que amorosamente juntaram e compraram, como bibliotecas, obras de arte, espólios documentais, mobiliário, fotografias, a arquivos, museus e bibliotecas em Portugal. É uma coisa discreta e esquecida”, rematou.
Hoje Macau EventosDa comédia à arte: vêm aí mais festivais e novos eventos Macau vai acolher, nas próximas semanas, uma série de actividades culturais organizadas pelo Instituto Cultural (IC) onde não falta, por exemplo, a nova edição de um festival de comédia. Um dos eventos que junta as áreas do desporto e cultura acontece já este fim-de-semana, sábado e domingo, dias 11 e 12. A “Festa Cultural e Desportiva” tem por objectivo “aprofundar a interligação entre as duas áreas” e acontece no Centro Náutico da Praia Grande, o recinto principal, e ainda em diversos locais históricos como as Ruínas de S. Paulo, Casa de Lou Kau, Praceta de Venceslau de Morais, Bairro da Ilha Verde e Edifício Lok Kuan de Seac Pai Van. Aqui vão acontecer “demonstrações e experiências de projectos culturais e desportivos”, além de estarem colocadas bancas subordinadas ao tema “Cultura e Desporto Reúnem-se em Macau”. No rol de experiências incluem-se temáticas como os Barcos-Dragão, Ópera Cantonense, Dança Folclórica Portuguesa, Artes Marciais de Wing Chun ou escalada. Outro dos destaques do IC, é o Festival Internacional de Comédia, que já vai na sua terceira edição e que acontece entre esta quinta-feira e domingo, de 9 a 12 de Abril. Organizado pela Mahua FunAge e Damai, este festival estende-se até Hengqin e promete apresentar “uma gama diversificada de espectáculos de artes performativas”. Destaca-se o espectáculo “Parque da Alegria”, no Anim’Arte NAM VAN, inspirado em figuras históricas de Macau, enquanto em Hengqin decorrerá a selecção de “novos talentos para o curso de formação prática de comédia de Macau”. O cartaz de eventos inclui ainda a realização, a partir do dia 23 de Abril, da Feira de Artesanato do Tap Seac de Primavera, que decorre durante duas semanas consecutivas, sempre de quinta-feira a domingo. Reúnem-se “stands que comercializam produtos culturais e criativos originais de Macau e do exterior”. Mais leitura precisa-se Ainda na área cultural, o IC vai lançar a iniciativa “Macau Lê – Semana Nacional da Leitura 2026”, que acontece entre os dias 20 e 26 de Abril. No dia 23 deste mês decorre a cerimónia do início desta actividade e o evento “10 Minutos de Leitura”, enquanto o Centro Cultural de Macau (CCM) acolhe depois, entre os dias 25 e 26, “várias actividades de promoção da leitura, incluindo a Troca de Livros, Venda de Revistas, Actividades de Leitura Conjunta em Família, Stands de Jogos e Actuações Artísticas”. Em Julho, haverá lugar a novas exposições, como “Duetos da Natureza: Pinturas de Paisagem das Dinastias Ming e Qing do Museu Nacional da China”. A mostra estará patente no Museu de Artes de Macau (MAM) entre os dias 25 de Abril e 26 de Julho, onde se apresentam “obras da colecção do Museu Nacional da China, nomeadamente pinturas de paisagem das dinastias Ming e Qing e os sentimentos dos pintores”. Destaque ainda para a exposição “Grandioso Espírito de Dinastia Han – Exposição de Tesouros da Dinastia Han de Xuzhou”, a ter lugar entre 18 de Abril e 14 de Junho no Museu de Macau. Aqui apresentam-se “obras da colecção do Museu de Xuzhou, demostrando-se uma visão multidimensional da história do Reino de Chu durante a dinastia Han”.
Andreia Sofia Silva EventosConcerto | Stacey Long Ting, cantora de Hong Kong, no Galaxy em Maio Quase que pode ser chamado um caso de resiliência no mundo da música, e a prova de que lutar pelos sonhos vale a pena. Stacey Long Ting, cantora de Hong Kong com 44 anos, vem a Macau a 23 de Maio para o espectáculo “Stacey Story Live Concert in Macau”, no G-Box do Galaxy Macau. Eis a oportunidade de o público ouvir a cantora que ficou famosa a cantar nas ruas de Hong Kong Sempre cantou, mas só a partir dos 30 anos, e sobretudo quando se mudou para Hong Kong, em 2017, é que a Stacey Long Ting conseguiu construir uma carreira no mundo da música. Hoje, a cantora natural de Shenyang, província de Liaoning, consegue dar cartas no mundo da música e nem a covid a parou. Tendo iniciado a digressão “Journey” no ano passado, a cantora prepara agora a sua vinda a Macau para um espectáculo no próximo dia 23 de Maio, no espaço “G-Box”, do Galaxy Macau, com início às 20h. O primeiro concerto de Stacey Long deu-se a 18 de Agosto em West Kowloon, tendo dado três espectáculos na região vizinha que tiveram “um sucesso retumbante”, aponta o Galaxy. Depois de concertos em Guangzhou em Novembro, e em Qingyuan e Dongguan, em Janeiro deste ano, é a vez da RAEM ouvir a sua voz. Neste espectáculo, Stacey Long irá “reflectir sobre a sua jornada”, partilhando “uma gratidão sincera pela oportunidade de viajar por várias cidades e de estabelecer ligações com novos públicos ao longo do caminho”. Segundo a organização, “além do palco ela abraçou cada destino, explorando a cultura e gastronomia locais e enriquecendo tanto a sua jornada musical como pessoal”. A artista de cantopop, de 44 anos, vem agora “agradecer aos fãs o apoio incondicional”, trazendo sempre novos elementos para cada actuação. No caso de Macau, o factor novidade também deverá acontecer. “A minha jornada musical espelha a própria vida — repleta de altos e baixos. De Hong Kong a Macau, cada paragem torna-se parte da minha história. Estou grata por percorrer esta jornada com todos, criando memórias e histórias que pertencem a todos nós”, disse a artista, segundo a organização. Mudança de sucesso Stacey Long sempre cantou, mas só recentemente, ao participar num concurso de talentos de seis meses da TVB, o “Midlife, Sing & Shine”, pensado para maiores de 35 anos, é que teve verdadeiramente a sua oportunidade. Quando se mudou para Hong Kong, em 2017, vinda da China, procurou logo um palco para cantar e mostrar o seu talento. Em entrevista ao jornal South China Morning Post, concedida em 2023, Stacey Long disse ter “trabalhado muito na China continental”, embora “sentisse que não estava a chegar a lado nenhum”. “Por isso, queria mudar de ares”, declarou. Conseguiu trabalho num clube de dança social em Shun Lee Estate, um complexo de habitação social em Kwun Tong, na zona de Kowloon. “Actuava com esta banda e a idade média dos músicos era de 65 anos ou mais, por isso eu era a pessoa mais nova no palco. Afinal, não era assim tão velha para este negócio”, revelou na mesma entrevista. Depois a sua carreira começou a crescer, e foi quando Stacey Long passou a fazer parte do grupo “Mong Kok Roman Tam Song and Dance Troupe”, cantando na rua, nomeadamente na zona pedonal da Rua Sai Yeung Choi South. “Perguntei-me se estas trupes ainda existiam, por isso fui até lá e, como era de esperar, lá estavam elas. Pensei: ‘já que estou aqui, mais vale aproveitar ao máximo’, por isso cantei três canções, o público aplaudiu e aplaudiu e nada de mal aconteceu… por isso voltei para actuar novamente”, lembrou. Seis meses depois o sucesso era tanto que conseguiu trazer os pais para Hong Kong, actuando depois na zona de Central. Estas actuações de rua acabaram com a covid, mas a carreira não terminou, tendo Stacey recebido um convite da CCTV para uma audição, para o programa “Avenue of Stars”. A verdade é que a cantora já fazia sucesso nas redes sociais, nomeadamente no Weibo. “Achei que a minha voz não era forte o suficiente para actuar num grande palco. O meu pai desencorajou-me, dizendo que a competição provavelmente não me daria uma oportunidade. Mas como adoro cantar, teria sido uma pena não aceitar”, lembrou na mesma entrevista. Parece ter valido a pena. Prova disso é a digressão “Journey” e o espectáculo que traz a Macau.
Hoje Macau EventosMuseu do Palácio | Candidaturas para estágios até 15 de Abril Estão abertas as inscrições para jovens locais estagiarem no Museu do Palácio, em Pequim, no âmbito do “Programa de Estágio para Jovens de Hong Kong – Macau no Museu do Palácio 2026”, organizado pelo Instituto Cultural (IC), Gabinete de Assuntos Internos e Juvenis de Hong Kong e Museu do Palácio. O objectivo é, segundo uma nota, “proporcionar aos jovens de Macau a oportunidade de visitar o Museu do Palácio, o maior museu de cultura e arte antiga da China”, combinando “trabalho prático e visitas culturais”. A ideia é, também, levá-los a “desenvolver as suas competências profissionais, reforçar os seus conhecimentos e identificação com a cultura chinesa, aprofundando ao mesmo tempo os seus sentimentos de amor à Pátria e a Macau”. Os estágios decorrem de 5 de Julho a 15 de Agosto deste ano, sendo que os estagiários terão oportunidade de trabalhar em departamentos do Museu do Palácio, como o de Pintura e Caligrafia, Artefactos, História da Corte, Arquitectura Histórica ou Monitorização do Património Cultural Mundial do Museu do Palácio, entre outros. Existem 17 posições com 20 vagas disponíveis, incluindo-se também “visitas a locais culturais e intercâmbios e experiências culturais em Pequim”, com despesas pagas pelo IC. Os candidatos devem ser residentes permanentes de Macau com idades entre os 18 e os 30 anos e estudantes de cursos de licenciatura ou de grau superior, em regime de tempo inteiro, em instituições de ensino superior, em qualquer área geográfica. Devem ainda estudar em áreas como Museologia, Arqueologia, Antropologia, História ou História da Arte, Comunicação ou Cinema, entre outras. O programa de estágios é organizado desde 2018. O Museu do Palácio, fundado em 1925 em Pequim, possui o maior e mais bem preservado complexo de construções palacianas em estruturas de madeira do mundo, com mais de 1,86 milhões de peças ou conjuntos de colecções, incluindo pinturas e caligrafias antigas, artefactos notáveis, relíquias culturais da corte, livros e documentos.
Andreia Sofia Silva EventosCultura | Macau participa no programa “Saracoteio – Dança no Ecrã” Macau, Portugal e Cabo Verde unem-se num programa que celebra a dança em conjunto. O SARACOTEIO – Dança no Ecrã acontece em Macau em Dezembro, no ROLLOUT Dance Film Biennale 2026, com apresentações prévias em Cabo Verde e Portugal nos meses de Setembro e Outubro. Nesta fase, decorrem as convocatórias de artistas Acontece este ano um programa que celebra a dança e visa também a união entre países e territórios de língua portuguesa. O SARACOTEIO – Dança no Ecrã, reúne dança e vídeo num só evento, estando nesta fase a decorrer a selecção das participações de artistas e grupos não apenas de Portugal, mas também de Macau e Cabo Verde. As parcerias fizeram-se com o Festival Uabá de Cabo Verde e o ROLLOUT Dance Film Biennale 2026-2027 de Macau. Segundo uma nota oficial da organização, o SARACOTEIO visa “promover a videodança e o filme dedicado ao corpo performático na comunidade de países de língua oficial portuguesa”, sendo que os projectos seleccionados serão apresentados na RAEM em Dezembro, no ROLLOUT Dance Film Biennale 2026-2027. Mas antes, decorrem apresentações no Festival Uabá, na Ilha de Santiago, Cabo Verde, entre os dias 21 e 25 de Setembro; e depois na 34.ª Quinzena de Dança de Almada – International Dance Festival, em Portugal, entre os dias 25 de Setembro e 11 de Outubro. A convocatória pede “autores e produtores de filme e vídeo de dança”, que sejam naturais ou residentes de Portugal, Macau e Cabo Verde, e que têm até ao dia 30 de Abril para submeter os projectos. No caso de Macau, os projectos podem ser submetidos à organização do festival ROLLOUT. Uma das regras para a submissão de propostas é que estas devem ser “apresentadas por realizadores, coreógrafos, companhias de dança ou outras instituições afins que detenham direitos de apresentação de som e imagem”. Serão tidos em conta elementos como a “qualidade técnica e artística do vídeo”, o “desenvolvimento do conceito” e a “qualidade performativa apresentada”. Eventos de celebração No caso do festival ROLLOUT, nasceu em Macau e teve a sua primeira edição há exactamente dez anos, descrevendo-se como “um festival bienal de cinema de dança”. A programação inclui, habitualmente, concursos internacionais, exibições de filmes seleccionados, partilhas de artistas, workshops, digressões de exibição e produções encomendadas, entre outras actividades. O objectivo é, segundo o website do festival, “construir uma plataforma de cinema de dança em Macau que promova possibilidades criativas multifacetadas e redes de intercâmbio”. Por sua vez, a Quinzena de Dança de Almada – International Dance Festival realiza-se todos os anos e oferece “ao público um conjunto de actividades bem representativas da dança nacional e internacional”. Constitui-se, segundo a organização, como “um espaço de partilha, dedicado à apresentação e promoção da Dança Contemporânea”. O festival foi criado em 1992 pela Companhia de Dança de Almada, e oferece, além de espectáculos de dança, actividades como workshops, encontros, acções de formação e partilha, exposições, performances digitais ou videodança. O evento tem ainda ligação à Plataforma Coreográfica Internacional, permitindo-se a participação de companhias e criadores independentes de Dança Contemporânea de todo o mundo.
Andreia Sofia Silva EventosCasa de Portugal conquista “Prémio de Melhor Criatividade” em Desfile A Casa de Portugal em Macau (CPM) sagrou-se vencedora do “Prémio Melhor Criatividade” atribuído no contexto da participação no Desfile Internacional de Macau 2026. A Associação Casa do Brasil recebeu o “Prémio de Melhor Actuação”, tendo sido ainda distinguidas outras associações locais. O desfile decorreu este domingo pelas ruas do centro histórico e visou “transmitir a cultura da Rota Marítima da Seda”, tendo sido apresentadas “diversas actuações artísticas na construção da imagem de uma Macau Cultural vibrante”, destaca uma nota do Instituto Cultural (IC). A parada, que contou com apoios de diversas operadoras de jogo, terminou na Praça do Lago Sai Van e teve como tema “A Rota Marítima da Seda como uma ponte para o intercâmbio cultural”. No desfile estiveram presentes elementos da cultura chinesa como as folhas de chá, a porcelana e a seda, apresentando-se o “VIVA”, a mascote que, “através de sonhos e viagens”, foi demonstrando aos presentes algumas das características da cultura chinesa e da Rota Marítima da Seda. História nas ruas Segundo a mesma nota, “a história [contada através do desfile] começou numa misteriosa noite em que VIVA recebeu uma revelação do Deus do Mar”, e a mascote descobriu depois que tinha de “empreender uma missão de transmissão cultural com três embaixadores culturais, em representação do chá, da porcelana e da seda”. Desta forma, o público e os grupos artísticos participantes “foram levados numa viagem imersiva” em que “paisagens e arte se fundiram e a antiguidade e modernidade coexistiram”. Pelas ruas de Macau o VIVA e seus “amigos embaixadores” encontraram uma exploração de “Jóias do Oceano”, “Cerimónia do Chá Aromática”, “Cavalgando as Ondas”, “Paisagem da Europa Continental” e “Galáxias Entrelaçadas”, e que “cumpriram finalmente a sua missão”. Depois, na Praça do Lago Sai Van, aconteceu o espectáculo final “apresentado por grupos artísticos estrangeiros e locais”, onde se exibiu “uma diversidade de formas de artes, incluindo dança, acrobacia, andas, actuações em monociclos, instalações gigantescas de balões e percussão”. Para o IC, “este espectáculo exibiu o encanto único de Macau como um importante nó na Rota Marítima da Seda através de diversas actuações culturais e artísticas”. Mas o Desfile continua com mais actividades de extensão, nomeadamente três actuações agendadas para o dia 4 de Abril e que se integram na iniciativa “Onde a cultura floresce, a felicidade acontece”. Estas são apresentadas na Área de Lazer do Edifício Lok Yeung Fa Yuen, no bairro do Fai Chi Kei e no Jardim do Mercado do Iao Hon. Participam diversos grupos artísticos, incluindo a Associação Cultural Indiana e Saúde de Macau, a Associação do Santo Ninõ de Cebu em Macau, a Associação Bisdak de Macau, a Associação Internacional de Dança Oriental de Macau e a Macau Youth Street Dance Association. Desta forma, fica demonstrado, segundo o IC, “as culturas da Índia, Filipinas e a dança de rua de Macau, trazendo-se vibrações multiculturais à comunidade”.
Andreia Sofia Silva EventosConcerto | Wu Bai & China Blue, banda de Taiwan na Galaxy Arena em Junho São chamados os reis do rock em chinês e a sua longa experiência nos palcos, desde 1992, parece comprovar isso mesmo. Os Wu Bai & China Blue actuam em Macau nos dias 6 e 7 de Junho no âmbito da digressão “Rock Star 2 World Tour”, na Galaxy Arena. Oportunidade para voltar a ouvir clássicos, ou então descobri-los pela primeira vez Macau prepara-se para receber um dos maiores grupos de rock chinês criado nos anos 90. Trata-se dos Wu Bai & China Blue, banda de Taiwan liderada por Wu Bai, nome artístico de Wu Chun-lin, e formada pelos músicos Dean Zavolta na bateria, Yu Ta-hao nos teclados e Chu Chien-hui no baixo. Estes três elementos compõem os China Blue. Com preços que variam entre as 480 e 1.580 patacas, os bilhetes já estão à venda para os dois espectáculos na Galaxy Arena, no Cotai. Wu Bai é considerado o “Rei dos Espectáculos ao Vivo”, ou do rock chinês. Segundo informação disponibilizada pela Galaxy, “Wu Bai e a sua banda, formada em 1992, são celebrados pelo seu estilo rock distinto, letras cheias de paixão e performances com muita energia”. Os dois concertos de Junho marcam o regresso de Wu Bai a Macau depois “de um hiato de dois anos”, destaca a organização. O público pode “testemunhar a sua influência intemporal e a energia incomparável dos espectáculos ao vivo”, da banda. De destacar que a digressão mundial “Rock Star 2 World Tour”, onde se integram estes dois espectáculos, já passou por vários palcos, “recebendo aclamação generalizada e esgotando salas”, é descrito. Nome marcante Segundo o website oficial da banda, “Wu Bai é uma das maiores estrelas de rock do universo da música em mandarim”, sendo que esta aventura pelos palcos começou nos idos anos 90. Além de criar a sua própria música, também compõe para outros artistas, como é o caso de Andy Lau ou Jacky Cheung, só para enumerar alguns. As primeiras músicas de Wu Bai chegaram ao mercado em 1990, com o álbum de compilação “Totally Untuned”, e depois com “Feast”, editado em 1991. “A cena musical taiwanesa notou imediatamente este cantor-compositor único”, lê-se no mesmo website. O público depressa percebeu que Wu Bai “conseguia escrever música e letras tanto em mandarim como no dialecto taiwanês, além de produzir e arranjar a sua própria música”, o que era “algo inédito para um artista taiwanês na época”. Destacavam-se ainda “a habilidade com a guitarra e sonoridades blues e rock, o que impressionou críticos e o público em toda a região”. O primeiro álbum a solo surgiu em 1992, com “To Love Somebody is the Happiest Thing”, sendo que, nesse ano, o China Times Express considerou o disco “o álbum mais inovador do ano”. Depressa percebeu que não podia continuar sozinho em palco e formou os China Blue, “fazendo digressões por várias cidades de Taiwan e trabalhando em bandas sonoras”. Depois, surgiu, em 1994, o segundo álbum, “Wanderer’s Love Song”, com mais de 600 mil cópias vendidas até aos dias de hoje não só em Taiwan como também em Hong Kong, Singapura ou Malásia. Desde 2011, até hoje, Wu Bai continua a subir aos palcos com a mesma energia de sempre e acompanhado pelos China Blue. Os 20 anos de carreira foram celebrados com a digressão “Big Thanks”, enquanto que os 25 anos foram marcados com “South Wind”. Em 2018, chegou a digressão “Rock Star”. Em 2023, Wu Bai lançou um novo disco, que em inglês se pode chamar “The Pure White Starting Point”, não se tratando de um “novo Wu Bai, mas sim de um novo começo”, na vida e como artista. No ano seguinte seria lançada uma colectânea de dois discos intitulada “How To Be a Rock Star – Wu Bai and China Blue”, com canções gravadas ao vivo.
Andreia Sofia Silva Eventos“Verdes Anos” exibido hoje na Cinemateca A programação da Cinemateca Paixão passa hoje pelo cinema português, exibindo um clássico a preto e branco. Trata-se de “Verdes Anos”, de Paulo Rocha, 91 minutos filmado em 1963 e um dos exemplos do chamado “Cinema Novo” feito em Portugal. O filme, exibido a partir das 19h30, conta as histórias de Júlio e Ilda, dois jovens da classe operária a tentar vingar em Lisboa, capital portuguesa onde a vida pode ser desafiante. Ele tem 19 anos e procura emprego, e um acidente leva-o a conhecer Ilda, que trabalha como empregada doméstica. Na cidade, a sua relação será marcada pela tragédia. Destaque para o facto de a banda sonora do filme ter sido composta por Carlos Paredes, grande mestre de guitarra portuguesa. “Verdes Anos” tornou-se uma das suas composições mais conhecidas. A exibição de “Verdes Anos” acontece no contexto da secção especial da Cinemateca “Amor, Amor, Amor: Uma série de romance apaixonado”, que pretende revelar diferentes histórias de paixão no cinema. Amanhã exibe-se, por exemplo, outro clássico do cinema alemão, “O medo come a alma”, de Rainer Werner Fassbinder, onde o preconceito se junta ao amor. Nesta história revela-se a história de Emmi, uma mulher viúva e solitária de 60 anos, que trabalha como empregada de limpeza, que um dia decide combater a solidão e entrar num bar essencialmente frequentado por emigrantes. Lá conhece Ali, que ousa convidá-la para dançar. Depressa a relação entre eles se torna incómoda aos olhos da sociedade. “O medo come a alma” pode ser visto a partir das 21h30 deste sábado, 28. Prata da casa Também amanhã, pode ser revisto o novo filme de Tracy Choi, “Girlfriends”, que teve a sua estreia mundial na secção “Vision Asia” do Festival Internacional de Cinema de Busan, na Coreia do Sul. Também amanhã se exibe, a partir das 16h30, “Iniciantes”, de Mike Mills, revelando-se a história de Oliver, um designer gráfico que se sente atraído por Anna, uma mulher livre e imprevisível. Só as recordações do pai vão dar espaço a Oliver para se permitir estar numa relação longa e com um compromisso sério. Este domingo exibe-se outro clássico do cinema, mas desta vez francês, “Jules e Jim”, já com sessão esgotada. Também a sessão “Os Encontros em Paris”, de 1995, agendada para este domingo, já está esgotada.
Andreia Sofia Silva EventosKa-Hó | Botânica e expressões artísticas pelas mãos de Kris Wong A Galeria H2H (Hold On To Hope), da Associação de Reabilitação dos Toxicodependentes de Macau, acolhe a partir da próxima semana, 4 de Abril, uma nova exposição. Trata-se de “Botanique Cabinet: Life, Memory and Meaning”, de Kris Wong, onde a artista revela a conjugação da botânica com a expressão artística Há uma nova mostra para ver, a partir do próximo dia 4 de Abril na pacata vila de Ka-Hó, Coloane. E se a natureza abunda na ilha, também é de natureza que se faz a nova exposição patente na Galeria H2H (Hold On To Hope), um projecto da Associação de Reabilitação dos Toxicodependentes de Macau (ARTM) que visa conjugar a recuperação de comportamentos aditivos com expressões artísticas e realização de projectos pessoais. A galeria tem dado palco a diversas iniciativas de apoio à ARTM ou de divulgação de artistas locais, e desta vez é Kris Wong que apresenta o seu trabalho, na mostra “Botanique Cabinet: Life, Memory and Meaning”. Aqui, a artista procura conjugar o universo da botânica e da preservação de plantas com o mundo da arte. Nesta exposição em nome próprio, Kris Wong “justapõe espécies de plantas preservadas e arte botânica”, a fim de “interrogar a dupla natureza do meio”. Isto porque, segundo descreve a nota sobre a exposição, “embora as flores mantenham a sua identidade orgânica original, a sua reorganização em objectos estruturados e funcionais cria uma tensão deliberada entre o vivo e o inerte”. Desta forma, neste projecto o que Kris Wong procura fazer é “examinar a interacção entre a forma orgânica e a construção artificial, utilizando materiais botânicos preservados para explorar os limites do mundo natural”. O que se faz é uma revelação das plantas “como artefactos bioculturais que ligam a diversidade biológica à identidade cultural e actuam como testemunhas materiais de histórias pessoais e colectivas”. Exploram-se, nesta mostra, ideias ou conceitos como a etnobotânica, convidando-se o público a reflectir também sobre os estudos críticos sobre plantas e a forma como estas “moldam e são moldadas pela experiência humana, actuando como pontes entre a natureza, a cultura e o significado”. Segundo a ARTM, “cada espécime e obra de arte oferece uma perspectiva única sobre a resiliência, a perda e o significado duradouro da vida vegetal na definição de quem somos”. “Esta exposição questiona como preservamos a memória e a identidade através de objectos naturais, e como as plantas moldam – e são moldadas por – as emoções, a cultura e o significado humanos”, descreve a organização. Arte e ensino Kris Wong não só é artista como também tem desenvolvido um intenso trabalho em torno do universo das plantas e da sua preservação. É também educadora, trabalhando, portanto, “na intersecção entre a preservação de espécimes vegetais, a colagem de flores prensadas e a arte botânica em técnica mista”. É formada em preparação e conservação de espécimes, com o curso feito no Reino Unido, e pertence também à World Press Flower Guild, tendo seis anos de experiência na criação de espécimes botânicos e zoológicos. No território, ministra workshops e cursos “que ensinam todo o fluxo de trabalho — desde a secagem e prensagem até ao tingimento, montagem e emolduramento a vácuo —, orientando os alunos a transformar espécimes feitos por eles próprios em designs que tratam as plantas tanto como objectos científicos quanto como linguagem visual táctil”, explica a ARTM. Desta forma, Kris Wong procura sempre fazer uma ponte “entre a criação de espécimes e a investigação psicológica sobre memória, stress e resiliência”, tratando as plantas como um “património biocultural”. Para ela, são “testemunhas materiais de histórias pessoais e colectivas que transportam significados através de rituais, festivais e da vida quotidiana”.
Hoje Macau EventosIgreja S. Domingos | Orquestra de Macau interpreta música sacra de Bach Está agendado para o próximo dia 2 de Abril o concerto “Presente de Páscoa: Paixão Segundo São João”, protagonizado pela Orquestra de Macau (OM) na Igreja de S. Domingos, e que apresenta a “obra-prima da música sacra de Bach”, descreve uma nota do Instituto Cultural (IC). Destaque para o facto de o espectáculo acontecer na véspera da sexta-Feira Santa, a partir das 20h. A OM será dirigida pelo maestro britânico Laurence Cummings, contando-se com a colaboração de vários cantores europeus de música antiga e do Coro Filarmónico de Hong Kong. Para este concerto, a OM “convida o público a purificar a alma com música sacra e a reflectir sobre a fé e a santidade expressas nesta obra-prima, na véspera da sexta-feira Santa”. A composição “Paixão Segundo São João” baseia-se nos capítulos 18 e 19 do Evangelho de São João e é tida como “uma das obras sacras mais representativas de Bach”, retratando, “de forma expressiva e através de uma linguagem musical requintada e de cariz dramático, a experiência de Cristo antes da crucificação”. O concerto conta também com o tenor Nicholas Watts, a soprano Miriam Allan, o baixo Callum Thorpe e a contralto Sophie Harmsen, aos quais se aliará o Coro Filarmónico de Hong Kong. O concerto terá uma duração aproximada de 2 horas e 15 minutos, incluindo um intervalo. Os bilhetes estão à venda na Bilheteira Online de Macau e custam 200 patacas.
Andreia Sofia Silva EventosPanchões | Sands Gallery acolhe mostra com curadoria de Ung Vai Meng O ex-presidente do Instituto Cultural faz a curadoria de uma nova mostra sobre a história da produção de panchões em Macau. Até Agosto estará patente “Um Século da Fábrica de Pólvora Iec Long em Esplendor – Uma Exposição sobre a História Ressonante e a Memória Estética dos Panchões de Macau”, na Sands Gallery no Cotai A história da produção de panchões em Macau volta a contar-se, com outros contornos, numa nova exposição organizada pela Sands China em parceria com a Universidade de Ciências e Tecnologia de Macau (MUST). Patente na Sands Gallery, que fica no hotel Four Seasons no Cotai, até ao dia 31 de Agosto, “Um Século da Fábrica de Pólvora Iec Long em Esplendor – Uma Exposição sobre a História Ressonante e a Memória Estética dos Panchões de Macau” tem curadoria de Ung Vai Meng e promete revelar muitas histórias ao público. A iniciativa nasce de uma parceria com o meio universitário a fim de “preservar o património dos panchões de Macau”, destaca a organização numa nota. Além disso, as mais de 400 peças expostas celebram o centenário da Fábrica de Panchões Iec Long, hoje transformada em espaço de lazer e cultura na Taipa Velha. As peças expostas incluem “manuscritos originais, ferramentas de fabrico de foguetes e rótulos de embalagens”, oferecendo aos visitantes “uma narrativa rica e multifacetada sobre a história centenária e a importância cultural da indústria de foguetes de Macau, outrora uma das quatro principais indústrias da cidade”. Nesta mostra colaboram a Biblioteca e a Faculdade de Humanidades e Artes da MUST. Segundo um comunicado divulgado pela Sands China, a exposição “assenta em bases históricas e científicas sólidas”, uma vez que o antigo presidente do Instituto Cultural, e um dos mais reconhecidos artistas de Macau, “dedicou três décadas ao estudo” da indústria de panchões. O que se mostra na Sands Gallery é fruto da “consolidação sistemática de investigação académica e de raros materiais de arquivo”, considerada pela organização como a “primeira exposição a traçar, investigar e apresentar de forma abrangente o desenvolvimento da indústria”, o que permite ampliar “o impacto da revitalização da Fábrica de Panchões Iec Long”. Uma “experiência imersiva” A exposição está dividida em seis partes. A primeira apresenta “uma experiência imersiva introdutória, desenvolvendo-se através das histórias da indústria, do saber artesanal, de arquivos históricos, experiências interactivas e da estética do design de embalagens”. Destacam-se, depois, “o valor estético” dos panchões e as “realidades práticas da produção, operação, transporte e exportação”. Na parte dois, intitulada “Traçando a história da indústria”, são explicadas “as origens, o crescimento, a transformação e a adaptação da indústria de panchões de Macau através de um conjunto diversificado de materiais de arquivo, incluindo registos oficiais do Governo, relatórios de comércio externo, mapas, fotografias e notícias”. Podem, assim, verificar-se “mudanças demográficas, políticas governamentais e forças de mercado” da época, revelando-se “a trajectória de desenvolvimento desta indústria tradicional”. Na parte três da exposição, com o nome “Manifestação – O coração do artesão” pode saber-se mais sobre “os processos complexos e o ambiente de trabalho do fabrico de panchões”, com a presença de “tubos, ferramentas, ilustrações e imagens históricas que sobreviveram ao tempo, revivendo-se o espírito concentrado e meticuloso dos artesãos”. Importância nos anos 50 e 60 Citado pela mesma nota, Ung Vai Meng referiu que “o fabrico de panchões foi uma das indústrias tradicionais mais importantes de Macau”, sendo que, “para muitos residentes mais velhos, representa uma memória colectiva partilhada no último século”. Ung Vai Meng adiantou alguns dados sobre este sector, já que, nas décadas de 50 e 60, “os panchões produzidos em Macau representavam entre 30 por cento e mais de metade da produção mundial, ocupando uma posição crucial no mercado internacional”. “Tendo em conta o centenário da Fábrica Iec Long, é com grande satisfação que colaboro com a Sands China para apresentar esta exposição, permitindo ao público conhecer melhor esta história e apreciar a arte dos rótulos de embalagens. Espero que a exposição transporte os visitantes no tempo, fazendo ecoar um século que pertence unicamente a Macau”, acrescentou. Destaque para o facto de a operadora de jogo ter colaborado nos últimos anos na revitalização da antiga fábrica de panchões na Taipa, antigamente ao abandono. Segundo Wilfred Wong, vice-presidente executivo da Sands China, essa revitalização foi assumida em 2023 e, desde então, a empresa tem investido “activamente recursos para dar uma nova vida a este importante período da história industrial de Macau, reimaginando-o como um símbolo cultural onde o património é renovado através da inovação”. Nesta mostra, Wilfred Wong entende que se uniram “empresa e academia”, sem esquecer que também colaboram entidades como o Museu de Macau e o Arquivo de Macau. Presença na Art Central Destaque ainda para o facto de esta temática e exposição estarem presentes na Art Central de Hong Kong, evento cultural que decorre este fim-de-semana, até domingo, e que teve início ontem. A Sands China chama a atenção para o facto de ser “a primeira empresa do sector a participar na Art Central de Hong Kong como parceira associada”, apresentando no evento “a história e estética dos panchões de Macau ao público internacional, juntamente com obras de jovens artistas contemporâneos locais”. Este domingo, às 15h30, no Art Central Theatre, Ung Vai Meng protagoniza a palestra “Aesthetics in a Square-Inch: A Century of Visual Culture Change Through Macao’s Firecracker Packaging” [Estética num centímetro quadrado: um século de transformação da cultura visual através das embalagens dos panchões de Macau]. Também na Art Central foi inaugurada um espaço de exposições da Sands China com mais de 40 obras de arte, incluindo trabalhos de três “jovens artistas promissores e visionários de Macau”, nomeadamente Lei Ieng Wai, Leong Chi Mou e Dor Lio Hak Man. Apresenta-se também “uma colecção histórica” proveniente da mostra patente na Sands Gallery, em Macau. A história dos panchões revela-se em duas actividades de extensão presentes na MUST. Uma delas é a mostra “Timeless Treasures: Archival Materials of Macao’s Firecracker Industry” [Tesouros intemporais: Materiais de arquivo da indústria de fogos de artifício de Macau], patente entre 10 de Abril e 31 de Maio na biblioteca da MUST. Além disso, desde o dia 10 de Março que pode ser vista a mostra “Historical Resonance: Firecracker Label Art From Eastern Guangdong” [Ressonância histórica: a arte dos rótulos de fogos de artifício do leste de Guangdong], no terceiro piso do bloco R da MUST. Esta parte da exposição está disponível para visitas até ao fim deste mês.
Hoje Macau EventosDesfile internacional | Grupos musicais lusófonos marcam presença Dois grupos musicais lusófonos, os CRASSH_Recycled de Portugal e a Associação Cultural MoNo de Moçambique, vão participar no Desfile Internacional de Macau, agendado para este domingo. De acordo com o Instituto Cultural (IC) do território, os CRASSH_Recycled “levam o público numa viagem auditiva de descoberta” ao “explorar o som de objectos” como baldes, capacetes de segurança, ou objectos que vão encontrando. Entretanto, a Associação Cultural MoNo de Moçambique combina dança tradicional, percussão e canções ancestrais, inspirando-se em rituais, celebrações comunitárias e no simbolismo das tradições orais africanas. O desfile deste ano terá um orçamento de 3,8 milhões de patacas e tem como tema “A Rota Marítima da Seda como uma ponte para o intercâmbio cultural”, promovendo a imagem de Macau como uma “janela vital para o intercâmbio cultural entre a China e o Ocidente”. Esta edição do desfile, organizado anualmente desde 2011, conta com mais de 10 grupos artísticos, cerca de 1.600 artistas, de países e regiões importantes enquanto centros da Rota Marítima da Seda na Ásia, Europa e África, bem como 50 grupos locais. A Rota da Seda foi uma antiga e vasta rede de rotas comerciais, ativa entre o século II a.C. e o século XV, que ligava a China ao Mediterrâneo e Europa, facilitando o transporte de seda, especiarias e o intercâmbio cultural, religioso e tecnológico entre o Oriente e o Ocidente.
Andreia Sofia Silva EventosCheong Kin Man e Marta Sala, artistas: “As nossas obras expandem-se no tempo; vivem connosco” Ele é natural de Macau e formado em antropologia. Ela é artista visual, natural da Polónia. Com um projecto artístico conjunto, Cheong Kin Man e Marta Sala estão de regresso ao Oriente para participar na mostra colectiva “Between Image and Index”, na Universidade Baptista de Hong Kong, e para dar uma palestra no domingo, integrada na programação da Art Basel de Hong Kong. Mas há também projectos programados para Macau Até ao dia 12 de Abril está patente na galeria da Academia de Artes Visuais da Universidade Baptista de Hong Kong a exposição colectiva “Between Image and Index”, onde trazem o vosso projecto “Apocalipses”, com novidades. Que conteúdos pode o público ver? Após uma decisão conjunta com uma das duas curadoras do evento, Tong Yang, que nos convidou a participar [na mostra de Hong Kong], decidimos trazer a nossa instalação em expansão, “Apocalipses”, e que foi originalmente encomendada para a Bienal de Macau de 2023. Trazemos a peça têxtil original, de dois por dois metros de comprimento, e um vídeo experimental original de 19 minutos. Também foi expandido o livro do artista, que originalmente tinha 60 páginas e que agora, graças ao patrocínio da Fundação Oriente, foi alargado para 720 páginas [edição de 2025]. Acrescentámos também mais três peças têxteis, de 70 por 70 centímetros, que ressoam o conceito original de auto-etnografia da nossa história familiar. De que forma? Mais concretamente, um século de migração familiar de Vilnius para a Sibéria, perto da Mongólia, antes do fim da I Guerra Mundial; depois de volta à Polónia durante as deslocações em massa no final da II Guerra Mundial até à vida pós-guerra no sul da Polónia, nomeadamente na região da Silésia, em Katowice. Também foram adicionadas, como um complemento conceptual, duas das 12 bandeiras que criámos para a nossa mais recente série de “happenings” em Berlim, intitulada “Neukölln Trans-Lingual”, e que consistiu numa série de acções artísticas ao ar livre de invenção de línguas para as comunidades multilingues de Berlim, com o intuito de quebrar o gelo entre estas, realizada em Outubro passado. Teve também lugar uma exposição pop-up. Qual o tema desta mostra colectiva, e de que forma o vosso trabalho se conjuga com os restantes? Marta Stanisława Sala (MSS): A exposição “Between Image and Index” explora como as imagens contemporâneas podem ser traços significativos que moldam a nossa percepção e compreensão do mundo material e imaterial. O nosso trabalho pode assemelhar-se a uma espécie de altar, inspirado na tradição polaca do “canto sagrado”, que é criado a partir de diferentes têxteis e camadas de narrações, mas movendo-se também com o movimento do ar no espaço. O trabalho pretende ser um convite à interacção como um corpo no espaço da exposição, onde se podem explorar posteriormente diferentes histórias de outras obras. Existem alguns pontos comuns, como diferentes línguas, motivos cosmológicos, jogos com diferentes formas e significados ou também arquivos de memória têxtil familiar. Na palestra deste domingo na Universidade Baptista de Hong Kong [Pictoriality as Mediator], integrada na programação da Art Basel de Hong Kong, o que vão abordar, concretamente? Como se sentem por fazer parte desta importante feira de cariz mundial? Cheong Kin Man (CKM): Esta palestra faz parte do programa directo da Art Basel Hong Kong denominado “Exchange Circle”. Claro que é uma grande honra fazermos parte deste programa e conectar, ou mesmo reconectar, o círculo artístico de Macau e Hong Kong, [algo que] tem sido o nosso principal objectivo nesta viagem a Hong Kong e Macau. A curadora principal da exposição, Janet Fong, bem como a curadora Tong Yang, têm a visão de ligar Hong Kong, Macau e Shenzhen a Berlim e Francoforte; sendo, portanto, uma honra juntarmo-nos como dupla que liga também Cracóvia e Katowice e, claro, Lisboa. Somos uma dupla [de artistas] que se baseia na investigação, pelo que participar na Art Basel Hong Kong significa também um envolvimento directo no cruzamento entre a academia, a arte e, se assim o categorizar, o mundo comercial, o que é algo novo para mim. Em relação ao tema da palestra é desafiante para mim, mas, como sempre, irei desconstruí-lo etimologicamente. Enquanto dupla dizemos sempre que trabalhamos sobre a linguagem e a sua ficcionalização como uma ferramenta crítica de pensamento, tanto através da arte como da antropologia. Mas, na verdade, trabalhamos na maioria sobre o visual ou a ficcionalização de sistemas de escrita. Portanto, basicamente, do meu lado, partilharei a minha reflexão sobre simbolismos abstractos com o público internacional presente. MSS – Da minha parte irei discutir [o conceito de] “pictorialidade” através da vida física dos têxteis. Trabalho com restos de têxteis usados, como retalhos de algodão ou seda, que carregam histórias de produção, exploração e trabalho, mas também traços familiares íntimos. Alguns tecidos no nosso trabalho provêm do meu arquivo familiar; foram cosidos pela minha bisavó, pela minha avó ou pela minha mãe em diferentes épocas e nos vários locais onde viveram. A seda veio da China? Foi comprada noutro lugar? Estes materiais encerram múltiplas possibilidades e histórias orais. Nas nossas instalações, reunimos diferentes tempos e contextos. Procuro os vestígios de uso, como buracos, farrapos, as partes que se desmoronam. Para mim, a pictorialidade não é uma imagem perfeita e acabada, é uma sinfonia de memórias fragmentadas. Encontro beleza no toque imperfeito do trabalho feito à mão, mostrando pontos e remendos visíveis. Aliás, a nossa peça principal e o livro de artista ostentam uma dedicatória numa língua fictícia a “todos os seres que cometem erros”. A minha mediação foca-se na sustentabilidade e na impermanência, na imperfeição e na vulnerabilidade, mas também na força encontrada na pluralidade. “Apocalipses” já foi mostrada na edição de 2023 da Bienal de Macau. Como se sentem por apresentá-la novamente a Oriente? CKM – Tem sido uma surpresa ver como tanto Hong Kong como Macau são diferentes da minha imaginação diaspórica, sobretudo Macau, que tem sido totalmente bilingue na minha cabeça [português e chinês], sendo também falante de alemão e francês. O regresso com “Apocalipses” trouxe-me a oportunidade de perscrutar a passagem intermédia entre o que imagino de Macau entre Berlim e Lisboa, bem como aquilo em que Macau se tornou. Isto é algo essencial para a minha investigação de doutoramento sobre o cruzamento entre translingualismo, memória afectiva, arte e diáspora. MSS – “Apocalipses” também cresceu física e conceptualmente. Esta peça é uma parte viva da nossa prática auto-etnográfica conjunta. Acreditamos na “reciclagem artística”, adicionando constantemente novos elementos das nossas diferentes actividades e viagens. As nossas obras expandem-se no tempo; vivem connosco. Esta apresentação em Hong Kong já é diferente das anteriores, e também devido aos novos diálogos que temos tido com o público. Por exemplo, um artista de Hong Kong que nos visitou, Ken Kan, apresentou-nos recentemente a tradição chinesa do “pak ka pei”, ou seja, “poupão das cem famílias” ou “manta da memória”. Esta ligação entre a minha tradição têxtil polaca e esta tradição local de preservação da memória é exactamente o tipo de “criação de significado” que o nosso trabalho pretende. CKM – O Consulado Polaco, bem como o Instituto Goethe, ambos sediados em Hong Kong, mostraram entusiasmo pela nossa participação na exposição colectiva, bem como pelas nossas próximas iniciativas em Macau. Isso tem um significado muito especial para nós, pois queremos realmente partilhar a nossa experiência europeia com Macau, uma vez que agora partilhamos a vida entre Berlim, Lisboa, Cracóvia, Katowice e Macau, juntamente com algumas línguas de trabalho (português, alemão, inglês, cantonense, polaco, francês e mandarim). Um Berlim e uma Europa multilingues e translingues como formas de viver têm sido algo muito querido para mim. Isto não só moldou a minha identidade como alguém de Macau que passa um terço da sua vida no velho continente, mas também inspirou a minha prática de criar línguas ficcionais. “As Espantosas e Curiosas Viagens”, mostra que já fizeram em Lisboa, apresenta-se em Macau em Julho, na Fundação Rui Cunha (FRC). O que trazem de novo? CKM – Será, na FRC, a nossa primeira exposição em dupla na Ásia e será ajustada com as obras passadas, sendo também expandida com novas obras. Iremos explorar a forma como podemos transformar a nossa exposição e prática comunitária, especialmente a invenção colectiva de línguas, em algo teoricamente útil tanto para a antropologia como para os estudos de Macau. Planeamos alguns “happenings” [acontecimentos ou eventos], que esperamos muito conseguir organizar com participantes de grupos. MSS – A exposição em Macau será bastante diferente da nossa recente mostra no CCCM [Centro Científico e Cultural de Macau] em Lisboa, feita no Verão passado. Estamos a produzir uma instalação central completamente nova baseada na nossa investigação mais recente. Sinto-me honrada por ter o patrocínio do Consulado Geral da Polónia em Hong Kong e Macau para a nossa participação na exposição “Between Image and Index” e o entusiasmo no apoio da nossa exposição em Macau. Para nós, tal significa mais do que um apoio formal, mas sim um intercâmbio de investigação significativo. As nossas discussões com o Consulado revelaram quão pouca presença cultural polaca existe actualmente em Macau, e sentimos uma forte missão de mudar isso. Ao tecer histórias e materiais polacos no nosso trabalho, estamos a estabelecer um novo caminho artístico entre a Polónia e Macau. Trabalhando intensamente com a nossa curadora, Sara Neves, e recolhendo roupas descartadas e histórias locais durante a nossa estadia, estamos a integrar todas estas novas experiências na mostra. A exposição já está montada, mas está a crescer para se tornar num ambiente artístico e antropológico imersivo.
Hoje Macau EventosGu Yue e 12 alunos da MUST a partir de hoje na Fundação Rui Cunha A Fundação Rui Cunha (FRC) recebe a partir de hoje, às 18h30, uma nova mostra de arte colectiva intitulada “Intimate Immensity” [Intimidade Imensa] com trabalhos de Gu Yue e 12 alunos de doutoramento da Faculdade de Humanidades e Artes da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST), co-organizadora do evento. Segundo uma nota da FRC, apresentam-se conjuntos de 17 obras “que representam diferentes formas e estilos”, criadas pelos alunos que receberam orientação de Gu Yue. Estes alunos são Wang Diyi, Meng Zihao, Li Ranqing, Jiang Hang, Zhong Xinzi, He Yiyan, Xu Chen, Wang Chao, Li Jielin, Zhou Zixuan, Wang Jianan e Qi Jiajun. As obras vão estar patentes até ao próximo dia 2 de Abril. Na galeria da FRC poderão ver-se trabalhos de pintura a acrílico, óleo, aguarela, tinta-da-china, materiais compósitos, impressão e porcelana, sendo resultado de uma “exploração colectiva e a modelação visual de um grupo de jovens artistas que vieram estudar para Macau, vindos da China continental”. Trata-se de exercícios artísticos que nasceram “das suas experiências mais íntimas”, podendo os observadores “mergulhar numa variedade de temas, incluindo a tensão emocional nas memórias familiares, a ansiedade interna numa sociedade competitiva e os sentimentos privados de dor física”, é revelado. Espaço intercultural O facto de estes alunos de doutoramento terem uma componente de “nómada”, por terem vindo estudar para Macau e estarem inseridos “na intersecção cultural única” do território, trazem para as obras de arte “perspectivas que contêm inerentemente a tensão e a riqueza de ‘entre-lugares'”. O que se vê na exposição são, portanto, imagens que se tornam em “campos experimentais onde múltiplas memórias e as imaginações culturais colidem e se sobrepõem”. O nome “Imensidão Íntima”, escolhido para titular esta exposição, “deriva da condição humana descrita pelo filósofo francês Gaston Bachelard, na sua publicação de 1958, ‘A Poética do Espaço'”, em referência a um “pequeno espaço físico privado que, através da imaginação poética, se pode vivenciar uma experiência interior infinita e vasta”, é dito na mesma nota. Desta forma, os artistas que colaboram neste projecto “convidam os espectadores a mergulharem profundamente nestas imagens aparentemente ‘íntimas’, para perceberem as reverberações da ‘imensidão’ desencadeadas pelos tremores das vidas individuais, levando a uma melhor compreensão de si mesmos e dos tempos”, conclui-se.