Tigre Anabela Canas - 3 Fev 20223 Fev 2022 Âncora entre marés. Palavra-chave Podemos pensar e até devanear acerca da possibilidade de tudo ser irresolúvel, assumir um olhar niilista e nele descansar porque mais fácil. Podemos ser selvagens e retroceder à pureza dos instintos básicos de egocentrismo que vai muito além, ou fica aquém dos desígnios estruturais em cada comunidade animal, que visam proteger a espécie, o grupo, a alcateia, mas também podemos depurar custosamente este balanço entre razão emoção e experiência e dormir sobre a convicção de que já cá não estaremos dentro em pouco, no mínimo à escala do universo. Uma verdade. E pousarmos as peças estratégicas a evoluir no tabuleiro. O que somos e gostamos, o que achamos belo, bem, ou bom, o conforto de termos critérios que arrumam a mente, mesmo se não nos trazem o retorno que pensávamos dever ser inevitável. E deixar que a memória nos traga ao convívio aquele tu outro que nos faz reviver ou rebrilhar, ampliados para além dos defraudados sinais de que a vida é ela própria soberana nas suas dispersas e múltiplas ramificações. Improdutiva e inútil. Mas o retorno a coisas simples de sentir, verdades sobre as quais nos construímos, não tem preço nem está à venda. Um tu outro. Que sinto. Um tu, que não está ao alcance dos critérios pode ser essencial e é. Aí, nessa zona inalcançável do paraíso. Sem mais, para além do que me é dado poder. Uma palavra. Como a cavilha retida e retirada abruptamente. Numa granada de mão que voa no destino que não se vê. A explodir. Sem cuidado, o estilhaçar irrecuperável da memória. Ou um enorme fragmento que voa do lugar e poisa inusitado sabe-se lá onde, no dia de alguém. Ou, não dita. Nós e os outros. Sem conversar. Tigres em extinção. Tigre de água, seriedade e maresia levanta-se cedo e pinta as unhas de vermelho como retrato do fogo e fantasia às vezes os olhos crus perdidos no ar bicho em extinção pressentimento de um futuro abalar as candidatas do partido, evitam cuidadosas o batom na fotografia tristes tigres estamos rodeados de bichos que lavam os dentes ao espelho da manhã mas com uma condição: mamíferos sim, répteis não insectos sim, vermes não porque a falar enquanto comem já não nos dizem nada.
A Viagem de Li Shi e o Perigo de Adormecer Com Tigres Paulo Maia e Carmo - 3 Fev 2022 Mokuan Reien o peregrino budista Japonês que foi ordenado em Kamakura em 1323, passados três anos foi para a China onde viveu até 1345, para aprofundar o Dao na região de Jiangnan. Primeiro no templo Liutang, na área do Lago do Oeste e depois durante dez anos no templo Benjue entre 1333-43,onde dirigiu o repositório dos Sutras. Também fez pinturas, que o levariam a ser considerado um segundo Muqi (ou Fachang, 1210-1269) o admirável pintor do Chan também associado ao templo Liutang, particularmente venerado no Japão. As pinturas de Mokuan, levadas para a sua terra natal, seriam admiradas tanto pela concepção do acto de pintar como pelos temas. Como é o caso dos Quatro a dormir (Shisui, rolo vertical, tinta sobre papel, 73,7 x 32,5 cm) que hoje se encontra em Tóquio na colecção da Fundação Maeda Ikutokukai. Nela convergem o significado e o modo de fazer, desenrolando o paradoxo de figurar o que não se pode ver, que é referido como o «sonho», sonhado pelas personagens adormecidas. Os três que são associados ao Monte Tiantai (Zhejiang): Fenggang, Hanshan e Shide e o tigre que sempre acompanhava o primeiro. As figuras operam aqui como um dispositivo despertador de uma corrente de significados associados ao mistério de Hanshan e Shide, personalizações de um conjunto de preciosos poemas. Na pintura está uma inscrição feita por Shaomu do templo de Xiangfu, que saúda com «as mãos juntas»: «O velho amigo Fenggan abraçando o tigre, dorme,/ Num amplexo de grupo com Hanshan e Shide./ Sonham o Grande Sonho da fluida impermanência,/ Enquanto uma árvore velha e frágil se agarra à beira do precipício.» Esse precipício a que ele alude pode ser aquele estado entre o sono e a vigília ou entre a sombra (jing) e a penumbra (wangliang) que dialogam por exemplo no capítulo dois do Zhuangzi. Li Shi que esteve activo no século XII é um nome associado a uma pintura cujo título pode ser traduzido como «Viagem em sonho pela região dos rios Xiao e Xiang» (Xiaoxiang woyou, rolo horizontal, tinta sobre papel, 33 x 403,6 cm) que está também em Tóquio no Museu Nacional, onde é visível uma técnica que é referida com esse nome de «penumbra» – wangliang hua, habitualmente traduzida como «pintura de aparição.» Na figuração imaginada da área que foi frequente motivo de poetas, e que seria encapsulada como tema na denominação «Oito vistas de Xiaoxiang» tudo é ao mesmo tempo conciso e vago. Nalguns lugares como que dissolvendo-se na bruma, dialogando com o que não pode ser visto, numa reafirmação de que o lugar da sua apreciação é no mundo da literatura. Que estas duas pinturas se encontrem no Japão não será alheio o facto de ter sido ali que se desenvolveu o género pictórico designado sumi-e, figuras de água e tinta, em que as formas, como se fora o tempo, fogem imprecisas sem se fixar – dir-se-ia um sonho.
Ano Novo | Xi envia felicitações a chineses espalhados pelo mundo Hoje Macau - 3 Fev 2022 O presidente chinês, Xi Jinping, em nome do Comité Central do Partido Comunista da China (PCC) e do Conselho de Estado, estendeu felicitações de Ano Novo a todos os chineses neste domingo numa recepção em Pequim. Xi, também secretário-geral do Comité Central do PCC e presidente da Comissão Militar Central, fez um discurso na reunião no Grande Palácio do Povo, saudando o povo chinês de todos os grupos étnicos, compatriotas em Hong Kong, Macau e Taiwan, além dos chineses no exterior. A Festa da Primavera, ou o Ano Novo Lunar Chinês, cai no dia 1 de Fevereiro amanhã este ano. Além disso, Xi Jinping, participou no sábado de uma reunião anual com personalidades não comunistas antes do Ano Novo Chinês. Xi estendeu suas felicitações a membros de partidos políticos não comunistas, da Federação Nacional de Indústria e Comércio da China, pessoas sem filiação partidária e membros da frente unificada. O ano 2021 foi um marco significativo, de acordo com Xi, observando que a China realizou uma série de tarefas principais e importantes, superou muitos riscos e desafios e incitou um progresso significativo nos empreendimentos do Partido e do país. “A China respondeu a uma pandemia e outras mudanças não vistas num século com calma e confiança e conseguiu iniciar bem o período do 14º Plano Quinquenal “, disse Xi. “Implementámos consistentemente medidas rotineiras de prevenção e controlo da COVID-19 e participámos activamente na cooperação internacional contra a pandemia”, informou Xi, acrescentando que a China permaneceu um país líder tanto no controlo pandémico quanto no desenvolvimento económico. “Durante o ano, a China também regulou a ordem da sua economia de mercado socialista, promoveu os valores socialistas essenciais e criou um ambiente de desenvolvimento positivo, saudável e vital”, apontou Xi, que também elogiou 2021 como um ano frutífero na cooperação multipartidária da China. Manter e melhorar Segundo Xi, o 20º Congresso Nacional será convocado este ano. É um evento de grande significado político tanto para o Partido quanto para o país. Todos os campos de trabalho devem ser planeados e conduzidos com vistas à preparação e convocação do congresso, sublinhou o presidente. “Devem ser feitos esforços para preservar e melhorar o sistema de cooperação multipartidária e consulta política sob a liderança do PCC, manter a orientação política correta e fortalecer o trabalho de orientação”, enfatizou Xi. Observando que os partidos políticos não comunistas e a ACFIC completarão suas mudanças de liderança a nível central e provincial este ano, Xi pediu que transmitam a convicção política, a integridade moral e os laços estreitos com o PCC das gerações mais velhas e garantam que a causa da cooperação multipartidária liderada pelo PCC seja levada adiante. Xi salientou que os partidos políticos não comunistas devem concentrar-se nos objectivos e princípios do seu desenvolvimento como partidos que participam dos assuntos de Estado e continuar a aprimorar seu entendimento político, bem como suas capacidades de participar da deliberação e administração dos assuntos de Estado.
Tantos que fizeram falta André Namora - 3 Fev 2022 Portugal foi a votos e à hora que escrevemos esta crónica ainda não se sabem resultados. O que se sabemos é o que nos doeu ao ver e ouvir a campanha eleitoral. Os líderes dos partidos não brilharam, não cativaram o povo, não ensinaram nada de política futura e o povo fartou-se de recordar políticos que fizeram história. E o povo tem toda a razão. Portugal teve mulheres e homens que deixaram saudades à política e a quem gosta de aprender política. Nesta campanha eleitoral assistimos a banalidades proferidas por líderes políticos fraquíssimos e a arruadas mobilizadas pelas máquinas partidárias. Não nos referimos às habituais arruadas da baixa lisboeta ou de Santa Catarina, no Porto, do PS e do PSD. Salientamos apenas as arruadas onde houve partidos que chegavam à urbe e não viam ninguém, nem sequer nos mercados. Um dia, o CDS com dez apoiantes elevando as bandeiras do partido encontraram seis pessoas na rua que tinham escolhido. Em outra ocasião, o Bloco de Esquerda realizou um comício num salão e estavam apenas oitenta pessoas sentadas… Esta campanha eleitoral fez-nos recordar quem fez falta, muita falta. Lembramos uma mulher que era a vida do Bloco de Esquerda, culta, bem-falante, educadíssima, que no seu lugar de deputada respondia a todos os emails que lhe enviavam, mesmo a criticá-la. Referimo-nos a Ana Drago, uma política que lutava, contestava, ensinava e mostrava como há mulheres geniais. A história deixou-nos imensos nomes de mulheres como Ana Drago. Sem medo de nada, com uma seriedade suprema e que não admitia presunções e arrogâncias. Talvez, por isso, Ana Drago deixou o Bloco de Esquerda. Ana Drago fez muita falta nesta campanha porque o seu ex-partido não tem ninguém que saiba proferir um discurso que deixe marcas. O Bloco de Esquerda até teve de chamar o reformado Francisco Louçã para discursar e anunciar algo de positivo. Fez tanta falta Freitas do Amaral ao CDS, um partido que sempre foi o terceiro maior em Portugal e que passou para “partido do táxi” e arrisca-se a não ter grupo parlamentar. A esta hora que os queridos leitores estão com o jornal na mão já sabem se o CDS elegeu algum deputado. Freitas do Amaral foi genial na sua forma de estar na política, um mestre no professorado que se dedicou a ensinar e a lutar por uma democracia decente. Apenas cometeu um erro: quando mataram Amaro da Costa não soube impor-se de que um assassinato se tinha tratado. Mas, Freitas do Amaral à frente do CDS neste Janeiro de 2022 teríamos os democratas-cristãos apoiados por uma avalanche de portugueses sérios e foi, talvez, a falta de seriedade no CDS que levou Freitas do Amaral a transformar-se no maior amigo de Mário Soares, Fez muita falta no PSD o político genial que foi Sá Carneiro. Tanta falta que fizeram os seus discursos de sempre lutar por um país melhor procurando sempre que o povo melhorasse o seu nível de vida. Fez falta, muita falta o velhote Jerónimo de Sousa, que teve de ser alvo de uma intervenção cirúrgica, a qual felizmente correu bem, e que só lhe foi permitido aparecer nos últimos dias de campanha eleitoral. Jerónimo de Sousa é um político cativante, não gosta da demagogia, não gosta que o comité central do seu parido lhe chame velho, não gosta dos fascistas que cada vez mais se escondem nos partidos que ele, Jerónimo, sabe quem são e onde estão. Com Jerónimo de Sousa o Partido Comunista tinha tido comícios cheios de gente e de bandeiras com quase 50 anos de fabricação. Quando Jerónimo de Sousa se dirige aos seus militantes não sabe proferir balelas, barbaridades, parvoíces, não, os militantes do PCP com ele, entram em êxtase e mobilizam-se para a luta em arranjar mais camaradas que não faltem ao voto no partido. Fez falta, muita falta Mário Soares, considerado por quase todos os portugueses o pai da democracia e o político que a fazer asneiras durante a descolonização, também ofereceu ao país a liberdade em momentos difíceis que atravessámos. Fez muita falta porque o PS ganharia as eleições à vontade se tivesse tido os seus abraços, beijos e afectos a toda a gente que encontrava pelo caminho, incluindo uma bofetada que levou na Marinha Grande. Mário Soares colocou o PS no palanque da governação e fê-lo bem ou mal, mas foi diferente. E teria sido diferente com ele em secretário-geral dos socialistas neste Janeiro de eleições legislativas. Terminou mais um acto eleitoral em Portugal. A chamada democracia continua cheia de dúvidas, de lacunas e de líderes com grande capacidade de realização política em benefício do povo. Uma última palavra de parabéns para os jovens que votaram pela primeira vez. Sentiram algo de diferente nas suas vidas. Sentiram que ser adulto e votar é passar a ser responsável pelas vicissitudes do seu país e dos seus compatriotas. Votar pela primeira vez é um facto inesquecível para todos nós, porque acima de tudo significa que ficamos cientes do que é a liberdade.
Ano Novo Chinês | Parada, dança e música marcam chegada do Tigre Hoje Macau - 3 Fev 2022 A chegada do ano do Tigre em Macau é celebrada com diversas actividades organizadas pela Direcção dos Serviços de Turismo, com dança e música em vários pontos da cidade. Destaque para o desfile do dragão dourado, amanhã e quarta-feira, com início nas Ruínas de São Paulo e que fará um percurso pelo centro histórico Começam amanhã as festividades que marcam a chegada de um novo ano lunar organizadas pela Direcção dos Serviços de Turismo (DST). A cerimónia de arranque das actividades acontece esta terça-feira junto às Ruínas de São Paulo, sendo que às 10h30 serão distribuídas pelos participantes inscrições auspiciosas e gotas de ouro pelo Deus de Fortuna. Às 11h, acontece a cerimónia de vivificação do dragão gigante dourado e de leões e após a queima de panchões, terá início o desfile do dragão gigante dourado de 238 metros e 18 leões. O percurso começa nas Ruínas de São Paulo e continua no Largo do Senado, Calçada do Tronco Velho, Largo de S. Agostinho, Rua Central, Travessa da Paiva, Porta principal da Sede da RAEM, Travessa do Padre Narciso, Igreja de S. Lourenço, Bairro do Lilau, Rua da Barra, Templo A-Má, Avenida Panorâmica do Lago Sai Van, Rotunda da Baía da Praia Grande e Praça do Lago Sai Van. Este desfile simboliza “a transmissão de votos de felicidade a todos os residentes e visitantes de Macau”, aponta a DST. Além disso, a mascote “Mak Mak” estará presente em vários locais da cidade. Dança para todos Além do desfile, estão também programados vários espectáculos de dança em locais como o Largo do Pagode da Barra, Ruínas de S. Paulo, Largo do Pagode do Bazar e Casas da Taipa. Inclui-se neste programa a apresentação por parte da Trupe de Arte Étnica do Congjiang da Província de Guizhou. O Deus da Fortuna, os três Deuses da Felicidade, Longevidade e Prosperidade, Par de Meninos, Tigre do Zodíaco Chinês e a mascote “Mak Mak” estarão também, em horários diferentes, em locais como o espaço Anim’Arte NAM VAN, Largo do Pagode do Bazar, na Zona de Lazer dos Três Candeeiros (Rotunda de Carlos da Maia), na Feira do Carmo, no Largo do Senado, no Templo de A-Má, nas Casas da Taipa, nas Portas do Cerco, no Posto Fronteiriço de Qingmao e na Zona de Lazer da Rua do General Ivens Ferraz. Na quinta-feira, o terceiro dia do ano novo chinês, acontece a parada de celebração do ano do Tigre, que se repete dia 12, o 12.º dia do ano novo. A cerimónia de abertura está agendada para as 20h e contará com alguns artistas convidados, como é o caso de Germano Guilherme e Lei Sum Yi, de Macau, e Mak Cheong Ching, de Hong Kong. O espectáculo vai ter ainda a presença dos músicos Ft. Rapper JRD & J. HO, bem como Vivian Chan e Rico Long. Irão ainda decorrer espectáculos antes do início da parada, a fim de criar “um ambiente animado” no local, com entrada a partir das 17h30. As bancadas para o público estão localizadas na Praça do Lago Sai Van, Avenida Dr. Sun Yat-Sen, Praça do Centro Ecuménico Kun Iam e na Rotunda do Centro de Ciência de Macau. Dado o número de lugares ser limitado, estes serão atribuídos por ordem de chegada. A DST organizou ainda espectáculos de fogo-de-artifício que terão lugar nas noites do terceiro, sétimo e décimo quinto dia do Ano Novo Lunar (3, 7 e 15 de Fevereiro).
O governo inactivo Carlos Morais José - 3 Fev 2022 O governo de Hong Kong resolveu diminuir os dias de quarentena obrigatória para quem entra na cidade de 21 dias para 14. Imediatamente, o governo de Macau veio a terreiro sublinhar que por aqui tudo continuaria na mesma, ou seja, três semanas num hotel definido pelas autoridades, sem possibilidade de escolha para quem regressa da Europa. Não debaterei aqui a cientificidade destas diferentes escolhas e posturas exactamente porque não sou cientista. Aliás, o combate ao covid-19 em Macau tem-se saldado por um grande sucesso. Aparentemente. E aparentemente porque a doença não se combate apenas através de uma política de zero casos mas, sobretudo, criando condições para que a doença não encontre modo de se propagar com resultados mortais ou graves para os seres humanos. E que condições são estas? Parece ser já corrente na comunidade científica e na maior parte dos países que a condição fundamental para sair deste pesadelo é a vacinação. De facto, as vacinas têm transformado, na maior parte dos casos, aquilo que era uma doença mortal ou grave, numa gripe que não obriga a internamentos e que desaparece ao fim de alguns dias. É por isso que países como a França, a Alemanha ou a Áustria tomaram medidas que, praticamente, tornam a vacina obrigatória, quando não mesmo compulsiva. Quem não estiver vacinado não deveria entrar em restaurantes, em supermercados, em transportes públicos, em concertos, em edifícios públicos, etc.. E, neste ponto, a acção (ou melhor, a não-acção) do governo de Macau surge aos olhos de muitos como incompreensível e mesmo difícil de aceitar tendo em conta as dificuldades que a maior parte das gentes deste território atravessa devido à actual situação. O covid-19 só será derrotado, como o foi a poliomielite por exemplo, através da vacinação. Qualquer outra esperança não terá quaisquer resultados pois o vírus continuará sempre a espalhar-se até não encontrar lugar onde se estabelecer, ou seja, no corpo dos não-vacinados. A inacção do governo de Macau em relação às vacinas vai fazer com que o problema por aqui nunca acabe. Ho Iat Seng deu o exemplo e foi dos primeiros a ser vacinado, mas o seu exemplo não foi seguido, o que também pode significar que a população não confia inteiramente nem nas vacinas nem no Chefe do Executivo. Não houve uma campanha decente, nem indecente. Não houve o cuidado de pôr as associações a contribuir para a vacinação. Não se criou uma onda de responsabilização cívica que levasse as pessoas a vacinarem-se. E, sobretudo, não se dificulta a vida aos não vacinados com medidas efectivas. Não me venham com discursos sobre a liberdade de cada um. Esta acaba onde começa a liberdade dos outros, que têm o direito de não serem contagiados e de quererem retomar a sua vida normal. Como todos sabem, felizmente existem vacinas obrigatórias para frequentar as escolas e ninguém se abespinha. Graças a elas, muitas doenças foram erradicadas e muitos dos que não se querem vacinar estão hoje vivos. No dia em que Macau abrir as suas portas ao mundo, o covid-19 aqui entrará alegremente. E essa alegria decorre do facto de encontrar imensos corpos não vacinados. Enquanto o governo da RAEM não tomar medidas mais severas, muita gente entende que não se deve vacinar. Por quê? Na maior parte dos casos, por mero provincianismo, noutros por egoísmo, mas a maior parte porque não vê vantagens nisso. E dizem: “Eu não penso sair de Macau, porque me hei-de vacinar?” Como se a questão fosse individual e não colectiva. E o governo, que tanto defende que os direitos colectivos se devem sobrepor aos individuais, neste caso fica de braços cruzados à espera que passe. Assim, não passará.
IC | Orquestras de Macau vão cumprir temporada apesar de despedimento de Lu Jia Hoje Macau - 3 Fev 20223 Fev 2022 O Instituto Cultural garante que todas as actuações agendadas são para cumprir, apesar da reestruturação em curso. No entanto, um membro da orquestra afirmou que já foram cancelados seis espectáculos e que, para a presente temporada ser concretizada, faltam 20 músicos. Lu Jia, o maestro chinês despedido apelida a situação de “horrível” e diz que ainda não foi contactado pelo IC O Instituto Cultural (IC) assegurou na passada sexta-feira que a Orquestra de Macau e a Orquestra Chinesa de Macau irão cumprir as actuações agendadas. Isto, apesar do despedimento do director musical, Lu Jia, e da criação de uma nova entidade. Numa resposta enviada à agência Lusa, o IC prometeu que a temporada de concertos, que termina no final de Julho, “e os respectivos trabalhos decorrerão de acordo com o plano definido”, embora sem o maestro chinês Lu Jia. O maestro, que liderava a Orquestra de Macau desde 2008, já abandonou a região, com a secção sobre o aclamado maestro chinês a ser, entretanto, retirada da página na Internet da orquestra. No entanto, um membro da Orquestra de Macau, que pediu para não ser identificado por temer represálias, confirmou à Lusa que esta semana foram já canceladas seis actuações, incluindo duas na passada sexta-feira. As actuações, a cargo de um quarteto de músicos da Orquestra de Macau, faziam parte de um programa que levava a música clássica a locais como orfanatos, hospitais, lares para idosos e prisões. De acordo com os websites das duas orquestras, a Orquestra Chinesa de Macau tinha 21 concertos marcados até ao final de Julho, ao passo que a Orquestra de Macau tinha 15 espectáculos agendados. Além disso, o principal portal de venda de bilhetes para espetáculos na cidade, o MacauTicket, não tem listado qualquer concerto para nenhuma das duas orquestras para o resto de 2022. O membro da Orquestra de Macau disse ainda que a formação tem menos 20 músicos do que os necessários para cumprir a presente temporada. Alguns tinham sido seleccionados numa audição a nível mundial realizada em 2019, mas não foram depois autorizados a entrar na cidade, enquanto outros músicos encontravam-se fora de Macau quando começou a pandemia da covid-19 e acabaram por não ver os seus contratos renovados, explicou a mesma fonte. Nem tido, nem achado Em declarações à TDM – Canal Macau, o maestro chinês Lu Jia diz que soube do seu afastamento pelos amigos e que ainda está à espera de um contacto oficial do IC. Ao fim de 13 anos de ligação, o maestro considera que a forma como os músicos das orquestras estão a ser tratados é “injusta” e que o facto de todo o trabalho desenvolvido ter desaparecido de um dia para o outro é “horrível”. “A orquestra foi construída ao longo 13 anos. Todos os recursos do Governo, todos os recursos públicos, todo o apoio do público e o trabalho dos músicos, que trabalharam ao longo de anos e anos na construção de uma orquestra de alta qualidade desapareceram de um dia para o outro. Isto é verdadeiramente horrível”, disse. O IC tinha anunciado na quinta-feira a criação da Sociedade Orquestra de Macau, Limitada, “detida integralmente” pelo Governo de Macau”, que a partir de amanhã vai acolher, “sem sobressaltos”, as duas orquestras. Além de “reduzir a dependência do erário público”, o objectivo da transferência passa por “melhor corresponder (…) às necessidades de formação de quadros qualificados” na área da música, explicou o IC. Recorde-se que os músicos locais das duas orquestras viram os contratos rescindidos e receberam uma indemnização, mas estão “a transitar, de forma ordenada,” para a Sociedade Orquestra de Macau. Já os músicos não-residentes, serão transferidos sem receber qualquer compensação, mantendo “as condições contratuais originais”, explicou o IC à Lusa. Na quarta-feira, o Governo de Macau nomeou para a presidência do IC Leong Wai Man, que desde 2018 desempenhava as funções de vice-presidente. Leong Wai Man sucede a Mok Ian Ian, que na semana passada foi transferida para a presidência do conselho de administração do Centro de Ciência de Macau. A Orquestra Chinesa de Macau foi fundada em 1987, ainda durante a administração portuguesa do território. A Orquestra de Macau foi oficialmente criada em 2001.
Desemprego em Macau sobe para o valor mais alto desde 2008 Hoje Macau - 3 Fev 2022 A taxa de desemprego subiu 0,4 pontos percentuais para 2,9 por cento no ano passado, o valor mais alto desde 2009, quando o desemprego se fixou em 3,5 por cento e se faziam sentir os impactos da crise financeira mundial. Os números foram revelados na sexta-feira pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos. “Em 2021, a taxa de desemprego foi de 2,9 por cento e a taxa de desemprego dos residentes correspondeu a 3,9 por cento, mais 0,4 e 0,3 pontos percentuais, respectivamente, face ao ano de 2020”, lê-se no comunicado divulgado pela DSEC. O valor, contudo, não contabiliza os mais de 25.000 trabalhadores não residentes que abandonaram o território desde o início da pandemia. Na segunda-feira, o Fundo Monetário Internacional considerou, na análise anual à economia de Macau, que o território deverá crescer 15 por cento este ano, depois da recessão económica de 2020 causada pelos efeitos da pandemia de covid-19. Razões apontadas “Apesar do forte apoio orçamental e da solidez financeira dos grupos dos casinos, que amorteceram o impacto sobre o emprego e o consumo, o PIB agregado diminuiu 54 por cento em 2020, devido, sobretudo, ao colapso das exportações de serviços, o que evidencia a vulnerabilidade da economia da Região Autónoma de Macau às forças externas que afectam o fluxo de entrada de turistas, como as restrições de viagem relacionadas com a pandemia”, lê-se na análise anual do FMI à economia de Macau, feita ao abrigo do Artigo IV. “Estima-se que a economia tenha crescido 17 por cento em 2021 graças à recuperação parcial do sector do jogo”, acrescenta-se no texto, que dá conta de um “crescimento do PIB para 2022 em 15 por cento, decorrente da retoma gradual do turismo estrangeiro e da recuperação da procura interna”. “A crise tornou bastante evidente a dependência excessiva de Macau do sector do jogo; este sector – o principal motor do crescimento nas duas últimas décadas – quase cessou com a diminuição acentuada dos fluxos turísticos” decorrentes das medidas de confinamento e combate à propagação da pandemia.
Infraestruturas do Jogos Olímpicos servirão para turismo no futuro Hoje Macau - 3 Fev 20223 Fev 2022 A meta chinesa de desenvolver uma nova indústria de turismo no país centrada nos desportos de inverno, estabelecida pelo Presidente Xi Jinping, justificou o investimento de milhares de milhões de dólares na organização dos Jogos Olímpicos de Inverno. A preparação para os Jogos, que arrancam em 4 de Fevereiro e terminam 16 dias depois, acarretou a construção de linhas ferroviárias de alta velocidade, que vão levar os atletas a novas estâncias de esqui fora de Pequim. Nas próximas décadas, estas mesmas ligações vão levar turistas chineses para as montanhas. Os Jogos “vão inspirar mais de 300 milhões de chineses a praticar desportos de inverno se vencermos, o que contribuirá muito para o desenvolvimento da causa olímpica internacional”, disse Xi, em 2015. A Rússia terá gasto 51 mil milhões de dólares nos Jogos de Sochi de 2014, um preço que deve permanecer como recorde olímpico por muitos anos. Mas a motivação da China, como a Rússia em 2014, é um plano apoiado pelo Estado para criar sectores domésticos de lazer e turismo. Grande parte do orçamento é destinado a um sistema de transporte cidade-montanha. A China destinou mais de 9 mil milhões de dólares para a construção de uma linha ferroviária de alta velocidade que liga Pequim a estâncias de esqui próximas, em Zhangjiakou e Yangqing, onde as pistas foram esculpidas em montanhas que recebem pouca neve natural. O orçamento para operações específicas para sediar os Jogos deverá ascender a cerca de 4 mil milhões de dólares. Os locais construídos em Pequim para os Jogos Olímpicos de 2008 foram reaproveitados. O Cubo de Água para natação agora é o Cubo de Gelo, que vai servir para modalidades dos Jogos de Inverno. O investimento em desporto de inverno tem sido significativo, desde que Pequim venceu a sua candidatura olímpica há sete anos. A China tem agora mais de 650 pistas de gelo e 800 estações de esqui, informou o jornal oficial em língua inglesa China Daily, citando o Centro Administrativo Nacional de Desportos de Inverno. Estes números marcam aumentos de 317 por cento e 41 por cento, respectivamente, face a 2015. A China esperava uma receita modesta de relativamente poucos visitantes internacionais para os Jogos de Inverno mesmo antes da pandemia tornar as viagens impossíveis. Os ingressos também não estão a ser vendidos para residentes na China, cortando outra fonte de receitas do anfitrião. Os próprios números do COI mostram que a maior receita com a venda de ingressos em todas as edições dos Jogos de Inverno foi de 250 milhões de dólares, em Vancouver 2010. O comité organizador da cidade anfitriã obtém receitas através dos acordos com patrocinadores domésticos. O comité organizador de Pequim tem 44 parceiros comerciais, quase todos chineses, em quatro níveis que incluem fornecedores de bens e serviços. Os 11 “parceiros” de primeira linha incluem a companhia aérea Air China e o banco Bank of China. As vendas de produtos associados ao evento, como luvas e mascotes, também aumentam a receita dos organizadores locais. Milhões para todos O COI recebe milhares de milhões de dólares de emissoras de todo o mundo e de patrocinadores que obtêm direitos globais exclusivos, e tem agora 13 patrocinadores de primeira linha, incluindo as empresas chinesas Alibaba e Mengniu ou a norte-americana Coca-Cola. O comité vai também doar 880 milhões de dólares para os custos dos organizadores de Pequim. O COI também distribuiu 215 milhões de dólares da sua receita com os Jogos de 2018 entre os sete órgãos reguladores dos desportos dos Jogos de Inverno. Outros 215 milhões de dólares foram distribuídos entre os comités olímpicos dos respectivos países que participam na competição.
Covid-19 | Residente vinda da Suíça classificada como caso importado assintomático João Santos Filipe - 3 Fev 2022 O caso não entra para as estatísticas, por ser assintomático e, assim sendo, o número de ocorrências na RAEM mantém-se em 79. No fim-de-semana foi anunciado o aumento da validade dos testes para circular entre Macau e o Interior Uma residente de 19 anos, que viajou para Macau vinda da Suíça, foi classificada, no sábado, como um caso importado de infecção importado assintomático. A informação foi divulgada ontem pelo Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus, após a infecção ter sido confirmada no sábado. A jovem estava vacinada e tinha entrado em Macau a 29 de Janeiro: “Esta residente administrou 2 doses da vacina de mRNA produzida pela empresa farmacêutica BioNTech em Julho e Agosto de 2021 e depois foi para a Suíça estudar, tendo viajado por vários países da Europa”, foi revelado. “No dia 27 de Janeiro, foi submetida a teste de ácido nucleico na Suíça, e o resultado do teste foi negativo”, foi acrescentado. Como tinha um teste negativo, a residente foi autorizada a apanhar o voo n.º SQ345, da Singapore Airlines, de Zurique para Singapura, e no dia 29 de Janeiro, viajou de Singapura para Macau no voo n.º TR904, da companhia Scoot. “Logo que entrou em Macau, foi sujeita a um teste de zaragatoa nasofaríngea, cujo resultado foi positivo. A residente já foi encaminhada para o Centro Clínico de Saúde Pública”, foi assegurado pelas autoridades de saúde. Como o Governo de Macau segue actualmente os padrões do Interior na contagem dos casos, deixou de contar as infecções assintomáticas, ao contrário do que acontecia no início. “Esta pessoa não apresenta sintomas suspeitos da COVID-19. Em articulação com o historial epidemiológico, os desempenhos clínicos e resultados de testes desta pessoa, foi classificada como caso importado de infecção assintomática e não foi incluída nas estatísticas de casos confirmados de Macau”, foi explicado. A RAEM conta 79 casos confirmados desde o início da pandemia, em Janeiro de 2020. Validade aumentada Em relação às medidas pandémicas e com a chegada do Ano Novo Lunar foi divulgado no sábado que a validade dos testes de ácido nucleico para quem quer viajar entre Macau e o Interior foi aumentada. A partir de sábado, quem chega a Macau vindo de Zhuhai ou Shenzhen pode apresentar um teste de ácido nucleico com resultado negativo feito nas 48 horas anteriores. Antes, e na sequência dos vários casos nas cidades do Interior, a validade tinha sido estabelecida nas 24 horas. Ao mesmo tempo, as pessoas que vêm para Macau vindas do Interior por via aérea podem viajar com um teste com a validade de sete dias. Para quem quer sair da RAEM para Zhuhai e Shenzhen também se aplica a validade de sete dias. “Aqueles que pretendam sair de Macau tendo como destino a Cidade de Zhuhai ou da Cidade de Shenzhen, por via terrestre ou via marítima, só precisam de possuir o certificado de teste de ácido nucleico para a COVID-19 com resultado negativo dentro de sete dias após a data de amostragem (ou seja, a data de amostragem mais sete dias)”, foi divulgado. SSM | Inspecções para garantir segurança no Novo Ano Lunar Depois de o Governo ter reduzido as restrições contra a covid-19, para que os viajantes do Interior possam vir a Macau durante o Ano Novo Lunar, os Serviços de Saúde anunciaram ter levado a cabo várias inspecções. Os locais visitados incluem “o Centro Hospitalar Conde de São Januário, Centros de Saúde, postos fronteiriços de Macau, postos de vacinação contra a COVID-19 e postos de testes de ácido nucleico”. Estas visitas foram adoptadas, segundo o Governo, para “verificar a implementação das medidas antiepidémicas”, “elaborar e planear planos de resposta em diferentes cenários” e implementar a “estratégia antiepidémica de prevenir casos importados e evitar o ressurgimento interno”. O Governo declarou ainda ter como objectivo “garantir que os residentes possam celebrar o Ano Novo Lunar num ambiente saudável e seguro”. Vacinas | Boletim individual ganha versão digital O porta-voz do Conselho Executivo, André Cheong anunciou na passada sexta-feira a conclusão do debate à volta do projecto de regulamento administrativo sobre o Regime de Vacinação. Segundo o diploma, com o objectivo de promover a governação electrónica, o Boletim Individual de Vacinações vai poder ser emitido em formato digital, para além da versão em papel. Para tal, os Serviços de Saúde (SSM) vão criar uma plataforma electrónica para registar o histórico de vacinação dos residentes, sendo que os médicos ou enfermeiros responsáveis pela inoculação ficarão também a cargo de preencher essa mesma informação na plataforma. Para além de definir quem beneficia de isenção das taxas de vacinação entre não residentes, o regulamento estabelece ainda que a dispensa de vacinação deve ser concedida por um médico autorizado pelo director dos SSM. A dispensa de vacinação deverá igualmente ficar registada no boletim individual de vacinação das pessoas isentas.
Crime | Levo Chan detido por suspeitas de jogo ilegal e associação criminosa João Santos Filipe - 3 Fev 20223 Fev 2022 O proprietário da Tak Shun e da Macau Legend foi detido pela Polícia Judiciária na sexta-feira, na sequência das investigações ligadas a Alvin Chau, dono da Suncity. Em menos de dois meses, as autoridades prenderam os donos das duas principais empresas junkets de Macau Levo Chan Weng Lin, dono da promotora de jogo Tak Chun, a segunda maior de Macau, foi detido na sexta-feira e está indiciado pela prática dos crimes de actividades de jogo ilegal, associação criminosa e lavagem de dinheiro. A operação foi apresentada ontem numa conferência da Polícia Judiciária (PJ), em que as autoridades apenas referiram que o detido tem o “apelido de Chan” e 49 anos de idade. Além do responsável pela empresa Tak Chun e também presidente da Macau Legend, foi também detido um outro executivo de apelido Choi, de 34 anos, que segundo a imprensa de Hong Kong será director financeiro da empresa junket. Na conferência de imprensa, Chong Kam Leong, porta-voz da PJ, afirmou que as detenções dos dois suspeitos estão relacionadas com a detenção de Alvin Chau, proprietário do grupo Suncity, preso desde finais de Novembro. De acordo com a informação apresentada, a associação criminosa era “controlada e gerida pelo suspeito de apelido Chan” que desenvolvia apostas ilegais, assim como jogo online ilegal nos casinos de Macau. Por sua vez, o detido Choi assistia Chan na gestão das operações. As detenções resultaram das investigações em curso ao caso que envolve Alvin Chau, mas só agora foram realizadas, por ser este o tempo “mais oportuno”. No momento da detenção, os dois residentes de Macau encontravam-se num hotel, na zona do NAPE. As buscas envolveram ainda os escritórios e as residências dos detidos, o que levou à apreensão de material informático e 4,1 milhões de dólares de Hong Kong em dinheiro vivo. Bico calado Interrogados pelas autoridades, os detidos optaram por ficar em silêncio, o que levou a PJ a considerar haver uma recusa de participação nas investigações. Contudo, acredita-se que as alegadas associações criminosas lideradas por Alvin Chau e Levo Chan estariam a actuar em conjunto no caso ontem apresentado. “Apesar de as duas operações policiais terem tido como alvos duas associações criminosas diferentes, há provas suficientes, de acordo com a nossa investigação, que mostram que estavam a actuar em conjunto”, afirmou Chong Kam Leong. A Polícia Judiciária reconheceu também que, apesar das detenções terem ocorrido na sexta-feira, a investigação teve início em 2019. A detenção surge dias depois da Direcção de Inspecção e Coordenação do Jogo ter renovado a licença de promoção de jogo da Tak Chun. Levo Chan Weng Lin é presidente e CEO da Macau Legend, responsável pela gestão da Doca dos Pescadores. Ontem, a empresa emitiu um comunicado onde afirma que a detenção de Levo Chan não vai afectar a actividade do grupo. “A Direcção é de opinião que, uma vez que o Grupo é operado por uma equipa de pessoal de gestão e o incidente acima referido está relacionado com os assuntos pessoais do Sr. Chan e não relacionados com o Grupo, a Direcção não espera que o incidente acima referido tenha um impacto material adverso nas operações diárias do Grupo”, refere o documento. A nota enviada à Bolsa de Hong Kong e assinada pelo co-presidente e director não executivo David Chow Kam Fai – o antigo proprietário da empresa – acrescenta que a Direcção irá “acompanhar de perto e rever a situação e fazer outro(s) anúncio(s) conforme e quando apropriado”. O anúncio também indica que “os accionistas e potenciais investidores da Empresa são aconselhados a ter cautela ao negociar as acções da Empresa”. Macau Legend Development é proprietária da propriedade do Macau Fisherman’s Wharf e opera os casinos Babylon e Legend Palace sob a concessão de jogo da SJM. Cem mil para Portugal Além de empresário, Levo Chan tem um historial de doações para instituições de caridade em Macau, e não só. Em Abril de 2020, em nome individual, o dono da Tak Chun, contribuiu com um donativo de 100 mil patacas para a luta contra a covid-19 em Portugal, recebido pelo cônsul Paulo Cunha Alves. Na altura, a campanha foi realizada no âmbito do esforço de várias associações locais para ajudar Portugal na compra de material para responder à pandemia.
Corrupção | Au Kam San pede novos mecanismos de combate Hoje Macau - 3 Fev 2022 O ex-deputado Au Kam San defendeu, numa publicação na sua página de Facebook, que o Governo deve melhorar o mecanismo de combate à corrupção, na sequência das suspeitas que recaíram sobre dois ex-directores da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes. Au Kam San escreveu que esses casos não surpreendem, uma vez que a área das obras públicas sempre registou muitas situações de corrupção, sendo isso um resultado do sistema. O ex-deputado recordou mesmo umas declarações que deu aquando da detenção do antigo secretário Ao Man Long, quando disse que a prisão “serviu para tirar um peixe doente do aquário, mas a água suja mantinha-se”. Mesmo reconhecendo que os anteriores Chefes do Executivo melhoraram a legislação que permite combater actos de corrupção devido à pressão social, Au Kam San lamenta que a nova lei do enquadramento orçamental não seja suficiente para resolver o problema do lançamento de obras públicas sem plano. O responsável referiu também as palavras do ex-comissário do Comissariado contra a Corrupção, Vasco Fong: “é importante capturar ratos, mas a limpeza ambiental é o mais importante”, numa referência à mudança do sistema num todo.
Fórum Macau | Ho Iat Seng quer mais cooperação com PLP Hoje Macau - 3 Fev 2022 O Chefe do Executivo espera uma maior contribuição do Fórum de Macau para “os contactos económicos e comerciais não governamentais entre a China e os países lusófonos”. A declaração foi proferida num encontro, que decorreu na quinta-feira, entre Ho Iat Seng e o novo secretário-geral do Secretariado Permanente do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Macau), Ji Xianzheng. O líder de Macau indicou ser possível verificar que, desde a criação há 18 anos do Fórum, “através do volume de negócios” entre a China e os países de língua portuguesa, o território “tem desempenhado, em pleno, o papel de plataforma”, salientando esperar que “o Secretariado venha a contribuir ainda mais para os contactos económicos e comerciais não governamentais entre a China e os países lusófonos”, consta num comunicado. “O governo irá continuar a apoiar totalmente o Fórum”, prometeu Ho, sublinhando que, no futuro, irá empenhar-se “no desenvolvimento da diversificação económica”. Ainda de acordo com Ho, a pandemia da covid-19 permitiu ao governo “perceber, claramente, que Macau dependia demasiado do sector de turismo e entretenimento” e que agora a RAEM tem um espaço “alargado” para diversificar no âmbito do “Projecto Geral de Construção da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin”. O secretário-geral do Fórum, em funções desde 10 de Janeiro, afirmou que a organização continua empenhada em apoiar “as várias partes participantes na recuperação estável da economia”, em promover a cooperação económica e comercial entre a China e os países lusófonos “para um novo patamar”, e em “contribuir ainda mais para a diversificação económica adequada de Macau”.
Urbanismo | Aprovado Plano Director para os próximos 20 anos Pedro Arede - 3 Fev 2022 O Plano Director de Macau foi finalmente aprovado, tendo como principal linha de força a procura de um equilíbrio entre zonas habitacionais, comerciais e serviços para “incentivar as pessoas a trabalharem nas zonas onde habitam” e atenuar “problemas sociais” resultantes da proximidade das áreas industriais. A aposta será materializada em zonas como a Avenida de Venceslau de Morais, Porto Interior e junto aos postos fronteiriços, onde não haverá espaço para edifícios industriais O Governo aprovou na passada sexta-feira, o Plano Director 2020-2040 no qual se pretende encontrar um maior equilíbrio entre zonas residenciais, de serviços e comerciais e criar condições para “incentivar as pessoas a trabalharem nas zonas onde habitam”. Segundo o Executivo, e sem nunca perder de vista os objectivos de cooperação regional, no espaço reservado às zonas urbanas serão criadas novas áreas comercias e destinadas aos serviços. Já os terrenos originalmente destinados a indústria, situados em zonas habitacionais, serão libertados para fins não industriais. Contas feitas, áreas como a Avenida de Venceslau de Morais, o Porto Interior e zonas adjacentes aos postos fronteiriços irão acolher mais comércio, serviços e ainda habitação. “Ao nível da zona urbana, vão ser criadas novas zonas comerciais e reforçados os espaços para actividades económicas designadamente nas Portas do Cerco, na Zona de Administração do Posto Fronteiriço de Macau da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, no antigo Posto Fronteiriço do Cotai, no Porto Interior e na Avenida de Venceslau de Morais, no sentido de promover a cooperação regional e o desenvolvimento da economia nos postos fronteiriços”, pode ler-se numa nota oficial divulgada pelo Conselho Executivo. Quanto à conversão de zonas industriais em zonas comerciais, o Governo abre também a porta à criação de zonas habitacionais com o objectivo de “incentivar as pessoas a trabalharem nas zonas onde habitam e promover o equilíbrio entre a função profissional e a função residencial” e ainda “criar condições para a diversificação adequada da economia e o crescimento das indústrias emergentes e de ponta”. A fim de atenuar os “problemas sociais causados pela proximidade entre as áreas industriais e residenciais”, o Governo pretende que os terrenos destinados à indústria que se encontram “dispersos” fiquem concentrados no Parque Industrial Transfronteiriço da Ilha Verde, no Parque Industrial do Pac On, no Parque Industrial da Concórdia em Coloane e no Parque Industrial de Ká-Hó. Linhas de força Segundo a TDM – Canal Macau, durante a apresentação do regulamento administrativo que aprova o Plano Director, foi ainda revelado que o terreno do Parque Oceanus, à frente do Hotel Regency, na Taipa, irá acolher um corredor verde que poderá abranger espaços comerciais e de lazer. “Zona comercial tem um sentido lato, isto quer dizer que abrange actividades comerciais e que podem ser construídos edifícios destinados ao lazer e à cultura, pois temos uma faixa verde com uma paisagem mais ambiental”, explicou Mak Tak Io, da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT). O mesmo responsável confirmou ainda que as zonas C e D, junto ao lago de Nam Van serão para acolher instalações públicas, como edifícios do Governo, instalações desportivas e culturais. Recorde-se que a área de intervenção do Plano Director está dividida em 18 Unidades Operativas de Planeamento e Gestão, as quais são classificadas como “zona urbana” e “zona não urbanizável”, sendo que esta última representa cerca de 18 por cento da área total. Entre os objectivos principais do plano, destaca-se a inserção de Macau na Grande Baía, a promoção da diversificação económica e a protecção do património histórico-cultural do território, tendo como eixo estratégico a construção de um Centro Mundial de Turismo e Lazer. Além disso, prevendo-se que em 2040 haja em Macau cerca de 800 mil habitantes, o plano antevê “conquistar” três quilómetros quadrados ao mar, através da construção de novos aterros destinados ao desenvolvimento urbano, a responder “às exigências sociais e económicas” e à expansão do aeroporto.
2022 Ano Tigre Água José Simões Morais - 3 Fev 2022 O ano lunar começa a 1 de Fevereiro e terminará a 21 de Janeiro de 2023, sendo para o Feng Shui o início do ano de Tigre o dia 4 de Fevereiro de 2022, quando se celebra o Lichun, Princípio da Primavera. A China, com existência há setenta e oito ciclos, cada de 60 anos, para este ano apresenta o número 39 e corresponde a Ren Yin (壬寅, em cantonense yam yan), ‘o Tigre atravessa a floresta’. No Caule Celeste, o Elemento Ren (壬), Água yang, direcção Norte, e no Ramo Terrestre, Yin (寅, yan), Tigre (nome comum Hu) regido pelo Elemento Madeira yang, direcção Leste Nordeste. Para o ano Tigre Água, os nativos de Cabra estarão no topo da boa sorte, seguido pelos de Serpente e Búfalo. Os nativos de Cavalo, Porco, Coelho e Cão que nasceram no Inverno terão um ano mais fácil. Já os de Rato, Dragão e Galo estarão ocupados com muito trabalho. Os animais com pior ano serão os de Tigre e Macaco. Água yang alimenta Madeira yang e Yin (tigre) é a chave para abrir o armazém do fogo, que segundo as previsões de Edward Li aqui deixadas, aparecerá com diferentes focos: – Ligado com a pandemia, para onde a atenção está toda virada, o vírus cujo Elemento é Fogo e sendo este ano Tigre de Madeira yang, levará o Fogo a ficar mais forte e assim, o vírus em vez de desaparecer vai tornar-se ainda mais complicado. Se os países pensarem apenas em termos económicos e abrirem as fronteiras, aceitando viver com o vírus no quotidiano, são más notícias pois novas variantes aparecem, a levar ao caos. Atenção aqui. Ano de muitas novidades, como novas vacinas e medicamentos para resolver o problema da Covid-19, mas dentro do intenso nevoeiro do momento não há uma imagem clara do que nos está a ocorrer. Apenas este ano se poderá ver os efeitos colaterais das vacinas. – Dois anos de existência da pandemia nas nossas vidas, sem válvulas de escape para aliviar as tensões, ao chegar a um ano de Fogo eleva-se a impaciência e a pressão colocará as pessoas a fazerem imensos disparates. – Abrir o armazém do fogo, significa acender o rastilho para a Guerra e este ano é propenso passar-se das palavras aos actos. Grande possibilidade de ocorrer explosões de gás nas casas, em contentores e outros acidentes ligados com o fogo, assim como vulcões, tremores de terra, tsunamis, serão o normal quotidiano do ano em que a Natureza perde a balança e como a guerra não é possível de ser evitada, o mais importante é manter-se em lugar seguro, preservar a boa saúde e esperar pelo desagravar no ano seguinte, de menores extremos. Este ano a Madeira yang é alimentada por Água yang e terá para 2023 os mesmos Elementos mas em yin, logo não serão tão intensas as ocorrências. – A interrupção e desregulação dos sinais digitais, vitais para o actual quotidiano, serão devidas à interferência do planeta interior Mercúrio (o planeta Água) e dos exteriores, de onde provêm poderosas energias de Júpiter (o planeta Madeira) e Marte (o planeta Fogo), a provocar na Terra problemas nas telecomunicações, impedindo por vezes o sinal. Tal falha, nem que seja por breves momentos, desregula o estar da vida na Terra, exponenciando acidentes. Entre os sessenta desenhos do livro “Tui Bei tu”, ao olhar para o 39.º, cujo título é Ren Yin, apresenta um pássaro sem garras no cume da montanha e na base o Sol, parecendo a imagem representar os carácteres 九日 (9 e Sol) e acrescenta o poema, – toda a gente chora. Caos, pois dia e noite não têm diferença, provocando os nove sóis seca e escassez de alimentos. Acompanha com o 27.º hexagrama do Yi Jing, As Bordas da Boca. Trovão na base da Montanha: prover alimento, sendo o homem superior cuidadoso no falar e a controlar o que come. Imensa Água alimenta Madeira forte Macau, renascido em 20 de Dezembro de 1999, tem o seu bazi a não gostar nada de Água e sendo os próximos dois anos, o de 2022 Água yang e o de 2023 Água yin, no primeiro semestre deste ano será tudo complicado. Em Macau quando está mau é mesmo ao fundo, mas logo no segundo semestre e sendo Elemento Madeira a alimentar o Fogo, a situação melhora e com a pandemia controlada, rápida e fulgurante os ambientes da cidade animam. Já para o próximo ano, do Coelho, Macau em Fan Tai Soi terá de fazer uso da imaginação e criatividade e ao encarar as vagas, reflectindo desbravar nas suas várias dimensões. Como nota, o Qi Gong (Palácio de Energia) da nossa terra, Lin Dong (林 东) passou desta vida no dia 20 de Janeiro de 2021 com votos, como Ser de Puro Espírito, ter o Dao transmitido chegado ao ritual quotidiano na energia do bem-fazer e ajudar, pois nisso foi Grande a sua Vida. Esperemos encontrá-lo no templo como um Tai Soi. O GENERAL HE E O Deus do Ano (Tai Sui, em cantonense Tai Soi) de 2022 é o General He E, nascido durante a dinastia Yuan em Yanling, Hunan. Perspicaz a investigar e firme nos objectivos, tinha um rápido pensar e a habilidade de resolver depressa complicados crimes. Calmo, actuava estrategicamente como chefe militar levando a conseguir conquistar facilmente as cidades fortificadas. Como administrador era equilibrado e em boa condução governava as diferentes populações, as quais com ele sempre se sentiam felizes. Um dos primeiros locais em que esteve à frente a governar foi a província de Guan Zhong (na bacia do Rio Wei) após a ter conquistado. Como muitos corpos estavam espalhados sem sepultura e os habitantes começavam a ficar doentes, mandou os soldados procurarem os corpos e depois de os juntar numa pilha, queimá-los, para assim evitar espalhar doenças. Devido às suas qualidades de ser honesto e benevolente líder, foi mais tarde transferido para a corte imperial, ficando a chefiar o exército e a controlar as áreas sensíveis da cidade capital. Nos livros de História vem referido ter encontrado sete mil taéis de ouro numa parte da muralha que colapsara durante a conquista da cidade. O normal era ficar essa quantia para quem chefiava o exército, que depois da batalha a distribuía pelos seus homens, mas como o Imperador pretendia começar outra campanha para conquistar mais terras e para isso era preciso aumentar as taxas à população, resolveu o General doar o dinheiro para o povo não sofrer com mais impostos. Sendo o Tai Sui do ano de 2022 o General He E, ficaria bem ao mundo encontrar o equilíbrio perdido e em estratégica condução ética ser governado por inteligentes, honestos e benevolentes líderes. O dia de ir ao templo oferecer sacrifícios ao Deus do Ano General He E é o oitavo da primeira Lua, que ocorre a 8 de Fevereiro de 2022.
Ucrânia | China considera que Rússia tem “preocupações razoáveis” Hoje Macau - 28 Jan 2022 A China disse ontem compreender as “preocupações razoáveis” de Moscovo em relação à Ucrânia, que os Estados Unidos receiam que seja alvo de um eventual ataque russo em meados de Fevereiro. O Ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi, falou ontem por telefone com o seu homólogo norte-americano, Antony Blinken, sobre a Ucrânia. O país asiático absteve-se, até à data, de tomar explicitamente partido na crise entre a Rússia e o Ocidente, que acusa Moscovo de ter reunido 100.000 soldados junto à fronteira com a Ucrânia. “As preocupações razoáveis de segurança da Rússia devem ser levadas a sério e abordadas”, disse Wang a Blinken, segundo um comunicado divulgado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês. A posição de Wang surge um dia após a rejeição formal por parte dos Estados Unidos e da NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte) do principal pedido de Moscovo: recusar a adesão da Ucrânia à Aliança Atlântica. O chefe da diplomacia chinesa argumentou que a “segurança regional não pode ser garantida pelo fortalecimento ou expansão de blocos militares”. “Pedimos calma a todas as partes, que se abstenham de aumentar as tensões e de escalar a crise”, afirmou Wang, ecoando a posição de Moscovo, que acusou o Ocidente de “histeria” em relação à Ucrânia e negou quaisquer planos para invadir o país. Travão olímpico De acordo com o comunicado do Departamento de Estado norte-americano, Blinken sublinhou ao homólogo chinês os “riscos globais de segurança e económicos apresentados por uma nova agressão russa contra a Ucrânia”. Washington continua convencido do risco de um ataque russo contra Kiev. “Tudo indica” que Putin “vai usar a força militar em qualquer altura, talvez entre agora e meados de Fevereiro”, disse a vice-secretária de Estado dos EUA, Wendy Sherman, na quarta-feira. Destacou que a abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim, em 4 de Fevereiro, pode influenciar o “calendário” russo, para evitar ofender o Presidente chinês, Xi Jinping, durante este evento importante para a China. Na segunda-feira, Pequim descartou informações da imprensa norte-americana que afirmaram que Xi pediu a Putin para não invadir a Ucrânia durante os Jogos Olímpicos. Durante a sua reunião com Blinken, Wang Yi também pediu a Washington que pare de “perturbar” os Jogos de Inverno. Os países ocidentais acusam a Rússia de pretender invadir novamente o país vizinho, depois de ter anexado a península ucraniana da Crimeia, em 2014, e de patrocinar, desde então, um conflito em Donbass, no leste da Ucrânia. A Rússia nega quaisquer planos para uma invasão, mas associa uma diminuição da tensão a tratados que garantam que a NATO não se expandirá para países do antigo bloco soviético.
O caminho da libertação Paul Chan Wai Chi - 28 Jan 2022 No capítulo 4 do Evangelho segundo Lucas, menciona-se que Jesus leu a seguinte passagem do Livro de Isaías, “o espírito do Senhor Deus está em mim, porque me ungiu para pregar o Evangelho aos pobres. Ele enviou-me para curar os que sofrem, para proclamar a liberdade dos cativos e a libertação dos prisioneiros”. A Diocese de Macau foi fundada há 446 anos. Como Macau é apelidada de a “Cidade do Santo Nome de Deus de Macau”, só pode ser uma cidade sagrada. Macau regressou à soberania chinesa há 22 anos, durante os quais a nomeação dos principais funcionários do Governo sempre foi feita de forma estritamente rigorosa. Sob o princípio “Macau governado por patriotas”, a cidade deveria estar livre de corrupção. Mas Macau, para além de ser conhecida com a “Cidade do Santo Nome de Deus de Macau” e de ser “governada por patriotas”, continua a ter dirigentes que cometem várias faltas. Alguns funcionários foram condenados à prisão, outros desapareceram ou perderam a liberdade. Este fenómeno não é decididamente uma boa notícia para o Governo da RAE. Mas como encontrar o caminho para a libertação de forma a que mais ninguém se desvie das boas práticas? Os órgãos judiciais detêm o poder de processar quem viola a lei e a função dos advogados é representar e lutar pelos direitos dos clientes em Tribunal. Os juízes têm a responsabilidade de presidir aos julgamentos e os intelectuais a responsabilidade de conduzir as pessoas na procura e na reconquista da liberdade. O Comissariado contra a Corrupção do Governo da RAE anunciou que Li Canfeng e Jaime Roberto Carion, dois ex-directores da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), são suspeitos de corrupção e da prática de actos de prevaricação. Neste caso estão também implicados vários homens de negócios. Se a população de Macau tiver boa memória, ainda se deve lembrar que Ao Man Long, ex-Secretário para os Transportes e Obras Públicas, ainda está a cumprir pena pela prática de corrupção. Com o caso de Ao Man Long, o Governo da RAE deveria ter aprendido a lição e ter sido mais cuidadoso com a escolha dos altos funcionários, especialmente, estabelecendo rigorosos critérios de conduta para prevenir a possibilidade de virem a ser cometidos crimes. Seja como for, é lamentável saber que dois ex-directores da DSSOPT estiveram envolvidos em actos de corrupção enquanto exerciam funções. Resta saber se é o cargo que torna as pessoas corruptas, ou se são incorrectamente nomeadas pessoas corruptas para esses cargos? Os humanos são os mais inteligentes de todos os primatas. Se prestarmos atenção ao desenvolvimento das pessoas, compreendemos que os humanos não nasceram para ser animais selvagens. Não matam nem mentem sem um objectivo. Desde que tenham as necessidades básicas satisfeitas, as suas vidas podem ser muito simples. Por isso, que motivos levam alguns indivíduos a enveredarem pelo caminho errado? Acredito que isso se deve a qualquer falha no sistema e no mecanismo da sociedade e do Governo. Para que uma pessoa obedeça conscientemente às normas e não as viole precisa de ser consciente, mas é igualmente importante que exista supervisão e apoio externos. Se compararmos a forma como os habitantes de Macau atravessam a estrada e o respeito que têm pelos semáforos, com a forma que os japonenses ou os singapurenses agem na mesma situação, torna-se evidente que os humanos se comportam de formas diferentes quando são expostos a diferentes culturas, diferentes educações e diferentes regimes políticos. Não é completamente inútil conhecer o passado porque podemos aprender importantes lições desta forma. Macau é uma cidade pequena e densamente povoada onde todos se podem conhecer uns aos outros de diversas maneiras. Em tempos, conheci uma pessoa que trabalhou muitos anos como director de uma escola e que foi representante do sector da educação em Macau. Mas devido a problemas ocorridos na gestão e supervisão do Fundo de Desenvolvimento Educativo, esta pessoa desapareceu da cidade. Quem ocupar o lugar de Secretário, Procurador ou Director, no quadro do Governo da RAE, tem de ter competências profissionais e conhecimentos. No entanto, quando uma pessoa, mesmo que seja inteligente, é aliciada por grandes quantias de dinheiro, se não tiver ninguém por perto para a aconselhar e se não existirem mecanismos de monitorização, mais cedo ou mais tarde vai cair na armadilha, a menos que tenha uma mente muito forte. Para encontrar o caminho para a libertação e quebrar as algemas postas no povo, a monitorização social é indispensável. E muitas vezes, são os dissidentes que conseguem descobrir o oásis, quando a grande inundação se prepara para destruir o mundo.
Nada está perdido – Terceiro Acto | Cena 3 Gonçalo Waddington - 28 Jan 2022 Terceiro Acto | Cena 3 Gonçalo tira uma mancheia de tremoços e apaga o cigarro com a outra mão. Lá fora o vento começou a soprar de mansinho, indiferente à galhofa dos pássaros que se ouve através da janela. Valério volta a folhear o texto do amigo. Valério Devias acabar o livro… Gonçalo Já tinhas dito isso… Ou não? Valério Acho que não. Gonçalo Se dissesses história… Valério História? Gonçalo Em vez de livro. Valério [sorrindo] Por amor de Deus… Gonçalo É verdade… [pausa] Se dissesses história, não me fazia comichão nenhuma. “Sim, vou acabá-la em breve”… Mas livro… Já pesa na consciência. Valério acende novo cigarro e levanta-se. Vai até à janela e perscruta a escuridão sonora que acontece lá fora. Dobra-se e pousa os cotovelos no parapeito. Dá uma longa passa no cigarro. Valério Chega uma altura que tens de assumir… Gonçalo O livro? Valério [agastado] O que quiseres… livro ou não-livro. [exalando o fumo] Assume, toma uma decisão. Gonçalo olha-o, estranhando aquela súbita mudança de humor. Depois pega na garrafa de vinho e deita-o no copo. Valério fecha a janela e vem sentar-se outra vez ao pé do amigo. Valério [procurando as palavras] Talvez não sejas escritor. Gonçalo Ó diacho… Valério Vais escrevendo umas coisas… coisas boas, claro… mas não és um escritor. [pausa] Daqui a nada tornas-te um “poderia ter sido”… Gonçalo [curioso] Como é isso? Valério Aquele de quem toda a gente falava… o que poderia ter sido um grande escritor. [pausa] Há tantos assim, cheios de talento… escreveram uns contos, umas críticas, publicaram alguns poemas numa revista qualquer… e depois, quando chega a hora H, “ah e tal… morreu a minha mãezinha”… “a tecla A no computador saltou…”, “ando inseguro”… “tenho tido muitas traduções”… ou “ainda estou a pesquisar”… tudo serve para fugir do “não consigo, ponto final”. Gonçalo [melindrado] Mas eu começo sempre assim, caramba! Valério [divertido] Assim como? Gonçalo A achar que não consigo. Valério Mas uma coisa é um textículo de umas páginas, outra é um livro. Se te serve a manigância, ainda bem… mas para coisas de fôlego não podes ser tão infantil. Gonçalo [irritado] Mas qual infantil… estás a falar de quê! Valério [sorrindo] É um truque infantil, desculpa… vou dizer à mamã que não consigo andar de triciclo, a mamã vai dizer que o menino consegue, o filho, com a lágrima no olho, diz que não consegue de todo, a mamã insiste… Gonçalo [interrompendo] Que estupidez! Valério [continuando] O menino tenta, anda três metros… Ena, vês, a mamã não tinha razão?! Toma um miminho, meu amor… Gonçalo Já percebi. Valério Mas com o Paris-Dakar já não resulta. Gonçalo [interrompendo] Já tinha percebido! Valério Tens de arranjar truques mais adultos… ou então, fazes-te homenzinho e acabas já com o assunto: ou escreves, ou não escreves. Gonçalo [imitando uma mãezinha] Já não tens vinte anos, filho…! Valério Pois não… nem eu tenho pachorra para putos. Gonçalo De onde é que veio esse azedume todo? Valério [sorrindo] Dos trinta copos de vinho? Gonçalo aquiesce e os dois deixam-se mais uma vez ficar em silêncio. Valério começa a sorrir. Gonçalo [curioso] O que foi? Valério Já viste que temos sempre o mesmo intervalo de tempo entre os tópicos… [serve-se de mais vinho] Há aqui um padrão, meu caro. Há aqui uma tese a caminho, vais ver! [emborca o copo e serve-se outra vez] Se gravássemos as nossas conversas e as botássemos num software de edição de som, ias ver que as ondas sonoras das nossas vozes, as pausas, os isqueiros, os cigarros, o vinho a ser servido, o gargalo a bater no copo… ias ver… Aliás, ainda melhor…! Mandávamos imprimir o gráfico sonoro… ias ver… um padrão perfeitamente descodificável. Gonçalo Somos previsíveis. Valério De certa maneira, sim. Mas para nós próprios… Já temos o nosso ritmo. [pausa] Deve ter a ver com o espaço, também. [pausa] Agora não tenho bem presentes as nossas conversas noutros lugares, mas parece-me que esta casa [faz um círculo com o indicador], o sítio onde está, a montanha onde foi edificada, o material com que foi construída e blá, blá, blá influencia o ritmo… o padrão. Gonçalo Também não tenho presentes as nossas conversas. Mas reconheço o padrão, sim. E reconheço o padrão nos meus hábitos de escrita, agora que falaste disso. [pausa] A procrastinação… se bem que a domino bem. E sim, há sempre um muro qualquer que aparece à minha frente quando começo qualquer coisa… aliás, esse muro está sempre presente, mesmo quando não estou a escrever. Sobretudo quando não estou a escrever! Antes de dormir, lá estou eu “Não sou capaz! Não sou capaz!” [pausa] Mas ao contrário do que disseste, que eu uso esse muro imaginário como desculpa para justificar a minha incapacidade, talvez eu o use como combustível… [pausa] E olha que é altamente inflamável, deixa-me que te diga. Alimenta-me. Faz parte. Agora… será que eu alimento este hábito? Não sei, confesso. Mas resulta. Tenho é de fazê-lo resultar em coisas mais ambiciosas, para te poder esfregar na cara e mostrar que resulta. Valério “It ain’t bragging if you can back it up!”
Xunzi 荀子 – Elementos de ética, visões do Caminho Hoje Macau - 28 Jan 202228 Jan 2022 O Caminho da Liderança, Parte XI Um líder de homens que não tiver favoritos, nem membros fiáveis do seu círculo interior, chama-se “entrevado”. Se não tiver primeiro-ministro, conselheiros ou assistentes que possam receber responsabilidades, a isso se chama “solidão”. Se aqueles que enviou como emissários aos senhores feudais nas fronteiras dos quatro lados do estado não forem as pessoas certas, a isso se chama ser “abandonado”. Se estiver abandonado, solitário e nas trevas é conhecido como aquele que “está em perigo”. Mesmo que o seu estado ainda subsista, os antigos lhe chamariam “perecido”. As Odes dizem: “Quão incrivelmente refinados e numerosos eram os homens bem-criados! O Rei Wen os usou para conseguir a paz”. Isto exprime o que quero dizer. Da classificação das pessoas segundo aquilo de que são feitas: serem conscienciosas, honestas, contidas e arduamente trabalhadoras, meticulosas no cálculo e poupadas, nunca ousando perder ou desperdiçar nada – disto deve ser feito um oficial, escriba ou funcionário. Ser cultivado, cuidadoso, probo e correcto, exaltando o modelo apropriado e respeitando a posição que lhe for atribuída, livre de qualquer tendência para o coração se transviar; alguém que vela pelas suas responsabilidades e cumpre as tarefas que lhe são dadas, nunca se atrevendo a elas acrescentar ou subtrair; alguém a quem pode ser dado o trabalho da geração anterior, mas que não pode ser forçado a abusar ou apoderar-se daquilo que não compete ao seu cargo – disto deve ser feito um homem bem-criado, um grande ministro ou um supervisor de oficiais. Compreender que o modo de venerar o seu senhor é pela exaltação do ritual e de yi [justiça]; compreender que o modo de obter uma boa reputação é apreciar homens bem-criados; compreender que o modo de conseguir a paz para o estado é cuidar do povo comum; compreender que o modo de unificar os seus costumes é através [da implementação] de um modelo constante; compreender que a forma de desenvolver as realizações é pela elevação dos meritórios e emprego dos capazes; compreender que o modo de aumentar os recursos é trabalhando nas tarefas fundamentais e proibindo as diligências insignificantes; compreender que o modo de conseguir ser expediente é evitar disputas com subordinados sobre pequenas questões de lucro; compreender que o modo de evitar que as coisas se atrasem é através de regras e medidas claras e pela aferição de que as coisas correspondem aos usos a que se destinam – disto deve ser feito um primeiro-ministro, conselheiro ou assistente. Contudo, isto ainda não constitui o caminho da liderança. Ser capaz de ajuizar a qualidade das pessoas destes três tipos, sendo depois capaz de as colocar em cargos oficiais, sem cometer erros nas respectivas patentes – esse é o caminho do líder. Se assim for, ele próprio estará tranquilo e o seu estado será bem ordenado. Os seus feitos serão grandes e boa a sua reputação. No máximo, poderá tornar-se um verdadeiro rei e, no mínimo, será um tirano. Este é o ponto crucial pelo qual o líder dos homens deve velar. Se o líder dos homens não for capaz de ajuizar a qualidade daqueles três tipos de pessoas e se não tiver por seu caminho aquele que acabamos de descrever, acabará simplesmente por desqualificar a sua autoridade ao mesmo tempo que se exaure em esforço. Deixando de lado prazeres dos olhos e ouvidos, passará os dias a tratar pessoalmente de ordenar matérias de grande detalhe. Consumirá a totalidade de cada dia na distinção exaustiva das coisas enquanto delibera sobre como discutir coisas menores com os seus ministros e subordinados e sobre como demonstrar capacidades especializadas. Desde tempos antigos até ao presente nunca houve uma situação assim que não resultasse em caos. É aquilo a que se chama “inspecionar aquilo para que não se deve olhar, escutar aquilo que não se deve ouvir e almejar aquilo que não é para ser obtido”. Isto exprime aquilo que quero dizer. Xunzi (荀子, Mestre Xun; de seu nome Xun Kuang, 荀況) viveu no século III Antes da Era Comum (circa 310 ACE – 238 ACE). Filósofo confucionista, é considerado, a par do próprio Confúcio e Mencius, como o terceiro expoente mais importante daquela corrente fundadora do pensamento e ética chineses. Todavia, como vários autores assinalam, Xunzi só muito recentemente obteve o devido reconhecimento no contexto do pensamento chinês, o que talvez se deva à sua rejeição da perspectiva de Mencius relativamente aos ensinamentos e doutrina de Mestre Kong. A versão agora apresentada baseia-se na tradução de Eric L. Hutton publicada pela Princeton University Press em 2016.
Automobilismo | Delfim Mendonça Choi vai “saltar” para outras corridas Hoje Macau - 28 Jan 2022 Delfim Mendonça Choi tem construído a carreira no automobilismo na categoria “1950cc e Acima”, também conhecida no meio automobilístico local por “Road Sport”. Contudo, o futuro desta categoria terá os dias contados e o piloto macaense já definiu o que vai fazer a seguir No 68.º Grande Prémio de Macau, Delfim, que alinhou na Taça Challenge Macau aos comandos de um Mitsubishi EVO 9, esteve envolvido numa animada luta pelos lugares do pódio ao longo de toda a prova, subindo a terceiro a meio da corrida, antes de passar Chan Chi Ha na última volta para terminar em segundo. Este resultado foi o cumprir de um sonho, pois subir ao pódio numa das corridas do Grande Prémio de Macau tem sempre um significado especial para os representantes das gentes da terra. “Fiquei feliz com o resultado do Grande Prémio, pois o meu novo carro não tinha tanta potência quanta a dos outros carros de outras equipas”, afirmou ao HM o piloto que se estreou no Circuito da Guia em 2017, não deixando de acrescentar que “esta categoria já tem 10 anos e nós queremos ter carros novos para mostrar aos espectadores daqui e de fora de Macau”. Existe a discussão nos bastidores se estes carros da categoria Road Sport – habitualmente construídos localmente com preparações extremas – deverão ou não ser abolidos este ano ou na próxima época, ao que Delfim responde “o melhor é trocá-los já este ano”. O piloto da SLM Racing Team explica o seu ponto de vista com base no facto “que em todo o mundo a categoria Road Sport só existe em Macau”, por isso mais vale retirar estas viaturas de circulação, apostando em novas categorias do automobilismo para as competições locais; “na minha opinião, em carros das classes TCR ou GT4”. Ano Novo, Carro Novo Delfim não esconde que este ano o objectivo é dar o passo para as corridas de GT e para isso “a minha equipa está a planear a troca para um carro da categoria GT4”. Quanto à viatura a escolher, essa ainda é uma interrogação: “Ainda estamos a ver, talvez um Audi, um BMW ou um Mercedes-AMG. Ainda não decidimos qual deles é o melhor.” E quanto ao Mitsubishi do ano passado? “Vamos tentar alugá-lo ou então vendê-lo”. Fazer planos quanto à próxima temporada é um exercício complicado para qualquer piloto da RAEM, visto que paira sobre os calendários de todos os campeonatos o fantasma da pandemia. “Depois do Grande Prémio de Macau (do ano passado), tínhamos decidido ir a fazer uma corrida a Xangai, mas depois apareceram mais casos de Covid-19 e acabamos por não ir”, relembrou. No entanto, para além do Grande Prémio, Delfim espera acumular quilómetros fora de portas. “Vamos a ver se haverá outras corridas e se a pandemia permite. Espero que corra tudo bem”, desabafa o piloto.
Covid-19 | Especialista alerta que seria catastrófico se a China abrisse as fronteiras Hoje Macau - 28 Jan 2022 O epidemiologista chinês Zeng Guang alertou ontem que “seria uma catástrofe”, caso a China levantasse ou relaxasse as restrições impostas à entrada no país asiático, devido à pandemia da covid-19. As declarações de Zeng surgem após o apelo da Organização Mundial da Saúde (OMS) para que os países levantem ou aliviem as restrições de viagem. A OMS assegurou que, dadas as variadas respostas globais ao aparecimento da variante Ómicron da covid-19, as restrições já não são eficazes para suprimir a propagação internacional da pandemia. A China mantém uma política de “zero casos”, que envolve a imposição de restrições nas entradas no país, com quarentenas de até três semanas, e testes em massa e medidas de confinamento selectivas quando um surto é detectado. O país mantém as fronteiras encerradas desde Março de 2020. Para Zeng, ex-chefe do Centro Chinês de Controlo e Prevenção de Doenças, a perspetiva da OMS “reflecte, em certa medida, as opiniões de académicos ocidentais” e “não leva em consideração a eficácia dos programas de prevenção lançados em outros países de acordo com as suas características”. As autoridades chinesas também suspenderam voos oriundos do exterior por semanas quando são detectados casos do novo coronavírus entre os passageiros que viajam para o país. Os preços dos voos custam 10 vezes mais do que custavam antes da pandemia. O epidemiologista acrescentou que as medidas adoptadas na China “revelaram-se eficazes” e que, dadas as circunstâncias, é “inadequado relaxar ou levantar as restrições”. “Isso teria consequências catastróficas”, disse o especialista. Zeng apontou que os países ocidentais que agora estão a levantar as restrições são “obrigados a fazê-lo” devido às suas “dificuldades sociais e económicas internas” e que as suas decisões não se baseiam num “julgamento científico sobre a saúde pública”. Vacinas e imunidade “Se a pandemia piorar dentro e fora da China, a China terá que tomar precauções extremas, não relaxar”, disse o especialista, que assegurou que a imunidade de grupo “ainda não foi totalmente alcançada”. Mais de 86 por cento da população chinesa já recebeu duas doses das vacinas que o país administra contra a covid-19, segundo dados oficiais divulgados em meados de Janeiro pela Comissão Nacional de Saúde do país. Alguns especialistas apontaram a menor eficácia das vacinas chinesas, ou a ausência de imunidade de grupo devido ao baixo número de infecções. Este cenário poderia levar a um colapso do sistema de saúde se os casos aumentassem. A China anunciou ontem a detecção de 63 novos casos de infeção por SARS-CoV-2 nas últimas 24 horas, 25 dos quais por contágio local. O número total de pacientes activos na China continental é de 2.361, entre os quais sete em estado grave. Desde o início da pandemia, 105.811 pessoas foram infectadas no país e 4.636 morreram.
Bienal de Pequim | Fátima Sardinha, a professora que representa Portugal Andreia Sofia Silva - 28 Jan 2022 Desde cedo que revelou um talento natural para a pintura e o abstraccionismo foi um amor imediato. Medos e inseguranças afastaram-na de uma carreira artística e empurraram-na para o ensino, mas um burnout levou-a a apostar na pintura e a encará-la como uma carreira. Com o quadro “Love Song”, é a única artista portuguesa presente na 9.ª Bienal Internacional de Pequim O percurso artístico de Fátima Sardinha, a única artista portuguesa a representar Portugal na 9.ª Bienal Internacional de Pequim, é tudo menos banal. Estudou artes no ensino secundário e os professores elogiavam-lhe o talento e a capacidade de rasgar tudo e encher de novo uma tela. Mas, mais tarde, nem sequer se inscreveu na Escola de Belas Artes do Porto, por medo de não conseguir sustentar-se com os seus quadros e também pela insegurança tão própria da idade. Com um mestrado e doutoramento em matemática, Fátima Sardinha tornou-se professora primária, mas um burnout levou-a de novo para o mundo das artes, embora a pintura sempre tenha estado presente na sua vida. “Comecei a pintar novamente, abri uma conta no Instagram e, para surpresa minha, tive uma resposta muito positiva ao meu trabalho”, contou ao HM. Fátima Sardinha confessa que o trabalho tem funcionado como “uma terapia, nos bons e nos maus momentos”. “Fui conhecendo gente no mundo das artes e criei um grupo de artistas de todos os continentes, com um curador mexicano, o Sérgio Gomez.” Rapidamente, Fátima Sardinha começou a vender alguns dos seus trabalhos online, além de ter exposto também por esta via no período da pandemia. “Tive portas abertas que, se calhar, de outra forma não se iriam abrir. Concorri depois à Bienal de Arte de Vila Nova de Gaia [2021] e fui seleccionada com um trabalho sobre o confinamento, baseado em imagens que tínhamos da situação em Itália.” Participar na Bienal em Pequim, surgiu depois de a Direcção Geral das Artes, entidade ligada ao Governo português, ter aberto um concurso para artistas portugueses. Fátima Sardinha foi a única seleccionada. “Fiquei surpreendida quando descobri que era a única portuguesa presente na Bienal, uma oportunidade única. Tive a oportunidade de participar num evento que, de outra forma, não me seria possível, pois o quadro tem 1,60 por 1,80 metros, não iria ficar barato para mim [o envio]. Mas o Governo chinês comparticipou tudo”, disse ainda. Sentimentos na tela Esta é a primeira vez que Fátima Sardinha expõe na Ásia. “Love Song” representa a esperança e foi pintado em Junho de 2020, quando o mundo vivia os primeiros confinamentos devido à pandemia. “Essa peça tem uma cor e energia que quase consome tudo o que está à sua volta, e também pela textura. Estava bem, pensei que a pandemia estava a passar e que as coisas iam melhorar. E essa é a ideia da Bienal, a luz da vida. [O quadro representa] o amor à vida, uma canção de amor. Pode ter várias leituras.” Esta e todas as obras de Fátima estão ligadas ao abstraccionismo, que a acompanha desde sempre. “Tenho alguns trabalhos figurativos, muito poucos, mas dentro do figurativo abstracto. Cada quadro que pinto é um pouco de mim… é uma situação. Não pinto apenas por pintar.” A artista confessa que gostava de reunir as diferentes reacções e emoções que os seus quadros geram nas pessoas. “É engraçado, porque quem vê as minhas obras diz sempre que são melhores ao vivo. Há pessoas que encontram caras nos quadros, vêem várias coisas. Para mim, a pintura tem de oferecer algo a quem está a ver, é como oferecer os espaços em branco, porque o autor nunca nos diz tudo. Há sempre um espaço dedicado à imaginação e é assim que eu vejo a pintura abstracta.” Para Fátima Sardinha, “uma obra de arte nunca está acabada”. Há sempre margem para mais um improviso, daí a aposta na pintura a óleo e não em acrílico, que a artista experimentou durante uns tempos. Sentimentos e pensamentos são os grandes protagonistas das obras desta artista, que reside no Porto. “Toda a minha obra é um pedaço de mim. Cada quadro, para mim, representa algo. Tenho dois quadros que não estão à venda, nem nunca vão estar, são sobre o falecimento dos meus gatos”, exemplifica. Além da participação na Bienal de Vila Nova de Gaia, Fátima Sardinha expôs o seu trabalho, no ano passado, na exposição online “Opening”, em Chicago, EUA, e na mostra “Collective Energy – A Screaming Art Group Exhibition”, entre outras.
Covid-19 | Macau recusa seguir HK e reduzir quarentenas Andreia Sofia Silva - 28 Jan 2022 A Chefe do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam, anunciou ontem que a quarentena para quem chega ao território passa de 21 para 14 dias, mas as autoridades de Macau dizem “não estar disponíveis” para adoptar semelhante medida. A partir de amanhã, os funcionários do aeroporto passam a trabalhar em circuito fechado, tendo de cumprir quarentena e auto-gestão de saúde Macau recusa reduzir o número de dias de quarentena para quem chega ao território, que actualmente pode variar entre 14 e 28 dias consoante os países e regiões de origem. Esta decisão surge depois de Carrie Lam, Chefe do Executivo de Hong Kong, ter ontem anunciado a redução da quarentena de 21 para 14 dias, tendo em conta o menor período de incubação da variante Ómicron do novo coronavírus. “Não estamos disponíveis para reduzir o prazo de quarentena. O caso de contacto próximo de Zhongshan teve vários resultados negativos e só no décimo dia de quarentena é que [a pessoa] teve um teste com resultado positivo”, exemplificou Leong Iek Hou, médica e coordenadora do Centro de Coordenação e de Contingência do novo tipo de coronavírus. “Vamos analisar a situação epidémica de Hong Kong”, disse a mesma responsável quando questionada se a redução do número de dias de quarentena poderá afectar Macau. “O número de turistas que vêm de Hong Kong é estável, entre 50 a 70 pessoas por dia. Estas precisam de apresentar um teste com um prazo de 24 horas”, referiu Leong Iek Hou. Segundo o portal Hong Kong Free Press, a redução do número de dias de quarentena entra em vigor no próximo dia 5 de Fevereiro, seguindo-se um período de sete dias de auto-gestão de saúde em casa, incluindo a realização de dois testes diários. As medidas de distanciamento social mantêm-se na região vizinha até ao dia 17 de Fevereiro, com a suspensão de grandes eventos. A realização de aulas online vai continuar. Entretanto, Leong Iek Hou adiantou que a creche Fong Chong e o lar de idosos associado ao último surto com origem em Zhuhai podem começar a funcionar normalmente e a receber visitas, uma vez que já terminou o período de quarentenas. Daqui não sais Outra das medidas anunciadas ontem, prende-se com o início, a partir da meia noite de amanhã, do sistema de gestão em circuito fechado dos trabalhadores do Aeroporto Internacional de Macau. Estes devem ficar no local de trabalho durante 14 dias, seguindo-se uma quarentena num hotel de sete dias e mais sete dias de auto-gestão de saúde, incluindo a realização de vários testes de ácido nucleico. “Todos os trabalhadores nos postos [de trabalho], mesmo as pessoas que têm contacto com outras provenientes de zonas de médio e alto risco, e ainda os que trabalham nos hotéis de quarentenas, têm de ficar sujeitos a uma gestão em circuito fechado. O aeroporto já está a implementar detalhes da execução [desta medida]”, disse Leong Iek Hou. A coordenadora disse ainda que “todos os tripulantes de regiões de médio e alto risco não entram em Macau, não saem do avião e saem no mesmo voo”. Relativamente à aplicação de telemóvel para a leitura do código de saúde, foram já efectuados 579 mil downloads, sendo que “o número de pessoas com uma declaração de saúde [por via da aplicação] apresenta uma tendência de crescimento contínuo”. O Centro de Coordenação e de Contingência do novo tipo de coronavírus prepara-se ainda para avançar para a segunda fase de fixação dos códigos de saúde a nível local. “Como na comunidade ainda existem alguns estabelecimentos que apresentam risco [de contágio], estamos a planear iniciar os trabalhos da segunda fase de fixação dos códigos de saúde. Esperamos que haja mais estabelecimentos que adiram à iniciativa, a fim de facilitar o registo do itinerário dos residentes”, adiantou Leong Iek Hou.
DSAL | Trabalhadores de obra manifestam-se contra despedimentos João Santos Filipe - 28 Jan 202228 Jan 2022 Despedidos de uma obra no Cotai, cerca de 300 trabalhadores estiveram na sede dos Serviços Laborais para apresentarem queixas por despedimento, mas não foram recebidos. A DSAL apela a que as queixas sejam apresentadas de forma legal Cerca de 300 trabalhadores despedidos de uma obra que decorre no Cotai estiveram ontem de manhã, na sede da Direcção de Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) para apresentarem queixas contra o empregador. A concentração de um grande número de pessoas levou à intervenção do Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), que colocou fitas no local, para impedir que os trabalhadores ocupassem a estrada. Segundo as queixas, actualmente há demasiado trabalhadores não-residentes nas grandes obras, o que faz com que não se garanta os empregos dos locais. Por outro lado, ouviram-se queixas contra o subsídio de desemprego, considerado baixo. Segundo o modelo actual, cada trabalhador pode receber até 13.500 patacas por ano, como subsídio de desemprego. Momentos depois do início da concentração, o deputado José Pereira Coutinho foi chamado ao local, para acompanhar os queixosos. “Estava na reunião da 3.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa e tive de abandonar a sala, face à gravidade da situação”, reconheceu. Segundo Coutinho, aos trabalhadores foi inicialmente prometido que uma comitiva de nove membros seria recebida pelas chefias da DSAL. Contudo, ao fim de meia hora, a reunião foi cancelada, porque as chefias recusaram receber os trabalhadores. “Primeiro, foi difícil conseguir um consenso sobre os nove membros que iam constituir a delegação a ser recebida, mas conseguiu-se. Depois ficámos mais de meia-hora à espera da reunião prometida. No final, disseram-nos que embora as chefias estivessem no edifício que não nos recebiam”, relatou o deputado. “As pessoas ficaram muito desiludidas com a DSAL, porque sentem que não se está a portar de uma forma imparcial na resolução destas questões”, lamentou Coutinho. “Não é a primeira vez que a DSAL não recebe as pessoas. Acho que o secretário para a Economia e Finanças devia explicar estas situações”, adicionou. José Pereira Coutinho falou ainda de um clima de impunidade para as construtoras do Interior, e da influência junto da Administração. “A DSAL mais parece uma entidade manietada pelas fortíssimas empresas de construção civil do Interior que fazem o que lhes apetece em Macau”, atirou. Mais de 500 queixas Após a concentração, a DSAL reagiu ao incidente, com Chan Un Tong, subdirector, a fazer declarações no local. De acordo com o conteúdo citado pelo canal chinês da Rádio Macau, a DSAL já tinha recolhido 506 queixas dos 521 trabalhadores despedidos da obra. Os despedimentos foram justificados com o fim dos trabalhos, e segundo Chan todas as compensações foram pagas de acordo com as leis em vigor. O subdirector da DSAL explicou também que nesta altura, apesar dos investimentos avultados do Governo, a construção não consegue absorver estes trabalhadores que desempenham tarefas de carpintaria, pintura e decorações. Chan explicou que as grandes obras ainda estão na fase de colocação de fundações e construção da estrutura principal, pelo que não há trabalho para eles. Minutos depois, através de um comunicado, a DSAL afirmou ainda estar a trabalhar para acelerar os procedimentos de oferta de trabalho para desempregados e apelou que as queixas laborais sejam apresentadas de forma “legal, racional e calma”.