Clube Militar | Pianista Rui Filipe dá hoje concerto

O Clube Militar de Macau acolhe hoje um concerto intimista integrado no programa “Jornadas Musicais CMM”. Trata-se de “Entre Sombras e Som”, com o pianista e compositor português Rui Filipe, que assina com o nome artístico de Barqueiro de Oz

Acontece hoje, no Clube Militar de Macau (CMM), um concerto que revela a magia do piano, ao mesmo tempo que celebra a quadra festiva do Ano Novo Chinês. Trata-se de “Entre Sombras e Som”, de Rui Filipe, pianista e compositor que também se assume como “Barqueiro de Oz”, o seu nome artístico.

Integrado no programa “Jornadas Musicais CMM”, este espectáculo começa às 19h e abre com um primeiro “Ciclo de Vida”, a que pertencem as composições “Ambiente Uterino”, “Habitar Inóspito”, “Fluxo da Vida”, “Ainda há Esperança” e “Passar do Tempo”. Depois, em “Utopia e Delírios”, é tempo de ouvir “Despertar do tempo”, “Mariana”, “Jogo…Karmen” e “Asa de Poleiro”.

O espectáculo encerra com um terceiro capítulo, intitulado “Além do Horizonte”, com as composições “Que no te Vayas Corpo”, “Pulsação”, “Dança da Sedução”, “Mares de Seda” e “Ascender of Time”.

Segundo uma nota do CMM, Rui Filipe “é um músico de destaque com uma carreira abrangente nas artes”, tendo já mais de 20 obras de teatro musical e dança com a sua assinatura, o que demonstra “versatilidade e inovação” ao piano.

Experiência na Eurovisão

Um dos trabalhos de mais destaque na carreira do pianista terá sido a direcção musical de Portugal no festival Eurovisão, entre os anos de 2001 e 2003, tendo inclusivamente trabalhado em diversos programas de televisão durante 12 anos, sempre na área da produção musical.

Rui Filipe trabalhou com músicos e cantores consagrados como Dulce Pontes, tendo fundado ainda os projectos “Rosa Negra” e “Xaile”, reconhecidas com os Prémios Carlos Paredes e BBC.

Com o seu trio “Caixa de Pandora”, o Barqueiro de Oz lançou ainda quatro álbuns de estúdio com editoras discográficas de renome como a Sony, Universal Music e Lemon Music. Não falta também uma parceria com Chinesa One Country.

Em 2019, Rui Filipe fundou o dueto “La Barca” em parceria com a cantora espanhola Mili Vizcaíno, com quem gravou dois álbuns. Em 2020, dirigiu o documentário “A Lusofonia no Mundo” para a Organização Mundial da Propriedade Intelectual.

Desde 2024 que é membro da Direcção da Sociedade Portuguesa de Autores, estando actualmente envolvido em diversos projectos de concertos. Alguns deles decorrem a solo, como é o caso de “É com Certeza uma Casa Portuguesa” e “As Danças do Barqueiro”. Porém, o pianista tem também colaborações com a poetisa Sofia do Mar, no projecto “A Vida em Poesia”, e com a bailarina de dança contemporânea Maria Barreto, no projeto ‘Uncaged – Concerto Dançante’.

JD.com | Magnata quer democratizar posse de iates

O fundador do gigante chinês do comércio electrónico JD.com criou uma nova marca de iates com a qual espera que, a longo prazo, passem a existir na China embarcações que deixem de ser percepcionadas como “inalcançáveis”.

Liu Qiangdong apresentou a iniciativa após assinar esta semana acordos estratégicos com os governos das cidades de Shenzhen e Zhuhai (cidade vizinha de Macau), na província de Guangdong, onde a empresa prevê instalar a sua sede chinesa e construir uma base de fabrico de iates, noticiou o jornal económico 21st Century Business Herald.

Segundo declarações citadas pelo diário, o empresário afirmou que, embora a marca se posicione no segmento de gama alta, o desenvolvimento da cadeia de abastecimento nacional e a coordenação industrial poderão tornar plausível que “os iates entrem em milhares de lares, como os automóveis”.

O milionário estimou um custo de venda ao público de 14.000 dólares. Liu recordou que, há 40 anos, o automóvel também era considerado um bem “fora do alcance da maioria”. O empresário salientou ainda que, apesar de a China já ultrapassar os Estados Unidos no número de automóveis em circulação, o país conta com cerca de 12.000 iates, face aos 13 milhões registados nos EUA, diferença que, no seu entender, revela um “enorme potencial de desenvolvimento” no mercado náutico chinês.

O projecto prevê um investimento de 5.000 milhões de yuan para competir com fabricantes internacionais e promover o desenvolvimento da cadeia de abastecimento local, numa altura em que mais de 90 por cento dos componentes de iates de gama alta são actualmente importados da Europa e dos Estados Unidos.

Comércio | Países lusófonos importaram valor recorde de produtos chineses em 2025

Os países lusófonos importaram em 2025 produtos da China no valor de 88,1 mil milhões de dólares, uma subida homóloga de 3,1 por cento e o montante mais alto de sempre, segundo dados oficiais quarta-feira divulgados.

O valor, que corresponde a 74,8 mil milhões de euros, é o mais elevado desde que o Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Fórum de Macau) começou a apresentar estes dados, em 2013.

O Brasil continua a ser o maior comprador no bloco lusófono, apesar das importações vindas da China terem caído 0,7 por cento em comparação com 2024, para 71,6 mil milhões de dólares, de acordo com a informação dos Serviços de Alfândega da China.

Pelo contrário, o segundo na lista, Portugal, comprou à China mercadorias no valor de 7,19 mil milhões de dólares, um aumento de 17,7 por cento. Na direção oposta, as exportações dos países de língua portuguesa para a China caíram 1,4 por cento em 2025, para 137,7 mil milhões de dólares, o valor mais baixo desde 2021, no pico da pandemia de covid-19.

Merz: Segundo dia de visita à China centrado na tecnologia

O chanceler alemão, Friedrich Merz, chegou ontem à cidade chinesa de Hangzhou para cumprir uma última etapa da sua visita oficial centrada na vertente tecnológica, depois de na véspera, em Pequim, ter defendido o aprofundamento da cooperação económica.

Merz deslocou-se à capital da província oriental de Zhejiang após uma manhã em Pequim, onde visitou a Cidade Proibida e instalações do construtor automóvel Mercedes-Benz, antes de viajar para um dos principais polos tecnológicos da China, sede de gigantes do comércio electrónico como a Alibaba.

Em Hangzhou, o chanceler deverá reunir-se com autoridades locais e visitar empresas ligadas à inovação tecnológica e à robótica, numa agenda focada em sectores considerados estratégicos para a cooperação industrial e digital entre os dois países.

Merz encontra-se na China acompanhado por uma delegação de cerca de 30 grandes empresas alemãs, incluindo Volkswagen, BMW, Siemens e Bayer.

O director executivo e membro do conselho da Câmara de Comércio Alemã no norte e nordeste da China, Oliver Oehms, afirmou ao jornal 21st Century Business Herald que a delegação “reflecte bem a estrutura geral dos negócios alemães na China”, incluindo grandes grupos e um número significativo de empresas de média dimensão, conhecidas na Alemanha como “campeões ocultos”.

Segundo Oehms, em comparação com visitas de anteriores chanceleres, “o tamanho da delegação, com cerca de 30 empresas, é maior e o nível dos seus dirigentes também é mais elevado”, o que demonstra a importância atribuída pelo sector empresarial à deslocação.

Quanto aos resultados da visita, considerou que “não devem ser avaliados apenas pelo número de acordos assinados”, mas pela capacidade de aprofundar e elevar as relações comerciais bilaterais, acrescentando que a deslocação poderá funcionar como um “botão de reinício” para abrir uma nova fase na cooperação entre a China e a Alemanha.

Na quarta-feira, O chanceler alemão anunciou uma encomenda de “até 120” aviões feita pela China ao construtor aeronáutico europeu Airbus”, indo ao encontro da vontade do Presidente chinês de novos progressos nas relações bilaterais.

Parceiros de confiança

Também na quarta-feira, em Pequim, Merz reuniu-se com o Presidente chinês, Xi Jinping, que afirmou que a China apoia uma Europa “independente e auto-suficiente”, num contexto de tensões comerciais entre Pequim e a União Europeia.

O líder chinês defendeu que ambas as partes actuem como “parceiros fiáveis” e apelou à preservação da estabilidade das cadeias industriais e de abastecimento, numa altura em que a Alemanha enfrenta pressões económicas internas e um défice orçamental recorde que reacendeu o debate político em Berlim.

Antes do encontro com Xi, Merz reuniu-se com o primeiro-ministro chinês, Li Qiang. Após a reunião, as duas partes assistiram à assinatura de cinco acordos nas áreas da cooperação climática, prevenção de doenças animais e comércio de produtos avícolas.

EUA / China | Marco Rubio destaca “estabilidade estratégica” nas relações

Em contagem decrescente para a visita Donald Trump a Pequim, o secretário de Estado norte-americano destaca o um alívio das tensões entre as duas nações

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou na quarta-feira que os Estados Unidos e a China alcançaram “estabilidade estratégica” nas relações, marcadas por tensões prolongadas.

“Penso que alcançámos pelo menos uma espécie de estabilidade estratégica nas nossas relações”, declarou Rubio aos jornalistas, antes da visita prevista do Presidente norte-americano, Donald Trump, a Pequim, no final de Março.

O chefe da diplomacia norte-americana considerou, durante uma deslocação às Caraíbas, que ambos os países concluíram que uma guerra comercial global total entre Washington e Pequim seria “profundamente prejudicial” para as duas partes e para o resto do mundo. Marco Rubio e Donald Trump têm considerado a China um adversário estratégico no plano internacional.

Rubio sublinhou, contudo, que os Estados Unidos continuarão a manter cautela em relação a Pequim e a procurar diversificar cadeias de abastecimento, de forma a reduzir a dependência da China. Comprometeu-se também a prosseguir os esforços para que a China aceite negociar um acordo nuclear tripartido com os Estados Unidos e a Rússia.

Encontro em Genebra

Um alto responsável norte-americano reuniu-se esta semana, em Genebra, com homólogos russos e chineses, após o fim da validade do tratado New START sobre controlo de armamento nuclear.

Washington apelou ainda para o lançamento de negociações multilaterais que incluam a China. “Eles disseram publicamente que não querem fazê-lo”, afirmou Rubio, referindo-se a Pequim.

“Mas continuaremos a pressionar, porque acreditamos que seria positivo para todos alcançarmos um acordo dessa natureza”, acrescentou. A Rússia e os Estados Unidos detêm, de longe, os maiores arsenais nucleares do mundo, embora o da China esteja a crescer rapidamente.

Donald Trump deverá deslocar-se à China no final de Março, naquela que será a sua primeira visita ao país desde o início do segundo mandato.

Marco Rubio indicou que tenciona acompanhar o Presidente. Em 2020, quando era senador, foi alvo de sanções impostas por Pequim devido ao seu apoio aos direitos humanos em Hong Kong e junto da minoria chinesa de origem muçulmana uigur.

Alta velocidade | Arrancam obras do segmento Hezhou-Hengqin

O Governo de Guangdong vai começar a construção o segmento Hezhou-Hengqin do comboio de alta velocidade da linha Guangzhou-Zhuhai-Macau este ano, segundo foi anunciado num comunicado onde é traçado o balanço de trabalhos realizados na província. Este troço terá condições para se ligar ao metro ligeiro de Macau.

Além disso, Guangdong está também a programar o projecto da linha do comboio de alta velocidade que liga Hong Kong, Shenzhen, Zhuhai e Macau, com vista a promover a integração de Hengqin e Macau na rede ferroviária de alta velocidade do país. Segundo os dados da linha Guangzhou-Zhuhai-Macau, o percurso completo tem aproximadamente 190 quilómetros de extensão, começando na Estação Ferroviária Norte de Guangzhou, passando pelo Aeroporto Internacional de Guangzhou Baiyun, Huangpu Yuzhu, Guangzhou Nansha, cidade Zhongshan, Hezhou, que pertence ao distrito de Zhuhai, chegando depois ao Posto Fronteiriço de Hengqin.

Tanto com o segmento do comboio com ligação ao metro ligeiro da RAEM, como no caso do projecto de alta velocidade que liga as duas RAE’s, Shenzhen e Zhuhai, as autoridades da província vão tentar que estejam integrados no planeamento nacional de infra-estruturas, com decisão do Governo Central.

Maternidade | Sands aumenta licença para 90 dias

A Sands China anunciou ontem o aumento das licenças de maternidade, de 70 para 90 dias, e de paternidade, de cinco para sete dias. A medida irá beneficiar trabalhadores com, pelo menos, um ano de casa. A posição da concessionária antecipa a conclusão da consulta pública que decorre até 16 de Março

A Sands China anunciou ontem que irá aumentar a partir de 1 de Março, próximo domingo, a licença de maternidade paga de 70 para 90 dias e a licença de paternidade de cinco para sete dias. A medida foi anunciada enquanto decorre uma consulta pública, promovida pela Direção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), sobre o aumento da licença de maternidade no sector privado de 70 para 90 dias.

A concessionária indicou que o aumento das licenças se engloba no compromisso de criar um ambiente de trabalho favorável a famílias, apoiando os funcionários pais de recém-nascidos a atingir um “equilíbrio saudável” entre a vida familiar e o trabalho.

Num comunicado divulgado ontem, a Sands China afirma que o alargamento das licenças reforça a rede de apoios aos “membros da equipa” da concessionária, “numa importante fase da vida familiar, dando-lhes mais tempo para partilhar momentos preciosos com os seus entes queridos”.

A empresa, que emprega mais de 28 mil trabalhadores, indica ainda que há cerca de meio ano quem trabalha a tempo inteiro tem direito a seis dias para acompanhar filhos a consultas médicas e administração de vacinas. Além disso, os seis dias anuais para baixas médicas que não forem usados, podem passar para o ano seguinte como licença compensatória.

Remar contra a maré

“Esperamos que, com este ajuste nas licenças de maternidade e paternidade remuneradas, (…) as mães em pós-parto descansem mais, ajudando as suas famílias a adaptarem-se às mudanças trazidas pelas novas vidas e a construir famílias felizes”, afirma o vice-presidente do departamento de recursos humanos da Sands China, Paulo Cheong.

Recorde-se que no ano passado, nasceram em Macau 2.871 bebés, registo que representou uma queda de anual 20,4 por cento e o menor número de nascimentos em quase 50 anos, revelou no dia 1 de Janeiro o director substituto do Centro Hospitalar Conde de São Januário, Tai Wa Hou.

MIECF | Gigantes dos sectores de energia e ambiente até domingo no Venetian

Teve início esta quinta-feira mais uma edição do Fórum e Exposição Internacional de Cooperação Ambiental de Macau 2026 (MIECF, na sigla inglesa), terminando no próximo domingo, 28. O evento, que decorre no Venetian Macau, tem este ano como tema “Cidades de Baixo Carbono e com Zero Resíduos: Embarcando numa Colaboração Global”, tendo por objectivo principal a discussão em torno da construção de cidades mais sustentáveis e com menos produção de resíduos.

Pretende-se que Macau tenha um papel crescente a este nível, através do “intercâmbio de tecnologias verdes e exploração de oportunidades de negócio no mercado”.

Um dos destaques da agenda deste ano, é o Fórum Verde, focado “em cidades sem resíduos e finanças verdes”, tendo sido convidados especialistas, académicos e líderes do sector ambiental de diversos países e regiões.

O público poderá ver também a “Mostra Verde”, que não é mais do que uma exposição alusiva à economia circular, uso de objectos em segunda mão e uma mobilidade mais ecológica.

Segundo um comunicado do Fórum e Exposição Internacional de Cooperação Ambiental, para esta exposição “prevê-se a participação de empresas gigantes internacionais do sector energético classificadas na Fortune Global 500, empresas de referência no sector ambiental do Interior da China, organizações ambientais dos Países de Língua Portuguesa e empresas líderes em tecnologia, entre outras”. Terá ainda lugar o Centro de Sinergia Verde para contactos empresariais.

Galaxy | Lucros EBIDTA do último trimestre de 2025 subiram 33%

O Galaxy Entertainment Group teve lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização de cerca 4,3 mil milhões de dólares de Hong Kong no último trimestre de 2025, mais 33 por cento em termos anuais e mais 29 por cento face ao trimestre anterior. O grupo registou receitas líquidas de 49,2 mil milhões de dólares de Hong Kong em 2025

O Galaxy Entertainment Group apresentou ontem à bolsa de valores de Hong Kong os resultados financeiros relativos ao quarto trimestre do ano passado, trazendo boas notícias para os accionistas da concessionária de jogo. Nos últimos três meses de 2025, o grupo registou lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA, em inglês) de quase 4,3 mil milhões de dólares de Hong Kong (HDK), valor que representa uma subida de 32,7 por cento em termos anuais e mais 29 por cento face ao trimestre anterior.

A concessionária anunciou também que irá distribuir entre os accionistas dividendos de 80 cêntimos de HKD por cada acção no dia 12 de Junho.

Em termos anuais, a Galaxy registou lucros EBITDA de 14,5 mi milhões HKD ao longo de 2025, mais 19 por cento do que no ano anterior. O último trimestre do ano passado foi muito positivo para o grupo empresarial no que toca a receitas líquidas, apurando 13,83 mil milhões HKD, mais 22,5 por cento face ao quarto trimestre de 2024.

Nas contas anuais, a Galaxy obteve receitas líquidas de mais de 49,2 mil milhões de HKD em 2025, registo que representou uma subida anual de 13,4 por cento face ao ano anterior. Já os lucros líquidos de 2025 subiram em termos anuais quase 22 por cento, para cerca de 10,67 mil milhões HKD.

Na paz do senhor

“Durante o ano passado, o Governo Central aumentou a flexibilidade para os visitantes do Interior da China, incluindo o visto de uma viagem por semana para os residentes de Zhuhai e o visto de entradas múltiplas para os residentes de Hengqin, o que permite viagens mais frequentes a Macau. Como resultado, o número total de visitantes a Macau aumentou 15 por cento, para 40,1 milhões, estabelecendo um recorde histórico de chegadas. As visitas da China continental aumentaram a um ritmo ainda mais rápido, subindo 18 por cento, para 29,0 milhões”, salienta o presidente do grupo, Francis Lui.

A nota enviada à bolsa de valores de Hong Kong salienta também a inauguração do hotel Capella, no resort integrado Galaxy Macau, no passado dia 10 de Fevereiro.

Francis Lui salientou ainda o crescimento do grupo “em todos os segmentos de negócios”, destacando os mercados de massas premium e super-premium, e a nova oferta hoteleira da Galaxy. “O Capella foi lançado em Maio de 2025 e inaugurado oficialmente em 10 de Fevereiro deste ano. Com seus quartos ultraluxuosos, o Capella permite-nos conquistar o segmento super-premium de forma mais eficaz e em grande escala, reforçando a nossa liderança nesse mercado de alto valor”, concluiu o presidente da Galaxy.

Seguros de saúde | 56 mil residentes já pediram subsídio

Dados dos Serviços de Saúde (SS) sobre o “Programa do subsídio para seguro de saúde dos residentes da RAEM no Interior da China” revelam que até 31 de Dezembro de 2025 um total de 56 mil pessoas aderiram ao seguro de saúde nas nove cidades da Grande Baía, além de que o subsídio já foi concedido a 19 mil pessoas.

Na resposta à interpelação escrita do deputado Lei Leong Wong, Alvis Lo, director dos SS lembrou que desde o dia 1 de Janeiro deste ano que o subsídio para este seguro foi alargado a todas as províncias de Guangdong e Fujian. Os planos passam por, “no futuro, implementar de forma ordenada e segundo a situação real, [o subsídio] em mais províncias e cidades do Interior da China”.

Quanto à plataforma “E-Serviços Governamentais da RAEM”, será instalada nos municípios de Shenzhen, Foshan e Dongguan, bem como nas Vila de Sanxiang e Vila de Tanzhou do município de Zhongshan. Alvis Lo disse ainda que o objectivo é “expandir gradualmente o serviço para mais cidades da Grande Baía”.

Essencialmente, o Executivo pretende “continuar a estudar e desenvolver os serviços governamentais transfronteiriços, além de alargar os âmbitos dos serviços para mais cidades do Interior da China, a fim de facilitar os residentes de Macau que estudam, trabalham e vivem no Interior da China no tratamento dos assuntos pretendidos”.

MNE | Sam Hou Fai dá as boas-vindas à comissária Bian Lixin

O Chefe do Executivo afirmou ontem que o Governo conta com o apoio e assistência do Comissariado do Ministério dos Negócios Estrangeiros da República Popular da China na RAEM, num discurso proferido por ocasião do início de funções da nova comissária Bian Lixin.

“O Governo da RAEM continuará a reforçar a comunicação e a articulação com o Comissariado e espera continuar a contar com a orientação, o apoio e a assistência do Comissariado para que a RAEM implemente mais eficazmente os seus trabalhos, reforçando assim ininterruptamente a competitividade e a influência internacionais de Macau”, afirmou ontem Sam Hou Fai.

Em termos de relações externas, o líder do Governo reiterou que a RAEM irá aproveitar as suas vantagens de conectividade interna e ligação ao exterior, “bem como da fusão das culturas chinesa e ocidental, para intensificar ainda mais a abertura bilateral e expandir continuamente o seu círculo de amigos internacional.”

Sam Hou Fai expressou ainda “elevada consideração e agradecimento” ao anterior comissário Liu Xianfa pelos “contributos valiosos ao desenvolvimento de Macau no domínio das relações externas”.

Poluição | Deputado contra cantorias, festas e arrastar de móveis

O legislador dos Operários, Lam Lon Wai, considera que o Governo deve tomar medidas para lidar com o barulho dos vizinhos e implementar formas de combater os odores domésticos

O deputado Lam Lon Wai defende que o Governo deve alterar as leis para resolver o que considera ser o excesso de ruído nos prédios residenciais. O assunto consta de uma interpelação escrita, com o legislador a criticar o barulho feito em “reuniões ruidosas, cantorias de entretenimento, arrastar móveis e transmissão estrutural de som”.

Segundo o documento, após as alterações mais recentes de 2019, o ruído das obras de renovações de habitações em períodos proibidos está essencialmente resolvido. Contudo, o deputado dos Operários queixa-se de que os residentes ainda “sofrem” de “perturbações sonoras” e que em várias situações os mecanismos legais existentes para lidar com os problemas são insuficientes. “As circunstâncias práticas revelam que certas questões relacionadas com o ruído doméstico — tais como reuniões ruidosas, cantar para entretenimento, arrastar móveis e transmissão estrutural de som — continuam a ser difíceis de resolver eficazmente através dos mecanismos de aplicação existentes”, denuncia.

“A legislação actual baseia-se principalmente em períodos de tempo regulamentados e medições de decibéis como bases de aplicação. No entanto, certos ruídos domésticos apresentam características repentinas e intermitentes e são difíceis de monitorizar durante longos períodos”, descreve. “Tendo em conta o desenvolvimento urbano e as mudanças nos estilos de vida dos residentes, o Governo irá explorar a optimização das abordagens de gestão do ruído doméstico?”, questiona.

Cheiros problemáticos

O barulho não é o único problema nos edifícios a incomodar os residentes, e Lam Lon Wai considera que são necessárias mais medidas para fazer face aos odores dos edifícios, que inclusive estão a causar discussões entre vizinhos.

“Os residentes manifestam cada vez mais preocupação com os odores domésticos. Particularmente em edifícios antigos, onde as unidades estão muito próximas umas das outras, alguns odores podem perturbar persistentemente as rotinas diárias dos residentes, mesmo que não excedam os padrões técnicos de medição”, apontou. “Recentemente, as comunidades relataram que problemas de odores provenientes de actividades domésticas, fumos de cozinha e incenso causaram discussões entre vizinhos. Os desafios de reunir provas rapidamente e lidar com incidentes repentinos têm dificultado o acompanhamento eficaz em alguns casos, revelou.

“No que diz respeito aos odores domésticos e odores fortes, as autoridades irão reforçar as medidas regulamentares em Macau?”, questionou Lam Lon Wai. O deputado pede também que se siga o exemplo de outras regiões asiáticas, que não especificou, para indicar que aplicam regulamentos sobre os odores, com forma de punir os infractores.

AL | André Cheong destaca trabalho que garante “primazia do Executivo”

O presidente da Assembleia Legislativa garante que o Executivo vai ser apoiado “sem omissões” e fiscalizado “sem ultrapassar limites”, de forma a seguir as exigências de Xi Jinping e de Xia Baolong

O presidente da Assembleia Legislativa garantiu que os deputados estão empenhados em implementar a primazia do Executivo e seguir as indicações para Macau e Hong Kong de Xia Baolong, director do Gabinete de Assuntos de Hong Kong e Macau junto do Conselho de Estado. A posição foi tomada ontem, durante o almoço de Primavera com os meios de comunicação social.

André Cheong começou por lembrar o discurso de Xia Baolong, no mês passado, em que o director do Gabinete de Assuntos de Hong Kong e Macau recordou a exigência do Presidente Xi Jinping “de o Governo da Região Administrativa Especial ‘persistir e aperfeiçoar a aplicação do princípio da predominância do poder Executivo’”. “O discurso do Director Xia Baolong explicita de forma abrangente e sistemática o princípio da primazia do Executivo e formula exigências claras quanto ao trabalho da Assembleia Legislativa e dos seus deputados, exortando-os especialmente a defender conscientemente esse princípio durante a nova legislatura, bem como apoiar plenamente o Chefe do Executivo e o Governo da RAEM no exercício das suas funções nos termos da lei”, considerou Cheong.

Neste contexto, o presidente da AL defendeu que o trabalho está em curso: “Desde o início desta legislatura, há mais de quatro meses, que a Assembleia Legislativa tem envidado esforços para implementar o princípio da primazia do Executivo e promover uma interacção institucional positiva entre os poderes Executivo e Legislativo”, afirmou. “Para tal, temos optimizado os procedimentos dos trabalhos legislativos, intensificado a comunicação com o Governo, e estabelecido mecanismos de ligação mais estreitos, promovendo a compreensão mútua e a cooperação regular, com o objectivo de consolidar um modelo de colaboração baseado na confiança mútua”, acrescentou.

Reforço da cooperação

Em relação ao trabalho legislativo, André Cheong afirmou que a Assembleia Legislativa vai desempenhar as suas funções em cooperação com o Executivo e destacou a nova lei sobre a Comissão da Defesa de Segurança do Estado, que vai dotar esta comissão de amplos poderes para escolher advogados nos tribunais, seleccionar conteúdos de educação, e actuar em áreas outras áreas sociais ou da economia. Sobre este diploma, o presidente do hemiciclo prometeu que a AL vai contribuir para a “consolidação da segurança nacional em Macau”.

Finalmente, em relação às funções de supervisão, Cheong prometeu uma fiscalização dentro dos limites. “Pretendemos reforçar a interacção positiva com o Governo, tanto na actividade legislativa como na fiscalização. Mediante supervisão racional, pragmática e construtiva, pretendemos ajudar o Governo a identificar problemas, aperfeiçoar políticas e melhorar a eficácia da governação, assegurando assim a premissa de ‘apoiar o Governo sem omissões e de fiscalizá-lo sem ultrapassar limites’”, frisou . “Trabalharemos em conjunto com o Governo da RAEM, empenhados no desenvolvimento duradouro de Macau e no bem-estar dos seus cidadãos”, prometeu.

Coutinho não sabe se advogados lusos serão excluídos de casos de segurança nacional

José Pereira Coutinho afirmou não conseguir prever se a futura lei da Comissão de Defesa da Segurança do Estado vai afastar advogados portugueses dos casos relacionados com segurança nacional. O deputado faz parte da comissão da Assembleia Legislativa que está a discutir o diploma na especialidade, depois de ter votado a favor da nova lei na generalidade.

“Não sei, eu não consigo prever isso, isso depende tudo do futuro de como é que os tribunais, como é que os advogados… Era bom, era uma boa pergunta para perguntar ao presidente da Associação dos Advogados, porque é ele que zela pelos interesses da sua ordem”, respondeu o deputado, quando confrontado com a possibilidade de advogados portugueses serem afastados dos casos classificados como relacionados com assuntos de segurança nacional. “Vamos ver”, acrescentou.

A futura lei vai dar poderes à Comissão de Defesa da Segurança do Estado para aprovar ou vetar o envolvimento de advogados em qualquer caso que seja classificado como relacionado com a segurança nacional. O diploma não indica os critérios que vão ser adoptados pela comissão na tomada de decisões.

O deputado ligado à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) afirmou também que não recebeu qualquer preocupação de advogados em relação ao diploma: “Até hoje nem um único advogado contactou deputados da Assembleia Legislativa, fazendo chegar as preocupações. Até hoje não recebi nenhum documento, de nenhum advogado, nem da Associação dos Advogados, levantando essas questões”, revelou.

Sobre as notícias em que os advogados se manifestaram preocupados com o impacto da futura lei, Coutinho indicou não ter tempo para ler notícias, porque tem de atender cidadãos. “Eu não tenho tempo para ouvir notícias, porque atendo os cidadãos todos os dias”, respondeu o deputado mais votado nas últimas eleições.

Apoio à predominância

Nas declarações prestadas, José Pereira Coutinho valorizou ainda o princípio da predominância do Executivo. “Acho que não [a predominância do Executivo não diminui o papel dos deputados], de maneira nenhuma. Está a ser interpretado desta forma, na medida em que a Lei Básica é clara nesse aspecto”, afirmou.

“Neste momento, é evidente que em toda a parte, em qualquer governo do mundo, o Executivo tem aquela predominância em termos de avanços da sociedade, em termos de implementação de medidas governativas. A mim, no que me toca, no meu trabalho como deputado da Assembleia Legislativa, não tenho tido qualquer tipo de alterações que possam ser significativas”, frisou.

O deputado considerou também que desde o estabelecimento da RAEM, o Governo “nunca teve tão boa comunicação com os deputados como está a acontecer agora”.

Novo filme de Tracy Choi, “Girlfriends” estreia hoje no MGM Macau: “É muito difícil ser realizadora em Macau”

Em “Girlfriends”, o seu novo filme e quarta longa-metragem da carreira, Tracy Choi criou uma espécie de alter-ego, através de uma personagem que, depois de estudar em Taiwan, vive em Hong Kong enquanto luta para financiar um filme. Em entrevista ao HM, a realizadora diz que quer continuar a fazer filmes em torno das mulheres e suas vivências. A estreia oficial de “Girlfriends” está marcada para hoje, às 19h30, no MGM Macau

Faz exactamente dez anos que estreou “Sisterhood”, e provavelmente Tracy Choi não iria imaginar que, uma década depois, o sucesso seria real, com cada vez mais reconhecimento internacional em relação à sua forma de fazer cinema. Depois de colocar, pela primeira vez, um filme de Macau no Festival Internacional de Cinema de Busan, com “Girlfriends”, é a vez de a realizadora local trazer o seu novo filme, a quarta longa-metragem da carreira, para a sua casa. A estreia acontece hoje na sala “Treasure Box” do MGM Macau, a partir das 19h30.

Conversámos com a realizadora antes da estreia da nova obra, que nos contou como começou a pensar no guião do filme durante o período da covid-19. “A história é sobre uma rapariga que cresceu em Macau, que estudou em Taiwan e que foi trabalhar em Hong Kong. Pensei nisso [no filme] durante a pandemia, porque não podíamos ir a lado nenhum e não tínhamos nada para fazer. Decidi escrever um guião sobre mim: uma rapariga de Macau a crescer, ver como ela cresce e como se encontra a si mesma, algo do género.”

O elenco faz-se de actrizes com as quais Tracy Choi já trabalhou, nomeadamente Fish Liew, Jennifer Yu, Elizabeth Tang, Ning Han, Natalie Hsu e Eliz Lao. “Uma delas já recebeu várias nomeações e até prémios em Hong Kong, incluindo o de melhor actriz [Jennifer Yu]. Desta vez, depois de quase dez anos, voltámos a trabalhar juntas. Acho que crescemos muito e foi como trabalhar entre amigas. Foi uma grande felicidade poder trabalhar com alguém que conheço bem. A química entre elas também é muito boa, porque são amigas na vida real.”

No caso de Natalie Hsu, foi nomeada para o prémio de “Melhor Actriz” na 43ª edição dos Hong Kong Film Awards, enquanto que Eliz Lao é uma actriz local, que até teve direito a um ciclo de cinema em nome próprio na Cinemateca Paixão. Eliz Lao fez filmes em Hong Kong e na China, tendo experiência em televisão e teatro, sem esquecer a formação em ballet.

Sobre a estreia de hoje, Tracy Choi destaca que “os filmes com a temática LGBT, ou histórias sobre o crescimento feminino, não são muito comerciais”. “Sempre que procurámos entrar em festivais, foi-nos dito que o filme não ia ter grandes vendas. Ainda assim, e mesmo que o filme não tenha grande sucesso comercial, esperamos alcançar mais público, e fazer com que mais pessoas conheçam o filme”, destacou.

“Girlfriends” foi rodado e produzido com fundos públicos, e filmado em 2024. Tracy Choi e a sua equipa também procuraram investimentos em Taiwan e Hong Kong. Depois do lançamento em Macau, a equipa prepara-se para novas estreias na região vizinha e em Taiwan.

Sobre a experiência recente em Busan, na Coreia do Sul, com “Girlfriends” a integrar a secção de competição “Vision Section”, Tracy Choi trouxe as melhores recordações. “Foi uma grande experiência estrear o filme lá. Foi o primeiro filme de Macau a ser exibido no festival, tivemos uma grande noite. O público também pareceu gostar e acabámos por ser convidados para ir a outros festivais, e isso foi importante para toda a equipa.”

Furar barreiras

O cinema de Tracy Choi reflecte um pouco o imaginário de Macau e as vivências femininas, mas também explora cenários emotivos de sentimentos de pertença, memória e recordações. “No que diz respeito às mulheres e às histórias de Macau, somos sempre representados pelos outros, como filmes de Hong Kong, ou da China. Muitas vezes somos representados por outros realizadores e não há muitas vozes de realizadores locais, especialmente no que diz respeito a mulheres. Então, como sou mulher, espero realmente focar-me na forma como as mulheres crescem aqui ou noutros lugares na Ásia, naquilo que as mulheres enfrentam. Nos meus próximos projectos espero continuar a focar-me nas maneiras como as mulheres enfrentam o mundo em diferentes situações”, disse.

Tracy Choi não esconde que “Girlfriends” tem uma temática assumidamente LGBT, enquanto que, nos seus filmes anteriores, não era tanto assim. “Talvez fossem mais sobre Macau ou [o sentimento] de irmandade, algo assim. Mas em ‘Girlfriends’ focámo-nos, principalmente, numa história de amor LGBT. Espero que seja um pouco mais comercial para um filme LGBT, e o caminho que escolhemos para contar a história é mais comercial. Espero que o público comum, e não apenas LGBT, também consiga sentir amor pelas pessoas LGBT e identificar-se com esse tipo de história.”

No caso de “Sisterhood”, a sua primeira longa-metragem, há referências à transição de Macau, em 1999, e de duas antigas massagistas, Sei e Ling, que passaram bons tempos juntas. Porém, anos depois, uma delas percebe o grande segredo da outra, numa amizade que ganha outros contornos.

As dificuldades sentidas

Apesar do sucesso que tem vivenciado, Tracy Choi salienta que “é muito difícil ser realizadora em Macau porque não há muitas produções”. “Mas não sou só eu, outros cineastas de Macau também estão a trabalhar arduamente para que aconteçam coisas. Procuramos outras maneiras [de sustento]: eu dou aulas e trabalho como produtora para fazer com que outras produções se concretizem. Esperamos, todos juntos, poder conquistar mais público e atenção, para que os próximos realizadores, e as produções em Macau, tenham um caminho um pouco mais fácil”, acrescentou.

A realizadora está ainda a colher os louros do seu quarto filme, mas já está a trabalhar na pós-produção de outra longa-metragem. “No ano passado também filmei outra produção, em co-produção com a China, e esperamos terminar antes do Verão e exibir o filme ainda no final deste ano.”

Tracy Choi nasceu em 1988 e estudou Produção Cinematográfica na Universidade de Shih Hsin, tendo crescido no bairro de San Kiu. “Sisterhood” foi o seu filme de apresentação que lhe valeu alguma notoriedade, nomeadamente depois de ter recebido o Prémio para a Escolha do Público, no Festival Internacional de Cinema de Macau. Tinha na altura apenas 28 anos.

Sobre este momento, recordou à Revista Macau: “Depois de me ter formado em Taiwan, regressei a Macau para trabalhar. Naquela altura, há cerca de dez anos, não havia cinema em Macau. Não havia produções locais a serem filmadas com regularidade. Isso não acontecia e nós aproveitámos a oportunidade que nos foi dada. Desafiei os meus amigos a juntarem-se ao concurso organizado pelo Centro Cultural, obter financiamento e filmar algo que tivesse um significado importante para nós. Foi também muito importante que a minha primeira longa-metragem pudesse estrear no Centro Cultural, porque foi algo que trouxe visibilidade à indústria cinematográfica local”, referiu.

Cintos de segurança (II)

No último artigo, analisámos a proposta de Hong Kong para a alteração do “Regulamento do Tráfego Rodoviário de 2025 (Equipamentos de Segurança), que torna obrigatório o uso de cintos de segurança nos autocarros. No entanto, devido a três incidentes a legislação foi suspensa seis dias após a sua implementação.

No primeiro incidente, um passageiro não conseguiu desapertar o cinto e ficou preso no autocarro, tendo precisado de ajuda dos bombeiros para se libertar. Este caso fez-nos pensar se os passageiros têm o direito de danificar os cintos de segurança para fugirem em caso de emergência.

O segundo incidente envolveu uma pessoa com necessidades especiais que precisou da ajuda do motorista para colocar o cinto. Devido à morosidade do processo, um passageiro descontente começou a discutir com aquele que estava a ser assistido, acabando por agredi-lo com o telemóvel. Este caso faz-nos reflectir sobre a necessidade de sermos compassivos com as pessoas com necessidades especiais. Embora não se possa tornar a compaixão obrigatória, o Governo de Hong Kong poderá considerar a adição de uma provisão à lei obrigando os passageiros a esperar pacientemente enquanto o motorista ajuda quem precisa. Esta regulação garante que pessoas com deficiência possam aceder a serviços públicos, está em linha com o consenso social e poderá resolver o problema.

O terceiro incidente realça a ambiguidade do âmbito da aplicação da lei. Algumas pessoas em Hong Kong assinalaram, depois da revisão da Secção 8AB do Regulamento do Tráfego Rodoviário (Equipamentos de Segurança), que está estipulado que os autocarros têm de ter cintos de segurança em todos os lugares. No entanto, a secção 8AB só se aplica a autocarros registados a partir de 26 de Janeiro do corrente ano. A secção 8D indica que “os passageiros têm de usar o cinto,” e estipula que, salvo isenção, nenhum passageiro que viaje num “autocarro ao qual se aplica a secção 8AB” pode circular sem cinto de segurança; os infractores ficam sujeitos a multas e penas de prisão.

Se pusermos lado a lado as secções 8D e 8AB, veremos que a primeira se aplica aos autocarros indicados pela secção 8AB, enquanto o âmbito da secção 8AB se limita aos autocarros registados a partir de 25 de Janeiro. Por outras palavras, no sentido literal, o uso obrigatório do cinto de segurança só se aplica a autocarros registados a partir de 25 de Janeiro. Se esta interpretação estiver correcta, então os passageiros terão de puder verificar se o registo do autocarro foi feito após esta data. Só se esta condição se verificar é que serão obrigados a pôr o cinto.

Se não se verificar—significando que o registo foi feito antes de 25 de Janeiro de 2026— não são obrigados a pôr o cinto mesmo que o autocarro tenha este equipamento. Esta situação é claramente inconsistente com a descrição da legislação feita pelo Governo de Hong Kong, já que o Executivo declarou repetidas vezes que os passageiros têm de colocar os cintos de segurança se o autocarro os tiver.
Independentemente de a legislação ter ou não ter falhas, a inconsistência entre o enunciado da legislação e a mensagem do Governo confunde naturalmente os residentes da cidade. Não admira que o Governo acabasse por suspender a implementação destas medidas e tenha informado que irão ser revistas.

A disponibilidade do Governo de Hong Kong para ouvir a opinião pública e o anúncio da emenda à legislação para evitar mal-entendidos é louvável e vai beneficiar a cidade. Mas como é que esta legislação deverá ser alterada?

A actual emenda versa a legislação sobre transportes, indispensáveis ao dia a dia das pessoas e motivo de preocupação geral. Portanto, quanto mais simples for o enunciado da legislação, melhor. Se as pessoas com níveis mais baixos de formação a conseguirem entender, então toda a população a cumprirá. O intuito original da secção 8D era estabelecer a obrigatoriedade do uso do cinto de segurança nos autocarros, desde que o veículo os tivesse, para garantir mais segurança. Talvez a secção 8D pudesse sofrer a seguinte alteração:

“Independentemente da data em que o autocarro tenha sido registado, se tiver sido aprovado pelo Director dos Transportes, os passageiros terão de usar cinto de segurança, desde que o autocarro tenha este equipamento.”

Espera-se que esta abordagem e este enunciado possam vir a resolver o problema no terceiro incidente.
O Governo de Hong Kong ouviu a opinião pública seis dias depois da implementação da lei. Acredita-se que a lei será mais abrangente depois de revista e que os problemas atrás mencionados venham a ser resolvidos.

Este é o primeiro artigo após o Ano Novo Chinês. Desejo a todos os leitores um Feliz Ano Novo, muita saúde e felicidades. Também desejo que a actividade do jornal Hoje Macau continue sempre a crescer.

Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau
Professor Associado da Faculdade de Ciências de Gestão da Universidade Politécnica de Macau
Email: cbchan@mpu.edu.mo

Coreia do Sul | Subida de 6% nos nascimentos

A Coreia do Sul anunciou ontem um aumento de mais de 6 por cento no número de nascimentos em 2025, mas a taxa de fecundidade mantém-se abaixo do mínimo necessário para travar o declínio populacional. De acordo com dados oficiais divulgados pelo Ministério de Dados e Estatísticas da Coreia do Sul, o número de nascimentos cresceu pelo segundo ano consecutivo e registou o maior aumento anual desde 2010.

Em resultado, a taxa de fecundidade da Coreia do Sul, ou seja, o número médio de filhos por mulher, subiu ligeiramente, de 0,75 para 0,8. Um valor que permanece abaixo do mínimo de 2,1 necessário para manter a população actual da Coreia do Sul.

A diretora da divisão de tendências demográficas do ministério, Park Hyun-jeong, disse que o aumento do número de casamentos na Coreia do Sul desempenhou um papel importante nesta tendência.

A Coreia do Sul tem uma das taxas de fertilidade mais baixas do mundo. O Governo tem gasto milhares de milhões de euros para incentivar as mulheres a terem mais filhos, com pouco sucesso até agora. De acordo com várias projecções, ao ritmo actual, a população da Coreia do Sul passará dos actuais 51 milhões para quase metade, 26,8 milhões, até ao final do século.

Especialistas dizem que existem várias razões para a baixa taxa de natalidade da Coreia do Sul, incluindo o elevado custo de criar filhos e uma economia competitiva, que dificulta o acesso a empregos bem remunerados.

No início de Fevereiro, o autarca de Jindo (sudoeste), Kim Hee-soo, gerou controvérsia ao sugerir que as comunidades rurais poderiam combater o declínio demográfico atraindo mulheres do Vietname ou do Sri Lanka.

FMI | China deve priorizar crescimento liderado pelo consumo

O Fundo Monetário Internacional (FMI) apelou ontem à China para tornar a transição para um modelo de crescimento assente no consumo uma “prioridade central”, instando também Pequim a reduzir uma “política industrial injustificada”, face a crescentes desequilíbrios externos.

As recomendações da equipa técnica do FMI, divulgadas antes das reuniões anuais da Assembleia Nacional Popular (órgão máximo legislativo da China), reforçam os apelos a um reequilíbrio económico, sobretudo depois de o excedente comercial recorde registado pela China no ano passado ter intensificado preocupações globais.

“A China precisa de avançar de forma decisiva para um crescimento liderado pelo consumo”, afirmou Sonali Jain-Chandra, chefe da missão do FMI para a China, citada pelo jornal de Hong Kong South China Morning Post.

A responsável acrescentou que o FMI acolhe positivamente a ênfase dada ao consumo nas propostas do 15.º Plano Quinquenal e no comunicado da Conferência Central de Trabalho Económico de dezembro, que definiu as prioridades para o ano.

No relatório anual sobre a economia chinesa – a chamada consulta ao abrigo do Artigo IV – o FMI defende um estímulo orçamental mais robusto para impulsionar o consumo e aliviar as fragilidades do sector imobiliário, a par de maior protecção social, novo alívio monetário e maior flexibilidade cambial.

“O modelo de crescimento liderado pelo consumo deve ser a prioridade central”, sublinhou o conselho executivo do FMI, acrescentando que deve ser mantida uma orientação expansionista até que as pressões deflacionistas diminuam de forma duradoura.

O relatório considera que as medidas adoptadas até agora “permanecem insuficientes face à dimensão dos desafios” e recomenda uma expansão orçamental adicional equivalente a 0,8 por cento do PIB em 2026, face ao cenário de base.

O FMI projecta que o crescimento económico chinês abrande para 4,5 por cento em 2026, após uma expansão de 5 por cento no ano passado.

Japão | PM enfrenta polémica sobre ofertas a deputados

A primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, encontra-se no centro de uma polémica relacionada com ofertas concedidas a deputados do seu partido, após a vitória expressiva da formação nas eleições legislativas do início de Fevereiro.

Mais de 300 eleitos do Partido Liberal-Democrata (PLD) puderam escolher um artigo de um catálogo, “em sinal de apreço pelo seu sucesso numa eleição muito difícil”, escreveu Takaichi numa mensagem publicada na rede social X, assegurando que não foram utilizados fundos públicos.

A questão surge num contexto sensível, depois do escândalo das “caixas negras”, envolvendo milhões de ienes, que atingiu o PLD em 2023 e levou à queda do então primeiro-ministro Fumio Kishida. A indignação dos eleitores em relação a esse caso contribuiu também para a perda da maioria parlamentar do seu sucessor, Shigeru Ishiba, em 2024 e 2025.

Takaichi afirmou ontem no Parlamento que o custo dos presentes, incluindo portes e impostos, foi de cerca de 30.000 ienes (164 euros) por pessoa, tendo sido suportado por um fundo da secção local do PLD na província de Nara, que lidera. Na mesma mensagem na rede social X, acrescentou esperar que os presentes “sejam úteis no futuro trabalho enquanto legisladores”.

Também tu, Takaichi?

O portal Bunshun Online indicou que o catálogo em causa pertence à conhecida cadeia de grandes armazéns Kintetsu. O portal disponibiliza vários catálogos, incluindo um com artigos avaliados em 34.000 ienes (185 euros), como bicicletas, caranguejo ou estadias em hotéis de luxo.

Ishiba tinha sido criticado em Março passado por, segundo a imprensa, ter oferecido o equivalente a 100.000 ienes (544 euros) em vales de compra – pagos do seu próprio bolso – a 15 deputados recém-eleitos.

Após as novas revelações envolvendo Takaichi, Junya Ogawa, líder do principal partido da oposição, a Aliança Centrista Reformista, escreveu na rede social X: “As pessoas podem facilmente pensar: ‘Senhora primeira-ministra Takaichi, também a senhora?’ É mais um assunto sobre o qual terá de prestar esclarecimentos”.

A lei japonesa sobre financiamento político estabelece que particulares não podem fazer doações a candidatos a cargos públicos, mas que os partidos políticos, incluindo as suas estruturas locais, estão autorizados a fazê-lo.

Macau no Ano do Cavalo de Fogo

“In years of swift change, cities that master their momentum shape their own future.”

Adrian Leung

A celebração do Ano Novo Lunar mantém, em toda a Ásia Oriental, uma força cultural e simbólica que atravessa gerações, e Macau vive este período com particular intensidade. Em 2026, o território assinalou a entrada no Ano do Cavalo de Fogo a 17 de Fevereiro, retomando um ciclo que não ocorria desde 1966. A combinação entre o signo do Cavalo tradicionalmente associado ao movimento, à energia e à expansão e o elemento Fogo, que acentua vitalidade, ambição e transformação, confere ao novo ano um enquadramento simbólico especialmente expressivo. Embora o simbolismo não substitua a análise económica, ajuda a compreender o ambiente de expectativas que envolve Macau neste momento de transição e reposicionamento estratégico.

No discurso de Ano Novo, o Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, sublinhou que Macau entra neste ciclo com “determinação renovada” e com a responsabilidade de consolidar os progressos alcançados desde a reabertura póspandemia. Destacou a importância de transformar o dinamismo associado ao Cavalo de Fogo em políticas eficazes, capazes de reforçar a competitividade do território, aprofundar a diversificação económica e garantir que o crescimento se traduz em benefícios concretos para a população. A mensagem oficial insistiu na necessidade de equilíbrio de como aproveitar a energia expansiva do novo ciclo sem perder de vista a prudência e a estabilidade que sustentam o desenvolvimento de longo prazo.

O contexto económico de 2026 é marcado por sinais de recuperação robusta, mas também por desafios estruturais. A indústria do jogo, principal motor económico de Macau, tem registado um aumento consistente das receitas, impulsionado pela retoma do turismo e pela normalização das deslocações no interior da China. A entrada no Ano do Cavalo de Fogo coincide com um período de confiança crescente entre consumidores e operadores, sugerindo a possibilidade de um ciclo de expansão mais vigoroso. A procura reprimida dos últimos anos, aliada à melhoria das ligações regionais, tem contribuído para um fluxo mais intenso de visitantes, tanto do segmento premium como do mercado de massas.

Contudo, o simbolismo do Cavalo de Fogo também funciona como advertência. A rapidez e a intensidade que caracterizam este signo podem, se não forem devidamente enquadradas, gerar desequilíbrios. O Chefe do Executivo alertou para a necessidade de evitar “crescimentos desordenados” e reforçou que a sustentabilidade económica exige uma gestão rigorosa dos riscos, desde a estabilidade financeira dos concessionários até à exposição do território a tensões geopolíticas. A concorrência regional, com novos resorts integrados em expansão noutras partes da Ásia, obriga Macau a elevar continuamente os padrões de qualidade, inovação e experiência turística.

A diversificação económica permanece como um dos pilares centrais da estratégia governamental. O Ano do Cavalo de Fogo, associado ao movimento e à exploração de novos caminhos, oferece um enquadramento simbólico favorável ao avanço de sectores emergentes. O governo tem insistido no reforço do turismo MICE, das indústrias culturais e criativas, da gastronomia, do retalho de alta gama e das experiências imersivas que ampliam a oferta dos resorts integrados. Em 2026, observase uma reorientação das estratégias de promoção internacional, posicionando Macau como um destino multifacetado, capaz de combinar entretenimento, cultura, negócios e inovação.

A integração na Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau constitui outro eixo determinante. A energia do Cavalo de Fogo, associada à eficiência logística e à expansão de redes, coincide com um período em que os projectos de conectividade regional atingem maior maturidade. A plena operacionalidade da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, a melhoria das ligações internas e o reforço das infraestruturas de transporte têm facilitado a circulação de visitantes e profissionais, aproximando Macau dos grandes centros económicos de Guangdong. O governo tem sublinhado a importância de aproveitar este momento para reforçar o papel do território como plataforma financeira e tecnológica, beneficiando do seu enquadramento jurídico singular e da capacidade de atrair empresas de FinTech e serviços especializados.

No sector do jogo, o ambiente regulatório continua a desempenhar um papel decisivo. Após a renovação das concessões, 2026 é um ano de consolidação e demonstração de resultados. Os operadores estão obrigados a apresentar progressos concretos nas áreas não lúdicas, na responsabilidade social, na protecção de dados e na adopção de tecnologias avançadas. A energia do Cavalo de Fogo poderá acelerar a implementação de novos modelos de gestão, desde sistemas de pagamento contactless até ferramentas de análise comportamental baseadas em inteligência artificial. A competição entre concessionários tende a intensificarse, e a capacidade de inovar será determinante para manter a competitividade num mercado cada vez mais sofisticado.

Apesar das perspectivas favoráveis, persistem riscos significativos. A dependência estrutural de Macau em relação ao exterior torna o território vulnerável a choques globais, desde flutuações económicas no continente até tensões internacionais que possam afectar o turismo. A concorrência regional exige que Macau continue a elevar padrões de qualidade e experiência, enquanto a pressão sobre a mãodeobra qualificada e os custos operacionais associados à diversificação podem limitar margens de lucro, mesmo num cenário de crescimento.

Para além das dimensões económicas e institucionais, 2026 revela também uma transformação subtil no modo como Macau pensa o seu futuro. A entrada no Ano do Cavalo de Fogo tem servido de catalisador para um debate mais amplo sobre identidade, criatividade e capacidade de adaptação. Observase um interesse crescente em projectos que valorizam o património, a inovação cultural e a produção de conhecimento, numa tentativa de equilibrar tradição e modernidade.

Esta evolução, ainda incipiente, sugere que o território começa a reconhecer que a sua força não reside apenas na atracção turística, mas também na capacidade de gerar ideias, talento e novas formas de participação económica. Se esta tendência se consolidar, Macau poderá emergir como um espaço mais plural, dinâmico e intelectualmente vibrante, capaz de transformar o simbolismo do Cavalo de Fogo numa verdadeira renovação estratégica.

Albergue SCM | Ano Novo Chinês celebrado com exposição e festa

São muitos os eventos que chegam ao Albergue da Santa Casa da Misericórdia de Macau na próxima semana. Em nome de um novo ano que acaba de chegar, apresenta-se, a partir de terça-feira, a mostra “Sucesso com o Cavalo – Obras de Choi Chun Heng e as suas Colecções Preciosas”, decorrendo também, nesse dia, actividades no pátio

Terça-feira é dia de celebrar um novo ano no Albergue da Santa Casa da Misericórdia de Macau (SCM). A “Celebração do Ano Novo Chinês do Cavalo”, organizada pelo CAC – Círculo de Amigos da Cultura, começa às 18h30 e estende-se pelas horas seguintes. Todos estão convidados a participar.

Segundo um comunicado da organização, o tema desta celebração será o Cavalo, e para tal estão à disposição do público petiscos e uma série de actividades, nomeadamente o “Poço dos Desejos”, a “Árvore do Amor”, adivinhas com lanternas e ainda uma actuação musical.

Além disso, o mestre Choi Chuen Heng, conhecido pela arte da caligrafia, estará presente para escrever os tradicionais fai-chun da época, “transmitindo os votos sinceros de Ano Novo”. “O CAC convida o público a desfrutar da atmosfera encantadora do Albergue SCM, reunindo-se com familiares e amigos” sendo que “os participantes poderão saborear petiscos festivos e envolver-se na música cativante”, é descrito.

Uma parceria, uma mostra

No dia em que se celebra a chegada do Ano do Cavalo, é a vez de dar as boas-vindas a uma nova exposição. Trata-se da mostra “Sucesso com o Cavalo – Obras de Caligrafia e Colecções de Choi Chun Heng”, patente de terça-feira, 3 de Março, até 16 de Abril deste ano, e que nasce de uma parceria com a Tai Fung Tong Art House. O objectivo desta iniciativa é “preservar e promover a cultura tradicional chinesa e estender as bênçãos festivas ao público no Ano do Cavalo”.

” Utilizando a caligrafia como meio de transmissão cultural, a exposição permitirá ao público apreciar o profundo encanto estético da caligrafia tradicional chinesa. Com pinceladas elegantes e um estilo pessoal distintivo, a caligrafia do mestre Choi Chun Heng capta o espírito e o ritmo dos caracteres chineses, revelando a sua beleza intemporal e essência cultural”, lê-se ainda.

O CAC foi fundado em Macau em 1985 pelos membros fundadores Carlos Marreiros, Mio Pang Fei, Kwok Woon, Un Chi Iam, Ung Vai Meng e Victor Marreiros. Reunindo um grupo de artistas e académicos, o CAC tem-se dedicado à promoção da cultura, artes, património, arquitectura, literatura e outras atividades culturais de Macau, bem como à divulgação das criações de talentos locais.

Nuclear | Pequim nega ter realizado testes e acusa EUA de querer pretexto para os retomar

A China qualificou ontem como infundadas as acusações dos Estados Unidos sobre alegados ensaios nucleares explosivos no seu território e acusou Washington de procurar pretextos para retomar os próprios testes atómicos.

A porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Mao Ning, afirmou em conferência de imprensa que as acusações norte-americanas são “infundadas e evasivas” e “não têm qualquer fundamento”, reagindo a declarações recentes de uma delegação dos EUA na Conferência do Desarmamento, em Genebra.

Segundo Mao, a China “apoia firmemente os propósitos e objectivos” do Tratado de Proibição Completa dos Ensaios Nucleares e tem respeitado o compromisso dos cinco Estados com armas nucleares de manter uma moratória sobre testes.

A porta-voz acusou ainda os Estados Unidos de “incriminar e difamar outros países” para escapar às suas obrigações internacionais em matéria de controlo de armamento, prática que, afirmou, “prejudica gravemente a sua credibilidade internacional”.

Pequim instou Washington a cumprir a moratória e a “defender o consenso internacional sobre a proibição de ensaios nucleares”.

As declarações surgem após o secretário de Estado adjunto norte-americano para o Controlo de Armamento e Não Proliferação, Christopher Yeaw, ter afirmado na segunda-feira, em Genebra, que os EUA dispõem de dados que apontam para um alegado teste chinês em 2020 no deserto de Lop Nur, além de alertar para a rápida expansão do arsenal nuclear chinês.

A troca de acusações coincide com a expiração, a 05 de Fevereiro, do tratado New START entre Estados Unidos e Rússia e com novos contactos diplomáticos em Genebra sobre o futuro do controlo de armamento nuclear, nos quais Washington defende que um eventual novo acordo inclua também a China.

Hong Kong prevê fim de vaga deficitária e crescimento económico de até 3,5 por cento

A economia de Hong Kong deverá crescer até 3,5 por cento à boleia do regresso de um excedente orçamental, após anos três anos em défice, anunciou ontem o secretário das Finanças da região semiautónoma chinesa.

A economia de Hong Kong esteve “em alta” em 2025, com o comércio externo a manter-se forte, o consumo privado a recuperar e o investimento fixo a acelerar, afirmou Paul Chan durante a apresentação do orçamento para 2026, citado pelo portal de notícias Hong Kong Free Press (HKFP).

O responsável pela tutela das Finanças previu um crescimento de 2,5 por cento a 3,5 por cento na economia da região administrativa especial no atual ano fiscal (01 de Abril 2025 a 31 de Março 2026).

“A médio prazo, o proteccionismo persistirá em algumas das principais economias, enquanto a fragmentação da economia global continuará. No entanto, a ascensão do Sul Global e a remodelação do panorama global do comércio e do investimento irão desbloquear novos mercados e novas áreas de crescimento”, avaliou o secretário, ainda de acordo com a HKFP.

Paul Chan anunciou ainda que o excedente no ano fiscal de 2025-26 encerra uma série de três anos em défice orçamental. Impulsionadas pela procura por produtos electrónicos, as exportações de bens de Hong Kong cresceram 12 por cento, com aumentos a assinalar nas exportações para a China continental e para os países da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), escreveu o portal.

Ainda de acordo com o HKFP, a cidade no sul da China registou um défice de 80,3 mil milhões de dólares de Hong Kong no ano fiscal de 2024-25, de 101,6 mil milhões de dólares de Hong Kong (em 2023-24 e de 122 mil milhões (em 2022-23.

Já o mercado de acções apresentou um “desempenho excelente”, de acordo com o responsável. O índice Hang Seng subiu 28 por cento ao longo do ano, enquanto as ofertas públicas iniciais (IPO) arrecadaram 280 mil milhões de dólares de Hong Kong, ficando em primeiro lugar globalmente.

Na apresentação do orçamento, o secretário das Finanças afirmou ainda que o Governo está empenhado em atrair mais empresas para se instalarem na região.

Em promoção

Instrumentos políticos, incluindo acordos de concessão de terrenos, subsídios financeiros e incentivos fiscais, vão ser implementados para promover indústrias e investimentos, anunciou, de acordo com a emissora pública RTHK [Radio Television Hong Kong].

O chefe das finanças de Hong Kong destacou, além disso, a importância de aumentar o apoio às empresas da China continental que estão a expandir-se a mercados internacionais.

Outra área de foco, referiu Paul Chan, passa por promover ainda mais Hong Kong como um centro internacional de convenções e exposições, com 100 milhões de dólares de Hong Kong a ser reservados para atrair exposições internacionais de grande escala com novos elementos.

A emissora noticiou ainda que Paul Chan anunciou que vai presidir ao novo “Comité sobre IA+ e Estratégia de Desenvolvimento Industrial” como parte dos trabalhos para garantir que todos os sectores da sociedade compreendem e utilizem a inteligência artificial.

Visita | Merz quer reforçar laços de cooperação com a China

Apesar das preocupações com a concorrência comercial, a visita de do chanceler alemão deverá servir para fortalecer os laços económicos entre as duas nações

O chanceler alemão, Friedrich Merz, defendeu ontem em Pequim uma cooperação mais “justa” com a China, no arranque de uma visita ao principal parceiro comercial da Alemanha, cada vez mais visto no seu país como um forte concorrente.

“Temos preocupações muito concretas relativamente à nossa cooperação, que queremos melhorar e tornar mais justa”, afirmou Merz no início de conversações com o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, no Grande Palácio do Povo, no centro de Pequim.

O chefe do Governo chinês apelou à Alemanha para trabalhar no sentido de “defender conjuntamente o multilateralismo e o livre-comércio”.

Merz, que chegou ontem a meio da manhã com uma ampla delegação empresarial, tinha prevista uma reunião e jantar com o Presidente chinês, Xi Jinping, naquela que é a sua primeira visita à China desde que assumiu funções, em 2025.

O chanceler afirmou ver “um grande potencial de crescimento” para duas das maiores economias do mundo, sublinhando, no entanto, a necessidade de um diálogo “aberto”.

Antes da partida, Merz indicou que pretendia abordar vários temas de divergência, como regras de concorrência, acesso aos mercados e segurança no abastecimento de terras raras, matérias-primas essenciais para muitas empresas alemãs e cuja produção é dominada pela China.

O responsável alemão quer também discutir a guerra na Ucrânia, contando com as boas relações de Pequim com Moscovo. “A voz de Pequim é ouvida, mesmo em Moscovo”, declarou. É o mais recente dirigente estrangeiro a deslocar-se a Pequim, num momento em que o Presidente norte-americano, Donald Trump, tem agitado a ordem internacional com novas tarifas e a revisão de antigas alianças.

“Hoje, a China tornou-se incontornável para todos”, afirmou Merz, na terça-feira. Nos últimos três meses, passaram por Pequim os líderes do Reino Unido, Finlândia, Canadá, Coreia do Sul, Irlanda ou França.

Da concorrência

Ao mesmo tempo, a indústria alemã enfrenta crescente pressão da concorrência chinesa. A maior economia europeia, fortemente dependente das exportações e durante anos sustentada pelo vasto mercado chinês, viu as vendas dos seus construtores automóveis diminuírem significativamente na China e enfrenta cada vez mais competição tecnológica chinesa a nível global.

Tal como outros parceiros da União Europeia, a Alemanha manifesta preocupação com a expansão dos veículos eléctricos chineses e com o escoamento para a Europa dos excedentes de produção da China.

Berlim alerta ainda para o uso, por parte de Pequim, de semicondutores e terras raras como instrumentos na disputa comercial global, como aconteceu em 2025, afectando severamente as cadeias de abastecimento, nomeadamente da indústria automóvel.

“Queremos e devemos adoptar uma política de redução de riscos, não apenas em relação à China”, afirmou Merz, sublinhando, contudo, que seria um erro associar essa estratégia a uma dissociação económica.

A Alemanha e outros países criticam as restrições de acesso ao mercado chinês, os subsídios considerados indevidos e a alegada subvalorização da moeda chinesa. Xi Jinping tem apresentado a China como um parceiro fiável e defensor do multilateralismo e do livre-comércio, promovendo uma relação de “ganhos para ambos” baseada no “respeito mútuo”.

Em 2025, a China travou uma intensa disputa comercial e diplomática com os Estados Unidos sob a presidência de Trump, cuja deslocação a Pequim está prevista para o final de Março.

Merz viajou acompanhado pelos presidentes executivos da Volkswagen, BMW e Mercedes. Hoje, assistirá à apresentação de veículos autónomos pela Mercedes e deslocar-se-á depois a Hangzhou, polo tecnológico, para visitar o grupo de robótica Unitree e a empresa Siemens Energy.

No ano passado, o défice comercial da Alemanha com a China aumentou mais de 22 mil milhões de euros, atingindo cerca de 89 mil milhões de euros.