F1 | Construtores chineses avaliam entrada

Nas vésperas do décimo nono Grande Prémio da China de Fórmula 1, a disputar no Circuito Internacional de Xangai, surgiu na imprensa internacional o rumor de que o gigante chinês de veículos eléctricos BYD está a analisar opções para entrar no automobilismo, tendo como hipóteses o Mundial de Formula 1 ou o Campeonato do Mundo FIA de Endurance (WEC).

 

Segundo a Bloomberg, a BYD estará “a analisar várias opções após o seu rápido crescimento fora do mercado doméstico e perante a contínua mudança das corridas de competição para motores híbridos”, citando fontes familiarizadas com o assunto que pediram anonimato. Até ao momento, não surgiu qualquer comentário oficial da BYD Auto Company Limited sobre estas informações.

O momento é significativo. Os regulamentos da Fórmula 1 para 2026, apesar de controversos aos olhos de alguns pilotos, conseguiram atrair a alemã Audi e a norte-americana Cadillac para a grelha de partida. A Fórmula 1 vive actualmente um dos períodos de maior crescimento da sua história, conquistando novos mercados, incluindo o chinês, sobretudo junto das gerações mais jovens.

O presidente da Federação Internacional do Automóvel (FIA), Mohammed Ben Sulayem, não esconde a ambição de ver um construtor chinês no campeonato. Em declarações ao jornal francês Le Figaro, afirmou: “Tem sido o meu sonho, nos últimos dois anos, que os grandes países estejam representados na Fórmula 1. Os Estados Unidos estarão presentes com a General Motors. O passo seguinte é acolher um construtor chinês. Já temos um piloto”, acrescentou, numa referência ao piloto de reserva da Cadillac, Guanyu Zhou.

Entre as opções em análise pela BYD estará tanto a criação de uma equipa de raiz como a aquisição de uma das onze existentes. Qualquer das vias implicaria um investimento considerável: a Cadillac pagou uma taxa anti-diluição de cerca de 3,6 mil milhões de patacas às equipas actuais apenas para entrar na grelha este ano. Além disso, o processo de entrada na Fórmula 1 é longo e complexo. O mais recente “Concorde Agreement”, em vigor até 2030, deixa, contudo, espaço para uma 12ª equipa.

Passado nos ralis

Fundada em 1995 na cidade de Shenzhen, a BYD ultrapassou recentemente a Tesla como principal fornecedora mundial de veículos eléctricos e tem vindo a expandir-se de forma agressiva na Europa, na América Latina e noutros mercados automóveis importantes. Ainda assim, existe a consciência de que falta à marca um historial de vitórias no automobilismo capaz de rivalizar com o prestígio das construtoras europeias, norte-americanas e japonesas.

Tal como a compatriota Chery, o interesse da BYD no WEC, incluindo a possibilidade de desenvolver um protótipo Hypercar para as 24 Hours of Le Mans. já tinha sido noticiado no final do ano passado. Esta poderia ser uma forma relativamente mais acessível de entrar no automobilismo de alto nível, evitando um investimento demasiado elevado numa fase inicial.

A BYD nunca esteve presente no Grande Prémio de Macau, mas possui algum historial no automobilismo chinês, sobretudo em provas de ralis. Em 2016, muito antes de o mundial de ralis (WRC) adoptar sistemas híbridos, a marca participou no Campeonato de Ralis da Ásia-Pacifico com um veículo híbrido, tornando-se o primeiro construtor automóvel a competir num rali sob a égide da FIA com uma viatura de motorização híbrida.

Geely também está atenta

Não é a primeira vez que um construtor chinês manifesta ambições de chegar à Fórmula 1. Ainda no ano passado, delegações do poderoso grupo Geely marcaram por diversas vezes presença no paddock do “Grande Circo”. A empresa, que mantém ligações estreitas com a Aston Martin e com a Mercedes-Benz, terá avaliado a possibilidade de entrar no campeonato através do “rebranding” de uma equipa já existente.

Contudo, os representantes da Geely, cujo portefólio inclui a histórica Lotus, marca com um enorme legado na Fórmula 1, não conseguiram concretizar qualquer parceria que viabilizasse essa estratégia.

G.P. China – Estatísticas

A edição deste ano será a décima nona edição do Grande Prémio da China disputado no circuito de Xangai. A primeira corrida, vencida pelo brasileiro Rubens Barrichello, teve lugar em 2004. O evento manteve-se no calendário de forma ininterrupta até 2019, regressando posteriormente em 2024. Lewis Hamilton e a Mercedes detêm o recorde de vitórias no circuito chinês, com seis triunfos cada. O piloto britânico, agora a defender as cores da Scuderia Ferrari, é também o recordista de presenças no pódio, com nove, seguido por Kimi Räikkönen e Sebastian Vettel, ambos com seis.

Aprovado novo código para apoiar transição ecológica

O principal órgão legislativo da China aprovou ontem um novo código ambiental destinado a unificar e actualizar a extensa legislação do país nesta área, incluindo regras para novos tipos de poluição e medidas para responder a fenómenos meteorológicos extremos.

O chamado Código Ecológico e Ambiental foi aprovado com 2.752 votos a favor, sete contra e três abstenções, durante a sessão plenária de encerramento da reunião anual da Assembleia Popular Nacional, realizada no Grande Palácio do Povo, em Pequim.

Durante o processo legislativo, o porta-voz do parlamento, Lou Qinjian, afirmou que, com a entrada da China numa fase de desenvolvimento marcada pela transição verde, existe uma necessidade crescente de um quadro jurídico mais rigoroso para proteger o ambiente.

O novo código reúne 1.242 artigos, organizados em cinco capítulos, que abordam três pilares da política climática chinesa: a prevenção e controlo da poluição, a conservação ecológica e o desenvolvimento verde e de baixo carbono.

Segundo o analista Changhao Wei, do portal especializado NPC Observer, a China conta actualmente com mais de 30 leis e cerca de 100 regulamentos administrativos relacionados com protecção ambiental.

O novo código procura integrar e harmonizar essas normas, eliminando incoerências e preenchendo lacunas legais.

Prioridade assumida

Wei destaca que a protecção ambiental tem sido uma prioridade do Partido Comunista Chinês durante a liderança do Presidente Xi Jinping, que em 2018 incorporou o conceito de “civilização ecológica” na doutrina política do partido.

Entre as principais novidades, a nova legislação inclui regras para regular formas emergentes de poluição, como a poluição química, luminosa e a radiação não ionizante.

O código estabelece também uma base legal para a política climática chinesa, incluindo metas relacionadas com a neutralidade carbónica, o controlo das emissões e o reforço dos chamados sumidouros naturais de carbono, como florestas e zonas húmidas.

No âmbito da adaptação às alterações climáticas, o texto prevê integrar riscos climáticos no planeamento territorial e reforçar sistemas de alerta precoce e resposta a desastres e fenómenos meteorológicos extremos.

A aprovação da nova legislação surge num momento em que a China tenta reforçar o compromisso ambiental.

O Governo apresentou recentemente um plano para reduzir em 17 por cento as emissões de dióxido de carbono por unidade de PIB entre 2026 e 2030.

Apesar de ser actualmente o maior emissor mundial de gases com efeito de estufa, a China comprometeu-se a atingir o pico das emissões antes de 2030 e alcançar a neutralidade carbónica antes de 2060.

Nos seus planos climáticos mais recentes, o país estabeleceu ainda a meta de reduzir as emissões de gases com efeito de estufa entre 7 por cento e 10 por cento face ao nível máximo e de elevar a participação de energias não fósseis para mais de 30 por cento do consumo total de energia até 2035.

APN | Aprovado plano quinquenal com foco em tecnologia e consumo interno

As prioridades para os próximos cinco anos estão lançadas. A aposta passa por continuar a promover o consumo interno e estimular o desenvolvimento tecnológico

A Assembleia Popular Nacional da China aprovou ontem as directrizes gerais do XV Plano Quinquenal (2026-2030), que orientará a política económica do país durante os próximos cinco anos, reforçando a aposta em tecnologia e no consumo interno.

O documento, aprovado no encerramento da sessão anual do órgão legislativo chinês, estabelece como prioridade “reforçar o papel da procura interna como motor principal do crescimento”, um dos desafios mais urgentes da segunda maior economia do mundo após vários anos de consumo doméstico relativamente débil.

Analistas têm apontado que o crescimento chinês continua fortemente dependente das exportações e do investimento estatal, enquanto o consumo das famílias permanece limitado devido a salários relativamente baixos, custos elevados de habitação e uma fraca rede de protecção social.

Embora os líderes chineses reconheçam a necessidade de estimular a procura interna, o plano coloca a inovação tecnológica no centro da estratégia económica.

O texto prevê “medidas extraordinárias” para alcançar avanços em sectores considerados estratégicos, como circuitos integrados, ‘software’ industrial e materiais avançados, num momento de crescente rivalidade tecnológica entre Pequim e Washington.

A competição entre as duas maiores economias do mundo tem-se intensificado nos últimos anos, sobretudo em áreas como inteligência artificial, semicondutores, computação avançada e tecnologias emergentes que deverão moldar a economia global nas próximas décadas.

Para Pequim, reduzir a dependência de tecnologias estrangeiras tornou-se uma prioridade estratégica, especialmente após restrições impostas pelos Estados Unidos à exportação de componentes avançados para empresas chinesas.

A aposta em ciência e inovação tem sido um dos pilares da política económica do Presidente chinês, Xi Jinping, que tem repetidamente sublinhado a importância da autossuficiência tecnológica para garantir a segurança económica do país.

 

Outras metas

O primeiro-ministro chinês, Li Qiang, anunciou no início da sessão parlamentar uma meta de crescimento económico entre 4,5 por cento e 5 por cento para 2026, um objectivo considerado relativamente prudente que deverá dar ao Governo margem para concentrar esforços em reformas estruturais de longo prazo.

Especialistas esperam que as autoridades chinesas avancem gradualmente com medidas para estimular o consumo, incluindo a expansão da segurança social e do sistema de saúde, embora grande parte dos recursos públicos continue a ser direccionada para sectores tecnológicos considerados prioritários, incluindo inteligência artificial, robótica, energia limpa e exploração científica avançada.

O órgão legislativo chinês aprovou ainda várias leis durante a sessão anual, incluindo legislação relacionada com minorias étnicas e outras áreas administrativas (ver textos secundários), num processo em que as votações são tradicionalmente quase unânimes e reflectem o apoio institucional às políticas definidas pelo Partido Comunista Chinês.

Durante uma conferência de imprensa à margem da reunião parlamentar, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi, afirmou que o país continuará a avançar no desenvolvimento económico e tecnológico apesar das incertezas no cenário internacional.

“Estamos a avançar a toda a velocidade na construção de um grande país”, declarou.

Rota das Letras | Cartaz dos últimos dias com teatro, poesia e cinema

Com a última sessão marcada para o fim da tarde de domingo, o Rota das Letras tem uma programação recheada com mais de duas dezenas de eventos nos últimos três dias.
Hoje, o dia arranca com três sessões simultâneas, às 18h30, em três espaços distintos da Casa Garden. Na sessão “Versos em Trânsito” o escritor chinês Lu Jian irá juntar-se aos autores locais Si Tou Chi U e Lei Ka Io.
À mesma hora e local, Thomas Bird apresenta o livro “Harmony Express”, um testemunho pessoal da transformação do sistema ferroviário da China que aconteceu quase por acaso. Sem namorada, com uma banda de rock em dissolução e com o emprego como editor numa revista em Shenzhen no espelho retrovisor, as linhas de comboio passaram a ser as musas de Thomas Bird. Da vertigem da linha de alta velocidade entre Shenzhen e Xiamen, ao comboio de levitação magnética até Xangai, à travessia de Sichuan a bordo de um comboio a vapor, o autor traça um retrato de um país em transformação.
À mesma hora, também na Casa Garden, João Miguel Tavares fala dos livros que têm o poder para marcar vidas.
A programação do festival literário prossegue hoje à noite com uma proposta cinematográfica, com a exibição de “Restos do Vento” no Cinema Alegria às 21h15. O filme de Tiago Guedes tem como pano de fundo uma tradição pagã que se cumpre numa vila do interior de Portugal e a forma como afecta um grupo de jovens.
A noite de hoje termina com uma festa de arromba no DD3, na Doca dos Pescadores, com a celebração dos 40 anos da RUC (Rádio Universidade de Coimbra), com o início das festividades marcado para as 23h.

Fim-de-semana largo
O dia começa amanhã com o festival literário na rua, com mais uma edição de “Um Passeio com História”, desta vez liderado por Jason Wordie, que promete relevar os segredos dos bairros antigos da cidade. O passeio tem como ponto de partida a Casa Garden às 11h.
As hostilidades literárias de sábado na Casa Garden arrancam às 15h com a sessão “Escrever o Futuro”, conduzida por Wang Nuonuo que irá discorrer sobre “a importância da ficção especulativa num mundo em rápida transformação”.
À mesma hora e local, está marcada uma sessão sobre a obra e influência de José Maneiras na arquitectura e gestão urbana de Macau, com Rui Leão, Luís Sales Marques e Jorge Neto Valente a conduzirem a conversa.
A partir das 16h, arrancam mais três painéis no epicentro do Rota das Letras. Bi Feiyo e Xie Youshun vão discutir os limites entre escrita, humanidade e inteligência artificial.
Também às 16h, a jornalista do HM Andreia Sofia Silva apresenta o seu primeiro livro “O Lápis Vermelho: A Censura do Estado Novo à Imprensa de Macau”.
À mesma hora, no auditório da Casa Garden é exibido o documentário “Maneiras”, realizado por António Sanmarful, sobre o pioneiro do modernismo arquitectónico do território.
Às 17h segue-se a sessão “Do Engano ao Populismo. Paralelos e contrastes de como líderes carismáticos exploram o descontentamento social”, que irá incidir sobre os livros “José Sócrates: Ascensão”, de João Miguel Tavares, “Por Dentro do Chega”, de Miguel Carvalho, numa conversa entre os autores.
À noite, é a vez do pequeno auditório do Centro Cultural de Macau emprestar o palco à peça “À Primeira Vista”, com interpretação de Margarida Vila-Nova e encenação de Tiago Guedes. A peça terá duas sessões, amanhã às 20h30 e no domingo às 16h.
O dia da despedida
No domingo, o derradeiro dia da edição deste ano do festival literário, a primeira sessão, marcada para as 14h30, conta com um dos pólos do turismo sul-coreano: Sokcho. Elise Shua Dusapin vai discutir o legado cinematográfico da região, com base no seu primeiro romance. A palestra será um preâmbulo para a apresentação do filme baseado em “Inverno em Sokcho”, que terá lugar na Cinemateca Paixão, às 16h30.
O legado europeu e celta na história de Hong Kong estará em evidência numa sessão dirigida por Mark O’Neill a partir das 15h. Meia hora depois, será a vez Dora Gago apresentar as múltiplas visões sobre a obra de Rodrigo Leal de Carvalho.
O meio século da morte de Luís Gonzaga Gomes será o mote para a sessão que, a partir das 16h, irá focar-se no legado do “camonista de Macau”. O orador convidado é José Carlos Canoa.
Às 16h45 de domingo será apresentado o livro “Fractures” de Carlos Andrés Gómez, que irá discutir identidade, masculinidade e o poder da poesia.
Antes da derradeira sessão, haverá ainda tempo para apresentar obras lançadas pelo Instituto Internacional de Macau, como “Oseo Acconci e as suas obras”, de Jane Lei, ou “A Vitória de Macau” de Rodrigo de Matos”, e “A Canção de um Deslumbrante Poeta Menor”, de Lu Jian, com a chancela da Livros do Meio.
O festival termina de forma apropriada, com uma sessão de poesia conduzida por Carlos Morais José, Carlos Andrés Gomez, Lu Jian e Yao Feng.

Santa Maria da Feira e Matosinhos na festa internacional da gastronomia

Santa Maria da Feira e Matosinhos participam este mês na Festa Internacional da Cidades de Gastronomia de Macau, cujo orçamento foi reforçado devido ao impacto da guerra no Irão na aviação, foi ontem anunciado.
Santa Maria da Feira, Cidade Criativa da Gastronomia da UNESCO desde 2021, regressa a Macau para o evento que se realiza entre 20 e 29 de Março, disse aos jornalistas a directora dos Serviços de Turismo (DST), Helena de Senna Fernandes.
De Santa Maria da Feira vão estar em Macau as ‘chefs’ Elisabete Miranda e Clara Santos, de acordo com a DST, que notou ainda que Matosinhos, na lista da UNESCO apenas desde Outubro, estreia-se nesta edição, embora não esteja representada por ‘chefs’ daquela cidade. Ainda do universo de língua portuguesa, complementou Senna Fernandes, estão representadas as cidades brasileiras de Belém, Belo Horizonte, Florianópolis e Paraty.
“Até à data, o número de cidades participantes já ultrapassou os das edições anteriores, atraindo quase 40 cidades de todo o mundo, incluindo oito cidades que receberam a designação no ano passado”, declarou a responsável.
Para este ano, o evento vai contar com um orçamento de “aproximadamente 31 milhões de patacas”, o que representa um acréscimo de mais de três milhões de patacas em relação à edição anterior, o que Senna Fernandes justificou com o impacto da guerra do Irão nas ligações aéreas.

Dinamizar o NAPE
Demonstrações culinárias, debates académicos e intercâmbios sobre a preservação do património gastronómico são alguns dos eventos em destaque nesta festa, que este ano transpõe o recinto da Doca dos Pescadores e estende-se às ruas de Cantão e de Xangai.
“O objectivo passa por aproveitar os efeitos sinergéticos de um grande evento, aumentar a visibilidade da zona da NAPE e dinamizar conjuntamente a vitalidade económica da comunidade”, notou Helena de Senna Fernandes.
O programa desta edição da Festa Internacional da Cidades de Gastronomia de Macau inclui ainda a Avenida de Gastronomia Internacional, com cem bancas de comida: 28 de cidades do Interior da China (Chengdu, Shunde, Yangzhou, Huaian, Chaozhou e Quanzhou), 32 de cidades das Américas, África e Ásia, e 40 bancas de Macau.
Além disso, ‘chefs’ de 25 cidades criativas de gastronomia irão realizar 53 demonstrações culinárias.
Este ano, irão estrear ainda o Lounge de Vinhos Mundiais e o Mercado Internacional de Produtos Gastronómicos de Excelência, “demonstrando a diversidade da cultura gastronómica de cada uma das Cidades Criativas de Gastronomia e o charme do “turismo + gastronomia” de Macau, enriquecendo a experiência dos visitantes”, reforçou a DST.

Michelin | Guia adiciona “A Lorcha” à lista “bib gourmand”

O restaurante “A Lorcha”, que oferece uma variedade de comida portuguesa e macaense, foi adicionado à lista de restaurantes “bib gourmand” de Macau, anunciou ontem a organização do Guia Michelin.
A 18.ª edição do guia para as duas regiões passou a incluir um total de 83 estabelecimentos reconhecidos na distinção “bib gourmand”, conferida aos restaurantes que oferecem menus de três pratos por menos de 400 patacas. Destes, 70 encontram-se em Hong Kong e 13 em Macau, entre eles os portugueses “O Castiço”, “O Restaurante Litoral” e agora “A Lorcha”, mais um do que em 2025.
A organização do Guia Michelin sugere uma refeição no restaurante de comida macaense, começando por pastéis de bacalhau, antes da chegada à mesa da carne de porco à alentejana, do arroz de marisco ou o prato macaense galinha à portuguesa.
A selecção de 2026, segundo os inspectores do guia, reflecte “os sabores dinâmicos e a riqueza cultural” da região, abrangendo desde comida de rua inovadora até receitas familiares tradicionais.
O director internacional do Guia Michelin, Gwendal Poullennec, sublinhou que a lista deste ano “representa de forma magnífica a diversidade e a energia” das cenas culinárias em Hong Kong e Macau.

Requinte a frescura
O restaurante Nok Song é outra novidade de Macau na lista “bib gourmand”. O restaurante na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues é amplamente elogiado pela organização do prestigiado guia. Desde a decoração com “abóbadas grandiosas como uma catedral gótica”, ao “piso de madeira escura, painéis de parede e móveis que conferem aconchego e requinte ao ambiente”, o Guia Michelin salienta a criativa fusão culinária com ponto de partida nos sabores da Tailândia.
Entre os pratos do Nok Song que merecem especial atenção, destaque para a salada picante de camarão cru, o caril vermelho de palmito com pescoço de porco ibérico da Espanha, e para sobremesa o soufflé de manga em forma de panqueca enrolada.
O responsável destacou ainda a variedade de cozinhas presentes entre os novos premiados, incluindo clássicos cantoneses, pizza, Chiu Chow, tailandesa, do sudeste asiático e portuguesa.
A divulgação completa da selecção de restaurantes do Guia Michelin Hong Kong e Macau 2026 está marcada para 19 de Março.

Taichung | Arguidos de caso de explosão dizem-se inocentes

Cinco dos 13 arguidos do caso da explosão num centro comercial em Taichung, que causou a morte a três residentes de Macau, declararam-se inocentes. O acidente vitimou cinco pessoas, causou 38 feridos e os arguidos estão indiciados por crimes de homicídio por negligência.
De acordo com o jornal Liberty Times, na sessão de quarta-feira do julgamento, a defesa vincou que os arguidos cumpriram as suas obrigações e seguiram as orientações de segurança recomendadas.
A explosão aconteceu a 13 de Fevereiro, no 12.º andar do Centro Comercial Shin Kong Mitsukoshi, onde o espaço de restauração estava a ser renovado. Os residentes de Macau atingidos pela tragédia, todos da mesma família, não estavam no interior do edifício, mas passavam na rua, onde foram atingidos pelos estilhaços da explosão.
Segundo os factos que constam na acusação, o proprietário da área de restauração não fez qualquer pedido de licença para realizar as obras, nem apresentou um plano de segurança especial contra incêndios, antes de começar os trabalhos. Além disso, a acusação aponta que antes do início das obras, as condutas do gás não foram fechadas correctamente, o que terá originado a fuga, que depois levou à explosão. Também os detectores de fugas de gás foram removidos durante as obras, o que levou a acusação a considerar que quase todo o mecanismo de segurança contra incêndios estava comprometido.

Ruptura de conduta
Na perspectiva da acusação, o acidente aconteceu quando os operários estavam a utilizar uma máquina para remover o tecto e furaram, sem se aperceberem, a conduta principal de gás do edifício, assim como um cano de abastecimento secundário.
A ruptura levou a uma fuga que fez com que no espaço de 35 minutos fossem libertados para a área da restauração 157,5 metros cúbicos de gás. Quando um outro trabalhador utilizou uma cortadora eléctrica, gerou-se a faísca responsável pela explosão.
Na quarta-feira, o tribunal ouviu o empreiteiro e quatro trabalhadores, com todos eles a declararem-se inocentes do crime de homicídio por negligência. Por sua vez, os advogados dos arguidos contestaram a versão da acusação, por entenderem que não está provado que o acidente esteja ligado à actuação dos arguidos durante as obras.
A família de Macau afectada pela tragédia, durante as férias, era composta por sete elementos. Nos momentos logo a seguir à explosão foram declaradas duas mortes, do avô e da avó. No entanto, a filha do casal morreu mais tarde, depois de ter sofrido ferimentos graves e ser transportada para Macau.

Trabalho | Poder do Povo volta a pedir substituição de TNR ao Governo

A antiga Associação Poder do Povo, que mudou o nome para Residentes de Macau Ajudam-se a Si Próprios, entregou ontem uma carta ao Chefe do Executivo a pedir ao Governo de Sam Hou Fai para apostar na formação de quadros qualificados entre os jovens locais. Apesar da mudança de nome, a associação continua a insistir na substituição de trabalhadores não-residentes (TNR).
Na missiva entregue a Sam Hou Fai, o presidente da associação, Lam Weng Ioi, criticou o programa de captação de quadros qualificados por atribuir “centenas” de BIR de Macau por ano, quando existem trabalhadores locais que correspondem aos critérios do programa. O responsável mencionou o programa para a indústria de big health como exemplo da uma medida que não privilegia os locais, que tem como critérios dois anos de experiência profissional na área e formação universitária.
Além disso, o dirigente pediu paciência às empresas, apelando à aposta em residentes recém-licenciados, e criticou a desactualização das políticas de gestão de TNR.

Combustíveis | Preços a aumentar entre 1 e 17 por cento

Na sequência dos bombardeamentos do Irão pelos Estados Unidos e Israel, e das restrições à navegação no estreito de Ormuz, também em Macau o preço dos combustíveis ficou mais caro. Segundo os cálculos feitos pelo HM, com base na informação divulgada pelo Conselho dos Consumidores (CC), que não é actualizada de forma regular, os preços cresceram entre 1 e 17 por cento.
O maior aumento aconteceu ao nível da gasolina premium, nos postos de abastecimento da marca Shell. No dia 4 de Março, o litro de gasolina premium custava 15,42 patacas, mas subiu para 17,69 patacas, ao dia de ontem, uma diferença de 2,27 patacas por litro, ou 16,69 por cento. Em relação à outra operadora presente neste segmento do mercado de gasolina, a Esso, no dia 4 de Março o preço por litro era de 16,90 patacas, que aumentou para 17,10 patacas, ao dia de ontem, um crescimento de 29 avos ou de 1,1 por cento.
No mercado de gasolina sem chumbo, os preços ficaram mais caros entre 1,3 por cento e 6,3 por cento. Os clientes da Nam Kwong sentiram o maior crescimento, tendo em conta uma comparação que começa a 28 de Fevereiro. Nesse dia, a gasolineira vendia o litro de gasolina sem chumbo por 14,20 patacas. No entanto, na quarta-feira, o litro da gasolina era vendido a 15,03 patacas, mais 89 avos, uma subida de 6,3 por cento. A marca tem dos preços mais baratos do mercado.
Em relação à Caltex, existe um preço diferente no posto de combustível da Estrada Marques Esparteiro, mais barato, face aos restantes. No primeiro caso, houve um aumento de 4,4 por cento do preço, de 14,06 patacas por litro, a 3 de Março, para 14,68 patacas, no dia de ontem, uma diferença de 62 avos. Nos restantes postos, o aumento foi de 5,6 por cento (85 avos), de 15,24 patacas por litro para 16,09 patacas por litro.
Na Esso, a gasolina ficou 1,3 por cento mais cara, dado que a 4 de Março era vendida a 15,30 patacas por litro, e no dia 11 era comercializada a 15,50 patacas, um aumento de 20 avos por litro. Na Shell, o aumento foi de 5,6 por cento (85 avos), de 15,24 patacas por litro, a 3 de Março, para 16,09 patacas por litro, a 11 de Março. Também a Total teve um aumento do preço de 5,6 por cento de 15,14 patacas por litro para 15,99 patacas por litro, um aumento 85 avos por litro.

Diesel mais caro
Em relação ao gasóleo, os aumentos para os consumidores variaram entre 2,4 por cento e 6,8 por cento. A Nam Kwong apresentou o maior preço para os clientes, com o litro a subir para 16,94 patacas, na quarta-feira, quando no dia 28 de Fevereiro era comercializado por 15,68, um aumento de 1,26 patacas por litro (6,8 por cento).
Estes aumentos foram acompanhados de perto pela Caltex e Shell, com o preço do diesel a subir 6,7 por cento. No caso da Caltex, a maioria dos preços aumentou 6,7 por cento para 17,89 patacas por litro, a 11 de Março, quando a 3 de Março custava 16,76 por cento, com o preço do litro a ficar 1,13 patacas mais caro. A excepção foi o posto de abastecimento da Estrada Marques Esparteiro, onde o preço subiu 5,6 por cento, de 15,41 patacas por litro para 16,28 patacas (mais 87 avos). Na Shell os preços cresceram de 16,76 patacas por litro, a 11 de Março, para 17,89 patacas, uma diferença de 1,13 patacas por litro.
Na Total o preço do diesel subiu 4,8 por cento, de 16,61 patacas por litro para 17,40 patacas, uma diferença de 79 avos.
A Esso apresentou o menor crescimento, o que não significa que pratique os preços mais baratos. A 4 de Março, a gasolineira cobrava 16,60 patacas por litro, mas na quarta-feira o preço estava nas 17,10 patacas uma diferença de 2,4 por cento, ou 50 avos.

Empresário propõe Macau como ‘hub’ da moeda chinesa para países lusófonos e hispanófonos

Um delegado de Macau no maior órgão consultivo da China propôs transformar o território numa plataforma financeira de ligação entre a China e os países lusófonos e hispanófonos, com medidas “para impulsionar a internacionalização do yuan chinês”.
O objectivo é “estabelecer gradualmente em Macau um centro de fixação de preços offshore do yuan chinês face às principais moedas da América Latina”, afirmou o empresário Lao Ngai Leong, num discurso na Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC), em Pequim.
Lao esteve presente na capital chinesa nas “Duas Sessões”, o maior evento político anual do país e em que se reúnem simultaneamente a Assembleia Popular Nacional (APN) e a CCPPC em Pequim.
A iniciativa proposta por Lao visa reduzir a dependência das empresas de Macau em relação ao dólar norte-americano e mitigar os riscos cambiais associados, de acordo com o delegado.
“Devemos apoiar as instituições financeiras de Macau para gerarem mercado para estas moedas, concedendo-lhes o necessário apoio de liquidez e benefícios fiscais”, defendeu ainda Lao Ngai Leong, propondo “estabelecer acordos directos de compensação com os bancos centrais do México, Chile, Argentina e Peru, os principais parceiros comerciais da China na América Latina”.
O delegado propôs ainda a criação de um centro de compensação de yuan chinês para os países de língua portuguesa e espanhola na Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin.
A China definiu Macau como plataforma para o reforço da cooperação económica e comercial com os países de língua portuguesa, no entanto, esse âmbito tem vindo a ser alargado para os países de língua espanhola nos últimos anos.
O Governo Central chinês estabeleceu a Zona de Cooperação Aprofundada, adjacente a Macau, para diversificar a economia do território, com foco em tecnologia, finanças e turismo.
“Este centro deve ter acesso prioritário ao Sistema Transfronteiriço de Pagamentos Interbancários e explorar ligações técnicas com sistemas locais de compensação na América Latina, como o PIX do Brasil e o SPEI do México”, referiu o empresário.

Aposta nas infra-estruturas
Em relação às infra-estruturas financeiras, Lao defendeu “uma melhoria dos mecanismos de interconexão” para tornar Macau “mais atractivo para o capital estrangeiro”, utilizando a ligação directa existente entre a Central de Depósito e Liquidação de Valores Mobiliários de Macau e a Unidade Central de Mercados Monetários de Hong Kong para emitir obrigações na moeda chinesa.
“Esta iniciativa visa atraí-los [investidores estrangeiros] para investir em activos continentais de alta qualidade através do mercado de Macau, diversificando assim os canais para a repatriação do yuan chinês”, explicou.
Lao citou dados que mostram que as trocas comerciais da China com os países de língua portuguesa atingiram 225,8 mil milhões de yuan em 2025.
O comércio com a América Latina foi ainda mais substancial, ultrapassando os 518,5 mil milhões de yuan em 2024, prevendo-se um crescimento contínuo para 2025. “A China tornou-se o segundo maior parceiro comercial da América Latina e um dos principais mercados de crescimento”, sublinhou.

Economia | Hengqin quer atrair lojas centenárias de Macau

As autoridades de Hengqin querem atrair as lojas centenárias e com características de Macau para a Ilha da Montanha. Para tal, lançaram apoios como a entrega de um subsídio de 300 mil renminbis. As medidas foram divulgadas na quarta-feira, durante uma apresentação das novas políticas de apoio à economia, que decorreu no Centro de Convenções e Exposições IFC de Hengqin.
O evento de quarta-feira visou informar a audiência sobre os benefícios para a economia dos novos apoios, que começaram a ser distribuídos no início do mês e se vão prolongar até ao final de 2029. Também como parte das medidas, consta a intenção de promover uma integração mais profunda entre Hengqin e Macau.
É neste contexto que surgem os apoios para atrair para a Ilha da Montanha as lojas em Macau classificadas pelo Governo da RAEM como “Marca Centenária”, “Marca Típica de Macau” ou “Lojas com Características Especializadas e Delicadas”. Segundo o Executivo, que atribui as distinções, as marcas centenárias são as que têm “um legado histórico centenário, uma base cultural profunda e distintiva e possuem técnicas únicas”. As marcas típicas têm “uma longa história” ou “produtos, técnicas ou serviços herdados e transmitidos de geração-em-geração”. Finalmente, a classificação das Lojas com Características Especializadas e Delicadas distingue as lojas com “boa qualidade e integridade” que obtêm “uma reputação favorável”.
De acordo com as novas medidas aplicadas em Hengqin, se as subsidiárias destas lojas se estabelecerem no território e cumprirem os requisitos do programa, depois de operarem durante um ano têm direito a um apoio financeiro de 300 mil renminbis, pago de uma vez.
As medidas de apoio visam também a economia de baixa altitude, como a distribuição de drones, passeios turísticos de helicóptero e espectáculos de drones.

Tudo orquestrado
Segundo o comunicado da Direcção dos Serviços de Desenvolvimento Económico da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin, o chefe da Divisão de Cultura, Turismo, Convenções e Exposições e Comércio, Lam In Kit, destacou que as medidas estão alinhadas com os objectivos da segunda fase de desenvolvimento da zona de cooperação, que passa por uma melhor integração de Hengqin e Macau.
O responsável apontou que as medidas constituem um sistema de apoios de “modernização industrial, diversificação negocial e actualização dos serviços”, que assim vai abranger mais pessoas e empresas, na esperança de que se injecte uma nova dinâmica na transformação de Hengqin numa Ilha Internacional de Turismo e Lazer e numa zona turística com classe mundial.
Durante a apresentação das medidas, foi também anunciado que o acesso aos apoios para as Pequenas e Médias Empresas vão ser facilitados. No caso das PME com volumes de negócios de 300 mil a um milhão de renminbi, haverá um pagamento de um apoio no valor de 5 por cento do volume de negócios, que não pode ser superior a 50 mil renminbis. Se o volume de negócios ultrapassar um milhão de renminbis, as empresas podem obter um bónus de dez por cento do volume, limitado a um máximo de 100 mil renminbis.

A Geopolítica do Ponto de Ignição

(Continuação da edição de 5 de Março)

Ao mesmo tempo, Israel enfrentava pressões internas e externas para agir. A possibilidade de um Irão nuclear era vista como uma ameaça intolerável, e sectores do establishment de defesa argumentavam que a inacção poderia resultar numa mudança irreversível no equilíbrio de poder regional. Os Estados Unidos, embora relutantes em envolverse num novo conflito no Médio Oriente, estavam vinculados a compromissos de segurança que tornavam difícil permanecerem à margem caso Israel fosse alvo de ataques significativos.

Assim, a 28 de Fevereiro, o sistema regional encontravase numa situação de instabilidade crítica. A dissuasão estava fragilizada, os canais diplomáticos encontravamse bloqueados e a margem para erros de cálculo era mínima. A partir deste ponto, qualquer incidente como um ataque de um proxy, erro de interpretação ou movimento militar mal calculado poderia desencadear uma escalada rápida e potencialmente devastadora.

Após 28 de Fevereiro, o Médio Oriente entrou numa nova fase de incerteza depois da morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, num ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel. Na madrugada desse dia, uma vaga de bombardeamentos aéreos de grande escala atingiu alvos militares e governamentais em Teerão e noutras zonas estratégicas do país. Entre os alvos encontravase o complexo onde Khamenei trabalhava e residia; foi aí que, segundo a confirmação posterior da Casa Branca e de responsáveis israelitas, o líder de 86 anos foi morto, juntamente com altos responsáveis dos Guardas da Revolução e membros próximos da sua família.

Durante algumas horas, o silêncio oficial iraniano alimentou rumores e contrainformação. A confirmação formal chegou através dos meios de comunicação estatais iranianos, que anunciaram que o “Líder da Revolução Islâmica” tinha sido “martirizado” no ataque da “América e do regime sionista” na manhã de sábado, 28 de Fevereiro. Foi decretado um luto nacional de 40 dias, acompanhado de vários feriados públicos, enquanto a Constituição iraniana previa que um conselho composto pelo Presidente, o chefe do poder judicial e um membro do Conselho dos Guardiães assumisse provisoriamente as funções de liderança, na ausência de um sucessor designado.

A notícia da morte de Khamenei desencadeou reacções profundamente contrastantes dentro e fora do Irão. Em várias cidades iranianas, sobretudo em Teerão, registaramse manifestações de luto, com pessoas vestidas de negro a concentraremse em praças centrais, chorando e entoando slogans religiosos e políticos. Ao mesmo tempo, noutras zonas urbanas, sobretudo em bairros com histórico de contestação ao regime, ouviramse buzinas, música alta e até fogodeartifício, numa celebração espontânea do fim de um líder associado a décadas de repressão.

A diáspora iraniana, espalhada por capitais ocidentais, também reagiu de forma intensa. Em Londres, Frankfurt, Toronto e outras cidades, milhares de iranianos e apoiantes juntaramse em manifestações que misturavam alívio, euforia e um sentimento de fim de era. Vídeos partilhados nas redes sociais mostravam multidões a dançar, a gritar slogans contra o regime e a celebrar o que muitos descreviam como a primeira oportunidade em décadas para imaginar um futuro político diferente para o Irão.

Em paralelo, o aparelho de Estado iraniano procurou projectar uma imagem de continuidade e resistência. As forças armadas e os Guardas da Revolução lançaram mísseis e drones contra alvos em Israel e contra bases americanas na região, numa resposta que, embora significativa, parecia calibrada para mostrar capacidade de retaliação sem escalar imediatamente para uma guerra total. Israel e os Estados Unidos, por seu lado, mantiveram operações militares “pesadas e cirúrgicas”, segundo declarações de responsáveis americanos, insistindo que os ataques continuariam enquanto considerassem que a infraestrutura militar iraniana representava uma ameaça.

Nos dias seguintes, até ao presente, o debate internacional centrase em duas questões; a primeira, de quem sucederá a Khamenei e a segunda, de como a sua morte reconfigurará o equilíbrio de forças no Médio Oriente. É de recordar o percurso do líder, desde a sua participação na Revolução de 1979, passando pela presidência durante a guerra IrãoIraque, até às décadas em que consolidou um sistema teocrático fortemente securitário, apoiado numa vasta rede de milícias e aliados regionais.

Ao mesmo tempo, voltaram a circular excertos de discursos recentes de Khamenei, incluindo uma intervenção de Fevereiro em que descrevia os Estados Unidos como um império em declínio e insistia na necessidade de o Irão manter “armas dissuasoras” capazes de afundar navios de guerra americanos. Nessa mesma intervenção, terá dito que o seu corpo “valia pouco” e que, mesmo que o matassem, a verdadeira perda só ocorreria se os iranianos abandonassem os princípios da revolução. Essas palavras, reinterpretadas à luz da sua morte, foram usadas tanto por apoiantes, que as leram como um testamento político, como por opositores, que as viram como o último eco de uma era que chegou ao fim sob fogo estrangeiro.

No plano interno, o regime procurou controlar a narrativa. A censura intensificouse, o acesso à internet foi restringido em várias regiões e as forças de segurança foram mobilizadas para prevenir grandes concentrações não autorizadas. Ainda assim, vídeos de celebrações e de pequenos protestos continuaram a surgir, sinalizando uma sociedade profundamente dividida entre lealdade ideológica, medo do caos e desejo de mudança. Em simultâneo, começaram a surgir rumores sobre possíveis equilíbrios de poder entre facções conservadoras, Guardas da Revolução e clérigos de alto escalão, todos conscientes de que a escolha do próximo líder definirá o rumo do país por décadas.

No exterior, governos e organizações internacionais reagiram com uma mistura de prudência e preocupação. Alguns países sublinharam o risco de uma escalada regional, dado o papel central do Irão em conflitos na Síria, Líbano, Iraque e Iémen. Outros viram na morte de Khamenei uma oportunidade para reabrir canais diplomáticos, na esperança de que uma nova liderança pudesse estar mais aberta a compromissos sobre o programa nuclear e sobre a política regional. Ao mesmo tempo, a possibilidade de um vácuo de poder prolongado, com lutas internas entre elites iranianas, foi identificada como um cenário que poderia aumentar a instabilidade, alimentar fluxos de refugiados e criar espaço para actores extremistas.

Quanto ao futuro, é provável que os próximos meses sejam marcados por três dinâmicas principais. Em primeiro lugar, uma disputa silenciosa, mas intensa, dentro do sistema iraniano, em torno da sucessão, em que os Guardas da Revolução procurarão garantir que qualquer novo líder preserve os seus interesses e a sua autonomia, enquanto sectores clericais poderão tentar recuperar algum primado religioso sobre o aparelho militar. Em segundo lugar, a sociedade iraniana, especialmente as gerações mais jovens, continuará a testar os limites do regime, alternando entre momentos de mobilização e períodos de retraimento, consoante a repressão e as oportunidades políticas. Em terceiro lugar, a relação com o exterior será marcada por um equilíbrio delicado entre confrontação e negociação, pois o Irão dificilmente abandonará a sua postura de resistência face aos Estados Unidos e a Israel, mas poderá, por necessidade económica e política, explorar vias de desanuviamento parcial com a Europa, com países vizinhos e com potências como a China e a Rússia.

É também plausível que, a curto prazo, se mantenha um nível elevado de tensão militar na região. Milícias aliadas ao Irão, como o Hezbollah no Líbano ou grupos xiitas no Iraque, poderão intensificar ataques de baixa intensidade para mostrar que a “rede de resistência” permanece activa, mesmo sem Khamenei. Israel e os Estados Unidos, por seu lado, continuarão vigilantes e dispostos a responder com força a qualquer acção que considerem uma ameaça directa. No entanto, todos os actores sabem que uma guerra aberta e prolongada teria custos incalculáveis, o que pode funcionar como travão a uma escalada descontrolada.

No horizonte mais longo, a morte de Ali Khamenei será provavelmente lembrada como um ponto de inflexão e o fim de uma liderança que moldou a identidade política do Irão pósrevolucionário, e a abertura de um período em que nada está garantido nem a continuidade rígida do sistema actual, nem uma transição rápida para um modelo mais plural. Entre o luto oficial, as celebrações nas ruas e o silêncio tenso dos corredores do poder, o país encontrase, nestes primeiros dias de Março de 2026, suspenso entre o passado que se fechou sob bombas e um futuro ainda por escrever.

A evolução da guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irão, bem como o impacto dos ataques iranianos sobre vários países árabes, revela um conflito que se tem alargado rapidamente e que provocou perturbações profundas na segurança regional, na aviação e no comércio internacional. Os Estados Unidos e Israel têm concentrado esforços em destruir a capacidade militar iraniana, atingindo centros de comando, infraestruturas dos Guardas da Revolução e projectos ligados a mísseis e operações navais. O Presidente americano admitiu que a operação poderá prolongarse por semanas, justificandoa com a necessidade de eliminar ameaças, travar o apoio iraniano a grupos armados e impedir avanços no programa nuclear. Israel, por seu lado, intensificou ataques a Teerão e a instalações estratégicas, garantindo que continuará a atingir centros de decisão iranianos. Em resposta, o Irão lançou mísseis e drones contra Israel, bases americanas e vários países árabes, afirmando agir em legítima defesa e prometendo punir qualquer agressão ao seu território.

A expansão do conflito tornouse evidente quando ataques iranianos atingiram pelo menos oito países árabes como o Bahrain, Kuwait, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Jordânia, Iraque e Omã provocando danos em aeroportos e infraestruturas civis, especialmente em Dubai, Abu Dhabi, Bahrain e Kuwait, onde terminais foram danificados e voos cancelados. O encerramento do espaço aéreo em vários destes países gerou milhares de cancelamentos e perturbações no tráfego internacional. Paralelamente, o Irão fechou o Estreito de Ormuz, por onde circula uma parte significativa do petróleo mundial, aumentando o risco de uma subida acentuada dos preços do crude e expondo a vulnerabilidade económica global. Estes ataques revelam a intenção iraniana de elevar o custo regional da ofensiva americana e israelita, atingindo não apenas alvos militares, mas também centros económicos estratégicos do Golfo.

A comunidade internacional reagiu com preocupação crescente. A União Europeia, a ONU e diversos governos alertaram para o risco de uma guerra prolongada com consequências imprevisíveis para o Médio Oriente e para a economia global. O SecretárioGeral da ONU apelou a um cessarfogo imediato, sublinhando que a escalada ameaça a estabilidade internacional. Os países árabes, embora críticos da agressividade iraniana, receiam ser arrastados para um conflito que não controlam. Alguns, como o Qatar, condenaram abertamente a escalada, enquanto outros reforçam medidas de segurança e procuram vias diplomáticas para evitar um envolvimento directo.

Quanto ao futuro, três cenários principais parecem plausíveis. O mais provável, a curto prazo, é o de uma escalada prolongada, com o Irão a manter ataques para preservar credibilidade e dissuasão, enquanto os Estados Unidos e Israel intensificam operações para degradar a capacidade militar iraniana. Neste cenário, os países árabes vizinhos continuarão vulneráveis a ataques indirectos, mesmo sem participarem activamente na guerra.

Um segundo cenário, menos explosivo, aponta para um conflito controlado mas sem resolução, marcado por ciclos de ataques e contraataques, em que o Irão poderia optar por respostas calibradas para evitar destruição total, enquanto os Estados Unidos poderiam reduzir operações após declararem objectivos cumpridos, mantendo ainda assim pressão militar e económica.

Um terceiro cenário, menos provável a curto prazo, envolve pressão diplomática suficiente para conduzir a um cessarfogo, algo que poderia ocorrer se o impacto económico global sobretudo no mercado petrolífero se tornar insustentável, ou se potências como a China, a Rússia e países europeus intensificarem esforços de mediação, ou ainda se o Irão enfrentar dificuldades internas que limitem a sua capacidade de manter o conflito.

Para os países árabes vizinhos, as consequências são evidentes como a instabilidade interna alimentada pelo receio de novos ataques; impacto económico severo nos sectores da aviação, turismo e energia; pressão crescente para escolherem lados num conflito que prefeririam evitar; e o risco de envolvimento militar involuntário caso novos ataques provoquem baixas significativas ou danos críticos. A região encontrase, assim, num equilíbrio frágil, onde cada novo ataque pode alterar o rumo da guerra e ampliar ainda mais o seu alcance.

Concerto | Kiri T em estreia ao vivo no sábado no Broadway Theatre

O Broadway Theatre será o primeiro palco de Macau em que Kiri T vai actuar. O concerto de estreia está marcado para sábado e a cantora, uma das principais vozes da nova geração de artistas de Hong Kong, promete criar uma atmosfera intimista e de libertação de amarras de timidez

 

Uma das mais interessantes vozes da nova geração de cantores de Hong Kong estreia-se no sábado em Macau. O primeiro concerto de Kiri T no território está marcado para o Broadway Theatre às 20h. Ontem ainda havia bilhetes para os lugares mais afastados do palco, que podem ser comprados na bilheteira online por 680 patacas.

O concerto, intitulado “Olá, introvertido” marca a toada da atmosfera que a artista quer criar no Broadway Theatre: um santuário e “local intimista de refúgio emocional, onde os introvertidos podem libertar-se, conectar-se e curar-se em liberdade através da música”, descreve a organização do espectáculo da artista de Hong Kong.

Desde que surgiu na cena musical da região vizinha, Kiri T (Kiri Tse Hiu Ying), foi conquistando fãs dedicados, apesar da forma errante como salta de géneros musicais a cada registo discográfico, passando do tradicional cantopop para sonoridades indie mais intimistas, ou mais expansivas de rock emo, com desvios cheios de alma R&B adentro ou incursões pela música electrónica. A capacidade para se transformar conferiu a Kiri T a reputação de uma artista com uma visão e expressividade artística em expansão.

“Fluente em cantonês, inglês e mandarim, a cantora transita com facilidade entre os idiomas, combinando um controlo vocal refinado com sinceridade emocional para criar músicas que ressoam profundamente”, descreve a organização.

Apesar do frenesim criativo, Kiri T criou uma persona introvertida focada na escrita de canções que se assemelham a diários emocionais, com reflexões tranquilas e honestas sobre o amor e a vida quotidiana, oferecendo momentos de reconhecimento e conforto em baladas sussurradas.

 

A gentileza dos milhões

Um fenómeno de popularidade, Kiri T acumula milhões de streams em plataformas como o Spotify ou YouTube. Por exemplo, o videoclip da música “You Gotta Screw Up At Least Once”, lançado em há cerca de dois anos, já ultrapassou as 11 milhões de visualizações no YouTube e 15 milhões de streams no Spotify.

No perfil de Spotify, Kiri T refere que cresceu entre Hong Kong, Reino Unido e Estados Unidos. “Adoro belas melodias, instrumentações exuberantes e letras que cortem fundo. Sofro e uma insana ansiedade, mas cachorrinhos tornam tudo melhor.” É assim que a cantora se descreve.

A carreira de Kiri T começou muito cedo. Aos 14 anos já compunha músicas para a diva do cantopop Joey Yung. Antes de chegar aos 20 anos, e com algumas músicas escritas, Kiri T assinava com a editora Goomusic, de Denise Ho. Em 2015, lançou o primeiro single em nome próprio “Twenty-Something”, que acabou por ser remisturado por Lucian ultrapassando 7 milhões de streams no Spotify. Esta exposição acendeu o rastilho que fez explodir a carreira da jovem artista.

Entre singles lançados em inglês ou cantonês, em 2019 foi lançado o disco de estreia de Kiri T “Golden Kiri”, o primeiro de três discos em dois anos.

Em 2022, a cantora ganhou os prémios de melhora cantora e melhor música nos Whats Good Music Awards, com o reconhecimento a ser alargado a outros prêmios de música.

João Luz

Prisão | Guarda aceitava subornos para deixar entrar bens

O principal visado pela investigação do CCAC terá recebido “pelo menos” 17 mil patacas para deixar entrar produtos na prisão, que depois eram vendidos por um recluso, que lucrava com o esquema

 

O Comissariado contra a Corrupção (CCAC) anunciou ter descoberto o caso de um guarda prisional da Direcção dos Serviços Correccionais (DSC) que aceitava subornos para ajudar um recluso a “contrabandear produtos para o estabelecimento prisional”. A investigação focou também um outro guarda prisional, que está actualmente aposentado.

“Na sequência da investigação, o CCAC verificou que o guarda prisional no activo terá aproveitado as suas funções para ajudar um recluso a contrabandear produtos para a zona prisional”, foi divulgado.

Quando os bens chegavam ao recluso, este fazia a venda no interior da prisão para lucrar com a ilegalidade. “O recluso em causa pagou, através da sua esposa, ao guarda prisional um valor de pelo menos 17 mil patacas como contrapartida pela sua ajuda”, foi explicado.

Este guarda prisional é suspeito da prática dos crimes de corrupção passiva para acto ilícito, que tem uma pena que pode chegar aos oito anos de prisão, e do crime de falsificação de documento, cuja penalização pode chegar aos três anos de prisão.

A investigação não se ficou pelo suborno nem pelo contrabando no interior da prisão. As autoridades também anunciaram que o guarda prisional “já tinha cometido, por duas vezes, infracções por excesso de velocidade”. No entanto, foi descoberto que o guarda, “para se eximir das responsabilidades”, “terá recorrido a um membro da família e a um amigo para assumirem a culpa”.

Os familiares e o amigo, que segundo a investigação foram utilizados como bodes expiatórios, são suspeitos da prática do crime de falsificação de documento, cuja pena pode chegar ao três ano de prisão.

 

Outro envolvido

Em relação ao segundo guarda prisional investigado, que agora se encontra aposentado, foi indicado que “terá prestado auxílio, durante a altura de exercício das suas funções, a um outro recluso no contrabando de produtos para o estabelecimento prisional”.

Este guarda prisional foi ainda investigado por ter “ajudado” o recluso “a trocar mensagens, secretamente e por várias vezes, com a sua família”.

Face à investigação, o aposentado é suspeito da prática do crime de abuso de poder, punido com pena de prisão que pode chegar aos três anos.

Segundo o CCAC, os casos foram encaminhados para o Ministério Público e comunicados à DSC.

Em reacção à investigação, a DSC declarou estar “profundamente triste pelo facto de alguns guardas prisionais terem conscientemente infringido a lei e violado os seus deveres, prejudicando gravemente a reputação da polícia prisional”. A DSC indicou ainda que “leva este assunto muito a sério e cooperará plenamente com as autoridades judiciais na investigação criminal”. “A DSC reitera que tem tolerância zero para quaisquer violações ilegais ou disciplinares por parte de qualquer membro do pessoal e que irá lidar com elas de forma séria, de acordo com a lei, a fim de defender o primado da lei e manter a reputação e credibilidade do serviço correccional”, foi acrescentado.

Economia | Pedido regresso de cupões de consumo

A Associação Industrial e Comercial de Macau defende uma economia híbrida, com períodos em que as PME vivem com base no aumento de turistas, nas épocas altas, e nos apoios ao consumo, durante as épocas baixas

 

Face à redução do número de turistas em Macau, no pós-Ano Novo Lunar, o presidente executivo da Associação Industrial e Comercial de Macau, Ng Wah Wai, defendeu mais medidas de incentivo ao consumo interno, como os cupões de desconto. A posição de Ng foi partilhada em declarações citadas pelo jornal Ou Mun.

Segundo a Associação Industrial e Comercial de Macau, os cupões de desconto são uma forma eficiente de promover a economia durante os períodos em que há menos turistas no território. Ng defendeu uma economia híbrida, com períodos em que as Pequenas e Médias Empresas (PME) conseguem viver apenas com as receitas adicionais dos turistas, durante as épocas altas, e outros em que face à redução dos visitantes, as PME recebem a ajuda dos cupões de consumo.

Ng Wah Wai avisou igualmente que o número de visitantes em Macau vai continuar a diminuir gradualmente nos próximos meses, pelo que a distribuição de cupões é vital para impulsionar a economia comunitária, e aliviar as preocupações das PME.

O presidente executivo da Associação Industrial e Comercial de Macau apelou também ao Executivo para que pondere permitir a utilização dos cupões em mais sectores, além da restauração e do retalho, e que aumente o montante directamente atribuído aos idosos.

Novos modelos

A possibilidade de serem distribuídos mais cupões de consumo foi abordada também por Matthew Liu Ting Chi, docente da Faculdade de Gestão de Empresas da Universidade de Macau.

Liu defendeu o programa dos cupões, por considerar que numa perspectiva macroeconómica e microeconómica estas medidas de incentivo ao consumo trazem efectivamente uma nova vitalidade ao mercado.

No entanto, o académico sugeriu que o Executivo pondere alterar o modelo utilizado nas últimas edições de atribuição de cupões. Até agora, este tipo de programas tem funcionado com os cupões a poderem ser obtidos por sorteio, realizado com base no consumo efectuado nos dias de semana. Os cupões podem depois ser utilizados no fim-de-semana imediatamente seguinte ao sorteio, e apenas nesses dias. Liu Ting Chi sugere um novo modelo em que as pessoas só se podem habilitar aos cupões quando consomem ao fim-de-semana, podendo depois utilizar os descontos durante os dias da semana.

O académico pediu também um período mais longo para a utilização dos cupões, além do fim-de-semana imediatamente a seguir à atribuição, para permitir novos padrões de consumo.

Desta forma, o académico da UM acredita que o consumo vai abranger mais sectores, além dos supermercados, farmácias e restaurantes, os sectores mais beneficiados pelas medidas anteriores.

IAM | Calçada portuguesa pode ser de material antiderrapante

A calçada portuguesa fora das zonas históricas pode ser substituída por material antiderrapante, mantendo o padrão e design original, segundo um responsável do Instituto para os Assuntos Municipais. Nas zonas históricas, as autoridades vão manter a calçada, um dos elementos distintivos da cidade

 

A calçada portuguesa pode ser substituída por outro tipo de pavimento, antiderrapante, mas mantendo o mesmo tipo de padrão e estética. A ideia foi avançada ontem por Ng Chi Lun, do Departamento de Vias Públicas e Saneamento do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), durante o programa Fórum Macau do canal chinês da Rádio Macau.

O responsável afirmou que o seu departamento irá continuar a vistoriar e optimizar as calçadas portuguesas nas zonas históricas da cidade, assim como nas zonas tampão, adjacentes a áreas sujeitas a protecção patrimonial.

O tema principal do dia foi a campanha de limpeza da cidade, que irá avançar no fim do mês. Segundo indicou o presidente do IAM, Chao Wai Ieng, a campanha deste ano será mais abrangente do que a do ano passado, e com maior duração. “Lançámos a campanha pela primeira vez no ano passado, com a participação de vários serviços públicos, associações e instituições, no total de cerca de 50 mil pessoas. Montámos pontos de consulta e exposição nos bairros residenciais e elevámos a consciência da população para a manutenção de ambientes urbanos higiénicos e limpos, e para o combate aos ratos”, indicou o presidente do IAM.

Chegar mais longe

Chao Wai Ieng afirmou também que este ano o IAM pretende reforçar a frequência de acções de limpeza em edifícios sem assembleia de condóminos, organização de moradores ou uma empresa que tome conta da administração.

O lixo foi no ano passado a causa da larga maioria das queixas recebidas pelo Grupo de Trabalho de Embelezamento e Limpeza da Cidade, que deu seguimento a 7.489 denúncias relativas a higiene e beleza das ruas. Destes quase 7.500 casos, cerca de 97 por cento foram resolvidos.

Também no ano passado, o IAM puniu cerca de 15 mil infrações por motivos higiénicos, mais de metade relacionados com acumulação de lixo nas vias públicas. Quanto às infracções cometidas por turistas, as mais frequentes foram deitar lixo no chão ou cuspir.

O chefe do Departamento de Higiene Ambiental e Licenciamento do IAM, em resposta a um ouvinte, afirmou que o Parque Central da Taipa se destaca como um dos locais alvo de mais queixas devido à presença de fezes de cão.

Shuttle Bus | Governo diz que pediu mais serviços às operadoras

Após a polémica com a falta de alternativas para assegurar os serviços shuttles dos condomínios, o Governo defende-se e indica que pediu às operadoras de autocarros públicos para disponibilizarem mais viaturas

 

Em relação às dificuldades dos edifícios residenciais em disponibilizarem serviços de shuttle, o Governo indica que pediu às operadoras de transportes públicos para disponibilizarem mais autocarros. As explicações surgem numa resposta a uma interpelação do deputado Chan Hao Weng, que vem assinada por Chan U Tong, director dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL).

As dificuldades de contratação de serviços de autocarros pelos condomínios dos grandes complexos habitacionais tornaram-se uma preocupação dos deputados, com a entrada em vigor da lei da actividade das agências de viagens e da profissão de guia turístico, onde consta a proibição das agências de viagem disponibilizarem este tipo de serviço de transporte.

Agora o Governo vem dizer que pediu às operadoras dos autocarros públicos para disponibilizarem mais autocarros. “O Governo da RAEM, através de coordenação interdepartamental, promoveu junto das duas operadoras de autocarros o aluguer dos seus ‘veículos não operacionais’ para a prestação de serviços de transporte, com vista a dar resposta às necessidades de deslocação dos moradores dos complexos habitacionais em causa”, foi indicado.

Ao mesmo tempo, o Governo defendeu que pediu mais autocarros a circular junto dos edifícios: “A DSAT solicitou ainda às operadoras de autocarros que reforçassem a atenção à situação de espera nas paragens na envolvente dos complexos, aumentando atempadamente a frequência dos serviços para melhor escoar o fluxo de passageiros”, foi acrescentado.

Apesar da resposta, em que o director da DSAL cita a posição da DSAT, a questão do aumento dos custos do transporte não é abordada pelos governantes.

Proibição anterior

Quanto à proibição dos autocarros das agências de viagem serem contratados para este serviço de shuttle, o Governo insiste que a medida estava em vigor, ainda antes da nova lei, apesar da prática generalizada.

“Entre 2015 e 2025, registaram-se mais de 140 procedimentos instaurados contra as agências de viagens que violaram as normas relativas ao uso de veículos, incluindo a prestação ilegal de autocarros de turismo como autocarros para trabalhadores ou como autocarros de ligação para os complexos habitacionais”, foi indicado.

Os números apresentados representam uma média de 12,7 “procedimentos instaurados” por ano. “Enquanto entidade fiscalizadora, a DST tem supervisionado, nos termos da lei, a actividade das agências de viagens, e desde que se verifique a prestação ilegal de serviços por parte das agências de viagens, será instaurado o respectivo procedimento”, foi frisado.

O sexo e o amor no fim do mundo

Uma das coisas que mais prazer me dá em escrever sobre sexo é que nos transporta para um universo de curiosidade e conexão sócio-cutural. É uma atividade séria e divertida, nem que seja para ver aquela cara trancada ficar ainda corada e desconfortável porque há menção a vulvas e pénis. O sexo tem essa qualidade: o seu secretismo torna a sua exposição sedutora. É um território cheio de minas, mas que só podemos evitá-las se a dançarmos aos pulos.

Mas o mundo parece mais sombrio a cada dia que passa, e nem sei como me conectar com essa leveza. Já escrevi aqui várias vezes sobre acontecimentos da actualidade que me pareceram relevantes para discutir a temática da sexualidade. Sobre o estado dos direitos humanos, sobre o sexo como arma de violência, sobre a misoginia e desinformação como uma praga que nos afronta. Sobre os rapazes adolescentes que têm o desejo de matar raparigas, sobre as pessoas que são violadas e violentadas em Gaza, sobre as mulheres e homens que resistem às guerras neste mundo, sobre as mulheres que não conseguem acesso a um aborto seguro, nem quando disso depende a sua vida. Sobre a homofobia, a bifobia e a transfobia que está viva.

Vivemos tempos tão esquisitos que custa pensar no sexo como algo divertido. Nem sei se temos o direito de nos divertir quando parece estarmos à beira de uma terceira guerra mundial.

Ou talvez este seja o momento certo.

Talvez a melhor forma de resistência seja pensar no prazer e na conexão quando tudo se desfaz diante dos nossos olhos. Eu escolho pensar ainda sobre sexo porque talvez o Freud tivesse razão. A pulsão sexual é a pulsão de vida – confusa e desorganizadora, mas com vitalidade e desejo. E diante da catástrofe, é no sexo que vejo um porto seguro. Fisiologicamente o acto sexual transporta para esse lugar de intimidade e conexão profundas. O contacto íntimo activa sistemas neuroquímicos associados à segurança e à vinculação. A libertação de oxitocina, endorfinas e dopamina durante a intimidade não é apenas uma questão de prazer; é também uma forma de regulação emocional. Num mundo saturado de ameaça, o corpo humano procura experiências que restabeleçam a sensação de segurança.

Também é no sexo – e no amor – que consigo ver propósito identitário e político no caos. O sexo poderá ser contestado e fustigado de formas repreensíveis, mas é no sexo que também está a comunidade, essa coisa maior do que os próprios genitais. Quando bell hooks falava de amor, falava desse sítio que eu considero que o sexo se encontra. Um sítio que não é guiado pela emoção e atração somente, mas por escolhas que são eticamente informadas. Para a autora, amor não é uma experiência individual, mas um ato radical de ética social capaz de transformar as relações e a sociedade. Também Audre Lorde descreveu o erótico como uma forma de poder — não apenas sexual, mas existencial. Para ela, o erótico é aquilo que nos recorda que estamos vivos e que o prazer não precisa de pedir autorização ao mundo para existir. Talvez seja por isso que regimes autoritários sempre tenham tentado controlar a sexualidade: porque corpos que sentem prazer são também corpos que reclamam autonomia.

Por isso, se vos pareço leviana porque as coisas do amor e do sexo sempre pareceram secundárias no grande esquema da vida, é porque não compreendem as minhas prioridades. Estou saturada do conflito e do sofrimento no mundo. Ando sedenta de uma boa notícia, de um desenvolvimento que contrarie o estado das coisas. Mas sabendo que tenho de viver no sítio que não quero ignorar, também me refugio nesta possibilidade de escrever sobre o sexo – como disse, de forma divertida e séria – como ato político de cuidado.

Falar de sexo quando o mundo parece desabar não é necessariamente uma forma de distração. Pode ser exactamente o contrário: talvez seja uma maneira de lembrar que, enquanto houver corpos que procuram intimidade, ainda não desistimos completamente uns dos outros.

Médio Oriente | China diz que está a realizar “mediação activa”

O Governo chinês afirmou ontem que está a desenvolver uma “mediação activa” no conflito no Médio Oriente e que continuará a manter contactos com as partes envolvidas para promover o regresso às negociações.

O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros Guo Jiakun afirmou em conferência de imprensa que a China está “profundamente preocupada” com as tensões e pediu a todas as partes que cessem as operações militares para evitar uma maior escalada do conflito.

Guo lembrou que o chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, manteve contactos recentes com vários homólogos da região para “trocar opiniões em profundidade sobre a situação regional”.

O porta-voz acrescentou que o enviado especial do Governo chinês para o Médio Oriente, Zhai Jun, se encontra actualmente na região a realizar visitas como parte dos esforços de mediação de Pequim, e indicou que as autoridades chinesas informarão “oportunamente” sobre a sua agenda, sem oferecer mais detalhes sobre os objectivos ou o itinerário da missão.

O ministério dos Negócios Estrangeiros chinês informou apenas que Zhai chegou no domingo à Arábia Saudita, onde se reuniu com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Faisal bin Farhan.

Segundo Guo, o tratamento da questão iraniana e de outros assuntos relacionados com o Médio Oriente deve basear-se em princípios como “respeitar a soberania nacional”, “abster-se do abuso da força” e “manter a não ingerência nos assuntos internos”.

O porta-voz acrescentou que a China continuará a manter a comunicação com as partes envolvidas e a reforçar os esforços de mediação para “promover um esfriamento da situação”.

Segurança energética

O responsável acrescentou que a China adoptará as “medidas necessárias” para salvaguardar a sua segurança energética e pediu que sejam garantidos suprimentos de energia “estáveis e fluidos”.

Guo Jiakun referiu que a segurança energética é “crucial para a economia mundial” e afirmou que todos os países têm a responsabilidade de garantir a estabilidade do abastecimento.

As repercussões do conflito no estreito de Ormuz afectam directamente a China, que recebe por essa via cerca de 45 por cento do petróleo que importa do Irão e de vários outros países.

Guo acrescentou que Pequim adoptará medidas para proteger a sua segurança energética, embora não tenha especificado as políticas concretas que o país irá implementar.

O porta-voz sublinhou ainda que o estreito de Ormuz e as águas circundantes são “canais importantes para o comércio internacional de bens e energia”, acrescentando que manter a segurança e a estabilidade nessa zona “responde ao interesse comum da comunidade internacional”.

A China, principal parceiro comercial de Teerão e o seu maior comprador de petróleo, condenou repetidamente os ataques ao Irão por parte dos Estados Unidos e de Israel por “violarem a soberania” do país persa.

Exposição | Aguarelas de Hana Tou Mei Kun no Fantasia 10 até 29 de Abril

A exposição “Aguarelas de Hana Tou Mei Kun”, está em exibição no edifício Fantasia, na Calçada da Igreja de São Lázaro, até ao próximo dia 29 de Abril.

A mostra reúne mais de 30 peças recentes da jovem artista local, “com destaque para paisagens em aguarela, juntamente com esboços e obras em acrílico e pinturas em azulejo”.

De acordo com a curadora Leong Kit Man, as pinturas de Hana Tou Mei Kun “capturam a beleza serena de uma brisa suave e, tal como a pintura, assim é a pintora”. A curadora da mostra descreve a artista como “uma professora de arte empática, gentil e atenciosa, que cultivou inúmeros talentos artísticos jovens”.

Hana Tou Mei Kun foi aluna do artista local Dor Lio Hak Man e prosseguiu estudos em Taiwan, na Universidade Nacional de Chiayi e na Universidade Ming Chuan. Actualmente, é professora de arte

Reflectindo sobre os seus anos de prática, a artista revela que “sempre se sentiu atraída por paisagens em aguarela, com o fluxo rápido e livre das pinceladas a inspirar-lhe grande alegria”, descreve a organização da exposição.

“Aguarelas de Hana Tou Mei Kun” é organizada pela Associação de Arte Jovem de Macau, em colaboração com a Associação Promotora para as Indústrias Criativas na Freguesia de São Lázaro, a 10 Fantasia e a Associação de Comunicação de Professores de Arte de Macau.

A exposição pode ser visitada diariamente, entre as 11h e as 18h, excepto nas segundas-feiras.

 

 

Cinema | Estão abertas até 10 de Abril candidaturas a apoio para curtas

Está aberto o período de candidaturas ao programa de apoio financeiro a produções de curtas-metragens até ao próximo dia 10 de Abril, destinado a residentes portadores de BIR maiores de 18 anos.

O programa tem três categorias: Documentário, Curta-metragem de ficção e Animação, e cada categoria está dividida em três níveis: Avançado, Livre e Iniciados.

O júri do programa será composto por profissionais do sector, convidados pelo Instituto Cultural, que irá seleccionar um máximo de 16 projectos, que vão receber um “montante total até 1,55 milhões de patacas, dependendo da categoria e do nível”. Cada projecto seleccionado poderá receber, individualmente, um valor máximo de 280 mil patacas para custos de produção.

Entre as curtas seleccionadas, o júri seleccionará um máximo de três obras de destaque, cujos participantes terão direito a serviços de planeamento estratégico para festivais de cinema e de promoção comercial internacional, por um ano.

Os interessados podem consultar o regulamento e descarregar o formulário de inscrição no portal do Instituto Cultural. Os formulários e devida documentação têm de ser entregues no Edifício do Instituto Cultural, na Praça do Tap Siac, até às 17h30 de 10 de Abril, ou através de e-mail até às 23h59 do mesmo dia.

O Governo realça que a atribuição deste apoio tem como objectivo “elevar o profissionalismo, a competitividade no mercado e a visibilidade internacional das curtas-metragens seleccionadas. Este ano o programa introduz novas medidas de apoio específico”.

Cultura chinesa | Workshops antecipam fim de temporada de espectáculos

O final da 1.ª Temporada de Espectáculos de Cultura Chinesa aproxima-se. No fim de Março, apresenta-se a peça de teatro dança “Mulan”, e este fim-de-semana arrancam uma série de workshops inspirados na personagem mitológica. Vestuário, artesanato e joalharia serão os temas das oficinas que terão lugar na Casa da Literatura de Macau e na Casa de Lou Kau

 

A partir de sábado, a Casa da Literatura de Macau e a Casa de Lou Kau vão receber três workshops inspirados na lenda milenar de Mulan, em jeito de antecipação para os espectáculos que vão encerrar a 1.ª Temporada de Espectáculos de Cultura Chinesa.

O Workshop “Veste-te e Dança como Mulan” irá possibilitar uma experiência partilhada entre pais e filhos, com idades entre os 4 e 8 anos, vestidos com trajes étnicos de dança chinesa. Esta actividade realiza-se na Casa da Literatura de Macau no sábado, entre as 10h30 e 12h30 e das 15h às 17h, e no domingo, das 15h às 17h.

Já a Casa de Lou Kau, vai acolher dois workshops, um de quilling (desenhos feitos com papel enrolado, fitas de cetim e outros materiais) e modelagem em argila leve, destinados a participantes a partir dos 6 anos de idade.

O “Mulan: Workshop de Filigrana em Papel” está marcado para os dias 14, 21 e 28 de Março, sempre entre as 15h e as 17h, enquanto o “Mulan: Workshop de Criação em Argila Super-leve” terá lugar nos dias 15, 22 e 29 de Março, com o mesmo horário.

O Instituto Cultural (IC) indica que os residentes de Macau interessados ​​podem consultar os detalhes e inscrever-se através da secção “Inscrição em Actividades” da Conta Única de Macau. Caso o número de inscritos exceda a lotação, a selecção dos participantes será feita por sorteio.

O princípio do fim

A 1.ª Temporada de Espectáculos de Cultura Chinesa encerra com a peça de dança teatro “Mulan”, pelo Grupo de Artes e Espectáculos de Ningbo, que subirá ao palco do Grande Auditório do Centro Cultural de Macau nos dias 27 e 28 de Março, às 19h30. A peça, dirigida em conjunto pelas “aclamadas estrelas gémeas da dança chinesa” Zhou Liya e Han Zhen, conquistou vários prémios nacionais, incluindo o “Prémio Projecto Cinco-Um” e o “Prémio Flor de Lótus de Dança Chinesa”, contando com actuações em diversos países e regiões, tanto na China como no estrangeiro.

Os bilhetes para os espectáculos no Centro Cultural de Macau estão à venda na Bilheteira de Enjoy Macao, e custam entre 120 e 400 patacas, com 50 por cento de desconto para quem tem “Cartão de Identidade de Residente de Macau válido, Cartão de Estudante a Tempo Inteiro, Cartão de Professor de Macau”, ressalva o IC.

Mulan é uma lenda clássica muito conhecida na China. Centrada na piedade filial, lealdade, coragem e amor, a obra narra o percurso e a transformação de uma bela jovem camponesa numa heroína lendária, “transmitindo as virtudes tradicionais chinesas e sentimentos humanistas que transcendem o tempo e o espaço”.

“Ao fundir engenhosamente dança, artes marciais, teatro e elementos tecnológicos, a produção confere renovada vitalidade a personagens clássicos”, descreve o IC.

A peça centrada na figura mitológica da camponesa tornada guerreira heroica fecha com chave de ouro a primeira temporada de espectáculos que arrancou em Novembro do ano passado. No total, foram organizados 37 espectáculos e actividades paralelas, que o IC indica terem sido “vistos por mais de dez mil pessoas”.

O ciclo cultural conta com o patrocínio da secretaria para os Assuntos Sociais e Cultura e é organizado em conjunto pelo IC e o Departamento de Publicidade, Cultura e Desporto do Gabinete de Ligação do Governo Popular Central na RAEM. Além disso, tem também o apoio das direcções de serviços de Turismo e de Educação e de Desenvolvimento da Juventude e do Instituto para os Assuntos Municipais.

Tecnologia | Mulher exaltada com robô recebeu assistência médica

O CPSP informou que o robô humanóide era controlado por um homem com cerca de 50 anos, que tem como objectivo comercializar este tipo de equipamentos no futuro

 

O Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) anunciou que a mulher que foi vista a discutir com um robô humanóide teve de receber tratamento médico, depois de se ter assustado. A informação foi adianta numa resposta enviada ao HM.

“Por volta das 21h00 do dia 5 de Março, a Polícia de Segurança Pública recebeu uma denúncia de que uma mulher precisava de ajuda do lado de fora de um prédio na Rua do Sul, em S. Lázaro. Os agentes dirigiram-se imediatamente ao local”, foi indicado. “Verificou-se que a mulher, enquanto utilizava o telemóvel, se assustou ao perceber que um robô se aproximava por trás. Não houve contacto físico entre a mulher e o robô, nem ela sofreu quaisquer ferimentos. No entanto, ela relatou sentir-se indisposta e precisou de tratamento hospitalar”, foi acrescentado.

Na segunda-feira à noite, a mulher já tinha recebido alta, mas optou por não apresentar qualquer tipo de queixa contra o proprietário do robô. “Ela recebeu alta e não tomou nenhuma medida legal em relação ao incidente”, foi informado.

O CPSP revelou também que o robô foi devolvido ao dono, depois de lhe recomendarem uma utilização cuidadosa do mesmo. A mesma fonte esclareceu que o robô não era operado por inteligência artificial: “O robô envolvido era operado por um homem local na casa dos cinquenta anos, que afirmou estar a realizar testes na altura, com a intenção de o utilizar para promoções comerciais no futuro”, foi apontado. “A polícia lembrou ao homem que, ao operar robôs, ele deve permanecer constantemente atento à situação para evitar causar perigo ou alarme ao ambiente circundante ou aos transeuntes”, foi adicionado.

Pedidos de regulação

Este foi o segundo incidente público com um robô humanóide no território nas últimas semanas. Também no primeiro caso, o robô estava a ser testado para depois ser comercializado, de acordo com Zeng Zengwei, membro do Conselho Consultivo de Serviços Comunitários da Zona Norte.

Na reunião mais recente deste conselho, este membro fez um pedido às autoridades para implementarem uma nova regulamentação para lidar com os robôs, principalmente face à possibilidade de serem controlados por inteligência artificial e devido aos equipamentos de captação de imagem e som, que podem colocar em causa a protecção de dados pessoais.

Paradise Entertainment | Alerta para redução de lucros

A Paradise Entertainment, que geria o casino-satélite Kam Pek e se dedica à disponibilização de máquinas de jogo, alertou os investidores para uma redução dos lucros de 63,5 por cento em 2025, para 139,4 milhões de dólares de Hong Kong. O aviso foi deixado num comunicado enviado à Bolsa de Hong Kong, onde se indica que parte da redução dos lucros se deveu aos pagamentos feitos à SJM relacionados com os trabalhadores do casino-satélite Kam Pek, encerrado no ano passado.

“Esta diminuição nos lucros deveu-se principalmente […] pelos pagamentos do grupo aos funcionários e os reembolsos à SJM Resorts, relacionadas com os empregadores contratados pela SJM Resorts que trabalhavam para o Casino Kam Pek Paradise”, foi indicado. Estes pagamentos totalizaram 42,1 milhões de dólares de Hong Kong.

Entre os factores que contribuíram para a redução dos lucros, a empresa apontou também a diminuição de 85,2 milhões de dólares de Hong Kong das receitas provenientes da prestação de serviços de gestão de casinos em Macau e uma redução de 165,5 milhões de dólares de Hong Kong na venda de equipamentos de jogo.

Em 2024, a empresa responsável pela operação do Kam Pek tinha registado lucros de 245,5 milhões de dólares de Hong Kong.