Nunu Wu PolíticaWu Zhiliang afirma que sistema eleitoral de Macau teve evolução positiva até 1999 O presidente da Fundação Macau, Wu Zhiliang, defendeu a evolução do sistema eleitoral de Macau até 1999, e afirmou que depois do 25 de Abril de 1974 a situação ficou cada vez melhor. A opinião do também historiador consta de uma coluna no jornal Ou Mun, em que fez um retrospectiva do progresso do sistema eleitoral. Wu começou por indicar que apesar de o 25 de Abril de 1974 ter parecido um evento distante de Macau e sem grande relação com o território, a realidade mostrou-se muito diferente. Sobre os acontecimentos ligados ao fim do Estado Novo, o historiador indicou que levaram o novo Governo de Portugal a desistir das políticas coloniais. As novas políticas resultaram, em 1976, na aprovação da Constituição Portuguesa e do Estatuto Orgânico de Macau, “confirmando Macau como região especial sob administração de Portugal” e “não de território português ultramarino”. Sobre estas alterações, Wu defendeu ainda que a transferência da Administração de Macau só não aconteceu nessa altura porque o Primeiro-Ministro Zhou Enlai optou por manter a gestão portuguesa. Na evolução do sistema eleitoral, o presidente da Fundação Macau destacou também o ano de 1984. Wu afirmou que até esse ano tanto a Constituição Portuguesa como o Estatuto Orgânico de Macau previam uma “discriminação implícita” contra os eleitores chineses, dado que a qualificação eleitoral dependia do “domínio da língua portuguesa”. “Neste ano, Macau aboliu finalmente este tratamento desigual para os chineses e aplicou-se o sufrágio universal. Depois disso, o número de eleitores chineses registados continuou a aumentar anualmente, até os representantes chineses começarem a ocupar os lugares de deputados eleitos por sufrágio directo, quebrando o monopólio português,” lê-se no texto. Declaração Conjunta Outros dos momentos históricos destacados por Wu Zhiliang, foram a assinatura da Declaração Conjunta do Governo da República Portuguesa e do Governo da República Popular da China Sobre a Questão de Macau, em 1987, e a alteração do estatuto do território em 1990. Segundo o historiador, as mudanças permitiram alterar as regras de representatividade da Assembleia Legislativa (AL), com o número de deputados a crescer de 17 para 23, com mais lugares para deputados directos e indirectos. Esta reforma foi ainda tida por Wu como “essencial” devido à adopção do método d’Hondt que possibilitou representar vozes mais diversas. Wu Zhiliang apontou que desde 1976 até 1999, cada ajustamento no sistema eleitoral foi um “pequeno passo”, mas que levou a taxa de afluência a subir de menos de 30 por cento para mais de 60 por cento. “Este foi o processo de aprendizagem da democracia por uma cidade, um processo desajeitado, lento, mas constante…”, considerou.
Nunu Wu Manchete PolíticaCultura | Wu Zhiliang quer fundo para garantir segurança nacional O presidente da Fundação Macau considera que o Governo deve ter um mecanismo para garantir a segurança nacional e o patriotismo na cultura. Como tal, Wu Zhiliang defende a criação de um fundo para promover narrativas nacionais na literatura e nas artes em geral e o estabelecimento de equilíbrios jurídicos entre liberdade de expressão e segurança nacional O presidente do Conselho de Administração da Fundação Macau, Wu Zhiliang, entende que o território está a enfrentar desafios que não podem ser negligenciados e que nem na cultura se deve baixar os braços na defesa da segurança do Estado e do nacionalismo. Num discurso proferido na segunda-feira em Pequim, na Academia Chinesa de Ciências Sociais, Wu Zhiliang defendeu a criação de um mecanismo que assegure a segurança nacional e a promoção do nacionalismo na cultura e nas artes. Assim sendo, o líder da Fundação Macau, que financia, entre outros, projectos culturais, entende que é necessário criar um fundo especial para promover as narrativas nacionalistas na literatura e nas restantes artes. Para garantir que não existem violações à lei e aos direitos dos residentes, Wu Zhiliang sugeriu a aposta na cooperação regional para juntar esforços entre as faculdades de Direito de Macau, Hong Kong e Interior da China. Os objectivos da parceria passariam por criar um sistema de interpretação jurídica, com análise a casos típicos para definir padrões de equilíbrio entre liberdade de expressão e segurança nacional. A parceria poderia também ser alargada a outras áreas do ensino, por exemplo, com o estabelecimento de uma plataforma de partilha de recursos de recursos de educação destinada à segurança nacional na Grande Baía, com vista a promover um modelo da aprendizagem imersiva. Resposta musculada A intervenção na área cultural é encarada pelo presidente da Fundação Macau como uma forma de responder aos desafios que a RAEM enfrenta actualmente, indicou em Pequim, sem concretizar especificamente. O responsável destacou o ambiente social e as bases culturais da população enquanto elementos que não só demonstram a eficácia da governação em Macau, como garantem a segurança nacional através da articulação profunda da estrutura social e dos valores culturais. Para tal, Wu Zhiliang realçou o papel fundamental desempenhado pelo princípio “Um País, Dois Sistemas”, cujo sucesso também depende do ambiente social único da Macau, assim como da sólida identidade cultural. Além da aplicação do princípio político, o responsável destacou a melhoria do bem-estar da população, o sistema educativo e o papel desempenhado pelo tecido associativo. Wu Zhiliang destacou particularmente as associações patrióticas, e as suas redes de serviços sociais que cobrem toda a cidade, que promovem actividades relacionadas com segurança nacional. Neste aspecto, o dirigente deu como exemplo a mobilização que as associações conseguiram, levando cerca de três mil pessoas para participarem nas sessões de consulta pública, aquando das alterações à lei relativa à defesa da segurança do Estado em 2023.
João Santos Filipe Manchete PolíticaWu Zhiliang na presidência da Fundação Macau mais um ano Há mais de 10 anos na presidência da Fundação Macau, Wu Zhiliang viu o mandato renovado por Ho Iat Seng. Durante este período vai auferir um salário de 100.100 patacas por mês O mandato de Wu Zhiliang como presidente do Conselho de Administração da Fundação Macau foi renovado por mais um ano. A decisão tomada pelo Chefe do Executivo, Ho Iat Seng, foi divulgada na quarta-feira, através do Boletim Oficial. “É renovada a nomeação de Wu Zhiliang, a tempo inteiro, como presidente do Conselho de Administração da Fundação Macau, pelo período de um ano, e é atribuída a remuneração mensal correspondente ao índice 1100 da tabela indiciária da função pública”, pode ler-se no despacho. Actualmente o “índice 1.100 da tabela indiciária da função pública” significa um salário mensal de 100.100 patacas. Os membros do Conselho de Administração beneficiam ainda regalias previstas no regime jurídico da função pública para o cargo de direcção, como ajudas de custos. Wu Zhiliang chegou à presidência do Conselho de Administração da Fundação Macau em Julho de 2010, tendo sido nomeado para o cargo por Fernando Chui Sai On, então Chefe do Executivo. Em 2020, um relatório do Comissariado de Auditoria criticou a gestão de Wu Zhiliang na Fundação Macau, por não terem sido implementados os controlos necessários na atribuição de subsídios. Já em 2012, o mesmo assunto tinha sido alvo de críticas do CA. Apesar da situação, Ho Iat Seng tem mantido a confiança no actual presidente da Fundação Macau, como atesta mais uma renovação do mandato. O Historiador Wu Nascido em 1964 em Lianping, na província de Cantão, Wu veio para Macau em 1985, depois de se ter licenciado em Português na Universidade de Estudos Estrangeiros em Pequim. Em 1986 frequentou a Universidade Católica Portuguesa, tendo em 1991 ingressado na Universidade de Ásia Oriental, onde fez uma formação de dois anos em Administração Pública. Finalmente, em 1997, doutorou-se em História na Universidade de Nanjing. Desde 2001, que faz parte Conselho de Administração da Fundação Macau, tendo chegado ao cargo de presidente em 2010. Além de Wu Zhiliang, também Zhong Yi Seabra de Mascarenhas teve o mandato renovado como vice-presidente do Conselho de Administração da Fundação Macau. Ao longo do próximo ano, Seabra de Mascarenhas vai ter um salário de 87.360 patacas.