MTC | Lançadas na China medidas para apoiar reabilitação

A China divulgou medidas de apoio para aproveitar ao máximo o papel da medicina tradicional chinesa (MTC) nos serviços de reabilitação do país, com o objectivo de atender à crescente procura da população por melhores serviços médicos, indicou o Diário do Povo, na sexta-feira.

Um conjunto de directrizes divulgadas pela administração nacional da MTC na quinta-feira apresentou oito medidas para fortalecer a criação de departamentos de reabilitação nos hospitais de MTC. De acordo com as directrizes, mais de 70 por cento dos hospitais MTC de segundo nível na China terão departamentos de medicina de reabilitação até 2025.

Como a MTC tem uma vantagem exclusiva em prevenção, tratamento e reabilitação de doenças, as directrizes exigem que os hospitais aproveitem totalmente a MTC na melhoria e restauração da função física em casos de doenças agudas, bem como na prevenção de doenças crónicas, acrescenta a publicação estatal.

O documento também incentiva os hospitais a integrarem as terapias de reabilitação da MTC com a medicina ocidental e solicita esforços para expandir o acesso aos serviços de reabilitação da MTC nas áreas rurais, permitindo que os necessitados recebam os serviços relacionados mais perto de casa.

As autoridades chinesas emitiram um plano para melhorar os serviços de reabilitação da MTC no período do 14.º Plano Quinquenal (2021-2025), com o objectivo de dar à MTC um papel completo no campo da reabilitação e aprimorar os serviços relacionados.

Espaço | Sonda chinesa pousou no lado distante da Lua

O programa espacial chinês continua a desenvolver-se com sucesso. A sonda Chang’e 6 deverá trazer amostras lunares para a terra pela segunda vez

 

Uma sonda espacial chinesa pousou ontem no lado distante da Lua para recolher amostras de rochas, anunciou a Administração Espacial da China.

A sonda Chang’e 6, lançada no início de Maio do Centro de Lançamento Espacial de Wenchang, na ilha tropical chinesa de Hainan, pousou como planeado na imensa bacia Aitken, no Pólo Sul lunar, uma das maiores crateras de impacto conhecidas no sistema solar, afirmou a Administração Espacial chinesa, citada pela agência oficial de notícias Xinhua.

Esta missão é a sexta do programa chinês de exploração da lua Chang’e, nomeado em homenagem à deusa chinesa da Lua, e será a segunda a trazer amostras lunares de volta à Terra, após uma primeira no lado próximo do corpo celeste, em 2020.

Na nova missão, o módulo irá usar um braço mecânico e um perfurador para recolher até 2 quilos de material de superfície e subterrâneo, a enviar de volta à Terra numa cápsula que está actualmente a orbitar a Lua.

Um projéctil no topo do módulo levará as amostras até à nave em órbita num recipiente de vácuo de metal, que será transferido para uma cápsula de reentrada que deve regressar à Terra nos desertos da região da Mongólia Interior da China, por volta de 25 de Junho. As missões para o lado distante da Lua são consideradas mais difíceis porque exigem um satélite de retransmissão para manter as comunicações.

Corrida espacial

Entre as recentes conquistas espaciais da China estão a exploração de Marte e a construção da sua própria estação espacial, Tiangong, para onde regularmente envia tripulações. A ambição espacial da China continua a crescer, com a possibilidade de Tiangong se tornar na única estação espacial em funcionamento, caso a Estação Espacial Internacional, tal como previsto, seja retirada.

O programa lunar faz parte de uma crescente rivalidade com os Estados Unidos e outros países, incluindo o Japão e a Índia, para explorar o espaço. A China tem como objectivo colocar uma pessoa na Lua antes de 2030, o que a tornaria a segunda nação a fazê-lo depois dos Estados Unidos.

A agência espacial norte-americana NASA planeia colocar astronautas na Lua novamente — pela primeira vez em mais de 50 anos — embora no início deste ano tenha adiado para 2026 a data-alvo.

O Retrato Fictício da Senhora Hedong

Feng Menglong (1574-1646), o escritor e poeta da actual Suzhou (Jiangsu), em muitas das suas obras daria forma a um culto das emoções que se generalizava nesse final da dinastia Ming, desenvolvido em torno da palavra qing, que se refere a uma desinteressada e ardente simpatia pelos outros que, ao focar-se na importância das relações humanas, acabaria na acentuação do progressivo reconhecimento de mulheres inspiradas e inspiradoras.

Na sua ambiciosa «História das emoções» (Qingshi), parte do sofisticado impulso enciclopédico que visa não apenas conhecer o Mundo mas também o discurso sobre o Mundo, Feng Menglong recolhe mais de oitocentas histórias que provam que «as coisas nesta vida são como moedas soltas; as emoções (qing) são a corda do cordel que as junta todas.»

Entre esses relatos está o da jovem bela e talentosa Feng Xiaoqing, que não sobrevive à leitura do romance do Pavilhão das orquídeas (Mudanting, peça escrita em 1598 por Tang Xianzu) e cuja crónica confirma a fatídica relação entre o engenho e a tragédia quando entretecidos pelas emoções.

Outro influente literato do tempo, Qian Qianyi (1582-1664) achava a história demasiado perfeita para ser verdade, desconfiando da imaginação do coleccionador de emoções, sem saber que a sua própria biografia se desenrolaria como um desafio à credulidade dos leitores. A sua relação com a cantora, dançarina e poeta Liu Yin (1618-1664) que escolheu o nome Liu Rushi, «ser como um salgueiro», a árvore que simboliza a emoção da dor da separação, foi-se contando ao ritmo de palavras ordenadas como coincidências ou rimas. A saudade que ela não quis sentir, fê-la despedir-se da vida quando ele perde a sua. Quem soube desses acontecimentos, guardou a memória dessa poetisa cortesã com admiração. E os retratos pintados com a sua figura seriam acolhidos com curiosidade.

Wu Zhuo, um pintor activo no século dezassete, mais conhecido por pintar paisagens, figura como autor de um elegante e problemático retrato de Liu Rushi, aí designada por outro dos seus nomes artísticos. Nesse rolo vertical (tinta e cor sobre seda, 119,5 x 62,3 cm, no Museu de Arte de Harvard) pode ler-se numa inscrição: «Pintado para a senhora Hedong por Wu Zhuo de Huating, no Outono de 1643 na quinta de montanha da Água que limpa (Fushui shanfang)».

Referências tão específicas, como o nome artístico de Liu Rushi, Hedong Jun ou o nome da quinta de Qian Qianyi, emprestam um tom de veracidade desmentida pela própria pintura. Como a pose descontraída, carismática com uma perna levantada e indecorosa para a esposa de um circunspecto literato.

Porém, o seu olhar directo para o observador transmite uma intranquila sensação de proximidade. E é esse olhar que serve de ponte entre «os que expressam as emoções e aqueles que as não revelam e vivem em mundos diferentes», como Feng Menglong escreveu.

Centro Histórico | Plano de Salvaguarda em vigor desde sábado

Entrou oficialmente em vigor, no sábado, o “Plano de Salvaguarda e Gestão do «Centro Histórico de Macau”, publicado em regulamento administrativo a 15 de Janeiro deste ano. O referido Plano surge no contexto da implementação da Lei da Salvaguarda do Património Cultural, em 2013, sendo resultado de duas consultas públicas realizadas em 2014 e 2018.

Segundo um comunicado, o Plano estabelece “medidas e procedimentos adequados para uma salvaguarda e gestão mais abrangentes e sistemáticas” no contexto do “Centro Histórico de Macau”, tendo sido estabelecidos 11 corredores visuais de protecção, enquanto 19 ruas foram classificadas de “pitorescas” e 24 zonas como sendo de “tecido urbano”. Foram ainda definidos princípios em prol da futura construção que venha a salvaguardar o património já edificado. Existem ainda critérios criados para 22 edifícios históricos.

O Instituto Cultural considera que a entrada em vigor deste Plano “constitui mais um avanço importante no âmbito da Lei de Salvaguarda do Património Cultural, proporcionando garantias jurídicas mais abrangentes e detalhadas de apoio à salvaguarda e gestão do ‘Centro Histórico de Macau'”.

“Maliksi” | Quatro pessoas feridas no primeiro “sinal” do ano

A passagem do “Maliksi” por Macau não provocou estragos de maior, mas gerou o impacto habitual: quatro pessoas feridas, aulas suspensas e turistas avisados de eventuais perigos

 

Na passagem do tufão “Maliksi” pelo território, este fim-de-semana, era fraca a possibilidade de ser içado o sinal 8, a partir do qual a grande maioria das actividades diárias é suspensa e os estabelecimentos fecham portas. Ainda, assim, o “Maliksi” obrigou os Serviços Metereológicos e Geofísicos (SMG) a içar o sinal 3 de tempestade tropical, o primeiro do ano, tendo originado quatro feridos e levado à suspensão das aulas do ensino infantil, primário e especial no sábado.

A tempestade teve origem numa depressão tropical a nordeste do Mar do Sul da China que acabou por se intensificar para uma tempestade tropical. Entre a noite de sexta-feira e manhã de sábado atingiu a costa de Guangdong e do Delta do Rio das Pérolas, trazendo ventos fortes e chuvas. O sinal 3 esteve içado entre as 16h de sexta-feira e as 18h de sábado, sensivelmente.

Tendo em conta que a chegada da tempestade obrigou, decerto, a mudanças nos planos dos turistas, a Direcção dos Serviços de Turismo (DST) emitiu um conjunto de medidas preventivas, comunicando ainda com os operadores turísticos “sobre os aspectos a ter em atenção durante a passagem do tufão”, apelando “à formulação de planos de resposta adequados”.

Foi ainda solicitado “a todos os estabelecimentos da indústria hoteleira de Macau a colocação no átrio de entrada ou outro local visível de informação sobre o sinal de tempestade tropical em vigor e as alterações aos transportes durante o período de influência do tufão, para permitir aos visitantes ajustar atempadamente o seu itinerário e sofrerem o mínimo de transtorno possível”.

Também os Serviços de Polícia Unitários deram o alerta para a maior atenção de residentes e comerciantes a fim de “tomarem medidas de prevenção contra o vento, reforçarem a segurança das janelas e dos objectos fáceis de serem arrastados pelo vento”, ajustando ainda as demais actividades.

Artes canceladas

Com o aviso da chegada do “Maliksi” ao território, foi cancelado um espectáculo por decisão do Instituto Cultural, nomeadamente por se realizar ao ar livre. Um deles, o programa “Impressões de Iec Long”, integrado no 34.º Festival de Artes de Macau, agendado para as 20h de quinta-feira, na antiga Fábrica de Panchões Iec Long, não se realizou. O mesmo programa, que acontecia na sexta-feira à mesma hora, foi também cancelado.

Foram igualmente anuladas as duas sessões do programa “Ao Teu Lado – Para sempre aqui contigo”, agendadas para sábado no Estúdio II do Centro Cultural de Macau.

Passada a tempestade, fica o mau tempo. Para hoje os SMG prevêem a ocorrência de céu nublado e aguaceiros “ocasionais”, além de “dispersos, com períodos de trovoada”. O vento será fraco e os níveis de humidade relativa no ar podem chegar aos 99 por cento.

PJ | Bombeiro detido por furtar 100 mil à ex-namorada

Um bombeiro, de 46 anos de idade, foi detido por alegadamente ter furtado 100 mil dólares de Hong Kong da ex-namorada, para jogar num casino. A informação foi revelada na sexta-feira pela Polícia Judiciária (PJ) e o caso foi condenado pelo Corpo de Bombeiros (CB).

De acordo com a informação partilhada, o homem entrou na residência da ex-namorada, no dia 26 de Maio, com a chave da vítima para levar o dinheiro. Contudo, a vítima alertou a PJ, que deteve o suspeito na sua residência. Às autoridades, o detido confessou que tinha perdido todo o dinheiro a jogar no casino.

Após a revelação do caso, o CB emitiu um comunicado a condenar a conduta do homem e a anunciar a abertura de um processo disciplinar: “O Corpo de Bombeiros confere muita atenção quando o seu pessoal é suspeito de violação da lei, lamentando profundamente e reiterando que tem dado sempre grande importância à disciplina e à ética do pessoal”, foi indicado.

“No que toca ao respectivo evento, o CB já instaurou de imediato o processo de averiguações e aplicou a medida da suspensão preventiva de funções ao bombeiro. Caso se venha a confirmar a infracção disciplinar, será efectivada a responsabilidade disciplinar do infractor nos termos da lei”, foi acrescentado.

Jogo | Maio com receitas brutas mais elevadas desde Janeiro de 2020

Os casinos arrecadaram 20,19 mil milhões de patacas em Maio, valor que representou um crescimento de 8,85 por cento face a Abril e que voltou a bater recordes desde a pandemia

Com Lusa

Maio registou o valor mais elevado de receitas brutas do jogo desde Janeiro de 2020, o último mês antes do encerramento dos casinos devido à covid-19, com um montante de 20,19 mil milhões de patacas. Os números revelados no sábado pela Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ) marcam a primeira vez desde a pandemia que as receitas dos casinos ficaram acima da barreira dos 20 mil milhões de patacas.

A indústria do jogo arrecadou 20,19 mil milhões de patacas em Maio o que representou um crescimento de 8,85 por cento face a Abril, quando as receitas brutas atingiram os 18,55 mil milhões de patacas. Até Abril, o melhor mês durante este ano para os casinos tinha sido Março, quando as receitas atingiram o montante de 19,50 mil milhões de patacas.

Os sinais da recuperação da indústria do jogo são mais evidentes quando a comparação é feita com o início da pandemia. Desde essa altura, as receitas nunca tinham ultrapassado a barreira de 20 mil milhões de patacas. A última vez que aconteceu foi em Janeiro de 2020, com um valor de 22,13 mil milhões de patacas.

Aumento de quase 50 por cento

Em termos da receita bruta acumulada, os primeiros cinco meses deste ano registaram um aumento de 47,9 por cento em relação ao ano anterior, com um total de 96,06 mil milhões de patacas contra 64,93 mil milhões de patacas entre Janeiro e Maio de 2023.

Macau fechou o ano passado com receitas totais de 183 mil milhões de patacas, quatro vezes mais do que em 2022, depois de em Janeiro ter levantado todas as restrições à entrada de turistas, que vigoraram durante quase três anos, devido à pandemia da covid-19.

Face aos resultados divulgados no sábado, o Deutsche Bank apresentou uma revisão das estimativas sobre as receitas para este ano. Segundo o relatório mais recente, assinado pelo analista Carlo Santarelli, as receitas no final do ano devem rondar 229,680 mil milhões de patacas, no que será um crescimento 24,6 por cento, face ao ano passado.

No que diz respeito a 2025, a estimativa aponta para um valor de 239,37 mil milhões de patacas, um crescimento de 4,2 por cento, em comparação com o valor previsto para 2024.

Sands na frente

O relatório do Deutsche Bank apresentou ainda uma estimativa sobre a proporção das receitas de cada operadora. Nos primeiros dois meses do segundo trimestre, o banco de investimento aponta que a Sands China foi a líder do mercado, com uma “fatia” de 24,5 por cento de todas as receitas. No segundo lugar ficou a Galaxy, com uma proporção de 18 por cento das receitas, seguida pela MGM, que teve uma quota de 16 por cento. Nos últimos três lugares, em termos de receitas, estão a Melco, com 15,5 por cento, seguida pela Wynn, com 13,4 por cento, e no último lugar a SJM, com uma fatia de 12,5 por cento.

DSAL | Abertas inscrições para planos de estágios

Abriram hoje as inscrições para o “Plano de estágio para criar melhores perspectivas de trabalho”, destinado a graduados do ensino superior, que irá disponibilizar 1.065 estágios, repartidos por 54 empresas, com mais de 50 por cento das vagas sem “restrições quanto à área de estudo”, indicou ontem a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL). As inscrições vão estar abertas até ao dia 28 de Junho, e têm como destinatários “residentes de Macau que tenham concluído o curso do ensino superior e graduado em 2022 ou em data posterior”.

Há cinco anos consecutivos que a DSAL organiza este plano, que tem como objectivo “apoiar os graduados do ensino superior na integração no mercado de trabalho”, e permitir “acumulação de experiências profissionais durante o estágio de três meses”.

Desta feita, entre as 54 empresas que participam no plano, os nove sectores principais são “lazer, financeiro, serviços sociais, comércio a retalho, construção, utilidades públicas, tecnológico, big health e transporte aéreo”.

A DSAL salienta que as “vagas de estágio que exigem uma área de estudo correspondente, abrangem as áreas funcionais de tecnologias da informação, marketing, administrativo/pessoal e engenharia.

O estágio tem a duração de três meses, não sendo considerada uma relação de trabalho mantida entre as empresas de estágio e os estagiários durante esse período. As empresas irão atribuir a cada estagiário um subsídio de estágio de 8.000 patacas por mês ou 50 patacas por hora e adquirir uma apólice de seguro.

FM | Abertas candidaturas para apoios a associações

Arrancou hoje o prazo para apresentação de candidaturas ao “Plano de Apoio Financeiro para Despesas de Funcionamento de Associações” da Fundação Macau (FM) para o ano de 2025, terminando no dia 12 de Julho.

Num comunicado divulgado ontem pela FM, são indicados dois prazos de submissão de candidaturas. Recorrendo ao sistema online, as associações interessadas que reúnam as condições de elegibilidade podem candidatar-se entre hoje e 5 de Julho, enquanto a entrega pessoal da candidatura, com a devida documentação necessária, pode ser submetida entre 8 e 12 de Julho.

As entidades candidatas devem ser associações sem fins lucrativos constituídas na RAEM antes de 31 de Dezembro de 2010, ter um local fixo de serviço ou atendimento, empregar pessoas e ser beneficiárias do apoio financeiro da FM ou de outros serviços ou entidades públicas da RAEM para promover as suas actividades ou de apoio às despesas de funcionamento do ano de 2024.

“Para assegurar a utilização razoável dos fundos públicos, a atribuição do apoio financeiro é precedida de avaliação e selecção”, assegurou a FM, acrescentando que “nem todas as despesas de funcionamento elegíveis no âmbito do presente plano podem obter apoio financeiro”.

Desemprego | Taxa cai para níveis anteriores à pandemia

A taxa de desemprego em Macau caiu 0,2 pontos percentuais para 1,9 por cento entre Fevereiro e Abril, o nível mais baixo desde o início da pandemia. O desemprego de jovens com formação académica desceu consecutivamente desde Agosto

 

Entre Fevereiro e Abril, a taxa de desemprego desceu 0,2 por cento para o nível mais baixo desde que a pandemia da covid-19 começou, fixando-se em 1,9 por cento.

A última vez que a taxa de desemprego ficou abaixo de 2 por cento foi no período entre Dezembro de 2019 e Fevereiro de 2020, de acordo com a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). Um valor ainda assim aquém do mínimo histórico de 1,7 por cento atingido antes do início da pandemia de covid-19.

Num comunicado, a DSEC sublinhou ainda que a taxa de desemprego das pessoas com estatuto de residente foi de 2,5 por cento, menos 0,2 pontos percentuais do que no período anterior, entre Janeiro e Março. Cerca de 1.200 pessoas, incluindo 400 residentes, encontraram emprego entre Fevereiro e Abril, elevando para cerca de 372.300 o número de pessoas a trabalhar em Macau.

Pelo contrário, o número de pessoas a trabalhar a tempo parcial por não conseguir encontrar um emprego a tempo inteiro diminuiu em 200, para 5.400, representando 1,4 por cento da população, menos 0,1 pontos percentuais. A DSEC indicou que a recuperação se deve sobretudo às actividades financeiras, assim como à construção civil e restauração, dois sectores que contrataram no total cerca de duas mil pessoas entre Fevereiro e Abril.

Espaço para todos

A DSEC sublinha ainda que “o número de desempregados do grupo etário dos 16 aos 34 anos registou uma descida constante, nomeadamente, o número de desempregados com habilitações académicas do ensino superior diminuiu em seis períodos consecutivos”, ou seja, desde o período entre Agosto e Outubro do ano passado.

Outra área onde se registaram quebras foram os desempregados à procura do primeiro emprego, que totalizaram no período em análise 6 por cento de todos os desempregados, baixando 0,7 pontos percentuais, face ao período precedente.

O desemprego caiu apesar de as empresas de Macau terem contratado quase 28 mil trabalhadores sem estatuto de residente desde que Macau voltou a abrir as fronteiras a estrangeiros, em Janeiro de 2023.

De acordo com dados do Corpo de Polícia de Segurança Pública divulgados na sexta-feira, Macau tinha 179.768 trabalhadores não-residentes no final de Abril, mais 27.890 do que em Janeiro de 2023. Nessa altura, a mão-de-obra vinda do exterior, incluindo da China continental, tinha caído para menos de 152 mil, o número mais baixo desde Abril de 2014. A cidade tinha perdido quase 45 mil não-residentes (11,3 por cento da população activa) desde o pico máximo de 196.538, atingido em Dezembro de 2019, no início da pandemia.

As estatísticas, divulgadas pela Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais, revelam que o número de trabalhadores não-residentes tem vindo a aumentar há 15 meses seguidos, atingindo o valor mais elevado desde o final de 2020.

A área da hotelaria e da restauração foi a que mais contratou desde Janeiro de 2023, ganhando 13.819 trabalhadores não-residentes. Este sector tinha sido precisamente o mais atingido pela perda de mão-de-obra durante a pandemia, despedindo mais de 17.600 funcionários vindos do exterior.

A economia de Macau ainda está a recuperar da crise económica criada pela pandemia, que levou a taxa de desemprego a atingir 4 por cento no terceiro trimestre de 2022, o valor mais alto desde 2006.

Funerais | Transporte de corpos gera polémica

O deputado Ron Lam questiona o Governo sobre o verdadeiro custo do transporte de cadáveres em Macau. O assunto é abordado numa interpelação escrita e resulta de, nas últimas semanas, a empresa com o monopólio do transporte de cadáveres ter aumentado o preço do serviço quase 50 por cento cento, de 1.500 patacas para 2.200 patacas.

Segundo a empresa, o aumento prende-se com o facto do lugar onde os corpos eram guardados ter sido mudado do Hospital Conde São Januário para o Hospital das Ilhas.

Contudo, este aspecto nunca foi confirmado publicamente, nem alvo de comunicação do Governo. Face a este desenvolvimento, Ron Lam considera que o Governo deve explicações à população, porque os preços relacionados com a morte e o funeral são demasiado caros, sem que haja qualquer tipo de explicação ou transparência sobre as despesas reais das empresas monopolistas.

Imobiliário | FMI avisa que crise poderá pesar em Macau

O Fundo Monetário Internacional manteve a previsão de 13,9 por cento para o crescimento da economia de Macau em 2024, mas avisou que a região poderá ser afectada pela crise no sector imobiliário do Interior da China. A AMCM salienta que o organismo internacional reconheceu o sucesso das políticas de diversificação económica, sem mencionar avisos

Com Lusa 

 

De acordo com um comunicado divulgado na quinta-feira à noite, o Fundo Monetário Internacional (FMI) teme que a economia de Macau poderá ser afectada, a curto prazo, por “uma contração mais forte no sector imobiliário da China continental”. Pequim anunciou em 17 de Maio novas medidas para revigorar o sector imobiliário, depois de os preços da habitação terem descido quase 10 por cento desde o início do ano. Isto já depois de uma queda de 8,5 por cento nas transacções de imóveis em 2023.

O FMI disse ainda que a recuperação da economia de Macau poderá ser restringida pela “persistência das taxas de juro elevadas nas principais economias” mundiais, uma vez que a moeda de Macau, a pataca, está indirectamente indexada ao dólar.

“O declínio do crescimento a médio prazo na China continental e o aumento da frequência esperada de fenómenos climáticos extremos poderão pesar sobre o crescimento” do PIB de Macau, alerta o FMI.

Na quarta-feira, a instituição multilateral elevou a previsão para o crescimento da economia da China em 2024 de 4,6 para 5 por cento, mas avisou que deverá abrandar para 3,3 por cento a médio prazo, “devido ao envelhecimento da população e ao abrandamento dos ganhos de produtividade”.

Mudança de paradigma

Num relatório divulgado também na quinta-feira, o FMI defendeu ainda que a simplificação dos requisitos administrativos para a contratação de trabalhadores vindos do exterior “poderia aumentar a competitividade” de Macau.

Desde Agosto que Macau não está a aceitar novos pedidos de residência para portugueses fundamentados com o “exercício de funções técnicas especializadas”, permitindo apenas justificações de reunião familiar ou anterior ligação à região.

As novas orientações eliminam uma prática firmada logo depois da transferência da administração portuguesa de Macau para a China, em 1999. A alternativa para um português garantir a residência passa por uma candidatura aos recentes programas de captação de quadros qualificados. Outra hipótese é a emissão de um ‘blue card’, cuja autorização de permanência no território depende de um contrato de trabalho válido, sem benefícios ao nível da saúde ou da educação.

Apesar dos alertas, o FMI manteve a previsão de 13,9 por cento, feita em Março, para o crescimento da economia de Macau em 2024, devido “à continua recuperação do sector do jogo e um ressalto no investimento privado”.

O lado bom

O Governo da RAEM reagiu de pronto à divulgação do relatório do FMI através de um comunicado emitido pela Autoridade Monetária de Macau (AMCM).

Sem mencionar os avisos para a possível exposição à crise do imobiliário no Interior da China, a AMCM realça as projecções de crescimento económico e o reconhecimento dos técnicos do FMI em relação aos esforços levados a cabo pelo Executivo para diversificar a economia.

A forte recuperação notada pelo organismo no período pós-pandemia é realçada pelo Governo, que salienta a perspectiva do FMI de que em 2025 “a produção económica total regressará ao nível anterior à pandemia”, “impulsionada por uma recuperação sustentada do sector do turismo e por uma retoma do investimento privado”.

Segundo a AMCM, o FMI reconheceu o “avanço notório da aplicação das tecnologias digitais na economia de Macau”, e recomendou que o Governo reforce os investimentos públicos nas áreas da educação, formação, cuidados de saúde, estudos e investigação básicos e contingência às alterações climáticas, bem como na prestação de apoio às PME em matéria de transformação digital.

Outro assunto destacado na análise temática do FMI, prende-se com a solidez do sistema bancário de Macau, assim como a “existência de capital e liquidez adequados permitem que o sistema bancário de Macau disponha de uma forte capacidade para resistir a choques externos”. A AMCM realça também a boa nota que os técnicos do FMI deram às “acções do Governo da RAEM em matéria de combate ao branqueamento de capitais e ao financiamento do terrorismo”.

EPM | Governo português “acompanha” situação de professores dispensados

A petição lançada pela comunidade escolar contra a saída de Alexandra Domingues da Escola Portuguesa de Macau, docente e representante dos professores junto da direcção da escola, contava ontem com perto de 900 assinaturas

 

O Governo português pediu esclarecimentos ao director da Escola Portuguesa de Macau (EPM), depois de vários professores da instituição terem sido dispensados esta semana, disse fonte oficial à Lusa na sexta-feira. “O Ministério da Educação, Ciência e Inovação está a acompanhar a situação, tendo solicitado esclarecimentos ao director da Escola Portuguesa de Macau”, afirmou à Lusa o gabinete do ministro Fernando Alexandre.

No início da semana, a direcção da EPM comunicou a pelo menos seis professores que não ia renovar o vínculo laboral com a instituição, alegando motivos de gestão. No departamento de Português, três professores viram esse elo terminado. São todos detentores de bilhete de residente permanente e encontram-se no território ao abrigo de uma licença especial de Portugal para Macau.

A leccionar no território há 33 anos e ligada praticamente desde o início à EPM, Alexandra Domingues, também representante dos professores junto do Conselho de Administração, disse à Lusa estar “em choque”: “Nada me levou a crer da parte da direcção da escola que no nosso departamento houvesse necessidade de alguém sair”.

Por sua vez, a presidente do conselho regional da Ásia e da Oceânia das Comunidades Portuguesas considerou “desumana a atitude” da direcção de comunicar o fim do elo profissional “apenas a 27 de Maio”, ou seja, a poucos meses do início do novo ano lectivo.

“Os conselheiros estão ao lado dos professores despedidos e tudo farão ao seu alcance para repor a justiça e continuar o seu trabalho na Escola Portuguesa de Macau em prol do desenvolvimento educativo” de Macau, escreveu Rita Santos, em comunicado divulgado nas redes sociais.

Uma queixa relacionada com o caso levou, entretanto, as autoridades da Educação de Macau à escola.

Petição na linha

Desde que o caso veio a público foi lançada uma petição “pela continuidade da professora Alexandra Domingues na EPM”, que contava ontem à hora de fecho desta edição com 876 assinaturas.

“Consideramos que a docente, que há vários anos lecciona em Macau, exemplifica uma notável qualidade profissional e pessoal, dedicando-se de corpo e alma ao ensino e aos seus alunos”, lê-se no texto, dirigido ao presidente da Fundação Escola Portuguesa de Macau, Jorge Neto Valente, e ao director da EPM, Acácio de Brito.

Um outro professor da instituição, que pediu para não ser identificado, admitiu à Lusa haver “uma incompreensão muito grande” com o corte do vínculo laboral: “Pede-se que o corpo discente aumente, portanto, o corpo docente devia acompanhar”, defendeu.

“Não conseguimos entender que alguns dos professores que venham a ser dispensados sejam professores de língua portuguesa e sobretudo aqueles que já estão mais bem preparados e que conhecem perfeitamente as necessidades, sobretudo dos alunos falantes de chinês”, refere.

Também este ponto é abordado por Rita Santos, ao indicar que “a maioria dos alunos” da EPM “não tem o português como língua materna, devendo “professores experientes como estes (…) ser mantidos”.

Na quarta-feira, o director da EPM, no cargo desde Dezembro de 2023, recusou estar em curso qualquer “processo de reestruturação”. Num ‘email’ enviado à Lusa, referiu que todos os anos “ocorrem situações de saídas e entradas de novos docentes”.

“Reforço que as licenças especiais são suscitadas pela direcção da escola e pedidas em plataforma do ME [Ministério da Educação]. Processo normal, que em casos, por vontade do docente, não pretende a renovação da licença especial, em outros, por razões gestionárias, a escola decide não suscitar essa renovação”, escreveu.

DSEDJ lembra Escola Portuguesa que tem de seguir as leis laborais

A Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) esteve na Escola Portuguesa de Macau (EPM) para recordar à instituição que está obrigada a respeitar as leis laborais. A explicação sobre a deslocação de sexta-feira à EPM foi feita ontem, através de um comunicado, depois de o Governo ter sido questionado por vários órgãos e comunicação social sobre o assunto.

“Em relação às alterações do corpo docente na Escola Portuguesa de Macau, a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude recebeu várias perguntas dos órgãos de comunicação social e tem estado em contacto de forma contínua com a escola”, foi reconhecido. “Através destes contactos, a DSEDJ ficou a saber que a Escola Portuguesa de Macau comunica com o Ministério de Educação de Portugal sobre a constituição do pessoal docente e sobre os procedimentos para a escolha dos professores. Foi pedido à escola que realize estes procedimentos cumprindo rigorosamente a Lei das Relações de Trabalho e os contratos assinados”, foi revelado.

No novo processo de contratações, a EPM está a trocar professores residentes por professores que vão receber o título de trabalhadores não-residentes, o que contraria a política laboral local.

Em cima do acontecimento

No comunicado, a DSEDJ afirma também que vai acompanhar a situação e garantiu que o novo pessoal docente só será autorizado, no caso de haver efectivamente necessidade. “A DSEDJ continuará a prestar atenção ao desenvolvimento curricular da escola e à afectação dos professores”, foi apontado, para depois ser indicado que só haverá autorização para contratar novos professores face à “prova das habilitações académicas”, assim como à “efectiva necessidade das contratações face ao número de aulas”.

Por outro lado, a DSEDJ considera que as mudanças no corpo docente são normais devido “a reformas e transferências” dos professores. O Governo indicou também que é normal que as escolas ajustem o corpo docente de acordo com as suas necessidades, mas sublinha que todas as escolas privadas têm de seguir as leis e as orientações da DSEDJ.

Neto Valente responde a petição e revela que DSEDJ não confiava na direcção anterior

“Não vale a pena, não é com abaixo-assinados, com petições e com barulho que se vai resolver o problema da escola”. Foi desta forma que Jorge Neto Valente, presidente da Fundação Escola Portuguesa de Macau, reagiu, em declarações à TDM, sobre a situação da Escola Portuguesa de Macau.

Após ter estalado a polémica com vários despedimentos, Neto Valente comentou publicamente o assunto, para garantir que não haverá alterações às decisões que afirmou terem sido tomadas pelo directo da escola, Acácio de Brito.

“Se um director de escola não pode seleccionar os professores que vêm para a escola, o que é que ele faz? Ele não tem de dar aulas, não está cá para dar aulas”, disse Neto Valente. “No caso actual, o director Acácio de Brito além da carreira docente que teve, e brilhante, é inspector de ensino. E, portanto, chegou à escola e começou a detectar um sem número de situações que importa corrigir. Isto não é para se fazer com alarme e circunstância pública, é para se fazer com toda a serenidade”, acrescentou.

Recusadas perseguições

O presidente da Fundação Escola Portuguesa de Macau recusou ainda que haja movimentações do director do estabelecimento de ensino no sentido de perseguir eventuais opiniões divergentes. Esta é uma questão sensível na vaga de dispensas, dado que uma das pessoas que vai ser afastada era a representante dos professores juntos da direcção da escola.

“Não estamos ali a perseguir ninguém e estamos a corrigir situações. Havia e há ainda muitas situações a corrigir e continuará a ser prosseguido esse procedimento, com serenidade”, indicou o presidente da associação.

Neto Valente acusou ainda a anterior direcção da Escola Portuguesa de Macau, liderada por Manuel Machado, de não ter a confiança da Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude. “Anteriormente, eu diria, que a Direcção dos Serviços teria perdido a confiança na escola, na direcção da escola, pela maneira como as coisas estavam a acontecer”, acusou. “Eu diria que estamos a reconstruir, e já se reconstruiu, um clima de abertura, transparência e de confiança, derivado das boas relações e bons contactos que existem [com DSEDJ]”, complementou.

Inspectores da DSEDJ estiveram ontem de manhã na EPM

Dois inspectores da Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) estiveram ontem de manhã na Escola Portuguesa de Macau, depois da polémica dos últimos dias com a dispensa de vários docentes. Segundo o HM apurou, a presença dos inspectores da DSEDJ deverá estar relacionada com uma queixa anónima face às dispensas. No âmbito da visita, os inspectores terão ouvido o director da instituição, Acácio de Brito, sobre os desenvolvimentos mais recentes.

O HM entrou em contacto com a DSEDJ para perceber o motivo da deslocação e confirmar a existência da queixa. Contudo, até ao fecho da edição não foi recebida uma resposta sobre o assunto.

Na quarta-feira, Alexandra Domingues, uma das docentes afastada e que era a representante dos professores junto da administração, afirmou estar em “choque”. “Nada me levou a crer da parte da direcção da escola que no nosso departamento houvesse necessidade de alguém sair”, afirmou em declarações à Agência Lusa.

Incompreensão geral

Alexandra Domingues indicou também não compreender as mudanças que estão a ser implementadas. “Não consigo explicar a reestruturação que o senhor director está a fazer no momento. Acredito que é para bem da escola, para rentabilizar recursos, sabemos que não abundam, tanto financeiros como humanos”, indicou.

Por último, a docente indicou preferir acreditar que não está a ser perseguida por ter representado as opiniões dos professores junto da direcção. “Não me passa pela cabeça que esteja directamente ligado [às funções]. Recuso-me a dizer isso”, indicou. Como representante dos professores junto do Conselho de Administração, Alexandra Domingues afirmou ainda ter abordado temas sempre “com o maior civismo”, no sentido “de apurar, saber, tentar compreender as mudanças ou qualquer outro problema”.

Por outro lado, em declarações à Rádio Macau, a docente ligada à EPM desde a fundação admitiu ainda estar a ponderar a forma de reagir à dispensa e recusou a possibilidade de regressar a Portugal, depois de 33 anos no território.

Ai, o bolo

António Costa, lento e oriental, segundo o diagnóstico de Marcelo Rebelo de Sousa, disse e deixou perceber muitas vezes que tinha política e pessoalmente a sua preferência pelo Campo de Tiro de Alcochete para futuro Aeroporto Internacional de Lisboa. E deixou de falar nisso depois da ida do Marcelo para Belém, acatando a “solução Montijo” sem dar um pio sobre a sua cambalhota.

Nem quando pôs todos os autarcas do PS, tanto a norte e como a sul do Tejo, especialmente os do distrito de Setúbal, a exigirem que a condenada Base Aérea n.º 6, no Montijo, passasse a ser a pista de aterragem para o grande negócio. Não sei qual nem se alguma vez chegarei a saber.

O que sei é que o Aeroporto Humberto Delgado vai um dia chamar-se Aeroporto Luís de Camões e que, um fulano de temperamento esbracejante, oriundo da terra das enguias, já teve de percorrer o caminho das pedras, até ser deputado e ministro.

Chama-se Pedro Nuno Santos e, alegadamente, sempre teve Alcochete como o cenário introcável para acolhimento “patriótico” dos nossos caças e bombardeiros que, por qualquer outra manigância, foram inesperadamente apontados ao Montijo, pela única rota possível, bombardeando com quatro extensos roncos por minuto, de dia e de noite, os telhados das mais de 400 mil pessoas que ainda moram entre Almada e a base montijense já em regime de emagrecimento.

Só que o PS local, regional e nacional, com o lento Costa a pilotar a aeronave, nem sequer precisou de mudar de rio para espetar o pau da bandeira num espigão de asfalto, uma dúzia de milhas náuticas mais a norte, e o rápido Pedro Nuno ensaiou a sua própria cambalhota circense, assumindo o Montijo como indiscutível e transformando-se no seu mais estrénuo defensor.

E eis senão quando o mesmo Pedro, qual bailarina aveirense, decide que fora traído pelo Costa e, apanhando-o no estrangeiro, vem a público dizer em tom cesariano que o Aeroporto Internacional de Lisboa será em Alcochete e que, antes ainda, estaria em glorioso funcionamento uma ultramoderna e mais que ultrafuncional ponte rodoferroviária, entre o Barreiro, na margem esquerda, e Chelas, na margem direita do Mar da Palha, que mais adequadamente deveria ficar com o título eterno de Mar da Glória.

Aparentemente, o Costa só sentiu a facada nas costas quando voltou Portugal e o estouvado Pedro teve de se demitir para ser agora o sucessor do ex-primeiro-ministro e, enquanto líder do PS e principal opositor do agora senhor de S. Bento Luís Montenegro, comprometendo-se a com ele cooperar em tudo que seja importante para o povo luso, que era o que o Costa já vinha fazendo, à sorrelfa e com cálculos próprios, assegurando assim um apoio sem preço para a Presidência do Conselho da Europa, trono justo e sacrossanto, lentamente conquistado, depois de uma caminhada que também Marcelo já enalteceu, não obstantes as cumplicidades múltiplas com os morticínios de Gaza e do Médio Oriente.

Acontece ainda que o tal Aeroporto Luís de Camões só terá de existir de facto daqui a vinte anos e, como o tempo e os negócios não perdoam, nessa altura outra realidade se pode impor: ou o negócio já é outro, ou já são outros a negociar e o aeroporto pode precisar de novos estudos, novo dono e, obviamente, de novas razões para ser construído nem que seja sobre estacas, ao largo de Tróia ou por cima de Olivença, com escritórios no Pulo do Lobo e uma delegação em Peniche.

Os que ganharam e os que perderam com tudo isto são, como de costume, os mesmos de sempre. Ganhar, todavia, só podem os donos disto tudo, seja nas terras do Baixo Ribatejo, seja no reordenamento urbanístico da Área Metropolitana de Lisboa e nas outras, na ANA, na Vinci e na TAP, nas movimentações da alta, média e baixa finança, com o Banco de Portugal em boas mãos, assim como a restante banca, e, naturalmente, na política habitacional e na reconversão da ordem urbanística de Lisboa, de Oeiras, de Cascais e do Algarve e associados, bem como nas contas das pontas-de-lança em Bruxelas o nos ‘offshores’ londrinos e outros, porque “isto anda tudo ligado”, como dizia um falecido poeta e patrício meu, e Portugal tem a alta responsabilidade de ser um dos pilares mais bem plantados em três continentes e um oceano, com vistas à escavação presente e futura na mina turística dos donos disto tudo.

O que me entristece é que, mesmo se Portugal recuperasse a independência nacional, já não ia a tempo de construir uma ordem interna justa, o fim das castas e a prosperidade generalizada, ou seja, a possibilidade de o bolo ser, finalmente, bem repartido.

Livros | Martin Zeller e Debby Sou Vai Keng lançam “The Passenger” em Lisboa

“The Passenger” é um livro desdobrável de fotografias sobre a passagem do tufão Mangkhut sobre uma pequena ilha de Hong Kong. Ao lado dos cenários de destruição, capturados pelo fotógrafo Martin Zeller, revelam-se histórias ficcionadas e poemas de Debby Sou Vai Keng, artista e autora de Macau. A obra será lançada amanhã em Lisboa

 

No início nem era para ser um livro. Martin Zeller, fotógrafo alemão que durante muitos anos esteve radicado em Hong Kong, estava de visita à ilha de Peng Chau, na região vizinha, na companhia de Debby Sou Vai Keng, pintora e escritora natural de Macau. A trabalharem juntos na área das artes plásticas e fotografia há vários anos, enfrentaram, em 2018, a passagem do tufão Mangkhut por Hong Kong. Martin Zeller começou a fotografar a tempestade e o que dela restou. Depois, Debby Sou Vai Keng resolveu escrever histórias ficcionadas e poemas que remetem para a ideia de alguém de fora que observa a ilha com a natural curiosidade de um desconhecido.

Assim nasceu “The Passenger”, um pequeno livro de fotografias, textos e poemas, desdobrável, em inglês e chinês, que será lançado amanhã em Lisboa na galeria Imago.

Ao HM, Debby Sou explicou que esta obra é produto do acaso, porque quando foram para Peng Chau tinham um projecto diferente. “Pretendíamos desenvolver um projecto sobre montanhas e mares. Mas não tínhamos nenhuma ideia sobre o que queríamos fazer exactamente. Queríamos trabalhar juntos recorrendo à fotografia e, talvez, à pintura, com pequenos contos e poemas. Então, quando chegámos, enfrentámos o tufão.”

Na preparação da casa para enfrentarem juntos a tempestade em segurança, Martin Zeller começou, subitamente, a fotografar. “Estando em casa podíamos ver a tempestade, o que se tornou interessante, víamos o mar agitado, o vento. Fiquei muito entusiasmado e comecei a fotografar.”

Foi aí que os dois artistas decidiram avançar para a edição do livro, que não pretende ser um retrato documental de mais um tufão, de entre muitos que passam por esta zona do globo. Trata-se também de um retrato “da comunidade que vive na ilha, do que aconteceu”. “Não estávamos interessados em fazer algo documental”, recorda Martin Zeller.

Escrita da observação

Debby Sou descreve que, à medida que iam passeando pela ilha depois da passagem do Mangkhut, ajudando os moradores a recompor o que restou da destruição, lhe surgiram ideias para escrever. “Quando escrevo, escrevo ficção, não faço escrita documental. Misturo coisas e imagino-as. [O livro] tem uma espécie de passageiro e as histórias são totalmente ficcionais, com personagens criadas. Mas claro que baseio muitas das minhas histórias em experiências pessoais.”

A autora confessa que não escreve histórias como uma residente, mas sim revelando impressões como se fosse turista. Debby Sou referiu ainda que o facto de ser de Macau não lhe dá uma perspectiva de proximidade à realidade de Hong Kong. Ou seja, quando escreve, e quando escreveu para o “The Passenger”, conseguiu ter o distanciamento necessário.

“Tenho de dizer que, como alguém que é de Macau, sempre olhei para Hong Kong como se me fosse estranha. São vivências completamente diferentes. No caso desta ilha, as pessoas têm formas de comunicar completamente diferentes, e há até diferenças em termos de mentalidade. Em cada ilha de Hong Kong há uma vivência diferente. Por isso, para mim, foi fácil ver as coisas como se fosse mesmo uma passageira, uma verdade estranha”, disse.

Convidada a falar mais da sua escrita, a autora mostra-se retraída. “Não sou muito boa a descrever as minhas histórias. É algo difícil de expressar. Quando escrevo, o processo é semelhante do que quando pinto. Simplesmente pego num pedaço de papel e começo. Às vezes o papel e as cores dizem-me como continuar, e eu simplesmente prossigo. Quando decido, páro, e às vezes tenho de trabalhar no quadro. Com as histórias é um processo muito semelhante, simplesmente começo [a escrever].”

As inspirações para os textos de Debby Sou surgem-lhe das caminhadas que tanto gosta de fazer, e das observações que daí surgem. “Muitas vezes falo com pessoas, mas não sou muito boa nisso. Prefiro observar, simplesmente, e imaginar coisas.”

Um projecto diferente

“The Passenger” não tem rostos de pessoas. Não tem os moradores da ilha a braços com a destruição. Só um homem corajoso que decidiu sair de casa e correr bem junto à costa para observar a violência do mar. De resto, persistem imagens dos cacos caídos, das árvores dobradas. Havia uma ou duas fotografias de rostos, que Martin Zeller decidiu retirar por se afastarem do conceito original.

“Estava mais focado em captar o ambiente. Mas tenho a dizer que, hoje em dia, é difícil fotografar pessoas, que muitas vezes ficam ofendidas quando apontamos a câmara. Sobretudo numa situação especial como esta, com a passagem do tufão. Não querem lidar com fotografias e estão preocupadas em limpar as suas casas. Mas, para mim, foi muito interessante fazer este projecto, pois percebemos até que ponto o carácter documental se transforma em arte.”

Martin Zeller e Debby Sou estão habituados a criar juntos. Actualmente vivem em Almada, onde têm o estúdio “StudioZeller”, que recorrentemente desenvolve exercícios de arte multidisciplinar. Ele fotografa, ela escreve e pinta por cima das suas imagens, numa interconexão constante. Inspiram-se mutuamente. “The Passenger” é algo diferente de tudo o que já fizeram.

“O primeiro projecto que fizemos juntos foi em 2013, em que pintei por cima das fotografias dele, tiradas em Berlim, e que foram impressas em papel de arroz. Consegui pintar recorrendo a técnicas da pintura tradicional chinesa. Mas desta vez [com ‘The Passenger’] foi uma decisão bastante espontânea, porque há muito tempo que queríamos fazer algo e não sabíamos mesmo o que fazer com este material. Depois surgiu a covid e não conseguíamos ir a Hong Kong e pensei que seria uma pena deixar as imagens numa gaveta. Discutimos o formato da publicação, chegámos a pensar publicar em forma de mapa desdobrável, mas depois ficava algo complicado. Então ficou assim, como se fosse um acordeão”, explicou Debby Sou.

Lançar “The Passenger” em Lisboa foi fruto do acaso, mas os dois autores garantem que o projecto vai também ser lançado em Macau e Hong Kong, embora ainda não haja datas concretas. Martin Zeller e Debby Sou estão também a planear o regresso, por uma temporada, a Hong Kong, a fim de desenvolverem novos projectos.

GP | Gian Carlo Minardi concorda com o fim da F3 em Macau

O abrupto anúncio do fim da Taça do Mundo de Fórmula 3 da FIA do Grande Prémio de Macau, na passada semana, e a sua substituição pela Taça do Mundo de Fórmula Regional da FIA, gerou um leque variado de opiniões, e nem todas positivas, tanto em Macau como fora do território. Para Gian Carlo Minardo, que foi até Março passado o presidente da Comissão de Monolugares da FIA, esta foi a decisão correcta

 

A marca Fórmula 3 tem uma história com mais de quarenta anos que a liga a Macau, e sua inesperada troca – algo que foi falado durante alguns meses nos bastidores, mas nunca foi abordado publicamente – apanhou a grande maioria dos intervenientes de surpresa. Por outro lado, o nome da Fórmula Regional, para além de pouco atractivo, não diz muito até aqueles que acompanham o desporto de perto. Como tal, esta “troca” da FIA, em que 2023 assinou um contrato de três anos com as entidades de Macau para a organização no Circuito da Guia da Taça do Mundo de Fórmula 3, foi naturalmente vista como um “retrocesso”.

Gian Carlo Minardi apoia a medida da federação internacional, até porque “a actual Fórmula Regional, que começou por ser a Fórmula 3 Europeia e depois mudou de nome para não se confundir com a Fórmula 3 internacional, nasceu com as características da antiga Fórmula 3, aquela que corria no passado em Macau”, esclareceu o ex-proprietário da equipa Minardi da Fórmula 1 (hoje Visa Cash App RB F1 Team) quando questionado pelo HM.

O italiano, que deixou o seu cargo na FIA devido à falta de tempo para combinar o cargo com a gestão do circuito de Imola, é claro em dizer que a razão para os Fórmula 3 não viajarem até à RAEM se deve, acima de tudo, a razões de segurança.

“Hoje em dia, os actuais F3 Internacionais já não são adequados para aquele circuito em termos de peso e potência, pelo que a FIA, por razões de segurança, optou por uma fórmula mais adequada”, explicou, acrescentando que “devido à velocidade atingida na pista e às fracas escapatórias, o circuito de Macau continua a ser um circuito difícil”, sendo que por isso “concordo com a escolha da FIA”.

E porquê agora?

Estranhamente a questão se os actuais Fórmula 3 se adequam ou não ao Circuito da Guia, não se terá colocado em 2019 e em 2023, quando estes visitaram a RAEM, tendo inclusive sido executadas várias intervenções para que o circuito urbano de Macau pudesse em 2019 receber pela primeira vez o Grau 2 da FIA, requisito necessário para acolher estes monolugares.

Contudo, Gian Carlo Minardi, que só assumiu em Abril de 2022 a presidência da Comissão de Monolugares da FIA, comissão essa que conta com um membro de Macau, Sancho Chan, é assertivo a dizer que “a performance dos carros está a aumentar constantemente e certos circuitos, especialmente Macau, não conseguem melhorar as infra-estruturas”.

O italiano não compreende o porquê da critica ao fim da F3 nas ruas do território. “Penso que o problema não está a ser tratado correctamente”, salientando que “hoje a Fórmula Regional iguala, ou consegue fazer performances ainda melhores que a antiga F3 que tornou Macau famoso”, sendo que o mais “importante é manter a competição”.

No entanto, o italiano reconhece que “talvez em 2019 o problema não tenha sido bem avaliado, tornando-se um problema para mim correr com a F3 internacional em 2023.”

Outros dilemas

Mesmo se a Fórmula 3 tivesse continuado a competir em Macau, este ano seria problemático. O actual monolugar da Dallara está em fim de vida e prestes a ser descontinuado no final de 2024. Com o fabricante italiano focado na construção do novo carro, as equipas do Campeonato de Fórmula 3 da FIA já se debatem com a escassez de peças sobressalentes, algo que será mais notório com a aproximação do final da temporada e que seria um assunto especialmente delicado numa prova como o Grande Prémio em que a sua natureza requer um volume considerável de peças de substituição.

Por outro lado, em 2019, a Formula One Management ficou com os direitos da Fórmula 3, passando esta a ocupar o lugar da GP3. Contudo, o promotor do Campeonato de Fórmula 3 da FIA nunca actuou como co-organizador do Grande Prémio de Macau de Fórmula 3, deixando a tarefa de promover o evento do território nas mãos da própria FIA, entidade que hoje não tem essa vocação. A dificuldade em preencher a grelha de partida na última edição da prova em Macau, com vários volantes a serem apenas confirmados em cima da hora e uma equipa a rejeitar mesmo viajar até ao Oriente, foi uma demonstração dessa inapetência.

Hong Kong | Pequim adverte comunidade internacional para deixar de interferir

A China advertiu ontem os críticos internacionais da lei de segurança nacional de Hong Kong de que devem deixar de interferir, depois da detenção de sete pessoas por apelos à desobediência nas redes sociais.

“Aconselhamos os países e os líderes políticos (…) a deixarem imediatamente de interferir nos assuntos de Hong Kong e nos assuntos internos da China”, afirmou um porta-voz do comissário da diplomacia chinesa no território, citado pela agência francesa AFP.

Segundo a polícia de Hong Kong, os actos contrários à nova lei de segurança nacional começaram em Abril, e os suspeitos tinham como alvo uma “data sensível”. A lei de segurança nacional foi imposta pelo Partido Comunista Chinês a Hong Kong em 2020.

Ao abrigo da lei de segurança nacional, um tribunal de Hong Kong declarou ontem 14 activistas pró-democracia culpados de subversão por terem realizado primárias não oficiais em 2020 para seleccionar candidatos da oposição ao parlamento local. A sentença está prevista para o final do ano e os arguidos incorrem em penas que podem chegar a prisão perpétua.

Os três juízes nomeados pelo governo de Hong Kong para lidar com casos ligados à lei de segurança nacional absolveram dois ex-conselheiros distritais da acusação de “conspiração para subverter o poder do Estado”.

A acusação anunciou que vai recorrer da decisão. O tribunal terá ainda de decidir sobre outros 31 acusados no mesmo processo, no maior julgamento realizado em Hong Kong ao abrigo da lei de segurança nacional.

Taiwan | Pequim diz que independência equivale a declaração de guerra

A China advertiu ontem que uma eventual independência de Taiwan seria equivalente a uma declaração de guerra e que não haverá paz em caso de secessão. O exército chinês “assume a missão sagrada de proteger a soberania e a integridade territorial do país”, disse o porta-voz do Ministério da Defesa, Wu Qian, numa conferência de imprensa em Pequim, citado pelo jornal oficial Diário do Povo.

Wu afirmou que as forças chinesas “sempre estiveram alerta para derrotar todas as tentativas de secessão” na ilha e atentas para “impedir a interferência de todas as forças externas”. “A reunificação da pátria é uma tendência histórica imparável”, afirmou, segundo a agência espanhola EFE.

A advertência de Wu surge no meio de uma tensão crescente na sequência da tomada de posse, a 20 de Maio, do líder da ilha, William Lai. O Ministério da Defesa da China avisou recentemente que voltará a “tomar contramedidas” se as “forças secessionistas que procuram a independência continuarem a provocar”. Esta política será mantida “até que a reunificação completa do país seja alcançada”, disse o ministério.

Médio Oriente | Xi pede conferência de paz “credível e eficaz”

O Presidente chinês discursou no Fórum de Cooperação China-Estados Árabes, que juntou em Pequim líderes do Egipto, dos EAU, do Bahrein, e da Tunísia

 

O Presidente chinês, Xi Jinping, pediu ontem uma conferência internacional de paz “credível e eficaz” para resolver o conflito israelo-palestiniano e reiterou o apoio à criação do Estado da Palestina. “A justiça não pode estar sempre ausente e a solução de dois Estados não pode ser arbitrariamente contornada”, disse Xi, que defende a coexistência pacífica de Israel e da Palestina.

Num discurso no Fórum de Cooperação China-Estados Árabes, em Pequim, citado pela agência espanhola Europa Press, Xi prometeu 500 milhões de yuan de ajuda humanitária a Gaza. Prometeu também doar três milhões de dólares à Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Próximo Oriente (UNRWA).

A agência, criticada pelas autoridades israelitas, presta assistência e socorro aos refugiados da guerra entre Israel e o Hamas. A China há muito que apoia os palestinianos e denuncia Israel pelos colonatos nos territórios ocupados, embora mantenha laços económicos crescentes com o Estado israelita.

Xi defendeu o reforço das relações bilaterais com os países árabes, porque a guerra “não pode durar indefinidamente”. “O Médio Oriente tem grandes perspectivas de desenvolvimento”, afirmou o Presidente da República Popular China aos líderes da Tunísia, Egipto, Bahrein e Emirados Árabes Unidos (EAU) presentes no fórum.

Xi disse também que a China vai impulsionar a cooperação estratégica com os países árabes em domínios como o da energia e apelou para a celebração de acordos regionais de comércio livre. “Estamos dispostos a construir estas relações de forma a manter a paz e a estabilidade a nível global”, afirmou, segundo a agência noticiosa chinesa Xinhua.

Xi anunciou ainda que a China vai acolher a segunda cimeira China-Árabe, que descreveu como uma “pedra angular” das relações bilaterais, em 2026. Participam no fórum os líderes do Egipto, Abdel Fattah al-Sisi, dos EAU, Mohamed bin Zayed al Nahyan, do Bahrein, Hamad bin Salman Al Khalifa, e da Tunísia, Kais Saied.

Posição elogiada

O Presidente egípcio, que discursou na cerimónia de abertura, elogiou a China por apoiar um cessar-fogo imediato em Gaza e a criação de um Estado palestiniano independente. “Apelo a todos os actores activos da comunidade internacional para que assumam as suas responsabilidades morais e legais para pôr termo à ultrajante guerra israelita”, afirmou al-Sissi, citado pela agência norte-americana AP.

Pediu também “medidas imediatas e decisivas” para a entrega de ajuda humanitária em Gaza, “a fim de romper o cerco israelita e contrariar quaisquer tentativas de deslocar à força os palestinianos das suas terras”. A ofensiva israelita em curso na Faixa de Gaza já causou mais de 36.000 mortos, segundo o governo do Hamas, que controla o enclave palestiniano desde 2007.

O Vazio Amoroso em François Cheng

Ana Cristina Alves, Coordenadora do Serviço Educativo do CCCM

29 de maio de 2024

I

O vazio amoroso

François Cheng (1929 – ) é um grande escritor, filósofo, calígrafo, enfim sinólogo, descendente de chineses nascido e radicado em França. Tem alguns estudos profundos dedicados à pintura chinesa, nos quais se destaca o seu pensamento filosófico, como em: L’ Espace du Rêve: mille ans de Peinture Chinoise (1980); L´Écriture Poétique Chinoise: Suivi d’ une Antologie des Poèmes des Tang (1982) e, sobretudo, Vide et Plein: Le Langage Pictoral Chinois (1991), com reflexões muito interessantes sobre o vazio do ponto de vista filosófico.

Possui ainda uma obra literária da qual se destacam dois romances premiados, ambos traduzidos para português pela editora Bizâncio, o primeiro Le Dit de Tianyi (1998), que lhe valeu o prémio Femina; o segundo, que aqui se analisará L’ Éternité n’ est pas de Trop (2002) , a propósito do vazio amoroso pelo qual se conduzirá o leitor até ao vazio filosófico. A obra, traduzida para português por Francisco Agarez, sob o título de A Eternidade não é de mais, valeu-lhe o Grande Prémio da Francofonia da Academia Francesa.

Através dela somos conduzidos a finais da dinastia Ming, tal como sucedeu a François Cheng quando convidado para um colóquio em Royaumont numa antiga abadia restaurada, deu com um legado de um erudito chinês à biblioteca conventual, no qual descobriu uma novela notável intitulada História do Homem da Montanha. Perdeu-se na narrativa, que relatava a paixão amorosa persistente para além do tempo, sendo recompensada trinta anos mais tarde, pela persistência do par amoroso. Mas o mais extraordinário está para vir. Cheng, embora muito tocado pelo livro, seria atraído pelo mundo dos afazeres profissionais, até que volvidos vinte anos foi de novo convidado a participar num encontro intelectual em Royaumont. Saltou-lhe à memória com acutilância a história que não tinha sido capaz de esquecer. Porém, quando chegou à biblioteca a obra havia desaparecido. Logo se comprometeu a refazer a narrativa que tanto o impressionara. Chegaria, por fim, a coincidência mais admirável de todas, outra vez distraído por razões mundanas, só conseguiria realizar o seu intento, dez anos depois, ou seja, somando aos vinte que tinham passado, trinta anos corridos. Tudo indicava que a realização do feito seria tão fora de série como a coincidência a que o autor chamou “milagrosa” (Cheng, 2002, 8).

Aquela grande paixão regressa à vida agora pela mão do escritor, que a consagrará em França e no mundo através do mais importante galardão literário francês. Garantida fica a imortalidade do par amoroso chinês, Dao-Sheng, “o Santo do Dao” o médico adivinho, e Lan-Ying, a “Fina Orquídea”, que atados pelo fio vermelho invisível do destino com que o Velhinho da Lua (月老) põe e dispõe casamentos e relações, voltam a encontrar-se contra todas as expetativas. 1

Tal é possível, como nos explica o escritor, porque “a verdadeira paixão amorosa não tem apenas a ver com o coração e os sentidos. Revela eminentemente do espírito” (Cheng, 2002, 12). Ora o espírito (神shén) ultrapassa e supera as vicissitudes humanas, que haviam afastado o inicialmente violinista, Dao Sheng, da filha da família Lu, a Menina Lan-Ying, por intervenção do Segundo Senhor Zhao, o marido da futura Senhora Ying, um homem devasso, brutal, incompetente, descrito como “um perfeito inútil, tirano a passar das marcas” (Cheng, 2002, 32). Tudo se complica e parece afastar o par predestinado. Dao Sheng faz frente ao futuro marido de Lan-Ying, sendo degredado e sujeito a trabalhos forçados, que lhe danificam o pulso e o perdem para o violino. Mas como homem de recursos que era, foge do cativeiro, sendo recolhido num mosteiro taoista, onde revela pouco vocação monástica, contudo grande apetência para o estudo da medicina, pelo que, depois de mais de uma dezena de anos de estudo de plantas medicinais e receitas, se transforma num habilidoso curandeiro e adivinho. Já a senhora Ying, depois de casada, é, para sua sorte, “completamente abandonada; por isso leva uma vida muito mais tranquila” (Cheng, 2002, 33), dedicando-se a causas humanitárias budistas, o que lhe valeu a amizade e o respeito do bonzo local, o Grande Monge, que a salvaria quando esta foi raptada por bandidos. Ora eles viriam a pedir um resgate avultado ao Segundo Senhor Zhao, que hesitou em pagar a soma solicitada por uma mulher que deixara de o atrair, por estar sempre triste e melancólica.

O Grande Monge budista terá um papel fulcral na intriga, já que não só salvou a Senhora Ying do cativeiro armado pelos ladrões, como recolheu o monge taoista, curandeiro e adivinho, quando percebeu a sua grande competência médica. Será também por intermédio do Grande Monge que se intui estar a aguardar a Senhora Ying algo de muito bom, porque, segundo nos diz,“quem sobrevive a uma calamidade irá conhecer a felicidade mais tarde” (Cheng, 35).

Quanto a Dao Sheng, “por mais meditações e exercícios de vacuidade que se impusesse, não conseguia livrar-se da ideia fixa que trazia consigo”. (Cheng, 2002, 26) – Lan-Ying, sobretudo aquele sorriso dela que tanto o cativara e o acompanhara ao longo dos anos mais penosos de degredo. Ele era um homem especial, um santo conhecedor da via do Dao (道), apesar de não ter atingido o desprendimento ou iluminação total (Cheng, 2002, 20):

Além de tratar dos doentes, a sua profissão principal ainda é a adivinhação. E não é esta que propõe o preceito: «fazer o que o homem puder, deixar que o Céu faça o resto?» Com efeito, uma vez que estejam reunidas as condições e as oportunidades, e que o homem tenha feito aquilo que está ao seu alcance, o que não deve acontecer, não acontece, e o que deve acontecer, acontecerá.

Dao Sheng, que nunca tinha perdido Lan-Ying da ideia, vai à procura da amada, encontra-a, já ela está muito doente, ainda assim consegue salvá-la. Afinal, era um excelente médico, apesar de não ter os pergaminhos necessários, por isso a si mesmo se apelida de curandeiro. É simples, bom, honesto e trabalhador e está convencido de que a sua arte e ciência ficam a dever o melhor de si mesmas ao pensamento (Cheng, 2002, 52):

A adivinhação e a medicina não se fazem só com receitas, que elas nada são sem o pensamento que lhes serve de fundamento (…) Diz-se que está tudo ligado, que não se podem separar os sinais humanos dos que vêm da Terra e do Céu. Dentro deste todo orgânico, o traço de união não é nenhuma corrente, nem nenhuma corda, mas sim o sopro que é ao mesmo tempo unidade e garante da transformação.

A história avança e ele consegue salvar a amada do estado doentio em que se encontra. No entanto, as convenções da época mantêm o par à distância, apenas lhes permitindo depois da cura da Senhora Ying, trocas de olhares, sorrisos furtuitos e silêncios pejados de sentido. Entretanto, aproxima-se a morte do Segundo Senhor Zhao, que tinha ficado paralítico, na sequência de múltiplas cacetadas nas costas, aquando do assalto dos bandidos, que pululavam nos tempos tumultuosos dos finais da dinastia Ming, nos quais grassava a pobreza e as casas senhoriais se tornavam muito apetitosas. A inação e o ópio conduzem o Segundo Senhor à tuberculose, ditando-lhe um final de vida mal vivida e esquecida entre os fumos. É chamado Dao Sheng, de reconhecido mérito, para que o tente salvar in extremis. Só que, por um lado, ele já está às portas da morte, por outro, Dao Sheng acaba por se revelar, atraindo novamente a desgraça sobre a Senhora Ying e ele próprio. O marido, cuja paralisia e a beleza rejuvenescida da mulher, lhe voltam a despertar um estranho desejo, descobre finalmente a razão de ser da graciosidade recuperada da Senhora Ying e nos momentos finais de vida chama-a para a enforcar com o cinto do roupão.

Aparentemente bem-sucedido, todos dão a Senhora Ying como morta, quando a sua fiel empregada, Xiao Fang, manda chamar o médico, que literalmente a ressuscita num ato conjugado de ciência e fé. Ele que tinha escutado a um dos padres jesuítas, vindo do “Oceano do Oeste”, ao qual salvara do paludismo, uma citação de Santo Agostinho, “ama e faz o que quiseres” (Cheng, 2002, 195), lança-se rumo à segunda salvação de Lan-Ying, num cruzamento da inspiração cristã com as excelentes técnicas medicinais taoistas, que implicam, quer a massagem baseada no magnetismo da mão, quer o recurso ao sopro vital, numa eficaz respiração boca a boca.

Estas crenças e técnicas conjugadas com uma postura ética irrepreensível, levam-no a questionar-se e a prosseguir exausto com a tarefa de salvamento “Com essa humildade, essa sinceridade conseguirá alcançar o shen? Lançar um fio ténue no espaço imenso para apanhar um ganso selvagem perdido?” (Cheng, 2002, 184).

Salva a mulher e daí para a frente ficarão fisicamente separados, mas espiritualmente mais unidos do que nunca, ele no mosteiro da montanha, ela, depois da morte do marido, liberta-se da família Zhao e vai para o convento das freiras do Vale de Guan-yin (观音Guānyīn). Ambos com a plena consciência de que a separação era momentânea, mas a jura, eterna “mais perene do que o Céu e a Terra” (天长地久Tiāncháng-dìjiǔ) ou “para além dos rochedos apodrecidos e oceanos ressequidos” (大海干涸、岩石腐烂Dàhǎi gānhé, yánshí fǔlàn) (Cheng, 2002, 122), mesmo que não seja já nesta vida, porque Dao Sheng dá sinais de velhice, o seu sopro vital está fraco, respira com dificuldade e “sente-se ferido de vazio” (Cheng, 2002, 214).

O final fica em aberto. Será que voltam a reencontrar-se? Senão nesta existência por certo para a próxima, porque se o vazio aproxima, também fere e mata, o sopro vital é limitado e para se eternizar terá de regressar à origem, ao sopro primordial, a esse que tudo pode, por entre os temas essenciais da vida humana, o nascimento, a velhice, a doença e a morte, faz acontecer o melhor “uma pitada de aspiração aqui, uma onça de amor acolá” (Cheng, 2002, 52).

II

O Vazio Filosófico

O sopro vital concede-nos o melhor a que podemos aspirar, a inspiração e o amor, pelo modo como se relaciona com o vazio, mas atenção porque existem sopros deficientes, perniciosos e malignos (Cheng, 2002, 52), uns e outros podem favorecer a união ou a separação, a cura ou a doença, a vida ou a morte, tudo e nada, na medida em que são constituídos pelo vazio, a potência que se pode atualizar no que o espírito ou a pessoa desejar.

Em Vide et Plein (1991), François Cheng alerta para o facto de o Vazio ser essencial no pensamento chinês, ao mesmo nível dos princípios Yin e Yang, que são perspetivados como sopros vitais, sendo o próprio vazio não o nada que se opõe ao tudo, mas “um elemento eminentemente dinâmico e operante” ( Cheng, 1991, 45). Ou seja, em termos práticos, é ele quem vai permitir a conjugação e a harmonização de dois elementos tão distintos como o Yin e o Yang. O vazio é então definido como um “princípio base” no pensamento chinês (Cheng, 1991, 46) essencial na filosofia, expressando-se através do silêncio, mas também na própria noção de vazio enquanto complementar do cheio, potência de infinitas possibilidades, que ainda não podem ser ditas, por exemplo no taoismo ou no budismo; filosofias extremamente sensíveis e dependentes do vazio. Na pintura, este expressa-se pelo espaço não pintado, na poesia pela supressão de certos vocábulos, na vida pela conjugação de elementos viabilizada por ele, um mediador que harmoniza a rígida oposição, como a montanha e a água (Cheng, 1991, 47) numa paisagem. O vazio, enquanto potência, permite toda e qualquer transformação, sendo esta noção o pilar da filosofia chinesa. A transformação proporciona, indica e favorece a vida, a ausência da mesma manifesta a morte.

De acordo com a perspectiva de François Cheng sobre a ontologia taoista, que me parece legítima, esta apresenta-nos uma versão cosmogónica em que o Dao (道) é primeiro, mas surge em estreita conexão com o Nada, este será o vazio essencial a nível numenal, o sopro primordial, enquanto Wú (无), ou não-ter ou não haver, vai proporcionar o ter/haver Yǒu (有), entrando a partir daqui um terceiro termo mediador, o vazio fenomenal, o Xū (虚), o sopro existencial, elemento de união entre todos os seres, que corresponderá nos budistas ao Kōng (空). É do mesmo vazio que se trata, que tem como par complementar o pleno/cheio e atua a nível fenomenal, quer dizer da realidade material que nos rodeia Shì(事). Toda a nossa existência se desenrola entre o vazio e o cheio, quanto mais vazios formos, mais plenos de possibilidades nos tornamos. Quanto mais cheios, tanto menos dinâmicos e mais coisificados. Cabe-nos decidir se queremos ser (ativos e dinâmicos) ou ter (coisas, ocupar espaços). As filosofias taoista e budista privilegiam o vazio, o silêncio, o recolhimento, a humildade e o apagamento. Já a filosofia confucionista poderá privilegiar a construção de obras, livros, bibliotecas, escolas, etc. O caminho certo, está como de costume, no meio termo, na via do meio, nem pessoas muitas cheias, nem muito vazias, nem países muito cheios, nem muitos vazios, de modo a favorecer a harmonia que permita viver bem. Sem espaço corpóreo não há possibilidade de ligação, nem amor, nem beleza, onde o sopro amoroso possa desenvolver-se a atuar, sem estruturas materiais não há obras de arte: livros, pinturas, rolos caligráficos, estátuas, museus, palácios, templos, belas paisagens em que se possa contemplar o sol e a lua, repletas de possibilidades ou de vazio.

A representação do vazio, na filosofia daoista, é o vale, a nível fenomenal; porém, a nível numenal é o espírito do vale, daí a importância do espírito (神shén), que nos religa à esfera sagrada, à zona do mistério como indica o capítulo VI do Daodejing (《道德经》)no qual o Dao (道) é descrito como “o Espírito do Vale” (谷神Gǔ shén) e a “Fêmea Misteriosa” (玄牝Xuán pìn):

谷神不死

是谓玄牝

玄牝之门

是谓天地根

绵绵若存

用之不勤

(Graça de Abreu, 2013,38)

(O Espírito do Vale não morre/diz-se a Fêmea Misteriosa/As portas da Fêmea Misteriosa dizem-se a raiz do Céu e da Terra/Continuamente existente/ Usa-se mas não se esgota2.)

Por último, e para melhor entendermos o sopro amoroso que uniu Dao Sheng e Lan-Ying, aqui fica a primeira parte do capítulo 42 do Livro da Via e da Virtude, que nos revela a cosmogonia daoista e, ao mesmo tempo, a possibilidade de ligações amorosas:

道生一

一生二

二生三

三生万物

万物负阴而抱阳

冲气以为和

(Graça de Abreu, 2013, 110)

(O Dao gerou o um/ O Um gerou o Dois, o Dois gerou o Três/ o Três gerou os Dez Mil Seres/ Os Dez Mil Seres carregam o Yin e abraçam o Yang/ a harmonia nasce do vigoroso sopro mediador)

Voltando ao início, quando o casal amoroso se encontrou, o que os uniu foi sopro vazio mediador. Como descreveria o narrador naquela noite do 15ºdia do 8º mês em que a lua brilhava em todo o esplendor nos céus, e o par, com o apoio da fiel empregada, consegue iludir a apertada vigilância da família Zhao, sentando-se os dois lado a lado, de mãos unidas a contemplar a lua: “E ficam as quatro mãos sobrepostas, por elas passando a respiração harmoniosa dos dois” (Cheng, 2002, 132).

Referências Bibliográficas

Cheng, François. (1980). L´Espace du Rêve: mille ans de Peinture Chinoise. Paris: Phébus.

_____________. (1982) ); L´Écriture Poétique Chinoise: Suivi d’ une Antologie des Poèmes des Tang. Paris: Éditions du Seuil.

_____________. 1991). Vide et Plein: Le Langage Pictoral Chinois. Paris: Éditions du Seuil.

______________. (1998). Le Dit de Tianyi. Paris: Albin Michel.

_____________. (2002). L’ Éternité n’ est pas de Trop. Paris: Albin Michel.

Graça de Abreu, António. (Org. e Trad.) (2013). 《道德经》Tao Te Ching. Livro da Via e da Virtude. Ed. Bilingue. Lisboa: Vega.

Wang Suoying, Ana Cristina Alves. 2009. Mitos e Lendas da Terra do Dragão. Lisboa: Caminho.

Wang Suoying, Ana Cristina Alves (2009) Ver Mitos e Lendas da Terra do Dragão. Lisboa; Caminho.

Traduções da autora do artigo.

Sinal n.º 1 emitido com tempestade a caminho de Macau

O primeiro sinal de tempestade tropical do ano foi emitido ontem, às 17h30, pelos Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG), que prevêem que o tempo em Macau, entre hoje e amanhã, seja instável, com aguaceiros, trovoadas e vento muito forte.

“As nuvens associadas a um vasto vale depressionário na parte central do Mar do Sul da China desenvolveram uma área de baixa pressão, prevendo-se que nos próximos dias se aproxime da costa meridional da China. Não se exclui a possibilidade de se intensificar ainda mais para uma tempestade tropical num curto período de tempo”, alertou o organismo de manhã, antes de emitir o sinal de tempestade tropical n.º1.

No início do dia, as autoridades sublinhavam a existência de divergências entre os diferentes modelos de previsão sobre o desenvolvimento da intensidade da área de baixa pressão, em relação à “possibilidade de emitir o sinal de tempestade tropical”. Essas divergências foram colocadas de lado com a emissão do sinal.

Os SMG declararam que de acordo com as previsões numéricas, “prevê-se que a área de baixa pressão se aproxime da costa meridional chinesa e até da foz do Rio das Pérolas”, entre hoje e amanhã.

Hong Kong em sintonia

Face ao exposto, os SMG apelam à população que preste atenção às informações meteorológicas actualizadas e tome medidas de prevenção em tempo oportuno. No entanto, prevê-se que na próxima semana, sob a influência gradual de uma corrente de ar de leste, os aguaceiros e as trovoadas enfraqueçam.

Na região vizinha, o Observatório de Hong Kong emitiu também o sinal n.º1 de tempestade tropical 10 minutos após Macau o ter feito. Recorde-se que os SMG estimaram que este ano passem por Macau entre quatro a sete tufões. No início de Abril, as autoridades previam que a época de tufões pudesse começar na segunda quinzena de Junho.

Mercado Vermelho | Portas abertas após dois anos de obras

Com cada vez menos clientes portugueses e com maiores dificuldades no comércio local, os vendedores regressaram ontem às bancas do mercado mais icónico do território

 

No Mercado Vermelho, o mais icónico de Macau, que reabriu ontem ao público depois de dois anos encerrado para obras de remodelação, ainda há quem recorra ao português para atrair clientes.

Duas horas depois da cerimónia de inauguração das novas instalações, centenas de pessoas já percorriam os corredores do mercado, um dos mais antigos de Macau e o único classificado como património cultural. Para muitos clientes regulares o dia foi de reencontro com os vendedores que regressaram às 118 bancas já hoje em funcionamento. Mas o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) admitiu que 31 bancas continuam vazias.

Alguns dos vendedores não resistiram à quebra no volume de negócios, devido à mudança para instalações temporárias na zona de Lam Mau e outras bancas mudaram de mãos. No caso de Leong Yau Chan, a banca de peixe que estreou ontem era do pai, Leong Chi Pong, que chegou há mais de quatro décadas, com apenas 26 anos, de Zhongshan, uma cidade a 40 quilómetros de Macau.

“Há muito tempo que estávamos a tentar convencê-lo a reformar-se, porque já tinha quase 70 anos”, disse à Lusa. Leong Yau Chan recorda-se bem do pai a tentar falar “um pouquinho de português” com qualquer rosto ocidental que subia ao andar de cima do Mercado Vermelho: “Amigo, quer salmão?” arrisca agora o filho.

Menos portugueses

Mas nos últimos anos, antes do encerramento, os clientes portugueses habituais da banca já não eram tantos como antes. “Muitos foram embora durante a pandemia, enquanto estivemos para aqui fechados”, lamentou Leong Yau Chan, de 38 anos. Durante quase três anos, Macau proibiu a entrada de pessoas sem estatuto de residente e impôs quarentenas, que chegaram a ser de 28 dias, à chegada à região semiautónoma, no âmbito da política ‘zero covid’, que também vigorou na China continental.

No andar de baixo, Ana Wong também lamenta que houvesse menos portugueses a visitar o Mercado Vermelho do que quando começou o negócio, há mais de 40 anos. “Batata, tomate, cebola, alface, agrião, brócolos, couve-flor”, enumera a vendedora de 66 anos, enquanto aponta, um a um, os legumes na banca.

O português de Ana Wong, que não vai muito além dos nomes dos legumes e dos preços, aprendeu em aulas nocturnas, que frequentou antes da transferência da administração de Macau para a China. “Sabe porque é que até prefiro os clientes portugueses?” questionou a vendedora. “Porque não conseguem regatear”, acrescentou com uma risada, referindo-se ao facto da maioria dos portugueses radicados em Macau não falar cantonês, a língua dominante na cidade.

Mas Ana Wong ainda acrescentou que, ao contrário do que acontecia no passado, já começam a surgir “alguns portugueses que pedem os legumes em chinês”. “Aqueles casados com macaenses”, explicou, utilizando a expressão em cantonês ‘tou san’ (filhos da terra), que se refere à comunidade euro-asiática, composta sobretudo por luso-descendentes, com raízes no território.

Construído em 1936, o Mercado Vermelho é um edifício de influência arquitectónica portuguesa e foi projectado pelo macaense Júlio Alberto Basto.

Comércio | Exportações lusófonas para Macau caem em Abril

As exportações de mercadorias dos países de língua portuguesa para Macau caíram 25,7 por cento em Abril, em comparação com o mesmo mês de 2023, para 102 milhões de patacas, foi ontem anunciado. Segundo a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) de Macau, a maioria do comércio com os mercados lusófonos veio do Brasil, no valor de 73,7 milhões de patacas, menos 35,6 por cento em termos anuais, sendo composta sobretudo por carne, peixe e marisco.

Pelo contrário, o valor da mercadoria comprada por Macau a Portugal subiu 21 por cento para 27,1 milhões de patacas, sendo composta sobretudo por vestuário e acessórios, bebidas alcoólicas e produtos farmacêuticos. O bloco de países de língua portuguesa comprou a Macau mercadorias no valor de 258 mil patacas em Abril.

No mesmo período de 2023, as importações dos mercados lusófonos não passaram de 40 mil patacas. No total dos quatro primeiros meses do ano, as exportações de mercadorias dos países de língua portuguesa para Macau caíram 17 por cento para 422,7 mil milhões de patacas.

As exportações de mercadorias por Macau foram de 1,22 milhões de patacas em Abril, uma subida de 42 por cento, enquanto o valor importado de mercadorias foi de 11,1 mil milhões de patacas, ou seja, menos 4,3 por cento, em termos anuais, indicou a DSEC. O défice da balança comercial de Macau fixou-se em 9,9 mil milhões de patacas, menos 8,4 por cento relativamente ao mesmo mês de 2023.