Pelo menos seis mortos após explosão num barco de pesca nas Filipinas

Pelo menos seis tripulantes filipinos morreram e seis foram resgatados com vida após uma explosão que atingiu o barco de pesca em que trabalhavam no mar, próximo da província filipina de Cebu, disseram ontem autoridades da guarda costeira.

Os tripulantes sobreviventes, incluindo o capitão do navio filipino F/B King Bryan, ainda estavam a ser tratados no hospital ou traumatizados demais para relatar aos investigadores o que desencadeou a explosão e o incêndio a bordo do navio na noite de quarta-feira, a cerca de oito quilómetros da cidade de Naga, na província de Cebu, disseram autoridades da guarda costeira filipina.

Um dos tripulantes feridos estava em estado crítico num hospital em Cebu, referiu ainda a guarda costeira.

Vídeos e fotos divulgados pela guarda costeira mostraram chamas e fumo a sair do barco de pesca, enquanto as equipas de socorro examinavam as águas na escuridão. Os tripulantes com queimaduras foram transportados para um local seguro pelo pessoal da guarda costeira.

O barco, de casco de madeira e que tinha estabilizadores de bambu, aparentemente apresentou problemas no motor antes da explosão e do incêndio tomarem o navio, ferindo vários tripulantes e forçando outros a saltar para o mar em pânico.

Um rebocador que passava no local ajudou a apagar o incêndio e uma operação de busca e resgate da guarda costeira foi lançada, disseram autoridades filipinas.

Cenas recorrentes

O barco de pesca estava no mar desde domingo, tendo passado pelas zonas costeiras de Gilotongan, Cawayanan, Masbate em busca de pescado. Os acidentes marítimos são comuns no arquipélago filipino devido a tempestades frequentes, barcos mal conservados, sobrelotação e a falta de cumprimento dos regulamentos de segurança.

Em Dezembro de 1987, um ‘ferry’ sobrelotado, o Dona Paz, afundou após colidir com um navio-tanque carregado de combustível, matando mais de 4.300 pessoas, o incidente marítimo que provocou mais mortos a nível global, excluindo em cenários de conflito armado, ficando o Dona Paz conhecido como o Titanic asiático.

Timor-Leste | Xanana apela a jovens para deixarem as “ditas” artes marciais

O primeiro-ministro de Timor-Leste pediu ontem aos jovens timorenses, residentes no país e na diáspora, para deixarem de praticar as “ditas” artes marciais e rituais. O apelo de Xanana Gusmão surgiu na sequência de uma rixa entre dois grupos rivais em Fátima, que resultou num morto. A Conferência Episcopal Timorense também condenou a violência

 

O primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, está preocupado com a influência que as artes marciais e rituais têm nos jovens timorenses, tanto em solo nacional como no estrangeiro. “Este apelo que estamos a fazer é para deixarem as tais ditas artes marciais”, afirmou Xanana Gusmão, que lembrou ter ocorrido uma redução da violência desde que as artes marciais e rituais foram suspensas no país.

O primeiro-ministro falava aos jornalistas na Presidência timorense, no final de um encontro com o chefe de Estado, José Ramos-Horta, durante o qual foram discutidos os incidentes registados, no domingo, em Fátima (Portugal), que envolveram jovens timorenses e que provocaram um morto e quatro feridos.

Em Novembro passado, o Governo timorense tinha suspendido a aprendizagem e a prática das artes marciais, devido aos graves incidentes registados no território, tendo renovado a suspensão em Abril.

Xanana Gusmão condenou os acontecimentos em Fátima, nos quais estiveram alegadamente envolvidos dois grupos de artes marciais (o 22 e o 77). O incidente envolveu cerca de 40 jovens, provenientes de vários locais de Portugal, incluindo Lisboa, Setúbal e Leiria, e deveu-se a “diferenças entre os dois grupos”, acrescentou.

“Ontem [quarta-feira] decidimos, se a família assim o requerer, trasladar o cadáver para Timor”, disse também o primeiro-ministro timorense. Nos confrontos morreu um jovem timorense do município de Aileu.

O primeiro-ministro disse também que a Polícia Judiciária portuguesa está a investigar e que todos os envolvidos devem ser expulsos e regressar a Timor-Leste para “incutir em toda a sociedade timorense que é preciso deixar de vez” as artes marciais.

Absolvição divina

A Conferência Episcopal Timorense lamentou ontem e censurou os confrontos entre timorenses registados no domingo em Fátima, que provocaram um morto, e apelaram aos jovens para “fazer o bem em qualquer país onde estejam”.

“Nós, os bispos de Timor, manifestamos a nossa mais firme censura a qualquer forma de violência, que não pode ter lugar na sociedade em que vivemos e muito em particular no Santuário de Fátima”, refere, em comunicado, a Conferência Episcopal Timorense.

Em causa estão os incidentes registados domingo em Fátima, que envolveram timorenses de dois alegados grupos de artes marciais, que provocaram um morto e quatro feridos.

“Queremos realizar, com este gesto público, um pedido de desculpas ao povo português, à Conferência Episcopal Portuguesa, em particular à Diocese de Leiria e aos seus fiéis, aos moradores e peregrinos do Santuário de Fátima pelos actos daqueles jovens, que perturbaram o sossego e a sacralidade do Santuário de Fátima”, pode ler-se no comunicado.

Os bispos de Timor-Leste apelaram também aos jovens timorenses para que “rompam com as ondas e a espiral de violência. Que os jovens, em geral, vivam a sua fé cristã, se respeitem e amem uns aos outros e unam esforços para fazer o bem em qualquer país onde estejam”.

O Presidente timorense, José Ramos-Horta, condenou também, quarta-feira, numa declaração feita no enclave de Oecússi, os incidentes em Fátima e aconselhou as autoridades portuguesas a expulsarem os cidadãos timorenses envolvidos, segundo a imprensa timorense. Segundo José Ramos-Horta, grupos ou elementos das artes marciais já tinham criado problemas em Inglaterra e na Irlanda do Norte.

Guerra | Kiev pede à China que adira a cimeira de paz

O ‘número dois’ da diplomacia da Ucrânia, Andriy Sybiha, pediu ontem, em Pequim, ao Governo Central que participe na cimeira de paz marcada para 15 e 16 de Junho, na Suíça.

O primeiro vice-ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano falou com o homólogo chinês, Sun Weidong, sobre a situação na Ucrânia e os preparativos para a cimeira, de acordo com um comunicado da Embaixada da Ucrânia na China.

No encontro, Sybiha disse que a participação da China na cimeira seria uma “excelente oportunidade para contribuir de forma prática para a conquista de uma paz justa e duradoura na Ucrânia”.

O dirigente defendeu que a “única base para alcançar tal paz” é a fórmula defendida pelo Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. Zelensky exige a retirada da Rússia de todo o território da Ucrânia, incluindo a península da Crimeia, anexada em 2014, e as regiões de Donetsk, Lugansk (leste), Kherson e Zaporijia (sul), anexadas em Setembro de 2022.

Sun e Sybiha sublinharam a importância de aderir aos princípios da Carta das Nações Unidas e do direito internacional, incluindo o “respeito mútuo pela soberania e integridade territorial”, indicou a nota ucraniana.

Num outro comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da China referiu que Sun destacou a importância de “manter o respeito mútuo e a sinceridade nas relações bilaterais” e acrescentou que ambos os países devem “focar-se nos interesses fundamentais e de longo prazo dos respectivos povos”.

Sybiha manteve também um encontro com o enviado especial chinês para a região da Eurásia, Li Hui, no qual foram novamente discutidas as relações entre a China e a Ucrânia, bem como a guerra no país europeu.
A 31 de Maio, o país asiático tinha dito que seria difícil participar nesta cimeira se a Rússia não fosse convidada, declaração aprovada por Moscovo.

Fitch prevê queda do valor das transacções de casas novas na China até 20% este ano

Quebras entre 15 e 20 por cento no valor das transacções de casas novas no mercado imobiliário chinês.

Esta é a previsão avançada ontem pela agência de notação financeira Fitch, já tendo em consideração as políticas de estímulo implementadas pelo Governo Central. A Fitch disse acreditar que a venda de casas novas pode cair para 8,3 biliões de yuan em 2024, reflectindo um declínio de 10 a 15 por cento na área vendida e uma queda de 5 por cento no preço médio de venda, de acordo com um relatório divulgado pela instituição.

O valor das transacções de imóveis novos das 100 maiores empresas imobiliárias do país caíram cerca de 45 por cento em termos anuais em Abril, após uma queda de 46 por cento em Março, indicam dados da consultora China Real Estate Information Corp. Uma tendência muito mais negativa do que as previsões anteriores da Fitch, que apontavam para uma diminuição de 5 a 10 por cento no valor das vendas, e “reflecte uma maior pressão descendente” nos preços das habitações, disse a agência.

A 17 de Maio, a China anunciou novas medidas para revigorar o sector imobiliário, depois de os últimos dados terem mostrado que os preços da habitação caíram quase 10 por cento desde o início do ano.

As autoridades reduziram a entrada para hipotecas e o limite mínimo das taxas de juro para a primeira e segunda habitações e instaram as administrações locais a comprar aos promotores imobiliários terrenos não urbanizados ou imóveis não vendidos.

Casas vazias

Várias das maiores cidades do país, incluindo a capital financeira, Xangai, também suspenderam as restrições às transacções de imóveis, que caíram 24,3 por cento em 2022 e mais 8,5 por cento em 2023, medidas por área útil. Estas medidas “poderão ajudar a estabilizar as vendas (…), até certo ponto”, nas maiores cidades da China, mas em outras zonas o impacto “será provavelmente muito mais limitado”, previu a Fitch.

O número significativo de habitações não vendidas em muitas cidades chinesas “está a restringir a liquidez dos promotores” imobiliários e também “a pesar na confiança dos compradores”, sublinhou. A Fitch disse acreditar que a procura média por habitação na China ronda este ano um total de 800 milhões de metros quadrados, “significativamente inferiores aos dos anos anteriores, sugerindo que a tendência de consolidação do sector” pode continuar.

A situação financeira de muitas empresas imobiliárias chinesas agravou-se depois de Pequim ter restringido, em 2020, o acesso ao financiamento bancário para os promotores que acumularam um elevado nível de dívida. Uma questão que preocupa Pequim pelas implicações na estabilidade social, já que a habitação é um dos principais investimentos das poupanças das famílias chinesas.

No início de Abril, a Fitch baixou a perspectiva para a economia chinesa para negativa, face aos “riscos crescentes” para as finanças públicas devido à transição para um modelo de crescimento menos dependente do imobiliário.

Cooperação | Vice-presidente do Brasil procura na China mais investimento

O vice-presidente do Brasil disse ontem em Pequim que quer aprofundar a parceria estratégica com a China e promover “investimentos recíprocos para geração de emprego, renda e desenvolvimento” para os brasileiros

 

Durante uma visita oficial a Pequim, o vice-presidente brasileiro, Geraldo Alckmin, apontou como objectivo fundamental aprofundar a cooperação com a China de forma a captar “investimentos recíprocos para geração de emprego, renda e desenvolvimento” no Brasil.

Geraldo Alckmin disse na rede social X (antigo Twitter) que a meta a alcançar é “trazer prosperidade e combater a pobreza”.

O governante brasileiro participou, na quarta-feira e ontem, na sétima reunião plenária da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (Cosban). O também ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços brasileiro sublinhou que o encontro “marca os 20 anos da Cosban, os 50 anos das relações diplomáticas entre os dois países, e traça uma estratégia para o futuro”.

Alckmin destacou que a balança comercial com a China cresceu 17 vezes, de nove mil milhões de dólares (8,3 mil milhões de euros) em 2004 para 157 mil milhões de dólares (144,2 mil milhões de euros) em 2023, “Nos próximos 50 anos, queremos aprofundar esta parceria estratégica, acrescentou o vice-presidente.

Alckmin iniciou na terça-feira uma visita oficial à China acompanhado de uma comitiva de 200 empresários do país sul-americano.

Rota a seguir

Em Abril de 2023, o Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, realizou uma visita oficial à China para marcar o início do terceiro mandato.

A segunda comitiva do Governo sul-americano a visitar Pequim, liderada por Alckmin e o ministro da Casa Civil brasileiro, Rui Costa, deve tratar da inclusão do Brasil no iniciativa ‘Uma Faixa, Uma Rota’.

Durante a visita oficial da comitiva brasileira à China, que decorre até amanhã, também deverão ser assinados acordos bilaterais no plano consular, agrícola, de investimentos e de combate às alterações climáticas. Os 200 empresários brasileiros terão como missão principal o reforço comercial nas áreas da agricultura, indústria, finanças, transição energética e mercados capitais.

De acordo com dados oficiais, a China é o maior parceiro comercial do Brasil desde 2008. O mercado chinês foi destino de 30 por cento das exportações brasileiras em 2023, atingindo 104 mil milhões de dólares (95,5 mil milhões de euros), sobretudo graças a produtos alimentares e matérias-primas.

A China, por seu turno, mantém investimentos no Brasil que rondam os 40 mil milhões de dólares (36,8 mil milhões de euros), que nos últimos anos se têm centrado sobretudo na área energética.

Zhuge Liang pede emprestado o Vento Leste

No último artigo sobre Zhuge Liang (181-234) referimos por engano ser Xü Shu seu genro, mas como anteriormente escrevemos era Huang Chengyan, que apresentara a filha Huang Yueying ao Dragão Adormecido advertindo-o apesar de feiosa era a Jovem Fénix dotada de muitos talentos a complementar com os atributos do estratega.

No Romance dos Três Reinos (San Guo Zhi, 三国志) faz-se referência a Zhuge Liang ter pedido emprestado três coisas: Flechas, o Vento Leste e Jingzhou. Se usar barcos com cobertura de colmo para pedir emprestado flechas (cao chuan jie jian, 草船借箭) foi já narrado no último artigo, seguimos aqui com o episódio de pedir emprestado o Vento Leste (JieDongFeng, 借东风), encontrando-se ambos registados nesse ficcional livro.

Esses dois episódios ocorreram em 208 entre os meses de Julho a Novembro durante a Campanha dos Penhascos Vermelhos em Chibi (província de Hubei) cujos exércitos conjuntos de Liu Bei e Sun Quan tinham apenas cinquenta mil homens enquanto no campo contrário, Cao Cao contava com 230 mil soldados. Nessas histórias a contracenar com Zhuge Liang aparece o general e estratega Zhou Yu (175-210) ao serviço de Sun Quan (182-252), mas a sua personagem é apresentada inferiorizada em relação ao estratega de Liu Bei (161-223).

Sun Jian (155-191), aliado do senhor feudal Yuan Shu, morrera em 191 na batalha de Xiangyang quando combatia Liu Biao, apoiante do lorde feudal Yuan Shao [cujas tropas no ano 200 foram derrotadas por Cao Cao].

Sun Ce (175-200, com nome de cortesia Bofu) era o filho mais velho de Sun Jian e separou-se de Yuan Shu para o qual o seu pai trabalhara e rumou para Sudeste onde estabeleceu a fundação do seu território durante a dinastia Han de Leste e desde 195 ocupava o Baixo-Yangzi na parte Leste da China. Teve ao seu serviço o general Zhou Yu seu genro, pois ambos casaram com as irmãs Qiao [Sun Ce com Da Qiao e Zhou Yu com Xiao Qian] e quando o Sun Ce foi assassinado no ano de 200 Zhou Yu passou a servir o irmão mais novo e sucessor Sun Quan.

Os vales do baixo curso do rio Yangzi, na parte Sudeste da China, ficaram dominados por Sun Quan (182-252) após conseguir acabar com uma rebelião de muitos, que o achavam sem força suficiente para ser um bom líder.

Cao Cao propõe-lhe enviar um dos filhos para Xudu [actual Xuchang em Henan para onde em 196 Cao Cao mudara a capital da dinastia Han do Leste quando Luoyang ficou devastada por a guerra e como quartel-general para aí levou o Imperador Xian, vindo a servir depois como capital do reino Wei], para se estabelecer boas relações entre eles, mas devido aos conselhos de Zhou Yu, Sun Quan não aceitou tal proposta.

Liu Bei (161-223), desde 207 contava com o estratega Zhuge Liang à frente do seu exército Han-Shu, pois considerava-se representante da casa real Han. Como não tinha uma base e esperava o momento adequado para solicitar o patrocínio do também membro da família real Liu Biao, que após a batalha de Xiangyang se tornara em 192 Prefeito de Jingzhou a administrar grande parte do centro da China, na zona média do rio Yangzi, lugar que ocupou até à sua morte em 208.

PEDIR EMPRESTADO O VENTO LESTE

No Inverno de 208 para 209, Cao Cao com um exército de 230 mil homens parte para Sul a conquistar Jingzhou (no curso médio do Yangzi, província de Hubei), então quartel de Liu Bei e de onde expandia o seu domínio para Oeste. Sun Quan, sentindo-se também ameaçado pela força dos Wei, resolveu juntar-se a Liu Bei, mas o exército de ambos não chegava a metade do de Cao Cao, que apresentava ainda uma imensa armada.

Após o sucesso de Zhuge Liang pedir emprestado flechas (cao chuan jie jian, 草船借箭) e em três dias ter conseguido as cem mil flechas requeridas por Zhou Yu (175-210), tal levou a aumentar ainda mais a inveja, mas precisando de combater o enorme exército de Cao Cao teve de se manter unido ao grande estratega.

No episódio conhecido por Pedir Emprestado o Vento Leste (JieDongFeng, 借东风) os dois estrategas em conjunto planearam usar o fogo para derrotar o general Cao Cao e trataram de muitos outros pormenores como o de colocar um dos seus, fingindo ter desertado das fileiras e ir ter com Cao Cao para lhe dar algumas ideias.

Sabiam Cao Cao não se sentir confortável a viver no barco e então esse desertor deu a ideia de ligar os barcos para ficarem mais estáveis e não balançarem muito. Quem iria combater aquela enorme frota era o general Zhou Yu, que ao ir de barco vistoriar o inimigo após chegar dessa inspecção ficou doente.

O principal conselheiro de Sun Quan, o general Lu Su (172-217) vendo-o naquele estado e encontrando-se em guerra ficou preocupado e foi ter com Zhuge Liang a pedir-lhe ajuda. Este disse-lhe para não se preocupar, pois tinha o medicamento para o seu General e assim os dois foram ter com o enfermo e quando lá chegaram Zhuge entregou uma carta por si escrita a Zhou Yu, segredando-lhe estar ali o seu medicamento. Ao ler, Zhou Yu logo se levantou sorridente e exclamou: exacto. A carte dizia: Tudo está pronto, o que é preciso é Vento Leste.

A enorme armada de Cao Cao subira o rio Yangzi e aportara a Noroeste, enquanto eles estavam fundeados a Sudeste e para o plano resultar, usando o fogo para combater Cao Cao, era precisou ter o vento de Leste.
No entanto, durante muitos dias o vento soprou sempre de Norte.

Ofereceu-se Zhuge Liang para durante três dias pedir Vento Leste, mas com a condição de lhe fazer um Templo onde pudesse requerer os favores do Céu para ser concedido tal vento. Mandou Zhou Yu preparar tudo para dali a três dias, por volta das quatro, cinco da manhã, pois o vento chegaria.

E assim foi! Às quatro da manhã desse terceiro dia, Zhou Yu escutou uma forte ventania e logo percebeu ter chegado o Vento Leste. Imediatamente, com o vento de feição enviou dez dos seus barcos carregados de combustível ao encontro da armada de Cao Cao. Quando estavam próximos ateou o fogo aos seus barcos e o vento encarregou-se de o passa para toda a frota de Cao Cao, que por estarem as embarcações todas juntas e bem amarradas umas às outras não puderam fugir. Toda a armada ardeu como previsto, ficando assim esta completamente destruída. Cao Cao derrotado voltou para Norte, desfazendo-se assim o seu sonho de conquistar o resto do país.

Pertencente à campanha dos Penhascos Vermelhos, a Batalha de Yiling não precisou de usar nenhum soldado para acabar com a enorme frota de Cao Cao e logo, mais uma vez com a excelente ideia de Zhuge Liang. Tal mais ainda acirrou o ódio de Zhou Yu e com um enorme rancor, logo enviou os seus homens para o matar, mas Zhuge Liang abandonara já o acampamento.

Só depois desta batalha Liu Bei conseguiu criar o seu próprio exército e onze anos depois, em 219 estabelecer o reino Han-Shu.

Manuel Palha e Salvador Seabra, Capitão Fausto: Música, a linguagem universal

Os Capitão Fausto actuam hoje no MGM Cotai Theatre às 20h, partilhando o palco com o músico chinês David Huang. Fica a promessa da partilha de sonoridades diferentes e dos grandes êxitos da banda. Em entrevista ao HM, os Capitão Fausto, pelas vozes de Manuel Palha, guitarrista e teclista, e do baterista Salvador Seabra, falam da sua essência, do início tímido e quase por acaso e da escalada até à construção coesa de um colectivo de músicos e amigos

 

Chegaram a Macau há poucos dias e actuam hoje. É a vossa primeira vez no território. Como está a ser a experiência?

Manuel Palha (MP): Chegámos muito curiosos para ver como é este sítio tão longe de Portugal, mas tão próximo ao mesmo tempo. Estamos a gostar imenso, ainda estamos a achar estranho este mundo diferente, mas de uma forma positiva, de andarmos pela calçada portuguesa, termos a cultura portuguesa e chinesa misturada. É uma experiência bastante fora do comum.

O que poderemos esperar do concerto com David Huang?

MP: Na primeira parte vai ser um concerto normal dos Capitão Fausto. Depois o David Huang a meio do espectáculo junta-se a nós e vai cantar uma música connosco, o “Amor, a nossa vida”, e nós iremos cantar uma música dele. Depois, o David Huang fecha o espectáculo com músicas dele.

Como vai a vossa música enquadrar-se com a de David Huang?

MP: São sonoridades bem distintas, mas, apesar disso, a parte que é divertida é que, apesar de estarmos em sítios completamente diferentes do mundo, com culturas diferentes, temos sons e abordagens diferentes, há muita coisa que nos liga. A música tem um lado universal, e esse é o lado que estamos a celebrar. Temos uma música que não é necessariamente o nosso estilo e tipo de som, mas rapidamente nos inteirámos dela. Ainda não tocámos com David Huang, mas tocamos amanhã [quinta-feira] e aí vamos poder trabalhar a ideia do que é a nossa vinda cá, de um certo intercâmbio e viver uma coisa que não é nossa. Essa é a parte divertida de tudo isto.

Têm um novo álbum, “Subida Infinita”, lançado em Março. O que há de novo neste trabalho?

MP: Sentimos sempre que, nem que seja em termos cronológicos, os nossos discos aparecem sempre em fases diferentes das nossas vidas. Este não foi excepção.

Salvador Seabra (SS): À medida que vamos crescendo inevitavelmente vamos mudando um bocado a maneira de fazermos as coisas, mas ainda bem. Para nós é mais interessante. Apesar de haver coisas que se mantêm de disco para disco, e processos de composição que se vão mantendo, há sempre coisas que mudam.

MP: Mudou muita coisa, apareceram filhos, o Francisco Ferreira saiu da banda. Todas estas coisas culminam neste disco, que acho que é diferente dos outros, de várias formas.

São uma das bandas mais sonantes do actual pop-rock português. Consideram que trouxeram uma nova sonoridade a este género musical que se faz em Portugal?

MP: Sabemos, pelo menos, que fizemos o nosso som. Ainda bem que as pessoas têm vindo a ouvir ao longo do tempo, mas é difícil avaliar o impacto que isso possa ter no panorama nacional. Sabemos que há uma verdade de nós os quatro. Sempre que nos juntamos sabemos que sai qualquer coisa que é nossa. O que é bom e interessante.

SS: Toda a nossa música é também influenciada por outra música portuguesa e outra coisa que já foi feita. Fazemos as coisas à nossa maneira e penso que não nos cabe a nós dizer se influenciámos, ou não [o panorama da música portuguesa].

Que influências são essas?

MP: Quando começámos a tocar havia editoras como a “FlorCaveira” e “Amor Fúria”, e havia bandas do norte de que gostávamos muito. Já tocávamos, mas não fazíamos canções em português e essas bandas até nos serviram de inspiração para fazermos canções em português. Quando começaram a haver bandas como os “2008”, “Peixe-Avião”, e em Lisboa tínhamos os “Diabo na Cruz” e o “B-Fachada”, isso levou-nos a ter vontade de fazer música em português e foi uma onda inspiradora.

Os “Capitão Fausto” têm letras que falam de amores, desamores, muitas vezes com um cunho de ironia. Os temas do dia-a-dia são as vossas grandes influências na hora de escrever?

MP: Sim. O Tomás [Wallenstein] é que escreve as letras, sempre. As letras são praticamente sempre sobre nós e a nossa vida, que é aquilo que conhecemos melhor. Sobre lidar com as coisas que nos acontecem. Mas há uma ideia que transparece bastante ao longo dos nossos discos que é o cantar a tristeza. A felicidade que está por detrás da tristeza, que vem depois, que se entrelaça com ela. As coisas que nos acontecem são fortes, mas há sempre qualquer coisa para cantar e a ideia de um novo dia a seguir. Isso tem estado patente nos últimos trabalhos.

Lançaram o primeiro disco em 2011 [“Gazela”]. O que sentiram quando lançaram esse trabalho?

MP: Foi uma fase diferente, éramos jovens na faculdade. Era muito divertido e gravar um disco era algo novo para nós.

SS: Era tudo novo e entusiasmante. Sempre foi, desde que começámos a tocar no liceu, um sonho lançar um disco. Quando aconteceu foi algo extraordinário.

Actuam em Macau no âmbito das celebrações do 10 de Junho. Sentem a responsabilidade de levar, com a vossa música, a cultura portuguesa?

MP: Independentemente do sítio onde vamos tocar, sentimos sempre alguma responsabilidade de darmos o nosso melhor e fazermos o melhor espectáculo possível. Não costumamos tocar fora de Portugal, é muito raro, e esse concerto é entusiasmante também por esse motivo. Sentimos alguma responsabilidade.

A internacionalização é um objectivo vosso?

SS: De certa forma sentimos que a palavra, o idioma, não deveria ser um entrave, porque a música é forte o suficiente para ultrapassar essa barreira da língua. Pelo menos, nós gostamos de pensar assim. Gostávamos de, eventualmente, quebrar essa barreira, sair de Portugal e tocar mais. Não sabemos se vai ser possível, mas o tempo o dirá.

Sempre houve um debate em Portugal sobre bandas portuguesas que cantam e compõem em inglês. Está nos vossos planos compor em inglês, por exemplo?

MP: Não faz parte dos nossos planos. Em inglês iríamos contra aquilo que pensamos e juntamos ao longo do tempo, de ao dizermos uma coisa ela ser verdadeira. Sabermos exactamente o que se está a dizer, com que nuances e palavras. A nossa língua-mãe é a única que nos permite fazer isso de forma que consideramos honesta. O Tomás [Wallenstein] estudou a vida toda num liceu francês, e por isso, quanto muito, teríamos algumas canções em francês, porque o Tomás teria algo de verdadeiro a dizer com aquelas palavras, mais do que em inglês. [Usar o inglês] só com vista à internacionalização, ou para chegar a mais pessoas, é uma coisa que nunca faremos.

Porquê o nome “Capitão Fausto”?

MP: É apenas um nome. Criámos a banda em 2009.

SS: Éramos miúdos e fizemos a banda para tocar no casamento de um tio do Tomás e tínhamos de arranjar um nome. Não há uma história associada ao nome.

MP: Não há uma mensagem propriamente dita, ela surge depois com os nossos discos.

Tendo em conta que têm alguns anos de carreira, como olham para a evolução da banda, como músicos, tendo em conta que saiu um elemento e atravessaram a pandemia?

SS: Fizemos o primeiro disco em 2011, mas já tínhamos a banda há mais tempo. Na verdade, nunca tivemos muitas mudanças, sempre foi uma coisa de nós os cinco a fazer música da mesma forma. Sempre tivemos os mesmos objectivos, que era fazer música e tocar ao vivo. Tivemos a grande mudança com a saída do Francisco, e quando isso aconteceu foi uma coisa muito forte. Ponderámos se a banda deveria continuar ou não, se fazia sentido continuarmos sem ele. Continuámos e ainda bem. Penso que a mudança não foi tão drástica como pensávamos. Fizemos bem essa mudança, todos a aceitaram bem, temos agora novos músicos connosco a tocar ao vivo e tem sido óptimo. A mudança faz parte e quando as pessoas crescem, às vezes dividem-se.

MP: A nossa história também tem a ver com a ideia de termos começado miúdos, cheios de sangue na guelra, a aprender a tocar juntos. Criámos as nossas primeiras bandas juntos. Fizemos um primeiro disco sem pensar muito bem no que estava a acontecer, houve uma recepção minimamente boa que nos levou a querer continuar. Fizemos o segundo disco, fomos para o terceiro e aí começámos a equacionar viver disto. Estávamos a acabar a faculdade e houve ali um momento em que todos nos atirámos e decidimos fazer isto até ao fim. Agora temos um percurso e o que nos liga é o facto de sermos só nós, e a nossa amizade, e como conseguimos meter o trabalho no meio de tudo isto.

IPOR | Três escolas assinam acordo para exame “Camões Júnior”

Três escolas públicas assinaram ontem um acordo de cooperação com o Instituto Português do Oriente (IPOR) para a realização do exame “Camões Júnior”, nomeadamente a Escola Secundária Luso-Chinesa de Luís Gonzaga Gomes, Escola Luso-Chinesa Técnico-Profissional e a Escola Oficial Zheng Guanying.

Segundo um comunicado da Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ), o acordo visa, entre outras medidas de promoção e desenvolvimento do ensino do português, a realização do exame “Camões Júnior”, bem como “a organização de formação profissional regular para professores de português e de encontros de intercâmbio académico em língua portuguesa”.

O objectivo é “aumentar a eficácia dos professores no ensino do português e o nível de utilização da língua portuguesa pelos alunos”.

Iao Hon | Conselheiros discutem reconstrução de sete prédios

A idade dos proprietários e falta de fundos para avançar com a reconstrução de sete prédios no Bairro do Iao Hon foi ontem discutida no Conselho Consultivo de Serviços Comunitários da Zona Norte, de acordo com o canal chinês da Rádio Macau. O assunto foi abordado por Ip Weng Hong, um dos membros, que focou a idade avançada dos proprietários, assim como as dificuldades financeiras que atravessam.

O responsável indicou que mais de metade dos proprietários dos apartamentos são idosos. Como tal, pediu ao Executivo para assumir os custos das obras a favor dos proprietários sem capacidade para financiar as obras.

Por sua vez, Chan Ian Ian, vogal, considera que um dos prédios que vai ser renovado, o edifício Son Lei, pode servir como referência para o futuro, ao nível da renovação urbana e dos procedimentos a seguir. Porém, defendeu a necessidade de “estabelecer um mecanismo de comunicação mais eficiente” entre proprietários e Governo, para tornar mais ágil o processo.

Reconstrução Urbana | Pedida velocidade na emissão de licença

Avanços a passo de caracol. É desta forma que os proprietários do Edifício dos Funcionários Públicos, no Toi San, encaram a espera por uma licença de reconstrução do Governo, a quem pedem mais rapidez

 

Os proprietários de fracções no Edifício dos Funcionários Públicos (também denominado Kong Mou Un Tai Ha) apelaram ontem ao Governo para acelerar o processo de emissão da licença para as obras de reconstrução do edifício. O pedido foi feito numa conferência de imprensa da Comissão de Gestão do Condomínio, em representação de “todos os moradores” do edifício situado na Avenida do Conselheiro Borja, no Toi San.

De acordo com a informação da comissão liderada por Lei Pui Seong, a obtenção da planta de condições urbanísticas foi aprovada no início do ano pelo Conselho do Planeamento Urbanística, porém, o processo está parado há quatro meses na Direcção dos Serviços de Solos e Construção Urbana (DSSCU). “Prevíamos que seriam gastos dois meses para obter a aprovação, mas até agora, e já passaram quatro meses, não tivemos qualquer resposta”, lamentou Lei Pui Seong.

A representante explicou que desde 15 de Março todos os moradores se comprometeram com a reconstrução do prédio. Contudo, agora que têm de aguardar a resposta do Governo, temem que a demora seja demasiado longa e que a morte de alguns proprietários ameace o acordo conseguido.

“Muitos proprietários são idosos, e desde que começámos a planear a renovação até agora, ao longo de cinco anos e meio, morreram cinco proprietários”, divulgou a presidente da comissão. “Se o Governo não a aprovar a licença rapidamente, obriga-nos refazer a assinatura dos compromissos. Por isso, queremos que o Governo acelere a apreciação e aprovação da reconstrução”, argumentou.

Um longo processo

Em 2019, a Comissão de Gestão do Condomínio do Edifício dos Funcionários Públicos aprovou a reconstrução do prédio. No entanto, o plano inicial foi abortado dado que a legislação anterior a 2023 exigia o consenso de todos os proprietários das fracções, que na altura não foi possível.

Segundo o novo projecto, a Companhia de Fomento Predial Kuan Seng vai ser responsável pela reconstrução. Os planos passam por distribuir os proprietários pelos novos apartamentos que vão ter uma área igual à que actualmente ocupam. No entanto, a decisão do Governo pode obrigar a alterar o desenho do edifício para a reconstrução, e levar a dificuldades acrescidas na escolha das futuras fracções. Os moradores querem resolver este problema o mais depressa possível.

Em relação ao estado actual do edifício Lei Pui Seong apontou que foi construído em 1965, tem 90 apartamentos e cinco andares. Na conferência de imprensa de ontem, a responsável admitiu que a reconstrução é a única forma de lidar com problemas de segurança ligados à falta de manutenção, como a queda de betão, ferrugem de materiais expostos, portas e janelas não fechadas devido a deformação. “Considerando os direitos dos proprietários a longo prazo, a reconstrução tornou-se a única forma de lidar com os problemas de segurança”, destacou.

Após a reconstrução, o edifício terá sete andares, mais dois do que os cinco actuais, servidos por três elevadores, quando actualmente não tem nenhum. Nos dois andares adicionais serão construídos apartamentos para venda e para ajudar a financiar os custos das renovação.

MTC | Académico defende criação de curso superior internacional em Macau

Diogo de Brito Calado defende que Macau deveria ter um curso superior público, de cariz internacional, em medicina tradicional chinesa para os alunos beneficiarem da política de reconhecimento automático dos cursos e, assim, exercerem em Portugal. O académico defende que Macau deveria ter apostado primeiro na internacionalização da profissão e não de medicamentos

 

Em Macau para participar na cerimónia de assinatura de um protocolo na área da medicina tradicional chinesa (MTC), Diogo de Brito Calado conversou com o HM a propósito da sua tese de doutoramento defendida a 30 de Maio na Universidade de Tianjin, onde apresenta um plano de internacionalização da MTC.

Diogo Calado, ex-professor de acupuntura no Instituto Politécnico de Setúbal (IPS), defende que Macau deveria criar uma licenciatura em MTC de cariz internacional no ensino superior público para os graduados beneficiarem da política de reconhecimento automático dos cursos e, assim, poder exercer em Portugal.

“Falta Macau ter um curso internacional, de preferência numa instituição pública, para que os graus académicos possam ser reconhecidos. A partir do momento em que haja cursos com vários graus, da licenciatura a doutoramento, passa a existir uma ponte para a ciência, tecnologia e boas práticas”, defendeu.

Questionado sobre a existência, há vários anos, de uma licenciatura em MTC na Universidade de Ciências e Tecnologia de Macau (MUST na sigla em inglês), uma instituição privada, Diogo Calado entende que este “não é um curso internacional” e que é ministrado, na maioria, em chinês. “A introdução de novas profissões na União Europeia (UE) sempre foi feita através da via pública, até por uma questão de conflito de interesses. Não quer dizer que não haja oportunidade de uma instituição privada actuar no mercado, e as privadas podem ter um papel fundamental. Mas Portugal, e a própria UE, tendem a valorizar mais o ensino superior público.”

De frisar que, além da MUST, há também formação superior em MTC no Instituto de Ciências Médicas Chinesas da Universidade de Macau.

Diogo Calado defende que a MTC “modernizou-se na China, mas não tem hoje uma via directa do país para a sua entrada na UE, porque os graus académicos não são reconhecidos”. Desta forma, o académico entende que Macau poderia ser a porta ideal para esta “transferência de conhecimento” por ser a única região que, via Portugal, permitiria a entrada de profissionais com cursos reconhecidos.

“Enquanto os graus académicos concluídos na China não são reconhecidos na UE, os graus académicos feitos em Macau são reconhecidos desde 2019 devido a um protocolo bilateral com Portugal. Isso permite que Macau sirva de ponte para a transferência de ciência e tecnologia, evidência e boas práticas da China para Portugal”, frisou.

Apoio precisa-se

O académico recorda a importância de pensar na “sustentabilidade” da futura licenciatura internacional. “Para que o curso seja criado numa área clínica precisa de ser apoiado, numa primeira fase, pela entidade governamental. Para Macau ter o seu papel na internacionalização da MTC é necessário envolver a academia, com o apoio do Governo. O financiamento também poderia vir da própria indústria. Foi isso que aconteceu com a medicina ocidental na China, que antes não existia”, defendeu.

Diogo Calado destaca que “Macau tem-se focado muito na internacionalização de produtos de MTC”, tendo em conta que existem, actualmente, “cerca de 200 empresas farmacêuticas em Hengqin”. “A internacionalização da profissão está em segundo plano. Como se internacionalizam os produtos se depois, fora de Macau, não há quem os possa prescrever?”, questiona.

O autor recorda que a MTC entrou no ensino superior chinês a partir de 1956, fazendo-se, nessa fase, “a sistematização do conhecimento e a estrutura do ensino formal que existe nas profissões”. Porém, a MTC aparece no Ocidente à boleia do movimento “New Age”, que também transportou práticas como o yoga, explicou o autor. Desde então que tem havido uma demora no licenciamento das práticas de MTC como profissão autónoma, algo que já acontece em Portugal.

“Na área da MTC, neste momento, existem em Portugal profissões independentes e com autonomia técnica e tecnológica.” Persiste, porém, a lacuna legal ao nível do ensino da profissão.

Cursos a fechar em Portugal

A tese de doutoramento de Diogo Calado, que é também vice-presidente do Observatório da China, tem como título “Um Plano de Acção para a Internacionalização da Acupuntura e da Medicina Tradicional Chinesa para os Países da União Europeia e da Comunidade de Países de Língua Portuguesa”. O autor estabeleceu um ponto de comparação com a internacionalização da medicina dentária no século XIX, a partir dos EUA para a Europa.

Licenciado em Ciências do Desporto e mestre em Medicina Integrativa pela Universidade de Medicina Tradicional Chinesa de Tianjin, deu aulas na licenciatura em acupuntura no Instituto Politécnico de Setúbal. Porém, devido ao facto de não haver docentes com doutoramento reconhecido na área da MTC não é possível manter as formações superiores.

“O curso no IPS vai encerrar este ano. Os doutoramentos feitos na China não são reconhecidos em Portugal. Existem cursos superiores na área da MTC em Portugal, mas depois a equipa docente não tem qualificações necessárias para que os cursos vinguem como áreas independentes. Não há pessoas doutoradas”, confessou. De destacar que o grau de doutoramento é exigência na maioria dos casos para dar aulas no ensino superior português.

“O curso [de acupuntura] também vai encerrar na Escola Superior da Cruz Vermelha”, acrescentou Diogo Calado, explicando que “a agência de acreditação [de cursos superiores] em Portugal olha com grande desconfiança para os cursos nesta área porque as pessoas não detém qualificações para leccionar nesta área específica, daí a importância de Macau.”

O protocolo assinado na quarta-feira entre a Associação Comercial Internacional para os Mercados Lusófonos e a Associação de Medicina Chinesa de Macau visa, precisamente, a internacionalização da MTC através de Macau, com aposta nos mercados lusófonos.

Metade dos jovens não pensa casar e receia custos de natalidade

Cerca de metade dos jovens com idades entre 18 e 34 anos não tem planos para casar nos próximos cinco anos. A conclusão faz parte de um inquérito realizado em Abril, a 925 residentes, pela Associação Geral das Mulheres. O estudo teve por objectivo avaliar os planos de casamento e de procriação em Macau.

De acordo com os resultados apurados, o principal motivo que afasta a vontade de casar prende-se com questões financeiras, assim como os gastos que surgem não só com a festa do matrimónio, mas também ao longo da vida pós-matrimónio. Este motivo foi indicado por cerca de 49 por cento dos inquiridos.

Os outros factores mais mencionados para justificar o desinteresse para contrair matrimónio foram as dificuldades em encontrar um parceiro compatível, em termos de hábitos e valores, referido por 25 por cento dos inquiridos, assim como o plano de vida individual que não prevê um parceiro, indicado por 19 por cento dos entrevistados.

Em relação à probabilidade de virem a ter filhos, os inquiridos darem pontuações de 1 a 10 pontos à possibilidade, em que 10 era muito provável e 1 muito pouco provável. Apurados os resultados, a média das respostas ficou-se pelos 4,76 pontos, ou seja, os inquiridos consideram mais provável não ter filhos.

Em relação aos inquiridos com filhos, os principais obstáculos a aumentar a família as despesas com educação, comida e outros custos, a falta de espaço em casa, assim como a falta de tempo, devido a compromissos profissionais.

Muita pressão

Por sua vez, os inquiridos sem filhos responderam que não planeiam ser pais devido ao foco na vida profissional, à despesa com filhos, assim como à pressão com a educação das crianças.

Quando questionados sobre eventuais políticas que os fizessem mudar de opinião e ser mais propensos à natalidade, mais de 60 por cento dos inquiridos apontaram a necessidade de mais apoios económicos e medidas para facilitar a vida familiar.

Face aos resultados, a deputada da associação, Wong Kit Cheng, considerou que os resultados mostram que as novas gerações têm uma perspectiva muito diferente de casamento e desejo de ter filhos, em comparação com as gerações anteriores. Wong admitiu também que a tendência para o futuro deverá levar a que menos pessoas queiram casar ou ter filhos, a não ser que sejam criados mais incentivos.

EPM | DSAL garante que queixa pode revogar autorizações de TNR

O Governo da RAEM está a acompanhar a situação das dispensas de professores na Escola Portuguesa de Macau e promete actuar de acordo com a legislação, para garantir a prioridade de residentes no acesso ao emprego

 

A Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) garante ter mecanismos para revogar as autorizações de trabalho dos professores não-residentes da Escola Portuguesa de Macau (EPM). Numa resposta enviada ao HM, o organismo liderado por Wong Chi Hong afirma que pode agir depois de receber queixas de residentes prejudicados nos seus direitos laborais.

Após ter sido público que vários professores locais foram dispensados pela EPM, que optou por contratar trabalhadores não-residentes (TNR) a Portugal, o HM contactou a DSAL, a 30 de Maio. Ontem, a DSAL garantiu que se receber queixas de residentes que foram substituídos por TNR tem mecanismos disponíveis para agir e que o processo pode levar à revogação das autorizações de trabalho concedidas há pouco tempo.

“Quando se processam os pedidos de autorizações de trabalho para trabalhadores não-residentes, a DSAL adopta uma abordagem pragmática e as autorizações são aprovadas de acordo com os requisitos legais, tendo em conta o tamanho e as condições de operação da entidade que pede a autorização, o número de trabalhadores e o número de trabalhadores locais do empregador”, começou por explicar o organismo. “Os empregadores devem respeitar a ‘Lei de Bases da Política de Emprego e dos Direitos Laborais’ e a ‘Lei da Contratação de Trabalhadores Não Residentes’ e dar prioridade à protecção dos direitos laborais dos trabalhadores locais”, foi acrescentado. A resposta da DSAL não mencionou a existência até ontem de qualquer queixa.

A EPM tomou a decisão de dispensar o serviço de pelo menos cinco professores, que se encontravam na instituição com licença especial, entre os quais alguns locais, para contratar trabalhadores não-residentes. Também um trabalhador residente dos quadros foi dispensado contra a sua vontade.

Dez contratações

Segundo o director da Escola Portuguesa de Macau, Acácio de Brito, a DSAL autorizou a contratação de 10 não-residentes para substituir os trabalhadores dispensados.

Todavia, a DSAL admite que as autorizações podem ser postas em causa. “Se a contratação de um trabalhador não-residente pelo empregador resultar num dano para os direitos laborais dos trabalhadores residentes, a DSAL vai actuar de forma rigorosa de acordo com a lei”, foi indicado.

“As leis mencionadas [‘Lei de Bases da Política de Emprego e dos Direitos Laborais’ e a ‘Lei da Contratação de Trabalhadores Não Residentes’] estipulam que a autorização para a contratação de trabalhadores não-residentes deve ser revogada para proteger a prioridade e a continuidade do emprego dos trabalhadores locais”, foi sublinhado. “Se os empregados suspeitam que os seus direitos e interesses laborais foram prejudicados, podem fazer uma queixa ou relatar a situação à DSAL, e a DSAL vai acompanhar a situação e lidar com ela de acordo com a lei”, foi garantido.

Política sem alterações

Nos últimos tempos, e com o agravamento da situação da economia em Macau, têm sido várias as queixas contra a política laboral do Governo e facilidade da contratação de não-residentes para substituir residentes.

Apesar das queixas, e de conceder 10 autorizações de trabalho de não-residentes para a EPM, a DSAL garante que a prioridade do Governo continua a ser assegurar o trabalho dos residentes. “A principal premissa da política de importação de mão-de-obra do Governo da RAEM é assegurar o emprego prioritário e contínuo dos residentes locais”, foi indicado.

“Apenas quando os recursos humanos locais são escassos ou insuficientes, será considerada e autorizada a importação de trabalhadores não-residentes como complemento temporário. Em todo o caso, as empresas devem dar prioridade à contratação de trabalhadores locais para cargos em que os residentes locais estejam interessados e qualificados a ocupar”, foi vincado.

Forças de segurança | Lei Chan U quer mais disciplina

O deputado Lei Chan U pretende que o Governo explique as medidas que têm sido tomadas para aumentar a integridade e o respeito pela lei entre as forças de segurança. O assunto é abordado numa interpelação escrita, depois de nos últimos tempos terem sido revelados alguns inquéritos criminais contra agentes.

De acordo com o deputado da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), nos últimos tempos registaram-se muitos casos de “violação da legislação e da disciplina do pessoal, que atraíram a atenção do público”, apesar de considerar que é “óbvio para todos” que a tutela fez grande esforço para promover a integridade dos agentes.

Por isso, dado o esforço e os resultados limitados, o deputado pretende que o Governo explique como vai dar a volta à situação. “Que trabalho tem sido feito no domínio da segurança nos últimos anos para reforçar a integridade do pessoal e aumentar a sua consciência do cumprimento da lei?”, pergunta. “Em que aspectos as deficiências do trabalho actual serão revistas e melhoradas no futuro para aumentar a eficácia do trabalho?”, acrescenta.

Por outro lado, Lei Chan U pede ao Governo que clarifique como vai melhorar os mecanismos internos de supervisão dos agentes, para evitar a ocorrência de novos casos e dar o exemplo com agentes de segurança cumpridores e eficientes.

Desemprego | Em tempo de crise, Lam Lon Wai responsabiliza jovens

O deputado dos Operários admite que as medidas do Governo não têm gerado emprego significativo para os mais jovens, mas considera que o desfecho se deve à falta de visão da juventude de Macau

 

O deputado Lam Lon Wai considera que um dos motivos que tem conduzido ao aumento do desemprego de jovens é o facto de ignorarem a realidade do mercado laboral. As afirmações constam de uma interpelação em que o legislador ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) opta por defender as políticas do Governo e acusa os jovens de terem falta de visão no planeamento das carreiras.

“O assunto do desemprego jovem em Macau é um tema complexo. Apesar de o Governo ter tomado uma série de medidas para promover o emprego jovem, não se têm sentido efeitos significativos”, reconhece o deputado escolhido para a Assembleia Legislativa pelo sector laboral. “É frequente que os jovens de Macau não tenham visão nem saibam planear os seu percurso profissional de forma pertinente, ignorando que têm de encontrar um equilíbrio entre os seus interesses, capacidades e procura do mercado”, acrescentou.

Com o que considera ser uma juventude desempregada por culpa própria, o subdirector da Escola Secundária para Filhos e Irmãos dos Operários afirma que o problema só vai ser resolvido com “os esforços conjuntos do Governo, empresários e da sociedade”.

Neste sentido, o membro das Assembleia Legislativa deseja saber se o Governo vai introduzir nos currículos escolar conteúdos para ensinar a boa compreensão do mercado laboral.

Fim das vacas gordas

O membro da Assembleia Legislativa reconhece também que os períodos de rápido crescimento económico chegaram ao fim no território, e que na nova realidade não estão a ser criados empregos suficientes para absorver a mão-de-obra.

“Nos anos mais recentes, o crescimento das indústrias tradicionais de Macau, como o jogo, turismo, comércio a retalho e outras indústrias abrandou e a economia local entrou numa fase de desenvolvimento estável”, reconhece.

“Também o desenvolvimento das indústrias da diversificação económica não criou imediatamente um grande número de postos de trabalho, pelo que os recém-licenciados enfrentam uma grande pressão”, vincou.

Para contrariar esta realidade, Lam Lon Wai pede ao Governo que tome mais medidas, que passem por enviar jovens para o Interior, não só para fazerem mais formação, mas também procurarem oportunidades de estágios que se possam traduzir em empregos.

O deputado pretende também que o Governo, para “abrir os horizontes internacionais” dos mais jovens, aumente o orçamento para subsidiar os residentes que se mudem para o Interior, a nível de transportes, habitações, compra de seguros.

Natalidade | Tóquio lança aplicação de encontros para travar queda

As autoridades da região metropolitana de Tóquio vão lançar este Verão uma aplicação de encontros, numa tentativa de travar a queda da taxa de natalidade no Japão.

Para se registarem na aplicação, os potenciais utilizadores terão de fornecer documentos que comprovem que são solteiros e qual o rendimento anual, assim como assinar uma declaração em que garantam estar à procura de casamento.

“Percebemos que 70 por cento das pessoas que se querem casar não participam em encontros nem estão em aplicações de procura de parceiros”, disse à agência de notícias France-Presse, na terça-feira, um funcionário do governo de Tóquio responsável pela nova aplicação.

“Queremos dar-lhes uma pequena ajuda” com a nova ferramenta, que se encontra actualmente em fase de testes, acrescentou.

Várias autarquias do Japão organizam regularmente eventos de encontros entre solteiros à procura de casamento, mas o plano de Tóquio para lançar uma aplicação vai mais longe.

O projecto de Tóquio gerou comentários negativos nas redes sociais japonesas, com um cibernauta a perguntar: “O governo devia fazer isso com os nossos impostos?”. Mas outros disseram que se sentiriam mais seguros ao usar uma aplicação oficial.

Constante declínio

O número de casamentos no Japão em 2023 foi de 474.717, a primeira vez que o número caiu abaixo de meio milhão desde a Segunda Guerra Mundial.

Este declínio tem sido chave na queda da taxa de natalidade no Japão, uma vez que os nascimentos fora das uniões legais permanecem extremamente baixos, cerca de 2 por cento, disse a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, num relatório publicado no início de 2024.

A taxa de fertilidade no Japão caiu em 2023, pelo oitavo ano consecutivo, para um novo mínimo histórico de 1,2 por mulher, de acordo com os últimos dados do Ministério da Saúde, Trabalho e Previdência.

Por província, a taxa de fertilidade mais baixa foi registada em Tóquio, com 0,99, sendo a região metropolitana da capital a única a ficar abaixo de 1.

Além disso, a idade média das mães no Japão foi, pela primeira vez, 31 anos. Em 2023, o país registou cerca de 727.300 nascimentos, uma diminuição de 5,6 por cento, pelo oitavo ano consecutivo. Por outro lado, o número de mortes no arquipélago há 17 anos que é superior aos nascimentos e no ano passado foi o dobro.

O Governo do primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida, deverá aprovar o aumento dos abonos de família e a criação de um fundo estatal para garantir os recursos financeiros necessários para o apoio à educação dos filhos.

Entre as medidas estão a duplicação do subsídio mensal por criança para 30 mil ienes a partir da terceira criança, o alargamento da cobertura do auxílio dos 15 até aos 18 anos, e o acesso a creche para todas as crianças, independentemente da situação profissional dos pais.

O homo sapiens, as alterações climáticas e a biodiversidade (continuação)

Noutros países os humanos têm também práticas que implicam o sacrifício de animais, como touradas, tiro-aos-pombos, sacrifícios religiosos, caça furtiva, etc. Em Portugal a proibição da prática desportiva de tiro-aos-pombos apenas foi decretada em 2021. A este respeito, um candidato que transitou do PSD para o Chega, preconizou, em plena campanha eleitoral de 2024 para a Assembleia Legislativa, a anulação desta lei, mencionando «[…] como se não bastasse, também foi proibido o tiro aos pombos […] assunto que temos de reavaliar e trazer para a discussão da luz do dia. Este é um dos assuntos que têm de ser relevados por todos nós» (sic). Claro está que tal dissertação não passou despercebida ao autor do programa televisivo “Isto é gozar com quem trabalha”, que não perdeu a oportunidade para dar razão ao tal candidato, enfatizando que o discurso era coerente com o lema do Chega, “limpar Portugal”, na medida em que «os pombos c*g*m tudo» (sic, exceto os asteriscos).

As Nações Unidas estão bem cientes da interligação entre a crise climática e a perda de biodiversidade. Quanto mais grave for a crise climática, pior será a crise que a biodiversidade atravessa. Perante esta realidade, é natural que se seguisse um caminho semelhante ao trilhado para a criação do IPCC, no que se refere à proteção da biodiversidade à escala global. Foi criada, assim, também sob os auspícios do Programa das Nações Unidas para o Ambiente (“United Nations Environment Programme” – UNEP) a Plataforma Intergovernamental de Políticas Científicas sobre a Biodiversidade e Serviços dos Ecossistemas (“Intergovernmental Science-Policy Platform on Biodiversity and Ecosystem Services” – IPBES).

Analogamente aos procedimentos do IPCC, a IPBS elabora e publica relatórios de avaliação sobre biodiversidade e serviços de ecossistemas, o primeiro dos quais (Global Assessment Report on Biodiversity and Ecosystem Services), publicado em 2019, inclui um Resumo para os Decisores Políticos. De acordo com este relatório, estima-se que a temperatura média global tenha aumentado aproximadamente 1,0 °C até 2017, desde o início da revolução industrial, ao ritmo de cerca de 0,2 °C por década nos últimos 30 anos. Este aquecimento global teve impactos na biodiversidade, afetando ecossistemas marinhos, terrestres e de água doce. Esta situação é agravada pela agricultura intensiva, exploração exaustiva de recursos, poluição e invasão de espécies exóticas.

É natural que, uma vez alterados os parâmetros climáticos, nem todas as espécies se consigam adaptar às novas circunstâncias. E tal já está a acontecer a um ritmo acelerado, tanto em ecossistemas marinhos como terrestres. Assim, por exemplo, o aquecimento das calotas polares e o consequente degelo tem dificultado as condições de subsistência dos ursos polares, que se veem forçados a deslocarem-se para latitudes mais baixas. O seu principal alimento consiste nas focas-aneladas que caçam quando estas descansam em blocos de gelo. Por outro lado, as focas desta espécie também enfrentam problemas devido à fusão do gelo marinho, na medida em que o seu habitat, o gelo flutuante, também está a desaparecer.

Outro exemplo consiste no facto de, em vastas regiões oceânicas, os corais estarem praticamente a morrer devido ao aumento da temperatura e à acidificação da água. Estes animais desempenham um papel importante na proteção de zonas costeiras contra a erosão causada por tempestades, e também como habitat de muitas espécies de peixes. De acordo com uma síntese de vários estudos, o aquecimento global de 1,5 °C, até ao fim do século, poderá implicar o declínio de 70 a 90% da cobertura de recifes de coral, podendo atingir 99% no caso do aumento da temperatura média atingir 2°C.

A última conferência das Nações Unidas (COP 15), que se realizou em 2022, em Montreal, no Canadá, terminou com um acordo histórico que incluiu medidas específicas para deter e reverter a perda da biodiversidade, incluindo a colocação de 30% da área do planeta e 30% dos ecossistemas degradados sob proteção até 2030.Espera-se que, na COP16, que se realizará de 21 de outubro a 1 de novembro de 2024, na Colômbia, se cimente o compromisso da comunidade internacional em travar e reverter a perda de biodiversidade à escala global.

*Meteorologista

O terrorismo do Hezbollah I

“Hezbollah was declared as a terrorist group by the US, Arab Leage, UK, Germany and other countries. It is an organization used by Iran to plan and be ready to execute terror attacks in the future”.

Itamar Kasztelanski

A prioridade do Partido de Deus é preservar as posições que adquiriu ao longo do tempo, e não um conflito em grande escala. Seria obrigado a vir em socorro extremo do Irão, mas na condição de este não se suicidar. Porque o conflito fronteiriço com Jerusalém continua a ser existencial. Imaginemos a prática corrente de que o telefone toca e um número libanês do WhatsApp aparece no ecrã. Um indivíduo de nome Ali como tantos outros milhões com o mesmo nome atende. Do outro lado, a voz de um homem com um claro sotaque sul-libanês cumprimenta-o, apresentando-se como um amigo da família que vive na Austrália. Ali ouve e responde aos cumprimentos habituais sem perceber bem com quem está a falar. O homem começa a fazer-lhe algumas perguntas sobre a sua família e as necessidades dos seus entes queridos na difícil situação das regiões libanesas mais próximas da frente de guerra com Israel.

Ali responde de uma forma geral, mas fica desconfiado quando o homem lhe pergunta se o filho mais velho está no sul ou em Beirute. Ali não é um combatente activo do Hezbollah, mas trabalhou durante anos como quadro civil do partido. Ali teme que o homem seja um informador de Israel e não um parente distante preocupado com os seus entes queridos. Entre o final de Dezembro de 2023 e o início de Janeiro de 2024, houve milhares de chamadas telefónicas de números de WhatsApp libaneses, feitas por homens com sotaque libanês claro e recebidas por cidadãos libaneses, residentes nos locais mais próximos da linha de demarcação com Israel.

Tanto assim que, a 10 de Janeiro, o Hezbollah lançou o seguinte aviso à população do Sul do Líbano nos seus canais Telegram de que “O inimigo israelita continua a procurar alternativas para recolher informações sobre a resistência (as unidades militares do Hezbollah) e o paradeiro dos seus combatentes nas localidades do Sul do Líbano. E isto especialmente depois de ter perdido a maior parte da eficácia dos seus dispositivos de intercepção e espionagem que estavam instalados ao longo da fronteira, mas que foram destruídos pela resistência. Neste contexto, o inimigo israelita tenta contactar algumas das nossas estimadas famílias a partir de números de telefone que parecem ser libaneses, quer por telefone fixo quer por telemóvel, com o objectivo de inquirir sobre certos indivíduos, o seu paradeiro e o estado de certas localidades. Nestas comunicações, o inimigo faz-se passar por vários personagens, por vezes polícias, agentes dos serviços de segurança libaneses ou membros da defesa civil. O interlocutor, que fala com um forte sotaque libanês, tenta obter informações sobre os membros da família e o seu paradeiro, ou faz perguntas para obter dados sobre os arredores. O inimigo utiliza estas informações para verificar a presença dos irmãos combatentes nalgumas das casas que tenciona bombardear”.

O aviso termina convidando “os nossos caros concidadãos em geral e, em particular, os habitantes das localidades próximas da frente a não responderem a chamadas telefónicas de estranhos que façam perguntas sobre o meio circundante e a circulação de pessoas”. A anedota do telefonema a Ali e o texto do aviso contribuem de forma exemplar para descrever o laço orgânico intrínseco entre o Hezbollah e a grande maioria das comunidades do Sul do Líbano, palco do conflito em curso com Israel desde há oito meses e que será um potencial campo de batalha nos próximos meses. Aqui e noutras zonas do país, como o Vale do Beca oriental e os subúrbios do sul de Beirute, o movimento armado apoiado pelo Irão não está integrado na sociedade local, é ele próprio a sociedade local. A adesão à causa da resistência, na retórica e na prática, é quase absoluta e inquestionável em grandes segmentos das comunidades.

Explorando o quotidiano da vida colectiva em certas zonas de Beirute, no sul do país e em Beca, a indissolubilidade entre a estrutura do Hezbollah e o tecido comunitário é evidente. Este tecido não é um bloco monolítico, é um conjunto de componentes individuais, familiares e de grupos alargados; de laços geográficos e político-ideológicos; de convergências de interesses tácticos e estratégicos; de ligações a médio e longo prazo; de relações horizontais e verticais, internas e externas ao que pode ser justamente considerado a “comunidade” do Hezbollah. Perante este facto, é evidente a impossibilidade de derrotar o Hezbollah. A menos que se faça terra queimada, deportando mais de um milhão de libaneses das regiões onde o Partido de Deus representa a sociedade local. Apesar disso, os israelitas e os seus aliados americanos, apoiados pela França e pelo Reino Unido, insistem em encontrar uma solução dita diplomática para facilitar o regresso às suas casas e campos agrícolas dos cerca de 60 mil civis israelitas deslocados desde 8 de Outubro, dia do primeiro lançamento de rockets por parte do Hezbollah.

Para isso, Israel exige que o governo libanês que inclui ministros do Hezbollash e é apoiado por um parlamento composto também por deputados do Partido de Deus e dos seus aliados aplique à letra, após dezassete anos, a resolução 1701 da ONU de 2006. Esta estipula, entre outras coisas, a ausência de actividades militares que não sejam as do exército regular libanês perto da linha de demarcação com o Estado judaico. Israel e os seus aliados pretendem, na prática, o desmantelamento da estrutura militar do Hezbollah no Sul do Líbano, pelo menos até ao rio Litani, cerca de quarenta quilómetros a norte da Linha Azul. O sonho de Israel é o restabelecimento da zona tampão criada entre 1978 e 2000, que impediu durante anos que a Alta Galileia fosse exposta aos ataques dos grupos de resistência armada palestiniana.

As condições dessa época são muito diferentes das actuais pois Israel invadiu militarmente o Sul do Líbano em várias ocasiões, a partir de 1978, até tomar a capital Beirute em 1982. Desde então, e durante muitos anos, tentou delegar o controlo do território libanês a uma milícia de colaboracionistas libaneses anti-Pasdaran. A partir de meados dos anos de 1980, o aparecimento do Hezbollah como ramo local do Pasdaran iraniano e a sua emergência, nos anos de 1990, como principal força de resistência armada anti-israelita alteraram gradualmente a equação, obrigando o Estado judaico a pôr termo à ocupação e a retirar-se em Maio de 2000. Actualmente, Israel não teria capacidade militar para conduzir uma invasão em grande escala e bem-sucedida no Sul do Líbano contra a comunidade Hezbollah, a menos que sofresse enormes custos políticos internos e internacionais causados pelas consequências desastrosas de uma tal campanha. Mas se o Estado judaico, com o apoio militar dos Estados Unidos, tivesse sucesso nesta tentativa, seria obrigado a manter o controlo do território sem poder contar com a cooperação das forças locais.

Mesmo nesta eventual segunda fase, os custos políticos seriam muito elevados para Israel e para toda a coligação pro-israelita. Sem contar que o Irão e todos os seus aliados regionais do Iraque ao Iémen, da Síria ao Líbano interviriam de forma ainda mais agressiva do que já o fazem, oferecendo apoio directo e indirecto ao Hezbollah. Isto aumentaria a pressão política, diplomática e militar sobre Israel, os Estados Unidos e os seus aliados nos vários quadrantes envolvidos na guerra em curso no Médio Oriente, do Mediterrâneo ao Golfo, da Mesopotâmia ao Mar Vermelho. Actualmente, as hipóteses de Israel desencadear uma guerra total contra o Hezbollah, em território libanês, parecem reduzidas. É uma holding financeira mundial, capaz de controlar os tráficos lícitos e ilícitos (incluindo o das anfetaminas Captagon) em vários cantos do planeta, da América do Sul à Austrália, da Europa à África subsaariana, passando pelo Médio Oriente.

(Continua)

Ministro do Comércio chinês reúne-se com ministro da Economia português

O ministro do Comércio chinês, Wang Wentao, e o ministro da Economia português, Pedro Reis, conversaram na terça-feira para discutir medidas de promoção das relações económicas e comerciais bilaterais, indicou a agência estatal Xinhua.

Wang expressou a disponibilidade da China para colaborar com Portugal na implementação dos resultados da 6.ª Conferência Ministerial do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, também conhecido como Fórum de Macau, realizada em Macau no início deste ano.

Em relação à questão da concorrência leal, o responsável criticou as recentes medidas de protecção comercial tomadas pela UE, que, segundo ele, interromperam severamente a cooperação industrial mutuamente benéfica e afectaram a confiança das empresas chinesas que investem na Europa.

Wang observou que o proteccionismo não é uma solução viável, mas um perigoso beco sem saída.

O ministro pediu ainda conversas igualitárias com a UE sobre as preocupações económicas e comerciais e defendeu uma concorrência justa baseada numa cooperação ampliada para melhorar as relações económicas e comerciais sino-europeias.

No mesmo tom

O ministro português Pedro Reis concordou com as opiniões de Wang, dizendo que expandir a cooperação e a concorrência justa são caminhos certos para combater o proteccionismo comercial. O responsável luso sublinhou a necessidade de uma cooperação reforçada entre as empresas chinesas e portuguesas para contribuir com mais energia positiva para o desenvolvimento económico global.

Reis manifestou ainda a vontade de Portugal de reforçar a cooperação com a China em áreas como investimento mútuo, comércio de produtos agrícolas e alimentares, intercâmbio interpessoal e colaboração no mercado de terceiros, com o fortalecimento do papel do Fórum de Macau.

Novo filme de Luís Filipe Rocha “O teu rosto será o último” estreia hoje

O realizador português Luís Filipe Rocha, que chegou a filmar em Macau, acredita que “o território da família chega e sobra para contar a história da Humanidade”. Exemplo disso é o filme “O teu rosto será o último”, que estreia hoje em Portugal.

A longa-metragem de ficção chega agora aos cinemas mais de uma década depois de Luís Filipe Rocha ter lido o romance “O teu rosto será o último”, do escritor João Ricardo Pedro, e de ter comprado os direitos de adaptação.

“Fiquei absolutamente fascinado, arranjei um encontro com o escritor num café no Rossio, conversámos quatro horas. Parecia o [filme] ‘Casablanca’, o princípio de uma bela amizade”, lembrou o realizador em entrevista à agência Lusa.

Luís Filipe Rocha demorou a encontrar financiamento e a escrever o argumento a partir daquele romance de estreia, que valeu a João Ricardo Pedro o Prémio Leya 2011, mas o que o fez “tragar o anzol” da narrativa foi “a fascinante dificuldade” de alguém em não conseguir lidar com um dom.

Esse alguém é uma das personagens do romance e o protagonista do filme, Duarte, que nasceu com uma capacidade extraordinária de tocar piano, para a qual não estava preparado, e que renegou também pelas circunstâncias familiares em que cresceu, com um pai a lidar muito mal com os traumas da Guerra Colonial.

“Em todos os filmes que vi sobre artistas dotados, sobretudo na música, todas as histórias, a história do artista dotado, [o que sobressai] é o sacrifício, o martírio, a luta para impor o seu talento. O que me puxou foi essa fascinante dificuldade, a desarmonia entre um artista que recebe o dom de ser o maior ‘beethoviano’ do seu tempo, e o não-querer progressivo desse dom”, afirmou.

A vida de Duarte

A história situa-se, sobretudo, entre a revolução de 25 de Abril de 1974 e os anos 1990, acompanhando o crescimento de Duarte, entre a infância e a idade adulta, e a relação com os pais, na cidade, e com os avós paternos, no campo.

“O tema central é a luta do miúdo que aos 7 anos descobriu a música num piano sem som, uma espécie de epifania que o aterroriza, e depois o seu crescimento no seio da família; e há a História de Portugal que apanha a memória da ditadura, a guerra colonial e o pós-25 de abril”, disse o realizador.

O elenco integra Vicente Wallenstein, Nuno Nunes, Rita Durão, Adriano Luz, Pompeu José e Teresa Madruga, além dos jovens pianistas e actores Jaime Távora e Alexandre Carvalheiro.

Para o realizador, este “não é, de forma nenhuma, um filme sobre a Guerra Colonial”, mas ela está presente por circunstâncias da narrativa e como um dos “elementos de perturbação” do percurso do protagonista.

“Há uma tensão, para mim, narrativamente sempre, sempre exaltante que é a História e o indivíduo. Como é que individualmente todos nós, mesmo que não nos demos conta, estamos muito dependentes da História em que vivemos e morremos. [Por isso] defendo que para contar bem uma história podemos não sair do universo familiar. O território familiar chega e sobra para contar a história da Humanidade toda”, sublinhou o realizador.

Luís Filipe Rocha tem 76 anos e mais de 50 de percurso no cinema, desde que entrou, como actor, em “O recado” (1971), de José Fonseca e Costa. O primeiro filme, “Barronhos – Quem teve medo do poder popular?”, surgiria em 1976, seguindo-se “A Fuga” (1977), “Cerromaior” (1980), “Amor e dedinhos de pé” (1991), filmado em Macau com base no romance, com o mesmo nome, de Henrique de Senna Fernandes; “Camarate” (2000) ou “A outra margem” (2007), entre outros.

Também assinou duas obras de ficção que, tal como “O teu rosto será o último”, abordam “momentos decisivos” e transformadores na vida de alguém: “Adeus, pai” (1996), de transição da infância para adolescência, e “Sinais de Fogo” (1995), de passagem da adolescência para a idade adulta.

Exposição | O regresso do pintor Diogo Muñoz a uma terra que tanto ama

“Macau Forever” é o nome da nova exposição do pintor português Diogo Muñoz inteiramente dedicada a Macau, aos seus personagens e figuras por vezes tão peculiares. A mostra, inaugurada hoje no Albergue SCM, é um tributo a uma terra que continua a fascinar o artista que, para este projecto, se inspirou em figuras da literatura, sociedade e política, como Henrique de Senna Fernandes, Camilo Pessanha ou Carlos D’Assumpção

 

Diogo Muñoz já expôs várias vezes em Macau, mas nunca antes tinha realizado uma obra inteiramente dedicada a um território que continua a apaixoná-lo como da primeira vez que o pisou. A exposição hoje inaugurada, “Macau Forever” [Macau para Sempre], no Albergue da Santa Casa da Misericórdia de Macau (SCM), é uma ode a um território com uma secular presença portuguesa que foi criando figuras ímpares, bem conhecidas de todos.

“A ideia de fazer esta exposição foi lançada há uma série de anos por Carlos Marreiros”, declarou Diogo Muñoz ao HM já em Macau, para onde levou esquissos e tintas para criar novos projectos durante a estadia por terras orientais.

“Sou apaixonado por Macau desde o primeiro dia e [Carlos Marreiros] pensou na possibilidade de dedicar uma exposição a Macau, aos seus costumes e tradições. A primeira ideia era fazer algo monumental, muito maior, mas não me foi possível porque temos quase 500 anos de história. É difícil pegarmos em toda a gente e há muitos que ficam pelo caminho.”

Assim, os quadros desta mostra estão repletos de algumas das personagens favoritas do pintor. “Tive de me cingir ao meu gosto pessoal. Macau tem uma história tão rica que as pessoas, muitas vezes, nem se dão conta disso. É curioso, porque não é um território muito grande. É um enclave metido na Ásia para onde de repente tanta gente foi, em alguns períodos da história, por sentirem segurança, procurando uma espécie de abrigo. Há tantas histórias e mitos. Recebi muito encanto de alguns escritores, por exemplo, Henrique de Senna Fernandes, que tem [nos romances] algo de tão colorido, que me levou para o mito e a imaginação.”

Diogo Muñoz confessa que esta “foi a exposição mais difícil” que fez até à data, tendo demorado “muito tempo” até que ficasse pronta. Confessa que bloqueou, ainda no atelier em Lisboa, quando já tinha uma série de trabalhos feitos. Tantos que foi o próprio Carlos Marreiros que lhe disse: “Tens a exposição feita”.

Além dos rostos

“Não queria ofender, longe disso, quis ser agradável. Há duas culturas que não são iguais, e não queria que fosse meramente uma galeria de retratos, como o que vemos nos corredores do edifício da Presidência da República portuguesa, algo que me chateia imenso.”

Assim, em “Macau Forever”, Diogo Muñoz apresenta “abordagens completamente distintas, entre as cores planas aos retratos propriamente ditos”. “Para mim, Macau é isso. Quando falo dela falo aos meus olhos, por constituir um manancial de informação, exotismo, história e diferença, ou mesmo deslumbramento. Visualmente, é impressionante.”

“Macau Forever” apresenta referências a Sun Yat-sen, o republicano que exerceu medicina em Macau e que foi um dos responsáveis pela revolução republicana de 1911, na China, o monsenhor Manuel Teixeira, José Vicente Jorge, Chui Tak Kei, Ho Yin ou George Chinnery, “um pintor com tantas coisas bonitas”.

“Isolei algumas figuras de quadros que fui pintando, que foram transeuntes. Macau também é pessoas, e quando venho cá tenho a sensação de que há coisas que se vão passando que não vemos”, referiu.

Paixão ancestral

Diogo Muñoz gosta tanto do território que acredita, quase como uma superstição, que “a relação com Macau é anterior a mim, uma coisa quase ancestral”. “Tenho sempre a sensação de ‘dejá vu’. Talvez porque a minha avó tivesse uma grande amiga macaense, houve sempre histórias na minha família, porque os meus avós e bisavós conheciam bem Macau. Talvez tenha sido essa a primeira informação que se entranhou em mim.”

Diogo Muñoz deixou que Macau se entranhasse nele: prova comidas desconhecidas “à confiança”, tem uma rede de amigos de todas as comunidades, vai a sessões de karaoke. “Macau é sempre diferente. Vou trabalhar imenso aqui porque é informação a mais para eu desperdiçar. Vou desenhando, pintando. Há dias em que simplesmente fico no jardim a olhar”, confessou.

Para o artista, “Macau Forever” é “uma homenagem, um abraço, um beijo, um tributo” ao território. “Não tenho pretensões de fazer um retrato, pois trata-se de uma coisa muito mais pessoal do que isso. São escolhas muito pessoais as que fiz para a exposição, por isso seria um retrato incompleto”, conclui.

A exposição pode ser visitada a partir das 18h30 de hoje na galeria A2 do Albergue SCM, estando patente até ao dia 15 de Julho. A iniciativa insere-se nas comemorações oficiais do 10 de Junho – Dia de Portugal, Camões e das Comunidades Portuguesas.

Digitalização de museus na China atrai milhões de pessoas

Novas tecnologias para manter e divulgar o passado

Quando o metaverso se encontra com os museus, os visitantes podem viajar até ao passado para construir edifícios antigos, viajar com animais selvagens ferozes como os leões e os elefantes brancos das lendas chinesas.

As exposições digitais de relíquias culturais tornaram-se cada vez mais uma forma importante de as trazer de volta à vida. Com os avanços da tecnologia moderna, a digitalização já não se limita a simples ecrãs que mostram imagens de relíquias aos visitantes, mas inclui agora meios de alta tecnologia, como o metaverso, conteúdos gerados por IA e experiências interactivas que levam os visitantes ao mundo do património cultural.

Em toda a China, foram desenvolvidos vários meios e esforços avançados para proteger, desenvolver e utilizar a cultura tradicional chinesa, numa tentativa de “aumentar a confiança cultural e promover o espírito nacional do país”, refere o Global Times.

O Pagode de Porcelana

No Ocidente, é um dos mais conhecidos patrimónios culturais chineses e, por vezes, visto como uma das Maravilhas do Mundo. O legado continua, pois aparece de vez em quando em várias séries de televisão e filmes americanos, na caixa de comida chinesa como um ícone do elemento cultural chinês. Trata-se do Pagode de Porcelana de Nanjing, uma das maravilhas do mundo medieval no antigo Templo de Bao’en, ou Templo da Gratidão Retribuída em chinês. O pagode foi construído no século XV na margem sul do rio Yangtze.

A milhares de quilómetros de distância, o Grande Pagode de Kew continua de pé em Londres, funcionando como uma janela para a cultura chinesa para milhões de visitantes no Reino Unido. Sir William Chambers visitou a China por duas vezes e os seus grandes projectos de pagodes para a família real foram influenciados por gravuras que aí tinha visto do famoso Pagode de Porcelana de Nanjing.

No entanto, o pagode foi quase todo destruído no século XIX devido à guerra. Felizmente, o palácio subterrâneo por baixo do templo escapou ao infortúnio e permanece intacto. Uma escavação arqueológica efectuada em 2008 descobriu relíquias budistas no palácio subterrâneo, enquanto uma torre de vidro e aço baseada no pagode original foi construída e aberta ao público em 2015.

Com a ajuda de um projecto de digitalização, a torre original de nove andares, coberta de azulejos coloridos, pode ser vista de novo em vídeos de alta definição, tal como foi construída durante a dinastia Ming (1368-1644). “O rápido desenvolvimento da tecnologia, incluindo a digitalização, abriu muitas possibilidades para nos ajudar a proteger o nosso património e a trazer de volta à vida as relíquias culturais”, disse Wang Wenxi, curador do Museu das Ruínas do Grande Templo Bao’en de Nanjing. Como o pagode tinha sido destruído, era um desafio para o museu manter-se relevante, uma vez que o pagode parecia não ser mais do que uma história do passado para as pessoas de hoje.

“É um processo duro e difícil e um problema comum enfrentado por muitos sítios patrimoniais na China e mesmo em todo o mundo”, disse Wang, cuja equipa tem vindo a explorar novas formas de promover o sítio.

Para além da recriação digital do Pagode de Porcelana, foi introduzida tecnologia virtual para gerar um espaço metaverso no Museu das Ruínas do Grande Templo de Bao’en, através do qual os visitantes podem entrar num museu metaverso para explorar um pagode restaurado digitalmente.

“No mundo digital, o restauro do pagode e as experiências interactivas ajudarão os visitantes a ligarem-se ao seu património e a sentirem melhor a esplêndida cultura de Nanjing”, observou Wang. “Isto traz este tesouro histórico e nacional da China de volta à vida.”

Ao entrar no Museu das Ruínas do Grande Templo Bao’en, os visitantes já não precisam de procurar informações online. Em vez disso, podem “falar” com a “Rapariga Dragão”, uma curadora inteligente baseada em grandes modelos linguísticos, em qualquer altura e desfrutar de uma visita “privada”. Através de um programa interativo de realidade aumentada, podem também ligar entre si todos os locais do museu.

Além disso, na opinião de Wang, os museus transmitem uma mensagem sobre o reconhecimento dos valores chineses de inovação e paz. O museu tem trabalhado com várias universidades em investigação histórica, arquitetura, digitalização e muito mais. Desde os artigos de porcelana com vidrados coloridos da dinastia Ming até aos intercâmbios culturais centrados no Grande Templo de Bao’en, “temos muito mais para fazer e muito está à nossa espera”.

Expressões criativas

Como viajantes europeus como Johan Nieuhof visitaram a torre em meados do século XVI e a deram a conhecer ao mundo, o museu espera ter mais projectos que possam continuar esta ligação global e promovê-la como um símbolo cultural da China.

O Concurso para Inovadores em Património Cultural Imersivo Digital faz parte deste esforço. De acordo com Hu Lei, director-adjunto do Departamento de Criatividade Digital do museu, jovens de 34 cidades de 13 países participaram no concurso, utilizando experiências imersivas e tecnologia digital inovadora para interpretar e contar as histórias do património cultural perdido. “Pode despertar o interesse do público pelo património e apresentar expressões criativas a partir da perspectiva dos jovens”, afirmou Hu.

O concurso é também uma plataforma de intercâmbio para técnicos e criadores de conteúdos, uma vez que a equipa técnica pode prestar mais atenção aos conteúdos e aprender a contar boas histórias, enquanto a equipa de conteúdos pode aprender mais sobre tecnologias de ponta. “É uma solução vantajosa para a proteção, exibição e educação do património cultural”, afirmou Wang.

Grutas digitalizadas

A preservação digital das antigas grutas da China tornou-se um assunto de interesse global, uma vez que as equipas chinesas de conservação digital utilizam tecnologias de ponta para restaurar o esplendor original destas antigas grutas e dos seus murais com grande precisão. Isto permite que pessoas de todo o mundo transcendam o tempo e o espaço e experienciem a vasta beleza da cultura das grutas, incluindo as conhecidas grutas de Yungang, na província de Shanxi, no norte da China, e as grutas de Dunhuang Mogao, na província de Gansu, no noroeste da China.

Sun Bo, membro da equipa do centro de protecção e monitoramento do património cultural do Instituto de Pesquisa Yungang, disse que os esforços atuais de restauração e protecção das Grutas Yungang evoluíram da conservação tecnológica para a conservação digital. A criação de um laboratório digital no Instituto de Investigação de Yungang visa recolher dados e utilizar computadores para selecionar os materiais e os métodos de restauro que causarão menos danos às grutas.

“A restauração das Grutas de Yungang não pode ser interrompida, mas minimizar os danos durante o processo é uma arte em si. O laboratório digital pode ajudar o pessoal a escolher os melhores métodos, destacando outro papel importante na digitalização do património cultural”, afirmou, acrescentando que a recolha de informações digitais em curso nas

Durante o processo de recolha de dados, a equipa pode identificar danos subtis e riscos potenciais para as grutas e estátuas, o que ajuda a restaurar e atenuar os danos em tempo útil. Posteriormente, os dados e informações de alta precisão recolhidos serão processados utilizando tecnologia digital, “recriando” as Grutas de Yungang numa base de dados para fornecer dados sólidos e apoio visual para a conservação, restauro e mesmo reconstrução das grutas.

Os meios de comunicação social referiram que a digitalização das Grutas de Yungang, que ostentam mais de 59000 estátuas complexas e requintadamente esculpidas de vários tamanhos, deu origem a um enorme volume de dados que exigirá um tempo considerável para ser processado digitalmente. “Os esforços digitais em curso estão a construir uma base sólida para a preservação precisa e permanente e para a utilização sustentável da informação sobre as Grutas de Yungang”, disse Hang Kan, director do instituto de investigação das Grutas de Yungang, acrescentando que dois terços do trabalho de recolha de informação digital para as grutas foram concluídos.

Dunhuang Mogao atrai milhões

A digitalização das Grutas de Dunhuang Mogao também alcançou resultados. Em Maio de 2016, foi oficialmente lançada a biblioteca de recursos “Dunhuang Digital”. Partilha imagens de alta definição de murais e explicações textuais de 30 grutas em todo o mundo. Utilizadores de quase 80 países e regiões usam a plataforma, que já recebeu mais de 22 milhões de visitas, informou o Guangming Daily. “A digitalização permitiu que as relíquias culturais deixassem os museus e chegassem a todos os cantos do mundo, estimulando o desejo das pessoas de ver os artefactos reais no local”, disse Su Bomin, chefe do Instituto de Pesquisa Dunhuang.

Em abril de 2023, a “Gruta Digital”, criada pelo Instituto de Investigação de Dunhuang, foi oficialmente lançada, atraindo mais de 14 milhões de utilizadores no espaço de uma semana. Com o lançamento da versão internacional da “Caverna Digital”, os utilizadores estrangeiros podem “viajar através” da caverna com um único clique e apreciar a civilização chinesa representada por Dunhuang.

Actualmente, o centro digital do Instituto de Investigação de Dunhuang reúne 110 técnicos profissionais de várias disciplinas, incluindo informática, fotografia, design artístico, direção de vídeo e animação, formando uma equipa interdisciplinar de talentos para a proteção do património cultural.

A equipa de protecção do património cultural digital do Instituto de Investigação de Dunhuang também partilhou a experiência bem sucedida de levar a cabo projectos semelhantes de “Dunhuang digital” com outros países, incluindo Myanmar, cujo Templo Thatbyinnyu estava ameaçado após um grave terramoto.

“A divulgação da cultura de Dunhuang pode permitir que pessoas de todo o mundo compreendam que a China, do passado ao presente, tem enfatizado os intercâmbios multiculturais e promovido o espírito de aprendizagem mútua”, disse Su.

Habitação pública | Novos estragos no Edifício Koi Nga

O Edifício Koi Nga, em Seac Pai Van, voltou a perder os azulejos das paredes exteriores durante a tempestade tropical Maliksi no passado fim-de-semana. A associação de Moradores pede arranjos imediatos e denúncia outros estragos no interior, como infiltrações de água, que provam a fraca qualidade da habitação pública

 

A primeira tempestade tropical que levou as autoridades a içar pela primeira vez este ano o sinal nº3 de alerta voltou a fazer estragos no Edifício Koi Nga, em Seac Pai Van. Mais uma vez, o prédio de habitação económica constituído por oito blocos, voltou a registar queda de azulejos nas paredes exteriores, uma situação que tem sido recorrente.

Mais uma vez, os moradores do edifício pediram ao Governo para avançar, o mais rapidamente possível, com as devidas reparações. A falta de qualidade e constante necessidade de reparar os blocos de apartamentos de habitação pública em Seac Pai Van motivaram a apresentação de queixas e reacções de duas associações ligadas à comunidade de Jiangmen e a representação de Seac Pai Van da associação dos moradores.

Aliás, dirigentes da Aliança de Sustento e Economia de Macau, ligada à comunidade de Jiangmen, visitou o complexo habitacional na terça-feira, incluindo a deputada Lo Choi In.

Além dos problemas que subsistem no interior do edifício, como a queda de mosaicos e infiltrações de água, os moradores queixaram-se à deputada Lo Choi In do perigo que representa a queda de azulejos das paredes exteriores do edifício. Além disso, mostraram preocupações de virem a ser responsabilizados financeiramente pelos reparos no exterior do edifício, uma vez que o prazo de garantia da empreitada já foi ultrapassado.

Em declarações ao jornal Cidadão, o presidente da associação Ho Kam Meng defendeu que o Governo deveria pagar imediatamente a reparação de todos os estragos que o edifício de habitação económica apresenta. O responsável pediu ainda às autoridades esclarecimentos sobre quem é efectivamente responsável pelos danos resultantes da má qualidade da construção.

O pão nosso

A vice-presidente da associação e deputada Lo Choi In afirmou que a queda de mosaicos nas habitações públicas em Seac Pai Van não é rara e acontece frequentemente há mais de uma década. Para evitar acidentes ou estragos maiores, a deputada sugeriu ao Governo que instale equipamentos de protecção provisórios para evitar danos provocados pela queda de azulejos. Foi também recomendado o aumento do montante do fundo de reparação predial e a realização de inspecções regulares ao Edifício Koi Nga.

A Associação de Mútuo Auxílio dos Moradores da Seac Pai Van, que também visitou o edifício, pediu às autoridades que divulguem o resultado das análises através de raios infravermelhos que foram feitas às paredes exteriores. A presidente da associação, Wong Lai I, alertou para os problemas visíveis de falta de aderência nas paredes exteriores dos blocos 4, 6 e 7 do edifício, que podem levar à repetição da queda de azulejos a qualquer momento.

Hengqin | Associações recomendam as suas agências para excursões

O Governo pediu a associações que recomendassem agências de viagens para operar excursões subsidiadas a Hengqin. Todas as associações indicaram empresas lideradas pelos próprios dirigentes associativos. A Associação das Agências de Turismo de Macau, presidida pelo deputado Cheung Kin Chung recomendou a Agência de Viagens e Turismo China, da qual o próprio é presidente do conselho de administração

 

Quando foi anunciado o Plano de Apoio Financeiro Amor por Macau e Hengqin, que subsidia excursões para residentes de Macau a Hengqin, o Governo indicou que as agências de viagens que iriam organizar e operar as visitas à Ilha da Montanha seriam recomendadas por associações do sector.

“A Direcção dos Serviços de Turismo (DST) teve reuniões com os profissionais do sector, chegando ao consenso de que irão envidar esforços para a concretização deste projecto (…) As agências de turismo envolvidas são as nove recomendadas por profissionais do sector e das associações”, indicava a DST a 19 de Maio, quando o plano foi anunciado.

Ora, consultando a lista de agências de viagens escolhidas para organizar e operar as excursões a Hengqin, salta à vista que as três associações recomendaram agências presididas pelos próprios dirigentes associativos.

O HM contactou a DST, repetidas vezes desde o dia 21 de Maio para recolher um comentário face à coincidência, para saber se este tipo de actuação respeita princípios de ética, transparência e concorrência leal e quanto custou ao erário público o trabalho das agências, mas até hoje não obteve resposta.

Quem é quem

No site da Fundação Macau, entidade que financia o projecto, é referido que a DST entendeu que as nove agências escolhidas eram as que davam garantias de concretização do projecto e que, portanto, teriam exclusividade na organização das excursões. Importa referir que no site da DST são listadas quase duas centenas de agências a funcionar em Macau.

Também no site da Fundação Macau dedicado ao programa, são apresentadas as agências escolhidas por cada associação. A Associação das Agências de Viagens de Macau, presidida por Alex Lao recomendou a agência Grupo de Multinacional Turismo Limitada, da qual é director-geral.

Outra agência escolhida pela associação, foi a Companhia de Turismo Internacional Wan Yu, do grupo Golden Dragon, que tinha, pelo menos, até ao ano passado o ex-deputado Chan Meng Kam como director-geral.

Por sua vez, a Associação das Agências de Turismo de Macau, que tem como presidente da direcção o deputado nomeado pelo Chefe do Executivo Cheung Kin Chung recomendou os serviços da Agência de Viagens e de Turismo China (Macau), que conta com o próprio legislador como presidente do conselho de administração. Outra agência recomendada pela associação dirigida pelo deputado, foi a Agência de Viagens e Turismo Juventude Internacional, cujo presidente é Cheong Chi Man, que também é, claro está, vice-presidente da associação que fez a sugestão à DST.

A outra recomendação da associação liderada pelo deputado foi a Companhia de Turismo Internacional Wan Yu, cujo director-executivo, Hoi Man Pak, é também vice-presidente da associação.

A Associação de Indústria Turística de Macau recomendou três agências, todas dirigidas pelos seus líderes. A Agência Gray Line (Macau) é dirigida pelo presidente da associação Andy Wu, enquanto a Top Holidays-P & E Internacional Travel Co pertence ao vice-presidente da associação Paul Wong. Finalmente, a Agência de Viagens e Turismo Chiu Iat, outra das recomendações à DST, tem como director-geral o vice-presidente da da Associação de Indústria Turística de Macau, Lao Lok Nam. O responsável é ainda vice-presidente da Associação das Agências de Turismo de Macau.

O epicentro associativo

Entre todas estas associações e empresas existe um denominador comum, a Associação das Agências de Turismo de Macau, dirigida pelo deputado Cheung Kin Chung, que reúne no topo dos seus órgãos dirigentes gestores, directores e proprietários de sete das nove agências recomendadas à DST. As restantes empresas, Agência de Viagens e Turismo Internacional (China-Macau) e a Agência de Viagens e Turismo Juventude Internacional são dirigidas por dois vice-presidentes da associação de Cheung Kin Chung, Yan Wei Dong e Cheong Chi Man, respectivamente. Este último é também director executivo da Macau Radio Taxi.

Por fim, importa referir que a associação em que o deputado Cheung Kin Chung é presidente da direcção, é também presidida por Luo Qun, que era, pelo menos até 2023, subdirector-geral da empresa estatal Companhia Nam Kwong.

Associações são o povo

A inscrição para as excursões só pode ser feita através das associações que se inscreveram no plano de apoio financeiro da Fundação Macau, cujo prazo terminou a 31 de Maio. Os excursionistas inscritos ganham dois vouchers electrónicos de 50 patacas que só podem ser usados em restaurantes de Macau, em dois consumos separados.

Na altura em que foram apresentadas, o Governo declarou que as visitas permitem aos residentes conhecer melhor a cultura, o desenvolvimento da Ilha de Hengqin e a vida da população. Os cinco roteiros do programa, disponíveis no portal da Fundação Macau, custam 220 patacas por pessoa, com um deles a chegar às 450 patacas. Com a duração de seis horas, os passeios incluem visitas ao Novo Bairro de Macau, centros comerciais, ao Chimelong, serviços públicos e zonas de natureza.