Emigrantes | Associação TSP lança inquérito sobre eleições legislativas Hoje Macau - 6 Jun 2025 A Associação TSP – Também Somos Portugueses, baseada em Portugal, vai lançar um novo inquérito sobre os problemas registados nas últimas eleições legislativas para a Assembleia da República em Portugal, que serviram para eleger os deputados e o primeiro-ministro. Segundo uma nota da associação, a ideia é perceber “a forma como decorreram as recentes eleições legislativas portuguesas para quem vive no estrangeiro e quais são os problemas de que se queixam os emigrantes”, além de que se pretende chegar a respostas sobre a abstenção. “Para quem votou pretende-se saber se foi fácil votar, as dificuldades que tiveram e porque é que muitos não juntaram uma cópia do documento de identificação, cuja falta fez com que muitos milhares de votos fossem anulados”, lê-se no comunicado enviado às redacções. No inquérito, que está disponibilizado no portal da associação e nas redes sociais da mesma, pretende-se também perceber “as modalidades de voto preferidas pelos portugueses no estrangeiro”, seja “o voto presencial nos consulados, o voto postal ou os métodos que, apesar de ainda não estarem disponíveis em Portugal, são usados noutros países”, ou mesmo “o voto digital e voto por procuração”. O inquérito questiona ainda os principais problemas sentidos pelos portugueses que vivem no estrangeiro, tal como “o acesso aos serviços dos consulados, o ensino da língua portuguesa, o acesso à saúde em Portugal, problemas com os impostos portugueses, a reforma dos emigrantes, o regresso para Portugal, o processo de votação para as eleições portuguesas, ou outros”.
Eleições | “Soldado de Mao” volta a candidatar-se João Luz e Nunu Wu - 6 Jun 2025 Wong Wai Man entregou ontem o pedido de reconhecimento da sua lista para concorrer às eleições legislativas, depois da candidatura de 2021 ter sido recusada. O potencial candidato oficializou ontem a sua corrida eleitoral, vestido a rigor, com o emprego e o bem-estar social entre as prioridades políticas O “Soldado de Mao” está de volta. Wong Wai Man foi ontem ao Edifício da Administração Pública entregar à Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL) o pedido de reconhecimento da propositura de candidatura às eleições legislativas de 14 de Setembro. O presidente da Associação dos Armadores de Ferro e Aço e rosto da lista Ajuda Mútua Grassroots surgiu com uma indumentária semelhante às fardas dos guardas vermelhos durante a Revolução Cultural e envergando uma mala a tiracolo com a imagem de Mao Tsé-Tung. Esta é a terceira vez que procura entrar no boletim de voto e, desta feita, entregou 395 assinaturas com o pedido de reconhecimento da candidatura da lista que deverá ter seis candidatos. Aparentando uma postura calma, Wong Wai Man afirmou estar tranquilo em relação ao escrutínio das autoridades face aos critérios a cumprir pela sua lista, nomeadamente em relação ao número mínimo de assinaturas suficientes para poder participar no sufrágio. “Não estou preocupado, o meu objectivo é participar no processo eleitoral. Dedico-me à participação cívica e social há cerca de 18 anos. Não preciso de assumir o cargo de deputado, a minha força e energia positiva são maiores do que qualquer deputado”, afirmou o potencial candidato, citado pelo All About Macau. As muitas batalhas “Hoje em dia, em Macau aconteceram muitos casos de suicídio, com pessoas a saltarem para o mar ou do cimo de prédios, ou por enforcamento. Os governantes têm responsabilidades perante esta realidade, assim como os 32 deputados que estão na Assembleia Legislativa”, afirmou Wong Wai Man num vídeo partilhado no WeChat. O aumento de suicídios no território é encarado pelo potencial candidato como uma consequência das dificuldades económicas e de emprego que afecta parte da população. “Se as pessoas tiverem um bom emprego e capacidade económica para pagar as contas, as suas vidas melhoram e as preocupações desaparecem”, comentou. Como tal, o “Soldado de Mao” apontou o emprego como uma das suas prioridades políticas. Além disso, Wong Wai Man prometeu também dar prioridade aos segmentos mais desfavorecidos da população. “Quer ganhe, ou não, o meu desejo é ajudar os mais pobres. Não quero ajudar todos os residentes. Chan Meng Kam e Sam Hou Fai também são residentes e não precisam de ajuda”, destacou.
Ambiente | Macau regista novo máximo de temperaturas em 2024 Andreia Sofia Silva - 6 Jun 2025 A Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental lançou ontem novos dados relativos ao panorama do meio ambiente no território, no Relatório do Estado do Ambiente de Macau 2024. Os dados não são animadores: registou-se no ano passado um novo recorde máximo de temperaturas, mais chuva e tufões. Gastou-se mais electricidade e água, produziu-se mais lixo e foi recolhido menos resíduos recicláveis Com Lusa O Governo de Macau, através da Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA) anunciou ontem que o ano de 2024 voltou a atingir um recorde máximo de temperatura no território, além de que também se registou um aumento de tufões e precipitação. Segundo o Relatório do Estado do Ambiente de Macau 2024, a temperatura média no ano passado foi de 23,6°C, precisamente o valor que tinha sido atingido em 2019, o mais elevado desde que começaram os registos, em 1952. A temperatura média de 2024 foi 0,8°C mais elevada do que a média climatérica (média de 30 anos, entre 1991 e 2020), de acordo com o documento elaborado pela DSPA. Além disso, Macau registou 42 dias considerados como quentes no ano passado, mais 10,7 dias do que a média climatérica, 29 noites quentes, mais 17,5 do que a média, e 29 dias frios, menos 10,1 dias do que a média. Os Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) classificam como quentes os dias em que a temperatura máxima é igual ou superior a 33ºC e as noites em que a temperatura mínima é de, pelo menos, 28ºC. Quanto aos dias considerados frios, são aqueles em que a temperatura mínima não excede os 12ºC. “Com o aquecimento global, a ocorrência de fenómenos meteorológicos extremos é cada vez mais frequente”, sublinhou a DSPA, no relatório. Em 2024, Macau foi afectado por sete ciclones tropicais, conhecidos como tufões, e, pela primeira vez, três ciclones tropicais afectaram Macau em Novembro, o último mês da época dos tufões, que começa em Maio. De acordo com o relatório, a região recebeu no ano passado uma precipitação total de 2.029,2 milímetros, “ligeiramente superior à média climatérica”. A DSPA adiantou também que, desde 1970, o nível do mar em Macau tem subido a uma taxa média de cerca de 3,5 milímetros por ano. Também a nível mundial, 2024 foi o ano mais quente de que há registos e ultrapassou pela primeira vez os 1,5°C acima do nível pré-industrial, avançou em Janeiro o serviço europeu Copernicus. Na semana passada, a Organização Meteorológica Mundial previu que as temperaturas devem continuar a atingir valores recorde até ao final da década. Mais pessoas, mais gastos O relatório da DSPA dá ainda conta de que com a chegada de mais turistas a Macau, houve também mais resíduos e gastos ao nível do consumo de água, por exemplo. “Com a melhoria da economia, o número de visitantes, em 2024, aumentou 23,8 por cento em termos anuais, para quase 35 milhões, tendo recuperado cerca de 90 por cento do nível pré-pandemia. A intensidade turística também registou um certo aumento, tendo o PIB [Produto Interno Bruto] local subido 8,8 por cento. Além disso, houve um ligeiro aumento da população no final do ano.” Desta forma, acrescenta-se, “em relação aos indicadores ambientais, o crescimento económico e da população conduziu à subida das emissões locais estimadas de gases com efeito de estufa, do volume de água facturada, do consumo de electricidade e da quantidade de resíduos sólidos urbanos, comparativamente com 2023”. “Durante a pandemia, houve uma diminuição nos diversos indicadores económicos e ambientais. No entanto, com a melhoria constante da economia, a maioria desses indicadores voltou a subir”, é explicado. No que diz respeito ao volume de água facturada, em milhares de metros cúbicos, em 2023 o registo foi de 89.164 e, no ano passado, 94.123, o que constitui um aumento de 5,6 por cento. No tocante ao consumo de electricidade, em milhões de kW/h, em 2023 foi de 5.740, enquanto que em 2024 o consumo passou para 6.030, mais 5,1 por cento. O relatório destaca também as toneladas de resíduos sólidos urbanos produzidos, que em 2023 foi de 501.512, subindo 5,1 por cento no ano passado, para 526.979 toneladas. Outro dado preocupante ao nível dos resíduos foi a queda, pelo terceiro ano consecutivo, do volume de resíduos recicláveis recolhidos, que passou de uma taxa de 24,5 por cento em 2021 para 21,7 por cento no ano passado. Trocado por miúdos, de todos os resíduos recicláveis gerados em Macau, apenas cerca de um quinto são recolhidos para reciclagem. No relatório, Ip Kuong Lam, director da DSPA, indica que no ano passado, “com a recuperação económica em curso, observou-se uma maior pressão sobre vários indicadores ambientais, ao mesmo tempo que as alterações climáticas se tornaram mais severas”. Apesar dos resultados, o responsável afirmou que os objectivos passam por “incentivar uma maior participação da população nas iniciativas ambientais e concretizando, em conjunto, a visão de construir uma Macau com baixas emissões de carbono”. Uma questão de gases O relatório divulgado ontem pela DSPA dá ainda conta do panorama da emissão dos gases com efeitos de estufa (GEE), tendo-se verificado, no ano passado, um aumento global de “cerca de dez por cento, entre os quais o dióxido de carbono (C02), que representaram 90 por cento”. Destaca ainda a DSPA que “as emissões estimadas de GEE provenientes das diversas fontes registaram subidas face ao período homólogo (2023), exceptuando os resíduos depositados em aterros, tendo os aumentos mais significativos sido verificados nas emissões estimadas provenientes da produção local de electricidade e dos transportes aéreos”. Além disso, é referido que, em 2024, a principal fonte de emissão de GEE e CO2 foram os transportes terrestres, seguindo-se a produção local de electricidade, a incineração de resíduos, o comércio, consumo doméstico e os serviços. “As principais fontes de emissão de CH4 [metano] foram os resíduos depositados em aterros e o tratamento de águas residuais, enquanto este último também foi a principal fonte de emissão de N2O [óxido nitroso]”, destaca-se ainda no documento. A DSPA esclarece, relativamente à tendência da emissão de GEE, que “depois de terem atingido o pico em 2017, as emissões locais de GEE mostraram uma tendência decrescente, ano após ano, tendo alcançado o seu valor mais baixo durante a pandemia”. Porém, com a retoma das actividades económicas e do grande movimento de pessoas, sobretudo “nos últimos dois anos, o volume das emissões estimadas desses gases tem voltado a subir gradualmente”. O ar que respiramos Também no que diz respeito à qualidade do ar os dados não são animadores, pois em 2024 “o número de dias com a qualidade média do ar classificada de ‘bom’ ou ‘moderado’ registado nas seis estações de monitorização da qualidade do ar de Macau chegou a 88 por cento, valor ligeiramente inferior ao de 2023”. Houve, no total do ano, 15 a 34 dias com classificação de “insalubre”, sendo que apenas dois dias obtiveram a classificação de “muito insalubre”. Segundo a DSPA, “os poluentes detectados nas estações de monitorização do ar foram principalmente ozono (O3) e partículas finas em suspensão (PM2,5)”, enquanto “na Estação da Berma da Estrada (Ká-Hó), foi registado o índice mais alto detectado no ano inteiro, classificado de ‘muito insalubre’, sendo o O3 o poluente principal”. No ano passado, Julho foi o mês com melhor qualidade do ar, enquanto os meses de Outubro a Dezembro obtiveram a pior qualificação segundo dados das estações de monitorização do ar de Macau. O relatório revela também que “em termos do cumprimento dos padrões das concentrações de poluentes atmosféricos, em 2024, as concentrações médias anuais de PM10 e PM2,5 registadas nas várias estações de monitorização foram inferiores aos valores padrão”, enquanto “as concentrações médias anuais de dióxido de azoto (NO2) detectadas também se situaram abaixo dos valores padrão, com excepção daquelas medidas na Estação da Berma da Estrada (Macau) e na Estação das Áreas de Alta Densidade Habitacional (Macau)”. Dados mais optimistas revelam-se ainda “quanto às médias diárias de concentrações de dióxido de enxofre (SO2) e às médias máximas diárias de oito horas de concentrações de monóxido de carbono (CO) verificadas nas várias estações ao longo do ano”, pois “ambas ficaram abaixo dos valores padrão”. “Em todas as estações houve registo de as médias máximas diárias de oito horas de concentrações de O3 terem excedido os valores padrão em alguns dias. Em relação às concentrações de poluentes atmosféricos registadas nas estações de monitorização, de um modo geral, as concentrações médias anuais de PM2.5 e de NO2 subiram, enquanto as concentrações de PM10 e de CO desceram”, sendo que “como na Estação da Berma da Estrada (Macau) só em 2024 é que começaram a ser monitorizados o SO2 e o O3, não foram feitas comparações”.
Zona A | Aberto concurso público para cinco espaços comerciais Hoje Macau - 5 Jun 2025 O Instituto de Habitação (IH) está a realizar um concurso público para a concessão de cinco espaços comerciais no empreendimento de habitação pública na Zona A dos Novos Aterros, nomeadamente para restaurantes, uma unidade bancária ou uma farmácia, sendo que quatro espaços se situam no Edifício Tong Chong e outro no Edifício Tong Kai, ambos na Avenida do Mar de Espelho, na Zona A dos Novos Aterros. Segundo uma nota do IH, “tendo em conta que a Zona A dos Novos Aterros é uma nova zona comunitária, a fim de atrair os comerciantes, foram estabelecidas medidas preferenciais neste concurso público”, tal como a redução do preço base para as propostas a concurso, a isenção de renda nos primeiros três meses e o fornecimento de equipamentos de ar condicionado ao espaço comercial do supermercado. As candidaturas devem ser apresentadas até às 17h30 horas do dia 20 de Junho de 2025. O supermercado, por exemplo, terá uma área útil de 351,84 metros quadrados, sendo o preço base do concurso de 16 500 patacas. Para esclarecer os interessados, o IH realiza, a 2 de Julho, às 10h, uma sessão pública informativa na Delegação das Ilhas do IH, na Rua de Zhanjiang, n.os 66-68, Edifício do Lago, 1.º andar D, Taipa. O acto público de licitação verbal terá lugar no dia 8 de Julho de 2025, às 10h30 horas, na Delegação das Ilhas do IH. “Os espaços a arrendar são adjudicados aos concorrentes que ofereçam a renda de valor mais elevado”, é explicado.
Tarifas | Trump diz que é “extremamente difícil chegar a um acordo” com Xi Jinping Hoje Macau - 5 Jun 2025 O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse ontem que aprecia o homólogo chinês, mas que é “extremamente difícil chegar a um acordo” com Xi Jinping, numa altura em que os dois países travam uma guerra comercial. “Gosto do Presidente XI da China, sempre gostei e sempre gostarei, mas ele é MUITO DIFÍCIL”, afirmou o líder norte-americano, na sua rede social Truth, no dia em que as taxas alfandegárias sobre o aço e o alumínio importados pelos EUA aumentaram para 50 por cento. As declarações de Trump surgem numa altura em que a imprensa norte-americana avança com a possibilidade de os dois líderes abordarem, por telefone, um acordo final que atenue as tensões comerciais. Não ficou claro se Trump falou com Xi, entretanto. O ministro chinês dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi, acusou na terça-feira os Estados Unidos de violarem o acordo comercial provisório alcançado em Genebra, no mês passado, ao imporem “medidas negativas”, como as últimas restrições à exportação de semicondutores ou a anulação de vistos de estudantes chineses. Wang fez aquelas afirmações durante um encontro com o novo embaixador dos Estados Unidos na China, David Perdue. “Infelizmente, os EUA introduziram recentemente uma série de medidas negativas com base em fundamentos infundados, prejudicando os direitos e interesses legítimos da China”, afirmou Wang, durante o encontro, em Pequim, de acordo com um comunicado difundido pelo Governo chinês. Wang apelou aos EUA para que “criem as condições necessárias para que as relações [bilaterais] regressem ao caminho certo”. Trump mostrou-se anteriormente confiante de que uma conversa com Xi poderá aliviar as tensões comerciais, embora não seja claro que esse telefonema esteja a ser organizado.
Airbus | China negoceia compra de centenas de aviões Hoje Macau - 5 Jun 2025 A China está a considerar a possibilidade de encomendar centenas de aviões à construtora europeia Airbus no próximo mês, por altura do 50.º aniversário das relações oficiais entre o país e a União Europeia, avançou ontem a Bloomberg. De acordo com a agência de notícias, que cita fontes não identificadas, o negócio poderá incidir sobre cerca de 300 aviões de fuselagem larga e estreita, enquanto outra fonte avança com 500 aparelhos, o que constituiria uma das maiores compras de aviões da história e a maior para a China. Em todo o caso, estas fontes afirmam que as negociações ainda estão em aberto e que o negócio pode não se concretizar ou ser fechado numa data posterior. Até ao momento, nem a Airbus nem as autoridades chinesas responsáveis pelas negociações dos aviões emitiram qualquer confirmação oficial sobre o assunto. A França e a Alemanha, dois dos países que controlam a Airbus, poderão enviar os seus dirigentes, Emmanuel Macron e Friedrich Merz, à cimeira China – UE, que se realiza em Julho, em Pequim. Novas alianças Se o acordo for assinado nessa altura, poderá também ser interpretado como um sinal do Presidente chinês, Xi Jinping, ao seu homólogo norte-americano, Donald Trump, de que pretende estreitar os laços comerciais com a UE, numa altura em que os laços de Pequim com Washington se deterioram devido à guerra comercial entre as duas potências. No entanto, a Bloomberg aponta a principal rival da Airbus, a norte-americana Boeing, como uma das potenciais vencedoras de um hipotético acordo comercial entre Pequim e Washington. No recente pacto comercial com o Reino Unido, um dos pontos mais importantes foi precisamente a venda de aviões. Mas a Boeing está há anos em dificuldades no mercado chinês, face às tensões comerciais e às preocupações com a segurança dos seus aviões, que resultaram numa proibição de quase cinco anos do 737 Max, após dois acidentes com um total de 346 mortos na Etiópia e na Indonésia. Este facto, associado a outras proibições temporárias, como a proibição, durante um mês, entre Abril e Maio, da entrega de aviões da Boeing a empresas chinesas devido à escalada da guerra comercial entre Pequim e Washington, permitiu à Airbus ganhar vantagem na China nos últimos anos. A Boeing não recebe uma grande encomenda da China desde, pelo menos, 2017.
Os sistemas meteorológicos de alerta precoce e a sua importância Olavo Rasquinho - 4 Jun 2025 Olavo Rasquinho * É do conhecimento geral a importância que os avisos meteorológicos têm para atividades humanas. No entanto, cerca de um terço dos 193 membros da Organização Meteorológica Mundial (OMM) ainda não possuem sistemas eficientes de alerta precoce no sentido de avisar as populações para se precaverem contra a perda de vidas e bens perante desastres naturais de carácter meteorológico. Em face desta realidade, a OMM selecionou para tema das celebrações do Dia Meteorológico Mundial (DMM) de 2025 “Closing the early warning gap together”, que se pode traduzir por “Reduzamos, juntos, as falhas dos sistemas de alerta precoce”. O tema insere-se na “Iniciativa Alertas Precoces para Todos” (“The Early Warnings for All Initiative”), a qual visa a proteção das populaações, à escala global, relativamente a fenómenos perigosos de carácter hidrometeorológico, climático e eventos ambientais relacionados. Os sistemas de alerta precoce assentam essencialmente em quatro componentes: conhecimento do risco; monitorização e previsão; comunicação e disseminação de alertas e capacidade de resposta das comunidades. A falha de qualquer destas componentes compromete a eficácia das medidas a tomar para evitar que um desastre natural se transforme numa catástrofe. Os serviços meteorológicos, com recurso a meios que fazem parte de uma rede global de observação, e a modelos físico-matemáticos que simulam o comportamento da atmosfera, preveem a ocorrência de fenómenos que poderão afetar a vida dos cidadãos. Por exemplo, a hora aproximada da chegada de um tufão a terra pode ser prevista, mas o simples facto de o seu movimento retardar ou acelerar pode ter como consequência não acertar na hora em que tal acontece. Normalmente os tufões, que se formam sempre no mar, diminuem a velocidade de progressão e a intensidade ao se aproximarem de terra. No entanto, esporadicamente, tal pode não acontecer. Foi o que ocorreu com o tufão Hato que, em agosto de 2017, atingiu Macau com consequências graves. Em vez de diminuir a sua velocidade de deslocamento e enfraquecer, sofreu uma súbita intensificação e aumento de velocidade, surpreendendo os meteorologistas. Tal aconteceu com a agravante de a chegada do tufão ter coincidido com a maré astronómica alta, o que reforçou as consequências da maré de tempestade. Pode-se então deduzir que a componente “monitorização e previsão” e, consequentemente, a componente “comunicação e disseminação de alertas” do sistema de alerta precoce não funcionaram a cem por cento devido ao comportamento anómalo do tufão. Tal aconteceu num território em que o sistema de alerta precoce está bem estruturado e funciona geralmente com elevado índice de sucesso. Imagine-se o que poderá acontecer quando este tipo de fenómenos ocorre em regiões onde não existem sistemas de alerta precoce ou, existindo, não são suficientemente eficazes devido a deficiência de meios ou inexistência de recursos humanos. Como exemplo desta situação pode-se mencionar o que ocorreu, em novembro de 1970, no então designado Paquistão Oriental. Esta província paquistanesa foi atingida por um dos ciclones mais violentos do século passado, o “Grande Ciclone Bhola”, que causou um número de mortos que se estima entre trezentos mil a meio milhão. É considerado o ciclone tropical que mais vítimas causou desde que há registos. Ventos de cerca de 200 km/h, coincidentes com uma maré astronómica alta, arrastaram as águas do Índico terra-a-dentro, invadindo grande parte do delta do rio Ganges, causando uma maré de tempestade de grandes proporções, que chegou a atingir 6 metros. As consequências foram tão graves que contribuíram para a revolta do povo da região, motivada pela fraca resposta do governo central. O descontentamento gerado contribuiu para intensificar a luta pela independência da província, o que se concretizou em 1971, dando origem a um novo país, o Bangladeche. Outro exemplo foi o que aconteceu em Mianmar (antiga Birmânia), em maio de 2008. Este país, dirigido durante dezenas de anos por ditaduras militares, não sofreria tanto as consequências do ciclone Nargis se estivesse apetrechado com um sistema de alerta moderno e eficiente. As mais de 130.000 vítimas mortais causadas pela maré de tempestade associada ao ciclone tropical seriam, certamente, em grande parte evitadas. Alguns dias antes do ciclone ter atingido aquele país já haviam sido emitidos avisos pelo Centro Meteorológico Regional Especializado (“Regional Specialized Meteorological Center – RSMC”) de Nova Deli, que é o centro responsável pela vigilância meteorológica para a bacia do Índico Norte1. Também o Serviço Meteorológico da Índia avisou o governo de Mianmar sobre a grande probabilidade de ocorrência de uma maré de tempestade de grandes proporções que afetaria o delta do rio Irauádi, o que veio a acontecer cerca de 48 horas depois, tempo suficiente para proceder à evacuação das populações. Nos casos dos ciclones Bhola e Nargis os sistemas de alerta praticamente eram inexistentes no Paquistão Oriental e em Mianmar. No entanto, nas Filipinas, país afetado anualmente, em média, por cerca de vinte tempestades tropicais e tufões, apesar das autoridades meteorológica e de proteção civil serem consideradas bem organizadas, ocorreram falhas em duas das componentes do sistema de alerta precoce, em novembro de 2013. As componentes “conhecimento do risco” e “comunicação e disseminação de alertas” falharam em parte devido a mapas de risco de inundações desatualizados e a linguagem utilizada inadequada. O tufão Haiyan (designado nas Filipinas por Supertufão Yolanda) provocou um número de vítimas mortais superior a seis mil. As principais razões para a catástrofe ter atingido tais proporções consistiram, além das falhas de duas das componentes do sistema de alerta precoce, nos factos de a pressão ter sido extremamente baixa no centro (cerca de 895 hPa), ventos de grande intensidade e o tufão ter entrado em terra próximo da hora da maré astronómica alta. Estes fatores conjugados provocaram uma maré de tempestade que atingiu, em alguns locais entre 6 e 7 metros. Note-se que a diminuição da pressão de 1 hPa corresponde à elevação do nível do mar de cerca de 1 cm. (continua) *Meteorologista – No âmbito do Programa de Ciclones Tropicais da OMM, foram criadas cinco organizações, algumas das quais classificadas como organizações intergovernamentais, com o intuito de procederem ao estudo e monitorização dos ciclones tropicais: Comité de Ciclones Tropicais (Sudoeste do Oceano Índico), Painel WMO/ESCAP de Ciclones Tropicais (Baía de Bengala e Mar Arábico), Comité de Tufões ESCAP/WMO (Noroeste do Oceano Pacífico e Mar do Sul da China), Comité de Furacões da Associação Regional IV (América do Norte, América Central e Caraíbas), Comité de Ciclones Tropicais da Associação Regional V (Pacífico Sul e Sudeste do Oceano Índico).
A porta das estrelas (I) Jorge Rodrigues Simão - 4 Jun 2025 “One must have chaos within oneself to give birth to a dancing star” Friedrich Nietzsche O projecto centrado na Inteligência Artificial (IA) anunciado por Trump redefine as hierarquias do Vale do Silício. E esclarece a natureza industrial da IA. Desde que venceu as eleições, Donald Trump passou muito tempo a discorrer sobre as estrelas. No início foi Musk, o famoso «astro nascente», por ocasião do primeiro discurso do magnata após a vitória eleitoral. Posteriormente, ainda ligado a Elon, foi a vez de Marte, a estrela vermelha e onde plantar a bandeira estrelada para actualizar o destino manifesto de um povo tão excepcional que precisa tornar-se transglobal. E então, como um raio em céu azul, chegou a hora do Stargate, a «porta das estrelas» com a qual Trump pretende relançar o sonho americano, ligando-o à inovação tecnológica e ao desenvolvimento da IA, com o objectivo concreto de preservar a liderança mundial. Os Estados Unidos devem manter a superioridade tecnológica em relação à China que recentemente desenvolveu um modelo de IA (DeepSeek) capaz de alcançar resultados comparáveis aos do ChatGpt com hardware de nível inferior (segundo eles) e custos mais baixos porque só assim Washington poderá estabelecer com Pequim um «acordo» que é a nova palavra preferida de Trump a partir de uma posição de força. Stargate é um projecto potencialmente revolucionário. Trata-se de investir cem mil milhões de dólares imediatamente, destinados a quintuplicar, para acelerar o desenvolvimento da nova geração de inteligências artificiais, integrando a cadeia de produção material (centros de dados e chips) com a imaterial (gestão informática da nuvem e escrita de algoritmos). Para o fazer, Trump confia naqueles elementos do mundo tecnológico que, até ontem, estavam longe dos holofotes. E sanciona o fim daqueles que, dentro do Estado, estavam ocupados exactamente com essas questões. Em resumo, a “PayPal Mafia” nas suas correntes thielista e muskiana ficará de fora da porta das estrelas, ocupando a antecâmara na companhia de Eric Schmidt, ex-chefe democrata do Google que preside à (caríssima) Comissão de Segurança Nacional sobre IA, agora totalmente vazia de sentido. A decisão de Trump é clara. Como um novo Adam Smith, o magnata propõe uma divisão do trabalho necessária para que nenhum dos grandes homens do sector tecnológico consiga acumular demasiado poder. Não existem estrelas tão brilhantes que possam ofuscar a do presidente, que aplica o mais clássico dos divide et impera. Será que vai funcionar? Para entender, temos que atravessar a porta das estrelas. Quando, no dia 21 de Janeiro passado, Trump apareceu na Casa Branca para anunciar o lançamento do Stargate, havia três pessoas com ele. Menos conhecidas do que Elon Musk, muitas vezes em desacordo com o fundador da Tesla e ansiosas por mostrar ao mundo como também podem ser úteis ao magnata. Depois do presidente, o primeiro a falar foi Larry Ellison, co-fundador e Presidente Executivo da Oracle. A sua empresa trabalha com nuvem, ou seja, armazena quantidades imensas de dados para várias empresas tecnológicas. O empresário de oitenta anos, diante do presidente da sua idade, explica como a IA pode ser útil para a saúde. O seu discurso parece um anúncio publicitário. Mas cuidado com as aparências. Ellison teoriza o uso da IA para implementar um sistema de vigilância total, necessário para que «os cidadãos se comportem correctamente». O Presidente da Oracle é o único que não tem formalmente um papel na organização da Stargate, mas Trump apresentou-o como «CEO de tudo» e também deixou claro que ficaria feliz se comprassem o TikTok. Trump e Ellison são da mesma geração, ambos são nova-iorquinos e conhecem-se há muito tempo. Provavelmente entendem-se muito bem. Em seguida, interveio Masayoshi Son, conhecido como Masa. Ele é o fundador, director representante, executivo corporativo, presidente do conselho e CEO do SoftBank Group (SBG), um grupo japonês de capital de risco, e será o responsável financeiro da Stargate. A tarefa de levar a capitalização da porta das estrelas a quinhentos mil milhões de dólares é, antes de tudo, sua. Mas, acima de tudo, como bom japonês, Masa sabe que o projecto nasceu com uma função antichinesa de que «Isto não é apenas negócio», fazendo questão de especificar. Trata-se de desenvolver a IA para não perder a corrida pela inovação com a China. E talvez também criar um recipiente para promover o desenvolvimento da Arm, a empresa inglesa que comercializa chips de IA e que figura como o carro-chefe dos investimentos da SoftBank. Por último, mas não menos importante, Sam Altman. Em Novembro de 2023, após o caso que abalou os alicerces da OpenAI devido à sua demissão (posteriormente retirada), o Estado entrou na sua empresa. Informalmente. Mas a presença de uma figura como Larry Summers, ex-secretário do Tesouro e muito ligado aos aparelhos de segurança nacional no conselho da empresa-mãe da ChatGpt mostra claramente como o governo queria ter conhecimento das suas dinâmicas internas. Hoje, pouco mais de um ano depois, é Altman que se liga ao Estado. O fundador da OpenAi desempenhará, de facto, o papel de responsável operacional da Stargate. E já obteve um resultado importante, uma vez que a Microsoft à qual a OpenAi está ligada por um contrato até 2030 concedeu à empresa de Altman a possibilidade de utilizar também os serviços em nuvem dos seus concorrentes para este projecto. Em particular, obviamente, os de Larry Ellison, CEO de tudo. Aos principais actores juntam-se a própria Microsoft que disponibilizará a sua plataforma de nuvem (Azure) à Stargate e, obviamente, a Nvidia. Porque não existe IA sem GPUs (Unidades de Processamento Gráfico) para treinar os modelos de aprendizagem automática (machine learning). A Nvidia de Jensen Huang ainda é, de facto, praticamente monopolista no sector, embora o mercado esteja a expandir-se e seja cada vez mais difícil atender à procura. Por fim, o fundo dos Emirados Árabes Unidos (MGX) especializado em investimentos tecnológicos colaborará na gestão financeira da operação. E assim, quase como numa piada, a Stargate é, no final das contas, um recipiente no qual coexistirão um octogenário nascido no Bronx, um japonês de sessenta anos, um jovem guru da IA, a Microsoft, Jensen Huang com o seu casaco de couro e um fundo de Abu Dhabi. A tarefa de Trump será coordenar essa massa humana heterogénea, unindo-a em torno de um objectivo estratégico que é desenvolver a IA para reprogramar o sonho americano e manter a China a uma distância segura. Tudo claro. Como proceder? (Continua)
Exposição | Artista local Cheong Kin Man apresenta nova mostra em Lisboa Andreia Sofia Silva - 4 Jun 2025 É um percurso criativo com várias localizações aquele que Cheong Kin Man e Marta Sala apresentam em Lisboa a partir de amanhã: primeiro, a mostra “As Espantosas e Curiosas Viagens”, para ver no Centro Científico e Cultural de Macau até 6 de Julho, cujo lançamento é antecedido de uma conversa com os artistas e um lançamento de livros. Depois, na sexta-feira, acontece outro debate no Goethe Institute Imagem de: Guillaume-Galante Há vários anos radicado em Berlim, Cheong Kin Man é um artista e antropólogo visual que nunca deixou a experimentação de lado. Agora, ao lado da também artista polaca Marta Sala, tem-se embrenhado em novos rumos artísticos, os quais, desta vez, desaguam em Lisboa. Tal acontece de múltiplas formas. Primeiro com a mostra “As Espantosas e Curiosas Viagens”, que estará patente no Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM) entre amanhã e 6 de Julho. Com curadoria de Lorena Tabares Salamanca, da Colômbia, a mostra constitui uma “exposição transcultural que cruza arte, antropologia visual e arquivos pessoais, reflectindo sobre deslocamentos, memória e linguagens”, com a assinatura de Cheong Kin Man, Marta Sale e Deborah Uhde, da Alemanha. O público pode ver “instalações imersivas, peças têxteis, vídeo e auto-etnografias que reconfiguram as relações entre viagem, história e conhecimento”, destaca uma nota de imprensa da Câmara Municipal da Polónia. Na sessão inaugural desta quinta-feira haverá ainda uma conversa com os artistas, que se repete na sexta-feira, mas desta vez na biblioteca do Goethe Institute, em Lisboa, às 18h. Aqui, em “Creating Connections”, decorre uma conversa com os três artistas de “As Espantosas e Curiosas Viagens”, tratando-se de “um encontro íntimo de cariz artístico, em que Deborah Uhde, bem como a dupla Marta Stanisława Sala e Cheong Kin Man, partilharão entre si — e com o público — reflexões sobre as suas práticas e experiências na criação de ligações interculturais através da arte, com destaque para os seus percursos em Berlim e os mais recentes livros de artista”. Estas iniciativas têm o apoio da Embaixada da Polónia em Portugal, do Ministério da Cultura e Património Nacional e do Instituto Adam Mickiewicz da Polónia. Contam ainda com a parceria da Câmara Municipal de Cracóvia e do Instituto Boym, igualmente da Polónia. Fusões e viagens A mostra que agora se apresenta no CCCM traz trabalhos da dupla Cheong Kin Man – Marta Sala, conhecida “pela fusão de tecido, vídeo e experimentações linguísticas”, na qual o público pode “embarcar numa viagem através de mundos paralelos e arquivos pessoais” baseados em três projectos multimédia, como é o caso de “A Bússula da Utopia”, “Apocalipses” e um novo ciclo de vídeos sobre a diáspora macaense. No caso de “A Bússola da Utopia”, trata-se de uma “instalação em bambu e tecido composta por 13 composições têxteis que materializam processos de descoberta cultural e aprendizagem mútua”, sendo que a obra se inspira na “Flora Sinensis” (1656), do jesuíta Miguel Boym, que estudou em Cracóvia; bem como “na musicalidade da poesia cantonense traduzida em formas cromáticas e em motivos auto-etnográficos associados à migração de uma família macaense e às viagens contemporâneas dos artistas”. Por sua vez, a série “Apocalipses”, apresentada pela primeira vez na Bienal de Macau em 2023, “combina texto, têxteis e vídeo numa narrativa de ficção científica”, sendo que o tecido “que integra esta ficção codifica episódios do arquivo familiar polaco, incluindo a migração através das fronteiras do século XX – de Vilnius às estepes da Mongólia e, posteriormente, à Polónia actual”. Destaque também para o facto de a exposição revelar “o projecto cinematográfico experimental baseado em entrevistas dentro da diáspora macaense”, levando o público até ao Brasil, “onde a nostalgia partilhada pela humanidade ecoa em traduções automáticas para diversas línguas”. Há ainda, associadas ao vídeo, a nova publicação intitulada “Entre-vista, Między-wizje. Roz-mowa, Des-locução”, que se apresenta “sob forma de flipbook com glossário luso-polaco, e que desconstrói um excerto da gravação para reflectir sobre cada palavra dita e os limites e possibilidades da tradução”. A sessão no CCCM desta quinta-feira começa com uma visita guiada pelos artistas às 17h, incluindo o lançamento de “Apocalipses”, um novo livro de artistas. No caso de Deborah Uhde, que acompanha a dupla de artistas de Macau e da Polónia, é uma cineasta e artista formada em belas-artes e humanidades, residindo em Berlim. Obteve o seu diploma na Universidade de Arte de Braunschweig (2009–2015). Possui formação em Filosofia, História da Arte e Jornalismo pela Universidade de Leipzig (2006–2009). O trabalho de Deborah foi reconhecido com várias bolsas e prémios. Novo livro A dupla Kin Man – Sala traz a Lisboa a nova edição do livro “Apocalipses”, e que inclui “uma colectânea de ideogramas ficcionais originalmente criada na Casa de Cracóvia em Nuremberga, a única instituição cultural do município de Cracóvia fora da Polónia”. Esta reedição conta agora com mais de 600 páginas e teve o apoio da Fundação Oriente. O livro de artistas foi originalmente encomendado para a Bienal de Macau em 2023, contendo “centenas de ideogramas com origem na exposição ‘De Copenhaga com Amor'”, realizada em Nuremberga em 2024, com o apoio da Fundação Oriente e das Câmaras Municipais de Cracóvia e Nuremberga.
Hong Kong | Homem acusado de alegada ameaça de bomba contra concerto Hoje Macau - 4 Jun 2025 A polícia de Hong Kong anunciou ontem ter acusado um homem de 35 anos de quatro crimes de “ameaça de bomba”, contra um concerto e contra a representação do Governo Central chinês na região semiautónoma. Num comunicado, o Departamento de Segurança Nacional da polícia de Hong Kong disse que o suspeito de 35 anos será apresentado no Tribunal de Magistrados de Kwun Tong. Na terça-feira, a polícia tinha anunciado a detenção do homem e de quatro mulheres, entre os 24 e os 38 anos, por “conspiração para cometer actividades terroristas”. De acordo com uma investigação, os cinco suspeitos terão enviado várias mensagens à polícia, através de telefone, correio electrónico e plataformas de mensagens, entre 29 de Abril e 13 de Maio. As mensagens incluíam ameaças de fazer explodir bombas colocadas em vários escritórios do Governo Central chinês em Hong Kong e no Parque Desportivo Kai Tak, referiu a polícia. A última chamada incluía uma ameaça de bomba contra um concerto marcado para 13 de Maio, disse, numa conferência de imprensa, o superintendente do Departamento de Segurança Nacional, Steve Li Kwai-wah. O Parque Desportivo Kai Tak, inaugurado em Março, integra um estádio com lugar para 50 mil espectadores, que recebeu, em 13 de Maio, um concerto dos Mayday, uma banda de Taiwan. De acordo com a imprensa local, Steve Li disse que a polícia realizou buscas ao estádio nesse mesmo dia, mas que não encontrou nada de suspeito e que o concerto decorreu com normalidade. O comunicado indica que os suspeitos terão ainda enviado “mensagens sediciosas que incitavam à independência de Taiwan e de Hong Kong”. Steve Li disse que os cinco suspeitos foram detidos na segunda-feira, na sequência de buscas efectuadas em quatro residências, durante as quais foram apreendidos telemóveis e computadores. As quatro mulheres foram libertadas sob fiança, “enquanto se aguardam novas investigações”, referiu o comunicado.
Coreia do Sul | Xi Jinping felicita Lee Jae-myung pela vitória nas presidenciais Hoje Macau - 4 Jun 2025 O Presidente chinês, Xi Jinping, enviou ontem uma mensagem de felicitações ao liberal Lee Jae-myung pela vitória nas eleições presidenciais sul-coreanas e apelou à cooperação para que os dois países mantenham a “boa vizinhança e amizade”. “Nos 33 anos desde o estabelecimento das relações diplomáticas, os dois lados ultrapassaram as diferenças ideológicas e sociais, trabalharam em estreita colaboração, alcançaram êxitos e conseguiram um desenvolvimento estável e saudável das suas relações”, afirmou Xi num telegrama, citado pela agência de notícias oficial chinesa Xinhua. O líder chinês afirmou que atribui “grande importância” aos laços com Seul e disse que o país está disposto a trabalhar com a Coreia do Sul para “promover conjuntamente a parceria estratégica de cooperação” entre as duas nações, apesar de citar “a crescente incerteza na situação internacional e regional”. A China é o maior parceiro comercial da Coreia do Sul, mas, apesar dos fortes laços económicos, as relações bilaterais são marcadas por um constante braço de ferro sobre rivalidades regionais, sensibilidades históricas e interesses estratégicos contraditórios. Pequim criticou Seul por ter estreitado os laços com Washington no âmbito da estratégia de dissuasão contra a Coreia do Norte, enquanto a China se opôs nos últimos anos à imposição de novas sanções da ONU contra Pyongyang. O liberal Lee Jae-myung venceu as eleições presidenciais da Coreia do Sul na terça-feira com 49,4 por cento dos votos, contra 41,1 por cento do rival conservador Kim Moon-soo.
OMC | China exige supervisão de “tarifas unilaterais” Hoje Macau - 4 Jun 2025 O representante do comércio chinês esteve em Paris onde discutiu com a directora-geral da OMC a grave situação internacional O ministro chinês do Comércio, Wang Wentao, instou a Organização Mundial do Comércio (OMC) a reforçar a supervisão das “tarifas unilaterais” e a apresentar propostas políticas “objectivas e neutras”, segundo um comunicado divulgado ontem. De acordo com o Ministério do Comércio chinês, Wang reuniu-se na terça-feira com a directora-geral da OMC, Ngozi Okonjo-Iweala, à margem de uma reunião ministerial da organização em Paris, onde mantiveram uma “discussão aprofundada sobre a grave situação do comércio mundial”. “Em resposta à imposição arbitrária de tarifas por parte de alguns membros, a OMC deve reforçar a supervisão destas tarifas unilaterais e oferecer recomendações políticas objectivas e neutras”, afirmou o ministério, numa referência velada aos Estados Unidos. A mensagem instou ainda os países-membros da OMC a garantir que quaisquer acordos comerciais bilaterais “cumpram as regras” da organização e “evitem prejudicar os interesses de terceiros”. Wang reiterou a posição da China de defender “um sistema comercial multilateral” e afirmou que a OMC tem o seu apoio para desempenhar “um papel mais importante na governação económica global”. O ministro chinês reuniu-se ainda com o Comissário Europeu para o Comércio, Maros Sefcovic, com quem manteve discussões “profundas, francas e abrangentes” sobre “questões urgentes e importantes relacionadas com a cooperação económica e comercial entre a China e a União Europeia”. De acordo com o ministério, Wang apelou a maiores esforços para “preparar a importante agenda entre a China e a UE este ano”, que inclui uma cimeira para celebrar o 50.º aniversário das relações bilaterais. Viagem a Pequim Os presidentes da Comissão Europeia e do Conselho Europeu, Ursula von der Leyen e António Costa, respectivamente, deverão deslocar-se a Pequim na segunda metade de Julho para se reunirem com o líder chinês, Xi Jinping. Von der Leyen afirmou que a UE deve “trabalhar construtivamente com a China para encontrar soluções” ao longo deste ano, e que Bruxelas deve “manter uma relação mais equilibrada com Pequim, num espírito de justiça e reciprocidade”. A UE apelou ainda à China para evitar “uma nova escalada” na guerra comercial desencadeada pelas tarifas anunciadas pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, embora Pequim acredite que Washington não está a cumprir o acordo alcançado pelas duas potências em Genebra. Outras conversas Por seu lado, o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, reuniu-se na terça-feira com o embaixador dos Estados Unidos na China, David Pound, a quem chamou a atenção para a introdução recente de “uma série de medidas negativas baseadas em argumentos infundados, minando os direitos e interesses legítimos da China”. “Opomo-nos firmemente a isso”, sublinhou o chefe da diplomacia chinesa. Entre as medidas referidas estão a suspensão das vendas de programas informáticos para o desenho de semicondutores, novos controlos à exportação de semicondutores vitais para a inteligência artificial e a revogação de vistos para estudantes chineses, uma medida que a China descreveu como discriminatória. Em 12 de Maio, ambas as potências acordaram uma trégua tarifária de três meses, na qual os EUA se comprometeram a reduzir as tarifas de 145 por cento para 30 por cento e a China de 125 por cento para 10 por cento, numa tentativa de abrir caminho a um acordo mais amplo.
Burlas | Mais de 1.800 detidos em operação asiática alargada Hoje Macau - 4 Jun 2025 Mais de 1.800 pessoas foram detidas numa operação contra redes dedicadas a burlas montadas na Ásia, envolvendo autoridades da RAEM, Hong Kong, Coreia do Sul, Tailândia, Singapura, Malásia e Maldivas. Em Macau, a Polícia Judiciária revelou a detenção de nove suspeitos, que terão desfalcado 84 vítimas em cerca de 4 milhões de patacas Uma operação, que atravessou sete jurisdições na Ásia, resultou na detenção de 1.858 pessoas ligadas a redes de fraudes e burlas. A operação, que envolveu autoridades de Hong Kong, Macau, Coreia do Sul, Tailândia, Singapura, Malásia e Maldivas, interceptou verbas com origem nos esquemas das redes no valor de 150 milhões de dólares de Hong Kong, disse o superintendente-chefe do departamento de crimes comerciais da polícia de Hong Kong, Wong Chun-yue. Em Macau, de acordo com a Polícia Judiciária (PJ), foram detidas nove pessoas, incluindo três que se fizeram passar por funcionários de atendimento ao cliente da Alipay, indicou o Macau Daily Times. O responsável do Centro de Coordenação de Combate às Burlas da PJ, Cheong Um Hong, revelou que o esquema terá começado em Abril com mais de 400 mil chamadas fraudulentas todas a partir de Macau. Localmente, 84 vítimas foram desfalcadas em cerca de 4 milhões de patacas no esquema da burla do Alipay. A operação da PJ culminou com buscas a dois locais, incluindo um quarto de hotel, onde foram encontrados 16 aparelhos que permitem ocultar a origem das chamadas. Mas, no total, a PJ investigou 78 casos que terão resultado em perdas de cerca de 12 milhões de patacas, no congelamento de oito contas bancárias e em 67 mil patacas confiscadas por suspeitas de terem sido angariadas através de crimes. Abrindo o ângulo A operação conjunta envolveu 9.268 casos de fraude, incluindo compras online, burlas telefónicas, burlas de investimento e fraudes de emprego, com um prejuízo total de 225 milhões de dólares, segundo dados avançados pela polícia de Hong Kong, citada pelo Global Times. No total, foram congeladas 32.607 contas bancárias e interceptados cerca de 20 milhões de dólares em fundos fraudulentos. Os detidos têm entre 14 e 81 anos. Em Março, um director financeiro em Singapura foi enganado através de vídeos falsos, por alguém que se fez passar pelo director executivo de uma multinacional. A vítima transferiu 499 mil dólares para Hong Kong, disse a directora assistente do comando antifraude da polícia de Singapura, Aileen Yap, acrescentando que, através da cooperação transfronteiriça, o dinheiro foi recuperado. Um relatório das Nações Unidas de Abril constatou que os grupos transnacionais de crime organizado no leste e sudeste asiático estão a espalhar operações fraudulentas por todo o mundo. De acordo com o relatório emitido pelo Gabinete das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, durante vários anos os grupos proliferaram no sudeste do continente asiático, especialmente nas fronteiras do Camboja, Laos e Myanmar, assim como nas Filipinas, transferindo operações de um local para outro, de forma a escaparem da polícia. Os centros dos esquemas montados em Myanmar, Camboja e Laos são conhecidos por atraírem pessoas para trabalhar, utilizando falsos argumentos. As vítimas de burlas e fraudes ‘online’ incluem também os trabalhadores utilizados nas operações, que enfrentam ameaças, violência e más condições de trabalho. Os funcionários são frequentemente forçados a explorar financeiramente pessoas em todo o mundo, sendo que muitos se encontram presos numa escravidão virtual.
DST | Turismo da RAEM vai a Banguecoque promover a Grande Baía Hoje Macau - 4 Jun 2025 Entre amanhã e domingo, o Governo da RAEM irá realizar uma “promoção de grande escala”, intitulada “Sentir Macau”, na capital da Tailândia, para dar “continuidade à ofensiva promocional nos mercados internacionais do Sudeste Asiático”. Segundo a Direcção dos Serviços de Turismo (DST), a campanha arranca hoje com um seminário preliminar para mostrar novos produtos do “turismo + convenções e exposições” de Macau, que irá contar também com uma bolsa de contactos. Entre sexta-feira e domingo, a campanha irá desenvolver no centro comercial Siam Paragon, iniciativas que vão incluir “ofertas especiais para promover viagens multi-destinos de visitantes internacionais na Grande Baía”. Os descontos incluem viagens em promoção para quem compre bilhetes de avião com um determinado cartão de crédito de um banco tailandês, com descontos em bilhetes de regresso à Tailândia em voos que partam das cidades da Grande Baía. No esforço para promover a Grande Baía, o Governo de Macau irá financiar actuações em palco de “estrelas tailandesas” e a participação de influenciadores digitais. Foram também instalados na zona comercial do centro de Banguecoque, em estações de metro e canais multimédia, um total de 128 ecrãs electrónicos de publicidade. Entre Janeiro e Abril, a Tailândia ocupava o oitavo lugar entre os 10 principais mercados de visitantes e o quinto lugar entre os mercados de visitantes internacionais de Macau.
Literatura | Projecto de Macau para a infância chega a Portugal Hoje Macau - 4 Jun 2025 O objectivo da associação Sílaba – Associação Educativa e Literária (Sílaba – AEL) passa por partir de Macau e levar o projecto literário “Dinis Caixapiz” até ao universo dos países de língua portuguesa A responsável pelo projecto literário “Dinis Caixapiz”, nascido em Macau para incentivar a leitura entre os mais pequenos sem esquecer a responsabilidade ambiental, disse ontem à Lusa que a segunda edição tem o mérito de chegar também a Portugal. “Conseguirmos lançar em Lisboa, esse para mim é o grande destaque”, declarou à Lusa Susana Diniz, presidente da Sílaba – Associação Educativa e Literária (Sílaba – AEL), autora da iniciativa. Apesar do ponto de partida deste projecto literário “ser sempre Macau”, porque foi na região chinesa “que foi pensado e criado, com o objectivo de dar uma alternativa de leitura a alunos que aprendem português”, o “Dinis Caixapiz” teve logo desde o início (2024) o objectivo de alcançar o universo dos países de língua portuguesa. Agora, o convite da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL), para lançar o projecto, no próximo dia 7 de Junho, na 95.ª Feira do Livro de Lisboa, aproxima a Sílaba – AEL desse propósito. “A ideia é transportar [a iniciativa] para Portugal e depois para as comunidades. Tem de partir de algum lado. Saindo de Lisboa, as portas abrem-se com mais facilidade”, reforçou a presidente da associação. Também a 7 de Junho, a 2.ª edição vai ser lançada em Macau, no Jardim do Consulado-Geral de Portugal, evento integrado nas comemorações de Junho – Mês de Portugal em Macau. Despertar as mentes O “Dinis Caixapiz”, que se propõe a despertar a “curiosidade intelectual e o conhecimento sobre a história e a cultura de Macau e Portugal, através de elementos físicos e conteúdos digitais”, contempla a assinatura trimestral de uma caixa reutilizável com um livro infantil e uma revista produzida pela associação e crianças, de acordo com um comunicado da Sílaba – AEL. Jogos de raciocínio e trava-línguas “para estimular o pensamento crítico”, páginas plantáveis e um áudio-livro, “narrado por vozes conhecidas do mundo literário” são outros conteúdos agregados. “Além disso, a embalagem transforma-se em jogos educativos, com elementos recortáveis, promovendo reutilização e consciência ambiental”, refere ainda o comunicado, indicando dirigir-se a crianças falantes de português ou em aprendizagem, com idades entre os 5 e os 12 anos, a escolas bilingues de Macau e professores de português. Cada edição vai contar com o apoio de um conjunto de curadores responsáveis pela selecção dos livros apresentados, sendo que este ano, a Sílaba-AEL trabalhou com Elisabete Rosa-Machado, da editora independente Poets and Dragons, Helena Alves, gestora no Grupo Leya, e Maria Elisa Vilaça, educadora e artista plástica.
Obras públicas | Ron Lam quer mais transparência Hoje Macau - 4 Jun 2025 O deputado Ron Lam interpelou o Governo quanto à necessidade de haver maior transparência na área das obras públicas, num conjunto de questões que serão ainda respondidas pelo Executivo na Assembleia Legislativa. Na sua interpelação oral, Ron Lam U Tou argumentou que, por exemplo, as instalações provisórias de tratamento de águas residuais na Avenida Marginal do Lam Mau e as instalações provisórias de tratamento de águas residuais no Porto Exterior não decorreram conforme a lei do planeamento urbanístico. Isto no sentido em que antes das obras serem executadas não foi pedida uma Planta de Condições Urbanísticas (PCU), nem emitido o aviso público quanto aos projectos. Também não foram recolhidas opiniões públicas segundo indica a legislação. Desta forma, o deputado questiona se podem ser criados critérios unificados para os procedimentos nas obras públicas. Além disso, desde que Macau tem nova jurisdição para a gestão das novas áreas marítimas, há cada vez mais projectos de construção relacionados com esta zona que também não são abrangidos por PCU elaboradas previamente, nem sequer são alvo de consulta pública. Assim sendo, o deputado deseja saber se o Governo pode cumprir o mecanismo de consulta pública previsto na lei do planeamento urbanístico, para que seja respeitado o direito do público conhecer os contornos dos projectos e dar opiniões sobre o seu conteúdo.
Supermercados | Queixas de desafios sem precedentes João Luz e Nunu Wu - 4 Jun 2025 O encerramento de alguns supermercados em Macau são um sintoma dos problemas que o sector está a atravessar. O presidente da Supermarket and Livelihood Food Association of Macau aponta a mudança de padrões de consumo e o aumento de produtos chineses nas prateleiras das superfícies locais, devido aos preços mais caros dos bens importados Depois de terem passado por entre os pingos da chuva durante a pandemia, e mesmo aumentado a facturação, as grandes superfícies de supermercados de Macau atravessam agora um período de fracos negócios e “desafios sem precedentes”. O panorama de dificuldades foi descrito pelo presidente da Supermarket and Livelihood Food Association of Macau, Wong Man Wai. Recentemente, alguns supermercados encerraram, incluindo da cadeia Royal e Tai Fung, em locais como o Jardim Camões e na Areia Preta, com outras lojas a lançarem campanhas de descontos de liquidação total, dando a entender que podem também vir a encerrar. Na óptica de Wong Man Wai, este cenário irá obrigar as cadeias a pensar em fazer ajustes às suas operações para se adaptarem à mudança dos hábitos de consumo da população. Em declarações ao jornal Ou Mun, o dirigente associativo explicou que os consumidores não só compram menos, como são mais selectivos na escolha dos bens face ao “custo-benefício”. “No passado, as pessoas compravam mais produtos importados do estrangeiro, que eram mais caros, mas agora optam por mais produtos diversos do Interior da China”, indicou o dirigente, acrescentando que os preços de bens comprados ao estrangeiro torna-os “invendáveis”. Por essa razão, “as cadeias de supermercado não ousam importar em grande quantidade”. Os dois gumes Com o desaparecimento de produtos estrangeiros e proliferação de produtos nas prateleiras dos supermercados locais, Wong Man Wai refere que os consumidores podem ver esse ajuste como um incentivo a fazer compras em Zhuhai, já que vão comprar de qualquer das formas os mesmos produtos. O responsável salientou também o facto de as grandes cadeias de supermercado terem ficado de fora da campanha Grande Prémio do Consumo. Porém, nem só as lojas estão a sofrer o impacto da pouca confiança dos consumidores, também os fornecedores, especialmente os que operam fora das zonas mais turísticas, estão a sofrer com a redução de 30 por cento. Mas quem está a sofrer mais, segundo Wong Man Wai, são os pequenos e médios fornecedores, que enfrentam riscos de sobrevivência e quebras acentuadas de encomendas. Os custos elevados com recursos humanos e logística dos supermercados desde que começou a corrida aos serviços de entrega ao domicílio foram outros elementos destacados por Wong Man Wai, que coloca os supermercados numa posição difícil para competirem com plataformas de comércio electrónico do Interior da China. O dirigente mencionou também a possibilidade, que foi avançada por vários meios de comunicação, de abertura de um grande supermercado em Gongbei como a “gota d’água” para muitas superfícies em Macau, que podem fechar dentro de um ano.
Trânsito | Deputados preparam aumento de multas Hoje Macau - 4 Jun 2025 Com a entrada em vigor das alterações à lei do trânsito que estão a ser discutidas na Assembleia Legislativa, várias multas por infracções menores vão ficar mais caras. O cenário foi traçado ontem por Ella Lei, presidente da 1.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa, que está a discutir as alterações na especialidade. De acordo com a deputada, citada pelo jornal Ou Mun, no caso de um veículo não respeitar a distância de segurança, a multa vai aumentar de 600 patacas para 900 patacas, uma diferença de 300 patacas. Um aumento de 300 patacas vai ser igualmente aplicado às situações em que os condutores utilizam os sinais sonoros sem justificação. Nestas situações, a multa vai passar para 600 patacas, quando actualmente é de 300 patacas. Neste caso, a deputada indica que as alterações à lei vão também clarificar as situações em que em vez de se recorrer aos sinais sonoros, os condutores devem utilizar os sinais luminosos. Ao mesmo tempo, o texto da lei vai passar a indicar que os condutores dos veículos têm de reduzir a velocidade quando circulam nos acessos a locais como postos de combustível, acessos a estacionamentos ou zonas residências. A nova lei irá também definir que quando um veículo circula numa velocidade demasiado lenta, com perturbação do trânsito, a penalização sobe para 600 patacas, quando actualmente é de 300 patacas. Apesar de não haver uma velocidade mínima, Ella Lei afirmou que a polícia vai aplicar este tipo de multas com base nas situações concretas.
AL | Lei Conciliação Familiar pronta para ser votada Hoje Macau - 4 Jun 2025 A 3.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa (AL) terminou ontem a análise da proposta de lei do Regime de Conciliação para Causas de Família, que deverá ser votada nos próximos dias na especialidade. O diploma proposto pelo Governo visa criar um mecanismo para evitar o recurso aos tribunais em caso de litígios resultantes de divórcios, exercício do poder paternal, prestação de alimentos ou questões ligadas à casa de morada da família. De acordo com a proposta, antes de resolver as questões através dos tribunais, os cidadãos têm de recorrer primeiro a um sistema de pré-mediação integrado no Instituto de Acção Social (IAS). Os mediadores são disponibilizados pelo IAS, que, de acordo com o deputado Vong Hin Fai, presidente da comissão, vai dar formação a cerca de 200 trabalhadores. O Governo está preparado para que a proposta entre em vigor no início do próximo ano, e Vong afirmou que a preparação não vai implicar um aumento do orçamento actual. Segundo o jornal Ou Mun, o também presidente da Associação dos Advogados de Macau indicou que os deputados propuseram ao Governo que os 49 mediadores de Macau reconhecidos para exercer mediação no âmbito da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau, muitos dos quais advogados, pudessem desempenhar as funções de mediação neste processo. No entanto, o Governo recusou a proposta porque considerou que esses mediadores estão preparados principalmente para resolver disputas comerciais. As estatísticas apontadas pelo Governo à comissão indicam que todos os anos há cerca de 1.000 casos de disputas familiares a entrar nos tribunais de Macau. Entre estes casos, 200 vão ter de passar pelo processo de pré-mediação.
Saúde | Zhong Nanshan continua a liderar comissão de especialistas João Santos Filipe - 4 Jun 2025 O epidemiologista e pneumologista chinês, que se tornou mundialmente conhecido durante a pandemia, vai continuar a presidir à Comissão de Especialistas e Assessores para a Apreciação dos Medicamentos Tradicionais Chineses por mais três anos O epidemiologista e pneumologista Zhong Nanshan vai continuar durante mais três anos a presidir à Comissão de Especialistas e Assessores para a Apreciação dos Medicamentos Tradicionais Chineses. A renovação da nomeação de uma das figuras nacionais mais mediáticas da China durante a pandemia e a implementação da política de zero casos de covid-19 foi publicada ontem no Boletim Oficial. A decisão foi tomada pela secretária para os Assuntos Sociais e Cultural, O Lam, e vai entrar em vigor no dia 23 de Junho. A comissão especializada tem como funções a autorização, renovação, alteração, suspensão e cancelamento do registo de medicamentos tradicionais chineses e avaliação da qualidade, eficácia e segurança desses mesmos medicamentos. Os pareceres são emitidos por pedido do Instituto para a Supervisão e Administração Farmacêutica (ISAF). A renovação da nomeação não é uma surpresa, uma vez que Zhong Nanshan apenas cumpriu um mandato como presidente, sendo este renovável. Além disso, em Fevereiro deste ano, cerca de dois meses depois da tomada de posse do Chefe do Executivo, o médico do Interior da China foi recebido por Sam Hou Fai, na sede do Governo, na condição de membro da Academia Chinesa de Engenharia, director do Laboratório de Guangzhou, e presidente da Comissão de Orientação do Instituto de Medicina Translacional e Inovação de Macau. Também em 2020, devido ao papel de consultor do Governo de Macau durante o período da pandemia, Zhong Nanshan recebeu a Medalha de Honra Grande Lótus, atribuída por Ho Iat Seng. Nova nomeação Em relação aos restantes membros da comissão, a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, optou por não fazer grandes modificações. Zeng Li, reitor da Faculdade de Medicina da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST) passa a fazer parte dos 17 membros da comissão. Li vai substituir Michael Yao especialista em medicina chinesa e académico que estava ligado igualmente à MUST. Os motivos da substituição não foram adiantados. Os restantes especialistas nomeados são Liu Liang, Yang Changming, Han Wei, Wang Yitao, Zhang Lei, Yang Zifeng, Du Shouying, Ji Shen, Zhou Hua, Chen Xin, Li Shaoping, Lee Ming Yuen, Yan Ru, Li Jun e Mo Hui.
Cooperação | Um olhar sobre a aproximação aos países de língua espanhola Andreia Sofia Silva - 4 Jun 20256 Jun 2025 A RAEM já vinha fazendo uma aproximação em termos comerciais a Espanha, mas o Chefe do Executivo começou a referir em discursos oficiais a importância da cooperação entre Macau e os países de língua espanhola, além do habitual mundo lusófono. Analistas relacionam estas palavras com o actual panorama das relações entre China e Espanha O Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, tem expressado em alguns discursos a importância de a RAEM estabelecer relações económicas e comerciais não apenas com os países de língua portuguesa, mas também com os de língua espanhola. No mês passado, numa ocasião pública, o líder do Governo declarou que o território tem de “receber os amigos estrangeiros para investir em Macau e também concretizar os seus sonhos em Macau”. Sam Hou Fai realçou a área da tecnologia avançada, sublinhando que “podem ser provenientes dos países de língua português e espanhola”, pois “desde que sejam a favor da diversificação económica, são sempre bem-vindos”, acrescentou. De resto, logo a seguir à tomada de posse do novo Governo, Tai Kin Ip, secretário para a Economia e Finanças, realizou, em Março, uma visita a vários países europeus, liderando uma delegação que passou por Espanha, Portugal, Bélgica e Mónaco visando aprofundar “as ligações internacionais e explorar oportunidades de cooperação”, segundo informações oficiais divulgadas na altura. Esta aproximação ao universo de língua espanhola, além da habitual ligação já estabelecida entre a China e o mundo lusófono, pode ter várias origens: a crescente relação entre a China e Espanha, e também a vontade de diversificar a economia por parte da RAEM, dizem analistas contactados pelo HM. “A interpretação que faço da declaração de Sam Hou Fai é muito objectiva e pragmática e pode resumir-se ao projecto de diversificação da economia de Macau, para a qual estão a convocadas empresas e investidores não só de Macau, mas também de países de língua portuguesa. Mas o facto é que as empresas e instituições de países de língua portuguesa não estão a ser eficazes na resposta a essa necessidade de Macau. Portanto, alargar às empresas e às instituições de língua espanhola esse convite para cooperação parece-me lógico”, disse a economista Maria Fernanda Ilhéu, ex-residente de Macau e presidente da Associação dos Amigos da Nova Rota da Seda (ANRS). Segundo a dirigente, “Macau é uma economia de mercado pura, é classificada pela Organização Mundial de Comércio como um Porto Livre com acordos internacionais próprios quer na área económica, comercial, investimento, financeira, turística, saúde, desporto, acordos de relações internacionais com várias organizações. Portanto, os negócios em Macau são muito livres, e a parte do Governo de Macau é promover e enquadrar essa abertura”. “Como diz Sam Hou Fai, todas as empresas e investidores que tragam soluções de diversificação da economia de Macau são bem-vindos”, acrescentou. Para Cátia Miriam Costa, docente do ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, e especialista em política externa chinesa e em Macau, considerou ao HM que “esta ligação ao espanhol decorre das visitas oficias de alto nível realizadas pelo Governo espanhol à China, ou seja, são decerto uma das consequências da reiterada presença da diplomacia espanhola em solo chinês a um nível muito elevado, reforçando os laços entre os dois países”. A importância do Sul Global É certo que Pequim, nas palavras do Presidente Xi Jinping, tem demonstrado grande interesse à aproximação dos países do chamado “Sul Global”, onde se fala português e espanhol, essencialmente. Para Cátia Miriam Costa, aqui reside também outra explicação para a mudança de paradigma na RAEM na área da cooperação comercial e económica. “Parece-me que os encontros recentes com altos representantes políticos espanhóis tiveram influência nesta decisão, a par de um investimento político cada vez maior da China no Sul Global em que o português e o espanhol são, de facto, as línguas mais faladas.” Para a académica, “a estratégia de usar Macau como ponto de convergência pode estar justificada historicamente pelo seu cosmopolitismo, mas também pelo seu papel tradicional de inclusão das rotas que ligavam a Ásia à América Latina”. Além disso, “acresce a uma perspectiva histórica, uma visão contemporânea para uma região que precisa de diversificação económica e beneficia dessa proximidade a espaços distantes, seja histórica, seja culturalmente”. Cátia Miriam Costa entende, desta forma, que “o espanhol pode se visto como um valor adicional ao português, sem desvirtuar a estratégia de paradiplomacia definida para Macau desde cedo”. Não pode ser ignorada também a inclusão da Guiné Equatorial no Fórum Macau, por consequência da sua entrada para a CPLP – Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Porém, Cátia Miriam Costa acredita que esta mudança pouco ou nada tem a ver com a inclusão dos países de língua espanhola no discurso oficial de aproximação comercial. “A inclusão da Guiné Equatorial no Fórum de Macau decorre de outra circunstância, a da sua participação enquanto membro da CPLP. Nesse sentido, foi um passo lógico a sua integração na dinâmica do Fórum. Contudo e apesar de poder contar como um elemento positivo nesta aproximação, a alavancagem que a Guiné Equatorial tem no mundo hispânico ou hispano falante é mínima”, apontou. Ases pelos ares Maria Fernanda Ilhéu destacou também o facto de a única ligação aérea directa entre Macau e a Europa será para Madrid e não para Lisboa. “Por acaso, a TAP ou o Governo de Portugal contactaram a Air Macau ou o Governo de Macau manifestando interesse em retomar essa linha aérea? Não sei, mas sei que essa ligação irá contribuir grandemente para reforçar a presença espanhola em Macau, seja no turismo, seja no comércio ou no investimento.” A responsável destaca o factor de complementaridade da rota aérea. “É incompatível a presença portuguesa e espanhola em Macau? Não me parece, mas é competitiva, pode até ser benéfica se souberem colaborar e ganhar escala na Área da Grande Baía, mas Portugal tem de se esforçar mais para a sua presença em Macau não ser uma relíquia histórica.” De resto, a economista não esquece o papel que a política externa portuguesa poderá ter nesta questão, com o afastamento da Huawei em Portugal e uma maior aproximação de Espanha a Pequim nos últimos tempos. “A decisão de Portugal banir a utilização de equipamentos da Huawei diz sobretudo respeito às relações económicas de Portugal com a China Continental e ela é enquadrada por um relacionamento diplomático receoso que o Governo português seguiu de 2019 a 2024, contrariamente ao relacionamento diplomático espanhol. Repare-se que o primeiro-ministro espanhol visitou a China várias vezes nesse período e o Governo português só este ano, em Abril, se fez representar pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros no Fórum de Boao em Hainan, com uma breve passagem por Pequim.” Desta forma, Maria Fernanda Ilhéu entende que entre 2019 e 2024 “o Governo português e a sociedade civil portuguesa foram muito condicionados pela narrativa americana de Guerra Fria e da formação de dois blocos antagónicos, não sabendo manter a linha seguida até 2019 de prosseguir com uma relação com a China suportada pela amizade e confiança de quase 500 anos de cooperação em Macau”. O trabalho necessário Para a economista e presidente da ANRS é preciso ter em conta os investimentos e movimentações empresariais feitos nos últimos tempos para se perceber o posicionamento de Portugal e Espanha neste domínio. “O último grande investimento de uma grande empresa chinesa em Portugal foi registado em 2020, e só agora se está a retomar esse tipo de investimento com o investimento da CALB [produtora de baterias sediada em Sines] que está na fase de implementação e licenciamento. Se virmos o mesmo tipo de investimentos em Espanha de 2020 a 2024 podemos registar cinco grandes investimentos em energia, pela China Three Gorges e pela Huadian; três investimentos no sector dos transportes, pela Geely, pela Chery Auto e pela Envision Group; um grande investimento na agricultura pela Yankuang Beijing Energy e também um grande investimento no sector da saúde pela Worg Pharmaceuticals”. Para a responsável, “muito trabalho terá que ser feito pelo novo Governo português no sentido de desenvolver a cooperação económica portuguesa com a China Continental e com a RAEM, mas ela terá de ser também acompanhada pelo tecido empresarial português”, resumiu.
Xangai | Fundação Serralves apresenta quase um século de Álvaro Siza Vieira Hoje Macau - 4 Jun 2025 A Fundação de Serralves inaugura esta semana, em Xangai, uma grande exposição dedicada ao arquitecto português Álvaro Siza Vieira, com desenhos, maquetes, esculturas e objectos que reflectem várias décadas da obra do prémio Pritzker. Intitulada Álvaro Siza: The Archive, a exposição estará patente entre 6 de Junho e 7 de Setembro no Power Station of Art, o primeiro museu público de arte contemporânea da China continental e sede da Bienal de Xangai. Trata-se de uma adaptação da mostra C.A.S.A., apresentada em Serralves em 2024, e representa a maior exposição alguma vez realizada sobre o trabalho de Álvaro Siza, segundo uma nota difundida pela organização. Com curadoria do arquitecto António Choupina — em colaboração com Siza Vieira e Carlos Castanheira —, a exposição é organizada conjuntamente pelo Museu de Serralves e pelo Power Station of Art, e propõe uma leitura cronológica da obra do arquitecto português ao longo de quase um século, desde os seus desenhos de infância até às diversas tipologias que definem o seu percurso. Ao todo, as peças expostas ocupam quase um quilómetro de extensão expositiva, destacou a organização. “Assente na arte, na geometria e na beleza, esta exposição apresenta um retrato de Siza como um verdadeiro pensador contemporâneo, cuja prática continua a recorrer ao desenho como ferramenta para desvendar os mecanismos internos da arquitetura e do pensamento”, lê-se no comunicado. O arquitecto portuense, de 91 anos, conta com algumas obras importantes na China, desenvolvidas em colaboração com Carlos Castanheira, incluindo o Edifício sobre a Água, em Huai’an (leste), e o Museu de Arte e Educação de Ningbo. A exposição assinala também o 30.º aniversário do acordo de geminação entre as cidades de Xangai e do Porto.
Coreia do Sul | Candidato da esquerda vence presidenciais Hoje Macau - 4 Jun 2025 O candidato da oposição Lee Jae-myung (centro-esquerda) é dado como vencedor das eleições presidenciais na Coreia do Sul, com 51,7 por cento dos votos, segundo as projecções divulgadas após o encerramento desta votação com uma única volta. De acordo com as sondagens à boca das urnas, Lee Jae-myung (Partido Democrata) obteve 51,7 por cento dos votos, contra 39,3 por cento do seu principal adversário, o conservador Kim Moon-soo (PPP, direita), informaram as três maiores emissoras de televisão sul-coreanas. Esta votação, cujo resultado ainda precisa de ser confirmado pela Comissão Eleitoral Nacional, deve permitir que a Coreia do Sul recupere um líder e a estabilidade política, após seis meses de crise desencadeada pelo anterior chefe de Estado, Yoon Suk Yeol. No início de Dezembro, Yoon declarou surpreendentemente a lei marcial e enviou o exército para assumir o controlo do parlamento, amplamente dominado pela oposição, a fim de silenciá-lo. Na ocasião, um número suficiente de deputados conseguiu reunir-se para votar uma moção e rapidamente fazer fracassar a iniciativa do então Presidente, que foi classificada como um golpe de força. Seguiram-se seis meses de profundo caos político, entre manifestações maciças, prisão e destituição de Yoon Suk Yeol, sucessão inédita de presidentes interinos e outras reviravoltas, nomeadamente judiciais. Se a sua vitória for homologada, Lee Jae-myung, um antigo operário de 61 anos, terá a difícil tarefa de enfrentar a ameaça representada pelo imprevisível vizinho norte-coreano, ao mesmo tempo que se posiciona entre a China, principal parceiro comercial da Coreia do Sul, e os Estados Unidos, aliado e protector histórico.
Turismo | ECTAA quer vistos mais fáceis para chineses Hoje Macau - 4 Jun 2025 O líder da Confederação Europeia das Associações de Agências de Viagens e Operadores Turísticos defendeu ontem que a União Europeia facilite a entrada a chineses, depois da China ter alargado a isenção de vistos a mais de 30 países europeus. “Continuaremos a bater à porta da Comissão Europeia para baixar o limiar para visitantes vindos de fora da Europa”, disse o presidente da Confederação Europeia das Associações de Agências de Viagens e Operadores Turísticos (ECTAA, na sigla em inglês). Frank Oostdam falava em Macau, numa conferência de imprensa, quando questionado sobre a resposta europeia à política de isenção de vistos da China, que desde 15 de Outubro abrange Portugal. No final de Março, o embaixador chinês em Lisboa Zhao Bentang disse em entrevista à Lusa que “a China já pediu à Europa, a Portugal, que facilite a entrada a cidadãos chineses”. Mas o holandês Frank Oostdam admitiu que “o clima político não é animador” e que a actual tendência é para maiores restrições à entrada na União Europeia, dando como exemplo os Países Baixos. Oostdam falava horas antes do líder da extrema-direita dos Países Baixos, Geert Wilders, ter retirado o partido da coligação governamental, devido a um desacordo sobre a imigração, abrindo caminho a eleições antecipadas. Wilders exigia uma redução radical da migração, o reforço dos controlos fronteiriços e a rejeição de todos os requerentes de asilo. “Gostaríamos de ter o máximo de pessoas a viajar pelo mundo, tanto quanto possível, mas não estou assim tão confiante”, lamentou Frank Oostdam. “Somos muito a favor da liberdade de circulação, porque se as pessoas se conhecerem, teremos um mundo melhor”, defendeu o presidente da ECTAA. No mesmo tom Antes da conferência de imprensa, também o presidente da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT) lamentou “não haver a mesma solução do ponto de vista da Europa relativamente aos turistas chineses”. “Gostaríamos muito que acontecesse, é essa a opinião da ECTAA, é essa a posição da APAVT. Os vistos fazem mal à mobilidade e a mobilidade faz bem ao mundo”, defendeu Pedro Costa Ferreira. No caso de Portugal, a isenção de visto para entrada na China vigora até 31 de Dezembro, mas Frank Oostdam demonstrou esperança que seja “prolongada por muitos anos”. “Pelo que ouvimos, a situação parece otimista. Esperemos que sim, porque a questão do visto é realmente essencial para explorar o potencial do turismo da Europa para a China”, defendeu o dirigente. “Se não tivermos [isenção de visto], o potencial está lá, mas não resultará em muito mais turistas”, alertou o neerlandês. Já a vice-presidente da ECTAA, Heli Maki-Franti, lamentou que o encerramento do espaço aéreo da Rússia tenha levado as companhias aéreas a “reduzir drasticamente” o número de voos para a China. A União Europeia fechou o espaço aéreo aos aviões russos após a invasão da Ucrânia, e Moscovo retaliou com proibições semelhantes, tornando mais longas e dispendiosas as ligações entre a Ásia e a Europa. “Muitos clientes não estão dispostos a pagar”, disse Maki-Franti. A directora dos Serviços de Turismo de Macau (DST), Maria Helena de Senna Fernandes, disse que isto representa “uma clara oportunidade” para as transportadoras chinesas, “porque podem sobrevoar território russo”. O problema, respondeu Heli Maki-Franti, é que os viajantes europeus “ainda não conhecem as companhias aéreas chinesas”. “Há muito [trabalho de promoção] que estas empresas poderiam fazer no mercado europeu”, acrescentou a finlandesa.