TCR World Tour | Tudo se decide em Macau

A temporada de 2026 do Kumho FIA TCR World Tour voltará a decidir-se nas ruas de Macau, depois das duas rondas disputadas no Interior da China em que os favoritos dividiram os louros. As jornadas triplas de Chengdu e Zhejiang ficaram também marcadas pela conquista dos primeiros pontos de pilotos de Macau na actual maior competição de carros de Turismo sob a égide da FIA

Se a marca chinesa Geely venceu duas das três corridas em Chengdu, por intermédio do uruguaio Santiago Urrutia, a rival sul-coreana Hyundai respondeu na mesma moeda em Zhejiang, com o espanhol Mikel Azcona, sempre seguido pelo húngaro Norbert Michelisz, a triunfar em duas das corridas. Aurélien Comte, ao volante de um CUPRA Leon VZ TCR, venceu uma corrida em ambos os circuitos, mas o francês já está matematicamente fora da luta pelo título, apesar de se perfilar como um sério candidato à vitória na Corrida da Guia.

Azcona e Michelisz deixaram a China nos dois primeiros lugares da classificação, separados por 33 pontos. Urrutia, o único outro piloto ainda na luta pelo título, está a mais seis pontos de “Norbi” e precisará também de contar com o apoio dos seus colegas de equipa para tentar conquistar o campeonato. A favorecer Urrutia estará o facto de Azcona e Michelisz correrem em Macau com os maiores pesos de compensação a bordo dos respectivos Hyundai Elantra N EV TCR. Na classificação de equipas, a Geely Cyan Racing lidera com 911 pontos, contra os 863 da BRC Hyundai N Squadra Corse.

Cheong deixa boas indicações

Marcus Cheong Man Hei estreou-se em provas de carros de Turismo no Kumho FIA TCR World Tour, no Circuito Internacional de Tianfu Chengdu. O jovem piloto apoiado pela AAMC conduziu o Honda Civic Type R FK7 TCR da MACPRO Racing Team, o mesmo carro com que irá alinhar no próximo mês na Corrida da Guia, integrada no 73.º Grande Prémio de Macau.

Há duas semanas, no circuito propriedade ao grupo Geely, Cheong tinha como principal objectivo adaptar-se ao carro japonês e a uma realidade competitiva inteiramente nova. Na sua primeira corrida de automóveis este ano, a sua prestação foi evoluindo ao longo do fim-de-semana e culminou num inesperado triunfo entre os concorrentes do TCR Asia, na segunda corrida, depois de terminar em 11.º lugar à geral.

Num pelotão de 16 concorrentes, o piloto do território, cuja experiência anterior se limitava essencialmente ao karting e à Fórmula 4, terminou as três corridas nas posições 13.ª, 11.ª e 11.ª da classificação absoluta, deixando indicações encorajadoras na sua estreia na disciplina.

Liu alcança um oitavo lugar

Na ronda de Zhejiang, o Honda Civic Type R FK7 TCR da MACPRO Racing Team passou para as mãos de outro jovem piloto de Macau: Raymond Liu Weng Hin, filho de Alex Liu, conhecido piloto de carros de Turismo do território. Ao contrário de Marcus Cheong, Raymond Liu está mais familiarizado com carros de cockpit fechado, sendo presença habitual em provas das categorias GT4 e GT3.

Na estreia em competições internacionais de TCR, o piloto do Honda n.º 30 registou o 13.º melhor tempo na qualificação, entre 18 concorrentes, e terminou a primeira corrida na 11.ª posição. Num fim-de-semana marcado por condições meteorológicas difíceis, conseguiu melhorar o seu desempenho na segunda prova, alcançando um meritório oitavo lugar. Na última corrida, porém, não teve oportunidade de continuar a progredir, sendo forçado a abandonar à sexta volta.

Apesar dos pontos conquistados em Zhejiang, que lhe permitiram ascender ao 25.º lugar da classificação do campeonato, Raymond Liu não estará presente na célebre Corrida da Guia. O piloto fará antes a sua estreia no Circuito da Guia, integrado no pelotão da Taça GT – Corrida da Grande Baía (GT4), ao volante do seu Mercedes-AMG GT4.

27 Out 2026

Macau terá um piloto no TCR World Tour em Chengdu

Marcus Cheong Man Hei vai estrear-se este fim-de-semana no Kumho FIA TCR World Tour, no Circuito Internacional de Tianfu Chengdu, no interior da China. O jovem piloto da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM), de 23 anos, tornar-se-á assim o primeiro representante do território a competir naquela que é actualmente a principal competição mundial de carros de Turismo.

Habitualmente dedicado ao karting local, Marcus Cheong tem vindo a alargar a sua experiência competitiva aos monolugares, nomeadamente na Fórmula 4, no Campeonato da China da especialidade. O Circuito da Guia e o Grande Prémio de Macau também fazem parte do seu percurso, tendo participado na Corrida de Fórmula 4 de Macau de 2023, na qual terminou em 12.º lugar, e na prova de Fórmula 4 integrada na Taça do Mundo FIA de F4, onde alcançou a oitava posição.

A participação em Chengdu representará, contudo, uma estreia absoluta tanto no Kumho FIA TCR World Tour como nas corridas de carros de Turismo. Esta oportunidade surge numa temporada em que o piloto de Macau tem mantido a sua actividade competitiva no karting. Perante um desafio inteiramente novo, o seu principal objectivo passa por “adaptar-se a esta nova realidade”.

Integrada também no calendário do TCR Asia, a jornada chinesa compreenderá três corridas. Antes disso, Marcus Cheong terá apenas duas sessões de treinos livres, de 30 minutos cada, para conhecer o Honda Civic FL5 TCR e preparar-se para uma qualificação particularmente importante na definição da grelha de partida.

O piloto apoiado irá alinhar com um dos Honda da MacPro Racing Team, estrutura sediada em Macau que conta com uma longa ligação ao automobilismo do território e pela qual passaram nomes como André Couto, Henry Ho e Eurico de Jesus. Com mais de uma década de experiência nas competições de carros de Turismo, a equipa manteve uma relação estreita com a Honda, tendo inclusivamente representado oficialmente a Dongfeng Honda no campeonato TCR China.

Contas pré-Macau

O FIA TCR World Tour já se encontra em território asiático e a Hyundai assumiu o protagonismo na ronda sul-coreana, disputada há duas semanas. A marca conquistou duas vitórias em casa por intermédio do espanhol Mikel Azcona, que aproveitou os resultados para ascender à liderança do campeonato, destronando Santiago Urrutia. O uruguaio da Geely Cyan Racing teve um fim-de-semana difícil e caiu para a terceira posição da classificação, ficando a 49 pontos de Azcona e a oito de Norbert Michelisz, colega do espanhol na BRC Hyundai N Squadra Corse.

Na China, a Geely Cyan Racing procurará recuperar terreno no circuito de Chengdu, que curiosamente pertence ao construtor chinês. Urrutia e os seus três colegas de equipa estarão empenhados em regressar aos lugares cimeiros, numa jornada importante para as contas do campeonato. Depois de subir ao pódio na Coreia do Sul, Thed Björk e Ma Qing Hua, a estrela local, procurarão também lutar pelas vitórias. O mesmo objectivo estará na mira do campeão em título, Yann Ehrlacher, que abandonou na sequência de um toque no arranque da segunda corrida em Inje. Apesar dos resultados menos favoráveis na ronda sul-coreana, a Geely Cyan Racing conserva a liderança do campeonato de equipas, com uma vantagem de 17 pontos sobre a BRC Hyundai N Squadra Corse.

Após a passagem por Chengdu, o FIA TCR World Tour disputará ainda uma ronda no Circuito de Zhejiang, escolhido pelo promotor chinês para substituir o Circuito Internacional de Hunan, inicialmente previsto no calendário. Só depois chegará o momento decisivo da temporada, no âmbito do 73.º Grande Prémio de Macau, onde os protagonistas do campeonato voltarão a competir no icónico Circuito da Guia.

15 Out 2026

BMW apostará no único lusófono vencedor da Taça do Mundo de GT

O piloto brasileiro Augusto Farfus, primeiro e único piloto lusófono a vencer a Taça do Mundo de GT da FIA, prova integrada no programa do Grande Prémio de Macau, vai regressar ao Circuito da Guia em Novembro, com o objectivo de repetir o triunfo alcançado na edição de 2018, ao volante de um BMW.

Vencedor também no Circuito da Guia em carros de Turismo, na era do Campeonato do Mundo de Carros de Turismo, o piloto natural de Curitiba esteve ausente da edição do ano passado, mas vai regressar à RAEM para conduzir um BMW M4 GT3 EVO da BMW Team KRC, formação que representou na edição de 2024, onde terminou no terceiro lugar na Taça do Mundo de GT da FIA.

Curiosamente, nesse ano, o Team KRC, equipa de Taiwan com base operacional na vizinha cidade de Zhuhai, competiu com a licença desportiva da Associação Geral Automóvel de Macau-China (AAMC).
Tal como Farfus, o Team KRC também não participou no Grande Prémio de Macau do ano passado.

Mars Kang, director desportivo e fundador da equipa, explicou ao portal norte-americano especializado Sportscar365 que a ausência se deveu à falta de experiência da formação com os sensores de binário, cuja utilização passou a ser obrigatória pela FIA em Macau a partir de 2025. A exigência acabou também por contribuir para a ausência da Mercedes-AMG.

“Macau faz parte dos nossos planos. No ano passado, não participámos porque não tínhamos experiência com sensores de binário e não tivemos oportunidade de os testar”, explicou Mars Kang. “Este ano, porém, vamos regressar novamente com o Augusto”, confirmou.

Recorde-se que Farfus mantém, há duas décadas, uma forte ligação ao Circuito da Guia, onde competir é, como o próprio piloto referiu ao HM no passado, “sempre muito especial e emocional para mim”. Por outro lado, o piloto brasileiro deu o único triunfo à BMW na prova rainha de GT desde a criação da Taça GT Macau em 2008.

Para além da participação na temporada completa no GT World Challenge Asia, a formação de Taiwan disputou este ano duas provas do calendário do Intercontinental GT Challenge (IGTC): as 12 Horas de Bathurst, onde terminou em quinto na estreia, e os 1000 km de Suzuka, prova em que o seu BMW inscrito na Bronze Cup abandonou, enquanto um outro M4 GT3 EVO da equipa garantiu o terceiro lugar da classe Pro-Am, com Farfus também ao volante.

A aguardar lista de inscritos

A lista de inscritos da 73.ª edição do Grande Prémio de Macau só será divulgada em meados de Outubro, como é tradição. Ainda assim, espera-se que a grelha da Taça do Mundo de GT da FIA seja mais numerosa do que em 2025, apontando-se para cerca de duas dezenas de carros GT3 no Circuito da Guia. A Mercedes-AMG foi a primeira marca, e única até agora, a confirmar a sua presença, com três carros destinados a Maro Engel, Lucas Auer e Adderley Fong.

No ano passado, a BMW conquistou o segundo lugar com Raffaele Marciello, sendo expectável que a marca alemã, que tem uma longa história de sucessos no território, esteja novamente representada com três carros.

A Porsche deverá também marcar presença com cinco unidades do modelo 911 GT3 R, enquanto a estreia do novo Lamborghini Temerario GT3 no continente asiático permanece por confirmar, apesar das movimentações de bastidores para concretizar a participação. A Audi Sport Asia também se prepara para repetir a presença na prova, depois do investimento que a casa germânica fez em 2025 no desenvolvimento dos sensores de binário para esta corrida.

5 Out 2026

Automobilismo | Vernice Lao regressou à F4 em Chengdu

Duas dezenas de pilotos participaram na quarta prova do Campeonato Chinês de F4, disputada no Circuito Internacional de Tianfu Chengdu, que assinalou a segunda participação em monolugares da jovem piloto de Macau Vernice Lao Si Lun.

A piloto, de 16 anos, regressou ao volante de um monolugar após uma ausência de quase um ano. Foi precisamente neste circuito que, na sua estreia, no ano passado, se tornou a primeira piloto feminina de Macau a competir numa prova de Fórmula 4. No regresso à única categoria nacional de fórmulas da República Popular da China, a piloto de karting de Macau adaptou-se rapidamente ao Ligier JS F422, estabelecendo tempos promissores para alguém que, ao contrário da maioria dos pilotos da grelha, não havia competido em F4 antes da presente temporada.

Num fim-de-semana em que a chuva apenas marcou presença nos treinos, Vernice Lao terminou a corrida de abertura, no sábado, na 9.ª posição, e a segunda na 13.ª. Este último resultado foi alcançado após um esforço considerável, uma vez que a piloto inscrita pela Blackjack Racing RFN foi abalroada por um adversário, sem que tivesse qualquer responsabilidade no incidente.

No domingo, onde foram novamente disputadas duas corridas de trinta minutos de duração, Vernice Lao prosseguiu a sua evolução na moderna pista da província de Sichuan, demonstrando um ritmo consistente e sem cometer erros, para terminar as corridas três e quatro nas 13.ª e 9.ª posições, respectivamente.

Elogios do chefe

Para Rodolfo Ávila, Team Manager da Asia Racing Team RFN e da sua equipa-irmã Blackjack Racing RFN, o fim-de-semana em Chengdu foi bastante positivo para toda a equipas e respectivos pilotos.

“O início do fim-de-semana não foi fácil, mas a equipa e os pilotos continuaram a evoluir ao longo da prova e, no final, tivemos uma operação muito forte no seu conjunto. Vencemos três das quatro corridas e ficámos muito perto de conseguir a mão-cheia. Os pilotos deram um grande passo em frente em termos de ritmo. Sabemos que ainda há trabalho a fazer no que diz respeito à condução em corrida, mas a evolução foi evidente”, referiu o também piloto português da RAEM.

Sobre a piloto apoiada pela Associação Geral Automóvel de Macau-China (AAMC), Rodolfo Ávila deixou igualmente palavras de elogio. “A Vernice fez exactamente aquilo que lhe foi pedido: continuou a melhorar o seu ritmo ao longo do fim-de-semana e, no final, era claramente visível a sua evolução”, referiu o responsável desportivo da equipa do território, seleccionada para a segunda edição da Taça do Mundo de F4 da FIA, que se disputará no programa do 73.º Grande Prémio de Macau, em Novembro.

Timur Shagaliev venceu duas corridas, Josh Feng uma, ambos pilotos da Asia Racing Team RFN, enquanto Lucas Yu Yuan, da equipa Black Blade Racing, venceu a outra. Com duas rondas e oito corridas ainda por disputar até ao final da temporada, o Campeonato Chinês de F4 prossegue em Zhuzhou, na província de Hunan, no final de Setembro, antes de terminar em Zhuhai, em Outubro.

2 Set 2026

Automobilismo | Vernice Lao regressa à F4 chinesa em Chengdu

É já este fim de semana que a jovem piloto da RAEM, Vernice Lao Si Lun, regressa à competição de monolugares. Primeira piloto feminina de Macau a participar numa prova de Fórmula 4, a jovem de 16 anos vai disputar a quarta ronda da temporada do Campeonato Chinês de F4, no sinuoso Circuito Internacional de Chengdu Tianfu

Vernice Lao não é, contudo, uma estreante nem no Campeonato Chinês de F4 nem no traçado de Chengdu Tianfu. Foi precisamente neste circuito e nesta prova que a piloto de karting fez, no ano passado, a sua estreia nos monolugares. No seu primeiro fim de semana de competição ao volante de um F4, Vernice Lao alcançou o 13.º lugar da classificação geral como melhor resultado, aos comandos de um Ligier JS F422, o mesmo carro que voltará a conduzir no circuito da Província de Sichuan. O desempenho assumiu particular relevância histórica, uma vez que a piloto apoiada pela Associação Geral de Automóvel de Macau-China (AAMC) se tornou a primeira mulher de Macau a competir na disciplina de Fórmula 4.

Antecipando o regresso à competição, Vernice Lao revelou-se determinada a dar mais um passo na sua evolução. “Estou ansiosa por regressar à F4, porque quero lutar por melhores resultados. Em Chengdu, pretendo evoluir de forma consistente em cada sessão, aprender com os contratempos e ganhar experiência. O principal desafio será recuperar a sensação do carro e o ritmo depois deste período afastada desta competição, mantendo-me, ao mesmo tempo, em boa forma física e concentrada. Estou pronta para desfrutar do fim de semana de corridas e lutar por bons resultados juntamente com a minha equipa”, disse no comunicado de imprensa da equipa.

O programa da quarta ronda do Campeonato Chinês de F4 é bastante intenso e contempla duas sessões de qualificação na sexta-feira, duas corridas no sábado e outras duas no domingo.

Passo a passo

Em Chengdu, Vernice Lao voltará a defender as cores da Asia Racing Team RFN, uma das duas equipas com licença desportiva da RAEM seleccionadas pela FIA para a segunda edição da Taça do Mundo de F4 da FIA, integrada no programa da 73.ª edição do Grande Prémio de Macau, no mês de Novembro.

O chefe de equipa da Asia Racing Team RFN, Rodolfo Ávila, sublinhou igualmente a importância desta parceria com a AAMC e do regresso de Vernice Lao à formação: “Estamos muito satisfeitos por voltar a estabelecer uma parceria com a AAMC e por receber novamente a Vernice. Ela é um dos talentos em crescimento de Macau e estamos felizes por estar ao seu lado nos primeiros passos nos monolugares.”

O também piloto do território reconhece, porém, que Vernice Lao ainda possui “uma experiência relativamente limitada” nos fórmulas e que terá pela frente “adversários com muito mais quilómetros de testes e experiência de corrida”. Por isso, salienta, o principal objectivo da equipa “não está nos resultados, mas sim na sua curva de evolução” da jovem piloto do território.

A piloto da RAEM terá como companheiros de equipa o russo Timur Shagaliev e o anglo-chinês Josh Feng, ambos da mesma idade de Vernice Lao e já vencedores de corridas de F4 esta temporada, bem como o piloto chinês Zhuyuan Chen, que conta já com presenças no pódio na categoria.

A formação de quatro monolugares será inscrita sob as bandeiras da Asia Racing Team RFN e da Blackjack Racing RFN, numa jornada que representará mais uma etapa no processo de adaptação e crescimento de Vernice Lao no universo dos monolugares.

25 Ago 2026

Zhuhai | Segundo circuito será uma mais valia para Macau

A segunda infra-estrutura permanente dedicada ao automobilismo na cidade vizinha de Zhuhai entrou numa nova fase administrativa, com a publicação do aviso de pré aprovação do planeamento da utilização do solo. O empreendimento, anteriormente denominado Circuito Internacional Zhuhai Chaoyue e que passará a chamar-se Circuito Internacional Ocean Spring, pretende conjugar competição automóvel, turismo, lazer e actividade comercial numa nova plataforma dedicada à cultura automóvel na Grande Baía.

O projecto foi formalmente assinado a 13 de Março de 2025, tendo a cerimónia de início dos trabalhos decorrido três dias depois, a 16 de Março. Na primeira semana de Agosto de 2026, o empreendimento deu um novo passo no sentido da sua concretização, com o Gabinete Municipal de Recursos Naturais de Zhuhai a publicar o Aviso Público relativo à Pré Aprovação do Planeamento da Utilização do Solo do Projecto de Construção da CTS (Zhuhai) Ocean Spring Company (Circuito Internacional Ocean Spring), colocando em consulta pública o processo de planeamento urbanístico associado ao futuro complexo.

A publicação do aviso representa uma etapa relevante no desenvolvimento do empreendimento, que ocupará uma área de 688.455,23 metros quadrados, aproximadamente 68,8 hectares. O projecto está localizado em Pingsha, no distrito de Jinwan, no interior do Zhuhai Ocean Spring Resort. De acordo com os elementos agora divulgados, a CTS (Zhuhai) encontra-se a requerer a autorização de planeamento para a utilização do terreno. A área bruta de construção permitida não deverá exceder 132 mil metros quadrados, dimensão que evidencia a ambição de um empreendimento concebido para ultrapassar largamente o conceito convencional de um complexo destinado à prática de desportos motorizados.

O elemento central será um circuito internacional susceptível de obter homologação de Grau 3 da FIA, complementado por um conjunto diversificado de infra estruturas destinadas ao desporto automóvel e ao entretenimento. Além do traçado principal, o complexo deverá incluir uma pista de karting, um circuito de drift e um pavilhão interior polivalente com cerca de 2.400 metros quadrados. Uma das características mais ambiciosas do projecto será, contudo, a dimensão da área de boxes. Está prevista a construção de 300 boxes, cada uma com mais de 100 metros quadrados, concebidas para acolher equipas de competição e diferentes actividades ligadas ao sector automóvel.

A primeira fase do empreendimento representa um investimento anunciado de 250 milhões de renminbi e abrange aproximadamente 40.000 metros quadrados de construção. Embora estes valores digam respeito apenas à fase inicial, permitem compreender a dimensão e a natureza do projecto. A pista constituirá o núcleo da operação, mas o modelo económico previsto assenta na criação, em seu redor, de múltiplas formas de utilização e de diferentes fontes de receita.

Trunfo geográfico

A proximidade de Macau e a integração de Zhuhai na Grande Baía reforçam o potencial do empreendimento para atrair visitantes, equipas, construtores automóveis e operadores turísticos provenientes de um vasto mercado regional. Por seu turno, Macau e os numerosos entusiastas dos desportos motorizados do território poderão beneficiar directamente da existência de mais um complexo desta natureza à “porta de casa”.

“Em termos regionais, para mim, como engenheiro de Macau, é claramente uma mais valia ter mais uma opção aqui ao lado para testar, desenvolver e dar o meu contributo a esta indústria”, explicou ao HM o engenheiro de pista da RAEM Duarte Alves. “Mais um circuito no sul da China ajuda a integração e as sinergias entre Macau, o Grande Prémio de Macau e este novo espaço, o que não faz, de maneira nenhuma, concorrência ao Grande Prémio de Macau.”

À semelhança do Circuito Internacional de Zhuhai, também o Circuito Internacional Ocean Spring não deverá constituir um adversário do Grande Prémio de Macau. Pelo contrário, poderá assumir um papel complementar. “São coisas diferentes e complementares: o Grande Prémio é a montra internacional de Macau, uma pista permanente ao lado alimenta o trabalho de equipas, indústria e pilotos durante todo o ano.”

Aprender com o passado

A localização escolhida para o projecto não é circunstancial. Zhuhai possui uma relação consolidada com o automobilismo internacional, nomeadamente através do Circuito Internacional de Zhuhai, que este ano celebra o seu trigésimo aniversário, e encontra-se inserida numa das regiões economicamente mais dinâmicas do Interior da China. Duarte Alves alerta, contudo, para estratégias do passado que poderão e deverão ser evitados no desenvolvimento do novo complexo.

“Pela experiência que tenho, não só na China, mas também nos circuitos por onde passo pelo mundo fora, é decisivo para a longevidade de um projecto destes assegurar a polivalência do espaço e a sua integração na comunidade”, explicou o também presidente da Associação dos Jovens Macaenses. “O próprio Circuito Internacional de Zhuhai é um bom exemplo do que se deve evitar. Foi construído numa zona então subdesenvolvida, praticamente industrial e sem habitação, que entretanto se transformou numa área residencial e escolar. O resultado é previsível, com o ruído do desporto motorizado a gerar conflitos com a vizinhança.”

Para assegurar o sucesso do empreendimento, tendo em consideração as actuais exigências sociais, Duarte Alves considera “que o circuito tem de ser pensado de raiz para conviver com a envolvente e para ser útil à população no dia a dia, por exemplo, com ciclovias, percursos para corrida e passeio e espaços destinados a outras modalidades desportivas. É essa polivalência que garante o sucesso e a aceitação a longo prazo: um espaço vivo durante toda a semana, e não apenas nas semanas de provas, testes ou actividades promocionais.”

Entretanto, a data de abertura do Circuito Internacional Ocean Spring ainda não foi divulgada pelas autoridades, embora tudo indique que não deverá ocorrer antes do último trimestre do próximo ano.

12 Ago 2026

Automobilismo | FIA reforçou presença em Macau olhando para o futuro

Na semana passada, Macau foi palco da Assembleia Geral Extraordinária e da Conferência Anual da Federação Internacional do Automóvel, encontros que terão contribuído para consolidar ainda mais a relação entre a FIA e o seu clube membro local, a Associação Geral de Automóvel de Macau-China

 

A edição deste ano da Assembleia Geral Extraordinária e da Conferência Anual da Federação Internacional do Automóvel (FIA), realizada em Macau, reuniu mais de 450 representantes de clubes membros provenientes de 149 países e regiões. A cerimónia de abertura, realizada a 23 de Junho, contou com a presença da Directora Substituta do Instituto do Desporto de Macau, Lei Sio Leng, em representação da secretária para os Assuntos Sociais e Cultura. Durante a Conferência Anual foram aprovadas diversas medidas relacionadas com a segurança no desporto automóvel e debatidos temas como o desenvolvimento da modalidade, a segurança rodoviária e a mobilidade sustentável.

No plano desportivo, durante as reuniões do Conselho Mundial, a FIA destacou a aprovação das alterações regulamentares aos motores de Fórmula 1 para as temporadas de 2027 e 2028, a aprovação do novo regulamento técnico do Campeonato do Mundo de Ralis (WRC), o novo calendário do mundial de Fórmula E, assim como a votação favorável à eliminação dos limites de mandatos para os seus órgãos, incluindo a presidência da FIA.

Os membros da FIA aprovaram igualmente o Relatório e Contas Anuais de 2025, confirmando a contínua transformação da federação. No exercício de 2025, o organismo registou um lucro operacional de cerca de 61 milhões de patacas, representando um aumento de 43 por cento face ao ano anterior e uma recuperação financeira significativa relativamente ao prejuízo operacional de 221 milhões de patacas registado em 2021.

A FIA aproveitou também para realçar que a sua estrutura internacional, com a abertura de um escritório em Londres em 2025 e o aumento do número de colaboradores permanentes para 308, mais 14 por cento do que no ano anterior.

Foi ainda confirmado que a Assembleia Geral Anual da FIA de 2026 terá lugar em Xangai, no dia 12 de Dezembro, organizada pela Federação Chinesa de Automobilismo e Motociclismo (CAMF) e pela Administração do Desporto de Xangai. Já a Assembleia Geral Extraordinária da FIA de 2027, como anteriormente anunciado, decorrerá novamente em Macau, em Junho de 2027, sob organização da Associação Geral de Automóvel de Macau-China (AAMC). O Galaxy International Convention Center, integrado no complexo Galaxy Macau, será o local anfitrião da Conferência da FIA.

Elogios aos anfitriões

Durante a sua estadia, Mohammed Ben Sulayem visitou o Kartódromo de Coloane, onde conheceu os programas de formação de jovens pilotos e de oficiais de prova do Grande Prémio de Macau, considerando que a RAEM reúne condições para se afirmar como um centro internacional de formação.

A pensar no futuro, 180 estudantes de Macau, com idades entre os 6 e os 16 anos, participaram na Conferência Anual, onde conheceram a diversidade de oportunidades e carreiras disponíveis no desporto automóvel e na mobilidade.

Chong Coc Veng, Presidente da AAMC, explicou que na associação “estamos empenhados em garantir que os jovens tenham oportunidade de crescer e desenvolver-se. Macau é um território com excelentes futuros profissionais e, através da nossa parceria com a FIA, esta iniciativa ajuda a inspirar a próxima geração, dando a conhecer a diversidade e o entusiasmo das oportunidades de carreira no desporto automóvel e na mobilidade.”

Os delegados tiveram igualmente oportunidade de visitar o Kartódromo de Coloane, desenhado pelo arquitecto Carlos Couto no final da década de 1990, ficando a conhecer o trabalho desenvolvido por Macau na promoção do automobilismo de base e do karting. Houve ainda uma troca de experiências sobre a organização de provas de Fórmula 4, tendo a FIA defendido a importância de aproximar o automobilismo dos estudantes e incentivar os jovens a iniciar-se na modalidade.

No final da visita, o Presidente da FIA elogiou a capacidade organizativa e a hospitalidade de Macau, afirmando que todos os participantes tiveram uma experiência positiva na cidade. Mohammed Ben Sulayem destacou ainda a longa tradição automobilística do território e o ambiente único vivido durante os eventos, descrevendo Macau como uma “cidade do automobilismo”, realçando o seu dinamismo e a arte de bem receber dos seus habitantes.

Venham as corridas

Para a FIA, em termos desportivos, Macau assume particular importância na segunda metade do calendário de 2026. O Campeonato FIA Ásia-Pacífico de Karting “Arrive & Drive”, uma das mais recentes apostas da FIA para promover a formação de jovens pilotos, decorrerá entre 11 e 13 de Setembro no Kartódromo de Coloane.

Já a 73.ª edição do Grande Prémio de Macau está agendada para 19 a 22 de Novembro, com o Circuito da Guia a receber diversas competições internacionais, entre as quais a Taça do Mundo FIA de Fórmula Regional, a Taça do Mundo FIA GT de Macau, a Taça do Mundo FIA de Fórmula 4 e ainda a última prova do calendário do Kumho FIA TCR World Tour.

29 Jun 2026

Grande Prémio de Macau | Presidente da FIA defende Fórmula 4

O presidente da Federação Internacional do Automóvel afastou, para já, a possibilidade de a competição de Fórmula 3 regressar ao circuito da Guia e elogiou a Fórmula 4, que “está cada vez mais forte”

 

O presidente da FIA (Federação Internacional do Automóvel), Mohammed Ben Sulayem, defendeu ontem a aposta na Fórmula 4, em vez do regresso à competição com os Fórmula 3. A posição foi tomada numa conferência de imprensa, durante uma visita ao Kartódromo de Macau, em que o responsável mostrou total abertura para se adaptar e apoiar as necessidades da Associação Geral de Automóvel de Macau (AAMC) e do Grande Prémio de Macau.

Quando questionado sobre a possibilidade do regresso da Fórmula 3 ao circuito da Guia, o responsável defendeu que os carros Fórmula 4 são os mais indicados para esta parte do mundo. Actualmente, a prova principal do Grande Prémio é disputada com carros da Fórmula Regional, um nível intermédio entre a Fórmula 3 e Fórmula 4.

“Algumas pessoas podem pensar, como estava a falar com o AAMC, que a Fórmula 3 é melhor do que a Fórmula 4. Não, a Fórmula 4 está cada vez mais forte. Se formos a ver, há mais pessoas envolvidas na Fórmula 4 do que na Fórmula 3”, começou por indicar. “E porquê? Porque é muito popular, porque tem preços mais acessíveis e isso é bom para o público”, vincou.

Quando questionado sobre o facto de a Fórmula 3 ter maior visibilidade internacional, Mohammed Ben Sulayem considerou que são as provas que constroem essa visibilidade e não as categorias por si. “Nós criamos as categorias de classe mundial, vocês [Grande Prémio de Macau] e os vossos fãs criam as categorias de classe mundial e os fãs também. A classe mundial não se cria a partir do topo, vem da base”, defendeu.

“A classe mundial é criada quando as pessoas têm a oportunidade de pegar num carro, participar numa prova qualquer e tentar bater os outros pilotos. Por isso, a Fórmula 4 vai ter um futuro muito bom”, indicou. “[Os Fórmula 4] são campeonatos feitos especificamente para esta parte do mundo. Não acredito que exista uma fórmula que sirva todo o mundo. As necessidades desta parte da Ásia não são as mesmas de outras partes, já para não falar do Médio Oriente, de África ou da América Latina. Por isso sou um grande crente que estamos a criar um campeonato em conjunto, tendo em conta as necessidades do AAMC”, vincou.

Sem GP? “Impensável”

Mohammed Ben Sulayem destacou ainda que é “impensável” que se deixe de realizar o Grande Prémio de Macau e mostrou-se aberto a mudar as regras que forem necessárias para acomodar os desejos do AAMC. “As regras não foram escritas por Deus. As regras foram escritas por homens e podem ser melhoradas pelos homens”, explicou.

“Por isso, para mim, e na FIA, vamos ajustar as regras que for necessário. Não é só ajustar, nós vamos apoiar o Grande Prémio de Macau. E se eles quiserem [AAMC] vamos adaptar e homologar um certo campeonato. Ficaríamos mais do que felizes por fazê-lo, porque para nós a Ásia é muito importante”, prometeu.

Mohammed Ben Sulayem está em Macau para participar nas Conferências da FIA deste ano, que decorrem entre 23 e 25 de Junho. No dia 26 decorre, também em Macau, a Assembleia Geral Extraordinária da FIA.

22 Jun 2026

FIA | Futuro do automobilismo e da mobilidade em discussão em Macau

A comitiva da Federação Internacional do Automóvel (FIA), o organismo mundial que tutela o desporto automóvel e a federação das organizações de mobilidade à escala global, juntamente com os seus 245 clubes e organizações membros, desembarca esta semana em Macau para uma semana dedicada à preparação do futuro. O território volta, assim, a ser palco da Assembleia Geral Extraordinária e da Conferência Anual da FIA.

Organizado em parceria com a Associação Geral Automóvel de Macau-China (AAMC) e o Galaxy Entertainment Group, o evento reunirá mais de 450 representantes de alto nível da FIA, ligados às áreas da mobilidade e do desporto automóvel, provenientes de 149 países e territórios.

A conferência constituirá uma oportunidade para abordar iniciativas fundamentais relacionadas com a segurança rodoviária, a mobilidade sustentável, o crescimento regional do desporto automóvel e a inovação nos transportes, contando com a presença do Presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem.

Antes do seu regresso a Macau, Mohammed Ben Sulayem afirmou que “esta conferência representa uma oportunidade valiosa para reunir a nossa comunidade e ajudar a definir o futuro do desporto automóvel e da mobilidade a nível mundial. À medida que continuamos a aumentar a participação, a promover a inovação e a melhorar a segurança rodoviária em todo o mundo, estas discussões tornam-se mais importantes do que nunca.”

O antigo piloto árabe de ralis salientou ainda estar “muito satisfeito por regressar a Macau, um local verdadeiramente icónico para os fãs do desporto automóvel e uma escolha adequada para a FIA acolher uma das semanas mais importantes do nosso calendário. Os meus agradecimentos aos nossos anfitriões, a AAMC, ao Presidente da Direcção, Chong Coc Veng, e ao Presidente Executivo, Roberto Carlos Osório.”

Honras da casa

A conferência contará com representantes dos clubes membros da FIA. Esta estrutura constitui a base da governação e do funcionamento da Federação, sendo que cada Clube Membro com estatuto pleno possui direito de voto nas eleições da FIA e nas decisões regulamentares.

Em comunicado enviado pela FIA, Chong Coc Veng, dirigente histórico da AAMC e Coordenador da Subcomissão Desportiva da Comissão Organizadora do Grande Prémio de Macau, afirmou ser “uma honra receber novamente a FIA e os nossos colegas membros de todo o mundo em Macau. A Conferência Anual representa uma excelente oportunidade para reflectirmos sobre o progresso alcançado em conjunto durante o último ano e definirmos as prioridades que irão orientar o futuro da nossa Federação. Esperamos receber todos os delegados para aqueles que serão, certamente, dias muito produtivos.”

Na sequência do sucesso da edição do ano passado, o complexo Galaxy Macau, através do Galaxy International Convention Center , será o local anfitrião da Conferência FIA em 2026 e 2027. A FIA realizou pela primeira vez a sua conferência anual em Macau em Junho de 2025, reunindo 446 delegados de 198 organizações membros provenientes de 139 países e territórios.

22 Jun 2026

AAMC | Sortes distintas para os macaenses na jornada final

O Circuito Internacional de Zhuhai acolheu, no passado fim-de-semana, a segunda e decisiva jornada dupla do Macau Roadsport Challenge e da categoria GT4, competições organizadas pela Associação Geral Automóvel de Macau-China (AAMC) e que serviram igualmente para apurar os pilotos locais para o 73.º Grande Prémio de Macau.

Com condições meteorológicas mais favoráveis do que as registadas na ronda inaugural, assistiu-se a corridas bastante disputadas no Macau Roadsport Challenge, cuja grelha é composta por Toyota GR86 (ZN8) e Subaru BRZ (ZD8). A competição voltou a reunir mais de meia centena de pilotos. Face ao elevado número de participantes, a AAMC manteve o formato adoptado na primeira jornada, com os Grupos A e B a integrarem os mesmos concorrentes do primeiro fim-de-semana.

Na primeira corrida do Grupo A, Damon Chan confirmou o estatuto de favorito. Depois de ter sido o mais rápido na qualificação, o piloto repetiu o triunfo alcançado na segunda corrida da ronda inaugural. O pódio ficou completo com Kwok Ho Cheung e Ho Zuoliang, vencedor da primeira corrida do primeiro fim-de-semana.

Na segunda corrida, disputada na manhã de domingo, os pilotos da vizinha Região Administrativa Especial de Hong Kong voltaram a superiorizar-se. Kwok Ho Cheung levou a melhor sobre Alan Chung e Damon Chan.

No Grupo B, onde competia Jerónimo Badaraco, o fim-de-semana ficou marcado por uma carambola logo na primeira volta da corrida inaugural, na recta da meta, incidente que afastou vários concorrentes, entre os quais o piloto macaense. Numa qualificação em que os vinte primeiros ficaram separados por apenas dois segundos, o sábado não começou da melhor forma para “Noni”, que registou apenas o 19.º tempo. O Toyota GR86 da Flexible Speed foi uma das vítimas do acidente colectivo e já não regressou à pista para a corrida de domingo. Ainda assim, um quarto e um quinto lugares obtidos na prova disputada no início do mês foram suficientes para garantir a qualificação do vencedor da última edição da Taça ACP do Grande Prémio de Macau, em 1999.

Quanto aos resultados da primeira corrida do Grupo B, a vitória sorriu a Yu Yi Hao, seguido por Li Kwok Chuen e pelo porto-riquenho Javier Ramirez. Carson Tang foi o melhor dos pilotos de Macau ao terminar na quarta posição. No segundo confronto, o jovem da RAEM alcançou a sua primeira vitória na disciplina, terminando à frente de Xiao Meng e Su Jiangnan.

Após a homologação dos resultados e a publicação da classificação final do campeonato, a AAMC deverá abrir o processo de inscrição para o Grande Prémio de Macau. A corrida Macau Roadsport Challenge contou com a participação de 32 concorrentes na edição do ano passado, sendo expectável que esse número se mantenha este ano.

Manhão às portas do pódio

As duas corridas da categoria GT4, que serviram para apurar os pilotos locais para a Taça GT – Corrida da Grande Baía, não foram desta vez pontuáveis para a SRO GT Cup, ao contrário do que sucedera na primeira jornada. Como consequência, o pelotão ficou reduzido aos pilotos locais, com apenas onze concorrentes em pista.

Maximiano Manhão regressou ao volante de um dos dois McLaren 570S GT4 inscritos pela LW World Racing Team e assinou o sétimo melhor tempo na qualificação. Na primeira corrida, o jovem macaense adoptou uma abordagem ponderada, evitando erros e recuperando posições de forma consistente até cruzar a linha de meta num meritório quarto lugar.

Esta primeira contenda foi ganha por Billy Lo Kai Fung, ao volante de um Audi R8 LMS GT4. O piloto de Macau, que partira da pole-position, terminou à frente dos Mercedes-AMG GT4 do regressado Matt Solomon, piloto que em 2015 competiu na Fórmula 3 Europeia contra George Russell, Charles Leclerc e Lance Stroll, e de Liu Weng Hin.

Na segunda corrida, Matt Solomon não deu hipóteses à concorrência, cumprindo as 18 voltas ao traçado de Zhuhai com uma vantagem superior a 15 segundos sobre Billy Lo. Chan Ka Ping, em Audi R8 LMS GT4, completou o pódio.Num fim-de-semana em que voltou a evidenciar progressos, Maximiano Manhão, que cumpre apenas a sua segunda temporada nos automóveis e a primeira ao volante de um carro de GT, manteve um ritmo consistente e terminou a corrida na quinta posição.

2 Jun 2026

GP Macau: FIA confirma continuidade de Taças do Mundo de FR e F4

No final da passada semana, a Federação Internacional do Automóvel (FIA) confirmou a continuidade das Taças do Mundo de Fórmula Regional (FR) e de Fórmula 4 no programa do Grande Prémio de Macau, juntando-se ambas à já confirmada Taça do Mundo de GT da FIA e à derradeira ronda da temporada do FIA TCR World Tour

Na sequência de uma votação electrónica do Conselho Mundial do Desporto Automóvel da FIA, ficou decidido que as duas Taças do Mundo de monolugares integrarão a 73.ª edição do Grande Prémio de Macau, agendada para os dias 19 a 22 de Novembro. Foi igualmente definido o quadro de selecção de participantes para a Taça do Mundo da FIA de FR, permanecendo ainda por revelar os detalhes relativos ao processo de inscrição e selecção para a corrida de Fórmula 4.

Disputada pela primeira vez em 2024, a Taça do Mundo da FIA de FR marcou o início de uma nova era para o Grande Prémio de Macau, com os monolugares da Fórmula Regional a assumirem o estatuto de categoria principal do evento, após quatro décadas em que a Fórmula 3 reinou no Circuito da Guia. A edição de 2026 contará já com o novo Tatuus T-326, modelo recentemente introduzido nos campeonatos internacionais da especialidade. Tanto os Fórmula Regional como os Fórmula 4 utilizarão pneus Pirelli.

Para o Presidente da Comissão de Monolugares da FIA, Emanuele Pirro, a “Taça do Mundo da FIA de FR tem vindo a crescer de forma sustentada desde a sua introdução em 2024 e assumirá ainda maior relevância este ano com a chegada do Tatuus T-326 de segunda geração”. O italiano, antigo vencedor da Corrida da Guia pela BMW, salientou igualmente que a introdução da Taça do Mundo de F4 no ano passado “proporcionou a oportunidade ideal para os pilotos em início de carreira adquirirem conhecimento e compreensão do circuito de Macau antes de, futuramente, evoluírem para a Taça do Mundo da FIA de FR”.

Quadro de convites conhecido

A FIA, em parceria com a Comissão Organizadora do Grande Prémio de Macau, revelou igualmente o quadro de convites para a edição deste ano da Taça do Mundo da FIA de FR. Segundo o organismo sediado em Paris, o modelo “foi concebido com o objectivo de conjugar mérito desportivo, representação internacional e excelência competitiva, preservando simultaneamente o prestígio e o carácter selectivo que historicamente distinguem o Grande Prémio de Macau”.

O objectivo passa por reunir um lote de participantes de nível mundial, composto pelas mais competitivas equipas de Fórmula Regional, dentro de um número de carros ajustado, segundo a FIA, às características únicas do Circuito da Guia. Assim, todas as equipas participantes no Campeonato Europeu de Fórmula Regional da FIA (FREC) de 2026 serão elegíveis para integrar a grelha. Será igualmente seleccionada a equipa mais bem classificada no campeonato japonês de Fórmula Regional de 2025.

O comunicado da FIA esclarece ainda que apenas 26 carros serão admitidos à partida na edição deste ano, menos um que na edição de 2025, número que aumentará para 28 a partir de 2027. Foi igualmente confirmada a estrutura de dois carros por equipa, solução que, segundo a FIA, “garante consistência operacional em toda a grelha” e alinha esta Taça do Mundo “com os formatos habitualmente utilizados nas competições internacionais de formação em monolugares promovidas pela FIA, assegurando simultaneamente eficiência logística e desportiva dentro das limitações do Circuito da Guia”.

Mais carros em 2027

A partir de 2027, a grelha crescerá com a adição de uma equipa proveniente do Formula Regional Oceania Trophy, sendo esta escolhida pelo promotor regional entre os melhores classificados do seu campeonato. Segundo a FIA, a inclusão da Oceânia “reflecte a contínua internacionalização do percurso competitivo da Fórmula Regional e reforça a representação de regiões com elevado nível competitivo”. Para além destas vagas, poderão ainda ser seleccionadas até duas equipas adicionais, escolhidas conjuntamente pela FIA e pela Comissão Organizadora do Grande Prémio de Macau com base no mérito desportivo.

Entre os critérios adicionais de selecção previstos para as vagas remanescentes, destacam-se dois particularmente relevantes: o “legado histórico, incluindo contributos relevantes para o Grande Prémio de Macau ou para o desenvolvimento do automobilismo de formação em monolugares”, bem como os “resultados anteriores no Grande Prémio de Macau”, factores que poderão abrir novamente as portas do Circuito da Guia a equipas afastadas após o desaparecimento da Fórmula 3 do evento. Refira-se igualmente que, até à data, nenhuma equipa chinesa foi convidada a participar na Taça do Mundo da FIA de FR.

11 Mai 2026

FIA Esports Global Rally Tour | Macau eleito para eliminatória regional

A Federação Internacional do Automóvel (FIA), o organismo regulador mundial do desporto motorizado e a federação das organizações de mobilidade a nível global, lançou na semana passada o “FIA Esports Global Rally Tour”, a primeira competição virtual de ralis que vai ter uma etapa importante na RAEM

Impulsionada pelo próprio Mohammed Ben Sulayem, Presidente da FIA e ex-piloto de ralis, a iniciativa recebeu apoio unânime de todos os Vice-Presidentes da FIA para o Desporto. Entre 12 e 25 de Maio, decorrerá uma fase de qualificação online, a nível mundial, na popular plataforma Assetto Corsa Rally. A ideia é encontrar os 56 melhores pilotos, oito de cada região participante: Europa (Norte e Sul), MENA (Médio Oriente e Norte de África), América do Norte, América do Sul, Ásia-Pacífico e África.

Apesar da sua vaga história na modalidade de ralis, que contrasta com o seu peso mundial no que respeita à disciplina de velocidade, a RAEM “entra em campo” na fase seguinte, pois foi o local escolhido pela FIA para acolher a fase de selecção da região Ásia-Pacífico. Com oito participantes, esta será composta por eliminatórias regionais em formato de eliminação directa, com quartos-de-final, meias-finais e uma final. O evento de Macau decorrerá durante a Conferência da FIA em Macau, a 23 de Junho.

O evento do “FIA Esports Global Rally Tour” contará com equipamento de dois dos fornecedores oficiais de Esports da FIA, a Advanced SimRacing e a D-BOX, e está a ser organizado em parceria com a 505 Games, Supernova Games Studios, parte do grupo Digital Bros, e com apoio técnico da KUNOS Simulazioni. Os dois melhores pilotos saídos destas eliminatórias decisórias de Macau irão participar na final mundial no Interior da China, mais precisamente na cidade de Xangai.

Os 16 melhores pilotos, dois por região, à excepção da Europa que, dado o maior número global de Clubes Membros da FIA, qualificará quatro pilotos, acrescidos de dois wildcards nomeados pela FIA, qualificar-se-ão para as Finais do FIA Esports Global Rally Tour, a realizar durante a semana da prestigiada Semana de Gala da FIA em Xangai, em Dezembro. Antes da prova principal, uma competição prévia no local reunirá os 16 pilotos qualificados para estabelecer a classificação inicial. A competição culminará durante a Cerimónia de Gala da FIA, a 12 de Dezembro de 2026, onde os dois melhores pilotos se defrontarão numa Grande Final ao vivo, lado a lado, em palco.

Aproximar um novo público

Numa altura em que a FIA tenta reabilitar a imagem do Campeonato do Mundo de Ralis da FIA (WRC), o organismo liderado por Mohammed Ben Sulayem quer chegar, com esta iniciativa do “FIA Esports Global Rally Tour”, aos mais novos e a uma geração que cresceu com a Fórmula 1 como a principal, e quase única, influência automobilística. A federação quer igualmente criar uma maior proximidade entre as federações ou associações responsáveis pelo desporto, as Autoridades Desportivas Nacionais, e um novo público.

“Expandir a disciplina de Esports e ligar o seu público em rápido crescimento às nossas Autoridades Desportivas Nacionais, de forma a reforçar as suas iniciativas locais, é uma das nossas principais prioridades”, afirmou Niroshan Pereira, Presidente da Comissão de Esports da FIA. “O FIA Esports Global Rally Tour incorpora verdadeiramente esta visão e representa um passo significativo em frente para o desporto. Gostaria de agradecer ao nosso Presidente da FIA e aos Vice-Presidentes da FIA para o Desporto pelo seu apoio incondicional, e estou entusiasmado por ver milhares de pilotos de todo o mundo a competir por uma oportunidade de demonstrar as suas capacidades perante todos os Campeões do Mundo da FIA em Xangai, ainda este ano.”

Organizadas pelo clube membro da FIA na RAEM, a Associação Geral do Automóvel de Macau-China (AAMC), com o apoio do Galaxy Macau, as Assembleias Gerais Extraordinárias e a Conferência anual da FIA irão regressar este ano a Macau. O Galaxy International Convention Center (GICC) será a sede da Conferência da FIA tanto em 2026 como em 2027, fruto de uma parceria estratégica de três anos entre a FIA e a Galaxy Macau. São esperados mais de 400 delegados das 198 organizações filiadas de 139 países e territórios, que se reunirão para debater o futuro do desporto motorizado e da mobilidade.

5 Mai 2026

Automobilismo | Macau mantém forte presença no Interior da China

Depois do Grande Prémio da China de Fórmula 1 e de um evento extra-campeonato promovido pela Associação Geral Automóvel de Macau-China (AAMC), em Zhuzhou, arrancam este fim de semana os campeonatos chineses de velocidade. Em destaque, estão o revitalizado Campeonato da China de GT e o Campeonato Chinês de Fórmula 4, ambos marcados por uma presença expressiva de Macau.

Na sua quarta edição, o Campeonato da China de GT atravessa o momento mais pujante, com 57 viaturas inscritas na prova inaugural, no Circuito Internacional de Xangai, o que obrigou a organização a dividir as grelhas de partida entre GT3 e GTC/GT4. A participação do piloto-celebridade Wang Yibo impulsionou o retorno mediático do campeonato e a adesão, reunindo hoje o campeonato praticamente todas as principais estruturas do Interior da China da especialidade. Entre os 28 carros da categoria GT3 figura Liu Lic Ka, sendo que o veterano piloto de Macau irá partilhará o seu Mercedes-AMG GT3 com o jovem alemão Tom Kalender, sob a égide da sua equipa, a Elegant Racing.

A lista de inscritos inclui ainda dois apelidos italianos sonantes do desporto automóvel internacional, que vão ganhando experiência e nome no automobilismo asiático. Enzo Trulli, filho do antigo piloto de Fórmula 1 Jarno Trulli, alinhará num Porsche 911 GT3 R. Já Lorenzо Patrese, filho de Riccardo Patrese, também ele ex-piloto de F1 e vencedor do Grande Prémio de Macau em 1977 e 1978, estará ao volante de um Ferrari 296 GT3.

Aposta na formação

Os mesmos monolugares de Fórmula 4 que recentemente competiram na primeira edição da Taça do Mundo da FIA, no Circuito da Guia, regressam à actividade para a jornada inaugural de um campeonato que é o único de monolugares no país. Estão previstas seis provas ao longo da temporada, com uma passagem pela cidade vizinha de Zhuhai.

Presente desde a génese da competição, a Asia Racing Team, que assinala 23 anos de actividade, inscreve quatro monolugares para Timur Shagaliev, Josh Feng, Zhuyuan Chen e Chujian Huang. O chefe de equipa, o português residente em Macau Rodolfo Ávila, encara o início da época com prudente optimismo: “Sentimo-nos preparados para a nova temporada, mas mantemos alguma cautela nas expectativas, tendo em conta que três dos nossos pilotos são estreantes e enfrentaremos adversários mais experientes. O talento existe e importa agora perceber de que forma poderá traduzir-se em resultados”, afirmou o antigo campeão chinês e asiático de Fórmula Renault.

Apesar da ausência de pilotos da RAEM nesta ronda inaugural, em Xangai, outra estrutura de Macau mantém forte presença na disciplina. A Champ Motorsport, que habitualmente com André Couto, Andy Chang ou Charles Leong Hon Chio entre os habituais “drivers coaches”, inscreve três Ligier JS F422 para Kimi Chan, Ken Chow e Chow Chun Shing.

Macpro Racing Team mantém ligação à Honda

Por seu turno, na disciplina de carros de Turismo, a Macpro Racing Team continuará a representar Macau no Campeonato da China de Carros de Turismo (CTCC), cuja temporada tem início nos dias 25 e 26 de Abril. Após um passado como equipa oficial da Dongfeng Honda, a estrutura actua hoje de forma independente, mantendo, contudo, a ligação histórica à marca japonesa.

Para 2026, a equipa inscreve três Honda Civic FL5 TCR, desenvolvidos pela italiana JAS Motorsport a partir do mais recente Civic Type R, no sempre popular CTCC. Segundo fonte da estrutura, em declarações divulgadas nas plataformas oficiais do campeonato, a escolha do modelo assenta na experiência acumulada com a marca: “A equipa utiliza carros da Honda há muitos anos e conhece profundamente as características dos diferentes modelos. O novo Civic FL5 TCR apresenta uma base muito sólida em termos de comportamento dinâmico e equilíbrio no limite, beneficiando ainda de melhorias evidentes no sistema de travagem.”

Por outro lado, a mesma fonte da equipa por quem correram no passado vários nomes conhecidos do automobilismo da RAEM, como André Couto, Henry Ho ou Eurico de Jesus, os carros da Honda têm uma presença muito importante no meio do automobilismo de Macau, desde os antigos EG e DC2, passando pelo FD2, até ao atual FL5 TCR, sendo uma presença constante nas pistas há mais de uma década, com uma base técnica sólida e fácil de trabalhar em termos de afinação e preparação.”

17 Abr 2026

Associação Automóvel de Macau e Circuito de Zhuhai celebram parceria estratégia

A Associação Geral Automóvel de Macau-China (AAMC) e o Circuito Internacional de Zhuhai, o primeiro traçado permanente construído na República Popular da China, assinaram no passado sábado um Acordo-Quadro de Cooperação Estratégica, reactivando a ligação entre duas instituições históricas e pilares fundamentais do desporto automóvel no Delta do Rio das Pérolas.

Numa breve nota divulgada por ambas as entidades, foi revelado que o Presidente da Assembleia Geral da AAMC, Chong Cok Veng, e Lü Pinde, o Director-Geral da empresa responsável pela gestão do circuito, a Zhuhai International Circuit Co., formalizaram o entendimento numa pequena cerimónia realizada no Kartódromo de Coloane.

Segundo o comunicado oficial, “as duas partes chegaram a um entendimento para cooperar no desenvolvimento conjunto de actividades de automobilismo entre os circuitos de Macau e Zhuhai”. Embora não tenham sido avançados objetivos concretos nem prazos definidos, as entidades manifestaram a intenção de reforçar a colaboração na organização de competições, bem como no intercâmbio e formação de oficiais e equipas de apoio às provas.

Inaugurado em 1996, com o objectivo de receber o primeiro Grande Prémio da China de Fórmula 1, algo que nunca chegou a concretizar-se, o Circuito Internacional de Zhuhai possui actualmente homologação Grau 2 da Federação Internacional do Automóvel (FIA) e Grau A da Federação Internacional de Motociclismo (FIM). Apesar de ter praticamente desaparecido do calendário internacional durante vários anos, o traçado voltou a acolher eventos nacionais e regionais com maior regularidade nos últimos dois anos.

Dada a sua localização privilegiada e um modelo de negócio assente na utilização frequente da infraestrutura, o Circuito Internacional de Zhuhai foi, ao longo dos últimos trinta anos, um dos principais impulsionadores do desporto motorizado no sul da China. Diversas estruturas e equipas passaram a utilizar o recinto como base operacional, contribuindo para a criação de postos de trabalho e para o desenvolvimento de um ecossistema singular e difícil de replicar no continente asiático. Contudo, a expansão urbana em torno do circuito e as crescentes restrições de ruído têm vindo a representar uma ameaça ao seu futuro.

Novo capítulo em Zhuhai

A assinatura deste acordo surge na sequência da decisão da AAMC de escolher a infraestrutura da cidade vizinha para acolher as suas competições de automobilismo em 2026. À semelhança de temporadas anteriores, o mini-campeonato promovido pela associação do território, que integra as categorias Macau Roadsport Challenge e GT4, será disputado em duas jornadas duplas. Depois de vários anos em Zhuzhou e Zhaoqing, as provas organizadas pela AAMC regressam ao circuito de Zhuhai pela primeira vez desde 2018.

Ambas as rondas terão lugar durante o mês de Maio. A primeira está marcada para o fim-de-semana de 8 a 10 de Maio, enquanto a segunda decorrerá entre 28 e 31 de Maio. A título provisório, as corridas do Macau Roadsport Challenge servirão para definir os pilotos apurados para a prova homónima integrada no 73º Grande Prémio de Macau, enquanto as corridas reservadas às viaturas GT4 determinarão os participantes da Taça GT – Corrida da Grande Baía.

24 Mar 2026

Automobilismo | Nova alternativa vai ser criada em Foshan

O automobilismo no núcleo urbano do Delta do Rio das Pérolas vai contar com uma nova infraestrutura permanente, após ter sido anunciado o primeiro circuito fixo na cidade de Foshan, situada a cerca de 120 quilómetros de Macau

O anúncio oficial foi divulgado na primeira semana do ano. Fruto de um investimento liderado pelo Benchmark Global Group, o projecto visa assinalar um marco relevante para Guicheng, o centro urbano do distrito de Nanhai, consolidando Foshan como um polo internacional de consumo desportivo e estimulando o desenvolvimento de elevado nível nas áreas da cultura, do desporto e do turismo. O Benchmark Global Group já havia desenvolvido, em Sanshan, projectos de referência em parceria com a Key Capital, RDM e outras entidades, incluindo o Guangfo Florentia Village, a Zona Artística One Times, o Hilton Hampton Hotel e a Chimei Art School.

Segundo o comunicado, “o circuito pretende atrair um público mais jovem e dinamizar a zona envolvente”. Inspirado na experiência bem-sucedida do Tianjin V1 Auto World, cujo traçado é utilizado em competições locais, o Circuito Internacional V1 Guangfo ambiciona criar um parque automóvel integrado, combinando a pista de corridas, a cultura motorizada e entretenimento temático. O complexo ocupará cerca de 141.666,7 m² e contará com todas as infraestruturas de apoio necessárias.

Conforme os documentos do concurso, o terreno situa-se na Avenida Sanlongwan, na zona sul, e na Rua Gangzhong, a oeste, com um período de arrendamento de vinte anos e destinação prevista para parque automóvel ecológico e desportivo. O projecto inclui também uma pista de kart com pelo menos 1,1 km, enquanto o circuito principal deverá atingir o Grau 2 da FIA, permitindo receber competições promovidas pela Associação Geral-Automóvel de Macau-China (AAMC).

O empreendimento pretende “reforçar o ecossistema emergente de consumo e entretenimento de Guicheng”, complementando os polos comerciais circundantes e potenciando as funções urbanas da Zona Internacional de Cooperação em Inovação Científica e Tecnológica do Lago Wenhan. Os residentes e visitantes beneficiarão de experiências de lazer mais diversificadas e sofisticadas.

Foshan integra-se entre as cidades-piloto nacionais dedicadas a novos formatos e modelos de consumo, promovendo inovação e dinamização económica. O Circuito Internacional V1 Guangfo representará um exemplo concreto da aplicação destas directrizes, apostando em cenários de consumo diversificados e no crescimento sustentável do sector.

 

Outras opções

Na Grande Baía, o desporto motorizado tem-se centrado no Circuito Internacional de Zhuhai (ZIC) e no Circuito Internacional de Guangdong (GIC), em Zhaoqing, mas diversos projectos recentes indicam um esforço crescente para expandir a rede de infraestruturas, incluindo a possível construção do Circuito Internacional Zhuhai Chaoyue, em Doumen, com investimento inicial de 250 milhões de renminbis e certificação FIA de Grau 3.

Em 2024, antes do regresso do Grande Prémio da China de Fórmula 1 em Xangai, Guangzhou anunciou planos de construir um circuito de Grau 1, apto a receber provas da disciplina rainha. Até agora, não surgiram novas informações sobre este projeto, que se pretendia ser o segundo circuito de Fórmula 1 na China, O primeiro, em Xangai, foi inaugurado em 2004, pois o Circuito Internacional Zhuhai, o primeiro circuito permanente chinês e idealizado para receber a Fórmula 1, nunca recebeu a homologação máxima da FIA. Outros projectos idealizados em Hong Kong e Shenzhen não ganharam forma até agora.

26 Jan 2026

GP | Rui Valente questiona permanência no automobilismo

Rui Valente viveu um 72.º Grande Prémio de Macau para esquecer. A tal ponto que o piloto com mais anos de actividade no automobilismo do território admite seriamente a hipótese de pendurar o capacete e arrumar as luvas, ou, pelo menos, deixar de alinhar na prova rainha de Macau, seja na Macau Roadsport Challenge ou mesmo em todo o evento

 

 

“Há um conjunto de factores que me levam a questionar se faz sentido continuar”, afirmou Rui Valente ao HM. O experiente piloto de carros de Turismo aponta várias razões para essa reflexão, nomeadamente “o facto de as corridas do Grande Prémio terem hoje muito menos interesse, por serem disputadas quase sempre atrás do Safety-Car, o actual sistema de pontuação para a qualificação de Macau e a atitude de alguns pilotos em pista”.

A mais recente edição do Grande Prémio não deixou boas recordações a quem se estreou no Circuito da Guia em 1988. O fim de semana da Macau Roadsport Challenge começou de forma negativa para o piloto português, que não evitou um toque nos rails na zona do Paiol durante o treino livre de quinta-feira, um incidente que condicionou toda a sua prestação. Depois de alcançar o 25.º tempo na sessão de qualificação, o infortúnio voltou a manifestar-se na corrida, quando a tentativa de recuperação aos comandos do Subaru BRZ n.º 16 terminou prematuramente na abordagem à Curva de São Francisco. No recomeço após o primeiro Safety-Car, Rui Valente foi abalroado por Li Kwok Chuen, numa manobra em que o piloto de Hong Kong tentou uma ultrapassagem pelo interior, num local onde não existia espaço disponível.

“Ainda hoje não consigo perceber o que lhe passou pela cabeça. Não sei como é que viu um espaço que simplesmente não existia. Talvez tenha pensado que eu iria levantar o pé para o deixar passar”, recordou o piloto, que soma trinta e seis participações no Grande Prémio de Macau e foi um dos nove representantes da RAEM na edição de 2025 da Macau Roadsport Challenge.

 

Lotaria do apuramento

Rui Valente tem sido uma das vozes mais críticas do actual modelo de qualificação para o Grande Prémio, que beneficia sobretudo quem termina uma das corridas entre os dez primeiros classificados. A utilização de viaturas idênticas por todos os concorrentes, Toyota GR86 (ZN8) ou Subaru BRZ (ZD8), acentua o equilíbrio de andamento em pista. A este factor junta-se o facto de apenas quatro provas contarem para o apuramento e de as grelhas ultrapassarem frequentemente as três dezenas de participantes, transformando cada corrida numa autêntica “batalha campal”, em que o objectivo passa por alcançar um resultado de topo numa única prova para garantir os pontos necessários à presença na grelha de partida do evento do mês de Novembro.

“Com tantos carros em pista ao mesmo tempo, há muitos pilotos sob enorme pressão para pontuar, o que acaba por provocar um número elevado de incidentes”, admite o piloto português. “Desta forma, o apuramento aproxima-se mais de uma lotaria do que de um processo verdadeiramente assente no mérito”, acrescenta o representante da Premium Racing Team.

Por outro lado, Rui Valente reconhece que os mais jovens são os principais prejudicados. Com uma experiência claramente superior à dos estreantes, que dispõem de menos quilómetros de pista e menor bagagem competitiva, o piloto sublinha, ainda assim, que a dificuldade não se restringe aos novatos. “Mesmo para quem tem muitos anos de corridas, como eu, a qualificação é extremamente complicada. Se assim é para os mais experientes, torna-se evidente que os jovens acabam por ser os mais penalizados por este modelo”, concluiu.

 

Próximo passo

Quanto ao futuro, Rui Valente – que recebeu o prémio de terceiro classificado entre os pilotos de Macau no Grupo A do MTCS Macau Roadsport Challenge, na Cerimónia de Entrega de Prémios de 2025 da Associação Geral Automóvel de Macau-China – ainda não tomou uma decisão definitiva. As alternativas em cima da mesa passam por manter-se em competição nos mesmos moldes, equacionar uma mudança de categoria, opção condicionada por limitações orçamentais, ou, em última instância, colocar um ponto final nas suas participações no Grande Prémio, ou mesmo na carreira.

O segundo piloto com mais participações na história do Grande Prémio de Macau, apenas atrás de Albert Poon, confessa que não perdeu o gosto pelo automobilismo, actividade que o mantém em excelente forma física aos 64 anos. No entanto, admite que “se calhar está a chegar a altura de deixar Macau. É uma pena, porque gosto mesmo muito disto. Aliás, o problema é que gosto muito disto”.

17 Jan 2026

GP | FIA vai continuar a apostar na Formula Regional em Macau

O facto de a FIA ter trocado a Fórmula 3 pela Fórmula Regional (FR) continua a ser um tema recorrente quando o tópico é o Grande Prémio de Macau. Apesar da prova rainha do programa não ter desapontado na edição deste ano, apagando um pouco a má imagem deixada no ano passado, ainda existe um sentimento generalizado de que a federação internacional privou o Grande Prémio da sua prova preferida

No final da 72.ª edição, a Coordenadora da Comissão Organizadora do Grande Prémio de Macau, Lei Si Leng, quando questionada novamente pela imprensa local sobre um eventual regresso da Fórmula 3, afirmou que a organização vai continuar a cooperar com a FIA para escolher as corridas que mais se adequam a Macau. Ao mesmo tempo, a dirigente do Instituto do Desporto de Macau deixou a garantia que o plano passa por continuar a receber pilotos em idade de formação e que se afirmem como o futuro do automobilismo.

“Nós temos vindo a comunicar de forma estreita com a FIA para sabermos quais as provas que podem ser realizadas em Macau e a FIA tem seleccionado os melhores pilotos para virem cá competir”, disse, acrescentando que espera “que possam vir os melhores pilotos a Macau e que continuemos a colaborar com a FIA para organizar as provas mais adequadas para Macau”.

Do lado da FIA, existe a convicção de que a FR é a disciplina que melhor se adapta às características do Circuito da Guia, um traçado que permanece praticamente inalterado após sete décadas de existência. O descontentamento que ainda subsiste é considerado natural. “O desporto motorizado é tradicional, e não me recordo de alguma mudança que tenha sido bem recebida no início, mesmo as boas mudanças” admitiu Emanuele Pirro, o actual presidente da Comissão de Monolugares da FIA, em conversa com os jornalistas em Macau.

O ex-piloto italiano, um conhecedor do Circuito da Guia e vencedor da Corrida da Guia pela BMW, aproveitou a passagem pela RAEM para recordar que “se olharmos para a história de Macau, começou com a Fórmula 2, ou Fórmula Pacific, e depois passou para a Fórmula 3. Em 1984, um jornalista podia ter perguntado: ‘porque já não corremos com Fórmula 2?’ Acho que é inevitável. Tudo tem um preço. Para termos o privilégio de contar com um circuito que permaneceu inalterado ao longo da sua história, o preço a pagar é utilizarmos carros que continuem a ser razoavelmente seguros. E penso que a Fórmula Regional oferece um bom equilíbrio em termos de velocidade.”

Numa rara entrevista à revista especializada INSIDE, o ex-coordenador do Grande Prémio, José Manuel Costa Antunes, alertou para que não se deixe cair o nível da prova. “Hoje, com a transição para a Fórmula Regional e a Fórmula 4, o que não é um problema, são apenas carros diferentes, vemos mais pilotos inexperientes”, referiu o homem que esteve ao leme do evento por mais tempo, tocando num tema sensível: “Algumas pessoas podem simplesmente comprar um lugar. Isso é preocupante. Como fãs, queremos corridas a sério, não bandeiras vermelhas. Devemos à história do Grande Prémio recuperar esse processo selectivo, para garantir que apenas os melhores competem aqui.”

Números apoiam a decisão

Olhando para as folhas de tempos, conclui-se que os registos por volta da corrida principal da FR se situaram na casa dos 2m16s, cerca de dez segundos mais lentos do que os tempos verificados no último ano dos monolugares FIA F3, em 2023. Em termos históricos, estes cronos colocam os carros da FR num patamar semelhante ao dos Fórmula 3 do final da década de 1990. No entanto, do ponto de vista da segurança, as velocidades atingidas no “sprint” para a Curva Lisboa continuam a ser a principal preocupação desde o acidente de Sophia Flörsch em 2018. Com o cone de aspiração, velocidades superiores a 290 km/h eram frequentes em 2023 com os Dallara F3, mas a mudança para os carros da FR reduziu esses valores para a ordem dos 260 km/h.

Em 2026, espera-se a chegada a Macau do novo carro da Fórmula Regional, o Tatuus T-326, que está equipado com um motor Toyota ATM163T de três cilindros e 1.6 litros, preparado pela Autotecnica Motori, mais potente e eficiente. O chassis foi concebido segundo as últimas especificações da FIA, de forma a proporcionar melhorias ao nível do desempenho, da segurança e da aerodinâmica, facilitando as ultrapassagens e promovendo corridas mais animadas. Todavia, apesar de ser expectável que os tempos por volta voltem a descer, provavelmente as velocidades de ponta não serão dramaticamente mais altas.

Convém referir que a mudança para a FR não foi motivada apenas por questões de segurança. Quando a FIA concedeu à Formula One Management (FOM) os direitos comerciais e promocionais da Fórmula 3, a prova do território passou a ser uma corrida extra-campeonato de uma competição internacional, limitada à participação das mesmas equipas que disputavam o campeonato. Esta alteração foi recebida de forma desfavorável pelo próprio promotor, uma vez que o mesmo nunca desempenhou um papel verdadeiramente interventivo no âmbito do Grande Prémio. Acresce que a realização da prova em Macau, no mês de Novembro, implicava uma logística particularmente exigente, com impacto negativo no planeamento e execução dos testes de pré-temporada.

24 Nov 2025

Curtas do Grande Prémio

Espectadores | Mais de 110 mil passaram pelas bancadas

Ao longo dos quatro dias do Grande Prémio de Macau mais de 110 mil pessoas passaram pelas bancadas do Circuito da Guia, um aumento em relação ao ano passado, que ficou marcado pela passagem de um tufão. Segundo os números oficiais, o bom tempo ajudou e na quinta-feira houve mais de 15 mil espectadores, na sexta cerca de 28 mil e no sábado 35 mil. Ontem, no dia das principais corridas, o número de espectadores ficou acima dos 32 mil.

Tabaco | Harmony Racing multada

A equipa Harmony Racing, do piloto Ye Yifei, foi multada em 500 euros, depois de um dos membros ter sido apanhado a fumar na garagem. De acordo com a sanção dos stewards, o membro da equipa estava a fumar, quando foi abordado pelos responsáveis. Ao ser apanhado, apagou imediatamente o cigarro, dentro de um copo, onde estavam outras cinco beatas.

Grande Baía | Lu Wenlong superiorizou-se

Lu Wenlong (Lotus Emira) foi o vencedor da Taça GT- Corrida da Grande Baía, terminando à frente de Han Lichao (Toyota GR Supra GT4 Evo2) e de Liu Kai Shun (Lotus Emira). O experiente Leong Ian Veng (BMW M4 GT4) foi o melhor piloto de Macau ao terminar no quarto lugar, muito perto do pódio. Naquela que admitiu ser a despedida da Guia, Darryl O’Young (Mercedes AMG GT4 EVO), que durante vários anos competiu na Taça GT, não foi além de uma desistência. O piloto de Hong Kong bateu com o Mercedes ao sair de frente na entrada para a subida de São Franciso.

Organização | Evento satisfatório

A coordenadora da Comissão Organizadora considerou que o evento decorreu de forma satisfatória e que contribuiu, em conjunto com os Jogos Nacionais, para criar um ambiente festivo em Macau. Lei Si Leng destacou a valia para o Grande Prémio das sete corridas do programa que disse ser maravilhoso.

Quando questionada sobre um eventual regresso da Fórmula 3, a responsável afirmou que a organização vai continuar a cooperar com a FIA para escolher as corridas que mais se adequem a Macau. Ao mesmo tempo, deixou a garantia de que o plano passa por continuar a receber pilotos em idade de formação e que se espera que se afirmem como o futuro do automobilismo.

17 Nov 2025

GP | FIA dá a conhecer 10 equipas da Taça do Mundo FR

Na noite de quarta-feira, a Federação Internacional do Automóvel (FIA), em parceria com a Comissão Organizadora do Grande Prémio de Macau, publicou a lista oficial de equipas inscritas para a edição deste ano do Grande Prémio de Macau – Taça do Mundo FR da FIA.

Apesar de não terem sido divulgados os nomes dos pilotos de Fórmula Regional (FR) que visitarão Macau em Novembro, segundo o comunicado oficial da organização, com sede em Paris, este “pelotão cuidadosamente selecionado de dez equipas verdadeiramente internacionais irá reunir os melhores talentos regionais de todo o mundo para disputar esta prestigiada prova única no icónico Circuito da Guia”.

A edição deste ano dá as boas-vindas a duas novas equipas de peso no evento: a italiana Trident Motorsport, que chega a Macau depois de uma temporada de 2025 em que conquistou o Campeonato de Fórmula 3 da FIA, com o brasileiro Rafael Câmara, e a neerlandesa Van Amersfoort Racing (VAR), equipa que conhece bem o Circuito da Guia desde 1998 e que, em 2018, apanhou um enorme susto com o aparatoso acidente de Sophia Flörsch.

De regresso para defender o cobiçado título em Macau estará a R-ace GP, formação europeia que venceu em 2024 com Ugo Ugochukwu, piloto que não estará presente este ano para tentar revalidar o título. A equipa francesa mantém-se em grande forma, liderando a classificação actual do FRECA e tendo terminado em segundo lugar no Campeonato do Médio Oriente de Fórmula Regional, no início deste ano.

Regresso da SJM Theodore

Também estão de volta alguns dos mais fortes candidatos do Grande Prémio de Macau do ano passado e do panorama FR em geral, incluindo um nome bem conhecido do evento: a SJM Theodore Prema Racing. A equipa italiana Prema, atualmente em segundo lugar no campeonato FRECA 2025, é uma das formações mais bem-sucedidas do desporto motorizado de base e volta a fazer parceria com Teddy Yip Jr. no evento da RAEM.

De regresso estão ainda a Pinnacle Motorsport, equipa de bandeira irlandesa; a australiana Evans GP, que alcançou um quarto lugar na última edição; a japonesa TOM’S Racing, uma das mais prestigiadas do automobilismo nipónico; a alemã PHM Racing; e as sempre competitivas estruturas francesas Saintéloc Racing e ART Grand Prix.

Por outro lado, saíram de cena a holandesa MP Motorsport, a australiana Kiwi Motorsport e a japonesa TGM Grand Prix. Nenhuma equipa da China foi selecionada, mas, ao contrário do ano passado, nenhuma tentou inscrever-se na prova.

A lista oficial de inscritos só deverá ser dada a conhecer em meados de Outubro, como é tradição do Grande Prémio.

A segunda edição da Taça do Mundo FR da FIA realiza-se durante a semana do Grande Prémio de Macau, de 13 a 16 de novembro, e contará ainda, pela primeira vez, com a Taça do Mundo de F4 da FIA, tornando o evento numa das mais prestigiadas montras mundiais das categorias júnior de monolugares.

12 Set 2025

Automobilismo: FIA continua a sonhar com uma equipa chinesa na F1

Não é segredo para ninguém: a Federação Internacional do Automóvel (FIA) gostaria de ter uma equipa chinesa no Campeonato do Mundo de F1. O presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, é o primeiro a demonstrar essa vontade.

Pela primeira vez desde 2015, a F1 vai receber uma 11.ª equipa na grelha de partida já na próxima temporada, com a entrada da Cadillac, colocando fim a uma espera de três anos desde que a equipa norte-americana apresentou a sua candidatura, na sequência do apelo da FIA para manifestações de interesse. Como haverá margem para uma 12.ª equipa, Ben Sulayem está disposto a lançar um novo processo de manifestação de interesse, deixando claro que uma candidatura proveniente da China seria bem-vinda.

A entrada de uma equipa chinesa estaria alinhada com os esforços estratégicos da F1 para expandir a sua presença em mercados-chave. O Grande Prémio da China renovou recentemente o seu contrato até 2030, consolidando o papel do país na visão de longo prazo da modalidade.

“Temos uma 11.ª equipa [a Cadillac]. Acredito que devemos analisar o desempenho dessa 11.ª equipa e, depois, se houver uma [candidatura] chinesa – e vou agora falar em nome da FOM [Formula One Management] – eles irão aprová-la, porque se trata de sustentar o negócio”, disse o presidente da FIA numa entrevista conjunta com vários jornalistas do sector automóvel.

Ben Sulayem deixou claro que não há uma necessidade urgente de ter uma 12.ª equipa. No entanto, dada a trajetória ascendente da F1 nos últimos anos, a adição de mais uma equipa à grelha de partida, especialmente uma proveniente da China, aumentaria ainda mais o apelo da modalidade no maior mercado empresarial do planeta. “Se houver uma equipa da China, digamos, e a FOM a aprovar — e tenho 100 % de certeza de que a aprovará – não se faria mais dinheiro com a entrada da China? Eu acredito que sim”, afirmou.

Um enorme mercado por explorar

O mercado automóvel chinês é incomparável, produzindo mais de 30 milhões de veículos por ano — mais do que os Estados Unidos da América, Japão e Índia juntos. Além disso, a China tem contribuído para o aumento da base de fãs no desporto, contando com mais de 150 milhões de adeptos e mais de 1 milhão de novos seguidores nas redes sociais chinesas, elevando o total para 4,3 milhões. A própria análise de segmentação de fãs da F1 revelou que mais de metade dos adeptos no país começaram a seguir a modalidade nos últimos quatro anos. Curiosamente, o público é mais jovem do que a média dos adeptos da F1 e mais diversificado, com uma demografia 50 % feminina.

Para Ben Sulayem, trata-se de mais do que apenas aumentar o número de equipas: é unir os principais mercados globais sob a bandeira da F1, até porque o número de patrocinadores e parceiros chineses na “classe rainha” do desporto motorizado é atualmente limitado, resumindo-se ao gigante das redes sociais TikTok, parceiro oficial de criação de conteúdos da Aston Martin, e à SenseTime, parceira de tecnologia de IA da Sauber. A presença da marca chinesa Yili, que entretanto saiu, e da SenseTime no universo Sauber esteve, sem dúvida, ligada ao facto de Zhou Guanyu, o primeiro piloto chinês a tempo inteiro na F1, correr pela equipa suíça na altura em que os acordos foram assinados.

Geely na pole-position

O sonho de uma equipa chinesa pode ainda estar numa fase embrionária, mas com o apoio do presidente da FIA e o crescente foco da modalidade na China, a visão de uma marca chinesa nas grelhas de partida da F1 poderá estar cada vez mais próxima da realidade. Uma marca chinesa como a Geely poderia encaixar naturalmente na F1, tendo em conta a sua presença global e o facto de deter marcas internacionais reputadas como a Volvo ou a Lotus, participações como acionista na Aston Martin e no Mercedes-Benz Group, e joint ventures com a Renault.

Vale também a pena referir que, recentemente, a Lotus Cars, propriedade da Geely, recuperou o nome Team Lotus, reunindo os seus programas de competição com apoio oficial, equipas parceiras, campeonatos Lotus Cup e programas de desenvolvimento de pilotos. Segundo a empresa, o renascimento do Team Lotus “significa o nosso compromisso com a competição global e a cultura do desporto motorizado”. Por agora, isto está limitado aos carros GT, mas não se pode deixar de imaginar para onde poderá evoluir no futuro.

O Lotus Group é propriedade da Geely desde 2017. A equipa Team Lotus foi uma presença constante na Fórmula 1 entre 1954 e 1994, e houve algumas tentativas de reativar o nome ligado ao seu passado histórico na F1, tentativas essas que terminaram há pouco mais de nove anos. Para além do programa desportivo da Lotus e de outros de cariz regional ou nacional, a Geely está igualmente presente no desporto automóvel com a Lynk & Co, na FIA TCR World Tour, e através da sua parceria com a Renault, como fornecedora de motores, no Campeonato Chinês de F4.

15 Ago 2025

GP | Taça do Mundo de FR terá novo carro em 2026

A Federação Internacional do Automóvel (FIA) revelou recentemente alguns detalhes sobre o futuro da Fórmula Regional (FR), a disciplina que actualmente dá corpo ao Grande Prémio de Macau e que, a partir de 2026, contará finalmente com um novo monolugar – mais rápido e mais seguro

 

Inicialmente baptizada pela FIA como F3 Regional, a agora designada Fórmula Regional (FR) situa-se acima das competições nacionais de Fórmula 4 e abaixo do Campeonato de Fórmula 3 da FIA, que, por sua vez, apoia o Campeonato de Fórmula 2 da FIA e a Fórmula 1. No ano passado, a FIA decidiu que esta categoria era a que melhor se adequava ao Circuito da Guia, pondo assim fim a quatro décadas de história da Fórmula 3 no Grande Prémio de Macau.

Na semana passada, o órgão regulador do automobilismo mundial e a associação desportiva nacional italiana ACI apresentaram em conjunto o futuro monolugar que irá competir no Campeonato de Fórmula Regional Europeia da FIA (FREC na designação inglesa) e que sucederá à actual FRECA. O facto de a sigla ter perdido a letra “A” deve-se à saída da marca Alpine como parceiro e fornecedor de motores ao campeonato. A FRECA estreou-se em 2019, sucedendo à Fórmula Renault Eurocup. Nas últimas temporadas, mais de 160 pilotos, representando 44 nacionalidades e 22 equipas, participaram no campeonato. Esta categoria ganhou importância na pirâmide de monolugares da FIA, tendo como antigos pilotos o ex-campeão Andrea Kimi Antonelli, Isack Hadjar, Gabriel Bortoleto e Franco Colapinto – todos eles pilotos que hoje militam na Fórmula 1.

A competição terá o selo do apoio da FIA e deverá ser o maior fornecedor de equipas e pilotos para a Taça do Mundo de FR da FIA do Grande Prémio de Macau a partir do próximo ano. O envolvimento da FIA na competição tem o intuito de gerar mais receitas para a mesma, algo que poderá ter reflexos na escala dos preços. Os campeonatos de FR nas Américas e no Japão, assim como os troféus certificados pela FIA no Médio Oriente e Oceânia continuarão, e progressivamente introduzirão o novo carro produzido em Itália.

O Presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, acredita que este projeto “criará um ambiente mais forte e com mais apoio para os jovens pilotos. Com o total apoio das regiões da FIA e uma visão de progressão clara, estamos a dar um passo importante para garantir o futuro da pirâmide de monolugares júnior”. O ex-piloto de ralis e hoje dirigente máximo do desporto automóvel, que recentemente esteve no território para a Assembleia Geral da FIA, afirmou que “a acessibilidade, credibilidade internacional e eficiência de custos estão no centro desta iniciativa.”

Novo carro promete mais

O novo Tatuus T-326, o monolugar da segunda geração da FR, está equipado com um motor Toyota de 3 cilindros e 1,6 litros, que debita 270 cv de potência e 360 Nm de binário, especialmente adaptado e preparado pela ATM – Autotecnica Motori. O T-326 representa uma evolução natural do modelo T-318, o monolugar da Tatuus que definiu a maioria dos campeonatos de FR em todo o mundo e que se despede dos grandes palcos no próximo mês de novembro, durante o fim de semana do Grande Prémio de Macau. A segunda edição da Taça do Mundo de FR da FIA continuará a utilizar o monolugar Tatuus T-318, motorizado por um bloco Alfa Romeo de 1,75 litros turbo, também preparado pela ATM – Autotecnica Motori, mas que a marca italiana já deixou de fabricar.

O futuro carro, que usará um novo pneu especial construído pela Pirelli, apresentará um perfil aerodinâmico totalmente redesenhado, moldado pelas novas regulamentações técnicas da FIA para a categoria e inspirado nas tendências mais recentes das categorias superiores de monolugares. O resultado é um aumento geral de performance, melhor eficiência aerodinâmica e redução do efeito de turbulência, o que facilitará as ultrapassagens.

As principais melhorias incluem redução de peso, cremalheira de direção optimizada e suspensão revista, oferecendo uma maior leveza e facilidade de condução. A segurança continua a ser um pilar fundamental em todos os projetos da italiana Tatuus, e este carro não é exceção. O chassis aumentou ainda mais a sua resistência aos impactos. Elementos cruciais como as estruturas de absorção de impacto dianteira e traseira, os painéis anti-intrusão e o roll bar foram atualizados para cumprir os padrões de segurança mais recentes. Para além da segurança, o cockpit foi concebido para maximizar o conforto e a ergonomia do piloto, acolhendo tanto homens como mulheres numa gama mais ampla de alturas, garantindo as melhores condições para competir em pista.

6 Ago 2025

Nürburgring Nordschleife é novo palco predilecto das marcas chinesas

Em plena Floresta do Eifel – em alemão, Eifelwald – dois carros com matrícula chinesa estão estacionados em frente a uma unidade hoteleira. O cenário aparenta ser intrigante à primeira vista, mas não o é.

O Nürburgring Nordschleife, na Renânia-Palatinado, já próximo da fronteira com a Bélgica e o Luxemburgo, tornou-se o palco predilecto dos novos construtores automóveis chineses para mostrarem ao mundo que também podem medir forças com os seus rivais europeus, norte-americanos e asiáticos no que respeita a veículos de alta-performance.

A aposta da indústria automóvel chinesa está fortemente concentrada nos NEVs – “New Energy Vehicles” (Veículos de Novas Energias) – como parte da estratégia para reduzir a poluição, diminuir a dependência dos combustíveis fósseis e impulsionar a inovação na indústria automóvel. A China representou quase dois terços das vendas globais de veículos eléctricos em 2024, e os seus construtores, todos eles relativamente novos, discutem taco a taco com os grandes construtores tradicionais um pedaço deste apetitoso mercado.

É indiscutível que o crescimento das vendas deste tipo de veículos a nível mundial não tem sido acompanhado, à mesma velocidade, pela evolução da tecnologia aplicável ao desporto automóvel, especialmente no que diz respeito aos veículos eléctricos (EVs).

O Campeonato do Mundo FIA de Fórmula E é a única competição verdadeiramente global para veículos elétricos, após o fiasco e a morte prematura da Taça do Mundo de Carros eTouring da FIA — FIA ETCR. Sem alternativas para afirmarem os seus produtos do dia a dia nas pistas, as marcas chinesas rumaram em peso ao Nürburgring Nordschleife, conhecido por ser um dos locais favoritos dos fabricantes automóveis europeus para testar carros de alta performance.

O “Inferno Verde”, nome dado pelo lendário piloto Jackie Stewart devido à sua dificuldade e à densidade da floresta que o rodeia, é um circuito com mais de 20 quilómetros e 170 curvas, combinando retas rápidas, secções técnicas e desníveis acentuados. Muitos recordes de volta são medidos aqui para carros de estrada desportivos e superdesportivos, fazendo do Nordschleife uma referência incontornável para a performance automóvel.

Capítulos para a história

Em 2017, a NIO deu-se a conhecer ao mundo ocidental quando estabeleceu um recorde com o seu supercarro eléctrico EP9. O veículo completou uma volta ao circuito de 20,8 km em 6 minutos e 45,90 segundos, tornando-se, na altura, o carro de produção mais rápido a percorrer o famoso traçado germânico.

Este feito evidenciou a capacidade da NIO e da indústria chinesa em competir com marcas estabelecidas no segmento de carros de alto desempenho. Dois anos depois, a Lynk & Co, a primeira marca chinesa a vencer uma corrida no Circuito da Guia, com o modelo 03 Cyan Concept, uma versão de alta performance do sedan 03, alcançou um tempo de volta recorde em 7 minutos e 20,143 segundos, estabelecendo um novo recorde para carros de quatro portas.

Marcas como a Zeekr, a MG e a Lotus passaram pelo antigo palco do Grande Prémio da Alemanha de Fórmula 1, até que, em 2024, a Xiaomi chegou com estrondo. Com uma versão de produção do SU7 Ultra, registou um tempo de 7 minutos e 4,957 segundos, superando rivais como o Porsche Taycan Turbo GT e o Rimac Nevera. Para acompanhar o sucesso de vendas do seu carro, a marca de tecnologia electrónica foi ainda mais longe: no mês passado, o SU7 Ultra Prototype, construído em parceria com a Prodrive, alcançou uma volta impressionante de 6 minutos e 22,091 segundos, tornando-se o terceiro carro mais rápido de todos os tempos no circuito, atrás apenas do Porsche 919 Hybrid e do Volkswagen ID.R.

Estes resultados da Xiaomi tiveram um impacto significativo, tanto na imprensa ocidental como em casa, como prova da afirmação internacional de uma indústria que quer ser líder incontestada no que respeita aos veículos NEV. Por outro lado, a Xiaomi aproveitou para “surfar a onda” e lançou no mercado uma edição limitada especial do SU7 alusiva a este feito.

Mais virão

O Nürburgring Nordschleife faz parte do vocabulário da indústria automóvel chinesa e a tendência é para uma presença ainda mais forte das marcas chinesas nos próximos anos na pista alemã.

“Acredito que foi a decisão da Xiaomi que trouxe maior atenção à definição de recordes de volta em Nürburgring”, explicou o jornalista chinês Bruno Qi ao HM. “Com uma enorme influência mediática na China e um CEO de alto perfil como Lei Jun, a Xiaomi atraiu um foco significativo para este cenário. Após o sucesso da NIO, este foi mais um desempenho forte de um veículo elétrico de alta performance chinês em Nürburgring.”

A Xiaomi, que já dá nome a uma curva do circuito alemão, poderá querer melhorar o seu tempo de volta, enquanto outras marcas chinesas procuram seguir a tendência – nem que seja para se exibirem num palco mundialmente respeitado e de boas memórias.

“Marcas como a Yangwang (a marca de luxo da BYD) também enviaram os seus modelos para tentativas de tempos por volta”, refere o jornalista da publicação chinesa BEC Motorsport. “Penso que os construtores automóveis chineses encontraram agora uma oportunidade relevante para demonstrar as capacidades das suas plataformas elétricas de alta performance, e esta estratégia já está a ajudar a impulsionar as vendas.” Até porque, no final do dia, o que pesa é o que se vende.

1 Ago 2025

GP | FIA já definiu como será a Taça do Mundo de F4

O Grande Prémio de Macau recebe a primeira edição da Taça do Mundo de Fórmula 4 da FIA, entre 13 e 16 de Novembro deste ano. A Federação Internacional do Automóvel publicou o regulamento desportivo, que revela alguns detalhes sobre o que será a mais recente Taça do Mundo integrada no programa do 72.º Grande Prémio de Macau

 

As inscrições para a Corrida de Macau de Fórmula 4 – Taça do Mundo de Fórmula 4 da Federação Internacional do Automóvel (FIA) estão abertas até ao dia 30 de Julho, cabendo à FIA a selecção dos pilotos que irão participar. Os responsáveis da FIA terão feito uma pré-selecção dos melhores pilotos dos campeonatos nacionais de Fórmula 4, encorajando também todos outros os pilotos interessados em contactar directamente a FIA e a fornecer detalhes do seu historial desportivo para serem considerados.

A lista final de vinte pilotos será confirmada através de uma carta oficial de convite, tendo em conta a classificação actual dos pilotos nos respectivos campeonatos. A selecção final só deverá ser tornada pública em meados de Outubro, conforme é tradição na prova do Circuito da Guia.

Numa altura em que, nos bastidores, se fala da possibilidade de a FIA aumentar a idade mínima da Fórmula 4 para 16 anos, o regulamento desportivo estipula que todos os pilotos devem ter, no mínimo, 15 anos de idade, sendo vinculativa a data de aniversário. Um piloto inscrito não poderá ter participado em mais de duas provas de um campeonato com qualquer tipo de monolugar que tenha sido concebido e/ou construído para atingir uma relação peso-potência inferior a 3,0 kg/cv, o que impede a participação nesta corrida de pilotos que tenham disputado temporadas da Fórmula Regional ou Fórmula 3.

O regulamento desportivo não especifica pormenores técnicos, mas em comunicações anteriores, a FIA já havia confirmado que a Mintimes – organizadora do Campeonato Chinês de F4 – será o “Operador Único” da prova, em conjunto com a FFSA (Fédération Française du Sport Automobile), responsável pelo apoio técnico à Taça do Mundo. Na prática, todos os concorrentes utilizarão monolugares Mygale M21-F4, recentemente re-baptizados como Ligier JS F422.

Estes fórmulas, equipados com motores Renault 1.3 litros turbo, serão alugados a equipas do Interior da China e operados por uma única equipa técnica – a mesma que organiza o Campeonato Francês de F4. A Pirelli será o fornecedor exclusivo de pneus, como já acontece no Grande Prémio de Macau de Fórmula Regional e na Taça do Mundo de GT da FIA.

Apesar de o horário oficial do evento ainda não ter sido divulgado, sabe-se que a Taça do Mundo contará com uma corrida de qualificação disputada ao longo de 8 voltas, ou no máximo 60 minutos, muito provavelmente no sábado. A Corrida Principal será realizada no domingo, com 10 voltas ou, igualmente, um máximo de 60 minutos. Antes disso, terá lugar uma sessão de Treinos Livres com a duração de 40 minutos, seguida de uma sessão de Qualificação com a mesma duração.

Patacas e Pontos

Cerca de 350 mil patacas em prémios monetários serão distribuídas pelos concorrentes presentes nesta primeira Taça do Mundo, com o vencedor da Corrida Principal a arrecadar oito mil dólares americanos. Como curiosidade, todos os participantes receberão trezentos dólares de participação – o mesmo valor atribuído à pole-position da corrida de qualificação de sábado e ao piloto que atingir a velocidade de ponta mais elevada durante o evento.

Mais importante do que os prémios monetários, o vencedor da primeira Taça do Mundo de Fórmula 4 da FIA nas ruas de Macau conquistará dois pontos para a Super Licença – pontos esses que podem vir a ser decisivos para aceder ao restrito mundo da Fórmula 1. O vencedor estará também obrigado a marcar presença na Cerimónia de Entrega de Prémios da FIA, que este ano terá lugar a 12 de Dezembro, em Tashkent, no Usbequistão.

25 Jul 2025

TCR China | André Couto participou na prova de Zhejiang

No fim de semana transacto, André Couto teve um regresso inesperado ao campeonato TCR China, naquela que foi a sua primeira prova desta temporada. O piloto da RAEM mostrou que “quem sabe, nunca esquece”, apesar de ter tido uma passagem atribulada pelo Circuito Internacional de Zhejiang

O piloto português residente em Macau, que não competia desde Novembro do ano passado – altura em que disputou as finais mundiais do Lamborghini Super Trofeo, tendo conquistado o título na categoria PRO-AM do Lamborghini Super Trofeo Asia – recebeu um convite de última hora por parte da MacPro Racing Team para conduzir um dos Honda Civic FL5 TCR da equipa do território na terceira prova da época do campeonato chinês de TCR.

Sem qualquer treino prévio, André Couto voltou a sentar-se num carro que já conhecia, contando também com uma estrutura técnica que lhe era familiar. Em 2023, o piloto do território já tinha disputado algumas provas do TCR China com este conjunto, então ao serviço da equipa oficial Dongfeng Honda Racing Team, tendo mostrado andamento logo de início.

“Os treinos livres não correram mal, mas na qualificação um piloto menos atento bateu-me logo na minha primeira volta de saída para a pista. Acertou-me por trás e nem percebi porquê. Danificou-me a traseira, desalinhou a convergência e o carro ficou torto. Entretanto, não havia nada a fazer — tinha que fazer a qualificação na mesma. A barra estabilizadora da frente também cedeu. Só descobriram depois que estava partida”, explicou o experiente piloto ao HM. “Ainda assim, qualifiquei-me em quarto no Q1, a cinco décimos do primeiro, o que, com o carro nas condições em que estava, não foi nada mau. O carro tinha potencial.”

Na Q2, devido aos estragos, o carro japonês “ficou muito mais difícil de guiar” e Couto terminou em décimo. No entanto, isso acabou por ter um efeito positivo: “Com a inversão da grelha de partida, o décimo lugar da Q2 permitia-me arrancar em primeiro para a segunda corrida.”

A primeira corrida, disputada no sábado na pista localizada em Shaoxing, não correu tão bem quanto o piloto desejava, não conseguindo acompanhar os Link & Co oficiais, nem os melhores Honda e Hyundai. “Acabei em oitavo. O carro não estava tão bom como esperava e acabámos por descobrir que tinha um amortecedor danificado, ainda do acidente na qualificação, que foi trocado para a corrida de domingo.”

Domingo inglório

Na corrida de 20 voltas de domingo, André Couto tinha tudo para brilhar, já que partia da pole-position e o Honda parecia finalmente em condições de lutar pelos primeiros lugares. “Na volta de formação, o carro estava bom. Já não sentia nada estranho e eu estava optimista.”

A ideia era arrancar bem para se distanciar dos concorrentes mais rápidos nas primeiras voltas e, depois, gerir a corrida com pneus novos. No entanto, tudo se desfez rapidamente quando foi abalroado por Wu Yi Fan logo na travagem para a primeira curva.

“Era essa a minha missão, mas não consegui”, reconheceu o vencedor do Grande Prémio de Macau de 2000. “Ele bateu-me logo na primeira curva e o carro ficou logo danificado. Aliás, bateu-me duas vezes. Primeiro deu-me um toque por trás, ainda tentei controlar, mas depois falhou a travagem e não virou e bateu-me na frente. Ele podia ainda ter galgado o corrector, mas não o fez. Já depois da corrida, foi penalizado pelo colégio de comissários desportivos, mas isso não altera o facto de eu ter desistido”.

Com a direcção danificada do Honda, André Couto não teve outra opção senão abandonar. “Fiquei um bocado desiludido porque tinha esperanças de conseguir um bom resultado para a MacPro Racing Team que me tinha dado um bom carro. Íamos arrancar em primeiro… mas as corridas são assim.”

1 Jul 2025