Piscina Estoril | Reabertura deverá ocorrer em 2028 Hoje Macau - 27 Jul 2026 O Instituto do Desporto (ID) prevê que a reabertura da piscina do Estoril possa acontecer em 2028, embora sem um compromisso definitivo. A informação consta da resposta da uma interpelação do deputado Ngan Iek Hang. “O plano de reordenamento [da piscina] foi aprovado em Maio de 2026 pela Direcção dos Serviços de Solos e Construção Urbana e neste momento, está a proceder aos trabalhos preparatórios para o concurso público, estando previsto para iniciar em 2027 e tentar terminar o reordenamento em 2028”, pode ler-se na resposta assinada por Lei Si Leng, presidente do ID. Sobre as obras em curso, o ID garante que vai tentar manter o estilo anterior, dado que o equipamento é “uma memória colectiva da população”. Apesar disso as autoridades prometem “a actualização das máquinas e do equipamento de tratamento de água, a substituição dos azulejos da piscina inteira, a renovação da bancada, dos balneários e a optimização da piscina infantil”.
Combustíveis | Deputados preocupados com subida de preços João Luz - 27 Jul 2026 Leong Sun Iok e Chan Lai Kei pediram ao Governo um mecanismo permanente de controlo de preços dos combustíveis e a importação de gasolina 95 sem chumbo. Os deputados temem que os preços voltem a subir devido ao regresso das hostilidades no Médio Oriente Os deputados Leong Sun Iok e Chan Lai Kei estão preocupados com a evolução dos preços do petróleo e com a supervisão do mercado após o fim do plano de subsídios aos preços do GPL e da gasolina. Em declarações ao jornal Ou Mun, Leong Sun Iok afirmou que os preços internacionais do petróleo voltaram a subir recentemente devido à “situação geopolítica no Médio Oriente”, retomando a elevada volatilidade que levou o Executivo de Sam Hou Fai a subsidiar o sector. O deputado dos Operários salientou que se a situação não acalmar, os preços locais do gasóleo, da gasolina e do gás de petróleo liquefeito (GPL) vão subir, afectando os custos operacionais das empresas e fazendo subir os preços em geral. Leong alerta para o efeito dominó que poderá afectar vários sectores, como os transportes, turismo, restauração e serviços. Assim sendo, o legislador defendeu que o Executivo deve continuar a supervisionar os preços e introduzir no mercado local a gasolina sem chumbo de 95 octanas, que é mais barata, para reduzir o peso da pressão inflaccionária sobre os combustíveis. O deputado não afasta a hipótese de serem retomados os subsídios, mas recomendou também a avaliação do impacto dos preços internacionais do petróleo nos preços de retalho locais, e a aposta na transição energética para lá dos combustíveis fósseis. Pedir aos santinhos Leong Sun Iok defendeu também o reforço da regulamentação e da transparência dos preços dos combustíveis, mas apelou ao sector que ajuste os preços nos postos de abastecimento, divulgando também a forma como são estruturados os preços. Por seu turno, Chan Lai Kei afirmou compreender as razões pelas quais o Governo deu por terminado o plano de subsídios, medida que considerou eficaz no alívio das com dificuldades sentidas pela população. Porém, o deputado ligado à comunidade de Fujian citou preocupações de residentes e empresários em relação a um eventual aumento dos preços depois de findos os subsídios. Nesse aspecto, Chan pediu ao sector da venda de combustíveis que assuma uma postura de responsabilidade social, reduzindo os preços de retalho. A longo prazo, o deputado considera que o Governo deve tirar ilações desta crise e estabelecer um mecanismo regular de ajustamento dos preços do petróleo, bem como planos de contingência para garantir a estabilização dos mesmos.
Ana Mendes Godinho, directora de estratégia da Universidade Nova de Lisboa: “Macau vai ser mercado de formação” Andreia Sofia Silva - 27 Jul 2026 A antiga ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social de Portugal esteve em Macau, em Junho, para assinar, em representação da Universidade Nova de Lisboa, um acordo para intercâmbio de alunos com a Universidade de Turismo de Macau. Ao HM, Ana Mendes Godinho destaca a evolução do ensino superior e as esperanças que a cidade universitária de Hengqin suscita Com que impressões ficou do ensino de Macau e Hong Kong nesta última visita? Foi a minha quarta vez em Macau. Notei uma grande diferença nestes últimos anos do ponto de vista económico, e naturalmente no desenvolvimento da indústria turística. Mas muito mais interessante foi ver a evolução da dimensão da educação, e a forma como a Universidade de Turismo de Macau (UTM) se afirmou e se transformou ao longo dos tempos. É interessante ver que a UTM tem, aproximadamente, a mesma data de criação da Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril [ESHTE, integrada na Universidade Nova de Lisboa]. Mesmo estando tão distantes, [as duas instituições de ensino superior] acabaram por ter percursos muito interessantes e a mesma vontade inicial de ter a capacidade de uma especialização e formação de pessoas para a área do turismo. Foi reconhecido que é fundamental ter pessoas qualificadas na área do turismo para a actividade crescer em valor. É muito interessante ver quase dois projectos gémeos que agora se voltam a encontrar nesta parceria, que queremos que cresça mais. Esteve em Macau a propósito do 4º Fórum de Reitores de Universidades da China e dos Países de Língua Portuguesa e também do 35º Encontro da Associação das Universidades de Língua Portuguesa (AULP). Sim. Mas elogio a forma como a UTM evoluiu do ponto de vista das instalações, e neste momento tem um novo hotel-escola extraordinário. Destaco também o investimento que fizeram na qualificação e investimento dos currículos da escola, alinhando-se também com as necessidades do turismo. Concretamente, o que poderemos esperar do protocolo assinado a 15 de Junho? Deu-se a assinatura do protocolo para o intercâmbio de alunos e professores, mas também para o reconhecimento de duplas certificações de alunos que estudem na ESHTE, agora no novo contexto com a Universidade Nova de Lisboa. Portanto, vai haver a dupla certificação de cursos e mestrados, mas ficou aberto um caminho para uma maior presença física nos dois campus. Refere-se ao programa de bolsas de estudo que arranca já neste ano lectivo. Também falo disso. Acho que é um programa simbólico, pois mostra a forma como valorizamos a experiência que os alunos possam ter na UTM. A UTM preparou um curso de uma semana para os alunos que entrarem com as melhores notas no ano lectivo 2026-2027 nas cinco licenciaturas da ESHTE, e que terão a oportunidade de ir uma semana, em Setembro, à UTM com uma bolsa oferecida pela Universidade Nova de Lisboa. [Esse curso] inclui a cultura e história do património de Macau, a gastronomia e uma dimensão associada à indústria do jogo. Pode ser muito interessante para os alunos terem essa experiência. De que forma pode Macau trazer novas perspectivas à Universidade Nova na área do turismo e do jogo? As áreas que identificamos para projectos conjuntos nos próximos tempos são essencialmente o turismo e tecnologia. Macau, neste momento, está com uma evolução muitíssimo grande do ponto de vista de investimento tecnológico, até associado a outras áreas e outras universidades, e também na área das questões de turismo, saúde e longevidade. Portanto, estas foram duas áreas-chave identificadas para projectos conjuntos a desenvolver, no novo campus em Hengqin. Portanto, na futura cidade universitária. Sim. Portanto, Macau e Portugal são plataformas de ligação à China, por um lado, e à Europa. Diria que somos este entreposto de ligação aos países de língua portuguesa e temos esta enorme oportunidade de internacionalização das nossas escolas. Quando fala na área da saúde, recentemente a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura de Macau falou na aposta do turismo de saúde no território. Esta questão foi falada na visita, ou ficou com a percepção deste investimento? Fiquei com a percepção de que há um forte investimento e que é dada prioridade à dimensão da saúde em Macau. Na articulação entre as duas escolas identificámos como essencial a forma como o investimento feito nessa articulação entre turismo e saúde também responde ao desafio da longevidade, mas como qualidade de vida. [Observámos] como esta relação entre turismo e saúde pode ser um elemento diferenciador. Portanto, essa dimensão da qualidade de vida associada à alimentação, gastronomia e a estilos de vida, onde o turismo pode ser um elemento diferenciador, é algo em que Portugal está a investir muito. Diz que a UTM tem investido em tecnologia. De que falamos, concretamente? Falamos essencialmente de como a tecnologia pode acrescentar, por um lado, valor à indústria do turismo, e também de como pode ajudar a que haja uma maior eficiência e produtividade no turismo. Isso permite aumentar a qualidade de vida dos trabalhadores e os salários. Se nós hoje não tivermos capacidade para sermos mais eficientes, retirando funções que, hoje em dia, não acrescentam valor e são feitas pelas pessoas, atribuindo-as à tecnologia, podemos libertar trabalhadores da área do turismo para funções mais qualificadas. Esse cenário não poderia levar ao desemprego, por exemplo? Não é necessário equilíbrio? Naturalmente que é evidente que tem que haver um equilíbrio, mas nós também queremos que haja uma maior dignificação de quem trabalha no turismo, colocando nas funções dos humanos aquilo que acrescenta mais valor e retirando aquilo que não acrescenta valor e que muitas vezes perturba – o que é mais mecânico, funções desenvolvidas à noite e que tiram qualidade de vida. Temos de ser inteligentes na forma como utilizamos e colocamos a tecnologia ao serviço do turismo. Mas temos de liderar esse processo por antecipação e esse é o grande desafio: planear, preparar, sermos nós a comandar a utilização da tecnologia ao serviço do que interessa, e não nos deixarmos ir por um efeito não controlável e massificado que não interessa. É nesta parte que a academia é fundamental, pois tem de ter a capacidade para antecipar. Refiro agora um programa concreto que lancei quando era ministra, em 2020, o “Programa UPskill”, em que as empresas tecnológicas fizeram um levantamento das competências necessárias para os próximos cinco anos e, em parceria com as universidades, fizeram acções para trabalhadores. Conheci pessoas que fizeram estas formações e que tiveram uma total transformação de vida, e é isso que o turismo está a precisar em todo o mundo, essa antecipação inteligente. É também por isso que nos queremos posicionar internacionalmente, e com parcerias como a que temos com a UTM, podemos ser uma referência na capacidade de antecipação e de reconversão de competências, que é necessária. Falo não apenas dos que se estão a formar, mas também na reconversão de quem já está no mercado de trabalho. Tendo em conta a realidade de Macau, com o sector do jogo, acredita numa substituição de funções pela tecnologia, por exemplo? A tecnologia está numa aceleração tão grande que o que achamos hoje que vai acontecer amanhã já é passado. Mas basta pensarmos nas soluções de robôs que neste momento estão a surgir e que, por exemplo, conseguem entregar e distribuir produtos, realizar serviços e que estão customizados à medida do negócio. E, portanto, certamente que nessa área haverá uma evolução enorme. Haverá certamente uma evolução em termos da gestão de informação e dados, não apenas do jogo, mas das reservas hoteleiras, da gestão em termos de “revenue management”, gestão de clientes. Temos de ser inteligentes para identificar as áreas onde, neste momento, estamos a desperdiçar valor, perdendo tempo em tarefas burocráticas e que, com a tecnologia, se pode acrescentar valor ao território. Esse é o grande exercício a fazer. Macau é um território pequeno, e vai firmar-se cada vez mais como um mercado de formação e não como um mercado que vai absorver todos os licenciados na área do turismo. Portanto, o futuro passa mesmo por criar parcerias, para que Macau seja um território que forma pessoas no turismo. É evidente que Macau tem uma grande oportunidade para a especialização na área da educação, sendo uma porta aberta para toda a China. A Universidade Nova também celebrou acordos, nesta visita, com a Universidade Politécnica de Hong Kong e a Universidade Metropolitana de Hong Kong. Trata-se de um território com uma dimensão diferente na área do turismo. A abordagem que fizemos com Hong Kong resultou do facto de a Universidade Politécnica de Hong Kong ter uma semelhança muito grande com a Universidade Nova de Lisboa em termos de escolas. Com a UTM, o acordo foi direccionado para o turismo, mas com a Universidade Politécnica de Hong Kong o acordo foi mais transversal a outras dimensões. Vimos, claramente, da parte da Universidade Politécnica de Hong Kong, um grande interesse em ter em Portugal uma porta aberta para uma interacção, pois o nosso país começa a ser um espaço de referência na área da educação internacional, nomeadamente pelo peso de alunos estrangeiros que a Nova tem. Cerca de 22 por cento dos alunos são estrangeiros. Algumas universidades portuguesas têm celebrado acordos para marcarem presença na futura cidade universitária de Hengqin. Considera que o projecto uma porta de entrada para o ensino superior português no mercado asiático? Acho [um projecto] muito interessante. Havendo uma história partilhada com Macau, torna-se mais fácil o estabelecimento dessas ligações. Vejo Hengqin como uma porta segura e muito interessante do ponto de vista de parcerias estratégicas para o desenvolvimento da interdisciplinariedade das universidades portuguesas. Parece-me que é uma oportunidade muito interessante para que as universidades portuguesas tenham acesso a alunos asiáticos, numa lógica de diversificação de mercados.
Tóquio com maior número de hospitalizações num só dia desde 2010 devido ao calor Hoje Macau - 24 Jul 2026 Tóquio registou na quarta-feira o maior número de hospitalizações num só dia desde 2010 devido à onda de calor, com um morto e quatro pessoas em estado crítico, anunciaram ontem os serviços de emergência. Os bombeiros da capital japonesa informaram que 453 pessoas foram hospitalizadas em Tóquio na quarta-feira, um recorde desde que os registos começaram em 2010, e que o accionamento dos serviços de emergência atingiu um nível que não se via há pelo menos 63 anos. “Instamos o público a manter-se hidratado e a usar ar condicionado”, disse ontem um porta-voz do corpo de bombeiros. Os bombeiros de Tóquio também responderam a 3.612 chamadas na quarta-feira, um número recorde desde que os registos começaram em 1963, segundo o porta-voz. Das pessoas hospitalizadas na quarta-feira, uma morreu, quatro estavam em estado crítico e 18 em estado grave. Dia cruel Quatro localidades japonesas registaram temperaturas acima dos 40 graus Celsius, um dia apelidado de “kokushobi” pela Agência Meteorológica do Japão (JMA), um neologismo que pode ser traduzido como “dia cruelmente quente”. Pelo menos outras seis localidades registaram temperaturas de 39,8 graus na quarta-feira. Os alertas de ondas de calor estão em vigor em quase todo o país e os serviços de emergência informaram na quarta-feira que pelo menos 14 pessoas morreram por causas relacionadas com o calor na última semana. Quase 11.000 pessoas procuraram cuidados médicos de emergência no Japão na última semana, de acordo com a Agência de Gestão de Incêndios e Desastres. No ano passado, o país viveu o Verão mais quente de que há registo, e a temperatura mais elevada foi registada a 05 de Agosto de 2025, atingindo os 41,8°C em Isesaki, a norte de Tóquio. De acordo com os cientistas, as alterações climáticas provocadas pela actividade humana estão a aumentar a frequência e a intensidade dos eventos de calor extremo no Japão e noutros locais.
Timor-Leste | Lançado projecto fotovoltaico para reduzir dependência de combustíveis Hoje Macau - 24 Jul 2026 O primeiro-ministro de Timor-Leste lançou ontem a primeira pedra do Projecto Fotovoltaico Solar de Laleia, um dos maiores investimentos privado no país, que vai permitir reduzir a dependência de combustíveis para fornecer electricidade. “Precisamos de diversificar as nossas fontes de energia e reduzir a nossa dependência dos combustíveis importados. É por isso que o Projecto Solar Fotovoltaico de Laleia é também extremamente importante”, disse Xanana Gusmão na cerimónia. O projecto, que deverá ser construído durante 24 meses, terá uma capacidade de geração solar de 72 megawatts, com um sistema de armazenamento de energias em baterias com capacidade 36 megawatts-hora. “Irá fornecer mais electricidade à rede nacional e ajudar a diversificar como Timor-Leste produz energia. Isto é particularmente importante porque vivemos num período de incerteza internacional”, salientou Xanana Gusmão. “Timor-Leste não pode controlar os preços internacionais dos combustíveis. Não pode controlar as interrupções nas cadeias globais de energia. Mas pode tomar medidas para reduzir a nossa vulnerabilidade”, continuou o primeiro-ministro timorense. O projecto de energia solar, segundo Xanana Gusmão, deverá reduzir os custos anuais de combustível em Timor-Leste em cerca de 25 a 30 milhões de dólares. “Isto permitirá utilizar mais recursos para apoiar a saúde, a educação, as infraestruturas e outras prioridades nacionais”, disse.
Wuhan | Retomadas licenças para ‘robotáxis’ após incidente Hoje Macau - 24 Jul 2026 A China retomou a emissão de licenças para ‘robotáxis’, suspensa desde Abril após um incidente com veículos autónomos da tecnológica Baidu em Wuhan, depois de concluir uma revisão de segurança em todo o sector, avançou ontem a Bloomberg. Segundo a agência de notícias, que cita fontes próximas do processo, a retoma está a ocorrer de forma gradual em algumas cidades, após a conclusão, no final de Junho, de uma revisão de segurança. Os reguladores chineses ordenaram essa revisão depois de mais de uma centena de ‘robotáxis’ da Apollo Go, o serviço de condução autónoma da Baidu, terem ficado imobilizados de forma repentina, no final de Março, em várias ruas de Wuhan. O incidente motivou várias chamadas para a Polícia de Trânsito da cidade, deixou passageiros temporariamente retidos e perturbou a circulação rodoviária, embora não tenham sido registados acidentes nem feridos. As primeiras investigações, citadas na altura pelas autoridades locais, atribuíram o problema a um “erro de sistema”. Na sequência do incidente, três organismos governamentais, entre os quais o ministério da Indústria e Tecnologias da Informação, reuniram-se com responsáveis de cidades que operam serviços de ‘robotáxis’ ou projectos-piloto de condução autónoma para exigir uma revisão completa e o reforço da supervisão em matéria de segurança, informou a Bloomberg. A Apollo Go é o principal operador de ‘robotáxis’ na China, com centenas de veículos distribuídos por mais de uma dezena de cidades. A Baidu anunciou, entretanto, acordos com a Lyft e a Uber para expandir estes serviços à Europa, Ásia e Médio Oriente.
O efeito da linguagem terapêutica nas relações românticas Tânia dos Santos - 24 Jul 2026 Há uma década, se alguém dissesse “o meu ex era claramente evitante”, provavelmente teria de explicar do que estava a falar. Hoje, essas expressões saltam com naturalidade de um jantar entre amigas e de uma legenda no Instagram para uma discussão a meio de um relacionamento. Vivemos a era da linguagem terapêutica aplicada à vida amorosa — e vale a pena parar para pensar no que isso está a fazer. Já aqui escrevi, noutra ocasião, sobre a forma como a teoria da vinculação saltou do consultório para o ecrã do telemóvel — como “ansioso”, “evitante” e “desorganizado” se tornaram categorias tão familiares como um signo do zodíaco, e como esse vocabulário, apesar de precioso quando bem usado, corre o risco de se transformar em sentença em vez de mapa. Pois bem: a vinculação é apenas um dos conceitos que saiu do jargão psicológico para o dia-a-dia. Nos últimos anos, temos assistido a uma verdadeira inundação de termos clínicos a colonizar a forma como falamos de amor; e é sobre essa vaga mais larga, para lá da vinculação, que quero agora escrever. O fenómeno não surgiu do nada. A popularização da psicologia através das redes sociais, sobretudo do Instagram e do TikTok, transformou conceitos que antes viviam confinados aos consultórios — teoria da vinculação, trauma bonding, gaslighting, “trabalho emocional” — em vocabulário do dia-a-dia. Existe, à partida, algo de positivo nesta democratização: nunca tivemos tanta gente capaz de nomear aquilo que sente. Nunca tivemos tanta gente interessada em compreender os processos humanos e interpessoais. Mas há um efeito que começa a tornar-se evidente na minha prática clínica: a linguagem da terapia está a ser usada pelos clientes no consultório, cada vez mais, não para aprofundar a intimidade, mas para lhe fugir. Uma forma de compreensão puramente racional que se desliga da realidade e da nuance e complexidade das relações. A quantidade de pessoas que afirma que teve relacionamentos “tóxicos” tem sido cada vez mais frequente. Há quem diagnostique o próprio companheiro como “evitante” ou “ansioso” — categorias retiradas da teoria da vinculação — como forma de explicar, e simultaneamente encerrar, uma discussão conjugal que talvez merecesse mais tempo e menos rótulos. Em vez de abrir espaços de complexidade humana, parece que os fecha. A linguagem terapêutica, nascida para promover a responsabilização e a compreensão mútua, corre o risco de fazer exactamente o oposto: transformar-se numa arma retórica de pouca capacidade analítica. Chamar “gaslighting” a qualquer discordância interpessoal esvazia o termo do seu significado original — uma forma grave e deliberada de manipulação psicológica — e torna mais difícil reconhecê-lo quando de facto acontece. Há também uma questão de estatuto social: dominar o vocabulário da terapia tornou-se, em certos círculos, um sinal de sofisticação emocional. Quem fala com fluência de “padrões intergeracionais de trauma” projecta uma imagem de auto-conhecimento, independentemente de esse conhecimento se traduzir, ou não, em transformação afectiva ou em formas mais empáticas de co-existir no mundo. E aqui está o cerne do problema: saber nomear uma dinâmica pode ajudar no processo de auto-conhecimento mas não é o caminho real para relações humanas mais conscientes. Para isso o trabalho de nomeação pode servir pouco – a capacidade de escuta activa não-julgadora revelam caminhos mais promissores de conexão afectiva. Em consulta, trabalho com casais que discutem conceitos psicológicos com brilhantismo académico e continuam, na prática, a repetir exactamente os mesmos padrões destrutivos de sempre. Nomear padrões pode também ser uma forma de evitamento, para não se conectarem com o mundo emotivo que vive de dinâmicas com mais nuance e complexidade. Do ponto de vista da intimidade e da sexualidade, a linguagem terapêutica, quando bem usada, pode melhorar a comunicação sobre desejo, consentimento e limites — e isso é uma conquista real, sobretudo para quem nunca teve vocabulário para pedir aquilo que precisa na cama ou fora dela. Mas quando alguém responde a “sinto-me pouco desejada ultimamente” com “isso soa-me a um problema de vinculação teu”, a conversa deixa de ser sobre a relação e passa a ser sobre a patologização. É uma forma subtil, e muitas vezes inconsciente, de desviar a atenção para os domínios mais emotivos impedindo uma forma mais conectada de diálogo. Não creio que a solução seja abandonar este vocabulário; a questão não está nas palavras, mas na função que lhes damos. Um bom teste, que sugiro para quem utiliza estes conceitos, é simples: a expressão que estou a usar aproxima-me do meu parceiro ou distancia-me dele? Estou a nomear um sentimento para o partilhar, ou a usar um termo clínico para evitar sentir? A psicoterapia não existe para nos dar um vocabulário de saída elegante das relações difíceis — existe para nos ajudar a permanecer nelas com mais consciência e menos defesa. Talvez o próximo passo desta tendência não seja falarmos menos como terapeutas, mas sim recordarmo-nos de que, os terapeutas devem ouvir primeiro. E talvez seja precisamente isso que falta, por trás de tanto jargão: a disposição real para ouvir o outro, sem pressa de o rotular. No fim, uma relação não se cura nem se compreende somente com um glossário. As relações são mais bem compreendidas com presença, honestidade e a coragem de dizer o que sentimos sem nos escondermos por de trás de palavras técnicas.
Diplomacia | China e Japão falam pela primeira vez desde disputa sobre Taiwan Hoje Macau - 24 Jul 2026 Os chefes da diplomacia do Japão, Toshimitsu Motegi, e da China, Wang Yi, mantiveram esta semana uma breve conversa, a primeira desde o agravamento da disputa diplomática em torno de Taiwan, no ano passado, avançou ontem a imprensa japonesa. O ministro japonês afirmou que ambos abordaram “as relações bilaterais”, sem adiantar pormenores sobre o conteúdo da conversa, segundo o diário japonês Nikkei. O breve encontro decorreu à margem da reunião anual dos ministros dos Negócios Estrangeiros da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), realizada em Manila. Além de Wang, Motegi reuniu-se também, durante um jantar, com o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov, com quem discutiu “as relações bilaterais e questões regionais”, acrescentou o jornal. As relações entre Tóquio e Pequim atravessam um período de forte tensão desde Novembro do ano passado, quando a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, afirmou que um eventual ataque chinês contra Taiwan poderia representar uma ameaça à sobrevivência do Japão, justificando uma intervenção das Forças de Autodefesa japonesas. Em resposta, o Governo chinês impôs várias medidas de retaliação económica contra o Japão, incluindo a recomendação aos cidadãos chineses para evitarem viajar para o arquipélago e restrições às exportações para o Japão de bens de dupla utilização e minerais críticos.
Eurodeputados querem esgotar negociações com Pequim para evitar guerra comercial Hoje Macau - 24 Jul 2026 A União Europeia pretende evitar uma guerra comercial com a China e privilegiar o diálogo para resolver as actuais disputas económicas, afirmaram ontem eurodeputados europeus, que defenderam relações futuras baseadas na reciprocidade e na transparência. Citado pela agência EFE, o eurodeputado espanhol Nicolás Pascual de la Parte (Partido Popular Europeu) disse que a UE “quer esgotar todas as possibilidades de negociação antes de adotar medidas de retaliação”. “Não queremos uma guerra comercial, queremos evitá-la”, afirmou. O também espanhol Javi López (Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas) advertiu que “qualquer medida unilateral no domínio comercial desencadeará uma medida equivalente da outra parte”. “Sabemos onde isso conduz: a uma escalada comercial com um país com o qual mantemos relações muito intensas e que, sendo honestos, tem uma grande capacidade de resistência e sofre menos pressão da opinião pública na tomada de decisões”, acrescentou, citado pela agência de notícias espanhola. Apesar do que classificou como um “desequilíbrio insustentável” na balança comercial entre a UE e a China, Pascual de la Parte explicou que, nas reuniões com responsáveis chineses, incluindo o ministro dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi, Pequim rejeitou as críticas. “Eles consideram que o desequilíbrio não resulta de práticas proteccionistas chinesas, mas da dinâmica dos mercados e, por isso, entendem que não têm qualquer responsabilidade”, afirmou. Segundo López, as autoridades chinesas responderam que cumprem as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e desafiaram Bruxelas a recorrer aos mecanismos da organização caso considere existirem violações. O eurodeputado lamentou as “consequências de grande alcance” que o desequilíbrio comercial tem para as economias europeias e apelou às autoridades chinesas para serem “imaginativas” na procura de soluções. Pascual de la Parte afirmou ainda que Wang Yi acusou Bruxelas de “politizar” as divergências comerciais. “Fazem uma selecção das regras que querem cumprir e das que não querem cumprir. É isso que tem de ser resolvido”, disse o eurodeputado, citando o ministro chinês. Segundo Pascual de la Parte, Pequim mostra-se particularmente incomodada com a classificação da China como “rival sistémico” por parte da UE. “Não se vêem como rivais da União Europeia, mas como parceiros. No fundo, o objectivo final é afastar os Estados Unidos da Europa e aproximar a Europa da China”, afirmou. Questionado sobre a multa de 500 milhões de euros aplicada pela UE à plataforma chinesa de comércio electrónico AliExpress, Pascual de la Parte considerou que a decisão constitui “um sinal de que a Europa leva as questões comerciais a sério”. “Vamos analisar tudo com atenção e aplicar o princípio da reciprocidade. A partir de agora, as relações comerciais, económicas e políticas assentarão na transparência e na reciprocidade”, afirmou. Benefícios tecnológicos O eurodeputado defendeu ainda que o desenvolvimento tecnológico chinês beneficiou da transferência de tecnologia ocidental. “A China chegou onde está graças à transferência maciça de tecnologia ocidental, sobretudo de empresas norte-americanas e alemãs. Hoje produz, por exemplo, comboios de alta velocidade mais baratos e vende-os aos antigos fornecedores”, disse, apontando casos semelhantes nos sectores do alumínio, painéis solares e veículos elétricos. Outro dos temas abordados durante a visita foi a acusação, feita por líderes da França e da Alemanha, de que a China manipula a taxa de câmbio da sua moeda para reforçar a competitividade das exportações, uma crítica também repetidamente formulada pelos Estados Unidos. López estimou que essa “desvalorização artificial” ronde entre 20 por cento e 30 por cento. Já Pascual de la Parte considerou que Pequim “está a perceber que esse modelo chegou aos seus limites”, tanto nas relações com os Estados Unidos como com a Europa. Na sua opinião, após a pandemia e a invasão russa da Ucrânia, a segurança das cadeias de abastecimento passou a prevalecer sobre os ganhos económicos imediatos, mesmo que isso implique custos acrescidos para os consumidores. “A Europa tem de encontrar o seu lugar num mundo em mudança, hostil e incómodo. Não tínhamos o vocabulário nem as estruturas adequadas, mas acredito que aprenderemos rapidamente a lição”, apontou.
ASEAN | Pequim defende que disputas marítimas não devem comprometer relações Hoje Macau - 24 Jul 2026 A China defendeu ontem, que as disputas no mar do Sul da China não devem tornar-se um obstáculo às relações com a Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), numa altura de crescente tensão com as Filipinas. O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian declarou ontem em conferência de imprensa que essa foi a mensagem transmitida na quarta-feira pelo ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, durante a reunião ministerial China – ASEAN, realizada em Manila. Segundo a versão divulgada por Pequim, Wang afirmou que o mar do Sul da China é a “casa comum” dos países da região e que a China e a ASEAN têm a sabedoria e a capacidade para gerir as divergências e preservar a paz e a estabilidade. “A questão do mar do Sul da China não deve tornar-se um obstáculo às relações entre a China e a ASEAN”, afirmou o chefe da diplomacia chinesa, apelando a que a iniciativa para preservar a estabilidade nessas águas permaneça firmemente nas mãos dos países da região. Wang acrescentou que a China está disposta a trabalhar com a ASEAN para “eliminar factores de interferência” e acelerar as negociações sobre o Código de Conduta para o mar do Sul da China, segundo Lin. Esse mecanismo, negociado há vários anos, visa estabelecer normas de conduta numa área marítima onde Pequim mantém disputas de soberania com vários países da região, entre os quais as Filipinas e o Vietname. Tensões a subir As declarações surgem num contexto de agravamento das tensões entre a China e as Filipinas, que esta semana trocaram protestos diplomáticos na sequência de um incidente junto ao recife Second Thomas, onde Manila mantém encalhado o navio Sierra Madre e ambos os países se acusaram mutuamente de agressões. Os dois países divergiram também sobre um outro incidente em águas próximas do atol de Scarborough, onde a Guarda Costeira chinesa afirmou ter expulsado dois navios oficiais filipinos. A reunião da ASEAN contou igualmente com a presença do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, que se reuniu com Wang Yi e recordou que Washington mantém um tratado de defesa com as Filipinas. A China reclama soberania sobre a quase totalidade do mar do Sul da China, em sobreposição com as reivindicações territoriais das Filipinas, Vietname, Malásia, e Brunei.
Portugal | Delegação de Macau acolhe “Formas da Luz na Água” até 5 de Agosto Andreia Sofia Silva - 24 Jul 2026 É inaugurada na próxima terça-feira, em Lisboa, a mostra “Formas da Luz na Água – Exposição de Escultura Macau-Portugal”, promovida pela Associação de Escultura de Macau. Até ao dia 5 de Agosto será possível ver trabalhos de 15 escultores de Macau na Delegação Económica e Comercial de Macau em Lisboa É na Avenida 5 de Outubro, no centro de Lisboa, que podem ser vistos trabalhos de escultura de 15 artistas de Macau a partir da próxima terça-feira, 28, numa mostra que se estende até 5 de Agosto. Trata-se da iniciativa cultural “Formas da Luz na Água – Exposição de Escultura Macau-Portugal”, organizada pela Associação de Escultura de Macau e recebida nas instalações da Delegação Económica e Comercial do Governo da RAEM em Lisboa. A mostra visa promover a “exploração artística entre regiões” e revela trabalhos de escultores locais que “utilizam a forma física e a presença espacial como meios de expressão, construindo um diálogo imersivo sobre a aprendizagem mútua entre civilizações e a identidade cultural”, lê-se num comunicado oficial sobre a exposição. O público poderá compreender mais sobre o “contexto histórico único de Macau, onde o Oriente se encontra com o Ocidente, e que deu origem a um conjunto distinto de escultura contemporânea local”. Na 5 de Outubro podem ver-se obras que “apresentam uma gama rica e diversificada de materiais”, e que combinam “o artesanato tradicional, como a escultura em madeira, a escultura em pedra e a cerâmica, com materiais modernos, como o aço inoxidável e a resina epóxi”. Desta forma, e recorrendo a “diversas texturas de diferentes materiais, os artistas condensam as características urbanas de Macau, o contexto histórico e as memórias pessoais em criações espaciais”. Mas “Formas da Luz na Água” reflectem ainda “a estética tradicional local” com recurso a “expressões de escultura modernas”. Com significado É certo que Macau e Portugal “partilham raízes históricas de longa data e laços culturais estreitos”, tendo em conta a presença secular de uma administração portuguesa desde meados do século XVI. Desta forma, revela a organização, o território transformou-se numa “ponte natural para a comunicação cultural sino-portuguesa”, e esta exposição parece ser sinónimo disso mesmo. Para a organização, trata-se de uma iniciativa “com um profundo significado, tanto a nível cultural como de intercâmbio, representando não só uma mostra de arte no estrangeiro, mas também uma profunda visita cultural bidirecional e um diálogo entre as duas regiões”. Desta forma, a mostra “tem como objectivo reforçar a influência internacional da escultura de Macau e aprofundar a compreensão da cultura plural”, do território, realizando uma “reflexão entre a arte e cultura regional”. Procura-se também “impulsionar o desenvolvimento inovador da escultura de Macau, apoiando o esforço da RAEM para se afirmar como uma plataforma de intercâmbio onde a cultura chinesa prevalece e as diversas culturas coexistem, contribuindo assim com a força artística para o intercâmbio entre as civilizações orientais e ocidentais”, lê-se ainda na mesma nota. A mostra tem entrada gratuita e pode ser visitada entre segunda e quinta-feira, das 9h às 13h e das 14h30 às 17h45; e ainda sexta-feira das 9h às 13h e depois das 14h30 às 17h30.
Identidade e linguagem na presença da RAEM na Bienal de Curitiba Andreia Sofia Silva - 24 Jul 2026 Macau participa, pela primeira vez, na 16.ª Bienal Internacional de Curitiba, no Brasil, um evento que decorre até 15 de Novembro na capital do Estado do Paraná. Segundo uma nota de imprensa da Bienal, esta mostra resulta de uma “parceria inédita com o Museu de Arte de Macau (MAM) e o Instituto Cultural do Governo da RAEM”, revelando-se obras de três artistas locais que “investigam os desafios da condição humana na era digital”, ou seja, colocando “em perspectiva alguns dos principais dilemas do século XXI”. Trata-se da exposição “Matéria, Corpo e Linguagem”, que ocupa uma sala no Museu Oscar Niemeyer e que reúne obras de Peng Yun, Bianca Lei e Gao Fuyan. A selecção das obras esteve a cargo de Margarida Saraiva, curadora do MAM, em parceria com Tereza de Arruda. Esta parceria constitui, para a Bienal, “um novo intercâmbio entre Brasil e Ásia e reafirma a vocação internacional da Bienal”. Três visões diferentes Em “Matéria, Corpo e Linguagem”, as três artistas tentam responder a uma mesma pergunta: “como permanecemos humanos quando a tecnologia passa a reorganizar a percepção, a linguagem e a identidade?” Desta forma, “mais do que apresentar respostas, as obras convidam o visitante a reflectir sobre os novos limiares da experiência humana”, observa Margarida Saraiva no texto de curadoria da exposição. Peng Yun explora, em “WU • Stone • Sardapass”, “a relação entre pessoas e máquinas, que aparece de forma delicada”. A artista realiza “um gesto aparentemente simples: escolhe uma pedra em uma montanha, limpa sua superfície e a cobre com folhas de ouro. Enquanto isso, um cão-robô observa a cena antes de seguir seu caminho”. Desta forma, “entre o cálculo da máquina e a contemplação humana, a artista propõe uma pausa, talvez um dos gestos mais raros do nosso tempo”. Por sua vez, Bianca Lei apresenta “Uma Miscelânea de “Cinco Língu-Língu”, uma instalação que “aproxima cinco idiomas que compõem a identidade cultural de Macau – cantonês, mandarim, português, patuá e inglês – aos cinco elementos da tradição chinesa”. Transforma-se “a fragilidade do patuá” num “admirável gesto de resistência cultural”. Já Gao Fuyan apresenta “Fragmentos do Tempo – Teatro do Rosto”, uma “das experiências mais interactivas da Bienal”, em que “o visitante se torna parte da obra ao ter o seu rosto capturado, projectado, impresso e imediatamente triturado”. “A destruição acontece apenas sobre a imagem, mas basta para provocar uma pergunta inevitável: o que permanece da identidade humana numa sociedade marcada pela vigilância facial e pela circulação permanente de dados?”, é questionado. O IC encomendou estas obras “para importantes projectos realizados no MAM”, e que integram agora a Bienal. Nesta edição “convivem artistas de 38 países e regiões diferentes”, ampliando-se “o diálogo com a produção artística asiática”.
Dengue e Chikungunya | Serviços apelam à prevenção Hoje Macau - 24 Jul 2026 Os Serviços de Saúde emitiram um comunicado a apelar à população para se prevenir face aos riscos de apanhar febre de dengue e da febre de chikungunya. O aviso foi deixado num comunicado, ontem, e justificado com “a entrada no período de pico das férias de Verão em Macau” e o “aumento do número de turistas e de residentes que viajam ao estrangeiro”. Segundo os SS, nos últimos tempos foram detectados vários casos em alguns dos “destinos turísticos frequentes dos residentes, como o Sudeste Asiático” pelo que se aconselha maiores cuidados nas viagens. Além disso, os SS afirmaram terem adoptado mais medidas de extermínio de mosquitos: “Por forma a salvaguardar a saúde dos residentes e dos turistas, os Serviços de Saúde, através do mecanismo de cooperação interdepartamental, intensificaram as inspecções comunitárias e os trabalhos de eliminação de mosquitos, reforçando globalmente as acções de prevenção e controlo na comunidade”, foi indicado. SS | Mais doenças de declaração obrigatório em Junho Em Junho, os Serviços de Saúde (SS) registaram um total de 2.755 casos de doenças de declaração obrigatória. Este valor representa um aumento anual de 70,5 por cento, dado que em Junho de 2025 foram registados 1.616 casos de doenças de declaração obrigatória. Segundo os SS, no último mês, as três doenças com maior número de casos foram a gripe (2.154 casos), a infecção por enterovírus (454 casos) e a tuberculose (33 casos). No comunicado, os SS destacaram ainda que houve menos casos de escarlatina: “Em Junho, foram notificados um total de 31 casos de escarlatina, uma diminuição de 46,6 por cento em relação aos 58 casos registados no mesmo mês do ano anterior e um aumento de 72,2 por cento em relação aos 18 casos registados no mês anterior”, foi comunicado. Além disso, os SS indicaram que também não houve registo de casos de febre de dengue nem de chikungunya.
Crime | Detido cúmplice de burlões Hoje Macau - 24 Jul 2026 Um homem, cidadão da China, foi detido esta quarta-feira quando entrou no território por ter ajudado a concretizar um esquema de burla. Segundo noticiou o canal chinês da Rádio Macau, a vítima foi uma mulher residente de Macau, de meia idade, que foi burlada em 995 mil patacas num esquema de romance online. O homem foi detido depois de passar o Posto Fronteiriço de Hengqin. A mulher conheceu um homem numa rede social em 2024, tendo desenvolvido um relacionamento romântico com ele apenas online. Depois dos primeiros contactos, a vítima foi convencida por este homem a investir em metais preciosos, tendo feito seis transferências bancárias para uma conta bancária de Hong Kong. Neste período, ganhou mil patacas, mas depois quando a mulher quis transferir dinheiro novamente, foi informada por um funcionário do banco de que poderia estar a ser vítima de burla. A Polícia Judiciária (PJ) confirmou depois a identidade do titular da conta bancária, tendo o homem detido confirmado que recebeu instruções de uma associação criminosa, associada a burlas, para a sua conta ser usada para receber 400 mil patacas da vítima. A conta do detido está também envolvida noutros casos de branqueamento de capitais ligados a Hong Kong.
SMG | Tufão poderá passar a cerca de 400 quilómetros de Macau João Luz - 24 Jul 2026 A tempestade que atravessa as Filipinas deverá passar a 400 quilómetros de Macau na tarde de sábado na categoria de tufão. Os SMG estimam que no domingo à tarde a tempestade atinja a posição mais próxima do território, a cerca de 100 quilómetros, já como ciclone tropical severo depois de ter chegado a terra e enfraquecido A Agência Meteorológica da China indicou ontem que o centro da depressão tropical que estava a cerca de 930 quilómetros a Leste de Manila seguia uma trajectória rumo ao Mar do Sul da China a uma velocidade entre os 25 e 30 quilómetros por hora. As autoridades nacionais apontaram para a chegada do tufão a terra entre as zonas costeiras de Zhuhai e Zhangpu, em Fujian, entre o final da tarde de sábado e a manhã de domingo. Após atingir terra, o tufão deverá virar gradualmente para norte-noroeste à medida que irá enfraquecendo. As estimativas de ontem dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) indicavam que a tempestade poderá passar a cerca de 100 quilómetros de Macau com ciclone tropical severo por voltas das 14h de domingo, já com contacto em terra. Porém, 24 horas antes, na tarde de sábado, as previsões apontam para que a tempestade esteja a 400 quilómetros de Macau na categoria de tufão. Os SMG estimam também que os aguaceiros fortes e trovoadas se estendam ao longo da próxima semana, pelo menos, até quarta-feira, com a intensidade do vento a diminuir gradualmente a partir de segunda-feira. Segundo as autoridades nacionais, a velocidade no centro da tempestade era ontem de cerca de 15 metros por segundo e as estimativas indicavam que a entrada da tempestade no Mar do Sul da China deveria acontecer na madrugada de sábado. A Agência Meteorológica da China prevê que a tempestade atinja a intensidade máxima entre tufão e tufão severo, depois de atravessar o Canal de Bashi, que faz parte do estreito de Luzon, entre a ilha de Y’ami Filipinas e Taiwan. Aqui ao lado Por sua vez, o Observatório de Hong Kong prevê que a tempestade atinja a costa na zona entre Huizhou e Shantou na madrugada de domingo, a leste da região vizinha. As autoridades da cidade vizinha estimavam ontem que o tufão chegue a uma distância de 800 quilómetros de Hong Kong hoje ao fim do dia, altura em que deverá ser emitido o sinal 1 de tempestade. Devido à proximidade de Macau e do critério de içar o sinal 1 de tempestade quando a distância para o território seja precisamente de 800 quilómetros, é expectável que o sinal 1 seja emitido entre o fim do dia de hoje e amanhã. Apesar de realçar as incertezas em relação ao local onde irá tocar em terra, o Observatório de Hong Kong indicou que entre sábado e domingo a zona costeira de Guangdong seja fustigada por ventos fortes, aguaceiros intensos e trovoadas.
Indústria do jogo vista como imoral mas de “grande importância” para Macau Hoje Macau - 24 Jul 2026 Um académico da área da Filosofia defendeu que é aplicada uma abordagem utilitarista à indústria do jogo, argumentando que, embora o sector seja tradicionalmente visto como imoral, este tem uma “grande importância” para Macau. “É tradicionalmente considerado que a indústria do jogo é imoral. Se os resultados positivos superarem os negativos, então podemos implementar uma política moral e eticamente justificável”, começou por dizer aos jornalistas Wang Qingjie, professor de filosofia na Universidade de Macau (UM), à margem da cerimónia de abertura da Conferência da Sociedade Internacional para os Estudos Utilitaristas. A indústria do jogo “é de grande importância” para Macau, continuou Wang, referindo-se aos casinos, principal motor da economia do território. O utilitarismo defende que as acções morais de um indivíduo devem estimular o bem-estar e interesses da população, mas também “enfatiza as consequências”, sustentou o professor da UM, pelo que, “quando julgamos se uma acção é boa ou má, não baseamos esse julgamento nas nossas ideias, tradições ou costumes, mas sim nos seus resultados”. “Como é que a justificamos moralmente? Como é que a defendemos?”, interrogou. “Nas sociedades tradicionais, isso seria impossível. Esta é uma aplicação muito importante, especificamente, a sua aplicação em Macau”, defendeu. O lado B O confucionismo, amplamente praticado nas sociedades tradicionais chinesas, centra-se na moralidade pessoal, na harmonia social e no dever, e “tende a desvalorizar o utilitarismo”, apontou Wang. Macau é o único território da China onde o jogo em casinos é legal. O jogo é proibido em todo o território nacional ao abrigo da lei chinesa, sendo considerada ilegal qualquer forma de aposta por parte de cidadãos chineses, incluindo o jogo ‘online’. Comparando o utilitarismo com as tradições filosóficas chinesas, Wang sublinhou que esta corrente de pensamento tem semelhanças com o moísmo, pertencente à antiga escola filosófica chinesa, uma das correntes rivais do confucionismo primitivo. “Se consideramos que uma política é boa ou má depende do seu resultado”, afirmou. Outro investigador presente na conferência, Li Qing, da Universidade de Fudan, em Xangai, referiu que o utilitarismo foi introduzido na China através do Japão, a partir da Grã-Bretanha. O académico destacou que este é o primeiro ano em que a conferência da Sociedade Internacional para os Estudos Utilitaristas se realiza na China. “Anteriormente, a investigação nesta área na China não era particularmente aprofundada. No entanto, com o desenvolvimento do campo, tornou-se reconhecido que o utilitarismo continua a ser um conceito que merece ser promovido”, sublinhou Li Qing. O investigador acrescentou que esta teoria se mantém actual, dando como exemplo a inteligência artificial. “O desenvolvimento das indústrias relacionadas tem de ter em conta a ética e a segurança, e essa ética engloba princípios como o utilitarismo”, explicou.
Sands | Lucros com queda de 50 por cento Hoje Macau - 24 Jul 2026 A concessionária responsável por casinos como o The Venetian, The Londoner Macao ou The Parisian apresentou uma redução para metade do lucro entre Abril e Junho. A tendência contrasta com o início do ano, quando os lucros cresceram 45 por cento A operadora de jogo Sands China registou um lucro líquido de 107 milhões de dólares norte-americanos no segundo trimestre, uma queda homóloga de 50 por cento, anunciou ontem empresa. Entre Abril e Junho de 2025, o lucro líquido da operadora de casinos tinha alcançado 214 milhões de dólares, de acordo com um relatório financeiro publicado pela operadora. Em Macau, referiu Patrick Dumont, presidente e CEO da Las Vegas Sands, a empresa mãe da Sands China, “investimentos contínuos em serviços de hospitalidade melhorados contribuíram para o crescimento dos volumes em todos os segmentos de jogo em comparação com o ano anterior”. No entanto, “um ‘hold’ anormalmente baixo no jogo VIP teve impacto negativo nos resultados financeiros” do trimestre, completou. O ‘hold’ é a percentagem das apostas que o casino retém como receita líquida depois de pagar os ganhos aos jogadores. A queda deste trimestre ocorre depois de nos primeiros três meses do ano, o lucro líquido da operadora no território chinês ter aumentado 45,5 por cento para 294 milhões de dólares. No período agora em análise, registou-se também uma queda das receitas líquidas totais de 0,8 por cento, para 1,78 mil milhões de dólares, face ao mesmo período de 2025 (1,79 mil milhões de dólares). Sobe e desce local No que diz respeito às propriedades da empresa em Macau, o The Londoner Macao, o The Parisian Macau e o Sands Macau registaram subidas nas receitas líquidas de 10,6 por cento, 12,3 por cento e 33,8 por cento, respectivamente. Já o Venetian Macau viu as receitas caírem 10,8 por cento e, no caso do Plaza Macau, a queda foi de 29,4 por cento. No comunicado, a empresa sublinhou ainda outro factor que afectou os resultados. Entre Abril e Junho, deu-se uma diminuição de clientes VIP nas propriedades de Macau e no Marina Bay Sands, em Singapura, durante o Mundial de Futebol. “Esta tendência foi muito evidente em Junho, tendo em conta a evolução dos negócios em ambos os mercados no início do trimestre”, refere-se na nota. Nas últimas semanas vários analistas apontaram o Campeonato Mundial de Futebol, que terminou na passada segunda-feira, como um dos aspectos a influenciar negativamente a indústria do jogo.
Aquecimento Global | Pedida maior protecção dos trabalhadores João Santos Filipe - 24 Jul 2026 O deputado dos Operários considera quem, face a ondas de calor mais fortes é necessário regular limites no trabalho prestado no exterior, para evitar a exposição prolongada ao sol e ao calor Leong Pou U defendeu a actualização das orientações sobre o trabalho em condições meteorológicas extremas, devido ao que indica ser o aquecimento global. O assunto foi abordado através de uma interpelação escrita, com o deputado dos Operários a pedir que se sigam os exemplos do Interior e de Hong Kong. “Nos últimos anos, com o aquecimento global, têm ocorrido com frequência eventos meteorológicos extremos, tais como chuvas intensas, temperaturas elevadas e tufões”, escreveu Leong. “As condições meteorológicas extremas representam sérios riscos para a segurança no trabalho dos trabalhadores em geral, especialmente daqueles que trabalham ao ar livre, como na construção civil, estafetas e jardinagem”, avisou. Neste novo ambiente, Leong Pou U considera que a regulamentação de Macau está atrasada, em comparação com o Interior, onde afirma existir desde 2012 um mecanismo que limita o trabalho a seis horas no exterior, quando as temperaturas variam entre os 37 e 40 graus. Se as temperaturas ultrapassarem os 40 graus o trabalho ao sol nem é permitido. Ao mesmo tempo, o legislador aponta que Hong Kong criou um sistema de alerta com base em cores, que indica os cuidados que têm de ser adoptados pelos patrões para protegerem os trabalhadores. “Em comparação, no que diz respeito à organização do trabalho dos empregados sob condições meteorológicas extremas, como o calor intenso, Macau ainda tem margem para melhorias”, apontou. Fixar limites Face ao cenário descrito, o deputado pretende que o Governo explique como vai “formular orientações detalhadas sobre o trabalho dos empregados em condições meteorológicas extremas” e “definir cientificamente a duração do trabalho ao ar livre com base na temperatura real ou na sensação térmica” para reduzir os riscos de segurança para os trabalhadores. O legislador defende igualmente que a insolação passe a ser uma ocorrência que justifique accionar o seguro profissional, como acontece no Interior. “Os trabalhadores no Interior que sofram de insolações por trabalharem em temperaturas elevadas ou em tempo quente, após o diagnóstico de doença profissional, gozam legalmente das regalias do seguro de acidentes de trabalho. Irão as autoridades tomar como referência estas práticas do Interior para reforçar a protecção da segurança no trabalho dos trabalhadores ao ar livre em tempo de temperaturas elevadas?”, questiona. Além disso, Leong Pou U interrogou o Executivo sobre a revisão do regime jurídico da reparação dos danos emergentes de acidentes de trabalho e doenças profissionais.
Combustíveis | Governo quer evitar açabarcamento devido a fim de apoio Hoje Macau - 24 Jul 202624 Jul 2026 A Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT) indicou ontem que consumidores e comerciantes “devem encomendar gás conforme as suas necessidades, não acumulando quantidades excessivas de GPL, (…) para evitar graves riscos potenciais de segurança contra incêndios”. O alerta foi dado devido ao fim do Plano de subsídio aos preços do GPL e da gasolina, que termina hoje às 23h59. O Governo realça também que a lei estabelece um limite máximo para a quantidade de armazenagem de substâncias inflamáveis e explosivas (incluindo o GPL). A DSEDT indica também que os preços internacionais do petróleo recuaram do seu pico, não mencionando o retorno da guerra no Irão e o efeito recente nos preços do barril de brent. O Governo realça ainda a descida de 0,15 por cento do Índice de Preços no Consumidor em Junho, com quebras mensais nos transportes (1,01 por cento) e na habitação e combustíveis (0,16 por cento).
Fórum de Macau | Secretariado permanente visita Cabo Verde Hoje Macau - 24 Jul 2026 Uma delegação do Secretariado Permanente do Fórum de Macau fez uma visita oficial a Cabo Verde entre domingo e quarta-feira, onde se reuniu com o Embaixador da China em Cabo Verde, Zhang Yang, e com vários ministros do Executivo cabo-verdiano. O organismo sediado na RAEM indicou, num comunicado divulgado na quarta-feira à noite, que nos encontros com os ministros cabo-verdianos, a secretária-geral adjunta Xie Ying deu conta “dos progressos da China na implementação do Plano de Acção para a Cooperação Económica e Comercial, aprovado na 6ª Conferência Ministerial do Fórum”. Xie Ying sublinhou ainda que “o Governo chinês atribui grande importância” à conferência “e tem promovido activamente a execução das várias agendas no âmbito do Fórum, manifestando a disponibilidade para, em conjunto com Cabo Verde, reforçar a concretização dos resultados e melhorar continuamente a eficácia da cooperação”. Por seu turno, o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Comunidade e Defesa Nacional, Manuel Amante da Rosa, afirmou que as relações bilaterais entre a China e Cabo Verde têm registado um desenvolvimento estável e sustentado. O governante garantiu que Cabo Verde está disposto a reforçar o intercâmbio e a cooperação com a China no quadro do Fórum de Macau, e expressou o desejo de que o Fundo de Cooperação e Desenvolvimento China – Países de Língua Portuguesa apoie mais as PME dos países participantes, contribuindo para o desenvolvimento económico e a melhoria do bem-estar do povo cabo-verdiano.
Comércio | Importadores apostam em produtos mais baratos do Interior João Santos Filipe e Nunu Wu - 24 Jul 2026 O presidente da Associação da União dos Fornecedores de Macau explicou que os importadores procuram produtos mais baratos no Interior da China para substituir as importações da Europa. O objectivo é manter os preços baixos Para fazer face ao aumento dos preços motivados pela guerra e o encerramento do Estreito de Ormuz, os importadores locais estão à procura de produtos mais baratos no Interior da China, de forma a substituírem as importações do estrangeiro. O cenário foi explicado por Ip Sio Man, presidente da Associação da União dos Fornecedores de Macau. Em declarações ao jornal Ou Mun, Ip Sio Man explicou que o aumento dos custos com os transportes depende do lugar de origem. Devido à proximidade geográfica, as variações são mais moderadas nos produtos vindos do Interior da China. No entanto, no caso das importações do Sudeste Asiático, o preço de transporte de um contentor subiu entre 1.000 e 3.000 patacas. Os aumentos são ainda mais acentuados nas mercadorias provenientes da Austrália, Nova Zelândia e América Central e do Sul. Todavia, a situação mais grave prende-se com as importações da Europa, com os produtos a demorarem cerca de três meses a chegar a Macau, quando antes o transporte ficava concluído em cerca de um mês. Face aos produtos importados da Europa, Ip Sio Man explicou que as ligações alternativas não só tornaram tudo mais caro, como fazem com que a gestão dos stocks seja mais imprevisível, o que pode facilmente levar a rupturas. Neste cenário, a Associação da União dos Fornecedores de Macau indicou que a alternativa passa por encontrar produtos semelhantes no Interior da China, com preços mais próximos daqueles que a população está disposta a pagar. Ip revelou ainda que alguns importadores locais fizeram prospecção de mercado, para encontrar produtos mais baratos, em locais do Interior como Ningxia e Hubei. Realidades diferentes O presidente da Associação da União dos Fornecedores de Macau abordou igualmente as queixas da população sobre o facto de os produtos do Interior serem mais baratos em Hong Kong. Segundo Ip Sio Man, a economia de Hong Kong tem melhores ligações à China, o que permite o transporte directo por comboio de importações do Leste e do Norte do país. Este tipo de transporte é mais barato do que o transporte rodoviário. Ao mesmo tempo, Ip explicou que Macau apenas tem boas ligações com a província de Cantão, pelo que as importações de outras províncias precisam de passar por Hong Kong ou Shenzhen, aumentando os preços. Situação recorrente Numa altura em que os preços dos combustíveis estão novamente a subir, o subsídio do Governo da RAEM está a chegar ao fim. Esta situação foi abordada pelo vice-reitor da Universidade da Cidade de Macau, Ip Kuai Peng. Segundo o académico, a medida foi eficaz para aliviar o custo do aumento do nível de vida. No entanto, o académico defendeu que o fim do subsídio não deve significar o fim dos apoios à população. Ip considerou que Macau se deve preparar a “longo prazo” para uma nova realidade, uma vez que a crise no Médio Oriente é recorrente e provoca fortes flutuações nos preços do petróleo bruto. Ip Kuai Peng apontou ainda que é necessário aumentar a transparência dos preços, assim como reforçar a fiscalização e a cooperação transfronteiriça para estabilizar o abastecimento de combustíveis e os respetivos preços.
Dora Lyu, CEO da MedPHA, empresa sediada em Hengqin: “Passámos de startup a referência” Andreia Sofia Silva - 24 Jul 2026 A MedPHA Bioscience, sediada no Parque Industrial de Medicina Tradicional Chinesa de Guangdong-Macau em Hengqin desde 2019, tem vindo a afirmar-se no mercado dos materiais biodegradáveis e suplementos alimentares de saúde cerebral. O HM conversou com Dora Lyu, CEO da empresa, que denuncia a “escassez” de talentos nesta área Abriram portas em Hengqin em 2019. Que balanço faz da presença na região? Em 2019 começámos do zero, dedicando-nos à investigação e desenvolvimento, fabrico e comercialização de novos materiais derivados da biologia sintéctica e de um suplemento alimentar para a saúde do cérebro: a molécula de beta-hidroxibutirato (D3HB). Após mais de sete anos de consolidação no mercado, a empresa passou de startup a interveniente de referência no seu sector, tanto a nível nacional como internacional, detendo a propriedade intelectual de novos materiais biofabricados, desenvolvida de forma independente. O 15º Plano Quinquenal inclui os biomateriais entre as quatro principais indústrias emergentes estratégicas e a biofabricação entre as seis indústrias do futuro. O foco do nosso negócio alinha-se precisamente com estes novos motores de crescimento económico. Que projectos concretos desenvolvidos nestes anos pode destacar? É particularmente digno de nota que a empresa tenha sido pioneira num primeiro suplemento alimentar do mundo para a saúde cerebral, a pequena molécula de beta-hidroxibutirato, produzida e comercializada através da fermentação da glicose por meio da biofabricação. Trata-se de um exemplo clássico de [um produto] “desenvolvido em Hengqin, comercializado em Macau”. Actualmente, é produzido em escala e comercializado na base do Grupo Nam Yue em Macau, com receitas previstas de dezenas de milhões de patacas de Macau em 2026 e mais de 100 milhões em 2027. Têm apostado sobretudo em produtos ligados à área farmacêutica ou os que substituem artigos de plástico, como palhinhas ou copos de café. Nos últimos sete anos focámo-nos em três áreas-chave: biomateriais PHA de base biológica e totalmente biodegradáveis no sector ecológico e ambiental; materiais PHA biorreabsorvíveis de grau médico, líderes a nível mundial, no sector médico e de cuidados de saúde; e ainda o suplemento alimentar para a saúde cerebral, a pequena molécula de beta-hidroxibutirato, D3HB, no sector da nutrição e saúde. Na prática, os nossos materiais PHA biodegradáveis desenvolvidos em Hengqin, através de fabricantes na Grande Baía, estão a ser utilizados em produtos como palhinhas, tampas de copos e cápsulas de café para marcas como a Starbucks, o McDonald’s, a Nespresso e a Saturnbird. A pequena molécula de beta-hidroxibutirato, ao que sabemos, é o primeiro produto do mundo obtido através da fermentação da glucose e da biofabricação, detendo patentes nacionais e internacionais em toda a cadeia industrial, desde as estirpes e a biofabricação até ao desenvolvimento de aplicações, oferecendo uma vantagem significativa em relação aos produtos sintetizados quimicamente, tanto em termos de pureza como de custo, com um enorme potencial de mercado. Os nossos materiais PHA de grau médico já estão a apoiar várias empresas líderes no desenvolvimento de aplicações tanto para produtos médicos de consumo como para dispositivos médicos. Como podem colocar estes produtos ou materiais biodegradáveis num grande mercado como o chinês, com milhões de consumidores? Ainda existem entraves à adesão a este tipo de produtos? O principal obstáculo é a diferença de preço significativa entre o PHA e os plásticos de base petroquímica, enquanto a implementação e o lançamento completos das políticas ambientais ainda levarão tempo. Estamos a trabalhar para reduzir os custos, garantindo financiamento industrial e capital de risco e investindo continuamente na inovação tecnológica e no aumento da produção, ao mesmo tempo que sensibilizamos a sociedade e o mercado. Que vantagens competitivas oferece Hengqin a empresas no geral, e em particular na vossa área de produção e investigação? O papel da Zona de Cooperação Aprofundada de Hengqin na diversificação das indústrias de Macau está a tornar-se cada vez mais proeminente, particularmente nas áreas da biofarmácia, dos dispositivos médicos e dos novos aditivos alimentares. Tomemos, por exemplo, o Parque Industrial de Medicina Tradicional Chinesa de Guangdong-Macau, onde estamos sediados. A indústria biofarmacêutica está aqui concentrada, com equipamento de teste avançado e plataformas de ampliação fornecidas pelo laboratório provincial de Medicina Tradicional Chinesa e pelas empresas farmacêuticas de Guangdong-Macau, bem como recursos de aplicação provenientes de clientes a jusante. Políticas altamente competitivas de atracção de talentos têm atraído um grande número de doutorados e investigadores de pós-doutoramento para Hengqin para se juntarem a nós, acelerando o desenvolvimento de tecnologias de ponta. Os principais projectos de investigação científica e tecnológica cuidadosamente definidos pelo Departamento de Desenvolvimento Económico também estão a produzir resultados positivos. Entretanto, o sistema universitário bem desenvolvido e robusto de Macau fornece a Hengqin talentos de engenharia de alto calibre. Em termos gerais, Hengqin fez grandes progressos nos últimos anos no âmbito da atracção de talentos, do investimento em financiamento para investigação científica e da construção de plataformas. De que forma a localização em Hengqin tem contribuído, ou pode contribuir, para o crescimento e desenvolvimento da vossa empresa? Essencialmente em três áreas: reforça a sinergia entre as redes comerciais de Macau e Guangdong; integra a empresa no polo de alta tecnologia da Grande Baía; e o excelente ambiente ecológico de Hengqin, combinado com a sua vantagem geográfica de estar adjacente a cidades centrais regionais como Guangzhou e Shenzhen, e oferece uma enorme conveniência para a investigação e desenvolvimento e os intercâmbios comerciais. Que oportunidades específicas encontram na Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau que dificilmente existiriam noutras zonas da China? Há o papel da Grande Baía como base de fabrico avançado e mercado orientado para a exportação, com uma via rápida para os mercados internacionais através de Hong Kong e Macau. Em segundo lugar, há a vantagem política oferecida pelo Governo de Macau na aprovação de novos alimentos. Em terceiro lugar, e mais importante, há a ligação natural de Macau com os países de língua portuguesa. Podemos aceder ao mercado europeu através de Portugal, à América do Sul através do Brasil e a África através de Moçambique, expandindo assim rapidamente a nossa rede comercial global. Considera difícil atrair talentos na área? Deveria mudar a política de recursos humanos para atrair mais quadros qualificados na área das ciências para Hengqin? O talento neste domínio é, de facto, escasso, provindo actualmente principalmente de um pequeno número de instituições, tais como a Universidade de Tsinghua, a Academia Chinesa de Ciências e a Universidade de Tecnologia do Sul da China. No entanto, os programas relevantes da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade de Macau e da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau estão perfeitamente alinhados com as necessidades da empresa, e estamos a reforçar os nossos laços com estas instituições. Ao mesmo tempo, instituições como a Universidade de Ciência e Tecnologia do Sul, a Universidade Sun Yat-sen, o Instituto CAS em Shenzhen e a Universidade de Ciência e Tecnologia de Hong Kong estão também a expandir o seu trabalho no campo da biologia sintética, lançando bases para o talento na indústria. A cidade universitária em Hengqin está a ser construída. Acha que pode ser uma mais valia para a vossa empresa? Sem dúvida. O campus universitário atrairá mais jovens profissionais e estagiários de gestão, ajudando a empresa a crescer e a aumentar a sua visibilidade e, mais importante ainda, promovendo uma colaboração mais estreita entre a indústria, o meio académico e a investigação, o que impulsiona o desenvolvimento tecnológico. Qual a vossa estratégia para chegar ao mercado, seja chinês, seja lusófono ou de língua espanhola? A proximidade de Macau e também Hong Kong é um factor diferenciador e privilegiado? Estar perto de Hong Kong e Macau é altamente vantajoso. Hong Kong já introduziu uma proibição do plástico, e o nosso negócio de PHA de grau industrial está a expandir-se por lá. As vendas da pequena molécula de beta-hidroxibutirato estão a prosperar em Hong Kong e Macau e podem ser alargadas ao Sudeste Asiático. Todas as três linhas de produtos visam o mercado global, e usar Macau como ponte para alcançar os países de língua portuguesa é uma vantagem singularmente favorável. Especificamente, o PHA de grau industrial está focado em entrar no mercado europeu, os dispositivos de PHA de grau médico estão prestes a passar pela certificação CE e a pequena molécula de beta-hidroxibutirato está destinada ao mercado brasileiro. À medida que o nosso negócio global se expande, a influência da empresa continua a crescer. Na China, os produtos das três linhas de negócio também ganharam reconhecimento dos clientes, com vendas a ultrapassarem os cem milhões de yuans. “Longa Marcha” rumo ao Sul Dora Lyu confessou ao HM que a vinda até Hengqin, desde que começou os estudos universitários, foi como uma espécie de ‘Longa Marcha’, uma viagem para sul para se dedicar à inovação e ao empreendedorismo na Grande Baía de Guangdong-Hong Kong-Macau. Formada em Engenharia Química pela Universidade de Yantai e também em Ciência de Materiais na Universidade de Tecnologia Química de Pequim, Dora Lyu fez ainda um MBA na Universidade de Pequim e na Vlerick Business School, na Bélgica, onde teve acesso a “todo o espectro da gestão empresarial, estratégia de mercado, gestão financeira, recursos humanos e gestão da cadeia de abastecimento”.
Trump suaviza tom sobre alegada interferência chinesa antes de encontro diplomático Hoje Macau - 23 Jul 2026 O Presidente norte-americano, Donald Trump, suavizou ontem o tom sobre as alegadas interferências da China nas eleições presidenciais de 2020, antes do encontro entre o secretário de Estado, Marco Rubio, e o chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi. “Vamos falar com eles sobre isso”, afirmou Trump aos jornalistas, referindo-se às acusações de interferência eleitoral dirigidas à China na semana passada. O chefe de Estado norte-americano acrescentou, contudo, que os alegados acontecimentos “ocorreram há muito tempo” e admitiu que “a China pode ser um pouco diferente hoje do que era nessa altura”. “Eles fazem-nos coisas e nós fazemos-lhes coisas. Para ser honesto, também lhes fazemos coisas. Não é uma rua de sentido único, mas vamos falar sobre isso”, declarou. Segundo o jornal de Hong Kong South China Morning Post, que cita fontes familiarizadas com os preparativos, Rubio e Wang deveriam reunir-se ontem, à margem dos encontros ministeriais da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), na capital filipina. O encontro ocorre menos de uma semana depois de Trump ter acusado Pequim de protagonizar “o maior comprometimento de dados eleitorais da história”, alegando que a China obteve ilicitamente mais de 200 milhões de registos de eleitores norte-americanos. Negas de Pequim A embaixada chinesa em Washington rejeitou as acusações, classificando-as como “calúnias completamente infundadas” e reiterando que Pequim segue o princípio da não ingerência nos assuntos internos de outros países. “A China não tem interesse nem nunca interferiu nas eleições dos Estados Unidos”, afirmou o porta-voz da missão diplomática, Liu Chang, citado pelo jornal. Questionado no domingo sobre se iria abordar o tema com Wang, Rubio recusou revelar a agenda do encontro, alegando tratar-se de “assuntos delicados”. O secretário de Estado indicou que continua prevista para setembro uma visita do Presidente chinês, Xi Jinping, aos Estados Unidos. “Quando existem dois países grandes e poderosos como os Estados Unidos e a China, haverá sempre divergências e assuntos em que não concordamos. Mas cabe a países importantes como os nossos continuarem a dialogar e a manter uma relação”, afirmou.
TSMC | China acusa Taiwan de “vender” ilha aos EUA Hoje Macau - 23 Jul 2026 O Governo chinês acusou ontem as autoridades Taiwan de “vender os interesses da ilha aos Estados Unidos”, numa reacção ao anúncio da fabricante de semicondutores TSMC de um investimento adicional em fábricas no estado norteamericano do Arizona. A portavoz do Gabinete para os Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado, Zhang Han, atribuiu o deteriorar da economia taiwanesa à “dependência dos Estados Unidos para alcançar a independência”, alegadamente promovida pelas autoridades da ilha, em declarações proferidas ontem numa conferência de imprensa. Zhang acusou o Partido Democrático Progressista (PDP) de ter “esvaziado os alicerces da economia” ao sacrificar os interesses da indústria local, prejudicando o futuro industrial e os meios de subsistência da população. A TSMC anunciou este mês um investimento adicional de 100 mil milhões de dólares para construir cinco fábricas de microchips no estado do Arizona, aumentando para 265 mil milhões de dólares o montante prometido de investimento no estado norteamericano. Na semana passada, o presidente e director executivo da TSMC, CheChia Wei, afirmou perante investidores que a nova aposta se destina à construção de fábricas de chips avançados e unidades de embalamento de última geração, no âmbito da expansão da empresa nos Estados Unidos. “Acreditamos que este investimento contribuirá para reforçar o ecossistema de semicondutores norteamericano, fortalecer a cadeia de abastecimento e sustentar um número crescente de empregos de alta tecnologia e bem remunerados”, declarou o empresário. O anúncio coincidiu com a divulgação de um salto de 77 por cento nos lucros líquidos da empresa no segundo trimestre, que ultrapassaram os 22 mil milhões de dólares entre Abril e Junho.