San Kio | Pedidas mais informações em autocarros de turismo

A Associação de Mútuo Auxílio dos Moradores do Bairro de San Kio defende que os autocarros de turismo e lazer, lançados recentemente pelo Governo em parceria com operadoras de jogo, devem ter mais informações sobre as comunidades de Macau, de forma a atrair a atenção dos turistas.

Os responsáveis defendem que sejam destacados guias turísticos, ou disponibilizados materiais informativos, para enriquecer os novos percursos de autocarro e facilitar o acesso dos turistas aos bairros comunitários, permitindo a exploração de restaurantes locais e lojas pequenas ou antigas.

Segundo o jornal Ou Mun, a associação, ligada à União Geral das Associações de Moradores de Macau, nomeadamente o seu presidente, Leong Keng Seng, lançou a sugestão depois de uma visita aos bairros para analisar o andamento do programa. A ideia foi também sugerida pelo vice-presidente do conselho fiscal da Associação dos Proprietários de Estabelecimentos União da San Kio de Macau, Chan Peng Hong.

Os dois dirigentes associativos defendem o uso do ecrã de grandes dimensões junto ao Centro de Serviços na Rotunda de Carlos da Maia para reproduzir vídeos promocionais feitos pelo Governo. A ideia seria que os turistas, ao saírem dos autocarros, poderiam obter de imediato informações sobre o bairro de San Kio.

Cartão de consumo | Executivo recusa nova ronda de 10 mil patacas

Chan Hao Weng queria uma nova ronda de cartão de consumo devido ao impacto do aumento dos combustíveis, principalmente entre as famílias mais carenciadas, mas o Governo prefere rever os apoios existentes

O Executivo afastou a possibilidade de distribuir um novo cartão de consumo no valor de 10 mil patacas. A posição foi tomada por Yau Yun Wah, director dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT), em resposta a interpelação do deputado Chan Hao Weng.

O legislador ligado à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) pretendia que o Executivo lançasse uma nova ronda do cartão de consumo para fazer face ao aumento dos preços, devido ao impacto da subida dos combustíveis, e auxiliar as famílias mais vulneráveis.

No entanto, Yau Yun Wah defende que o Governo tem várias medidas para famílias vulneráveis, não colocando a possibilidade de distribuir cartões de consumo, optando antes por rever as medidas em vigor: “Em relação à questão mencionada na interpelação sobre o cartão de consumo, o Governo da RAEM já promoveu uma série das medidas que beneficiam a vida da população, e continuará a rever a eficiência das mesmas”, escreveu Yau.

Como parte das medidas, o director da DSEDT destacou que ao longo deste ano as famílias consideradas carenciadas, como as monoparentais, com membros com doenças crónicas ou membros com deficiências, vão receber 14 meses de subsídio de apoios aos mais carenciados.

O director indicou que este apoio pode ser complementado com outros subsídios como a pensão para idosos, subsídio para idosos, comparticipação pecuniária, vales de saúde, repartição extraordinária de saldos orçamentais, cuidados de saúde gratuitos e isenção das tarifas dos autocarros públicos.

Combustíveis controlados

Sobre o controlo dos preços dos combustíveis, Yau Yun Wah realçou o trabalho do Grupo de Trabalho Interdepartamental para a Fiscalização dos Combustíveis na comunicação com o sector dos combustíveis, em que se pede aos agentes do mercado que assumam “responsabilidades sociais” para garantir um “abastecimento estável” e a estabilização dos preços.

O director da DSEDT elogiou também a eficácia do mecanismo de divulgação de preços dos combustíveis do Conselho de Consumidores (CC), em que, em certos casos, passam meses sem actualizados. “A fim de tornar maior a transparência dos preços dos produtos combustíveis, o CC tem divulgado oportunamente, através da aplicação móvel ‘Posto das Informações de Preços dos Combustíveis’, as informações relativas aos preços de retalho, aos preços com desconto e aos benefícios de variados tipos de produtos combustíveis, para que os consumidores consultem e façam comparação”, apontou.

Livros | Guerra&Paz lança duas obras sobre a China em português

A editora portuguesa Guerra&Paz lançou recentemente duas obras sobre a China em português. Uma delas, na área da ficção, intitula-se “A Magia da China – Lendas e Contos de Fadas”, onde se encontra o “prodigioso imaginário chinês”, segundo o editor, Manuel S. Fonseca. Segue-se a “História da China Antiga e Imperial”, de Damien Chaussende

Acabam de ser editados, no mercado português, duas obras que ajudam a explicar um pouco como é a China – tanto a nível literário como histórico. A Guerra&Paz editou recentemente, em português, “A Magia da China – Lendas e Contos de Fadas”, bem como, já no campo de não-ficção, “História da China Antiga e Imperial”, de Damien Chaussende.

Ao HM, o editor da Guerra&Paz, Manuel S. Fonseca, conta como “A Magia da China – Lendas e Contos de Fadas” revela ao leitor o “prodigioso imaginário chinês”, sendo que a cultura chinesa, no seu entender, “marcou – e continuará a marcar – a história da humanidade”.

Esta obra faz parte de uma colecção inaugurada pelo livro “Lendas e Contos de Fadas Japoneses”. Segundo Manuel S. Fonseca, o objectivo da editora é depois editar uma antologia de lendas e contos de fadas turcos, mas não só.

“É nossa intenção publicar lendas e contos de fadas de várias origens, da Europa à Ásia, passando por outros continentes. A intenção da colecção é revisitar o imaginário infantil e tradicional de uma plêiade de países e continentes”, disse.

Neste caso, foram escolhidos contos do “The Chinese Fairy Book”, organizado por R. Wilhelm, editado em 1921 pela Frederick A. Stokes Company. Manuel S. Fonseca explicou ainda que foi feito um confronto “com a vária bibliografia para chegarmos à selecção que deu lugar a esta edição, que é variada, contemplando diferentes estilos e géneros”.

Com uma tradução feita a partir do inglês, pediu-se à tradutora e respectivas revisoras para “manter a linguagem encantatória típica do género [do conto], muito concreta e precisa”.

“A Magia da China – Lendas e Contos de Fadas” contém histórias como “O Pássaro de Nove Cabeças”, “O Grande Dilúvio” ou ainda “A Rosa do Entardecer”, que encerra o livro. São 17 histórias que remetem para um imaginário muito específico que contam com ilustrações de Ilídio Vasco. A edição inglesa serviu de base à escolha das imagens, mas procurou-se “sempre ilustrar os temas de cada um dos contos, com alguma predominância com ilustrações dos séculos XVIII e XIX”.

Para Manuel S. Fonseca, esta obra traz uma “mensagem de encantamento estético e lúdico” proporcionada pelo imaginário contido nestes contos.

“Contornando o mistério que contos e lendas sempre terão, o outro objectivo é o de dar a conhecer a riqueza folclórica e mágica, o de abrir os leitores da Guerra&Paz – os leitores destes contos de fada do mundo – à revelação dos elementos sobrenaturais tão característicos do universo chinês.”

“Há aqui fábulas de transformação, animais míticos, elementos que vêm do confucionismo, uma sabedoria que não deixa de nos passar uma mensagem a que os leitores portugueses jamais deixarão de ser sensíveis, a de que o amor, se não sempre, muitas vezes vence”, adiantou Manuel S. Fonseca.

Guia histórico

A Guerra&Paz colocou ainda no mercado a obra “História da China Antiga e Imperial”, de Damien Chaussende, historiador e sinólogo francês especializado na história e historiografia da China antiga e medieval. Segundo a descrição da obra, trata-se de um “pequeno guia fundamental, complementado por cronologias, mapas e um glossário”, sendo um livro “essencial para os apaixonados pela China, assim como estudantes, aspirantes a sinólogos e todos aqueles que queiram saber mais sobre o Império do Meio”.

Esta obra divide-se em oito capítulos, que vão desde o nascimento da escrita no país, por volta de 1200 a. c., até à queda do império sinomanchu dos Qing em 1912, já com a implementação da República. Fala-se ainda dos primeiros impérios dos Qin e dos Han (221 a. C.220 d. c.), passando pelos anos da Alta Idade Média, entre os séculos III a VII, pela dinastia Tang e depois pelas chamadas Cinco Dinastias (anos 618 a 960). O livro descreve também como era a China nos anos do império Mongol, de 1276 a 1368, passando depois para a dinastia Ming, dos anos 1368 a 1644.

Segundo descrição da editora, “para cada um dos grandes períodos o autor apresenta o essencial do contexto histórico e o que é preciso reter para se compreender uma cultura rica e exuberante, destacando inúmeras curiosidades e figuras históricas, assim como as grandes obras que constituem a bagagem cultural comum da China dos dias de hoje”.

Marcos do percurso

Na introdução da obra “História da China Antiga e Imperial” pode ler-se que “escrever a história da China antiga e imperial significa, no fundo, olhar para um território da Ásia Oriental, para uma cultura específica – a dos Han e daqueles que se dizem seus herdeiros –, sem ignorar as que estiveram em contacto com ela, como as culturas das estepes do Norte ou as das populações das fronteiras interiores”.

Mas este processo implica também “prestar atenção à forma como a história foi escrita – ou reescrita – nesta parte do mundo”. Desta forma, o livro de Damien Chaussende “tem como objectivo apresentar os grandes marcos históricos, institucionais e culturais da longa e rica história da China”, destacando o facto de “longevidade não significar imobilismo”.

Bem pelo contrário. “Mesmo que o sistema imperial chinês tenha conseguido manter-se por mais de dois mil anos, cada período e cada dinastia teve as suas particularidades em termos de instituições e produções culturais. São essas singularidades que nos esforçámos por sublinhar”, pode ler-se. Na introdução do livro refere-se também que o autor quis “dar destaque aos elementos que, actualmente na China, são considerados parte da cultura geral de todos” e que proporcionam ao leitor “uma melhor compreensão das referências culturais que podem surgir, por exemplo, nos meios de comunicação social, nos discursos políticos ou, mais simplesmente, no decorrer de uma conversa”.

O primeiro capítulo dá conta “dos vários berços de civilização na China”, nomeadamente o facto de “os vestígios de vida humana no território chinês” remontarem ao período do Paleolítico, com o “Homem de Yuanmou, datado de 1,7 milhões de anos”, sendo a “descoberta mais famosa” a do chamado “Homem de Pequim, que viveu há quinhentos mil anos num conjunto de cavernas em Zhoukoudian (a sul da actual Pequim)”.

Descreve Damien Chaussende que “o Mesolítico é relativamente pouco conhecido devido à falta de descobertas arqueológicas”, mas o período do Neolítico “está bem representado, com berços localizados em muitas províncias da China actual, tanto no norte (bacia do rio Amarelo) como no sul (bacia do rio Yangtsé)”.

Há ainda vestígios de civilizações antigas nas zonas costeiras: na actual Henan (cultura Yangshao, 5000-3000 a.c.) ou ainda em Zhejiang, com a cultura Hemudu, que remonta aos anos de 5500 a 3300 a.c. Por sua vez, existem também vestígios na vizinha província de Guangdong, com a cultura Shixia. Ainda assim, “o local retrospectivamente considerado como centro primitivo da civilização chinesa está situado na Planície Central, ou seja, na bacia inferior do rio Amarelo, em torno do rio Luo”.

Patriotismo | Instituição do Povo celebra 18 anos de existência

O Chefe do Executivo espera que a Aliança do Povo de Instituição de Macau promova “o valor essencial do amor pela Pátria e por Macau”. Foi esta a principal mensagem deixada por Sam Hou Fai à associação representativa de parte da comunidade de Fujian, que celebra 18 anos.

No seu discurso, Sam deixou três esperanças para a associação liderada pelo deputado Si Ka Lon, e a primeira foi o patriotismo. Sam Hou Fai associou ainda o nacionalismo à “harmonia e estabilidade sociais”. Como uma das associações mais representadas na Assembleia Legislativa, o Chefe do Executivo destacou que também são este tipo de movimentos que promovem “a tradição de excelência de amor pela Pátria e por Macau”.

Como segundo pedido, Sam indicou que a associação deve “prestar eficazmente serviços comunitários diversificados e potenciar melhor o papel das associações civis”, como forma de descentralizar os recursos da acção governativa. Entre os serviços, Sam indicou “serviços comunitários em edifícios residenciais, serviços para idosos” e para os “ grupos mais vulneráveis”.

Por último, o líder do Governo da RAEM pediu à associação apoio político, para desenvolver o sistema em que o Executivo subordina os outros poderes: “Deve continuar, como sempre, a defender com acções concretas o sistema de predominância do poder executivo, contribuindo conjuntamente para a construção de uma atmosfera social favorável que assegure a implementação deste sistema”, apontou.

Irão | Executado estudante acusado de espiar para a Mossad e CIA

O Irão executou um homem por espionagem para os serviços secretos israelitas e norte-americanos, anunciou ontem a justiça iraniana, na mais recente de uma série de execuções desde o início da guerra desencadeada por Israel e Estados Unidos.

Erfan Shakourzadeh “foi enforcado por colaboração com os serviços de informações dos Estados Unidos e a Mossad”, os serviços secretos externos israelitas, escreveu a Mizan, órgão de comunicação do poder judicial de Israel.

Segundo as organizações não-governamentais Hengaw e Iran Human Rights (IHR), ambas com sede na Noruega, o homem era estudante na prestigiada Universidade de Ciência e Tecnologia de Teerão. Antes da execução, cuja data não foi avançada, redigiu uma mensagem na qual rejeitou as acusações.

“Não deixem que outra vida inocente desapareça em silêncio e sem atenção pública”, escreveu, citado por aquelas organizações. O estudante de mestrado em engenharia aeroespacial foi “submetido a nove meses de severas torturas físicas e psicológicas em isolamento para extorquir confissões forçadas”, pormenorizou a Hengaw.

Segundo a Mizan, Shakourzadeh foi acusado de transmitir “deliberadamente” informações classificadas à CIA e à Mossad enquanto trabalhava numa “das organizações científicas do país activas no sector espacial”. A República Islâmica é há muito alvo de acusações por parte dos países ocidentais, que suspeitam que utilize o programa espacial para desenvolver capacidades em matéria de mísseis balísticos.

Cada vez pior

As detenções e execuções multiplicaram-se no Irão desde o ataque israelo-norte-americano de 28 de Fevereiro, que desencadeou uma guerra regional.

A IHR contabilizou cerca de 30 desde essa data: cinco execuções por espionagem, 13 por alegadas ligações aos protestos de Janeiro, uma relacionada com a vaga de contestação de 2022 e outras 10 por pertença a grupos de oposição proibidos.

Segundo organizações de defesa dos direitos humanos, entre as quais a Amnistia Internacional (AI), o Irão é o país que mais recorre à pena de morte depois da China. As autoridades executaram pelo menos 1.639 pessoas em 2025, um recorde desde 1989, indicaram recentemente as IHR e a organização não-governamental Ensemble Contre la Peine de Mort (ECPM – Juntos Contra a Pena de Morte).

Filipinas | Parlamento envia processo de destituição da vice-presidente

Os parlamentares filipinos aprovaram ontem o envio do processo de destituição contra a vice-presidente das Filipinas, Sara Duterte, para o Senado, que poderá impedi-la de se candidatar à Presidência em 2028.

A filha do antigo Presidente Rodrigo Duterte (2016-2022) é acusada de fraude e corrupção, assim como de ameaças de morte contra o Presidente das Filipinas, Ferdinand Marcos, seu antigo aliado, e outros membros da sua família. Os legisladores votaram 255 a 26 a favor da destituição, com nove abstenções.

De acordo com a Constituição filipina, a aprovação do processo de destituição pela Câmara dos Representantes desencadeia um julgamento no Senado. Uma condenação levaria à destituição de Duterte do cargo e à proibição vitalícia de ocupar cargos públicos.

“Esta já não é apenas uma questão política. É uma questão de consciência, dever e do futuro da nossa nação”, disse o deputado Bienvenido Abante após a votação. “Não se trata de 2028, não se trata de alianças políticas, trata-se de saber se ainda acreditamos que ninguém está acima da lei”, acrescentou.

Minutos antes da votação, os senadores elegeram um novo presidente, Alan Peter Cayetano, um aliado de longa data de Sara Duterte.

Cayetano, que desempenhou as funções de Ministro dos Negócios Estrangeiros durante o governo do ex-Presidente Rodrigo Duterte, negou qualquer ligação entre a sua candidatura à presidência do Senado e a votação na Câmara sobre o processo de impeachment.

Em Abril último, uma comissão do Congresso filipino declarou ter encontrado motivos suficientes para iniciar um processo de destituição contra a vice-presidente Sara Duterte, o que poderia impedi-la de se candidatar à Presidência em 2028.

Amplamente cotada para suceder ao pai, Rodrigo Duterte, nas eleições presidenciais de 2022, desistiu na altura em favor de Ferdinand Marcos Jr., com quem se aliou quando assumiu a vice-presidência.

A era da responsabilidade limitada vs. A era da responsabilidade ilimitada (II)

A semana passada, mencionámos uma história publicada num jornal chinês sobre Chen Jinying, uma mulher que aos 80 anos se viu a braços com uma divida comercial de 2,77 milhões de renminbis. Depois de vender a fábrica, a casa e os bens pessoais não quis beneficiar da protecção dada aos accionistas pela responsabilidade limitada, nem declarou falência para se eximir à dívida. Nos dez anos que se seguiram, através do seu próprio esforço, honrou todos os seus compromissos, uma tarefa verdadeiramente árdua para uma pessoa da sua idade.

A decisão de Chen, à luz do actual contexto comercial, parece particularmente “pouco convencional,” no entanto, revela uma visão sobre ética empresarial, que tem adeptos e detractores.

A principal discordância encontra-se nos limites da responsabilidade. O sistema da responsabilidade limitada estabelecido pela moderna legislação comercial pretende definir um patamar de risco: os accionistas são responsáveis pelas dívidas da empresa apenas na medida do seu investimento, incentivando o empreendedorismo e a inovação, impedindo que a falência do negócio paralise os indivíduos e as suas famílias e injectando a vitalidade da tentativa e erro na economia de mercado. No entanto, a escolha de Chen, representa a visão tradicional de responsabilidade ilimitada. Ela renunciou voluntariamente ao refúgio seguro previsto por lei, assumiu na totalidade as dívidas da sua empresa e as suas obrigações morais, construindo voluntariamente uma reputação de integridade através do trabalho árduo dos seus últimos anos.

Ambos os modelos têm pontos fortes e pontos fracos e podem ser usados como exemplo um para o outro.

A vantagem da responsabilidade limitada para os accionistas é a redução do risco e o apoio à inovação e à economia; a desvantagem é gerar facilmente situações dúbias do ponto de vista moral, sendo que alguns empresários recorrem abusivamente da responsabilidade limitada para declarar falência, transferir bens, evadir-se a dividas e prejudicar os legítimos interesses e direitos dos credores.

A vantagem do modelo tradicional baseado na integridade é a solidificação do crédito pessoal, a manutenção dos laços de confiança no seio de comunidades unidas e de pequenos círculos sociais, podendo criar raízes no coração das pessoas. A sua desvantagem é impor exigências extremamente rigorosas, tornando-se difícil adaptar este modelo às modernas operações comerciais de larga escala, e às necessidades das pessoas comuns.

A cultura comercial verdadeiramente madura e moderna nunca se faz a partir de uma escolha binária, mas sim de regras que suportam o resultado final e onde a moralidade tem prioridade. Devemos respeitar o valor legal da responsabilidade limitada e usá-la para proteger aqueles que não foram felizes nos seus empreendimentos; no entanto, nunca devemos recorrer às lacunas do sistema como desculpa para nos evadirmos ao espírito celebrado nos contratos. O melhor princípio condutor seria manter os limites legais da responsabilidade limitada, mantendo ao mesmo tempo a linha moral de integridade ilimitada.

Muitos admiram a integridade e a perseverança de Chen que a levou a saldar as suas dividas ao longo de dez anos, mas muitas vezes ignoram dois detalhes comoventes e preciosos da sua história que revelam o calor da confiança humana.

Em primeiro lugar, o seu empenhamento de toda a vida na construção da dignidade profissional. Mesmo quando estava atolada em dívidas, Chen sempre manteve os seus produtos ao melhor nível, recusando-se a comprometer a qualidade ou a seguir por atalhos para iludir o mercado. Mesmo depois dos noventa anos, manteve a ética profissional e um profundo respeito pelo seu trabalho. Foi este profissionalismo rigoroso que lhe permitiu manter o seu sustento e que possibilitou que gradualmente fosse reparando as suas enormes dívidas.

Em segundo lugar, a boa vontade entre Chen e os seus credores. Ao longo desses dez anos, muitos credores compreendendo as dificuldades que esta mulher idosa enfrentava, nunca a pressionaram; muitos ofereceram-se para reduzir os juros ou para dilatar os prazos de pagamento. No entanto, Chen recusou educadamente todas as ofertas e insistiu em pagar as dívidas na integra e os juros. Um dos lados manteve a integridade sem fugir à responsabilidade, enquanto o outro foi tolerante e disposto a perdoar, formando um círculo de confiança virtuoso. Isto demonstra que a integridade não é uma busca solitária, mas um consenso social que se alimenta nos dois sentidos.

Chen pode não ser uma empresária de sucesso a nível mundial, mas é sem dúvida uma das mais respeitáveis guardiãs da integridade da nova era. Dez anos de dificuldades como vendedora de rua, uma vida inteira de compromisso inabalável com a integridade—através das suas acções ela disse ao mundo que embora a lei permita perdoar dívidas, a consciência nunca pode ser comprometida; os sistemas podem definir os limites da responsabilidade, mas a integridade não tem um tecto.

No mercado de capitais actual cada vez mais competitivo, muitas pessoas exploram as lacunas das regras e atropelam a integridade. A história da “Avó Honesta” é como um farol que ilumina as aspirações de todos os homens de negócios e de todas as pessoas comuns. Os livros de contabilidade têm limites, mas a integridade não os tem; as regras têm resultados, mas a consciência não pode ser violada.

Professor Associado da Faculdade de Ciências de Gestão da Universidade Politécnica de Macau
cbchan@mpu.edu.mo

Tailândia | Antigo primeiro-ministro libertado da prisão

O antigo primeiro-ministro da Tailândia Thaksin Shinawatra, figura-chave da política local, foi libertado ontem de uma prisão da capital Banguecoque.

O bilionário de 76 anos, que fez fortuna no sector das telecomunicações, cumpria desde Setembro uma pena de um ano de prisão por corrupção. Shinawatra será obrigado a usar uma pulseira electrónica de monitorização durante o período de liberdade condicional de quatro meses.

A família Shinawatra, com o seu partido Pheu Thai e formações políticas anteriores, dominou a vida política tailandesa durante cerca de 20 anos. Apoiado pelas populações rurais, o partido foi durante muito tempo um inimigo declarado da elite pró-militar e pró-monarquia, que via o populismo de Shinawatra como uma ameaça à ordem social tradicional.

Thaksin Shinawatra foi primeiro-ministro de 2001 a 2006, antes de ser deposto num golpe militar e de se exilar durante cerca de dez anos. A irmã mais nova, Yingluck, foi primeira-ministra de 2011 a 2014, antes de ser também deposta pelos militares, e a filha, Paetongtarn, foi exonerada em Agosto de 2025, após um ano no cargo.

O Partido Pheu Thai registou o pior resultado eleitoral nas eleições parlamentares de fevereiro, caindo para o terceiro lugar e levantando questões sobre o futuro da dinastia política Shinawatra. No entanto, a inclusão do partido na coligação governamental do primeiro-ministro conservador, Anutin Charnvirakul, deixou em aberto a possibilidade de um regresso político da família.

Índia | PM pede menos uso de combustível devido à guerra

Narendra Modi apelou à população para utilizar transportes públicos e dividir as viagens de carro com outros cidadãos para reduzir o consumo de gasolina

O primeiro-ministro indiano pediu à população que reduza o consumo de combustível e limite o envio de encomendas para proteger a economia do país contra os efeitos da guerra do Irão, divulgou ontem a imprensa internacional.

“Devemos reduzir o nosso consumo de gasolina e gasóleo (…), vamos utilizar o metro sempre que houver um. Se for absolutamente necessário ir de carro, vamos tentar encher o depósito e dar boleia a outras pessoas. Se precisarmos de enviar mercadorias, devemos tentar enviá-las de comboio”, pediu Narendra Modi durante um discurso no domingo, citado pela agência de notícias EFE.

Os Estados Unidos e Israel lançaram ataques em 28 de Fevereiro contra o Irão, que retaliou contra países do Médio Oriente com interesses norte-americanos, levando ao encerramento também do estreito de Ormuz. Um cessar-fogo foi declarado em 08 de Abril, mas as negociações de paz continuam sem apresentar resultados concretos.

Embora o petróleo tenha ultrapassado a marca dos 100 dólares por barril devido ao encerramento do estreito de Ormuz, a Índia evitou até agora repercutir o custo total do aumento de preços nos consumidores.

No entanto, os meios de comunicação locais preveêm que o governo decrete um aumento de preços nos próximos dias para conter os enormes prejuízos acumulados pelas distribuidoras estatais de combustíveis. O encerramento do estreito de Ormuz, uma artéria vital para o comércio global de energia, também pressionou o fornecimento de fertilizantes e gás na Índia.

Guardar moeda

Em resposta, Modi pediu aos agricultores que reduzissem o uso de fertilizantes para que a agricultura não dependesse das importações e para preservar as reservas cambiais.

“A compra de ouro é outra área onde se utiliza moeda estrangeira extensivamente. No interesse nacional, devemos decidir não comprar ouro durante um ano”, declarou o primeiro-ministro, provocando ontem uma queda acentuada nas ações neste sector.

“O mesmo se aplica ao óleo alimentar. Temos de gastar moeda estrangeira na sua importação. Se cada família reduzir o consumo de óleo alimentar, será um grande contributo para o patriotismo”, acrescentou.

Mais de dois meses após o início da guerra no Médio Oriente, países vizinhos como o Nepal, o Bangladesh e o Paquistão já implementaram aumentos drásticos nos preços dos combustíveis, deixando a Índia como uma das últimas grandes economias da região a adoptar medidas indirectas de racionamento para evitar um colapso na balança de pagamentos.

China | Inflação a supera previsões dos analistas e passa para 1,2% em Abril

O Índice de Preços no Consumidor (IPC), o principal indicador de inflação da China, subiu 1,2 por cento em Abril face ao período homólogo, mais 0,2 pontos percentuais em relação a Março, foi ontem anunciado.

Os dados divulgados pelo Departamento Nacional de Estatística (NBS, na sigla em inglês) contrariam as expectativas dos analistas, que previam uma queda, do valor de 1 por cento registado em Março, para 0,8 por cento.

A instituição atribuiu a tendência principalmente ao impacto dos preços internacionais do crude e ao aumento da procura devido às viagens de férias, num mês que incluiu um feriado prolongado de três dias pelo Dia dos Finados chinês e os dias que antecederam o feriado de cinco dias que começou a 1 de Maio, o Dia do Trabalhador.

O especialista do NBS Dong Lijuan observou que os preços da energia subiram 5,7 por cento em relação ao mês anterior, com um aumento notável de 12,6 por cento na gasolina, no meio do aumento dos custos dos combustíveis devido à guerra no Irão e ao bloqueio do estreito de Ormuz, por onde passam aproximadamente 45 por cento das importações de gás e petróleo da China.

Dong salientou ainda que os serviços de transporte e turismo, impulsionados pelos feriados referidos, registaram aumentos mensais nas passagens aéreas (mais 29,2 por cento), no aluguer de automóveis (mais 8,6 por cento) e no alojamento em hotéis (mais 3,9 por cento).

Em comparação com o ano anterior, os preços dos alimentos caíram 1,6 por cento. As reduções assinaláveis nesta categoria incluíram a carne de porco (menos 15,2 por cento), os legumes frescos (menos 0,5 por cento) e a fruta (menos 1 por cento), estas últimas beneficiando do aumento das temperaturas e do aumento da oferta.

Entretanto, os preços das joias de ouro subiram 46,9 por cento em termos homólogos, embora o aumento tenha desacelerado em comparação com o mês anterior.

Outras contas

A inflação subjacente, que exclui os preços dos alimentos e da energia devido à sua volatilidade, situou-se em 1,2 por cento face ao ano anterior. O NBS divulgou também o Índice de Preços no Produtor (IPP), que mede os preços industriais e apresentou um aumento de 2,8 por cento em Abril na comparação anual, o valor mais elevado desde julho de 2022.

Na comparação mensal, o IPP passou de uma queda de 0,7 por cento em março para um aumento de 0,3 por cento no quarto mês do ano, impulsionado pelos “factores internacionais” nos mercados de matérias-primas. Os sectores mais afetados foram a extração de petróleo e gás natural, onde os preços subiram 18,5 por cento face ao mês anterior, e o processamento de combustíveis (mais 16,4 por cento).

Dong destacou ainda os aumentos de preços em setores ligados à computação e à electrificação, como o fabrico de fibra óptica (mais 22,5 por cento), devido ao rápido crescimento da procura de poder computacional impulsionado pela ascensão da inteligência artificial (IA).

Por fim, o NBS indicou que as medidas aplicadas para optimizar a ordem do mercado e combater a “concorrência irracional” permitiram mudanças positivas em setores como o fabrico de baterias de iões de lítio (mais 1,6 por cento face ao mês anterior) ou os veículos eléctricos e as energias renováveis, onde a descida dos preços abrandou para 0,1 por cento.

China / EUA | Pequim demonstrou vontade de estabilidade nas relações

O presidente norte-americano vai realizar uma visita de Estado à China entre quarta-feira e sexta-feira, a convite do homólogo chinês, Xi Jinping

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da China afirmou ontem que quer introduzir mais estabilidade às relações internacionais, durante a cimeira entre os presidentes chinês e o norte-americano, na quarta-feira, em Pequim.

Segundo o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Guo Jiakun, a República Popular da China “pretende trabalhar” com os Estados Unidos numa base de igualdade e em “espírito de respeito e preocupação com os interesses mútuos”.

De acordo com o porta-voz diplomático, a posição de Pequim tem em vista o desenvolvimento da cooperação, gestão das diferenças e criar “mais estabilidade e segurança a um mundo [que está] instável e interdependente”.

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vai realizar uma visita de Estado à China e que se vai prolongar entre quarta-feira e sexta-feira, a convite do homólogo chinês, Xi Jinping. A confirmação oficial da deslocação foi divulgada ontem por Pequim, dois dias antes do início da viagem e depois de a Administração norte-americana ter agendado a visita para as datas anunciadas.

A viagem vai decorrer após a trégua comercial acordada pelos dois líderes em Outubro, na cidade sul-coreana de Busan. Trata-se da primeira deslocação de um Presidente dos Estados Unidos a Pequim desde a visita de Trump em 2017, durante o primeiro mandato como chefe de Estado.

Lado B

Por outro lado, China acusou ontem os Estados Unidos de “difamar” outros países “explorando a situação de guerra” no Irão, depois de Washington ter sancionado três empresas chinesas de satélites por alegadamente facilitarem operações militares iranianas.

O mesmo porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Pequim acrescentou que a República Popular da China “se opõe firmemente” às sanções unilaterais “sem fundamento no direito internacional” e assegurou que Pequim vai defender os “direitos e interesses legítimos” das empresas chinesas.

O Departamento de Estado anunciou, na sexta-feira, sanções contra as empresas chinesas Chang Guang Satellite Technology, The Earth Eye e MizarVision, acusadas de fornecer imagens de satélite que alegadamente facilitaram ataques iranianos contra forças norte-americanas no Médio Oriente.

Questionado sobre as notícias de que Donald Trump iria pressionar Xi Jinping sobre a posição da China em relação ao Irão durante a visita a Pequim, Guo reiterou que a postura de Pequim “tem sido consistente” e afirmou que a China vai continuar a desempenhar um “papel construtivo” na promoção de um cessar-fogo e no empenho de um quadro negocial.

Pressões americanas

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pretende “pressionar” o seu homólogo chinês, Xi Jinping, durante a deslocação à China, prevista para os próximos dias, quando tenta pôr fim à guerra no Irão, afirmou domingo um responsável norte-americano. De acordo com a mesma fonte, citada pela agência francesa AFP, Trump abordou “em múltiplas ocasiões” a questão das receitas que o Irão obtém da China através da venda de hidrocarbonetos, bem como de bens de uso tanto civil como militar.

“Espero que esta conversa continue (…). Espero que o Presidente faça pressão”, como tem feito durante as suas últimas conversas com o líder chinês, disse o responsável, que falou aos jornalistas sob anonimato. A questão das recentes sanções adoptadas pelos Estados Unidos contra a China em relação à guerra no Irão também deverá ser abordada, acrescentou. O comércio, os direitos aduaneiros e a Inteligência Artificial também estarão na agenda das discussões desta visita.

Museu do Grande Prémio celebra cinco anos de existência

É no próximo dia 1 de Junho que o Museu do Grande Prémio de Macau celebra o quinto aniversário com uma série de actividades. Já a celebração do Dia Internacional dos Museus, acontece na próxima segunda-feira, 18 de Maio, com o tema “Museus a unir um mundo dividido”. Para começar, nesse dia o museu terá entrada gratuita, com actividades especiais que decorrem neste fim-de-semana.

Uma delas é a leitura da história infantil “Passeio da Mak Mak por Macau – Grande Prémio de Macau”, das 15h às 16h, incluindo a “narração da história, pequenos trabalhos manuais, jogos e sessão de fotografias com a Mak Mak”, destinando-se a crianças com cinco ou mais anos de idade, acompanhadas por um dos pais ou encarregado de educação. Há 15 vagas disponíveis.

Por sua vez, a 23 de Maio realizam-se três sessões do workshop “Let’s Glow! – Workshop de Placas de Néon de Corrida”, nos horários das 10h30, 13h30 e 16h. Cada sessão dispõe de 15 vagas para pares (pais/filhos) ou para participantes individuais.

Carnaval na rua

Também no dia 17, domingo, realiza-se o “Carnaval do Dia Internacional dos Museus de Macau 2026”, entre as 14h e as 18h, na Praça dos Lótus no Bairro da Ilha Verde, sendo que o Museu do Grande Prémio de Macau terá uma banca com o jogo “Pista de Dedo: A Batalha dos Pequenos Pilotos”.

Destaque também para a realização, no dia 31 de Maio, de “Senna Lendário – Workshop de Modelo de Madeira de Corrida F3”, a “primeira iniciativa em antecipação do quinto aniversário do museu”. Há três sessões, às 10h30, 13h30 e 16h, sendo que os participantes poderão montar uma maqueta de madeira do carro F3 de Ayrton Senna, um produto que foi premiado nos “Hong Kong Smart Design Awards”.

No dia de aniversário, 1 de Junho, será ainda entregue a cada visitante um autocolante com um motivo gráfico para ser afixado num painel interactivo com a silhueta do número “5”, construindo-se uma grande instalação alusiva ao aniversário.

Os presentes poderão ainda participar gratuitamente, nas instalações do Museu, no jogo interactivo “Caça ao tesouro com lupa: Aventura para decifrar códigos”, sendo que o prémio principal é um modelo em miniatura do carro campeão Triumph TR2, construído com peças exclusivas MOC (My Own Creation).

“Somos” | Moçambicano Hamir da Silva arrecada primeiro prémio de concurso de fotografia

Já são conhecidos os vencedores da sétima edição do concurso de fotografia “Somos – Imagens da Lusofonia 2025/26”, que deu o primeiro prémio ao fotógrafo moçambicano Hamir da Silva. Dois portugueses arrecadaram o segundo e terceiro prémio. A mostra com os trabalhos seleccionados pode ser vista nas Casas Museu da Taipa

A Somos – Associação de Comunicação em Língua Portuguesa acaba de divulgar os vencedores da mais recente edição, a sétima, do concurso de fotografia “Somos – Imagens da Lusofonia 2025/26”. Esta edição teve como tema “O Hoje do Passado” e voltou a dar o primeiro prémio a Moçambique, nomeadamente ao fotógrafo Hamir da Silva.

Segundo um comunicado da associação, este concorreu “com a imagem de um homem a sintonizar a frequência de um rádio antigo, resistente ao tempo, num mundo que corre atrás das novas tecnologias”.

A fotografia de Hamir, intitulada “Resiliência da comunicação”, remete “para a intemporalidade de um rádio antigo e duas latas unidas por um fio improvisado, numa reinvenção da infância e da cultura de brincar que atravessa gerações”. Por sua vez, “no centro da imagem, um homem sintoniza, pacientemente, a frequência do aparelho que resiste ao tempo”, explica a associação, sendo que “enquanto o mundo corre atrás de novas tecnologias, o senhor Gilbert relembra que o simples pode ser extraordinário e que a memória tem o poder de unir pessoas”.

Hamir da Silva recebe dez mil patacas de prémio, bem como uma viagem e estadia em Macau, para participar na cerimónia de inauguração da exposição e em workshops organizados localmente.

O segundo prémio foi atribuído a Adão Salgado, de Portugal, e Carlos Júlio Teixeira, também de Portugal, ganhou o terceiro lugar. Ambos apresentaram “fotografias de tradições que perduram até hoje, desde a pesca artesanal- Arte Xávega – ao coro de mulheres durante a festa a São Vicente”.

A exposição de fotografia que resulta deste concurso será inaugurada a 29 de Maio, a partir das 18h30, nas Casas Museu da Taipa.

Pescas e festas

Adão Salgado, que ficou em segundo lugar, ganhando sete mil patacas de prémio, apresentou a concurso a fotografia “O mar como legado vivo”, representando “a técnica secular da pesca tradicional portuguesa – Arte Xávega – que continua a alimentar comunidades e a definir a alma do litoral português”.

Trata-se de “um ciclo produtivo pleno de função e propósito: a rede que sobe o areal traz consigo o sustento de agora e a herança de outrora; apoiado pelo esforço dos pescadores, assiste-se à vitalidade de um ofício que resiste à globalização”.

Já Carlos Júlio Teixeira recebeu o terceiro prémio, no valor de cinco mil patacas, com a imagem “A fé cantada” tirada no interior de uma igreja, durante a festa devotada a São Vicente. Aqui, “vozes reúnem-se em coro num acto de fé pública, quase ancestral”, tratando-se de “mulheres que cantam, e é na sua voz que permanecem vivas as memórias de um povo que canta para não esquecer”.

Outros prémios

A Somos atribuiu ainda três menções honrosas a Carlos Costa (Portugal) com “Varge” tirada em Trás-os-Montes durante as “Festas dos Rapazes”, uma tradição antiga e emblemática da região. Clarice Carvalho (Brasil) ganhou a distinção com “Presente do passado”, imagem que representa “a força da escrita a atravessar o tempo, permanecendo activa não como vestígio, mas como continuidade”.

Por sua vez, Marcos Júnior, também de Moçambique e que venceu a edição anterior do concurso, ganhou a menção honrosa com “Crescer entre memórias”, imagem “tirada diante de uma casa onde paredes antigas carregam histórias coloniais”.

Representam-se, aqui, “vozes distantes e marcas de uma relação histórica entre Moçambique e Portugal, construída num tempo que não lhes pertence as crianças brincam como se o passado nunca tivesse sido pesado”.

Gonçalo Lobo Pinheiro, fotojornalista que presidiu ao júri do concurso e membro da Somos, disse, citado por um comunicado, que este concurso voltou a “ser um sucesso ao nível da participação”, com centenas de fotografias a concurso, provenientes de diversos pontos da esfera lusófona. Um dado que confirma a vitalidade do projecto e o seu alcance internacional, “algo que muito nos orgulha”. Ao nível das obras submetidas destacaram-se propostas muito “consistentes, que justificaram plenamente a selecção final”.

Assim, disse, os vencedores, bem como as menções honrosas atribuídas “reflectem a diversidade geográfica e criativa do universo lusófono”. A mostra inclui 34 fotografias além das imagens que arrecadaram os primeiros prémios e menções honrosas. Terá curadoria do arquitecto e fotógrafo, Francisco Ricarte.

Contrabando | Detectados 18 casos até 7 de Maio

Os Serviços de Alfândega anunciaram que entre 29 de Abril e 7 de Maio detectaram 18 casos de contrabando, que levaram à apreensão de 86 quilos de prata, 87.960 cigarros e 36.400 cigarros electrónicos. Os resultados das várias operações foram divulgados no domingo, e os bens apreendidos foram avaliados em 1,72 milhões de patacas.

Entre as 18 pessoas interceptadas na fronteira das Portas do Cerco e no Aeroporto Internacional de Macau, o mais novo tinha 18 anos e o mais velho 79 anos.

Em relação aos casos de contrabando de prata, um bem cada vez mais valioso, nove pessoas eram residentes de Macau, três de Hong Kong e três do Interior. Em todos os casos os SA afirmaram que decidiram abordar os suspeitos, por considerarem que mostravam sinais de nervosismo injustificado, quando atravessavam a fronteira. A prata foi encontrada não só dentro dos bolsos dos suspeitos, mas também junto ao corpo, onde estava presa com fita cola e outros métodos.

No que diz respeito ao contrabando de tabaco e cigarros electrónicos, todos os três interceptados eram provenientes do Interior, e traziam os produtos dentro das bagagens com que tinham viajado para o Aeroporto Internacional de Macau. As autoridades indicaram que ao entrarem com aqueles produtos não declarados, os suspeitos pouparam cerca de 130 mil patacas em impostos. Os casos foram encaminhados para os Serviços de Saúde, responsáveis pela supervisão de produtos relacionados com tabaco.

PJ | Segurança Nacional utilizada para burlas

A Polícia Judiciária (PJ) emitiu ontem um comunicado a alertar que a segurança nacional está a ser utilizada como pretexto para burlar os residentes. Só num caso, levou a perdas de 217 mil patacas. Segundo o comunicado, um residente recebeu um telefonema por parte de burlões que falavam cantonês e se fizeram passar pela PJ.

Nessa chamada, os alegados burlões identificaram o cidadão pelo nome completo, ainda antes de este fornecer essa informação, e depois disseram-lhe que estava a ser investigado por violar a lei da segurança nacional, por ter proferido “declarações políticas erradas”.

Os burlões transferiram depois o telefonema para um outro burlão que se fez passar pelas autoridades do Interior e que iniciou uma videochamada por WhatsApp como um interrogatório, em que inclusive aparecia com o uniforme da polícia. O residente de Macau não suspeitou da burla, forneceu os seus dados, fez uma transferência bancária como “caução” e acabou burlado em 217 mil patacas.

Rua dos Ervanários | “Fábrica das Bifanas” serve petiscos tradicionais

Era para abrir em Lisboa, mas as raízes em Macau de Ricardo Rebelo de Almeida levaram-no a trazer o negócio da “Fábrica das Bifanas” para o território. A típica bifana à moda do Porto pode ser provada na Rua dos Ervanários, mas não falta a bifana semelhante à receita da cidade de Vendas Novas, no Alentejo

Turistas e locais já têm um novo espaço para provar as típicas bifanas portuguesas, seja a receita do Porto, seja a de Vendas Novas. Na “Fábrica das Bifanas”, na Rua dos Ervanários, o sabor é sempre português num negócio trazido para Macau por Ricardo Rebelo de Almeida.

Ao HM, o responsável confessou que Macau nem era o destino inicial deste investimento. “A Fábrica das Bifanas foi inicialmente pensada para ser desenvolvida na zona de Carcavelos, Grande Lisboa. Mas tenho uma ligação forte a Macau, onde cresci, e circunstâncias pessoais levaram-me a permanecer no território. Nesse contexto, fez sentido concretizar aqui o projecto, que já estava estruturado, adaptando-o à realidade local. A minha ligação a Macau foi determinante na decisão de avançar com o projecto aqui”, contou.

Apesar de ter trazido para Macau a receita tradicional da bifana da zona do Porto, a verdade é que a “Fábrica das Bifanas” também trouxe este petisco na sua versão mais clássica, ou seja, “mais próxima da tão apreciada bifana de Vendas Novas em termos de sabor, mas diferenciada, porque usamos o mesmo corte ultrafino da carne, o que lhe confere uma textura e experiência distintas”.

Além disso, a “Fábrica” tem também pão com chouriço “pleno de sabor e servido quente, que tem sido igualmente bem recebido pelo público”.

Ricardo conta que o segredo das bifanas à moda do Porto baseia-se no “corte ultrafino e forma de confecção”, sendo uma iguaria “cozinhada lentamente num molho previamente preparado, o que permite uma melhor incorporação de sabores”. O pão utilizado em todos os petiscos é sempre “proveniente de Portugal, preservando o sabor tradicional”.

Feedback “muito positivo”

Com a casa aberta há poucas semanas numa das zonas mais turísticas da península de Macau, Ricardo Rebelo de Almeida destaca que “o feedback [do público] tem sido muito positivo”, tendo recebido “muitos clientes locais e também um volume significativo de visitantes e turistas de várias nacionalidades”.

Questionado sobre os desafios de investir no sector da restauração em Macau nesta fase, o mentor da “Fábrica das Bifanas” frisou que houve “especial preocupação com a escolha do local para a abertura do espaço”. “Sobretudo acreditámos no produto diferenciado que oferecemos”, adiantou, querendo agora “consolidar a ‘Fábrica das Bifanas’ como uma marca reconhecida localmente”, nomeadamente “reforçar a presença junto do público de Macau e visitantes”.

Contudo, e “num horizonte mais longo, faz parte da visão avaliar oportunidades de crescimento, sempre de forma sustentável e alinhada com a evolução do projecto”, revelou o empresário.

Hainan | Kevin Ho lamenta fraco investimento de empresas de Macau

O deputado Kevin Ho lamenta que apenas a MGM marque presença em Sanya, numa zona de cooperação entre Hainan e Hong Kong. O também empresário lamenta as oportunidades desperdiçadas e destaca o projecto de desporto electrónico de Mário Ho, filho de Stanley Ho e de Angela Leong

“Macau também é uma cidade internacional, mas será que não estamos a perder oportunidades? Além da MGM, mais nenhuma outra empresa de Macau tem presença em Sanya.” Foi desta forma que o deputado Kevin Ho lamentou a falta de ambição empresarial da RAEM durante uma visita da delegação dos membros de Macau à Assembleia Popular Nacional (APN) a Hainan e à zona de demonstração de Sanya para cooperação económica entre a província chinesa e Hong Kong.

Tendo em conta a experiência do tecido empresarial de Macau no turismo, o deputado considera que as conquistas na área dos elementos não-jogo podem ser determinantes para colher os benefícios do desenvolvimento de Sanya. Porém, “as empresas de Macau não aproveitam as oportunidades”, indicou em declarações ao jornal Ou Mun.

O também empresário destaca o projecto para um resort dedicado a desportos electrónicos (competições de jogos) a cargo da empresa de Mário Ho, filho de Stanley Ho e da deputada Angela Leong.

Na passada sexta-feira, a empresa do NIP Group do jovem magnata, ganhou em leilão um lote em Sanya, com área de cerca de 74 mil metros quadrados, por 680 milhões de renminbis, onde será construído o resort. Mário Ho garantiu que vai investir mais de 1,4 mil milhões de renminbis no futuro. Em 2011, foi inaugurado o hotel MGM Grand Sanya e em 2025, o grupo anunciou que iria construir um segundo hotel, num investimento total de cerca de 2 mil milhões de renminbis.

Então e Hengqin?

À semelhança do desejo de investimento em Hainan, Kevin Ho apontou baterias à zona de cooperação aprofundada em Hengqin e no potencial do mercado de turismo para as marcas hoteleiras estabelecidas na RAEM.

O deputado prometeu que, assim que voltar a Macau, vai usar a sua posição para convencer as concessionárias do jogo a contribuírem para o desenvolvimento turístico de Hengqin.

Por seu turno, o membro de Macau na APN Dominic Sio Chi Wai, também durante a visita a Hainan, apontou a necessidade de atrair empresas de grande capital para Hengqin. Tendo em conta que uma parte fundamental do processo de investimento recair na confiança nas perspectivas económicas, o responsável apela à paciência e convicção no crescimento de Hengqin, da Grande Baía e do país.

Durante a visita de estudo, a delegação de Macau visitou estaleiros de obras, um centro de promoção de investimento e hotéis em Sanya.

Jogo | Impostos rendem mais de 9 mil milhões

Até Abril, os impostos que incidem sobre o jogo renderam aos cofres do território 9,07 mil milhões de patacas, de acordo com os dados mais actualizados da Direcção de Serviços Finanças (DSF). Em comparação com Março, os números mostram um aumento de 2,3 por cento, dado que até esse mês o montante com os impostos do jogo tinha sido de 8,87 mil milhões de patacas.

Nos primeiros quatro meses do ano as receitas brutas do jogo atingiram 34,87 mil milhões de patacas, um aumento anual de 16,9 por cento, dado que nos primeiros quatro meses de 2025 o montante tinha sido de 29,84 mil milhões de patacas. Os dados oficiais mostram ainda que o jogo contribuiu com praticamente 86,5 por cento do total das receitas correntes do orçamento, que no final de Abril eram de 40,30 mil milhões de patacas.

Autocarros | Média diária de 673 mil passageiros

Durante o primeiro trimestre deste ano, os autocarros públicos transportaram uma média de 673,4 mil passageiros por dia, o que contribuiu para um total de 60,6 milhões de passageiros em três meses.

Os dados foram actualizados no portal da Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT). O autocarro número 25, que faz o percurso entre as Portas do Cerco e Coloane, passando por locais muito populares como a Rua do Campo, Praça Ferreira Amaral ou o Cotai, foi o mais popular com uma média de 28 mil passageiros por dia.

No pólo oposto, o autocarro menos utilizado foi o H!, que faz o percurso para o hospital, com uma média diária de 690 passageiros. O autocarro número 26 faz o percurso mais longo, com 46,73 quilómetros, enquanto o número 21A é aquele que tem mais paragens, 76 no total. No final do primeiro trimestre, havia 86 percursos normais, o que exclui os autocarros expresso, e as duas empresas, Transmac e TCM, com um total de 964 veículos.

Seguradoras | AMCM afasta cobrança por serviços em Hong Kong

A Autoridade Monetária de Macau (AMCM) recusou a possibilidade de as seguradoras no território cobrarem comissões aos clientes, quando prestam auxílio à contratação de um seguro automóvel em Hong Kong, exigência para poder circular na Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau.

Numa interpelação escrita, o deputado Leong Sun Iok, ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), levantou o problema de as seguradoras locais estarem a prestar este tipo de assistência aos clientes, sem receberem qualquer dinheiro directamente dos clientes.

O legislador defendia uma alteração da legislação para as seguradoras poderem cobrar comissão aos clientes, quando têm um papel na contratação de seguros em Hong Kong pelos condutores de Macau.

No entanto, a AMCM recusou essa possibilidade. “Face às necessidades de contratação de seguro fora de Macau relativamente a veículos com dupla matrícula de Hong Kong e de Macau, a AMCM já emitiu uma circular, clarificando e regulamentando que as seguradoras de Macau apenas podem, a título gratuito, prestar serviços de transmissão de informações”, foi indicado, numa resposta assinada por Vong Sin Man, presidente do Conselho de Administração da AMCM.

“Os proprietários de veículos de Macau podem optar por, com a assistência de seguradoras de Macau, proceder, por sua conta, às formalidades de contratação do seguro automóvel da Região Administrativa Especial de Hong Kong. Todavia, uma vez que tais apólices não são emitidas por seguradoras autorizadas a exercer actividade em Macau, os mediadores de seguros de Macau não podem, nos termos da lei, prestar directamente serviços de mediação de seguros”, clarificou.

Angola | Câmara de Comércio diz que fecho de consulado “é retrocesso”

O presidente da assembleia-geral da Câmara de Comércio de Angola em Macau considera que o encerramento do consulado vai prejudicar as relações comerciais entre os países e dificultar a assistência consular, que passa a ser feita em Cantão

A Câmara de Comércio de Angola em Macau (CCAMO) defendeu que o encerramento anunciado do consulado-geral angolano no território representa “um retrocesso” que prejudica relações empresariais e “um contra-senso” face ao reforço da cooperação sino-africana. “Obviamente, na nossa perspectiva, é um retrocesso àquilo que nós tínhamos, até porque o consulado estava a fazer um trabalho relativamente importante, nomeadamente no estabelecimento de relações entre empresários angolanos e empresários locais”, reagiu à Lusa o presidente da assembleia-geral da CCAMO. Para Pedro Lobo, a decisão vai, “obviamente, prejudicar um pouco, este desenvolvimento que se está a ter com as relações entre China e África”.

A notícia do encerramento da representação diplomática em Macau foi avançada pelo Jornal de Angola, na sequência do anúncio do Ministério das Relações Exteriores angolano, na sexta-feira, da redução do pessoal nas missões diplomáticas e fecho de quatro consulados, em Macau (China), Nova Iorque (Estados Unidos), Roterdão (Países Baixos) e Montevideu (Uruguai).

“O processo surge na sequência de um excesso de pessoal diplomático e administrativo nas representações externas, aliado à insuficiência do orçamento atribuído pelo Ministério das Finanças para cobrir os encargos das missões diplomáticas”, escreveu o Jornal de Angola, citando declarações do secretário de Estado para Administração, Finanças e Património angolano, Osvaldo Varela, em Windhoek, na Namíbia.

A medida, indica Pedro Lobo, torna “bastante complicado” o contacto com as autoridades de Luanda e qualquer apoio consular ou esclarecimento de dúvidas, que terá de ser tratado no consulado de Guangzhou (Cantão) ou na embaixada de Angola em Pequim.

Avisos anteriores

Em 2018, já tinha sido avançada a possibilidade de encerramento da representação diplomática angolana em Macau, o que acabou por não acontecer. “Deixa-nos um bocado preocupados, até porque a própria China, neste momento, abriu as taxas zero a vários países de África, o que parece um bocado contra-senso Angola neste momento estar a fechar consulados”, lembrou Pedro Lobo.

A China começou a aplicar, a partir deste mês, tarifas zero aos países africanos com os quais mantém relações diplomáticas, para ampliar o acesso dos produtos africanos ao mercado chinês.

A medida foi anunciada em comunicado oficial divulgado em Abril, no final da visita do Presidente moçambicano, Daniel Chapo, a Pequim, durante a qual o Presidente da China, Xi Jinping, defendeu o reforço da cooperação com Moçambique e o aprofundamento da coordenação entre os países em desenvolvimento.

Esta iniciativa de Pequim demonstra, reflectiu Lobo, “uma estratégia óbvia de ajuda não só aos países da África sobre o desenvolvimento económico, mas também uma estratégia de aposta no mercado africano”.

Sobre o trabalho da CCAMO, o presidente da assembleia-geral referiu que a instituição tem procurado aproximar empresários de Macau e da China continental a parceiros em Angola e reactivar as relações que ficaram suspensas durante a pandemia. “As coisas estavam bastante avançadas antes da covid-19 e agora estamos a tentar recuperar as relações. Neste momento, este corte do nosso consulado torna as coisas um bocado mais complicadas”, lamentou.

Associação quer ligar empreendedores lusófonos, hispanófonos e de Macau

A recém-criada Associação de Empresários dos Países de Língua Portuguesa e Espanhola de Macau quer fazer a ligação económica e comercial entre a China e os mercados lusófono e hispânico, destacaram os seus dirigentes.

O presidente da Assembleia-Geral da associação, Rui Pedro Cunha, sublinhou à Lusa que a intenção original da associação é “construir uma plataforma regular de intercâmbio e cooperação para empresários de Macau, dos países de língua portuguesa e de língua espanhola”.

Segundo Cunha, com uma “população combinada de mais de 800 milhões de pessoas”, os países de língua portuguesa e espanhola abrangem quatro continentes e representam “mercados ricos em recursos, talento e oportunidades”.

A organização vai “acompanhar de perto o posicionamento estratégico de Macau como plataforma de cooperação económica e comercial entre a China e os países de língua portuguesa” e identificar necessidades dos empreendedores para “ajudar a fazer a ligação de recursos entre a Grande Baía, Macau, os países de língua portuguesa e de língua espanhola”.

Rui Pedro Cunha acrescentou que Macau dispõe de vantagens únicas, como “a integração entre culturas chinesa e ocidental, sistema jurídico bilingue, redes empresariais internacionais e um ambiente de negócios aberto ao exterior”.

Ao mesmo tempo, a associação vai realizar encontros económicos e comerciais, visitas empresariais e fóruns sectoriais, para “construir pontes para empresas de ambos os lados e abrir canais de cooperação no comércio, investimento, turismo cultural e indústria de exposições”.

Em Abril, durante a primeira visita ao estrangeiro desde que tomou posse, Sam Hou Fai passou por Portugal e por Madrid, cidade onde assinou 43 acordos de cooperação em áreas como a tecnologia e desporto. O Chefe do Executivo fez ainda questão de realçar que Macau quer aproveitar a plataforma sino-lusófona para se expandir também a Espanha e aos mercados de língua espanhola.

Recomendações de investimento

O secretário-geral da associação, Alan Ho Hoi Meng, afirmou à Lusa que a organização vai centrar-se em prioridades como “o reforço dos serviços aos membros, o fortalecimento da correspondência de recursos de alto nível e a apresentação de recomendações de políticas”.

Alan Ho destacou que a associação irá expandir activamente a rede de cooperação com associações empresariais na China continental, bem como nos países de língua portuguesa e espanhola, para fortalecer “intercâmbios económicos e comerciais transfronteiriços” e facilitando fluxos de investimento.

Ao mesmo tempo, será criado “um sistema de atracção e serviços empresariais de orientação internacional, de balcão único, para apoiar empresas estrangeiras a estabelecer operações em Macau e Hengqin e expandir para o mercado da Grande Baía”.

Combustíveis | Ormuz é alerta para diversificar fontes de energia

O académico Hoi Ngan Loi considera que o território deve aproveitar o aumento dos preços nos mercados dos combustíveis fósseis para acelerar a transição para as energias alternativas. A posição do professor na Universidade Politécnica de Macau foi divulgada através de um artigo no jornal Ou Mun.

Segundo Hoi, o subsídio para os combustíveis no sector da logística, promovido pelo Governo para reduzir os preços dos bens, é eficaz a curto-prazo. No entanto, o académico defende que toda a situação em Ormuz deve entendida como um sinal para promover a aceleração de “reformas estruturais”.

Hoi Ngan Loi espera assim que as autoridades promovam a adopção de mais fontes de energia alternativas, que aumentem o investimento em “novas infra-estruturas energéticas” e que ofereçam mais incentivos fiscais, ou criem fundos especiais para “incentivar o sector da logística e os transportes públicos a acelerar a substituição dos actuais veículos por veículos eléctricos ou outros veículos movidos com energias limpas”.

Com as medidas mencionadas, o académico acredita que é possível reduzir “significativamente a dependência dos combustíveis fósseis tradicionais”.

No artigo de opinião, Hoi Ngan Loi elogia a forma como o Executivo tem lidado com os preços nos combustíveis e destaca que em Macau os aumentos, resultado da realidade internacional, foram mais estáveis do que em Hong Kong. Esta diferença, para o académico, mostra que o Executivo está a fiscalizar os preços dos combustíveis.

Zona A | Sugeridos apoios ao comércio em fase inicial

Enquanto nasce um novo bairro na Zona A dos novos aterros, é fundamental encontrar um equilíbrio entre a abertura de lojas, restaurantes e supermercados, a menor densidade populacional na zona e a sobrevivência desses negócios. O deputado Ngan Iek Hang considera que o Governo tem um papel a desempenhar nesta equação, atribuindo apoios ao comércio que não tem ainda uma clientela na Zona A que sustente os negócios.

“Tendo em conta que o actual fluxo populacional na Área A ainda não é suficiente para sustentar actividades comerciais, o Governo devia ponderar a introdução de medidas de apoios”, indicou em declarações ao jornal do Cidadão.

O legislador destaca a importância de ir melhorando as condições de habitabilidade na Zona A à medida que o número de moradores aumenta, tarefa que entende estar a ser cumprida pelo Executivo, seguindo o modelo de governação “centrada nas pessoas”.

A desenvolvimento do bairro de Seac Pai Van foi apontado por Ngan Iek Hang como exemplo de uma área que transitou bem entre os períodos de planeamento, construção e desenvolvimento e que a Zona A tem potencial para adoptar este modelo com sucesso.