‘Chips’| Fabricante CXMT estreia em bolsa com valorização superior a 500%

A fabricante chinesa de semicondutores CXMT valorizou ontem mais de 500 por cento na estreia em bolsa, impulsionada pela forte procura de acções ligadas à inteligência artificial (IA), tornando-se a empresa cotada mais valiosa da China continental.

As acções abriram a negociar na Bolsa de Xangai a 49,50 yuan, face ao preço de oferta pública inicial (IPO) de 8,66 yuan, e continuaram a subir durante a sessão, atingindo 54,65 yuan. A valorização elevou a capitalização bolsista da empresa para cerca de 3,65 biliões de yuan, ultrapassando a tecnológica Tencent, cotada em Hong Kong, e tornando a CXMT na empresa chinesa cotada de maior valor.

A empresa arrecadou 57,9 mil milhões de yuan com a emissão de 6,69 mil milhões de acções, naquela que foi a maior oferta pública inicial na China continental desde a entrada em bolsa do Agricultural Bank of China, em 2010.

A operação inclui ainda a possibilidade de emitir cerca de mil milhões de acções adicionais, o que poderá elevar o montante angariado para perto de 10 mil milhões de dólares.

O entusiasmo dos investidores reflecte a crescente procura por empresas ligadas à cadeia de abastecimento da IA, numa altura em que a escassez global de ‘chips’ de memória, impulsionada pela expansão desta tecnologia, tem sustentado a subida dos preços e dos lucros do sector.

No topo

A CXMT é actualmente o quarto maior produtor mundial de memória DRAM, utilizada em equipamentos como servidores, computadores, câmaras e outros dispositivos electrónicos, atrás da sul-coreana SK Hynix, da Samsung Electronics e da norte-americana Micron.

Segundo o prospeto da oferta, os recursos obtidos serão utilizados para aumentar a capacidade de produção e reforçar a investigação e desenvolvimento de chips DRAM. A empresa opera três fábricas de produção de ‘chips’ de memória em Pequim e Hefei, capital da província oriental de Anhui, e afirma pretender aumentar continuamente a produção e reforçar a quota no mercado mundial.

A consultora SemiAnalysis estima que a empresa atinja uma capacidade de produção de 350 mil ‘chips’ por mês até ao final deste ano, aproximando-se dos 385 mil da Micron, e alcance 500 mil até ao final de 2028.

Depois de acumular perdas de cerca de 37 mil milhões de yuan ao longo da última década, a empresa regressou aos lucros este ano, registando um resultado líquido de 33 mil milhões de yuan apenas no primeiro trimestre.

Grande parte destes lucros resulta da venda de ‘chips’ de memória para computadores pessoais, electrodomésticos e outros produtos eletrónicos de consumo, embora a empresa esteja também a desenvolver memória de elevada largura de banda (HBM), utilizada em centros de dados para IA.

Contudo, analistas sublinham que a CXMT continua atrasada face aos principais concorrentes internacionais neste segmento, devido às restrições impostas pelos Estados Unidos à exportação de equipamento avançado de fabrico de semicondutores, incluindo máquinas da neerlandesa ASML.

Air Macau | Passageiros queixam-se de ficarem retidos 10 horas

Os passageiros do voo da Air Macau desviado para Nanning indicaram ter ficado retidos no avião e no aeroporto quase 10 horas, só com água e noodles instantâneos, por não terem consigo o salvo-conduto e apenas o passaporte da RAEM. Depois da odisseia, os residentes voltaram no domingo a Macau

 

Na tarde de domingo, a Direcção dos Serviços de Turismo revelou que estava a acompanhar com “grande preocupação” a situação do voo da Air Macau que, devido ao tufão Noul, aterrou em Nanning, na província de Guangxi, no sábado por volta das 19h30. O voo que tinha partido de Osaka, no Japão, com destino ao Aeroporto Internacional de Macau levava a bordo 166 passageiros, 93 destes residentes da RAEM.

Apesar de não haver confirmação por parte do Governo, ou da Air Macau, um passageiro indicou ontem ao HM que tinha regressado a Macau, confirmando publicações divulgadas na madrugada de ontem.

Nas redes sociais, começaram a ser partilhados relatos do que se passava a bordo da aeronave da companhia aérea local, com residentes a revelarem ter ficado retidos no avião e no aeroporto quase 10 horas.

Um residente publicou no Xiaohongshu um pedido de ajuda, afirmando que os passageiros estavam retidos no avião, sem água ou mantimentos e que a sua criança estava a chorar. Mais tarde, o internauta revelou que lhe teria sido negada entrada em Nanning por não ter consigo o Salvo-Conduto de Ida e Volta para o Interior da China. Recorde-se que estes passageiros vinham do Japão, onde entraram com passaporte.

Noutras publicações no Facebook, foi indicado que durante as quase 10 horas de espera, os passageiros apenas receberam água e noodles instantâneos. Importa referir que a DST indicou no domingo que “as autoridades de controlo fronteiriço do continente prestaram a assistência adequada aos passageiros” durante o período em que ficaram retidos.

Entrada difícil

É descrito num grupo de Facebook dedicado transportes em Macau que vários passageiros procuraram ajuda à Gabinete de Gestão de Crise da DST, assim como à Autoridade da Aviação Civil da RAEM, ao Corpo de Polícia de Segurança Público e à Air Macau. No domingo, a DST indicou ter recebido nove pedidos de assistência e queixas de residentes.

A situação gerou debates nas redes sociais sobre a impossibilidade de residentes de Macau entrarem no Interior da China mediante a apresentação do Passaporte da RAEM, apesar de serem cidadãos chineses. Outros internautas focaram mais as suas críticas na forma como a Air Macau tratou o problema.

Outra crítica apontada às autoridades alfandegárias de Guangxi, prende-se com o facto de esta não ter sido a primeira vez que um voo que tinha Macau como destino acabou por aterrar de emergência no aeroporto em questão. Como tal, os internautas questionam a razão para a confusão e lentidão das autoridades do Interior. O HM enviou questões à DST sobre o incidente, mas até ao fecho da edição não recebeu respostas.

Leite em Pó | Hospitais com acesso prioritário para bebés

Os hospitais do território implementaram uma política de atendimento prioritário para os bebés que consumiram leite em pó com excesso de chumbo. A informação foi divulgada pelos Serviços de Saúde (SS), através de um comunicado, que apenas ontem foi traduzido para português.

Na mensagem, os SS indicam que têm “dado uma elevada importância” à ocorrência e que foi estabelecido um mecanismo de resposta que inclui “a criação de uma via verde na urgência pediátrica, uma linha aberta e uma consulta externa especial, para prestar serviços de exames médicos e consultas de saúde aos bebés e crianças necessitados”.

Também o Centro Hospitalar Conde de São Januário (CHCSJ), o Hospital Kiang Wu e o Hospital das Ilhas “disponibilizam uma via verde nos serviços de urgência pediátrica” para os bebés que tenham consumido o leite em pó em questão.

“Os Serviços de Saúde apelam aos pais para que, caso os seus bebés ou recém-nascidos tenham consumido o leite em pó em questão, devem prestar […] atenção ao seu estado de saúde e, em caso de qualquer indisposição, devem recorrer ao médico o mais rapidamente possível”, foi também pedido. “Os Serviços de Saúde continuarão a manter uma cooperação estreita com os serviços públicos competentes, no sentido de garantir a saúde e a segurança dos bebés e recém-nascidos”, foi acrescentado.

Segundo o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) e o Instituto para a Supervisão e Administração Farmacêutica (ISAF), o lote 1W07KPJ, com data de validade de 30/09/2027 da marca de leite em pó Frisolac Prestige 1 apresentou níveis excessivos de chumbo.

Federação de Médicos | Pedida promoção de amamentação

Face ao caso de uma marca de leite em pó com excesso de chumbo, a Federação de Médicos e Saúde de Macau defendeu a importância de promover a amamentação. Segundo o jornal Ou Mun, a secretária-geral adjunta, Wong Sio Sio, destacou que a Organização Mundial de Saúde e o Fundo das Nações Unidas para a Infância sugerem o começo da amamentação dentro de uma hora após o nascimento do bebé, e que a amamentação natural pura deve demorar seus meses. Só depois se deve complementar a amamentação com outros alimentos.

A responsável explicou que o leite materno tem a nutrição perfeita para reforçar a imunidade dos bebés e das crianças, com vista a reduzir o risco de doenças. Além disso, Wong Sio Sio apontou que o leite materno evita alguns problemas alimentares associados à segurança do leite em pó.

Olhando no futuro, Wong Sio Sio espera que as medidas de promoção amamentação em Macau sejam melhoradas, e que as empresas privadas disponibilizem tempo para as trabalhadoras amamentarem durante o horário de trabalho, assim como os espaços.

Jogo | Citi destaca número elevado de grandes apostadores

Os analistas do banco de investimento reconhecem que Julho teve uma quebra de apostadores face ao ano anterior, mas consideram os números positivos, dada a passagem do Tufão Noul pelo território

Apesar do esperado impacto do Tufão Noul no fim-de-semana, o banco de investimento Citi afirma ter ficado surpreendido com o número de grandes apostadores que estavam nos casinos na sexta-feira. No mais recente relatório sobre o jogo de Macau, citado pelo portal GGRAsia, o banco de investimento destaca a importância dos eventos não jogo para atrair jogadores VIP.

Segundo o documento, os analistas George Choi e Timothy Chau registaram 24 grandes apostadores em Macau durante as visitas ao casino, um número igual a Junho, mas inferior aos 35 grandes apostadores observados em Julho do ano passado. A instituição considera grandes apostadores os jogadores que apostam pelo menos 100 mil dólares de Hong Kong por mão.

O banco de investimento considera este número “surpreendente” devido ao esperado impacto do Tufão Noul e à possibilidade de os jogadores evitarem Macau por temerem ficar retidos.

Na perspectiva do Citi, o inesperado número elevado de jogadores VIP prende-se com a realização de eventos não-jogo, como a final da Liga das Nações de Voleibol, que decorreu no Dome e contou com o apoio da concessionária Galaxy como patrocinadora.

“Sabendo da popularidade da modalidade na China, a Galaxy organizou estrategicamente inúmeros eventos em torno do torneio (por exemplo, uma sessão de autógrafos com a selecção da China e outras selecções nacionais)”, pode ler-se no documento. “Não ficaríamos surpreendidos se alguns dos melhores bilhetes tivessem sido reservados para os principais apostadores da concessionária. Isto sugere, mais uma vez, que ofertas não relacionadas com o jogo, quando bem escolhidas, são uma ferramenta poderosa para atrair chineses com elevado poder de compra a visitar Macau e a gastar dinheiro”, foi acrescentado.

George Choi e Timothy Chau escreveram ainda que o maior apostador observado nas mesas estava a jogar 600 mil dólares de Hong Kong por mão.

Nem tudo são rosas

Apesar dos analistas afirmarem terem ficado surpreendidos com o mercado dos grandes apostadores, o relatório reconhece uma redução do número de jogadores em todos os segmentos.

No segmento de massas, medido pelo jogo de bacará, o Citi aponta que em Julho a aposta mínima em Macau caiu 10 por cento em termos homólogos, para 1.898 dólares de Hong Kong, quando em Julho de 2025 tinha sido de 2.110 dólares de Hong Kong.

Em relação ao segmento mais elevado de massas, o denominado premium de massas, os analistas contabilizaram 13 milhões de dólares de Hong Kong em apostas, uma redução de 19 por cento face ao período homólogo.

Segundo os analistas, estas reduções prendem-se com o tufão e o facto de as pessoas temerem ficar retidas, o que terá levado a adiarem as deslocações à RAEM. Ainda assim, o total do mercado premium de massas representou um aumento de 33 por cento face a Junho, quando o Citi tinha contabilizado 9,8 milhões de dólares de Hong Kong em apostas.

Coutinho crítica lentidão na resposta a burlas por leitura de códigos QR

Pereira Coutinho divulgou ontem uma interpelação escrita onde critica a forma lenta e pouco eficaz como as autoridades responderam ao surgimento de um tipo de burla nova, onde os criminosos lesam clientes de carteiras electrónicas através da leitura de códigos QR.

Neste esquema, os burlões criam páginas falsas de comércios nas redes sociais, como agências de viagem ou lojas de desporto, prometendo cupões de desconto. Um dos métodos passa por pedir às vítimas pequenas transferências para aceder a descontos ou vouchers para produtos que depois os falsos comerciantes dizem estar esgotados. Outra táctica mais perigosa, envolve o pedido para que as vítimas façam leituras de códigos QR para ligar as contas de MPay e completar uma reserva. Desta forma, os criminosos conseguem usar as contas das vítimas para fazer compras e retirar dinheiro das contas.

Face a esta realidade, o deputado perguntou que “medidas correctivas foram ordenadas pela Autoridade Monetária de Macau (AMCM) ao operador em falta para colmatar estas falhas de segurança e qual o prazo estabelecido para a sua resolução integral e de que forma foram as vítimas ressarcidas dos prejuízos”.

Falhas do sistema

Pereira Coutinho lembra que a 24 de Junho a Polícia Judiciária (PJ) emitiu um alerta ao público para burlas publicadas no Facebook em que os criminosos usaram a leitura de códigos QR para lesar pessoas. Nos primeiros 10 casos, que motivaram o alerta, as perdas foram de cerca de 52 mil patacas.

Vinte dias depois, a PJ anunciava que, entre 7 e 13 de Julho, tinham sido registados mais 36 casos, com prejuízos totais de mais de 240 mil patacas.

Nessa conferência de imprensa, foi revelado que a operadora da MPay apenas incluiu um “aviso de alerta aquando da vinculação das contas a plataformas terceiras, sem qualquer mecanismo de bloqueio automático de operações suspeitas”.

O deputado questiona porque foram precisas quase três semanas para colocar apenas um aviso, sem terem sido implementadas “de imediato medidas mais eficazes, como a suspensão temporária de novas vinculações a plataformas terceiras suspeitas ou o reforço da validação por palavra-chave para transacções de alto valor”.

Tribunais | Nomeados juízes portugueses para Primeira Instância

As nomeações de Filipa Vaz da Fonseca e Ricardo Quintas para o Tribunal Judicial de Base foram confirmadas ontem, com a publicação de um despacho em Boletim Oficial

Os juízes portugueses Filipa Vaz da Fonseca e Ricardo Quintas foram nomeados para os Tribunais de Primeira Instância, de acordo com um despacho publicado ontem em Boletim Oficial.

Os dois magistrados “são nomeados, por contratação, pelo período de dois anos”, sob proposta da Comissão Independente responsável pela indigitação de juízes, lê-se ainda na ordem executiva, assinada pelo Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, em 23 de Julho, e que produz efeito a partir de 1 de Setembro.

Portugal e Macau mantêm um acordo de cooperação judiciária que assegura a continuidade de magistrados portugueses – juízes e procuradores – no território.

O único juiz vindo de Portugal a trabalhar no território actualmente é Jerónimo Alberto Gonçalves Santos, juiz do Tribunal de Segunda Instância, depois de o juiz Rui Ribeiro ter antecipado para o final de Outubro de 2025 o fim da comissão especial, que terminaria em Maio de 2026.

Em Outubro de 2025, o presidente do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) disse que Portugal está disponível, caso Macau demonstre interesse, para enviar novos juízes.

O líder do STJ, João Cura Mariano, que por inerência preside também ao Conselho Superior de Magistratura (CSM), disse aos jornalistas durante uma visita a Macau que pretendia saber se o território tem interesse em contar com magistrados portugueses.

“Vamos tentar ver o que é que realmente eles ainda conseguem transmitir de útil e se são necessários, porque se forem necessários, virão novos juízes”, garantiu.

Portugal em dificuldades

No entanto, o presidente do STJ sublinhou que a justiça portuguesa está com “alguma dificuldade em contribuir com juízes”, devido à falta de recursos humanos qualificados e com experiência. “Ainda agora retirámos um juiz que já cá estava há muitos anos e nós necessitávamos dele”, recordou na altura João Cura Mariano.

Em 2024, o CSM rejeitou a permanência do juiz português do TJB Carlos Carvalho – que estava em Macau há 16 anos e tinha sido convidado pela Comissão Independente para a Indigitação dos Juízes do território – por mais dois.

O conselho não autorizou a renovação da licença especial de Carlos Carvalho e promoveu-o a juiz desembargador, com colocação no Tribunal da Relação. Ainda assim, João Cura Mariano garantiu estar disposto a ajudar, “apesar das dificuldades que actualmente existem em Portugal no recrutamento de juízes”.

O presidente do STJ sublinhou o exemplo de Timor-Leste, onde existem “muitos juízes portugueses a colaborar no sistema judiciário timorense”, porque “são muito necessários”.

Maternidade | Licença de 90 dias entra hoje em vigor

A partir de hoje a licença de maternidade no sector privado passa a ser de 90 dias, de acordo com um comunicado conjunto da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) e Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública (DSAFP).

“A Lei n.º 9/2026 aumenta o número de dias da licença de maternidade estipulada na Lei das relações de trabalho, de 70 para 90 dias, prevendo que todas as trabalhadoras, por motivo de parto ocorrido a partir de amanhã [hoje], têm direito a 90 dias de licença de maternidade, nos termos da lei”, foi comunicado. “Conforme o disposto na nova lei, dos 90 dias de licença de maternidade, 60 são gozados obrigatória e imediatamente após o parto, podendo os restantes 30 dias ser gozados, por decisão da trabalhadora, total ou parcialmente, antes ou logo após o parto, de modo a permitir às trabalhadoras ter uma maior flexibilidade e praticabilidade no gozo da sua licença de maternidade”, foi acrescentado.

A alteração à lei tinha sido aprovada na semana passada pela Assembleia Legislativa, depois de ter sido proposta pelo Executivo.

O mesmo diploma permite igualmente aumentar o número de dias obrigatórios férias. Actualmente, os dias de férias obrigatórios são seis. A partir do próximo ano, os trabalhadores adquirem um dia extra de férias obrigatórias por cada dois anos trabalhados na mesma empresa, até um limite de 12 dias.

CCAC | IAS ilibado e Creche Smart acusada de várias irregularidades

O futuro da creche fica em jogo, depois de o CCAC ter concluído que alguns trabalhadores contratados prestaram funções noutros locais e empresas. Também o destino de apoios recebidos pela Smart levantou dúvidas ao CCAC

O Comissariado Contra a Corrupção (CCAC) considera que o Instituto de Acção Social (IAS) agiu dentro da legalidade ao terminar o contrato de cooperação com a associação Zonta Club de Macau para a exploração da Creche Smart. O resultado da investigação do órgão liderado por Ao Ieong Seong foi revelado ontem, e o caso foi arquivado.

De acordo com o CCAC, “a Zonta Club infringiu […] a legislação, as instruções de apoio financeiro e as normas constantes do acordo de cooperação no que respeita à contratação de trabalhadores, à gestão financeira e à aplicação do apoio financeiro da creche”.

O órgão de investigação indicou também que desde 2020 o IAS “proporcionou à Zonta Club, por várias vezes, a possibilidade de prestação de esclarecimentos e informações complementares, bem como oportunidades para rectificação e melhoria da situação”. No entanto, foi considerado que “as respostas e as informações submetidas pela Zonta Club” não permitiram “dissipar as suspeitas de irregularidades”, “nem foram adoptadas medidas adequadas para acompanhar o problema”. O CCAC afirma igualmente que a associação não se mostrou disponível para devolver o dinheiro recebido de forma indevida.

O CCAC considera também que o IAS agiu correctamente ao terminar o protocolo de cooperação e recuperar as instalações: “Após análise detalhada do CCAC, não se verificou qualquer ilegalidade administrativa por parte do IAS no procedimento da cessação da relação de cooperação com a Zonta Club, e a abertura dos respectivos procedimentos e a implementação das respectivas medidas por parte do IAS constituem uma iniciativa legítima no cumprimento das suas atribuições”, foi concluído.

Trabalhadores ausentes

O CCAC explica que os problemas com a creche começaram em Julho de 2020, quando o IAS inspeccionou a Creche Smart e verificou que “o número de trabalhadores da creche era, durante um longo período de tempo, inferior ao número padrão definido no acordo de cooperação”. Além disso, foi concluído que “alguns dos trabalhadores subsidiados directamente pelo IAS, nomeadamente assistentes de educadores de infância, ajudantes domésticos, entre outros, nem sequer foram vistos a trabalhar”. “O CCAC verificou ainda que alguns dos referidos trabalhadores não prestaram serviço na creche, sendo naquele período trabalhadores a tempo inteiro de outras empresas, e alguns estiveram mesmo ausentes de Macau durante um longo período de tempo”, foi acrescentado.

Ao mesmo tempo, é apontado que a associação Zonta Club de Macau nunca conseguiu explicar o facto de as inspecções terem verificado uma situação diversa da que tinha servido de base aos pedidos de apoio financeiro.

O CCAC revela ainda que “na verificação das informações financeiras da creche, o IAS verificou a existência de várias despesas anormais que […] não podiam ser contabilizadas nas despesas de funcionamento da creche”.

Sobre as auditorias apresentadas pela associação com as contas da creche, o CCAC desvalorizou os documentos e explicou que apenas reflectem a situação financeira da instituição, mas que não permitem apurar se o dinheiro foi gasto dentro das despesas permitidas pelo acordo de cooperação.

Futuro da creche em risco

Com a revelação do relatório do CCAC, o futuro da creche Smart fica em jogo e o encerramento é o cenário mais provável. Após desistir dos processos judiciais que estavam em curso, a associação tinha até 26 de Agosto para devolver o espaço ao IAS e arranjar uma solução para as crianças inscritas.

No final de Junho, a presidente e directora da creche, Christiana Ieong, acreditava que a investigação ia dar razão à associação e que a Creche Smart estava a ser alvo de uma campanha de perseguição promovida pelo presidente do IAS, Hon Wai. Todavia, Christiana Ieong também admitiu encerrar a creche, caso a investigação do CCAC apurasse a existência de irregularidades. Este foi o cenário que se concretizou ontem.

As conclusões do CCAC podem levar ao fim de um diferendo que persiste desde Março do ano passado, quando o IAS cortou o financiamento, alegando que as duas partes não tinham chegado a acordo quanto a “princípios básicos” e “importantes aspectos de organização”.

UNESCO | Classificados sítios da indústria de porcelana de Jingdezhen

A UNESCO inscreveu os Sítios da Indústria de Porcelana Artesanal de Jingdezhen na lista do património mundial. O reconhecimento ocorreu na 48ª sessão do Comité do Património Mundial que se realizou em Busan, Coreia do Sul. Os locais distinguidos pela UNESCO são testemunhos da história do fabrico da porcelana chinesa entre os séculos X e XIX

“Há mais de 2.000 anos que as fornalhas ardem em Jingdezhen, na China, transformando argila humilde em requintadas obras de arte.” É desta forma que a agência estatal chinesa Xinhua destaca o facto de os Sítios da Indústria de Porcelana Artesanal de Jingdezhen, no nordeste da província de Jiangxi, terem sido classificados como património mundial da UNESCO.

A inscrição na lista do património mundial inclui este conjunto de sítios que, segundo a UNESCO, “retrata a evolução da produção de porcelana artesanal entre os séculos X e XIX, que teve profundas influências industriais, artísticas e comerciais na China e a nível global”.

A cerimónia de inscrição de novo património imaterial e natural decorreu no último sábado na Coreia do Sul, na 48ª Comissão do Património Mundial. Os critérios utilizados pela UNESCO para a inscrição destes Sítios é o facto de estes representarem “uma importante interacção de valores humanos ao longo de um período de tempo” ou ainda “no âmbito de uma área cultural do mundo”; além de estarem relacionados com a “evolução da arquitectura ou tecnologia, artes monumentais, planeamento urbano ou da concepção paisagística”.

Outro critério para a classificação prende-se com o facto de serem “um testemunho único ou, pelo menos, excepcional de uma tradição cultural ou de uma civilização, quer esta ainda exista, quer já tenha desaparecido”; além de serem um “um exemplo notável de um tipo de edifício, conjunto arquitectónico ou tecnológico ou paisagem que ilustra uma ou mais fases significativas da história da humanidade”.

Por fim, a classificação dos Sítios de Jingdezhen ocorreu por estarem “directamente associados, de forma tangível, a eventos ou tradições vivas, a ideias ou a crenças, bem como a obras artísticas e literárias de notável importância universal”.

No complexo industrial ancestral persistem “cinco partes que reflectem os processos de produção da porcelana, incluindo a extracção e o transporte de matérias-primas, as inovações no design dos fornos e a organização espacial e social da produção em imensa escala”.

Segundo descreve a UNESCO, “a área da cidade contava com o Forno Imperial, a par de fornos civis, guildas e associações de comerciantes”. Entre os séculos X e XIX, Jingdezhen “foi um centro de inovação tecnológica na produção de porcelana, incluindo a ‘fórmula binária’ de mistura de caulim e pedra de porcelana”.

Descreve-se ainda que, nesta cidade, “era produzida porcelana da mais elevada qualidade”, sendo que a “porcelana azul e branca, bem como os seus desenhos, tornaram-se uma mercadoria mundialmente apreciada e um símbolo da cultura e da arte chinesas”.

Ligação a Portugal

Ainda segundo a Xinhua, Jingdezhen “não é uma cidade qualquer”, estando “situada num recanto da província de Jiangxi, no leste da China, a mundialmente famosa ‘capital da porcelana'” e que “tem sido, desde há muito, o coração da cultura cerâmica chinesa”.

A cidade possui uma “história rica em tradições”, personificando “a continuidade duradoura da própria civilização chinesa”, ou seja, “uma tradição viva preservada, remodelada e renovada ao longo das gerações”.

O artigo refere o caso particular de Sun, que ainda possui a oficina que herdou do seu bisavô e que se mantém no activo há 120 anos. Este espaço situa-se em Taoyangli, “um bairro histórico ribeirinho onde tradições seculares se misturam com correntes de criatividade contemporânea, tudo à vista de um curso de água que se liga ao rio Yangtze”, pode ler-se.

Esta oficina “conta a história através dos objectos”, com “peças de porcelana pintadas à mão com formas tradicionais, porcelana de uso diário produzida em série com decorações em decalque e até criações em estilo de banda desenhada feitas pelos seus alunos”.

Os locais agora sob protecção patrimonial são compostos um museu de cerâmica e fornos que datam das dinastias Ming e Qing, entre os anos de 1368 e 1911.

Em Outubro de 2023 o Presidente chinês, Xi Jinping visitou o local e, no contexto dessa visita, Weng Yanjun, director do Instituto do Forno Imperial de Jingdezhen, referiu que a porcelana ali produzida é “um microcosmo da cultura chinesa”.

Segundo a Xinhua, o responsável, arqueólogo, descreveu também que a cerâmica tem sido “tanto um símbolo cultural da China como uma ponte que liga a China ao mundo”, tendo sido exportada para a Ásia Central e Ocidental, bem como Europa, desde a dinastia Song (anos de 960 a 1279).

Portugal também fez parte da rota de exportação desta cerâmica. Weng Yuanjun lembrou que a “porcelana azul e branca, ou cerâmica Qinghua, em particular, ostenta as marcas indeléveis do intercâmbio intercultural”. Depois, no período da dinastia Yuan, já nos anos de 1271 até 1368, “o pigmento de cobalto proveniente da Ásia Ocidental chegou a Jingdezhen através da antiga Rota da Seda e foi utilizado na produção de porcelana azul e branca”.

“O resultado foi o azul profundo característico que define as peças da dinastia Yuan. Estas peças, outrora um bem muito cobiçado, representavam o auge da arte cerâmica”, frisou o arqueólogo, especialista em cerâmica.

Ásia em destaque

As novas inscrições na lista do património mundial da UNESCO incluem locais na Ásia, como as antigas capitais do arquipélago japonês, Asuka e Fujiwara, que marcaram o estabelecimento de um sistema estatal centralizado. Os conjuntos arqueológicos incluem palácios e edifícios governamentais, bem como templos budistas e túmulos que datam do século I.

A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, já saudou a decisão “gratificante” e felicitou, através de uma mensagem na rede social X, todas as pessoas, especialmente os residentes locais, que durante anos se dedicaram “com empenho” à proteção dos dois locais.

“Renovo a minha determinação em proteger de forma segura este valioso património cultural, que passou de um tesouro do Japão a um tesouro do mundo, e em transmiti-lo de forma segura às gerações futuras”, acrescentou a chefe do Governo japonês.

A UNESCO também declarou Património Mundial a arquitectura modernista da capital uzbeque, Tashkent, que surgiu na sequência do devastador terramoto de 1966, altura em que a cidade foi reconstruída com base no conceito de modernismo sísmico, para resistir a novos abalos sísmicos.

O conjunto arquitectónico compreende cerca de uma dezena de edifícios de estilo híbrido soviético, que fundem o design brutalista e funcionalista com a tradição ornamental uzbeque. Inclui museus, hotéis, instituições culturais e edifícios residenciais. Para a UNESCO, este conjunto articula os principais espaços públicos da cidade e demonstra a integração dos princípios do planeamento modernista com as condições climáticas, sísmicas e culturais locais.

Entre as inclusões na lista encontram-se ainda o templo budista Wat Phra Mahathat Woramahawihan, em funcionamento ininterrupto há mais de 1.500 anos na província tailandesa de Nakhon Si Thammarat, ou os complexos funerários de Xiongu, na Mongólia.

Durante um evento transmitido em directo, a UNESCO inscreveu também o conjunto sagrado da província cazaque de Mangystau, composto por mesquitas “subterrâneas únicas”.

A UNESCO deu também “luz verde” à declaração de Património Mundial para o antigo templo budista de Sarnath, na Índia, um local sagrado onde se acredita que Buda proferiu o seu primeiro sermão e conheceu os seus primeiros discípulos.

Em Perigo

O sítio arqueológico de Sebastia, na Cisjordânia, e cinco castelos na região de Monte Amel, no Líbano, foram inscritos na lista do Património Mundial da UNESCO, apesar das objecções de Israel, que instou a organização a rejeitar as candidaturas.

Os membros do comité da UNESCO decidiram também inscrever Sebastia e os cinco castelos da região do Monte Amel na lista do Património Mundial em Perigo, após terem analisado as candidaturas em regime de urgência, invocando os conflitos em curso no Médio Oriente. Sebastia, a noroeste de Nablus, na Cisjordânia ocupada por Israel, é identificada pelos estudiosos como a antiga Samaria, capital do Reino bíblico de Israel. Os vestígios arqueológicos da região abrangem a Idade do Ferro, os períodos romano, bizantino e islâmico.

“A integridade do sítio está actualmente ameaçada pelo projecto de expropriação que visa dividir o bem e criar o Parque Nacional ‘Samaria'”, explicou a UNESCO. Os cinco castelos da região do Monte Amel são reconhecidos pelo seu património arquitectónico multifacetado que cruza várias influências. Os locais designados incluem o Castelo de Beaufort, construído pelos cruzados e também conhecido como Al-Shaqif, que as forças israelitas tomaram em Maio.

Os “elementos constitutivos” destas fortalezas, que datam do século XII, “sofreram danos” e enfrentam “ameaças suficientemente graves para justificar o recurso a um procedimento de urgência”, explicou a UNESCO.

Treinador de futebol português em Taiwan tenta levar campeão a inédito heptacampeonato

O antigo treinador dos escalões jovens do Sporting, João Prates, disse à Lusa que tem agora como “novo desafio” tentar levar o actual campeão de Taiwan, o Tainan City, a um inédito sétimo campeonato consecutivo na Formosa.

Primeiro português a orientar uma equipa da primeira divisão em Taiwan, Prates chega ao clube com a missão de tentar conquistar o heptacampeonato na época 2026/2027 e alcançar uma boa prestação na Liga dos Campeões de Elite da AFC, a principal competição de clubes de futebol da Ásia.

“O que mais me atraiu foi a ambição desportiva do clube, a participação nas competições da AFC e a possibilidade de trabalhar num mercado completamente diferente, que representa um novo desafio na minha carreira”, afirmou o técnico, explicando que a oportunidade surgiu através do agente brasileiro Pedro Moraes.

Fundado em 2016, o domínio do Tainan City no futebol da Formosa começou após ter sido adquirido pelo grupo siderúrgico estatal Taiwan Steel Group em 2019, que resultou numa reestruturação significativa do clube e maior estabilidade financeira.

Transformado em Tainan City Taiwan Steel Group Football Club, o clube conquistou o primeiro título pouco depois, em 2020, e soma seis vitórias consecutivas do campeonato taiwanês até 2026, com três participações na AFC.

Quanto aos objectivos no novo clube, o treinador português considerou que o “primeiro objectivo é ajudar o Tainan City a manter-se competitivo em todas as competições, lutar por títulos e representar o clube da melhor forma”, tanto no campeonato como nas provas da AFC, onde nunca passou da primeira fase de grupos.

Prates substitui no cargo o espanhol Carlos Fernandez, que recebeu o galardão de melhor treinador da liga de topo taiwanesa na época passada e começou a carreira de treinador nas camadas jovens do Benfica durante a época 2018-19.

Apesar de o campeonato de futebol taiwanês ainda não ser muito conhecido, mesmo na Ásia, Prates disse à Lusa que, “se conseguir contribuir para o desenvolvimento dos jogadores, partilhar conhecimento com treinadores locais e ajudar o futebol taiwanês a crescer”, sentirá que o se trabalho “teve um impacto positivo”.

A selecção masculina de Taiwan, que participa em competições internacionais como Taipé Chinês, ocupa a 174ª posição no ranking mundial da FIFA, com a selecção feminina numa melhor posição em 40ª, e participando regularmente em competições internacionais.

O contrato assinado é válido por uma época. Prates não levou para Taiwan uma equipa técnica portuguesa, uma opção do clube, que pretende “permitir que o staff jovem adquira novos conhecimentos”.

Língua universal

Sobre a comunicação com os jogadores, maioritariamente locais, o treinador português explicou que conta com o apoio de um adjunto taiwanês para a tradução, mas, como treinador experiente em países estrangeiros, destaca que “a linguagem do futebol é universal”.

“Temos também alguns jogadores estrangeiros, sobretudo sul-coreanos, além de dois brasileiros e um colombiano. Felizmente conto com um treinador-adjunto local que faz a tradução, o que facilita bastante a transmissão das ideias durante os treinos”, indicou à Lusa.

“Através da demonstração prática, da repetição, da análise de vídeo e de mensagens simples e objectivas, conseguimos criar uma identidade de jogo comum”, acrescentou

O treinador foi treinador das camadas jovens do Sporting CP entre 2009 e 2010, trabalhando depois como treinador em Portugal, na Noruega, na Arábia Saudita, na Lituânia e no Iraque, acumulando mais de 18 anos de experiência como treinador.

Índia | Ministro da Educação demite-se após semanas de protestos

O ministro da Educação da Índia demitiu-se ontem, após semanas de protestos devido a alegados fugas de informação nos exames de admissão no Ensino Superior mais competitivos do país e a irregularidades no sistema educativo.

Segundo avança a agência de notícias Associated Press (AP), a saída de Dharmendra Pradhan foi a primeira concessão do governo do primeiro-ministro, Narendra Modi, depois de o movimento “Partido das Baratas” ter realizado semanas de manifestações, ocupações e greves de fome a nível nacional a exigir aquela demissão.

Os manifestantes estão há um mês acampados num local designado para protestos, a poucos quilómetros do parlamento, tendo o movimento crescido muito após um conceituado engenheiro e ativista ambiental Sonam Wangchuk ter iniciado uma greve de fome em resposta a um escândalo nacional de venda ilegal das provas do exame de acesso aos cursos de medicina e medicina dentária.

O caso culminou na anulação dos exames de milhões de candidatos e deu azo a relatos de muitos suicídios de estudantes.

Estas manifestações tornaram-se um dos sinais mais visíveis da oposição pública ao governo de Modi nos últimos anos, com milhares de pessoas a regressarem às ruas mesmo após a polícia ter utilizado gás lacrimogéneo e bastões para dispersar, no início desta semana, os manifestantes que tentavam chegar ao Parlamento.

Não vou de férias

O primeiro-ministro Luís Montenegro anunciou ao país que não iria de férias de Verão. Dando a entender que desejava dedicar-se aos problemas da governação de “corpo e alma”. Saiu-lhe o tiro pela culatra. O povinho como não é estúpido, e muito menos arrogante, percebeu logo a atitude do chefe do Executivo. Uma autêntica tentativa de limpar a sua imagem de governante máximo que, por três vezes, foi para as bancadas do Mundial de futebol no EUA, quando o país estava em estado de alerta a arder em vários locais e milhares de portugueses em pânico.

Ou quando foi divertir-se para o concerto musical NOS Alive estando milhares de alunos em apuros com a vergonhosa digitalização das provas de exames. Uma decisão de político chico-esperto. Em primeiro lugar, todo o funcionário tem direito a férias e Montenegro não é excepção. Segundo, os seus ministros estão a banhos nas praias do Algarve ou nas piscinas dos seus montes alentejanos.

Se Montenegro não goza férias no Verão a que tem direito poderá deduzir-se que em meio ano já gozou e descansou bastante com as viagens a Bruxelas, Itália, Grécia e aos EUA. O mais intrigante é que uma fonte do seu Gabinete afirmou que o patrão não iria gozar férias para “coordenar a actividade do Governo”. Só para rir. Se os ministros estão a banhos como é que Montenegro coordena o Governo? Ah, já fazemos uma ideia…

O primeiro-ministro tem imenso trabalho pela frente. Tem que pensar o que fará ao seu ministro da Educação que se lembrou de executar de um ano para o outro a digitalização das provas de exames, um facto que em Inglaterra demorou 15 anos e em França 10. Montenegro terá de reflectir como foi possível que alunos soubessem os resultados das suas provas à meia-noite e para muitos o resultado era absurdo: as pautas mostravam -3; Zero e suspenso. Reflectir como é que centenas de famílias tiveram de alterar todas as férias já marcadas e pagas, porque os alunos não sabiam os resultados, não sabiam se tinham de ir à segunda fase e quando é que se podiam inscrever no ensino universitário. Com a agravante de se terem visto agentes da PSP em funções de estivadores a carregar caixotes de papelão, quando as patrulhas escasseiam nas ruas.

Montenegro terá muito trabalho na secretária sobre o que se passa com a sua ministra da Saúde, que é a governante mais incompetente que deve ter aparecido desde o 25 de Abril de 1974. O chefe do Executivo tem de meditar sobre os portugueses que têm morrido por falta de socorro do INEM, por este instituto ter veículos de urgência médica avariados; pela quantidade de partos que têm acontecido em ambulâncias porque as mães têm as maternidades da zona onde residem encerradas; pelas imensas horas de espera em qualquer urgência hospitalar; pelas consultas que levam meses para serem atendidas e as cirurgias só ao fim de mais de um ano.

Montenegro tem de debruçar-se sobre o seu ministro das Infraestruturas. Pinto Luz fala, fala, diz que faz, inaugura o que estava planeado há anos, diz que volta a fazer, mas o aeroporto de Alcochete talvez lá para 2045, o TGV entre Lisboa e Badajoz deve ter sido um sonho do governante, o mesmo que anuncia uma terceira ponte e um túnel entre Lisboa e a Margem Sul.

Milhares de milhões de euros em causa, mas as reformas miseráveis de 300 euros continuam a granel. O mesmo ministro que agora está na baila porque, ao exercer o seu cargo anterior como vice-presidente da Câmara Municipal de Cascais, aprovou a venda de um terreno valiosíssimo na marginal por uma ninharia escandalosa, onde agora subiu a construção de um hotel Hilton e de mais dezenas de apartamentos…

Montenegro irá certamente à sexta-feira para Espinho e irá banhar-se nas águas do mar do norte, e à noite, irá visitar os seus amigos do casino Solverde. Regressa na segunda-feira a Lisboa para pensar como é que o seu amigo ministro da Administração Interna está metido num buraco sem fundo, enquanto foi director nacional da Polícia Judiciária.

O homem alegadamente concedeu mais de 10 ajustes directos de obras na PJ a um amigo empreiteiro e o mais grave é que deixou o empreiteiro levar um camião que a PJ tinha apreendido a uma rede mafiosa de tráfico de droga com material perigosamente inflamável. Luís Neves, de sua graça, ainda está nas bocas do povinho por na função de ministro ter dito ao seu amigo empreiteiro que lhe construísse uma piscina no monte alentejano e que realizasse mais umas obras em casas que a família detém. Tudo isto, sem nunca declarar o seu património.

Montenegro não pode deixar de meditar na derrota que a sua ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social obteve com o infame pacote laboral, do qual nem vale a pena falar, porque os desmandos dessa governante são tantos, que já se fala em pretender retirar aos reformados o subsídio de Natal.

Enfim, uma baralhada de casos graves que obviamente têm de levar Montenegro a anunciar que não vai para o Algarve de férias. E ainda poderá existir outra razão para Montenegro “suar” durante o mês de Agosto. Sabe-se lá, se não irá rebentar mais alguma “bomba” com um qualquer ministro e Montenegro tem de estar no seu posto para responder logo aos “malandros” dos jornalistas. Ou serão, das duas, uma? Ou Montenegro não vai de férias em Agosto porque sabe que no interior do PSD há quem lhe queira espetar a faca nas costas e que tem de ficar por Lisboa a controlar as conspirações ou o primeiro-ministro pensará numa já demorada remodelação ministerial?

Sabe que mais, senhor primeiro-ministro? O senhor não goza férias de Verão por uma qualquer conveniência política, mas milhares de portugueses não podem ter férias de Verão porque nem dinheiro têm para o bilhete do autocarro…

Cotai | Sneaker Con, maior convenção de ténis do mundo, vem a Macau

Macau recebe nos dias 10 e 11 de Outubro deste ano, no Grand Lisboa Palace, no Cotai, aquela que é considerada a maior convenção mundial sobre ténis e cultura urbana, a Sneaker Con. Segundo um comunicado, trata-se do regresso do evento ao território “depois de um hiato de três anos do mercado chinês”, tendo em conta que esta feira já se realizou em Hong Kong e Xangai.

Desta vez, a Sneaker Con Macau promete reunir “entusiastas de ténis, coleccionadores, marcas e criadores de toda a Ásia para criar uma celebração definitiva dos ténis, cultura urbana e artigos de colecção”. No Grand Lisboa Palace apresentam-se “ténis raros e artigos de colecção valiosos, juntamente com mais de 50 expositores”.

Inclui-se ainda a zona “Trading Pit” onde os participantes poderão comprar, vender e trocar ténis no local, disponibilizando-se serviços gratuitos de autenticação de ténis. Não faltam ainda actividades paralelas, nomeadamente concertos.

Segundo uma nota da organização, esta convenção é considerada como uma “peregrinação única na vida para a cultura dos ténis”, prevendo-se que mais de 100 marcas com destaque no mercado, “ténis de edição limitada e marcas da cultura urbana” estejam presentes.

Espera-se ainda mais de cinco mil participantes num evento que, “além de incorporar tendências internacionais de moda, irá integrar elementos culturais locais de Macau para criar uma experiência exclusiva, autêntica e adaptada ao contexto local”.

MICAF | Inaugurada mostra “Echo, o Caminhante do Vento”

A artista Ekokaxi Wang, da Austrália, traz a Macau a sua personagem “Echo”, apresentada na exposição “Echo, o Caminhante do Vento”, que integra o cartaz do 3.º Festival Internacional de Artes para Crianças (MICAF). No Museu de Arte de Macau e no Lion Lobby, no MGM Cotai, será possível descobrir “um universo paralelo feito de barro, papel, fios e esponja”

A terceira edição do Festival Internacional de Artes para Crianças (MICAF, na sigla inglesa) traz ao público local uma exposição cheia de criatividade e imaginação e que nasce de uma parceria entre o Instituto Cultural (IC) e a operadora de jogo MGM.

Trata-se de “Echo, o Caminhante do Vento”, da artista Ekokaxi Wang, centrada em torno do personagem “Echo”. O público pode descobri-lo em dois espaços expositivos diferentes, nomeadamente no Museu de Arte de Macau (MAM) e no Lion Lobby do empreendimento MGM Cotai, até ao dia 11 de Outubro.

Nesta mostra, a artista “dá forma a um universo paralelo feito de barro, papel, fios e esponja”, permitindo o espaço da exposição “caminhar, sentir, palpar e explorar”, sempre em interacção com o público.

Segundo uma nota do IC, a mostra “apresenta uma instalação monumental em forma de corpo humano, que funciona simultaneamente como lugar de deambulação e repouso”, bem como “uma zona de criação em grande escala com blocos de construção inspirados em elementos de Macau”.

Não falta também um “universo paralelo habitado por Echos gigantes” e ainda “uma colecção de manuscritos, documentos e esboços que revelam o processo criativo da artista”. Nesta exposição pretende-se uma conexão interactiva com o público, “rompendo-se com as regras tradicionais do ‘Não tocar'”. Desta forma, “convidam-se os visitantes a interpretar livremente, a aprender brincando e a participar na criação de um espaço artístico de liberdade”. A ideia é que “crianças e adultos se possam desligar temporariamente dos seus papéis sociais e reencontrar-se com a inocência e curiosidade interior, através do toque e da criatividade”.

Uma espécie de refúgio

Em “Echo, o Caminhante do Vento”, apresenta-se um espaço que serve como “refúgio contra comparações e rótulos, permitindo aos visitantes libertar-se do peso do julgamento”.

Surgem, assim, “criaturas peculiares, símbolos enigmáticos e caminhos inexplorados, transformando cada passo numa aventura ousada”. “Os visitantes são convidados a tocar, brincar, enganar-se, imaginar, colaborar e agir – testemunhando o mundo de Echo e ajudando a moldá-lo como novos criadores”, acrescenta a nota oficial sobre a mostra.

O IC criou ainda a iniciativa “Arte para Famílias no Verão – série de actividades”, proporcionando “uma verdadeira imersão artística e incentivando pais e filhos a construir juntos o universo de Echo”.

Nesta actividade, os participantes podem levar para casa peluches coloridos da série “Deambulando num Mundo Paralelo”, “inspirados nas fantásticas criaturas da exposição, reconhecíveis pelas suas cores vibrantes e toque suave”.

Decorrem ainda o “Passeio Nocturno para Pais e Filhos” e a “Jornada de Exploração Artística entre Pais e Filhos”. Trata-se, segundo o IC, de “programas especiais que ligam as duas galerias, entrelaçando histórias de crescimento, aventura e construção do mundo de Echo”.

Segundo o IC, estas visitas guiadas e demais actividades “incluem a criação de personagens tridimensionais, reforçando o espírito de descoberta e participação activa”. As inscrições podem ser feitas na plataforma da Conta Única de Macau, sendo as vagas limitadas e a selecção feita por sorteio.

Pequim diz que guerras comerciais não beneficiam ninguém

A China criticou sexta-feira as novas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos sobre importações de dezenas de economias, justificadas por alegadas falhas no combate ao trabalho forçado, e defendeu que “as guerras comerciais não beneficiam ninguém”.

O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian declarou, numa conferência de imprensa, que a posição de Pequim sobre as questões económicas e comerciais com Washington é “constante e clara”. “A China opõe-se a todas as formas de medidas tarifárias unilaterais”, afirmou Lin.

O porta-voz acrescentou que “as guerras tarifárias e comerciais não beneficiam nenhuma das partes”, depois de o Gabinete do Representante para o Comércio dos Estados Unidos ter anunciado, na quarta-feira, novas tarifas entre 10 por cento e 12,5 por cento sobre importações provenientes de 60 países e regiões.

A decisão, adoptada ao abrigo da secção 301 da Lei do Comércio de 1974, é justificada por Washington com a alegada insuficiência de medidas para impedir a entrada de bens produzidos com recurso a trabalho forçado. O novo regime substitui a tarifa global temporária imposta pelos Estados Unidos, que expirava sexta-feira.

Canais abertos

A nova ronda de tarifas surge numa altura em que Pequim e Washington mantêm canais de diálogo económico, após a visita de Estado do Presidente norte-americano, Donald Trump, à China, em Maio, durante a qual se reuniu com o homólogo chinês, Xi Jinping.

Na quinta-feira, o ministério do Comércio chinês afirmou que as equipas económicas e comerciais dos dois países mantêm uma “comunicação fluida” sobre a estrutura e as funções de um novo Conselho de Comércio bilateral e estudam uma redução recíproca de tarifas no valor de 30 mil milhões de dólares para cada parte.

O braço de ferro tarifário entre as duas maiores economias do mundo atingiu o auge no ano passado, com tarifas recíprocas superiores a 100 por cento, traduzindo-se num embargo comercial de facto, antes das tréguas comerciais posteriormente alcançadas.

A relação bilateral continua marcada por divergências em torno das tarifas, dos controlos tecnológicos, das terras raras, de Taiwan e das restrições impostas a empresas chinesas, embora ambas as partes tenham procurado manter contactos nas áreas do comércio, investimento, agricultura, aviação e segurança militar.

China / EUA | Cooperação no repatriamento de fugitivos e luta contra o narcotráfico

Altos responsáveis pelo sector da segurança de ambos os países estiveram reunidos em Pequim para acertar agulhas em matérias como a repatriação de fugitivos e o combate ao narcotráfico

O ministro da Segurança Pública da China e o director do FBI norteamericano acordaram na sextafeira aprofundar a cooperação na repatriação de fugitivos e no combate ao narcotráfico. A reunião entre Kash Patel e Wang Xiaohong em Pequim ocorreu depois de dois recentes repatriamentos de fugitivos entre a China e os Estados Unidos, países que não possuem tratado de extradição.

Segundo o comunicado oficial, Wang defendeu que ambos os lados devem “envolverse em um diálogo mais construtivo, com base no respeito mútuo, e reforçar a cooperação prática” contra crimes como tráfico de drogas, fraude online e nas telecomunicações, pornografia infantil, branqueamento de capitais e captura de fugitivos.

Patel afirmou, numa declaração publicada na rede social X, que regressou a Pequim para “continuar o trabalho extraordinário sob a Administração Trump” de “encerrar canais de fornecimento de precursores de fentanil”, além de expandir operações conjuntas contra centros de fraude, combater crimes violentos contra crianças, e desenvolver maior cooperação na captura e entrega de fugitivos.

Na quintafeira, o Ministério da Segurança Pública da China informou ter entregue às autoridades norteamericanas um fugitivo procurado por crimes violentos graves, incluindo o alegado homicídio da esposa e a agressão sexual de uma menor.

O homem era procurado desde 2004, quando foi emitido um mandado de prisão nos EUA por crimes violentos. Dias antes da sua entrega, autoridades dos EUA repatriaram para Pequim um fugitivo acusado de sequestrar e matar cidadãos chineses no exterior.

Segundo Patel, “estes resultados históricos” foram possíveis graças aos contactos diretos com o Ministério da Segurança Pública”, acrescentando que a reunião com conselheiro de Estado e ministro Wang Xiaohong foi a “primeira reunião deste tipo na história do FBI”.

Linhas traçadas

Durante a reunião, Wang recordou que o encontro histórico entre os chefes de Estado dos dois países, realizado em Maio, “traçou o rumo para a cooperação bilateral em todos os sectores”.

O ministro da Segurança Pública manifestou a esperança de que ambas as partes “cumpram plenamente os entendimentos comuns alcançados pelos dois líderes e conduzam diálogos mais construtivos com base no respeito mútuo”.

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou que o líder chinês, fará uma visita diplomática a Washington no dia 24 de Setembro deste ano.

As autoridades chinesas acrescentaram que as forças de segurança dos dois países têm desenvolvido “uma série de acções práticas de cooperação” em áreas como combate ao narcotráfico, repatriamento de imigrantes ilegais, recuperação de fugitivos, fraude cibernética e luta contra o branqueamento de capitais.

A crise dos opioides causou centenas de milhares de mortes por overdose em solo americano na última década, com os EUA a apontar que os ingredientes químicos usados para o fabrico de fentanil, um opioide extremamente forte, vêm principalmente da Ásia, com forte participação da China.

O Governo norte-americano classificou o fentanil como uma ameaça extrema, equiparando-o a uma arma de destruição em massa, usando essa justificação para ampliar sanções financeiras à China, que rejeita a responsabilidade direta pela crise dos opioides nos EUA, classificando o problema como uma questão estritamente interna da sociedade norte-americana.

Em setembro de 2025 o Presidente dos EUA, Donald Trump, impôs uma tarifa de 20 por cento sobre as importações chinesas, pressionando Pequim a conter o fluxo de opioides sintéticos, mas após uma reunião bilateral no mês seguinte a tarifa foi formalmente reduzida para 10 por cento, com a China a concordar em apertar o controlo de exportação de precursores químicos.

Sonhos de Luxo Nas Montanhas Azuladas de Yang Sheng

Li Longji (685-762) não estava destinado a ser como foi o imperador Xuanzong (r.712-756) que pela sua sábia capacidade de discernimento foi capaz de aproveitar e ainda mais impulsionar o extraordinário e florescente tempo da dinastia Tang, mas de modo igualmente surpreendente também foi ele que moveu as peças que levariam à impiedosa e abrupta queda do seu reinado.

Sendo o terceiro filho do imperador Ruizong e da sua concubina, a consorte Dou, uma série de maquinações orquestradas pela implacável imperatriz Wu Zetian (624-705), que dirigia de facto o império quando ele nasceu, e condições naturais do seu carácter acabariam de o levar a ocupar o trono do dragão. Um período que de forma ousada ao assumir o poder designou Kaiyuan, a «origem de uma nova era» a que as gerações posteriores acrescentariam dois caracteres shengshi, a «geração próspera, abundante».

A memória do governante, que viveu rodeado pelo luxo, perduraria na imaginação de cultores das artes, que no seu tempo ele muito protegeu e animou. Um elucidativo exemplo é o rolo horizontal do pintor Ren Renfa (1255-1327) onde figuram Cinco príncipes ébrios regressando a casa, um dos quais é Li Longji (tinta e cor sobre papel, 35,5 x 212,5 cm, no Museu Long de Xangai) em que a riqueza se vê na opulência dos cavalos. O pintor literato Zhang Ning (1426-1496) escreveria: «Pretos, amarelos, vermelhos, brancos e mosqueados: cada cavalo tem o valor de mil taels (liang) de ouro». Debruçados sobre as montadas não se distinguiriam as feições do futuro imperador e outros retratos coevos não chegariam até hoje mas há registos de um, elogiado pela semelhança feito por um pintor hodierno.

Chamava-se Yang Sheng, de actividade conhecida entre 714 e 749, e a ele estão associadas figurações de montanhas de sonhos que mais acrescentam à sensação do luxo vivido na era de Xuanzong.

Yang Sheng seria lembrado em duas expressões da pintura shanshui: o estilo mogu, «sem ossos» em que a tinta é aplicada antes dos contornos da forma, e a paisagem qinglu, «verde azulada», em que os minerais utilizados a azurite e a malaquite por serem raros e usados em alquimia, remetem o observador para a possibilidade espiritual e a imaginação poética.

Pintores posteriores ao usarem o nostálgico método juntaram-lhe muitas vezes o nome do pintor da corte do imperador que elegeu o general que o iria trair. O poeta Du Mu (803-852) que viveu ainda na dinastia dos Tang, reflectiu em muitos poemas sobre as inopinadas acções finais do reino do imperador Xuanzong que levariam ao impensável fim. Um dos que escreveu num templo, designado por decreto imperial de 738, Kaiyuan, para que em todo o império fossem feitas orações pelo seu bom governo, expressa a tristeza desse entardecer, «Tonto pelo vinho gasto o meu tempo escutando o som do vento e da chuva batendo na janela.»

Agressão sexual | Detido por assediar enfermeira e médica

Um residente de 70 anos foi detido pelas autoridades, depois de alegadamente ter assediado uma enfermeira e uma médica, enquanto era tratado no Centro Hospitalar Conde de São Januário. A informação foi divulgada pelo Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), na sexta-feira.

O caso aconteceu na passada quarta-feira, depois de o homem ter sido transportado para o hospital por se sentir mal. Enquanto recebia tratamento de uma enfermeira, o paciente começou por apalpar a profissional de saúde no peito. Face à agressão sexual, a enfermeira contactou de imediato as autoridades, por volta das 11h40.

Os agentes do CPSP chegaram ao local às 12h15, e acompanharam o suspeito, durante a consulta. No entanto, o homem não se sentiu intimidado pela presença das autoridades, e quando foi mudado de uma cadeira-de-rodas para um banco, onde ia ser examinado, voltou a apalpar o peito da enfermeira e deu uma palmada no traseiro da médica.

Os agentes permitiram que a consulta chegasse ao fim e o homem recebesse tratamento, mas depois levaram-no para a esquadra. Ambas as profissionais de saúde apresentaram queixa. A médica queixou-se ainda de agressão física, e disse ter ficado lesionada depois de ter levado a palmada.

O caso foi encaminhado para o Ministério Público e o homem está indiciado por um crime de ofensa simples à integridade física e importunação sexual.

Tufão | Voo para Macau obrigado a aterrar em Nanning

O tufão Noul levou ao cancelamento de mais de 60 voos no aeroporto de Macau, à interrupção das ligações marítimas e da circulação na Ponte do Delta. Um voo de Osaka, com chegada prevista à RAEM na tarde de sábado, foi desviado para Guangxi, onde fez uma aterragem de emergência

Apesar de não ter provocado danos de maior, o tufão Noul causou a paralisia dos transportes na região. A situação mais complexa envolveu um voo da Air Macau, oriundo de Osaka com destino à RAEM, que foi obrigado a aterrar de emergência no Aeroporto Militar de Nanning, na província de Guangxi, a oeste de Guangdong, indicou ontem a Direcção dos Serviços de Turismo (DST).

O voo deveria aterrar em Macau na tarde de sábado, mas devido às condições meteorológicas foi desviado para Guangxi, onde fez uma aterragem de emergência. A bordo vinham 166 passageiros, 93 destes residentes da RAEM.

Segundo indicou ontem a DST, a companhia aérea providenciou o alojamento dos passageiros e afirmou que será organizado “um voo de Nanning, em Guangxi, para Macau ainda hoje, assim que for possível, dependendo das condições meteorológicas”. A linha aberta para o turismo recebeu nove pedidos de assistência de passageiros deste voo.

O voo desviado foi a situação mais preocupante, revelada quase um dia depois, porém, a passagem do Noul originou uma confusão generalizada nas fronteiras.

Ontem, ao início da tarde, alguns passageiros aguardavam nos postos fronteiriços o reatamento dos transportes entre regiões, tanto nos terminais marítimos para Hong Kong e Shenzhen, como na Ponte do Delta. Também as ligações ferroviárias no Interior foram interrompidas.

Com o sinal 3 de tempestade tropical emitido às 18h de sábado, já os cancelamentos de voos eram a tónica dominante no Aeroporto de Macau e de Hong Kong. Em Macau, foram cancelados 62 voos, principalmente no sábado e domingo, nos dois sentidos entre a RAEM e destinos como Taipé, Kaohsiung, Xiamen, Nanjing, Chengdu, Xangai, Hangzhou, Banguecoque e Manila. Além disso, mais de 30 voos foram afectados com atrasos.

Macau radical

Outra situação que obrigou à intervenção de uma equipa de salvamento, ocorreu perto da praia de Hac Sá, quando um jovem de 14 anos foi resgatado ao largo do trilho de Long Chao Kok, depois de a prancha de windsurf se ter virado, atirando-o ao mar. A ocorrência foi detectada através do sistema de monitorização dos Serviços de Alfândega, que activaram o mecanismo de resposta de emergência com lanchas rápidas. O jovem não necessitou de apoio médico e as autoridades levaram-no de volta ao centro náutico de Hac Sá.

A circulação da Ponte Hong Kong – Zhuhai – Macau foi interrompida à meia-noite de domingo e só foi retomada às 13h de ontem, altura em que foram também reatados os serviços dos autocarros dourados.

Em relação às ligações marítimas, o último barco da TurboJet saiu de Macau para Hong Kong às 21h de sábado, e no sentido inverso a última partida antes da suspensão dos serviços foi às 21h30. As embarcações da Cotai Water Jet, entre a Taipa e Sheung Wan partiram às 21h de sábado para Hong Kong e no sentido inverso às 20h30. Os serviços foram retomados ontem às 13h30. Os transportes foram retomados ao início da tarde de ontem.

Em terra, a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude suspenderam ontem todas as actividades educativas dos ensinos infantil, primário e especial, enquanto os eventos planeados para ontem para alunos do secundário se mantiveram sem alterações.

Miniso abre loja em Macau com colaborações com Disney e Harry Potter

A marca chinesa Miniso abriu em Macau a primeira loja Miniso Land, um conceito premium que aposta em experiências imersivas e áreas temáticas dedicadas a marcas como Harry Potter, Disney e Pokémon. Localizada no centro comercial do hotel-casino Venetian, a loja ocupa uma área de 400 metros quadrados e é a maior da marca no território, informou na quinta-feira o portal de notícias Inside Retail Asia.

Este espaço disponibiliza mais de 1.200 produtos, incluindo artigos de colecção, ‘blind boxes’ – caixas lacradas que contêm bonecos e bens coleccionáveis aleatórios -, peluches, artigos de papelaria e produtos de ‘lifestyle’.

Apresenta, ainda de acordo com a revista especializada, mais de 30 colecções de personagens e marcas, com áreas temáticas dedicadas a universos como Disney, Harry Potter, Sanrio, Pokémon, One Piece, Crayon Shinchan e Chiikawa. O espaço inclui ainda figuras próprias da Miniso, como o YoYo.

A abertura insere-se na estratégia da Miniso de reforçar a expansão global do conceito de retalho imersivo, assente em colaborações com marcas licenciadas. O formato Miniso Land combina uma oferta alargada de produtos com merchandising temático e expositores interactivos, transformando as lojas em destinos de entretenimento, ainda de acordo com a Inside Retail Asia.

Expansão internacional

No início do ano, a empresa inaugurou também em Kuala Lumpur, na Malásia, a primeira Miniso Land do país, com 1.700 metros quadrados.

Com mais de 7.700 lojas no mundo, a marca – que nasceu em 2013, em Guangzhou, no sul da China, pelas mãos do empresário Ye Guofu – entrou no mercado português em 2021, no Arrábida Shopping, em Vila Nova de Gaia. Conta hoje com vários espaços no país, incluindo em Lisboa e Póvoa do Varzim.

Ao viajar com a família para fora da China, Ye apercebeu-se de várias lojas especializadas com produtos de qualidade, design apelativo e preços acessíveis, na maioria fabricados na China. “Impulsionado pela paixão pelo retalho e pela convicção no potencial do sector, Ye Guofu fundou a Miniso”, lê-se na página da marca.

Imobiliário | Associação opõe-se a novos apoios do Governo

A associação Residentes de Macau Ajudam-se a Si Próprios pediu ao Executivo para desistir da ideia de criar novos apoios para as empresas responsáveis pela construção imobiliária. A associação defende um Governo que ajude antes a população a ter acesso à habitação

A associação Residentes de Macau Ajudam-se a Si Próprios apelou ao Governo para acabar com os apoios às empresas que promovem a construção de imobiliário em Macau. O pedido da associação que anteriormente se denominava Poder do Povo foi feito na sexta-feira, através da entrega de uma carta na sede do Chefe do Executivo.

Na missiva, a associação critica o facto de os apoios do Governo ao sector imobiliário apenas incentivarem lucros exorbitantes e tornarem os preços da habitação mais caros, ao ponto de não serem acessíveis para a grande maioria da população. A Residentes de Macau Ajudam-se a Si Próprios defendeu que os preços dos imóveis devem regressar a “níveis razoáveis”, como acontecia no passado, para permitir que as novas gerações consigam comprar casa.

A associação recordou que, em 2000, antes de o Governo adoptar a política de imigração por investimento, os preços da habitação na zona do bairro do Iao Hon eram “bastante razoáveis”. A associação exemplifica que, nessa altura, um apartamento T2 nos edifícios Seng Lei, Hong Tai, Lok Fu e Man On custava cerca de 100 mil patacas. “Todos os residentes conseguiam suportar o custo de uma habitação e a população tinha uma boa qualidade de vida”, pode ler-se na carta.

Nos últimos anos, a Associação dos Empresários do Sector Imobiliário, ligada ao ex-deputado e empresário Ung Choi Kun, e os deputados Song Pek Kei e Nick Lei, que pertencem à lista da comunidade de Fujian, que no passado também elegeu Ung Choi Kun, têm defendido o regresso da política de acesso ao bilhete de identidade de residente para quem investe no imobiliário.

Contra a especulação

No documento, a associação responsabiliza ainda a política de imigração por investimento pelo descontrolo do mercado imobiliário, ao mesmo tempo que os promotores aproveitaram para “obter lucros exorbitantes através da especulação”. “Os preços das fracções passaram de 100 mil patacas para milhões de patacas devido à especulação”, acusaram.

A associação argumenta ainda que, actualmente, é impossível para a maioria dos jovens acederem à habitação, porque muitos têm ordenados de cerca de 10 mil patacas.

A política de imigração foi adoptada pelo Executivo de Edmundo Ho e oferecia Bilhete de Identidade de Residente a quem investisse um determinado montante no imobiliário. No entanto, Fernando Chui Sai On acabou com a política, devido ao impacto para os preços da habitação. Segundo a Residentes de Macau Ajudam-se a Si Próprios, também Ho Iat Seng, ex-líder do Executivo, afirmou que a especulação imobiliária em Macau teve origem na política de imigração por investimento.

Segundo os números da Direcção de Serviços de Estatística e Censos, em 2002 o preço médio do metro quadrado da habitação era de 6.261 patacas. O valor médio anual mais elevado foi atingido em 2018, quando o metro quadrado chegou a 108.427 patacas. No ano passado, o valor médio do metro quadrado foi de 70.935 patacas, o mais baixo desde 2013, quando o metro quadrado custava 81.811 patacas.

MPay | Permitidas transferências para bancos a partir de hoje

A partir de hoje os clientes da carteira de pagamentos digitais MPay vão poder fazer transferências para contas bancárias, mas o serviço não é totalmente gratuito.

De acordo com o portal da Macau News Agency, o serviço tem certos limites, a partir dos quais os utilizadores vão ter de fazer pagamentos extra. No caso dos utilizadores 3A, o terceiro nível mais avançado, as transferências para os bancos são grátis até atingirem 10 mil patacas por ano.

Se os utilizadores 3A preferirem pagar o limite é de 40 mil patacas. Cada transferência está limitada a um máximo de 8 mil patacas. No caso dos clientes 3B, as transferências grátis para bancos são limitadas a 30 mil patacas. Se os utilizadores optarem por pagar, podem transferir mais 120 mil patacas. Cada transferência está limitada a 20 mil patacas.

Óbito | Morreu Eduardo de Arantes e Oliveira

O ex-reitor da antiga Universidade Técnica de Lisboa (UTL) Eduardo de Arantes e Oliveira morreu na sexta-feira aos 92 anos, em Lisboa, disse à Lusa fonte ligada à família.

Professor catedrático jubilado do Instituto Superior Técnico (IST), Eduardo de Arantes e Oliveira foi reitor da antiga UTL entre 1977 e 1985, tendo assumido, com interregnos, o cargo de secretário de Estado com as pastas do ensino superior, ciência e tecnologia entre 1978 e 1988.

Dirigiu o Laboratório Nacional de Engenharia Civil de 1991 a 1998, presidiu à Academia das Ciências de Lisboa em 2007, 2009 e 2011 e foi conselheiro para a área da ciência e tecnologia do antigo director-geral da Unesco Frederico Mayor.

Segundo a Rádio Macau, Eduardo de Arantes e Oliveira foi um dos fundadores das conferências sobre aperfeiçoamento e promoção de métodos computacionais na engenharia e na ciência (EPMESC), no território, em meados dos anos 90. Recebeu o grau de doutor ‘honoris causa, da Universidade da Ásia Oriental, antecessora da Universidade de Macau.

Arantes e Oliveira foi agraciado em Portugal com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, em Espanha com a Grã-Cruz do Mérito Civil e em França com a insígnia de Cavaleiro da Legião de Honra.

IPIM | Assinados 24 memorandos para projectos de investimento em Maputo

O Centro de Arbitragem do Centro de Comércio Mundial de Macau assinou memorandos com as Faculdades de Direito das Universidades Católica de Moçambique, Eduardo Mondlane e São Tomás de Moçambique e a Ordem dos Advogados de Moçambique

Moçambique e a China assinaram, em Maputo, 24 memorandos de entendimento para futuros projectos de investimento e cooperação económica envolvendo países de língua portuguesa e a participação de Macau nas áreas de construção, energia, logística e indústria.

“Foram assinados acordos entre instituições públicas e empresas privadas desses países e vão concorrer para a concretização desses projectos”, anunciou Luís Machava, director da Agência para a Promoção de Investimento e Exportações (APIEX).

Luís Machava falou à margem do 17.º Encontro de Empresários para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Oficial Portuguesa, explicando que os investimentos ainda não avançaram para a fase de execução e que os memorandos assinados representam intenções de cooperação em áreas como construção, energia, logística e indústria. “Não estamos a falar em termos de valores de investimento. Estamos a falar de intenções para serem materializados em termos de projectos concretos”, frisou.

Macau presente

Segundo a lista de contratos assinados a que a Lusa teve acesso, os acordos estão distribuídos por nove secções e abrangem diferentes sectores económicos.

Na área das infra-estruturas, foi assinado um acordo para o fornecimento de materiais destinados à construção de habitações pré-fabricadas em Moçambique, envolvendo o Conselho Municipal de Maputo e empresas da China, Macau e Angola.

No sector industrial, o município de Maputo assinou um memorando com a Companhia de Indústria de Automóveis Aulong Kattai Limitada para o desenvolvimento de veículos comerciais de nova energia em Moçambique.

Na cooperação jurídica e académica, foram rubricados memorandos entre o Centro de Arbitragem do Centro de Comércio Mundial de Macau e várias instituições moçambicanas, incluindo as Faculdades de Direito das Universidades Católica de Moçambique, Eduardo Mondlane e São Tomás de Moçambique e a Ordem dos Advogados de Moçambique.

Para o desenvolvimento do comércio e do sector empresarial, as partes assinaram igualmente um protocolo de cooperação envolvendo o Centro de Arbitragem do Centro de Comércio Mundial de Macau e a Câmara de Comércio Moçambique-China, além de um memorando entre a Federação de Empresários dos Países de Língua Portuguesa em Macau e a Câmara de Comércio de Moçambique.

No sector da tecnologia e dos recursos minerais, foi assinado um contrato de consultoria para expansão de negócios ligados à exploração mineira com recurso a drones, inteligência artificial, geofísica aérea e desenvolvimento mineral em Moçambique.

Organização do IPIM

O encontro foi organizado pela Agência para a Promoção de Investimento e Exportações (APIEX, IP), em colaboração com o Conselho Chinês para a Promoção do Comércio Internacional (CCPIT) e o Instituto para a Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM), sob o lema “Investimento em Infra-estruturas Logísticas como Motor de Desenvolvimento”.

O evento reúne delegações empresariais da China e dos países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), visando promover relações económicas e comerciais, identificar oportunidades de comércio e investimento e reforçar a cooperação em sectores estratégicos, incluindo infra-estruturas, energia, agronegócio, turismo e indústria.