Trabalho ilegal | 383 empregadores punidos no ano passado João Santos Filipe - 24 Mar 2026 Além das entidades patronais, foram também punidos 285 trabalhadores não-residentes e abertos 79 inquéritos criminais. As multas renderam mais de 6 milhões aos cofres da RAEM No ano passado, a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais aplicou sanções a 383 empregadores, devido ao envolvimento em casos de trabalho ilegal. Os dados foram divulgados pelo director da DSAL, Chan Un Tong, em resposta a uma interpelação escrita da deputada Ella Lei, ligada à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM). Os empregadores multados resultaram de um total de 683 inspecções que a DSAL realizou por si, ou em conjunto com outros órgãos do Governo, que levaram à aplicação de sanções a 668 pessoas e entidades. Destas, “383 eram entidades empregadoras e 285 eram não-residentes”, que acabaram por ser multados em mais de 6 milhões de patacas. Na origem das sanções estiveram práticas como exercício de funções em local ou para um empregador diferentes do autorizado, exercício de funções alheias às autorizadas, contratação de trabalhador ilegal ou trabalho por conta própria. Além das sanções administrativas, a polícia encaminhou 79 empregadores, por suspeita da prática do crime emprego irregular, ao Ministério Público para efeitos de investigação. A resposta de Chan Un Tong não indica o desfecho dos inquéritos relacionados com o trabalho ilegal, nem as consequências para estes empregadores. Segundo a legislação em vigor o crime de emprego irregular é punido com uma pena de prisão que pode chegar aos dois anos. Nos casos de reincidência a punição sobe para um mínimo de dois anos e um máximo de oito anos, se não houver outras questões agravantes. Controlar as redes sociais Na resposta, o director da DSAL garantiu também à deputada que tanto o órgão que lidera como a polícia fazem um controlo regular das redes sociais e de outros meios de recrutamento, para evitar a contratação de trabalhadores ilegais. “A DSAL recolhe informações sobre o trabalho ilegal em vários aspectos, tomando a iniciativa de fiscalizar as informações relacionadas com o trabalho ilegal nas plataformas de redes online, efectuando, em tempo oportuno, a análise e o estudo das violações da lei e reforçando a gestão a partir da fonte”, foi indicado. “A DSAL dispõe ainda de um mecanismo de denúncia por vários canais (incluindo telefone, e-mail e via postal), a fim de facilitar a denúncia do trabalho ilegal por parte dos cidadãos”, foi acrescentado. Chan garantiu ainda que no que diz respeito à polícia, no caso em que encontram casos suspeitos de trabalho ilegal há”, por iniciativa própria, uma investigação. Na interpelação a deputada mostrou-se preocupada com o trabalho ilegal e exigia mais medidas para controlar o fenómeno e a imigração.
Lucros da Sociedade de Parques Industriais afundam mais de 25 por cento João Santos Filipe - 24 Mar 2026 No ano passado, os lucros da Sociedade para o Desenvolvimento dos Parques Industriais de Macau caíram para 7,43 milhões de patacas, uma redução anual de 25,7 por cento, face ao lucro de 10,01 milhões de patacas, em 2024. Os dados foram divulgados ontem pela empresa com capitais da RAEM, através do portal da Direcção dos Serviços da Supervisão e da Gestão dos Activos Públicos (DSSGAP). As principais receitas da Sociedade para o Desenvolvimento dos Parques Industriais de Macau ficaram a dever-se ao arrendamento dos espaços no Parque da Concórdia, em Coloane, e do Parque Industrial Transfronteiriço Zhuhai-Macau, construído na Ilha Verde. Estas receitas geraram 18,16 milhões de patacas para a empresa, quando em 2025 tinham gerado 18,18 milhões de patacas. Apesar da redução dos lucros, os custos com os membros da administração e recursos humanos voltaram a subir. Em 2024, os gastos com o pessoal tinham atingido 6,05 milhões de patacas, porém, em 2025 voltaram a subir 20,2 por cento, para 7,27 milhões de patacas. É o segundo aumento desde 2023, quando os custos com o pessoal tinham sido de 5,80 milhões de patacas. Em mais de dois anos estas despesas subiram 25,3 por cento. Total de 10 trabalhadores A sociedade é liderada por Chan Hon Sang que tem um vencimento anual de 1,33 milhões de patacas, 18,3 por cento do total destes gastos. Apesar do aumento dos gastos com o pessoal, a empresa manteve o número de trabalhadores de 2024, um total de 10, incluído o presidente e dois directores. Os dois directores levam para casa um salário anual de 90 mil patacas, o que resulta do facto de acumularem o cargo com outras funções. A redução do lucro justifica-se também com a diminuição do valor dos juros face ao dinheiro guardado nos bancos locais. Em 2024 os juros tinham rendido 7,07 milhões de patacas, mas no ano passado o montante foi apenas de 5,63 milhões de patacas.
Economia | Tai Kin Ip reconhece menos gastos dos turistas Hoje Macau - 24 Mar 2026 O secretário para a Economia e Finanças, Tai Kin Ip, reconheceu ontem que o gasto per capita dos turistas está em contracção, e que os hábitos de compras foram substituídos pela procura de novas experiências. As declarações foram prestadas durante um simpósio da Associação Comercial de Macau, e citadas pelo jornal Ou Mun. O governante admitiu que estas alterações fazem com que o ambiente de negócios seja mais exigente para as empresas de Macau, e aconselhou os comerciantes a “responderem de forma científica às mudanças”, “a procurarem de forma activa mudarem os seus negócios para melhor” e “adaptarem-se às novas situações”. Tai Kin Ip alertou ainda os empresários que só desta forma é que vai ser possível “alcançar um desenvolvimento sustentável”. Apesar destes alertas, o secretário afirmou que as Pequenas e Médias Empresas são a base da economia local e contribuem para a maioria do emprego da população e da revitalização da economia. Para combater as dificuldades, o secretário afirmou que o Governo está “lado-a-lado” com os empresários e prepara vários eventos, como os espectáculos de fogo-de-artifício e de drones, para encorajar as pessoas a passarem mais tempo no território e assim consumirem mais. Quanto ao facto de a população consumir cada vez mais no outro lado da fronteira, onde os preços são mais atractivos, o responsável afirmou que o Executivo ouve as opiniões de “todos os sectores da sociedade” sobre as formas como deve promover um maior consumo.
MNE | Gabinete de Hong Kong e Macau volta a ter chefia feminina Hoje Macau - 24 Mar 2026 O Gabinete de Trabalho de Hong Kong e Macau do Comité Central do Partido Comunista da China onde faltava nomear um novo vice-director há quase seis meses vai ter uma subdirectora, Zhang Dongmei. A informação foi divulgada pelo jornal Mingpao, de Hong Kong. O anterior vice-director Wang Linggui foi promovido como presidente da Federação Nacional de Chineses Ultramarinos Retornados em Outubro do ano passado. A nova vice-directora vai ser a vice-presidente da Federação Nacional das Mulheres da China, Zhang Dongmei. Desde 2013 que o Gabinete dos Assuntos de Hong Kong e Macau junto do Conselho de Estado não tinha uma subdirectora, a última tinha sido Hua Jian, que assumiu a posição entre 2008 e 2013. Em 2023, o gabinete foi renovado ao abrigo da reforma das instituições do Partido Comunista da China (PCC) e do Estado, integrando as instituições directamente subordinadas ao Comité Central do PPC. O jornal Mingpao apontou também que o actual vice-director do gabinete, Huang Liuquan, de 61 anos, vai deixar o cargo devido à idade, estando previsto ser substituído pelo vice-presidente da Agência de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento da China, Yang Weiqun.
Concertos | Song Pek Kei pede detalhes sobre descontos João Luz e Nunu Wu - 24 Mar 2026 Depois de o Governo ter anunciado um plano para incentivar, através de descontos, espectadores de concertos a gastar dinheiro nos bairros residenciais, Song Pek Kei pergunta quando arranca o programa. Os transportes para os bairros também merecem a atenção da deputada A atracção de turistas para as zonas afastadas dos pontos turísticos mais populares de Macau continua a ser uma questão para a qual tem sido difícil encontrar soluções. Na apresentação das Linhas de Acção Governativa para este ano, o Executivo introduziu o “Programa de Concertos + Benefícios de Consumo nos Bairros Comunitários”. A ideia pode resumir-se à distribuição de cupões de descontos, que só podem ser usados no comércio e restauração dos bairros residenciais, a turistas e residentes que comprem bilhetes para espectáculos em Macau através de determinadas plataformas online. Uma vez que não foram divulgadas mais informações desde a menção nas LAG, Song Pek Kei escreveu uma interpelação a pedir detalhes sobre este programa. A deputada, ligada à comunidade de Fujian, sublinhou a intenção do Governo de fazer de Macau uma cidade de concertos, apesar da vaga de eventos cancelados nos últimos meses. Corrida de barreiras A legisladora salienta que a “economia de concertos” tem sido um importante factor para a diversificação da economia da região. Porém, as alterações nos padrões de consumo, a forma como as autoridades referem o baixo consumo e quebra de poder de compra dos turistas, e a instabilidade internacional acrescentam barreiras adicionais à economia dos bairros afastados dos pontos quentes de turismo. Estas mudanças tornaram a vida mais cara e retiraram confiança aos consumidores. Song Pek Kei destaca também a importância de optimizar infra-estruturas comunitárias, que acabem com o “isolamento” dos bairros em relação às rotas turísticas. “Actualmente, os transportes em Macau envolvem principalmente deslocações entre a península e o Cotai, ou viagens directas para locais de concertos, com percursos de ponto a ponto”, argumenta. Para que os bairros residenciais sejam mais visitados por turistas, a deputada recordou que Sam Hou Fai prometeu optimizar os transportes públicos para permitir que quem visita Macau para ver um espectáculo passe pelas zonas “esquecidas”, impulsionando a economia comunitária. Como tal, a legisladora pergunta quais os planos do Governo para atingir essa meta.
Música | Escritos de Camilo Pessanha conjugados com ritmos em patuá Andreia Sofia Silva - 24 Mar 202624 Mar 2026 Ian Watts celebrou a poesia de Camilo Pessanha de uma forma singular, recorrendo à música e ao patuá, o crioulo macaense que está praticamente extinto. “Sunk Ships Sing Clepsydra” é o nome do álbum, disponível em formato digital, com 30 faixas produzidas pelo escritor e tradutor. Watts recorreu “ao conceito de uma banda macaense de Xangai nos anos 30” No mês em que se celebra o centenário da morte de Camilo Pessanha, vulto maior do chamado Simbolismo na poesia portuguesa e autor de “Clepsydra”, o autor e tradutor Ian Watts, com raízes portuguesas no Havai e na Califórnia, resolveu dedicar-lhe um projecto único: fez um álbum com 30 faixas, baseado na poesia de Pessanha, com ligações ao patuá e a sonoridades de jazz e música chinesa. O resultado é “Sunk Ships Sing Clepsydra”, álbum que pode ser ouvido gratuitamente, em formato digital, e que tem “letras novas em português” com ligação ao patuá. Em termos musicais, o que Ian Watts fez foi recorrer ao “conceito de produção de uma banda macaense de Xangai dos anos 30, com a gravação ao estilo Shidaiqu: harmonia de jazz ocidental, a sensibilidade melódica chinesa”, sem esquecer a presença de uma “cantora macaense cujo português desliza, naturalmente, para a sua língua materna”. Este foi o princípio de um projecto que musicou Clepsydra de uma forma que, segundo Ian Watts, nunca tinha sido tentada antes. Numa nota enviada às redacções, o autor explica que o álbum “foi realizado com ferramentas de inteligência artificial, o que permitiu que uma única pessoa tenha concretizado algo que, de outro modo, teria exigido um ‘ensemble’ de época, um estúdio e meios consideráveis”, adiantou. Ian Watts tem uma relação longa com Macau e conheceu o universo de Camilo Pessanha “quando fazia investigação sobre o comércio do ópio em Macau na Biblioteca Nacional de Lisboa, no final dos anos noventa”. Aí surgiu o acesso ao espólio de Camilo Pessanha, doado pela família de Ana Castro Osório, que mais contribuiu para a divulgação da escrita do poeta português. “O meu objectivo principal era procurar qualquer escrito seu sobre o uso de ópio, o que não encontrei de forma óbvia. Mas encontrei outra coisa: a qualidade sonora e profunda da sua poesia. Era estranha e bela. O que também me cativou foi a sua tradução das ‘Elegias Chinesas’ – era um homem verdadeiramente mergulhado em Macau, não um poeta europeu de passagem”, adiantou Ian Watts ao HM. A ideia de produção de “Sunk Ships Sing Clepsydra” surgiu depois da publicação da tradução de “Lin Tchi Fá: Flor de Lótus”, da autoria do próprio Ian Watts, sobretudo no momento em que ouviu a canção “Viola Chinesa”, do duo macaense “A Outra Banda”, onde é adaptado um poema de Pessanha com o mesmo nome. “Naquele momento decidi que pôr a sua poesia em música seria um projecto bonito em sua honra. Comecei de forma simples, e procurei inspiração em Satie e Debussy, que pareciam capturar o mesmo lirismo. Aquele som não me parecia quente, e voltei a pensar no mesmo lugar em que Pessanha viveu, nas pessoas à volta”, tendo ocorrido a Ian Watts as ideias de Macau, da mulher macaense e até do cante. Nesse momento, “todas as peças se encaixaram.” Para produzir o disco, Ian Watts recorreu “ao máximo de fontes em patuá” que conseguiu, nomeadamente os discos da Tuna Macaense e do poeta Adé. “Comecei aí o longo processo de decidir onde entrar o patuá numa canção, e onde a cantora poderia, conscientemente, manter o português. Numa canção queria usar o Nhum, em ‘O Tambor’, mas a melodia e a canção exigiam outra coisa. Tudo foi feito com intenção”, assegura. A escolha dos poemas para o disco não foi difícil, já que “em certo sentido já estavam escolhidos, por Ana de Castro Osório há mais de cem anos”. “Digo isto com algum humor”, salienta Ian Watts. A escolha da IA Usar inteligência artificial (IA) neste projecto tem tanto de inovador como de arriscado, e Ian Watts assume que “esteve reticente em contar ao mundo não-IA sobre este projecto”, já que, no seu entender, “a maioria das pessoas olha de forma negativa para a música e imagens produzidas por IA”. “Contactei os meios de comunicação em Macau não por [desejar] fama ou fortuna, mas para dar às pessoas a possibilidade de ouvir Pessanha no centenário da sua morte”, destaca. “Ao contar às pessoas de Macau sobre este projecto, espero que possa também inspirar alguns a compor canções e a cantar as suas histórias — em patuá, em cantonês, em português. A IA oferece a possibilidade de pessoas que, de outra forma, não teriam recursos para o fazer, na colaboração e a cantar.” Macau entrou na vida de Ian Watts “como uma ideia”, através do seu professor de português na universidade. “Estávamos em pleno debate pós-modernista e pós-colonial e Macau fascinava-me intelectualmente”, na qualidade de “entreposto português na costa sul da China, com uma identidade construída em cima de múltiplas pertenças e múltiplas ausências”. Ian Watts foi depois a Macau, onde “teve a oportunidade de falar com muitas pessoas sobre o que significava ser macaense”, e aí o território “deixou de ser um conceito” para se transformar “num lar para muitos, levando um pedaço no meu coração”. O autor traduziu escritos de Camilo Pessanha e de Maria Anna Acciaioli Tamagnini, “por prazer”, tendo inclusivamente saído, no ano passado, a tradução de “Lin Tchi Fá – Flor de Lótus”, publicada originalmente em 1925, em português, chinês e inglês. Sobre este projecto, Ian Watts afirma que “Maria Anna Acciaioli Tamagnini escreveu na tradição orientalista e simbolista”, sendo que, em “Lin Tchi Fá”, “nunca escreve explicitamente sobre os macaenses”. Faz, isso sim, “referências veladas e, por vezes, explícitas à condição feminina e subtilmente insurge-se contra as estruturas patriarcais”, o que resulta”dos seus contactos locais”. “Convém recordar que ‘Lin Tchi Fá’ foi publicado quando ela estava em Lisboa, depois de o marido ter sido chamado de volta a Portugal após a sua primeira governação; os seus ensaios posteriores a 1926, durante a segunda governação, debruçam-se quase inteiramente sobre a comunidade chinesa em Macau e no sul da China.” Esta autora, destaca Ian Watts, escreveu um poema mais focado em Macau, intitulado “Santa Infância”, onde descreve a realidade das crianças órfãs, “na sua maioria raparigas que eram deixadas na roda dos expostos”, criadas dentro da comunidade cristã, por freiras. “Não incluí este nem outro poema existente na minha tradução, por não constarem do seu volume original de poemas”, explica. O lugar da língua Ian Watts sabe o que é viver entre idiomas. No que diz respeito ao patuá, já não encontrou Adé vivo para, com ele, aprender mais sobre o crioulo macaense, mas ainda trocou palavras com o Padre Manuel Teixeira, que lhe falou dos escritos de Adé e Maria Anna Acciaioli Tamagnini. “Mas a língua ganhou vida de outra forma. Uma tarde estava na Leitaria I Son, no Largo do Senado, com um grupo de macaenses jovens, na casa dos vinte anos. E eles iam deslizando entre o inglês, o cantonês, o português e o patuá — tudo dentro da mesma conversa, sem marcação, sem cerimónia. Nunca tinha ouvido a língua falada antes. O que me ficou foi a sua musicalidade. Nunca me esqueci”, recorda. Ian Watts diz não ser “linguista nem especialista em revitalização linguística”, e que as suas áreas de estudo são Etnografia, Literatura e Estudos Portugueses. Porém, diz ter a “perspectiva pessoal sobre o que acontece às línguas sob pressão”. “A minha família, de origem açoriana e madeirense, perdeu activamente o português no Havai sob a pressão da assimilação. Escolheram o inglês como língua de prestígio, e o português foi murchando até restar apenas em palavrões”, recorda, falando do progressivo desaparecimento do patuá. “Em Macau, entendo que o patuá não foi tão suprimido e considerado uma língua que não valia a pena conhecer”, com um sentimento de “vergonha de si próprio”. “A minha própria família olhava com desconforto para o seu inglês ‘partido’ e empurrava a língua correcta, o inglês da Metrópole. E assim o patuá foi-se esvanecendo. Felizmente, foi documentado, no [jornal] ‘Ta-ssi-yang-kuo’ na viragem do século, por Graciete Batalha a meio do século passado, e, mais recentemente, no léxico de Miguel de Senna Fernandes — que, em conjunto com o Dóci Papiaçam di Macau, tem feito um esforço genuíno para manter a língua viva.” Ian Watts refere também o trabalho de edição de textos antigos por parte do Instituto Cultural e Instituto Internacional de Macau. “Falo como alguém de fora, e reconheço que não conheço a realidade linguística actual de Macau. Mas a minha intuição é que as línguas mudam — e que o mesmo contacto intercultural que criou o patuá pode continuar a levá-lo para a frente. A língua, como os ‘Filhos da Terra’ que a falam, não é uma peça de museu. Aquele grupo de jovens macaenses que eu via deslizar entre o português padrão e o cantonês de rua — é assim que os crioulos se formam. Foi maravilhoso ouvir isso com os meus próprios ouvidos”, salienta.
Lei Básica | 33 anos celebrados esta semana Andreia Sofia Silva - 23 Mar 2026 Decorrem esta semana diversas actividades que visam comemorar os 33 anos de existência da Lei Básica da RAEM, promovidas pela Direcção dos Serviços para os Assuntos de Justiça (DSAJ) e demais associações locais. Uma dessas actividades acontece esta quinta-feira, dia 26, no Salão de Convenções do Centro de Ciência de Macau. Trata-se do seminário intitulado “15.º Plano Quinquenal do País e o Desenvolvimento Sustentável da RAEM”, com a presença de “peritos e académicos de Macau e do Interior da China para discutirem, em conjunto, a situação do desenvolvimento do princípio ‘um país, dois sistemas’ na nova era”. A nota da DSAJ dá ainda conta da realização, no sábado, dia 28, do Festival de Divulgação Jurídica “Cumprir a Lei”, na Praça do Tap Seac, realizando-se jogos de perguntas e respostas em tendas espalhadas no local. Há ainda actuações e diversas actividades lúdicas que visam dar a conhecer ao público “de forma descontraída e divertida”, a Lei Básica de Macau, diz a DSAJ. Nas celebrações, Incluem-se eventos como o “Curso de Formação sobre a Lei Básica” ou o “Jogo de Aventura entre Pais e Filhos para Famílias Jovens – ‘Crescer com a Lei'”, ou ainda o “Concurso de Eloquência – ‘Eu, a Constituição e a Lei Básica de Macau'”. Em formato online decorre também o “Jogo Online de Perguntas e Respostas – ‘ Eu e a Lei Básica'”, bem como o “Concurso sobre o Plano de Divulgação nas Escolas – ‘A Constituição e a Lei Básica de Macau'”. A DSAJ colabora nestas acções com a Associação de Divulgação da Lei Básica de Macau, o Instituto para os Assuntos Municipais e a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude. O tema das comemorações deste ano é “Conhecer e Cumprir a Lei”, pretendendo-se “aprofundar os conhecimentos dos cidadãos sobre a Lei Básica de Macau, a fim de herdar e promover a boa tradição do amor pela Pátria e por Macau, em prol da construção conjunta do Estado de Direito” no território.
Médio Oriente | China apela a cooperação com França Hoje Macau - 23 Mar 2026 O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, propôs sexta-feira a França “trabalhar em conjunto” com Pequim na procura de uma solução pacífica para a guerra no Médio Oriente, que classificou como “injusta”. O apelo da diplomacia chinesa foi feito durante uma conversa telefónica com Emmanuel Bonne, conselheiro diplomático do Presidente francês, Emmanuel Macron, segundo informou um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China. Wang Yi defendeu que, apesar das dificuldades, “o caminho certo para sair da crise continua a ser o diálogo e a negociação”, sublinhando a necessidade de coordenação entre os dois países. Enquanto membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, China e França devem, segundo o chefe da diplomacia chinesa, reforçar a comunicação estratégica, defender a Carta das Nações Unidas e o direito internacional. O chefe da diplomacia chinesa alertou ainda para o risco de regressar a uma “lei da selva” nas relações internacionais caso não haja cooperação multilateral. De acordo com Wang Yi, o conflito no Médio Oriente, que dura há cerca de três semanas e que foi desencadeado por uma ofensiva militar de grande escala dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, continua a intensificar-se, afectando a estabilidade do fornecimento global de energia e agravando uma crise humanitária de grande escala. “O uso da força não resolverá nada, e uma guerra injusta não pode continuar”, afirmou Wang Yi. Pequim criticou também os ataques do Irão contra países do Golfo Pérsico que acolhem bases militares norte-americanas, apesar de manter relações comerciais e diplomáticas estreitas com Teerão.
Médio Oriente | Europa e NATO recusam ser arrastadas para o conflito, diz analista Hoje Macau - 23 Mar 2026 O presidente-executivo do Observatório do Mundo Islâmico (OMI) defendeu sábado que Europa e NATO se recusam a ser arrastadas para o conflito que opõe Estados Unidos e Israel ao Irão, posição que considerou sensata. Numa entrevista à agência Lusa, João Henriques sublinhou que a Europa sabe que o conflito “vai ter efeitos devastadores”, desde logo pela perda de vidas, mas também que, com o decorrer do tempo, vai haver uma retaliação de grupos “que se sentem estimulados pela retórica islamista” e estão já em territórios ocidentais, não só na Europa Ocidental, como nos Estados Unidos. “Poderia dizer que há um consenso. Há membros da União Europeia e também da NATO, que nem sempre estão de acordo para que haja alguma parceria com os EUA para resolver a questão do estrangulamento que existe no estreito de Ormuz. É, claro, uma decisão sensata. De resto, a Europa também nunca fez nada de bem nos últimos tempos para que os conflitos não aconteçam, não sejam alimentados”, argumentou. Para o analista português, foi Israel quem arrastou os Estados Unidos para o conflito – “perdoe-se-me o plebeísmo, mas quem está a usar os cordelinhos é Telavive” –, pois cerca de metade da população islâmica vive nos Estados Unidos, que são, ao mesmo tempo, “os grandes tubarões da comunicação social nos Estados Unidos”. “Daí já sabemos quais são as influências que podem trazer até para a falta de esclarecimento, para a desinformação no mundo em geral, não é só no mundo ocidental, no mundo em geral, e aquilo que os Estados Unidos estão a fazer, como fizeram em Junho, também, no ataque às plataformas de enriquecimento de urânio, foi por encomenda, naturalmente, de [o primeiro-ministro israelita, Benjamin] Netanyahu. “Não vamos escamotear esta verdade. Neste binómio EUA-Israel, a situação de destruição dos territórios que se têm mostrado bastante hostis a ambos interessa aos grandes promotores imobiliários a desestabilização na região do Médio Oriente”, sustentou. Para João Henriques, o primeiro objectivo ainda não foi alcançado, porque o território ainda não foi completamente devastado, como aconteceu e vai continuar a acontecer, agora com menor intensidade, na Faixa de Gaza. Arte da propaganda Questionado pela Lusa sobre se esses “tubarões israelitas nos Estados Unidos” têm dominado a comunicação social internacional, permitindo ao Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmar que os Estados Unidos já destruíram a quase totalidade da capacidade militar iraniana, João Henriques falou de “propaganda”. “É propaganda, naturalmente. Isso faz parte das regras, já Sun Tzu [general e filósofo chinês mais conhecido pelo tratado militar, ‘A Arte da Guerra’] defendia isso, 500 anos antes de Jesus Cristo. Não vai haver, por parte de Israel, nenhuma cedência, enquanto aquele território não for completamente apagado do mapa”, argumentou. “E enquanto os Estados Unidos vão dizendo recorrentemente, sendo secundados por Israel, que destruíram uma quantidade imensa de protecções, de ‘bunkers’ que contêm armas, essas sim, de grande alcance, armas que estão armazenadas já há muito tempo, […] o poder bélico da República Islâmica do Irão está em subterrâneos a grande profundidade”, sublinhou o presidente-executivo do OMI.
A Lei da Comissão de Defesa da Segurança do Estado não compromete a protecção dos direitos humanos Hoje Macau - 23 Mar 2026 Ho Chon Hou – Advogado em actividade A proposta de lei intitulada “Comissão de Defesa da Segurança do Estado da Região Administrativa Especial de Macau” (adiante Lei da CDSE) foi apreciada na especialidade e aprovada por unanimidade pela Assembleia Legislativa em 19 de Março de 2026. O objectivo desta iniciativa legislativa é regular por lei e de forma mais abrangente o regime fundamental de atribuições, composição e funcionamento da CDSE, o que permite aperfeiçoar o sistema jurídico de defesa da segurança nacional e reforçar a estrutura de topo neste âmbito, de modo a reforçar a salvaguarda da soberania, da segurança e dos interesses de desenvolvimento do país, e a consolidar a barreira em prol da segurança nacional, salvaguardando a estabilidade da conjuntura social. Um dos destaques da Lei da CDSE reside na alteração à Lei n.º 9/1999 (Lei de Bases da Organização Judiciária), introduzindo a regra excepcional da exclusão da publicidade de certos actos processuais (e.g. audiências) em processos judiciais relevantes, bem como estabelecendo um mecanismo que exige a obtenção prévia de autorização especial concedida pelo juiz competente ao mandatário judicial para intervenção no processo judicial em que se crê existir a necessidade de proteger os interesses da segurança do Estado. Tais alterações são adequadas, necessárias e proporcionais, estando plenamente em conformidade com a salvaguarda dos direitos humanos. O artigo 9.º da Lei de Bases da Organização Judiciária, por alteração introduzida pelo artigo 19.o da Lei da CDSE, acrescenta um n.º 2 com a seguinte redacção: “Em processo judicial de qualquer natureza, o juiz competente deve determinar a exclusão da publicidade de certos actos processuais, tendo em conta os prejuízos que a publicidade pode causar aos interesses da segurança do Estado e quando tal for confirmado pela Comissão de Defesa da Segurança do Estado da Região Administrativa Especial de Macau”. O artigo 20.º acrescenta à Lei de Bases da Organização Judiciária o artigo 67.º-A (Autorização especial concedida ao mandatário judicial para intervenção em acto processual), que estipula no seu n.o 1 o seguinte: “Em qualquer processo judicial, se a autoridade judiciária competente tiver fundadas razões para crer que existe a necessidade de proteger os interesses da segurança do Estado, o mandatário judicial deve obter a autorização especial do juiz competente antes de intervir ou continuar a intervir no processo”. É evidente que o objectivo legislativo dos artigos 19.º e 20.º da Lei da CDSE é o de proteger os interesses da segurança nacional. Por exemplo, nos casos em que estejam envolvidos segredos do Estado, é essencial assegurar que tais segredos não corram o risco de serem divulgados ou revelados indevidamente, evitando assim prejuízos aos interesses da segurança nacional. O regime de autorização especial (adiante regime de autorização), que exige a obtenção da autorização prévia do juiz competente por parte do mandatário judicial, constitui precisamente a expressão inevitável da protecção do bem jurídico acima mencionado. O regime de autorização não representa meramente uma restrição à liberdade das partes na escolha do seu defensor; ao contrário, traduz um ponto de equilíbrio que permite alcançar simultaneamente dois objectivos: uma melhor prestação da actividade de defesa e a salvaguarda dos interesses da segurança nacional. Para tal, podemos proceder a uma análise com base nos três princípios da adequação, da necessidade e da proporcionalidade. O princípio da adequação refere-se à correspondência da situação real ao objectivo que um meio jurídico pretende alcançar. Ora, o regime previsto nos artigos 19.º e 20.º da Lei relativa à defesa da segurança do Estado constitui o limite mínimo para a defesa eficaz da segurança nacional, visando prevenir prejuízos aos interesses de segurança do Estado, pelo que está em conformidade com o princípio da adequação. O princípio da necessidade significa que, uma vez verificado o princípio da adequação, entre as várias formas possíveis de alcançar o objectivo legislativo, deve ser escolhida a que tenha o menor impacto sobre os direitos dos cidadãos. Por sua vez, a alínea 1) do n.º 8 e o n.º 9 do artigo 67.º-A da Lei de Bases da Organização Judiciária, aditados pelo artigo 20.º da Lei da CDSE, prevêem, respetivamente, que, em processos judiciais com carácter urgente, o juiz competente pode, oficiosamente, autorizar previamente o mandatário judicial para participar em determinados actos processuais, sem que tal impeça a aplicação, após as necessárias adaptações, das disposições relativas à nomeação oficiosa de defensor. Por conseguinte, cumpre o princípio da necessidade. O princípio da proporcionalidade significa que, embora um meio jurídico seja necessário para atingir o objectivo legislativo, não pode impor um encargo excessivo aos cidadãos. O regime de autorização estabelecido pela Lei da CDSE não priva as partes do direito à defesa, nem revoga a habilitação profissional de advogados ou mandatários judiciais; o seu objectivo reside apenas na implementação de uma verificação de qualificações necessária aos mandatários que participam em processos judiciais relacionados com a segurança nacional, a fim de garantir que os interesses de segurança nacional não sejam ameaçados por riscos potenciais no âmbito de cada caso, pelo que está em conformidade com o princípio da proporcionalidade. O 15.º Plano Quinquenal Nacional salienta a consolidação da barreira de segurança nacional, e a Lei relativa à defesa da segurança do Estado estabelece expressamente que a defesa da segurança nacional é uma responsabilidade constitucional da RAEM. A implementação da Lei da CDSE permite não só aperfeiçoar o sistema jurídico de defesa da segurança nacional, como também zelar plenamente pela garantia dos direitos humanos, o que é altamente louvável.
CELAC | Xi diz que China “será sempre boa amiga” dos países da América Latina e Caraíbas Hoje Macau - 23 Mar 2026 O Presidente chinês, Xi Jinping, garantiu que a China “será sempre boa amiga e parceira” dos países da América Latina e das Caraíbas, numa mensagem de felicitações enviada sábado à 10.ª cimeira da CELAC na Colômbia. No seu comunicado, Xi destacou o papel da Comunidade de Estados Latino-Americanos e das Caraíbas (CELAC), inaugurada sábado, na “promoção da estabilidade, do desenvolvimento” e da “cooperação do ‘sul global'”, e reiterou o apoio de Pequim aos países latino-americanos e caribenhos na “defesa da soberania, segurança e interesses de desenvolvimento”, segundo o ministério chinês dos Negócios Estrangeiros. O líder chinês sublinhou que a relação entre a China e a CELAC avançou no último ano, na sequência da IV Reunião Ministerial do Fórum China-CELAC, realizada em Pequim em Maio de 2025, na qual as partes concordaram em impulsionar uma agenda de cooperação centrada em cinco áreas: unidade, desenvolvimento, civilização, paz e intercâmbios entre os povos. Esse encontro, que contou com a presença de vários líderes latino-americanos, aprovou um plano de acção para o período 2025-2027 com uma centena de projectos e uma linha de crédito de 60 mil milhões de yuans, num contexto de crescentes laços económicos e políticos entre as regiões. Nesse evento, a China e os países da América Latina e das Caraíbas traçaram um plano de cooperação, num fórum em que presidentes e ministros dos Negócios Estrangeiros defenderam o direito de decidir com quem comercializar, apenas algumas semanas após o início da guerra de tarifas globais desencadeada pelos Estados Unidos. No sábado, em Bogotá, foi marcado pelo Fórum de Alto Nível CELAC-África, no qual se uniram países de ambas as regiões para rejeitar todas as formas de dominação, desde a escravatura e o colonialismo do passado aos bloqueios e guerras do presente, e durante o qual a Colômbia passou ao Uruguai a presidência ‘pro tempore’ do organismo regional.
Economia | Li Qiang afirma compromisso do país com aumento das importações Hoje Macau - 23 Mar 2026 O primeiro-ministro chinês, Li Qiang, defendeu ontem o compromisso da China com a abertura económica e o aumento das importações, afirmando que o país “impulsionará de forma inabalável a abertura” e “importará mais produtos estrangeiros de qualidade”. Durante uma intervenção na abertura do Fórum de Desenvolvimento da China 2026, Li sublinhou que o mundo atravessa mudanças profundas e complexas”, com um aumento do “unilateralismo” e do “proteccionismo”, sublinhando que, em contrapartida, também crescem as forças que apostam na “cooperação e no desenvolvimento”. O chefe do Governo chinês, citado pela agência estatal Xinhua, assinalou que o crescimento económico global não deve basear-se na competição pelos mercados existentes, mas sim na criação de novas oportunidades “através da abertura e da inovação tecnológica”, e sublinhou que “o proteccionismo não é a solução” para os problemas actuais. Li destacou que as trocas comerciais da China se desenvolvem no âmbito das regras internacionais e defendeu a necessidade de fortalecer a cooperação global para “aumentar o bolo” da economia mundial. Li defendeu ainda no discurso de ontem a promoção de cadeias de abastecimento “estáveis e seguras” e o reforço de um ambiente de concorrência “justa”, ao mesmo tempo que reiterou a disponibilidade de Pequim para melhorar o ambiente empresarial e garantir o tratamento nacional às empresas estrangeiras. O discurso teve lugar num fórum organizado pelo Centro de Investigação para o Desenvolvimento do Conselho de Estado na capital chinesa, que contou com a presença de cerca de 750 representantes do mundo empresarial, organismos internacionais e entidades financeiras.
Apple | Tim Cook reafirma compromisso com a China Hoje Macau - 23 Mar 2026 O presidente executivo da Apple, Tim Cook, defendeu ontem em Pequim o papel da cooperação como motor de crescimento e reafirmou o compromisso da empresa com a China, com promessas de apoio à inovação, desenvolvimento sustentável e educação. Durante uma intervenção no Fórum de Desenvolvimento da China 2026, o CEO da Apple sublinhou a importância da colaboração para gerar valor acrescentado e enfatizou o potencial do trabalho conjunto para “produzir resultados superiores à soma das partes”. Cook, citado pelo meio de comunicação 21st Century Business Herald, destacou os avanços da China na transição para um modelo de crescimento “de alta qualidade” e assinalou que a comunidade de programadores do país constitui um “exemplo claro” das chamadas “novas forças produtivas”. No âmbito industrial, o CEO elogiou os “avanços extraordinários” dos parceiros da empresa em automação e fabrico inteligente, áreas em que a Apple mantém uma vasta rede de fornecedores. No que diz respeito ao ambiente, o executivo indicou que mais de 90 por cento da produção da Apple na China já utiliza energia limpa e que mais de 90 fornecedores se comprometeram a utilizar eletricidade 100 por cento renovável até 2030 na fabricação dos produtos da empresa. As declarações de Cook surgem no âmbito de uma visita ao país, durante a qual o dirigente se reuniu na sexta-feira, em Pequim, com o ministro do Comércio chinês, Wang Wentao.
Ensino | HK ultrapassa EUA como segundo destino preferido de estudantes chineses Hoje Macau - 23 Mar 2026 As preferências dos jovens chineses mudaram e colocaram pela primeira vez Hong Kong à frente dos Estados Unidos como melhor destino para estudar. O primeiro lugar continua a ser ocupado pelo Reino Unido Hong Kong ultrapassou pela primeira vez os Estados Unidos como segundo destino preferido dos estudantes chineses que planeiam estudar além-fronteiras, segundo um inquérito da instituição de ensino New Oriental. O relatório, divulgado pelo jornal Beijing News, analisa a evolução do perfil dos estudantes, dos destinos escolhidos e dos critérios de decisão, apontando para uma crescente diversificação e uma abordagem mais “pragmática” por parte das famílias. O Reino Unido mantém-se como principal destino pelo sétimo ano consecutivo, enquanto a subida de Hong Kong – região administrativa especial chinesa com sistema de ensino distinto do da China continental – é atribuída à qualidade do ensino superior, à proximidade geográfica e a políticas de atracção de talento. Em contrapartida, a descida dos Estados Unidos coincide com o agravamento das relações bilaterais, com tensões políticas, comerciais e tecnológicas a refletirem-se também no sector educativo. Há cerca de um ano, Washington endureceu a sua posição em relação aos estudantes chineses, com maior escrutínio na concessão de vistos, restrições em áreas consideradas sensíveis e acusações de ligações ao Partido Comunista Chinês, medidas que Pequim considera “discriminatórias” e uma “politização da cooperação na área do ensino”. Neste contexto, os factores económicos ganharam peso: as propinas tornaram-se o segundo critério mais relevante na escolha do destino, apenas atrás do prestígio das instituições, enquanto bolsas de estudo e perspectivas de emprego assumem maior importância. Segundo a New Oriental, o orçamento médio das famílias ultrapassa os 600 mil yuan. Outras mudanças O perfil dos estudantes também está a mudar: 77 por cento da procura concentra-se no ensino superior, com destaque para cursos de licenciatura, e as engenharias continuam a liderar as preferências, seguidas pela economia. Mais de metade dos candidatos opta por candidatar-se a vários países para reduzir riscos associados a mudanças nas políticas de ensino. Apesar destas alterações, o objectivo final mantém-se: 88 por cento dos estudantes planeiam regressar à China após concluírem a formação. Desde que a República Popular da China enviou o primeiro grupo de estudantes para os Estados Unidos, em 1979, o país norte-americano tem sido um dos destinos mais prestigiados para alunos chineses. No ano lectivo 2023/2024, os 277.398 estudantes chineses matriculados representaram 24,6 por cento do total de 1,12 milhões de alunos internacionais nos Estados Unidos.
Macau acolhe hoje Fórum Internacional da Gastronomia Hoje Macau - 23 Mar 2026 A RAEM recebe hoje o “Fórum Internacional da Gastronomia, Macau”, inserido na Festa Internacional das Cidades de Gastronomia, Macau 2026, que começou na sexta-feira e termina domingo, dia 29. A iniciativa é organizada pela Direcção dos Serviços de Turismo (DST). O fórum de hoje decorre no Centro de Convenções e Exposições da Doca dos Pescadores, e conta com representantes de 50 cidades que pertencem à Rede de Cidades Criativas da UNESCO, da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, criadores de conteúdos e ainda representantes do sector da restauração e académico, na qualidade de oradores. O fórum tem como tema “Fusão Criativa: Reimaginando a Gastronomia para Além do Prato” e conta com o jornal South China Morning Post, de Hong Kong, como parceiro. Incluem-se três palestras temáticas e três discussões, com arranque às 9h30, e conclusão às 12h30. Segundo uma nota da DST, o evento visa “promover a transmissão, inovação e intercâmbio das Cidades Criativas de Gastronomia, com vista a criar uma nova força criativa intersectorial e a destacar as vantagens de Macau enquanto plataforma de intercâmbio e cooperação internacional”. No painel “Fusão Criativa: Reimaginando a Gastronomia para Além do Prato”, os oradores irão debater “como a cooperação intersectorial na área da gastronomia pode impulsionar o desenvolvimento de uma cidade criativa, combinando histórias, experiências e inovação, tornando-se numa nova força que liga a vida quotidiana e o desenvolvimento sustentável”. Figuras famosas Do rol de convidados pela DST contam-se personalidades como o gestor de projectos para o Programa da Rede de Cidades Criativas da UNESCO, Qiaobo Ni; e a chefe do Programa de Cultura Jovem e Herança Alimentar, do Gabinete de Juventude e Mulheres da ONU para a Alimentação e Agricultura, Flora Igoe. Incluem-se também criadores de conteúdos do YouTube, nomeadamente dos canais “Korean Englishman”, de Josh Carrott, que conta com mais de 11 milhões de seguidores; e Ollie Kendal, do canal “Jolly”, que tem um total de 3,5 mil milhões de visualizações acumuladas. Estes irão falar de “como se pode usar a câmara para apresentar o enredo cultural e histórias em torno da gastronomia, criando conteúdos que ultrapassem fronteiras e causem repercussão global”. Nos painéis de discussão paralelos participam 13 convidados provenientes de Macau e do exterior a realizar um diálogo aprofundado, sendo que estes painéis se intitulam “Diálogo entre Cidades Criativas: Como gerar experiências de turismo comunitário criativas”; “Da Tradição à Inovação: Formação dos líderes culinários do futuro” e ainda “Criação de Conteúdos Gastronómicos em Prática: Estratégias por detrás de milhões de seguidores”. Entre os participantes estão a professora e coordenadora do Programa de Gestão de Artes Culinárias da Universidade de Turismo de Macau, Christy Ng; ou ainda Jess Menezes, criadora de conteúdos no Instagram que cresceu em Macau, e tem cerca de 440 mil seguidores na conta “thatfoodiejess”. Este evento inclui ainda o “Chinese Creative Showcase”, um espaço expositivo que conta com representação de sete cidades membros da Rede de Cidades Criativas do Interior da China: Jingdezhen, Suzhou, Weifang, Changsha, Qingdao, Wuhan e Wuxi, que foi adicionada à rede em 2025. A Festa Internacional das Cidades de Gastronomia, Macau 2026 decorre na Praça do Coliseu Romano e no Legend Boulevard da Doca dos Pescadores de Macau, na Zona de Aterros do Porto Exterior (ZAPE). Um novo local de evento foi também criado este ano, estando situado na Rua de Cantão e na Rua de Xangai, também no ZAPE.
Cortiça | A transformação sustentável por Jinky Huang Hoje Macau - 23 Mar 2026 De pequenas ou grandes dimensões, os trabalhos do artista chinês contemporâneo Jinky Huang têm uma componente comum: são feitos com cortiça portuguesa. Huang descobriu este material quando viveu em Itália e, desde então, não mais deixou de imprimir nele a sua visão de uma arte sustentável A cortiça portuguesa ganhou nova vida nas esculturas e instalações do artista contemporâneo chinês Jinky Huang, que há duas décadas utiliza o material importado de Portugal para promover uma visão de arte sustentável. Huang contou à Lusa que descobriu a cortiça há cerca de 20 anos, quando vivia em Itália, onde passou parte da infância e juventude. “Vi alguns materiais feitos de cortiça que estavam à venda e achei que era um material muito especial”, recordou. A variedade de aplicações era então limitada, mas o potencial criativo despertou-lhe interesse imediato. “Gosto de trabalhar com materiais novos e especiais. Já fazia instalações, esculturas e até roupas com materiais diferentes. Quando descobri a cortiça percebi que podia ter muito mais formas e possibilidades”, disse. O artista afirma ter desenvolvido centenas de técnicas e aplicações para o material, que hoje utiliza em esculturas, mobiliário e objectos de design, incluindo cadeiras, esculturas e acessórios. “Do ponto de vista da sustentabilidade, da reciclagem e do respeito pelo ambiente, a cortiça é um dos melhores materiais do mundo”, contou. A matéria-prima utilizada nas suas obras é importada de Portugal, país que o artista já visitou para contactar produtores. “Portugal tem a melhor cortiça”, afirmou Huang, acrescentando que a espessura e a resistência da cortiça portuguesa são superiores às da produzida na China. Desconhecimento chinês As exportações portuguesas de cortiça atingiram, em 2025, cerca de 148 mil toneladas, no valor de 1,1 mil milhões de euros, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), um aumento de 1,7 por cento face a 2024. Apesar de trabalhar com a cortiça há cerca de 20 anos, Huang reconheceu que este material continua relativamente pouco conhecido no país asiático. “A maioria das pessoas na China só tem contacto com a cortiça através das rolhas de vinho”, afirmou. Segundo Huang, a sua trajectória ajudou a divulgar a cortiça no país: “Hoje, quando muitas pessoas na China falam de arte em cortiça, pensam em mim”. Em 2024, Portugal exportou 19 milhões de euros em cortiça e produtos de cortiça para a China, segundo dados do comércio internacional baseados na UN Comtrade. Apesar de a China ser um mercado relevante na Ásia, os Estados Unidos e países europeus continuam a absorver grande parte da cortiça portuguesa. Com o tempo, a utilização da cortiça levou Huang a aprofundar o conceito de sustentabilidade na criação artística. “No início não pensava tanto na sustentabilidade. Só queria fazer algo diferente. Foi a cortiça que me fez compreender realmente o que significam sustentabilidade, reciclagem e respeito pelo ambiente”, afirmou. Exposição em Xangai A aposta neste material esteve recentemente no centro da exposição “Deconstruct the Past Codes Hero: the Sustainable Roads”, apresentada em Xangai, a “capital” económica da China, onde Huang reside e mantém o seu estúdio. A mostra, que recebeu dezenas de milhares de visitantes, reinterpretou duas figuras icónicas da cultura popular asiática – o Rei Macaco, do romance mitológico chinês Jornada ao Oeste, e Astro Boy, personagem criada pelo japonês Osamu Tezuka – através de esculturas e instalações inspiradas na sustentabilidade. Entre os destaques esteve uma escultura do Rei Macaco produzida em cortiça. Nos últimos anos, o artista apresentou exposições em várias cidades chinesas e afirma que o interesse pelo seu trabalho tem aumentado. “Cada vez mais pessoas conhecem o meu trabalho e visitam as exposições”, disse. Em 2025, realizou quatro exposições na China e prepara agora novas mostras internacionais. Segundo Huang, estão confirmadas exposições em Singapura, Tailândia e Nova Iorque, enquanto decorrem negociações para novos projectos na Europa. Além da actividade artística, Huang dá aulas e palestras em universidades chinesas, como a Academia Central de Belas-Artes de Pequim, a Academia de Belas-Artes da China e a Universidade Tongji, em Xangai. “O meu objectivo é que mais artistas se juntem a esta ideia. Quero que as novas gerações participem neste movimento”, afirmou.
Pornografia | Residente compra vídeos e é extorquido Hoje Macau - 23 Mar 2026 Um jovem de Macau foi chantageado e acabou por pagar 12 mil yuan, depois de ter comprado vídeos pornográficos online. O caso foi divulgado pela Polícia Judiciária (PJ) na sexta-feira. Segundo os contornos do caso, citados pelo jornal Ou Mun, o jovem fez a compra através de um grupo de Telegram, a um contacto que lhe pediu para instalar uma aplicação móvel. Após a instalação, os contactos do telemóvel do jovem, assim como a informação pessoal, foram enviados para o burlão, que ameaçou utilizar a informação para cometer vários crimes. Com medo, o jovem aceitou pagar 1.000 renminbis, num primeiro momento. O montante não satisfez o alegado criminoso, que pediu mais 11 mil renminbis, desta vez através da compra de criptomoeda. Mais uma vez, a vítima obedeceu. No entanto, os pedidos de dinheiro continuaram, e sem mais fundos o jovem contou o sucedido à família, acabando por ser convencido a apresentar queixa. Hengqin | Assalto em zona residencial acaba com um morto A polícia do Interior da China anunciou a detenção de um homem com 26 anos, por suspeitas de ter morto uma pessoa, durante um assalto em Hengqin. A informação foi divulgada ontem, e citada pelo jornal Ou Mun, sendo que o caso se encontra em investigação. O homicídio aconteceu na sexta-feira à tarde, quando o suspeito roubou duas pessoas, numa zona residencial na Ilha da Montanha, e matou uma delas. No entanto, os detalhes do assalto e as causas da morte não foram comunicadas pelas autoridades no outro lado da fronteira, assim como também se desconhece a identidade da vítima. O local do crime também não foi revelado, embora tenha sido indicado que fica na Zona de Cooperação Aprofundada. Vários residentes de Macau habitam naquele local, mais concretamente no Novo Bairro de Macau, empreendimento habitacional construído pela empresa Macau Renovação Urbana, cujos apartamentos apenas podem ser comprados por residentes de Macau.
Economia | Ano Novo Lunar resulta em inflação mais alta em dois anos Hoje Macau - 23 Mar 202623 Mar 2026 O período de feriados foi sinónimo de subida de preços em Macau. O maior acréscimo aconteceu ao nível dos serviços de lazer, recreação, desporto e cultura. Também a comida ficou mais cara, assim como as viagens A inflação anual em Macau atingiu em Fevereiro o valor mais elevado em dois anos, devido ao Ano Novo Lunar, anunciou na sexta-feira a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). De acordo com dados oficiais, o índice de preços no consumidor (IPC) subiu 1,16 por cento em comparação com o mesmo mês do ano passado, o valor mais elevado desde Fevereiro de 2024. A inflação mais que duplicou em comparação com Janeiro (0,54 por cento), algo que a DSEC justificou com o período do Ano Novo Lunar ter ocorrido em Fevereiro, ao contrário de 2025, que teve lugar em Janeiro. O Ano Novo Lunar, a maior migração anual do mundo, é um período alargado de feriados na China continental e um pico turístico em Macau, que este ano se verificou entre 15 e 23 de Fevereiro. A DSEC sublinhou que foram os produtos e serviços de lazer, recreação, desporto e cultura a registar o maior acréscimo em termos anuais (mais 7,76 por cento), em virtude da subida dos preços dos quartos de hotel e das excursões (mais 26,6 por cento). A região terminou 2025 com uma inflação anual de 0,33 por cento, o valor mais baixo dos últimos quatro anos. Em Junho de 2021, Macau viveu o último de 10 meses consecutivos de queda de preços – ou deflação – no pico da crise económica causada pela pandemia de covid-19. A deflação reflecte debilidade no consumo doméstico e no investimento e é particularmente gravoso, já que uma queda no preço dos activos, por norma contraídos com recurso a crédito, gera um desequilíbrio entre o valor dos empréstimos e as garantias bancárias. Comida mais cara Os dados oficiais mostram que em Fevereiro a inflação também se fez sentir nos produtos alimentares e bebidas não alcoólicas (mais 0,92 por cento). O custo das refeições adquiridas fora de casa subiu 1,23 por cento. Os gastos com rendas ou hipotecas de apartamentos subiram 0,63 por cento e 0,48 por cento, respectivamente. Em 11 de Novembro, a Autoridade Monetária de Macau aprovou a terceira descida da taxa de juro este ano. Em Abril de 2024, a Assembleia Legislativa do território acabou com vários impostos sobre a aquisição de habitações, para “aumentar a liquidez” no mercado imobiliário, defendeu na altura o secretário para a Economia e Finanças, Lei Wai Nong. Devido à subida do valor do ouro a nível mundial, a região registou um aumento de 40,7 por cento no preço da joalharia, ourivesaria e relógios, produtos populares entre os turistas do Interior. Com o preço do petróleo também a disparar nos mercados internacionais, o custo dos bilhetes de avião subiu quase um terço (32,7 por cento).
Turismo | Mais 32,6 por cento de visitantes em Fevereiro Hoje Macau - 23 Mar 2026 Os feriados do Ano Novo Lunar impulsionaram o número de turistas a visitar Macau, com um crescimento anual de 32,6 por cento. A esmagadora maioria dos turistas veio do Interior Macau recebeu 4,17 milhões de visitantes em Fevereiro, mais 32,6 por cento do que no mesmo mês de 2025, impulsionados pelos feriados do Ano Novo Lunar, foi anunciado na sexta-feira. Janeiro já tinha alcançado o valor mais elevado para esse mês desde 1998, apesar do Ano Novo Lunar, um período alargado de feriados na China continental e um pico turístico para Macau, ter ocorrido no final de Fevereiro. Em 2025, o início do Ano Novo Lunar aconteceu em 29 de Janeiro, mas este ano principiou a 17 de Fevereiro. Segundo os Serviços de Estatística e Censos (DSEC), a esmagadora maioria dos visitantes que passou por Macau em Fevereiro veio da China continental, com 3,29 milhões de entradas, mais 43,6 por cento que no mesmo mês do ano passado. Hong Kong contribuiu com 591.300 visitantes (mais 2 por cento) e Taiwan com 89.628 (mais 31,9 por cento). Já o número de visitantes internacionais, recuou 3,3 por cento, para 200.848. No Sudeste Asiático, as Filipinas destacaram-se com 45.195 entradas (mais 16,3 por cento), enquanto a Indonésia (11.587) e a Tailândia (9.973) registaram quedas de 22,3 por cento e 11,4 por cento, respectivamente. Outras visitas A Índia somou 5.831 visitantes (mais 42,5 por cento), enquanto a Coreia do Sul contabilizou 55.994 (menos 5,6 por cento). Entre os mercados de longa distância, os Estados Unidos da América registaram 11.142 visitantes (mais 5,5 por cento). A atracção de mais turistas estrangeiros para o território tem sido um dos objectivos repetidamente sublinhados pelas autoridades turísticas de Macau. As autoridades do território apontaram como alvo para 2025 receber mais de três milhões de turistas internacionais, no entanto esse valor ficou-se pelos 2,76 milhões de visitantes, ainda assim um aumento de 13,7 por cento em comparação com 2024. Em 17 de Fevereiro, a directora dos Serviços de Turismo de Macau destacou Portugal como uma das prioridades no que toca a atrair mais visitantes estrangeiros. No total dos dois primeiros meses de 2026, Macau recebeu 7,82 milhões de visitantes, mais 15,1 por cento do que em igual período de 2025, com as entradas de visitantes internacionais a chegar aos 479.301, um aumento de 6,8 por cento em relação ao mesmo período do ano passado.
Portas do Cerco | Apreendidas 70 tartarugas vivas Andreia Sofia Silva - 23 Mar 2026 Os Serviços de Alfândega (SA) de Macau apreenderam 70 tartarugas vivas junto ao posto fronteiriço das Portas do Cerco, desmantelando um ponto de distribuição destes animais protegidos por lei. Segundo noticiou o canal chinês da Rádio Macau, a apreensão das tartarugas, com valor de 35 mil patacas, decorreu na terça-feira. Quatro pessoas são suspeitas de estarem envolvidas nesta actividade ilegal, tendo sido detidas junto às Portas do Cerco, nomeadamente três mulheres que foram apanhadas com 12 tartarugas na sua posse. Junto ao local, foi também detido um homem que seria o responsável pelo sistema de distribuição dos animais, onde foram encontradas mais 85 tartarugas ainda vivas. O responsável não conseguiu apresentar documentos que comprovassem a origem da mercadoria, sendo suspeito de organizar o transporte ilegal através de “carregadores” que fazem transportes de pequena dimensão. Os detidos são residentes de Macau e têm idades compreendidas entre os 55 e 69 anos. Em causa, está a violação da Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção (CITES). Os animais apreendidos foram entregues ao Instituto para os Assuntos Municipais.
Finanças | Serviços alvo de restruturação Hoje Macau - 23 Mar 2026 A Direcção dos Serviços de Finanças (DSF) vai ser alvo de reforma e passar a ter cinco departamentos, em vez dos seis actuais, 11 divisões, uma redução face às 13 existentes, e um organismo independente em vez de três sectores e duas secções. A informação foi divulgada na sexta-feira, pelo Conselho Executivo. As alterações foram justificadas com o “intuito de promover maior eficiência administrativa”, “assegurar a implementação cabal das leis primordiais em matéria de finanças e fiscalidade” e “fomentar o desenvolvimento electrónico da gestão”. Ao mesmo tempo, espera-se que a reforma concretize o “desígnio de simplificar os níveis hierárquicos, racionalizar a distribuição de funções, maximizar a eficiência na tomada de decisões e na respectiva execução, bem como proceder ao correspondente ajustamento do quadro de pessoal e à aprimorada afectação dos recursos humanos”. Com as alterações, a DSF passa a ser composta pelo Departamento de Administração Tributária, que engloba a Divisão dos Serviços Fiscais e a Divisão de Cobrança Fiscal; o Departamento de Fiscalização Tributária e dos Assuntos Fiscais Externos, constituído pela Divisão de Fiscalização Tributária e a Divisão dos Assuntos Fiscais Externos; o Departamento de Contabilidade Pública, constituído pela Divisão de Gestão Orçamental e a Divisão de Despesas Públicas e Gestão de Tesouraria; o Departamento de Gestão Patrimonial, que inclui a Divisão de Gestão de Bens Imóveis e a Divisão de Gestão de Bens Móveis e Inventariação de Activos; o Departamento de Planeamento e Inteligência Financeira, que é constituído pela Divisão de Construção Inteligente; a Divisão Jurídica e de Notariado; Divisão Administrativa e Financeira e Centro das Execuções Fiscais.
Desenvolvimento Contínuo | Valor mantido em 6 mil patacas Hoje Macau - 23 Mar 202623 Mar 2026 A nova ronda do Programa de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento Contínuo, que começa este ano e se prolonga até 2029, mantém o valor do apoio em 6 mil patacas. A informação foi confirmada pelo Conselho Executivo, na sexta-feira, depois de ter terminado a discussão sobre o programa dos próximos três anos. “O montante máximo do subsídio a conceder a cada beneficiário do Programa é de 6 000 patacas”, foi comunicado. “O subsídio aplica-se aos cursos do ensino superior, cursos de educação contínua e exames de credenciação organizados por instituições locais e do exterior que decorram entre 1 de Julho de 2026 e 30 de Junho de 2029, destinando-se exclusivamente ao pagamento das propinas dos cursos ou despesas decorrentes dos exames de credenciação”, foi acrescentado. Segundo o comunicado de imprensa do Conselho Executivo, devido a uma maior ligação entre a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ), os beneficiários deixam de ter de apresentar à DSEDJ o comprovativo do pagamento das propinas do curso na apresentação do pedido de atribuição do subsídio. Também de forma a evitar potenciais fraudes, os membros dos órgãos das instituições que disponibilizam cursos que podem ser financiados deixam de ter direito aos subsídios, caso se inscrevam em cursos dos próprios institutos que lideram.
Segurança Nacional | Comissão para proteger cultura chinesa Hoje Macau - 23 Mar 2026 Wong Sio Chak, considerou que “para destruir um país não é preciso apenas usar meios militares ou ‘online’”. O secretário para a Administração e Justiça apresentou sexta-feira o regulamento administrativo que vai complementar a lei da comissão da segurança nacional O secretário para a Administração e Justiça defendeu na sexta-feira que o reforço da segurança nacional no território é também um meio de protecção da “cultura chinesa”. “Para destruir um país não é preciso apenas usar meios militares ou ‘online’, mas é possível recorrer a um processo de intervenção ou eliminação cultural”, afirmou Wong Sio Chak, um dia depois de ter sido aprovada a nova lei pela Assembleia Legislativa para reforçar a Comissão de Defesa da Segurança do Estado, criada em 2018 para apoiar o líder do Governo na tomada de decisões relativas à segurança nacional da China. Segundo Wong, a “destruição da cultura pode ser algo mais invisível” e as autoridades culturais e educacionais da cidade semiautónoma chinesa têm um papel importante de defesa” na segurança de Estado e de protecção da “cultura chinesa”. O secretário é também o porta-voz do Conselho Executivo de Macau, que apresentou sexta-feira o regulamento administrativo para o secretariado responsável pelo apoio técnico, administrativo e logístico da nova comissão. O organismo passará a avaliar riscos para a segurança nacional nas áreas da educação, cultura e economia, além das funções no domínio político – como a apreciação da qualificação, idoneidade e ‘patriotismo’ das personalidades candidatas ao exercício de cargos de poder em Macau. Comissão completa Além do Chefe do Executivo, secretários do Governo e chefias da polícia e segurança, a comissão inclui também o presidente do Instituto Cultural e o director dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude, precisamente com o propósito de salvaguardar a segurança do Estado na educação e cultura, apontou Wong. A nova Lei da Unidade Étnica da China, aprovada em Março de 2026, estende-se a Macau e Hong Kong, focando-se na promoção da identidade nacional, segurança e ensino do mandarim. O diploma faz menção a Macau e Hong Kong e indica que as duas regiões vão ser apoiadas no ensino da história e da cultura chinesa, ao mesmo tempo que ajudam a preservar a segurança nacional. O programa do Executivo de Macau para 2026 prevê a criação, até ao final do ano, de um Grupo de Trabalho para a Coordenação da Educação Patriótica dos Jovens. As Linhas de Acção Governativa incluem ainda, no âmbito do chamado “plano geral para a educação sobre a segurança nacional”, a revisão dos livros e outros materiais didácticos dos ensinos básico e secundário, até ao terceiro trimestre de 2027. Em 2022, então secretário para a Segurança de Macau, Wong Sio Chak afirmou que a educação sobre a segurança do Estado iria ser alargada a alunos não chineses. Os censos de 2021 indicam mais de 2.200 pessoas nascidas em Portugal a viver em Macau. A última estimativa dada à Lusa pelo Consulado-geral de Portugal apontava para cerca de 155 mil portadores de passaporte português entre os residentes de Macau e Hong Kong.
Acidentes de trabalho | Mantidos limites de indemnização Hoje Macau - 23 Mar 2026 Os limites para indemnizações por danos resultantes de acidentes de trabalho e doenças profissionais, fixados para 2024, vão manter-se inalterados, indicou na sexta-feira a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) em comunicado. A lei que regula esta matéria determina que os limites das indemnizações sejam revistos anualmente, porém, um grupo de trabalho constituído pela DSAL e a Autoridade Monetária fez “uma análise sistemática de indicadores relativos à situação económica e ao mercado de trabalho de Macau”, e ao mercado de seguros”, que acabou por ser instrumental na decisão de não alterar os limites. A DSAL acrescenta que o Governo auscultou o sector segurador e os representantes das partes empregadora e trabalhadora, através do Conselho Permanente de Concertação Social e que a decisão de não rever limites de indemnizações surge do equilíbrio entre as “partes envolvidas” e a “protecção dos direitos e interesses dos trabalhadores e empregadores”.