Novo Bairro Hengqin | Residentes já podem comprar dois apartamentos João Luz - 5 Fev 2026 A partir de agora, os residentes da RAEM passam a poder comprar dois apartamentos no Novo Bairro de Macau em Henqgin. A decisão foi anunciada pela Comissão Executiva da Zona de Cooperação Aprofundada, que justificou a medida com a “optimização do parque habitacional” As autoridades políticas da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin voltaram a diminuir as restrições na compra de apartamentos no Novo Bairro de Macau na Ilha da Montanha. Desta feita, a Comissão Executiva da Zona de Cooperação Aprofundada anunciou que os residentes da RAEM podem comprar dois apartamentos no complexo habitacional construído para a população de Macau. A medida foi apresentada como uma forma de “implementar o espírito das directivas das autoridades nacionais e provinciais de Guangdong para optimizar o parque habitacional existente, ajustar as políticas de restrição à compra de habitação” e “expandir eficazmente o espaço de vida de qualidade para os residentes de Macau”. A comissão executiva acrescenta ainda que a possibilidade de comprar dois apartamentos visa “responder às preocupações do público”. Além disso, é indicado que se ocorrerem problemas na implementação da medida, a Direcção dos Serviços de Planeamento Urbanístico e Construção de Hengqin é a entidade que deve ser contactada directamente. A comissão executiva cita também o “desenvolvimento actual da zona de cooperação” e a “resposta a exigências do sector empresarial” como motivos para alterar as restrições na compra de habitação no Novo Bairro de Macau. Menos barreiras No passado mês de Setembro, a Macau Renovação Urbana anunciou o início da venda dos fracções na Torre 11 do complexo habitacional, com preços a descontos especiais para lugares de estacionamento, obras de renovação e na compra de electrodomésticos. Desde que começaram as vendas de fracções no complexo habitacional, foram levantadas várias restrições a transacções. Os critérios foram ajustados, incluindo a remoção do limite de idade, permitindo que menores de idade sejam proprietários, a remoção da restrição de revenda nos cinco anos após a compra e o ajustamento do limite à aquisição de unidades residenciais. Além disso, em meados de 2024, em plena crise do sector imobiliário, o conceito inicial do Novo Bairro de Macau em Hengqin foi alterado para aumentar a ocupação. Em vez de compra por residentes da RAEM, as autoridades da zona de cooperação passaram a permitir arrendamento de fracções a estudantes do Interior da China, assim como a funcionários da Universidade de Macau, da Escola de Hengqin Anexa à Escola Hou Kong e do Posto Médico do Novo Bairro de Macau. O Novo Bairro de Macau é composto por 27 torres residenciais, com aproximadamente 4.000 fracções habitacionais.
Chefe do Executivo destaca contributos da Universidade Cidade de Macau Hoje Macau - 5 Fev 2026 O Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, reuniu esta terça-feira com Chan Meng Kam, empresário, ex-deputado e também chanceler e presidente do Conselho de Administração da Universidade da Cidade de Macau (UCM). O encontro serviu para discutir “o desenvolvimento do ensino superior em Macau e a formação de quadros qualificados”, tendo o Chefe do Executivo destacado que, numa altura em que a UCM celebra 45 anos de existência, “esta tem respondido activamente às orientações e directrizes do País e da RAEM no domínio do ensino superior, tendo conquistado resultados amplamente reconhecidos na melhoria da qualidade do ensino, na formação de quadros qualificados, na inovação científica e no serviço à sociedade”. Sam Hou Fai entende ainda que a instituição de ensino superior “está alinhada com a estratégia de desenvolvimento da diversificação adequada ‘1+4′”, tendo alcançado “resultados significativos no impulso do desenvolvimento interdisciplinar e na construção de uma instituição internacional e abrangente”. Planear o futuro Na reunião com Chan Meng Kam, o governante máximo da RAEM não descurou os conselhos. A UCM deve “adaptar-se às necessidades da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau ao nível do desenvolvimento industrial e de quadros qualificados, optimizar os currículos nas disciplinas emergentes, como inteligência artificial, Big Health, finanças e tecnologia”, além de “promover a transformação dos resultados da investigação científica e a sua aplicação”. Foi também pedido à UCM para “formar mais quadros qualificados de elevada qualidade e com conhecimentos práticos”, além de “continuar a alargar os canais de intercâmbio internacional”. As declarações de Sam Hou Fai surgem numa nota oficial que não contém testemunhos de Chan Meng Kam.
Encontro | Sam Hou Fai debateu política externa com Bian Lixin João Santos Filipe - 5 Fev 2026 A nova comissária do Ministério dos Negócios Estrangeiros prometeu que vai contribuir para a construção de “uma forte barreira de segurança nacional” em Macau O Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, e a nova comissária do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) em Macau, Bian Lixin, estiveram reunidos na terça-feira para debater questões da política externa de Macau. O encontro decorreu à porta fechada e foi divulgado através de uma nota de imprensa pelo Gabinete de Comunicação Social. Durante a reunião, Sam Hou Fai afirmou que o Governo “está determinado a alavancar a posição de Macau como ‘um centro, uma plataforma e uma base’” e “utilizar, plenamente, as suas vantagens na ligação dos mercados doméstico e internacional e na fusão das culturas chinesa e ocidental”. Neste sentido, o líder indicou que vai “impulsionar, activamente, a estratégia de ‘expansão ao exterior e atracção de investimento’ e elevar de forma constante a sua competitividade e influência internacional”. Sam Hou Fai indicou a Bian que “estão a ser programadas visitas ao estrangeiro para este ano e há planos para o estabelecimento de uma delegação económica e comercial em países do sudeste asiático, com o objectivo de expandir ainda mais o mercado turístico e consolidar a posição de Macau como centro mundial de turismo e lazer”. Uma dessas visitas deverá incluir as deslocações a Portugal e Espanha, que inicialmente estiveram previstas para os dias de 16 a 23 de Setembro, mas acabaram adiadas. Agradecimentos ao MNE No encontro, Sam Hou Fai agradeceu ao MNE pelo “forte apoio ao território, ajudando a RAEM a responder a vários desafios internos e externos”, que não foram indicados. O dirigente máximo da RAEM apontou também que ao longo dos anos o MNE tem apoiado Macau “na valorização das suas vantagens únicas”, “na expansão do intercâmbio e cooperação com o exterior”, “na ampliação dos contactos externos” e “no reforço das suas capacidades de governação das relações externas”. Sam Hou Fai destacou ainda a “protecção plena dos direitos e interesses dos residentes de Macau no estrangeiro” pelo MNE e o “impulso ao desenvolvimento da diversificação adequada da economia”. Este foi o primeiro encontro divulgado entre Sam e Bian Lixin, a nova comissária do MNE que chegou a Macau, no final de Janeiro, para suceder a Liu Xianfa. Princípios e barreiras Por sua vez, de acordo com a versão do encontro do Comissariado do MNE em Macau, Bian Lixin sublinhou sentir-se “profundamente honrada” por ter sido nomeada a oitava Comissária do MNE em Macau. Bian também destacou “os tremendos desenvolvimentos alcançados por Macau a nível económico e social nos últimos 26 anos”, que no seu entender demonstram “as vantagens institucionais e a forte vitalidade do princípio ‘um país, dois sistemas’”. Ao mesmo tempo, a nova responsável garantiu que o comissariado vai implementar “com determinação as decisões e planos importantes do Governo Central relativos às relações externas e ao trabalho relacionado com Macau” e que “construirá com firmeza uma forte barreira de segurança nacional” e “praticará profundamente os conceitos de ‘diplomacia em benefício de Macau’ e ‘diplomacia para o povo’”.
História | Livro revela como Macau se fez à imagem de Évora Andreia Sofia Silva - 5 Fev 2026 A associação local Heritage Society acaba de lançar um livro em dois volumes sobre a história da fundação de Macau. Da autoria de Caspar Chan e Nathan Rubene dos Santos, “Foral of the City of the Name of the God, Macau”, contém traduções e anotações de documentos que mostram como a fundação de Macau teve Évora como modelo Acaba de ser editado pela associação local Heritage Society um livro, dividido em dois volumes, que ajuda a contar a história da fundação de Macau, a partir de meados do século XVI. Os dois volumes intitulam-se “Foral of the City of the Name of the God, Macau: Évora of the Far East” [Foral da Cidade do Santo Nome de Deus, Macau: A Évora do Extremo Oriente] e “The Twenty-eight Alvaras” [Os 28 Alvarás], e são da autoria dos académicos Caspar Chan e Nathan Rubene dos Santos. O primeiro volume, que estabelece uma curiosa ligação entre Macau e Évora na fundação do território a Oriente, baseia-se no arquivo “Foral, Regalias e Privilégios Concedidos à Cidade de Macau, na China, 1596-1756”, cujo original está guardado no Arquivo Nacional do Rio de Janeiro, existindo microfilmes no Arquivo de Macau. Por sua vez, a parte dedicada aos 28 alvarás, uma continuidade do primeiro volume, analisa os 28 textos jurídicos inicialmente decretados pelo então governador de Macau e vice-rei da Índia, D. Rodrigo da Costa, em 1689. Estes documentos foram depois confirmados pelo rei D. João V, em Portugal, em 1709. Segundo contaram os autores ao HM, numa entrevista conjunta por email, o primeiro volume “trata da primeira parte do arquivo, ou das primeiras 17 folhas, que dizem respeito às cartas fundacionais mais antigas, às cartas e às sentenças recebidas pelo Senado de Macau durante os últimos anos do século XVI”. O segundo volume analisa o conteúdo do arquivo entre as folhas 17 e 33, sobre os 28 alvarás. “Esta não é ainda a história completa, uma vez que pretendemos continuar a trabalhar sobre o restante arquivo nos anos futuros”, confessaram os autores. Os autores destacam a importância do foral, um antigo documento que consistia numa “carta ou contrato que o poder governante, seja um senhor feudal, um bispo ou um rei, estabelece com uma entidade local, seja ela uma aldeia ou cidade, um senado ou um concelho”. “Consideramos que a palavra e o conceito são importantes para reflectir sobre este período histórico e não apenas em Macau, mas também da época em que o reino europeu [Portugal] se encontrava no auge da sua expansão pelos mares e oceanos. O conceito de foral implica a forma como uma estrutura social portuguesa estava a ser transplantada e repensada em Macau.” Desta forma, acrescentam os autores, todos os documentos analisados para estes dois volumes estão relacionados com a ideia de foral. Por sua vez, a designação “Cidade do Nome de Deus de Macau” surge, neste arquivo em específico, “não apenas na carta de D. Filipe I de Portugal, durante a União Ibérica, que estipula a elevação de Macau de povoação a cidade, mas também ao longo dos 28 alvarás posteriores”. Em termos concretos, os leitores podem deparar-se com “um trabalho de investigação que aborda alguns dos documentos mais importantes da história de Macau, documentos que nos informam sobre a fundação da cidade e sobre a evolução da sua tradição jurídica e governativa”. A ligação com Évora O primeiro volume da obra inclui o subtítulo “Évora do Extremo Oriente”, relatando “a história em que o Senado da povoação apresentou uma petição ao vice-rei da Índia para o reconhecimento do Senado, para a elevação deste porto ao estatuto de cidade e para a concessão à ‘nova cidade’ de Macau dos privilégios, direitos e liberdades da cidade de Évora”. D. Duarte de Meneses, à época governador de Macau e vice-rei da Índia, acabou por conceder esse pedido em nome do rei D. Filipe I, em 1586, uma “decisão que foi posteriormente confirmada pelo próprio rei em 1595”. “Para confirmar e corroborar que Macau tinha o mesmo estatuto de Évora, tornou-se natural que todos os documentos fundacionais da cidade de Évora fossem transcritos para Macau, de modo a que o Senado de Macau os pudesse conservar como prova e guardá-los nos seus arquivos como documentos fundadores da cidade”, explicam os autores. Os documentos encontrados no arquivo sediado no Rio de Janeiro apontam para que “a ‘prova’ do estatuto de Macau como cidade comparável a Évora não consiste num único documento, mas numa compilação de vários textos”. No primeiro volume da obra encontram-se exemplos como “sentenças sobre a jurisdição de certos cargos, como o Procurador e o Almotacé, cartas régias sobre questões específicas, leis sobre quais os cargos que deveriam integrar um Senado, ritos de procissões religiosas e fúnebres e até a configuração da sala do Senado”. Em resumo, “tudo aquilo que Évora possuía de jure nesse período foi herdado por Macau, como se comprova pela transcrição meticulosa e pela autenticação destes documentos”, explicam os autores. Os alvarás da sobrevivência Relativamente ao segundo volume da obra, focado nos 28 alvarás, os autores entendem que estes documentos “são particularmente significativos por se apresentarem como um conjunto coeso, com grande integridade ao nível da linguagem, do formato, da administração e da argumentação”. Para Caspar Chan e Nathan Rubene dos Santos, tal resulta do facto de, em finais do século XVII, Macau já não se encontrar no período áureo de comércio, “devido à perda de rotas comerciais”. “Ao mesmo tempo, Macau enfrentava uma constante agitação social, tanto internamente – por exemplo, entre o Senado, o Capitão-Geral e o Ouvidor – como externamente, nas relações com os chineses e os castelhanos. Os privilégios e direitos do Senado não eram respeitados, e era necessário resolver ambiguidades para garantir a sobrevivência da cidade, como se reflecte nas várias atas das reuniões do Senado.” Desta forma, foi apresentada uma petição, por parte destes órgãos, ao governador D. Rodrigo da Costa “para a reafirmação dos direitos da cidade e para a apresentação de soluções para diversos problemas, como o extravasamento da jurisdição do Capitão-Geral, a preservação do Padroado face a grupos missionários estrangeiros e o comércio com os chineses e em Solor e Timor”. Surgiram, assim, os 28 alvarás, que “tratam também de um grupo muito diverso de pessoas de diferentes artes, profissões, origens e ideologias”, e não apenas as relações entre portugueses e chineses, o que tornou “este conjunto documental particularmente interessante de estudar”. A publicação destes dois volumes teve por objectivo facilitar o acesso ao arquivo e respectiva informação. “Pretendemos colocar nas mãos dos leitores de Macau um documento fundamental da origem jurídica e política da cidade, que permanece pouco estudado, mesmo na historiografia lusófona, e que está quase totalmente ausente da imaginação histórica quotidiana de Macau”, acrescentam. O arquivo sediado no Rio de Janeiro foi traduzido pelos autores “e nunca foi publicado na íntegra, sobretudo os documentos fundadores relacionados com Évora, nem sequer em português”. Este arquivo surge quase sempre “de forma indirecta, como excertos e paráfrases, como as de historiadores canónicos de Macau, no caso de Manuel Teixeira; ou na qualidade de referências inseridas em trabalhos especializados, e em alguns casos apenas através de transcrições digitalizadas que circulam em teses de doutoramento”. No caso dos alvarás, são “mais conhecidos entre os historiadores, mas surgem apenas em publicações muito limitadas”. “Por esta razão, a publicação do texto primário em si torna-se essencial. Ao apresentá-lo em inglês e em chinês, a par do português, procuramos também remover uma barreira que há muito estrutura a historiografia de Macau, dividindo o passado documental da cidade em arquivos linguísticos separados que raramente dialogam entre si”, rematam. Caspar Chan e Nathan Rubene dos Santos entendem ainda que “estes volumes oferecem novas respostas em termos historiográficos, porque mostram com uma clareza renovada que a existência jurídica de Macau emergiu através da transplantação e da adaptação local do município português [Évora] como ideia governativa numa fronteira asiática”. “No seu cerne, o arquivo impõe uma questão fundamental que muitas vezes permanece implícita: o que contava como ‘território português’ na sua menor unidade cívica, e como essa unidade podia ser reconstruída no Ultramar através de privilégios, cargos e jurisdição, depois de Portugal se ter tornado global a partir do século XV?”. Uma gestão local Sobre o relacionamento entre Portugal e a China à época, os autores referem que a obra mostra como “as relações entre a China e Portugal em Macau não se faziam principalmente através de uma diplomacia formal entre duas cortes distantes, mas através da gestão quotidiana da convivência por instituições locais, em condições de jurisdição desigual”. O primeiro volume do livro mostra como “o rei eleva Macau de povoação a cidade e confirma as eleições de vereadores, juízes e oficiais porque o Capitão-Mor nomeado para a China partia frequentemente para a viagem anual ao Japão, permanecendo pouco tempo no local e deixando o assentamento sem liderança contínua”. O documento original revela que “esta situação era especialmente perigosa na China, dada a distância de Macau em relação à Índia e o facto de os abastecimentos só poderem ser feitos durante a viagem anual”. Desta forma, “o governo municipal é apresentado como uma necessidade: uma cidade de fronteira não podia esperar por um comandante ausente nem podia permitir a desordem”. Assim, acrescentam os autores, “os privilégios, a jurisdição e os cargos cívicos concedidos a Macau descrevem uma lógica política tanto quanto jurídica, uma vez que a presença portuguesa dependia de um órgão local permanente capaz de manter a paz e gerir riscos num espaço onde a autoridade superior se encontrava distante”. No tocante aos alvarás, mostram-se o que implicava manter a estabilidade do território, pois “a sobrevivência de Macau dependia de se manter dentro dos limites tolerados pela autoridade chinesa”. “O Vigésimo Sexto Alvará, por exemplo, é explícito ao afirmar que o mandarinato chinês não aceitava a jurisdição portuguesa sobre súbditos chineses, especialmente quando credores cristãos procuravam prender devedores chineses. O Senado descreve as despesas e os perigos causados quando um mandarim era enviado para fazer cumprir tais determinações e solicita uma solução directa: impedir os cristãos de contrair créditos com os chineses e negar-lhes recurso tanto ao Ouvidor como aos tribunais chineses, para que a cidade pudesse ‘viver em paz’. A Coroa confirma esta abordagem”, concluem.
Santos Populares | Marchas vencedoras actuam em Macau Hoje Macau - 4 Fev 2026 Dois grupos portugueses, as marchas populares de Alcântara e Bairro Alto, vencedoras ‘ex aequo’ da edição de 2025, vão participar no desfile do Ano Novo Lunar, que celebra o ano do Cavalo, anunciaram ontem as autoridades de Macau. “Esta vez temos dois grupos de Portugal, achamos que vão gostar de Macau, assim como achamos que as actuações deles também vão trazer muita alegria aos nossos visitantes e às nossas comunidades”, afirmou a directora dos Serviços de Turismo de Macau, Maria Helena de Senna Fernandes, em declarações aos jornalistas. As celebrações do Ano Novo Lunar decorrem entre 19 de Fevereiro e 08 de Março e contam com um conjunto de eventos que dispôs este ano de um orçamento de 36,8 milhões de patacas, representando um aumento de 5 por cento face ao ano anterior. O programa inclui fogo de artifício, espectáculos de ‘drones’, um desfile de 17 carros alegóricos e a participação de cerca de 1.300 artistas de Macau, Hong Kong, China continental, Itália, Espanha, Filipinas, Coreia do Sul e Portugal. “Estamos todos preparados para uma grande celebração do Ano Novo Chinês. Com nove dias de feriado, prevemos uma média diária de 158 mil a 175 mil visitantes”, adiantou Helena Fernandes. Ao contrário de anos anteriores, não haverá grupos do Japão nesta edição. Recentemente, vários espectáculos com artistas japoneses foram cancelados em Macau. Questionada sobre o assunto, a directora referiu não ter “informação concreta sobre a situação”. “Não me cabe comentar estes arranjos específicos. Mas importa referir que Macau recebe actualmente uma grande variedade de espectáculos, tanto da China continental como de artistas internacionais. Os organizadores vão continuar a procurar trazer grupos diversificados a Macau”, acrescentou.
Sondagem | Putin e Trump são os líderes menos apreciados por portugueses Hoje Macau - 4 Fev 2026 Os presidentes da Federação Russa e dos Estados Unidos da América (EUA) são os responsáveis políticos mundiais com maior taxa de rejeição entre os portugueses, segundo um estudo de opinião da Intercampus. O líder do Kremlin, Vladimir Putin, viu a sua acção política condenada por 83 por cento dos inquiridos, enquanto o ‘inquilino’ da Casa Branca, Donald Trump, mereceu apreciação negativa por parte de 70 por cento. O primeiro lugar destacado de Putin no ranking da impopularidade é ainda mais visível noutros países europeus: Suécia (95 por cento), Dinamarca (96 por cento), Noruega (94 por cento), Finlândia (92 por cento) e Países Baixos (85 por cento). Pelo contrário, o papa Leão XIV foi a única personalidade internacional com um índice de aprovação claramente positivo, com 64 por cento da amostra portuguesa que respondeu ao inquérito a ter opinião algo ou muito favorável do chefe da Igreja Católica. O director-geral da empresa portuguesa que realizou a sondagem de opinião de um consórcio internacional efectuada em 61 países de todo o Mundo, António Salvador, concluiu que o retrato “é o de uma opinião pública cada vez mais exigente na avaliação do poder político global”. Segundo a Intercampus, foram inquiridas 64.097 pessoas e, em cada país, foi entrevistada uma amostra representativa de cerca de mil homens e mulheres, entre Outubro e Dezembro, nas modalidades presencial, via telefone ou através da Internet e a margem de erro estimada foi de 03 a 05 por cento, num nível de confiança de 95 por cento.
AMCM | Lucros dos bancos de Macau quase duplicam em 2025 Hoje Macau - 4 Fev 2026 Os bancos de Macau obtiveram um lucro de 7,34 mil milhões de patacas em 2025, quase o dobro do registado no ano anterior (mais 92,7 por cento), foi ontem anunciado. De acordo com dados oficiais da Autoridade Monetária de Macau (AMCM), a principal razão para a subida dos lucros foi um aumento de 8,4 por cento, para 17,5 mil milhões de patacas, na margem de juros, a diferença entre as receitas dos empréstimos e as despesas com depósitos. Isto apesar da AMCM ter aprovado três descidas da principal taxa de juro de referência em 2025, a última das quais um corte de 0,25 pontos percentuais, introduzida em 11 de Dezembro, seguindo a Reserva Federal norte-americana. Os empréstimos, a principal fonte de receitas da banca a nível mundial, diminuíram 0,4 por cento em comparação com o final de Dezembro de 2024, fixando-se em 1,02 biliões de patacas. Pelo contrário, os depósitos junto dos bancos de Macau aumentaram 9,6 por cento, para 1,39 biliões de patacas no final do ano passado, disse a AMCM. Apesar dos proveitos terem disparado em 2025, ficaram longe do ano mais lucrativo de sempre para a banca da região: 2020, quando os lucros ficaram perto de 17 mil milhões de patacas. Outras contas Macau tem dois bancos emissores de moeda: a sucursal local do banco estatal chinês Banco da China e o Banco Nacional Ultramarino (BNU), que pertence ao Grupo Caixa Geral de Depósitos. O BNU anunciou em Novembro lucros líquidos de 315,3 milhões de patacas nos três primeiros trimestres de 2025, uma diminuição homóloga de 29 por cento, que o banco atribuiu à evolução das taxas de juro. O crédito malparado caiu 11,6 por cento ao longo do ano passado para 49,7 mil milhões de patacas. Foi a primeira queda anual dos empréstimos vencidos desde 2013. Os empréstimos vencidos representavam 4,9 por cento dos empréstimos dos bancos de Macau, menos 0,6 pontos percentuais do que no final de 2024. Uma percentagem que sobe para 5,6 por cento no caso do crédito a instituições ou indivíduos fora da região chinesa. A Autoridade Bancária Europeia, a agência reguladora da UE, por exemplo, considera que os bancos com pelo menos 5 por cento dos empréstimos malparados têm “elevada exposição” ao risco e devem estabelecer uma estratégia para resolver o problema. Ainda assim, a percentagem de crédito bancário vencido em Macau está longe do recorde de 25,3 por cento alcançado em meados de 2001, em plena crise económica mundial causada pelo rebentar da bolha especulativa das empresas ligadas à Internet.
Hotel Timor Duarte Drumond Braga - 4 Fev 2026 Hotel Timor (2025) é o último romance do escritor timorense Luís Cardoso de Noronha (n. 1958), há muitos anos residente em Portugal. A consistência da escrita de Cardoso, publicada em editoras portugueses, está mais do que confirmada. O que há aqui de novo é que este seu oitavo romance, fim anunciado de um ciclo dedicado a Timor, retoma muito do seu primeiro livro, do qual é, num certo sentido, uma reescrita: Crónica de uma travessia (1997), saído a lume quando o seu autor era representante da resistência maubere. Ficamos de facto com a sensação de encerramento de um ciclo de escrita em torno da questão nacional. É Timor, com seu imaginário, seus povos, línguas, passado e esperanças, que fica no primeiro plano dos seus romances. Cardoso tem habituado os seus leitores a uma escrita estruturada, com muitas camadas, densa de referências. Fortemente autobiográfica, tem a coragem de incluir neste romance sucessos bastante duros da vida do autor, como o assassinato dum irmão seu, que terá desaparecido em pogroms entre partidos políticos rivais, formados após a retirada dos portugueses do território. É então a pulsão para o relato, o chamado récit de vie, entre a memorialização e a denúncia, que vinha logo desde o seu primeiro livro, que mobiliza internamente este Hotel Timor, metáfora da nação ainda em (re)construção, de hotel colonial a espaço em ruínas até voltar a ser renovado albergue. É justamente aqui que se veem hospedar o escritor e seu duplo, e um dos eixos do romance é precisamente essa questão do duplo. Nesta história há, aliás, vários. O timorense é também, ele próprio, alguém que continuamente se desdobra: um “original”, de feitura pré-colonial, e um outro que foi moldado pelas mãos do colonizador: “A relação fiel e verdadeira de um timorense é com os mate-bian [os mortos]. Depois Deus, Pátria e família, por esta mesma ordem, como era na época do Estado Novo e do Velho Império”. (p. 23) Aqui se nota a característica ironia do escritor. O principal par de duplos é, porém, constituído pelo primeiro protagonista, que partilha muitas características com o autor empírico, mas não é ele. São dois regressos paralelos ao Timor de hoje: o de um escritor famoso que vem ser condecorado e outro de um modesto cantor de cruzeiros que vem à procura de uma amada perdida. É este último que começa por falar na primeira pessoa no romance, e é-nos dito que é ele quem tem escrito os romances do autor; este, o que não existe, ou que existe menos do que o outro. Ou seja, o real divide-se entre o que veio ao ser e o que ficou potencial, e é pelo que está na sombra que vêm a escrita e as demais coisas reais, o que implica uma conceção estética particular. Implica ainda um jogo de ocultamentos: diz-se uma coisa para esconder outra; esconde-se uma coisa para trazer outra à luz. Quem fala neste romance é, então, pura potencialidade, fantasma. É uma possibilidade de vida do escritor empírico que nunca se concretizou, pelo que sabemos: cantor romântico em cruzeiros. A realidade (escrita ou não) seria uma espécie de quiasmo entre esses dois planos. Se é, então, o duplo do escritor quem, na verdade, escreve os romances do autor que aceita ser medalhado, é porque ele é que é o escritor e, simultaneamente, um enviado dos antepassados. O autor é apenas um figurão a quem se podem atirar medalhas e apertar a mão em cerimónias. Os mortos e os fantasmas pertencem ambos ao mesmo mundo latente. Outra forma de dizer que não adianta medalharem o escritor, porque quem escreve os seus romances é a (sua) sombra, é o inconsciente, a deriva — que é outra forma de pôr as coisas para quem tais coisas não fazem sentido. Ora, o mundo dos espíritos, das sombras, enfim, o mundo remoto das tradições animistas timorenses, bem presente em inúmeras referências em tétum e na própria lógica estruturante do livro, não é um folclore pitoresco que o envolve, mas uma coisa presente, atuante. Não esmoreceu no longo exílio de Cardoso: informa os seus livros, onde os mortos veem falar, como dizia Raul Brandão sobre os dele. Os mortos moldam a sua literatura a partir do outro lado, e ela serve de comunicação com eles. O mundo dos espíritos e o mundo dos vivos são como que dois braços comunicantes de uma ampulheta, ligados pela areia da voz. Este é, penso eu, o aspeto mais rico e dinâmico do livro. Outro, de não menor relevo, é o facto de as páginas do romance operarem uma inflação da memória num país espoliado de seu passado e memória, não só por ser nação recente, como pelos pesados danos do colonialismo e da invasão pelo seu vizinho. Numa terra onde escasseiam bibliotecas, o livro pretende construir uma espécie de biblioteca mínima de Timor através de citações e de referências, que reproduz a oratura dos seus povos. Pretende criar memória, processo muito necessário. É, assim, natural que seja também uma acumulação e uma revisão da própria biblioteca romanesca composta pelo autor, abundando as referências a toda a sua obra anterior, e que veem alimentar o jogo romanesco, como quando se refere à Pensão Buganvília, “a mesma onde se hospedou Catarina, a personagem fundamental do livro Requiem para um navegador solitário (…). Não tendo encontrado nenhuma pousada com esse nome, fez a reserva no Hotel Timor” (p. 19). A biblioteca serve igualmente para pôr a nu as fontes de que Hotel Timor parte e fazer das suas leituras vertente explícita da escrita. Trata-se de um livro construído com base em falas curtas, pedaços de diálogo que funcionam como mote para inúmeras divagações, já que a narrativa em si é parca, apenas um esboço: duplos voltam a Timor ao mesmo tempo e com o mesmo passaporte, hospedados no mesmo hotel. Um deles é um cantor romântico que finalmente volta para tentar encontrar a sua amada; o outro é o escritor famoso. Esta história quase burlesca permite um mínimo de personagens e de cenas que espoletam recordações, falas internas e externas. O diálogo é, assim, modo de lançar um mote para uma deriva informe, ao modo loboantuniano, que enche todo o romance. Parece, assim, haver vários narradores, também ao modo do autor de As Naus: o duplo do escritor, o seu irmão fuzilado, talvez ainda outros, que vão segregando recordações, episódios e fragmentos relativos às suas vidas, mas sempre em função de Timor. É Timor quem está por trás disto tudo e quem liga todas as vozes dispersas, e é assim que se percebe que o que é constante neste livro, sem nunca afetar a profundidade do seu entrelaçamento de várias tradições (timorense, portuguesa, lusófona, europeia) e de referências inúmeras da literatura e da música (Kadaré, Piaf, Dylan Thomas, Mia Couto), é a crítica irónica, mas bem-humorada, aos destinos de um Timor pós-colonial assolado pelo nepotismo. A escrita é não só uma crítica de costumes, mas uma pequena grande vingança: pelos prémios que quase recebeu, pelas vidas outras que ele e a sua família poderiam ter vivido caso a história do seu país não tivesse sido o calvário que foi. Apesar de tudo, um Timorense escrever em português e ganhar prémios por isso (foi o que aconteceu com o autor, que recebeu o Oceanos em 2021), sobretudo tendo em conta que o português não é a sua língua materna, é obra. É, de certo modo, uma merecida vingança por Manufahi, talvez a única possível, pois é batalha ganha no terreno “espiritual” do colonizador, a sua língua. Sabemos que o escritor é descendente direto de liurais que participaram nessa última sangrenta sublevação contra Portugal, e que saíram a perder, a que se deu em 1912 na província de Manufahi. Mas a lança de seu neto cravou-se fundo no escudo que o Português tem usado para se defender pelo mundo: a língua. Assim, por este domínio da língua e mestria narrativa, Cardoso tem já merecido reconhecimento. E não estranhemos que quem já publicou em grandes grupos editoriais, esteja agora em editoras independentes, certas vezes mais acolhedoras. O seu Plantador de abóboras havia saído na Abysmo, de João Paulo Cotrim, e sai agora este numa editora de nome anglófono, mas que publica sobretudo em língua portuguesa, a Poets and Dragons Society. É bom haver um escritor desta grandeza em editoras independentes, mas o livro, pejado de gralhas (até em nomes timorenses), merecia ter tido uma revisão, que visivelmente não aconteceu, e vai já em segunda edição.
Fortes nevões no Japão causam pelo menos 30 vítimas mortais nas últimas duas semanas Hoje Macau - 4 Fev 2026 Fortes nevões mataram 30 pessoas no Japão nas últimas duas semanas, incluindo uma mulher de 91 anos encontrada soterrada na neve em frente à sua casa, anunciaram ontem as autoridades. A maioria das mortes, 12, ocorreu na província de Niigata, na região central do arquipélago. Outras 324 pessoas ficaram feridas em todo o país, algumas com gravidade, enquanto nove mortes, possivelmente relacionadas com a neve, ainda não foram oficialmente registadas, aguardando investigação. O Governo japonês mobilizou militares para auxiliar os residentes da província de Aomori, a zona mais atingida, onde se acumularam até 4,5 metros de neve em zonas isoladas. A primeira-ministra Sanae Takaichi convocou ontem uma reunião de emergência do seu gabinete, instando os ministros a fazerem todo o possível para proteger vidas. Uma forte massa de ar frio trouxe fortes nevões nas últimas semanas ao longo da costa do mar do Japão, com algumas áreas a receberem mais do dobro da quantidade habitual de neve. De 20 de janeiro até ontem, 30 pessoas morreram na sequência do mau tempo, segundo a Agência Japonesa de Gestão de Incêndios e Desastres. Entre elas estava Kina Jin, de 91 anos, cujo corpo foi encontrado debaixo de três metros de neve, em frente à sua casa em Aomori, no norte de Honshu, a maior ilha do arquipélago, disse um agente da polícia local à agência de notícias France-Presse. A polícia acredita que foi soterrada pela neve que caiu do telhado e morreu por asfixia, disse o agente. Uma pá foi encontrada junto ao corpo. O governador de Aomori, Soichiro Miyashita, disse na segunda-feira que pediu ao exército que oferecesse assistência em caso de desastre e ajudasse os idosos a limpar a neve das suas casas. Paredes de neve que atingem os 183 centímetros de altura cobrem o solo na capital da província — também chamada Aomori —, acrescentou Miyashita, referindo que as equipas de remoção de neve estavam sobrecarregadas. “O risco de acidentes potencialmente fatais, por exemplo, devido à queda de neve dos telhados ou ao colapso de edifícios, é iminente”, alertou o governador, em conferência de imprensa. Sobe e desce As autoridades meteorológicas esperam que as temperaturas subam ligeiramente a partir de hoje, mas voltem a descer durante o fim de semana em todo o arquipélago. A neve poderá regressar à costa do mar do Japão já no domingo, o mesmo dia em que o país realiza eleições gerais antecipadas. A emissora pública japonesa NHK disse que várias agências estão a trabalhar para garantir que as eleições decorrem sem incidentes, e as autoridades pediram aos eleitores que tenham cuidado e verifiquem as condições meteorológicas antes de se deslocarem para votar, incluindo durante o período de votação antecipada. De acordo com as sondagens mais recentes, Takaichi está a caminho de uma vitória esmagadora nas eleições, convocadas pela líder conservadora há apenas duas semanas para aproveitar as elevadas taxas de aprovação e reforçar o mandato popular para o seu novo governo de coligação. Esta será a primeira vez desde a década de 1990 que o Japão realiza eleições em Fevereiro.
Visita | Xi defende mundo multipolar e globalização inclusiva em encontro com PR do Uruguai Hoje Macau - 4 Fev 2026 A viagem do Presidente uruguaio à China fica assinalada pela assinatura de vários acordos e o reforço das relações entre as duas nações O Presidente chinês, Xi Jinping, apelou ontem à promoção de um mundo “multipolar e equitativo” e a uma “globalização económica inclusiva”, durante um encontro com o homólogo uruguaio, Yamandú Orsi, no Grande Palácio do Povo, em Pequim. Durante a reunião, Xi reafirmou que a China “atribui sempre grande importância às relações com a América Latina” e reiterou o apoio de Pequim aos países da região “na defesa dos seus interesses de soberania, segurança e desenvolvimento”. “A China está disposta a trabalhar com o Uruguai e os países latino-americanos para promover de forma profunda e substancial a construção de uma comunidade de futuro partilhado China – América Latina”, declarou, segundo a transcrição divulgada pelo Diário do Povo, órgão oficial do Partido Comunista Chinês. O líder chinês manifestou ainda o apoio à actuação do Uruguai em fóruns multilaterais, como a presidência rotativa do Grupo dos 77 e China, a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) e o Mercosul. Xi enquadrou estas declarações num cenário internacional de “complexidade e turbulência crescentes”, com o aumento de práticas unilaterais e de pressão entre Estados, uma posição recorrente no discurso diplomático chinês. O líder chinês defendeu o reforço do multilateralismo, do sistema internacional centrado nas Nações Unidas e de uma globalização “inclusiva e benéfica para todos”, como princípios que devem nortear a cooperação entre países em desenvolvimento. Entre amigos No plano bilateral, Xi apelou ao aprofundamento da parceria estratégica integral entre a China e o Uruguai, com reforço do apoio mútuo em assuntos centrais e ampliação da cooperação nas áreas do comércio, agricultura, infraestruturas, finanças e tecnologias de informação. O líder chinês mencionou ainda oportunidades em sectores emergentes como desenvolvimento verde, economia digital, inteligência artificial e energias limpas, além de destacar a importância dos intercâmbios culturais, educativos e entre governos locais. Orsi elogiou os avanços da China nas últimas décadas e afirmou que a relação bilateral atravessa o seu “melhor momento histórico”, sublinhando que o fortalecimento dos laços com Pequim é uma política de Estado, com apoio transversal no Uruguai. O Presidente uruguaio manifestou vontade de aprofundar a cooperação com o país asiático em áreas económicas, científicas e tecnológicas e reiterou o apoio ao princípio de ‘Uma Só China’. Parceiro principal Após o encontro, os dois chefes de Estado assistiram à assinatura de mais de uma dezena de acordos e emitiram uma declaração conjunta para aprofundar a parceria estratégica integral, quando se assinala o 38.º aniversário do estabelecimento de relações diplomáticas entre os dois países. A China é, há mais de uma década, o principal parceiro comercial do Uruguai, representando cerca de 26 por cento das exportações do país, sobretudo de produtos agroindustriais. A agenda de Orsi em Pequim inclui ainda encontros com o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, e com o presidente da Assembleia Nacional Popular (órgão máximo legislativo), Zhao Leji, antes de seguir viagem para Xangai, onde terá compromissos de carácter económico e comercial.
PC Chinês e oposição taiwanesa defendem “nação comum” e rejeitam confronto Hoje Macau - 4 Fev 2026 Responsáveis do Partido Comunista Chinês e do principal partido da oposição em Taiwan concordaram ontem que os povos de ambos os lados do Estreito de Taiwan pertencem à mesma nação e rejeitaram um cenário de confronto. “Embora a China continental e Taiwan tenham sistemas políticos diferentes, os povos de ambos os lados pertencem à mesma nação, são descendentes do imperador Yan e do imperador Amarelo, e devem apoiar-se mutuamente e cooperar para revitalizar a China”, afirmou o vice-presidente do Kuomintang (KMT), Hsiao Hsu-tsen, citado pela agência de notícias oficial taiwanesa CNA. “O confronto ou mesmo o conflito entre as duas margens do Estreito não serve os interesses do povo taiwanês, nem os interesses comuns de ambos os povos, muito menos os interesses gerais da nação chinesa”, acrescentou. Também o director do Gabinete para os Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado chinês, Song Tao, defendeu que a situação actual é “complexa e grave” e sublinhou que o Partido Comunista Chinês (PCC) e o KMT têm uma “responsabilidade inelutável” de promover o “desenvolvimento pacífico” das relações através do diálogo. Song reiterou ainda a “firme oposição” de Pequim à independência de Taiwan, afirmando que não haverá “tolerância nem mão branda” face ao secessionismo. Todos juntos As declarações foram proferidas durante um fórum realizado ontem em Pequim, promovido por institutos de investigação associados aos dois partidos, e que marcou a retoma do intercâmbio institucionalizado entre o PCC e o KMT após quase uma década de interrupção, informou a televisão estatal chinesa CCTV. Participaram no evento representantes partidários, especialistas, académicos e empresários, que discutiram temas como turismo, indústria, meio ambiente e desenvolvimento sustentável, com o objectivo de “deliberar em conjunto sobre o rumo das relações” e “promover o bem-estar das populações de ambos os lados do Estreito”. A delegação do KMT foi liderada por Hsiao Hsu-tsen e pelo vice-presidente da Fundação de Política Nacional, Lee Hong-yuan. Estão previstas outras visitas e encontros em Pequim, segundo a CCTV, que não avançou pormenores. O fórum é visto como um possível passo preparatório para uma eventual reunião, ainda este semestre, entre o Presidente chinês, Xi Jinping, e a nova líder do KMT, Cheng Li-wun.
Segurança | Proibidas maçanetas embutidas em carros a partir de 2027 Hoje Macau - 4 Fev 2026 A China vai proibir, a partir de 2027, a venda de veículos equipados unicamente com pegas embutidas na carroçaria, populares por razões estéticas, mas consideradas perigosas em caso de acidente, anunciou o Governo chinês. Estas maçanetas, comuns em muitos veículos eléctricos vendidos no país, têm ganho popularidade ao longo da última década pelo seu design aerodinâmico e minimalista. No entanto, podem tornar-se um risco mortal se o sistema eléctrico falhar, impedindo a abertura manual das portas. Segundo as novas regras divulgadas na segunda-feira pelo ministério da Indústria e das Tecnologias da Informação, os veículos vendidos no mercado chinês deverão, a partir de 01 de Janeiro de 2027, estar obrigatoriamente equipados com mecanismos mecânicos de abertura, tanto exteriores como interiores. Os modelos já homologados terão um prazo adicional de dois anos para se adaptarem à nova norma, indicou o ministério, sublinhando que a medida visa “melhorar o nível de segurança”. A decisão surge na sequência de crescente preocupação na China com a segurança destas maçanetas embutidas. Um caso mediático ocorreu em Outubro, quando os socorristas não conseguiram abrir as portas de um veículo eléctrico da marca Xiaomi que se incendiou após um acidente em Chengdu, no sudoeste do país. O condutor, que estaria alcoolizado, morreu no local. As novas regras determinam ainda que os fabricantes reforcem a visibilidade das maçanetas interiores, exigindo sinalização obrigatória dentro do veículo. A China é actualmente o maior mercado mundial de veículos elétricos, com dezenas de construtores a operar no sector e a expandir as suas actividades para o exterior. Segundo estatísticas divulgadas em Janeiro, o fabricante chinês BYD ultrapassou, pela primeira vez, a norte-americana Tesla em vendas anuais de veículos eléctricos em 2025, tornando-se o maior produtor mundial deste segmento.
Mostra de Alexandre Simões apresentada na Livraria Portuguesa Hoje Macau - 4 Fev 2026 A Livraria Portuguesa acolhe, a partir desta quinta-feira, 18h, a exposição de fotografia de Alexandre Simões. “What Are You Doing The Rest of Your Life?” é o nome do projecto que, segundo uma nota de imprensa, “reúne um conjunto de imagens da década de 90 até à actualidade”. Trata-se de “apontamentos num diário visual, captados no universo autoral”, com os quais Alexandre Simões construiu “um labirinto de imagens em múltiplos planos temporais que subjectivamente providenciam a preservação da identidade de uma época inextinta”. Nesta mostra, revela-se “uma devoção à fotografia analógica”, mas na qualidade de “narrativa na permanência”, em termos de “conexão com as pessoas e a vida real, os encontros e intimidade”, sem esquecer “a presença da música e do cinema”. Descreve-se ainda que a “riqueza estética” do trabalho de Alexandre Simões “atravessa o tempo autêntico que sobre(vive) e se retroalimenta no diálogo imagético permanente com o indelével e as suas camadas”. Neste caso, “as fotografias assumem a durabilidade do passado que se prolonga e amplia no presente, com narrativas de solidão, espectros da nostalgia, do amor e da ausência, do estilo de vida e as suas referências culturais, atravessados pela estética que assinala o seu desígnio”. Sem distracções Em “What Are You Doing The Rest of Your Life?” revela-se um “trabalho fotográfico que submerge através do diálogo entre as imagens”, bem como “na significação das experiências [que ocorrem] na passagem inexorável do tempo”. Há uma “escolha estética que não é causal” e onde não existem “distracções” de quem está atrás da lente. “O olhar recai nas sombras e no inaudito, na subtileza de quem empresta a sua alma para captar o que observa e sente. O tempo corre lento no olhar de quem é convidado à viagem pelas fotografias, acoplado à poética, à beleza das coisas, às linhas e aos planos, aos corpos e às relações volúveis”, descreve-se sobre a mostra. A exposição está disponível para visita na cave da Livraria Portuguesa até ao dia 26 deste mês.
Ano Novo Chinês | Música, exposições e workshops recebem Cavalo Andreia Sofia Silva - 4 Fev 2026 Já é conhecido o programa do Instituto Cultural para celebrar o Ano do Cavalo. Destaque para a realização de dois concertos de música clássica ainda este mês, apresentações de folclore tradicional das regiões de Xinjiang e Chongqing em diversos bairros e ainda a realização de eventos que visam reunir pais e filhos Vem aí o Ano do Cavalo e para celebrar um novo começo o Instituto Cultural (IC) preparou um programa cultural recheado, marcado por música clássica, apresentações da cultura chinesa, exposições e workshops para toda a família. O tema deste conjunto de eventos é “O Cavalo da Sorte Traz Bênçãos para o Ano Novo, Macau Irradia Encantos Tradicionais e Modernos”. Ainda este mês, apresentam-se dois concertos de música clássica. São eles “Música no Património Mundial”, que acontecem na Igreja de S. Domingos no dia 12 de Fevereiro, às 15h e 17h. Aqui “a Orquestra Chinesa de Macau interpretará um repertório de peças festivas, promovendo o diálogo entre a arquitectura histórica e a música, para criar momentos memoráveis durante as celebrações”, descreve o IC, em comunicado. Depois, no dia 14 de Fevereiro, acontece o “Concerto de Primavera 2026”, protagonizado pela Escola de Música do Conservatório de Macau, e que terá lugar no auditório desta instituição de ensino. Apresentam-se “obras chinesas e ocidentais interpretadas a solo e em grupo”, com os bilhetes a estarem disponíveis para venda na plataforma da Conta Única de Macau a partir do dia 9 deste mês. Folclore para todos O Ano Novo Chinês acontece na segunda metade de Fevereiro, pelo que o IC preparou, entre o primeiro e o terceiro dia do Ano Novo (17 a 19 de Fevereiro), um cartaz recheado de eventos. Trata-se do programa “Série de Eventos ‘Happy Chinese New Year’ – Actividades integradas na Festividade do Ano Novo Lunar 2026”, em que um dos destaques é a realização, em diversos bairros, de “apresentações folclóricas de Xinjiang e Chongqing”. Desta forma, locais como a Rotunda de Carlos da Maia, a Fortaleza do Monte, o Largo do Pagode da Barra, a Praça dos Lótus no Bairro da Ilha Verde, o espaço lateral do Jardim da Cidade das Flores na Taipa, o Jardim Eduardo Marques em Coloane e o espaço Anim’Arte NAM VAN vão acolher estas actuações. Além disso, “representantes do património cultural intangível de Xinjiang e Chongqing vão demonstrar as suas técnicas em bancas próprias que servirão de espaço para mostra e venda de peças artesanais”. Em seguida, do quinto ao sexto dia do Ano Novo Lunar (dias 21 e 22 de Fevereiro), o grupo Trupe Artística das Minas de Carvão da China apresenta o espectáculo “O Calor das Artes no Ano Novo” em locais icónicos do território, como é o caso das Ruínas de São Paulo, Rotunda de Carlos da Maia, Largo Camões (Largo do Templo de Pak Tai) na Taipa e Parque do Mercado Iao Hon. Aqui o público pode ter acesso a “uma série de actuações artísticas tradicionais que visam enriquecer o ambiente festivo junto de residentes e visitantes”, declara o IC. Chegam depois as festividades relacionadas com artes e ofícios e que visam pais e filhos. Até ao dia 15 de Março – algumas actividades começaram no dia 2 deste mês – decorrem workshops com os mais variados temas da cultura chinesa, nomeadamente “Maquilha-te para a Ópera Cantonense’”, “Veste-te e Dança como MuLan’” e “Celebrar a Chegada do Ano Novo Chinês do Cavalo – Criação de Dísticos Alusivos”. Todos estes workshops decorrem na Casa da Literatura de Macau. Além disso, as oficinas “Arte do bordado Shu de Chongqing” e “Arte do bordado de Xinjiang” estão programados para acontecer no Museu Memorial de Xian Xinghai. Realizam-se ainda as actividades “Arte de Família: Reflexos das Ligações Marítimas” e “Pequenos Artistas”, no Museu de Arte de Macau, bem como “Mundo das Histórias” e “Ler para Crescer”, na Biblioteca Pública de Macau. Exposições mil O IC não esquece também as mostras patentes nos próximos dias, nomeadamente “Reflexos das Ligações Marítimas: O Intercâmbio Cultural Sino-Português entre os Séculos XVI e XIX” do Museu de Arte de Macau. A propósito desta iniciativa, decorre, a 8 de Março, a conversa “‘A Antiga Arte do Vidro e do Esmalte na Corte da Dinastia Qing’ – Série de Palestras”. Além disso, o Museu de Macau apresenta “Um Novo Impulso – Área da Grande Baía Cultivada, Um Património Cultural Intangível Brilhante: Mostra do Património Cultural Intangível da Zona da Grande Baía de Guangdong-Hong-Kong-Macau”. Já na Galeria Tap Seac pode ser vista, a partir do dia 12 deste mês, a mostra “Cores Esplêndidas: Exposição de Arte do Bordado de Chongqing e da Região Autónoma Uigur de Xinjiang”. Na área das letras apresenta-se “Um Novo Caminho em Galope – Exposição Temática de Livros das Colecções da Biblioteca Pública” na Biblioteca Central de Macau e na Biblioteca Sir Robert Ho Tung a partir de 10 de Fevereiro. O mesmo evento tem lugar na Biblioteca do Patane e na Biblioteca da Taipa a partir de 21 de Março.
Uber | Serviços locais de táxi e transporte entre HK lançados João Luz - 4 Fev 2026 A Uber anunciou ontem a oferta de serviços de táxi em Macau, através de carros já licenciados, assim como transportes entre a RAEM e Hong Kong. A confirmação surge depois de a empresa ter divulgado estar a recrutar em Macau motoristas de táxi licenciados A Uber está de regresso a Macau, depois de ter operado no território por menos de dois anos, entre 2015 e 2017. Na segunda-feira, a empresa publicou um anúncio de recrutamento de condutores entre taxistas licenciados e ontem confirmou o lançamento do serviço de táxis na cidade e entre Macau e Hong Kong. “A Uber está a introduzir viagens de táxi em Macau através da aplicação Uber. Os passageiros podem solicitar táxis licenciados de Macau, com tarifas cobradas de acordo com o taxímetro oficial e pagas directamente na aplicação. A aplicação permite o uso de vários idiomas e elimina a necessidade de pagamentos em dinheiro ou aplicações adicionais, oferecendo uma experiência consistente para visitantes e residentes”, indicou a empresa em comunicado. Como é habitual nas aplicações de táxis, os passageiros vão poder acompanhar o itinerário, a hora estimada de chegada, assim como aceder a um serviço de assistência em casos de emergência. Entre A e B A outra novidade em termos de serviços de transporte, é a ligação entre Macau e Hong Kong, permitindo a ligação de ponto a ponto nos dois sentidos, através da marcação de “limousines”, indicando o preço da viagem antecipadamente, incluindo portagens de Ponte do Delta e túneis. Este serviço privado será fornecido por um operador de transportes transfronteiriços, a empresa Kwoon Chung Bus Holdings, sem a necessidade de mudar de veículo. Para aceder a este serviço, os passageiros precisam marcar a viagem na aplicação com, pelo menos, 24 horas de antecedência. As reservas podem ser feitas até um máximo de 90 dias antes da viagem e podem ser canceladas gratuitamente até seis horas antes da hora designada para a partida. “Temos o prazer de introduzir uma nova forma de viajar facilmente entre Hong Kong e Macau, assim como dentro de Macau. É óptimo poder contribuir para os objectivos do turismo de Macau, assim como ajudar os residentes locais a movimentarem-se pela cidade e proporcionar novas oportunidades aos condutores de Macau”, afirmou o director-geral da Uber Hong Kong, Estyn Chung. Obrigatório usar táxis registados Após o anúncio da entrada em Macau da Uber, a Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) emitiu um comunicado a recordar que as aplicações têm de contratar táxis oficiais para a prestação do serviço. “A exploração dos serviços de táxis deve cumprir as disposições do ‘Regime jurídico do transporte de passageiros em automóveis ligeiros de aluguer’, designadamente através da utilização de táxis com alvará válido e da condução”, foi comunicado. “Paralelamente, caso os condutores de táxi não cobrem as tarifas de acordo com a lei ou faltem ao serviço após aceitação da chamada, poderão incorrer em infracção relativamente às normas supramencionadas sobre cobrança abusiva ou recusa de prestação de transporte, sendo que as duas entidades procederão nos termos da lei”, foi acrescentado. No anúncio do regresso a Macau, a empresa Uber comprometeu-se a utilizar os táxis licenciados. O serviço vai incluir travessias entre Macau e Hong Kong, outro aspecto visado pelas autoridades. “A Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) e o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) constataram que, recentemente, algumas empresas de plataforma lançaram os serviços dos ‘veículos especiais transfronteiriços entre Hong Kong e Macau’ e ‘táxis com taxímetros’ de Macau”, foi apontado. “A DSAT e o CPSP recordam que a exploração dos serviços de veículos de aluguer de transporte transfronteiriço entre Hong Kong e Macau e de táxis de Macau carece de autorização nos termos da lei, devendo as respectivas plataformas cooperar com veículos legalmente autorizados para o efeito”, foi vincado. O comunicado indica ainda que o “Governo está a promover, de forma activa, os trabalhos de revisão da lei para a supervisão das plataformas de serviços de táxis online, planeando introduzir uma gestão normalizada de modo a salvaguardar de forma mais eficaz os direitos e interesses dos passageiros e condutores”.
Médicos | Abertas inscrições para exame do Interior da China Hoje Macau - 4 Fev 2026 Os Serviços de Saúde indicaram ontem que estão abertas as inscrições para o Exame Nacional de Qualificação de Médico do Interior da China de 2026, para médicos, médicos dentistas e médicos de medicina tradicional chinesa autorizados a exercer em Macau. São elegíveis profissionais autorizados para a prática da actividade em Macau, e que exerçam actividade de prestação de cuidados de saúde no território há mais de um ano, com um “grau académico superior ao de licenciado em especialidade de medicina ou de estomatologia (medicina dentária) no Interior da China”. Os médicos devem ser residentes permanentes da RAEM. As condições para clínicos de medicina tradicional chinesa são semelhantes, mas é pedida licenciatura, ou grau académico superior, conferido por instituição de ensino superior do Interior da China reconhecida pelo Serviço Administrativo de Educação do Conselho de Estado, ou pela Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau. O primeiro passo, é a inscrição online, no portal da Rede Nacional de Exames Médicos, até 11 de Fevereiro. Em seguida, os candidatos devem deslocar-se à Divisão de Licenciamento para o Exercício de Actividades de Saúde dos Serviços de Saúde (no Centro de Saúde da Ilha Verde), entre 3 e 10 de Março.
Local de Espectáculos | Defendido arrendamento por zonas João Santos Filipe - 4 Fev 20264 Fev 2026 Face ao que considera ser uma baixa taxa de utilização do Local de Espectáculos ao Ar Livre de Macau, a deputada das Mulheres, Wong Kit Cheng, sugere que o Governo divida o local e faça diferentes arrendamentos ao mesmo tempo. O objectivo passa por facultar o espaço ao mercado local A deputada Wong Kit Cheng quer saber se o Governo vai dividir o Local de Espectáculos ao Ar Livre de Macau para permitir diferentes arrendamentos por grupos de espectáculos locais. A questão faz parte de uma interpelação escrita, divulgada no portal da Assembleia Legislativa (AL). Segundo a legisladora ligada à Associação das Mulheres, a “dimensão da área de espectáculos e o custo substancial do arrendamento de toda a zona” diminuem a vontade dos grupos locais realizarem actividades no Local de Espectáculos ao Ar Livre de Macau, situado no Cotai. Para fazer face a estes condicionamentos, Wong acredita que deve ser pensada uma divisão do local em diferentes espaços, para haver mais arrendamentos, além de se ter de pensar em “apoios específicos ao desenvolvimento das artes performativas locais e dos grupos comunitários”. “As autoridades vão explorar activamente a implementação de um modelo de arrendamento mais flexível por zonas para a área de espectáculos?”, questiona. “Por exemplo, vão permitir que alguns grupos locais se candidatem ao arrendamento parcial da área para realizar eventos de média dimensão, com reduções das taxas para diminuir as barreiras de utilização?”, acrescentou. Wong Kit Cheng indica que o modelo que apresenta na interpelação é inspirado no modelo de exploração do Parque da Vitória em Hong Kong. A legisladora pede igualmente explicações sobre como é que as autoridades vão implementar um modelo de exploração do espaço que permita a montagem de campos de basquetebol e outras opções de divertimento para as famílias. Concentrações preocupam Na interpelação, Wong Kit Cheng critica ainda o facto de “as taxas de utilização” do espaço “continuarem baixas”, apesar de já terem sido acolhidos “vários eventos de grande escala”. Apesar do espaço explorado pelo Governo ser arrendado frequentemente para grandes espectáculos, os cancelamentos tornaram-se habituais. Em Setembro do ano passado, o festival S20, que inclui música e jactos de água, foi cancelado, sem que houvesse qualquer explicação oficial. Este mês, o festival MBC Show! Music Core in Macau, que devia decorrer neste fim-de-semana, foi igualmente cancelado, com os media sul-coreanos a indicarem que se deveu à recusa das autoridades em permitir que os artistas japoneses obtivessem vistos temporários de trabalho. Mesmo com baixas taxas de utilização, a deputada alerta para os problemas repetidos de congestionamentos e excesso de concentração de pessoas, quando os espectáculos acabam, por incapacidade da rede de transportes públicos. “A localização do Local de Espectáculos na periferia do Cotai apresenta desafios”, apontou. Embora o local esteja ligado por metro ligeiro, as ligações de transportes públicos em geral, as disposições temporárias de estacionamento e as indicações […] continuam a ser inadequadas”, avisou. “A gestão do fluxo de pessoas e do tráfego após os eventos representam um desafio notável. Se estas instalações de apoio continuarem a ser inadequadas, mesmo com a expansão do âmbito de utilização da área de espectáculos vai afectar negativamente a vontade dos residentes de utilizar o local e a sua experiência geral”, apontou.
CCAC iliba Administração de ilegalidades, mas reduz altura de construção João Santos Filipe - 4 Fev 2026 O Comissariado contra a Corrupção (CCAC) ilibou a Administração de qualquer ilegalidade no processo de aprovação da construção de um edifício com 90 metros de altura no lote n.º 465-513 na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues. Apesar deste aspecto, o CCAC sugere que a altura do projecto do edifício seja reduzida para 60 metros, como foi proposto pela Associação Novo Macau. Os resultados divulgados ontem pelo CCAC colocam assim um ponto final num inquérito que demorou quase cinco anos. Para justificar que não foram cometidas ilegalidades pelas Obras Públicas, o CCAC considerou que a Administração calculou a altura máxima de construção de 90 metros com base na Circular n.º 01/DSSOPT/2009. “Como os serviços de obras públicas tomaram-na como padrão de apreciação e aprovação no âmbito dos indicadores de altura dos edifícios e de construção em lotes, é entendimento do CCAC que não se verificou qualquer ilegalidade ou irregularidade administrativa”, foi explicado. “Os serviços de obras públicas, durante o processamento do projecto de planta de condições urbanísticas, recorreram às descrições relativas ao índice de utilização do solo máximo permitido e ao índice de ocupação do solo máximo permitido de acordo com o disposto na referida circular”, foi acrescentado. A informação sobre o inquérito não apresenta cálculos para indicar o motivo que torna legal a adopção da altura de 90 metros. Apoiar o recuo No entanto, o CCAC sugere que o Governo aprove apenas uma altura de 60 metros de altura para aquele local. A proposta do CCAC tem por base o recuo do Executivo, tornado público anteriormente, depois do Centro do Património Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) ter começado a acompanhar esta construção. A questão à volta da altura de 90 metros prende-se com um eventual bloqueio da paisagem visual para o Farol da Guia. As obras no local não deverão avançar tão depressa, explica o CCAC, porque “o planeamento e o projecto de construção” só “podem avançar depois da resolução tomada pelo Centro do Património Mundial na próxima fase”. Os resultados do inquérito foram enviados ao Chefe do Executivo.
Metro Ligeiro | Ano arranca com recorde de passageiros em Janeiro Hoje Macau - 4 Fev 2026 Impulsionado pelo turismo, o Metro Ligeiro é cada vez mais utilizado. No primeiro mês do ano, o transporte público registou uma média diária de 30 mil passageiros O Metro Ligeiro registou, em média, 30 mil passageiros por dia em Janeiro, o número mais elevado para o primeiro mês do ano desde a inauguração, disse ontem a operadora. De acordo com dados oficiais divulgados pela Sociedade do Metro Ligeiro de Macau, a média de passageiros aumentou 8,7 por cento, em comparação com Dezembro, e subiu 18,6 por cento em relação ao mesmo mês de 2024. O Metro Ligeiro foi inaugurado a 10 de Dezembro de 2019 e esse mês continua a deter o recorde absoluto, com uma média diária de 33 mil passageiros, sendo que nessa altura as viagens eram gratuitas. Em Fevereiro de 2020, com o início da cobrança de tarifas e a detecção dos primeiros casos de infecção pelo novo coronavírus em Macau, a média diária de passageiros caiu para 1.100. O Metro Ligeiro voltaria a registar este valor mínimo em Julho de 2022, mês em que a cidade esteve em confinamento durante duas semanas devido a um surto de covid-19. Em Dezembro de 2024, começou a operar a extensão do Metro Ligeiro de superfície que liga Macau à vizinha Ilha da Montanha, com 2,2 quilómetros. Um mês antes, foi inaugurada a linha que vai até Seac Pai Van, um bairro de Coloane onde o Governo de Macau construiu 60 mil apartamentos de habitação pública. O Metro Ligeiro arrancou com apenas uma linha, que circulava só na ilha da Taipa, com uma extensão de 9,3 quilómetros e 11 estações, com uma frequência de 10 a 15 minutos, durante quase 17 horas diárias. A ligação do metro até à Barra, no sul da península de Macau, através do piso inferior da ponte Sai Van, começou a operar em Dezembro de 2023. Com a extensão do Metro Ligeiro, as autoridades prevêem que o volume de passageiros atinja 137 mil pessoas por dia, em 2030. Linha Leste em construção O Governo lançou no final de 2022 os concursos para a concepção e construção da Linha Leste, que fará a ligação ao norte da península de Macau, onde se situa a principal fronteira com a China continental. No final de Janeiro, o secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam Vai Man, disse que a operadora prometeu, ainda este ano, implementar o pagamento electrónico, assim como um sistema de transbordo entre os autocarros e o Metro Ligeiro. Está a decorrer, até 28 de Fevereiro, uma consulta pública sobre o desenvolvimento do transporte, que prevê que a construção da Linha Leste seja concluída em 2029. Os planos incluem uma Linha Sul, que irá ligar o posto fronteiriço da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau à estação da Barra, uma Linha Oeste, da fronteira de Qingmao à Barra, e uma ligação à vila de Coloane. A primeira linha, prometida durante mais de uma década, custou 10,2 mil milhões de patacas.
Comissão vai escolher advogados em casos de Segurança Nacional Hoje Macau - 4 Fev 2026 A lei que enquadra a futura Comissão de Defesa da Segurança de Estado de Macau vai mexer nas audiências em julgamentos de processos relativos a segurança nacional passando o juiz a decidir se serão abertos, foi segunda-feira anunciado. O secretário para a Administração e Justiça de Macau, Wong Sio Chak, que apresentou a proposta de lei “Comissão de Defesa da Segurança de Estado [CDSE] da Região Administrativa Especial de Macau [RAEM], referiu ainda que os mandatários dos réus envolvidos em julgamentos enquadrados pela Lei de Segurança Nacional terão que ter “certas características e ser aprovados por um juiz”. Este tipo de processos, mas não exclusivamente, vão passar a ser julgados por “um juiz especial”, disse também o governante no final da reunião do Conselho Executivo. De acordo com um comunicado do Conselho, o articulado “procede à alteração e aditamento” da Lei de Bases da Organização Judiciária, “estabelecendo disposições excepcionais sobre a audiência nos processos judiciais, as situações especiais de jurisdição e o regime relativo aos actos processuais dos mandatários judiciais, quando estes intervenham em assuntos envolvendo a segurança do Estado”. Segue para a AL A discussão da proposta de lei foi concluída na segunda-feira pelo Executivo de Sam Hou Fai e segue para a Assembleia Legislativa para apreciação, “sem carácter de urgência”, especificou Wong, sem esclarecer, nas declarações aos jornalistas, se a apreciação geral e na especialidade do articulado será concluída pelo parlamento ainda este ano. Do ritmo dos trabalhos no parlamento de Macau dependerá se Au Kam San, ex-deputado e cidadão português, detido no final de Julho do ano passado e até agora o primeiro e único caso relacionado com a Lei de Segurança Nacional, será julgado sob a nova moldura legal. Até agora não é conhecido o nome do advogado, ou “mandatário”, na terminologia jurídica utilizada, do ex-deputado, assim como também nada se sabe sobre a acusação nem quando será julgado. Uma vez aprovada em votação final no parlamento, a lei entrará em vigor no dia seguinte ao da publicação, e substituirá o Regulamento Administrativo nº 22/2018, que criou a CDSE, estrutura que manterá, no entanto, várias características orgânicas e competências, designadamente a de continuar a ser presidida pelo chefe do Executivo. A futura lei dispõe ainda sobre os cargos de assessor para os assuntos de segurança nacional e de assessor técnico para os assuntos de segurança nacional, “bem como sobre o serviço de execução e apoio da CDSE”, segundo um comunicado divulgado pelo Governo.
TJB | Testemunhas negaram assinar formulário da lista Ou Mun Kong I João Luz e Nunu Wu - 4 Fev 2026 Na última sessão do julgamento em que Lee Sio Kuan é acusado de corrupção eleitoral nas eleições de 2021, 13 testemunhas negaram ter assinado o reconhecimento da lista Ou Mun Kong I, apesar do formulário conter os seus números de cartão de residente. Uma testemunha confirmou a entrega de detergente para a roupa e guarda-chuvas durante uma excursão Na sessão de julgamento de segunda-feira em que Lee Sio Kuan é acusado de corrupção eleitoral nas eleições legislativas de 2021, e que envolve mais 17 arguidos, 13 testemunhas negaram alguma vez ter assinado os documentos de pedido de reconhecimento da lista de candidatura Ou Mun Kong I. Isto, apesar de na sessão no Tribunal Judicial de Base (TJB) o delegado do Ministério Público ter mostrado o documento de reconhecimento da lista, contendo assinaturas e o número do bilhete de identidade de residente das testemunhas, de acordo com o relato do canal chinês da Rádio Macau. Logo na primeira sessão do julgamento, outras testemunhas negaram assinar documentos semelhantes, com a acusação também a mostrar em tribunal pedidos com as suas assinaturas e número do bilhete de identidade de residente. Recorde-se que o Lee Sio Kuan é acusado de ter montado um esquema para oferecer viagens, refeições e presentes a mais de 200 residentes. Na audiência de segunda-feira, foi ouvida uma testemunha que confirmou ter sido contratada para serviços de guia turístico numa viagem, com duração de meio dia, organizada pelo mandatário da lista Ou Mun Kong I, Lee Sio Kuan. A testemunha confirmou ter recebido 300 patacas pelo trabalho e ter visto pessoas que iriam participar na viagem a assinar documentos no local de encontro antes do arranque da excursão. Porém, a guia ressalvou não ter visto o conteúdo dos documentos, não confirmando tratarem-se de pedidos de reconhecimento de candidatura para as eleições legislativas. Pequenos delitos A guia turística que testemunhou no TJB, uma de oito outros profissionais que diz terem trabalhado no mesmo serviço, afirmou ainda que durante a excursão os organizadores distribuíram detergente para lavar a roupa e guarda-chuva entre os participantes. O processo chegou ao TJB depois de uma investigação do Comissariado contra a Corrupção (CCAC), concluída em Dezembro de 2022. “Na sequência do encaminhamento do caso pelo Ministério Público, o CCAC procedeu à instauração de um processo de inquérito e descobriu que o referido mandatário e um guia turístico se responsabilizavam pela organização de um passeio turístico de meio dia, tendo providenciado refeições e distribuído prendas tais como detergentes líquidos para roupa e guarda-chuvas com os dizeres “votem nesta lista de candidatura” impressos nos mesmos. Tais actividades e prendas foram todas financiadas pelo referido mandatário, tendo conseguido angariar mais de 200 eleitores para preencherem os seus dados de identificação pessoal e assinarem os respectivos boletins de propositura da lista em causa”, foi indicado à altura.
Marcelo Loureiro, autor e docente: “O indigenato foi uma continuação da escravidão” Andreia Sofia Silva - 4 Fev 2026 Esteve recentemente em Macau para apresentar o livro “Colonial Citizenship: law, race and rights through the Portuguese empire”. A obra de Marcelo Loureiro explora a forma como, no império português, a cidadania portuguesa foi sendo moldada conforme a cor da pele. Macau não foi excepção, ainda que com outros contornos face a África, argumenta o docente da Universidade de Leicester Imagem: Fundação Rui Cunha Como começou esta investigação e como surgiram os temas do colonialismo e cidadania? Tudo nasceu de uma experiência pessoal e familiar. Cresci no Rio de Janeiro, numa família marcada pela diáspora portuguesa por um lado, e pelo silêncio colonial do outro. A minha avó paterna, portuguesa, guardava no fundo de um armário os documentos que me permitiram, aos treze anos, reclamar a cidadania portuguesa. A minha outra avó, mestiça, cafuza, não tinha papéis, não tinha histórias para contar; de ela para mim, existia apenas um silêncio. Esta divisão, entre quem tem direito a documentos e a voz e quem é forçado ao apagamento, foi o ponto de partida para questionar a construção legal da cidadania e da nacionalidade. Quando cheguei a Portugal para estudar Direito em Coimbra, comecei a perceber que a lei que me reconhecia como português era a mesma que historicamente negou esse reconhecimento a milhões de pessoas com base na raça, na ‘civilização’ e na cor da pele. O livro é, em parte, uma tentativa de compreender essa estrutura jurídica de inclusão e exclusão, é uma denúncia da injustiça por detrás dos direitos. É uma denúncia da cidadania como método de exclusão. No contexto do império português, quando surgem as primeiras noções de cidadania e quais os critérios utilizados? As primeiras noções formais de pertença nacional em Portugal aparecem nas Ordenações Filipinas de 1603, que estabelecem quem deve ser considerado ‘natural’ do reino. É interessante perceber que a inclusão da noção de nacionalidade só foi incluída na lei portuguesa durante a União Ibérica, durante a dinastia Filipina, quando Espanha controlou Portugal por meio dos Habsburgo. Foi nesse contexto que a lei espanhola foi transposta para Portugal para separar portugueses de espanhóis. Contudo, a construção prática da cidadania portuguesa começa muito antes, por oposição: através da escravatura. Desde o século XV, com bulas papais (como a Dum Diversas de 1452 e a Romanus Pontifex de 1454), Portugal obteve legitimação canónica para escravizar africanos e conquistar os seus territórios. A cidadania portuguesa foi-se construindo assim, em oposição à figura do ‘outro’ – o mouro, o negro, o pagão, o ‘selvagem’, e finalmente, o ‘indígena’. Quais eram os critérios de diferenciação? Os critérios eram essencialmente civilizacionais e raciais: ser cristão e, progressivamente, ser branco ou reconhecido como ‘civilizado’ segundo padrões europeus. A conversão ao cristianismo funcionava, em períodos, como uma espécie de ‘branqueamento espiritual’, mas mesmo os convertidos raramente alcançavam plena igualdade jurídica o que continuou sendo imposta por séculos. A lei chamava indígenas a todos aqueles que existiam fora do padrão de civilização esperado de cidadãos, que eram as populações não-brancas de Angola, Moçambique, Guiné e Timor. Macau terá ocupado sempre uma “posição privilegiada” no contexto deste império. Concretamente, como? Em termos de cidadania, Macau nunca foi sujeito ao Estatuto do Indigenato, que vigorou em Angola, Moçambique, Guiné e Timor. Esta exclusão não foi acidental. O Estatuto do Indigenato aplicava-se a populações consideradas ‘não civilizadas’ segundo critérios raciais e culturais europeus, sendo, em termos práticos, essencialmente populações negras da África continental e de Timor. Em Macau, a população chinesa, muitas vezes chamados de ‘Chins de Macau’, embora não sendo europeia, foi tratada de forma diferente. Havia leis que regulavam os direitos e costumes da população macaense, com uma lei completa entrando em vigor em 1909 e só abolida em 1949, por exemplo. A presença portuguesa em Macau sempre foi ladeada de diversos outros factores, como a influência britânica por contacto de Hong Kong, a progressiva presença política de Pequim, a instabilidade política portuguesa e o questionamento da existência do próprio império português internacionalmente. Tal levou a que Portugal não tenha conseguido impor em Macau uma soberania tão potente quanto àquela imposta em África e Timor. Houve casos de discriminação contra as comunidades chinesa e macaense antes do século XX? A discriminação existiu, embora de natureza diferente da imposta em África. Podemos mesmo ver na literatura, nas obras de Senna Fernandes, por exemplo, como a existência de muralhas, lados e partes de Macau, às vezes até ideológicas, para diferentes populações, de aldeais chinesas a cidades cristãs. A mesma divisão ocorria no mundo dos direitos, só que de uma forma indirecta, e não pela imposição directa do indigenato e da condição de nacional de segunda classe. A segregação e a diferença ocorriam de forma social, de dificuldade de aceder a determinadas carreiras, a falta de convites para aniversários por não serem ‘brancos’. Essa discriminação não assumiu a forma jurídica sistemática do indigenato, como dito. Os macaenses ocupavam uma posição intermédia, frequentemente funcionando como intermediários entre portugueses e chineses. A sua ‘portugalidade’ era reconhecida de forma ambígua: eram portugueses, mas de outro tipo. Podemos referir que a cor da pele foi decisiva para não colocar Macau sob o Estatuto do Indigenato. Sim, a cor da pele era absolutamente decisiva. O Estatuto do Indigenato aplicou-se em Angola, Moçambique, Guiné e Timor, territórios com populações maioritariamente negras ou ‘não brancas’ no sentido colonial. A lei portuguesa até criou o termo ‘raça oceânica’ para identificar timorenses durante a imposição do indigenato para que pudessem aproximar essa população racialmente das populações africanas. Macau, Índia Portuguesa, Cabo Verde, e, de certa forma São Tomé e Príncipe, foram excluídos dessa classificação. Os critérios oficiais estabeleciam ‘usos e costumes’ e ‘civilização’ como os parâmetros para identificar esses povos, mas na realidade essas categorias funcionavam apenas como um substituto para raça: eram raça, mas por outro nome. As populações da Índia Portuguesa e de Macau, embora não europeias, foram sempre poupadas da aplicação de leis abertamente racistas, apesar de práticas e políticas locais imporem, na maioria das vezes indirectamente, restrições a cidadania completa dessas populações, como descrevi. Tendo em conta o Estatuto do Indigenato, que evolução pode traçar em termos do conceito de cidadania portuguesa? O Estatuto do Indigenato, consolidado no início dos anos 1930, representou a codificação jurídica máxima da exclusão racial. O indigenato foi uma forma jurídica de segregação racial que criou duas categorias de ser português, nomeadamente o ser cidadão português (brancos e assimilados) e ser indígena português (a maioria negra). Os indígenas eram juridicamente portugueses, mas não eram cidadãos; não viviam com acesso a direitos, mas a restrições, viviam, como chamo no livro, num estatuto de ‘nacionalidade negatória’. Indígenas não podiam votar, não podiam circular livremente, não tinham direito a advogados, estavam sujeitos a trabalho forçado, pagavam impostos especiais por razão da raça, não podiam frequentar as mesmas escolas ou hospitais que os brancos. A evolução do conceito de cidadania portuguesa neste contexto é paradoxal: formalmente, todos eram ‘portugueses’, mas materialmente, a cidadania era reservada para quem demonstrasse ‘civilização’ por meio da cor da pele ou provando ser assimilado suficiente apesar de ser negro. A assimilação era o único caminho jurídico para sair do indigenato, mas exigia provar domínio da língua portuguesa, abandono de ‘usos e costumes’ africanos, emprego estável, ‘boa conduta moral’, e serviço militar. Pouquíssimos conseguiam. Quais os casos mais flagrantes de negação de direitos que pode apontar? Um dos mais flagrantes é o sistema de trabalho forçado, que funcionava como uma continuação da escravatura sob outro nome. Os indígenas eram obrigados a trabalhar em plantações, minas e obras públicas, frequentemente longe das suas famílias, em condições desumanas. Outro caso é a segregação espacial e social: hospitais separados para brancos e indígenas, bairros segregados, escolas diferentes. Na Guiné, indígenas eram forçados a usar colares com placas metálicas. Em Moçambique eram forçados a pagar impostos de rádio, caso tivessem um aparelho. Em Timor eram obrigados a pagar taxas caso se mudassem de uma autoridade local a outra, ou quando se divorciassem segundo os costumes locais. Os arquivos mostram também casos de indígenas que, apesar de se terem mudado para Lisboa, ainda continuavam a ser tratados como indígenas. Tudo graças a uma lei de 1955 que impôs o estatuto do indigenato a qualquer indígena em qualquer parte do império português – o que antes só era aplicado nas colónias de indigenato. Esse foi o caso dos chamados ‘Pedidos de Lisboa’, um grupo de requerimentos de assimilação que encontrei no Arquivo Ultramarino de Lisboa, onde indígenas que, tendo emigrado para a metrópole, tentavam obter reconhecimento como cidadãos. O Estatuto do Indigenato seria abolido anos mais tarde, mas os efeitos parecem ter permanecido. Concordo absolutamente. E digo mais: o indigenato foi uma continuação da própria escravidão, um reflexo que ainda é sentido hoje por tantas e tantas comunidades tocadas pelo império português. O Estatuto foi abolido em 1961, mas décadas de exclusão jurídica, educacional e económica não se apagam por decreto. As populações africanas foram sistematicamente impedidas de aceder a educação, propriedade, mobilidade e participação política durante gerações. Isso explica, em certa medida, a diferença entre as diferentes partes do império português, onde Brasil, Angola, Macau e Índia ocupam espectros completamente diversos em relação a níveis de protecção e acesso a direitos. Quando o Estatuto foi abolido, já estava consolidado um contexto de restrição e necessidade onde a maioria negra sobrevivia sem educação formal e sem acesso a direitos básicos. Os efeitos pós-coloniais são igualmente profundos: o indigenato ensinou gerações de africanos que a sua cultura, língua e modo de vida eram inferiores, e que para serem formalmente alguém, para serem reconhecidos como plenamente humanos perante a lei, tinham de se tornar brancos, tinham de se assemelhar, o máximo possível, ao colonizador. Mas mesmo essa assimilação formal raramente se traduzia em protecção real: o reconhecimento legal não garantia acesso efectivo a direitos. A assimilação marca não só um período histórico, mas uma forma de ver, sentir e sobreviver à história colonial. Esta violência deixou marcas que persistem nas sociedades pós-coloniais lusófonas e que só se pode pensar em serem sanadas quando existir um processo de acolhimento, verdade e reconstrução — algo que o Estado português ainda não foi capaz de fazer.
Portugal | Macau e Hong Kong alertam para atrasos no correio Hoje Macau - 3 Fev 2026 Os Correios das regiões chinesas de Macau e Hong Kong alertaram ontem que as cartas e encomendas com destino a Portugal poderão sofrer atrasos devido à destruição causada pela depressão Kristin. Num comunicado, o Hongkong Post anunciou que “os serviços de entrega de correio para Portugal estão sujeitos a atrasos devido às condições meteorológicas adversas”, de acordo com indicação dos CTT – Correios de Portugal. Os Correios da vizinha região de Macau disseram, numa resposta escrita à Lusa, que também foram notificados pelos CTT que, “devido às condições meteorológicas adversas em Portugal, os serviços de entrega de correio de Macau para aquele destino vão sofrer atrasos”. O Governo português decretou situação de calamidade, que foi no domingo prolongada até 08 de Fevereiro, numa reunião extraordinária do Conselho de Ministros.
TNR | Macau contratou mais de 1.100 trabalhadores migrantes em 2025 Hoje Macau - 3 Fev 2026 As empresas e famílias de Macau contrataram 1.100 trabalhadores migrantes em 2025, segundo dados oficiais ontem divulgados. De acordo com o Corpo de Polícia de Segurança Pública, no final de Dezembro, Macau tinha 183.679 trabalhadores sem estatuto de residente, mais 1.137 do que no fim de 2024. A mão-de-obra vinda do exterior, incluindo da China continental, está no valor mais elevado desde Junho de 2020, no início da pandemia de covid-19. Desde o pico máximo de 196.538, atingido no final de 2019, antes da pandemia, e até Janeiro de 2023, a cidade perdeu quase 45 mil não-residentes, que correspondiam a 11,3 por cento da população activa. Em Janeiro de 2023, quando acabou o fim da política ‘zero covid’, que esteve em vigor em Macau e na China continental durante quase mais de três anos, Macau tinha menos de 152 mil migrantes, o número mais baixo desde Abril de 2014. As estatísticas, divulgadas pela Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais, revelam que, desde o fim da política ‘zero covid’, o número de trabalhadores não-residentes aumentou em 31.801. A principal razão para o crescimento da mão-de-obra migrante em 2025 foram os empregados domésticos, cujo número ultrapassou 28.611 no final de Dezembro, o valor mais elevado desde Março de 2021. Em todo o ano passado, as famílias de Macau contrataram mais 1.176 empregados domésticos. A partir de Agosto, a DSAL passou a apresentar de forma separada as estatísticas para os empregados domésticos dos restantes trabalhadores migrantes, não os incluindo na soma total da mão de obra não residente.