Habitação Económica | Singulares sem hipótese de comprar T2 João Santos Filipe - 28 Dez 2023 Apesar da nova realidade económica, o Governo não planeia alterar os escalões de rendimentos que permite o acesso ao concurso de compra de habitação económica O Governo recusa a possibilidade de permitir que os residentes singulares possam adquirir habitações económicas com dois quartos. A posição foi tomada por Kuoc Vai Han, presidente substituta do Instituto de Habitação (IH), na resposta a uma interpelação do deputado Leong Sun Iok. Nas perguntas enviadas ao Executivo, o deputado ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) mostrava-se preocupado com o que considera a falta de habitação em Macau, e principalmente com a decisão do governo de “suspender” a construção de habitação intermédia, também conhecida como sanduíche, na Avenida Wai Long. Face às limitações no mercado de habitação, Leong Sun Iok pretendia saber se o Executivo estava disponível para flexibilizar os critérios, e permitir que os agregados familiares com uma única pessoa pudessem adquirir apartamentos com dois quartos. A resposta foi negativa: “A Lei da Habitação Económica vigente já define que a dimensão do agregado familiar corresponde à tipologia de habitação que pode ser escolhida, reflectindo, principalmente, a justiça e a razoabilidade na utilização dos recursos públicos, pelo que, neste momento, não está a ser ponderada a sua alteração”, foi respondido pela presidente. Actualmente, a lei apenas permite aos residentes singulares comprarem habitações económicas do estilo T1. Quando um agregado é constituído por duas ou mais pessoas, pode comprar habitações T1 ou T2. Se o agregado familiar tiver três ou mais membros pode comprar apartamentos com um quarto, dois quartos ou três quartos. Limites sem mudanças Por outro lado, o Governo recusa também avançar com uma revisão dos limites monetários de candidatura à compra de habitação económica. Leong Sun Iok perguntou na interpelação escrita se havia planos para reduzir o actual limite mínimo do rendimento mensal que permite aos residentes candidatarem-se à compra de uma habitação económica. Na origem deste pedido, estava o desejo de tornar menor o fosso entre aqueles que podem arrendar habitações sociais e os que podem comprar habitação económica, assim como uma maior atenção para a situação económica pós-pandemia. Contudo, Kuoc Vai Han respondeu negativamente: “Na fixação do limite mínimo de rendimento para a habitação económica, foi tido como referência o limite máximo de rendimento para a habitação social, com o objectivo de alcançar uma articulação contínua entre a habitação social e a habitação económica, pelo que não existe qualquer consideração sobre o seu ajustamento”, foi justificado.
Passageiros vindos de Moçambique detidos em Hong Kong com 33,5 quilos de droga Hoje Macau - 27 Dez 2023 A polícia de Hong Kong anunciou no sábado à noite ter detido dois passageiros que voaram de Moçambique para a região chinesa com 33,5 quilos de metanfetamina, no valor de 1,9 milhões de euros. Num comunicado, a Alfândega de Hong Kong revelou que detectou na sexta-feira um homem de 29 anos e uma mulher de 27 anos que chegaram ao aeroporto do território vindo de Moçambique através de Doha, no Qatar. Os agentes encontraram, no interior das malas de porão dos dois viajantes, 10 pinturas a óleo e 54 peças de artesanato, usadas para esconder um total de 33,5 quilos de metanfetamina, no valor de 16,5 milhões de dólares de Hong Kong. Os dois passageiros foram detidos e a polícia sublinhou que a investigação está ainda a decorrer. As autoridades sublinharam que, “após a retoma das viagens e trocas normais com o interior [da China] e outras partes do mundo, o número de visitantes em Hong Kong tem aumentado constantemente”. Desde Dezembro de 2022 que a metrópole abandonou a política chinesa de ‘zero covid’, com a restrição das entradas no território, aposta em testagens em massa, confinamentos de zonas de risco e quarentenas. A Alfândega de Hong Kong prometeu “continuar a aplicar uma abordagem de avaliação de risco e concentrar-se na seleção de passageiros de regiões de alto risco”. Mão pesada O crime de tráfico de droga é punido na região chinesa com uma multa de até 5 milhões de dólares de Hong Kong e uma pena de prisão que pode ser perpétua. Em Agosto, a polícia da cidade chinesa deteve um passageiro vindo do Brasil com 700 gramas de cocaína, no valor de quase cem mil euros, no interior do corpo. Em Junho, a polícia de Hong Kong deteve uma passageira que voou do Brasil para a cidade com quase um quilo de cocaína, no valor de 124 mil euros, escondida dentro de latas de perfumes. Em Maio, a polícia do território deteve, em dois dias consecutivos, três passageiros que voaram do Brasil para a região com um total de 1,6 quilos de cocaína, no valor de 1,3 milhões de dólares de Hong Kong, no interior do corpo. Em Setembro de 2022, a polícia anunciou a apreensão de 16,5 quilos de cocaína, com um valor de mercado de 14 milhões de dólares de Hong Kong, no interior de contentores, vindos do Brasil, com fibras de algodão.
Médio Oriente | China continua a desenvolver esforços pela paz Hoje Macau - 27 Dez 2023 A China continuará a trabalhar com todas as partes para melhorar a coordenação e galvanizar mais acções responsáveis e significativas no Conselho de Segurança da ONU para uma cessação rápida das hostilidades em Gaza, a implementação da solução de dois Estados e a paz e estabilidade no Médio Oriente, disse segunda-feira Mao Ning, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês. Mao prestou as declarações ao comentar a Resolução 2720, aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU com 13 votos a favor e duas abstenções na sexta-feira passada, pedindo uma acção urgente para expandir a assistência humanitária a Gaza e criar as condições para uma cessação sustentável das hostilidades, indicou o Diário do Povo. Mao disse que a China votou a favor da Resolução 2720, que é a segunda resolução adoptada pelo Conselho de Segurança desde o início do actual conflito em Gaza. A responsável também acrescentou que a resolução não atende às expectativas internacionais e tem certas lacunas que precisam ser preenchidas. Mao disse que, como o actual conflito palestino-israelita matou e feriu dezenas de milhares de civis e a situação humanitária em Gaza continua a deteriorar-se, a China pediu que a resolução seja implementada de forma eficaz, que a assistência humanitária seja ampliada e que um mecanismo de monitoramento seja estabelecido o mais rápido possível. Realizar um cessar-fogo continua a ser a prioridade absoluta e pré-requisito para todo o resto, disse Mao.
Gansu | Sismo provocou perdas económicas de 67,7 milhões de euros Hoje Macau - 27 Dez 2023 O terramoto que atingiu a China na segunda-feira passada, matando pelo menos 148 pessoas, causou perdas estimadas em quase 68 milhões de euros nos setores da agricultura e pescas, informou domingo a imprensa estatal. A província de Gansu, no noroeste da China, realizou avaliações preliminares que mostraram que as indústrias agrícolas e pesqueiras locais perderam 532 milhões de yuans, de acordo com a televisão estatal chinesa CCTV. As autoridades estavam a ponderar a melhor forma de utilizar o fundo de ajuda, criado pelo Governo Central chinês na terça-feira, para que o sector agrícola retomasse a produção o mais rapidamente possível. O Governo chinês e o ministério da Gestão de Emergências alocaram 200 milhões de yuan para os esforços de socorro e recuperação. O sismo de magnitude 6,2 atingiu uma região montanhosa, um minuto antes da meia-noite local de segunda-feira na fronteira entre as províncias de Gansu e Qinghai e a cerca de 1.300 quilómetros a sudoeste de Pequim, a capital chinesa. A CCTV informou que 117 pessoas morreram em Gansu e 31 outras morreram na vizinha Qinghai, enquanto três pessoas continuam desaparecidas. Cerca de mil pessoas ficaram feridas e mais de 14 mil casas foram destruídas. Durante uma visita no sábado a várias aldeias de Gansu e a um condado de Qinghai, o primeiro-ministro chinês Li Qiang instou as autoridades a melhorarem as condições de vida dos sobreviventes através de todos os métodos disponíveis. De acordo com a agência de notícias oficial Xinhua, Li disse também que a principal prioridade dos esforços de socorro era garantir que as pessoas se mantivessem quentes e seguras no Inverno. Foram realizados funerais para os mortos, alguns seguindo as tradições muçulmanas de grande parte da população da área afectada.
Xinjiang | China sanciona empresa dos EUA por ingerência Hoje Macau - 27 Dez 2023 Pequim rejeita “a falsa narrativa” sobre Xinjiang “inventada e difundida” por Washington e vai aplicar sanções contra a empresa de informações e dados norte-americana Kharon A China vai impor sanções contra uma empresa norte-americana e dois indivíduos por interferirem nos assuntos internos e “espalharem falsidades” sobre os direitos humanos em Xinjiang (noroeste), anunciou ontem o Governo chinês. Os alvos são a empresa de informações e dados norte-americana Kharon, o respectivo director de investigação, Edmund Xu, e a antiga investigadora do Centro de Estudos de Defesa Nacional dos Estados Unidos Nicole Morgret. A China proibirá a entrada no país de Xu e Morgret e congelará os bens móveis e imóveis da empresa e de ambos na China, segundo a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Mao Ning. Nos últimos anos, a Kharon produziu relatórios que alegam a existência de trabalho forçado nalgumas indústrias da região noroeste da China, estrategicamente importante, rica em recursos energéticos e onde vivem os uigures e outras etnias muçulmanas. Washington anunciou este mês a inclusão de três empresas chinesas na lista de entidades sancionadas pela Lei de Prevenção do Trabalho Forçado dos Uigures, que já afectou 30 empresas desde que o Presidente Joe Biden a promulgou em 2021. A lei proíbe a importação para os Estados Unidos de bens produzidos em Xinjiang ou por entidades sancionadas, a menos que agências como os serviços aduaneiros certifiquem que não foram produzidos com trabalho forçado. Matéria sensível Numa conferência de imprensa, Mao Ning acusou Washington de “inventar e difundir uma falsa narrativa sobre Xinjiang”, segundo a agência espanhola EFE. Mao disse que Washington usa “o pretexto de alegados problemas de direitos humanos em Xinjiang para impor sanções ilegais contra empresas e funcionários chineses”, numa violação do direito internacional. Acusou a Kharon de recolher há muito tempo “informações sensíveis sobre Xinjiang” e de fornecer provas para “sanções ilegais” dos Estados Unidos. Acrescentou que Pequim já apresentou uma queixa formal contra os Estados Unidos e insistiu que Washington deve “deixar de caluniar e difamar a China”. Xinjiang produz cerca de um quinto do algodão mundial e é também rica em petróleo e gás natural, segundo a televisão britânica BBC.
Zheng Min e as Recordações Das Montanhas Amarelas Paulo Maia e Carmo - 27 Dez 2023 Zhuangzi, o clássico do século IV a. C. que escreveu sobre a «vadiagem feliz», afirmou que «O homem perfeito usa a sua mente como um espelho – sem procurar nada, não acolhendo nada, respondendo sem guardar. Assim consegue triunfar sobre as coisas sem se magoar». Essa vocação de «vaguear onde não há caminho», muitas vezes deslocando-se sobre as águas dos rios, nunca guardando nada senão memórias, foi sentida como um guia por homens de letras e pintores. Certas paisagens, como o cenário invulgar das Montanhas Amarelas (Huangshan), como que convidavam os passeantes para nelas inscreverem novos caminhos. Uma «escola de pintura» foi designada com o seu nome e dela participaram grandes mestres como Hongren ou Shitao. E os que eram originários da província de Anhui, onde se situam essas montanhas, como o pintor e poeta Mei Qing (1623-1697), deixaram desse convívio com a natureza testemunhos de uma viva impressão. Como no decurso de um passeio com familiares e amigos numa embarcação descendo um rio: «A chuva clareando, dir-se-ia um céu de Outono, Vamos descendo o rio Qing, navegando neste navio pintado, A cidade obscurecida e o campo vasto, As montanhas verdejantes tocam as ondas, Sons de flauta entristecem os poetas; Nos aposentos monásticos velhos monges meditam tranquilamente. Não há isco para o dragão que se não vê, Apenas a serena piscina de água.» O poema acompanha o rolo vertical Navegando no sopé da montanha Xiang (tinta sobre papel, 134,6 x 59,1 cm, no Metmuseum) onde outros amigos também escreveram poemas como um seu jovem discípulo Shi Runzhang que assinalou, não apenas o dia exacto em que decorreu o passeio – 21 de Maio de 1673, como lembrou o poeta Li Bai que por lá passou compondo poemas e como esse era também o lugar onde o imortal magistrado Dou Ziming pescou um dragão branco. Essas impressões em grupo de nada valiam se não fossem partilhadas. Zheng Min (1633-depois de 1683), pintor e poeta que terá participado nessa jornada e era de Shexian, igualmente em Anhui, terá sido o destinatário do rolo, mas também ele faria pinturas e poemas recordando as famosas montanhas para partilhar, lembrando caminhos solitários na memória. No álbum de nove páginas com pinturas e caligrafias Oito vistas das Montanhas Amarelas (tinta sobre papel, 24,1 x 14 cm, no Metmuseum) ele refez alguns dos lugares mais célebres das montanhas como o Cume de loto, a Ponte dos imortais ou o Pinheiro dragão enrolado, contrastando-os com poemas. O que o motivou foi um pedido do seu jovem amigo Chuzhen. Para isso recordou duas jornadas que fez por lá em 1670 e 1673, a última há já sete anos. E acrescenta que, se «no futuro, depois de todos os seus filhos se casarem», ele alguma vez lá for, «espero que leve este álbum com ele para comparar com os lugares reais. Serei então o seu guia.»
Espectáculos de vídeo-mapping para ver até Fevereiro Hoje Macau - 27 Dez 2023 Até ao dia 25 de Fevereiro, decorrem vários espectáculos de luzes e vídeo-mapping por toda a cidade no âmbito da iniciativa “Iluminar Macau 2023”, promovida pela Direcção dos Serviços de Turismo (DST). O calendário de eventos começou no passado dia 2 e decorre em 34 locais de sete zonas do território, sendo que o público terá acesso a 36 instalações luminosas e 20 dispositivos interactivos. Relativamente aos espectáculos de vídeo-mapping, a DST decidiu convidar não apenas equipas de Macau, mas também de duas cidades que pertencem à Rede de Cidades Criativas da UNESCO da área de Design, Wuhan, na China, e Seul, capital da Coreia do Sul. No Centro de Ciência de Macau será exibido o espectáculo de vídeo-mapping “Unlock the Magic: Journey into Wonderland”, da autoria da equipa sul coreana. Através de imagens de jogos e da imaginação de contos de fadas, a exibição divide-se em quatro partes, nomeadamente “Invitation”, “Adventure”, “Crisis” e “Celebration”. A ideia é que o Centro de Ciência se transforme “num local onde o mundo dos sonhos e o mundo real se encontram”. Obras a concurso No caso da participação de Wuhan, foi realizado um concurso público por parte da DST em parceria com o Departamento Municipal de Desenvolvimento Urbano-Rural de Wuhan para escolher os melhores espectáculos de vídeo-mapping, tendo sido seleccionados os três melhores a serem exibidos no Largo dos Bombeiros da Taipa. “Enjoy Magic” é o nome de um dos espectáculos que será exibido ainda este mês. Divide-se em três partes, “Colorful World”, “Fantasy Seasons” e “Joyous Celebrations”, revelando “a magia de uma cidade de entretenimento com a dinâmica da cor, da luz, da estrutura e dos símbolos”. Por sua vez, em Janeiro, também de Wuhan, será apresentado “Season Diffusion”, que se divide em duas partes, nomeadamente “Twenty-Four Solar Terms” e “Celebrating the Spring Festival”. Nesta exibição, recorre-se à tecnologia AIGC para produzir imagens, música e efeitos sonoros, “criando-se um processo inovador de produção de vídeo mapping”. Em Fevereiro, será apresentado o espectáculo “A Dose of Lighting Dopamine”, com uma interpretação da palavra “dopamina” que irá exibir “os encantos de Wuhan, Macau e Portugal”. Coloane não fica de fora do mapa deste evento, com a Igreja de São Francisco Xavier a acolher duas obras seleccionadas através de um concurso público. A obra vencedora, “A Beacon of Light in Macao’s Winter Night” será exibida entre este mês e Janeiro, “transportando o público numa viagem mágica de deslumbramento dos sentidos pela beleza de Macau”. O trabalho classificado em segundo lugar, “Dazzling Winterland”, será apresentado ao público entre Janeiro e Fevereiro, trazendo “belas construções de gelo no Inverno que criam um parque de diversões deslumbrante e alegre, radiante de luz e amor”. Todas as instalações do “Iluminar Macau 2023” podem ser vistas entre as 19h00 e as 22h00 durante o período do evento. Cada espectáculo de vídeo-mapping tem uma duração de cerca de oito minutos, sendo a última sessão exibida às 21h30.
Venezuela | Shee Va em encontro de escritores que homenageia Eugénio de Andrade Hoje Macau - 27 Dez 2023 Shee Va, médico gastrenterologista e autor de diversos livros sobre a cultura chinesa, é um dos nomes que integram o painel do IV Encontro Virtual de Escritores Lusófonos, que arrancou ontem e se prolonga até sábado, na Venezuela. Poeta português Eugénio de Andrade será homenageado no evento O IV Encontro Virtual de Escritores Lusófonos, iniciativa que homenageia o poeta português contemporâneo Eugénio de Andrade e reúne cinco autores de Itália, Portugal, Macau, Moçambique e Brasil, decorre na Venezuela até ao próximo sábado, 30 de Dezembro. O Encontro está “integrado nas comemorações do centenário do nascimento de Eugénio de Andrade e reúne escritores de diferentes nacionalidades, que escrevem sobre realidades e temas diversos, todos utilizando o português como língua comum”, explica a organização num comunicado divulgado em Caracas. No documento, o embaixador de Portugal na Venezuela, João Pedro Fins do Lado, sublinha que “o homenageado é considerado o mais universal dos poetas portugueses contemporâneos”. “A realização deste ciclo de encontros evidencia a Venezuela enquanto país de acolhimento de uma grande comunidade de língua portuguesa. “O ensino do português está em contínua, rápida e significativa expansão. Cada vez mais escolas ensinam português. Em apenas um ano lectivo, passamos de perto de 7,5 mil alunos para cerca de 11 mil”, explica. Por outro lado, Rainer Sousa, Coordenador do Ensino de Português em Caracas, sublinha que os Encontros são “uma iniciativa que nasceu na Venezuela, durante a pandemia da covid-19, que vão continuar nos próximos anos, mantendo a aspiração de se vir presencial com a participação de académicos, e com o objectivo de promover o diálogo e a interacção entre estudantes e escritores, estimulando assim o hábito pela leitura em Língua portuguesa”. Segundo a organização, o Encontro é inaugurado pelo professor italiano Federico Bertolazzi, professor de literatura portuguesa na Universidade de Roma “Tor Vergata” e especialista na obra de Eugénio de Andrade, que traduziu e organizou várias edições italianos desde o português. O médico e escritor Shee Va é o nome que representa Macau, território que lhe deu “oportunidade de escrever”. Trata-se de um escritor que, segundo a organização, aposta na difusão da “cultura chinesa nas comunidades de língua portuguesa”. Autor de diversas obras que retratam o mundo chinês, destacam-se os romances “Boi Cabeça, Cavalo Cara”, “Uma Ponte para a China”, e “Espíritos”. Outros nomes No Encontro participará também a escritora portuguesa Ana Cristina Silva, premiada autora de 15 romances e professora do Instituto Universitário de Ciências Psicológicas, Sociais e da Vida, em Lisboa, que em 2017 ganhou o Prémio Fernando Namora pelo romance “A Noite Não é Eterna” (2016) e que recebeu o Prémio Literário Urbano Tavares Rodrigues pelo romance “O Rei do Monte Brasil”. Publicou também os romances “Salvação” (2018), “As longas noites de Caxias” (2019) e, em 2022, “À procura da manhã Clara”. Foi ainda convidado o escritor e professor universitário moçambicano Dany Wambire que publicou inúmeras antologias no Brasil e em Portugal e “o seu livro ‘A fecunda fertilidade e outros contos’ recebeu menção honrosa no Prémio Internacional José Luís Peixoto (2013). O documento explica que “o encontro terminará com a intervenção do escritor brasileiro Luíz Eduardo de Carvalho, homem de teatro, professor, jornalista e gestor cultural” que “com uma dezena de títulos publicados e mais de 70 prémios, participou em dezenas de antologias, feiras e bienais literárias”. “É autor de “Relatos de Sampa” (2014), “O Teatro delirante”, “Sessenta e Seis Elos”, “Xadrez”, “Quadrilha” (2020) e “Crônicas do ofício” (2022)”, afirma. O encontro conta com o apoio da Embaixada de Portugal em Caracas, do Instituto Camões, da Coordenação para o Ensino do Português na Venezuela, do Festival Literário, Internacional de Poços de Caldas (Flipoços), do Correio da Venezuela e dos Centros de Língua Portuguesa de Maracay y de Caracas.
Inflação | Taxa fixa-se em 1,16% em Novembro Hoje Macau - 27 Dez 2023 A taxa de inflação em Macau fixou-se em 1,16 por cento em Novembro, contra 0,76 por cento no mesmo mês de 2022, de acordo com dados divulgados pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). “O crescimento foi impulsionado, principalmente, pela ascensão dos preços das refeições adquiridas fora de casa, do vestuário e do gás de petróleo liquefeito, assim como pelo aumento das propinas escolares”, indicou a DSEC, em comunicado. No entanto, continuou o organismo, a queda dos preços da carne de porco e dos bilhetes de avião, bem como a diminuição das rendas de casa e dos salários dos empregados domésticos compensaram parte do crescimento do índice de preços. As autoridades indicaram também que o custo do vestuário e calçado, da educação e dos produtos alimentares e bebidas não alcoólicas subiram 5,03 por cento, 5,02 por cento e 2,61 por cento, respectivamente, em termos anuais. Já os índices de preços das secções dos transportes, dos equipamentos e serviços domésticos, assim como da habitação e combustíveis diminuíram 3,26 por cento, 0,75 por cento e 0,50 por cento, respectivamente. Em Novembro, o índice de preços no consumidor subiu 0,03 por cento face ao mês de Outubro, quando a taxa de inflação foi de 1,10 por cento.
Edifício do Lago | Azulejos voltam a soltar-se e a cair João Santos Filipe e Nunu Wu - 27 Dez 202327 Dez 2023 O diferendo entre os moradores e o empreiteiro do projecto de habitação económica mantém-se com a proposta para substituir os azulejos por mosaicos e tinta a ser recusada Os azulejos instalados no Edifício do Lago, um dos projectos locais de habitação económica, voltaram a soltar-se e a cair. Este tem sido um problema crónico de uma construção marcada por vários defeitos. A queda aconteceu no dia 24 de Dezembro de manhã, em alguns andares do bloco 2 do Edifício do Lago. Em declarações ao canal chinês da Rádio Macau, vários moradores deixaram a esperança de que seja possível um acordo entre o empreiteiro e os condóminos, para avançar com um plano de recuperação das partes danificadas. “Quando cheguei à porta da minha casa, todos os azulejos do corredor do espaço comum estavam no chão, partidos, e só vi o reboco na parede. Desejo que o empreiteiro possa recuperar o espaço, de acordo com a aparência do prédio na altura em que começamos a ocupar as casas”, afirmou um morador de apelido Ng. O residente recordou ainda que no final do ano passado, face à queda crónica dos azulejos, que o empreiteiro propôs uma alternativa: a substituição dos azulejos por mosaicos e por uma parte da parede simplesmente pintada com tinta. Porém, o condomínio recusa este plano, por considerar que o espaço ficaria com uma qualidade menor do que a inicial. Por seu turno, outra moradora, de apelido Wong, também pretende ver a situação resolvida e sublinhou que este tipo de ocorrências coloca em risco a saúde de todos, principalmente dos idosos e das crianças. “A queda de azulejos aconteceu à meia noite no meu bloco. É um acontecimento perigoso, principalmente se houver crianças ou idosos a passarem pelos corredores quando acontecem as quedas de azulejos”, indicou Wong. Segundo as informações da Direcção dos Serviços de Obras Públicas, entre Dezembro do ano passado e Março, as administrações de todos os seis blocos do Edifício do Lago recusaram as propostas de reparação dos azulejos apresentadas pelo empreiteiro. Deputados reagem Por sua vez, os deputados Leong Hong Sai e Ron Lam reagiram ao incidente, ao defender que deve ser o Governo a assumir um papel mais activo na negociação entre os proprietários do Edifício do Lago e empreiteiro. Ron Lam criticou o Executivo porque apesar de um relatório do Comissariado contra a Corrupção sobre o prédio ter indicado ser necessário uma “colaboração activa” do Governo, na prática, o resultado é muito diferente. Lam indicou que o Governo tem tido uma postura passiva, sem apontar grandes soluções para o problema dos moradores. O legislador indicou também que no caso das negociações recusadas, o Governo fez uma única proposta para instalação de novos mosaicos, que cobririam uma altura de 1,5 metros das paredes com azulejos, e que aos proprietários só era dada a opção de escolher a cor e o padrão de mosaicos. Já Leong Hong Sai, considerou que a queda de azulejos se deveu à mudança da temperatura nos últimos dias. O também engenheiro apontou que se os moradores querem manter a instalação de azulejos, o tamanho de azulejos pode ser reduzido e o desenho para a distância de lacuna entre azulejos deve ser melhorado.
Medalhas | Felizbina Carmelita Gomes fala de reconhecimento de missão “emotiva” Hoje Macau - 27 Dez 2023 O reconhecimento de uma missão “bastante emotiva”. Foi desta forma que Felizbina Carmelita Gomes, actual directora do Jardim de Infância D. José da Costa Nunes, reagiu à divulgação de que vai receber em Janeiro a Medalha de Mérito Educativo. Em declarações à agência Lusa, a macaense destacou “estar muito grata e satisfeita” com a medalha, e agradeceu à Associação Promotora da Instrução dos Macaenses. “Agradeço imenso aos serviços de educação e à APIM pelo reconhecimento do meu trabalho”, afirmou Felizbina Carmelita Gomes. A antiga directora da Escola Primária Luso-Chinesa da Flora, com “uma carreira com 39 anos de tempo de serviço na área da educação”, referiu ainda que o percurso profissional “junto das crianças e funcionários da educação” tem sido “uma missão bastante emotiva”. Natural de Macau, Felizbina Carmelita Gomes estudou no Liceu de Macau, tendo concluído o ensino superior em Ciências da Educação pela Universidade de Macau. Em Portugal, realizou várias formações complementares na área educativa na Universidade de Lisboa, disse à Lusa. Em comunicado, o Governo destacou, entre outros trabalhos da educadora, a “pro-actividade no desenvolvimento dos currículos e do ensino da língua portuguesa nas escolas oficiais” do território bem como a promoção de um “ambiente favorável para a aprendizagem da cultura portuguesa nas escolas”.
Habitação económica | Prazo de candidaturas estendido Hoje Macau - 27 Dez 2023 O prazo de apresentação das candidaturas de habitação económica, que devia ter chegado ao fim hoje, foi prolongado por mais três meses, até 27 de Março do próximo ano. A informação foi divulgada pelo Instituto de Habitação (IH), em comunicado. Também o prazo para a entrega dos documentos em falta, foi estendido até 26 de Abril de 2024. Dar mais tempo aos residentes “para ponderarem a apresentação das candidaturas à habitação económica” foi a justificação apresentada para a prorrogação do prazo. As habitações económicas disponíveis para a aquisição no concurso serão construídas nos 5 lotes da Zona A dos Novos Aterros: os lotes B5, B7, B8, B11 e B12, num total de 5.415 fracções. Entre estas fracções, 1.657 são da tipologia T1, 3.216 de tipologia T2 e 542 da tipologia T3. As candidaturas podem ser apresentadas presencialmente ou por meios electrónicos, sendo apenas necessário apresentar o boletim de candidatura, acompanhado dos documentos de identificação e dos documentos comprovativos do rendimento mensal do candidato e dos elementos do agregado familiar.
Hovione | Distinção reflecte “história longa e bem-sucedida” Hoje Macau - 27 Dez 2023 Com 180 trabalhadores, a empresa portuguesa é a maior unidade farmacêutica de Macau. Para o director-geral, Eddy Leong a distinção é igualmente um sinal de confiança para o futuro A Hovione considera que a atribuição de uma medalha de Mérito Industrial e Comercial pelo Governo é “uma grande honra” e reflecte a “longa e bem-sucedida” história da farmacêutica no território. Foi desta forma que a empresa reagiu à atribuição anunciada a 19 de Dezembro pelo Executivo. “É para nós uma grande honra ter recebido esta medalha de mérito”, começou por reagir o director-geral da empresa em Macau, Eddy Leong, em declarações à Lusa, expressando “gratidão ao Governo” e a “todos os sectores da sociedade pelo reconhecimento dos quase 40 anos de trabalho” local. “Na Hovione, gostamos de dizer que estamos ‘nisto para a vida’ e sinto que este prémio reflecte não só a nossa longa e bem-sucedida história em Macau, mas também aponta para o nosso futuro de sucesso aqui”, acrescentou, numa resposta por email. A medalha, continuou o director-geral, reflecte, além disso, o compromisso da empresa portuguesa em trabalhar com as “organizações parceiras para criar oportunidades de carreira gratificantes nas ciências da vida”. Na apresentação dos medalhados deste ano, o executivo de Ho Iat Seng sublinhou em comunicado a “equipa forte” da Hovione dedicada “à investigação e à qualidade” e que “tem obtido diversos êxitos”. “A empresa tem-se empenhado em melhorar e desenvolver de forma constante e estrategicamente a operação com segurança, trazendo para o mercado mundial medicamentos não patenteados e produtos sintéticos personalizados, seguros, eficazes, especializados e de qualidade elevada, o que lhe granjeou o reconhecimento mundial”, afirma-se na nota de apresentação. Papel na Montanha Por outro lado, o Governo referiu que a expansão do negócio da Hovione “no mercado asiático está já a aproveitar as oportunidades proporcionadas pelo desenvolvimento da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin”, contribuindo para o desenvolvimento da indústria de ‘big health’ de Macau e, consequentemente, para o desenvolvimento da diversificação económica local. A Hovione começou a operar em Macau em 1986 e em 1987 foi pela primeira vez inspeccionada e certificada pela FDA [Food and Drug Administration – agência federal americana de saúde nos medicamentos e comida]. A empresa “produz activos farmacêuticos não patenteados, distribuídos no mercado global”. Tem 180 funcionários e segundo a própria empresa “é a maior unidade farmacêutica de Macau”. Além disso, “presta aconselhamento ao Departamento Económico sobre o desenvolvimento da indústria farmacêutica” no território.
Terrenos | Concessão custa 893,7 milhões de patacas Hoje Macau - 27 Dez 2023 O terreno situado na ilha da Taipa, na Rua de Chaves, Rua de San Tau e Rua de Kwai Lam, designado por lote BT9a vai ser concessionado por arrendamento a troco de 893,7 milhões de patacas. Foi este o montante apresentado pela concessionária Companhia de Gold-Rising Propriedade Desenvolvimento, durante o concurso público de atribuição da concessão. A concessionária nasceu da “aliança” entre as empresas Top Builders Group e Iok Seng Investimento Limitada e vai ter de pagar os 893,7 milhões de patacas “de uma vez só”, de acordo com o contrato de concessão que foi publicado no Boletim Oficial. Durante o período de construção, a concessionária vai ter de pagar 51,6 mil patacas por ano, como renda pela concessão. Quando o aproveitamento estiver terminado, a renda passa a ser paga em função da área bruta de construção, ao preço de 8 patacas por metro quadrado, para a área de habitação e estacionamento, e de 16 patacas por metro quadrado, para toda a área com outras finalidades. O prazo de construção é de cinco anos, de acordo com o contrato, e até a construção estar concluída, qualquer transmissão de mais de 50 por cento propriedade da empresa que detém a concessão só pode ser feita com autorização do Governo.
Hengqin | Autoridades esperam atrair 120 mil residentes de Macau João Santos Filipe - 27 Dez 2023 Dentro de pouco mais de 10 anos, cerca de 20 por cento da população local deve mudar-se para Hengqin, de acordo com os planos do Governo Central para Macau. Além disso, 80 mil residentes vão ter de encontrar trabalho no outro lado da fronteira Até 2035, cerca de 120 mil residentes de Macau têm de estar a viver na Zona de Cooperação Aprofundada na Ilha da Montanha. Segundo a Macau News Agency, a meta faz parte do Plano Geral do Desenvolvimento da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin, apresentado pela Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China, o principal órgão de planeamento económico do país, na semana passada. O “Plano Hengqin” apresentado pelas autoridades centrais, visa que a zona com 106 quilómetros quadrados seja um motor de crescimento do “corredor” de ciência e inovação tecnológica Guangzhou-Zhuhai-Macau, e que ao mesmo tempo contribua para “promover a diversificação adequada” da economia do território. Além do objectivo de realojar 120 mil residentes de Macau na Ilha da Montanha, o plano passa também por levar cerca de 80 mil residentes a trabalharem no outro lado da fronteira. No final de 2022, segundo os dados mais recentes, a população local era de 570,7 mil pessoas, o que significa que o plano implica a deslocação para a Ilha da Montanha de cerca um quinto da população local, ou seja 21 por cento. A primeira meta está definida na celebração do 25.º aniversário da RAEM, em Dezembro do próximo ano, é esperado que nessa altura haja 5 mil residentes locais a trabalhar na Ilha da Montanha e que 20 mil fixem residência fora da RAEM, no outro lado da fronteira. Ho agradece Após o plano ter sido divulgado, o Governo da RAEM emitiu um comunicado onde se pode ler que Ho Iat Seng vê o plano como o “apoio” e o “carinho” do Governo Central pela RAEM. O comunicado sublinha também que a medida vai integrar ainda mais Macau no Interior: “A construção da Zona de Cooperação Aprofundada é uma importante estratégia do Governo Central para apoiar a diversificação adequada e o desenvolvimento sustentável da economia de Macau […] e um caminho indispensável para a integração de Macau no desenvolvimento nacional”, foi visado. A mensagem aponta ainda que a maior integração e aproximação vai enriquecer a prática de ‘um país, dois sistemas’, embora não apresente como. O Governo de Ho Iat Seng considerou também que o plano vai melhorar a vida da população: “O Plano Hengqin apresenta uma série de medidas de incentivo e de apoio em prol da coordenação entre Macau e Hengqin e de uma maior facilidade para Macau, as quais irão impulsionar a articulação de regras e mecanismos entre as duas zonas, o avanço da diversificação industrial local e a melhoria da qualidade de vida dos residentes”, foi vincado.
Hospital das Ilhas | Wu Wenming confirmado director Hoje Macau - 27 Dez 2023 Wu Wenming foi nomeado director do Complexo de Cuidados de Saúde das Ilhas – Centro Médico de Macau do Peking Union Medical College Hospital, de acordo com um despacho publicado em Boletim Oficial e assinado pela secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, Elsie Ao Ieong U. A nomeação prolonga-se até 30 de Setembro de 2025. O Complexo de Cuidados de Saúde das Ilhas foi inaugurado no dia da celebração do 24.º aniversário do estabelecimento da Região Administrativa Especial de Macau. Segundo Ho Iat Seng, a inauguração da unidade hospitalar constituiu “um precedente para a cooperação entre Macau e o Interior da China na prestação de serviços de saúde”, abriu “um novo capítulo” e fixou “um novo marco no sector da saúde local”. Ho Iat Seng mencionou também, no discurso de abertura, as valências e desafios do hospital. “Em primeiro lugar, como instituição médica pública, deve dar prioridade à prestação de serviços médicos de qualidade e a mais opções de tratamento médico aos residentes da RAEM”, sublinhou o governante.
Terramoto | Macau doa 30 milhões para zonas afectadas Hoje Macau - 27 Dez 2023 O terramoto que deixou quase 150 mortos tem mobilizado a elite de Macau no sentido de financiar as operações de resgate e construção. Além do governo, também os deputados dos órgãos legislativo e consultivo centrais deram um apoio de 4 milhões de patacas O Governo anunciou no sábado à noite a doação de 30 milhões de patacas para apoiar as zonas do noroeste da China atingidas por um sismo na segunda-feira passada. De acordo com um comunicado, o Chefe do Executivo, Ho Iat Seng, frisou que Macau “vai envidar todos os esforços para apoiar as operações de salvamento e espera que a vida da população nas zonas atingidas regresse à normalidade o mais breve possível”. O líder do Governo da RAEM manifestou também “a sua solidariedade para com as vítimas do sismo e a população afectada”. “Quando um lugar sofre, a ajuda vem de todos os lados”, reiterou Ho. O Chefe do Executivo sublinhou ainda que “personalidades de todos os sectores da sociedade, instituições, empresas e associações estão a alocar (…) a doação de dinheiro e de materiais de salvamento para garantir o reforço necessário nas operações de socorro e de resgate”. Anteriormente, a TDM havia noticiado que os deputados de Macau à Assembleia Popular Nacional chinesa e os membros locais do Comité Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês irão doar quatro milhões de patacas em ajuda humanitária. Também as seis concessionárias do jogo em Macau – Wynn, MGM, Sands, Melco, SJM e Galaxy – anunciaram um donativo de 10 milhões de patacas cada, totalizando 60 milhões de patacas. A Cruz Vermelha de Macau anunciou na terça-feira o envio de 200 mil patacas à congénere da província de Gansu. Em contacto O governo prometeu igualmente que “vai acompanhar de perto a situação de ajuda humanitária e manter contacto com os serviços competentes do interior da China”. As autoridades mostraram confiança em que, graças à “união e esforços conjuntos dos governantes e da população das regiões afectadas, as consequências e as dificuldades desta tragédia irão ser ultrapassadas, assim como as condições de vida da população serão recuperadas”. O sismo de magnitude 6,2 atingiu uma região montanhosa, um minuto antes da meia-noite local de segunda-feira na fronteira entre as províncias de Gansu e Qinghai e a cerca de 1.300 quilómetros a sudoeste de Pequim. A CCTV informou que 117 pessoas morreram em Gansu e 31 outras morreram na vizinha Qinghai, enquanto três pessoas continuam desaparecidas. Cerca de mil pessoas ficaram feridas e mais de 14 mil casas foram destruídas. O Governo Central chinês e o ministério da Gestão de Emergências alocaram 200 milhões de yuan para os esforços de socorro e recuperação.
Quando o dinheiro vale mais do que a vida David Chan - 23 Dez 2023 A Semana passada, foi divulgada uma notícia que faz pensar. Durante a manhã do dia 8 de Dezembro, um turista de Taiwan sofreu um acidente em Banguecoque, na Tailândia, e o condutor fugiu. Quando a ambulância chegou foi logo assistido e transportado para um hospital privado que ficava a 500 metros do local do acidente. No entanto, este hospital recusou prestar-lhe assistência alegando que era estrangeiro e que seria difícil cobrar as despesas do tratamento, ainda mais por não estarem presentes familiares. Os paramédicos não tiveram outra alternativa senão transportá-lo para um hospital público situado a 10 quilómetros de distância e o acidentado acabou por falecer no caminho. Este incidente expõe um problema grave, ou seja, a vida humana tem menos valor do que o dinheiro. Porque é que o hospital agiu desta forma? Cada um de nós tem apenas uma vida. Ao recusar-se a cuidar de um paciente receando não poder cobrar-lhe o tratamento, o hospital não estará a mostrar que o valor da vida não é igual para todos? Este hospital está apenas ao serviço dos ricos? Assim, aos doentes que não podem pagar só lhes resta esperar a morte. Esta situação é assustadora. A grande maioria das pessoas compreende esta realidade. Por conseguinte, o incidente causou revolta na sociedade tailandesa. O Ministro da Saúde da Tailândia pediu uma investigação do caso. A Tailândia implementou a “Lei para a Instalações Hospitalares” que estipula que todos os hospitais têm de prestar assistência aos doentes urgentes até eles estarem fora de perigo. Quem violar a lei fica sujeito a uma pena que pode ir até dois anos de prisão ou a uma multa que pode chegar aos 40.000 Baht, aproximadamente 9.000 patacas. A lei também estipula que, se um médico quebrar a ética profissional, pode ser multado até 100.000 Baht, aproximadamente 23.000 patacas. A China tem leis semelhantes à “Lei de Instalações Hospitalares” da Tailândia. No 15.º encontro do Comité Permanente do 13.º Congresso Nacional do Povo, realizado a 28 de Dezembro de 2019, foi aprovada a “Lei de Bases da Medicina e da Promoção da Saúde”, que entrou em vigor a 1 de Junho de 2020. Este conjunto de leis estipula claramente que os hospitais não podem recusar ou adiar a prestação de cuidados médicos a doentes por estes não poderem pagar os tratamentos e pôs fim a situações em que as pessoas não eram socorridas por falta de recursos financeiros. A 20 de Dezembro de 2008, em Hong Kong, um homem desmaiou à porta do Hospital C. A equipa administrativa deste hospital alegando que o incidente tinha ocorrido fora das suas instalações sugeriu aos familiares que chamassem uma ambulância e, como tal, não pediram ajuda aos médicos. Dois minutos mais tarde, um médico que trabalhava no serviço de cirurgia do Hospital C passou por acaso e viu o doente e constatou que já não tinha pulsação. Devido ao congestionamento do trânsito, a ambulância levou 20 minutos a chegar e o paciente faleceu. Este caso foi muito criticado pelos habitantes de Hong Kong. Acredita-se que os funcionários apenas seguiram as instruções do Hospital C, e por isso não levaram o doente para as Urgências e disseram à família para chamar uma ambulância. Tratou-se de um acto de recusa de prestação de assistência. No entanto, o médico que tentou ajudar o doente não foi criticado. Ao recusar-se a cuidar de um paciente receando não poder cobrar-lhe o tratamento, o hospital não estará a mostrar que o valor da vida não é igual para todos? O exemplo do Hospital C demonstra ainda que, ao investigar incidentes em hospitais privados que se recusam a prestar primeiros socorros aos pacientes, duas situações diferentes devem ser distinguidas: a recusa por parte da administração hospitalar e a recusa por parte dos médicos. Para além das diferentes responsabilidades e das diferentes punições que se aplicam, a recusa dos médicos de prestação de socorro a doentes graves viola o código de ética profissional – salvar vidas e cuidar dos enfermos. É pouco provável que um médico que se comporte desta forma seja adequado para continuar a exercer. Após analisar as questões dos hospitais privados e dos médicos na Tailândia, quem viaja deve em primeiro lugar prestar atenção à sua segurança pessoal. Durante as férias de Natal e de Ano Novo o fluxo de turistas aumenta. Este incidente deve lembrar às pessoas que quando viajam devem pensar com antecedência nas questões que se relacionam com segurança e despesas de saúde. Embora a pandemia tenha vindo gradualmente a dissipar-se, ainda existem algumas consequências. Estamos no Inverno e os germes estão mais activos. Antes de viajar, é necessário ficar a saber as condições da prestação de cuidados de saúde no nosso destino e também devemos tomar as vacinas recomendadas para fortalecer o sistema imunitário e evitar doenças infecciosas. Em segundo lugar, se tivermos um acidente, como é que vamos pagar as despesas hospitalares? A forma mais simples é fazer um seguro de viagens e levar a apólice connosco. Em caso de acidente, podemos mostrar a apólice no hospital e garantir que recebemos assistência. É também importante escrever nos documentos do seguro o nome e o contacto das pessoas a que se deve ligar em caso de emergência, para que possam ser avisados e para que os médicos possam tomar decisões de forma rápida e ainda para que não subsistam quaisquer dúvidas sobre o pagamento das despesas. Em terceiro lugar, viajar acompanhado é sempre melhor do que viajar sozinho. Em caso de acidente, os companheiros ajudam-se uns aos outros. Se o companheiro de viagem conhecer os familiares do paciente, pode contactá-los e tomar providências para que o doente regresse a casa, onde pode continuar a receber tratamento. Quem viaja deve também informar os familiares do seu destino e itinerário. Estas medidas devem ser tomadas antes de qualquer viagem. Viajar deixa as pessoas felizes, mas os acidentes podem estragar essa felicidade. Apenas cautelando as medidas de segurança se pode garantir uma viagem bem-sucedida. Esperamos também que o Governo tailandês anuncie os resultados da investigação o mais depressa possível para que os familiares possam ser indemnizados, à luz das leis da Tailândia.
Eleições | Recenseamento termina no dia 29 Hoje Macau - 21 Dez 2023 Termina no próximo dia 29 o recenseamento eleitoral para residentes permanentes. Segundo uma nota dos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP), o recenseamento de novos eleitores deve ser feito até esta data para que possam ficar inscritos nos cadernos, expostos publicamente em Janeiro. De frisar que no próximo ano decorrem eleições para um novo mandato do Chefe do Executivo e para a escolha dos 400 membros que compõem o colégio que elege este governante, ou seja, a Comissão Eleitoral do Chefe do Executivo. Para além dos balcões de atendimento do SAFP no Edifício da Administração Pública, na Rua do Campo, os residentes podem ainda recensear-se nos quiosques de auto-atendimento, sendo que dez estão a funcionar 24 horas por dia, nomeadamente a zona de serviços automáticos do Edifício da Administração Pública, o Edifício “Finanças”, na zona da Praia Grande, a Área de Atendimento da DSAT, na Estrada de D. Maria II, o Edifício do Posto Fronteiriço de Macau na Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau e o Terminal Marítimo de Passageiros da Taipa.
China | Operações de resgate após sismo na recta final Hoje Macau - 21 Dez 2023 As autoridades das províncias afectadas pelo terramoto que atingiu o noroeste da China na segunda-feira, provocando a morte de 131 pessoas, disseram ontem que o trabalho de resgate dos sobreviventes está “praticamente terminado”. As equipas vão agora concentrar-se no tratamento dos feridos e no realojamento dos residentes afectados, após horas de trabalho intenso num frio extremo de 14 graus Celsius negativos, informaram os órgãos locais. O número de mortos no terramoto, que atingiu as províncias de Gansu e Qinghai, ascende a 131, de acordo com a última contagem oficial. Entre as 131 mortes, 113 registaram-se em Gansu e 18 em Qinghai, detalhou a agência noticiosa oficial Xinhua. Durante toda a terça-feira, as equipas de salvamento realizaram operações de busca em várias áreas e repararam estradas e infra-estruturas afectadas pelo terramoto. Entre eles encontravam-se bombeiros, membros do exército e civis, que também tentaram deslocar as pessoas afectadas. Ajudas de custos Em resposta à catástrofe, as autoridades enviaram material, incluindo 2.600 tendas, 10.400 camas dobráveis, 10.400 colchas e 1.000 conjuntos de fogões. No entanto, o jornal The Paper noticiou ontem que há “uma grave escassez” de tendas para alojar os desalojados e que as temperaturas frias são “um desafio que está a dificultar os esforços de resgate”. O Governo chinês e o ministério da Gestão de Emergências declararam, na terça-feira, uma resposta de nível II à catástrofe e alocaram 200 milhões de yuan aos esforços de socorro e recuperação. A este valor juntaram-se 220 milhões de yuans dos ministérios das Finanças, da Agricultura e dos Recursos Hídricos e outros 220 milhões de yuans da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma. O Partido Comunista atribuiu também 100 milhões de yuans para reparar as escolas e apoiar os membros da organização. Paralelamente, o Governo chinês anunciou ontem a atribuição de mais 30 milhões de yuan pelos ministérios das Finanças e dos Transportes para a reparação de estradas e infraestruturas. O terramoto de magnitude 6,2 ocorreu um minuto antes da meia-noite de segunda-feira na fronteira entre as duas províncias, afectando particularmente o condado de Jishisan em Gansu e a cidade de Haidong na vizinha Qinghai. Este foi o terramoto mais mortífero na China desde o de Agosto de 2014 na província de Yunnan, que matou 617 pessoas, mas muito longe do de 2008 na província de Sichuan, que fez pelo menos 70.000 mortos.
Grandes e pequenas tarefas Paul Chan Wai Chi - 21 Dez 2023 Quando o Chefe do Executivo Ho Iat Seng apresentou o Relatório das LAG para o ano financeiro de 2024, afirmou que deveriam ser cumpridas três grandes tarefas em 2024, a saber, celebrar calorosamente o 75.º aniversário da implantação da República Popular da China, o 25.º aniversário do Retorno de Macau à Pátria, e a concretização, com êxito, das metas da primeira fase da Construção da Zona de Cooperação Aprofundada Guangdong-Macau em Hengqin. Confio plenamente que o Chefe do Executivo se encarregará de fazer cumprir estes objectivos. Antes de mais, a concepção e desenvolvimento da Zona de Cooperação Aprofundada Guangdong-Macau em Hengqin faz parte do planeamento estabelecido pelo país. Macau apenas tem de seguir as políticas neste sentido e dedicar toda a mão de obra e recursos materiais à sua execução, uma vez que não haverá empreendimento que não possa ser realizado, tal como a conclusão do “Novo Bairro de Macau” na Zona de Cooperação Aprofundada. Actualmente, face à complexidade e constante mudança dos acontecimentos internacionais, a capacidade da Zona de Cooperação Aprofundada Guangdong-Macau em Hengqin para ajudar no futuro crescimento da “diversificação das indústrias 1+4”, vai depender de Macau vir a atingir as metas da segunda fase da Construção da Zona de Cooperação Aprofundada Guangdong-Macau em Hengqin. Em relação ao 25.º aniversário do Regresso de Macau à Pátria, a questão não é tanto sobre a forma de o celebrar, mas mais sobre a forma como se realizará a próxima eleição do Chefe do Executivo, que será realizada no próximo ano juntamente com a aprovação da proposta de revisão da Lei Eleitoral para o Chefe do Executivo. No passado, estas eleições, excepto a primeira onde houve dois, têm por norma apenas um candidato. A reeleição do Chefe do Executivo para um segundo mandato é uma prática comum em Macau, bastante diferente da RAE de Hong Kong. Embora Ho Iat Seng ainda não tenha anunciado publicamente a sua recandidatura, a sua recente visita a Pequim para informar o Presidente Xi Jinping; “sobre a situação actual de Macau e os trabalhos desenvolvidos pela RAEM durante o corrente ano”, foi plenamente reconhecida pelo Governo Central e, até agora, ninguém se candidatou às eleições. Salvo qualquer incidente, a reeleição de Ho Iat Seng para um segundo mandato não deve ter nenhum entrave. Por último, celebrar calorosamente o 75.º aniversário da implantação da República Popular da China em Macau não será nada difícil, uma vez que Macau é conhecido por ser morada de todo o tipo de associações. Desde que o Governo da RAEM disponha dos recursos e envide esforços, as celebrações vão ser certamente grandiosas e espectaculares. Ao executar estas três grandes tarefas com eficiência, Ho Iat Seng também deve prestar atenção a três tarefas menores. Sem dúvida que o desempenho do 6.º Governo da RAEM foi prejudicado pela pandemia e, no rescaldo, ficaram muitos problemas sociais que causam preocupação. Em primeiro lugar, o aumento dos casos de suicídio em 2023 de alguma forma reflecte situações desesperadas que não foram identificadas. Mas mudando de assunto, quanto à capacidade de Macau vir a tornar-se uma Cidade Criativa da Gastronomia ou uma Cidade de Espectáculos, só há uma coisa a dizer: não pode tornar-se uma cidade triste. Assim sendo, é preciso encontrar líderes capazes para encabeçar o 6.º Governo da RAEM. A segunda tarefa menor consiste em melhorar o enquadramento económico e empresarial de Macau para que os cidadãos e os micro, pequenos e médios empresários possam finalmente respirar. Ouço muitas vezes representantes do Governo de Macau referirem-se a “dar a conhecer bem a história Macau”, no entanto as lojas fechadas nas ruas contam outra história. A derradeira tarefa menor versará o encorajamento da expressão das diversas opiniões. Com Macau governado por patriotas e servido por funcionários versados em administração e consultoria, a implementação das políticas em Macau, corre sempre muito bem. No entanto, contar apenas com vozes “construtivas” ou “tranquilizadoras” não é suficiente para que quem detém o poder reflicta sobre a sua actuação. Em Macau, não faltam patriotas, especialistas ou académicos, o que falta são pessoas com vontade e coragem de dizerem a verdade. A este respeito, depois de excluir os poucos indivíduos especiais que ainda estão em observação, seria adequado dar oportunidades às pessoas com ideias próprias de expressarem as suas opiniões fora dos quadros dos poderes públicos. Se as três grandes tarefas forem realizáveis, as três tarefas menores associadas à subsistência das pessoas devem ser facilmente cumpridas.
Bordalo II | Artista português ergue panda gigante na Taipa velha Hoje Macau - 21 Dez 202321 Dez 2023 Foi apresentada esta terça-feira, na antiga fábrica de panchões na Taipa velha, a obra do artista Bordalo II. Um panda gigante, feito com materiais encontrados no lixo, marca a estreia do artista em Macau no âmbito da quinta edição do “Encontro em Macau – Festival de Artes e Cultura entre a China e os Países de Língua Portuguesa” O artista Bordalo II apresentou esta terça-feira um panda de 6,5 metros, feito de resíduos, na antiga fábrica de panchões na Taipa velha, onde volta a chamar a atenção para a contínua produção de lixo e destruição do planeta. Caixotes de lixo, capacetes, vários tipos de mangueiras e tubos, para-choques, separadores de estrada, pneus e redes de pesca. Lixo que dá forma a um panda, de pernas para o ar, de 6,5 metros de altura, erguido pelo artista português Bordalo II na histórica fábrica de panchões Iec Long. A mensagem do autor deste panda gigante é conhecida. Também a ideia desta “primeira peça” em Macau da série “Big Trash Animals” – em que são produzidos animais com resíduos – é “utilizar a poluição, a contaminação ou o próprio lixo, plástico na maioria, para fazer imagens das vítimas”, disse o artista num encontro com jornalistas. “Quando fazemos a representação dos animais com aquilo que os destrói, com aquilo que destrói a natureza, acho que vai além de ser uma preocupação ambiental, deve ser também uma preocupação com nós mesmos, porque somos animais também, portanto, provavelmente aquilo que destrói a natureza, animais e seus habitats, vai-nos destruir também”, completou. E o animal de plástico “encaixa perfeitamente” no espaço seleccionado. “É muito importante que uma estrutura como esta tenha espaço para respirar, e neste sítio tem”, disse, ao falar sobre as antigas ruínas da fábrica Iec Long, recuperadas recentemente e com “árvores loucas” centenárias. Além disso, estar ao ar livre também tem um lado positivo, porque o espaço público é “o sítio onde se consegue comunicar arte com mais pessoas”. Mão de engenheiro Questionado por uma artista presente sobre como sobrevive uma obra destas a condições meteorológicas adversas – ainda mais numa cidade afectada por tempestades tropicais – Bordalo II notou que este trabalho teve a intervenção e os cálculos de um engenheiro, ou seja, “não se mexe, não se vai estragar e não é uma coisa perigosa”. Bordalo II, nome artístico de Artur Bordalo, foi um dos artistas convidados para a exposição anual do “Encontro em Macau – Festival de Artes e Cultura entre a China e os Países de Língua Portuguesa”, na quinta edição. Além do panda gigante, estão expostas quatro outras obras que seguem o mesmo conceito: três quadros – um panda, um lince e um pangolim – na galeria de exposições das Casas da Taipa, e um mural com dois colhereiros-de-cara-preta, nos antigos estaleiros navais de Lai Chi Vun, estrutura também recuperada recentemente. Aos jornalistas, o artista sublinhou a dificuldade em encontrar localmente matéria para completar o panda gigante, pelo que apenas parte do lixo utilizado na obra foi recolhido pela equipa em Macau. Cerca de 30 por cento da escultura veio preparada de Portugal. “Não entendi exactamente como funciona o sistema de reciclagem cá, ou se é tudo queimado, ou se existe ou não. Percebermos só que era difícil. Geralmente quando é difícil é porque a organização não é boa, porque quando é boa, é fácil ir a um sítio e saber onde é que estão as coisas”, declarou. E o acesso aos materiais não foi o único imprevisto, já que era suposto que o panda estivesse de patas assentes no chão: “A produção aqui no local tornou-se tão difícil, com uma série de problemas, que foi a forma que encontrámos para ser mais fácil reconstruir a peça”. Sendo o jovem artista também conhecido pelo activismo social e político, Bordalo II referiu que não houve “tempo suficiente para pensar numa coisa pertinente do momento para fazer um ‘provoc'” em Macau. “Aproveito o facto de ter peças que são aceites e mais facilmente aceites pelas pessoas, para ter outras séries de trabalho mais corrosivas, mais críticas, mais provocadoras”, disse ainda sobre o trabalho que desenvolve. “Há outras questões que se estão a passar no mundo que são muito fortes neste momento e temos estado a preparar peças para falar sobre isso – Gaza, obviamente”, explicou. Recentemente, o artista pintou a bandeira da Palestina numa escadaria de uma estação de comboios de Lisboa, num trabalho batizado de “Guilty steps”. “Já fizemos mais duas [peças] entretanto e temos três em produção agora para a época natalícia, em que toda a gente está feliz e em harmonia, mas as coisas não são assim tão simples”, rematou.
Rússia | Xi diz que assegurar boas relações é “escolha estratégica” Hoje Macau - 21 Dez 2023 O Presidente chinês reafirmou a solidez da relação de amizade com o povo russo durante a visita do primeiro-ministro Mikhail Mishoustin a Pequim O Presidente chinês, Xi Jinping, afirmou ontem que manter relações robustas com a Rússia é uma “escolha estratégica” e apelou ao aprofundar da cooperação bilateral, durante uma reunião com o primeiro-ministro russo, Mikhail Mishoustin, em Pequim. “Manter e desenvolver as relações entre China e Rússia é uma escolha estratégica feita por ambas as partes com base nos interesses fundamentais dos nossos dois povos”, afirmou Xi, citado pela televisão estatal CCTV. Os dois países devem “ampliar constantemente os efeitos positivos dos seus laços políticos de alto nível” e “aprofundar a sua cooperação nos domínios da economia, comércio, energia, conectividade e outros sectores”, acrescentou. Xi afirmou que a “China apoia o povo russo a seguir a via de desenvolvimento da sua escolha” e destacou a “forte resiliência”, “amplas perspectivas” e “solidez” da cooperação bilateral. O líder chinês sublinhou ainda que o comércio bilateral entre China e Rússia atingiu 200 mil milhões de dólares nos primeiros 11 meses do ano, uma meta delineada pelas autoridades dos dois países. Melhor que nunca Em Fevereiro de 2022, pouco antes do início da invasão russa da Ucrânia, o Presidente russo, Vladimir Putin, e o seu homólogo chinês, Xi Jinping, proclamaram em Pequim uma “amizade sem limites” entre as suas nações. Desde então, Moscovo e Pequim têm afirmado que os seus laços “não ameaçam nenhum país” e que visam “promover um mundo multipolar”. A China tem mantido uma posição ambígua no conflito. Pequim apelou ao respeito pela “integridade territorial de todos os países”, incluindo a Ucrânia, e atenção às “preocupações legítimas de todos os países” com a segurança, em referência à Rússia. As relações entre Pequim e Moscovo “nunca foram tão boas”, afirmou Mishoustin. A visita do primeiro-ministro russo à China, a segunda em 2023, visa reforçar ainda mais a cooperação económica e “contrariar as pressões externas”, segundo especialistas citados pelo jornal oficial chinês Global Times. Em Novembro passado, o vice-primeiro-ministro chinês, Ding Xuexiang, e o seu homólogo russo, Andrei Belousov, acordaram em Pequim aumentar a cooperação em matéria de investimento entre os dois países, bem como “reforçar a coordenação e elaborar planos a longo prazo”. A reunião é a última de uma série de intercâmbios entre os líderes chineses e russos este ano, que incluiu duas reuniões entre Xi e Putin. A visita do primeiro-ministro russo à China, na terça e quarta-feira, ocorre dois meses depois de o Presidente russo, Vladimir Putin, se ter encontrado com Xi Jinping em Pequim. Um general chinês de alta patente foi também recebido em Moscovo em Novembro.
Sinologia e Tradução Ana Cristina Alves - 21 Dez 2023 Tudo muda, tudo é tudo, tudo é nada outra vez, neste mundo a vida como um jogo de xadrez. Su Dongpo, “Ao modo de Li Bai” 2023:144 Neste espaço se reflete sobre sinologia e tradução a partir da obra traduzida por António Graça de Abreu: Su Dongpo, Poemas, publicada em Lisboa, na editora Grão-Falar, 2023, estando também de parabéns o editor Carlos Morais José. Antes de tudo o resto, o realce para as delicadezas de Graça de Abreu, o livro é dedicado ao seu pai chinês Wang Renlun (王仁伦, 1929-2023), cuja paternidade o poeta e tradutor herdou por via da mulher. António Graça de Abreu (1947-) não é um noviço nem na poesia, já que entre as suas criações poéticas se contam os livros de poesia: China de Jade, 1997, China de Seda, 2002, Terra de Musgo e Alegria, 2005, China de Lótus, 2006, Cálice de Neblinas e Silêncios, 2008, A Cor das Cerejeiras, 2010 e Lai Yong, Bernardo e outros Poemas, 2018; nem na tradução poética tendo editado as antologias Poemas de Li Bai (1990, 2022), Poemas de Bai Juyi (1991), Poemas de Wang Wei(1993), Poemas de Han Shan (2009), Poemas de Du Fu (2015) e Poemas de Su Dongpo (2023), publicadas em Macau e, esta última já em Portugal. Pela tradução dos Poemas de Li Bai, António Graça de Abreu obteve o Prémio Nacional de Tradução 1990, do PEN Clube Português/Associação Portuguesa de Tradutores. Na obra Su Dongpo, Poemas começa por nos brindar, como é habitual nos seus trabalhos, com uma biografia do poeta em estudo, Su Shi (蘇軾1037-1101), cujo nome artístico é Dongpo(東坡), “A encosta do Leste” , enquadrada historicamente neste poeta da Província de Sichuan. A obra encontra-se ainda repleta de notas de Rodapé muito elucidativas sobre as circunstâncias de vida do “Mandarim nómada” (Graça de Abreu, 2023:16), de uma grande integridade que ao opor-se às reformas de Wang Anshi (王安石), terá transitado do “homem honesto a tolo” de acordo com a sabedoria confuciana (Graça de Abreu, 2023:20), que aconselha a dizer a verdade mas não a verdade toda, contra o que o poeta fez em memorandos ao imperador, pagando a sua frontalidade com o exílio e o degredo. “No seu labor de mandarim local foi constante a luta de Su Dongpo para tentar diminuir o sofrimento do povo”, diz-nos Graça de Abreu (2023: 22) , pelo que os seus poemas circulavam por entre a população, já que, como nos recorda o tradutor, a poesia era uma das formas de comunicação da dinastia Song(宋朝, 960-1279), o que só lhe dificultava a vida a nível político, pelo que não se libertou do cárcere, nem do julgamento, tendo sido semi-ilibado com um pequeno cargo de intendente das águas e o posto de oficial de uma unidade de treino residual sem direito a honorários estatais. Em termos práticos, estava exilado em Hubei (湖北), na vila de Huangzhou(杭州), onde viveu por um tempo pobre e livre, como agricultor, cultivando uns “socalcos de terra” na “encosta do leste”, o nome que escolheria para o representar poeticamente. Até ser transferido para o burgo de Linju, onde começaria a sua reabilitação oficial, chegando a secretário do primeiro-ministro (翰林, Hanlin), encarregue de redigir os éditos imperiais, além de participar no processo de nomeação dos mandarins. Tinha voltado ao poder. Veio ao de cima a sua faceta mundana de bom cozinheiro, passando à história como um dos 4 cozinheiros famosos da China clássica, com o seu “porco estufado à Su Dongpo” (Graça de Abreu, 2023: 166, nota 120). Ele acreditava encontrar a alma também no vinho, aproveitando a vida como mandarim de corte, até que farto da patifaria citadina se mudou novamente para o campo, ocupando o cargo de governador de toda a província de Zhejiang (浙江) ocidental, que incluía a bela cidade de Hangzhou. Era agora o comandante militar do distrito, que ajudou a desenvolver, sendo de relevo os trabalhos mandados executar no belíssimo Lago do Oeste (西湖). Mas a sorte não dura sempre e teve de regressar à corte assumindo novamente o posto de Hanlin. Porém, desta vez com mais dificuldade, pois os seus inimigos estavam cada vez mais poderosos. É novamente destituído de todos os cargos e enviado para Huizhou em Guangdong (广东惠州), onde vive satisfeito, pelo que tal muito desagradaria aos poderosos inimigos que angariara na corte. Estes em breve o desterram novamente, desta feita para Hainan (海南), uma ilha chinesa nos confins do Sul em frente ao Vietname. Assentaria em Danzhou (儋州), onde à época as condições nada tinham de atrativo. Com a morte do lúbrico imperador Zhezong (哲宗) em 1100, terminaria o seu exílio, já que a imperatriz-viúva, reinando enquanto Huizong (徽宗) crescia, perdoou aos exilados e comutou sentenças. Na viagem de regresso levava o filho Guo e o cão “Focinho Preto”, as suas companhias ao longo de três duros anos. Já em Nanquim (南京) adoeceu, encaminhando-se suavemente para a morte. Faleceu em 1101. António Graça de Abreu informa-nos ainda que Su Dongpo viveu nos tempos de apogeu da dinastia Song, na época em que “Apareciam os primeiros escritos sobre o fabrico da pólvora, inventara-se a bússola, pela primeira vez na história do mundo surgia o papel moeda, faziam-se rigorosos recenseamentos da população, importantes para o lançamento de impostos. Em 1030, o número de habitantes da China ultrapassava os cem milhões.” (Graça de Abreu, 2023: 13). Acrescenta o sinólogo tradutor que a China Song prestava atenção aos poemas daquele mandarim nómada e excêntrico para tantos: “Não podemos esquecer que a imprensa havia sido inventada na China, muito antes de, na Europa, Gutenberg ter metido as mãos a tal tarefa. Os chineses criaram pranchas de impressão onde agrupavam caracteres móveis em madeira, ou mesmo em metal que barrados com tinta eram depois prensados sobre papel de arroz, o que resultava em documentos de grande e fácil circulação. Os poemas, as gravuras, as folhas de livros eram impressos com facilidade e em grande quantidade, e ainda em vida de Su Dongpo as tiragens dos seus poemas chegaram a ser de milhares e milhares de exemplares.” (Graça de Abreu, 2023: 42) Seguimos com interesse as alusões biográficas do próprio tradutor, completamente identificado com o poeta, pode-se então ler na nota 6 “Bafejado pela sorte, com a complacência dos deuses, este raro tradutor da poesia de Su Dongpo, desceu já por cinco vezes o rio Yangtsé, entre 1983 e 2018, antes e depois da construção da barragem das Três Gargantas. São lugares de uma grandiosidade asfixiante, de inefáveis espantos e de diálogos semi-proibidos, permitidos, de longe a longe, com singulares divindades que descem das montanhas para saudar os homens.” (Graça de Abreu, 2023: 14). O Prefácio de Graça de Abreu é escrito por quem conhece muito bem a China tornando-se por isso numa extraordinária dupla narrativa de viagens, a do autor e a do tradutor, ambas descritas com grande mestria poética. Quanto à obra, os sinceros parabéns, ficando a aguardar, tal como sucedeu com os premiados Poemas de Li Bai (1990, 2021), uma edição bilingue. Quanto à tradução, o tradutor Graça de Abreu confessa “Quase nada sei, e contemplo o universo todo na arte abstrusa do tradutor. Uns pingos de clarividência, tentar conhecer umas resmas largas de caracteres, a sequência das palavras, passear pela língua chinesa, entender, não entender, espreitar cuidadosamente traduções inglesas e francesas.” (Graça de Abreu, 2023: 51). Confessa-se amigo do seu amigo poeta. Reflete sobre o trabalho de tradução, declarando que tem de comunicar na língua de chegada a “raiz original das palavras e um mesmo sentir” (Graça de Abreu, 2023: 52), ou seja, “a delicadeza, a suavidade, o encanto e a frescura da grande poesia clássica chinesa”(Ibidem). Apoia-se numa citação de Giorgio Sinedino para defender a coautoria do trabalho de tradução, feito a 4 mãos, as do autor e as do tradutor. Recorre também aos três grandes princípios de Yan Fu(嚴復1854-1921), a fidelidade (信 xìn), a fluência e legibilidade (达 dà) e a elegância (雅 yǎ)numa tentativa de procurar harmonizar as línguas de partida e de chegada. E adiante especifica, apoiando-se na especialista em Su Dongpo, Min Xiaohong (1963-), que a tradução deve apenas ser fiel ao sentido e, numa alusão a Nuno Júdice em nome de George Steiner, refere o ato de “contrabando” existente na tradução, onde para Nuno Júdice se verifica uma velada “traição”. (Graça de Abreu, 2023: 53) O tradutor conclui “No que me diz respeito, sei que no poema traduzido tem de estar a voz e o sentir do poeta chinês, mais a minha própria leitura poética, em língua portuguesa” (Ibidem). Expõe que se apropria do espaço poético dividindo-o com Su Dongpo, ombreando com nomes como o de Arthur Waley (1889-1966), António Feijó (1859-1917), Gil de Carvalho e Adelino Ínsua, mas o livro que aqui se traz conta com 160 poemas, sensivelmente metade da poesia de Su Dongpo ( Graça de Abreu, 2023: pp. 54/55). Dá-nos o seguinte exemplo de tradução na forma de uma quadra (绝句 juéjù ) neste caso de sete sílabas (七绝Qījué), 中秋月 暮 云 收 尽 溢 清 寒 银 汉 无 声 转 玉 盘 此 生 此 夜 不 长 好 明 月 明 年 何 处 看 Lua do Meio Outono Anoitece, novelos de nuvens desaparecem na limpidez fria do céu, em silêncio, a Via Láctea dá a volta na abóbada de jade. Se esta noite, no nosso existir, não fruímos prazeres, no próximo ano estaremos onde, contemplando o luar? Vai-se procurar analisar algumas das técnicas de tradução empregues nesta coautoria, menos de contrabando, mais de empatia, já que uma boa tradução implica um entendimento profundo do autor, uma partilha de sentires e ideias e, no que respeita à tradução poética, uma comunhão ou identificação estética, no entanto não são a mesma pessoa, ainda que autor e tradutor possam pertencer a idêntica comunidade espiritual. E isso nota-se por exemplo em aspetos formais. Su Dongpo recorre a rimas, sobrevoadas pelo tradutor (寒 rima perfeitamente com 盘 e imperfeitamente com 看 ). O ritmo da rima é substituído por um trabalho pictórico, vejamos então verso a verso. No primeiro verso, Anoitece, novelos de nuvens desaparecem na limpidez fria do céu (暮 云 收 尽 溢 清 寒) , “nuvens juntas”, recebem uma acréscimo linguístico figurativo, como que uma pincelada a salientar a ideia em “novelos de nuvens” e depois é introduzido o substantivo “céu”, evidenciando o forte trabalho criativo por parte do tradutor que conjuga a “limpidez fria” com o céu. No segundo verso da quadra, em silêncio, a Via Láctea dá a volta na abóbada de jade(银 汉 无 声 转 玉 盘) há uma apropriação metafórica, apresenta-se a leitura sugestiva da via láctea silenciosa, enquadrando-a no prato de jade, que é interpretado como a “abóbada celeste” onde gira a via láctea, numa outra interpretação de um qualquer outro tradutor no seu papel de coautor, a via láctea podia ser o próprio prato de jade a girar. No terceiro verso, Se esta noite, no nosso existir, não fruímos prazeres (此 生 此 夜 不 长 好), há um acréscimo de sentido, o poeta- tradutor interpreta a transitoriedade (不长) ligada aos prazeres, e não à noite e à vida (此生此夜)fazendo uma apologia do gozo e não da efemeridade da existência, tendo optado traduzir hao (好) por “fruímos prazeres” e não pelo adjetivo “boa”, ligando-o à noite e à vida, pelo que esteve lado a lado com o autor a compor um sentido, permitido sem dúvida, já que Su Dongpo tinha apreço pelos prazeres da vida, mas também pela transitoriedade da existência tão bem figurada na ideia de “nuvens passageiras”. No quarto e último verso, no próximo ano estaremos onde, contemplando o luar? (明 月 明 年 何 处 看) dá-se uma tradaptação, ou seja, a tradução do sentido do verso, adaptando-o à língua portuguesa com a introdução do sujeito: estaremos onde (何处看). Resumindo nesta tradução poética o tradutor por sua autoria acrescentou termos, interpretou metáforas, optou por sentidos e adaptou o estilo da poesia clássica chinesa à portuguesa. E andou bem? Com certeza porque na realidade é um coautor de pleno direito. Refere Su Dongpo citado por Graça de Abreu a propósito de um outro poeta clássico chinês, Wang Wei (王维,701-761), “Os seus poemas são pinturas, as suas pinturas são poemas” (2023:35), este também foi traduzido pelo sinólogo na obra Poemas de Wang Wei (1993). Vejamos um exemplo retirado desta obra (Graça de Abreu, 1993: 128/129): 渡河到清河作 汎舟大河裏 積水窮天涯 天波忽開拆 郡邑千萬家 行復見城市 宛然有桑麻 回瞻舊鄊國 淼漫連雲霞 Ao atravessar o rio, chegando a Qinghe1 Atravesso o rio num barco de junco, vastas águas estendendo-se até aos confins do céu. De súbito, abre-se o céu, rasgam-se as ondas, eis a cidade, centenas de lares. Avança o barco, o povoado diante de mim, como tufos de amoreira ou prados de cânhamo. Olho para trás. Lá longe, o meu país natal, a imensidão das águas entre brumas e nuvens. Neste belo quadro poético, volta-se a encontrar a mesma coautoria empática por parte do tradutor, que vai pintando palavras com o poeta chinês ao longo da folha portuguesa. Esquecem-se rimas perfeitas e imperfeitas (涯/麻; 拆/家/霞), privilegiando a visualidade musical, acrescentam-se palavras como pinceladas a enfatizar os elementos pictóricos, por exemplo, “junco” a “barco” no primeiro verso Atravesso o rio num barco de junco (汎舟大河裏); reduzem-se sentidos no quarto verso, optando por centenas em vez de milhares eis a cidade, centenas de lares (郡邑千萬家); introduz-se o sujeito, ausente na poesia nos quinto e sétimo versos Avança o barco, o povoado diante de mim (行復見城市) e Olho para trás. Lá longe, o meu país natal (回瞻舊鄊國); escolhem-se significados no oitavo verso de acordo com o sentir poético do autor em conjugação com o do tradutor, quando em lugar de “nuvens róseas” (霞)se opta por brumas a imensidão das águas entre brumas e nuvens (淼漫連雲霞). E tudo funciona às mil maravilhas para quem lê: capta-se a ideia, há musicalidade nas palavras, e somos transportados para uma paisagem sublime. Su Dongpo é comparado a Bai Juyi (772-846), por Arthur Waley, mas ultrapassa-o em mestria de acordo com António Graça de Abreu (2023:56). Podemos encontrar exemplos de tradução do poeta que viveu entre o século VIII e IX em Poemas de Bai Juyi (1991), onde se nota que há mais tradução e menos coautoria empática (Abreu, 150-151): 花非花 花非花, 雾非雾, 夜半来, 天明去。 来如春夢幾多時 去似朝雲無覓處 Flor, não há flor. Bruma não há bruma. Noite vem, A aurora vai. Vem o sonho da breve Primavera E vai, nuvem da manhã, sem deixar rasto. Este é um trabalho de tradução bem-feito, mas não de transformação (o que poderia ter dado: flor sem flor/bruma sem bruma…) como tantas vezes sucede nos poemas traduzidos de Wang Wei e Su Dongpo, para estes últimos casos de coautoria gosto de pensar que o poeta António Graça de Abreu se apropriou devidamente de um espaço espiritual que naturalmente lhe pertence. Conclui-se com o poema de Su Dongpo que espelha bem as dificuldades sentidas por este mandarim nómada, num mundo oficial chinês tantas vezes avesso à sensibilidade poética, que Graça de Abreu primorosamente nos soube transmitir (Graça de Abreu, 2023: 64): Para o meu irmão Su Zhe, recordando o passado em Mianchi Semelhante a quê, a vida dos homens? Gansos selvagens pisando a neve e a lama, deixando suas pegadas, ao acaso, e levantando voo, outra vez. Para leste, para oeste? Falecido o velho monge, suas cinzas sob o pequeno pagode, caiu o muro onde outrora gravámos um poema. Nesses tempos, tão difícil a viagem, ainda recordas? Longa a caminhada, imenso o nosso cansaço, oiço ainda o zurrar da mula coxa. Bibliografia Graça de Abreu, António (Org. e Trad.). 2023. Su Dongpo, Poemas. Lisboa: Grão-Falar. _______________________________2021. Cem Poemas de Li Bai 李白诗一百首. Póvoa de Santa Iria: Lua de Marfim. __________________. 1991. Poemas de Bai Juyi. Macau: Instituto Cultural de Macau. ___________________. 1993. Poemas de Wang Wei. Macau: Instituto Cultural de Macau. No sul da província de Shanxi