Médio Oriente | Pequim quer problemas resolvidos pelos países da região

O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da China Deng Li afirmou ontem que os problemas no Médio Oriente “devem ser resolvidos pelos países e povos da região” através do “diálogo”.

Deng sublinhou que a China “sempre esteve envolvida nos esforços para promover a paz na região”, numa conferência de imprensa para discutir a 10ª Conferência Ministerial do Fórum para a Cooperação China – Estados Árabes, que se realiza em Pequim, na quinta-feira.

O responsável rejeitou a ideia de que o país asiático, que aumentou o seu envolvimento diplomático na região nos últimos anos, esteja a tirar partido de “um vazio deixado pelos Estados Unidos” no Médio Oriente.

O vice-ministro salientou que, perante a escalada de conflitos, como o surto de violência em Gaza, a China, enquanto “país responsável”, sente “a necessidade de contribuir para a paz regional e assumir a sua quota-parte de responsabilidade na mitigação da crise humanitária”.

“Chegou o momento de a comunidade internacional agir com sentido de justiça e bem comum para fazer algo pela paz no Médio Oriente”, afirmou Deng, acrescentando que a China deve “esforçar-se por fazer algo para pôr fim a este conflito”. “Esta é a razão fundamental que está por detrás do recente aumento da actividade diplomática da China no Médio Oriente. O nosso objectivo é a humanidade, a justiça, a estabilidade e a paz na região”, concluiu Deng Li.

Papel moderador

A conferência ministerial de quinta-feira contará com a presença do Presidente chinês, Xi Jinping, do Rei do Bahrein, Hamad Bin Isa Al Khalifa, do Presidente do Egipto, Abdel Fattah El Sisi, do Presidente da Tunísia, Kais Saied, e do Presidente dos Emirados Árabes Unidos, Mohamed Bin Zayed Al Nahyan, para além de outros funcionários de menor escalão.

Uma das questões que deve ser debatida durante a reunião é o conflito em Gaza, relativamente ao qual Pequim tem apelado nos últimos meses a “todos os esforços possíveis para proteger os civis e evitar uma catástrofe humanitária ainda maior”.

A China também manifestou o seu apoio à “solução dos dois Estados” e os seus funcionários realizaram numerosas reuniões com representantes de países árabes e muçulmanos para reafirmar esta posição ou para tentar fazer avançar as negociações de paz.

Nos últimos anos, a China tem também desempenhado um papel de mediação na região: representantes do grupo islâmico Hamas e do movimento Fatah reuniram-se recentemente em Pequim “para um diálogo profundo e sincero” sobre a reconciliação palestiniana.

No ano passado, a China mediou um acordo entre o Irão e a Arábia Saudita para o restabelecimento de relações diplomáticas.

520 – Amo-te, sequela

Os caracteres chineses e o alfabeto latino têm uma natureza significativamente diferente. Os caracteres chineses são principalmente “ideográficos”. Evoluíram de hieroglifos que, na antiguidade, expressavam acontecimentos para os actuais caracteres usados na China. Quando vemos “ideogramas”, compreendemos o seu significado, mas não temos indicação da pronúncia das palavras.

O alfabeto latino funciona de forma oposta; contém “caracteres fonéticos”. Quando vemos uma palavra escrita sabemos logo como se pronuncia, mas podemos não compreender o seu significado.

O artigo de hoje gira em torno da palavra “色”. Esta palavra é muito rica em significados; pode querer dizer “cor” ou “luxúria”. Quando aplicado a “luxúria” significa que estamos perante uma pessoa lasciva. A semana passada falámos sobre o “Dia de São Valentim em Rede – 520”, e o artigo de hoje é uma sequela do anterior.

Recentemente, circularam na Internet três notícias, todas relacionadas com a “luxúria”. A primeira notícia relatava o caso de uma mulher casada que se envolveu com um homem no dia 20 de Maio. Depois de o marido descobrir, apunhalou o homem na cabeça com uma faca, mas felizmente o ferimento não foi fatal. Depois de o vídeo circular na Internet, os internautas citaram um ditado antigo para descrever o incidente- “a palavra sexo tem uma faca na cabeça.” (色字頭上一把刀) No ideograma, a parte superior do caracter “色” é semelhante ao caracter “刀”. Este ditado antigo usa esta fonte para alertar as pessoas contra a luxúria”.

A segunda notícia conta o caso de um marido que apanhou a mulher na cama com o amante. O marido fotografou a cena, fez um cartaz com a imagem e divulgou-o no dia 20 de Maio. Depois do incidente, o amante foi suspenso enquanto se procediam a investigações. Consta que a esposa é professora do ensino básico e que ela e o amante são colegas.

A terceira notícia conta o caso de uma mulher que se pôs à porta da Faculdade onde o marido trabalha exibindo uma faixa onde se lia que ela era a esposa legítima e que tinha descoberto que o marido tinha uma amante. A amante era uma jovem estudante. As palavras da faixa são gritantes: “Uma certa aluna de uma determinada faculdade quer seduzir um homem casado.”

Como foi mencionado no artigo anterior, o Dia de São Valentim em Rede 520 é um dia para comemorar com a pessoa que se ama. Devemos aproveitar esta oportunidade para expressar carinho e amor verdadeiro pelos nossos companheiros. Por causa das vidas de hoje em dia serem muito ocupadas e rotineiras, é fácil que aos poucos o amor, que foi construído com muita dedicação, vá esmorecendo e torna-se difícil voltar a fortalecê-lo. 520 é uma oportunidade para os namorados voltarem a expressar o seu amor um pelo outro e dizerem “Amo-te”.

No entanto, num dia tão bonito como o 20 de Maio, as três notícias acima citadas foram divulgadas, o que é verdadeiramente triste e frustrante. Este género de notícias só nos pode levar a interrogarmo-nos, porque é que as pessoas envolvidas não se divorciam simplesmente? Em vez disso, porque é que têm deliberadamente comportamentos que vão destruir as suas famílias? As atitudes não só magoam os seus parceiros, como também afectam os filhos, e é muito provável que os danos infligidos às crianças venham a ser irreparáveis e se façam sentir por toda a vida.

Existem muitas formas de manter uma família, mas são sempre inseparáveis da palavra «amor». O amor da família tem várias componentes. Inclui o amor entre marido e a mulher, o amor dos pais pelos filhos, o amor das crianças pelos pais, etc. A família é um lugar de emoções, não da razão. A esposa olha para o marido com carinho, dando a entender que quer receber o ramo de flores comemorativo do 520. A filha age de forma sedutora com a mãe e o filho quer que o pai se sinta recompensado com os resultados do seu exame. Estes são os sentimentos calorosos de amor no seio de uma família, não a frieza das regras e dos princípios.

Além do amor, os membros da família devem confiar e cuidar uns dos outros. Sem estes factores, a família perderá o calor e a harmonia. Se só houver indiferença, discussões, ou mesmo ódio, ninguém vai querer fazer parte dessa família.

As três notícias mencionadas no artigo de hoje não são raras na sociedade em que vivemos. Mas ainda assim devemos prestar-lhes atenção, como um alerta para darmos o nosso melhor e evitarmos que situações semelhantes venham a ocorrer. A construção de uma boa família não se faz em pouco tempo, mas sim todos os dias. Só construindo, gerindo, protegendo e mantendo o amor, em conjunto com todos os membros da família, a felicidade se pode instalar.

Espero que estas notícias negativas vão diminuindo gradualmente ou mesmo que desapareçam da nossa sociedade. Espero que todos possam amar os seus companheiros do fundo do coração e que sejam cuidadosos e sinceros com as suas famílias. Espero também que todos os membros das famílias possam viver em harmonia amando-se uns aos outros. Este será o orgulho de todos e a maior motivação para o trabalho.

Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau
Professor Associado da Escola de Ciências de Gestão da Universidade Politécnica de Macau
Blog: http://blog.xuite.net/legalpublications/hkblog
Email: legalpublicationsreaders@yahoo.com.hk

Dia da Criança | IPOR celebra efeméride com peça de teatro

O Instituto Português do Oriente (IPOR) acolhe, no próximo dia 1 de Junho, a peça de teatro infantil “Era uma vez (outra vez)”, encenada pela companhia de teatro ETCeterera, que virá a Macau de propósito para este espectáculo.

Segundo um comunicado do IPOR, a peça aborda “o imaginário dos irmãos Grimm e na relação entre dois irmãos que estão de férias numa aldeia sem acesso a novas tecnologias e, não sendo propriamente os melhores amigos, terão que conviver um com o outro para passar o tempo”. Desta forma, “os irmãos vão transformar os utensílios do dia-a-dia em marionetas para se divertirem e passar o tempo, acabando por descobrir que a amizade e o convívio são mais importantes do que as diferenças que os separam”.

A ETCetera é uma associação artística, criada e sediada em Vila Nova de Gaia e que tem vindo a trabalhar o teatro com actores profissionais, cujo trabalho assenta sob o lema “Teatro para Todos”. A companhia diz querer “proporcionar diferentes momentos teatrais a todo o tipo de grupo, género e idades”, bem como “experiências artísticas que não só se reflectem no crescimento enquanto alunos, mas também enquanto indivíduos ligados à arte tendo em conta que oferecemos o teatro como veículo de cultura e simultaneamente educação”.

Humarish Club | Primeira exposição de Geng Defa em Macau

A galeria Humarish Club, no Lisboeta Macau, acolhe até 28 de Junho a exposição “All Things Bloom”, de Geng Defa, artista contemporâneo emergente que, pela primeira vez, expõe no território. Segundo um comunicado da organização, a mostra inclui 15 esculturas pintadas à mão e ainda 19 pinturas a óleo. A mostra é apresentada em Macau em colaboração com a galeria de arte chinesa JINSE.

Geng Defa é “um jovem artista imbuído de idealismo poético, cujas obras exalam uma fantasia surrealista romântica que transcende o mundo real”, descreve a organização do evento, que considera que as suas obras de arte “possuem uma qualidade curativa”, oferecendo “uma ‘habitação poética’ que permite ao público experimentar a vastidão do universo e o vazio da vida, captando também a essência do conceito Zen na filosofia chinesa”.

Os trabalhos de Geng Defa expressam ainda “uma energia explosiva e rápida que parece romper barreiras, construindo uma força externa depois de se libertar de constrangimentos”. O artista revela “um profundo respeito pelos atributos espirituais da natureza, da sociedade e da humanidade”.

Nascido em Lanling, província de Shandong, em 1986, Geng Defa é artista e docente. Doutorado, em 2020, pela Academia de Belas Artes de Xangai, ligada à Universidade de Xangai, Geng Defa é ainda membro da Associação de Artistas Chineses, membro da Sociedade Chinesa de Pintura a Óleo e director da Sociedade de Pintura a Óleo de Chongqing. Já realizou dezenas de exposições, sobretudo na China, sendo que as suas obras são também reveladas em diversos museus e galerias.

10 de Junho | Lançado livro de J.J. Monteiro sobre “Vulgaridades Chinesas”

Será lançado no próximo dia 7 um novo livro de José Joaquim Monteiro, também conhecido por J.J. Monteiro. Já falecido, o autor, ou “poeta-soldado”, deixou muitos escritos por publicar, como é o caso de “Vulgaridades Chinesas”, apresentado agora no âmbito do cartaz de comemorações do 10 de Junho – Dia de Portugal, Camões e das Comunidades Portuguesas

 

Será publicado, a título póstumo, mais uma obra de José Joaquim Monteiro, também conhecido pelo nome de J.J. Monteiro ou como “poeta-soldado”. A apresentação de “Vulgaridades Chinesas”, obra nunca antes publicada do autor português que faleceu em Macau em 1988, decorre no próximo dia 7, às 18h30, no auditório do Consulado-geral de Portugal em Macau e Hong Kong.

Este lançamento está integrado no cartaz das comemorações do 10 de Junho – Dia de Portugal, Camões e das Comunidades Portuguesas e contará com a presença de Jorge Rangel, presidente do Instituto Internacional de Macau (IIM), que apoia a edição, do professor António Aresta e do filho mais novo do autor, José Joaquim Monteiro Júnior.

O livro, editado em português e cuja edição tem também o apoio do Fundo de Desenvolvimento da Cultura (FDC), é, segundo um comunicado, “uma narrativa, em versos populares, sobre a única viagem de J. J. Monteiro ao interior e sul do País do Meio [China], atravessando pela sua primeira vez as Portas do Cerco”.

Na obra, descrevem-se também “a ‘praxis’ em Macau, as máximas confucianas, as adivinhas, provérbios e rifões do Monsenhor André Ngan [sacerdote], dos tropos de Luís Gonzaga Gomes [escritor, sinólogo e tradutor], e as várias gírias e alguns calões no dialecto cantonense”.

J.J. Monteiro faleceu sem ver muitos dos seus escritos editados em livro, iniciativa que tem vindo a ser realizada pelos seus descendentes nos últimos anos. “Vulgaridades Chinesas” é, assim, mais uma obra que entra para o rol das edições póstumas.

No prefácio, assinado por Jorge Rangel, descreve-se que “o IIM deu prioridade à publicação das obras inéditas de J. J. Monteiro, tarefa que contou sempre com a empenhada e qualificada colaboração dos seus filhos e netos”.

Para Rangel, trata-se de um “contributo seguro e decisivo para uma mais ampla difusão da sua invulgar obra”. O presidente do IIM diz ainda no prefácio concordar com as palavras de António Aresta que, no primeiro volume de “Figuras de Jade – Os Portugueses no Extremo Oriente”, apontou que “omitir ou rasurar José Joaquim Monteiro da literatura de Macau seria uma injustiça e um enorme empobrecimento estético”.

Anedotas e afins

J.J. Monteiro nasceu pobre em Tabuaço, Viseu, em 1913, tendo vindo para Macau cumprir o serviço militar, onde casou e formou família e acabou por se dedicar às letras, apesar da pouca instrução escolar que possuía. Nos livros que deixou abordou sobretudo a gastronomia local, o patuá, os modos de vida da comunidade chinesa e tantas outras particularidades de Macau como terra multicultural que sempre acolheu portugueses, chineses e macaenses.

Falecido em 1988, já não assistiu ao lançamento de “Anedotas, Contos e Lendas”, lançado em 1989; os dois volumes de “Meio Século em Macau”, em 2010, e “Memórias do Romanceiro de Macau”, em 2013. Todas estas edições têm sido fomentadas e apoiadas pelos seis filhos.

O padre Benjamin Videira Pires, figura histórica do clero local, ligado à imprensa religiosa, e autor do prefácio da obra “Macau Vista por Dentro”, chegou a desafiar J.J. Monteiro, em 1984, a escrever um livro apenas sobre anedotas, “por saber que possuía uma colecção inédita de anedotas que encheriam um almanaque”.

Assim nasceu a obra editada em 1989, onde o autor, “por desconhecimento da língua chinesa, baseou-se em informações por um dos seus filhos que se dedicou nesta obra, particularmente no que diz respeito aos calões e gírias”.

O comunicado do IIM destaca que “Macau Vista por Dentro” é a “obra magna” de J.J. Monteiro, pois revela “um visível amadurecimento e conhecimento profundo das origens e do percurso dos portugueses no Oriente, assim como aspectos relevantes da cultura da China milenar”.

Samsung | China assegura que vai estar sempre aberta às empresas estrangeiras

O primeiro-ministro chinês afirmou que a China estará sempre aberta às empresas estrangeiras e comprometeu-se a tomar medidas para aumentar a confiança na segunda maior economia do mundo, informou ontem a imprensa estatal. Li Qiang fez estes comentários no domingo, durante um encontro com Lee Jae-yong, presidente da Samsung Electronics, na véspera da cimeira trilateral entre a Coreia do Sul, China e Japão.

O gigante mundial da produção de semicondutores e telemóveis, que é uma das maiores empresas estrangeiras na China, investiu milhares de milhões de dólares em instalações para produzir ‘chips’ e produtos electrónicos. “As empresas estrangeiras são essenciais para o desenvolvimento da China e o mega-mercado chinês estará sempre aberto às empresas estrangeiras”, afirmou Li, durante a reunião com o director da Samsung, segundo a agência de notícias oficial chinesa Xinhua.

“Pequim vai adoptar medidas como a expansão do acesso ao mercado para melhorar o ambiente empresarial, de modo a que as empresas estrangeiras possam ter confiança no seu investimento e desenvolvimento na China”, acrescentou. “A China dá as boas-vindas às empresas sul-coreanas, incluindo a Samsung, para que continuem a desenvolver o seu investimento e cooperação na China”, vincou.

A Câmara de Comércio da União Europeia na China declarou recentemente que os seus membros enfrentam dificuldades no país, nomeadamente em termos de acesso ao mercado e de barreiras regulamentares. A Samsung é uma das poucas empresas capazes de produzir ‘chips’ semicondutores avançados, componentes essenciais na produção de alta tecnologia, incluindo inteligência artificial, mas que têm também aplicações militares.

Redes sociais | Contas de influenciadores encerradas por ostentação

Várias redes sociais chinesas encerraram e bloquearam contas de influenciadores conhecidos por “ostentarem a sua riqueza”, incluindo Wang Hongquan, uma celebridade que ganhou a alcunha de “Kim Kardashian da China” pelo seu estilo de vida luxuoso.

Wang Hongquan tinha acumulado mais de 4,3 milhões de seguidores no Douyin, a versão chinesa do TikTok, que está bloqueado na China, desde Abril passado.

Numa declaração recente, Wang, de 30 anos, disse que não sai de casa “sem levar uma quantia de oito dígitos em dinheiro”. É também conhecido pela sua tendência para adquirir várias propriedades e veículos de luxo, como Rolls-Royces, algo que as plataformas estão agora a tentar erradicar ao abrigo das orientações oficiais que pretendem evitar a “extravagância”.

Outros influenciadores igualmente conhecidos por exibirem a sua riqueza também desapareceram das plataformas. Em Abril, a rede social Weibo anunciou que ia combater os conteúdos que promovem “valores negativos” como o “esbanjamento e a ostentação”.

Outras redes, como a plataforma de vídeo Bilibili e a aplicação de vídeos curtos Kuaishou, também anunciaram medidas semelhantes. Em Dezembro, o Gabinete da Comissão Central para os Assuntos do Ciberespaço lançou uma campanha de um mês contra “informações falsas”, “conteúdos inadequados” e “valores errados” no sector de difusão de vídeos curtos.

O regulador chinês da Internet visou então comportamentos como a “criação de esquemas para ajudar grupos desfavorecidos” para “explorar a solidariedade do público”, “ostentação de riqueza”, “culto do materialismo” e “indulgência no luxo”.

Seul, Tóquio e Pequim concordam em retomar as cimeiras trilaterais “numa base regular”

A Coreia do Sul, o Japão e a China manifestaram ontem o desejo de retomar as suas cimeiras trilaterais “de forma regular e ininterrupta”, num comunicado conjunto emitido no final de uma reunião em Seul.

“Reiteramos que a promoção da institucionalização da cooperação trilateral reforça as respectivas relações bilaterais e promove a paz, a estabilidade e a prosperidade na região do nordeste asiático, e ajuda a promover um mundo em que os países, grandes ou pequenos, podem beneficiar universalmente”, lê-se no documento, emitido após o encontro entre o Presidente sul-coreano, Yoon Suk-yeol, e os primeiros-ministros japonês e chinês, Fumio Kishida e Li Qiang, respectivamente.

Os três países realizaram as suas primeiras cimeiras anuais entre 2008 e 2012, mas as divergências entre Seul e Tóquio sobre as consequências do domínio colonial do Japão na península coreana fizeram com que as reuniões começassem a ser convocadas de forma intermitente.

Desde que Yoon chegou ao poder, em 2022, juntamente com Kishida têm procurado resolver estas divergências, a par de um reforço da cooperação militar dos dois países com o seu parceiro tradicional, os Estados Unidos.

Boa vizinhança

Os três países sublinharam ontem que esta nona cimeira trilateral em Seul “tem um significado importante para revitalizar a cooperação trilateral”, segundo o comunicado, que acrescenta que “serão realizadas conversações para acelerar as negociações de um acordo de comércio livre (ACL) trilateral”, como Kishida já tinha dito numa conferência de imprensa.

Os três vizinhos decidiram estabelecer projectos de cooperação em seis áreas-chave: intercâmbios humanos, desenvolvimento sustentável, cooperação económica e comercial, saúde pública e envelhecimento da sociedade, ciência e tecnologia e segurança e assistência em caso de catástrofe.

“Estamos a esforçar-nos por aumentar o número de intercâmbios humanos entre os três países para 40 milhões até 2030, promovendo intercâmbios em áreas como a cultura, o turismo e a educação”, explicou o documento.

As duas áreas que aparentemente produziram os resultados mais tangíveis em termos de cooperação após a cimeira de ontem foram a propriedade intelectual e as “futuras pandemias”, uma vez que foram assinados dois memorandos separados a este respeito.

PCC | Refutadas alegações sobre abundância de capacidade após declaração do G7

O artigo publicado no Diário do Povo surge em resposta às recentes preocupações manifestadas pelos ministros das finanças do G7. Pequim acusa Washington de querer suprimir as indústrias de outros países

 

O Partido Comunista Chinês rejeitou ontem as alegações dos Estados Unidos de que a China está a exportar o seu excesso de capacidade industrial, acusando Washington de tentar conter a ascensão do país.

Num artigo difundido pelo Diário do Povo, o jornal oficial do Partido Comunista Chinês, Jin Ruiting, investigador da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, o órgão máximo de planificação económica da China, negou que exista um problema de excesso de capacidade de produção.

Jin defendeu que a taxa de utilização da capacidade da indústria de novas energias da China era superior à de outros países e que, em termos globais, a capacidade de produção estava muito aquém da procura do mercado.

O artigo foi publicado um dia depois de os chefes das finanças dos países membros do G7 terem manifestado a sua preocupação com as “políticas e práticas não comerciais” da China, que prejudicam “os nossos trabalhadores, as nossas indústrias e a nossa capacidade de resistência económica”.

Os responsáveis afirmaram que continuariam a monitorizar os potenciais impactos negativos do excesso de capacidade e que considerariam a possibilidade de tomar medidas para garantir condições equitativas, em conformidade com os princípios da Organização Mundial do Comércio.

Em causa, está o domínio da China nos sectores dos veículos eléctricos, painéis solares e baterias de nova energia. O país asiático concentra 80 por cento da produção global de baterias e representou, em 2023, três quartos do investimento na produção de todas as tecnologias limpas, segundo dados da Agência Internacional da Energia.

Desde que o sector automóvel, que é particularmente sensível para a Europa, passou também a constar nos planos quinquenais delineados pelo Partido Comunista, há cerca de dez anos, foram criadas centenas de marcas de veículos eléctricos no país.

A União Europeia está a conduzir investigações sobre os subsídios atribuídos pelo Estado aos fabricantes chineses de carros eléctricos e de turbinas eólicas.

As acusações de “sobrecapacidade” nas indústrias da China são a “táctica habitual” dos Estados Unidos para “suprimir as indústrias de outros países”, disse Jin, afirmando que Washington é motivado pelo seu “pensamento hegemónico”. “A China tem fornecido produtos verdes de alta qualidade e a preços acessíveis para países de todo o mundo e tem contribuído muito para a transformação global verde e de baixo carbono”, afirmou.

Jin também argumentou que a indústria de novas energias da China alcançou a sua posição através de uma inovação tecnológica rápida e contínua num mercado competitivo. “A indústria de novas energias da China obteve as suas vantagens através de competências reais”, afirmou, acrescentando que a produção chinesa abrangeu uma série de categorias e toda a cadeia industrial.

Segundas intenções

A Secretária do Tesouro dos EUA, Janet Yellen, que participou na reunião do G7 em Itália, levantou a questão do excesso de capacidade junto dos responsáveis chineses durante uma viagem à China no início do mês passado. A administração do Presidente dos EUA, Joe Biden, anunciou também que vai impor taxas alfandegárias punitivas sobre mais de uma dúzia de produtos chineses, incluindo veículos eléctricos.

A China afirmou que o argumento do excesso de capacidade levantado pelos políticos norte-americanos é “claramente motivado politicamente” e destinado a “manchar e suprimir a economia chinesa”. Na semana passada, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Wenbin, foi questionado sobre a agenda do G7 relativa ao excesso de capacidade, afirmando que as discussões são “diametralmente opostas aos factos e às leis da economia e são puro proteccionismo”.

Wang Wenbin afirmou que a “sobrecapacidade é apenas um pretexto para os EUA tentarem coagir os membros do G7 a “criar vedações e restrições aos novos produtos energéticos chineses”.

Burla | Mulher isolada 15 dias em hotel perde 1,7 milhões de patacas

A vítima de uma burla foi dada como desaparecida, depois de se ter trancado durante vários dias num hotel, a pedido dos burlões, que se fizeram passar pelas autoridades do Interior. O caso foi revelado ontem, citado pelo Jornal Ou Mun. A mulher em questão perdeu cerca de 1,7 milhões de patacas.

Apesar de as autoridades apenas terem revelado ontem a existência deste caso, a vítima terá sido encontrada no dia 18 deste mês, depois de ter estado incontactável durante mais de 15 dias. O alerta para o desaparecimento da mulher tinha sido dado a 3 de Março pela família, que, desde esse dia, não sabia do paradeiro da vítima nem a conseguia contactar.

A mulher foi encontrada num hotel do Norte da cidade, onde pensava estar a aguardar pelo desfecho de uma investigação policial no Interior. Foi esta a história que burlões lhe terão contado e na qual ela acreditou.

Segundo a PJ, no início do mês, a mulher foi contactada por uma rede criminosa de burlas que a informou que estava a ser alvo de uma investigação no Interior. Como parte dos procedimentos, a mulher foi instruída a disponibilizar os dados da sua conta bancária, para pagar os custos da investigação. A vítima obedeceu e acabou por perder 1,7 milhões de patacas.

No entanto, os burlões também lhe disseram que como parte da investigação tinha de ir para um hotel, sem poder contactar ninguém. A mulher obedeceu a este pedido. Além disso, os burlões ainda pediram à vítima que tentasse pedir emprestadas mais 400 mil patacas, para supostamente continuar a financiar a investigação. A mulher tentou fazer um empréstimo online, mas foi salva pelas autoridades, que a encontraram antes de transferir o dinheiro. Até ontem, não tinha havido qualquer detenção relacionada com o caso que continua sob investigação.

PJ | Anunciada detenção de grupo que fazia batota em casinos

Entre os oito residentes detidos, constam empregados dos casinos, como os responsáveis pelas mesas de jogo e croupiers, que permitiram que os crimes tivessem lugar. Segundo a PJ, a acção do grupo causou perdas de pelo menos 4,54 milhões de patacas a um casino no Cotai

 

Oito residentes foram detidos por alegadamente terem montado um esquema de batota que prejudicou um casino em cerca de 4,54 milhões de patacas. A informação foi divulgada ontem pela Polícia Judiciária (PJ), citada pelo canal chinês da Rádio Macau, e implica trabalhadores do casino vítima do crime.

Segundo as informações partilhadas pelas autoridades, o grupo criminoso é suspeito de ter recrutado trabalhadores de um casino para modificarem as cartas de jogo nas mesas de póquer.

Ao alterarem as cartas, os trabalhadores conseguiam fazer com que as cartas fossem tiradas do baralho de acordo com o esperado pelos criminosos, o que lhes permitia não só ganhar os jogos, mas também fazerem apostas com valor elevado, que não fariam se não soubessem qual ia ser o desfecho do jogo. Foi através deste esquema que o grupo conseguiu ganhar 4,54 milhões de patacas.

O casino onde os alegados crimes aconteceram fica situado no Cotai, embora, como acontece nestas situações, a identidade do espaço não tivesse sido revelada.

A investigação da PJ ao caso começou na passada quinta-feira, quando a segurança do casino alertou as autoridades, depois de ter verificado que um dos trabalhadores, que estava de serviço, tirou parte das cartas de um baralho e as entregou aos outros membros do grupo.

Trabalhadores envolvidos

Com base na investigação, a polícia procedeu à detenção de oitos residentes, com idades entre os 33 anos e 42 anos, em diferentes áreas do território. O grupo de detidos é constituído por membros de ambos os sexos.

Segundo a PJ, nem todos os detidos concordaram em prestar a sua versão dos acontecimentos, permanecendo alguns em silêncio. A versão oficial reconhece que haverá indícios de os crimes terem sido cometidos em duas alturas diferentes, no final de Março e no início de Maio.

Aos trabalhadores do espaço que concordassem cooperar com o grupo criminoso eram prometidos ganhos de pelo menos 170 mil patacas, mas que poderiam chegar às 500 mil patacas. Entre os detidos, cinco eram croupiers ou gestores das mesas de jogo onde eram feitas as apostas. Em relação aos restantes três detidos, as autoridades acreditam que eram os responsáveis pela rede criminosa e os cabecilhas por detrás dos crimes.

Apesar da detenção das oito pessoas, a PJ não afasta a possibilidade de haver mais elementos envolvidos que não foram identificados.

Convenções | Mais 31,2% de eventos até Março

Nos primeiros três meses deste ano, foram realizados 307 eventos de convenções e exposições, mais 73 eventos em termos anuais, total que representou um aumento de 31,2 por cento face ao mesmo período de 2023.

Segundo um comunicado emitido ontem pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), no primeiro trimestre do ano “as receitas dos ramos de actividade económica não-jogo de Macau provenientes dos eventos de convenções e exposições atingiram aproximadamente 900 milhões de patacas no primeiro trimestre de 2024. Este valor é 50 por cento superior ao registado no ano passado, “graças essencialmente ao acréscimo das despesas efectuadas em Macau pelos visitantes que participaram nas convenções e exposições”, indica a DSEC.

Por segmentos, os serviços de estatísticas apontam que no primeiro trimestre realizaram-se 289 reuniões e conferências, mais 30,2 por cento em termos anuais, com os participantes a aumentaram 39,1 por cento para 34 mil.

As reuniões e conferências com menos de 50 participantes representaram 50,5 por cento do total deste tipo de eventos. Porém, as reuniões e conferências de grande dimensão, com mais de 200 participantes, foram as que registaram o maior crescimento em termos anuais, com um aumento de 58,6 por cento.

A DSEC salienta que entre os temas das convenções e exposições realizados nos primeiros três meses do ano “comércio e gestão” foi o tema mais concorrido, com 127 eventos que representaram mais de 40 por cento do total. Os eventos sobre finanças, tecnologia informática e saúde representaram 12,7, 11,7 e 8,5 por cento do total, respectivamente.

DSAL | Dez mortos em acidentes de trabalho em 2023

No ano passado, um total de 5.293 pessoas sofreram ferimentos por acidentes de trabalho, das quais 10 acabaram por morrer, indicou a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), acrescentando que “uma em cada dez sucumbiu por suspeita de ter sido relacionada com a violação das normas de segurança e saúde ocupacional”.

A DSAL sublinhou que todos os casos de morte são remetidos aos órgãos judiciais para verificação da existência de acidente de trabalho, e que as próprias estatísticas são rectificados com bases nos resultados de sentenças judiciais. As três principais causas de morte são “quedas (25,1 por cento), entalamento, perfuração ou corte (20,1 por cento) e esforços excessivos ou torções (16 por cento).

Com o objectivo de fiscalizar a situação da segurança e saúde ocupacional, a DSAL realizou no ano passado 3.794 inspecções a locais como estaleiros de obras de construção civil, estabelecimentos industriais e comerciais. Estas “visitas” resultaram em 447 recomendações de melhoria e 82 desses casos com condições de insegurança foram aplicados com sanções.

Ao longo de 2023, a DSAL realizou 591 palestras sobre segurança e saúde ocupacional, que contaram com a participação de 19.171 pessoas.

DST | Lançada campanha de charme na Coreia do Sul

O Governo começa na quinta-feira uma campanha promocional na Coreia do Sul para atrair turistas. Passados 10 meses, os Serviços de Turismo estão de volta ao país que regressou este ano ao topo do pódio dos maiores mercados de visitantes internacionais de Macau

 

A partir da próxima quinta-feira, a Direcção dos Serviços de Turismo (DST) dá início a uma campanha de promoção turística na capital da Coreia do Sul, que irá durar quatro dias. Cerca de 10 meses depois da primeira promoção de rua após a pandemia em Seul, a DST volta a lançar uma campanha de charme destinada a seduzir turistas sul-coreanos.

Entre quinta-feira e domingo, a campanha “Sentir Macau” irá “invadir” o complexo comercial Shinsegae, localizado na zona nobre da capital sul coreana, Gangnam. O objectivo é “atrair visitantes com elevado poder de compra”. Como tal, a DST especifica que “a média diária do fluxo de pessoas no Shinsegae aos fins-de-semana é de mais de 800 mil pessoas, e o valor de vendas em 2023 foi superior a 2.3 mil milhões de dólares americanos”, valores que fazem com que o Shinsegae seja o maior complexo comercial da Coreia e o terceiro maior do mundo ao nível da facturação.

Além da DST, a campanha irá contar com stands da Direcção dos Serviços de Desenvolvimento Económico da Zona de Cooperação Guangdong-Macau em Hengqin e as seis concessionárias de jogo “para divulgar as ofertas e novas infra-estruturas turísticas de Macau e Hengqin”.

Antes do início da campanha, a DST organiza amanhã um seminário promocional sobre produtos de “turismo + convenções e exposições” de Macau com bolsa de contactos para operadores turísticos sul-coreanos e da RAEM, com o objectivo de divulgar ao público e profissionais de turismo coreanos os pontos fortes do turismo de Macau.

Amigos com cacau

A DST adaptou a campanha ao público sul-coreano, nomeadamente através de colaborações com a plataformas online populares no país, com a aplicação móvel de pagamentos Kakao Pay e a plataforma de emoticons e bonecos Kakao Friends, introduzindo personagens com características de Macau.

Foi também estabelecida uma cooperação com “a maior plataforma coreana de reservas de viagens online Good Choice”, com jogos interactivos e descontos na compra de produtos turísticos de Macau, “incluindo bilhetes de avião de voos da Air Macau, Cathay Pacific, Korean Air, Jin Air, Jeju Air e Air Busan”.

O Governo realça também que este ano a Coreia do Sul voltou a ocupar o primeiro lugar entre os dez maiores mercados de visitantes internacionais de Macau. De acordo com dados preliminares, até 21 de Maio deste ano, mais de 192 mil turistas sul-coreanos visitaram Macau, volume que atingiu 93,9 por cento de todo o ano passado e que representou uma recuperação de 52 por cento face aos níveis de 2019.

Saúde | Governo assina acordo com associação local

Os Serviços de Saúde de Macau (SSM) assinaram na última quinta-feira um acordo de cooperação com a Associação Chinesa dos Profissionais de Medicina de Macau, que visa “promover a cooperação a longo prazo na área da educação médica contínua entre o Interior da China e Macau”, destaca um comunicado dos SSM.

O acordo tem por nome “Memorando de Cooperação sobre a Educação Médica Contínua entre a Associação Chinesa dos Profissionais de Medicina de Macau e os Serviços de Saúde da Região Administrativa Especial de Macau”. Alvis Lo, director dos SSM, declarou que, no âmbito deste acordo, serão realizadas mais “conferências académicas de grande envergadura das várias sucursais da Associação Chinesa dos Profissionais de Medicina de Macau, reforçando, assim, o intercâmbio académico entre os dois territórios através de convenções e exposições na área da saúde”. A ideia é “contribuir para o desenvolvimento da indústria da saúde em Macau”, destacou ainda.

Por sua vez, Wong Kin, vice-presidente da associação chinesa, disse que a entidade terminou em 2023, no espaço de quatro meses, formação contínua em 12 especialidades médicas com 46 profissionais de saúde de Macau. A assinatura do acordo é, segundo o responsável, “uma exploração bem-sucedida da cooperação na área de saúde entre o Interior da China e Macau”. Pretende-se “um intercâmbio académico de nível mais elevado” com a realização de mais conferências académicas, publicação de artigos científicos e formação de pessoal.

Porto Exterior | STDM volta a gerir terminal marítimo

O Terminal Marítimo de Passageiros do Porto Exterior vai continuar a ser gerido e explorado pela Sociedade de Turismo e Diversões de Macau (STDM), de acordo com uma ordem executiva assinada por Ho Iat Seng e publicada ontem no Boletim Oficial.

A publicação indica também que o Chefe do Executivo delegou poderes no secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, para assinar o novo contrato da concessão com a empresa. Chega assim ao fim o processo de concurso público que só teve a STDM como candidata, que começou no final do mês de Fevereiro, com um preço proposto equivalente a 18 por cento dos lucros de exploração do terminal marítimo.

No concurso público anterior, que decorreu em 2018, o Governo recebeu três propostas de empresas candidatas, com o desfecho final a pender de novo para a STDM, que havia proposto o valor de retribuição mensal mais elevado (1,8 milhões de patacas).

A STDM, fundada pelo magnata de jogo Stanley Ho, vai continuar a ser responsável pelo principal porto de Macau, depois de em 2011 o Governo ter decidido não renovar o contrato com a empresa, que operava a infra-estrutura desde o início de actividade, em 1993, tendo a então Capitania dos Portos (actual Direcção dos Serviços de Assuntos Marítimos e de Água) optado por assumir a gestão.

Igualdade de Género | Wong Kit Cheng quer lista de tarefas dos serviços públicos

A deputada pretende que o Governo apresente o balanço dos resultados obtidos com a distribuição da lista para promoção da igualdade nos 10 serviços públicos que aderiram à medida experimental

 

A deputada Wong Kit Cheng defende a distribuição de uma lista de tarefas por todos os serviços públicos de forma a promover uma maior igualdade de género entre homens e mulheres. Em causa, está a política do Governo dos “Objectivos do Desenvolvimento das Mulheres de Macau 2019-2025”.

Segundo os objectivos para implementar uma maior igualdade de género, foi definido como uma das políticas a distribuição nos diferentes serviços públicos de uma lista com as tarefas a serem executadas. Todavia, Wong Kit Cheng indicou, numa interpelação escrita, que apenas houve duas rondas de distribuição da lista de tarefas, e de forma experimental, em 2020 e 2021. A deputada lamenta igualmente que apenas 10 serviços públicos tenham participado nas duas rondas.

Agora, a deputada ligada à Associação das Mulheres de Macau pretende saber como é que o Governo vai implementar a distribuição da lista por todos os serviços públicos e pede que seja feito um balanço dos testes realizados em 2020 e 2021.

“Houve duas rondas de testes em 2020 e 2021. No entanto, apenas 10 serviços públicos adoptaram a lista de tarefas, e de forma experimental. Ainda não se sabe quando é que a lista vai ser distribuída, nem os resultados alcançados com os testes”, aponta a legisladora. “Quando é que a fase de testes vai ser dada por concluída e quando vai haver uma implementação em todos os departamentos públicos?”, pergunta a deputada.

Além da implementação da lista de tarefas a nível da Administração Pública, Wong Kit Cheng pergunta ao Governo se tem planos para impor a lista a lista ao sector privado. “Quais são os planos para divulgar as listas entre as instituições e empresas privadas?”, perguntou.

A deputada defendeu que a disseminação da lista na sociedade era muito importante, porque iria contribuir para uma maior igualdade entre homens e mulheres na sociedade de Macau.

Por realizar

Na mesma interpelação escrita, Wong Kit Cheng recorda também que nos “Objectivos do Desenvolvimento das Mulheres de Macau” a serem implementados até 2025 constam 79 metas.

Entre estas metas, constam aspectos como o aumento da participação política das mulheres, uma maior participação na tomada de decisão das empresas, promover um maior conhecimento sobre a saúde feminina, criar mais instalações de amamentação ou reforçar a assistência e protecção social.

De acordo com Wong Kit Cheng, o balanço mais recente do Governo aponta que entre as 79 medidas ainda falta cumprir 10 a longo prazo. A deputada pretende saber quando vão ser implementadas, e se ainda vão ser implementadas até 2025, de acordo com o plano em vigor.

Bolsas de estudo | Candidaturas para Fundo Educativo em Junho

Decorrem entre os dias 3 e 24 de Junho as candidaturas para o “Plano de Financiamento das Bolsas de Estudo para o Ensino Superior” destinadas a alunos do ensino secundário que queiram prosseguir estudos em Portugal ou candidatarem-se a uma bolsa empréstimo no ano lectivo de 2024/2025.

O plano financeiro é suportado pelo Fundo Educativo, da Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ), e abrange graus de ensino que vão desde a pré-licenciatura ao doutoramento. As inscrições podem ser feitas na plataforma da “Conta Única”, sendo que as listas dos candidatos aceites a apoio financeiro serão conhecidas no dia 23 de Agosto.

Devem ser apresentados documentos que estejam em falta no processo entre os dias 23 e 30 de Agosto. A lista do exame de selecção será publicada a 10 de Outubro e a lista dos resultados de candidaturas a 29 de Novembro. A lista dos resultados das candidaturas às bolsas-empréstimo será divulgada no dia 8 de Novembro.

Professores | Subsídio de desenvolvimento profissional actualizado

O valor de actualização dos subsídios de desenvolvimento profissional e dos prémios de antiguidades para professores foram ontem publicados no Boletim Oficial. Os aumentos, que variam entre 90 patacas e 190 patacas, entram em vigor em Setembro

 

O Governo publicou ontem os novos valores do subsídio de desenvolvimento profissional para professores das escolas particulares sem fins lucrativos. A informação foi publicada no Boletim Oficial, através de um despacho assinado pela secretária para os Assuntos Sociais e Cultural, Elsie Ao Ieong U, e os aumentos variam entre 90 patacas e 190 patacas.

De acordo com os valores anunciados, que entram em vigor a partir de Setembro, no caso dos professores com licenciatura ou grau académico equivalente, o subsídio sobe para 6.550 patacas, face às actuais 6.360 patacas, se tiverem frequentado um curso de formação pedagógica. Se não tiverem formação pedagógica, o montante do subsídio para os docentes com licenciatura sobe para 5.230 patacas, face às actuais 5.080 patacas.

Quando os docentes apenas têm como habilitação académica o nível de bacharelato, no caso de terem formação pedagógica, o subsídio sobe para 5.540 patacas, quando actualmente é de 5.380 patacas. Se não tiverem formação aumenta de 4.900 para 5.050 patacas.

Finalmente, no que diz respeito aos docentes das escolas particulares sem fins lucrativos sem habilitação académica de nível superior, o novo montante para os que frequentaram formação pedagógica subiu para 4.470 patacas, de 4.340 patacas. Quando não têm formação pedagógica, o subsídio passa a ser de 3.100 patacas, quando até agora era de 3.010 patacas.

Premiar a antiguidade

Também ontem foram publicados os novos valores dos prémios de antiguidade para os docentes de todo o ensino não superior das escolas particulares sem fins lucrativos. Os aumentos também variam entre 190 patacas e 90 patacas.

No caso de os docentes terem licenciatura, e formação pedagógica, o valor subiu para 6.550 patacas de 6.360 patacas. No caso de os docentes licenciados não terem formação pedagógica passa a receber 5.230 patacas face às actuais 5.080 patacas.

Se os docentes tiverem o nível de bacharelato os subsídios passam a ser de 5.540 patacas e 5.050 patacas, neste último caso se os docentes não tiverem formação pedagógica. Actualmente, os valores são de 5.380 patacas e 4.900 patacas.

Quando os docentes não têm habilitações académicas de ensino superior os subsídios sobem para 4.470 patacas se tiverem frequentado o curso de formação adequado à posição desempenhada, agora o montante é de 4.340 patacas, e de 3.100 patacas, sem o curso de formação, face ao valor em vigor de 3.010 patacas.

A medida que entra em vigor a partir de Setembro tinha sido antecipada no final do ano passado, durante a apresentação das Linhas de Acção Governativa.

Arte pública | Estudo aponta desenvolvimento “tardio” e falta de “políticas claras”

Um estudo académico publicado na revista E3S Web of Conferences conclui que a arte pública em Macau está numa fase inicial de desenvolvimento, carecendo de público e de uma “política clara” de fomento. Destaca-se ainda o facto de o processo de decisões estar centralizado no Executivo, o que dificulta a conexão com o público

 

Macau tem ainda um longo caminho a percorrer no que diz respeito ao desenvolvimento da arte pública urbana, pois não só são poucos os projectos erguidos na malha urbana como apresentam pouca ligação com quem cá vive e com turistas.

Esta é a conclusão do estudo “Research on Public Art Planning in Macao from the Perspective of Urban Cultural Communication” [Investigação sobre o Planeamento da Arte Pública em Macau na Perspectiva da Comunicação Cultural Urbana], publicado em Abril na publicação académica “ERS Web of Conferences”. Os autores do estudo são Zhu Hui, do Departamento de Arquitectura da Universidade de Soochow, em Suzhou, China; António Cadeias, do Departamento de Química da Universidade de Évora; e Marcello Pelillo, da área de ciências computacionais da Ca’ Foscari – Universidade de Veneza.

O estudo nasceu de uma apresentação feita na “International Conference on Urban Construction and Transportation” em Janeiro deste ano, na cidade de Harbin, China.

O trabalho realizado pela equipa de académicos destaca que “Macau ainda se encontra numa fase relativamente inicial do desenvolvimento da arte pública”, devendo este “ser combinado com as próprias características” do território e com “o modo de desenvolvimento das regiões” vizinhas.

Para os três académicos, a arte pública em Macau apresenta como problemas a existência de “menos obras de artistas locais, o insuficiente sentido de participação pública” ou ainda “a falta de planeamento global [da parte do Governo]”, sem esquecer “apoio jurídico e político” para o desenvolvimento de actividades culturais deste tipo.

Além disso, a arte pública sofre de “insuficiente manutenção e gestão numa fase posterior”, além de que é necessário apresentar determinadas características, como “singularidade, funcionalidade, historicidade e interactividade”, sem esquecer a publicidade dos projectos, para que haja uma difusão “da cultura urbana e se estabeleça a imagem da cidade”.

Relativamente à participação do público, os autores destacam que “o Governo é o principal responsável pelo planeamento, construção e gestão da arte pública em Macau, e que o público apenas pode visitá-la, sem ter um poder de decisão efectivo”. Desta forma, “sem a participação do público, a arte pública carece também da sua natureza básica de ‘publicidade'”, além de que a sua localização “também afecta o sentido da participação do público”.

Tendo em conta a pequena dimensão do território nas zonas mais antigas, nomeadamente na península, os autores do estudo referem que “muitas obras de arte pública são colocadas em faixas à beira da estrada, e que o público apenas as pode apreciar de pé ou junto à estrada”.

No que diz respeito à ausência de planeamento do Executivo, o estudo destaca que “a distribuição da arte pública na cidade é desigual e o seu desenvolvimento é lento”, sendo que “a distribuição da arte pública nas novas zonas urbanas, como a Taipa e o Cotai, é menor, o que contrasta claramente com a Península de Macau”.

Um início tardio

Os académicos dividem a evolução da arte pública urbana de Macau em três fases, com a transferência de administração portuguesa de Macau para a China a representar o ponto intermédio. Em termos gerais, a expressão da arte pública urbana no território “começou tarde”, sendo que “a verdadeira arte pública apareceu [graças] aos monumentos de amizade sino-portuguesa construídos pelo Governo português de Macau após a década de 1990”. Antes dessa década, “as principais obras de arte pública urbana eram sobretudo esculturas religiosas e decorações arquitectónicas de importância histórica na cidade”, é referido.

A ligação da arte pública com a religião, bastante visível na Macau do período pré-transição, é semelhante “ao desenvolvimento da arte pública no [período] da Idade Média, no Ocidente”. Trata-se de “um rico património histórico e cultural que simbolizam o espírito de Macau”, situando-se “nas atracções históricas mais importantes de Macau”, pelo que “a maioria não pode ser deslocada”.

O estudo refere vários monumentos públicos que fazem referência às relações bilaterais históricas entre chineses e portugueses, num total de dez trabalhos, como é o caso das Portas do Entendimento, junto à Torre de Macau e da autoria do escultor Charters de Almeida, ou ainda o Arco do Oriente, na zona do NAPE.

“Este tipo de obras de arte pública é instalado, sobretudo, em praças e nós de tráfego importantes”, cuja instalação é “relativamente bem feita, mas há problemas, como o volume demasiado grande das obras, o facto de serem abstractas”, ou seja, “difíceis de compreender”, além de ser “controverso o seu significado”.

Se a religião e a diplomacia pautaram a arte pública feita antes da transição, após a liberalização do jogo surgiram novos projectos em zonas como o Cotai, com estilos diversos e que “realçam o luxo destes grandes empreendimentos [de jogo] e que atraem turistas”. Porém, nestas obras, “a história e cultura locais de Macau raramente são mostradas”.

A importância dos festivais

O estudo em questão destaca também o facto de a arte pública que se vê em Macau nos dias de hoje estar dependente de festivais que, na sua maioria, são organizados pelo Governo, nomeadamente o Instituto Cultural ou a Direcção dos Serviços de Turismo.

“Uma grande parte da arte pública de Macau está relacionada com eventos festivos importantes”, sendo a sua expressão “inovadora e tradicional em simultâneo”.

“Sempre que há uma variedade de festivais tradicionais chineses e ocidentais, o mais atractivo é a grande instalação de iluminações artísticas em frente à sede do Governo” [junto ao lago Nam Van], assim como “luzes decorativas em estradas importantes e nós paisagísticos da cidade”, bem como a realização de actividades e espectáculos. O estudo destaca ainda a organização anual de eventos como o Festival da Luz, mais recente, ou o Festival Fringe, que acontece há vários anos, que vieram “injectar uma nova vitalidade na cultura urbana”.

Embelezar e educar

Entre os problemas enunciados no estudo, os autores defendem que, mais do que embelezar a cidade, “a arte pública de Macau deve ligar os comunicadores a vários públicos no processo de comunicação cultural urbana”, sempre numa ligação próxima à cidade, reparando “o contexto urbano e reforçando o seu posicionamento”. Além disso, a arte pública urbana possui também a função de “reforço das funções educativas, sociais e práticas”, contribuindo para “melhorar a impressão negativa que a arte pública causa a Macau”.

Os académicos recordam que o pequeno enclave foi o primeiro local, em território chinês, onde a cultura ocidental entrou, fazendo com que Macau tenha hoje “um encanto cultural único e uma coexistência harmoniosa das culturas chinesa e ocidental”.

Desta forma, “o desenvolvimento da arte pública urbana não é apenas um meio de divulgar a longa história e cultura de Macau, mas também uma forma eficaz de Macau se transformar num centro mundial de turismo e lazer” e “uma base de intercâmbio e cooperação com a cultura chinesa”. Estas ideias vão de encontro à “corrente principal, de coexistência multicultural”, patentes no projecto da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau, ressalva o estudo.

“Grand Tour” consagra Miguel Gomes em Cannes como melhor realizador

O realizador português Miguel Gomes venceu o prémio de melhor realização do Festival de Cinema de Cannes, em França, pelo filme “Grand Tour”, foi sábado anunciado na cerimónia de encerramento. É a primeira vez que Miguel Gomes é distinguido na competição oficial do festival de Cannes.

Miguel Gomes recebeu o prémio das mãos do cineasta alemão Wim Wenders e num curto discurso agradeceu ao cinema português, sublinhando a raridade que é haver filmes portugueses na competição oficial, e estendeu o agradecimento a “grandes cineastas” como Manoel de Oliveira, que o inspiraram a fazer cinema.

Há 18 anos, em 2006, na competição de longas-metragens esteve “Juventude em Marcha”, de Pedro Costa. A história de “Grand Tour” segue um romance de início do século XX, com Edward (Gonçalo Waddington), um funcionário público do império britânico que foge da noiva Molly (Crista Alfaiate) no dia em que ela chega para o casamento.

“Contemplando o vazio da sua existência, o cobarde Edward interroga-se sobre o que terá acontecido a Molly… Desafiada pelo impulso de Edward e decidida a casar-se com ele, Molly segue o rasto do noivo em fuga através deste ‘Grand Tour’ asiático”, refere a sinopse.

Durante a semana, em conferência de imprensa em Cannes, Miguel Gomes, 52 anos, explicou que “Grand Tour” é um filme “sobre a determinação das mulheres e a cobardia dos homens” e tem ainda como ponto de referência um livro de viagens, “Um gentleman na Ásia”, de Sommerset Maugham.

Périplo asiático

Na preparação deste filme, ainda antes da pandemia da covid-19, Miguel Gomes fez um arquivo de viagem pela Ásia – por exemplo, Myanmar (antiga Birmânia), Vietname, Tailândia, Japão -, para traçar o trajecto das personagens, recolhendo imagens e sons contemporâneos para uma longa-metragem de época de 1918.

Só depois desse périplo, Miguel Gomes rodou as cenas com os actores em estúdio, em Roma. O argumento é co-assinado pelo cineasta com Mariana Ricardo, Telmo Churro e Maureen Fazendeiro. “O que é interessante no cinema é que se pode viajar para um mundo alternativo, um mundo ficcional que contém todos os tempos; as memórias do tempo passado, o tempo actual em que vivemos, o presente”, disse Miguel Gomes na mesma conferência de imprensa.

“Grand Tour” foi produzido por Uma Pedra no Sapato, de Filipa Reis, em co-produção com Itália, França, Alemanha, China e Japão. Miguel Gomes já tinha estado anteriormente em Cannes, na Quinzena de Cineastas onde apresentou “Aquele querido mês de Agosto” (2008), “As mil e uma noites” (2015) e “Diários de Otsoga” (2021), correalizado com Maureen Fazendeiro.

Miguel Gomes soma vários prémios em festivais internacionais, nomeadamente o prémio da crítica do festival de Berlim com “Tabu” (2012), o prémio de melhor realizador (repartido com Maureen Fazendeiro) no Festival Mar del Plata (Argentina) com “Diários de otsoga” (2021) e o prémio especial do júri em Guadalajara (México) com “Aquele querido mês de Agosto” (2009). A 77.ª edição do Festival de Cinema de Cannes começou no dia 14 e terminou sábado.

Vingança servida sem saúde

Antes de abordarmos assuntos sérios deixo-vos o risível. Como nas últimas sondagens para as próximas eleições europeias o partido Chega anda muito por baixo e como a sua estratégia foi sempre a da vitimização, desta vez, tentou que na opinião pública algo pegasse que lhe pudesse dar votos. Vai daí, arranjou um homem com alguma perturbação mental que apareceu com uma mochila junto à sede do Chega, em Lisboa, a dizer que tinha uma bomba e que queria matar André Ventura. A polícia fechou algumas artérias, evacuou edifícios contíguos e as televisões não pararam de informar o sucedido. A polícia apanhou o homem e tirou-lhe a mochila que não tinha nada de explosivo. O homem foi para uma unidade hospitalar e a “bomba” não rebentou…

Na semana passada em Portugal a política foi essencialmente feia. O Governo resolveu servir um tipo de vingança bem fria na substituição de personalidades de grande prestígio e competência. Sempre foi natural que numa mudança do governo se substituam nos Ministérios vários directores, secretárias e assessores, por outros quadros da confiança política do novo Executivo. Agora, de um momento para o outro, sem qualquer justificação e até com alguma rudeza, demitir cargos técnicos ou de gestão em instituições de solidariedade social é que não há compreensão.

FERNANDO ARAÚJO, A COMPETÊNCIA EM PESSOA, FOI MALTRATADO

Fernando Araújo é um professor médico de grande competência que foi escolhido pelo governo de António Costa para Director-Adjunto do Serviço Nacional de Saúde (SNS). Essencialmente para levar a efeito uma reforma na Saúde que terminasse com a crise no sector, com urgências hospitalares a encerrar e várias especialidades fora de serviço, em alguns casos com as futuras mães sem saber onde ter o parto. Fernando Araújo estava a realizar um trabalho de excelência, louvado por médicos, enfermeiros e gestores hospitalares. Mas, no Hospital de Santa Maria estava uma gestora anti-socialista e que não concordou com as decisões de Fernando Araújo. Essa gestora alegou que não conseguia levar a efeito a sua missão e demitiu-se. Pois, essa gestora é precisamente a actual ministra da Saúde e a primeira coisa que fez foi vingar-se, provocando a repulsa e ira de Fernando Araújo quando lhe pediu um relatório sobre o que é que tinha feito no cargo. Obviamente que o Director-Adjunto do SNS percebeu de imediato que a nova ministra estava a querer a sua saída do cargo e abandonou as funções. As críticas à ministra foram generalizadas e muitos comentadores chegaram a salientar que além da vingança da ministra, era com perplexidade que se compreendia como é que uma gestora que não era capaz de estar à frente de um hospital, agora já tinha competência para ser a “chefe” de todos os hospitais do país. Maior perplexidade quando a ministra acaba de nomear para o cargo de Fernando Araújo um indivíduo gestor que foi condenado, há quatro anos, pelo banco central de Moçambique a uma pena de inibição de três anos de exercer cargos sociais e funções de gestão em instituições de crédito e sociedades financeiras, devido a uma situação de “conflito de interesses” durante a sua passagem pela administração do banco.

ANA JORGE – FOI MESMO SANEAMENTO POLÍTICO

A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa anda há mais de uma década com provedores que em nada mostraram competência e a instituição de solidariedade, que vive à base dos milhões de euros dos jogos de sorte e azar, tem vindo a ter prejuízos incalculáveis. O provedor anterior a Ana Jorge, da confiança socialista, chegou ao absurdo de realizar uma negociata com o Brasil onde os jogos da Santa Casa seriam uma realidade naquele país e, afinal, veio-se a descobrir que o parceiro brasileiro nem sequer contabilidade tem e deixou de enviar os dividendos contratuais para Portugal. Uma vergonha e algo a merecer uma investigação muito profunda por parte do Ministério Público.

E é neste ambiente de descalabro, que entra para provedora a médica prestigiada, a antiga ministra da Saúde, a antiga colaboradora da mesma Santa Casa, Ana Jorge. A senhora iniciou de imediato um trabalho de redução de despesas e de auditoria ao passado para que o “barco” não fosse ao fundo. Conseguiu endireitar as contas e estava e realizar reformas fundamentais para a sobrevivência e melhoria da Santa Casa. Eis que, muda o governo e a nova ministra do Trabalho e da Segurança Social, sem estudar o que se passou e o que Ana Jorge realizou, sem chamar Ana Jorge para uma reunião de trabalho, antes pelo contrário, chamou-a para lhe perguntar quantos funcionários iria despedir. Ana Jorge respondeu que nenhum. Aí, a ministra perguntou a Ana Jorge se pedia a demissão, ao que a ex-ministra lhe respondeu negativamente. No dia seguinte, Ana Jorge estava despedida num claro acto de saneamento político. Pior, a ministra foi buscar para o lugar de Ana Jorge um militar médico, que tem andado em missões militares e que em nada têm a ver com a gestão de uma casa de solidariedade.

Entretanto, também a competentíssima presidente do Instituto de Segurança Social, Ana Margarida Vasques, pediu a demissão em solidariedade com Fernando Araújo e alegando que o Executivo demonstrou falta de confiança na sequência da questão da retenção do IRS nas pensões.

Enfim, tudo isto é política, tudo isto é muito feio. E o mais triste é que assistimos a uma governação que não governa, mas que apenas sabe anunciar medidas futuras como propaganda eleitoral para o próximo dia 9 de Junho.

Uganda-Tanzânia | Vinte ONG pedem a Pequim que retire apoio ao macro-pipeline

Quase uma vintena de organizações não-governamentais (ONG) pediram no sábado ao Presidente chinês, Xi Jinping, que retire o apoio à polémica construção de um macrogasoduto entre o Uganda e Tanzânia, devido aos riscos ambientais e socioeconómicos do projecto.

A construção do Oleoduto de Petróleo Bruto da África Oriental (EACOP), que será o oleoduto de petróleo bruto aquecido mais longo do mundo, obteve o apoio de Xi, disse o Presidente do Uganda, Yoweri Museveni, em Abril passado.

No entanto, num comunicado enviado à agência noticiosa espanhola EFE, as 19 ONG ugandesas e tanzanianas sustentam que o EACOP “ameaça a segurança e os meios de subsistência de milhões de pessoas e, através da sua inevitável exacerbação da crise climática, representa um risco significativo para a segurança e estabilidade de toda a região e do mundo”.

As organizações denunciaram que muitas comunidades “foram deslocadas à força das suas terras ancestrais e receberam compensações injustas que não reflectem o valor real do que perderam”.

“Por sua vez, as comunidades sofreram um aumento dos níveis de insegurança alimentar e não puderam aceder a serviços básicos como a educação e os cuidados de saúde”, afirmaram as ONG, que temem igualmente o risco de derrames de petróleo e de danos ambientais duradouros, incluindo em importantes fontes de água e zonas húmidas.

“Apelamos respeitosamente ao Presidente Xi para que reconsidere o seu apoio ao projecto” e aos projectos de exploração petrolífera envolvendo empresas chinesas, sublinham as ONG.

Ucrânia | Zelensky convida Xi e Biden para Cimeira de Paz de Genebra

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, convidou ontem os homólogos dos Estados Unidos, Joe Biden, e chinês, Xi Jinping, a participarem numa cimeira de paz a realizar em Lucerna em 15 e 16 de Junho. “Apelo aos líderes mundiais (…), ao Presidente Biden, líder dos Estados Unidos, e ao Presidente Xi, líder da China (…): por favor, apoiem a cimeira de paz com a vossa liderança e participação”, disse Zelensky numa mensagem de vídeo.

A Suíça enviou convites a mais de 160 delegações, mas a Rússia não foi convidada “nesta fase”, de acordo com o portal do Governo helvético dedicado ao evento no início de Maio. Os convidados incluem membros do G7, do G20, dos BRICS, muitos outros países de todos os continentes, bem como a UE, três organizações internacionais e dois representantes do mundo religioso.

A Rússia, que lançou a sua invasão da Ucrânia em 24 de Fevereiro de 2022, fez saber – com duras críticas – que não está interessada em participar nesta conferência. O Kremlin deixou claro em várias ocasiões que não participaria em quaisquer negociações se Kiev não aceitasse a anexação pela Rússia dos cerca de 20 por cento do território ucraniano que ocupa actualmente. O Presidente Zelensky afirmou ontem que “mais de 80 países confirmaram a sua participação”.