Tailândia | Antigo PM Shinawatra acusado de difamar monarquia

O antigo primeiro-ministro Thaksin Shinawatra da Tailândia vai ser acusado de difamação da monarquia, avançou o Ministério Público (MP), três meses depois de o ex-dirigente ter saído em liberdade condicional por outras acusações. Shinawatra pediu, no entanto, um adiamento da audiência de acusação, apresentando provas de que tem covid-19, disse em conferência de imprensa o porta-voz do gabinete do Procurador-Geral Prayuth Bejraguna.

A nova audiência ficou marcada para 18 de Junho, acrescentou Prayuth, notando que Shinawatra será também acusado de violar a lei da criminalidade informática. Shinawatra esteve em exílio autoimposto desde 2008, mas regressou à Tailândia em Agosto para cumprir uma pena de oito anos.

Em Fevereiro, saiu em liberdade condicional do hospital, em Banguecoque, onde passou seis meses a cumprir pena por crimes relacionados com corrupção. Ao regressar ao país, o antigo líder foi transferido quase de imediato da prisão para o hospital por motivos de saúde e, cerca de uma semana depois, o rei Maha Vajiralongkorn reduziu a pena para um ano.

No início do mês, Shinawatra obteve liberdade condicional devido à idade, 74 anos, e ao estado de saúde. Após o regresso à Taiândia, o gabinete do procurador-geral indicou ter recuperado uma investigação sobre a alegada violação, há quase nove anos, da lei lesa-majestade, um crime punível com até 15 anos de prisão.

Shinawatra foi acusado em 2016 de violar a lei por comentários que fez a jornalistas quando estava em Seul, na Coreia do Sul, um ano antes.

Corrupção | Antigo director de grupo Huarong condenado à morte

O antigo director executivo do conglomerado financeiro China Huarong, um dos grupos mais endividados da China, foi condenado à morte por corrupção, informou ontem a imprensa local. A China Huarong Asset Management é um dos maiores gestores de dívida malparada da China, ou seja, dívidas com elevada probabilidade de não serem pagas.

Foi uma das quatro empresas criadas em 1999 pelo Governo chinês para sanear o sector bancário. Desde então, o grupo diversificou as suas actividades, nomeadamente para a área do investimento e crédito e sector imobiliário.

O principal accionista da China Huarong é o Ministério das Finanças chinês. Os tribunais consideraram o antigo director executivo do grupo Bai Tianhui culpado de ter recebido cerca de 1,1 mil milhões de yuan em subornos, informou a televisão estatal CCTV.

Bai Tianhui foi condenado à pena de morte, avançou o canal estatal, citando a decisão de um tribunal de Tianjin, uma importante cidade portuária perto de Pequim. A condenação à morte é pouco habitual na China para um alto dirigente empresarial. No entanto, frequentemente estes veredictos são convertidos em pena de morte suspensa, o que corresponde à prisão perpétua.

A sentença de Bai Tianhui é idêntica à do antigo director do fundo de investimento Lai Xiaomin, executado em 2021. Lai foi acusado pelos tribunais de ter obtido 215 milhões de euros em subornos. Foi também considerado culpado de “poligamia”.

As imagens de um apartamento em Pequim, supostamente pertencente a Lai Xiaomin, com cofres e armários cheios de maços de dinheiro, foram exibidas pela televisão estatal. A China Huarong tem feito manchetes nos últimos anos devido à sua dívida, equivalente a 214 mil milhões de euros, e à sua gestão irregular. Em 2021, a negociação das acções da empresa foi suspensa por nove meses na Bolsa de Valores de Hong Kong.

O preço a pagar

Nos últimos meses, várias figuras importantes do sector bancário e financeiro foram denunciadas por corrupção na China. Numa altura em que a economia chinesa está a abrandar, as más práticas no sector financeiro estão no centro da campanha anticorrupção do Presidente chinês, Xi Jinping.

A cúpula do Partido Comunista Chinês (PCC) disse ontem que os “riscos financeiros” são “uma questão de segurança nacional” e avisou os seus funcionários que “serão responsabilizados” se não “assumirem a responsabilidade” de “assegurar a saúde financeira do país”.

Funcionários “a todos os níveis” vão ser instados a “assegurar que as várias tarefas destinadas a reforçar a regulação financeira em todos os domínios são correctamente executadas”, prosseguiu a liderança do partido único na China.

“Os regulamentos devem ser aplicados à letra e os infractores devem ser responsabilizados. Aqueles que não cumprirem os seus deveres devem ser responsabilizados e serão punidos”, advertiu ainda o PCC, numa altura em que algumas agências de notação da dívida baixaram para “negativa” a perspectiva do ‘rating’ do país, face aos “riscos crescentes” para as finanças públicas.

O terrorismo Huti (continuação)

“We have repeatedly stated without hesitation that supporting Palestine and resistance groups is on the agenda of the Islamic Republic’s policies”

Iranian President Ebrahim Raisi, in 14.01.2024

A ligação Irão-Arábia Saudita passa pelo Iémen e a imprevisibilidade das opções estratégico-militares dos Hutis e o perigo latente de uma escalada desencadear consequências indesejáveis, incluindo confrontos directos entre o Irão e os Estados Unidos levantam duas questões importantes. A primeira, poderá o processo de aproximação entre Teerão e Riade sofrer um revés? A segunda, as conversações de paz em curso entre a Casa Saud e os Hutis para a saída dos sauditas do Iémen e, espera-se, o início de um processo de paz sob os auspícios da ONU, correm o risco de descarrilar? O dossier iemenita representa o primeiro teste do processo de normalização irano-saudita iniciado com o acordo de 10 de Março de 2023, patrocinado pela China. Apesar dos rumores persistentes de desacordo sobre as suas abordagens à guerra de Gaza, os dois actores parecem decididos a prosseguir na via da diplomacia. Uma proposta que o conflito na Faixa de Gaza teria efectivamente contribuído para reforçar. Desde o início da guerra entre Hamas e Israel, a Arábia Saudita e o Irão têm estado em contacto regular para evitar que o conflito assuma uma dimensão regional.

Não é por acaso que, antes do ataque americano e britânico aos Hutis, em 12 de Janeiro, o ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Amir-Abdollahian, e o ministro saudita dos Negócios Estrangeiros, Príncipe Faizal bin Farhan bin Abdullah Al-Saud, tiveram uma conversa telefónica sobre a evolução da situação em Gaza e na região. Em Novembro de 2023, o primeiro encontro bilateral entre o príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman Al Saud e o presidente iraniano Ebrahim Raisi teve lugar na cimeira islâmica-árabe em Riade. Cerca de um mês mais tarde, realizou-se em Pequim a primeira sessão da comissão conjunta China-Arábia Saudita-Irão para acompanhar os progressos do desanuviamento diplomátic. É pouco provável que a República Islâmica decida, por conseguinte, prestar apoio adicional aos Hutis, a menos que os ataques liderados pelos Estados Unidos ponham em risco as capacidades militares do movimento. Do mesmo modo, a interferência iraniana nas decisões de Ansar Allah só ocorreria se a aproximação de Teerão à Arábia Saudita fosse posta em causa. O risco de uma militarização crescente do Mar Vermelho é uma fonte de grande apreensão para Riade. Poucas horas depois da segunda vaga de ataques dos Estados Unidos, os Hutis efectuaram uma manobra militar ao longo da fronteira com o reino, na província de Sadá com um aviso aos sauditas sobre as potenciais consequências de se aliarem aos Americanos.

Tal como as outras monarquias do Golfo (com a única exceção do Bahrein), a Arábia Saudita aderiu formalmente à recém-criada (Dezembro de 2023) missão naval “Prosperity Guardian”, liderada pelos Estados Unidos. Isto reflecte a política externa pragmática do reino, que visa a prossecução de objectivos nacionais e a salvaguarda de interesses estratégicos específicos. A Arábia Saudita está a atravessar uma crise de “confiança” com o seu tradicional aliado americano e não quer correr o risco de comprometer a sua segurança interna. A sua prioridade é prosseguir a normalização com o Iémen e impedir o recomeço dos ataques transfronteiriços. A estabilização da fronteira saudita e das regiões meridionais do país (Jazan, Asir e Najran), a obtenção de um cessar-fogo permanente e o relançamento de um processo de paz conduzido pela ONU estão no centro das negociações em curso entre a Arábia Saudita e os Hutis. Embora o cessar-fogo mediado pela ONU em Abril de 2022 tenha terminado formalmente seis meses depois devido a desacordos entre Ansar Allah e o governo oficial iemenita apoiado por Riade, as conversações prosseguiram informalmente.

Em Abril de 2023, o embaixador saudita no Iémen, Mohammed bin Saeed-Al-Jaber, deslocou-se a Saná com uma delegação de Omã para se encontrar com Mahdi al-Mashart, presidente do Conselho Político Supremo de Ansar Allah (o mais alto órgão dirigente dos Hutis), enquanto em meados de Setembro de 2023 teve lugar na capital saudita uma nova ronda de negociações para elaborar um roteiro para o processo de paz no Iémen. A última ronda de conversações, organizada na Arábia Saudita e em Omã, teve lugar em Dezembro último, quando o Primeiro-Ministro iemenita Maeen Abdulmalik Saeed e o negociador-chefe dos Hutis Muhammad Abd al-Salam concordaram “em iniciar um processo de paz sob os auspícios das Nações Unidas”. Apesar da fragilidade das tréguas informais entre os Hutis e os sauditas, é pouco provável que as negociações descarrilem, a não ser que Riade queira ou precise de dar um apoio suplementar aos Estados Unidos, o que não parece provável até agora. A Arábia Saudita pretende ser o coração económico e financeiro do Golfo, aumentando a sua influência internacional.

A concretização dos ambiciosos objectivos da “Visão 2030” (a rápida diversificação e modernização da economia e da sociedade) confirma-se como o principal motor da política externa da Casa Saud. Olhando para a geografia dos planos de desenvolvimento do país, como a cidade futurista de Neom, na costa do Mar Vermelho, ou o projecto de desenvolvimento turístico do Mar Vermelho, é fácil perceber que evitar potenciais represálias por parte dos Hustis e resolver o conflito do Mar Vermelho estão entre as prioridades do Reino. A paz em Gaza não garante a segurança da região Cerca de 40 por cento do comércio marítimo mundial transita pelo Mar Vermelho. Todos os dias, mais de 6,2 milhões de barris de petróleo bruto e de barcos petrolíferos atravessam o estreito de Bab-el-Mandeb, dos quais 3,9 milhões têm como destino a Europa. Cerca de 10-14 por cento do comércio mundial (incluindo o petróleo) e 30 por cento do volume global de contentores passam pelo Canal do Suez. Embora o impacto dos ataques ao abastecimento de petróleo e gás, com repercussões na economia mundial, pareça ainda limitado nada é comparado com os custos incorridos pelos mercados mundiais após o encalhe do porta-contentores “Ever Given” no Canal do Suez em 2021 e um longo conflito nessas águas teria um impacto significativo.

Num relatório datado de 9 de Janeiro de 2024, o Banco Mundial alertou para o facto de os recentes ataques e o consequente abrandamento das redes de abastecimento “aumentarem a probabilidade de estrangulamentos na inflação. O fornecimento de energia também pode ser afectado, levando a aumentos de preços” As principais companhias de navegação como a Maersk, Hapag-Lloyd, Msc, Cma Cgm e Yang Ming, bem como a British Petroleum suspenderam as operações no Mar Vermelho, optando pela rota do Cabo da Boa Esperança. Os ataques conjuntos de Washington e Londres, concebidos como uma reacção simbólica e, portanto, limitada, não tiveram qualquer efeito dissuasor para o Ansar Allah. Pelo contrário, parece ter contribuído para o agravamento do conflito. Nas palavras de Yahya Saree, o porta-voz militar dos Hutis, “nenhum novo ataque ficará sem resposta”. Em 15 de Janeiro, o Comando Central dos Estados Unidos comunicou o lançamento de um míssil balístico anti-navio no Golfo de Aden contra um navio porta-contentores de propriedade americana.

As acções militares dos Hutis no Mar Vermelho foram condenadas pelas várias personalidades do Conselho Presidencial do Iémen. Desde Dezembro último, a Guarda Costeira foi colocada em alerta no Mar Vermelho. O Conselho de Resistência Sul secessionista de Aidarus al-Zoubaidi (influente na zona de Aden) e as forças de resistência de Tariq Saleh (baseadas em al-Mokha), ambos apoiados pelos Emirados Árabes Unidos, declararam querer contribuir para a segurança e a liberdade de navegação no Mar Vermelho. No entanto, as tensões entre os oito membros do governo iemenita (reflectidas nos objectivos estratégicos divergentes das facções que compõem a frente anti-Huti e na rivalidade entre Riade e Abu Dhabi) dificultam o desenvolvimento de uma estratégia comum e de uma visão partilhada do futuro do Iémen. A profundidade estratégica do sul do Mar Vermelho e a segurança das suas rotas energéticas e do comércio mundial estão duplamente ligadas à guerra civil no Iémen.

O Mar Vermelho não voltará, portanto, à tranquilidade com o fim da guerra em Gaza. Nem o “Prosperity Guardian”, nem a decisão europeia de criar a sua própria missão marítima, nem a escolha de Washington de voltar a incluir os Hutis na lista dos movimentos terroristas (se os ataques não cessarem) ajudarão a resolver o problema. Os Acordos de Estocolmo de 2018, mediados pela ONU entre os Hutis e o governo oficial iemenita para um cessar-fogo imediato na província de Al Hudaydah e na cidade costeira com o mesmo nome, permitiram aos Hutis consolidar a sua autoridade no porto estratégico e entrincheirar-se ao longo da costa ocidental. O controlo das ilhas estratégicas de Kamaran, Ras Douglas e Taqfash, ao largo da costa de Al Hudaydah, proporciona aos rebeldes uma importante plataforma de projeção marítima. Garantir a segurança do Mar Vermelho exige, portanto, que se enfrentem de frente as dinâmicas que têm minado a sua estabilidade, os desequilíbrios de poder no Iémen e a incapacidade internacional de resolver o capítulo ainda em aberto da guerra civil do Iémen.

Hong Kong | Seis detidos por violarem nova lei de segurança nacional

A polícia de Hong Kong deteve ontem seis pessoas por alegada publicação de mensagens sediciosas nas redes sociais – as primeiras detenções conhecidas ao abrigo da nova lei de segurança nacional da cidade. Um dos detidos é o antigo organizador da vigília anual durante décadas convocada para assinalar os acontecimentos da Praça de Tiananmen, em Pequim, a 04 de Junho de 1989.

O secretário para a Segurança, Chris Tang, disse que o antigo organizador dessa vigília, Chow Hang-tung, juntamente com cinco outros, utilizou uma página da rede social Facebook para publicar anonimamente as mensagens de convocatória da concentração. Segundo a polícia, os actos contrários à nova lei de segurança nacional começaram em Abril e os suspeitos tinham como alvo uma “data sensível”.

As autoridades não revelaram o conteúdo das mensagens divulgadas no Facebook, mas a página começou a 30 de Abril a publicar uma série de ‘posts’ para assinalar o 35.º aniversário, que em breve se completa, de Tiananmen. Tang alegou que o grupo divulgou tais mensagens com a intenção de incitar ao inconformismo ou mesmo ao ódio contra o Governo central chinês, o Governo de Hong Kong e o poder judicial.

As mensagens pretendiam também encorajar os internautas a organizar actividades “que poriam em perigo a segurança nacional”, sustentou. “Embora Hong Kong tenha agora iniciado a viagem da estabilidade para a prosperidade, não podemos baixar a guarda. Continuamos a enfrentar riscos para a segurança nacional”, declarou Tang numa conferência de imprensa. Além de não especificarem o conteúdo das mensagens, as autoridades também não identificaram os outros cinco suspeitos detidos.

Diplomacia | Pequim e Guiné Equatorial reforçam relações

O Presidente chinês reuniu-se quarta-feira com o homólogo da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang, com quem quer elevar o nível das relações entre os dois países para uma “parceria estratégica de cooperação”.

Durante o encontro com Obiang, que já visitou a China dez vezes, Xi Jinping disse que o “apoio mútuo” entre as duas nações ilustra a amizade entre a China e os países africanos, de acordo com a imprensa local, citada pela agência de notícias espanhola EFE.

Desde 1970, ano em que foram estabelecidas relações diplomáticas entre os dois países, a China tem mantido acordos de cooperação com a Guiné Equatorial em sectores como a saúde, a educação, a energia, a construção, as telecomunicações e a navegação. O interesse da China na Guiné Equatorial progrediu paralelamente à descoberta de importantes depósitos de hidrocarbonetos (petróleo e gás natural) no país, no final da década de 1990.

A imprensa estatal chinesa sublinhou esta semana que a visita de Obiang, no poder desde 1979, tem como objectivo “expandir a colaboração bilateral” para “diversificar a economia do país africano e melhorar a sua capacidade industrial”. De acordo com o jornal Global Times, os laços bilaterais são “um modelo de cooperação sul-sul” de dois países que se “tratam como iguais”.

“A China tem apoiado a Guiné Equatorial em muitos domínios, tanto económicos como técnicos. Pode dizer-se que parte da transformação da Guiné Equatorial se deve precisamente ao apoio económico do Governo chinês”, afirmou Obiang numa entrevista recente à agência noticiosa estatal Xinhua.

Obiang disse que a Guiné Equatorial espera que a China “aumente o apoio à formação de talentos para ajudar o país a estabelecer uma base sólida para o desenvolvimento independente”. A China tem demonstrado um interesse crescente em África, tornando-se o maior parceiro comercial do continente.

FMI | Elevada previsão de crescimento em 2024 para 5%

O Fundo Monetário Internacional (FMI) elevou ontem a previsão para o crescimento da economia da China em 2024 de 4,6 por cento para 5 por cento, a meta fixada pelo Governo chinês em Março.

“O crescimento económico da China deverá permanecer sólido em 5 por cento em 2024 e abrandar para 4,5 por cento em 2025”, afirmou o FMI num comunicado, divulgado após o final de uma visita de 12 dias à China de uma equipa da instituição multilateral.

O FMI previa anteriormente um crescimento de 4,6 por cento este ano. A revisão em alta da previsão é “impulsionada por fortes dados do PIB [produto interno bruto] do primeiro trimestre e por medidas políticas recentes”, acrescentou o fundo.

A economia da China cresceu 5,3 por cento, no primeiro trimestre de 2024, após ter sido impulsionada pelas políticas de estímulo do Governo e o aumento da procura. A China anunciou em 17 de Maio, um dia após o início da visita da equipa do FMI, novas medidas para revigorar o sector imobiliário, depois de os últimos dados terem revelado que os preços da habitação caíram quase 10 por cento desde o início do ano.

As autoridades reduziram a entrada para hipotecas e o limite mínimo das taxas de juro para a primeira e segunda habitações e instaram as administrações locais a comprar aos promotores imobiliários terrenos não urbanizados ou imóveis não vendidos. Várias cidades, incluindo a capital financeira do país, Xangai, também suspenderam as restrições às transações de imóveis, que caíram 24,3 por cento em 2022 e mais 8,5 por cento em 2023, medidas por área útil.

Abrandamento previsto

O FMI saudou ontem as medidas tomadas pela China e defendeu que “a correcção em curso no mercado imobiliário, necessária para orientar o sector para uma trajectória mais sustentável, deverá continuar”. No entanto, “um conjunto mais abrangente de medidas facilitaria uma transição eficiente e menos onerosa, ao mesmo tempo que protegeria contra os riscos de deterioração” do mercado, observou a instituição.

No médio prazo, “o crescimento deverá abrandar para 3,3 por cento devido ao envelhecimento da população e ao abrandamento dos ganhos de produtividade”, detalhou a vice-directora-geral do FMI, Gita Gopinath, citada no comunicado. Segundo dados oficiais, existem na China cerca de 280 milhões de pessoas com mais de 60 anos, ou seja, 19,8 por cento da população total. Em 2035, estima-se que haverá mais de 400 milhões de idosos, mais de 30 por cento da população.

A número dois do FMI também destacou “os desafios orçamentais significativos, especialmente para os governos locais” que o país enfrenta, acrescentando “que é necessária uma consolidação fiscal sustentada a médio prazo”.

A agência de notação financeira Moody’s baixou em Dezembro a perspectiva da dívida da China de “estável” para “negativo”, devido aos “indícios crescentes de que o governo e o sector público vão prestar apoio financeiro aos governos regionais e às empresas públicas em dificuldades”.

10 de Junho | Nova exposição de Francisco Ricarte inaugurada sábado

Francisco Ricarte, arquitecto e fotógrafo, está envolvido num novo projecto. Trata-se da exposição “Para os olhos dos jovens (de espírito)”, inaugurada este sábado na Casa Garden, a partir das 17h, numa iniciativa organizada pela CPM – Casa de Portugal em Macau e que se integra no programa de comemorações do 10 de Junho – Dia de Portugal, Camões e Comunidades Portuguesas.

Segundo um comunicado da organização, a mostra “é dedicada a um público mais jovem, em termos de idade, mas também ‘jovens de espírito'”, sendo ainda complementada por dois workshops, a decorrer na CPM, onde será explorada “a prática da observação e registo visual” a partir das imagens expostas.

Segundo Ricarte, a fotografia possui “uma imensa abrangência e possibilidades criativas”, sendo “um instrumento fundamental no desenvolvimento das artes visuais”.

“Sob variadas abordagens estéticas e tecnológicas, esta forma de expressão artística tem-nos dado a conhecer facetas tão fascinantes e diversificadas, como o meio natural e construído que nos rodeiam, bem como das nossas aspirações e manifestações culturais, entre muitas outras facetas da condição humana”, refere ainda o mesmo comunicado.

Imagens com humor

A exposição inclui 22 imagens captadas em Macau “em situações inesperadas ou insólitas com uma certa ironia ou humor, e em performances de grande intensidade coreográfica e visual”. Estas imagens pretendem, assim, “cativar diversos níveis de público mais jovem (bem como os ‘jovens de espírito’) para apreciar imagens expressivas de mensagem inesperada e intensidade visual, que possam apelar à ‘frescura no olhar’ e cativar a sua observação e compreensão”.

Procura-se ainda “sensibilizar para a importância e valor da fotografia como meio de expressão e criação visual, procurando-se realçar a sua importância no registo e observação do quotidiano que nos rodeia”. É esse quotidiano que está cheio de “situações inesperadas e acontecimentos singulares” como os registados na exposição, e que “também pode ser visto de uma forma incomum e plena de ironia”.

Os workshops decorrem este domingo, com duas turmas. A primeira turma terá o workshop entre as 10h30 e as 12h30, com jovens dos 8 aos 11 anos, enquanto a segunda turma irá trabalhar das 15h às 17h, destinando-se a jovens com mais de 12 anos. As máquinas fotográficas disponibilizadas pela organização.

A CPM destaca que Francisco Ricarte “é arquitecto e fotógrafo residente em Macau, destacando-se por uma presença muito activa no cenário cultural e artístico do território e participando com regularidade em exposições de fotografia, quer num registo a solo, quer num formato colectivo”.

IPOR | Ciclo de cinema sobre o 25 de Abril até Julho

No ano em que se celebram os 50 anos da chamada “Revolução dos Cravos”, o 25 de Abril de 1974, o Instituto Português do Oriente (IPOR) exibe até ao dia 2 de Julho vários filmes sobre o golpe que derrubou a ditadura, os seus protagonistas e resistentes, onde se incluem nomes como Salgueiro Maia ou Álvaro Cunhal

 

Um momento tão marcante para a história de Portugal como o 25 de Abril de 1974, que acabou com a ditadura do Estado Novo, de Salazar e Marcelo Caetano, já marcou presença em muitas narrativas cinematográficas ao longo dos últimos anos. Tendo em conta que este ano se celebra meio século da revolução, o Instituto Português do Oriente (IPOR) exibe, até 2 de Julho, vários filmes, muitos do género documentário, no auditório do Consulado-geral de Portugal em Macau e Hong Kong.

O ciclo de cinema “50 anos – 25 de Abril” arrancou no dia 21 com o filme “As Mãos Invisíveis”, de Hugo dos Santos, um documentário sobre as vivências numa casa em Paris que, nos anos 70, acolhia diversos portugueses que fugiram do regime fascista que então se vivia em Portugal. Foi também exibido esta terça-feira o filme “Cartas a uma Ditadura”, de Inês de Medeiros.

Na próxima terça-feira, será exibido o filme “O Jovem Cunhal”, do realizador João Botelho, datado de 2022. Trata-se de um retrato do mais carismático líder do Partido Comunista Português (PCP), Álvaro Cunhal, e da resistência ao fascismo que marcou toda a sua vida. Cunhal esteve preso várias vezes, estava sempre na mira da PIDE, a polícia política do Estado Novo, e foi central para definir a oposição política ao fascismo na clandestinidade.

Na sinopse da película pode ler-se que João Botelho conseguiu criar “um filme detectivesco, em que se exploram os primeiros anos da vida do histórico dirigente do PCP”, sendo que, pelo meio, são “encenados excertos dos seus próprios livros”.

Imagens e memórias

No dia 11 de Junho, é altura de exibir “Outro País”, de Sérgio Tréfaut, documentário de 1999 que relata a revolução, no período mais conturbado que se seguiu ao 25 de Abril, nos anos de 1974 e 1975. A sinopse revela que se trata de um filme baseado em muita documentação histórica guardada em arquivos, além de revelar os olhos e sonhos de fotógrafos e cineastas que, na época, testemunharam o evento.

“Salgueiro Maia, O Implicado”, da autoria de Sérgio Graciano, exibe-se no dia 18, mostrando a intervenção de um dos homens que ficou para a história como um dos “Capitães de Abril”, por ter ajudado, com outros militares, a planear e a fazer o golpe nas ruas de Lisboa.

Segundo a síntese do filme, trata-se do “primeiro retrato” do militar feito para cinema. “Fernando Salgueiro Maia, o anti-herói não ocasional, produto de uma formação académica e militar, foi um homem que soube pensar o futuro, seguir as ideias, contestando-as, vivendo uma vida cheia, alegre e fértil, solidária e sofrida – se não tem morrido prematuramente aos 47 anos, teria agora 75”.

O realizador fez, assim, “uma abordagem moderna, intimista e emocional” da vida deste militar, já falecido, sendo esta “uma história de ficção baseada em factos históricos, relatos pessoais, revelações íntimas, emoções reais de quem acompanhou o capitão ao longo de toda a vida”.

A 25 de Junho são apresentadas várias curtas-metragens na sessão “50 anos do 25 de Abril”, nomeadamente “Antes de Amanhã”, de Gonçalo Galvão Teles; “O Casaco Rosa”, de Mónica Santos; “Lugar em Parte Nenhuma”, de Bárbara Oliveira e João Rodrigues; “Estilhaços”, de José Miguel Ribeiro, e ainda “Menina”, de Simão Cayatte”.

O ciclo de cinema encerra-se a 2 de Julho com “48”, documentário de Susana de Sousa Dias. Este filme fala das histórias dos presos políticos do Estado Novo e de como sofreram as torturas às mãos da PIDE.

O filme, de 2010, vai revelando algumas das fotografias que a PIDE tirava a todos os presos, a preto e branco, de perfil ou com o rosto apontado para a câmara. Estão lá as imagens de Conceição Matos, antiga funcionária do PCP presa duas vezes e torturada, e de tantos outros homens e mulheres.

“São 16 imagens para contar 48 anos de fascismo – tudo fala da sociedade, os rostos, as roupas, a forma de estar. Não estão identificados por nomes nem idades porque valem por todos os presos políticos da ditadura”, refere a sinopse. As expressões eram de medo, as vozes que se ouvem em off traçam memórias negras de sofrimento e resistência na dor.

Estratégias e tácticas de Zhuge Liang

Nascido em 181 em Yangdu de Langya, hoje vila de Yinan, prefeitura de Linyi no Sul da província de Shandong, Zhuge Liang (181-234, 诸葛亮) tinha o nome literário Kongming e era conhecido por a alcunha do Dragão Adormecido, potência à espera de ser acordada, pois pouco tempo antes da sua existência fora criado da Filosofia do Dao o Daoísmo religioso.

Órfão desde os oito anos, de mãe em 184 e do pai, Zhuge Gui, magistrado no distrito de Taishan, a 189, ficou então à guarda do tio Zhuge Xuan. Viveu em Xiangyang até à morte deste em 197 e com dezassete anos Zhuge Liang mudou-se para a aldeia Longzhong, próximo de Xiangyang, província de Hubei. Aí se dedicou à agricultura, nos tempos livres a ler e tocar guqin, convivendo com a população local e sobretudo a conversar com o seu mestre Pang Degong e Xü Shu, seu genro, apreendendo coisas da vida e trocando ideias sobre as convulsões e acontecimentos do país.

Em 207 tornou-se conselheiro militar de Liu Bei (161-223), que se apresentava como representante da casa real Han, e organizou-lhe o pequeno exército após a derrota sofrida nesse ano em Wunhuan contra as forças do general Cao Cao (155-220), poeta e grande estratega, a governar o país desde 196 em nome do Imperador Xian Di (189-200) da dinastia Han do Leste.

Em finais do primeiro século, Liu Bei como voluntário e o general Zhang Fei combatiam a Revolta dos Turbantes Amarelos quando se encontraram com o fugitivo à lei Guan Yu, homem robusto a vaguear como vendedor ambulante por Zhuoxian (a 70 km de Beijing) na província de Hebei. No Jardim dos Pessegueiros fizeram os três um juramento, tornando-se irmãos de armas com votos de ajudarem Liu Bei a se tornar chefe e por sublevação armada estabelecer o reino Shu-Han.

Em 207, Liu Bei foi à aldeia Longzhong acompanhado por os dois irmãos de armas, a convidar por a terceira vez Zhuge Liang a se juntar às suas forças de Shu-Han e servi-lo como conselheiro militar. Só então Zhuge Liang aceitou o comando do exército Han-Shu e logo deu o conselho a Liu Bei de juntar o seu pequeno exército ao de Wu de Sun Quan para combater os Wei de Cao Cao, que governando o Norte do país pretendia avançar para Sul e conquistar a área do rio Yangtzé para de novo unificar toda a China.

“Desde a época das insurreições dos Turbantes Amarelos que estas ricas famílias coloniais haviam sacudido a tutela do poder central. Tinham-se organizado com vista à sua própria defesa.” (…) “Para que aparecesse um Estado independente no vale do Yangzi, bastaria que se agravassem os conflitos na China do Norte e que militares e colonos fizessem causa comum.

Um fenómeno análogo iria produzir-se no Sichuan, região rica e relativamente isolada onde eram igualmente numerosas as populações indígenas. O facto foi favorecido pelo prestígio de Li Bei, descendente da família imperial dos Han, e pelo génio político e militar do seu conselheiro Zhuge Liang (181-234). Mas, enquanto o reino de Wu é regido por uma espécie de confederação das famílias mais poderosas do vale do Yangzi, no Sichuan denotam-se tendências para a centralização.

Tal como Wei [no Norte], Shu-Han é um Estado militar dirigido pelos conselheiros legistas”, segundo Jacques Gernet e continuando no seu Mundo Chinês, “O nascimento dos dois efémeros impérios do Sichuan e do vale do Yangzi explica-se, não só pelas perturbações e pela recessão económica do fim da época dos Han, mas também pelas suas particularidades geográficas e sociais.

É a secessão da China colonial da bacia inferior do Yangzi que vai dar à luta dos Sun [Sun Quan criou o reino Wu (222-280), fazendo a capital em Jianye (hoje Nanjing) depois de se coroar imperador Da Di (229-252)], simples comandantes de exércitos rivais de Cao Cao, o sentido de uma guerra de independência. A influência, no reino de Wu, das grandes famílias do Jiangnan (regiões situadas a sul do curso inferior do Yangzi) explica a transferência em 231, da capital, estabelecida primeiramente em Wuchang (hoje Ezhou, Hubei) na confluência do Yangzi e do Han, para Nanquim.”

PEDIR EMPRESTADO

No Romance dos Três Reinos (San Guo Zhi, 三国志) encontra-se muito do que hoje se sabe sobre a vida de Zhuge Liang (诸葛亮) e por isso a sua história tem mais de lendária que de real. Aí se faz referência a Zhuge Liang ter pedido emprestado três coisas: Flechas, o Vento Leste e Jingzhou. Se as duas primeiras, usar barcos com cobertura de colmo para pedir emprestado flechas (cao chuan jie jian, 草船借箭) e pedir emprestado o Vento Leste (JieDongFeng, 借东风) apenas se encontram registadas neste livro, já Zhuge Liang ter pedido emprestado Jingzhou (Jie Jingzhou, 借荆州) é realmente um facto histórico e apareceu em outros relatos da História.

Os dois primeiros episódios ocorreram em 208 entre os meses de Julho a Novembro durante a grande batalha em Chibi (hoje Puqi, Hubei) cujos exércitos conjuntos de Liu Bei e Sun Quan tinham apenas cinquenta mil homens enquanto no campo contrário, Cao Cao contava com 230 mil soldados.

Essa batalha (de Chibi) realizada após Cao Cao ter conquistado o poder no Norte da China e com o seu exército seguir para Sul a tentar controlar o resto do o país.

As tropas de Liu Bei estavam estacionadas em Jingzhou (Hubei) e as forças de Sun Quan junto à foz do rio Yangtzé. Zhuge Liang, sozinho foi ao reino Wu para persuadir o chefe Sun Quan a aliar-se com Liu Bei e combaterem Cao Cao.

Cao Cao, com o seu exército, partiu do seu reino no Norte da China, para conquistar Jingzhou e enxotar Liu Bei das redondezas. Sun Quan sentindo-se ameaçado resolveu juntar-se a Liu Bei, mas o exército de ambos não chegava a metade do de Cao Cao. Este, numa grande armada subiu por o rio Yangtzé e estacionou a sua frota em frente aos Penhascos Vermelhos (a Oeste do lugar onde hoje se situa Wuchang, província de Hubei).

Aí se realiza a demonstração da qualidade de estratega de Zhuge Liang, quando usa barcos com cobertura de colmo para pedir emprestado flechas – cao chuan jie jian. A história refere-se à necessidade de rapidamente se conseguir flechas durante a batalha em Chibi por parte de Sun Quan.

Zhou Yu era capitão do exército Wu e conselheiro político de Sun Quan e apesar de conhecer bem as ideias de Zhuge Liang, tinha grande inveja dele. A Sun Quan, que não tinha um numeroso exército, não lhe agradava nada Liu Bei ter Zhuge Liang como estratega e apesar de estarem aliados, não via a hora de conseguir matar Zhuge Liang. Antes de começar a batalha de Chibi, Zhou Yu convidou
Zhuge Liang para conferenciar sobre a maneira como iriam combater Cao Cao. Zhou Yu para saber quais as armas a usar durante o combate nas águas do rio Yangtzé questionou Zhuge Liang, que respondeu serem flechas. Zhou Yu concordou também serem essas as melhores armas, mas não as tinham suficientes para combater o enorme exército de Cao Cao.

Virando-se para Zhuge Liang pediu para lhe fazer cem mil flechas, a fim de poderem ganhar a batalha. Zhuge Liang concordou e perguntou para quando eram necessárias. Para lhe criar problemas, Zhou Yu disse dez dias. Pensando um pouco, Zhuge Liang replicou serem dez dias muito, pois não se devia aguardar tanto tempo e contrapôs precisar apenas de três dias. Incrédulo, Zhou Yu obrigou Zhuge a assinar um contrato como conseguiria tal e se não cumprisse no prazo de três dias podê-lo-ia condenar à morte. Zhuge tinha como amigo o conselheiro Lu Xu do exército de Sun Quan e a ele recorreu para o ajudar, pedindo-lhe vinte barcos, cada um com vinte soldados e todos serem cobertos com molhos de colmo em forma de figuras humanas. Assim fez Lu Xu, apesar de saber estar já o estratega condenado pois em três dias arranjar cem mil flechas era algo impossível.

O primeiro dia passou e nada aconteceu, tal como no segundo dia e no terceiro, Zhuge Liang foi ter com Lu Xu e convidou-o para beber, pedindo-lhe o favor de informar Zhou Yu para o esperar no dia seguinte de manhã no porto para lhe entregar as flechas. Durante a noite, às três da manhã, Zhuge e Lu Xu enquanto bebiam no barco ancorado na margem oposta onde se encontravam as embarcações de Cao Cao, viram aparecer um grande nevoeiro e Zhuge ordenou aos vinte barcos partirem ao encontro dos do inimigo e quando chegassem próximo começassem a tocar bombo e a gritar.

Lu Xu virou-se para Zhuge replicando, caso Cao Cao fosse ao encontro dos barcos iria ser um grande problema. Zhuge respondeu que tal não iria ocorrer pois o nevoeiro ajudaria e quando como planeado os barcos se aproximaram, Cao Cao sem poder ter uma noção exacta do que tinha próximo decidiu usar os arcos e flechas para combater. Lu Xu e Zhuge, sem nada poder ver o que ocorria, apenas ouviam os assobios das inúmeras flechas a voar. Zhuge avisara os seus soldados para após meia hora de serem flechados, virarem os barcos e após outra meia hora assim, regressarem. Quando os barcos voltaram estava Zhou Yu no porto, crendo ter nas mãos a vida de Zhuge, mas ao olhar para como os barcos vinham rendeu-se à qualidade e sabedoria de Zhuge Liang.

Mercado Vermelho | Reabertura hoje com 118 bancas

Dois anos depois, chegou finalmente o dia da reabertura oficial do renovado Mercado Vermelho. A partir das 07h de hoje, vão estar disponíveis ao público os produtos de 118 bancas, depois de uma cerimónia oficial de abertura.

Para já, vão permanecer desocupadas 31 bancas que serão alvo de sorteio de distribuição para exploração, de acordo com a evolução dos negócios no mítico mercado, indicou ontem Leong Cheok Man, chefe de departamento de inspecção e sanidade do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM).

Citado pelo canal chinês da TDM, o responsável realçou os trabalhos de substituição dos azulejos nas paredes e pavimentos, renovação dos tectos, rede de drenagem. Foram também adicionados aparelhos de ar condicionado, elevadores sem barreiras, plataformas de descarga, optimizado o sistema de iluminação, aumentado o espaço dos sanitários públicos e a proporção dos compartimentos para homens e mulheres.

Para já, o responsável do IAM garantiu que as instalações foram escrupulosamente limpas, com pestes e roedores erradicados.

Em relação às bancas vazias, o presidente da Associação de Auxílio Mútuo de Vendilhões de Macau que explicou que durante os dois anos de obras, alguns vendedores decidiram não voltar às bancas por motivos de idade avançada ou por alteração dos planos de vida.

Turismo | Macau foi destino preferido de chineses no primeiro trimestre

Depois de ter terminado o ano passado em terceiro, Macau tornou-se, no primeiro trimestre de 2024, o destino mais satisfatório para os turistas do Interior da China. A conclusão consta do relatório da Academia de Turismo da China, um departamento estatístico do Governo Central

 

Durante os primeiros três meses deste ano, Macau foi o destino preferido dos turistas chineses, de acordo com a informação divulgada na terça-feira no relatório da Academia de Turismo da China, organismo do Ministério da Cultura e Turismo da China que trata dados estatísticos.

O relatório indica que no primeiro trimestre deste ano, “Macau tornou-se o destino mais satisfatório para turistas do Interior da China pela primeira vez”, enquanto Hong Kong caiu para o sétimo lugar. No final do ano passado, Hong Kong ocupava o quinto lugar e Macau o terceiro lugar.

O Governo da RAEM recebeu com agrado os dados publicados na conta oficial de WeChat do organismo do Governo Central. “A Direcção dos Serviços de Turismo (DST) viu com satisfação os comentários positivos de turistas do Interior da China que estão satisfeitos com as suas experiências de viagem em Macau. Os resultados obtidos são produto dos esforços conjuntos de todos os sectores da sociedade de Macau. No futuro, a DST irá continuar a trabalhar com a indústria local para optimizar as experiências dos visitantes, demonstrando o charme do turismo de Macau.”

Os serviços liderados por Helena de Senna Fernandes reiteram o compromisso de “promover o desenvolvimento sustentável e de alta qualidade”, a indústria de turismo e lazer, e trabalhar para o “cartão de visita dourado de Macau para brilhar ainda mais como metrópole internacional”, é indicado, fazendo eco das palavras proferidas pelo director do Gabinete dos Assuntos de Hong Kong e Macau junto do Conselho de Estado, Xia Baolong, durante a visita que fez ao território em meados deste mês.

Aproveitar vantagens

Num comunicado em chinês, publicado na terça-feira à noite, a DST garante que irá aproveitar as oportunidades suscitada pelas “várias medidas do Governo Central benéficas para Macau”, destacando a política de múltiplas entradas entre Macau e Hengqin para indivíduos do Interior da China em grupos turísticos, assim como o alargamento da política de vistos individuais para visitar a RAEM.

Além disso, a DST assegura que não vai ficar de braços cruzados e promete continuar a organizar eventos de grande escala, a publicitar o território como destino turístico de eleição, e promover o “Movimento de Cortesia de Macau”, que tem como objectivo encorajar residentes e profissionais do sector a serem amistosos com os visitantes, contribuindo para a imagem de Macau como uma cidade cordial.

Aqui ao lado

O relatório da Academia de Turismo da China aponta também que o fluxo de turistas oriundos do Interior da China que escolhiam Hong Kong como destino registou uma queda na última década devido ao impacto dos movimentos sociais e da pandemia da covid-19, assim como as opiniões públicas negativas relacionadas com o turismo. Como tal, a Academia de Turismo da China aconselha o Governo da Região Administrativa Especial de Hong Kong a aumentar os esforços em termos de marketing e publicidade para restaurar totalmente a confiança dos turistas do Interior da China no seu mercado turístico.

Suicídio | Registada quebra de quatro casos

No primeiro trimestre deste ano 22 pessoas cometeram suicídio, o que contabiliza uma redução de quatro casos face ao último trimestre de 2023 e menos um caso face ao mesmo período do ano passado. É o que dizem os Serviços de Saúde de Macau (SSM) em dados ontem divulgados, que mostram que, dos 22 casos, 12 dizem respeito a homens e dez a mulheres com idades compreendidas entre os 17 e 75 anos. Deste grupo, 95,5 por cento das pessoas eram residentes, ou seja, 21, enquanto apenas um não residente cometeu suicídio.

Os SSM apontam como potenciais causas para o suicídio “a doença mental, crónica ou física”, descrevendo ainda que “as causas para o suicídio são complexas, envolvendo doença mental, factores psicológicos, sócio-económicos, familiares, interpessoais e biogenéticos”.

As autoridades dizem ainda estar preocupadas “com a saúde mental dos residentes”, procurando reduzir os números através de uma “comunicação e colaboração interdepartamental eficaz”. “Tem sido melhorada a acessibilidade dos serviços e expandida a rede de apoios sociais”, sendo considerada “elevado” o grau de acesso aos serviços de saúde mental.

Jockey Club | Sugerida utilização de espaço para desporto

O espaço do hipódromo deveria ser aproveitado para uso desportivo, em especial de modalidades esquecidas como o ciclismo, considera Leong Sun Iok. O deputado dos Operários entende que a conversão do local num espaço desportivo, nem que seja temporariamente, é um passo para tornar Macau numa “cidade do desporto”

 

“Tendo em conta que o hipódromo ocupa uma grande área, gostaria de perguntar se o local pode ser utilizado temporariamente como campo de treinos para ciclismo, corrida ou outros desportos adequados, antes de haver qualquer planeamento relevante?” A questão faz parte de uma interpelação escrita de Leong Sun Iok divulgada ontem.

O deputado ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) reconhece que “nos últimos anos, o Governo tem-se esforçado em proporcionar aos residentes mais e melhores espaços recreativos e desportivos”. Entre eles, Leong Sun Iok elenca o Parque Desportivo para os Cidadãos no Canídromo Yat Yuen, o Centro Multi-Desportivo na Zona A dos Novos Aterros e o Corredor Verde da Margem Sul, que liga a ponte Governador Nobre de Carvalho e o monumento das Portas do Entendimento, junto ao lago Sai Van.

Como os projectos mencionados ainda precisam de tempo até abrirem, e pelo facto de vários recintos desportivos se encontrarem frequentemente ocupados para treinos de competição, o deputado da FAOM apela ao Governo para encontrar equilíbrio entre a prática desportiva de competição e a prática amadora de desporto. “Cada vez mais residentes consideram o desporto como um passatempo e uma forma de melhorar a aptidão física para fortalecer o corpo”, o Executivo deveria “aproveitar os terrenos não utilizados para a construção de recintos desportivos temporários ou mesmo permanentes”.

Além disso, Leong Sun Iok aponta que faltam locais de treino para alguns desportos populares em Macau, como futebol, corrida e ciclismo, e realça que “os ciclistas têm frequentemente de treinar na estrada, o que representa um certo grau de perigo”.

Metas a alcançar

A popularização da prática desportiva e a criação de “uma atmosfera desportiva para todos” são apontados pelo deputado da FAOM como objectivos a cumprir para motivar a participação do público, numa altura em que são dados os primeiros passos para a organização conjunta dos Jogos Nacionais de 2025.

Usando outra expressão muito em voga no léxico político actual, o deputado defende que a promoção da prática desportiva é também uma forma de tornar Macau numa “cidade do desporto”.

Outro argumento a favor da reconversão do espaço onde funcionou o Macau Jockey Club, é o facto de as obras no recinto do antigo canídromo deixarem, temporariamente, sem sítio para a prática desportiva muitos residentes e os alunos das escolas nas imediações que ali tinham aulas de educação física.

Assim sendo, Leong Sun Iok sugeriu que se faça um estudo para determinar quais os desportos mais populares e com carência de espaços para que o espaço do Jockey Club colmate essas lacunas.

Saúde | Secretária defende “integração de serviços”

A secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, Elsie Ao Ieong U, concorda “plenamente com o importante papel da integração dos serviços de saúde na cobertura universal de saúde”.

Na 77ª Assembleia Mundial de Saúde da Organização Mundial de Saúde (OMS), que decorreu em Genebra, a governante destacou ainda, segundo um comunicado da secretaria que dirige, que o Governo tem vindo a empenhar-se na “protecção de saúde dos residentes”, investindo em centros de saúde que criaram “uma rede comunitária de cuidados de saúde que cobre todas as zonas de Macau”. “Portanto, a experiência prática de Macau pode servir de referência para a promoção da cobertura universal de saúde em diversos países do mundo”, referiu ainda a secretária.

Na cerimónia de abertura da assembleia, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, destacou que “a saúde pública mundial está a enfrentar muitas crises” e que importa “revitalizar a estrutura internacional e criar sistemas necessários para enfrentar futuras crises”.

Já o director-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse que “pelo menos 140 países reconhecem o direito à saúde nas suas constituições, mas em muitas regiões este direito não pode ser concretizado ou está ameaçado”. Desta forma, “cerca de metade da população mundial não está totalmente coberta pelos cuidados de saúde primários, e cerca de dois mil milhões de pessoas estão a enfrentar dificuldades financeiras devido às despesas dos cuidados de saúde por conta própria”, frisou.

Trabalho | Coutinho pede celeridade em processos urgentes

O deputado Pereira Coutinho interpelou o Executivo sobre a importância de tornar mais céleres os processos laborais considerados urgentes, nomeadamente que comprovam incapacidades de trabalho ou determinam pagamento de indemnizações

 

Pereira Coutinho interpelou ontem o Executivo alertando para a necessidade de acelerar os processos judiciais da área laboral, em especial os casos em que o trabalhador esteja em situação de incapacidade total ou parcial de trabalho ou tenha direito a indemnização compensatória pelo tempo em que não pode trabalhar devido a doença ou acidente de trabalho.

Estes processos demoram “muitos anos a ser resolvidos, não obstante o carácter de natureza urgente e oficiosa previsto no Código do Processo do Trabalho”, declarou o deputado. O também presidente da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) diz que as queixas no gabinete de atendimento ao cidadão sobre a lentidão dos casos têm sido frequentes.

Segundo Coutinho, “a situação torna-se mais morosa e complexa quando uma das partes do litígio é trabalhador não-residente que deixou a RAEM”, pelo que “há necessidade de melhorar o actual sistema de representatividade processual por parte das entidades privadas que representam direitos e interesses laborais dos trabalhadores”.

Rever leis

Assim, para o deputado, a solução passa pela revisão “dos diversos regimes e dispersa legislação quanto a processos laborais, nomeadamente os que dizem respeito a acidentes de trabalho e doenças profissionais”. São estes que, por norma, são “morosos, com complexa formalidade processual”.

Coutinho questiona ainda o Governo sobre “medidas concretas que vão ser implementadas pelas autoridades competentes que intervêm nos processos classificados como urgentes e oficiosos”, que estejam relacionados com términos de contrato por denúncia de uma das partes ou rescisões com justa causa da parte dos patrões.

Pede-se ainda a simplificação de processos ligados a acidentes de trabalho e doenças do foro profissional que “envolvam fases conciliatórias, discussão dos resultados dos exames médicos para a confirmação do grau de incapacidade para o trabalho” e ainda na classificação do tempo de recuperação. Tudo para que os trabalhadores não estejam demasiado tempo sem receber o que lhes é devido sem poderem, ao mesmo tempo, trabalhar.

Taipa Grande | Governo abre concurso para construção de túnel

O Governo deu ontem o primeiro passo para a construção do túnel da Colina da Taipa Grande, com a publicação do anúncio do concurso público para a prévia qualificação para a empreitada de concepção de construção. Esta primeira fase tem como objectivo apurar cinco candidatos aprovados para submeter propostas.

Segundo anúncio publicado ontem no Boletim Oficial pela Direcção dos Serviços de Obras Públicas (DSOP), o prazo máximo de concepção e construção da obra é de 1165 dias de trabalho, contados a partir da consignação da obra. Entre as seis metas estabelecidas pela DSOP, a primeira diz respeito à apresentação do projecto de execução e dos documentos da obra de estrutura do túnel que atravessa a montanha (cordilheira) e do viaduto (inclui a obra geotécnica e de estruturas). O prazo dado para a conclusão desta primeira fase é de 90 dias de trabalho.

Os candidatos ao concurso público terão de desembolsar uma caução provisória no valor de 28 milhões de patacas, mediante depósito em dinheiro, garantia bancária ou seguro-caução.

A data limite para submeter as candidaturas é o próximo dia 29 de Julho, que serão abertas no dia seguinte.

Quanto aos critérios de apreciação e sua proporção, a DSOP estabeleceu que a “capacidade integrada” terá um peso de 40 por cento, “experiência técnica” 30 por cento, “recursos humanos” 20 por cento e “comunicação e entrevista” 10 por cento.

“A adjudicação é efectuada ao concorrente com pontuação total mais elevada e, no caso de haver empate na pontuação total mais elevada, a adjudicação é efectuada ao concorrente com a proposta de preço mais baixo”, indica a DSOP.

Reserva financeira | Acrescentados 28,1 mil milhões num ano

No final de Março, a reserva financeira da RAEM atingiu 597,8 mil milhões de patacas, total que representou um aumento de 28,1 mil milhões de patacas em 12 meses. Apesar da recuperação, a reserva financeira de Macau ainda está longe do ponto mais elevado, atingido em Fevereiro de 2021, de 669,7 mil milhões de patacas

 

A reserva financeira de Macau ganhou 28,1 mil milhões de patacas nos últimos 12 meses, mas continua longe do máximo histórico, indicam dados divulgados ontem. No final de Março, os números da reserva indicavam 597,8 mil milhões de patacas, de acordo com informação publicada ontem no Boletim Oficial pela Autoridade Monetária de Macau (AMCM).

A reserva ganhou 5,44 mil milhões de patacas, em comparação com o final de Fevereiro, e 16,4 mil milhões de patacas desde o início de 2024. No entanto, o valor permanece longe do recorde de 669,7 mil milhões de patacas atingido em Fevereiro de 2021, em plena pandemia de covid-19.

O valor da reserva extraordinária no final de Março era de 431,9 mil milhões de patacas e a reserva básica, equivalente a 150 por cento do orçamento público de Macau para este ano, era de 153,4 mil milhões de patacas. A Assembleia Legislativa de Macau aprovou, em 7 de Novembro, o orçamento da região para este ano, que prevê uma subida de 1,4 por cento nas despesas totais, para 105,9 mil milhões de patacas.

A reserva financeira de Macau é maioritariamente composta por depósitos e contas correntes no valor de 244,1 mil milhões de patacas, títulos de crédito no montante de 129,5 mil milhões de patacas e até 225,8 mil milhões de patacas em investimentos subcontratados.

Ano de inversão

A reserva financeira de Macau ganhou 22,2 mil milhões de patacas no ano passado, depois de ter perdido quase quatro vezes mais no ano anterior. Isto apesar de, em 2023, as autoridades da região terem voltado a transferir quase 10,4 mil milhões de patacas da reserva financeira para o orçamento público.

No final de Janeiro, a AMCM sublinhou que os investimentos renderam à reserva financeira quase 29 mil milhões de patacas em 2023, correspondendo a uma taxa de rentabilidade de 5,2 por cento.

O orçamento de Macau para 2024 prevê o regresso dos excedentes nas contas públicas, depois de três anos de crise económica devido à pandemia da covid-19. A proposta de lei aprovada na generalidade prevê que Macau termine este ano com um saldo positivo de 1,17 mil milhões de patacas, “não havendo necessidade de recorrer à reserva financeira”.

EPM | Dispensa de professores causa agitação, mas director defende opções

A semana começou da pior maneira para cinco docentes da Escola Portuguesa de Macau, que foram dispensados contra a sua vontade. A maioria deverá evitar o desemprego, dado que tem colocação em Portugal. Uma das dispensadas era representante dos professores junto da direcção

 

Uma onda de dispensas está a abalar a comunidade relacionada com a Escola Portuguesa de Macau (EPM) e pelo menos cinco professores deixam a instituição no final do ano lectivo contra a sua vontade.

As alterações à composição do corpo docente começaram a ser comunicadas na passada segunda-feira, através de uma ronda de encontros entre o director e os vários docentes. Os encontros serviram para comunicar aos professores se ficavam mais um ano na EPM ou se teriam de deixar a instituição no final do ano.

Ao HM, o director da EPM, Acácio de Brito afirmou que vão sair 11 professores, e que as saídas implicam situações profissionais diferentes, mas reconheceu que em cinco casos as dispensas resultam de exclusiva opção da direcção.

Os cinco afectados estão em Macau ao regime do abrigo de licença especial, o que significa que pertencem aos quadros do Ministério da Educação em Portugal, e que deverão ter colocação profissional no próximo ano.

“Temos nove docentes que têm licença especial [e que vão deixar a EPM]. Entre os nove, cinco vão sair por opção da escola, também há uma saída por motivos de aposentação e três que saem por vontade própria”, revelou Acácio de Brito. “Há também duas pessoas contratadas localmente que disseram que se iam embora”, acrescentou.

Acácio de Brito lamentou a decisão de dispensar docentes contra a sua vontade, mas justifica a opção com o desempenho das funções. “Eu penso que sim [que houve pessoas desagradas com a decisão], é a minha convicção. Não tenho a menor dúvida que há pessoas que vão sair contra a sua vontade”, reconheceu. “Quero dizer sobres estes processos de dispensa que preferia não ter de os fazer, pessoalmente, mas faço-os e profissionalmente já o fiz em várias situações. Mas não me dá agradabilidade nenhuma”, completou.

Substituições tratadas

O processo de dispensa de professores causou mal-estar na comunidade escolar, e nos últimos dias o HM recebeu vários relatos sobre a situação, de membros da comunidade, e essencialmente encarregados de educação que pediram para não serem identificados.

Uma das preocupações insistentemente partilhada prendeu-se com o facto de a contratação de novos professores poder ser um problema, com consequências para a qualidade do ensino.

“Como encarregado de educação, estou extremamente preocupado, porque não sabemos o que se está a passar e receamos que estejam a afastar as pessoas por razões que não conhecemos”, partilhou um encarregado de educação sobre as suas preocupações. “São professores que ao longo dos anos deram provas de competência, e se preocupavam com os alunos. Por isso, a sua saída é incompreensível”, acrescentou.

Outro encarregado de educação indicou que vai ser complicado a escola ficar a ganhar com a substituição: “Tememos que vão contratar outros docentes que sejam menos competentes, que não tenham conhecimento da realidade de Macau e que tenham menos experiência”, indicou. “Somos contra a saída porque conhecemos muito bem o corpo docente e vemos que estão a sair professores competentes”, destacou.

Face a estas dúvidas, a direcção da EPM garante que as contratações de 10 profissionais estão fechadas, e que não houve qualquer tipo de problema burocrático.

“As nove pessoas [em licença especial] vão ser substituídas por 10 professores com qualificações e entre esses professores alguns têm experiência internacional e, naturalmente, são professores seniores”, respondeu Acácio de Brito. “Os 10 docentes estão garantidos. Têm autorização para vir para Macau, mas ainda não têm autorização do Governo Português. Mas, têm autorização dos organismos competentes da RAEM”, frisou.

A direcção da EPM afasta ainda a existência de barreiras burocráticas nas contratações: “Não tive nenhuma dificuldade. Mas, fiz as coisas de forma atempada. Comecei a ouvir os professores [da EPM sobre os seus planos para o futuro] a 21 de Fevereiro, e naturalmente que fui ponderando, verificando, fui alterando as constatações que iam tendo, fui analisando…”, destacou.

Com as alterações, o director da EPM também admite a possibilidade de partirem pessoas que têm Bilhete de Identidade de Residente, substituídas por outras com o título de trabalhador não-residente. “Entre as pessoas que vão sair, se calhar algumas têm BIR, mas isso também não é relevante”, considerou.

Saída de peso

Outra situação que causou mal-estar na comunidade escolar foi uma das docentes dispensada ser a representante dos professores junto da administração da escola. Com a sua saída, houve encarregados de educação que se mostraram alarmados face à possibilidade de a direcção não aceitar críticas internas.

Todavia, Acácio de Brito afasta o cenário: “Só quem não me conhece [pode achar que a saída é motivada por críticas]. O que eu costumo dizer às pessoas é: se eu quisesse pessoas que só concordam comigo, o que fazia era ir todos os dias de manhã falar para a frente do espelho”, defendeu-se. “Se as pessoas falam comigo para repetir aquilo que eu acho, então prefiro que não me digam nada, porque não me estão a acrescentar nada”, sublinhou. “Até posso dizer, aprecio mais alguém que me diz as coisas na cara, do que aquela que me dá palmadinhas nas costas e depois é incorrecta […] e também já foi tempo em que confiava em pessoas que concordam sempre comigo”, acrescentou.

Ainda sobre as alterações, o director da Escola Portuguesa afirma que tem como objectivo fazer da instituição e melhor escola portuguesa fora de Portugal e garante a qualidade dos contratados. “Os critérios utilizados têm a ver com o conhecimento, ponderação e a experiência. Acho que como inspector [de educação nas funções de director da escola], tenho autoridade e competência da lei para tomar esta decisão”, realçou. “Posso enganar-me, mas dificilmente me enganarei porque tenho confiança nas escolhas que fiz e na qualidade das pessoas contratadas”, frisou. “Quero que esta seja a melhor escola portuguesa no estrangeiro e das melhores escolas portuguesas”, realçou.

Reestruturação à vista

Sobre as alterações no corpo de docentes, o director recusou haver uma reestruturação do corpo docente. “Não está em curso nenhum processo de reestruturação na Escola Portuguesa de Macau”, assegurou Acácio de Brito. Mas, admitiu que num futuro próximo poderá haver mudanças “em termos da organização de departamentos, e eliminação de alguns cargos” por considerar que “não têm acrescento para a própria instituição”.

Todavia, as alterações terão de ser “objecto de aprovação em sede da Fundação Portuguesa de Macau”. Acácio de Brito garantiu também que a haver uma reestruturação esta acontecerá “apenas e só em sentido funcional”.

Fundação sem respostas

O HM tentou obter esclarecimentos sobre a vaga de dispensas junto do presidente da Fundação Escola Portuguesa de Macau, Jorge Neto Valente, mas as tentativas de contacto ficaram sem resposta.

Por sua vez, o vice-presidente da Fundação Escola Portuguesa de Macau, Miguel de Senna Fernandes, afirmou estar fora do território e ter sido surpreendido com as mexidas internas: “Também recebi esta notícia um bocado de chofre e não consigo dizer absolutamente nada. Sei que houve uma remexida do corpo docente, mas não sei os termos em que foi feita”, afirmou, ontem, ao HM. “Tenho de voltar a Macau e depois tentar procurar saber o que se passa”, acrescentou.

Ainda assim, o vice-presidente da fundação indicou que é natural que o director tenha as suas razões para promover mexidas: “Ouvi falar sobre o assunto, porque estamos a falar de pessoas que estão em Macau há muitos anos e de repente são dispensadas. Mas também é uma questão de gestão, o senhor director terá as suas razões, mas eu ainda não sei essas razões e fui colhido de surpresa”, reconheceu.

Associação sem queixas

Ao HM, o presidente da Associação de Pais da Escola Portuguesa de Macau, Filipe Figueiredo Regêncio, reconheceu estar ao corrente do sucedido, mas indicou que, até ontem de manhã, na condição de representante dos pais não tinha recebido qualquer queixa.

“Tenho ouvido falar do assunto devido a telefonemas de alguns pais, que falaram comigo. Mas, através da associação de pais ainda ninguém me disse nada”, afirmou Filipe Figueiredo Regêncio, questionado sobre a existência de queixas junto da associação de pais. “Os contactos que tenho recebido mostram alguma preocupação, mas que me parece ser uma preocupação que resulta mais em termos de ambiente [criado pelas movimentações] do que em virtude das pessoas que vão ser dispensadas”, frisou. “É a minha impressão”, acrescentou.

O representante dos encarregados de educação reconheceu também a legitimidade da direcção da EPM para tomar as medidas vistas como adequadas para salvaguardar os interesses dos alunos, embora tenha admitido que no caso de uma dispensa tem algumas reservas.

Turismo | Hotéis com 1,15 milhões de hóspedes em Abril

Os hotéis de Macau receberam mais de 1,15 milhões de hóspedes em Abril, uma subida de 5,6 por cento em termos anuais, foi ontem anunciado.

No mês em análise, o território contava com 143 estabelecimentos hoteleiros, mais 13 do que no mesmo período do ano passado, a disponibilizar 47 mil quartos, de acordo com um comunicado da Direção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). Em Abril, a taxa de ocupação média dos quartos de hóspedes dos estabelecimentos hoteleiros fixou-se em 83,3 por cento, subindo quatro pontos percentuais, em termos anuais, indicou a DSEC na mesma nota.

Do total de 1.159.000 hóspedes, 823 mil chegaram da China continental, ou mais 11,8 por cento, em termos anuais, enquanto os de Taiwan (34 mil) e da Coreia do Sul (24 mil) subiram 96,1 por cento e 245,2 por cento, respetivamente. Já o número de hóspedes de Hong Kong (165 mil) registou uma queda de 35 por cento.

Já nos quatro primeiros meses de 2024, a taxa de ocupação média dos quartos dos hotéis foi de 84,5 por cento, representando mais 8,4 pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano passado.

Nessa altura, os estabelecimentos hoteleiros hospedaram cerca de 4,93 milhões de pessoas, mais 29,8 por cento, face a idêntico período de 2023. O território recebeu 11,47 milhões de visitantes entre Janeiro e Abril deste ano, uma subida de 58,9 por cento em termos anuais, segundo dados da DSEC.

Coreia do Norte | Anunciado fracasso de lançamento de satélite

A Coreia do Norte anunciou ontem o fracasso de uma nova tentativa de colocar em órbita um satélite espião, devido a um alegado problema no motor do propulsor.

O propulsor do satélite de reconhecimento Malligyong-1-1 “explodiu durante a primeira fase do voo e falhou”, declarou o vice-director da Administração Nacional de Tecnologia Aeroespacial (NATA) norte-coreana num comunicado divulgado pelos meios de comunicação oficiais, acrescentando que “a causa do acidente foi a fiabilidade do novo motor a oxigénio líquido e querosene”.

O responsável norte-coreano indicou que uma análise preliminar do acidente apontou um problema num dos motores da primeira fase. A Coreia do Norte demorou pouco mais que 90 minutos a informar sobre o fracasso do lançamento do foguetão espacial, efectuado pelas 22:44 locais de ontem, segundo o Exército sul-coreano.

Em comunicado, o Estado-Maior sul-coreano afirmou ter detectado pela primeira vez às 22:44 locais (o rasto do projéctil lançado da zona de Tongchang-ri – no noroeste do país, onde se situa a base de lançamento espacial de Sohae – em direção ao mar Ocidental (nome dado nas duas Coreias ao mar Amarelo).

Apenas dois minutos depois de localizar o lançamento, os radares sul-coreanos voltaram a detectar o projéctil “como um grande aglomerado de fragmentos nas águas norte-coreanas”, indicando que o foguetão falhou em pleno voo. A Coreia do Norte somou assim mais um fracasso ao seu programa espacial, após dois lançamentos falhados do foguetão Chollima-1 na Primavera e no Verão de 2023.

O porta-voz do Governo japonês, Yoshimasa Hayashi, disse numa conferência de imprensa que o projéctil “desapareceu [do radar)] em pleno voo sobre o mar Amarelo”. “Por isso, acreditamos que não atingiu a órbita terrestre”, acrescentou.

China pede ao MNE iemenita fim dos ataques a navios civis no Mar Vermelho

O chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, pediu ontem ao seu homólogo iemenita, Shaya Mohsin Zindani, o fim dos ataques a embarcações civis no Mar Vermelho, a fim de “garantir a segurança das rotas marítimas”.

Após meses de ataques perpetuados pelos rebeldes Houthi contra várias embarcações naquelas águas, Wang explicou a Zindani que “a situação tensa no Mar Vermelho” é “uma consequência das repercussões do conflito de Gaza”, guerra para a qual apelou a um cessar-fogo.

O ministro chinês dos Negócios Estrangeiros sublinhou a importância de “manter a unidade e a estabilidade” no Iémen e manifestou esperança de que “todas as partes envolvidas no conflito iemenita adiram a uma solução política e respondam positivamente aos esforços de paz da ONU e dos países da região”.

Zindani saudou o “apoio incondicional da China à independência e soberania do Iémen” e a assistência prestada por Pequim “ao desenvolvimento económico e social do país, sem condições políticas”. O ministro iemenita manifestou esperança de que a China “continue a desempenhar um papel significativo na redução das tensões no Mar Vermelho e na reconstrução do Iémen”.

Contra ataques

Os ataques dos Houthi podem ter um grande impacto na economia mundial, uma vez que o Mar Vermelho representa quase 15 por cento do comércio marítimo mundial.

A China tem criticado as acções das forças norte-americanas contra os Houthis desde que o grupo insurgente começou a atacar, há meses, navios no Mar Vermelho e no Estreito de Bab al-Mandeb, que alega estarem ligados a Israel ou dirigirem-se para lá.

Segundo Pequim, os ataques lançados pelos EUA não estão abrangidos pelas resoluções do Conselho de Segurança da ONU ou pela Carta das Nações Unidas e são, por isso, contrários ao direito internacional.

Zindani encontra-se na capital chinesa para participar na 10.ª Conferência Ministerial do Fórum para a Cooperação China – Estados Árabes, esta quinta-feira.

A conferência contará com a presença do Presidente chinês, Xi Jinping, do Rei do Bahrein, Hamad Bin Isa Al Khalifa, do Presidente do Egipto, Abdel Fattah El Sisi, do Presidente da Tunísia, Kais Saied, e do Presidente dos Emirados Árabes Unidos, Mohamed Bin Zayed Al Nahyan.

Opus Magnum

Vimos estupefactos aquele instante de forte voltagem cósmica produzindo na Terra claridade tamanha – dezanove de Maio de 2024 – sem boletim meteorológico capaz de o prever, onde coube ainda a cada um retirar suas ilações ou, tão-somente, mergulhar na beleza do contacto inesperado nessa maravilhosa e cálida madrugada de Primavera, que enquanto êxtase, não poderia ter sido mais intenso. A Península Ibérica fora contemplada por feéricas luzes azuis e verdes como se tivesse permissão para um vislumbre celeste, um rasgão de auroras, uma súbita maravilha, e mesmo assim, foram tímidas as pronúncias e confusos os depoimentos.

Em todo o caso foi de natureza onírica o que se passou em nossos céus tão falhos de acontecimentos excepcionais, e talvez que a alma do Universo nos obrigue agora a depor, de como é ser rasgado de luz tamanha nestes céus noturnos do hemisfério norte.

Os sinais são sinais, ou seja, sinalizam, e eu creio que há sinais dos céus. Até mesmo há sinais corporais quando estamos em caminhos benéficos ou menos bons, quanto mais em esferas superiores em termos de manifestação tamanha! A nossa vida, toda a vida, é um radar, disponibilizamos energia telepática para coordenarmos movimentos e sabemos de modo instintivo dimensionar a textura das coisas sem aludir a grandes factos, que também não saberei dizer onde caiu fonte de energia tal, crendo mesmo que não caiu em lado nenhum. A energia arrefece, quem cai são os corpos.

Acredito que o que se passou foi sem sombra de dúvida uma obra-prima «Opus Magnum» estamos abeirando-nos de uma Guerra que não somos capazes de interpretar, e tudo aquilo que nos acontece nem sabemos já descodificar – dizem uns; sempre caíram meteoros, mas este foi bastante diferente, e se dúvidas houver, delas não me apartarei, somente acrescento grande esplendor de instante feito.

Este nosso refrão está assente em tangíveis etapas que cientificamente corretas acusam falhas, só que a ciência prossegue, é futuro, transformação, e aos poetas a noção de transcendência dos efeitos manifestos. Buscamos nuns e noutros, certitude, esse amplo domínio de precisão, mas quando o inqualificável transborda, são os poetas que têm uma palavra a dizer: não acredito que tenha sido um meteoro, por outro lado, nem sequer deixo de acreditar, que: «o olho no qual vejo Deus é o mesmo olho no qual Deus me vê; o meu olho e o olho de Deus, são um único olho, uma única visão, um único reconhecimento e um único amor» que nesta alquimia os invisuais transbordam de ternura por tudo aquilo que a visão alcança.

Que o azul não nos falte nem a verde composição se deixe de manifestar. Maio pode ser verdejante, mas ondas tão fortes de azul esquecido, nos deu qualquer coisa capaz de achar o mar uma sombra, uma pradaria, um aterro, e os néons artificiais, grosseiras formas de luz. Estivemos assim diante de uma obra-prima, de algo melhorado que parece acontecer só uma vez no espaço de uma época, o factor surpresa não foi visto como grande sinal, mas sentido por muitos apenas como temor. Dito isto, e aqui nas funduras da Terra, o que importa afinal são outras coisas, todas as coisas, tangíveis, risíveis, modelarmente humanas, que ninguém parece receptivo ao acaso, nem ao seu teor vibrante que talvez pareça querer despertar-nos. As evanescentes vozes foram então de jovens para quem os fenómenos são expressos com um misto de sagrado e de deleite, e nas suas vozes entrecruzadas captámos aquilo que falta em grande escala, ser maravilhado, deixar-se maravilhar. Escutando-os: não era parecido com nada que até agora conhecêramos!

« Chef- d´oeuvre» ou a beleza do céu vindo a nós como sinal de coisas melhoradas. Que obra de arte é clarão tamanho em diferentes áreas, que muitos de seus obreiros até se esquecem de assiná-las.

Prémios Sophia premeiam João Canijo e Marco Martins

Os filmes “Mal Viver”, de João Canijo, e “Great Yarmouth – Provisional Figures”, de Marco Martins, foram os mais premiados na cerimónia dos prémios Sophia, da Academia Portuguesa de Cinema, que decorreu no domingo no Casino Estoril, Cascais.

Na 13.ª edição dos Sophia, João Canijo recebeu o prémio de Melhor Realização e conquistou ainda o de Melhor Filme por “Mal Viver”. Este é um drama de uma família, de várias gerações de mulheres, que gere um hotel; uma obra que se conjuga num díptico com a longa-metragem “Viver Mal”, ambas produzidas por Pedro Borges, da Midas Filmes. Por conta ainda de “Mal Viver”, a Academia Portuguesa de Cinema atribuiu ainda o Sophia de Melhor Actriz Secundária a Madalena Almeida e o de Melhor Montagem a João Braz.

“Great Yarmouth – Provisional Figures”, de Marco Martins, retrato da emigração portuguesa no Reino Unido, somou também quatro prémios para Beatriz Batarda (Melhor Actriz Principal), Romeu Runa (Melhor Actor Secundário), João Ribeiro (Melhor Direcção de Fotografia) e Miguel Martins e Rafael Cardoso (Melhor Som).

“Viva a liberdade, mas sejamos estoicos e façamos da casa da nossa democracia um exemplo para todas as casas do nosso país. Xenofobia, misoginia, transfobia, discurso do ódio, não, não pode, seu ignorante”, disse o ator Romeu Runa no discurso de agradecimento.

“Amadeo”, de Vicente Alves do Ó, venceu três Sophia nas categorias de Guarda-Roupa, Direcção de Arte e Maquilhagem e Cabelos. O filme “Não Sou Nada – The Nothingness Club”, de Edgar Pêra, que era o mais nomeado desta edição, recolheu duas estatuetas, de Melhor Caracterização e Efeitos Especiais e para Melhor Actor Principal, para Miguel Borges.

Carlos Conceição conquistou o prémio de Melhor Argumento Original para o filme “Nação Valente”. Destaque ainda para prémios atribuídos no cinema de animação.

A longa-metragem “Nayola”, de José Miguel Ribeiro, venceu o Sophia de Melhor Argumento Adaptado, para Virgílio Almeida, “Sopa Fria”, de Marta Monteiro, venceu o de Melhor Curta-Metragem de Animação, e a longa-metragem “Os Demónios do Meu Avô”, de Nuno Beato, recebeu dois prémios, nas categorias de Melhor Canção e Melhor Banda Sonora.

“Rabo de Peixe” vencedor

O Sophia de Melhor Série ou Telefilme foi para a “Rabo de Peixe”, realizada por Augusto Fraga e Patrícia Sequeira, e produzida para a plataforma de ‘streaming’ Netflix. Joana Botelho venceu o Sophia de Melhor Curta-Metragem Documental com “Coney Island – As Primeiras Vezes”, Basil da Cunha venceu na categoria de curta-metragem de ficção, com “2720”, e “Viagem ao Sol”, de Ansgar Schaefer e Susana de Sousa Dias, obteve o Sophia de Melhor Documentário.

Durante a cerimónia, a Academia Portuguesa de Cinema atribuiu ainda os Sophia de Carreira ao músico e compositor Luís Cília e ao realizador Rui Simões.

Livro | Filipa Simões lança guia que faz levantamento de arte urbana em Macau

É hoje lançado no CURB – Centro de Arquitectura e Urbanismo o livro “Guide to Street Art in Macau”, da autoria da designer Filipa Simões. A obra faz um mapeamento dos seis pontos do território onde existe arte urbana, como o graffiti, mas não só. A autora fala de um “crescente interesse” do Governo sobre esta área nos últimos anos

 

“Guide to Street Art in Macau” [Guia para a Arte de Rua em Macau] é o nome do livro da autoria de Filipa Simões, designer e docente, lançado hoje, a partir das 18h, no CURB – Centro de Arquitectura e Urbanismo, na Ponte 9. Trata-se da primeira obra que apresenta um mapeamento exaustivo, com curadoria, em seis zonas do território onde existe arte de rua, nomeadamente o graffiti. Trata-se de quatro zonas na península, uma na Taipa e outra em Coloane.

A arte de rua não é ainda algo banal em Macau, mas tem vindo a fazer-se notar nos últimos anos. Filipa Simões descreve ao HM que “o cluster mais prolífico e diverso centra-se à volta da Praça de Ponte e Horta, no Porto Interior, onde está sediado o ‘Outloud!’, o festival de graffiti de Macau”, cuja influência “se estende até à zona de A-Ma, que se divide entre becos na zona do Manduco e zona industrial do porto”.

Por sua vez, na zona central da península, “as obras encontram-se dispersas em pequenos grupos, com maior frequência nas zonas históricas”. Já na zona norte, em locais como o Fai Chi Kei ou Iao Hon, “as obras reflectem o carácter mais denso e opressivo da paisagem urbana”, enquanto nas ilhas são “mais bucólicas e pitorescas”.

Filipa Simões frisa que a publicação desta obra “é um convite para descobrir Macau através da ‘street art’, de forma mais atractiva e acessível para uma audiência abrangente”, além de ser “uma celebração do entusiasmo e interesse em Macau da parte dos artistas e promotores que estão por trás destas obras”. O livro não pretende ser “uma obra final, até pelo carácter transitório desta forma de arte, que está sempre em mutação”.

A ajuda do “Outloud!”

A autora dá conta de que este livro não apresenta “um levantamento exaustivo de toda a arte de rua de Macau, mas sim uma selecção curada”. “Começámos por fazer um levantamento abrangente das obras por todo o território. Estivemos também em contacto com artistas locais e organizadores do festival ‘Outloud!’, que nos ajudaram a descodificar o universo da ‘street art’ em Macau. Seguiu-se um trabalho de selecção, onde procurámos criar uma narrativa com as obras escolhidas, agrupando-as depois em percursos que fossem mais interessantes de descobrir”, acrescentou.

Filipa Simões destaca que a intenção foi “evidenciar cada obra, mas também mostrar o diálogo com a vida quotidiana da cidade”. As imagens são da autoria de David Lopo.

Se noutras cidades do mundo a arte de rua assume, muitas vezes, um carácter marginal, por ser realizada em locais proibidos, em Macau o posicionamento da “street art” é bem mais equilibrado, existindo “um diálogo forte com o mundo do graffiti na China Continental, mesmo pelas limitações de espaço no território”.

Assim, destaca Filipa Simões, “o modelo da obra encomendada é visto de uma forma mais positiva do que no panorama de ‘street art’ ocidental. Mesmo que na sua génese seja uma arte ‘marginal’, em Macau este equilíbrio entre a mensagem do artista e o interesse do Governo tem sido profícuo. No entanto, não é algo definidor do panorama de ‘street art’ local.”

A designer refere, neste ponto, o facto de já se encontrarem diversos exemplos de obras encomendadas por privados, além das iniciativas de grupos de artistas locais que têm fomentado esta área, nomeadamente a organização do festival “Outloud!”.

Potencial turístico

Filipa Simões entende que, nos últimos anos, se tem notado “maior abertura e interesse do Governo” em relação à arte de rua, pelo “potencial” que tem “na promoção cultural e do turismo”. “Vários sectores do Governo têm tirado vantagens disso, apropriando-se da narrativa de forma positiva. As iniciativas do Governo na qualidade de promotor ou financiador têm contribuído muito para a expansão da ‘street art’ em Macau”, disse ainda.

A designer não tem dúvidas de que a arte de rua “é uma ferramenta poderosa para promover a identidade cultural das cidades e activar zonas urbanas mais delapidadas e esquecidas”.

Neste sentido, nota-se que já existe “um interesse natural por parte dos turistas em fotografar as obras icónicas de graffiti”, o que demonstra que a arte de rua “adiciona mais uma ‘layer’ [camada] a Macau, que já de si é culturalmente muito densa e fascinante”.

Olhando para a história da arte de rua no território, a autora do livro refere que esta tem vindo a ser feita nos últimos 25 anos, apesar de estar ainda “numa fase inicial quando comparada com outras cidades da região ou mesmo internacionais”.

O facto de, no período da covid-19, Macau ter estado praticamente fechada ao mundo, com poucas saídas e entradas, espoletou a veia artística de muitos.

“A evolução nos últimos anos, mesmo em contexto condicionado pela covid-19, tem dado sinais de uma evolução muito rápida e positiva. O impacto é notório no ‘feedback’ que se obtém nas redes sociais, tanto da população local como de visitantes.”