Lacticínios | Empresas chinesas pedem investigação a subsídios europeus

Várias empresas estão “a preparar provas” para solicitar ao Governo da China a abertura de uma investigação aos subsídios da União Europeia a algumas exportações de laticínios

 

A imprensa oficial chinesa adiantou que algumas empresas nacionais vão entregar provas ao Governo Central para que sejam investigados os subsídios atribuídos pela União Europeia no que toca à exportação de produtos lacticínios.

Numa mensagem publicada, no sábado, na rede social X (antigo Twitter), que está bloqueada na China continental, o jornal oficial do Partido Comunista Chinês, o Global Times, citou uma fonte não identificada “com conhecimento do sector”. A notícia surgiu num contexto de crescentes tensões comerciais entre a China e Bruxelas.

Em 26 de Maio, o Global Times publicou uma mensagem semelhante, citando também uma fonte não identificada “com conhecimento do sector”, que garantia que empresas chinesas iriam pedir uma investigação antidumping contra importações de carne de porco da UE.

Dias antes, a Câmara de Comércio da China na UE disse ter sido “informada por especialistas do sector” de que Pequim estaria a ponderar aumentar as taxas alfandegárias sobre veículos com motores de grande cilindrada, em preparação contra a possível decisão da UE de penalizar os eléctricos chineses.

Em Outubro, Bruxelas abriu uma investigação sobre os subsídios públicos que Pequim concede aos veículos eléctricos, por temer que o mercado esteja a ser inundado por veículos com preços “artificialmente baixos”. A decisão mereceu o protesto de Pequim, que a descreveu como um caso de “proteccionismo flagrante”.

Várias frentes

A UE deverá informar este mês os exportadores chineses se irão impor tarifas adicionais aos veículos eléctricos.
A imprensa estatal da China recordou que, em 22 de Maio, o Ministério do Comércio chinês anunciou uma investigação antidumping contra as importações de copolímero de polioximetileno, um material frequentemente utilizado pelo sector automóvel, proveniente dos EUA, da UE, do Japão e de Taiwan.

No mesmo dia, o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês garantiu que “o desenvolvimento e a abertura da China à Europa e ao mundo é uma oportunidade, não um risco”, e que o proteccionismo “não pode resolver os problemas da UE”. “A UE e a China devem resolver questões económicas e comerciais concretas através do diálogo e de consultas”, disse o porta-voz do ministério, Wang Wenbin.

Brasil | Visita a Pequim resultou em mais de 4,2 mil milhões de euros em créditos

O Governo brasileiro anunciou que a missão oficial à China resultou em 24,6 mil milhões de reais (4,2 mil milhões de euros) em créditos, incluindo recursos destinados a obras de infra-estrutura

 

Segundo o comunicado emitido pelo Governo brasileiro, o vice-Presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, encontrou-se na sexta-feira com o Presidente da China, Xi Jinping, encerrando a visita oficial de quatro dias à China.

“Concluímos esta missão à China com resultados muito satisfatórios. Garantimos mais de 24,6 mil milhões de reais em financiamentos para projectos diversos no Brasil, com foco significativo na reconstrução do Rio Grande do Sul”, afirmou Alckmin.

Na sua passagem pelo país asiático, o vice-Presidente brasileiro reforçou o compromisso do país com o desenvolvimento sustentável e a preservação do ambiente, realçando que o Brasil é um país estável, com uma economia em expansão e que, recentemente, aprovou reformas como a tributária, que facilitam ainda mais os investimentos no país.

Ao receber Alckmin no Palácio do Povo, Xi Jinping destacou que “China e Brasil são parceiros e irmãos que avançam juntos com a mesma vontade e aspiração”, refere-se no comunicado. O Presidente chinês afirmou que “as relações China-Brasil transcendem o escopo bilateral e servem como paradigma para promover a união, cooperação dos países em desenvolvimento, e a paz e a estabilidade do mundo”.

Sobre os recursos anunciados, o Brasil destacou um memorando de entendimento assinado entre o Ministério das Finanças e o Banco Asiático de Investimentos e Infra-estrutura (AIIB), no valor de até 5 mil milhões de reais (877 milhões de euros), para apoio de emergência ao estado brasileiro Rio Grande do Sul, atingido por fortes chuvas e que deverá iniciar um amplo processo de reconstrução.

Outros 4 mil milhões de reais (702 milhões de reais) em crédito serão concedidos pelo Banco de Desenvolvimento da China (CDB) para o Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social (BNDES) do país sul-americano, para projectos na área das infra-estruturas, incluindo relacionados com as mudanças do clima e a economia verde.

O CBD e BNDES acordaram também um crédito de 3,6 mil milhões de reais (632 milhões de euros) para acções de investimento do BNDES. Fechando a lista de novos investimentos, BNDES e AIIB assinaram uma carta de intenção para negociação de uma nova linha de crédito, no valor de 1,3 mil milhões de reais (228 milhões de euros).

Já o Banco de Exportação e Importação da China (Eximbank) e o Banco do Brasil assinaram um acordo de empréstimo de 2,5 mil milhões de reais (439 milhões de euros) para facilitar o comércio e a cooperação bilateral.

O Banco do Brasil assinou um acordo com o CDB para uma linha de crédito de 2,5 mil milhões de reais (439 milhões de euros), que deve permitir o aprofundamento da cooperação pragmática entre Brasil e China. Durante a missão brasileira à China, foi formalizado ainda um financiamento de 5,7 mil milhões de reais (mil milhões de euros) do New Development Bank (NDB), o banco do Brics, para a reconstrução do Rio Grande do Sul.

Relações seculares

O Governo brasileiro acrescentou que a missão liderada por Alckmin regressa ao país com um acordo para venda de 120 mil toneladas de café brasileiro, o equivalente a 500 milhões de dólares (463 milhões de euros), para a rede de cafés chinesa Luckin Coffee.

A Sinovac, fabricante de medicamentos que produziu a vacina Coronavac, deverá investir 500 milhões de reais (87,7 milhões de euros) para desenvolver, em conjunto com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), vacinas no país sul-americano.

Os dois países celebram este ano 200 anos de relações diplomáticas. De acordo com dados oficiais, a China é o maior parceiro comercial do Brasil desde 2008.

O mercado chinês foi destino de 30 por cento das exportações brasileiras em 2023, atingindo 104 mil milhões de dólares (95,5 mil milhões de euros), sobretudo graças a produtos alimentares e matérias-primas. A China, por seu turno, mantém investimentos no Brasil que rondam os 40 mil milhões de dólares (36,8 mil milhões de euros), que nos últimos anos se têm centrado sobretudo na área energética.

A vontade de Zhu Zhifan em contemplar Nanquim

Su Dongpo (1037-1101), o poeta cuja vida atribulada o conduziu aos mais inesperados recantos do Império, seria sempre recordado como um viandante. Certo dia em Danzhou (Hainan) a terra onde passou exilado, os últimos três anos da sua vida, saíu de casa para ir visitar o seu amigo Li Ziyun e foi surpreendido pela chuva. A dificuldade não o demoveu, e pedindo emprestados a um camponês, um chapéu de palha e umas socas de madeira, continuou o seu caminho.

Pessoas que viam passar o literato com as suas longas vestes de funcionário imperial misturadas com a lhaneza dos acessórios rurais, riam-se e diz-se até que cães, denotando a estranheza, ladravam à sua passagem. Mas a figura do poeta e a sua longanimidade, encapsulados na expressão Dongpo liji (Dongpo com chapéu de palha e socas) perdurariam e mais tarde, quando se começou a celebrar de forma metódica a sua vida e o seu aniversário, essa memória foi avidamente recuperada em pinturas e esculturas que até hoje celebram o herói cultural.

E é assim que ele surge, caminhando e inclinando-se ligeiramente para levantar a fímbria dos seus vestidos para que não se arrastem na lama, numa pintura (rolo vertical, tinta sobre papel, 92 x 29 cm, no Museu Provincial de Guangdong), atribuída ao pintor literato de Nanquim, Zhu Zhifan (1558-1624). De maneira característica, diz-se que essa seria já uma cópia de uma outra, executada pelo pintor Li Gonglin (1049-1101), que efectivamente conheceu o poeta, conferindo-lhe veracidade.

Noutras pinturas Zhu Zhifan ilustrou lugares distantes como no álbum Expedição ao Norte (dezoito folhas, tinta e cor sobre seda, 21,7 x 27,4 cm, no Museu Britânico) onde evoca a trágica narrativa sobre Cai Wenji, a poeta que foi levada para a terra dos Xiongnu, além das fronteiras do Império. Porém, seriam sobretudo as viagens dentro e à volta da sua cidade natal de Nanquim que o cativariam.

Zhu Zhifan escreveu logo no início do século dezassete uma relação sobre a cidade de Nanquim referida pelo antigo nome Jinling que, dado o seu sucesso seria editada, revista e aumentada com poemas em 1624 e desenhos de Lu Shoubo sob o nome de Jinling Tuyong, «Odes ilustradas de Jinling». Dela constam não apenas descrições de quarenta lugares panorâmicos para observar a orbe mas também a imaginação, as histórias e lendas que os lugares despertaram.

A vontade de fazer a obra nasceu, como ele refere na introdução, do seu próprio desejo de ver e documentar esses lugares, afinal parte de uma celebrada prática cultural entre os literatos designada woyou, «viajar deitado». A mesma vontade que levou Su Dongpo a não desistir da intenção de dialogar com o seu amigo, indiferente à chuva, como quem sabe que há algo que não se pode perder. Uma intuição que se percebe na tradução da palavra «curiosidade», haoqi, que denota a busca de algo bom e raro.

IC | Festival Internacional de Artes para Crianças traz grupo português

O Instituto Cultural apresentou na sexta-feira a primeira edição do Festival Internacional de Artes para Crianças, evento que terá um orçamento de 30 milhões de patacas, suportado por três operadoras de jogo. O cartaz do festival irá contar com o grupo português WeTumTum

 

O grupo português WeTumTum vai participar na edição inaugural do Festival Internacional de Artes para Crianças de Macau, marcada para os dias entre 4 de Julho e 25 de Agosto, anunciou na sexta-feira o Instituto Cultural (IC).

O WeTumTum vai apresentar, entre 19 e 22 de Julho, o espectáculo de circo contemporâneo “Crassh_DuoCircus”, em que dois artistas criam música a partir de utensílios de cozinha comuns como baldes, panelas de aço inoxidável, copos, frigideiras, bolas e “uma maçã meio comida”.

O grupo, com sede em Oliveira do Bairro, distrito de Aveiro, venceu o Prémio do Público do Teatro Castilla-Leon em 2013 e o Prémio de Melhor Espectáculo ao Vivo no Festival de Artes Ibéricas em 2020. O programa conta ainda com a participação de grupos locais e vindos de Espanha, Argentina, Estados Unidos, assim como de Hong Kong e da China continental, disse a presidente do IC, numa conferência de imprensa.

O festival inclui 55 actividades, entre actuações em palco, um festival com mais de 20 filmes, exposições, uma feira do livro, instalações ao ar livre, um acampamento artístico, workshops e o primeiro musical infantil criado pelo Museu do Palácio de Pequim.

Outro destaque do programa será “Annie, o Musical” que, segundo um comunicado do IC, é “um musical clássico da Broadway para famílias que reinterpreta as exaltantes aventuras de uma pequena e corajosa menina órfã, encenado ao som de músicas memoráveis como ‘Tomorrow’ e ‘It’s the Hard Knock Life'”.

O espectáculo de encerramento do festival será “O Primeiro Musical para Crianças do Museu do Palácio Lu Duan”, constituindo “uma viagem imersiva pelas relíquias históricas do Palácio Imperial através de uma integração inovadora e perfeita entre artes teatrais, cultura tradicional e tecnologia moderna”.

Mestres de marionetas

No caso do espectáculo oriundo de Espanha, “Laika”, produzido pela companhia Xirriquiteula Teatre, irá proporcionar ao público “uma experiência maravilhosa de estética visual cativante através de várias formas de expressão artística, como jogos de sombras, marionetas e montagem de filmes”.

Também de Espanha chega “A Lua numa Caçarola”, uma produção que combina música, dança, teatro e efeitos especiais, criada pela companhia La Petita Malumaluga. Trata-se de um espectáculo que “levará os mais pequenitos e seus acompanhantes adultos aos cantinhos emocionais de uma lua, convidando-os a passarem um bom bocado juntos”.

Da Argentina chega o espectáculo de marionetas não-verbais “Tic Tac: O Herói do Tempo”, da Companhia de Artes de Marionetas Omar Alvarez Titeres. Esta produção propõe “uma análise subtil dos sentimentos humanos com uma combinação de marionetas delicadas feitas a partir de objectos do quotidiano, incluindo projecções em stop-motion”.

O cartaz do festival irá também brindar o público com o concerto familiar “Sinfonia Mágica”, em que o “famoso apresentador de televisão para crianças de Hong Kong, Harry, irá juntar-se à Orquestra de Macau para transformar o auditório num alegre parque de diversões repleto de melodias mágicas”, descreve o IC.

O público infanto-juvenil poderá ainda desfrutar de uma ópera cantonense para adolescentes, intitulada “A Lanterna de Lótus Mágica”, com interpretação dos alunos da Escola de Teatro do Conservatório de Macau do Instituto Cultural.

Destaque também para o espectáculo “O Bosque dos Sonhos”, criado pela produtora local Chan Si Kei e pelas coreógrafas, também de Macau, Wendy Choi e Annette Ng. Esta iniciativa para bebés convida ao convívio com “cada criatura incrível que habita uma floresta mágica através do movimento físico”.

Eventos à parte

O primeiro Festival Internacional de Artes para Crianças traz ainda a exposição “Mundo Fantástico da Arte do Centro Pompidou”, situado em França. Apresentam-se “exposições e funções educativas que levarão as crianças a embrenharem-se na exploração e criação artísticas através de meios interactivos, permitindo-lhes assim desfrutar do prazer da criatividade e introduzindo-as à arte contemporânea”.

Serão ainda realizados 20 workshops temáticos em torno do mundo da arte, num total de 60 sessões, bem como acampamentos de artes “Misterioso Campo de Jogos – Acampamento Criativo para Crianças” e “Fantástico Portal Criativo – Acampamento Artístico Familiar”, que decorrem no Centro Cultural de Macau. Estas iniciativas são descritas pelo IC como workshops interactivos que irão proporcionar a experiência de “contar histórias num pequeno teatro e desfrutar do prazer da arte”.

O festival inclui ainda cinema, convidando “as crianças a explorar o mundo cinematográfico e vivenciar o calor da família a partir de histórias”. A sétima arte será representada no cartaz com o “Festival Internacional de Cinema para Crianças de Macau” uma selecção de 20 filmes distribuídos em quatro secções. Será feita a reposição de filmes como “Shrek” e “Eu Não Sou Estúpido”, ou ainda os filmes clássicos “Os Quatrocentos Golpes”, “O Espírito da Colmeia” e diversas curtas-metragens locais.

O programa inclui ainda a master class “Acampamento Musical” com a presença de Joshua Bell, violinista vencedor de um Grammy, e ainda vários músicos da Academy of St Martin in the Fields do Reino Unido. Desta forma, os participantes “terão a oportunidade de actuar com os mestres no palco”, além de que estes irão oferecer “orientações pessoalmente a alguns participantes”.

Palavra de presidente

Leong Wai Man, presidente do IC, disse que os eventos, pensados para crianças e jovens de diferentes faixas etárias, vão decorrer no Centro Cultural (CCM) e no vizinho Museu de Arte. Além de cultivar os interesses artísticos desde cedo e alargar os horizontes das crianças e dos jovens de Macau, o festival pretende ainda atrair mais visitantes, sublinhou a presidente do IC.

O evento, com um orçamento de 30 milhões de patacas, vai ser organizado pelo IC em conjunto com três operadoras de casinos. O cartaz não está ainda fechado, mas traz também uma livraria para crianças, em formato pop-up, aberta aos fins-de-semana, durante todo o mês de Julho, no espaço “DOT ART”, no primeiro andar do CCM. Haverá aí um parque de diversões e mais de 200 livros infanto-juvenis à venda. Haverá também dispositivos para fotografias e uma área de leitura para pais e filhos, onde pequenos e graúdos poderão desfrutar juntos da leitura.

Não faltará também o “Dia de Diversão MICAF – Artes em Festa”, que decorre na praça do CCM nas noites de 23 a 25 de Agosto, onde se irão realizar espectáculos de rua com dança urbana, palhaços ou teatro de marionetas.

Os bilhetes para o festival estão à venda deste domingo, e as inscrições para actividades complementares podem ser feitas na plataforma da Conta Única de Macau. Destaque para a parceria com a Cinemateca Paixão no que diz respeito à exibição dos filmes do festival de cinema.

Take-away | Aliança do Povo quer comissões mais baratas

A vice-presidente da Aliança do Povo de Instituição de Macau, Chan Peng Peng, defende que o Governo deve prestar mais atenção às dificuldades das pequenas e médias empresas (PME) e convencer as plataformas de take-away a cobrar comissões mais baixas.

Segundo o jornal Ou Mun, a responsável recordou que os pedidos de take-away são cada vez mais populares e que muitos comerciantes aderiram às plataformas para expandir vendas. No entanto, Chan Peng Peng citou queixas de comerciantes devido às comissões cobradas, que são consideradas demasiado altas. Chan indica que por cada transacção é cobrada uma comissão de cerca de 20 por cento.

A este peso no preço, sublinha a responsável, juntam-se muitas despesas adicionais, como o custo para comercializar na plataforma, distribuição, publicidade, cupões e actividades promocionais. Feitas as contas, a vice-presidente da associação indica que os proprietários dos restaurantes e lojas de takeaway podem pagar até 40 por cento em comissões.

Além disso, Chan Peng Peng apontou que as plataformas de take-away lançam frequentemente actividades promocionais, com preços mais reduzidos para os consumidores. Porém, o custo das promoções é suportado pelos comerciantes.

Dado que no contexto actual, é considerado inevitável a participação em promoções para os diferentes negócios, Chan Peng Peng indicou que a competição é cada vez mais feroz. A responsável recordou ainda os dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), que apontavam para uma quebra do volume de negócios na restauração de 17,2 por cento em comparação com Fevereiro.

Empreendedorismo | Competição quer atrair ‘startups’ lusófonas

A 4.ª edição da competição 929 Challenge foi apresentada na sexta-feira e os organizadores esperam atrair para Macau mais startups chinesas e dos países de língua portuguesa

 

A quarta edição da competição 929 Challenge quer atrair ’startups’, chinesas e dos países de língua portuguesa, “com maior qualidade e preparadas para lançar um negócio em Macau”, anunciou a organização na sexta-feira. José Alves, co-fundador da 929 Challenge, defendeu que “o sucesso” da competição lançada em 2021, em plena pandemia de covid-19, deve ser cada vez mais medido pelo número de projectos que chegam ao mercado.

A última edição registou um novo máximo, com mais de 1.500 participantes em mais de 280 equipas de todos os nove países lusófonos e da China. Mas o outro co-fundador da 929 Challenge recusou-se a fixar uma meta para este ano.

“Estamos mais preocupados com a qualidade do que com a quantidade. Queremos projectos que sejam depois aplicados comercialmente”, sublinhou, numa conferência de imprensa, Marco Duarte Rizzolio.

O também professor da Universidade Cidade de Macau recordou que a competição tem novos parceiros, incluindo o Instituto Nacional de Apoio às Micro, Pequenas e Médias Empresas de Angola e o Centro de Incubação de Jovens Empreendedores de Macau. “Estes parceiros têm-nos trazido melhores ‘startups’ e projectos”, acrescentou José Alves.

A organização acredita ainda que poderá atrair “projectos mais fortes” graças à subida dos prémios monetários para os três melhores: 300 mil patacas e quatro mil dólares em serviços e ferramentas da gigante tecnológica chinesa Alibaba.

As inscrições estão abertas até 29 de Setembro, tanto para empresas como para equipas de alunos universitários.
As equipas irão participar num ‘bootcamp’ ‘online’, com uma rede com mais de 60 mentores, nas duas primeiras semanas de Outubro, durante o qual deverão criar planos de negócios a pensar na Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau, disse Rizzolio.

Os melhores 16 planos – oito de empresas e oito de universitários – terão 10 minutos para convencer o júri da 929 Challenge e potenciais investidores na final, a 9 de Novembro.

Apoios para a Baía

De seguida, haverá “um programa de apoio às empresas que se queiram estabelecer aqui em Macau e na Grande Baía”, que inclui, durante duas semanas, visitas a incubadoras e encontros com fundos de capital de risco, disse Rizzolio.

Este ano, pela primeira vez, haverá ainda um programa de ‘soft landing’ (aterragem leve), com um máximo de três meses, para projectos que queiram mesmo abrir um negócio em Macau, acrescentou José Alves. Para as ‘startups’ que precisem de capital, disse Marco Duarte Rizzolio, a competição tem acordos com possíveis investidores, incluindo a chinesa Da Heng Qin Macao Corp e a Portugal Ventures, sociedade de capital de risco do grupo estatal Banco Português de Fomento.

O concurso é co-organizado pelo Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Macau) e por várias instituições RAEM, incluindo todas as universidades.

José Cesário afirma que consulado em Macau causa preocupação

O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Cesário, indicou à Lusa que o posto consular de Macau é um dos que gera preocupação às autoridades portuguesas, devido a desafios na organização e falta de profissionais.

“Os [postos] prioritários são aqueles em temos mais dificuldades. E são os maiores, de um modo geral. (…) Toronto claramente, claramente São Paulo, claramente Rio de Janeiro, claramente Joanesburgo, claramente Londres. O Luxemburgo, embora tenha melhorado, também precisa que possamos continuar a dar-lhe muita atenção. Buenos Aires é outro local em que temos muitas preocupações, Macau é outro posto também”, afirmou José Cesário.

O secretário da Estado para as Comunidades Portugueses explicou também que este tipo de prioridades prende-se especialmente com a “falta de funcionários” ou pela necessidade de “melhor organização”. “Prende-se com várias coisas. Prende-se com o facto de que nuns locais faltarem funcionários, noutros locais é preciso melhorar a organização, noutros locais tem a ver efectivamente com a apropriação por parte de certas redes das vagas para os agendamentos”, admitiu.

Problemas mais graves

Entre os consulados prioritários, determinado pelo recente Plano de Acção para as Migrações, estão igualmente outros postos onde se reconhece que há redes ligadas ao crime a interferir.

“Estou a lembrar-me de um outro caso que é preciso ser trabalhado com muita atenção, que é Goa. A área dos vistos, toda ela é muito importante, seja em Luanda, a cidade da Praia, Bissau…são situações que nós vamos ter de ir olhando com muita atenção”, acrescentou. Em Novembro passado, a Polícia Judiciária portuguesa (PJ) participou em buscas em Portugal e no Brasil, num caso que investiga suspeitas de corrupção no Consulado-Geral de Portugal no Rio de Janeiro e envolve um esquema de legalização ilícita de documentos para obtenção de nacionalidade portuguesa.

A PJ explicou que os inquéritos investigam suspeitas dos crimes de corrupção passiva e activa, participação económica em negócio, peculato, acesso ilegítimo, usurpação de funções, abuso de poder, concussão, falsificação de documentos e abuso de poder.

EPM | PSD acusa Alexandre Leitão de promover “assalto” socialista

A secção de Macau do Partido Social Democrata quer a demissão do cônsul de Portugal e pede ao director da EPM, Acácio de Brito, que volte para Portugal antes da chegada da sua namorada, que os sociais-democratas alegam ser uma das novas professoras contratadas

 

A secção do Partido Social Democrata (PSD) exige a demissão do cônsul-geral de Portugal, Alexandre Leitão, que acusa de promover um assalto com membros e simpatizantes do Partido Socialista (PS) à Fundação Escola Portuguesa de Macau. O apelo à demissão foi deixado ontem, através de um comunicado emitido durante a tarde, na altura em que a Ministra da Justiça de Portugal se encontra de passagem por Macau, no âmbito das celebrações do 10 de Junho.

A mensagem assinada por António Sousa de Bessa Almeida, porta-voz da Secção do PSD em Macau, recusa que os órgãos da Fundação Escola Portuguesa de Macau estejam a funcionar normalmente, depois de nas últimas semanas ter sido anunciada uma onda de dispensa de vários professores da escola. A agravar o clima na instituição, circularam rumores que os futuros professores são amigos e íntimos do director da EPM, com quem este terá trabalhado em Timor-Leste. Esta é uma informação que o PSD dá como certa.

“Nesta comunicação repudiamos as recentes declarações do cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong, Alexandre Leitão, ex-vereador socialista de Coimbra, à TDM no que toca à falsidade de que os órgãos da Fundação Escola Portuguesa de Macau estejam a funcionar normalmente, denunciando ainda o assalto descarado de socialistas incluindo as Alexandre Leitão à Fundação Escola Portuguesa de Macau sem mandato nem instruções do Governo de Portugal”, pode ler-se na mensagem. “Assim sendo, Alexandre Leitão deve pedir exoneração do posto de cônsul-geral de Portugal em Macau com efeitos imediatos recordando que a era socialista terminou há já uns meses”, foi acrescentado.

A namorada

Por outro lado, o PSD de Macau pede ao director da EPM, Acácio de Brito, que deixe a instituição antes da chegada da sua namorada, que de acordo com a secção local do partido do Governo de Portugal, faz parte das novas contratações, que vão ocupar os lugares dos professores dispensados.

“Alexandre Leitão […] acompanhado do amigo de longa data desde os tempos de Timor-Leste, Acácio de Brito, actual director da Escola Portuguesa de Macau devem regressar a Lisboa ainda antes da chegada da companheira deste último a Macau para leccionar na Escola Portuguesa de Macau”, foi atirado. “Caso existam processos abertos em nome de ou denúncias realizadas contra Acácio de Brito dos tempos da Escola Portuguesa de Díli no Ministério da Educação então deverão de imediato ser tornadas públicas”, foi acrescentado.

O comunicado termina também com um pedido, para que o “lobby do PS Coimbra em Macau” seja derrubado.
Alexandre Leitão foi embaixador da delegação da União Europeia em Díli, entre Setembro de 2016 e Agosto de 2016, nessa altura coincidiu com Acácio de Brito na Escola Portuguesa de Díli.

Recentemente, em entrevista à TDM transmitida no sábado, Alexandre Leitão defendeu a direcção da Escola Portuguesa de Macau, apesar das várias dispensas. “Há um mandato [na Fundação Escola Portuguesa de Macau], há órgãos sociais, têm a responsabilidade de tomar decisões e têm a responsabilidade dos resultados. Quando chegarmos ao momento da análise dos resultados cá estaremos, no sítio próprio, para fazer as perguntas, perguntar pelos resultados e fazer a avaliação que é preciso fazer”, afirmou.

Alexandre Leitão defendeu também que o cônsul deve assumir um lugar no conselho de curadores da fundação, e argumentou ser uma prática comum noutros lugares onde existem escolas e representações portuguesas. “Isso demonstra, a quem tiver dúvidas, que há uma ligação efectiva entre o Estado português, Portugal e a Escola Portuguesa”, frisou.

O HM pediu reacções a José Cesário, secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, sobre esta matéria, mas o responsável disse não querer comentar, pois “os membros do governo não comentam posições partidárias”. Da parte da secção do Partido Socialista em Macau, também não foi adiantado qualquer comentário oficial sobre esta questão.

Ensino | Ho Iat Seng recebeu reitor da Universidade de Coimbra

O Chefe do Executivo, Ho Iat Seng, e o Reitor da Universidade de Coimbra, Amílcar Falcão, discutiram a saúde dos mais velhos e a possibilidade de futuros projectos de cooperação entra a instituição portuguesa e o Instituto Politécnico de Macau. A informação sobre o encontro de sexta-feira foi divulgada pelo Gabinete de Comunicação Social.

De acordo com o Governo da RAEM, Ho Iat Seng afirmou a Amílcar Falcão “esperar que a Universidade de Coimbra trabalhe com as instituições do ensino superior da RAEM, aproveitando as suas experiências e técnicas na área da investigação científica como uma alavanca para dar apoio na promoção da indústria de Big Health”. Esta cooperação, indicou o Chefe do Executivo, pode “ajudar o Governo na elaboração de uma política gerontológica mais científica e sistemática, que lide melhor com a questão do envelhecimento da população no território”.

Segundo a nota de imprensa, o Chefe do Executivo considerou que a relação entre a UC e a UPM é boa e que tem sido composta por “uma comunicação estreita” com o “desenvolvimento de vários planos de cooperação”. Ho disse também a Amílcar Falcão que a instituição que este dirige pretende “iniciar um projecto conjunto [com a UPM] na área da gerontologia, sobre o estudo e resposta do envelhecimento social”.

Por sua vez, Amílcar Falcão terá elogiado o Governo de Macau, que avaliou com nota positiva. Segundo o Governo da RAEM, o reitor “realçou o forte empenho do Governo da RAEM na optimização da estrutura industrial através da construção da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin […] e demonstrou ter ficado muito impressionado considerando que será ampla a perspectiva de futuro desenvolvimento”.

Europeias | AD mais votada em Macau, mas PS vence eleições

A Aliança Democrática foi a lista mais votada em Macau nas Eleições Europeias. Com 549 votantes, a abstenção foi de 98,97 por cento. A nível nacional, o Partido Socialista foi o mais votado

 

A lista da Aliança Democrática (AD) foi a mais votada em Macau nas Eleições Europeias, com a abstenção a atingir 98,97 por cento, mesmo assim inferior à registada em 2019. Os resultados mostram que em Macau houve uma tendência diferente das Europeias anteriores, em que o Partido Socialista (PS) foi o mais votado.

A coligação constituída pelo Partido Social Democrata, CDS-Partido Popular, Partido Popular Monárquico obteve 172 votos, uma proporção de 31,33 por cento. A segunda lista mais votada foi do PS, que teve 129 votos, o que representou 23,50 por cento dos votantes. No terceiro lugar ficou o Chega (CH) com 66 votos, ou 12,02 por cento, seguida pela Iniciativa Liberal (IL) que reuniu 60 votos, uma proporção de 10,93 por cento.

A quinta força foi o Livre (L), com 33 votos (6,01 por cento), seguida pelo Bloco de Esquerda (BE), com 28 votos (5,10 por cento) e pelos comunistas da Coligação Democrática Unitária (CDU) com 24 votos (4,37 por cento).

De acordo com os resultados apurados em Macau, a ADN, que teve como cabeça de lista Joana Amaral Dias, obteve 12 votos 2,19 por cento dos votantes, à frente do Pessoas-Animais-Natureza (PAN), que não foi além de 5 votos (0,91 por cento).

Além dos restantes 11 votos dispersos por outros partidos, houve ainda 7 votos em brancos e 2 nulos. Entre os 53.318 inscritos foram registados 549 votantes, uma taxa de participação de 1,03 por cento, e uma abstenção de 98,97 por cento. Em comparação com 2019, houve uma redução da taxa de abstenção, que nas Europeias desse ano tinha sido de 99,06 por cento, com 670 votantes entre os 71.163 inscritos.

Noite rosa

A nível global o PS, que tinha como cabeça de lista Marta Temido, ex-ministra da Saúde, foi o vencedor da noite, com 32,09 por cento dos votos, elegendo oito deputados para o Parlamento Europeu. Em relação às Europeias de 2019, a vitória dos socialistas significou, ainda assim, a perda de um eurodeputado.

A AD, que apostou no comentador político Sebastião Bugalho, elegeu sete deputados, com 31,12 por cento dos votos. Em comparação com 2019, a coligação manteve o mesmo número de deputados, dado que nesse ano o PSD tinha eleito seis deputados e o CDS um deputado.

No terceiro lugar ficou o CH, que apostou em António Tanger Corrêa para liderar a lista, e elegeu dois deputados, nesta que foi a primeira participação do partido neste tipo de eleições. Também a IL, liderada por João Cotrim de Figueiredo, conseguiu dois deputados, quando em 2019 não tinha eleito qualquer candidato. A IL foi uma das grandes vencedoras da noite.

O BE vai enviar a ex-líder Catarina Martins para o Parlamento Europeu, porém face a 2019, o partido também perde um deputado. Este foi um cenário semelhante ao verificado na CDU, que elege João Oliveira, mas perde igualmente um deputado face a 2019.

Quem também perdeu um deputado foi o PAN que fica sem representação no Parlamento Europeu. Nesta situação encontra-se igualmente o L, que apesar de melhorar os resultados face a 2019 não conseguiu entrar no Parlamento Europeu.

Consulado perdeu 17.845 eleitores

No espaço de pouco mais de quatro ano, o Consulado de Portugal em Macau e Hong Kong ficou com menos 17.845 eleitores. É o que mostram dados do Ministério da Administração Interna, que indica que em 2019 estavam registados em Macau 71.163 inscritos para votar. No entanto, passados quatro anos, o número reduziu para 53.318, o que implica uma diferença de 17.845 eleitores.

10 de Junho | Ministra da justiça destaca presença de juristas portugueses

A ministra portuguesa da Justiça, Rita Alarcão Júdice, destacou a presença de uma comunidade jurídica de matriz portuguesa “antes e depois do estabelecimento da RAEM”, algo “determinante para o pleno cumprimento da Declaração Conjunta Luso-Chinesa sobre Macau, a Lei Básica e o acervo legislativo”.

A ministra garantiu que existe “o compromisso do Governo português e de Portugal para com a comunidade portuguesa em Macau e Hong Kong” e prestou “homenagem a todos os portugueses que aqui vivem e trabalham e que contribuem no seu saber e capacidades para o crescimento económico da RAEM”.

Rita Alarcão Júdice lembrou que o 10 de Junho “não é apenas mais um dia de feriado [em Portugal] ou no calendário”, mas “o dia em que nos sentimos como país, nação e povo que desbravou caminhos e uniu continentes”.

10 de Junho | Ho Iat Seng destaca “profissionalismo” dos portugueses

No retorno da celebração do 10 de Junho à residência consular, o Chefe do Executivo lembrou as relações seculares entre chineses e portugueses, bem como “os esforços incessantes das comunidades portuguesas em Macau” e o seu “profissionalismo”. O cônsul português disse que o “ruído” em torno das demissões na EPM não ajuda a comunidade

 

Foi mais um dia de festa no seu local habitual, já terminadas as obras na residência consular, o antigo Hotel da Bela Vista, e com as memórias da pandemia longínquas.

As comunidades portuguesa, macaense e chinesa celebraram ontem o 10 de Junho – Dia de Portugal, Camões e das Comunidades Portuguesas na residência consular, com vista para o lago Nam Van. O Chefe do Executivo, Ho Iat Seng, fez o habitual discurso onde destacou o “profissionalismo” das comunidades lusas e a contribuição permanente no contexto das relações económicas e culturais entre Portugal, Macau e China.

“O desenvolvimento da RAEM tem-se concretizado de forma saudável com múltiplos aspectos, a diversificação das indústrias começou a produzir efeitos, a integração entre Macau e Hengqin e a construção da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau foram aceleradas de forma constante, dando-se início a uma nova conjuntura de recuperação económica”, começou por frisar.

Neste contexto, Ho Iat Seng frisou que “estas realizações são inseparáveis dos esforços incessantes das comunidades portuguesas de Macau”, que comprovam “a sua tenacidade, dedicação e profissionalismo”.

“Gostaria de aproveitar esta ocasião para agradecer sinceramente às comunidades portuguesas pelo seu apoio e cooperação no trabalho do Governo da RAEM, bem como o seu contributo para a promoção do desenvolvimento económico e social de Macau”, referiu o governante.

O Chefe do Executivo não esqueceu “a cooperação amistosa mantida entre a China e Portugal” enquanto “modelo exemplar de cooperação e intercâmbio entre dois países que têm um diferente sistema social, contexto histórico e dimensão territorial”.

Ho Iat Seng afirmou que “têm sido continuamente reforçados” a “cooperação e o intercâmbio entre as duas partes nos domínios da economia e do comércio, inovação científica e tecnológica, recursos humanos, cuidados médicos e de saúde, educação e cultura”, com destaque para a realização, em Abril, da sexta Conferência Ministerial do Fórum Macau.

O governante lembrou também que este ano se celebram não só os 75 anos da fundação da República Popular da China, mas também os 25 anos da criação da RAEM. Assim, espera a “participação activa das comunidades portuguesas” enquanto “componente importante da sociedade de Macau” nas actividades comemorativas das duas efemérides que se vão realizar.

Menos barulho

Alexandre Leitão, cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong, destacou o apoio e bom relacionamento com as autoridades locais, mas não desperdiçou a oportunidade de fazer um esclarecimento sobre a polémica em torno das demissões de docentes da Escola Portuguesa de Macau (EPM).

“A EPM tem, há menos de um ano, uma missão, um mandato e corpos sociais renovados que têm a competência exclusiva nas opções de gestão, e a responsabilidade exclusiva dos resultados. Neste momento, importa reafirmar a confiança nas administrações, direcção, nos professores que irão leccionar no próximo ano e nos funcionários da escola.”

Deve, assim, existir “concentração no trabalho e nos resultados necessários”, importando um alheamento “do ruído que não ajuda quem quer regularizar, reformar e resolver e que pode ter consequências mais graves do que se possa imaginar para toda a comunidade escolar”, frisou Alexandre Leitão.

Consulado mais célere

Alexandre Leitão falou ainda de uma melhoria do panorama do período de espera para a resolução de questões burocráticas no consulado. “Num ano, a lista de espera para o atendimento para a renovação de cartões de cidadão e passaportes passou a ser de seis meses para um ou dois dias. Qualquer um de vós pode marcar um atendimento que começa esta semana. Estamos felizes, mas não descansados, e queremos fazer mais e melhor.”

O responsável anunciou a introdução, no segundo semestre, do sistema de pagamento electrónico para trâmites burocráticos. Além disso, pretende-se “reduzir as listas de espera em todas as secções, resolver qualquer email em menos de 48 horas e informar melhor através dos suportes físicos e digitais”.

Alexandre Leitão pediu, contudo, tempo e paciência à comunidade. “Não será amanhã, mas queremos que ainda seja no nosso mandato. Esperamos iniciar as obras no consulado há muito previstas e que são indispensáveis para a segurança e conforto colectivos. Teremos, assim, mais um desafio, o de compatibilizar as obras com o normal funcionamento do consulado.”

Barrados à porta

Durante os discursos na residência consular, houve relatos de pessoas que, com convite, não tiveram permissão para entrar na festa de celebração do 10 de Junho. Além de relatos transmitidos ao próprio HM, o residente Marcelino Marques escreveu no Facebook uma publicação com o título “VERGONHOSO, em Macau”. “Os PORTUGUESES residentes em Macau, depois de serem convidados pelo CÔNSUL, foram impedidos de entrar na recepção do DIA DE PORTUGAL, por ordens do PRÓPRIO CÔNSUL. Inacreditável!… Miserável!…”, pode ler-se. O HM confrontou o consulado com esta situação, mas, até ao fecho desta edição, não foram obtidos esclarecimentos.

Clube Militar | Festival de gastronomia e vinhos de Portugal arranca hoje

O Clube Militar de Macau vai receber, entre hoje e o dia 16 de junho, dois chefs portugueses para o Festival de Gastronomia e Vinhos de Portugal – “Primavera-2024”, integrado no programa do mês de Portugal. “Sentimo-nos muito honrados e felizes de organizar este festival (…), já com uma tradição de mais de duas décadas”, disse ontem, num comunicado, o presidente da direcção do clube, Ambrose So Shu Fai.

Tal como acontece desde 2015, o festival faz parte do programa Junho – Mês de Portugal na RAEM, um mês de comemorações do dia 10 de junho no território.

O festival, que se prolonga durante dez dias, está também integrado nas celebrações do 154.º aniversário do Clube Militar, “uma das mais antigas associações sociais de Macau”, sublinhou Ambrose So.

A gastronomia portuguesa estará representada pelo chef alentejano José Júlio Vintém e por António Loureiro, o chef do A Cozinha, um restaurante de Guimarães com uma estrela Michelin e o primeiro restaurante europeu certificado como zero resíduos.

O programa Junho – Mês de Portugal na RAEM inclui ainda o segundo roteiro gastronómico, a decorrer durante todo o mês, que reúne 28 restaurantes portugueses em Macau, mais do dobro da primeira edição, em 2023.

Este ano, o programa vai ficar marcado pelas comemorações do centenário da primeira viagem aérea entre Portugal e Macau, efectuada por Sarmento de Beires, Brito Pais e Manuel Gouveia, que partiram de Vila Nova de Milfontes, concelho de Odemira, a 7 de Abril de 1924.

O consulado-geral de Portugal vai receber a 20 de Junho uma exposição e uma conferência sobre a viagem, com o director do Museu do Ar da Força Aérea Portuguesa, Carlos Mouta Raposo, e o presidente da Câmara Municipal de Odemira, Hélder Guerreiro.

Coimbra e Macau lançam doutoramento em tecnologias de informação

A Universidade de Coimbra (UC) e a Universidade Politécnica de Macau (UPM) lançaram um duplo doutoramento em tecnologias de informação, disse ontem o reitor da instituição portuguesa, durante uma visita a Macau.

O doutoramento nasceu este ano lectivo, de um acordo assinado em Agosto, e “está a começar a dar os primeiros resultados”, com 18 estudantes, “divididos entre portugueses e chineses”, disse Amílcar Falcão.

O responsável sublinhou que a UC quer, “no futuro, continuar a ter essa capacidade de mobilizar” estudantes dos dois lados, porque a instituição quer “aumentar o número de formações avançadas” em cooperação com Macau.

Falcão disse que a UC “vai avançar”, já no próximo ano lectivo de 2024/2025, com um programa de estudos avançados em Relações Económicas Internacionais, com a Universidade da Cidade de Macau, em língua inglesa. “[A visita a Macau serviu para] consolidar as parcerias que nós temos e perspectivar outras parcerias que estão em aberto e estamos em negociações”, referiu o reitor, dando como exemplo a área do envelhecimento.

Em Outubro, a UC criou um laboratório conjunto, com a Universidade de Macau (UM), para estudar o envelhecimento cognitivo e responder às necessidades geradas pelo aumento da esperança de vida.
Também ontem, Amílcar Falcão esteve nas instalações da UM na vizinha Hengqin (ilha da Montanha). “Levamos connosco elementos para estudar e para apresentar um projecto a breve prazo às autoridades para podermos ter o apoio necessário”, disse o reitor da UC, sem revelar mais detalhes.

Falcão revelou que a UC quer também reforçar a parceria com a UPM na área da inteligência artificial, ligada ao laboratório conjunto de tecnologia avançada para cidades inteligentes, criado pelas duas instituições em 2022.

Relação de longa data

A UPM vai atribuir hoje um doutoramento ‘honoris causa’ ao reitor da UC, durante a cerimónia de graduação do ano académico de 2023/2024. Falcão disse acreditar que é um reconhecimento da relação de longa data com a China, incluindo a criação, em 2016, de uma delegação do Instituto Confúcio, que promove o ensino do mandarim e a cultura chinesa no estrangeiro.

Antes de visitar Macau, o dirigente passou por Xangai, no leste da China continental, e por Shenzhen, a cidade vizinha de Hong Kong, para “consolidar relações também de há muitos anos”, num “país estratégico” para a Universidade de Coimbra.

Em Maio de 2019, a UC e a Universidade de Fudan, em Xangai, assinaram acordos que permitiam aos alunos da instituição chinesa frequentar cursos intensivos de Verão de português em Coimbra.

Um mês antes, a UC e a Universidade de Estudos Internacionais de Pequim formalizaram a criação do Centro de Estudos sobre a China e os Países de Língua Portuguesa. A universidade portuguesa criou em 2018 a Academia Sino-Lusófona e o Centro de Estudos Chineses, em parceria com a Academia Chinesa de Ciências Sociais.

Aumento de alertas vermelhos

A 1 de Junho, Dia Internacional da Criança, foi içado em Macau o sinal nº 3 de tufão e choveu sem parar ao longo de todo o dia. A 2 de Junho, já com bom tempo, a Diocese de Macau realizou a Procissão de Corpus Christi e o evento decorreu sem problemas. A 3 de Junho, o tempo mudou subitamente e caíram chuvas torrenciais, tendo a Direcção dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos içado o sinal vermelho de chuva intensa e houve inundações em diversas zonas da cidade e o tempo continua instável. Devido ao desequilíbrio ecológico do planeta, irão ocorrer cada vez com mais frequência fenómenos climáticos extremos. A hipótese de um destes fenómenos ocorrer a cada 100, 500 ou 1.000 anos aumentou drasticamente. O sinal vermelho de chuva intensa é assustador, mas quando este sinal vermelho é içado na política e na economia é aterrorizante.

O recentemente renovado Mercado Vermelho sofreu o impacto da chuva intensa poucos dias após ter reaberto. O chão do mercado foi coberto por vários centímetros de rua. Mas felizmente, os vendedores tiveram tempo de colocar as suas mercadorias a salvo de modo a evitar o pior. A obra de reordenamento do Mercado Vermelho levou dois anos para ser conclu冝a e um dos trabalhos prioritários foi a renovação do sistema de drenagem. Por isso, a inundação do Mercado Vermelho não teve nada a ver com a obra de reordenamento, mas sim com a obstrução e envelhecimento das redes de esgotos dos bairros que circundam o mercado, tornando impossível a drenagem em tempo 偀il da 疊ua, em dias de muita chuva. Este incidente serve para mostrar

O jornal Ming Pao de Hong Kong publicou recentemente uma informação que indica que, ao longo dos últimos anos, o número de casos de corrupção que chegou ao conhecimento do público na China continental está a aumentar, apesar das penalizações que sofrem também terem aumentado. O jornal Ming Pao sugeriu se as autoridades competentes não deveriam aperfeiçoar os actuais mecanismos de supervisão, que basicamente se limitam a inspecções regulares feitas por funcionários do Governo Central. Por exemplo: poderia considerar-se seguir o modelo de Hong Kong e de Macau que implementou o Regime Jurídico da Declaração de Bens Patrimoniais e Interesses, aplicável aos funcionários públicos com cargos superiores. Esta medida destina-se a aumentar a transparência da situação financeira destes funcionários e permite que os cidadãos supervisionem o Governo. Esta parece ser uma das formas possíveis de prevenir a “chuva intensa” em termos das tendências de corrupção.

A estabilidade económica é a pedra angular da segurança das sociedades. Depois da pandemia, o desempenho económico de Hong Kong e de Macau não foi tão bom como se esperava. O volume total das vendas a retalho de Hong Kong conheceu a maior queda dos últimos quatro anos e os preços dos imóveis registaram um crescimento negativo, ficando em último lugar entre 15 cidades internacionais da região da Ásia-Pacífico.

Em Macau, durante 2023, o sector do jogo representou apenas cerca de 36,2% do PIB, sendo que em anos anteriores representava cerca de 63%. Além disso, o valor do PIB de Macau também caiu dos mais de 430 mil milhões de patacas em 2019 para cerca de 380 mil milhões de patacas em 2023, o que é muito inferior ao de Singapura, em termos da velocidade de recuperação.

Embora o Governo da RAEM tenha o “cartão de visita dourado” preparado, continua incapaz de o capitalizar e maximizar a sua eficácia, ao mesmo tempo que a sobrevivência das pequenas e médias empresas da cidade se torna cada vez mais difícil. Depois do encerramento do Canídromo Yat Yuen e do Jockey Club de Macau, o plano do Governo de aproveitamento dos terrenos destes dois espaços não conseguiu ir ao encontro das necessidades sociais, resultando assim em desperdício de recursos. Quanto ao Plano de Apoio Financeiro “Amor por Macau e Hengqin”, destinado a promover a integração de Macau e Hengqin, como vai beneficiar a economia de Macau? Afinal de contas, o perigo potencial da “chuva intensa económica” causado por insuficiência na capacidade de liderança deve ser encarado com seriedade.

O Cardeal Stephen Chow Sau-yan da Diocese Católica de Hong Kong publicou recentemente um artigo intitulado “É esta época do ano…” para incrementar a reconciliação social, o que tem suscitado muita discussão. A sociedade de Macau é relativamente pacífica e criar conflitos deliberadamente acabará por prejudicar a RAEM. Assim, a depressão tropical responsável pela “chuva intensa política” tem estado sempre sobre o Estreito de Taiwan, sobre Península da Coreia e sobre as águas do Mar do Sul da China. O jogo de força entre os países mais poderosos depende da sabedoria política, mas nenhum país vai ganhar este jogo. Macau é a “Terra Abençoada das Flores de Lótus”. Embora a chuva intensa de sinal vermelho não possa matar as flores de lótus, é difícil dizer se vai continuar a haver frequentes chuvas intensas e inundações.

Pelo menos seis mortos após explosão num barco de pesca nas Filipinas

Pelo menos seis tripulantes filipinos morreram e seis foram resgatados com vida após uma explosão que atingiu o barco de pesca em que trabalhavam no mar, próximo da província filipina de Cebu, disseram ontem autoridades da guarda costeira.

Os tripulantes sobreviventes, incluindo o capitão do navio filipino F/B King Bryan, ainda estavam a ser tratados no hospital ou traumatizados demais para relatar aos investigadores o que desencadeou a explosão e o incêndio a bordo do navio na noite de quarta-feira, a cerca de oito quilómetros da cidade de Naga, na província de Cebu, disseram autoridades da guarda costeira filipina.

Um dos tripulantes feridos estava em estado crítico num hospital em Cebu, referiu ainda a guarda costeira.

Vídeos e fotos divulgados pela guarda costeira mostraram chamas e fumo a sair do barco de pesca, enquanto as equipas de socorro examinavam as águas na escuridão. Os tripulantes com queimaduras foram transportados para um local seguro pelo pessoal da guarda costeira.

O barco, de casco de madeira e que tinha estabilizadores de bambu, aparentemente apresentou problemas no motor antes da explosão e do incêndio tomarem o navio, ferindo vários tripulantes e forçando outros a saltar para o mar em pânico.

Um rebocador que passava no local ajudou a apagar o incêndio e uma operação de busca e resgate da guarda costeira foi lançada, disseram autoridades filipinas.

Cenas recorrentes

O barco de pesca estava no mar desde domingo, tendo passado pelas zonas costeiras de Gilotongan, Cawayanan, Masbate em busca de pescado. Os acidentes marítimos são comuns no arquipélago filipino devido a tempestades frequentes, barcos mal conservados, sobrelotação e a falta de cumprimento dos regulamentos de segurança.

Em Dezembro de 1987, um ‘ferry’ sobrelotado, o Dona Paz, afundou após colidir com um navio-tanque carregado de combustível, matando mais de 4.300 pessoas, o incidente marítimo que provocou mais mortos a nível global, excluindo em cenários de conflito armado, ficando o Dona Paz conhecido como o Titanic asiático.

Timor-Leste | Xanana apela a jovens para deixarem as “ditas” artes marciais

O primeiro-ministro de Timor-Leste pediu ontem aos jovens timorenses, residentes no país e na diáspora, para deixarem de praticar as “ditas” artes marciais e rituais. O apelo de Xanana Gusmão surgiu na sequência de uma rixa entre dois grupos rivais em Fátima, que resultou num morto. A Conferência Episcopal Timorense também condenou a violência

 

O primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, está preocupado com a influência que as artes marciais e rituais têm nos jovens timorenses, tanto em solo nacional como no estrangeiro. “Este apelo que estamos a fazer é para deixarem as tais ditas artes marciais”, afirmou Xanana Gusmão, que lembrou ter ocorrido uma redução da violência desde que as artes marciais e rituais foram suspensas no país.

O primeiro-ministro falava aos jornalistas na Presidência timorense, no final de um encontro com o chefe de Estado, José Ramos-Horta, durante o qual foram discutidos os incidentes registados, no domingo, em Fátima (Portugal), que envolveram jovens timorenses e que provocaram um morto e quatro feridos.

Em Novembro passado, o Governo timorense tinha suspendido a aprendizagem e a prática das artes marciais, devido aos graves incidentes registados no território, tendo renovado a suspensão em Abril.

Xanana Gusmão condenou os acontecimentos em Fátima, nos quais estiveram alegadamente envolvidos dois grupos de artes marciais (o 22 e o 77). O incidente envolveu cerca de 40 jovens, provenientes de vários locais de Portugal, incluindo Lisboa, Setúbal e Leiria, e deveu-se a “diferenças entre os dois grupos”, acrescentou.

“Ontem [quarta-feira] decidimos, se a família assim o requerer, trasladar o cadáver para Timor”, disse também o primeiro-ministro timorense. Nos confrontos morreu um jovem timorense do município de Aileu.

O primeiro-ministro disse também que a Polícia Judiciária portuguesa está a investigar e que todos os envolvidos devem ser expulsos e regressar a Timor-Leste para “incutir em toda a sociedade timorense que é preciso deixar de vez” as artes marciais.

Absolvição divina

A Conferência Episcopal Timorense lamentou ontem e censurou os confrontos entre timorenses registados no domingo em Fátima, que provocaram um morto, e apelaram aos jovens para “fazer o bem em qualquer país onde estejam”.

“Nós, os bispos de Timor, manifestamos a nossa mais firme censura a qualquer forma de violência, que não pode ter lugar na sociedade em que vivemos e muito em particular no Santuário de Fátima”, refere, em comunicado, a Conferência Episcopal Timorense.

Em causa estão os incidentes registados domingo em Fátima, que envolveram timorenses de dois alegados grupos de artes marciais, que provocaram um morto e quatro feridos.

“Queremos realizar, com este gesto público, um pedido de desculpas ao povo português, à Conferência Episcopal Portuguesa, em particular à Diocese de Leiria e aos seus fiéis, aos moradores e peregrinos do Santuário de Fátima pelos actos daqueles jovens, que perturbaram o sossego e a sacralidade do Santuário de Fátima”, pode ler-se no comunicado.

Os bispos de Timor-Leste apelaram também aos jovens timorenses para que “rompam com as ondas e a espiral de violência. Que os jovens, em geral, vivam a sua fé cristã, se respeitem e amem uns aos outros e unam esforços para fazer o bem em qualquer país onde estejam”.

O Presidente timorense, José Ramos-Horta, condenou também, quarta-feira, numa declaração feita no enclave de Oecússi, os incidentes em Fátima e aconselhou as autoridades portuguesas a expulsarem os cidadãos timorenses envolvidos, segundo a imprensa timorense. Segundo José Ramos-Horta, grupos ou elementos das artes marciais já tinham criado problemas em Inglaterra e na Irlanda do Norte.

Guerra | Kiev pede à China que adira a cimeira de paz

O ‘número dois’ da diplomacia da Ucrânia, Andriy Sybiha, pediu ontem, em Pequim, ao Governo Central que participe na cimeira de paz marcada para 15 e 16 de Junho, na Suíça.

O primeiro vice-ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano falou com o homólogo chinês, Sun Weidong, sobre a situação na Ucrânia e os preparativos para a cimeira, de acordo com um comunicado da Embaixada da Ucrânia na China.

No encontro, Sybiha disse que a participação da China na cimeira seria uma “excelente oportunidade para contribuir de forma prática para a conquista de uma paz justa e duradoura na Ucrânia”.

O dirigente defendeu que a “única base para alcançar tal paz” é a fórmula defendida pelo Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. Zelensky exige a retirada da Rússia de todo o território da Ucrânia, incluindo a península da Crimeia, anexada em 2014, e as regiões de Donetsk, Lugansk (leste), Kherson e Zaporijia (sul), anexadas em Setembro de 2022.

Sun e Sybiha sublinharam a importância de aderir aos princípios da Carta das Nações Unidas e do direito internacional, incluindo o “respeito mútuo pela soberania e integridade territorial”, indicou a nota ucraniana.

Num outro comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da China referiu que Sun destacou a importância de “manter o respeito mútuo e a sinceridade nas relações bilaterais” e acrescentou que ambos os países devem “focar-se nos interesses fundamentais e de longo prazo dos respectivos povos”.

Sybiha manteve também um encontro com o enviado especial chinês para a região da Eurásia, Li Hui, no qual foram novamente discutidas as relações entre a China e a Ucrânia, bem como a guerra no país europeu.
A 31 de Maio, o país asiático tinha dito que seria difícil participar nesta cimeira se a Rússia não fosse convidada, declaração aprovada por Moscovo.

Fitch prevê queda do valor das transacções de casas novas na China até 20% este ano

Quebras entre 15 e 20 por cento no valor das transacções de casas novas no mercado imobiliário chinês.

Esta é a previsão avançada ontem pela agência de notação financeira Fitch, já tendo em consideração as políticas de estímulo implementadas pelo Governo Central. A Fitch disse acreditar que a venda de casas novas pode cair para 8,3 biliões de yuan em 2024, reflectindo um declínio de 10 a 15 por cento na área vendida e uma queda de 5 por cento no preço médio de venda, de acordo com um relatório divulgado pela instituição.

O valor das transacções de imóveis novos das 100 maiores empresas imobiliárias do país caíram cerca de 45 por cento em termos anuais em Abril, após uma queda de 46 por cento em Março, indicam dados da consultora China Real Estate Information Corp. Uma tendência muito mais negativa do que as previsões anteriores da Fitch, que apontavam para uma diminuição de 5 a 10 por cento no valor das vendas, e “reflecte uma maior pressão descendente” nos preços das habitações, disse a agência.

A 17 de Maio, a China anunciou novas medidas para revigorar o sector imobiliário, depois de os últimos dados terem mostrado que os preços da habitação caíram quase 10 por cento desde o início do ano.

As autoridades reduziram a entrada para hipotecas e o limite mínimo das taxas de juro para a primeira e segunda habitações e instaram as administrações locais a comprar aos promotores imobiliários terrenos não urbanizados ou imóveis não vendidos.

Casas vazias

Várias das maiores cidades do país, incluindo a capital financeira, Xangai, também suspenderam as restrições às transacções de imóveis, que caíram 24,3 por cento em 2022 e mais 8,5 por cento em 2023, medidas por área útil. Estas medidas “poderão ajudar a estabilizar as vendas (…), até certo ponto”, nas maiores cidades da China, mas em outras zonas o impacto “será provavelmente muito mais limitado”, previu a Fitch.

O número significativo de habitações não vendidas em muitas cidades chinesas “está a restringir a liquidez dos promotores” imobiliários e também “a pesar na confiança dos compradores”, sublinhou. A Fitch disse acreditar que a procura média por habitação na China ronda este ano um total de 800 milhões de metros quadrados, “significativamente inferiores aos dos anos anteriores, sugerindo que a tendência de consolidação do sector” pode continuar.

A situação financeira de muitas empresas imobiliárias chinesas agravou-se depois de Pequim ter restringido, em 2020, o acesso ao financiamento bancário para os promotores que acumularam um elevado nível de dívida. Uma questão que preocupa Pequim pelas implicações na estabilidade social, já que a habitação é um dos principais investimentos das poupanças das famílias chinesas.

No início de Abril, a Fitch baixou a perspectiva para a economia chinesa para negativa, face aos “riscos crescentes” para as finanças públicas devido à transição para um modelo de crescimento menos dependente do imobiliário.

Cooperação | Vice-presidente do Brasil procura na China mais investimento

O vice-presidente do Brasil disse ontem em Pequim que quer aprofundar a parceria estratégica com a China e promover “investimentos recíprocos para geração de emprego, renda e desenvolvimento” para os brasileiros

 

Durante uma visita oficial a Pequim, o vice-presidente brasileiro, Geraldo Alckmin, apontou como objectivo fundamental aprofundar a cooperação com a China de forma a captar “investimentos recíprocos para geração de emprego, renda e desenvolvimento” no Brasil.

Geraldo Alckmin disse na rede social X (antigo Twitter) que a meta a alcançar é “trazer prosperidade e combater a pobreza”.

O governante brasileiro participou, na quarta-feira e ontem, na sétima reunião plenária da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (Cosban). O também ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços brasileiro sublinhou que o encontro “marca os 20 anos da Cosban, os 50 anos das relações diplomáticas entre os dois países, e traça uma estratégia para o futuro”.

Alckmin destacou que a balança comercial com a China cresceu 17 vezes, de nove mil milhões de dólares (8,3 mil milhões de euros) em 2004 para 157 mil milhões de dólares (144,2 mil milhões de euros) em 2023, “Nos próximos 50 anos, queremos aprofundar esta parceria estratégica, acrescentou o vice-presidente.

Alckmin iniciou na terça-feira uma visita oficial à China acompanhado de uma comitiva de 200 empresários do país sul-americano.

Rota a seguir

Em Abril de 2023, o Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, realizou uma visita oficial à China para marcar o início do terceiro mandato.

A segunda comitiva do Governo sul-americano a visitar Pequim, liderada por Alckmin e o ministro da Casa Civil brasileiro, Rui Costa, deve tratar da inclusão do Brasil no iniciativa ‘Uma Faixa, Uma Rota’.

Durante a visita oficial da comitiva brasileira à China, que decorre até amanhã, também deverão ser assinados acordos bilaterais no plano consular, agrícola, de investimentos e de combate às alterações climáticas. Os 200 empresários brasileiros terão como missão principal o reforço comercial nas áreas da agricultura, indústria, finanças, transição energética e mercados capitais.

De acordo com dados oficiais, a China é o maior parceiro comercial do Brasil desde 2008. O mercado chinês foi destino de 30 por cento das exportações brasileiras em 2023, atingindo 104 mil milhões de dólares (95,5 mil milhões de euros), sobretudo graças a produtos alimentares e matérias-primas.

A China, por seu turno, mantém investimentos no Brasil que rondam os 40 mil milhões de dólares (36,8 mil milhões de euros), que nos últimos anos se têm centrado sobretudo na área energética.

Zhuge Liang pede emprestado o Vento Leste

No último artigo sobre Zhuge Liang (181-234) referimos por engano ser Xü Shu seu genro, mas como anteriormente escrevemos era Huang Chengyan, que apresentara a filha Huang Yueying ao Dragão Adormecido advertindo-o apesar de feiosa era a Jovem Fénix dotada de muitos talentos a complementar com os atributos do estratega.

No Romance dos Três Reinos (San Guo Zhi, 三国志) faz-se referência a Zhuge Liang ter pedido emprestado três coisas: Flechas, o Vento Leste e Jingzhou. Se usar barcos com cobertura de colmo para pedir emprestado flechas (cao chuan jie jian, 草船借箭) foi já narrado no último artigo, seguimos aqui com o episódio de pedir emprestado o Vento Leste (JieDongFeng, 借东风), encontrando-se ambos registados nesse ficcional livro.

Esses dois episódios ocorreram em 208 entre os meses de Julho a Novembro durante a Campanha dos Penhascos Vermelhos em Chibi (província de Hubei) cujos exércitos conjuntos de Liu Bei e Sun Quan tinham apenas cinquenta mil homens enquanto no campo contrário, Cao Cao contava com 230 mil soldados. Nessas histórias a contracenar com Zhuge Liang aparece o general e estratega Zhou Yu (175-210) ao serviço de Sun Quan (182-252), mas a sua personagem é apresentada inferiorizada em relação ao estratega de Liu Bei (161-223).

Sun Jian (155-191), aliado do senhor feudal Yuan Shu, morrera em 191 na batalha de Xiangyang quando combatia Liu Biao, apoiante do lorde feudal Yuan Shao [cujas tropas no ano 200 foram derrotadas por Cao Cao].

Sun Ce (175-200, com nome de cortesia Bofu) era o filho mais velho de Sun Jian e separou-se de Yuan Shu para o qual o seu pai trabalhara e rumou para Sudeste onde estabeleceu a fundação do seu território durante a dinastia Han de Leste e desde 195 ocupava o Baixo-Yangzi na parte Leste da China. Teve ao seu serviço o general Zhou Yu seu genro, pois ambos casaram com as irmãs Qiao [Sun Ce com Da Qiao e Zhou Yu com Xiao Qian] e quando o Sun Ce foi assassinado no ano de 200 Zhou Yu passou a servir o irmão mais novo e sucessor Sun Quan.

Os vales do baixo curso do rio Yangzi, na parte Sudeste da China, ficaram dominados por Sun Quan (182-252) após conseguir acabar com uma rebelião de muitos, que o achavam sem força suficiente para ser um bom líder.

Cao Cao propõe-lhe enviar um dos filhos para Xudu [actual Xuchang em Henan para onde em 196 Cao Cao mudara a capital da dinastia Han do Leste quando Luoyang ficou devastada por a guerra e como quartel-general para aí levou o Imperador Xian, vindo a servir depois como capital do reino Wei], para se estabelecer boas relações entre eles, mas devido aos conselhos de Zhou Yu, Sun Quan não aceitou tal proposta.

Liu Bei (161-223), desde 207 contava com o estratega Zhuge Liang à frente do seu exército Han-Shu, pois considerava-se representante da casa real Han. Como não tinha uma base e esperava o momento adequado para solicitar o patrocínio do também membro da família real Liu Biao, que após a batalha de Xiangyang se tornara em 192 Prefeito de Jingzhou a administrar grande parte do centro da China, na zona média do rio Yangzi, lugar que ocupou até à sua morte em 208.

PEDIR EMPRESTADO O VENTO LESTE

No Inverno de 208 para 209, Cao Cao com um exército de 230 mil homens parte para Sul a conquistar Jingzhou (no curso médio do Yangzi, província de Hubei), então quartel de Liu Bei e de onde expandia o seu domínio para Oeste. Sun Quan, sentindo-se também ameaçado pela força dos Wei, resolveu juntar-se a Liu Bei, mas o exército de ambos não chegava a metade do de Cao Cao, que apresentava ainda uma imensa armada.

Após o sucesso de Zhuge Liang pedir emprestado flechas (cao chuan jie jian, 草船借箭) e em três dias ter conseguido as cem mil flechas requeridas por Zhou Yu (175-210), tal levou a aumentar ainda mais a inveja, mas precisando de combater o enorme exército de Cao Cao teve de se manter unido ao grande estratega.

No episódio conhecido por Pedir Emprestado o Vento Leste (JieDongFeng, 借东风) os dois estrategas em conjunto planearam usar o fogo para derrotar o general Cao Cao e trataram de muitos outros pormenores como o de colocar um dos seus, fingindo ter desertado das fileiras e ir ter com Cao Cao para lhe dar algumas ideias.

Sabiam Cao Cao não se sentir confortável a viver no barco e então esse desertor deu a ideia de ligar os barcos para ficarem mais estáveis e não balançarem muito. Quem iria combater aquela enorme frota era o general Zhou Yu, que ao ir de barco vistoriar o inimigo após chegar dessa inspecção ficou doente.

O principal conselheiro de Sun Quan, o general Lu Su (172-217) vendo-o naquele estado e encontrando-se em guerra ficou preocupado e foi ter com Zhuge Liang a pedir-lhe ajuda. Este disse-lhe para não se preocupar, pois tinha o medicamento para o seu General e assim os dois foram ter com o enfermo e quando lá chegaram Zhuge entregou uma carta por si escrita a Zhou Yu, segredando-lhe estar ali o seu medicamento. Ao ler, Zhou Yu logo se levantou sorridente e exclamou: exacto. A carte dizia: Tudo está pronto, o que é preciso é Vento Leste.

A enorme armada de Cao Cao subira o rio Yangzi e aportara a Noroeste, enquanto eles estavam fundeados a Sudeste e para o plano resultar, usando o fogo para combater Cao Cao, era precisou ter o vento de Leste.
No entanto, durante muitos dias o vento soprou sempre de Norte.

Ofereceu-se Zhuge Liang para durante três dias pedir Vento Leste, mas com a condição de lhe fazer um Templo onde pudesse requerer os favores do Céu para ser concedido tal vento. Mandou Zhou Yu preparar tudo para dali a três dias, por volta das quatro, cinco da manhã, pois o vento chegaria.

E assim foi! Às quatro da manhã desse terceiro dia, Zhou Yu escutou uma forte ventania e logo percebeu ter chegado o Vento Leste. Imediatamente, com o vento de feição enviou dez dos seus barcos carregados de combustível ao encontro da armada de Cao Cao. Quando estavam próximos ateou o fogo aos seus barcos e o vento encarregou-se de o passa para toda a frota de Cao Cao, que por estarem as embarcações todas juntas e bem amarradas umas às outras não puderam fugir. Toda a armada ardeu como previsto, ficando assim esta completamente destruída. Cao Cao derrotado voltou para Norte, desfazendo-se assim o seu sonho de conquistar o resto do país.

Pertencente à campanha dos Penhascos Vermelhos, a Batalha de Yiling não precisou de usar nenhum soldado para acabar com a enorme frota de Cao Cao e logo, mais uma vez com a excelente ideia de Zhuge Liang. Tal mais ainda acirrou o ódio de Zhou Yu e com um enorme rancor, logo enviou os seus homens para o matar, mas Zhuge Liang abandonara já o acampamento.

Só depois desta batalha Liu Bei conseguiu criar o seu próprio exército e onze anos depois, em 219 estabelecer o reino Han-Shu.

Manuel Palha e Salvador Seabra, Capitão Fausto: Música, a linguagem universal

Os Capitão Fausto actuam hoje no MGM Cotai Theatre às 20h, partilhando o palco com o músico chinês David Huang. Fica a promessa da partilha de sonoridades diferentes e dos grandes êxitos da banda. Em entrevista ao HM, os Capitão Fausto, pelas vozes de Manuel Palha, guitarrista e teclista, e do baterista Salvador Seabra, falam da sua essência, do início tímido e quase por acaso e da escalada até à construção coesa de um colectivo de músicos e amigos

 

Chegaram a Macau há poucos dias e actuam hoje. É a vossa primeira vez no território. Como está a ser a experiência?

Manuel Palha (MP): Chegámos muito curiosos para ver como é este sítio tão longe de Portugal, mas tão próximo ao mesmo tempo. Estamos a gostar imenso, ainda estamos a achar estranho este mundo diferente, mas de uma forma positiva, de andarmos pela calçada portuguesa, termos a cultura portuguesa e chinesa misturada. É uma experiência bastante fora do comum.

O que poderemos esperar do concerto com David Huang?

MP: Na primeira parte vai ser um concerto normal dos Capitão Fausto. Depois o David Huang a meio do espectáculo junta-se a nós e vai cantar uma música connosco, o “Amor, a nossa vida”, e nós iremos cantar uma música dele. Depois, o David Huang fecha o espectáculo com músicas dele.

Como vai a vossa música enquadrar-se com a de David Huang?

MP: São sonoridades bem distintas, mas, apesar disso, a parte que é divertida é que, apesar de estarmos em sítios completamente diferentes do mundo, com culturas diferentes, temos sons e abordagens diferentes, há muita coisa que nos liga. A música tem um lado universal, e esse é o lado que estamos a celebrar. Temos uma música que não é necessariamente o nosso estilo e tipo de som, mas rapidamente nos inteirámos dela. Ainda não tocámos com David Huang, mas tocamos amanhã [quinta-feira] e aí vamos poder trabalhar a ideia do que é a nossa vinda cá, de um certo intercâmbio e viver uma coisa que não é nossa. Essa é a parte divertida de tudo isto.

Têm um novo álbum, “Subida Infinita”, lançado em Março. O que há de novo neste trabalho?

MP: Sentimos sempre que, nem que seja em termos cronológicos, os nossos discos aparecem sempre em fases diferentes das nossas vidas. Este não foi excepção.

Salvador Seabra (SS): À medida que vamos crescendo inevitavelmente vamos mudando um bocado a maneira de fazermos as coisas, mas ainda bem. Para nós é mais interessante. Apesar de haver coisas que se mantêm de disco para disco, e processos de composição que se vão mantendo, há sempre coisas que mudam.

MP: Mudou muita coisa, apareceram filhos, o Francisco Ferreira saiu da banda. Todas estas coisas culminam neste disco, que acho que é diferente dos outros, de várias formas.

São uma das bandas mais sonantes do actual pop-rock português. Consideram que trouxeram uma nova sonoridade a este género musical que se faz em Portugal?

MP: Sabemos, pelo menos, que fizemos o nosso som. Ainda bem que as pessoas têm vindo a ouvir ao longo do tempo, mas é difícil avaliar o impacto que isso possa ter no panorama nacional. Sabemos que há uma verdade de nós os quatro. Sempre que nos juntamos sabemos que sai qualquer coisa que é nossa. O que é bom e interessante.

SS: Toda a nossa música é também influenciada por outra música portuguesa e outra coisa que já foi feita. Fazemos as coisas à nossa maneira e penso que não nos cabe a nós dizer se influenciámos, ou não [o panorama da música portuguesa].

Que influências são essas?

MP: Quando começámos a tocar havia editoras como a “FlorCaveira” e “Amor Fúria”, e havia bandas do norte de que gostávamos muito. Já tocávamos, mas não fazíamos canções em português e essas bandas até nos serviram de inspiração para fazermos canções em português. Quando começaram a haver bandas como os “2008”, “Peixe-Avião”, e em Lisboa tínhamos os “Diabo na Cruz” e o “B-Fachada”, isso levou-nos a ter vontade de fazer música em português e foi uma onda inspiradora.

Os “Capitão Fausto” têm letras que falam de amores, desamores, muitas vezes com um cunho de ironia. Os temas do dia-a-dia são as vossas grandes influências na hora de escrever?

MP: Sim. O Tomás [Wallenstein] é que escreve as letras, sempre. As letras são praticamente sempre sobre nós e a nossa vida, que é aquilo que conhecemos melhor. Sobre lidar com as coisas que nos acontecem. Mas há uma ideia que transparece bastante ao longo dos nossos discos que é o cantar a tristeza. A felicidade que está por detrás da tristeza, que vem depois, que se entrelaça com ela. As coisas que nos acontecem são fortes, mas há sempre qualquer coisa para cantar e a ideia de um novo dia a seguir. Isso tem estado patente nos últimos trabalhos.

Lançaram o primeiro disco em 2011 [“Gazela”]. O que sentiram quando lançaram esse trabalho?

MP: Foi uma fase diferente, éramos jovens na faculdade. Era muito divertido e gravar um disco era algo novo para nós.

SS: Era tudo novo e entusiasmante. Sempre foi, desde que começámos a tocar no liceu, um sonho lançar um disco. Quando aconteceu foi algo extraordinário.

Actuam em Macau no âmbito das celebrações do 10 de Junho. Sentem a responsabilidade de levar, com a vossa música, a cultura portuguesa?

MP: Independentemente do sítio onde vamos tocar, sentimos sempre alguma responsabilidade de darmos o nosso melhor e fazermos o melhor espectáculo possível. Não costumamos tocar fora de Portugal, é muito raro, e esse concerto é entusiasmante também por esse motivo. Sentimos alguma responsabilidade.

A internacionalização é um objectivo vosso?

SS: De certa forma sentimos que a palavra, o idioma, não deveria ser um entrave, porque a música é forte o suficiente para ultrapassar essa barreira da língua. Pelo menos, nós gostamos de pensar assim. Gostávamos de, eventualmente, quebrar essa barreira, sair de Portugal e tocar mais. Não sabemos se vai ser possível, mas o tempo o dirá.

Sempre houve um debate em Portugal sobre bandas portuguesas que cantam e compõem em inglês. Está nos vossos planos compor em inglês, por exemplo?

MP: Não faz parte dos nossos planos. Em inglês iríamos contra aquilo que pensamos e juntamos ao longo do tempo, de ao dizermos uma coisa ela ser verdadeira. Sabermos exactamente o que se está a dizer, com que nuances e palavras. A nossa língua-mãe é a única que nos permite fazer isso de forma que consideramos honesta. O Tomás [Wallenstein] estudou a vida toda num liceu francês, e por isso, quanto muito, teríamos algumas canções em francês, porque o Tomás teria algo de verdadeiro a dizer com aquelas palavras, mais do que em inglês. [Usar o inglês] só com vista à internacionalização, ou para chegar a mais pessoas, é uma coisa que nunca faremos.

Porquê o nome “Capitão Fausto”?

MP: É apenas um nome. Criámos a banda em 2009.

SS: Éramos miúdos e fizemos a banda para tocar no casamento de um tio do Tomás e tínhamos de arranjar um nome. Não há uma história associada ao nome.

MP: Não há uma mensagem propriamente dita, ela surge depois com os nossos discos.

Tendo em conta que têm alguns anos de carreira, como olham para a evolução da banda, como músicos, tendo em conta que saiu um elemento e atravessaram a pandemia?

SS: Fizemos o primeiro disco em 2011, mas já tínhamos a banda há mais tempo. Na verdade, nunca tivemos muitas mudanças, sempre foi uma coisa de nós os cinco a fazer música da mesma forma. Sempre tivemos os mesmos objectivos, que era fazer música e tocar ao vivo. Tivemos a grande mudança com a saída do Francisco, e quando isso aconteceu foi uma coisa muito forte. Ponderámos se a banda deveria continuar ou não, se fazia sentido continuarmos sem ele. Continuámos e ainda bem. Penso que a mudança não foi tão drástica como pensávamos. Fizemos bem essa mudança, todos a aceitaram bem, temos agora novos músicos connosco a tocar ao vivo e tem sido óptimo. A mudança faz parte e quando as pessoas crescem, às vezes dividem-se.

MP: A nossa história também tem a ver com a ideia de termos começado miúdos, cheios de sangue na guelra, a aprender a tocar juntos. Criámos as nossas primeiras bandas juntos. Fizemos um primeiro disco sem pensar muito bem no que estava a acontecer, houve uma recepção minimamente boa que nos levou a querer continuar. Fizemos o segundo disco, fomos para o terceiro e aí começámos a equacionar viver disto. Estávamos a acabar a faculdade e houve ali um momento em que todos nos atirámos e decidimos fazer isto até ao fim. Agora temos um percurso e o que nos liga é o facto de sermos só nós, e a nossa amizade, e como conseguimos meter o trabalho no meio de tudo isto.

IPOR | Três escolas assinam acordo para exame “Camões Júnior”

Três escolas públicas assinaram ontem um acordo de cooperação com o Instituto Português do Oriente (IPOR) para a realização do exame “Camões Júnior”, nomeadamente a Escola Secundária Luso-Chinesa de Luís Gonzaga Gomes, Escola Luso-Chinesa Técnico-Profissional e a Escola Oficial Zheng Guanying.

Segundo um comunicado da Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ), o acordo visa, entre outras medidas de promoção e desenvolvimento do ensino do português, a realização do exame “Camões Júnior”, bem como “a organização de formação profissional regular para professores de português e de encontros de intercâmbio académico em língua portuguesa”.

O objectivo é “aumentar a eficácia dos professores no ensino do português e o nível de utilização da língua portuguesa pelos alunos”.

Iao Hon | Conselheiros discutem reconstrução de sete prédios

A idade dos proprietários e falta de fundos para avançar com a reconstrução de sete prédios no Bairro do Iao Hon foi ontem discutida no Conselho Consultivo de Serviços Comunitários da Zona Norte, de acordo com o canal chinês da Rádio Macau. O assunto foi abordado por Ip Weng Hong, um dos membros, que focou a idade avançada dos proprietários, assim como as dificuldades financeiras que atravessam.

O responsável indicou que mais de metade dos proprietários dos apartamentos são idosos. Como tal, pediu ao Executivo para assumir os custos das obras a favor dos proprietários sem capacidade para financiar as obras.

Por sua vez, Chan Ian Ian, vogal, considera que um dos prédios que vai ser renovado, o edifício Son Lei, pode servir como referência para o futuro, ao nível da renovação urbana e dos procedimentos a seguir. Porém, defendeu a necessidade de “estabelecer um mecanismo de comunicação mais eficiente” entre proprietários e Governo, para tornar mais ágil o processo.