Comércio entre Brasil e China cresce para valor recorde em 2025

As trocas comerciais entre Brasil e China cresceram 8,2 por cento em termos homólogos, em 2025, para o valor recorde de 171 mil milhões de dólares, segundo dados divulgados ontem pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC).

A China manteve-se como o principal parceiro comercial do Brasil, superando com larga vantagem os Estados Unidos, com quem o comércio bilateral somou 83 mil milhões de dólares no mesmo período. De acordo com o CEBC, o excedente comercial brasileiro com a China foi de 29,1 mil milhões de dólares, o equivalente a 43 por cento de todo o saldo positivo do país com o mundo.

O crescimento das exportações brasileiras foi impulsionado principalmente pelo sector agropecuário e extractivo. Só a venda de petróleo bruto para a China atingiu o valor de 20 mil milhões de dólares, com um volume recorde de 44 milhões de toneladas – representando 45 por cento de todo o petróleo exportado pelo Brasil.

As exportações de soja somaram 34,5 mil milhões de dólares, enquanto as de carne bovina cresceram quase 48 por cento, chegando a 8,8 mil milhões de dólares, também um recorde. Em contraste, as vendas de carne de frango e suína caíram 53 por cento e 36 por cento, respectivamente.

Por outro lado

Do lado das importações, destacou-se a aquisição de uma plataforma para a exploração de petróleo no valor de 2,66 mil milhões de dólares. As compras de automóveis híbridos também aumentaram 25 por cento, totalizando 1,87 mil milhões de dólares. Por outro lado, os veículos 100 por cento eléctricos sofreram uma queda de 37 por cento nas importações.

A China foi ainda o principal fornecedor de bens da indústria de transformação para o Brasil, com destaque para fertilizantes, produtos químicos e farmacêuticos, estes últimos com um crescimento de 39 por cento nas compras, impulsionadas especialmente por medicamentos à base de insulina.

Entre os estados brasileiros, o Rio de Janeiro liderou as exportações para a China pelo terceiro ano consecutivo, com 18,1 mil milhões de dólares, 94 por cento dos quais oriundos da venda de petróleo.

Com os novos dados, a corrente de comércio Brasil – China representou 27,2 por cento de todo o comércio exterior brasileiro em 2025, consolidando a importância da China na balança comercial do país sul-americano.

China | Excedente comercial atinge 1 bilião de euros em 2025

O excedente comercial da China atingiu um novo recorde de quase 1,2 biliões de dólares em 2025, segundo dados ontem divulgados, apesar da guerra comercial com os Estados Unidos. De acordo com os dados, divulgados pelas autoridades aduaneiras chinesas, as exportações cresceram 5,5 por cento em 2025, totalizando 3,77 biliões de dólares, enquanto as importações se mantiveram praticamente inalteradas em 2,58 biliões de dólares.

Em 2024, o excedente comercial tinha sido de 992 mil milhões de dólares. Em Dezembro, as exportações aumentaram 6,6 por cento, em termos homólogos, superando as previsões dos analistas e o crescimento de 5,9 por cento registado em Novembro. As importações também subiram 5,7 por cento em Dezembro, face a um crescimento de 1,9 por cento no mês anterior.

Economistas prevêem que as exportações continuem a ser um dos principais motores do produto Interno Bruto (PIB) chinês em 2026, apesar das tensões comerciais e geopolíticas. “Continuamos a esperar que as exportações desempenhem um papel importante no crescimento económico este ano”, afirmou Jacqueline Rong, economista-chefe para a China no banco BNP Paribas.

Obstáculos superados

Embora as exportações para os Estados Unidos tenham caído acentuadamente desde o regresso de Donald Trump à Casa Branca e a intensificação da guerra comercial com Pequim, a quebra tem sido compensada por um aumento das vendas para mercados da América do Sul, Sudeste Asiático, África e Europa.

As exportações robustas têm permitido à China manter um crescimento económico próximo da meta oficial de 5 por cento, embora tenham também suscitado preocupação noutros países, que temem a concorrência de importações a preços reduzidos para as industriais locais.

A directora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, apelou recentemente à China para corrigir os desequilíbrios estruturais da sua economia e acelerar a transição de um modelo centrado nas exportações para um crescimento impulsionado pela procura interna e pelo investimento.

A crise prolongada no sector imobiliário, após o reforço das restrições ao endividamento excessivo, continua a afectar a confiança dos consumidores e a travar a procura interna. O economista Gary Ng, do banco francês Natixis, prevê que as exportações da China cresçam cerca de 3 por cento em 2026, abaixo dos 5 por cento registados no ano passado, estimando que o excedente comercial se mantenha acima de 1 bilião de dólares este ano.

Canadá | PM inicia visita à China em período de tensão com Washington

O primeiro-ministro Mark Carney iniciou ontem uma visita de três dias à China, a primeira de um chefe de Governo do Canadá em quase uma década, num momento de tensão crescente com os EUA. Durante a estadia, Carney deverá reunir-se com o Presidente chinês, Xi Jinping, e com o primeiro-ministro, Li Qiang, bem como com empresários e outros dirigentes políticos, visando relançar os laços comerciais e estratégicos entre os dois países, após anos de fricções.

Pequim encara a visita como uma oportunidade para promover o que designa como “autonomia estratégica” de Otava em relação a Washington. A imprensa estatal chinesa tem instado o Canadá a definir uma política externa independente dos Estados Unidos.

Isto numa altura em que o Presidente norte-americano Donald Trump impôs novas tarifas ao país vizinho e principal parceiro comercial, além de elevar a retórica hostil, sugerindo mesmo que o Canadá poderia tornar-se “o 51.º Estado” dos EUA.

“Se o lado canadiano reflectir sobre as causas profundas dos retrocessos nas relações bilaterais dos últimos anos – as políticas do governo anterior de Justin Trudeau para conter a China em alinhamento com os Estados Unidos – perceberá que pode evitar o mesmo desfecho mantendo a sua autonomia estratégica na gestão das questões relacionadas com a China”, escreveu esta semana o jornal oficial China Daily, em editorial.

Mário Laginha edita “Retorno”, segundo álbum em nome próprio

O pianista e compositor Mário Laginha edita o segundo álbum em nome próprio, “Retorno”, a 5 de Fevereiro, quando se apresenta no Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa, regressando no dia seguinte.

“Neste CD fiz uma coisa que nunca tinha feito, que foi pôr improvisos totais, o que eu tenho muito noutros álbuns são introduções improvisadas para chegar ao tema, e, alguns destes improvisos [incluídos em ‘Retorno’ acabam por ter um mote que eu sigo do princípio ao fim, o ‘Improviso II – Para a Francisca’ é um desses, isto eu nunca tinha feito. Não é uma coisa nova no mundo, mas é para mim”, disse o músico em entrevista à Agência Lusa.

“Retorno” é o segundo álbum em nome próprio de um dos mais regulares músicos nos palcos de jazz portugueses, 19 anos depois de “Canções e Fugas”.

Sobre a escolha do título, o pianista afirmou que, por um lado, retorna ao seu primeiro disco a solo, mas a ideia surgiu de um tema que compôs com o mesmo nome para a banda sonora de “Campo de Sangue” (2022), de João Mário Grilo, a partir do romance homónimo de Dulce Maria Cardoso, publicado em 2018. Laginha é o autor desta banda sonora que inclui o tema “Retorno”, cujos Direitos de Autor, no contexto do filme tinha vendido e não podia usar, mas queria de alguma forma envolver a autora do romance, e que escreveu um outro romance intitulado “O Retorno” (2012) e pediu-lhe autorização para usar o título no CD.

“‘Retorno’, eu gosto e soa-me bem, e apesar de tudo, não é um título imediato”, argumentou, referindo que também assinala um retorno a si próprio, enquanto compositor.

Mais livre

O músico reconheceu que se sentiu mais livre neste álbum, uma consequência relativamente ao álbum “Canções e Fugas”, que “foi um disco muito estruturado” em que quis fazer “uma graça com os Prelúdios e Fugas, de Bach”. “Eu tinha uma canção e uma fuga, nas fugas não há qualquer improviso, foram escritas segundo a sua técnica e neste disco queria algo mais livre”, explicou, referindo que em todos os temas há improvisações e no 1º tema, “Fugato Baião”, que liga ao seu primeiro álbum a solo, “começa com uma ideia de fuga e depois liberta-se, e onde já pus improvisação”. “É um disco muito mais livre, com muito mais improvisação”, sublinhou.

“Retorno” é constituído por 14 composições, todas de sua autoria e interpretadas ao piano. Um dos temas, “Santo Amaro”, é inspirado “numa aldeia à beira mar”, onde o músico passa férias, habitualmente, e a melodia remete para uma ondulação, como acontece em Santo Amaro. “O nome só surgiu depois de o compor”, disse.

O álbum inclui cinco improvisos, e do alinhamento fazem parte “Improviso-A Dança dos Camiões”, “No Segundo Dia”, “Batuque” ou “Mãos Abertas”, entre outros temas. Sobre o tema de abertura, “Fugato Baião”, Laginha referiu que “é invulgar, num disco a solo, começar com uma melodia que não tem acompanhamento, é meio inesperado”.

Nos dois concertos no CCB Mário Laginha conta apresentar o alinhamento completo de “Retorno”. A escolha de tocar a solo, foi “fazer um disco e por cá para fora, e tem mais a ver com a decisão de juntar essa música e dá-la a conhecer”.

Venetian | Steve Chou, cantor e compositor de Taiwan, em concerto dia 24

O palco da Venetian Arena prepara-se para receber, no próximo dia 24, um concerto de um músico de Taiwan. Trata-se de Steve Chou, que traz na bagagem a sua “LINGERING – REUNION Tour”, um espectáculo que remete para a ideia de reunião e celebração com os fãs, e das memórias que permanecem depois de 30 anos de carreira

É já no próximo dia 24 que a Venetian Arena recebe mais um concerto de um músico asiático com uma longa carreira. Trata-se de Steve Chou, de Taiwan, que apresenta um concerto integrado na “LINGERING – REUNION Tour”.

No dia 24, a música arranca às 20h, em forma de celebração e reunião com os fãs, num espectáculo interligado às ideias de permanência das memórias. Segundo a apresentação do espectáculo por parte da Venetian, este é o primeiro concerto a solo de Steve Chou em Macau, “sendo também a estreia num recinto fechado da digressão”.

Fica a promessa de que a Venetian Arena terá “um design e ajustes especiais” para que possa ser criada “uma experiência mais imersiva junto do público, fazendo com que este possa sentir uma ressonância apaixonada com música e alegria”, sentimentos ligados “às memórias queridas da juventude”, tendo em conta a longa carreira de Steve Chou. “Steve Chou espera que este encontro sirva como um gesto caloroso de agradecimento aos fãs que o acompanharam ao longo de todos estes anos, oferecendo os seus sinceros votos de Ano Novo”, lê-se ainda.

Nas três décadas de carreira do músico de Taiwan cabem músicas icónicas como “Dusk”, “Cold Lonely Sandbar” ou “Blue Flower”, interpretações essas que lhe deram a alcunha de “Padrinho das Canções de Amor”. “Steve Chou parece eternamente uma ‘criança travessa’ no mundo da música, apaixonado e sincero, cativando membros do público de forma tão profunda que estes se tornam fãs instantaneamente, após um concerto”, descreve ainda a organização do concerto.

Um “banquete de reencontro”

Há músicas mais clássicas do que outras na carreira de Steve Chou, e nessa categoria entram faixas como “Blue Flower”, “Betrayal” e “Winter’s Secret”. São composicões que, com esta digressão, voltaram a ser ouvidas e amadas, “e amplamente populares”. “Estas melodias, que outrora iluminaram a juventude de uma geração, continuam a irradiar energia vibrante na nova era, atraindo e influenciando um vasto número de jovens ouvintes”, descreve a organização.

Esta digressão é uma continuação de espectáculos anteriores, nomeadamente “LINGERING” e “LINGERING RESONANCE”. Agora, Steve Chou “renovou a lista de músicas”, enquanto que a equipa “fez melhorias em termos de som, design do palco, iluminação e efeitos especiais”.

“Numa estreita colaboração com a equipa criativa, Steve Chou criou um conceito que gira em torno da ideia de celebração, utilizando um sistema inteligente de iluminação, imagens VJ e diversas instalações em palco para apresentar ao público um grande banquete de reencontro”, lê-se ainda.

O êxito “Dusk” faz parte de um dos seus primeiros álbuns, “Transfer”, editado em 2000. Três anos depois saía para o mercado discográfico “Dubbing (By Your Side)”, com canções já editadas e um novo material que fez sucesso. Desde aí que a carreira de Steve Chou esteve sempre em franco crescimento, a conquistar inúmeros prémios.

IA | Docentes alertam para erros na plataforma de correcção de trabalhos

Vários professores dizem temer as falhas de uma nova plataforma de inteligência artificial anunciada pelo Executivo para ajudar na correcção de trabalhos de alunos. Um dos docentes, da escola Pui Va, diz que a plataforma pode obrigar à correcção de erros de forma manual

As autoridades de Macau anunciaram recentemente o lançamento, no próximo ano lectivo, de “uma plataforma de serviços localizada, no âmbito do ensino de inteligência artificial” (IA).

Esta ferramenta vai incluir funções como “composição de enunciados inteligente, a correção inteligente e outras funções, com vista a reduzir a carga de trabalho dos docentes, desde a preparação das aulas até à avaliação”. Embora sejam a favor da plataforma, professores sublinharam à Lusa as limitações actuais da tecnologia. Estes defendem que a IA pode, de facto, ajudar a reduzir a carga de trabalho, mas alertam para as fragilidades desta plataforma, nomeadamente quando utilizada para a correcção de trabalhos dos alunos.

“Usar a IA para classificar trabalhos pode resultar em erros que exigem correcção manual”, reagiu Ruan Zhanpeng, professor de tecnologias de informação na Escola Secundária Pui Va. Ruan reconheceu que a IA pode reduzir a carga de trabalho na “correcção de perguntas de escolha múltipla simples, mas para perguntas de resposta aberta, ainda são necessários ajustes manuais”.

A professora de chinês Nora Lam, da Escola dos Moradores de Macau, tem a mesma opinião quanto às limitações da IA no que diz respeito a questões que exigem desenvolvimento. “É necessária revisão após a correcção de uma composição feita pela IA, porque esta não consegue entender textos baseados em sentimentos”, referiu.

Um ponto de partida

Pedro Lobo, professor com mais de 30 anos de experiência em tecnologias de informação no território, revelou que tem usado a IA como “ponto de partida na preparação das aulas e de materiais para os alunos”. O português concorda que pode ser uma boa ferramenta para os docentes, mas enfatiza a necessidade de formação. “Para os professores que não falam chinês, dificilmente tenho visto qualquer formação”, disse à Lusa.

A Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) afirmou que, para o ano lectivo corrente, disponibiliza, pelo menos, 10 horas de formação para professores de tecnologias de informação e, pelo menos, seis horas para professores de outras disciplinas.

“No ano lectivo de 2025/2026, foram disponibilizadas cerca de três mil vagas de formação e mais de 51.800 horas lectivas aos docentes da disciplina de tecnologias de informação e cerca de nove mil vagas de formação e mais de 355 mil horas lectivas aos docentes das outras disciplinas”, referiu a DSEDJ numa resposta escrita a uma interpelação da deputada Ella Lei sobre estratégias para reduzir a carga de trabalho dos professores.

Creches gratuitas | 22 candidaturas em dois dias

Nos primeiros dois dias de inscrições para o plano de “Creche Gratuita para Crianças de Famílias em Situação Vulnerável”, o Instituto de Acção Social recebeu 22 candidaturas, sete destas foram já processadas. As inscrições estão abertas até ao dia 23 de Janeiro

Na segunda e terça-feira, os primeiros dois dias em que foi possível submeter inscrições para o “Regime de Creche Gratuita para Crianças de Famílias em Situação Vulnerável”, o Instituto de Acção Social (IAS) recebeu 22 candidaturas. Segundo o canal chinês da Rádio Macau, sete das candidaturas já tinham sido processadas ontem.

O plano de creches grátis para famílias com carências implementado este ano alarga o escopo dos serviços que já conferiam prioridade nas inscrições em creches subsidiadas a crianças em agregados familiares carenciados.

A chefe da Creche da Caritas Fai Chi Kei, Ng Fei Lei, afirmou à emissora pública que a nova medida, que irá substituir a antiga política de prioridade nas inscrições, poderá aliviar a pressão de muitas famílias. Como tal, a responsável estima que o número de candidaturas irá aumentar.

Além da creche no Fai Chi Kei, subsidiada pelo IAS, a Caritas opera mais duas creches, que ofereceram 555 vagas no ano lectivo corrente, correspondente a uma taxa de ocupação de 65 por cento. Do total de vagas ocupadas no ano lectivo 2025/2026, Ng Fei Lei indica que 3 por cento são crianças provenientes de famílias carenciadas. Apesar de elogiar a medida, a responsável considera que as inscrições deveriam estar abertas o ano inteiro, em vez de apenas durante menos de duas semanas em Janeiro.

Requisitos a preencher

O regime de creches gratuitas é um plano gerido pelo IAS em coordenação com mais de 30 creches subsidiadas para atender às necessidades de crianças com menos de três anos provenientes das famílias desfavorecidas, monoparentais, com membros deficientes, com doentes crónicos, compostas apenas por avós e netos ou beneficiárias do subsídio regular do IAS.

O programa tem também um requisito financeiro, com metas mínimas de rendimentos estabelecidas para os agregados familiares, consoante o número de pessoas que os compõem.

Famílias com duas pessoas têm um rendimento mensal máximo fixado em 19.975 patacas, com três pessoas sobe para 27.550 patacas, e 33.475 patacas com quatro pessoas. O limite máximo de rendimentos mensais para famílias com oito ou mais membros é de 50.675 patacas.

Ensino infantil | Cerca de 2.900 crianças inscritas pela primeira vez

Até às 15h da passada segunda-feira, cerca de 2.900 crianças foram inscritas pela primeira vez no registo central de acesso escolar das crianças ao ensino infantil para o ano lectivo 2026/2027, revelou ontem a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ). O processo de registo, que começou no dia 6 de Janeiro e termina amanhã, está a “decorrer sem dificuldades”, indicou ontem o Governo. As inscrições contabilizadas foram realizadas na aplicação Conta Única e no portal da DSEDJ.

Os destinatários do registo para o próximo ano lectivo são “crianças que, até 31 de Dezembro de 2026, completem entre 3 e 5 anos de idade (nascidas entre 1 de Janeiro de 2021 e 31 de Dezembro de 2023) e possuam as condições requeridas para acesso ao ensino infantil em Macau pela primeira vez”, refere a DSEDJ.

Para as crianças que ainda não estão inscritas, pais e encarregados de educação podem usar as ferramentas digitais mencionadas, ou recorrer aos balcões de atendimento da DSEDJ. As escolas publicarão, entre 10 e 12 de Fevereiro, as datas e horários das entrevistas de admissão.

Comunidades | Rui Marcelo promete ouvir portugueses “com humildade”

O presidente do Conselho Regional da Ásia e Oceânia do Conselho das Comunidades Portuguesas, Rui Marcelo, promete “ouvir com humildade” a população ao longo do novo ano. A promessa foi deixada numa mensagem com um “compromisso renovado” para o novo ano, divulgada através das redes sociais.

“A nossa primeira obrigação é escutar. Reforçaremos os canais de diálogo, garantido que todas as vozes da nossa diversificada comunidade se sintam verdadeiramente representadas”, foi prometido.

“A força da nossa comunidade lusófona global nunca residiu no monólogo, mas no diálogo; não na unanimidade forçada, mas na união construída sobre respeito e propósito partilhado”, reforçou Marcelo. “Que 2026 seja o ano em que, lado a lado, demonstremos que o que nos une – uma herança gloriosa e um futuro de potencial ilimitado – é infinitamente mais forte do que qualquer coisa que procure dividir-nos. Que este novo ciclo nos traga a serenidade para o diálogo construtivo, a coragem para as escolhas certas e a força incansável para servir”, acrescentou.

Rui Marcelo prometeu também “agir com transparência” apontando que “cada iniciativa, cada projecto do Conselho Regional da Ásia e Oceânia será conduzido com clareza absoluta”. “A nossa acção será mensurável, orientada para resultados tangíveis que fortaleçam os laços culturais, económicos e sociais nas regiões que representamos”, acrescentou.

IAS | Anunciado aumento de conciliadores familiares

Lei Lai Peng, chefe do Departamento de Serviços Familiares e Comunitários do Instituto de Acção Social (IAS), afirmou que o número de conciliadores familiares na entidade vai ser alargado, além dos 48 existentes, e que serão ainda organizadas mais acções de formação.

No programa matinal do canal chinês da Rádio Macau, Fórum Macau, foi também deixada a promessa de aumentar o número de assistentes sociais qualificados para serem conciliadores familiares. Lei Lai Peng disse que após a entrada em vigor do regime de conciliação para as causas de família, a 1 de Janeiro, foram recebidos 30 pedidos de consulta, sendo que oito destas foram encaminhadas para o serviço de mediação. As restantes acabaram por ser dirigidas a outros serviços.

Por seu turno, a vice-presidente da Associação Geral das Mulheres de Macau, Ho Ka Ian, que também falou no mesmo programa de rádio, recordou que os requisitos para ser conciliador familiar passam por ter formação na área do serviço social. Assim, após receberem formação adequada, estes profissionais podem ser capazes de realizar trabalhos de base na área da mediação familiar, adiantou.

Fronteiras | Criticados atrasos na promoção de espaços comerciais

Song Pek Kei está preocupada com a falta de aproveitamento das zonas comerciais nas fronteiras, ao contrário do que acontece em Zhuhai. Para a deputada, o comércio nas zonas fronteiriças é essencial para a diversificação da economia

A deputada Song Pek Kei criticou o subdesenvolvimento do comércio nas fronteiras de Macau com o Interior e pede ao Executivo medidas para solucionar um problema que se arrasta nos últimos anos. A posição foi tomada através de uma interpelação escrita da legisladora ligada à Associação de Fujian.

No texto da interpelação, a deputada destaca que 2025 foi o melhor ano de sempre em termos da entrada de turistas, ultrapassando-se o anterior recorde, estabelecido em 2019 com a entrada de 39,4 milhões de visitantes. Como parte deste aumento, Song Pek Kei aponta que o número de pessoas a utilizar a Fronteira de Qingmao e da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau cresceu significativamente.

No entanto, o comércio nas fronteiras não está a acompanhar a tendência de crescimento, nem a abertura de espaços comerciais em Qingmao contribuiu para uma maior actividade para os comerciantes ou para desviar turistas da Fronteira das Portas do Cerco, a mais utilizada: “O desempenho operacional global está actualmente muito aquém das expectativas, não conseguindo alcançar o efeito desejado de atrair fluxos de passageiros, o que faz com que os benefícios comerciais sejam muito limitados”, atirou a deputada.

Song indica também que a atracção de empresas para explorarem os espaços comerciais nas fronteiras tem sido um desafio constante, com excepção das Portas do Cerco. A legisladora recorda que a empresa responsável pela exploração das lojas na Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau pediu para rescindir o contrato em 2024, e desde então tem havido problemas para ocupar todas as lojas.

Eles fazem melhor

Em contraste, Song aponta que as autoridades de Zhuhai têm aproveitado o novo fluxo de turistas para promover o comércio no seu lado da fronteira com muito sucesso. Neste contexto, a legisladora questiona o Governo sobre os planos para “aproveitar as vantagens dos novos fluxos fronteiriços para o desenvolvimento económico” e “reforçar o papel de desvio do fluxo da Fronteira das Portas do Cerco”.

A deputada quer também saber quando vai ser lançado um novo concurso público para a exploração das áreas comerciais da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau e se vai ser adoptado um novo modelo de exploração.

Por último, Song indica que “a economia fronteiriça” é “fundamental para a diversificação moderada do desenvolvimento económico de Macau, pelo que pergunta se existem planos para criar um grupo de trabalho que tenha como tarefa exclusiva definir o futuro desta área da economia.

Terrenos | Trinta espaços usados para estacionamento e lazer

O Governo vai dar início à utilização temporária de 30 terrenos para fins recreativos, estacionamento, desporto e até para albergar postos para recolha de reciclagem. Alguns destes terrenos ainda terão de passar por processos de despejo até poderem ser utilizados

Atendendo a uma velha reivindicação de deputados e analistas, o Governo irá arrancar com a utilização temporária a curto prazo de 30 terrenos desocupados, foi avançado ontem na reunião Comissão de Acompanhamento para os Assuntos de Terras e Concessões Públicas, da Assembleia Legislativa.

A presidente da comissão, Ella Lei, revelou que destes terrenos, 13 vão ser convertidos em espaços recreativos, 12 serão usados para estacionamento, um irá albergar equipamentos desportivos para uso da população. Três vão ter “fins mistos”, enquanto um será um posto de recolha de resíduos recicláveis.

De acordo com o jornal Ou Mun, Ella Lei especificou que a utilização dos terrenos temporários será distribuída consoante as necessidades das diversas zonas da cidade. A deputada dá como exemplo a carência de lugares de estacionamento na freguesia de Santo António, como uma das áreas onde terrenos não-utlizados terão essa função.

Em relação à situação actual dos espaços, Ella Lei indicou que se encontram em fases bem distintas. Alguns terrenos estão prontos para avançar para as fases de concepção do design e construção, enquanto outros ainda terão de passar por processos de despejo.

Para dar seguimento

No ano passado, o Governo deu início aos trabalhos de design e construção de outros nove terrenos temporários. À semelhança do anúncio de ontem, as finalidades serão estacionamento (três terrenos), recolha de material para reciclagem (dois terrenos), três espaços para a prática desportiva e um terreno onde será instalado uma estação para carregamento de automóveis eléctricos.

Ella Lei recordou que destes terrenos, os três parques de estacionamento já estão abertos desde Dezembro no Centro de Formação das Águias Voadoras de Coloane, no Edifício D.ª Julieta Nobre de Carvalho de Tamagnini Barbosa e ao lado da Escola de Pilotagem da Barra. No total, estes três locais acrescentaram 194 lugares para carros ligeiros e 140 para motociclos.

Segundo os dados do Governo, os 39 terrenos têm uma área total superior a 100 mil metros quadrados. Cumprindo os planos anunciados ontem por Ella Lei, os 12 terrenos podem acrescentar um milhar de lugares de estacionamento.

Exposição | Eric Fok mostra “Dreaming of the Occident” em Taiwan: “Em Portugal, vejo vestígios da minha cidade”

O ano começou com um novo projecto de Eric Fok, que apesar de viver em Portugal não deixou Macau e o Oriente. “Dreaming of the Occident” está exposta na galeria Helios, em Taipei, e pode ser vista até 24 de Janeiro. Ao HM, o artista local revela que quer explorar artisticamente o universo da bifana de Vendas Novas, pela ligação à costeleta de porco de Macau

Como está representado o Ocidente nesta exposição?

Sempre me fascinou o cruzamento entre as culturas do Oriente e Ocidente, e já explorei a forma como Macau foi um território moldado por missionários e navegadores ocidentais que trouxeram novas ciências e ideias para o Oriente. A propósito de uma anterior exposição, e durante o processo de pesquisa, percebi como era raro os chineses viajarem para a Europa na época dos Descobrimentos. Li com entusiasmo os relatos dos poucos que o fizeram. Há diários que recriam de forma vívida as perigosas viagens marítimas e como era a vida nas antigas cidades europeias. Isso permitiu projectar-me nas suas histórias, fazendo a ponte entre o passado e o presente, entre o Oriente e o Oriente. Essas diferenças culturais não são apenas história para mim, mas tornaram-se numa rica fonte de imaginação para o meu novo trabalho.

Como artista de Macau, de que forma a história do território, marcada pelo intercâmbio entre o Oriente e o Ocidente, moldou a sua forma de pensar esta mostra?

Tudo começou com o mapeamento de Macau para a série “Paraíso” [exposição de 2014], um projecto que nasceu da minha curiosidade sobre o passado da cidade num contexto de rápida expansão das indústrias do turismo e jogo. Através deste diálogo com a história local, comecei a compreender verdadeiramente a cidade. Passei de ter o foco nos pequenos detalhes da vida urbana para ter uma perspectiva macro do mundo, relevando o papel significativo de Macau na história global. Isso inclui o estatuto de porta de entrada para a China durante os Descobrimentos, a contribuição para o início da globalização, ou ainda ter sido um espaço de difusão do catolicismo a Oriente. [Não podemos esquecer] a profunda influência da cultura marítima. Todos estes temas constituem uma extensão da minha exploração em torno da experiência histórica, e singular, de Macau.

Pode descrever com mais detalhe o processo criativo para “Dreaming of the Occident”?

Além dos mapas de Macau, esta exposição apresenta também mapas da Eurásia e de várias colónias asiáticas, onde exploro temas como a navegação, o comércio e o império. A minha investigação estende-se também à experimentação de materiais. Além de usar o papel e a madeira, incorporei suportes não convencionais, como ovos de avestruz. Estes objectos funcionam como telas para narrar histórias sobre espécies endémicas e a história da migração, estabelecendo uma ponte entre um lado biológico e histórico.

A exposição pretende criticar a influência ocidental em Macau, reflectir sobre ela ou simplesmente observá-la?

Na minha exploração destes temas interesso-me sobretudo pelas dimensões culturais da história. Quando os europeus chegaram pela primeira vez à Ásia, viam o mundo de uma perspectiva eurocêntrica. O termo “Extremo Oriente” não era apenas uma designação geográfica, mas um símbolo de poder e uma visão específica do mundo. Mas, por outro lado, o termo “Extremo Ocidente” representa uma imaginação global inicial, no sentido de ser um espaço de compreensão mútua, ainda que incompleta. Hoje, que vivemos numa era de muita informação, em que a conectividade é instantânea, perdemos esse sentido de mistério, e o meu trabalho procura recuperar um pouco daquilo que é a fantasia da distância.

Espera leituras diferentes da exposição ou um conhecimento mais profundo do que é Macau, em termos culturais e históricos?

No processo criativo dou privilégio à expressão pessoal como respostas à sociedade e ao mundo em que vivemos. Embora expor numa galeria comercial traga, inevitavelmente, uma dimensão de mercado ao meu trabalho, o meu foco é sempre na integridade da obra. Nos últimos anos, a minha vontade de que o público “descodifique correctamente” a minha arte foi-se alterando, no sentido em que, embora sinta uma profunda satisfação quando alguém se conecta com o meu mundo interior, passei a aceitar esse “vazio” na narrativa do meu trabalho. Essas lacunas destinam-se a ser preenchidas pelas experiências e emoções de quem vê, ou talvez pelo próprio tempo e pela história. Num tempo de mudanças rápidas e efémeras, utilizo o pincel para documentar e preservar. O meu trabalho consiste numa partilha da experiência urbana que convida o público a criar uma ligação emocional com as cidades, promovendo uma reflexão profunda sobre identidade e pertença.

Tem vivido entre Macau e Portugal. De que forma isso influencia o seu trabalho e a visão da história e cultura de Macau?

No momento em que respondo a esta entrevista encontro-me em Vendas Novas, uma localidade em Portugal que é famosa pela bifana. Actualmente, estou a explorar se existe alguma ligação directa entre esta especialidade local e o pão com costeleta de porco de Macau. Há séculos atrás, os portugueses procuraram construir um “lar” em Macau, deixando estruturas portuguesas que definiram o horizonte da minha cidade. Actualmente, estando em Portugal, vejo vestígios da minha cidade por todo o lado. Sendo asiático, e estando rodeado por diferentes raças e línguas, encontro um certo sentimento de pertença que tanto pode trazer uma ideia de alienação como de algo profundamente familiar. A enorme distância geográfica é encurtada pela cultura e história, que são partilhadas. Esta troca de identidades e o movimento entre lugares constituem profundas inspirações para o meu trabalho.

A busca por um lugar desconhecido

No portal de Internet da galeria Helios, a nova exposição de Eric Fok é descrita como uma busca por uma Europa que, do lado oriental, se sabia existir, mas que estava longe de ser conhecida, sobretudo a partir de meados do século XVI, quando surge o termo “Taixi” como referência ao “Grande Ocidente”. A expressão chinesa foi usada pelo missionário jesuíta Matteo Ricci e é um dos focos do trabalho do artista de Macau em “Dreaming of the Occident”.

Segundo a apresentação da Helios, “Taixi” era um termo atribuído à “terra extremamente distante no Ocidente e que foi, outrora, um espaço em branco nos mapas, ainda por explorar”. Desta forma, os mapas imaginados de Eric Fok exploram as ideias de um lugar ausente e desconhecido, sendo analisada também “a identidade do eu, o transporte de memórias, poder e ideologia”. Com recurso a pesquisa histórica, o artista de Macau “redescobre a ‘Taixi’ a partir do olhar do Extremo Oriente, por meio da escrita e da representação cartográfica”. Eric Fok investigou também “as visões do mundo que existiam no passado, formadas pela interligação entre o poder e a crença”, é descrito.

Embaixador do Irão em Lisboa condenou “institucionalização do uso indevido da força”

O embaixador do Irão em Lisboa, Majid Tafreshi, condenou “institucionalização de uma nova política”, concretizada com o instrumento do “uso indevido da força”, aludindo aos Estados Unidos e a Israel. Numa entrevista à agência Lusa, Tafreshi advertiu que este processo irá “alastrar-se” se os países, sobretudo os ocidentais, “não tomarem medidas sérias” contra os Estados Unidos e Israel, “que têm incitado à agitação pública”.

“Não há garantias de que tais práticas não venham a repetir-se, sobretudo quando já se ouvem discussões inquietantes, como as relativas à posse da Gronelândia”, destacou Tafreshi, lembrando a actuação norte-americana na Venezuela, e as insinuações contra a Colômbia e Cuba.

A entrevista decorreu antes de o diplomata ser chamado pelo Governo português por causa da repressão violenta de manifestações contra o Governo iraniano, anúncio feito ontem pelo ministério dos Negócios Estrangeiros.

O diplomata iraniano lembrou ter já solicitado aos “colegas académicos” e diplomatas a criação em Portugal, de um novo fórum intitulado “Diálogo entre Inimigos”, na procura de uma “paz universal e de um mundo livre de guerra e de tensão”, bem como a criação de novos mecanismos – como uma União da Ásia Oriental – “poderia constituir uma iniciativa com significado”.

“Acredito que a política e os políticos deveriam seguir mais de perto a vontade dos seus próprios povos, que, na realidade, não parecem ter grandes conflitos entre si – como se observa claramente no turismo, nos estádios de futebol, nos concertos e em centenas de outras interacções humanas”, argumentou o diplomara iraniano.

Sobre os recentes desenvolvimentos no Irão, em que, disse, manifestações pacíficas centradas em desafios económicos, com o passar do tempo, “alguns elementos presentes nessas concentrações escalaram para incidentes violentos”, incluindo acções armadas que, segundo relatos, “envolveram indivíduos com treino prévio”.

“Lamentavelmente, estes acontecimentos resultaram em vítimas entre agentes das forças de segurança, forças de ordem pública e cidadãos comuns”, afirmou Tafreshi, depois de o alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, ter condenado e exigido o fim da “repressão dos protestos no Irão, que resultaram em mais de 600 mortos desde 28 de Dezembro, segundo uma organização não governamental.

O embaixador do Irão em Lisboa referiu os “milhões de cidadãos iranianos” que participaram segunda-feira em manifestações públicas, “reflectindo uma mudança no quadro geral e expressando apoio ao seu país islâmico”, o que, tal como no passado, a notícia tem uma atenção limitada dos meios de comunicação social ocidentais.

Incentivos exteriores

Questionado sobre o que está a estrangular a economia iraniana, Tafreshi destaca a intervenções de Israel, “em menor grau”, e os Estados Unidos, “que têm incentivado a agitação pública”, bem como os desafios económicos do Irão que são significativamente influenciados por sanções extensas impostas” por Washington.

“Estas medidas, que o Irão considera ilegais, têm também sido apoiadas por países europeus que defendem os direitos humanos, apesar de existirem preocupações de que tais políticas tenham afectado negativamente direitos fundamentais da população iraniana, incluindo o acesso a cuidados de saúde”, denunciou.

“O respeito pela Carta das Nações Unidas, as amargas lições da Primeira e da Segunda Guerras Mundiais e as experiências devastadoras e os custos dos acontecimentos no Afeganistão, na Síria, na Palestina, no Líbano, na Líbia, no Iraque, na Ucrânia e noutros locais deveriam ser suficientes para nos recordar a necessidade urgente de priorizar, mais do que nunca, a coexistência pacífica”, acrescentou.

Sobre o elevado número de vítimas mortais, Tafreshi negou que a segurança iraniana esteja a utilizar o uso desproporcional da força, exemplificando, a par do elevado número de mortes entre civis, com o número significativo de mortos e feridos de polícias”.

Poder do povo

Questionado sobre as palavras de Reza Pahlavi – filho do antigo xá Mohammad Reza Pahlavi, deposto após a Revolução Islâmica de 1979 – em que afirmou que tenciona regressar em breve ao Irão, Tafreshi considerou que, com o “apoio de alguns meios de comunicação social ocidentais e sionistas”, parece estar a tentar desempenhar o papel de um “Robin dos Bosques”.

“No entanto, Robin dos Bosques nunca apelou às pessoas comuns para recorrerem à violência ou violarem normas e princípios internacionais, como o ataque a embaixadas e instalações diplomáticas. Durante o reinado do seu pai, apesar de o Irão contar com o apoio dos Estados Unidos e do Ocidente, o país perdeu a sua 14.ª província, o Bahrein. Com base na experiência, os Estados Unidos apoiam e exploram qualquer pessoa capaz de prejudicar a independência e a segurança do Irão”, respondeu.

Tafreshi negou, por outro lado, que o regime – “o termo “regime é uma expressão ilegítima e enviesada” – esteja em risco, destacando novamente “os milhões” de iranianos que se manifestaram segunda-feira em favor da soberania do Irão.

“A República Islâmica pertence ao povo do Irão. O ayatollah [Ali] Khamenei é o líder do Irão e um desses cidadãos”, sublinhou o diplomata, para quem a China e a Rússia mantêm “boas relações” com Teerão, pelo que não é necessário contar com Pequim ou Moscovo para defender o país, que conta com o seu próprio povo para proteger a sua segurança e soberania.

Mia Soave!…

Poemas há que precisamos deles de forma total. Quem não sabe lembrar nenhum em tempos especiais e adaptá-lo à sua situação padece de um recurso que não é passível de ser substituído por nenhuma outra competência. Sem poema aprendido estamos despojados de humanidade perante os bravios golpes do destino, a nossa composição neuronal não tem ligações e tudo se desalinha de forma imprecisa. Nós estamos no estertor olhando a morte daqueles que vimos nascer, a nossa dor imensa não necessita de psicólogos, padres, mentores, gurus, só necessitamos de algo que venha em nossa direção e que possamos agradecer aos céus por termos tido dela conhecimento. O poema.

Na madrugada agonizante um poema se solta como ave bem-dita na despedida:« – Mia Suave..- Ave?! … Almeia?!… Mariposa Azul… Transe!… » e assim dissemos adeus na fronteira entre morte e vida onde o som do poema ressoava na noite telepática «Não dói por Ti Meu Peito…/ Mia Soave…- Ave! – Almeia!…» E a alma lustral ainda em ferida foi capaz de soletrar canções dos velhos anjos, e suavizar passagens, contornar o asfalto da falta grave de um amado ser. É um poema de Ângelo de Lima que o dedicou a seus amigos do Orpheu introduzindo uma tal eloquência que somente em situações sagradas o lembramos, mas são as coisas que nos lembram e se cruzam no efeito certo dos propósitos, e grande é o poeta que nos abençoa e encaminha em momentos tão derradeiros.

Poderemos dizer: que poema é este? É um poema. Parece um poema concreto feito de significados aleatórios que visam quebrar a monotonia das frases feitas do sentir, da sua métrica sequencial, do seu propósito canónico, e por isso estar distante e esquecido do terreiro das coisas dadas nesta matéria, que por outro lado é o mais belo poema da língua portuguesa do século vinte sem apelo nem anotação no marasmo das descrições de todo o género que não chegam a bálsamo nos instantes vitais.

É com um misto de surpresa e encantamento que uma coisa assim nos acontece, é uma iniciação. Ângelo de Lima foi barbaramente assassinado nos corredores das psicanálises e pareceres psiquiátricos de então, a sua obra nem chegou a ganhar fôlego nas correntes literárias, mas quando nos visita, tudo muda.

«– Do Ocaso pela Epopeia… Dorto… Stringe… O Corpo Elance… Vai À Campa… – Il C´or descanse…- Mia Soave… – Ave!… – Almeia!…»

Este poema está cheio de luz e de lágrimas, só quem o conhece é por ele visitado na hora grave de uma despedida. Ele canta mais do que soletra, ele é mais poema que coisa escrita, ele afaga, enobrece e enaltece, e quando tudo se turva de amor desfeito ele dá-nos ainda o bálsamo dos grandes mistérios.

Mia Soave, meu Amor « – Não dói Por Ti Meu Peito…/ Não Choro no Orar Ciclo…/ Em Profano…- Edd´ora…Eleito!…» A madrugada ia avançando, a lua alta estava, e um poema visitava a curva da despedida como um cântico de amor e morte, mas surpreendentemente numa esperança futura que não sabe ainda onde irá de novo nascer.

Um mantra assim pode levar-nos a pensar que o sopro que dali vem salva a nossa alma para sempre, dando àquela que parte uma dimensão até então desconhecida, e aos que ficam a certeza que só a grande, grande poesia, salva os seres e os distingue. E este é um grande poema. Transfigurador, milagroso, belíssimo. O que vem dizer sequencialmente é um desafio. Que nada diz coisa nenhuma se a palavra não tiver a dimensão que aqui nos traz.

Diplomacia | Japão e Coreia do Sul querem reforçar laços

A visita do Presidente sul-coreano ao Japão resultou numa série de acordos para ultrapassar divergências antigas e aproximar os dois países no quadro regional face à situação geopolítica global

A primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, e o Presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, prometeram ontem reforçar os laços de segurança e económicos diante da escalada da tensão com a China, uma medida que visa “impulsionar a diplomacia” na região.

“Esta colaboração entre os dois países tem uma importância estratégica para ambas as nações”, afirmou a primeira-ministra japonesa durante uma visita de dois dias a Nara, a sua cidade natal, onde se encontrou com o líder sul-coreano, segundo o jornal japonês The Japan Times.

Sanae Takaichi também observou que os dois países chegaram a um acordo sobre os restos mortais de cidadãos sul-coreanos que morreram no Japão após serem recrutados para trabalhos forçados durante a ocupação japonesa, tendo Tóquio concordado em realizar testes de ADN.

Os dois lados defenderam “mais visitas deste tipo” entre os dois países, após a visita de Lee à China para conversações com o Presidente chinês, Xi Jinping, quando se assiste a uma crescente tensão com Tóquio.

“Espero que esta visita ajude a elevar as relações entre o Japão e a Coreia do Sul a um novo patamar”, disse Takaichi após a reunião.

Pontos comuns

A primeira-ministra japonesa afirmou que ambos os líderes esperavam “consolidar uma forte relação pessoal” para “promover laços mais estreitos entre os nossos vizinhos no meio de uma complexa situação geopolítica global”.

Embora Takaichi não tenha abordado as divergências com a China e a recente troca de acusações entre os dois lados após uma série de declarações sobre Taiwan, Lee enfatizou a necessidade de Tóquio, Seul e Pequim “identificarem pontos em comum e comunicarem-se eficazmente”.

“Quero enfatizar a necessidade de os três países identificarem pontos em comum para a comunicação e cooperação”, afirmou Lee, reiterando a importância de alcançar a “desnuclearização completa da Península Coreana para estabelecer uma paz duradoura na região”.

“Concordámos em continuar a coordenar esforços para lidar com a questão norte-coreana”, acrescentou. As partes concordaram também em cooperar na recuperação dos restos mortais das vítimas da grande inundação de 1942, que fez quase 200 mortos — incluindo 136 trabalhadores coreanos — numa mina de carvão na província de Yamaguchi.

O chefe de Estado sul-coreano descreveu esta medida como um “pequeno mas significativo progresso em questões historicamente importantes” para a Coreia do Sul. “Numa ordem mundial cada vez mais complexa, acredito que a cooperação entre a Coreia do Sul e o Japão é mais importante do que nunca”, afirmou o Presidente sul-coreano.

“A incerteza política está a crescer, o multilateralismo está a ser testado e a independência das cadeias de produção globais está a ser instrumentalizada”, lamentou Lee, acrescentando que existem “desafios” que terão de ser “enfrentados” através do “respeito e confiança mútuos”.

Espaço | Chang’e-6 oferece novas pistas sobre a dicotomia lunar

A investigação chinesa avança com novas provas sobre as possíveis causas que estiveram na origem da constituição do manto lunar

A missão chinesa Chang’e-6 trouxe novas provas sobre a origem da dicotomia entre as duas faces da Lua, ao revelar que um impacto gigantesco alterou a composição do manto lunar, segundo um estudo publicado ontem.

A investigação, liderada por cientistas do Instituto de Geologia e Geofísica da Academia Chinesa de Ciências, baseia-se na análise isotópica de alta precisão de basaltos recolhidos pela Chang’e-6 na bacia Aitken do Polo Sul, a maior e mais antiga cratera de impacto do satélite, e foi divulgada na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

Os investigadores detectaram que as amostras provenientes da face oculta apresentam proporções significativamente mais elevadas do isótopo pesado do potássio em comparação com as rochas lunares recolhidas nas missões Apolo na face visível.

Depois de excluírem outros factores, como a irradiação por raios cósmicos ou processos magmáticos posteriores, a equipa concluiu que um grande impacto primordial, ocorrido há mais de 4.200 milhões de anos, provocou a perda de elementos moderadamente voláteis no manto lunar.

Segundo o estudo, as condições extremas de temperatura e pressão geradas durante esse evento favoreceram a evaporação dos isótopos mais leves, alterando de forma duradoura a química interna do satélite.

Essa perda de voláteis terá dificultado a geração de magma na face oculta, o que ajuda a explicar a sua menor actividade vulcânica e o seu relevo mais acidentado, em contraste com as vastas planícies basálticas do hemisfério visível a partir da Terra.

Novas missões na calha

Os cientistas sublinham que esta descoberta fornece novas pistas para compreender como os grandes impactos influenciaram não apenas a superfície, mas também a evolução interna da Lua nas suas fases iniciais. A missão Chang’e-6, lançada em maio de 2024, foi a primeira a recolher amostras da face oculta do nosso satélite natural.

A China prepara novas missões lunares não tripuladas, como a Chang’e-7, prevista para 2026 e com destino ao polo sul da Lua, e a Chang’e-8, programada para 2029 com a participação de 11 países, que estabelecerá as bases para futuras missões tripuladas.

O país asiático tem investido fortemente no seu programa espacial, com feitos como a primeira alunagem na face oculta da Lua, realizada pela Chang’e-4, e o envio da missão Tianwen-1 a Marte, que fez da China a terceira nação a alcançar o planeta vermelho, depois dos Estados Unidos e da extinta União Soviética.

Irão | China pede que se preserve a estabilidade face a ameaças dos EUA

A China apelou ontem a que se “preserve a estabilidade” do Irão e manifestou a sua “oposição a qualquer ingerência externa ou ao recurso à força”, em resposta aos avisos de Washington sobre uma possível escalada contra Teerão.

Em conferência de imprensa, a porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Mao Ning, afirmou que Pequim “espera e apoia que o Irão mantenha a estabilidade nacional” e reiterou a oposição da China à “interferência nos assuntos internos de outros países” e à “ameaça ou ao uso da força nas relações internacionais”.

As declarações surgem depois de órgãos de comunicação norte-americanos terem noticiado que a Casa Branca está a ponderar diferentes opções, incluindo medidas militares, em relação ao Irão, ao mesmo tempo que Washington instou os seus cidadãos a deixarem o país por razões de segurança. Mao declarou que a China “espera que todas as partes façam mais para contribuir para a paz e a estabilidade no Médio Oriente”.

Sobre a situação de segurança e os protestos no Irão, a porta-voz garantiu que a China “acompanhará de perto a evolução dos acontecimentos” e que adoptará “todas as medidas necessárias” para proteger os seus cidadãos no país.

No plano económico, Mao reiterou a posição já expressa ontem pela embaixada chinesa em Washington face às ameaças tarifárias do Presidente norte-americano, Donald Trump, dirigidas aos países que mantenham relações comerciais com o Irão. A porta-voz sublinhou que “não há vencedores numa guerra tarifária” e frisou que a China “defenderá firmemente os seus direitos e interesses legítimos e legais”.

As declarações surgem depois de Trump ter anunciado a imposição de tarifas adicionais aos países que “façam negócios” com o Irão, uma medida que a China tem vindo a classificar como uma sanção unilateral, num contexto de crescente tensão diplomática e de segurança em torno do país persa.

Arte contemporânea | Workshop com Delfim Sardo este domingo

Acontece este domingo, dia 18, no auditório do Museu de Arte de Macau (MAM), o “Workshop de Curadoria de Arte Contemporânea com Delfim Sardo”, onde se analisam “abordagens curatoriais para transformar a forma como percebemos e nos relacionamos com o mundo”.

Este workshop realiza-se no contexto da exposição sobre o trabalho da artista portuguesa Helena Almeida, intitulada “Helena Almeida: I Am Here – Presence and Resonance”, acolhida pelo MAM a partir do dia 23 e de que Delfim Sardo é curador-chefe. Trata-se de uma mostra organizada pelo Instituto Cultural e pelo MAM.

Segundo informações disponibilizadas pelo MAM, neste workshop pretende-se reflectir “sobre as múltiplas facetas da curadoria de exposições de arte contemporânea”, além de se analisarem “estudos de caso, apresentação de conceitos, processos e desafios curatoriais”. Pretende-se ainda uma “interacção dinâmica”, sendo “incentivadas perguntas e discussões para estimular a troca de ideias”.

O workshop tem a duração de seis horas, decorre em inglês das 10h às 13h e depois das 14h30 às 17h30. A inscrição é gratuita e pode ser feita no Sistema de Inscrição em Actividades da Macao One Account. A lista de admissão será conhecida esta quinta-feira.

Delfim Sardo é professor de arte e curador, descrito como uma “figura central na cena artística contemporânea portuguesa”. “Sardo tem uma sólida formação filosófica, com especialização em estética, e a sua visão curatorial é profundamente influenciada pela teoria crítica e pela ética da representação. O seu trabalho curatorial vai além da simples disposição de objectos, apresentando ensaios profundos no espaço expositivo que levam os espectadores a repensar o papel público da arte”, descreve-se ainda.

Em 1999, Delfim Sardo foi curador da Representação Portuguesa na Bienal de Veneza, tendo sido, anteriormente, director do Centro de Exposições do Centro Cultural de Belém, entre outros cargos. É professor na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, onde coordena um programa de mestrado em Crítica de Arte e Estudos Curatoriais.

Casa de Macau apresenta série documental “Os Resistentes”, dia 21

A Casa de Macau em Lisboa exibe, na próxima quarta-feira, dia 21, uma série documental sobre Macau, integrada na sessão “CineMacau – Ciclo de cinema documental de Macau”. A sessão começa às 15h30 e dedica-se a mostrar “Os Resistentes, Retratos de Macau”, com realização de António Caetano Faria, ex-residente de Macau.

Nesta série documental apresentam-se negócios que resistiram ao tempo, nomeadamente a gelataria Lai-Kei, um barbeiro, um alfaiate ou casas de noodles. Segundo uma nota da Casa de Macau, a exibição será supervisionada por Ruka Borges, produtor, e Gonçalo Magalhães, membro da direcção da Casa.

Revela-se, assim, “o vasto reportório que António Faria tem dedicado às antigas profissões, algumas em extinção, e que ainda são referências do quotidiano das ruas de Macau, trazendo as memórias de uma Macau doutros tempos e doutras vivências”. A série foi desenvolvida ao longo de três temporadas, nomeadamente nos anos de 2015, 2017 e 2020, e consiste em episódios curtos, filmados a preto e branco.

Trata-se de uma “escolha estética que sublinha o carácter documental e atemporal do projecto”, descreve-se numa nota da Casa de Macau, sendo que os episódios não são narrados e “evitam a dramatização”.

“O foco está nas pessoas e nos espaços de trabalho: sapateiros, relojoeiros, alfaiates, farmacêuticos chineses, carpinteiros, entre outros. Pessoas com décadas de experiência, cuja actividade representa uma parte importante da identidade histórica e cultural de Macau”, lê-se.

Forma de preservação

António Caetano Faria começou este projecto quando percebeu “que muitas destas lojas estavam a desaparecer em silêncio, sem deixar rasto”. “Ao longo da série, ele procura captar não só os rostos e as vozes, mas também os sons, os gestos e os detalhes do dia a dia desses trabalhadores”, é referido, sendo que o projecto “assume um papel quase de arquivo”.

Trata-se, no fundo, de “uma tentativa de preservar, em registo audiovisual, modos de vida e práticas profissionais que deixaram de ser passadas para a geração seguinte”. Desta série já houve várias lojas encerradas, ou comerciantes que, entretanto, faleceram.

Esta série documental foi feita com o apoio da Casa de Portugal em Macau e “tem ganho notoriedade na divulgação de Macau como cidade e, ou território de cultura singular única”. António Caetano Faria nasceu em Lisboa e licenciou-se em Publicidade na Escola Superior de Comunicação Social (ESCS), tendo começado depois a trabalhar como editor e assistente de câmara para empresas de produção de vídeo em Portugal. Após mudar-se para Macau em 2008, fez a sua estreia como realizador de documentários em 2009 com o filme “Time Travel”.

A partir de 2015 dedicou-se a produzir a série documental “Os Resistentes – Retratos de Macau”. Como resultado da sua paixão por viagens e cinema, nos anos seguintes criou os filmes “Into the Void” e “Rutz – Global Generation Travel”, que participaram em vários festivais internacionais. Em 2019 começou na ficção com “Ina and the Blue Tiger Sauna”, apresentado no IFFAM e disponível na Amazon Prime.

Actualmente, vive e trabalha entre o Alentejo, Portugal, e Macau, onde dirige a sua empresa independente de produção cinematográfica, Locanda Films.

Concerto | CCM acolhe “Romper da Aurora”, da Orquestra Chinesa

O pequeno auditório do Centro Cultural de Macau acolhe esta sexta-feira um espectáculo de música clássica. Trata-se de “Romper da Aurora”, o primeiro concerto da Orquestra Chinesa de Macau deste ano. Faz-se a promessa de sonoridades que simbolizam a esperança e um novo começo, depois de 2025 ter ficado para trás

A Orquestra Chinesa de Macau apresenta, esta sexta-feira, o seu primeiro concerto do ano. Trata-se de “Romper da Aurora” com início marcado para as 19h45, no pequeno auditório do Centro Cultural de Macau (CCM), e tem como tema, precisamente, a aurora, “símbolo de esperança e de um novo início”. Promete-se, assim, conduzir o público “numa emocionante viagem artística que celebra o nascer do sol através de um repertório de obras chinesas clássicas e contemporâneas”, descreve uma nota oficial sobre o espectáculo.

Ao palco, sobe Hou Guangyu, o “conceituado intérprete” de um instrumento tradicional chinês, o dizi, uma flauta de bambu chinesa. O maestro será Liao Yuan-Yu, apresentando-se o concerto para dizi “Devaneio do Bambu”, para dar expressão “às inúmeras formas do bambu através de uma profusão e combinação complexa de notas na flauta e remetendo, à medida que a melodia se desenvolve, para a interacção entre a realidade e a ilusão”.

Hou Guangyu não é apenas o homem do dizi, é também especialista em outros instrumentos tradicionais chineses como o xun, xiao e xindi de 11 orifícios, sendo “uma figura de destaque na interpretação contemporânea do dizi”. No currículo tem ainda as funções de Chefe do Naipe de Dizi da Orquestra Chinesa da Rádio e Televisão da China, em Pequim, com a qual actuou por todo o mundo.

Sol e outras sonoridades

O espectáculo desta sexta-feira conta ainda com a actuação do Chefe do Naipe de Ruan da Orquestra Chinesa, Lin Jie, que interpretará “Ode ao Sol” com os restantes músicos da Orquestra. Segundo a mesma nota, apresentam-se ainda “uma série de peças de destaque, incluindo a nova obra ‘Ruptura de Formação: Contempo”, onde se “reinterpreta várias melodias tradicionais através de uma linguagem musical contemporânea”.

No pequeno auditório do CCM, haverá ainda lugar à interpretação de “Aspirações”, composição que “simboliza um futuro risonho e promissor”, e ainda “Impressões de Macau”, uma peça “encomendada pela Orquestra para retratar musicalmente a paisagem cultural da cidade”.

O espectáculo terá a duração aproximada de 1h30, estando os bilhetes à venda com preços entre as 150 e as 200 patacas.

Cotai | Presa por roubar medicamentos

Uma mulher foi detida por alegadamente ter roubado sete caixas de medicamentos de uma farmácia num hotel no Cotai. O caso foi revelado ontem pelo Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) com o furto a acontecer no dia 5 de Janeiro. Os trabalhadores da farmácia comunicaram o roubo no dia seguinte, após descobrirem a perda avaliada em 1.900 patacas. A mulher foi detida no dia 7, no mesmo hotel, e todos os bens roubados foram recuperados.

A mulher do Interior tem cerca de 50 anos e afirmou ser dona de casa. O caso foi remetido ao Ministério Público para investigação adicional. A detida está indiciada por furto, punido com uma pena de prisão de três anos.

CPSP | Detida por ficar com bracelete de ouro

Uma mulher de Hong Kong foi detida pelo Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), depois de se ter apropriado de uma bracelete de ouro que encontrou caída perto de um casino no Cotai. O caso foi revelado ontem pelo CPSP e citado pelo jornal Ou Mun. De acordo com o relato, a situação ocorreu a 26 de Novembro do ano passado, e a bracelete estava avaliada em cerca de 30,7 mil patacas.

Após ser apresentada queixa, as autoridades identificaram a mulher que foi detida a 11 de Janeiro, perto de um hotel na Taipa. Depois de ter sido interrogada, a detida confessou que se tinha apropriado da bracelete e que tinha guardado o objecto em casa, em Hong Kong. A mulher ter cerca de 50 anos e o caso foi encaminhado para o Ministério Público. Está indiciada da prática do crime de apropriação ilegítima em caso de acessão ou de coisa achada, que prevê uma pena de prisão que pode chegar a um ano.

Salários | Galaxy e Wynn imitam Sands e anunciam aumentos

No caso da Wynn, os aumentos salariais vão acontecer em Março, mas na Galaxy entram em vigor apenas em Abril. Os salários vão crescer entre 500 patacas e 4,5 por cento

As concessionárias Wynn Macau e Galaxy Entertainment Group anunciaram aumentos para os trabalhadores que variam entre 500 patacas e 4,5 por cento do valor mensal do salário. As empresas seguem o exemplo da Sands China, a primeira concessionária a anunciar os aumentos, logo na segunda-feira. No caso da concessionária americana, anunciou-se um aumento salarial entre os 2 por cento e os 4,5 por cento para os trabalhadores dos Wynn Macau e WYnn Palace, excluindo as posições sénior de administração.

O aumento entra em vigor a partir de 1 de Março e cobre 98 por cento dos 11.803 trabalhadores. No caso dos trabalhadores com salários até 16 mil patacas, o aumento é de 500 patacas, o que corresponde a um aumento de 2 por cento a 4,5 por cento. No caso de os trabalhadores terem um salários superiores a 16 mil patacas, o aumento é de 2 por cento.

“O sucesso da empresa depende dos esforços incansáveis e da dedicação de cada membro da equipa. Esperamos partilhar os frutos das nossas conquistas colectivas através deste aumento salarial”, afirmou Linda Chen, directora executiva da Wynn Macau. “Este ano tem um significado especial, pois celebramos o 20.º aniversário da Wynn Macau e o 10.º aniversário do Wynn Palace. Esperamos continuar a nossa jornada juntos, lutando por novos patamares para a Wynn e Macau, e abraçando um futuro ainda mais brilhante juntos”, acrescentou.

Galaxy segue

No caso da empresa Galaxy, responsável pelos casinos Galaxy e StarWorld, os aumentos deverão abranger cerca de 98 por cento dos trabalhadores, incluindo cargos seniores de administração. No caso dos trabalhadores receberem até 16 mil patacas, incluindo salários e gorjetas garantidas, o aumento vai ser de 500 patacas. No entanto, se o salário e as gorjetas garantidas ficarem acima das 16 mil patacas, o aumento aplicável é de 2 por cento.

Os trabalhadores vão sentir a mudança em Abril, o que difere do prometido pela Wynn e pela Sands, onde os aumentos entram em vigor um mês antes, em Março.

“A Galaxy Entertainment Group agradece a todos os membros da equipa pela sua dedicação e trabalho árduo, e espera alcançar juntos um sucesso ainda maior, guiados pela crença de ‘Uma equipa, um objectivo’”, pode ler-se no comunicado em que foi divulgado o aumento.

Casinos | Transacções suspeitas caem 6,1 por cento em 2025

Os dados oficiais mostram que o número de transacções suspeitas caiu no último ano para um total de 3.603

O número de transacções suspeitas registadas em casinos caiu 6,1 por cento em 2025, de acordo com dados oficiais. O Gabinete de Informação Financeira (GIF) referiu que as seis operadoras de casinos submeteram, no total, 3.603 participações de transacções suspeitas de branqueamento de capitais ou de financiamento do terrorismo.

Numa publicação feita na plataforma chinesa WeChat na segunda-feira à noite, o GIF apontou “a diminuição do número de participações de transacções suspeitas reportadas pelo sector do jogo” como a principal razão para a queda do número total, também de 6,1 por cento.

No ano passado, o gabinete recebeu 4.925 participações, 73,1 por cento vindas das concessionárias de casinos, enquanto 20,5 por cento vieram de bancos e seguradoras e 6,4 por cento de outras instituições e entidades.

Os sectores referenciados, incluindo lojas de penhores, joalharias, imobiliárias e casas de leilões, são obrigados a comunicar às autoridades qualquer transacção igual ou superior a 500 mil patacas. Em 2024, o GIF recebeu 5.245 participações, sendo que a maioria veio dos casinos do território: 3.837, mais 11,8 por cento do que no ano anterior e um novo recorde.

A cumprir

Segundo o relatório anual do GIF, Macau era o único membro do Grupo Ásia-Pacífico Contra o Branqueamento de Capitais (GAFI) que cumpria “todos os 40 padrões internacionais” sobre a prevenção da lavagem de dinheiro e do financiamento do terrorismo e da proliferação de armas de destruição em massa.

O gabinete assinou acordos para a troca de informação com 33 países e territórios, incluindo a Unidade de Informação Financeira da Polícia Judiciária de Portugal, em 2008, a Unidade de Informação Financeira do Banco Central de Timor-Leste, em 2018, e, em 2019, o Conselho de Controlo de Actividades Financeiras do Brasil e a Unidade de Informação Financeira de Cabo Verde.

Em Julho, o GIF disse que tinha ultimado os procedimentos para assinar, também com Angola, um acordo de troca de informações para prevenir a lavagem de dinheiro e o financiamento ao terrorismo e à proliferação de armas de destruição em massa.

O gabinete indicou que o acordo esteve na mesa num encontro com representantes da Unidade de Informação Financeira da República de Angola, à margem da reunião do Grupo Egmont entre 6 e 11 de Julho, no Luxemburgo. O Grupo Egmont é uma organização internacional de luta contra a lavagem de dinheiro, que reúne 181 unidades de informação de todo o mundo.