Irão | AIE pronta para libertar mais reservas após pedido japonês

O director da Agência Internacional de Energia (AIE) disse ontem estar pronto para libertar mais reservas de petróleo “se e quando for necessário”, no 26.º dia da guerra do Irão, que fez disparar os preços dos hidrocarbonetos.

As declarações de Fatih Birol foram feitas em resposta a um pedido da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, para que se “preparasse para implementar” uma operação coordenada deste tipo, durante um encontro entre os dois em Tóquio. A AIE anunciou no início do mês que os países membros iriam libertar 400 milhões de barris de petróleo das reservas para atenuar o impacto da guerra, na maior operação de sempre realizada pela instituição.

No entanto, “ainda há uma quantidade significativa” de petróleo nas reservas”, afirmou Birol. “Oitenta por cento das nossas reservas ainda estão lá. Esses 400 milhões de barris representavam apenas 20 por cento das nossas reservas”, declarou. “Se e quando for necessário, estamos prontos (…) mas espero sinceramente que não seja necessário”, reforçou.

Notando que “o mundo enfrenta uma grave ameaça à segurança energética”, o responsável disse que a AIE “está pronta para desempenhar o papel essencial de guardiã da segurança energética mundial”, acrescentou.

San Wa Ou | Lusodescendentes são “membros importantes” do país

Um jornal de Macau declarou num editorial sobre a nova lei de “unidade étnica” que os lusodescendentes do território vão continuar a ser “membros importantes da família diversa e unificada da nação chinesa”.

A Lei de Promoção da Unidade e do Progresso Étnicos foi aprovada este mês em Pequim pela Assembleia Popular Nacional, principal órgão legislativo chinês, e visa promover “um sentido mais forte de comunidade entre todos os grupos étnicos da nação chinesa”, refere-se na publicação do jornal em língua chinesa San Wa Ou.

A legislação estabelece que a unidade étnica deve ser promovida por todos os órgãos governamentais e empresas privadas, incluindo governos locais e organizações afiliadas ao Estado. O país tem 56 grupos étnicos, mas a maioria da população é de etnia ‘han’, com as restantes minorias a representar cerca de 8,9 por cento da população.

Os censos de 2021 indicam mais de 2.200 pessoas nascidas em Portugal a viver em Macau. A última estimativa dada à Lusa pelo Consulado-geral de Portugal apontava para cerca de 155 mil portadores de passaporte português entre os residentes de Macau e Hong Kong.

Papel de relevo

No editorial publicado ontem, o San Wa Ou de Macau sublinha o papel dos residentes lusodescendentes – comummente chamados de macaenses – na aplicação da legislação e na integração plena na comunidade nacional chinesa.

“Os lusodescendentes representam cerca de 2,5 por cento da população de Macau, sendo descendentes de casamentos entre portugueses e chineses ou famílias portuguesas radicadas há gerações no território”, aponta-se no editorial assinado pelo director e editor do jornal, Lam Chong.

Segundo Lam, após a transferência de soberania, em 1999, a Lei Básica da RAEM consagrou a proteção dos interesses, costumes e tradições culturais dos lusodescendentes, reconhecendo-os como parte integrante da sociedade local. “Embora não sejam formalmente classificados entre as 56 etnias da China, a nova lei enquadra-os no princípio da ‘diversidade na unidade’, valorizando o seu papel histórico como ponte entre culturas e a sua contribuição para a prosperidade e estabilidade de Macau”, descreveu.

No editorial citam-se exemplos de participação política, como o advogado e antigo deputado Leonel Alves, que, após adquirir cidadania chinesa, se tornou “o primeiro macaense de origem portuguesa a integrar o Comité Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC)”, contribuindo com propostas para o desenvolvimento nacional e de Macau.

Na vertente cultural, destaca-se no editorial a acção de Miguel de Senna Fernandes, presidente da Associação dos Macaenses, que “tem promovido activamente o intercâmbio cultural entre Macau e os países de língua portuguesa”, reforçando o papel da cultura macaense como elo de ligação entre a China e o espaço lusófono.

Vantagens de cá

No jornal sublinha-se ainda que o Governo local “aproveita as vantagens únicas dos residentes lusodescendentes, oferecendo-lhes amplas oportunidades de desenvolvimento e permitindo que partilhem os frutos do progresso de Macau e do país”.

No plano económico, o editorial incentiva a usar “a vantagem bilingue e o conhecimento dos países de língua portuguesa” através de entidades comerciais e políticas, ajudando Macau a afirmar-se como “super elo de ligação” na cooperação entre a China e lusofonia.

Conclui-se ainda que, sob a orientação da nova lei étnica, os lusodescendentes de Macau “continuarão a ser membros importantes da família diversa e unificada da nação chinesa, trabalhando em conjunto com todos os cidadãos chineses para escrever um novo capítulo de unidade e progresso nacional e contribuir para a grande revitalização da nação chinesa”.

A Europa e a Entropia da Ordem Internacional

“In a world where order decays faster than it forms, survival demands not symmetry, but adaptability.” – Zygmunt Bauman

A ordem internacional contemporânea caracteriza-se por uma complexidade sem precedentes, marcada por dinâmicas simultaneamente aceleradas e imprevisíveis. A tentação de recorrer a analogias históricas para compreender o presente é recorrente, mas frequentemente enganadora. Entre essas analogias, a evocação de um novo “Congresso de Viena” surge como expressão nostálgica de uma época em que a diplomacia parecia capaz de restaurar equilíbrios duradouros. Contudo, a realidade actual revela um ambiente profundamente entrópico, resistente a qualquer tentativa de ordenação estável. A Europa, enquanto entidade política, cultural e geoestratégica, encontrase no centro desta turbulência, confrontada com a expansão de conflitos, a erosão da sua capacidade de projecção e a necessidade urgente de redefinir o seu papel num mundo em transformação.

Existe a necessidade de analisar criticamente a inadequação dos modelos diplomáticos clássicos face ao contexto contemporâneo, explorar as fragilidades estruturais da Europa perante a nova realidade da guerra e reflectir sobre a necessidade de uma cultura estratégica adaptada à imprevisibilidade global. A partir destas ideias é de afirmar que a sobrevivência política da Europa depende da sua capacidade de aceitar limites, assumir responsabilidades e desenvolver formas de negociação permanentes, flexíveis e não codificáveis em tratados definitivos. A entropia do sistema internacional exige paciência, resiliência e uma compreensão lúcida das próprias vulnerabilidades.

O mundo actual distinguese de qualquer configuração histórica anterior. A globalização, longe de produzir uma ordem integrada, gerou um espaço fragmentado, onde actores estatais e não estatais competem, interferem e se sobrepõem. A proliferação de conflitos regionais, a interdependência económica assimétrica, a aceleração tecnológica e a circulação instantânea de informação criaram um ambiente onde a previsibilidade é mínima e a estabilidade, quando existe, é efémera.

A entropia, enquanto metáfora, descreve adequadamente esta realidade pois tratase de um sistema em que a tendência natural é a desordem, e onde qualquer tentativa de impor uma estrutura rígida está condenada ao fracasso. A diplomacia tradicional, assente em equilíbrios de poder relativamente estáveis, fronteiras claras e actores bem definidos, revelase insuficiente. O mundo contemporâneo não admite geometrias de políticas fixas nem estratégias lineares. A multiplicidade de variáveis, a volatilidade das alianças e a rapidez das transformações exigem uma abordagem adaptativa, quase orgânica, em que a negociação é permanente e nunca conclusiva.

Neste contexto, a ideia de replicar modelos históricos como o “Congresso de Viena” é anacrónica. Aquele encontro, realizado num período em que as potências europeias partilhavam uma visão relativamente homogénea da ordem e possuíam meios comparáveis, não encontra paralelo no presente. Hoje, a assimetria entre actores, a diversidade de interesses e a ausência de consensos mínimos tornam impossível qualquer tentativa de restaurar uma ordem estável através de um acordo diplomático abrangente.

A evocação de um novo “Congresso de Viena” revela, mais do que uma proposta concreta, uma nostalgia por um passado idealizado. A crença de que um conjunto de líderes esclarecidos poderia redesenhar o mapa político global ignora a natureza profundamente distinta do mundo contemporâneo. Se figuras históricas como Castlereagh, Metternich ou Talleyrand vivessem hoje, dificilmente encontrariam espaço para aplicar os seus métodos. O sistema internacional não é um palco onde algumas potências determinam o destino do mundo; é um mosaico de actores interdependentes, frequentemente em conflito, e onde a autoridade é difusa.

A própria noção de soberania, que sustentava a diplomacia clássica, encontrase fragmentada. Organizações internacionais, empresas tecnológicas, grupos armados, redes transnacionais e movimentos ideológicos disputam influência com os Estados. A ordem internacional não é apenas multipolar; é multidimensional. A tentativa de impor uma arquitectura estável num ambiente tão fluido é ilusória.

A Europa, ao insistir em analogias históricas, revela uma dificuldade em compreender a natureza do presente. A sua tradição diplomática, embora rica, assenta em pressupostos que não se aplicam. A crença na possibilidade de uma paz duradoura, alcançada através de tratados definitivos, ignora que a estabilidade contemporânea depende mais da gestão contínua de tensões do que da sua resolução final. A negociação permanente, flexível e pragmática tornase, assim, a única estratégia viável.

A expansão dos conflitos contemporâneos desde a guerra na Ucrânia às tensões no Médio Oriente expõe as fragilidades estruturais da Europa. Apesar de possuir uma longa tradição diplomática e um peso económico significativo, o continente revela uma dificuldade persistente em reconhecer a natureza da guerra moderna e em assumir as responsabilidades que dela decorrem.

A retórica europeia, frequentemente inclinada para um moralismo abstracto, contrasta com a sua incapacidade material de sustentar posições firmes. Expressões como “paz justa” tornamse paradoxais quando não são acompanhadas de meios militares, estratégicos ou logísticos que permitam influenciar o curso dos acontecimentos. A Europa, envelhecida demograficamente, habituada a décadas de prosperidade e protegida por alianças externas, desenvolveu uma cultura política que privilegia o conforto e a estabilidade interna, relegando a defesa para um plano secundário.

Esta atitude reflecte uma ilusão profundamente enraizada; a crença de que a paz é o estado natural das relações internacionais. Durante décadas, o continente viveu sob a protecção de estruturas de segurança que lhe permitiram desinvestir na defesa e concentrarse no bemestar social. A ideia de que a guerra poderia regressar ao continente europeu parecia inconcebível. Contudo, a realidade mostrouse implacável. A guerra não desapareceu; apenas se deslocou, transformou e regressou sob novas formas.

A dificuldade europeia em lidar com a nova realidade da guerra está intimamente ligada a factores demográficos e culturais. A Europa é um continente envelhecido, com populações habituadas a elevados padrões de vida e pouco dispostas a aceitar sacrifícios. A defesa, enquanto responsabilidade colectiva, perdeu centralidade no imaginário político. As Forças Armadas são frequentemente tratadas como instituições isoladas, com funções que vão desde a protecção civil até à participação em missões humanitárias, mas raramente como instrumentos de guerra efectiva.

Esta dissociação entre sociedade civil e defesa cria um paradoxo pois a Europa exige segurança, mas hesita em assumir os custos associados. A cultura política dominante valoriza o indivíduo acima da comunidade, o bemestar acima do dever e a estabilidade acima da preparação para o conflito. Esta mentalidade, embora compreensível num continente marcado por duas guerras devastadoras no século XX, revelase inadequada num mundo onde a força continua a desempenhar um papel central.

A crise estratégica europeia não é apenas militar; é cultural. A incapacidade de reconhecer a guerra como possibilidade real impede a formulação de políticas coerentes. A Europa encontrase, assim, num estado de vulnerabilidade estrutural pois possui interesses globais, mas carece de meios para os defender; proclama valores universais, mas não dispõe de instrumentos para os projectar; deseja estabilidade, mas não controla os factores que a ameaçam.

A quase fusão entre a guerra na Ucrânia e os conflitos no Médio Oriente ilustra a interdependência dos sistemas regionais contemporâneos. O que antes eram teatros de guerra relativamente autónomos tornouse parte de uma dinâmica global, onde decisões tomadas num ponto do globo repercutem noutros. Esta interligação revela não apenas a complexidade do sistema internacional, mas também a incapacidade das grandes potências incluindo os Estados Unidos de controlar plenamente os acontecimentos.

A hegemonia americana, embora ainda significativa, encontrase sob pressão. A multiplicidade de crises simultâneas, a ascensão de novas potências e a fragmentação interna dos próprios Estados Unidos limitam a sua capacidade de intervenção eficaz. Para a Europa, esta realidade é particularmente preocupante. Durante décadas, o continente confiou na protecção americana como garantia última da sua segurança. Hoje, essa dependência revelase arriscada.

A incapacidade das grandes potências de delimitar os seus próprios envolvimentos militares cria um ambiente de incerteza permanente. A Europa, situada geograficamente entre múltiplos focos de tensão, tornase especialmente vulnerável. A ausência de uma estratégia autónoma, combinada com a dependência de aliados externos, coloca o continente numa posição de fragilidade que contrasta com a sua ambição de relevância global.

Face a este cenário, a Europa necessita de desenvolver uma nova cultura estratégica, capaz de responder à entropia do sistema internacional. Esta cultura deve assentar em três pilares fundamentais que são a lucidez, responsabilidade e adaptação.

A lucidez implica reconhecer a realidade tal como ela é, e não como se deseja que seja. A guerra, longe de ser uma anomalia, continua a ser um instrumento político utilizado por múltiplos actores. Ignorar esta evidência é condenarse à irrelevância. A Europa deve aceitar que a defesa é uma componente essencial da sua existência política e que a paz exige preparação, não apenas desejo.

A responsabilidade exige que o continente assuma o seu papel no sistema internacional. Não basta proclamar valores; é necessário defendêlos. A Europa deve investir na sua capacidade militar, reforçar a coordenação entre Estadosmembros e desenvolver mecanismos de resposta rápida que lhe permitam agir de forma autónoma quando necessário. A dependência excessiva de aliados externos é incompatível com a ambição de autonomia estratégica.

A adaptação implica desenvolver formas de negociação permanentes, flexíveis e pragmáticas. Num mundo entrópico, a estabilidade não é alcançada através de tratados definitivos, mas através da gestão contínua de tensões. A Europa deve abandonar a ilusão de que é possível restaurar uma ordem estável semelhante à do passado e aceitar que a sua sobrevivência depende da capacidade de navegar a incerteza.

Assim, a ordem internacional contemporânea caracterizase por uma entropia estrutural que desafia os modelos diplomáticos clássicos e exige novas formas de pensamento estratégico. A Europa, confrontada com a expansão dos conflitos, a crise demográfica e cultural e a incapacidade das grandes potências de controlar plenamente os acontecimentos, encontrase num momento decisivo. A nostalgia por um novo “Congresso de Viena” revela uma incompreensão profunda da natureza do presente. O mundo actual não admite soluções definitivas nem arquitecturas estáveis; exige negociação permanente, paciência estratégica e uma aceitação lúcida dos próprios limites.

A sobrevivência política da Europa depende da sua capacidade de desenvolver uma nova cultura estratégica, assente na lucidez, responsabilidade e adaptação. O continente deve reconhecer que a paz não é um dado adquirido, mas um equilíbrio frágil que exige preparação, investimento e compromisso. A entropia do sistema internacional não pode ser eliminada, mas pode ser gerida. E é nessa gestão paciente, pragmática e contínua que reside o futuro da Europa.

Timor- Leste | Governo define limites máximos para preço dos combustíveis

O Governo timorense aprovou ontem um diploma que estabelece limites máximos para o preço dos combustíveis no país devido ao impacto do conflito no Médio Oriente.

“O diploma define limites máximos para o preço de venda ao consumidor, fixando o valor da gasolina em 1,50 dólares por litro, do gasóleo em 1,65 dólares por litro, do combustível de aviação em 2,50 dólares por litro e do gás de petróleo liquefeito (GPL) em 4,2 dólares por quilograma”, pode ler-se num comunicado divulgado à imprensa.

O decreto-lei, aprovado na reunião de hoje do Conselho de Ministros, foi apresentado pelo ministro do Petróleo e Recursos Naturais, Francisco Monteiro, que tinha já avançado a semana passada a possibilidade de intervenção do Governo face ao aumento dos preços dos combustíveis, provocado pelo conflito no Irão.

“O diploma visa mitigar o impacto da actual instabilidade internacional no setor energético, proteger o poder de compra das famílias, reduzir o efeito de eventuais aumentos de preços na economia e assegurar o funcionamento regular das actividades económicas, garantindo simultaneamente a disponibilidade de combustíveis no território nacional”, salienta o executivo timorense.

Segundo o Governo, as importadoras vão também apresentar os custos reais de importação para “cálculo do subsídio a atribuir pelo Estado, financiado através do Orçamento Geral do Estado”.

O diploma reforça também a actuação das entidades competentes para prevenir os desvios de combustíveis subsidiados para fora do território nacional. As medidas vão estar em vigor até ao final do ano e podem ser revistas, prorrogadas ou finalizadas em função da evolução do mercado internacional.

Pyongyang | Kim Jong-un expressa “vontade inabalável” em apoiar Rússia

O líder norte-coreano, Kim Jong-un, demonstrou a “vontade inabalável” de apoiar a Rússia, numa carta de agradecimento dirigida ao homólogo russo, Vladimir Putin, informou ontem a agência de notícias oficial da Coreia do Norte. “Pyongyang estará sempre ao lado de Moscovo. É a nossa escolha e a nossa vontade inabalável”, declarou Kim, na carta enviada na terça-feira ao chefe de Estado russo, citada pela agência oficial KCNA.

Os dois países celebraram em 2024 um acordo de defesa mútua, após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, e Pyongyang enviou tropas terrestres e sistemas de armas para apoiar Moscovo. O país isolado, empobrecido e muito vulnerável a catástrofes naturais, recebe em troca ajuda financeira, alimentos e energia, além de tecnologias militares, de acordo com analistas.

“Actualmente, a RPDC [República Popular Democrática da Coreia] e a Rússia cooperam estreitamente para defender a soberania de ambos os países”, salientou Kim, referindo-se à Coreia do Norte pelo nome oficial do país.

Os serviços de inteligência sul-coreanos e ocidentais estimam que a Coreia do Norte enviou milhares de soldados para a Rússia, principalmente para a região de Kursk, bem como granadas, mísseis e sistemas de foguetes de longo alcance. De acordo com Seul, pelo menos dois mil soldados norte-coreanos foram mortos e milhares de outros ficaram feridos durante este conflito.

Na carta, Kim Jong-un agradeceu ainda ao Kremlin que o felicitou pela reeleição, no domingo, para a presidência dos Assuntos de Estado, o cargo mais alto do poder na Coreia do Norte. “Expresso os meus sinceros agradecimentos por me terem enviado as vossas calorosas e sinceras felicitações por ocasião da minha retoma das pesadas responsabilidades de presidente dos Assuntos de Estado”, declarou.

Lukashenko de visita

Na terça-feira, meios de comunicação estatais em Minsk afirmaram que o Presidente da Bielorrússia, Aleksandr Lukashenko, se deslocaria à Coreia do Norte para uma viagem de dois dias “com o objectivo de reforçar a cooperação bilateral”. A KCNA confirmou que Lukashenko realizaria “uma visita oficial a convite de Kim Jong-un”, mas sem especificar a data. Tal como a Coreia do Norte, a Bielorrússia é um aliado próximo da Rússia na guerra contra a Ucrânia.

Pena de morte suspensa para ex-dirigente de empresa aeroespacial

Um tribunal chinês condenou ontem Tan Ruisong, ex-presidente da Corporação da Indústria de Aviação da China (AVIC), a pena de morte com suspensão por dois anos, por receber o equivalente a mais de 69 milhões de euros em subornos.

O Tribunal Popular Intermédio de Dalian, no nordeste da China, aplicou igualmente uma pena de 15 anos de prisão e uma multa de 5 milhões de yuan por desvio de fundos, além de mais seis anos de cadeia por uso de informação privilegiada e divulgação de informação confidencial, informou a televisão estatal CCTV.

A pena de morte fica suspensa por um período de dois anos, durante o qual, caso Tan não cometa novos crimes e mantenha bom comportamento, a sentença será comutada para prisão perpétua, uma prática comum em casos de corrupção na China.

Segundo a sentença, Tan aceitou subornos no valor superior a 613 milhões de yuan, além de se ter apropriado ilegalmente de aproximadamente 90 milhões de yuan em fundos públicos durante o período em que trabalhou em várias empresas do sector aeronáutico estatal. O tribunal concluiu que o ex-dirigente utilizou os cargos que ocupou em várias subsidiárias da AVIC para favorecer terceiros em operações empresariais e na adjudicação de projectos, em troca de pagamentos ilegais.

A decisão considera ainda provado que, entre 2012 e 2023, Tan realizou operações bolsistas com base em informação privilegiada e divulgou dados confidenciais a terceiros em diversas ocasiões, num comportamento classificado como de “circunstâncias particularmente graves”. O tribunal indicou que os crimes de suborno e desvio de fundos causaram “graves prejuízos” aos interesses do Estado e da população, e que o montante dos subornos foi “especialmente elevado”, justificando uma punição severa.

Campanha em curso

Ainda assim, o tribunal teve em conta circunstâncias atenuantes, como a confissão dos factos, a colaboração com as autoridades e a devolução dos bens obtidos ilegalmente, o que permitiu suspender a execução imediata da pena capital. O caso de Tan insere-se numa série de investigações recentes em sectores estratégicos como o aeroespacial e o da defesa, onde as autoridades intensificaram o escrutínio sobre altos responsáveis de empresas estatais e organismos ligados à indústria militar.

Desde que chegou ao poder em 2012, o Presidente chinês e secretário-geral do Partido Comunista da China, Xi Jinping, tem impulsionado uma campanha anticorrupção que abrange funcionários de todos os níveis, desde quadros locais até altos dirigentes e executivos de conglomerados estatais.

Irão | Pequim apoia todas as iniciativas que contribuam para reduzir as tensões

A China indicou ontem que “é sempre melhor negociar do que intensificar os combates”, apelando à resolução do conflito no Médio Oriente, e afirmou apoiar “todas as iniciativas que contribuam para reduzir tensões”.

As declarações, feitas em conferência de imprensa pelo porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian, surgem após fontes governamentais do Paquistão terem assegurado que o país lidera uma iniciativa de mediação com a Turquia e o Egipto para pôr fim à guerra entre o Irão, os Estados Unidos e Israel.

Trump afirmou na segunda-feira ter mantido conversações “ótimas e produtivas” com Teerão para alcançar o fim das hostilidades e garantiu que os contactos vão continuar ao longo da semana, embora o Exército do Irão tenha negado ontem a existência de negociações com Washington. Lin afirmou ainda que “a China espera que todas as partes aproveitem qualquer oportunidade e janela para a paz e iniciem, o mais rapidamente possível, um processo de diálogo”.

Acrescentou também que a situação está a afectar a segurança energética global, o funcionamento das cadeias de abastecimento e produção, bem como a ordem do comércio internacional, sublinhando que a China “está disposta a reforçar a coordenação e cooperação com a comunidade internacional para enfrentar conjuntamente os desafios em matéria de segurança energética”.

Na véspera, o ministro chinês dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi, manteve uma chamada telefónica com o seu homólogo iraniano, na qual apelou ao regresso à via do diálogo para pôr fim à guerra do Irão e iniciar negociações de paz “o mais cedo possível”. Wang insistiu que todas as questões sensíveis devem ser resolvidas através do diálogo e da negociação, e não pelo recurso à força.

A guerra no Médio Oriente entra na sua quarta semana, após a escalada iniciada a 28 de Fevereiro com ataques coordenados dos Estados Unidos e de Israel em território iraniano.

Médio Oriente | Cosco retoma envios de contentores

A transportadora marítima chinesa COSCO Shipping voltou ontem a aceitar novas reservas de contentores convencionais com destino a vários países do Médio Oriente, segundo um aviso a clientes citado por órgãos de comunicação chineses. A empresa indicou que, apesar da reactivação deste serviço, os custos, programação de envio e condições de transporte permanecem “sujeitos a alterações”, uma vez que a situação na região continua marcada pela volatilidade.

O anúncio surge num contexto de incerteza no tráfego marítimo internacional, afectado pela guerra entre o Irão, os Estados Unidos e Israel, bem como pelas tensões em torno do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas energéticas mundiais e por onde transita cerca de 45 por cento das importações chinesas de gás e petróleo.

Nas últimas semanas, os ataques e ameaças na zona têm perturbado a navegação comercial e aumentado os custos logísticos, o que provocou uma subida do preço do petróleo nos mercados internacionais, com impacto também na China.

No país asiático, os preços dos combustíveis registaram uma das maiores subidas recentes, o que levou a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (principal órgão de planeamento económico) a intervir esta semana de forma excepcional com medidas temporárias de controlo de preços – a primeira acção deste tipo desde a introdução do actual mecanismo em 2013 – para conter o impacto sobre consumidores e empresas.

O anúncio da transportadora surge pouco depois do regresso à China do seu enviado especial para o Médio Oriente, Zhai Jun, após um périplo por vários países da região, onde manteve contactos com representantes da Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Barém, Kuwait, Catar e Egipto, bem como com o Conselho de Cooperação do Golfo e a Liga Árabe.

Exposição | China mostra força nas renováveis em plena volatilidade energética global

A capital chinesa apresenta até sexta-feira o que de melhor se tem feito no país em matéria de transição energética

A subida do preço do petróleo, impulsionada pelas tensões no Médio Oriente, coincide com a abertura em Pequim da XVI Exposição Internacional de Energia Limpa da China, montra de um sector em expansão no país.

O evento reúne até sexta-feira, em Pequim, cerca de 800 expositores no Centro Nacional de Convenções, contando com a participação de empresas e especialistas do sector. O recente aumento do preço do crude, associado à escalada do conflito e às tensões no estreito de Ormuz – por onde passam 45 por cento das importações chinesas de petróleo –, teve impacto directo na China.

Na segunda-feira, registaram-se filas em postos de combustível, na véspera da subida dos preços, evidenciando a exposição do país às flutuações do mercado internacional. Os expositores dedicados ao hidrogénio ocupam uma parte significativa da feira.

A China tem vindo a reforçar o papel desta tecnologia nos últimos anos: em 2024 incluiu, pela primeira vez, o desenvolvimento do hidrogénio no relatório de trabalho do Governo, comprometendo-se a “acelerar o desenvolvimento da energia baseada no hidrogénio” como parte da transição energética.

O evento decorre em paralelo com a rápida expansão das energias renováveis na China, que em 2025 voltou a atingir máximos: a capacidade solar aumentou 35 por cento, para cerca de 1.200 gigawatts (GW), e a eólica cresceu 23 por cento, para cerca de 640 GW, consolidando o país como líder mundial em ambas as tecnologias.

De acordo com dados recentes, a capacidade combinada de energia eólica e solar já ultrapassou os 1.690 GW em 2025, cerca do triplo do registado em 2020, representando a maior parte da nova capacidade eléctrica instalada no país nos últimos anos.

Metas definidas

Este avanço reflete-se também na estrutura do sistema energético: as renováveis representaram mais de 35 por cento da electricidade em 2025, com forte crescimento da solar e da eólica, tendo estas fontes chegado, em alguns momentos, a gerar mais de 25 por cento da produção eléctrica total.

A China mantém como metas atingir o pico das emissões de dióxido de carbono antes de 2030 e a neutralidade carbónica antes de 2060, além de reduzir em pelo menos 60 por cento as emissões por unidade de PIB face a 2005 e aumentar o peso das energias não fósseis no sistema energético. O novo plano quinquenal (2026-2030), aprovado este mês, aposta em “impulsionar o desenvolvimento verde e de baixo carbono” e em “promover a transição energética”.

Segundo relatórios das organizações Ember e Greenpeace, o crescimento das renováveis e da electrificação está a reconfigurar o sistema energético chinês: entre 2015 e 2023, o uso de combustíveis fósseis no consumo final caiu 1,7 por cento, enquanto o consumo de electricidade aumentou 65 por cento.

A importância do sector ficou também patente num simpósio realizado no âmbito da feira, onde o especialista Fang Ting afirmou que a energia fotovoltaica passou de “capacidade complementar a capacidade principal” no sistema energético chinês.

Igreja S. Domingos | Orquestra de Macau interpreta música sacra de Bach

Está agendado para o próximo dia 2 de Abril o concerto “Presente de Páscoa: Paixão Segundo São João”, protagonizado pela Orquestra de Macau (OM) na Igreja de S. Domingos, e que apresenta a “obra-prima da música sacra de Bach”, descreve uma nota do Instituto Cultural (IC). Destaque para o facto de o espectáculo acontecer na véspera da sexta-Feira Santa, a partir das 20h.

A OM será dirigida pelo maestro britânico Laurence Cummings, contando-se com a colaboração de vários cantores europeus de música antiga e do Coro Filarmónico de Hong Kong. Para este concerto, a OM “convida o público a purificar a alma com música sacra e a reflectir sobre a fé e a santidade expressas nesta obra-prima, na véspera da sexta-feira Santa”.

A composição “Paixão Segundo São João” baseia-se nos capítulos 18 e 19 do Evangelho de São João e é tida como “uma das obras sacras mais representativas de Bach”, retratando, “de forma expressiva e através de uma linguagem musical requintada e de cariz dramático, a experiência de Cristo antes da crucificação”.

O concerto conta também com o tenor Nicholas Watts, a soprano Miriam Allan, o baixo Callum Thorpe e a contralto Sophie Harmsen, aos quais se aliará o Coro Filarmónico de Hong Kong. O concerto terá uma duração aproximada de 2 horas e 15 minutos, incluindo um intervalo. Os bilhetes estão à venda na Bilheteira Online de Macau e custam 200 patacas.

Panchões | Sands Gallery acolhe mostra com curadoria de Ung Vai Meng

O ex-presidente do Instituto Cultural faz a curadoria de uma nova mostra sobre a história da produção de panchões em Macau. Até Agosto estará patente “Um Século da Fábrica de Pólvora Iec Long em Esplendor – Uma Exposição sobre a História Ressonante e a Memória Estética dos Panchões de Macau”, na Sands Gallery no Cotai

A história da produção de panchões em Macau volta a contar-se, com outros contornos, numa nova exposição organizada pela Sands China em parceria com a Universidade de Ciências e Tecnologia de Macau (MUST). Patente na Sands Gallery, que fica no hotel Four Seasons no Cotai, até ao dia 31 de Agosto, “Um Século da Fábrica de Pólvora Iec Long em Esplendor – Uma Exposição sobre a História Ressonante e a Memória Estética dos Panchões de Macau” tem curadoria de Ung Vai Meng e promete revelar muitas histórias ao público.

A iniciativa nasce de uma parceria com o meio universitário a fim de “preservar o património dos panchões de Macau”, destaca a organização numa nota. Além disso, as mais de 400 peças expostas celebram o centenário da Fábrica de Panchões Iec Long, hoje transformada em espaço de lazer e cultura na Taipa Velha.

As peças expostas incluem “manuscritos originais, ferramentas de fabrico de foguetes e rótulos de embalagens”, oferecendo aos visitantes “uma narrativa rica e multifacetada sobre a história centenária e a importância cultural da indústria de foguetes de Macau, outrora uma das quatro principais indústrias da cidade”.

Nesta mostra colaboram a Biblioteca e a Faculdade de Humanidades e Artes da MUST. Segundo um comunicado divulgado pela Sands China, a exposição “assenta em bases históricas e científicas sólidas”, uma vez que o antigo presidente do Instituto Cultural, e um dos mais reconhecidos artistas de Macau, “dedicou três décadas ao estudo” da indústria de panchões.

O que se mostra na Sands Gallery é fruto da “consolidação sistemática de investigação académica e de raros materiais de arquivo”, considerada pela organização como a “primeira exposição a traçar, investigar e apresentar de forma abrangente o desenvolvimento da indústria”, o que permite ampliar “o impacto da revitalização da Fábrica de Panchões Iec Long”.

Uma “experiência imersiva”

A exposição está dividida em seis partes. A primeira apresenta “uma experiência imersiva introdutória, desenvolvendo-se através das histórias da indústria, do saber artesanal, de arquivos históricos, experiências interactivas e da estética do design de embalagens”. Destacam-se, depois, “o valor estético” dos panchões e as “realidades práticas da produção, operação, transporte e exportação”.

Na parte dois, intitulada “Traçando a história da indústria”, são explicadas “as origens, o crescimento, a transformação e a adaptação da indústria de panchões de Macau através de um conjunto diversificado de materiais de arquivo, incluindo registos oficiais do Governo, relatórios de comércio externo, mapas, fotografias e notícias”. Podem, assim, verificar-se “mudanças demográficas, políticas governamentais e forças de mercado” da época, revelando-se “a trajectória de desenvolvimento desta indústria tradicional”.

Na parte três da exposição, com o nome “Manifestação – O coração do artesão” pode saber-se mais sobre “os processos complexos e o ambiente de trabalho do fabrico de panchões”, com a presença de “tubos, ferramentas, ilustrações e imagens históricas que sobreviveram ao tempo, revivendo-se o espírito concentrado e meticuloso dos artesãos”.

Importância nos anos 50 e 60

Citado pela mesma nota, Ung Vai Meng referiu que “o fabrico de panchões foi uma das indústrias tradicionais mais importantes de Macau”, sendo que, “para muitos residentes mais velhos, representa uma memória colectiva partilhada no último século”. Ung Vai Meng adiantou alguns dados sobre este sector, já que, nas décadas de 50 e 60, “os panchões produzidos em Macau representavam entre 30 por cento e mais de metade da produção mundial, ocupando uma posição crucial no mercado internacional”.

“Tendo em conta o centenário da Fábrica Iec Long, é com grande satisfação que colaboro com a Sands China para apresentar esta exposição, permitindo ao público conhecer melhor esta história e apreciar a arte dos rótulos de embalagens. Espero que a exposição transporte os visitantes no tempo, fazendo ecoar um século que pertence unicamente a Macau”, acrescentou.

Destaque para o facto de a operadora de jogo ter colaborado nos últimos anos na revitalização da antiga fábrica de panchões na Taipa, antigamente ao abandono. Segundo Wilfred Wong, vice-presidente executivo da Sands China, essa revitalização foi assumida em 2023 e, desde então, a empresa tem investido “activamente recursos para dar uma nova vida a este importante período da história industrial de Macau, reimaginando-o como um símbolo cultural onde o património é renovado através da inovação”.

Nesta mostra, Wilfred Wong entende que se uniram “empresa e academia”, sem esquecer que também colaboram entidades como o Museu de Macau e o Arquivo de Macau.

Presença na Art Central

Destaque ainda para o facto de esta temática e exposição estarem presentes na Art Central de Hong Kong, evento cultural que decorre este fim-de-semana, até domingo, e que teve início ontem. A Sands China chama a atenção para o facto de ser “a primeira empresa do sector a participar na Art Central de Hong Kong como parceira associada”, apresentando no evento “a história e estética dos panchões de Macau ao público internacional, juntamente com obras de jovens artistas contemporâneos locais”.

Este domingo, às 15h30, no Art Central Theatre, Ung Vai Meng protagoniza a palestra “Aesthetics in a Square-Inch: A Century of Visual Culture Change Through Macao’s Firecracker Packaging” [Estética num centímetro quadrado: um século de transformação da cultura visual através das embalagens dos panchões de Macau].

Também na Art Central foi inaugurada um espaço de exposições da Sands China com mais de 40 obras de arte, incluindo trabalhos de três “jovens artistas promissores e visionários de Macau”, nomeadamente Lei Ieng Wai, Leong Chi Mou e Dor Lio Hak Man. Apresenta-se também “uma colecção histórica” proveniente da mostra patente na Sands Gallery, em Macau.

A história dos panchões revela-se em duas actividades de extensão presentes na MUST. Uma delas é a mostra “Timeless Treasures: Archival Materials of Macao’s Firecracker Industry” [Tesouros intemporais: Materiais de arquivo da indústria de fogos de artifício de Macau], patente entre 10 de Abril e 31 de Maio na biblioteca da MUST.

Além disso, desde o dia 10 de Março que pode ser vista a mostra “Historical Resonance: Firecracker Label Art From Eastern Guangdong” [Ressonância histórica: a arte dos rótulos de fogos de artifício do leste de Guangdong], no terceiro piso do bloco R da MUST. Esta parte da exposição está disponível para visitas até ao fim deste mês.

Demência | Mais 600 novos doentes num ano

Macau tem um total de quatro mil doentes diagnosticados com demência, sendo que num só ano houve um aumento de 600 novos doentes. Os dados foram referidos no programa matinal de ontem do canal chinês da Rádio Macau, Fórum Macau, pela coordenadora do Centro de Avaliação e Tratamento da Demência do Centro Hospitalar Conde de São Januário, Wong Sio Mui.

A responsável revelou também que o Centro de Apoio para a Demência, que trabalha em parceria com a comunidade, acolhe casos suspeitos de demência para uma avaliação posterior, a fim de garantir a prevenção e tratamento com antecedência. Por sua vez, a psicóloga da Unidade de Medicina de Reabilitação do Hospital Kiang Wu, Ip Hong Nei, apontou que a população de Macau continua a envelhecer, prevendo-se que o número de pessoas com demência atinja as dez mil em 2036.

Saúde mental | DSEDJ diz ter aumentado equipas nas escolas

A Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) diz que, no actual ano lectivo, “o número de membros das equipas de aconselhamento estudantil aumentou”, para um total de 413.

Em resposta a uma interpelação escrita do deputado Ngan Iek Hang, a subdirectora da DSEDJ, Iun Pui Iun, afirmou também que o Governo pretende “reforçar ainda mais os recursos disponíveis e aliviar a carga de trabalho dos elementos destas equipas fora das horas de expediente”, pelo que criou, também este ano, uma linha de apoio na área do aconselhamento juvenil e plataforma de consulta online. A ideia é “proporcionar serviços de aconselhamento especializados de 24 horas, a fim de dar seguimento às necessidades dos estudantes, tanto em formato presencial como online”.

A responsável disse ainda que, para este ano lectivo, foi aumentado “o investimento em recursos destinados a cobrir as despesas com serviços de equipas de aconselhamento”. A DSEDJ criou também “um quadro de formação direccionado às instituições de aconselhamento, contendo indicações para as horas de formação”. O objectivo é realizar mais cursos para “construir sistemas de desenvolvimento profissional e de apoio de competências profissionais mais aperfeiçoados”.

Escolas | PJ alerta para crimes sexuais entre adolescentes

A Polícia Judiciária enviou uma carta para escolas, pais e estudantes a alertar para a possibilidade de punição penal para adolescentes que tenham relações sexuais, mesmo com consentimento e numa relação de namoro. As autoridades acrescentaram ainda conselhos sobre a educação sexual de jovens

A Polícia Judiciária (PJ) enviou um comunicado a escolas, encarregados de educação e estudantes a alertar para a possibilidade de prática de crime em relações sexuais entre adolescentes, mesmo que o sexo seja consentido e entre namorados, como foi noticiado pelo Canal Macau da TDM.

A missiva, enviada através da “Rede de Comunicação com as Escolas”, um mecanismo que ligação entre as autoridades policiais e estabelecimentos de ensino, começa por relatar que a PJ “recebeu a comunicação de um caso envolvendo estudantes menores de idade que, sendo namorados, mantiveram relações sexuais”. A polícia acrescenta que “foi instaurado de imediato o processo e adoptadas as medidas de intervenção”, sem especificar exactamente o que aconteceu.

As autoridades policiais chegaram ao ponto de tecer considerações e dar conselhos sobre sexualidade entre jovens, reconhecendo apenas a heterossexualidade.

“É normal que os jovens, durante a adolescência, sintam curiosidade pelo sexo oposto. Contudo, devido à insuficiente consciência de auto-protecção, à falta de conhecimento correcto sobre as relações de género ou à existência de eventuais mal-entendidos quanto às disposições legais, podem facilmente incorrer comportamentos que ultrapassem limites e até constituem crime, causando impacto para toda a vida.” O comunicado da PJ, foi enviado em chinês no dia 27 de Fevereiro e em português no dia 3 de Março.

Elogio ao fetichismo

A PJ cita artigos do código penal sobre abuso sexual de crianças, estupro e acto sexual com menores, apontando para a gravidade dos crimes e as suas consequências legais.

As autoridades apelam ainda às escolas e aos pais para “acompanharem de perto o quotidiano dos jovens, prestando atenção às suas relações de amizade, transmitindo-lhes desde cedo conceitos correctos sobre as relações de género e conhecimentos adequados na esfera sexual.

Com a ideia de construir um ambiente de crescimento seguro e saudável para os jovens, a PJ vinca a importância de lhes proporcionar cuidados e orientações, lembrando que caso sejam vítimas devem procurar ajuda o mais rapidamente possível juntos dos pais, professores, agentes de aconselhamento ou da polícia.

A PJ termina a missiva a pedir informações sobre a vida sexual dos jovens, apelando aos pais e escolas a contactarem a Secção de Acompanhamento de Menores da PJ “se tiverem informações sobre crimes”, que como ficou especificado podem incluir actos sexuais consentidos entre namorados.

Macau Legend | Fecho de casino-satélite leva a perdas de 1,57 mil milhões

A Macau Legend teve um prejuízo de 1,57 mil milhões de dólares de Hong Kong em 2025, devido ao encerramento do último ‘casino-satélite’ da operadora, o Legend Palace. A empresa reservou mais de 70 milhões de dólares de Hong Kong para compensações a funcionários despedidos

A Macau Legend disse na terça-feira à noite que o prejuízo – o maior desde 2020, no pico da pandemia de covid-19 – se deve sobretudo a uma queda do valor contabilístico do empreendimento Doca dos Pescadores.

Num comunicado enviado à bolsa de valores de Hong Kong, a Macau Legend Development justifica a diminuição de 1,18 mil milhões de dólares de Hong Kong com o encerramento, em 12 de Novembro, do ‘casino-satélite’ Legend Palace. A Macau Legend referiu ainda ter reservado cerca de 71 milhões de dólares de Hong Kong para o pagamento de compensações a funcionários despedidos do casino Legend Palace.

A empresa sublinhou que a previsão para o prejuízo de 2025 foi feita “com base numa análise preliminar das demonstrações de gestão consolidadas não auditadas”. Os resultados oficiais da Macau Legend serão divulgados em 31 de Março. No final de Agosto de 2025, a operadora admitiu ter “dúvidas significativas sobre a capacidade do grupo de continuar em actividade” devido a dívidas totais de 2,4 mil milhões de dólares de Hong Kong.

Além-mar

Em 17 de Janeiro passado, o Governo de Cabo Verde tomou posse dos bens e edifício do hotel-casino que a empresa começou a construir na capital Praia, mas abandonou há anos. Três dias depois, a Macau Legend disse que as autoridades cabo-verdianas não tinham “qualquer fundamento legítimo” para reaver a propriedade no ilhéu de Santa Maria e na orla marítima da Gamboa. A operadora garantiu que estava “a procurar aconselhamento jurídico” para decidir como responder à perda do hotel-casino, algo que, sublinhou, já estava previsto nas contas.

Em Março de 2025, a Macau Legend já tinha anunciado prejuízos de 45,9 milhões de dólares de Hong Kong em 2024, em parte devido à ameaça de reversão do hotel-casino.

Em 4 de Março passado, o Governo de Cabo Verde lançou um concurso de ideias para o espaço, aberto até meados de Abril, sendo que as propostas que forem seleccionadas serão objecto de consulta pública. Em Setembro de 2025, a empresa lançou um concurso público para a venda de um projecto imobiliário Ponto Legend, situado na vizinha Hengqin, e que inclui uma praça ao ‘estilo manuelino’.

“Rei do Jogo” taiwanês, ligado ao jogo VIP em Macau, morto no Camboja

O fugitivo taiwanês Lin Bingwen, procurado por jogo ilegal e branqueamento de capitais, foi morto a tiro no Camboja, confirmaram as autoridades de Taiwan. De acordo com a polícia cambojana, Lin foi abatido na segunda-feira à noite numa estrada isolada em Sihanoukville – cidade costeira no sudeste do país conhecida pelos seus casinos – “por três a quatro” atacantes que fugiram de imediato, referiram as autoridades do Camboja. O crime foi descrito como premeditado e está em curso uma operação de detenção, sem confirmação oficial dos motivos.

O Departamento de Investigação Criminal (CIB, na sigla em inglês) de Taiwan confirmou a morte, pondo fim a uma perseguição que se prolongava há mais de um ano e envolvia várias jurisdições.

Lin estava na lista de procurados pelo alegado envolvimento no escândalo do “88 Club”, em Taipé, considerado um dos maiores casos de banca paralela e jogo ilegal em Taiwan, com transferências ilícitas estimadas em 21,7 mil milhões de dólares taiwaneses (585,8 milhões de euros).

O caso levou à condenação de Guo Zhemin, líder deste clube privado, extraditado em 2023 e condenado em 2025 a quase 12 anos de prisão, com apreensão de activos significativos, incluindo criptomoedas. O escândalo envolveu também dezenas de agentes da polícia taiwanesa, condenados por ligações ao clube, que funcionava como espaço privado para figuras influentes dos negócios e da política.

Com antecedentes no crime organizado em Taipé, Lin esteve também ligado a um escândalo de manipulação de jogos de beisebol em 2007 e, mais tarde, integrou o sector de promoção de jogo VIP em Macau. Com o colapso desse modelo de angariação de jogadores VIP, após a prisão em Macau das maiores figuras do sector entre 2021 e 2022, passou a operar em estruturas clandestinas de banca paralela e plataformas de pagamento.

Vida nas sombras

Em 2023, foi acusado no caso “88 Club” e libertado sob caução de três milhões de dólares taiwaneses (80.962 euros), mas desapareceu no final de 2024. Durante a fuga, manteve actividade nas redes sociais, negando estar a fugir da justiça e prometendo regressar a Taiwan nos seus próprios termos.

Segundo media taiwanesas, Lin estava envolvido em operações de hotéis e casinos com parceiros chineses em Sihanoukville, cidade apontada como o centro regional de jogo ilícito e redes financeiras clandestinas. A investigação ao homicídio prossegue, sem detenções anunciadas pelas autoridades cambojanas.

O Ministério Público de Taiwan esta semana acusou 10 pessoas de usarem casinos de Macau para branquear 33 mil milhões de dólares taiwaneses (893 milhões de euros), provenientes de jogo ilegal na Internet. A operação levou à detenção de 20 pessoas, o congelamento de quase 231 milhões de dólares taiwaneses (6,22 milhões de euros) em contas bancárias e a apreensão de 2,62 milhões de dólares taiwaneses (71 mil euros) em dinheiro.

O número de transações suspeitas registadas nos casinos de Macau, capital mundial do jogo, caiu 6,1 por cento em 2025, de acordo com dados oficiais.

Drones | Proibição de voar na Península dia 29

A Autoridade de Aviação Civil (AACM) proíbe os drones de voar em toda a Península de Macau no dia 29 de Março, entre as 11h e as 20h. A proibição foi divulgada ontem e foi justificada com a realização “com sucesso” do Desfile Internacional de Macau 2026.

“A AACM alerta que, mesmo os grupos ou indivíduos que tenham obtido anteriormente autorização escrita da AACM para realizar voos nocturnos de aeronaves não tripuladas na data acima referida, devem cumprir a presente aviso de proibição de voo”, foi comunicado. No caso de se registarem infracções, a AACM indica que vai punir os infractores com multas entre 5 mil e 300 mil patacas, no caso de pessoas singulares, ou entre 50 mil e 1 milhão de patacas, se forem pessoas colectivas.

Finanças | Reserva financeira volta a atingir novo recorde

A reserva ganhou 7,03 mil milhões de patacas em comparação com o anterior recorde de 666,7 mil milhões de patacas, atingindo assim os 673,8 mil milhões de patacas

Os activos da reserva financeira de Macau alcançaram um novo recorde máximo em Janeiro, pelo segundo mês consecutivo, anunciou ontem a Autoridade Monetária de Macau (AMCM).

Um balanço publicado pelo regulador financeiro no Boletim Oficial da região mostra que a reserva valia, no final de Janeiro, 673,8 mil milhões de patacas. A reserva ganhou 7,03 mil milhões de patacas em comparação com o anterior recorde, 666,7 mil milhões de patacas, fixado no final de Dezembro.

Foi o melhor arranque de ano para a reserva desde 2015 e quase duplicou a valorização registada em Dezembro, mês em que ganhou 3,54 mil milhões de patacas. Durante o ano passado, foram ganhos 50,5 mil milhões de patacas, mais do que em 2024, ano em que os activos subiram 35,7 mil milhões de patacas.

O melhor ano de sempre para a reserva financeira ainda continua a ser 2019, antes do início da pandemia, quando os activos se valorizaram em 70,6 mil milhões de patacas. O valor da reserva extraordinária no final de Janeiro era de 503,1 mil milhões de patacas e a reserva básica, equivalente a 150 por cento do orçamento público de Macau, era de 163,6 mil milhões de patacas.

Revisão orçamental

Em Novembro, a Assembleia Legislativa aprovou, por unanimidade, o orçamento para 2026, que prevê despesas públicas de 113,5 mil milhões de patacas.

Investimentos subcontratados representam a maior fatia da reserva financeira de Macau, 293,4 mil milhões de patacas, que inclui ainda depósitos e contas correntes no valor de 273,7 mil milhões de patacas e títulos de crédito no montante de 105,5 mil milhões de patacas.

Em 2025, os investimentos renderam à reserva financeira mais de 42,9 mil milhões de patacas, correspondendo a uma taxa de rentabilidade de 6,9 por cento, indicou ontem a AMCM, num relatório também divulgado no Boletim Oficial. O retorno aumentou 38,7 por cento em comparação com 2024, ano em que os rendimentos renderam à reserva quase 31 mil milhões de patacas, correspondente a 5,3 por cento.

Saúde | Alvis Lo reconduzido como director mais um ano

A comissão de serviços de Alvis Lo Iek Long como director dos Serviços de Saúde (SS) foi renovada pelo período de um ano, de acordo com um despacho publicado ontem no Boletim Oficial. O documento assinado pela secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, justifica a opção com o facto de considerar que o actual director tem “idoneidade cívica, capacidade de gestão e experiência profissional adequadas para o exercício das suas funções”.

Alvis Lo é médico pneumologista e assumiu as funções a 1 de Abril de 2021, durante a pandemia da covid-19, substituindo então Lei Chin Ion. Além de director dos SS, Lo mantém uma vida activa a nível das associações locais, como membro da Federação da Juventude de Macau e na Federação da Juventude da China. No passado integrou também a Conferência Consultiva Política do Povo Chinês da Província de Henan.

Alvis Lo tem licenciatura em Medicina Clínica pela Universidade de Medicina de Chong San, mestrados em Medicina Clínica pela Universidade de Pequim e em Medicina Geriátrica pela Universidade de Hong Kong e ainda doutoramento em Medicina (Medicina Interna) pela Universidade Sun Yat-Sen. É trabalhador da Função Pública de Macau desde 2003, e começou como interno do internato geral e do internato complementar, passando a médico assistente e médico consultor.

Finanças | Silvestre Ho confirmada como directora

Silvestre Ho In Mui foi confirmada como directora dos Serviços de Finanças, uma posição que ocupava, enquanto substituta, desde Janeiro. A informação foi publicada ontem no Boletim Oficial. De acordo com a decisão de Tai Kin Ip, Silvestre Ho In Mui tem “idoneidade cívica, experiência e competência profissionais adequadas ao desempenho de funções”.

Silvestre Ho é licenciada em Gestão de Empresas (BBA) pela Universidade da Ásia Oriental, tem mestrado em Gestão de Empresas (MBA) da Universidade Aberta Internacional da Ásia (Macau) e integra os Serviços de Finanças, desde 1995.

A primeira vez que a nomeada desempenhou funções de directora dos Serviços de Finanças foi em 2025, entre Julho e Dezembro, também como substituta. Também ontem foi anunciada, através do Boletim Oficial, a nomeação de Kuok Iat Hai como subdirector dos Serviços de Finanças.

Kuok desempenhava as funções desde Janeiro, mas a comissão de serviço foi agora prolongada. O subdirector é licenciado em Gestão de Empresas pela Universidade de Hawaii em Manoa. Ingressou na Função Pública em 2002, onde desempenhou as funções de técnico superior até 2015, depois assumiu outros cargos na DSF. Entre Agosto de 2021 e Junho de 2025, foi subdirector da Direcção dos Serviços de Finanças da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin, antes de regressar novamente para a DSF, assumindo-se como subdirector.

Macauport | Concessão para explorar Porto de Ká-Hó prolongada até 2033

A empresa que tem Pansy Ho como presidente da mesa da Assembleia Geral, da Comissão Executiva e do Conselho de Administração vai explorar o porto por mais sete anos. Durante este período terá de construir um armazém frigorífico e um posto de inspecção

O Governo prolongou por mais sete anos o contrato com a Macauport, para a exploração do Porto de Ká-Hó. O novo vínculo entre a empresa e a RAEM passa a prolongar-se até 2033, entrou ontem em vigor, e a informação foi divulgada através do Boletim Oficial. Com o novo vínculo, a empresa compromete-se a promover “obras que visem potenciar a exploração do Porto de Ká-Hó”, como um “armazém frigorífico e posto de inspecção”.

A renovação do contrato impõe também novas obrigações, ao nível do transporte das mercadorias consideradas perigosas, que passam não só por assegurar o trânsito, mas também “todas as medidas viáveis para coordenar o transporte marítimo das substâncias perigosas por terceiros devidamente qualificados, sempre que solicitada pela entidade fiscalizadora”. O vínculo chegava ao fim este ano, depois de estar em vigor desde 2019, sendo que nessa altura a renovação do contrato também foi por um período de sete anos.

A Macauport é responsável pela gestão da operação do Terminal de Contentores do Porto de Ká-Hó e tem como principal accionista a Marban Corporation, empresa registada no paraíso fiscal das Bahamas. A Marban tem uma participação de 55 por cento e está ligada ao universo da STDM.

O outro grande accionista da empresa é a RAEM, com uma participação de 31,8 por cento. A empresa estatal Nam Kwong é outro dos principais accionistas, com uma participação de 12 por cento, a que se junta ainda a Shell (Macau) com uma participação de 0,8 por cento, a Socarpor- Sociedade de Cargas Portuárias (Lisboa), com 0,14 por cento, e a Fielden Investment Limited, com 0,01 por cento.

Pansy no controlo

Em termos dos órgãos sociais, a empresa tem Pansy Ho como presidente da mesa da Assembleia Geral, presidente do Conselho de Administração e presidente da Comissão Executivo. Em todos estes órgãos sociais, a filha mais velha do segundo de casamento de Stanley Ho conta com a irmã Daisy como vice-presidente.

Em 2024, a Macauport apresentou um lucro de cerca de 565,8 mil patacas, apesar de ter considerado que as condições de operação ao longo do ano não foram satisfatórias. Os resultados desse ano mostraram também uma quebra acentuada do lucro em comparação com 2023, quando os lucros tinham sido de 9 milhões de patacas. No entanto, os resultados deste ano ainda não são conhecidos, devendo ser publicados até ao final do próximo mês no Boletim Oficial.

Fórum Boao | Entre o crescimento interno, o digital e energias limpas

Chamam-lhe o “Davos asiático” e termina na sexta-feira. Em Hainão, China, decorre a Conferência Anual do Fórum Boao para a Ásia e são muitos os temas em agenda: o crescimento económico chinês, apontado para 4,5 a 5 por cento, o crescente papel da inteligência artificial na economia, a aposta em energias limpas e o lugar da Ásia como motor de crescimento

Por estes dias os olhares focam-se na zona mais tropical da China: Hainão. É nesta província insular do país que acontece, até sexta-feira, mais uma Conferência Anual do Fórum Boao para a Ásia, que reúne cerca de dois mil participantes de 60 países e regiões, com uma agenda pautada por temas como o papel da tecnologia e do digital na economia, com foco na inteligência artificial, a aposta em energias renováveis ou o lugar da Ásia na economia mundial.

Claro que os olhos estão também colocados na economia chinesa, isto numa altura em que acaba de ser divulgado o 15.º Plano Quinquenal do país.

Na terça-feira, dia de abertura do Fórum, foi divulgado um relatório que prevê que a economia asiática cresça entre 4,5 e 5 por cento este ano, com a região a continuar a ser o “motor do crescimento mundial”, juntamente com os países da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), que inclui Timor-Leste. Ainda que haja “incertezas globais”, escreveu a Lusa.

Este mesmo documento descreve que a Ásia no Produto Interno Bruto (PIB) global deve avançar de 49,2 por cento em 2025 para 49,7 por cento este ano, considerando a paridade de poder de compra.

Entretanto, e segundo noticiou o China Daily, Justin Yifu Lin, um antigo economista-chefe do Banco Mundial, considerou, ao discursar numa das conferências do Fórum, que “apesar das dificuldades causadas pelas ondas de desglobalização e pelas tensões geopolíticas, a China está bem posicionada para atingir a sua meta de crescimento do PIB para 2026, entre 4,5 e 5 por cento, o que contribuiria com cerca de 30 por cento para o crescimento global”.

Justin Yifu Lin acrescentou que “o crescimento pode até ultrapassar os 5 por cento (este ano), com uma melhor execução das políticas, desde que não ocorram grandes choques imprevistos no ambiente internacional”.

Já Zheng Yongnian, director da Escola de Políticas Públicas da Universidade Chinesa de Hong Kong, em Shenzhen, falou da “previsibilidade das políticas” da China espelhada no 15.º Plano Quinquenal, sendo que o país tem, no seu entender, um “papel estabilizador na economia global”.

O 15.º Plano Quinquenal diz que a China pretende alcançar o estatuto de “país de desenvolvimento intermédio” até 2035, sendo que, para Zheng, “o país está no caminho para manter um crescimento anual de cerca de 4,5 a 5 por cento até 2035, oferecendo um motor previsível para o crescimento global na próxima década”, lê-se no diário.

Planos de Shenzhen

O Fórum Boao tem apresentado também algumas metas que o país quer desenvolver, a nível interno e do continente, na área das novas tecnologias e inteligência artificial (IA), isto numa altura em que Shenzhen acaba de divulgar um plano a três anos para construir um “hub” nas áreas dos semicondutores e IA.

Segundo o South China Morning Post, “a cidade pretende alcançar um aumento” e dar “um salto” na “capacidade de produção e no volume de envios de toda a cadeia de fornecimento de servidores de IA até 2028”. O plano foi publicado esta segunda-feira pelo departamento municipal da indústria e tecnologia da informação de Shenzhen.

Outro relatório divulgado esta terça-feira no evento de Hainão, aponta que o “epicentro global do desenvolvimento da IA está a deslocar-se progressivamente da Europa e dos Estados Unidos para a Ásia”, lê-se na Xinhua.

“Aproveitando as suas vastas populações digitais, ecossistemas de aplicação diversificados e estruturas políticas coerentes, as economias asiáticas estão a evoluir rapidamente de seguidoras em IA para líderes”, descreve o documento “Perspectivas Económicas da Ásia e Progresso da Integração – Relatório Anual 2026”.

Aqui, lê-se também que a China “alcançou maturidade industrial em toda a cadeia e demonstrou fortes capacidades na implementação em larga escala, enquanto o Japão e a República da Coreia concentram os seus esforços na manufactura avançada e na automação industrial”. No caso da Cidade-Estado de Singapura, “serve como modelo de desenvolvimento orientado para aplicações, desempenha um papel fundamental na inovação em governança e funciona como um centro de plataforma”.

Verifica-se, portanto, uma “ascensão inteligente” do continente asiático de forma “multifacetada”, existindo “apoio institucional essencial ao nível nacional, um poderoso ciclo de retroalimentação entre ‘escala de aplicação, geração de dados e aperfeiçoamento interactivo’ que acelerou a industrialização, bem como uma profunda integração com as indústrias centrais”, segundo o relatório”.

Desta forma, a Ásia encontra-se “numa posição única para liderar a criação de uma rede regional de inovação em IA”, considerada pelo relatório como “multinodal, interligada e colaborativa”. “Tal rede ampliaria significativamente a influência colectiva da região na cadeia de valor global da IA, no ecossistema de inovação e no debate internacional sobre governança”, conclui o documento.

O que é digital é bom

Outro relatório divulgado no contexto do Fórum Boao, chama a atenção para a presença do digital na economia asiática. “Ásia e o Mundo – Relatório Anual 2026 — Desenvolvimento Sustentável na Ásia em Meio à Transformação Global” descreve, segundo a Xinhua, como as tecnologias digitais têm uma presença crescente na economia, atingindo, até ao ano passado, “uma dimensão de 27 mil milhões de dólares, representando 46 por cento” do PIB.

“A Ásia tem assumido a liderança na exploração de modelos de desenvolvimento orientados para o futuro através das tecnologias digitais, procurando transformar as suas diversas estruturas económicas em competitividade global e resiliência regional”, lê-se.

Neste caso, a IA volta a marcar presença, por se ter tornado “um impulsionador vital do progresso social e económico” no continente. O documento dá conta que “a adopção generalizada e a implementação transversal de aplicações de IA na região Ásia-Pacífico estão a remodelar as estruturas de produtividade”, além de “aumentar a produtividade das pequenas e médias empresas”. Esta área está também a contribuir para o “impulsionar a criação de emprego e reforço da resiliência social no sector dos serviços públicos, entre outros efeitos”.

Uma questão de energia

Numa altura em que o mundo se depara novamente com uma crise energética potenciada pelo conflito no Médio Oriente, com o disparar dos preços dos combustíveis, o Fórum Boao também tem olhado para estas questões.

O mesmo relatório acima referido destaca como a Ásia “está a emergir como uma força central na transição global para uma energia mais verde e de baixo carbono, passando de ‘maior centro de consumo de energia tradicional’ para ‘um líder no desenvolvimento de energia limpa'”.

A conclusão, citada pela Xinhua, dá conta de como a “digitalização e transições verdes estão a lançar as bases para um novo ‘Milagre Asiático'”.

“Em toda a região, China, Índia, Japão, República da Coreia, ASEAN e os países do Golfo estão a desenvolver energias renováveis, como a solar e eólica, de acordo com as condições locais, ao mesmo tempo que avançam em tecnologias como o hidrogénio, a modernização das redes eléctricas e a captura, utilização e armazenamento de carbono, com a economia verde a demonstrar um forte dinamismo de crescimento”, é descrito.

O documento dá conta que a “a capacidade instalada de geração de energia na Ásia ultrapassou os 5,3 terawatts, sendo que as energias renováveis representam 2,67 terawatts, ou cerca de metade do total”. Desta forma, “a região representa actualmente 58 por cento da capacidade global instalada de energia renovável”.

Li Baosen, vice-secretário-geral da Organização para o Desenvolvimento e Cooperação da Interligação Global de Energia (GEIDCO), descreveu que “a transição verde da Ásia, particularmente a transição energética, está a aprofundar-se e a posicionar a região como uma força global de liderança”, em declarações citadas pela Xinhua.

O responsável disse ainda que a China se tem destacado como um “motor-chave”, já que, no ano passado, “a capacidade total instalada de energia limpa da China atingiu 2,4 mil milhões de quilowatts, representando cerca de 45 por cento do total global.” “Notavelmente, a capacidade combinada de energia eólica e solar da China ultrapassou, pela primeira vez, a da energia térmica, um avanço que evidencia a crescente contribuição do país para a transformação energética tanto na Ásia como no mundo”, acrescentou.

O documento apresenta, contudo, as limitações que a Ásia ainda tem neste domínio, nomeadamente “a dependência enraizada de combustíveis fósseis, infraestruturas de redes eléctricas subdesenvolvidas e lacunas no financiamento verde”.

O Fórum Boao foi criado em 2001 e dedica-se a “promover a integração económica regional e a aproximar os países asiáticos dos seus objectivos de desenvolvimento”. O tema da edição deste ano é “Construindo um Futuro Partilhado: Novas Dinâmicas, Novas Oportunidades, Nova Cooperação”, sendo que o evento conta com a presença dos chefes executivos das duas regiões administrativas especiais chinesas: Sam Hou Fai de Macau e John Lee, de Hong Kong. Com agências

Lucro da Xiaomi sobe 76% para 41.6 milhões de yuan em 2025 graças a IA e veículos elétricos

A empresa tecnológica chinesa Xiaomi registou, em 2025, um lucro líquido atribuído de 41.643 milhões de yuan, um aumento de 76% em relação ao ano anterior, foi hoje anunciado. Nas demonstrações financeiras enviadas à Bolsa de Hong Kong, onde está cotada, a empresa indicou que o volume de negócios cresceu 25% em termos homólogos, atingindo cerca de 457.287 milhões de yuan.

A empresa de tecnologia atribuiu este crescimento principalmente a “novas iniciativas”, como os veículos elétricos ou a Inteligência Artificial (IA), que mais do que triplicaram (+223,8%) as receitas.

Neste segmento, a Xiaomi vendeu mais de 411.000 veículos no ano passado, superando a meta que tinha estabelecido (350.000). O seu principal negócio, o dos ‘smartphones’, contribuiu com 186.400 milhões de yuan, depois de as vendas terem diminuído 1,96%, para cerca de 165,2 milhões de unidades.

Desfile internacional | Grupos musicais lusófonos marcam presença

Dois grupos musicais lusófonos, os CRASSH_Recycled de Portugal e a Associação Cultural MoNo de Moçambique, vão participar no Desfile Internacional de Macau, agendado para este domingo.

De acordo com o Instituto Cultural (IC) do território, os CRASSH_Recycled “levam o público numa viagem auditiva de descoberta” ao “explorar o som de objectos” como baldes, capacetes de segurança, ou objectos que vão encontrando. Entretanto, a Associação Cultural MoNo de Moçambique combina dança tradicional, percussão e canções ancestrais, inspirando-se em rituais, celebrações comunitárias e no simbolismo das tradições orais africanas.

O desfile deste ano terá um orçamento de 3,8 milhões de patacas e tem como tema “A Rota Marítima da Seda como uma ponte para o intercâmbio cultural”, promovendo a imagem de Macau como uma “janela vital para o intercâmbio cultural entre a China e o Ocidente”. Esta edição do desfile, organizado anualmente desde 2011, conta com mais de 10 grupos artísticos, cerca de 1.600 artistas, de países e regiões importantes enquanto centros da Rota Marítima da Seda na Ásia, Europa e África, bem como 50 grupos locais.

A Rota da Seda foi uma antiga e vasta rede de rotas comerciais, ativa entre o século II a.C. e o século XV, que ligava a China ao Mediterrâneo e Europa, facilitando o transporte de seda, especiarias e o intercâmbio cultural, religioso e tecnológico entre o Oriente e o Ocidente.