Espectáculos | Festival agendado para Fevereiro foi cancelado

Foi cancelado o festival Show! Music Core in Macau, que estava agendado para 7 e 8 de Fevereiro no Local de Espectáculos ao Ar Livre. O cancelamento do evento com música pop coreana foi confirmado pela empresa de entretenimento MBC, envolvida na organização, que justificou a decisão com “condições locais”.
Nos últimos dias, tinham surgido várias informações na imprensa sul-coreana a indicar que o festival estava em risco, uma vez que as autoridades de Macau estavam a dificultar a obtenção de vistos para artistas japoneses que integram os grupos de música pop coreana. Por esse motivo, alguns grupos terão cancelado a participação, enquanto outras bandas estavam a tentar adaptar-se e pretendiam actuar privados de alguns artistas. Contudo, os ajustes estavam a dificultar a actividade da organização para assegurar um número suficiente de grupos musicais.
“Após uma análise exaustiva das condições locais e gerais, decidimos, infelizmente, cancelar o Music Core in Macau”, pode ler-se no comunicado de imprensa da MBC. “Pedimos as nossas mais sinceras desculpas aos fãs e a todas as partes envolvidas que estavam entusiasmadas com o Music Core in Macau”, foi acrescentado.
Sem nunca mencionar as autoridades de Macau, a empresa MBC admite que o festival volte a ser realizado no futuro, se as circunstâncias se alterarem: “Se no futuro houver um ambiente mais estável, vamos analisar novamente a possibilidade de realizar o festival”, foi prometido.
Desde o final do ano passado que Macau adoptou uma política não assumida de boicote a artistas com nacionalidade japonesa, com os cancelamentos a somarem-se uns atrás dos outros, apesar do Instituto Cultural (IC) negar qualquer envolvimento. A RAEM segue assim a política do Interior, que tem sido entendida como uma reacção às declarações da primeira-ministra do Japão, Takaichi Sanae, que afirmou que o país nipónico interviria em caso de conflito entre o Interior e Taiwan.

Tudo em silêncio
A possibilidade de cancelamento do festival começou a circular na semana passada, na imprensa coreana, e foi ligada às dificuldades dos artistas japoneses conseguirem autorização para actuarem na RAEM. No dia 25 de Janeiro, o HM entrou em contacto com Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), os Serviços de Economia, Direcção de Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), Serviços de Alfândega e Instituto Cultural (IC) para obter reacções às informações que circulavam na Coreia do Sul, mas até agora não obteve qualquer resposta.
Antes do cancelamento do evento, o cartaz apresentava como grupos presentes Enyphen, Kickflip ou Le Sserafim, todos com artistas de nacionalidade japonesa.
Um artigo da semana passada da agência News1KR explicava também que estes cancelamentos estão a fazer com que as empresas coreanas se mostrem mais cautelosas em agendar concertos em Macau, devido aos custos inerentes, assim como o impacto para a imagem dos grupos junto dos fãs.
Desde as declarações de Takaichi Sanae, foram cancelados os concertos das artistas japonesas Ayumi Hamasaki e Mika Nakashima. Também o grupo de pop coreano Nexz, que integra artistas com nacionalidade japonesa, viu cancelados dois espectáculos, que estavam totalmente esgotados.

Visita | Starmer defende “parceria estratégica e de longo prazo” com a China

A visita do primeiro-ministro britânico à China visa relançar as relações entre os dois países e projectar parcerias sólidas para os próximos anos
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, defendeu que Londres e Pequim “precisam de uma parceria estratégica, consistente e de longo prazo”, na sua primeira visita oficial à China, que visa reatar relações bilaterais e reforçar laços económicos.
Na primeira deslocação de um chefe de Governo britânico ao país asiático em oito anos, Starmer defendeu a construção de uma relação “consistente, estratégica e abrangente” com Pequim.
“A China é um actor vital à escala global. O Reino Unido e a China precisam de uma parceria de longo prazo”, disse Starmer ao Presidente chinês, Xi Jinping, sublinhando a importância de trabalhar em conjunto em áreas como a estabilidade global, o crescimento económico e as alterações climáticas.
Xi Jinping reconheceu que as relações bilaterais “passaram por altos e baixos” nos últimos anos, o que “não serviu os interesses de ambos os países”.
Antes do encontro com Xi, Starmer foi recebido pelo presidente da Assembleia Nacional Popular chinesa, Zhao Leji, no Grande Palácio do Povo. O líder britânico classificou a visita como “histórica” e disse esperar “dias produtivos” de diálogo sobre segurança global e cooperação económica.
A visita inclui também um encontro com o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, com quem deverá presidir à assinatura de vários acordos bilaterais centrados em áreas como energias limpas, saúde, indústrias criativas e fabrico inteligente, segundo o ministério do Comércio da China.
A China é actualmente o terceiro maior parceiro comercial do Reino Unido, com um saldo favorável de 42 mil milhões de libras para Pequim, segundo dados do Departamento de Comércio britânico.
Starmer chegou à China acompanhado de membros do seu gabinete e de uma comitiva de cerca de 60 empresários e representantes culturais, incluindo executivos do HSBC, da farmacêutica GSK e das construtoras automóveis Jaguar e Land Rover.

Novo ciclo
O objectivo declarado da visita é reforçar os laços económicos e atrair investimento estrangeiro num momento em que a economia britânica enfrenta dificuldades. Fontes de Downing Street indicaram também que Londres procura discutir com as autoridades chinesas a renovação das instalações da sua embaixada em Pequim e temas como a imigração ilegal.
A visita de Starmer insere-se num novo ciclo de contactos diplomáticos com Pequim por parte de aliados ocidentais. Só este mês, a capital chinesa recebeu os líderes da Coreia do Sul, Canadá e Finlândia, e o chanceler alemão deverá visitar a China em Fevereiro.
Esta reaproximação coincide com o arrefecimento das relações de várias capitais com Washington, após a chegada ao poder de Donald Trump.

A Disputa pela Gronelândia (I)

“Whoever controls the Arctic controls the future.”

Mikhail Gorbachev

 

A crescente atenção dos Estados Unidos à Gronelândia, particularmente durante a presidência de Donald Trump, constitui um caso paradigmático da intersecção entre interesses estratégicos de longa duração e ambições políticas de natureza mais pessoal. A análise deste fenómeno exige distinguir, por um lado, os objectivos estruturais do Estado americano e, por outro, as motivações específicas associadas ao estilo político e às prioridades simbólicas da presidência de Trump. Esta distinção é fundamental para compreender a forma como a política externa dos Estados Unidos se reconfigura quando interesses institucionais e impulsos individuais convergem, ainda que parcialmente, em torno de um mesmo território.

A Gronelândia ocupa uma posição singular no tabuleiro geopolítico contemporâneo. Situada no extremo norte do Atlântico, a ilha constitui um ponto de observação privilegiado sobre o Árctico, região que, nas últimas décadas, se tornou palco de competição entre grandes potências. O degelo progressivo, associado às alterações climáticas, abriu novas rotas marítimas e tornou acessíveis recursos naturais antes inacessíveis, incluindo minerais estratégicos e reservas energéticas. Este novo cenário intensificou a presença e a vigilância militar de Estados como a Rússia e a China, que procuram garantir posições vantajosas num espaço que poderá redefinir fluxos comerciais e equilíbrios de poder.

Para Washington, a Gronelândia representa um activo geoestratégico de valor crescente. Desde a Guerra Fria, os Estados Unidos mantêm na ilha infra-estruturas militares essenciais, como a base aérea de Thule, integrada no sistema de alerta antecipado contra mísseis balísticos. A localização da base permite monitorizar actividades militares no Ártico e no espaço euro-asiático, constituindo um elemento central da arquitectura de defesa americana. A modernização e expansão destas capacidades, num contexto de rivalidade intensificada com Moscovo e Pequim, reforçam o interesse permanente dos Estados Unidos em assegurar controlo operacional sobre o território.

Além da dimensão militar, a Gronelândia possui vastos recursos minerais, incluindo terras raras, urânio e outros elementos críticos para a indústria tecnológica e de defesa. A crescente dependência global destes materiais, aliada à tentativa de reduzir a influência chinesa nas cadeias de abastecimento, torna a exploração mineira da ilha particularmente relevante. Existe tal como em relação à Venezuela a percepção americana de que o controlo de recursos estratégicos é um instrumento de poder no hemisfério ocidental, e que a Gronelândia pode desempenhar um papel complementar nesse esforço.

Importa notar que, do ponto de vista jurídico e diplomático, os Estados Unidos dispõem de mecanismos que lhes permitem operar militarmente na Gronelândia e negociar o acesso a recursos naturais. Os acordos de defesa celebrados com a Dinamarca em 1951, actualizados em 2004, garantem ampla liberdade de acção. Copenhaga, consciente da importância da aliança com Washington, tem historicamente demonstrado flexibilidade nas negociações, desde que a soberania formal sobre a ilha seja preservada. Assim, os interesses estratégicos americanos não exigem, em sentido estrito, a aquisição territorial da Gronelândia.

A tentativa de Donald Trump de adquirir a Gronelândia introduz uma camada adicional de interpretação, distinta dos objectivos tradicionais da política externa americana. A proposta de compra, amplamente divulgada e inicialmente recebida com perplexidade internacional, não pode ser dissociada da visão política e simbólica que caracterizou antes e agora a sua presidência.

Trump procurou antes e agora, ao longo do seu mandato, construir uma narrativa de liderança disruptiva, capaz de romper com convenções diplomáticas e de afirmar os Estados Unidos como potência incontestável. A aquisição da Gronelândia seria, nesse sentido, um gesto de magnitude histórica, evocando episódios de expansão territorial como a compra da Louisiana ou do Alasca. A ambição de ser recordado como o presidente que expandiu o território nacional após décadas de estabilidade fronteiriça revela uma preocupação com o legado político e com a inscrição simbólica da sua presidência na história americana.

Este impulso encontra eco entre sectores nacionalistas que vêem os Estados Unidos como uma “civilização da fronteira”, cuja identidade se constrói através da conquista e da expansão. A reabertura simbólica dessa fronteira no Ártico seria interpretada como um renascimento do espírito pioneiro, reforçando a narrativa de grandeza nacional que sustentou parte da base eleitoral de Trump.

PCC | Relações entre China e Reino Unido devem ser vistas na perspectiva global

A visita do primeiro-ministro britânico à China deu o mote para o editorial do Global Times, onde se destaca que o aprofundamento das relações entre as duas nações poderá ser um contributo significativo para a paz e estabilidade global

 

Um jornal do Partido Comunista Chinês defendeu ontem que as relações entre China e Reino Unido devem ser vistas de uma perspectiva global, para além da visão bilateral, no início da visita a Pequim do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer.

“O fortalecimento de uma relação estável e previsível entre os dois países poderá contribuir não apenas para os interesses nacionais de ambas as partes, mas também para a promoção da paz, da estabilidade e do desenvolvimento a nível global”, apontou o Global Times, em editorial.

O jornal citou as declarações recentes do Presidente chinês, Xi Jinping, proferidas durante um encontro com o primeiro-ministro da Finlândia, Petteri Orpo, nas quais o chefe de Estado chinês sublinhou que, perante um ambiente internacional marcado por tensões geopolíticas, conflitos regionais e incerteza económica, a comunidade internacional deve reforçar a coordenação.

Segundo Xi, os principais países devem assumir um papel de liderança responsável, promovendo a igualdade entre Estados, o respeito pela ordem internacional, a cooperação e a integridade nas relações internacionais.

De acordo com o Global Times, estes princípios são igualmente aplicáveis às relações entre a China e o Reino Unido, defendendo o título que, apesar das diferenças políticas, ideológicas e estratégicas existentes, ambos os países dispõem de bases sólidas para aprofundar a cooperação.

O jornal sustentou que o reconhecimento das divergências, aliado a uma gestão adequada dos desacordos e ao reforço do diálogo, é essencial para garantir um desenvolvimento “saudável e estável” das relações bilaterais.

Áreas de interesse

O editorial destacou que a China e o Reino Unido mantêm interesses comuns em diversas áreas, incluindo comércio, investimento, finanças, ciência e tecnologia, educação e combate às alterações climáticas, e sublinhou que uma relação construtiva entre Pequim e Londres poderá desempenhar um papel positivo mais amplo no sistema internacional.

“A cooperação entre grandes economias é um factor importante para enfrentar desafios globais comuns, como a transição energética, a segurança alimentar, a saúde pública e o desenvolvimento sustentável”, apontou.

O jornal considerou que a confrontação e a lógica de blocos não oferecem soluções eficazes para os problemas globais actuais e manifestou a expectativa de que delegações britânicas que visitem a China possam transmitir ao Reino Unido e a outras sociedades ocidentais uma percepção mais directa da realidade chinesa.

Segundo o Global Times, os visitantes terão contacto com um país “aberto, inclusivo e dinâmico”, defendendo que essa experiência “poderá contribuir para reduzir mal-entendidos e percepções consideradas distorcidas sobre a China no Ocidente”.

Mais perto

A visita de Starmer ocorre num momento de reajustamento da política externa britânica em relação à China, após anos de distanciamento sob governos conservadores, com Londres a procurar relançar os laços económicos com Pequim, uma estratégia que coincide com o esfriamento das suas relações com Washington após a chegada ao poder de Donald Trump.

Nos últimos anos, o Reino Unido tem manifestado preocupações relativamente a questões como direitos humanos, Hong Kong ou Taiwan, posições que têm sido rejeitadas por Pequim como ingerência nos seus assuntos internos.

“A estabilidade das relações sino-britânicas depende da capacidade de ambas as partes evitarem a politização excessiva das relações económicas e de resistirem a pressões externas que possam comprometer a cooperação bilateral”, afirmou o editorial.

A visita à China, a primeira de um chefe de governo britânico em oito anos, ocorre desde ontem e até sábado.

Durante a visita, Starmer vai ser recebido por Xi e manterá reuniões com o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, e com o presidente do Comité Permanente da Assembleia Nacional Popular, Zhao Leji.

Além de Pequim, o líder britânico viajará para Xangai.

Orquestra de Macau | Concertos contaram história de Pedro e o Lobo em escolas

A Orquestra de Macau apresentou um ciclo de concertos “Música para o Futuro – Música no Campus” em 13 escolas do território. Os espectáculos narraram a história de Pedro de o Lobo. O Governo espera que o contacto com a obra de Prokofiev desperte nos alunos o gosto pela música clássica

 

“Pedro e o Lobo”, a composição sinfónica de autoria do compositor russo Sergei Prokofiev, foi o ponto de entrada nos prazeres da música clássica para muitos jovens do território. Pelo menos, foi essa a intenção do Instituto Cultural (IC), através da iniciativa “Música para o Futuro – Música no Campus”, que levou a 13 escolas de Macau uma série de concertos interpretados pela Orquestra de Macau.

Num comunicado divulgado ontem em português, 12 dias depois da publicação em chinês, o IC salienta que o ciclo de concertos faz parte da política de promoção da educação musical clássica na cidade, nomeadamente nos “jardins de infância e escolas primárias e secundárias locais, para plantar sementes musicais nas mentes dos mais jovens”.

A segunda fase dos concertos de “Música para o Futuro – Música no Campus” da Temporada 2025-2026 teve lugar em 13 escolas, entre Dezembro de 2025 e Janeiro deste ano, apresentando a obra clássica “Pedro e o Lobo” e despertando o interesse dos alunos pela música clássica de forma lúdica e descontraída, refere o IC.

Sob a batuta do maestro Tony Cheng-Te Yeh, a Orquestra de Macau actuou perante cerca de 3.000 alunos do ensino primário. As escolas que aderiram ao programa soram a Escola Oficial de Seac Pai Van, Escola Pui Tou (Sucursal da Taipa), Escola Luso-Chinesa da Taipa, Escola Secundária Luso-Chinesa de Luís Gonzaga Gomes, Sheng Kung Hui Escola Choi Kou (Macau), Escola Tak Meng, Escola Internacional de Macau, Escola Secundária Sam Yuk de Macau, Escola Pui Tou, Colégio Diocesano de São José N.º 1 e N.º 2, Escola Primária Oficial Luso-Chinesa “Sir Robert Ho Tung” e Colégio do Sagrado Coração de Jesus.

 

Alargar horizontes

A sinfonia infantil de Sergei Prokofiev tem “uma narração envolvente da história e de uma interpretação orquestral de excelência”, indica o IC, e tem a capacidade para apresentar instrumentos, com cada um a representar uma personagem da história. Pedro costuma ser representado por um quarteto de cordas, o Lobo por três trompas, o Avô ganha som através de um fagote, o clarinete dá voz ao Gato, o Pato é um oboé, enquanto o Passarinho é representado por uma flauta transversal.

O IC salienta que este ciclo de concertos “é um dos principais projectos educativos da Orquestra de Macau”, que “organiza actuações musicais adaptadas a alunos de diferentes faixas etárias, com um repertório cuidadosamente seleccionado e interpretado por agrupamentos de diversas dimensões”.

“Através de interacções dinâmicas e lúdicas, o programa contribui não só para aprofundar o conhecimento e a apreciação musical dos alunos, como também para alargar os seus horizontes e refinar o seu temperamento, incentivando a exploração da música clássica”, acrescenta o IC.

O Governo indica também que estão abertas inscrições para escolas, bastando para tal contactar a Orquestra de Macau.

O ciclo de concertos em escolas está inserido na temporada 2025-2026 da Orquestra de Macau, que conta com a organização conjunta do IC, das seis concessionárias de jogo, e com o apoio da sucursal de Macau do Banco da China.

Tabaco e álcool | Infracções aumentaram quase 28% em 2025

As infracções à lei de controlo do tabaco e álcool aumentaram 27,9 por cento no ano passado, face a 2024, com quase 5.500 violações da lei detectadas, a larguíssima maioria incindindo em fumadores. As autoridades atribuem a subida à optimização das inspecções e ao aumento do fluxo de turistas em 2025

 

No ano passado, o número de infracções à lei de controlo do tabaco e álcool aumentaram mais de um quarto, 27,9 por cento, face os casos detectados em 2024, para um total de 5.474 casos, mais 1.194 em termos anuais.

A esmagadora maioria das violações da lei foram cometidas por fumadores, com 5.008 casos, mais 1.064 face a 2024, um aumento de 27 por cento, o que significa uma média diária superior a 15 multas por dia. Aliás, em todas as categorias relativas ao combate ao tabagismo 2025 foi um ano de crescimento em todas as vertentes.

Os casos de pessoas apanhadas a atravessar a fronteira para entrar em Macau com cigarros electrónicos mais que duplicou face a 2024 (+102,6 por cento) para um total de 316 casos.

Em relação aos locais onde é proibido fumar, os mais frequentes continuam a ser os casinos, onde foram identificados 1.111 casos, seguidos por restaurantes (780 casos) e finalmente parques, jardins e espaços recreativos com 414 casos identificados no ano passado.

 

Sempre a subir

Os Serviços de Saúde (SS) atribuem “o aumento dos casos de fumo ilegal a uma conjugação de factores, incluindo a contínua optimização dos métodos de inspecção, assim como a sua frequência”. Para dar uma ideia da dimensão da caça ao fumador, em 2025 foram realizadas mais de 240.700 inspecções ao consumo ilegal de tabaco, o que dá uma média de quase 600 inspecções diárias.

Outro dado que fez subir as estatísticas, de acordo com as autoridades, foi o aumento de turistas que visitaram Macau em 2025. O número de turistas apanhados a violar as leis de controlo do tabaco aumentou 48 por cento, de 2.063 casos em 2024, para 3.050 no ano passado. Os SS justificam também a subida de infracções com a falta de capacidade para cumprir as responsabilidades estabelecidas pela lei de controlo do tabaco.

Os esforços do Governo para apertar o cerco ao tabagismo e consumo de álcool envolvem a cooperação de vários departamentos e serviços públicos. No caso do controlo do tabagismo, o território é inspeccionado por pessoal dos Serviços de Saúde, Corpo de Polícia de Segurança Pública, Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos e Serviços de Alfândega.

Em relação ao controlo do consumo de álcool, as autoridades detectaram no ano passado apenas 16 casos, seis dos quais relativos à venda de bebidas alcoólicas a menores, ou a permitir o seu consumo.

As restantes infracções relacionaram-se com a falta de sinalização da proibição de bebidas alcoólicas a menores, ou de identificação destes produtos nos espaços comerciais.

Análise | Pedidos mais feriados e benefícios familiares

O académico e presidente da Associação de Segurança Social Chan Kin Sun considera que Macau deve acompanhar o mundo em matéria de licenças de maternidade e paternidade, assim como aumentar os feriados obrigatórios e férias anuais

 

O equilíbrio entre a vida familiar e o trabalho é uma aspiração dos países mais ricos, algo que está longe de acontecer em Macau, apesar dos esforços positivos do Governo, de acordo com o académico e presidente da Associação de Segurança Social de Macau Chan Kin Sun.

Num artigo de opinião publicado ontem no jornal Ou Mun, o responsável indica que existe uma forte vontade na sociedade por políticas que beneficiem as famílias, indo além do aumento dos dias de férias individuais.

Chan Kin Sun, que coordena o programa de mestrado em Administração Pública da Universidade de Macau, entende que os cidadãos esperam melhorias no sistema de licenças parentais. Depois de em 2019 o Governo ter introduzido a licença de paternidade e alargado a licença de maternidade, ficou a faltar o estabelecimento de folgas pagas quando um dos progenitores tem de se ausentar do trabalho para, por exemplo, acompanhar um filho numa ida ao médico.

Além disso, o académico defende que o Governo deveria criar mais feriados obrigatórios, bastando para tal escolher entre os vários festivais tradicionais que se celebram no território.

 

Socialismo do patronato

Chan Kin Sun focou a sua análise também no número de dias de férias anuais pagas praticadas na região. Em Macau, depende do tempo de serviço do trabalhador. Um recém-contratado tem seis dias de férias anuais pagas, requerimento que se mantém inalterado há quatro décadas. Na China, os dias de férias também variam consoante a antiguidade, entre cinco e 15 dias por ano, enquanto em Hong Kong variam entre sete e 14 dias.

A Organização Internacional de Trabalho recomenda, pelo menos, três semanas anuais de férias. O académico realçou a discrepância o desenvolvimento económico de Macau, o seu posicionamento como cidade internacional e as expectativas dos trabalhadores em relação à qualidade de vida”.

Por fim, Chan Kin Sun elogiou o Governo pelo lançamento dos planos de subsídio de assistência na infância e subsídio complementar atribuído aos empregadores pela remuneração paga na licença de maternidade.

Reserva financeira de Macau subiu 7,6% até Novembro

Segundo a Autoridade Monetária de Macau (AMCM), os activos da reserva financeira aumentaram 7,6 por cento nos primeiros 11 meses de 2025. Os dados da AMCM revelam também que no final de Novembro a reserva financeira valia 663,2 mil milhões de patacas, mais 47 mil milhões de patacas do que no final de 2024.

Um balanço publicado ontem no Boletim Oficial mostra que a reserva já se valorizou mais do que em 2024, ano em que os activos subiram 35,7 mil milhões de patacas.

O melhor ano de sempre para a reserva financeira foi 2019, antes do início da pandemia, quando os activos se valorizaram em 70,6 mil milhões de patacas.

O valor atingido no final de Novembro é o segundo mais elevado de sempre, só aquém do recorde de 663,6 mil milhões de patacas, fixado em Fevereiro de 2021, apesar de o território viver então em plena pandemia. Ainda assim, de acordo com a AMCM, a valorização da reserva abrandou em Novembro, mês em que ganhou 2,15 mil milhões de patacas, menos 198,3 milhões de patacas do que o aumento de Outubro.

 

Pratos da balança

O valor da reserva extraordinária no final de Novembro era de 456,5 mil milhões de patacas e a reserva básica, equivalente a 150 por cento do orçamento público de Macau, era de 167,3 mil milhões de patacas.

O orçamento inicial do território para 2025 previa uma subida de 7 por cento nas despesas totais, para 109,4 mil milhões de patacas. Mas a Assembleia Legislativa (AL) aprovou em Julho uma proposta apresentada pelo Governo para um novo orçamento, que inclui um aumento extra de 2,86 mil milhões de patacas nas despesas.

Em Novembro, a AL deu também luz verde, por unanimidade, ao orçamento para 2026, que prevê despesas públicas de 113,5 mil milhões de patacas.

Investimentos subcontratados representam a maior fatia da reserva financeira de Macau, 283,2 mil milhões de patacas, que inclui ainda depósitos e contas correntes no valor de 272 mil milhões de patacas e até títulos de crédito no montante de 104,4 mil milhões de patacas.

Em 2024, os investimentos renderam à reserva financeira quase 31 mil milhões de patacas, correspondendo a uma taxa de rentabilidade de 5,3 por cento, disse a AMCM, no final de Fevereiro de 2025.

AMCM | Banco estatal emite dívida para apoiar projectos lusófonos

O Governo anunciou ontem que o Banco de Desenvolvimento da China completou a primeira emissão de dívida para financiar projectos nos países lusófonos. A operação envolveu a emissão de obrigações públicas no montante global de 5,5 mil milhões de renminbis

A Sucursal de Hong Kong do Banco de Desenvolvimento da China (CDB, na sigla em inglês) concluiu na terça-feira a operação, que envolveu obrigações públicas no valor de 5,5 mil milhões de renminbis (RMB), anunciou ontem a Autoridade Monetária de Macau (AMCM). O regulador local sublinhou, num comunicado, que é “a primeira emissão de obrigações temáticas destinadas à iniciativa ‘Uma Faixa, Uma Rota’ e aos países e regiões de língua portuguesa”.

A AMCM salienta que a emissão de dívida é dirigida a investidores profissionais. Do montante total de 5,5 mil milhões de RMB, as obrigações temáticas com prazo de três anos ascenderam a 3,5 mil milhões de RMB, com uma taxa de juro fixada em 1,75 por cento. Já as obrigações temáticas com prazo de cinco anos, totalizaram 2 mil milhões de RMB, com uma taxa de juro fixada em 1,85 por cento.

O lançamento das obrigações “representa uma importante demonstração” do apoio à afirmação de Macau como plataforma de serviços financeiros entre a China e os países de língua portuguesa, declarou a AMCM.

A AMCM defendeu ainda que a operação da sucursal do CDB na vizinha região de Hong Kong também “destaca a participação e contributo de Macau para a construção” de ‘Uma Faixa, Uma Rota’.

O CBD tornou-se o primeiro banco estatal chinês a emitir obrigações públicas em Macau, algo que a AMCM descreveu como “mais um marco relevante quanto à diversificação dos emitentes no mercado obrigacionista”.

O plano global

Em Novembro, o Chefe do Executivo sublinhou que o valor dos títulos de dívida emitidos em Macau, sobretudo pelas autoridades centrais ou locais chinesas, ultrapassou 100 mil milhões de patacas.

Durante a discussão das Linhas de Acção Governativa para 2026, Sam Hou Fai afirmou que queria criar um mecanismo monetário para liquidar na RAEM as transacções comerciais entre a China e os países de língua portuguesa.

Um mecanismo monetário, “incluindo os países de línguas portuguesa e espanhola”, pode também encorajar o mercado de obrigações, defendeu o primeiro líder da região semiautónoma chinesa que fala português.

O Chefe do Executivo quer atrair os governos e as empresas dos países de línguas portuguesa e espanhola para emitirem dívida no mercado de obrigações de Macau.

Em Janeiro de 2025, Henrietta Lau Hang Kun, dirigente da AMCM, disse que os bancos centrais de Angola e Timor–Leste estavam interessados em emitir dívida pública na região, para atrair investidores da China continental.

Destaque

O lançamento das obrigações “representa uma importante demonstração” do apoio à afirmação de Macau como plataforma de serviços financeiros entre a China e os países de língua portuguesa, declarou a AMCM

Portugal | Delegação parlamentar elenca desafios após visitar Macau e Hong Kong

Dificuldades no regime de atribuição do Bilhete de Identidade de Residente (BIR), substituição de magistrados, professores e médicos que regressam a Portugal e aversão à utilização da língua portuguesa foram alguns dos obstáculos identificados durante uma visita de deputados lusos

 

As dificuldades no recrutamento de portugueses, na atribuição da nacionalidade, na emissão de passaportes e entraves ao uso da língua portuguesa constam do relatório divulgado ontem sobre a visita de uma delegação parlamentar a Macau, Hong Kong e Timor-Leste.

A delegação da Comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas, que esteve entre 3 e 7 de Dezembro em Macau, aponta como dificuldade as alterações – desde 2023 – do regime de atribuição do Bilhete de Identidade de Residente (BIR), criando obstáculos acrescidos ao recrutamento de trabalhadores portugueses.

No relatório, assinala-se ainda atrasos significativos nos processos de atribuição da nacionalidade portuguesa em Macau e na emissão de passaportes pelo Instituto dos Registos e do Notariado (IRN), com casos que podem demorar entre um e cinco anos.

A substituição de magistrados, professores e médicos que regressam a Portugal é igualmente identificada como um problema com impacto directo na comunidade, sendo referido que sete médicos deixaram Macau em 2025.

A comissão destaca também a resistência de funcionários públicos e de alguns magistrados locais à utilização da língua portuguesa no exercício das suas funções, bem como a necessidade de responder ao aumento da procura por cursos de português, num contexto em que existe o risco de contratação directa de docentes por parte da China.

Fizeram parte da comissão, que foi recebida por Sam Hou Fai, José Cesário, Paulo Neves, deputados do Partido Social-Democrata, Manuel Magno, do Chega, e Ana Catarina Louro, do Partido Socialista.

Sobre Hong Kong, onde a missão esteve entre 7 e 8 de Dezembro, salientou-se que residem cerca de 30.000 portugueses e a importância do Club Lusitano.

 

Situação em Timor-Leste

Em Timor-Leste, onde a delegação esteva de 09 a 12 de Dezembro, foi identificado como principal constrangimento as dificuldades de participação dos cidadãos portugueses nos actos eleitorais, devido à falta de fiabilidade dos serviços postais.

Por isso, os emigrantes em Timor-Leste reforçaram o pedido de aplicação do voto electrónico.

Foram igualmente sinalizados atrasos nos processos de nacionalidade pendentes no IRN e dificuldades no uso do português no Parlamento Nacional timorense, onde muitos deputados e funcionários privilegiam o tétum ou o inglês, apesar do português ser língua oficial.

A construção de uma nova Escola Portuguesa em Timor-Leste é apontada como prioridade urgente, tendo em conta que a actual escola, projectada para 400 alunos, acolhe cerca de 1.400 e tem uma lista de espera de cerca de 400 estudantes.

A missão referiu ainda a necessidade de se reforçar a presença cultural portuguesa em Timor-Leste, apoiar estudantes e jovens trabalhadores timorenses em Portugal, preservar edifícios históricos ligados à presença portuguesa e desenvolver oportunidades económicas, nomeadamente nas áreas das conservas, construção naval e logística regional asiática.

Diplomacia | Pequim recebe Starmer com boas expectativas sobre as relações com Londres

O primeiro-ministro inglês está de visita à China esta semana. A primeira viagem, em oito anos, de um líder britânico ao país reflecte uma maior aproximação entre as duas nações face à instabilidade internacional

 

A China destacou ontem a necessidade de reforçar a “confiança política” e aprofundar a cooperação com o Reino Unido, face à visita oficial que o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, realizará ao país asiático esta semana.

O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros, Guo Jiakun, afirmou em conferência de imprensa que Pequim está disposta a aproveitar a viagem para “melhorar a confiança política mútua”, aprofundar a cooperação prática e “abrir um novo capítulo” no desenvolvimento “saudável e estável” das relações bilaterais.

Guo lembrou que o Presidente chinês, Xi Jinping, manteve uma conversa telefónica com Starmer em Agosto de 2024 e reuniu-se com ele em Novembro durante a cimeira do G20 no Rio de Janeiro, contactos que “colocaram as relações bilaterais no caminho da melhoria”.

A visita à China, a primeira de um chefe de governo britânico em oito anos, ocorre entre quarta-feira e sábado.

O porta-voz da diplomacia chinesa sublinhou que a China e o Reino Unido, como membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, têm interesses comuns em manter a comunicação e reforçar a cooperação num cenário internacional marcado pela instabilidade.

Durante a visita, Starmer vai ser recebido por Xi e manterá reuniões com o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, e com o presidente do Comité Permanente da Assembleia Nacional Popular, Zhao Leji.

Além de Pequim, o líder britânico viajará para Xangai. Segundo Guo, ambas as partes abordarão as relações bilaterais e assuntos de interesse comum.

Quente e frio

O porta-voz destacou ainda que o actual governo trabalhista britânico manifestou a sua vontade de desenvolver uma relação “coerente, duradoura e estratégica” com a China e de promover o diálogo e a cooperação entre os dois países.

Questionado sobre informações relativas a um possível endurecimento do escrutínio britânico sobre as actividades chinesas no Reino Unido, Guo limitou-se a reiterar que reforçar os intercâmbios, aumentar a confiança mútua e aprofundar a cooperação “responde aos interesses de ambos os países e do mundo”.

A visita de Starmer ocorre num momento de reajuste da política externa britânica em relação à China, após anos de distanciamento sob governos conservadores, com Londres a procurar relançar os laços económicos com Pequim, uma estratégia que coincide com o arrefecimento das relações com Washington após a chegada ao poder de Donald Trump.

Orquestra de Macau | Dia dos Namorados celebrado com bandas sonoras e circo

No próximo dia 14 de Fevereiro, a Orquestra de Macau apresenta o espectáculo “Circo Sinfónico – Melodias de Filmes” no Broadway Theatre. Além da orquestra local, a actuação será abrilhantada pelo Cirque de la Symphonie, aliando música e artes circenses. Os bilhetes já estão à venda

 

O grupo Galaxy Entertainment e o Instituto Cultural (IC) anunciaram ontem uma proposta para o Dia dos Namorados. No dia 14 de Fevereiro, às 20h, o Broadway Theatre será palco do espectáculo “Circo Sinfónico – Melodias de Filmes”, um evento que irá juntar música e artes circenses com a actuação conjunta da Orquestra de Macau e o Cirque de la Symphonie.

Os bilhetes para o espectáculo, que tem duração de uma hora e meia, estão à venda na bilheteira online de Macau em macauticket.com e através da linha directa 2855 5555. Os preços variam entre 300 e 150 patacas

Segundo um comunicado divulgado ontem pelo IC, o evento irá proporcionar ao público uma experiência “emocionante que entrelaça música sinfónica com actuações circenses e de malabarismo”.

Em termos musicais, a actuação da Orquestra de Macau irá brindar os espectadores com um reportório especial para comemorar o Dia dos Namorados, incluindo “obras musicais clássicas de diferentes épocas, abarcando vários séculos e diversos géneros, incluindo ballet, ópera e bandas sonoras de filmes de Hollywood”.

De cortar a respiração

Por sua vez, “os artistas do Cirque de la Symphonie apresentarão uma série de actuações de cortar a respiração, coreografadas ao sabor da música, complementando o concerto com actuações aéreas, acrobacias, magia, palhaços, mímica e dança”.

O Cirque de la Symphonie é constituído por ginastas e artistas circenses de diversos países, incluindo atletas olímpicos medalhados e recordistas mundiais. Desde a sua fundação, já colaborou com mais de uma centena de orquestras sinfónicas de todo o mundo.

O Cirque de la Symphonie é uma trupe circense itinerante sediada em Athens, no estado norte-americano da Geórgia, fundada em 2005 por William H. Allen e Alexander Streltsov. As suas apresentações envolvem uma variedade de números circenses contemporâneos minimalistas sincronizados com a música sinfónica ao vivo.

No espectáculo “Circo Sinfónico – Melodias de Filmes”, a Orquestra de Macau será dirigida pelo maestro Tony Cheng-Te Yeh.

SSM | Registados 5.078 casos de doenças de declaração obrigatória

Os Serviços de Saúde (SSM) registaram um total de 5.078 casos de doenças de declaração obrigatória em Dezembro, de acordo com a informação divulgada ontem. As três doenças com maior número de casos foram a Influenza (4.855 casos), a infecção por enterovírus (87 casos), e a varicela (29 casos).

Em relação à influenza, houve 4.855 casos, o que correspondeu a um aumento de 5,6 vezes em relação aos 731 casos registados no mês homólogo de 2024. Quanto a Novembro, as 4.855 infecções significaram um aumento de 35,7 por cento, dado que no mês anterior registaram-se 3.578 casos.

A influenza é uma doença respiratória aguda altamente contagiosa. A sua incidência é predominante no Inverno e na Primavera (de Janeiro a Março), bem como no Verão (de Junho a Agosto). Em Macau, os tipos de gripe mais frequentes são a gripe A (H1N1 e H3N2) e a gripe B.

No que diz respeito à infecção por enterovírus, em Dezembro contabilizaram-se 87 casos, um aumento para o dobro, face ao mesmo período de 2024, quando tinham sido registadas 43 ocorrências. No entanto, e quando a comparação é feita com Novembro, houve uma diminuição de 57,8 por cento face aos 206 casos anteriores.

Segundo os SSM, a infecção por enterovírus pode ser causada pelo vírus Coxsackie, echovírus e enterovírus 71. A infecção pelo enterovírus ocorre durante o ano inteiro, a nível mundial, mas é no Verão que tem maior incidência.

Os dados comparativos sobre as infecções de varicela não foram revelados no comunicado de ontem, apesar das 29 ocorrências.

JP Morgan | Jogo com receitas brutas sólidas em Janeiro

Os analistas do banco JP Morgan estimam que nos primeiros 25 dias do ano, os casinos de Macau tenham apurado 17,8 mil milhões de patacas em receitas brutas, uma performance “estável e sólida”. A instituição prevê que o mês feche com subidas anuais das receitas de, pelo menos, 15 por cento

O ano começou bem para os casinos de Macau, pelo menos de acordo com as estimativas dos analistas do JP Morgan. Segundo a mais recente nota de análise à indústria do jogo, divulgada na segunda-feira, é indicado que os casinos do território poderão ter amealhado nos primeiros 25 dias de Janeiro cerca de 17,8 mil milhões de patacas. O resultado é descrito como “estável e sólido”.

“Isto significa que a performance da semana passada se manteve estável face à semana anterior, com receitas brutas diárias de 693 milhões de patacas, apesar dos fracos resultados do segmento VIP. Estes resultados são bastante sólidos quando comparados com os 624 milhões de patacas por dia registados em Dezembro”, referem os analistas DS Kim, Selina Li e Lindsey Qian, citados pelo portal GGR Asia.

Face às perspectivas, os analistas esperam que o mês encerre em grande. “Continuamos confiantes com a estimativa de que as receitas brutas cresçam anualmente em Janeiro entre 15 a 20 por cento, com a tendência a aproximar-se mais dos 20 por cento. O resultado abre perspectivas a aumentos anuais a rondar os 13 por cento nos primeiros dois meses e no primeiro trimestre de 2026”, é acrescentado.

A longo prazo

O ano de 2026 começou com um novo panorama na principal indústria do território, com Janeiro a ser o primeiro mês sem casinos-satélite, alterando a estrutura do mercado. Em Junho do ano passado, quando se soube que a larga maioria dos casinos-satélite iria fechar, a JP Morgan Securities indicava que o impacto do encerramento das operações dos casinos-satélite que operavam com as licenças da Melco e Galaxy seria “insignificante” para as concessionárias.

Na realidade, no início do ano, os analistas do banco cortaram as previsões de lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA, em inglês) para o ano de 2026 para 71,9 mil milhões de patacas para o total das seis concessionárias de jogo. Apesar da redução, a estimativa para os resultados EBITDA deste ano representa uma melhoria face à previsão de 68,5 mil milhões de patacas do ano passado. Os resultados EBITDA de 2025 ainda estão no campo das estimativas uma vez que as concessionárias de jogo ainda não reportaram aos accionistas os resultados finais.

Trabalho ilegal | Nick Lei diz que combate não é eficaz

Nick Lei não está satisfeito com a eficácia do combate ao trabalho ilegal. O deputado sugeriu a criação de grupos de WeChat com associações, DSAL e empresas de sectores que normalmente empregam trabalhadores ilegais para que a actuação das autoridades se torne mais ágil

 

Apesar do bom caminho trilhado, Nick Lei considera que a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) podia ser mais eficaz no combate ao trabalho ilegal. O Governo apresentou na segunda-feira os resultados do combate aos trabalhadores ilegais referentes ao ano passado.

Em 2025, a DSAL realizou 683 inspecções, 62 das quais visaram motoristas. Um total de 668 pessoas foram punidas administrativamente por terem sido encontradas a trabalhar ilegalmente com multas totais de quase 6,09 milhões de patacas. Foram identificados 157 motoristas ilegais, que resultaram na aplicação de multas de quase 1 milhão de patacas.

Em resposta aos resultados, Nick Lei enalteceu os esforços da DSAL, mas indicou que a entidade é pouco eficaz no combate ao fenómeno.

Em declarações ao jornal do Cidadão, o deputado ligado à comunidade de Fujian argumentou que a actuação da DSAL continua a não ter correspondência com as expectativas da população, de acordo com as opiniões recolhidas pela sua equipa.

Novas mensagens

Apesar de defender a continuação de inspecções a locais de trabalho, assim como investigações a anúncios nas redes sociais a oferecer trabalho ilegal, Nick Lei recomenda uma comunicação próxima entre as autoridades, associações e responsáveis de empresas em ramos mais afectados pelo trabalho ilegal.

Para tal, o deputado afirma que o método mais simples é criar um grupo de WeChat com todos agentes envolvidos, assim como responsáveis da DSAL para que a resposta e o combate ao trabalho ilegal sejam instantâneos.

A falta de eficácia das autoridades é demonstrada, segundo Nick Lei, pelo número reduzido de motoristas ilegais apanhados pelas autoridades, que estão longe da realidade.

Por esta razão, Nick Lei defende que a DSAL precisa de rever as actuais penalizações no âmbito de trabalho ilegal e, se o efeito dissuasor não for suficiente, será necessário alterar as leis. O deputado, que por inerência do seu trabalho tem o direito e obrigação de legislar, salienta que os regulamentos sobre o trabalho ilegal entraram em vigor há mais de 20 anos, não correspondendo assim aos tempos actuais.

Nick Lei alertou ainda para novos sectores da economia que começaram a empregar trabalhadores ilegais, depois da pandemia, como fotógrafos, ou obras de remodelação para os prédios da Zona A nos novos aterros, com a divulgação de anúncios nas redes sociais a oferecerem trabalho ilegal. O deputado exemplificou ser comum surgirem publicações de empresas do Interior da China a oferecer serviços de “obra de remodelação na habitação económica da Zona A” na aplicação Xiaohongshu (little red book).

IAM | Avança renovação do Mercado Tamagnini Barbosa

O presidente do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) revelou o mercado na Zona Norte vai ser renovado. As obras irão incluir uma ligação com o futuro Parque Desportivo para os Cidadãos, zona que vai ser desenvolvida no Canídromo

 

O Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) vai avançar com a renovação do Mercado Tamagnini Barbosa, para criar uma zona de restauração e uma oferta mais diversificada. A intenção foi anunciada pelo presidente do Conselho de Administração para os Assuntos Municipais, Chao Wai Ieng, na resposta a uma interpelação da deputada Ella Leng Cheng I.

“O IAM está a preparar o desenvolvimento da obra de optimização do Mercado Tamagnini Barbosa, projecto que prevê o ajustamento da disposição e concepção dos espaços públicos e bancas, da optimização das instalações existentes, da criação de um centro de comidas, etc.”, foi revelado.

O objecto da renovação “visa criar um novo modelo de mercado” em que a zona das bancas com água a correr e as bancas secas são separadas.

“Paralelamente, está planeada a construção de um corredor que liga o mercado ao Auto-Silo público do Edifício Toi Fai, bem como a instalação de um novo elevador em frente da Avenida do Conselheiro Borja, que servirá de ligação ao futuro Parque Desportivo para os Cidadãos [ex-Canídromo], favorecendo assim o aumento do fluxo de pessoas para o mercado”, foi explicado.

As obras no Mercado Tamagnini Barbosa acontecem depois da renovação do Mercado Almirante Lacerda (Mercado Vermelho), do Mercado da Horta e Mitra, da criação de um centro de comidas no Mercado do Patane e da renovação do Mercado da Taipa.

 

Mais intervenções

Além da intervenção no Mercado Tamagnini Barbosa, o IAM admite que vai ainda estudar as “experiências obtidas nos trabalhos de reordenamento dos mercados” para fazer “um estudo sobre o reordenamento e a revitalização do Mercado de S. Domingos e do Mercado de S. Lourenço”.

Chao Wai Ieng indicou igualmente que o objectivo do estudo é “introduzir bancas com tipos de actividades adequados e novos operadores criativos e entusiastas para os dois mercados, a fim de aumentar a sua atractividade e competitividade, a par de injectar uma nova vitalidade à sua exploração”.

Ainda sobre a gestão dos mercados, o IAM promete, “tendo em conta as condições concretas de cada mercado e zona de vendilhões, as suas próprias características e as necessidades de consumo dos residentes ou turistas” abrir concursos públicos para a atribuição de bancas com “novos tipos de actividades”, que não são especificados. Além disso, o IAM indica que “incentivará os operadores [dos mercados] a oferecerem produtos mais diversificados e atractivos, de modo a atender à procura no mercado e melhorar a sua própria competitividade, promovendo assim o desenvolvimento sustentável do sector de vendilhões”.

Governo Central | Líderes locais prometem a seguir instruções

Após o discurso de Xia Baolong a alertar para os perigos da separação de poderes nas regiões administrativas especiais, os titulares de altos cargos emitiram comunicados a prometer assegurar a supremacia do poder Executivo. Prometidas estão também sessões de estudo sobre o discurso de segunda-feira

 

Os secretários do Governo, a presidente do Tribunal de Última Instância (TUI), o presidente da Assembleia Legislativa (AL) e o Procurador da RAEM prometeram todos trabalhar para assegurar a predominância dos diversos poderes ao Chefe do Executivo. Os comunicados dos representantes dos diferentes responsáveis surgiram na sequência de um discurso de Xia Baolong, director do Gabinete dos Assuntos de Hong Kong e Macau junto do Conselho de Estado, a definir a separação de poderes como uma ameaça à autoridade do Chefe do Executivo.

As palavras de Xia Baolong foram proferidas em Pequim, e o primeiro a reagir foi André Cheong, presidente da Assembleia Legislativa. Em comunicado, Cheong Weng Chon afirmou que “o discurso do Director Xia Baolong reveste-se de elevada pertinência e significado orientador, e todos os deputados da AL irão estudar atentamente para compreender o espírito do discurso, implementar e concretizar firmemente o princípio da predominância do poder executivo”.

Cheong indicou que os deputados vão agir “com sentido de responsabilidade e postura prática e eficiente, e consolidar continuamente o paradigma da interacção virtuosa entre os poderes executivo e legislativo, no sentido de promover conjuntamente a boa governação da RAEM”.

Por sua vez, também Song Man Lei, presidente do TUI, defendeu a predominância do Executivo, que prometeu respeitar: “A  predominância do poder executivo é um bom sistema comprovado pela prática, o qual pode destacar as vantagens institucionais do princípio um país, dois sistemas, defender com eficácia a soberania, a segurança e os interesses de desenvolvimento do País, assegurar a prosperidade e a estabilidade da RAEM a longo prazo, reforçar constantemente as vantagens únicas e a competitividade de Macau, melhorar significativamente o bem-estar da população de Macau, bem como resolver e enfrentar eficazmente os riscos e os desafios”, indicou. “Os órgãos judiciais respeitam e defendem a predominância do poder executivo, o que, na verdade, é o respeito pela combinação orgânica entre o poder pleno da governação do Governo Central e o alto grau de autonomia da RAEM, constituindo uma parte integrante da salvaguarda da ordem constitucional e da protecção dos direitos e interesses dos residentes”, frisou.

Secretários unidos

Às declarações de apoio ao poder executivo do poder legislativo e judicial, juntaram-se ainda os cinco secretários.

Wong Sio Chak, secretário para a Administração e Justiça, frisou que as palavras de Xia Baolong aprofundam as exigências do Presidente Xi Jinping. Segundo Wong, “no seu importante discurso, o director Xia Baolong explicou profundamente a exigência explícita do Presidente Xi Jinping de ‘persistir e aperfeiçoar a predominância do poder executivo’, esclareceu que a predominância do poder executivo é um princípio importante no estabelecimento da estrutura política das Regiões Administrativas Especiais pelas Leis Básicas, que tem demonstrado comprovadamente as vantagens do princípio ‘um país, dois sistemas’ através da sua implementação com sucesso”.

O secretário indicou também que os seus subordinados vão estudar o discurso recente, e que as orientações vão ser utilizadas na reforma da Administração Pública.

Por sua vez, o secretário da Segurança, Chan Tsz King, instou a população a manter-se “vigilante face às interferências externas em relação à predominância do poder executivo”. Ao mesmo tempo, considerou que “a consolidação clara e o aperfeiçoamento da predominância do poder executivo são a chave para a concretização do regime ‘um país, dois sistemas’ exigências e objectivos necessários para a estabilidade a longo prazo e para o desenvolvimento próspero de Macau”.

Também os secretários Raymond Tam, Tai Kin Ip e O Lam prestaram declarações de apoio à predominância do Chefe do Executivo.

Campanha prometida

Tong Hio Fong, Procurador da RAEM, prometeu também combater qualquer crime que coloque em causa a segurança nacional. “Partindo da salvaguarda da legalidade, o Ministério Público irá exercer as funções de fiscalização que lhe são legalmente atribuídas, assegurando que os órgãos administrativos actuem em obediência à lei”, vincou. “Ademais, com vista à defesa intransigente de justiça e imparcialidade, o Ministério Público irá dedicar-se à execução da lei e à tramitação de processos com rigor, ao combate preciso aos crimes que ponham em causa a segurança nacional, lesem os interesses nacionais e prejudiquem a estabilidade da RAEM, a fim de contribuir para a construção do Estado de direito da RAEM e o seu desenvolvimento económico com prosperidade e estabilidade”, acrescentou.

Tong Hio Fong realçou ainda o papel de liderança do Chefe do Executivo do Ministério Público: “Sob a liderança sólida do Chefe do Executivo Sam Hou Fai, o Ministério Público irá continuar a preservar a estrutura com predominância do poder executivo, tendo por orientação de trabalho a boa governação, intensificar a comunicação com os órgãos executivo e legislativo e bem desempenhar o seu papel na concretização da predominância do poder executivo, com o objectivo de dar contributos a nível judiciário para a implementação bem-sucedida e o desenvolvimento de alta qualidade de ‘Um País, Dois Sistemas’ na RAEM”, realçou.

China | Cidadãos aconselhados a evitarem viajar para o Japão

O Governo chinês aconselhou ontem os seus cidadãos a evitarem viagens ao Japão a curto prazo por motivos de segurança, uma recomendação emitida num momento de crescente tensão diplomática entre os dois países.

A mensagem foi divulgada na conta oficial na rede social WeChat da divisão consular do ministério, que alertou que “as condições de segurança pública no Japão têm sido instáveis recentemente”, com “frequentes casos de actos ilegais e criminosos dirigidos a cidadãos chineses”.

O comunicado acrescentou que “em algumas áreas ocorreram vários sismos que causaram feridos” e que o Governo japonês emitiu avisos sobre a possível ocorrência de “nova actividade sísmica e desastres secundários”, o que, segundo Pequim, implica que os cidadãos chineses no Japão enfrentam “graves riscos para a sua segurança”.

Nesse contexto, e perante a proximidade das férias do Ano Novo Lunar, o ministério dos Negócios Estrangeiros e as embaixadas e consulados chineses no Japão “aconselham os cidadãos chineses a evitarem viajar para o Japão num futuro próximo”.

O aviso surge num contexto de deterioração das relações bilaterais, marcado nas últimas semanas por uma acumulação de fricções diplomáticas e económicas entre Tóquio e Pequim.

Entre os principais focos de tensão figuram as declarações da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, sobre um eventual cenário de intervenção militar no Estreito de Taiwan, que provocaram uma dura reacção da China, assim como uma série de medidas comerciais adoptadas por Pequim, como o reforço dos controlos à exportação de produtos de uso duplo com destino ao Japão e a abertura de uma investigação ‘antidumping’ sobre um químico japonês essencial para o fabrico de semicondutores.

EUA | Bill Clinton insta americanos a manifestarem-se

O ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton instou os norte-americanos a manifestarem-se, denunciando as “cenas horríveis” em Minneapolis, onde duas pessoas foram mortas pela polícia.

“Cabe a todos nós que acreditamos na promessa da democracia norte-americana manifestarmo-nos”, disse no domingo o ex-líder democrata, acusando o Governo do Presidente Donald Trump de mentir sobre as duas mortes.

Também o antigo presidente norte-americano Barack Obama já tinha reagido, considerando a morte de mais um cidadão norte-americano por agentes da polícia anti-imigração dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês) uma “tragédia desoladora” e apelando a uma reacção face ao que considera serem ataques perpetrados contra os valores fundamentais dos Estados Unidos.

“Cabe a cada cidadão levantar-se contra a injustiça, de proteger as nossas liberdades fundamentais, e responsabilizar o nosso Governo”, refere Barack Obama, num comunicado citado pela agência de notícias France Presse, no qual acusa a Administração de Donald Trump de estar “ansiosa por agravar a situação”.

Agentes da ICE mataram no sábado de manhã um homem na cidade de Minneapolis, estado do Minnesota (centro-norte).

Mais tarde ficou a saber-se que se tratava de Alex Jeffrey Pretti, de 37 anos, um enfermeiro de cuidados intensivos da Administração de Veteranos, departamento governamental que lida com assuntos dos antigos militares.

Alex Pretti era um cidadão norte-americano, nascido no estado do Illinois (centro). Tal como Renee Good, morta em 07 de Janeiro, Pretti não tinha antecedentes criminais e a família contou à agência de notícias Associated Press (AP) que nunca tinha tido interações com a polícia, exceptuando algumas multas de trânsito.

Entretanto, as autoridades federais norte-americanas anunciaram que o agente que matou a tiro Pretti tem oito anos de experiência na Patrulha Fronteiriça dos Estados Unidos (USBP, na sigla em inglês) e “possui vasta formação como agente de segurança em campos de tiro e como agente especializado no uso de armas não letais”.

Versão Bovino

Um alto funcionário da USBP, Greg Bovino, numa conferência de imprensa em Minneapolis no sábado, referiu que o tiroteio aconteceu às 09:05 quando agentes realizavam uma operação contra um “imigrante indocumentado”, chamado José Huerta Chuma, que “tinha antecedentes de violência doméstica e perturbação da ordem pública”.

Durante a operação, “um homem aproximou-se dos agentes da patrulha fronteiriça com uma pistola semiautomática de nove milímetros, os agentes tentaram desarmá-lo, mas este resistiu violentamente”, relatou Bovino, acrescentando que, “temendo pela sua vida e dos seus companheiros, um agente disparou em legitima defesa”.

Vários vídeos analisados pela AP, que mostram um agente ICE a disparar contra Pretti, após uma altercação de cerca de 30 segundos, contradizem essa versão.

Nos vídeos, o cidadão é visto apenas com um telemóvel na mão, descreve a agência. Durante a luta, os agentes descobriram que ele estava na posse de uma pistola semiautomática de 9 mm e abriram fogo com vários tiros.

De acordo com a família, o enfermeiro possuía uma arma, para a qual tinha licença de porte oculto no Minnesota, mas nunca o viram a usá-la.

Tensão máxima

A tensão no estado de Minnesota e os protestos aumentaram após a morte, em 07 de Janeiro, de Renee Good, cidadã norte-americana de 37 anos e mãe de três filhos, que foi baleada por um agente da ICE quando conduzia, embora o Governo de Donald Trump a acuse de “terrorismo interno”.

Além disso, a detenção de vários menores, entre eles uma criança de 5 anos que permanece detida com o pai num centro de detenção em San Antonio, Texas (sul), aumentou a indignação de muitos cidadãos, que acusam a ICE de abuso.

O presidente da Câmara de Minneapolis, Jacob Frey, o chefe da polícia local, Brian O’Hara, e o governador do Minnesota, o democrata Tim Walz, já pediram ao Presidente norte-americano para pôr fim às operações na cidade.

Abandonar os indesejáveis (2)

Na semana passada, falámos sobre uma clínica privada no Condado de Yinan, Província de Shandong, na China continental, que declarou numa publicação que iria concentrar os seus recursos nos pacientes que podem pagar os tratamentos. Esta publicação chamou de imediato a atenção dos departamentos governamentais. Depois de investigarem, declararam que o conteúdo da publicação infringe a ética médica e foi ordenado que a clínica o corrigisse. Também mencionámos o livro de medicina a “Sinceridade do Bom Médico”, de Sun Simiao, um famoso especialista da Dinastia Tang, que enumera os princípios a que um bom médico tem de obedecer, sendo o mais importante “ter um coração benevolente e mãos habilidosas”. Hoje, vamos tentar compreender mais profundamente o significado da expressão “coração benevolente e mãos habilidosas”.

Sun sublinhou que a primeira condição para tratar os doentes é cultivar a compaixão e fazer voto de dedicação a todos os seres conscientes. Durante o tratamento, o médico não pode preocupar-se consigo próprio, nem ter qualquer vaidade; quando vê a dor e o sofrimento do paciente, deve sentir empatia — isto é benevolência.

Como é que Sun demonstrou benevolência na sua prática médica? Registos online comprovam que certa vez, Sun encontrou um tigre com olhos fulminantes nas montanhas e ficou aterrorizado. No entanto, o tigre não o atacou, em vez disso abriu muito a boca e lançou um enorme lamento. Sun aproximou-se corajosamente e descobriu um osso preso na boca do tigre, que o impedia de comer. Sun queria salvar o tigre, mas aproximar-se da sua boca era muito perigoso. De repente, reparou num aro de cobre preso num poste e teve uma inspiração súbita. Tirou-o e colocou-o na boca do tigre, impedindo assim que ele a fechasse. Então avançou e retirou o osso, salvando o animal. Mais tarde, os discípulos de Sun passaram a ter com eles aros de cobre com objectos afiados pendurados que tilintavam quando eles andavam, identificando-se desta forma como seus aprendizes. Depois da morte de Sun, todas as lojas de medicina chinesa passaram a venerá-lo como “O Rei da Medicina”. Posteriormente, quando os discípulos de Sun passavam por uma destas lojas, era-lhes pedido para não fazer qualquer som com os aros de cobre, em sinal de respeito pelo Mestre.

Outra história que comprova a benevolência de Sun envolve o Imperador Taizong da Dinastia Tang, na antiga China. O Imperador Taizong sofria de aperto no peito que lhe provocava dor e chamou todos os médicos imperiais, mas nenhum o aliviou. Então os seus ministros recomendaram-lhe Sun. Depois de examinar a pulsação do Imperador, Sun propôs-lhe que entregasse as vestes imperiais, as concubinas e o trono depois de Sun o ter curado com sucesso. Na China antiga, estas condições equivaliam a usurpar o trono. Os ministros ficaram sem fala. O Imperador ficou tão zangado que vomitou sangue e desmaiou. Nesse momento, Sun disse:

“A doença já está meio curada.”

Depois Sun pegou nas agulhas douradas e tratou o Imperador com acupunctura e, depois de ele acordar, Sun disse-lhe que sofria de congestão toráxica, local onde a medicação não conseguia chegar e onde a acupuntura era ineficaz. Só invertendo o fluxo sanguíneo se podia ultrapassar a congestão e ele poderia ser aliviado. A única forma de o conseguir era através da raiva, especificamente da fúria. Por isso, Sun disse o que disse para provocar o Imperador Taizong.

Salvar o tigre foi um acto de benevolência, porque Sun acreditava que todos os seres possuem um espírito, e mesmo os animais mais humildes devem ser tratados com o máximo cuidado, pois a vida é insubstituível. Sun não pensou se o Imperador poderia matar toda a sua família e provocou-o com o objectivo de o salvar. Salvar os outros em detrimento da nossa própria segurança é precisamente a expressão de benevolência.

Na próxima semana, analisaremos o significado da expressão mãos benevolentes e habilidosas e discutiremos a forma de as clínicas e os pacientes resolverem a questão do pagamento dos tratamentos.

Timor-Leste | Número de professores portugueses bate recorde em 2026

O número de professores portugueses a leccionar nos Centros de Aprendizagem e Formação Escolar em Timor-Leste (Escolas CAFE) vai atingir este ano o recorde de 145 docentes, disse ontem o embaixador de Portugal em Díli.

“No quadro das escolas CAFE vamos ter em 2026 um número sem precedentes de professores aqui em Timor-Leste. Em 2026, vamos atingir o número de 145 professores portugueses a leccionar em Timor-Leste ao abrigo do programa CAFÉ”, disse Duarte Bué Alves.

Duarte Bué Alves falava aos jornalistas após um encontro com o Presidente timorense, José Ramos-Horta, no Palácio da Presidência, em Díli.

Segundo o diplomata, o primeiro grupo de professores chegou no sábado e até ao início de Fevereiro vai atingir-se “um número recorde e sem precedentes de 145 professores portugueses”, que se vão juntar aos cerca de 200 professores timorenses, que também leccionam nas Escolas CAFE.

Duarte Bué Alves disse também que este ano se prevê iniciar a expansão e alargamento do projeto.

“O CAFE já está em 14 municípios e agora queremos ir mais além e penso que em 2026 estaremos em condições de crescer para além dessas 14 escolas”, salientou.

Pilares de qualidade

O projecto dos Centros de Aprendizagem e Formação Escolar ou as escolas CAFE teve início em 2014 e já está presente nos 14 municípios timorenses, prevendo-se a extensão daqueles estabelecimentos de ensino para os postos administrativos do país.

Aquelas escolas, onde as aulas são dadas por professores portugueses e timorenses, são, actualmente, frequentadas por mais de 11.100 alunos timorenses.

O CAFE tem dois grandes pilares, nomeadamente o ensino de qualidade na sala de aula e a formação complementar dos professores timorenses.

Naquelas escolas, as aulas são dadas em português, mas os alunos têm também aulas de tétum, a outra língua oficial de Timor-Leste.

O ano lectivo em Timor-Leste começa em Janeiro e termina em Dezembro.

Portugal e Timor-Leste assinaram, em 2024, o Programa Estratégico de Cooperação (PEC) para o período entre 2024 e 2028 com um valor de 75 milhões de euros e mais dois acordos relativos à reabilitação de património e infraestruturas.

Sobre o encontro com o Presidente José Ramos-Horta, Duarte Bué Alves afirmou que foram discutidos vários assuntos, entre as quais a presidência rotativa da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) por Timor-Leste e a crise na Guiné-Bissau.

Fotografia | Concurso “Somos Imagens da Lusofonia” aberto a candidaturas

A Somos! – Associação de Comunicação em Língua Portuguesa lançou ontem a sétima edição do concurso de fotografia “Somos Imagens da Lusofonia. Com o tema “O Hoje do Passado”, os concorrentes são desafiados a retratar aquilo que perdura no tempo, entre modernidade e história

 

A Somos! – Associação de Comunicação em Língua Portuguesa lançou ontem a sétima edição do Concurso de Fotografia “Somos Imagens da Lusofonia”, este ano com o tema “O Hoje do Passado”, que irá decorrer até 28 de Fevereiro. O concurso tem o patrocínio do Fundo de Desenvolvimento da Cultura.

À semelhança do ano passado, o primeiro classificado será contemplado com uma viagem e estadia em Macau, para quem não resida no território, para participar na cerimónia de inauguração da exposição subsequente e em workshops organizados localmente.

Segundo um comunicado divulgado pela associação, o tema desta edição propõe uma reflexão sobre as “coisas antigas que perduram no tempo, que ainda hoje têm uma função e um propósito nas nossas sociedades e vidas, marcando a identidade cultural associada a um determinado espaço geográfico”.

“Nos dias que correm, com o rápido desenvolvimento socioeconómico e tecnológico, o nosso foco tende a virar-se para o que é mais moderno, evoluído, para o que é novo. E, num contexto de acelerada transformação urbana, as províncias, cidades, e até vilas e aldeias têm sofrido mudanças que as levam a perder algumas caraterísticas distintivas. No entanto, há símbolos, instrumentos, ofícios, etc., que têm desafiado o tempo, as novas tecnologias e a homogeneização cultural. Alguns deles poderão até ser transversais ao universo lusófono”, indica a Somos.

 

Alimentar o espírito

O tema deste ano do concurso de fotografia da Somos convida à reflexão dos participantes sobre as realidades dos seus países e à expressão, através da fotografia, de pontos de vista sobre o valor dos costumes, práticas e tradições antigas nas sociedades actuais do universo lusófono.

Assim sendo, a associação propõe uma análise à importância do património histórico, artístico, etnográfico e imaterial de cada território geográfico da Lusofonia, assim como valores culturais e elementos históricos “enquanto veículos de cariz social, reforços da identidade comunitária e portais para a evocação de tempos passados”.

Através de trabalhos com dimensões artísticas, históricas e simbólicas, os participantes são desafiados a cristalizar numa imagem “testemunhos materiais da interação entre o passado e o presente”, refere a associação.

 

Questões práticas

As fotografias submetidas devem ser acompanhadas de título e de uma breve legenda descritiva de contextualização.

O concurso destina-se a todos os cidadãos dos países e regiões da Lusofonia ou residentes de Macau que possuam fotografias de qualidade, e enquadradas com o tema seleccionado, tiradas em Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Macau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e Goa, Damão e Diu.

Um júri composto por profissionais da área da fotografia irá seleccionar três vencedores, que vão receber prémios pecuniários, havendo também a possibilidade de atribuição de menções honrosas. Os vencedores serão escolhidos seguindo critérios de criatividade e originalidade, composição fotográfica, qualidade artística, e relevância e qualidade em relação ao tema do concurso.

Os três vencedores vão receber 10 mil patacas, enquanto as menções honrosas serão premiadas com 7 mil e 5 mil patacas. Além dos prémios pecuniários, o vencedor do primeiro lugar ganha uma viagem a Macau, e estadia.

O júri é composto por Gonçalo Lobo Pinheiro (Macau) – presidente do júri em representação da Somos -, Lei Heong Ieong (Macau), Bruno Santos e Levi Bianco (Brasil), Luísa Nhantumbo (Moçambique) e César Mourão (Portugal).

Empréstimos a África caem para metade em 2024

Angola foi o principal destinatário dos empréstimos chineses a África em 2024, ao absorver 1,45 mil milhões de dólares, num ano em que o financiamento chinês ao continente caiu 50%, revelou um estudo. Os dados, divulgados esta semana num estudo da unidade de investigação Boston University Global Development Policy Centre, revelam uma redução de quase 50% no financiamento chinês ao continente face a 2023 e confirmam a tendência de concentração em poucos países, com Luanda a liderar.

A queda global insere-se numa reorientação estratégica de Pequim, que está a afastar-se de grandes empréstimos concedidos a governos e a privilegiar projectos de menor escala e sectores estratégicos.

Energia, estradas e portos

No caso angolano, os fundos em 2024 destinaram-se a uma linha de transmissão elétrica (641 milhões de euros) e a um projeto de infraestruturas perto de Luanda que abrange imobiliário, estradas e um porto (582 milhões de euros).

Desde 2000, Angola já recebeu mais de 49 mil milhões de dólares (41 mil milhões de euros) em empréstimos chineses, representando mais de um quarto do total do continente.

A par da redução do volume, destaca-se a transição do dólar para o yuan nos financiamentos. No Quénia, por exemplo, todos os empréstimos para infraestruturas em 2024 foram denominados em moeda chinesa, tendo a dívida pendente da linha ferroviária construída no país por empreiteiros chineses sido convertida para yuan, uma operação que deverá reduzir os custos anuais do serviço da dívida em cerca de 215 milhões de dólares.

“O que estamos a ver não é uma retirada, mas uma calibração”, afirmou Mengdi Yue, investigadora do centro, sublinhando que a mudança reflecte “lições aprendidas sobre sustentabilidade da dívida e gestão de risco”.

Além de Angola, apenas mais cinco países – Etiópia, Quénia, Zâmbia, Nigéria e Egito – receberam financiamento chinês em 2024. No total, apenas seis projectos foram financiados em todo o continente, nenhum deles ultrapassando a marca dos mil milhões de dólares.

O estudo alerta, no entanto, para a ausência de investimento em energia verde. “Estamos curiosos para ver se os empréstimos soberanos, juntamente com o comércio e o investimento direto, ainda apoiam a transição verde em África”, apontou Mengdi Yue.

Os investigadores sugerem que o apoio futuro poderá passar do financiamento direto para áreas como estudos de pré-viabilidade, de modo a fomentar o ecossistema de energia limpa e atrair investimento privado.

“À medida que a era dos projectos de mil milhões de dólares chega ao fim, os novos instrumentos financeiros da China podem definir uma fase mais selectiva do seu envolvimento com África”, previu o relatório.

Pequim retira apoio estatal aos mercados de valores para conter a euforia bolsista

A agência Bloomberg noticiou ontem que os fundos e instituições estatais usados por Pequim para injectar capital nos mercados de valores, para os estabilizar, parece estar agora a liquidar investimentos para refrear a euforia bolsista.

Estimativas da Bloomberg indicam que a Huijin Investment, subsidiária do fundo soberano CIC, que faz parte do grupo utilizado por Pequim para intervir nos mercados, vendeu o equivalente a cerca de 67,5 mil milhões de dólares em participações em 14 fundos cotados (ETF) em apenas seis sessões até à última quinta-feira.

Embora a China não tenha um fundo oficial de estabilização, a “equipa nacional”, como é designada, desempenha esse papel desde 2015, quando Pequim ordenou à Huijin Investment e a outros organismos estatais de investimento que resgatassem os mercados perante uma queda que acabou por ascender a cerca de cinco biliões de dólares. As autoridades recorreram novamente a essa fórmula em 2023, após atingirem os mínimos em cinco anos.

Em agosto de 2025, após uma campanha agressiva de investimento, a Central Huijin contava com cerca de 180 mil milhões de dólares em ETF, pelo que alguns analistas apontam agora que a escala da liquidação “aponta para um esforço proativo para facilitar uma correção de preços em setores sobreaquecidos”.

As vendas podem ter como objetivo drenar os “excessos especulativos” de certas áreas do setor tecnológico, como aplicações de inteligência artificial, que dispararam nos últimos meses, apesar de ainda não oferecerem garantias de rentabilidade.

Apesar dessa aparente intenção específica, especialistas e gestores apontam que a mudança de rumo poderia “alterar as expectativas” dos mercados em geral e consideram que a estratégia agora deve concentrar-se em valores em que o peso do investimento da “equipa nacional” seja menor, para evitar o impacto das vendas.

Outros investidores acreditam que a retirada do apoio estatal é “um passo para promover um mercado em alta de forma gradual”, ou seja, que as autoridades não pretendem acabar com a tendência positiva dos mercados, mas sim garantir que o ritmo das subidas não seja excessivo.

O facto de a volatilidade do CSI 300, o índice que mede a valorização das trezentas principais ações das bolsas de Xangai e Shenzhen, estar em mínimos desde maio, é visto por fontes do setor como uma demonstração da forte procura institucional por ações da China continental.

Além disso, de acordo com Zhu Zhenxin, da Asymptote Investment Research, “vender agora libertará posições [de investimento] para que [os membros da ‘equipa nacional’] possam oferecer um impulso noutro momento de risco no futuro”, evitando assim uma bolha – e a sua consequente explosão – como a de 2015.