A-Má | Nova edição de concurso literário aceita submissões até Setembro Andreia Sofia Silva - 26 Mai 2026 Está aberto o período de submissão de textos literários sobre Macau para a quarta edição do Prémio A-Má, da Fundação Casa de Macau, que visa premiar os melhores escritos sobre o território, nas vertentes de cultura e literatura. O objectivo é também divulgar e valorizar a identidade macaense. Os prémios vão dos 200 aos 500 euros A Fundação Casa de Macau volta a organizar mais uma edição do Prémio A-Má, que visa “incentivar e premiar a criatividade no âmbito da divulgação e valorização da identidade macaense”, destaca um comunicado. Até ao dia 15 de Setembro deste ano, os que escrevem sobre Macau podem enviar os seus textos, sendo este “um prémio de escrita”, com o conto a ser a modalidade do concurso. Este texto “pode ser uma narrativa real ou ficcionada”, com o tema a dever ser relacionado com Macau e/ou a cultura macaense, “sob qualquer perspectiva ou interpretação do autor”, explica a fundação. Há prémios pecuniários para os vencedores, que começam nos 200 euros para o terceiro lugar, 300 euros para quem fica em segundo lugar e, finalmente, 500 euros para o primeiro lugar. O júri é composto por três elementos, sendo presidido pelo presidente do Conselho de Curadores da Fundação Casa de Macau e dois membros convidados pela fundação. Numa das sessões públicas de divulgação do prémio, em 2021, Jorge Rangel, presidente do Instituto Internacional de Macau, declarou que o Prémio A-Má visa chamar a atenção para a identidade muito própria da comunidade macaense, e não apenas para o território em si. “Temos de olhar para o amanhã, e crer que tudo o que está a ser feito, e da parte da Fundação também, é olhar para esse amanhã e para esse reforço da identidade.” O responsável disse ser fundamental esse trabalho de preservação tendo em conta “as enormes mudanças” que Macau tem tido. “A Grande Baía é agora o grande projecto do Governo da RAEM, sendo uma iniciativa do Governo Central. Com o crescimento de Hengqin, e todo este crescimento rápido [traz] enormes potencialidades, há muito que fazer. Este é apenas um pequeno trabalho”, acrescentou na altura. Letras orientais A última edição do concurso, a terceira, teve lugar em 2023, tendo sido atribuído o primeiro prémio a Ester Liñares, com o texto “Mui Wong”. Em segundo lugar ficou “A Jornada de Nina”, um trabalho literário de Rute Taveira. Em 2022, Evirges Aparecida Salgado arrecadou o primeiro prémio com “Enigma da Primeira Lua”, seguindo-se os segundos lugares ex-aequo ganhos pelo jornalista e ex-residente de Macau, João Botas, com o texto “Macau Sempre”; e Shee Va, que escreveu “Tomásia”. Na edição de 2021 Caroline Pires Ting, investigadora, ficou em primeiro lugar ex-aequo com o texto “Ressonances between Tao Yuan-Ming (365-427) and Camilo Pessanha (1867-1926): The Paradise as utopic escape”. Ana Cristina Alves, ex-professora da Universidade de Macau e coordenadora do centro educativo do Centro Cultural e Científico de Macau, foi também a primeira classificada com o trabalho “Delírios de A-Má”. Fátima Almeida, residente em Macau, ex-jornalista e actualmente professora universitária, ficou em segundo lugar ex-aequo com o conto “When I first Heard Kun Iam’s Voice”.
IIM | Imagens de Roberto Badaraco em exposição Hoje Macau - 26 Mai 202627 Mai 2026 O Instituto Internacional de Macau (IIM) apresenta, a partir do próximo dia 5 de Junho, uma nova mostra de fotografia. “Natureza de Macau: Aves e Flores” é exibida na H2H (Hold On to Hope), da Associação de Reabilitação de Toxicodependentes de Macau (ARTM), situada na vila de Ká-Hó, em Coloane. Roberto Badaraco, macaense e conhecido por “Bobby” é um “entusiasta de fotografia que cedo, aos oito anos, tomou gosto por ela”, tendo continuado a fotografar depois de se ter aposentado da Polícia Judiciária. O IIM explica que nessa fase da sua vida “passou a dedicar-se quase inteiramente a extrair da sua Canon EOS-1D X e Fujifilm X-T3, fotografias temáticas sobre a natureza”, sendo que “flores e pequenos insectos constituem o seu especial interesse”, sem esquecer as aves. “Bobby” tem apresentado parte do seu trabalho fotográfico nas redes sociais, com imagens que são “fruto da sua paciência e objecto de grata memória”. Já expôs no Encontro dos Macaenses em 2016, através do Instituto Internacional de Macau (IIM). A sua mais recente mostra aconteceu em 2024, no Auditório do Carmo, na Taipa. Esta exposição nasce de uma parceria entre o IIM e ARTM, em colaboração com a Escola Secundária Luso-Chinesa Luís Gonzaga Gomes, divulgando-se “a rica variedade de aves que existe em Macau, de um conjunto de mais de 400 espécimes, bem como as suas características distintas da natureza”. A exposição pode ser vista na galeria da ARTM até ao dia 28 de Junho.
Casa de Macau exibe documentário “Som Tam”, de Vanessa Pimentel Andreia Sofia Silva - 26 Mai 2026 É exibido esta quarta-feira, dia 27, o documentário “Som Tam: Um Tailandês em Macau”, da autoria da realizadora Vanessa Pimentel, um projecto apresentado em 2023. A exibição acontece na Casa de Macau em Lisboa a partir das 15h30, sendo este documentário um “retrato da multiculturalidade de Macau”. Vanessa Pimentel estará presente na sessão, seguindo-se um debate após a exibição, coordenada por Ruka Borges, também ele realizador e Gonçalo Magalhães. Ambos asseguram “o enquadramento temático do filme”. O documentário em questão fez parte da programação de uma das edições do Festival Macao Films and Video Panorama, tendo o “mérito de nos trazer uma abordagem da vasta multiculturalidade que prolifera em Macau, trazendo a prespectiva da comunidade tailandesa de Macau”, explica a sinopse da autoria da Casa de Macau. Neste festival, a realizadora venceu dois prémios, o “Grand Jury Prize” e ainda o “Audience Choice Awards”, atribuídos pela Associação Audiovisual CUT. História peculiar É certo que Macau “é tradicionalmente conhecida como uma cidade multicultural devido à sua influência e raízes europeias”, descreve ainda a sinopse do documentário, sendo que, nos últimos anos, se transformou “numa economia próspera e um lar para muitos estrangeiros de diferentes nacionalidades”. “Som Tam” aborda a história da comunidade tailandesa em Macau, seguindo JJ, Sakol, Kay e a sua família, Ian Ian e Chatsada, e as vivências de espaços tailandeses em Macau como um supermercado, um restaurante e um festival de rua que há várias décadas se realiza no território. Todos estes elementos “estão reunidos em Macau como cenário”, contando a história de uma comunidade. O documentário espelha também “inúmeras emoções e conflitos que existem num processo de emigração”, nomeadamente sentimentos de “curiosidade, novidade, enfrentamento de outras realidades culturais, incerteza; e que podem mesmo ser sentimentos contraditórios”. Há, depois, o “equilíbrio e a capacidade de nos adaptarmos mais ou menos à cultura do outro, e adoptar ou não hábitos como se fossem nossos, num processo de transformação, onde também partilhamos os nossos costumes com o outro, numa busca por um lar”, descreve a sinopse. Ligada à câmara Vanessa Pimentel nasceu em 1978 em Lisboa. Em 2000, enquanto frequentava o curso de Filosofia na Universidade de Lisboa, começou a trabalhar como assistente de edição no cinema. Abandonou o curso e, desde então, tem trabalhado como montadora de filmes, coordenadora de pós-produção e, mais tarde, como supervisora de continuidade. Trabalhou em várias produções de cinema e documentários, como “Goodnight Irene” (prémio de longa-metragem narrativa no New Orleans Film Festival), “April Showers” (International Rotterdam Film Festival, IndieLisboa International Film Festival e Hamburg Film Festival) e “Go with the Wind” (melhor documentário no Extrema Doc e competição nacional no IndieLisboa International Film Festival). Em 2008, começou a trabalhar em produções portuguesas no estrangeiro. Filmou em Espanha, China continental, Macau, Istambul e Moscovo. Em Abril de 2010, mudou-se para Macau, e continua a trabalhar como realizadora, sendo também um local onde tem vindo a aprimorar outras competências.
Ébola | Alerta para viagens à República Democrática do Congo Hoje Macau - 26 Mai 202626 Mai 2026 A Direcção dos Serviços de Turismo (DST) lançou um alerta a aconselhar os residentes de Macau “para evitarem, sempre que não seja estritamente necessário, deslocar-se à República Democrática do Congo (também conhecida como Congo-Kinshasa)”. O alerta foi justificado pelo facto de a Organização Mundial da Saúde ter classificado o surto da doença por vírus Ébola na República Democrática do Congo e no Uganda como uma Emergência de Saúde Pública de Âmbito Internacional, existindo a tendência de propagação do surto na República Democrática do Congo. A entidade liderada por Helena de Senna Fernandes acrescentou que “os residentes de Macau que se encontram naquele destino devem acompanhar de perto a evolução do surto, reforçar a sua consciência de prevenção e adoptar as devidas medidas de protecção individual. Mais de 900 casos suspeitos ou confirmados na RDCongo Os casos suspeitos ou confirmados de Ébola na República Democrática do Congo (RDCongo) ascendem a mais de 900, incluindo 101 em que a presença do vírus foi identificada em laboratório, alertou ontem a Organização Mundial da Saúde (OMS). O director-geral da agência, Tedros Adhanom Ghebreyesus, destacou as dificuldades em lidar com o surto na província de Ituri, epicentro da crise, onde uma em cada quatro pessoas necessita de assistência humanitária e uma em cada cinco é deslocada interna. “A violência está a obrigar as pessoas a fugir, incluindo profissionais de saúde e humanitários, o que está a dificultar gravemente os esforços para alargar o rastreio de contactos do Ébola e identificar as infecções com antecedência suficiente para prestar apoio”, sublinhou. Até à data, foram registadas 204 “mortes prováveis” devido à epidemia declarada em 15 de Maio, informou no sábado o Governo congolês. Angola, que faz fronteira com a RDCongo, está entre os 10 países africanos que correm o risco de ser afectados pelo vírus Ébola, além RDCongo e do Uganda, alertou no sábado a agência de saúde Africa CDC. As crises de longa data no leste da RDCongo, que tornaram a região palco de um dos piores desastres humanitários do mundo, afectam a resposta ao Ébola por vários motivos. Por um lado, a região enfrenta uma ameaça constante de violência. O leste da RDCongo tem sido palco de violência por parte de dezenas de grupos rebeldes distintos há anos, alguns deles com ligações a países estrangeiros ou ao Estado Islâmico(EI). Por outro lado, os rebeldes do grupo armado Movimento 23 de Março (M23), alegadamente apoiados pelo Ruanda, controlam partes da região e, embora o Governo da RDCongo ainda controle em grande parte a província de Ituri, no nordeste, que é o epicentro do surto de Ébola, esse controlo é frágil. Surtos habituais A RDCongo é regularmente afectada por surtos e epidemias do vírus Ébola, que se transmite através do contacto directo com sangue ou outros fluidos corporais de pessoas infectadas ou animais infectados e provoca febre hemorrágica grave, dores musculares, fraqueza, dores de cabeça, irritação da garganta, febre, vómitos, diarreia e hemorragias internas. A actual epidemia corresponde a uma nova estirpe do Ébola, para a qual não existe vacina e cuja taxa de mortalidade varia entre 30 por cento e 50 por cento, segundo a OMS. O Ébola provoca uma febre hemorrágica mortal, mas o vírus, que causou mais de 15 mil mortes em África nos últimos 50 anos, é menos contagioso do que a covid-19 ou o sarampo. Na ausência de vacina e de tratamento aprovado contra a estirpe Bundibugyo do vírus, responsável pela epidemia actual, as directrizes de contenção assentam essencialmente no cumprimento das medidas de prevenção sanitária e na detecção rápida dos casos.
Turismo | Mais de 14,6 milhões de visitantes em quatro meses Hoje Macau - 26 Mai 202626 Mai 2026 Mais de 14,6 milhões de pessoas visitaram Macau nos primeiros quatro meses de 2026, um registo recordista. O fluxo crescente de turistas alargou-se a Maio. Só no sábado e domingo, entraram em Macau mais de 300 mil visitantes Macau registou a entrada de mais de 14,65 milhões de visitantes nos primeiros quatro meses do ano, mais 13,1 por cento do que em igual período em 2025, no que consiste um recorde histórico para o período em análise. Nos quatro primeiros meses de 2026, o número de entradas de visitantes na RAEM totalizou 14.655.300, segundo os dados divulgados na sexta-feira pela Direcção de Serviços de Estatística e Censos (DSEC), que divide a cifra em entradas de excursionistas (9.103.273) e de turistas (5.552.027), cujo crescimento foi de 20,1 e 3,3 por cento, respectivamente. Nos quatro primeiros meses do ano, o número de entradas de visitantes internacionais foi de 1.009.892, mais 10,7 por cento, face ao período homólogo de 2025, sendo que o período médio de permanência dos visitantes (1,0 dias) diminuiu 0,1 dias, face aos quatro primeiros meses de 2025, e o dos turistas (2,2 dias) desceu 0,1 dias. Durante o mês de Abril, especificamente, o número de entradas de visitantes foi de 3.441.396, mais 11,3 por cento, em termos anuais, um registo que composto por entradas de excursionistas (2.095.953) e de turistas (1.345.443), que aumentaram 19,4 e 0,6 por cento, respectivamente. Já o período médio de permanência dos visitantes (1,0 dias), diminuiu 0,1 dias, face a Abril de 2025, e o dos turistas (2,3 dias) manteve-se, informou a DSEC. Quem é quem Em termos de origens de visitantes, no mês de referência, o número de entradas de visitantes do Interior da China fixou-se em 2.405.286, mais 13,1 por cento, em termos anuais. O número de visitantes provenientes de Hong Kong (680.521) e de Taiwan (101.453) aumentaram 3,1 e 32,2 por cento no mês em análise. As entradas de visitantes internacionais totalizaram 254.136, mais 10,5 por cento, em termos anuais, lideradas por turistas das Filipinas (51.544), Coreia do Sul (40.603) e Tailândia (29.008), com subidas de 19,6, 9,1 e 41,8 por cento, face a Abril de 2025. Em relação aos visitantes de longa distância, o número de entradas de visitantes dos Estados Unidos da América (15.299) aumentou 13,9 por cento, face a Abril do ano anterior, sublinham os serviços. Além dos números da DSEC para os primeiros quatro meses de 2026, o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) anunciou ontem que o número de travessias registadas nos postos fronteiriços (nos dois sentidos), desde o início do ano, ultrapassou 100 milhões. A marca antecipou o registo do ano passado em 14 dias, segundo a contabilidade do CPSP. Somando os registos de sábado e domingo, as autoridades revelam que mais de 300 mil visitantes entraram em Macau nos dois dias, com destaque para sábado quando as entradas chegaram quase às 160 mil. Turismo | Associação espera mais visitantes fora de Guangdong Leng Sai Vai, presidente da Associação de Federação da Indústria e Comercial de Turismo de Macau, disse ao jornal Ou Mun que as autoridades devem procurar captar visitantes de alta qualidade, ou seja, de zonas mais afastadas de Guangdong, que possam permanecer e fazer compras em Macau, e não apenas buscar um maior número de turistas. Segundo o jornal Ou Mun, o responsável citou os dados dos turistas relativos a Abril e também dos primeiros quatro meses do ano, que revelam um aumento consecutivo, argumentando que estes resultam das políticas de facilitação de visitas dos cidadãos do interior da China para Macau aprovadas pelo Governo Central. Porém, Leng Sai Vai destacou que como a maioria dos turistas oriundos da região do delta do rio das pérolas não pretende pernoitar em Macau, fica difícil que o consumo local atinja valores mais elevados. Desta forma, o responsável acredita que o Governo deve reforçar as actividades de promoção turística em zonas mais afastadas da província de Guangdong e até noutras províncias chinesas, pois a face à distância maior, será também maior a probabilidade de os visitantes pernoitarem no território. O dirigente associativo recordou ainda que o parque de estacionamento do Posto Fronteiriço da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau tem cerca de três mil vagas para turistas de Hong Kong, mas a taxa de ocupação não é alta. Assim, o Governo poderia permitir que esses lugares fossem ocupados por carros com matrícula do Interior da China para um melhor aproveitamento dos recursos públicos. Ao mesmo tempo, tal poderia levar a um aumento do consumo nos negócios localizados perto do parque.
Habitação | Movimentos de 7,15 mil milhões até Março Hoje Macau - 26 Mai 2026 Nos primeiros três meses do ano, foram transaccionadas 1.613 fracções autónomas habitacionais, o que representou um aumento de 878 transacções, em termos trimestrais. As 1.613 fracções foram negociadas por 7,15 mil milhões de patacas, um crescimento trimestral de 113,9 por cento. Os dados foram divulgados pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). No mesmo período, foram também transaccionados 729 lugares de estacionamento, por um total de 1,16 milhões de patacas. O preço médio por metro quadrado, de área útil, das fracções autónomas habitacionais globais fixou-se nas 67.484 patacas, uma redução trimestral de 0,8 por cento. Todavia, o preço médio das fracções autónomas habitacionais de edifícios construídos situou-se em 66.693 patacas, uma subida de 1,5 por cento, em termos trimestrais. CPSP | Detectados 55 trabalhadores ilegais em Abril Durante o mês de Março, a Direcção de Serviços dos Assuntos Laborais e o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) realizaram 304 inspecções conjuntas, que resultaram na identificação de 55 trabalhadores ilegais. Os números foram avançados ontem pelo Corpo de Polícia de Segurança Pública. Em relação a Abril, registou-se uma redução do número de trabalhadores ilegais, uma vez que no terceiro mês do ano tinham sido identificados 79 casos. No entanto, nessa altura, foram fiscalizados mais locais, num total de 445. Os dados revelados ontem, permitem também concluir que nos primeiros três meses do ano foram verificadas situações de 263 trabalhadores ilegais, em 1.568 locais inspeccionados.
Portugueses | Número de imigrantes para Macau a cair João Santos Filipe - 26 Mai 2026 Em 2024, 14 portugueses imigraram para Macau, o número mais baixo desde o ano 2000. A informação consta do Relatório Emigração Portuguesa, elaborado pelo Observatório da Emigração Em 2024, o número de imigrantes portugueses a mudar-se para Macau baixou para 14 e atingiu o número mais baixo desde 2000, de acordo com os dados do Relatório Emigração Portuguesa 2025, elaborado pelo Observatório da Emigração. Em relação à parte de Macau, o documento tem por base os números da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). Segundo o documento, o valor de 14 imigrantes de Portugal representa uma diminuição anual de 73,6 por cento em comparação com 2023, quando chegaram ao território 53 imigrantes do país europeu. De acordo com o relatório, primeiramente citado pelo portal Macau News Agency, para encontrar um registo pior que o do ano passado é necessário recuar a 2000, o primeiro ano depois da transferência. Nessa altura houve apenas quatro portugueses a imigrarem para Macau. No entanto, os dados divulgados não permitem perceber se aos novos imigrantes foram concedidos bilhetes de identidade de residentes (BIR) ou cartões de trabalhador não-residente, o cartão azul. Em termos da imigração total para Macau, o relatório indica que em 2024 houve 1.074 novos imigrantes, e os 14 portugueses representam 1,3 por cento deste universo. Neste capítulo, a percentagem de portugueses no total de imigrantes é a baixa desde que este tipo de estatística surge no relatório, em 2007. Para encontrar um valor semelhante é preciso recuar a 2009, quando houve um total de 9.489 imigrantes e em que 137 eram portugueses, o que se concretizou numa proporção de 1,4 por cento. Pior que na covid-19 Os dados mais recentes mostram também que o número de imigrantes vindos de Portugal está abaixo mesmo dos anos da covid-19, quando os não-residentes nem podiam entrar em Macau, devido à política de zero casos. A covid prolongou-se entre 2020 e 2023 e as restrições e entrada foram sendo flexibilizadas ou apertadas de acordo com o surgimento de casos em Macau e também a situação no Interior. Em 2020, houve 67 portugueses a imigrarem para Macau, o número baixou para 18 no ano seguinte, em 2021, e subiu para 20 em 2022. Em 2023, ano em que entraram em vigor as restrições para dificultar a obtenção de bilhete de identidade de residente pelos portugueses, houve 53 portugueses a imigrarem. Finalmente, em 2024, os dados mais recentes mostram o valor a baixar para 14.
Saúde | Registo de três médicos por 1.000 habitantes em 2025 Hoje Macau - 26 Mai 2026 No final de 2025, Macau tinha uma média de três médicos por cada 1.000 habitantes, de acordo com os números divulgados na sexta-feira pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). Segundo a mesma informação, havia um total de 2.055 médicos inscritos no ano passado. Além destes, contabilizavam-se ainda 707 médicos de medicina tradicional chinesa/mestres de medicina tradicional chinesa inscritos, 288 médicos dentistas/odontologistas e 3.039 enfermeiros registados. Com base nestes números, existia 1,0 médico de medicina tradicional chinesa/mestres de medicina tradicional chinesa por 1.000 habitantes; 0,4 dentistas/odontologistas por 1.000 habitantes e 4,4 enfermeiros por 1.000 habitantes. No final do ano passado, os seis hospitais da RAEM disponibilizaram um total de 1.882 camas de internamento, um aumento de 103 camas, que foi justificado com a entrada em funcionamento das camas de internamento no Complexo de Cuidados de Saúde das Ilhas – Centro Médico de Macau do Peking Union Medical College Hospital. Em 2025, a taxa de utilização das camas de internamento dos hospitais foi de 72,8 por cento, registando-se um acréscimo anual de 1,3 pontos percentuais. No ano passado, foram atendidos 3,94 milhões de pacientes nos 767 estabelecimentos de cuidados de saúde primários. O número de indivíduos atendidos nos consultórios particulares foi de 3,0 milhões e nos estabelecimentos públicos de 940 mil.
Economia | Inflação subiu 1,21 por cento em Abril Hoje Macau - 26 Mai 2026 O Índice de Preços no Consumidor (IPC) em Macau subiu 1,21 por cento em Abril, em termos anuais, anunciou a Direcção de Serviços de Estatística e Censos (DSEC). Os preços dos produtos alimentares e bebidas não alcoólicas aumentaram 1,11 por cento, face a Abril de 2025, “devido sobretudo à subida dos preços das refeições adquiridas fora de casa e de ‘take-away'”, e o índice de preços da secção dos transportes subiu 3,97 por cento, “em virtude da ascensão dos preços da gasolina”, indicou na sexta-feira a DSEC, em comunicado. Também os preços da secção dos produtos e serviços diversos – como cuidados pessoais, seguros, artigos de joalharia, ourivesaria e de relógios – subiram 3,61 por cento, e os preços da secção do vestuário e calçado aumentaram 2,33 por cento, em termos anuais. Numa comparação mensal, o IPC aumentou 0,31 por cento em Abril, em relação a Março de 2026, com subidas nos preços da secção dos transportes (+2,47 por cento) e do vestuário e calçado (+1,44 por cento). Já o IPC Geral médio dos 12 meses terminados no mês de referência, em relação aos 12 meses imediatamente anteriores (Maio de 2024 a Abril de 2025), ascendeu 0,61 por cento, refere-se ainda no comunicado da DSEC.
Comércio | Negócios do retalho sobem 23% no primeiro trimestre Hoje Macau - 26 Mai 2026 Nos primeiros três meses deste ano, o volume de negócios dos estabelecimentos do comércio a retalho cifrou-se em 21,64 mil milhões de patacas, valor que representou uma subida anual de 23 por cento, e 11,9 por cento, em termos trimestrais, informou a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). A DSEC realça que “o volume de negócios de artigos de comunicação (+91,5 por cento) e o de relógios e joalharia (+52,1 por cento) registaram as subidas mais expressivas”. Também as lojas de produtos cosméticos e de higiene, de vestuário para adultos e de artigos de couro, ascenderam 27,9, 25,7 e 20,1 por cento, respectivamente, face ao primeiro trimestre de 2025, porém, o de supermercados diminuiu 5,2 por cento. Depois de eliminados os factores que influenciam os preços, o índice do volume de vendas do comércio a retalho aumentou 16,5 por cento no trimestre de referência, em termos anuais, sentido positivo que foi contrariado com o índice do volume de vendas de supermercados, que caiu 5,4 por cento no primeiro trimestre, face ao período homólogo de 2025.
Combustíveis | Governo anuncia 41 milhões para gasolineiras Hoje Macau - 26 Mai 2026 Na apresentação do programa que visa controlar os preços, o Executivo admitiu que os preços do gás de petróleo liquefeito e dos combustíveis subiram 60 por cento desde Março O Governo anunciou que vai disponibilizar 41 milhões de patacas aos operadores petrolíferos locais para aliviar a subida do preço dos combustíveis provocada pela guerra no Médio Oriente. As autoridades tinham já anunciado há duas semanas que colocariam à disposição das empresas comerciantes de combustíveis no território 80 milhões de patacas para ajudar a mitigar o aumento preço do diesel. O novo subsídio anunciado pelas autoridades de Macau será de 2,55 patacas por litro de GPL, e 1,5 patacas por litro de gasolina, durante dois meses, entre 26 de Maio e 25 de Julho. Coube ao director da Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT), Yau Yun Wah, apresentar em conferência de imprensa “o plano para efectivamente aliviar a pressão sobre custo de vida dos residentes e os custos operacionais das micro, pequenas e médias empresas, decorrentes do aumento do preço do gás de petróleo liquefeito (GPL) e da gasolina”, que se irá traduzir numa despesa de 16 milhões de patacas com o GPL e 25 milhões de patacas para controlar o preço da gasolina sem chumbo. A previsão tem por base o consumo médio de GPL e gasolina sem chumbo registado em Macau nos últimos meses e um aumento dos preços na ordem dos 60 por cento desde Março. “Tomando o GPL como exemplo, o preço médio de mercado no início de Março era de aproximadamente 21,37 patacas por quilograma, enquanto o preço médio actual é de 25,63 patacas, o que representa um aumento de 4,26 patacas. O subsídio cobre 60 por cento deste montante”, explicou o responsável. “O método de cálculo para o regime de subsídios à gasolina é o mesmo”, concluiu. Registos das transacções As cinco operadoras do território vão ficar obrigadas a manter registos completos e a apresentar relatórios quinzenais, e auditores independentes irão analisar as informações recolhidas e verificar eventuais irregularidades, como registos falsos, sublinhou a DSEDT. As importações totais de petróleo pela Ásia, que absorvem 85 por cento dos envios de crude do Golfo, caíram a pique 30 por cento em Abril face ao ano anterior, atingindo o nível mais baixo desde Outubro de 2015, segundo dados da Kpler com base em dois meses de bloqueio do Estreito de Ormuz. O estreito foi praticamente encerrado na sequência da guerra lançada contra o Irão pelos Estados Unidos e Israel em 28 de Fevereiro. A China, o maior importador de petróleo do mundo, protegeu-se da actual crise através do recurso a fornecedores alternativos, como a Rússia, reservas estratégicas, energias alternativas e restrições à exportação de combustíveis e fertilizantes. Segundo o director da DSEDT, os preços em Macau “seguem a plataforma de Singapura”, como acontece em toda a Ásia-Pacífico, enquanto no interior da China são determinados pela Comissão de Reforma e Desenvolvimento, que define a estratégia económica nacional e aplica limites e reduções temporárias para suavizar os impactos de picos anormais nos preços globais. Singapura actua como principal definidora de preços de combustíveis na região da Ásia-Pacífico, por ser um importante centro regional de refinação e distribuição. Segundo a informação oficial existem cinco operadoras petrolíferas no mercado em Macau: Total, Shell, Esso, Caltex e a companhia estatal Nam Kwong Oil, com esta última a gerir o único terminal de petróleo para fins públicos e comerciais do território.
Restauração | Novo regulamento vai acelerar novas licenças Hoje Macau - 26 Mai 2026 O Conselho do Executivo terminou a discussão do novo regulamento, que vai simplificar a emissão de novas licenças para o sector da restauração. A novidade foi anunciada na sexta-feira. De acordo com a informação divulgada na conferência conduzida por Wong Sio Chak, porta-voz do Conselho Executivo e secretário para a Administração e Justiça, em relação aos pedidos de licenças o número de entidades a intervir no processo vai ser reduzido de seis para quatro. O tempo de vistoria vai ser cortado de 20 para 15 dias, além de ter sido anunciada a simplificação do regime de licença provisória. As novas alterações vão também permitir aos estabelecimentos que pretendem registar-se como restaurantes fazer pequenas obras de forma mais rápida, desde que as mesmas sejam consideradas “simples” e de “risco controlável”. Cartografia | Serviços vão ser integrados na DSSCU A Direcção dos Serviços de Cartografia e Cadastro (DSCC) vai ser absorvida pela Direcção dos Serviços de Solos e Construção Urbana (DSSCU). A informação foi divulgada na sexta-feira, numa conferência do Conselho Executivo. Além da integração, a DSSCU vai passar a ter disponíveis 235 vagas de trabalho, menos 71 que as actuais 306. “Tendo em conta que os lugares do quadro actual ainda não estão totalmente preenchidos, a referida redução não afectará a situação jurídica do pessoal actualmente em funções”, foi comunicado sobre a redução de quase um terço dos trabalhadores. Como consequência das alterações, a DSSCU vai ter um director, um subdirector, um departamento, quatro divisões e duas secções. Anteriormente, em conjunto a DSCC e a DSSCU tinham dois directores, três subdirectores, sete departamentos, onze divisões e duas secções.
Aperfeiçoamento Contínuo | Auditoria aponta falhas a programa João Santos Filipe - 26 Mai 2026 Faltas frequentes, inexistência de registos de comparência e um docente que ministrava 26 cursos na mesma área. Estas são algumas das conclusões do relatório do Comissariado de Auditoria sobre o Programa de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento Contínuo O Comissariado de Auditoria (CA) apurou que mais de metade dos alunos de nove instituições faltaram frequentemente às aulas, falhando a presença legalmente exigida, no âmbito do Programa de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento Contínuo. O número consta do relatório mais recente do CA, que foi divulgado na sexta-feira, e que critica a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) por falhas na fiscalização das presenças. Segundo os moldes do programa, os alunos têm de frequentar 70 por cento das aulas de cada formação em que se inscrevem, para obterem o montante do subsídio, que pode chegar a 6 mil patacas. O subsídio é pago de acordo com o valor da formação em que os interessados se inscrevem. Mesmo sem as presenças necessárias, as inscrições são importantes porque permite que os cursos sejam realizados e subsidiados. No entanto, em nove instituições 65,13 por cento de todos os alunos perderam sempre a caução paga, por nunca atingiram a presença exigida para receberem o subsídio. Nessas instituições, que não foram identificadas, o CA revelou que “86 cursos que não dispunham de registos relativos à restituição das cauções” e que em quatro desses cursos “não foram encontrados quaisquer comprovativos de presença dos formandos”. Os potenciais abusos das instituições não terão ficado por aqui, dado que 302 formandos estavam “inscritos em dois ou mais cursos na mesma instituição […] sem qualquer prova de comparência”. Entre estes, 42 alunos inscriveram-se em cinco ou mais cursos na mesma instituição, também sem provas de que tenham frequentado as aulas. No relatório o CA indica também que detectou o caso de “um único formador” que foi responsável por 29 cursos “da mesma tipologia” em nove instituições abrangidas pelo programa. “Em sete dessas instituições, o mesmo formador foi responsável por todos os cursos realizados nessas instituições, perfazendo 26 cursos no total. Verificou-se, ainda, que 18 formandos inscritos em dois cursos ministrados pelo mesmo formador e organizados por instituições diferentes sem evidência de comparência”, foi revelado. DSEDJ criticada Face às situações detectadas, o CA criticou a DSEDJ pelas falhas na análise dos dados recolhidos através das inspecções in loco. “A DSEDJ não realizou uma análise integrada com base nos dados disponíveis, situação que, associada à inexistência de mecanismos de alerta que permitissem a detecção atempada de irregularidades, revela fragilidades na prevenção de irregularidades e na identificação de riscos” foi considerado. “Assim, importa que a DSEDJ aproveite melhor os dados ao seu dispor e implemente uma metodologia orientada para a gestão de riscos, de modo a identificar e prevenir situações irregulares, garantindo, assim, uma aplicação mais eficaz e rigorosa do erário público afecto ao Programa”, foi acrescentado. Em reacção ao relatório, a DSEDJ afirmou que “concorda” com as conclusões e indicou ter tomado medidas para corrigir as falhas identificadas ao nível das presenças, com as alterações introduzidas no programa a 1 de Abril. Com o novo modelo, os formandos têm de pagar os cursos logo no início, em vez de pagarem apenas uma caução, e só recebem o dinheiro do subsídio da DSEDJ depois de terem frequentado pelo menos 70 por cento das aulas. A DSEDJ indicou também ter adoptados novos modelos de análise dos dados sobre os cursos para detectar possíveis irregularidades de forma eficaz.
A história de Andrew Stow e dos seus pastéis de nata em Macau Hoje Macau - 26 Mai 2026 Andrew Stow estaria “muito orgulhoso” por ver o pastel que criou tornar-se património intangível de Macau, mas a irmã disse à Lusa que não há planos para expandir o negócio, que vende até 48 mil pastéis por dia. A vida do britânico, que chegou a Macau para trabalhar como farmacêutico industrial em 1979, mudou por completo em 1988, após casar com Margaret Wong, que actualmente ainda gere a pastelaria “Café e Nata”, criada por ambos. Foi durante a lua-de-mel que Stow (1955-2006) provou pela primeira vez um “pastel de Belém” ao balcão de uma das confeitarias mais famosas de Portugal e ponto de paragem obrigatório de quem visita a capital. Andrew “viu a loucura em Lisboa para beber uma bica com um pastel de nata e pensou ‘Porque é que isto não existe em Macau’?”, recorda Eileen Stow, que gere o negócio desde a morte súbita do irmão, aos 51 anos. O pastel de nata “aparecia ocasionalmente no ‘buffet’” do antigo hotel Hyatt, na Taipa, onde Andrew chegou a trabalhar, “mas não havia nada disponível, na rua, todos os dias”, diz a irmã. Foi então que um “lunático britânico”, como classifica Eileen, entre risos, abriu a loja Lord Stow’s no coração da pitoresca vila de Coloane, em 1989, onde tentou criar a sua própria versão do pastel de nata. Andrew “era o tipo de pessoa que nunca queria copiar nada, não conseguia perceber porque alguém quereria só replicar uma receita. Ele sempre achou que, se és criativo, tens de colocar o teu toque”, diz a irmã. Eileen recorda que a reacção dos portugueses foi que o resultado “não era bem um pastel de nata”, ao que Andrew respondeu: ” É isto que eu vendo, não comprem se não gostarem”. Os pasteleiros da Lord Stow’s acharam que “estava queimado por cima, nenhum chinês o iria comprar”, diz a irmã, mas os turistas renderam-se ao pastel que ficou conhecido em chinês como “tarte de ovo de estilo português”. História de sucesso Em Outubro passado, o Governo de Macau inscreveu 12 manifestações, incluindo o pastel inventado por Andrew e a dança folclórica portuguesa, na Lista do Património Cultural Intangível do território. Eileen diz que o irmão teria ficado “muito orgulhoso”, porque “adorava Macau”. “Se Andrew tivesse uma bola de cristal e soubesse o sucesso que ia ter, ter-lhe-ia chamado tarte de ovo de Macau”, acrescenta. Mas a distinção não muda os planos para manter o tamanho da operação, que actualmente vende em média “entre 35 e 38 mil pastéis por dia”, chegando a 48 mil no período do Ano Novo Lunar, diz Eileen. O pastel de nata tem sido reinventado um pouco por toda a Ásia, tendo chegado mesmo, através de Margaret, ex-mulher de Andrew, aos balcões da cadeia de “fast-food” norte-americana Kentucky Fried Chicken (KFC) na China continental. No final da década de 90, Andrew e Eileen, que se mudou para Macau em 1993 para ajudar a gerir o sucesso da Lord Stow’s, decidiram apostar no ‘franchise’ em Hong Kong, Taiwan, Coreia do Sul e Tailândia. Mas a ambição de uma expansão alargada perdeu-se devido às muitas “imitações” das tartes de ovo, mantendo actualmente uma presença apenas no Japão e Filipinas. Foi na vizinha região de Hong Kong que a febre dos pastéis atingiu o auge: “criando aquilo a que costumávamos chamar, em tom de brincadeira, a guerra das tortas de ovo”, recorda Eileen. “Havia pessoas de carteira na mão a entrar na nossa pastelaria para literalmente subornar a nossa equipa. Isso é um livro que irei escrever um dia, depois de passar a negócio à Audrey [filha de Andrew]”, diz a empresária. O território esteve mais de quatro séculos, até 1999, sob administração portuguesa, mas Eileen não estranha ter sido um inglês a promover o pastel de nata na Ásia. Antigamente, sublinha a empresária, “a maioria dos portugueses vinha para cá como funcionários públicos de alto nível, não vinham abrir um pequeno negócio e ficar em Macau”. “Há uma atitude muito diferente no pensamento dos portugueses agora que os casinos estão cá e o turismo disparou”, acrescenta Eileen.
Pastelaria | Manteigaria com “tudo para singrar” em Hong Kong Hoje Macau - 26 Mai 2026 Abre hoje em Hong Kong a primeira loja de pastéis de nata portugueses, um investimento da Manteigaria, marca ligada ao grupo Portugália. Fábio Pombo, director-geral da Manteigaria para a Ásia, está optimista quanto ao negócio que, no seu entender, “tem tudo para singrar”. A empresa espera abrir mais duas lojas em Hong Kong até ao fim do ano A primeira loja de pastéis de nata portugueses em Hong Kong abre hoje, com “tudo para singrar” na região chinesa, disse à Lusa o líder da empresa. A inauguração está marcada para 2 de Junho, mas o espaço, situado na zona Central da ilha de Hong Kong, vai começar a vender pastéis uma semana antes, revelou o director-geral da Manteigaria Ásia Hong Kong, Fábio Pombo. Após vários anos como ‘chef’ do Club Lusitano, a maior instituição da comunidade lusodescendente de Hong Kong, Pombo foi convidado pelo Grupo Portugália Restauração para lançar a Manteigaria – Fábrica de Pastéis de Nata na antiga colónia britânica. Mas a ligação já vem de longe: “Eu vivia em Lisboa, no prédio adjacente à primeira Manteigaria, no Chiado. Quando surgiu esta oportunidade, quase que nem pensei duas vezes”. “Fiquei logo muito motivado e entusiasmado para abraçar esta oportunidade, porque é a primeira vez que uma empresa portuguesa e com um produto português se tenta estabelecer a este nível em Hong Kong”, explicou Pombo. A região vizinha “já é um sítio que adora, idolatra” as tartes de estilo britânico, mas o empresário tem confiança que os pastéis de nata podem ganhar um espaço num “mercado muito competitivo”. Por um lado, a massa “tem uma tradição já centenária”, que “dificilmente alguém consegue recriar”, até porque exige uma técnica que “não é fácil de dominar” e requer “muita prática e repetição”. Aliás, parte da equipa de 12 pessoas que irá arrancar com o espaço em Hong Kong “está a ser treinada” nas lojas da Manteigaria de Macau, acrescentou o empresário. Além disso, ao contrário de parte da pastelaria vendida em Hong Kong, que “não é feita fresca”, os pastéis de nata serão feitos na própria loja: “A cada meia hora está a sair uma fornada”. “Acho que têm muito potencial para ser um sucesso em Hong Kong”, acrescentou Pombo, que escolheu seguir a receita já testada em Macau, com uma redução para metade do açúcar. “Pela minha experiência como ‘chef’ de cozinha aqui, o maior elogio que os cantoneses podem fazer a uma sobremesa é ‘isto não é muito doce'”, explicou Pombo. Original e autêntico A Manteigaria gastou cerca de quatro milhões de dólares de Hong Kong para abrir um espaço em “uma das cidades mais caras do mundo”, revelou o empresário, investimento que a empresa espera recuperar em dois anos. Pombo sublinhou que a primeira loja, situada “no centro do centro” de uma cidade com sete milhões de habitantes, pretende atrair tantos turistas como os chineses e estrangeiros que trabalham nos “muitos escritórios” à volta. Mas o ‘chef’ já está “no terreno há meses” à procura de locais para abrir duas outras lojas até ao fim do ano, tendo como alvos Wanchai ou Causeway Bay, também na ilha de Hong Kong, e Tsim Sha Tsui, em Kowloon, ambas populares zonas turísticas. De acordo com dados oficiais, Hong Kong recebeu 49,9 milhões de visitantes em 2025, mais 12 por cento do que no ano anterior. “Vai ser a primeira vez que muitos destes turistas, principalmente turistas asiáticos, vão poder experimentar um pastel de nata como ele é feito em Portugal. Ou seja, o pastel de nata original e autêntico”, disse Pombo. Em Fevereiro, o sócio-gerente do Grupo Portugália Restauração em Macau, Diogo Vieira, disse à Lusa que, depois de Hong Kong, o “projecto de expansão” da Manteigaria irá espreitar “os outros mercados circundantes”, incluindo a China continental, Coreia do Sul, Singapura e Tailândia. Fábio Pombo acredita que Hong Kong pode ser importante para testar a resposta de vários mercados asiáticos ao pastel de nata “e isso vai facilitar também o saltar para outras geografias”. Comparando com o croissant francês, o ‘chef’ disse acreditar que o pastel de nata pode, “se calhar, daqui a 10 anos, 20 anos, tornar-se uma referência mundial da identidade portuguesa, tanto ou mais do que o Cristiano Ronaldo”.
Ébola | Índia adia cimeira com a África devido à evolução da situação Hoje Macau - 22 Mai 2026 A Índia e a União Africana adiaram uma cimeira prevista para a próxima semana em Nova Deli, devido à epidemia de Ébola na República Democrática do Congo (RDCongo) e Uganda, com 139 mortes associadas e 600 casos suspeitos. “Considerando a situação sanitária no continente. Ambas as partes concordaram que seria preferível realizar a quarta cimeira Índia-África numa data posterior”, anunciou o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Índia num comunicado. A cimeira do Fórum Índia-África estava programada para ocorrer na capital da Índia, Nova Deli, entre 28 e 31 de Maio. O Governo indiano afirmou ainda estar pronto “para contribuir com os esforços liderados pelos Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças para lidar com a evolução da situação de saúde”. O Aeroporto Internacional de Nova Deli emitiu ontem um alerta de saúde para os passageiros que chegam ao país vindos da RDCongo e dos países vizinhos Uganda, onde há uma morte confirmada e casos suspeitos, e Sudão do Sul, com um caso confirmado. As autoridades, que enfatizaram a importância de “continuar a cooperação para fortalecer a preparação e a capacidade de resposta em saúde pública em todo o continente”, indicaram que novas datas para a cimeira serão definidas posteriormente. A Organização Mundial da Saúde (OMS) accionou no domingo um alerta sanitário internacional para enfrentar a epidemia de Ebola, declarada inicialmente na RDCongo, país da África Central, vizinho de Angola, com mais de 100 milhões de habitantes, onde as províncias orientais, de difícil acesso por estrada, são afectadas e assoladas pela violência de grupos armados. Segundo a OMS, há 139 mortes até hoje associadas a esta epidemia de Ébola entre quase 600 casos prováveis e a propagação pode ser rápida, embora o risco de uma pandemia seja considerado “baixo”.
Cuba | Pequim opõe-se a acusação dos EUA contra Raúl Castro Hoje Macau - 22 Mai 2026 A República Popular da China criticou ontem a acusação dos Estados Unidos contra o ex-Presidente cubano Raúl Castro, afirmando que se tratou de um aproveitamento abusivo de meios legais. Os Estados Unidos acusaram Raúl Castro de assassinato de cidadãos norte-americanos em 1996. Para Pequim, a acusação foi uma mais uma forma de Washington pressionar as autoridades cubanas. “A China sempre se opôs às sanções unilaterais ilegais que não têm qualquer fundamento no direito internacional e (…) é contra o abuso de meios legais”, afirmou Guo Jiakun, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China. O mesmo porta-voz defendeu que os Estados Unidos devem parar de usar as sanções, a “força da lei” e as ameaças contra Cuba. Guo Jiakun disse também que Pequim apoia Cuba na defesa da “soberania e dignidade nacional” e opõe-se a qualquer interferência estrangeira. Raúl Castro, 94 anos, irmão de Fidel Castro (1926-2016), foi acusado, juntamente com outros líderes cubanos, de assassinato de norte-americanos num caso que remonta a 1996. Na altura, dois aviões comerciais pilotados por opositores do líder cubano foram abatidos, provocando a morte a quatro pessoas, indicou a acusação dos Estados Unidos. Raúl Castro era então Ministro da Defesa do Governo de Havana. A acusação norte-americana ocorre numa altura em que se agravam as tensões entre Washington e Havana. Além do embargo norte-americano em vigor desde 1962, Washington impôs em Janeiro um bloqueio total de petróleo a Cuba.
Obrigado pela sua participação Paul Chan Wai Chi - 22 Mai 2026 Recentemente, a frase “obrigado pela sua participação” aparece frequentemente nos telemóveis daqueles que participaram no “Grande Prémio para o Consumo nas Zonas Comunitárias 2026”. Nos programas de rádio onde a audiência é chamada a expressar a sua opinião sobre assuntos da actualidade, também se ouve amiúde a frase “obrigado pela sua participação”. De acordo com estatísticas oficiais, a probabilidade média global de ganhar cupões durante as primeiras quatro semanas do “Grande Prémio para o Consumo nas Zonas Comunitárias 2026” foi de 69,0 por cento, dados de que eu não duvido. No entanto, baseado na minha experiência e em informação reunida a partir de várias fontes, parece que o valor monetário dos cupões passou das significativas quantias iniciais para as muito menos expressivas quantias actuais. 31 por cento dos “obrigado pela sua participação” caem no saco roto dos consumidores desapontados. O objectivo do “Grande Prémio para o Consumo nas Zonas Comunitárias 2026” é estimular os gastos e não trazer desilusões aos consumidores. É fundamental encarar a realidade de frente para resolver os verdadeiros problemas. A taxa de 69 por cento de premiados e a forma como os cupões de variados valores são distribuídos pelos consumidores é uma questão de manipulação de dados, desconhecida do público. Os cidadãos sentem que estão apenas a “tentar a sua sorte” no “Grande Prémio para o Consumo nas Zonas Comunitárias 2026”. O Governo teria feito melhor se tivesse incentivado os cidadãos a comprar em Macau através da reintrodução do “cartão de consumo electrónico” (Plano de Benefícios do Consumo por Meio Electrónico de Macau), uma vez que todos poderiam usufruir em pé de igualdade dos benefícios concedidos. Dado que o “círculo de vida de uma hora” foi formado na Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau, Macau está em desvantagem em relação à China continental em termos do preço dos seus produtos, e a tendência de os cidadãos da cidade se irem abastecer ao continente é irreversível. Sob a dupla pressão do envelhecimento da população e do decréscimo da taxa de natalidade, a que se junta um afluxo significativo de trabalhadores qualificados, embora a taxa de desemprego de Macau pareça manter-se baixa, nos 2,1 por cento, existem desequilíbrios entre a procura e a oferta no mercado de trabalho. Uma grande percentagem de desempregados que procuram trabalho é composta por jovens altamente qualificados, o que demonstra um problema estrutural. Com um grupo de licenciados prestes a entrar no mercado de trabalho após as férias de Verão, as perspectivas não são risonhas. Dados divulgados pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) revelam alguns problemas e outros ainda mais preocupantes podem estar ocultos noutros dados que não foram incluídos nas estatísticas compiladas pela DSEC. Tai Kin Ip, que foi Sub-Director da Direcção dos Serviços de Economia, Director dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico, Presidente do Conselho Administrativo do Fundo de Desenvolvimento Industrial e de Comercialização e Secretário para a Economia e Finanças, é reconhecido pelo seu profundo conhecimento da actual situação económica de Macau e especialmente da futura Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin. Espero que o Governo da RAEM possa designar o mais rapidamente possível o novo Secretário para a Economia e Finanças, para vir a assumir a pesada responsabilidade de “gerir a economia e beneficiar o povo”. Como Hengqin ainda está na fase de investimento em recursos e construção, Macau, integrando-se no desenvolvimento nacional global, deve também focar-se no seu próprio desenvolvimento; caso contrário, só irá dificultar o progresso do país. Após o encerramento dos casinos-satélite, a forma de activar as áreas comerciais em seu redor é uma questão a resolver, enquanto os encerramentos consecutivos de pequenas e médias empresas nos bairros antigos e o grande número de lojas vazias para arrendamento ou venda nestes mesmos bairros é outra. Se estas questões não puderem ser resolvidas, a bela história da plena cooperação entre os ramos executivo e legislativo ficará inevitavelmente manchada. Durante as viagens ao estrangeiro à procura de oportunidades de negócio, o Chefe do Executivo pode considerar vir a visitar informalmente os bairros antigos de Macau. Depois de confraternizar com os habitantes destes bairros, é natural que venha a ter uma abordagem mais realista para o “3.º Plano Quinquenal de Desenvolvimento Socioeconómico da RAEM”. Recentemente, a Sands China lançou os projectos de revitalização das zonas históricas para a Rua das Estalagens, composta pelo “Programa de Recrutamento de Empreendedores para a Rua das Estalagens 2.0” e pelo “Programa para Redesenhar Imagens de Marca para a Rua das Estalagens”, iniciativas pelas quais vale a pena esperar. Espero que, após as sessões de esclarecimento e os cursos de formação relativos às iniciativas acima referidas, os resultados da avaliação sejam justos e equitativos, correspondendo às expectativas do público e alcançando os efeitos desejados, em vez de apenas dizer “obrigado pela sua participação” aos participantes com boas intenções.
O Ocidente desfeito (II) Jorge Rodrigues Simão - 22 Mai 2026 (Continuação do artigo de 14 de Maio) A diplomacia asiática oferece pistas de mudança pois o Japão, China e Coreia do Sul ensaiam aproximações cautelosas, sugerindo que o eixo estratégico da região pode estar a deslocar-se. Em Londres, a aproximação entre o governo britânico e Paris, ainda que tímida, indica que a velha rivalidade pode dar lugar a uma cooperação pragmática, sobretudo quando ambos os países se vêem como potenciais líderes de um bloco europeu pós-americano. O Canadá, sob nova liderança, parece disposto a afirmar independência simbólica, preferindo Paris a Washington como primeira escala diplomática. Até a monarquia britânica participa no teatro, com gestos cuidadosamente coreografados que sublinham afinidades com Ottawa. Falta apenas a Nova Zelândia para que toda a Anglosfera comece a afastar-se do centro gravitacional americano. O futuro da cooperação de inteligência entre estes países, outrora considerada inabalável, torna-se incerto. As divisões entre as potências tradicionais da Europa Ocidental agravam-se. França e Alemanha desconfiam uma da outra, sobretudo devido ao rearmamento alemão e à possibilidade de Berlim ambicionar capacidades nucleares. Itália e França mal se falam. Espanha segue o seu caminho, alheada das disputas continentais. Entretanto, uma corrente de pensamento ganha força que é a ideia de que a Europa só poderá reencontrar um rumo se recuperar a tradição estratégica francesa. A França, única potência europeia com dissuasão nuclear autónoma e com memória viva de independência estratégica, volta a apresentarse como candidata natural à liderança continental. A convicção de que a humilhação prolongada dos Estados europeus pode conduzir ao seu desaparecimento alimenta a retórica de Paris. A história francesa, marcada por ambição universalista e rivalidade com os Estados Unidos, ressurge como referência num momento em que a ordem transatlântica se desagrega. A tensão entre a França e os Estados Unidos é antiga. Desde o século XVIII que Paris oscila entre aliança e ressentimento, enquanto Washington mantém uma tradição de unilateralismo que subordina qualquer parceria ao interesse nacional. A França, por sua vez, nunca aceitou plenamente a condição de potência secundária. A sua força nuclear, a ausência de bases americanas no território e a herança gaullista moldam uma identidade política que resiste a qualquer forma de tutela externa. O gaullismo, reinterpretado ao longo das décadas, continua a ser a matriz do pensamento estratégico francês, mesmo quando disfarçado sob roupagens modernas. Após a II Guerra Mundial, os Estados Unidos tentaram reduzir a França ao estatuto de protectorado, tal como fizeram com a Alemanha, Itália e Japão. Consideravamna demasiado fraca para conter uma eventual ofensiva soviética e demasiado instável para desempenhar um papel autónomo. A França escapou a esse destino graças à obstinação dos seus líderes, que se recusaram a abdicar de soberania. Essa memória continua a influenciar a política externa francesa e explica a sua relutância em aceitar a dissolução silenciosa da Europa sob pressão externa. A desvalorização da França tem raízes antigas no imaginário político americano. Muito antes das derrotas militares do século XX, circulava nos Estados Unidos a caricatura de uma França encantadora mas frágil, mais dada a gastronomia e cabaré do que a “hard power”. A comparação, sempre pouco subtil, colocava os americanos no papel viril e os franceses no papel decorativo. Nada que ajudasse a melhorar a auto-estima parisiense. Neste ambiente, não surpreende que, no pósguerra, certos círculos em Washington tenham imaginado redesenhar o mapa francês como se fosse um tabuleiro de xadrez. A ideia de amputar regiões, redistribuir territórios e administrar o país como uma possessão temporária parecia, para alguns estrategas, uma forma sensata de evitar que nacionalistas ou comunistas ganhassem terreno. A França, vista como demasiado instável, deveria ser tratada como uma paciente em cirurgia forçada. A própria moeda de ocupação chegou a ser preparada, com notas que imitavam dólares disfarçados de francos um símbolo perfeito da tutela que se pretendia impor. Mas Paris não se deixou domesticar. A liderança francesa, consciente de que a soberania se perde uma vez e dificilmente se recupera, montou à pressa um governo provisório e impediu que o país fosse administrado como uma colónia libertada. A resistência francesa ao protectorado “aliado” tornouse episódio fundador da memória estratégica do país. E não faltaram momentos de tensão pois houve ocasiões em que tropas francesas e americanas quase se enfrentaram directamente, com Washington a acusar Paris de irresponsabilidade e Paris a acusar Washington de arrogância imperial. Este trauma histórico moldou a atitude francesa durante décadas. A França nunca esqueceu que escapou por pouco a ser tratada como um Estado tutelado. E essa memória explica a sua insistência em manter autonomia militar, diplomática e nuclear mesmo quando isso irrita aliados.
Visita | Xi Jinping manteve conversas com Putin em Pequim Hoje Macau - 22 Mai 2026 O Presidente chinês, Xi Jinping, realizou esta quarta-feira conversas com o Presidente russo, Vladimir Putin, no Grande Palácio do Povo, em Pequim, com as duas partes a concordar em prorrogar ainda mais o Tratado de Boa Vizinhança e Cooperação Amigável China-Rússia, adiantou o Diário do Povo. Xi observou que este ano marca o 30.º aniversário do estabelecimento da parceria estratégica de coordenação China-Rússia e o 25.º aniversário da assinatura do Tratado de Boa Vizinhança e Cooperação Amigável China-Rússia. As relações China-Rússia chegaram até aqui passo a passo precisamente porque os dois países continuaram a aprofundar a confiança política mútua e a coordenação estratégica com firme determinação, expandiram a cooperação com o ímpeto de alcançar constantemente novos patamares, defenderam a justiça e a equidade internacionais e promoveram a construção de uma comunidade com futuro compartilhado para a humanidade com determinação inabalável, afirmou o líder chinês. “Como membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU e importantes grandes países do mundo, China e Rússia devem adoptar uma perspectiva estratégica e de longo prazo, impulsionar o desenvolvimento e a revitalização de nossos respectivos países através de uma coordenação estratégica abrangente de qualidade ainda mais elevada e trabalhar para tornar o sistema de governança global mais justo e razoável”, disse Xi.
Tesla disponibiliza sistema de condução automática na China Hoje Macau - 22 Mai 2026 A Tesla anunciou ontem que o sistema avançado de condução automática da empresa norte-americana já está disponível na China, um dos seus principais mercados e palco de intensa concorrência entre fabricantes locais e estrangeiros de veículos eléctricos. Na conta oficial da rede X, a Tesla afirmou que o serviço está acessível numa lista de países e territórios que inclui, além da China, Estados Unidos, Canadá, México, Porto Rico, Austrália, Nova Zelândia, Coreia do Sul, Países Baixos e Lituânia. O anúncio representa um novo passo nos planos da Tesla para introduzir no mercado chinês a sua tecnologia Full SelfDriving (FSD) de “condução totalmente autónoma”, embora, por enquanto, seja apresentada como uma função supervisionada que requer a atenção do condutor. O presidenteexecutivo da Tesla, Elon Musk, manteve nos últimos anos contactos com as autoridades chinesas para avançar na autorização destas funções, um tema sensível devido às exigências locais em matéria de segurança de dados, mapas e privacidade. Em Abril de 2024, durante uma visita surpresa a Pequim, Musk reuniuse com altos responsáveis chineses, incluindo o primeiroministro, Li Qiang, tendo a Tesla alcançado um acordo com a gigante digital Baidu para obter licenças de navegação e mapas, considerado então um passo crucial para o lançamento das funções avançadas de assistência à condução na China. O anúncio surge também uma semana depois de Musk ter estado em Pequim como parte da delegação empresarial que acompanhou o Presidente norteamericano, Donald Trump, na visita de Estado à China e na reunião principal com o Presidente chinês, Xi Jinping. A Tesla procura reforçar a posição na China, após as vendas de veículos fabricados no país asiático terem aumentado em Abril 35,96 por cento em termos homólogos, segundo dados da Associação Chinesa de Automóveis de Passageiros. Competição feroz A empresa enfrenta um mercado cada vez mais competitivo, com fabricantes locais como BYD, Xpeng, Nio e Xiaomi, depois de a BYD ter ultrapassado a Tesla como maior produtora mundial de eléctricos e de o sector chinês ter sido arrastado para uma guerra de preços. O lançamento ocorre também num momento de maior escrutínio regulatório sobre a condução autónoma na China. No final de Março, mais de uma centena de robotáxis do serviço Apollo Go, da Baidu, ficaram subitamente imobilizados nas ruas de Wuhan, cidade no centro do país, devido a um “erro de sistema”, deixando passageiros temporariamente retidos e perturbando o trânsito, embora sem acidentes ou feridos. Segundo a Bloomberg, após esse incidente, as autoridades chinesas suspenderam a concessão de novas licenças para veículos autónomos, medida que impede as empresas do sector de acrescentar novos robotáxis às suas frotas.
Diplomacia | Xi poderá visitar Pyogyang nas próximas semanas Hoje Macau - 22 Mai 202622 Mai 2026 A possível deslocação de Xi Jinping à Coreia do Norte foi adiantada por Seul que, caso a viagem se confirme, pede ao Presidente chinês que contribua para a estabilidade na península coreana O Presidente da China, Xi Jinping, estará a programar visitar a Coreia do Norte nas próximas semanas, após a recente visita do chefe da diplomacia chinesa a Pyongyang, segundo fontes governamentais citadas pela agência de notícias estatal sul-coreana. Neste sentido, Seul pediu ontem a Pequim que contribua para a estabilidade na península. “Obtivemos informações que indicam que o Presidente Xi Jinping visitará a Coreia do Norte em breve”, declarou uma fonte governamental sul-coreana não identificada, citada na quarta-feira à noite pela Yonhap. Uma segunda fonte oficial citada pela agência sul-coreana indicou que a visita poderá ocorrer no final deste mês ou no início do próximo, tendo sido preparada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, que visitou a Coreia do Norte em Abril passado, e após as recentes viagens dos guarda-costas e do pessoal cerimonial de Xi à capital norte-coreana. “O Governo está a acompanhar de perto os movimentos relacionados” com a possível viagem de Xi para se reunir com o líder norte-coreano, Kim Jong-un, afirmou o gabinete presidencial à agência de notícias EFE, antes de acrescentar que espera que os intercâmbios entre Pyongyang e Pequim “se realizem de forma a contribuir para a paz e a estabilidade na península coreana”. Já o ministro da Unificação sul-coreano, Chung Dong-young, afirmou, ainda de acordo com a Yonhap, estar “à espera” de um anúncio oficial de Pequim relativamente à visita, expressando a expectativa de que Xi e Kim abordem uma possível cimeira entre a Coreia do Norte e os Estados Unidos, caso se encontrem. Vizinhos sintonizados A China é o parceiro mais importante da Coreia do Norte, e Kim reuniu-se com Xi em Setembro do ano passado em Pequim. Os líderes reafirmaram então os laços, num encontro interpretado como uma tentativa de restabelecer a sintonia entre Pyongyang e Pequim, no contexto da crescente cooperação militar norte-coreana com Moscovo na guerra na Ucrânia. As expectativas de uma viagem de Xi a Pyonyang, que, a confirmar-se, será a segunda visita como presidente após a visita realizada em 2019, surgem na sequência do recente encontro do líder chinês com os homólogos norte-americano, Donald Trump, e russo, Vladimir Putin. Trump e Xi confirmaram, durante a cimeira em Pequim, na semana passada, o objectivo comum de desnuclearizar a Coreia do Norte. Além disso, o republicano afirmou ter mantido a comunicação com Kim Jong-un, sem detalhar esses supostos contactos.
CURB | Fotografias vencedoras de concurso exibidas na próxima semana Hoje Macau - 22 Mai 2026 Já são conhecidas as imagens vencedoras do mais recente concurso de fotografia de arquitectura organizado pelo CURB – Centro de Arquitectura e Urbanismo, e que serão exibidas numa exposição a partir do próximo dia 30 de Maio, na Ponte 9, com a cerimónia de lançamento a começar às 17h. Nicholas Mok arrecadou o primeiro prémio na categoria “Grupo Aberto”, seguindo-se Ip Man Heil no segundo lugar e Chan Peng Nam em terceiro. O júri do concurso atribuiu ainda menções honrosas a Chan Ka Fong, Ip Man Hei e Nelson Silva, entre outros. Na categoria “Grupo de Estudantes” venceu Yeung Hou Sam, seguindo-se Huang Jonson e Dong Laingyu no segundo e terceiro lugares, respectivamente. Também nesta categoria foram atribuídas diversas menções honrosas. Aquela que foi a quinta edição do Concurso de Fotografia Arquitectónica de Macau mostra a “relação entre pessoas e o ambiente construído de Macau”, tendo sido recebidos 306 fotografias apresentadas a concurso por 143 participantes. O CURB diz que os trabalhos “foram avaliados por um painel de jurados experientes que seleccionaram as melhores fotografias para o tema deste ano, tendo em conta a sua qualidade artística e técnica e a originalidade da visão”. A exposição pode ser vista até ao dia 20 de Junho. Este concurso “desafiou os participantes a explorar a relação entre as pessoas e o espaço, e a captar os momentos em que a arquitectura ganha vida”, explica o CURB.
FAM traz, em Junho, sessão adicional de “A Dinastia Dela” Hoje Macau - 22 Mai 2026 O Festival de Artes de Macau (FAM), que este ano conta com a 36.ª edição, apresenta a 26 de Junho uma sessão adicional do espectáculo “A Dinastia Dela”, do Teatro Nove de Pequim, a partir das 19h45. Este espectáculo foi “calorosamente recebido pelo público”, destaca o Instituto Cultural (IC), em comunicado, e por isso ganha mais uma sessão. Os bilhetes estão disponíveis para venda a partir de amanhã. Entretanto, este fim-de-semana o FAM apresenta a peça em patuá “Agora Como? (E Agora?)”, dos Dóci Papiaçam di Macau, bem como os espectáculos “Duo de Dança”, da Companhia de Dança Teatro Jolda, do Cazaquistão; e ainda “Eterna Juventude 2.0”, da companhia local Teatro de Lavradores. O espectáculo “Duo de Dança” apresenta-se hoje e amanhã no Estúdio II do Centro Cultural de Macau (CCM), “oferecendo um festival de dança que transcende fronteiras e épocas”, enquanto que “Eterna Juventude 2.0” é revelado ao público no sábado e domingo, no pequeno auditório do CCM. Esta peça estreou na 17.ª edição do FAM, em 2006, e regressa agora para uma nova versão. A obra foi reescrita e dirigida pelo conceituado dramaturgo de Macau Lawrence Lei, tendo produção de Jacky Li, membro fundador da companhia, que partilha o palco com a actriz local Carmen Kong. No domingo acontece, na sala de conferências do CCM, a “sessão de partilha” em torno deste espectáculo com a presença de Lawrence Lei, que “irá falar sobre o seu processo de reescrita do guião”, e os actores Jacky Li e Carmen Kong, que “partilharão as suas experiências de representação”. Iao Hon em festa Destaque ainda para a actividade adicional, integrada no FAM, “Mostra de Espectáculos ao Ar Livre”, que decorre entre hoje e domingo no Jardim do Mercado do Iao Hon, com apresentações de “vários grupos artísticos locais e do Interior da China”, nomeadamente a Companhia de Artes de Quanzhou Um-Seis, de Fujian e a Equipa Cultural Étnica do Condado de Ximeng, de Yunnan. A apresentação do grupo de Fujian representa “o ponto de partida da Rota Marítima da Seda”, enquanto a actuação do grupo de Yunnan revela a história e a cultura da “Rota da Seda do Sudoeste”, apresentando-se “diversas manifestações do património cultural intangível”. O IC acrescenta ainda as apresentações de grupos de Macau como o Grupo de Teatro Infantil Miúdos Ratões, a Associação de Cultura e Arte Nacional Chinesa, o Own Theatre e a Casa de Portugal em Macau. Domingo, a partir das 10h, acontece no mesmo jardim o “Workshop de Dança Folclórica da Etnia Wa”, com acesso gratuito, enquanto que às 14h30 começa, no auditório do Centro de Actividades do Iao Hon, o “Criatividade à Solta – Workshop de Representação e Narrativa para Famílias”. A ideia, nesta sessão, é “orientar os participantes de todas as idades na co-criação de um espectáculo animado e cheio de surpresas”.