O canto da Europa desencantada (II) Jorge Rodrigues Simão - 6 Ago 2026 “The most radical revolutionary will become a conservative the day after the revolution.” Hannah Arendt, On Revolution (1963) Quando a ameaça soviética desapareceu, acolheram com entusiasmo a proclamação que vinha dos Estados Unidos, mas que germinava em ideias filosóficas profundamente europeias de que a convicção de que a história tinha terminado, que não era necessário afirmar-se violentamente para satisfazer interesses e que a cooperação dominante na Europa nos últimos 75 anos podia ser eterna e universal. A exclusão das heranças incómodas da história é visível na tentativa insistente de definir uma cultura e identidade europeias como se existisse uma única. É uma selecção histórica feita a golpes de machado, escolhendo apenas o que convém para legitimar a aspiração à unidade. Esta operação é natural para um Estado ou império completo, mas muito menos para uma construção em curso que nunca será concluída. Veja-se a Marca do Património Europeu, atribuída pela Comissão a 38 locais que simbolizam os ideais e a história europeia. Entre eles está o Promontório de Sagres, de onde no século XV o príncipe Henrique, o Navegador, estudou técnicas de navegação que impulsionaram a expansão colonial portuguesa e o domínio europeu sobre o mundo. No site da Comissão, Sagres é celebrado como o “lugar-chave da era das descobertas que marcou a expansão da cultura, ciência, exploração e comércio europeus”, uma descrição justa, mas selectiva. Outro exemplo são as notas de euro, sem rostos e decoradas com símbolos arquitectónicos neutros, porque o herói de uns pode ser o tirano de outros, e o combatente pela liberdade de uns o terrorista de outros. Ou ainda a página dos pioneiros da UE, onde Winston Churchill surge ao lado de Schuman, De Gasperi e Spaak apenas por ter pronunciado a expressão “United States of Europe”, ignorando que no discurso de Zurique de 1946 Churchill mantinha distância, equiparando essa ideia à Commonwealth, que Londres ainda via como instrumento para preservar o seu estatuto mundial e não europeu. Não se pode pegar no Parténon, em Aristóteles, em Jesus Cristo, no Império Romano, em Montesquieu, Kant ou Einstein para proclamar uma cultura europeia comum. Como avisava Hannah Arendt “Já não podemos permitir‑ nos pegar apenas no que havia de bom no passado e dizer simplesmente que essa é a nossa herança, ignorar a parte má e considerá-‑ la apenas um fardo que o tempo relegará no esquecimento”. Ignorar a história conduz a narrativas aberrantes, como a ideia difundida de que com a queda do Muro de Berlim a Europa se reunificou, como se alguma vez tivesse sido unificada algo que nem Roma, nem o Sacro Império, nem Carlos V, nem Napoleão, nem Hitler conseguiram. Ou a facilidade com que se considera europeia, válida para todos, a história da parte ocidental desde 1945, como se a parte oriental tivesse apenas de recuperar o tempo perdido durante a catividade soviética. Um mito construído sobre estas bases transforma-‑ se numa lenda de si próprio. Como escreve o historiador Mark Mazower ao sondar o coração de trevas do continente “A Europa da União Europeia pode ser uma promessa ou uma desilusão, mas não é uma realidade”. A ruptura com a história e a sua reconstrução artificial não é a única distorção presente no mito fundador da União Europeia. Muitas vezes raciocina-‑ se como se a UE funcionasse num vazio, quando na verdade os seus destinos sempre foram moldados pelas influências das grandes potências. Isso é visível desde o início. Costuma atribuir‑ -se a integração europeia ao impulso voluntário e desinteressado de políticos como Robert Schuman e Jean Monnet, mas o impulso decisivo veio dos Estados Unidos. No final da guerra, Washington não tinha qualquer intenção de dominar com mão-de-ferro a metade do continente que ocupava pois custava demasiado e contrariava o espírito americano, avesso ao império. A sua estratégia, porém, exigia impedir o surgimento na Europa de um novo hegemon. A administração Truman traduziu esse imperativo numa táctica de reerguer os Estados ocidentais prostrados, convencida de que um crescimento económico robusto impediria a difusão de ideologias subversivas e de revanchismos, enquanto a defesa militar ficaria a cargo do Pentágono através da NATO. Este esquema servia tanto para conter a Alemanha, preocupação imediata do pós‑guerra, como para enfrentar a União Soviética, que só a partir de 1948 e com urgência desde a guerra da Coreia em 1950 se revelou ameaça estratégica. Independentemente de quem fosse o inimigo, a ideia mais popular na América para desarmar as rivalidades intra-europeias era obrigar as nações locais a federar‑se. Até na sociedade civil era forte o entusiasmo pelos “Estados Unidos da Europa”, promovido pelo influente senador James William Fulbright. Embora ninguém no governo americano pensasse seriamente numa federação europeia, o espírito era claro de que os europeus derrotados deviam partilhar recursos económicos para reconstruir o continente, começando por franceses e alemães. Também Paris falava de cooperação, mas com o objectivo de se apropriar dos recursos industriais da Ruhr para financiar a sua recuperação e retirar à Alemanha os meios com que, acreditava após três guerras em setenta anos, voltaria a atacá-la. Fala‑se muitas vezes da súbita conversão de Jean Monnet ao europeísmo, chegando a afirmar‑se que foi ele quem convenceu os americanos da necessidade de uma união europeia. A verdade é o contrário e Monnet percebeu os desígnios de Washington graças às suas amizades na capital americana. John J. McCloy, seu íntimo e vice‑ -rei dos Estados Unidos na Alemanha ocupada, explicou‑lhe que a única forma de legitimar a aspiração francesa à Ruhr era criar uma autoridade supranacional que gerisse também as indústrias de França e do Benelux. Um memorando interno do Departamento de Estado de 1949 é emblemático desta mentalidade estratégica ao dizer que “a contínua intransigência francesa em relação ao povo alemão favoreceria os desígnios soviéticos”. Assim nasceu a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço, progenitora da UE. Um documento oficial americano anotou mais tarde que “um dos aspectos mais constantes da política externa dos Estados Unidos no pós‑ -guerra foi o forte apoio à integração política e económica da Europa. A integração europeia no quadro de uma comunidade atlântica em expansão permanece a pedra angular da sua política para a Europa Ocidental”. Em 1949, o administrador do Plano Marshall, Paul Hoffman, avisou de forma ameaçadora que a generosidade americana dependia dos planos de federação. Em 1950, os Estados Unidos forçaram a Organização para a Cooperação Económica Europeia a reduzir para metade os direitos aduaneiros e a criar a União Europeia dos Pagamentos, destinando 25% do Plano Marshall desse ano a esses fins. Washington ditou as primeiras linhas, não todo o texto. Impôs a ideia de interdependência, não os passos seguintes, embora os visse com benevolência. Império pela integração, como sintetizou o historiador Geir Lundestad. Os Estados Unidos induziram a fé no economicismo, a convicção de que o bem-‑ estar devia ser um processo histórico imparável. Encontraram ouvidos mais do que dispostos a acolher esse credo. Mas tinham um motivo estratégico preciso de que o crescimento era a métrica da comparação com o bloco comunista. Para os europeus, era apenas o salvo‑ -conduto para se acomodarem fora da história. Todo o mito identifica uma fortaleza, o bastião que protege a colectividade e cria o “outro” de quem se distingue. O problema do mito europeísta é que a fortaleza e o outro coincidem, porque a geopolítica europeia gira em torno da questão alemã e o seu espaço é simultaneamente o centro dos equilíbrios do continente e a fonte dos seus desequilíbrios. Demasiado forte para não gerar contra-golpes, demasiado fraco para dominar a Europa. A integração europeia nasceu para desarmar a Alemanha, reflexo de uma germanofobia difundida. Mas é impossível construir um mito sobre isso pois seria uma demonização inútil. Por tal razão se expurga este dado fundamental, tal como se depuram as origens americanas do projecto. No imediato pós‑ -guerra, todas as potências queriam desmembrar a Alemanha. Os americanos tinham o plano Morgenthau para reduzir o país a um estado pastoral. Churchill piscava o olho ao divide et impera e disse em Zurique, em 1946, que os antigos Estados alemães poderiam ocupar lugar individual nos Estados Unidos da Europa. De Gaulle reagiu dizendo que uma Europa unida não seria senão uma Alemanha alargada. Monnet queria devolver o espaço alemão ao estado gasoso anterior à unificação. Apenas a rivalidade entre soviéticos e americanos impulsionou a federação das zonas ocupadas.
Honda | Lucros mais que duplicam entre Abril a Junho para 2.500 ME Hoje Macau - 6 Ago 2026 A fabricante automóvel Honda registou um lucro líquido de 450.915 milhões de ienes (cerca de 2.500 milhões de euros) entre Abril a Junho, um aumento de 129,3 por cento em relação ao mesmo período de 2025, informou ontem a empresa japonesa. No primeiro trimestre do ano fiscal da Honda, o lucro operacional duplicou e centrou-se nos 530.767 milhões de ienes (cerca de 2.900 milhões de euros), enquanto as receitas aumentaram 13,5 por cento em termos homólogos, atingindo os 6,06 biliões de ienes (cerca de 33.330 milhões de euros). Por regiões, a procura na América do Norte disparou 294,2 por cento, enquanto na Europa registou uma queda de 69,6 por cento. Para o exercício fiscal em curso, que termina em Março de 2027, a fabricante automóvel eleva a previsão de lucro líquido para 400.000 milhões de ienes (cerca de 2.200 milhões de euros) e de receitas para 24 biliões de ienes (cerca de 131.970 milhões de euros). Ainda assim, os possíveis impactos no volume de vendas ou nos custos de materiais decorrentes da incerteza em torno da situação no Médio Oriente não sofreram alterações relativamente à previsão anterior, uma vez que a Honda considera “necessário avaliar cuidadosamente” estes riscos. Além disso, salientou que o terramoto de magnitude 7,1 que abalou recentemente a cidade de Kumamoto, no sudoeste do Japão, afectou algumas das suas principais fábricas, onde as operações foram suspensas durante vários dias para monitorizar a situação e determinar medidas a tomar.
Coreia do Sul | Buscas na sede da Starbucks após campanha polémica Hoje Macau - 6 Ago 2026 A Polícia da Coreia do Sul realizou ontem buscas na sede da Starbucks no país asiático devido a acusações de ofensa ligados a uma campanha publicitária polémica associada a um massacre histórico de manifestantes pró-democracia. A equipa de investigação de crimes públicos da Polícia Metropolitana de Seul iniciou às 08h50 (07h50 em Macau), uma operação na sede localizada no distrito de Gangnam, na capital sul-coreana, informou a agência de notícias sul-coreana Yonhap. O mandado de busca cita acusações de que a Starbucks ofendeu as vítimas da repressão militar do movimento pró-democracia dos anos 80 na cidade de Gwangju (sudoeste do país), na qual pelo menos 165 pessoas foram mortas, com investigadores a querer saber se os quadros dirigentes da empresa planearam o evento promocional com essa intenção. A operação da Polícia, que tinha sido criticada pela lentidão da investigação, teve lugar após detectar deficiências no processo de auditoria interna da Starbucks apresentados pelo grupo Shinsegae, operador local da empresa. A polémica estalou a 18 de Maio, aniversário da revolta na cidade de Gwangju contra a ditadura do Presidente Chun Doo-hwan (1908-1988), quando a Starbucks lançou na Coreia do Sul uma promoção online chamada ‘Dia do Tanque’ para vender copos térmicos. Esta campanha desencadeou críticas entre os que consideraram que o nome e os slogans promocionais evocavam os tanques utilizados em Gwangju e na repressão militar dos anos 80. O escândalo gerou pedidos de desculpas públicos do presidente da Shinsegae, Chung Yong-jin, no despedimento do director executivo local da Starbucks Korea, em boicotes de trabalhadores e instituições governamentais e em críticas do Presidente sul-coreano, Lee Jae-myung. Além disso, a equipa da Starbucks no país asiático recebeu formação de história e sensibilidade social em meados de Junho, altura em que fechou antes do horário normal as suas mais de 2.000 sucursais para a realização das aulas.
Coreia do Norte | Japão acusado de se transformar num “Estado bélico” Hoje Macau - 6 Ago 2026 A influente irmã do líder norte-coreano acusou ontem o Japão de se estar a transformar num “Estado bélico”, um dia depois de Tóquio afirmar ser urgente reforçar as forças armadas japonesas A irmã de Kim Jong Un considera que o Japão se está a transformar num “Estado Bélico”. Os dirigentes da Coreia do Norte “irão implementar opções militares adicionais que são manifestamente a consequência da transformação do Japão”, declarou Kim Yo-jong num comunicado publicado pela agência de notícias oficial KCNA. “O Japão, um Estado criminoso de guerra, está a acelerar a transformação num Estado bélico”, afirmou. No prefácio do relatório anual sobre a defesa do arquipélago, publicado na terça-feira, o ministro da Defesa japonês, Shinjiro Koizumi, considerou “imperativo que o Japão reforce e transforme ainda mais as capacidades de defesa com um sentimento de urgência e de crise mais forte do que nunca”. Na região da Ásia-Pacífico, “não só a China e a Coreia do Norte continuam a reforçar capacidades militares, como também a China e a Rússia, bem como a Rússia e a Coreia do Norte, estão a reforçar a sua cooperação”, alertou. O Japão aumentou as despesas militares em 9,7 por cento, atingindo 62,2 mil milhões de dólares em 2025, o que corresponde a 1,4 por cento do PIB do país, representando a percentagem mais elevada desde 1958. Kim Yo-jong citou o recente teste de lançamento de mísseis de cruzeiro de longo alcance Tomahawk realizado por Tóquio e a participação do Japão, em Maio, em exercícios liderados pelos Estados Unidos nas Filipinas, vendo nisso a prova do apoio de Washington a “movimentos militares perigosos” no Pacífico. Tóquio procura “dotar-se de uma capacidade de ataque preventivo”, criticou a norte-coreana. “Nunca ficaremos passivos perante a evolução militar do Japão, que poderá constituir uma grave ameaça”, acrescentou. Herança histórica O Japão ocupou toda a Coreia antes da capitulação em 1945, durante a Segunda Guerra Mundial, após o que a península foi dividida em dois Estados distintos ao longo do paralelo 38. O legado desse período continua a pesar na política externa tanto da Coreia do Norte como da Coreia do Sul. “Se os descendentes do militarismo, que herdaram os genes da astúcia e da agressão, se apoderarem de armas mortíferas, algo desagradável irá acontecer”, pode ler-se ainda no comunicado de Kim Yo-jong.
Chuva | Emitidos alertas máximos no centro e sul do país Hoje Macau - 6 Ago 2026 Várias regiões do centro e sul da China activaram ontem alertas vermelhos devido à chuva, o nível máximo do sistema chinês de avisos, perante precipitações intensas que elevaram o risco de cheias, inundações e desastres geológicos Na cidade de Yichang, na província central de Hubei, a estação meteorológica local elevou ontem para vermelho o alerta devido à chuva, após uma zona ter registado mais de 65 milímetros de precipitação numa hora, informou a televisão estatal CCTV. As autoridades locais advertiram para um risco “extremamente elevado” de cheias repentinas em zonas montanhosas, desastres geológicos, subida do caudal dos rios e inundações. No sul do país, a cidade de Sanya, na ilha de Hainan, emitiu igualmente um alerta vermelho, após uma área próxima de uma escola ter acumulado 130,6 milímetros de chuva em três horas. A estação meteorológica local prevê que a instabilidade atmosférica que afecta a cidade mantenha a intensidade e provoque nova precipitação em vários distritos, com acumulados entre 50 e 100 milímetros em algumas zonas nas próximas seis horas. As autoridades recomendaram ainda a suspensão das aulas em algumas áreas e apelaram à população para adoptar medidas de precaução perante o risco de subida do caudal dos rios, cheias repentinas e deslizamentos de terras. No município de Chongqing, no centro da China, as chuvas registadas entre terça-feira e ontem provocaram a subida do nível de cerca de 50 rios. As cheias inundaram algumas zonas baixas junto às margens e obrigaram à retirada de emergência de residentes em áreas de risco, embora o balanço oficial não indique, para já, o número de pessoas retiradas nem registe vítimas ou desaparecidos. Clima em mudança Nos últimos dias, as chuvas no centro da China obrigaram à retirada preventiva de quase 400 mil pessoas apenas nas províncias de Shaanxi e Sichuan, onde as autoridades mantêm a vigilância devido ao risco de cheias, inundações repentinas em zonas montanhosas e desastres geológicos. O agravamento das condições meteorológicas surge após vários episódios de chuva extrema registados em Julho, incluindo as inundações associadas ao tufão Maysak na região de Guangxi, no sul do país, que provocaram pelo menos 39 mortos, bem como vários deslizamentos de terras e cheias no centro da China que causaram dezenas de mortos e desaparecidos. O ministério dos Recursos Naturais anunciou recentemente um plano para reforçar, entre 2026 e 2030, a prevenção de desastres geológicos, advertindo que as alterações climáticas estão a aumentar o risco de fenómenos súbitos e em cadeia provocados por chuvas extremas fora das zonas tradicionalmente consideradas mais vulneráveis.
Regiões chinesas reforçam incentivos para atrair turistas estrangeiros Hoje Macau - 6 Ago 2026 Várias regiões chinesas lançaram ou reforçaram incentivos financeiros para as agências de viagens atraírem turistas estrangeiros, numa altura em que as chegadas internacionais ao país recuperam, impulsionadas pelo alargamento das isenções de visto. O município de Chongqing, no centro da China, oferece até 100 yuan por turista e atribuirá 30 yuan por pessoa às agências que levem este ano pelo menos mil visitantes que cumpram determinados requisitos de permanência, informou ontem o jornal Yicai. O incentivo será duplicado quando os turistas forem oriundos de países ou regiões que tenham contribuído com menos de 50 mil visitantes para Chongqing em 2025, embora cada empresa possa receber, no máximo, 150 mil yuan ao abrigo desta medida. A província de Guizhou, no centro do país, aplica desde Abril um sistema de incentivos progressivos que concede até 70 yuan por turista estrangeiro que pernoite na região, sem limite para o número total de visitantes, e até 80 yuan por integrante de grupos organizados vindos do exterior, consoante a dimensão e o itinerário. Na província oriental de Shandong, as autoridades prolongaram de um para três anos o programa de incentivos destinado a visitantes que permaneçam pelo menos duas noites na região, prevendo apoios diários até 12 yuan para turistas oriundos de mercados próximos e de 20 yuan para os provenientes de destinos mais distantes. Pelo menos outras oito regiões chinesas adoptaram medidas semelhantes, segundo o Yicai. Citado pelo jornal, o presidente da Associação de Guias Turísticos da província de Sichuan, Chen Qiankang, afirmou que “o turismo interno parou de crescer”, tornando o turismo internacional um novo motor de expansão para as regiões chinesas. As iniciativas coincidem com a recuperação da entrada de visitantes estrangeiros na China após a pandemia, favorecida pelo alargamento das isenções de visto. Entrar sem visto A China recebeu 22,91 milhões de visitantes estrangeiros no primeiro semestre deste ano, mais 20 por cento do que no mesmo período do ano passado, tendo 78 por cento entrado no país sem necessidade de visto, segundo a Administração Nacional de Imigração. Pequim começou, em Novembro de 2023, a isentar unilateralmente de visto os cidadãos de seis países europeus, alargando posteriormente para 30 dias o período de permanência autorizado. A medida abrange actualmente cerca de meia centena de países, incluindo Portugal, e foi prorrogada até ao final de 2026. Em 2025, a China registou cerca de 154,5 milhões de visitantes internacionais, mais 17 por cento do que no ano anterior, cujas despesas ascenderam a 131,1 mil milhões de dólares, um aumento homólogo de 39 por cento. As autoridades chinesas fixaram como objectivo atingir 190 milhões de visitantes internacionais até 2030.
Japão | Pequim critica uso de “ameaça chinesa” para justificar rearmamento Hoje Macau - 6 Ago 2026 A China acusou na terça-feira o Japão de exagerar a “ameaça chinesa” para justificar o rearmamento, após Tóquio classificar a actividade militar de Pequim como um “desafio estratégico sem precedentes” num relatório de Defesa de 2026. Num comunicado divulgado na terça-feira à noite, o porta-voz do ministério da Defesa chinês, Chen Xi, afirmou que o novo documento japonês está “repleto de narrativas falsas” e exagera uma alegada “crise de segurança” na região. Chen considerou que o texto procura justificar o reforço das capacidades militares do Japão, manifestando a “forte insatisfação” e a “firme oposição” de Pequim. O porta-voz acusou ainda as autoridades japonesas de utilizarem o princípio de uma política “exclusivamente defensiva” como cobertura para rever os principais documentos de segurança, aumentar as despesas militares, desenvolver capacidades ofensivas de longo alcance e promover a militarização do espaço. Chen sustentou também que o Japão procura apresentar a expansão da indústria de defesa como um motor de crescimento económico, visando integrar o rearmamento nas suas estruturas institucionais, económicas e sociais. “O novo militarismo japonês tornou-se um grave desafio à ordem internacional do pós-guerra e uma verdadeira ameaça à paz e à estabilidade regional”, afirmou. O ministério da Defesa chinês sublinhou igualmente que a questão de Taiwan diz respeito à soberania e à integridade territorial da China e constitui uma “linha vermelha intransponível” nas relações entre Pequim e Tóquio. O Livro Branco da Defesa do Japão, aprovado na terça-feira, refere que a actividade militar chinesa se intensificou entre Abril de 2025 e Março de 2026, incluindo operações com porta-aviões no Pacífico, aproximações de caças chineses a aeronaves japonesas e um incidente envolvendo a utilização de radar de controlo de tiro.
IAM | Criado concurso de fotografia focado na protecção animal Hoje Macau - 6 Ago 2026 O Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) está a aceitar fotografias para o concurso “Caminhar Juntos pela Protecção e Saúde Animal”, que decorre até ao dia 11 de Setembro. A ideia é celebrar o Dia Mundial dos Animais, efeméride comemorada a 4 de Outubro, e promover “os conceitos de protecção animal e caminhar juntos pela saúde animal”. Segundo um comunicado do IAM, esta iniciativa acontece em parceria com o grupo “Everyone Stray Dogs Macau Volunteer Group” e a Associação Fotográfica de Macau. O objectivo do concurso é “incentivar os cidadãos a capturar momentos comoventes entre humanos e animais, demonstrando que a companhia mútua entre humanos e animais de estimação contribui para o bem-estar físico e mental”. As imagens podem ser enviadas para o email petcare@iam.gov.mo, não sendo aceites imagens geradas por inteligência artificial. O IAM esclarece ainda que as fotografias apresentadas a concurso “devem focar-se na interacção entre humanos e animais, nas quais seja expresso o conceito de proteger e cuidar dos animais”. Todos os trabalhos devem ser originais, sem publicação anterior ao concurso. O júri será composto por representantes da organização e fotógrafos profissionais de Macau, existindo prémios de 3.000 patacas para o primeiro classificado, 2.000 patacas para o segundo lugar e 1.000 patacas para o terceiro classificado. Haverá ainda sete prémios de distinção, com um valor de 500 patacas atribuído através de vales de compras. A cerimónia de entrega dos prémios decorre no dia 4 de Outubro, sendo realizada em paralelo a exposição com as imagens escolhidas. Nesse dia organiza-se o “Dia de Convívio sobre a Protecção dos Animais”, na praça do Tap Seac.
Hong Kong | Concerto apresenta nova composição de Carlos Brito Dias Andreia Sofia Silva - 6 Ago 2026 O grupo The Hong Kong Legends Ensemble apresenta no sábado a nova criação do compositor português Carlos Brito Dias, num espectáculo no East Kowloon Cultural Center. Trata-se de “tides”, uma composição que propõe uma “reflexão sobre movimento, identidade cultural e transformação” O compositor português Carlos Brito Dias tem uma nova criação musical, “tides”, e que será apresentada pela primeira vez ao público no East Kowloon Cultural Center de Hong Kong no sábado a partir das 20h. A interpretação desta obra estará a cargo do grupo The Hong Kong Legends Ensemble, com a direcção do maestro Chi-Cheung Leung. Os bilhetes podem ser adquiridos no website art-mate.net Segundo um comunicado enviado pelo próprio compositor às redacções, “tides” foi encomendada pela Yao Yueh Chinese Music Association – Hong Kong Legends, marcando a primeira incursão de Carlos Brito Dias “na escrita para ensemble com instrumentos chineses”, nomeadamente o dizi, zhongruan, sheng e erhu. Na mesma nota, lê-se que a apresentação pública de “tides” integra “um programa de aproximadamente 90 minutos, que combina performance ao vivo com media interactiva, propondo ao público uma experiência artística imersiva e interdisciplinar”. “tides” é uma composição que propõe “uma reflexão sobre movimento, identidade cultural e transformação, inspirada no carácter de Hong Kong como porto aberto ao mundo”. Desta forma, evocam-se “camadas de migração, intercâmbio e resiliência que moldam a cidade”. Uma metáfora musical Em “tides”, descreve a mesma nota, o mar é figura central e também uma “metáfora”, pois representa “simultaneamente força de separação e de ligação, estruturando uma linguagem musical fluida, em que as texturas se expandem e contraem, colidem e se dissipam”. Além de ter uma “dimensão cultural”, a nova composição de Carlos Brito Dias também incorpora “uma vertente íntima”, pois inspira-se “na experiência de esperar a chegada de um filho”. Desta forma, a obra musical percorre “ciclos de antecipação, incerteza e transformação emocional, articulados através de gestos em mutação contínua e paisagens tímbricas em evolução”. O grupo Hong Kong Legends Ensemble foi fundado em 2020, tendo como origem a Yao Yueh Chinese Music Association (YYCMA), e é a primeira orquestra de câmara chinesa do território vizinho. O grupo venceu, em 2024, o Prémio do Fundo Nacional de Artes para Inovação em Artes Cénicas, uma das mais importantes distinções culturais na China. Carlos Brito Dias nasceu na cidade de Braga em 1991, residindo actualmente em Hong Kong onde, além de desenvolver actividade como compositor e maestro, também dá aulas. O compositor português é doutorado em Artes pela Universidade de Antuérpia e Conservatório Real de Antuérpia, possuindo ainda um mestrado em Direcção Orquestral pelo Conservatório Real de Antuérpia. A residir em Hong Kong, Brito Dias tem, segundo a biografia disponível no seu website, “uma produção musical eclética”, explorando “vários meios, desde peças para instrumentos a solo e conjuntos até grandes orquestras e música electrónica”. Também já criou composições para cinema, nomeadamente curtas-metragens, colaborando com outros artistas. É actualmente professor convidado da Universidade de Educação de Hong Kong, bem como consultor artístico e maestro da Asiartic Camerata.
Drogas | Augusto Nogueira concorda com aditamentos à lei Andreia Sofia Silva - 6 Ago 2026 Numa altura em que acaba de ser nomeado vice-presidente da World Federation of Therapeutic Communities, Augusto Nogueira, presidente da ARTM, diz concordar com os aditamentos de novas drogas proibidas à actual legislação, apesar dos consumos locais quase nulos O Governo quer proibir o consumo de sete drogas semelhantes ao Etomidate, a substância que constitui a droga conhecida como Petróleo do Espaço. A proposta, que foi apresentada na sexta-feira em Conselho Executivo, merece a concordância de Augusto Nogueira, presidente da Associação de Reabilitação dos Toxicodependentes de Macau (ARTM). “É imperativo acrescentar estas novas drogas à legislação, pois prevenir é melhor que remediar”, disse, reconhecendo que “não se conhecem casos de consumo destas drogas, e mesmo do Etomidate é raro, mas nunca se sabe o dia de amanhã”. O presidente da ARTM explicou que “a maioria das grandes apreensões em Macau estão de passagem e não são para consumo local”, referindo também os bons resultados, por parte das autoridades em conjugação com associações, na prevenção. “Através do programa de rua e de troca de seringas, fazemos uma década de zero novos casos de HIV entre pessoas que injectam drogas”, disse. Um novo cargo Destaca-se ainda a recente nomeação para o cargo de vice-presidente da WFTC (World Federation of Therapeutic Communities), com sede nos Estados Unidos da América. Tal nomeação representa, para Augusto Nogueira, uma oportunidade para “elevar ainda mais o trabalho da ARTM e o trabalho que se desenvolve em Macau”. “Fui nomeado devido ao reconhecimento que a ARTM tem dentro desta organização e também pelo trabalho que desenvolvemos a nível internacional, principalmente nas Nações Unidas. Antes de ser nomeado já era ‘Liason Officer’ da WFTC para as Nações Unidas, por isso foi um processo de evolução, confiança e trabalho.” Augusto Nogueira chama a atenção para a “forma holística” como se trabalha na ARTM, sendo esse “o maior reconhecimento”. “A WFTC é um organismo bastante importante para proteger a ideologia e terapia da comunidade terapêutica, para podermos mostrar que as comunidades terapêuticas desenvolvem um trabalho muito importante na recuperação de todos aqueles que necessitam de apoio”, rematou.
Amamentação | Mulheres pedem ambiente mais favorável Hoje Macau - 6 Ago 20266 Ago 2026 A subchefe do Centro de Apoio Múltiplo à Família Alegria em Harmonia da Associação Geral das Mulheres de Macau, Lam Cho In, alertou que as mães que pretendem amamentar enfrentam vários desafios. Face a estes problemas, a responsável, através de um comunicado, pede que o “ambiente social e de trabalho” seja mais tolerante. Segundo Lam, quando as mães voltam para o local de trabalho depois da licença de maternidade, não lhes é disponibilizado um espaço nem tempo para recolherem leite. A dirigente associativa avisou que esta realidade é prejudicial porque pode provocar a obstrução do ducto mamário e a redução da produção de leite materno. A responsável citou dados oficiais para apontar que a amamentação natural está a recuar no território. De acordo com a responsável, no ano passado houve uma quebra de 9,64 por cento nos bebés com idades até aos quatro meses que eram amamentados, em comparação com 2021, quando 26,18 por cento eram amamentados. Lam alertou que a situação é semelhante quando se analisa a questão das crianças com idades até seis meses, o que mostra as dificuldades de amamentar em Macau. Face a este cenário, Lam Cho In espera que o Governo coopere com as associações e empresas para promover a amamentação, através de incentivos e ao criar na lei um tempo mínimo para amamentação durante o trabalho.
Wynn Macau | Lucros operacionais crescem 26,9 por cento João Santos Filipe - 6 Ago 2026 Na apresentação dos resultados, Craig Billings, director-geral da Wynn Resorts, mostrou confiança no mercado do jogo e afirmou que os apostadores estão a regressar, depois do impacto do Campeonato Mundial de Futebol No segundo trimestre do ano, os lucros operacionais da Wynn Macau apresentaram um aumento anual de 26,9 por cento, para 162,8 milhões de dólares. Os resultados da concessionária do jogo foram divulgados ontem, em comunicado. O lucro operacional mais recente contrasta com o montante de 128,3 milhões de dólares gerado entre Abril e Junho do ano passado, o que representa um acréscimo para a Wynn Macau de 34,6 milhões de dólares, no espaço de um ano. “Os nossos resultados do segundo trimestre, incluindo […] o forte desempenho em Macau, reflectem a continuidade de uma dinâmica de procura saudável em todo o nosso negócio. Estou incrivelmente orgulhoso”, afirmou Craig Billings, director-geral da Wynn Resorts, empresa-mãe da Wynn Macau, em comunicado. Durante a apresentação dos resultados aos analistas, Billings explicou também que o segundo trimestre do ano foi afectado pela realização do Campeonato Mundial de Futebol. O efeito prolongou-se até Julho, dado que o torneio terminou a 20 desse mês, mas o director-geral da empresa garantiu que os apostadores estão a regressar ao território. “Até ao momento, no terceiro trimestre, os volumes de apostas VIP e do mercado de massas registaram uma ligeira queda em comparação com o mesmo período do ano anterior, dado que estamos a absorver o impacto, muito falado, do Campeonato do Mundo, somado à sazonalidade habitual”, revelou. “Observámos uma recuperação das apostas na segunda metade de Julho, com a região a entrar na época de férias de Verão. Essa tendência de melhoria manteve-se até ao início de Agosto”, acrescentou. Investimentos em Macau Na apresentação dos resultados, os responsáveis pela empresa abordaram igualmente os investimentos que vão ser feitos em Macau, e que estavam planeados no âmbito das novas concessões, atribuídas em 2023. A empresa vai construir um centro de eventos, um teatro e um novo edifício com quartos de hotel, o Enclave Hotel Tower. “O investimento nestes projectos em 2026 estará limitado a alguns trabalhos de colocação das fundações e desenvolvimento inicial. No total, prevemos agora que o nosso investimento de capital em 2026 em Macau se situe entre os 350 milhões e os 400 milhões de dólares”, explicou Craig Fullalove, director financeiro da empresa-mãe da concessionária. Fullalove esclareceu também que estes investimentos estão a ser feitos em coordenação com o Governo, no âmbito dos compromissos da concessão: “Estamos a progredir muito e muito bem [no âmbito dos nossos compromissos como concessionárias]. E com estes novos projectos em curso, e sobre os quais temos vindo a dialogar com o Governo ao longo de muitos anos […] somos agora capazes de avançar. Por isso, estamos entusiasmados por arrancar com a construção destes projectos”, apontou. O novo centro de eventos e o teatro no Wynn Palace deverão abrir em 2028, enquanto o Hotel Enclave tem inauguração prevista para 2029.
Nick Lei sugere o uso de drones para inspeccionar edifícios Hoje Macau - 6 Ago 2026 O deputado Nick Lei defende a utilização de drones para inspeccionar os edifícios em Macau. A opinião surge numa interpelação escrita sobre a necessidade de acelerar o desenvolvimento da economia de baixa altitude. Segundo o membro da Assembleia Legislativa, actualmente a inspecção dos edifícios por drones está a ser limitada pela legislação de controlo aéreo e de privacidade pessoal. Contudo, Lei quer alterações rápidas nesta área: “Será que vai ser feito algum estudo sobre alterações legislativas e a realização de consultas públicas relativamente à inspecção das paredes exteriores de edifícios antigos por drones?”, questionou. “Estão também previstas alterações ao regime actual para optimizar as autorizações do espaço aéreo e a protecção da privacidade?”, perguntou. Nick Lei apontou que algumas empresas privadas estão a estudar a possibilidade de usarem drones nas inspecções, por ser um método mais rápido em comparação com os meios tradicionais, que passam pelo recurso a trabalhadores em andaimes suspensos. Nick Lei aponta que o desenvolvimento da economia de baixa altitude corresponde às estratégias previstas pelo 15º Plano Quinquenal do país e pelo 3º Plano Quinquenal de Desenvolvimento Socioeconómico da RAEM. A distribuir comida Ao mesmo tempo, o legislador fez a comparação com o Interior da China, onde os drones são cada vez mais usados por várias indústrias, tal como a distribuição de take-away e de medicamentos. “Em contraste, em Macau, a aplicação actual dos drones foca-se principalmente em áreas como a fotografia aérea para promoção cultural e turística, levantamento topográfico e inspecção, não sendo ainda explorada na saúde pública e nos serviços de bem-estar”, criticou. Lei perguntou ainda pelo “trabalho concreto” do grupo criado, no ano passado, pelo Governo de Sam Hou Fai para o desenvolvimento da economia de baixa altitude. Finalmente, o deputado pediu ao Governo para adiantar se tem planos de formação para técnicos que vão controlar drones, assim como os responsáveis pela manutenção.
Património Cultural | Tradições de luso-descendentes escolhidas Hoje Macau - 6 Ago 2026 As Canções Macaenses, o Chá Gordo e o Batê-Saia são as expressões da comunidade luso-descendente que entraram ontem na lista de património cultural intangível local. A bifana e o yum cha também passaram a fazer parte da lista As Canções Macaenses, o Chá Gordo e o Batê-Saia, manifestações culturais da comunidade macaense, foram inscritas no inventário do património cultural intangível local, anunciaram ontem as autoridades. Estas três manifestações culturais juntam-se a outras 25 listadas pelo Instituto Cultural, de acordo com a publicação no Boletim Oficial. “Corresponde a um reconhecimento das manifestações culturais da comunidade macaense, dá-nos um novo alento para que continuemos a desenvolver as actividades em torno disto”, reagiu à Lusa o presidente da Associação dos Macaenses (ADM), Miguel de Senna Fernandes, sublinhando que a distinção vai trazer maior visibilidade à comunidade. O Chá Gordo, um banquete de sabores macaenses, “é a refeição mais requintada da comunidade”, explica Senna Fernandes. “Isto sem desprimor de outros pratos. O Chá Gordo corresponde não só a uma prática social, era um motivo de convívio e que chamava as pessoas em torno de uma mesa”, refere. Notando que esta era uma escolha “quase óbvia”, o responsável lembra que “qualquer grande festa” organizada no seio da comunidade, “fossem baptismos, casamentos ou crismas, era através do Chá Gordo que se comemorava”. Batê-saia também entra Já sobre a Arte de Papéis Decorativos Batê-Saia, trata-se de uma tradição artesanal que envolve o recorte, com vista a criar enfeites. “Perdeu-se praticamente, ainda há algumas artesãs que fazem, e nós também praticamente restaurámos esta prática, continua a haver ‘workshops’ de Batê-Saia”, reforçou o presidente da ADM. Nesta lista, constam ainda as Canções Macaenses, mas Miguel de Senna Fernandes espera que a classificação “traga à tona” outras manifestações da comunidade que, “às vezes, por desconhecimento ou falta de prática social, são votadas ao esquecimento”, como é o caso da “muito boa tradição”, o Micareme, baile de mascarados. De acordo com a Lei de Salvaguarda do Património Cultural de Macau, uma manifestação cultural deve constar primeiro no inventário – que tem neste momento 98 manifestações – e só depois pode ser inscrita na lista do Património Cultural Intangível. Bastante positivo Também António Monteiro, à frente da Associação dos Jovens Macaenses olha para este primeiro passo como “bastante positivo”. À Lusa, o também membro do Conselho do Património Cultural de Macau, órgão consultivo do Governo, salienta a necessidade de trabalhar na transmissão geracional destas expressões. Monteiro lembra outras associações culturais de Macau, onde se “prepara a juventude para dar continuidade, para a representação de cada manifestação do património intangível”. O responsável sugere que o património cultural tangível e intangível entre gradualmente nas escolas do território, seja através da criação de uma disciplina ou de maior contacto com líderes associativos. “Pouco a pouco, tem de ser cada vez mais promovido junto da nova geração, não só pelo sentido de pertença de Macau, mas também uma pertença identitária para todos os interesses que venham a ser úteis para o futuro”, indica. Neste momento, entre as 24 manifestações que constam da Lista do Património Cultural Intangível, que contempla as danças folclóricas portuguesas, a confecção de pastéis de nata e as procissões de Nossa Senhora de Fátima e do Nosso Senhor Bom Jesus dos Passos, estão classificados ainda o teatro em patuá – crioulo de Macau de base portuguesa – e a gastronomia macaense. Ontem entraram também para o inventário a devoção e procissão de Nossa Senhora dos Remédios, costumes da refeição do Yum Cha – tradição cantonesa de café da manhã ou ‘brunch’ -, a preparação do chá com leite (‘nai cha’) e a preparação de pão de costeleta de porco, a bifana de Macau (‘jyu pa bao’).
AMCM | Renovado mandato de Vong Sin Man Hoje Macau - 6 Ago 2026 O mandato de Simon Vong Sin Man como presidente do Conselho de Administração da Autoridade Monetária de Macau (AMCM) foi renovado até ao final deste ano. A decisão do Chefe do Executivo foi publicada ontem no Boletim Oficial. Embora esteja ligado à Direcção dos Serviços de Estatística e Censos, onde trabalhou entre 1989 e 2002, Vong integra o conselho de administração da AMCM desde 2018. As primeira nomeações foram como vogal, enquanto a promoção à presidência do órgão aconteceu em Fevereiro deste ano. Antes disso desempenhou funções como técnico e assessor do Gabinete do Secretário para a Economia e Finanças. Foi ainda jornalista, entre 1986 e 1989, e auditor, entre 1983 e 1986. Em termos académicos, Simon Vong é licenciado em Gestão de Empresas pela Universidade da Ásia Oriental de Macau, e tem dois mestrados, um em Economia pela Universidade de Jinan e outro em Administração Pública pelo Instituto Nacional de Administração da China e pela Universidade de Pequim. O despacho indica que a renovação da comissão de serviço tem por base a idoneidade cívica, experiência e competência profissionais adequadas para o exercício das funções. O despacho de Sam Hou Fai publicado ontem, mostra ainda que foram igualmente renovados os mandatos de Lau Hang Kun e Chan Kuan I, os restantes vogais do Conselho de Administração da AMCM.
Fujian | Sam Hou Fai quer desenvolver turismo conjunto focado em A-Má João Santos Filipe - 6 Ago 2026 O Chefe do Executivo defendeu durante a 5ª Reunião da Cooperação Fujian-Macau a promoção do turismo conjunto desenvolvido à volta da figura da deusa A-Má O Chefe do Executivo defende que Macau e Fujian devem apostar no turismo focado na deusa A-Má, para reforçarem a cooperação regional. A posição foi defendida durante a realização da 5ª Reunião da Cooperação Fujian-Macau. Segundo o comunicado oficial do Governo de Macau, numa altura em que o acordo de cooperação entre as duas regiões celebra 10 anos, Sam Hou Fai considerou que se vive um “novo ponto de partida” e que as partes têm de “aproveitar bem as oportunidades para aprofundar a cooperação”. O Chefe do Executivo identificou como área de cooperação a “organização de actividades de turismo cultural de A-Má”, defendendo a criação de visitas em conjunto. A-Má, é uma deusa do mar, também conhecida como Mazu ou Matsu no Interior da China, o que significa mãe ancestral. A-Má é uma figura mitológica chinesa ligada a Fujian, e que é venerada principalmente nas zonas costeiras da China e do Sudeste Asiático, porque surge associada à protecção dos pescadores. Ao mesmo tempo, Sam Hou Fai identificou como áreas para aprofundar a cooperação o “comércio e investimento, finanças modernas, inovação tecnológica, cultura, ensino e saúde”. Segundo Sam, nas áreas que nomeou é possível “impulsionar mais a implementação de projectos de cooperação pragmática”. Profundas ligações Por sua vez, o secretário do Comité Provincial de Fujian do Partido Comunista da China (PCC), Zhou Zuyi, destacou que as duas regiões “são geograficamente próximas” estão “ligadas culturalmente” e têm “profundas ligações históricas” o que levou a que “nos últimos anos a cooperação económica e comercial e a circulação de pessoas” se tenham tornado mais “estreitas”. Zhou vincou também que “neste novo ponto de partida” há a expectativa que as partes aproveitem o mecanismo de cooperação para “aprofundar os laços económicos e de investimento comercial”, expandir “as sinergias entre a ciência e a indústria tecnológica, o intercâmbio entre a população” e para “construir uma relação de cooperação mais estreita”. Durante a reunião foram ainda assinados alguns memorandos e acordos entre diferentes departamentos e serviços públicos, como o acordo entre o Gabinete para os Assuntos de Hong Kong e Macau do Governo Provincial de Fujian e o Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento da RAEM sobre a cooperação na promoção da internacionalização das empresas de Fujian, o acordo entre o Departamento de Cultura e Turismo de Fujian e a Direcção dos Serviços de Turismo do Governo da RAEM sobre a expansão da cooperação turística entre Fujian e Macau ou entre instituições de ensino superior e de saúde. O conteúdo dos documentos não foi revelado. Sam estuda Xi Durante a visita oficial à província de Fujian, Sam Hou Fai passou por Fuzhou, onde estudou o trabalho do presidente Xi Jinping, que entre 1985 e 2002 desempenhou diferentes funções na província. Na tarde de terça-feira, Sam esteve na cidade de Fuzhou e “visitou a exposição comemorativa do 30º aniversário da implementação do projecto estratégico ‘3820’, que se centra no tema ‘visão estratégica para o desenvolvimento económico e social da Cidade de Fuzhou ao longo de 20 anos’, elaborado pessoalmente pelo Presidente Xi Jinping quando desempenhava funções como secretário do Comité Municipal de Fuzhou”. “A exposição permitiu conhecer o plano de desenvolvimento centenário da cidade e os notáveis resultados alcançados ao longo das últimas três décadas, revivendo as ideias e práticas importantes implementadas por Xi Jinping durante o seu trabalho em Fuzhou”, foi acrescentado.
HSBC | Lucro sobe 27,1 por cento no primeiro semestre Hoje Macau - 5 Ago 2026 O banco HSBC, o maior da Europa, registou um lucro líquido atribuível de 14.626 milhões de dólares no primeiro semestre de 2026, o que representa um aumento de 27,07 por cento em termos homólogos. Entre Janeiro e Junho, a faturação do grupo cresceu 10,6 por cento em termos anuais, atingindo 37.742 milhões de dólares, informou ontem o HSBC no relatório de resultados enviado à Bolsa de Hong Kong, onde as suas acções são negociadas. A empresa atribui a melhoria nos números à ausência de itens extraordinários negativos, referindo-se principalmente ao impacto do reconhecimento de cerca de 2,1 mil milhões de dólares em perdas por dissolução e redução ao valor recuperável após a diminuição, no ano passado, da sua participação no banco estatal chinês Bank of Communications de 19 por cento para 16 por cento. Além disso, o HSBC destaca receitas líquidas mais elevadas provenientes de juros e também de comissões, sendo que, neste último item, o crescimento foi especialmente expressivo nos segmentos de gestão de património e banco de atacado. “O HSBC está a tornar-se o banco forte que pretendemos construir. Estamos a executar as nossas prioridades estratégicas com celeridade, precisão e disciplina. Isso permite que as nossas quatro linhas de negócios se concentrem nos seus principais pontos fortes, cresçam, trabalhem em conjunto de forma mais eficaz e aprofundem o relacionamento com os clientes”, afirmou o CEO da instituição, Georges Elhedery.
RDCongo | Epidemia de Ébola já matou mais de 1.700 pessoas Hoje Macau - 5 Ago 2026 A actual epidemia de Ébola na República Democrática do Congo (RDCongo) já matou mais de 1.700 pessoas no leste do país, segundo os dados governamentais ontem anunciados. Até ao momento, foram registados 3.802 casos, com 1.707 mortes, segundo a actualização mais recente do Governo desta nação vizinha de Angola. Ainda não é claro quando a epidemia atingirá o seu pico, afirmou também ontem o director-geral da agência de saúde pública da União Africa, o Africa CDC, Jean Kaseya, durante a sua segunda visita à cidade de Búnia, perto do epicentro da epidemia. Kaseya alertou que quase 80 por cento dos novos casos não resultam do rastreio de contactos, mas sim da transmissão comunitária. Também o director-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, irá à capital congolesa, Kinshasa, e deverá visitar Búnia ainda esta semana. Rol de dificuldades A epidemia, declarada a 15 de Maio, foi associado ao vírus Bundibugyo, para o qual não existem vacinas nem tratamentos aprovados. Atrasos no rastreio de contactos, dificuldades de acesso às áreas afectadas, desconfiança das comunidades e violência por parte de grupos armados e de alguns residentes têm dificultado a resposta, segundo o Africa CDC. Estão em curso dois ensaios clínicos de medicamentos de profilaxia pós-exposição na província de Ituri, bem como dois ensaios de vacinas distintos, no Reino Unido e no Canadá. Este episódio epidémico está sobretudo concentrado na remota província de Ituri, no leste da RDCongo, que representa quase 90 por cento dos casos, mas já foram confirmados casos noutras cinco províncias, incluindo numa das maiores cidades do país, Kisangani. O vizinho Uganda declarou-se livre do Ébola após a alta do último paciente do país, em meados de Junho. Um dos principais desafios é o facto de o paciente zero ainda não ter sido identificado, enquanto os deslocamentos causados pelo conflito armado e pela exploração mineira ilegal na região dificultam o rastreio de milhares de pessoas que estiveram em contacto com infectados. A OMS comunicou que está a acompanhar mais de 17.000 potenciais contactos, sendo quase 80 por cento deles observados diariamente. Na segunda-feira, profissionais de saúde na cidade fortemente afectada de Mongbwalu lançaram um ultimato sobre salários em atraso. Anteriormente, profissionais de saúde em Búnia entraram em greve devido à falta de pagamento e a condições de trabalho perigosas. A OMS afirma que mais de 100 profissionais de saúde foram infectados desde o início desta epidemia, a 17.ª no país.
Japão | Morte de três leões devido ao calor gera críticas Hoje Macau - 5 Ago 2026 A morte de três leões num jardim zoológico japonês, possivelmente devido ao calor, gerou críticas por parte de organizações de defesa dos direitos dos animais, noticiaram ontem meios de comunicação internacionais. “Esta tragédia é um lembrete contundente de que os jardins zoológicos nunca poderão proporcionar aos animais selvagens o controlo e a liberdade de que necessitam para se protegerem”, afirmou a associação de defesa de animais PETA, num comunicado enviado à agência de notícias EFE. Estas declarações surgiram depois de o jardim zoológico de Tama, localizado nos arredores de Tóquio, ter noticiado na segunda-feira a morte de três dos seus leões, que apresentaram sintomas como perda de apetite e fadiga durante vários dias. Num comunicado, o zoo explicou que vários leões começaram a apresentar sinais de fraqueza a partir de 18 de Julho e, em 22 de Julho, o número de animais afectados tinha chegado aos 10. “A causa da morte não será determinada até que os resultados dos exames estejam disponíveis, no entanto, os resultados da autópsia patológica revelaram desidratação generalizada e falência múltipla de órgãos nos três leões, sugerindo que o ‘stress’ térmico foi um factor contribuinte”, explicou a instituição. O Japão passou por uma forte onda de calor em meados de Julho, que entre 13 e 26 de Julho fez pelo menos 59 mortos e milhares de hospitalizados, com várias cidades a atingirem temperaturas superiores aos 40 graus Celsius. No seu comunicado, o Jardim Zoológico de Tama disse que, dos 10 leões afectados, três ainda estão muito fracos e incapazes de se manter de pé, enquanto quatro recuperaram ou estão a mostrar sinais de recuperação. Outros seis leões que residem no zoo nunca apresentaram sinais de doença.
Coreia do Sul | Onda de calor causa 16 mortos Hoje Macau - 5 Ago 2026 A onda de calor que assola a Coreia do Sul provocou a morte de pelo menos 16 pessoas e levou as autoridades do país asiático a declararem ontem o alerta máximo por calor em algumas zonas de Seul. Um homem com cerca de 40 anos morreu na segunda-feira na cidade portuária de Incheon, a oeste de Seul, depois de ter sido hospitalizado no dia anterior, informou a agência de notícias sul-coreana Yonhap. Com esta morte, já são 16 os óbitos associados a doenças causadas pelo calor, de acordo com a Agência de Controlo e Prevenção de Doenças da Coreia do Sul, enquanto mais de duas mil pessoas receberam cuidados médicos desde Maio. A Coreia do Sul encontra-se mergulhada numa onda de calor que, no domingo, levou a cidade de Yangsan, no sudeste, a atingir os 42,5 graus Celsius, a temperatura mais elevada alguma vez registada na península desde o início das observações meteorológicas modernas, em 1904. Durante uma reunião do Conselho de Ministros, o presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, afirmou que as autoridades deveriam “considerar a situação como uma catástrofe nacional” e instou à mobilização dos recursos disponíveis para “proteger a vida das pessoas como a tarefa mais urgente”. Neste contexto, a Agência Meteorológica sul-coreana (KMA) emitiu esta terça-feira o alerta máximo devido às altas temperaturas para Seul, onde se prevê que os termómetros ultrapassem os 38 graus.
Ministro da Defesa afirma que Japão deve reforçar exército com urgência Hoje Macau - 5 Ago 2026 O ministro da Defesa do Japão considerou ontem que o país asiático deve reforçar o exército com “um sentimento de urgência e de crise”, alertando para riscos associados à China, Coreia do Norte e Rússia. Tóquio já está a aumentar as despesas militares e reforçou a cooperação em matéria de segurança na Ásia, posicionando lança-mísseis nas ilhas periféricas, procurando adquirir capacidades de “contra-ataque” e flexibilizando as regras sobre as exportações de armamento. Contudo, no prefácio de um relatório anual sobre a defesa do arquipélago, o ministro da defesa nipónico, Shinjiro Koizumi, considerou “imperativo que o Japão reforce e transforme ainda mais as capacidades de defesa com um sentimento de urgência e de crise mais forte do que nunca”. Koizumi alertou ainda que na região Ásia-Pacífico, “não só a China e a Coreia do Norte continuam a reforçar as suas capacidades militares”, mas também a “Rússia e a Coreia do Norte estão também a reforçar a sua cooperação”. O relatório publicado ontem indica que Pequim está a “intensificar as suas actividades” ao redor do Japão e enumera uma série de incidentes em 2025, nomeadamente atividades de porta-aviões chineses e a “aproximação invulgarmente estreita” entre aviões chineses e japoneses durante dois incidentes em Junho e Julho. Amigo americano Por outro lado, o Japão decidiu em Abril levantar as suas restrições às exportações de armas. O livro branco nota, no entanto, os limites da sua base industrial para alavancar a produção e a inovação. Koizumi concluiu ter “trocado pontos de vista francos” com o homólogo norte-americano, Pete Hegseth, sobre a “inabalável” aliança nipo-americana e sobre o reforço da cooperação em matéria de segurança com as Filipinas, a Austrália e a Coreia do Sul para um “Indo-Pacífico livre e aberto”. “À medida que o ambiente de segurança se deteriora de forma cada vez mais rápida, torna-se necessário reforçar a resiliência face às crises em toda a região”, indicou o ministro, garantindo que Tóquio “vai construir e desenvolver redes a vários níveis entre aliados e países com valores semelhantes”.
China | Quase 400 mil pessoas retiradas da zona centro devido à chuva Hoje Macau - 5 Ago 2026 A região centro da China tem sido fortemente afectada por chuvas intensas nos últimos dias. O risco de inundações e deslizamento de terras levou à evacuação massiva de pessoas nas províncias de Shaanxi e Sichuan As fortes chuvas que atingem o centro da China obrigaram à retirada preventiva de quase 400.000 pessoas nas províncias de Shaanxi e Sichuan, enquanto as autoridades mantêm vários alertas devido ao risco de inundações, cheias e desastres geológicos. Na província de Shaanxi, as autoridades retiraram preventivamente 115.756 pessoas desde quinta-feira, informou ontem a televisão estatal CCTV. Na província vizinha de Sichuan, mais de 270.000 pessoas foram retiradas desde 29 de Julho devido às fortes chuvas, que provocaram desastres geológicos em várias localidades e levaram ao reforço das medidas de prevenção. Ainda ontem, a precipitação afectou vastas zonas de Shaanxi, com chuva forte ou torrencial em vários distritos e acumulados superiores a 100 milímetros em diversos pontos da província. As chuvas provocaram cheias em vários rios e mantiveram elevado o risco de inundações, enquanto as autoridades continuam a acompanhar a evolução da situação. O ministério dos Recursos Hídricos informou ontem que 18 rios do país permanecem acima do nível de alerta e advertiu para o risco de novas cheias em rios de pequena e média dimensão entre 4 e 6 de Agosto, sobretudo em zonas de Shaanxi, Sichuan e da cidade de Chongqing. O Centro Meteorológico Nacional manteve um alerta laranja, o segundo mais elevado do sistema chinês, devido à previsão de chuva intensa em várias regiões do país. A província de Shaanxi activou igualmente alertas do mesmo nível para fenómenos meteorológicos severos e risco de desastres secundários. Alerta vermelho O ministério dos Recursos Hídricos manteve um alerta vermelho, o mais elevado do sistema chinês, para o risco de cheias repentinas em zonas montanhosas do centro do município de Chongqing, um território com cerca de 82.400 quilómetros quadrados, semelhante em área à Áustria ou à República Checa. O episódio junta-se a um Verão marcado por fenómenos meteorológicos extremos na China, onde a passagem de vários tufões, as chuvas torrenciais no sul e centro do país e os deslizamentos de terras em zonas montanhosas provocaram, nas últimas semanas, dezenas de mortos, centenas de milhares de retiradas preventivas e danos em infraestruturas, habitações e redes de transporte em várias províncias. As autoridades continuam também a acompanhar a evolução do tufão Dolphin, que permanece afastado das águas chinesas, mas cuja trajectória posterior em direcção ao mar a leste da China continua incerta.
IA na China cresceu 40% em 2025 atingindo 153,9 mil milhões de euros Hoje Macau - 5 Ago 2026 As autoridades chinesas anunciaram que o sector da inteligência artificial (IA) na China deverá ultrapassar 1,2 biliões de yuan em 2025, o que representa um aumento de 40 por cento em relação ao ano anterior. “Até ao final de Junho, o número de empresas de IA ultrapassou as 6.600, representando 15 por cento do total mundial”, afirmou a Academia Chinesa de Tecnologia da Informação e Comunicações (CAICT) num comunicado publicado nas redes sociais na segunda-feira. De acordo com a CAICT, a indústria de IA na China estabeleceu um “ecossistema industrial abrangente que inclui infraestruturas de base, estruturas de modelos e aplicações industriais”. A academia referiu que a cadeia industrial da IA se divide na camada de infraestruturas, na camada de estruturas de modelos e na camada de aplicações. “Em 2025, a dimensão da camada de infraestruturas de IA da China cresceu 59 por cento em relação ao ano anterior, representando 38 por cento do total; a dimensão da camada de estruturas de modelos de IA cresceu 189 por cento, representando 7 por cento, e a dimensão da camada de aplicações de IA cresceu 22 por cento, representando 55 por cento”, acrescentou a CAICT. Expansão em curso A CAIC observou que a indústria de inteligência artificial da China é “altamente concentrada” em termos de distribuição geográfica. Pequim, Guangdong, Xangai, Zhejiang e Shandong lideram o desenvolvimento da IA, juntas, estas cinco províncias representam mais de 80 por cento da indústria de IA da China. A academia descreveu o sector da IA na China como “em plena expansão”, com as inovações tecnológicas a alcançarem uma série de avanços, “marcando um período de vitalidade sem precedentes”. A tecnológica chinesa Alibaba apresentou esta semana o Qwen3.8-Max, o seu modelo de inteligência artificial mais avançado até à data, num novo passo na competição entre os principais programadores chineses e norte-americanos de sistemas de raciocínio, programação e agentes autónomos. O Qwen tornou-se um dos principais pilares da aposta da Alibaba na inteligência artificial e na computação em nuvem, áreas nas quais o grupo anunciou investimentos superiores a 52 mil milhões de dólares ao longo de três anos. O lançamento ocorre numa altura de forte dinamismo do setor chinês da IA, após a apresentação de modelos como o Kimi K3, da Moonshot, ou o GLM-5.2, da Zhipu, e em plena competição tecnológica entre a China e os Estados Unidos por tecnologias consideradas estratégicas.
Plano quinquenal domina retiro de Verão da liderança chinesa Hoje Macau - 5 Ago 20265 Ago 2026 O tradicional retiro de Verão da liderança chinesa em Beidaihe arrancou com uma reunião entre o dirigente Cai Qi e especialistas convidados, tendo como pano de fundo as prioridades do novo plano quinquenal da China. Cai, membro do Comité Permanente do Politburo, o principal órgão de decisão do Partido Comunista Chinês, reuniu-se na segunda-feira com especialistas de várias áreas em Beidaihe, uma estância balnear na província de Hebei, informou na noite de segunda-feira a agência noticiosa oficial Xinhua. O despacho não faz referência a reuniões da liderança chinesa nem a deliberações políticas, centrando-se apenas no encontro com especialistas, um formato que, nos últimos anos, se tornou um dos poucos sinais públicos associados ao tradicional retiro de Beidaihe, cada vez menos visível na cobertura oficial. Situada na província de Hebei (norte), a cerca de 300 quilómetros de Pequim, Beidaihe foi instituída pelo antigo líder Mao Zedong, em 1953, como local de descanso de Verão para os principais dirigentes chineses. Prioridades definidas Este ano, o programa oficial de férias para especialistas decorreu sob o lema “Avançar no XV Plano Quinquenal”, aprovado em Março, e reuniu representantes das áreas da investigação fundamental, tecnologias estratégicas, tecnologias essenciais e ciências sociais. Cai afirmou que o período entre 2026 e 2030 será uma fase “crucial” para transformar a China numa potência nas áreas da educação, da tecnologia e dos recursos humanos qualificados, apelando aos especialistas para darem “novos contributos para a modernização socialista”. A referência está em linha com as prioridades definidas por Pequim para o próximo plano quinquenal, numa altura em que a China procura reforçar a auto-suficiência tecnológica face às restrições impostas do exterior. A iniciativa ocorre também depois de o Politburo ter decidido convocar para Outubro a quinta sessão plenária do XX Comité Central do PCC. Este ciclo culminará no XXI Congresso do PCC, previsto para o Outono de 2027.