Jogo | Menos empréstimos ilegais em 2025 Hoje Macau - 6 Fev 2026 No ano passado, a Polícia Judiciária iniciou um total de 192 investigações relacionadas com empréstimos ilegais para jogo, o que representou uma quebra de 23,8 por cento face a 2024. Os números foram divulgados ontem durante um simpósio sobe as estatísticas do ano passado. Apesar de haver menos empréstimos, o número de inquéritos instaurados relacionados com o jogo aumentou 62,6 por cento, para um total de 2.314. Este aumento foi justificado com o crime de troca ilegal de dinheiro para o jogo. Esta foi uma prática que as autoridades locais sempre entenderam não ser necessário criminalizar. Contudo, em 2024, depois das críticas vindas do Interior em que a prática em Macau destas trocas de dinheiro foi identificada como uma vulnerabilidade para a segurança do país, o Governo da RAEM acabou por avançar com a criminalização. Nas declarações prestadas, Sit Chong Meng, director da PJ, afirmou que desde que a lei de combate às trocas ilegais de dinheiro para o jogo entrou em vigor até Dezembro de 2025 foram concluídos 567 casos, que levaram à detenção de 867 pessoas. A polícia apreendeu mais de 94 milhões de dólares de Hong Kong, sendo que algumas operações foram conduzidas em cooperação com as autoridades do Interior. De acordo com o jornal Ou Mun, o aumento da criminalidade resultou também de “melhorias estatísticas”, que não foram especificadas. Sit avisou também que “à medida que as iniciativas policiais se intensificam, as actividades dos gangues de câmbio de dinheiro tornaram-se cada vez mais secretas e os padrões criminosos mais sofisticados”. Contudo, o respomsável prometeu que a PJ “vai acompanhar de perto e de forma persistente” as redes criminosas que utilizam os negócios legítimos para esconderem estas trocas ilegais.
Emperor | Vendido ouro do chão por 100 milhões Hoje Macau - 6 Fev 2026 O grupo Emperor, responsável pelo hotel com o mesmo nome em Macau, acordou a venda de várias barras de ouro que estavam colocadas no chão do hotel. O anúncio foi feito ontem à Bolsa de Hong Kong, e a venda do metal ficou acordada por 99,7 milhões de dólares de Hong Kong, no que deverá representar num lucro líquido de 90,2 milhões. Sobre os motivos para a venda do ouro, o grupo explica se enquadra numa nova estratégia para a exploração do hotel, face ao fim da operação do espaço de jogo, que no passado fez com que o Emperor Hotel fosse um casino-satélite. “Após o encerramento das suas operações de jogo, o Grupo tem vindo a planear activamente outras instalações de entretenimento e diversão para melhorar a sua experiência global de hospitalidade e alargar a sua base de receitas”, foi apontado. “Os metais preciosos que originalmente faziam parte do design interior e do equipamento do hotel, já não são relevantes para o tema do hotel no futuro”, foi acrescentado. O Conselho de Administração da empresa explicou também que a venda se realiza numa altura em que o valor do ouro tem atingido números históricos. O comprador é a empresa Heraeus Metals Hong Kong, a representação do grupo alemão Heraeus, fundado em 1660, e que se dedica a actividades como a comercialização de metais preciosos, reciclagem, saúde, produtos electrónicos e semicondutores.
MGM China | Lucros aumentaram 10,7 por cento Hoje Macau - 6 Fev 2026 A concessionária do leão anunciou um crescimento anual das receitas que promete uma entrada auspiciosa no Ano do Cavalo. Em 2025, a MGM China anunciou lucros recorde de 1,2 mil milhões de dólares A operadora de jogo em Macau MGM China anunciou lucros recorde de 1,2 mil milhões de dólares em 2025, um aumento anual de 10,7 por cento. Trata-se do terceiro ano consecutivo com um novo máximo, depois de, em 2023, a MGM China ter registado um recorde histórico de lucros antes de juros, impostos, depreciação, amortização (EBITDA, na sigla em inglês) de cerca de 921 milhões de dólares e, em 2024, de aproximadamente 1,13 milhões de dólares. Estes dados, de acordo com um comunicado enviado à bolsa de valores de Nova Iorque na quarta-feira, foram publicados “de forma inadvertida”, já que a data de publicação estava marcada para dia 11 de Fevereiro. Os resultados, escreveu a empresa, vão ser hoje divulgados “após o encerramento do mercado” Ainda de acordo com o documento, no último trimestre do ano passado, a MGM China alcançou lucros de 332,3 milhões de dólares, uma subida de 30,5 por cento em relação ao mesmo período do ano passado (254,7 milhões de dólares). A empresa terminou o ano ainda com uma subida anual de 10,9 por cento nas receitas, com ganhos de 4,5 mil milhões de dólares em 2025 face aos 4,02 mil milhões de dólares obtidos no ano anterior. Em termos trimestrais, a MGM China alcançou receitas líquidas de 1,24 mil milhões de dólares nos últimos três meses do ano, o que representa um acréscimo de 21,4 por cento em relação ao mesmo período de 2024 (1,02 mil milhões de dólares). Acima do esperado Em reacção aos resultados anunciados, citados pelo portal GGR Asia, a empresa de serviços financeiros Jefferies considerou que ficaram entre 3 por cento e 5 por cento acima das expectativas. No entanto, o dia de ontem ficou marcado por uma suspensão do comércio das acções da MGM China na Bolsa de Hong Kong. A suspensão aconteceu na parte da manhã, depois de a empresa-mãe, a MGM Resorts, ter por anunciado “inadvertidamente” os resultados da MGM China, ainda antes do comunicado desta às autoridades da Bola de Hong Kong. Seis concessionárias do jogo, MGM, Galaxy, Venetian, Melco, Wynn e SJM, operam em Macau, o único local na China onde o jogo em casino é legal. Os casinos da região fecharam o ano de 2024 com receitas de 226,8 mil milhões de patacas, mais 23,9 por cento do que em 2023 (183,1 mil milhões de patacas). As receitas dos casinos de Macau atingiram no ano passado 247,4 mil milhões de patacas, um aumento de 9,1 por cento em comparação com o ano anterior.
Novo Bairro Hengqin | Menos de 40% das casas vendidas João Luz - 6 Fev 2026 Até ao passado mês de Janeiro, tinham sido vendidos 1.610 apartamentos a residentes no Novo Bairro de Macau em Hengqin, segundo dados revelados ao HM. Entre o fim de 2024 e o mês passado, foram vendidas 222 fracções, menos do que os apartamentos vendidos em Macau apenas em Novembro A venda de apartamentos no Novo Bairro de Macau em Hengqin continua a seguir um ritmo muito abaixo do mercado local, mesmo com a crise que o sector do imobiliário atravessa. Segundo dados revelados pela Macau Renovação Urbana ao HM, até Janeiro de 2026 tinham sido vendidos 1.610 apartamentos no Novo Bairro de Macau a residentes da RAEM, o que representa uma proporção de 39,5 por cento do total das fracções disponíveis. No fim de Maio do ano passado, o relatório anual da Macau Renovação Urbana revelava terem sido comprados 1.388 apartamentos no complexo habitacional da Ilha da Montanha desde que foram colocados à venda em Novembro de 2023, o que representava apenas 34 por cento do volume total de fracções (4.070). Feitas as contas, entre o fim de 2024 e o mês passado, foram vendidas 222 fracções no Novo Bairro de Macau em Hengqin, um volume inferior às vendas registadas em Macau apenas no passado mês de Novembro, quando dados da Direcção dos Serviços de Finanças revelam 238 fracções vendidas, apesar da crise que afecta o sector imobiliário na RAEM. Casa dos talentos O anémico registo de vendas no complexo habitacional para residentes de Macau na Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin ganha contornos mais graves tendo em conta o levantamento de restrições que as autoridades de Hengqin têm introduzido desde 2024. Esta semana, foi anunciado que residentes de Macau podem comprar duas fracções no complexo habitacional. Porém, as autoridades de Hengqin foram implementando sucessivas medidas para impulsionar as vendas. Os critérios foram ajustados, incluindo a remoção do limite de idade, permitindo que menores de idade sejam proprietários, a restrição de revenda nos cinco anos após a compra foi removida, assim como o ajustamento do limite à aquisição de unidades residenciais. Além disso, em Setembro de 2025, a Macau Renovação Urbana anunciou o início da venda dos fracções na Torre 11 do complexo habitacional, com preços a descontos especiais para lugares de estacionamento, obras de renovação e na compra de electrodomésticos. A empresa de capitais públicos indicou também ao HM que foram reservados 200 apartamentos arrendados a “entidades que preencham os critérios” para alojar talentos não-residentes. O arrendamento destas fracções no Novo Bairro de Macau foi estabelecido no contrato de transferência do direito de uso do solo assinado a 21 de Abril de 2020 para o projecto. O alojamento destes quadros qualificados ficou reservado nas torres 17 e 18 do complexo habitacional.
Patriotismo | Sam Hou Fai salienta prioridade a interesses nacionais Hoje Macau - 6 Fev 2026 “Colocamos sempre em primeiro lugar a salvaguarda da soberania, da segurança e dos interesses de desenvolvimento nacional, implementando com determinação o princípio de ‘Macau governada por patriotas’”, afirmou o Chefe do Executivo num discurso proferido ontem na recepção da festa de Primavera oferecida pelo Gabinete de Ligação do Governo Popular Central na RAEM. Sam Hou Fai resumiu a acção política do ano passado, com particular destaque para a integração nacional e defesa da segurança do Estado. “No âmbito da salvaguarda da segurança nacional, tomámos medidas decisivas, tratando os casos de acordo com a lei, a fim de prevenir e impedir resolutamente a infiltração e a interferência de forças externas. Isto assegurou a manutenção eficaz da estabilidade e da harmonia em Macau”, indicou o político local. O líder do Executivo mencionou várias vezes as instruções de Xi Jinping, nomeadamente a frase, que tem “sempre presente”, “A prosperidade não deve induzir à complacência, nem a segurança justifica o esquecimento do perigo”. Afirmando que 2026 é um ano crucial para o alinhamento com as estratégias nacionais, Sam Hou Fai reforçou a promessa de manter a estabilidade. “Continuaremos a implementar o princípio ‘um país, dois sistemas’ de forma abrangente, precisa e resoluta, salvaguardando firmemente a soberania, a segurança e os interesses de desenvolvimento nacional e defendendo com determinação a linha inultrapassável de que ‘não pode haver caos em Macau’”.
Fronteiras | Mercadorias passam a ter declaração alfandegária única Hoje Macau - 6 Fev 2026 Entrou ontem em funcionamento, a título experimental, um serviço que permite entregar online apenas uma declaração alfandegária para a passagem de mercadorias entre Guangdong e Macau, indicou ontem a Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT). Assim sendo, as empresas necessitam de preencher os dados de declaração apenas uma vez e a informação será partilhada entre as autoridades do Interior da China e Macau. A DSEDT afirma que a medida pretende melhorar “o nível de facilitação do comércio transfronteiriço, servindo melhor o desenvolvimento económico e atendendo melhor às necessidades da sociedade”. A direcção de serviços da RAEM acrescenta que a chamada “janela única” para mercadorias de Guangdong e Macau visa prestar serviços facilitados de desalfandegamento de mercadorias por meios digitalizados e informatizados às empresas exportadoras do Interior da China e importadoras de Macau, encurtando o tempo gasto na declaração alfandegária. O Governo indica ainda que o novo serviço ajuda a reduzir custos laborais e tempo, sem necessidade de repetir a introdução de dados, assim como a diminuir erros e aumentar a eficiência.
Presidenciais | Portugueses escolhem Presidente no fim-de-semana João Luz - 6 Fev 2026 Amanhã e domingo, os portugueses que residem em Macau vão poder votar no Consultado-Geral para escolher o próximo Presidente da República portuguesa. As urnas vão estar abertas nos dois dias, das 08h às 19h, depois de três dias de votação antecipada em que participaram 78 eleitores, mais do triplo da primeira volta Os portugueses vão voltar a ser chamados a votar na segunda volta das eleições para eleger o próximo Presidente da República, num sufrágio disputado entre os candidatos do Partido Socialista (António José Seguro) e do Chega (André Ventura). Na RAEM, os portugueses vão poder votar no sábado e domingo, das 08h às 19h, no Consulado-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong, à semelhança dos eleitores que vão votar no estrangeiro nas várias missões diplomáticas espalhadas pelo mundo. Recorde-se que só poderão votar os cidadãos nacionais que se encontrem recenseados no estrangeiro. Para escolher o próximo Presidente da República, os eleitores devem apresentar cartão de cidadão, bilhete de identidade, ou documento que tenha fotografia actualizada e que seja habitualmente utilizado para identificação (passaporte ou carta de condução). Nos passados dias 27, 28 e 29 de Janeiro, o consulado-geral recebeu os eleitores que votaram antecipadamente. Esta modalidade de sufrágio esteve aberta para eleitores por “inerência do exercício de funções públicas ou privadas, em representação de selecção nacional. Além disso, puderam votar antecipadamente estudantes, investigadores, docentes e bolseiros de investigação em instituição de ensino superior, doentes em tratamento, ou eleitores que acompanhem cidadãos mencionados. Segundo informação revelada pelo Consulado-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong ao HM, votaram antecipadamente na segunda volta 78 eleitores, mais do triplo dos votos antecipados na primeira volta, quando foram apurados 25 votos antecipados. Local vs Nacional Na primeira volta, os votos apurados em Macau deram vantagem ao candidato do PSD, Luís Marques Mendes, com 47,19 por cento dos votos, seguido do socialista António José Seguro (20,98 por cento) e André Ventura com 12,4 por cento. A nível nacional, António José Seguro venceu a primeira volta com 1.755.563 votos (31,11 por cento), seguido de André Ventura, com 1.327.021 votos (23,52 por cento) e João Cotrim Figueiredo, com 903.057 votos (16 por cento). Luís Marques Mendes acabou por ficar em quinto lugar, afastado da segunda volta com 637.442 votos (11,3 por cento).
Segurança Nacional | Advogados excluídos sem hipótese de recorrer João Santos Filipe - 6 Fev 2026 Os processos qualificados como de segurança nacional vão abranger casos penais, mas também se podem estender às áreas administrativa e cível. Os advogados serão obrigados a apresentar informações sobre os agregados familiares, como nacionalidade e ligações políticas exteriores Os advogados que forem excluídos dos julgamentos relacionados com segurança nacional pela Comissão de Defesa da Segurança do Estado (CDSE) da RAEM ficam impedidos de apresentar recurso para contestar a decisão. A informação consta da proposta do Governo divulgada ontem no portal da Assembleia Legislativa e que retira aos arguidos a possibilidade de escolherem livremente qualquer advogado inscrito na Associação dos Advogados de Macau. Segundo os procedimentos definidos na proposta de lei, a Comissão de Defesa da Segurança do Estado vai escolher o advogado dos arguidos “no processo judicial de qualquer natureza em que a autoridade competente tiver fundadas razões para crer que existe a necessidade de proteger os interesses da segurança do Estado”. De acordo esta formulação, a exclusão de advogado poderá acontecer em processos criminais, como o que se encontra em curso contra o ex-deputado Au Kam San, mas também em processos administrativos ou até de direito privado, se for considerado que de alguma forma “existe a necessidade de proteger os interesses da segurança do Estado”. No âmbito do processo em curso, ainda antes de ser escolhido como mandatário, o advogado tem de se dirigir ao tribunal e informar o juiz da vontade de ser constituído como representante de uma das partes envolvidas. A partir deste momento começa uma análise ao advogado e ao seu agregado familiar, que podem exigir a obrigação de apresentação de elementos como a nacionalidade do próprio advogado, membros da sua família e ligações com organismos ou indivíduos no exterior entre “outras”. Esta formulação abre assim a porta a que os familiares tenham de declarar a sua filiação com partidos políticos fora de Macau. Todavia, os elementos requeridos não estão especificados na proposta de lei. Se o juiz considerar que os elementos fornecidos pelos advogados no primeiro momento não são suficientes, pode ainda exigir a apresentação de “outras informações que considere indispensáveis para verificação”. O Chefe decide Recolhida a informação, a CDSE decide se considera que o advogado corresponde à vontade do poder político para o caso em concreto, emitindo o parecer em que concede ou recusa a “autorização especial ao mandatário judicial”. Os critérios que vão ser adoptados pelo Chefe do Executivo, os secretários, assessores do Governo Central, que não votam, e outros membros do Governo ligado às polícias e outras entidades não foram revelados. Contudo, a lei afasta a possibilidade de recurso judicial ou contestação dentro da própria comissão. A proposta do Governo adopta assim a política da lei eleitoral dos deputados, com a diferença que o afastamento de um advogado de um caso em concreto não o impede de exercer a profissão, nem de apresentar novos pedidos no futuro, sem ficar “congelado” durante cinco anos. Ao contrário do que acontece com os juízes, o diploma não afasta a participação de advogados portugueses em processos desta natureza. Fora do controlo dos tribunais A lei define também as competências da CDSE, que vai ter poderes para emitir ordens para todas as entidades públicas envolvidas que tenham como objectivos defender a segurança do Estado, assegurar a prosperidade e estabilidade da RAEM e garantir os legítimos direitos e interesses dos residentes da RAEM e de outras pessoas na RAEM. O diploma confirma também a competência da CDSE para emitir pareceres vinculativos em relação às eleições do Chefe do Executivo e para a Assembleia Legislativa. No entanto, a lei traz uma novidade: o princípio de que as decisões das autoridades seguem os pareceres da CDSE, não aceitando impugnação ou acção judicial, a não ser que haja uma norma legal a prever esse recurso. A proposta do Governo de Sam Hou Fai define também que os trabalhos da comissão “são livres de qualquer interferência de outras entidades ou indivíduos da RAEM”, sem disponibilização pública de informação sobre a comissão ou os trabalhos desta. No âmbito do princípio do secretismo, a comissão pode também contratar os trabalhadores que entender necessários, e realizar gastos sem necessidade de divulgação. As contas apenas serão analisadas pelo Chefe do Executivo, que também preside à CDSE. Processo em curso A proposta do Governo para a nova lei da CDSE é justificada nos documentos enviados à Assembleia Legislativa com a necessidade de aperfeiçoar o “sistema jurídico e reforçar a estrutura de topo do sistema de defesa da segurança do Estado”, para “salvaguardar firmemente a soberania, a segurança e os interesses do desenvolvimento do Estado, construir uma barreira sólida para a defesa da segurança do Estado e manter a estabilidade geral da sociedade”. O Executivo indica também que as alterações visam “prevenir e reprimir eficazmente a interferências externa e assegurar que os interesses de segurança do Estado não sejam prejudicados”. A proposta de lei entra no hemiciclo numa altura em que se espera uma conclusão da investigação ao ex-deputado Au Kam San, o único caso tornado público na RAEM relacionado com segurança nacional. Detido em Julho do ano passado, o democrata encontra-se desde então em prisão preventiva. Se a lei for aprovada antes de um eventual julgamento, o processo poderá seguir as estipulações do diploma.
Diocese de Macau/450 anos | Novo Centro Católico terá um hotel Andreia Sofia Silva - 6 Fev 2026 O novo Centro Católico deverá abrir “em meados do segundo trimestre” deste ano e irá ter um hotel, preparado para receber “peregrinos e turistas”, diz a Diocese de Macau. Numa altura em que a instituição celebra 450 anos, a inauguração do Centro Católico tem por base “a visão” de D. Paulo José Tavares, bispo de Macau nas décadas de 60 e 70 Depois de muitos anos de vazio e obras na esquina da Avenida da Praia Grande com a Rua do Campo, o novo Centro Católico prepara-se para abrir portas ainda este ano e é talvez o acontecimento mais importante na celebração do 450º aniversário da Diocese de Macau. O HM colocou questões à Diocese de Macau a propósito da reabertura do edifício, que confirmou que a inauguração oficial está prevista “para o segundo trimestre” deste ano. Este edifício, com um total de 17 pisos, terá as funcionalidades pensadas para fins religiosos, mas também um hotel preparado para receber todo o tipo de pessoas. “O Centro Católico será um centro nevrálgico para a divulgação e partilha da missão da Igreja Católica. Os pisos inferiores contarão com uma capela, um auditório, salas de conferências, áreas de exposição e espaços para actividades.” Enquanto “os pisos superiores funcionarão como um hotel, oferecendo acomodações acolhedoras e confortáveis, imbuídas de um espírito de serviço”. Na resposta escrita da diocese, acrescenta-se que as instalações hoteleiras “foram concebidas para receber tanto peregrinos como turistas, acolhendo católicos e não católicos com hospitalidade e inclusão”. Recorde-se que em Dezembro começaram a ser recrutados funcionários para a unidade hoteleira, em parceria com a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL). Numa sessão de emparelhamento de emprego destinada a residentes, realizada a 5 de Dezembro, com a “Companhia de Gestão do Centro Católico”, foram disponibilizadas 23 vagas de emprego para gestor de vendas, assistente gerente de recepção, chefe de cozinha, chefe de segurança, supervisor de serviço de quartos e supervisor de aquisição, lê-se na nota da DSAL difundida em Novembro. A Diocese de Macau não quis avançar ao HM quanto custou reerguer o novo Centro Católico, referindo apenas que as previsões iniciais derraparam graças à pandemia. “O Centro Católico está actualmente em fase de aperfeiçoamento e submissão e aprovação pelo Governo. Após os desafios da pandemia covid-19, os custos de construção aumentaram significativamente. Estamos gratos pela compreensão e apoio dos construtores e empreiteiros, que permitiram que o projecto de reconstrução fosse concluído com sucesso. Ao mesmo tempo, acolhemos calorosamente doações de todos os sectores da sociedade para ajudar a sustentar e levar adiante a missão original do Centro Católico de servir a comunidade de Macau.” Um bispo ainda presente Questionada sobre as principais metas do novo Centro Católico, a Diocese de Macau descreve que o edifício “tem como objectivo dar continuidade à missão espiritual da Igreja Católica e incorporar o espírito de Cristo”, tendo por influência o trabalho do bispo D. Paulo José Tavares, que realizou a sua missão em Macau em meados do século XX. Destaque para o facto de D. Paulo José Tavares, falecido em 1973 e nomeado bispo de Macau em 1961, ter sido importante na manutenção da presença da Igreja Católica em Macau na época do movimento “1,2,3”. Entre Novembro de 1966 e Fevereiro de 1967, a Revolução Cultural manifestou-se no território, agregando muitos estudantes locais, que pretendiam mudar os conteúdos do ensino católico. D. Paulo José Tavares travou um braço de ferro com estes grupos de manifestantes, conseguido manter inalterado o ensino nas escolas católicas e o espírito que a elas estava associado. Desta forma, e tendo como base “a visão” deste bispo, a diocese pretende que o novo Centro Católico “continue a servir como uma ponte vital para a comunidade de Macau, promovendo o diálogo, o intercâmbio e a integração da fé e da cultura”. É ainda intenção “abrir as portas [do Centro] a visitantes de todo o mundo, reforçando não só o seu papel como refúgio espiritual, como também infundir uma nova vitalidade no panorama religioso e cultural de Macau”. António Pedro Costa, autor da biografia do clérigo, intitulada “D. Paulo José Tavares – O bispo diplomata”, descreveu, em entrevista ao HM concedida em 2023, que o bispo “foi uma lufada de ar fresco”, e uma figura acarinhada pela comunidade chinesa da época. “Essas atitudes de valorização da comunidade chinesa levaram a uma aproximação e ao estabelecimento de uma relação de confiança. Só assim conseguiu levar os seus objectivos adiante, pois percebeu que tinha de ter a população do seu lado. Mas isso trouxe-lhe muitos dissabores com o clero europeu, que não concordava com a postura de D. Paulo José Tavares. Fez com que a população tenha visto nele um aliado e não uma pessoa que vem de fora e que impõe as suas ideias”, disse o autor. Um ano de celebrações Foi em 1576, no quarto ano do reinado Wanli, da Dinastia Ming, que se fundou em Macau a Diocese, sendo 23 de Janeiro a data oficial de celebração. Porém, os próximos meses também serão de festa. Num comunicado anteriormente divulgado, a Diocese de Macau assume que tem tido, ao longo destes anos, “a missão de estabelecer pontes entre o Oriente e o Ocidente, promovendo a educação, a caridade e o serviço pastoral”, deixando “uma marca profunda e duradoura no desenvolvimento cultural, educativo e religioso de Macau”. O tema das celebrações é “De Macau para o Mundo: 450 anos de Missão e Misericórdia”. O novo Centro Católico irá acolher duas exposições temáticas, intituladas “Honrar o Passado, Criar o Futuro” e ainda “Testemunha do Património, Missão no Mundo”. Estas mostras pretendem “reflectir o desenvolvimento da Diocese a partir de perspectivas históricas, pessoais e culturais, bem como as suas orientações futuras”, destaca-se na mesma nota. Amanhã decorre na Igreja da Sé um concerto de música sacra com oito agrupamentos corais de Macau, Hong Kong e da Província de Cantão, podendo ouvir-se as sonoridades do novo órgão de tubos da igreja. A partir das 19h30, vão actuar o Coro Diocesano de Macau, o ensemble Cathedral Schola e ainda outros grupos corais de Macau, como o Coro Perosi, o Dolce Voce e o Cantate Chorus, sem esquecer outros conjuntos de Hong Kong e Cantão. A Diocese destaca que a “iniciativa mais simbólica e de grande dimensão do ano comemorativo” será a “grande celebração” agendada para 31 de Outubro deste ano, e que consiste numa recepção e missa. “Através desta celebração solene, a Diocese dará graças a Deus pelas graças e pela missão concedidas ao longo de quatro séculos e meio, e rezará para que Ele continue a orientar o caminho a seguir”, descreve-se no mesmo comunicado. Haverá ainda iniciativas realizadas por “várias instituições diocesanas” nos próximos meses, nomeadamente “espectáculos culturais, concursos escolares, simpósios académicos, actividades de convívio, encontros juvenis, recursos de formação online, iniciativas paroquiais e celebrações litúrgicas”. “Através de uma participação transversal e intergeracional, o ano comemorativo procura aprofundar o conhecimento público sobre o desenvolvimento histórico da Diocese e o seu serviço à comunidade, promovendo o espírito do lema diocesano ‘Scientia et Virtus’ (Ciência e Virtude), que inspira uma prática de serviço assente no equilíbrio entre o saber e o cuidado ético.” Numa altura em que celebra 450 anos de existência, a Diocese diz querer traçar o futuro, “caminhando com os residentes de Macau na reflexão sobre o passado e na continuação da sua missão de fé, serviço e cultura nesta nova etapa”.
China | Detido veterano repórter de investigação Hoje Macau - 5 Fev 2026 Um veterano jornalista de investigação chinês foi detido pelas autoridades da província de Sichuan, no sudoeste da China, após publicar um artigo crítico da actuação de dirigentes locais, informou ontem a imprensa local. A polícia do distrito de Jinjiang, em Chengdu, capital da província, informou na segunda-feira, através das redes sociais, que duas pessoas, identificadas apenas pelos apelidos Liu (50 anos) e Wu (34 anos), foram colocadas sob “medidas coercivas criminais de acordo com a lei”, por suspeitas de “falsas acusações” e “operações comerciais ilegais”. De acordo com o jornal chinês Caixin, os detidos são o jornalista Liu Hu e a assistente, Wu Lingjiao. Liu Hu é conhecido pelo trabalho como repórter de investigação no jornal New Express, sediado em Cantão. Nos últimos anos, tem mantido uma conta nas redes sociais onde publica reportagens independentes, sobretudo sobre conflitos entre empresas privadas e autoridades locais. Na quinta-feira passada, Liu publicou um artigo, que foi, entretanto, apagado, no qual citava uma fonte que acusava Pu Fayou, secretário do Partido Comunista na vila de Pujiang (sob jurisdição de Chengdu), de abuso de poder e repressão a empresários locais. O artigo também referia a alegada ligação de Pu à demolição forçada de duas propriedades do professor universitário Tuo Jiguang, que se suicidou em 2021 após um prolongado litígio com as autoridades. Citado pelo jornal de Hong Kong South China Morning Post, um funcionário do comité do Partido em Pujiang confirmou que foi criada uma equipa de investigação conjunta entre Chengdu e Pujiang, afirmando que as autoridades “estão a dar grande prioridade” às alegações feitas por Liu. No entanto, recusou fornecer mais detalhes.
Depressão Kristin | Timor-Leste aprova donativo de 4,2 milhões de euros de apoio a Portugal Hoje Macau - 5 Fev 2026 O Governo de Timor-Leste aprovou ontem, em conselho de ministros, um donativo de 4,2 milhões de euros de apoio a Portugal para fazer face à destruição ocorrida na sequência da depressão Kristin. “Este apoio financeiro visa contribuir para os esforços de resposta imediata e recuperação das áreas mais afectadas”, pode ler-se no comunicado do conselho de ministros. Dez pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Protecção Civil contabilizou cinco mortes directamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois quatro óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador. A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados. Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos. O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
Japão | Fortes nevões fazem 35 vítimas mortais Hoje Macau - 5 Fev 2026 Fortes nevões mataram 35 pessoas no Japão nas últimas duas semanas, sobretudo na região de Niigata, centro do arquipélago, anunciaram ontem as autoridades japonesas. Um total de 15 municípios foram afectados, tendo a quantidade de neve acumulada nas áreas mais atingidas sido estimada em dois metros de altura. Em Niigata, uma região produtora de arroz no norte do Japão, foram registadas mortes, incluindo um homem de 50 anos que foi encontrado caído no telhado da sua casa na cidade de Uonuma a 21 de Janeiro. Na cidade de Nagaoka, um homem de 70 anos foi encontrado caído em frente à sua casa e levado de urgência para o hospital, onde foi declarado morto. As autoridades de Niigata acreditam que o idoso caiu do telhado enquanto limpava a neve. Foram relatadas ainda sete mortes relacionadas com a neve na província de Akita e cinco na província de Yamagata. O número de feridos em todo o país atingiu os 393, incluindo 126 com ferimentos graves, 42 deles em Niigata. Catorze casas foram danificadas, três em Niigata e oito na província de Aomori, onde se acumularam até 4,5 metros de neve em zonas isoladas. Uma forte massa de ar frio trouxe fortes nevões nas últimas semanas ao longo da costa do mar do Japão, com algumas áreas a receberem mais do dobro da quantidade habitual de neve. O porta-voz do Governo japonês alertou que, embora as temperaturas estejam a subir, poderiam surgir novos perigos, uma vez que a neve começaria a derreter, resultando em deslizamentos de terra e superfícies escorregadias. “Por favor, prestem muita atenção à vossa segurança, usando capacete ou corda de segurança, especialmente quando trabalham na remoção da neve”, disse Minoru Kihara aos jornalistas. Eleições no caminho O Governo do Japão criou várias forças-tarefa para responder à forte queda de neve em Niigata e regiões próximas desde 20 de Janeiro. Mortes e acidentes relacionados com a neve não são incomuns no Japão, tendo sido registadas 68 mortes durante os seis meses de Inverno anterior, de acordo com a Agência de Gestão de Incêndios e Desastres nipónica. Há previsão de mais neve intensa para o fim de semana, com o país a realizar eleições gerais antecipadas no domingo. A emissora pública japonesa NHK disse que várias agências estão a trabalhar para garantir que as eleições decorrem sem incidentes, e as autoridades pediram aos eleitores que tenham cuidado e verifiquem as condições meteorológicas antes de se deslocarem para votar, incluindo durante o período de votação antecipada. De acordo com as sondagens mais recentes, a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi está a caminho de uma vitória esmagadora nas eleições, convocadas pela líder conservadora há apenas duas semanas para aproveitar as elevadas taxas de aprovação e reforçar o mandato popular para o seu novo governo de coligação. Esta será a primeira vez desde a década de 1990 que o Japão realiza eleições antecipadas.
A pequena idade do gelo e as suas implicações sociais Olavo Rasquinho - 5 Fev 2026 A preocupação sobre a sustentabilidade do nosso planeta não é recente. Segundo o Professor José Pinto Peixoto1 (1922-1996), no seu livro “Influência do Homem no Clima e no Ambiente”2, mencionando um extrato do Livro de Isaías3, “A Terra está desolada e murcha; o Céu e a Terra esmorecem. A Terra está profanada pelos seus habitantes, porque transgridem a lei e violam o direito…”. Na realidade, a ação nefasta que a espécie Homo sapiens exerce sobre a natureza intensificou-se desde há cerca de 10 000 anos, altura em que a revolução agrícola sofreu grande incremento, quando o homem deixou, em grande parte, as suas atividades como caçador-recoletor. Com esta citação, o Professor JPP pretendeu ilustrar que na antiguidade já havia quem se preocupasse sobre o que o homem poderia causar ao nosso planeta. Por definição, profeta é o que serve de intermediário entre o divino e o povo, e esse texto pode-se interpretar como sendo um aviso sobre a intensificação das agressões que a nossa espécie viria a praticar, e que levaram à crise ecológica e climática atual. A vida no nosso planeta só é possível devido a uma série de circunstâncias, entre as quais a Terra estar a uma distância do Sol propícia à existência de água no estado líquido, uma atmosfera respirável e um campo magnético que serve de protetor em relação às partículas carregadas eletricamente emitidas pelo Sol (vento solar), o que evita que a superfície seja atingida por parte da radiação que é prejudicial à vida. Desde que se formou a atmosfera terrestre, sempre houve evolução das suas características, relativamente à composição e parâmetros meteorológicos e climáticos. As alterações do clima influenciaram grandemente a história da humanidade, modelando o comportamento do Homo sapiens. Têm sido uma das principais causas das grandes migrações e, consequentemente, do aparecimento de diferentes civilizações. Investigação na área da paleoclimatologia permite-nos concluir que, durante milhões de anos, o clima foi caracterizado por períodos glaciários e interglaciários. Durante a glaciação mais recente, o gelo invadiu grandes áreas da Europa e da Ásia, provocando a migração de populações para latitudes mais baixas. Há cerca de 6 000 anos, a seca prolongada que causou a desertificação da região onde se localiza o Saara, causou a debandada de povos para o vale do rio Nilo, onde floresceu uma civilização cujos testemunhos ainda hoje são motivo de admiração e de estudo. No último milhão de anos houve aproximadamente seis períodos glaciários. Apesar de estarmos atualmente num período interglaciário, têm decorrido períodos mais curtos caracterizados por temperaturas relativamente baixas, como o que se convencionou designar por “pequena idade do gelo”, entre os séculos XIV e XIX. Não há unanimidade sobre o início, e alguns historiadores consideram que começou mais tarde, no século XVI. Há, no entanto, consenso de que este período foi caracterizado por invernos rigorosos e verões curtos. Ainda hoje se discute qual a causa deste arrefecimento, que poderá ter sido consequência de vários fatores naturais, como a diminuição da atividade solar e o aumento da concentração de partículas na atmosfera resultantes de atividade vulcânica e consequente redução da radiação que atinge a superfície. Segundo alguns historiadores, a “pequena idade do gelo” pode ter sido uma das causas de convulsões sociais. Assim, nos Estados Unidos da América, em 1692, ocorreu um fenómeno social que consistiu na histeria coletiva por parte da população de Salem, povoação do Estado de Massachusetts, que teve como consequência uma série de julgamentos, na sua maioria de mulheres acusadas de bruxaria. Uma sucessão de anos com maus resultados agrícolas e consequente escassez de alimentos terão contribuído para a perceção de insegurança nas populações da região de Nova Inglaterra. Perante esta situação, o clima psicológico coletivo terá contribuído para que centenas de mulheres fossem tratadas como bodes expiatórios, algumas das quais foram executadas por enforcamento. Este assunto tem sido estudado por vários historiadores e servido de tema de peças de teatro, obras literárias e filmes. A obra mais emblemática consistiu na peça de teatro de Arthur Miller (“The Crucible” – 1953), em que o autor explorou esse fenómeno social como metáfora do macartismo, período da história dos EUA entre o final da década de 1940 e meados da década de 1950, caracterizado pela perseguição de supostos comunistas, inspirada pelo senador Joseph McCarthy. O próprio autor foi vítima dessa perseguição. Várias foram as obras literárias sobre o mesmo assunto, sendo, talvez, a mais marcante, a obra de não-ficção “The Witches: Salem, 1692” da escritora americana Stacy Schiff. A peça de Arthur Miller foi adaptada pelo próprio para o cinema, em 1996, tendo o filme sido distribuído em Portugal com o título “As bruxas de Salem”. Foi também durante a pequena idade do gelo que ocorreu grande instabilidade social que precedeu o despoletar da revolução francesa. A insatisfação popular causada pela fome generalizada devido a sucessivos desastres naturais, como uma forte seca em 1788 interrompida por intensa precipitação de granizo e saraiva que causaram a perda de grande parte das culturas que haviam resistido. Para agravar a situação, o inverno de 1788/1789 foi extremamente rigoroso. A fusão de espessas camadas de neve e de gelo causaram enxurradas e inundações na primavera seguinte, em grande parte da França, provocando grave destruição de infraestruturas e a quase totalidade das poucas culturas que restavam. Na sequência destes desastres meteorológicos surgiu um surto de peste que dizimou muitos dos animais que se haviam salvado. A fome adveio a estes eventos e o caos instalou-se nos grandes centros urbanos. O verão de 1789 foi extremamente seco, o que contribuiu para o agravamento da situação. Toda esta sequência de acontecimentos, juntamente com a ineficácia do governo de Luis XVI, contribuiu para o mal-estar social, o que poderá ter constituído uma espécie de rastilho para despoletar a revolução francesa, que teve como um dos episódios mais notáveis, a Tomada da Bastilha, em 14 de julho de 1789. Pode-se concluir que fenómenos meteorológicos que, no seu conjunto, caracterizam o clima de uma região, contribuem grandemente para o agravamento de crises sociais. Por exemplo, a tempestade recente que assolou Portugal em 27 de janeiro de 2026 (a depressão Kristin, resultante de ciclogénese explosiva) gerou, por parte da população afetada uma sensação de mal-estar em relação ao poder político. Outro exemplo foi a seca que atingiu o seu auge em 2017, que causou graves prejuízos à agricultura, pecuária, recursos hídricos e forte impacto ambiental no que se refere a incêndios florestais que causaram dezenas de vítimas mortais. Em ambos os casos o poder político foi acusado, por parte da população afetada, de não ter tomado as medidas necessárias para minimizar as graves consequências que advieram desses desastres naturais. Independentemente dos governos, os desastres naturais causam em geral, com ou sem razão, a sensação, por parte da população, de que as suas consequências poderiam ser minimizadas se se tivessem tomado medidas preventivas mais eficientes, como, por exemplo, melhoria do ordenamento florestal, reforço de infraestruturas e avisos meteorológicos precoces mais rigorosos. Meteorologista Referências: José Pinto Peixoto – Académico português. Foi um dos mais ilustres cientistas à escala global nas áreas da Meteorologia e da Climatologia. Era carinhosamente apelidado de JPP pelos seus estudantes e colegas. Publicado, em 1987, pela Secretaria de Estado do Ambiente e dos Recursos Naturais. O Profeta Isaías, um dos redatores do Antigo Testamento, viveu entre os séculos VIII e VII a.C.
A disputa pela Gronelândia Jorge Rodrigues Simão - 5 Fev 2026 (Continuação do artigo publicado em 29 de Janeiro) A dimensão performativa da política externa desempenha aqui um papel central. A possibilidade de retirar território a um aliado, ainda que por via negocial, projectaria uma imagem de força e imprevisibilidade. Para a Casa Branca, essa imprevisibilidade funcionaria como instrumento de dissuasão perante adversários estratégicos, nomeadamente a Rússia e a China. A ideia de que os Estados Unidos estariam dispostos a considerar acções ousadas em cenários improváveis reforçaria a credibilidade das suas ameaças e promessas no sistema internacional. A “captura de Maduro” é um elemento que teria tornado mais plausível a utilização da força em contextos inesperados. Independentemente da factualidade deste episódio, ilustra a lógica interna da administração Trump com actuações de alto impacto, mesmo que controversas, serviriam para demonstrar determinação e capacidade de acção, criando um ambiente favorável para pressionar parceiros e adversários. Neste quadro, a Gronelândia surgiria como o passo seguinte numa estratégia de choque destinada a desbloquear negociações com Copenhaga. Embora as motivações de Trump apresentem características próprias, existe um ponto de convergência entre a sua visão e os interesses estruturais do Estado americano que é a possibilidade de reforçar a presença militar na Gronelândia através da instalação de um arsenal nuclear. Esta hipótese, inserese na lógica de dissuasão estratégica que tem orientado a política de defesa dos Estados Unidos desde o pósguerra. A proximidade geográfica da Gronelândia ao espaço euro-asiático tornaria o território um local privilegiado para posicionar armamento capaz de responder rapidamente a ameaças provenientes da Rússia ou da China. A modernização das forças nucleares, num contexto de deterioração dos tratados de controlo de armamentos, aumenta a probabilidade de que Washington procure novos locais para reforçar a sua postura estratégica. A Gronelândia, pela sua localização e pelo enquadramento jurídico existente, oferece condições particularmente favoráveis. A convergência entre a ambição simbólica da presidência e os interesses militares do Estado cria, assim, um terreno comum que pode explicar a insistência americana em aumentar a sua influência sobre a ilha. Mesmo que a aquisição territorial não seja necessária para atingir estes objectivos, a possibilidade de reforçar a presença militar pode ter contribuído para legitimar, internamente, a iniciativa presidencial. A posição da Dinamarca constitui outro elemento essencial para compreender a dinâmica em torno da Gronelândia. Embora formalmente soberana sobre a ilha, Copenhaga enfrenta limitações estruturais que condicionam a sua capacidade de resistir a pressões americanas. A dependência económica e militar em relação aos Estados Unidos, aliada à importância da NATO para a segurança europeia, reduz a margem de manobra dinamarquesa. A Gronelândia possui autonomia interna significativa, mas continua integrada no Reino da Dinamarca. A sua população, embora pequena, tem reivindicado maior controlo sobre os recursos naturais e sobre as decisões estratégicas que afectam o território. A proposta de compra americana colocou Copenhaga numa posição delicada de que rejeitar a oferta significava contrariar um aliado fundamental e aceitála implicaria abdicar de um território que, apesar de remoto, possui valor simbólico e estratégico crescente. A recusa dinamarquesa, amplamente divulgada, não eliminou a pressão americana. Pelo contrário, evidenciou a fragilidade da posição europeia no Árctico e a dificuldade de conciliar interesses nacionais com a realidade de um sistema internacional marcado pela competição entre grandes potências. A controvérsia em torno da Gronelândia não pode ser analisada isoladamente pois reflecte transformações mais amplas na ordem internacional, incluindo a militarização crescente do Árctico, competição por recursos estratégicos, redefinição das alianças tradicionais, emergência de lideranças políticas que privilegiam gestos simbólicos de grande impacto e a erosão de normas diplomáticas que, durante décadas, regularam as relações entre aliados. A proposta de compra da Gronelândia, embora improvável de concretizar, tornou visível a forma como o território se tornou peça central num jogo de poder global. A ilha, outrora periférica, é hoje um espaço onde se cruzam interesses económicos, militares e simbólicos de grande magnitude. Assim, a análise do interesse americano pela Gronelândia revela uma combinação complexa de factores estruturais e conjunturais. Por um lado, Washington procura assegurar o controlo de um território essencial para a sua estratégia militar e para o acesso a recursos críticos. Por outro, a presidência de Donald Trump introduziu uma dimensão simbólica e política que ultrapassa os cálculos tradicionais da política externa. A tentativa de adquirir a Gronelândia não deve ser interpretada apenas como excentricidade presidencial, mas como expressão de uma visão de poder que combina ambição histórica, nacionalismo e uma estratégia de imprevisibilidade calculada. A convergência parcial entre esta visão e os interesses do Estado americano explica a persistência do tema e a sua relevância no debate internacional. A Gronelândia, situada entre continentes e entre lógicas de poder, tornouse um espelho das tensões que moldam o século XXI. A disputa pelo seu futuro continuará a reflectir não apenas a competição entre Estados, mas também a forma como estes procuram redefinir o seu lugar num mundo em transformação acelerada.
UE | Pequim denuncia “proteccionismo” após investigação ao fabricante eólico Goldwind Hoje Macau - 5 Fev 2026 A China acusou ontem a União Europeia de protecionismo por abrir uma investigação ao fabricante de energia eólica Goldwind por alegados subsídios estatais, advertindo que este tipo de medidas “mina a confiança” das empresas chinesas na Europa. O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros da China Lin Jian instou Bruxelas a respeitar os seus compromissos de abertura de mercado e os princípios da concorrência leal, apelando ao fim do “abuso de instrumentos comerciais unilaterais”, ao mesmo tempo que defendeu um ambiente empresarial “justo, transparente e não discriminatório” para empresas de todos os países. Lin escusou-se a comentar o caso concreto, remetendo eventuais esclarecimentos para as “autoridades competentes” chinesas, mas afirmou que a União Europeia tem recorrido de forma reiterada a medidas “discriminatórias e restritivas” contra empresas chinesas, o que, segundo disse, prejudica a imagem do bloco e afecta a disponibilidade das companhias chinesas para investir na Europa. O porta-voz reiterou ainda que Pequim “salvaguardará firmemente os direitos e interesses legítimos e legais das empresas chinesas”, em linha com a posição assumida pela China noutros processos comerciais instaurados pela UE em sectores considerados estratégicos. A reacção chinesa surge depois de a Comissão Europeia ter anunciado a abertura de uma investigação ao fabricante chinês de turbinas eólicas Goldwind, por suspeitas de que os subsídios concedidos por Pequim –como apoios diretos, benefícios fiscais ou financiamento em condições favoráveis – possam distorcer a concorrência no mercado interno da UE. A Goldwind opera em vários países europeus através de filiais, entre as quais a alemã Vensys, desenvolvendo na UE actividades que vão desde a produção de turbinas até serviços de investigação, manutenção e gestão de parques eólicos.
Diplomacia | Xi conversa por videoconferência com Putin Hoje Macau - 5 Fev 2026 O Presidente chinês, Xi Jinping, manteve ontem uma conversa por videoconferência com o seu homólogo russo, Vladimir Putin, informou a agência noticiosa oficial chinesa Xinhua, sem adiantar, para já, o conteúdo do encontro. China e Rússia mantêm fortes laços económicos, diplomáticos e militares, que se intensificaram desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022. Xi Jinping e Vladimir Putin trocaram, em 31 de Dezembro, mensagens de felicitações por ocasião do Ano Novo. Os dois líderes encontraram-se no início de Setembro, em Pequim, à margem do desfile militar organizado pela China para assinalar os 80 anos da vitória sobre o Japão na Segunda Guerra Mundial. Esta nova conversa entre Xi e Putin ocorre numa altura em que os Estados Unidos afirmam estar próximos de alcançar um acordo para pôr fim ao conflito na Ucrânia. Russos e ucranianos continuam hoje com as reuniões iniciadas ontem para novas rondas de negociações em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. A China apresenta-se como uma parte neutra neste conflito e afirma não fornecer ajuda letal a nenhum dos lados, ao contrário dos Estados Unidos e de outros países ocidentais.
Encontro | PCC e oposição taiwanesa reforçam noção de nação comum Hoje Macau - 5 Fev 2026 O representante da oposição taiwanesa reiterou o compromisso do Kuomintang para com o bem-estar da nação chinesa comum num encontro com dirigentes em Pequim O líder do principal órgão consultivo da China, Wang Huning, e um representante da oposição em Taiwan vincaram ontem a noção de uma “nação chinesa comum” entre os dois lados do Estreito, num encontro em Pequim. O líder da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês defendeu que os habitantes das duas margens do Estreito de Taiwan têm “responsabilidades comuns para com a nação chinesa”, no encontro com Hsiao Hsu-tsen, vice-presidente do Kuomintang (KMT), no contexto de um aparente esforço de reaproximação entre o Partido Comunista Chinês (PCC) e o principal partido da oposição em Taiwan, que vai em contraciclo com a crescente tensão entre Pequim e Taipé. Wang assegurou que a realização do recente fórum de grupos de reflexão (‘think tanks’) entre os dois partidos demonstra “o compromisso de ambas as partes com o bem-estar dos cidadãos de ambos os lados” e contribui com “energia positiva” para as relações através do Estreito. “Os habitantes das duas margens do Estreito de Taiwan pertencem à nação chinesa”, partilham “o mesmo sangue, a mesma cultura e a mesma história” e têm “responsabilidades comuns para com a nação e aspirações partilhadas quanto ao futuro”, vincou. Hsiao reforçou que o chamado Consenso de 1992 e a oposição à independência de Taiwan “constituem a base política comum que permite manter os intercâmbios entre ambas as partes”. O dirigente foi mais longe ao reformular o entendimento original do acordo, afirmando que “cada parte expressa uma só China”, rejeitando assim a ideia de “interpretações distintas” sobre o conceito. “A consciência chinesa é a nossa alma, a cultura chinesa é o nosso corpo e a nação chinesa é a nossa raiz”, declarou Hsiao, num gesto simbólico de alinhamento político com Pequim. Um só país O encontro decorreu no Salão Xinjiang do Grande Palácio do Povo, em Pequim, segundo noticiou a agência de notícias taiwanesa CNA, um dia após o fórum que marcou a retoma do intercâmbio institucional entre o PCC e o KMT, interrompido há quase uma década. O evento é visto como um passo preliminar para uma possível reunião entre Xi Jinping e a nova presidente do KMT, Cheng Li-wun, prevista para o primeiro semestre deste ano. O Consenso de 1992 é um entendimento tácito segundo o qual tanto Pequim como Taipé reconhecem a existência de ‘uma só China’, embora discordem sobre o que isso significa. Esta ambiguidade permitiu, durante décadas, manter o diálogo entre o continente e a ilha. A sintonia entre o PCC e o KMT contrasta fortemente com o clima hostil entre o Governo chinês e o Executivo de Taiwan, liderado desde 2016 pelo Partido Democrático Progressista – uma formação que rejeita a ‘reunificação’ com a China e defende que o futuro político da ilha cabe exclusivamente aos seus 23 milhões de habitantes.
Património cultural de Chongqing e Xinjiang em exposição Hoje Macau - 5 Fev 2026 O Instituto Cultural (IC), juntamente com uma série de entidades da China, prepara-se para apresentar em Macau uma exposição que irá revelar algum do património cultural imaterial das regiões chineses de Chongqing e Xinjiang, nomeadamente tapeçaria tradicional. A mostra, apresentada na Galeria do Tap Seac a partir da próxima quarta-feira, 11, intitula-se “Cores Esplêndidas: Exposição de Arte do Bordado de Chongqing e da Região Autónoma Uigur de Xinjiang”, cuja inauguração acontece a partir das 18h30. Segundo uma nota do IC, esta exposição apresenta uma “cuidadosa selecção” de 154 obras ou conjuntos de bordados artísticos das cidades de Chongqing e da Região Autónoma Uigur de Xinjiang, incluindo o bordado Shu, o bordado matrimonial de Wuxi, o bordado Miao de Youzhou e o brocado “Xilankapu” (tecelagem tradicional Tujia), assim como as três técnicas de bordado dos grupos étnicos Uigur, Quirguize e Cazaque de Xinjiang. “Todas estas técnicas foram inscritas como itens representativos de património cultural intangível a nível nacional ou municipal, e todas as obras são criadas por transmissores de património cultural intangível e mestres em artesanato e arte, mostrando-se a elegância dos bordados do Sul e as cores vibrantes e ousadas dos bordados do Norte.” O IC acrescenta, na mesma nota, que estas obras feitas em bordado “não só revelam uma técnica notável e um estilo variado, como também contêm a profundidade cultural das etnias envolvidas”. Apresentam-se materiais, motivos e esquemas de cores que “incorporam a sensibilidade estética e a criatividade transmitidas de geração em geração, expressando as aspirações e o anseio do povo por uma vida melhor”. Arte de bem bordar O dia da inauguração, bem como o dia 12 de Fevereiro, promete surpresas para os participantes e interessados, uma vez que nos horários das 10h, 11h30, 15h e 17h estarão presentes vários transmissores de património cultural intangível que farão demonstrações das técnicas de bordado, com a duração aproximada de uma hora por cada sessão. Além disso, em Março, nomeadamente nos dias 7 e 8, decorrem workshops temáticos com os mesmos transmissores deste património. Um deles, é o workshop sobre a técnica do bordado Shu de Chongqing, programado para o dia 7 de Março; já no dia seguinte decorre o workshop sobre a técnica do bordado de Xinjiang. As duas iniciativas acontecem na Sala de Actividades do Museu Memorial de Xian Xinghai, localizada na Rua de Francisco Xavier Pereira. A participação nos workshops é gratuita e as sessões serão conduzidas em mandarim, com um máximo de 16 participantes por sessão. Os residentes com idade igual ou superior a 16 anos poderão inscrever-se a partir das 10h do dia 12 de Fevereiro, através da secção “Inscrição em Actividades” da Conta Única de Macau. O IC descreve a arte do bordado como sendo “um dos artesanatos tradicionais mais representativos da etnia chinesa, contendo uma profunda herança histórica e rica criatividade artística, com múltiplos valores práticos, estéticos, de etiqueta e de transmissão cultural”. Esta mostra pode ser visitada até ao dia 15 de Março.
MAM | Macau recebe mostra de Vieira da Silva no final do ano Andreia Sofia Silva - 5 Fev 20265 Fev 2026 O Museu Arpad Szenes – Vieira da Silva, dedicado à obra da pintora portuguesa Maria Helena Vieira da Silva e do artista Arpad Szenes prepara-se para apresentar na RAEM uma mostra que faz a retrospectiva do trabalho de uma das mais influentes artistas portuguesas contemporâneas, falecida em 1992 O Museu de Arte de Macau (MAM) uniu esforços ao museu da Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva, sediado em Lisboa, para apresentar uma mostra retrospectiva do trabalho da pintora portuguesa Maria Helena Vieira da Silva, tido como um dos grandes nomes da arte portuguesa contemporânea. Esta mostra faz parte do plano de actividades para este ano do Museu Arpad Szenes-Vieira da Silva e foi revelado à Lusa por Nuno Faria, seu director, quando questionado sobre o plano de internacionalização do espaço museológico. A exposição em Macau será composta por obras da colecção da instituição, integrando-se “num contexto de crescente interesse internacional pela artista”. “Fomos desafiados pelos nossos parceiros para fazer em Macau uma exposição ampla com obras da nossa colecção e de outras colecções, e estamos a trabalhar nessa mostra, que acontecerá no final do ano e coincidirá com a antológica de Arpad Szenes em Lisboa”, avançou o responsável. De acordo com Nuno Faria, as recentes exposições da obra de Maria Helena Vieira da Silva “suscitaram um muito visível interesse na exposição retrospectiva no Museu Guggenheim em Bilbau, que veio lançar uma nova luz” sobre a obra da artista portuguesa. “Esta será a primeira grande exposição da Vieira [da Silva] na China”, vincou o director do museu inaugurado em 1994 na antiga Fábrica das Sedas, nas Amoreiras, em Lisboa, na sequência da constituição da Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva, em 1990, destinada a acolher e divulgar o espólio dos dois pintores. Ainda no que diz respeito à internacionalização, está prevista a apresentação na Embaixada de Portugal, em Haia, nos Países Baixos, de uma exposição dedicada à obra gráfica de Vieira da Silva, reunindo um núcleo significativo da colecção da fundação. Duplas e coincidências De resto, o ano de 2026 reserva para o Museu Arpad Szenes-Vieira da Silva exposições dedicadas a Rui Sanches, João Paulo Feliciano e Lourdes Castro, sendo que o plano anual de exposições está organizado em três ciclos. Em Lisboa, o museu vai receber exposições, entre outros artistas, de Teresa Segurado Pavão, Frida Baranek, Vasco Futscher, Carlos Noronha Feio, Mariana Caló e Francisco Queimadela. Nuno Faria disse que o programa de exposições irá continuar a valorizar a obra dos artistas fundadores e a promover o diálogo com a criação contemporânea, a par da aposta na circulação internacional da colecção “rica, ampla e diversa” da instituição. O primeiro ciclo expositivo inaugura já a 10 de Fevereiro e inclui a mostra “Arpad Szenes e Vieira da Silva: núcleos da colecção”, reunindo obras fundamentais dos dois artistas, “organizadas numa leitura diacrónica e temática que evidencia a evolução e as principais linhas das suas produções”. No mesmo período, será apresentada “Ensaios em Imobilidade e Movimento Secreto”, que junta esculturas de Rui Sanches e Teresa Segurado Pavão, numa colaboração inédita entre os dois artistas. “São dois artistas que têm esta feliz coincidência – como a Vieira da Silva e o Arpad Szenes – de serem um casal, Rui Sanches dedicado à escultura e ao desenho, e Teresa Pavão à cerâmica e ao têxtil”, apontou Nuno Faria, salientando que, segundo os autores convidados, “esta parceria inédita a quatro mãos será irrepetível”. O segundo ciclo expositivo do museu decorre de 21 de Maio a 13 de Setembro e inclui uma nova apresentação dos núcleos da colecção de Arpad Szenes e Vieira da Silva, aprofundando a leitura da obra, e uma exposição dedicada a Lourdes Castro (1930-2022), com desenhos iniciais inéditos, obras e documentação das décadas de 1950 e 1960, desenvolvida em parceria com o MUDAS — Museu de Arte Contemporânea da Madeira. O terceiro ciclo será dedicado quase integralmente a uma exposição antológica da obra de Arpad Szenes (1897-1985), baseada em investigação aprofundada sobre a sua produção pictórica e gráfica, com o objectivo de apresentar novas leituras do trabalho do artista e promover a circulação internacional do projecto. “Essa é talvez a exposição mais desafiante que vamos fazer este ano”, avaliou o director do museu à Lusa, avançando que será dedicada a totalidade do espaço do museu a Arpad Szenes.
Starmer em Pequim e a visão ampla da História Hoje Macau - 5 Fev 2026 Por Xu Zeyu Enquanto Sir Keir Starmer passeava pela Cidade Proibida, o monumento de seis séculos do poder dinástico chinês, as redes sociais fervilhavam com comparações sarcásticas à visita de Donald Trump em 2017, quando o presidente dos EUA foi pessoalmente acompanhado por Xi Jinping pelos mesmos salões e pátios com toda a pompa de um dignitário. Os críticos de poltrona criticaram avidamente a presença relativamente discreta de Starmer: sem multidão isolada por cordas, sem líderes proeminentes ao seu lado. Bem em frente ao Salão da Harmonia Suprema, onde Starmer parou para apreciar a grandiosidade, Trump questionou uma vez a reivindicação da China à antiguidade: «Acho que a cultura mais antiga, dizem eles, é a do Egipto, com 8.000 anos.» Xi respondeu: “O Egipto é um pouco mais antigo. Mas a única civilização que continua ininterrupta é a China.” Mais cedo naquele dia, durante conversas formais antes da visita de Starmer à Cidade Proibida, Xi tocou um tema histórico semelhante com o primeiro-ministro britânico, invocando o que chamou de “visão ampla da história”. Ao contrário do que as ridicularizações online sugerem, Pequim estendeu o tapete vermelho para o primeiro líder britânico a visitar a China em oito anos, que foi recebido sucessivamente pelas três principais figuras da política chinesa: o presidente Xi Jinping, o primeiro-ministro Li Qiang e o presidente do Congresso Nacional do Povo, Zhao Leji. A reunião formal com o presidente Xi, originalmente programada para 40 minutos, se estendeu por 80 minutos, resultando em trocas produtivas que as autoridades de ambos os lados descreveram como “calorosas e construtivas”. Foi nessa ocasião que Xi disse a Starmer: “A China está pronta para trabalhar com o Reino Unido na defesa de uma visão ampla da história, superando as diferenças e promovendo o respeito mútuo, a fim de transformar o potencial promissor da cooperação em realizações notáveis, abrir novas perspectivas para as relações e a cooperação entre a China e o Reino Unido, para melhor beneficiar os dois povos e o mundo em geral.” A formulação é particularmente pouco ortodoxa num contexto diplomático. Xi Jinping abordou o conceito de «visão ampla da história» em fevereiro de 2021, quando exortou uma sala cheia de altos funcionários do Partido a estudar história antes do próximo centenário do Partido Comunista Chinês. Na conferência, ele observou: «Devem ser envidados esforços para educar e orientar todo o Partido a ter em conta a estratégia de rejuvenescimento nacional da China num contexto de mudanças globais de uma escala nunca vista num século, desenvolver uma grande visão da história, examinar a dinâmica da mudança e identificar padrões históricos a partir do longo curso da história, da maré dos tempos e do panorama global, formular estratégias e políticas correspondentes e avançar o nosso trabalho com uma abordagem holística, perspicaz e inovadora.» Como uma terminologia distintamente partidária enraizada na ideologia marxista, a “visão ampla da história” raramente tem sido invocada em público, mesmo quando o líder máximo se dirige aos quadros do partido. Utilizar tal termo ideológico durante uma reunião com um chefe de governo estrangeiro em visita foi, portanto, uma jogada altamente calculada, codificada com subtexto. No voo para Pequim, Starmer advertiu que as relações sino-britânicas não devem desviar-se de uma “era de ouro” para uma “era glacial”. Mas as observações sobre uma “visão ampla da história” pareciam refletir a perspectiva de Pequim sobre essa trajetória — ou seja, o abandono por Londres do seu compromisso com a “era de ouro” assumido há uma década. Quando Xi fez a sua primeira visita de Estado à Grã-Bretanha em 2015, fazia pouco mais de uma década que os dois países haviam estabelecido uma “parceria estratégica abrangente”. Na época, a Grã-Bretanha era o segundo maior parceiro comercial da China e o principal destino de investimentos na Europa. Londres posicionou-se como pioneira em finanças, tornando-se o primeiro país ocidental a emitir títulos soberanos em RMB e a primeira grande potência ocidental a aderir ao Banco Asiático de Investimento em Infraestruturas, iniciado por Pequim. Barbara Woodward, então embaixadora britânica na China, anunciou que a visita estabeleceria «uma parceria global para o século XXI e daria início a uma década dourada nas relações entre a China e o Reino Unido». A «década dourada» que se seguiu, no entanto, desenrolou-se precisamente na direção oposta. Meses depois da visita de Trump à Cidade Proibida em 2017, Washington lançou a primeira ronda da guerra comercial contra a China. A Grã-Bretanha, seguindo os passos de Washington na estratégia de contenção, adoptou uma postura cada vez mais adversária em relação a Pequim em questões como os distúrbios em Hong Kong, o algodão de Xinjiang, a «redução de riscos» nas cadeias de abastecimento e o bloqueio tecnológico contra a China, desmantelando efetivamente a visão comum de aprofundamento das relações bilaterais. Hoje, enquanto os EUA lançam olhares cobiçosos sobre a Gronelândia, denigrem a memória dos soldados britânicos mortos e ameaçam uma ofensiva tarifária contra a parceria transatlântica sob a chamada “Doutrina Donroe”, a iniciativa de Londres de restabelecer as relações com Pequim parece menos uma mudança estratégica e mais uma proteção desesperada contra a “Discordia Americana”. Do ponto de vista de Pequim, este súbito aquecimento diplomático parece lamentavelmente desprovido de uma visão histórica genuína a longo prazo. As aberturas da Grã-Bretanha parecem a mais recente oscilação política impulsionada pelos caprichos inconstantes de Washington. Isto levanta naturalmente uma questão: se um presidente menos idiossincrático entrar na Casa Branca em 2029, será que o número 10 voltará a considerar aceitável um regresso à «era glacial» com a China? Este cepticismo é ainda mais profundo. Um importante estudioso chinês de política americana certa vez comparou a relação entre os EUA e a Europa a um casamento: eles podem “brigar na cabeceira, mas reconciliam-se nos pés da cama”. Esta expressão chinesa captura o sentimento predominante nos círculos estratégicos chineses: apesar de todos os atritos recentes, o Ocidente continua a ser um clube exclusivo, mesmo que temporariamente disfuncional. Enquanto políticos ocidentais como Mark Carney se preocupam com uma «ruptura» na ordem pós-Guerra Fria, para grande parte do Sul Global, não há sinais de uma ruptura — apenas a continuação de uma hegemonia liderada pelos EUA sob a qual eles vivem há muito tempo. A “nova ordem mundial” é simplesmente um caso de um novo rei que começa a abusar dos nobres da mesma forma que antes abusava dos plebeus. Os nobres agora clamam contra ele como um tirano, não porque consideram a hierarquia injusta, mas porque perderam suas prerrogativas de agir com impunidade. A «visão ampla da história» pode muito bem servir como um lembrete incisivo aos líderes europeus para que não sucumbam à amnésia na sequência dos choques trumpianos. A Europa nunca foi igual a Washington, e Pequim não tem intenção de servir de alavanca para a Europa comprar o seu regresso a um passado «liberal». A visita de Starmer revelou este realismo económico sem retoques. Ao aterrar em Pequim com uma comitiva de titãs dos negócios, ele twittou que seu objectivo era “cumprir com o povo britânico”. Certamente, Pequim acolheu a iniciativa de expandir os laços comerciais, estendendo acordos sobre uísque escocês, produtos farmacêuticos e viagens sem visto — acordos que, compreensivelmente, despertaram a ira de Trump. No entanto, a China espera que a Grã-Bretanha seja mais do que “estranhos à porta” obcecados pelo comércio. O que Pequim realmente busca é que a Grã-Bretanha actue como uma “grande potência” nos assuntos globais, um termo que Xi usou repetidamente durante sua visita de Estado em 2015. Ele usou-o novamente na última quinta-feira, embora em termos cautelosos: “O direito internacional só pode funcionar quando todos os países o obedecem, e as grandes potências devem liderar pelo exemplo, ou o mundo voltará à lei da selva”. A China não procura um aliado na Grã-Bretanha; em vez disso, procura um parceiro com pensamento estratégico independente, capaz de injectar certeza no sistema global cada vez mais volátil. No entanto, mesmo essa expectativa modesta parece exceder as ambições da Grã-Bretanha. Durante a década outrora anunciada como a «década dourada», a Grã-Bretanha parece ter renunciado voluntariamente à identidade de «grande potência» invocada por Pequim. A natureza autodepreciativa da política externa britânica diverge acentuadamente da forma como a maioria dos chineses vê o papel histórico do país insular — algo que até os próprios britânicos não compreendem. A Guerra do Ópio de 1840, iniciada pela Grã-Bretanha, é amplamente considerada como o ponto de partida do «século de humilhação» da China. O objectivo geral do Partido, o “grande rejuvenescimento da nação chinesa”, visa restaurar a posição internacional da China ao que era antes da chegada dos navios de guerra britânicos. Referido nos livros didáticos chineses como “o império sobre o qual o sol nunca se põe”, o legado colonial da Grã-Bretanha não se reflecte apenas nos artefactos chineses saqueados e exibidos no Museu Britânico, mas também continua a manifestar-se nas disputas fronteiriças entre a China e a Índia e na agitação em Hong Kong. No entanto, a China vê a Grã-Bretanha não apenas como uma potência outrora formidável, que deixou uma marca indelével na sua história moderna e no panorama geopolítico, mas também como uma nação autónoma e pragmática que demonstrou visão histórica no envolvimento global. A Grã-Bretanha foi a primeira potência ocidental a reconhecer a República Popular da China, no segundo ano da sua fundação, para ser exacto — três décadas antes dos EUA seguirem o exemplo. Essa decisão continua, aos olhos dos chineses, a ser uma rara demonstração de independência estratégica e pragmatismo para um império em declínio. Como Winston Churchill disse uma vez, «quanto mais longe se consegue olhar para trás, mais longe se consegue ver para a frente». Esta pode ser agora uma oportunidade rara, e talvez definitiva, para a Grã-Bretanha e outras nações europeias, que despertaram para a dura realidade de que a «ordem liberal» liderada pelos Estados Unidos não abraça valores liberais genuínos nem proporciona uma ordem previsível. Têm a oportunidade de se afirmar como um «pólo» verdadeiramente autónomo num mundo multipolar emergente, em vez de simplesmente dançar ao som dos caprichos dos Estados Unidos com reviravoltas diplomáticas. Quando Donald Trump esteve na Cidade Proibida em 2017 não compreendeu ou optou por ignorar a subtil metáfora histórica transmitida pelo seu anfitrião chinês: a necessidade imperativa de evitar um “choque de civilizações” por meio do diálogo e do respeito mútuo. Em vez disso, em poucos meses, o seu governo arrastou o mundo inteiro para uma era de intensificação do confronto entre os EUA e a China, embora o desenrolar dos acontecimentos tenha ficado muito aquém da Guerra Fria que ainda está viva na memória. A forma como Sir Keir Starmer interpretará a «ampla visão da história» durante a sua própria caminhada por esses mesmos salões imperiais pode ainda revelar-se um momento crítico — um momento que os historiadores do futuro citarão com admiração ou comiseração ao emitir o seu veredicto sobre o destino da Grã-Bretanha e da Europa.
Aeroporto | CAM aponta para 8,14 milhões de passageiros em 2026 Hoje Macau - 5 Fev 2026 Após um ano de 2025 em que o aeroporto perdeu passageiros e voos comerciais, os responsáveis pela CAM – Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau acreditam que 2026 vai ser diferente. De acordo com os números apresentados durante um almoço de Ano Novo Lunar, organizado ontem, a empresa estima receber 8,14 milhões de passageiros e 63 mil chegadas e partidas de voos comerciais ao longo deste ano. Os números indicados pela empresa, e citados pelo jornal Ou Mun, representam um aumento anual de 8,2 por cento do número de passageiros e de 8,6 por cento do número de chegadas e partidas de voos comerciais. A estimativa anual do número de passageiros de 2026 não deixa de ficar abaixo do que acontecia antes da pandemia. Em 2019, o aeroporto recebeu um total de 9,61 milhões de passageiros, o valor mais elevado desde que começou a funcionar, e no ano anterior tinha recebido 8,26 milhões de passageiros. O aumento do número de passageiros é esperado, apesar do presidente da Comissão Executiva da empresa, Simon Chan Weng Hong, ter revelado que a partir de Outubro deste ano e até Outubro de 2029 o aeroporto vai estar encerrado entre a noite as 8h da manhã. O encerramento foi justificado com a expansão da infra-estrutura e o aterro de terrenos. Em relação a estas obras, Simon Chan afirmou que se espera um “impacto mínimo” no funcionamento do aeroporto. O presidente da Comissão Executiva da CAM revelou também que em Abril vão abrir novos restaurantes no aeroporto, com a disponibilização de refeições confeccionadas por algumas das marcas locais mais conhecidas.
Vírus Nipah | Governo prepara capacidade de resposta do sector da aviação Hoje Macau - 5 Fev 20265 Fev 2026 Os Serviços de Saúde realizaram na terça-feira a palestra “Conhecimentos sobre a infecção pelo vírus Nipah”, destinada a representantes da Autoridade de Aviação Civil, da CAM, Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau, S.A.R.L. e das companhias aéreas. Os Serviços de Saúde (SS) indicaram ontem que o evento teve como objectivo informar e reforçar a sensibilização para os casos de infecção pelo vírus Nipah detectados no Estado de Bengala Ocidental, no leste da Índia, assim como aperfeiçoar a capacidade de resposta do sector da aviação. Mais de 100 gestores e trabalhadores de linha da frente ouviram as explicações sobre vias de transmissão, sintomas clínicos e pontos importantes de protecção individual. As autoridades salientaram a importância do posto fronteiriço como “a primeira linha de defesa contra a importação de doenças infecciosas graves”, dos profissionais do aeroporto e companhias aéreas para a protecção da saúde dos residentes. Os SS garantiram também o reforço da avaliação e o exame médico aos indivíduos com história de viagem relevante que apresentem sintomas nos postos fronteiriços. Para tal, foi criado um “mecanismo de coordenação interdepartamental eficaz com o aeroporto, a Autoridade de Aviação Civil e os serviços competentes”. Além disso, “de acordo com a investigação global nacional e a avaliação de risco da Organização Mundial de Saúde”, actualmente, o impacto do vírus Nipah para Macau é “relativamente baixo”.
Uber | Deputado pede regulação e questiona tratamento de dados Nunu Wu e João Luz - 5 Fev 2026 Leong Sun Iok está preocupado com a falta de regulamentação dos serviços de táxis online, em resposta à reentrada da Uber em Macau, e defende a criação de uma lei específica para proteger direitos de passageiros e motoristas. O deputado questiona também a localização dos servidores da Uber O uso de aplicações móveis para chamar táxis é uma realidade consensual em todo o mundo há muitos anos, à excepção de Macau. O reinício de operações da Uber em Macau, anunciado na terça-feira, motivou de imediato reacções para o retorno à velha ordem, ou preocupações sobre a abertura dos serviços. Uma das vozes da consternação é o deputado Leong Sun Iok. O legislador dos Operários está preocupado com a falta de regulamentação das aplicações para pedir serviços de táxi, e de uma lei específica que garanta os direitos de passageiros e motoristas. Como tal, espera que o Governo avance com legislação em breve. Em declarações ao jornal Ou Mun, o deputado argumentou que se um passageiro cancelar uma reserva, o taxista não terá força para compensar a perda. O mesmo pode acontecer ao cliente, se a plataforma tiver problemas temporários que levem ao cancelamento do pedido. Apesar de a Uber ter garantido que as tarifas cobradas são as mesmas, “de acordo com o taxímetro oficial”, Leong Sun Iok afirmou que a legislação em vigor proíbe a cobrança de tarifas adicionais, mas que há plataformas que as cobram de qualquer das formas. À procura de problemas Também o serviço de transporte entre Macau e Hong Kong facultado pela Uber preocupa o deputado, que destacou que a lei obriga o veículo estar licenciado e o motorista a ter cartão de identificação de condutor de táxi para evitar infracções. Recorde-se que neste aspecto, a Uber indicou que o serviço estará a cargo de um operador de transportes transfronteiriços, a empresa Kwoon Chung Bus Holdings. Na óptica do deputado, apesar de a Uber usar exclusivamente táxis licenciados de Macau, o cliente deve estar alerta e confirmar a legalidade do veículo, porque em caso de acidente de viação pode não estar coberto por seguro. Nesse sentido, Leong Sun Iok também apelou ao Governo para combater táxis ilegais. A localização “incerta” dos servidores de dados da Uber representa outro receio de Leong Sun Iok, uma vez que a legislação da RAEM obriga à instalação de servidores em Macau, exigência que quatro plataformas de táxi online cumprem.
Biblioteca Central | Superestrutura vai custar 343,9 milhões de patacas João Santos Filipe - 5 Fev 2026 A Companhia de Construção Urbana J&T foi a escolhida entre 30 empresas que entraram no concurso para construir o edifício da nova biblioteca. Segundo a Direcção dos Serviços de Obras Públicas, os trabalhos vão demorar cerca de um ano e meio As obras de construção da superestrutura da nova Biblioteca Central vão custar 343,9 milhões de patacas, de acordo com informação divulgada ontem no portal da Direcção dos Serviços de Obras Públicas (DSOP). A superestrutura é constituída por todos os elementos estruturais de um edifício acima do nível do solo e as obras têm de ser terminadas em 589 dias, um pouco mais do que um ano e meio. A Companhia de Construção Urbana J&T Limitada foi a escolhida para realizar os trabalhos, entre um total de 30 empresas que participaram no concurso público, realizado na segunda metade do ano passado. O valor das propostas apresentadas variou entre 313,9 milhões de patacas e 370,5 milhões de patacas. O prazo de execução das propostas apresentadas variou entre 558 dias e 590 dias, sendo que o concurso público definia como período máximo 620 dias. Além do preço, que contava 50 por cento para a decisão final, e do prazo de execução (15 por cento), os restantes critérios de decisão do concurso incluíam a experiência e qualidade em obras (20 por cento), programa de execução (10 por cento), e plano do programa dos recursos humanos e proporção de trabalhadores residentes em cargos de gestão (5 por cento). A futura biblioteca vai ocupar uma área de cerca de 2.960 metros quadrados e o projecto prevê a construção de quatro pisos de altura e cave, com uma área bruta de construção de cerca de 13.800 metros quadrados. De acordo com os dados oficiais, esta área de construção é “dez vezes superior à da antiga biblioteca central”, localizada no lado oposto da Praça do Tap Seac. O rés-do-chão e os pisos superiores da construção vão receber instalações como auditórios, zona de leitura de jornais e revistas, bibliotecas para adultos e crianças, salas de reuniões e espaços multimédia dedicados ao ensino. Projecto atribulado A construção da nova biblioteca de Macau está pensada há mais de 10 anos com os processos da escolha do local e elaboração do projecto a ficarem marcados por várias polémicas. Inicialmente, durante o segundo mandato de Fernando Chui Sai On como Chefe do Executivo, foi revelado um convite ao arquitecto português Álvaro Siza Vieira para desenhar a futura biblioteca. Contudo, devido à pressão de grupos de interesses locais, o convite ao arquitecto português foi retirado, o que levou à realização de um concurso público. No âmbito do primeiro concurso, foi escolhido um projecto do atelier do arquitecto Carlos Marreiros, com um preço de 18,68 milhões de patacas. A biblioteca estava planeada para o antigo tribunal. No entanto, as obras nunca chegaram a arrancar, porque face às críticas sobre a localização, o Executivo optou por escolher um novo local, a Praça do Tap Seac, que implicou a demolição do antigo Hotel Estoril. As mudanças levaram à realização de mais um concurso público, desta feita internacional que terminou com a escolha do atelier holandês Mecanoo. É este projecto que está a ser agora construído.