Indústria | Actividade apresenta ligeira melhoria em Novembro

A actividade industrial da China caiu em Novembro pelo oitavo mês consecutivo, embora a um ritmo ligeiramente mais moderado, de acordo com dados oficiais divulgados ontem pelo Gabinete Nacional de Estatísticas (GNE) do país.

O índice oficial dos gestores de compras (PMI, indicador de referência do sector) fixou-se em 49,2 pontos em Novembro, 0,2 pontos acima dos 49 registados no mês anterior, estando em linha com as previsões dos analistas. Neste indicador, um valor acima do limiar dos 50 pontos representa um crescimento da actividade do sector, em relação ao mês anterior, enquanto um valor abaixo representa uma contração.

Entre os cinco subíndices que compõem o PMI, apenas o relativo aos prazos de entrega escapou à contração, subindo para 50,1 pontos. O relativo à produção manteve-se nos 50 pontos e os restantes – novas encomendas, inventários de matérias-primas e emprego – ficaram abaixo desse limiar, com 49,2, 47,3 e 48,4 pontos, respectivamente.

Por dimensão de empresa, os grandes fabricantes registaram 49,3 pontos, abaixo do mês anterior, enquanto os médios e pequenos registaram 48,9 e 49,1 pontos, ambos ainda em território de contração.

A estatística do GNE Huo Lihui atribuiu a ligeira melhoria do indicador da indústria ao facto de “a produção e os novos pedidos terem apresentado uma melhoria simultânea”, ao avançar 0,3 e 0,4 pontos, respectivamente, o que revela, nas palavras da especialista, “uma recuperação parcial tanto na oferta como na procura” do sector.

Huo observou que “as pequenas empresas registaram uma recuperação particularmente notável”, com o PMI a atingir o nível mais elevado em seis meses, enquanto a indústria de alta tecnologia “continuou a expandir-se pelo décimo mês consecutivo”. O GNE divulgou também o índice da actividade nos sectores dos serviços e da construção, que desceu de 50,1 pontos em Outubro para 49,5 em novembro.

Hong Kong | Número de mortos no incêndio sobe para 146

O número de baixas fatais no incêndio que devastou sete edifícios em Tai Po continua a subir e as previsões não são animadoras

O número de mortos confirmados no incêndio que devastou um complexo residencial em Hong Kong na semana passada aumentou para 146 e o balanço pode ainda piorar, informou ontem a polícia. “O número de mortos aumentou para 146 às 16:00. Não podemos excluir a possibilidade de haver mais vítimas mortais”, disse à imprensa um representante da polícia, Tsang Shuk-yin.

Hong Kong cumpre hoje o terceiro de três dias de luto pelo incêndio que consumiu o complexo residencial Wang Fuk Court, em Tai Po, no norte da cidade.

O incêndio deflagrou por volta das 15:00 de quarta-feira no bloco Wang Cheong House e afectou sete dos oito edifícios. As investigações preliminares indicam que o fogo teve origem na rede de protecção dos andaimes nos pisos inferiores e se propagou rapidamente na vertical.

Placas de poliestireno expandido, altamente inflamáveis, utilizadas para vedar as aberturas e os caixilhos junto aos elevadores, bem como as lonas exteriores que violavam as normas de segurança contra incêndios, facilitaram a entrada das chamas nos apartamentos através dos corredores.

Solidariedade geral

Desde quarta-feira à noite, milhares de cidadãos, grupos de vizinhos, sindicatos, igrejas e voluntários mobilizaram-se espontaneamente, angariando milhões de dólares de Hong Kong e distribuindo água, alimentos, vestuário e abrigos temporários.

O Governo anunciou um fundo inicial de 300 milhões de dólares de Hong Kong para ajudar as vítimas e as pessoas afectadas, que, entretanto, já alcançou 800 milhões de dólares de Hong Kong. Foi ainda anunciado o lançamento de uma campanha de “inspeção e retificação” contra os riscos de incêndio em edifícios altos.

Segundo avançou no sábado o canal estatal CCTV, esta campanha incidirá, nomeadamente, nas obras de renovação exterior ou interior de edifícios ainda ocupados e na utilização de materiais inflamáveis nas obras e de bambu para os andaimes.

Campanha contra riscos de incêndio

A China lançou uma campanha de “inspecção e rectificação” contra os riscos de incêndio em edifícios altos, anunciou ontem a emissora de televisão pública CCTV, após o incêndio que causou pelo menos 146 mortes em Hong Kong.

Segundo avançou o canal estatal, esta campanha incidirá, nomeadamente, nas obras de renovação exterior ou interior de edifícios ainda ocupados e na utilização de materiais inflamáveis nas obras e de bambu para os andaimes. A campanha terá como alvo “o uso de materiais e processos proibidos e equipamentos como andaimes de bambu ou redes de protecção sem efeito retardador” de chamas, segundo a CCTV. Também terá como alvo obras não autorizadas ou realizadas sem o cumprimento dos procedimentos, precisou o canal.

Estudante detido

O estudante que lançou uma petição a exigir responsabilização política, após o incêndio que matou pelo menos 146 pessoas em Hong Kong, foi detido por suspeita de “incitação à sedição”, noticiou ontem a imprensa local. O jovem foi detido no sábado por agentes da Polícia de Segurança Nacional, que o levaram para interrogatório.

O promotor do colectivo “Tai Po Wang Fuk Court Fire Concern Group” lançou a petição ‘online’ na sexta-feira, exigindo quatro medidas ao Governo: alojamento imediato de quem perdeu casa, criação de uma comissão de inquérito independente, revisão do sistema de supervisão da construção e responsabilização, incluindo dos altos funcionários. Em menos de 24 horas, a petição ultrapassou as 10.000 assinaturas, tendo sido encerrada no sábado. Pouco tempo depois, as contas nas redes sociais do grupo e todas as ligações à petição desapareceram.

O Gabinete para a Salvaguarda da Segurança Nacional em Hong Kong, do Governo central, denunciou anteriormente que “indivíduos anti-chineses e mal-intencionados” espalharam rumores e aproveitaram a tragédia para “satisfazer ambições políticas” e “provocar novamente o caos”, um comportamento que descreveu como “contrário à humanidade” e que será objecto de “punição legal”.

Luto e detenções

Hong Kong iniciou sábado três dias de luto pelo incêndio que consumiu o complexo residencial Wang Fuk Court, em Tai Po, no norte da cidade, e que causou pelo menos 146 mortos e cerca de 200 desaparecidos. Às 08:00 horas, o Chefe do Executivo, John Lee Ka-chiu, presidiu a uma sessão em que foram feitos três minutos de silêncio no exterior da sede do Governo. As bandeiras da China e da Região Administrativa Especial de Hong Kong (RAEHK) estão a meia haste em todos os edifícios públicos até hoje.

Sábado de manhã, dezenas de famílias com crianças prestaram homenagem às vítimas em silêncio na praça Golden Bauhinia, em Wan Chai. O departamento de Assuntos Internos instalou áreas de condolências nos 18 distritos da cidade, com livros de assinaturas disponíveis ao público.

O Governo cancelou ou adiou as actividades festivas financiadas com fundos públicos e os altos funcionários não participaram em eventos não essenciais durante o período de luto.

O rei Carlos III enviou uma mensagem de condolências, afirmando que ele e Camila estão “profundamente tristes” com a tragédia e elogiando “a extraordinária coragem dos serviços de emergência” e “o espírito determinado” da comunidade da antiga colónia britânica.

O responsável dos bombeiros, Andy Yeung, revelou que os sistemas de alarme dos oito blocos estavam avariados e anunciou a tomada de medidas contra os empreiteiros.

Três gestores da Prestige Construction and Engineering Co, incluindo dois directores, foram detidos na quinta-feira por alegado homicídio por negligência, por utilização de materiais não conformes. A comissão independente contra a corrupção deteve um total de oito pessoas relacionadas com as obras de renovação.

O Oceano taoista

Por Ana Cristina Alves, Investigadora Auxiliar e Coordenadora do Serviço Educativo do Centro Científico e Cultural de Macau1

A filosofia taoista dos primórdios, a de Laozi e do Livro da Via e da Virtude (《道德经/經》) , escolherá a água do oceano e do mar como imagem privilegiada do Tao (道 Dào), aquele que não pode ser dito, sem forma, de que dependem o próprio universo e os dez mil seres (万物 wânwù) que nele habitam, bem como os primeiros princípios da existência, o vazio (無/无 wú), o masculino yang (陽/阳 yáng) e feminino o yin (阴/隂yīn).

Esta escolha de uma filosofia autóctone da China encontra o seu eco na linguagem e filosofia populares, por exemplo em expressões como “capacidade enorme” (海量Hǎiliàng), que tanto pode ter uma interpretação afetiva e social de portentosa generosidade ou magnanimidade, como ainda física e concreta, aplicando-se a alguém que consiga ingerir amplas quantidades de álcool. O mar encontra-se, ainda, ligado à palavra boa e constante, por exemplo na “jura de amor eterno tão enérgica como o mar e firme como a montanha”, onde montanha empresta acrescida firmeza à promessa (海誓山盟 ou 山盟海誓Hǎishì-Shānméng ou Shānméng-Hǎishì).

O oceano, o mar, mas também os grandes rios são constituídos por água dadivosa, tanto na filosofia popular como na erudita taoista. Aqui a água é o modelo figurado do Tao, como se lê no Livro da Via e da Virtude e na melhor sinologia, pelo que se aconselha a leitura adicional de Alan Watts Tao: The Watercourse Way.

Vale a pena dedicar especial atenção aos capítulos em que a água surge como a figuração mais aproximada do Tao no Livro da Via e da Virtude, a saber: os capítulos 8, 14, 34, 66 e 78.

No capítulo 8 é-se informado que o Tao é o bem supremo “como a água” (上善如水) (Abreu, 2014, 43), mas não é a própria água. Portanto, será pela semelhança de funções que ambos são comparados. Ora a água é generosa, concedendo a vida a todos os seres, sem estabelecer qualquer distinção entre eles, a sua dádiva alcança mesmo aqueles de quem ninguém gosta e penso, por exemplo, nos parasitas. Ela mantém-se junto da terra para a fertilizar, é profunda, simples, verdadeira, justa e correta e muito oportuna, quando lava e limpa no tempo certo.

Assim é também o Tao. Nos primeiros versos do capítulo XIV, a respeito do Tao, volta a surgiu uma imagem aquática:

Olha-se e não se vê,

Chama-se Indistinto.

Escuta-se e não se ouve,

Chama-se Silencioso.

Toca-se e não se apanha,

Chama-se Subtil.

Este trio não é decifrável

Pois funde-se numa unidade

(視之不見名曰夷/聽之不聞名曰希/搏之不得名曰微/此三者/不可致詰/故混而為一)2 (Ribeiro, 2004, 32-33)

E um pouco adiante é-nos dito que ele é inominável e ininterrupto (繩繩不可名) (Ibidem)

O Tao é como um oceano, uma unidade ininterrupta e inesgotável em que alguém se imagina facilmente a nadar numa água não demasiado luminosa nem sombria, como viria a suceder a Michael Saso na sua 14ª meditação sobre o Tao, em A Taoist Cookbook. with Meditations from the Laozi DaodeJing, à qual denominou “Nadar no Tao” (Saso, 1994,47), meditação que ele faz acompanhar por uma receita de espinafres, pasta de soja e sésamo, já que o sábio é aquele que “esvazia a mente e enche o ventre” (虛其心實其復) (Ribeiro, 2004, 10-11), aqui se sente como o autor está imerso no grande Tao seguindo ao sabor da corrente.

A água pode ainda ser figurada num grande rio, como sucede no capítulo 34:

O grande Tao inunda como um rio,

Para a esquerda, para a direita,

Dele dependem os dez mil seres.

(大道泛兮/其可左右/万物恃之而生)

(Abreu, 2013, 94-95)

No mesmo capítulo é-nos dito que o Tao não só dá vida como nutre e alimenta, sendo porto de abrigo essencial no regresso às origens, não para a morte, mas para a vida eterna diluída na grande unidade, sendo por isso ele grande, tão grande como o mar, ou melhor o grande mar, que é o oceano.

Quem queira estar como deve ser na existência ou até governar corretamente o mundo, deve seguir o modelo da água dos rios e dos mares, como se lê no capítulo 66:

Rios e mares são superiores a cem vales

Porque permanecem abaixo deles,

e assim são príncipes, dominando cascatas e correntes.

(江海所以能为百谷王者/以其善下之/故能为百故王)3

(Abreu,2013, 158-159)

O comportamento do sábio distingue-se pela maleabilidade e espontaneidade. Não se impõe, pelo que é respeitado por todos, só ele deve então governar, porque age bem naturalmente, sem oprimir, sem magoar deixando que todos sigam o seu curso o mais livremente possível, como é reiterado no capítulo 78:

Nada no mundo é mais maleável e flexível

quanto a água,

mas no ataque ao que é duro e rijo

nada consegue ultrapassá-la

e nada há que a substitua.

(天下莫柔弱於水/而攻堅強者莫之能先)

(Ribeiro, 2004 160-161)

A água taoista de Laozi é entre os Cinco Elementos Chineses (Água, Madeira, Fogo, Terra, Metal) aquele que evoca grande unidade oceânica fonte de vida de tudo o que existe, mas também de morte, ou melhor, de regresso às origens e à vida eterna, quando esta imagem representa o princípio filosófico Tao. E se a água, doce e salgada, é o supremo bem do mundo, o Tao é a origem, o supremo bem, inclusive do Céu. Enquanto raiz ou fêmea misteriosa (cap 6) é a raiz do cosmos tal como o conhecemos e experienciamos. Ele é fonte de vida espiritual e material, mas a água também, já que o seu modelo deve ser seguido em todas as circunstâncias desde a fonte material dos seres à complexa conduta humana. As pessoas que agem corretamente e, sobretudo os sábios e santos taoistas, têm presente o modelo físico e concreto da água que os auxilia a praticar um outro invisível, o do Tao. Serão então maleáveis e adaptáveis, capazes de se nutrirem por dentro e de darem vida a qualquer forma por fora. Saberão como transformar-se para melhor nutrir e vivificar.

O modelo oceânico taoista difere daquele que animou ao longo da história os portugueses que olharam para o mar como o seu oceano. A água taoista não é desafiante nem chama à conquista, não possui cabos da tormenta ou da esperança a dobrar, não solicita armas nem embarcações, nem mapas, nem instrumentos náuticos. Ela é o elemento dominante, conquistador por dentro de todos os seres, que se vão adaptar a este elemento maximamente maleável, sem que para tal necessitem de desenvolver o seu espírito inventivo. A filosofia a que conduz não pede vigilância nem espírito crítico, mas adaptação ao mundo tal como ele é e generosidade para o aceitar com o mínimo de sofrimento e o máximo de alegria.

Referências Bibliográficas

Laozi. 2013. Tao Te Ching 道德经 O Livro da Via e da Virtude.Tradução der António Graça de Abreu. Edição Bilingue. Lisboa: Vega.

Laozi. 2013. Dao De Jing. O Livro da Via e do Poder. Tradução de Cláudia Ribeiro. Edição Bilingue. Mem Martins: Publicações Europa-América.

Saso, Michael. 1994. A Taoist Cookbook. With Meditations from the Laozi DaodeJing. Tokyo, Boston, Massachussets: edição de autor.

Watts, Alan. 1975. Tao: The Watercourse Way. New York: Pantheon Books.

NOTA: Este espaço conta com a colaboração do Centro Científico e Cultural de Macau, em Lisboa, sendo as opiniões expressas no artigo da inteira responsabilidade dos autores.

Texto em chinês clássico.

Texto em chinês simplificado.

APAVT | Congresso para reforçar captação de turistas

A Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT) organiza o seu 50.º Congresso em Macau e espera um evento memorável, para captar mais turistas

A Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo diz que a estratégia de aproximação ao principal mercado emissor de turistas, a China, foi um dos motivos para a escolha de Macau para o seu 50.º Congresso.

“Há um trabalho de anos e anos com Macau, que, quando corre bem e se vai tornando mais intenso de ano para ano, acaba por ‘pedir’, de forma natural, a ocorrência de um congresso, como aconteceu este ano”, começa por dizer o presidente da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT) à Lusa quando questionado sobre a escolha do local.

Macau vai acolher pela sexta vez aquele que é considerado o maior congresso do sector do turismo.

Para além do motivo apontado, Pedro Costa Ferreira reforça que “há uma óbvia estratégia de aproximação ao maior mercado emissor de turismo do mundo, a China, estratégia que é absolutamente assumida tanto pelos operadores privados, como pelo Turismo de Portugal”.

O 50.º Congresso Nacional da APAVT, que se realiza de 2 a 4 de Dezembro em Macau, tem como tema “75 anos a olhar o futuro” e assinala o culminar das comemorações dos 75 anos da associação.

“A partir de dia 2, estaremos todos juntos, públicos e privados, em Macau”, afirma. Questionado sobre o número de profissionais inscritos este ano, Pedro Costa Ferreira disse que, até sexta-feira de manhã, o evento tinha passado “as mil acreditações, que é o número mais alto” dos congressos da APAVT desde que há registo.

“É um número extraordinário, mesmo pensando que tínhamos expectativas muito altas. O facto de ser em Macau, cidade onde não íamos desde 2017, de ser o nosso 75.º aniversário, de ser o nosso 50.º congresso, ou ainda o facto de incorporarmos o ‘roadshow’ [apresentação] do Turismo de Portugal pela Ásia, num dos nossos painéis, terão sido razões fundamentais para este resultado tão positivo”, explica à Lusa.

Evento memorável

Assim, sobre as expectativas, o responsável afirma: “Com sinceridade, esperamos um congresso memorável”. Já sobre os principais desafios, Pedro Costa Ferreira refere que começaram quando há um congresso organizado do outro lado do mundo.

Depois com “a adesão que teve, pelos temas apresentados, pelos oradores envolvidos, pela ligação com o mercado emissor chinês, o desafio, a partir deste momento, é gerir um congresso com umas centenas e pessoas acima do que é usual. Manter a proximidade aos associados, manter o fluxo normal dos trabalhos, realizar o transporte das pessoas, etc”, explica. No que diz respeito à escolha do tema, garante que “revela ambição e segue um modelo estratégico de desenvolvimento”.

“Na verdade, vamos olhar o futuro, ‘em cima’ dos melhores números do sector, ocorridos em 2024, e a serem consolidados ao longo deste ano. Por outro lado, sentimos que, ao longo de 75 anos de história, foi assim que vivemos cada ano, a preparar o futuro, a planear o futuro, a pensar no futuro. Vamos afinal comemorar o 75.º aniversário, da mesma forma como vivemos cada ano da nossa vida, a olhar o futuro”, conclui o presidente da APAVT.

Timor-Leste destaca acordo com Macau para início de voos directos

O Governo timorense sublinhou na sexta-feira a importância do Acordo de Serviços Aéreos, em preparação para ser assinado entre Macau e Timor-Leste, pela possibilidade que abre aos voos aéreos directos do país para a região.

Num discurso no Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Fórum de Macau), que abriu uma sessão de promoção do investimento em Timor-Leste, o ministro timorense para o Planeamento e Investimento Estratégico (MPAE), Gastão Francisco de Sousa, sublinhou a importância do acordo, pela “possibilidade de estabelecer ligações aéreas directas entre Timor-Leste, Macau e a Grande Baía”.

O voo semanal entre Díli e Xiamen, na província chinesa de Fujian, “continua a reforçar as ligações” entre Timor-Leste e China, sublinhou o dirigente, referindo-se à única rota aérea directa entre os dois países, inaugurada em Fevereiro.

Referindo-se ainda ao plano de acção trienal do Fórum de Macau, o ministro timorense destacou as medidas previstas no sector financeiro ao incluir o “uso da moeda chinesa, o renminbi (RMB), no comércio bilateral”, e saudou “a abertura dos mercados financeiros chineses ao investimento externo”.

“Para Timor-Leste, esta cooperação permitiria apoiar a comunidade empresarial chinesa em Díli, reforçar fluxos de investimento e aprofundar a integração regional, sobretudo no contexto da ASEAN [Associação de Nações do Sudeste Asiático]”, organização à qual Timor-Leste aderiu formalmente em Outubro.

Acordos renovados

O líder do Governo de Macau, Sam Hou Fai, destacou na semana passada a prioridade dada à “promoção do renmimbi” nas trocas comerciais com os mercados lusófonos.

O Chefe do Executivo recordou que, em Maio, os bancos centrais da China e do Brasil assinaram um memorando de cooperação estratégica financeira e renovaram um acordo bilateral de linhas de câmbio nas moedas locais. Pequim impõe um rígido controlo ao fluxo de capitais, sobretudo para fora do país.

Air Macau | Actualizado ‘software’ de A320 após notificação de Airbus

A Autoridade de Aviação Civil de Macau (AACM) assegura que a Air Macau também procedeu à actualização do software para corrigir os problemas detectados a nível mundial

A Autoridade de Aviação Civil de Macau anunciou no sábado que a Air Macau actualizou o ‘software’ de controlo de voo das aeronaves A320, após a Airbus pedir aos clientes para substituírem este ‘software’ vulnerável à radiação solar.

“Na sequência da notificação da Airbus em 28 de Novembro de 2025, que solicitava actualizações de ‘software’ preventivas para as aeronaves da família A320, a Autoridade de Aviação Civil (AACM) instruiu imediatamente a Air Macau a avaliar e solucionar o problema”, lê-se num comunicado da autoridade.

Após este pedido, continua-se na nota, a companhia aérea de bandeira de Macau “agiu prontamente, actualizando os ‘softwares’ necessários nas aeronaves afectadas” e “realizando os ajustes necessários na reprogramação de voos afectados, minimizando os transtornos aos passageiros”.

A AACM vai “continuar a monitorizar a situação para garantir a segurança operacional dos serviços aéreos”, conclui-se. De acordo com o canal de rádio chinês da Teledifusão de Macau, 12 aeronaves da Air Macau foram afectadas, sendo esperados “pequenos atrasos nos voos”.

A Airbus anunciou na sexta-feira a recolha de aproximadamente 6.000 aviões A320 para a substituição urgente do ‘software’ de controlo de voo, vulnerável à radiação solar, após um incidente no final de Outubro nos Estados Unidos. Em comunicado, a fabricante aeronáutica informou que solicitou a todas as companhias aéreas clientes que utilizam este ‘software’ que “suspendam imediatamente os seus voos” após a análise do incidente técnico.

A empresa reconheceu que “estas recomendações causarão interrupções operacionais para os passageiros e clientes”. “Pedimos desculpa pelo incómodo causado e trabalharemos em estreita colaboração com os operadores, mantendo a segurança como a nossa prioridade absoluta e primordial”, acrescentou.

Problema geral

A Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA) indicou em comunicado que foi informada da situação pela Airbus. “Estas medidas podem causar interrupções de curto prazo nos horários dos voos e, consequentemente, transtornos para os passageiros. No entanto, como sempre acontece na aviação, a segurança é primordial”, referiu a EASA. O incidente ocorreu em 30 de Outubro, num voo da JetBlue entre Cancún, no México, e Newark, perto de Nova Iorque, quando uma aeronave teve de realizar uma aterragem de emergência em Tampa, na Florida.

A análise do incidente “revelou que a intensa radiação solar pode corromper dados essenciais para o funcionamento dos controlos de voo”, informou a empresa europeia. Para a maioria das aeronaves, a actualização do ‘software’ da versão anterior demorará “algumas horas”.

Mas, para cerca de mil aeronaves, implicará a troca do ‘hardware’ do computador, “o que levará semanas”, revelou à agência France-Presse (AFP) fonte ligada ao processo. O incidente envolve um dispositivo – ELAC – Elevator Aileron Computer – fabricado pela Thales.

Este fornecedor da Airbus esclareceu à AFP que não era responsável pelo problema: “A funcionalidade em causa é suportada por um ‘software’ que não é da responsabilidade da Thales”, garantiu. A Airbus não especificou qual a empresa que concebeu e actualiza este ‘software’.

Balança Comercial | Défice de 9,92 mil milhões em Outubro

Em Outubro, o défice da balança comercial foi de 9,92 mil milhões de patacas, de acordo com a Direcção de Serviços de Estatística e Censos (DSEC).

No mês em análise, foram exportados 1,30 mil milhões de patacas em mercadorias e importaram-se 11,22 mil milhões de patacas de mercadorias, o que representou aumentos anuais de 7,9 por cento e 0,7 por cento. Já o valor da reexportação (1,17 mil milhões de patacas) subiu 8,0 por cento, face a Outubro de 2024.

O valor da reexportação de relógios de pulso aumentou 13,8 por cento, porém, o de diamantes e joalharia com diamantes diminuiu 7,9 por cento. O valor da exportação doméstica (130 milhões de patacas) registou um crescimento homólogo de 6,7 por cento, enquanto o valor da exportação doméstica de produtos farmacêuticos e produtos químicos orgânicos subiu 70,5 por cento. No entanto, o valor da exportação doméstica de vestuário diminuiu 22,7 por cento.

Desemprego | Redução para 1,7% apesar de ‘casinos-satélite’

A taxa de desemprego caiu para 1,7 por cento entre Agosto e Outubro, o valor mais baixo desde Janeiro, foi sexta-feira anunciado, apesar do encerramento de ‘casinos-satélite’.

De acordo com a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), o indicador diminuiu 0,1 pontos percentuais em comparação com o período entre Julho e Setembro, com o número de desempregados a recuar em cerca de 200, para cerca de 6.700. A taxa representa menos de metade do registado no terceiro trimestre de 2022 (4 por cento), o valor mais alto desde 2006, numa altura em que Macau vivia em plena crise económica causada pela pandemia de covid-19.

Mas a recuperação motivada pelo fim da política ‘zero covid’, que esteve em vigor em Macau durante mais de três anos, levou o desemprego a cair para 1,6 por cento entre Novembro de 2024 e Janeiro passado, um mínimo histórico desde que a DSEC começou a recolher dados sobre o desemprego em Macau, em 1992.

Os hotéis contrataram mais cerca de 700 pessoas, em comparação com o período entre Julho e Setembro, enquanto a mão-de-obra nos casinos – o maior empregador privado da região – aumentou em cerca de 300. Pelo contrário, os restaurantes despediram cerca de 1.200 pessoas e o número de trabalhadores no comércio por grosso e a retalho diminuiu em cerca de 400.

Windsor Arch | Tribunal mandou confiscar 265 apartamentos

O confisco de apartamentos está relacionado com o facto de a construção não ter respeitado o plano originalmente aprovado pelas autoridades. Apenas parte dos imóveis foi transaccionada com privados

O Tribunal Judicial de Base (TJB) mandou confiscar 265 apartamentos no empreendimento no Windsor Arch, na Taipa, de acordo com informação revelada pelo jornal Ou Mu.

Segundo a publicação, o confisco terá sido justificado com o facto de as unidades “excederem a área do projecto”. A maioria dos apartamentos ainda estava em nome da promotora, dado que nestas condições é difícil para os interessados obterem empréstimos bancários. Esta foi uma das razões que terá levado a que o promotor não tivesse colocado grande parte dos apartamentos no mercado.

No entanto, o jornal Ou Mun indica que uma “pequena parte” dos imóveis confiscados terá sido transaccionada com privados, que foram surpreendidos com a medida.

Citando fontes não identificadas de imobiliárias e de escritórios de advogados, a publicação indica que houve proprietários afectados pelo confisco a procurarem aconselhamento jurídico. Em algumas situações, apesar de os compradores se encontrarem na posse dos imóveis, não terá havido escritura pública, uma exigência da lei para que o negócio de compra e venda de imóveis seja válido. Os contratos de compra e venda poderão assim, na melhor das hipóteses, ser considerados contratos-promessa.

Contudo, dado que não houve escritura pública, os apartamentos confiscados, apesar de eventuais pagamentos dos compradores, continuam em nome da promotora do projecto. O jornal revela também que estes privados estão “muito preocupados” com a situação e a possibilidade de ficarem sem os apartamentos.

Caso Obras Públicas

O projecto Windsor Arch esteve sob escrutínio judicial no âmbito do caso que resultou na condenação com penas de prisão de Jaime Carion e Li Canfeng, ex-directores das Obras Públicas. De acordo com a acusação do Ministério Público, os governantes terão recebidos vantagens patrimoniais, através das famílias, para aprovar as licenças de construção de diferentes projectos, entre os quais o Windsor Arch, promovido por William Kwan Wai Lam e Ng Lap Seng.

Jaime Carion terá facilitado a aprovação do projecto, cujas características, dimensões e altura diferiam do estipulado no contrato de concessão e nos planos urbanísticos para a área. Neste caso, o MP alegou que Carion agiu de forma concertada com o seu, à altura, número dois na DSSOPT, Li Canfeng, pressionando técnicos dos serviços que dirigiam para dar luz verde a várias propostas de alterações ao projecto original.

Como resultado, destas e de outras práticas relacionadas com outros projectos, Carion, julgado à revelia, foi condenado a 16 anos de prisão efectiva, por seis crimes de branqueamento de capitais e cinco crimes de corrupção passiva para acto ilícito. Li Canfeng foi condenado com uma pena de 17 anos de prisão por cinco crimes de corrupção passiva para acto ilícito, quatro de branqueamento de capitais, um de falsificação de documentos, um de abuso de poder e quatro de inexactidão dos elementos. Willian Kuan está a cumprir cinco anos e seis meses de prisão efectiva, por três crimes de corrupção activa e dois de branqueamento de capitais, enquanto Ng Lap Seng teve uma pena de 4 anos e 6 meses de prisão efectiva, por três crimes de branqueamento de capitais.

Ilegalidades desconhecidas

No entanto, o Ou Mun aponta que os compradores argumentaram desconhecer as ilegalidades na altura da compra e que, desde então, têm estado à espera do fim do caso judicial, para avançarem com a escritura pública dos negócios relativos aos imóveis.

De acordo com a publicação, o projecto Windsor Arc tem 10 torres residenciais, cada uma com 45 pisos, divididos em 857 apartamentos, entre unidades T1, T2 e T3. Com excepção da torre n.º 7, houve confiscos em todas as outras e no caso das torres n.º 1 e n.º 4 a proporção do confisco terá atingido 85 por cento.

IH | 200 idosos em palestras sobre incêndios

O Instituto de Habitação (IH) começou a organizar, no final da semana passada, palestras em centros de idosos de habitação social sobre “Prevenção contra incêndios domésticos”. As primeiras palestras, conduzidas por pessoal do Corpo de Bombeiros, contaram com a presença de cerca de 200 pessoas, na Habitação Social de Mong-Há – Edifício Mong Sin e Edifício Iat Seng da Habitação Social da Taipa.

As informações prestadas focaram-se no “uso seguro dos aparelhos eléctricos e utilização correcta dos aparelhos a gás, bem como a prevenção de intoxicação por monóxido de carbono”. No dia 9 de Dezembro, será organizada uma palestra semelhante no Habitação Social do Fai Chi Kei – Edifício Fai Fu, e dois dias depois no Habitação Social de Seac Pai Van. O IH irá também “enviar trabalhadores aos edifícios de habitação social para distribuir panfletos aos arrendatários e divulgar as informações sobre a prevenção contra incêndios domésticos”.

Bombeiros | Apenas sete carros de Zhuhai podem entrar em Macau

No programa matinal Fórum Macau do canal chinês da Rádio Macau, o Comandante do Corpo de Bombeiros (CB), Wong Kin, revelou que apenas sete viaturas de combate a incêndios de Zhuhai e Hengqin têm matrículas que lhes permite entrar em Macau. A revelação foi adiantada em resposta a um ouvinte que perguntou se o CB pode pedir o apoio das autoridades do Interior da China se enfrentar incêndio sério em edifícios altos.

Wong Kin ainda apontou que as autoridades de Guangdong, Hong Kong e Macau assinaram um acordo-quadro de cooperação de emergência no ano passado, e que as três regiões realizam exercícios no passado, cooperação que vai continuar em 2026. Além disso, Wong Kin alertou que, segundo a lei, os proprietários de edifícios altos devem verificar anualmente o sistema de protecção contra incêndios.

Obras | Defendida preservação de andaimes de bambu

O presidente da Associação dos Engenheiros de Macau, Wu Chou Kit, defende a utilização de andaimes de bambu por terem uma instalação fácil e versátil, mas também porque as estruturas fazem parte do património cultural intangível de Macau.

Segundo o jornal Ou Mun, o ex-deputado sugeriu a aplicação de uma pintura antifogo em bambu para reforçar a resistência à ignição. Wu Chou Kit considera que as medidas de prevenção contra incêndios das obras públicas são rigorosas e seguras, mas receia que seja difícil regular as obras privadas ou pequenas. Como tal, espera que o sector da construção e os proprietários possam alertar os trabalhadores para darem prioridade à segurança contra incêndios.

Tai Po | RAEM doa 30 milhões para recuperação após incêndio

O Governo de Macau doou 30 milhões de dólares de Hong Kong para apoiar o Executivo de John Lee Ka-chiu na sequência do trágico incêndio em Tai Po. Sam Hou Fai salientou a “profunda amizade” entre as regiões e apelou à sociedade para se envolver. A Shun Tak, MGM, Galaxy e Cruz Vermelha de Macau, entre outras empresas juntaram-se à onda solidária

O Executivo da RAEM doou 30 milhões de dólares de Hong Kong (HKD), através da Fundação Macau, para apoiar o Governo de Hong Kong “a responder e acompanhar o trabalho de recuperação do incêndio grave ocorrido no complexo habitacional Wang Fuk Court em Tai Po nos novos territórios”, revelou o Gabinete de Comunicação Social (GCS) na sexta-feira.

O Governo liderado por Sam Hou Fai salientou a “profunda amizade e relações humanísticas, económicas e comerciais de longa data” entre os dois territórios, e a forma conjunta como as populações das duas cidades enfrentam dificuldades e desafios.

Além disso, Sam Hou Fai manifestou, “em nome do Governo da RAEM, o profundo pesar e as sentidas condolências aos familiares das vítimas do incêndio, apelando aos diversos sectores da sociedade local para tomarem iniciativas e apoiar a RAEHK.

“Sam Hou Fai está convicto de que, sob o espírito das instruções importantes, atenção e apoio do Presidente Xi Jinping, assim como o apoio e empenho do Gabinete de Trabalho de Hong Kong e Macau do Comité Central do Partido Comunista da China, o Chefe do Executivo da RAEHK, John Lee Ka-chiu, e o seu governo, irão indubitavelmente liderar e unir os diversos sectores da sociedade e auxiliar os residentes afectados a ultrapassar as dificuldades, para que as suas vidas regressem à normalidade e as suas casas sejam recuperadas, o mais breve possível”, acrescentou o GCS.

Respostas prontas

O apelo do Governo de Macau foi ouvido, e desde o final da semana passada várias empresas e entidades locais juntaram-se à onda de solidariedade.

A Fundação Henry Fok igualou a doação da Fundação Macau, o grupo Shun Tak (e principais figuras da direcção) contribuíram com 10 milhões de HKD, a MGM China e a Chef Nic Holdings doaram 5 milhões de HKD, enquanto o grupo Galaxy Entertainment e o seu líder Francis Lui contribuíram com 10 milhões de HKD. A Cruz Vermelha de Macau também aderiu com uma contribuição 500 mil HKD.

A vaga de contributos de Macau constitui apenas uma parte de uma campanha de solidariedade transversal a vários grupos empresariais de Hong Kong e do Interior da China. Pelo menos 128 pessoas morreram em consequência do incêndio que deflagrou na quarta-feira à tarde, de acordo com o balanço das autoridades que deram conta de 79 feridos e cerca de uma centena e meia de pessoas incontactáveis.

Museu Nacional | Projecto de arquitectura no próximo ano

No debate de sexta-feira sobre a área dos Assuntos Sociais e Cultura, O Lam assegurou estar “previsto iniciar em 2026 os trabalhos de concepção arquitectónica do Museu Nacional da Cultura de Macau”.

O projecto está integrado no plano de edificar, no território, “três instalações culturais de grande dimensão”, incluindo o Centro Internacional de Artes Performativas de Macau e o Museu Internacional de Arte Contemporânea.

No discurso inaugural do debate, O Lam destacou que o Executivo vai fazer o esforço de tornar estes futuros espaços em “instalações culturais com influência internacional, emblemáticas e de alto padrão”, além de criar um “novo motor para a diversificação adequada da economia, novas oportunidades de emprego para os residentes e um novo marco cultural para as actividades culturais”.

Foi também criado, explicou a secretária, um grupo de trabalho interdepartamental para coordenar uma série de projectos culturais e do ensino superior, nomeadamente a “preparação e construção da Zona Internacional de Turismo e Cultura Integrados de Macau da Cidade (Universitária) de Educação Internacional de Macau e Hengqin” e também do Centro de Transferência e Transformação de Tecnologia das Instituições de Ensino Superior do Estado.

O Executivo pretende ainda sediar, no terreno marginal a leste da Torre de Macau e na Zona C dos Novos Aterros, a Zona Internacional de Turismo e Cultura Integrados de Macau.

Tabaco | Prometidas mais proibições de consumo ao ar livre

O director dos Serviços de Saúde (SS), Alvis Lo, assegurou no debate de sexta-feira, no hemiciclo, que vêm aí mais proibições para quem fuma ao ar livre, nomeadamente em zonas de grande circulação de pessoas.

“Já temos o controlo do tabaco em áreas fechadas e proibimos [o consumo] junto a escolas e infantários. No que diz respeito às pessoas que fumam enquanto caminham, pensámos em zonas de proibição de fumo, mas nas zonas em que haja muitas pessoas a circular vamos proibir [o consumo de tabaco]”, disse, sem adiantar mais pormenores sobre uma eventual data de revisão da lei.

O director dos SS falou também no controlo dos cigarros electrónicos. “Em princípio não há mais cigarros electrónicos em Macau” tendo em conta a proibição de importação já decretada. “Mas em colaboração com os Serviços de Alfândega e a Polícia Judiciária vamos melhorar o trabalho e proibir o tabaco ilegal, mesmo em zonas públicas”, disse.

O tema do tabagismo surgiu logo nas primeiras intervenções dos deputados, nomeadamente por Leong Pou I. “Nos últimos anos o Governo reforçou o combate e controlo ao tabagismo e os trabalhos surtiram efeitos. Foi alargado o âmbito da proibição em redor de creches e escolas, e as autoridades disseram que iriam fazer a demarcação de uma zona para consumo de tabaco em postos fronteiriços e aduaneiros. Que tipo de zonas vão ser incluídas na proibição?”, questionou.

Leong Pou I levantou também a questão dos cigarros electrónicos. “Não sei se os turistas conhecem a lei de controlo do tabagismo e verificamos que eles usam os cigarros electrónicos em espaços e recintos fechados.” Também Leong Hong Sai levantou questões semelhantes. “No futuro vamos proibir o uso de cigarros electrónicos? Como podemos fazer com que as pessoas não fumem nas ruas, sobretudo em zonas mais movimentadas?”.

LAG 2026 | Alimentação saudável e exercício podem valer recompensas

No debate das Linhas de Acção Governativa para a área dos Assuntos Sociais e Cultura, a secretária O Lam prometeu criar um programa de incentivo a estilos de vida saudáveis, a fim de prevenir o aparecimento de doenças crónicas

Macau vai lançar em 2026 um programa que dará recompensas aos residentes que adoptem comportamentos de vida saudáveis, porque “mais vale prevenir do que remediar”, disse, na sexta-feira, a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, no debate tutelar sobre as Linhas de Acção Governativa (LAG) para o próximo ano.

O relatório das LAG prevê o lançamento, no segundo trimestre de 2026, de um programa de incentivos para gestão da saúde, através da plataforma electrónica ‘Minha Saúde 2.0’. “Os residentes que adoptem comportamentos como uma alimentação saudável, a prática de exercício físico regular, a realização de rastreios de doenças e a vacinação, poderão acumular pontos e trocá-los por recompensas”, refere o documento. O objectivo é “incentivar a adopção de bons hábitos de vida e concretizar uma autogestão da saúde proactiva”, explica o relatório.

“Vamos fazer esse trabalho para avaliar a saúde e prevenir as doenças crónicas”, explicou O Lam aos deputados na Assembleia Legislativa, numa referência ao Inquérito sobre a Saúde de Macau.

Dados em análise

O Inquérito será lançado também no segundo trimestre de 2026 e irá, até ao fim do ano, recolher e analisar os dados de saúde de uma amostra dos quase 690 mil habitantes da cidade.

A meta é “apurar a situação epidemiológica e as tendências de evolução das principais doenças crónicas, de algumas doenças transmissíveis e dos (…) factores de risco, estabelecendo-se bases científicas para a definição de políticas de saúde”, refere o relatório das LAG.

Na quarta-feira, as autoridades já tinham lançado uma campanha que oferece recompensas aos residentes com peso a mais que consigam, nos primeiros cinco meses de 2026, perder pelo menos 3 por cento da massa corporal. A campanha faz parte da iniciativa nacional chinesa ‘Ano de Gestão de Peso’ e O Lam sublinhou no debate que a saúde preventiva faz parte do 15.º Plano Quinquenal chinês, que entra em vigor em 2026.

Apostar “numa avaliação da saúde e fazer um rastreio das nossas doenças”, defendeu a secretária, “será muito importante para uma sociedade envelhecida” como a de Macau. Em Abril, na apresentação das LAG para 2025, O Lam já tinha alertado que a região vai “entrar numa fase de superbaixa taxa de natalidade” até ao final da década.

Em 2024, os idosos (com 65 anos ou mais) representavam 14,6 por cento da população total de Macau. Até 2029 deverão ser 21,4 por cento e até 2041 quase um quarto da população (24,8 por cento), previu a dirigente.

O Lam disse que Governo vai criar, num projecto-piloto um centro de serviços para a terceira idade em Seac Pai Van, o maior bairro de habitação social do território, em Coloane. No futuro, o objectivo é garantir que todos os idosos de Macau tenham “acesso a pelo menos um serviço de cultura, saúde, desporto ou apoio social numa caminhada de 15 minutos”.

LAG 2026 | Governo quer facilitar acesso de locais a universidades brasileiras

A secretária para os Assuntos Sociais e Cultura de Macau, O Lam, prometeu na sexta-feira trabalhar para facilitar o acesso de alunos locais a universidades do Brasil e de países de língua espanhola.

Durante o debate das Linhas de Acção Governativa (LAG) para 2026 na área dos Assuntos Sociais e Cultura, o deputado Kevin Ho defendeu o alargamento do reconhecimento mútuo dos exames finais do ensino secundário a “outras jurisdições, por exemplo países de língua espanhola”.

Kevin Ho recordou na Assembleia Legislativa (AL) que Macau já assinou protocolos com o Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas e com o Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos de Portugal. “Os estudantes podem pegar nesses resultados obtidos nos exames cá em Macau para aceder aos cursos universitários em Portugal”, sublinhou Ho.

O Lam respondeu de forma positiva a Kevin Ho, mas pediu paciência: “Vamos seguir este rumo para reforçar esse trabalho, por exemplo no Brasil e países hispânicos, mas isso não é fácil”. O reconhecimento mútuo dos resultados dos exames finais do ensino secundário poderia também facilitar o acesso às universidades de Macau por parte dos estudantes de países lusófonos.

Criar uma marca

O relatório das LAG aponta como prioridade para 2026 a criação da plataforma da marca ‘Estudar em Macau’, incluindo o lançamento de um programa de bolsas de estudo para estudantes do exterior que queiram prosseguir os estudos na região. O objectivo é “reforçar a atractividade para alunos oriundos dos países de língua portuguesa e de países e regiões abrangidos pela iniciativa ‘Uma Faixa, Uma Rota’”, refere o documento.

Por outro lado, O Lam disse que em 2026 a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) vai abrir mais três mil vagas num programa de intercâmbio que traz estudantes da China continental a Macau.

A DSEDJ lançou, em cooperação com o Centro de Ciência e as instituições locais de ensino superior, programas de formação de curta duração e de certificação profissional, explicou a secretária.

O Instituto Cultural de Macau vai, no futuro, elaborar roteiros de investigação e visitas de estudo para atrair mais grupos de alunos vindos do Interior da China, acrescentou O Lam.

Por outro lado, o director da DSEDJ, Kong Chi Meng, prometeu estudar sugestões para abrir o ensino primário e secundário a alunos da China continental, em resposta à redução da população escolar. No entanto, Kong sublinhou que primeiro é preciso garantir que os estudantes do outro lado da fronteira possam usufruir das facilidades dadas aos alunos locais no acesso às universidades de Macau e do Interior da China.

Saúde | Hospital das Ilhas com mais serviços em 2027

Alvis Lo disse no hemiciclo que em 2027 o Hospital das Ilhas terá capacidade para assumir cerca de 25 por cento dos serviços médicos do Centro Hospitalar Conde de São Januário.

Segundo noticiou a TDM, o Hospital das Ilhas assegura apenas dez por cento dos serviços médicos do hospital situado na península. O director dos Serviços de Saúde adiantou também que o tempo médio de espera, no caso da primeira consulta nas especialidades dos serviços públicos é de cerca de 2,7 semanas, uuma redução face à média de 3,3 semanas registada no ano passado. Alvis Lo prometeu ainda reduzir o tempo de espera para exames de imagiologia, endoscopias, cirurgias de cataratas e da próstata.

Um dos deputados que abordou o Governo sobre os tempos de espera na saúde, na sexta-feira, foi Chan Lai Kei. “Como vai ser reduzido o tempo de espera”, inquiriu, questionando se Macau tem capacidade para responder a desastres semelhantes ao ocorrido, recentemente, em Hong Kong.

“Aconteceu o incêndio em Hong Kong e é necessária maior consciência da população sobre os perigos de incêndio. A nossa equipa médica, e o sistema de saúde, terão capacidade para dar respostas a situações de calamidade?”, inquiriu.

Bangladesh | Ex-PM condenada a 21 anos de prisão por corrupção

A ex-primeira-ministra do Bangladesh Sheikh Hasina, já condenada à morte pela repressão dos motins no país em 2024, foi sentenciada ontem a 21 anos de prisão em três processos de corrupção. Presidido pelo juiz Abdullah Al Mamun, um tribunal da capital bengali, Daca, reconheceu Hasina, de 78 anos, julgada à revelia, culpada de ter adquirido ilegalmente terrenos nos subúrbios da maior cidade do país.

“A conduta da primeira-ministra (…) revela uma inclinação persistente para a corrupção, alimentada por um sentimento de impunidade, poderes ilimitados e uma ganância manifesta pelos bens públicos”, denunciou o magistrado ao proferir a decisão. O filho e a filha de Hasina foram condenados ontem, nos mesmos processos, a cinco anos de prisão.

No poder desde 2009, Sheikh Hasina foi condenada na semana passada à pena capital por ter ordenado às forças de segurança que abrissem fogo sobre os manifestantes que a desafiaram em Julho e Agosto de 2024. A ex-primeira-ministra negou ter dado essa ordem e denunciou um julgamento “politicamente motivado” com um “veredicto pré-estabelecido”. De acordo com a ONU, a repressão dos motins causou a morte de pelo menos 1.400 pessoas, na maioria civis.

Ameaçada pela multidão no palácio em Daca, Sheikh Hasina fugiu do país de helicóptero em 05 de Agosto de 2024, encontrando refúgio na vizinha Índia. Após a condenação à morte, o Bangladesh enviou um pedido de extradição a Nova Deli, que disse, na quarta-feira, que o mesmo estava “em análise”.

Hasina também é acusada no Bangladesh em outros três casos de corrupção, juntamente com a irmã Sheikh Rehana e os filhos desta, entre os quais a deputada britânica Tulip Siddiq.

Sudeste asiático | Cheias fazem 170 mortos e milhares de deslocados

Cheias e deslizamentos de terras provocados por chuvas torrenciais causaram pelo menos 170 mortos nos últimos dias no Sri Lanka, Tailândia e Indonésia, segundo as autoridades nacionais.

No Sri Lanka, o Centro de Gestão de Desastres indicou ontem que cerca de 40 pessoas morreram devido às fortes chuvas que se intensificaram nos últimos dias devido a uma depressão a leste da ilha, bem como um deslizamento de terras no distrito montanhoso de Badulla que provocou mais de uma dezena de mortos.

Na Tailândia, o Departamento de Prevenção e Mitigação de Desastres contabilizou pelo menos 82 mortos em 12 províncias do sul do país, afectadas por inundações súbitas desde o fim de semana, estimando que cerca de um milhão de famílias e mais de três milhões de pessoas tenham sido afectadas.

Na Indonésia, operações de busca prosseguem na ilha de Sumatra após cheias repentinas e deslizamentos terem causado, desde terça-feira, 49 mortos e 67 desaparecidos, de acordo com a Agência Nacional de Gestão de Desastres. As autoridades admitem que o número de vítimas poderá aumentar, já que várias áreas continuam isoladas, mais de 2.000 casas foram destruídas pelas chuvas intensas e cerca de 5.000 pessoas foram forçosamente deslocadas

Díli | Professores de Escola Portuguesa em greve

Um grupo de professores da Escola Portuguesa de Díli realizou ontem uma greve para exigir o pagamento de subsídio de instalação, que lhes foi inicialmente atribuído e terão agora de devolver.

“O não cumprimento da legislação por parte da tutela relativamente ao pagamento do subsídio de instalação [ao qual consideramos ter direito] levou a esta paralisação e resulta da necessidade de manifestar preocupação e descontentamento face à situação laboral que nos tem afectado nos últimos meses, bem como defender os direitos e garantias que a legislação portuguesa consagra para os trabalhadores em funções públicas”, referem os professores numa nota à imprensa.

O grupo de 31 professores estiveram a dar aulas na Escola Portuguesa de Díli em mobilidade estatuária, tendo terminado funções a 31 de Agosto de 2025. Os professores concorreram ao concurso interno, realizado em Julho de 2025, mas o resultado e a respectiva aceitação só aconteceu, quando já estavam de férias em Portugal.

Quando partiram para Portugal, os docentes deixaram casas e venderam meios de transportes, por não saberem os resultados do concurso, e consideram que têm direito ao subsídio de instalação não só por ser um novo contrato, mas também, porque se tiveram de reinstalar na capital timorense.

Sem fundamentos

O grupo, de cerca de 30 professores da Escola Portuguesa de Díli, tinha inicialmente convocado greve por tempo indeterminado a partir de 30 de Outubro, mas decidiram suspender a paralisação, depois de a direcção da Escola Portuguesa de Díli ter revogado a decisão de devolução do referido subsídio.

Já este mês, uma nova ordem de serviço cancela a decisão tomada e exige que aqueles professores devolvam o subsídio de instalação.

“Neste contexto, estes docentes sentem que a posição final assumida pela direcção não está devidamente fundamentada, cria instabilidade e um sentimento de desânimo que não beneficia um bom clima na escola, importante para o desenvolvimento do processo pedagógico”, salientam na nota.

Em declarações aos jornalistas, o director da Escola Portuguesa de Díli, Manuel Alexandre Marques, explicou que na interpretação do Ministério da Educação, os professores que já estavam em Timor-Leste não se desinstalaram e não têm direito a subsídio de instalação.

Manuel Alexandre Marques disse também que os professores souberam o resultado do concurso antes de entrar de férias. “O resultado do concurso saiu a 23 de Julho, os professores entraram praticamente todos de férias após essa data já. Esta interpretação vem do Ministério e eu tenho de cumprir”, disse.

Relatório anual

Antes de analisarmos o Relatório das Linhas de Acção Governativa para o ano de 2026, deixem-me partilhar uma história convosco.

Numa montanha, existiam dois mosteiros. Os monges do Mosteiro A não se davam muito bem uns com os outros, ao passo que os monges do Mosteiro B eram sempre cordiais entre si. O abade do Mosteiro A, foi perguntar ao abade do Mosteiro B, “porque é que os seus monges mantinham relações tão amigáveis”.

O abade do Mosteiro B respondeu, “Erramos frequentemente”. Enquanto o abade do Mosteiro A tentava entender a resposta, um monge do Mosteiro B entrou no corredor, escorregou e caiu no chão. Outro monge que estava a lavar o chão, correu de imediato a pedir desculpas pelo sucedido, dizendo que o chão estava molhado por sua culpa, enquanto outro monge que estava parado à porta também se veio desculpar por não ter alertado aquele que tinha caído que o chão estava molhado. Depois de o terem ajudado a levantar-se, o primeiro monge disse, “Obrigado, mas a culpa foi minha. Estava a andar muito depressa e não tive cuidado”. O abade do Mosteiro A viu o que tinha acabado de acontecer e disse ao abade do Mosteiro B, “Obrigado, penso que já tive a resposta à minha pergunta”.

Para que os membros de uma sociedade vivam em harmonia, além de darem conta dos erros alheios, têm antes do mais de dar conta dos seus próprios erros. É fácil passar a culpa para os outros e é difícil assumirmos a nossa responsabilidade.

Macau é uma cidade com mais de 600.000 habitantes e possui receitas substanciais provenientes da tributação sobre o jogo e sobre a actividade turística, por isso não é assim tão difícil para o Governo olhar por todos os seus cidadãos. No Relatório das Linhas de Acção Governativa para o ano de 2026, é mencionado que vão ser implementadas muitas medidas em prol do bem-estar da população e benefícios fiscais que podem satisfazer as necessidades da maioria das pessoas. Embora o conteúdo do Relatório esteja repleto de ideias visionárias, e o presente orçamento seja bastante bom, quer isso dizer que não haja aspectos que não possam ser revistos e melhorados?

Por exemplo, o Governo da RAEM ainda tem de publicar os resultados da monitorização dos suicídios do segundo trimestre de 2025. De acordo com as estimativas da comunicação social, baseadas na informação das Forças e Serviços de Segurança, ocorreram pelo menos 40 suicídios entre Abril e Outubro de 2025, e o jornal Hoje Macau publicou uma reportagem sobre este assunto. No dia da eleição dos deputados à 8.ª Legislatura da Assembleia Legislativa, no passado mês de Setembro, o Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, foi questionado por jornalistas de Hong Kong sobre os trabalhadores não residentes e os suicídios em Macau. Sam Hou Fai não respondeu, limitando-se a afirmar que as perguntas não estavam relacionadas com as eleições e que responderia noutra ocasião.

Os Serviços de Saúde incentivam as pessoas que se sentem desesperadas e que sofrem de problemas emocionais a ligar para a Linha de Apoio à Vida da Caritas (2852 5222) para receberem aconselhamento. Para mais informações sobre bem-estar psicológico, pode visitar-se a página electrónica de informações sobre saúde mental dos Serviços de Saúde. Embora a linha de apoio e as informações prestadas através da página electrónica sobre a saúde mental sejam indubitavelmente úteis, como ajudar aqueles que não ligam nem visitam a página electrónica? Porque não foram publicados os números de suicídios referentes ao período acima indicado não significa que não tenham ocorrido. Para que Macau seja verdadeiramente uma “cidade feliz”, os casos de “descoberta de cadáveres” não deveriam ser tão frequentes.

Ao responder às perguntas dos jornalistas, o Chefe do Executivo mencionou o sucesso da eleição para a 8.ª Legislatura da Assembleia Legislativa e o primeiro caso em Macau envolvendo a Lei de Defesa da Segurança do Estado.

Seguindo o princípio orientador “Macau governado por patriotas”, a eleição dos deputados para a 8.ª Legislatura da Assembleia Legislativa decorreu sem problemas. No entanto, é lamentável que Lam Yu Tou, que foi considerado leal à RAEM em 2021, tenha sido desclassificado e impedido de concorrer à eleição para a Assembleia Legislatica em 2025. Por outro lado, o recorde de 5.987 votos em branco e 7.053 votos nulos nestas eleições por sufrágio directo é bastante preocupante. Quanto ao julgamento do primeiro caso em Macau que envolve a Lei relativa à Defesa da Segurança do Estado, acredito que provavelmente irá atrair bastante a atenção do público em 2026.

Não deverá haver demasiadas críticas dirigidas ao Chefe do Executivo e à sua equipa, já que aperfeiçoar a eficiência da governação e promover a diversificação da economia não é tarefa fácil e requer a cooperação de todos os membros da sociedade. Não é difícil enumerarmos os nossos dez pontos fortes, mas enumerar os dez pontos fracos é algo que nem todos conseguem fazer. O Relatório das Linhas de Acção Governativa para o ano de 2026 está bem redigido, mas o que os cidadãos desejam acima de tudo é que o seu resultado prático venha a ser igualmente excelente.

Exposição de artes visuais inaugurada na Galeria do Tap Seac na terça-feira

Será inaugurada na próxima terça-feira, às 18h30, uma nova mostra na Galeria do Tap Seac. Trata-se da “Exposição Anual das Artes Visuais de Macau 2025 – Categoria de Pintura e Caligrafia Chinesas”, uma iniciativa que se realiza há vários anos.

Em comunicado, o Instituto Cultural (IC) refere que a Exposição Anual de Artes Visuais de Macau promove “a salvaguarda, a inovação e o desenvolvimento sustentável da pintura e caligrafia tradicionais chinesas em Macau através de um convite à apresentação de obras”.

Nesta mostra apresentam-se 61 peças ou conjuntos de obras de arte com temáticas diversas, “incluindo decalques epigráficos que representam memórias urbanas, obras que interpretam a filosofia taoista com tinta e pincel, obras de pintura a tinta que integram elementos do património cultural intangível, e obras de caligrafia inspiradas por estilos das dinastias Song e Ming”.

Serão ainda apresentadas obras “que expressam reflexões líricas sobre a vida através da representação de objectos e de inovadoras representações de paisagens naturais com tinta e pincel”. Demonstram-se, com esta iniciativa, “os avanços criativos dos artistas de Macau nos domínios da pintura e caligrafia tradicionais chinesas, bem como o vibrante espírito exploratório da sua actividade criativa”.

A grande colheita

O processo de recolha e recepção de obras iniciou-se em Maio, com o IC a ter uma “resposta entusiástica por parte dos artistas de Macau, com 161 obras de 161 candidatos”. Revela-se agora ao público 61 desses trabalhos, de artistas como He Guohong, Ho Weng Chi, Mok Hei Sai, Chang Cheng Cheng, Vong Mio Ngo, Wong Monica Wondlarm, Ye Jiehao, Liu Yuqu, Lu Shaoyi e Im Hok Lon.

A exposição pode ser vista na Galeria do Tap Seac até ao dia 8 de Janeiro de 2026, tendo entrada livre. Durante o mês de Dezembro serão oferecidas visitas guiadas em cantonense e mandarim às 15h e às 16h, respectivamente, aos sábados, domingos e feriados, bem como nos dias 22, 23 e 26 de Dezembro.

IC | Descontos para celebrar 26 anos de livraria online

O Instituto Cultural (IC) criou uma campanha de descontos para celebrar os 26 anos da Livraria Online, onde se vendem diversas publicações na área da literatura e história, apoiadas pelo IC, mas também a Revista de Cultura (RC), uma publicação do foro académico.

A campanha promocional dura todo o mês de Dezembro. Os leitores podem usufruir de um desconto de 20 por cento em grande parte dos livros disponíveis no website, bem como descontos de 50 e 10 por cento na aquisição de edições da RC.

Em comunicado, o IC destaca o recente lançamento de “uma variedade de novos livros”, nomeadamente Desenhos de Levantamento do Centro Histórico de Macau, editado primeiro em 2005 e que ganhou agora uma nova versão, para assinalar o 20.º aniversário da inscrição do Centro Histórico de Macau na Lista do Património Mundial da UNESCO.

Foi também lançado recentemente Macao Parallel Worlds que “compila os resultados de uma investigação levada a cabo pelos arquitectos Wang Shu e Lu Wenyu, juntamente com os registos fotográficos de Iwan Baan, apresentando a paisagem urbana moldada pelos complexos de lazer e entretenimento em grande escala recém-construídos de Macau”.

A obra, descreve o IC, também se dedica a descrever “o planeamento e à arquitectura dos novos bairros”, registando “a paisagem urbana singular de Macau, onde o antigo e o moderno coexistem num contexto de desenvolvimento de alta densidade, revelando uma identidade multifacetada que transcende o rótulo da ‘Las Vegas do Oriente'”.

No momento de qualquer compra na Livraria online, o leitor recebe um marcador de livros alusivo à “Fábrica de Panchões Iec Long”.

Poesia | Escritor Jorge Arrimar conduz palestra no Albergue SCM

“Fonte do Lilau: Um mergulho na poesia em português e em Dóci Papiaçam de Macau” é o nome da palestra que José Arrimar irá apresentar no Albergue SCM na próxima terça-feira. O autor desafia o público para uma conversa sobre a literatura de Macau

Jorge Arrimar, ex-residente de Macau, poeta e autor premiado, estará no território na próxima semana para conversar sobre a literatura de Macau e o trabalho dos Dóci Papiaçam Di Macau, grupo de teatro e coro que dinamiza o patuá, o dialecto tipicamente macaense praticamente em vias de extinção.

“Fonte do Lilau: Um mergulho na poesia em português e em Dóci Papiaçam Di Macau” é o nome da palestra marcada para o Albergue da Santa Casa da Misericórdia (SCM) na terça-feira, das 19h às 21h. O evento desafia o público para uma discussão sobre a “complexa definição” do que é a literatura de Macau e a análise “das várias perspectivas académicas e culturais sobre o tema”.

No seminário, apoiado pela Fundação Macau, será destacada “a dualidade entre a ‘literatura macaense’, escrita por autores locais em português ou na língua crioula local, e a ‘literatura de Macau’, produzida tanto por autores residentes, como por escritores transitórios”.

Jorge Arrimar irá apresentar “a trajectória histórica” da literatura trilhada por figuras como Camões, Fernão Mendes Pinto e Bocage, e escritores mais contemporâneos e nascidos em Macau, como Deolinda da Conceição, Henrique de Senna Fernandes e o poeta José dos Santos Ferreira, mais conhecido como Adé.

Promete enfatizar-se “a natureza híbrida e multicultural da produção literária, reflectindo o encontro entre o Oriente e o Ocidente”, assim como “o papel do patuá como um marcador de identidade”. A organização do evento, a cargo do Círculo dos Amigos da Cultura de Macau, aponta que o seminário irá incidir sobre a literatura de Macau “como expressão única de uma memória mista, e de uma identidade em contínua formação”.

Uma carreira nas letras

Jorge Manuel de Abreu Arrimar nasceu em Angola. Iniciou estudos superiores na Faculdade de Letras da Universidade de Luanda, concluindo o doutoramento em História Moderna em Portugal (2007) e o doutoramento em Ciências Documentais na Universidade de Alcalá (Madrid, 2013).

A sua ligação a Macau vem dos anos 80 e 90, quando foi director da Biblioteca Central de Macau entre os anos de 1985 e 1998. É autor de vários livros de poesia inspirados em Macau, incluindo “Fonte do Lilau” (1990), “Secretos Sinais” (1992) e “Confluências”, escrito em co-autoria com Yao Jingming e editado em 1997.

Foi membro da Comissão Organizadora do Primeiro Encontro de Poetas de Macau (1994) e vice-presidente da Comissão Organizadora do Primeiro Encontro Internacional de Bibliotecários em Macau (1995). Recebeu a Medalha de Mérito Cultural em 1997.

Jorge Arrimar vive em Portugal, mas continua a publicar obras relacionadas com Macau, incluindo “Antologia de poetas de Macau”, editada também com Yao Jingming em 1999. Na área da história, Arrimar editou, em 2014, “Macau no Primeiro Quartel de Oitocentos”.

Além de Macau, Jorge Arrimar tem escrito também sobre o universo africano, com ligação ao período da colonização, nomeadamente o romance “Cuéle – O Pássaro Troçador”, com que venceu, no ano passado, o VI Prémio de Literatura dstangola/Camões. O júri considerou que a obra é “um fresco grandioso e muito bem documentado sobre uma região de Angola raramente presente na literatura”.

Timor-Leste | Manuel António Serrano é o novo embaixador em Portugal

O Presidente timorense, José Ramos-Horta, nomeou ontem Manuel António Araújo Serrano embaixador de Timor-Leste em Portugal, segundo um comunicado enviado à imprensa.

“A nossa relação com Portugal é um pilar fundamental da nossa política externa, assente na história, cultura e língua que partilhamos. A comprovada liderança e experiência diplomática do embaixador Serrano serão determinantes para reforçar a cooperação e criar oportunidades de colaboração”, afirma José Ramos-Horta, citado no comunicado.

Manuel António Araújo Serrano foi embaixador de Timor-Leste na Indonésia, entre 2009 e 2016, e actualmente desempenha funções de assessor do vice-primeiro-ministro e ministro Coordenador dos Assuntos Sociais e Económicos.

O diplomata também foi chefe de gabinete de José Ramos-Horta, quando ocupou o cargo de ministro dos Negócios Estrangeiros timorense, entre 2002 e 2006.

“O apoio indispensável de Portugal em scetores críticos como a educação, a justiça e a defesa, aliado a um diálogo político consistente ao mais alto nível, faz de Portugal um dos parceiros internacionais mais duradouros e estratégicos de Timor-Leste”, salienta o comunicado.