Cultura | Faltam apoios públicos para construir um mercado livreiro Andreia Sofia Silva - 3 Mar 2026 Mercado pequeno, pouca comercialização fora do território e falta de apoios: a edição de livros em Macau enfrenta problemas para se solidificar e competir com o que se faz lá fora. O deputado Lam Fat Iam defendeu, recentemente, políticas de apoio à construção de uma “Cidade da Leitura”. A Pin-to Livros & Música e a editora Mandarina apontam lacunas que impedem o dinamismo do sector Foi em Fevereiro, numa intervenção antes da ordem do dia, que o deputado Lam Fat Iam lançou na Assembleia Legislativa (AL)o repto: “apoiar o desenvolvimento das livrarias físicas locais e construir uma ‘Cidade de Leitura'”. No texto, lido no hemiciclo, o deputado nomeado pelo Governo defendeu que Macau, na qualidade de “Centro Mundial de Turismo e Lazer” é uma região onde as livrarias “não são meros locais de venda de livros, mas também espaços culturais essenciais nas comunidades, desempenhando um papel crucial na promoção da diversificação do sector do turismo e desenvolvimento sustentável da cidade”. Lam Fat Iam sabe do que fala. Nascido em Julho de 1975, é doutorado em História e preside à Associação de Publicações do Ensino Cultural de Macau, além de ser director da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Politécnica de Macau. Na mesma intervenção, o responsável sugeriu que devem ser criadas “políticas de apoio específicas e precisas”, nomeadamente a criação de “programas de apoio à exploração e actividades culturais das livrarias”, dando-se “prioridade às livrarias que promovem a cultura de Macau e realizam regularmente conferências e actividades de leitura”. Deve-se ainda criar um sistema que fomente “a circulação e publicação de livros locais”, com “financiamento prioritário ao planeamento, edição e publicação de livros com características de Macau”. O HM questionou livrarias e editores no sentido de perceber quais as lacunas do mercado livreiro de Macau. Anson Ng, da Pin-to Livros & Música, chama a atenção para o facto de “a base de mercado, em si, ser pequena, com a população leitora de livros a registar uma diminuição”. Em sentido oposto, “os custos operacionais continuam elevados e há a concorrência das plataformas externas de livrarias online”. Anson Ng acrescentou ainda que “as editoras locais e as livrarias locais de Macau ainda não conseguiram formar um ecossistema autossuficiente, saudável e sustentável, e é precisamente aí que as políticas de apoio devem concentrar os seus esforços”. No que diz respeito à posição do deputado Lam Fat Iam, o responsável da Pin-to Livros & Música diz que as suas ideias seguem “uma direcção aceitável”, sendo, porém, necessária “uma discussão aprofundada” quanto a “detalhes de implementação” das ideias explícitas na interpelação. “Antes de se estabelecerem políticas de apoio concretas, esperamos que os departamentos governamentais relevantes possam estudar cuidadosamente as experiências de outras regiões”, além de se manter “uma comunicação extensa com a indústria actual de Macau”. Para Anson Ng, deve-se ainda tentar “compreender verdadeiramente as necessidades do sector”, pois “só assim será possível desenvolver políticas de apoio transparentes, justas e práticas”. Dificuldades de contacto Catarina Mesquita, fundadora da Mandarina, que edita livros infantis, não tem uma loja física, mas vende os seus livros em espaços como a Livraria Portuguesa. Em resposta ao HM, Catarina Mesquita sugere “que o Governo deve, juntamente com as escolas, poder fazer encomendas às livrarias e directamente às editoras”, falando do caso específico do “Na Rua”, uma das edições da Mandarina que tentou colocar directamente nas escolas. “O livro ‘Na Rua’ fala sobre a história de Macau e tentei, muitas vezes, que este livro fosse introduzido nas escolas, não só pelo facto de ter uma história do local onde essas crianças vivem, mas também porque tem muitos aspectos da história de Macau, e características muito próprias [do território], de que tanto se fala. E eu já tentei várias vezes contactar com os serviços de educação [Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude], não consegui esse contacto e é muito difícil. Já tive pessoas do Governo em sessões de apresentação da Mandarina, mas não tive nenhum feedback”, lamenta. Catarina Mesquita defende, portanto, que o Governo deveria “juntamente com as escolas, fazer encomendas às livrarias e directamente às editoras”. “Acaba por se cair num buraco que não se sabe muito bem qual é. Este esforço deve ser mais valorizado, não no sentido de ser elogiado, mas no sentido de pegar nas obras de Macau e levá-las para dentro das salas de aula, que é a forma mais eficiente e efectiva de as fazer chegar às crianças, isto no caso da literatura infantil. Penso que não é algo que seja muito difícil fazer”, assumiu. A questão do subsídio É certo que o Executivo tem apresentado algumas medidas de promoção da leitura, e disso deu conta Lam Fat Iam na sua intervenção plenária. “Nos últimos anos, o Governo da RAEM e a sociedade já alcançaram resultados na promoção da leitura e na construção de uma ‘Cidade da Leitura'”, descreveu, nomeadamente da parte do Instituto Cultural, com a criação de eventos como o “Festival da Leitura”, a “Semana da Biblioteca”, o “Mês da Leitura Conjunta em Toda a Cidade de Macau” e o “Programa de Leitura para Bebés e Crianças”. Existe, na sua visão, uma “base sólida para um ambiente social favorável à leitura”, mas “as livrarias físicas, enquanto espaços essenciais para a leitura, enfrentam dificuldades de sobrevivência”, destacou o deputado. Lam Fat Iam frisou também “a dimensão limitada do mercado, os custos elevados das rendas e uma cadeia frágil de produção e venda de publicações locais criaram um ambiente com ‘dificuldade em publicar, comprar e vender livros'”. Algo que na opinião do deputado, “faz com que muitos livros valiosos de Macau cheguem dificilmente às mãos dos residentes e visitantes”. Catarina Mesquita chama também a atenção para o facto de Macau ter muitos livros publicados e de ser “um território mesmo muito rico” ao nível da sua história e cultura, mas que falta fazer mais além do simples subsídio para editar um livro. No caso da Mandarina, os primeiros cinco livros foram feitos “sem nenhum subsídio ou apoio”. “Talvez por um traço de personalidade, não queria que a Mandarina, no início, fosse resultado de um apoio ou subsídio. Quis que aquilo que conseguisse, seria feito por mim, e isso fez-me trabalhar muito mais”, assegura. Catarina Mesquita sente, portanto, que o apoio financeiro, ou esse subsídio inicial, “é o suficiente para se produzir um livro, e acabou”, quando, na verdade, “esse apoio é mais importante depois ao nível da distribuição, da encomenda, das pessoas poderem ter o livro nas mãos”. E defende que deve ser feito mais para apoiar a distribuição das obras. “Não existe nenhum apoio, ou ponte” nesse sentido, considera. “Fala-se tanto na plataforma com os países de língua portuguesa, mas não há nenhum apoio para a distribuição e transporte de livros para outras regiões que não Macau, e isto é fundamental. Tenho-me deparado com este problema, porque neste momento a Mandarina está a começar os primeiros passos em Portugal e não tenho forma de fazer chegar os livros ao país sem ter nenhum tipo de apoio.” Na visão da responsável, a ligação entre Portugal e o território poderia ser explorada de forma mais eficaz. “Ao nível de leis e taxas que pagamos de importação, fazia sentido uma parceria que nos fizesse beneficiar dela. Portanto, penso que há aqui um buraco que tem de ser resolvido rapidamente.” As quatro medidas Também Lam Fat Iam deixou, na sua intervenção, sugestões para melhorar o sistema de distribuição de obras editoriais, defendendo a construção de um “sistema virtuoso para a circulação e publicação de livros locais”, com “financiamento prioritário ao planeamento, edição e publicação de livros com características de Macau”. No tocante a “serviços públicos, bibliotecas publicas, comunitárias e das escolas primárias e secundárias financiadas pelo Governo, devem fazer as encomendas de livros em livrarias locais”. Além disso, em ligação com projectos de renovação urbana, o deputado acredita que pode ser desenvolvido o modelo “Livraria +”, definindo-se “orientações” e reservando “espaços culturais para incentivar a integração de livrarias com cafés, galerias de arte, lojas culturais e criativas e até projectos de revitalização de edifícios históricos”. Para o deputado, as livrarias devem ser “marcos culturais multifuncionais que integrem a leitura, o lazer, exposições e intercâmbio cultural”, devendo também existir apoios para participações em feiras do livro de cariz local e regional. O HM contactou outras livrarias de Macau, mas até ao fecho desta edição não obteve mais respostas.
Rússia, China e Irão pedem diálogo entre Afeganistão e Paquistão Hoje Macau - 2 Mar 2026 Os governos da Rússia, China e Irão pediram sexta-feira ao Afeganistão e ao Paquistão que dialoguem para conseguir paz, após o início de um novo conflito bilateral. O apelo dos três países surge depois de o Governo paquistanês ter declarado “guerra aberta” contra os talibãs, após uma onda de ataques das forças afegãs na quinta-feira, que levou Islamabad a lançar ataques aéreos contra a capital, Cabul, e outras cidades afegãs como Kandahar. A porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, Maria Sakharova, manifestou, num comunicado, a sua “preocupação” com a “escalada dramática dos confrontos armados” entre os dois países, que “envolvem unidades do exército regular, capacidades aéreas e armamento pesado”, provocando “baixas de ambos os lados, incluindo civis”. “Apelamos ao Afeganistão e ao Paquistão, ambos nossos aliados, a abandonarem este confronto perigoso e a regressarem à mesa das negociações para resolver todas as diferenças por meios políticos e militares”, declarou Sakharova. A Rússia é o único país do mundo que reconheceu oficialmente o Governo talibã. Deixou de considerar o Estado Islâmico um grupo terrorista em Abril de 2025 e recebe frequentemente delegações do Afeganistão. Já a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Mao Ning, enfatizou que Pequim “está a acompanhar de perto a situação”, durante uma conferência de imprensa. “O Paquistão e o Afeganistão são vizinhos próximos e ambos são vizinhos da China. Como vizinha e amiga, a China está profundamente preocupada com a escalada do conflito e profundamente entristecida pelas vítimas que este causou”, observou Mao Ning. A porta-voz chinesa sublinhou que o seu país “apoia a luta contra todas as formas de terrorismo” e pediu que os dois lados “mantenham a calma e a moderação, resolvam adequadamente as suas diferenças e disputas através do diálogo e das consultas, alcançando um cessar-fogo o mais rapidamente possível para evitar mais sofrimento”. O diálogo “está em consonância com os interesses fundamentais de ambos os países e dos seus povos e ajudará a manter a paz e a estabilidade na região”, referiu a responsável chinesa. “A China tem estado a mediar [o conflito] entre o Paquistão e o Afeganistão através dos seus canais e está preparada para continuar a desempenhar um papel construtivo na redução das tensões e na melhoria das relações entre os dois países”, argumentou Mao, observando que Pequim “prestará assistência aos seus cidadãos, se necessário”, sem comentar, para já, a possibilidade de iniciar um processo de retirada. Já o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi, declarou nas redes sociais, ainda antes de ver o seu país atacado por americanos e israelitas, que “no mês sagrado do Ramadão, mês de moderação e fortalecimento da solidariedade no mundo islâmico, é apropriado que o Afeganistão e o Paquistão resolvam as suas diferenças no âmbito da boa vizinhança e através do diálogo”. “A República Islâmica do Irão está pronta para prestar toda a assistência necessária para facilitar o diálogo e reforçar o entendimento e a cooperação entre os dois países”, acrescentou o ministro iraniano. Mortes anunciadas O ministro da Informação do Paquistão, Ataullah Tarar, declarou sexta-feira que os ataques paquistaneses, parte da Operação “Ira da Verdade”, mataram mais de 130 alegados combatentes talibãs, antes de sublinhar que “estima-se que haja muitas mais vítimas em ataques contra alvos militares em Cabul, Paktia e Kandahar”. O porta-voz dos talibãs, Zabihullah Mujahid, confirmou os bombardeamentos, embora tenha negado qualquer número de vítimas, depois de as autoridades afegãs terem afirmado que a sua onda de ataques na quinta-feira resultou na morte de mais de 50 soldados paquistaneses ao longo da Linha Durand — a fronteira de 2.640 quilómetros entre os dois países. As hostilidades eclodiram dias depois de as autoridades afegãs terem denunciado os ataques aéreos paquistaneses perante o Conselho de Segurança das Nações Unidas, afirmando que os ataques mataram mais de uma dezena de civis. Islamabad argumentou que os ataques aéreos visavam “campos terroristas e esconderijos” do Tehrik-i-Taliban Pakistan (TTP), conhecido como talibã paquistanês, e do grupo Estado Islâmico (EI), em resposta aos recentes ataques suicidas em solo paquistanês.
Mulher surpreendente André Namora - 2 Mar 2026 A mulher deve ser o maior fenómeno da natureza desde que existe humanidade. Um ser pensante que consegue gerar outros seres ainda nem a medicina conseguiu explicar como é que o fenómeno teve início. Existem mulheres de todo o género. Mulheres lindas e outras feias. Mulheres que preferem o celibato e outras que têm 12 filhos. Mulheres que trabalham de sol a sol e outras que vivem da riqueza do marido. Mulheres que são agredidas e violadas e outras que se dedicam ao cuidado psicológico. Mulheres que estudam e outras que optam por serem simplesmente domésticas. Mulheres escritoras e outras com a quarta classe. Mulheres que amam a política e outras que apenas gostam de ir ao futebol. Mulheres que gostam de jogar futebol e outras que preferem a prostituição. Mulheres que conduzem camiões e outras que mal conseguem guiar um Fiat 500. Mulheres que preferem a solidão e outras que após a viuvez se suicidam. Mulheres que mudam de homem todos os anos e outras que estão casadas com o mesmo homem toda a vida. Mulheres que são aventureiras e outras que sobem para cima da mesa quando veem um rato. Mulheres que abraçam o teatro e o cinema e outras que a sua voz é o modo de vida. Mulheres que são solidárias e outras ingratas e invejosas. Mulheres que adoram joias e outras que nunca usaram um anel. Mulheres que admitem a infidelidade e outras que se divorciam ao primeiro rumor. Mulheres pilotos de aviões e outras mergulhadoras para salvar vidas. Mulheres bombeiro e outras incendiárias. Mas, a que propósito é que as mulheres são hoje para aqui chamadas? Pela simples razão que também existe a mulher surpreendente. Tivemos num governo socialista uma ministra que foi criticada, que lhe chamaram amorfa, incompetente e introvertida. Essa mulher chama-se Ana Abrunhosa. Candidatou-se à presidência da Câmara Municipal de Coimbra e venceu. Ninguém dava nada por ela e os primeiros comentários sobre a senhora foram no sentido de que a sua presença à frente da edilidade coimbrã seria uma desgraça. Portugal foi assolado por três tempestades terríveis que deixaram milhares de pessoas afectadas, casas destruídas, cidades alagadas e estradas inundadas. Em Coimbra foi o descalabro. Várias populações de aldeias rodeadas de água e em pânico com a possibilidade de o nível das águas do rio Mondego subir mais e morrerem todos afogados. No meio da tragédia despontou Ana Abrunhosa como a mulher sem sono, com uma solidariedade e calma impressionantes, com conselhos e avisos às populações que tivessem esperança que o pior já tinha passado. Ana Abrunhosa recebeu os maiores encómios pessoais do Presidente Marcelo e do primeiro-ministro Montenegro. As populações do distrito de Coimbra ficaram-lhe gratas e a admirar Abrunhosa para sempre. De repente, a mulher surpreendente ainda não tinha surpreendido o país inteiro. Porque o país inteiro assistiu em directo nos canais de televisão a Ana Abrunhosa a defender os seus autarcas e a sentir-se ofendida por o ministro da Agricultura se ter deslocado a Coimbra para verificar os estragos agrícolas e começou a falar aos jornalistas sem a presença de Ana Abrunhosa e de outros autarcas da região. Bem, foi o bom e o bonito. A presidente da Câmara Municipal de Coimbra começa a discutir com o ministro e dizendo-lhe que não admitia que institucionalmente o ministro quebrasse as regras e que viesse a Coimbra pôr-se a aparecer na televisão sem aguardar pela presença dos autarcas. O país ouviu da boca de Ana Abrunhosa o que nunca imaginou de uma política que tinha sido apelidada de “chorona”. De tal forma esta mulher surpreendeu tudo e todos que já se fala à boca cheia que em próximas eleições ela deverá ser candidata a primeiro-ministro. O ministro da Agricultura ouviu e calou. Aliás, pronunciou-se de modo a apaziguar os ânimos de Abrunhosa e a senhora voltou a surpreender. Foi ela que lhe perdoou e o país viu a presidente da edilidade coimbrã, imaginem, a dar dois beijos ao ministro para que tudo acabasse em bem e para que se desse um exemplo de humildade e compreensão, mesmo entre políticos de diferentes quadrantes. Que grande exemplo desta mulher surpreendente. Afinal, ainda temos padeiras de Aljubarrota ou Catarinas Eufémias…
Língua | Crioulos de base portuguesa na Ásia resistem como “símbolos de identidade” Hoje Macau - 2 Mar 2026 Hugo Cardoso, docente na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, chama a atenção para a importância da preservação dos crioulos de língua portuguesa na Ásia como “símbolos de identidade” das povoações. Falamos, por exemplo, dos modos de falar associados à presença do Cristianismo, como é o caso do “papiá kristáng”, em Singapura Do ressurgimento em Singapura, ao isolamento na Índia, os crioulos de base portuguesa na Ásia sobrevivem hoje como uma língua simbólica das comunidades luso-asiáticas que recusam esquecer a sua identidade linguística, defendeu o linguista Hugo Cardoso. Em entrevista à Lusa, o professor da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa explicou que, ao contrário do que aconteceu em África, os crioulos no continente asiático nunca “se chegaram a impor como língua de grande difusão”, enfrentando uma constante competição de línguas locais estabelecidas, como o malaio e o gujarati, e, durante o período colonial, competiam com o português. “As línguas locais são línguas que estavam estabelecidíssimas muito antes sequer destas línguas crioulas se formarem. E, portanto, o crioulo nunca chegou a tomar o seu lugar”, sublinhou, acrescentando que as línguas ficaram circunscritas até e durante o período colonial e pós-colonial. Em Singapura, o ‘papiá kristáng’ (língua cristã ou língua dos cristãos), que tem base lexical portuguesa, está a ser alvo de um processo de revitalização através do projecto ‘Kodrah Kristang’ (Acordar o Cristão), co-fundado pelo linguista Kevin Martens Wong. Sobre esta língua neste local do mapa, Hugo Cardoso explicou que, no século XIX, “houve uma transferência de pessoas malacas [habitantes da cidade de Malaca, na Malásia] para Singapura, para trabalharem nas estruturas coloniais britânicas”, levando, assim, o ‘papiá kristáng’ para este país asiático, acabando depois por desaparecer da “comunidade luso-asiática de Singapura, mas nos últimos anos tem estado a ser reavivada, revitalizada”. Segundo o especialista, a língua já não é vista como materna ou do dia a dia, mas sim como uma “língua simbólica da comunidade luso-asiática de Singapura”, sendo que o mesmo fenómeno de afirmação ocorre em Macau. “A comunidade macaense, ao longo dos tempos, foi-se apercebendo de que o crioulo [patuá] era um activo importante da sua identidade e da sua especificidade por oposição à população portuguesa e chinesa, e a todos os outros grupos”, referiu, acrescentando que, nos dias de hoje, o patuá serve para constituir laços de solidariedade e “projectar essa identidade própria que não é portuguesa, não é chinesa, é muitas coisas misturadas”. Esta resistência em Macau manifesta-se em peças de teatro anuais [com os Doci Papiaçam di Macau], projectos editoriais e aulas para aprender os “rudimentos” da língua. Os casos da Índia No oeste da Índia, em Diu e Damão, também se fala crioulos de base portuguesa, variedades linguísticas urbanas, e o cenário é de fragilidade devido à migração das comunidades, especificamente católicas e hindu-portuguesas, para Portugal ou para o Reino Unido, levando, assim, a um declínio do número de falantes. Hugo Cardoso destacou ainda a existência de um território pouco estudado, o Dadrá e Nagar Aveli, no oeste da Índia e que foi administrado por Portugal, onde também se fala um crioulo que é “muito parecido com o crioulo de Damão”, algo que “nunca tinha sido recolhido” e que é quase ou nada estudado. Mais a sul de Bombaim, na Índia, em Korlai, a língua sobreviveu graças ao isolamento geográfico após a queda da antiga cidade de Xaú no século XVIII. “Esta é uma situação um bocadinho diferente de Diu e Damão, porque o crioulo ainda é falado aí, também está num processo de declínio, mas ainda é falado. E é falado, essencialmente, porque aquela comunidade esteve durante muito tempo praticamente isolada”, referiu. O linguista também trabalha com uma das maiores línguas de base lexical portuguesa na região asiática, que se situa no Sri Lanka. “O crioulo do Sri Lanka é falado por uma comunidade luso-asiática, que ali é conhecida pelo nome de ‘Burger’, em holandês significa cidadão, e eles são conhecidos como os ‘Burgers’ portugueses, e é falado por várias centenas de pessoas, sobretudo na costa oriental do Sri Lanka”, referiu. Até ao século XIX, o crioulo do Sri Lanka era falado em toda a ilha, sendo “uma língua com uma difusão tão grande” que “começaram a ser produzidas obras sobre essa língua como, por exemplo, gramáticas, dicionários, traduções de textos bíblicos ou de textos litúrgicos, que estavam disponíveis na igreja”. Apesar da riqueza histórica, o professor alertou para a falta de salvaguarda jurídica, lamentando que nos casos asiáticos as “línguas não têm um estatuto de proteção nos Estados onde são faladas” e notando que a valorização pública é apenas pontual. Para Hugo Cardoso, a sobrevivência destes falares deve-se à memória colectiva das comunidades, que “entendem ter algum tipo de ligação ancestral a Portugal” e que utilizam a língua para preservar uma identidade luso-asiática única no mundo.
GP | FIA confiante no regresso da Taça do Mundo de F4 à Guia Sérgio Fonseca - 2 Mar 2026 A Federação Internacional do Automóvel (FIA) manifestou confiança na integração da segunda edição da Taça do Mundo de Fórmula 4 da FIA no programa da 73.ª edição do Grande Prémio de Macau, encontrando-se actualmente em negociações com a Comissão Organizadora com vista à concretização desse objectivo O Conselho Mundial do Desporto Motorizado da FIA confirmou, ainda no final do ano transacto, a nona edição da Taça do Mundo de GT da FIA integrada no programa do Grande Prémio de Macau, bem como a permanência do evento desportivo da RAEM no calendário da temporada de 2026 do Kumho TCR World Tour, não se tendo, contudo, pronunciado quanto ao futuro das Taças do Mundo de Fórmula Regional (FR) e de Fórmula 4. Porém, a primeira edição da Taça do Mundo de Fórmula 4 da FIA constituiu um êxito aos olhos do organismo internacional, sendo que a única competição de âmbito mundial do primeiro escalão da pirâmide do automobilismo deverá regressar ao Circuito da Guia entre 19 e 22 de Novembro. “A FIA e a Comissão Organizadora do Grande Prémio de Macau encontram-se em discussões positivas relativamente ao futuro da Taça do Mundo de Fórmula 4 da FIA”, declarou o porta-voz da FIA ao portal especializado português SportMotores.com. Segundo a mesma fonte, “a FIA ficou muito satisfeita com a edição de 2025 em Macau e está empenhada em proporcionar aos jovens pilotos a melhor preparação possível para enfrentarem o notável desafio do Grande Prémio de Macau. Acreditamos que a Taça do Mundo de Fórmula 4 da FIA constitui a plataforma ideal para alcançar esse objectivo.” A lista de inscritos da primeira edição da Taça do Mundo de Fórmula 4 revelou um leque de pilotos de elevado nível, superando as expectativas iniciais, porquanto nada menos do que oito campeões de Fórmula 4 aceitaram o desafio. Por razões logísticas e operacionais, a FIA limitou a grelha de partida a vinte concorrentes. Em que moldes Um dos aspectos que a FIA deverá clarificar na próxima reunião do Conselho Mundial prende-se com a manutenção do modelo adoptado em 2025, no qual a empresa chinesa Mintimes, promotora do Campeonato Chinês de F4, assumiu o papel de “Operador Único” da prova, em articulação com a Fédération Française du Sport Automobile (FFSA), responsável pelo apoio técnico à Taça do Mundo. Todos os concorrentes utilizaram monolugares Mygale M21-F4, entretanto rebaptizados como Ligier JS F422, provenientes do campeonato chinês. Estes fórmulas, equipados com motores Renault 1.3 litros turbo, foram alugados a equipas do Interior da China e operados por uma única estrutura técnica, a mesma que organiza o Campeonato Francês de F4. Tratando-se de um conceito relativamente invulgar, diversos pilotos fizeram-se acompanhar, no Grande Prémio de Macau, por elementos das suas próprias equipas, com o intuito de supervisionar o trabalho desenvolvido pelos técnicos franceses. Roussel ficou para a história Jules Roussel tornou-se o primeiro vencedor de uma Taça do Mundo de Fórmula 4, após uma das corridas mais emocionantes do programa da edição de 2025, protagonizando um animado duelo com o compatriota Rayan Caretti. Apesar da disciplina evidenciada durante grande parte da contenda, ambos acabaram por se envolver num toque que afastou Caretti da corrida e decidiu a mesma. Macau esteve representada por dois pilotos, tendo Cheong Man Hei sido o melhor classificado, ao concluir na 9.ª posição. O antigo campeão da Fórmula 4 chinesa, Tiago Rodrigues, terminou no 11.º lugar, resultado que não espelhou a sua competitividade, uma vez que comprometeu uma melhor classificação na decisiva corrida de domingo devido a um acidente na corrida de qualificação de sábado. Nenhum país lusófono esteve representado na prova, pois o brasileiro Ethan Nobels lesionou-se no fim-de-semana anterior ao Grande Prémio, não tendo sequer viajado para a Ásia. Existe a possibilidade de Portugal vir a contar com um piloto na grelha de partida este ano, atendendo a que Noah Monteiro é um sério candidato ao título do Campeonato de Espanha de Fórmula 4. Acresce o facto de ser filho de Tiago Monteiro, primeiro piloto português a vencer a Corrida da Guia e reconhecido entusiasta do Grande Prémio, beneficiando ainda do patrocínio da KCMG, estrutura liderada pelo empresário de Hong Kong Paul Ip.
Ucrânia | China vê esperança nas negociações sobre apesar de divergências Hoje Macau - 2 Mar 2026 A China afirmou sexta-feira que existe esperança nas negociações sobre a guerra na Ucrânia, apesar das divergências entre as partes, e indicou que os contactos em curso começaram a centrar-se em “questões substantivas” do conflito. A porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros Mao Ning declarou que “a via para a paz não será alcançada da noite para o dia, mas enquanto houver diálogo, há esperança”, ao comentar as recentes rondas de conversações entre Rússia, Estados Unidos e Ucrânia e outra prevista para o início deste mês. Segundo Mao, embora persistam diferenças, as partes “estão empenhadas no diálogo” e começaram a focar-se em matérias de fundo relacionadas com a crise. A responsável acrescentou que, durante o encontro desta semana entre o Presidente chinês, Xi Jinping, e o chanceler alemão, Friedrich Merz, o líder chinês reiterou a “posição de princípio” de Pequim, baseada na procura de uma solução por via do diálogo e da negociação. Mao defendeu a necessidade de assegurar a “participação equitativa de todas as partes”, atender às suas “preocupações legítimas” e promover uma “segurança comum” como base para um quadro de paz duradouro. A porta-voz reiterou que a China continuará a desempenhar “um papel construtivo à sua maneira” no apoio aos esforços de paz. As declarações coincidem com o quarto aniversário do início da invasão russa da Ucrânia e surgem após acusações dos Estados Unidos nas Nações Unidas de que Pequim estaria a “facilitar” a máquina de guerra russa, alegações rejeitadas pelas autoridades chinesas. Na véspera da visita de Merz, a diplomacia chinesa sublinhou ainda que a crise na Ucrânia “não é nem deve tornar-se um assunto entre a China e a Europa” e reiterou que Pequim mantém uma “posição objectiva e imparcial”, não sendo parte no conflito.
Mar do Sul | Autoridades expulsam navios filipinos das águas de Huangyan Dao Hoje Macau - 2 Mar 2026 A Guarda Costeira da China (GCC) expulsou na sexta-feira navios filipinos que invadiram ilegalmente as águas territoriais da China nas proximidades de Huangyan Dao, no Mar do Sul da China, indica a Xinhua. Um grande número de navios filipinos entrou ilegalmente nas águas próximas a Huangyan Dao em 27 de Fevereiro. Ignorando riscos de colisão, cortaram repentinamente a rota de navegação à frente dos navios de patrulha da GCC, um acto deliberado de provocação, acrescenta a agência estatal chinesa. Os navios da GCC permaneceram consistentemente e contidos durante todo o incidente e, de acordo com a lei, emitiram avisos verbais e controlaram as rotas de navegação, antes de expulsar com sucesso os navios filipinos invasores, de acordo com a GCC. Os actos perigosos dos navios filipinos não só constituíram uma grave provocação contra as operações de protecção dos direitos e aplicação da lei da GCC, como também reflectiram irresponsabilidade em relação à segurança pessoal dos tripulantes filipinos, afirmou a GCC. A China tem cumprido consistentemente as suas responsabilidades de resgate marítimo, mas nunca permitirá que qualquer país infrinja a sua soberania sob qualquer pretexto, acrescentou.
USAID | Recuo dos EUA criou situações humanitárias trágicas Hoje Macau - 2 Mar 2026 O antigo dirigente de Hong Kong e actual vice-presidente da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, Leung Chun-ying, critica o súbito abandono americano de organizações humanitárias e reafirma o compromisso da China na ajuda global aos países mais necessitados Vitor Quintã, agência Lusa Leung Chun-ying, antigo líder do Governo de Hong Kong, disse à Lusa que o encerramento da agência de ajuda internacional dos Estados Unidos (EUA) aumentou a necessidade de assistência humanitária no mundo, criando situações “de partir o coração”. Em Julho, Washington anunciou o fim das operações da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID, na sigla em inglês), afectando dezenas de países que dependiam dessa assistência. “Estamos realmente tristes por ver países que dependiam da assistência dos EUA a serem apanhados de surpresa”, disse, em entrevista à agência Lusa, o presidente da fundação GX, que opera em 10 países. O desmantelamento da USAID, que por si só representava 42 por cento da ajuda humanitária em todo o mundo, começou em Fevereiro de 2025, pouco depois de Donald Trump regressar à presidência dos EUA. “Os EUA não os avisaram com antecedência suficiente, pelo que estes países não estavam preparados”, lamentou Leung, que liderou o Governo da região chinesa entre 2012 e 2017. Moçambique foi o Estado de língua portuguesa que mais ajuda recebeu da USAID em 2023, totalizando 664,1 mil milhões de dólares, seguido de Angola, Brasil e Timor-Leste. “Quando alguém está doente, precisa de tratamento imediato. Mas quando os médicos não têm os recursos necessários, é uma situação muito triste, de partir o coração, realmente”, lamentou Leung Chun-ying. “Em alguns países, devido à retirada repentina dos norte-americanos, até falta o paracetamol, um simples analgésico”, sublinhou o antigo político. Outros doadores ocidentais tradicionais também seguiram o exemplo dos EUA e reduziram as contribuições. “As necessidades aumentaram. Mas esta mensagem não foi realmente transmitida às pessoas, porque há muitas coisas a acontecer ao mesmo tempo no mundo”, lamentou Leung. “A comunicação social tem estado muito ocupada com as notícias do dia-a-dia. Mas as necessidades são enormes”, referiu o vice-presidente da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês. Compromisso chinês O responsável sublinhou que “a China já declarou publicamente que fará mais para demonstrar o seu compromisso como um dos maiores países do mundo”, mas defendeu que “isso não deve recair sobre os ombros de um só país”. Em 07 de Janeiro, Donald Trump retirou os EUA de 66 organizações internacionais, 31 delas ligadas às Nações Unidas, já depois de cortado o financiamento à Organização Mundial da Saúde (OMS). Leung Chun-ying recordou que, em Maio, a China prometeu dar mais 500 milhões de dólares à OMS nos próximos cinco anos, para mitigar o impacto da saída dos EUA. “A China apoia o sistema da ONU. A ONU não é perfeita, mas também não é substituível. Continuamos a depender da ONU e das agências da ONU, incluindo a OMS”, referiu o dirigente. Questionado sobre o possível impacto do Conselho da Paz, criado por Donald Trump, que avisou que pode tornar a ONU obsoleta, Leung Chun-ying disse apenas que este novo órgão “ainda está em formação”.
Quando Foi Perigoso Falar de Peónias Vermelhas Paulo Maia e Carmo - 2 Mar 2026 Shen Deqian (1673-1769), a quem o imperador Qianlong (r. 1736-95) chamou o «ilustre velho erudito de Jiangnan», foi um notável e influente alto funcionário, poeta, ensaísta e mestre do pensamento com um percurso marcado por sucessivas surpresas, como o facto invulgar de só ter passado no dificíl exame jinshi em 1739, depois de dezassete tentativas e quando tinha já sessenta e sete anos. Mas logo a seguir assumiria importantes funções como vice-ministro no Ministério dos Ritos ou Grande tutor do Príncipe real. Função que há muito exercia para particulares. Do reconhecimento que Qianlong lhe demonstrou fez parte não só o «favor imperial» que lhe permitia passear nos jardins imperiais como o raro privilégio de ter um templo erigido em seu nome para o qual o imperador escreveu com o seu pincel a frase: «Venerável decano do mundo da poesia». Muitos decretos e memoriais foram escritos com a autoridade que possuía o seu pincel, como o que estabelece que em 1699, «o imperador Kangxi declarou que a partir de agora, Aurora de Primavera sobre o aterro de Su (Shi) será o primeiro nome na lista das Dez Vistas do Lago do Oeste.» Na altura da sua morte o próprio imperador lhe compõe uma elegia. Ninguém negaria o persistente e valoroso percurso exemplar do mestre. Mas subitamente em 1778, já ele tinha morrido há oito anos, os títulos honoríficos são-lhe retirados, o templo comemorativo abolido, o nome póstumo revogado, a pedra tumular derrubada, até o seu corpo exumado e esquartejado, entre outras punições. E tudo por causa da referência a uma flor. Durante um período de inquisições literárias, foi descoberta numa obra de Xu Shukui (1703-1763) Ode da peónia púrpura, Yongzi mudan shi, uma subtil referência à perenidade da anterior dinastia. Que Shen Deqian, seu biógrafo e conterrâneo de Jiangsu, onde se notava uma irrefreável resistência ao poder Manchu, elogiara e citara nos versos: «Nada senão a cor vermelha poderá ser a verdadeira,/ Mesmo que variedades estrangeiras se auto-proclamem «raínha das flores» (huawang, um nome popular para peónia). Foram os dois severamente condenados, mesmo se post-mortem. Wang Jiu (1745-98), um pintor que Wang Yu no fim do séc.XVIII incluiu no seu Manual de pintura da Herdade oriental, Dongzhuang hualun, como um dos Quatro pequenos Wang, recordou versos de Shen Deqian no ano anterior à sua condenação, num pequeno álbum (tinta sobre papel, 13,8 x 20,5 cm, à venda na Christie’s). Numa das páginas apenas um salgueiro, ondulante emblema da saudade, e sob ele um pescador numa embarcação evocando a vontade de navegar livre sobre o perigo das águas. Que às vezes vinha só numa alusão a peónias vermelhas, e até podia ter um castigo brutal mas se fora hábil, como escreveu Shen Deqian a propósito da poesia de Meng Haoran, «a linguagem será simples, mas o sabor permanecerá.»
Autocarros | Deputado pede revisão “abrangente” do sistema João Santos Filipe - 2 Mar 2026 Alteração de percursos “tortuosos” que misturam áreas residenciais com atracções turísticas, modificação de nomes de paragens demasiado semelhantes e criação de mais autocarros directos são algumas das soluções apontadas pelo deputado Ngan Iek Hang O deputado Ngan Iek Hang quer que as autoridades façam uma revisão dos percursos de autocarros, para resolver o problema dos congestionamentos nas horas de ponta em percursos que misturam atracções turísticas e zonas residênciais. O pedido consta de uma interpelação escrita, divulgada na sexta-feira pelo gabinete do legislador ligado aos Moradores. No documento, Ngan Iek Hang deixa elogios ao Executivo, para indicar que nos últimos anos o serviço tem melhorado de forma consistente. Todavia, alerta que “ainda há espaço para melhorias nos serviços de autocarros e nas instalações dos terminais” Em relação a alguns percursos, o legislador indica que “durante as horas de ponta, persiste um congestionamento grave em determinadas rotas, particularmente nas que servem as passagens fronteiriças, as comunidades residenciais e as atracções turísticas”. Ngan critica também o facto de algumas paragens próximas terem nomes semelhantes, dando o exemplo das paragens Portas do Cerco e Praça Portas do Cerco, que ficam a poucos metros de distância. Segundo o legislador, este tipo de semelhanças cria confusão, principalmente para quem visita Macau pela primeira vez. Eles não sabem Face a estes problemas, e para responder “às necessidades de deslocação dos residentes e visitantes”, Ngan Iek Hang questiona o Executivo se existem planos para uma “reforma abrangente dos serviços de autocarros públicos”. O deputado defende uma revisão que altere os percursos, para criar mais autocarros directos, modifique os nomes das paragens semelhantes e melhore as condições das estradas. “Deve ser dada prioridade à reorganização de certas rotas que actualmente são tortuosas ou têm um número excessivo de paragens”, destacou. A interpelação do deputado visa também a necessidade de melhorar as condições para os motoristas e outros funcionários que se encontram nas paragens. O legislador quer saber se há planos para criar mais instalações de descanso: “Para demonstrar preocupação com o pessoal da linha da frente, como é que as autoridades irão colaborar com as duas empresas de autocarros para rever e optimizar as paragens com equipamento inadequado?”, questiona.
Maternidade | Galaxy, Wynn, Melco e MGM alargam licenças Hoje Macau - 2 Mar 2026 Seguindo o anúncio do aumento das licenças de maternidade e paternidade feito pela Sands China na passada quinta-feira, as concessionárias Galaxy, Wynn, Melco e MGM fizeram anúncios semelhantes. A Galaxy, Melco e MGM vão assim aumentar a licença de maternidade de 70 para 90 dias, e a licença de paternidade de cinco para sete dias. Já o comunicado da Wynn Macau, apenas menciona o aumento de 70 para 90 dias da licença de maternidade, mas salienta já ter aumentado a licença de paternidade para sete dias em 2018. Até ao fecho desta edição, apenas faltava a SJM anunciar a alteração às licenças referidas.
Unionpay | Aumento dos gastos em Macau e no Interior Hoje Macau - 2 Mar 2026 Os titulares de cartões UnionPay do Interior da China intensificaram o consumo em Macau durante o período do Ano Novo Lunar, segundo dados da UnionPay, citados pela Rádio Macau. De acordo com as estatísticas da empresa, as transações dos visitantes do interior nas joalharias e ourivesarias da RAEM aumentaram quase cinco vezes em relação ao ano anterior. Ao mesmo tempo, os comerciantes de equipamentos de telecomunicações duplicaram as vendas face ao mesmo período de 2024. Por outro lado, nos primeiros três dias do Ano do Cavalo (17 a 19), os titulares de cartões UnionPay de Macau aumentaram em cinco vezes os gastos no Interior da China. As transações na província de Hainan cresceram duas vezes, Pequim registou um aumento próximo do dobro, e Guangdong e Xangai apresentaram crescimentos de aproximadamente 30 por cento. Taxas de Juro | Custo da pataca desceu no final de 2025 No quarto trimestre de 2025, o custo do capital da Pataca de Macau dos bancos de Macau diminuiu em comparação com o trimestre anterior. No entanto, o custo do capital do Dólar de Hong Kong aumentou, de acordo com os dados mais recentes da AMCM, publicados na sexta-feira. No final de Dezembro de 2025, a taxa de juro composta da pataca desceu de 1,21 por cento, nível registado no final de Setembro de 2025, para o nível de 1,18 por cento. Por outro lado, a taxa de juro composta do dólar de Hong Kong aumentou de 2,32 por cento para o nível de 2,47 por cento. As taxas de juros compostas de Macau representam as taxas de juros médias ponderadas de todos os passivos remunerados e de depósitos à ordem sem juros, inscritos nas contas bancárias de Macau.
Jogo | Receitas de Fevereiro sobem 4,5% para 20,6 mil milhões João Luz - 2 Mar 2026 Durante o mês passado, os casinos de Macau apuraram cerca de 20,63 mil milhões de patacas em receitas brutas, mais 4,5 por cento em relação a Fevereiro do ano passado e menos 8,9 por cento face a Janeiro de 2026. Nos dois primeiros meses deste ano, a indústria facturou 43,26 mil milhões de patacas A Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ) anunciou ontem que os casinos de Macau registaram receitas brutas de cerca de 20,63 mil milhões de patacas em Fevereiro, mês em que calharam os feriados nacionais do Ano Novo Lunar, um típico período de época alta para o turismo do território. As receitas brutas de Fevereiro representaram uma subida anual de 4,5 por cento. Os dados divulgados ontem pela DICJ revelam que, apesar do Ano Novo Lunar, as receitas de Fevereiro ficaram aquém dos resultados de Janeiro, quando a indústria registou 22,63 mil milhões de patacas em receitas brutas, o que representou uma quebra de cerca de 8,9 por cento em termos mensais. Recorde-se que este ano o primeiro dia do Ano Novo Lunar calhou a 17 de Fevereiro, um dos pontos altos dos nove dias de feriados nacionais entre 15 e 23 de Fevereiro. Durante esse período, Macau recebeu mais de 1,5 milhões de turistas. No dia 19 de Fevereiro, o registo de entradas bateu todos os recordes desde que são recolhidos dados estatísticos, com a entrada em Macau de quase 228 mil turistas. Contas do ano Em termos agregados, os casinos de Macau registaram receitas brutas de 43,26 mil milhões de patacas nos dois primeiros meses deste ano, mais cerca de 5,26 mil milhões de patacas face ao registo de Janeiro e Fevereiro de 2025, ou uma subida anual de 13,9 por cento. Apesar da subida anual das receitas brutas agregadas nos primeiros dois meses de 2026, o registo ainda fica longe das receitas brutas do mesmo período de 2019, antes da pandemia, quando os casinos do território apuraram 50,3 mil milhões de patacas. Na semana passada, os analistas da JP Morgan Securities já haviam reduzido as expectativas em relação às receitas de Fevereiro, devido ao arranque tímido nos primeiros quatro a cinco dias do período de feriados nacionais, com receitas diárias a rondar os 450 milhões de patacas. Porém, a partir do sexto dia de feriados, 21 de Fevereiro, as receitas brutas aumentaram exponencialmente para cerca de 1,2 mil milhões de patacas diárias.
NAPE | Leong Hong Sai quer esplanadas, espectáculo e luzes Hoje Macau - 2 Mar 2026 O deputado Leong Hong Sai, dos Moradores, pretende conhecer os planos do Governo para dinamizar a economia do NAPE. A questão faz parte de uma interpelação escrita, divulgada na sexta-feira. No documento, Leong começa por defender o encerramento de vários casinos-satélite que eram os principais centros económicos desta zona do território, por considerar que o fim destes casinos contribui para a transição de uma economia dependente do jogo, para uma nova fase em que a zona vai ter um tecido económico mais diversificado e integrado. Como alternativa, Leong Hong Sai defende a aposta na “economia nocturna”, com base em restaurantes, esplanadas e feiras e quer saber se esta vai ser a aposta do Executivo, uma vez que considera que não só vai beneficiar o NAPE, como podem também chegar as outras zonas circundantes. Além disso, o legislador quer ainda saber se vão ser realizados “eventos temáticos nocturnos regulares” ligados com restaurantes e museus “para criar um ecossistema de consumo 24 horas por dia”. O deputado inquiriu ainda o Governo sobre se as autoridades vão instalar “luzes, fontes musicais e outros elementos de espectáculo ao longo da costa em frente ao Centro Cultural, bem como nas áreas à beira dos lagos de Nam Van e Sai Van, para enriquecer a experiência cultural e turística nocturna da região”.
Mulheres | Ano focado no patriotismo e predominância do Executivo Hoje Macau - 2 Mar 2026 A Associação das Mulheres traçou como grandes objectivos para o novo ano lunar a promoção do patriotismo, o estudo dos discursos de Xi Jinping sobre as mulheres e as crianças e o apoio à predominância do Executivo na sociedade de Macau. As metas foram anunciadas na passada sexta-feira, durante um almoço com alguns órgãos de comunicação social, no discurso de Lau Kam Ling, presidente da associação. De acordo com a informação citada pelo jornal Ou Mun, a promoção do patriotismo vai passar por “estudar aprofundadamente” o espírito da Quarta Sessão Plenária do 20.º Comité Central do Partido Comunista Chinês e também os discursos do Presidente da China sobre as mulheres e as crianças. Em segundo lugar, a associação compromete-se a consolidar a segurança nacional em Macau e a educação a população sobre a constituição da China e sobre a Lei Básica. Entre os objectivos, a associação comprometeu-se ainda a “apoiar as mulheres, crianças e famílias” e a promover a construção de um comunidade de serviços “moderna e profissional” com serviços de excelência para as mulheres, crianças e idosos. A associação que conta com as deputadas Wong Kit Cheng e Loi I Weng comprometeu-se também com o apoio à Zona de Cooperação Aprofundada na Ilha da Montanha.
DST | Alerta para evitar viagens para Irão e Israel João Luz - 2 Mar 20262 Mar 2026 O Governo de Macau ajustou o nível de alerta para viagens para o Irão e Israel e apela aos residentes para não se deslocarem para os dois países. Aeroporto do Dubai encerrou, depois de ter sofrido danos com ataques iranianos, enquanto foram suspensos voos de e para o aeroporto de Doha A Direcção dos Serviços de Turismo (DST) emitiu um comunicado no sábado à noite a ajustar “o nível de alerta de viagens para o Irão alertando os residentes de Macau para não se deslocarem ao Irão e Israel neste momento”, na sequência dos ataques dos Estados Unidos da América e Israel ao Irão e da resposta de Teerão. Os residentes que se encontram no Irão foram aconselhados a “reforçar as medidas de segurança e evacuarem com a maior brevidade possível”. “Tendo em conta a situação de segurança do Irão, o nível de Alerta de Viagens do Irão foi ajustado para Nível 3 no Sistema de Alerta de Viagens da Região Administrativa Especial de Macau”, foi indicado. O nível 3 representa uma ameaça extrema à segurança pessoal. Nesse nível de alerta os “residentes de Macau que planeiem viajar ou que se encontrem no destino, devem estar cientes da gravidade da situação e da assistência oficial que pode ser prestada. É aconselhado que se evite viajar e, em determinadas situações serão aconselhados a abandonar o destino”. As últimas declarações da DST indicavam que a Linha Aberta para o Turismo não tinha recebido pedidos de informação ou assistência relacionados com o alerta para o Irão e Israel. Pontos de ligação No sábado à noite, a empresa que gere os aeroportos dos Emiratos Árabes Unidos, nomeadamente o Aeroporto Internacional do Dubai e o Aeroporto Internacional de Al Maktoum suspenderam toda a actividade devido ao conflito na região. Um dos terminais do Aeroporto do Dubai, o principal hub de aviação que liga voos entre a Ásia e a Europa, sofreu danos na sequência de um ataque das forças iranianas e foi evacuado. Nas redes sociais e imprensa internacional circularam vídeos da evacuação que mostraram corredores do aeroporto cheios de fumo. O cancelamento de voos estendeu-se a outros aeroportos do Médio Oriente, como o Aeroporto Internacional de Doha, outro dos pontos de conexão de voos entre a Ásia e a Europa. A directora da DST, Helena de Senna Fernandes, referiu ontem que as autoridades estão a acompanhar o desenvolvimento da situação na região para actualizar os alertas de viagem. Também a aposta nos mercados turísticos do Médio Oriente pode sofrer condicionalismos devido a motivos de segurança, incluindo a participação da DST na Arabian Travel Market, que se realiza no Dubai em Maio. Em declarações ao canal chinês da Rádio Macau, Andy Wu revelou que uma excursão com cerca de 80 turistas vindos de Portugal deveria ter chegado a Macau ontem. O presidente da Associação de Indústria Turística de Macau indicou que a viagem acabou por ser cancelada por incluir uma escala no Médio Oriente. O dirigente afirmou ainda esperar que os cancelamentos de excursões vindas da Europa continuem ao longo desta semana.
Economia | Criado fundo de 11 mil milhões para diversificação Hoje Macau - 2 Mar 2026 O Governo anunciou a criação de um fundo de 11 mil milhões de patacas, para promover a “diversificação económica” e apoiar o “desenvolvimento de quadros qualificados” no território O Executivo liderado por Sam Hou Fai anunciou na sexta-feira a criação de um fundo de 11 mil milhões de patacas com o objectivo de cumprir a missão de diversificar a economia de Macau e desenvolver quadros qualificados. O secretário para a Economia e Finanças, Tai Kin Ip, explicou, em conferência de imprensa, que o Fundo de Orientação Governamental “visa congregar (…) e orientar capitais privados para o investimento” em sectores prioritários, num modelo que deverá “atingir uma dimensão total de 20 mil milhões de patacas” com a primeira parcela de financiamento privado. “O fundo, ao mesmo tempo que cria condições favoráveis à participação proactiva do mercado no desenvolvimento dos sectores prioritários, privilegiará uma implantação de longo prazo e de carácter sistemático”, disse o secretário. As áreas de investimento do fundo, explicou o responsável, são as contempladas num modelo criado nos últimos anos pelo Governo, como resposta à necessidade de diversificação económica, e focado em quatro áreas principais de desenvolvimento: indústria de saúde e bem-estar, indústria de finanças modernas, indústria de tecnologia de ponta e, por fim, a indústria de convenções, exposições e comércio, cultura e desporto. “Áreas-chave como as estratégias nacionais, a modernização industrial, a inovação tecnológica e o bem-estar da população”, especificou o dirigente. Tai Kin Ip adiantou que o objectivo é impulsionar a elevação da qualidade e a modernização dos sectores prioritários, atraindo empresas de qualidade e quadros qualificados para Macau e a vizinha Hengqin e para a área da Grande Baía. O fundo, continuou Tai, visa criar “mais postos de trabalho de qualidade”, “reforçar a diversificação” das oportunidades de emprego em Macau e “atrair quadros qualificados para promover o desenvolvimento coordenado regional”, “contribuindo para o objectivo nacional de construir uma potência científica e tecnológica”. Este fundo vai ser supervisionado directamente pelo Chefe do Executivo e contar com uma entidade gestora governamental, disse, por sua vez, Tam Chi Neng, assessor do gabinete do secretário para a Economia e Finanças. Orientar o fundo Como tal, vai ser criado o Conselho de Orientação do Fundo, composto por dirigentes do Governo, profissionais, académicos e representantes de diferentes áreas, “com competência para emitir pareceres sobre orientações de política, planeamento estratégico e matérias de especial relevância”, indicou Tam. O assessor explicou que o fundo prosseguirá os princípios do “’longtermism’” (posição ética que prioriza a melhoria do futuro a longo prazo) e do “capital paciente” (investimento que aceita um retorno mais demorado), orientando diferentes tipos de capitais privados para investimentos em indústrias emergentes, sectores de transformação e modernização industrial, projectos de transformação de resultados científicos e tecnológicos e empresas tecnológicas em fase inicial. O Governo prevê concluir ainda este ano a constituição deste fundo. “Paralelamente, serão promovidos os trabalhos de criação da entidade gestora e a publicação do regulamento administrativo e diplomas complementares que enquadrarão o funcionamento da nova estrutura,” acrescentou Tam Chi Neng.
Sam Hou Fai espera que Associação Comercial defenda o patriotismo João Santos Filipe - 2 Mar 2026 A defesa do patriotismo foi a principal “esperança” deixada pelo Chefe do Executivo à Associação Comercial de Macau, a comerciantes e industriais, durante o jantar de Primavera no espaço associativo. Sam pediu aos empresários apoio ao Governo, que sejam “defensores firmes do princípio ‘um país, dois sistemas’” e para protegerem os “valores fundamentais do patriotismo e do amor a Macau”. No âmbito destas tarefas, o Chefe do Executivo espera “que a Associação Comercial de Macau continue a defender os valores fundamentais do patriotismo e do amor a Macau, apoie o Governo da RAEM na sua governação de acordo com a lei e articule estreitamente o seu próprio desenvolvimento à prosperidade de Macau e ao fortalecimento da nação”. Sam espera também que a associação e o Governo salvaguardem “a segurança nacional e a estabilidade social” e contribuam com “uma força renovada e maior para implementação estável e duradoura da grande causa do princípio ‘um país, dois sistemas’”. Traçada a esperança prioritária, Sam pediu que os empresários sejam “impulsionadores da diversificação adequada da economia”, através do desenvolvimento dos respectivos negócios e ao aproveitar “as oportunidades decorrentes das medidas e políticas”. Explorar Hengqin Sam Hou Fai pediu também aos comerciantes que sejam “pioneiros na construção da Zona de Cooperação em Hengqin” e se alinhem com “o novo posicionamento de ‘Macau + Hengqin’”, aumentando o “investimento para o desenvolvimento integrado de Macau e Hengqin”. O líder do Governo quer que a associação e os seus membros tenham um papel de “construtores da harmonia social”. Sam disse esperar que “o sector industrial e comercial continue a defender o espírito de apoio mútuo e negociação colaborativa, tenha sempre em consideração a conjuntura global, salvaguarde conjuntamente relações laborais harmoniosas e estáveis, cumpra activamente as responsabilidades sociais”, além e promover “um ambiente de mercado justo e ordenado”. Por último, Sam quer os empresários sejam exemplos para a juventude e que criem “colectivamente oportunidades para a geração mais jovem crescer e se desenvolver, ampliando os seus horizontes e competitividade”.
Irão | Guerra rebenta no Médio Oriente com ataques que mataram Khamenei Hoje Macau - 2 Mar 2026 Os Estados Unidos e Israel lançaram uma série de ataques contra o Irão. Uma das vítimas mortais foi o aiatola Ali Khamenei, assim como vários líderes militares iranianos. O herdeiro do Xá, Reza Pahlavi, acredita num futuro risonho, numa altura em que os contra-ataques de Teerão se alastram pelo Médio Oriente Israel e os Estados Unidos das América (EUA) uniram-se numa operação conjunta para derrubar o regime iraniano, numa altura em que, no país, já aconteciam algumas manifestações contra as autoridades. No sábado foi lançada uma série de bombardeamentos contra o Irão, com o objectivo declarado de forçar uma mudança de regime. O país respondeu com ataques sobre Israel e bases militares norte-americanas, tendo também sido confirmada a morte do líder religioso supremo do Irão, o aiatola Ali Khamenei, que estava no poder há 36 anos. Segundo a Lusa, o anúncio foi feito pela televisão estatal iraniana às 05h, hora local, com um repórter a chorar devido ao sucedido. Khameinei tinha 86 anos e, para Trump, a sua morte oferece agora à população iraniana uma “maior chance” de “recuperar” o país. O regime iraniano declarou 40 dias de luto pela morte do líder religioso. Além de Khamenei, também foi morto o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas iranianas, Abdolrahim Mousavi, juntamente com outros generais de alta patente durante os ataques norte-americanos e israelitas contra o país, informou ontem a televisão estatal iraniana. Entretanto, a China manifestou “grande preocupação” pela situação no Médio Oriente e pediu o respeito pela soberania e integridade territorial do Irão. “A soberania, a segurança e a integridade territorial do Irão devem ser respeitadas”, afirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês num comunicado citado pela agência de notícias norte-americana The Associated Press (AP). Pequim pediu “o cessar imediato das acções militares e que não haja uma maior escalada de uma situação tensa”. Apelou também à “retoma do diálogo e da negociação” e dos esforços para “manter a paz e a estabilidade no Médio Oriente”, segundo o comunicado também citado pela agência de notícias espanhola Europa Press (EP). A China recomendou a saída dos seus cidadãos do Irão, aconselhando os seus cidadãos a não viajar para a região, devido ao “aumento acentuado dos riscos de segurança”, dado que o país enfrenta repetidas ameaças de ataques dos EUA. “Os cidadãos chineses que se encontram actualmente no Irão devem reforçar as suas precauções de segurança e sair do país o mais rapidamente possível”, afirmou o Departamento de Assuntos Consulares do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, em comunicado. Uma questão nuclear O Presidente norte-americano, Donald Trump, tem ameaçado atacar o Irão, devido à repressão das autoridades aos protestos contra o regime e alegando que Teerão está a desenvolver armas nucleares, apesar de ter atacado em Junho locais em solo iraniano precisamente com o propósito de travar o alegado programa nuclear. No final da campanha, Trump afirmou que o programa nuclear iraniano teria sido completamente obliterado. Na terça-feira – e apesar das conversações em Genebra sobre um acordo relativo ao programa nuclear do Irão -, Trump voltou a dizer, durante o discurso sobre o estado da Nação no Congresso, que não vai permitir que o Irão tenha armamento nuclear. O Irão assinou, em 2015, um acordo para limitar o seu desenvolvimento nuclear – em troca do alívio das sanções económicas ao país – com os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU — Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido e também com a Alemanha e a União Europeia. No entanto, o acordo perdeu efeito depois de o próprio Trump ter retirado unilateralmente os Estados Unidos do tratado, em 2018, durante o seu primeiro mandato (2017-2021). As recomendações da China juntam-se às de vários outros países que elevaram os seus alertas de segurança, como a Suécia, a Sérvia, a Alemanha, a Índia, a Coreia do Sul, o Brasil, a Austrália, o Reino Unido ou o Canadá. Tensão no Médio Oriente A morte de Ali Khamenei coloca em dúvida o futuro da República Islâmica e aumenta o risco de instabilidade regional. “Khamenei, uma das pessoas mais malvadas da história, está morto”, escreveu Trump numa publicação nas redes sociais, alertando para a continuação de “bombardeamentos pesados e precisos” ao longo da semana e mesmo depois desse período. O ataque deste sábado abriu um novo capítulo na intervenção dos EUA no Irão, trazendo consigo o potencial para violência retaliatória e uma guerra mais ampla. A verdade é que já se verificam focos de tensão graças à resposta iraniana, com ataques a cerca de dez países, incluindo os Emirados Árabes Unidos. No Dubai ocorreu uma forte explosão numa zona de hotéis de luxo, provocando quatro feridos, enquanto que o Aeroporto Internacional do Dubai também foi alvo de um ataque, levando ao cancelamento de todos os voos. Outro foco de tensão ocorreu em Karachi, Paquistão, resultando na morte de seis pessoas e 20 feridos no âmbito de um protesto junto à zona fortificada do Consulado dos Estados Unidos. De acordo com o porta-voz da polícia local, Rehan Ali, à CNN, “centenas de pessoas apareceram subitamente nas imediações” da missão diplomática, levando a uma rápida mobilização das forças de segurança. Os gritos captados nas gravações sugerem que o protesto terá sido motivado pelos ataques envolvendo os Estados Unidos e Israel contra o vizinho Irão. Um país sem líder A morte de Khamenei no segundo ataque da Administração Trump ao Irão em oito meses cria um vácuo de liderança, dada a ausência de um sucessor do aiatola conhecido, e também porque o líder supremo de 86 anos teve a palavra final em todas as principais políticas durante décadas no poder. Khamenei liderava o “establishment” clerical do Irão e a sua Guarda Revolucionária paramilitar, os dois principais centros de poder na teocracia governante. Ali Larijani, secretário do Conselho de Segurança Nacional do Irão, disse no sábado que Israel e os Estados Unidos “se arrependerão das suas acções”. “Os bravos soldados e a grande nação do Irão darão uma lição inesquecível aos opressores internacionais infernais”, publicou Larijani na rede social X. A operação conjunta dos Estados Unidos e de Israel, que segundo autoridades foi planeada durante meses, ocorreu este sábado, durante o mês sagrado muçulmano do Ramadão e no início da semana de trabalho iraniana, e seguiu-se a negociações e advertências de Trump, que no ano passado alardeou o sucesso do seu governo na incapacitação do programa nuclear do país. Cerca de 12 horas após o início dos ataques, as forças armadas dos EUA informaram que não houve vítimas norte-americanas e que os danos nas bases dos EUA foram mínimos, apesar das “centenas de ataques com mísseis e drones iranianos”. Segundo as forças norte-americanas, os alvos no Irão incluíram instalações de comando da Guarda Revolucionária, sistemas de defesa aérea, locais de lançamento de mísseis e drones e aeródromos militares. Sobre a morte de Khamenei, Trump declarou que o aiatola “não conseguiu escapar aos sistemas de inteligência e rastreamento altamente sofisticados”. “Trabalhando em estreita colaboração com Israel, não havia nada que ele, ou os outros líderes que foram mortos com ele, pudessem fazer”, afirmou o Presidente norte-americano. “Esta é a maior oportunidade para o povo iraniano recuperar o seu país”, disse. Um diplomata iraniano afirmou no Conselho de Segurança das Nações Unidas que centenas de civis foram mortos e feridos nos ataques. O Irão retaliou disparando mísseis e drones contra Israel e bases militares dos EUA na região, e os combates continuam durante a noite. Os democratas norte-americanos criticaram o facto de Trump ter tomado medidas sem autorização do Congresso, mas a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que a Administração informou antecipadamente vários líderes republicanos e democratas no Congresso. O que diz o filho do Xá Numa altura em que a mudança do regime parece estar iminente no Irão, mas sem se perceber bem como irá acontecer, uma das vozes que tem defendido a acção dos EUA e Israel é Reza Pahlavi, filho do antigo Xá. Há décadas radicado nos EUA, desde a revolução iraniana de 1979, Pahlavi vem agora defender que é altura de ir para as ruas. Segundo a Lusa, o herdeiro afirmou, num editorial publicado no jornal The Washington Post, que pretende assumir um papel no processo de transição no Irão. “Muitos iranianos, muitas vezes apesar das balas, pediram-me para liderar esta transição. Estou impressionado com a sua coragem e respondi ao seu apelo”, escreveu. “O nosso caminho a seguir será transparente: uma nova Constituição redigida e ratificada por referendo, seguida de eleições livres sob supervisão internacional. Quando os iranianos votarem, o governo de transição será dissolvido”. Nos últimos 47 anos Pahlavi tem sido uma voz crítica do regime iraniano, estando agora do lado de Trump e Israel. Em termos internos e regionais, Pahlavi é amplamente considerado como um fantoche de Washington e Telavive. No artigo, elogia toda a trajectória que Trump tem feito face ao Irão, dizendo que o “renascimento” do país “marcará o início de uma era de paz e prosperidade”. Pahlavi destacou ainda que “o Irão não é o Iraque”. “Não repetiremos os erros que se seguiram a esse conflito [do Iraque]. Não haverá dissolução das instituições, nem vazio de poder, nem caos”, adiantou, lembrando que desde o ano passado que defende o chamado “Projecto de Prosperidade do Irão”. Trata-se de um plano político e económico nacional para instaurar um Governo provisório de transição após a queda dos aiatolas. O activista iraniano garante que “este roteiro detalhado para a recuperação nacional” inclui um plano para “os primeiros 100 dias após o colapso do regime e a reconstrução e estabilização a longo prazo” do país e “conta com o apoio de numerosos líderes empresariais de todo o mundo”. “Um Irão democrático transformaria o Médio Oriente, convertendo uma das fontes de agitação mais persistentes do mundo num pilar da estabilidade regional”, afirma ainda Pahlavi, que elogia os acordos “históricos” de Abraão, impulsionados por Trump no seu primeiro mandato.
ODH | Uigures deportados em paradeiro desconhecido Hoje Macau - 27 Fev 2026 O Observatório de Direitos Humanos (ODH) denunciou ontem que 40 uigures – minoria muçulmana chinesa – deportados há um ano da Tailândia para a China estão “em paradeiro desconhecido”, após Banguecoque ter interrompido as visitas periódicas a que se comprometeu. As autoridades tailandesas deportaram em 27 de Fevereiro de 2025 os 40 uigures que se encontravam há cerca de uma década na Tailândia, ao abrigo de um acordo com Pequim. A decisão foi criticada pelas Nações Unidas e por organizações de defesa dos direitos humanos. “Colocaram 40 uigures em camiões com vidros escurecidos e enviaram-nos à força para a China”, recordou o Observatório de Direitos Humanos (Human Rights Watch, em inglês), na véspera de se cumprir um ano da deportação. Segundo o ODH, a Tailândia suspendeu em Junho as visitas que se tinha comprometido a realizar periodicamente à região de Xinjiang, no noroeste da China, com o objectivo declarado de garantir o bem-estar dos deportados. A última visita oficialmente comunicada por Banguecoque ocorreu em Março do ano passado, quando uma delegação liderada pelos então ministros da Defesa e da Justiça visitou 14 dos deportados.
Hong Kong | Jimmy Lai vence recurso contra condenação Hoje Macau - 27 Fev 2026 O ex-magnata de Hong Kong Jimmy Lai ganhou o recurso contra uma condenação por fraude de 2022, poucos dias após ser condenado a 20 anos de prisão por conluio com o exterior e publicação sediciosa. “Validamos os recursos, anulamos os veredictos e suspendemos as penas” no processo por fraude, declarou o juiz do Tribunal Superior de Hong Kong Jeremy Poon. Lai não compareceu em tribunal, permanecendo detido. A decisão representa uma vitória surpreendente para Lai, fundador do extinto jornal Apple Daily, actualmente com 78 anos. O caso de fraude pelo qual foi condenado em 2022 teve origem numa disputa sobre um contrato de arrendamento e não estava relacionado com as acusações que enfrentava ao abrigo da lei de segurança nacional. Jimmy Lai tinha sido condenado neste caso a cinco anos e nove meses de prisão por um esquema “planeado, organizado e de vários anos”, como qualificou na altura o juiz de primeira instância. Durante o julgamento, a acusação argumentou que uma empresa de consultoria operada por Lai a título pessoal ocupava escritórios que o Apple Daily tinha arrendado para as operações de publicação e impressão do jornal. Lai foi condenado por violar os termos do contrato de arrendamento que o Apple Daily assinou com uma empresa estatal, o que a acusação caracterizou como fraude. Os advogados de defesa argumentaram que o caso deveria ter sido tratado na esfera cível e não na criminal, acrescentando que a dimensão dos locais em causa era mínima. O ex-executivo do Apple Daily Wong Wai-keung foi também acusado no mesmo caso e condenado a 21 meses de prisão. Em 10 de Fevereiro, um tribunal de Hong Kong condenou Jimmy Lai a 20 anos de prisão por conluio com o estrangeiro e publicação sediciosa.
Japão | Natalidade desce pelo décimo ano consecutivo Hoje Macau - 27 Fev 2026 O número de nascimentos no Japão diminuiu em 2025 pelo décimo ano consecutivo, de acordo com dados publicados ontem pelo Ministério da Saúde japonês, acentuando os desafios enfrentados pela primeira-ministra, Sanae Takaichi. No total, 705.809 bebés nasceram no arquipélago no ano passado, de acordo com os dados preliminares, uma queda de 2,1 por cento em relação a 2024. As estatísticas também incluem nascimentos de estrangeiros no Japão, bem como bebés nascidos no exterior de pais japoneses. Notícias mais positivas são os 505.656 matrimónios, um número que representa um aumento de 1,1 por cento. O número de divórcios diminuiu 3,7 por cento, para 182.969 casos. Dados revelam ainda que o Japão registou 1.605.654 óbitos, ou seja, menos 13.030 do que em 2024, uma diminuição de 0,8 por cento. De acordo com o Ministério dos Assuntos Internos, a população total do país era estimada em Fevereiro em 122,86 milhões de habitantes, uma queda de 0,47 por cento (580.000 pessoas) num ano. A quarta maior economia mundial apresenta uma das taxas de natalidade mais baixas do planeta e uma população em declínio. Esta evolução já está a causar uma série de problemas no país, incluindo escassez de mão-de-obra, custos cada vez mais pesados com a segurança social e um número reduzido de activos a pagar impostos. Contribui também para agravar a elevada dívida do país, que já apresenta o rácio de endividamento mais elevado entre as grandes economias. Sem sucesso Números publicados no ano passado mostraram que o país tinha cerca de 100 mil centenários, dos quais quase 90 por cento eram mulheres. Os sucessivos líderes japoneses, incluindo Takaichi, a primeira mulher à frente do país, prometeram travar a queda das taxas de natalidade, mas com sucesso limitado. A prefeitura de Tóquio chegou a desenvolver uma aplicação de encontros, que exige que os utilizadores forneçam documentos a comprovar que são solteiros e assinem uma carta a atestar que querem casar-se. “A queda da taxa de natalidade e a diminuição da população constituem uma situação de emergência silenciosa que irá corroer progressivamente a vitalidade do nosso país”, afirmou Takaichi na semana passada no parlamento. O Partido Liberal Democrático (PLD), que a dirigente lidera, obteve uma maioria de dois terços na câmara baixa do parlamento nas eleições legislativas de 08 de Fevereiro. Recorrer à imigração contribuiria para reverter o declínio demográfico do Japão e os problemas decorrentes no mercado de trabalho. Sob pressão do partido anti-imigração Sanseito e do slogan desta formação política “os japoneses primeiro”, a primeira-ministra ultraconservadora prometeu, no entanto, um endurecimento das medidas em matéria de imigração.
Reflexões a propósito do Ano do Cavalo Paul Chan Wai Chi - 27 Fev 2026 Existe na Taipa um complexo residencial chamado “Pak Lok Garden”, que, na altura em que foi construído, era o único arranha-céus situado perto da pista de corridas da Companhia de Corridas de Cavalos a Trote com Atrelado, S. A. R. L. O nome do edifício, “Pak Lok Garden”, está relacionado com cavalos porque se situa perto da pista. Na antiga China “Mr. Pak Lok” era a pessoa que melhor entendia os pontos fortes e os pontos fracos destes equídeos. Muitos dos residentes do complexo trabalhavam à época na Companhia de Corridas de Cavalos a Trote com Atrelado ou no Jockey Clube de Macau. Hoje em dia, “Pak Lok Garden” está rodeado por outros arranha-céus e parece um pouco antiquado e degradado. E infelizmente, embora “Pak Lok Garden” ainda exista, o “Jockey Clube de Macau” é actualmente apenas o nome de uma paragem de autocarros. As corridas de cavalos acabaram, todos os animais foram retirados e, sem eles, que papel pode ainda desempenhar “Mr. Pak Lok? Na verdade, a pessoa que melhor entendia os cavalos na antiga China não era “Pak Lok” mas o filósofo Zhuang Zhou (ou Zhuangzi), que pode ser considerado como o primeiro defensor dos direitos dos animais desta civilização. Num ensaio intitulado “Casco de Cavalo”, Zhuang Zhou afirma que “os cavalos podem, com os cascos, pisar a geada e a neve e com a crina a resistir ao vento e ao frio; alimentam-se de relva quando têm fome e bebem água quando têm sede; saltam com as patas e saltitam quando estão felizes: esta é a verdadeira natureza dos cavalos. No entanto, quando “Pak Lok”, que era habilidoso a treinar cavalos, apareceu, começou a usar ferros em brasa para lhes remover a crina, tesouras para lhes aparar o pelo, ferramentas para aparar os cascos, ferros incandescentes para os marcar e rédeas para lhes restringir os movimentos. Mantinha-os em estábulos (currais) e alimentava-os através de bebedouros, provocando a morte de dois ou três em cada dez. Depois, usou vários métodos e ferramentas para os treinar, intimidando-os com chicotes e paus de bambu para os forçar a correr o mais rapidamente possível. Por fim, mais de metade dos cavalos a seu cargo acabou por morrer”. Se o cavalo de corrida, “Ka Ying Rising”, recente campeão de Hong Kong, tivesse escolha, preferiria ser o detentor do recorde de vitórias seguidas, 18, sob o domínio do chicote do jocker ou correr na natureza em liberdade? De facto, tanto na vida como no trabalho, devemos deixar a natureza seguir o seu curso. Tomemos as “habitações económicas” de Macau, que actualmente não estão a ser construídas, como exemplo A interrupção destas construções não se ficou a dever ao decréscimo da procura, mas sim porque depois de múltiplas alterações à “Lei da Habitação Económica”, este tipo de habitação deixou de ser apelativa quando comparada com o período da administração portuguesa de Macau, menos ainda do que o “Esquema de Casa Própria” de Hong Kong. O Governo da RAE de Macau não conseguiu utilizar a “habitação económica” como um mecanismo de regulação do mercado. Em vez disso, quem é elegível para comprar casa ao abrigo do sistema de “habitação económica” tem de morar no apartamento e se o quiser vender só poderá ser Governo a comprá-lo, ao mesmo preço que a que foi adquirido. Este condicionalismo à venda é um passo em frente ou um passo atrás em relação ao passado? Durante os primeiros sete dias do Novo Ano Lunar, Macau registou um total de 1 milhão e 182 mil visitantes, com uma média diária de 168.000. No terceiro dia do Novo Ano Lunar Lunar (19 Fev.), o número de visitantes atingiu os 227.000, estabelecendo um novo recorde de chegadas diárias durante este período festivo. As maiores atracções turísticas estavam apinhadas de gente, e a polícia implementou o controlo de multidão por diversas vezes nas Ruínas de São Paulo e nos seus arredores. O esforço dos agentes da autoridade para manter a ordem merece louvor, dando a impressão de ser tratar apenas de uma zona muito movimentada. Durante o período do Novo Ano Lunar, o Chefe do Executivo Sam Hou Fai visitou apenas uns poucos círculos de negócios comunitários e algumas zonas pedonais provisórias. Se Sam Hou Fai ficou a compreender melhor o padrão de consumo dos turistas, se analisou as condições das várias áreas residenciais, ou se estudou a tendência dos residentes de Macau para se irem abastecer em Zhuhai enquanto Macau se está a integrar na Área da Grande Baía, ou ainda se abordou o problema da pressão que enfrentam as PMEs depois do encerramento dos casinos-satélite, são questões em aberto que é provável virem a requerer uma séria atenção brevemente. O caminho que se abre á nossa frente nunca é fácil. Desde o regresso de Macau à soberania chinesa, muito membros do Governo e muito políticos “perderam o pé”. Quem é que pode garantir que a corrida “Um País, Dois Sistemas” chega à meta? A importância da responsabilidade dos jockeys nesta corrida torna-se crucial.
Recital de Naamyam amanhã na Mansão de Lou Kau Andreia Sofia Silva - 27 Fev 2026 O mestre Au Kuan Cheong será o protagonista do “Recital de Naamyam do Património Cultural 2026 – Especial Festival das Lanternas, apresentado este sábado à tarde pela Associação de Ópera Chinesa Au Kuan Cheong. O evento decorre na Mansão de Lou Kau, situada na Travessa da Sé, entre as 14h30 e as 17h. O Naamyam cantonês, um tipo de canção narrativa chinesa que foi classificado como Património Cultural Imaterial pela UNESCO, ganha neste espectáculo todo o protagonismo, apresentando-se oito peças clássicas, interpretadas pelos alunos do mestre. “Além de peças que exaltam a lealdade, o programa apresenta várias obras que exploram temas de afecto duradouro e obras humorísticas que capturam o espírito festivo”, destacando-se ainda a “preservação dinâmica e a vitalidade contínua da escola Naamyam”, aponta uma nota oficial sobre o evento. A escolha da Mansão Lou Kau também não aconteceu por acaso, dado tratar-se de um local classificado como Património Mundial da UNESCO, “oferecendo-se [ao público] uma combinação perfeita de artes tradicionais e arquitectura histórica”. Uma das peças apresentadas amanhã, e que inaugura a performance, é “Guan Yu escolta as suas cunhadas”, com as artistas Chan Sai Peng e Leong Kin Teng. Trata-se de uma história baseada “no Romance dos Três Reinos”, um “clássico épico histórico”. “Depois de o senhor da guerra Liu Bei ser derrotado e separado da sua família, o seu irmão jurado Guan Yu rende-se temporariamente ao rival Cao Cao para proteger as esposas de Liu. Apesar do tratamento generoso de Cao Cao, a lealdade de Guan Yu nunca vacila. Ao saber do paradeiro de Liu Bei, ele escolta as suas cunhadas numa viagem perigosa, superando imensos obstáculos para reunir a família. Face ao caos, proteger os entes queridos continua a ser a forma mais pura de lealdade”, descreve-se na mesma nota. Para fechar O espectáculo encerra com a sétima apresentação, “Uma Família Feliz”, com o próprio Au Kuan Cheong e Wong Tsz Kuan, um “dueto alegre e bem-humorado que retrata as calorosas celebrações do Ano Novo Lunar de um casal”. O público pode assistir “a brincadeiras sobre maquilhagem pesada até negociações divertidas sobre ‘Lai Si’ (envelopes vermelhos da sorte)”, capturando-se na peça “a intimidade da vida conjugal”.