Funcionários Públicos | Leong Pou U alerta para “pressão” nos serviços Hoje Macau - 12 Jun 2026 O deputado Leong Pou U, ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), escreveu uma interpelação escrita em que alerta o Governo para o facto da pressão dos funcionários públicos estar a aumentar. O documento consta do portal da Assembleia Legislativa. De acordo com o legislador, o cenário é agravado com o facto de ter sido adoptada uma política em que os funcionários que se demitem, são despedidos ou os que se reformam deixaram de ser substituídos. “O facto de alguns serviços públicos adoptarem, há já muito tempo, a estratégia de “não arranjar alguém para substituir quem saiu” leva ao aumento da pressão do pessoal da linha da frente”, afirma o legislador. Como resultado, o número de trabalhadores foi reduzido de 35.101, em Abril de 2020, para 33.856 no ano passado. Contudo, embora sem contestar esta política, Leong Pou U pede uma facilitação da mobilidade entre serviços, para se dotarem os departamentos que mais precisam de novos recursos, vindos de outro sectores. “Face ao rigoroso cumprimento do regime de gestão de quotas de trabalhadores, como é que o Governo vai dotar, rapidamente, pessoal através dos regimes de mobilidade, a fim de minimizar os impactos decorrentes da saída de trabalhadores nos serviços públicos?”, questionou.
Mundial 2026 | Manuel Silvério e Duarte Alves analisam as carências do futebol local Andreia Silva - 12 Jun 2026 Das 211 selecções nacionais registadas na FIFA, a selecção da RAEM ocupa o 194º lugar, não vencendo um único jogo desde 2019. Na radiografia à modalidade, Manuel Silvério e Duarte Alves dizem faltar infra-estruturas de treino, coordenação de calendários, competições e interligação entre escalões O Mundial 2026 começou hoje e até ao próximo dia 20 de Julho será possível ver 48 selecções nacionais de futebol em competição. Num território pequeno onde o futebol não é profissional, a selecção masculina sénior da RAEM não fica bem na fotografia da modalidade em termos mundiais: está em 194º lugar num total de 211 equipas, não vencendo qualquer jogo desde 6 de Junho de 2019. O HM falou com Duarte Alves, director administrativo e financeiro do Benfica de Macau, e Manuel Silvério, antigo presidente do Instituto do Desporto e co-fundador do Comité Olímpico de Macau, no sentido de perceber os principais problemas do futebol local que impossibilitam alcançar melhores resultados. Para Duarte Alves, “o Mundial não é um horizonte realista para Macau”, por se tratar de uma “região muito pequena e com infra-estruturas ainda muito limitadas para desenvolver esta modalidade”. Em alternativa, o dirigente desportivo destaca que a RAEM poderia ter a “ambição” de “ir um pouco mais longe nas fases de qualificação: competir melhor, somar resultados e subir degraus ao nosso nível”. Já Manuel Silvério entende que a ausência de vitórias da selecção masculina sénior da RAEM deve “suscitar preocupação e debate público”, mas que é resultado de um “problema estrutural”. Voltemos às causas: Duarte Alves recorda que já muito antes de 2019 houve bons jogadores em Macau “ainda antes da fase da transição” que acabaram por não ser substituídos. “Faltou aposta na formação, na estrutura que a sustenta, de jovens para os clubes. É essa a falha de base que explica porque a selecção não dá o salto”, disse. Duarte Alves destaca como, nos últimos anos, a Associação de Futebol de Macau “tentou várias estratégias”, como a vinda de equipas técnicas de Portugal e de outros países e regiões. “Porém, com todo o respeito, não é por aí que se constrói uma selecção”, considerou, pois uma equipa desta natureza “desenvolve-se a partir de uma liga competitiva, em que os jogadores jogam todos os fins-de-semana, evoluem e, ao mesmo tempo, elevam o nível do futebol em Macau”. Abertura em profundidade Manuel Silvério também destaca que “a qualificação para uma fase final do campeonato do Mundo é, realisticamente, extremamente difícil para um território com a dimensão populacional de Macau”. A aposta deve fazer-se, assim, na redução “gradual do fosso competitivo” do território, com um foco a “nível local, regional e asiático, particularmente perante territórios e países com características semelhantes”. O antigo presidente do ID considera que era importante a “articulação entre escolas, academias, clubes e selecção, melhorar a formação de treinadores e proporcionar mais oportunidades de competição internacional aos jovens atletas”. Seria ainda importante “criar percursos claros de desenvolvimento até ao escalão sénior”, acrescenta. Manuel Silvério defende mesmo a criação “de um fundo específico para o desenvolvimento do futebol e de outras modalidades prioritárias, alimentado por receitas associadas à indústria do jogo e complementado pela participação dos principais patrocinadores privados, sob supervisão do Governo”. Desta forma, este mecanismo “permitiria assegurar maior estabilidade financeira e apoiar programas de formação, competição externa e desenvolvimento técnico a médio e longo prazo”. A pés juntos Manuel Silvério diz que a ausência de resultados futebolísticos por parte da selecção se explica por “questões estruturais e não apenas circunstanciais”. “Uma selecção nacional é, em grande medida, o reflexo do sistema futebolístico existente. Aspectos como a reduzida base de recrutamento, a insuficiente exposição dos jogadores a contextos competitivos mais exigentes, as dificuldades na transição entre os escalões de formação e o futebol sénior, bem como a falta de competição regular de maior nível, podem contribuir para esta realidade”, disse o responsável. Assim, é essencial, para Manuel Silvério, “um plano de desenvolvimento sustentável para o futebol de Macau, com objectivos claros a curto, médio e longo prazo”. Deve existir “continuidade, estabilidade e capacidade de adaptação”. E não basta ter dinheiro até porque, para Manuel Silvério, “desde a criação da RAEM que houve investimento relevante em infra-estruturas desportivas, concretamente no futebol”, destacando a existência do Estádio de Macau, o Complexo Desportivo Olímpico (Dome), o Estádio da Universidade de Ciências e Tecnologia de Macau, as instalações desportivas da Universidade de Macau e “outros espaços utilizados para treino e prática informal”. Porém, “o desenvolvimento económico e a disponibilidade de recursos não se traduzem automaticamente em sucesso desportivo, particularmente numa modalidade tão competitiva e complexa como o futebol”, remata Manuel Silvério. Modelo que não funciona Duarte Alves destaca que o capital existe “no Governo e em alguns sectores – mas isso não é a sociedade”. “O dinheiro é essencial para investir nas modalidades. Acontece que, em Macau, o financiamento ao desporto, por parte do Fundo do Desporto, passa pelas associações gerais que representam cada modalidade, que recebem e gerem o seu orçamento à sua maneira.” Além disso, o dirigente dos encarnados referiu que “a maior parte do sector privado não tem liquidez”, e que “não existem incentivos nem benefícios que o leve a apoiar financeiramente o desporto”. “O ponto central é que o modelo de apoio directo por parte do Governo às associações gerais resulta bem para as modalidades individuais, mais fáceis de gerir porque não dependem de competição entre clubes”, afirma Duarte Alves. Porém, “no futebol é diferente”, estando em causa “uma modalidade colectiva só se desenvolve com competição regular entre clubes”. “Enquanto financiarmos o futebol com a lógica de uma modalidade individual, o resultado vai continuar a ser este. Não é só uma questão de quanto se investe; é de perceber que o futebol exige uma estratégia própria”, rematou Duarte Alves. Mais academias sem resultados É certo que, nos últimos anos, surgiram em Macau várias academias de futebol, mas nem isso melhorou os resultados. Manuel Silvério diz ser “importante reconhecer o grande empenho e dedicação dos responsáveis, treinadores e técnicos das diversas academias de futebol que têm surgido em Macau”, sendo que os resultados deste trabalho “não devem ser avaliados exclusivamente através das vitórias da selecção sénior”. Para o antigo presidente do ID, “a formação é um processo de longo prazo, cujos efeitos podem demorar vários anos a tornar-se visíveis”. O que acontece é um problema “na transição entre os escalões de formação e o futebol sénior”, pois “muitos jovens entram no sistema, mas poucos conseguem permanecer”, dadas as exigências de estudos ou trabalho, por exemplo. Como não há uma estrutura, muitos atletas deixam de competir, destaca. “’Muitos entram, poucos permanecem’ talvez resuma um dos principais desafios do futebol de Macau”, disse Manuel Silvério. Duarte Alves realça o aumento de academias “nos últimos 10 a 15 anos”, mas destacando cinco problemáticas que explicam a falta de resultados. Em causa está a regulação, estrutura, espaços de treino, o calendário e a transição para uma posição sénior. Duarte Alves explica que as academias “não são obrigadas a registar-se na Associação de Futebol de Macau, nem a cumprir requisitos de qualidade ou de certificação dos treinadores para operarem”, logo não há “garantia do nível da formação”. Depois, “a maioria não está ligada a clubes de primeira ou divisão”, não existindo “ponte directa para subir ao futebol federado”, além de que “os clubes não têm campos próprios”, dependendo “sempre do aluguer de instalações privadas, o que encarece e limita tudo”. O responsável indicou também que, apesar de o futebol escolar ser muito popular, não está “articulado com os escalões jovens da Associação”. “Campeonatos que deviam durar três ou quatro meses arrastam-se nove ou dez. Faltam campos, faltam datas, entram as férias, os miúdos saem de Macau, e quando a prova acaba há jogadores que já mudaram de escalão. Não é falta de comunicação; é falta de ligação entre o pólo escolar e o futebol de formação”, frisou. Gonçalo Lobo pinheiro Aos 18 anos é hora de o jogador “sair para estudar fora”. “Perdemo-los precisamente quando deviam dar o salto, e isso esvazia a continuidade no escalão sénior. No conjunto, é isto que torna tão difícil elevar o nível do futebol local com jogadores locais — e não a falta de vontade de quem trabalha na formação”, rematou Duarte Alves. As dificuldades dos jogadores locais na profissionalização Tendo em conta o panorama específico do futebol de Macau, não só no tocante ao baixo lugar que a selecção ocupa no ranking mundial da FIFA, como na pouca profissionalização das equipas, é difícil um jovem local ter uma carreira futebolística. Quem o diz é Duarte Alves, director financeiro e administrativo do Benfica de Macau: “para um residente de Macau, chegar à elite é muito difícil, por um conjunto de condições que se acumulam contra ele”. O responsável aponta, desde logo, falhas no acesso a boas instalações, já que “um clube tem, muitas vezes, acesso a uma hora de treino por semana, num campo ou meio campo de futebol de onze”. Assim, “sem espaço para treinar e formar, não há resultados nem desenvolvimento possíveis”, além de que é necessário “ter um ambiente profissional que Macau não tem”. “O futebol sénior não é competitivo e apoia-se sobretudo em jogadores estrangeiros para ter qualidade; o campeonato de formação é confuso e sem calendário consistente”, declarou. Duarte Alves recorda ainda que um potencial jogador que queira sair do território “esbarra noutras barreiras”, pois “a nível regional o caminho é estreito e instável”. “As regras da China para jogadores de Macau mudaram várias vezes ao longo dos anos”, sendo que “mesmo quando contam com jogadores locais, cada clube só pode inscrever um”. A nível europeu, tudo depende da família. “Pelas regras da FIFA, um clube só pode receber um jogador menor de 18 anos se os pais se mudarem para esse país por motivos não ligados ao futebol. Sem a família inteira a emigrar, a porta está praticamente fechada.” Desta forma, Duarte Alves diz que “não é talento que falta a Macau, mas o ambiente e condições à volta do jogador”. Um caminho difícil Manuel Silvério diz que não é “impossível” a que um jogador local atinja a profissionalização, mas espera-o “um percurso muito exigente”, dadas as “limitações objectivas” do território. É o caso da “reduzida dimensão populacional, a inexistência de uma liga profissional e um contexto competitivo menos exigente quando comparado com outros países e regiões”. Para Manuel Silvério, persiste o “verdadeiro desafio” de “criar condições para que esses jovens possam permanecer no sistema e continuar a evoluir”.
Irão | China pede “calma e moderação” após ataques dos EUA e retaliação Hoje Macau - 11 Jun 2026 A China apelou ontem à “calma e moderação” após os ataques dos Estados Unidos contra o Irão e a retaliação iraniana contra bases norte-americanas no Médio Oriente, defendendo um cessar-fogo rápido e o regresso à via diplomática. O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian manifestou, em conferência de imprensa, a “profunda preocupação” de Pequim com a situação e apelou a todas as partes envolvidas para que adotem “medidas concretas” destinadas a reduzir as tensões. Lin afirmou ainda que os diferendos devem ser resolvidos por meios políticos e diplomáticos e defendeu a concretização, “o mais rapidamente possível”, de um cessar-fogo “abrangente e duradouro”. As declarações surgem depois de os Estados Unidos terem realizado três vagas de ataques contra o Irão, em resposta ao abate de um helicóptero Apache norte-americano no estreito de Ormuz, uma operação à qual Teerão respondeu com ataques contra bases militares dos EUA na Jordânia, Kuwait e Bahrein. O ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano reafirmou ontem o “direito à autodefesa” da República Islâmica e advertiu os países do Golfo sobre a sua “responsabilidade” em impedir que os Estados Unidos utilizem os seus territórios para atacar o Irão. Segundo a Guarda Revolucionária iraniana, entre os alvos da retaliação esteve a Quinta Frota norte-americana estacionada no Bahrein, enquanto a Jordânia assegurou ter interceptado vários mísseis sem registo de vítimas ou danos materiais. A nova escalada ocorre apesar de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter afirmado que continua a ser possível alcançar um acordo com Teerão dentro de “dois ou três dias”, após várias semanas de negociações com a República Islâmica.
UE | China promete defender empresas visadas por novas sanções Hoje Macau - 11 Jun 2026 A China prometeu ontem defender os interesses das suas empresas perante novas sanções da União Europeia contra entidades ligadas ao esforço de guerra russo, após Bruxelas confirmar que o próximo pacote incluirá companhias sediadas no país asiático. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian reiterou, em conferência de imprensa, que Pequim opõe-se “firmemente” a sanções unilaterais que não tenham base no direito internacional nem autorização do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Lin afirmou que a China apresentou, em diversas ocasiões, protestos junto da parte europeia e instou Bruxelas a “corrigir as suas práticas erradas” e a revogar as sanções, que classificou como “ilegais”. O responsável acrescentou que Pequim continuará a acompanhar de perto a evolução da situação e adoptará as medidas necessárias para proteger os direitos e interesses legítimos das empresas chinesas. As declarações surgem depois de a Comissão Europeia ter apresentado, na terça-feira, o 21.º pacote de sanções contra a Rússia devido à guerra na Ucrânia, centrado nos sectores da energia, finanças e comércio. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, explicou que as novas medidas incluem restrições adicionais à chamada “frota fantasma” russa e visam manter a pressão sobre as fontes de receita de Moscovo. A vice-presidente da Comissão Europeia, Kaja Kallas, indicou que o pacote incluirá também controlos às exportações e medidas contra cerca de cinquenta empresas de países terceiros, incluindo entidades sediadas na China, Turquia, Quirguistão, Cazaquistão, Emirados Árabes Unidos e Índia, que Bruxelas acusa de contribuírem para o complexo militar-industrial russo.
A Europa fortificada Jorge Rodrigues Simão - 11 Jun 2026 “The real problem of humanity is the following: we have paleolithic emotions, medieval institutions, and godlike technology.” – Edward O. Wilson O recém-aprovado Pacto Europeu para a Migração e Asilo, celebrado entre 2024 e 2026 com a solenidade típica de quem acredita ter reinventado a roda, apresenta-se como a grande obra civilizatória da União Europeia no domínio migratório. A sua aprovação formal, concluída entre Abril e Maio de 2024 com o Parlamento Europeu a dar o primeiro sinal verde a 10 de Abril e o Conselho a fechar o processo a 14 de Maio foi anunciada como um triunfo histórico. A entrada em vigor, porém, segue o ritmo habitual da burocracia europeia sendo lenta, cerimoniosa e estrategicamente espaçada. O pacto só se tornará plenamente aplicável em 2026, após um período de adaptação que permite aos EstadosMembros fingirem que estão a preparar-se enquanto tentam perceber como vão cumprir regras que eles próprios aprovaram. A narrativa oficial proclama que o pacto representa equilíbrio, solidariedade e modernização. Na prática, funciona como um manual de instruções para transformar fronteiras em filtros industriais, onde seres humanos entram como “fluxos” e saem como “decisões administrativas”. A Europa descobriu, enfim, que a melhor forma de lidar com a complexidade é simplificá-la até ao absurdo, convertendo dilemas humanitários em tabelas Excel e reduzindo a mobilidade humana a um problema de gestão logística. A triagem obrigatória nas fronteiras externas apresentada como inovação brilhante consiste, basicamente, em transformar aeroportos e portos em salas de espera jurídicas onde se decide, em poucos dias, o destino de quem chega. O objectivo é separar rapidamente quem “merece” protecção de quem “não merece”, como se a vulnerabilidade humana pudesse ser avaliada com a mesma objectividade com que se avalia a maturação de um queijo. A promessa de rapidez é vendida como garantia de eficiência, mas o subtexto é evidente pois quanto mais depressa se decide, mais depressa se pode recusar. A isto soma-se o mecanismo de “solidariedade obrigatória”, expressão que só a União Europeia conseguiria inventar sem corar. Os Estados Membros podem escolher entre acolher requerentes de asilo, financiar operações noutros países ou pagar para que outros façam o trabalho sujo. É a solidariedade convertida em menu de restaurante em que cada país escolhe o prato que lhe convém, desde que pague a conta. A ideia de que a responsabilidade comum se resolve com transferências financeiras é um triunfo da criatividade burocrática, mas também um retrato fiel de uma Europa que prefere cheques a compromissos. O pacto reforça igualmente as parcerias com países terceiros, transformando vizinhos geográficos em porteiros terceirizados da fortaleza europeia. A lógica é simples; se a Europa não quer lidar com migrantes, que o façam países com menos escrúpulos e mais necessidade de financiamento. A externalização do controlo migratório é apresentada como cooperação internacional, mas na realidade aproximase mais de um outsourcing moral. A União paga, os outros contêm, e todos fingem que se trata de uma estratégia humanitária. A reforma introduz ainda procedimentos fronteiriços obrigatórios para quem vem de países com baixas taxas de reconhecimento de asilo. A presunção de improcedência transforma-se, assim, em política pública. Em vez de avaliar cada caso, avalia-se a nacionalidade, como se a dignidade humana fosse uma estatística. A Europa, que tanto se orgulha do Estado de Direito, parece agora confortável com a ideia de que alguns direitos são mais direitos do que outros, dependendo do passaporte. O pacto também promete acelerar deportações, porque nada diz “eficiência europeia” como um voo charter cheio de pessoas que não se enquadram nos critérios da nova engenharia migratória. A narrativa oficial insiste que se trata de garantir ordem e previsibilidade, mas o resultado é uma máquina administrativa que mede o sucesso pelo número de expulsões realizadas. A Europa, outrora defensora de valores universais, parece agora medir a sua virtude pela velocidade com que fecha portas. A reforma é apresentada como resposta ao aumento dos fluxos migratórios, como se a mobilidade humana fosse uma anomalia recente e não uma constante histórica. A verdade é que a Europa continua presa à ilusão de que pode controlar o mundo com regulamentos, ignorando que as causas profundas da migração com conflitos, desigualdades e alterações climáticas não desaparecem por decreto. O pacto é, nesse sentido, uma tentativa de gerir sintomas enquanto se ignora a doença. (Continua)
10 de Junho | Galeria Amagao apresenta obras de Raquel Gralheiro Andreia Sofia Silva - 11 Jun 2026 A pintora portuguesa Raquel Gralheiro está de regresso às exposições na RAEM com a mostra “Pop lá”, depois de ter exposto, em 2018, “My Chinese Zodiac” e “Pop Pin”, dois anos depois. A exposição, inaugurada amanhã na galeria Amagao, integra a programação do “Junho – Mês de Portugal na RAEM 2026” A galeria Amagao acolhe, a partir de amanhã, uma exposição da pintora Raquel Gralheiro que se intitula “Pop lá”. A cerimónia tem lugar partir das 18h30, no Artyzen Grand Lapa, onde está situada a galeria, que desta forma se junta às celebrações de “Junho – Mês de Portugal na RAEM 2026”, em jeito de comemoração do 10 de Junho – Dia de Portugal, Camões e das comunidades portuguesas. O trabalho de curadoria está a cargo de Lina Ramadas, co-fundadora da Amagao, em colaboração com o artista e designer Victor Hugo Marreiros. A exposição está patente ao público até ao dia 2 de Agosto. “Pop lá” é a terceira mostra de Raquel Gralheiro no território, depois de ter protagonizado, em 2018, “My Chinese Zodiac”, que teve lugar na Santa Casa da Misericórdia de Macau; e “Pop Pin”, apresentada em 2020. Destaque ainda para o facto de Raquel Gralheiro ter levado também “My Chinese Zodiac” [O Meu Zodíaco Chinês], em 2019, ao Nanjing Fine Art University Museum, na China. O escritor Valter Hugo Mãe descreve Raquel Gralheiro como “uma artista irónica que trabalha no limiar do bom gosto para analisar a relação entre arte e decoração”, e que as suas “telas, excessivas e provocadoras, são sempre um meio de representar a figura como um elemento que contrasta com vários padrões, como se alguém vivesse no papel de parede, no padrão do sofá, no cartaz”. Nesta mostra em Macau há uma procura permanente pelo equilíbrio entre Oriente e Ocidente, conforme descreve a sinopse da exposição, no programa de “Junho – Mês de Portugal na RAEM 2026”. “Entre o cá e o lá, entre o Oriente e o Ocidente, a minha pintura afirma-se como uma linguagem visual pop que cruza distâncias, fundindo imaginários num diálogo vibrante de cor e memória”, revela a própria pintora. A Amagao descreve como no conjunto de trabalhos, “através de uma série de pinturas cativantes, Raquel Gralheiro explora encontros culturais, as histórias do quotidiano e a atmosfera única de Macau, criando um mundo onde a realidade e a fantasia se cruzam”. Desta forma, convidam-se os “amantes da arte, entusiastas da cultura, residentes e visitantes a celebrar a rica herança portuguesa que continua a moldar a identidade única de Macau”, de que esta mostra é exemplo. Pintar galos Raquel Gralheiro, que vive e trabalha no Porto, levou “O Meu Zodíaco Chinês” no âmbito da primeira Bienal dedicada à arte no feminino, intitulada ARTEFM 2018. A artista plástica formou-se em Pintura pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, tendo a figura feminina como tema central das suas obras. Em entrevista ao Jornal Tribuna de Macau, Raquel Gralheiro levantou um pouco do véu sobre a forma como a figura feminina foi ganhando predominância nas suas criações. “Nem sempre pintei mulheres, também tenho pinturas com homens, mas ultimamente tem aparecido sempre a figura feminina, talvez porque é a minha condição. Só sei ser mulher e estar no mundo como mulher”, adiantou. Valter Hugo Mãe, no texto que escreveu sobre a artista, diz que Raquel Gralheiro “empreende uma exploração extrema do corpo e do imaginário femininos enquanto bastião do desejo e da sofisticação”, parecendo “aludir ao luxo, dada a noção invariável de requinte, ao mesmo tempo que remete, fatalmente, para o erotismo, conferindo poder às figuras e definindo para elas uma personalidade muito específica que irá confrontar os estereótipos há muito enraizados na sociedade”. Em 2020, o trabalho de Raquel Gralheiro esteve presente em Macau novamente integrada na “Exposição das Obras Artísticas de Portugal, Timor-Leste e Macau”, ligada à 12.ª Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa. Segundo uma nota oficial sobre a exposição “Pop Pin”, Raquel Gralheiro revelou toda a sua alegria natural “numa exploração extrema do corpo feminino e do imaginário”, num “misto figurativo e realista que, por vezes, chega a lembrar a Pop Art”, movimento artístico que teve Andy Warhol como um dos artistas mais exemplificativos. Integrados na exposição “Pop lá”, a pintora irá conduzir workshops de pintura, intitulados “Galo Painting Workshop”, no sábado e domingo na Amagao, entre as 15h e as 18h. O preço para participar nos workshops é 400 patacas.
Leituras interiores de MCZ_Thomas para ver na Creative Macau Hoje Macau - 11 Jun 2026 O artista local MCZ_Thomas, cujo nome verdadeiro é Lo Si In, apresenta até ao dia 24 de Junho o seu trabalho na exposição “MIR: Lotus”, patente na Creative Macau em parceria com a Sociedade de Artes Visuais da Cidade de Macau. A inauguração aconteceu esta segunda-feira. Segundo um comunicado da Creative Macau, a exposição tem como tema central “Pó Cósmico e os Ecos da Folha Metálica: A Poética Interior da Conexão Humana”, visando explorar “a conexão emocional, a percepção interior e a ressonância na era digital”. Este objectivo pretende ser atingido através de “instalações artísticas imersivas” e de uma “interacção participativa” com os visitantes. O projecto que dá origem à mostra segue viagem para a cidade japonesa de Osaka e Taiwan “ainda este ano”, a fim de promover “o intercâmbio artístico inter-regional através da arte contemporânea”. O alumínio como arte Lo Si In, ou MCZ_Thomas, faz neste trabalho o uso do papel de alumínio do dia-a-dia “como meio artístico central para reimaginar as relações subtis entre a humanidade e o cosmos, os indivíduos e o mundo emocional interior de cada um”, sem esquecer a conexão com a “realidade exterior”. Desta forma, ao criar “superfícies reflectoras, rugas e texturas” através deste material, transformando-o em obra de arte, o artista explora de forma metafórica “a tensão emocional entre protecção e vulnerabilidade, solidão e conexão”. Desta forma, convida-se o público a pensar sobre “relações autênticas e a consciência emocional na sociedade contemporânea”. A curadora Cassidy Chan disse, citada pela mesma nota, que a mostra “MIR: Lotus” pretende “reavivar as ligações e percepções subtis, muitas vezes ignoradas, entre as pessoas”, sendo que a sua deslocação para o Japão e Taiwan visa “trazer as suas próprias experiências de vida para a obra, criando novas interpretações e ressonâncias”. A “MIR: Lotus” é ainda descrita como uma forma de “exploração da consciência emocional, ligação humana e ressonância cultural”, sendo que com as mostras em três lugares diferentes pretende-se “estabelecer um diálogo cultural significativo e posicionar a arte contemporânea original de Macau num contexto internacional”.
China | Exportações automóveis sobem 73 por cento em Maio Hoje Macau - 11 Jun 2026 As exportações chinesas de automóveis de passageiros aumentaram 73 por cento em Maio, em termos homólogos, para cerca de 809.000 unidades, impulsionadas pelo crescente interesse em veículos eléctricos num contexto de subida dos preços dos combustíveis devido à guerra no Irão. A Associação Chinesa de Fabricantes de Automóveis (CAAM) indicou ontem que as exportações de veículos totalmente eléctricos e híbridos mais do que duplicaram face ao mesmo mês do ano passado, atingindo cerca de 435.000 unidades, mais de metade do total. O resultado supera as cerca de 796.000 viaturas exportadas em Abril, segundo dados da mesma associação. Fabricantes chineses como a BYD têm acelerado a expansão internacional, apostando em mercados da América Latina, Ásia e Europa, numa altura em que a procura doméstica enfrenta pressões devido, em parte, à redução dos incentivos governamentais para a substituição de automóveis convencionais por eléctricos. As vendas domésticas de automóveis de passageiros caíram 23,4 por cento em Maio, em termos homólogos, para 1,44 milhões de unidades, registando o sétimo mês consecutivo de quedas. As vendas de veículos com motores de combustão interna, incluindo automóveis a gasolina e gasóleo, recuaram quase 42 por cento, enquanto a quota dos veículos eléctricos continuou a crescer. Analistas do banco suíço UBS estimam que as exportações chinesas de automóveis de passageiros aumentem cerca de 40 por cento em 2026, face ao ano anterior, enquanto as exportações de veículos eléctricos poderão crescer cerca de 80 por cento. “O preço elevado do petróleo traduziu-se claramente num maior interesse pelos veículos eléctricos”, afirmou Paul Gong, responsável pela análise do sector automóvel chinês no UBS. Segundo o analista, as exportações automóveis chinesas superaram as expectativas nos primeiros meses do ano, enquanto as vendas domésticas ficaram abaixo do previsto. Sempre a crescer Claire Yuan, analista da S&P Global Ratings, prevê que as exportações chinesas mantenham um forte dinamismo em 2026, apontando para um crescimento anual entre 30 por cento e 50 por cento. De acordo com a Agência Internacional da Energia (AIE), cerca de um em cada quatro automóveis novos vendidos no mundo no ano passado foi eléctrico. A organização prevê que as vendas globais destes veículos atinjam 23 milhões de unidades em 2026, representando quase 30 por cento do mercado mundial. A China é o maior produtor mundial de veículos eléctricos e fornece a maioria dos modelos vendidos a nível global. A BYD, maior fabricante chinesa de veículos eléctricos, vendeu mais de 160.000 automóveis no exterior em Maio, um aumento de 80 por cento face ao mesmo período do ano passado. A empresa pretende vender 1,5 milhões de veículos fora da China este ano, acima dos 1,05 milhões registados em 2025. A fabricante sediada no sul da China ultrapassou a Tesla no ano passado como a maior produtora mundial de veículos eléctricos em volume de vendas. A expansão internacional poderá também melhorar a rentabilidade das fabricantes chinesas, após uma intensa guerra de preços no mercado doméstico ter pressionado as margens do sector.
PCC | Chefe de gabinete de Xi à frente da principal escola de quadros Hoje Macau - 11 Jun 2026 A academia mais importante na formação de dirigentes políticos passa a contar com a liderança de Cai Qi, membro do Comité Permanente do Politburo, um homem da inteira confiança do Presidente chinês O chefe de gabinete do Presidente chinês, Xi Jinping, foi nomeado director da Escola Central do Partido Comunista Chinês (PCC), instituição que desempenha um papel central na formação ideológica dos quadros do regime e na preparação dos futuros dirigentes. Cai Qi, membro do Comité Permanente do Politburo, a cúpula do poder na China, assumiu na semana passada a liderança da academia sediada em Pequim, considerada a principal escola de formação de quadros do PCC. A nomeação é vista como um sinal da importância atribuída por Xi ao trabalho ideológico e ao controlo político dos funcionários do partido, numa altura em que Pequim procura reforçar a auto-suficiência tecnológica, a segurança das cadeias de abastecimento e a disciplina interna. Ao longo das últimas três décadas, a direcção da Escola Central do Partido foi tradicionalmente reservada ao sucessor designado do líder chinês ou ao principal responsável pela ideologia do regime. O próprio Xi Jinping dirigiu a instituição entre 2007 e 2012, antes de ascender à liderança máxima da China, enquanto o seu antecessor, Hu Jintao, ocupou o cargo entre 1993 e 2002. Entre ambos esteve Zeng Qinghong, antigo vice-presidente chinês e responsável pelos assuntos partidários, que liderou a escola enquanto integrava o Comité Permanente do Politburo. Após Xi, a instituição foi dirigida por Liu Yunshan, então principal responsável pela ideologia do PCC, e posteriormente por Chen Xi, antigo colega universitário de Xi Jinping e considerado um dos seus mais próximos aliados políticos. Modelo exemplar Fundada em 1935, na cidade de Yan’an, durante a guerra civil chinesa, a Escola Central do Partido teve um papel determinante na formação política dos quadros comunistas e na consolidação do movimento liderado por Mao Zedong. Depois do fim da Revolução Cultural, em 1976, a instituição tornou-se um espaço importante para a reflexão interna sobre os erros cometidos durante a era maoista e manteve-se como o principal centro de formação de dirigentes antes da sua promoção a cargos superiores. Sob a liderança de Xi Jinping, a escola ganhou ainda mais relevância. Num discurso em 2015, Xi defendeu um controlo apertado da orientação ideológica dos quadros comunistas. O líder chinês argumentou que estas instituições são essenciais para preservar a fidelidade ao marxismo e impedir a influência de valores ocidentais, apontando países como Iraque, Síria e Líbia como exemplos de Estados mergulhados no caos após a adopção de modelos políticos estrangeiros. Espaço de eleição Xi tem utilizado regularmente a Escola Central do Partido para apresentar a altos funcionários as suas visões sobre governação, segurança nacional e desenvolvimento económico. Nos últimos anos, a instituição passou também a oferecer formação em áreas consideradas prioritárias pelo Governo chinês, incluindo segurança das cadeias de abastecimento e gestão dos recursos de terras raras. A influência da escola estende-se igualmente ao recrutamento das elites políticas chinesas. Dois dos actuais 22 membros do Politburo, Li Shulei, responsável pela propaganda do PCC, e Shi Taifeng, chefe do Departamento de Organização, construíram grande parte das suas carreiras académicas e políticas na instituição. Ambos trabalharam na Escola Central do Partido durante décadas e foram colegas de Xi Jinping quando este dirigiu a academia antes de assumir a liderança da China.
Estudo | Dois terços dos alunos de cursos de saúde sofrem de depressão João Santos Filipe - 11 Jun 2026 Um estudo académico da Universidade Politécnica de Macau e da Universidade de Sun Yat-sen, em Guangzhou, procurou ligações entre depressão, insónias e utilização da internet. Macau apresentou resultados negativos que se destacaram de outras regiões Cerca de 68,8 por cento dos estudantes de cursos superiores na área da saúde em Macau afirmam sofrer de depressão. O resultado consta de um estudo elaborado por académicos da Universidade Politécnica de Macau e da Universidade de Sun Yat-sen, em Guangzhou com o título “A utilização problemática da Internet e a depressão entre estudantes de ciências da saúde em Macau: o papel mediador da insónia”. Segundo o trabalho, que foi disponibilizado a 6 de Junho numa versão preliminar, os académicos realizaram 264 questionários a estudantes de instituições locais, entre Janeiro e Fevereiro de 2025. Entre os inquiridos, 68,8 por cento, cerca de 182, consideraram sofrer de depressão. O trabalho aponta também que entre os 264 estudantes, 40,2 por cento reconhecia sofrer de depressão ligeira, 18,6 por cento de depressão moderada, 6,4 por cento de depressão acentuada e 3,4 por cento de depressão grave. Como parte das conclusões, os autores reconhecem que os valores em Macau são superiores aos de outros locais: “No total, 68,8 por cento dos estudantes da área da saúde incluídos neste estudo referiram sofrer de depressão, uma prevalência substancialmente superior à registada entre os estudantes de áreas da saúde na Arábia Saudita (32,2 por cento)”, foi indicado. “Vários estudos também relataram taxas elevadas de depressão em grupos específicos de alunos nas áreas da saúde, incluindo enfermagem (34,0 por cento), medicina laboratorial (51,4 por cento) e farmácia (35,1 por cento). No entanto, todas estas taxas continuam a ser inferiores aos nossos resultados”, foi constatado. Episódios anteriores Durante a investigação, os académicos procuraram a ligação entre a insónia, depressão e a utilização incorrecta da internet. Este último termo, que veio substituir o conceito de vício da internet, é utilizado para definir uma condição de mal-estar psicológico quando não se consegue aceder à internet ou se está offline. Mais uma vez, os resultados registados em Macau aparentam superar a situação de outros locais. “Neste estudo, cerca de 70 por cento dos estudantes da área da saúde em Macau preencheram os critérios para o uso problemático da Internet”, foi revelado. “Estudos anteriores estimam que a incidência do uso problemático da Internet se situe entre 4 por cento e 51 por cento entre os estudantes universitários”, foi apontado. No estudo é também indicado que a pandemia da covid-19 pode ter contribuído para uma maior utilização incorrecta da internet entre os alunos, dado que durante alguns anos as aulas passaram a ser online, o que obrigou as pessoas a passarem mais tempo ligados à Internet. Os autores do estudo são Lei Zeng, da Universidade de Sun Yat-sen, e Chong Wai Sin, Bernice Nogueira, Ngan Ka U, Luo Zhimin, Gao Lingling, Yuan Haobin, Man Chan Yok e Meng Lirong, todos da Universidade Politécnica de Macau.
Casinos | DICJ rejeita qualquer tipo de batota João Santos Filipe - 11 Jun 2026 A Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos alerta a população para não acreditar em publicações que anunciam “reembolsos” nos casinos de Macau, depois de serem apresentadas queixas por batota A Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ) veio mais uma vez negar a existência de batota com as máquinas que baralham as cartas nos casinos e alerta para possíveis burlas. A mensagem foi deixada através de um comunicado e visa combater campanhas recentes de desinformação lançadas nas redes sociais chinesas. De acordo com o comunicado, “ultimamente” têm “surgido continuamente várias mensagens não confirmadas” sobre pessoas que alegam terem sido reembolsados pelos casinos, depois de terem sido enganadas no jogo. A DICJ aponta também que neste tipo de mensagens há pessoas a apresentarem-se como vítimas de batota e a aconselhar os clientes dos casinos em Macau a “contactarem determinados indivíduos em busca de ajuda” para serem reembolsadas. “Uma vez que tais mensagens podem até envolver burla, apela-se ao público para não acreditar nem partilhar informações não confirmadas, e que tenha cuidado para não ser enganado”, pede a DICJ. Na semana passada, surgiram publicações, na rede social chinesa “Pequeno Livro Vermelho”, que acusavam os casinos de batota, ao manipularem as máquinas para baralharem as cartas. Segundo as mensagens, as caixas que baralham as cartas seriam manipuladas por alguém que está nas mesas de jogo, de forma a alterar a distribuição e atribuir uma mão mais fraca aos jogadores. Controlo rigoroso No comunicado de ontem, as autoridades voltam a insistir que todo o equipamento é inspeccionado, para não permitir qualquer manipulação do jogo por parte dos casinos. “Todo o equipamento de jogo em funcionamento nos casinos de Macau está sujeito a uma regulamentação rigorosa, devendo cumprir as leis, as normas técnicas e os requisitos de segurança. Todo o equipamento de jogo electrónico deve ser submetido a testes por entidades independentes, acreditadas pela DICJ, e só pode entrar em funcionamento após análise e autorização”, foi comunicado. “A DICJ realiza também inspecções regulares e surpresa para verificar no local as versões dos softwares dos equipamentos, a integridade dos selos e os mecanismos de geração de números aleatórios, entre outros, garantindo assim a conformidade contínua. Recentemente, não foram detectadas quaisquer anomalias ou situações de incumprimento nos equipamentos”, foi acrescentado. A DICJ também “avisa” que “todas as controvérsias relacionadas com o jogo devem ser comunicadas através de canais oficiais” e que em todos os casinos há “inspectores” que investigam as queixas “em tempo real”. “Caso suspeite de ter sido vítima de burla, deve interromper imediatamente a transacção e apresentar queixa junto da Polícia Judiciária o mais rapidamente possível”, foi aconselhado.
Cidade Universitária | Admitido alinhamento com Plano Quinquenal Nacional Hoje Macau - 11 Jun 2026 O director da Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude, Kong Chi Meng, admitiu que a construção da Cidade Universitária de Educação Internacional de Macau e Hengqin é uma directiva do 15.º Plano Quinquenal Nacional. As declarações foram prestadas durante a mais recente reunião do ano do Conselho de Educação, que aconteceu na segunda-feira. Segundo o comunicado oficial sobre o encontro, “Kong Chi Meng referiu que, no âmbito do 15.º Plano Quinquenal do País, foi claramente definida a promoção da construção da Cidade (Universitária) de Educação Internacional de Macau e Hengqin, no sentido de apoiar a extensão pedagógica das instituições de ensino superior de Macau em Hengqin”. O director da DSEDJ explicou também que como este é “um dos grandes projectos do Governo da RAEM” a esperança é que resulte no “desenvolvimento integrado da educação, da ciência e tecnologia e dos quadros qualificados, aprofundando a integração e o progresso sinérgico entre Macau e Hengqin”. Ainda no encontro, Kong Chi Meng afirmou que face ao “grande desafio para o sistema educativo de Macau” que decorre da “baixa natalidade”, o Governo vai lançar um programa para financiar a transformação das escolas, incluindo o apoio a fusões de instituições de ensino, mas também a “formação de reconversão” dos docentes.
CEM | Investimento caiu 13% para 967 milhões em 2025 Hoje Macau - 11 Jun 2026 No ano passado, a Companhia de Electricidade de Macau caiu 12,8 por cento em termos anuais, fixando-se em 967 milhões de patacas, de acordo com o relatório anual de resultados e contas de 2025 publicado ontem no Boletim Oficial. Dos 967 milhões do investimento total da empresa, 586 milhões de patacas foram investidos “na rede de transporte e distribuição para impulsionar continuamente melhorias na rede”. É também indicado que o projecto da subestação de Tai On, que inclui o Novo Centro de Despacho na Nova Zona Urbana A, está a progredir de acordo com o planeado”, para já estão em funcionamento as redes de 110 e 11 quilovolts. A CEM refere ainda que “a construção das subestações da Barra e da Central Térmica de Macau está a seguir o cronograma traçado, tendo sido oficialmente iniciado o primeiro projecto de modernização para 66 quilovolts na subestação Lisboa, que está em funcionamento há 42 anos. Em relação ao consumo de electricidade em 2025, a companhia revela um ligeiro aumento de 0,4 por cento face ao ano anterior, e que 87,2 por cento dessa energia foi importada do Interior da China, com o remanescente a ser produzido localmente nas instalações da CEM e na Central de Incineração de Resíduos.
Emprego| Mais de 4.500 candidatos a 50 vagas em Hengqin João Luz - 11 Jun 2026 As candidaturas a 50 empregos em Hengqin atraíram 4.550 jovens de Macau, indicou ontem a Comissão Executiva da Zona de Cooperação Aprofundada. As autoridades de Hengqin apontam que esta ronda de recrutamento registou um aumento de 33 por cento face a rondas anteriores Terminou o período de recrutamento para preencher 50 vagas de emprego abertas pela Comissão Executiva da Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin, que contou com 4.550 candidaturas de jovens residentes permanentes de Macau, indicou ontem a comissão executiva. As autoridades apontam que, em média, para cada vaga registaram-se 91 candidaturas e que, comparando com as duas rondas de recrutamento similares esta registou um aumento de 33 por cento. A comissão executiva conclui que o número de candidaturas reflecte “um aumento significativo do interesse dos jovens de Macau em trabalhar na zona de cooperação em Hengqin”. As autoridades acrescentam que, segundo as candidaturas apresentadas, as áreas mais procuradas pelos residentes são desenvolvimento industrial, e áreas administrativas, jurídicas e relacionadas com bem-estar da população. Estas áreas congregaram quase 80 por cento do total das candidaturas, envolvendo cargos como recepção de documentos, segurança social, actividades de intercâmbio juvenil, promoção de investimentos e a radiodifusão, televisão e publicação de notícias. O facto de esta ronda de recrutamento não exigir experiência profissional foi destacado pelas autoridades como factor determinante para a atracção de candidaturas de recém-licenciados. Alargar horizontes A Direcção dos Serviços de Assuntos Administrativos da zona de cooperação, responsável pela campanha de recrutamento, afirmou que a sua missão original é proporcionar oportunidades de emprego de alta qualidade e alargar as perspectivas de carreira dos jovens de Macau, num contexto de aprofundamento da integração entre os dois territórios. Neste aspecto, as autoridades de Hengqin sublinham a necessidade especial de contratar “jovens talentos familiarizados com Macau para participarem na gestão dos assuntos públicos da zona de cooperação”. A fase seguinte do processo passará pela selecção de currículos, assim como uma bateria de exames escritos, médicos e entrevistas. As autoridades sublinham que os departamentos competentes vão “respeitar rigorosamente os princípios de abertura, equidade e imparcialidade” ao longo do processo. Quando as candidaturas abriram, foi indicado que os rendimentos brutos anuais podem atingir 330 mil renminbis, e que os contratos de trabalho vão garantir o direito a 22 dias de férias por ano.
Ensino | O Lam diz que expansão para Hengqin é caminho a seguir Hoje Macau - 11 Jun 2026 A expansão das universidades de Macau para Hengqin é “o caminho para o desenvolvimento de alta qualidade do ensino superior de Macau”, indicou a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, durante a cerimónia de graduação deste ano da Universidade Politécnica de Macau (UPM), que se realizou na terça-feira. A governante referia-se à Cidade (Universitária) de Educação Internacional de Macau e Hengqin, um dos mega-projectos pedidos por Pequim à RAEM. O Lam destacou as conquistas da UPM na formação de “um grande número de quadros excepcionais para a sociedade de Macau e para o País, particularmente em áreas como a formação de quadros bilingues em chinês e português, a saúde e as ciências do desporto”. Por seu turno, o reitor da UPM, Zhou Zhongrong, “encorajou os graduados a herdar o espírito de “amor pela pátria e por Macau” e dedicar-se a servir o país e a prosperar Macau”, descreve a instituição de ensino em comunicado. O reitor afirmou ainda esperar que os graduados mantenham “o entusiasmo pelo saber e naveguem com coragem a vaga da inovação científica, que se pautem pelo pragmatismo e pela responsabilidade e forjem a glória através do empenho e da luta”. A cerimónia marcou o “início de uma nova jornada da vida” de cerca de 1.700 graduados, é acrescentado.
FM | Governo aposta na continuidade de Wu Zhiliang João Santos Filipe - 11 Jun 2026 Além do actual presidente da Fundação Macau, Sam Hou Fai manteve os nomes ligados às comunidades portuguesa e macaense, ao renovar os mandatos de Carlos Marreiros, André Ritchie e Cristina Neto Valente Wu Zhiliang vai cumprir o 16.º ano como presidente do Conselho de Administração da Fundação Macau (FM). A renovação do mandato foi anunciada ontem, através de um despacho de Sam Hou Fai publicado pelo Boletim Oficial. O presidente da FM vai manter um salário de cerca de 103.400 patacas por mês, como aconteceu nos anos anteriores. Ao mesmo tempo, também o mandato de Zhong Yi Seabra de Mascarenhas, vice-presidente do Conselho de Administração, foi renovado. A dirigente mantém o salário de cerca e 90.240 patacas por mês, como aconteceu na renovação do mandato do ano passado. Zhong Yi Seabra de Mascarenhas desempenha o cargo de vice-presidente na instituição responsável por grande parte do financiamento para as associações desde 2016, pelo que está prestes a cumprir 11 anos neste cargo. Tanto no caso de Wu Zhiliang, como de Zhong Yi Seabra de Mascarenhas, os novos mandatos têm a duração de um ano, como tradicionalmente acontece para as nomeações para a Fundação Macau. O Conselho Fiscal da Fundação Macau continua igualmente sem alterações, com Vong Hin Fai o presidente da Associação dos Advogados de Macau, manter-se presidente, com uma remuneração de 19.740 patacas por mês. A continuidade abrange igualmente os outros membros Ho Mei Va e Lau Veng Lin, que vão receber mensalmente 16.450 patacas por mês. Grupo de elite Em relação ao Conselho de Curadores, o Chefe do Executivo optou igualmente por manter tudo na mesma, depois de no ano passado ter realizado alguns ajustes. Os mandatos do arquitecto de Carlos Marreiros, da advogada Cristina Neto Valente e do arquitecto André Ritchie foram renovados por um ano. Ng Siu Lai, presidente da Associações dos Moradores de Macau, Iong Weng Ian, ligada à Associação das Mulheres, a empresária Angela Leong, e os ex-deputados Chan Meng Kam, Chan Hong e Chan Wa Keong são igualmente mantidos neste órgão. Os mandados de Mok Chi Wai, presidente da Federação da Juventude de Macau, Ma Chi Wa, empresário e Liu Cai Seng, administrador do Banco de Desenvolvimento de Macau, assim como Lao Ion Fai, vice-presidente da Federação das Associações dos Operários de Macau, também foram renovados pelo prazo de um ano. O Conselho de Curadores da FM tem como objectivos garantir a manutenção dos fins da fundação, apreciar o plano de actividades, o relatório de exercício, o orçamento para o ano seguinte e o relatório financeiro relativo ao ano anterior. Além destas funções, tem ainda competência para aprovar a concessão de apoios financeiros de valor superior a um milhão de patacas.
Acácio de Brito sai de Macau para assumir direcção da Escola Portuguesa de Luanda Hoje Macau - 11 Jun 2026 O Conselho de Administração da Escola Portuguesa de Macau votou e pretendia renovar o mandato de Acácio de Brito como director da Escola Portuguesa de Macau, mas o destino do dirigente da instituição educativa deverá passar por Angola. A revelação foi feita por Fernando Alexandre, Ministro da Educação, à margem das celebrações do dia de Portugal na RAEM. “A Escola Portuguesa de Macau está muito bem e quero deixar uma palavra de agradecimento ao professor Acácio Brito. Tivemos alguma turbulência no início, mas, neste momento, a escola está a funcionar muito bem”, afirmou Fernando Alexandre, de acordo com a Rádio Macau. O ministro português revelou depois ter convidado Acácio de Brito para trabalhar no país africano: “Lancei pessoalmente um desafio ao Dr. Acácio Brito. Temos um grande desafio em Luanda, e o Dr. Acácio Brito deverá ficar a liderar a Escola Portuguesa de Luanda”, revelou. “O Dr. Acácio de Brito irá liderar a Escola Portuguesa de Luanda. Já fez um trabalho em Timor, fez agora aqui em Macau, e agora terá este novo desafio”, disse, segundo a Agência Lusa, para depois frisar que as escolas portuguesas no estrangeiro são “instituições importantíssimas” que o Governo tem vindo a valorizar. O ministro sublinhou ainda que se trata de uma decisão estratégica e não relacionada com a “turbulência” inicial vivida na instituição. Macau no vazio Sobre o futuro da Escola Portuguesa de Macau, o ministro garantiu que “ainda não há nomes” e está a ser trabalhada “outra solução” em articulação com o Conselho de Administração, assegurando continuidade e expansão. “A escola tem vindo a crescer, já ultrapassou os 800 alunos, quando foi projectada para 400. Há procura e o compromisso do Governo português – e estou certo também do executivo da Região Administrativa Especial de Macau – é de consolidar e expandir este projecto”, afirmou. Fernando Alexandre prometeu ainda o total apoio do Governo ao envio de professores de Portugal para Macau, mas avisou que pode ser difícil atrair docentes: “Também há uma dimensão financeira [nas decisões dos professores], a situação em Portugal melhorou significativamente e é mais difícil atrair professores. Mas são decisões individuais”, atirou. Associação de Pais “estupefacta” Filipe Regêncio Figueiredo, presidente da Associação de Pais da Escola Portuguesa de Macau (EPM), disse ao HM que recebeu a notícia da saída de Acácio de Brito do cargo de director com “estupefacção”, não tendo proferido comentários por estarem em causa as celebrações do Dia de Portugal e não querer “criar quezílias”. Acácio de Brito tinha sido reconduzido como director da EPM pela Fundação que gere a escola, mas aquando da visita do ministro Fernando Alexandre, foi anunciado que irá para a Escola Portuguesa de Luanda. Questionado pelo HM sobre a sua saída, Acácio de Brito não quis fazer qualquer comentário.
BIR | Pedido regresso à “tradicional relação privilegiada no campo laboral” Andreia Sofia Silva - 11 Jun 2026 Alexandre Leitão, cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong, defendeu ontem o regresso da “tradicional relação privilegiada no campo laboral”, referindo-se à atribuição de BIR a portugueses. Na recepção à comunidade portuguesa a propósito do 10 de Junho, o cônsul diz existirem condições para se fazer, este ano, uma nova reunião da Comissão Mista Em mais um 10 de Junho – Dia de Portugal, Camões e das Comunidades Portuguesas celebrado no território, desta vez com uma recepção à comunidade portuguesa na Escola Portuguesa de Macau (EPM), foi deixado um alerta sobre a necessidade de agilizar a atribuição de residência a cidadãos portugueses por parte das autoridades da RAEM. Quem o fez, foi Alexandre Leitão, cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong. “Em Macau há seis universidades com uma notoriedade crescente, e nelas trabalham com competência e seriedade professores portugueses que trazem uma mais valia evidente à RAEM, como acontece em todo o mundo. Os nossos interesses, incluindo o objectivo comum de diversificar as nossas economias, têm muito a ganhar em recuperar a tradicional relação privilegiada no campo laboral”, destacou. Em concreto, “numa evolução das regras de admissão e permanência, que torna a RAEM mais atractiva para os portugueses que aqui desejam trabalhar, estudar e viver”, acrescentou o cônsul. O representante português não esqueceu o facto de o discurso político oficial destacar, precisamente, a necessidade de quadros qualificados. Alexandre Leitão referiu a “secção 1, capítulo 33, do 3.º Plano Quinquenal de Desenvolvimento Sócio-económico da RAEM”, que diz respeito “à criação de condições favoráveis para a captação de quadros qualificados de língua portuguesa”. Alexandre Leitão lembrou ainda o facto de Portugal atribuir residência a qualquer residente de Macau. “Se um residente de Macau quiser trabalhar, investir ou viver de rendimentos em Portugal, pode apresentar no Consulado um pedido de visto e, se tiver a documentação adequada, terá rapidamente uma autorização de residência que lhe confere o acesso a bens e serviços públicos em condições idênticas às dos cidadãos nacionais”, disse. O cônsul destacou que, neste cenário, “a reciprocidade faz todo o sentido”. Importância no Fórum Nas relações entre Macau e Portugal não existe ainda nova data para a realização da reunião da Comissão Mista Portugal-RAEM, e da recente visita de Sam Hou Fai, Chefe do Executivo, à Península Ibérica também nada foi anunciado. Porém, Alexandre Leitão destacou a possibilidade de os dirigentes poderem reunir este ano. “Estão criadas as condições institucionais para retomarmos a Comissão Mista este ano e nela passar em revista o estado do nosso relacionamento, os nossos interesses e preocupações e, sobretudo, alcançarmos acordos sobre matérias práticas”, disse. Sam Hou Fai, Chefe do Executivo da RAEM, esteve presente na recepção e discursou parcialmente em português. Não comentou em concreto a questão da atribuição de residência, mas disse esperar que “os portugueses que residem em Macau e os macaenses continuem a participar activamente nos diversos assuntos de Macau”. O Chefe do Executivo referiu que as “comunidades portuguesa e macaense, enquanto parte integrante e relevante da sociedade plural de Macau, têm desempenhado um papel importante e positivo na harmonia, estabilidade e prosperidade” do território. Sem comentar a data da nova reunião da Comissão Mista, Sam Hou Fai preferiu destacar a realização, em 2027, da 7.ª Conferência Ministerial do Fórum Macau no território. “Portugal tem apoiado Macau no desempenho do seu papel de ‘interlocutor de precisão’ entre a China e os países de língua portuguesa. Esperamos que Portugal continue a prestar esse apoio firme, contribuindo com a sua sabedoria e esforços para o sucesso da 7ª Conferência Ministerial”, rematou. Ministro destacou crescente cooperação com a China Para a cerimónia de recepção à comunidade portuguesa a propósito do 10 de Junho, Fernando Alexandre, ministro da Educação, Ciência e Tecnologia de Portugal, levou grandes nomes da literatura portuguesa, e não apenas o de Luís de Camões. Citou José Toletino de Mendonça e Jorge de Sena, lembrando que este último escreveu: que um país “não é só a terra com que se identifica a gente que vive nela e nasce nela”, sendo “isso mais a irradiação secular da humanidade que exportou”. Sobre a comunidade portuguesa de Macau, o ministro quis deixar um “sincero reconhecimento”, frisando “a excelência, dinamismo e capacidade empreendedora que têm sido fundamentais para estreitar laços entre Portugal e a China, contribuindo, igualmente, para afirmar e prestigiar o nome de Portugal no sul da China”. Fernando Alexandre deixou ainda vários números que confirmam a crescente relação que Portugal e a China têm mantido nos últimos anos, com Macau a desempenhar o seu papel de ponte. O ministro destacou o panorama da expansão do mandarim em Portugal, já ensinado em várias escolas públicas, sendo que no actual ano lectivo “o número de alunos abrangidos pelo ensino do mandarim aumentou significativamente (mais 73 por cento) face ao ano anterior, envolvendo 24 turmas e mais de 370 alunos”. No ensino superior, e desde 2022, “foram submetidos mais de 700 pedidos de reconhecimento de graus académicos chineses em Portugal, reflectindo o aumento da mobilidade e das ligações entre os dois sistemas de ensino superior”. O programa “Erasmus+” originou 59 mobilidades entre a China e Portugal desde 2021, incluindo 21 mobilidades ligadas a Macau. Fernando Alexandre lembrou também como, desde 1990, “foram apoiados mais de 100 projectos conjuntos de investigação através de sete programas de cooperação científica”, além de que, entre os anos de 2014 e 2025, “a Fundação para a Ciência e a Tecnologia apoiou 88 projectos de I&D [Investigação e Desenvolvimento] com a participação de instituições chinesas”. O que existe hoje, fruto destes dados, é “uma rede crescente de laboratórios conjuntos, centros de investigação e plataformas colaborativas entre universidades e centros de investigação dos dois países”, frisou o governante. Acordo feliz Fernando Alexandre não deixou de recordar que se celebram, este ano, “os 27 anos da retrocessão da soberania de Macau para a República Popular da China”, declarando como “a Declaração Conjunta LusoChinesa de 1987 e o modo equilibrado como Portugal e a República Popular da China desenharam conjuntamente um estatuto de autonomia para a região, no pleno respeito pelo princípio ‘um país, dois sistemas’, constitui um dos alicerces fundamentais da relação bilateral e a confiança mútua”. O ministro afirmou que a Escola Portuguesa de Macau “constitui um dos mais visíveis e duradouros símbolos da cooperação educativa entre Portugal e Macau”, tendo hoje “mais de 800 alunos provenientes de múltiplas origens culturais e linguísticas”. Regista-se, na instituição de ensino, “um crescimento contínuo da procura”, tendo esta um “papel essencial na promoção da língua portuguesa e no reforço dos laços entre Portugal e a República Popular da China”, rematou o ministro da Educação.
Filipinas | Sismo de segunda-feira fez pelo menos 41 mortos e 450 feridos Hoje Macau - 10 Jun 2026 O sismo de segunda-feira nas Filipinas fez pelo menos 41 mortos, disseram ontem fontes provinciais de Mindanao contactadas pela Agência France-Presse (AFP), acrescentando que cerca de 450 pessoas ficaram feridas. O sismo, de magnitude 7,8, ocorreu ao largo da ilha de Mindanao, de acordo com os departamentos de gestão de catástrofes das Filipinas. Segundo a AFP, várias pessoas feridas receberam cuidados ao ar livre, enquanto os esforços das equipas de resgate foram dificultados pelas várias réplicas registadas na mesma zona. Muitas estradas de acesso ficaram bloqueadas e, conforme referiram várias fontes à agência noticiosa francesa, milhares de cidadãos permanecem desalojados. Na região de Glan, onde pelo menos 13 pessoas morreram num deslizamento de terras, um funcionário hospitalar disse que mais de 60 doentes estavam deitados em camas transferidas para o exterior do edifício, por temerem que os tremores tivessem enfraquecido a estrutura. O sismo levou à emissão de ordens de retirada das zonas costeiras do sul das Filipinas e da Indonésia, e foram emitidos alertas de tsunami, entretanto cancelados.
GP Macau | FIA muda formato da prova de F4 Sérgio Fonseca - 10 Jun 2026 A Federação Internacional do Automóvel (FIA) anunciou na semana passada um novo formato para a Taça do Mundo de Fórmula 4, integrada no programa do Grande Prémio de Macau no mês de Novembro. O organismo que tutela o desporto automóvel a nível mundial pretende assegurar a presença das principais equipas de fórmulas de promoção na aguardada segunda edição da competição. Após ter confirmado, no mês passado, a inclusão da segunda edição da Taça do Mundo de F4 da FIA no programa da 73.ª edição do Grande Prémio de Macau, a federação internacional revelou agora que o modelo de participação tradicional, aberto às equipas, já adoptado na Taça do Mundo de Fórmula Regional (FR) da FIA, e em todas as outras disciplinas do programa, e que passará igualmente a vigorar na prova destinada aos monolugares de F4. Segundo a FIA, esta decisão “resulta de uma avaliação do conceito ‘arrive-and-drive’ (chave na mão), utilizado na edição inaugural da Taça do Mundo de F4 na época passada, quando alguns dos mais promissores jovens pilotos do automobilismo competiram sob uma estrutura centralizada”. Em 2025, a Mintimes, entidade organizadora do Campeonato Chinês de F4, foi o “operador exclusivo” da prova disputada nas ruas da RAEM. A empresa chinesa disponibilizou aos pilotos que competiram no Circuito da Guia os monolugares Mygale M21-F4, recentemente rebaptizados como Ligier JS F422, provenientes das equipas e pilotos privados participantes no seu campeonato. Em conjunto com os técnicos da FFSA (Fédération Française du Sport Automobile), a Mintime assumiu toda a responsabilidade pelo apoio técnico da Taça do Mundo, obrigando todos os concorrentes a utilizar estes fórmulas. Aberto às equipas Embora muitas equipas de F4 internacionais tenham encarado com alguma reserva o modelo de operador único adoptado no ano passado, várias acabaram por marcar presença em Macau através dos seus pilotos. Algumas enviaram mesmo técnicos para acompanhar os trabalhos no terreno, apesar de não lhes ser permitido intervir na componente técnica e estratégica durante o fim de semana da prova. Em 2026, esse cenário muda radicalmente: as principais equipas de F4 poderão competir com as suas próprias estruturas e máquinas. A segunda edição da Taça do Mundo de F4 da FIA contará também com uma grelha alargada, passando a disponibilizar 24 lugares, mais quatro do que em 2025. O aumento surge apesar de apenas 19 pilotos terem participado na edição inaugural. No comunicado divulgado, a FIA confirmou que todos os concorrentes utilizarão pneus Pirelli no Circuito da Guia, mas não revelou qual será o chassis escolhido para a competição. Dada a impossibilidade de equilibrar o desempenho dos diferentes construtores, ao contrário do que sucedia no passado com a Fórmula 3, a Taça do Mundo será disputada com um modelo único. Actualmente, existem três construtores de chassis de Fórmula 4: Tatuus, Dome e Ligier/Mygale/Crawford. Tudo indica que a FIA deverá optar pelos chassis italianos Tatuus, utilizados nos principais campeonatos europeus da categoria. O que diz a FIA O presidente da Comissão de Monolugares da FIA e antigo vencedor da Corrida da Guia, Emanuele Pirro, considerou, mais uma vez, que o lançamento da Taça do Mundo de F4 constituiu uma etapa importante na formação dos jovens talentos. “A Taça do Mundo de F4 da FIA proporcionou, na época passada, uma oportunidade ideal para os pilotos em início de carreira adquirirem experiência e aprofundarem o seu conhecimento do Circuito da Guia e de Macau, numa fase inicial do seu percurso, antes de, idealmente, evoluírem para a Taça do Mundo de Fórmula Regional da FIA”, disse o ex-piloto italiano de Fórmula 1. Pirro referiu ainda que na FIA “estamos muito satisfeitos por ver a Fórmula 4 continuar a crescer. A Taça do Mundo de F4 da FIA em Macau reflecte o alcance internacional da categoria e reúne alguns dos melhores jovens pilotos do mundo. A introdução de participações geridas pelas equipas, em linha com o modelo adoptado na Taça do Mundo de FR da FIA, bem como o alargamento da grelha, reforçam a plataforma que disponibilizamos aos talentos emergentes do automobilismo mundial”. A 73.ª edição do Grande Prémio de Macau disputa-se de 19 a 22 de Novembro.
Executivo de Hong Kong promete “prudência” na classificação de crimes Hoje Macau - 10 Jun 2026 O Chefe do Executivo de Hong Kong, John Lee, comprometeu-se ontem a exercer com “prudência e seriedade” a sua nova competência para classificar crimes comuns como infracções relacionadas com a segurança nacional. Lee defendeu em conferência de imprensa a nova legislação subsidiária da Lei de Segurança Nacional, com a qual o Governo da região administrativa especial chinesa procura definir, de forma mais ágil, quais as condutas que podem ser enquadradas na categoria de “crimes contra a segurança nacional”, um âmbito que, na antiga colónia britânica, acciona procedimentos judiciais mais severos do que os previstos para causas penais comuns. “O objectivo da introdução da legislação subsidiária é esclarecer, tornar muito, muito mais claro, como é que os crimes […] que põem em risco a segurança nacional ao abrigo da legislação de Hong Kong serão classificados como tal”, afirmou Lee aos jornalistas. “Não se pretende, nem se irá alargar a definição dos crimes, nem se irá introduzir novos crimes, novos poderes ou novas sanções. Também não se alarga o âmbito de aplicação da lei”, acrescentou. Segundo o líder do Executivo de Hong Kong, “a relevância da mudança não reside na criação de novos crimes”, mas na capacidade de classificar determinados casos dentro deste quadro desde uma fase inicial do processo. No quadro desta alteração legislativa, basta que o Chefe do Executivo emita um certificado oficial para que o caso fique sujeito às regras aplicáveis às investigações e julgamentos de segurança nacional, incluindo restrições mais severas ao acesso à liberdade sob caução e a intervenção de juízes designados para este tipo de processos. Prós e contras A proposta suscitou críticas entre sectores jurídicos e observadores locais, devido ao alargamento da margem discriccionária do Chefe do Executivo e à capacidade limitada de controlo sobre as suas decisões. Em reação às objecções, Lee sustentou que o território enfrenta riscos complexos, incluindo supostos actos de espionagem ou sabotagem impulsionados por “actores estatais estrangeiros profissionais e sofisticados”, e defendeu que esse tipo de ameaças exige um tratamento especial devido à sensibilidade da informação envolvida. “Grande parte da informação disponível é confidencial, muito sensível e não adequada para divulgação pública”, explicou, para justificar o sigilo oficial. Além disso, Lee salientou que a norma não alarga as definições de subversão ou sedição nem introduz punições inéditas, mas pretende “reduzir o risco de controvérsias nos tribunais” através de uma classificação mais clara dos crimes. O Governo de Hong Kong anunciou na segunda-feira que o líder do território poderá classificar qualquer caso criminal como envolvendo a segurança nacional da China, permitindo assim o agravamento da moldura penal até à pena perpétua.
Mitos de Amor Ana Cristina Alves - 10 Jun 2026 Ana Cristina Alves – Investigadora Auxiliar e Coordenadora do Serviço Educativo do Centro Científico e Cultural de Macau Neste artigo procura-se responder à seguinte questão: há mitos e lendas que nos relatem histórias de amor bem-sucedidas? E, sem querer abusar da paciência dos leitores, a uma outra: qual ou quais as condições para um amor que acabe bem? Diz Luc Ferry (1951-), um dos filósofos contemporâneos que mais se tem dedicado ao tema do amor, em 7 Lições para ser feliz ou os paradoxos da felicidade, que entre as sete lições se encontra a de amar, porque como sabemos, desde que nos conhecemos enquanto humanidade, o amor produz verdadeiros milagres, enobrece o/a amante e o/a amado (a), quanto mais não seja aos olhos do/a amante. Pode até ser o/a maior estupor, mas nunca o é na relação amorosa, ou melhor, para o alvo dos seus amores. Deixe-se falar o autor: “enquanto o amor, o amor real ou mesmo somente possível, subsistir nesta vida, ela ainda vale a pena ser vivida” (Ferry 2017 107). A principal questão é que quem preside a este sentimento amoroso parece ter-se esquecido das suas consequências na humanidade, seja Jesus Cristão, o Eros grego ou o Velhinho ao Luar (月老 Yuèlǎo) chinês. Jesus ensinou-nos a amar e morreu na cruz por amor à humanidade Eros, dada a sua natureza misturada: divino do lado do pai, Grandes Meios ou Astúcia (Poros), mas mortal do lado da mãe, a Miséria (Pénia), aspira constantemente à imortalidade e ao que lhe falta da sua natureza divina, só o Velhinho ao Luar parece mais tranquilo por estar solidamente ancorado na ideia de destino e sua consequência existencial, a predestinação que, como veremos adiante, garante um amor feliz aos casais unidos pelo invisível fio vermelho. Este segue o Livro dos Casamentos, no qual estão registados os nomes e endereços dos casais predestinados (Wang, Alves 2009, 113). Ainda assim, quer na China quer no Ocidente as histórias de amor infelizes sucedem-se a rápido ritmo sendo de resto as mais cantadas, talvez porque os amores bem-sucedidos não tenham história. Ou talvez não. Quanto aos amores infelizes, quem não os conhece: Tristão e Isolda, Romeu e Julieta, Sansão e Dalila, os Amantes-Borboleta (梁山伯与祝英台), Afrodite (Vénus) e Ares (Marte), enfim todos eles aspiram a uma imortalidade que só conseguem vencida a morte ou ultrapassados obstáculos insuperáveis. Na verdade, se apenas a imortalidade garante um amor feliz para sempre e, tal falta aos mortais, aos quais estará vedada a suprema felicidade, há ainda um outro obstáculo que estes têm de vencer para assegurar amores bem-sucedidos: ultrapassarem a inconstância da própria natureza humana. Esta mal tem o alvo dos seus amores, sacia-se e, como tal, o impulso erótico que conduz à procura de união com o outro vai esmorecendo, a menos que suceda um milagre, ou se sustente o amor em Deus e no casamento, como bem viu o flósofo Luc Ferrry, quando relata a história feliz de Eros e Psique, quando Zeus eleva Psique â esfera da imortalidade “para apaziguar Vénus que se queixava que o filho se casava com uma simples mortal.” (Ferry 2026, 263). Ao casar Eros, o amor, com Psique, a alma, o amor “nunca mais será estragado pela morte” (Ferry 2026, 264). Eros está perdidamente apaixonado por uma alma bela. Mas não será isso que sucede igualmente na lógica cristã do Antigo Testamento com Jacob e Raquel agora com a mediação do tempo e do trabalho persistente para revelar as almas belas? Atente-se na história (Gn, 29, 9-30). Jacob serviu sete anos graciosamente o seu tio Labão para poder casar com Raquel, bela pastora, que logo o encantara, mas o tio, que tinha duas filhas, sendo a mais velha Lia de belos olhos meigos, porém sem a graciosidade da mais nova, não atraía pretendentes. Quando terminado o prazo, Labão deu ao sobrinho Lia e não Raquel, porque sabia que teria dificuldade em casar a mais velha. No entanto, a esperteza de Labão afigurou-se uma bênção para a consolidação do amor de Jacob por Raquel, que teve de trabalhar mais sete anos por ela “Jacob uniu-se a Raquel, e amou Raquel mais do que a Lia. E serviu em casa do seu tio outros sete anos” (Gn, 29.30). Deixe-se o quadro da bigamia, que pode levantar suspeitas, e veja-se que no interior de um casamento monogâmico sucede a mesma bênção amorosa aliada à persistência, cuja virtude necessita absolutamente do tempo para se revelar. Recorde-se o caso do casal estéril, Abraão e Sara, que apenas na velhice, após longo tempo, consegue conceber Isaac, quando ele nasceu já Abraão tinha 100 anos (Gn, 21, 1-7.) Recorde-se aqui o belo soneto de Camões “Sete anos de pastor Jacob servia”: Sete anos de pastor Jacob servia Labão, pai de Raquel, serrana bela; Mas não servia ao pai, servia a ela, e a ela só por prémio pretendia. Os dias na esperança de um só dia, Passava, contentando-se com vê-la: Porém o pai usando de cautela, Em lugar de Raquel lhe dava a Lia. Vendo o triste pastor que com enganos lhe fora assi negada a sua pastora, como se a não tivera merecida, começou de servir outros sete anos, dizendo: Mais servira, se não fora para tão longo amor tão curta a vida. (Camões, 1980,168) Quanto aos heróis gregos, encontra-se também o tempo e a persistência favorecida por ele como condição essencial de um amor realizado e tão feliz quanto possível na esfera humana, já que os protagonistas são obrigados a atravessar muitos obstáculos para o alcançarem. Considere-se o amor de Ulisses/Odisseu e Penélope. Muito sofreram Ulisses e Penélope para alcançar uma vida alegre e harmoniosa, como diria Ferry (2026,44). Resumindo, Ulisses dedicou dez anos da sua vida à guerra de Troia, da qual, graças à artimanha do cavalo de Troia, os gregos saíram vencedores. Prestes a regressar a casa, voltando para o seu mundo e para os braços de sua rainha de Ítaca, Penélope, Ulisses desafia inadvertidamente o deus do mar, Poseidon, por arrancar um olho a um dos seus filhos, o ciclope Polifemo. É castigado com mais dez anos de andanças e obstáculos levantados pela divindade na sua viagem de regresso a casa. Enquanto isto, Penélope vai fiando para afastar os incómodos pretendentes. Ela estava sem alternativa, ou persistia no duro trabalho que se tinha proposto, ou teria de casar com um dos solícitos aspirantes à sua mão. Só casaria quando acabasse de tecer um sudário para o velho Laerte, pai de Odisseu (Johnston, 2025, 415). Foi esticando a tarefa até ao regresso do marido, entretanto o seu truque de desfazer à noite o que fazia de dia, para alargar o tempo, foi descoberto por uma escrava e ela deixou de conseguir protelar a escolha. Felizmente, o destino jogou a seu favor e, eis senão quando, o marido chegaria a tempo de a resgatar. Sobrepondo-se a todos os pretendentes em astúcia e excelência bélica, recuperava definitivamente a mão da mulher. E o resto já sabemos, terminaram as suas vidas bem e juntos. À persistência, ao trabalho e ao tempo, acrescentam os chineses a predestinação, um fator fundamental para o verdadeiro amor na China. Aqui há um Livro dos Casamentos onde estão registados os nomes e endereços dos casais predestinados e há até uma história que ilustra o poder deste livro divino e dos cordéis vermelhos, invisíveis a olhos humanos com que o Velhinho ao Luar ata pés de noivo e noiva. Este, certa vez, foi abordado por um jovem de nome Wei Gu (韦固) que viveu no início do século IX durante a dinastia Tang. Ele perguntou ao Velhinho por que razão por mais que fizesse não se conseguia casar, ao que ele retorquiu que teria de esperar pois a noiva tinha apenas 3 anos. Disse-lhe ainda que havia de casar com ela passados 14 anos, quando ela fizesse 17 anos. O rapaz quis ainda ir espreitar a futura noiva, tendo sido informado que era filha de uma vendedora de hortaliças, a Velha Chen (陈婆). Achando mãe e filha muito feias, tentou interferir com o destino, enviando um lacaio para matar a menina com uma faca. Felizmente, este não teve coragem para o fazer, tendo apenas ferido a pequena entre as sobrancelhas. Entretanto, Wei Gu fugiu para outra terra com medo de que lhe descobrissem a tentativa de homicídio. Exatamente 14 anos depois foi nomeado conselheiro do governador de Xiangzhou, que muito apreciou o seu trabalho. Teve então como recompensa pelos bons serviços prestados a mão da filha, a menina Wang, extremamente bonita, embora andasse sempre com um adorno que lhe tapava o espaço entre as sobrancelhas. Ela não era filha, mas sobrinha adotada pelo governador como filha depois de ter ficado orfã. (Wang, Alves, 2009, 114). E como ninguém foge ao seu destino na China, o marido veio a descobrir que recebera a predestinada noiva, ditada em casamento pelo Velhinho ao Luar. No caso de se aceitar a teoria da predestinação, parece ser mais fácil justificar os amores bem-sucedidos. Ainda assim, também é preciso tempo para que a ação divina se concretize. Há que esperar, mesmo sem consciência de que se está a fazê-lo, a fim de dar uma oportunidade ao destino chinês, à vontade dos deuses grega, ou à graça divina judaico-cristã para atuarem. É necessário persistir e mostrar belas almas, bondosas, esforçadas e pacientes, como as de Jacob e Raquel ou de Abraão e Sara, ou inteligentes, fortes e astutas, se pensarmos em Penélope e Ulisses, ou então trabalhadoras e leais ao seu senhor ao jeito chinês de Wei Gu. Nada acontece por acaso no amor, nem mesmo fora do quadro da teoria da predestinação amorosa. O amor em Deus, justificado pela religião judaico-cristã, consumado através do casamento, o amor divino, sustentado pelo destino chinês, ou o amor, enquanto poder demiúrgico manifestado pelas divindades e heróis gregos é a grande força, virtude à maneira grega, que comanda o mundo. Portanto, podemos e devemos cantar os amores que acabam bem, dentro do quadro harmonioso e tensional humano, com a consciência, cultivada inclusive pela literatura, do quanto tiveram de penar para atingir o seu ponto de equilíbrio. Referências Bibliográficas Baidu.Baike (ed). 2026. “月下老人” (Velhinho ao Luar) Baidu.Baike. Disponivel em: https://baike.baidu.com/item/%E6%9C%88%E4%B8%8B%E8%80%81%E4%BA%BA/571658, acedido a 31 de maio de 2026. Camões, Luís de. (1980). Lírica Completa II. Sonetos. Prefácio e notas de Maria de Lurdes Saraiva. Imprensa Nacional-Casa da Moeda. Edições Paulus (Ed) (1997).Bíblia Sagrada. Paulus. Ferry Luc. (2026). A Mitologia Grega de A a Z. Guerra e Paz. Ferry Luc. (2017). 7 Lições para ser feliz ou os paradoxos da felicidade. Temas e Debates e Círculo de Leitores. Wang Suoying, Ana Cristina Alves. (2009). Mitos e Lendas da Terra do Dragão. Caminho. Este espaço conta com a colaboração do Centro Científico e Cultural de Macau, em Lisboa, sendo as opiniões expressas no artigo da inteira responsabilidade dos autores.
Pintura | Os regressos e reflexões de Anabela Canas em exposição em Lisboa Andreia Sofia Silva - 10 Jun 202611 Jun 2026 “São Rosas e Dias Líquidos – Arquivo e Redundância” é a nova exposição de Anabela Canas, pintora, docente e ex-residente de Macau, patente até Julho na Universidade Nova de Lisboa. Nesta mostra, Anabela Canas conjuga obras antigas e novas, procurando encontrar um ponto de reflexão sobre o presente Anabela Canas, antiga docente de Artes em Macau, actualmente a dar aulas na escola António Arroio, em Lisboa, e pintora, está de regresso às exposições com a mostra “São Rosas e Dias Líquidos – Arquivo e Redundância”, patente até ao dia 23 de Julho na Sala de Exposições da Biblioteca da NOVA FCT, Universidade Nova de Lisboa, no campus do Monte da Caparica. A artista faz um exercício retrospectivo que é, em simultâneo, uma reflexão sobre o tempo presente, colocando quadros mais antigos, nomeadamente de 2018, em conjugação com novas pinturas. Há muita água nestes quadros, bem como representações da natureza e figuras, mas o convite à reflexão sobre os tais dias líquidos vai muito além do que pode ver a olho nu. “Esta exposição tem dois conjuntos de trabalhos, embora façam parte da mesma série, sendo que o primeiro, mais antigo, é de 2018, de uma exposição que fiz, e retomei acrescentando trabalhos mais recentes”, conta a pintora ao HM. Esta mostra anterior também se chamava “São Rosas e Dias Líquidos” e, segundo a artista, tinha a ver “com a questão da impermanência”, tal como a nova exposição. “Na altura, havia um diálogo entre um conjunto de telas que são paisagens, mais ou menos abastractas, mas que têm referências muito óbvias à água, céu, nuvens, portanto, a parte etérea da paisagem.” Estas imagens entram “em diálogo com outra série [de trabalhos], mais figurativa, e que tinha a ver com temáticas clássicas de museu, digamos assim. Tem sempre a ver com esse diálogo e a nossa reacção à impermanência, aquela noção já tão explorada pela filosofia de que tudo passa e tudo volta, até os ritmos da natureza que nunca são iguais exactamente”. Anabela Canas foi buscar referências à filosofia, nomeadamente ao filósofo e sociólogo polaco Zygmunt Bauman, quanto à ideia de modernidade líquida. A artista destaca “a época de maior virtualidade, a todos os níveis”, em que vivemos, e como as coisas se modificam, inclusivamente “os ritmos da natureza”. “Tudo volta e nunca é exactamente igual”, referiu. “Bauman falou da modernidade líquida e foi uma coincidência, pois quando comecei a estudar este tema encontrei uma referência a ele e li sobre isso. De facto, diz-me muito esta sensação de que tudo nos ultrapassa porque nada se consegue agarrar. Hoje em dia vivemos muito mais esta noção de que tudo é mais virtual”, explicou. Regressos e realidades Anabela Canas voltou a 2018 tal como voltaria a um outro tempo, a outros quadros, algo comum no seu processo criativo. “Muitas vezes retomo temas que explorei noutras alturas, e não o faço com a intenção de voltar a fazer um projecto com eles, mas porque tenho essa vontade de revisitar. É como revisitar lugares que gostamos, e isso acontece pelo puro prazer de voltar a mergulhar naquele imaginário.” É aqui que vem ao de cima a ideia de redundância, do regresso a uma mesma realidade ou temática, com a certeza de que “as coisas nunca saem iguais obviamente, mas são um bocadinho como os dias e as noites: podem ser muito parecidos, mas nunca são iguais”. “Quando voltamos a um lugar conhecido que gostamos, ou não, e sobretudo lugares afectivos, também vemos sempre coisas diferentes, e é a isso que chamo de redundância. Muitas vezes ponho-me a trabalhar só porque sim, pelo puro prazer e vontade de fazer as coisas e o prazer de voltar àqueles lugares. As coisas nunca saem iguais e há sempre uma evolução qualquer”, explicou ainda sobre a criação em torno desta mostra. Há, portanto, nesta exposição de Anabela Canas um regresso a algumas temáticas, neste caso “espaços, paisagens bastante etéreas, com elementos mais volantes como o ar, nuvens e a água que está sempre a passar”. Neste processo de regressos, Anabela Canas confessa que o seu trabalho como artista “inclui, às vezes, a descoberta, a tentativa e o erro, o acaso, a exploração do aleatório”, existindo “sempre surpresas e novas coisas que vão surgindo”. Relativamente à ideia de “Rosas” presente no título, diz respeito a um quadro presente na mostra, com papoilas, mas também à tradicional história do “Milagre das Rosas”, quando a Rainha Santa Isabel, ou Isabel de Aragão, respondeu ao esposo, o Rei D. Dinis: “São Rosas, senhor!”, quando, na verdade, distribuía pão aos mais desfavorecidos. “O D. Dinis dizia que não podia dar pães aos pobres, e ela disse ‘São rosas, senhor!’, e afinal não eram rosas, tinham sido pães antes. Isto [a referência à palavra ‘Rosas’ no título] é uma brincadeira sobre as papoilas [do quadro na exposição], porque a realidade nunca é exactamente como é.” Por outro lado, os dias líquidos, também presentes na exposição, são uma alusão ao quotidiano que “não se pode prender com as mãos”, ou seja, a realidade que está além do alcance e controlo e vai mudando. “Uma pessoa põe a mão, tenta apanhar a água e apenas por um instante consegue retê-la, porque ela foge”, disse Anabela Canas. Citado pelo catálogo da exposição, José Moura, comissário para as actividades culturais do campus da NOVA FCT, referiu que “a obra de Anabela Canas abre-se como um espaço de sensibilidade, onde a matéria inserida em paisagens, recriadas, está em constante transformação”. “Nesta exposição, cada obra transmite tensão entre gesto e intenção, presença e memória, como se cada forma guardasse vestígios de outras anteriores. Por isso, o seu trabalho aproxima-se da ideia de arquivo: um lugar onde a memória surge em camadas, feita de repetições, desvios e reaparições (… benvindas as redundâncias, que aqui não são desnecessárias)”, descreveu. Desta forma, adiantou José Moura, “o olhar do espectador é conduzido por percursos onde a repetição revela diferença, e onde o mesmo nunca é exatamente igual”.
Ensino Superior | Candidaturas para bolsas arrancam a 22 de Junho Hoje Macau - 10 Jun 2026 As candidaturas para os três planos de bolsas de estudo disponibilizadas no âmbito do Programa de Bolsas de Estudo para o Ensino Superior do Fundo Educativo (FE) arrancam a 22 de Junho. A informação foi divulgada ontem pela Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ). As candidaturas para o plano de financiamento de bolsas de estudo para o ensino superior decorrem até 10 de Julho, incluem o financiamento desde os cursos pré-universitários até doutoramentos e destinam-se a alunos com dificuldades financeiros ou desempenho académico de excelência. Também as candidaturas para as bolsas do Plano de Bolsas de Mérito para a Frequência das Melhores Instituições de Ensino Superior no Ranking Mundial decorrem até 22 de Junho. Estas bolsas visam apoiar os alunos inscritos nas melhores universidades mundiais. Finalmente, as candidaturas para as bolsas do Plano de Pagamento dos Juros ao Crédito para os Estudos prolongam-se até mais tarde, 30 de Dezembro. Este plano destina-se aos candidatos que prossigam os estudos em cursos pré-universitários ou cursos do ensino superior com grau de licenciatura ou inferior.