Austrália enaltece esforços de Pequim para estimular economia Hoje Macau - 30 Set 2024 O responsável pelo Tesouro australiano saudou na sexta-feira os esforços da China para estimular a economia, cujo abrandamento “é prejudicial” para a Austrália, fornecedor de várias matérias-primas para o país asiático. Jim Chalmers terminou, em Pequim, a primeira visita de um funcionário australiano de nível ministerial à China em sete anos, sinalizando uma melhoria nas relações bilaterais. Na capital chinesa, Chalmers afirmou que a economia australiana está a abrandar devido à incerteza económica global, às elevadas taxas de juro e ao abrandamento da economia da China. “Quando são tomadas medidas para impulsionar a actividade económica e o crescimento da economia chinesa, sujeitas aos pormenores que serão divulgados atempadamente, consideramos que se trata de um desenvolvimento muito, muito bom para a Austrália”, adiantou. A China é o maior comprador das exportações mais lucrativas da Austrália: minério de ferro e carvão. “A nossa resiliência e prosperidade estão intimamente ligadas à economia da China e à economia global”, escreveu Chalmers num artigo de opinião publicado no jornal The Australian. O político australiano referiu que o seu departamento prevê que o crescimento económico anual chinês seja inferior a 5 por cento nos próximos três anos, a expansão mais fraca desde o final dos anos de 1970. Durante a estada em Pequim, as duas partes reuniram-se no âmbito do Diálogo Económico Estratégico Austrália-China, reavivando as conversações outrora anuais destinadas a aumentar o comércio e o investimento, depois de um hiato de sete anos. Em 2020, a China introduziu uma série de proibições comerciais oficiais e não oficiais sobre matérias-primas australianas, incluindo o carvão, o que custou aos exportadores australianos mais de 20 mil milhões de dólares australianos por ano. O comércio bilateral atingiu um recorde de 327 mil milhões de dólares australianos, no ano passado, mais do dobro do valor registado em 2015, quando foi celebrado um acordo de comércio livre. Oxigénio financeiro No início desta semana, a China anunciou uma série de novas medidas para impulsionar a economia e reanimar o sector imobiliário em dificuldades. O banco central reduziu o rácio de reservas obrigatórias dos bancos em 0,5 por cento, permitindo uma injecção de um bilião de yuan nos mercados financeiros. Também reduziu as taxas de juro dos empréstimos aos bancos comerciais e reduziu os pagamentos mínimos de entrada para algumas hipotecas.
Pequim “profundamente preocupada” com escalada das tensões no Médio Oriente Hoje Macau - 30 Set 2024 A China afirmou ontem estar “profundamente preocupada” com a situação no Médio Oriente, após a morte do líder do movimento islamita armado libanês Hezbollah, Hassan Nasrallah, em bombardeamentos israelitas no Líbano. “A China está a acompanhar este caso com grande atenção e está profundamente preocupada com a escalada das tensões na região”, afirmou um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês em comunicado. “A China apela às partes envolvidas, em particular a Israel, para que tomem medidas imediatas para acalmar a situação e evitar que o conflito se alastre ainda mais ou fique fora de controlo”, sublinhou. O exército israelita anunciou ontem estar a preparar “dezenas” de novos ataques contra o Hezbollah no Líbano. No total, 33 pessoas morreram e 195 ficaram feridas em ataques israelitas no Líbano no sábado, anunciou o Ministério da Saúde ao final da tarde. O Hezbollah confirmou no sábado a morte do líder do movimento, Hassan Nasrallah, horas depois de o exército israelita ter anunciado que o líder xiita pró-iraniano tinha morrido no bombardeamento da sede da organização na sexta-feira, nos subúrbios sul de Beirute. Israel já tinha matado este mês o chefe das operações militares e das forças de elite, Ibrahim Aqil, num outro ataque em Beirute. Extremos tocam-se Israel e Hezbollah estão envolvidos num intenso fogo cruzado diário desde 7 de Outubro de 2023, após o ataque do Hamas em solo israelita que desencadeou a actual guerra na Faixa de Gaza, levando a que dezenas de milhares de pessoas tenham abandonado as suas casas em ambos os lados da fronteira israelo-libanesa. Os ataques de Israel contra o Hezbollah intensificaram-se de forma substancial nos últimos dias, após as autoridades militares de Telavive terem anunciado uma deslocação das operações da Faixa de Gaza para o norte do país. O Hezbollah integra o chamado “Eixo da Resistência”, uma coligação liderada pelo Irão de que fazem parte também, entre outros, o grupo extremista palestiniano Hamas e os rebeldes Huthis do Iémen.
75º Aniversário | Xi Jinping reafirma compromisso com a paz mundial Hoje Macau - 30 Set 2024 O Presidente chinês reafirmou ontem o compromisso do país para com a estabilidade mundial e o progresso partilhado, numa cerimónia por ocasião do 75.º aniversário da fundação da República Popular da China, a 1 de Outubro. Xi Jinping, também secretário-geral do Partido Comunista da China (PCC), sublinhou que o povo chinês está disposto a trabalhar com pessoas de todos os países para “salvaguardar a paz mundial e promover o desenvolvimento conjunto”, num contexto marcado por crescentes tensões geopolíticas, como as guerras na Ucrânia e no Médio Oriente. Estas declarações surgiram poucas horas depois de o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, ter denunciado na Assembleia-Geral da ONU, no sábado, que “a força não pode substituir a justiça”, na sequência dos bombardeamentos israelitas no Líbano, nas últimas horas, e do agravamento da guerra na Faixa de Gaza. Desde a invasão russa da Ucrânia, Pequim tem mantido uma posição ambígua, apelando ao respeito pela integridade territorial de todas as partes e às “legítimas preocupações de segurança”, ao mesmo tempo que reafirma o apoio à “solução dos dois Estados” e manifesta “consternação” pelos ataques israelitas em Gaza, mantendo reuniões com países árabes e muçulmanos. Modelos a seguir Na cerimónia, que teve lugar no Grande Salão do Povo, Xi atribuiu medalhas e diplomas honorários a líderes notáveis nos domínios do espaço, da medicina e da genética. Entre os galardoados encontrava-se Wang Yongzhi, um pioneiro do programa espacial tripulado da China, que recebeu a título póstumo a Medalha da República, a mais alta condecoração estatal, sublinhando a ênfase da China na promoção do avanço científico e tecnológico do país. Dilma Rousseff, presidente do Novo Banco de Desenvolvimento e antiga Presidente do Brasil, foi galardoada com a Medalha da Amizade, a mais alta condecoração para estrangeiros, em reconhecimento do papel no desenvolvimento das relações entre a China e o Brasil. O Presidente chinês sublinhou a contribuição de amigos internacionais, como Dilma, para a amizade e o desenvolvimento da China. Sublinhou ainda a importância da “unidade e cooperação internacionais” para enfrentar desafios globais e reiterou que a China manterá o foco no “desenvolvimento pacífico”. Xi pediu aos cidadãos chineses para aprenderem com os heróis e os modelos a seguir, de modo a formarem “uma força poderosa para construir um país forte”, num discurso em sintonia com os relatos de ameaças crescentes vindas do exterior. Além de reconhecer os cientistas militares e da genética agrícola mais destacados, a cerimónia reflectiu as prioridades estratégicas da China no processo de modernização e na procura da estabilidade social, num momento-chave para o desenvolvimento do país.
Lançado em Lisboa livro com poemas traduzidos de Han Shan Andreia Sofia Silva - 30 Set 2024 Acaba de ser editado, com a chancela da Grão-Falar, mais um livro de poesia chinesa traduzida. Trata-se de “Han Shan – Poemas”, com tradução, selecção, notas e prefácio de António Graça Abreu. O lançamento decorreu na última quinta-feira no Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM). O poeta Han Shan terá vivido no século VIII, mas, segundo o prefácio da obra, é um nome misterioso, provavelmente um pseudónimo, pois “ninguém sabe ao certo quem foi o poeta, quando viveu, ninguém sabe onde o encontrar”. “O seu nome, que significa ‘Montanha Fria’, corresponde por certo a um pseudónimo, e, por detrás destes dois caracteres, esconde-se um letrado estranho, evanescente, quase ignorado pelas muitas e desvairadas gentes que têm vivido debaixo do céu”, lê-se. Tendo em conta que, na China, “pelo menos desde o século II a.c. se acostumou a biografar os seus filósofos, poetas, letrados e mandarins, Han Shan acabou também por ser objecto de uma curiosa nota biográfica”, lê-se ainda no prefácio. “Pobre diabo com juízo” Han Shan foi, assim, uma figura que despertou alguma estranheza. Graça Abreu, ao traduzir palavras de Liu Qiuyin, Governador de Taizhou, um mandarim dos séculos VIII ou IX, revela um “testemunho com múltiplos detalhes sobre a figura excêntrica de Han Shan, um pobre diabo com juízo que habitava as montanhas Tiantai”, que, com referências actuais, “não é longe da actual cidade de Linhai, no nordeste da província de Zhejiang”. O poeta “deve ter tido uma vida longa”, vivido “em datas incertas entre os anos de 650 e 850”. “Se a vida de Han Shan se prolongou até 780, o poeta poderá ter conhecido e convivido com alguns dos maiores poetas da China de sempre, homens como Wang Wei, Li Bai e Du Fu”, descreve-se ainda. Ainda no prefácio, é referido que Han Shan era, até há bem pouco tempo, “completamente desconhecido em Portugal, o que de resto acontecia com quase todos os poetas chineses”, apesar de “Macau e de uma continuada presença portuguesa de quatrocentos e cinquenta anos em terras da China”. O livro, com cerca de 160 páginas, inclui dezenas de poemas de Han Shan, que escreveu versos como “Habito a montanha, / Ninguém me conhece. / Entre nuvens brancas, / O silêncio, sempre o silêncio”.
CCCM | Celina Veiga de Oliveira recordou autores de Macau Andreia Sofia Silva - 30 Set 202430 Set 2024 Foi com a palestra “Um Colar de Pérolas – Perspectiva Global da Literatura de Macau em Língua Portuguesa no Século XX” que a historiadora Celina Veiga de Oliveira apresentou, em Lisboa, alguns dos mais icónicos autores de Macau. Na sessão, couberam os escritos de Camões, Deolinda da Conceição, Henrique de Senna Fernandes ou Maria Ondina Braga No ano em que se comemoram os 500 anos do nascimento de Luís de Camões, o maior poeta português, o Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM) promoveu, na última quinta-feira, uma conversa sobre a literatura que se fez no território ao longo de todo o século XX, na habitual sessão “Conversas Sábias”, organizada todas as semanas. Coube a Celina Veiga de Oliveira, historiadora, docente e antiga residente em Macau, protagonizar esta palestra, que recordou “vultos que, em Macau, produziram obra literária de considerável valor no século XX”. Intitulada “Um Colar de Pérolas – Perspectiva Global da Literatura de Macau em Língua Portuguesa no Século XX”, a sessão começou com a definição de Ferreira de Castro, autor que um dia intitulou Macau como uma “cidade liliputiana”, descrevendo o Rio das Pérolas como o “Rio Pérola”. “Para mim é a forma mais poética para designar o rio que banha Macau”, disse Celina Veiga de Oliveira, que fez a relação com a literatura ali realizada, “o vasto rio literário de Macau”. Foi também destacada Deolinda da Conceição, autora do livro de contos “Cheong Sam – A Cabaia”, alguém que foi “jornalista feminista, com opinião própria, uma mulher muito avançada para a sua época”. Para Celina Veiga de Oliveira, este livro constituiu “um marco na literatura macaense em que uma mulher se assumiu como autora”. Maria Ondina Braga, autora portuguesa que deu aulas em Macau no Colégio Santa Rosa de Lima, foi outra das autoras referenciadas. Celina Veiga de Oliveira destacou dois livros que têm o território como cenário: “A China vive ao lado” e “Nocturno em Macau”. Falou-se “de uma grande escritora”, que “reporta na sua obra os costumes e modos de vida chineses e macaenses, em especial em desassossego interior”, demonstrando “uma mulher muito ansiosa”. Em “A China vive ao lado” são “contos de inspiração chinesa” em que o primeiro deles “fala-nos do aborto que uma jovem chinesa fez e a descrição do ambiente em que o fez”. Era uma vida difícil, pois a jovem refugiou-se em Macau com a avó, e “vivia varrendo o chão do templo, sustentando-se com a comida das oferendas”. Já em “Nocturno em Macau” retrata-se “a vida das professoras do Colégio de Santa Fé, um microsmo das relações pessoais em espaço fechado”. Destacam-se as professoras Ester, “muito provavelmente o alter ego de Maria Ondina Braga”, Chiao, a professora chinesa, a professora goesa e um “muro fora do colégio”. Para Celina Veiga de Oliveira, trata-se de um “livro difícil de resumir e maduro”. “É a sua alma que espelha no desenvolvimento da narrativa que tem de ser lida para ser apreciada. A certa altura fala dos chineses, e diz algo interessante: que eram completamente indiferentes às procissões católicas de Macau, mas que davam muita atenção ao 10 de Junho. Para o chinês, o seu amor era os pais, os filhos e os seus antepassados, a vida e a morte”, apontou Celina Veiga de Oliveira. Os filhos da terra Além do destaque a Henrique de Senna Fernandes, um dos grandes autores de Macau, Celina Veiga de Oliveira lembrou ainda Maria Pacheco Borges, com o livro “Chinesinha”, “contos que Maria Borges escreveu com carinho, agilidade e subtileza”. Houve ainda tempo para falar de José Santos Ferreira, mais conhecido por Adé, amigo pessoal de Celina. Para esta, foi “um filho da terra e representante do patuá local, nunca esquecendo a língua portuguesa”, pois Adé considerava “o português como sendo a sua língua mátria”. No final da palestra, Celina Veiga de Oliveira apresentou ainda uma lista de autores que considera importante por serem contemporâneos em Macau, nomeadamente Dora Nunes Gago, com “Palavras Nómadas” ou “Floriram por engano as rosas bravas”, que têm Macau como espelho de fundo, e também Carlos Morais José, com a obra “Anastasis”. Couberam nomes que, no essencial, viveram em Macau ou que escreveram sobre o território.
Rua da Felicidade | Protestos para a suspensão de zona pedonal Andreia Sofia Silva e Nunu Wu - 30 Set 2024 Vários comerciantes da Rua da Felicidade lançaram uma acção conjunta no último fim-de-semana afixando papéis às portas das lojas onde exigem o cancelamento da zona pedonal no local conforme prometido pelo Governo Os comerciantes da Rua da Felicidade exigem que o Governo, através do Instituto Cultural (IC), cumpra a promessa de cancelar a zona pedonal localizada entre a Travessa do Aterro Novo e Travessa do Mastro. Para isso, lançaram uma acção conjunta, que decorreu nos últimos dois dias, com a afixação de papéis e folhas de jornal sobre o assunto, exigindo acções concretas após a reunião levada a cabo entre o IC estes comerciantes. Segundo o jornal All About Macau, o deputado Ron Lam U Tou, que tem acompanhado o caso, explicou que a acção conjunta dos comerciantes visa demonstrar que “apenas querem que o Governo não cause problemas, tratando-se de um pedido simples”. “Querem apenas um ambiente de negócios comum”, adiantou. Além disso, o IC tem demorado a reagir ao pedido dos comerciantes. Ron Lam disse que foi pedida uma resposta concreta no prazo de uma semana, mas não houve ainda reacção, sendo que os comerciantes pediram a suspensão da zona pedonal antes da chegada da Semana Dourada. Assim, nas palavras do deputado, os comerciantes sentem-se desapontados por considerarem sincera a atitude do Executivo, pensando que as autoridades queriam, de facto, manter uma comunicação aberta com eles. Sem efeitos Além da colocação de papéis nas portas das lojas, os comerciantes, um total de 41, assinaram uma petição a pedir o cancelamento da zona pedonal, a qual foi entregue ao Chefe do Executivo, Ho Iat Seng, e a Sam Hou Fai, candidato ao cargo, logo depois da reunião com o IC. Lançado a 29 de Setembro do ano passado, o plano de criar uma zona pedonal na Rua da Felicidade foi realizado em conjunto com a operadora de jogo Wynn, responsável pela organização de actividades e decoração. Entre as 11h e a 1h é proibida a circulação de carros em algumas zonas, sendo apenas permitido o acesso com motociclos. Os comerciantes ouvidos pelo All About Macau dizem que o plano pedonal não tem grandes efeitos nos negócios. O dono de um antiquário participou na acção conjunta, mas tem uma postura neutra sobre a criação de uma zona pedonal, explicando que pode atrair mais visitantes, mas que estes nem sempre compram, e tiram fotografias em vez de consumirem. Outra comerciante que participou na campanha, afirmou que, inicialmente, estava de acordo com a criação de uma zona pedonal, mas que não notou um grande aumento de visitantes tendo em conta a Semana Dourada do ano passado. Esta proprietária sugeriu mudar os horários de funcionamento da zona pedonal e também evitar a ocorrência de obras viárias durante os feriados.
Cooperação | Macau assina acordo de geminação com Dilí Hoje Macau - 30 Set 2024 Macau e Díli assinaram um acordo de geminação para reforçar a cooperação, anunciou o Governo da RAEM. O acordo de geminação foi assinado na quinta-feira pelo chefe do Executivo de Macau, Ho Iat Seng, e o ministro da Administração Estatal de Timor-Leste, Tomás do Rosário Cabral, de acordo com um comunicado divulgado na sexta-feira à noite. Ho Iat Seng disse que Timor-Leste e Macau são ambos importantes pontos da Rota Marítima da Seda, esperando que ambas as partes possam agarrar, em conjunto, as oportunidades de desenvolvimento trazidas pela iniciativa chinesa “Uma Faixa, Uma Rota”, de acordo com a mesma nota. Lembrou que a amizade entre Macau e Timor-Leste é de longa data, com contactos frequentes a nível da economia e do comércio, educação, cultura e entre a população. Em 2019, especialistas médicos de Macau deslocaram-se a Timor-Leste para desenvolver projectos de cooperação na área da saúde e, em Abril de 2024, a Autoridade Monetária de Macau e o Banco Central de Timor-Leste assinaram um novo “Acordo de Cooperação”, referiu. Tomás do Rosário Cabral afirmou esperar que esta parceria entre as duas cidades, empresas e comunidades represente “uma relação madura e consolidada”. O ministro timorense indicou que ambas as partes estão a desenvolver mais parcerias, direccionadas aos sectores da educação, da cultura e da juventude.
Táxis | Previsão de 1.700 a 1.800 veículos a circular no futuro João Santos Filipe - 30 Set 2024 O director da DSAT, Lam Hin San, garante que a decisão sobre o número de táxis depende das “necessidades sociais” e que vai fazer tudo para cumprir as orientações do futuro Governo Nos próximos anos, o número de táxis a circular na RAEM pode chegar a 1.800 viaturas, quando actualmente está nos 1.500 veículos. A previsão foi adiantada ontem por Lam Hin San, director da Direcção de Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT), à margem da caminhada na nova ponte. Segundo as previsões de Lam, citadas pelo canal chinês da Rádio Macau, nas próximas semanas deverão começar a circular mais 50 táxis no território. O responsável apontou também que o número de veículos a circular pode chegar aos 1.700 ou 1.800 de “forma progressiva”, mas que o número concreto vai depender do que o Governo entender serem as “necessidades sociais”. O director da DSAT confirmou também que as autoridades optaram por recorrer da decisão tomada pelo Tribunal Administrativo, em relação ao concurso público lançado no ano passado, para atribuir 500 licenças de táxis com uma validade de oito anos. Com um concurso realizado apenas para empresas, o caso acabou no tribunal, devido à exclusão de três propostas. Em Julho deste ano, foi tornado público que o Tribunal Administrativo considerou que as propostas não deviam ter sido excluídas. Ontem, Lam Hin San confirmou que o Governo recorreu da decisão do Tribunal Administrativo para o Tribunal de Segunda Instância e que agora aguarda um desfecho para o caso, para depois agir de acordo com o julgado. A escassez de táxis foi um dos problemas indicado pelo candidato a Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, na apresentação do seu programa. O ex-magistrado afirmou mesmo que apanhar um táxi em Macau “é uma lotaria”. Preparado para o futuro Lam Hin San também não fugiu de comentar as declarações de Sam Hou Fai, que além de falar dos táxis, considerou que o trânsito é um dos principais problemas da RAEM que é necessário resolver. Face às declarações, o director da DSAT garantiu que tudo vai ser feito para respeitar e cumprir as orientações do futuro Governo, de acordo com as políticas que forem adoptadas. Sobre a futura Lei do Trânsito, que está a ser discutida na Assembleia Legislativa, o director da DSAT afirmou que o Governo está aberto a ouvir a opinião de todos os envolvidos e que quando se der a reabertura do hemiciclo, a 15 de Outubro, vai prestar todos os esclarecimentos necessários. Em relação à proposta de criar um sistema de carta de condução por pontos, para punir os infractores, Lam Hin San afirmou que nesta altura tudo pode ser modificado e que está aberto a propostas.
Ponte Macau | Caminhada atraiu 17 mil pessoas Hoje Macau - 30 Set 2024 As celebrações da abertura da Ponte Macau começaram ontem de manhã com uma caminhada organizada pelo Instituto do Desporto que levou 17 mil pessoas a atravessarem a pé a nova ligação. A cerimónia que marcou o início da caminhada contou com a participação de elementos do Governo, com Ho Iat Seng a dar o sinal de partida para a travessia, acompanhado por Wong Sio Chak, secretário para a Segurança, Raimundo do Rosário, secretário para os Transportes e Obras Públicas e ainda Elsie Ao Ieong U, secretária para os Assuntos Sociais e Cultura. No palanque, esteve também o presidente da Assembleia Legislativa, Kou Hoi In, Procurador da RAEM, Ip Son Sang, e o Comissário de Auditoria, Ho Veng On, além de representantes do Governo Central. A nova ponte parte da zona A dos novos aterros, junto ao posto fronteiriço da ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, e faz a ligação com a Taipa, junto ao terminal marítimo da Taipa e do aeroporto internacional de Macau. Ontem, devido ao forte sol que se fez sentir, foram várias as pessoas que fizeram a travessia acompanhadas de chapéus-de-chuva, apesar de a organização ter disponibilizado água aos participantes. Os inscritos tiveram ainda direito a recolher brindes no final. Além da participação de várias individualidades, algumas das associações tradicionais também se fizeram representar, como a Federação das Associações dos Operários, Associação das Mulheres e Associação dos Moradores.
Ponte Macau | Inauguração da quarta ligação acontece amanhã Hoje Macau - 29 Set 2024 A obra arrancou com um orçamento de 5,2 mil milhões de patacas, mas as contas não estão ainda fechadas. A DSAT espera que a nova ponte possa desviar cerca de 30 por cento do trânsito da Ponte da Amizade A quarta ponte marítima a ligar a península de Macau à ilha da Taipa vai ser inaugurada amanhã, dia da Implementação da República Popular da China, às 14h. O anúncio foi feito numa conferência de imprensa, na sexta-feira, entre a Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) e a Direcção dos Serviços de Obras Públicas (DSOPT). Localizada no leste da península de Macau, a nova ponte parte da zona A dos novos aterros, junto ao posto fronteiriço da ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, e faz a ligação com a Taipa, junto ao terminal marítimo da Taipa e do aeroporto internacional de Macau. O chefe da divisão de Planeamento de Tráfego da DSAT previu que a ponte irá permitir aliviar cerca de 30 por cento do tráfego durante as horas de pico na vizinha ponte da Amizade e reduzir em cerca de três quilómetros o percurso entre a zona A e o Cotai, onde se localizam os maiores casinos. Un Chao Wa sublinhou que a nova ponte vai ter faixas exclusivas para motocicletas. A infra-estrutura tem cerca 3,1 quilómetros de comprimento e oito faixas de rodagem, incluindo duas faixas no meio para motocicletas. A DSAT disse que irá ser lançada uma nova carreira de autocarros, entre o posto fronteiriço da Ponte Hong Kong–Zhuhai–Macau e o terminal marítimo da Taipa, “facilitando a transferência” para o metro ligeiro. Dúvidas sobre tufão O chefe da divisão de Construção de Infra-estruturas da DSOPT recordou que foram instaladas barreiras de protecção que permitem “reduzir a velocidade do vento”. Mas, Wong Kuok Heng reiterou que é necessário “recolher mais alguns dados” no terreno, em época de tufão, para decidir se a ponte poderá permanecer aberta em caso de nível de alerta 8, o terceiro mais elevado. Quando isso acontece, as três pontes que actualmente ligam Macau à Taipa são encerradas ao trânsito. Wong acrescentou que a DSOPT ainda está “a fazer a liquidação em concreto” das obras, para fixar o custo definitivo, sendo que o orçamento era de 5,2 mil milhões de patacas. Macau possui três pontes que ligam a península à ilha da Taipa, a primeira das quais, a Nobre de Carvalho, foi inaugurada há quase 50 anos, a 5 de Outubro de 1974. Considerada na altura a ponte contínua de betão armado pré-esforçado mais longa do mundo, foi um dos últimos empreendimentos do Estado Novo no território, projectada pelo engenheiro português Edgar Cardoso (1913-2000). Hoje, a Nobre de Carvalho, conhecida também por ponte velha, permite apenas a circulação de transportes públicos ou veículos autorizados e é a única que se pode atravessar a pé. Vinte anos depois, as autoridades portuguesas de Macau inauguraram a ponte da Amizade, e em Dezembro de 2004 foi inaugurada a ponte Sai Van.
Exportações para a China com novo recorde até Julho Hoje Macau - 29 Set 2024 As exportações dos países lusófonos para a China registaram o melhor arranque de ano de sempre, ao atingir 82,9 mil milhões de dólares nos primeiros sete meses de 2024. Este é o valor mais elevado para o período entre Janeiro e Julho desde que o Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Fórum de Macau) começou a apresentar este tipo de dados dos Serviços de Alfândega da China, em 2013. As exportações aumentaram 6,5 por cento em termos anuais sobretudo devido ao maior fornecedor lusófono do mercado chinês, o Brasil, cujas vendas cresceram 6,1 por cento, para 69,2 mil milhões de dólares, um novo máximo para os primeiros sete meses do ano. As vendas de mercadorias de Angola para a China aumentaram 11,8 por cento para 10,4 mil milhões de dólares, enquanto as exportações de Portugal subiram 9,2 por cento para 1,75 mil milhões de dólares. Pelo contrário, as exportações da Guiné Equatorial para o mercado chinês desceram 7,4 por cento, para 673,5 milhões de dólares, enquanto as vendas de Timor-Leste (menos 99,3 por cento), Cabo Verde e São Tomé e Príncipe (ambos menos 86 por cento) também caíram em comparação com o período entre Janeiro e Julho de 2023. Outras trocas Na direcção oposta, os países lusófonos importaram mercadorias no valor de 49,3 mil milhões de dólares da China, um aumento anual de 17,1 por cento e um novo recorde para os primeiros sete meses do ano. O Brasil foi o maior parceiro comercial chinês no bloco lusófono, com importações a atingirem 41,6 mil milhões de dólares, seguido de Portugal, que comprou à China mercadorias no valor de 3,6 mil milhões de dólares. Ao todo, as trocas comerciais entre os países de língua portuguesa e a China atingiram 132,2 mil milhões de dólares entre Janeiro e Julho, mais 10,2 por cento do que em igual período de 2023 e um novo máximo para os primeiros sete meses do ano. A China registou um défice comercial de 33,5 mil milhões de dólares com o bloco lusófono no período entre Janeiro e Julho deste ano.
Países lusófonos | Sam Hou Fai quer mais exportações de tecnologia João Santos Filipe - 29 Set 2024 O futuro líder do Governo acredita que Macau tem espaço para se afirmar como plataforma ao intermediar as trocas comerciais da China para os países de língua portuguesa em áreas como veículos eléctricos, electrodomésticos e serviços de comunicação social O candidato único a Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, considera que Macau tem de reforçar o seu papel na exportação de tecnologia da China para os países de língua portuguesa (PLP). Esta foi uma das ideias deixadas pelo ex-presidente do Tribunal de Última Instância, numa sessão que serviu para apresentar o programa político e assinalar o início da campanha eleitoral. Diante dos 400 membros que vão votar a 13 de Outubro, Sam prometeu “criar empresas ou fundos controlados pelo Governo” para promover a transferência de tecnologia para os mercados lusófonos, para que Macau assuma o papel de plataforma. Sam Hou Fai defendeu igualmente a necessidade de “aproveitar ao máximo o estatuto privilegiado e as vantagens únicas de Macau”, incluindo “a ligação histórica, cultural e linguística” àqueles Estados. O candidato sublinhou que os países lusófonos “têm uma grande população”, mais de 290 milhões de pessoas, que vivem sobretudo em países ainda em desenvolvimento, onde há “grande procura por produtos chineses”. O futuro líder do Governo prometeu assim “ajudar empresas de grande envergadura da China, através de Macau”, a exportar produtos e serviços para mercados lusófonos, dando como exemplo veículos eléctricos, electrodomésticos e serviços de comunicação social. Aposta no português Sam Hou Fai considerou ainda haver necessidade de reforçar a aposta na formação de quadros bilingues, dado que Macau “é um dos locais de topo quanto ao ensino” de português e chinês. “Precisamos de continuar a manter a língua portuguesa e o ensino de português”, garantiu Sam Hou Fai. “É necessário formar mais quadros qualificados bilingues”, acrescentou. O ex-presidente do Tribunal de Última Instância disse ainda que a justiça de Macau “ainda utiliza muito a língua portuguesa”, mas que a tradução e interpretação continuam a ser “um ponto fraco”. Mais talentos As declarações sobre a utilização das línguas foram feitas apesar de ao longo dos anos se acumularem as queixas face ao desrespeito pelos tribunais do artigo 9.º do Decreto-Lei n.º 101/99/M, que permite às pessoas escolher a língua em que são contactadas, dada a falta de tradução das decisões e dos actos processuais para as duas línguas. Sam Hou Fai destacou ainda que a ligação histórica aos países de língua portuguesa pode ajudar Macau a “atrair quadros qualificados de todo o mundo” para ajudar a reforçar o papel de plataforma sino-lusófona, e prometeu “proteger e respeitar os direitos e interesses, os usos e costumes, bem como a cultura dos luso-descendentes em Macau”. Cartão de consumo| Admitida criação de nova ronda O futuro Chefe do Executivo admite que ainda existe a possibilidade de o seu Governo voltar à política de distribuição do cartão de consumo, ou seja, incentivos para que a população gaste mais dinheiro no território. Na perspectiva de Sam Hou Fai, esta política permitiu manter o poder de compra da comunidade e assegurou a estabilidade social durante os três anos de pandemia. Por isso, afirmou que depois de ser eleito vai estudar o assunto com o futuro Governo. Apesar desta garantia, o ex-presidente do TUI ressalvou que após a pandemia houve uma rápida recuperação das indústrias do turismo e do lazer, pelo que os incentivos ao consumo também podem passar por outras políticas. Segurança nacional | Prometido reforço de medidas Na apresentação do programa, Sam Hou Fai garantiu que o seu Governo vai “aperfeiçoar o regime de segurança nacional”. Esta foi uma das áreas em que Ho Iat Seng mais trabalho apresentou, com a revisão de vários documentos legais, que passaram a permitir ao Executivo controlar os candidatos a vários cargos políticos, como de deputado, e que foi justificado com a política “Macau governada por patriotas”. Apesar das promessas sobre a segurança nacional, o responsável garantiu que os trabalhos vão ser feitos de acordo com o princípio um país, dois sistemas e que durante a sua governação a RAEM vai continuar a ser uma região governada de acordo com as leis aprovadas pela Assembleia Legislativa. Com Lusa
Aliança do Povo defende mais terrenos para espaços de terceira idade Andreia Sofia Silva e Nunu Wu - 26 Set 202426 Set 2024 A associação Aliança do Povo defende que mais terrenos sejam disponibilizados para a construção de espaços para a terceira idade, nomeadamente lares de idosos ou centros de apoio. Segundo o Jornal do Cidadão, Chan Peng Peng, vice-presidente da associação, apontou que, actualmente, há 2.500 vagas em lares de idosos, sendo que 200 são a curto prazo, e que até 2028 haverá mais 900 vagas na zona A dos novos aterros. Porém, na sua visão, o número está longe de ser suficiente. A responsável destacou o exemplo do Lar de Cuidados de Ká Hó, subordinado à Federação das Associações dos Operários de Macau, que tem 200 vagas, mas uma lista de espera de 300 pessoas, sendo que outros lares também estão cheios. Em causa, está também um longo período de espera que pode ir além de um ano. “Recebemos um caso de um residente cujo pai teve um Acidente Vascular Cerebral (AVC), não tinha como cuidar dele, e poucas pessoas estavam disponíveis para cuidar do pai em casa. Após candidatar-se a uma admissão num lar de idosos, foi informado que tinha de esperar pelo menos um ano e que a opção seria ir para Zhuhai.” Mais apoios Outro pedido de Chan Peng Peng, passa pelo aumento do valor da reforma, que permanece inalterado desde Janeiro de 2020. A responsável refere queixas dos idosos quanto à insuficiência do valor, tendo em conta a crise económica causada pela pandemia e a inflação. O facto de muitas lojas terem encerrado faz com que, em muitas famílias, os filhos tenham deixado de poder auxiliar financeiramente os pais já idosos. Tendo em conta o tema do trabalho da terceira idade, a dirigente associativa destaca que os jovens têm, actualmente, dificuldade em encontrar emprego, sendo essa dificuldade acrescida no caso das pessoas com mais de 65 anos. São, assim, na sua óptica, pouco eficazes as medidas anunciadas pelo Executivo, sendo que a aposta deveria ser levar as operadoras de jogo a criar mais oportunidades de emprego para idosos, indo de encontro às responsabilidades sociais das empresas.
Areia Preta | Inaugurada residência oficial para idosos Andreia Sofia Silva - 26 Set 2024 Foi ontem inaugurado o edifício que irá servir de residência para idosos no lote P da Areia Preta. No discurso de inauguração, a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, Elsie Ao Ieong U, referiu a importância deste projecto para as políticas habitacionais, concebido para responder “às necessidades reais dos idosos” São 37 andares em que cada apartamento terá uma área útil de 33,17 metros quadrados. É assim a nova residência para idosos erguida no lote P da Areia Preta, cujo terreno foi anteriormente concessionado para o projecto habitacional Pearl Horizon, que nunca foi terminado. Na cerimónia de inauguração de ontem, a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, Elsie Ao Ieong U, disse tratar-se de um “importante projecto da acção governativa interdepartamental do Governo da RAEM”, tendo sido concebido “em plena consideração as necessidades reais dos idosos”. De resto, a secretária não esqueceu a importância do projecto tendo em conta o envelhecimento populacional. “À medida que a RAEM se torna numa sociedade envelhecida, o Governo tem vindo a implementar várias medidas no âmbito do Plano de Acção para o Desenvolvimento dos Serviços de Apoio a Idosos nos Próximos Dez Anos, a fim de ajudar os idosos a terem uma vida saudável e activa, bem como apoiá-los na sua integração na comunidade, através da mobilização de toda a sociedade”. Promessa cumprida A residência para idosos ontem inaugurada já fazia parte do discurso governamental desde 2020, quando, nas Linhas de Acção Governativa desse ano, se falou da “criação de residências destinadas a idosos com algumas condições económicas e que necessitam de cuidados”, nomeadamente os que vivem sozinhos ou moram em prédios sem elevador, mais antigos. Assim, estas casas prometem “elevar a sua qualidade de vida, proporcionando uma nova opção de moradia na velhice”, declarou a governante. “Além de ser proporcionado na Residência um espaço habitacional agradável e confortável, foram introduzidos equipamentos tecnológicos e instalações sem barreiras, com o intuito de proporcionar segurança e protecção aos idosos no dia-a-dia”, acrescentou. Elsie Ao Ieong U referiu também o “apoio esmagador por parte dos idosos” a este projecto, com o “número de candidatos sido muito superior ao previsto”, pelo que se duplicou o número de casas disponibilizados na primeira fase, passando a mais de 1.500. O Governo promete agora “continuar a promover o desenvolvimento diversificado dos serviços para idosos e a colaborar com toda a sociedade para transformar Macau numa sociedade inclusiva”.
Combustíveis | Poder do Povo defende redução dos preços Nunu Wu - 26 Set 2024 Lam Weng Ioi, presidente da associação, considera que por todo o mundo os combustíveis estão a ficar mais baratos, mas que em Macau não se sente essa tendência. O responsável pediu também mais limitações na contratação de não residentes A associação Poder do Povo espera que o Governo tome medidas para garantir a redução dos preços dos combustíveis. A tomada de posição aconteceu ontem, pela voz do presidente Lam Weng Ioi, à margem da entrega de uma petição na Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), a pedir a diminuição do número de trabalhadores não residentes. Segundo Lam Weng Ioi, a nível internacional tem havido uma tendência de redução dos preços, no entanto, estes mantêm-se estáveis em Macau, sem apresentar as reduções esperadas. “O preço de gasolina sem chumbo em Macau é de 14 patacas por litro, o que ainda é um nível alto em comparação com o pico anterior do preço. Ao mesmo tempo, o preço internacional está a cair e já se aproxima 11 patacas por litro,” afirmou Lam Weng Ioi, ao HM. O presidente da associação mostrou-se também desapontado com as explicações do Executivo neste capítulo, por considerar que as cartas que recebeu sobre o assunto “têm um conteúdo vazio”, sem uma explicação concreta. A questão dos combustíveis tem sido um dos temas frequentemente abordado pelos deputados, que por várias vezes pediram explicações sobre os preços praticados em Macau. Menos TNR Ontem, a associação Poder do Povo entregou uma carta à Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) a pedir uma limitação do número de trabalhadores não residentes (TNR). “Segundo os dados da DSAL, as quotas de TNR aprovadas ultrapassam o número de 210 mil, havendo actualmente 180 mil TNR a trabalhar. Este número já ultrapassou o pico de 2019 e a tendência é para que continue a aumentar. Acredito que vamos ter novos recordes em pouco tempo”, argumentou o presidente da associação, Lam Weng Ioi. O responsável apontou que actualmente a economia mundial enfrenta várias dificuldades. Macau não é excepção, e Lam destacou que apesar da taxa de desemprego local ser baixa, na realidade muitos residentes têm dificuldade na procura de emprego. O dirigente da associação criticou ainda as estatísticas por não transmitirem essas dificuldades, e indicou que existem pessoas desempregadas há mais de dois anos. Lam Weng Ioi criticou ainda o Governo por não estar a tomar medidas que promovam um aumento da taxa de emprego: “Podemos ver através dos dados da DSAL que algumas empresas têm uma proporção de um residente para cinco não residentes, e em alguns casos 10 não residentes por cada trabalhador local. Por que é que a DSAL não recusou a renovação de bluecards destas empresas, dado que há uma proporção tão desequilibrada?”, questionou. Salários mais altos Se, por um lado, o presidente da associação Poder do Povo pediu menos autorizações para não residentes, por outro lado, defende que estes devem ter salários mais elevados, face ao que actualmente acontece. Lam Weng Ioi argumentou que Macau deve seguir o modelo de Hong Kong, em que os não residentes só podem ser contratados com um salário que está próximo da média do salário dos residentes, para as mesmas funções ou sector laboral. O objectivo passa por evitar que os não residentes sejam utilizados para desvalorizar os ordenados dos residentes. O dirigente apontou ainda que deve ser demarcada uma proporção fixa entre os trabalhadores residentes e não residentes, em todos os sectores, e que sempre que a proporção seja ultrapassada, as contratações de não residentes devem ficar suspensas, ou as quotas cortadas.
Turismo | Grande subida de excursionistas da Índia Andreia Sofia Silva - 26 Set 2024 Dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) mostram um grande aumento anual de excursionistas oriundos da Índia. Nos oito primeiros meses, o território recebeu 18 mil excursionistas vindos deste país, o que representa um aumento de 1.165,9 por cento em relação a igual período do ano passado. Só no mês de Agosto, foram recebidos dois mil excursionistas, um aumento anual de 337,5 por cento. Destaque também para a vinda de 51 mil excursionistas oriundos da Coreia do Sul em oito meses, um aumento de 587,9 por cento face a 2023. Registou-se, em termos gerais e também nos oito meses deste ano, um total de 1.388.000 excursionistas, um crescimento de 127,6 por cento face a igual período de 2023, sendo que 1.240.000 eram excursionistas do Interior da China. Quanto à ocupação hoteleira, nos oito meses de 2024 a taxa foi de 85,5 por cento, mais 4,6 por cento face aos primeiros oito meses de 2023. Os estabelecimentos hoteleiros hospedaram 9.773.000 indivíduos, mais 12,9 por cento face a idêntico período de 2023, sendo que o período médio de permanência dos hóspedes se manteve em 1,7 noites.
Renovação Urbana | Empresa estatal vai gerir Pearl Metropolitan João Santos Filipe - 26 Set 2024 A Companhia de Serviços de Propriedades Gold Court (Macau) vai receber 34,0 milhões de patacas, pelo contrato que tem a duração de um ano. O serviço vai ser prestado no empreendimento Pearl Metropolitan, na Areia Preta A Companhia de Serviços de Propriedades Gold Court (Macau) foi a vencedora do concurso público realizado pela Macau Renovação Urbana, para escolher a responsável pela gestão dos edifícios que constituem o Pearl Metropolitan. A empresa estatal chinesa vai receber 34,0 milhões de patacas, pelo contrato que tem a duração de um ano. Os resultados do concurso público foram publicados recentemente na plataforma de divulgação pública das informações das empresas com capitais públicos. A Gold Court, que apresentou a quarta proposta com o preço mais elevado, foi a seleccionada entre as nove propostas admitidas. O serviço vai ser disponibilizado durante um ano, e começa a ser prestado quando o empreendimento de habitação para troca estiver concluído, o que deverá acontecer até ao final do ano. A proposta mais barata tinha partido da Companhia de Gestão Imobiliária Power Force, que se disponibilizava para prestar o serviço por 22,2 milhões de patacas, uma diferença de quase 12 milhões de patacas. No polo oposto, a proposta mais cara partiu da Sociedade de Instalações e Equipamentos e Administração de Propriedade Shun Fu, que apresentou um preço de quase 85,4 milhões de patacas. Entre as propostas apresentadas, constava também uma da imobiliária JLL Macau que pedia 32,1 milhões de patacas pelo serviço. De acordo com os critérios do concurso público, o aspecto mais importante era o preço, com um peso de 50 por cento na decisão final. Os restantes aspectos tidos em conta foram o plano dos trabalhos (com um peso de 10 por cento), a estrutura, organização e experiência dos trabalhadores, (15 por cento), a experiência neste tipo de serviços (15 por cento) e ainda o plano de descontos aplicados às fracções que não estiverem vendidas (10 por cento). Dividido por dois O projecto Pearl Metropolitan está a ser construído em três terrenos, no mesmo local da Areia Preta, para onde esteve planeada a construção dos prédios Pearl Horizon, cujo projecto foi suspenso, devido à caducidade da concessão. No terreno identificado como A, o Pearl Metropolitan vai ter seis torres de habitação, que totalizam 6 mil apartamentos. As obras destas casas estão a cargo da China Construction Engineering (Macau), o ramo da RAEM da gigante construtora estatal, e as habitações vão ser utilizadas como moeda de troca para quem tinha comprado fracções habitacionais no Pearl Horizon. Nos terrenos B e C, estão a ser construídas mais 2.803 habitações, para serem utilizadas temporariamente pelas pessoas com casas a serem renovadas, no âmbito de projectos de Renovação Urbana. O projecto prevê ainda a construção de parques de estacionamento para cerca de 2.900 carros e 1.000 motos.
Mercadorias | Aumento de exportações em 17,2% Hoje Macau - 26 Set 2024 Dados da Direcção dos Serviços de Estatísticas e Censos (DSEC) revelam que as exportações de mercadorias, só no mês de Agosto aumentaram 17,2 por cento em termos anuais, tendo alcançado um valor de 1,16 mil milhões de patacas. Já o valor da reexportação foi de 1,03 mil milhões de patacas, crescendo 22,1 por cento também em termos anuais. O destaque vai para a reexportação de joias que subiu 178,6 por cento. A DSEC revela também que o valor da reexportação de bebidas alcoólicas e de produtos associados a casinos desceram 68,3 e 50,6 por cento, respectivamente. No que diz respeito às importações realizadas em Agosto, o valor total de mercadorias adquiridas ao exterior foi de 10,41 mil milhões de patacas, uma quebra de 7,4 por cento em termos anuais, com destaque para a queda de 49,5 por cento das importações em joalharia em ouro. Contudo, o valor importado de artigos para casinos e automóveis de passageiros aumentou 91,3 e 12,9 por cento, respectivamente. Desta forma, registou-se um défice da balança comercial, em Agosto, de 9,26 mil milhões de patacas.
MGM | Áreas de junkets substituídas por vivendas João Santos Filipe - 26 Set 2024 De acordo com um relatório do banco de investimento Goldman Sachs (Asia), as mudanças visam dotar a MGM de mais formas de competir com as concessionárias Sands China e Galaxy pelo segmento “premium” do mercado de massas A concessionária do jogo MGM China está a substituir várias áreas dedicadas aos promotores do jogo por vivendas para hóspedes. A informação consta de um relatório sobre o mercado de Macau elaborado pelo banco de investimento Goldman Sachs (Asia), citado pelo portal GGR Asia. As transformações estão a acontecer no hotel e casino situado na península, o MGM Macau, e a mudança vai fazer com que o hotel disponibilize 28 vivendas para os hóspedes. Além disso, no hotel do Cotai, o MGM Cotai, a concessionária também está a fazer obras, neste caso para transformar 200 quartos em 88 suites, a pensar nos clientes com maior capacidade financeira do mercado de massas, que apostam pelo menos 100 mil dólares de Hong Kong por jogada. Segundo a informação da Goldman Sachs (Asia), as alterações no portfólio da concessionária foram observadas durante uma “visita recente” ao território, em que os analistas aproveitaram para trocar ideias com vários administradores das concessionárias do jogo. Os analistas Simon Cheung, Alpha Wang, Leah Pan e Dorothy Wong escrevem ainda que está “previsto que as obras fiquem concluídas ao longo do próximo ano” e que com os novos quartos e vivendas a MGM pode ficar com mais capacidade para “competir com a oferta luxuosa das concessionárias Sands e Galaxy”. A Sands China é responsável por vários casinos em Macau, como o Londoner, Parisian e Venetian. Por sua vez, a Galaxy é proprietária do hotel Galaxy e também do hotel Startworld. Outros movimentos Após a atribuição das novas concessões do jogo, que entraram em vigor no ano passado, e várias alterações legislativas, os promotores do jogo, também conhecidos como junkets, perderam muito do espaço que tinham no mercado local. Uma das mudanças mais significativas passa pelo facto de as receitas estarem limitadas a uma comissão de cerca de 1,5 por cento pelos serviços prestados. Recentemente, U Io Hung, presidente da Associação de Promotores Profissionais do Jogo de Macau, admitiu que os junkets estão a tentar chegar a um acordo com as concessionárias para criarem condições mais favoráveis para o exercício da actividade. Na perspectiva do dirigente associativo, o limite das receitas faz com que estejam numa posição desfavorável em relação às concessionárias, com quem têm de competir no mercado. As alterações no mercado de Macau não se limitam às transformações do espaços dos junkets, também a Galaxy está a movimentar-se, e, de acordo com a Goldman Sachs (Asia), deve começar a operar até ao final do mês uma nova área de luxo com slot machines. A operação deste espaço coincide com a Semana Dourada, que tradicionalmente é uma das épocas mais rentáveis para as concessionárias do jogo.
Ung Choi Kun expõe obras inspiradas nos atletas olímpicos chineses na FRC Hoje Macau - 26 Set 2024 Pode ser vista até ao dia 12 de Outubro, a exposição de caligrafia de Ung Choi Kun, intitulada “Contando a História da China”. Trata-se de uma mostra baseada nas frases inspiradoras dos atletas olímpicos chineses da autoria do presidente da associação Incentivar Políticas das Humanidades e Sabedorias de Macau, e antigo deputado. Reúnem-se nesta mostra mais de 30 peças de caligrafia alusivas ao tema da participação vitoriosa da China nos Jogos Olímpicos de Paris deste ano, com um total de 91 medalhas conquistadas. O sentimento de orgulho pelo sucesso dos atletas chineses enquadra-se igualmente no espírito das celebrações do 75.º aniversário da República Popular da China, a ter lugar já no próximo dia 1 de Outubro. Citado por um comunicado, Ung Choi Kun referiu que “ao longo dos últimos 75 anos, através de provações e tribulações, a China ascendeu no Oriente a uma velocidade surpreendente, fazendo uma trajectória épica”. Assim, foi planeada esta exposição “com as palavras motivadoras dos nossos orgulhosos atletas olímpicos, com o objectivo de mostrar o comportamento excepcional dos heróis desportivos chineses, através da união perfeita da arte e do desporto, promovendo o patriotismo e inspirando todo o povo a lutar pelo grande rejuvenescimento da Nação Chinesa”. Tocha presente Para Ung Choi Kun, “o desporto é uma linguagem universal que transcende fronteiras, raças e culturas”. “Os Jogos Olímpicos de Paris foram mais uma vez palco onde os atletas chineses mostraram ao mundo a capacidade, a presteza e o espírito da China. Nesta exposição de caligrafia seleccionámos cuidadosamente citações inspiradoras de atletas que alcançaram resultados notáveis nas Olimpíadas de Paris, gravámo-las em papel através da arte tradicional da caligrafia, permitindo a cada espectador sentir a força interior e a persistência do seu exemplo”, é referido. Igualmente exposta na Galeria da FRC irá estar a tocha olímpica original dos Jogos Olímpicos de 2008 em Pequim, que Ung Choi Kun carregou no percurso da chama pelas ruas de Macau, uma das muitas cidades eleitas a caminho da capital chinesa.
Lisboa | Ana Jacinto Nunes com nova mostra na galeria Belard Andreia Sofia Silva - 26 Set 2024 “Numa Cadeira: Um Ganso ao Colo, um Cão aos Pés” é a nova exposição de Ana Jacinto Nunes, ex-residente de Macau, que pode ser vista até Novembro na galeria Belard, em Lisboa. Através de pinturas, esculturas e desenhos, a artista revela o seu mundo interior contado de forma visual, sujeito a várias leituras, por não serem necessárias palavras Catarina Mantero, pintora e fundadora da galeria Belard, em Lisboa, entrou um dia na casa de Ana Jacinto Nunes, artista e ex-residente de Macau, e deixou-se fascinar por aquilo a que chama o “mundo mágico de Ana”, cheio de detalhes, histórias e elementos que, gradualmente, se vão descobrindo. Há cadeiras, cães, gansos ao colo e, desde a pandemia, uns óculos de mergulho que remetem para a necessidade de respirar. As formas vão aparecendo e ganhando um ritmo próprio nas suas obras. Depois desta visita, nasceu a vontade de realizar uma exposição individual de Ana Jacinto Nunes que foi inaugurada esta quarta-feira, e que fica patente até Novembro. Nesta entrevista, a artista prefere transferir para Catarina Mantero, curadora, a explicação da sua arte, que transmite a ideia de casa e do mundo específico da artista. A mostra “Numa Cadeira: Um Ganso ao Colo, um Cão aos Pés” é o resultado de peças escolhidas por Catarina Mantero que fazem uma espécie de retrospectiva da carreira da artista que já viveu em muitos lugares, mas que considera ainda Macau um pouco como a sua casa. “A minha vida vai mudando e o meu trabalho também vai mudando com ela. Ando sempre à volta das mesmas questões, que não sei muito bem quais são, mas são da minha vida. Só posso trabalhar sobre o que sinto e o que anda comigo, e entusiasmo-me mais com determinada técnica a certa altura. Em cada técnica tenho, se calhar, uma resposta diferente, embora seja a mesma mão. Podem surgir coisas mais pesadas ou mais leves. Às vezes temos de respeitar o caminho que os materiais ou os pincéis fazem”, descreveu ao HM Ana Jacinto Nunes. A cada pergunta, a resposta acaba por recair em Catarina Mantero. Para a artista, a explicação é simples, recorrendo à literatura. “Um escritor escreve um livro. E depois perguntam sobre o que é. A resposta é: ‘leiam’. A tinta é toda igual. Costumo dizer: ‘Queres saber como se faz? Ensino-te’. Não é a técnica que faz o artista. Há imensos segredos.” Assim sendo, o objectivo é que, na galeria Belard, as obras expostas falem por si, numa comunicação visual e não verbal. “Tenho de respeitar esta postura da Ana, porque o que ela diz é que, se quisesse escrever, escrevia um romance. Demos este nome a esta exposição por ser uma experiência, um convite a entrar no mundo da Ana, colocando perguntas a fim de deixar as pessoas sentirem a experiência destas obras. Isso vai ser o reflexo de cada um: vão ver um sofá, um banco, um ganso, uma senhora, muitos elementos reconhecíveis, mas depois cada um constrói uma narrativa, que vai ter uma parte da projecção da Ana, incluindo o lado de quem estar a observar”, descreve a curadora. O nome da exposição é, assim, “bastante invasivo, transmite-nos uma imagem, mas não nos diz nada de concreto, abrindo-se, assim, a porta para algo sensorial que não seja imediatamente inteligível”. “É um nome com muitos símbolos, que se repetem na obra da Ana, e que lança uma pergunta: porquê tantas cadeiras, cães, o ganso ao colo, que é uma coisa invulgar?”, acrescentou. Para Catarina Mantero, “a Ana é pintora, escultora, desenha, e tenho muito interesse nessas várias vertentes dela como artista, não só enquanto galerista e artista, mas também como observadora e consumidora de arte”. “A Ana está sempre a questionar a técnica que usa para narrar aquilo que tem cá dentro. O que ela tem a dizer sai-lhe pelas mãos”, referiu ainda. Dois anos de galeria Ana Jacinto Nunes tem o atelier em casa e juntos compõem o seu mundo muito próprio, que está cheio de trabalhos que se apresentam nesta mostra, mas nem todos são novos. “Vemos as influências de vários momentos no seu percurso artístico, mas o que queria trazer é este fascínio que sinto cada vez que vou visitar a Ana a casa e ao atelier. É o mundo mágico de Ana. É uma coisa tão particular de se viver que esta mostra é só uma alusão a esse mundo. É importante esta experiência do mundo interior da artista para se compreender outra camada deste trabalho.” Ana Jacinto Nunes confessa que Catarina Mantero escolheu as “obras mais difíceis”, mas a curadora discorda. “Não acho que tenha escolhido as obras mais difíceis, escolhi aquelas que tinham mais a ver comigo, em que veja um factor de qualidade acrescido. Nesta criação da Ana revela-se quase uma compulsão, a forma dela de ver o mundo.” O que permanece sempre é uma “sensibilidade” da artista pelos materiais, e mais uma vez entra a ligação que Ana Jacinto Nunes tem com a China e com Macau, onde viveu alguns anos. “As coisas mais ricas que tenho vieram da China, os pincéis, a tinta da China”, apontou. Catarina Mantero destaca, assim, “a sensibilidade que ela tem com os materiais e as coisas que, se calhar, alguém simplesmente define como um simples papel”. “Isso é mágico e vê-se em cada trabalho da Ana, essa sensibilidade com os materiais e a sua crueza. Daí abraçar o que tem defeito, o que está partido ou amarrotado, porque tem um amor e fascínio pela imperfeição.” O projecto da galeria Belard nasceu há dois anos depois de Catarina Mantero, ela própria pintora, ter decidido estudar arte em Nova Iorque, onde aprendeu técnicas e todo o processo de negócio associado à arte, ganhando uma visão global da área. A galeria Belard assume o foco na arte figurativa, por querer mostrar algo diferente. “Estava saturada da arte conceptual pura queria apresentar neste espaço artistas que estivessem profundamente embebidos no léxico no qual comunicam, que passam a vida a aprimorar técnicas ao serviço de uma história que querem contar. Apresento aqui a técnica ao serviço do conceito”, descreve Catarina Mantero. A curadora queria trazer para Lisboa artistas nova-iorquinos, até que percebeu que era “hipócrita” não ter também artistas portugueses e lisboetas. Foi assim que surgiu a ligação ao trabalho de Ana Jacinto Nunes. “Sempre que a visito no atelier é como se entrasse, literalmente, na sua casa, porque ela não gosta de falar do seu trabalho, diz que não sabe, mas sabe perfeitamente o que faz”, remata.
Deuses da Água e do Solo José Simões Morais - 26 Set 2024 Na História da China aparecem como lendas e mitos duas grandes inundações no período de vida de Fuxi e da meia-irmã Nuwa, no início do terceiro milénio antes da nossa Era. A primeira criou um oceano e foi iniciada por uma imensa tempestade com chuvas torrenciais sem parar e uma súbita subida da água a não deixar terra à vista. Levados separadamente pela corrente, os dois meios-irmãos seriam os únicos a sobreviver desse grande dilúvio e daí ficarem considerados os pais da humanidade chinesa. A segunda grande cheia decorreu, em relato mitológico, da luta entre Gonggong (deus da Água) e Zhurong (deus do Fogo), saindo Gonggong derrotado e humilhado suicidou-se, atirando-se contra a Montanha Buzhou, quebrando um dos quatro pilares da abóbada Celeste. Um tal abalo abriu fendas na terra, de onde saíram torrentes de água a inundar as zonas baixas do mundo, precisando Nuwa de erguer uma enorme argamassa feita com a mistura de cinco seixos de diferentes cores para reparar os estragos do Céu, ficando desde então este inclinado para Noroeste. No reinado de Zhuanxu, Taitai já trabalhava a regularizar os rios, com o Imperador Diku a promovê-lo a chefe do controlo das águas. Taitai chefiava a tribo Jintian (Jintian shi) em Shanxi, pois inicialmente ela vivia em Shandong e descendia de Shaohao [conhecido também por Jintian, ou Xuanxiao e segundo o Shu Jing – Livro da História, ou de Documentos, um dos Cinco Ancestrais Imperadores]. Shaohao (c.2597-2514 a.n.E.) era o filho mais velho de Leizu e Huangdi (Imperador Amarelo), sendo o seu irmão Changyi pai de Zhuanxu. Changyi nascera no ano 29 do reinado de Huangdi e no 77.º ano foi para Sichuan, casando-se com Changpu (Jingpu), do clã Shushan, e dessa relação nasceu o filho Gaoyang, conhecido depois por Zhuanxu, o segundo dos Cinco Ancestrais Imperadores. Bai Shouyi refere, em Shandong habitava a tribo Shaohao, com os chefes Xiu e Xi, e por serem especialistas no controlo de inundações colocaram os filhos e netos a realizar esse trabalho e assim se transformaram em Deuses da Água. Na região de Shanxi, a tribo Jintian teve chefes como Mei e o filho Taitai, especialistas na construção de diques e no controlo das cheias dos rios. Conhecidos por geração Mei (昧), os dois foram oficiais da Água (Shuiguan, 水官), ficando Taitai (台骀) encarregue especificamente dos rios Fen (汾) e Tao (洮). Deslocando-se com muita gente para o ajudar, criou as bases onde instalou os trabalhadores enquanto dragavam o rio Fen (Fenshui), construindo uma represa a originar o lago Daze e assim, os habitantes da área de Taiyuan puderam ter uma vida mais estável, passando a designá-lo por Taisheng (deus Tai). Zhuanxu ofereceu a Taitai a governação da área de Fenchuan (mais ou menos a actual província de Shanxi) onde existiam quatro reinos tribais: Shenguo (沈国), Yaoguo (姚国), Ruguo (蓐国), Huangguo (黄国), e em cada um deles realizou sacrifícios às quatro direcções. Daí Taitai ser o Deus do Fengshui e receber oferendas por parte desses quatro reinos governados pelos seus descendentes. As informações deste parágrafo provêem do livro (左传-昭公元年). Durante o reinado dos dois últimos Ancestrais Imperadores, Yaodi e Shundi, a população sofria graves inundações e para resolver esse problema contrataram Gun, pai de Yu, que trabalhou em conjunto com a tribo de Gonggong. Sem conseguir resultados, foi Gun despedido por Yaodi e substituído no cargo pelo filho Yu. Yaodi registou esse período de inundações, ficando o relato transcrito no Livro de Documentos (Shu Jing). No Norte de Henan encontrava-se a tribo Gonggong, com o chefe Houtu especialista nos trabalhos de controlo das águas, sendo a tribo a inventora do método da construção de diques para prevenir as cheias. Segundo o Clássico das Montanhas e Mares [Shanhai Jing – haineijing (山海经-海内经)] Gonggong (共工) é filho de Zhurong (祝融) e pai de Houtu (后土). No entanto, sofreram graves inundações quando alguns dos diques cederam e daí ter sido a tribo Gonggong banida por Shundi, mudando-a para a prefeitura You. Houtu tornara-se o Deus do Solo e a tribo mais tarde passou a representar o deus da Água. Os Gonggong viriam a ajudar Dayu no controlo das águas e depois usaram com bons resultados o método de Yu para evitar inundações. Yu, o Grande, também considerado Deus do Solo, além de adquirir conhecimentos com o pai Gun, fez a aprendizagem enquanto andava por diferentes regiões a ajudar a resolver os constantes problemas. Estudou as características das águas, a topografia dos terrenos e assim abriu muitos canais para controlar as cheias, conseguindo desbloquear os leitos dos rios, ou alargando-os, e conduzi-los a um fácil desaguar. Certa vez, Yu não estava a realizar bem o trabalho de levar as águas do rio Amarelo para o mar, pois mandara escavar o canal na direcção errada. Então Houtu, como rainha deusa da Terra fez o Mapa do Rio Amarelo (Hetu) e enviou um pássaro mensageiro com instruções específicas a Yu, dizendo-lhe dever o canal ser aberto para Leste, para permitir um correcto escoamento. Dayu reunia-se na montanha de Kuaiji com os senhores da terra (da tribo dos Gonggong), que o ajudaram no controlo das inundações, para lhes entregar o prémio segundo o contributo dado. YU O GRANDE A uns cinco quilómetros do centro de Shaoxing, na província de Zhejiang, um complexo envolve a montanha Kuaiji, onde no cume uma enorme estátua de Dayu domina a cidade. Para aceder ao recinto paga-se um bilhete de 25 yuans e junto a um canal proveniente da cidade está a entrada do templo e mausoléu de Dayu, onde prestamos homenagem ao fundador da dinastia Xia. Desde criança Yu tinha um pequeno tigre como companheiro com quem se deu pela vida fora e o protegia quando trabalhava sobre as ordens de Yaodi, acompanhando-o sempre e devido a ser grande, bravo e forte ajudava-o a guiar os outros animais e a vencer demónios. Segundo a mitologia, Gun depois de morrer em Yushan transformou-se num Urso Amarelo e a sua alma tornou-se Huang Neng, a tartaruga de três patas, passando a viver na água. Numa noite, estava Yu sem soluções para domar as águas dos rios da montanha Huanyuan [a Sul da província de Anhui], quando viu surgir o espírito do pai na forma de urso amarelo e com a cabeça mover a montanha. [O totem do povo Qiang, antepassados de Yu, era o urso amarelo.] Aos trinta anos Yu ainda não se tinha casado, andando atarefado no trabalho de controlar as águas dos rios turbulentos das montanhas de Tu (Tushan ou Dangtu em Anhui), quando foi visitado por uma raposa branca de nove caudas. Ao vê-la Yu pensou: “branca é a minha roupa e nove caudas significa vir a ser rei” e começou a cantar: “uma raposa branca com nove caudas apareceu ao meu lado. Como estaria contente com esta beleza para minha esposa. Quando marido e mulher trabalham juntos com um só coração, então a harmonia reina entre o Céu e o Ser Humano”. Ao acabar a canção a raposa transformou-se numa bela mulher e Yu com ela casou, chamando-lhe Nujiao. [No tempo de Wudi da dinastia Han do Oeste, a Rainha Mãe do Oeste era esposa do imperador Yu (o Imperador do Leste) e ambos presidiam à corte do Céu.] Sima Qian refere, que pouco tempo Dayu passou com a esposa pois, logo após casarem, foi chamado para resolver inundações e durante mais de uma dezena de anos atarefado com o trabalho, por três ocasiões passou em frente a casa, mas aí não se deteve. Devido à sua sabedoria, Yu em 2070 a.n.E. tornou-se rei e governou durante 45 anos, fundado a dinastia Xia, a primeira na China. Até aí, eram os Imperadores e chefes escolhidos pela inteligência na capacidade de resolver os piores problemas a afectar as populações e a conseguir evitar desastres. Dando início ao período das dinastias, a dinastia Xia (2070-1554 a.n.E.) viveu no curso médio do rio Amarelo (Huang he) entre os afluentes Yishui e Luoshui e dava ao território o nome de Hua Xia. Próxima do Monte Song, entre os rios Wudu e Ying, a cidade Yangcheng foi construída por Yu e tornou-se a primeira capital da dinastia Xia, hoje a povoação de Gaocheng, em Dengfeng Henan. Já rei, Da Yu tentava controlar as cheias do rio Longo (Changjiang, ou Yangzi) no lugar das Três Gargantas, quando da Garganta Wu começou a jorrar água. Da Yu não podendo cortar montanha dentro para controlar a inundação, realizou uma oração à deusa Yaoji, a viver em Wushan. Esta ordenou à vaca, uma das 28 constelações, para vir à Terra ajudar Da Yu e com os cornos furou a rocha, desviando assim as águas do monte de Wu(shan), conseguindo desobstruir a passagem ao rio. O cavalo-dragão só é visto por um imperador sagaz e quando Da Yu encontrando-se em imensas dificuldades para controlar o rio Luo, afluente do Huanghe, viu emergir das águas uma tartaruga e na carapaça encontrou o Livro do Rio Luo (Luoshu) com a Teoria do materialismo dos Cinco Elementos a representar a Ordem do Universo Manifestado. Ao ler o Mapa do Rio, Da Yu entendeu-o e por fim conseguiu com sucesso estabilizar o rio Luo e controlar as águas do rio Amarelo. Quando Dayu morreu foi sepultado na base da montanha de Kuaiji e sucedeu-lhe como segundo rei da dinastia o filho Qi, nascido de Nujiao. Iniciava-se o período das dinastias com sucessão de poder transmitido normalmente de pai para o mais velho dos filhos, perpetuando-se no trono a família reinante. O Templo Ancestral de Yu foi construído durante a dinastia Liang (502-557), mas o local tinha sido já oferecido por o sexto rei da dinastia Xia, Shao Kang (Du Kang, 1943-1922 a.n.E.), aos descendentes de Yu, o clã Si do povo Qiang, que aqui viveram mesmo depois da dinastia ser substituída em 1600 a.n.E. por a Shang. O templo mausoléu é composto por diferentes partes: rodeado por um muro de quatro metros de altura, encontra-se dentro o pavilhão Memorial e a Porta Wu, estando a estátua de Yu no pátio central. Acima, o monte da sepultura marcado por um bei. Partimos depois de visitar a ponte do Dragão, por onde as águas do canal correm, com embarque no bote a remos em frente ao Palácio de Yu, no parque do mausoléu, para navegar até ao centro da cidade de Shaoxing.
China / Defesa | Lei revista para “reforçar a formação dos estudantes” Hoje Macau - 26 Set 2024 A China reviu a Lei da Educação para a Defesa Nacional que passa a incluir a partir de agora “formação militar dos estudantes” e a promoção de eventos militares “unificados”, divulgou ontem o Ministério da Defesa. O porta-voz do ministério, Zhang Xiaogang, disse ontem que a lei alterada, que entrou em vigor na semana passada após ter sido ratificada numa sessão legislativa, procura “reforçar a educação para a defesa nacional nos ‘campus’ universitários” e “alargar o seu âmbito e divulgação na sociedade”. A Lei do Ensino da Defesa Nacional foi aprovada em 2001 e alterada anteriormente em 2018, recordou o porta-voz. “Um país não pode subsistir sem Defesa, e um povo não pode viver em paz sem Defesa. A lei foi revista para manter a liderança do Partido Comunista da China (PCC) no trabalho de educação para a defesa nacional e para unificar as actividades relacionadas, coordenando o exército e os governos locais”, disse Zhang, em conferência de imprensa. O porta-voz acrescentou que o objectivo é “melhorar ainda mais o sistema escolar de educação para a defesa nacional” e “sensibilizar os estudantes para o serviço militar, em conformidade com a lei”. “Os departamentos competentes irão conceber a formação militar dos estudantes e as universidades e escolas secundárias irão implementar a formação em conformidade. Reforçarão a formação em matéria de competências militares e melhorarão a disciplina organizacional”, especificou. O porta-voz afirmou ainda que a lei alterada procura “alargar o âmbito e os canais educativos para a defesa nacional”, de modo a que “todas as regiões e departamentos aproveitem os festivais, aniversários e actividades temáticas relacionadas para acolher actividades que incutam o amor pela defesa nacional”. Apelou também aos intelectuais para que deixassem de “expressar uma insatisfação irrealista com o país” e reforçassem a sua “consciência política”, melhorando o seu sentido de identidade com o Partido Comunista e a nação.
IIM | Historiadores distinguidos com Prémio Identidade Hoje Macau - 26 Set 2024 O Instituto Internacional de Macau (IIM) acaba de atribuir o Prémio Identidade 2023 a dois historiadores e autores que se têm debruçado sobre o estudo de Macau, nomeadamente a professora e investigadora Celina Veiga de Oliveira e o jornalista e escritor João Guedes. Segundo um comunicado, são vencedores “ex-aequo”, devendo agora receber o prémio numa sessão pública. A escolha dos vencedores foi decidida em assembleia-geral do IIM em Maio, sendo que o principal objectivo desta iniciativa reside na “preservação e valorização da memória e da identidade macaense”. O prémio foi criado “com o propósito de distinguir entidades que, pela sua acção, obra e exemplo, tenham contribuído para o reforço, preservação e valorização da Identidade de Macau”. Assim, o prémio “corporiza o mais nuclear espírito do IIM, consagrado nas suas vocação e finalidades estatutárias, e contempla aquelas personalidades, individuais e colectivas, que, nos campos da Cultura em geral, nas Artes, no Pensamento, na Antropologia, nas Ciências Jurídicas e na Educação e Ensino tenham contribuído relevantemente para a substanciação dos factores de identidade de Macau”, lê-se numa nota. Múltiplos contributos No caso de Celina Veiga de Oliveira, foi docente em Macau entre 1980 e 1999, tendo leccionado no Liceu Nacional Infante D. Henrique, Escola do Magistério Primário e antigo Instituto Politécnico de Macau. Além disso, foi coordenadora do Gabinete do Ambiente e assessora para a Cultura do Gabinete do Governador de Macau. Foi ainda co-autora e apresentadora dos “Arquivos do Entendimento”, série de episódios televisivos sobre a História de Macau, e autora de obras sobre temas de Macau e da presença portuguesa no Oriente, matéria que continua a ser objecto da sua atenção. Actualmente é vice-presidente da Comissão Asiática da Sociedade de Geografia de Lisboa. Já João Guedes, ex-jornalista da TDM, reside em Macau desde 1980 e foi protagonista de muitos documentários sobre a história de Macau e a presença de Portugal no Oriente. O IIM considera que “constituem um acervo incontornável para investigadores e outros interessados”, sendo “também notável a sua produção literária sobre temas de Macau, que foi estudando e divulgando nas últimas décadas”. Criado em 2003, o Prémio Identidade já contemplou figuras como o monsenhor Manuel Teixeira, o escritor e advogado Henrique de Senna Fernandes, o comendador Arnaldo de Oliveira Sales, o arquitecto e investigador António Manuel Pacheco Jorge da Silva, o arquitecto, artista, gestor e produtor cultural Carlos Marreiros, e ainda o designer Victor Hugo Marreiros, entre outros. Foram também reconhecidas instituições como a Diocese de Macau, a Santa Casa da Misericórdia de Macau ou a Associação Promotora da Instrução dos Macaenses.