Mostra “Palácio do Duplo Brilho” no MAM dia 28 Hoje Macau - 25 Nov 2024 Será inaugurada na próxima quinta-feira, 28, uma nova exposição no Museu de Arte de Macau (MAM). A mostra intitula-se “Palácio de Duplo Brilho: Exposição Especial do Museu do Palácio” e é organizada pelo Instituto Cultural (IC), Museu do Palácio de Pequim e conta com vários apoios, nomeadamente da Fundação Macau. Apresenta-se uma selecção de 130 artefactos associados ao “Palácio do Duplo Brilho” do Museu do Palácio, que está situado no canto noroeste da Cidade Proibida, tendo sido a residência do Imperador Qianlong quando este era príncipe, antes da transformação do edifício em palácio. Segundo uma nota do IC, este foi um local “acarinhado pelo imperador durante 72 anos”, sendo que o palácio “incorpora uma vasta história e cultura”. A exposição patente no MAM está dividida em quatro secções, intituladas “Nascido para Ser Imperador”, “Casamento e Família”, “Era Florescente da Governação Civil” e “Um Governo Eficaz, Uma Nação Harmoniosa”, permitindo aos visitantes “apreciar de perto o trono originalmente patente no Salão da Reverência, o salão principal do Palácio do Duplo Brilho, bem como obras de caligrafia e pinturas da autoria do Imperador Qianlong, os seus preciosos trajes e presentes trocados com a sua família real”. Com palestra Desta forma, permite-se “conhecer o quotidiano do imperador e os dias gloriosos no Palácio do Duplo Brilho”. Destaque ainda para a palestra que acompanha esta exposição, intitulada “De Palácio Auspicioso a Terra Abençoada – A Evolução Arquitectónica e Funções Diversificadas do Palácio do Duplo Brilho”, e que será proferida amanhã às 19h por Wang Hebei, Investigador Associado do Departamento de História da Corte do Museu do Palácio. Nesta conversa, que decorre no MAM e que está sujeita a inscrição na plataforma da Conta Única de Macau, será analisado “como o palácio foi transformado num espaço único para os imperadores da dinastia Qing cumprirem os seus papéis na governação e na vida familiar”. A exposição estará patente até ao dia 2 de Março de 2025.
FRC | Venetian, turismo e mercado de jogo em debate Hoje Macau - 25 Nov 2024 É o maior casino do mundo e um fenómeno de popularidade entre os turistas oriundos do continente. “O Casino no Centro do Mundo: Turistas Chineses no Venetian Macau” é o nome da palestra que decorre hoje na Fundação Rui Cunha (FRC), a partir das 19h, e que conta com Timothy Simpson, da Universidade de Macau, autor de um livro sobre o tema A Fundação Rui Cunha (FRC) recebe hoje, a partir das 19h, a conferência intitulada “O Casino no Centro do Mundo: Turistas Chineses no Venetian Macau”, protagonizada por Timothy Simpson, da Universidade de Macau (UM). Trata-se de uma palestra inserida no Ciclo de Palestras Públicas de História e Património, que resulta de uma parceria regular entre a FRC e o Departamento de História e Património da Universidade de São José. O foco da apresentação será o mais recente livro de Timothy Simpson, “Betting on Macau: Casino Capitalism and China’s Consumer Revolution”, lançado no ano passado pela University of Minnesota Press, e que descreve a visão do autor sobre o sector do jogo, o futuro e o exemplo paradigmático do Venetian. A proposta da palestra incide na teoria de Tim Simpson sobre este território bastante singular e a abordagem do autor sobre o que se pode prever para o futuro. “O Venetian Macau Resort é um dos maiores edifícios do mundo, e talvez a atracção mais popular de Macau, visitado por mais de metade das dezenas de milhões de turistas chineses que entram na cidade todos os anos. As enormes receitas do jogo no Venetian foram cruciais para a transformação pós-colonial de Macau na meca dos casinos mais lucrativa da história global e num dos territórios mais ricos do planeta. Esta palestra vai explorar o papel do Venetian no regime de capitalismo de casino local, e o modelo pedagógico da cidade de Macau na formação de cidadãos-consumidores para a nova era de reforma económica da China”, lê-se numa nota. Na altura do lançamento, o livro mereceu uma nota de destaque do Executivo local, que o descreve como uma obra que “explora a recente transformação de Macau no local mais lucrativo do mundo para o jogo em casino e o papel formativo da cidade na metamorfose da própria China na maior sociedade de consumo do planeta”. “Betting on Macao” centra-se, assim, nos anos após a liberalização do jogo, marcados por um profundo desenvolvimento social e económico de Macau, “durante os quais a cidade se tornou um dos territórios mais ricos do mundo”. “No entanto, [o académico] situa o seu estudo da Macau contemporânea na história da cidade como território português, descrevendo o seu papel crucial na emergência do capitalismo global no século XVI”, descreve a mesma nota. Assim, “grande parte do livro analisa a nova paisagem urbana de Macau, constituída por megaresorts integrados, com ambientes temáticos fantásticos, incluindo dois dos maiores edifícios do mundo”, sendo também explorado “o papel pedagógico deste ambiente construído no desenvolvimento da indústria turística da China”. Espaço de património No caso da publicação “Progressive Geographies”, a obra de Timothy Simpson é descrita como apresentando “uma perspectiva transversal de estudos pós-coloniais e teoria social, com uma ampla visão da indústria global do jogo”, desvendando também “as várias origens do lucrativo capitalismo de casino do território”. “Por outro lado, a sua análise incisiva fornece uma visão distinta do projecto mais amplo de urbanização da China, das suas reformas económicas pós-Mao, e do aumento contínuo da cultura de consumo”, acrescenta-se. O livro de Timothy Simpson estabelece ainda uma correlação com o importante património de Macau, que transformou o território num lugar com classificação da UNESCO e visitado também por causa dos seus monumentos e cultura. “Identificada como Património Mundial da UNESCO e conhecida pela sua mistura única de arquitectura da era colonial chinesa e portuguesa, a Macau contemporânea metamorfoseou-se numa paisagem urbana surrealista e hipermoderna. Simpson situa as origens de Macau como porto comercial estratégico e a sua história subsequente a par da emergência do sistema capitalista global, traçando o fluxo maciço de investimento estrangeiro, construção e turismo nas últimas duas décadas que ajudaram a gerar a enorme riqueza do território”, descreve ainda a editora do livro. A sessão de hoje será moderada por Priscila Roberts, Professora Associada e Chefe do Departamento de História e Património da Universidade de São José.
GP Macau | Taça do Mundo de GT finalmente convenceu Sérgio Fonseca - 25 Nov 2024 Se dúvidas existissem quanto à realização da Taça do Mundo de GT da FIA no Circuito da Guia, e essas existiram durante muitos anos, a edição de 2024 da Taça GT Macau dissipou-as. Depois da afirmação à sétima tentativa, daqui em diante o caminho, que até aqui teve muitos altos e baixos, advinha-se prometedor Este ano, a presença de seis marcas e vinte e três carros fortemente apoiados pelas mesmas, dos quais dezassete foram conduzidos por pilotos categorizados como “Platinum”, o nível mais alto da FIA, proporcionaram um espectáculo de excelência em pista. Isto, mesmo em condições de pista extremamente difíceis, em que não houve a necessidade da intervenção do Safety-Car, cuja presença inicial foi em prol da segurança de todos. A forma dramática como a corrida foi decidida já ao cair do pano foi a cereja no topo do bolo. Para além dos quatro grandes construtores germânicos – Audi, BMW, Mercedes-AMG e Porsche – regressaram este ano de forma mais séria as marcas italianas Ferrari, que veio “ver” como era em 2023, e Lamborghini, que estava afastada desde 2017. A grelha de partida deste ano atingiu a sua capacidade máxima, limitada pelo regulamento, de 23 carros. De acordo com o director do SRO Motorsports Group Asia, Benjamin Franassovici, cuja equipa é co-coordenadora desta corrida, não é possível ter mais carros, pois não há garagens no paddock suficientes – “É o máximo. Se tivermos 20, é bom, mas 23 é excelente”. É sabido que houve dois outros construtores de GT3 interessados em se juntarem ao evento, mas nenhuma das duas possibilidades se materializou. A Chevrolet, que lançou este ano para o mercado o seu novo Corvette Z06 GT3.R, e a Aston Martin, que tem equipas clientes na Ásia, terão mostrado interesse, mas não o concretizaram. No entanto, nem à corrida faltou quantidade nem qualidade. Quente fora de pista Até fora da pista a corrida foi interessante de seguir, terminando com a troca de acusações entre Raffaele Marciello e Antonio Fuoco, após o toque na travagem para a Curva Lisboa, e com os lamentos de Dries Vanthoor que considerou que a penalização dos comissários desportivos ao vencedor Maro Engel foi demasiado branda. No entanto, o tema da semana foi mesmo o Balance of Performance (BoP), a “fórmula mágica” dos GT que coloca na teoria todos os carros ao mesmo nível. Apesar do SRO Motorsports Group ser co-organizador da Taça do Mundo de GT da FIA, o BoP utilizado em Macau não foi providenciado pela SRO, mas sim pela própria FIA. Se no ano passado este BoP tinha sido bastante criticado por pilotos, equipas e marcas, a verdade é que a FIA caiu no mesmo erro de não delegar totalmente à SRO esta responsabilidade, o que lhe valeu mais uma série de críticas. Após a qualificação, o piloto da Porsche, Laurens Vanthoor, escreveu nas redes sociais (e depois apagou): “Todo o paddock diz que temos um bom BoP, mas os BMW foram 0,9 segundos mais rápidos no Sector 1 por alguma razão misteriosa. Duas curvas que são a fundo e a direito”. Depois do descontentamento generalizado, a FIA, na manhã da corrida de sábado, retirou 40 milibares à pressão turbo dos BMW. Não adiantou muito que a velocidade de ponta dos BMW M4 GT3 até aumentou. Se os Ferrari e os Mercedes-AMG ainda conseguiram acompanhar os BMW em piso seco, a verdade é que os Porsche, Audi e Lamborghini não tinham como o fazer da Curva dos Pescadores até ao Hotel Lisboa. Felizmente, a chuva de domingo acabou por amenizar esta diferença de velocidade de ponta. O que pode vir aí Apesar da natureza imprevisível do Circuito da Guia, a boa imagem deixada este ano e a maturidade atingida pelas equipas de GT3 asiáticas, que hoje em dia não ficam a perder para as homologas europeias ou americanas, dá garantias de um futuro saudável para a Taça do Mundo de GT da FIA no Circuito da Guia. A FIA quererá certamente evitar mais aborrecimentos e como tal, no paddock existia a noção que serão introduzidos no próximo ano os sensores de torque já obrigatórios noutros campeonatos – caros para as marcas e para as equipas, mas necessários para o órgão regulador obter mais e melhor informação. A presença de fortes equipas na Ásia, algumas delas que se apresentaram este ano com patrocinadores de renome, significa que as marcas podem assim poupar elevadas somas na logística de carros e material para uma só corrida, optando por apoiar as equipas clientes da região para viabilizarem a sua participação sem com isso baixarem a fasquia das suas exigências. Por isso mesmo, não é de estranhar que o sonho de Stéphane Ratel, o cérebro da SRO Motorsports Group, para esta corrida seja ter nove ou dez construtores representados na grelha de partida, cada um com dois carros cada, algo que não é difícil quando se tem a Aston Martin, a Corvette, a Ford e a McLaren à espreita.
Taiwan / Congresso | Kuomintang reivindica as raízes chinesas Hoje Macau - 25 Nov 202425 Nov 2024 O Partido Nacionalista Chinês [Kuomintang/KMT], principal partido da oposição taiwanesa, reivindicou ontem as raízes chinesas da ilha, governada autonomamente desde 1949. Durante o congresso nacional do partido, que coincidiu com o 130.º aniversário da sua fundação, o presidente do KMT, Eric Chu, destacou o compromisso da formação azul na defesa da República da China [nome oficial de Taiwan] e com a manutenção da “democracia” e da “liberdade”. Num discurso divulgado pela agência de notícias estatal CNA, Chu insistiu que a República da China tem a sua “raiz” e “fundamento” na nação e na cultura chinesas, apelando que “as forças de independência de Taiwan” não “prejudiquem ou destruam a República da China”. Chu, antigo vice-primeiro-ministro (2009-2010) e antigo presidente da Câmara de Nova Taipé (2010-2018), enfatizou ainda que o KMT continuará a aprofundar o “desenvolvimento democrático” de Taiwan e a lutar contra o que definiu como a “hegemonia verde”, em referência às cores distintivas do Partido Democrático Progressista (PDP), no poder desde 2016. O Congresso do KMT, organizado no Centro de Convenções e Exposições de Taoyuan (norte), contou com a presença dos principais membros do partido, incluindo o ex-líder taiwanês Ma Ying-jeou (2008-2016), que reiterou as suas críticas ao actual responsável, o soberanista William Lai, por promover a chamada “teoria dos dois Estados”, que definiu como “desnecessária, inviável e irrealista”. O antigo líder da ilha, protagonista durante o seu mandato da maior aproximação entre Taipé e Pequim desde o fim da guerra civil chinesa em 1949, apelou ao KMT para aderir ao “Consenso de 1992”, um alegado acordo tácito entre o KMT e o Partido Comunista Chinês, que reconheceu a existência de “uma China” no mundo, embora os lados discordassem sobre o significado deste termo.
Médio Oriente | Pequim apoia justiça após mandado contra Netanyahu Hoje Macau - 25 Nov 2024 A China disse na sexta-feira “apoiar todos os esforços para alcançar a justiça” na questão palestiniana e pediu uma “posição objectiva” ao Tribunal Penal Internacional (TPI), que emitiu um mandado de captura contra o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu. “A China espera que o TPI mantenha uma posição objectiva e justa (e) exerça os seus poderes em conformidade com a lei”, disse Lin Jian, porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros, numa conferência de imprensa. Lin acrescentou que a China “apoia todos os esforços da comunidade internacional sobre a questão palestiniana que contribuam para alcançar a justiça”. “O actual conflito em Gaza continua a arrastar-se e a crise humanitária não tem precedentes”, afirmou o porta-voz. Disse ainda que a China espera que o TPI “aplique o Estatuto de Roma e o direito internacional geral de forma abrangente e de boa-fé”. “A China sempre se colocou do lado da justiça e do direito internacional, opôs-se a todas as violações do direito internacional, incluindo o direito humanitário, e condenou todos os danos causados a civis e ataques a instalações civis”, acrescentou o porta-voz. Para além de Netanyahu, o TPI emitiu um mandado de captura contra o antigo ministro da Defesa israelita Yoav Gallant e o comandante do Hamas Mohammed Diab Ibrahim Al-Masri por alegados crimes contra a humanidade e crimes de guerra cometidos em Israel e na Palestina. O país asiático reiterou em várias ocasiões o seu apoio à “solução dos dois Estados”, manifestando a sua “consternação” perante ataques israelitas contra civis em Gaza, e os seus funcionários realizaram múltiplas reuniões com representantes de países árabes e muçulmanos para reafirmar esta posição ou para tentar fazer avançar as negociações de paz.
Comércio | China melhor preparada para retaliar contra Trump Hoje Macau - 25 Nov 2024 Pequim está melhor preparada a nível de legislação para retaliar contra sanções e outras medidas punitivas, afirmou ontem um investigador português, face à previsível intensificação da guerra comercial com Washington, após a eleição de Donald Trump. Rosendo Guimarães da Costa, candidato a doutoramento em Direito internacional pela Universidade de Ciência Política e Direito da China, destacou à agência Lusa a promulgação, nos últimos anos, de legislação abrangente, incluindo a Lei Antimonopólio e a Lei Contra Sanções Estrangeiras, que permite a Pequim adoptar contramedidas extraterritoriais contra uma “vasta gama de intervenientes”. “Os próprios Estados Unidos ou a Europa têm este tipo de mecanismo, no que é chamado o ‘efeito de Bruxelas’”, explicou o português, radicado em Pequim há mais de dez anos. A China foi apanhada desprevenida durante o primeiro mandato de Donald Trump, que lançou uma intensa guerra comercial e tecnológica contra o país asiático, que incluiu a imposição de taxas alfandegárias punitivas sobre milhares de milhões de dólares de importações oriundas da China, sanções contra empresas – chave chinesas, como a Huawei, e controlos mais apertados sobre o investimento e acesso por entidades chinesas a alta tecnologia produzida nos EUA. Nos últimos oito anos, no entanto, o país asiático introduziu novas leis que lhe permitem colocar empresas estrangeiras numa lista negra, impor as suas próprias sanções e cortar o acesso a cadeias de abastecimento cruciais. O investigador português destacou a aplicação extraterritorial desta nova legislação, exemplificando com a Lei Antimonopólio, que permite punir uma empresa que não esteja sediada na China, desde que tenha qualquer tipo de relação comercial no país asiático, a Lei da Segurança Nacional de Hong Kong, que pode ser aplicada sobre não residentes na região semiautónoma, ou a Lei da Cibersegurança, que prevê também a punição de entidades que não estejam na China. “A China tem actualmente instrumentos muito fortes, como a Lei Antimonopólio, que foi revista e que pode ser aplicada como arma de arremesso para efeitos proteccionistas”, frisou. “A lista negativa, criada pelo ministério do Comércio chinês, pode também proibir, restringir e limitar o acesso das empresas estrangeiras ao mercado chinês”, explicou. Recado deixado Nos últimos meses, Pequim fez já alguns avisos, incluindo proibir as empresas chinesas de fornecer componentes críticos à Skydio, a maior fabricante de “drones” dos EUA e fornecedora das Forças Armadas ucranianas. Pequim também ameaçou incluir a PVH, cujas marcas incluem Calvin Klein e Tommy Hilfiger, na sua “lista de entidades não confiáveis”, uma medida que pode cortar o acesso da empresa de moda ao enorme mercado chinês. Trump prometeu impor taxas de 60 por cento sobre as importações oriundas da China, o que teria um impacto no crescimento da segunda maior economia do mundo de até dois pontos percentuais, segundo analistas.
A última noite do Império III Hoje Macau - 25 Nov 2024 por Luis Nestor Ribeiro (1) Os Sentimentos da População Nas ruas de Macau, os principais acontecimentos da transição eram atentamente seguidos por milhares de pessoas, que podiam assistir igualmente ao momento histórico difundido pela televisão, através de grandes ecrãs instalados nos principais pontos da cidade. A maioria estava em silêncio, observando fixamente o desenrolar dos eventos. Alguns choravam, outros permaneciam em estado de contemplação. Era um momento de despedida, mas também de esperança. Afinal, o futuro de Macau estava, a partir daquele momento, nas mãos da China. Ao passar a meia-noite, os primeiros instantes do dia 20 de Dezembro de 1999 foram marcados pelo eclodir de uma nova era pós-colonial, com a retirada dos símbolos oficiais portugueses existentes nos organismos e serviços públicos, tendo sido minuciosamente substituídos por insígnias alusivas à nova Região Administrativa da R.P.C., num perfeito sincronismo em todo o território e ilhas da Taipa e Coloane, incluindo os distintivos usados em fardas, uniformes e viaturas oficiais ao serviço dos elementos das forças policiais e autoridades locais. Foi uma longa madrugada, muito fria e envolta num extenso manto de nevoeiro. Ao raiar da aurora, havia uma sensação clara de que uma nova era tivera início. Era o cair do pano sobre a última parcela de território que pertencera ao antigo Império Colonial Português, formado a partir do séc. XV em diversas regiões de três continentes, onde a presença portuguesa se fez sentir, deixando marcas indeléveis como a cultura e a língua, em África, América e na Ásia. De notar também que se assistia ao último arrear de bandeira de uma nação ocidental que administrara um território na Ásia. A China soube reservar e outorgar esse papel histórico a Portugal, com discrição e elevação, impondo à coroa inglesa que o Handover de Hong-Kong se realizasse antes da transferência de Macau, não obstante as diligências infrutíferas protagonizadas pelos diplomatas de Sua Majestade, tentando em vão, negociar um hipotético adiamento. Era o reconhecimento tácito do cordial relacionalmente institucional luso-chinês, firmado num entendimento recíproco duradouro, em contraste com a natureza arrogante e beligerante da presença britânica em H.K., que resultou na sua ocupação pela força em 1842. Nos dias que se seguiram, as bandeiras chinesas e as da Região Administrativa e Especial de Macau tornaram-se uma presença constante, a esvoaçar nos mastros dispersos em vários locais estratégicos, incluindo as antigas fortalezas construídas pelos portugueses nas suas colinas. Reinava a euforia por Macau ser finalmente governado pelas suas gentes. Em termos de segurança, assistiu-se a um regressar à normalidade, sendo evidente que as novas autoridades não iriam permitir que se repetissem actos semelhantes aos cometidos durante os últimos anos da década de 1990. Consequências: Um Novo Capítulo As Mudanças Económicas O impacto económico da transferência de administração foi sentido quase imediatamente. O jogo era uma das principais atracções de Macau, sendo explorado nos diversos casinos pertencentes à STDM(15) em regime de concessão exclusiva. A RAEM – Região Administrativa Especial de Macau assistiu a uma verdadeira explosão no desenvolvimento desse sector nos anos seguintes. A liberalização do jogo acompanhada de enormes investimentos de consórcios internacionais, transformou Macau num dos maiores centros de entretenimento do mundo, rivalizando com Las Vegas. A cidade, que antes era relativamente pacata, passou por um boom de progresso e crescimento económico vertiginoso. Novos hotéis de luxo e complexos de entretenimento surgiram, atraindo milhões de turistas todos os anos, principalmente da China e países asiáticos vizinhos. As receitas do jogo passaram a sustentar a economia de Macau de uma forma ainda mais vincada. Mas esse crescimento económico trouxe consigo novos desafios. A dependência excessiva do jogo gerou preocupações sobre a sustentabilidade a longo prazo da economia. Além disso, a disparidade entre os rendimentos dos que trabalhavam nos casinos e a restante população aumentou, criando alguns focos de apreensão. As Transformações Sociais A influência da cultura chinesa cresceu exponencialmente, especialmente entre os jovens. O sistema educacional foi reestruturado para incluir mais aulas em mandarim bem como de educação cívica e patriótica, com a língua portuguesa a perder a projecção que conheceu, passando a ser cada vez menos utilizada no quotidiano. As escolas e universidades passaram a integrar ainda mais os programas curriculares do sistema nacional de ensino ministrado na R.P.C., com um foco maior nas disciplinas científicas e menos ênfase nas humanidades. Para muitos jovens, isso representou uma oportunidade de crescer num ambiente mais competitivo, com acesso mais fácil a empregos na China. Contudo, para outros, significou a perda de uma parte importante da sua identidade. A outra face do desenvolvimento tem exposto alguns desequilíbrios. Enquanto muitos dos que trabalham na indústria do jogo e sectores afectos ao turismo prosperaram, outros segmentos da população, especialmente os idosos, começaram a sentir o peso do aumento do custo de vida. A gentrificação de áreas históricas também fez com que algumas famílias fossem deslocadas, perdendo o acesso a habitação acessível. O Governo da RAEM tem implementado diversas acções no sentido de mitigar os desequilíbrios sociais provocados pela inflação e pelo crescimento do sector do jogo, que representa uma parte significativa do PIB, com o objectivo de promover mais justiça social e equilibrar o desenvolvimento económico. Algumas iniciativas recentes incluem a diversificação da economia com incentivos para o fomento de outras indústrias, como turismo não relacionado com o jogo, tecnologia, saúde e educação. Foram lançados programas de formação para sustentar a criação e crescimento de PMEs, com atribuição de subsídios, diversificando assim a base económica e criando empregos em sectores alternativos. Para combater a inflação têm sido implementadas iniciativas para evitar a especulação de preços, especialmente em habitação e produtos de consumo básicos. Outra medida que tem sido bem aceite é a atribuição de subsídios e benefícios directos à população, como cheques de consumo e aumentos nos apoios sociais, para abrandar o impacto do aumento dos preços, especialmente em alimentos e bens essenciais. Tem-se assistido a um aumento nos investimentos em programas de habitação pública, oferecendo mais unidades de habitação social para famílias de baixos e médios rendimentos, com o propósito de combater os custos elevados dos imóveis no mercado privado. O sistema de saúde público de Macau também tem captado investimentos, com a expansão de serviços de saúde gratuitos ou subsidiados para garantir que toda a população tenha acesso a cuidados médicos de qualidade Tenho conseguido acompanhar de perto a evolução de Macau, que não pára de me surpreender. Na visita mais recente realizada em meados de Setembro de 2024, dei-me conta dos avanços que tem registado, em vários domínios, como a melhoria da rede de transportes públicos, com autocarros modernos e climatizados, que cobrem praticamente todo o território. O espaço público está particularmente bem cuidado, com uma atenção particular na harmonização dos canteiros, jardins e zonas verdes, impecavelmente tratadas e integradas nas novas áreas urbanas em expansão. A cidade está muito mais limpa, um efeito positivo pós-pandemia COVID-19, sendo bastante evidente o grau de higienização dos espaços interiores dos mercados públicos. A rede viária foi melhorada, com novas acessibilidades e mais disciplina no controlo dos fluxos de trânsito pedonal e automóvel. A partir de Outubro a quarta ponte de ligação à Taipa permitiu um melhor escoamento do tráfego com destino às ilhas. Os Desafios A preservação da identidade cultural de Macau tornou-se um desafio cada vez maior, numa perspectiva de manter a especificidade que lhe conferia o segundo sistema, derivado do axioma político preconizado com grande pragmatismo pelo grande líder Deng Xiaoping, de um país, dois sistemas. Embora os macaenses ainda celebrem as suas festas tradicionais e mantenham algumas de suas práticas culturais e religiosas de inspiração cristã, a influência crescente da China continental começou a ofuscar muitas dessas tradições. A arquitectura de inspiração colonial ainda permanece visível, mas novos arranha-céus e complexos de casinos começaram a alterar a fisionomia e a dominar o horizonte da cidade, quebrando a noção de escala e rompendo alguns enquadramentos que faziam coabitar o antigo com o novo, numa pequena parcela de território. Não obstante alguns desequilíbrios provocados no tecido urbano pelo inevitável surto de desenvolvimento, é importante elogiar o empenho do governo local em concretizar o reconhecimento oficial pela UNESCO em 2005, de um vasto conjunto de monumentos e edifícios classificados do seu centro histórico, como Património Mundial da Humanidade, um legado histórico incontornável da sua herança cultural, de matriz luso-chinesa. Reflexões Pessoais: Uma Jornada Íntima No Papel de Protagonista Numa perspectiva mais íntima, como realizador e observador atento da realidade que me rodeia, a transferência de Macau foi mais do que um mero evento histórico; foi o revisitar de uma epifania, uma profunda transformação pessoal. Desde a minha infância na ex-colónia de Moçambique e depois mais tarde em Portugal, sempre tive uma enorme curiosidade pela China e pelo Oriente, provocada em certa medida pela convivência desde tenra idade com colegas chineses que frequentaram as mesmas escolas, partilharam brincadeiras no recreio e competiram nos mesmos recintos desportivos, desde a escola primária até à conclusão do ensino secundário, – na cidade da Beira, – onde residia uma enorme comunidade chinesa(16). Deixei-me apaixonar pelas suas gentes, pela sua maneira de ser, pelos aromas exóticos que emanavam do bairro chinês e que me marcaram para o resto da vida. Seduzido pela sua cultura milenar, não resisti ao apelo de rumar a Macau no início da década de oitenta do século passado, correspondendo a um convite do Governo de Macau dirigido a um pequeno grupo de profissionais da RTP para colaborar no projecto de criação de uma nova estação TV em Macau e formar os futuros quadros locais. Finalmente pude concretizar esse desejo de imersão na realidade que sempre idealizei desde muito novo, fruto de um apelo que as culturas distantes exerciam em mim, inspirado pelas histórias exóticas que lia incansavelmente, mas que os livros não podiam captar completamente. Quando cheguei a Macau, ainda jovem, sedento de aventura e de emoções fortes, não fazia ideia de que iria testemunhar uma das maiores transições políticas da história moderna. A minha jornada em Macau foi uma lição de vida, de aprendizagem contínua. Conheci pessoas incríveis — chineses, portugueses, macaenses e expatriados —, cada uma com sua própria visão do que significava viver naquela cidade singular. Muitos continuam em Macau e suscitam-me os mesmos sentimentos de afecto como os familiares mais próximos. Passaram a integrar a bagagem existencial que transporto, são parte da minha família, para além dos meus filhos nascidos em Macau. Acompanhei de perto as mudanças políticas e económicas, mas também fui sendo moldado pelo escopo das transformações humanas que a transição operou. Marcas indeléveis de uma realidade fugidia A principal lição que assimilei com a experiência de cobrir a transição de Macau foi a de que identidade é algo de fluido, em constante transformação. Macau, como território, sempre foi uma terra de fronteira — geográfica e cultural, — e a sua identidade é algo difícil de definir de forma precisa. Se tentarmos captar a sua essência numa fotografia, ela revelar-se-á com um não-lugar(17) de contornos fugazes. Macau é um exemplo perfeito dessa nova dimensão da modernidade, como se fosse um lugar sem lugar. Cada vez mais passamos o tempo em hubs(18), locais efémeros de transição e de passagem, como hotéis, mega-shoppings, terminais, gares e aeroportos e numa realidade plasmada em écrans e decorações cénicas construídas em pladur, reproduzindo modelos virtuais numa fantasia hiper-realista, vivida cada vez mais à frente de gadgets e terminais de computadores. Esta transfiguração do real resulta numa progressiva alteração dos comportamentos e rotinas sociais nas grandes metrópoles, apenas perceptível de forma parcial e transitória, numa dimensão cada vez mais povoada pelo excesso de bits de informação digital. A realidade diáfana que os múltiplos écrans e néons dispersos na sua malha urbana convocam e projectam é de uma modernidade de contornos líquidos(19). Eternamente sedutora, esquiva e desconcertante. A sua essência flutuante brota das inúmeras camadas que se vão sobrepondo, numa heterotopia plasmada em contínuo, num processo em constante mutação. Descrever essa realidade fugaz numa narrativa impõe uma disciplina de reescrita constante, como se estivesse a produzir um palimpsesto, sem princípio nem fim. A transferência para a China não apagou essa complexidade intrínseca de Macau; apenas a transformou. A experiência que vivi na régie de realização ao dirigir uma equipa numerosa e multicultural, constituiu um desafio enorme em termos profissionais. Nada podia falhar. O evento iria ser transmitido em directo para todo o mundo, pelos principais canais e cadeias televisivas. Recuo no tempo e recordo um momento único. Há um momento sem fim, uma singularidade no tempo, o ‘instante decisivo’ como lhe chama o grande fotógrafo francês Henri Cartier-Brésson, que não se repercute nem se repete. A realização televisiva em directo cobrindo a sequência de imagens em sobreposição, com a deposição da bandeira das quinas e a ascensão da bandeira rubra da R.P.C., alternada pelos rostos dos líderes supremos das respectivas nações, num encandeado encantatório perdurará para sempre na História. Esse encadeado de imagens, a sua construção, o seu ritmo, a sua pulsação … têm um pouco de mim que se projecta na sua construção e na forma como foram reveladas ao mundo! Algo meu permanece para sempre ligado a essa sequência visual, o seu encadeado correspondeu de alguma forma ao pulsar do meu coração, ao ritmo da minha respiração enquanto realizava. Todo o mundo estava preso, em suspenso, acompanhando o bailado protocolar das guardas de honra, numa coreografia solene que ficou para sempre projectada pelos grandes planos dos líderes em alternância sincopada, sobrepostas ao esvoaçar das bandeiras impelidas pelos jactos de ar embutidos que eram propulsionados através de pequenos orifícios nos topos dos respectivos mastros metálicos. Constitui um forte motivo de orgulho ter contribuído activamente para a criação dessa sequência visual que perdurará e que será objecto de estudo no Futuro, quando se pretender investigar a iconografia associada à Transferência de Poderes de Macau para a R.P.C., passando esse conteúdo audiovisual a estar sempre disponível nos principais arquivos, acervos e bancos de imagens internacionais. Estarei sempre ligado a esses instantes decisivos… O Legado O legado da transferência de Macau permanece ainda em processo de construção. Hoje, duas décadas e meia após o evento, a Região Administrativa continua a prosperar economicamente, mas enfrenta desafios sociais e culturais significativos. As questões da preservação da identidade cultural, a especificidade da cidadania dos residentes permanentes de Macau e seus direitos adquiridos no contexto da crescente influência chinesa, bem como a excessiva dependência da economia em relação ao jogo, constituem alguns temas centrais no debate sobre o Futuro. As novas gerações de macaenses, embora mais conectadas à China do que nunca, ainda mantêm uma forte ligação à alma portuguesa da sua terra. O devir de Macau tem ainda alguns contornos pouco definidos, mas a resiliência e a capacidade de adaptação dos seus cidadãos convocam a esperança de continuar a encontrar formas de prosperar e evoluir, preservando o seu carácter essencial: a multiculturalidade. Para as futuras gerações, o desafio será equilibrar o crescimento económico com a preservação das tradições culturais. Macau, com sua história rica e o seu papel de ponte entre o Oriente e o Ocidente, tem o potencial de ser um modelo de convivência pacífica e próspera num mundo cada vez mais globalizado. Conclusão Em 1999, Macau entrou numa nova era, mas os traços mais fortes da sua história e identidade não foram apagados com a Transferência de Administração. A RAEM continua a ser um exemplo vivo de como culturas diferentes podem coexistir de forma ecuménica, perante pressões políticas e económicas. Poder testemunhar esse momento de transição como realizador de TV foi uma experiência marcante. As lições de vida que aprendi em Macau continuarão a guiar os meus passos em busca de um mundo cada vez mais livre de barreiras, muros ou fronteiras. *Autor, Consultor de media, Realizador/Produtor Notas 5 Concessionária do jogo em Macau, fundada pelo magnata Ho Hung-Sun (Stanley Ho). Deteve em exclusivo o monopólio de exploração dos casinos durante a administração portuguesa com atribuição de subsídios, diversificando assim a base económica e criando empregos em sectores alternativos. 6 Uma comunidade muito influente no tecido social da Beira, tendo como polo principal uma agremiação desportiva, o Clube Atlético Chinês da Beira, com excelentes equipas de basquetebol e ginástica de ambos os sexos, que participavam com muito sucesso nos campeonatos, contribuindo com muitos atletas para as respectivas selecções provinciais. Para além do Atlético, as lojas do bairro chinês e o cemitério eram os locais que mais contribuíam para dar um ambiente oriental a alguns dos locais mais típicos da cidade onde nasci, em 1958 7 Augé, Marc – Non-Places: An Introduction to Supermodernity, 2023, Verso 8 Plataforma intermodal que assegura ligações 9 Bauman, Zygmunt – Liquid Modernity, 2000, Polity
PJ | Burlões fingem ser representantes da Escola Pui Ching Hoje Macau - 25 Nov 202425 Nov 2024 A Polícia Judiciária recebeu queixas de quatro lojistas que foram vítimas de burlas de encomendas falsas, com prejuízos que ultrapassam as 160 mil patacas. Os burlões fingiram ser representantes do coordenador da Escola Secundária Pui Ching de Macau e de uma empresa de táxis para pedir cotações a lojistas. O passo seguinte seria a encomenda de produtos fornecidos por empresas designadas, com os burlões a enviarem falsas capturas de ecrã (screenshots) com supostos comprovativos de transferências bancárias, como provas de pagamento. Finalmente, era pedido aos comerciantes o pagamento de cauções. Estes montantes foram recolhidos pessoalmente, uma táctica que as autoridades indicam ter como objectivo aumentar a credibilidade do esquema, em vez do pedido para pagar a caução online. Três vítimas perdem 1,2 milhões Três pessoas foram burladas em 1,2 milhões de patacas, em três casos separados com os burlões a fazeram-se passar pela polícia do Interior. De acordo com o jornal Ou Mun, que citou a informação da Polícia Judiciária (PJ), todas as vítimas foram enganadas com a alegada acusação de que o seu número de telemóvel tinha sido utilizado para enviar mensagens no Interior a promover o jogo online. A primeira vítima perdeu 223,7 mil patacas, a segunda perdeu 430 mil patacas e a terceira 540 mil patacas. Os casos aconteceram entre 12 e 21 de Novembro, e todos os burlados apresentaram queixa junto das autoridades, depois de perceberam que tinham sido enganados.
TUI | Pena de 22 anos para homicida de prostituta João Santos Filipe - 25 Nov 2024 O homicida de Hong Kong que esteve mais de um ano a dormir na rua em Macau pretendia ficar mais rico. No final, conseguiu roubar uma nota de 100 patacas O homem de Hong Kong que em Março do ano passado assassinou uma prostituta num hotel de Macau vai cumprir uma pena de 22 anos e seis meses. A pena foi confirmada pelo Tribunal de Última Instância (TUI) e revelada nos portais dos tribunais na sexta-feira. O caso aconteceu na Pensão Residencial Florida, e na altura foi avançada a hipótese de que o homicídio tivesse sido motivado por um comentário da mulher durante a prestação do serviço sexual. Todavia, a decisão mais recente do TUI, deu como provado que o homem planeou a morte da mulher por acreditar que esta teria muito dinheiro, como resultado dos serviços de prostituição. O homem e a vítima conheceram-se em Janeiro do ano passado, e nessa altura, depois de um encontro, a mulher recusou prestar qualquer serviço ao indivíduo, por considerar que o estado de higiene do homem não era aceitável. Além disso, como forma de desencorajar o homem, terá exigido um preço que foi considerado demasiado elevado pelo sujeito. O encontro levou o homem a formar a convicção de que a mulher teria consigo muito dinheiro, pelo que decidiu matá-la e ficar com o dinheiro. Segundo o TUI, após o primeiro encontro, o homem pesquisou na internet informações sobre as partes vitais do corpo humano, e guardou um ficheiro no seu telemóvel com a informação. No telemóvel do homem foi também encontrado um outro ficheiro, em que constavam uma lista com as tarefas a realizar, desde a compra da arma do crime, um martelo, aos passos para limpar o quarto e tentar não deixar provas. Quando o homem foi detido, as autoridades reconheceram que tinha estado durante um ano em Macau, a viver sem qualquer abrigo, pernoitando várias noites em jardins públicos. Com violência Concebido o plano, o homem foi tentando obter informações sobre a mulher, até que no dia 9 de Março soube que ela tinha arrendado um quarto na Pensão Residencial Florida. Nessa data, marcou um encontro para o dia seguinte, 10 de Março, com o objectivo de matá-la e ficar com o dinheiro que a mulher possuísse na altura. Após terem relações sexuais, a mulher foi tomar banho. E foi nesse momento que o homem pegou no martelo que tinha escondido na mala e a atacou causando-lhe a morte. Como resultado do crime, o homem conseguiu roubar uma nota de 100 patacas. A mulher era casada, mas não tinha filhos. Durante o julgamento na primeira instância, o homem, que na altura do crime tinha 45 anos, confessou a prática dos factos. No entanto, esperava uma pena mais leve, dado que terá praticamente 70 anos quando tiver cumprido a pena. O Tribunal de Última Instância veio agora confirmar a primeira pena aplicada, destacando que o crime tinha sido premeditado.
Lai Chi Vun | Estaleiros vão reabrir ao público em Dezembro Hoje Macau - 25 Nov 2024 Os dois estaleiros navais de Lai Chi Vun, que foram alvos de obras desde o passado mês de Julho, vão reabrir ao público no próximo mês, de acordo com declarações da presidente do Instituto Cultural, Deland Leong Wai Man, prestadas à comunicação social no sábado. Ainda sem uma data precisa para a abertura, a responsável revelou que o Governo está a planear uma série de actividades para a animar a zona de Coloane até ao fim do ano e que esse calendário será determinante para a data de reabertura dos espaços. A zona dos estaleiros navais irá reabrir com uma nova cara, com novas instalações com informação sobre a história da indústria naval de Macau e também com planos para construir um parque para skates, cafés, livrarias e um jardim urbano, indica a Macau News Agency. Estas obras devem estar concluídas no terceiro trimestre de 2026. Os projectos de revitalização da zona fazem parte de um plano conjunto entre o grupo Galaxy Entertainment, que financia a intervenção, e o Governo.
Jogo | Banco de Investimento prevê 2025 forte para Sands e Galaxy João Santos Filipe - 25 Nov 2024 A capacidade acrescida a nível dos quartos pela conclusão das obras no Hotel The Londoner e a abertura do Galaxy’s Capella servem de base às previsões da instituição financeira Jefferies No próximo ano, as concessionárias Sands e Galaxy vão apresentar o desempenho mais forte do mercado em termos de lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA, em inglês). A previsão partiu do banco de investimento Jefferies, de acordo com um relatório citado pelo portal GGR Asia, e é justificada com a nova oferta de hotéis. “Esperamos uma ligeira mudança na quota de mercado entre os seis operadores em 2025/26, com o Sands/Galaxy a ganhar quota com a reabertura da capacidade hoteleira do Londoner e a abertura do Galaxy’s Capella”, afirmou a instituição num relatório emitido na quinta-feira. “Com o número de visitantes em 2025 (provavelmente) a regressar a 94 por cento do nível de 2019, deve ser um bom presságio para os operadores com grande capacidade hoteleira, como a Sands China e a Galaxy”, foi acrescentado. O hotel-casino Londoner encontra-se em obras de renovação, mas recentemente reabriu um dos dois casinos, sendo que as obras também incluíram uma reorganização da oferta do número de quartos. Quanto ao hotel Capella, vai ser a nova aposta do hotel-casino Galaxy Macau, e deverá abrir a meio do próximo ano. De acordo com os números apresentados, a Sands China conseguiu garantir ao longo deste ano uma fatia de mercado de 24,4 por cento, que deverá subir para 25,7 por cento em 2025. Quanto à Galaxy, os dados do banco de investimento indicam que tem ao longo deste ano uma quota de mercado de 18,8 por cento, que se espera que suba para 20,0 por cento. Factores de mudança O banco de investimento estima também que no próximo ano as receitas de jogo aumentem 8 por cento, em comparação com 2024, para 245 mil milhões de patacas. Este aumento significa que o jogo vai estar a 84 por cento do valor pré-pandemia. Segundo a Jefferies, a previsão do aumento das receitas do jogo tem como justificação um crescimento de cinco por cento do número de turistas, o aumento da capacidade hoteleira do território e o impacto da organização de um maior número de espectáculos, uma das obrigações das novas concessões. Em relação ao número de quartos de hotéis em oferta, o banco de investimento destaca que o crescimento vai acontecer principalmente para atender aos jogadores do segmento de massas com mais dinheiro, denominado como massas premium. Nas últimas previsões, a instituição financeira teve ainda em conta o ambiente económico do Interior da China, ao destacar que a prioridade política passa por não deixar deteriorar o poder de consumo e a confiança dos consumidores, o que é entendido como uma grande vantagem para Macau.
Ensino | Ma Io Fong quer inspecção mais rigorosa de habilitações académicas Hoje Macau - 25 Nov 2024 O deputado Ma Io Fong apelou ao Governo para proceder a uma revisão dos mecanismos de verificação das habilitações académicas, na sequência do escândalo que afectou a Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST, em inglês). Através de um comunicado, o deputado defendeu que “o Governo e as escolas devem trabalhar em conjunto e adoptar uma atitude de ‘tolerância zero’ em relação a todas as infracções” e que devem “investigar e interceptar os casos de falsificação de habilitações académicas”. Ma considerou também que “a falsificação de habilitações académicas e os comportamentos registados são infracções graves e que o sistema de verificação deve ser melhorado no futuro”. Na mensagem divulgada através do gabinete de imprensa, o deputado ligado à Associação das Mulheres defendeu ainda a intervenção do Governo ao longo de todo o processo, que indicou ter sido de uma postura “pró-activa”. O cenário traçado por Ma Io Fong contrasta com o que foi descrito pelo portal HK01, o primeiro a noticiar o caso que envolve a falsificação de habilitações académicas de Hong Kong, que depois eram utilizadas para a admissão na instituição de Macau. Anteriormente, o portal HK01 noticiou que a DSEDJ recusou confirmar o caso, depois de ter sido contactada, num primeiro momento pela publicação. A confirmação apenas foi avançada depois da congénere de Hong Kong ter reconhecido que teria havido falsificação de habilitações académicas.
CCTV | Ho Ion Sang quer câmaras nas creches e jardins-de-infância Hoje Macau - 25 Nov 2024 O deputado Ho Ion Sang defende a instalação de videovigilância nas creches e jardins-de-infância do território, e quer saber em que ponto se encontra o estudo que ia ser feito pelo Instituto de Acção Social (IAS) em conjunto com o Gabinete de Protecção de Dados Pessoais (GPDP). A instalação de câmaras de vigilância para vigiar os mais novos começou a ser defendida por vários deputados em Outubro do ano passado, depois da morte de uma bebé na Creche Fong Chong da Taipa. “No final do ano passado, as autoridades indicaram que se tinham reunido com o Gabinete de Protecção de Dados Pessoais e trocado opiniões sobre a instalação de sistemas de videovigilância em centros de acolhimento de crianças, para que fosse feita uma avaliação dos procedimentos e mecanismos operacionais pertinentes”, recordou Ho. “Qual é a situação no que se refere à instalação de sistemas de videovigilância nas creches?”, questionou. Ho Ion Sang indicou também que no passado centros de acolhimento de crianças receberam autorização para instalarem sistemas de CCTV, para vigiar as crianças. Neste sentido, o deputado pergunta ao Governo qual o número de centros que avançaram com a medida e quais as primeiras conclusões. Em relação às creches, Ho Ion Sang, indica que o Plano de Desenvolvimento dos Serviços das Creches de 2023 a 2025 do IAS vai terminar no próximo ano. O deputado quer saber quais vão ser as políticas essenciais para o próximo plano, e quando vão ser apresentadas.
MUST | DSEDJ pede a alunos para não usarem intermediários João Luz - 25 Nov 2024 O director da DSEDJ apelou aos alunos que queiram frequentar o ensino superior de Macau para não recorrerem a intermediários no Interior da China para se inscreverem. Kong Chi Meng prometeu melhorar o processo de admissão às universidades do território, na sequência do caso dos certificados de habilitações falsos recebidos pela MUST “Os alunos não devem fazer a inscrição através de intermediários no Interior da China, nem fazer a inscrição no ensino superior com documentos académicos falsos.” Foi desta forma que o director dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) comentou na sexta-feira, em declarações à TDM – Rádio Macau, o caso dos certificados de habilitações falsos em admissões de alunos na Universidade de Ciências e Tecnologia de Macau (na sigla em inglês MUST). Kong Chi Meng assegurou também que o processo de admissão de alunos a instituições de ensino superior de Macau será melhorado, sem apontar medidas concretas para evitar situações semelhantes à da MUST, que resultou, para já, na detenção de quatro suspeitos. “Vamos melhorar as medidas de admissão ao ensino superior. As instituições devem verificar as habilitações académicas no momento da inscrição. Fazemos o apelo para que todos os documentos sejam verificados”, referiu o director da DSEDJ, em declarações à margem do programa Fórum Macau, do canal chinês da Rádio Macau. Recorde-se que o caso da MUST envolveu 24 alunos suspeitos de terem falsificado diplomas de conclusão do ensino secundário, levando à detenção de quatro alunos oriundos de Hebei, Shenzhen, Zhejiang e Jiangxi. Além dos estudantes, também os pais estão a ser investigados, precisamente por suspeitas de terem recorrido a intermediários no Interior da China para obter os certificados de habilitações falsos. Escalada no ranking Apesar do caso da MUST, o director da DSEDJ salientou as prioridades educativas do Governo em providenciar condições às universidades para contratarem professores de elevada qualidade. A defesa da qualidade do ensino superior local foi um dos pontos fulcrais do discurso da secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, Elsie Ao Ieong U, na cerimónia de atribuição dos graus académicos de pós-craduação 2024 da Universidade de Macau (UM), no passado sábado. “Neste ano, com a conclusão bem-sucedida da avaliação da qualidade da UM, a qualidade pedagógica e a eficácia de funcionamento da universidade obtiveram, de novo, reconhecimento internacional. Nas classificações Times Higher Education World University 2025, a UM ascendeu ao 180.º lugar, o que revela a competitividade e a influência do ensino superior de Macau no panorama universitário mundial”, apontou a governante. No presente ano lectivo, as universidades de Macau receberam o maior número de inscrições de sempre, com mais de 62 mil alunos inscritos.
Fórum Macau | Carlos Monjardino aponta falta de eficácia Hoje Macau - 25 Nov 2024 O presidente da Fundação Oriente, Carlos Monjardino, considera que o Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Fórum Macau) melhorou as relações entre países, mas teve poucos efeitos comerciais. Em declarações à Agência Lusa, Monjardino considerou que o organismo “funcionou, mas, porventura, não funcionou até ao ponto onde deveria ter funcionado”. Esse ponto, concretizou, é o de “um incremento grande de relações e estabelecimento de empresas desses países – mais de Portugal, mas também de Angola, Moçambique… – em Macau para comercializar com a China”. Isso “não aconteceu”, sublinhou. “Da parte dos países de língua portuguesa, acho que havia essa intenção, mas depois [empresários e empresas lusófonos] têm que encontrar na mãe-pátria chinesa alguém – pessoas, entidades – que faça essa ligação com eles e não o conseguiram fazer, por incapacidade dos actores nessa peça de teatro”, considerou. O fracasso até agora da ideia de fazer de Macau a porta de entrada das empresas portuguesas e lusófonas no enorme mercado da “Grande Baía” explica-se “claramente”, na opinião de Carlos Monjardino, na falta de “capacidade dos actores de negociar, de propor coisas, de aceitar determinado tipo de princípios”. “Não se chegaram à frente, não foram suficientemente perseverantes para poderem ‘levar essa carta a Garcia'”, afirmou. Por outro lado, quando os chineses viram a oportunidade de investir em Portugal, assim como em outros países lusófonos, fizeram-no directamente. “Eles preferiram, claramente, vir aqui, negociar directamente a [companhia de seguros] Fidelidade, a Luz Saúde, EDP, REN… Negociaram aqui, directamente com o Governo [português] e não quiseram intermediários, ou seja, Macau, pelo meio”, ilustrou.
China-Portugal | Presidente da APN reúne com figuras do Estado português Andreia Sofia Silva - 25 Nov 2024 Multilateralismo e cooperação económica foram alguns dos pontos discutidos na visita de Zhao Leji a Portugal. O presidente da Assembleia Popular Nacional reuniu com José Aguiar-Branco, Luís Montenegro, e Marcelo Rebelo de Sousa. A visita do político chinês à Europa é uma “operação de charme” e um passo para a “normalização de relações”, dizem analistas Zhao Leji, que preside ao Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional (APN) da República Popular da China, visitou Portugal entre quinta-feira e sábado. Trata-se de uma viagem realizada no âmbito de um périplo de nove dias pelo sul da Europa, com o político, oficialmente o número dois da hierarquia política chinesa, a deslocar-se também a Espanha e à Grécia. O presidente da APN foi recebido, na sexta-feira, por José Aguiar-Branco. Os presidentes dos parlamentos de Portugal e China tiveram depois um encontro a sós, antes da reunião que juntou as delegações dos dois países. A visita de Zhao Leji ao parlamento português terminou com uma fotografia oficial tirada na Sala do Senado da Assembleia da República (AR). Durante a visita do “número dois” da hierarquia política chinesa, não houve declarações aos jornalistas. Na quinta-feira, Zhao Leiji foi recebido em São Bento pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro. No final da visita, na rede social X (antigo Twitter), Luís Montenegro escreveu que “Portugal e a China possuem uma relação de amizade com raízes sólidas, que passam também por Macau”. “Abordei com o presidente do Comité Permanente da Assembleia Popular da República Popular da China, Zhao Leji, oportunidades para o reforço da nossa cooperação bilateral e multilateral em domínios de interesse comum”, adiantou o líder do Executivo português. Na Xinhua descrevem-se mais detalhes sobre estes encontros. Ao reunir com Luís Montenegro, Zhao Leji “disse que a China sempre encarou e desenvolveu os laços com Portugal numa perspectiva estratégica e de longo prazo”, estando pronta “a trabalhar com Portugal para apoiar firmemente os interesses fundamentais e as principais preocupações de cada um, e para cimentar a confiança política mútua”. A China espera assim, com Portugal, “uma cooperação mais estreita em domínios como a inteligência artificial, as energias limpas, a inovação tecnológica, a formação de pessoal e os intercâmbios culturais e interpessoais, encorajando as empresas dos dois países a expandir o investimento e a cooperação”. O primeiro-ministro português terá observado, segundo a Xinhua, que “Portugal adere sempre ao princípio de uma só China”, tendo Montenegro “elogiado a prática de ‘Um País, Dois Sistemas’ na RAEM”. “Sublinhando que a China é um parceiro económico importante para Portugal e que o seu país atribui importância à atracção de investimentos chineses, o primeiro-ministro português espera mais intercâmbios e cooperação com a China nos domínios da ciência e tecnologia, da economia marítima, da cultura e do desporto”, lê-se na Xinhua. AR e APN mais juntas A China tornou-se, na última década, o quarto maior investidor directo estrangeiro em Portugal. Empresas chinesas, estatais e privadas, detêm uma posição global avaliada em 11,2 mil milhões de euros na economia portuguesa, segundo o Banco de Portugal. A Xinhua escreve ainda que, no encontro com o presidente da Assembleia da República portuguesa, Zhao Leji “afirmou que a APN está pronta a reforçar o intercâmbio de experiências em matéria de legislação e supervisão, a fim de fornecer garantias jurídicas para promover a cooperação bilateral em vários domínios e criar um ambiente empresarial justo, equitativo e não discriminatório”. O presidente da APN “também expressou a esperança de que os legisladores portugueses no Parlamento Europeu continuem a apoiar a cooperação amigável entre a China e a UE”, sem esquecer “os progressos notáveis” relativamente a Macau nos últimos 25 anos com a prática de “Um País, Dois Sistemas”. Zhao Leji indicou que Pequim “irá continuar a aplicar de forma plena, fiel e inabalável, o princípio de ‘Um País, Dois Sistemas’, segundo o qual o povo de Macau administra Macau com um elevado grau de autonomia”, apoiando “Macau na integração no desenvolvimento nacional”. Aguiar-Branco terá afirmado que “os dois países respeitam-se mutuamente, aderindo à ideia de abertura e cooperação vantajosa para ambas as partes, tendo alcançado resultados positivos na cooperação em vários domínios”, referiu Aguiar-Branco. Uma normalidade Para a académica Cátia Miriam Costa, investigadora e professora auxiliar convidada do Centro de Estudos Internacionais do ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, a visita de Zhao Leji a Portugal “constitui uma reafirmação de normalidade diplomática entre os dois países”. “Apesar de ser uma visita de uma alta figura do Estado chinês, tratando-se do representante de um alto cargo chinês, presidência da Comissão Permanente da Assembleia Nacional Popular, é normal que passe despercebida aos meios de comunicação social que se focam em geral em visitas de representantes do poder executivo. Claro que esta visita representa uma oportunidade para reforçar laços, sobretudo, no que toca a aspectos da relação diplomática bilateral.” Uma vez que a visita decorreu pouco tempo depois da vitória de Donald Trump, Cátia Miriam Costa defende que, neste período, “espera-se alguma mudança na política norte-americana”. Porém, “poderá incrementar o interesse desta visita, nomeadamente, através da tentativa de manutenção de alguns projectos de cooperação comuns ou de reciprocidade de procedimentos como acontece com a ausência de necessidade de vistos para curtas estadas de cidadãos portugueses em território chinês”. Recorde-se que foi anunciado, na sexta-feira, por Pequim a extensão de 15 para 30 dias do período de estadia sem visto para cidadãos de países com isenção de visto em vigor, uma lista na qual Portugal foi integrado. Uma “operação de charme” Para Tiago André Lopes, professor de Relações Internacionais da Universidade Lusíada do Porto, a visita de Zhao Leji a Portugal, Espanha e Grécia “ocorre num tempo muito inteligente, do ponto de vista diplomático”. Trata-se de uma “clara operação de charme para acautelar os interesses económicos da China na Europa” após a vitória de Trump. “Parece-me que a preocupação de Pequim é compreender as razões pelas quais a União Europeia decidiu assumir uma postura economicamente defensiva face à China, com a discussão política em sede de Comissão Europeia sobre política concreta para a desacoplagem económica da Europa face à China. Ao mesmo tempo, Zhao Leji trará a argumentação de Pequim sobre as vantagens económica de fortalecer os fluxos comerciais dos países do Sul da Europa, com a China”. Tiago André Lopes destaca também algumas “preocupações” de Pequim no final deste ano, nomeadamente “a discussão, mais no Parlamento Europeu do que na Comissão, sobre a necessidade de ‘punir’ a China pela percepção de apoio, não apenas diplomático, à Rússia na incursão na Ucrânia”. Neste ponto, o académico crê que Zhao Leji “irá, seguramente, tentar recolher informação sobre que tipo de punição referem os oficiais europeus e se os líderes portugueses, espanhóis e gregos estão dispostos a travar essas medidas, bloqueando-as no Conselho Europeu”. “Não seria a primeira vez que Lisboa, ou Atenas, usariam o seu poder de veto para trancar decisões europeias avessas aos interesses de Pequim”, acrescentou. O regresso de Donal Trump à Casa Branca estará também na agenda do presidente da APN. “A equipa de Donald Trump tem vários ‘Falcões Orientais’ que parecem desejar uma confrontação, pelo menos diplomática, com a China. Ora, nesse sentido, é importante aferir se Lisboa, Madrid e Atenas irão seguir e dar respaldo a essa estratégia, ou se o ‘afastamento cauteloso’ com relação à Administração Trump permite uma aproximação a Pequim.” Destaque ainda para o posicionamento da iniciativa “Faixa e Rota” e os esforços da China de uma “maior inclusão do Sul da Europa”, tema que também estará na agenda de Zhao Leji. Chá com Marcelo Além dos encontros com Aguiar-Branco e Montenegro, a passagem de Zhao Leji por Lisboa incluiu uma reunião na quinta-feira com Marcelo Rebelo de Sousa. Na nota oficial deixada no portal da Presidência da República portuguesa, nada é adiantado sobre o conteúdo discutido, mas segundo a agência estatal chinesa Xinhua, Zhao Leji terá dito ao presidente português “que nos últimos anos, sob orientação dos dois chefes de Estado, a parceria estratégica abrangente China-Portugal tem vindo a aprofundar-se e a progredir solidamente, registando progressos constantes na cooperação ‘Uma Faixa, Uma Rota’, bem como ricos intercâmbios culturais e interpessoais.” No encontro de quinta-feira foi referido que a China “aprecia a longa adesão de Portugal ao princípio de “uma só China” e está disposta a dialogar com Portugal com base no respeito mútuo e na igualdade, reforçando os seus laços como bons amigos que se respeitam e confiam um no outro, parceiros fiáveis para o desenvolvimento comum e companheiros próximos na aprendizagem mútua entre civilizações”. Zhao Leji terá ainda indicado a Marcelo Rebelo de Sousa esperar que Portugal “continue a desempenhar um papel activo na União Europeia (UE) e a injectar mais energia positiva no desenvolvimento das relações China-UE”. A agência oficial chinesa refere que Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que “Portugal e a China são bons amigos, com compreensão e afecto mútuos”, e que este ano “se assinala o 45.º aniversário do estabelecimento das relações diplomáticas entre os dois países e o 25.º aniversário do regresso de Macau à pátria chinesa”. Marcelo disse estar disposto “a reforçar os intercâmbios de alto nível com a China, aprofundar as trocas amistosas e fortalecer a cooperação em domínios como o comércio, as novas energias, a economia marítima e a economia digital”. “Portugal adere firmemente ao multilateralismo, salvaguarda o papel da Organização das Nações Unidas (ONU) e a autoridade do direito internacional. É muito importante que a Europa e a China reforcem o diálogo, e Portugal está disposto a desempenhar um papel activo nesse sentido”, afirmou o presidente português.
Pedro Arede vence Open de Hong Kong em esgrima Hoje Macau - 24 Nov 2024 O português Pedro Arede disse à Lusa estar “mesmo muito feliz” após vencer a competição de espada do Open de Hong Kong em esgrima, que contou com 149 atletas vindos de 12 países e regiões. Na final da categoria de espada, disputada no sábado, Arede derrotou por 15-13 o quinto cabeça-de-série do torneio, o atleta da casa Ng Ting Hin, que tinha ficado em 62.º lugar no mundial da modalidade, disputado este mês na Suíça. “Foi de facto um bom dia, um dia em que as coisas correram bem, fui resolvendo os problemas todos que foram aparecendo. E de facto, vencer em Hong Kong, acho que é extremamente importante”, disse o atleta. Arede sublinhou que o Open de Hong Kong, disputado anualmente na região, é “uma das provas de esgrima mais concorridas e mais fortes ao nível da Ásia”, tendo este ano contado com o vice-campeão asiático, Ng Ho Tin, também um atleta da casa. “Hong Kong neste momento é uma das grandes potências mundiais da esgrima”, disse o português, recordando que o território conseguiu duas medalhas de ouro nos Jogos Olímpicos de Paris, este verão. Arede admitiu que esta foi a maior vitória desde que se mudou para a região vizinha de Macau, no final de 2019, meses após se ter sagrado, pela segunda vez, campeão de Portugal. A mudança aconteceu por “motivos profissionais e pessoais”, mas o português manteve a intenção de continuar a competir, acompanhado à distância pelo treinador e pela seleção de Portugal. Mas a pandemia de covid-19 causou um interregno e, mesmo depois do recomeço das competições internacionais, o atleta ficou limitado às competições em Macau e na China continental, devido à política ‘zero covid’. Sem regresso a Portugal Aos 36 anos, Arede confessa que já não tem como objectivo regressar à selecção de Portugal, na qual participou pela primeira vez com 15 anos. “As pessoas que estão agora mais na equipa têm feito resultados e épocas extraordinárias, portanto acho que está muito bem entregue”, disse o atleta. Arede acrescentou que tem sido “muito positivo e interessante” contribuir também para a esgrima em Macau, nomeadamente através de treinos com a selecção da região. O atleta tem dado aulas particulares a alguns jogadores de Macau e também já deu aulas de grupo na Escola Portuguesa do território. “É um projecto que gostava de retomar, nesses modos ou noutros modos, mas ter um grupo para trabalhar, acho que era interessante”, explicou o português. Arede disse que “ainda há muita coisa por fazer” para que Macau esteja ao nível da região vizinha, mas sublinhou que “estão a ser dados passos muito bons para que possa haver bons jogadores e um bom nível”. O atleta destacou a existência de “muitos praticantes, uma vez que praticamente todas as escolas de Macau têm a prática de esgrima e um clube afiliado”.
China alarga isenção de visto de 30 dias para dezenas de países, incluindo Portugal Hoje Macau - 23 Nov 202425 Nov 2024 A China anunciou hoje a extensão de 15 para 30 dias do período de estadia sem visto para cidadãos de países com isenção de visto em vigor, uma lista na qual Portugal foi recentemente integrado. A medida, que visa impulsionar o intercâmbio cultural e económico, segundo as autoridades chinesas, vai ser aplicada a partir de 30 de novembro de 2024 e estará em vigor até 31 de dezembro de 2025. O ministério dos Negócios Estrangeiros informou ainda que a lista de países com esta isenção de 15 dias, que até agora contava com 29 Estados, será alargada para incluir a Bulgária, Roménia, Croácia, Montenegro, Macedónia do Norte, Malta, Estónia, Letónia e Japão. “A fim de facilitar ainda mais os intercâmbios com outros países, a China decidiu alargar a lista de países elegíveis para a política de isenção de vistos”, declarou hoje o porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros, Lin Jian, em conferência de imprensa. Com esta extensão, os cidadãos de um total de 38 países poderão entrar na China para negócios, turismo, visitas familiares, intercâmbios ou trânsito sem visto e com um período de permanência mais longo. Tong Xuejun, diretor do Departamento Consular do ministério dos Negócios Estrangeiros, salientou hoje também, durante uma conferência de imprensa do Conselho de Estado (Executivo), que a China assinou acordos mútuos de isenção de vistos com seis países no ano passado, incluindo Singapura, Tailândia, Cazaquistão, Antígua e Barbuda, Geórgia e Ilhas Salomão. Atualmente, o país tem acordos completos de isenção de vistos com 25 nações. Além disso, informou que, até à data, a China assinou acordos mútuos de isenção de vistos com 157 países e regiões, abrangendo vários tipos de passaportes. Em novembro de 2023, a China anunciou que os nacionais de França, Alemanha, Itália, Países Baixos, Espanha e Malásia beneficiariam de uma isenção de visto unilateral até dezembro de 2024, depois prorrogada até ao final de 2025, uma lista à qual as autoridades acrescentaram gradualmente mais países. Portugal passou a fazer parte desta lista em outubro passado. Nos últimos meses, o país asiático adotou uma série de medidas para ajudar os viajantes internacionais, incluindo a disponibilização dos serviços de pagamento eletrónico WeChat Pay e Alipay aos utilizadores estrangeiros que visitam a China. No primeiro semestre deste ano, os visitantes estrangeiros mais do que duplicaram para 14,64 milhões. Segundo dados da Administração Nacional de Imigração, as entradas sem visto ultrapassaram 8,5 milhões, equivalendo a 58% das viagens, que, ainda assim, estão ainda abaixo do nível pré-pandemia.
19 de Novembro Paul Chan Wai Chi - 22 Nov 202422 Nov 2024 O dia 19 de Novembro teve um grande significado para Hong Kong, para Macau e para a China continental. A 20 de Março de 2018, o Partido Democrata de Hong Kong realizou o seu jantar anual, ao qual compareceu a então Chefe do Executivo da região, Carrie Lam, e vários membros do Governo. Carrie Lam sentou-se junto a Wu Chi-wai, Secretário Geral do Partido Democrata à época. Durante o jantar, o cantor Fred Li Wah-ming actuou e procedeu a uma angariação de fundos para o Partido Democrata e Carrie Lam contribui com 30.000 dólares de Hong Kong. Posteriormente, a Chefe do Executivo explicou que a sua equipa tinha colocado uma foto desse jantar nas redes sociais, com a legenda “grande reconciliação”. Um ano mais tarde, os protestos contra a revisão da Lei da Extradição irromperam em Hong Kong, transformando a “grande reconciliação” em “grande divisão”. Seguidamente, a “Lei da República Popular da China para a Salvaguarda da Segurança Nacional na Região Administrativa Especial de Hong Kong” (Lei de Segurança Nacional de Hong Kong) foi promulgada e Wu Chi-wai foi preso em Janeiro de 2021, ao abrigo da Lei de Segurança Nacional de Hong Kong, por envolvimento numa conspiração com fins subversivos. Do crime de subversão do poder do estado, foram acusados no total 47 indivíduos. Este caso ficou conhecido como o caso das “eleições primárias”. A 19 de Novembro de 2024, o processo foi concluído e Wu Chi-wai foi condenado a 4 anos e 5 meses de prisão. É provável que este caso afecte pelo menos 610.000 residentes de Hong Kong que votaram nas “eleições primárias”. Se o Governo de Hong Kong desejar levar a cabo uma transição da “estabilidade para a prosperidade” mais rápida, com mais e melhor alcance, deve considerar a realização da “grande reconciliação” porque, em última análise, “a cooperação beneficia ambas as partes, enquanto a confrontação não serve os interesses de nenhuma delas”. Em Macau, o Chefe do Executivo Ho Iat Seng participou na sessão plenária da Assembleia Legislativa a 19 de Novembro de 2024, onde apresentou o Balanço das Acções do Governo realizadas no Ano Financeiro de 2024 e o Programa Orçamental para o Ano Financeiro de 2025. Numa entrevista que se seguiu a esta apresentação, Ho Iat Seng declarou que após cinco anos de governação, dos quais três foram afectados pela pandemia, se sente cansado, um sentimento que é partilhado pelos cidadãos de Macau. Ho Iat Seng tirou algum tempo para recuperar a saúde e também é tempo de Macau regressar rapidamente à normalidade. Ao longo dos últimos cinco anos, Macau teve de lidar com o impacto na economia provocado pela pandemia de COVID-19, e ocorreram mudanças políticas significativas ao abrigo das directivas do Governo Central para exercer de forma eficaz o poder pleno da governação e a plena implementação do princípio fundamental de “Macau governado por patriotas”. Roma não se fez num dia e nós não dependemos de uma só pessoa. Depois de Ho Iat Seng ter ajudado os cidadãos de Macau a libertarem-se da pandemia, o caminho restante para a plena normalidade dependerá de Sam Hou Fai e da sua equipa. Mas na China continental ocorreu um evento mais preocupante a 19 de Novembro de 2024, quando comparado com Hong Kong e com Macau: a selecção nacional de futebol enfrentou o Japão, num jogo de qualificação para o Campeonato do Mundo de 2026. Devido a incidentes recentes de violência indiscriminada cometidos por certos indivíduos na China continental, o clima era de alguma forma tenso. Além disso, o Japão já havia derrotado a China por 7-0 em casa, tornando este jogo crucial para a equipa da casa. Outra derrota desastrosa da equipa chinesa levaria a uma situação semelhante à ocorrida a 19 de Maio de 1985, em Pequim, quando os adeptos se amotinaram depois da equipa ter perdido num jogo contra Hong Kong. Embora o Japão tenha vencido por 3-1 a 19 de Novembro, o desempenho da equipa chinesa, especialmente o espírito combativo dos jogadores mais jovens, satisfez os adeptos. Acredita-se que, após os jogos de qualificação, a Associação Chinesa de Futebol precise de passar por amplas reformas e inovação. 19 de Novembro foi apenas um dos dias de 2024 e não tem nada de muito especial. Mas o que aconteceu nesse dia ou em qualquer outro tem uma causa e um efeito. É necessário deliberar para lidar com a causa e o efeito, a fim de enfrentar as consequências.
Jorge Arrimar vence Prémio de Literatura dstangola/Camões Hoje Macau - 22 Nov 202422 Nov 2024 O escritor angolano Jorge Arrimar venceu por unanimidade o Prémio de Literatura dstangola/Camões, com “Cuéle – O pássaro troçador”, uma obra “muito bem documentada sobre uma região de Angola raramente presente” na literatura, anunciaram na quarta-feira os promotores. O prémio, promovido pelo dstgroup, em parceria com o Instituto Camões, dedicou-se nesta edição a obras de prosa, de autores angolanos, publicadas em 2022 e 2023, tendo distinguido este romance histórico, situado entre o século XIX e finais do século XX, que recria factos e pessoas do sudoeste angolano, memórias reforçadas por precários vestígios escritos ou conservadas apenas na oralidade. O júri, constituído por José Mena Abrantes, que presidiu, David Capelenguela e Amélia Dalomba, descreveu “Cuéle – O pássaro troçador” como “um fresco grandioso e muito bem documentado sobre uma região de Angola raramente presente na literatura”. “O autor tem perfeito domínio da sua expressão, tanto na escrita e na definição das diferentes personagens, como no rigor como caracteriza modos de ser, tradições e comportamentos dos vários estratos sociais, quer do lado africano, quer do lado europeu, num momento decisivo do desenvolvimento do sul de Angola, na transição do século XIX para o século XX”, justifica. Na opinião dos jurados, Jorge Arrimar concilia “com naturalidade, num estilo simples e fluido, reminiscências de figuras relevantes da época e da sua própria história familiar e factos históricos profusamente documentados, que revelam tanto o esboço de uma harmonia possível no contacto entre duas culturas diferentes como a violentação de uma pela outra na concretização da ocupação colonial”. O júri destacou ainda a qualidade de grande parte das obras apresentadas este ano a concurso, quer pelo seu domínio da língua e da escrita literária, quer pela originalidade das suas temáticas ou pela sua crítica da realidade actual, que tornaram “mais difícil a decisão final”. Entre Macau e Angola O prémio tem um valor pecuniário de 15 mil euros, que será entregue ao vencedor, na quantia correspondente em kwanzas, em Angola, em Abril. Nascido em 1953, em Angola, Jorge Arrimar iniciou os seus estudos superiores em Luanda, tendo concluído, posteriormente, em Portugal, a licenciatura em História, a pós-graduação em Ciências Documentais e o doutoramento em História Moderna, bem como, já em Espanha, o doutoramento em Ciências Documentais. Foi professor de Português e de História, nos Açores, e rumou a Macau, onde permaneceu entre 1985 e 1998, tendo exercido o cargo de director da Biblioteca Nacional/Central de Macau. O Prémio de Literatura dstangola/Camões, que distingue livros editados em poesia e prosa, de autores angolanos, tem como missão tornar-se uma referência em Angola por distinguir as obras e os autores mais prestigiados, com o máximo de rigor na escolha da obra vencedora. Ao longo destas edições já galardoou Zetho Cunha Gonçalves, em 2019, Pepetela, em 2020, Benjamim M’Bakassy, em 2021, Boaventura Cardoso, em 2022, e João Melo, no ano passado.
História | Blogue “Macau Antigo” celebra 16 anos Hoje Macau - 22 Nov 2024 O blogue “Macau Antigo”, criado por João Botas, jornalista e autor de livros sobre a história de Macau, comemora 16 anos de existência este mês. Assim, para comemorar esta efeméride, irão decorrer passatempos para os visitantes do site, que podem ganhar livros. Além disso, segundo uma nota de imprensa, nos próximos meses serão dadas a conhecer fotografias de Macau, “umas raras, outras inéditas, com mais de 100 anos”, de lugares como a Baía da Praia Grande, Porto Interior, “aspectos de um jardim privado chinês, que viria a ser o Jardim de Lou Lim Ieoc”, e ainda do Jardim de S. Francisco, entre outros lugares. Destaque ainda para as imagens dos aterros da zona da Praia Grande nas décadas de 20 e 30 do século passado, ou do Forte de Mong-Há. Além disso, “como este ano se celebram os 250 anos do nascimento de George Chinnery, além de que em 2025 faz 200 anos que o pintor inglês chegou a Macau, em 1825, uma terra onde viveu até à sua morte, em 1852, serão também apresentados alguns desenhos raros feitos em Macau e novas pistas sobre a data da chegada ao território, que poderá ser anterior à versão ‘oficial’ divulgada até agora”, descreve João Botas na mesma nota. Criado em 2008, o “Macau Antigo” tem vindo a consolidar-se como “o maior acervo documental online sobre a história de Macau, apresentando um novo post diariamente”. O projecto já conta com mais de seis mil publicações e um total de 2,6 milhões de habitantes. Em Abril último registou um novo recorde mensal de visualizações, cerca de 70 mil numa média diária, a rondar os 2.300. Dos 2,6 milhões de visitantes até agora, a maioria tem como origem Portugal (535 mil), EUA (448 mil), Macau (341 mil), Brasil (198 mil) e Hong Kong (147 mil).
Albergue SCM | Inaugurada exposição colectiva com artistas de Taiwan Hoje Macau - 22 Nov 2024 O Albergue da Santa Casa da Misericórdia de Macau inaugurou ontem uma nova mostra de arte. Trata-se de “Sui Generis – Exposição Colectiva de Artistas Contemporâneos de Taiwan”, que promete dar uma nova perspectiva da arte que se faz na região. Destaque para a apresentação de trabalhos de três novas artistas A arte feita em Taiwan volta a exibir-se no Albergue da Santa Casa da Misericórdia de Macau (SCM) numa nova mostra colectiva, depois de uma primeira experiência feita no ano passado, com a exposição “Worldly Existence – Habitat: 1980s Taiwan Artists Joint Exhibition”. Desta vez, apresenta-se “Sui Generis – Exposição Colectiva de Artistas Contemporâneos de Taiwan”, organizada pelo Discrepancies Studio. Segundo um comunicado, esta mostra revela “a rica tapeçaria de influências culturais existente em Macau e Taiwan”, o que mostra “como os artistas reflectem e interpretam as suas heranças únicas”. O leque de artistas que participam nesta exposição são Tsong Pu, Tao Wen-Yueh, Lu Hsien-Ming e três artistas femininas emergentes: Pan Yu, Hsu Ting e Hsiao Chu-Fang, “que trazem novas perspectivas à arte contemporânea de Taiwan”, é destacado na mesma nota. Esta exposição tem ainda como objectivo “realçar a ligação vital entre cultura e arte, ilustrando a forma como estes artistas procuram exprimir as suas identidades num contexto global”. Assim, “Sui Generis” visa “promover o diálogo sobre a modernidade e a partilha de experiências culturais entre Macau e Taiwan”. Laços de expressão Em “Sui Generis” destaca-se o trabalho de Tsong Pu, intitulado “In a Distant Snoring Sound”. Trata-se de uma série de trabalhos artísticos que “reexamina os confortos da vida em Taiwan, explorando temas de crescimento e transformação através de experiências quotidianas”. Por sua vez, “Suite of the City”, de Lu Hsien-Ming, explora “os ambientes urbanos que reflectem ligações emocionais às cidades de Taiwan, mostrando uma identidade artística única”. No caso de “Genesis”, de Tao Wen-Yueh, o público poderá ver a “estreia de novas obras que abordam temas de nascimento e existência, personificando um mundo vivo através da sua expressão artística”. Pan Yu, uma das artistas que se estreia nesta exposição colectiva, traz a “Série Peónia”, que não é mais do que “uma celebração da beleza e da elegância, utilizando as peónias como metáfora da interligação da vida e do universo”. A exposição inclui ainda a exploração artística por parte de Hsiao Chu-Fang, que faz “uma reflexão sobre a expressão emocional através de retratos inovadores de rostos e sentimentos, destacando a arte contemporânea de Taiwan”. De salientar também o trabalho de fotografia apresentado por Tsu Ting, que é fruto de uma “investigação sobre a espacialização das imagens, criando dissonância cognitiva através das suas obras visuais”. Em termos gerais, esta mostra pretende mostrar “a vitalidade da arte contemporânea de Taiwan, como também tem como objectivo reforçar a colaboração artística entre Macau e Taiwan”. A mostra pode ser vista na Galeria A2 do Albergue SCM até ao dia 5 de Dezembro deste ano. A curadoria está a cargo de Cai Guojie, com co-curadoria e trabalho de investigação académica feito por Tsai Shih-Wei. A mostra conta ainda com as colaborações do Espaço de Arte Shui-Lin, RIHUI AD Design Prints Company e do CAC – Círculo dos Amigos da Cultura de Macau.
Heilongjiang | Autoridades procuram tigre siberiano que atacou agricultor Hoje Macau - 22 Nov 2024 As autoridades chinesas estão a tentar localizar um tigre siberiano que atacou recentemente um agricultor na vila de Boli, na província de Heilongjiang, no nordeste da China. O felino mordeu gravemente a mão esquerda do homem, que evitou a amputação após várias horas de cirurgia, informou ontem o jornal de Hong Kong South China Morning Post. O incidente ocorreu na segunda-feira perto da aldeia de Changtai, onde um vídeo viral mostrou o tigre em frente a uma residência, momentos antes de um vizinho conseguir fechar o portão de ferro para evitar outro ataque. Os peritos confirmaram à imprensa local que se trata de um tigre siberiano e as autoridades locais avisaram os residentes para “evitarem as zonas montanhosas” e “saírem em grupos”, enquanto são feitos esforços para localizar o animal. Desde terça-feira que a Administração das Florestas e Pastagens de Heilongjiang reforçou as medidas de segurança e afirmou que a presença de tigres deste tipo na região não é comum. Investigadores do Instituto de Zoologia da Academia Chinesa de Ciências sugerem que o animal pode ter atravessado a fronteira a partir da Rússia, a cerca de 100 quilómetros de distância. O tigre siberiano, a maior subespécie de tigre, está protegido na China, onde os esforços de conservação aumentaram a sua população. O Parque Nacional do Nordeste da China, criado em 2021, alberga cerca de 70 tigres, e as vítimas de ataques podem apresentar pedidos de indemnização em caso de confirmação de tais incidentes. Em Abril de 2021, as autoridades capturaram um tigre siberiano selvagem que tinha mordido um aldeão e, após um exame veterinário, libertaram-no numa floresta densa.
China | Prometidas medidas para prevenir agressões indiscriminadas Hoje Macau - 22 Nov 2024 O ministro da Segurança Pública da China, Wang Xiaohong, pediu “mais medidas preventivas” para “manter a estabilidade social” após os últimos ataques indiscriminados registados no gigante asiático, foi ontem noticiado. “Devemos tomar medidas práticas para prevenir e controlar as fontes de risco. Para o fazer, devemos investigar minuciosamente cada caso e resolver os conflitos e disputas das pessoas antes que seja tarde demais”, disse Wang, citado pelo Diário do Povo. De acordo com o jornal oficial do Partido Comunista Chinês, o ministro realçou, durante uma deslocação à província de Liaoning (nordeste), que as autoridades devem “reforçar as tarefas de prevenção” para “garantir a segurança da população e manter a estabilidade social”. “Temos de resolver os problemas das pessoas com precisão. E à medida que o final do ano se aproxima, devemos também reforçar a fiscalização da segurança nos transportes rodoviários e nos grandes eventos”, acrescentou Wang. Na terça-feira, o Ministério Público da China prometeu “punições severas, rigorosas e rápidas” para aqueles que cometessem “crimes hediondos” após uma recente vaga de ataques. A procuradoria afirmou, em comunicado divulgado após uma reunião de trabalho, que irá implementar “uma abordagem de tolerância zero para crimes dirigidos contra alunos ou que comprometam a segurança escolar”. A reunião sublinhou “a importância de processar tais casos de forma decisiva e rápida para alcançar um poderoso efeito dissuasor”. Contas preocupam A polícia da cidade chinesa de Changde, na província central de Hunan, deteve na terça-feira um homem de 39 anos acusado de atropelar vários peões em frente a uma escola. As autoridades locais afirmaram que as vítimas, cujo número não foi divulgado e que foram levadas para o hospital, não apresentavam ferimentos que pusessem em risco a sua vida. No último ano, multiplicaram-se no país asiático os ataques indiscriminados contra transeuntes. Na semana passada, um homem conduziu um automóvel contra um grupo de pessoas à porta de um centro desportivo em Zhuhai, provocando pelo menos 35 mortos e 43 feridos. Em Fevereiro, um homem matou pelo menos 21 pessoas na província oriental de Shandong com uma faca e uma pistola. Em Julho, um automobilista de 55 anos atropelou uma multidão em Changsha (centro da China), matando oito pessoas, na sequência de um litígio sobre propriedade. Em Outubro, um homem de cerca de 50 anos esfaqueou cinco pessoas à porta de uma escola em Pequim, incluindo três crianças. Os motivos são muitas vezes pouco claros ou não são tornados públicos, mas a imprensa local classifica frequentemente estes episódios como “vingança contra a sociedade”, ou seja, ataques em que o agressor actua contra pessoas inocentes por frustração devido a disputas legais, sentimentais ou comerciais.