Coutinho não sabe se advogados lusos serão excluídos de casos de segurança nacional João Santos Filipe - 27 Fev 2026 José Pereira Coutinho afirmou não conseguir prever se a futura lei da Comissão de Defesa da Segurança do Estado vai afastar advogados portugueses dos casos relacionados com segurança nacional. O deputado faz parte da comissão da Assembleia Legislativa que está a discutir o diploma na especialidade, depois de ter votado a favor da nova lei na generalidade. “Não sei, eu não consigo prever isso, isso depende tudo do futuro de como é que os tribunais, como é que os advogados… Era bom, era uma boa pergunta para perguntar ao presidente da Associação dos Advogados, porque é ele que zela pelos interesses da sua ordem”, respondeu o deputado, quando confrontado com a possibilidade de advogados portugueses serem afastados dos casos classificados como relacionados com assuntos de segurança nacional. “Vamos ver”, acrescentou. A futura lei vai dar poderes à Comissão de Defesa da Segurança do Estado para aprovar ou vetar o envolvimento de advogados em qualquer caso que seja classificado como relacionado com a segurança nacional. O diploma não indica os critérios que vão ser adoptados pela comissão na tomada de decisões. O deputado ligado à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) afirmou também que não recebeu qualquer preocupação de advogados em relação ao diploma: “Até hoje nem um único advogado contactou deputados da Assembleia Legislativa, fazendo chegar as preocupações. Até hoje não recebi nenhum documento, de nenhum advogado, nem da Associação dos Advogados, levantando essas questões”, revelou. Sobre as notícias em que os advogados se manifestaram preocupados com o impacto da futura lei, Coutinho indicou não ter tempo para ler notícias, porque tem de atender cidadãos. “Eu não tenho tempo para ouvir notícias, porque atendo os cidadãos todos os dias”, respondeu o deputado mais votado nas últimas eleições. Apoio à predominância Nas declarações prestadas, José Pereira Coutinho valorizou ainda o princípio da predominância do Executivo. “Acho que não [a predominância do Executivo não diminui o papel dos deputados], de maneira nenhuma. Está a ser interpretado desta forma, na medida em que a Lei Básica é clara nesse aspecto”, afirmou. “Neste momento, é evidente que em toda a parte, em qualquer governo do mundo, o Executivo tem aquela predominância em termos de avanços da sociedade, em termos de implementação de medidas governativas. A mim, no que me toca, no meu trabalho como deputado da Assembleia Legislativa, não tenho tido qualquer tipo de alterações que possam ser significativas”, frisou. O deputado considerou também que desde o estabelecimento da RAEM, o Governo “nunca teve tão boa comunicação com os deputados como está a acontecer agora”.
Novo filme de Tracy Choi, “Girlfriends” estreia hoje no MGM Macau: “É muito difícil ser realizadora em Macau” Andreia Sofia Silva - 27 Fev 202627 Fev 2026 Em “Girlfriends”, o seu novo filme e quarta longa-metragem da carreira, Tracy Choi criou uma espécie de alter-ego, através de uma personagem que, depois de estudar em Taiwan, vive em Hong Kong enquanto luta para financiar um filme. Em entrevista ao HM, a realizadora diz que quer continuar a fazer filmes em torno das mulheres e suas vivências. A estreia oficial de “Girlfriends” está marcada para hoje, às 19h30, no MGM Macau Faz exactamente dez anos que estreou “Sisterhood”, e provavelmente Tracy Choi não iria imaginar que, uma década depois, o sucesso seria real, com cada vez mais reconhecimento internacional em relação à sua forma de fazer cinema. Depois de colocar, pela primeira vez, um filme de Macau no Festival Internacional de Cinema de Busan, com “Girlfriends”, é a vez de a realizadora local trazer o seu novo filme, a quarta longa-metragem da carreira, para a sua casa. A estreia acontece hoje na sala “Treasure Box” do MGM Macau, a partir das 19h30. Conversámos com a realizadora antes da estreia da nova obra, que nos contou como começou a pensar no guião do filme durante o período da covid-19. “A história é sobre uma rapariga que cresceu em Macau, que estudou em Taiwan e que foi trabalhar em Hong Kong. Pensei nisso [no filme] durante a pandemia, porque não podíamos ir a lado nenhum e não tínhamos nada para fazer. Decidi escrever um guião sobre mim: uma rapariga de Macau a crescer, ver como ela cresce e como se encontra a si mesma, algo do género.” O elenco faz-se de actrizes com as quais Tracy Choi já trabalhou, nomeadamente Fish Liew, Jennifer Yu, Elizabeth Tang, Ning Han, Natalie Hsu e Eliz Lao. “Uma delas já recebeu várias nomeações e até prémios em Hong Kong, incluindo o de melhor actriz [Jennifer Yu]. Desta vez, depois de quase dez anos, voltámos a trabalhar juntas. Acho que crescemos muito e foi como trabalhar entre amigas. Foi uma grande felicidade poder trabalhar com alguém que conheço bem. A química entre elas também é muito boa, porque são amigas na vida real.” No caso de Natalie Hsu, foi nomeada para o prémio de “Melhor Actriz” na 43ª edição dos Hong Kong Film Awards, enquanto que Eliz Lao é uma actriz local, que até teve direito a um ciclo de cinema em nome próprio na Cinemateca Paixão. Eliz Lao fez filmes em Hong Kong e na China, tendo experiência em televisão e teatro, sem esquecer a formação em ballet. Sobre a estreia de hoje, Tracy Choi destaca que “os filmes com a temática LGBT, ou histórias sobre o crescimento feminino, não são muito comerciais”. “Sempre que procurámos entrar em festivais, foi-nos dito que o filme não ia ter grandes vendas. Ainda assim, e mesmo que o filme não tenha grande sucesso comercial, esperamos alcançar mais público, e fazer com que mais pessoas conheçam o filme”, destacou. “Girlfriends” foi rodado e produzido com fundos públicos, e filmado em 2024. Tracy Choi e a sua equipa também procuraram investimentos em Taiwan e Hong Kong. Depois do lançamento em Macau, a equipa prepara-se para novas estreias na região vizinha e em Taiwan. Sobre a experiência recente em Busan, na Coreia do Sul, com “Girlfriends” a integrar a secção de competição “Vision Section”, Tracy Choi trouxe as melhores recordações. “Foi uma grande experiência estrear o filme lá. Foi o primeiro filme de Macau a ser exibido no festival, tivemos uma grande noite. O público também pareceu gostar e acabámos por ser convidados para ir a outros festivais, e isso foi importante para toda a equipa.” Furar barreiras O cinema de Tracy Choi reflecte um pouco o imaginário de Macau e as vivências femininas, mas também explora cenários emotivos de sentimentos de pertença, memória e recordações. “No que diz respeito às mulheres e às histórias de Macau, somos sempre representados pelos outros, como filmes de Hong Kong, ou da China. Muitas vezes somos representados por outros realizadores e não há muitas vozes de realizadores locais, especialmente no que diz respeito a mulheres. Então, como sou mulher, espero realmente focar-me na forma como as mulheres crescem aqui ou noutros lugares na Ásia, naquilo que as mulheres enfrentam. Nos meus próximos projectos espero continuar a focar-me nas maneiras como as mulheres enfrentam o mundo em diferentes situações”, disse. Tracy Choi não esconde que “Girlfriends” tem uma temática assumidamente LGBT, enquanto que, nos seus filmes anteriores, não era tanto assim. “Talvez fossem mais sobre Macau ou [o sentimento] de irmandade, algo assim. Mas em ‘Girlfriends’ focámo-nos, principalmente, numa história de amor LGBT. Espero que seja um pouco mais comercial para um filme LGBT, e o caminho que escolhemos para contar a história é mais comercial. Espero que o público comum, e não apenas LGBT, também consiga sentir amor pelas pessoas LGBT e identificar-se com esse tipo de história.” No caso de “Sisterhood”, a sua primeira longa-metragem, há referências à transição de Macau, em 1999, e de duas antigas massagistas, Sei e Ling, que passaram bons tempos juntas. Porém, anos depois, uma delas percebe o grande segredo da outra, numa amizade que ganha outros contornos. As dificuldades sentidas Apesar do sucesso que tem vivenciado, Tracy Choi salienta que “é muito difícil ser realizadora em Macau porque não há muitas produções”. “Mas não sou só eu, outros cineastas de Macau também estão a trabalhar arduamente para que aconteçam coisas. Procuramos outras maneiras [de sustento]: eu dou aulas e trabalho como produtora para fazer com que outras produções se concretizem. Esperamos, todos juntos, poder conquistar mais público e atenção, para que os próximos realizadores, e as produções em Macau, tenham um caminho um pouco mais fácil”, acrescentou. A realizadora está ainda a colher os louros do seu quarto filme, mas já está a trabalhar na pós-produção de outra longa-metragem. “No ano passado também filmei outra produção, em co-produção com a China, e esperamos terminar antes do Verão e exibir o filme ainda no final deste ano.” Tracy Choi nasceu em 1988 e estudou Produção Cinematográfica na Universidade de Shih Hsin, tendo crescido no bairro de San Kiu. “Sisterhood” foi o seu filme de apresentação que lhe valeu alguma notoriedade, nomeadamente depois de ter recebido o Prémio para a Escolha do Público, no Festival Internacional de Cinema de Macau. Tinha na altura apenas 28 anos. Sobre este momento, recordou à Revista Macau: “Depois de me ter formado em Taiwan, regressei a Macau para trabalhar. Naquela altura, há cerca de dez anos, não havia cinema em Macau. Não havia produções locais a serem filmadas com regularidade. Isso não acontecia e nós aproveitámos a oportunidade que nos foi dada. Desafiei os meus amigos a juntarem-se ao concurso organizado pelo Centro Cultural, obter financiamento e filmar algo que tivesse um significado importante para nós. Foi também muito importante que a minha primeira longa-metragem pudesse estrear no Centro Cultural, porque foi algo que trouxe visibilidade à indústria cinematográfica local”, referiu.
Cintos de segurança (II) David Chan - 26 Fev 2026 No último artigo, analisámos a proposta de Hong Kong para a alteração do “Regulamento do Tráfego Rodoviário de 2025 (Equipamentos de Segurança), que torna obrigatório o uso de cintos de segurança nos autocarros. No entanto, devido a três incidentes a legislação foi suspensa seis dias após a sua implementação. No primeiro incidente, um passageiro não conseguiu desapertar o cinto e ficou preso no autocarro, tendo precisado de ajuda dos bombeiros para se libertar. Este caso fez-nos pensar se os passageiros têm o direito de danificar os cintos de segurança para fugirem em caso de emergência. O segundo incidente envolveu uma pessoa com necessidades especiais que precisou da ajuda do motorista para colocar o cinto. Devido à morosidade do processo, um passageiro descontente começou a discutir com aquele que estava a ser assistido, acabando por agredi-lo com o telemóvel. Este caso faz-nos reflectir sobre a necessidade de sermos compassivos com as pessoas com necessidades especiais. Embora não se possa tornar a compaixão obrigatória, o Governo de Hong Kong poderá considerar a adição de uma provisão à lei obrigando os passageiros a esperar pacientemente enquanto o motorista ajuda quem precisa. Esta regulação garante que pessoas com deficiência possam aceder a serviços públicos, está em linha com o consenso social e poderá resolver o problema. O terceiro incidente realça a ambiguidade do âmbito da aplicação da lei. Algumas pessoas em Hong Kong assinalaram, depois da revisão da Secção 8AB do Regulamento do Tráfego Rodoviário (Equipamentos de Segurança), que está estipulado que os autocarros têm de ter cintos de segurança em todos os lugares. No entanto, a secção 8AB só se aplica a autocarros registados a partir de 26 de Janeiro do corrente ano. A secção 8D indica que “os passageiros têm de usar o cinto,” e estipula que, salvo isenção, nenhum passageiro que viaje num “autocarro ao qual se aplica a secção 8AB” pode circular sem cinto de segurança; os infractores ficam sujeitos a multas e penas de prisão. Se pusermos lado a lado as secções 8D e 8AB, veremos que a primeira se aplica aos autocarros indicados pela secção 8AB, enquanto o âmbito da secção 8AB se limita aos autocarros registados a partir de 25 de Janeiro. Por outras palavras, no sentido literal, o uso obrigatório do cinto de segurança só se aplica a autocarros registados a partir de 25 de Janeiro. Se esta interpretação estiver correcta, então os passageiros terão de puder verificar se o registo do autocarro foi feito após esta data. Só se esta condição se verificar é que serão obrigados a pôr o cinto. Se não se verificar—significando que o registo foi feito antes de 25 de Janeiro de 2026— não são obrigados a pôr o cinto mesmo que o autocarro tenha este equipamento. Esta situação é claramente inconsistente com a descrição da legislação feita pelo Governo de Hong Kong, já que o Executivo declarou repetidas vezes que os passageiros têm de colocar os cintos de segurança se o autocarro os tiver. Independentemente de a legislação ter ou não ter falhas, a inconsistência entre o enunciado da legislação e a mensagem do Governo confunde naturalmente os residentes da cidade. Não admira que o Governo acabasse por suspender a implementação destas medidas e tenha informado que irão ser revistas. A disponibilidade do Governo de Hong Kong para ouvir a opinião pública e o anúncio da emenda à legislação para evitar mal-entendidos é louvável e vai beneficiar a cidade. Mas como é que esta legislação deverá ser alterada? A actual emenda versa a legislação sobre transportes, indispensáveis ao dia a dia das pessoas e motivo de preocupação geral. Portanto, quanto mais simples for o enunciado da legislação, melhor. Se as pessoas com níveis mais baixos de formação a conseguirem entender, então toda a população a cumprirá. O intuito original da secção 8D era estabelecer a obrigatoriedade do uso do cinto de segurança nos autocarros, desde que o veículo os tivesse, para garantir mais segurança. Talvez a secção 8D pudesse sofrer a seguinte alteração: “Independentemente da data em que o autocarro tenha sido registado, se tiver sido aprovado pelo Director dos Transportes, os passageiros terão de usar cinto de segurança, desde que o autocarro tenha este equipamento.” Espera-se que esta abordagem e este enunciado possam vir a resolver o problema no terceiro incidente. O Governo de Hong Kong ouviu a opinião pública seis dias depois da implementação da lei. Acredita-se que a lei será mais abrangente depois de revista e que os problemas atrás mencionados venham a ser resolvidos. Este é o primeiro artigo após o Ano Novo Chinês. Desejo a todos os leitores um Feliz Ano Novo, muita saúde e felicidades. Também desejo que a actividade do jornal Hoje Macau continue sempre a crescer. Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau Professor Associado da Faculdade de Ciências de Gestão da Universidade Politécnica de Macau Email: cbchan@mpu.edu.mo
Coreia do Sul | Subida de 6% nos nascimentos Hoje Macau - 26 Fev 2026 A Coreia do Sul anunciou ontem um aumento de mais de 6 por cento no número de nascimentos em 2025, mas a taxa de fecundidade mantém-se abaixo do mínimo necessário para travar o declínio populacional. De acordo com dados oficiais divulgados pelo Ministério de Dados e Estatísticas da Coreia do Sul, o número de nascimentos cresceu pelo segundo ano consecutivo e registou o maior aumento anual desde 2010. Em resultado, a taxa de fecundidade da Coreia do Sul, ou seja, o número médio de filhos por mulher, subiu ligeiramente, de 0,75 para 0,8. Um valor que permanece abaixo do mínimo de 2,1 necessário para manter a população actual da Coreia do Sul. A diretora da divisão de tendências demográficas do ministério, Park Hyun-jeong, disse que o aumento do número de casamentos na Coreia do Sul desempenhou um papel importante nesta tendência. A Coreia do Sul tem uma das taxas de fertilidade mais baixas do mundo. O Governo tem gasto milhares de milhões de euros para incentivar as mulheres a terem mais filhos, com pouco sucesso até agora. De acordo com várias projecções, ao ritmo actual, a população da Coreia do Sul passará dos actuais 51 milhões para quase metade, 26,8 milhões, até ao final do século. Especialistas dizem que existem várias razões para a baixa taxa de natalidade da Coreia do Sul, incluindo o elevado custo de criar filhos e uma economia competitiva, que dificulta o acesso a empregos bem remunerados. No início de Fevereiro, o autarca de Jindo (sudoeste), Kim Hee-soo, gerou controvérsia ao sugerir que as comunidades rurais poderiam combater o declínio demográfico atraindo mulheres do Vietname ou do Sri Lanka.
FMI | China deve priorizar crescimento liderado pelo consumo Hoje Macau - 26 Fev 2026 O Fundo Monetário Internacional (FMI) apelou ontem à China para tornar a transição para um modelo de crescimento assente no consumo uma “prioridade central”, instando também Pequim a reduzir uma “política industrial injustificada”, face a crescentes desequilíbrios externos. As recomendações da equipa técnica do FMI, divulgadas antes das reuniões anuais da Assembleia Nacional Popular (órgão máximo legislativo da China), reforçam os apelos a um reequilíbrio económico, sobretudo depois de o excedente comercial recorde registado pela China no ano passado ter intensificado preocupações globais. “A China precisa de avançar de forma decisiva para um crescimento liderado pelo consumo”, afirmou Sonali Jain-Chandra, chefe da missão do FMI para a China, citada pelo jornal de Hong Kong South China Morning Post. A responsável acrescentou que o FMI acolhe positivamente a ênfase dada ao consumo nas propostas do 15.º Plano Quinquenal e no comunicado da Conferência Central de Trabalho Económico de dezembro, que definiu as prioridades para o ano. No relatório anual sobre a economia chinesa – a chamada consulta ao abrigo do Artigo IV – o FMI defende um estímulo orçamental mais robusto para impulsionar o consumo e aliviar as fragilidades do sector imobiliário, a par de maior protecção social, novo alívio monetário e maior flexibilidade cambial. “O modelo de crescimento liderado pelo consumo deve ser a prioridade central”, sublinhou o conselho executivo do FMI, acrescentando que deve ser mantida uma orientação expansionista até que as pressões deflacionistas diminuam de forma duradoura. O relatório considera que as medidas adoptadas até agora “permanecem insuficientes face à dimensão dos desafios” e recomenda uma expansão orçamental adicional equivalente a 0,8 por cento do PIB em 2026, face ao cenário de base. O FMI projecta que o crescimento económico chinês abrande para 4,5 por cento em 2026, após uma expansão de 5 por cento no ano passado.
Japão | PM enfrenta polémica sobre ofertas a deputados Hoje Macau - 26 Fev 2026 A primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, encontra-se no centro de uma polémica relacionada com ofertas concedidas a deputados do seu partido, após a vitória expressiva da formação nas eleições legislativas do início de Fevereiro. Mais de 300 eleitos do Partido Liberal-Democrata (PLD) puderam escolher um artigo de um catálogo, “em sinal de apreço pelo seu sucesso numa eleição muito difícil”, escreveu Takaichi numa mensagem publicada na rede social X, assegurando que não foram utilizados fundos públicos. A questão surge num contexto sensível, depois do escândalo das “caixas negras”, envolvendo milhões de ienes, que atingiu o PLD em 2023 e levou à queda do então primeiro-ministro Fumio Kishida. A indignação dos eleitores em relação a esse caso contribuiu também para a perda da maioria parlamentar do seu sucessor, Shigeru Ishiba, em 2024 e 2025. Takaichi afirmou ontem no Parlamento que o custo dos presentes, incluindo portes e impostos, foi de cerca de 30.000 ienes (164 euros) por pessoa, tendo sido suportado por um fundo da secção local do PLD na província de Nara, que lidera. Na mesma mensagem na rede social X, acrescentou esperar que os presentes “sejam úteis no futuro trabalho enquanto legisladores”. Também tu, Takaichi? O portal Bunshun Online indicou que o catálogo em causa pertence à conhecida cadeia de grandes armazéns Kintetsu. O portal disponibiliza vários catálogos, incluindo um com artigos avaliados em 34.000 ienes (185 euros), como bicicletas, caranguejo ou estadias em hotéis de luxo. Ishiba tinha sido criticado em Março passado por, segundo a imprensa, ter oferecido o equivalente a 100.000 ienes (544 euros) em vales de compra – pagos do seu próprio bolso – a 15 deputados recém-eleitos. Após as novas revelações envolvendo Takaichi, Junya Ogawa, líder do principal partido da oposição, a Aliança Centrista Reformista, escreveu na rede social X: “As pessoas podem facilmente pensar: ‘Senhora primeira-ministra Takaichi, também a senhora?’ É mais um assunto sobre o qual terá de prestar esclarecimentos”. A lei japonesa sobre financiamento político estabelece que particulares não podem fazer doações a candidatos a cargos públicos, mas que os partidos políticos, incluindo as suas estruturas locais, estão autorizados a fazê-lo.
Macau no Ano do Cavalo de Fogo Jorge Rodrigues Simão - 26 Fev 2026 “In years of swift change, cities that master their momentum shape their own future.” Adrian Leung A celebração do Ano Novo Lunar mantém, em toda a Ásia Oriental, uma força cultural e simbólica que atravessa gerações, e Macau vive este período com particular intensidade. Em 2026, o território assinalou a entrada no Ano do Cavalo de Fogo a 17 de Fevereiro, retomando um ciclo que não ocorria desde 1966. A combinação entre o signo do Cavalo tradicionalmente associado ao movimento, à energia e à expansão e o elemento Fogo, que acentua vitalidade, ambição e transformação, confere ao novo ano um enquadramento simbólico especialmente expressivo. Embora o simbolismo não substitua a análise económica, ajuda a compreender o ambiente de expectativas que envolve Macau neste momento de transição e reposicionamento estratégico. No discurso de Ano Novo, o Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, sublinhou que Macau entra neste ciclo com “determinação renovada” e com a responsabilidade de consolidar os progressos alcançados desde a reabertura póspandemia. Destacou a importância de transformar o dinamismo associado ao Cavalo de Fogo em políticas eficazes, capazes de reforçar a competitividade do território, aprofundar a diversificação económica e garantir que o crescimento se traduz em benefícios concretos para a população. A mensagem oficial insistiu na necessidade de equilíbrio de como aproveitar a energia expansiva do novo ciclo sem perder de vista a prudência e a estabilidade que sustentam o desenvolvimento de longo prazo. O contexto económico de 2026 é marcado por sinais de recuperação robusta, mas também por desafios estruturais. A indústria do jogo, principal motor económico de Macau, tem registado um aumento consistente das receitas, impulsionado pela retoma do turismo e pela normalização das deslocações no interior da China. A entrada no Ano do Cavalo de Fogo coincide com um período de confiança crescente entre consumidores e operadores, sugerindo a possibilidade de um ciclo de expansão mais vigoroso. A procura reprimida dos últimos anos, aliada à melhoria das ligações regionais, tem contribuído para um fluxo mais intenso de visitantes, tanto do segmento premium como do mercado de massas. Contudo, o simbolismo do Cavalo de Fogo também funciona como advertência. A rapidez e a intensidade que caracterizam este signo podem, se não forem devidamente enquadradas, gerar desequilíbrios. O Chefe do Executivo alertou para a necessidade de evitar “crescimentos desordenados” e reforçou que a sustentabilidade económica exige uma gestão rigorosa dos riscos, desde a estabilidade financeira dos concessionários até à exposição do território a tensões geopolíticas. A concorrência regional, com novos resorts integrados em expansão noutras partes da Ásia, obriga Macau a elevar continuamente os padrões de qualidade, inovação e experiência turística. A diversificação económica permanece como um dos pilares centrais da estratégia governamental. O Ano do Cavalo de Fogo, associado ao movimento e à exploração de novos caminhos, oferece um enquadramento simbólico favorável ao avanço de sectores emergentes. O governo tem insistido no reforço do turismo MICE, das indústrias culturais e criativas, da gastronomia, do retalho de alta gama e das experiências imersivas que ampliam a oferta dos resorts integrados. Em 2026, observase uma reorientação das estratégias de promoção internacional, posicionando Macau como um destino multifacetado, capaz de combinar entretenimento, cultura, negócios e inovação. A integração na Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau constitui outro eixo determinante. A energia do Cavalo de Fogo, associada à eficiência logística e à expansão de redes, coincide com um período em que os projectos de conectividade regional atingem maior maturidade. A plena operacionalidade da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, a melhoria das ligações internas e o reforço das infraestruturas de transporte têm facilitado a circulação de visitantes e profissionais, aproximando Macau dos grandes centros económicos de Guangdong. O governo tem sublinhado a importância de aproveitar este momento para reforçar o papel do território como plataforma financeira e tecnológica, beneficiando do seu enquadramento jurídico singular e da capacidade de atrair empresas de FinTech e serviços especializados. No sector do jogo, o ambiente regulatório continua a desempenhar um papel decisivo. Após a renovação das concessões, 2026 é um ano de consolidação e demonstração de resultados. Os operadores estão obrigados a apresentar progressos concretos nas áreas não lúdicas, na responsabilidade social, na protecção de dados e na adopção de tecnologias avançadas. A energia do Cavalo de Fogo poderá acelerar a implementação de novos modelos de gestão, desde sistemas de pagamento contactless até ferramentas de análise comportamental baseadas em inteligência artificial. A competição entre concessionários tende a intensificarse, e a capacidade de inovar será determinante para manter a competitividade num mercado cada vez mais sofisticado. Apesar das perspectivas favoráveis, persistem riscos significativos. A dependência estrutural de Macau em relação ao exterior torna o território vulnerável a choques globais, desde flutuações económicas no continente até tensões internacionais que possam afectar o turismo. A concorrência regional exige que Macau continue a elevar padrões de qualidade e experiência, enquanto a pressão sobre a mãodeobra qualificada e os custos operacionais associados à diversificação podem limitar margens de lucro, mesmo num cenário de crescimento. Para além das dimensões económicas e institucionais, 2026 revela também uma transformação subtil no modo como Macau pensa o seu futuro. A entrada no Ano do Cavalo de Fogo tem servido de catalisador para um debate mais amplo sobre identidade, criatividade e capacidade de adaptação. Observase um interesse crescente em projectos que valorizam o património, a inovação cultural e a produção de conhecimento, numa tentativa de equilibrar tradição e modernidade. Esta evolução, ainda incipiente, sugere que o território começa a reconhecer que a sua força não reside apenas na atracção turística, mas também na capacidade de gerar ideias, talento e novas formas de participação económica. Se esta tendência se consolidar, Macau poderá emergir como um espaço mais plural, dinâmico e intelectualmente vibrante, capaz de transformar o simbolismo do Cavalo de Fogo numa verdadeira renovação estratégica.
Albergue SCM | Ano Novo Chinês celebrado com exposição e festa Andreia Sofia Silva - 26 Fev 2026 São muitos os eventos que chegam ao Albergue da Santa Casa da Misericórdia de Macau na próxima semana. Em nome de um novo ano que acaba de chegar, apresenta-se, a partir de terça-feira, a mostra “Sucesso com o Cavalo – Obras de Choi Chun Heng e as suas Colecções Preciosas”, decorrendo também, nesse dia, actividades no pátio Terça-feira é dia de celebrar um novo ano no Albergue da Santa Casa da Misericórdia de Macau (SCM). A “Celebração do Ano Novo Chinês do Cavalo”, organizada pelo CAC – Círculo de Amigos da Cultura, começa às 18h30 e estende-se pelas horas seguintes. Todos estão convidados a participar. Segundo um comunicado da organização, o tema desta celebração será o Cavalo, e para tal estão à disposição do público petiscos e uma série de actividades, nomeadamente o “Poço dos Desejos”, a “Árvore do Amor”, adivinhas com lanternas e ainda uma actuação musical. Além disso, o mestre Choi Chuen Heng, conhecido pela arte da caligrafia, estará presente para escrever os tradicionais fai-chun da época, “transmitindo os votos sinceros de Ano Novo”. “O CAC convida o público a desfrutar da atmosfera encantadora do Albergue SCM, reunindo-se com familiares e amigos” sendo que “os participantes poderão saborear petiscos festivos e envolver-se na música cativante”, é descrito. Uma parceria, uma mostra No dia em que se celebra a chegada do Ano do Cavalo, é a vez de dar as boas-vindas a uma nova exposição. Trata-se da mostra “Sucesso com o Cavalo – Obras de Caligrafia e Colecções de Choi Chun Heng”, patente de terça-feira, 3 de Março, até 16 de Abril deste ano, e que nasce de uma parceria com a Tai Fung Tong Art House. O objectivo desta iniciativa é “preservar e promover a cultura tradicional chinesa e estender as bênçãos festivas ao público no Ano do Cavalo”. ” Utilizando a caligrafia como meio de transmissão cultural, a exposição permitirá ao público apreciar o profundo encanto estético da caligrafia tradicional chinesa. Com pinceladas elegantes e um estilo pessoal distintivo, a caligrafia do mestre Choi Chun Heng capta o espírito e o ritmo dos caracteres chineses, revelando a sua beleza intemporal e essência cultural”, lê-se ainda. O CAC foi fundado em Macau em 1985 pelos membros fundadores Carlos Marreiros, Mio Pang Fei, Kwok Woon, Un Chi Iam, Ung Vai Meng e Victor Marreiros. Reunindo um grupo de artistas e académicos, o CAC tem-se dedicado à promoção da cultura, artes, património, arquitectura, literatura e outras atividades culturais de Macau, bem como à divulgação das criações de talentos locais.
Nuclear | Pequim nega ter realizado testes e acusa EUA de querer pretexto para os retomar Hoje Macau - 26 Fev 2026 A China qualificou ontem como infundadas as acusações dos Estados Unidos sobre alegados ensaios nucleares explosivos no seu território e acusou Washington de procurar pretextos para retomar os próprios testes atómicos. A porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Mao Ning, afirmou em conferência de imprensa que as acusações norte-americanas são “infundadas e evasivas” e “não têm qualquer fundamento”, reagindo a declarações recentes de uma delegação dos EUA na Conferência do Desarmamento, em Genebra. Segundo Mao, a China “apoia firmemente os propósitos e objectivos” do Tratado de Proibição Completa dos Ensaios Nucleares e tem respeitado o compromisso dos cinco Estados com armas nucleares de manter uma moratória sobre testes. A porta-voz acusou ainda os Estados Unidos de “incriminar e difamar outros países” para escapar às suas obrigações internacionais em matéria de controlo de armamento, prática que, afirmou, “prejudica gravemente a sua credibilidade internacional”. Pequim instou Washington a cumprir a moratória e a “defender o consenso internacional sobre a proibição de ensaios nucleares”. As declarações surgem após o secretário de Estado adjunto norte-americano para o Controlo de Armamento e Não Proliferação, Christopher Yeaw, ter afirmado na segunda-feira, em Genebra, que os EUA dispõem de dados que apontam para um alegado teste chinês em 2020 no deserto de Lop Nur, além de alertar para a rápida expansão do arsenal nuclear chinês. A troca de acusações coincide com a expiração, a 05 de Fevereiro, do tratado New START entre Estados Unidos e Rússia e com novos contactos diplomáticos em Genebra sobre o futuro do controlo de armamento nuclear, nos quais Washington defende que um eventual novo acordo inclua também a China.
Hong Kong prevê fim de vaga deficitária e crescimento económico de até 3,5 por cento Hoje Macau - 26 Fev 2026 A economia de Hong Kong deverá crescer até 3,5 por cento à boleia do regresso de um excedente orçamental, após anos três anos em défice, anunciou ontem o secretário das Finanças da região semiautónoma chinesa. A economia de Hong Kong esteve “em alta” em 2025, com o comércio externo a manter-se forte, o consumo privado a recuperar e o investimento fixo a acelerar, afirmou Paul Chan durante a apresentação do orçamento para 2026, citado pelo portal de notícias Hong Kong Free Press (HKFP). O responsável pela tutela das Finanças previu um crescimento de 2,5 por cento a 3,5 por cento na economia da região administrativa especial no atual ano fiscal (01 de Abril 2025 a 31 de Março 2026). “A médio prazo, o proteccionismo persistirá em algumas das principais economias, enquanto a fragmentação da economia global continuará. No entanto, a ascensão do Sul Global e a remodelação do panorama global do comércio e do investimento irão desbloquear novos mercados e novas áreas de crescimento”, avaliou o secretário, ainda de acordo com a HKFP. Paul Chan anunciou ainda que o excedente no ano fiscal de 2025-26 encerra uma série de três anos em défice orçamental. Impulsionadas pela procura por produtos electrónicos, as exportações de bens de Hong Kong cresceram 12 por cento, com aumentos a assinalar nas exportações para a China continental e para os países da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), escreveu o portal. Ainda de acordo com o HKFP, a cidade no sul da China registou um défice de 80,3 mil milhões de dólares de Hong Kong no ano fiscal de 2024-25, de 101,6 mil milhões de dólares de Hong Kong (em 2023-24 e de 122 mil milhões (em 2022-23. Já o mercado de acções apresentou um “desempenho excelente”, de acordo com o responsável. O índice Hang Seng subiu 28 por cento ao longo do ano, enquanto as ofertas públicas iniciais (IPO) arrecadaram 280 mil milhões de dólares de Hong Kong, ficando em primeiro lugar globalmente. Na apresentação do orçamento, o secretário das Finanças afirmou ainda que o Governo está empenhado em atrair mais empresas para se instalarem na região. Em promoção Instrumentos políticos, incluindo acordos de concessão de terrenos, subsídios financeiros e incentivos fiscais, vão ser implementados para promover indústrias e investimentos, anunciou, de acordo com a emissora pública RTHK [Radio Television Hong Kong]. O chefe das finanças de Hong Kong destacou, além disso, a importância de aumentar o apoio às empresas da China continental que estão a expandir-se a mercados internacionais. Outra área de foco, referiu Paul Chan, passa por promover ainda mais Hong Kong como um centro internacional de convenções e exposições, com 100 milhões de dólares de Hong Kong a ser reservados para atrair exposições internacionais de grande escala com novos elementos. A emissora noticiou ainda que Paul Chan anunciou que vai presidir ao novo “Comité sobre IA+ e Estratégia de Desenvolvimento Industrial” como parte dos trabalhos para garantir que todos os sectores da sociedade compreendem e utilizem a inteligência artificial.
Visita | Merz quer reforçar laços de cooperação com a China Hoje Macau - 26 Fev 2026 Apesar das preocupações com a concorrência comercial, a visita de do chanceler alemão deverá servir para fortalecer os laços económicos entre as duas nações O chanceler alemão, Friedrich Merz, defendeu ontem em Pequim uma cooperação mais “justa” com a China, no arranque de uma visita ao principal parceiro comercial da Alemanha, cada vez mais visto no seu país como um forte concorrente. “Temos preocupações muito concretas relativamente à nossa cooperação, que queremos melhorar e tornar mais justa”, afirmou Merz no início de conversações com o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, no Grande Palácio do Povo, no centro de Pequim. O chefe do Governo chinês apelou à Alemanha para trabalhar no sentido de “defender conjuntamente o multilateralismo e o livre-comércio”. Merz, que chegou ontem a meio da manhã com uma ampla delegação empresarial, tinha prevista uma reunião e jantar com o Presidente chinês, Xi Jinping, naquela que é a sua primeira visita à China desde que assumiu funções, em 2025. O chanceler afirmou ver “um grande potencial de crescimento” para duas das maiores economias do mundo, sublinhando, no entanto, a necessidade de um diálogo “aberto”. Antes da partida, Merz indicou que pretendia abordar vários temas de divergência, como regras de concorrência, acesso aos mercados e segurança no abastecimento de terras raras, matérias-primas essenciais para muitas empresas alemãs e cuja produção é dominada pela China. O responsável alemão quer também discutir a guerra na Ucrânia, contando com as boas relações de Pequim com Moscovo. “A voz de Pequim é ouvida, mesmo em Moscovo”, declarou. É o mais recente dirigente estrangeiro a deslocar-se a Pequim, num momento em que o Presidente norte-americano, Donald Trump, tem agitado a ordem internacional com novas tarifas e a revisão de antigas alianças. “Hoje, a China tornou-se incontornável para todos”, afirmou Merz, na terça-feira. Nos últimos três meses, passaram por Pequim os líderes do Reino Unido, Finlândia, Canadá, Coreia do Sul, Irlanda ou França. Da concorrência Ao mesmo tempo, a indústria alemã enfrenta crescente pressão da concorrência chinesa. A maior economia europeia, fortemente dependente das exportações e durante anos sustentada pelo vasto mercado chinês, viu as vendas dos seus construtores automóveis diminuírem significativamente na China e enfrenta cada vez mais competição tecnológica chinesa a nível global. Tal como outros parceiros da União Europeia, a Alemanha manifesta preocupação com a expansão dos veículos eléctricos chineses e com o escoamento para a Europa dos excedentes de produção da China. Berlim alerta ainda para o uso, por parte de Pequim, de semicondutores e terras raras como instrumentos na disputa comercial global, como aconteceu em 2025, afectando severamente as cadeias de abastecimento, nomeadamente da indústria automóvel. “Queremos e devemos adoptar uma política de redução de riscos, não apenas em relação à China”, afirmou Merz, sublinhando, contudo, que seria um erro associar essa estratégia a uma dissociação económica. A Alemanha e outros países criticam as restrições de acesso ao mercado chinês, os subsídios considerados indevidos e a alegada subvalorização da moeda chinesa. Xi Jinping tem apresentado a China como um parceiro fiável e defensor do multilateralismo e do livre-comércio, promovendo uma relação de “ganhos para ambos” baseada no “respeito mútuo”. Em 2025, a China travou uma intensa disputa comercial e diplomática com os Estados Unidos sob a presidência de Trump, cuja deslocação a Pequim está prevista para o final de Março. Merz viajou acompanhado pelos presidentes executivos da Volkswagen, BMW e Mercedes. Hoje, assistirá à apresentação de veículos autónomos pela Mercedes e deslocar-se-á depois a Hangzhou, polo tecnológico, para visitar o grupo de robótica Unitree e a empresa Siemens Energy. No ano passado, o défice comercial da Alemanha com a China aumentou mais de 22 mil milhões de euros, atingindo cerca de 89 mil milhões de euros.
Futebol: um jogo de origem chinesa Hoje Macau - 26 Fev 2026 Por Miguel Lenoir Há cerca de 2500 anos, os chineses criaram um desporto em que uma bola é jogada com os pés e se quer dentro de uma baliza. Chamaram-lhe CUJU. Cuju (tsu-dju, em português), pontapear uma bola, foi a forma mais antiga de um desporto a que hoje se chama futebol. A sua origem remonta ao final do Período Primavera e Outono (770-481 a.E.C), início dos Reinos Combatentes, quando foram estabelecidas regras e a bola do jogo se tornou algo semelhante às que hoje rolam pelos estádios. Inicialmente, essa bola era recheada com penas ou palha de grãos, sendo mais rija do que as bolas modernas. O cuju foi mencionado pela primeira vez nos textos históricos Anais dos Reinos Combatentes (Zhan Guo Ce) e Registos da História (Shi Ji), de Sima Qian, nos quais o desporto foi claramente referido como uma forma de treino físico para tropas militares. “Cu” significa literalmente chutar e “ju” significa bola. De acordo com outro texto antigo, Taiping Qing Hua, a bola na dinastia Han passou a ser recheada de penas e envolta em couro. Na dinastia Tang, seria substituída por uma bola cheia de ar com uma camada dupla de pele. A Origem do Jogo O estabelecimento do cuju, com regras e objectivos, ocorreu em Linzi, a capital do poderoso reino de Qi, um dos estados dominantes durante esse período, uma cidade extremamente rica e populosa, talvez pela mão de um homem famoso dessa época, Guan Zhong, primeiro-ministro do reino de Qi. Essa prosperidade económica permitia que os seus habitantes, para além das classes militares, tivessem tempo e recursos para se dedicarem a actividades de lazer e entretenimento. Contudo, acredita-se que a forma mais competitiva do cuju foi desenvolvida como um método de treino militar para os soldados e cavaleiros do exército do reino de Qi. O objectivo era melhorar a condição física, a agilidade e o trabalho de equipa dos guerreiros. Esta prática remonta a cerca de 685 a.E.C., quando o primeiro-ministro Guan Zhong, ao serviço do Duque Huan de Qi, a terá implementado para fortalecer as forças armadas. Portanto, Linzi ofereceu o cenário perfeito: uma cidade rica com uma cultura de lazer florescente e um estado poderoso com necessidade de treinar um exército forte. Esta combinação única fez com que o cuju, que já existia como uns simples pontapés numa bola, evoluísse para um desporto com regras e objectivos claros. Devido ao seu valor militar, o cuju era muito apreciado na dinastia Han. Além de ser usado como um meio formal de treino físico, os jogos de cuju foram padronizados e regras estabelecidas para ajudar a aumentar a resistência e a disciplina militar. Um livro de regras e preceitos Uma discussão aprofundada sobre o jogo cuju foi escrita pela primeira vez por Li You, (李尤), um poeta e funcionário da corte da Dinastia Han Oriental (25-220), que descreve o jogo de cuju com um detalhe notável. Trata-se do “Ju Cheng Ming” (鞠城铭) , que pode ser traduzido como “Inscrição no Muro do Campo de Jogo” ou “Ode ao Campo de Futebol”. No livro, lê-se o seguinte poema: Esta obra é considerada a primeira descrição detalhada das regras e da filosofia de um jogo desportivo na história mundial. Ali se detalham o local e as regras do jogo — o campo era um rectângulo (fāng qiáng -muro quadrado), cercado por muros, o que lhe valia o nome de Ju Cheng (Cidade do Jogo), construído especialmente para partidas de cuju, com traves em forma de crescente em cada extremidade e com seis jogadores de cada lado. A bola deveria redonda (yuán jū). Havia duas equipas com seis jogadores cada (èr liù xiāng dāng), num total de doze jogadores, que se opunham e procuravam marcar golos. O jogo era dirigido por um árbitro principal e um assistente (zhǎng), que existiam para garantir a equidade (lì píng) e o cumprimento de regras fixas e imutáveis (qí lì yǒu cháng) que todos deveriam seguir. Mas o aspecto mais notável do texto de Li You é a sua ênfase na moralidade e na justiça, tanto dentro como fora de campo. O autor não fornece apenas detalhes sobre o local e as regras do jogo: Li You menciona especialmente os requisitos morais para o árbitro e os jogadores: “Como árbitro, não deve haver favoritismo ou parcialidade (bù yǐ qīn shū, bù yǒu ā sī)”. Este é um dos primeiros códigos de conduta para árbitros na história do desporto. “Como jogador, é importante jogar de forma justa, sem reclamações ou acusações. Os jogadores devem manter uma atitude correcta e calma, aceitando as decisões sem se queixarem dos erros (duān xīn píng yì, mò yuàn qí fēi).” Finalmente, Li You vai mais longe e termina com uma poderosa mensagem política e filosófica. Se um simples jogo exige regras justas, árbitros imparciais e jogadores disciplinados, quanto mais a arte de governar um país (kuàng hū zhí jī)? O cuju tornava-se, assim, uma metáfora para a harmonia social e a boa governação, reflectindo a visão confucionista de que a ordem e a rectidão em pequenas coisas são o fundamento para a ordem no mundo. Enquanto os textos do Zhan Guo Ce e do Shi Ji nos mostram a popularidade do jogo, a inscrição de Li You revela a sua sofisticação e organização durante a dinastia Han, consolidando a importância do cuju na cultura chinesa antiga. Ainda durante a dinastia Han, a popularidade do cuju espalhou-se do exército para as cortes reais e as classes altas. Diz-se que o imperador Wu gostava muito deste desporto. De acordo com o Livro de Han, o imperador frequentemente organizava lutas de galos e partidas de cuju no palácio imperial, a que assistia com grande prazer. O cuju melhorou muito durante as dinastias Tang e Song. A bola cheia de ar era muito mais leve e saltitante, o que significava usar um conjunto diferente de técnicas e estratégias nas partidas. Os Tang tornaram o jogo mais divertido e ele espalhou-se para o Japão naquela época. Os ministros fundadores da dinastia Song eram em grande parte oficiais militares. A sua preferência por desporto como forma de entretenimento ajudou a impulsionar o avanço técnico, o nível de diversão e a popularidade do cuju. O jogo floresceu durante a dinastia Song como resultado do desenvolvimento social e económico da nação, e a sua popularidade estendeu-se a todas as classes da sociedade. Como marcar golos Durante a Dinastia Han, o período em que o jogo foi padronizado, marcar um golo era um desafio de pontaria e precisão completamente diferente do futebol moderno. De acordo com as descrições, o campo tinha nas suas extremidades estruturas de golo muito particulares: seis postes em forma de meia-lua, com uma pequena rede era amarrada, a cerca de 10 a 20 metros do chão. A abertura por onde a bola tinha de passar era surpreendentemente pequena, com apenas 30 a 40 centímetros de largura. O objectivo, portanto, era chutar a bola para que ela passasse por aquela pequena abertura e ficasse presa na rede elevada. Mais do que potência, este tipo de golo exigia uma enorme precisão e técnica apurada. A forma de lua crescente dos postes e a bola redonda eram vistas como uma representação do equilíbrio cósmico entre o yin e o yang. Com o passar dos séculos, o jogo evoluiu. Na dinastia Tang (618-907), surgiram mudanças significativas: a bola passou a ser oca e cheia de ar, com um invólucro de duas camadas, o que permitia um melhor controlo e mais dinamismo no jogo. As balizas também foram modificadas. Ao lado do modelo com postes em meia-lua, surgiram dois novos tipos: balizas com rede, ou seja, postes com uma rede esticada entre eles, semelhantes às balizas do futebol moderno; ou um único poste colocado ao centro do campo, que parecia ser o alvo a acertar. Na Dinastia Song marcar golos torna-se opcional. O jogo dividiu-se em duas modalidades principais : — o Zhuqiu (Jogo Competitivo): Esta era a variante que mais se assemelhava ao futebol de equipas. Realizava-se em ocasiões especiais, como banquetes imperiais, com duas equipas de 12 a 16 jogadores de cada lado. O objectivo principal continuava a ser marcar golos na baliza adversária. Quando um golo era marcado, era celebrado com redobrar de tambores e bandeirinhas. — o Baida (Jogo de Habilidades): Esta tornou-se a forma dominante de jogar cuju na dinastia Song e representou uma ruptura total com a ideia de golo. Sem Balizas, os golos tornaram-se obsoletos. O campo de jogo era simplesmente delimitado por uma corda. Os jogadores, em número variável (de 2 a 10), revezavam-se para manter a bola no ar, dentro dos limites da corda, usando qualquer parte do corpo excepto as mãos. O vencedor não era quem marcava mais golos, mas sim o jogador com menos faltas ou com a melhor performance técnica. Perdia pontos quem, por exemplo, não passasse a bola com a distância ou precisão suficiente para alcançar outro jogador, chutasse a bola para fora dos limites da corda ou chutasse a bola demasiado baixa. Portanto, numa partida de Baida, a “marcação” não existia no sentido de colocar a bola numa baliza, mas sim na acumulação de pontos positivos através de um controlo de bola hábil e esteticamente agradável. Ganhava quem demonstrasse maior domínio técnico e cometesse menos erros. A história do cuju mostra-nos como um jogo pode evoluir de uma simples atividade de treino militar para um desporto complexo com regras variadas, onde o acto de “marcar” podia ser um pontapé preciso a uma rede a 10 metros de altura ou uma demonstração de equilíbrio e técnica individual. Aliás, ao longo dos séculos, foram escritos vários manuais sobre o cuju, alguns dos quais sobreviveram até aos dias de hoje. Estes manuais oferecem uma visão fascinante sobre a vasta gama de pontapés que podiam ser utilizados, bem como sobre os vários movimentos e posturas corporais envolvidos. Havia pelo menos 16 tipos básicos de «pontapé», embora o significado de alguns ainda não tenha sido decifrado: 1 – O lian (com a parte superior do pé) 2 – O xi (com o joelho) 3 – O guai (com o tornozelo) 4 – O da (com a ponta do pé) 5 – O bazi (com o pé aberto) 6 – O banlou 7 – O deng (com o calcanhar) 8 – O chao 9 – O nie/nian (com o peito do pé) 10 – O jian (com o ombro) 11 – O zhuang (com a ponta do sapato) 12 – O xiudai 13 – O zuwo/zugan 14 – O pai (com o peito) 15 – Zati (pontapés mistos) 16 – O kong (bloqueador) Havia também regras e regulamentos relativos ao movimento do corpo e às posturas permitidas. Por exemplo, um manual de cuju dizia: “O corpo erecto como um pincel, como se carregasse uma pedra nas mãos, o coração livre e à vontade, os pés numa postura móvel. O corpo erecto, e não curvado, as mãos pendentes, e não voando, os pés baixos, e não altos, os pontapés lentos, não apressados.” Os primeiros profissionais Havia muitos bons jogadores de cuju na dinastia Song e até associações formadas para o desporto, como o famoso Clube Qi Yun, também conhecido como Clube Yuan, o clube de futebol mais antigo da China e o primeiro do mundo. Esses clubes tinham como objectivo promover o cuju, oferecendo aulas de treino de habilidades e organizando competições para equipas masculinas e femininas. As partidas eram tão espectaculares e calorosamente recebidas quanto as que assistimos hoje. Os seus membros eram como os jogadores de hoje, também podiam ser transferidos para outro clube, mas não era fácil, pois tinham de preencher formulários com os seus dados básicos, tais como nome, local de origem, nome do seu professor e carreira anterior. E tinham de passar em exames de aptidão. Por exemplo, era-lhes pedido que chutassem a bola para cima pelo menos 100 vezes com cada pé sem que ela caísse no chão. A obra “Os Esplendores da Capital Oriental” (Dongjing Meng Hua Lu) descreve a vida em Kaifeng por volta de 1120 e menciona a existência de clubes profissionais de cuju, com patrocinadores, treinadores e capitães. Os clubes de cuju viam-se como uma força para a harmonia social, reunindo jovens de várias origens e adoptando um estilo de vida comunitário, com os membros a partilharem roupas, dinheiro e comida. Não há evidências de que as mulheres fossem autorizadas a participar. As sociedades também produziam manuais de instruções que não só explicavam as técnicas do desporto, mas também o promoviam como benéfico para a saúde física e mental. A sua crença de que o jogo ajudava a construir músculos, reduzir o peso e retardar o envelhecimento não pareceria fora de lugar num manual de futebol actual. A importância do cuju, durante a dinastia Song, também levou alguns jogadores a tornarem-se famosos pelas suas habilidades com a bola. Meng Xian e Lu Bao são dois jogadores que alcançaram proeminência nacional e cujos nomes foram registados para a posteridade. Um campeonato nacional conhecido como Shan Yue Zheng Sai também era realizado, embora não se saiba como era organizado ou quem podia participar. A crescente popularidade do cuju também ficou evidente com a contratação de instrutores pelos clubes para ensinar o jogo e com o surgimento de jogadores profissionais. Assim como outros artistas profissionais, tais como músicos, actores e dançarinos, os profissionais do cuju viajavam pelo país fazendo exibições das suas habilidades e ensinando-as a outras pessoas. O nível de organização do desporto era tal que os jogadores só podiam se qualificar como profissionais após passar por exames, nos quais tinham que demonstrar o domínio de uma ampla variedade de chutos sem cometer erros. O treino era intensivo e árduo, ocorrendo ao longo de muitos anos. Essa não era a única maneira pela qual os jogadores podiam ganhar a vida com as suas habilidades. Os membros da nobreza também mantinham os seus próprios jogadores profissionais. O cuju era associado ao prazer e à felicidade. O jogador de cuju «não aspira à fama e ao lucro, mas deleita-se em passear à vontade», segundo um escritor do período Song. Outro afirma que o desporto «liberta a tensão, eleva o ânimo e ajuda a esquecer as dores e os problemas do mundo agitado. Dissolve o qi endurecido e faz com que o coração virtuoso se torne gentil e belo». O cuju parece ter sido considerado uma espécie de panaceia para todos os tipos de males, com um impacto profundamente positivo a nível físico, mental e até espiritual. O jogo também parece ter tido um aspecto moral e ético. A maioria das sociedades de cuju promovia as principais virtudes confucionistas de benevolência, decoro, cortesia, sabedoria e sinceridade. No entanto, um manual de cuju aponta para os perigos de «conversas, jogos de azar, brigas e lutas, arrogância, grosseria, falsidade, mau humor, litigiosidade, devassidão, álcool e sexo», o que sugere que esses podem ter sido problemas associados ao jogo. Há também exemplos de cuju associado a entretenimento e bebida, e a literatura revela que havia muitos jogos informais, que talvez fossem mais parecidos com uma partida de futebol, entre amigos no parque. O cuju continuou a ser popular na China durante a dinastia Ming. Funcionários públicos e membros da realeza ficaram obcecados pelo jogo, a tal ponto que o imperador Hongwu ordenou que fosse proibido, pois era uma distração do trabalho e do treino militar. Aqueles que fossem apanhados a jogar podia-lhes ser aplicada uma pesada pena: ter um pé cortado. No entanto, certos estabelecimentos continuaram a ter jogadoras femininas que realizavam proezas de cuju para atrair clientes. O governo Qing aprendeu com o erro do governo anterior, decidiu proibir o cuju de uma vez por todas, e esse foi o fim do futebol, outrora muito popular na China. Reconhecimento internacional Na Europa existem desde o século XVIII relatos de um jogo de rua em que duas equipas andavam atrás de uma bola pontapeando-a e que, sem regras claras, acabava invariavelmente em confronto com todos os elementos aos murros e pontapés. No final, todos recolhiam a casa esmurrados e a sangrar, mas satisfeitos e bem-dispostos pois tinham libertado as energias condensadas de um dia de trabalhos. Terá sido esta a origem do moderno jogo de futebol, desporto como hoje o conhecemos, que em meados do século XIX, em Inglaterra, passou a ser mais disciplinado e com regras, tendo-se formado clubes. Quando nos anos 70 do século XX, a Inglaterra se proclamou como o país onde se iniciara o desporto-rei, a FIFA achou necessário criar um grupo de investigadores para recolher informações arqueológicas e apreciar os registos históricos. Assim, foram encontrados muitos locais com possibilidade para serem declarados como a pátria do futebol. Só entre 9 e 11 de Julho de 2004, foi feita uma votação entre os 36 estudiosos investigadores que, por unanimidade, declararam Linzi, como o local da origem do Futebol. Na comemoração dos 100 anos da Federation International de Football Association (FIFA), em 2004, o presidente Joseph S. Blatter reconheceu, finalmente, ter sido na China, mais propriamente em Linzi, pertencente a Zibo, actual província de Shandong, que se iniciou o jogo com bola usando os pés. 完
Aeroporto de Macau recebeu mais de 267 mil passageiros no Ano Novo Lunar Hoje Macau - 26 Fev 2026 O Aeroporto Internacional de Macau recebeu durante o período de festividades do Ano Novo Lunar mais de 267 mil passageiros, um acréscimo de 11 por cento em comparação com o mesmo período de 2025, declarou a infra-estrutura aeroportuária. Entre 14 e 23 de Fevereiro, o aeroporto “recebeu 267.235 passageiros e operou 1.943 voos”, o que representa “um aumento de 11 por cento e 9 por cento, respectivamente, em relação ao mesmo período de 2025”, lê-se num comunicado divulgado na terça-feira pela CAM – Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau. O pico no tráfego de passageiros ocorreu nos dias 21 e 22 de Fevereiro, com números diários de passageiros a alcançar 29 mil e 28 mil, respectivamente, refere-se ainda na nota. “A análise da estrutura geral do mercado durante a temporada do Ano Novo Chinês mostrou que os passageiros das rotas da China continental representaram 43 por cento do volume total de passageiros”, notou a CAM, referindo ainda que as rotas internacionais representaram 39 por cento e para Taiwan 18 por cento. Durante o período de celebrações foram adicionados cerca de 60 voos de e para o Sudeste Asiático. Para continuar O Aeroporto Internacional de Macau anunciou este mês que prevê um aumento de 8 por cento dos passageiros e de 10 por cento das aterragens e descolagens este ano, quando se prepara para lançar novas rotas para a China continental, Filipinas e Vietname. “Teremos novas rotas para Kunming, Chongqing [China continental] e Manila [Filipinas], nos próximos meses e queremos mais ainda”, anunciou o presidente da CAM num encontro com os meios de comunicação social, no início do mês, por ocasião do Ano Novo Lunar. Simon Chan Weng Hong projectou mais de 63 mil movimentos de aeronaves na infra-estrutura aeroportuária, ou seja mais 10 por cento do que no ano anterior. Além disso, referiu o responsável, são esperados para este ano 8,14 milhões de passageiros, mais 8 por cento em termos homólogos, e um volume de carga de 110 mil toneladas, uma subida de 4 por cento. O número de passageiros que passaram pelo Aeroporto Internacional de Macau registou uma queda de 1,6 por cento em 2025, “devido ao contexto económico e a alguns factores de incerteza”, afirmou a CAM no início de Janeiro. Macau recebeu quase 1,6 milhões de visitantes durante os nove dias de feriados do Ano Novo Lunar na China continental, a maior migração anual do mundo, foi anunciado também na terça-feira. A Polícia de Segurança Pública de Macau disse que as fronteiras do território registaram a passagem de mais de 1,55 milhões de visitantes entre 15 e 23 de Fevereiro, uma média de 172.737 visitantes por dia.
Reserva financeira | Estabelecido novo recorde de activos em 2025 Hoje Macau - 26 Fev 202626 Fev 2026 Os activos da reserva financeira valorizaram 6,9 por cento em 2025, ultrapassando a fasquia de 663,6 mil milhões de patacas, estabelecida em Fevereiro de 2021 Os activos da reserva financeira valorizaram-se em 6,9 por cento em 2025 e atingiram um novo recorde máximo no final de Dezembro, anunciou ontem a Autoridade Monetária de Macau (AMCM). Um balanço publicado pelo regulador financeiro no Boletim Oficial do território mostra que a reserva valia, no final do ano passado, 666,7 mil milhões de patacas. O anterior recorde, 663,6 mil milhões de patacas, tinha sido fixado em Fevereiro de 2021, apesar de Macau estar então em plena pandemia de covid-19. A reserva ganhou 42,9 mil milhões de patacas durante o ano passado, mais do que em 2024, ano em que os activos tinham subido 35,7 mil milhões de patacas. O melhor ano de sempre para a reserva financeira continua a ser 2019, antes do início da pandemia, quando os activos se valorizaram em 70,6 mil milhões de patacas. Ainda de acordo com a AMCM, a valorização da reserva acelerou em Dezembro, mês em que ganhou 3,54 mil milhões de patacas, mais 1,39 mil milhões de patacas do que em Novembro. O valor da reserva extraordinária no final de Dezembro era de 499,5 mil milhões de patacas e a reserva básica, equivalente a 150 por cento do orçamento público de Macau, era de 167,3 mil milhões de patacas. Mais despesas O orçamento inicial do território para 2025 previa uma subida de 7 por cento nas despesas totais, para 109,4 mil milhões de patacas. Mas a Assembleia Legislativa aprovou em Julho uma proposta apresentada pelo Governo para um novo orçamento, que inclui um aumento extra de 2,86 mil milhões de patacas nas despesas. Em Novembro, a AL deu também “luz verde”, por unanimidade, ao orçamento para 2026, que prevê despesas públicas de 113,5 mil milhões de patacas. Investimentos subcontratados representam a maior fatia da reserva financeira de Macau, 286,7 mil milhões de patacas, que inclui ainda depósitos e contas correntes no valor de 272,4 mil milhões de patacas e até títulos de crédito no montante de 104,6 mil milhões de patacas. Em 2024, os investimentos renderam à reserva financeira quase 31 mil milhões de patacas, correspondendo a uma taxa de rentabilidade de 5,3 por cento, disse a AMCM, no final de Fevereiro de 2025.
Portugal | Conselheiros suplentes felicitam Seguro João Luz - 26 Fev 2026 Os conselheiros suplentes das Comunidades Portuguesas, do Círculo da China, assinaram uma missiva a felicitar António José Seguro e a prometer colaboração com a Presidência da República. Foi também endereçada a Luís Montenegro uma carta de condolências pelas vítimas das cheias que assolaram Portugal Os conselheiros suplentes das Comunidades Portuguesas, eleitos pelo Círculo da China, Luís Nunes, Maria João Gregório e Félix Teixeira, assinaram uma carta a felicitar o Presidente de República eleito António José Seguro pela vitória nas eleições presidenciais. “É com grande satisfação que (…) lhe endereçamos os nossos mais sinceros parabéns pela sua eleição para o cargo de Presidente da República Portuguesa. Este momento constitui uma etapa de esperança e renovação para o nosso país, e estamos confiantes de que a sua liderança contribuirá para o fortalecimento de Portugal, tanto no âmbito interno como no cenário internacional”, pode ler-se na missiva datada de segunda-feira. Os conselheiros suplentes afirmam contar com o apoio de Seguro e indicaram acreditar que com o novo Presidente da República “Portugal continuará a afirmar-se como nação unida, promovendo os interesses dos seus cidadãos emigrantes e consolidando o seu papel de destaque a nível global”. Os conselheiros suplentes firmaram também o compromisso de colaborar com a Presidência da República “na construção de um Portugal mais próspero, unido e solidário, sempre em consonância com os objectivos” de António José Seguro. Sim, senhor ministro Também na segunda-feira, Luís Nunes enviou uma carta ao Primeiro-Ministro português Luís Montenegro, desta feita não só na qualidade de conselheiro suplente das Comunidades Portuguesas, mas também enquanto vice-presidente da direcção da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM). A missiva enviada a Luís Montenegro não surge assinada por Maria João Gregório e Félix Teixeira. Enquanto conselheiro suplente e dirigente da ATFPM, associação descrita como “maior e mais representativa de matriz portuguesa, com mais de 19.500 associados”, Luís Nunes apresentou a Montenegro “as mais sentidas condolências e palavras de solidariedade a todas as vítimas das cheias que recentemente assolaram diversas regiões de Portugal”. O responsável mostrou-se confiante de que o “com o empenho de todo o Governo”, as famílias afectadas pelas intempéries serão apoiadas e que serão dadas respostas prontas e firmes para os problemas causados pelo mau tempo. O dirigente da ATFPM aproveitou também, enquanto pensionista da Caixa Geral de Aposentações, para agradecer a actualização às pensões dos residentes no estrangeiro. Luís Nunes acrescentou que a medida representa “um importante sinal de justiça e de reconhecimento por parte do Estado Português para com aqueles que, embora residindo fora do território nacional, dedicaram uma vida de trabalho e serviço público a Portugal”.
Saúde | Governo revê escolha de alimentos vendidos a alunos consoante idade Hoje Macau - 26 Fev 2026 Depois de ter acrescentado à lista de produtos inadequados para vender nas escolas alimentos ou bebidas com chocolate, o Governo esclareceu que estes artigos não são impróprios para todos os jovens, sendo a idade um factor determinante. Como tal, os Serviços de Saúde garantem que vão manter uma comunicação estreita com a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ), escolas e fornecedores de lanches, no sentido de continuar a rever a lista de bebidas e alimentos vendidos nas escolas, com recomendações consoante as idades dos estudantes. A ideia foi relevada na terça-feira à noite num evento sobre “assuntos sociais e cultura, em que participou a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, assim como o director da DSEDJ e Alvis Lo, director dos Serviços de Saúde (SS). De acordo com o jornal Ou Mun, Alvis Lo afirmou que irá melhorar as orientações para promover a alimentação saudável nas escolas, segundo o sistema de três níveis: verde, amarelo e vermelho. Alimentos frescos, naturais e sem aditivos podem ser consumidos por alunos de todas as idades sem restrições. Produtos com gordura, sal ou açúcar, mas que ainda assim têm valor nutritivo podem ser consumidos com frequência, enquanto os alimentos com elevados teor de gordura, sal ou açúcar e sem valor nutritivo devem ser consumidos raramente. Em relação às bebidas com chocolate, que foram retiradas das escolas, o director dos SS afirmou que não são prejudiciais, mas também não são apropriados para crianças, e que os alunos mais velhos podem consumi-las ocasionalmente.
IA | Ella Lei quer aplicação para indicar estado do trânsito Hoje Macau - 26 Fev 2026 A deputada Ella Lei escreveu uma interpelação a pedir ao Governo para ponderar a criação de uma aplicação com recurso à inteligência artificial para prever as condições do trânsito, com base nos dados recolhidos. Segundo a interpretação escrita da legisladora, este tipo de aplicação ia permitir aos residentes perceber quais as vias mais congestionadas quando estão na estrada. De acordo com a deputada, este tipo de plataformas pode ser desenvolvido com base no que é feito no Interior. Em relação às questões de trânsito, Ella Lei questiona ainda o Executivo sobre a implementação de mais semáforos inteligentes, que permitem dispensar os polícias que nos momentos em que o trânsito está mais intenso precisam de se deslocar para os cruzamentos para fazerem o controlo de forma manual. Estacionamento | Propostas de exploração com preços até 2,43 milhões A Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) recebeu 13 propostas para o concurso público para a concessão da exploração dos parques de estacionamento público do Jardim de Vasco da Gama, do Edifício Iat Fai, do Edifício Fai Ieng, do Pak Lok (Terminal Marítimo), do Edifício Cheng I e do Edifício de Especialidade de Saúde Pública. As propostas foram abertas na terça-feira. Entre as 13 propostas, 12 foram admitidas com propostas de retribuição de base trimestral entre 1,02 milhões e 2,43 milhões de patacas. A concessão para explorar os seis parques públicos tem a duração de sete anos, oferecendo 1.220 lugares de estacionamento para automóveis ligeiros e 1.118 para motociclos e ciclomotores. Além da gestão e exploração diária dos parques, a concessionária será responsável pela optimização do sistema de pagamento electrónico, o reforço do sistema de vigilância e segurança, assim como a melhoria das instalações. DSAT | Lançado concurso público para estacionamento A Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) abriu ontem um concurso público para a concessão da exploração de lugares de estacionamento na via pública. O prazo da concessão é de sete anos e será entregue a uma única entidade. A vencedora do concurso vai ter de introduzir os meios de pagamento electrónicos nos parquímetros, como a plataforma Simple Pay, cartões de crédito e porta-moedas electrónico. A futura concessionária vai ainda ter de criar uma aplicação móvel para consultar, em tempo real, a disponibilidade de lugares vagos e permitir fazer pagamentos à distância. O objectivo das exigências passa por modernizar a gestão e tornar o serviço mais cómodo para os condutores. A entidade concessionária vai também suportar todos os custos de aquisição e instalação do novo sistema de cobrança.
Conselho consultivo | Maioria dos membros com mandatos renovados João Santos Filipe - 26 Fev 2026 Carlos Marreiros e Miguel de Senna Fernandes ficam mais dois anos no Conselho. Apesar da manutenção geral, há excepções. A realizadora Tracy Choi e o cenógrafo Tam Tin Chun foram substituídos por Cristina Ho Hoi Leng, vice-presidente da Associação das Mulheres, e por Lam Wai Kei produtora de teatro e vice-presidente do grupo de jovens da associação Aliança de Povo de Instituição de Macau O arquitecto Carlos Marreiros e o advogado e dramaturgo Miguel de Senna Fernandes vão manter-se como membros do Conselho Consultivo para o Desenvolvimento Cultural durante mais dois anos. A informação foi divulgada ontem no Boletim Oficial, através de um despacho assinado pela secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, que preside igualmente ao conselho consultivo. Os dois macaenses fazem parte deste conselho deste 2022, ano em que foi criado durante o Executivo de Ho Iat Seng e que tinha como secretária para os Assuntos Sociais e Cultura Elsie Ao Ieong U. As nomeações foram enquadradas no âmbito dos “profissionais, académicos e personalidades da sociedade” escolhidos para integrar o grupo. Os mandatos de Carlos Marreiros e de Miguel de Senna Fernandes são assim renovados por uma segunda vez, depois da primeira renovação em 2024. O Conselho Consultivo para o Desenvolvimento Cultural foi criado para emitir pareceres, elaborar relatórios, realizar estudos e apresentar propostas sobre a política de desenvolvimento cultural do Governo, adopção de medidas que impulsionem o desenvolvimento cultural, como os mecanismos de apoio às indústrias culturais, realização de actividades culturais locais ou os planos de apoio financeiro e de formação de recursos humanos focados no desenvolvimento cultural. Renovação ampla Os macaenses não foram os únicos a verem os mandatos renovados. Esta tem sido a tradição do Conselho Consultivo para o Desenvolvimento Cultural desde a formação. Chan Hou Seng, ex-deputado nomeado pelo Chefe do Executivo e ex-director do Museu de Arte de Macau, foi igualmente mantido como membro do conselho consultivo, que ocupa desde 2022 e que acumulou com as funções de legislador. Também o académico Ieng Weng Fat, académico na área das artes e vice-presidente da Associação Geral dos Chineses Ultramarinos de Macau, membro desde a criação do conselho teve o seu mandato renovado. Os outros membros que constituem a comissão desde a criação são Lok Hei, Hoi Kin Wa, Samantha Chiang Siu Ling, Li Zisong, Lam Chong, Fong Man Wai e Lei Chon. Entre as entradas, constam os nomes de Cristina Ho Hoi Leng, vice-presidente da Associação das Mulheres, e Lam Wai Kei, produtora de teatro e vice-presidente do grupo de jovens da associação Aliança de Povo de Instituição de Macau. No sentido oposto, deixaram de integrar o conselho consultivo a realizadora Tracy Choi Ian Sin e Tam Tin Chun, ligado ao teatro experimental de Macau.
Igualdade de género | Sam diz Macau é das regiões mais avançadas Hoje Macau - 26 Fev 2026 O Chefe do Executivo considera que Macau é uma das regiões mais avançadas do mundo ao nível da igualdade de género. As declarações foram prestadas ontem num discurso proferido durante a cerimónia da Associação das Mulheres para assinalar o Dia Internacional da Mulher. “A igualdade entre géneros em Macau mantém-se consistentemente entre as mais avançadas do mundo”, afirmou Sam Hou Fai. “Os notáveis sucessos alcançados por Macau na causa das mulheres evidenciam plenamente as grandes vantagens do princípio ‘um país, dois sistemas’, contribuindo com a experiência e sabedoria de Macau para promover o desenvolvimento da causa das mulheres em todo o mundo”, acrescentou. O Chefe do Executivo considerou também que depois da transição a “a causa das mulheres em Macau entrou numa fase importante de grande desenvolvimento e prosperidade”. “Todos os direitos garantidos por lei às mulheres são efectivamente protegidos, a participação feminina nos assuntos políticos tem-se alargado, o seu nível de escolaridade e a taxa de participação no mercado de trabalho têm aumentado, as mulheres partilham de forma abrangente e igualitária os frutos do desenvolvimento socioeconómico, com cada vez mais oportunidades de emprego em áreas profissionais como a saúde, o Direito e as finanças, bem como com canais cada vez mais amplos de mobilidade social ascendente”, apontou. Sam Hou Fai garantiu ainda que em relação aos assuntos das mulheres o Governo vai seguir o espírito do importante discurso proferido por Xi Jinping, durante A Reunião Mundial de Líderes sobre As Mulheres, realizada no ano passado, em Pequim.
Segurança Nacional | Comissão com poderes em educação, cultura e economia Hoje Macau - 26 Fev 2026 O Governo justificou o alargamento das áreas de competência da Comissão de Defesa da Segurança do Estado com o facto de a segurança nacional já não se limitar às áreas tradicionais A Comissão de Defesa da Segurança do Estado (CDSE) de Macau vai passar a avaliar riscos para a segurança nacional da China nas áreas da educação, cultura e economia, disse ontem Leong Sun Iok. A composição da CDSE será alargada, sublinhou o deputado, o presidente da comissão da Assembleia Legislativa que está a analisar a proposta de lei sobre o regime daquele órgão, aprovado na generalidade por unanimidade em 10 de Fevereiro. Entre os membros da CDSE passarão a constar o presidente do Instituto Cultural (IC), o director dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude e o director da Inspecção e Coordenação de Jogos. Representantes do Governo justificaram o alargamento, dizendo que “a segurança do Estado vai deixar de se limitar às áreas tradicionais, como a militar, e passar a cobrir as áreas educativa, cultural e económica”, disse Leong. Após uma reunião da comissão parlamentar, o deputado acrescentou que a CDSE irá também encarregar-se da “promoção da monitorização, alerta, avaliação e resposta a riscos para a segurança nacional”. Questionado pela Lusa sobre se a CDSE irá avaliar riscos para a segurança nacional em espectáculos culturais, currículos educativos ou negócios entre empresas privadas, Leong não respondeu directamente. O deputado preferiu sublinhar que “a segurança nacional é muito abrangente” e que o alargamento irá permitir à CDSE cobrir “serviços que também são muito importantes”. Leong revelou que alguns deputados questionaram o Governo sobre possíveis mudanças devido à fusão prevista entre o IC e o Instituto do Desporto e sobre a não inclusão do director dos Serviços de Saúde na CDSE. O presidente da comissão permanente recordou que Macau esteve praticamente três anos sob rigorosas restrições no quadro da política ‘zero covid’, incluindo a proibição de entrada a estrangeiros sem estatuto de residente. “Se [uma pandemia] voltar a acontecer no futuro, como vai ser tratada?”, perguntou Leong. O deputado disse que o Governo respondeu, sublinhando que a proposta de lei prevê a possibilidade de “convidar outros serviços e personalidades para participar nas reuniões, sem direito de voto”. Educação patriótica O programa do Executivo de Macau para 2026, apresentado em Novembro, prevê a criação, até ao final do ano, de um Grupo de Trabalho para a Coordenação da Educação Patriótica dos Jovens. As Linhas de Acção Governativa incluem ainda, no âmbito do chamado “plano geral para a edução sobre a segurança nacional”, a revisão dos livros e outros materiais didácticos dos ensinos básico e secundário, até ao terceiro trimestre de 2027. Em 2022, o então secretário para a Segurança de Macau, Wong Sio Chak, disse que a educação sobre a segurança do Estado iria ser alargada a alunos não chineses. Os censos de 2021 indicam mais de 2.200 pessoas nascidas em Portugal a viver em Macau. A última estimativa dada à Lusa pelo Consulado-geral de Portugal apontava para cerca de 155 mil portadores de passaporte português entre os residentes de Macau e Hong Kong.
Crime | Estudo revela percepção de aumento, mesmo com tendência de quebra Andreia Sofia Silva - 26 Fev 2026 Apesar de os dados oficiais revelarem menos crimes na RAEM, esta realidade não se reflecte na percepção da sociedade. Um estudo revela que em Macau apenas 13 por cento dos inquiridos tinham conhecimento da descida da criminalidade e que mais de 35 por cento acreditavam que o crime teria aumentado O estudo “Examining fear of crime among Macao residents: Vulnerability, victimisation and situational factors”, publicado na revista International Review of Victimology, revela que no território a população não teme o crime, embora as percepções face à criminalidade nem sempre estejam de acordo com os dados oficiais. O trabalho, da autoria de Yixuan Wang, Donna Soi Wan Leong e Lichao Lu, da Universidade de Macau (UM) e Jianhong Liu, da Universidade de Ciências e Tecnologia de Macau (MUST), revela que houve, entre 2021 e 2022, um “declínio de 13,9 por cento na criminalidade”, segundo dados divulgados pela Direcção dos Serviços de Segurança em 2023. Porém, “os dados da pesquisa deste estudo revelam uma discrepância significativa na percepção: apenas 12,83 por cento dos inquiridos relataram ter conhecimento do declínio, enquanto 35,72 por cento acreditavam que a criminalidade tinha aumentado”, pode ler-se. Além disso, “a grande maioria dos inquiridos não demonstrou medo emocional” perante a criminalidade, já que “78,87 por cento referiu zero locais inseguros e apenas 2,77 por cento identificaram duas ou mais” zonas inseguras em Macau. Enquanto isso, “apenas 9,69 por cento dos inquiridos referiram sentir risco de vitimização, indicando que a grande maioria não se sentia em risco”. O estudo mostra também que “a proporção dos residentes que relataram respostas comportamentais defensivas foi a mais baixa de entre as dimensões do medo, com apenas 2,89 por cento dos inquiridos a indicar que adoptaram comportamentos defensivos nos 12 meses anteriores”. Os autores descrevem como Macau constitui um exemplo paradigmático para analisar o medo social perante o crime e as percepções perante dados oficiais, já que é uma região administrativa especial que “funciona sob o quadro de governação ‘um país, dois sistemas’, caracterizado por uma estrutura sociopolítica e jurídica distinta, a par de uma população multicultural”. Além disso, é referido que Macau tem uma economia “que depende exclusivamente do jogo e do turismo, o que impulsiona uma rápida circulação financeira e mobilidade populacional em grande escala”, tratando-se de um “pequeno território urbano com uma densidade populacional excepcionalmente elevada”. Desta forma, as características particulares do território “levantam questões sobre a aplicabilidade dos modelos existentes de medo do crime, uma vez que as percepções dos residentes sobre o crime e a desordem podem ser moldadas por ambientes urbanos densos e fluxos populacionais rápidos”. Uma questão de idade O estudo foi feito tendo por base o Inquérito à Vitimização de Macau de 2022, com gestão da Sociedade de Criminologia de Macau, um projecto financiado pela Fundação Macau. A população-alvo do inquérito foram residentes com mais de 18 anos, sendo que, para este estudo, foram feitas entrevistas complementares por telefone a 1.102 pessoas, tendo resultado numa amostra final de 795 pessoas. Lê-se ainda neste estudo que “os resultados revelam consistências e desvios em relação a pesquisas anteriores”, pois “ao contrário do que foi estabelecido, a idade e o género não influenciam significativamente o medo do crime”. Para os autores, o “resultado inesperado” pode explicar-se com “factores institucionais e específicos de Macau”, já que o “Governo de Macau tem dado grande ênfase ao investimento no bem-estar social, o que pode funcionar como um amortecedor do medo para grupos potencialmente vulneráveis”. É destacada a medida de apoios financeiros à reparação de edifícios, como o Regime de Apoio à Manutenção de Edifícios e o Regime de Subsídio para Manutenção das Partes Comuns, o que “reduz ainda mais a necessidade de os residentes implementarem estratégias defensivas adicionais ao nível doméstico”. O estudo destaca a “extensa infra-estrutura de bem-estar em Macau”, como os “cuidados de saúde universais, pensões de velhice e regimes de protecção social, que podem mitigar a vulnerabilidade percepcionada entre os idosos”. Leis que ajudam No tocante à violência de género, descreve-se como a Lei de Violência Doméstica e os “sistemas reforçados de apoio às vítimas podem contribuir para um sentimento de segurança associado ao género”. Em 2022, ocorreram 22 casos de violação e oito de coacção sexual, segundo dados do Instituto de Acção Social (IAS) citados no estudo. Os autores destacam também que o Índice de Desigualdade de Género de Macau foi de 0,06 em 2021, “substancialmente inferior” ao da China continental (0,192), Japão (0,083) e à média global (0,457). Tal indica “um ambiente relativamente equitativo em termos de género”, segundo menções feitas pelo IAS em 2021 e pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, em 2022. Os académicos descrevem como “estes factores, em conjunto, podem atenuar a relevância da vulnerabilidade física na formação do medo do crime, explicando a ausência de efeitos significativos da idade e do género”. O estudo destaca que o facto de se revelarem “níveis consistentemente baixos de medo” perante a criminalidade podem ser “parcialmente atribuídos ao investimento substancial do Governo de Macau na segurança pública e à elevada densidade de recursos policiais”. Verifica-se, assim, que “o forte policiamento e investimento em segurança pública em Macau”, mesmo com a taxa de criminalidade baixa, resulta “na prevalência igualmente limitada de vitimização na amostra”. Além disso, “os níveis relativamente baixos de medo reportados pelos residentes de Macau podem ser explicados tanto por mecanismos culturais substantivos como por factores metodológicos. Ao nível substantivo, orientações culturais colectivistas e relacionais podem exercer um efeito genuinamente amortecedor”, já que, nas sociedades chinesas “os indivíduos estão inseridos em densas redes familiares, de parentesco e comunitárias”, o que pode facilitar “o acesso ao apoio social e mitigar respostas de stress e medo”, lê-se no estudo. Sinais para o Executivo Os académicos defendem que estes resultados ” apresentam várias implicações para a governação social em Macau”, dada a existência de um “paradoxo entre as percepções subjectivas dos residentes sobre o crime e o declínio reflectido nas estatísticas oficiais”. Tudo isto “sublinha a importância de reforçar a transparência na divulgação de informação e na aplicação da lei”, devendo ser feita a “disseminação de informação relacionada com o crime através de múltiplos canais e a melhoria da visibilidade dos esforços de prevenção”, o que pode “contribuir para reduzir o medo e reforçar a confiança pública”. As acções do Governo na área da segurança parecem surtir alguns resultados, descreve-se no estudo, o que é “particularmente relevante no contexto do rápido envelhecimento populacional”. “Além da manutenção destes investimentos, o reforço do controlo social informal pode igualmente contribuir para aumentar a eficácia colectiva das comunidades. Iniciativas como a expansão de programas de voluntariado e o apoio a associações de bairro (por exemplo, Federação das Associações dos Moradores de Macau; Associação de Voluntários Juvenis de Macau) podem fornecer recursos sociais adicionais para mitigar riscos associados à vulnerabilidade física”, é defendido.
Macau confirma que correio para Portugal voltou ao normal Hoje Macau - 25 Fev 2026 Os Correios de Macau confirmaram ontem que os serviços de cartas e encomendas da região chinesa com destino a Portugal foram retomados após as tempestades que afectaram o território português. Num comunicado, a Direção dos Serviços de Correios e Telecomunicações disse que “o serviço de entrega de objectos postais, anteriormente afectado por condições meteorológicas adversas no país, já retomou a normalidade”, de acordo com indicação dos CTT – Correios de Portugal. O comunicado dos Correios de Macau surge horas depois do Hongkong Post, o departamento que assegura o serviço postal na vizinha região chinesa Hong Kong, ter dito que a entrega de correio a Portugal já estava a decorrer sem constrangimentos. Os censos de 2021 indicam mais de 2.200 pessoas nascidas em Portugal a viver em Macau. A última estimativa dada à Lusa pelo Consulado-geral de Portugal apontava para cerca de 155 mil portadores de passaporte português entre os residentes de Macau e Hong Kong. Em 02 de Fevereiro, os serviços de correio de Macau e Hong Kong tinham alertado que as cartas e encomendas com destino a Portugal poderiam sofrer atrasos devido à destruição causada pela depressão Kristin. Dezoito pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados. A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal. As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afectadas. A situação de calamidade que abrangia os 68 concelhos mais afectados terminou a 15 de Fevereiro.
Ásia | Tailândia acusa Camboja de violar cessar-fogo na fronteira Hoje Macau - 25 Fev 2026 O exército da Tailândia denunciou ontem uma troca de tiros com as forças cambojanas ao longo da fronteira e acusou o país vizinho de violar as tréguas de Dezembro, alegação que o Camboja negou categoricamente. Segundo um comunicado militar tailandês, as forças cambojanas dispararam ontem uma granada de 40 milímetros contra uma patrulha na província fronteiriça de Sisaket, o que desencadeou uma resposta da Tailândia. Não foram registados feridos entre as tropas de Banguecoque, segundo o comunicado citado pela agência de notícias France-Presse (AFP). “As forças tailandesas responderam disparando um [lança-granadas] M79 na direcção de onde provieram os disparos, de acordo com as regras de conduta militar, a título de aviso e em legítima defesa”, acrescentou o exército. O porta-voz militar tailandês, Winthai Suvaree, declarou no comunicado que “as acções do Camboja violaram o acordo de cessar-fogo” de 27 de Dezembro de 2025, que pôs fim a três semanas de confrontos mortais na fronteira. “Estas alegações são totalmente falsas, inventadas e distorcem grosseiramente os factos com a intenção deliberada de enganar a opinião pública e provocar tensões ao longo da fronteira entre o Camboja e a Tailândia”, reagiu o ministro da Informação cambojano. Neth Pheaktra reiterou à AFP o “compromisso inabalável” de Phnom Penh com a trégua de Dezembro e com um acordo de cessar-fogo anterior, de curta duração, assinado em Outubro na presença do Presidente norte-americano, Donald Trump. Segundo o comunicado tailandês, o incidente pode ter resultado de uma “rotação de tropas cambojanas”, em que o novo pessoal, não familiarizado com os regulamentos, terá cometido “falhas operacionais”. Os dois reinos do Sudeste Asiático disputam há muito o traçado da fronteira de 800 quilómetros, definida durante o período colonial francês.
Ano Novo Lunar | Macau recebeu quase 1,6 milhões de visitantes Hoje Macau - 25 Fev 2026 A região de Macau recebeu quase 1,6 milhões de visitantes durante os nove dias de feriados do Ano Novo Lunar na China continental, a maior migração anual do mundo, foi ontem anunciado. A Polícia de Segurança Pública (PSP) de Macau disse que as fronteiras do território registaram a passagem de mais de 1,55 milhões de visitantes entre 15 e 23 de Fevereiro, uma média de 172.737 visitantes por dia. De acordo com dados oficiais divulgados ontem pela Direcção dos Serviços de Turismo (DST), a média diária representa um aumento de 5,5 por cento em comparação com o Ano Novo Lunar de 2025. A DST tinha previsto uma média diária de entre 158 mil e 175 mil visitantes e um total de visitantes de 1,4 milhões durante este período. O terceiro dia do Ano Novo Lunar, 19 de Fevereiro, fixou um novo máximo histórico, com quase 228 mil turistas a chegarem ao território chinês. Perto de seis milhões de pessoas atravessaram os postos de controlo fronteiriços de Macau durante os nove dias, uma média de 663.032 travessias diárias, ainda assim abaixo da previsão de 670 mil feita pela PSP na semana passada. De acordo com a última estimativa feita pelo Governo local, a população total residente na Região Administrativa Especial de Macau era de 686.600 pessoas. Bater recordes A 08 de Fevereiro, Macau registou um novo máximo histórico de entradas e saídas nas fronteiras da cidade, quando faltavam dez dias para o Ano Novo Lunar, com cerca de 867 mil passagens. De acordo com os dados da PSP, a maior fronteira do território, nas Portas do Cerco, registou a passagem de quase 463 mil pessoas, o valor diário mais elevado dos últimos cinco anos, desde o início da pandemia de covid-19. As autoridades da China prevêem que centenas de milhões de pessoas viajem durante a maior migração anual em todo o mundo para celebrar o Ano Lunar do Cavalo de Fogo. A época destas deslocações, o chamado ‘chunyun’, um período de 40 dias antes e depois do início do Ano Novo Lunar, começou em 02 de Fevereiro. Em 29 de janeiro, Li Chunlin, vice-diretor da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China, o principal organismo de planeamento económico do país, anunciou que as estimativas para este ano prevêem que os chineses façam até 9,5 mil milhões de viagens durante o ‘chunyun’. Caso esta previsão esteja correcta, constituirá um novo recorde histórico, ultrapassando o máximo registado em 2024: 9,02 mil milhões de viagens. De acordo com as estimativas oficiais, as viagens de comboio podem atingir 540 milhões, enquanto as viagens aéreas deverão rondar 95 milhões, ambos potenciais máximos históricos para este período. O ‘chunyun’ é frequentemente usado como indicador da actividade económica do país, num contexto em que a China procura impulsionar o consumo e os serviços como motores da procura interna, que ainda não recuperou totalmente desde a pandemia.