Imobiliário | Segundo trimestre com preços mais baixos em 13 anos

A menor disposição dos bancos na concessão de empréstimos para a compra de imóveis, o maior controlo de capitais no Interior da China e a incerteza sobre a subida dos juros nos Estados Unidos são nuvens negras que pairam sobre o mercado imobiliário local

 

O mercado imobiliário de Macau registou o preço médio por metro quadrado mais baixo em 13 anos no segundo trimestre deste ano, segundo dados publicados ontem pela agência imobiliária Centaline Property. De acordo com um relatório de mercado da Centaline Macau e Hengqin, o preço médio por metro quadrado para imóveis residenciais atingiu os 68.000 dólares de Hong Kong, uma queda de 4 por cento em relação ao mesmo período do ano passado.

Depois de ter atingido um pico de 72.634 dólares de Hong Kong no primeiro trimestre, a agência apontou que o valor caiu para 68.000 dólares de Hong Kong no segundo trimestre. A empresa acrescenta que o mercado local vai continuar a atravessar um período difícil até ao final do ano. A posição foi tomada na quarta-feira, através do balanço da empresa sobre os primeiros seis meses do ano.

O director-geral da sucursal da Centaline em Macau e Hengqin, Pun Chi Meng, explicou que o mercado tem de lidar com três desafios: a restrição dos bancos nos empréstimos para compra de imóveis, o maior controlo dos fluxos de capital no Interior da China e as alterações nas taxas de juro.

“Os bancos estão a aprovar cada vez menos pedidos de hipotecas, sobretudo ao nível dos imóveis comerciais, em que deixaram de aceitar os pedidos de financiamento, e também nas hipotecas de habitação, em que aplicam critérios cada vez mais rigorosos”, explicou Pun. “Também recentemente, as autoridades chinesas começaram a travar de forma mais intensa as saídas de capital para o exterior, o que fez com que o número de compradores em Hong Kong e Macau tenha reduzido em Junho”, revelou.

Ao mesmo tempo, a incerteza sobre o aumento da taxa de juros pela Reserva Federal Americana nos próximos seis meses contribui para afastar mais pessoas do mercado imobiliário. Ainda em relação ao mercado da habitação, Pun explicou que “muitos proprietários foram impacientes e reduziram o preço para garantir a venda das habitações”. Por isso, os “dados mostraram que os preços de muitas das transacções habitacionais ficaram em níveis historicamente baixos”.

Em relação às lojas nos bairros comunitários, o agente da Centaline indicou que, devido a um “ambiente de negócios complicado” gerado pela “concorrência do Interior da China e do comércio electrónico”, “não só o preço das transacções ficou mais baixo, mas o mesmo aconteceu com as rendas e a taxa de ocupação”, que afirmou terem atingido “mínimos históricos”.

Rendas baixas

No balanço, e com base nos dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), o director da Centaline, Jack Lei, apontou que, na primeira metade deste ano, o volume das transacções de lojas foi de 149, representando uma queda de 20 por cento em termos anuais.

No entanto, revelando uma tendência oposta, Lei indicou que na zona central ou nas zonas dos casinos no NAPE as rendas continuam a subir para uma média de 65 patacas por pé quadrado e 77 patacas por pé quadrado, respectivamente.

Contudo, Jack Lei disse que nos bairros comunitários, tal como na zona da Rua de Horta e Costa e na Rua da Barca, a taxa de ocupação é baixa e o valor médio da renda é de 20 patacas por pé quadrado. Jack Lei ainda vincou que, devido ao impacto do encerramento dos casinos-satélite, a taxa de desocupação de lojas da ZAPE subiu para 13 por cento no segundo trimestre, uma ocupação considerada “péssima”.

Segurança nacional | Secretário promete “construir barreiras” em Macau

O 105º aniversário do PCC motivou reacções calorosas de todos os quadrantes do poder executivo, judicial e legislativo da RAEM. O secretário para a Segurança prometeu “construir barreiras na segurança nacional” e Sam Hou Fai garantiu que vai implementar o pensamento de Xi Jinping

 

O estabelecimento do Partido Comunista da China (PCC) foi há 105 anos, efeméride que não passou ao lado da RAEM, com os titulares de todos os altos cargos nos poderes executivo, legislativo e judicial a reagirem com uma série de comunicados.

Um deles foi Chan Tsz King, secretário para a Segurança, que prometeu “construir barreiras na segurança nacional”, para que “Macau seja ‘pioneiro da era e um pilar da nação chinesa'”. A ideia, referida pelo governante numa nota divulgada pela secretaria para a Segurança, é que o Executivo possa “fornecer uma sólida garantia de segurança para o desenvolvimento da diversificação adequada da economia de Macau e a implementação estável e duradoura do regime ‘um país, dois sistemas'”.

“Perante a actual intricada conjuntura geopolítica externa, a nossa tutela continuará a persistir no ‘pensamento baseado em pressupostos de situações mais desfavoráveis’ e, de acordo com as novas exigências da perspectiva geral da segurança nacional, envidará todos os esforços para manter a estabilidade a longo prazo da RAEM”, adiantou o secretário.

Já Tong Hio Fong, Procurador do Ministério Público (MP) da RAEM, referiu que “todo o pessoal do MP tomará o espírito do importante discurso do Presidente Xi Jinping como orientação da sua actuação”, um comentário partilhado por todos os titulares de altos cargos.

Na nota oficial divulgada pelo seu gabinete, o Procurador assegurou também que o MP “reprimirá severamente os diversos actos ilícitos e criminosos que ponham em causa a segurança nacional e a ordem social”, além de “fazer valer a força do Estado de Direito para salvaguardar a equidade e a justiça sociais, bem como para proteger os direitos e interesses legítimos dos residentes”.

Já Sam Hou Fai, Chefe do Executivo, referiu, segundo uma nota divulgada pelo Gabinete de Comunicação Social, que “no actual e futuro período o Governo da RAEM, todos os sectores sociais, irão trabalhar de mãos dadas para implementar plenamente o pensamento do Presidente Xi Jinping sobre o socialismo com características chinesas para uma nova era”.

Lembrando o discurso de Xi Jinping quanto à ideia de que “promover a prosperidade e a estabilidade a longo prazo de Hong Kong e Macau é essencial para a revitalização nacional”, o Chefe do Executivo prometeu “incentivar todos os residentes de Macau, sobretudo a geração mais jovem, a assumir a responsabilidade histórica do renascimento da nação chinesa, a par dos compatriotas, e a partilhar as grandes glórias da próspera e forte Pátria”. Além disso, apelou a que lutem “incansavelmente para realizar a construção de um país forte e a revitalização da grandiosa nação chinesa”.

No caso do Comissariado contra a Corrupção (CCAC), liderado por Ao Ieong Seong, sublinha-se, numa nota oficial, que esta entidade “irá atender às exigências do Presidente Xi Jinping e impulsionar o reforço da eficácia da governação da RAEM de acordo com a lei, através da construção de uma sociedade íntegra, proporcionando garantias de integridade no desenvolvimento económico e social”.

Um dos exemplos de actuação dados por Ao Ieong Seong é o alinhamento, por parte do CCAC, “com a Lei de Combate à Corrupção Transfronteiriça, a ser implementada pelo País”. O objectivo é que o CCAC se articule “com a política nacional de combate à corrupção”, desenvolvendo “as suas funções para reforçar o mecanismo de cooperação com as instituições anti-corrupção do Interior da China e de Hong Kong”.

Foco nas fronteiras

Por sua vez, Adriano Marques Ho, director-geral dos Serviços de Alfândega (SA), declarou que o organismo que dirige irá focar-se no “posicionamento de desenvolvimento [da RAEM] na ‘Integração entre Macau e Hengqin’” e também na Grande Baía. Para isso, os SA prometem “utilizar meios tecnológicos como megadados e inteligência artificial para reforçar o trabalho de supervisão”.

Também Leong Man Cheong, comandante-geral dos Serviços de Polícia Unitários (SPU), disse que “o importante discurso do Presidente Xi Jinping reflecte uma visão abrangente, profunda e significativa, que inspira e impulsiona em direcção à implementação do princípio ‘um país, dois sistemas'”.

Neste contexto, as forças de segurança de Macau irão “absorver o espírito do discurso importante, transformando-o numa forte força motriz e em acções concretas para promover o trabalho policial”. O dirigente máximo dos SPU adiantou ainda que irá “aplicar com firmeza a visão geral da segurança nacional, aprofundar continuamente a cooperação regional na aplicação da lei policial e aperfeiçoar os mecanismos de resposta a emergências em matéria de protecção civil”.

Ao Ieong U, dirigente máxima do Comissariado de Auditoria (CA), explicou que, “desde o início do mandato do actual Governo, o CA tem procurado responder de forma activa às orientações gerais da governação e planos estratégicos da RAEM, adoptado métodos de auditoria adequados e inovadores”, além de se procurar assegurar “que os resultados das auditorias reflectem fielmente a realidade”.

A ideia, segundo a comissária, é que “eventuais problemas se agravem ou que surjam riscos sistémicos” em termos de gastos públicos em Macau, disse Ao Ieong U.

O Presidente da Assembleia Legislativa, André Cheong, também afirmou que o discurso do Presidente Xi foi “altamente inspirador e motivador, para os cidadãos de Macau e todo o povo do País, que se sentem muito orgulhosos pelos feitos alcançados pelo País e por serem membros da nação chinesa”. André Cheong salientou a importância de “defender conscientemente o princípio da predominância do poder executivo” e assegurar que não falta apoio ao Governo, ou usurpação na fiscalização ao poder executivo.

Wang Yi apela a Estados Unidos e Irão para manterem negociações

O chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, defendeu a manutenção do impulso negocial entre Estados Unidos e Irão, apesar da fragilidade do actual cessar-fogo, numa reunião, em Pequim, com o homólogo saudita, Faisal bin Farhan Al Saud.

Segundo um comunicado divulgado pelo ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang afirmou na terça-feira que a China “vê com bons olhos” o início das negociações entre Washington e Teerão.

O chefe da diplomacia chinesa sustentou que os acontecimentos demonstraram, uma vez mais, que “competir pela força não traz paz nem estabilidade” e que o diálogo é a única via para evitar nova escalada. Wang afirmou que, “embora o actual cessar-fogo continue frágil, é melhor dialogar do que combater, e o diálogo é preferível ao confronto”, apelando à preservação e aplicação do memorando de entendimento alcançado entre os Estados Unidos e o Irão.

“O essencial é manter e aplicar devidamente o memorando de entendimento, preservar o impulso das negociações, superar as dificuldades e interferências e esforçar-se por alcançar, o mais rapidamente possível, um acordo global aceite pelos Estados Unidos e pelo Irão, apoiado pelos países da região e bem acolhido pela comunidade internacional”, acrescentou.

Wang afirmou ainda que a China está disponível para trabalhar com a Arábia Saudita na redução das tensões e para contribuir para uma “paz e estabilidade duradouras” no Médio Oriente, além de apoiar um papel mais relevante de Riade nos assuntos internacionais e regionais.

Regresso à normalidade

Faisal bin Farhan afirmou que a Arábia Saudita aprecia o “papel construtivo” desempenhado pela China na promoção da redução das tensões no Médio Oriente e espera cooperar com Pequim para favorecer o regresso da paz e da estabilidade à região “o mais rapidamente possível”, segundo o mesmo comunicado. O ministro saudita acrescentou que Riade atribui grande importância às relações com a China e pretende aprofundar a cooperação bilateral.

A reunião realizou-se após a recente cessação das hostilidades entre o Irão, os Estados Unidos e Israel, que permitiu aliviar as tensões na região e reabrir parcialmente o trânsito no estreito de Ormuz, uma rota estratégica para o abastecimento energético mundial.

A China, que condenou repetidamente os ataques contra o Irão, apelou igualmente ao respeito pela soberania e segurança dos países do Golfo, com os quais mantém estreitas relações políticas e comerciais. Pequim tem defendido de forma consistente uma solução negociada para o conflito, reclamando um cessar-fogo e insistindo na necessidade de restabelecer a livre navegação no estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 45 por cento das importações chinesas de petróleo e gás.

Licença de maternidade | Entrada em vigor antecipada

A actualização da licença de maternidade para 90 dias, estabelecida pela alteração à lei das relações de trabalho, passará a vigorar no dia seguinte à data da publicação do diploma no Boletim Oficial (BO), em vez de no dia 1 de Janeiro do próximo ano, como estava previsto anteriormente.

Segundo noticiou o jornal Ou Mun, a antecipação ocorre para que as grávidas possam gozar mais rapidamente do benefício, explicou a deputada Wong Kit Cheng, que preside à 1ª Comissão permanente da Assembleia Legislativa (AL).

A comissão, que analisa na especialidade as alterações à lei laboral, reuniu na terça-feira. A proposta que está em cima da mesa visa que os dias de licença passem dos actuais 70 para 90, sendo que 60 destes têm de ser gozados imediatamente após o parto. Os restantes 30 podem ser gozados quando a mulher quiser, antes ou depois de dar à luz.

A proposta de lei sugere também um subsídio adicional a empregadores à licença de maternidade, de 20 dias, combinando-se os actuais 14 dias após a entrada em vigor da proposta de lei. A partir de 1 de Janeiro de 2027, o Governo passará a subsidiar esses 20 dias, enquanto os restantes 14 são pagos pelos empregadores.

Função Pública | ATFPM em Seul para reunião de organização internacional

A Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) está desde ontem na capital da Coreia do Sul para participar na reunião anual sub-regional da Ásia Oriental da Public Services International (PSI), organização sindical global que congrega associações de trabalhadores da função pública de cerca de 160 países.

Segundo um comunicado divulgado ontem pela ATFPM, “durante os dois dias de trabalhos, estão a ser abordadas questões como a precarização dos direitos laborais, a qualidade e as condições nos locais de trabalho, os fenómenos de migração e emigração de trabalhadores, bem como a segurança no trabalho”.

Durante a reunião, Pereira Coutinho afirmou que em Macau “os direitos dos trabalhadores da função pública estão devidamente protegidos pela legislação da RAEM”, e que a ATFPM “mantém um diálogo profícuo com o Governo nas matérias de alteração legislativa sobre os direitos e deveres dos funcionários públicos.” Já Rita Santos destacou “o grande aperfeiçoamento das leis que defendem os direitos das mulheres em Macau após o estabelecimento da RAEM”.

Segurança | Queda de avião poderá reforçar controlo sobre aviação

Analistas consideram que o embate de um avião ligeiro contra a Torre Citic, em Pequim, expôs uma rara falha de segurança na capital chinesa e poderá desencadear purgas e reforçar o controlo sobre a aviação privada.

O acidente ocorreu na semana passada, quando uma aeronave de pequena dimensão embateu na fachada leste do edifício mais alto de Pequim, a Torre Citic, também conhecida como “China Zun”, provocando a morte do piloto e ferimentos em 13 pessoas.

O incidente foi rapidamente envolvido por um forte dispositivo de segurança e por um apertado controlo da informação. Os funcionários do conglomerado estatal Citic receberam instruções para não falar sobre o acidente, enquanto as autoridades impuseram um perímetro policial em redor do edifício e limitaram a cobertura do caso nos órgãos de comunicação social e nas redes sociais.

O voo levanta questões delicadas para as autoridades responsáveis pela segurança da capital, uma das cidades mais vigiadas do mundo, onde o Partido Comunista Chinês mantém uma política de tolerância zero em relação a incidentes que possam afectar a estabilidade.

Citado pelo Financial Times, o professor de Ciência Política da Claremont McKenna College, Minxin Pei, classificou o episódio como “sem precedentes”, considerando que revela “uma enorme falha de segurança” e poderá ter consequências para os responsáveis pelo dispositivo de proteção da capital.

Outro especialista ouvido pelo jornal, James Char, da S. Rajaratnam School of International Studies, em Singapura, afirmou que o incidente terá impacto político por poder transmitir aos adversários da China a imagem de vulnerabilidades na defesa de Pequim, embora tenha salientado que as autoridades dispunham de muito pouco tempo para reagir.

PCC | Xi sugere modelo chinês e sublinha que a China é “construtora da paz”

No discurso que marcou o 105º aniversário do Partido Comunista Chinês, Xi Jinping afirmou que a China conseguiu em poucas décadas o que os países desenvolvidos demoraram séculos a atingir, exaltando o modelo chinês como exemplo a seguir. O Presidente defendeu ainda que o PCC esteve sempre do lado certo da história

 

O Presidente chinês, Xi Jinping, propôs ontem a industrialização conseguida na China como novo modelo de progresso para os países em desenvolvimento. Xi, que cumpre o 14.º ano no poder, afirmou que a China alcançou “em poucas décadas” aquilo que os países desenvolvidos demoraram “séculos” a conseguir.

“Defendemos a construção de uma comunidade com um futuro partilhado para a humanidade, oferecendo a sabedoria, as soluções e a força da China para enfrentar os grandes desafios da humanidade”, afirmou Xi, durante a cerimónia que assinalou o 105º aniversário da fundação do Partido Comunista Chinês (PCC), no Grande Palácio do Povo, em Pequim.

A China, que há muito contesta a predominância dos Estados Unidos na ordem internacional, tem defendido que não pretende substituir o sistema internacional, mas reformá-lo de forma a reflectir melhor os interesses dos países em desenvolvimento.

No discurso, o Presidente chinês afirmou que o mundo entrou numa nova fase de turbulência e transformação, colocando a humanidade “numa encruzilhada”, e reiterou o compromisso de promover um “novo tipo de relações internacionais” para impulsionar a paz e o desenvolvimento mundiais.

As declarações retomaram vários dos temas centrais do discurso proferido por Xi no centenário do PCC, em 2021, incluindo a necessidade de reforçar as capacidades militares da China e de concretizar a “reunificação” com Taiwan.

O líder chinês defendeu ainda que “resolver a questão de Taiwan” e alcançar a “reunificação” da China constitui uma “tarefa histórica” do Partido Comunista Chinês. Além disso, apelou ao aprofundamento dos intercâmbios e da integração entre as duas margens do estreito de Taiwan e prometeu combater de forma “firme” as “forças separatistas” favoráveis à “independência de Taiwan” e a “ingerência externa”, numa referência indirecta aos Estados Unidos.

Eliminar vírus internos

O líder chinês defendeu a aceleração do processo de modernização das Forças Armadas para atingir “padrões de nível mundial”, reiterando, ao mesmo tempo, a necessidade de preservar a liderança absoluta do Partido Comunista sobre os militares. Nos últimos anos, vários generais de alta patente foram afastados no âmbito da campanha anticorrupção promovida por Xi, que analistas consideram também servir para reforçar a lealdade das Forças Armadas à liderança chinesa.

Xi Jinping afirmou que o PCC deve “eliminar todos os vírus” que corroem o “organismo saudável” e a pureza do partido, para que “nunca mude de natureza nem de cor”, numa passagem dedicada à disciplina interna. A mensagem surge após vários anos de campanha anticorrupção e de purgas que atingiram altos responsáveis civis e militares, incluindo antigos dirigentes do Exército de Libertação Popular e membros da cúpula do partido.

Numa nota mais positiva, o secretário-geral do PCC afirmou que a China é “construtora da paz mundial”, “contribuinte para o desenvolvimento global” e “defensora da ordem internacional”. O líder chinês argumentou que ao longo de 105 anos, o PCC “esteve sempre do lado certo da História e do progresso da civilização humana” e sustentou que a “modernização chinesa” ampliou as vias de desenvolvimento para os países do Sul Global.

China | Regras duras para investimentos no estrangeiro devido a segurança nacional

A China reforçou ontem o controlo sobre os investimentos no estrangeiro, com a entrada em vigor de novas regras destinadas a salvaguardar a “segurança nacional” em sectores considerados sensíveis, num contexto de rivalidade tecnológica com os Estados Unidos.

As novas disposições, anunciadas inicialmente em 1 de Junho, conferem às autoridades um quadro jurídico mais abrangente para orientar e controlar os fluxos de capitais e de trabalhadores qualificados da China para o exterior.

Pequim considera áreas como a inteligência artificial (IA), os semicondutores e as tecnologias verdes fundamentais do ponto de vista económico e estratégico, procurando acelerar o seu desenvolvimento no país. Em simultâneo, as medidas visam “melhorar a qualidade e o nível dos investimentos no exterior”, segundo o regulamento divulgado pelo Governo chinês.

Os investimentos internacionais deverão respeitar o conceito de “segurança nacional global”, procurando simultaneamente “equilibrar as considerações nacionais e internacionais”, refere o documento.

Na prática, o novo quadro permite ao Governo submeter a escrutínio investimentos ou transferências susceptíveis de afectar a “segurança nacional”, numa altura em que Pequim mantém uma postura cautelosa em relação às transações transfronteiriças.

Em Abril, o principal organismo de planeamento económico da China bloqueou a tentativa da empresa norte-americana Meta, proprietária do Facebook, de adquirir a ‘startup’ de inteligência artificial Manus, criada por uma empresa fundada na China, apesar de esta estar actualmente sediada em Singapura.

Ao abrigo das novas regras, as restrições às transações internacionais deixam de abranger apenas a transferência de bens e dados, passando também a incluir a exportação de serviços, como o envio de especialistas técnicos para o estrangeiro ou a realização de acções de formação fora da China.

Margem larga

As medidas suscitaram preocupações entre alguns investidores, que receiam que o reforço do controlo limite a capacidade do sector tecnológico chinês de aceder aos mercados internacionais.

A Comissão de Revisão Económica e de Segurança Estados Unidos–China (US-China Economic and Security Review Commission) considerou, esta semana, nas redes sociais, que o endurecimento das regras “reforça uma tendência” que acompanha “há vários meses”.

Em Maio, a comissão bipartidária norte-americana alertou que, “como acontece frequentemente com as leis chinesas relacionadas com a segurança nacional”, as autoridades dispõem de uma ampla margem para determinar o que constitui uma infração, aumentando os riscos para as empresas estrangeiras estabelecidas na China.

Sul do país prepara-se para o primeiro tufão do ano. Macau com sinal 3 esta sexta-feira

O Centro Meteorológico Nacional da China emitiu ontem o primeiro aviso de tufão do ano, prevendo que o fenómeno atinja as províncias de Hainan e Guangxi na sexta-feira e sábado, respectivamente. Em Macau, o sinal 3 de tempestade tropical será içado entre a madrugada e manhã desta sexta-feira, 3. O sinal 1 de tempestade tropical foi, entretanto, içado pelos Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG).

Segundo informação disponibilizada pelos SMG, prevê-se que “a depressão tropical localizada na parte central do Mar do Sul da China se intensifique gradualmente nos próximos dias”, deslocando-se “em direcção à Ilha de Hainan e Golfo de Tonquim”. Assim, esta sexta-feira os SMG esperam que o “vento se intensifique gradualmente em Macau, podendo atingir o nível 6, com aguaceiros frequentes”. Podem ainda “haver ventos fortes no final da semana, acompanhados de aguaceiros fortes e trovoadas”.

Os SMG explicam ainda que “a depressão tropical está a uma certa distância de Macau”, além de que “a [possibilidade de] ocorrência de ‘storm surge’ [inundações] é baixa”. Tal deve-se ao facto de, nos últimos dias, a região não ter estado “num período de maré astronómica”, embora a população deva “prestar atenção às inundações provocadas pelas chuvas torrenciais”.

Entretanto, o Centro Meteorológico Nacional da China indicou esta quarta-feira que a precipitação em algumas zonas de Guangxi e da ilha de Hainan poderá aproximar-se de valores recorde para esta época do ano, apelando à adoção antecipada de medidas de prevenção.

Após atingir inicialmente a costa entre o leste de Hainan e o oeste da província de Guangdong, amanhã, o tufão deverá atravessar a ilha e seguir para o golfo de Beibu, onde voltará a tocar terra, desta vez na costa de Guangxi, no sábado, enfraquecendo gradualmente depois. Segundo as previsões, são esperadas chuvas muito intensas nas províncias de Hainan, Guangxi, Yunnan, Guangdong, Guizhou e Hunan, com precipitação extremamente forte em alguns locais.

Os meteorologistas alertaram em particular para Guangxi, onde a chuva persistente dos últimos dias provocou uma elevada acumulação de água, aumentando o risco de inundações e outros desastres.

O Silêncio que Ilumina: o verdadeiro sentido do Chan (禅) na cultura chinesa

Por Guo Kehang

Introdução

Quando se fala de Chan (禅, chán) no contexto da cultura chinesa, é comum procurar nele uma utilidade imediata: uma técnica para reduzir a ansiedade, uma filosofia de equilíbrio, um método de aperfeiçoamento individual ou uma forma de serenidade adaptável à vida moderna. Essa expectativa revela, desde logo, a dificuldade contemporânea de compreender uma tradição que não nasceu para obedecer à lógica da eficácia, da produtividade ou da aplicação prática. O Chan resiste à tentação de se converter em instrumento. A sua força reside precisamente nessa resistência silenciosa: não promete resultados visíveis, não oferece receitas rápidas, não transforma a existência num problema técnico à espera de solução.

Na tradição chinesa, o Chan aproxima-se de uma disposição interior, de uma forma de atenção ao mundo, de uma consciência que aprende a permanecer diante da complexidade da vida sem a reduzir imediatamente a explicações. Ele não exige a eliminação da dúvida, da dor ou da contradição; propõe antes uma relação mais profunda com aquilo que, na experiência humana, permanece instável, incompleto e difícil de nomear. Talvez por isso tenha atravessado séculos sem perder a sua vitalidade: a sua permanência não depende de respostas definitivas, mas da capacidade de alterar, de modo quase impercetível, a forma como cada indivíduo se coloca perante as perguntas fundamentais da existência.

Ao longo da história chinesa, o Chan ultrapassou o espaço estritamente religioso e inscreveu-se numa sensibilidade cultural mais ampla. A sua presença pode ser encontrada nos mosteiros e nos textos budistas, mas também no chá bebido lentamente, na contemplação das montanhas, na caligrafia executada sem pressa, na escuta da chuva, no silêncio que se instala entre duas pessoas que já não precisam de falar para se compreenderem. O Chan tornou-se, assim, uma arte discreta de habitar o mundo: uma forma de presença, de contenção e de lucidez.

A importância daquilo que escapa à utilidade

A sociedade contemporânea tende a avaliar quase tudo a partir da utilidade. O conhecimento deve gerar emprego, as técnicas devem resolver problemas, o tempo deve produzir resultados, e até o repouso é frequentemente justificado como estratégia para aumentar a produtividade futura. Nesse horizonte, o Chan surge como uma espécie de contracorrente silenciosa, pois recorda que certas dimensões essenciais da vida humana não se deixam medir por critérios de eficiência.

Na tradição chan, aquilo que parece inútil pode sustentar o espírito com mais profundidade do que aquilo que se apresenta como imediatamente funcional. Uma árvore antiga, uma pedra no jardim, um poema breve, uma chávena de chá, uma respiração observada com atenção: nada disto produz, no sentido económico do termo, e ainda assim tudo isto pode devolver ao ser humano uma relação mais inteira consigo mesmo. O inútil, neste contexto, não significa ausência de valor; significa libertação em relação à obsessão pelo proveito.

Podemos pensar numa empresa para compreender esta lógica de modo simples. Os funcionários executam tarefas, os gestores organizam processos, os departamentos produzem resultados visíveis. O diretor-presidente, observado de fora, pode parecer alguém que intervém pouco na execução concreta do trabalho diário. Porém, a sua função consiste em dar orientação, identidade e sentido ao conjunto. De forma semelhante, no ser humano, o conhecimento executa, os métodos organizam, mas a sabedoria interior orienta.

O Chan ocupa esse lugar silencioso da orientação profunda. Ele não retira a dor do mundo, nem transforma a vida numa superfície lisa, pacificada e sem conflito. Atua antes sobre a forma como a dor se instala dentro de nós, sobre o modo como nos prendemos aos acontecimentos, às perdas, às expectativas e às imagens que construímos de nós próprios. A dificuldade permanece, mas deixa de dominar inteiramente a consciência; o sofrimento existe, mas perde parte do seu poder de nos aprisionar.

Talvez a sabedoria chinesa mais profunda tenha sido sempre transmitida por vias subtis: gestos, atmosferas, pausas, rituais domésticos, modos de servir o chá, maneiras de olhar a paisagem ou de permanecer em silêncio perante o que ainda não pode ser compreendido. O Chan pertence a essa linhagem de conhecimentos que não gritam, não se impõem e não procuram convencer; aproximam-se lentamente, como a luz que entra numa sala antes de alguém reparar nela.

2. O que a linguagem não consegue possuir

A tradição chan resume frequentemente a sua essência através de três formulações fundamentais: aquilo que não se pode dizer, aquilo que não é necessário dizer e aquilo que não se deve dizer. À primeira vista, estas ideias parecem negar a linguagem; na verdade, revelam uma consciência muito fina dos seus limites.

A primeira dimensão diz respeito ao indizível. O Chan procura um despertar interior que ultrapassa a linguagem comum, porque a experiência viva, quando é fixada em palavras, perde parte da sua mobilidade original. Como afirma o Laozi (老子), “o Caminho que pode ser narrado não é o Caminho eterno” — 道可道,非常道. As palavras organizam o mundo, permitem comunicar, ensinar e preservar a memória; ao mesmo tempo, delimitam, simplificam e, por vezes, encerram aquilo que ainda deveria permanecer aberto. A experiência chan é fluida, direta e difícil de aprisionar em conceitos estáveis.

A segunda dimensão refere-se à desnecessidade da explicação. Um dos princípios centrais do Chan afirma:

“不立文字,直指人心,见性成佛”
Bù lì wénzì, zhí zhǐ rénxīn, jiànxìng chéngfó

A expressão pode ser traduzida como: “sem assentar nas palavras escritas, apontar diretamente para o coração humano, ver a própria natureza e tornar-se Buda”. O despertar, segundo esta perspetiva, não nasce apenas do estudo, da acumulação de doutrinas ou da análise racional. Surge da experiência direta, da atenção ao instante, da perceção súbita daquilo que sempre esteve presente e, contudo, permanecia obscurecido pela agitação mental.

A terceira dimensão prende-se com a reserva. Certas compreensões perdem autenticidade quando são expostas de forma demasiado rápida, demasiado lógica ou demasiado explicativa. Há experiências que amadurecem apenas na interioridade, como frutos que precisam de silêncio para ganhar sabor. No Chan, algumas verdades só se tornam reais quando atravessadas pela prática, pela observação de si e pela convivência paciente com o tempo. A palavra, nesses casos, chega sempre depois; descreve as margens, mas raramente alcança o centro.

3. O Chan na vida quotidiana chinesa

Quando era criança, imaginava que o Chan pertencia apenas aos templos budistas, aos monges das montanhas ou aos antigos mestres sentados em meditação. Parecia-me uma realidade distante da vida comum, envolta numa espécie de solenidade religiosa e inacessível. Com o passar dos anos, comecei a perceber que muitos comportamentos tradicionais chineses guardam uma sabedoria chan implícita, mesmo quando ninguém lhes dá esse nome.

Recordo-me de que, durante conflitos familiares, a minha avó raramente discutia de forma direta. Em vez de responder imediatamente, preparava chá em silêncio, colocava as chávenas sobre a mesa e deixava que o ambiente se reorganizasse pouco a pouco. Na altura, essa atitude parecia-me evasiva ou difícil de compreender. Hoje percebo que havia ali uma lógica profundamente chinesa: certas emoções, quando confrontadas com violência verbal, tornam-se mais turvas; quando recebem tempo, assentam lentamente, como a lama suspensa na água depois de a corrente acalmar.

O Chan manifesta-se muitas vezes nesses gestos discretos da vida quotidiana: no hábito de contemplar a chuva sem procurar uma conclusão, no prazer de beber chá sem pressa, na caligrafia realizada como extensão da respiração, na observação das montanhas e da água, na capacidade de permanecer quieto sem transformar o silêncio em desconforto. A sua presença raramente assume a forma de uma declaração; aparece antes como uma tonalidade, uma maneira de estar, um ritmo interior.

Esta dimensão distingue o Chan chinês de muitas imagens exotizadas que circulam no Ocidente. Reduzi-lo a uma estética minimalista, a uma técnica de meditação ou a uma decoração espiritual empobrece a sua espessura cultural. O Chan está ligado à forma chinesa de sentir o tempo, de compreender a relação entre quietude e movimento, de aceitar a impermanência das coisas e de reconhecer que o mundo não precisa de ser inteiramente dominado pela explicação para ser profundamente vivido.

4. Os gong’an (公案): histórias que abrem fendas na razão

Embora valorize o silêncio, a tradição chan recorreu frequentemente a pequenas histórias conhecidas como gong’an (公案). Estas narrativas não pretendem transmitir uma moral simples nem conduzir o discípulo a uma resposta lógica. Funcionam antes como golpes breves na rigidez do pensamento, como fendas abertas no hábito de compreender tudo através da razão discursiva.

Um exemplo clássico conta a história de um jovem monge que interrogava incessantemente o seu mestre. A cada pergunta, o mestre respondia apenas: “Não sei.” A repetição dessa resposta irritava o discípulo, habituado a procurar ensinamentos claros, fórmulas estáveis e explicações capazes de organizar a sua inquietação. Um dia, enquanto remexia sozinho as cinzas do fogão, viu uma pequena chama escondida entre as brasas. Nesse instante, compreendeu algo que nenhuma resposta anterior poderia ter transmitido e disse:

“深深拨,有些子;平生事,只如此。”
“Mexendo fundo, encontra-se algo; os assuntos da vida são apenas assim.”

A força desta história não está na possibilidade de descobrir uma interpretação correta. Cada pessoa compreende um gong’an a partir da sua própria experiência, do seu grau de maturidade, da sua dor, da sua atenção e da sua disponibilidade interior. A sabedoria, no Chan, não se impõe de fora para dentro; desperta quando a consciência se torna capaz de reconhecer, num acontecimento mínimo, uma verdade que já a habitava de forma obscura.

Os gong’an ensinam precisamente porque recusam ensinar de modo convencional. Interrompem a expectativa de sentido imediato, deslocam a mente do terreno seguro da explicação e obrigam o indivíduo a encontrar, dentro de si, uma outra forma de compreensão. Por isso, continuam a fascinar: parecem pequenos enigmas, mas atuam como espelhos.

5. O Chan e a vida moderna

O Chan mantém uma pertinência particular no mundo contemporâneo, marcado pela velocidade, pelo excesso de informação, pela ansiedade permanente e pela dispersão da atenção. Vivemos rodeados de estímulos, notificações, imagens, opiniões e exigências de desempenho. A consciência torna-se fragmentada, sempre chamada para fora de si, sempre ocupada com o próximo objetivo, o próximo receio, a próxima comparação.

Neste contexto, o Chan convida a recuperar uma relação mais silenciosa com a própria interioridade. Observar os pensamentos sem se confundir inteiramente com eles, aceitar a solidão sem a transformar em ameaça, libertar-se da fixação obsessiva no passado e no futuro, desenvolver uma clareza que não depende da acumulação de respostas: estes gestos tornam-se formas de resistência íntima perante uma época que frequentemente confunde movimento com sentido.

A paz, no Chan, não resulta da ausência de problemas. Nasce de uma alteração profunda na relação com eles. O mundo continua instável, as perdas continuam possíveis, o sofrimento continua a visitar a vida humana; contudo, a consciência aprende a não se desintegrar perante cada mudança. A serenidade chan não é anestesia, fuga ou indiferença. É uma presença lúcida no interior da impermanência.

Por essa razão, o “Buda” do Chan pode ser compreendido para além da figura religiosa exterior. Representa uma possibilidade de despertar inscrita na própria vida humana: a capacidade de ver com mais clareza, de permanecer com mais inteireza, de reconhecer a natureza transitória dos fenómenos sem transformar essa transitoriedade em desespero. Tornar-se Buda, neste sentido, significa regressar à própria natureza antes que ela seja obscurecida pelo medo, pelo desejo, pela comparação e pela agitação.

Conclusão

O Chan (禅) representa, na cultura chinesa, uma forma particular de compreender a existência: silenciosa, intuitiva, interior e profundamente ligada à experiência direta da vida. A sua importância não reside numa doutrina fechada, numa técnica de meditação ou numa filosofia abstrata, mas na maneira como ensina a olhar, a esperar, a escutar e a habitar o mundo com maior lucidez.

Ele não promete eliminar o sofrimento humano nem oferecer respostas prontas para as contradições da existência. Ensina antes a transformar a relação com a dor, com o tempo, com o silêncio e com a própria consciência. O seu ensinamento mais profundo talvez seja este: a claridade não surge sempre como revelação súbita ou palavra definitiva; por vezes, nasce lentamente, no espaço entre dois pensamentos, no intervalo entre duas respirações, na chama pequena que permanece escondida sob as cinzas.

Na cultura chinesa, o Chan continua a iluminar precisamente porque não se exibe. Vive nos templos e nos textos, mas também na chávena de chá, na montanha distante, na mão que escreve um carácter com atenção, na avó que escolhe o silêncio para pacificar a casa. O seu verdadeiro sentido talvez esteja aí: numa sabedoria que não precisa de levantar a voz para transformar a forma como o ser humano atravessa o mundo.

Comédia | Wynn Palace apresenta dupla Yue Yunpeng e Sun Yue

Decorre no dia 1 de Agosto um espectáculo de “stand-up comedy” da dupla Yue Yunpeng e Sun Yue no Wynn Palace Grand Theatre, no Cotai, a partir das 20h. Segundo um comunicado do Wynn Palace, trata-se de um regresso a Macau após cinco anos, “numa actuação muito aguardada”.

“Aclamados pelo seu estilo cómico distinto e pela química impecável em palco, a dupla irá apresentar um espectáculo inesquecível, repleto de risos”, numa noite que promete ser “cativante, marcada por uma interacção animada e excelência cómica”.

Yue Yunpeng é também conhecido como “Xiao Yueyue” e juntou-se ao Deyun Society em 2004. “Com uma actuação cénica distinta e um humor característico, conquistou os corações do público por todo o país”. O artista é conhecido pelas actuações “Song of the Fifth Ring” e “I Can’t Stand It”, tendo participado em diversas edições da “Gala do Festival da Primavera” da estação televisiva chinesa CCTV.

Actualmente Yue Yunpeng é tido como “um dos comediantes mais populares no panorama da comédia stand-up chinesa”. Os bilhetes já estão disponíveis, com preços a partir de 888 patacas, na bilheteira online da Wynn.

Julho repleto de eventos, de exposições, desporto, passando pelo design e caligrafia

O Instituto Cultural (IC) levantou o véu sobre o que tem agendado para Julho, com uma programação multifacetada, variando entre pintura, design, voleibol, entre outras propostas.

Um dos destaques será uma exposição sobre o trabalho do pintor Mio Pang Fei, já falecido, intitulada “Contemplações Oriente-Ocidente: Retrospectiva de Mio Pang Fei”. Segundo um comunicado do IC, esta mostra “irá estar patente em breve”, sem que tenha sido mencionado ainda o local, tal como a exposição “sobre o 1º Grupo de Bens Móveis Classificados de Macau”, outra iniciativa agendada pelo IC para este Verão.

Mio Pang Fei nasceu em Xangai, em 1936, mas foi em Macau que viveu praticamente toda a vida, tendo-se firmado como um dos mais conceituados artistas plásticos e uma referência da arte contemporânea chinesa.
Ainda na China interessou-se pela arte contemporânea ocidental, à época tida como anti-revolucionária. No período da Revolução Cultural dedicou-se à caligrafia e arte tradicional chinesa, tendo sido condenado a trabalhos forçados. No ano de 1982 refugiou-se em Macau e descobriu na pintura uma forma de juntar a arte ocidental com a arte chinesa tradicional.

Ainda no campo das exposições, o IC tem patente, no ART (Dot Art), a mostra “A Antiga China no Design Criativo”, até ao dia 7 de Agosto. Segundo a mesma nota, trata-se de uma iniciativa organizada pelo Ministério da Cultura e Turismo da China, coordenada pelo Museu Nacional da China e coorganizada pelo IC.

Apresenta-se aqui “relíquias culturais clássicas de 22 entidades museológicas de todo o país como protótipos de design, apresentando cerca de 400 obras culturais e criativas requintadas”. O objectivo é que o público possa “aprofundar a compreensão dos visitantes sobre os 10000 anos de história cultural e os 5000 anos de civilização da China”.

Desporto para todos

No tocante a actividades desportivas para este verão, decorre entre os dias 22 e 26 de Julho a “Liga das Nações de Voleibol Feminino – Finais Macau 2026 apresentada pelo Galaxy Entertainment Group”, com jogos no Dome – Nave Desportiva dos Jogos da Ásia Oriental de Macau.

A Liga conta com a participação de 18 equipas de elite mundial, que disputarão três rondas preliminares até ao dia 12 de Julho – e que tiveram início a 3 de Junho, sendo que a China “como equipa anfitriã, estará juntamente com as sete equipas melhor classificadas na pontuação, reunindo em Macau na segunda quinzena de Julho para disputar na fase final o título de campeã da Liga deste ano”, pode ler-se.

Destaque ainda para a realização da prova de badminton da categoria aberta, integrada na “Taça Hengqin-Macau” – Série Principal e Série Júnior de 2026, agendada para o dia 9 de Agosto no Dome. As inscrições para a competição estarão abertas a partir do início deste mês.

Este fim-de-semana acontece no Centro Desportivo Olímpico – Campo de Hóquei, o evento “Comunidade Dinâmica – Festival Competitivo de Verão 2026”. O evento alia, segundo a mesma nota, “a vertente lúdico-competitiva ao espírito de equipa, incluindo modalidades adequadas para grupos de jovens e actividades especialmente concebidas para a participação familiar”.

No leque de eventos culturais organizados pelo IC destaca-se também a terceira edição do Festival Internacional de Artes para Crianças de Macau, com espectáculos, ciclo de cinema e workshops até finais de Agosto; ou ainda a actividade “Onde a cultura floresce, a felicidade acontece”, realizada em diversas zonas de lazer, parques, sítios do Património Mundial e museus em Macau e Taipa, “sob a forma de concertos, workshops temáticos e actividades de promoção da leitura”. Por sua vez, o 44º Concurso para Jovens Músicos de Macau, nas categorias da Música Chinesa e Ocidental, terá lugar na segunda quinzena de Julho.

Creative Macau | Elisa Vilaça expõe obras feitas a partir de materiais reciclados

É inaugurada hoje na Creative Macau a exposição “Everything is Created, Everything is Transformed”, que reúne trabalhos de Elisa Vilaça. A mostra da artista e directora da Escola de Artes e Ofícios da Casa de Portugal em Macau reforça a importância da reciclagem e da redução de desperdício

 

A Creative Macau acolhe a partir de hoje uma nova exposição com obras de arte feitas a partir de materiais reciclados, da autoria de Elisa Vilaça, directora da Escola de Artes e Ofícios da Casa de Portugal em Macau (CPM). “Everything is Created, Everything is Transformed” [Tudo é Criado, Tudo é Transformado] é o nome da exposição, que pode ser vista até ao dia 25 de Julho, que revela o potencial artístico de objectos e materiais que, muitas vezes, ficam esquecidos no caixote do lixo.

Ao HM, Elisa Vilaça contou que este projecto “tem como base a reciclagem de materiais”, algo que a artista, também ligada ao universo da criação de marionetas, já faz há algum tempo. “Desde que cheguei a Macau, nos anos 80, que o meu trabalho como educadora de infância sempre se focou muito na reciclagem de materiais, daí ser conhecida entre os professores chineses por Lap Sa Sim San, ou seja, professora do lixo”, disse.

Para Elisa Vilaça, é fundamental “chamar a atenção dos mais jovens para a importância de reciclar e reaproveitar os materiais que são descartados diariamente”, sendo que o foco da artista até passou para a natureza, com o aproveitamento de sementes, folhas secas e até troncos de árvores.

“Juntam-se também os fios de algodão e vários tipos de amostras adquiridas, principalmente nos mostruários dos casinos e, muitas vezes, materiais encontrados em contentores de lixo”, contou ainda. Tudo isto recebe um “tratamento especial para conservação e estético, para que se tornem mais apelativos”, sendo que a mostra na Creative Macau é o resultado destes anos de cuidado e conservação.

“Espero que quem visite a exposição se possa aperceber do potencial que existem nestes materiais”, disse ainda. Elisa Vilaça considera que “o mais importante é ser criativo e olhar para a natureza com mais profundidade”.

“Um ciclo infinito”

Segundo uma nota da Creative Macau, a exposição chama a atenção para o facto de a natureza poder suscitar “um ciclo infinito de criação”, sendo importante reciclar tendo em conta as alterações climáticas e o seu impacto nefasto na sociedade.

“O sol, a chuva e o vento moldam a vida todos os dias, embora estas coisas não sejam visíveis. Cegos pelo ritmo acelerado de uma sociedade que consome e deita fora em segundos, viramos as costas ao que realmente importa. Esquecemo-nos de olhar para o céu; ignoramos a beleza das folhas que caem, das sementes que voam, da madeira flutuante que o mar devolve pacientemente à costa. Mesmo nas suas tempestades ou no seu aparente declínio, a natureza oferece-nos sempre novos começos. Nós, no entanto, estamos a acelerar a morte do nosso planeta”, lê-se na mesma nota.

Desta forma, o trabalho de Elisa Vilaça visa ser também “um manifesto pela mudança”, constituindo “um apelo urgente ao respeito pelo mundo que nos rodeia, uma tarefa que deve começar cedo, nas nossas casas, nas escolas e nas decisões daqueles que nos governam”.

A CPM como elo de ligação

Elisa Vilaça tem cerca de 40 anos de experiência em ensino, nomeadamente ao ensino das artes. Ao HM confessa que o seu trabalho na CPM também se interliga com a vontade de reciclar e criar ao mesmo tempo. “A partir do momento em que comecei a trabalhar na CPM que esse trabalho [de aproveitamento e reciclagem] se foi intensificando, primeiro para reduzir custos de trabalhos realizados, e depois porque [com a reciclagem] os trabalhos ficavam diferentes e mais criativos.”

As aulas de cerâmica foram uma oportunidade para apostar ainda mais no reaproveitamento, sobretudo de “materiais naturais encontrados principalmente em praias, jardins”, ou objectos “recolhidos nos tufões mais severos que afectaram Macau”.

“No meu trabalho na CPM, como formadora em várias áreas, o que sempre digo aos meus alunos é que, se houver criatividade e um olhar de reflexão perante os materiais que têm à frente, tenho a certeza que o trabalho vai ser fantástico. Ter amor no que se cria é o primeiro passo para o sucesso”, disse. Esta mostra não inclui, porém, marionetas, ainda que Elisa Vilaça tenha “bastantes construídas com materiais da natureza, ou que são descartados diariamente”, frisou.

Empréstimo | Homem perde 70 mil yuan em burla

Um homem de meia-idade foi vítima de uma burla, quando tentava obter um empréstimo, que lhe custou 70 mil renminbis.

Segundo a PJ, a vítima é um homem não-residente de Macau. O queixoso relatou que, na segunda-feira, descarregou na Internet uma aplicação de telemóvel para aceder a um crédito. Como pretendia um empréstimo de 500 mil renminbis, os serviços de apoio ao cliente indicaram à vítima que, primeiro, tinha de fazer um depósito de 100 mil renminbis numa conta que ele próprio tinha no Interior da China.

O homem transferiu o dinheiro para a sua conta e ficou à espera do empréstimo. Contudo, como também forneceu os dados bancários da conta, sem se aperceber, quando fez a leitura de um código QR, os 100 mil renminbi foram transferidos para um outra conta.

O homem protestou a transferência junto do serviço a clientes e recebeu de volta 30 mil renminbis. No entanto, foi-lhe dito que o restante ficava retido enquanto o crédito era avaliado. Como não concordou com a retenção do dinheiro, protestou e percebeu que tinha sido burlado.

Crime | Detido por se apropriar de mala esquecida

Um homem foi detido, depois de se ter apropriado de uma mala esquecida dentro de um táxi, segundo informações divulgadas ontem pelo Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP). O homem, do Interior da China, apanhou um táxi no domingo e encontrou a mala. Decidiu ficar com ela e com os objectos no seu interior, que foram avaliados em 117 mil patacas. No entanto, depois de se ter esquecido da mala, a proprietária, turista também do Interior da China, fez queixa à polícia.

As autoridades identificaram o sujeito, que foi detido no dia seguinte no exterior de um hotel no NAPE. Quando foi interrogado, o detido confessou os factos. Dentro da mala estavam um computador portátil, um lote de joias de valor elevado e bens pessoais. A mala de mão tinha sido descartada numa lixeira na Travessa da Amizade, mas acabou por ser localizada pelos agentes. O caso foi encaminhado para o Ministério Público.

Burla | Homem acredita em agentes falsos e perde 48 mil patacas

Um residente local perdeu 48.480 patacas, depois de ter caído numa burla em que os criminosos se fazem passar pela polícia, Ministério Público ou juízes do Interior da China. O caso aconteceu a 26 de Junho, quando a vítima recebeu uma chamada de um número desconhecido. Do outro lado, os burlões, que se apresentaram como polícias de Wuhan, disseram à vítima os seus dados pessoais, como nome, número do documento de identidade e contacto telefónico.

O suspeito acusou a vítima de ter cometido burlas no Interior e exigiu uma videochamada como parte de uma suposta investigação. Durante a videochamada, o criminoso apresentou-se com a farda da polícia, o que ajudou a convencer a vítima a partilhar os dados bancários.

Os dados foram utilizados logo para transferir o dinheiro, enquanto o burlado foi mantido na videochamada, com a desculpa que tinha de aguardar novas instruções. Depois de ficar à espera cerca de duas horas, a vítima viu que o dinheiro tinha sido transferido e percebeu que tinha sido burlada.

Animais | Deputada quer combate à crueldade e abandono

Loi I Weng defendeu a revisão da lei da protecção dos animais, que está em vigor há 10 anos, por não ser suficiente para travar abandonos e penalizar actos cruéis. A deputada sugere também a criação de mais zonas para animais na cidade

 

Desde 2016 que a lei da protecção dos animais vigora em Macau, mas para a deputada Loi I Weng há ainda muito a melhorar na defesa dos direitos dos animais.

Em declarações ao programa matinal Fórum Macau do canal chinês da Rádio Macau, a deputada considerou ser necessário rever a legislação, referindo que o diploma está em vigor há dez anos, sem normas que desincentivem ao abandono de animais e o seu tratamento cruel. Além disso, Loi I Weng considera que é ainda difícil a criminalização de actos cruéis contra animais. “A lei não deve ser apenas uma ferramenta para punir depois de um episódio infeliz, deve também ser um guia para antes da ocorrência desses episódios”, disse.

Ainda assim, a deputada ligada à Associação Geral de Mulheres defende que a protecção dos animais é um dos indicadores de uma sociedade civilizada. “Podemos ver que demos os primeiros passos no desenvolvimento desta área, mas temos ainda um caminho a percorrer até atingir um objectivo ideal. Tanto a lei como as instalações devem acompanhar esta mudança social, sendo necessário aumentar a consciencialização dos donos”, defendeu.

Loi I Weng pede também melhorias nas infra-estruturas urbanas para o acolhimento de animais, como “a criação de zonas para passeio de cães com melhores condições de higiene”, bem como espaços para os animais beberem água ou ainda acções de incentivo para que comerciantes e negócios possam disponibilizar serviços a pensar nos animais de estimação dos clientes.

A deputada diz que os donos têm de assumir as suas responsabilidades cívicas, nomeadamente na recolha dos excrementos dos animais, entre outras acções.

Metro com cães

Quem também participou no debate do programa Fórum Macau foi o vice-presidente do Conselho Consultivo para os Assuntos Municipais do Instituto para os Assuntos Municipais, Kou Ngon Fong. Este referiu que as autoridades de Hong Kong têm lançado várias medidas a pensar nos animais, nomeadamente a permissão da presença de cães em restaurantes e em transportes públicos.

O responsável disse que o Metro Ligeiro poderá aceitar, de forma experimental, animais de estimação, mas é preciso haver consenso social sobre esta matéria, porque há pessoas que têm medo de animais. Kou Ngon Fong acrescentou que é importante pensar no equilíbrio da defesa de direitos de pessoas e animais.

Por seu turno, Aeson Lei, presidente da Associação de Qualidade Verde Marca, afirmou que actualmente cerca de 90 restaurantes em Macau permitem a entrada de animais de estimação. Há ainda 50 estabelecimentos que toleram animais de estimação. Aeson Lei acredita que a aceitação dos animais nestas situações contribui para melhorar a imagem internacional de Macau, além de trazer maior procura aos negócios.

Jogo | Receitas mensais de Junho foram as mais baixas do ano

Os casinos de Macau facturaram mais de 18,5 mil milhões de patacas em Junho, o valor mais baixo do ano e uma queda homóloga de 12,1 por cento, foi ontem anunciado. O mês registou também uma queda de 18 por cento em relação aos 22,6 mil milhões de patacas registados em Maio, de acordo com dados da Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ).

Mesmo com esta descida, na primeira metade do ano, a indústria do jogo no território arrecadou quase 126,9 mil milhões de patacas, um aumento de 6,8 por cento em termos anuais. O banco de investimento Citigroup indicou numa avaliação anterior que o Mundial de futebol estava a ter um impacto nos resultados do jogo em Macau de Junho, devido à menor disponibilidade de jogadores chineses para apostarem no território.

Para os analistas, as apostas no torneio – que decorre até 20 de Julho no Canadá, Estados Unidos e México – estão a levar a uma redução do orçamento que os jogadores normalmente reservam para as mesas do território.

Segundo o Citigroup, a expansão do Mundial, que pela primeira vez conta com a participação de 48 equipas e com um total de 104 jogos, poderá ter um impacto maior no jogo de Macau face às edições anteriores, que duraram menos tempo e tiveram menos jogos. As apostas desportivas não são permitidas no Interior, mas muitos apostadores recorrem a plataformas online ilegais para apostar em eventos desportivos.

Emperor | Receitas caíram 40% após fecho de casino-satélite

A companhia hoteleira Emperor Entertainment Hotel Limited anunciou ontem uma queda de 40 por cento nas receitas após ter sido obrigada a encerrar as operações do casino-satélite que detinha em Macau.

A empresa cotada na bolsa de Hong Kong e proprietária do Grand Emperor Hotel em Macau, reportou receitas totais de 512,2 milhões de dólares de Hong Kong no ano fiscal que terminou a 31 de Março, uma queda de quase 40 por cento face aos 837 milhões de dólares de Hong Kong registados no período anterior.

A empresa gere o The Emperor Hotel e três blocos de apartamentos em Hong Kong, bem como o Grand Emperor Hotel e o Inn Hotel em Macau. Apesar da quebra, as perdas líquidas da companhia reduziram-se para 24,8 milhões de dólares de Hong Kong no mesmo período, face aos 248,1 milhões de dólares de Hong Kong registados no ano anterior, graças à diminuição nas perdas de valor das propriedades do grupo.

As receitas provenientes de hotéis e arrendamento mantiveram-se estáveis em 332,8 milhões de dólares de Hong Kong, representando 65 por cento do total. O encerramento do Casino Emperor Palace, dentro do Grand Emperor Hotel, ocorreu a 31 de Outubro de 2025, depois de uma revisão da Lei do Jogo que determinou a extinção do modelo de casinos satélite.

Após o encerramento do casino, a Emperor anunciou planos para instalar novas infra-estruturas de entretenimento no Grand Emperor Hotel, diversificando a oferta além do jogo. O número de funcionários do grupo foi reduzido de 659 para 349 desde o ano passado, e os custos totais foram reduzidos para 212,4 milhões de dólares de Hong Kong, apontou a companhia.

Jogo | MGM China compra participação na Diaoyutai MGM Hospitality

A Diaoyutai MGM Hospitality é uma empresa de hotelaria do Interior da China, criada em 2007 no âmbito de uma parceria entre o Governo Central e a MGM Resorts International. O negócio custou à concessionária de jogo mais de 160 milhões de patacas

 

A concessionária do jogo MGM China adquiriu a participação da empresa-mãe, a MGM Resorts International, na companhia Diaoyutai MGM Hospitality. A informação foi divulgada numa nota submetida à bolsa de Hong Kong e a transacção foi fechada por 20 milhões de dólares americanos, o que corresponde a cerca de 160,8 milhões de patacas.

A Diaoyutai MGM dedica-se à hotelaria no Interior da China e foi criada em 2007, numa parceria entre a Diaoyutai State Guesthouse, uma empresa do Governo Central, e a gigante americana MGM Resorts International. Quando a parceria foi constituída, a Diaoyutai State Guesthouse ficou titular de 51 por cento do capital social da Diaoyutai MGM Hospitality, enquanto a participação da MGM Resorts era de 49 por cento.

De acordo com a informação enviada à Bolsa de Hong Kong, a aquisição acontece de forma indirecta. A MGM China adquire à empresa-mãe a companhia MGM Asia Pacific Ltd, que, por sua vez, é proprietária de todas as acções da MGM na Diaoyutai MGM Hospitality.

A informação divulgada na terça-feira à noite revelou ainda que a transacção ficou completa a 30 de Junho, e que o pagamento foi feito de uma vez, em dinheiro vivo, com recursos internos da MGM China.

Hotéis no Interior

No comunicado, a MGM China justificou a compra com “uma oportunidade estratégica para o grupo consolidar e fortalecer a sua presença nos sectores de gestão hoteleira e turismo cultural na Grande China”. A empresa explicou ainda que a Diaoyutai MGM Hospitality “estabeleceu uma presença significativa no mercado, com oito hotéis operacionais, um portfólio de mais de 12 projectos activos e acesso a mais de 1,5 milhões de membros do programa de fidelização ‘Mlife’”.

Com a transacção a MGM China assume o “histórico operacional, a plataforma da marca e a rede de relacionamentos que a MGM Hospitality desenvolveu ao longo de quase duas décadas”.
Entre os hotéis da Diaoyutai MGM Hospitality que estão em construção, destaque para o Mirage by MGM Shenzhen, que deverá abrir portas até ao final do ano.

Ano movimentado

A venda da participação na Diaoyutai MGM Hospitality à MGM China acontece numa altura em que está a ser analisada a proposta do grupo People Incorporated para adquirir a totalidade MGM Resorts International.

Segundo a estação televisiva CNBC, a proposta apresentada pelo grupo avaliou a MGM Resorts International em 18 mil milhões de dólares americanos, o que significa um preço de 48,30 patacas por acção. Actualmente, a People Incorporated é titular de 26,1 por cento do capital social da gigante americana.

Depois de ser conhecida a proposta foi tornado público que Pansy Ho vendeu a totalidade das suas acções da MGM Resorts International. Apesar disso, a empresária mantém-se como uma das principais accionistas da MGM China, com 22,49 por cento do capital, a par da MGM Resorts, que controla 55,95 por cento da MGM China.

Desenvolvimento Nacional | Nomeados membros para comissão

O Governo acaba de nomear os membros da Comissão de Trabalho para a Integração no Desenvolvimento Nacional.

Segundo um despacho publicado esta quarta-feira em Boletim Oficial (BO), são nomeados Chang Ngai, em representação do gabinete do Chefe do Executivo; Zhang Guohua, em representação do gabinete do secretário para a Administração e Justiça; e ainda Mai Pang, em representação do gabinete da secretária para a Economia e Finanças. No total, foram nomeados sete funcionários públicos.

O despacho, assinado pelo Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, determina que os mandatos destes membros têm a duração de dois anos.

Esta comissão, sob tutela do Chefe do Executivo, tem como missão “coordenar os planos gerais e trabalhos preparatórios de curto, médio e longo prazo da participação e contribuição da RAEM na construção de ‘Uma Faixa, Uma Rota’ e da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau”, lê-se no portal do Governo.

Além disso, faz parte do trabalho desta entidade “estudar e traçar o planeamento global da promoção da construção de ‘Um Centro, Uma Plataforma, Uma Base'”.

Fundo de Pensões | Diana Costa presidente por mais um ano

O Governo renovou a comissão de serviço de Diana Vital Costa, por mais um ano, na qualidade de presidente do conselho de administração do Fundo de Pensões.

A renovação teve início ontem mediante despacho publicado no Boletim Oficial e assinado pelo secretário para a Administração e Justiça, Wong Sio Chak. No despacho lê-se que a nova nomeação acontece pelo facto de Diana Costa “possuir experiência e capacidade profissional adequadas para o exercício das suas funções”.

BRICS | Emitida dívida em Macau para apoiar projectos no Brasil

Segundo a Autoridade Monetária de Macau a operação de emissão de dívida ficou terminada e foi totalmente subscrita pelo Fundo de Cooperação e Desenvolvimento China-Países de Língua Portuguesa

 

O banco do bloco BRICS emitiu pela primeira vez dívida em Macau, dinheiro que será para apoiar projectos no Brasil, país membro do bloco que integra também a China, anunciou ontem o regulador financeiro do território.
A Autoridade Monetária de Macau (AMCM) disse que a operação lançada pelo Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) foi formalmente concluída ontem, com o registo junto da central de depósito de valores mobiliários de Macau.

A Central de Depósito e Liquidação de Valores Mobiliários do território, detida pela AMCM, foi inaugurada em Dezembro de 2021. Num comunicado, o regulador sublinhou que a dívida, no valor de 50 milhões de dólares, foi “totalmente subscrita” pelo Fundo de Cooperação e Desenvolvimento China-Países de Língua Portuguesa.

Este fundo foi criado há 10 anos pelo Banco de Desenvolvimento da China (CDB, na sigla em inglês), um banco estatal, e pelo Fundo de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Macau, com um capital de mil milhões de dólares.

A AMCM disse que os fundos angariados com a emissão de dívida “serão utilizados em projectos no Brasil”, sem revelar mais detalhes. “Esta emissão de obrigações é uma manifestação concreta da capacidade de Macau para desempenhar o papel de plataforma de serviços financeiros entre a China e os países de língua portuguesa”, defendeu o regulador.

Em Novembro, o Governo de Macau anunciou que o Fundo de Cooperação e Desenvolvimento China-Países de Língua Portuguesa tinha assinado o primeiro acordo para ajudar uma empresa local, neste caso para expandir para o mercado de Timor-Leste.

Marcos históricos

Em Julho de 2024, o ex-secretário-geral adjunto do Fórum de Macau, Casimiro de Jesus Pinto, disse em Lisboa que o fundo tinha investido até à data 527 milhões de euros em 11 projectos em Portugal, Brasil, Angola, Moçambique e Macau.

Em Janeiro, o CDB tornou-se o primeiro banco estatal chinês a emitir dívida em Macau, no valor de 5,5 mil milhões de yuan, também para financiar projectos nos países de língua portuguesa. O NDB – fundado como o grupo BRICS pelo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – tem sede na capital financeira e económica chinesa, Xangai, e a actual líder é a brasileira, Dilma Rousseff.

O nome da antiga Presidente do Brasil (2011-2016) foi proposto pela Rússia e Rousseff foi reeleita em Março de 2025 para um mandato de cinco anos à frente do banco.

SAFP | Leong Weng In continua como directora

Foi renovada a comissão de Leong Weng In como directora dos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP) por mais um ano, a contar desde ontem.

A informação consta num despacho publicado no Boletim Oficial e assinado pelo secretário para a Administração e Justiça, Wong Sio Chak. Destaca-se que Leong Weng In “possui idoneidade cívica, experiência e competência profissionais adequadas ao desempenho de funções do cargo de directora” dos SAFP.

A responsável é licenciada em Direito em língua chinesa pela Universidade de Macau, tendo ainda um bacharelato em Tradução e Interpretação Chinês-Português, pelo antigo Instituto Politécnico de Macau – actual Universidade Politécnica de Macau.

Outra nomeação anunciada ontem foi a de Chan Chi Kin como subdirector da mesma direcção de serviços, também pelo período de um ano. A nomeação tem efeito desde ontem. Chan Sok Cheng foi também nomeada para o cargo de subdirectora dos SAFP nas mesmas condições.

Fundo de Cooperação | António Lei mantido no conselho fiscal

O Chefe do Executivo renovou a nomeação de António Lei Chi Wai para o cargo de presidente do Conselho Fiscal do Fundo de Cooperação e Desenvolvimento China-Países de Língua Portuguesa.

A informação foi divulgada ontem através de um despacho publicado no Boletim Oficial, e a nomeação vai vigorar por mais um ano. António Lei Chi Wai desempenha o cargo de secretário-geral Adjunto do Secretariado Permanente do Fórum Macau desde 2025.

Ao longo da carreira profissional assumiu diferentes posições em serviços governamentais e instituições públicas, como a liderança do Departamento Jurídico e de Fixação de Residência, no Centro de Apoio Empresarial de Macau e do Departamento de Promoção Económica e Comercial com os Mercados Lusófonos do Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau. Foi também director dos Serviços de Desenvolvimento Económico da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin.

PCC | Xi exige integração de Macau no desenvolvimento nacional

No 105º aniversário da fundação do Partido Comunista da China, o Presidente do país e secretário-geral do partido, Xi Jinping, realçou que a integração de Macau e Hong Kong no desenvolvimento nacional faz parte da “grande revitalização da nação chinesa”

 

O Presidente Xi Jinping reiterou ontem a importância da integração de Macau e Hong Kong no desenvolvimento nacional como parte da “grande revitalização da nação chinesa”. As palavras foram proferidas durante a cerimónia de celebração do 105º aniversário da fundação do Partido Comunista da China (PCC).

De acordo com o jornal Ou Mun, Xi Jinping afirmou que “promover a prosperidade e a estabilidade a longo prazo de Hong Kong e Macau é uma exigência intrínseca para a grande revitalização da nação chinesa”.
“Na nova jornada, devemos implementar de forma plena, precisa e inabalável as directrizes de ‘um país, dois sistemas’, ‘Hong Kong governado pelas pessoas de Hong Kong’, ‘Macau governado pelas pessoas de Macau’ e um alto grau de autonomia”, vincou.

Xi Jinping defendeu também o dever de “aplicar o princípio de Hong Kong governado por patriotas’ e ‘Macau governado por patriotas’, melhorar a eficácia da governação de Hong Kong e Macau com base na lei, promover o desenvolvimento económico e social de Hong Kong e Macau, e apoiar ambas as regiões a integrarem-se melhor e a servirem o panorama geral do desenvolvimento nacional”.

Directo em Macau

Em Macau, as celebrações do 105º aniversário do PCC foram assinaladas pelo Governo da RAEM, com a transmissão em directo, no Pavilhão Desportivo da Universidade Politécnica de Macau, dos eventos em Pequim, incluindo a mensagem de Xi Jinping.

Assistiram à transmissão em directo cerca de 2 mil pessoas, incluindo vários alunos, que realizaram espectáculos culturais e artísticos. Segundo o jornal Ou Mun, a celebração decorreu em simultâneo com todo o país, e teve como objectivo “aprofundar o conhecimento dos residentes de Macau sobre o percurso centenário da fundação do partido, reforçar a coesão nacional e cultivar de forma profunda o sentimento de amor pela Pátria e por Macau”.

No entanto, em Macau, as celebrações começaram mais cedo, na terça-feira à noite, com um espectáculo de canto na Universidade de Macau, organizado pela Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ).

Além disso, Governo da RAEM organizou outras actividades dirigidas aos alunos como uma sessão de estudo sobre o discurso de Xi Jinping, a exibição do filme “Crossing” e concursos de composições, de discursos e de criação de curtas-metragens, assim como visitas de estudo ao Interior da China.

As actividades foram realizadas pelo Governo para “orientar os diversos sectores da sociedade de Macau, em particular a juventude, para recordarem o centenário percurso glorioso do Partido e compreenderem, de modo aprofundado, a história e as grandes conquistas do desenvolvimento do país, incentivando os jovens de Macau a unir os seus ideais pessoais e as suas aspirações juvenis à grande causa da revitalização nacional”.

EUA | Magnata Guo Wengui condenado a 30 anos de prisão por fraude

Foto: Guo Wengui via Twitter / X

O magnata chinês Guo Wengui, empresário exilado nos Estados Unidos e antigo crítico de Pequim, foi ontem condenado a 30 anos de prisão por um tribunal federal de Nova Iorque por fraude que lesou mais de mil investidores.

A juíza Analisa Torres proferiu a sentença num tribunal de Manhattan, onde afirmou que Guo “explorou pessoas que procuravam levar a democracia à China”, utilizando o dinheiro dos investidores para sustentar um estilo de vida luxuoso.

Antes da leitura da sentença, Guo queixou-se das condições de detenção, afirmando que foi transportado para um hospital de manhã devido a problemas de saúde. Contestou ainda a caracterização feita pela acusação de que estaria a fingir doença para atrasar o processo. “Quando cheguei aqui, disse: ‘Tenho dores de barriga, preciso de ir à casa de banho, não me sinto bem'”, afirmou Guo, através de um intérprete.

Referindo-se ao processo criminal, limitou-se a defender as suas motivações políticas. E afirmou: “a razão pela qual vim para os Estados Unidos foi destruir o Partido Comunista Chinês”. Na leitura da sentença, a juíza citou cartas enviadas por vítimas que relataram ter perdido as poupanças de uma vida, sofrido ansiedade e vergonha e enfrentado conflitos familiares devido aos investimentos realizados.

Segundo Torres, Guo “não assume qualquer responsabilidade pelos seus actos e insiste, de forma inacreditável, que a sua conduta não causou perdas nem prejudicou ninguém”. A magistrada acrescentou que o empresário “incitou apoiantes a assediar e intimidar aqueles que ousaram denunciá-lo”. O tribunal ordenou ainda o confisco de 889 milhões de dólares para efeitos de restituição às vítimas.

Hong Kong | El Niño poderá levar a recordes de calor em 2026 e 2027

A agência meteorológica de Hong Kong previu que o fenómeno El Niño poderá levar a novos recordes máximos de temperatura este ano e em 2027. Num comunicado divulgado na segunda-feira, o Observatório de Hong Kong confirmou que o El Niño está a formar-se e deverá continuar a afectar o clima na região até ao início do próximo ano.

O El Niño é caracterizado por um aumento nas temperaturas da superfície no centro e leste do Pacífico equatorial. Normalmente ocorre a cada dois a sete anos e dura aproximadamente entre nove e 12 meses. O Observatório prevê que este ano o fenómeno terá “uma intensidade que varia de forte a muito forte” e recordou que um El Niño intenso “aumentam geralmente a probabilidade de temperaturas anormalmente elevadas”.

“Sob o efeito combinado do aquecimento climático, a temperatura média em Hong Kong deverá ser significativamente mais elevada este ano e no próximo, podendo resultar em temperaturas recorde”, alertou a agência.