Pequim simplifica registos de casamento para incentivar a natalidade Hoje Macau - 24 Mar 2025 A China anunciou no sábado medidas para simplificar o registo de casamentos e tentar reduzir a pressão financeira sobre os noivos, como mais uma medida para fomentar o aumento da taxa de natalidade. O casamento é quase um pré-requisito para ter um filho na China, uma vez que os nascimentos fora do casamento são mal vistos e não oferecem o mesmo nível de reconhecimento e protecção. No entanto, o número de casamentos diminuiu 20,5 por cento no ano passado e, em 2024, a China registará o terceiro ano consecutivo de decréscimo da população, o que constitui um desafio para o crescimento económico e o financiamento das pensões. As autoridades já lançaram várias medidas, tais como subsídios para quem casa e tem filhos, e foi prometida a construção de mais centros de acolhimento de crianças. A última iniciativa refere que os casais podem agora registar os casamentos em qualquer ponto do país, de acordo com informação divulgada no sábado pela emissora estatal CCTV, citando um documento governamental. Até agora, os casais tinham de se deslocar ao local onde a noiva ou o noivo estavam registados. Por exemplo, um casal que vivesse em Pequim por razões profissionais, mas cuja mulher fosse de Guangzhou e o marido de Xangai, tinha de se deslocar a uma destas duas cidades para cumprir as formalidades necessárias. Obstáculo financeiro Segundo o canal, o Ministério dos Assuntos Civis promete também “combater certos hábitos nocivos como os dotes excessivos e as cerimónias de casamento excessivamente caras”. Um dote é a soma de dinheiro que a família do noivo costuma dar à noiva e é frequentemente visto como um sinal de respeito para com os sogros e uma contribuição para o início da vida do jovem casal. Mas, nalguns casos, os montantes tornaram-se muito elevados, criando pressão financeira para a família do noivo e alimentando as desigualdades sociais. Muitos jovens chineses têm relutância em casar e ter filhos. Entre as principais razões para tal, contam-se a incapacidade financeira para comprar um apartamento, que é muitas vezes uma condição prévia para o casamento, e o elevado custo da educação, desde os cuidados infantis às aulas particulares, consideradas quase indispensáveis para o sucesso escolar de uma criança.
China | PM promete abrir mais sectores ao investimento estrangeiro Hoje Macau - 24 Mar 2025 Li Qiang comprometeu-se a reforçar a abertura económica do país e a proteger os interesses “de todas as empresas”, independentemente da nacionalidade dos proprietários O primeiro-ministro chinês, Li Qiang, prometeu ontem que a China irá abrir mais sectores da economia ao investimento estrangeiro e “proteger os direitos e interesses legítimos de todas as empresas”. A garantia foi dada num discurso proferido na abertura do Fórum Anual de Desenvolvimento da China, em Pequim, que contou com a presença de importantes líderes empresariais. Li enfatizou o compromisso do regime chinês com a “abertura económica” e pediu ainda que as empresas internacionais resistam ao proteccionismo. “Esperamos que os empresários possam tomar medidas mais activas para manter a globalização”, disse o número dois do Governo de Pequim. Li afirmou ainda que espera que os líderes empresariais possam “trabalhar em conjunto, cooperar e alcançar um maior desenvolvimento das (…) empresas para benefício mútuo”. “O Governo chinês esforçar-se-á por proteger os direitos e interesses legítimos de todas as empresas”, independentemente da nacionalidade dos proprietários, prometeu o primeiro-ministro. O fórum conta com a presença de executivos de empresas multinacionais como a Mercedes-Benz e a Samsung, incluindo o director executivo da tecnológica norte-americana Apple, Tim Cook. Prever o imprevisto Há meses que Pequim está a tentar restaurar a confiança dos consumidores e das empresas, que foi enfraquecida por uma crise persistente no sector imobiliário e por novas tensões comerciais com os Estados Unidos. Li Qiang afirmou que Pequim está preparada para “impactos externos inesperados”, referindo-se à guerra comercial desencadeada pelo Presidente norte-americano, Donald Trump. “Estamos preparados para choques inesperados, que, claro, vêm sobretudo do estrangeiro. O Governo chinês terá políticas em vigor para garantir o bom funcionamento da sua economia”, disse Li. O dirigente prometeu que a China continuará na “direcção certa da globalização” face à crescente fragmentação da economia mundial, à medida que se intensifica a guerra comercial com os EUA. “Como um grande país responsável, a China permanecerá firmemente do lado certo da história (…) [praticando] o verdadeiro multilateralismo”, disse Li, numa reunião com líderes de empresas multinacionais em Pequim. A China “seguirá a direcção correcta da globalização económica, praticará o verdadeiro multilateralismo e esforçar-se-á por ser uma força de estabilidade e certeza”, disse Li, acrescentando que “a fragmentação da economia global está a intensificar-se”, enquanto “a instabilidade e a incerteza estão a aumentar”.
Yang Jisheng na Montanha Tianhua Paulo Maia e Carmo - 24 Mar 2025 Zhu Houcong (1507-67), o imperador Jiajing dedicando muito do seu tempo à sua própria pessoa, descurou os assuntos do Estado, delegando-os no corrupto Yan Song (1480-1567) que, entre outras infâmias, mandaria prender e depois executar um reconhecido homem justo que o denunciou num memorial enviado ao monarca onde propunha a sua demissão. Chamava-se esse literato poeta e pintor Yang Jisheng (1516-1555). A animadversão que sentia perante a injustiça, arriscando a vida para dizer a verdade, não lhe permitia vacilar. Tarde na noite de 2 de Dezembro de 1553, sentindo-se grato de tantas coisas que a vida lhe dera, numa conversa com a sua esposa, a Senhora Zhang, que o instava a evitar o conflito dada a impossibilidade de contrariar o poder de Yan Song, ele respondeu que essa era a forma que tinha de pagar ao Estado todos os bens que dele recebera, como recordou numa biografia cronológica (nianpu). E, no entanto, como muitos célebres literatos, também ele sofrera o exílio nas longínquas margens do Império. Terá sido no decurso de uma dessas jornadas em 1551 que, movido pela beleza de uma paisagem, fez a pintura Viajando pela montanha Tianhua (rolo vertical, tinta sobre papel, 147,5 x 39,5 cm, vendido na Sotheby’s) onde revela a sua erudição na arte da pintura dos literatos em que a figura pintada tende à abstração e o poema que a acompanha, concretiza a intenção. Diante da montanha, cujo nome pode ser traduzido como «a beleza celeste», escreve: «A montanha Tianhua não é muito distante para Oeste dos muros da cidade provincial,/ Que encanto admirar estas escarpas de um azul de martim-pescador e rochedos de um vermelho-púrpura!/ Torres e pavilhões acomodam-se às formas mutantes das descidas e subidas da montanha,/ Sombras de bandeiras e flâmulas tremelicam para cima e para baixo das árvores./ A partir de uma janela elegante, pendões brilhando contra a visão do céu limpo,/ Nuvens entrando; podia-se apanhar uma com a manga./ Não sei se alguma vez voltarei a este belo lugar,/ Na hora de partir apresso-me passando pelas rochas e desbarato este novo verso.» Yang Jisheng fez nessa pintura um literato a viajar num rio numa embarcação que de súbito é alertado pelo barqueiro que com um bastão aponta para habitações aninhadas na montanha. Como numa página de álbum que assinou Jiaoshan, «Montanha de pimenta» (tinta sobre papel, 27 x 35 cm, vendido na leiloeira Nagel) representou uma morada pendurada no alto de uma montanha, dir-se-ia a figuração da sua procura por um lugar no mundo, que afinal o recusaria. Na noite que precedeu a sua execução escreveu um célebre par de versos, numa prática conhecida como juemingshi, «poema de uma vida cortada», que procura fazer uma reflexão breve sobre o sentido da própria vida: «Ombros de ferro, para carregar a rectidão e a Via,/ A mão pungente para escrever engenhosamente».
Tecnologia | Mais famílias com acesso à internet em 2024 Hoje Macau - 24 Mar 2025 No ano passado, cerca de 97,7 por cento dos agregados familiaree sde Macau acederam à internet, o equivalente a 200.200 agregados familiares, num total de 205.000 famílias. Os dados sobre a utilização da Internet em Macau foram revelados pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) e representam um crescimento de 0,4 pontos percentuais, em termos anuais. Cerca de 99,4 por cento dos agregados familiares que acederam à internet usaram a rede móvel. O número de utilizadores de internet em Macau foi de 610.300, mais 13.000 pessoas, um crescimento de 2,2 por cento, em comparação com o ano 2023. Aproximadamente 91,4 por cento dos utilizadores acederam à internet diariamente, com a taxa de penetração a aumentar 1,2 pontos percentuais, para 94 por cento. A taxa de penetração de internet aumentou 1,2 pontos percentuais, para 94, por cento da população relativamente a 2023. A taxa dos indivíduos com idade igual ou superior a 65 anos, registou o crescimento mais notável, de 3,5 pontos percentuais, fazendo com que 81,3 por cento dos idosos utilizasse a internet. Quanto às finalidades, a maioria dos utilizadores visou o uso de aplicações de comunicação ou das redes sociais, num total de 578.600 utilizadores. Seguiu-se a utilização para entretenimento (547.300 utilizadores) e serviços bancários on-line ou pagamentos móveis (457.400).
Demografia | População macaense em São Francisco supera a de Macau Hoje Macau - 24 Mar 2025 Um estudo divulgado por uma investigadora chinesa conclui que, actualmente, a população de macaenses e luso-asiáticos a residir na área da Baía de São Francisco, nos Estados Unidos, é maior do que a de Macau “Há cerca de 70 mil macaenses e luso-asiáticos a residir em São Francisco, o que é mais do que o número em Macau”, afirmou em declarações à Lusa a investigadora Leong Wong Un Na, que apresentou na quinta-feira passada na Universidade de Macau, o livro “Macanese and Luso-Asian in the San Francisco Bay Area”, de 1940 a 1950, um título que resulta da sua tese de doutoramento. De acordo com os últimos censos realizados em Macau, em 2021, apenas 13.021 residentes em Macau possuíam ascendência portuguesa, representando 1,9 por cento da população total. Os dados revelam ainda que 6.668 pessoas, 1 por cento da população total, tinha ascendência chinesa e portuguesa, características normalmente utilizadas para definir a comunidade macaense. Já o Portuguese-American Leadership Council of the United States dá conta de uma população total de 1.454.262 com ascendência portuguesa. Segundo Leong, os macaenses, alguns dos quais tinham partido para várias regiões da Ásia no século XIX, os luso-asiáticos e os portugueses na Ásia, emigraram para os Estados Unidos a partir de Macau no século XX, devido a razões políticas e económicas, escolhendo como destino principal a zona da Baía de São Francisco, na Califórnia. A questão da língua Leong Wong Un Na, uma chinesa que cresceu em Macau e diz manter uma relação estreita com a comunidade macaense, tem muitos familiares residentes em São Francisco, incluindo os pais e irmãos. Os macaenses e luso-asiáticos imigrados em São Francisco, concluiu Leong, não foram logo reconhecidos como portugueses quando chegaram aos Estados Unidos e foram mesmo discriminados durante décadas pela própria comunidade portuguesa que aí foram encontrar. Na mesma altura em que o Partido Comunista estava a tomar o poder na China, “os macaenses e os luso-asiáticos, quando imigraram para lá [São Francisco], não podiam participar nas organizações criadas pelos portugueses de Portugal”, apontou Leong Wong Un Na. “Alguns dos descendentes de portugueses que vieram da Ásia não falavam português fluente, por isso os portugueses oriundos de Portugal diziam que, se não sabiam português, não eram portugueses”, explicou. Leong descreve no seu livro não apenas como está organizada a comunidade de macaenses e luso-asiáticos que vive actualmente na área da Baía de São Francisco, como as origens e traços culturais da comunidade portuguesa aí residente e mesmo as características arquitectónicas que imprimiram na envolvente urbana. A investigadora concluiu que os macaenses e luso-asiáticos de São Francisco “mantêm hábitos ainda bem vivos em Macau, como a cozinha macaense e a religião católica”.
Saúde | Estudo sugere proibição de fumar enquanto se anda na rua Hoje Macau - 24 Mar 2025 Os Serviços de Saúde apresentaram na sexta-feira o resultado de um estudo que avalia a aplicação das leis que prevenção e controlo do tabagismo, que sugere a proibição de fumar enquanto se anda na rua, um acto que o Governo indica ser “vulgarmente designado por locomotivas”. O estudo enumera algumas sugestões, entre o aumento de restrições e campanhas de divulgação, incluindo a proibição de fumar em ruas e praças, limitando o consumo “autorizado” de tabaco a “determinadas áreas”. É também recomendada a proibição de todas as alternativas aos cigarros. O relatório, que não tem tradução para outra língua além do chinês, aponta também para a “proibição de consumo de novos produtos do tabaco ou outros produtos não tabágicos e de produtos de volta à moda (cachimbos de água, cigarro de ervas)”, indicam os Serviços de Saúde sem explicações adicionais. Para já, as autoridades pretendem “fortalecer a divulgação de informações sobre os malefícios do tabaco”. Entre a entrada em vigor da lei de controlo do tabagismo, em 2011, até 2023, o Governo afirma que a taxa de consumo de tabaco e produtos relacionados entre pessoas com mais de 15 anos caiu mais de 31 por cento.
Ambiente | Macau apagou as luzes no sábado na “Hora do Planeta” Hoje Macau - 24 Mar 2025 Macau aderiu no sábado à campanha do Fundo Mundial para a Natureza (WWF, na sigla em inglês) e apagou as luzes durante uma hora em defesa do planeta, anunciou o Governo na sexta-feira. Os serviços públicos, as quatro pontes que ligam a península de Macau à área da Taipa, seis complexos de entretenimento e hotéis, algumas empresas, alguns edifícios governamentais e estruturas emblemáticas da cidade vão, “atendendo à própria realidade”, desligar as “luzes desnecessárias”, para “mostrarem a determinação em proteger o ambiente, dedicando uma hora à Terra”, lê-se num comunicado da Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA). A iniciativa “Hora do Planeta”, um convite da delegação de Hong Kong da organização ambientalista WWF, previa que se desligassem os interruptores entre as 20h30 e as 21h30 de sábado. O Governo fez ainda um apelo à população para que siga o exemplo. De acordo com o comunicado, a DSPA pede “a todos os sectores da sociedade para, nessa noite, desligarem, na medida do possível, as luzes e acenderem a esperança, a fim de reduzir as emissões de carbono no planeta, durante uma hora”, apoiando “a concretização da ‘dupla meta de carbono’ nacional”.
Economia | Grande Prémio do Consumo começa hoje João Luz - 24 Mar 202527 Mai 2025 A campanha de incentivo à economia comunitária Grande Prémio do Consumo arranca hoje. Por cada plataforma de pagamento electrónico usada para comprar algo com valor superior a 50 patacas, são dadas três hipóteses para ganhar cupões de desconto para gastar no fim-de-semana. Os portadores de Macau Pass para idosos podem receber hoje 300 patacas em desconto imediato A nova ronda do Grande Prémio do Consumo arranca hoje e termina a 1 de Junho, com o objectivo de estimular o comércio e os negócios de pequenas e médias empresas nos bairros da cidade. A iniciativa organizada pelo Governo, em conjunto com a Associação Comercial de Macau, pretende “promover o ambiente de consumo local, aumentar a confiança no mercado de consumo, bem como melhorar ainda mais a exploração dos estabelecimentos comerciais das zonas comunitárias”, descreve a Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT), numa altura em que espaços comerciais encerrados se tornou um cenário comum por toda a cidade. A partir de hoje, quem fizer durante os dias da semana uma compra superior a 50 patacas através do telemóvel terá três oportunidades por semana para ganhar cupões de desconto electrónicos que podem ser utilizados no sábado e domingo seguinte. Se o utente tiver mais de uma aplicação móvel de pagamento, com autenticação de nome real, poderá participar na iniciativa com as aplicações aceites no programa. Ou seja, se o residente utilizar o Mpay, a aplicação BOC Macau, que geram códigos QR para efectuar pagamentos, pode participar com todas as aplicações e por cada uma obter até três cupões de desconto. Os cupões de desconto, que este ano terão o valor máximo de 200 patacas, podem ser usados para comprar algo que tenha até o triplo do valor do desconto, ou seja, proporciona um desconto de um terço do valor do produto. Nesta ronda, será também permitido juntar mais do que um cupão, mantendo o valor do desconto em um terço. Os descontos apurados durante a semana expiram se não forem utilizados no sábado e domingo seguintes nas mais de 20 mil lojas físicas de Macau que os aceitam. Passar cartão A maior novidade desta ronda prende-se com os benefícios de desconto imediato para consumo de idosos que podem ser utilizados todos os dias durante o decorrer da actividade. A partir de hoje, os portadores do cartão Macau Pass para idosos podem obter benefícios de desconto imediato no valor de 300 patacas através do carregamento do cartão, em mais de 120 postos de serviços indicados em Macau. Além disso, podem também ganhar os cupões de descontos electrónicos através das plataformas de pagamento móvel, “desfrutando de dois tipos de benefícios”. Porém, os descontos imediatos de consumo proporcionados pelo cartão trazem benefícios acrescidos. Além de poderem ser utilizados todos os dias durante a campanha, sem limite máximo de utilização diária, proporcionam descontos de 50 por cento. Quando um idoso comprar mercadorias ou serviços no valor total de 600 patacas com o cartão Macau Pass para idosos, só terá de desembolsar 300 patacas do seu próprio dinheiro. O cartão pode ser carregado em mais de 400 postos de carregamento, incluindo centros de serviços da Macau Pass, lojas de conveniência, lojas comerciais e grandes cadeias de supermercados. Os descontos não podem ser utilizados para pagar água, electricidade, gás natural, combustíveis, serviços de telecomunicações, serviços de transporte transfronteiriço, serviços médicos, serviços prestados por instituições públicas. Também não podem ser usados em casinos, bancos, seguradoras e outras instituições financeiras, casas de penhores, supermercados de grande escala, administração de propriedades, instituições de ensino, parques de estacionamento, táxis, parquímetros, instalação de máquinas de venda automática.
Inflação | Preços em Macau recuaram 0,16% em Fevereiro Hoje Macau - 24 Mar 2025 O índice de preços no consumidor (IPC) em Macau desceu em Fevereiro 0,16 por cento, em termos anuais, anunciou a Direcção dos Serviços de Estatísticas e Censos (DSEC) na sexta-feira. A descida deve-se “principalmente à elevada base de comparação, pois a ocorrência do Ano Novo Lunar em Fevereiro de 2024 levou a que os preços de alguns bens/serviços ficassem num nível relativamente elevado”, lê-se num comunicado da DSEC. Este ano, a chamada ‘semana dourada’ do Ano Novo Lunar apanhou ainda alguns dias do mês de Janeiro. Em 2024, esta época alta para o turismo em Macau aconteceu totalmente em Fevereiro. Em termos mensais, o IPC desceu 0,19 por cento em Fevereiro, enquanto “o IPC geral médio dos 12 meses terminados no mês de referência, em relação aos 12 meses imediatamente anteriores (Março de 2023 a Fevereiro de 2024), ascendeu 0,57 por cento”, acrescentou a DSEC. Em Fevereiro, os índices de preços da secção do lazer, recreação, desporto e cultura (-5,03 por cento), dos transportes (-4 por cento), da informação e comunicação (-2,83 por cento) e do vestuário e calçado (-1,98 por cento) registaram as maiores quedas, em comparação com o mês homólogo do ano passado. Já os índices de preços das secções dos produtos e serviços diversos, das bebidas alcoólicas e tabaco e da educação aumentaram 2,05, 2,03 e 1,17 por cento, respectivamente, em termos anuais. O índice de preços das secções dos produtos alimentares e bebidas não alcoólicas (+0,69 por cento) e da habitação e combustíveis (+0,31 por cento) também ascendeu em termos anuais.
Eleições | Conselho das Comunidades defende voto electrónico Hoje Macau - 24 Mar 2025 O presidente do Conselho Regional das Comunidades Portuguesas da Ásia e Oceânia, Rui Marcelo, defendeu o voto electrónico para facilitar a participação de emigrantes nas eleições. “O voto electrónico tem sido uma bandeira do Conselho das Comunidades Portugueses já há vários mandatos, porque não tem sido um tema consensual, diria eu, junto das autoridades governamentais portuguesas e junto dos grupos parlamentares”, disse Rui Marcelo, quando questionado pela Lusa. “Temos estado a discutir essa possibilidade com as autoridades portuguesas e, pela nossa parte, o processo já teria sido acelerado”, salientou. Rui Marcelo falava aos jornalistas no final da reunião do Conselho Regional das Comunidades Portuguesas da Ásia e da Oceânia (que inclui China, Tailândia, Coreia do Sul, Japão, Singapura, Austrália e Timor-Leste), que decorreu no fina da semana passada em Díli. Embora o voto por correspondência tenha sido o procedimento normal, o responsável disse que existem “sempre problemas relativamente às datas em que esses votos acabam por chegar à Comissão Nacional de Eleições”, salientando que as próximas legislativas, marcadas para 18 de Maio, vão “criar desafios muito importantes no processo de participação”. Em Fevereiro, o parlamento aprovou uma resolução apresentada pelo PSD para a realização de uma experiência para testar o voto electrónico na emigração. Durante os dois dias do encontro, os conselheiros debateram também formas de cooperação entre os círculos no sector da educação e associativismo, na área da economia e das questões consulares e sobre as potencialidades artísticas e culturais.
Diplomacia | Paulo Rangel tem encontro com Sam Hou Fai na sexta-feira Hoje Macau - 24 Mar 2025 O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros visita a China esta semana, numa deslocação de quatro dias que inclui contactos com representantes do Governo chinês e uma passagem por Macau. A agenda de Paulo Rangel inclui um encontro com Sam Hou Fai e a visita à Escola Portuguesa de Macau O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros português, Paulo Rangel, começa amanhã uma visita à China que irá incluir uma passagem por Macau e Hong Kong, na sexta-feira, o último dia da passagem pela China. Na RAEM, o político português irá encontrar-se com representantes de associações, instituições de ensino e empresários portugueses e fará uma visita à Escola Portuguesa de Macau. Paulo Rangel vai reunir-se igualmente com o Chefe do Executivo da RAEM, Sam Hou Fai, e com os conselheiros das Comunidades Portuguesas eleitos pelo círculo da China (China, Coreia, Japão, Singapura e Tailândia). O programa oficial da visita de Paulo Rangel termina com uma visita à exposição “Estórias Lusas”, iniciativa dedicada à comunidade portuguesa, no Museu de História de Hong Kong. Casa da partida Porém, antes de rumar a Macau, a agenda do chefe da diplomacia portuguesa arranca amanhã em Pequim, pelas 10h, com um encontro com o director-geral do Departamento Internacional do Partido Comunista Chinês, o ministro Liu Jinchao, indica uma nota divulgada na sexta-feira pelo Ministério tutelado por Rangel. Segue-se uma reunião com o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, e um encontro com o reitor da Beijing Foreign Studies University, Jia Wenjian. Ainda na capital chinesa, Paulo Rangel dará uma palestra na Beijing Foreign Studies University (BFSU) subordinada ao tema “Língua e Cultura Portuguesa”. No dia seguinte, já em Haikou (sul da China), o ministro português intervém no “Boao Forum for Asia 2025”, a conferência anual realizada na província chinesa de Hainão que visa promover e aprofundar o intercâmbio, a coordenação e a cooperação económica entre a Ásia e outras partes do mundo. Ainda na quarta-feira, Paulo Rangel tem previsto um encontro bilateral com o vice-primeiro-ministro chinês, Ding XueXiang. O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros participa igualmente na quinta-feira na sessão plenária do “Boao Forum for Asia 2025” e tem agendados encontros bilaterais.
Gás | Ron Lam pede mais regulação de instalações Hoje Macau - 24 Mar 2025 O deputado Ron Lam considera que o Governo deve seguir o exemplo de Hong Kong e criar regulação que defina as qualificações dos técnicos de supervisão dos equipamentos de gás. A posição foi tomada através de uma interpelação escrita assinada pelo deputado. Lam recordou que actualmente em Macau só existem leis que regulam as entidades que instalam equipamentos de gás, mas não há regras sobre as qualificações do pessoal técnico, que não têm de fazer nenhum exame ou obter um certificado de acesso à profissão. O deputado também quer saber se depois do acidente de explosão em Toi San, que causou ferimentos em duas crianças e uma empregada doméstica, se as autoridades investigaram os equipamentos de gás. Além disso, o deputado pede que o Governo explique que medidas vão ser adoptadas para evitar incidentes destes no futuro.
CCPPC | Sam Hou Fai destaca promoção do nacionalismo Hoje Macau - 24 Mar 2025 Sam Hou Fai destacou o papel da Fundação Soong Ching Ling na realização de actividades, como intercâmbios, para os jovens de Macau, contribuindo para promover o nacionalismo. As declarações terão sido proferidas num encontro entre o Chefe do Executivo e Li Bin, vice-presidente do 13.º Comité Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC) e presidente da Fundação Soong Ching Ling. De acordo com a versão oficial, o Chefe do Executivo “agradeceu a atenção ao desenvolvimento dos jovens de Macau através da realização contínua de uma série de actividades significativas e diversificadas”. O líder do Governo destacou também que a fundação é uma “plataforma orientadora que conduz, os jovens locais, a participarem em visitas e intercâmbios no Interior da China nos domínios da ciência e tecnologia, cultura e desporto, o que permite alargar os seus horizontes e aprofundar conhecimentos sobre o desenvolvimento da pátria, o sentimento de amor pela pátria e por Macau”. Sam agradeceu também à Fundação Soong Ching Ling a possibilidade de permitir ao Governo de Macau financiar projectos de caridade, ao destacar que “duas partes têm desenvolvido, no Interior da China, vários projectos de caridade e beneficência com um profundo significado o que contribui para aliviar a pobreza”.
Hengqin | Sam Hou Fai pede mais esforços e espírito de reforma João Santos Filipe - 24 Mar 2025 A prioridade para concretizar o desenvolvimento da Zona de Cooperação Aprofundada passa pelo estudo do espírito dos discursos de Xi Jinping. Esta é uma das quatro expectativas apresentadas pelo Chefe do Executivo para a Zona de Cooperação Aprofundada A aprendizagem do conceito “Macau + Hengqin”, apresentado por Xi Jinping, é a prioridade no âmbito do desenvolvimento da Zona de Cooperação Aprofundada entre Cantão e Macau, em Hengqin. A meta foi traçada por Sam Hou Fai, Chefe do Executivo e co-Chefe da Comissão de Gestão da Zona de Cooperação Aprofundada, durante a mais recente reunião de trabalho, que aconteceu no sábado. Sobre a “próxima fase do desenvolvimento” da Zona de Cooperação, Sam Hou Fai apresentou quatro “expectativas” para orientar os trabalhos. A primeira passa por “aprender e implementar com seriedade a importante abordagem ‘Macau + Hengqin’” apresentada pelo Presidente Xi Jinping, e “compreender profundamente as suas ricas conotações e requisitos práticos, envidando com todos os esforços para criar uma nova conjuntura da Zona de Cooperação”. Na versão oficial da reunião emitida pelo Governo de Macau não é explicada a “importante abordagem”, nem são indicadas concretamente as “conotações” e “requisitos práticos”. Como segunda expectativa, Sam pediu aos membros da comissão “mais esforços para a reforma e inovação” da Zona de Cooperação, e vontade de “explorar com coragem as políticas inovadoras e a convergência de regras e mecanismos, para ultrapassar as restrições do desenvolvimento de Hengqin”. Também neste aspecto, não foram detalhadas as “restrições” que têm sido encontradas. Como terceira expectativa, o líder do Governo de Macau pediu um reforço da capacidade de trabalho e vontade para “alcançar avanços”. Por último, Sam considerou que Macau tem de reforçar o apoio às autoridades do outro lado da fronteira, para promover “novas conquistas em todas as vertentes”. Balanço positivo Olhando para o trabalho dos últimos três anos, Sam Hou Fai considera que foram alcançados “progressos positivos” e que “o nível de integração entre Hengqin e Macau tem melhorado gradualmente”. O Chefe do Executivo também defendeu que o papel da Zona de Cooperação como sustento do “desenvolvimento diversificado da economia de Macau torna-se cada vez mais evidente”. Por sua vez, o Governador da Província de Guangdong, Wang Weizhong, o outro co-Chefe da Zona de Cooperação Aprofundada, afirmou que a comissão vai “empenhar-se em desenvolver as ‘quatro novas’ indústrias, potenciar o Parque Industrial de Design de Circuito Integrado Guangdong-Macau em Hengqin, o Parque Científico e Industrial de Medicina Tradicional Chinesa, o Parque Industrial de Comércio Electrónico Transfronteiriço e o Parque Industrial de Inovação Hengqin-Macau”. Além disso, apontou como trabalhos prioritários, o reforço da “divulgação e promoção das políticas preferenciais e o planeamento e a introdução de projectos industriais” , bem como a atracção de “mais quadros qualificados com ideias inovadoras, capital, empresas e residentes de Macau para animar o ambiente de negócios da Zona de Cooperação”.
Contratação pública | Novo regime “está no bom caminho”, diz advogado Andreia Sofia Silva - 24 Mar 2025 Marco Caldeira, advogado e professor auxiliar convidado da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, defende que a proposta de lei de contratação pública, em análise na especialidade no hemiciclo, está “no bom caminho”, no que diz respeito à tentativa de “promover a transparência e concorrência e apostar na digitalização”. O tema foi discutido na última semana no Centro Científico e Cultural de Macau A proposta de lei de contratação pública, actualmente em análise na especialidade na primeira comissão permanente da Assembleia Legislativa (AL), foi um dos temas abordados nas “Conferências da Primavera”, no Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM), na última semana. O autor da palestra, o advogado e docente Marco Caldeira, teceu elogios ao diploma pela sua tentativa de reforma e inovação em vários aspectos. “Embora não sendo perfeita, a proposta de lei em discussão justifica-se pela necessidade de actualizar legislação que foi aprovada há quatro décadas. Trata-se de uma proposta que parece apontar no bom caminho, havendo um esforço de codificar o regime, promover a transparência e a concorrência e apostar na digitalização”, defendeu o professor da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (FDUL) ao HM. Além disso, Marco Caldeira entende que o diploma, e o conteúdo proposto pelo Governo, visa “seguir aquilo que são as boas práticas adoptadas na Europa e no Ocidente, em geral”. “É também muito louvável o facto de a proposta ter sido elaborada na sequência de um procedimento sério e participado de consulta pública, que deu oportunidade aos operadores económicos e entidades contratantes de identificarem deficiências na legislação vigente e apresentarem sugestões”, acrescentou Marco Caldeira. Na sessão do CCCM, o docente da FDUL apontou ainda ser “louvável a preocupação [demonstrada, no diploma] com a concorrência e transparência dos procedimentos”, e também “o foco na formação na utilização de bases de dados, bem como a aposta na centralização”. O docente entendeu ainda que, nesta proposta de lei, o regime português “pode ajudar, pois a prática seguida em Portugal, e as evoluções legislativas, têm ensinamentos úteis que, com as devidas adaptações, podem ser transpostos para Macau”. Pontos positivos Na apresentação no CCCM, Marco Caldeira destacou vários aspectos positivos da actual proposta de lei, nomeadamente “a determinação expressa da inaplicabilidade a certos contratos”, ou o facto de estarem estabelecidos “princípios fundamentais da contratação pública”. Exige-se, ainda, com a nova lei, “qualificações aos candidatos e concorrentes” de concursos públicos, existindo também “a clarificação e uniformização dos tipos procedimentos de contratação pública”. Cria-se, assim, um “regime de contratação centralizada”, além de se regulamentarem “critérios de adjudicação” nos concursos, prevendo-se ainda a criação de um website exclusivo para a área da contratação pública. Marco Caldeira chamou ainda a atenção para a real necessidade deste diploma, pois a contratação pública estava legislada com diplomas variados, incluindo dois decretos-leis de 1984 e 1985, que estabeleciam, respectivamente, o regime de despesas com obras e aquisições de serviços, e o processo de aquisição de bens e serviços. Tais diplomas estavam “desfasados da realidade” de Macau, mesmo que o decreto-lei de 1984 tenha sido revisto em 2021, considerou o docente. Marco Caldeira considerou também que o processo de revisão deste diploma tem sido “moroso”, pois a consulta pública realizou-se entre 6 de Novembro de 2018 e 4 de Janeiro de 2019, tendo sido elaborado um relatório posterior, mas a verdade é que a proposta de lei está em análise na especialidade desde Dezembro de 2023, tendo sido votada na generalidade a 11 de Janeiro do ano passado. O que tem de mudar Na mesma sessão, o causídico e professor universitário realçou ainda os pontos já abordados pela primeira comissão permanente da AL quanto às mudanças necessárias para legislar na área da contratação pública. Impunha-se “consagrar expressamente os princípios jurídicos fundamentais, como a economia, eficiência e eficácia, bem como a publicidade e transparência”, existindo ainda “uma falta de regulação das políticas de contratação pública”. Havia ainda a “necessidade de promover a transparência nos procedimentos de contratação pública” e assegurar “uma maior protecção da concorrência leal”. Verificava-se também “a falta de regulamentação rigorosa e explícita sobre a composição e funcionamento das comissões de avaliação das propostas” submetidas a concurso público, além de haver “falta de exigências explícitas sobre as qualificações e capacidades dos candidatos e concorrentes nos procedimentos de contratação”. Outras lacunas apontam para a “insuficiência de regulamentação e transparência nos procedimentos de avaliação e adjudicação”, ou “falta de regulamentação explícita sobre situações de apresentação de propostas com um preço anormalmente baixo”. Era ainda necessário “aperfeiçoar o regime sancionatório e de fiscalização”, bem como apostar na “regulamentação que promova o desenvolvimento da contratação electrónica”. Diz o Executivo Olhando para a nota justificativa sobre a proposta de lei, submetida pelo Executivo à AL, lê-se que um dos grandes motivos para a sua apresentação foi mesmo a dispersão legislativa que se verificava e o desajustamento face à actual realidade. “A parte nuclear desses diplomas foi elaborada em meados dos anos 80 do século passado, encontrando-se em vigor há mais de 30 anos. Uma parte significativa do disposto nos outros diplomas legais já apresenta uma evidente divergência relativamente às necessidades do desenvolvimento socioeconómico actual de Macau, à eficiência da gestão da Administração pública e ao reforço da transparência e fiscalização”, lê-se. Segundo o Executivo, “dado que a contratação pública envolve a utilização do erário público, torna-se essencial rever esses regimes, a fim de ir ao encontro das necessidades da sociedade dos nossos dias”. Assim, nesta proposta de lei, “regulamenta-se, de forma integrada, o processo e regime de despesas com obras e aquisições de bens e serviços”, mantendo-se algumas disposições de uma lei de 1999, por se entender que “as disposições relativas ao regime de empreitadas de obras públicas têm um elevado grau de especialização e se apresentam ainda eficazes”. Pretende-se, com a nova lei da contratação pública, “garantir a justiça, imparcialidade na avaliação das propostas”, definindo-se “expressamente critérios de ajudicação e determinando-se de forma rigorosa as normas de conduta dos trabalhadores e membros das comissões de abertura e avaliação de propostas” submetidas a concurso, para que “excerçam as suas funções de forma imparcial e íntegra”. Prevê-se, assim, “que as entidades contratantes devem publicitar, de forma adequada, os elementos informativos relativos aos procedimentos de contratação pública”. São eles “os que estão relacionados com o concurso público, os esclarecimentos prestados, a rectificação de documentos, a prorrogação do prazo para a apresentação de propostas, as causas para a não adjudicação, a decisão de anulação do procedimento e a decisão de adjudicação”. A fim de garantir a concorrência leal, o Governo quer garantir que todas as entidades interessadas em participar num concurso tenham “o mais amplo acesso” a todos os procedimentos, proibindo “todos os actos, acordos ou práticas susceptíveis de impedir, falsear ou restringir a concorrência”. Além disso, existe o “princípio da imparcialidade”, que determina que “o programa de procedimentos, caderno de encargos ou outros documentos, elaborados pela parte contratante, não podem conter qualquer cláusula destinada a favorecer ou prejudicar um determinado interessado”.
Sejamos práticos Paul Chan Wai Chi - 21 Mar 2025 A sessão plenária anual do Congresso Nacional Popular e do Comité Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, realizada em Pequim, terminou recentemente. Uma das principais preocupações dos representantes de Macau foi a “integração de Macau e Hengqin”. Passo a transcrever um excerto de uma conversa que ouvi enquanto tomava o pequeno almoço, “Vais comprar um apartamento em Hengqin?” “Não, se quisesse uma casa comprava em Zhuhai, porque fica mais perto de Macau”. Viver em Hengqin tem certamente as suas vantagens. Muitos estudantes vindos da China que estudam nas universidades de Macau vivem em Hengqin e apanham o autocarro para a Taipa todos os dias. Há também muitos residentes e pessoas recém-chegadas a viver em Hengqin por motivos relacionados com o trabalho ou com a escola dos filhos. Mas mesmo que os cheguem a viver em Hengqin, que tem uma área de 106,46 quilómetros quadrados, 100.000 pessoas, ou mesmo mais de 200.000, ainda assim não é muito. Na altura em que as fracções habitacionais do “Novo Bairro de Macau” ficaram à venda, havia muitas restrições, que foram sendo levantadas ao longo do tempo sob a alegação de “mudanças de políticas em consonância com o desenvolvimento”. Mas, no fundo, são “políticas que cedem à realidade”. Na verdade, quer se trate de política ou de economia, o sentido prático impõe-se. Não me oponho à melhoria do enquadramento legal que visa a “integração de Macau e Hengqin,” já que é necessário esclarecer a diferença entre “Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin” e “Zona Nova de Hengqin”. Se pensarmos nos esforços que estão a ser desenvolvidos para a “integração de Macau e Hengqin,” veremos que Macau tem desempenhado um papel mais activo do que a Província de Guangdong. No caso de Macau, sugiro que se permita a circulação em Hengqin de todo o tipo de veículos provenientes da cidade. No entanto, como é que Hengqin pode atrair residentes de Macau para lá viverem e contribuírem para o seu desenvolvimento se não existe sequer um parque de estacionamento público para os veículos de Macau no Posto Fronteiriço de Hengqin? Se há quem questione que a política de “Circulação de Veículos de Macau na Província de Guangdong” já dificultou a sobrevivência das empresas da Zona Norte de Macau, então, se estes veículos forem autorizados a circular em Hengqin, isso não trará ainda mais consequências negativas para a economia de Macau? Na minha opinião, a introdução de reformas no sector comercial é apenas uma forma de sair da sua situação actual. É prioritário acabar com o monopólio do sector comercial, abrir a economia a mercados diferentes, desenvolver e utilizar tanto quanto possível os terrenos desocupados, ao mesmo tempo que se reduz o impacto negativo das “obras viárias” nas empresas e nos proprietários de lojas. Por exemplo, o Jockey Clube de Macau está encerrado desde o ano passado e as pistas estão cobertas de relva. No entanto, O Governo de Macau não anunciou nenhum plano de desenvolvimento para o local, estando assim a desperdiçar-se recursos de valiosos. Talvez o Governo de Macau possa inspira-se na gestão operacional do “Kai Tak Sports Park” de Hong Kong. Quanto a este assunto, o Executivo de Macau pode conceder a uma das seis empresas de resort e lazer integrados os direitos de desenvolvimento e gestão dos terrenos do Jockey Clube de Macau por um período de tempo determinado, o que pode, de certa forma, ajudar a criar uma nova zona comercial que atraia o consumo de mais turistas. Também seria importante a criação de incentivos políticos e/ou a flexibilização das restrições às empresas para atrair comerciantes a instalarem-se nos bairros antigos e nos bairros comunitários espalhados pela cidade. Se olharmos para o “Reordenamento da Rua da Emenda e outras quatro ruas da Freguesia de Santo António” que se realizou há alguns anos, e compararmos o ambiente agitado que existia antes e depois do Reordenamento, torna-se evidente que as “ideias” que saem daqueles que “estão sentados nos seus gabinetes” têm de ser postas à prova para serem eficazes. Impormo-nos à realidade só resulta habitualmente em desastre. A “integração de Hengqin e Macau” é um empreendimento ambicioso que a Pátria confiou a Macau. Antes de Hengqin estar oficialmente sob a jurisdição de Macau, o mais importante é preservar e desenvolver Macau.
Jazz | “S.T.A.O. Hong Kong + MJPA” amanhã na Fundação Rui Cunha Hoje Macau - 21 Mar 2025 A Fundação Rui Cunha (FRC) apresenta amanhã, a partir das 21h, a primeira edição do “Saturday Night Jazz” do ano, com um concerto que trará os “S.T.A.O. Hong Kong + MJPA” ao palco da galeria da FRC para celebrar o reencontro com amigos de longa data. Os artistas de Hong Kong estão de volta, desta vez com a banda S.T.A.O. que se apresenta como um quarteto de cordas, incluindo no seu repertório uma variedade de estilos populares, como o swing, bebop, bossa nova, balada e jazz-valsa. Nesta composição, os guitarristas Mark Leung, Moon Wong e Brian Mok, irão juntar-se ao baixista Fish Yu. Os quatro membros não são apenas parceiros de performance, são também mentores e alunos uns dos outros, e amigos dos músicos locais, com quem vêm promovendo ao longo dos anos um interessante e positivo intercâmbio musical. O guitarrista e promotor de Hong Kong, Mark Leung, é o fundador da Olá School of Music, onde lecciona e desenvolve estudos de performance e educação musical, fundador da Sound & Good Co., fundador e presidente da Free Music Association (FMA), e ainda membro da Sociedade de Compositores e Autores de Hong Kong (CASH). Actualmente instrutor de guitarra, com mais de 20 anos de experiência de ensino, Mark Leung foi lente no programa de graduação da Faculdade de Tecnologia de Hong Kong, onde leccionou “Introdução à Música Popular”. Ao longo da sua carreira, estudou com o conceituado guitarrista clássico Chan Kwok Wah, o guitarrista de jazz Teddy Suen, os guitarristas de jazz portugueses Nuno Ferreira e Mário Delgado, e o contrabaixista de jazz português Zé Eduardo. O mestre Zé Eduardo ministrou vários cursos de jazz em Macau e Portugal, por onde passaram estes empenhados aprendizes do território vizinho, juntamente com o grupo local que viria a constituir a Associação de Promoção do Jazz de Macau. Os músicos da MJPA também se apresentarão na segunda parte do concerto, liderados pelo presidente e guitarrista Mars Lei, tocando os populares temas clássicos do jazz.
Rota das Letras | Valério Romão apresenta “Mais uma Desilusão” este domingo Andreia Sofia Silva - 21 Mar 2025 “Mais uma Desilusão – Primeira incursão de um novelista na criação poética” é o nome do evento em que Valério Romão, escritor e tradutor, apresenta o seu novo e primeiro livro de poesia, ou escrita poética. “Mais uma Desilusão” é um livro que reflecte sobre o Portugal de hoje, um país com várias crises, da económica à existencial, em que o autor se estreia numa nova forma de escrita. A apresentação começa às 16h no Antigo Matadouro, na Barra Valério Romão gosta de Portugal, mas já não sabe muito bem porquê. Não entende o sentimento por um país que está permanentemente em crise, seja política ou económica, desde há vários anos, e que 50 anos depois do 25 de Abril de 1974, quando caiu a ditadura do Estado Novo, ainda está à procura de se encontrar. A identidade do português nem sempre é a mais optimista, e falta estratégia ao país para se encontrar e ter uma existência mais saudável. Todas estas ideias podem ser encontradas no novo livro de poesia de Valério Romão, “Mais uma Desilusão”, recentemente lançado em Portugal com a chancela da Abysmo e que será apresentado este domingo no âmbito do festival literário Rota das Letras, no Antigo Matadouro, na Barra. Macau não é uma novidade para Valério Romão, por ser um território que o acolheu para uma residência literária, ou para anteriores participações no Rota das Letras. Apesar disso, o regresso faz-se sempre com curiosidade. “Espero poder falar do meu mais recente livro, e como é um festival internacional, com forte presença de escritores chineses, quero conhecer o trabalho dos outros e alargar um pouco os horizontes”, confessou ao HM. “Não sei se a cultura chinesa tem uma influência declarada no meu trabalho, mas certamente tem uma influência devida. Os escritores são, normalmente, produto das suas experiências, do que colheram e viveram. Nesse sentido, a cultura chinesa tornou-se central, na medida em que mostra uma forma de pensar diferente, estranha e às vezes incompreensível. Mas estimula-me sempre uma curiosidade tremenda”, adiantou. Novos territórios Voltando ao livro, Valério Romão assume que “quis explorar um novo mundo na escrita, sobretudo na forma”, depois de ter brindado os leitores com romances onde a família é tema central, como “Autismo” ou “O da Joana”, que pertencem a uma trilogia. “As ideias andavam na minha cabeça há algum tempo, mas essa forma de escrita, que algumas pessoas chamam de poesia e outras, prosa poética, sim, foi uma novidade. Despir a pele de romancista foi algo natural, porque mesmo na minha escrita em prosa utilizo muito a metáfora, a comparação e figuras de estilo, e a ironia também. Muito do que está em ‘Mais uma Desilusão’ pode ser visto nos meus romances e contos anteriores, nessa prosa, mesmo que de forma embrionária”, confessou. País em chamas Valério Romão mostra, na escrita, a desilusão para com Portugal. “Não acho que ofereça grandes condições de vida. Estamos a recondicionar o país nos serviços, numa espécie de ‘tailandização’ para explorar tudo o que possamos dos turistas que vêm cá, mas depois não há apostas estratégicas. Não vejo grande liderança nacional que nos possa conduzir, nem sinto que haja ideias que, daqui a uns anos, nos possam levar para outro sítio. Se estivermos noutro sítio, e melhores, daqui a 30 anos, será mais por carolice e desenrascanço, que são tipicamente portugueses, do que propriamente por planeamento”, defendeu. O autor entende que os portugueses são pessimistas, com pouca auto-estima, e com uma maior tendência para a melancolia do que para outro tipo de sentimentos mais alegres. “Só conseguimos olhar-nos ao espelho se alguém nos colocar o espelho à frente. E é importante [que essa análise] seja feita por historiadores, escritores, poetas, músicos. Temos a tendência a achar que somos os melhores e, ao mesmo tempo, os piores do universo, tendo uma auto-estima frágil e uma imagem distorcida, para o bem e para o mal, de nós próprios”. Com “Mais uma Desilusão”, Valério Romão não quer “fazer um exercício de reflexão nacional”, tratando-se apenas de um “exercício de reflexão privada”. “Espero que contribua para mais conversas e reflexões”, aponta. Sobre a identidade do português, “é demasiado tudo, é muito mediterrânico, mas ao mesmo tempo tem o Fado nos genes, então mais depressa vai para o Fado do que para o Samba”. Portugal está na cauda da Europa em termos geográficos e, para Valério Romão, esse pode ser um dos factores para a crise existencial do país. “A classe política é um reflexo da nossa população e tem de melhorar quando nós, como país e portugueses, melhorarmos também. Isso tem a ver com os anos da ditadura, com o estarmos entre o Atlântico e a Europa central, com o estatuto periférico da Europa. Essa recuperação não se consegue em 50 anos [de democracia], talvez em 100, mas falta a educação também.” O autor, que considera que, actualmente, “é pouco sexy falar de educação, por parecer haver uma ditadura da opinião pouco esclarecida”, mas, para si, “a educação é mesmo o elevador do indivíduo e dos povos”. “As pessoas têm dificuldades económicas e até existenciais. Nos anos 90 toda a gente queria enviar os filhos para a faculdade, porque achavam que isso dava garantia de um futuro garantido, mas nesta altura percebemos que essa garantia não existe.” O autor frisou ainda que “estamos numa altura em que existe um sentimento anti-ciência, anti-academia, em que se suspeita de tudo o que vem da academia”. “Estamos no paradoxo, em que achamos que a tecnologia nos dá acesso à árvore das patacas e em que, por outro lado, considerarmos que a ciência não serve para nada, sobretudo as ciências sociais”, disse ainda. Em “Mais uma Desilusão”, Valério Romão confessou não ter sentido “grande diferença enquanto autor na escrita deste livro”. “Segui o roteiro que estava a ser imposto, a forma estava a adequar-se ao conteúdo, e vice-versa. Sou bastante livre quando escrevo um livro, no sentido em que acabo por não ter grandes regras antes de o começar, e não tenho grandes regras quando o estou a escrever”, rematou.
GP Macau | FIA introduz medida onerosa para Taça do Mundo de GT Sérgio Fonseca - 21 Mar 2025 A Federação Internacional do Automóvel (FIA) anunciou na tarde de terça-feira uma medida técnica para os carros GT3 participantes na Taça do Mundo de GT da FIA do Grande Prémio de Macau, que terá certamente impacto numa corrida que é cabeça de cartaz do evento Para aprimorar o Balance of Performance (BoP) – o método que equilibra o andamento entre todos os carros da categoria GT3 –, a FIA decidiu obrigar o uso de sensores de torque, à semelhança do que já faz noutros dos seus campeonatos, como os mundiais de Resistência (WEC) e Rally Raid ou na Fórmula E. Os sensores de torque oferecem uma precisão muito elevada na medição da potência, permitindo à FIA garantir que a potência de cada carro não excede os valores atribuídos pelo BoP e que factores externos, como as condições atmosféricas, não influenciam o desempenho. Apesar de o SRO Motorsports Group ser co-organizador desta prova, e ter um BoP reconhecido a nível mundial, nos dois últimos anos, o BoP de Macau, foi providenciado pela própria FIA. No ano passado, o BoP da FIA valeu-lhe uma série de críticas, com as equipas e os pilotos – particularmente da Audi, da Porsche e da Lamborghini, os principais prejudicados – a manifestarem publicamente o seu natural descontentamento com a diferença de andamentos. Estes sensores são instalados nos veios de transmissão dos carros e representam a ferramenta mais eficaz para medir a potência à roda, sendo atribuídos individualmente pelo processo de BoP a cada modelo de carro que participa na corrida de “sprint” mais prestigiada do mundo para máquinas da classe GT3. Segundo a FIA, a decisão de tornar obrigatórios os sensores de torque foi tomada após consultas com as marcas envolvidas no Grupo de Trabalho Técnico GT3. Custos vão disparar Para uma corrida que conta com várias equipas privadas, esta medida será dispendiosa, pois estes sensores ultrapassam o meio milhão de patacas por carro, sendo que as equipas necessitam de ter um outro sistema igual sobressalente de reserva. Isto, tendo em conta que grande parte das equipas que participam na prova da RAEM não usa sensores de torque nos seus carros em nenhuma competição, não podendo amortizar o brutal investimento. “Pela experiência que tive no Qatar, nota-se que existe uma diferença entre vários construtores na forma como gerem esta tecnologia. É necessária uma equipa extra de apoio para monitorizar e maximizar a performance sem exceder os limites estipulados”, explicou ao HM Duarte Alves, o experiente engenheiro de pista do território que esteve com a equipa oficial da Ford na primeira prova da temporada do WEC no país árabe. “Um bom exemplo é a dificuldade e o tempo necessários para um construtor que entra como estreante. Um caso ilustrativo é o da Mercedes-AMG, que está a enfrentar as dores do crescimento enquanto desenvolve os seus próprios sistemas”, salientou Duarte Alves. “Em circuitos mais planos, a gestão destes sistemas é mais simples. Já em locais como Macau, onde os ‘picos de torque’ serão sempre frequentes, será um verdadeiro desafio para os engenheiros destes sistemas!” FIA confiante Imune a tudo isto, a FIA opta por um discurso direccionado aos construtores, esquecendo que a maior parte da grelha de partida é composta por concorrentes privados. Lutz Leif Linden, Presidente da Comissão GT da FIA, afirmou que a instituição que representa “tomou esta decisão em consulta com os construtores”, acrescentando ainda que, para a federação internacional, “isto significa ainda mais justiça e um controlo melhorado dos valores de BoP, o que é particularmente importante num evento tão prestigiado e mediático, num circuito tão exigente como o de Macau, onde as longas rectas de alta velocidade contrastam com curvas apertadas e estreitas”. Fabrice van Ertvelde, gestor técnico da velocidade da FIA, reforçou a ideia de que “o nosso objectivo, enquanto entidade reguladora, é garantir equidade total para todos os participantes”. A implementação dos sensores de torque “é uma ferramenta extremamente eficaz para alcançar esse objectivo, permitindo-nos alinhar carros muito diferentes em parâmetros como potência pura, mas também em velocidade máxima, um factor crucial num circuito como o Circuito da Guia.” Apesar das dificuldades que a Mercedes-AMG encontrou com este sistema no mês passado, Fabrice van Ertvelde enaltece que “os construtores que esperamos ver em Macau este ano já estão familiarizados com esta inovação, através da sua experiência na classe LMGT3 do Campeonato do Mundo de Endurance da FIA, e a decisão de adoptar os sensores de torque resultou do diálogo que mantivemos com eles.” Esta é a segunda novidade que a FIA introduz na corrida da RAEM, depois de ter anunciado no mês passado que o segundo segmento de qualificação terá um formato de ‘Super Pole’, com cada piloto a ir para a pista individualmente para um total de duas voltas de qualificação. A oitava edição da Taça do Mundo de GT da FIA terá lugar de 13 a 16 de Novembro, como parte da 72ª edição do Grande Prémio de Macau.
Hong Kong | Inflação desacelera em Janeiro Hoje Macau - 21 Mar 2025 A inflação na região de Hong Kong voltou a desacelerar em Fevereiro, mês em que a China continental caiu em deflação pela primeira vez em mais de um ano, foi ontem anunciado. O índice de preços no consumidor (IPC) subiu 1,4 por cento em Fevereiro, em relação ao período homólogo, informou o Departamento de Censos e Estatística (CSD) de Hong Kong. Em Janeiro, a inflação fixou-se em 2 por cento. Num comunicado, o CSD justificou a desaceleração com o impacto da variação do Ano Novo Lunar, “em particular nos preços dos alimentos e nos custos dos pacotes turísticos”. O período do Ano Novo Lunar, o maior movimento de massas do mundo, é a principal festa tradicional das famílias chinesas e acontece em Janeiro ou Fevereiro, consoante o calendário lunar. Este ano, a chamada ‘semana dourada’, um período de feriados na China continental, celebrou-se entre 28 de Janeiro e 4 de Fevereiro, enquanto em 2024, esta época alta para o turismo em Hong Kong aconteceu totalmente em Fevereiro. “Para neutralizar o efeito do Ano Novo Chinês”, o CSD sublinhou que a inflação homóloga para os dois primeiros meses de 2025 fixou-se em 1,7 por cento, mais elevado do que em Dezembro (1,4 por cento). O CSD recordou ainda que entrou em vigor em Janeiro um aumento de 10 por cento na renda da maioria dos residentes em habitações públicas em Hong Kong. Um porta-voz do Governo local defendeu que a inflação foi modesta em Fevereiro e acrescentou que, no geral, “as pressões sobre os preços de vários componentes principais permaneceram amplamente contidas”. Num comunicado, o porta-voz previu que a inflação “deverá manter-se moderada a curto prazo”, mas admitiu que “as incertezas decorrentes das tensões geopolíticas e dos conflitos comerciais continuam a exigir atenção”.
Estudo | Cientistas chineses modificam bactérias para combater tumores Hoje Macau - 21 Mar 2025 Cientistas chineses criaram um sistema para atacar tumores com precisão activado através de luz infravermelha Uma equipa de investigadores chineses desenvolveu um sistema de controlo inteligente em bactérias geneticamente modificadas para atacar tumores de forma precisa e segura, activado por luz infravermelha (NIR). Este avanço pode melhorar significativamente a eficácia das terapias bacterianas contra o cancro ao permitir a administração localizada e regulamentada de medicamentos contra o cancro, referiu na quarta-feira o jornal chinês The Paper. O estudo, publicado na revista Nature Cancer, foi conduzido por cientistas da East China Normal University, com a participação do professor Ye Haifeng e do investigador associado Guan Ningzi. Os especialistas conceberam um sistema optogenético chamado NETMAP (Near-Infrared Light-Mediated PadC-Based Photoswitch), que permite que a expressão genética seja modulada em bactérias oncolíticas através da irradiação de luz infravermelha. As bactérias utilizadas na investigação foram modificadas para conter um “interruptor biológico” baseado na proteína PadC, que responde à luz NIR e activa a produção de medicamentos anticancerígenos directamente no local do tumor. Este método oferece vantagens em relação às terapêuticas convencionais, permitindo um controlo preciso da dose e reduzindo os efeitos adversos. Segurança e eficácia De acordo com resultados obtidos em modelos pré-clínicos de ratinhos, a aplicação do sistema NETMAP em linfoma, cancro do cólon e cancro da mama demonstrou uma redução tumoral até 80 por cento. Em ensaios com xenoenxertos derivados de doentes (PDX), foi observada uma inibição significativa do crescimento tumoral e um aumento da apoptose das células cancerígenas. O professor Ye enfatizou que a luz infravermelha próxima tem uma elevada penetração nos tecidos biológicos, facilitando a activação de bactérias modificadas sem procedimentos invasivos. Além disso, os investigadores modificaram geneticamente as estirpes bacterianas oncolíticas para melhorar a sua segurança, eliminando os genes associados à toxicidade sem afectar a sua capacidade de colonizar tumores. A equipa de investigação está actualmente a colaborar com o Hospital Ruijin da Universidade de Medicina Jiao Tong de Xangai para avaliar a viabilidade clínica desta tecnologia. Segundo os especialistas, os próximos passos passarão pela expansão dos estudos a outros tipos de cancro, como o melanoma e o cancro da mama, com o objectivo de avançar para testes em humanos. Nos últimos meses, investigadores chineses desenvolveram também ferramentas de inteligência artificial para melhorar a detecção precoce do cancro do esófago e inauguraram dispositivos de produção de isótopos médicos para tratamentos de cancro de alta precisão.
Burla | PJ recebe denúncias sobre empresa de design de jóias Hoje Macau - 21 Mar 2025 A Polícia Judiciária (PJ) recebeu um total de nove denúncias de residentes que dizem ter entregue uma quantia em dinheiro como depósito para alianças de casamento a uma empresa de design, mas nunca chegaram a receber as jóias. Segundo o canal chinês da Rádio Macau, a alegada burla já levou a perdas totais de 120 mil patacas, sendo que cada pessoa terá perdido montantes entre 7,5 mil e 20 mil patacas. A PJ explicou que as encomendas foram feitas junto da banca da empresa disponível numa exposição, entre o ano passado e o início deste ano. O caso foi divulgado pela imprensa de Hong Kong. Descobriu-se, nesse contexto, que a empresa de design em causa se chamava “Mary 5ive”, e encerrou portas, tendo as alegadas vítimas de Macau sido confrontadas com um esquema de burla. Ontem, os dirigentes da Alfândega de Hong Kong revelaram ter detido um director desta empresa por aceitar pagamentos de forma indevida pela venda de produtos. Já foram acolhidas 57 queixas contra esta empresa, com todos os queixosos a apresentarem a mesma versão de terem pago o depósito e nunca terem recebido o produto encomendado, ou obtido qualquer reembolso. Segundo a resposta do Conselho de Consumidores às questões colocadas pelo canal chinês da Rádio Macau, registaram-se 16 queixas na RAEM.
Edifício Fong Nam | Incêndio leva três residentes ao hospital João Santos Filipe - 21 Mar 2025 Um homem foi transportado sem sinais vitais para o Centro Hospitalar Conde São Januário, na sequência de um incêndio no Edifício Fong Nam, no Istmo de Ferreira Amaral Um homem com cerca de 70 anos foi ontem transportado em estado grave para o hospital, devido a um incêndio ocorrido no 15.º andar do Edifício Fong Nam, no Istmo de Ferreira Amaral. O residente foi encontrado pelo Corpo de Bombeiros (CB) na casa-de-banho, sem sinais de respiração ou ritmo cardíaco, e levado para o Centro Hospitalar Conde São Januário. Além do homem, outras duas moradoras, uma com 74 anos, e outra com 51 anos, tiveram igualmente de ser hospitalizadas, mas encontram-se fora de perigo e numa situação considerada estável. A moradora de 74 anos terá sofrido uma queda, depois de ter inalado fumo que subiu até ao 21.º andar. Já a residente de 51 anos, foi levada para o hospital, depois de ter sofrido um ataque de pânico. O alerta para o incêndio foi dado por volta das 11h, por um outro morador, após ter sentido cheiro a queimado e ter visto fumo na sua habitação. De acordo com o jornal Ou Mun, quando o Corpo de Bombeiros chegou ao local do incêndio teve de utilizar ferramentas para abrir a porta e entrar na habitação em chamas. Após o combate ao fogo com mangueiras de água, os bombeiros levaram ventoinhas para a habitação para remover o fumo. A casa afectada pelas chamas tem três quartos e suspeita-se que o incêndio tinha começado num deles, onde um armário ardeu por completo. Os restantes quartos e a cozinha não sofreram danos de maior, apesar de um candeeiro ter derretido com o calor das chamas. A investigação preliminar não conseguiu determinar ainda a origem do incêndio. O incidente fez também com que cerca de 10 moradores tivessem de abandonar as suas habitações e aguardar pelo socorro no rés-do-chão do edifício. Sete em um mês Com o incêndio de ontem, contabilizam-se, no espaço de um mês, sete incêndios em edifícios de habitação com necessidade de retirar os moradores do edifício. O início desta semana foi particularmente propenso a acidentes, com dois incêndios no domingo. Um ocorreu no Edifício Hoi Fu, que levou a que duas pessoas tivessem de ser hospitalizadas devido à inalação de fumos. Nesse mesmo dia, teve lugar outro fogo no Edifício Jardim Iat Lai, embora sem feridos. Todavia, a série negra começou a 24 de Fevereiro, quando as chamas atingiram o Edifício do Lago, o que fez com que dois moradores tivessem de ser transportados para o hospital. Houve ainda 18 moradores que tiveram de deixar temporariamente as suas casas. Este fogo ficou marcado pelo facto de o alarme de incêndio não ter funcionado, o que levou a alertas de alguns deputados, como Lo Choi In. No entanto, o pior incidente aconteceu no Edifício Jardim Cidade Nova (também denominado San Seng Si Fa Un), na Avenida Tamagnini Barbosa, no bairro do Toi San, em que três pessoas tiveram de ser transportadas para o hospital, duas crianças e uma empregada doméstica, com queimaduras no corpo.
Casinos-satélite | Consultora prevê desvalorização de hotéis de 60 por cento Hoje Macau - 21 Mar 2025 A consultora imobiliária Savills alertou que caso os casinos-satélites encerrem, as avaliações dos hotéis onde operam podem desvalorizar mais de 60 por cento. Em declarações ao jornal Ou Mun, o director da empresa, Franco Liu, apontou que os empréstimos contraídos no passado pelos hotéis na banca foram acordados com base nas receitas apuradas nas mesas de jogo, e que sem essa fonte de rendimentos, caso os casinos-satélites fechem, o valor dos empréstimos pode ultrapassar o valor da avaliação da propriedade. Além disso, o responsável apontou que muitas lojas nas proximidades dos casinos-satélite, que proporcionam negócios relacionados com o jogo, podem não sobreviver e ver-se obrigadas a fechar portas, afectando o valor das rendas dos imóveis desocupados. Com base no registo predial, Franco Liu estimou que todos os casinos-satélite e o comércio que os rodeia tenham obrigações de crédito à banca entre 25 a 39 mil milhões de dólares de Hong Kong. Face à possibilidade destas obrigações caírem em situação de crédito malparado, o director da consultora imobiliária alertou para a hipótese de a vaga de encerramentos poder afectar a estabilidade do sistema financeiro e das suas instituições.