Tencent | Receitas em Hong Kong e Macau a subir

A empresa tecnológica Tencent revelou que nos últimos seis anos o negócio em nuvem (armazenamento de dados) em Hong Kong e Macau aumentou todos os anos acima de 10 por cento. Os dados foram apresentados pelo gerente geral da Tencent Cloud Hong Kong e Macau, Steven Choi, e relatado pelo jornal de Hong Kong Ming Pou.

Steven Choi apontou que apesar de a empresa não ter estatísticas sobre a quota de mercado nos serviços em nuvem em Hong Kong e Macau, não é por isso que deixa de acreditar que se tornou o principal fornecedor. O responsável ainda apontou que já em 2023, a empresa lançou o serviço de pagamento através da leitura da palma da mão Guangdong.

No ano passado, o serviço chegou a Macau, mas apenas está disponível em 60 comerciantes que trabalham com a concessionária Galaxy e para utilizadores da plataforma Wechat Pay.

Turismo | Gastronomia e cultura portuguesas em Wuhan

Os chefes Herlander Fernandes e Pedro Santos do Carmo vão preparar um ‘buffet’ com pratos portugueses e macaenses durante o festival gastronómico da Semana de Macau em Wuhan

 

Dança folclórica e gastronomia portuguesas vão integrar uma acção de promoção turística de Macau no centro da China, de 5 a 8 de Setembro, anunciaram as autoridades.

A Direcção dos Serviços de Turismo (DST) indicou que a Semana de Macau em Wuhan, capital da província de Hubei, vai levar espectáculos a uma popular praça pública na zona histórica de Hankou, um dos primeiros locais da China abertos ao comércio com o estrangeiro, em 1861.

Entre os espectáculos, vão estar o grupo de dança folclórica portuguesa Associação de Danças e Cantares Portugueses ‘Macau no Coração’, “para permitir a mais pessoas em Wuhan sentir a cultura e hospitalidade de Macau”, acrescentou a DST, em comunicado.

Na zona histórica de Hankou, vão também ser instaladas várias áreas temáticas, uma das quais apresentará produtos vindos dos países de língua portuguesa. A Semana de Macau em Wuhan, vai ainda apresentar um festival gastronómico, que irá decorrer entre 5 de Setembro e 8 de Outubro, num hotel da cidade chinesa, acrescentou a DST, na mesma nota.

Arte na cozinha

Dois Chefs portugueses radicados em Macau, Herlander Fernandes e Pedro Santos do Carmo, vão preparar um ‘buffet’ com pratos portugueses e macaenses, indicou a DST, referindo-se à gastronomia, considerada a primeira cozinha de fusão do mundo, da comunidade euro-asiática, com muitos luso-descendentes e raízes no território.

Ainda antes da Semana de Macau em Wuhan, a DST, o Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau e as autoridades da zona económica especial de Hengqin (Ilha da Montanha), situada junto a Macau, vão ainda promover a cooperação com a província de Hubei.

As três entidades vão organizar uma sessão de bolsa de negócios e uma conferência de promoção de eventos, para encorajar empresários das duas cidades a “aprofundar o intercâmbio pragmático” em áreas como o turismo, convenções e exposições, economia e comércio, referiu a DST.

O Instituto Cultural lançou em Dezembro uma consulta pública, durante 30 dias, sobre a possível inscrição de 12 manifestações, incluindo a dança folclórica portuguesa, na Lista do Património Cultural Intangível do território.

Em Janeiro, o IC disse que os residentes presentes numa sessão de consulta pública, em 7 de Janeiro, “concordaram, de um modo geral com a escolha das manifestações recomendadas para inscrição” na lista.

Na quinta-feira passada, a presidente do ICM e líder do Conselho do Património Cultural, Leong Wai Man, disse à Lusa que o conselho tinha, numa reunião, discutido o relatório final da consulta pública, antes de o Governo tomar uma decisão final.

O Governo tem defendido a necessidade de apostar na prestação de serviços financeiros entre a China e o bloco lusófono, para diversificar a economia da região semiautónoma chinesa, muito dependente do turismo.

Formação jurídica | Kou Peng Kuan reforma-se e deixa liderança

Kou Peng Kuan deixou a posição de director do Centro de Formação Jurídica e Judiciária (CFJJ) a 1 de Setembro por se ter reformado. Embora pertencesse aos quadros da Direcção de Serviços de Administração e Finanças Pública (SAFP), onde assumiu o cargo de director durante vários anos, Kou estava em comissão de serviço na liderança do centro responsável pela formação dos magistrados da RAEM.

A informação sobre a reforma de Kou Peng Kuan foi publicada ontem no Boletim Oficial, num despacho assinado pela subdirectora dos SAFP, Joana Noronha, e explica que a aposentação foi voluntária.

De acordo com o portal oficial do Governo, a liderança do CFJJ passou assim a ser assumida por Tina Cheng Wai Yan, subdirectora, na condição de directora substituta. Esta é a segunda vez que Tina Cheng vai desempenhar o cargo de directora, como substituta, repetindo a situação de 2023, a aquando a saída do então director Manuel Trigo do CFJJ. Wai Yan desempenha as funções de subdirectora no CFJJ pelo menos desde 2013.

Kou Peng Kuan chega ao fim da carreira como funcionário público que começou em 1991. Ao longo de um percurso profissional com mais de 30 anos, assumiu diferente posições como técnico superior do Centro de Formação para a Administração Pública, adjunto da Divisão de Formação, chefe da Divisão de Formação e chefe do Departamento de Modernização Administrativa dos Serviços de Administração e Função Pública.

O momento alto da carreira chegou eme 2015, quando foi promovido a director dos SAFP, quando o Governo da RAEM era liderado por Chui Sai On. Enquanto director dos SAFP, Kou Peng Kuan foi responsável pela criação da aplicação Conta Única de Macau, em 2019.

Função Pública | Song Pek Kei quer programa de reforma voluntária

Face ao que diz serem as “cargas de trabalho e pressões cada vez maiores” na Administração Pública, a deputada defende a criação de um programa piloto que permite a aposentação antecipada com maior segurança financeira, nos casos de problemas de saúde

 

A deputada Song Pek Kei pretende que o Governo implemente um novo programa experimental de reforma voluntária para funcionários públicos com problemas de saúde. O assunto foi abordado através de uma interpelação escrita, divulgada no final de Agosto à Assembleia Legislativa.

Segundo a legisladora ligada à comunidade de Fujian, devido ao “desenvolvimento social” os funcionários da Função Pública enfrentam “cargas de trabalho e pressões cada vez maiores”. Por isso, considera que devia haver uma opção de aposentação voluntária antecipada ligada a problemas de saúde, principalmente para os trabalhadores com ordenados mais baixos e nas posições inferiores da hierarquia, que garanta ao mesmo tempo a “flexibilidade e segurança financeira”.

“Mesmo que alguns funcionários públicos desejem aposentar-se mais cedo por motivos de saúde, deixar os seus cargos significa perder a segurança do sustento”, argumenta a deputada.

No entender de Song Pek Kei, a falta de uma opção de aposentação antecipada por motivos de saúde que garanta segurança financeira “prejudica a flexibilidade do sistema de fundos de previdência e afecta negativamente a rotatividade saudável dentro do serviço público”.

“Em resposta ao ritmo acelerado da reforma administrativa, as autoridades irão implementar um programa-piloto de ‘regime de reforma voluntária para funcionários públicos’ nos departamentos onde tal seja necessário, a fim de promover a mobilidade saudável dentro da função pública e aumentar a vitalidade da força de trabalho da função pública”, questionou.

Reformas baixas

Song Pek Kei salienta ainda que os salários de vários funcionários públicos são baixos e que não permitem obter uma reforma condizente com um nível de vida digno. “Como os funcionários públicos com menos tempo de serviço têm salários baixos e as suas contribuições mensais são limitadas, os pagamentos que podem obter do fundo de previdência são muito reduzidos, tornando difícil obterem protecção prática para a sua vida na reforma”, atirou.

A legisladora pede assim uma protecção extra para estas pessoas: “Embora as autoridades tenham introduzido vários programas de assistência financeira para funcionários públicos de primeira linha com baixos rendimentos, ainda são necessárias melhorias adicionais na sua protecção na reforma”, justifica. “A este respeito, a Administração vai reforçar o actual sistema de protecção na reforma, por exemplo, concedendo subsídios de subsistência na reforma aos funcionários públicos juniores reformados”, questiona.

60 mil pessoas assistiram em Macau à parada militar de Pequim

Um total de 60 mil pessoas assistiu ontem à transmissão em directo da “Cerimónia Comemorativa do 80.º Aniversário da Vitória da Guerra de Resistência do Povo Chinês contra a Agressão Japonesa e da Guerra Mundial Antifascista”, que decorreu no Pavilhão Polidesportivo da Universidade Politécnica de Macau e no Complexo Desportivo da Universidade de Macau, bem como outros locais.

Segundo um comunicado oficial, as 60 mil pessoas englobam estudantes e funcionários públicos. Várias ” instituições de ensino superior e não superior organizaram sessões para os estudantes assistirem à transmissão em directo nas instituições de ensino”. Além disso, “vários departamentos do Governo organizaram também sessões para os funcionários públicos assistirem à referida actividade”.

A cerimónia em questão incluiu a parada militar que decorreu em Pequim, na Praça Tiananmen, e que juntou vários chefes de Estado. Desta forma, entende-se que os 60 mil participantes de Macau “uniram-se à pátria e ao povo para recordar a história, prestar homenagem aos mártires, valorizar a paz e criar um grande futuro”.

Lembrar as lutas

André Cheong, secretário para a Administração e Justiça, recordou que “há 80 anos o povo chinês alcançou vitórias significativas na guerra contra a agressão japonesa após a persistência e resiliência de 14 anos de lutas sangrentas”, sendo que as “vitórias foram um ponto de viragem histórico, em que a nação chinesa passou da humilhação para o renascimento”.

Segundo o canal chinês da Rádio Macau, Kong Chi Meng, director da Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ), a transmissão em directo da parada militar em Pequim constituiu uma espécie de “primeira aula do novo ano lectivo e uma prática viva de educação patriótica”.

Por sua vez, também as concessionárias de jogo se uniram a este evento. Foi o caso da MGM China, que nos empreendimentos MGM Macau e MGM Cotai organizou a transmissão em directo da parada “nas salas de refeições dos membros da equipa e zonas de bastidores” de funcionários, dando às equipas “a oportunidade de testemunhar este momento memorável juntos e partilhar o orgulho pela prosperidade e força da nação”, refere a operadora em comunicado. Foi ainda acrescentada uma zona de visualização da parada no MGM Cotai Grande Salon.

II Guerra | Sam Hou Fai destaca “compatriotas de Macau”

O Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, destacou ontem, a propósito da cerimónia de comemoração do 80.º Aniversário da Vitória da Guerra de Resistência do Povo Chinês contra a Agressão Japonesa e da Guerra Mundial Antifascista, que “todos os compatriotas de Macau irão recordar a história, prestar homenagem aos mártires e valorizar a estabilidade que não foi nada fácil de alcançar”.

O evento, que se realizou na Praça Tiananmen e contou com a organização de uma parada militar que reuniu chefes de Estado de todo o mundo, teve tambem a presença do Chefe do Executivo da RAEM. Este lembrou ainda, citado por um comunicado oficial, que “durante os 14 anos de resistência contra a agressão japonesa, o Partido Comunista da China defendeu e persistiu sempre numa frente unida nacional contra a agressão japonesa, desempenhando um papel fundamental”.

Função pública | CE diz que votar mostra fidelidade à RAEM

Os trabalhadores da Função Pública receberam uma carta do Chefe do Executivo a apelar ao voto nas legislativas, indicando que votar é uma demonstração de fidelidade à RAEM. Sam Hou Fai mencionou a revisão do estatuto da administração que estabelece a demissão como pena para funcionários que não são fiéis à RAEM

 

O Governo está apostado em reverter a abstenção recorde verificada nas últimas eleições legislativas, repetindo em várias ocasiões a importância do sufrágio para a Assembleia Legislativa (AL) de 14 de Setembro para a agenda política de Macau.

Ainda para mais, em várias circunstâncias foi sublinhado por governantes e pelo presidente da Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL) que esta é a primeira eleição depois da revisão da Lei Eleitoral, e reforça o princípio “Macau governado por patriotas”. Este foi um dos pontos mencionados na carta enviada pelo Chefe do Executivo a todos os funcionários públicos da RAEM.

Segundo avançou o Canal Macau da TDM, Sam Hou Fai lançou um apelo a todos os trabalhadores da administração pública para votarem no dia 14 de Setembro. “Fazendo parte da equipa governativa da RAEM, os trabalhadores dos serviços e entidades públicos devem responder activamente ao apelo da CAEAL, cumprir diligentemente o dever de voto e incentivar os familiares e amigos a votar”, pode ler-se na missiva assinada pelo governante.

Mas, além do apelo ao voto, o Chefe do Executivo refere que “de acordo com disposto no Estatuto dos Trabalhadores da Administração Pública de Macau (ETAPM), recentemente revisto, os trabalhadores dos serviços e entidades públicos de todos os níveis devem defender a Lei Básica e ser fiéis à RAEM da República Popular da China (RPC)”. Ora, Sam Hou Fai acrescenta que o “voto é, precisamente, uma demonstração relevante da defesa da Lei Básica e da fidelidade à RAEM”.

Importa referir que o estatuto que regula a Função Pública estabelece que “o trabalhador da Administração Pública que, por factos comprovados, não defenda a Lei Básica ou não seja fiel à RAEM da RPC, é obrigatoriamente aplicada a pena de demissão”.

Nas entrelinhas

Sem mencionar directamente as consequências de não votar, e apesar de o voto ser secreto e da revisão do ETAPM só entrar em vigor a 1 de Novembro deste ano, o Chefe do Executivo liga directamente o voto à fidelidade à RAEM.

O HM tentou perceber se estão previstas consequências disciplinares, inclusive demissão, a funcionários públicos que não votaram, ou se haverá algum condicionamento à marcação de férias que abranjam o dia das eleições, mas até ao fecho da edição não foram recebidas quaisquer respostas.

Na carta, Sam Hou Fai argumenta também que votar constitui uma contribuição para a “implementação estável e duradoura” do princípio “Um País, Dois Sistemas”, e que os funcionários públicos “devem planear antecipadamente e participar activamente no dia das eleições.

Segundo o Canal Macau, foi também pedido aos funcionários a assinatura de um documento comprovativo de que tomaram conhecimento do conteúdo da carta enviada por Sam Hou Fai.

Jorge Figueira, arquitecto e académico da Universidade de Coimbra: “As relações heróicas” de Macau

Há muito que escreve e pensa a arquitectura, e desde vez Jorge Figueira, arquitecto, académico da Universidade de Coimbra, fá-lo em Macau. Depois de uma sessão esta semana em que destacou o antigo complexo de habitação pública do Fai Chi Kei, de Manuel Vicente, Jorge Figueira aborda hoje na Fundação Rui Cunha o legado de Nuno Portas

 

Participa hoje na conferência “Nuno Portas: da Arquitectura ao Urbanismo, do Homem à Cidade”. Que legado deixou este arquitecto português?

Nuno Portas é alguém que já no final dos anos 50 tem uma actividade crítica que é totalmente inovadora e pioneira no contexto português. Depois, já nos anos 60, teve uma actividade mais internacional, tendo sido o primeiro a divulgar a obra de Siza Vieira. Foi aí que teve os primeiros contactos com arquitectos espanhóis e italianos, fundamentalmente. Também nesses anos escreveu dois livros que também eram invulgares, como “Arquitectura para Hoje”, em 1964, e “Cidade como Arquitectura”, de 1969. Foram também uma forma extraordinária de tentar apanhar o que se passava em termos de correntes internacionais na arquitectura. Mas depois teve também uma [importante] actividade como arquitecto ao lado de Nuno Teotónio Pereira, nomeadamente na obra da Igreja do Sagrado Coração de Jesus, em Lisboa, e numa casa em Vila Viçosa. Depois, com o 25 de Abril de 1974, foi nomeado secretário de Estado da Habitação e Urbanismo e lança o SAAL – Serviços de Ambulatório ao Apoio Local, um programa de habitação social completamente revolucionário, de acordo com o espírito da época. Depois Nuno Portas dedicou-se mais às questões do urbanismo e não tanto da arquitectura. Esteve ligado ao início da Expo 98. Acaba por ser alguém que nos últimos 20 anos do seu trabalho passa a ter preocupações mais científicas e sociológicas, e menos artísticas. É algo que teve desde o início, mas depois passa a ser o cento da sua actividade.

Nuno Portas teve alguma relação com Macau?

Penso que as relações não seriam tão intensas em comparação com outros arquitectos e contextos, mas sabemos que Nuno Portas esteve em Macau a convite do Governo para uma conferência, entre 2001 e 2002. É interessante porque dessa passagem temos ecos daquilo que aconteceu, como a surpresa dele ao descobrir o orfanato Ellen Liang de Manuel Vicente, que não conhecia. Foi a primeira obra de Manuel Vicente em Macau, dos anos 60, e sabemos que Nuno Portas ficou emocionado ao visitar essa obra, sobretudo a pequena capela que existe no orfanato. É interessante porque não havia uma relação directa entre Manuel Vicente e Nuno Portas, são figuras em pólos muito diferentes, e até opostos. Há também uma referência interessante e positiva ao plano do Siza [Vieira, Plano de Expansão da Cidade de Macau (Areia Preta e Porto Exterior, de 1982], e que quando Nuno Portas visita Macau está a ser construído. É interessante que tenha comentado esse plano porque nos anos 60 e 70 a relação entre Nuno Portas e Siza Vieira já não era a mesma, e o facto de ter feito referências elogiosas a Siza é muito interessante.

Foi aluno de Nuno Portas. Que outros aspectos da sua carreira ou personalidade pode destacar?

Também trabalhei com ele. Ele era um homem culto, muito inteligente e com uma memória avassaladora. Era alguém que gostava de provocar, mas no bom sentido, de discutir, de contrariar. Tive a sorte de manter um diálogo com ele de décadas, e será esse meu conhecimento pessoal que irei transmitir. Também reparo que era um homem muito próximo do poder de Lisboa, dos partidos, mas sempre muito independente. Era amigo pessoal de Jorge Sampaio, foi secretário de Estado, mas nunca teve grande protagonismo político. Por um lado, isso deve-se à sua independência, mas por outro ele era uma figura tão controversa e inteligentemente inquieto, que penso que o poder também se assustava com ele.

Esta semana falou também na conferência “Lisbon, Porto, Macau, Maputo: Heroic Collective Housing from the 60s & 70s”. Como descreve os projectos de habitação pública de Macau nesses anos?

Há muitos arquitectos sobre os quais poderia falar, mas concentrei-me na obra de Manuel Vicente em Macau, nomeadamente o complexo de habitação pública no Fai Chi Kei, que foi demolida e depois deu origem ao projecto de Rui Leão e Carlota Bruni. Não falei concretamente de arquitectos portugueses ou macaenses, também temos nomes como, por exemplo, José Maneiras. Até porque os arquitectos portugueses sempre foram poucos em Portugal, e a partir dos anos 50 existiam cerca de 150, aumentando depois muito em número. Mas fiz [na conferência], uma homenagem aos arquitectos portugueses que construíram nesse período, porque num território complexo e com as suas vicissitudes, diferentes das que existiam em Portugal, souberam fazer experiências arquitectónicas no campo da habitação pública extraordinárias. Tentei demonstrar o que estava a acontecer em Lisboa, Porto, Macau e Lourenço Marques, actual Maputo, de formas diferentes. Em Macau estabeleceram-se relações, que chamo de heróicas, no sentido em que foram relações de arquitectura experimental, em que as pessoas tiveram de se adaptar, ter um espírito próprio. Tratam-se de arquitecturas já com um pouco de história, pois passaram 50 ou 60 anos, mas continuam a ser marcantes os exemplos que encontramos nestas cidades.

Que projectos destaca destes anos?

Falei do empreendimento habitacional “Pantera Cor-de-Rosa”, de Gonçalo Byrne, em Chelas, Lisboa. Mostrei os “Cinco Dedos”, de Vítor Figueiredo, também de Lisboa, e o “Bairro da Bouça”, de Siza Vieira, no Porto. Mostrei o complexo do Fai Chi Kei, de Manuel Vicente, e um projecto de Pancho Guedes em Moçambique. Apesar de já serem longínquas no tempo, trata-se de arquitecturas que permanecem referências fundamentais dos pontos de vista cultural e arquitectónico. Há uma espécie de sorte narrativa de poder falar de sítios tão diferentes, e com arquitectos tão diferentes, e mostrar como tiveram esse lado heróico, experimental, comovente, até radical, que tinha a arquitectura desse período em particular.

Macau teve uma evolução positiva no que diz respeito à oferta de habitação pública?

Cheguei em Agosto e tenho visitado o território nos últimos anos, pelo que venho acompanhando um pouco esse processo. Macau é, obviamente, um território extraordinário e desde logo pela coexistência de culturas muito diferentes no que se refere à habitação, que aqui tem uma escala e expressão completamente distintas da portuguesa. Em Portugal há uma aversão às torres de habitação pública, sempre foi algo invulgar e os resultados que se conhecem não foram bem-sucedidos por razões diversas. Mas em Macau é exactamente isso que vemos, habitação pública em torres e com uma expressão muito forte. Isso tem a ver com as características do território e também com uma certa cultura da China e de Hong Kong. Isso não quer dizer que tudo o que está a ser construído em Macau seja bom, há torres e edifícios com soluções menos interessantes ou que decorrem de uma certa repetição. Mas não há nenhuma cidade que só tenha boa arquitectura ou boa habitação pública. O desafio está em resolver o problema da habitação em larga escala, algo que deve ser estudado e pensado. É bonito e avassalador ver que Macau é um território que cresce dia após dia e é excitante observar isso também do ponto de vista da arquitectura. É isso que estou a fazer, a trabalhar em projectos futuros.

Projectos de análise, ou académicos?

Sim, sou professor e investigador na Universidade de Coimbra e colunista do jornal Público, então o meu trabalho é muito analisar e investigar. Já publiquei muito sobre Macau e quero retomar algumas pontas que deixei para resolver, digamos assim. Estou muito estimulado com tudo o que tenho visto e as pessoas com que tenho falado, e se calhar vou aumentar o meu trabalho sobre o território do ponto de vista académico e no plano da investigação.

Numa altura em que Portugal tem um problema crónico de habitação, com falta de habitação pública, Macau poderia ser um exemplo?

De forma directa não, por causa da questão tipológica da torre habitacional. Poderia não ser um modelo bem-vindo no contexto português. Mas sem dúvida que Portugal precisa de aprender com outras experiências e outros territórios e precisa de encontrar soluções. Seguramente que o que se passa em Hong Kong e Macau são experiências que interessa muito conhecer, não para replicar, mas sim para perceber que se trata de um problema global [a falta de habitação].

Lembrar Nuno Portas

A Fundação Rui Cunha (FRC) recebe hoje, a partir das 18h30, a conferência “Nuno Portas: da arquitetura ao urbanismo, do homem à cidade”, com Jorge Figueira. Será tempo de falar de um percurso que o recém-falecido arquitecto iniciou em 1959, com um texto sobre a nova geração do Movimento Moderno em Portugal. Seguiram-se textos nos anos 60 e 70 com “abordagens científicas”, com Nuno Portas a deambular por entre a arquitectura e o urbanismo, sempre de forma reflexiva. Nuno Portas foi uma “figura multifacetada, mais conhecida por ter lançado o programa de habitação social SAAL, que ainda hoje é alvo de investigação e um exemplo”, descreve Jorge Figueira numa nota. O orador está ligado ao Centro Estudos Sociais e Departamento de Arquitectura da Universidade de Coimbra.

China celebra 80º aniversário do fim da II Guerra Mundial com enorme parada militar

O Presidente chinês, Xi Jinping, afirmou hoje que o “rejuvenescimento da nação chinesa é imparável”, durante uma parada militar em Pequim que contou com os líderes da Rússia, Vladimir Putin, e da Coreia do Norte, Kim Jong-un.

“O rejuvenescimento da nação chinesa é imparável e a nobre causa da paz e do desenvolvimento da humanidade triunfará certamente”, declarou Xi, num discurso perante dezenas de milhares de pessoas na Praça de Tiananmen.

“O mundo volta a enfrentar uma escolha entre a paz e a guerra, o diálogo e o confronto”, acrescentou o líder chinês, num momento de crescentes tensões geopolíticas e desafios à ordem internacional do pós-guerra.

Num discurso breve, Xi recordou as vítimas da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e apelou à erradicação das causas da guerra, para evitar a repetição da História. A principal mensagem, contudo, foi de afirmação do papel da China no mundo: “O povo chinês é um povo que não teme a violência, é autossuficiente e forte”, disse.

“Seguiremos o caminho do desenvolvimento pacífico e trabalharemos de mãos dadas com os povos de todos os países para construir uma comunidade de futuro partilhado para a humanidade”, sublinhou. A parada teve início após o discurso de Xi, com tropas a marchar em passo ritmado na avenida Chang’an, para a revista do chefe de Estado, que também preside à Comissão Militar Central.

Xi percorreu o alinhamento militar numa limusina preta clássica, saudando os soldados e colunas de mísseis e veículos blindados, enquanto estes respondiam em uníssono com lemas como “Servimos o povo”.

O evento contou com a exibição de mísseis, caças modernos e outros equipamentos militares, muitos dos quais mostrados ao público pela primeira vez, num sinal do crescente peso que a China quer assumir no palco internacional. A cerimónia começou com uma salva de 80 tiros de artilharia e a execução do hino nacional, “Marcha dos Voluntários”, composto em 1935 durante a resistência à invasão japonesa.

Xi chegou à Porta de Tiananmen com os convidados de honra, incluindo o Presidente russo, Vladimir Putin, e o líder norte-coreano, Kim Jong-un. Os três subiram juntos à tribuna de honra, após saudarem individualmente cinco veteranos da Segunda Guerra Mundial, alguns com mais de 100 anos.

Durante o desfile, o Presidente norte-americano, Donald Trump, questionou, nas redes sociais, se Xi reconheceria o contributo dos soldados dos EUA no conflito, e ironizou: “Transmita os meus calorosos cumprimentos a Vladimir Putin e Kim Jong-un, enquanto conspiram contra os Estados Unidos da América”.

Na sua intervenção, Xi não mencionou os Estados Unidos, mas agradeceu o apoio dos países estrangeiros que ajudaram a China na resistência contra a invasão japonesa.

O desfile, além de mostrar força militar, visa também reforçar o apoio interno ao Partido Comunista e projetar a China como alternativa à ordem internacional dominada pelos EUA desde o pós-guerra.

Milhares de pessoas assistiram à parada a partir de zonas delimitadas na Praça de Tiananmen, acenando bandeiras vermelhas enquanto coros entoavam canções patrióticas como “Defender o Rio Amarelo” e “Não há Nova China sem o Partido Comunista”.

Ucrânia | Putin recusa acordo de paz por questões de segurança

O Presidente russo reafirmou ontem em Pequim a recusa em comprometer a segurança da Rússia com um acordo de paz com a Ucrânia, que Moscovo invadiu em Fevereiro de 2022. “É uma decisão da Ucrânia escolher como garantir a sua segurança”, afirmou Vladimir Putin durante uma reunião com o primeiro-ministro eslovaco, Robert Fico, transmitida pela televisão.

“Mas a sua segurança (…) não pode ser garantida em detrimento da segurança de outros países, incluindo a Rússia”, acrescentou, repetindo um argumento que tem usado desde que ordenou a invasão do país vizinho.

A Ucrânia, que pediu a adesão à NATO, a que a Rússia se opõe, pretende obter garantias de segurança para dissuadir Moscovo a invadir de novo o país no quadro de um acordo que permita o fim da guerra em curso.

A Ucrânia recebeu garantias de segurança em 1994, no âmbito do Memorando de Budapeste, que assinou com a Rússia, os Estados Unidos e o Reino Unido em troca do arsenal nuclear soviético estacionado no seu território. O acordo não impediu a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2014, quando anexou a Península da Crimeia e patrocinou um movimento separatista no Donbass (leste), e em Fevereiro de 2022.

Putin e Fico estão em Pequim para assistir ao desfile militar que celebrará os 80 anos do fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), a que presidirá o Presidente da República Popular da China, Xi Jinping (ver páginas 10-11).

Assistirá também ao desfile, entre outros convidados, o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, que chegou ontem a Pequim num comboio blindado proveniente de Pyongyang, numa das suas raras viagens ao estrangeiro.

Fantasias europeias

Ao encontrar-se com Fico, Putin afirmou que as suspeitas de que a Rússia planeia lançar um ataque contra outro país europeu além da Ucrânia são “um disparate completo que não tem absolutamente nenhum fundamento”.

Putin acusou os europeus, a quem chamou de “especialistas em filmes de terror”, de tentarem provocar continuamente “histeria sobre a suposta intenção da Rússia de atacar a Europa”, segundo a agência noticiosa espanhola EFE.

O líder russo disse que “qualquer pessoa em sã consciência sabe perfeitamente que a Rússia nunca teve, não tem e nunca terá o desejo de atacar ninguém”. “Trata-se de uma provocação ou de uma completa incompetência”, afirmou Putin, também citado pela agência espanhola Europa Press.

Insistiu novamente que o conflito na Ucrânia não começou com a invasão de 2022, mas sim com um alegado “golpe de Estado” em Kiev em 2014, quando o presidente pró-russo Viktor Yanukovych foi deposto por um movimento pró-europeu.

Reafirmou também que a entrada da Ucrânia na NATO é inadmissível, enquanto nunca se opôs à entrada do país vizinho na UE, algo que Fico também apoiou. Putin acusou a Aliança Atlântica de tentar absorver “praticamente todo o espaço pós-soviético”, o que inclui a Ucrânia. “Tínhamos de reagir”, afirmou, aludindo à decisão de mandar invadir a Ucrânia.

Margem de manobra

Apesar das divergências, Putin admitiu haver margem para um consenso sobre as garantias de segurança exigidas por Kiev. Disse que esse foi um dos pontos discutidos com o homólogo dos Estados Unidos, Donald Trump, no encontro inédito que mantiveram no Alasca, em 15 de Agosto.

Putin mostrou-se aberto a colaborar com os Estados Unidos noutras frentes, em particular na gestão da central nuclear de Zaporijia, considerada a maior da Europa e tomada pelas forças russas há mais de três anos. “Se as circunstâncias o permitirem, poderíamos cooperar a três na central”, afirmou, com vista a uma potencial aliança entre a Rússia, a Ucrânia e os Estados Unidos.

Eleições | Rita Santos diz que banner da lista foi danificado

Rita Santos, presidente da assembleia-geral da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM), escreveu ontem nas redes sociais que um cartaz da lista Nova Esperança, liderada por José Pereira Coutinho, foi danificado de forma intencional, com um cigarro apagado na imagem do olho esquerdo do candidato. O cartaz em questão está colocado na Avenida do General Castelo Branco.

Rita Santos, que é figura próxima da lista Nova Esperança, liderada por Coutinho e candidata às eleições para a Assembleia Legislativa, não integra o grupo de candidatos, mas afirmou que Coutinho está preocupado com a sua segurança depois deste episódio.

Na publicação, a responsável disse mesmo que a lista Nova Esperança tem o direito de pedir responsabilidade legal depois de o cartaz ter sido danificado. Rita Santos não esqueceu ainda o facto de, depois do debate televisivo em que a lista participou, Pereira Coutinho continuar a ser alvo de difamações, acusado de informações falsas e desacreditado por uma lista concorrente.

A responsável destacou que as eleições para a escolha dos deputados pela via directa para o hemiciclo são importantes para a RAEM e para a implementação do princípio de Macau governada por patriotas. É, portanto, importante impedir as infracções cometidas e o cumprimento de eleições imparciais, frisou Rita Santos na mesma publicação.

Seul diz que dois mil norte-coreanos morreram no conflito na Ucrânia

Cerca de dois mil soldados da Coreia do Norte morreram no conflito entre a Rússia e a Ucrânia, de acordo com informação divulgada ontem pelos serviços de informação militar da Coreia do Sul.

Em Abril, “estimaram o número de mortos em pelo menos 600”, mas, com base em estimativas actualizadas, “agora estimam o número em cerca de dois mil”, disse o deputado Lee Seong-kweun aos jornalistas após uma reunião com o Serviço Nacional de Inteligência (NIS, na sigla em inglês da Coreia do Sul.

Durante a reunião à porta fechada do comité parlamentar de inteligência, o NIS estimou que Pyongyang enviou até ao momento cerca de 15 mil soldados para a Rússia.

De acordo com deputados dos dois principais partidos, citados pela agência de notícias sul-coreana Yonhap, o NIS acredita que a Coreia do Norte está a preparar um terceiro destacamento de cerca de seis mil homens, incluindo mil sapadores que já chegaram à frente de batalha.

A agência de notícias oficial norte-coreana KCNA noticiou no sábado que o líder norte-coreano Kim Jong-un tinha conversado no dia anterior com familiares de soldados mortos nos combates contra a Ucrânia em apoio da Rússia. Kim já se tinha encontrado com alguns deles na semana anterior, noutra cerimónia pública em homenagem aos militares.

Laços apertados

A Rússia e a Coreia do Norte consolidaram os laços bilaterais, através da assinatura de um pacto de defesa mútua no ano passado, durante uma visita do Presidente russo a Pyongyang. Em Abril, a Coreia do Norte confirmou, pela primeira vez, que tinha enviado um contingente de soldados para a linha da frente na Ucrânia, para combater ao lado das tropas russas.

O líder norte-coreano cruzou ontem a fronteira com a China a bordo do seu comboio blindado, rumo a Pequim, para participar numa importante parada militar com os presidentes chinês e russo. O líder norte-coreano estará em Pequim para participar no desfile militar, que se realiza hoje e contará também com a presença do Presidente da Rússia, Vladimir Putin.

O Kremlin declarou recentemente que está a considerar a realização de uma cimeira bilateral entre os dois líderes, em paralelo com o desfile. O NIS espera que Kim compareça no desfile ao lado de Xi Jinping e Putin e indicou ainda a possibilidade de ser acompanhado pela mulher, Ri Sol-ju, e pela influente irmã, Kim Yo-jong.

O serviço acrescentou que o regime de Pyongyang está a planear um grande desfile militar para Outubro, em comemoração do 80.º aniversário da fundação do Partido dos Trabalhadores, o partido único da Coreia do Norte.

Cooperação | Rússia, China e Mongólia assinam acordo para gasoduto Força da Sibéria 2

A Rússia, a China e a Mongólia assinaram ontem um memorando juridicamente vinculativo para a construção do gasoduto Força da Sibéria 2, que permitirá a entrega anual de 50 mil milhões de metros cúbicos de gás russo à China.

O anúncio foi feito pelo presidente da gigante energética russa Gazprom, Alexei Miller, após a reunião entre os líderes da Rússia, Vladimir Putin, da China, Xi Jinping, e da Mongólia, Ukhnaa Khurelsukh, realizada em Pequim, à margem das celebrações do 80.º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial no Pacífico.

Miller sublinhou que a construção do gasoduto Força da Sibéria 2 e do chamado gasoduto União – Oriente, que inclui o trajecto de trânsito pela Mongólia e as infraestruturas correspondentes em território chinês, será “o maior projecto mundial no sector do gás, tanto em dimensão como em volume de investimento”. O acordo prevê o fornecimento de gás natural russo à China por um período de 30 anos.

Paralelamente, a Gazprom assinou com a Corporação Nacional de Petróleo da China (CNPC) um acordo para aumentar o fornecimento através do gasoduto Força da Sibéria, dos actuais 38 mil milhões para 42 mil milhões de metros cúbicos por ano.

Estes dois projectos reforçam a crescente cooperação energética sino-russa, num contexto de afastamento progressivo da Rússia dos mercados europeus, após as sanções ocidentais impostas pela invasão da Ucrânia, e da estratégia chinesa de diversificação do aprovisionamento energético.

Embora Pequim exclua a formação de uma aliança formal com Moscovo, tem prestado apoio político, diplomático e económico à Rússia desde o início da guerra na Ucrânia.

A parceria é vista como forma de Pequim assegurar estabilidade nas fronteiras terrestres no norte e nordeste da China e garantir o fornecimento energético, permitindo ao país asiático concentrar recursos nas áreas onde enfrenta maior pressão dos Estados Unidos e seus aliados, incluindo o Estreito de Taiwan e o Mar do Sul da China.

Moeda | Yuan atinge valor mais alto face ao dólar desde eleição de Trump

O yuan valorizou para o nível mais alto face ao dólar norte-americano desde a eleição de Donald Trump, num sinal de que Pequim está disposta a permitir um fortalecimento gradual da moeda chinesa.

Desde o início do ano, o yuan valorizou 2,3 por cento face à moeda norte-americana, fixando-se nos 7,14 yuan por dólar. Segundo analistas citados pelo jornal britânico Financial Times, a valorização da moeda poderá ter implicações nas negociações comerciais entre a China e os Estados Unidos.

Durante o seu primeiro mandato, o novo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou a acusar Pequim de manipulação cambial.

“É um sinal para os Estados Unidos”, afirmou Mitul Kotecha, responsável pela estratégia cambial do banco britânico Barclays. “A China quer mostrar, de boa-fé, que não pretende desvalorizar a moeda”, acrescentou.

Apesar do fortalecimento, o yuan tem tido um desempenho inferior ao de outras moedas importantes este ano, como o euro e o iene, que valorizaram 13,2 por cento e 6,2 por cento, respectivamente, face ao dólar.

O economista-chefe do banco de investimento Goldman Sachs para a Ásia-Pacífico, Andrew Tilton, sugeriu que as autoridades norte-americanas podem estar a incentivar vários países a permitirem a valorização das suas moedas.

A relativa estabilidade do yuan face ao dólar, que se encontra em queda, beneficia as exportações chinesas, mas aumenta a pressão sobre os sectores industriais de outros países, cujas moedas mais fortes encarecem as exportações para os EUA.

Xi pede ao PM paquistanês que garanta protecção dos projectos chineses

O Presidente da China, Xi Jinping, apelou ontem ao Paquistão para tomar “medidas concretas e eficazes” que garantam a segurança de cidadãos, projectos e instituições chinesas no país, após vários ataques contra trabalhadores chineses.

Durante um encontro em Pequim com o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, Xi afirmou que “a China e o Paquistão são amigos na adversidade e irmãos” e que “uma relação sólida entre ambos contribui para a paz e o desenvolvimento regionais”, segundo um comunicado divulgado pela diplomacia chinesa.

O chefe de Estado chinês reiterou o apoio de Pequim à “unidade, ao foco no desenvolvimento e ao fortalecimento nacional do Paquistão”.

Sharif garantiu que o seu Governo “não poupará esforços para proteger a segurança do pessoal, dos projectos e das instituições chinesas” em território paquistanês. “Cada geração de paquistaneses recorda a ajuda desinteressada da China. Nenhuma força pode quebrar esta amizade inquebrantável entre os nossos dois países”, afirmou.

Em Outubro de 2024, dois cidadãos chineses morreram e mais de uma dezena de pessoas ficaram feridas num atentado suicida no aeroporto de Karachi, no sul do país. Em Março do mesmo ano, outro atentado semelhante causou a morte de pelo menos cinco trabalhadores chineses e um paquistanês, envolvidos na construção de uma central hidroeléctrica em Dasu, na província de Khyber Pakhtunkhwa.

Na mesma região, em Março do ano passado, cinco engenheiros chineses e um condutor paquistanês morreram noutro ataque suicida.

Pedras no caminho

Estes atentados têm sido um obstáculo ao aprofundamento da parceria sino-paquistanesa, sobretudo no plano económico. A China comprometeu-se a investir 64 mil milhões de dólares (em infraestruturas no Paquistão, no âmbito do Corredor Económico China – Paquistão (CPEC), integrado na Iniciativa Faixa e Rota, que visa ligar o sul e o centro da Ásia a Pequim.

Shehbaz Sharif participou no domingo e na segunda-feira na 25.ª cimeira da Organização de Cooperação de Xangai (SCO), realizada na cidade chinesa de Tianjin. O líder paquistanês assistirá hoje ao desfile militar em Pequim que assinala os 80 anos do fim da Segunda Guerra Mundial no Pacífico, evento que contará com a presença dos presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e da Coreia do Norte, Kim Jong-un, entre outros.

Parada | China exibe poder militar em desfile pelo fim da Segunda Guerra Mundial no Pacífico

A parada militar destinada a assinalar o fim da segunda guerra mundial no Pacífico conta com a presença de vários líderes mundiais da Ásia, da América Latina e da Europa de Leste. Xi Jinping irá passar revista às tropas

 

Caças furtivos de última geração, mísseis balísticos avançados e tanques equipados com drones vão desfilar em Pequim, hoje, para assinalar os 80 anos do fim da Segunda Guerra Mundial no Pacífico.

O evento vai contar com a presença do Presidente chinês, Xi Jinping, e dos líderes da Rússia, Vladimir Putin, e da Coreia do Norte, Kim Jong-un, além de vários outros chefes de Estado de países da Ásia, da América Latina e da Europa de Leste.

O único representante da UE vai ser o primeiro-ministro da Eslováquia, Robert Fico, que afirmou querer “prestar homenagem a todos os que se sacrificaram na luta contra o fascismo” e ao povo chinês.

A capital chinesa encontra-se sob apertadas medidas de segurança há várias semanas, com detectores semelhantes aos usados em aeroportos nas entradas de edifícios públicos e patrulhas permanentes em viadutos e pontos estratégicos da cidade.

O desfile, marcado para as 09:00, terá cerca de 70 minutos de duração e envolverá 45 formações militares, incluindo um sobrevoo de aviões de guerra.

Xi Jinping vai discursar na praça de Tiananmen e passar revista às tropas do Exército de Libertação Popular (ELP), no que será também uma demonstração de força num momento de crescente desconfiança face ao Ocidente, incertezas geopolíticas agravadas desde a chegada de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos e disputas territoriais com vários vizinhos.

Fontes do Ministério da Defesa indicaram que grande parte do armamento exibido será mostrado ao público pela primeira vez, sendo toda a tecnologia de fabrico chinês. O jornal de Hong Kong South China Morning Post noticiou que poderão ser exibidos mísseis com capacidade nuclear.

Últimas novidades

Song Zhongping, antigo instrutor do ELP, referiu ao mesmo jornal que o país poderá apresentar novos sistemas de ataque hipersónico de precisão capazes de “contrariar eficazmente adversários poderosos, incluindo os Estados Unidos”, como os mísseis DF-17, DF-26 (alcance superior a 4.000 quilómetros, apelidado de “Assassino de Guam”), JL-3 (lançado a partir de submarinos) e YJ-21 (concebido para ultrapassar sistemas avançados de defesa naval).

Entre os destaques esperam-se também tanques adaptados a veículos aéreos não tripulados (drones), aviões de alerta antecipado KJ-600 e caças furtivos de última geração. De acordo com Pequim, a invasão japonesa causou mais de 35 milhões de vítimas entre civis e militares chineses mortos e feridos, representando um terço das baixas totais da guerra.

Trio em destaque

O destaque da cerimónia será a presença conjunta de Xi, Putin e Kim Jong-un, este último numa rara deslocação ao estrangeiro – a primeira desde 2019 – para reforçar os laços com Pequim, num momento em que Pyongyang tem aprofundado a cooperação militar com Moscovo.

Estarão ainda presentes o Presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, o líder da junta militar de Myanmar (antiga Birmânia), Min Aung Hlaing, o Presidente do Irão, Masud Pezeshkian, e o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, entre outros dirigentes do Sudeste Asiático, incluindo representantes de Camboja, Vietname, Laos e Malásia.

Pequim procura apresentar-se como um parceiro mais estável e fiável do que os Estados Unidos, numa região onde é o principal parceiro comercial colectivo. Entretanto, a cidade continua sob vigilância apertada. Guardas patrulham pontes e viadutos, medida de segurança recorrente desde 2022.

Exposição de Francisco Ricarte na Casa de Portugal até final do mês

A exposição “Macau: Dias de Ontem e Dias de Hoje”, com imagens do arquitecto Francisco Ricarte, foi estendida até ao final do mês, podendo ser visitada até 30 de Setembro na sede da Casa de Portugal em Macau (CPM). Trata-se de uma iniciativa integrada na programação das celebrações do 10 de Junho – Dia de Portugal, Camões e das Comunidades Portuguesas.

A mostra contém 20 “dípticos”, ou seja, “vinte propostas visuais comparativas entre imagens antigas de Macau, como registos fotográficos e iconográficos da cidade da primeira metade do Séc. XIX, ou existentes em postais antigos dos inícios do Séc. XX, com imagens contemporâneas desses espaços ou do que resta deles, onde se possam entender não só a presença dos antigos elementos construídos ou naturais ainda existentes, mas sobretudo a continuidade do seu significado social e humano relevantes”, explicou o arquitecto e fotógrafo ao HM.

Segundo Ricarte, o que se pretende fazer nesta mostra não é apenas “o registo meramente documental ou comparativo das modificações necessariamente ocorridas nos espaços e imóveis registados, mas sim captar como o seu ‘espírito’, sob o ponto de vista da sua presença, significado urbano ou presença humana significativa, mantêm a sua identidade e significado imagético para a cidade, hoje”.

Passado e presente

Em “Macau: Dias de Ontem e Dias de Hoje” faz-se a “introdução de registos cromáticos nas fotografias contemporâneas”, convidando-se o público a “identificar uma continuidade entre o antigo e o contemporâneo, encontrando novas identidades e significados nas imagens contemporâneas apresentadas, fazendo assim uma outra leitura interpretativa desses registos fotográficos”.

Aqui, a cor “articula a perenidade e identidade dos locais e seu significado, patente nos ‘dias de ontem’ com a contemporaneidade desses mesmos espaços, evidenciado pela sua presença e identidade nos ‘dias hoje'”, remata Ricarte.

Francisco Ricarte é arquitecto de profissão, estando em Macau desde 2006. É um dos membros da associação Halftone, dedicada à fotografia profissional e amadora que se faz no território e fora dele, tendo ajudado a criar este projecto em 2021. A Halftone publica também uma revista de fotografia de forma regular.

Livro | Pensamento do filósofo chinês Xun Kuang editado em português

A Livros do Meio, editora local criada por Carlos Morais José, juntou esforços à Fundação Macau para a edição de “Escritos de Mestre Xun”, que pela primeira vez traduz integralmente do chinês para português o pensamento do filósofo chinês Xun Kuang, também conhecido por Xun Zi. O lançamento desta obra dedicada ao pensamento sobre Confúcio acontece dia 10 deste mês na Fundação Rui Cunha

 

No pensamento confucionista chinês da antiguidade, os grandes nomes que surgem no imediato são Confúcio e Mencius. Mas inclui-se também nesta lista um homem nascido com o nome de Xun Kuang, que ficaria mais conhecido na história como Xun Zi e que é considerado um dos grandes filósofos confucionistas chineses do período antigo da China.

A editora de Macau Livros do Meio, de Carlos Morais José, prepara agora um lançamento inédito sobre os escritos e o pensamento deste filósofo, na medida em que pela primeira vez estarão disponíveis em português. A tradução esteve a cargo de Rui Cascais, Gong Yuhong e do próprio Carlos Morais José, que também fez a parte da edição e notas.

A edição de “Escritos de Mestre Xun” contou com a co-edição da Fundação Macau e será lançada no dia 10 de Setembro em Macau, na Fundação Rui Cunha. Segundo uma nota de imprensa divulgada pela Livros do Meio, trata-se de uma “pedra angular do pensamento filosófico chinês finalmente acessível ao leitor lusófono em edição definitiva”.

Esta é a “primeira tradução para língua portuguesa de todos os 32 capítulos do filósofo confuciano Xun Zi (c. 310 – c. 235 a.E.C)”, tratando-se de uma “edição histórica que preenche uma lacuna crucial nos estudos filosóficos e sinológicos em português”.

Segundo a descrição da editora, o livro “conta com extensas notas explicativas, comentários críticos e uma introdução abrangente que situa Xun Zi no contexto do período dos Reinos Combatentes e traça sua influência ao longo da história”.

“A Livros do Meio orgulha-se, depois de ter publicado recentemente o último dos ‘Quatro Livros’, de tornar este clássico acessível aos leitores de língua portuguesa”, acrescenta ainda.

Uma longa jornada

Traduzir aquilo que Xun Zi deixou constituiu “uma jornada de vários anos”. O filósofo deixou um pensamento pautado pelo “racionalismo, a defesa da cultura como antídoto para o caos e uma análise da linguagem”, elementos que “ressoam de forma poderosa nos dias de hoje”.

Neste processo de tradução, procurou-se “capturar a precisão e a força argumentativa do seu texto, permitindo que o leitor de língua portuguesa enfrente, pela primeira vez em toda a sua extensão, um dos pensadores mais lúcidos e desafiadores da humanidade”.

Se Mencius, contemporâneo de Xun Zi, “acreditava na bondade inata do ser humano”, o “Mestre Xun” defendia, por sua vez, “que a natureza humana é originalmente má (xing er), e que a bondade é adquirida através do esforço consciente, da educação ritualizada (li) e da orientação dos sábios e de um governo justo”.

Daí a Livros do Meio entender que ler e analisar Xun Zi permite ter acesso a um “tratado profundo sobre ética, política, educação, linguagem e cosmologia, oferecendo perspectivas surpreendentemente modernas sobre a natureza da sociedade”.

“Xun Zi é um gigante intelectual, cujo pensamento é fundamental para entender não apenas o Confucianismo, mas toda a história intelectual chinesa. Publicar as suas obras completas em português é um marco editorial e um presente para estudantes, académicos e todos os leitores que buscam compreender as bases da civilização chinesa”, descreve ainda a Livros do Meio.

A obra tem 422 páginas e um custo de 200 patacas. A Livros do Meio foca-se na edição de obras clássicas chinesas traduzidas para português em áreas como a poesia, o pensamento, Arte, História ou Etnologia, entre outras.

Receitas | Analistas prevêem subida de 13% em Setembro

Com receitas de 17,25 mil milhões de patacas, Setembro de 2024 foi o pior mês do ano para os casinos. No entanto, os analistas acreditam que este ano o cenário vai ser diferente, com receitas a rondar os 19,69 mil milhões de patacas

 

Em Setembro, as receitas dos casinos deverão registar um crescimento anual de 13 por cento, de acordo com os relatórios emitidos por analistas citados pelo portal GGR Asia. As estimativas têm por base as receitas de 22,16 mil milhões de patacas dos casinos em Agosto, o valor mais elevado desde Janeiro de 2020, altura do início da pandemia da covid-19.

Na perspectiva do Deutsche Bank Securities, as receitas de Setembro devem rondar os 2,45 mil milhões de dólares norte-americanos (19,69 mil milhões de patacas), o que representa um aumento anual de 13,6 por cento. Em 2024, as receitas de Setembro foram de 17,25 mil milhões de patacas, as mais reduzidas de todo o ano.

A estimativas do analista Steve Pizzella, do Deutsche Bank, são mais optimistas que as da generalidade dos analistas no mercado, que acreditam que as receitas deverão crescer mais lentamente, ao ritmo de cerca de 10 por cento.

A instituição financeira também destacou que apesar de uma previsão de crescimento de 13 por cento a estimativa é tida como conservadora à luz das tendências das mesas de jogo entre 2013 e 2019. Steve Pizzella indicou que tendo em conta as tendências desse período a estimativa deveria apontar para um aumento das receitas anual na ordem dos 17,5 por cento.

Avisos contra tufões

Por sua vez, a instituição financeira Seaport Research Partners acredita que Setembro vai resultar num crescimento anual das receitas na ordem dos 13 por cento. No entanto, o relatório assinado pelo analista Vitaly Umansky avisa que o número pode ficar abaixo das estimativas, no caso de se verificarem novos tufões.

“A nossa estimativa poderá ser afectada negativamente no caso de algum tufão na região afectar as viagens para Macau”, escreveu Vitaly Umansky. “No ano passado, Setembro foi afectado negativamente por dois grandes tufões, o que foi parcialmente compensado pela elevada retenção de VIPs”, acrescentou.

A Seaport prevê também um crescimento das receitas brutas na ordem dos 13,5 por cento na segunda metade do ano, em comparação com o crescimento de 4,4 por cento entre Janeiro e Junho.

Umansky destacou que o crescimento deve resultar da maior eficácia das concessionárias a nível de marketing e uma maior flexibilização da circulação de capitais e emissão de vistos para visitar o território.

O analista apontou também que um possível acordo comercial entre os Estados Unidos e a China irá injectar uma nova confiança na economia chinesa, que poderá resultar numa maior vontade dos jogadores se deslocarem a Macau e apostarem mais nas mesas do território.

GP Consumo | Mais de 37 mil idosos com descontos imediatos

A Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT) revelou que até às 10h da manhã de ontem, mais de 37 mil idosos tinham obtido descontos directos em compras, no âmbito do Grande Prémio para o Consumo nas Zonas Comunitárias.

De acordo com o canal chinês da Rádio Macau, a subdirectora da DSEDT, Cheang Hio Man, afirmou também que cerca de 1.900 pessoas levaram o novo cartão para obter descontos, emitido apenas para titulares do Cartão de Registo de Avaliação da Deficiência do Instituto de Acção Social.

Ao mesmo tempo, Cheang Hio Man disse que o prazo para levantar o de cartão para idosos e cartão de cuidados sociais é suficiente para disfrutar dos descontos, pelos que os residentes não precisam de correr para os postos de levantamento.

Esgrima | Atletas impedidos de exibir bandeira de Macau

Uma equipa de Macau conseguiu subir ao lugar mais alto do pódio na Taça da Ásia de Cadetes. No entanto, enquanto os atletas de Hong Kong e do Cazaquistão mostravam as respectivas bandeiras, o Lótus verde ficou bem longe dos olhares do público

 

Imagem: Escola Pui Ching

A Associação Geral de Esgrima de Macau terá impedido que a bandeira do território fosse mostrada na Taça da Ásia de Cadetes, que decorreu na Malásia, depois de alguns atletas locais terem conquistado um troféu. O caso foi denunciado por um participante do programa matinal Fórum Macau do canal chinês da Rádio Macau, com a foto da competição que decorreu entre 20 e 23 de Agosto a ser divulgada ontem nas redes sociais.

“Ouvi dizer que a participação na competição não foi subsidiada pelo Governo, apesar de os atletas estarem a representar Macau. Por isso, a Associação Geral de Esgrima de Macau impediu que os atletas subissem ao pódio com a bandeira da RAEM”, afirmou o ouvinte, que se identificou pelo apelido Ieong.

A postura dos atletas de Macau contrastou assim com a dos esgrimistas de Hong Kong e do Cazaquistão que podem ser vistos nos pódios com as bandeiras dos territórios que representam. Segundo as reportagens da competição, a equipa de Macau arrecadou uma medalha de ouro, duas medalhas de prata e duas medalhas de bronze.

Outras queixas

Ieong também se queixou do facto de a associação mudar os critérios para o concurso inter-escolas de esgrima, que vai começar a partir de Outubro, por agrupar atletas que usam armas com tamanhos diferentes. “No passado, os alunos com menos de 11 e 12 anos competiam na mesma categoria. Mas este ano, os alunos com menos de 12 anos precisam de enfrentar os menores de 13 anos. Como nós sabemos, as espadas utilizadas pelos menores de 12 anos e de 13 anos são diferentes, o comprimento de espada é diferente”, explicou. Falta imparcialidade nesta decisão”, considerou.

Além disso, Ieong apontou que a competição escolar vai ser fechada ao público, significando que a entrada dos pais será vedada. Ieong afirmou que este aspecto é negativo porque os alunos podem não saber como apresentar uma queixa, se sentirem prejudicados nas decisões.

Mar de críticas

Nos últimos dias têm surgido várias críticas anónimas contra a Associação Geral de Esgrima de Macau devido a contratações pouco transparentes de pessoal e alegados abusos de poder.

As denúncias foram publicadas alegadamente por atletas da esgrima, e uma das acusações visou directamente a secretária-geral da associação, Grace Ma, por abuso de poder. “Nenhum dos administradores da associação tem experiência de esgrima ou contacto com o desporto. Desde que Grace Ma assumiu o cargo de gestão aconteceram os seguintes episódios: esquecimento de inscrições em competições, esquecimentos de pedidos de vistos, nomes de atletas escritos de forma errada nos bilhetes de avião, não arranjam transporte para os atletas durante as competições e nem nos permitem participar nas competições, mesmo quando pagamos os custos com o dinheiro do nosso bolso”, lê-se numa das publicações.

As publicações também duvidam das qualificações de Grace Ma, citando as reportagens dos jornais chineses em que ela surge identificada como tendo um doutoramento em ortopedia da Universidade de Malaya, em Kuala Lumpur. “Esta universidade nunca teve o doutoramento em ortopedia, apenas tem engenharia biomédica”, foi apontado. As críticas visam também o facto de Grace Ma não surgir na lita de profissionais de saúde reconhecidos pelos Serviços de Saúde, o que significa que não está habilitada para fazer tratamentos médicos.

Os denunciantes anónimos esperam que a associação explique as razões de ter escolhido Grace Ma como a secretária-geral da associação, e esperam que Ma se demita, para deixar alguém com experiência e conhecimento da matéria assumir o cargo.

O HM contactou a Associação Geral de Esgrima de Macau sobre as queixas apresentadas, mas até ao encerramento da edição não recebeu uma resposta.

Telecomunicações | Novos contratos conhecidos até ao fim do mês

A directora dos Serviços de Correios e Telecomunicações (CTT), Derby Lau Wai Meng, anunciou que os novos contratos das concessões da rede pública de telecomunicações fixas vão ser publicados no Boletim Oficial até ao final do mês, altura em que as concessões actuais terminam. A informação foi revelada na segunda-feira, à margem de uma conferência de imprensa.

A CTM e a MTel são actualmente as duas concessionárias. Todavia, a responsável recusou a ideia de que os novos contratos se limitem a ser mais uma renovação, como ocorridas em 2021 e 2022. Segundo Derby Lau, citada pelo jornal Cheng Pou, os novos contratos vão mais longe e incluem orientações para o futuro desenvolvimento das telecomunicações no território. A directora recusou entrar em mais pormenores, prometendo explicações para a altura em que os contratos forem divulgados.

Imobiliário | Mais vendas a preços mais baixos no início de Agosto

Agosto arrancou com mais actividade comercial no mercado da habitação, com um aumento de 19 por cento do número de transacções. No entanto, compradores e vendedores voltaram a ver os preços baixarem

 

Na primeira metade de Agosto o número de transacções de habitação teve um crescimento anual de 19 por cento para um total de 118 negócios. Os números foram divulgados ontem, através do portal da Direcção de Serviços de Finanças (DSF). Na primeira quinzena de Agosto do ano passado tinham sido registadas 99 transacções de habitação.

Em relação ao início de Agosto deste ano, o maior número de compras e vendas de habitação aconteceu na Península com 96 transacções, que contrastam com as 74 do ano anterior. Na Taipa houve 19 vendas de apartamentos, um valor que ficou estabilizado, e em Coloane foram registadas três, menos três do que no início de Agosto do ano passado.

Se por um lado houve mais transacções, por outro, o preço médio das casas vendidas apresentou uma redução de 2,3 por cento para uma média de 78.990 patacas por metro quadrado. Em comparação, na primeira quinzena de Agosto do ano passado o preço médio do metro quadrado era de 80.815 patacas por metro quadrado.

Como tradicionalmente acontece, o metro quadrado foi mais caro em Coloane, com um custo médio de 83.444 patacas, o que em termos anuais representou um aumento face ao valor médio de 65.145 patacas por metro quadrado do início de Agosto de 2024. Na Península o preço médio mais recente foi de 82.743 patacas por metro quadrado, uma redução anual face às 84.584 patacas anteriores. Finalmente, na Taipa o preço mais recente foi de 65.219 patacas por metro quadrado, uma redução de quase 10 mil patacas, face às 75.189 patacas por metro quadrado do ano anterior.

Navios idos

Os números mais recentes confirmam que o mercado do imobiliário de Macau atravessa uma situação muito diferente do que acontecia antes da pandemia da covid-19.

Nos primeiros quinze dias de Agosto de 2019 o número de transacções de fracções para habitação atingiu 443, cerca do triplo do que aconteceu no período mais recentemente analisado. Nesse início de mês houve 289 transacções na Península, 137 na Taipa e 17 em Coloane.

Também os preços praticados se encontram num nível diferente do que acontecia em Agosto de 2019. Nessa altura, o preço médio por metro quadrado era de 119.351 patacas, uma diferença de 40.361 patacas face à primeira quinzena de Agosto de 2025. Nessa altura, o preço médio na Taipa era de 142.100 patacas por metro quadrado, e de 126.883 patacas em Coloane. Na Península o preço médio do metro quadrado atingia as 108.748 patacas.

DSEDJ | Aposta em visitas a bases de segurança nacional

A Direcção de Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) vai continuar a apostar nas visitas de estudo para professores e alunos à Base de Educação do Patriotismo para Jovens de Macau, em Shandong, e à Base de Formação de Educação sobre Perspectiva Geral da Segurança Nacional para Jovens de Macau, em Pequim, como parte dos esforços de promoção do nacionalismo. A orientação sobre a educação nacional foi revelada na resposta a uma interpelação do deputado Ho Ion Sang.

De acordo com a resposta assinada por Teng Sio Hong, subdirector da DSEDJ, as visitas têm como objectivo “aprofundar o sentimento patriótico e a consciência de segurança nacional”.

No documento, Teng Sio Hong garante que o “Governo da RAEM mantém-se firme na consolidação dos valores nucleares do amor pela Pátria e por Macau” e que o futuro desta política passa pela construção de “uma base de experiência imersiva, baseada em Macau e interligada com a Grande Baía”, realização de actividades para alunos e a criação de um Pavilhão de Exposições da Educação Patriótica em Seac Pai Van.

IH / Edifício do Lago | Apontada responsabilidade de condóminos

A queda de azulejos no complexo de habitação económica do Edifício do Lago tem sido um problema recorrente passados poucos anos da ocupação dos apartamentos. Desde a primeira ocorrência, a queda de mosaicos tem sido uma constante, também noutros edifícios de habitação pública. O Instituto de Habitação empurra responsabilidades para os condomínios

 

Passado pouco tempo da distribuição de apartamentos no complexo de habitação económica do Edifício do Lago, começou a ser evidente a falta de qualidade da construção, com o desprendimento constante de azulejos e mosaicos da fachada e paredes exteriores dos blocos.

Após a sucessiva queda de mosaicos, o empreiteiro era convocado a proceder a reparações, e o problema repetia-se, tanto nas paredes exteriores como nas partes comuns no interior dos prédios. O ciclo repetiu-se durante mais de uma década, também noutros prédios de habitação pública, até que a garantia estabelecida no contrato de adjudicação da construção do Edifício do Lago expirou. Desde então, o Instituto de Habitação (IH) “passou a bola” para o lado dos condóminos, que têm rejeitado sucessivamente propostas de reparação.

Em resposta a uma interpelação de Nick Lei, o Governo voltou a realçar a inacção dos proprietários. Após uma investigação do Comissariado contra a Corrupção, que não encontrou indícios de corrupção das autoridades no concurso, apreciação, aprovação e supervisão das obras no Edifício do Lago e no Edifício Ip Heng, foi “apresentada uma proposta de reparação para discussão e deliberação por parte dos condóminos. Contudo, a proposta foi rejeitada dentro do prazo estabelecido, pelo que o empreiteiro não pôde realizar os trabalhos de reparação e acabou por retirar a proposta”, indicou Sam Weng Chon, director substituto dos Serviços de Obras Públicas.

O responsável salientou que “o IH continuou a instar a empresa de administração e as respectivas administrações a darem acompanhamento à situação, exigindo-lhes a apresentação de uma nova proposta de reparação”.

Raiz do problema

No Edifício da Alameda da Tranquilidade passou-se uma situação semelhante. Quedas de azulejos, reparações que duram pouco tempo, período de garantia expirada e responsabilidades atiradas para os proprietários que compraram casas ao Governo, com as administrações de condomínios a rejeitarem propostas de reparação.

Independentemente das queixas sucessivas e notícias cíclicas sobre a degradação de prédios praticamente novos, o responsável da DSOP aponta para os moradores. “A reparação dos espaços comuns dos edifícios depende da vontade comum dos condóminos, pelo que o IH continuará a incentivar todas as partes envolvidas a avançarem com a reparação com a máxima celeridade, prestando apoio na convocação das assembleias e na apresentação de candidaturas ao Fundo de Reparação Predial, de modo a aliviar os encargos de reparação”, indicou Sam Weng Chon.

Na interpelação escrita, Nick Lei indica que a responsabilidade não deve somente recair sobre os condóminos, uma vez que estas não foram responsáveis pela falta de qualidade das obras.

“O problema de qualidade não foi resolvido adequadamente até ao termo do prazo de garantia do edifício e o desprendimento de mosaicos causou ferimentos a transeuntes e danificou veículos estacionados na via pública, portanto, tudo isso constitui perigo para a segurança comunitária”, salientou o deputado.