EUA | China cumpriu já mais de metade do acordo de compra de soja Hoje Macau - 20 Dez 2025 A China assinou acordos para comprar cerca de sete milhões de toneladas de soja dos EUA, mais de metade da quota que Pequim se comprometeu a adquirir até início de 2026, informou ontem um jornal de Hong Kong. A quota faz parte do acordo estabelecido entre Pequim e Washington para pôr fim à guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo. As autoridades norte-americanas informaram a venda de cerca de quatro toneladas de soja ao país asiático, com outras três atribuídas a “destinos desconhecidos”, o que “sempre foi considerado sinónimo de China”, segundo a consultora especializada Walsh Trading, citada pelo jornal South China Morning Post. Isso significaria que Pequim está a caminho de cumprir o seu compromisso de comprar 12 milhões de toneladas – principalmente através do gestor estatal de reservas de cereais Sinograin –, embora a informação esclareça que ainda não foram feitos envios, o que aumenta os receios de possíveis cancelamentos no futuro. “Os nossos acordos comerciais, que sempre foram assim, permitem à China reservar vendas para envios futuros. Mas se o Brasil ou a Argentina tiverem uma grande colheita, podem cancelá-los a qualquer momento”, explicou o vice-presidente da Walsh Trading, Sean Lusk. Apenas algumas cargas partiram com destino à China até o momento, de acordo com o especialista, que recomenda prestar atenção entre Fevereiro e Março às colheitas sul-americanas, das quais se esperam números recordes que poderiam reduzir os preços e, consequentemente, os incentivos de Pequim para comprar dos EUA. De qualquer forma, estas recentes operações representam uma reviravolta em relação à situação vivida durante meses: após a escalada tarifária iniciada pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, a China reduziu praticamente a zero as suas compras de soja aos EUA durante quase meio ano, o que se traduziu numa queda dos preços e em dificuldades para os produtores.
Inflação em Macau acelera pelo quarto mês consecutivo Hoje Macau - 20 Dez 2025 A inflação anual em Macau acelerou em Novembro, pelo quarto mês consecutivo, atingindo 0,72 por cento, o valor mais elevado dos últimos 15 meses, foi ontem anunciado. A subida do índice de preços no consumidor (IPC) em Novembro foi 0,12 pontos percentuais mais elevada do que em Outubro, e o valor mais elevado desde Agosto de 2024 (0,74 por cento), segundo dados oficiais. De acordo com a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos, a aceleração da inflação deveu-se sobretudo aos produtos alimentares e bebidas não alcoólicas (mais 1,25 por cento). O custo das refeições adquiridas fora de casa subiu 1,6 por cento. Os gastos com rendas ou hipotecas de apartamentos subiram 0,73 por cento e 0,49 por cento, respectivamente. Em 11 de Novembro, a Autoridade Monetária de Macau aprovou a terceira descida da taxa de juro este ano. Em Abril de 2024, a Assembleia Legislativa do território acabou com vários impostos sobre a aquisição de habitações, para “aumentar a liquidez” no mercado imobiliário, defendeu na altura o secretário para a Economia e Finanças, Lei Wai Nong. Com a recuperação no número de visitantes, a região registou uma subida de 32,9 por cento no preço da joalharia, ourivesaria e relógios, produtos populares entre os turistas da China continental. Pelo contrário, os gastos com electricidade caíram 3,1 por cento, enquanto o preço dos serviços de telecomunicações decresceu 3,4 por cento. Do Interior A inflação em Macau acelerou em Novembro, num período em que o IPC voltou a subir na China continental, pelo segundo mês consecutivo. Na China continental, de longe o maior parceiro comercial de Macau, o IPC subiu 0,7 por cento em termos homólogos em Novembro, registando o aumento mais elevado desde Fevereiro de 2024. A China registou deflação em seis dos 11 meses deste ano. A deflação reflecte debilidade no consumo doméstico e no investimento e é particularmente gravoso, já que uma queda no preço dos activos, por norma contraídos com recurso a crédito, gera um desequilíbrio entre o valor dos empréstimos e as garantias bancárias. O valor registado em Setembro confirmou as expectativas da maioria dos analistas, após dois meses consecutivos de quedas, seguidos por uma subida inesperada de 0,2 por cento em Outubro. A segunda maior economia mundial enfrenta há mais de dois anos pressões deflaccionistas, com a fraca procura interna e o excesso de capacidade industrial a penalizarem os preços, enquanto a incerteza no comércio internacional dificulta o escoamento de produtos por parte dos fornecedores. O índice de preços no produtor, que mede os preços à saída da fábrica, aprofundou em Novembro a tendência negativa dos últimos dois anos, com uma descida homóloga de 2,2 por cento.
Políticas de captação de investimento, serviços de valorização e fiscalização do Parque de Ciências e Tecnologias Hoje Macau - 20 Dez 2025 O Parque de Ciências e Tecnologias prende-se com o futuro de Macau Deputados Lei Wun Kong e Wong Ka Lon A economia de Macau depende excessivamente das receitas do jogo, mas, com o surgimento da inteligência artificial na indústria, os jovens deixam de estar entusiasmados com o jogo offline. Com o passar do tempo, as mudanças da conjuntura exterior e outros factores, as receitas do jogo podem ser instáveis e afectadas. Assim, o projecto do Parque de Ciências e Tecnologias é a chave da diversificação adequada da economia. Questão: Criar e aperfeiçoar políticas de captação de investimento e os serviços pós-investimento e a fiscalização do referido Parque Actualmente, os empresários são mais conservadores. Para promover com eficiência o projecto do Parque em causa, o Governo deve tomar a iniciativa de captar investimentos e prestar serviços de valorização. Apesar dos esforços envidados pelos serviços públicos, nomeadamente pela Secretaria para a Economia e Finanças e pelos seus serviços subordinados, é necessário criar e aperfeiçoar políticas de captação de investimento, os serviços pós-investimento e a fiscalização do referido Parque. Modelo: Tomar como referência as experiências das cidades-modelo do Interior da China Nos últimos anos, as cidades-modelo do Interior da China definiram cinco modelos para atrair investimentos. O primei-ro é através do capital, “fundos + indústrias”, o governo cria um fundo industrial para promover a implementação dos projectos, como a indústria de biotecnologia de Suzhou. O segundo é através de cluster “liderado pelas indústrias dominantes”, ou seja, criar um cluster industrial em torno das empresas dominantes, por exemplo, em Shenzhen é a Huawei que impulsiona as respectivas indústrias. O terceiro baseia-se no “fornecimento orientado pela procura”, isto é, explorar cenários de aplicação para atrair empresas tecnológicas, por exemplo, a empresa Hangzhou City Brain integroua Alibaba Cloud para desenvolver a aplicação da IA. O quarto assenta na “correspondência inteligente de dados” para captar investimentos digitais, ou seja, na criação de big-data para definir com precisão as empresas-alvo, como o sistema de “captação de investimento digital” em Cantão. O quinto baseia-se na “cooperação inter-regional”, ou seja, transcende-se a delimitação das regiões administrativas, como a zona de cooperação Shenzhen-Shantou, liderada por Shenzhen. Estratégia: Elaborar políticas diferenciadas segundo a realidade de Macau Macau, enquanto micro-economia, para além da falta de recursos humanos e de terrenos, não tem empresas dominantes, assim, é difícil criar um cluster industrial. Assim, temos de maximizar as nossas vantagens singulares (tais como, do princípio “um país, dois sistemas”, de porto franco, de zona aduaneira autónoma, do regime fiscal simples, de plataforma de ligação com os países de língua portuguesa e do sistema do direito europeu, e transformar tudo isto em pontos e serviços concretos e atractivos para a captação de investimentos), e transformar Macau numa plataforma de interligação entre as empresas científicas e tecnológicas da China e dos PLP. Assim, podemos tomar as seguintes medidas: 1) com base no acordo de desempenho, promover a orientação industrial através de uma participação social estratégica do fundo industrial, por forma a conseguir o efeito de alavancagem do capital com o risco controlado; 2) promover a cooperação na captação de investimentos inter-regionais, definir claramente a divisão do trabalho com Henqin e assegurar a eficácia do investimento; 3) captar talentos locais e internacionais para atracção de investimentos, atribuindo aos candidatos qualificados o estatuto de residente não permanente; 4) criar um banco de grande dimensão para atracção de investimentos, etc. Neste momento, é necessário que o Governo concretize as políticas de captação de investimento mediante incentivos jurídicos dirigidos a empresários que queiram entrar no parque. Devem ser clarificados o modelo de captação de investimento, a gestão operacional e as políticas preferenciais, entre outras etapas-chave. Deve-se assegurar a captação de investimentos de alto nível e detalhar o processo de gestão a posteriori, de modo a destacar a mudança do papel do Governo, de gestor para prestador de serviços, concretizando-se a articulação dessas medidas com o 15.º Plano Quinquenal do País e as necessidades e vantagens de Macau. Garantia: Melhoria dos serviços de valor acrescentado e a supervisão quantitativa Aquando da captação de investimentos, as cidades-estrela do Interior da China, para além de prestarem serviços de valor acrescentado às empresas para investimentos, devem facilitar o desenvolvimento dessas empresas, orientando-as para o seu crescimento contínuo. Concluído o processo de captação de investimentos, segue-se a fase de monitorização do valor de produção e da intensidade de investimento por acre de terra, que será usada como base para determinar o valor dos subsídios e benefícios concedidos pelos respectivos governos. Embora seja difícil para Macau a adopção do modelo de quantificação por acre de terra, pode proceder-se a uma quantificação adequada, tendo em conta as suas próprias necessidades. Por exemplo, tomando como indicadores quantitativos a intensidade do emprego, a dimensão do investimento e a eventual entrada no mercado de capitais. Assim, com esses valores determina-se o apoio financeiro que é concedido, bem como os benefícios fiscais e outras medidas de incentivo. Paralelamente, como a área do parque científico e tecnológico e os recursos humanos são limitados, é preciso definir melhor a proporção de cada sector, mas deve evitar-se a procura cega de uma envergadura “grande e completa”. Além disso, as políticas devem orientar-se para a cooperação Hengqin-Macau, para a cooperação dentro e fora do parque, e para o efeito da indústria-academia-investigação. Em suma, o Governo deve criar um sistema aperfeiçoado de serviços de valor acrescentado e de supervisão quantitativa para a captação de investimentos, por forma a conseguir avanços em várias dimensões, nomeadamente no “posicionamento industrial, nas excelentes políticas complementares, na sinergia profunda entre Macau e Hengqin, na ecosfera do processo de captação de investimento, e na gestão da confiança de negócios”.
IC | Primeira exposição individual de Helena Almeida na Ásia chega em 2026 Hoje Macau - 20 Dez 2025 O ano de 2026 Macau acolhe uma grande exposição sobre a artista portuguesa Helena Almeida. “Helena Almeida: Estou Aqui – Presença e Ressonância” está agendada para acontecer no início do ano, sendo a primeira grande exposição, a título individual, da artista na Ásia. O Museu de Arte de Macau apresenta ainda obras de artistas chineses a interagir com o trabalho de Helena Almeida O Governo anunciou esta quinta-feira a inauguração de uma exposição de artistas chineses, convidados a interagir com a obra de Helena Almeida (1934-2018), em antecipação da primeira grande mostra individual da artista portuguesa na Ásia. “Helena Almeida: Estou Aqui – Presença e Ressonância” será inaugurada no início de 2026, com cerca de 42 conjuntos compostos por 190 peças da artista portuguesa, revela-se no comunicado. Na nota, o Instituto Cultural (IC) anunciou ainda que a exposição “Ressonância – Corpo. Objecto. Reflexão”, marcada por interpretações de artistas chineses sobre o trabalho da portuguesa, vai estar patente no Museu de Arte de Macau de 19 de Dezembro até 26 de Abril. A mostra reúne “trabalhos recentemente encomendados” de seis artistas de Macau e da China continental, convidados “a fomentar um diálogo que transcende o tempo e o espaço” com Helena Almeida, referiu o IC. Podem ver-se desenhos de Erica Min Han, artista chinesa radicada em Londres, que “dão continuidade à reflexão de Helena Almeida sobre a presença do corpo”. Por seu turno, a obra do chinês Gao Fuyan “A Grade da Mente”, bordada com cabelo sobre papel, “espelha remotamente o conceito de Helena Almeida do corpo como instrumento”, disse o IC. A também chinesa Sun Xiaoyu “adopta o azul de Helena Almeida para expandir o diálogo visual sobre a existência e as suas fronteiras através da prática estética oriental de dissolver o eu no objecto”, refere-se na nota. O IC sublinhou que com esta mostra pretende-se “reforçar o intercâmbio de arte contemporânea” e o “diálogo cultural” entre a China e Portugal, preparando o caminho para a grande retrospectiva. Uma vida cheia Nascida em Lisboa, em 1934, Helena Almeida criou, a partir dos anos 1960, uma obra multifacetada que se destacou pela autorrepresentação, reflectindo sobre as relações de tensão entre o corpo, o espaço e a obra. Usou o corpo como suporte e objecto de criação, utilizando a pintura, a fotografia, a gravura, a instalação e o vídeo. Helena Almeida estudou pintura na Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa, começando a expor individualmente em 1967, na Galeria Buchholz. Um dos artistas que marcou o seu percurso foi Lucio Fontana, e inicialmente Helena Almeida até expôs telas rasgadas à semelhança do trabalho deste artista, “telas com o verso voltado para a frente dando, assim, a ver o que tradicionalmente estava virado para a parede”, descreve Joana Simões Henriques a propósito de uma mostra com trabalhos de Helena Almeida recentemente realizada no museu da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa. Mas a partir de 1975 a artista “começa a explorar outras disciplinas como o desenho, a fotografia e o vídeo, encarando-os como meios para perceber a relação do corpo do autor com o espaço da obra”. É aqui que o corpo da artista se transforma “no suporte da sua arte, passando a ser sujeito e objecto, não sob a forma de auto-retrato, mas sim no sentido de ‘habitar a pintura’, de se colocar dentro do seu trabalho, de ser a sua obra”. Nestes trabalhos, “o rosto [de Helena Almeida] aparece muitas vezes oculto”, descreve-se na mesma nota. No ano de 1977 acontece em Portugal a exposição “Alternativa Zero”, descrita como “marcante na arte contemporânea portuguesa”, apresentando-se “uma série de fotografias [de Helena Almeida] com elementos anexos à imagem, criando, desta forma, a ilusão da obra sair do seu lugar e entrar no espaço do observador”, escreveu ainda Joana Simões Henriques. A artista representou Portugal na Bienal de Veneza por duas ocasiões: em 1982 e em 2005, e em 2004 participou na Bienal de Sidney, tendo a sua obra sido exibida no âmbito de mostras individuais e colectivas em museus e galerias nacionais e internacionais. Em 2015, apresentou uma exposição individual itinerante Corpus na Fundação de Serralves (2015), no Porto, em Paris (2016), em Bruxelas (2016) e Valência (2017). Apresentou igualmente, em 2017, uma exposição individual “Work is never finished” no Art Institute, em Chicago, nos Estados Unidos. A sua obra está presente em colecções portuguesas e internacionais como: Coleção Berardo, Lisboa; Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa; Fundação de Serralves, Porto; Hara Museum of Contemporary Art, Tóquio; Museu de Arte Contemporânea de Barcelona; Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, Madrid; MUDAM – Musée d’Art Moderne Grand-Duc Jean, Luxemburgo; Tate Modern, Londres.
Timor-Leste discute com parceiros o combate à corrupção e ao crime transnacional Hoje Macau - 20 Dez 2025 O chefe da diplomacia de Timor-Leste, Bendito Freitas, reuniu-se esta semana com a Interpol, a Austrália e a ONU para reforço da cooperação no combate à corrupção e ao crime transnacional, anunciou ontem o Governo timorense. Os encontros foram realizados em Doha, Qatar, à margem da 11.ª sessão da Conferência dos Estados Parte da Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção, que começou segunda-feira e terminou ontem. “A Interpol manifestou disponibilidade para apoiar Timor-Leste na capacitação de recursos humanos, com vista ao reforço das competências nacionais no combate à corrupção, ao crime organizado e ao crime transnacional, incluindo por mecanismos regionais da ASEAN [Associação das Nações do Sudeste Asiático] e do recurso a tecnologias emergentes, como a inteligência artificial, aplicadas à investigação criminal”, pode ler-se na informação do executivo timorense. Com a Austrália, o ministro dos Negócios Estrangeiros timorense abordou o futuro “estabelecimento de uma parceria de cooperação bilateral” naquelas áreas. O encontro permitiu também “trocar pontos de vista sobre a identificação de necessidades de capacitação de recursos humanos, em particular para investigadores, bem como sobre a partilha de experiências e boas práticas, incluindo no contexto da cooperação com os Estados-membros da ASEAN”. Bendito Freitas esteve também reunido com uma equipa do Gabinete das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) para “discutir mecanismos de combate ao jogo ilícito, ao branqueamento de capitais, crimes relacionados com drogas e a utilização de tecnologias digitais e de inteligência artificial, tanto a nível regional como em Timor-Leste”. “As partes analisaram possibilidades de cooperação no domínio da capacitação técnica e do reforço das capacidades institucionais, incluindo a utilização de equipamentos forenses para a investigação e detecção de crimes transfronteiriços”, salienta o Governo. A UNODC convidou o Governo de Timor-Leste para participar numa conferência internacional sobre o combate ao jogo ilícito e ao contrabando, a realizar-se em Viena, em 2026. Nos encontros participaram também o Comissário da Comissão Anticorrupção, Rui Pereira dos Santos, o director nacional da Polícia Científica de Investigação Criminal, Vicente Brito, a procuradora-geral adjunta da República, Angelina Saldanha, e a deputada Virgínia Ana Belo. Jogo e burlas O Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) alertou em Setembro para a proliferação de redes criminosas em Oecussi, enclave timorense no lado indonésio da ilha de Timor, salientando que as recentes investigações mostram uma contaminação da região. O documento da UNODC foi divulgado após uma investigação das autoridades timorenses que resultou na detenção de 10 pessoas por suspeita de envolvimento em actividade de exploração de jogos ilícitos e de burla informática em Oecussi. No mesmo relatório, a UNODC afirma também que uma pessoa “que ocupa um cargo no governo de Timor-Leste” é um dos donos de um hotel que “parece acolher empresas” com actividade criminosa. Na sequência daquela denúncia pública, o Governo timorense determinou cancelar as licenças concedidas para exploração de jogos e apostas ‘online’, bem como proibir a atribuição de novas licenças, devido a riscos para a segurança e estabilidade social. Este mês, as autoridades timorenses encerraram a casa de jogos Lotaria Dragon, em Díli, bem como os escritórios da empresa Capital Ventures Timor por suspeita de jogo ilegal.
Japão | Taxa de juro sobe para valor mais elevado em 30 anos Hoje Macau - 20 Dez 2025 O combate à estagnação da economia japonesa prossegue com novas medidas para tentar travar o crescimento da inflação O banco central do Japão aumentou ontem a taxa de juro referência para 0,75 por cento, o nível mais elevado desde 1995, numa decisão já esperada pelos analistas, dada a inflação persistente e a crónica desvalorização do iene. “A economia japonesa recuperou moderadamente, embora se tenham observado algumas fragilidades em certas áreas”, observou o Banco do Japão (BoJ, na sigla em inglês), em comunicado. O aperto monetário no Japão começou em Março de 2024, após uma década de taxas de juro ultrabaixas. No final da reunião mensal de política monetária, o BoJ optou por elevar a taxa pela primeira vez desde Janeiro, referindo, em comunicado, que a incerteza em torno das tarifas norte-americanas diminuiu e há sinais de um crescimento salarial estável em 2026. O aumento da taxa ocorre numa altura em que a inflação anual no Japão permanece longe da meta de 2 por cento fixada pelo banco central. Os preços registaram uma subida homóloga de 3 por cento em Novembro, o mesmo valor que no mês anterior, de acordo com dados divulgados ontem pelo Ministério dos Assuntos Internos e Comunicações. “Espera-se que as taxas de juro reais permaneçam significativamente negativas e que as condições financeiras acomodativas continuem a apoiar fortemente a actividade económica”, afirmou o BoJ. O banco central deixou ainda em aberto a possibilidade de futuros aumentos da taxa de juro directora, “dependendo da melhoria da actividade económica e dos preços”. Medidas de combate Após décadas de deflação na quarta maior economia do mundo, o ciclo de crescimento está a pesar sobre as famílias do arquipélago, e tanto o BoJ como o Governo da primeira-ministra Sanae Takaichi prometeram combater a inflação. O parlamento aprovou recentemente um orçamento suplementar para 2025 no valor de 18,3 biliões de ienes, com um pacote de estímulo da economia estagnada do Japão. Os analistas alertaram, no entanto, que um aumento da taxa de juro no Japão poderia afectar o chamado ‘carry trade’, o empréstimo em ienes por parte de investidores para comprar activos mais rentáveis em outras moedas.
TikTok | Pequim mantém silêncio sobre venda nos EUA Hoje Macau - 20 Dez 2025 Pequim afirmou ontem que a sua posição sobre o caso TikTok é “coerente e clara”, sem confirmar se aprovou o alegado acordo para a venda das operações da aplicação nos Estados Unidos a um consórcio liderado por investidores norte-americanos. A declaração foi feita pelo porta-voz da diplomacia chinesa Guo Jiakun, em resposta a perguntas sobre notícias divulgadas por vários órgãos de comunicação dos EUA, segundo as quais a ByteDance, empresa-mãe do TikTok, terá acordado transferir o controlo da sua operação norte-americana para uma nova estrutura societária. Segundo um memorando citado pela imprensa, a nova empresa de risco partilhado contará com participação do grupo tecnológico Oracle, do fundo Silver Lake e do fundo soberano dos Emirados Árabes Unidos MGX, que juntos deterão 45 por cento do capital. Cerca de 33 por cento ficará com subsidiárias de investidores que já detêm participação na ByteDance, enquanto a empresa chinesa manterá uma fatia de aproximadamente 18 por cento. O acordo deverá ser formalizado até 22 de Janeiro de 2026, véspera do prazo fixado pelo Departamento de Justiça norte-americano para a suspensão das operações do TikTok, caso não tenha sido criada uma entidade juridicamente separada da ByteDance, como determina a lei aprovada pelo Congresso dos EUA em 2024. A legislação, invocando motivos de segurança nacional, exige que a ByteDance não tenha acesso aos servidores onde são armazenados os dados dos utilizadores da aplicação de vídeos curtos. Desde que regressou ao poder, em Janeiro, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prorrogou por várias vezes a aplicação da lei, permitindo que a sua Administração negociasse a alienação das operações do TikTok no país. Em Setembro, após uma série de encontros entre representantes de Washington e Pequim, os dois países anunciaram um quadro de princípio para a operação. A China detém uma chamada “acção dourada” na ByteDance, que lhe confere direito de veto sobre decisões estratégicas da empresa.
‘Chips’ | Fabricantes chineses de ‘chips’ actualizam equipamento da ASML Hoje Macau - 20 Dez 2025 Fabricantes chineses de semicondutores estão a actualizar equipamentos avançados de litografia da holandesa ASML para contornar os controlos de exportação impostos por EUA e Países Baixos, avançou ontem o jornal britânico Financial Times. A operação visa acelerar a produção de ‘chips’ usados em sistemas de inteligência artificial (IA), que integra a disputa em curso entre China e EUA pelo domínio das tecnologias do futuro. Segundo fontes citadas pela publicação, fábricas chinesas que produzem ‘chips’ para telemóveis e aplicações de IA estão a melhorar o desempenho de máquinas de litografia ultravioleta profunda (DUV) – nomeadamente o modelo Twinscan NXT:1980i – através da aquisição de componentes no mercado secundário, incluindo plataformas mecânicas (“stages”), lentes e sensores de maior precisão. Essas actualizações têm permitido às fábricas aumentar a produção de ‘chips’ de sete nanómetros, apesar das restrições que impedem a ASML de fornecer à China as suas máquinas DUV mais recentes ou qualquer equipamento de litografia ultravioleta extrema (EUV), essencial para processos mais avançados. As melhorias, realizadas com assistência de empresas terceiras fora do controlo directo da ASML, permitem às fabricantes mitigar os custos adicionais e as perdas de rendimento associadas ao processo de “multi-patterning” – exposição múltipla do ‘wafer’ para compensar a falta de tecnologia EUV –, comum nas linhas de produção chinesas mais avançadas. A ASML confirmou que “cumpre rigorosamente todas as leis e regulamentos aplicáveis” e negou fornecer actualizações que aumentem o desempenho dos sistemas para além do permitido. Actualmente, a empresa está impedida de melhorar a precisão (“overlay”) ou a velocidade (“throughput”) das máquinas DUV em mais de 1 por cento.
Guangxi | Ataque com arma branca faz pelo menos três mortos e um ferido Hoje Macau - 20 Dez 2025 Pelo menos três pessoas morreram e uma ficou ferida ontem, num ataque com arma branca ocorrido na vila de Xincheng, na região semiautónoma de Guangxi, sul da China, informou a polícia local. O incidente teve lugar por volta das 07:00, numa zona do município de Chengguan, segundo um comunicado do Departamento de Segurança Pública de Xincheng. As circunstâncias concretas do ataque não foram até ao momento divulgadas. O presumível autor, um homem de 35 anos identificado pelo apelido Guo, foi detido e encontra-se sob custódia policial. A pessoa ferida foi transportada para um hospital, enquanto as restantes vítimas não resistiram aos ferimentos causados pelo ataque. As autoridades indicaram que o caso continua em investigação e não forneceram informações sobre o possível motivo do ataque, desconhecendo-se se o suspeito conhecia as vítimas ou se se tratou de um acto indiscriminado. Também não foi especificado se o ataque ocorreu num local público ou numa zona residencial. Nos últimos anos, vários ataques com arma branca foram registados em diferentes regiões da China, alguns com vítimas mortais. Embora as motivações variem, muitos desses episódios têm sido descritos pela imprensa local e autoridades como casos de “vingança contra a sociedade”, protagonizados por indivíduos com frustrações pessoais que descarregam a sua raiva contra desconhecidos. Face à repetição destes incidentes, a Procuradoria Popular Suprema da China prometeu este ano “castigos severos, rigorosos e céleres” para os autores de tais crimes, enquanto o Ministério da Segurança Pública apelou ao reforço da prevenção para “manter a estabilidade social”.
Economia | Carteira de dívida dos EUA atinge mínimos desde 2008 Hoje Macau - 20 Dez 2025 O emagrecimento da carteira da dívida norte-americana começou no primeiro mandato de Trump à frente da Casa Branca e reflecte a falta de confiança chinesa na sustentabilidade dos activos aliada às dúvidas sobre a independência da Reserva Federal Pequim reduziu em Outubro a sua carteira de dívida pública norte-americana para o nível mais baixo desde 2008, reflectindo preocupações sobre a sustentabilidade da dívida norte-americana e a independência da Reserva Federal, noticiou ontem o South China Morning Post. Segundo dados do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos citados pelo jornal de Hong Kong, o valor caiu de 700,5 mil milhões de dólares em setembro para 688,7 mil milhões de dólares em Outubro, o registo mais baixo desde Novembro de 2008. Este valor representa uma queda de 47 por cento face ao pico de Novembro de 2013, quando Pequim detinha cerca de 1,32 biliões de dólares em títulos do Tesouro norte-americano, segundo a empresa de dados financeiros chinesa Wind. A retirada progressiva de fundos começou no primeiro mandato de Donald Trump (2017–2021), e, em Março deste ano, a China caiu para a terceira posição entre os maiores detentores estrangeiros de dívida dos EUA, atrás do Japão e do Reino Unido. Dois meses depois, a carteira caiu para mínimos desde 2009. Esta semana, Yu Yongding, ex-assessor do Banco Popular da China, advertiu num artigo para os riscos crescentes associados aos activos denominados em dólares, apelando à redução da dependência de mercados externos, “especialmente dos EUA”, e à minimização do que descreveu como “a armadilha do dólar”. Segundo o economista, a China poderá ser “a força decisiva” a pôr fim aos dois pilares da balança de pagamentos dos EUA: o domínio global do dólar – sustentado pelo poder militar – e mercados financeiros dinâmicos impulsionados pela inovação tecnológica. Refúgio dourado A par da venda de dívida, Pequim tem reforçado a diversificação das suas reservas externas: em Novembro, comprou ouro pelo décimo terceiro mês consecutivo, acumulando um total de 310.600 milhões de dólares em reservas do metal precioso, considerado um activo de refúgio em períodos de instabilidade. Apesar da trégua comercial de um ano assinada em Outubro entre Washington e Pequim, as duas potências acumularam meses de tensões desde o regresso de Trump à Casa Branca, alimentando especulações sobre uma eventual venda maciça de dívida norte-americana por parte da China.
A Suave Descida Dos Gansos De Lin Xue Paulo Maia e Carmo - 20 Dez 2025 Li Liufang (1575-1629), o pintor e poeta que viveu por um tempo retirado no seu Jardim da madeira de sândalo, perto do Lago do Oeste, valorizava o afecto entre amigos alongando-se aos que viviam distantes e até mesmo àqueles que já não viviam mas deixaram impressivos traços da sua relação afectuosa com o mundo. De entre os viventes, alguns eram eminentes funcionários e eruditos apreciadores das artes como Dong Qichang (1555-1636) mas também considerava seus pares mulheres que claramente exprimiam com o pincel as mais subtis emoções. Entre elas estava uma antiga cortesã com quem se correspondia, nascida em Min (Fujian) mas que se mudara para Hangzhou junto ao Lago do Oeste, onde haveria de se casar e viver no seio de uma família tradicional. Chamava-se Lin Xue, também conhecida como Lin Tiansu, e nesse início do século XVII, o seu nome de talentosa poetisa e pintora seria notoriamente referido pelo respeitado Dong Qichang: «Ouvi falar de senhoras capazes na arte da pintura; a primeira foi Lin Tianxu e depois Wang Youyun.Tiansu mostrou uma beleza sem rival e Youyun, à vontade num estilo próprio.» Ao contrário do habitual em senhoras que se dedicavam à pintura, ela atreveu-se a realizar pinturas de montanhas e águas correntes (shanshui) como se observa no longo e cadenciado rolo horizontal que mostra um Cenário de Jiangnan (tinta e cor sobre papel, 33,7 x 447,5 cm, no Museu do Palácio Nacional, em Taipé) que se vai desenrolando como uma peregrinação. A sua vocação e engenho na arte da pintura também podem ser confirmados em obras como no rolo ousadamente vertical de 1621, Ameixeira e bambu (tinta e cor sobre papel, 86 x 18,6 cm no Instituto de Arte de Chicago). Nele está figurada a ideia da longanimidade; na base, o bambu que resiste às forças do vento, da chuva e da neve e, subindo irresistivelmente, a ameixeira cuja flor desponta ainda antes do fim do Inverno. Plantas gratas a poetas e pintores letrados, tal como um tema que se vê num rolo vertical que ecoa uma tradição com origem no século onze. Lin Xue mostra nessa pintura de Gansos descendo nas areias das margens (tinta e cor sobre seda, 185,1 x 99,5 cm, no Smithsonian), as aves aquáticas surgindo no espaço pintado a partir do limite superior da página num ondulante e seguro movimento vertical até pousarem na areia. O tema Pingsha luoyan, associado à mudança da estação «quando o yin aumenta», que é parte da memória de várias artes, é referido numa introdução a uma notação para uma música no guqin, que se diria um comentário adequado à pintura de Lin Xue: «Face ao claro céu do Outono o ar é nítido e fresco enquanto a brisa se demora calma nas areias tocadas pela água. Por entre as nuvens estendendo-se na distância, voando e cantando, bandos de gansos encarnam as altas aspirações dos que vivem isolados por um excesso de sensibilidade.»
Droga | Apreendidas metanfetaminas no valor de 990 mil patacas Hoje Macau - 20 Dez 2025 A Polícia Judiciária anunciou a detenção de quatro pessoas do Interior e de Hong Kong, que entraram em Macau com cerca de 990 mil patacas em metanfetaminas transportadas em preservativos. A informação foi divulgada ontem e citada pelo jornal Ou Mun, sendo que a investigação terá começado a partir de uma denúncia. Segundo o relato, dois dos detidos entraram em Macau através das Portas do Cerco e alojaram-se num hotel, na zona norte da cidade. Mais tarde, foram ao encontro destes dois indivíduos outras duas pessoas, que transportavam consigo 275 gramas de metanfetaminas. A primeira revista da polícia aos dois indivíduos que chegaram mais tarde ao hotel permitiram apreender preservativos e fita-cola. No interior do quarto, as autoridades encontraram igualmente preservativos com droga no interior. As drogas, avaliadas no mercado em 990 mil patacas, pesavam 275 gramas. Os quatro detidos confessaram que o objectivo era que dois deles engolissem os preservativos com a droga e os transportassem para fora de Macau. Os outros dois foram responsáveis por trazer os estupefacientes para a RAEM.
Turismo | Visitantes do Japão sobem quase 40% Andreia Sofia Silva - 20 Dez 2025 Dados estatísticos oficiais revelam que Macau recebeu, em termos anuais, mais turistas internacionais em Novembro, sendo que uma das maiores subidas, de 38,1 por cento, se refere a turistas oriundos do Japão. Novembro, representou o ultrapassar da fasquia dos três milhões de turistas, uma subida anual de 18,1 por cento O Japão foi o país de origem de turistas internacionais com uma das maiores expressões nos dados estatísticos relativos a Novembro, sendo apenas ultrapassado pela Tailândia. Dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) revelam que, no mês de Novembro, Macau recebeu 16.187 pessoas do Japão, uma subida de 38,1 por cento face a igual mês do ano passado. No caso da Tailândia, de onde vieram 15.140 turistas, a subida foi de 49,4 por cento. De destacar os cancelamentos recentes de concertos de artistas japoneses no território, não obstante os números positivos do turismo oriundo do país. Um deles, foi da cantora pop japonesa Ayumi Hamasaki, agendado para o dia 10 de Janeiro, e que ocorreu depois do cancelamento da actuação da mesma artista em Xangai, marcada para o dia 29 de Novembro. Também cancelado, foi o espectáculo de Natal com a banda Say My Name, que integra as artistas japonesas Hitomi Honda, a líder do grupo, e Terada Mei. O Governo negou qualquer interferência nestes cancelamentos por questões políticas, tendo a presidente do Instituto Cultural (IC), Deland Leong Wai Man, referido que “diferentes partes têm os seus factores de ponderação”. “É normal ter ajustamento sobre concertos ou diferentes eventos. Situações de cancelamento por força maior, é algo corrente”, acrescentou. No que diz respeito a outros países de origem de visitantes internacionais, no caso da Indonésia registou-se também uma subida de 23,1 por cento, enquanto que relativamente aos turistas vindos de Singapura foram de 12.920 em Novembro, uma quebra de 6,6 por cento. No caso dos turistas oriundos da Índia, a subida foi de 3,1 por cento, num total de 8.766 visitantes. Em termos gerais, e ainda relativamente a Novembro, o número de entradas de visitantes internacionais totalizou 273.950, mais 13,6 por cento, em termos anuais. Mais turistas de Zhuhai Olhando para os restantes números do turismo, os dados da DSEC mostram a vinda de 3.345.683 de turistas em Novembro, mais 18,1 por cento em termos anuais. Realça-se que o número de entradas de excursionistas (2.035.555) e de turistas (1.310.128) aumentaram 31,5 e 2,1 por cento, respectivamente, em termos anuais. Os turistas oriundos do Interior da China foram 2.397.043, mais 21,9 por cento, em termos anuais, destacando-se o número de entradas de visitantes com visto individual, 1.262.722, com uma subida de 36,1 por cento. Outro número positivo, prende-se com a subida de 33 por cento nas entradas de visitantes oriundos de nove cidades da região da Grande Baía, num total de 1.279.819, em relação a Novembro de 2024. Para este número, contribuiu o aumento de 71,2 por cento de entradas com origem em Zhuhai, descreve a DSEC. Nos 11 meses do ano, Macau recebeu 36.489.230, mais 14,4 por cento face a igual período de 2024.
CPSP | Combate a turistas que simulam estar em trânsito João Luz e Nunu Wu - 20 Dez 2025 A polícia de Macau reforçou o combate ao excesso de permanência no território com recurso ao abuso da política que permite o trânsito em Macau a indivíduos oriundos do Interior da China. Entre Janeiro e Novembro, foram descobertas mais de 7.800 pessoas que alegaram falsamente vir a Macau apanhar transporte para outro local Ao longo dos primeiros 11 meses deste ano, o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) deu conta de mais de 7.800 pessoas vindas do Interior da China que, alegadamente, iriam usar Macau como ponto de partida para destinos no estrangeiro, mas que acabaram por ficar no território abusando da justificação para a entrada. Num comunicado partilhado nas redes sociais, o CPSP especifica que foram recusadas entradas a pessoas que não tinham bilhetes de transportes válidos para viagens que teriam como ponto de partida Macau, que não saíram para o exterior ou que segundo os registos das autoridades tinham repetidas entradas e saídas de Macau. “Um pequeno número de indivíduos ignora os regulamentos da China Continental e de Macau, abusando do sistema de trânsito ao viajar frequentemente entre a RAEM e a China, sob o pretexto de transitar por Macau para alcançar o objectivo de residência de longo prazo e, em alguns casos, permanecer além do prazo permitido. Isso não só perturba a ordem normal de entradas e saídas, como também afecta a eficiência das travessias fronteiriças”, indicou o CPSP. As autoridades acrescentam que os “departamentos competentes” dos dois lados da fronteira “têm mantido uma postura rigorosa e de alta pressão, reforçando o escrutínio de casos de entrada suspeitos”. A polícia garante que quem não cumpre as regras de entrada será recusado, e que essa postura coíbe “de forma resoluta vários comportamentos ilegais”. Aprender com outros O CPSP também admitiu que são partilhadas frequentemente informações nas redes sociais com instruções detalhadas sobre formas de entrar em Macau irregularmente. Face a esta situação, as autoridades apelaram aos turistas para se certificarem que não estão a cometer ilegalidades que podem ter consequências e, em caso de ter dúvida, consultarem directamente o CPSP. A polícia reconhece no mesmo comunicado que, além do visto turístico, a permissão de entrada no território de passagem para outro lugar pode ser uma medida de incentivo à economia da RAEM. Porém, os titulares do passaporte da República Popular da China para entrar em Macau antes de seguir para outras paragens, precisam mostrar visto válido para viajar para o estrangeiro, assim como bilhetes ou reservas de viagens de avião para viagens com partida do Aeroporto Internacional de Macau. As autoridades acrescentaram ainda que vão continuar a realizar operações de fiscalização no Posto Fronteiriço da Ponte de Hong Kong-Zhuhai-Macau para interceptar indivíduos que abusem da política de permanência provisória.
Património | Criticada protecção deficiente por parte do Governo Hoje Macau - 20 Dez 2025 O ex-candidato à Assembleia Legislativa, Johnson Ian, considerou que as acções de protecção do património cultural e histórico do Governo ficam sempre aquém as expectativas da população. A opinião foi publicada através do jornal Son Pou. Segundo Ian, esta falta de consciência do Governo levou a que ao longo dos anos se desenvolvessem várias polémicas como a construção de um prédio na Calçada do Gaio, com uma altura que bloqueia a vista para o Farol da Guia, ou a construção do viaduto entre Zona A e Zona B. Para o ex-candidato a deputado, estas situações mostram que o Governo não tem entendido as necessidades sociais ao nível da protecção do património cultural e histórico. O artigo visou o recente caso em que várias lojas no Largo de São Domingos colocaram tabuletas publicitárias vermelhas com carateres amarelos, cores que destoam do ambiente histórico daquela zona protegida. Sobre a polémica mais recente, Ian criticou o Instituto Cultural por não ter assumido com eficácia o papel de supervisão e só ter reagido às tabuletas depois de terem surgido críticas em grupos online. Face a esta falha, Johnson Ian alertou que o Governo tem que se manter activo e dar prioridade à preservação do património.
Apartamentos para Idosos | Moradores dizem estar satisfeitos Hoje Macau - 20 Dez 2025 Um inquérito da associação dos Moradores concluiu que quase 70 por cento dos residentes locais estão satisfeitos com os apartamentos para idosos, um tipo de habitação pública para arrendamento. As conclusões tiveram em conta 755 questionários, feitos a 210 moradores do apartamentos e 545 residentes que não vivem neste tipo de habitação. Os resultados foram apresentados pelo membro da associação e deputado Leong Hong Sai, com os inquéritos a serem feitos online e também através de entrevistas presenciais, no Bairro do Iao Hon e na zona da Areia Preta. As respostas apontam para a satisfação com este tipo de habitação perto de 70 por cento. No pólo oposto, cerca de 5 por cento dos inquiridos afirmaram não estar satisfeitos de todo com o projecto. Segundo o jornal Ou Mun, apesar de a associação apontar que os resultados revelam “um nível de satisfação elevado”, há vários aspectos que não satisfazem os residentes, entre os quais está o valor das rendas, a falta de espaço, o design dos quartos e as relações com a vizinhança. Quase 85 por cento dos inquiridos indicou que considera a renda demasiado elevada e que devia haver subsídios ou redução do valor. Este aspecto é visto como o maior problema dos apartamentos para idosos. Por sua vez, em relação aos residentes que não moram na habitação para idosos, 40 por cento indicaram que ponderam arrendar um apartamento no futuro, enquanto 40 por cento dizem estar a “observar” o desenvolvimento do projecto. Houve ainda 20 por cento que afastaram de todo a possibilidade de viver num apartamento para idosos, devido às rendas elevadas.
Restaurantes | Governo dá descontos para celebrar transferência João Santos Filipe - 20 Dez 2025 Cerca de 500 restaurantes de Macau vão aceitar descontos que podem atingir 30 por cento do valor da refeição, num limite máximo de 60 patacas por pagamento. Os restaurantes nos casinos ficam de fora da iniciativa, que visa apoiar pequenas e médias empresas Para celebrar o 26.º aniversário da transferência da soberania a partir de hoje o Governo disponibiliza cupões de desconto especiais para comer em restaurantes. Entre hoje e 22 de Dezembro, os residentes podem gozar de um desconto até 30 por cento por refeição, num total de 60 patacas, desde que efectuem o pagamento com as aplicações electrónicas aderentes. Segundo um comunicado da Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT), a iniciativa visa “celebrar o 26.º aniversário do Regresso de Macau à Pátria e revitalizar o consumo nos bairros comunitários”. De acordo com os moldes apresentados, após levantarem os cupões de desconto, os residentes que paguem através dos meios de pagamentos móveis podem usufruir de um desconto de 30 por cento em cerca de 500 restaurantes. No entanto, a iniciativa deixa de fora os restaurantes nos grandes empreendimentos turísticos, o que foi explicado com a vontade de “prestar um apoio preciso às pequenas e médias empresas”. Os residentes podem levantar um total de três cupões por dia, com um desconto máximo de 60 patacas por cada cupão. Por cada pagamento só pode ser utilizado um cupão. Os cupões podem ser utilizados através das aplicações de telemóvel de pagamento Banco da China Macau Mobile Banking, ICBC e-Payment, MPay e Fung Pay. Celebrar todos juntos A informação detalhada sobre o novo esquema de incentivo ao consumo foi revelada ontem, depois do anúncio oficial em Novembro, mas as autoridades prometem fazer uma campanha intensa de promoção nos próximos dias. “Para aumentar a eficácia da actividade e a participação dos residentes, a DSEDT e as associações comerciais realizarão também uma série de acções promocionais, no sentido de disseminar amplamente a informação sobre os benefícios, incentivando os residentes a consumirem em Macau e celebrarem juntos o feriado”, foi prometido. Além da DSEDT, estão envolvidas na iniciativa a União das Associações dos Proprietários de Estabelecimentos de Restauração e Bebidas de Macau e a Associação Industrial e Comercial de Macau. Nos últimos meses, o Governo tem lançado vários planos de incentivo ao consumo, com a oferta de cupões de desconto através das aplicações de móveis mais utilizadas no território. O objectivo passa por promover a economia dos bairros comunitários, que tem sido mais afectada pelo facto de os residentes preferirem consumir no Interior da China, onde os preços são mais competitivos.
Primeiro ano de Sam Hou Fai foi proactivo a diversificar economia Hoje Macau - 20 Dez 2025 Analistas disseram à Lusa que o primeiro ano de mandato do Chefe do Executivo ficou marcado pela vontade de liderar a diversificação da economia da RAEM, altamente dependente dos casinos. Sam Hou Fai, que tomou posse exactamente há um ano, “adoptou uma abordagem proactiva para liderar o processo de diversificação económica”, defendeu Henry Lei Chun Kwok. O professor da Universidade de Macau deu como exemplo a criação de dois fundos, um para apoiar as indústrias e outro para a investigação científica e tecnológica, e a criação de um parque de ciência e tecnologia. Algo que “difere da abordagem anterior, orientada pelo mercado, e que é crucial tendo em conta as incertezas e a fraca confiança dos investidores que enfrentamos actualmente”, sublinhou o especialista em economia empresarial. O presidente da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Chinesa sublinhou que Sam Hou Fai “não partiu do zero” e que a diversificação económica era já uma política de Macau “a médio e longo prazo”. “Há, digamos, um comboio em movimento e esse comboio continua. Pode-se aumentar ligeiramente a velocidade, ou reduzir a velocidade, mas o caminho estava mais ou menos traçado”, disse Carlos Cid Álvares. A diferença, explicou o deputado Leong Hong Sai, é que “no passado, discutiu-se durante muitos anos a importância de alcançar uma diversificação económica e industrial”. “Agora, isto está a ser implementado de facto, com o planeamento geral e a selecção de locais a ocorrerem de forma ordenada”, sublinhou o vice-presidente da União Geral das Associações dos Moradores de Macau. Ainda assim, Henry Lei avisou que “poderá demorar algum tempo até que os esforços produzam progressos mensuráveis, como o aumento do valor acrescentado ou a quota do sector tecnológico no PIB [Produto Interno Bruto]”. Cid Álvares também vê projectos “interessantes e que podem fazer mexer a economia”: uma zona cultural, em consulta pública até 26 de Dezembro, e a cidade universitária em Hengqin. Périplo ibérico Cid Álvares, também director executivo do Banco Nacional Ultramarino – parte do grupo da Caixa Geral de Depósitos – acredita que a visita que Sam Hou Fai prevê fazer a Portugal e Espanha pode ajudar a atrair empresas e investimento. “Acredito que isso possa fazer com que mais olhos se virem para aqui, porque, para mim, Macau não são 600 mil habitantes, são 80 milhões da Grande Baía, com 12 por cento do PIB da China”, defendeu Cid Álvares. O presidente da CCILC diz que já “está a haver uma maior atenção a Hengqin” e previu que, “a prazo, as fronteiras vão ser bastante simplificadas e, portanto, Macau e Hengqin vão estar mais integrados”. Tem havido “esforços significativos” para uma maior integração de Macau, nomeadamente “a convergência de regras jurídicas”, mas Leong Hong Sai defendeu que “o progresso deve ser acelerado”. Já Henry Lei, apontou como prioridade “ultrapassar a ineficiência na mobilidade de recursos, como os fluxos de capitais e de informação, para reforçar a integração entre Macau e Hengqin [e] atrair mais investimento transfronteiriço”.
Acção Social | Analisas destacam apoios a grupos vulneráveis Hoje Macau - 20 Dez 2025 Analistas indicam que, no primeiro ano de mandato, o novo líder do Governo, Sam Hou Fai, fez esforços “bastantes substanciais” para apoiar “os grupos vulneráveis” de Macau. Mais investimento público e apoios direccionados foram destacados como pontos positivos No capítulo da acção social, o primeiro ano de Sam Hou Fai à frente do Governo da RAEM é indicado por analistas como um bom começo no que diz respeito ao apoio aos grupos mais vulneráveis da população. Para estes grupos, que incluem idosos, crianças, adolescentes e famílias com poucos rendimentos, “o nível e escala” do apoio do Executivo “está a progredir a um ritmo constante”, disse à LUSA o secretário-geral da Cáritas Macau. Paul Pun Chi Meng deu como exemplo o lançamento de uma linha telefónica, disponível 24 horas por dia, para “garantir que o bem-estar emocional dos estudantes recebe a devida atenção”. Recorde-se que, pelo menos, 14 crianças até aos 14 anos tentaram pôr fim à vida na primeira metade deste ano, o dobro do registado no mesmo período de 2024, avançou em Outubro a emissora pública TDM – Teledifusão de Macau. Paul Pun diz que também melhorou o acesso dos residentes com poucos recursos à habitação social: “Antes demorava mais tempo; agora é mais rápido. O processo foi agilizado”. Os gastos públicos em apoios e subsídios sociais cresceram 4,1 por cento até Novembro, em comparação com os primeiros 11 meses de 2024, para 49,7 mil milhões de patacas. O vice-presidente da União Geral das Associações dos Moradores de Macau defendeu que “os esforços em prol do bem-estar e da subsistência da população têm sido bastante expressivos” e irão melhorar em 2026. Leong Hong Sai, também deputado, recordou que o orçamento para o próximo ano, aprovado na quinta-feira na Assembleia Legislativa, aumenta de 2.175 para 2.400 patacas por mês o subsídio para cuidadores. Por outro lado, o subsídio de desemprego irá subir de 157 para 210 patacas por dia, mas Leong admitiu preocupação com os jovens, que “podem enfrentar certas pressões no mercado de trabalho”. Nós e os outros O dirigente associativo apelou à proibição de contratação de trabalhadores migrantes para “certas posições”, de forma a “criar mais oportunidades de emprego de qualidade” para os locais. Paul Pun tem uma visão diferente e disse desejar que, em 2026 e no futuro, “seja também dada alguma atenção àqueles que não são residentes em Macau”. “Estas pessoas existem e seria melhor ter um pouco mais de atenção para com os não-residentes”, defendeu o secretário-geral da Cáritas Macau. No final de Outubro, Macau empregava mais de 184.300 trabalhadores migrantes, o número mais elevado dos últimos cinco anos. No mesmo mês, a taxa de desemprego caiu para 1,7 por cento, o valor mais baixo desde Janeiro. Por outro lado, Leong Hong Sai apontou como “a conquista mais importante” de Sam Hou Fai a realização “de forma excepcional” das eleições legislativas, em 14 de Setembro. Quase 53,4 por cento dos eleitores participaram nas eleições, mais 11 pontos percentuais do que há cinco anos, mas aquém do recorde de 59,9 por cento, fixado em 2009, quando concorreram três listas pró-democracia. O número de votos nulos ou em branco mais que duplicou em comparação com as últimas eleições, em 2021, ultrapassando 13 mil. Mas Leong Hong Sai defendeu que as eleições “foram conduzidas com sucesso”, uma vez que aplicaram, “na prática, o princípio ‘Macau governado por patriotas’”.
Alfredo Gomes Dias, historiador, sobre Rocha Vieira: “Uma figura histórica, quer quisesse ou não” Andreia Sofia Silva - 20 Dez 2025 Lançado na quinta-feira no Porto, com a chancela da Guerra e Paz, “Macau: A Última Transição – Vasco Rocha Vieira (1991–1999)” é o resultado de um trabalho de 20 anos do historiador Alfredo Gomes Dias. A obra contém testemunhos pessoais de Rocha Vieira e detalhes documentados da última Administração portuguesa de Macau Acaba de lançar mais um livro sobre Rocha Vieira e a última Administração portuguesa de Macau. Fale-me do início deste projecto. Este projecto tem mais ou menos 20 anos, e começou quando conheci Rocha Vieira, em 2005, para fazer um texto para o livro “Governadores de Macau” [editado pela Livros do Oriente em 2013]. No meio disso, descobri que havia um fundo documental pessoal do general Rocha Vieira, enquanto governador. Como historiador, fiquei entusiasmado com a ideia. Ofereci-me para fazer, juntamente com ele, um projecto, a que chamámos “relatório”. Todos os documentos estavam em casa dele, em Lagoa, de onde era natural. Depois foram depositados num espaço cedido pela Câmara Municipal de Mafra e entre 2007 e 2013 trabalhei nessa documentação. Foi um trabalho solitário e prolongado, porque tive de organizar 1.700 caixas de documentação e conciliar com o meu trabalho de docente. Rocha Vieira foi adiando o projecto, dizendo que não, mas em 2016 disse-me para avançarmos com o “relatório”, o livro. Terminei a primeira versão em 2021. É um livro comprometido, no sentido em que pretende dar a visão do general Rocha Vieira do que foi o seu Governo. Não se trata de um trabalho académico. Teve acesso completo ao arquivo pessoal. Deu-me luz verde para consultar a documentação toda, não tive qualquer restrição. Rocha Vieira foi-me contando uma ou outra história com pormenor, deu-me linhas de orientação e revelou-me as preocupações dele durante a governação. Disse-me algumas posições que teve e depois os caminhos diferentes que se tomaram, e todo o livro é construído em torno das muitas conversas que tive com o general, em que recorro também à documentação. Temos a visão de tudo o que aconteceu entre 1991 e 1999 e as acções do governador nas diferentes dimensões da Administração, a nível económico, social e político, nas relações com a China e Lisboa, com Hong Kong, e depois tudo o que foi o trabalho relacionado com a transformação do território, como o nascimento do Cotai e as grandes obras que se foram fazendo. Fala-se também da fase da transição e os grandes temas, como a entrada das tropas chinesas em Macau, a cerimónia e como esta se organizou. Hoje vivemos num mundo imediato, e à velocidade de hoje é sempre estranho dizer que este livro demorou 20 anos a fazer-se. Podemos dizer que é a primeira vez que temos um testemunho tão completo da visão de Rocha Vieira sobre o seu Governo? A biografia editada [Vasco Rocha Vieira – Todos os Portos a que Cheguei] já dá muitas ideias das suas preocupações. O que acabei por fazer foi não me focar tanto na vida toda do general, mas apenas nos anos do Governo e desenvolver ao máximo muitos dos assuntos que Pedro Vieira colocou nessa biografia. Que assuntos estão então mais desenvolvidos nesta nova obra? Descrevo muito bem todos os processos ligados à transição de Macau, como a questão das leis e da localização, a necessidade de as traduzir para chinês. Esse foi um trabalho gigantesco. Depois abordo a construção de grandes obras, o nascimento do Cotai. Tudo isso com base nas plantas e planos originais pensados para o Cotai, onde se conhece o início da ideia para essa zona. Qualquer historiador que, no futuro, queira estudar o processo de transição, tem, necessariamente de passar por este livro. Não quero dizer que o que lá está é definitivo, porque nunca é. Mas é importante ter esta base e testemunho, que é enriquecido e fundamentado na documentação. Imagino que as polémicas do Governo de Rocha Vieira também estejam no livro. A quezília com Jorge Sampaio, a criação da Fundação Oriente em Portugal. Qual o testemunho de Rocha Vieira sobre estes dois momentos? Ele sempre manteve o mesmo discurso face ao que já tinha dito publicamente. Há um capítulo específico sobre a Fundação Oriente, onde se tenta, com o apoio da documentação, explicar o processo e porque é que Rocha Vieira, quando chega a Macau, tem a necessidade de resolver um problema que se arrastava e que era importante ultrapassar. Descreve-se a forma como ele o conseguiu resolver, pois era uma questão que estava a dificultar o diálogo com as autoridades chinesas. Está explicada a forma como Rocha Vieira se foi relacionando com os diferentes Governos da República [Portuguesa] e os diferentes Presidentes, as posições que foi tomando a fim de garantir o que era da sua responsabilidade. Enquanto esteve à frente do Governo, Rocha Vieira tentou sempre fazer vingar as suas visões, e uma das coisas interessantes é que tive acesso a cópias de actas de reuniões do Conselho de Estado, nas quais Rocha Vieira apresentava a sua visão sobre a situação de Macau. É um contributo interessante. Mas ele explica que a forma como dialogava com o Presidente Mário Soares era completamente diferente da forma como dialogava com Jorge Sampaio. A relação institucional alterou-se, a forma de estar numa reunião também era diferente. Isso é explicado, mas sem entrar pelo lado pessoal da quezília. Rocha Vieira saiu de Macau com a sensação de dever cumprido? Acho que ele saiu de Macau muito convicto, e toda a cerimónia da transferência acaba por nos dar um pouco essa imagem de que Portugal saiu da melhor maneira possível. Temos também de pensar que falamos de dois países completamente diferentes, e que um deles é gigante. E que, apesar dessa diferença, foi possível manter um diálogo quase de igual para igual entre dois Estados para resolver, da melhor maneira, uma questão específica que era Macau. O que mais me surpreendeu na visão de Rocha Vieira foi ele ter alterado a centralidade da visão para Macau. Em que sentido? De uma maneira geral os portugueses e as autoridades falavam de Macau pensando em garantir o processo de transição sem pôr em causa os interesses de Portugal. E o general Rocha Vieira inverte os termos da questão, ou seja, para se garantir os interesses de Macau, com a ideia de que garantir os interesses de Macau seria o mesmo de garantir os interesses de Portugal. Parece a mesma coisa, mas não é. Essa visão, para mim, é que foi surpreendente. Porquê? Porque ia contra o que era o discurso mais comum entre as autoridades e as pessoas responsáveis pela administração portuguesa [de Macau]. Esta ideia central acaba por mudar a forma como ele organiza o seu Governo, como age e o tipo de acções que desencadeia. Todas tinham a ver com esta convicção profunda, de que, nos anos que restavam, fosse garantido um grande desenvolvimento de Macau, a afirmação da cultura portuguesa, apoiando instituições, ou até com a Escola Portuguesa de Macau (EPM), cuja solução acabou por não ser a que ele propunha. Acabou por ser uma opção minimalista. Qual era, concretamente, a posição de Rocha Vieira? Era garantir que o antigo Liceu de Macau era a EPM, o que daria uma dimensão completamente diferente à escola face [à localização actual]. Não tem nada a ver. Ele não queria só uma escola portuguesa, mas também um espaço onde fosse possível desenvolver actividades culturais, criar um pólo cultural em Macau ligado a Portugal, e com uma opção muito mais digna do que aquela que foi, depois, a opção do Ministério da Educação, na figura de Marçal Grilo, que optou [pela localização] da antiga Escola Comercial. Portanto, o foco sempre foi garantir e desenvolver os interesses de Macau, a sua autonomia, e a questão do aeroporto era fundamental para garantir a autonomia de Macau. Pretendia-se também que Macau aderisse aos acordos internacionais relativamente ao respeito pelos direitos humanos. A ideia era que, conseguindo garantir os interesses de Macau, pensando o território como fazendo parte do segundo sistema da China, e que se investíssemos muito em Macau, estávamos, naturalmente, a defender os interesses portugueses e a deixar um grande legado. Qual foi o dossier mais complexo para Rocha Vieira? Acho que ele tinha uma grande mágoa relativamente à opção do Ministério da Educação para a escola portuguesa. Das conversas que fui tendo com ele [foi o que me pareceu]. Havia depois as questões de segurança, com as seitas, que acabaram por se resolver. Nos anos de 1997 e 1998 foram momentos muito críticos em Macau, mas como ele sempre foi tendo boas relações com as autoridades chinesas, isso levou a que a China tenha percebido a situação, passando a colaborar mais com as autoridades portuguesas em Macau, no sentido de controlar o problema. Sobre o Cotai, como surge a ideia? Surge no contexto das obras para o aeroporto, quando se percebe que seria relativamente fácil mobilizar as terras que estavam associadas às obras do aeroporto, aproveitando-se esse momento para fazer uma ligação e criar, no fundo, uma segunda centralidade urbana em Macau. Os planos iniciais do Cotai tinham a ver com o espaço urbano, espaços verdes, industriais. Todo o plano estava concebido para agregar diversas áreas, espaços sociais, como escolas ou a saúde, como se o Cotai fosse uma mini-cidade, digamos assim, no território. Mas quem teve, concretamente, a ideia? Foi uma ideia do Executivo de Rocha Vieira desenvolvida com secretários. A ideia partiu dele, quando se viu perante a questão das obras, e depois foi sendo desenvolvida com a equipa. Ele tinha sempre a preocupação de desenvolver as coisas com a equipa, garantindo também uma continuidade com o que se tinha feito antes. Quando conversava comigo, tinha o cuidado de dizer: “isto não começou comigo”, ou que para determinado trabalho tinha sido fundamental este ou aquele secretário. Nunca quis ficar com os louros que não eram dele, e isso também é um grande reconhecimento dos governadores anteriores. Portanto, o Cotai não era para ter tanta área destinada ao jogo. Pelo que analisei nos documentos, não havia a ideia de ceder um espaço tão grande para o entretenimento, com casinos. Penso que a visão inicial para o Cotai era um pouco mais equilibrada, com habitação, escolas, centros de saúde, espaços verdes. Era para ser um novo espaço urbano que ia nascer com todos os serviços necessários para funcionar, não era para ser só jogo. Ficaram para a história os momentos em que Rocha Vieira agarra a bandeira ao peito, comovido. Ele recordou consigo esses momentos? Sim, mas apesar da dimensão histórica do papel dele, Rocha Vieira não tinha propriamente noção do papel histórico que estava a desempenhar. Ele estava ali com uma missão e objectivos claros, sem pensar propriamente no protagonismo que podia ter no futuro. Uma vez, quando estávamos a almoçar, disse-lhe que podíamos relativizar o nosso trabalho, mas que ele ia tornar-se numa figura histórica para a história de Portugal, quer quisesse ou não. E o engraçado é que ele ficou a olhar para mim com uma cara de quem nunca tinha pensado nisso, com um ar muito surpreendido. De facto, é impensável tirar-lhe esse estatuto de último governador português em Macau em centenas de anos de história. Ainda por cima, ele esteve um período longo [9 anos], quando a maioria dos governadores esteve lá três ou quatro anos.
Taiwan | China diz que EUA enviam “sinal errado” com plano de vender armas Hoje Macau - 19 Dez 2025 Pequim afirmou ontem que Washington enviou um “sinal gravemente errado” às “forças independentistas” taiwanesas, ao autorizar vendas de armamento a Taiwan no valor de 11,1 mil milhões de dólares. Os EUA “anunciaram publicamente um plano de venda de armas avançadas a Taiwan num montante enorme”, o que “prejudica gravemente a soberania, a segurança e a integridade territorial da China”, declarou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Guo Jiakun, em conferência de imprensa. Estas operações “prejudicam gravemente a paz e a estabilidade no estreito de Taiwan”, afirmou. “As forças separatistas tentam buscar a secessão através das armas e rejeitar a reunificação pela via militar, desperdiçando o dinheiro ganho com o suor do povo e tentando transformar Taiwan num ‘barril de pólvora’”, acrescentou Guo, para quem isso “não pode mudar o destino inevitável do fracasso da independência” e apenas “acelerará o avanço para uma situação perigosa” no estreito de Taiwan. O porta-voz acusou também Washington de “ajudar a independência através das armas” e de tentar “usar Taiwan para conter a China”, uma estratégia que fracassará. Na sua intervenção, Guo sublinhou que a questão de Taiwan é “o núcleo dos interesses fundamentais da China” e “a primeira linha vermelha que não pode ser ultrapassada” nas relações entre Pequim e Washington. Guo concluiu salientando que a China “adoptará medidas firmes e contundentes” para defender a sua soberania, segurança e integridade territorial.
Japão | MP pede prisão perpétua para assassino de ex-PM Shinzo Abe Hoje Macau - 19 Dez 2025 O Ministério Público japonês pediu ontem a prisão perpétua para Tetsuya Yamagami, acusado de assassinar o ex-primeiro-ministro Shinzo Abe em 2022 com uma arma caseira, na última sessão do julgamento, que começou no final de Outubro. Yamagami, de 45 anos, já se declarou culpado das principais acusações no início do processo, pelo que toda a atenção está agora voltada para a sentença, que deverá ser proferida em meados de Janeiro. Antes de se conhecer o pedido dos procuradores, a viúva do ex-primeiro-ministro, Akie Abe, pediu ao acusado que “enfrentasse o que fez e pagasse pelos seus crimes”, num comunicado lido na sala por um advogado. “A sensação de perda pela morte repentina do meu marido nunca desaparecerá. Peço ao acusado que enfrente o que fez e pague pelos seus crimes”, disse Akie Abe, em declarações recolhidas pela emissora pública japonesa NHK. Akie Abe esteve presente há duas semanas numa das audiências do julgamento, embora não tenha exercido o direito de interrogar Yamagami, que o sistema judicial japonês permite às vítimas ou familiares de acusados em casos graves. Yamagami afirmou que disparou contra Abe devido às suas supostas ligações com o grupo religioso conhecido como Igreja da Unificação, ou ‘seita Moon’, que acusou de recrutar a sua mãe e levar a família à falência. As investigações relacionadas com o assassinato de Shinzo Abe destaparam a ligação entre várias figuras políticas japonesas pertencentes ao Partido Liberal Democrata (PLD), há décadas no poder, e a seita fundada pelo sul-coreano Sun Myung Moon, gerando um escândalo nacional sobre as práticas da ‘Moon’ e sua influência política.
APEC | Deputado Kevin Ho defende adesão de Macau Hoje Macau - 19 Dez 2025 O deputado Kevin Ho King Lun apelou ontem à adesão de Macau ao fórum de Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC, na sigla em inglês), para reforçar o perfil internacional do território e apoiar o desenvolvimento da China. O legislador declarou que o Governo deve aproveitar o facto de Macau acolher uma reunião de alto nível da APEC no próximo ano e solicitar formalmente o apoio da China para a adesão. Numa intervenção na assembleia legislativa, Kevin Ho recordou que tanto a vizinha região administrativa chinesa de Hong Kong como Taiwan – sob a designação ‘Taipé, China’ – aderiram ao fórum, ambos em 1991. O deputado sublinhou que aderir à APEC iria “criar um maior palco internacional para [Macau] e servir o desenvolvimento nacional”. A cidade irá receber, pela segunda vez desde 2014, a Reunião Ministerial do Turismo da APEC, em Junho de 2026, “com o apoio do Governo Central”, disse Ho, “o que demonstra o reconhecimento e o apoio do país a Macau”. “O Governo deve agarrar esta oportunidade para aprofundar a cooperação com as economias-membro [da APEC] em áreas como o comércio, o turismo”, afirmou o empresário. O evento vai trazer a Macau dirigentes governamentais e jornalistas estrangeiros, “permitindo que (…) testemunhem em primeira mão a implementação bem-sucedida do princípio ‘um país, dois sistemas’”, acrescentou Ho. Este princípio, que permite a coexistência de sociedades capitalistas, em Macau e na vizinha Hong Kong, com o regime socialista da China continental, deverá vigorar pelo menos até 2049, fim do período de transição acordado com Portugal. Confiança no futuro Ho expressou confiança em que, sob a orientação do Governo Central chinês, as autoridades de Macau irão unir e liderar todos os sectores da sociedade “para avançar de forma constante nos trabalhos preparatórios” do evento. “Isto permitirá a Macau contribuir para o sucesso da série de reuniões da APEC, promovendo Macau para se integrar e servir melhor na conjuntura do desenvolvimento nacional,” concluiu. A APEC é um fórum económico regional estabelecido em 1989 para aproveitar a crescente interdependência da região Ásia-Pacífico. Os 21 membros visam “criar maior prosperidade para os povos da região, promovendo um crescimento equilibrado, inclusivo, sustentável, inovador e seguro, e acelerando a integração económica regional”.
A narrativa erótica em áudio está a substituir o vídeo? Tânia dos Santos - 19 Dez 2025 O erotismo está a ganhar uma nova voz — literalmente. Enquanto o vídeo dominou durante décadas o imaginário sexual mainstream, hoje a fantasia sexual narrativa em áudio está a viver um momento de grande popularidade: podcasts eróticos, apps que contam histórias sensuais e audiobooks capazes de provocar tesão. É uma forma de erotismo que apela à imaginação, à intimidade e à experiência pessoal de uma forma que a pornografia visual raramente consegue. O formato áudio funciona de maneira radicalmente diferente do vídeo. Quando vemos vídeos, recebemos uma imagem pronta, um guião visual que dita aquilo que deveria excitar-nos. São corpos com características específicas, muitos deles com alterações cirúrgicas que seguem modas do que é suposto ser sensual ou excitante. O áudio, por outro lado, funciona como sugestão: somos nós que construímos o cenário, as personagens e a química. A narrativa entra em jogo como uma espécie de gatilho — um gatilho que permite à imaginação fazer aquilo que sabe melhor: criar a nossa própria fantasia erótica. Quando ouvimos uma história erótica em áudio, os nossos cérebros não estão apenas a processar estímulos externos; estão a colaborar activamente com a narrativa, a preencher espaços, a gerar imagens e sensações únicas. Essa participação pode intensificar a resposta erótica de uma forma diferente da experiência mais passiva de observar um ecrã. Estas histórias em áudio conseguem centrar a experiência no ouvinte, muitas vezes colocando-o no papel principal da fantasia e criando uma sensação de conexão e intimidade difícil de replicar em vídeo. A crescente popularidade do áudio erótico parece responder a necessidades emocionais e sexuais que muitas pessoas sentem não estar contempladas pelas formas tradicionais de pornografia. Com a narrativa, o ouvinte deixa de ser apenas consumidor e passa a estar envolvido num processo de co-criação do erótico. Apps como a Quinn ou a Dipsea produzem histórias narradas, muitas vezes focadas na perspectiva do ouvinte — com vozes, som ambiente e uma narrativa envolvente — em vez de imagens explícitas. Não é apenas a natureza do erotismo que explica esta popularidade crescente, mas também o público para quem estas histórias são criadas. Muitas destas aplicações e podcasts são pensados por mulheres e para mulheres, ou para pessoas queer. A pornografia, historicamente associada ao olhar e ao desejo masculino (com algumas excepções), tende a deixar de fora outros imaginários igualmente relevantes. As narrativas eróticas em áudio têm explorado precisamente esses territórios tradicionalmente considerados mais “femininos”: o consentimento, a emoção, a vulnerabilidade e o prazer feminino. Aqui, o foco na história e na antecipação constrói uma forma de erotismo que privilegia a conexão — sem nunca abdicar da excitação. O sucesso destas apps, podcasts e contos áudio sugere que muitas pessoas procuram histórias que as incluam e respeitem os seus ritmos e desejos, especialmente aquelas que nunca se reconheceram na erótica mainstream. O foco na conexão emocional, o simples facto de alguém sussurrar palavras sensuais directamente pelos headphones adentro, cria uma experiência íntima e quase confidencial. Esta raridade emocional — sentir-se ouvido, desejado e imaginado no universo erótico — torna o áudio simultaneamente excitante, libertador e seguro. O regresso à voz pode, por isso, ser mais do que uma moda passageira. Pode ser um reflexo de como queremos experienciar o erotismo hoje: não como espectadores distantes, mas como participantes activos na nossa própria co-criação erótica.