Ensino infantil | Cerca de 2.900 crianças inscritas pela primeira vez

Até às 15h da passada segunda-feira, cerca de 2.900 crianças foram inscritas pela primeira vez no registo central de acesso escolar das crianças ao ensino infantil para o ano lectivo 2026/2027, revelou ontem a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ). O processo de registo, que começou no dia 6 de Janeiro e termina amanhã, está a “decorrer sem dificuldades”, indicou ontem o Governo. As inscrições contabilizadas foram realizadas na aplicação Conta Única e no portal da DSEDJ.

Os destinatários do registo para o próximo ano lectivo são “crianças que, até 31 de Dezembro de 2026, completem entre 3 e 5 anos de idade (nascidas entre 1 de Janeiro de 2021 e 31 de Dezembro de 2023) e possuam as condições requeridas para acesso ao ensino infantil em Macau pela primeira vez”, refere a DSEDJ.

Para as crianças que ainda não estão inscritas, pais e encarregados de educação podem usar as ferramentas digitais mencionadas, ou recorrer aos balcões de atendimento da DSEDJ. As escolas publicarão, entre 10 e 12 de Fevereiro, as datas e horários das entrevistas de admissão.

Comunidades | Rui Marcelo promete ouvir portugueses “com humildade”

O presidente do Conselho Regional da Ásia e Oceânia do Conselho das Comunidades Portuguesas, Rui Marcelo, promete “ouvir com humildade” a população ao longo do novo ano. A promessa foi deixada numa mensagem com um “compromisso renovado” para o novo ano, divulgada através das redes sociais.

“A nossa primeira obrigação é escutar. Reforçaremos os canais de diálogo, garantido que todas as vozes da nossa diversificada comunidade se sintam verdadeiramente representadas”, foi prometido.

“A força da nossa comunidade lusófona global nunca residiu no monólogo, mas no diálogo; não na unanimidade forçada, mas na união construída sobre respeito e propósito partilhado”, reforçou Marcelo. “Que 2026 seja o ano em que, lado a lado, demonstremos que o que nos une – uma herança gloriosa e um futuro de potencial ilimitado – é infinitamente mais forte do que qualquer coisa que procure dividir-nos. Que este novo ciclo nos traga a serenidade para o diálogo construtivo, a coragem para as escolhas certas e a força incansável para servir”, acrescentou.

Rui Marcelo prometeu também “agir com transparência” apontando que “cada iniciativa, cada projecto do Conselho Regional da Ásia e Oceânia será conduzido com clareza absoluta”. “A nossa acção será mensurável, orientada para resultados tangíveis que fortaleçam os laços culturais, económicos e sociais nas regiões que representamos”, acrescentou.

IAS | Anunciado aumento de conciliadores familiares

Lei Lai Peng, chefe do Departamento de Serviços Familiares e Comunitários do Instituto de Acção Social (IAS), afirmou que o número de conciliadores familiares na entidade vai ser alargado, além dos 48 existentes, e que serão ainda organizadas mais acções de formação.

No programa matinal do canal chinês da Rádio Macau, Fórum Macau, foi também deixada a promessa de aumentar o número de assistentes sociais qualificados para serem conciliadores familiares. Lei Lai Peng disse que após a entrada em vigor do regime de conciliação para as causas de família, a 1 de Janeiro, foram recebidos 30 pedidos de consulta, sendo que oito destas foram encaminhadas para o serviço de mediação. As restantes acabaram por ser dirigidas a outros serviços.

Por seu turno, a vice-presidente da Associação Geral das Mulheres de Macau, Ho Ka Ian, que também falou no mesmo programa de rádio, recordou que os requisitos para ser conciliador familiar passam por ter formação na área do serviço social. Assim, após receberem formação adequada, estes profissionais podem ser capazes de realizar trabalhos de base na área da mediação familiar, adiantou.

Fronteiras | Criticados atrasos na promoção de espaços comerciais

Song Pek Kei está preocupada com a falta de aproveitamento das zonas comerciais nas fronteiras, ao contrário do que acontece em Zhuhai. Para a deputada, o comércio nas zonas fronteiriças é essencial para a diversificação da economia

A deputada Song Pek Kei criticou o subdesenvolvimento do comércio nas fronteiras de Macau com o Interior e pede ao Executivo medidas para solucionar um problema que se arrasta nos últimos anos. A posição foi tomada através de uma interpelação escrita da legisladora ligada à Associação de Fujian.

No texto da interpelação, a deputada destaca que 2025 foi o melhor ano de sempre em termos da entrada de turistas, ultrapassando-se o anterior recorde, estabelecido em 2019 com a entrada de 39,4 milhões de visitantes. Como parte deste aumento, Song Pek Kei aponta que o número de pessoas a utilizar a Fronteira de Qingmao e da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau cresceu significativamente.

No entanto, o comércio nas fronteiras não está a acompanhar a tendência de crescimento, nem a abertura de espaços comerciais em Qingmao contribuiu para uma maior actividade para os comerciantes ou para desviar turistas da Fronteira das Portas do Cerco, a mais utilizada: “O desempenho operacional global está actualmente muito aquém das expectativas, não conseguindo alcançar o efeito desejado de atrair fluxos de passageiros, o que faz com que os benefícios comerciais sejam muito limitados”, atirou a deputada.

Song indica também que a atracção de empresas para explorarem os espaços comerciais nas fronteiras tem sido um desafio constante, com excepção das Portas do Cerco. A legisladora recorda que a empresa responsável pela exploração das lojas na Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau pediu para rescindir o contrato em 2024, e desde então tem havido problemas para ocupar todas as lojas.

Eles fazem melhor

Em contraste, Song aponta que as autoridades de Zhuhai têm aproveitado o novo fluxo de turistas para promover o comércio no seu lado da fronteira com muito sucesso. Neste contexto, a legisladora questiona o Governo sobre os planos para “aproveitar as vantagens dos novos fluxos fronteiriços para o desenvolvimento económico” e “reforçar o papel de desvio do fluxo da Fronteira das Portas do Cerco”.

A deputada quer também saber quando vai ser lançado um novo concurso público para a exploração das áreas comerciais da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau e se vai ser adoptado um novo modelo de exploração.

Por último, Song indica que “a economia fronteiriça” é “fundamental para a diversificação moderada do desenvolvimento económico de Macau, pelo que pergunta se existem planos para criar um grupo de trabalho que tenha como tarefa exclusiva definir o futuro desta área da economia.

Terrenos | Trinta espaços usados para estacionamento e lazer

O Governo vai dar início à utilização temporária de 30 terrenos para fins recreativos, estacionamento, desporto e até para albergar postos para recolha de reciclagem. Alguns destes terrenos ainda terão de passar por processos de despejo até poderem ser utilizados

Atendendo a uma velha reivindicação de deputados e analistas, o Governo irá arrancar com a utilização temporária a curto prazo de 30 terrenos desocupados, foi avançado ontem na reunião Comissão de Acompanhamento para os Assuntos de Terras e Concessões Públicas, da Assembleia Legislativa.

A presidente da comissão, Ella Lei, revelou que destes terrenos, 13 vão ser convertidos em espaços recreativos, 12 serão usados para estacionamento, um irá albergar equipamentos desportivos para uso da população. Três vão ter “fins mistos”, enquanto um será um posto de recolha de resíduos recicláveis.

De acordo com o jornal Ou Mun, Ella Lei especificou que a utilização dos terrenos temporários será distribuída consoante as necessidades das diversas zonas da cidade. A deputada dá como exemplo a carência de lugares de estacionamento na freguesia de Santo António, como uma das áreas onde terrenos não-utlizados terão essa função.

Em relação à situação actual dos espaços, Ella Lei indicou que se encontram em fases bem distintas. Alguns terrenos estão prontos para avançar para as fases de concepção do design e construção, enquanto outros ainda terão de passar por processos de despejo.

Para dar seguimento

No ano passado, o Governo deu início aos trabalhos de design e construção de outros nove terrenos temporários. À semelhança do anúncio de ontem, as finalidades serão estacionamento (três terrenos), recolha de material para reciclagem (dois terrenos), três espaços para a prática desportiva e um terreno onde será instalado uma estação para carregamento de automóveis eléctricos.

Ella Lei recordou que destes terrenos, os três parques de estacionamento já estão abertos desde Dezembro no Centro de Formação das Águias Voadoras de Coloane, no Edifício D.ª Julieta Nobre de Carvalho de Tamagnini Barbosa e ao lado da Escola de Pilotagem da Barra. No total, estes três locais acrescentaram 194 lugares para carros ligeiros e 140 para motociclos.

Segundo os dados do Governo, os 39 terrenos têm uma área total superior a 100 mil metros quadrados. Cumprindo os planos anunciados ontem por Ella Lei, os 12 terrenos podem acrescentar um milhar de lugares de estacionamento.

Exposição | Eric Fok mostra “Dreaming of the Occident” em Taiwan: “Em Portugal, vejo vestígios da minha cidade”

O ano começou com um novo projecto de Eric Fok, que apesar de viver em Portugal não deixou Macau e o Oriente. “Dreaming of the Occident” está exposta na galeria Helios, em Taipei, e pode ser vista até 24 de Janeiro. Ao HM, o artista local revela que quer explorar artisticamente o universo da bifana de Vendas Novas, pela ligação à costeleta de porco de Macau

Como está representado o Ocidente nesta exposição?

Sempre me fascinou o cruzamento entre as culturas do Oriente e Ocidente, e já explorei a forma como Macau foi um território moldado por missionários e navegadores ocidentais que trouxeram novas ciências e ideias para o Oriente. A propósito de uma anterior exposição, e durante o processo de pesquisa, percebi como era raro os chineses viajarem para a Europa na época dos Descobrimentos. Li com entusiasmo os relatos dos poucos que o fizeram. Há diários que recriam de forma vívida as perigosas viagens marítimas e como era a vida nas antigas cidades europeias. Isso permitiu projectar-me nas suas histórias, fazendo a ponte entre o passado e o presente, entre o Oriente e o Oriente. Essas diferenças culturais não são apenas história para mim, mas tornaram-se numa rica fonte de imaginação para o meu novo trabalho.

Como artista de Macau, de que forma a história do território, marcada pelo intercâmbio entre o Oriente e o Ocidente, moldou a sua forma de pensar esta mostra?

Tudo começou com o mapeamento de Macau para a série “Paraíso” [exposição de 2014], um projecto que nasceu da minha curiosidade sobre o passado da cidade num contexto de rápida expansão das indústrias do turismo e jogo. Através deste diálogo com a história local, comecei a compreender verdadeiramente a cidade. Passei de ter o foco nos pequenos detalhes da vida urbana para ter uma perspectiva macro do mundo, relevando o papel significativo de Macau na história global. Isso inclui o estatuto de porta de entrada para a China durante os Descobrimentos, a contribuição para o início da globalização, ou ainda ter sido um espaço de difusão do catolicismo a Oriente. [Não podemos esquecer] a profunda influência da cultura marítima. Todos estes temas constituem uma extensão da minha exploração em torno da experiência histórica, e singular, de Macau.

Pode descrever com mais detalhe o processo criativo para “Dreaming of the Occident”?

Além dos mapas de Macau, esta exposição apresenta também mapas da Eurásia e de várias colónias asiáticas, onde exploro temas como a navegação, o comércio e o império. A minha investigação estende-se também à experimentação de materiais. Além de usar o papel e a madeira, incorporei suportes não convencionais, como ovos de avestruz. Estes objectos funcionam como telas para narrar histórias sobre espécies endémicas e a história da migração, estabelecendo uma ponte entre um lado biológico e histórico.

A exposição pretende criticar a influência ocidental em Macau, reflectir sobre ela ou simplesmente observá-la?

Na minha exploração destes temas interesso-me sobretudo pelas dimensões culturais da história. Quando os europeus chegaram pela primeira vez à Ásia, viam o mundo de uma perspectiva eurocêntrica. O termo “Extremo Oriente” não era apenas uma designação geográfica, mas um símbolo de poder e uma visão específica do mundo. Mas, por outro lado, o termo “Extremo Ocidente” representa uma imaginação global inicial, no sentido de ser um espaço de compreensão mútua, ainda que incompleta. Hoje, que vivemos numa era de muita informação, em que a conectividade é instantânea, perdemos esse sentido de mistério, e o meu trabalho procura recuperar um pouco daquilo que é a fantasia da distância.

Espera leituras diferentes da exposição ou um conhecimento mais profundo do que é Macau, em termos culturais e históricos?

No processo criativo dou privilégio à expressão pessoal como respostas à sociedade e ao mundo em que vivemos. Embora expor numa galeria comercial traga, inevitavelmente, uma dimensão de mercado ao meu trabalho, o meu foco é sempre na integridade da obra. Nos últimos anos, a minha vontade de que o público “descodifique correctamente” a minha arte foi-se alterando, no sentido em que, embora sinta uma profunda satisfação quando alguém se conecta com o meu mundo interior, passei a aceitar esse “vazio” na narrativa do meu trabalho. Essas lacunas destinam-se a ser preenchidas pelas experiências e emoções de quem vê, ou talvez pelo próprio tempo e pela história. Num tempo de mudanças rápidas e efémeras, utilizo o pincel para documentar e preservar. O meu trabalho consiste numa partilha da experiência urbana que convida o público a criar uma ligação emocional com as cidades, promovendo uma reflexão profunda sobre identidade e pertença.

Tem vivido entre Macau e Portugal. De que forma isso influencia o seu trabalho e a visão da história e cultura de Macau?

No momento em que respondo a esta entrevista encontro-me em Vendas Novas, uma localidade em Portugal que é famosa pela bifana. Actualmente, estou a explorar se existe alguma ligação directa entre esta especialidade local e o pão com costeleta de porco de Macau. Há séculos atrás, os portugueses procuraram construir um “lar” em Macau, deixando estruturas portuguesas que definiram o horizonte da minha cidade. Actualmente, estando em Portugal, vejo vestígios da minha cidade por todo o lado. Sendo asiático, e estando rodeado por diferentes raças e línguas, encontro um certo sentimento de pertença que tanto pode trazer uma ideia de alienação como de algo profundamente familiar. A enorme distância geográfica é encurtada pela cultura e história, que são partilhadas. Esta troca de identidades e o movimento entre lugares constituem profundas inspirações para o meu trabalho.

A busca por um lugar desconhecido

No portal de Internet da galeria Helios, a nova exposição de Eric Fok é descrita como uma busca por uma Europa que, do lado oriental, se sabia existir, mas que estava longe de ser conhecida, sobretudo a partir de meados do século XVI, quando surge o termo “Taixi” como referência ao “Grande Ocidente”. A expressão chinesa foi usada pelo missionário jesuíta Matteo Ricci e é um dos focos do trabalho do artista de Macau em “Dreaming of the Occident”.

Segundo a apresentação da Helios, “Taixi” era um termo atribuído à “terra extremamente distante no Ocidente e que foi, outrora, um espaço em branco nos mapas, ainda por explorar”. Desta forma, os mapas imaginados de Eric Fok exploram as ideias de um lugar ausente e desconhecido, sendo analisada também “a identidade do eu, o transporte de memórias, poder e ideologia”. Com recurso a pesquisa histórica, o artista de Macau “redescobre a ‘Taixi’ a partir do olhar do Extremo Oriente, por meio da escrita e da representação cartográfica”. Eric Fok investigou também “as visões do mundo que existiam no passado, formadas pela interligação entre o poder e a crença”, é descrito.

Embaixador do Irão em Lisboa condenou “institucionalização do uso indevido da força”

O embaixador do Irão em Lisboa, Majid Tafreshi, condenou “institucionalização de uma nova política”, concretizada com o instrumento do “uso indevido da força”, aludindo aos Estados Unidos e a Israel. Numa entrevista à agência Lusa, Tafreshi advertiu que este processo irá “alastrar-se” se os países, sobretudo os ocidentais, “não tomarem medidas sérias” contra os Estados Unidos e Israel, “que têm incitado à agitação pública”.

“Não há garantias de que tais práticas não venham a repetir-se, sobretudo quando já se ouvem discussões inquietantes, como as relativas à posse da Gronelândia”, destacou Tafreshi, lembrando a actuação norte-americana na Venezuela, e as insinuações contra a Colômbia e Cuba.

A entrevista decorreu antes de o diplomata ser chamado pelo Governo português por causa da repressão violenta de manifestações contra o Governo iraniano, anúncio feito ontem pelo ministério dos Negócios Estrangeiros.

O diplomata iraniano lembrou ter já solicitado aos “colegas académicos” e diplomatas a criação em Portugal, de um novo fórum intitulado “Diálogo entre Inimigos”, na procura de uma “paz universal e de um mundo livre de guerra e de tensão”, bem como a criação de novos mecanismos – como uma União da Ásia Oriental – “poderia constituir uma iniciativa com significado”.

“Acredito que a política e os políticos deveriam seguir mais de perto a vontade dos seus próprios povos, que, na realidade, não parecem ter grandes conflitos entre si – como se observa claramente no turismo, nos estádios de futebol, nos concertos e em centenas de outras interacções humanas”, argumentou o diplomara iraniano.

Sobre os recentes desenvolvimentos no Irão, em que, disse, manifestações pacíficas centradas em desafios económicos, com o passar do tempo, “alguns elementos presentes nessas concentrações escalaram para incidentes violentos”, incluindo acções armadas que, segundo relatos, “envolveram indivíduos com treino prévio”.

“Lamentavelmente, estes acontecimentos resultaram em vítimas entre agentes das forças de segurança, forças de ordem pública e cidadãos comuns”, afirmou Tafreshi, depois de o alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, ter condenado e exigido o fim da “repressão dos protestos no Irão, que resultaram em mais de 600 mortos desde 28 de Dezembro, segundo uma organização não governamental.

O embaixador do Irão em Lisboa referiu os “milhões de cidadãos iranianos” que participaram segunda-feira em manifestações públicas, “reflectindo uma mudança no quadro geral e expressando apoio ao seu país islâmico”, o que, tal como no passado, a notícia tem uma atenção limitada dos meios de comunicação social ocidentais.

Incentivos exteriores

Questionado sobre o que está a estrangular a economia iraniana, Tafreshi destaca a intervenções de Israel, “em menor grau”, e os Estados Unidos, “que têm incentivado a agitação pública”, bem como os desafios económicos do Irão que são significativamente influenciados por sanções extensas impostas” por Washington.

“Estas medidas, que o Irão considera ilegais, têm também sido apoiadas por países europeus que defendem os direitos humanos, apesar de existirem preocupações de que tais políticas tenham afectado negativamente direitos fundamentais da população iraniana, incluindo o acesso a cuidados de saúde”, denunciou.

“O respeito pela Carta das Nações Unidas, as amargas lições da Primeira e da Segunda Guerras Mundiais e as experiências devastadoras e os custos dos acontecimentos no Afeganistão, na Síria, na Palestina, no Líbano, na Líbia, no Iraque, na Ucrânia e noutros locais deveriam ser suficientes para nos recordar a necessidade urgente de priorizar, mais do que nunca, a coexistência pacífica”, acrescentou.

Sobre o elevado número de vítimas mortais, Tafreshi negou que a segurança iraniana esteja a utilizar o uso desproporcional da força, exemplificando, a par do elevado número de mortes entre civis, com o número significativo de mortos e feridos de polícias”.

Poder do povo

Questionado sobre as palavras de Reza Pahlavi – filho do antigo xá Mohammad Reza Pahlavi, deposto após a Revolução Islâmica de 1979 – em que afirmou que tenciona regressar em breve ao Irão, Tafreshi considerou que, com o “apoio de alguns meios de comunicação social ocidentais e sionistas”, parece estar a tentar desempenhar o papel de um “Robin dos Bosques”.

“No entanto, Robin dos Bosques nunca apelou às pessoas comuns para recorrerem à violência ou violarem normas e princípios internacionais, como o ataque a embaixadas e instalações diplomáticas. Durante o reinado do seu pai, apesar de o Irão contar com o apoio dos Estados Unidos e do Ocidente, o país perdeu a sua 14.ª província, o Bahrein. Com base na experiência, os Estados Unidos apoiam e exploram qualquer pessoa capaz de prejudicar a independência e a segurança do Irão”, respondeu.

Tafreshi negou, por outro lado, que o regime – “o termo “regime é uma expressão ilegítima e enviesada” – esteja em risco, destacando novamente “os milhões” de iranianos que se manifestaram segunda-feira em favor da soberania do Irão.

“A República Islâmica pertence ao povo do Irão. O ayatollah [Ali] Khamenei é o líder do Irão e um desses cidadãos”, sublinhou o diplomata, para quem a China e a Rússia mantêm “boas relações” com Teerão, pelo que não é necessário contar com Pequim ou Moscovo para defender o país, que conta com o seu próprio povo para proteger a sua segurança e soberania.

Mia Soave!…

Poemas há que precisamos deles de forma total. Quem não sabe lembrar nenhum em tempos especiais e adaptá-lo à sua situação padece de um recurso que não é passível de ser substituído por nenhuma outra competência. Sem poema aprendido estamos despojados de humanidade perante os bravios golpes do destino, a nossa composição neuronal não tem ligações e tudo se desalinha de forma imprecisa. Nós estamos no estertor olhando a morte daqueles que vimos nascer, a nossa dor imensa não necessita de psicólogos, padres, mentores, gurus, só necessitamos de algo que venha em nossa direção e que possamos agradecer aos céus por termos tido dela conhecimento. O poema.

Na madrugada agonizante um poema se solta como ave bem-dita na despedida:« – Mia Suave..- Ave?! … Almeia?!… Mariposa Azul… Transe!… » e assim dissemos adeus na fronteira entre morte e vida onde o som do poema ressoava na noite telepática «Não dói por Ti Meu Peito…/ Mia Soave…- Ave! – Almeia!…» E a alma lustral ainda em ferida foi capaz de soletrar canções dos velhos anjos, e suavizar passagens, contornar o asfalto da falta grave de um amado ser. É um poema de Ângelo de Lima que o dedicou a seus amigos do Orpheu introduzindo uma tal eloquência que somente em situações sagradas o lembramos, mas são as coisas que nos lembram e se cruzam no efeito certo dos propósitos, e grande é o poeta que nos abençoa e encaminha em momentos tão derradeiros.

Poderemos dizer: que poema é este? É um poema. Parece um poema concreto feito de significados aleatórios que visam quebrar a monotonia das frases feitas do sentir, da sua métrica sequencial, do seu propósito canónico, e por isso estar distante e esquecido do terreiro das coisas dadas nesta matéria, que por outro lado é o mais belo poema da língua portuguesa do século vinte sem apelo nem anotação no marasmo das descrições de todo o género que não chegam a bálsamo nos instantes vitais.

É com um misto de surpresa e encantamento que uma coisa assim nos acontece, é uma iniciação. Ângelo de Lima foi barbaramente assassinado nos corredores das psicanálises e pareceres psiquiátricos de então, a sua obra nem chegou a ganhar fôlego nas correntes literárias, mas quando nos visita, tudo muda.

«– Do Ocaso pela Epopeia… Dorto… Stringe… O Corpo Elance… Vai À Campa… – Il C´or descanse…- Mia Soave… – Ave!… – Almeia!…»

Este poema está cheio de luz e de lágrimas, só quem o conhece é por ele visitado na hora grave de uma despedida. Ele canta mais do que soletra, ele é mais poema que coisa escrita, ele afaga, enobrece e enaltece, e quando tudo se turva de amor desfeito ele dá-nos ainda o bálsamo dos grandes mistérios.

Mia Soave, meu Amor « – Não dói Por Ti Meu Peito…/ Não Choro no Orar Ciclo…/ Em Profano…- Edd´ora…Eleito!…» A madrugada ia avançando, a lua alta estava, e um poema visitava a curva da despedida como um cântico de amor e morte, mas surpreendentemente numa esperança futura que não sabe ainda onde irá de novo nascer.

Um mantra assim pode levar-nos a pensar que o sopro que dali vem salva a nossa alma para sempre, dando àquela que parte uma dimensão até então desconhecida, e aos que ficam a certeza que só a grande, grande poesia, salva os seres e os distingue. E este é um grande poema. Transfigurador, milagroso, belíssimo. O que vem dizer sequencialmente é um desafio. Que nada diz coisa nenhuma se a palavra não tiver a dimensão que aqui nos traz.

Diplomacia | Japão e Coreia do Sul querem reforçar laços

A visita do Presidente sul-coreano ao Japão resultou numa série de acordos para ultrapassar divergências antigas e aproximar os dois países no quadro regional face à situação geopolítica global

A primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, e o Presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, prometeram ontem reforçar os laços de segurança e económicos diante da escalada da tensão com a China, uma medida que visa “impulsionar a diplomacia” na região.

“Esta colaboração entre os dois países tem uma importância estratégica para ambas as nações”, afirmou a primeira-ministra japonesa durante uma visita de dois dias a Nara, a sua cidade natal, onde se encontrou com o líder sul-coreano, segundo o jornal japonês The Japan Times.

Sanae Takaichi também observou que os dois países chegaram a um acordo sobre os restos mortais de cidadãos sul-coreanos que morreram no Japão após serem recrutados para trabalhos forçados durante a ocupação japonesa, tendo Tóquio concordado em realizar testes de ADN.

Os dois lados defenderam “mais visitas deste tipo” entre os dois países, após a visita de Lee à China para conversações com o Presidente chinês, Xi Jinping, quando se assiste a uma crescente tensão com Tóquio.

“Espero que esta visita ajude a elevar as relações entre o Japão e a Coreia do Sul a um novo patamar”, disse Takaichi após a reunião.

Pontos comuns

A primeira-ministra japonesa afirmou que ambos os líderes esperavam “consolidar uma forte relação pessoal” para “promover laços mais estreitos entre os nossos vizinhos no meio de uma complexa situação geopolítica global”.

Embora Takaichi não tenha abordado as divergências com a China e a recente troca de acusações entre os dois lados após uma série de declarações sobre Taiwan, Lee enfatizou a necessidade de Tóquio, Seul e Pequim “identificarem pontos em comum e comunicarem-se eficazmente”.

“Quero enfatizar a necessidade de os três países identificarem pontos em comum para a comunicação e cooperação”, afirmou Lee, reiterando a importância de alcançar a “desnuclearização completa da Península Coreana para estabelecer uma paz duradoura na região”.

“Concordámos em continuar a coordenar esforços para lidar com a questão norte-coreana”, acrescentou. As partes concordaram também em cooperar na recuperação dos restos mortais das vítimas da grande inundação de 1942, que fez quase 200 mortos — incluindo 136 trabalhadores coreanos — numa mina de carvão na província de Yamaguchi.

O chefe de Estado sul-coreano descreveu esta medida como um “pequeno mas significativo progresso em questões historicamente importantes” para a Coreia do Sul. “Numa ordem mundial cada vez mais complexa, acredito que a cooperação entre a Coreia do Sul e o Japão é mais importante do que nunca”, afirmou o Presidente sul-coreano.

“A incerteza política está a crescer, o multilateralismo está a ser testado e a independência das cadeias de produção globais está a ser instrumentalizada”, lamentou Lee, acrescentando que existem “desafios” que terão de ser “enfrentados” através do “respeito e confiança mútuos”.

Espaço | Chang’e-6 oferece novas pistas sobre a dicotomia lunar

A investigação chinesa avança com novas provas sobre as possíveis causas que estiveram na origem da constituição do manto lunar

A missão chinesa Chang’e-6 trouxe novas provas sobre a origem da dicotomia entre as duas faces da Lua, ao revelar que um impacto gigantesco alterou a composição do manto lunar, segundo um estudo publicado ontem.

A investigação, liderada por cientistas do Instituto de Geologia e Geofísica da Academia Chinesa de Ciências, baseia-se na análise isotópica de alta precisão de basaltos recolhidos pela Chang’e-6 na bacia Aitken do Polo Sul, a maior e mais antiga cratera de impacto do satélite, e foi divulgada na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

Os investigadores detectaram que as amostras provenientes da face oculta apresentam proporções significativamente mais elevadas do isótopo pesado do potássio em comparação com as rochas lunares recolhidas nas missões Apolo na face visível.

Depois de excluírem outros factores, como a irradiação por raios cósmicos ou processos magmáticos posteriores, a equipa concluiu que um grande impacto primordial, ocorrido há mais de 4.200 milhões de anos, provocou a perda de elementos moderadamente voláteis no manto lunar.

Segundo o estudo, as condições extremas de temperatura e pressão geradas durante esse evento favoreceram a evaporação dos isótopos mais leves, alterando de forma duradoura a química interna do satélite.

Essa perda de voláteis terá dificultado a geração de magma na face oculta, o que ajuda a explicar a sua menor actividade vulcânica e o seu relevo mais acidentado, em contraste com as vastas planícies basálticas do hemisfério visível a partir da Terra.

Novas missões na calha

Os cientistas sublinham que esta descoberta fornece novas pistas para compreender como os grandes impactos influenciaram não apenas a superfície, mas também a evolução interna da Lua nas suas fases iniciais. A missão Chang’e-6, lançada em maio de 2024, foi a primeira a recolher amostras da face oculta do nosso satélite natural.

A China prepara novas missões lunares não tripuladas, como a Chang’e-7, prevista para 2026 e com destino ao polo sul da Lua, e a Chang’e-8, programada para 2029 com a participação de 11 países, que estabelecerá as bases para futuras missões tripuladas.

O país asiático tem investido fortemente no seu programa espacial, com feitos como a primeira alunagem na face oculta da Lua, realizada pela Chang’e-4, e o envio da missão Tianwen-1 a Marte, que fez da China a terceira nação a alcançar o planeta vermelho, depois dos Estados Unidos e da extinta União Soviética.

Irão | China pede que se preserve a estabilidade face a ameaças dos EUA

A China apelou ontem a que se “preserve a estabilidade” do Irão e manifestou a sua “oposição a qualquer ingerência externa ou ao recurso à força”, em resposta aos avisos de Washington sobre uma possível escalada contra Teerão.

Em conferência de imprensa, a porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Mao Ning, afirmou que Pequim “espera e apoia que o Irão mantenha a estabilidade nacional” e reiterou a oposição da China à “interferência nos assuntos internos de outros países” e à “ameaça ou ao uso da força nas relações internacionais”.

As declarações surgem depois de órgãos de comunicação norte-americanos terem noticiado que a Casa Branca está a ponderar diferentes opções, incluindo medidas militares, em relação ao Irão, ao mesmo tempo que Washington instou os seus cidadãos a deixarem o país por razões de segurança. Mao declarou que a China “espera que todas as partes façam mais para contribuir para a paz e a estabilidade no Médio Oriente”.

Sobre a situação de segurança e os protestos no Irão, a porta-voz garantiu que a China “acompanhará de perto a evolução dos acontecimentos” e que adoptará “todas as medidas necessárias” para proteger os seus cidadãos no país.

No plano económico, Mao reiterou a posição já expressa ontem pela embaixada chinesa em Washington face às ameaças tarifárias do Presidente norte-americano, Donald Trump, dirigidas aos países que mantenham relações comerciais com o Irão. A porta-voz sublinhou que “não há vencedores numa guerra tarifária” e frisou que a China “defenderá firmemente os seus direitos e interesses legítimos e legais”.

As declarações surgem depois de Trump ter anunciado a imposição de tarifas adicionais aos países que “façam negócios” com o Irão, uma medida que a China tem vindo a classificar como uma sanção unilateral, num contexto de crescente tensão diplomática e de segurança em torno do país persa.

Arte contemporânea | Workshop com Delfim Sardo este domingo

Acontece este domingo, dia 18, no auditório do Museu de Arte de Macau (MAM), o “Workshop de Curadoria de Arte Contemporânea com Delfim Sardo”, onde se analisam “abordagens curatoriais para transformar a forma como percebemos e nos relacionamos com o mundo”.

Este workshop realiza-se no contexto da exposição sobre o trabalho da artista portuguesa Helena Almeida, intitulada “Helena Almeida: I Am Here – Presence and Resonance”, acolhida pelo MAM a partir do dia 23 e de que Delfim Sardo é curador-chefe. Trata-se de uma mostra organizada pelo Instituto Cultural e pelo MAM.

Segundo informações disponibilizadas pelo MAM, neste workshop pretende-se reflectir “sobre as múltiplas facetas da curadoria de exposições de arte contemporânea”, além de se analisarem “estudos de caso, apresentação de conceitos, processos e desafios curatoriais”. Pretende-se ainda uma “interacção dinâmica”, sendo “incentivadas perguntas e discussões para estimular a troca de ideias”.

O workshop tem a duração de seis horas, decorre em inglês das 10h às 13h e depois das 14h30 às 17h30. A inscrição é gratuita e pode ser feita no Sistema de Inscrição em Actividades da Macao One Account. A lista de admissão será conhecida esta quinta-feira.

Delfim Sardo é professor de arte e curador, descrito como uma “figura central na cena artística contemporânea portuguesa”. “Sardo tem uma sólida formação filosófica, com especialização em estética, e a sua visão curatorial é profundamente influenciada pela teoria crítica e pela ética da representação. O seu trabalho curatorial vai além da simples disposição de objectos, apresentando ensaios profundos no espaço expositivo que levam os espectadores a repensar o papel público da arte”, descreve-se ainda.

Em 1999, Delfim Sardo foi curador da Representação Portuguesa na Bienal de Veneza, tendo sido, anteriormente, director do Centro de Exposições do Centro Cultural de Belém, entre outros cargos. É professor na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, onde coordena um programa de mestrado em Crítica de Arte e Estudos Curatoriais.

Casa de Macau apresenta série documental “Os Resistentes”, dia 21

A Casa de Macau em Lisboa exibe, na próxima quarta-feira, dia 21, uma série documental sobre Macau, integrada na sessão “CineMacau – Ciclo de cinema documental de Macau”. A sessão começa às 15h30 e dedica-se a mostrar “Os Resistentes, Retratos de Macau”, com realização de António Caetano Faria, ex-residente de Macau.

Nesta série documental apresentam-se negócios que resistiram ao tempo, nomeadamente a gelataria Lai-Kei, um barbeiro, um alfaiate ou casas de noodles. Segundo uma nota da Casa de Macau, a exibição será supervisionada por Ruka Borges, produtor, e Gonçalo Magalhães, membro da direcção da Casa.

Revela-se, assim, “o vasto reportório que António Faria tem dedicado às antigas profissões, algumas em extinção, e que ainda são referências do quotidiano das ruas de Macau, trazendo as memórias de uma Macau doutros tempos e doutras vivências”. A série foi desenvolvida ao longo de três temporadas, nomeadamente nos anos de 2015, 2017 e 2020, e consiste em episódios curtos, filmados a preto e branco.

Trata-se de uma “escolha estética que sublinha o carácter documental e atemporal do projecto”, descreve-se numa nota da Casa de Macau, sendo que os episódios não são narrados e “evitam a dramatização”.

“O foco está nas pessoas e nos espaços de trabalho: sapateiros, relojoeiros, alfaiates, farmacêuticos chineses, carpinteiros, entre outros. Pessoas com décadas de experiência, cuja actividade representa uma parte importante da identidade histórica e cultural de Macau”, lê-se.

Forma de preservação

António Caetano Faria começou este projecto quando percebeu “que muitas destas lojas estavam a desaparecer em silêncio, sem deixar rasto”. “Ao longo da série, ele procura captar não só os rostos e as vozes, mas também os sons, os gestos e os detalhes do dia a dia desses trabalhadores”, é referido, sendo que o projecto “assume um papel quase de arquivo”.

Trata-se, no fundo, de “uma tentativa de preservar, em registo audiovisual, modos de vida e práticas profissionais que deixaram de ser passadas para a geração seguinte”. Desta série já houve várias lojas encerradas, ou comerciantes que, entretanto, faleceram.

Esta série documental foi feita com o apoio da Casa de Portugal em Macau e “tem ganho notoriedade na divulgação de Macau como cidade e, ou território de cultura singular única”. António Caetano Faria nasceu em Lisboa e licenciou-se em Publicidade na Escola Superior de Comunicação Social (ESCS), tendo começado depois a trabalhar como editor e assistente de câmara para empresas de produção de vídeo em Portugal. Após mudar-se para Macau em 2008, fez a sua estreia como realizador de documentários em 2009 com o filme “Time Travel”.

A partir de 2015 dedicou-se a produzir a série documental “Os Resistentes – Retratos de Macau”. Como resultado da sua paixão por viagens e cinema, nos anos seguintes criou os filmes “Into the Void” e “Rutz – Global Generation Travel”, que participaram em vários festivais internacionais. Em 2019 começou na ficção com “Ina and the Blue Tiger Sauna”, apresentado no IFFAM e disponível na Amazon Prime.

Actualmente, vive e trabalha entre o Alentejo, Portugal, e Macau, onde dirige a sua empresa independente de produção cinematográfica, Locanda Films.

Concerto | CCM acolhe “Romper da Aurora”, da Orquestra Chinesa

O pequeno auditório do Centro Cultural de Macau acolhe esta sexta-feira um espectáculo de música clássica. Trata-se de “Romper da Aurora”, o primeiro concerto da Orquestra Chinesa de Macau deste ano. Faz-se a promessa de sonoridades que simbolizam a esperança e um novo começo, depois de 2025 ter ficado para trás

A Orquestra Chinesa de Macau apresenta, esta sexta-feira, o seu primeiro concerto do ano. Trata-se de “Romper da Aurora” com início marcado para as 19h45, no pequeno auditório do Centro Cultural de Macau (CCM), e tem como tema, precisamente, a aurora, “símbolo de esperança e de um novo início”. Promete-se, assim, conduzir o público “numa emocionante viagem artística que celebra o nascer do sol através de um repertório de obras chinesas clássicas e contemporâneas”, descreve uma nota oficial sobre o espectáculo.

Ao palco, sobe Hou Guangyu, o “conceituado intérprete” de um instrumento tradicional chinês, o dizi, uma flauta de bambu chinesa. O maestro será Liao Yuan-Yu, apresentando-se o concerto para dizi “Devaneio do Bambu”, para dar expressão “às inúmeras formas do bambu através de uma profusão e combinação complexa de notas na flauta e remetendo, à medida que a melodia se desenvolve, para a interacção entre a realidade e a ilusão”.

Hou Guangyu não é apenas o homem do dizi, é também especialista em outros instrumentos tradicionais chineses como o xun, xiao e xindi de 11 orifícios, sendo “uma figura de destaque na interpretação contemporânea do dizi”. No currículo tem ainda as funções de Chefe do Naipe de Dizi da Orquestra Chinesa da Rádio e Televisão da China, em Pequim, com a qual actuou por todo o mundo.

Sol e outras sonoridades

O espectáculo desta sexta-feira conta ainda com a actuação do Chefe do Naipe de Ruan da Orquestra Chinesa, Lin Jie, que interpretará “Ode ao Sol” com os restantes músicos da Orquestra. Segundo a mesma nota, apresentam-se ainda “uma série de peças de destaque, incluindo a nova obra ‘Ruptura de Formação: Contempo”, onde se “reinterpreta várias melodias tradicionais através de uma linguagem musical contemporânea”.

No pequeno auditório do CCM, haverá ainda lugar à interpretação de “Aspirações”, composição que “simboliza um futuro risonho e promissor”, e ainda “Impressões de Macau”, uma peça “encomendada pela Orquestra para retratar musicalmente a paisagem cultural da cidade”.

O espectáculo terá a duração aproximada de 1h30, estando os bilhetes à venda com preços entre as 150 e as 200 patacas.

Cotai | Presa por roubar medicamentos

Uma mulher foi detida por alegadamente ter roubado sete caixas de medicamentos de uma farmácia num hotel no Cotai. O caso foi revelado ontem pelo Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) com o furto a acontecer no dia 5 de Janeiro. Os trabalhadores da farmácia comunicaram o roubo no dia seguinte, após descobrirem a perda avaliada em 1.900 patacas. A mulher foi detida no dia 7, no mesmo hotel, e todos os bens roubados foram recuperados.

A mulher do Interior tem cerca de 50 anos e afirmou ser dona de casa. O caso foi remetido ao Ministério Público para investigação adicional. A detida está indiciada por furto, punido com uma pena de prisão de três anos.

CPSP | Detida por ficar com bracelete de ouro

Uma mulher de Hong Kong foi detida pelo Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), depois de se ter apropriado de uma bracelete de ouro que encontrou caída perto de um casino no Cotai. O caso foi revelado ontem pelo CPSP e citado pelo jornal Ou Mun. De acordo com o relato, a situação ocorreu a 26 de Novembro do ano passado, e a bracelete estava avaliada em cerca de 30,7 mil patacas.

Após ser apresentada queixa, as autoridades identificaram a mulher que foi detida a 11 de Janeiro, perto de um hotel na Taipa. Depois de ter sido interrogada, a detida confessou que se tinha apropriado da bracelete e que tinha guardado o objecto em casa, em Hong Kong. A mulher ter cerca de 50 anos e o caso foi encaminhado para o Ministério Público. Está indiciada da prática do crime de apropriação ilegítima em caso de acessão ou de coisa achada, que prevê uma pena de prisão que pode chegar a um ano.

Salários | Galaxy e Wynn imitam Sands e anunciam aumentos

No caso da Wynn, os aumentos salariais vão acontecer em Março, mas na Galaxy entram em vigor apenas em Abril. Os salários vão crescer entre 500 patacas e 4,5 por cento

As concessionárias Wynn Macau e Galaxy Entertainment Group anunciaram aumentos para os trabalhadores que variam entre 500 patacas e 4,5 por cento do valor mensal do salário. As empresas seguem o exemplo da Sands China, a primeira concessionária a anunciar os aumentos, logo na segunda-feira. No caso da concessionária americana, anunciou-se um aumento salarial entre os 2 por cento e os 4,5 por cento para os trabalhadores dos Wynn Macau e WYnn Palace, excluindo as posições sénior de administração.

O aumento entra em vigor a partir de 1 de Março e cobre 98 por cento dos 11.803 trabalhadores. No caso dos trabalhadores com salários até 16 mil patacas, o aumento é de 500 patacas, o que corresponde a um aumento de 2 por cento a 4,5 por cento. No caso de os trabalhadores terem um salários superiores a 16 mil patacas, o aumento é de 2 por cento.

“O sucesso da empresa depende dos esforços incansáveis e da dedicação de cada membro da equipa. Esperamos partilhar os frutos das nossas conquistas colectivas através deste aumento salarial”, afirmou Linda Chen, directora executiva da Wynn Macau. “Este ano tem um significado especial, pois celebramos o 20.º aniversário da Wynn Macau e o 10.º aniversário do Wynn Palace. Esperamos continuar a nossa jornada juntos, lutando por novos patamares para a Wynn e Macau, e abraçando um futuro ainda mais brilhante juntos”, acrescentou.

Galaxy segue

No caso da empresa Galaxy, responsável pelos casinos Galaxy e StarWorld, os aumentos deverão abranger cerca de 98 por cento dos trabalhadores, incluindo cargos seniores de administração. No caso dos trabalhadores receberem até 16 mil patacas, incluindo salários e gorjetas garantidas, o aumento vai ser de 500 patacas. No entanto, se o salário e as gorjetas garantidas ficarem acima das 16 mil patacas, o aumento aplicável é de 2 por cento.

Os trabalhadores vão sentir a mudança em Abril, o que difere do prometido pela Wynn e pela Sands, onde os aumentos entram em vigor um mês antes, em Março.

“A Galaxy Entertainment Group agradece a todos os membros da equipa pela sua dedicação e trabalho árduo, e espera alcançar juntos um sucesso ainda maior, guiados pela crença de ‘Uma equipa, um objectivo’”, pode ler-se no comunicado em que foi divulgado o aumento.

Casinos | Transacções suspeitas caem 6,1 por cento em 2025

Os dados oficiais mostram que o número de transacções suspeitas caiu no último ano para um total de 3.603

O número de transacções suspeitas registadas em casinos caiu 6,1 por cento em 2025, de acordo com dados oficiais. O Gabinete de Informação Financeira (GIF) referiu que as seis operadoras de casinos submeteram, no total, 3.603 participações de transacções suspeitas de branqueamento de capitais ou de financiamento do terrorismo.

Numa publicação feita na plataforma chinesa WeChat na segunda-feira à noite, o GIF apontou “a diminuição do número de participações de transacções suspeitas reportadas pelo sector do jogo” como a principal razão para a queda do número total, também de 6,1 por cento.

No ano passado, o gabinete recebeu 4.925 participações, 73,1 por cento vindas das concessionárias de casinos, enquanto 20,5 por cento vieram de bancos e seguradoras e 6,4 por cento de outras instituições e entidades.

Os sectores referenciados, incluindo lojas de penhores, joalharias, imobiliárias e casas de leilões, são obrigados a comunicar às autoridades qualquer transacção igual ou superior a 500 mil patacas. Em 2024, o GIF recebeu 5.245 participações, sendo que a maioria veio dos casinos do território: 3.837, mais 11,8 por cento do que no ano anterior e um novo recorde.

A cumprir

Segundo o relatório anual do GIF, Macau era o único membro do Grupo Ásia-Pacífico Contra o Branqueamento de Capitais (GAFI) que cumpria “todos os 40 padrões internacionais” sobre a prevenção da lavagem de dinheiro e do financiamento do terrorismo e da proliferação de armas de destruição em massa.

O gabinete assinou acordos para a troca de informação com 33 países e territórios, incluindo a Unidade de Informação Financeira da Polícia Judiciária de Portugal, em 2008, a Unidade de Informação Financeira do Banco Central de Timor-Leste, em 2018, e, em 2019, o Conselho de Controlo de Actividades Financeiras do Brasil e a Unidade de Informação Financeira de Cabo Verde.

Em Julho, o GIF disse que tinha ultimado os procedimentos para assinar, também com Angola, um acordo de troca de informações para prevenir a lavagem de dinheiro e o financiamento ao terrorismo e à proliferação de armas de destruição em massa.

O gabinete indicou que o acordo esteve na mesa num encontro com representantes da Unidade de Informação Financeira da República de Angola, à margem da reunião do Grupo Egmont entre 6 e 11 de Julho, no Luxemburgo. O Grupo Egmont é uma organização internacional de luta contra a lavagem de dinheiro, que reúne 181 unidades de informação de todo o mundo.

Zona A | Lojas e restaurantes abertos antes do Ano Novo Chinês

A Zona A dos Novos Aterros deverá começar a ter vida além dos estaleiros de obras, com as lojas que foram arrendadas nos edifícios Tong Chong e Tong Kai com inauguração prevista para Fevereiro, ainda antes do Ano Novo Chinês, avançou ontem o canal chinês da Rádio Macau.

Segundo a emissora pública, o Governo especificou que os estabelecimentos incluem restaurantes, supermercados e farmácias, mas também está prevista a abertura de infra-estrututas culturais, sociais e recreativas para responder às necessidades quotidianas da população. Neste âmbito, o centro de saúde no lote B9 já está em funcionamento.

No capítulo dos transportes, a Zona A é servida por três carreiras que ligam à península, Taipa, Cotai e Hengqin. Antes do Ano Novo Chinês, o itinerário da carreira 101XS será alargado na Zona A.

Segundo os mais recentes dados do Instituto de Habitação, foram vendidos 2.241 apartamentos nos três blocos de habitação pública nos edifícios Tong Chong, Tong Kai e Tong Seng. Destes, foram entregues chaves a moradores de 1.636 fracções, enquanto mais de 500 ainda não completaram o processo de empréstimo bancário.

Saúde | Governo instala postos de saúde e bem-estar pela cidade

Começou na segunda-feira o funcionamento de oito Estações de Saúde e Bem-Estar para proporcionar serviços regulares de promoção da saúde em espaços públicos, indicaram ontem os Serviços de Saúde. Estes postos são dinamizados pelo Instituto Cultural, Instituto do Desporto e Serviços de Saúde, com “divulgadores culturais”, “instrutores de ginástica” e “promotores de saúde”.

Além de prestarem informações sobre actividades culturais, desportivas e relativas à saúde, serão proporcionadas medições gratuitas de pressão arterial, avaliações de saúde, bem como apoio na marcação de consultas em centros de saúde, incluindo para fazer rastreios de doenças, vacinação e avaliação psicológica.

As estações vão estar activas até 31 de Março, na primeira fase, de segunda a sexta-feira (excepto feriados, dias com condições climáticas adversas e durante períodos de manutenção), das 08h às 10h e das 16h30 às 18h30. As estações estão instaladas no Parque Municipal Dr. Sun Yat Sen, Jardim de Luís de Camões, Zona de Lazer do Jardim Lok Ieong, Jardim Vasco da Gama, Zona de Lazer da Alameda da Tranquilidade, Parque Dr. Carlos d ‘Assumpção, Jardim de S. Francisco e Zona de Lazer da Avenida Olímpica da Taipa. No futuro, o número de estações será ampliado para 12.

Gravidez | Ella Lei pede explicações sobre garantias laborais

A deputada quer que o Governo explique o conteúdo dos Objectivos do Desenvolvimento das Mulheres de Macau (2019-2025) que têm como meta a “igualdade de género e desenvolvimento pleno”

A deputada Ella Lei Cheng I pediu ao Governo para explicar como pretende garantir os direitos laborais das grávidas no âmbito dos novos Objectivos do Desenvolvimento das Mulheres de Macau, que vão vigorar entre este ano e 2032. O assunto faz parte de uma interpelação escrita da legisladora ligada à Federação das Associações dos Operários de Macau, divulgada pelo portal da Assembleia Legislativa.

No final do ano passado, chegou ao fim o programa com os Objectivos do Desenvolvimento das Mulheres de Macau (2019-2025). Por isso, na segunda reunião plenária do Conselho para os Assuntos das Mulheres e Crianças, em Dezembro, foram apresentados os novos objectivos para contribuir para a “igualdade de género e desenvolvimento pleno”.

Contudo, Ella Lei considera que o Governo tem de explicar melhor a forma como vai “promover mecanismos especiais de protecção para as mulheres grávidas e as novas mães que trabalham por turnos”, aumentar o “tempo de amamentação” e garantir que as instalações de amamentação são comuns não só na Função Pública, onde se encontram generalizadas, mas também no sector privado.

A deputada mostra-se igualmente preocupada com a situação do “emprego das mães solteiras” e recorda que os objectivos em vigor até ao ano passado tinham várias metas laborais para estas situações. Contudo, admite que talvez sejam necessários mecanismos mais eficazes para as grávidas solteiras, que se encontram em situação vulnerável: “Espera-se que a eficácia destas medidas e a sua implementação sejam continuamente revistas. As autoridades irão introduzir salvaguardas institucionais mais específicas no futuro?”, questiona.

Protecção contra assédio

Além das questões de natureza laboral, Ella Lei defende a criação “de um organismo para lidar com as queixas de assédio sexual, mecanismo dedicado a promover a igualdade de género e lidar com incidentes de discriminação de género”.

Um dos objectivos para a deputada é garantir que os mecanismos de queixa oferecem a protecção das queixosas nos lugares de trabalho ou instituições de ensino, sem que sofram represálias. “No que diz respeito aos esforços para promover a igualdade de género e reforçar as salvaguardas contra o assédio sexual de mulheres e crianças, quais são os planos das autoridades para melhorar os quadros institucionais, criar órgãos estatutários e desenvolver mecanismos de reclamação”, questiona.

Jogo | Isenções fiscais atingiram 150 milhões de patacas em 2024

Em 2024, o Governo concedeu um total de 150 milhões de patacas em isenções fiscais às concessionárias de jogo, devido à contribuição para tornarem o mercado mais atractivo para os jogadores internacionais. O número foi revelado pelo Governo, representado através do secretário para a Economia e Finanças, Tai Kin Ip, num encontro com a 2.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa, liderada pelo deputado Ip Sio Kai.

De acordo com a lei do jogo, o Chefe do Executivo pode aprovar isenções fiscais às concessionárias que podem chegar até 5 por cento das receitas brutas, face à atracção de jogadores estrangeiros. O Executivo tem optado por não divulgar os números de forma consistente, nem explicar o critério adoptado para definir a proporção da isenção. A falta de transparência sobre este assunto levou mesmo o deputado José Pereira Coutinho a escrever uma interpelação sobre o tema, a pedir maior transparência e mais informação.

No entanto, ontem, numa reunião para analisar a execução do orçamento de 2024, Ip Sio Kai revelou que o montante da isenção tinha atingido 150 milhões de patacas. Em 2024, as receitas do jogo atingiram 226,8 mil milhões de patacas.

Apesar deste dado, o Governo não terá abordado as concessionárias que gozaram das isenções maiores nem especificou o montante da isenção para cada concessionária. Por sua vez, a comissão considerou todas as explicações do Governo clarificadoras, pelo que a discussão da execução do orçamento de 2024 no âmbito da comissão foi dada como concluída.

Eleições 2021 | Arrancou julgamento de Lee Sio Kuan

Arrancou ontem o julgamento de Lee Sio Kuan, mandatário da lista Ou Mun Kong I, por corrupção eleitoral ligada às Eleições Legislativas de 2021. De acordo com o jornal Ou Mun, Lee é acusado de ter montado um esquema para oferecer viagens, refeições e presentes a mais de 200 residentes. Todas as 10 testemunhas ouvidas ontem de manhã recusaram ter participado em qualquer excursão.

De acordo com o Ministério Público, as ofertas terão visado reunir as 300 assinaturas necessárias para que a lista pudesse participar no acto eleitoral, o que veio a acontecer.

Além de Lee Sio Kuan, que era igualmente presidente da Associação de Força do Povo e dos Operários, o caso envolve mais 17 arguidos, entre os quais Ho Ion Kong, cabeça-de-lista que acabou por desistir antes das eleições. Na manhã de ontem, foram ouvidas 10 testemunhas em tribunal, entre estas, sete estavam ligadas à Associação de Força do Povo e dos Operários ou tinham participado em manifestações ou entregas de cartas promovidas pela associação.

Todas as testemunhas recusaram ter participado nas excursões organizadas pela Associação de Força do Povo e dos Operários ou pela lista Ou Mun Kong I a 21 de Junho de 2021. Quando o representante do Ministério Público mostrou as assinaturas alegadamente das testemunhas no documento de recolha de assinaturas para elaboração da comissão eleitoral, todas negaram ter assinado os documentos apresentados.

FAOM | Direcção reúne com Sam Hou Fai e recebe elogios

Os novos corpos dirigentes dos Operários reuniram com Sam Hou Fai. Entre os temas discutidos, destaque para o apelo à manutenção da estabilidade social e a promoção do nacionalismo. O líder do Governo reiterou que irá “implementar integralmente as instruções e exigências” de Xi Jinping

Sam Hou Fai recebeu, na segunda-feira, na Sede do Governo os novos corpos dirigentes da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), eleita em meados do passado mês de Dezembro. Nacionalismo, cumprimento absoluto dos planos traçados pelo Governo Central para Macau e estabilidade social foram os temas principais discutidos entre os governantes e os dirigentes da associação tradicional alimentada com fundos públicos.

Segundo o Gabinete de Comunicação Social, depois de saudar a nova direcção da FAOM, Sam Hou Fai elogiou a associação “por ter constituído uma força fulcral para o fortalecimento das bases do amor pela pátria e por Macau, contribuindo para a RAEM implementar de forma inabalável o princípio ‘um país, dois sistemas’”.

O Chefe do Executivo recordou que o Presidente Xi Jinping e o Governo Central “reconheceram plenamente os resultados alcançados pelo governo da RAEM em liderar e unir esforços dos diversos sectores sociais no ano passado”, e que esses resultados “contaram também com o contributo significativo da FAOM”.

Sam Hou Fai salientou também o papel dos Operários “para unir e servir os trabalhadores em geral e manter a estabilidade da sociedade”, assim como na “salvaguarda dos direitos e interesses laborais” e no “firme apoio à governação da RAEM”.

Seguir o líder

O Chefe do Executivo reiterou que em 2026, “o Governo continuará a trabalhar com todos os sectores da sociedade, para implementar integralmente as instruções e exigências do Presidente Xi Jinping, sem defraudar as suas expectativas e do Governo Central”.

Para o futuro, Sam Hou Fai espera que a FAOM “continue a unir os trabalhadores de todos os sectores, sobretudo os jovens trabalhadores, aumentando de forma abrangente a competência profissional” através de formação especializada. O objectivo é “implementar plenamente os planos do Governo Central e tarefas confiadas a Macau, de promover um progresso contínuo do princípio ‘um país, dois sistemas’ na nova era.”

O deputado Lam Lon Wai foi eleito no dia 16 de Dezembro presidente da FAOM, após a primeira reunião ordinária da direcção. O novo presidente da direcção é Kong Ioi Fai, e a nova presidente do Conselho Fiscal é Ho Sut Heng. Em relação à missão dos novos corpos dirigentes da FAOM, Lam Lon Wai salientou que a promoção do patriotismo estará no topo das prioridades.

Estudo | Sociedade de Hong Kong domina notícias sobre depressão

Um estudo publicado no Journal of Medical Internet Research analisou temas e tom emotivo de notícias sobre depressão publicadas em Hong Kong. O “sistema societário”, relacionado com saúde, família ou trabalho, surge em primeiro lugar com 34,83 por cento do total das notícias, tendo uma “inclinação mais negativa”

O sistema da sociedade de Hong Kong domina o grupo de temas presentes em notícias sobre depressão, representando 34,83 por cento dos artigos analisados, seguindo-se temáticas como a aplicação da lei, com 18,81 por cento, ou a ainda a recessão económica global em terceiro lugar.

Esta é a principal conclusão do estudo “Analyzing Themes, Sentiments, and Coping Strategies Regarding Online News Coverage of Depression in Hong Kong: Mixed Methods Study” [Análise de Temas, Sentimentos e Estratégias de Enfrentamento Relacionados com a Cobertura Jornalística Online Sobre Depressão em Hong Kong: Estudo de Métodos Mistos], publicado no Journal of Medical Internet Research no ano passado. O estudo é da autoria de Chen Sihui, Cindy Sing e Yangna Hu, da Universidade Politécnica de Hong Kong; e Cecília Cheng, da Universidade de Hong Kong.

O estudo é focado na cobertura de notícias online sobre depressão na região vizinha, nomeadamente de publicações como o South China Morning Post e Hong Kong Free Press, e que procurou perceber quais os temas dominantes e a carga emocional dos textos, se eram positivos ou negativos, entre outras questões.

Assim, o estudo revela que o “sistema societário” da região esteve na origem de 34,83 por cento das notícias sobre depressão, ou seja, 848 num total de 2.435, seguindo-se o tema da “aplicação da lei”, representando 458 de todas as notícias analisadas, com uma fatia de 18,81 por cento. Segue-se, em terceiro lugar, o tema da “recessão global”, com 17,4 por cento de respostas; “estilo de vida”, com 8,05 por cento; “lazer”, com 11,21 por cento de respostas; “questões de saúde”, com 6,94 por cento e, finalmente, “política dos Estados Unidos”, representando apenas 3,12 por cento das notícias.

O estudo descreve, assim, que analisando o sentimento inerente às notícias, “torna-se evidente que o sistema societário apresentou uma inclinação mais negativa”, estando “relacionado com diversos sistemas da sociedade de Hong Kong, incluindo de saúde, social, família, educação e trabalho”.

Entre extradição e covid-19

A recolha de notícias online foi feita entre Fevereiro de 2019 e Maio de 2024 “com o intuito de examinar a representação mais recente da depressão, especialmente durante e após o período de agitação social e a pandemia de covid-19”.

Os artigos foram escolhidos com base em três critérios, sendo que um deles era a acessibilidade aos leitores sem assinatura paga, além de que o website em questão “deveria permitir a recuperação de uma quantidade suficiente de notícias relacionadas com depressão (isto é, mais de 20) para garantir dados adequados para as análises subsequentes”. Foram ainda escolhidos sites com notícias em inglês. Depois, foram feitas pesquisas separadas com as palavras-chave “depression” e “depressed”.

As datas escolhidas para este estudo prendem-se com duas ocorrências. Uma delas foi em Fevereiro de 2019, com a introdução de a proposta de lei sobre extradição para a China, intitulada “Fugitive Offenders and Mutual Legal Assistance in Criminal Matters Legislation (Amendment)”. Tal “desencadeou protestos e marchas em Hong Kong devido a divergências políticas, levando a um aumento significativo nos casos de depressão, agravado em 2020 com o surto da covid-19”.

Os autores revelam que houve “picos de cobertura” de notícias relacionadas com a depressão, nomeadamente em Abril e Maio de 2020 e em Julho de 2023. Seguiu-se a covid-19 como segunda ocorrência.

No caso das notícias de 2020, o estudo constata que “as medidas de confinamento devido à covid-19 afectaram fortemente Hong Kong, contribuindo para um humor mais depressivo”, sendo que este período “correspondeu à segunda onda do surto de covid-19”. A segunda onda pandémica originou fortes medidas de confinamento como o encerramento de escolas, “políticas de trabalho remoto e a proibição de refeições presenciais em restaurantes”.

O fecho de escolas, “conforme relatado nas notícias, resultou no aumento das taxas de depressão entre crianças e ansiedade entre os pais, que precisaram cuidar simultaneamente dos filhos e idosos em casa”.

“Além disso, conflitos entre trabalho e família também se intensificaram devido à interrupção da rotina normal de trabalho”, nomeadamente “a ausência de espaço de escritório e indefinição dos horários de trabalho”, o que “foi associado a sentimentos depressivos”, descreve-se.

Por sua vez, em 2023 observou-se “um aumento nos casos de suicídio noticiados”, sobretudo porque Coco Lee, “uma estrela influente que enfrentava a depressão, morreu por suicídio em casa, o que gerou maior consciencialização sobre a necessidade de expansão de serviços de apoio na área da saúde mental e melhoria em termos de acessibilidade, sendo frequentemente destacadas as linhas de apoio”.

Um certo estigma

No que diz respeito ao segundo tema mais encontrado nas notícias, a “aplicação da lei”, o estudo releva que acarreta também “um sentimento negativo”. “O volume de notícias atingiu picos em Novembro de 2020 e Agosto de 2019”, sendo que, em 2020, foram sobretudo noticiados “crimes individuais e processos judiciais, com destaque para o caso de um professor de Hong Kong que assassinou a esposa, o que pode ter causado um grande choque social e atenção pública”.

Os autores explicam que, neste caso, “a depressão foi frequentemente citada nas notícias como explicação para as acções ilegais do perpetrador, o que pode reforçar atitudes estigmatizantes e retratar pessoas com depressão como violentas, perigosas e mais propensas a cometer crimes”.

Outros tópicos que também apresentaram “tendências negativas” são “questões de saúde” e “política dos Estados Unidos”, sendo que temas como “estilo de vida” ou “lazer” “tenderam para sentimentos mais positivos”.

No que diz respeito a outro tema associado a notícias sobre depressão, o da “recessão global”, o foco são as “dificuldades económicas provocadas pela disseminação da covid-19 em diversos sectores”, apresentando-se “um sentimento positivo mais contraditório”. Ou seja, “a estrutura das reportagens descrevia inicialmente os desafios económicos, para enfatizar, de seguida, as iniciativas para facilitar a recuperação em resposta à crise”.

Assim, os autores denotam que se “observou uma mudança significativa no sentimento geral”, pois “até Janeiro de 2021, interrompeu-se a diminuição contínua na quantidade de notícias positivas”, e que depois “o número agregado de notícias positivas superou o de notícias negativas quase todos os meses, sinalizando uma mudança geral de um sentimento negativo para um sentimento mais positivo em relação às circunstâncias económicas discutidas”.

Os autores consideram que a mudança pode dever-se “ao facto de as pessoas terem sido forçadas a adaptar-se a um ‘novo normal’ e iniciar a recuperação da economia, saúde, e sociedade após um ano de convivência com a pandemia”. No que respeita ao tema da política dos EUA encontrado em notícias associadas a depressão, os textos “enfatizavam a rivalidade e o processo eleitoral presidencial, bem como políticos de diferentes partidos que vivenciaram depressão”.

Poucas respostas institucionais

O estudo olhou também as chamadas estratégias de enfrentamento, ou seja, esforços cognitivos, ou comportamentais, usados para lidar com situações menos boas. E aqui, as notícias analisadas centraram-se sobretudo em “informações sobre habilidades e recursos” disponíveis para ajudar pessoas com depressão, como “as linhas de apoio para intenções suicidas e prevenção do suicídio”. Foram ainda apresentados programas de saúde mental disponibilizados por organizações locais, como a Mind HK, o Kely Support Group e a Mental Health Association of Hong Kong, e foram escritos artigos sobre “serviços de aconselhamento e terapias para pessoas com depressão”, ou ainda recomendações de exercício físico.

Os autores destacam que, ao analisar as notícias, perceberam “a insuficiência de intervenções políticas, apoio institucional e assistência financeira para indivíduos com depressão, o que indica uma deficiência no nível societário das estratégias de enfrentamento e que estão presentes na cobertura jornalística”.