Huang jiu – Vinho Amarelo

Na China há três tipos de vinho: o huang jiu, licor amarelo, originário do país é o mais antigo, sendo produzido através da fermentação do arroz, adicionando por vezes outros cereais, sobretudo milho-miúdo; o bai jiu, ou vinho transparente feito por fermentação de cereais como sorgo, trigo, milho, milho-miúdo e arroz e pode ser depois destilado; e o putao jiu, proveniente da fermentação do sumo de uva, apareceu na China no reinado do Imperador Han Wu Di (140-87 a.n.E.). Já a cerveja denomina-se pi jiu, é um produto do século XX.

O forte licor destilado transparente é bebido no Norte, onde em quase todas as povoações havia uma destilaria, enquanto no Centro e Sul da China o vinho amarelo de arroz é o mais popular.

O arroz é cultivado no Sudeste Asiático pelo menos desde 8200 a.n.E. e o vinho feito pela sua fermentação tem mais de 4 mil anos de História, sendo por vezes conjugado com milho-miúdo, milho e trigo. Pertence a um dos três principais grupos de vinho amarelo baseados no material com que é confeccionado: o vinho amarelo de arroz de Shaoxing, da província de Zhejiang, o Jimo Laojiu da província de Shandong feito com painço (diferente do milho-miúdo) e o HongQujiu, vinho de arroz fermentado vermelho produzido em Fujian, Guangdong e Taiwan. Chamados também Laojiu (vinho antigo) eram usados com propósitos medicinais desde a dinastia Zhou de Leste.

O Huang jiu feito a partir de arroz glutinoso, normal arroz e milho-miúdo, é ensopado na água durante dois a três dias [antigamente usava-se 16 a 20 dias para a água absorver os componentes do arroz decomposto e aumentar a acidez] sendo o arroz levado a cozer a vapor e depois arrefecido. Adicionando fermento (pão de trigo Qu) no arroz frio coloca-se uma nova quantidade de água e a 30° durante 5 a 7 dias realiza-se a primeira fermentação. Aberta a tampa para baixar a temperatura, faz-se a 15° uma segunda fermentação entre 30 a 60 dias.

A fermentação fica completa por metabolismo das enzimas que produzem as características do sabor, aroma e na passagem do açúcar a álcool, sendo afectada pelo clima, temperatura e a estação do ano em que se realiza.

O líquido fermentado vai à máquina de prensar, de onde escorre já o vinho amarelado e filtrado, repousa para perder o turvo e clarificar, sendo esterilizado e depois engarrafado. Rico em aminoácidos, o seu teor alcoólico anda à volta dos 15% e é um excelente tonificador do estômago, relaxante muscular e vigorante para a circulação sanguínea.
Os três mais famosos vinhos amarelos de arroz são o de Shaoxing, na província de Zhejiang, o vinho Chengang de Longyan, a Sudoeste de Fujian e o vinho Jintan Fenggang de Changzhou, em Jiangsu.
O vinho Chengang (沉缸酒), como indica o nome [chen (沉) sedimentar e gang (缸) pote] refere ser o arroz glutinoso mergulhado em água e por três vezes empurrado para o fundo do pote, depois de subir e ficar à tona a flutuar.

Começou a ser feito em 1796 e apresenta-se com uma cor avermelhada, usando mais de trinta produtos de medicina tradicional. Já a História do vinho Jintan Fenggang (金坛封缸酒) refere, no final da dinastia Yuan andava Zhu Yuanzhang (1328-1398) a lutar contra os mongóis e ao passar por Changzhou provou o local vinho de arroz glutinoso. Gostando, pediu para enterrarem o pote de barro com o que sobrou do líquido, a fim de na volta o beber.

Já como Imperador, lembrando-se do vinho, aí regressou e mandando desenterrar, ao provar achou-o muito melhor. Ordenou servir ele para tributo, passando assim a ser denominado Zhujiu.

VINHO DE SHAOXING

A Norte da província de Zhejiang encontra-se Shaoxing, local do mais famoso vinho amarelo de arroz da China. Berço da dinastia Xia, onde Da Yu foi sepultado na base da montanha de Kuaiji, como cidade foi construída no Período Primavera-Outono (770-476 a.n.E.) e o actual nome Shaoxing só apareceu na dinastia Song do Sul (1127-1279), pois até então chamara-se Kuaiji, Shanyin e Yuezhou. Cidade sempre disputada entre os reinos Wu e Yue, quando o Rei Gou Jian (497-465 a.n.E.) voltou a restaurar o reino de Yue (473-306 a.n.E.), após a retomar aos Wu passou-a em 473 a.n.E. a capital com o nome de Kuaiji.

Este rei foi quem pela primeira vez produziu o considerado melhor vinho amarelo de arroz da China, o Shaoxing Laojiu (Vinho de Arroz de Shaoxing), conhecido na Dinastia do Sul (280-589) por Vinho Shanyin, famoso por ser doce.

Nesse período, na dinastia Jin (265-420) aqui viveu o Mestre Supremo dos Calígrafos, Wang Xi Zhi (303-361), nascido em Linyi na província de Shandong, mas passou a maior parte dos seus 59 anos de vida em Zhejiang, onde foi Governador da Prefeitura de Wenzhou e depois veio residir para Shaoxing. Devido à excelência do seu trabalho em todo o tipo de escritas e em particular na semi-cursiva e escrita corrida, a graciosidade do traço era admirada por todos, sendo o mais famoso trabalho “Prefácio aos Poemas Compostos no Pavilhão das Orquídeas”, onde caligrafou trezentos e vinte e quatro caracteres, após realizar um encontro no ano de 353 em Shaoxing. Aí juntara quarenta e um grandes poetas, no dia 3 do terceiro mês lunar, Duplo 3, para reverenciar o Aniversário da Deusa Mãe do Oeste.

Após as cerimónias foram descansar nas margens de um canal no sopé da montanha Kuaiji e criaram um jogo com um recipiente de laca cheio de vinho a flutuar nas águas. Onde este parasse ou rodasse, quem mais próximo estivesse, ou fazia um poema, ou bebia três taças. Daí a colecção de 37 poemas escritos no livro Lantingji Xu, para os quais Wang Xi Zhi caligrafou o prefácio.

O vinho de Shaoxing não vai a destilar e é feito de arroz refinado branco glutinoso, levedura do trigo e água de boa qualidade do Lago Jianhu. A sua preparação conta com quatro fases, três vezes de fluido e quatro vezes de água.

Feito a temperatura baixa, o processo para a sua produção começa com o ensopar o arroz, cozê-lo a vapor, preservá-lo em túneis e deixar que haja uma prolongada e perfeita fermentação (uma das suas melhores características).

Revolvido, é depois espremido e decantado, levando o vinho a ferver para se extrair por decocção o sabor e aroma. Com uma cor amarela, é transparente sem sedimentos e um baixo teor alcoólico, entre os 12 e 17%. Feito com uma excelente qualidade, a sua técnica passou de geração em geração e quanto maior for o tempo de fermentação, um, dois, três anos, melhor é o vinho, mais saboroso, mais intenso e forte. Além de muito nutritivo e usado na medicina tradicional, é também utilizado para cozinhar.

Há uma grande variedade de técnicas usadas para fazer o Vinho de Shaoxing e as mais famosas são: yuanhong, shanniang, xiangxue e jiafan. Com maior produção, o vinho jiafan leva um reforço de arroz glutinoso e o trigo é adicionado durante a fermentação, atingindo entre os 18° e 19° após três anos a maturar. Este por ser vendido num famoso pote de porcelana ganhou a notoriedade como Huadiao jiu, um vinho para ser guardado longo tempo e feito para comemorar uma data especial.

24 Mai 2022

Variedades de Bai jiu

Baijiu (bai=branco; jiu=vinho) é o vinho chinês transparente incolor feito a partir da fermentação de arroz e grãos de cereais, como sorgo, trigo, milho e milho-miúdo (painço), e pode ter ido ao alambique a destilar para conseguir maior pureza, mais álcool e um sabor muito forte e perfumado.

Durante as três primeiras dinastias, Xia, Shang e Zhou do Oeste, o vinho era apenas levemente fermentado, com pouco teor alcoólico e preparado essencialmente para os rituais das cerimónias de sacrifício. Conhecido por vinho da primavera, o Chunjiu era feito no Inverno e bebido na Primavera.

Na dinastia Zhou de Leste a indústria do vinho desenvolveu-se rapidamente ajudada por o uso de fermento para lhe dar mais vigor, começando a ser fabricado sob licença. No início da dinastia Han do Oeste (206 a.n.E.-9) foi proibido, mas com o Imperador Wu (Wu Di, 140-87 a.n.E.) o vinho foi taxado e vendido a altos preços, levando as famílias a produzirem-no em casa. Daí o incremento da qualidade e uma grande variedade apareceu como o sake, o licor chinês, o vinho rehmannia resinoso (da raiz da dedaleira chinesa) e o vinho de mel, tornando-se moda o seu consumo. Para as cerimónias de sacrifício dos Imperadores ganhou estatuto o Jiuyunjiu.

O privilégio de consumir vinho passou da corte para o comum das pessoas, que o produziam sobretudo como bebida medicinal, utilizando ingredientes terapêuticos adicionados ao líquido criado por fermentação do grão. Nas estepes do Norte com o leite fermentado de égua fazia-se o Tongmajiu. A procura de novas substâncias para criar vinho levou a muitas experiências e ganhou-se consciência da melhor altura do ano para o começar a produzir, o tempo de armazenar, assim como se tentaram novas técnicas a fim de melhorar a qualidade.

Na Dinastia Tang (618-907) o vinho [denominado chun (Primavera) por os poetas] entrou no quotidiano das pessoas e daí se iniciou o monopólio da sua venda. Foram criadas as lojas imperiais de vinho fino e apareceram marcas como Magu de Jiangxi, Qiuluba de Shandong, Shuiping de Suzhou, Feijão Verde de Hainan e Zama de Sichuan, este feito de arroz, trigo e milho-miúdo. Li Bai (701-762) referiu o vinho de Lanling e Du Fu (712-770) escreveu sobre o vinho Chongbi. No Sul fazia-se vinho deixando fermentar a cana-de-açúcar. Dentro dos vinhos medicinais tornaram-se famosos, o TuSuJiu (屠苏酒), bebido nas Festividades do Ano Novo e o Zhuyeqing (feito com as folhas verdes claras de bambu) usado até hoje.

Durante a dinastia Tang o teor alcoólico do vinho subiu e por isso muitos autores referem ter aparecido a destilação, levados também por a palavra Shaojiu (vinho ardente espirituoso) utilizada por Bay Juyi (772-846) nos seus poemas, mas outros historiadores contrapõem ser o grau alcoólico elevado devido ao poeta fazer vinho de líchia e usar ferver o líquido para aumentar a fermentação.

A destilação, denominada Huojiu (huo=fogo) ou Shaojiu, terá começado no reinado do Imperador Shi Zong (1161-1189) da dinastia Jin, evoluindo bastante a técnica na dinastia Yuan, tornando-se corrente criar poderosos vinhos com mais de 40º e os governantes monopolizaram a sua venda.
O vinho não destilado era chamado Shuijiu (vinho água).

FAMOSOS LICORES

Na China, os baijiu mais conhecidos são o Moutai e o Wuliang ye.
O licor Moutai descende do famoso vinho Guojiang (ou Jujiang) produzido no antigo Reino de Yelang, existente entre o Período dos Reinos Combatentes e a Dinastia Han e situava-se onde hoje são a parte Oeste e Norte de Guizhou, Nordeste de Yunnan, Sudeste de Sichuan e Norte de Guangxi. Encontrando-se esse reino fora da jurisdição do Imperador Han Wu Di, um seu enviado, Tang Meng fez um desvio na rota para o provar em Renhuai, tornando-se esse vinho o favorito do Imperador Wu.

Moutai é o nome de uma cidade no distrito de Renhuai, junto ao Rio Chishui, na província de Guizhou, onde desde 1704 é produzido o vinho com esse nome. Preparado com trigo seleccionado, o melhor sorgo e excelente água, o processo para o fazer passa por ser duas vezes alimentado de sorgo, oito vezes amontoadamente aquecido, sete vezes fermentado e trabalhado a altas temperaturas, tal como na destilação, demorando todo o processo um ano. Por isso o sabor, sem arder na boca, se mantem aveludado. Depois é cuidadosamente engarrafado e armazenado durante três anos, antes de ser posto à venda.

O licor Moutai ganhou fama mundial na Exposição Universal de 1915 (Panamá-Pacific International Exposition) realizada em San Francisco, quando uma garrafa caindo ao chão se partiu e o intenso aroma perfumado captou a atenção dos visitantes.

Já o licor Wuliang ye produzido em Rongzhou, hoje Yibin, na província de Sichuan, é feito com cinco diferentes grãos (significado de wuliang): sorgo, arroz glutinoso, trigo, arroz de consumo diário e milho. Com um forte sabor e uma fragância muito específica, começou a ser feito durante a dinastia Song, sendo proveniente do vinho Chongbi existente já na dinastia Tang.

É um dos cinco melhores licores de Sichuan a par com o Laojiao produzido em Luzhou (Jiangyang), a sul da planície de Sichuan. Vinho muito graduado, com um forte e intenso odor, cujo sabor após ser bebido fica pela boca longo tempo. Em 1644 o rebelde Zhang Xianzhong (1606-1647) deu-o a beber à sua tropa para a encorajar antes de avançar para Chengdu. Em 1879 produzia-se dez toneladas de vinho e antes de 1949 era Luzhou considerada a cidade do licor na China. Outros famosos vinhos de Sichuan são o Langjiu, o Jiannanchun e o Quanxing Daqu.

OUTROS LICORES

Da província de Shanxi é o Fenjiu produzido em Xinghuacun (aldeia da flor de damasco), a Nordeste da cidade de Fenyang. O local era conhecido durante a dinastia do Norte e do Sul (420-589) pelo bom vinho das cem fontes, pois feito de boas águas e alta qualidade de sorgo, tendo o licor transparente um suave sabor. Macio e um pouco adocicado na boca, a marca Baoquanyi ganhou um prémio e a aldeia de Xinghuan tornou-se a maior produtora de vinho na China desde 1985, com grande volume de exportação.

Já da província de Shaanxi, o licor Xifeng é feito em Liulin, cidade no sopé da montanha Lingshan, a Oeste do concelho de Fengxiang. Na região produzia-se vinho desde o Período da Primavera-Outono (770-476 a.n.E.) e na dinastia Tang a cidade passou a estar cheia de fábricas de vinho. Na dinastia Song, em Liulin fazia-se o vinho Fengzhou de onde proveio o licor Xifeng (Fénix do Oeste) usado nos jantares imperiais. Combinando um sabor suave e aroma forte o licor Xifeng é feito de fermento de cevada, ervilhas e sorgo como materiais de base e água dos poços de Liulin. Fermenta durante 14 dias pela técnica da sedimentação de sólidos, misturada com uma cozedura a vapor e destilado. Após três anos armazenado, é engarrafado e fica prontos para ser bebido.

Em Suizhou, província de Hubei, provámos o local baijiu “Yandi Shennong”, cujos habitantes lhe chamam o Motai de Hubei. Com quarenta graus de teor alcoólico acompanhou perfeitamente os pratos de carne.

17 Mai 2022

Revelador vinho

A lenda da “Dama Serpente Branca”, do tempo da dinastia Song (960-1279), refere que duas serpentes vindas do espaço se transformaram em belas damas no dia da celebração do Qingming. Na cidade de Hangzhou vivia Xu Xian e certo dia ao viajar de barco no Lago Oeste viu numa das margens duas jovens senhoras a querem atravessá-lo.

Mandou o barqueiro ir buscá-las, dando-lhes boleia para a outra margem e como era ainda jovem solteiro, logo ficou enamorado pela beleza de Bai Suzhen. Pouco tempo depois estavam já casados e logo recebeu um aviso de Fa Hai, monge com poderes sobrenaturais, para se afastar da esposa e da dama de companhia, pois eram espíritos de serpente. Não acreditando, recebeu o repto do monge para no dia seguinte, 5 da quinta Lua oferecer à esposa Xiong huang jiu (雄黄酒), vinho com que era costume comemorar em família a Festividade dos Barcos-dragão. Assim, veria com os próprios olhos quem era ela. Mesmo sem acreditar em tal, acedeu e no dia seguinte bebeu-o com a esposa.

Esta, após um copo de vinho sentiu-se indisposta e pediu ao marido para se retirar, solicitando que ele não a acompanhasse aos aposentos. Preocupado, Xu Xian foi ao quarto e vê-a transformada em serpente. Transtornado com a revelação, atirou-se da janela e morreu. Quando Bai Suzhen voltou a si, chorou a morte do marido, mas lembrando-se de uma erva para ressuscitar os mortos, conseguiu com ela fazer renascer Xu Xian. O vinho conhecido por Xiong huang jiu é feito a partir de uma pequena quantidade de pó de cor rubi do mineral realgar, composto de sulfureto de arsénio (As4S4) de grande toxicidade e cujo contacto pode causar irritabilidade na pele e nos olhos. Servia para desintoxicar e limpar o veneno, sendo usado nas crianças apenas no exterior e nunca para beber.

REGATAS DOS BARCOS-DRAGÃO

Na Festividade do Duplo 5 (Duan Wujie), celebrada no dia 5 da quinta Lua, realizam-se duas importantes actividades, a de se prevenir ocorrências funestas e comemorar Qu Yuan, que nesse dia em 278 a.n.E. se suicidou atirando-se ao Rio Miluo. Após infrutíferas buscas para o encontrar, as pessoas deitaram arroz glutinoso nas águas, assim como vinho de realgar (Xiong huang jiu) para evitar ser que o corpo fosse comido pelos peixes. Desde então, realizam-se as regatas dos Barcos-dragão.

Neste mês é fácil ficar-se doente pois o ar é abafado, quente e húmido, estando os insectos mais activos e as suas picadas trazem febres, proliferando infecções contraídas pela boca e nariz. Para as prevenir, as pessoas bebiam vinho medicinal amarelo e nele colocavam a planta seca de açoro (Acorus calamus, conhecida na China por Chang Pu) para fazer o vinho Chang Pujiu (菖蒲酒). Com esta planta medicinal da família das Acoraceae, os tártaros desinfectavam a água para beber e como o rizoma do cálamo contém um óleo com propriedades de vigorar a circulação do sangue, aumentar o apetite, facilitar a digestão, eliminar os gases do tubo digestivo e aliviar bronquites crónicas, era o vinho usado para o tratamento de 36 problemas causado pelo vento (maleitas relacionados com o fígado) e depois de o consumir ficava-se a ouvir bem e os olhos a ver claramente. Ao ser misturado com a água do banho torna-se um relaxante muscular para aliviar as dores reumáticas e acalmar a urticária.

Além de cana de calamus e artemisia para evitar infortúnios e desviar o mal, usa-se também beber vinho Xiong Huang a fim de desintoxicar e neutralizar o veneno, além de se esfregar e borrifar tudo com realgar e pegando-lhe fogo, fazer fumigação. Esse costume foi caindo em desuso e desapareceu.

FESTIVIDADE DO OUTONO

No dia 15 da oitava Lua celebra-se por toda a China a Festividade do Meio do Outono. Está ligada à Lua, quando ela parece ser maior e se oferecem e comem os bolos lunares por estes terem a forma de Lua Cheia, sendo por isso conhecida pela Festa do Bolo Lunar e em Macau, por Bolo Bate-Pau. Para os chineses, é a segunda mais importante depois da do Ano Novo, quando se faziam as últimas colheitas e o trabalho no campo estava a terminar. Com dias iguais às noites e temperaturas amenas, instala-se uma sensação de prazer e bem-estar no ambiente quotidiano, reinando a alegria e felicidade. As casas, dos ricos e das mais humildes pessoas, iluminam-se com festas animadas e nos banquetes familiares come-se fruta, bolo lunar e caranguejo, usando-se vinho amarelo onde se deitava um pouco de gengibre para balançar, sendo leve para conviver e oferecer sacrifícios à Lua.

FESTIVIDADE DO DUPLO 9

Por ano há dois dias importantes reservados pelos chineses para visitar e homenagear os Antepassados: o Qingming celebrado antigamente apenas pelos Imperadores, oficiais e a corte à volta do dia 5 de Abril do calendário solar e o dia 9 da nona Lua, a Festividade do Aprovisionamento do Princípio Masculino, celebração do Duplo 9, ou duplo yang, também conhecida por Chong Yang Jie (Chông Iéong Chit).

A primeira referência conhecida a Chong Yang fora feita por Qu Yuan, no poema intitulado ‘Longínqua Viagem’: “Parando em Chong Yang e entrando no Palácio dos Deuses”. Há quem afirme, o Duplo Yang, como é traduzido Chong Yang, não se referia à festividade, mas ter o significado de Céu.

Altura de o povo oferecer sacrifícios aos Antepassados, levando-lhes galinhas, vinho, assim como acendendo duas velas e três paus de incenso, põem fogo aos sacos cheios de papel-moeda dourado em lingotes para a comunicação com os seus mortos seja facilitada.

Segundo o ritual chinês, não é recomendável visitar templos ou oferecer sacrifícios aos deuses, apenas é sugerido um passeio pelas montanhas, a fim de estar próximo dos Antepassados.

O costume era nesse dia as pessoas oferecerem um grande banquete a todos os parentes e amigos e os letrados juntarem-se nos locais mais ermos a contemplar a Natureza e ajudados com vinho, divagar em poesia.

A flor usada é o crisântemo, não fosse a nona Lua do ano conhecida pela Lua do Crisântemo. A flor de crisântemo (菊花, jü hua em mandarim e kók fá em cantonense) está relacionado com o Outono, pois aparece nesta estação, quando as outras flores já murcharam, e dura até às primeiras geadas. Simboliza a longevidade e representa a jovialidade e amizade em comportamento apropriado e ético.

Tao Yuanming escreveu sobre os crisântemos e no poema “Bebendo vinho”, (traduzido por Manuel Afonso Costa e editado por Livros do Meio), na sétima parte refere, <Crisântemos de Outono de cores fascinantes / eu vos colho carregadas de orvalho / e mergulho no vinho / para esquecer as mágoas / e os pensamentos do mundo…”

Com tempo bom e uma paisagem repleta destas flores, bebia-se vinho de Crisântemo. Na dinastia Song dentro do palácio eram aos milhares e com ela se fazia a comida e o vinho, usada ainda na Medicina Tradicional Chinesa. Como o corpo está seco e quente, o crisântemo é perfeito para balançar e no chá se mistura essa flor.

A Festividade do Aprovisionamento do Princípio Masculino tem como finalidade alcançar riqueza e descendência masculina e celebra-se com a esperança de se ter uma longa vida.

10 Mai 2022

Cerimónias com vinho

Han Shijie (寒食节), cerimónia conhecida por Comida Fria, realizava-se desde o Período Primavera-Outono (770-476 a.n.E.) na dinastia Zhou do Leste, oferecendo-se sacrifícios aos que passaram desta vida e as pessoas colocavam um ramo de salgueiro nas portas de entrada das casas.

Tal história teve origem quando Chong-er, com 60 anos se tornou em 636 a.n.E. o duque Wen e ascendeu ao trono do Reino Jin, após 19 anos de exílio. Tinha sido ele e os dois irmãos, filhos do duque Xian e da primeira esposa, preteridos como sucessores na governação do reino por Xiqi, nascido da concubina Liji, que influenciara o duque para os mandar matar. Sabendo isso, o mais velho, Shensheng logo se suicidou e os outros dois fugiram. Chegado ao poder, o duque Wen esqueceu-se do leal oficial Jie Zitui, que no período de fuga, em fome extrema cortara partes de carne da coxa para o alimentar. Só reconheceu a sua ingratidão quando Jie Zitui se demitiu e com a mãe se refugiou numa montanha.

Mandou-o chamar, mas ele preferiu o desterro e por sugestão de um oficial da corte foi deitado fogo à montanha para o obrigar a dela sair. Como após três dias não apareceu, foram à sua procura, encontrando-o consumido pelo incêndio, atado de costas para um salgueiro e no outro lado da árvore a mãe na mesma posição. Com remorsos, o duque Wen para assinalar a morte de Jie ordenou aos súbditos nesse dia não acenderem o fogo, ficando assim a data conhecida como o da Comida Fria.

Voltando no ano seguinte ao local, o duque encontrou a árvore de novo com vida e retirando um longo ramo fez com ele uma coroa colocando-a à volta da cabeça, sendo seguido pelos presentes. Desde então o costume perpetuou-se e as pessoas passaram a colocar um ramo de salgueiro à entrada da porta de casa e como não se abria o fogão, a comida era fria. Daí nesse dia as refeições serem acompanhadas por vinho doce, feito de fruta ou de glutinoso arroz, para aquecer e confortar o estômago.

Na dinastia Han apareceu o Calendário Solar do Agricultor, que dividia o ano em vinte e quatro termos, sendo o quinto o Qingming (Cheng Meng em cantonês), que significa limpo e brilhante. Conhecida também por Festa do Puro Brilho, é uma das raras celebrações chinesas ligadas ao calendário solar e ocorre 105 ou 106 dias depois do vigésimo segundo termo, Dongzhi, o Solstício de Inverno [21 de Dezembro]. Realiza-se a Grande Cerimónia tauista para que os vivos se lembrem dos falecidos, altura de os imperadores fazerem as cerimónias anuais de visita às campas dos Antepassados, culto de tempos imemoráveis apregoado na Filosofia de Confúcio.

Da dinastia Han até à Tang prestava-se mais atenção à cerimónia HanShiJie do que ao Qingming, realizada três dias depois. Oferecia-se sacrifícios às pessoas falecidas e na dinastia Tang (618-907), por decreto imperial no dia da Comida Fria começou a ser realizada a subida ao monte onde os cemitérios se encontram, fazendo-se a limpeza às campas.

Na dinastia Song, as cerimónias de HanSeJie e Qingming pouco a pouco começaram a juntar-se, fundidas definitivamente na dinastia Ming, sendo a celebração realizada à volta do dia 5 de Abril do calendário solar e como os alimentos eram já cozinhados e as refeições se comiam quentes, deixou de se beber o vinho doce e passou-se a usar o normal e corrente vinho.

Actualmente, na data do Qingming as famílias chinesas vão ao cemitério para se encontrarem mais perto dos seus antepassados e em convívio reúnem-se à volta da campa, procedendo à sua limpeza. Aí colocam a comida preferida do morto e acendem duas velas e três pivetes (incenso) e em três pequenos vasos se deita vinho, sendo este depois derramado no chão para chamar o espírito da terra, que contém a alma terrestre dos que passaram desta vida.

Alguns dos presentes também bebem de um trago esse vinho e juntos com o espírito do antepassado em reunião realiza-se então uma refeição, num convívio prolongado por todo esse dia se divertem e tiram partido da vida.

Quando longe das sepulturas de familiares, opta-se por um passeio no campo, num parque, ou a subir a uma montanha para estar mais próximo do espírito dos seus Antepassados, ajudando o vinho à confraternização.

Dança do dragão embriagado

No oitavo dia do quarto mês lunar realiza-se a Festividade da Dança do Dragão Embriagado (舞醉龙, Mou Tchoi-Long, conhecida em mandarim por Wu Zui Long), comemorada apenas em Macau apesar de ser originária de Sek Kei (Shi qi), capital de Zhongshan. Segundo a lenda, um homem muito embriagado caiu ao Qijiang, um afluente do Rio do Oeste, onde um dragão vivia e aterrorizava a população ribeirinha.

Num heroísmo imprudente, o homem atacou-o animado pelos vapores etílicos do vinho, e conseguindo cortá-lo em três partes, matou-o. Outra história refere, que o dragão banhava-se no rio quando Buda o cortou em três partes, ficando o tronco separado das duas extremidades. Cabeça e cauda foram resgatadas numa rede de pesca por um pescador embriagado que as trouxe para terra.

Por isso, anualmente nesse dia os homens das lotas (lanes) celebram a data embriagando-se para libertos do consciente emprestarem o corpo ao Dragão. Transportando pelas ruas a cabeça e a cauda do dragão, em passos e gestos livres, muitas vezes descontrolados, recriam em dança os movimentos da parte que seguram. Pela boca em chuveiro espargindo vinho de arroz são eles próprios a alma do animal que assim fica completo. Esta acção serve para acordar o dragão e este ganhar vida.

As celebrações começam numa cerimónia conhecida como “fora da água” ou “qi shui” e após os sacrifícios ao Deus da Água, do Templo Sam Kai Vui Kun saem as cabeças e caudas do Dragão transportadas pelas ruas ao som de tambores e címbalos.

Os barcos, que durante onze meses estiveram submersos na água, ou em Macau guardados nos armazéns, nesse dia são postos a boiar. Com o corpo do Dragão fora de água, é colocado no barco a cabeça e a cauda, ficando assim preparado para as regatas dos barcos-Dragão.

A partir daqui, os treinos das equipas são efectuados com afinco e nos Lagos Nan Van começa a escutar-se o bater ritmado dos tambores a cadenciar a entrada dos remos na água até ao quinto dia da quinta Lua, quando se realizam as regatas dos barcos-Dragão. Na origem dessa festa está Qu Yuan (340-278 a.n.E.), alto ministro do Reino Chu que devido a críticas na corte se viu desacreditado e foi demitido do cargo. Após a queda do reino, em desespero lançou-se à água, mas a população, admiradora das suas qualidades, enviou barcos à sua procura e percebendo ter-se afogado, lançaram para a água arroz a alimentar os peixes, a fim de estes não comerem o corpo do integro estadista e poeta.

Este ano as Festividades do Dragão Embriagado celebram-se no próximo domingo 8 de Maio, havendo distribuição do arroz da longevidade e no mesmo dia comemora-se o Dia de Buda, quando é dado um banho com água de rosas à estátua do Buda Criança, sendo às pessoas oferecida uma refeição de arroz e vegetais.

3 Mai 2022

Vinhos para comemorações

Durante a dinastia Xia (2070-1600 a.n.E.), a princesa Yi Di usando arroz glutinoso fez vinho amarelo com cinco diferentes sabores e Du Kang desenvolveu a técnica de produção pela fermentação de sorgo e daí ficarem considerados na China os deuses Patronos da Criação do Vinho, apesar de este existir já há mais de cinco mil anos.

Com grande teor alcoólico bastava um copo de vinho para embriagar quem o bebesse e daí a necessidade de várias regras tanto para o consumir como para o fazer.

Com o exemplo da queda das duas anteriores dinastias, a Xia e a Shang, na dinastia Zhou do Oeste, o Rei Wu (1046-1043 a.n.E.) criou uma autoridade para regular e manter sob estreita vigilância a produção e consumo de vinho. Este era feito com milho, arroz e o denominado chang, produzido com painço preto e preparado especialmente para o ritual das cerimónias de sacrifícios, sendo apenas levemente fermentado e logo de seguida consumido.

Nessa dinastia ocorreu o uso de fermento no vinho para lhe dar maior vigor alcoólico, começando a ser fabricado sob licença e eram precisas seis etapas para a sua confecção, segundo o registado no Livro dos Ritos (Li Ji). Constavam: ter o milho completamente amadurecido, água pura, tempo suficiente para fermentar, instrumentos limpos para manusear, apropriado calor, assim como boas e limpas vasilhas para armazenar. O vinho feito com estas precauções era excelente e gostoso.

Do Período dos Reinos Combatentes (475-221 a.n.E.), nos túmulos descobertos nos anos 70 do século XX no concelho de Pingshan, província de Hebei, foram encontrados inúmeros potes e dois deles ainda continham vinho feito de trigo de há 2280 anos.

Na dinastia Han (206 a.n.E.-220), devido ao grande progresso na agricultura houve um incremento da produção de grão e daí aparecer o sake, o licor chinês, o vinho tinto, o vinho da primavera, o vinho rehmannia resinoso e o vinho de mel. No reinado do Imperador Wu (Wu Di, 140-87 a.n.E.) o vinho foi taxado e o seu preço aumentou. No segundo século da nossa Era surgiu o monopólio do vinho e na Dinastia Tang (618-907) começou o monopólio da sua venda, sendo criadas as lojas imperiais de vinho fino. O poeta Bai Juyi (772-846) refere-se à destilação, que apareceu durante esse período, sendo o vinho bebido em copos mais pequenos, não existentes anteriormente. Li Bai (701-762) falava já do vinho de Lanling e Du Fu (712-770) do vinho Chongbi. Ainda durante a dinastia Tang, o cultivo de uvas e a produção de vinho dava um imenso lucro.

Na dinastia Ming (1368-1644), o licor destilado era bebido no Norte, onde em quase todas as povoações havia uma destilaria, enquanto no Sul era o vinho de arroz o mais popular. Usa-se vinho para as cerimónias de sacrifício, para beber em convívio, assim como para cozinhar e na medicina.

FESTIVIDADE DO ANO NOVO

Yuan Dan (元旦, Un-Tán) é o nome actualmente dado pelos chineses ao primeiro dia do ano solar, mas até à dinastia Qing era empregue para designar o primeiro dia do calendário lunar. Na dinastia Han, para celebrar a Festa do Ano Novo Chinês as pessoas bebiam um vinho feito com grãos de pimenta, pois o tempo era frio e este servia assim para aquecer o corpo. Na primeira hora do ano, entre as 23 h e a 1 da manhã, quando os panchões rebentavam, a família reunida brindava com este vinho para desejar um bom ano e muita saúde, sendo oferecido primeiro aos mais novos por ficarem com mais um ano de idade, devido à entrada do novo ano. Os mais idosos eram os últimos a beber, pois significava terem menos um ano de vida.

Na dinastia Tang começou-se a beber vinho feito de uma fórmula dada por os especialistas de medicina tradicional dias antes de terminar o ano, sendo a receita vendida às pessoas com os ingredientes colocados dentro de um saco de tecido, que em casa era mergulhado no recipiente com vinho. No primeiro dia do ano daí se retirava este vinho chamado TuSuJiu (屠苏酒), sendo bebido para dar às pessoas saúde e protegê-las das doenças.

Já na dinastia Song (960-1279) este tipo de vinho feito por receita da tradicional medicina caiu em desuso e no último dia do ano, o costume era fazer visitas de cortesia aos vizinhos, para não deixar assuntos pendentes, provando-se o vinho preparado por cada família e retirando-se cada um para suas casas, continuavam noite dentro a beber e comer, sem dormir. Acção denominada Shou Sui (守岁), significava proteger a idade e servia para desejar longa vida aos mais velhos da família.

Na dinastia Yuan (1271-1368) voltou-se a usar a prática da dinastia Han e Tang, bebendo-se o vinho feito com grãos de pimenta e a partir da receita medicinal. No período Ming, Qing e até hoje, seguiu-se o Shou Sui, mas apenas com a família reunida dentro de casa, acção denominada então Tuan NianJiu (团年酒), sendo escolhido o melhor vinho para acompanhar o repasto dessa longa noite sem dormir.

FESTA DAS LANTERNAS

A encerrar as cerimónias do Ano Novo Chinês, tem lugar a Festa das Lanternas (元宵节, Deng jie em mandarim, Tâng-Tchit em cantonense), também chamada Festividade da Primeira Lua Cheia. Desde a dinastia Han, no dia quinze do primeiro mês lunar, como à noite as lojas não fechavam, as pessoas saiam de casa e iam passear para as decoradas ruas principais do comércio, levando diferentes tipos de lanternas vermelhas, símbolo das almas dos antepassados, que estando de visita eram depois reconduzidas de novo para o outro mundo. Em convívio se passava toda a noite a falar, beber e comer e a assistir na rua a peças de ópera e teatro.

O imperador Han Wu Di (140-87 a.n.E.) neste dia prestava homenagem à Divindade da Primeira Causa, mas o religioso significado da festa, ligada ao culto dos Antepassados e ao fogo, perdeu-se. No reinado de Ming Di (57-75), imperador Han de Leste, apareceram as lanternas e por sua ordem, na primeira Lua Cheia do Ano as famílias colocavam-nas acesas nas portas das casas, conjuntamente com ramos de abeto, a atrair Prosperidade e Longevidade. No reinado do Imperador Yang (604-617) da dinastia Sui a Festa das Lanternas foi oficializada para ser celebrada na capital, em Da Xing (Xian) e popularizada na dinastia Tang, realizava-se durante três dias. O Imperador Rui Zong (710-712) na noite de 15 da primeira Lua abria as portas do recinto do Palácio Imperial em Dong Du (Luoyang) para a população admirar a gigantesca árvore iluminada com cinquenta mil lampiões.

Nessa noite o Imperador saía do palácio e convivia com os súbditos, havendo uma alegria generalizada. Eram as únicas noites do ano sem toque para recolher a casa e por isso as ruas enchiam-se de pessoas até à alvorada. Na dinastia Song, a festividade passou a ser realizada durante cinco dias e no período Ming, do oitavo ao décimo sétimo dia do primeiro mês lunar, estendendo-se a celebração da capital ao resto do país. As ruas e praças estavam decoradas com lanternas e as pessoas com elas andavam, tornando-se costume nelas escrever advinhas, charadas e enigmas. Encerrados os quinze dias de festa, regressava-se à quotidiana abstinência de vinho.

26 Abr 2022

Origem do Vinho na China

A degradação dos alimentos mal armazenados leva à sua fermentação e a ganharem teor alcoólico, chegando-se assim à maneira de fazer bebidas espirituosas. Daí a origem do vinho se relacionar com o período Neolítico, iniciado pela Revolução Agrícola pois a Natureza já não dava alimentos suficientes e foi necessário pegar nas sementes e plantar. Começou a produzir-se os produtos alimentares e para guardar os excedentes criaram-se potes de barro.

Os primeiros vinhos na China foram feitos a partir da fermentação de arroz, cana de milho e milho-miúdo e se a maior parte dos livros nos falam da técnica de produzir vinho há quatro mil anos, essa data recua um milénio pois na província de Shandong foram descobertos nas ruínas da Cultura Dawenkou (4300-2500 a.n.E.) potes de vinho com mais de cinco mil anos. Vasilhas para cozer os ingredientes, algumas para a sua fermentação e outras para o armazenar, encontrando-se também copos, demonstra estar na altura já desenvolvida a técnica de fazer vinho e ser o seu consumo uma prática corrente. Entre os achados arqueológicos estavam entre os potes pretos da Cultura Longshan (2800-2300 a.n.E.) vasos para guardar vinho.

A História da dinastia Xia (2070-1600 a.n.E.) refere os inventores do líquido que influenciaria a vida tanto de monarcas como da população e bebido animava-as, mas também causaria muitos desastres. Dessa época são Yi Di e Du Kang, entronizados Deuses patronos da criação do Vinho.

Registado nos “Anais da Primavera-Outono do Mestre Lu” (Lu shi Chunqiu) do ano de 230 a.n.E., encontra-se Yi Di como a primeira a produzir vinho, mas segundo o “Dicionário Analítico dos Caracteres“ (說文解字, Shuowen Jiezi) escrito por o paleógrafo Xu Shen (許慎, c.58-148) foi Du Kang, o Rei Shao Kang, sexto dessa dinastia e bisneto de Da Yu, quem primeiro produziu vinho a partir de sorgo glutinoso.

O livro “Estratégias do Período dos Reinos Combatentes” conta a história da princesa Yi Di que se apresentou ao Rei Yu (Da Yu, o primeiro rei da dinastia Xia, que governou durante 45 anos) com um saboroso vinho e este predisse, muitos reis haveriam de se perder e aos seus reinos devido ao líquido. E não foi preciso ir muito longe pois Jie, o último rei da dinastia Xia, completamente bêbado caiu no poço do seu castelo e o vinho levou-o a uma vida desregrada e à sua degradação até perder o reino em favor da dinastia Shang. História narrada em “Biografias de Especiais Mulheres” (列女传), redigido nos finais da dinastia Han do Oeste por Liu Xiang (刘 向), que refere: “o Rei Jie tinha no seu jardim real um tanque tão grande onde cabiam vários botes, e que estava cheio de vinho. Ordenava que pendurassem grandes pedaços de carne cozida nas árvores das colinas da vizinhança e ali passava seus dias, em pândegas, com suas beldades”, entre elas três mil bailarinas. Continuando no livro “Mitos e lendas da China” de Wei Tang, “Entregue de corpo e alma a diversões, Jie não se preocupava com os assuntos estatais. Certa vez, passou mais de cem dias encerrado em seu palácio sem se avistar com os ministros,” e quando lhe chamaram a atenção para a vida dissoluta, entregue apenas a luxos e extravagâncias, poder provocar a ruína do país, Jie riu e respondeu: “Tudo o que há sob o céu me pertence. Sou como o sol no céu. Acaso se extinguirá o sol?” Ditas estas palavras, continuou a entreter-se.

Reinava há mais de cinquenta anos e o desgoverno e as práticas desumanas do Rei Jie, levou o príncipe Tang do estado Shang a declarar-lhe guerra. Em Wutiao, a Norte da actual Kaifeng (província de Henan), ocorreu a última batalha entre as tropas de Xia e Shang e o Rei Jie, convencido ser imbatível, levou consigo as suas concubinas para a frente de batalha, referindo ser mais divertido do que observar uma caçada. Apesar de já não contar com alguns dos seus antigos vassalos, o poderoso exército da dinastia Xia lutava contra as forças Shang quando uma forte tempestade se abateu e o pânico se instalou nas suas hostes, levantando então a coragem às tropas do príncipe Tang do reino Shang. Jie percebendo estar a perder a batalha, ordenou a retirada, mas foi perseguido até à sua capital Yin (Anyang, em Henan), sendo aprisionado e condenado ao exílio.

Banhos de vinho

Cinco séculos depois, devido ao vinho e à imoralidade do seu governante deu-se a queda da dinastia Shang (1600-1046 a.n.E.). O vinho tornara-se indispensável na vida das pessoas e os ossos de oráculos registavam já uma variedade de vinhos e para além do feito com milho, havia-o produzido com arroz, chamado li e com painço preto, denominado chang, usado nas cerimónias de sacrifício nos rituais aos antepassados.

O “Livro de História” (Shu Jing), na secção da dinastia Shang (Yin), alude a apenas se beber vinho nas cerimónias de sacrifício e por virtude, devia-se prevenir o não ficar embriagado. Os Oficiais ligados a essas cerimónias estavam proibidos de o beber e quem fosse apanhado devia ser enviado ao Rei para ser punido.

O Rei Zhou, o último da dinastia Shang, pensando poder fazer o que lhe apetecia, pois era o soberano, abusava diariamente do vinho e perdeu a virtude, sem nunca mais se importar com o seu povo e até o Deus do Céu o puniu e daí a dinastia acabar. No seu palácio havia um enorme tanque, não repleto de água mas de vinho, onde nas constantes festas se banhava nu em jogos eróticos com a sua concubina predilecta Daji e era tal a diária bebedeira, que não sobrava cabeça ao Rei para tratar dos assuntos do Estado. Tirano debochado, punia e mandava executar oficiais honrados e honestos a seu belo prazer, enquanto o exército Shang andava em constantes guerras intermináveis com cidades e tribos em rebelião.

Parte das suas forças encontrava-se a lutar contra o Reino de Yi quando o Rei Wu do Reino de Zhou, situado no vale do Rio Wei, província de Shaanxi, mandou as suas tropas invadir Yin (actual Anyang), a capital da dinastia Shang. A batalha ocorreu em Muye, a cerca de 35 quilómetros de Yin, e apesar do exército Shang ser maior, vinha exausto e enfraquecido devido à sua dispersão e sobretudo ser na maioria constituído por escravos que, descontentes pelos maus-tratos, se revoltaram e juntaram às do Reino de Zhou, capitaneadas por Wu, que se considerava descendente da dinastia Xia. Derrotado, o Rei Zhou de Shang fugiu para a sua capital, onde lançou fogo ao palácio e morreu queimado entre os escombros. Terminava assim a dinastia Shang e o Rei Wu tornou-se o primeiro soberano da dinastia Zhou do Oeste (1046-771 a.n.E.).

Uma das suas primeiras ordens foi proibir o vinho e decretar a abstinência no feudo Wei, de onde era originária a dinastia Shang e governado então por Wu Geng, filho do defunto Rei Zhou, que antes da guerra desertara para as fileiras do Rei Wu.

No País do Meio (Zhong Guo) o Rei Wu (1046-1043 a.n.E.) criou uma autoridade para regular e manter sob estreita vigilância a produção e consumo de vinho, preparado especialmente para uso no ritual das cerimónias de sacrifícios, sendo apenas levemente fermentado.

19 Abr 2022

Convívio com vinho chinês

Ganbei! Palavra em voz alta pronunciada em uníssono a significar esvaziar o copo, mais propriamente secá-lo num único trago, antes de se brindar com ele cheio de vinho. Bebe-se todo o líquido e como prova vira-se para baixo, de onde não deve cair um único pingo. De pé repetimos o que vemos fazer. Uma volátil fragância perfuma toda a sala e o sabor forte anestesia a boca e um ardor escorre garganta abaixo. O anfitrião enche-nos então o copo de chá e em pequenos golos este líquido vai dissolvendo e aligeirando o teor de álcool, que segundo a garrafa atinge os 57º.

Nova rodada é servida, variando o copo de tamanho mediante a latitude e se no Sul da China o cálice é pequeno, já no Norte os copos bem maiores por três vezes são cheios e entornados de um só trago para aquecer o ambiente.

Ganbei!… (pelo melhor) e de pé, por respeito, com as duas mãos erguem-se os copos chocando com os das pessoas ao redor da mesa e sendo esta grande, então o toque é feito no redondo e rotativo vidro, onde se encontram os pratos de comida partilhada. No restante redondo tampo da mesa exterior estão os objectos de uso pessoal, guardanapo, os pauzinhos muitas vezes de bambu a retirar as mãos da comida, a pequena colher de porcelana, sem nunca haver garfo e muito menos faca. Já sobre um pequeno prato, para onde se deita o que não se come, está uma tigela a servir de suporte a proteger os alimentos quando retirados das travessas até chegarem à boca, ou a arrefecerem à espera de serem comidos e para beber, aí está o copo de vinho e do chá. A sopa vem numa terrina e o empregado traz as tigelas para servir a cada um dos presentes o delicado e refinado líquido, após cozer durante horas peixe ou carne, legumes e leguminosas, apresentados num prato ao lado. Já a tigela do arroz, também individual, nos banquetes só aparece no final da refeição, caso haja ainda fome. O chá está sempre presente, tanto no restaurante a acompanhar o vinho, ou em casa durante a visita, desde as boas vindas até à despedida.

Na China, quando se fala de vinho, apesar de existir o de uva, está-se a referir ao Bai jiu, vinho transparente feito por destilação de cereais ou de arroz e alcoolicamente muito forte. Por vezes a poder passar os 50°, é o usado sobretudo para os preparados medicinais, ou a libertar a essência aos poetas e artistas. Mas também há com um teor alcóolico mais baixo, a ficar nos 30° e 15° para se beber moderadamente em convívio. Por vezes amarelado, esse é o huang jiu feito através da fermentação do arroz.

Servido em pequenos cálices, o vinho é esvaziado num só trago. Ao lado, para dissolver o ardor, o chá deitado quente do bule na chávena sem asas.

Ganbei! À saúde de todos os presentes e de pé, num pequeno gesto eleva-se o copo cheio e mediante o respeito para com a outra pessoa, ou por hierarquia confucionista, se toca no outro copo com a borda do nosso mais alto, qual superior, ou ao mesmo nível, ou por baixo, em posição inferior, não significando isso inferioridade, sem sentido, pois tem a direcção do ritual. De um trago bebe-se todo o vinho.

Após o terceiro Ganbei, a porta abre-se para o mundo do espírito, onde despidos do racional controlo se expõe como somos e quem se é, visão do grau de educação, momento propício para iniciar amizades e negócios.

Li Bai (701-762) escreveu a maioria dos poemas sob o efeito do vinho e o também poeta Du Fu (712-770) refere-o com uma frase, cuja livre tradução diz: “Cem poemas por cinco litros” e justifica-o acrescentando, Li Bai bebia imenso vinho de arroz para se aquecer do frio que fazia ao ar livre no mercado de Chang’an (Xian) onde muitas vezes dormia.

Vinho na refeição

Em Beijing atravessávamos a Rua Dazhalan quando, numa casa térrea de portadas vermelhas, alguém ao sair nos dá a ver o interior de uma taberna antiga. Entramos e nas paredes de madeira estão dependuradas tabuinhas de bambu a referir os pratos do dia e os produtos da loja. Olhando para as mesas de banco corrido, reparamos todos a comer em tigelas e a acompanhar a refeição com uma pequena garrafa. Por gestos, apontámos para uma mesa e pedimos o mesmo. Assim ocorre o nosso primeiro contacto com o vinho chinês, sendo-nos servido como vinho da casa o destilado “er guo tou” para acompanhar a sopa de massa em fitas com uma peça de carneiro. A rudeza do sabor e aroma do vinho assemelha-se ao bagaço, tal como na transparência.

O “er guo tou” é um vinho destilado feito em Beijing e quando mais tarde falando com um habitante de Sichuan sobre a nossa experiência de vinho chinês, logo ele se apressa a ir buscar uma garrafa e faz-nos provar o licor “Wuliangye”, de Yibin. Produzido na sua terra como faz questão de sublinhar, enquanto o vai servindo em pequenos cálices explica ser o “er guo tou” do mesmo tipo de vinho mas de uma qualidade muito inferior.

Na recepção de outro restaurante, dois enormes potes com dragões esculpidos guardam o vinho de arroz, aperitivo para as lautas refeições servidas no primeiro andar. Chegado à enorme sala de jantar, séries de pequenos potes de vidro com diferentes tipos de vinho dão a escolha para acompanhar os múltiplos pratos de comida, que vão sendo colocados ao centro da larga mesa redonda, sob uma placa de vidro, também redonda, que gira e de onde as pessoas se servem, desde o carneiro de Harbin, ao agridoce de Guangzhou. Das portas dos privados, íntimos compartimentos para reuniões e festas, a algazarra sobe ao tom do jogo de dedos, ritmadamente gritando um número a duas vozes. A garrafa de vinho jogada ao copo esvaziadamente bebido por quem perde.

O copo é repetidamente enchido e lá recomeça o jogo dos dedos num embriagado alarido a denunciar o estado dos intervenientes. Relacionado com a Teoria dos Cinco Elementos (Metal, Madeira, Água, Fogo e Terra), representantes de forças cósmicas que se promovem e reprimem uns aos outros, num jogo de intuição nenhum é mais forte nem mais fraco que os restantes. Assim como o polegar perde para o indicador, o indicador para o médio, o médio para o anelar, o anelar para o mindinho e este para o polegar, também o Metal corta a Madeira, a Madeira a Terra, a Terra a Água, a Água o Fogo e o Fogo o Metal.

Ponbei é quando se brinda sem tilintar os copos e se saboreia o perfumado vinho bebendo-o em pequenos golos a ensedar a boca.

No tropical calor do Sul da China, a ementa mostra uma variedade de pratos que alimentam o gosto de estar à mesa em animadas conversas, enquanto se intercala o petiscar com o bebericar em delicados travos o vinho de um pequeno cálice, onde pelos sentidos se aprecia os mais leves pormenores. De seguida, um golo numa pequena taça de chá. Enche-se depois o bule com água fervida guardada no termo, por vezes colocado por baixo da mesa, e fechando as rodadas de vinho, o chá para limpar, pois quente ajuda a dissolver as gorduras. Em procura, como significava o antigo carácter para chá, primeiro dilui o teor alcoólico, servindo no dia seguinte para limpar a ressaca. Daqui passamos à História do Vinho na China.

12 Abr 2022

Terraço HuaGua

Após horas a percorrer de Sul para Norte as três áreas do Templo Mausoléu de Tai Hao (太昊陵) ouvimos falar de um museu e questionando a sua localização, somos levados a uma tenda já fora do recinto com objectos de bronze, um esqueleto e mais uns quantos objectos insignificantes. Só na segunda passagem por Huaiyang demos conta de um museu dentro das muralhas do templo, mas desistimos de o visitar tão grande a fila de pessoas para entrar.

Pensando terminada a visita aos locais de Fu Xi, para sair voltamos à Porta Wu Chao e pretendendo ir até à cidade de Huaiyang, depois de passar a feira, seguimos para Sul pela Rua JinBuNan, um istmo ladeado pelas águas do Lago do Dragão. Andando quinhentos metros aparece à esquerda uma plataforma com a “Torre-Templo dos Desenhos dos Trigramas” e entrando por um arco memorial em pedra, atravessamos a Ponte Ying Bin e na acanhada ilha, com uma área de 10 mu (0,667 hectares), está o Terraço HuaGua, onde os trigramas foram desenhados.

Aí edificado um pequeno templo na Dinastia Tang, teve frequentes reparações e já na dinastia Ming e Qing foi construído um muro, o pátio e o Pavilhão dos Oito Diagramas esculpido em pedra. Em 2002, tudo foi destruído por um tornado e um homem de negócios de Huaiyang, o Sr. Huang Jin ofereceu dez milhões de yuans para o reconstruir.

Passando a Ponte Tonghan, entrando pela Porta Sul estamos perante o Pavilhão dos 8 Diagramas e seguindo o eixo central, após o Pavilhão para oferendas de sacrifícios, aparece a figura congenial dos Oito Diagramas. No topo Norte, o Pavilhão ao Ancestral dos Humanos com uma resplandecente escultura de Fu Xi em trajes amarelos. A Oeste situa-se o Pavilhão dedicado a Nu Wa e a Leste o Pavilhão da Tartaruga Branca.

No pátio, inúmeras estelas gravadas com diferentes representações de quadrados mágicos encontrados no Luoshu e no Mapa He, do Rio Amarelo (Huanghe).

HE TU E LUO SHU

A tartaruga, além de ser símbolo da longevidade e da sabedoria, oculta os segredos do espírito do Universo e a sua carapaça serviria de base para Nu Wa recolocar o danificado pilar do Noroeste, reparando assim os estragos provocados pelo deus da Água Gonggong quando, após ser derrotado por o deus do Fogo Zhurong, se atirou contra a Montanha Buzhou, quebrando um dos quatro pilares a sustentar o Céu.

Nestas águas, então Rio Cai, Fu Xi encontrou a tartaruga branca e na carapaça visualizou 55 pontos organizados em cinco conjuntos com as seguintes posições: uma bola branca e seis pretas em baixo (Norte, atrás); duas bolas pretas e sete brancas em cima (Sul, à frente); três bolas brancas e oito pretas à esquerda (Leste); quatro bolas pretas e nove brancas à direita (Oeste), e no meio, cinco bolas brancas e dez bolas pretas. Neste arranjo em cruz, segundo a mitologia chinesa Fu Xi viu emergir do Rio Amarelo um Dragão-Cavalo trazendo no dorso o Mapa do Rio (He Tu) baseada no sistema decimal, sendo os dez dígitos os números do Céu, apresentando a Ordem do Universo Anterior à Manifestação. Neste mapa do Sistema Solar estavam desenhadas várias constelações de onde concebeu o conceito de Yang, (linha contínua), simbolizando o princípio masculino, o luminoso, a força e Yin, (linha interrompida), o feminino, o obscuro, a suavidade, com os quais compôs as Quatro Imagens (duas linhas inteiras, Supremo yang; duas linhas quebradas, Supremo yin; linha inteira e linha quebrada, Jovem yang; linha quebrada e linha inteira, Jovem yin) e usando a Achillea (erva pombinha) desenhou os Oito Trigramas, [mais tarde combinados por o Rei Wen, chefe do Reino Zhou, originando os 64 hexagramas].

No Livro das Mutações (Yi Jing, 易经) vem explicada a teoria dialéctica do Yin e Yang e dos Oito Trigramas, na qual o Universo é eterno e a sua ordem regida pelo Tai ji, a união dos dois princípios, yin e yang. Representa-se por um círculo dividido em duas partes iguais com a forma de Ϩ, sendo yin a parte escura e yang a parte clara e dentro da parte escura existe um ponto claro e na parte clara um ponto escuro. Rodeando esse círculo, as oito fases da energia do Universo, (as oito forças fundamentais da Natureza), representadas nos oito trigramas.

No He Tu, o círculo exterior mostra-se com os números de 6 a 9, no círculo interior de 1 a 4 e no meio, o 5 e o 10, sendo de referir apresentarem-se os números ímpares (do Céu) em pontos brancos e os pares (os números da Terra) por pontos pretos. Disposição num eixo vertical (Eixo Celeste) a dar a direcção e o sentido, no horizontal (Eixo Terra). O encadeamento em progressão numérica no Ciclo da Criação dos Cinco Elementos, na ordem dos ponteiros do relógio aparece: (3,8) Madeira, Leste; (2,7) Fogo, Sul; (5-10) Terra, Centro; (4,9) Metal, Oeste; (1,6) Água, Norte.

Yu o Grande, conhecido por conseguir controlar as cheias alargando os leitos dos rios e a construir canais, ao estabilizar o Rio Luo viu emergir da água uma tartaruga e na carapaça encontrou o Livro do Rio Luo (Luoshu) com a Teoria do materialismo dos Cinco Elementos a representar a Ordem do Universo Manifestado.

Nove dígitos reproduzem as mudanças que ocorrem na Terra e daí representado em quadrado (mágico) de ordem 3, isto é 3x3x3. Tem três colunas na horizontal e outras três na vertical e a soma de cada uma e das oblíquas dá sempre 15 e os dígitos somados 45.

| 4 | 9 | 2 |
| 3 | 5 | 7 |
| 8 | 1 | 6 |

Ainda no recinto, numa pequena arrecadação um tanque guarda duas tartarugas, a branca foi em 1984 reencontrada e a segunda tartaruga, na carapaça tem desenhados caracteres, parecendo querer comunicar algo.
Após sair do Terraço Hua Gua, mais 500 metros para Sul estamos na cidade.

PING LIANG TAI

Na aldeia de Dalian, quatro quilómetros a Sudeste do centro de Huaiyang, visitamos a estação arqueológica de Ping Liang Tai onde, iniciadas as escavações em 1980, foram descobertas próximo da superfície as relíquias da dinastia Han, mais abaixo as de Zhou e Shang, seguindo-se as da Cultura Longshan (2800-2300 a.n.E.) e por fim, a uma profundidade entre três e cinco metros a Cultura Dawenkou (4300-2500 a.n.E.). Aí, as ruínas da cidade de Wanqiu, habitada por a tribo de Fu Xi, com uma área interior em quadrado de 34 mil m², fora cercada por muralhas com cerca de três metros de altura e um comprimento de 185 metros, havendo uma porta a meio dos muros Norte e Sul. Cidade com saneamento, pois existiam três linhas de canos em argila para conduzir a água, assim como no exterior dos muros tinha três fornos, um a Nordeste, outro a Sudoeste e no Leste.

Na Dinastia Han houve uma proliferação de túmulos com a imagem de Fu Xi e Nu Wa, tendo ambos cabeças humanas e o Pai da Humanidade corpo de dragão e a irmã e esposa corpo de serpente, com as caudas entrelaçadas, a representar a união entre os dois. Encontram-se representações de Fu Xi com um Sol, ou a segurar um compasso na mão esquerda e Nu Wa com a Lua, ou um esquadro na mão direita. Na China, as Eras começaram a ser contadas no ano de 2697 a.n.E., data ainda da existência de Fu Xi.

29 Mar 2022

A Cidade Proibida de Tai Hao Ling

Estamos a um quilómetro e meio a Norte de Huaiyang no Templo Mausoléu de Taihao (太昊陵, Taihao ling) e após percorrer a sua Cidade Exterior e a Interior, falta-nos agora visitar a Cidade Proibida, onde está sepultado Fu Xi. Para aí chegar atravessamos a passagem em arco feita na alta base em pedra da Entrada Tai Shi, conhecida anteriormente por Pavilhão Zhuanxiang, o edifício mais alto do complexo, com dois andares em madeira na parte superior. Construído durante a Dinastia Ming, é o mais degradado de todos os existentes no recinto e encontra-se fechado, apesar de ao longo da sua existência contar já com três extensas reparações. Tai Shi (太始) significa o estado primordial da matéria durante a sua formação, isto é, o início de todas as coisas existentes na Terra.

A quantidade de pessoas por todo o recinto é muito grande, mas no amplo espaço em frente ao monte da sepultura de Fu Xi a multidão é imensa. Logo após entrar na Cidade Proibida, a mesa de pedra xiantian bagua (先天 八卦), com os oito trigramas esculpidos, devido à sua pouca altura é utilizada por muita gente para fazer a dobragem dos papéis votivos, ou desembrulhar os enormes pivetes (paus de incenso com metro e meio de comprimento) para poderem ser acesos.

Passamos ainda algum tempo a olhar para os inúmeros devotos a prepararem um sem número desses dourados papéis, criando-lhes a forma de losangos e a colocá-los ordenadamente numa folha grossa a fazer de prato, ou a tirar dos sacos os lingotes anteriormente comprados na feira.

Depois levam tudo para um enorme tanque feito em tijolo, situado em frente ao monte da sepultura de Fu Xi, onde arde uma imensa fogueira alimentada com grande quantidade de incenso e papéis em forma de lingotes de ouro. O calor produzido é imenso e o fumo provocado pelo papel queimado e pivetes tornam o ar irrespirável, deixando-nos cobertos de cinzas e os olhos a lacrimejar. Os bombeiros, contando com a ajuda de um carro-tanque, observam de perto o evoluir das chamas e ali passam todo o mês das celebrações.

ESTELA DA DINASTIA SONG

Um baixo muro envolve o monte da sepultura de Fu Xi, onde se encontra um bei (estela) da Dinastia Song, o único registo existente do antigo templo que restou após a governação mongol. Segundo a versão da história a ele associado conta ter sido escrito por Su Xiao Mei, irmã mais nova de Su Shi (1037-1101), oficial civil, poeta, escritor, calígrafo, pintor, músico e cozinheiro, mais conhecido por o nome literário Su Dongpo, e considerado um dos Oito Grandes Mestres da Prosa da Dinastia Tang e Song, em conjunto com o irmão e o pai, Su Xun (1009-1066).

O convite fora feito pelo governo local que enviou a Su Dongpo os caracteres para este escrever com a sua caligrafia 太昊伏羲氏之陵 (Tai Hao Fu Xi Shi Zhi Ling, a significar: este é o Mausoléu de Tai Hao Fu Xi).

Como ele tinha ido viajar, a sua irmã mais nova ao receber a missiva e entrando no quarto onde Su Dongpo costumava trabalhar, encontrou o papel e a tinta já preparada. Sendo Su Xiao Mei também uma excelente calígrafa pegou no seu lenço de seda (绫, Ling) e dobrando-o para dar estabilidade ao pincel, escreveu 太昊伏羲氏之莫 (Tai Hao Fu Xi Shi Zhi Mo).

Quando Su Dongpo chegou e viu o trabalho da irmã gostou muito, mas reparou ter ela trocado o último carácter e em vez de escrever Ling (陵), aí colocou Mo (莫). Na China, Ling (陵) é usado para referir um mausoléu a conter uma série de edifícios, enquanto Mu (墓) se utiliza para os túmulos das pessoas vulgares. Questionando a irmã da razão de ter escrito Mo (莫) em vez de Mu (墓), disse-lhe então Xiao Mei, se a estela já estava na terra não precisava de Tu (土) a especificar. Assim ficou a estela com a caligrafia de Su Xiao Mei.

História não credível pois os pais de Su Shi, a Senhora Cheng casada com Su Xun, tiveram três filhos e outras tantas filhas. No entanto, a filha mais velha, a segunda filha e o filho mais velho, morreram ainda com tenra idade. Assim, restava a Su Shi, um irmão mais novo, Su Zhe e uma irmã, Su Ba Liang, que nascera um ano antes dele e quando esta tinha 18 anos casou-se com o filho do irmão da mãe, mas morreu um ano depois. Assim, o nome da então única irmã de Su Shi era Su Ba Liang, um ano mais velha que ele e não Su Xiao Mei, percebendo-se ser esta uma personagem ficcionada pela história. Já Su Zhe (1039-1112), o irmão mais novo também oficial civil, quando Su Shi foi colocado na prisão em 1079 por o Imperador Shen Zong (1067-1085), devido a discordar das reformas do primeiro-ministro Wang Anshi (1021-1086), foi viveu para Chenzhou (Huaiyang) onde no meio do lago Liu Hu construiu uma casa e se dedicou à leitura, tendo Su Shi passado setenta dias nessa cidade.
Olhando para a estela em frente ao monte, ela já não apresenta os caracteres pois foram apagados pelo tempo.

JARDIM DE AQUILEIA

Por detrás do monte com o túmulo de Fu Xi havia em 2006 (já lá não estão em 2010) dois nichos; a Leste encontrava-se a imagem de Nu Wa e a Oeste, a de Fu Xi. Em frente a cada um, uma banca vendia cadeados com a imagem do Tai ji e onde depois eram gravados os nomes de quem pagava 15 yuans para os adquirir. Por vezes eram usados dois cadeados presos um ao outro, numa demonstração de fidelidade entre o casal, sendo colocados ao longo das duas filas de grossas argolas em forma de U a parecer unir os dois nichos, sendo já milhares os loquetes (cadeados) existentes em torno do Jardim de Aquileia (蓍竹园). Assim se manifestavam muitos crentes a querer perpetuar para a posteridade a união marido e mulher, ou as amizades entre pessoas.

Passado o deslumbramento de tão imaginativo negócio, continuamos a circundar o monte e um cipreste chama a atenção. Parece querer também marcar a união entre masculino e feminino já que, em 1976 uma árvore da família Wingceltis sapling nasceu no interior do cipreste plantado durante a Dinastia Song.

Na visita seguinte, passado alguns anos, os cadeados desapareceram e ali apenas está o Jardim de Aquileia envolvido por um baixo muro, onde dois guardas não permitem a entrada.

Os fios de aquileia serviram para Fu Xi representar o bagua em Wanqiu (Huaiyang). Os trigramas surgiram por combinações de três linhas (yao), yin e yang. Se em tempos ainda mais remotos o oráculo era feito com respostas apenas de sim (uma linha inteira, yang yao) ou de não (uma linha quebrada, yin yao), Fu Xi percebendo a necessidade de uma maior definição e para sair dessa dualidade e diferenciar as linhas combinadas que apresentavam quatro combinações, juntou uma terceira linha criando assim os oito trigramas, a maior das suas contribuições, que representam os oito estados da Natureza, constituídos pelas oito possíveis combinações de três linhas (inteiras yang e quebradas yin).

Como na China somente neste lugar existia a erva aquileia (conhecida em Portugal por erva pombinha – aquilegia vulgaris), quando os imperadores enviavam oficiais a representá-los para venerar o Ancestral Antepassado, eles deveriam colhê-la como prova de aí terem estado.

22 Mar 2022

A Cidade Interior de Tai Hao ling

Estamos em Huaiyang a visitar o Templo Mausoléu de Tai Hao (太昊陵) e depois de percorrer a Cidade Exterior, após subir os cinco degraus e atravessada a Porta Tai Ji (Apogeu Supremo a reger a ordem do Universo), chegamos à Cidade Interior. Entramos para um pátio com edifícios laterais e em frente o Templo Tong Tian, havendo na parte Sudoeste a Torre do Tambor e a Sudeste a Torre do Sino, ambas com dois andares e uma altura de 11,2 chi (3,73 m), construídas no ano de 1456 e refeitas em 2001.

O som do tambor desperta a curiosidade pois é tocado de uma forma obsessiva. O tambor, de um tamanho inferior aos existentes nas torres dos tambores de muitas cidades, serve agora apenas para fins comerciais, tal como o pequeno sino colocado no andar superior da torre a Sudeste. O sino fundido em 1445, durante a Dinastia Ming, era tocado no princípio da manhã como sinal à população do começo do dia. À noite, o som do tambor anunciava ter o dia terminado. Tambor e sino serviam para comunicar com os habitantes, dando-lhes as horas e instruções consoante eram tocados.

Em ambos os lados da praça existiam 42 quartos (lang fang) onde na nossa primeira visita se encontrava uma exposição de esculturas e em tempos antigos serviram como locais reservados aos oficiais quando vinham prestar homenagem a Fu Xi.

Avançamos para Tong Tian Dian (统天殿), o pavilhão central e o mais importante do templo apresenta o melhor trabalho de arquitectura de todo o recinto. O edifício começou a ser construído em 1437, durante a Dinastia Ming, sendo reparado em 1985 e em 1998. Conta com cinco salas em largura e três em profundidade e tem o telhado feito de telhas amarelas, símbolo apenas dos imperadores, havendo no topo do lado Leste oito dragões e para Oeste, oito fénix. Os caracteres 统天 (Tong Tian) provêm do livro Yi-Xici xia 《易 系辞下》 e o significado pode ser para Tong, o de unificar e Tian, tudo o que existe no Universo, significando juntos o comando de todas as coisas na Terra.

Dentro, a meio desse enorme salão, um altar tem ao centro a grande estátua dourada de Fu Xi, uma produção recente de 2004, representando-o com duas protuberâncias na cabeça e roupas feitas de folhas e na cintura uma pele de animal. Se em 1968 a estátua de Fu Xi era de madeira, quando o edifício foi reparado em 1985 passou a ser de argila. Em todas as imagens onde está representado tem entre as mãos um Xian Tian Bagua Tai Ji, octógono prato com os trigramas colocados em redor do Tai Ji.

No altar a ladear Fu Xi duas imagens de seus ajudantes, a da esquerda Zhu Xiang [da tribo Dragão Voador (FeiLong shi, 飞龙氏)], encarregue de registar os acontecimentos históricos, sendo um dos primeiros a gravar na carapaça da tartaruga, ou nos ossos de bovinos, sinais que vieram a dar os caracteres, pois até aí, os registos ficavam apenas assinalados por nós numa corda e os factos eram perpetuados oralmente. À direita, Hao Ying, da tribo QianLong shi, o criador de um dos primeiros calendários, o Xiang xing (象形), usando imagens pictográficas.

Em torno das paredes interiores, enormes lajes de pedra gravadas em 1998 com dezasseis desenhos a narrar a História da vida de Fu Xi, desde a nascença até à morte. No tecto encontram-se representados os 64 hexagramas (que combinam em pares os oito trigramas), apesar de nos livros antigos aí fazerem referência à existência de 28 Xing Xiu (星宿), 28 constelações do Céu (Tian) a permitir perceber as coordenadas para a localização e o movimento da Lua e dos planetas do sistema solar. Outrora, aqui havia também no meio da sala uma estátua do Dragão-cavalo (Long Ma) que traz o Bagua e conhecido por Si Bu Xiang (quatro animais indefinidos, a parecer ser um, mas não o que à primeira vista parece) e ainda o Livro de Pedra chamado YuYeShiShu 《玉页石书》.

Encontramos estes dois últimos mais tarde no Templo de Fu Xi, na cidade de Tianshui em Gansu.
Na parte de trás do altar, já na sala do fundo, gravados em madeira quatro douradas figuras masculinas com uma figuração ligada às suas funções, sendo a do lado direito, XiangLong shi (quem protegia a população dos animais ferozes), seguindo TuLong shi (ligado à agricultura), ShuiLong shi (a tomar conta das questões da água) e JuLong shi (construtor das habitações).

Na primeira visita, virada para a porta traseira, ainda no interior, uma escultura de Nu Wa acompanhada por uma série de crianças representadas nuas, sendo vestidas com um avental vermelho a cobrir os órgãos genitais. Na nossa segunda visita estas imagens tinham sido retiradas.

Sistema de casamentos

Seguindo para o Pavilhão Xian Ren, nos muros laterais do pátio encontram-se, para Oeste a Porta Si Xiang (四象, Quatro Estações) e a Leste, abre-se a Porta Liang Yi (两仪), que significa yin e yang, ou Terra e Céu e para Yi, a correspondência de Mutações.

A placa em frente à porta prossegue com as explicações. Yi (mutação) tem Tai Ji (Apogeu Supremo a reger a ordem do Universo), sendo Liang Yi a união de dois princípios representado por um círculo dividido em duas partes iguais, yin, a parte escura e yang, a parte clara. Liang Yi produz quatro Xiang (quadrantes), que dão os oito Gua (trigramas). Filosofia explicada por Fu Xi com os trigramas por ele criados, a partir da combinação feita com três linhas, inteiras (yang yao) e ou quebradas (yin yao), e daí os oito trigramas colocados em torno do Tai ji pela ordem da representação que lhes deu e conhecida por xiantian bagua (先天 八卦).

Entramos pela Porta Liang Yi e no lado esquerdo do pequeno pátio está um nicho com a imagem de Yue Fei e em frente cinco figuras ajoelhadas. A estátua do general Yue Fei já não era a mesma existente no ano anterior.

O Pavilhão Xian Ren (显仁殿), edificado durante a Dinastia Ming e em 1990 reconstruído, tem a escultura dourada de Nu Wa levando ao colo na mão direita um bebé e na esquerda, a pedra para reparar o Céu quebrado no confronto entre dois deuses.

No exterior do Pavilhão, na parte Nordeste da base de pedra, uma das pedras tem um orifício onde as mulheres aí colocam os dedos, passando de seguida a mão no bolso. Conta a história de há cinco milénios, que a meio da Primavera Fu Xi convocava as raparigas e rapazes das diferentes tribos para se juntarem, havendo no centro do recinto do encontro uma pedra com um buraco e se os jovens gostassem um do outro, tocando no orifício tornavam-se marido e esposa. O sistema de casamento foi um dos legados de Fu Xi e nessa cerimónia era oferecida carne de veado. Desde então, o costume tornou-se prática corrente, mas desvirtuado, a crença popular deu-lhe outro simbolismo, pois se os pais ou avós tocassem na vagina da filha ou neta, esta tornar-se-ia mais inteligente e saudável.

Em frente, no muro lateral estão dispostas em fila placas de pedra com caracteres gravados, estrelas deixadas por oficiais nas visitas, onde muitos são os peregrinos a tentar aí colar moedas pressionando-as e em alguns casos isso acontece. Por vezes, alguns pelo constante falhanço deitam saliva nas moedas a ver se pegam.

15 Mar 2022

A Cidade Exterior do Tai Hao Ling

A pequena cidade de Huaiyang (淮阳), na prefeitura de Zhoukou, província de Henan, mostra-se pouco apelativa e apenas o Templo Mausoléu de Tai Hao atrai os visitantes. A acompanhar o monte da sepultura de Fu Xi foi crescendo para Sul um templo, existente já na Dinastia Zhou e onde nas dinastias Tang e Song foram adicionadas novas construções.

Esse complexo, devido ao desinteresse dos mongóis Yuan, estava em ruínas aquando da visita em 1371 de Tai Zu, o primeiro imperador Ming e nessa dinastia o templo foi arranjado e ganhou a actual dimensão. Entre 1448 e 1576 novos edifícios foram construídos, como as torres do Sino e do Tambor e arranjados os existentes e em 1745, o governo da Dinastia Qing deu dinheiro para uma grande reparação. Nas várias visitas assistimos ao empenho para aí se realizarem muitos melhoramentos e assim fomos encontrando novos motivos de interesse.

Estando no recinto da feira, para chegar à entrada do Templo Mausoléu de Tai Hao temos de atravessar uma das três pontes sobre o Rio Cai, sendo a do meio antigamente reservada ao Imperador, ou aos oficiais que o vinham representar quando aí se deslocavam para oferecer sacrifícios a Fu Xi. A ponte situada a Leste era para os Oficiais Civis e a do Oeste, para os Oficiais Militares. Nos outros dias, sem oficiais nem imperador, na visita ao templo as pessoas ao passar pela ponte central deviam prosternar-se antes de a atravessar.

Chegados à entrada, na parte Sul do Templo, ao redor da Porta Wu Chao estão sentadas no chão em grupos uma grande quantidade de pessoas idosas, tendo todas as mulheres os cabelos cobertos com lenços de duas cores diferentes, verdes e rosas. Para conter as constantes ondas de peregrinos, uma barreira de polícias vai gerindo as entradas no recinto do templo.

Construída em 1462, durante a Dinastia Ming (1368-1644), com três portas a Wu Chao men foi edificada em tijolo e pintada a vermelha, sendo a estrutura do telhado em madeira e deveria ter as telhas de porcelana em cor amarela, reservada aos imperadores. Com pesadas portas de madeira, a central está cravejada por pregos dourados formando nove linhas horizontais e nove linhas verticais e as outras duas portas só têm sete linhas verticais, mantendo as nove horizontais.

Na parte exterior, entre o telhado e o edifício, por cima da entrada central uma tabuleta indica estarmos perante o Mausoléu de Tai Hao (太昊陵, Tai Hao Ling) e entre ela estão colocadas quatro tabuletas com individuais caracteres. No lado direito, pois a leitura faz-se pelo sentido oposto ao usado no ocidente, temos Kai (开) a significar abrir, ou descobrir, e Tian (天), Céu e no outro lado encontram-se Li (立) estabelecer, ou fundar, e Ji (极), infinito, sem limites. Por baixo da placa central, outra com os caracteres午朝门, Porta Wu Chao.

Ainda no muro Sul, lateralmente a esta porta encontram-se as entradas Dong Tian e Xi Tian, a servirem a Cidade Exterior do recinto do Templo. Da Porta Wu Chao parte um eixo central a atravessar as várias portas e se estiverem abertas consegue-se, passando o olhar por a Cidade Interior, ver na Cidade Proibida o monte de terra onde está sepultado Fu Xi, apesar de não ser totalmente em linha recta, mas fazendo uma ligeira curva.

A maioria dos edifícios do Templo estão voltados para Sul e desde a entrada até ao muro na parte Norte contam-se 750 metros. O recinto tem dez portas e uma área de 875 mu (58,3 hectares), estando dividido em três zonas: a Cidade Exterior, a Interior e a Cidade Proibida, separadas por três muros.

CIDADE EXTERIOR

Já dentro, ouvimos atrás de nós uma música e ao olhar, fora do recinto do templo deparamos com um grupo de peregrinos que traz uma banda de músicos. À frente vem um rapaz vestido a rigor. Ainda antes de atravessar o canal do Rio Cai o jovem faz uma prosternação, assim como à entrada da Porta Wu Chao e já dentro do recinto, antes da Ponte Yu Dai. Esta ponte atravessa o Rio Yu Dai, que entra e sai por baixo dos muros exteriores do templo, a Leste e Oeste, denominando-se o conjunto Rio do Cinto de Jade. A meio da água, dois altares para onde os crentes atiram moedas na tentativa almejada de ficarem no altar, para lhes trazer sorte. No lado direito está a estátua de Nu Wa e no esquerdo, a de Fu Xi.

Após a Ponte Yu Dai, chegamos à Entrada Dao Yi (道仪门, Dao Yi men, porta da mutação do Dao), com oito metros de altura antigamente era denominada Tong De men (通德门, Porta da Via para a Virtude) e mais popularmente conhecida por San men (Três portas). O edifício era na Dinastia Ming feito de madeira e só em 1575 passou a ser de tijolo.

O corredor central, conhecido pelo Caminho do Cinto de Jade, percorre longitudinalmente o recinto do templo e está ladeado com bandeiras triangulares amarelas estampadas com a representação de um dragão. Após cem metros do Dao Yi men, a Porta Xian Tian (先天门, Xian Tian men), edifício construído em 1575, sendo o actual já da Dinastia Qing, com uma alta base de pedra e a encimar, um pavilhão vermelho feito em madeira, com dois andares. Dentro, especialistas do Yi Jing são consultados pelos muitos crentes que aí vão, depois de subidas as íngremes escadas de pedra construídas apenas nos anos 70 do século XX. Nas paredes, como fundo, toda a simbologia inerente ao Livro das Mutações (Yi Jing), onde registada ficou a Filosofia da Natureza.

O nome da Porta Xian Tian provém dos oito trigramas antigamente conhecidos por Xian Tian e tem os caracteres gravados numa pedra cuja inscrição é do ministro Shi Yaoqing da Dinastia Ming. Comemora a representação criada por Fu Xi dos oito trigramas colocados em torno do Tai ji, conhecida por Xian Tian bagua (先天 八卦) proveniente do mapa He Tu trazido pelo dragão-cavalo e lhe dado apreender a partir da Colina Gua Tai, em Tianshui, actual província de Gansu.

Após a Xian Tian men chega-se ao amplo pátio da Praça Tai Ji, com 73 metros no eixo Sul/Norte e 66 metros no Leste/Oeste, tendo à frente a Porta Tai Ji (Tai Ji men), a abrir para a Cidade Interior, a parte principal do recinto.

Ainda antes de aí entrar, no muro interior do lado Leste está a Porta San Cai cujo caminho leva à porta do recinto exterior, Dong Hua men. Já no lado do muro interior Oeste, está a Porta Wu Xing a dar para a Porta Xi Hua nos muros exteriores, onde anteriormente vimos uma multidão a tentar entrar, entupindo a saída dos que dentro tinham já feito as oferendas de sacrifício e abandonavam o recinto.

Subindo cinco degraus entra-se pela Porta Tai Ji, a abrir para a Cidade Interior do templo. Tai Ji men foi construída em 1437, durante a Dinastia Ming, com o nome de Tai Ji Fang (Arco Memorial).

A Leste desta Porta está Yang Guan e a Oeste, Fu Cha e no livro Yi-Xici zhuan 《易 系辞传》 refere, em tempos antigos Bao Xi shi (Fu Xi) levantando a cabeça (Yang Guan) observava o Céu e tudo o que nele se passava e olhando para baixo (Fu Cha) vendo a Natureza percebia o sentido da mudança (Yi) e assim encontrou a lei que lhe permitiu criar o Bagua.

8 Mar 2022

太昊陵 Tai Hao Ling Templo mausoléu de Fu Xi

Dos dezoito mais importantes mausoléus da China, o Templo do Mausoléu de Tai Hao em Huaiyang é o ancestral e está desde 1996 na Lista Nacional de Relíquias Culturais Protegidas. Construído de acordo com a filosofia dos oito trigramas criados por Fu Xi, a arquitectura do templo serviu de padrão aos palácios imperiais e mausoléus depois edificados para sepultar os Imperadores.

Logo após a morte de Fu Xi, ocorrida nos inícios do terceiro século antes da nossa Era, entre os anos de 2838 e 2738 a.n.E., no mausoléu, situado a 4 km SE da sua capital Wanqiu, realizavam-se celebrações ao primeiro dos três Soberanos Imperadores e o mais importante dos cem reis.

Em Wanqiu, pouco tempo depois Yan Di reconstruiu a sua capital e renomeou-a Chen, aí vivendo por um curto período, segundo Sima Qian no ShiJi.

Os Anais de Chenzhou referem a existência do Mausoléu de Tai Hao no Período Primavera-Outono e Kong Fuzi (Confúcio), que por três vezes visitou Chenzhou (Huaiyang) e aí viveu três anos e meio, assegurou ali estar sepultado Fu Xi.

Ainda antes da Dinastia Han havia um templo a acompanhar a sepultura, feita por um monte situado no extremo Norte do recinto. As construções adicionais estenderam-se sobretudo nas dinastias Tang e Song.

Durante a Dinastia Tang, no ano de 630 o Imperador Tai Zong (626-649) ordenou a proibição de as pessoas colocarem no local os animais a pastar. Já em 960, o primeiro imperador da Dinastia Song, Tai Zu (960-976) mandou haver no local do mausoléu um guarda e este aí fosse viver com a família para sempre, continuando esta com as funções de tomar conta do lugar. Ordenou ainda a realização de três em três anos de uma cerimónia de oferenda de sacrifícios a Fu Xi. Em 966 existiam cinco famílias a tomar conta do mausoléu e as cerimónias de sacrifícios eram feitas duas vezes ao ano, na Primavera e no Outono.

Com a chegada da dinastia mongol dos Yuan deixaram de se realizar as cerimónias de veneração e as construções do templo ficaram em ruínas. Apenas o bei (estela) do mausoléu feito na Dinastia Song se manteve de pé.

A construção do actual templo provém de um decreto de Zhu Yuanzhang, (Tai Zu, 1368-1398) o primeiro imperador da Dinastia Ming, que tornou o mausoléu o número 1 de toda a China, quando em 1371 ele mesmo aí foi oferecer sacrifícios a Tai Hao. Informação do livro MingShi LiZhi (História da Dinastia Ming), que indica ser Chenzhou o único lugar permitido para existir um templo a Fu Xi. Depois colocou uma pessoa e a família a guardar o mausoléu.

Os inúmeros templos em honra dos Três Ancestrais por toda a China levaram Tai Zu, ainda em 1371, a mandar destruir os que não fossem templos dos mausoléus. Por isso, o único templo a Fu Xi preservado foi o de Chenzhou, apesar de na Colina de Gua Tai ser discretamente mantido um templo em honra de Fu Xi, por aí ser o local do seu nascimento.

Entre 1448 e 1576, no templo de Chenzhou novos edifícios foram construídos, como as torres do Sino e do Tambor e arranjados os existentes. Em 1745, o governo da Dinastia Qing deu dinheiro para uma grande reparação dos edifícios do templo. Chenzhou passou em 1913 a ter definitivamente o nome de Huaiyang.

Em 1949, já no tempo da República Popular da China foi criada uma Associação para tomar conta da área do templo mausoléu. Em 1984, aí foi construída uma esquadra da polícia e no ano seguinte o Museu de Huaiyang, que segundo se diz nunca chegou a abrir. Em 1996, Tai Hao Ling tornou-se Património Cultural da China.

HISTÓRIAS TERRENAS

Yue Fei, um general da Dinastia Song, por três vezes foi com as suas tropas defender a cidade de Chenzhou e talvez por isso, dentro do recinto de Tai Hao Ling, num pequeno pátio encontra-se o Templo a Yue Fei, sendo o único dos heróis nacionais a merecer tal honra. As estátuas de bronze de Yue Fei e Qin Hui aqui estão desde a Dinastia Ming e na Qing, a elas se juntaram as de Wang Shi, Mo Qixie, Wang Jun e Zhang Jun.

Para saber quem são estas personagens, teremos de referir a História da Dinastia Song do Norte (960-1127) e a razão da mudança para a Dinastia Song do Sul.

Após Zhao Kuangyin se tornar o primeiro Imperador da Dinastia Song do Norte, com o nome de Tai Zu (960-976), compreendendo serem as causas da queda da Dinastia Tang o ter comandos militares demasiado fortes e independentes do controlo dos imperadores, passou a governar com uma grande centralização de poder, reforçado pelas doutrinas confucionistas. Reduziu o exército, enfraquecendo a defesa nacional e por isso, em 1126 a Dinastia Jin (1115-1234) conquistou a capital Bianjing (Kaifeng), levando da corte Song quase três mil presos para Harbin (capital da tribo tártara Jurchen, que criou a Dinastia Jin). O que restou da Dinastia Song retirou-se para Sul e fugindo das investidas dos Jin, instalou-se em Nanjing (actual Shangqiu, na província de Henan) onde Zhao Huan foi feito Imperador Qin Zong (1125-1127). O irmão Zhao Guo, no ano de 1127 proclamou-se imperador com o nome de Gao Zong e iniciou a Dinastia Song do Sul (1127-1279), mudando em 1138 a capital para a cidade de Hangzhou, que tomou o nome de Lin‘an.

O exército Jin continuou a atacar-lhes o território e Yue Fei (1103-41), um dos quatro famosos generais Song, foi vencendo os invasores tártaros que pelo Norte faziam constantes incursões. Mas nem mesmo após a Batalha de Yancheng, na província de Henan, em 1140, quando Yue Fei de novo lhes ganhou, bastou para conter o exército Jin, que obrigou o Imperador Gao Zong (1127-62) a fugir pelo Mar da China e depois, a negociar a paz cedendo muitas terras.

O Imperador Gao Zong apontou para primeiro-ministro Qin Hui, um homem fugido do campo do inimigo, que tomou como missão negociar a paz com os Jin, apesar das importantes vitórias conseguidas sobre estes por o general Yue Fei.

Chamado à corte de Gao Zong e por exigência dos Jin, Yue Fei, com uma acusação forjada escrita por Wang Jun, um seu desleal subordinado, foi metido na prisão e executado. Estava-se em 1141 e nesse Inverno os Song cederam aos Jin um vasto território, tornando-se como vassalos, pois pagavam-lhes um tributo anual. Após o Imperador Gao Zong abdicar em 1162, subiu ao trono da Dinastia Song do Sul o filho adoptivo, o Imperador Xiao Zong (1162-89), que reabilitou o general Yue Fei, passando desde então a ser venerado como Deus da Guerra.

Nesse pequeno templo, a Yue Fei são feitos sacrifícios com três vénias e incenso por muitos peregrinos e à frente da sua estátua encontram-se no pátio exterior encostadas ao muro, com um ar de humilhação, cinco figuras de bronze ajoelhadas. Representam o primeiro-ministro Qin Hui, a esposa Wang Shi, os serventes Zhang Jun e Mo Qixie, assim como o traidor Wang Jun, que recebem pontapés, murros e estaladas, quando as pessoas por elas passam, dadas com a emoção de quem partilha esse momento histórico ainda vivido pela dor resultante dessa acção. E batem forte, saindo com as mãos a arder! É o incenso para purificar da maldade e deslealdade essas personagens.

1 Mar 2022

Huaiyang e o Rio Cai

Localizada num importante ponto estratégico, tanto militar como administrativo, Huaiyang, uma das primeiras cidades do mundo, encontra-se construída a meio do Lago Dragão (Long hu), em cujas águas a Sul estão esculturas com vários dragões semi-submersos e na margem oposta, o Templo Mausoléu de Fu Xi. Este tem à frente uma ampla praça em pedra separada do recinto do Templo por o Rio Cai, assim chamado desde o Período Norte-Sul (386 ou 420-589) quando o canal Hong Gou mudou de nome para Cai Shui (Águas do Cai) ou Sha Shui.

O canal Hong Gou fora mandado construir em 360 a.n.E. por o Marquês Hui de Wei (400-319) e partindo do Rio Amarelo, entre as cidades de Luoyang e Kaifeng, passava por Chenzhou (então o nome de Huaiyang) e chegava ao Rio Huai. Estava-se no Período dos Reinos Combatentes (475-221 a.n.E.) quando o Reino Wei (344-319), para preparar a guerra, mudou em 364 a.n.E. a capital de Anyi para Daliang (Kaifeng) e quatro anos depois, mandou em 360 a.n.E. rasgar o Hong Gou, canal cuja construção terminou em 339 a.n.E.

A obra baseava-se no anterior trabalho do Rei Yu (Da Yu, 2070-2035 a.n.E.) que, para resolver o problema das cheias do Rio Amarelo, rasgou canais colocando a água a vazar para Sul e assim as distribuiu pelos os rios da região, levando-as até ao Rio Huai. O Canal Hong Gou resolvia o problema da água para a agricultura, possibilitando ainda uma via para o transporte fluvial de mercadorias e pessoas e assim, de Daliang conseguia-se chegar aos reinos de Han, Chu, Qi, Wei e Lu. No reinado do primeiro imperador Qin foi usado para levar o arroz do Sul para a capital Xianyang (hoje Xian).

O Canal Hong Gou ligava o Rio Amarelo com os nove rios da região afluentes do Rio Huai e mais tarde seguiria até ao Changjiang. Para Leste, através do Rio Ji chegava-se ao Grande Canal. Para Norte conectava com o Rio Amarelo, onde para Oeste se encontrava com os rios Luo e o Wei.

Em Chen Cheng (Huaiyang) no ano de 209 a.n.E. foi criado o primeiro reino rural da História da China, denominado Zhang Chu, por Chen Sheng e Wu Guang, os primeiros agricultores revolucionários, num acordo que foi um duro golpe para o governo da Dinastia Qin. Após a queda dessa dinastia, entre 206 e 202 a.n.E. ocorreu a contenda entre os reinos Chu e Han e em 203 a.n.E., ao fizerem o tratado de paz marcaram entre ambos como fronteira o canal Hong Gou. Nos tabuleiros de xadrez chinês encontra-se representado esse canal a separar os dois lados, denominados Rio Chu e fronteira Han.

OS NOMES DA CIDADE

Importante ponto estratégico há 5800 anos, quando Fu Xi aí fez a capital Wanqiu e um pouco mais tarde, outro dos Três Soberanos, o Imperador Yan (Yan Di Shen Nong) reconstruiu essa antiga cidade para sua capital, mudando-lhe o nome para Chen, sendo visitada por o Imperador Amarelo (Huangdi). Na Dinastia Xia (2070-1600 a.n.E.) Chen era chamada Yuzhou.

Zhen Shao Jing no livro Zhong Guo Shui Li Shi refere, entre 2287 e 602 a.n.E. o Rio Amarelo com frequência mudava o curso e Chenzhou por seis vezes sofreu inundações.

Com a chegada da Dinastia Zhou do Oeste (1046-771 a.n.E.), o Rei Wu, após a filha Da Ji se casar com Gui Man (Cui Man), um descendente directo do Ancestral Shun Di, entregou ao genro uma grande área de terra para administrar. Como Duque Hu de Chen (Hugong, 1045-986 a.n.E.) fundou o Reino de Chen (陳, c.1045-479 a.n.E.), fazendo a capital em Chenzhou, mas fora do lugar até então existente, onde Fu Xi construíra uma muralhada cidade quadrada com as portas Norte e Sul, hoje no local denominado Ping Liang Tai.

Por ser esse um espaço exíguo, o Duque Hu mandou edificar a capital a quatro quilómetros daí, onde agora está a cidade de Huaiyang. No Período Primavera-Outono (Chun Qiu, 770-476 a.n.E.), era Chen já um pequeno reino situado na fronteira com o Reino Chu, também ele fundado na mesma altura, quando o Rei Wu deu terras ao seu professor Yu Xiong (鬻熊). Mais tarde o Reino Chen tornou-se vassalo dos Chu, lutando ao lado destes na Batalha de Chengpu em 632 a.n.E.. O Duque Min de Chen (501-478 a.n.E.) foi o último dos 25 governantes Chen, sendo o reino anexado aos Chu em 479 a.n.E., tomando muitos dos habitantes o nome de família Chen.

Com a destruição de Ying, antiga capital do Reino Chu, o Rei Qingxiang dos Chu (298-263 a.n.E.) transferiu a capital para Chenzhou e chamou-lhe Ying Chen.

No reinado de Gao Di (206-195 a.n.E.), primeiro imperador da Dinastia Han do Oeste, Chenzhou passou em 200 a.n.E. a chamar-se Huaiyang, por se situar a Norte do Rio Huai. No Período dos Três Reinos (220-280), Cao Za, filho de Cao Cao, ergueu aqui o Reino Chensi, regressando a cidade ao nome de Chenzhou, mantido até ao fim da Dinastia Qing, apesar de na Dinastia Sui (581-618) voltar a ser Huaiyang. Em 598, a água do Rio Amarelo inundou Huaiyang, Kaifeng e outros sete locais.

De novo Chenzhou na Dinastia Tang, a cidade sofreu inundações nos anos de 640 e 839, e da Dinastia Song até à Ming ocorreu por 57 vezes as águas do Rio Amarelo virem inundá-la, por vezes em períodos curtos de muitos dias e quando longos, alagada por mais de dez anos. Daí o governo de Chenzhou precisar constantemente de altear e fortalecer os muros que protegiam a cidade, mas estes, em Junho de 1043, abriram brechas e as águas inundaram-na, segundo Chenzhou FuZhi.

LAGO DRAGÃO

O livro Huaiyang XianZhi refere Chenzhou na Dinastia Song ter três lagos: o situado na parte Sul da cidade chamava-se Nantan Hu; a Oeste era o Liu Hu, também conhecido por lago sem água; e na parte Norte o Lago Beiguan, sendo independentes uns dos outros. Devido às águas do Rio Amarelo inundarem a região, os lagos ainda na Dinastia Song ficaram ligados.

As grandes chuvas de Junho de 1566 cobriram de água os campos, destruindo muitas casas, necessitando os habitantes de andar de barco na cidade e no Outono de 1593 só embarcado se podia sair das suas quatros portas.

Os muros de protecção de Chenzhou foram em Julho de 1607 destruídos pelas águas do Rio Cai, que inundaram as casas, ocorrendo o mesmo mais duas vezes, no Outono de 1831 e em 1926. Chenzhou em 1913 passou definitivamente a ter o nome de Huaiyang.

Numa das reparações do muro protector do lago, nele se contou vinte anteriores intervenções e chegou-se à conclusão de que a largura inicial era de três metros. Em 1945, o governo ordenou aos militares a destruição da parte Sul do muro para entrar no lago 11 milhões de m³ de água.

Em 1956, ao construir a Ponte Cai he encontrou-se à profundidade de três metros uma outra ponte, percebendo-se assim terem as bases da cidade sido alteadas dez metros. A actual maior profundidade do lago é de 2,1 metros e a terra em volta, onde se encontra construída a cidade, está a 2,2 m de altura.

O Lago Long em 1981 tinha de Leste a Oeste 4,4 km e de Norte para Sul 2,5 km, numa área de 10.840 mu. Em 1996, o governo de Huaiyang usou 37 dias e mais de mil pessoas para fazer a limpeza do lago. Agora a água transparente conta com muito peixe, pássaros e flores, mas não vi tartarugas.

22 Fev 2022

淮阳 Huaiyang celebra Fu Xi

Visitar a província de Henan, situada na parte média do Rio Amarelo, é como entrar nas primeiras páginas do longo livro da História da China por ser um dos berços da civilização chinesa e onde se registam do período Neolítico muitas culturas como, a Peiligang (6100-5000 a.n.E.), a Yangshao (5000-3000 a.n.E.), a Longshan (2500-2000 a.n.E.) e a Erlitou (c.1900-1500 a.n.E.), esta ligada à dinastia Xia (2070-1600 a.n.E.), a primeira das dinastias imperiais que duraram até 1911. Já a Cultura de Erligang (1600-1400 a.n.E.) está relacionada com o início da dinastia Shang (1600-1046 a.n.E.).

Chegamos a Zhengzhou, capital da província de Henan, para a 230 km ir a Huaiyang, na prefeitura de Zhoukou, assistir às festividades em honra de Fu Xi, que se estendem entre o segundo dia do segundo mês lunar até ao terceiro dia do terceiro mês. Ana Maria Amaro lembra-nos, “no segundo dia do segundo mês do calendário lunar chinês celebra-se a tradicional festa conhecida por ‘O Dragão levanta a cabeça’ que anuncia as primeiras chuvas da Primavera.” O dragão é considerado a divindade que domina a chuva e para um povo de agricultores como eram os chineses, esta era-lhes essencial para os campos.

Ainda nessa prefeitura, no concelho de Luyi celebra-se na mesma altura o aniversário de Lao Zi, enquanto Xihua, ligado a Nu Wa e onde tem o mausoléu, é outro dos oito concelhos da prefeitura de Zhoukou localizada no Sudeste da província.

Da cidade de Zhoukou partimos para Huaiyang numa viagem de 45 minutos de autocarro. Chamada Wanqiu no tempo de Fu Xi, ficou em 200 a.n.E. a ser Huaiyang por se encontrar a Norte do Rio Huai e daí o nome, pois yang designa Norte. Local onde Fu Xi e Nu Wa escolheram fazer as suas capitais, tal como também aí, já com o nome Chen, viveu Yan Di, estando assim relacionada com os Três Ancestrais Soberanos (San Huang) e mesmo considerando Nu Wa não ser um dos três, mas sim Sui Ren, o deus do Fogo, este era de Shangqiu, na fronteira para Nordeste da prefeitura de Zhoukou.

A FEIRA

Em Huaiyang (淮阳), após sair do autocarro, ao caminhar o quilómetro e meio até ao Templo de Fu Xi temos a sensação de pertencer ao imenso grupo proveniente da tribo Feng (风, Vento), que há 4800 anos viera da província de Gansu para Leste chefiada por Fu Xi. Percorreu desde a bacia do Rio Wei até ao Rio Amarelo onde encontrou terras férteis na Planície Central, na actual província de Henan e aí se instalou.

Criou a povoação amuralhada de Wanqiu para albergar o grupo, que então passou a designar-se tribo Yi e escolheu como totem o Dragão. Após a realização de festas onde se promoveram casamentos, parte da tribo separou-se e Nu Wa com as suas gentes seguiu para Norte dessa área, estabelecendo-se em Xihua.

Chegando pelo lado Oeste contornamos o Lago Dragão (Long hu), que separa o templo de Fu Xi da vila de Huaiyang, encontrando-se no meio da água uma escultura com dois dragões semi-submersos. A moldura humana caminha e avolumando-se dá lugar a uma multidão, ladeada por um sem número de vendedores. Dois pormenores logo rapidamente saltam à vista. Um grande número de pessoas em sentido inverso vem da festa trazendo bolas de basquete e outras, tigres feitos de tecido laranja com a face pintada, que pela forma parecem ser comprados para servir de almofadas.

A confusão é grande e as tendas de circo, instaladas num recinto descampado ao lado do muro do complexo do templo, animam com os altifalantes o som geral do local, anunciando animais ferozes, famosos artistas malabaristas e tudo o que pudesse causar espanto e estupefacção aos habitantes da região aí apinhados. Por detrás dos muros do complexo do templo pode-se ver um monte e os telhados de alguns dos pavilhões que constituem o Tai Hao ling (太昊陵), Templo-mausoléu de Tai Hao, a divindade de Fu Xi.

Na porta lateral Oeste (Xi Hua men) o rebuliço é ainda maior, pois muita gente tenta por aí entrar no templo, não deixando sair os que acabam de o visitar.

Prosseguimos em direcção à porta Sul, a principal do templo e por onde se deve entrar, entre tendas com esculturas de deuses e imagens de muitos dos soberanos mitológicos à venda, havendo ainda as bancas com geomantes entendidos no Feng-Shui e no Yi Jing.

CÃO DE ARGILA DE HUAIYANG

Da grande praça em frente ao templo, o nosso olhar é atraído pela água do lago e expande-se até aos edifícios da vila de Huaiyang, na margem oposta. O que parece uma ampla praça está interrompida por um canal, não perceptível devido às inúmeras tendas colocadas em frente. É o Rio Cai, cujo significado antigo era o de tartaruga. Segundo os registos do livro Chenzhou Fu Zhi, foi no Rio Cai que Fu Xi encontrou a tartaruga branca a trazer-lhe a base para criar os oito trigramas. Este rio nasce a Noroeste de Huaiyang, atravessa Wanqiu, a cidade construída por Tai Hao, que foi a primeira capital da China, e passa em frente do templo mausoléu.

Como viemos pelo lado Oeste, para o atravessar escolhemos a ponte mais próxima das três existentes e assim, entramos no recinto limitado entre o Rio Cai e o Lago Dragão (Long hu). Aí, a imensa feira, que para além do lado comercial tem uma parte de diversão, estende-se desde o lago até à entrada do templo.

Nas tendas vendem-se os papéis votivos e incenso, assim como estátuas de porcelana de muitos deuses, sobretudo os da Riqueza, contando com uma variedade de outros produtos típicos apresentados nas normais feiras de pendor rural. As pessoas ao passarem pelos carrinhos cheios de lingjiao, fruta com sabor a castanha e forma em miniatura de pares de cornos de búfalo, esperam a vez para a adquirir.

Encontramos então os famosos tigres (ou serão cães?) em vários tamanhos e feitos de tecido cor de laranja com pinturas a dar as feições e outros pormenores, parecem ser uma novidade. Produção actualizada, mais ao gosto dos compradores, inspirada nas pequenas esculturas antigas de barro pintado com fundo preto, ornamentadas por cores vivas a criar as feições das formas primitivas de seres humanos e pássaros. Servem como instrumento musical pois ao soprar-se por um buraco dão um assobio.

Assim, os locais camponeses artesãos entre a multidão chamam a atenção, pois vão com elas na boca usando-as como apitos, enquanto transportam cestas de vime cheias dessas pequenas esculturas para vender. São os ‘Cães do Mausoléu’, que por terem formas amórficas muito diversas, revelam ser provenientes de uma figuração muito antiga. Também conhecidos por Cão de Argila de Huaiyang, ou Cão Ling, é o nome dado a estas figuras no seu todo, não importando a representação que têm. Está relacionado, segundo o conhecimento popular, com o nome de Fu Xi, em cujo primeiro caractere (伏) existem dois radicais, um de homem (人) e outro de cão (犬). Segundo especulações de alguns estudiosos, a tribo de Fu Xi tinha como totem o cão e após o seu chefe deixar esta vida, os cães tornaram-se as divindades que guardam o mausoléu. Confúcio confirmou passados dois mil anos estar ali enterrado o corpo do inventor dos trigramas.

15 Fev 2022

Mês lunar e as 28 Constelações

O sistema astronómico chinês usa pequenos grupos de estrelas para enunciar cada um dos dias do mês lunar. Como o mês lunar compreende uma lunação, isto é, desde a Lua Nova até ao Quarto Crescente vão sete dias e mais sete para chegar à Lua Cheia e decrescendo passa ao fim de outros sete dias a Quarto Minguante, até que com mais sete dias regressa à Lua Nova, ao primeiro dia do mês. Assim ocorre um mês com quatro semanas a perfazer 28 dias, enunciados em regular sucessão pelos 28 asterismos, denominadas constelações. As 28 Constelações (28 Xiu, 二十八宿) estão divididas em Quatro Quadrantes (四宫, Si Gong), que correspondem às quatro semanas cada uma de sete dias a compor o mês lunar.

Luiz Gonzaga Gomes refere serem os quatro quadrantes (Si-Kun, 四宫, Si Gong): o do Leste, O Dragão Verde/Azul, denominado em cantonense Tch’êng (青, em mandarim Qing) ou Tch’óng-Long (苍龙, CangLong), e contém da primeira à sétima constelação. O Quadrante Norte, O Guerreiro Sombrio, Ün-Môn (玄武, XuanWu), abarca da 8.ª à 14.ª constelação. O Quadrante Oeste, O Branco Tigre, Pák-Fu (白虎, BaiHu), que compreende da constelação 15.ª à 21.ª, apesar de LGG referir, creio equivocando-se, conter da 22.ª à 28.ª constelação, pois trocou com as do Quadrante Sul, O Pássaro Encarnado, Tchü-Niu (朱鸟, ZhuNiao) ou Tchèok (雀, Que), a corresponder às constelações que vão da 22.ª à 28.ª e não, como afirma, entre a 15.ª e a 21.ª constelação.

Mês Lunar

Aqui deixamos a lista das 28 Constelações correspondentes aos 28 dias que constituem um mês lunar, enquadradas nos Quatro Quadrantes (Si-Kun 四宫, Si Gong) a marcar as quatro semanas, com sete dias cada.

Os nomes são os usados por Luiz Gonzaga Gomes para as 28 constelações (I-Sâp-Pát-Sôk, 二十八宿, 28 Xiu) e estrelas que compõem cada um dos 28 asterismos do sistema astronómico chinês.

O primeiro Quadrante do mês, Leste, O Dragão Verde/Azul, compreende da 1.ª à 7.ª constelação. O primeiro dia do mês lunar é chamado Kôk (角, em mandarim Jiao), O Chifre, e é formada pela constelação cujas estrelas são Espica, Zeta, Teta e Iota, dispostas em cruz, e situadas perto de Virgem.

O segundo dia, Kàng (亢, Kang), O Pescoço, formada pelas estrelas Iota, Kapa, Lambda e Ró, em forma de arco e situado nos pés da Virgem.

– Dia 3 – Tâi (氐, Di), O Fundo, constituída pelas estrelas Alfa, Beta, Gama e Iota, em forma de uma vasilha e situado na parte inferior da Libra.
– Dia 4 – Fóng (房, Fang), O Quarto – Beta, Delta, Pi e Nu, na cabeça do Escorpião. [É o 1.º Domingo do mês]
– Dia 5 – Sâm (心, Xin), O Coração – Antares, Sigma e Tau no coração do Escorpião.
– Dia 6 – Mêi (尾, Wei) – A Cauda – Úpsilon, Mu, Zata, Eta, Teta, Iota, Kapa, Lambda e Nu, formando a cauda do Escorpião.
– Dia 7 – Kêi (箕, Ji) – A Peneira – Gama, Delta, Úpsilon e Beta aparentando uma peneira e situada nas mãos do Sagitário.
O segundo Quadrante, Norte, O Guerreiro Sombrio, compreende da Constelação 8.ª à 14.ª.
– Dia 8 – Tâu (斗, Dou) – A Vazilha – Mu, Lambda, Ró, Signa, Tau e Zeta, do Sagitário.
– Dia 9 – Ngau (牛, Niu) – O Boi – Composto de Alfa, Beta e Pi do Áries e Ómega, Alfa e Beta do Sagitário.
– Dia 10 – Nui (女, Nu), A Donzela – Úpsilon, Mu, Nu e nove situadas à esquerda do Aquário.
– Dia 11 – Hôi (虚, Xu), O Vácuo – Alfa, na testa do Eqúleo e em linha recta com Beta do Aquário. [2.º Domingo do mês]
– Dia 12 – Ngâi (危, Wei), O Perigo – Alfa, no ombro direito do Aquário e Úpsilon e Teta na cabeça do Pégaso de maneira a formar um triângulo obtusângulo.
– Dia 13 – Sât (室, Shi), A Casa – Alfa, na asa, e Beta, nas pernas do Pégaso.
– Dia 14 – P’êk (壁, Bi), A Parede – Alfa na cabeça da Andrómeda e Gama (Algenib) na extremidade da asa do Pégaso.
Terceiro Quadrante do mês, Oeste, O Branco Tigre, da 15.ª à 21.ª Constelação.
– Dia 15 – Kuâi (奎, Kui), O Passo Largo – Beta (Mirac), Delta, Úpsilon, Zeta, Eta. Mu, Nu, Pi da Andrómeda e duas Sigmas, Tau, Nu, Fi, Ki e Psi do Pisces formando como que um homem dando um largo passo.
– Dia 16 – Lâu (娄, Lou), O Montículo, constituído por três estrelas em forma de um triângulo isósceles: Alfa, Beta e Gama na cabeça do Áries.
– Dia 17 – Uâi (胃, Wei), O Estômago, formado pelas três estrelas principais da Mosca Boreal.
– Dia 18 – Máu (昂, Ang), O Quadrante Ocidental, constituído por sete estrelas da Plêiade.
– Dia 19 – Pât (毕, Bi), O Termo, formado por seis estrelas na Híade com a Mu e Nu de Toiro.
– Dia 20 – Tchôi (觜, Zui), Eriçar – Lambda e dois Fi na cabeça do Oriente.
– Dia 21 – Tch’ám (参, Can), Misturar – Alfa (Betegeux), Beta (Rigel), Gama, Delta, Úpsilon Zeta, Eta e Kapa nos ombros, cintura e pernas do Oriente.
Quarto Quadrante do mês, Sul, O Pássaro Encarnado, da 22.ª à 28.ª Constelação.
– Dia 22, Tchèang (井, Jing), O Poço, constituído por quatro estrelas nos pés e quatro nos joelhos dos Gémeos.
– Dia 23, Kuâi (鬼, Gui), O Demónio – Gama, Delta, Eta e Teta do Câncer.
– Dia 24, Lâu (柳, Liu), O Salgueiro – Delta, Úpsilon, Zeta, Eta, Teta, Ró, Sigma e Ómega da Hidra.
– Dia 25, Sêng (星, Xing), A Estrela – Alfa, Iota, duas Tau, Kapa e duas Nu, no coração da Hidra.
– Dia 26, Tchèong (张, Zhang), Retesar o Arco – Kapa, Lambda, Mu, Nu e Fi na segunda espira da Hidra.
– Dia 27, Iêk (翼, Yi), A Asa, Formada por vinte e duas estrelas da Cratera e da terceira espira da Hidra.
– Dia 28, Tch’ân (轸, Zhen), A Canga, constituída por Beta, Gama, Delta e Úpsilon do Corvo.
Na dinastia Tang estas 28 Constelações tinham ao todo 183 estrelas, apesar de apenas contarmos 161 estrelas no artigo Patronos do Calendário Chinês de Luiz Gonzaga Gomes, que refere ainda, “os primeiros dias de todas as luas se chamavam kôk, os segundos káng e assim por diante, dando-se o facto de recaírem, sucessivamente, todos os primeiros dias de cada grupo de sete dias, nas constelações fóng, hói, máu, e sêng que, por este facto, equivalia a referir-se-lhes como sendo o 1.º, o 2.º, o 3.º e o 4.º domingos do mês.”
“Não obstante as suas aparentes complicações, o sistema cronológico chinês presta-se admiravelmente para determinar com mais ou menos exactidão, os diversos períodos do tempo. Os investigadores que se dedicaram ao estudo do almanaque chinês, asseveram que sob vários aspectos, ele é mais flexível que o europeu e até regista com maior rigor as alternações das estações e as suas respectivas fracções, não devendo nós deixar de mencionar o facto de o notável político e matemático francês, Paul Painlevé, ter proposto a amalgamação dos calendários chinês e europeu, com o fim de se elaborar um calendário universal que viria a ser o mais perfeito de quantos têm sido produzidos até à actualidade.”

8 Fev 2022

Previsões por signos e por anos para 2022

As previsões aqui expressas são a ideia criada pela interpretação das escritas por Edward Li.

O dia de ir ao templo oferecer sacrifícios ao General He E, Deus do Ano (Tai Sui), é o oitavo da primeira Lua, que ocorre a 8 de Fevereiro de 2022

 

Tigre

Como animal do ano, os nativos de Tigre estão em Zhi Tai Sui (em confronto com o Tai Sui) significando ter pela frente um ano de muito trabalho, a tomar conta de tudo, sem dar espaço para desenvolver.

Evite as ondas de grande amplitude; os pequenos investimentos previnem tudo perder ao ser engolido nas turbulentas águas, sendo poucos proveitos melhor do que nada. Olhe pela saúde e mantenha-se em forma para melhor controlar as emoções.

Carreira: Sem uma poderosa estrela da sorte, terá a compensar a estrela Wen Chang (文昌, deus dos Letrados e da Literatura), que o colocará a aprender e a estudar mais, para se tornar um conhecedor. Se a ocupação está virada para a restauração e eventos culturais, conta com a ajuda das estrelas da sorte Tian Chu (天厨, Cozinha do Céu) e Tian Guan (天官, oficial do Céu). Já a estrela da sorte An Lu (暗禄, Dinheiro Sombra, ou da Sorte) significa receber dinheiro fora do normal. Mas não se esqueça que conta também com alguém a apontar-lhe o dedo, falando mal de si pelas costas, devido à má estrela Zhi Bei (指背). Por isso, precisa de cuidar das amizades. Outras duas maléficas estrelas, Jian Feng (剑锋, ponta da Espada, operação clínica) e Fu Shi (伏尸, Corpo Morto), representam acidentes, devendo, por isso, evitar colocar-se em situações perigosas. Lembre-se ainda que quanto mais se vangloria, mais setas irão contra si e assim, este será um ano para não ter grandes expectativas e não se expor muito.

Amor: Os nativos de Tigre, embrenhados no trabalho e apenas focados na carreira, mesmo ao encontrarem a pessoa certa não conseguem tomar uma decisão. Gostando de momentos românticos e de testar novidades, sem querer relações estáveis e duradoiras, se para os solteiros isso não traz problemas, na vida conjugal provoca turbulência e tensões.

Saúde: Ano em Fan Tai Sui será melhor ir oferecer sacrifícios ao Deus do Ano. Os nativos de Tigre nunca gostam de ouvir o que os outros têm a dizer sobre os seus defeitos, mas este ano como terá muita gente a apontar-lhe o dedo, as emoções tendem a ficar desequilibradas, propiciando por isso acidentes. Para os nativos nascidos no Verão, é fácil terem problemas com o coração, fígado e sangue.

 

Os nativos de Tigre nascidos em:

1962 – São os mais bafejados de todos os nativos de Tigre, tendo ideias activas para a carreira e conseguem ajudas para levar a bom termo os seus planos. Faça uma Festa de Aniversário para firmar as amizades.

1974 – Conseguirá ajuda de pessoas com mais experiência e se o permitir, a sua carreira e fortuna serão rentabilizadas.

1986 – Tem imensas ideias e quer realizá-las todas, mas isso está fora das suas capacidades. Quanto mais se mostra e vangloria, maior é o efeito contrário. Ano para ter relações diferentes, mas daí também podem advir problemas.

1998 – Bom para estudar e aprender, degrau a degrau, mas evite discussões. Faça sacrifícios ao Deus do Ano e uma festa de aniversário para chamar a boa sorte.

1950 – Para os que ainda trabalham, este ano estarão mais ocupados pelos afazeres e daí o cansaço. Procure não comer demais e controle o estômago fazendo mais exercício físico para equilibrar as emoções.

 

Coelho

Ano para os nativos de Coelho com apenas uma palavra, Esperar.

Carreira: Poderá contar com uma poderosa ajuda devido à estrela da sorte Tian Yi Gui Ren (天乙贵人), ligada à criatividade. Comparando com o último ano, os nativos de Coelho têm este ano mais sonhos, mais planos e mais pessoas a ajudar, mas na acção, em especial aos nativos masculinos surgem mais problemas a necessitarem de serem resolvidos. Sozinho não conseguirá realizar os seus projectos, precisando de um parceiro para os pôr em prática, sendo os nativos de Cabra um bom complemento.

A má estrela Mo yue (陌越, estrela de mudança) depende com quem se conjuga, pois se for com uma boa estrela melhora a situação, mas ligada a uma má, piora-a. Representa não ter direcção. Pensar muito e não acreditar nos outros, coloca-o a não conseguir tomar decisões e, por vezes, a encontrar razões para ter medo. Já a Wang Shen (亡神, problemas na justiça, ou perder algo de si) avisa poder ser afectado por alguém, tendo mesmo de parar a meio o projecto em que está a trabalhar.

Amor: Com a ajuda da estrela da sorte Tian Yi Gui Ren, (天乙贵人) os nativos de Coelho terão uma activa vida social e os nascidos em 1987 são os que melhor colhem esse harmonioso estar. Já os nativos de 1963 precisam de mais cuidado, pois demasiadas aventuras amorosas só trazem problemas. Este ano é necessário aprender a dar outro valor às relações.

Saúde: Com a má estrela Bing Fu (病符, Sinaliza doença) precisa de ter cuidado com a saúde, especialmente os nascidos no Verão, ou entre os dias 8 de Outubro e 7 de Novembro. Por isso, no início do ano faça um exame de saúde e vá ao Templo oferecer sacrifícios ao Deus do Ano. Limpar a casa traz também uma grande ajuda. Se tem um problema de saúde, peça ajuda aos amigos nativos de Macaco e Porco.

 

Os nativos de Coelho nascidos em:

1963 – Terão uma nova oportunidade para atingir um elevado patamar e podem contar com mais recursos monetários. Os nativos masculinos deverão evitar demasiadas relações amorosas, pois só lhe trazem sarilhos. Dê especial atenção à saúde.

1975 – Com ajudas, o ano será fácil no trabalho. Deve evitar a prática de desportos que envolvam perigo. Festejar o aniversário elevará a sua sorte.

1987 – Poder e estatuto aumentam, e os nativos femininos contarão com um ano harmonioso com o parceiro.

1951 – Muito activo, cheio de planos, tenha, no entanto, cuidado para não exceder as possibilidades do que consegue fazer. Faça mais exercício físico e relaxe. É melhor do que matar-se a trabalhar para apenas conseguir arranjar mais problemas.

1999 – Cada coisa no seu tempo e quanto mais rápido quer fazer, mais o oposto acontece. Bom ano para estudar, aprender e criar uma grande base de relações de amizade, a preparar o próximo ano.

 

Dragão

<A beber chá sozinho na alta montanha.>

Ano de muitas mudanças, com possibilidade de fazer uma longa viagem, mudar de casa ou de emprego, e também com alterações nas relações emocionais.

 

Carreira: Ano para ter de cuidar de tudo sozinho, pois ninguém o pode ajudar. Mas, devido à estrela da sorte Fu Xing (福星), protectora, que lhe limpa o caminho, se estiver em perigo, terá alguém a resolver-lhe o problema.

A má estrela Tian Gou (天狗, Cão do Céu) leva a ser fácil criar conflitos e representa acidentes, colocando-o com pessoas em que não poderá confiar, precisando por isso de ter cuidado. Ano para ter muita paciência e enfrentar os problemas em vez de os esconder. Espere pelas oportunidades certas para surfar nas grandes ondas, que permitam limpar a mente e equilibrar as emoções.

Amor: Sem ajuda de estrelas da sorte, a má estrela Tian Ku (天哭, Chora o Céu) provoca uma onda emocional aos nativos de Dragão, pois, seja no amor, na família, ou nas relações de amizade, terão de despender imensa energia para resolver os problemas, mas sem, no entanto, obter bons resultados. Daí, terá de pensar se o problema não estará em si, em vez de o apontar aos outros. Ganhar ou perder, depende da sua atitude. Mantenha-se calmo para decidir melhor.

Saúde: Os problemas para os nativos de Dragão são de natureza emocional. É você que se coloca em grande tensão e por isso, deve relaxar e ser simpático, é o melhor para todos e em especial para si. A má estrela Diao Ke 吊客, relaciona-se com a morte de um familiar, por isso, quando viajar, ou se vai a conduzir faça-o com muito cuidado para se manter em segurança e evite todo o tipo de discussões. Ao desculpar os outros, estará a desculpar-se a si mesmo.

 

Os nativos de Dragão nascidos em:

1964 – Contará com a boa estrela Lu Shen (禄神, bom rendimento e abundantes relações) de onde lhe advém dinheiro. Aproveite e agarre a oportunidade, promova a carreira, pois quanto mais arduamente trabalhar mais alcançará.

1976 – Trabalhará bem este ano com uma boa cooperação, mas evite expor-se demais, pois apenas irá atrair invejas.

1952 – Vida social activa, mas cuidado, escolha os amigos e evite qualquer forma de cooperação financeira nos investimentos. Mantenha-se atento, para evitar acidentes.

1988 – O caminho é ser paciente e trabalhar em silêncio. Cuide da maneira como os seus amigos o tratam.

2000 – Ano para se revelar e conseguir trabalhar em novas e diferentes áreas, embora isto apenas o leve a ganhar experiência, sem retorno monetário.

 

Serpente

Se no ano passado foi um bom ano para os nativos de Serpente, este será ainda melhor. Mas lembre-se, seja flexível e esqueça a intransigência, pois as verdades dos factos apenas são a sua interpretação e para lá do que lhe é dado ver, existem outros mundos de consciência que não consegue alcançar. Assim, sendo um ano de Fan Tai Sui, que está em Xing Tai Sui, significando Xing ser julgado, permite-lhe crescer ao ver-se pelos outros e muitos deles são trazidos pelas inúmeras estrelas da sorte que o bafejam, logo o julgamento que farão de si, será positivo. É um vencedor.

Carreira: Ano para se expor e fazer tudo o que quiser. A acção é o mais importante e não apenas pensar fazer, pois todas as estrelas da sorte, como a Tian De (天德) e Fu Xing (福星), protectoras, lhe limpam o caminho; Fu De (福德) a trazer riqueza material e protecção pela virtude; e as poderosas estrelas, Tian Yi Gui Ren, (天乙贵人) ajuda ligada à criatividade e Tai Ji Gui Ren, (太极贵人) alguém o apoia, levam a bom termo o que pretende realizar.

Ano de muita competição e mudanças, por isso tomar cuidado devido à má estrela Juan She (卷舌, falarem mal de si), pois o sucesso chama a inveja, o que é normal.

Precisa este ano de se abrir e aceitar pacificamente todas as diferenças, a permitir, se souber escutar, melhorar substancialmente os conhecimentos e usar a virtude para ganhar o seu verdadeiro coração.

Amor: Em Xing Tai Sui, alguém o coloca em sarilhos e por isso terá de ter a mente limpa para não se deixar envolver e entrar numa relação pouco clara. Resolva a situação rapidamente.

Com as más estrelas, Juan She (卷舌, alguém a falar mal de si) e Tian Ku (天哭, Chora o Céu), é fácil arranjar problemas com as palavras e por isso, tenha cuidado ao falar e pense primeiro no que vai dizer. Como é um ano focado na carreira, no amor não haverá surpresas.

Saúde: Os nativos de Serpente este ano estão propensos a terem pequenos acidentes. Evite pequenas discussões, que podem trazer grandes problemas. Equilibre o trabalho, para a carreira e para si mesmo, e relaxe.

 

Os nativos de Serpente nascidos em:

1953 – Além das estrelas da sorte encima referenciadas, contam ainda com Jin Yu Lu (金舆禄, grande fortuna) e se quanto à carreira e fortuna não é preciso repetir, deve apenas lembrar-se que tem demasiados namoros e por isso, terá de se organizar melhor.

1965 – Continua com um bom apoio na carreira e isso provoca inveja nos outros. Ano em que terá de passar mais tempo a equilibrar as relações. Deve sobretudo tentar controlar as emoções e ter mais cuidado com a saúde.

1977 – Irá ser promovido e vai ganhar mais. A sua vida atingirá um novo patamar.

1989 – Cheio de confiança, faz os planos funcionarem e recebe recompensa monetária satisfatória.

2001 – Ano muito criativo e cheio de vontade para experimentar tudo, mas mantenha a segurança.

 

Cavalo

No ano do Tigre [Elemento Madeira yang], os nativos de Cavalo [Fogo forte (yang)] nascidos no Verão, [Fogo], ou entre 8 de Outubro e 7 de Novembro [mês de Cão, também Fogo], precisam de ter cuidado, pois demasiado fogo não é bom, sendo bastante negativo para a saúde, especialmente a provocar ataques de coração.

Carreira: Sem suporte de estrelas da sorte, para fazer alguma coisa precisa de encontrar um parceiro para cooperar, combinando apenas com Tigre e Cão, mas atenção, não deve ser com um ser feminino por causa da forte má estrela, Bai Hu (白虎, a Tigre Branco), a representar mulher a trazer problemas e a causar perda de saúde, ou dinheiro. Os nativos de Cavalo nascidos no Outono e Inverno terão menos problemas. Ano em que cada passo deve ser dado com muito cuidado. Manter o que já tem, é o melhor.

A má estrela Zhi Bei (指背, falar mal de si pelas costas, rumores) leva-o a ter de usar os nativos dos animais com que se combina bem, Tigre e Cão, para solucionar o problema.

Amor: Os solteiros nativos de Cavalo este ano não irão encontrar a sua cara-metade, por causa da má estrela Bai Hu (白虎, Tigre Branco), a colocá-lo em maus lençóis, especialmente agora com o forte e imenso poder da mulher, terá de ser paciente. Entre os casais, precisa de dar valor ao amor e se houver problemas, procure uma pessoa do sexo masculino para o aconselhar.

Saúde: As más estrelas Fei Lian (飞廉, imprevista calamidade) e Fei Ren (飞刃, fio da lâmina) representam acidente e operação cirúrgica e se estiver grávida, mais cuidado deve ter. Se tem excesso de peso, tente emagrecer. Poderão surgir problemas no sangue, avc’s e ataques do coração. Oferecer sacrifícios ao Deus do Ano é importante.

 

Os nativos de Cavalo nascidos em:

1954 – Os melhores dos nativos de Cavalo em matéria de carreira e dinheiro. Mantenha bem o que tem, sendo ano para dar mais atenção à família.

1966 – Atenção aos namoricos, pois ter um ano calmo ou com problemas só disso depende. Conseguirá ajudas para a carreira.

1978 – Quanto ao emprego, não haverá surpresas. Poderá encontrar novas vias para se desenvolver em outras áreas a trazer algo de diferente. Mas este ano trabalhará sozinho, sem contar com nenhuma ajuda. Celebrar o aniversário é bom para recolher as energias dos amigos.

1990 – Ano muito ocupado e de árduo trabalho. Não é por muito se esforçar a trabalhar que será mais compensado. Para as nativas de Cavalo é ano de grandes ondas e precisa de muito cuidado com a saúde.

2002 – Será bem-vindo à vida social, mas preste atenção, não transforme a competição em guerra pois ainda tem muito caminho para percorrer.

 

Cabra

No ano passado os nativos de Cabra estavam em oposição ao Deus do Ano, Chong Tai Sui, e tendo conseguido realizar mudanças e equilibrar as energias, este ano estão de parabéns, pois são os mais bafejados entre os 12 animais do zodíaco chinês.

Carreira: As estrelas da sorte, Zi Wei (紫微) e Long De (龙德) são as duas mais poderosas para a carreira, a trazer a possibilidade de vir a ter uma posição de chefia na sua área, ou a ser o mais desejado e requisitado. Sendo um pouco introvertido, este ano deverá mostrar o que tem de melhor dentro de si e surpreender os outros com o seu brilho, que irão ganhar uma nova visão da sua pessoa. A estrela da sorte Guo Yin Gui Ren (国印贵人, poderosa ajuda) significa ter apoio de pessoa qualificada por isso, deverá agarrar todas as oportunidades, não importa o que quer fazer, pois em tudo o que investir terá sucesso. Para voltar a este estado de graça só daqui a doze anos.

As más estrelas, Bao Bai (暴败, mudança sem poder controlar) e Tian E (天厄, Catástrofes provenientes do Céu) representam acidentes ou desastres. Junta-se ainda a má estrela Wang Shen (亡神, perder algo de si), mas não trazem grandes problemas.

Amor: Protegida pela auspiciosa e súper estrela da sorte Tian Xi (天喜, Alegria Celeste, a transformar pequenos infortúnios em bons acontecimentos) terá todo o ano boas emoções e consegue facilmente destacar-se. Os solteiros nativos de Cabra encontram-se no ano correcto para casar e os casais, para ter filhos. Em festa com a família, celebre a data do seu casamento, ou faça uma nova lua-de-mel.

Saúde: Os nativos de Cabra nascidos no Verão deverão ter cuidado com a cabeça, olhos e coração. Os restantes, apenas precisam de controlar o que comem e equilibrar o trabalho com um relaxante repouso.

 

Os nativos de Cabra nascidos em:

1967 – Com poder e posição serão promovidos; este ano será uma boa página da sua vida.

1979 – Ano para ganhar dinheiro e conseguir chegar a outro patamar. Coloque toda a atenção na carreira e trabalhe arduamente. Quanto aos nativos do sexo feminino, o seu parceiro irá tratá-la como uma Rainha.

1991 – Activo e criativo, é ano para se focar não só na carreira, mas investir na família e ampliá-la.

1955 – Rodeado de pessoas a ajudar, apenas terá de tomar cuidado em não ultrapassar as suas possibilidades de execução. Coloque o trabalho como um entretimento.

2003 – Terá boas relações sociais, mas facilmente se deslumbra, levando-o a acumular namoros, o que lhe trará complicações. Deve definir claramente a fronteira das amizades, sendo este ano propício para as ampliar e criar uma boa rede de amigos.

1943 – A carreira continua a desenvolver-se e com compensações monetárias, precisando apenas de tomar cuidado com demasiados namorados e evitar excesso de noitadas.

 

Macaco

<A vida é uma eterna procura por fora, mas o que se quer encontrar está dentro de nós e sempre esteve à nossa frente.>

Após dois bons anos de sorte, agora haverá mudanças e grandes ondas que não podem ser evitadas pois vai entrar em Chong Tai Sui, oposição ao Deus do Ano e em Xing Tai Sui vai ser julgado. Inteligente e sensível, para os nativos de Macaco estas mudanças e vagas poderão também ser oportunidades. É o momento que faz os heróis e só depende de como age.

Carreira: Ano Fan Tai Sui significa haver grandes mudanças, incluindo trocar de emprego, de casa, emigrar e mesmo encontrar outro parceiro. Mas terá muito boas estrelas de protecção, todas de mudança, podendo ser conduzido numa boa direcção.

Se tiver planos para investir no estrangeiro, ou ir estudar para fora, este ano, a estrela da sorte Yi Ma (驿马) permite que tal se torne realidade. A poderosa estrela da sorte Ba Zuo (八座, da carreira) representa ser promovido e ficar na posição de comando, a dar-lhe hipótese de saltar para fora do normal e conjugada com a Tai Ji Gui Ren (太极贵人) terá alguém a ajudá-lo no trabalho. Já as estrelas da sorte Tian Jie (天解) e Jie Shen (解神) indicam ter apoio na resolução dos problemas e com Ci Guan (词馆, Perfeitas palavras) mesmo só com palavras consegue mudar a situação.

A má estrela Da Hao (大耗, gastar dinheiro) coloca-o com problemas financeiros e a Lan Gan (阑干, barreira) provoca não ser nada fácil atingir o sucesso devido às barreiras que encontrará. A Chen fu (沉浮) altos e baixos) significa estar a sua vida numa encruzilhada e torna-se muito difícil tomar uma decisão.

Amor: Ano cheio de paixões, mas também de muitas zangas. Irá encontrar alguém de fora para entregar o seu amor, mas este ano terá más experiências com os namoros, tanto os solteiros como os casados e por isso procure perceber qual é a melhor decisão.

Saúde: A estrela Yi Ma indica ter de viajar imenso e combinada com a má estrela Xue Ren (血刃, Fio da lâmina com sangue) significa dever evitar movimentos perigosos e ter cuidado com o trânsito. Se está grávida, é necessário proteger o feto e tomar mais precauções. Evite desportos radicais, como mergulho com garrafa, ou saltar de grande altura em corda elástica. No início do ano, no oitavo dia (8 de Fevereiro) vá ao templo fazer sacrifícios ao Deus do Ano, para que o julgamento deste lhe seja benéfico.

 

Os nativos de Macaco nascidos em:

2004 – Entra num novo nível e se agarrar bem esta oportunidade irá ter um futuro risonho.

1992 – Está no topo dos nativos de Macaco quanto à carreira e fortuna e conta com uma profícua vida social, a degustar diariamente boa comida.

1980 – Este ano precisará de trabalhar arduamente para resolver os muitos problemas que terá pela frente. Os nativos do sexo feminino poderá engravidar.

1968 – Com muitas mudanças, precisa de aproveitá-las para ganhar mais dinheiro e tentar encontrar um novo investimento.

1956 – Bastante comunicador e a falar muito bem, irá fazer algo de anormal, mas tal chamará parceiros que não são bons para si. Quanto mais simples, melhor.

1944 – Tem o respeito dos outros, na profissão e na carreira, apenas precisa de ter cuidado com a saúde e escolher caminhos seguros.

1932 – Este idoso macaco continua a ter energia e força, sendo activo na vida social, sem precisar de se preocupar com o material, apenas deve controlar o que come.

 

Galo

Após um glorioso ano na carreira, os nativos de Galo regressam este ano ao seu normal posto, onde se sentem mais confortáveis a observar por fora o que se vai passando, mas sem se misturarem.

Carreira: Sem novidades, será um ano normal, pois não conta com nenhuma estrela da sorte a ajudar. Com oportunidade de subir na carreira, mas tal ocorre apenas num momento e logo desaparece, o melhor é manter o que já tem. A não acção é o caminho.

A má estrela Xiao Hao (小耗, pequenos gastos) leva a despender mais do que tem, mas tal problema é facilmente resolvido ao não se entusiasmar nas compras e levar o dinheiro controlado.

Amor: Com a estrela da sorte Yue De (月德, Virtude da Lua) os nativos de galo mostrar-se-ão mais simpáticos, captando a atenção dos outros. Este ano permite também recuperar a imagem deixada por não conseguir expressar bem o que lhe vai na alma, e assim mudar a maneira como os outros o vêem. Para os solteiros, é um bom ano para encontrar parceiro, pois sem a carreira a ocupá-lo, terá todo o tempo para se dedicar ao amor. O mesmo com os casados, que devem aproveitar para encontrarem espaço para a família. Tenha cuidado com os encontros virtuais pelo computador.

Saúde: Com a má estrela Shi Fu (死符) sinal de morte), os nativos de Galo deverão ter mais cuidado com a saúde, sendo propício aparecer uma doença inesperada, como diabetes, problemas na próstata e para os nativos do sexo feminino, problemas no útero, especialmente para os nascidos em 1945 e 2005.

 

Os nativos de Galo nascidos em:

1993 – Com muito boas relações, é ano para uma vida amorosa, sendo na carreira e dinheiro o melhor dos nativos de Galo. Trate bem as amizades, senão podem aparecer muitos problemas.

1981 – Parece ter muitas oportunidades, mas apenas o levam a trabalhar arduamente, sem alcançar grandes proveitos. Por isso, deve saber decidir o que fazer, ou não fazer.

1969 – Ano sem grandes ondas, tal como gosta, para caminhar passo a passo, simples, mas seguro.

1957 – Contará na carreira com uma onda de elogios, mas sem grandes repercussões. Se investir faça-o por prazer, pois o retorno não será material.

1945 – Ano relaxante e agradável, pois terá ajuda de alguém a tomar conta dos detalhes da sua vida quotidiana. Apenas precisa de fazer exercício físico, como andar para manter a saúde.

 

Cão

Tendo passado um ano de mudança, sem perigosas ondulações, chegado ao ano de Tigre, um dos três, juntamente com o Cão, que se combinam (san he), agora os seus inimigos vêm procurá-lo como amigos e isto abre uma nova etapa.

Carreira: Entrando no ano, onde tem ajuda dos outros dois animais que consigo se conjugam, terá sem dúvida boas relações com toda a gente e isso alavanca a carreira. A estrela da sorte San Tai (三台, o Carimbo) transporta-o a um lugar de chefia, podendo dar ordens aos outros, mas os nativos de Cão já sabem que, quanto mais trabalham maior é a sua sorte.

A má estrela Guan Fu (官符) indica ao fazer algo, dever tomar muito cuidado e não colocar como garantia a sua palavra. Já as más estrelas, Wu Gui (五鬼, Cinco fantasmas), a representar pessoas a fazerem-lhe mal pelas costas e Zhi Bei (指背, a falarem mal de si) advertem para os problemas que alguém no emprego lhe trará. O sucesso chama a inveja e daí os nativos de Cão este ano dever acalmar-se e com modéstia não proclamarem alto e em bom som serem os melhores.

Amor: Todos gostam de si e é a atracção para onde quer que vá. Bom ano para os solteiros, que estarão como peixes na água. Já os casais, precisam de ter cuidado com as relações extra conjugais e se for inteligente deve transferir essas energias para encontrar um bom parceiro de trabalho.

Saúde: Cão (戌, Xu) é Terra yang, que representa Fogo, e sendo um ano com demasiado fogo facilmente terá problemas de pulmões e no intestino grosso. Devido a muitos almoços e jantares sociais, diabetes podem ser um problema para todos os nativos de Cão, sobretudo para os nascidos em Fevereiro, Junho ou Outubro. No início do ano, a 8 de Fevereiro vá ao templo fazer sacrifícios ao Deus do Ano.

 

Os nativos de Cão nascidos em:

1982 – Tem uma clara ideia do que pretende na carreira e contará ajudas de toda a gente para progredir. Os bons resultados levam-no a receber mais do que espera.

1994 – Em conjunto com os nascidos em 1982, serão ambos para este ano os mais afortunados dos nativos de Cão.

1970 – Só precisa de acelerar, pois à sua frente tem estrada livre para mostrar todo o seu potencial, devendo apenas ter cuidado com a saúde.

1958 – Altura para enveredar por novos assuntos, mas terá de fazer tudo sozinho, pois não conta com ajudas, conseguindo mesmo assim um ano satisfatório.

1946 – Precisa de ter cuidado com o que diz, já que este ano as palavras podem causar-lhe problemas. Mantenha-se sempre como segundo e não se mostre como o campeão. Atenção aos muitos encontros amorosos.

 

Porco

<Com bom coração, todos os dias são bons.>

“A Primavera chega e as borboletas andam de flor em flor e a súper estrela da sorte Tai Yin (太阴), a Lua) tira o frio ao coração, tornando-o mais alegre e a sentar-se com companhia para ver o nascer e pôr-do-sol e mesmo a estrela da sorte Lu Shen (禄神) o acompanha.”

O Porco, nos seis pares que se combinam, é o grande amigo do Tigre e também está em Fan Tai Sui, mas em Po Tai Sui (fácil ocorrer danos) leva ambos a ficarem um contra o outro, trazendo problemas e por isso será um ano complicado. É no equilíbrio das suas emoções que se fará o ano, mas tudo apenas dependerá da sua atitude.

Não importa como, este ano será melhor do que o anterior. Bom para planear o que virá e criar boas bases.

Normalmente é muito sério e tenso, a deixar os outros nervosos, mas para este ano deverá mostrar a sua gentileza e relaxando dar um bom sentir aos que consigo convivem.

Carreira: A súper estrela da sorte Tai Yin (太阴, a Lua, combina yin e yang e traz a Paz) abre o seu coração pois representa boas relações sociais, que transformam o negativo em situações positivas e tornam os nativos de Porco mais simpáticos e cuidadosos com os outros, levando assim a receberem mais ajudas. A estrela da sorte Lu Shen (禄神, bons rendimento e boas relações) coloca o seu trabalho a render e por isso, quanto mais trabalha mais ganha e o que fizer vai servir para preparar o próximo ano. A má estrela Gu Chen (孤辰, estar só) potencia más emoções e a rejeitar tudo, incluindo ajudas. Já a má estrela Guan Suo (贯索) linha escondida, armadilha) traz algo para desfazer os seus planos.

Amor: Ninguém rejeita uma pessoa simpática e que gosta de ajudar os outros, sendo estas as características dos nativos de Porco. Se quiser, este ano não precisa de se preocupar em não ter um parceiro, pois o difícil é escolher quem e por isso os solteiros terão hipóteses de casar. Já a má estrela Liu Xia (流霞, atraente, mas com rápido terminar de relacionamento) avisa-o para ter cuidado com os muitos encontros amorosos.

Saúde: A má estrela Wang Shen (亡神, Perder algo de si) representa acidentes e combinada com Po Tai Sui (fácil ocorrer danos) revela ir ser confrontado com algo perigoso, em especial os nativos nascidos em 1935 e 1995. Por isso, ano para controlar as suas más emoções e não colocar pequenos problemas a darem-lhe enorme trabalho para resolver. Faça mais exercício, pratique ioga e meditação, ou caminhe pela montanha para ficar mais calmo.

 

Os nativos de Porco nascidos em:

1983 – Bom ano nos rendimentos, conta na carreira com bons suportes e ajudas. Muitos serão os encontros românticos.

1971 – A carreira terá bons e diferentes caminhos para se desenvolver. Irá gastar muita energia e ficar em tensão, impaciente, até conseguir atingir o pretendido. Relaxe para atingir o equilíbrio.

1959 – Hipótese de desenvolver a carreira pois alguém vai conhecê-lo melhor e descobrir as suas qualidades e habilitações. Não será fácil, pois terá de fazer o caminho passo a passo.

1995 – Precisa de estudar mais e ganhar experiência para alcançar outras competências, a trazerem-lhe grandes ajudas no ano de 2023. Cuidado com os acidentes e por isso, evite praticar desportos de risco e entrar em discussões.

1947 – Continua a ocupar a posição de liderança e é respeitado pelos outros. Se não pedir demais, será um bom e alegre ano.

 

Rato

Com um ano passado cheio de estrelas da sorte, os nativos de Rato este ano não contarão com grandes ajudas, devendo estar preparados para acolher a mudança. Será um ano muito ocupado, mas sem retorno.

Carreira: A estrela Yi Ma (驿马, mudança) significa ter de enfrentar muitas e novas situações, incluindo mudar de emprego, de casa, emigrar, ou ir estudar para o estrangeiro. Precisa de resolver os problemas um a um e sem ajudas, terá de tomar conta de tudo. Sem nenhuma boa estrela, será um ano muito ocupado e por isso, deve aprender a planear a longo prazo. Tire prazer do que faz e não tenha grandes expectativas. Coloque este ano como Inverno, tenha paciência e espere a chegada de 2023.

A má estrela Gu Chen (孤辰) representa ficar sozinho e as Di Sang (地丧 sang=perder; di=terra) e Sang Men (丧门, má sorte) trazem más notícias e tristeza. Este ano o problema estará dentro do seu coração.

Amor: Sem estrela da sorte e com a má estrela Gu Chen (孤辰), significa ser fácil ao casal entrar em discussões e daí ser necessário haver paciência entre ambos, escutarem as razões do outro e tentarem conciliar-se, mas tal exige mudanças interiores. Quanto aos nativos de Rato solteiros, devido à estrela da sorte Yi Ma (驿马) terão hipóteses de fazer mais amigos e facilmente mudar de companhia.

Saúde: A má estrela Yang Ren (羊刃, operação cirúrgica, corte a provocar sangue) indicia ser fácil cair e partir a cabeça, e ter de ser operado.

A má estrela Sang Men (丧门, porta da morte) significa receber más notícias da família, desregulando-lhe as emoções, e ter de cuidar da saúde dos seus. Este ano, Junho é o mês mais perigoso para os nativos de Rato, por serem Água yang e Junho (Cavalo, Fogo yang) e daí a violência do confronto entre os dois elementos opostos, a indicar que deve ter cuidados especiais nesse mês.

Como não conta com estrelas da sorte, coloque tudo num plano fácil para passar bem este ano.

 

Os nativos de Rato nascidos em:

1972 – Enfrentarão uma grande competição, mas como têm boas bases e qualificações facilmente conseguem resolver os problemas. Poderá testar novos caminhos e tornar o ano mais colorido. Os nativos masculinos deverão prestar mais atenção à saúde.

1984 – A sua carreira poderá ser ajudada por pessoas com mais experiência e daí continuar na mesma direcção a desenvolvê-la.

1996 – Activa vida social e ao falar consegue ganhar a atenção dos que lhe estão próximos. Ano propício a uma relação romântica mas tenha cuidado em não se deixar cativar por outras mais, que só lhe trazem problemas.

1960 – Ano de muito trabalho, mas o que recebe é o oposto. O estar muito ocupado só lhe destrói a saúde e por isso, o melhor é abrandar e relaxar.

1948 – Quanto à carreira, ano em que menos é mais e assim sendo dirija os seus interesses para usufruir do prazer das artes e cultura.

2008 – Ano muito activo e cheio de recompensas materiais, mas não coloque grande pressão nos estudos, podendo a boa relação e comunicação com os pais resolver muita dessa tensão.

 

Búfalo

Seguindo diferente caminho ao do Tigre, os nativos de Búfalo este ano devem prosseguir o rumo descoberto no tempestuoso ano transacto e com vontade, tudo se torna mais fácil.

Protegidos por uma poderosa súper boa estrela, os nativos de Búfalo serão um dos três animais mais bafejados pela sorte, na carreira, no amor e dinheiro e por isso viverão em felicidade e cheios de alegrias.

Carreira: A súper estrela da sorte Tai Yang (太阳, Sol como a grande estrela) este ano está para os nativos de Búfalo como o Sol para a Terra, fazendo desaparecer todos os problemas. Leva-os a estarem cheios de confiança e sempre com bom humor, tornando tudo mais fácil. A estrela da sorte Jin Yu Lu (金舆禄, grande fortuna) significa ser colocado em frente à sua porta um imenso tesouro. Já a influência das más estrelas, Tian Kong (天空, Vazio Céu), Gu Chen (孤辰, estar sozinho), Hui Qi (晦气, Energia Suja) e Tun Xian (吞陷, ser engolido), leva-o a ficar zangado e a isolar-se, mas apenas trazem uma pequena turbulência, que servirá para não se deixar adormecer na imensa felicidade e despertar para a boa vida que tem.

Amor: A estrela da sorte Hong Luan (红鸾, Sorte no Amor) traz um romântico e harmonioso ano, sendo propício aos solteiros casarem-se e os casados terem filhos e realizarem uma nova lua-de-mel.

Saúde: O ano apresenta-se sem problemas de saúde. A má estrela Gu Chen (孤辰, estar sozinho) leva-o a fechar-se para meditar e limpar as impurezas. Os nativos de Búfalo nascidos no Verão deverão ter cuidado com problemas de coração e AVC’s.

 

Os nativos de Búfalo nascidos em:

1973 – Quanto à carreira e dinheiro são os melhores entre os nativos de Búfalo. Todos os seus planos podem ter andamento e fácil progressão. No amor será um ano complicado pois encontrará tantas hipóteses que não consegue tomar uma decisão e escolher.

1961 – Cheio de energia para planear muitos projectos, ficará satisfeito com o que consegue receber.

1949 – Os seus investimentos este ano darão lucro. Não coloque demasiada pressão sobre si.

1985 – Sem grandes ajudas, será um ano perigoso para o nativo masculino de Búfalo devido a acidentes e para o feminino, por operações cirúrgicas.

1997 – Vai ser promovido para um lugar de chefia e a sua confiança coloca-o a falar e agir bem, conseguindo atrair as pessoas. Ano bom para casar.

 

Votos de um Feliz Ano Novo – 新年快乐 (San Lin Fai Lok, 新年快乐em mandarim Xin Nian Kuai Le), e sobretudo, com muito Boa Saúde – 身体健康 (Sun Tan Kin Hong, em mandarim Shen Ti Jian Kang).

 

5 Fev 2022

2022 Ano Tigre Água

O ano lunar começa a 1 de Fevereiro e terminará a 21 de Janeiro de 2023, sendo para o Feng Shui o início do ano de Tigre o dia 4 de Fevereiro de 2022, quando se celebra o Lichun, Princípio da Primavera.

A China, com existência há setenta e oito ciclos, cada de 60 anos, para este ano apresenta o número 39 e corresponde a Ren Yin (壬寅, em cantonense yam yan), ‘o Tigre atravessa a floresta’. No Caule Celeste, o Elemento Ren (壬), Água yang, direcção Norte, e no Ramo Terrestre, Yin (寅, yan), Tigre (nome comum Hu) regido pelo Elemento Madeira yang, direcção Leste Nordeste.

Para o ano Tigre Água, os nativos de Cabra estarão no topo da boa sorte, seguido pelos de Serpente e Búfalo. Os nativos de Cavalo, Porco, Coelho e Cão que nasceram no Inverno terão um ano mais fácil. Já os de Rato, Dragão e Galo estarão ocupados com muito trabalho. Os animais com pior ano serão os de Tigre e Macaco.
Água yang alimenta Madeira yang e Yin (tigre) é a chave para abrir o armazém do fogo, que segundo as previsões de Edward Li aqui deixadas, aparecerá com diferentes focos:

– Ligado com a pandemia, para onde a atenção está toda virada, o vírus cujo Elemento é Fogo e sendo este ano Tigre de Madeira yang, levará o Fogo a ficar mais forte e assim, o vírus em vez de desaparecer vai tornar-se ainda mais complicado.

Se os países pensarem apenas em termos económicos e abrirem as fronteiras, aceitando viver com o vírus no quotidiano, são más notícias pois novas variantes aparecem, a levar ao caos. Atenção aqui. Ano de muitas novidades, como novas vacinas e medicamentos para resolver o problema da Covid-19, mas dentro do intenso nevoeiro do momento não há uma imagem clara do que nos está a ocorrer. Apenas este ano se poderá ver os efeitos colaterais das vacinas.

– Dois anos de existência da pandemia nas nossas vidas, sem válvulas de escape para aliviar as tensões, ao chegar a um ano de Fogo eleva-se a impaciência e a pressão colocará as pessoas a fazerem imensos disparates.
– Abrir o armazém do fogo, significa acender o rastilho para a Guerra e este ano é propenso passar-se das palavras aos actos. Grande possibilidade de ocorrer explosões de gás nas casas, em contentores e outros acidentes ligados com o fogo, assim como vulcões, tremores de terra, tsunamis, serão o normal quotidiano do ano em que a Natureza perde a balança e como a guerra não é possível de ser evitada, o mais importante é manter-se em lugar seguro, preservar a boa saúde e esperar pelo desagravar no ano seguinte, de menores extremos.

Este ano a Madeira yang é alimentada por Água yang e terá para 2023 os mesmos Elementos mas em yin, logo não serão tão intensas as ocorrências.

– A interrupção e desregulação dos sinais digitais, vitais para o actual quotidiano, serão devidas à interferência do planeta interior Mercúrio (o planeta Água) e dos exteriores, de onde provêm poderosas energias de Júpiter (o planeta Madeira) e Marte (o planeta Fogo), a provocar na Terra problemas nas telecomunicações, impedindo por vezes o sinal. Tal falha, nem que seja por breves momentos, desregula o estar da vida na Terra, exponenciando acidentes.

Entre os sessenta desenhos do livro “Tui Bei tu”, ao olhar para o 39.º, cujo título é Ren Yin, apresenta um pássaro sem garras no cume da montanha e na base o Sol, parecendo a imagem representar os carácteres 九日 (9 e Sol) e acrescenta o poema, – toda a gente chora. Caos, pois dia e noite não têm diferença, provocando os nove sóis seca e escassez de alimentos. Acompanha com o 27.º hexagrama do Yi Jing, As Bordas da Boca. Trovão na base da Montanha: prover alimento, sendo o homem superior cuidadoso no falar e a controlar o que come.

Imensa Água alimenta Madeira forte

Macau, renascido em 20 de Dezembro de 1999, tem o seu bazi a não gostar nada de Água e sendo os próximos dois anos, o de 2022 Água yang e o de 2023 Água yin, no primeiro semestre deste ano será tudo complicado. Em Macau quando está mau é mesmo ao fundo, mas logo no segundo semestre e sendo Elemento Madeira a alimentar o Fogo, a situação melhora e com a pandemia controlada, rápida e fulgurante os ambientes da cidade animam. Já para o próximo ano, do Coelho, Macau em Fan Tai Soi terá de fazer uso da imaginação e criatividade e ao encarar as vagas, reflectindo desbravar nas suas várias dimensões.

Como nota, o Qi Gong (Palácio de Energia) da nossa terra, Lin Dong (林 东) passou desta vida no dia 20 de Janeiro de 2021 com votos, como Ser de Puro Espírito, ter o Dao transmitido chegado ao ritual quotidiano na energia do bem-fazer e ajudar, pois nisso foi Grande a sua Vida. Esperemos encontrá-lo no templo como um Tai Soi.

O GENERAL HE E

O Deus do Ano (Tai Sui, em cantonense Tai Soi) de 2022 é o General He E, nascido durante a dinastia Yuan em Yanling, Hunan. Perspicaz a investigar e firme nos objectivos, tinha um rápido pensar e a habilidade de resolver depressa complicados crimes. Calmo, actuava estrategicamente como chefe militar levando a conseguir conquistar facilmente as cidades fortificadas. Como administrador era equilibrado e em boa condução governava as diferentes populações, as quais com ele sempre se sentiam felizes. Um dos primeiros locais em que esteve à frente a governar foi a província de Guan Zhong (na bacia do Rio Wei) após a ter conquistado. Como muitos corpos estavam espalhados sem sepultura e os habitantes começavam a ficar doentes, mandou os soldados procurarem os corpos e depois de os juntar numa pilha, queimá-los, para assim evitar espalhar doenças. Devido às suas qualidades de ser honesto e benevolente líder, foi mais tarde transferido para a corte imperial, ficando a chefiar o exército e a controlar as áreas sensíveis da cidade capital. Nos livros de História vem referido ter encontrado sete mil taéis de ouro numa parte da muralha que colapsara durante a conquista da cidade. O normal era ficar essa quantia para quem chefiava o exército, que depois da batalha a distribuía pelos seus homens, mas como o Imperador pretendia começar outra campanha para conquistar mais terras e para isso era preciso aumentar as taxas à população, resolveu o General doar o dinheiro para o povo não sofrer com mais impostos.

Sendo o Tai Sui do ano de 2022 o General He E, ficaria bem ao mundo encontrar o equilíbrio perdido e em estratégica condução ética ser governado por inteligentes, honestos e benevolentes líderes.

O dia de ir ao templo oferecer sacrifícios ao Deus do Ano General He E é o oitavo da primeira Lua, que ocorre a 8 de Fevereiro de 2022.

3 Fev 2022

Templo de Fu Xi em Qinzhou

Nos Anais Primavera-Outono encontra-se um diagrama onde se lê: o Imperador Verde, Tai Hao representado por um dragão, está localizado no Leste, contém a virtude da madeira e simboliza a Primavera. Na dinastia Qin (221-206 a.n.E.), oficialmente Fu Xi passou a ser a divindade Tai Hao Di (太昊帝).

Após a História do templo mais antigo a Fu Xi em Gansu, situado na Colina de Gua Tai, segue-se o Tai Hao Gong, o Palácio do Deus Tai Hao, existente em Qincheng (秦城), parte antiga de Tianshui, chamado pela população local também Ren Zhong miu (Templo do Ancestral dos Seres Humanos).

Recapitulando a História; após a proliferação na dinastia Yuan de templos a homenagear os Três Ancestrais (San Huang), logo no início da dinastia Ming com o seu primeiro imperador, Tai Zu (1368-1398), apenas o templo de Fu Xi em Huaiyang (Henan), onde se encontra o mausoléu, passou a ter autorização imperial de existência. De reputação igual, o da Colina Gua Tai declinou e por isso, no livro Da Ming Yi tong zhi apenas é mencionado ser Gua Tai Shan a moradia de Fu Xi, sem haver referência ao templo.

Entre 1483/4, o oficial civil Fu Nai, à frente da cidade de Qinzhou (秦州, nome dado entre 220 e 1913), hoje Qincheng, usava a razão de ser este o local de nascimento de Fu Xi para construir Fu Xi ci (ci, 祠, pequeno templo), na parte Oeste da cidade. Era simples e sem estátuas e existia já em 1347. Em 1490 as pessoas ricas e governantes locais foram doando dinheiro para se terminar a construção do templo, ficando este com um paifang e um pavilhão.

Depois foi erguida a estela (碑, bei) 《XinXiu TaiHaoGong MenFangJi》 (新修 太昊宫 门坊记), onde se registou quem o mandou construir e a data. Este bei continua a existir.

O oficial de Gansu baseado neste Fu Xi ci escreveu uma carta ao imperador a pedir permissão para construir um templo a Fu Xi em Qinzhou. Em 1516, o Imperador Wu Zong aprovou e no livro Ming shi, no capítulo Li Zhi, se refere que baseado nesta aprovação somente em dois locais se podia oferecer sacrifícios a Fu Xi, um em Qinzhou e o outro em Chenzhou (actual Huaiyang).

Em 1521, o oficial governador de Gansu escreveu outra carta ao imperador, a dizer que para fazer sacrifícios a Fu Xi, a Colina Gua Tai ficava afastada da cidade, não cómoda e conveniente para os governantes aí se deslocarem. Logo no mesmo ano veio a autorização imperial de Shi Zong para a construção em Qinzhou de um templo a Tai Hao. Mas apenas em 1523, no local onde se encontrava Fu Xi ci, começou a ampliação do pequeno templo dedicado a Fu Xi construído em 1490. Assim só em 1523 se pode considerar haver em Qinzhou um templo ao primeiro dos Ancestrais, que passou a ter três paifang, sete Xian Tian dian, cinco Tai Ji dian, vinte Chao fang, um Jian Yi ting e por ser construído com muita pressa, a qualidade não era boa, nem estava pintado. As duas estátuas de Fu Xi existentes são dessa altura.

Na região os tempos eram de fome e os governantes sucediam-se; por isso o templo não estava terminado e rapidamente se foi degradando. Tudo isto registado num bei de 1532, que também ainda existe, quando o templo foi reparado por ordem de três governantes, de Shaanxi, Gansu e Qinzhou, sendo pintado e o muro do templo concluído, ficando com o seu maior tamanho. Virado a Sul tinha quatro partes.

No fim da dinastia Ming, apenas havia em toda a China dois lugares para se oferecer sacrifícios a Fu Xi, Qinzhou e Chenzhou e no aniversário deste Ancestral, o Imperador enviava uma carta para ser lida pelos oficiais a representá-lo durante as celebrações.

Já na dinastia Qing, em 1653 o templo foi reparado, mas no ano seguinte, Qingzhou sofreu um grande terramoto que matou 7464 pessoas e destruiu 3672 casas. Registos sobre o templo apenas voltaram a aparecer no tempo do Imperador Kang Xi (1661-1722) e no 《秦州志 庙坛》 QinZhouZhi Miaotan diz existirem dez ciprestes. Em 1739, 1805 e 1885, o templo foi sucessivamente reparado e na nona vez, entre 1885 e 87, foi ele ampliado, ficando com a área de 13 mil m², mas actualmente tem apenas 6600 m².

O templo em 1939 foi transformado em quartel do exército do Guomingtan e asilo para deficientes. Estas pessoas destruíram as pedras He-tu (河图) e Luo-shu (洛书), a estátua do Dragão-Cavalo (龙马, Long-Ma) e transformaram Xian Tian dian num armazém, usando os pátios para instalar uma fábrica de tecer.

Em 1949, com a República Popular da China, o templo sob controlo do governo de Tianshui continuou a ser usado como fábrica. Em 1955, o governo de Gansu aí colocou uma escola para formar professores, havendo setecentos estudantes a nele viver. Em 1966, durante a Revolução Cultural (PoSiJiu 破四旧, quatro velharias) os estudantes destruíram quase tudo o que se encontrava no templo. O Museu de Tianshui passou em 1986 para o Templo de Fu Xi e no ano seguinte, o Instituto de formação de professores saiu do recinto, sendo o templo reparado em 1988, sobre a direcção do Museu de Tianshui.

TEMPLO DE QINZHOU

De estilo antigo, todos os edifícios estão virados a Sul e colocados sobre um eixo central, tal como acontece com os mausoléus dos imperadores. Com quatro átrios a partir da porta de entrada do Sul, encontramos alinhados pelo eixo central um paifang (porta sem portas), a porta da Frente (Da men) e a porta do Aspecto (Yi men), onde antes de se passar se deve compor a aparência, desmontar da montada e arranjar a roupa e cabelo. Segue-se o Palácio Central (Xian Tian dian) e o Salão Tai Ji (Tai ji dian). Os trabalhos esculpidos em madeira e pertencentes à estrutura do templo primam pela excelência.

A torre do Sino (Zhong lou) e a torre do Tambor (Gu lou) situam-se lateralmente tal como os recentes edifícios Chao fang, onde se espera para fazer sacrifícios aos deuses. Situadas lateralmente à Estrada de Estelas (碑廊, Bei lang), as salas de exposições, fechadas na nossa primeira visita, abriram a 22 de Junho de 2010 renovadas como Museu de Tianshui, onde exposta se encontram várias Culturas da zona com oito mil anos de História.

“No pátio existem dois grandes ciprestes centenários que os habitantes locais consideram árvores com ling (灵), isto é, dotadas de espírito sobrenatural e por isso, com poder de curar as mais variadas doenças. Por esse motivo os devotos costumam colocar nos seus troncos figuras humanas recortadas em papel e queimar com um pivete de incenso o ponto dessa figura que corresponde ao lugar onde se aloja a enfermidade no doente que lhe roga a sua cura (Tan Manni, na revista China em Construção, vol. IX, n.º 11, Pequim, 1988).” E continuando com a professora Ana Maria Amaro no livro O Mundo Chinês volume I: “anualmente, no dia 16 da primeira lua, dia do aniversário deste mítico imperador realiza-se, ali, uma festividade em sua homenagem.” “O dia 13 da 5ª lua é também dedicado em certos pontos da China ao Rei Dragão.”

Segundo uma lenda, a 45 km de Tianshui, as grutas na Montanha de Maiji, ainda na província de Gansu, tiveram a sua origem com Fu Xi e Nu Wa, cuja tribo a que pertenciam vivia a montante do Rio Wei.

17 Jan 2022

Relíquias perdidas do Templo de Gua Tai shan

Acima do nível do mar 1363 metros, a Colina de Gua Tai encontra-se no vale de SanYang, por onde corre em S o Rio Wei. Em viagem, numa estrada feita em 1993, embalados na cabaça (Hulu, 葫芦), já que o nome de Fu Xi significa oriundo de uma cabaça, chegamos ao recinto do Templo.

Há cinco mil anos, Fu Xi na juventude explorava o local pois habitava ali próximo, numa gruta, talvez onde nascera. Enquanto criança habituara-se a olhar à sua volta, vendo o comportamento dos seres vivos, animais, humanos e pássaros. Já jovem, em reflexão, do cume da colina contemplando, entendeu o Espaço onde prescreveu as relações da Natureza, e até aos 12 anos compreendeu as Leis Naturais. Nesse estar, questionando os anciãos quando necessário, se fez o primeiro dos Ancestrais Soberanos ao visualizar os oito diagramas, matematizando-os em trigramas.

No palácio central, Xian Tian dian, encontrava-se a meio do enorme salão a estátua de Fu Xi, e diz quem ainda a viu, ser da dinastia Ming e estar coberta por argila. Mas em 1966, quando a Revolução Cultural por aí passou para destruir as velharias, descobriu-se ser feita de ferro e cheia de caracteres onde um registo indicava a data: Jianxing (建, jian=eregir, 兴, xing=próspero), imperial nome da Era só usado entre o século III e o IV. Primeiro fizeram rolar a estátua até ao rio e dentro de água por alguns dias foi depois levada para um depósito, onde se colectava ferro e aí vendida por 13 yuan. Pago o quilo a 0,06 yuan dá a massa de 217 kg.

Xian Tian dian, apesar de existir já durante as dinastias Jin e Yuan, não se sabe como era o palácio e só ao de 1531 se conhece a arquitectura. Este, reconstruído em 1656, foi destruído em 1966, e de novo construído em 1987. Com três portas, tem nove colunas de madeira talhadas de dragões enrolados a trepar e um telhado com uma única trave de suporte. No interior, ao centro está a estátua de Fu Xi, à direita a estátua do Cavalo Dragão (龙马, Long Ma) e na esquerda, uma pedra onde gravados estão os 64 hexagramas e as 28 Su (宿, constelações de estrelas).

Outro objecto desaparecido de Gua Tai Shan foi o prato com trigramas (Gua pan, 卦盘), feito de madeira de pereira, que se encontrava no interior do templo. Este prato era quadrado (a representar a Terra) com 64 cm de lado e no seu interior, de maior espessura, um plano redondo (representando o Céu) com desenhos. [Teixeira de Pascoais explica, “Nós somos um edifício construído por fora com toda a terra, por dentro, com todas as estrelas. Nele vive silencioso e prisioneiro o fantasma do seu arquitecto.”]

Nesse círculo, na parte mais exterior estão representadas linhas yin e yang, a seguir os 64 hexagramas (64 Gua, 8×8 trigramas) e no interior da circunferência, as 28 constelações chinesas (28 Su, 宿, segundo os dauístas, habitadas por espíritos tutelares). Depois os 10 Caules Celestes (10 Tian Gan), seguindo as 12 Raízes Terrestres (12 Di Zhi) e os 24 Termos Solares (24 Jie Qi). Este gua pan (卦盘) era usado em estampagem por quem aqui vinha com papel fazer uma prova a tinta vermelha e levava para casa, colocando-o por cima da porta a afastar as más energias, impurezas (避邪, bi xie). Em 1966, quando os jovens revolucionários vieram para destruir o templo, este gua pan foi levado por um habitante da povoação Wu Jia Zhuang (吴家庄), situada na base desta colina, que o guardou, escondendo-o.

Importante edifício em todos os templos era o Chao fang, existente no templo de Fu Xi na Colina de Gua Tai desde as dinastias Jin e Yuan, mas o actual estilo apresentado é igual ao de 1531. Tanto no Chao fang do Oeste como no do Leste há três quartos. Reconstruído em 1656, em 1966 destruído e em 1994 de novo construído. O do Oeste serve como sala de reunião e no do Leste encontra-se outra estátua de Fu Xi, havendo caracteres escritos nas traves a revelar ter sido pago pela província de Taiwan.

Em Junho de 1994, estavam de novo edificadas as torres do Sino e do Tambor (钟鼓楼, Zhong Gu lou), construídas entre 1531 a 1533 e reparadas várias vezes, foram deitadas a baixo em 1966. Segundo os locais, antigamente na Torre do Sino havia um sino todo gravado com caracteres e a sua forma de octógono representava o Bagua. Ao ser tocado, o som ouvia-se a mais de trinta quilómetros. Segundo a lenda, quando no Outono as colheitas estavam prontas para serem feitas e aparecia no céu uma tempestade de fortes chuvas ou granizo, o toque do sino a repique fazia afastar as nuvens negras.

Pouco depois de deixar a Colina de Gua Tai, a caminho de Tianshui, passamos pela gruta de Fu Xi, mas por estar fechada não a visitamos. O mesmo aconteceu com o Museu de Tianshui, que mais tarde quando aí voltamos em 22 de Junho de 2010 estava a ser inaugurado.

Bagua

De acordo com o Yi Jing, (o mais antigo livro cuja versão actual, o Livro das Mutações da dinastia Zhou, Zhou Yi, tem três mil anos) deve-se a esse antiquíssimo sábio, Fu Xi, a imagem do dragão de onde retirou os oito trigramas, criando o desenho do Tai ji, pelo pulsar yin-yang da vida. O dragão é yang e terá sido escolhido como totem por Fu Xi, conhecido por isso como Rei Dragão, para representar o seu povo Jiuli, que formou a tribo Yi.

Esta tribo um pouco mais tarde, já com Chi You como chefe, entrou em guerra contra as tribos Jiang de Yan Di (Shen Nong) e a Ji (originária do Nordeste) de Huang Di, e sendo derrotada, dividiu-se em três diferentes ramos. Muitos integraram-se nos Ji e tornaram-se no povo Han (Huaxia), sendo na dinastia Han colocados na península da Coreia.

Outros partiram para Sul, seguindo o grupo Li para Hainan e talvez Taiwan, enquanto a Sudoeste se formaram os Miao, e para Leste os povos Qiang e Ba.

Fu Xi explicou aos seres humanos a essência de todos os aspectos do Universo contidos nos oito trigramas que inventou, e as inter-relações entre eles. Pelo conhecimento dos oito estados da Natureza e seu domínio poderiam, tal como os deuses, evitar muitos prejuízos causados pelas calamidades naturais e utilizar todas as coisas ao serviço da harmonia para com o que nos rodeia.

Fu Xi deu novos usos ao fogo, inventou instrumentos musicais como o lusheng e outros de agricultura, escolheu seis tipos de animais domésticos, como porcos e carneiros, ensinou a caçar e na pesca fez as redes, ao olhar para as teias das aranhas. Assim, com abundância de comida, promoveu há 4800 anos os casamentos, iniciando com Nu Wa essas celebrações. Depois, estas anualmente ocorriam na Primavera, no terceiro mês lunar, sendo celebradas num vale, protegido por uma montanha de vertente côncava, onde para propiciar encontros, os jovens se reuniam com a finalidade de se conhecerem e daí unindo-se, criar família. Daqui Fu Xi e Nu Wa serem os Ancestrais Soberanos do povo chinês, pois promoveram os casamentos e deram o nome às famílias. Nas acções mostrou aos seus a igualdade entre mulher e homem, reformou costumes e na administração como chefe reorientou o Neolítico estar, dando começo à Civilização Chinesa.

10 Jan 2022

Templo de Fu Xi na Colina de Tai Shan

O templo em Gua Tai Shan, local onde Fu Xi criou o Bagua (oito trigramas), teve desde 1516 permissão oficial para, a par de Chenzhou (陈州, actual Huaiyang, em Henan, local da sua capital e mausoléu) também poder fazer cerimónias de sacrifício a Fu Xi. Saia assim da lista dos templos a destruir editada em 1371 por o Imperador Ming Zhu Yuanzhang (Tai Zu, 1368-1398), devido à proliferação na dinastia Yuan de templos a homenagear os Três Ancestrais (San Huang), e permitia apenas preservar os templos dos mausoléus.

Abandonado durante anos, o templo na Colina de Gua Tai, construído na dinastia Sui (581-618), fortificado na Song do Norte (960-1127) e os palácios e outras salas na dinastia Jin (1115-1234), preparava-se em 1521 para ser reparado quando serviu de base ao pedido do governo de Gansu para o imperador permitir a construção de um novo templo agora dentro da cidade, em Qinzhou (秦州), hoje Qincheng (秦城), a parte antiga de Tianshui.

Em Fevereiro de 1531, o templo em Gua Tai Shan começou também a ser reparado, obra terminada em 1533, tendo sido construída uma muralha em torno do recinto, situado no cume da colina e virado para Sul. De arquitectura usada depois nos mausoléus dos imperadores, o templo com um eixo central constituído a partir do Sul por um par de arcos de pedra decorativos (牌坊, paifang), colocados lateralmente, aparecia de seguida o arco memorial de pedra (Wu men, 午门, a porta=men do meio-dia=wu), tendo no lado Leste, a Torre do Sino e a Oeste, a Torre do Tambor (钟鼓楼, Zhong Gu lou). Continuando para Norte, um pátio, havendo a Leste e Oeste casas (Chao fang, 朝房) para os preparos dos governantes às cerimónias. Ao fundo, o Palácio XianTian (先天殿, Xian Tian dian), de um enorme e único salão e a meio a estátua de Fu Xi. No pátio, 17 pinheiros baseados nos 9 Gong (九宫, Jiugong) e nos oito Gua (八卦, Bagua). Jiugong, quadrado mágico de ordem 3 (isto é 3X3), contém sinais de ordem supernatural do Universo. O Bagua, os oito trigramas, representa os oito estados da Natureza, constituídos pelas oito possíveis combinações de três linhas (inteiras e quebradas).

Como o templo na cidade de Qinzhou passou a ser onde os governantes faziam as cerimónias de sacrifício a Fu Xi, o de Gua Tai Shan perdeu importância. Em 1654, durante a dinastia Qing, houve um grande tremor de terra em Qinzhou e em Gua Tai Shan tudo ruiu. Dois anos depois, um oficial de Qinzhou deu dinheiro para a sua reconstrução, baseando-se a edificação no anterior templo existente na dinastia Ming, sendo em 1656 a última vez que os governantes se interessaram pelo templo da Colina de Gua Tai.

Longe do centro do poder, muralhado era nos conflitos armados um lugar de refúgio para a população e por isso, visto como um sítio sagrado protegido pelos deuses. O templo ficou à guarda dos habitantes locais e apesar de já não se prestar homenagem a Fu Xi, tornou-se um popular lugar de sacrifício aos deuses. A Leste de Wumen, nos finais da dinastia Qing, passou a haver um templo-sala em honra de Cai Shen (财神, deus da Riqueza e da Abundância) e outro a Ling Guan (灵官, o deus do Fogo). Na parte Oeste de Wumen foi construído um templo a Tu Di (土地, deus da terra) e outro a Niang Niang (娘娘, Senhora que ajuda as crianças). Em frente ao Wumen o palco para teatro (戏楼, Xi lou).

Durante os reinados dos imperadores Tongzhi (1862-1874) e Guangxu (1875-1908) alguns monges aqui viveram, pregando e propagando os ensinamentos budistas. Em 1875 e 1895, a população local arranjou dinheiro para reparar os edifícios do templo e no período de guerras as pessoas de novo dentro das muralhas se resguardaram, sendo a Colina Gua Tai então conhecido por Xi Tai Bao.

Em 1920 outro grande tremor de terra em Gansu e de pé apenas ficaram as traves mestras dos edifícios XianTian dian, Wumen, paifang e as torres do Sino e do Tambor. Tudo o resto ficou destruído, sendo reconstruídos os pavilhões com as traves mestras de pé, assim como o palco de teatro (Xi lou), o local Oeste onde os governantes se prepararem para as cerimónias (Xi Chao fang) e a casa dos monges (僧房, Seng fang). Não voltaram a ser construídos os templos a Tu Di, a Niang Niang, a Ling Guan, a Cai Shen e Dong Chao fang que ruíram.

As cerimónias de sacrifício aos deuses pararam em 1958 e as pessoas deixaram de aí aparecer.

Em 1966, durante a Revolução Cultural, os edifícios foram destruídos e mesmo, o sino datado da dinastia Ming, a estátua de Fu Xi feita em ferro e muitos das estelas desapareceram. Do par de paifang feito em 1533, apenas um restou, o de três portas, que fora reconstruído em 1656, mas colocado de frente em vez de estar perpendicular ao Wumen.

Em 1981 recomeçaram no templo as celebrações dedicadas a Fu Xi, que acorrem a 15 do segundo mês lunar.

Actual templo

O governo de Tianshui iniciou em Setembro de 1981 a reconstrução do templo em Gua Tai Shan, seguindo com ligeiras modificações a matriz do reconstruído entre 1531 e 1533, durante a dinastia Ming. Ainda em 1981, foram colocadas de pé as duas estelas, as únicas então encontradas.

Os dezassete pinheiros plantados em 1531, baseados nos Nove Gong (九宫, Jiugong) e nos Oito Gua (Bagua), cortados alguns em 1966, voltaram em 1982 a perfazer os dezassete.

Em Março de 1984, o palco de teatro (Xi lou) estava pronto e em Outubro de 1987 foi a vez de Xian Tian dian (o palácio central, feito de um enorme salão e a estátua de Fu Xi a meio) ficar terminado.

O arco memorial de pedra (Wumen) com cinco portas, reconstruído em Abril de 1993 seguiu o modelo do existente na dinastia Ming, feito em 1531, reparado em 1656 e destruído em 1966. Dong e Xi Chao fang e Zhong Gu lou (as torres do Sino e do Tambor) estavam em Junho de 1994 também edificadas.

Como em cada reconstrução ou visita de governante era de norma colocar uma estela (bei, 碑), para comemorar e fazer a descrição sobre tal ocorrência, estivera o recinto do templo recheado de estelas, mas em 1966 a maior parte foi deitada fora e agora apenas três existem no templo. Uma delas não tem já nada escrito e as outras duas, em frente ao Palácio (Xian Tian dian), a estela do lado Oeste era de 1531, do sexto mês lunar, período da construção do templo, durante a dinastia Ming e encontra-se inteira. Com uma altura de 183 cm e largura de 86 cm, conhecida por QinZhou HuaGua TaiXinJian FuXi MiaoJi 《秦州画卦台新建伏羲庙记》, tem texto escrito por o Alto Oficial Civil Kang Hai (康海, 1475-1540, nascido em Shaanxi), professor da Academia Han Lin (Han Lin Yuan, 翰林院).

Já a estela do lado Leste é uma junção de duas diferentes estelas de distintas épocas. A parte de cima julga-se ser da dinastia Yuan (1279-1368), enquanto a pedra da parte inferior é da dinastia Qing, do ano 1656 e foi escrita por Guo Zhen Du. Como a este bei desapareceu a parte superior, apenas um terço dos caracteres se lêem, sugerindo na altura fazer-se a reconstrução do templo da Colina de Gua Tai.

5 Jan 2022

O Boletim Oficial do Governo de Macau

Após 185 anos de se começar a publicar em papel o Boletim Oficial do Governo de Macau, o actual Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau desde 1 de Janeiro de 2022 deixou de ter suporte em papel e apenas é editado por meio electrónico e publicado no sítio electrónico da Imprensa Oficial.

A 7 de Dezembro de 1836 o Governo Português, pela pasta da Marinha e Ultramar, decretou no art.º 130 que o Governo de Timor e Solor estivesse colocado na dependência do Governo de Macau e nas províncias ultramarinas se imprimisse um boletim, cuja redacção ficasse a cargo do secretário do governo”. Daí, como afirmaram o Padre Manuel Teixeira e Jack Braga, a 5 de Setembro de 1838 foi editado em Macau o Boletim do Governo da Província de Macau, Timor e Solor. Mas ao verificar essa informação no Arquivo Histórico, constatamos ser o n.º 1 do volume I o Boletim Oficial do Governo de Macau e não o Boletim do Governo da Província de Macau, Timor e Solor, que saíra na Quarta-feira, dia 12 de Setembro de 1838.

Todos os esforços para encontrar o Boletim do Governo da Província de Macau, Timor e Solor de 5 de Setembro de 1838 ficaram gorados e estranhamente pareciam estar as informações dos dois historiadores de Macau erradas. Com o Boletim Oficial do Governo de Macau na mão e sendo o n.º 1 do primeiro volume de Quarta-feira, dia 12 de Setembro de 1838, só muito mais tarde, ao analisar os outros boletins reparei no Boletim da semana seguinte, com data de 19 de Setembro de 1838 ser o n.º 3 do volume I, pensando ter ocorrido um erro de numeração, pois não existia o n.º 2. Já a 26 de Setembro aparecia o número 4 e assim sucessivamente até ao n.º 17 do Volume I de quarta-feira, dia 26 de Dezembro de 1838, com o número 68 na última página. Regressando ao boletim n.º 1, com uma folha de duas páginas marcava na segunda a numeração da página, referindo ser a 8.ª. Assim, ao faltarem seis páginas compreendia ter existido o Boletim Oficial de 5 de Setembro de 1838, o verdadeiro n.º 1 e estar errada a numeração dada ao Boletim de 12 de Setembro de 1838, pois corresponderia ao n.º 2, que não aparecia em nenhum boletim.

Quanto à mudança de nome ocorrida do primeiro para o segundo número não consegui encontrar razões.
Na primeira página de cada Boletim Oficial do Governo de Macau por baixo do título cabeçalho e antes da tira com o número e data, trazia o seguinte dizer de Cataõ “Et levis et constans, ut res expostulat, esto: Temporibus mores sapiens sine crimine mutat”. Já na última página vinha registado ser “publicado por M. M. D. Pegado e impresso na Typographia Macaense”, que era pertença do Dr. Wells Williams (1812-1884), missionário protestante, linguista e sinologista americano, mas como gerente figurava Manuel Mário Dias Pegado para cumprir as formalidades da lei, segundo o blog nenotavaiconta.wordpress.com. Refere ainda, usando informações do Padre Manuel Teixeira, “Saíram apenas cinco números até 9 de Janeiro de 1839 e de tão irregular que era ficou suspenso, reaparecendo em 8 de Janeiro de 1840, sendo ainda impresso na mesma tipografia. A 9 de Abril de 1840 passou a imprimir-se na tipografia de Silva e Sousa”. Aqui parece haver um erro, pois esta tipografia só apareceu ligada à publicação do Boletim em 1846 e é também estranho não existirem no Arquivo Histórico os Boletins Oficiais entre os anos 1839 e 1846, sendo o último que encontramos o de 26 de Dezembro de 1838 e não o de 9 de Janeiro de 1839, mas se existiu, outros dois números desapareceram, o mesmo com os publicados de 1840 até 1846.

Referente ao ano de 1839 existiu o hebdomadário noticioso Gazeta de Macao de Manuel Maria Dias Pegado, que até então fora o editor do Boletim do Governo de Macau, sendo os 32 números publicados de 17 de Janeiro a 29 de Agosto de 1839. Este semanário destinava-se em parte aos documentos oficiais, sendo os 22 primeiros números impressos na Tipografia Macaense e os outros dez na da Gazeta de Macau.

O Boletim Oficial do Governo de Macau destinava-se à publicação das ordens, peças oficiais e de tudo o mais que fosse de interesse público e no de 12 de Setembro de 1838 apareceu na primeira página extraído do Pregoeiro da Liberdade parte do Diário do Governo n.º 3 de 3 de Janeiro de 1838, reproduzindo a carta do Procurador da Câmara de Macao ao Corpo Legislativo reunido nas Cortes na sessão de 2 de Janeiro. Guilherme José António Dias Pegado, o Procurador da Câmara de Macao junto ao Corpo Legislativo, solicitava e requeria urgentes Providências Legislativas para Macau. Este célebre deputado macaense e lente de matemática na Universidade de Coimbra, lente da cadeira de Física na Escola Politécnica, era irmão de Manuel Maria Pegado.

Boletim do Governo da Província de Macao, Timor, e Solor

Interrompida a publicação do Boletim Official do Governo de Macao em 1839 só a 8 de Janeiro de 1846 apareceu como n.º 1 do Volume I o Boletim do Governo da Província de Macao, Timor, e Solor, agora às quintas-feiras. Sem ter as páginas numeradas, deixava a Tipografia Macaense e passava a ser impresso na Tipografia do Boletim até 2 de Abril de 1846, pois no seguinte número, 9 de Abril era já na Tipografia de Silva e Souza.

No cabeçalho lia-se: “Assim, sem comprometer, os públicos interesses, se satisfará ao maior de todos eles, que consiste em que toda a verdade se diga, a quem toda a verdade é devida. Silvestre Pinheiro Ferreira”.

Se até 2 de Abril de 1846, o n.º 13 do Boletim do Governo não trazia preço, a 9 de Abril refere ser a subscrição por ano de $10, por semestre $6, ou por trimestre $3,5 e custam, folha avulsa 25 avos, anúncio por linha 10 avos e correspondência e comunicados 5 avos.

No Boletim n.º 14, de 9 de Abril de 1846, aparecia na última página, Postscriptum, aos nossos Subscritores, “Pedimos nos queiram benévolos relevar a maior demora que ocorreu na publicação deste número. As faltas que padecia a Tipografia em que começamos a impressão do Boletim, e que tem sido causa de se haver retardado a distribuição de quase todos os nossos números anteriores, nos moverão a final a passá-la para outra oficina mais abastecida; e nestes arranjos gastou-se necessariamente algum tempo: mas enfim já se acham concluídos: e contamos que a nitidez tipográfica, e a pontual regularidade com que daqui em diante vai sair a nossa folha, amplamente compensará aos seus Subscritores as faltas passadas. Esperamos poder dar na segunda feira seguinte o número que se segue; e o do dia 23 deste mês, no seu dia próprio ou o mais tardar no imediato. Macao – Na Typ. de Silva e Souza”.

Mas o Boletim do Governo da Província de Macao, Timor, e Solor, n.º 15 de 16 de Abril de 1846, refere, “A demora da publicação do presente número nos habilita a anunciar” a chegada a Macao do Exmo. Snr. João Maria Ferreira do Amaral novo Governador desta Província …”.

4 Jan 2022

Fu Xi e Nu Wa em Tianshui

A área onde em 1985 foi criado o distrito de Tianshui (天水), na actual província de Gansu, era no século IX a.n.E. chamada Quanqiu e o reino Qin aí teve a sua capital até 770 a.n.E., quando a dinastia Zhou do Oeste (1046-771 a.n.E.) foi substituída pela Zhou do Leste e o Rei Ping (770-720 a.n.E), o primeiro da nova dinastia, mudou a capital de Hao (próximo de Xian, Shaanxi) para Luoyi (hoje Luoyang, Henan), levando o reino Qin a mover-se para Leste passando a capital para Yongcheng (actual Fengxiang, em Shaanxi). Seria a população desse reino Qin a descendente da tribo Feng (风, Vento) que em Gansu se quedou aquando da migração para Leste de uma parte da tribo, conduzida dois mil anos antes por Fu Xi e Nu Wa e que formou o povo Yi após chegar à Planície Central em Henan.

Fu Xi fora concebido em Langzhong, na parte Nordeste de Sichuan, de onde era natural a mãe, Hua Xu Shi (华胥氏), que pertencia à tribo matriarcal Hua Xu, mas foi em Tianshui, entre o ano 2953 e 2852 a.n.E. que nasceu, tal como três meses depois a irmã Nu Wa, ambos com o apelido Feng (风) do pai e por isso se compreende ser a tribo já patriarcal e serem filhos de diferentes mães.

Daí a visita a Tianshui (天水), que significa Céu e Água, nome dado em 118 a.n.E. no reinado de Wu Di da dinastia Han do Oeste, quando desde o século IX a.n.E. era chamada Quanqiu. A cidade Tianshui está dividida em dois pólos: Beidao (北道) construída com a chegada do caminho-de-ferro e a 16 quilómetros para Leste, a parte antiga chamada Qincheng (秦城), que teve o nome Chengji (成纪) e mais tarde, entre 220 e 1913, era denominada Qinzhou (秦州).

Sendo Tianshui a terra natal de Fu Xi e Nu Wa percorremos esse distrito à procura dos templos em sua honra. Relacionados com Fu Xi encontramos um na parte Oeste da cidade de Qincheng e o outro a 30 km, na colina Gua Tai (卦台山) situada em San Yang Chuan, 15 km a Noroeste de Tianshui, onde Fu Xi terá nascido.

Já Nu Wa viu a luz do dia em FengGu (风谷), localizada na montanha FengWei (风 尾山) hoje povoação de Loncheng na prefeitura de Qin’an, 40 km a Norte da cidade de Tianshui.

Cresceram juntos pois ambos eram filhos do deus do Trovão (雷公, Lei Gong, o deus Lei Ze, com cabeça humana e corpo de dragão, que começou por ser mortal, mas ao comer um dos pêssegos do pessegueiro celeste ganhou a imortalidade e tornou-se um humano com asas, tendo recebido uma maça e um martelo com que criava os trovões).

Segundo a tradição oral, perpetuada numa canção do grupo étnico Miao (洪水朝天, Hong Shui Chao Tian), há muitos anos o deus do Trovão e do Vento eram irmãos, tendo-se separado e enquanto Lei Gong (雷公), o deus do Trovão habitava no Céu, Jiang Yang (姜央), o deus do Vento vivia na Terra. Ao desentenderem-se entraram em guerra, dando origem a uma grande inundação que levou a água a chegar quase ao Céu.

A VINGANÇA DE LEI GONG

A história que se segue provem da província de Guangxi, perpetuada oralmente e mais tarde registada no livro Min Jian Gu Shi Zi Liao (民间故事资料).

O deus do Trovão (Lei Gong), representado com um rosto de macaco, bico de pássaro e asas que seguram um machado e um maço, tinha como esposa a deusa dos Relâmpagos (Dianmu) que com os seus raios punia. Lei Gong constantemente aparecia nos céus e com tempestades, de intensas trovoadas e diluvianas chuvas, fustigava os agricultores, arruinando-lhes nos campos as culturas.

Farto de ser vítima de tais calamidades e desesperado por trabalhar para no fim nada colher, certo dia o agricultor Zhang Bao Bo (张宝卜) ao aperceber-se pelo adensar das nuvens no Céu que o deus do Trovão se aproximava, resolveu confrontá-lo. Preparou uma gaiola de ferro e dependurando-a num poste, na parte de fora da casa, desafiou o deus para um combate. Furioso perante o desplante daquele terreno ser, irado atirou-se dos céus para acabar com o provocador. Mas o agricultor com a sua forquilha de ferro e cabo de madeira apanhou-o e num rápido movimento colocou-o dentro da gaiola, fechando-lhe a porta. Assim aprisionado, o deus perdeu o poder de fazer chover, voltando o Sol a raiar.

Precisando de sair para ir fazer umas compras, antes de partir o agricultor avisou os dois filhos para se afastarem da gaiola, não se dirigirem ao deus, nem com ele falarem e muito menos darem-lhe água.

As duas crianças, o rapaz de nome Fu Xi e a rapariga chamada Nu Wa, fartas de estarem em casa devido às constantes intempéries, aproveitando o Sol que voltara a aparecer ao fim de longos dias de chuva, brincavam no pátio da casa.

O deus do Trovão, que precisava de comunicar com o deus das Águas para conseguir reaver a sua poderosa força, apercebendo-se poder tirar partido da inocência das crianças, começou a lamentar-se do imenso calor que fazia. Estas lembrando-se dos avisos do pai tentaram ignorá-lo, mas a insistência do deus a clamar por compaixão, agora mirrado e com um aspecto inofensivo, mexeu com elas e perante as constantes e tormentosas súplicas, começaram a vacilar e a ficar condoídas. Percebendo tal, o deus prometeu não lhes tocar se lhe dessem apenas umas gotas de água para apaziguar a sede. Pensando não haver grandes consequências, deram-lhe assim um pouco de beber. Mas mal o deus tocou na água, logo a sua força e poder voltaram, libertando-se da jaula. As crianças assustadas iam para fugir quando o deus do Trovão lhes lembrou não lhes querer fazer mal e entregou-lhes um dos seus dentes dizendo para o plantarem na terra, pois este as iria salvar da grande calamidade que ele iria provocar, devido à ousadia humana de o terem preso.

Mal o deus do Trovão partiu e após se encontrar com o deus da Água deu início à vingança e tão grande foi que em poucos dias toda a Terra estava coberta por água. Seguindo o conselho do deus, os dois irmãos viram sair da terra uma grande cabaça que se dividiu mal a água chegou, embarcando cada um numa das metades.

O lavrador, com o cair das primeiras gotas, percebeu logo que Lei Gong se tinha libertado. Mas nada pôde fazer pois o deus do Trovão conjuntamente com o deus das Águas rodopiando abriram tamanha tempestade que durante dias inundaram todas as terras e até as mais altas montanhas ficaram submersas. Ninguém se salvou excepto os dois irmãos, que navegando cada um na sua metade de cabaça foram levados pelas agitadas águas e durante dias andaram à deriva, tendo-se perdido um do outro devido às correntes provocadas por o deus do Vento, que os levaram por caminhos diferentes, separando-os. Estavam as águas a chegar ao Céu quando o Imperador de Jade ordenou aos deuses seus subordinados para pararem e voltarem a colocá-las nos seus normais leitos.

Mitológica história perpetuada via oral contada com variantes por diferentes grupos étnicos como os Miao, Yao e Zhuang, mas a solução para a insanável questão sobre o pai das duas crianças aparece explicada no actual livro GuShenHua Xuan Shi (古神话选释) escrito por Yuan Ke (袁珂) que refere Lei Gong e o lavrador poderiam ser irmãos e ter havido na tribo lutas internas.

6 Dez 2021

As fontes sobre Fu Xi 伏羲

Na China, no início do terceiro milénio antes da nossa Era viviam as personagens da História Fu Xi e Nu Wa quando ainda se fazia a mudança da sociedade matriarcal para a patriarcal e se ia realizando a união entre as milhares de tribos então existentes.

Confúcio (Kong Fu Zi, 孔夫子, 551-479 a.n.E.) ao compilar o Livro da História (书经, Shu Jing) começou com Yao (尧, Yao de Tang, que chegou ao trono em 2357 a.n.E. e governou por 70 anos), o quarto dos Cinco Ancestrais Imperadores (Wu Di, 五帝), sem fazer referência aos anteriores Três Ancestrais Soberanos (San Huang, 三皇). Mas na secção Xi Ci (系辞) dos Dez Asas (十翼) com que complementou o Livro das Mutações (易经, Yi Jing), Confúcio referia o grande Rei Fu Xi como o inventor dos oito trigramas (bagua, 八卦). Interessante é o livro Memórias Históricas (史记, Shi Ji) redigido por Sima Qian (司马迁, 145-87 a.n.E.) começar os registos por Huang Di (黄帝, o Imperador Amarelo), o primeiro dos Cinco Ancestrais Imperadores da China, [considerado por vezes também o terceiro Ancestral Soberano, tal como escreveu o padre Álvaro Semedo, que os designa por Fôk Hei (Fu Si, 伏羲, em mandarim Fu Xi) e o data de 2852 a.C., Sân Nông (Xen-Nông, 神农, Shen-Nong) em 2737 a.C. e Uóng Tái (Uáng-Ti, 黄帝, Huang Di), em 2697 a.C.], admitindo haver registos sobre uma figura [Fu Xi] que viveu anteriormente ao Imperador Amarelo. No entanto, nas Memórias Históricas existem comentários de Taishigong, feitos por Sima Qian, que de outro modo não os poderia deixar registados nos acontecimentos da História e assim, no Shi Ji – Tai Shi Gong zi xu 《史记,太史公自序》 está escrito: “eu escutei o que os anciãos dizem sobre Fu Xi; ser ele um homem puro, simples e honesto, que criou o conceito de Yi (易, mutação) e do Bagua.”

Se não existem dúvidas quanto a dois dos três Ancestrais Soberanos da Civilização Chinesa, Fu Xi (Imperador do Ser Humano, 2852-2738 a.n.E.) e Yan Di (炎帝, Imperador da Terra e como Deus da Agricultura Shen Nong), já para o outro, o livro Shang Shu Da Zhuan (尚书大传) diz ser Sui Ren (燧人, 2737-2697 a.n.E., Imperador do Céu, que controlava o fogo) e no BaiHuTong (百虎通) refere-se Zhu Rong (祝融), também Oficial do Fogo. Para Bu Shi Ji San Huang ban ji (补史记 三皇本纪), escrito na dinastia Tang por Sima Zhen (司马贞, c.697-c.732) a complementar o livro Memórias Históricas de Sima Qian, é Nu Wa o outro dos três Ancestrais Soberanos.

Todos os livros escritos ao longo dos tempos que deles falam não duvidam ser Fu Xi o primeiro dos três Huang. Já as datas da sua existência variam desde o ter nascido entre 2953 e 2852 a.n.E. e ter deixado a Terra entre os anos de 2838 e 2738 a.n.E..

 

 

A divindade de FU XI

 

Sobre a mãe e o pai de Fu Xi, Di Wang Shi ji (帝王世纪) escrito no século III por Huang Fu Mi (皇甫谧) na dinastia Jin diz: “A mãe Hua Xu colocou o pé numa grande pegada, em Lei Ze (雷泽), e daí nasceu Pao Xi (庖牺), em Cheng ji” (hoje Tianshui). Pao Xi foi outro dos nomes de Fu Xi, este ligado ao cozinhar os alimentos. Também o Livro da Estrada (Lushi – 路史), escrito na dinastia Song por Luo Mi (1131-?), refere que Hua Xu Shi um dia, inadvertidamente, ao pisar uma grande pegada ficou grávida em Hua Xu Zhi Yuan (华胥之渊), local referido no livro TaiPingYuLan (太平御览) como sendo Lei Ze (雷泽), significando Lei (雷) Trovão e Ze (泽) charco. Lenda escutada a Tang Shaoyou e registada no seu livro Follow Me to the Fairyland of Langyuan (edição do autor de 2009) que conta ser esse lugar Langzhong, na actual província de Sichuan, onde a mãe de Fu Xi foi fecundada ao pisar uma pegada ali deixada pelo deus do Trovão, (Lei Gong, 雷公) que governava a região com raios e trovões.

Como acontece normalmente ao falar dos locais onde as ancestrais histórias se desenrolavam, estes são denominados por os nomes das tribos que os habitavam, o mesmo para os apelidos dos habitantes. Assim, a mãe de Fu Xi, Hua Xu Shi, da tribo Hua Xu cujo totem era uma ave pernalta, vivia num lugar chamado Hua Xu Zhi Yuan, ou mais especificamente Lei Ze, onde hoje se situa Langzhong. Hua Xu aí terá engravidado, mas a criança foi nascer em Tianshui, actual província de Gansu.

O totem da tribo Feng (Vento, 风), a qual o pai de Fu Xi chefiava, era uma serpente que deu o tronco do Dragão e habitava na parte Sudeste de Gansu. Fu Xi, nascido de Hua Xu Shi, ficou com o apelido Feng por parte do pai, constatando-se assim a passagem da sociedade matriarcal para a patriarcal através do processo de união entre as duas tribos, a matriarcal Hua Xu a viver em terras de Sichuan e em Gansu, a patriarcal Feng.

Outro conto da mitologia chinesa acerca dos progenitores deste lendário soberano refere ser o pai de Fu Xi o deus do Trovão e a mãe Hua Xu Shi (华胥氏), a única filha de um casal que habitava no Noroeste (Sichuan), no lugar de Lei Ze (雷泽), junto ao Rio do Trovão, próximo do lago com o mesmo nome, onde o deus vivia. A rapariga Hua Xu, um dia, farta dos maus humores do deus, que constantemente infligia inundações às povoações ribeirinhas, resolveu ir falar-lhe e perguntar qual a razão deste não ir habitar o Céu como os outros deuses. Perante tal desplante, mas rendido à beleza da rapariga, acordou retirar-se para o Céu [Tianshui, Gansu] se ela com ele casasse. Passado um ano teve um filho e como a ela lhe estava vedado o regresso à sua terra, resolveu que o filho deveria crescer em Hua Xu Zhi Yuan (华胥之渊). Um dia, aproveitando a ausência do deus do Trovão, colocou a criança dentro duma enorme cabaça e deixou que o rio a levasse. Aconteceu encontrar-se o pai de Hua Xu a pescar e ao ver a enorme cabaça, retirou-a do rio e levou-a para casa. Quando o casal a talhou, dela saiu uma criança vestindo uma camisola bordada com flores, que reconheceram ser da camisa da filha. Deram-lhe o nome de Fu Xi, que significa oriundo de uma cabaça. Esta criança cresceu rapidamente, distinguindo-se das outras por ser muito alta, inteligente e corajosa, para além de poder subir ao Céu pela escada celeste por ser filho de um Deus. E seguindo esta história pelo livro Mitos Antigos da China, (edição Livros de Fênix, 1989, Beijing): “Segundo uma lenda dos tempos mais remotos a Terra e o Céu estavam ligados por uma gigantesca árvore chamada Jian Mu que, colocada no centro da Terra, era como uma ‘escada’ natural. Esta árvore, ao contrário de todas as outras, não produzia sombra sob os raios do Sol e ao longo do seu tronco caíam milhares de lianas bíparas em forma de cordas que constituíam a ‘escada celeste’ por onde os deuses desciam do Céu à Terra e vice-versa. No entanto, os seres humanos não tinham a habilidade de trepar ao Céu por esta ‘escada’. Fu Xi, sendo filho de um deus, podia subir e descer facilmente por ela.” Esta a versão apresentada normalmente sobre a mitológica história do nascimento de Fu Xi, que nos dá a entender andar a tribo Feng em conquista por Sichuan e com o acordo feito para parar a guerra e retirar-se, levou Fu Xi a nascer em Tianshui, província de Gansu.

22 Nov 2021

Fu Xi e Nu Wa o casal divino

Escrever sobre personagens que viveram num período anterior aos registos escritos e cujas histórias chegaram até aos nossos dias, ou pelas letras de canções, ou oralmente transmitidas em forma de mitos e só muito mais tarde, milénios depois, registadas nos livros, traz-nos o problema de interligar todas essas informações para criar uma inteligível e coerente imagem, que represente os seres aqui a tratar. Fu Xi (伏羲, em cantonense Fok Hei) e Nu Wa (女娲, Nôi-Vó), figuras lendárias e da mitologia chinesa, contam com poucos trabalhos académicos e nos livros antigos aparecem apenas esparsas referências às suas pessoas como as feitas por Kong Zi (Confúcio), Sima Qian, o historiador da dinastia Han do Oeste e Sima Zhen.

Fu Xi transportando o conhecimento das culturas existentes no Paleolítico para a Era do Neolítico deu início à Civilização Chinesa, tornando-se o seu primeiro Soberano e por isso, também conhecido por Tian Huang Shi (天皇氏, Tin Wong Si), Imperador Celeste. Conjuntamente com Nu Wa, após um grande dilúvio tornaram-se as únicas pessoas mas, como irmãos que eram não podiam casar e ter filhos por receio de desagradar ao Céu. Então resolveram subir à montanha sagrada Kunlun (em Qinghai), fazendo cada um uma fogueira e como o fumo de ambas se uniu, interpretaram favorável esse sinal e casaram, ficando a ser considerados o casal divino, o Pai e a Mãe dos Seres Humanos.

O Ser Humano tomara consciência da sua existência há 65 mil anos e se nessa primitiva sociedade não havia distinções de classes, famílias e propriedade privada, entre o L e o XL milénio antes da nossa Era foi substituída por uma comunidade baseada na família com a formação gradual de uma sociedade matriarcal há 30 mil anos. Por volta do VI milénio antes da nossa Era o sistema de crenças mudou e a sociedade matriarcal começou a dar lugar à patriarcal, substituindo-se a Deusa da Fertilidade por o Deus da Guerra, aparecendo as classes e o conceito de propriedade devido ao movimento adquirido pela caça a reorientar um novo estar. Assim, a sociedade patriarcal iniciou-se há cinco mil anos, quando na China as tribos se começaram a unir entre si.

Como ponto de partida deveremos questionar se Fu Xi e Nu Wa tiveram existência real? Se sim, quando viveram e quem foram? Questões que para tais figuras nunca poderão ter respostas formais mas, como representação de uma imagem feita pelo espaço de consciência, em função de onda preparam o além da realidade. Por isso não se consegue em projecção realizar tal estudo, sendo apenas na reflexão que este toca espaços fora dos limites da matéria. Por outro lado, como figuras lendárias que ocupam um lugar na História da China, elas foram o espírito e a substância de muitos arquétipos para a construção da Civilização Chinesa.

 

ANCESTRAIS SOBERANOS

 

Num túmulo da dinastia Han do Leste em Pixian (província de Sichuan) e do mesmo período, no mural do templo de Wuliang em Jiaxiang (província de Shandong), encontram-se representações de Fu Xi e Nu Wa, ambos com cabeça humana mas corpos de dragão e entrelaçados pelas caudas, a representar a união entre os dois, simbolizam o poder e quando ligados com a tartaruga perpetuam-se pela eternidade.

Fu Xi, considerado Imperador do Ser Humano conjuntamente com Nu Wa são o casal divino. Fu Xi, deificado como Taihao (太昊), ou o Imperador Verde, representa o Leste e contém a virtude da madeira, simbolizando a Primavera e Nu Wa, encarregue da reprodução de todas as coisas vivas, é a deusa primitiva da fertilidade. Para alguns estudiosos ambos não eram Seres Humanos, mas representantes de um período, Nu Wa a sociedade matriarcal e Fu Xi, a patriarcal.

Quando considerados pela História como figuras históricas chegam-nos integradas no grupo San Huang Wu Di, isto é, os ancestrais dos chineses conhecidos pelos Três Soberanos e os Cinco Imperadores. Apesar de irmãos eram de diferentes tribos e como os “únicos” sobreviventes de um grande Dilúvio, Fu Xi e a sua consorte Nu Wa ficaram considerados os primeiros seres humanos e para que estes se reproduzissem e fosse criada a Humanidade tornaram-se patronos dos casamentos.

Já quanto às datas da existência histórica de Fu Xi variam desde o ter nascido entre 2953 e 2852 a.n.E. e ter deixado a Terra entre os anos de 2838 e 2738 a.n.E., mas há autores a referir ter o lendário chefe tribal reinado durante 115 anos, de 4477 a 4362 a.n.E.. Nascera em Tianshui, hoje província de Gansu e numa jornada para Leste como chefe levou a sua tribo Yi até às Planícies Centrais, actual província de Henan, onde se instalou em Huaiyang e aí se encontra o seu mausoléu, como Kong Zi atestou. A sua meia-irmã Nu Wa nasceu três meses depois em Loncheng, a Norte de Tianshui, tendo ambos o apelido Feng (风, Vento) do pai. Acompanhou Fu Xi na procura de terras férteis e em Henan, após promoverem casamentos, separaram-se. Nu Wa seguiu para Norte, onde na povoação de Wihua se encontra o seu mausoléu.

Fuxi era um observador atento, tanto do Céu, como do que se passava na Terra, e ao olhar para o Céu observou os fenómenos celestes vendo-os espelhados na Terra. Assim atingiu a ideia do todo inserido nas mudanças sazonais e na geografia, descobrindo ser dentro de si o mesmo do que se passava no seu exterior. Ao viajar por muitos lugares conheceu outras formas de estar e fazer, assim como outros objectos. Apercebeu-se das diferentes qualidades e propriedades dos materiais e dos solos. Terá usado nós numa corda para fixar certos factos e criou um método de fazer redes de pesca inspirando-se nas teias de aranhas. No entanto, a maior das suas contribuições foi a criação dos oito trigramas a representar os oito estados da natureza usados depois no mais antigo livro existente, o Livro das Mutações (Yi Jing, 易经) cuja versão actual, o Zhou Yi é da dinastia Zhou e tem três mil anos.

Segundo refere Kong Zi nos dez Asas (Xi Ci), que complementam o Livro das Mutações, deve-se ao sábio Rei Fuxi a imagem do dragão de onde retirou os oito trigramas (bagua), criando o desenho do Tai ji pelo pulsar yin-yang da vida. O dragão é yang e terá sido escolhido como totem por Fu Xi, conhecido por isso como o rei Dragão, para representar o seu povo da tribo Yi. Explicou aos seres humanos a essência de todos os aspectos universais contidos nos oito trigramas que inventou, e as inter-relações entre eles. Pelo conhecimento dos oito estados da Natureza e seu domínio poderiam, tal como os deuses, evitar muitos prejuízos causados pelas calamidades naturais e utilizar todas as coisas ao serviço da harmonia para com o que nos rodeia.

Considerado o primeiro dos Três Ancestrais Soberanos (San Huang, 三皇), que deram origem à Civilização Chinesa, transportou os conhecimentos de uma Era em que a Terra ainda se reflectia pelo Céu e talvez por essa razão, Fu Xi e a sua meia-irmã e consorte Nu Wa, considerados os primeiros seres humanos, são o Pai e Mãe, que significam o Céu e a Terra e representam-se no yang e yin de todas as coisas.

8 Nov 2021