Habitação para Idosos | Kaifong dizem que rendas deixam pessoas “infelizes” João Santos Filipe - 19 Out 202319 Out 2023 Acumulam-se as críticas aos valores das rendas das habitações para idosos. As mais recentes partiram dos Moradores, mas também a Associação das Mulheres de Macau, que inicialmente evitou comentar os preços, questiona agora os montantes cobrados O deputado Leong Hong Sai considera que os idosos ficaram “infelizes” depois de confrontados com os preços que o Governo pretende cobrar por uma habitação para idosos. A associação tradicional junta-se assim à Aliança de Instituição de Povo de Macau e à Federação das Associações dos Operários de Macau. Numa opinião citada pelo Jornal do Cidadão, Leong Hong Sai, vice-presidente da Direcção da União Geral das Associações dos Moradores de Macau, afirmou que “os idosos com menos recursos financeiros consideram o valor das rendas relativamente caros”. Os prédios para idosos são um novo tipo de habitação pública construída a pensar nas pessoas com mais de 65 anos, que a partir de 5.410 patacas vão poder arrendar um apartamento com espaço para duas pessoas num prédio acessível. O legislador criticou ainda o Executivo de Ho Iat Seng por “não ter divulgado” a política de preços correctamente desde o início, o que terá levado a que “muitos idosos estivessem ansiosos para mudar para os novos apartamentos” por pensarem que “as rendas seriam mais baixas”. Leong Hong Sai defendeu também que mesmo com o desconto de 20 por cento, a que vão estar sujeitos os primeiros 759 apartamentos para idosos, o preço não deixa de ser caro. “Muitos idosos dependem das pensões e subsídios do Governo para sobreviverem. E estes idosos que se encontram em situações financeiras mais complicadas são os que mais se queixaram dos preços”, reconheceu. Críticas emergentes Quem também criticou os preços foi a deputada Wong Kit Cheng, eleita com o apoio da Associação Geral das Mulheres de Macau. Num primeiro momento, a associação limitou-se a elogiar os critérios para a atribuição das fracções, através da vice-presidente Chan Oi Chu, sem comentar os custos do arrendamento. No entanto, ontem, em declarações citadas pelo Jornal do Cidadão, Wong Kit Cheng reconheceu que o valor das rendas é um problema. De acordo com a deputada, os preços representam “uma pressão financeira” para alguns idosos que actualmente não têm rendimentos e que vivem das poupanças ou dos subsídios distribuídos pelo Governo. Por isso, a deputada propôs que os descontos de 20 por cento sejam mantidos além do plano inicial de três anos. Também para justificar os preços cobrados, Wong Kit Cheng apela ao Governo que desenvolva no local vários serviços complementares, como cuidados médicos disponíveis durante 24 horas, palcos para ópera cantonesa, estúdios de dança, cantinas e salas de convívio.
Rede social X vai começar a cobrar taxa de um dólar na Nova Zelândia e Filipinas Hoje Macau - 18 Out 2023 A rede social X (ex-Twitter) informou hoje que vai começar a cobrar uma taxa de um dólar por ano aos novos utilizadores na Nova Zelândia e nas Filipinas para realizar qualquer ação básica, exceto ler e seguir outras contas. Em comunicado, a rede social de Elon Musk informou que a medida, em fase experimental, visa “reduzir as mensagens indesejadas, a manipulação na plataforma e a atividade de ‘bots'”, que se traduz numa aplicação de software concebido para simular ações humanas. A partir de hoje, os serviços incluídos na taxa incluem publicar, republicar, responder e gostar, enquanto os utilizadores que não pagam só poderão seguir outras contas, ler e ver fotos e vídeos. “Isto permitir-nos-á avaliar uma medida potencialmente poderosa para nos ajudar a combater os ‘bots’ e as contas inúteis na X, mantendo o acesso à plataforma em troca de uma taxa reduzida”, argumentou a rede social. Os novos utilizadores da Nova Zelândia e das Filipinas terão primeiro de verificar a conta com o número de telefone e pagar o equivalente a um dólar: 1,43 dólares neozelandeses e 42,51 pesos filipinos. A X afirmou que vai partilhar os resultados desta medida experimental logo que possível. O empresário Elon Musk, que adquiriu o Twitter em 2022 e o rebatizou de X em julho, tem procurado formas de aumentar as receitas da plataforma, incluindo uma taxa para assinantes ‘premium’ em todo o mundo, bem como para combater os ‘bots’. No entanto, Musk também fez despedimentos em massa e eliminou equipas de monitorização da desinformação, o que levou a um aumento das notícias falsas e das mensagens de ódio na rede e à consequente fuga de muitos dos seus anunciantes.
Israel | Guterres condena ataque a hospital de Gaza e apela a cessar-fogo humanitário imediato Hoje Macau - 18 Out 2023 O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, condenou hoje o ataque a um hospital no norte da Faixa de Gaza, no qual se registaram centenas de mortos e feridos, num bombardeamento cuja responsabilidade nem o Hamas nem Israel reconhecem. “Estou chocado com as centenas de pessoas mortas no ataque ao hospital al-Ahli em Gaza, que condeno, e apelo a um cessar-fogo humanitário imediato para aliviar o sofrimento humano a que estamos a assistir. Muitas vidas e o destino da região estão em jogo”, disse Guterres, num fórum internacional em Pequim. O secretário-geral da ONU afirmou que, apesar de compreender o profundo sofrimento histórico dos palestinianos, “tal não pode justificar atos de terror”. Também “o castigo coletivo” contra o povo palestiniano “não pode ser justificado”. António Guterres tem sido uma das vozes mais proeminentes a pedir a Israel que abra a Faixa de Gaza para permitir a passagem de ajuda humanitária. “Fiz dois apelos, e cada um deles é válido por si só. Não devem tornar-se moeda de troca e devem ser implementados por si só, porque é a coisa certa a fazer. A minha mensagem é dirigida tanto ao Hamas como a Israel, para que o primeiro liberte os reféns que mantém em cativeiro e para que o segundo permita a entrada de ajuda humanitária na Faixa de Gaza”, afirmou. O enclave, que alberga mais de dois milhões de pessoas, está sob um bloqueio total desde 07 de outubro, sob bombardeamento constante das forças israelitas e no limite da possibilidade de uma invasão terrestre por parte de Israel, que se recusou a permitir a entrada de ajuda humanitária até que os reféns do Hamas sejam libertados. “As necessidades mais básicas da população de Gaza, incluindo a maioria das mulheres e crianças, têm de ser satisfeitas”, afirmou. Guterres descreveu a situação como “uma catástrofe”, afirmando que a região está “à beira de um precipício”.
Web Summit | Cosgrave pede desculpas sobre o conflito com Hamas e espera que paz seja alcançada Hoje Macau - 18 Out 2023 O cofundador da Web Summit Paddy Cosgrave pediu hoje desculpas sobre as suas declarações relativas ao conflito entre Israel e o Hamas, lamentando não ter transmitido “compaixão”, e disse esperar que a paz seja alcançada. A posição do Paddy Cosgrave, que é irlandês, acontece um dia depois de o embaixador de Israel em Portugal, Dor Shapira, ter anunciado que o país tinha cancelado a sua participação na cimeira tecnológica de Lisboa devido às declarações do cofundador da Web Summit, que classificou de “ultrajantes”. “Para reiterar o que disse na semana passada: condeno sem reservas o mau, repugnante e monstruoso ataque do Hamas em 07 de outubro” e “apelo também à libertação incondicional de todos os reféns. Como pai, simpatizo profundamente com as famílias das vítimas deste ato terrível e lamento por todas as vidas inocentes perdidas nesta e noutras guerras”, começa por dizer Paddy Cosgrave, no blogue da Web Summit. “Apoio inequivocamente o direito de Israel existir e de se defender, apoio inequivocamente uma solução de dois Estados”, mas “compreendo que o que disse, o momento em que disse e a forma como foi apresentado causou profunda dor a muitos”, prossegue o cofundador daquela que é considerada uma das maiores cimeiras tecnológicas do mundo. “Para qualquer pessoa que ficou magoada com minhas palavras, peço profundamente desculpas. O que é necessário neste momento é compaixão, e eu não transmiti isso. O meu objetivo é e sempre foi lutar pela paz” e, “em última análise, espero de todo o coração que isso possa ser alcançado”, afirma Cosgrave. Na sua mensagem, recorda que, “tal como tantas figuras a nível mundial”, também acredita “que, ao defender-se, Israel deveria aderir ao direito internacional e às convenções de Genebra – ou seja, não cometer crimes de guerra”. Ora, esta posição “aplica-se igualmente a qualquer Estado em qualquer guerra, nenhum país deve violar estas leis, mesmo que tenham sido cometidas atrocidades contra ele”, afirma, recordando que “sempre” foi anti-guerra e pró-lei internacional. “É precisamente nos nossos momentos mais sombrios que devemos tentar defender os princípios que nos tornam civilizados”, defende. Lembra que o secretário de Estado dos EUA Anthony Blinken disse, na semana passada, juntamente com os parceiros regionais da América no Qatar que “Israel tem o direito e até a obrigação de defender o seu povo e de fazer tudo o que puder para garantir que o que aconteceu no sábado passado nunca mais aconteça”, mas “ao mesmo tempo, a forma como Israel faz isto é importante. A forma como qualquer democracia deve lidar com tal situação é importante”. Para esse fim, “discutimos com os israelitas – instámos os israelitas – a usarem todas as precauções possíveis para evitar” danos nos civis, disse Blinken, citado por Cosgrave. “Nos meus comentários, tentei fazer exatamente o mesmo que o secretário Blinken e tantos outros a nível mundial: exortar Israel, na sua resposta às atrocidades do Hamas, a não ultrapassar as fronteiras do direito internacional”, explica. Destaca ainda, a propósito da Web Summit no Qatar em 2024, “o agradecimento público do secretário Blinken” a Doha “pelo seu apoio nesta crise e em questões mais amplas que afetam a região”, em que referiu que os EUA e o Qatar “partilham o objetivo de impedir que este conflito se espalhe”. Neste sentido, “tal como o governo dos EUA, a Web Summit acredita no trabalho com parceiros regionais e globais – incluindo o Qatar – para encorajar o diálogo e a comunicação dos quais depende a paz, e para lutar por uma solução justa e duradoura para as questões subjacentes que a região enfrenta. Como disse o secretário Blinken: ‘Uma coisa é certa: não podemos voltar ao status quo que permitiu que isto acontecesse em primeiro lugar'”, adianta. “A Web Summit tem uma longa história de parceria com Israel e as suas empresas tecnológicas e lamento profundamente que esses amigos tenham ficado magoados com tudo o que eu disse”, reiterando esperar que a paz seja alcançada. “Dezenas de empresas já cancelaram a sua participação nesta conferência e encorajamos outras a fazê-lo”, disse Dor Shapira, na segunda-feira, numa mensagem na rede social X (antigo Twitter), depois de em 13 de outubro Cosgrave ter feito uma publicação, na mesma plataforma, que resultou numa onda de críticas entre várias responsáveis de tecnológicas israelitas. “Estou impressionado com a retórica e as ações de tantos líderes e governos ocidentais, com a exceção particular do Governo da Irlanda, que pela primeira vez estão a fazer a coisa certa. Os crimes de guerra são crimes de guerra mesmo quando cometidos por aliados, e devem ser denunciados pelo que são”, destacou Paddy Cosgrave. Em reação, o embaixador israelita defendeu que, “mesmo nestes tempos difíceis”, Cosgrave “é incapaz de deixar de lado as suas opiniões políticas extremistas e denunciar as atividades terroristas do Hamas contra pessoas inocentes”. “Devemos ter tolerância zero em relação aos atos terroristas e de terror”, sublinhou ainda Dor Shapira. Também muitos utilizadores da rede social X reagiram às publicações do cofundador da Web Summit com críticas, partilhado a ‘hashtag’ #cancelwebsummit. A Web Summit foi fundada em 2009 e decorreu em Dublin até 2016, altura em que se mudou para Lisboa, onde no ano passado acolheu mais de 71 mil pessoas de 160 países. A próxima edição será realizada entre os dias 13 e 16 de novembro. Além disso, a empresa também organiza as conferências Collision, em Toronto, e Rise, em Hong Kong, além de eventos Web Summit no Rio de Janeiro e Doha. O grupo islamita Hamas lançou em 07 de outubro um ataque surpresa contra Israel com o lançamento de milhares de foguetes e a incursão de milicianos armados por terra, mar e ar. Em resposta, Israel tem vindo a bombardear várias infraestruturas do Hamas na Faixa de Gaza e impôs um cerco ao território com corte de abastecimento de água, combustível e eletricidade.
Empate com Myanmar na corrida ao Mundial 2026 deixa treinador de Macau orgulhoso Hoje Macau - 18 Out 2023 O selecionador de futebol de Macau, o luso-angolano Lázaro Oliveira, disse ontem estar “orgulhoso dos jogadores”, após um empate a zero em casa com Myanmar (antiga Birmânia), na qualificação asiática para o Mundial 2026. Na conferência de imprensa após a partida, o treinador defendeu que os jogadores da região administrativa especial chinesa, número 185 do ranking mundial, “estiveram muito bem defensivamente” e que o ataque melhorou na segunda parte. “Tentámos ganhar. Não foi possível vencer, mas era muito importante mudar a imagem da primeira mão”, disse Lázaro Oliveira, referindo-se à derrota por 5-1 na capital birmanesa, Rangum, a 12 de outubro. “Demos o nosso melhor, tentamos sempre lutar por Macau. Hoje acho que merecíamos [a vitória], mas o empate dá uma boa imagem”, disse o central de origem portuguesa Vítor Almeida, também na conferência de imprensa. O selecionador disse que “o primeiro jogo não foi assim tão mau” e lembrou que Myanmar marcou três golos nos últimos dez minutos. “[Até ali] eles tiveram muitas dificuldades em quebrar a nossa organização defensiva”, acrescentou. Lázaro Oliveira admitiu que também no encontro de ontem vários jogadores tiveram “problemas musculares”, porque a eliminatória calhou na pré-época, em que apenas o atual campeão, o Chao Pak Kei, está a treinar, para competir na Taça AFC, o equivalente asiático à Liga Europa. O antigo treinador do Estrela da Amadora recordou que todos os jogadores de Macau são amadores: “Não é fácil, uma equipa que trabalha o dia interior, às vezes não podem treinar devido ao trabalho ou às aulas”. A partida de hoje marcou ainda a despedida do defesa central Filipe Duarte, formado no Benfica e antigo internacional jovem por Portugal. “É uma grande perda para a seleção de Macau”, disse Lázaro Oliveira. Com a vitória na eliminatória preliminar, Myanmar qualificou-se para a fase de grupos do apuramento da Ásia para o Mundial2026, onde irá defrontar o Japão, a Síria e a Coreia do Norte, no Grupo B. O selecionador Michael Feichtenbeiner admitiu na conferência de imprensa que Myanmar, número 161 do ranking da FIFA, será à partida a equipa mais fraca do grupo. “Temos muitos jogadores jovens que poderão aprender, por exemplo com o Japão, atualmente uma das melhores equipas do mundo”, acrescentou o alemão. Apesar de admitir que Myanmar, que conta com nove jogadores a atuar no estrangeiro, tem de “ser realista”, o treinador não afastou a possibilidade de “talvez nas partidas em casa criar uma ou duas surpresas”. Feichtenbeiner disse ainda estar surpreendido pelo apoio de mais de uma centena de birmaneses no estádio: “Nunca esperava um tão grande número de adeptos. Foi uma alegria para os jogadores”. De acordo com dados oficiais do Corpo de Polícia de Segurança Pública de Macau, no final de agosto trabalhavam no território quase 3.100 cidadãos de Myanmar sem estatuto de residente.
Israel | Países MENA devem liderar processo de desanuviamento do conflito, defende analista Hoje Macau - 18 Out 2023 Uma analista da Chatham House defendeu que os países do Médio Oriente e Norte de África devem liderar o processo de desanuviamento da guerra entre Israel e o Hamas, desencadeada há 10 dias com o ataque do movimento islamita. Num artigo publicado ontem no portal da Chatham House, Sanam Vakil, diretora do Programa para o Médio Oriente e Norte de África (MENAP) da instituição, lembra que os atores regionais passaram os últimos cinco anos a tentar encontrar soluções pragmáticas para pôr fim aos conflitos e estabelecer ligações. “Agora, têm de abordar a questão que procuraram evitar”, salientou Vakil, defendendo que os abalos provocados pelo ataque do Hamas a Israel e a resposta militar israelita “estão a ser sentidos muito para além das suas fronteiras, onde os combates se concentram atualmente”. “O Médio Oriente receia claramente que a região se envolva numa guerra mais vasta, que poderá envolver os palestinianos da Cisjordânia e da Jordânia, o Egito [que faz fronteira com Gaza], o Hezbollah do Líbano e o seu patrono, o Irão. Os países do Golfo Árabe também receiam que a sua segurança interna seja afetada pela violência em cascata”, adverte a analista de política internacional. Vakil destacou que a guerra eclodiu após um período prolongado de esforços de desanuviamento e reconciliação liderados pela região e relembrou que, desde 2019, os países, incluindo Israel, têm estado cada vez mais dispostos a encontrar compromissos pragmáticos e viáveis com base em interesses partilhados, “fenómeno por vezes referido como a construção de um “novo Médio Oriente”. “Os progressos não foram completos ou perfeitos, mas o contexto regional da guerra entre Israel e o Hamas é muito diferente do de há dez anos. A nova guerra constituirá o teste mais severo possível a esta cooperação regional. Mas os países do Médio Oriente não devem encolher-se perante o desafio. Este é o momento para os atores regionais colaborarem num esforço para encontrar novas soluções para desanuviar a guerra”, argumentou. Vakil realçou que os países do Médio Oriente “embarcaram num período prolongado de diplomacia regional realista”, impulsionado pela diminuição do envolvimento dos EUA, pelas mudanças geopolíticas decorrentes da guerra na Ucrânia e por uma redefinição regional das prioridades das necessidades económicas internas. Nesse sentido, prosseguiu, assistiu-se à normalização das relações entre Israel, o Bahrein e os Emirados Árabes Unidos nos Acordos de Abraão, de 2020, ao fim do bloqueio ao Qatar, em 2021, a uma redefinição das relações entre o Golfo e a Turquia em 2023 e ao restabelecimento dos laços entre o Irão e a Arábia Saudita, com a mediação da China. As negociações com o Iémen também estão em curso, tal como a reabilitação do regime sírio de Bashar al-Assad após uma década de guerra civil e de guerra patrocinada pelo exterior. Segundo Vakil, as recentes negociações entre Israel, a Arábia Saudita e os Estados Unidos tinham como objetivo uma nova ronda de normalização, “embora, com a eclosão do conflito armado, isso esteja agora quase certamente fora de questão”. “Mas, como a guerra do Hamas demonstrou, este recomeço regional continua a ser inerentemente frágil. A concorrência ainda não desapareceu: os Estados do Golfo, especialmente Riade e Abu Dhabi, têm visões distintas para o Iémen. O Iraque e o Kuwait estão a viver novas tensões sobre as suas fronteiras marítimas. A desconfiança persiste entre a Arábia Saudita e o Irão, apesar da recente normalização e do papel dos Estados Unidos estar a diminuir e a influência de potências externas estar a ser posta em causa”, sustentou a analista. “Há duas questões cruciais: a israelo-palestiniana e o apoio desestabilizador do Irão a atores como o Hamas e o Hezbollah, que ficaram em suspenso e por resolver, uma vez que os atores regionais procuraram acordos de normalização e novas oportunidades económicas”, acrescentou. Para Vakil, no rescaldo imediato do conflito, “surgiram claramente divisões nas perceções regionais”, com os Emirados Árabes Unidos e o Bahrein a criticarem o Hamas, a lamentarem a perda de vidas de ambos os lados e a encorajarem o apoio ao diálogo. “A Arábia Saudita sublinhou a ocupação israelita do território palestiniano, mas também encorajou o desanuviamento e a proteção da vida civil. O Qatar, o Kuwait e Omã criticaram Israel pelas violações do direito internacional e dos direitos dos palestinianos. O Egito, que já viveu situações de instabilidade na sua fronteira com Gaza, manifestou o seu apoio a uma paz justa e a um Estado palestiniano”, sustentou. Para Vakil, contudo, há também já “sinais encorajadores”. “O Qatar está a mediar a libertação dos reféns, o Egito está a trabalhar para evitar uma nova escalada e a Turquia ofereceu-se para arbitrar”, sublinhou a analista da Chatham House, salientando que os países da região têm hoje uma “oportunidade real” de tirar partido das suas recentes conquistas e de criar um esforço unido e credível para desanuviar o conflito. “Os últimos cinco anos demonstraram o seu verdadeiro desejo de normalizar as relações com Israel e de resolver os conflitos na prossecução de interesses mútuos. Os ataques do Hamas, por sua vez, ilustram que esses esforços não podem avançar sem que sejam abordadas as disputas ainda não resolvidas que os anteriores esforços de normalização procuraram contornar”, acrescentou. Vakil defende também que os Estados do Golfo, que têm a capacidade de apelar tanto a Israel como aos palestinianos, mas também de se envolverem com o Irão no seu papel de desestabilizador regional, serão “fundamentais” para quaisquer esforços de desanuviamento e para uma gestão mais ampla dos conflitos. “O papel desempenhado pelos Estados Unidos, pela China e por outros atores internacionais pode continuar a ser significativo. Mas os países do Médio Oriente e Norte de África devem liderar a criação de uma via realista e exequível para a paz, assente nos conhecimentos e capacidades locais”, terminou.
Guiné Equatorial pela primeira vez em mostra gastronómica lusófona de Macau Hoje Macau - 18 Out 2023 A Guiné Equatorial está presente pela primeira vez na Mostra Gastronómica Lusófona da Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa, apresentada ontem no restaurante Tromba Rija de Macau com a presença de seis chefs. Marcial Mangue nunca pensou que a Guiné Equatorial se pudesse reconhecer nos sabores de outros territórios da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Até chegar a Macau, onde, em conjunto com chefs de Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e Portugal, está a participar na mostra gastronómica da 15.ª Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa (PLP), que começa amanhã, e termina a 25 de Outubro, no restaurante Tromba Rija. “Diria que não haveria ingredientes semelhantes, mas partilhámos ingredientes, como a mandioca e o óleo de palma”, disse aos jornalistas, durante uma apresentação culinária. Especialista em pratos tradicionais da África Central, coube ao jovem chef inaugurar a primeira presença da Guiné Equatorial na mostra gastronómica em Macau – o país aderiu oficialmente em 2014 à CPLP e apenas no ano passado foi aprovado como membro do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os PLP (Fórum Macau), responsável pela organização da Semana Cultural. Sobre a cozinha equato-guineense, estranha para os pares dos países presentes, Marcial Mangue salientou que “tudo é natural” e que “todos os ingredientes se vão buscar à terra directamente para a panela”. Entre os pratos apresentados ontem, Mangue optou por homenagear “várias culturas”: a pepesup, sopa de peixe picante originária “de uma parte costeira do país”, e o bambucha, guisado do grupo étnico Fang, “que habita a floresta”. Para a chef Cláudia Neves, de Cabo Verde, o contacto com a Guiné Equatorial é uma “descoberta de novos sabores” e que vai resultar em “mais bagagem”. Há pontos em comum, sublinhou: “Ele utiliza o milho, a nossa gastronomia é à base do milho, utilizou o marisco que é o búzio, nós também temos, a mandioca, a batata doce”, notou, salientando que “talvez o que muda é a forma de confeccionar e os condimentos”. Afectos no prato Sobre o evento que reúne culinárias do universo lusófono, a docente da Escola de Hotelaria e Turismo de Cabo Verde quer trazer para cima da mesa a cultura e as raízes do arquipélago “através da gastronomia, da cachupa, do modje de São Nicolau, da djagacida, um prato típico da Ilha do Fogo”. Além da língua, acrescentou, os seis países representados nesta mostra ligam-se “pelos temperos, raízes e produtos”. “Depois é uma ligação afectiva e a comida é a melhor forma de afecto”. Afectos confecionados com ingredientes que chegaram, em parte, de avião com esta especialista em pratos crioulos: “A sopa [de peixe e atum], em Cabo Verde, fazemos com cabeça de atum, mas aqui como não havia, trouxe lata de atum, porque tem um tempero diferente, porque o nosso atum é de água salgada, então é diferente, mas na cozinha temos que reinventar, temos de saber reaproveitar e reutilizar”. Já Caco Marinho, do Brasil, quer servir comida “o mais fresca possível”. Depois de ter encerrado dois restaurantes durante a pandemia da covid-19, o chef e empresário da Baía é hoje presidente do Instituto Ori, que “tem o alimento como transformador sócio ambiental”. “Trabalho directamente com agricultores e agricultoras, pescadores artesanais. Esses são os ingredientes que me interessam, não me interessa super processados, não me interessa comida sem alma”, explicou. Marinho, que serviu durante a apresentação de ontem, entre outros pratos, moqueca de camarão acompanhada de farofa de dendê e molho lambão, resumiu o encontro em Macau das seis culinárias como uma “cozinha alegre, colorida, de temperos e pimentas”. “O sentimento, apesar da distância geográfica, é de irmandade, é como se tivéssemos irmãos em outro lugar com ligações de afecto, de memórias, de aromas, que apesar da distância geográfica são parecidos”, disse. Para o curador do evento e actual chef do Tromba Rija de Macau, houve surpresas nestas culinárias com “500 anos de história”. “Não conhecia a malanga”, declarou aos jornalistas Telmo Gongó, referindo-se a uma raiz cultivada sobretudo na América do Sul. “As pessoas que visitam o restaurante conseguem perceber que a cozinha portuguesa não é só de Portugal e Macau, mas podem perceber que a cozinha portuguesa, dos PALOP [Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa], a de Macau, veio de fusão por barco. Em Macau, temos especiarias da Índia, de África, e tudo o que está aqui demonstrado são os países por onde o barco passava antes de aqui chegar e que trazia as especiarias para Macau”, concluiu.
ONU preocupada com falta de apoio aos refugiados no Myanmar Hoje Macau - 18 Out 2023 O chefe do Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) apelou ontem à comunidade internacional para manter o apoio aos refugiados de etnia rohingya de Myanmar, apesar das crises no Médio Oriente e Ucrânia. Filippo Grandi disse em Banguecoque ser necessário mais apoio para ajudar os rohingya e aliviar o fardo dos países que acolhem os refugiados desta etnia minoritária da antiga Birmânia. Falando à margem de uma reunião regional sobre refugiados, Grandi defendeu que o “regresso voluntário e digno a Myanmar” dos rohingya é a solução mais desejável, mas reconheceu haver “muitos desafios que têm de ser ultrapassados”. Admitiu que a assistência humanitária está a tornar-se mais difícil devido à persistência do conflito armado em Myanmar e à redução do financiamento e da ajuda por causa de crises como as do Afeganistão, Ucrânia ou Médio Oriente. Pediu, por isso, “políticas abertas para os países de acolhimento, contribuições para os países doadores e para todos os outros em todo o mundo, e atenção por parte da comunidade internacional”. Mais de um milhão de rohingya fugiram de Myanmar para o Bangladesh ao longo de várias décadas. O número inclui cerca de 740 mil que atravessaram a fronteira a partir de Agosto de 2017, quando os militares birmaneses lançaram uma operação de grande envergadura na sequência de ataques de um grupo de guerrilha. Os Estados Unidos denunciaram em 2022 que a opressão dos rohingya em Myanmar equivalia a genocídio, depois de terem confirmado relatos de atrocidades cometidas contra civis pelos militares numa campanha sistemática contra a minoria étnica. Os rohingya, que são muçulmanos, enfrentam uma discriminação generalizada em Myanmar, de maioria budista, sendo-lhes negada a cidadania e muitos outros direitos. Cadeira do poder Participaram na reunião em Banguecoque delegados do Bangladesh, Reino Unido, Índia, Indonésia, Malásia, Tailândia e Estados Unidos, bem como representantes de organizações dos rohingya. A junta militar no poder em Myanmar não esteve representada na reunião, segundo a ONU. Myanmar e Bangladesh concordaram com um processo de repatriamento de dois anos em 2018. O processo foi prejudicado pelo agravamento da segurança em Myanmar após a tomada do poder pelo exército em 2021, que desencadeou uma resistência armada generalizada. Grandi disse que as contribuições financeiras para a ajuda aos rohingya diminuíram e que a missão da ONU para este ano “mal tem 40 por cento de financiamento”, uma queda acentuada em relação aos cerca de 60-70 por cento dos anos anteriores. “Algo tem de mudar. Caso contrário, estou realmente preocupado com o futuro dos refugiados rohingya e com a paciência do país de acolhimento para os receber”, acrescentou.
Fórum Faixa e Rota | António Guterres chegou ontem a Pequim Hoje Macau - 18 Out 2023 O secretário-geral da ONU, António Guterres, chegou ontem a Pequim para participar no 3.º Fórum da Iniciativa Faixa e Rota, informou a televisão estatal CGTN. De acordo com o seu porta-voz, Guterres vai discursar na cerimónia de abertura do evento. Está também prevista uma intervenção numa sessão de alto nível dedicada às questões climáticas. Guterres vai reunir-se em Pequim com o presidente chinês, Xi Jinping, e outros altos funcionários, incluindo o vice-presidente Han Zheng, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi, e o enviado especial para as Alterações Climáticas, Xie Zhenhua. Guterres é uma das mais altas figuras presentes no fórum, que celebra 10 anos desde o lançamento do gigantesco programa de infra-estruturas internacional pela China. O evento vai ser inaugurado hoje por Xi Jinping e conta com a presença de representantes de 110 países, incluindo o Presidente russo, Vladimir Putin. De acordo com dados do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, a iniciativa lançou mais de 3.000 projectos na última década, com um investimento conjunto de cerca de um bilião de dólares, e criou 420.000 postos de trabalho.
Fórum da Faixa e Rota | Vladimir Putin vai reunir hoje com Xi Jinping Hoje Macau - 18 Out 2023 O Presidente russo, Vladimir Putin, aterrou ontem em Pequim, onde vai reunir com o homólogo chinês, Xi Jinping, e participar no 3º Fórum da Faixa e Rota. O Governo de Moscovo realça que as relações bilaterais entre os dois países “estão a crescer” Vladimir Putin aterrou ontem na capital chinesa às 09h e hoje irá reunir com o Presidente chinês Xi Jinping e participar no 3º Fórum da Faixa e Rota, indicou ontem a agência noticiosa oficial Xinhua. “No dia 18 de Outubro de 2023, em Pequim, à margem do terceiro Fórum Internacional ‘The Belt and Road’ [‘Faixa e Rota’], serão realizadas discussões entre o Presidente da Federação Russa, Vladimir Putin, e o Presidente da República Popular da China, Xi Jinping”, indicou o Kremlin (Presidência russa), em comunicado. Putin chegou à China com uma grande delegação de altos funcionários, incluindo dois vice-primeiros-ministros, e responsáveis pela diplomacia, economia, transportes ou finanças. A delegação inclui também o governador do Banco Central, o director dos caminhos-de-ferro russos e os directores do maior banco da Rússia, o Sber, do banco VTB, da empresa de gás Gazprom, da agência atómica Rosatom e outros executivos. Durante o encontro de hoje, Xi e Putin vão discutir questões bilaterais e internacionais num diálogo “amigável e franco”, de acordo com o Kremlin, sete meses depois de uma cimeira em Moscovo que selou a “amizade ilimitada” entre os dois países. A reunião servirá para debater as relações bilaterais, que “estão em plena expansão”, adiantou ontem de manhã o chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, durante uma reunião com o homólogo chinês, Wang Yi, em Pequim. Wang Yi também confirmou a participação de Putin no 3.º Fórum dedicado à “Faixa e Rota”, o gigantesco projecto de infraestruturas internacional lançado pela China e encarado como o principal programa da política externa de Pequim, a convite de Xi. Boas expectativas Segundo afirmou Putin, numa entrevista à emissora China Media Group, a Rússia espera o melhor deste fórum. “Talvez seja demasiado cedo para insistir nisso, mas tenho a certeza de que vão ser assinados contratos, estabelecidos novos contactos entre os agentes económicos e chefes de Governo”, disse. Putin acrescentou que as propostas russas têm várias páginas e que “cada projecto pode representar algo em que se trabalhará durante mais de um ano, talvez uma década”. O líder russo sublinhou ainda que os dois países têm uma cooperação intensa no domínio da energia, especialmente no fornecimento de petróleo e gás. O conselheiro da Presidência russa, Yuri Ushakov, recordou na segunda-feira que Putin vai participar no 3.º Fórum da Faixa Rota como “convidado principal” e discursará no evento logo após o anfitrião, Xi Jinping. A China tem servido como ‘tábua de salvamento’ de Moscovo, após a invasão da Ucrânia. O país asiático é agora o principal parceiro comercial e aliado diplomático da Rússia. A China considera a parceria com a Rússia fundamental para contrapor a ordem democrática liberal, numa altura em que a sua relação com os Estados Unidos atravessa também um período de grande tensão, marcada por disputas em torno do comércio e tecnologia ou diferendos em questões de Direitos Humanos, o estatuto de Hong Kong ou Taiwan e a soberania dos mares do Sul e do Leste da China. Poucas semanas antes da invasão da Ucrânia pela Rússia, Putin e Xi declararam, em Pequim, uma amizade “sem limites”. A China recusou condenar a Rússia pela invasão da Ucrânia e criticou a imposição de sanções internacionais contra Moscovo.
Hong Kong | Quatro detidas por suspeitas de enforcamento de gato Hoje Macau - 18 Out 2023 A polícia de Hong Kong deteve na segunda-feira quatro mulheres suspeitas de crueldade contra animais, depois de ter sido encontrado no sábado um gato morto pendurado numa árvore num parque para animais de estimação em North Point. Uma das suspeitas, uma mulher de 69 anos, é alegadamente a proprietária do gato. Foram também detidos três trabalhadores domésticos estrangeiros com idades compreendidas entre 24 e 33 anos. As detenções aconteceram depois de as autoridades analisarem uma grande quantidade de imagens de circuito fechado de televisão captadas na zona. O corpo do gato foi encontrado com uma corda de nylon azul à volta do pescoço no North Point Promenade Pet Garden. A crueldade para com animais é punível com uma pena de prisão até três anos e uma multa de 200 mil dólares de Hong Kong.
Análise | Investimento no exterior vai entrar em período de “muita sobriedade” Hoje Macau - 18 Out 2023 O economista Michael Pettis considera que a China teve um período inicial de “exuberância” no financiamento ao exterior que vai ser seguido por outro de “muita sobriedade”, à medida que vários países arriscam entrar em incumprimento “É o padrão comum: quando se sai pela primeira vez, sobrestima-se a capacidade de compreender os países em desenvolvimento, subestima-se o risco”, destaca à Lusa o professor de teoria financeira na Faculdade de Gestão Guanghua, da Universidade de Pequim. “No início, é muito difícil resistir à tentação de poder ganhar muito dinheiro, até se chegar a um ponto em que se tem de receber reembolsos significativos”, acrescenta. A China celebra esta semana dez anos desde o lançamento da Iniciativa Faixa e Rota com um fórum em Pequim que conta com a participação de líderes de mais de cem países. Designado pelo Presidente chinês, Xi Jinping, como o “projecto do século”, a iniciativa foi inicialmente apresentada no Cazaquistão como um novo corredor económico para a Eurásia, inspirado na antiga Rota da Seda. Na última década, no entanto, a Faixa e Rota adquiriu dimensão global, à medida que mais de 150 países em todo o mundo aderiram ao programa. Para Michael Pettis, o projecto nasceu da necessidade da China exportar o excesso de poupança adquirido através de um excedente comercial com o resto do mundo. “O Governo chinês colocou, inicialmente, as suas reservas sobretudo em obrigações do Estado norte-americano, mas à medida que as reservas aumentaram, tornou-se mais receptivo a diversificar e a investir noutros activos de maior rendimento: foi nessa altura que descobriu o mundo em desenvolvimento”, descreve. Nos últimos anos, as empresas chinesas construíram portos, estradas, linhas ferroviárias ou centrais eléctricas em todo o mundo, financiadas por bancos de desenvolvimento chineses. A China é agora o maior credor internacional do mundo, tendo-se tornado na principal fonte de financiamento para muitos países de rendimento baixo ou médio. Segundo diferentes estimativas, a China investiu cerca de um bilião de dólares nos países em desenvolvimento no âmbito da Faixa e Rota. Reverso da medalha O gigantesco programa internacional de infraestruturas enfrenta, no entanto, desafios suscitados pelo excesso de endividamento em alguns países e projectos comercialmente inviáveis, alguns dos quais ficaram por terminar, devido a falta de liquidez. Sri Lanka, Maldivas, Laos e Quénia são alguns dos países que enfrentam dificuldades em cumprir com as suas obrigações, numa altura em que Pequim lida com uma crise interna no sector imobiliário e uma economia em abrandamento. Michael Pettis apontou um formato pirâmide no gráfico do investimento chinês no exterior, com uma ascensão repentina que atinge o pico em 2016 e regista, logo de seguida, uma descida abrupta. O ponto de viragem foi a entrada em incumprimento da Venezuela, explicou. Segundo diferentes estimativas, Caracas deve actualmente 10 mil milhões de dólares a diferentes instituições chinesas. “A China emprestou desproporcionadamente à Venezuela, Argentina e Equador, mas, em 2015, a Venezuela teve de reestruturar praticamente toda a sua dívida à China e ao resto do mundo”, lembra. “Isto foi um choque muito grande para Pequim”, refere o economista, que vive no país asiático há mais de duas décadas. “Foi a primeira vez que [a China] percebeu que conceder empréstimos a países em desenvolvimento é bastante arriscado e que, quando há uma expansão demasiado rápida, é provável que surjam problemas”. Dimensão reduzida Pettis considera que Pequim vai ter que perdoar parte das dívidas. “Já se sabe como é que isto funciona: os empréstimos são feitos na expectativa de que serão totalmente reembolsados; depois descobre-se que o reembolso é muito difícil; passa-se um período muito longo e destrutivo em que a dívida é renegociada e reestruturada; por fim, chega-se a um ponto em que se reconhece que o perdão da dívida é a única saída”, explica. A China reconhece que o formato da iniciativa tem que mudar: o mantra agora são projectos “pequenos e belos”, ou seja, investimentos pequenos e comercialmente viáveis. Com esta nova estratégia, o financiamento chinês além-fronteiras caiu quase 50 por cento, face há cinco anos, segundo uma análise do Green Finance and Development Center, um grupo de reflexão (‘think tank’) que acompanha os investimentos da Faixa e Rota. “A dívida insustentável, por definição, é insustentável”, aponta Pettis. “Tanto o mutuário como o mutuante ficam em melhor situação quando chegam a acordo sobre o montante correcto de perdão da dívida. A China ainda vai demorar muitos anos a chegar lá”, acrescenta.
O vento nas ameixieiras de Wang Shishen Paulo Maia e Carmo - 18 Out 2023 Shitao (1642-1707), o pintor peripatético, vagueando pela região de Jiangnan, «a Sul do grande rio Changjiang» figurou um poeta erguendo-se num barco, olhando impressionado para uma enorme massa rochosa e escreveu os versos: Enquanto o vento vai soprando na Ravina Ocidental quem permitiu que o poema se completasse sozinho? Tanta pena da ameixieira, a solitária do frio, que não tem companhia. Daqui apenas se avistam os poucos ramos que sobraram, Flores caídas enchem já o chão e a Primavera ainda não terminou. Um coração amargurado, apertado como uma semente, consegue persistir em tais pensamentos constantes (…) A pintura numa folha de álbum (Reminiscências de Qinhuai, tinta e cor sobre papel, 25,5 x 20,2 cm, no Museu de Arte de Cleveland) é exemplar do seu processo como pintor literato individualista para quem o crescente simbolismo da pintura como que pedia o contraste dinâmico com a palavra poética. Essa figura do indivíduo solitário no meio da paisagem está presente em muitas das suas pinturas e até foi assim que ele fez o seu Auto-retrato supevisionando a plantação de pinheiros. Um outro pintor, seu contemporâneo e da mesma região de Jiangnan, habitante da cidade de Yangzhou, também figurou esse sujeito sensível que da natureza recebe sinais de lentas ou delicadas mutações. Wang Shishen (1686-1759) faria uma rara pintura de um homem caminhando ao frio com um jarro de barro, que se presume cheio de neve para ser derretida e feita água, quem sabe se para o chá, aproximando-se da vedação de uma habitação coberta com um telhado de palha, a que chamou Pedindo água de neve (rolo vertical, tinta sobre papel, 91 x 26,8 cm, no Museu de Arte da Universidade de Princeton). Wang Shishen, o pintor de Anhui que escolheu o nome artístico de Chaolin, «aninhado na floresta», ficaria conhecido pelas suas pinturas de ameixieiras. Um álbum de oito pinturas de Paisagens e flores no Metmuseum (tinta e cor sobre papel, 20,3 x 25,1 cm) será um modelo a mostrar a potenciais compradores a sua habilidade de pintor profissional na rica região comercial ao longo do Grande Canal. Mas noutras pinturas, como Flores de ameixieira, no Museu de Arte de Cleveland (rolo vertical, tinta sobre papel, 144,4 x 75,7 cm) descreve uma situação típica das actividades dos literatos: « Em busca de flores de ameixieira com amigos, Aproveitamos a frescura de um dia claro, Sinto leves os meus sapatos pretos e as meias de algodão, Que belos os bosques diante da porta deste antigo templo, Caminho para a frente e para trás, como se habitasse numa pintura. Noutro poema diz: O distinto badalar de um sino rompe o silêncio nas montanhas, Mil anos depois todos os heróis das Seis dinastias estão esquecidos, Sob uma janela budista apreciamos os dias ociosos, Ramos e flores de ameixieira guardam para si todo o vento Leste.
Arquitectura | Escolhidos vencedores do concurso de fotografia Andreia Sofia Silva - 18 Out 2023 Chan Weng Kin, Chan U Long e Cheang I Man são os três vencedores da edição deste ano do concurso de fotografia de arquitectura de Macau, promovido pelo CURB – Centro para a Arquitectura e Urbanismo. Segundo um comunicado da entidade, os trabalhos premiados foram escolhidos de um total de 468 fotografias, submetidas por 198 participantes, que foram avaliados por um “painel de juízes experientes que seleccionaram as melhores fotografias para o tema deste ano, considerando a sua qualidade artística e técnica e originalidade de visão”. A fotografia vencedora na secção “Grupo de Estudantes” é da autoria de Magno Máximo do Rosário, tendo sido considerada pelos jurados como “representativa da paisagem urbana de Macau, destacando o contraste entre os edifícios altos e o complexo tecido da cidade”. Já os segundo e terceiro prémios nesta categoria foram atribuídos a Yu Yunzhong e Song Sok Fong, respectivamente. O CURB refere ainda que a edição deste ano “desafiou os entusiastas da fotografia a olharem além do óbvio para capturar a arquitectura negligenciada que merece mais atenção e apreciação”. A cerimónia de atribuição dos prémios decorre no sábado às 17h, e que a exposição com os trabalhos premiados abre ao público a 20 de Novembro no edifício Ponte 9 – Plataforma Criativa, na Rua das Lorchas, zona do Porto Interior, onde está sediado o CURB.
Macau recebe primeira edição da “Asia Performance Entertainment Expo” Andreia Sofia Silva - 18 Out 2023 Macau prepara-se para acolher um novo evento relacionado com o sector das exposições e convenções. Trata-se da “Asia Performance Entertainment Expo” que decorre entre os dias 17 e 19 de Novembro, pretendendo “impulsionar o crescimento da indústria dos espectáculos ao vivo na região da Ásia-Pacífico”. Outros objectivos do evento prendem-se com a facilitação “do intercâmbio cultural entre os países asiáticos” e unir “os principais intervenientes e profissionais da área”. O evento, que decorre no Venetian, no Cotai, é organizado pela Associação da Indústria de Espectáculos ao Vivo da Ásia-Pacífico (APLPIA). Segundo um comunicado do evento, a nova Expo terá uma área de exposição de cerca de dez mil metros quadrados, contando com 180 expositores com “uma gama diversificada de participantes do sector, incluindo meios de comunicação social, plataformas de venda de bilhetes ou empresas de entretenimento e de gestão”. Espera-se a presença de grandes empresas do entretenimento e audiovisual como a Hong Kong Television Broadcasts Limited (TVB), a Maoyan Entertainment, a Damai, a Tencent e a Douyin. Os organizadores esperam poder atrair mais de 500 compradores profissionais e mais de dez mil visitantes, prevendo negócios no valor superior a 100 milhões de dólares. Concertos e diversão O evento integra uma série de iniciativas, como o “Fórum da Indústria do Entretenimento” e espectáculos, o “Musical Estrelas do Oceano”, que já estreou na China, e ainda o festival “KoolTai”, que traz a Macau nomes como Suede, Jessie J e Corinne Bailey Rae. Entre os dias 13 e 16 de Novembro decorrem espectáculos ao ar livre nos principais bairros tradicionais de Macau e Taipa, e nos dias 17 e 18 de Novembro é exibido no Venetian Theatre o filme “The Storm Show”. Também paraa 17 de Novembro está marcado o espectáculo da tour mundial do cantor de Hong Kong Pakho Chau, intitulado “Seize the Moment”, no Cotai Arena no Venetian. No dia seguinte, o mesmo espaço acolhe o programa “Aproveite o Presente, Crie o Futuro”, com cantores de Hong Kong, Macau e Taiwan.
Pintura | “Um Mundo Psicadélico” de Alice Ieong, na FRC Hoje Macau - 18 Out 2023 A galeria da Fundação Rui Cunha acolhe até 28 de Outubro a exposição de pintura “Um Mundo Psicadélico”, da autoria de Alice Ieong. As obras patentes na mostra, que foi inaugurada ontem, procuram retratar visões pessoais de um plano diferente de realidade e percepção Foi inaugurada ontem a exposição individual de pintura de Alice Ieong, intitulada “Um Mundo Psicadélico” [A Psychedelic World], e que pode ser vista até ao dia 28 deste mês. De destacar que Alice Ieong é directora geral da Associação Internacional de Arte Contemporânea de Macau e também da Ark – Associação de Arte de Macau. A mostra conta com curadoria de Bill Wong e reúne 23 obras de pintura contemporânea que reflectem o percurso estético da artista. Segundo o curador, citado por um comunicado da FRC, a artista “cresceu perto do Largo do Senado, em Macau” e acompanhou o desenvolvimento do território nos últimos anos, acabando por transpor essa evolução para a pintura. “Quando sai da sua casa tem a zona turística e cultural, repleta de calçada portuguesa. Olhando para trás, Macau passou de uma pequena vila de pescadores para o título de Capital Mundial do Jogo, quase do dia para a noite, o que é muito deslumbrante. Ela tenta pintar na tela imagens exteriores, as ruas, os diferentes cenários, a atmosfera cultural e pública que vê diariamente”, descreveu Bill Wong. Uma forma de exploração Nas suas próprias palavras, a artista refere que tem “vontade de explorar a vida, as crenças, o ser humano e a sociedade enquanto formas de arte”, embora Alice Ieong transforme ainda “essas cenas familiares em objectos geométricos planos, como paisagens ocultas”. Comparada com a pintura de paisagem, esta é mais como uma “pintura de imagens surrealistas, usando cores de contos de fadas para criar uma paisagem que parece não ter estações, nem amanhecer e anoitecer, e nenhum fenómeno astronómico”, aponta ainda o curador. São usados, nas pinturas, “elementos poéticos e símbolos – como riscas caindo, círculos flutuantes, formas geométricas e objectos aparentemente reconhecíveis e irreconhecíveis”. A atmosfera dos quadros “transmite uma sensação fria e elegante”, como um espaço “desligado da realidade, sem elementos mundanos: não há pessoas, o tempo parece estar parado, as coisas estão estáticas, mas em certo sentido, também estão em movimento”. Alice Ieong vive e trabalha em Macau, e tem um mestrado em Belas Artes na Universidade Chinesa de Hong Kong. Além de dirigir duas associações criativas no território, a artista conta no currículo com obras expostas em Macau, Hong Kong, Xangai, Guangzhou, Taiwan e no Museu Nacional de Arte da China, em Pequim.
Acidente | Mulher em estado crítico após ser atingida por tabuleta João Santos Filipe - 18 Out 2023 Uma residente de 42 anos teve de ser transportada para o Centro Hospitalar Conde São Januário, praticamente inconsciente, depois de ter sido atingida por uma tabuleta publicitária que caiu de um prédio na Rua do Campo Uma mulher foi levada para o Hospital Conde São Januário em estado crítico, após ter sido atingida por uma tabuleta publicitária que se soltou de um edifício, na Rua do Campo. O acidente aconteceu por volta das 21h de segunda-feira, com as imagens do acidente a tornarem-se virais nas redes sociais. De acordo com a informação veiculada pelo jornal Ou Mun, o desastre aconteceu quando uma tabuleta se desprendeu do edifício Ngan Fai, na Rua do Campo, perto da passadeira aérea do lado do restaurante McDonald’s. Sem que nada o fizesse prever, uma residente de 42 anos que passava naquele local foi atingida pelo objecto. O sinal era constituído por várias tábuas de madeira, pedaços de ferro, fios. Na tabuleta podia ainda ler-se em chinês “parque de estacionamento privado”. Como consequência de ser atingida, a mulher caiu imediatamente no chão, ficando com uma perna torcida e praticamente sem se conseguir mexer. Face ao barulho e ao facto de terem reparado que uma pessoa tinha sido atingida pelo objecto, vários transeuntes aproximaram-se da vítima e chamaram imediatamente o Corpo de Bombeiros ao local. Ao mesmo tempo, tentaram prestar a assistência possível à infortunada. Perder a consciência Quando os bombeiros chegaram ao local prestaram os primeiros socorros à vítima, que se suspeita tenha facturas no pescoço e na anca direita. Na segunda-feira à noite a gravidade das lesões ainda não era totalmente conhecida. O transporte para o Centro Hospital Conde São Januário acabou também por ser acelerado, uma vez que a mulher começou a ficar inconsciente, ao mesmo tempo que era assistida. Após o acidente, a polícia colocou várias fitas no local para evitar a aproximação de transeuntes. Para fazerem um relatório sobre sucedido, as autoridades contactaram vários empregados do restaurante na zona. Ao local foram ainda chamados representantes da Obras Públicas para averiguar os motivos que levaram a que o sinal se desprendesse. As suspeitas iniciais apontam que a falta de manutenção da infra-estrutura tenha estado na origem do caso. Após as averiguações, que levaram a concluir que o sinal tinha uma área de dois metros por um metro, o Corpo de Bombeiros procedeu à limpeza, e as fitas da polícia foram retiradas. Uma hora depois do acidente era possível circular normalmente local.
Hotel Yoho Treasure Island | Inauguração a 15 de Dezembro Hoje Macau - 18 Out 2023 A inauguração do Hotel Yoho Treasure Island Resorts World, situado na Praça de Ferreira do Amaral, tem a inauguração oficial agendada para 15 de Dezembro, de acordo com o portal Macau News Agency. O hotel abriu as portas em modo experimental em Agosto deste ano, disponibilizando cerca de 500 quartos, a tempo de servir clientes durante os meses do Verão e na Semana Dourada. Com um preço de construção de cerca de 4,7 mil milhões de patacas, o Hotel Yoho Treasure Island Resorts World vai disponibilizar um total de 600 quartos, quando for inaugurado oficialmente. Inicialmente, a empresa Genting, com sede na Malásia, era uma das investidoras no projecto, mas em Janeiro de 2021 vendeu a participação à empresária local Ao Mio Leong, por 750 milhões de dólares de Hong Kong.
GIF | Transacções suspeitas quase duplicaram até Setembro Hoje Macau - 18 Out 202318 Out 2023 Até Setembro o número de transacções suspeitas relatadas ao Gabinete de Informação Financeira (GIF) teve um aumento de 89,5 por cento, em comparação com o ano passado. “O número total de transacções suspeitas relatadas pelo GIF durante os três primeiros trimestres de 2023 foi de 3,178, o que significa uma aumento de 89.5 por cento em relação ao mesmo período de 2022”, pode ler-se na informação oficial do GIF. Em comparação, no período entre Janeiro em Setembro do ano passado, o número de transacções suspeitas tinha sido de 1.677, menos 1.501 transacções suspeitas que as registadas ao longo do corrente ano. A principal diferença acontece nas suspeitas reportadas pelas operadoras de jogo. Com a abertura das fronteiras e a vinda de mais jogadores ao território, as concessionárias reportaram 2.335 transacções suspeitas entre Janeiro e Setembro, equivalente a uma proporção de 73,5 por cento do total de transacções suspeitas. Em comparação, no ano passado para o mesmo período, o número de denúncias tinha ficado nas 866 transacções, menos 1.469 suspeitas. As transacções suspeitas que partiram de “instituições financeiras e companhias de seguros” foram 617, contribuindo com 19,4 por cento para o total de queixas nos primeiros nove meses do ano. Face ao período homólogo, houve mais seis ocorrências relatadas pelas “instituições financeiras e companhias de seguros”. No que diz respeito às “outras instituições” houve 226 transacções suspeitas encaminhadas para o GIF, 7,1 por cento do total. Face ao período homólogo houve um aumento de 26 transacções suspeitas.
Jogo | Segmento VIP com quebra de 3,2% no terceiro trimestre Hoje Macau - 18 Out 2023 Os casinos arrecadaram, entre Julho e Setembro, 11,8 mil milhões de patacas com o segmento dos grandes apostadores. A queda inverte a recuperação do segmento das grandes apostas que se registava desde o início do ano As receitas provenientes dos grandes apostadores (jogo VIP) caíram 3,2 por cento no terceiro trimestre deste ano, comparativamente aos três meses anteriores, de acordo com dados revelados pela Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ). Os casinos arrecadaram 11,8 mil milhões de patacas, entre Julho e Setembro, no jogo de bacará VIP, contra 12,2 mil milhões de patacas entre Abril e Junho, indicou a DICJ. Esta queda inverte a recuperação do segmento das grandes apostas, cujas receitas tinham subido 41,9 por cento no segundo trimestre, após terem sido removidas todas as restrições à entrada de turistas devido à pandemia de covid-19. Ainda assim, as receitas entre Julho e Setembro foram já superiores ao registado durante 2022 (10,1 mil milhões de patacas, ano em que o segmento foi afectado pela detenção do líder da maior empresa angariadora de apostas VIP do mundo. O antigo director executivo da Suncity, Alvin Chau Cheok Wa, foi condenado em Janeiro a 18 anos de prisão por exploração ilícita de jogo e sociedade secreta, num caso que fez cair de 85 para 46 o número de licenças de promotores de jogo emitidas em Macau. Em Abril, o antigo líder de uma outra grande angariadora de apostas VIP em Macau, o Tak Chun Group, Levo Chan Weng Lin, foi condenado a 14 anos de prisão por crimes que vão desde o jogo ilegal ao branqueamento de capitais. O total acumulado no jogo VIP nos primeiros nove meses do ano foi de 32,5 mil milhões de patacas, indicou a DICJ, equivalente a 24 por cento do registado em 2019: 135,2 mil milhões de patacas. Efeitos expectáveis O bacará VIP, que antes da pandemia de covid-19 representava quase metade de todas as receitas do jogo nos casinos em Macau, ficou-se por uma fatia de 24,1 por cento no terceiro trimestre deste ano. Pelo contrário, o bacará no chamado mercado de massas representou quase 61 por cento do total das receitas do jogo em Macau entre Julho e Setembro, subindo 11,6 por cento em comparação com os três meses anteriores, para 29,8 mil milhões de patacas. A 8 de Janeiro, após quase três anos, Macau retirou todas as restrições à entrada de turistas do interior da China, nomeadamente a apresentação de certificado de um teste de covid-19 com resultado negativo. Com o fim das restrições, Macau recebeu 17,6 milhões de visitantes nos primeiros oito meses de 2023, quatro vezes mais do que no mesmo período do ano passado, mais ainda dois terços do valor registado entre Janeiro e Agosto de 2019.
Cooperação | Secretário de Estado português em Macau Hoje Macau - 18 Out 202318 Out 2023 Pedro Cilínio, secretário de Estado da Economia do Governo português, chegou ontem a Macau para participar na “Exposição Económica e Comercial China – Países de Língua Portuguesa (Macau)” e nas cerimónias de celebração do 20º aniversário do estabelecimento do Fórum de Macau. Segundo um comunicado do Consulado-geral de Portugal em Macau e Hong Kong, o secretário de Estado realiza hoje duas visitas a empresas portuguesas com presença local, a Hovione e a clínica Globalmed, do grupo português IGHS – Global Healthcare Services. Na sexta-feira, o secretário de Estado participa no Fórum Oceano, subordinado ao tema “Blue Hub: Unleashing Opportunities for Blue Economies in the Era of Sustainability”, que decorre numa das convenções que o Venetian acolhe no fim-de-semana. Também na sexta-feira o governante irá jantar com membros do Grupo de Aconselhamento Económico do Consulado. No dia seguinte, antes do regresso a Portugal, Pedro Cilínio irá encontrar-se com um grupo de agentes económicos de Hong Kong, no histórico Club Lusitano de Hong Kong.
Hospital das Ilhas | Governo confirma abertura no final deste ano Hoje Macau - 18 Out 2023 Assinado o acordo com o Peking Union Medical College Hospital, o Executivo liderado por Ho Iat Seng confirmou a abertura do Complexo de Cuidados de Saúde das Ilhas no final do ano. No entanto, a primeira fase de funcionamento será a título “experimental” O Complexo de Cuidados de Saúde das Ilhas vai entrar em funcionamento, “a título experimental”, no final deste ano, reiterou o Governo, após a assinatura de um acordo de cooperação com o Peking Union Medical College Hospital. A assinatura do acordo de cooperação, com base num acordo anterior celebrado entre o Governo de Macau e o Peking Union Medical College Hospital (PUMCH), prevê a promoção conjunta do funcionamento e “do desenvolvimento de alta qualidade do Hospital Peking Union de Macau, sob o princípio de persistir a utilidade pública e de servir a estratégia nacional” chinesa, indicou, na segunda-feira, o gabinete da secretária para os Assuntos Sociais e Cultura de Macau, Elsie Ao Ieong U. O Complexo de Saúde das Ilhas vai ter mais de 800 camas, tecnologia e equipa de gestão do PUMCH, e vai lançar, “gradualmente, serviços integrados de oncologia, tais como radioterapia (…) além de introduzir e adoptar as tecnologias médicas avançadas e equipamentos médicos de nível internacional” do PUMCH, acrescentou. Um projecto “importante” O Hospital Peking Union de Macau “é um importante projecto de cooperação” na área da saúde entre Macau e a China, “sob o princípio ‘um país, dois sistemas'”, cujo objectivo é estabelecer “um centro médico internacional focado na Grande Baía de Guangdong-Hong Kong-Macau e com extensão ao Sudeste Asiático”, refere o Governo na mesma nota. Outro objectivo é desenvolver especialidades nas áreas de medicina estética, medicina tradicional chinesa, gestão de saúde, garantindo “a prestação prioritária de cuidados de saúde públicos” e “melhorar continuamente o nível dos cuidados de saúde diferenciados locais”, bem como “potencializar plenamente as vantagens de internacionalização” de Macau, referiu. O novo hospital, situado no Cotai, tem uma área bruta de construção de cerca de 430 mil metros quadrados, e é o maior complexo de cuidados de saúde do território, incluindo o Hospital de Macau, o edifício do laboratório central e o edifício de apoio logístico. Em 2021, o Governo, com o apoio da Comissão de Saúde da China, escolheu o PUMCH como parceiro para operar e gerir conjuntamente o Complexo de Cuidados de Saúde das Ilhas, com o “intuito de melhorar a saúde e o bem-estar dos residentes e aumentar a capacidade de oferta de serviços médicos especializados da RAEM no tratamento de doenças complexas e graves”. O Chefe do Executivo, que está em Pequim para assistir ao 3º Fórum ‘Uma Faixa, Uma Rota’ para a Cooperação Internacional, marcou presença na cerimónia de assinatura do acordo.
Ilha Verde | Moradores queixam-se de carros abandonados Hoje Macau - 18 Out 2023 Um grupo de habitantes do Edifício Fok Tak San Chuen, na Estrada Marginal da Ilha Verde, queixou-se ao Executivo do problema dos carros abandonados naquela zona. A reclamação foi feita através da entrega de uma carta na segunda-feira na sede do Governo. Segundo o relato feito pelo Jornal Cheng Pou sobre o conteúdo da carta, os habitantes indicam que são cada vez mais os veículos abandonados nas imediações do edifício, sem que haja medidas para remover e controlar o número de viaturas deixadas no local. Segundo os moradores, os carros são encarados como um problema de segurança pública, e teme-se que em caso de incêndio as saídas de segurança do edifício fiquem bloqueadas por viaturas abandonadas. O grupo de moradores do Edifício Fok Tak San Chuen também se queixou que o ambiente na Ilha Verde está cada vez pior, porque surgem carros estacionados em todo o lado, inclusive nos passeios ou áreas de circulação de peões. As reclamações recaíram também sobre os lugares de estacionamento que são ocupados com contentores com sucata, nomeadamente em cima dos contentores, situação que os queixosos temem ser um perigo para a saúde pública. Em relação à decisão de entregarem uma carta na sede do Governo, a opção foi justificada com o facto das várias queixas feitas a diferentes autoridades, ao longo dos anos, serem constantemente ignoradas. “Todos os departamentos contactados arranjaram sempre uma razão para atirarem as responsabilidades para os outros departamentos”, pode ler-se na queixa.
Ensino | DSEDJ diz que saúde visual dos alunos é prioridade Hoje Macau - 18 Out 2023 Incentivar as escolas a “disponibilizarem um intervalo adequado aos alunos entre duas aulas consecutivas”. É desta forma que a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) garante assegurar a protecção da saúde dos olhos dos alunos durante os períodos em que estão na escola. Em resposta a uma interpelação do deputado Ho Ion Sang, a DSEDJ aponta que além de apelar às escolas para darem descanso suficiente aos alunos entre aulas, cria “condições para implementarem medidas de protecção da visão” como a adopção de “exercícios para a saúde dos olhos”, que não especificou, e promove, ao nível curricular, o “desenvolvimento de bons hábitos de vida, de trabalho e de descanso dos alunos”. Por outro lado, a DSEDJ afirma que fornece às escolas o “Guia de Funcionamento das Escolas”, onde constam orientações para a “utilização razoável dos computadores, dos diversos produtos electrónicos e da Internet”. No guia é também indicada a necessidade de uma “distribuição equilibrada da proporção de trabalhos em papel e no formato electrónico, para que os alunos possam desenvolver uma aprendizagem com utilização razoável de produtos electrónicos”. No mesmo sentido foi também sublinhado que “todos os anos lectivos, são enviados profissionais de saúde às escolas […] para a realização de exames visuais” aos alunos do 1.º ano do ensino primário. Segundo a explicação do Governo, estes exames permitem a “detecção precoce de casos de anormalidades na visão ou outras situações anormais”.