Índia ameaça “resposta muito forte” contra qualquer novo ataque do Paquistão Hoje Macau - 9 Mai 2025 O ministro dos Negócios Estrangeiros indiano avisou ontem que um novo ataque do Paquistão provocará uma “resposta muito forte” da Índia, um dia depois do confronto militar mais violento das últimas duas décadas entre os dois países. “Não é nossa intenção provocar uma nova escalada” do conflito, disse Subrahmanyam Jaishankar, na abertura de um encontro com o homólogo iraniano, Abbas Araghchi. “Mas se formos atacados, não há dúvida de que responderemos com muita firmeza”, assegurou. A ameaça é feita um dia depois de o Paquistão ter garantido que vai vingar os mortos causados pelos ataques aéreos indianos que, segundo Nova Deli, foram uma resposta a um ataque em Caxemira. “Estamos empenhados em vingar cada gota de sangue destes mártires”, frisou o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, num discurso à nação na quarta-feira à noite. Em crescendo Nas últimas duas semanas, a tensão entre a Índia e o Paquistão tem crescido, na sequência de um atentado, a 22 de Abril, em Pahalgam, uma cidade turística na parte indiana da região disputada de Caxemira, no qual morreram 26 pessoas. A Índia acusou o Paquistão de apoiar o grupo extremista que responsabilizou pelo ataque, uma acusação que Islamabade negou veementemente. Depois de várias medidas diplomáticas e uma série de incidentes ao longo da fronteira que separa os dois países em Caxemira, Nova Deli lançou, na terça-feira à noite, ataques contra três zonas do Paquistão, que, segundo o Governo indiano, constituíam “locais terroristas”, na província de Punjab. Poucas horas depois, o Governo paquistanês anunciou ter abatido vários aviões militares indianos e, na quarta-feira de manhã, uma sequência de bombardeamentos realizados por Islamabade e Nova Deli provocou pelo menos 38 mortos, no maior confronto dos últimos 20 anos. Ontem, a Índia anunciou que 13 civis morreram e 59 ficaram feridos na Caxemira em retaliação pelo ataque paquistanês lançado na quarta-feira sobre o seu território e o Paquistão afirmou que abateu um drone indiano em Lahore. O Irão ofereceu-se para mediar o conflito entre as duas potências nucleares, tendo o ministro responsável pela diplomacia de Teerão reunido com responsáveis do Governo paquistanês na segunda-feira. À chegada à Índia, Abbas Araghchi admitiu que espera que “as partes tenham moderação para evitar uma escalada de tensões na região”. O Irão mantém boas relações com a Índia e com o Paquistão, com o qual faz fronteira.
Manifestação contida Paul Chan Wai Chi - 9 Mai 2025 Durante a “semana dourada”, no 1.º de Maio (Dia do Trabalhador), o centro da cidade de Macau estava inundado por uma multidão, no entanto, o ambiente era contraditório e as pequenas e médias empresas (PMEs) continuam a lutar pela sobrevivência. No primeiro trimestre de 2025 a taxa de desemprego global (1,9 por cento) e a taxa de desemprego dos residentes (2,5 por cento) aumentaram 0,2 pontos percentuais, face aos indicadores do quarto trimestre de 2024. Estes números indicam que o mercado de trabalho de Macau está a sofrer o impacto da recessão económica e o influxo de trabalhadores estrangeiros. As numerosas lojas que fecharam em áreas residenciais reflectem claramente a desolação económica. Embora o “Grande Prémio para o Consumo nas Zonas Comunitárias 2025” pareça funcionar como um acelerador temporário, não ataca a raiz do problema. Existe descontentamento social em relação à administração do Governo da RAEM, no entanto, no 1.º de Maio, exceptuando a situação de um cidadão que foi levado pela Polícia para ser investigado no Ministério Público por ter protestado sem avisar a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), não se registaram manifestações nem protestos. À medida que as queixas do público se acumulam, a atmosfera social tornou-se visivelmente mais silenciosa. E isso será bom ou mau? A comunicação social revelou que o grupo “Poder do Povo” tinha notificado o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) da sua intenção de organizar uma manifestação de protesto no 1.º de Maio, de acordo com as disposições da lei do “Direito de Reunião e de Manifestação”. Os agentes da polícia “expressaram a sua preocupação repetidamente, promovendo diversas reuniões com membros do grupo para analisarem a situação e tomarem as medidas necessárias” bem como para “os avisar das várias possibilidades perante “situações incontroláveis” que os levariam a ter de assumir a “responsabilidade solidária” ou, caso contrário, arriscarem-se a violar a “Lei relativa à Defesa da Segurança do Estado da RAEM”. Finalmente, os dois principais membros do “Poder do Povo” sentiram o peso da pressão invisível e relutantemente optaram por apresentar uma carta onde expunham os seus pontos de vista à DSAL. Um artigo de outro jornal elogiava o CPSP pela forma com que lidou com este caso. Afirmava que o CPSP tinha aperfeiçoado significativamente a sua capacidade para desactivar “o protesto planeado para o 1.º de Maio”, e acreditava que o CPSP, que supervisiona protestos e manifestações de acordo com a lei, tinha adoptado uma abordagem de “apresentação de prós e contras” para neutralizar um protesto inflamado de forma branda, eliminando possíveis perturbações sociais que daí adviessem. Por um lado, o CPSP respeitou totalmente os direitos dos residentes a protestarem e a manifestarem-se e não rejeitou explicitamente a notificação apresentada pelo grupo “Poder do Povo”. Por outro lado, o CPSP usou a persuasão para convencer o grupo a cancelar o “protesto do 1.º de Maio”. Algumas pessoas tornam-se condescendentes e pensam que a cidade fica mais pacífica sem protestos nem manifestações, e este pensamento é o que mais me preocupa. Alguém com um mínimo de bom senso compreenderá que a acumulação de descontentamento social não é uma força motivadora, mas sim uma força destrutiva. A promulgação da lei do “Direito de Reunião e de Manifestação” destinou-se a salvaguardar a liberdade dos residentes para se manifestarem e protestarem, como garantido pela Lei Básica de Macau, e não para os proibirem. Antigamente, o Governo da RAEM comunicava efectivamente com os organizadores de protestos e de manifestações e coordenava muito bem estes eventos. Infelizmente, nos últimos anos, as autoridades têm estado muito nervosas ou então guiadas pelas suas próprias prioridades; e muitas vezes empolgam os assuntos e remetem-nos apressadamente para o nível da segurança nacional. Se uma ligeira tosse está condenada a causar um vírus altamente contagioso e fatal, desperdiça-se muita mão de obra e muitos recursos e sufoca-se a vitalidade da sociedade! Uma floresta sem qualquer som é aterrorizadora e um rio silencioso está cheio de presságios assassinos. Uma sociedade não pode sobreviver sem algum ruído.
Fundação Rui Cunha acolhe “Polifonia” até à próxima semana Hoje Macau - 9 Mai 2025 A Fundação Rui Cunha (FRC) acolhe até sábado da próxima semana, dia 17, a exposição colectiva “Polifonia”, com trabalhos do artista Gu Yue e de seis doutorandos da Faculdade de Humanidades e Artes da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST), co-organizadora do evento. O projecto dá a conhecer 20 obras que representam as formas e estilos do renomado artista e Professor Gu Yue e dos seus discípulos Luo Su, Zhu Zhaohui, Wang Kongbin, Ding Song, Guo Weiwei, e Wei Dongsheng. Segundo uma nota da FRC, esta exposição apresenta “um banquete visual que transcende a tradição e a contemporaneidade, o material e o digital, o local e o global, através da colisão de diversos media e da ressonância de ideias”. Os trabalhos abrangem diversas formas de arte, “como instalações, pinturas a óleo, pinturas em laca, pinturas de areia e trabalhos a pincel de detalhe, exibindo o ecossistema artístico único de Macau como um ponto de convergência cultural”, é referido. O nome da exposição tem origem “na terminologia musical, referindo-se à oposição e simbiose de múltiplas vozes”. A apresentação da mostra refere que “a missão da arte é criar desorientação cognitiva”, sendo que “através do confronto entre o artesanato tradicional e os novos media, e do entrosamento de genes culturais locais e questões globais, ela quebra a narrativa linear e convida o público a calibrar a sua cognição no ‘fosso entre o brilho e a sombra residual'”. Trabalho conjunto O professor Gu Yue alinha os seus trabalhos e a investigação com o tema principal da exposição. As criações dos seis estudantes de doutoramento “partem de experiências individuais e respondem a proposições como a identidade, o tempo e a memória na era do capital digital, formando também uma ressonância multi-voz do pensamento”. A exposição não é apenas uma exibição concentrada de realizações académicas, mas também uma experiência especulativa sobre a essência da arte. “Neste lugar culturalmente estratificado de Macau, a ‘polifonia’ tenta usar a arte como um prisma para reflectir as possibilidades simbióticas de múltiplas realidades”, descreve a equipa, citada pela mesma nota.
AFA | “Déjà Vu” apresenta trabalhos na área da vídeo-arte Andreia Sofia Silva - 9 Mai 2025 Integrada no cartaz da edição deste ano do festival “French May”, eis a nova exposição da associação local AFA – Art for All Society. Trata-se de “Déjà Vu – Uma Exposição de Intercâmbio Artístico Sino-Francês”, onde os temas da vídeo arte e inteligência artificial ressoam das obras com assinatura de Robert Cahen, Alice Kok e Catherine Cheong. Para ver no The Parisian entre 15 de Maio e 28 de Junho A arte em vídeo, misturada com o real e o ficcionado, artificial e criado com as mãos humanas. É em torno destas ideias e conceitos que gira a nova exposição da AFA – Art for All Society, intitulada “Dejá Vu – Uma Exposição de Intercâmbio Artístico Sino-Francês”, e que ganha o sub-título “Mirroring・Looping・Generating”: Da Videoarte à Inteligência Artificial – Série de Exposições”. O projecto, patente entre os dias 15 de Maio e 28 de Junho numa das galerias do empreendimento The Parisian, no Cotai, apresenta ao público trabalhos de três artistas: Alice Kok, co-fundadora da AFA, artista e curadora; Robert Cahen e Catherine Cheong. O projecto está integrado no cartaz da edição deste ano do festival “French May”, que traz a Hong Kong uma série de iniciativas culturais. Segundo um comunicado da AFA, “Déjà Vu” visa estabelecer “uma ponte entre os diálogos culturais sino-franceses através da arte”, promovendo também a investigação sobre “as intersecções filosóficas do tempo, da memória e da percepção”. Além da presença em Macau, esta mostra estará patente em França, entre os dias 21 e 30 de Agosto, na Galeria Espace Temps em Paris. Desta forma, promove-se o “intercâmbio cultural” entre a China e França, destaca a AFA, sendo que o público é convidado a “testemunhar a evolução da interacção entre a memória e a tecnologia”. “Déjà Vu”, teoria desenvolvida pelo filósofo francês Henri Bergson, dá o mote a esta mostra, revelando “a divisão simultânea entre percepção e memória”, ou seja, “a coexistência entre o presente ‘actual’ e a sua imagem ‘virtual’ no espelho”. Os trabalhos dos três artistas exploram, assim, este conceito filosófico abstracto, transformando-o em “experiências sensoriais tangíveis através de videoarte, imagens geradas por inteligência artificial e instalações multimédia”. A mostra, que tem as palavras chave “Mirroring”, “Looping” e “Generating”, remetendo para as ideias de espelho, repetição ou geração de conteúdos, reflecte “não apenas as técnicas dos artistas, mas também metaforiza a forma como a memória e a tecnologia tecem o tecido invisível da realidade contemporânea”. Workshop inicial Além da mostra propriamente dita, os artistas vão também juntar-se para ensinar outras pessoas sobre o mundo do digital e da vídeo arte. Robert Cahen, considerado um dos pioneiros na vídeo arte em França, colabora com Alice Kok para o workshop “Video Postcards”, realizado no dia 18 de Maio The Parisian Macau. A ideia é levar os participantes a “mergulhar nas paisagens naturais e históricas de Coloane, inspirando-se na ‘poética das imagens fugazes’, característica do trabalho de Cahen”. Assim, “através de técnicas como a câmara lenta, a sobreposição e o design de som, os participantes irão transformar experiências sensoriais efémeras em ‘postais de memória’ únicos”, descreve a AFA, sendo que a experiência inclui ainda filmagens, orientação em contexto de pós-produção e projecção final dos trabalhos. Quem é quem Robert Cahen desenvolve projectos artísticos desde 1972. Segundo o programa oficial do festival “French May”, no trabalho de Cahen “tanto a ficção como a documentação são apresentadas como viagens metafóricas do imaginário, devaneios requintados que descrevem passagens de tempo, lugar, memória e percepção”. Tendo começado pelas cassetes de vídeo, os seus trabalhos foram expostos em todo o mundo, em locais e eventos como a Bienal de Paris, França; o Museu de Arte Moderna (MoMA), Nova Iorque, EUA; ou o American Film Institute National Video Festival, Los Angeles, EUA. Em 1992 o artista ganhou o prémio da Villa Medicis Hors les Murs e, em 1995, criou uma instalação vídeo permanente para o Espaço Público EURALILLE (Lille), em França. No caso de Catherine Cheong, é uma artista local que vive entre Macau e Paris, tendo-se formado na área da instalação de vídeo na licenciatura em Artes Visuais na École Supérieure d’Art et de Design Toulon. Além disso, a artista formou-se em criação pessoal e teoria da gravura contemporânea com um mestrado em Artes Visuais na Universidade de Paris VIII. “Como artista individual, a sua inspiração vem da experiência pessoal. Através das diferenças culturais, contradições e interações entre os seres humanos, o ambiente social e a natureza, explora a realização da vida e os sentimentos da alma. Ela remonta, justapõe e duplica imagens simbólicas para recriar novos significados, procurando a coincidência entre imagens com diferentes linguagens artísticas e meios para expressar sentimentos, pensamentos e desejos pessoais”, pode ler-se no programa do “French May”.
Primeira Taça do Mundo de F4 será em Macau Hoje Macau - 9 Mai 2025 A Federação Internacional do Automóvel (FIA), anunciou na tarde de quarta-feira que o Grande Prémio de Macau de 2025 contará no seu programa com a primeira edição da Taça do Mundo de Fórmula 4. O Conselho Mundial do Automobilismo aprovou por votação electrónica a criação desta Taça do Mundo de Fórmula 4 em Macau, juntamente com o regresso ao território da Taça do Mundo de Fórmula Regional, que em 2023 veio ocupar o lugar da Fórmula 3, e da Taça do Mundo de GT da FIA. O conceito da Fórmula 4 foi introduzido pela FIA há mais de uma década e tem sido uma das maiores histórias de sucesso do desporto motorizado de formação, existindo neste momento 13 campeonatos nacionais diferentes dentro do enquadramento técnico e desportivo da FIA. Esta será a quarta vez que a disciplina corre em Macau, tendo sido presença assídua de 2020 a 2023, tendo inclusive sido “cabeça de cartaz” nos três anos em que o mundo esteve mergulhado na pandemia. A FIA não disse como será feito a escolha dos pilotos, apenas referindo em comunicado que haverá “um rigoroso processo de selecção de pilotos, com apenas os jovens mais talentosos a serem autorizados a competir”. A federação internacional salientou igualmente que a empresa chinesa “Mintimes, organizadora do Campeonato Chinês de F4, será o Operador Único, juntamente com a FFSA (Fédération Française du Sport Automobile), responsável por fornecer o apoio técnico à Taça do Mundo de F4 da FIA”. Quer isto dizer que todos os concorrentes terão que utilizar monolugares Mygale M21-F4, recentemente rebaptizados como Ligier JS F422. Apoio de Paris O Presidente da Comissão de Monolugares da FIA, o italiano Emanuele Pirro, afirmou que “Macau é uma parte essencial da formação de um jovem piloto, e temos o dever de proteger o seu legado e futuro. Há tão poucos desafios como o Grande Prémio de Macau que sentimos que era o momento certo para introduzir a Taça do Mundo FIA de F4. Vai permitir que os melhores pilotos a nível nacional aprendam o que é necessário para conduzir no Circuito da Guia num carro de F4, que é um pouco mais permissivo do que um carro de Fórmula Regional, para que, quando regressarem daqui a um ou dois anos para a Taça do Mundo de FR, estejam preparados para mostrar verdadeiramente do que são capazes”. Emanuele Pirro, um ex-vencedor da Corrida da Guia e um entusiasta da prova da RAEM, disse também que “estamos também a trabalhar arduamente para garantir que aproveitamos esta oportunidade para inspirar e educar os jovens pilotos de karting da região. O potencial de crescimento e desenvolvimento na China e na região Ásia-Pacífico é enorme, à medida que impulsionamos a participação no desporto motorizado”. A pensar em Macau O longo comunicado da FIA também refere que esta iniciativa “pretende também trazer estudantes de academias de karting de Macau, da China e da região em geral para assistir ao evento de forma observacional, oferecendo-lhes a oportunidade de vivenciar uma prova de automobilismo e de obter conhecimentos valiosos para os próximos passos nas suas carreiras”. Sem entrar em detalhes, a federação internacional, a mesma que não permitiu que recusou a participação de equipas chinesas na Taça do Mundo de Fórmula Regional no ano passado, diz que “este grande passo beneficiará indiscutivelmente os pilotos locais de Macau, que terão acesso a um leque completo de eventos internacionais – Karting, Fórmula 4 e Fórmula Regional – em solo nacional”. Em comunicado Chong Coc Veng, Presidente da Associação Geral Automóvel de Macau-China, declarou: “Estamos felizes por ver a FIA realizar uma Taça do Mundo de F4 no Circuito da Guia em Macau, o que representa uma oportunidade para os jovens pilotos da região encontrarem o seu caminho de desenvolvimento desde os eventos internacionais de karting até aos monolugares de F4 e FR, e tornarem-se campeões mundiais no futuro”. A participação dos pilotos da RAEM nesta corrida ainda não foi oficialmente divulgado, mas poderá estar limitado em número.
Xangai | Legoland vai abrir em Julho maior parque temático do mundo Hoje Macau - 9 Mai 20259 Mai 2025 A marca dinamarquesa LEGO, especializada em blocos de construção, vai inaugurar no próximo dia 05 de Julho o seu maior parque temático do mundo em Xangai, no leste da China, avançou ontem a imprensa local. O complexo, situado a cerca de 52 quilómetros a sudoeste do centro da cidade, contará com mais de 75 atracções e espectáculos distribuídos por oito zonas distintas, que incluem milhares de figuras construídas com cerca de 85 milhões de peças LEGO. Os visitantes poderão ainda ver filmes da LEGO numa sala de cinema 4D, bem como alojar-se num hotel temático com 250 quartos, decorados segundo cinco ambientes diferentes inspirados neste universo de brinquedos reconhecido à escala global. Actualmente, o parque encontra-se na fase final de construção: a entrada principal está concluída e as principais 24 atracções estão praticamente prontas. Cerca de mil colaboradores integrarão a equipa desde a abertura. O grande destaque do parque será a zona “Miniland”, uma recriação, construída integralmente com blocos LEGO – com um peso total superior a 45 toneladas – de algumas das áreas mais emblemáticas de Xangai, assim como de outros ícones culturais e turísticos da China. Entre os espetáculos previstos, destaca-se o primeiro espetáculo do mundo dedicado à série “Monkie Kid”, da LEGO, inspirada no Rei Macaco, da obra clássica chinesa Jornada ao Oeste. A Legoland Xangai já iniciou a venda de passes de temporada e bilhetes para visitas exclusivas, que incluem estadias no hotel temático. “Conhecemos bem este mercado e estamos entusiasmados com o seu potencial. Este complexo será uma referência e ponto de encontro para todos os fãs da LEGO na China”, afirmou Fiona Eastwood, diretora executiva da Merlin Entertainments, o grupo britânico responsável pela gestão dos parques Legoland. De acordo com a empresa, mais de 55 milhões de pessoas vivem a duas horas – ou menos – de carro da localização do novo parque.
Ucrânia | China controla “rigorosamente” exportação de bens de dupla utilização Hoje Macau - 9 Mai 2025 A China afirmou ontem que “controla rigorosamente” a exportação de bens de dupla utilização, face a suspeitas de que a Rússia está a utilizar dispositivos tecnológicos de uso civil para fins militares na Ucrânia. “A China aplica controlos rigorosos sobre a exportação de bens de dupla utilização”, disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Lin Jian, ao ser questionado sobre relatos de que comandos de jogos de vídeo exportados para a Rússia estão a ser utilizados para operar drones. Lin Jian também denunciou que qualquer “cooperação tecnológica normal” da China “torna-se um problema” quando há tentativas de “difamar o país com acusações infundadas e manipulações políticas de má-fé”. O porta-voz não esclareceu se a China está a considerar restrições adicionais às exportações de tecnologia, remetendo para as autoridades competentes. As declarações surgiram depois de a Ucrânia ter manifestado preocupação com o envolvimento de empresas e cidadãos chineses na produção militar russa, uma queixa formal que apresentou ao embaixador chinês em Kiev em Abril, alegando ter provas. Esta semana, a Comissão Europeia afirmou que a China “continua a ser um facilitador fundamental” do esforço de guerra da Rússia e que sem este apoio “Moscovo não podia continuar a guerra com a mesma força”. Pequim defendeu que a sua posição sobre o conflito tem sido “consistente e clara” e está empenhada em “promover o cessar-fogo, o desanuviamento e as negociações”, e garantiu nunca ter fornecido armas letais “a nenhuma das partes” envolvidas na guerra.
Moscovo | Xi saúda aprofundamento da confiança entre China e Rússia Hoje Macau - 9 Mai 2025 Xi encontra-se em Moscovo para participar nas celebrações do aniversário do Dia da Vitória sobre a Alemanha nazi na II Guerra Mundial O Presidente chinês, Xi Jinping, saudou ontem o aprofundamento da confiança entre a China e a Rússia, no início do encontro no Kremlin com o homólogo russo, Vladimir Putin, em Moscovo. “A confiança política mútua entre a China e a Rússia está a aprofundar-se e os laços de cooperação pragmática estão a tornar-se mais fortes”, disse o Presidente chinês, que se encontra em Moscovo para as comemorações do 80.º aniversário da vitória sobre a Alemanha nazi na Segunda Guerra Mundial. Xi salientou que “perante a tendência internacional de unilateralismo e de comportamento de intimidação hegemónica, a China vai trabalhar com a Rússia para assumir as responsabilidades especiais das principais potências mundiais”. “Estou muito feliz com esta nova reunião”, disse Vladimir Putin no início do encontro com Xi, transmitido em directo pela televisão russa. O líder russo expressou gratidão por Xi ter decidido comparecer, em Moscovo, às comemorações dos 80 anos da vitória sobre a Alemanha nazi, tal como tinha acontecido no 70.º aniversário. O chefe de Estado russo lembrou que a antiga União Soviética (URSS) perdeu cerca de 27 milhões de pessoas na guerra, enquanto na China o número de mortos foi de 37 milhões, incluindo soldados e civis. Laços benéficos Putin disse que uma guarda de honra chinesa vai marchar na Praça Vermelha na sexta-feira, integrada no desfile militar, e prometeu comparecer às comemorações da vitória da China sobre o Japão, a 03 de Setembro. Para Putin, os laços entre a Rússia e a China são “mutuamente benéficos” e não se opõem a nenhum país terceiro. O chefe de Estado russo disse ainda que os dois países pretendem defender em conjunto a “verdade histórica” sobre a Segunda Guerra Mundial, com Putin a acusar o Ocidente de a tentar distorcer. “Juntamente com os nossos amigos chineses, defendemos firmemente a verdade histórica, protegemos a memória dos acontecimentos dos anos de guerra e lutamos contra as manifestações modernas de neonazismo e militarismo”, referiu Putin. De acordo com a Presidência russa, os líderes vão realizar reuniões em formatos pequeno e grande e adoptar duas declarações conjuntas. Novos acordos O Presidente russo, Vladimir Putin, anunciou ontem a assinatura de um novo acordo de promoção e protecção de investimentos, no âmbito das negociações com o homólogo chinês, Xi Jinping. Na abertura de uma reunião no Kremlin, Putin estimou em mais de 200 mil milhões de dólares o montante dos projectos de investimento tratados pela comissão intergovernamental. Manifestou também a convicção de que este acordo vai contribuir positivamente para a criação de uma atmosfera “mais favorável” e constituir “um importante impulso” para o desenvolvimento da cooperação económica, indicou o líder russo. Putin sublinhou que o actual intercâmbio comercial, que ascendeu a quase 245 mil milhões de dólares no ano passado, “está longe” do limite máximo para os dois países.
Interpretar Confúcio: a volta estética e os seus desafios (continuação) Hoje Macau - 9 Mai 2025 Em contraste com a abordagem de Fang, Ni trata os Analectos como o texto primário e principal para a compreensão de Confúcio e usa-o como base para a sua interpretação de Confúcio; quando Ni recorre a outros textos, ele o faz apenas medida em que reforça a sua leitura gongfu de Confúcio. Na interpretação de Ni, os Analectos dão o tom para a compreensão de Confúcio. Ni e Fang representam duas abordagens diferentes para entender Confúcio. Essas duas abordagens apresentam dois retratos variados de Confúcio para nós. Qual deles é o verdadeiro Confúcio? Ou, mais precisamente, qual abordagem nos ajuda a entender melhor Confúcio? Se ambas são fundamentadas de alguma forma, qual é a relação entre elas? Permitam-me agora que examine uma outra relação a que aludi anteriormente, a relação entre Confúcio, “o homem”, como sublinhado no subtítulo do livro de Ni, por um lado, e o confucionismo, por outro. O livro de Ni trata principalmente de Confúcio, o homem, o professor e o pensador. Mas também estende o seu argumento ao confucionismo, a tradição filosófica que moldou em grande parte a cultura chinesa. Ni escreve: “Através da lente da perspectiva do gongfu, perceberemos ainda que, como forma de gongfu, os ensinamentos de Confúcio têm como objetivo final não regras morais para constranger as pessoas, mas sim fornecer orientação para permitir que as pessoas vivam vidas boas e artísticas. Por outras palavras, o confucionismo é mais do que moralista” (xiii). A afirmação de Ni de que o confucionismo é mais estético do que moralista é mais radical do que afirmar que devemos ler Confúcio nos Analectos de forma estética do que moralista. Contraria diretamente a opinião comum de que a filosofia confucionista é sobretudo uma filosofia moral. Para mim, tal afirmação parece-me, de um modo geral, totalmente implausível. No entanto, é uma questão demasiado vasta para ser abordada neste pequeno artigo. Aqui vou argumentar que, tecnicamente, a mudança de Ni de “Confúcio” para “Confucionismo” é problemática. A lacuna entre “Confúcio” e “Confucionismo” é muito maior do que pode ser encoberta por uma afirmação rápida. Se dissermos que há duas versões diferentes de Confúcio nas interpretações de Ni e Fang, respetivamente, também há versões variadas de confucionismo. A questão é: qual versão do confucionismo permitiria a Ni fazer um movimento legítimo de uma afirmação sobre Confúcio para a do confucionismo. Noutro lugar, observei que “filosofia de Confúcio” e “filosofia confuciana” (儒家哲学) não são o mesmo conceito.7 Enquanto a “filosofia de Confúcio” sem dúvida denotava a filosofia de Confúcio, o “homem”, “filosofia confuciana” refere-se à filosofia do confucionismo, incluindo as filosofias de Mencius, Xunzi e muitos outros. O termo “confucionismo” foi cunhado no Ocidente do século XIX depois de “Confúcio”, o nome latinizado que os missionários jesuítas do século XVI deram a Kongzi (“Kong Fuzi”),8 para designar a tradição cultural e a filosofia chinesas comummente designadas por “Rujia 儒家”, como a contraparte chinesa do cristianismo no Ocidente. O termo chinês “Rujia”, ou a “Escola do Ru”, não leva o nome de Confúcio, que é Kong Qiu 孔丘. “Rujia” tem sido usado na China para designar a tradição associada a Confúcio e seus seguidores. Por isso, a palavra inglesa “Confucionismo” significa “Ruismo.”9 Muitos dos ideais e ideias filosóficas promovidos por esta escola, no entanto, não foram inventados por Confúcio ou pelos seus seguidores. Confúcio evidentemente levou a sério a tradição Rujia que ele herdou. Ele disse: “Os Zhou olharam para baixo, para as duas dinastias anteriores. Quão rica e bem desenvolvida é a cultura deles! Eu sigo os Zhou”, e ele afirmou explicitamente que estava “transmitindo em vez de inventando (述而不作)” uma filosofia (Analectos 7.1). A tradição “transmitida” inclui não apenas o grande repertório dos ritos Zhou, mas também rituais como a observância do luto de três anos pelos pais falecidos.11Confúcio, sem dúvida, contribuiu muito para a transformação, o renascimento, o desenvolvimento e a operacionalização da tradição Ru. Considerado desta forma, o “Confucionismo” é mais análogo ao “Protestantismo” do que ao “Aristotelismo”. Embora todos os protestantes acreditem em Jesus como o seu Deus (na Trindade), as doutrinas específicas de cada uma das suas denominações, Baptistas, Calvinistas, Luteranos e Metodistas, são atribuíveis a diferentes figuras históricas. Embora o Confucionismo não esteja explicitamente dividido em várias denominações como o Protestantismo, não é atribuído a um único pensador como o Aristotelismo é atribuído a Aristóteles. Historicamente, Rujia tem sido entendida como a filosofia que se manifesta num conjunto de obras clássicas. O corpus dos clássicos confucionistas evoluiu ao longo do tempo. De acordo com o autor do Zhuangzi e dos Registos Históricos de Sima Qian, Confúcio estudou e editou os “Seis Clássicos”, ou seja, o Livro da Poesia, o Livro da História, o Livro dos Rituais, o Livro das Mutações e o Livro da Música e Os Anais da primavera e do outono (Chen 1983: 389; Sima 1959: 1936). Ao editar esses textos ortodoxos transmitidos pela dinastia Zhou, Confúcio fez deles as obras clássicas da tradição associada ao seu nome. Independentemente da precisão registos, não há dúvida de que, durante o período Han Ocidental (202 a.C. – 9 d.C.), os “Cinco Clássicos” (sem o agora perdido Livro da Música) foram considerados os textos confucionistas oficiais quando o governo elevou o confucionismo a filosofia ortodoxa e estabeleceu o cargo oficial de “Mestre Académico dos Cinco Clássicos (五经博士)”. Os Analectos de Confúcio e, em menor grau, o Mencius, provavelmente já eram influentes durante a dinastia Han, mas nenhum deles fez parte da lista dos clássicos ortodoxos (jing) do confucionismo, e nenhum deles foi coberto pelas descrições de cargos do “Mestre Estudioso dos Cinco Clássicos”. O número de textos canónicos confucionistas aumentou gradualmente durante a dinastia Tang (618-902) e as cinco dinastias subsequentes (907-960), para nove, para onze, depois para doze e, durante dinastia Song (960-1279), para treze, que persistiram até aos nossos dias, vulgarmente conhecidos como os “Treze Clássicos.”12Durante um longo período de tempo, os Analectos não foram o mais proeminente dos Treze Clássicos confucionistas. Por isso, quando interpretamos o confucionismo como tradição filosófica, devemos ter em consideração toda a gama de textos clássicos que lhe estão associados. Com base nessas evidências históricas, não podemos equiparar a “filosofia de Confúcio” à “filosofia confuciana”, ou equiparar o “ismo de Confúcio” – se é que podemos cunhar tal termo – ao “confucionismo”. O uso de “confucionismo” para a tradição Rujia é infeliz, particularmente no contexto da erudição ocidental que tem sido fortemente influenciada pelo individualismo, segundo o qual os académicos tendem a atribuir as ideias filosóficas a determinados pensadores individuais e para organizar sistemas filosóficos em conformidade. Por exemplo, o respeitado filósofo novo-confucionista Liu Shu-hsien afirmou que: “A mensagem confucionista deve ser rastreada até Confúcio, tal como a mensagem cristã deve ser rastreada até Jesus Cristo… É através do estudo dos ideais que Confúcio encarnou que podemos esperar encontrar a continuidade entre o neo-confucionismo e o confucionismo clássico”.13 Presumo que por “confucionista” de “mensagem confucionista” Liu queira dizer “Rujia” em vez de “de Confúcio”, pois de outra forma ele estaria afirmando uma tautologia sem sentido (“a mensagem de Confúcio deve ser rastreada até Confúcio”). Mas se ele quer dizer que a mensagem da tradição confuciana (Rujia) deve ser rastreada até a pessoa Confúcio, então a legitimidade da afirmação de Liu não é de forma alguma indiscutível. Por um lado, a mensagem “espiritual” do sistema ritual na tradição é rastreável até a era Zhou pré-Confúcio. Pelo relato do próprio Confúcio, a tradição que chamamos de “Rujia” (“confucionista”) é anterior a Confúcio, o homem, embora sua contribuição tenha moldado muito a tradição 14. Se o meu argumento for válido, mesmo que admitamos que a interpretação de Ni de Confúcio é válida em geral, ainda assim não se segue que essa interpretação se aplique à nossa compreensão do confucionismo sem qualificações. A este respeito, é esclarecedor comparar a abordagem de Ni à interpretação do confucionismo com a de alguns outros académicos, como Yong Huang. Na recente obra de Huang, Why Be Moral?: Learning from the Neo-Confucian Cheng Brothers,15ele opta por discutir ideias selecionadas dos irmãos Cheng que são consideradas “filosóficas” nas tradições ocidentais. Um projeto deste tipo não teria sido possível se Huang tivesse optado por se concentrar nos Analectos de Confúcio, pois tanto Huang como Ni concordariam provavelmente que não há muito de “filosófico” nesse sentido. No entanto, é negar que o trabalho de Huang é sobre o confucionismo e que o confucionismo tem coisas importantes a dizer sobre questões que são normalmente consideradas filosóficas no Ocidente. A minha abordagem pessoal é ver vários textos confucionistas clássicos como abrangendo (ou enfatizando) diferentes dimensões da filosofia confucionista. Evidentemente, os Analectos de Confúcio tratam principalmente, embora não exclusivamente, de se tornar uma boa pessoa e viver uma boa vida, como Ni demonstrou abundantemente no seu livro. O Yijing apresenta uma visão cosmológica do universo confuciano e como os padrões desse universo devem ou deveriam influenciar a sociedade humana e as vidas humanas. Se estudarmos o Yijing e o capítulo Zhongyong do Liji, por exemplo, não podemos deixar de aceitar que a harmonia é um conceito-chave que não se trata apenas de viver uma vida artística, mas também de compreender o padrão cósmico do mundo inteiro. Talvez, em vez de inferir de uma interpretação “estética” de Confúcio para a mesma leitura do confucionismo como um todo, devêssemos abraçar uma compreensão mais holística e inclusiva de Confúcio e do confucionismo. Confúcio e o confucionismo têm, de facto, uma dimensão “estética”, que é particularmente saliente em Confúcio e nos Analectos. No entanto, os ensinamentos de Confúcio também têm dimensões teóricas e filosóficas, embora estas dimensões sejam mais salientes noutros textos clássicos de Confúcio do que nos Analectos. Como filosofia abrangente, o confucionismo é muito mais do que ensinar-nos a viver artisticamente as nossas vidas. Contribui também para o conhecimento humano sobre metafísica, epistemologia, filosofia social e política, bem como sobre a vida ética. Temos agradecer a Peimin Ni pelo seu trabalho de chamar a atenção para um aspecto há muito negligenciado e a visão estética de Ni não deve ser tomada como uma ruptura com a leitura mais comum de Confúcio e do confucionismo. Pelo contrário, é um acréscimo valioso e um enriquecimento significativo da mesma.
Saúde | Residente em estado crítico devido a infecção bacteriana Hoje Macau - 9 Mai 2025 Um residente de 65 anos de idade está em estado crítico e necessita de ventilador para o auxiliar na respiração na sequência de uma infecção de vibrio vulnificus. Na tarde de 29 de Abril, o homem foi acidentalmente picado no dedo mindinho da mão direita enquanto manuseava camarões em casa. Na madrugada seguinte, surgiu no local da picada “inchaço e dor, que depois se alastrou para a palma da mão direita e antebraço direito”, indicaram ontem os Serviços de Saúde. O residente, que tem antecedentes de doenças crónicas, foi ao Centro Hospitalar Conde de São Januário, onde foi “diagnosticado com fascite necrosante do membro superior direito com choque séptico”. Os Serviços de Saúde informam que a vibrio vulnificus é uma bactéria que vive naturalmente em água quente do mar e as infecções podem acontecer quando alguém tem feridas abertas expostas à água do mar com vibrio vulnificus ou quando come marisco contaminado. As pessoas com fascite necrosante podem ter de proceder à amputação para salvar as suas vidas, e em cerca de 20 a 30 por cento dos casos, a infecção é fatal.
UM | Lucros de empresa de investigação caem 48,6% João Santos Filipe - 9 Mai 2025 Os lucros da empresa ligada à Universidade de Macau caíram 9,88 milhões de patacas. A queda deveu-se principalmente ao aumento de pagamentos feitos à instituição de ensino superior por serviços administrativos e locais para realizar testes No ano passado, os lucros da empresa UMCERT Investigação e Ensaios em Engenharia apresentaram uma redução de 48,6 por cento, o que se traduziu em menos 9,88 milhões de patacas. Os dados da empresa controlada pela Universidade de Macau foram divulgados ontem e mostram um lucro de 10,45 milhões de patacas. A UMCERT Investigação e Ensaios em Engenharia tem como área de actividade a investigação e a realização de ensaios virada para os materiais de obras de construção, tráfego rodoviário e instalações subterrâneas. É detida a 99 por cento pela Universidade de Macau, com o restante 1 por cento no controlo do Fundo de Educação. O lucro de 10,45 milhões de patacas contrasta com o resultado positivo de 20,33 milhões de patacas no ano anterior. Esta diferença explica-se não só com a redução das receitas, que caíram ligeiramente de 35,00 milhões para 34,95 milhões de patacas, mas principalmente com os “outros gastos operacionais”. Estes tiveram uma subida de quase 10 milhões de patacas, de 11,24 milhões, em 2024, para 21,18 milhões de patacas no ano passado. O aumento dos “outros gastos operacionais” incluem essencialmente pagamentos para a realização de testes à UM, assim como o fornecimento de serviços administrativos, com os custos a crescerem 9,30 milhões de patacas, para 18,79 milhões de patacas, quando em 2023 eram de 9,49 milhões de patacas. Em termos dos custos com o pessoal, os gastos da UMCERT no espaço de um ano mais do que duplicaram, de 1,07 milhões de patacas em 2023, para 2,86 milhões de patacas. Um punhado de empresas A UMCERT Investigação e Ensaios em Engenharia é uma das três empresas controladas pela Universidade de Macau. Além desta, existe a UMTEC, que também se dedica à investigação, mas em outras áreas, e que no ano passado apresentou um lucro de 781,5 mil patacas, no que representou uma redução de quase 80 por cento face a 2023, quando os lucros tinham sido de 3,8 milhões de patacas. A terceira empresa controlada pela UM é a Guangdong Hengqin UM Higher Education Development, que vai ser responsável pelo desenvolvimento do novo campus da UM no Interior, num investimento que poderá chegar aos 4 mil milhões de renminbis. Até ontem, a empresa que tem sede no Interior ainda não tinha apresentado os resultados anuais.
Galaxy | Receitas com crescimento anual de 6,2% João Luz - 9 Mai 2025 A Galaxy Entertainment teve receitas líquidas de 11,2 mil milhões de dólares de Hong Kong no primeiro trimestre deste ano, uma subida de 6,2 por cento em termos anuais, mas menos 1 por cento face ao último trimestre de 2024. Francis Lui salientou a resiliência do mercado de Macau, apesar da “turbulência geopolítica e da contínua desaceleração económica” A Galaxy Entertainment apresentou ontem os resultados financeiros do primeiro trimestre de 2025, período durante o qual foram apuradas receitas líquidas de 11,2 mil milhões de dólares de Hong Kong (HKD), representando um aumento anual de 6,2 por cento, mas uma quebra de 1 por cento face ao trimestre anterior. Em relação às receitas brutas de jogo, o grupo fechou os primeiros três meses de 2025 com 10,94 mil milhões HKD, resultado que reflecte um aumento anual de 13,6 por cento, mas um decréscimo de 0,8 por cento face ao último trimestre do ano passado. Como é normal, o segmento de massas gerou o maior volume das receitas brutas, com 8,23 mil milhões HKD, mais 6,5 por cento em relação ao período homólogo, enquanto o segmente VIP apurou 1,98 mil milhões HKD em receitas brutas, mais 52,3 por cento em termos anuais. Durante o período em análise, o grupo registou lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA, em inglês) de quase 3,3 mil milhões HKD, resultado que representou uma subida anual de 16,3 por cento e 1,8 por cento face ao último trimestre de 2024. Como manda a “tradição”, a galinha dos ovos do grupo foi o Galaxy Macau, gerando 9,15 mil milhões HKD em receitas líquidas, mais 10 por cento em termos anuais, e lucros EBITDA de 3,02 mil milhões HKD (+15,4 por cento face ao primeiro trimestre de 2024). Às na manga “Durante o trimestre em análise, continuámos a impulsionar todos os segmentos do negócio, em particular o mass premium, através dos nossos produtos e serviços inigualáveis, melhorias contínuas nas propriedades, diversos espectáculos e eventos de entretenimento, bem como a implementação completa de mesas inteligentes”, indicou o presidente do grupo, Francis Lui, no comunicado que apresentou os resultados O presidente da Galaxy Entertainment destacou o desempenho dos casinos do grupo durante o Ano Novo Chinês e a capacidade de resiliência do mercado de Macau, “apesar da turbulência geopolítica e da contínua desaceleração económica”, com as receitas brutas a recuperarem para 76 por cento do nível de 2019. Francis Lui referiu ainda a apresentação das primeiras Linhas de Acção Governativa do Executivo de Sam Hou Fai, em particular no papel de liderança para diversificar a economia e orientar as concessionárias para investimentos em projectos não-jogo. Porém, o presidente da Galaxy referiu os comentários do Chefe do Executivo em relação às dificuldades para o mercado do jogo atingir as receitas brutas estimadas para este ano. “A curto prazo, continuamos a ajustar as operações conforme necessário, mas estamos confiantes nas perspectivas de longo prazo para Macau. A abordagem proactiva de Macau na diversificação económica, combinada com o firme apoio da China, posiciona bem a cidade para um futuro crescimento sustentável”, concluiu Francis Lui.
Emprego | Leong Sun Iok alerta para recolha de informação de candidatos João Santos Filipe - 9 Mai 2025 Leong Sun Iok avisa para o aumento de empresas que pesquisam o passado de candidatos a empregos e argumenta que a informação obtida pelos ex-empregadores é muitas vezes enviesada e desleal. O deputado pede regulamentação ao Governo O deputado Leong Sun Iok pretende que o Governo regule a recolha de informação levada a cabo por empresas sobre candidatos a emprego. O pedido consta de uma interpelação escrita, em que o legislador ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) alerta para a ocorrência de várias ilegalidades, sem qualquer consequência. De acordo com o cenário traçado por Leong Sun Iok, quando se candidatam a um trabalho, principalmente através de plataformas online, os interessados são levados a assinar formulários e a consentir que as entidades pesquisem o seu passado. No entanto, o deputado alerta para o facto da prática ser ilegítima, pouco transparente, permitir a criação de listas negras informais e a troca de informação entre empresas. Esta situação pode resultar no bloqueio de oportunidades de emprego de ex-funcionários que tiveram diferendos com as entidades patronais. “É uma prática que bloqueia o acesso ao emprego numa indústria, o que mina seriamente o direito ao emprego”, afirma o legislador. Leong Sun Iok revela também que “ao longo dos anos recebeu um número elevado de pedidos e assistência” de pessoas despedidas de uma das seis concessionárias do jogo e que depois se viram barradas da indústria. “Algumas pessoas que me pediram ajuda contaram-me que foram convencidas, por supervisores, a despedirem-se. E se não se despedissem por sua iniciativa, foram ameaçadas de que nunca mais iam encontrar emprego na indústria. Todos estes casos reflectem os danos causados pela recolha de informação sem qualquer regulação”, acrescentou o deputado. No entanto, a prática não se limita a este sector: “Além das concessionárias do jogo, há um número elevado de empresas em Macau que também exige a candidatos de emprego que permitam que o seu passado seja investigado”, informou. Contra a lei Leong Sun Iok aponta igualmente que a Lei das Relações Laborais e o Decreto-Lei 101/84/M definem que os ex-empregadores quando emitem um comprovativo de trabalho a um ex-trabalhador não podem fazer qualquer referência desfavorável ao passado deste. Contudo, o deputado indica que a prática actual, mesmo que informal, contraria o espírito da lei, acabando por ser mais danosa, porque o ex-empregado não tem qualquer controlo sobre informações que podem nem ser verdadeiras. “Como o processo de verificação carece de transparência e não é controlado pela Direcção de Serviços para os Assuntos Laborais, acaba por ser injusto para os candidatos a emprego e pode violar o princípio da boa-fé nas relações de trabalho”, alerta. “Como a Administração vai regulamentar a recolha de informação sobre os antecedentes profissionais? É possível emitir diretrizes e alterar a lei para estipular explicitamente que os ex-empregadores não devem, de forma alguma, transmitir, prestar declarações ou adoptar comportamentos desfavoráveis aos trabalhadores?”, perguntou.
Saúde | Alvis Lo vinca aposta na competitividade profissional Hoje Macau - 9 Mai 2025 O director dos Serviços de Saúde, Alvis Lo, considera que o plano do Governo para aumentar o valor dos vales de saúde e lançar um programa de rastreio de doenças crónicas vai aperfeiçoar o sistema e acesso à saúde no território. A posição foi tomada durante a mais recente reunião do Conselho para os Assuntos Médicos. Para aumentar a competitividade dos profissionais de saúde, Alvis Lo indicou que o Executivo vai “proporcionar uma série de programas de formação, incluindo a criação de uma base de formação de medicina familiar” assim como disponibilizar “formação sistemática aos médicos das instituições públicas e privadas”. Para os médicos que pretendem focar-se numa especialidade, os SS prometeram abrir de forma permanente os concursos para o preenchimento de vagas de internato complementar, além de optimizar procedimentos e “encurtar o tempo” necessário para os concursos. Além disso, Alvis Lo destacou que o Centro Médico de Macau do Peking Union Medical College Hospital tem como objectivo tornar-se numa instituição de “formação de alto nível em Macau”, pelo que nos próximos tempos deverão começar a ser enviados para Pequim médicos, enfermeiros e outros técnicos clínicos para receber formação. Nesta fase, existe também a possibilidade de as formações não se limitarem à capital chinesa. Seguindo a tendência de levar a população a deixar Macau, Alvis Lo indicou que o Governo vai apoiar a integração no desenvolvimento nacional, o que deve começar com a ida dos profissionais para Grande Baía e para a Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin, por serem considerados “pontos de partida mais fáceis e maduros”.
Patane | Centro de Comidas recebeu 300 mil clientes em 11 meses Hoje Macau - 9 Mai 2025 Entre Abril de 2024 e Março deste ano, o Centro de Comidas do Patane atraiu 300 mil residentes e turistas. Os dados foram divulgados pelo Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), em resposta a uma interpelação do deputado Leong Hong Sai, dos Moradores. Contudo, o IAM afirma que vai continuar a promover o espaço, que fica situado no Mercado do Patane, com a colocação de um anúncio gigante na zona: “Presentemente, as vias em redor do Mercado do Patane já dispõem de placas indicativas e também foram colocadas tabuletas luminosas no acesso ao rés-do-chão do mercado”, foi indicado por Chao Wai Ieng, presidente o organismo. “Em paralelo, o IAM planeia a colocação de um reclamo de grande dimensão na fachada do Complexo do Mercado do Patane, com vista a atrair mais residentes e turistas para comerem naquele Centro de Comidas”, foi acrescentado. O IAM também prometeu continuar a “elevar a competitividade e atractividade” do espaço de restauração ao instalar “decorações” durante os feriados e festividades, assim como “o lançamento de troca de prémios com pontos obtidos e o convite aos meios de comunicação social para filmagem e promoção”. O IAM diz ainda que incentiva “os operadores das bancas a reforçarem a promoção” dos espaços, através da “inovação” e de “actividades de marketing online e offline”, com cupões de descontos.
Wong Kit Cheng pede mais medidas de incentivo à natalidade Hoje Macau - 9 Mai 2025 A deputada Wong Kit Cheng considera que o Governo deve criar medidas complementares de incentivo à natalidade além do subsídio de assistência à infância anunciado nas Linhas de Acção Governativa (LAG) para este ano, e que visa a concessão de 1.500 patacas mensais para crianças até um limite máximo de três anos de idade. Segundo o Jornal do Cidadão, Wong Kit Cheng acredita que os incentivos à natalidade não dependem apenas de apoios financeiros, mas também de medidas que tenham em conta todas as necessidades enfrentadas pelas famílias locais. A deputada afirmou que são necessários mais esforços em áreas como a saúde, habitação, educação e instalações sociais para apoiar os casais com filhos. Tendo em conta que, na sua visão, os departamentos públicos não têm uma coordenação suficiente entre si, deveria ser criado um departamento próprio para a promoção de políticas de incentivo à natalidade de forma permanente. No tocante à área da saúde, a deputada, vice-presidente da direcção da União Geral das Mulheres de Macau, defende uma maior especialização nos cuidados a grávidas, nomeadamente ao nível de uma maior abrangência de exames de despistagem de doenças genéticas. Wong Kit Cheng pede ainda mais avanços ao nível dos cuidados de saúde pediátricos e novas medidas quanto à realização de partos sem dor. No que diz respeito ao programa de vacinação gratuita, a deputada pede que mais vacinas possam estar abrangidas. Casas para todos Outro ponto destacado pela deputada, prende-se com a política habitacional, que segundo Wong Kit Cheng deve dar resposta às necessidades das famílias em fases diferentes, ou seja, desde a infância até ao crescimento dos filhos. Esta referiu que o modelo de habitação social e económica tem um sistema de pontuação que dá prioridade às famílias, mas que deveria ser estudada a hipótese de troca de casas, para que as famílias possam mudar de habitação consoante o número de filhos que vão tendo. Para a legisladora, existe ainda necessidade de rever o planeamento das instalações de lazer para os mais novos. A deputada frisou que o número de instalações públicas deve estar ligado à densidade populacional de cada zona e ao número de crianças aí residentes.
Eleições | PS volta a denunciar alegadas práticas da ATFPM Andreia Sofia Silva - 9 Mai 2025 A Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau está a ser novamente acusada pelo Partido Socialista de cometer ilegalidades no contexto da votação dos eleitores locais para as próximas eleições legislativas em Portugal. Rita Santos e José Pereira Coutinho, da ATFPM, negam tudo A acusação não é nova: a Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) foi alvo de uma queixa apresentada pelo Partido Socialista (PS) junto da Comissão Nacional de Eleições (CNE), em Portugal, por realizar “acções que comprometem a liberdade e confidencialidade do voto” dos eleitores locais para as legislativas de 18 de Maio, em Portugal, que servirão para eleger um novo parlamento e primeiro-ministro. Segundo a queixa do PS enviada à CNE, que inclui fotos das alegadas ilegalidades, “foi reportada e observada a presença de indivíduos que se identificam como ‘voluntários’ à porta de uma estação dos correios de Macau, abordando eleitores para indicar onde devem votar”. Desta forma, “trata-se da mesma prática que ocorreu nas últimas eleições legislativas que decorreram em 2024 e que se verificou estar a ser conduzida por Rita Santos, figura proeminente da ATFPM e Conselheira das Comunidades Portuguesas”. Rita Santos deixou, entretanto, de ser conselheira. As imagens anexadas à queixa mostram “um dos voluntários à porta dos correios de Macau, abordando eleitores”, sendo que “em alguns casos solicita a entrega dos boletins de voto”, uma prática que sugere “direccionamento do voto e que põe em causa os princípios fundamentais de um processo eleitoral democrático”. Cenário de “impunidade” O HM confrontou Rita Santos e José Pereira Coutinho, presidente da ATFPM, com esta queixa, tendo ambos negado as acusações. “Desconhecemos a situação dos voluntários que está a referir porque a ATFPM não está envolvida nem interfere nas eleições da Assembleia da República de Portugal. Este ano são as eleições da Assembleia Legislativa (AL) de Macau e estamos empenhados para a apresentação da candidatura da lista Nova Esperança”, disse Rita Santos. Já Pereira Coutinho, também deputado à AL, disse “desconhecer por completo” a acusação. “A ATFPM não tem ninguém a fazer isso, são invenções a que estamos alheios”, referiu. Recorde-se que a última queixa submetida pelo PS ao CNE foi depois remetida para o Ministério Público em Portugal. A investigação ainda decorre e está em segredo de justiça, conforme já foi noticiado, não tendo sido ainda deduzida qualquer acusação. Já em 2019, o PS tinha apresentado semelhante queixa. O PS entende que “a constante actuação da associação em contexto eleitoral levanta preocupações sobre o possível uso indevido de recursos para influenciar o processo de votação”, tratando-se de “práticas recorrentes em eleições legislativas potuguesas”. “A persistência de tais comportamentos, aliada à aparente impunidade, agrava a gravidade dos factos e exige, de uma vez por todas, uma resposta firme das autoridades competentes”, remata o PS.
Startups | Portugal interessado no fundo sino-lusófono de tecnologia Andreia Sofia Silva - 9 Mai 20259 Mai 2025 Uma delegação de Macau, com representantes do Governo e de startups locais, está em Portugal para reunir com líderes de empresas portuguesas e participar na Conferência SIM, que termina hoje no Porto. Durante a visita foi assinado um protocolo que firma o interesse português no novo fundo sino-lusófono de tecnologia, gerido pela empresa estatal de Zhuhai Da Heng Qin Group Diversas startups de Macau estão representadas numa viagem a Portugal esta semana, e cuja comitiva integra também representantes da Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento de Turismo (DSEDT) e a Associação de Empreendedorismo e Inovação Macau, China e Países de Língua Portuguesa (AEIMCP). O objectivo passa por estreitar laços com os ecossistemas de empreendedorismo de Lisboa e Porto e reforçar o interesse de Portugal no novo fundo sino-lusófono de tecnologia destinado a apoiar startups, e que será gerido pela empresa estatal de Zhuhai Da Heng Qin Group. Neste sentido, foi assinado na segunda-feira, em Lisboa, um protocolo entre a AEIMCP e a Nascente Value, “empresa portuguesa com vasta experiência na captação de investidores” e também em “aceleração do crescimento de pequenas e médias empresas (PME) e startups em Portugal e nos países de língua portuguesa, com foco em inovação e tecnologia de ponta”, é destacado num comunicado conjunto da AEIMCP e Nascente Value enviado ao HM. O protocolo assinado na segunda-feira firma o maior acesso português ao novo fundo sino-lusófono de tecnologia. O documento foi assinado no âmbito de uma visita do grupo de Macau à Lispolis – Pólo Tecnológico de Lisboa. A Nascente Value passa, assim, a ser “agente exclusivo para serviços de captação de investidores em Portugal, com foco no envolvimento de investidores no fundo” sino-lusófono, cujo nome oficial é “Da Heng Qin Sino-Luso Technology and Innovation Investment LPF”. Este “promove investimentos em empresas de inovação em ciência e tecnologia de alta qualidade nos países de língua portuguesa”, explica a mesma nota. Assim, este protocolo vai permitir que a AEIMCP, enquanto entidade conectora entre Portugal e o fundo via Macau, e a Nascente Value, “reforcem o compromisso de apoiar startups, promover o investimento transfronteiriço e criar novas oportunidades de colaboração entre Macau, Portugal e outros países de língua portuguesa”. Citado pela mesma nota, Marco Duarte Rizzolio, da AEIMCP, disse que este novo acordo mostra como a entidade, que também organiza o concurso “929 Challenge”, se compromete a “criar pontes para o crescimento global das startups, facilitando a entrada de startups portuguesas no mercado chinês através de Macau, bem como a expansão de startups chinesas para Portugal e para a Europa”. Por sua vez, Rui Ferreira disse que “a assinatura deste protocolo é um marco importante para conectar ecossistemas de inovação e promover sinergias entre startups de Macau e investidores portugueses”. “Estamos confiantes de que esta parceria trará resultados significativos para ambos os lados”, acrescentou. Ao HM, Rui Ferreira explicou que a assinatura do protocolo representa o culminar de um trabalho de cerca de um ano. “Queremos promover um modelo de acolhimento de startups e empresas de Macau que pretendam entrar na Europa através de Portugal, e também nos países de expressão portuguesa, e vice-versa, ou seja, colocar, através de Macau, empresas destes territórios, mas sempre através de Portugal, no Oriente, a fim de obterem ligações mais facilitadas com o mercado chinês.” Visitas mil O grupo de Macau visitou vários pontos essenciais do sector de empreendedorismo português. Além da visita à Lispolis, considerada o “momento-chave para fomentar diálogos entre startups de deep tech e potenciais investidores, consolidando a visão de Macau como um hub de inovação e empreendedorismo com alcance global”, a comitiva passou pela Fábrica de Unicórnios, em Lisboa, e ainda pela consultora PwC. Marco Duarte Rizzolio explicou ao HM os benefícios para Macau do périplo por Portugal. “Além do interesse no fundo sino-lusófono e na sua preparação, uma vez que vai ser lançado em breve, o nosso foco tem sido também as startups. Na visita à Lispolis os representantes das startups de Macau fizeram um ‘pitch’ [tentativa de angariação de investimento], apresentaram os seus produtos e tiveram uma sessão de networking com outras startups. A ideia é que as startups de tecnologia de Macau façam uma imersão no ecossistema de empreendedorismo em Portugal.” Segundo Marco Duarte Rizzolio, a comitiva de Macau levou apenas a Portugal as startups com uma fase de negócio mais avançada, nomeadamente a Zence Object, fundada por Calvin Sio e que obteve um financiamento de 2,5 milhões de dólares do Fundo de Empreendedores do grupo Alibaba para a zona da Grande Baía. A Zence Object usa tecnologia patenteada para transformar resíduos orgânicos, nomeadamente folhas de chá, em produtos alternativos ao plástico e ao papel. A ideia é que estes produtos reciclados e transformados possam ser usados no dia-a-dia, como utensílios para a casa ou de decoração. “Há startups em Macau que estão muito avançadas em termos de negócio e foram essas que trouxemos a Portugal. Queremos explorar novas oportunidades de internacionalização, para que explorem outros mercados, uma vez que estas startups já têm algum desenvolvimento. Queremos criar parcerias, para que estes representantes percebam como é o mercado e explorar possíveis clientes”, adiantou o representante da AEIMCP. Por caminhos invictos A comitiva de Macau está hoje no Porto para participar na “SIM Conference” [Startups & Investment Matching], onde “terá um stand próprio para apresentar projectos e conectar-se com investidores e possíveis clientes”. Este evento foi organizado pela entidade Startup Portugal, que convidou a RAEM a estar presente. Também hoje será assinado um outro protocolo, desta vez entre a associação que organiza o concurso “929 Challenge” e a Startup Portugal. A ideia é, segundo Marco Duarte Rizzolio, “estimular a conexão do ecossistema de Portugal com Macau e ajudar no processo de internacionalização das startups dos dois lados, quer as portuguesas que se destinam à Grande Baía, através de Macau, quer as startups de Macau que vão para Portugal”. O responsável não tem dúvidas de que o que falta em conhecimento, sobra em interesse. “Há um interesse muito grande na China, mas ao mesmo tempo há um grande desconhecimento. O ecossistema de startups em Portugal está muito mais ligado à Europa. Quando falamos com a Fábrica de Unicórnios, há meses, foi-nos dito que havia um grande interesse no mercado de Macau e da China, mas que faltava mais conhecimento. Por isso estas visitas a Portugal visam reforçar conexões e parcerias, porque o interesse é muito grande. Eles [Portugal] sabem que a China está a crescer imenso na área da tecnologia e da inteligência artificial, com o lançamento da DeepSeek, por exemplo”. Segundo Rui Ferreira, a presença da comitiva de Macau na “SIM Conference” permitirá o acesso a “contactos privilegiados e mais alargados”, por se tratar de um evento de âmbito nacional. “Com esta visita conseguimos fazer duas coisas: iniciar a relação com a AEIMCP de forma mais formal e ajudar as empresas de Macau a ter conhecimento de parceiros e investidores. Queremos ainda apostar no trabalho para o futuro fundo sino-luso, no sentido de prepararmos as empresas com potencial de investimento”, disse. Para Rui Ferreira, o mercado de Macau tem potencial “para ser usado como plataforma de intercâmbio de empresas, graças à ligação linguística, existindo no território condições para estabelecer toda a parte de acolhimento, apoio e intercâmbio com as entidades da China e criar um ecossistema”. Além disso, “será interessante Macau tornar num hub de inovação especializado nas áreas estratégicas”, que neste caso é a tecnologia. Destaque para o facto de a visita ter contado também com a organização da Associação Plataforma Sino-Lusófona de Macau para o Desenvolvimento Sustentável.
MGM Resorts International alerta para apostas no Japão e Tailândia Hoje Macau - 8 Mai 2025 Um operador de casinos em Macau afirmou ontem que a abertura de casinos no Japão e a potencial legalização do jogo na Tailândia vão aumentar a concorrência no que toca aos apostadores asiáticos. O director para o desenvolvimento global da empresa norte-americana MGM Resorts International, que opera dois casinos em Macau, disse que as novas concessões de jogo aceleraram a transição de um modelo baseado em grandes apostadores para “uma economia de turismo e entretenimento mais diversificada”. Os seis operadores de jogo de Macau assinaram acordos de concessão de 10 anos em Dezembro de 2022, comprometendo-se a investir 108,7 mil milhões de patacas no turismo e na diversificação da economia. “O reforço das atracções culturais, do entretenimento para famílias (…) ajudou a atrair grupos demográficos mais vastos do que os tradicionais apostadores”, defendeu Ed Bowers. Mas o executivo alertou que “a competição está a intensificar-se nos mercados asiáticos, particularmente com o Japão e, potencialmente, a Tailândia”. A MGM arrancou em 24 de Abril com a construção do primeiro empreendimento integrado com um casino do Japão, em Osaka, com abertura prevista para 2030. O Governo da Tailândia apresentou uma proposta para legalizar o jogo. “Isto são excelentes notícias para pessoal do desenvolvimento de casinos como eu”, referiu Bowers, que recordou que a Tailândia “já beneficia de uma forte infraestrutura turística”. Mas a discussão da proposta no parlamento foi adiada, no início de Abril, “provavelmente devido ao aumento da oposição política” à ideia, admitiu o executivo. Outras apostas Bowers falava durante a Global Gaming Expo Asia, o maior evento da indústria do jogo realizado em Macau, que vai decorrer até sexta-feira. Numa outra sessão do mesmo evento, especialistas defenderam que, face à maior concorrência regional, a aposta em atracções não relacionadas com o jogo, como concertos, parques temáticos e gastronomia podem trazer mais pessoas aos casinos. “Construímos tudo isso para apoiar o nosso casino, o casino é o nosso motor financeiro”, afirmou Wade Howk, director de operações do Inspire Entertainment Resort, uma estância integrada na Coreia do Sul, com um casino exclusivo para estrangeiros. A sessão centrou-se na diversificação da economia de Macau, onde os impostos sobre os casinos representaram 88,4 por cento das receitas correntes da região nos primeiros três meses do ano. Mas as autoridades pretendem que o sector não relacionado com o jogo represente 60 por cento do Produto Interno Bruto de Macau até 2028. Como exemplo, Wade Howk frisou que o Inspire Entertainment construiu um espaço de entretenimento com 15 mil lugares sentados, a única arena cultural polivalente na Coreia do Sul, para aumentar o número de visitantes. “Estamos a ver enormes resultados com isso agora, e depois construímos um parque aquático coberto (…), apenas para nos certificarmos de que poderíamos impulsionar o tráfego para apoiar toda a propriedade, (…) e que isso poderia ser utilizado para apoiar o casino”, explicou Howk. Jeffrey Kiang, um analista do grupo de investimento CLSA, sublinhou que as componentes não relacionadas com o jogo devem “criar sinergias e complementar o negócio” dos casinos. Kiang observou um aumento do número de concertos realizados em Macau nos últimos dois anos e afirmou que os operadores dos casinos seleccionam cuidadosamente os eventos ou artistas que atraem os apostadores.
A Grande América (II) Jorge Rodrigues Simão - 8 Mai 2025 (Continuação) “What is great about America? Slavery, Hiroshima, Nagasaki, Indian Removal, segregation, Vietnam War, Watergate.” – Anthony Galli O que conta para o império americano é a Europa Ocidental, “a mãe da América”, ou seja, França, Alemanha, Itália, Reino Unido, Espanha, Portugal e a Escandinávia como abertura para o Árctico e barreira anti-russa (anti-chinesa). Sem esquecer que os menos interessados em proteger a Europa de Leste são os euro-ocidentais. Questão de perguntar aos dinamarqueses, alemães e holandeses se concordam em dar aos polacos e lituanos um peso decisório igual ao seu. Por que razão um Espanhol lutaria contra Moscovo se um estónio decidisse organizar uma revolução colorida na Rússia? Segundo Maitra, o Mediterrâneo continua a ser central para os americanos, mas não o Mar Negro. O nosso Oceano Médio é o ponto fraco da Europa. O perigo não vem do leste, mas do sul. Não se vêm tanques russos na Bélgica. Mas vê-se um número crescente de crises no Mediterrâneo, provocadas pela decomposição de Estados, como a Líbia, por causa dos franceses e dos britânicos. É por isso que a França é um dos países ocidentais fundamentais para a segurança comum. No entanto, nunca percebi porque é que em certas questões, como a defesa total da Ucrânia, a França e a Polónia podem ter posições de falcão. É querer ser mais católico do que o Papa? Ao longo dos séculos, a França foi o bastião do realismo. O que é que aconteceu? A essa pergunta surge a resposta número três que se poderia intitular de revelação, responsabilidade e oportunidade que é o triângulo da nossa segurança. Revelação no sentido apocalíptico acima referido. Trump deixa cair o véu da hipocrisia acordada entre americanos e europeus. Os primeiros fingiam garantir-nos uma protecção ilimitada e nós fingíamos acreditar neles. De tal forma que muitos de nós acreditámos. De facto, funcionou muito bem. Agradecidos, regozijamo-nos. Mas é agora claro que a superpotência não defende todos os aliados até ao limite, alguns a troco de nada, e certamente nenhum de graça. Onde o preço, mais do que monetário, é humano e militar. É uma questão de inverter o postulado de Norstad. Ou seja, ter homens e armas em número e qualidade decentes para que, em caso de guerra, não cairmos num campo de batalha dispensável, bombardeado por amigos e inimigos nucleares. Como teria acontecido se a Guerra Fria tivesse aquecido, o que foi por pouco. Responsabilidade. Se pensarmos que podemos enclausurar-nos num canto do planeta, gozando dos nossos privilégios, a história de onde emergimos vai bater-nos à porta. Vai saquear os nossos apartamentos. Caoslândia avança. Aproxima-se da Europa Mediterrânica pelo Sul e pelo Leste, com as suas torrentes de cólera e de frustração, com a disponibilidade para a violência de povos jovens e sofredores, educados para ver nos europeus de hoje os netos dos seus antigos senhores. O parâmetro decisivo da nossa condição geopolítica é a soma dos factores demográficos e biológicos. A Europa do Sul é a região com o maior número médio de pessoas idosas no mundo, compreendendo actualmente 21por cento da população, com mais de 65 anos. Prevê-se que atinja 30 por cento em 2050 e a Europa diminui a sua população entre 2022 e 2050 em -7 por cento ou seja em declínio galopante até 2080 em comparação com os pelo menos dois mil milhões de pessoas espalhados entre a África boreal e o Levante. A nossa idade média deverá ser superior a 50 anos, contra os cerca de 25 anos dos que nos vão bater à porta. Não é com tanques que se evita esta crise. Militarmente, precisaremos de instrumentos de controlo e interdição navais, aéreos, cibernéticos e espaciais, a par de uma componente terrestre (jovem) credível. Acima de tudo, teremos de desenvolver uma política corajosa de coexistência e cooperação com os povos e regimes do Médio Oriente, do Norte de África à Península Arábica. Regiões onde ainda gozamos de uma boa reputação. No entanto, estamos a dissipá-la como uma pensão vitalícia, quando ela deve ser reconquistada e alargada todos os dias. O plano Mattei de investimentos em África de 5,5 mil milhões de euros é uma gota no oceano. É urgente resolver os antigos diferendos com a margem norte do Mediterrâneo, a começar pela França. O hábito de tropeçarem uns nos outros no pré carré do qual a França é obrigada a evacuar prepara o terreno para o fracasso mútuo. Quanto aos americanos, não pedem mais do que os apoiar, desde que se ponham as botas no chão, se necessário. Oportunidade. A OTAN não é ATAN, com um “a” de aliança. Um lema em si mesmo indigesto para Washington, porque aludiria a uma igualdade impossível entre líder e seguidores. Estamos em dívida para com o apocalítico Donald Rumsfeld por ter revelado, na véspera da agressão ao Iraque, a figura da OTAN e de qualquer outra organização militar liderada pelos Estados Unidos ou por qualquer outro líder. A missão faz a coligação e não o contrário. E é o líder que define a missão. O dogma viveu ameaçado pelos nossos decisores na síndrome do abandono. Estamos tão habituados a considerarmo-nos passivos, a confiar no “Número Um” como em “Nossa Senhora”, que ignoramos o estímulo que o aviso contém. No esquema transaccional dos alinhamentos tácticos que desenham o caos actual, poderíamos transformar a necessidade de confiar em nós próprios em primeiro lugar. Não nos reduzirmos a patéticos cavaleiros solitários. Ainda assim, alguns actos de pirataria suave ajudariam, considerando o quão querido é para os anglo-saxões o desporto de manter alguém honesto e o quão pouco eles nos consideram capazes de proteger os nossos interesses. No mínimo, surpreendê-los-íamos. Nenhuma relação se mantém se cada um considerar a fidelidade dogmática do seu parceiro como um dado adquirido. Um certo grau de infidelidade, ou seja, de iniciativa, ajudaria a cimentar a relação bilateral com os Estados Unidos. O pior acordo possível, sem dúvida alguma.
Japão | Nintendo com novo recorde de capitalização bolsista Hoje Macau - 8 Mai 2025 A Nintendo, fabricante e distribuidora japonesa de jogos de vídeo, registou um novo recorde de capitalização bolsista de aproximadamente 15,36 mil milhões de ienes (94.831 milhões de euros), ultrapassando pela primeira vez a Fast Retailing. No início de Maio, apenas a empresa automóvel Toyota, a multinacional tecnológica Sony, o banco Mitsubishi UFJ e a empresa de electrónica Hitachi tinham uma capitalização bolsista superior à da Nintendo, de acordo com os dados do operador da bolsa japonesa, Japan Exchange. A empresa com sede em Kioto já vendeu mais de 150 milhões de unidades da consola Switch em todo o mundo e cerca de 1,36 mil milhões de cópias de jogos para a plataforma. As ações da Nintendo subiram 1,77 por cento nas negociações de sexta-feira para um preço de fecho recorde 12.360 ienes (de 76,09 euros), em antecipação do lançamento, em 05 de Junho, da sucessora da consola, Switch 2, que já esgotou no Japão. O mercado da bolsa japonês esteve encerrado na segunda e terça-feira, dias feriados, e teve uma abertura volátil na quarta-feira, com os investidores a assimilar as novas ameaças tarifárias do Presidente dos EUA, Donald Trump, às indústrias cinematográfica e farmacêutica. Após os 20 primeiros minutos de negociação, a Nintendo continuava a registar níveis recorde, com uma subida de quase 0,3 por cento A empresa fechou a negociação com uma ligeira descida de 0,08 por cento, após a volatilidade que caracterizou as negociações.
Especialista timorense considera urgente domínio do português para coesão nacional Hoje Macau - 8 Mai 2025 O linguista timorense Benjamim Corte Real considerou ontem que a língua portuguesa é um factor de coesão em Timor-Leste e que é uma “urgência nacional” que os todos os cidadãos a passem a dominar. Benjamim Corte Real falava no seminário sobre “Políticas Linguísticas e Desenvolvimento da Língua Portuguesa em Timor-Leste: Desafios e Perspectivas”, organizado pela Universidade Nacional de Timor-Leste, no âmbito do seu 25.º aniversário e das celebrações do Dia Mundial da Língua Portuguesa, que se assinalou em 05 de Maio. Na sua intervenção, o professor lembrou que antes da chegada dos portugueses, os timorenses estavam dispersos por grupos tribais, que falavam a sua própria língua, e que as comunidades viviam isoladas umas das outras, também por causa do relevo montanhoso da região. “A chegada dos portugueses vem trazer uma novidade que é a introdução de um elemento que vai precisamente diluir essa nossa situação anterior de isolamento de comunidades. Desde que a língua portuguesa entrou em Timor, entrou a servir esse propósito de unir os timorenses comunicativamente”, salientou Benjamim Corte Real. E, segundo o linguista, apesar de não ter sido introduzida da mesma forma que a língua indonésia, cuja aprendizagem era uma questão de sobrevivência, os timorenses, principalmente os líderes, perceberam que para unificar o país e consolidar uma independência nacional a “língua portuguesa era imprescindível”. Urgência nacional Outra razão apontada por Benjamim Corte Real para a importância do português para a “coesão nacional” é o facto de as línguas maternas ou locais não terem “desenvoltura suficiente para absorver a prática administrativa, para a produção legislativa para o ordenamento do território”. Hoje, salientou, apesar da coesão nacional não ter sido alcançada em termos de domínio generalizado da língua portuguesa, já se começou a perceber que o Estado deve caminhar nesse sentido e fazer um esforço “mais propositado” para que o português seja dominado por todos. “Isto é uma urgência nacional. Portanto, nós estamos aqui a apelar para todas as instâncias operadoras da educação em todo o território que assumam a sua responsabilidade e cumpram as leis e façam cumprir as leis em torno da implementação do ensino da língua portuguesa e do ensino através da língua portuguesa”, disse Benjamim Corte Real. “Não podemos falar de uma sociedade harmonizada, unificada, sem investirmos na língua que é comum a todos nós. Devemos fazer isso por obrigação, vocação nacional, e, sobretudo, também por mandato constitucional”, insistiu.
Índia / Paquistão | Comunidade internacional pede contenção Hoje Macau - 8 Mai 2025 O ataque da Índia de terça-feira à noite contra três zonas do Paquistão fez escalar perigosamente o conflito entre as duas potências nucleares A comunidade internacional pediu ontem à Índia e ao Paquistão para terem contenção militar após a escalada do confronto entre as duas potências nucleares, que já causou dezenas de mortos civis em ambos os países. China, Rússia, França e Alemanha pediram contenção e mostraram preocupados com a escalada das tensões, destacando a necessidade de evitar situações de confronto e de proteger os civis. Também a Turquia manifestou preocupação e alertou para o “risco de uma guerra total” entre a Índia e o Paquistão. “O ataque da Índia na noite passada representa o risco de uma guerra total. Condenamos esta atitude provocadora e os ataques contra civis e infraestruturas civis”, disse, em comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros turco. Da mesma forma, o Irão manifestou “profunda preocupação” com o confronto entre a Índia e o Paquistão, país com quem faz fronteira. Antes, os Estados Unidos lamentaram a situação, tendo o Presidente, Donald Trump, considerado que o reinício dos confrontos “foi uma pena” e adiantado esperar que “pare muito rapidamente”. O líder da diplomacia norte-americana, Marc Rubio, exortou ainda os líderes dos dois Estados a abrirem um canal de diálogo para evitar uma maior escalada do conflito. “O mundo não se pode dar ao luxo de um confronto militar” entre a Índia e o Paquistão, afirmou, por seu lado, o secretário-geral da ONU, António Guterres, referindo-se aos ataques das últimas horas, os mais graves das últimas duas décadas entre estes Estados. Numa reacção mais assertiva, o Reino Unido também pediu calma aos dois países, mas assumiu estar pronto para intervir caso seja necessário. A Índia e o Paquistão têm “interesse na estabilidade regional”, disse o secretário do Comércio britânico, Jonathan Reynolds, acrescentando que o Governo britânico fará “tudo o que puder em termos de diálogo para reduzir a tensão”. Mortos e feridos Os dois exércitos trocaram tiros de artilharia ao longo da fronteira disputada em Caxemira após ataques indianos em solo paquistanês em retaliação por um atentado, a 22 de Abril, na Caxemira controlada pela Índia, que matou 26 pessoas. A tensão entre a Índia e o Paquistão reacendeu-se a 22 de Abril, quando homens armados atacaram a região turística de Pahalgam, na Caxemira indiana, matando 26 civis. O ataque foi atribuído à organização Lashkar-e-Taiba e as relações deterioram-se ainda mais entre estes países vizinhos, rivais desde que se tornaram independentes do Reino Unido, em 1947. Os dois governos ordenaram a saída dos seus territórios de cidadãos do Estado vizinho e, ao longo dos dias, foram-se registando incidentes nas fronteiras, com tiros disparados na chamada Linha de Controlo em Caxemira. Na terça-feira à noite, Nova Deli lançou ataques contra três zonas do Paquistão, que, segundo o Governo indiano, constituíam “locais terroristas”, na província de Punjab. Poucas horas depois, o Governo paquistanês anunciou ter abatido vários aviões militares indianos e, ontem de manhã, uma sequência de bombardeamentos levados a cabo por Islamabade e Nova Deli provocou pelo menos 38 mortos, no maior confronto dos últimos 20 anos.
Dia da Vitória | Pequim justifica participação na parada de Moscovo como acto de respeito pela História Hoje Macau - 8 Mai 2025 Pequim defendeu ontem a presença de tropas chinesas na parada militar de 09 de Maio em Moscovo como uma demonstração de “respeito pela História” e não como um gesto de apoio à Rússia na guerra na Ucrânia. “A participação da China nas celebrações do 80.º aniversário da vitória soviética na Grande Guerra Patriótica reflete o respeito pela História e a firme determinação em defender as conquistas da Segunda Guerra Mundial”, disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian, em conferência de imprensa. O porta-voz lembrou que a vitória na guerra foi “o resultado da luta conjunta de todos os países e povos amantes da paz e da justiça” e tanto o povo chinês como os povos da antiga União Soviética “fizeram enormes sacrifícios nacionais e contribuições históricas indeléveis”. Os comentários surgiram um dia depois de a Ucrânia ter criticado a presença de tropas estrangeiras no desfile da Praça Vermelha como uma “manifestação de apoio ao Estado agressor”. Pequim evitou responder directamente à repreensão de Kiev, mas insistiu que a posição sobre a guerra “tem sido clara e consistente”. “Evitar uma nova escalada das tensões é agora a prioridade urgente. Todas as partes envolvidas devem chegar a um consenso e criar condições para atingir esse objectivo”, acrescentou. Sobre a cooperação bilateral entre a China e a Rússia, o porta-voz reiterou que “sempre se baseou nos princípios do respeito mútuo, do benefício partilhado e do sucesso comum”. O desfile em Moscovo vai contar também com unidades militares de mais 12 países. O Presidente chinês, Xi Jinping, vai estar presente, na primeira visita à Rússia desde Março de 2023. Está também prevista uma reunião bilateral com o Presidente russo, Vladimir Putin, a 08 de Maio.