Verdades escondidas por trás dos números e reflexões sobre a felicidade

Em Março, órgãos de comunicação social de Hong Kong citaram o relatório global sobre a riqueza da UBS, que estabelece limiares claros para a riqueza global: o limiar do património líquido do 1 por cento da população onde se encontram os mais ricos é de aproximadamente 1,1 milhões de dólares americanos (equivalente a 8,6 milhões de dólares de Hong Kong). O limiar do património dos 10 por cento mais ricos é de 150.000 US dólares (aproximadamente 1,17 milhões de dólares de Hong Kong), ao passo que para os 25 por cento mais ricos é de apenas 230,000 dólares de Hong Kong. O relatório também demonstra que, a nível global, 40 por cento dos adultos não chegam a possuir 10.000 US dólares.

Para os leitores que vivem em Hong Kong e em Macau, estes números podem ser confusos. Em qualquer das duas cidades, possuir uma casa paga na integra aumenta significativamente a probabilidade de se tornar um entre os 10 por cento mais ricos do mundo. Olhando apenas para os números, é fácil ficarmos muito satisfeitos. No entanto, uma análise mais detalhada destes dados levanta várias questões que merecem ser consideradas:

Em primeiro lugar, em termos absolutos, um património líquido de 230.000 dólares de Hong Kong ultrapassa de facto o património de aproximadamente 75 por cento da população mundial, reflectindo directamente a distribuição desigual da riqueza a nível global, com a grande maioria da população a viver com níveis baixos de rendimento.

Em segundo lugar, estes dados usam apenas o património líquido pessoal como padrão estatístico, ignorando completamente o rendimento per capita, os níveis de consumo e o custo de vida nas diferentes regiões. Discutir números de riqueza sem considerar o poder de compra faz com que 230.000 dólares de Hong Kong sejam apenas um valor de referência incapaz de reflectir com precisão a qualidade de vida nas diferentes regiões.

Em terceiro lugar, em cidades economicamente desenvolvidas como Hong Kong e Macau, com elevado custo de vida, 230.000 dólares de Hong Kong podem representar apenas uma parte das poupanças de muitas pessoas, longe de ser suficiente para garantir uma vida confortável.

Comparar com dados locais dá uma imagem mais clara da verdadeira natureza da riqueza. No relatório publicado pelo Citibank em Novembro de 2025, “Hong Kong Millionaire Survey Report 2025”, revelou que Hong Kong tem aproximadamente 395.000 milionários, com uma riqueza média de 20,5 milhões dólares de Hong Kong, que representam 7 por cento da população total da cidade. Isto significa que aproximadamente um em cada 14 residentes de Hong Kong é milionário.

Em média, este grupo junta o seu primeiro milhão por volta dos 34 anos de idade, e compra a primeira casa aos 33. 51 por cento dos seus activos estão concentrados em propriedades, com os restantes 49 por cento divididos entre investimentos e dinheiro. Isto demonstra que é necessário elaborar um estudo local para ter uma imagem mais precisa da verdadeira situação de riqueza numa região.

No entanto, por trás dos “milionários” de Hong Kong existe uma ilusão de riqueza. Como é bem sabido, os preços das propriedades em Hong Kong são elevados; um apartamento com três assoalhadas pode custar perto de 10 milhões de dólares de Hong Kong. Estes activos ligados a casas ocupadas pelos proprietários, se não forem vendidos e liquidados, são essencialmente números num papel e não podem ser convertidos em rendimento disponível. Compreender isto é crucial para compreender o fenómeno da população com elevado património em Hong Kong.

Embora os índices de riqueza sejam impressionantes, os índices de felicidade não têm acompanhado o mesmo ritmo. O Relatório Mundial sobre a Felicidade 2026 das Nações Unidas mostra que a classificação do índice de felicidade de Hong Kong caiu do 77.º lugar em 2021 para o 88.º em 2025, e prevê-se que desça para o 90.º em 2026. O relatório indica que o excesso de pressão no trabalho, a redução da liberdade e as fortes pressões de sobrevivência são as principais razões para o contínuo declínio da felicidade global.

Com base em vários dados, é fácil concluir que para julgar o nível de riqueza de uma região se deve ter em conta as realidades locais; comparar apenas números globais descontextualizados é irrelevante. Além disso, possuir riqueza não é equivalente a possuir felicidade. A felicidade não é definida apenas pelo dinheiro; um ambiente de vida confortável, relações familiares harmoniosas, ligações sociais genuínas e um ritmo de vida descontraído são todos ingredientes essenciais da felicidade. Em vez de nos esgotarmos a perseguir patamares de riqueza, devemos equilibrar as nossas prioridades na vida e procurar outras fontes de felicidade para lá dos bens materiais.

Desejo que possamos sempre focar-nos nas pequenas coisas que trazem alegria ao nosso coração. Assim, um dia todos seremos felizes.

Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau
Professor Associado da Faculdade de Ciências de Gestão da Universidade Politécnica de Macau
cbchan@mpu.edu.mo

Filme “Justa” de Teresa Villaverde premiado em festival de Pequim

O filme “Justa”, de Teresa Villaverde, recebeu o Prémio Tiantan para Melhor Contribuição Artística no Festival Internacional de Cinema de Pequim, na China, e Madalena Cunha, de 13 anos, venceu na categoria de melhor actriz secundária.

“Justa recebeu o prémio Tiantan para Melhor Contribuição Artística e a actriz Madalena Cunha, de 13 anos e natural das Caldas da Rainha, recebeu o prémio Tiantan para melhor Actriz Secundária”, anunciou, em comunicado, a agência Portugal Film. Os prémios foram atribuídos pela actriz francesa Juliette Binoche, que presidiu ao júri, pelos realizadores Bi Gan, Tran Anh Hung e Gabriel Mascaro, pelo compositor Simon Franglen, e pelos actores Zhang Yi e Zhang Xiaofei.

“Justa” é uma co-produção entre a Alce Filmes (Portugal) e a Epicentre Films (França). Do elenco fazem ainda parte Betty Faria, Filomena Cautela, Robinson Stévenin e Ricardo Vidal. A acção da longa-metragem decorre em 2017, na sequência do incêndio em Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, que matou 66 pessoas e feriu outras 253. Cerca de 500 habitações e 50 empresas foram destruídas.

Ficção e realidade

“Justa” não é um documentário, as histórias que se cruzam são ficcionais, mas de alguma forma representativas do que é sobreviver a uma tragédia como a de Pedrógão Grande, sem que haja necessidade de mostrar labaredas.

Entre essas histórias ficcionadas há a de Justa, uma menina que procura entender a morte da mãe no incêndio, e apoia o pai, que ficou com o corpo mutilado pelas chamas. No filme cruzam-se ainda uma mulher que ficou cega, depois da morte do marido, ou uma psicóloga que tenta aliviar o sofrimento. Um ano depois daquele incêndio, Teresa Villaverde passou pela região e ficou marcada pelo que viu e ouviu.

“Atravessei aquelas estradas quando estava tudo ardido, e nas imagens que se vêem na televisão ou em fotografias não se percebe o impacto de quilómetros e quilómetros de tudo preto, era uma coisa impressionante, e o silêncio total. […] Parecia o som da terra que nos acusa”, contou em entrevista à Lusa, aquando da estreia nos cinemas.

Teresa Villaverde entende que “Justa” pode ser uma homenagem aos vivos, porque todos os anos são recordados apenas os que morreram naquele incêndio. O filme já teve estreia em Portugal e França e, brevemente, chegará às salas de cinema no Brasil, com selecções em festivais na Alemanha, Austrália, Grécia, Suíça, Brasil, Itália, entre outros.

Concerto | Grupo EXO actua no Galaxy a 22 e 23 de Maio

“EXO Planet #6 EXhOrizon (Macau)” é o nome do espectáculo, em dose dupla, que o Galaxy Arena traz aos fãs da “boys-band” sul coreana. Os EXO actuam nos dias 22 e 23 de Maio no território, mostrando porque são um dos grupos mais famosos do meio. Juntos desde 2012, o álbum de estreia revelou-se um sucesso instantâneo

A Coreia do Sul é um país pródigo em colocar no mercado musical novos talentos, sobretudo ligados à música pop e em grupos de jovens rapazes e raparigas com rostos perfeitos, numa verdadeira indústria. O K-Pop, ou pop coreano, já é conhecido em todo o mundo, com legiões de fãs em vários países, e os EXO enquadram-se, definitivamente, num dos grandes nomes a reter deste universo da música coreana.

Os fãs de Macau terão a oportunidade de os ouvir, incluindo o público que os pode ouvir pela primeira vez, em dois concertos no Galaxy Arena agendados para os dias 22 e 23 de Maio.

A estreia dos EXO deu-se em 2012, sendo conhecidos pelas suas performances em palco cheias de coreografias capazes de encantar o público. O seu primeiro álbum de estúdio vendeu mais de um milhão de cópias, sendo que o conceito por detrás da banda é que cada membro tem uma espécie de “super-poder” dentro de um “universo” muito concreto. No Galaxy Arena, a audiência poderá ver e ouvir “um novo capítulo” deste universo EXO, que “tem como tema o ‘Horizonte’, simbolizando um novo começo”, descreve-se na apresentação oficial do espectáculo.

Novo álbum na estrada

Inicialmente, os EXO eram formados por 12 rapazes, mas actualmente são nove os que fazem parte do grupo: Xiumin, Suho, Lay, Baekyun, Chen, Chanyeol, D.O., Kai e Sehun. Além de cantarem em coreano, também o fazem em mandarim e japonês, decerto a pensar chegar a um público mais vasto e a outros mercados discográficos da Ásia.

Os EXO acabam também de lançar um novo álbum, que decerto poderá ser ouvido no Galaxy Arena. Trata-se de “REVERXE – The 8th Album”, que inclui faixas como “Crown”, que deu origem a um videoclip filmado numa casa antiga, cheio de adrenalina e efeitos especiais; “Back it Up”, “Crazy”, “Suffocate”, “Moolight Shadows”, “Back Pocket”, “Touch & Go”, “Flatline” e “I’m Home”, também uma canção escolhida para a produção de um videoclip.

O último álbum de estúdio lançado pelo grupo aconteceu em 2023, intitulando-se “EXIST – The 7th Album”. Na plataforma digital Spotify, os EXO têm mais de seis milhões de ouvintes por mês.

Numa crítica ao disco de Robin Murray, para a plataforma ClashMusic, lê-se que “REVERXE” é um bom regresso da banda às grandes canções. Trata-se de um regresso dos EXO “em plena forma”, tratando-se de um trabalho discográfico que “combina as habilidades individuais dos membros para criar algo inovador”, lê-se no artigo.

“Crown”, a faixa que deu origem ao single de lançamento, é descrito como um “um tema pop cativante com um toque verdadeiramente ousado”. Citados no artigo da ClashMusic, os EXO explicaram a escolha desta canção, o que a tornou “especialmente significativa”.

“É uma canção que personifica quem somos como EXO — e, em última análise, os EXO-Ls são a nossa coroa. Estamos orgulhosos e felizes por sermos os EXO, e agora só queremos aproveitar este momento com os nossos fãs e criar memórias duradouras juntos”, pode ler-se.

Pequim destaca “resiliência” do sector petrolífero apesar do conflito

A China destacou ontem a “resiliência” do sector petrolífero face aos riscos da guerra no Irão e garantiu o abastecimento de energia, apoiado no aumento da produção interna, diversificação das importações e controlo temporário dos preços.

Citado pelo jornal oficial Diário do Povo, o subdirector do Departamento Geral da Administração Nacional de Energia da China, Zhang Xing, afirmou que as autoridades reforçaram o sector nos últimos cinco anos para assegurar o fornecimento “em todas as circunstâncias”.

Segundo o responsável, a produção de petróleo manteve-se acima de 200 milhões de toneladas anuais, atingindo novos máximos, enquanto a de gás natural registou nove anos consecutivos de crescimento, com aumentos superiores a 10 mil milhões de metros cúbicos por ano.

Zhang destacou ainda o reforço das infraestruturas, com mais de 200.000 quilómetros de oleodutos e gasodutos de longa distância e uma capacidade de receção de gás natural liquefeito superior a 120 milhões de toneladas anuais, bem como uma rede de importações energéticas “mais diversificada”.

Pequim tem respondido às “mudanças no ambiente externo” com uma estratégia baseada em “produção estável, importações diversificadas e regulação temporária de preços”, visando garantir “a estabilidade da economia” e satisfazer a procura interna, acrescentou.

Ásia em foco

O bloqueio ‘de facto’ do estreito de Ormuz, por onde transitava cerca de 20 por cento do petróleo e gás globais antes dos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão e das represálias de Teerão, tem afectado sobretudo a Ásia, principal destino dessas exportações.

No caso chinês, a situação naquela rota marítima é particularmente sensível, já que cerca de 45 por cento das importações de petróleo e gás do país passam pelo estreito. O conflito levou a uma subida dos preços dos combustíveis na China, obrigando as autoridades a intervir temporariamente, embora na semana passada tenha sido registado o primeiro recuo dos preços em 2026.

A China tem condenado os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, ao mesmo tempo que defende o respeito pela soberania dos países do Golfo, com os quais mantém relações políticas, comerciais e energéticas estreitas.

IA | Bloqueada aquisição da ‘startup’ Manus pela Meta

A China bloqueou a aquisição da ‘startup’ de inteligência artificial Manus pela tecnológica norte-americana Meta, por 2.000 milhões de dólares invocando regras de segurança sobre investimento estrangeiro, segundo um comunicado oficial. Numa nota breve divulgada ontem, a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma indicou que proibiu a operação e exigiu às partes envolvidas que abandonassem o negócio, sem mencionar directamente a Meta, dona do Facebook e do Instagram.

A decisão foi tomada pelo mecanismo de revisão de segurança do investimento estrangeiro, ao abrigo da legislação chinesa, após as autoridades terem anunciado no início do ano que estavam a analisar o caso. A entidade não detalhou as razões concretas para o bloqueio.

A Meta tinha anunciado em Dezembro a aquisição da Manus, uma empresa de inteligência artificial com raízes chinesas mas sediada em Singapura, num movimento pouco comum de uma grande tecnológica dos Estados Unidos sobre uma empresa ligada à China. A Manus desenvolve agentes de inteligência artificial de uso geral, capazes de executar tarefas complexas de forma autónoma, e a operação visava reforçar a oferta de IA da Meta nas suas plataformas.

A empresa norte-americana tinha garantido que não haveria participação chinesa remanescente na Manus e que esta cessaria operações na China. Ainda assim, o ministério do Comércio chinês alertou, em Janeiro, que operações envolvendo investimento externo, exportação de tecnologia, transferência de dados e aquisições transfronteiriças devem cumprir a legislação nacional.

Em reacção, a Meta afirmou ontem que a transacção “cumpriu plenamente a legislação aplicável” e disse esperar uma “resolução adequada” do processo.

Indústria chinesa | Lucros sobem 15,5% no primeiro trimestre

Os lucros das principais empresas industriais da China aumentaram 15,5 por cento em termos homólogos no primeiro trimestre, reforçando a recuperação após três anos consecutivos de quedas, segundo dados oficiais divulgados ontem. De acordo com o Gabinete Nacional de Estatística da China, os ganhos destas empresas atingiram cerca de 1,7 biliões de yuan entre Janeiro e Março.

O crescimento superou os 15,2 por cento registados no conjunto de Janeiro e Fevereiro – isolando Março, o indicador avançou 15,8 por cento –, mas ficou abaixo das previsões do portal especializado Trading Economics, que apontavam para uma subida de 18 por cento.

Para este indicador, a autoridade estatística considera apenas empresas industriais com receitas anuais superiores a 20 milhões de yuan. O estatístico da instituição Yu Weining atribuiu a evolução positiva à adopção de “medidas macro mais proactivas e eficazes”, destacando o contributo de sectores como maquinaria, alta tecnologia e matérias-primas.

No sector da maquinaria, a electrónica liderou o crescimento, com um aumento de 124,5 por cento nos lucros. Na indústria de alta tecnologia, o segmento da indústria “verde” duplicou os resultados, impulsionado pela procura associada à subida do preço do petróleo no contexto da guerra no Irão.

Já no sector das matérias-primas, a indústria de metais não ferrosos registou um aumento de 116,7 por cento nos lucros, também influenciada pelo impacto do conflito no Médio Oriente nos preços do alumínio. Apesar da recuperação, Yu alertou para “múltiplas incertezas” no ambiente externo e sublinhou que persistem problemas estruturais na economia chinesa, como o excesso de capacidade produtiva e a fraqueza da procura interna.

Yuan | Emissão de dívida fora da China atinge máximos com procura de investidores

Entidades estrangeiras recorreram a volumes recorde de financiamento na moeda chinesa, o yuan, este ano, face a taxas de juro baixas e crescente procura de investidores chineses por activos com maior rendimento, segundo dados citados pelo Financial Times.

O aumento insere-se numa expansão mais ampla da emissão de dívida denominada em yuan fora da China continental, conhecida como “dim sum bonds”, que já atingiu cerca de 300 mil milhões de yuan em 2026, mais do dobro do registado no mesmo período do ano passado, que já tinha sido recorde, apontou o jornal britânico.

Entre os emitentes recentes de dívida em yuan fora da China está Portugal, além de entidades públicas como a MuniFin (Finlândia) ou o Korea Development Bank, reflectindo um alargamento do leque de mutuários. A emissão por bancos norte-americanos, em operações geridas pelas próprias instituições, ascendeu a 47,5 mil milhões de yuan, também um máximo histórico, com o banco norte-americano de investimento Goldman Sachs a representar a maioria deste montante.

“Há muita procura por activos ‘offshore’ em yuan. Trata-se de uma fonte alternativa de financiamento atractiva”, afirmou Isaac Wong, responsável pela distribuição de rendimento fixo, moedas e matérias-primas do banco na Ásia (excluindo o Japão). Analistas descrevem o fenómeno como uma “corrida ao financiamento” em yuan ‘offshore’, com emissores que vão de governos a instituições financeiras internacionais.

Papel de relevo

O banco norte americano de investimento Goldman Sachs tornou-se o maior emissor estrangeiro deste tipo de dívida e o segundo maior no total, apenas atrás do Bank of China, tendo captado 32,1 mil milhões de yuan este ano, cerca de 10 por cento do total.

A tendência é apoiada por políticas de Pequim para internacionalizar a moeda, incluindo o alargamento do programa Bond Connect, que permite a investidores da China continental comprar obrigações em Hong Kong. Estas medidas visam canalizar poupança doméstica para activos com maior rendimento, numa altura em que a rentabilidade para produtos de poupança na China permanece historicamente baixa – cerca de 1,75 por cento nas obrigações soberanas a 10 anos.

Economistas indicam que o yuan começa a assumir um papel semelhante ao que anteriormente era desempenhado pelo iene japonês como moeda de financiamento, numa altura em que os custos de endividamento no Japão aumentaram significativamente. “A moeda chinesa tornou-se uma importante fonte de financiamento por falta de melhores alternativas”, afirmou Alicia García-Herrero, economista-chefe para a Ásia-Pacífico do Natixis.

O crescimento destas emissões surge num contexto em que Pequim procura reforçar o papel internacional do yuan, apesar de manter controlos apertados sobre os fluxos de capital, incentivando emissores estrangeiros a recorrer à moeda chinesa e reduzindo a dependência do dólar norte-americano.

Quem Subia e Descia Montanhas Guiando Carros de Bois

Liu Xiang (77-6 a. C.), que foi astrónomo, historiador, bibliotecário e escritor entre outras competências, e viveu durante a dinastia Han do Oeste, recolheu no seu livro Shuoyuan, o «Jardim de histórias», uma antiga lenda que está relatada no livro V (Tang wen) do texto daoísta Liezi (séc. 4 a. C.) atribuído a Lie Yukou, que fala de um «velho louco que removeu montanhas», Yugong yishan.

Nele se conta que um homem que vivia frustrado por se encontrar a viver encafuado entre as duas montanhas, Taihang e Wangwu, na Província Yu, já nos seus noventa anos tomou a decisão de as separar. Para isso tomou uma enxada e um balde e começou pacientemente a remover a terra de uma das montanhas. A passantes que o viram executar a insana tarefa e lhe perguntaram se achava realmente que a iria conseguir terminar respondeu, com implacável discernimento que se não ele, os seus filhos, os netos e gerações seguintes a iriam certamente terminar; alguém porém tinha que tomar a decisão inicial.

Diz-se que os deuses, impressionados pela sua tenacidade e dedicação ao trabalho, ordenaram a separação das montanhas, como hoje se podem ver. De uma dessas montanhas, Taihang, na verdade uma cadeia montanhosa que se estende por mais de quatrocentos quilómetros pelas Províncias de Shanxi, Henan e Hebei, fala um poema de Liu Ji (Liu Bowen, 1311-1375) da dinastia Song, que confirma a vocação do lugar para suscitar o esforço humano:

«Carros de bois vão subindo e descendo as colinas, mil vezes por dia: nunca deixam as encostas da montanha Taihang. Os carros vão cheios até cima com sal da Província de Wu e grão da de Shu; como são fortes e saudáveis os bois. Mercadores valorizam os seus bens e lucros sem medo dos tigres: alimentam os bois e dormem noite após noite junto das carroças.»

Nessa dinastia Song (960-1279) tornava-se popular um género de pintura designado panche tu, «pinturas de carros de bois em viagem», que correspondiam ao elogio do esforço feito no abastecimento, sob precárias condições de terreno, de grão às guarnições ameaçadas pelos Jurchen nas fronteiras a Norte que haveriam de separar a dinastia em duas: Norte e Sul.

Zhu Rui, um pintor de Hebei com actividade conhecida entre 1119-1125, destacou-se nesse género, fazendo nas suas pinturas a agreste e inóspita paisagem de Inverno equivaler à dificuldade de bois e boieiros subindo e descendo montanhas alcantiladas. Na folha de álbum (tinta sobre seda,26,2 x 27,5 cm, no Museu de Xangai), Viajando por rios e montanhas, vê-se indómito esse engenho a vencer obstáculos. Quando a derrotada dinastia teve que se refugiar no Sul, todo esse zelo se tornaria numa melancólica lembrança mas as pinturas de Zhu Rui seriam preservadas. E a montanha Taihang, deslocada pela longanimidade do espírito do «velho louco», é testemunha de que afinal nada se perderá.

Turismo | Macau acolhe nova edição da feira PATA Travel Mart em 2027

Macau vai receber no próximo ano, entre os dias 20 e 22 de Setembro, mais uma edição da PATA Travel Mart, uma feira dedicada ao turismo que visa promover negócios e bolsas de contacto. A iniciativa nasce de uma parceria entre a Direcção dos Serviços de Turismo (DST) e Associação de Turismo da Ásia Pacífico (Pacific Asia Travel Association – PATA).

Segundo um comunicado oficial, esta edição da PATA “reunirá responsáveis pelo turismo e profissionais do sector da região Ásia-Pacífico e de todo o mundo”, tendo Helena de Senna Fernandes, directora da DST, adiantado que já foi dado início “aos vários trabalhos preparatórios” para o evento.

“A realização da PATA Travel Mart voltará a evidenciar as vantagens únicas da cidade na ligação entre o Interior da China e o mundo, trazendo excelentes oportunidades para os operadores de diversas regiões”, foi acrescentado.

Esta será a terceira vez que a PATA Travel Mart se realiza no território, depois das edições de 2010 e 2017. Fundada em 1951, a PATA é uma associação de filiação sem fins lucrativos dedicada à promoção do desenvolvimento sustentável da indústria de turismo e viagens na Ásia-Pacífico. Macau é membro da PATA desde 1958.

Restauração | Alerta para perigo de comida contrabandeada

Uma conselheira dos serviços comunitários e uma representante dos Moradores apelaram à atenção para condições de salubridade de refeições compradas. O alerta foi dado depois de um residente ter sido apanhado a tentar entrar em Macau com mais de 60 refeições de origem desconhecida

A apreensão de mais 50 quilos de comida cozinhada no Posto Fronteiriço Hengqin, na semana passada, voltou a levantar dúvidas sobre a segurança alimentar na região. Os alimentos frescos, géneros vivos ou alimentos de origem animal importados para Macau são obrigatoriamente sujeitos a inspecção sanitária e a vir acompanhados por certificados sanitários do país de origem. No caso revelado pelos Serviços de Alfândega, as autoridades encontraram 61 embalagens com refeições cozinhadas escondidas numa viatura.

A conselheira dos Serviços Comunitários da Zona Norte Lam Hoi Leng considera que a crescente popularidade das refeições baratas vendidas para fora merece a atenção das autoridades ao nível da segurança alimentar, mas também dos consumidores que devem procurar saber a origem dos alimentos. Em declarações ao jornal Ou Mun, a conselheira lembrou que estas refeições de baixo custo podem representar um risco tendo em conta a falta de controlo sobre o tempo que os alimentos foram cozinhados (elevando o risco, por exemplo, de salmonela), se foram acondicionados em locais refrigerados, se os ingredientes foram manuseados cumprindo normas higiénicas e há quanto tempo foram confeccionadas as refeições.

O alerta da conselheira prende-se com o perigo de contaminação de alimentos e intoxicação alimentar. Face a este panorama, Lam Hoi Leng sugeriu que os consumidores optem por restaurantes com boa reputação e que respeitem regras de salubridade e higiene, e que as autoridades reforcem a supervisão transfronteiriça de alimentos e as inspecções a restaurantes.

Conhecer os ingredientes

Também a directora da Associação de Confraternização dos Moradores do Bairro do Antigo Hipódromo Areia Preta e Iao Hon de Macau, Cheang I Ha, alertou para o perigo de comprar refeições de origem desconhecida e acrescentou que más condições de transporte dos alimentos podem resultar em riscos de saúde. Em declarações ao Ou Mun, a responsável indicou que os residentes devem alertar familiares e amigos que atravessem frequentemente a fronteira entre Macau e Zhuhai para não fazerem contrabando de carne e ovos.

O caso de contrabando que deu origem à celeuma aconteceu na quarta-feira da semana passada, segundo um comunicado dos Serviços de Alfândega divulgado no sábado. Um residente de 35 anos tentou entrar em Macau com mais de 50 quilos de comida confeccionada escondida no porta-bagagens de uma viatura de passageiros, sem refrigeração.

Lojas | Deputado quer Governo a gerir sistema de senhas

O deputado Ngan Iek Hang defende que o Governo deve actuar junto das lojas mais populares em Macau, para gerir melhor os recursos destas, e distribuir o fluxo de visitantes. O assunto foi abordado através de uma interpelação escrita, com o legislador ligado aos Moradores a defender que o Executivo deve dar assistência à gestão dos negócios mais populares.

Segundo o deputado, a “generalização da internet e das plataformas sociais” leva a que muitos turistas consultem informações online antes de se deslocarem a Macau, traçando previamente pontos de passagem. Para o deputado, esta realidade, tida como positiva, faz com que seja “cada vez mais evidente o papel orientador das promoções na internet para o consumo turístico”.

Contudo, Ngan Iek Hang vem agora defender que estes negócios estão a enfrentar “uma certa pressão de funcionamento devido ao elevado fluxo de clientes”, pela sua popularidade online.

Por este motivo, o legislador quer assim saber se o Executivo vai “lançar medidas complementares específicas para ajudar as lojas a optimizarem os sistemas de marcação online, levantamento de senha e triagem do fluxo de clientes”, para “a elevar a eficiência operacional” e melhorar “a experiência dos visitantes”.

Em relação ás grandes filas em alguns restaurantes, que se acentua nos fins-de-semana, Ngan Iek Hang quer saber se o Executivo vai fazer uma maior promoção online, de forma a divulgar igualmente outros espaços próximos dos mais populares, para que os turistas deixem de se concentrar tanto em alguns pontos da cidade.

Feriados | Turistas em Maio podem ultrapassar 2019

Macau vai voltar a encher-se de turistas nos feriados nacionais do 1º de Maio. O ex-deputado Cheung Kin Chung, que dirige uma associação de agência de viagens, estima que o volume de turistas ultrapasse o registo de 2019, quando já escasseiam quartos de hotel para os primeiros três dias de feriados. As suites mais caras custam mais de 10 mil patacas por noite

Após a azáfama da semana dourada do Ano Novo Lunar, Macau prepara-se para mais uma época de feriados nacionais, sinónimo de um elevado fluxo de turistas que escolhem o território como destino turístico. Nos primeiros três dias de feriados (que se estendem entre 1 e 5 de Maio), a maior parte dos resorts integrados já não tem quartos disponíveis. Com a oferta a ficar apertada, é expectável encontrar no mercado local quartos a mais de 10 mil patacas nas noites de maior afluência.

Fontes citadas pelo jornal Ming Pao estimaram que o acesso facilitado ao crédito no Interior da China pode levar a subidas anuais das receitas do jogo entre 7 a 8 por cento.

Face ao mesmo período do ano passado, quando nesta altura as reservas esgotavam a ocupação hoteleira nos cinco dias de feriados, ontem, a maioria dos hotéis já não tinha quartos para os dias entre 1 e 3 de Maio, à excepção de unidades na península que ainda aceitavam reservas.

A análise do Ming Pao ao mercado hoteleiro revela ainda algumas descidas de preços. Por exemplo, o Hotel St. Regis tinha ontem quartos a 5.209 dólares de Hong Kong, menos 5,1 por cento face ao mesmo período de 2025, ou menos quase 280 dólares de Hong Kong. No Sofitel Macau Ponte 16, o preço de um quarto superior pode valer 1.664 dólares de Hong Kong, menos 15,2 por cento face ao ano transacto.

Matemática aplicada

Como é habitual em vésperas de semanas douradas, as perspectivas de entradas de turistas são optimistas, com estimativas a apontar para um fluxo diário entre 160 e 170 mil visitantes.

Em declarações ao canal chinês da Rádio Macau, o ex-deputado Cheung Kin Chung, que dirige a Associação das Agências de Turismo de Macau, afirmou o número de entradas diárias irá aumentar significativamente, sendo expectável que a semana dourada de Maio deste ano atinja, ou ultrapasse, o registo de 2019, antes da pandemia da covid-19 paralisar a indústria do turismo. O responsável acrescentou que o mercado turístico local apresenta hoje em dia uma estrutura diversificada com tours que incluem passagens por Hengqin, ou paragens múltiplas por cidades da Grande Baía, pacotes que Cheung Kin Chung considera estarem a tornar-se cada vez mais populares.

Recorde-se que no ano passado mais de 830 mil turistas visitaram Macau durante a semana dourada de Maio. Em 2019, na semana dourada de Maio, Macau foi visitado por cerca de 849 mil turistas.

Justiça | Quase 20 juízes portugueses querem vir para Macau

Quase 20 magistrados de Portugal mostraram interesse em vir trabalhar para Macau, no âmbito do concurso de recrutamento de dois juízes para exercerem funções nos tribunais de primeira instância de Macau na área cível. A informação foi divulgada pelo Canal Macau, no domingo.

Segundo a informação da emissora, houve um total de 18 candidatos. No entanto, uma pessoa foi logo excluída por ser magistrada na área administrativa e fiscal em Portugal, e não estar a exercer nos tribunais judiciais, um dos requisitos do concurso. A maioria dos interessados em exercer em Macau são magistradas, mais de 10, enquanto os magistrados do sexo masculino são seis.

Após a entrega das candidaturas, decorre uma fase de pré-selecção a cargo da Comissão Independente Responsável pela Indigitação de Juízes da RAEM. Esta comissão vai escolher os candidatos que considerar mais adequados, para depois realizar as entrevistas de escolha. Não foram revelados os números de candidatos que vão ser entrevistados. Finda a entrevista, a comissão elege os magistrados escolhidos para virem trabalhar para Macau.

As candidaturas para este concurso foram aceites até 31 de Março, e segundo o documento elaborado pela Comissão Independente Responsável pela Indigitação de Juízes da RAEM, foi exigida aos candidatos uma antiguidade superior a sete anos e inferior a 15 anos, sendo a nomeação válida por dois anos, podendo ser renovável.

Língua portuguesa | Posição oficial contrasta com “erosão silenciosa”

Apesar do discurso oficial sobre a promoção do português, os advogados em Macau queixam-se de que é cada vez mais difícil utilizar a língua de Camões.

Advogados defenderam à Lusa que a posição oficial do Governo de Macau sobre a língua portuguesa contrasta com a “erosão silenciosa” do idioma oficial na região. O Chefe do Executivo de Macau, Sam Hou Fai, realizou uma visita oficial a Portugal de 18 a 21 de Abril, marcada por encontros institucionais e declarações diplomáticas de reforço da cooperação entre Portugal e a China, e em que destacou que “a língua [portuguesa] não é questão que mereça preocupação”, quer ao nível do ensino, quer no uso pelos tribunais.

No entanto, de acordo com a advogada Sofia Linhares, a trabalhar no território, “o sorriso diplomático contrasta com a realidade administrativa”, marcada pela “erosão silenciosa do português” como língua oficial na região. Linhares recorda que a Lei Básica de Macau estabelece que “o português é igualmente uma língua oficial”, e que decretos lei consagram que “o chinês e o português têm igual dignidade”.

No entanto, a advogada alertou existir “resistência de funcionários e magistrados ao uso do português em funções oficiais” e uma diminuição da proficiência entre os quadros da administração pública.

Problema conhecido

Uma delegação parlamentar portuguesa, que visitou Macau em Dezembro de 2025, identificou num relatório a resistência de funcionários públicos e de alguns magistrados locais à utilização da língua portuguesa no exercício das suas funções, bem como a necessidade de responder ao aumento da procura por cursos de português, num contexto em que existe o risco de contratação directa de docentes por parte da China.

Para a advogada, a contradição é evidente: de um lado, Portugal e China celebram a “dinâmica cooperação” e do outro, “muitos cidadãos – e até funcionários públicos – não conseguem recorrer ao português em procedimentos administrativos rotineiros”. “Documentos são predominantemente em chinês, tribunais enfrentam atrasos por falta de quadros bilingues e serviços públicos redireccionam falantes de português para cantonês ou inglês”, alertou.

Apesar disso, Linhares reconheceu existir uma “resistência tenaz em Macau” por parte de “uma pequena comunidade de juristas, tradutores e funcionários públicos” que continua a usar o português diariamente nos órgãos administrativos, funcionando como “guardiões da linha temporal até 2049”.

De acordo com a Declaração Conjunta, assinada por Pequim e Lisboa e que levou à transição de administração de Macau em 1999, a cidade deveria manter os direitos, liberdades e garantias durante um período de 50 anos. Mas, sem reforço sistémico de Lisboa e Pequim, “a extinção prática do português administrativo ocorrerá muito antes” dessa meta temporal.

Processo em curso

O advogado Sérgio Almeida Correia partilha a mesma preocupação, considerando que “a situação da língua portuguesa nos tribunais e na administração pública tem sofrido uma involução nos últimos anos”. “Estamos pior do que há cinco ou dez anos,” alertou à Lusa.

De acordo com Correia, embora haja mais pessoas a aprender o idioma, “são cada vez menos os que falam português nos tribunais”. O jurista disse que “mais grave são os despachos, promoções, sentenças e acórdãos em chinês na primeira instância, embora haja alguns juízes sensíveis ao problema”.

A situação nos serviços do Ministério Público “é dramática”, diz Correia, descrevendo que “ultimamente, não há um despacho, uma notificação que seja, que chegue em língua portuguesa”. “Ao menos podiam recorrer às ferramentas de tradução que usam a inteligência artificial, que actualmente estão cada vez mais perfeitas, dizendo-o no despacho ou notificação. Já seria uma ajuda”, notou.

O advogado critica a falta de tradutores qualificados e considera incompreensível que “uma região com orçamentos superavitários, que factura só no jogo mais de 20 mil milhões de patacas todos os meses”, não consiga contratar “gente qualificada e bem paga” para fazer traduções nos tribunais ou na Polícia Judiciária.

Nos tribunais, acrescenta, “os tradutores estão sobrecarregados e a tradução durante diligências é muitas vezes incompleta, deixando advogados e arguidos em desvantagem”.

“O Código de Procedimento Administrativo e a Lei Básica garantem que os residentes podem apresentar requerimentos e receber resposta numa das línguas oficiais. Nos tribunais isto é muitas vezes ignorado” descreveu. Para o profissional de advocacia, isto contraria a Declaração Conjunta e a Lei Básica, e é “mau para Macau e é mau para a China”. “Dá uma péssima imagem da justiça que aqui se faz”, concluiu.

Apoios públicos | Fundo de apoio à ciência distribuiu 578 milhões

O Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia atribuiu no primeiro trimestre deste ano 34,6 milhões de patacas ao Centro Internacional de Tecnologia e Indústria de Macau. A Universidade de Macau e a Universidade Cidade de Macau foram as instituições mais apoiadas

No primeiro trimestre de 2026, o Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia (FDCT) atribuiu 577,7 milhões de patacas em apoios. O maior subsídio individual atingiu 34,6 milhões de patacas e destinou-se à associação Instituto de Tecnologia e Indústria de Macau (MIIT, na sigla em inglês), para o Centro Internacional de Tecnologia e Indústria de Macau.

Os dados foram revelados no portal da Direcção dos Serviços da Supervisão e da Gestão dos Activos Públicos (DSSGAP), e deixam antever mais subsídios para este projecto, uma vez que os 34,6 milhões de patacas têm a indicação de serem a primeira prestação.

Em Fevereiro deste ano, no tradicional discurso de Ano Novo Lunar, o ex-secretário para a Economia e Finanças, Tai Kin Ip, revelou que o centro de investigação do MIIT ia iniciar as operações no segundo trimestre deste ano. O centro tem uma área de cerca de 2 mil metros quadrados e está instalado na NAPE, no anterior Centro de Incubação de Negócios para os Jovens de Macau.

Nessa ocasião, o então responsável pela pasta da economia e finanças revelou também que já tinha sido constituída uma equipa especializada em investimento e operações de centros tecnológicos, que fez várias viagens ao Interior para perceber como funcionam centros semelhantes e preparar o início da actividade.

UM recebeu 249 milhões

Em termos dos principais apoios, a entidade mais subsidiada no primeiro trimestre do ano foi a Universidade de Macau, com 225 projectos financiados, num total de 249,1 milhões de patacas.

Os maiores apoios recebidos pela principal universidade pública da região atingiram 15 milhões de patacas, um montante que se repetiu três vezes e que visou subsidiar os Laboratórios do Estado em Macau, que se dedicam à investigação para o desenvolvimento de uma cidade inteligente, integração de circuitos analógicos e digitais e ainda no campo da medicina tradicional chinesa.

Por sua vez, a Universidade Cidade de Macau recebeu 230,5 milhões de patacas em apoios, além de dois outros apoios de 15 milhões de patacas, devido ao facto de explorar dois laboratórios do Estado. Ainda em termos do apoio à investigação, a Universidade Politécnica de Macau recebeu 14,6 milhões de patacas em apoios, a Universidade Cidade de Macau um total de 11,5 milhões de patacas e a Universidade de São José 2,6 milhões de patacas.

Leong Hong Sai quer celebrar combatentes locais da guerra contra o Vietname

O deputado Leong Hong Sai quer que o Executivo construa um museu para celebrar os residentes de Macau que participaram na Guerra contra o Japão, na Guerra Civil da Coreia e na Guerra contra o Vietname. O assunto foi abordado através de uma interpelação escrita, com o deputado a considerar que estes residentes merecem ser homenageados pelos “feitos heroicos”.

“Para homenagear os seus feitos heróicos, as autoridades devem criar uma exposição permanente temática, nomeadamente, no Museu de Macau, na Biblioteca Central de Macau ou na Base da Educação do Amor pela Pátria, destinada a exibir artefactos, crachás, fotografias e histórias destes veteranos, bem como a possibilidade de gravar nos principais parques públicos monumentos comemorativos os nomes dos bravos veteranos de Macau que participaram nestes conflitos. Vão fazê-lo?”, perguntou o legislador.

O deputado considerou ainda que o conflito entre o Vietname e a China, que durou cerca de três semanas em 1979, foi uma “guerra de autodefesa contra a agressão do Vietname”. Por isso, Leong Hong Sai quer que o Governo faça documentários patrióticos sobre estes soldados, para serem exibidos no dia 1 de Agosto, quando se assinala a fundação do Exército de Libertação Popular, principalmente entre os jovens.

Novos roteiros

Além disso, o legislador perguntou se as autoridades vão criar um roteiro de turismo vermelho na RAEM. “As autoridades devem criar um roteiro para as visitas culturais vermelhas, por forma a implementar o tema de Amor pela Pátria em Macau, e incluir as histórias da participação da população de Macau na guerra de resistência contra a agressão japonesa, na guerra de resistência à agressão dos EUA para ajudar a Coreia e na guerra de autodefesa contra a agressão do Vietname no ensino primário e secundário, transmitindo a história através da aprendizagem”, vincou.

Apesar de durante estes acontecimentos Macau fazer parte dos territórios ultramarinos portugueses, Leong Hong Sai defendeu que “Macau sempre partilhou o mesmo destino do país, respirando em uníssono e partilhando o mesmo destino com a Pátria”.

Turismo | Governo e operadoras criam percursos de autocarro

Entrou oficialmente em funcionamento o plano “Autocarro de Turismo e Lazer – Explorar o Encanto dos Bairros”, criado pelo Governo e as operadoras de jogo para levar turistas a bairros como a Areia Preta, Patane ou San Kio. Há três percursos temáticos: “Máquina do tempo para a gastronomia”, “Passeio divertido de fim-de-semana” e “Passeio Relaxante de Feriados”

Numa tentativa de dinamizar o turismo em zonas menos visitadas, o Governo lançou um novo programa de percursos turísticos de autocarro em parceria com as seis operadoras de jogo. O plano “Autocarro de Turismo e Lazer – Explorar o Encanto dos Bairros” arrancou oficialmente no sábado com três percursos temáticos: “Máquina do tempo para gastronomia”, “Passeio Relaxante de Feriados” e “Passeio divertido de fim-de-semana”, que percorrem a Zona Norte, a zona de San Kio, o Mercado do Patane e o Mercado Nocturno do Pagode do Bazar, a Barra e o espaço Anim’arte Nam Van, junto ao Lago Nam Van.

O plano, desenvolvido por entidades públicas como a Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT), Direcção dos Serviços de Turismo e Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos visa “promover o desenvolvimento económico comunitário” e “dinamizar o fluxo de clientes para as pequenas e médias empresas (PME)”. A ideia é ainda proporcionar aos turistas “experiências de gastronomia comunitária e de pontos turísticos de lazer”, destaca-se num comunicado do Governo.

Os pontos de largada de passageiros estão distribuídos por nove locais no norte da Península, San Kio, Patane e ZAPE. “Tendo em conta as condições rodoviárias das diferentes comunidades”, os autocarros deste plano que passa pela Rotunda de Carlos da Maia e Largo do Pagode do Bazar será um miniautocarro. Durante o período experimental, cada linha terá uma partida por hora.

Mais concretamente, o “Passeio relaxante de feriados” funciona entre a próxima quinta-feira e o dia 5 de Maio, abrangendo os feriados do Dia do Trabalhador, “em articulação com as actividades comunitárias durante os feriados”, circulando entre a ZAPE e Rua dos Ervanários. Por sua vez, o percurso “Máquina do tempo para gastronomia” estará disponível em todos os fins-de-semana até ao dia 26 de Julho, “ligando as comidas características de diferentes comunidades, atraindo os visitantes a experimentar a cultura gastronómica local”. Este autocarro passa pelo norte da península, San Kio, Mercado do Patane e Mercado Nocturno do Pagode do Bazar.

O terceiro percurso criado, o “Passeio divertido de fim-de-semana” também estará disponível em todos os fins-de-semana até 26 de Julho, “tendo como tema a exploração de pontos de lazer comunitários e experiências divertidas”, é explicado na mesma nota. O percurso passa pela Barra e pelo Anim’arte Nam Van.

No que diz respeito à gestão do trânsito e do fluxo de pessoas, o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) diz ter mobilizado “agentes policiais para manter a ordem normal do trânsito nas diversas zonas da cidade”. Além disso, as autoridades avaliaram o “horário de funcionamento, troços de circulação, pontos de paragem para largada de passageiros e da frequência das carreiras do plano experimental”. Desta forma, e após feita esta avaliação, “prevê-se que o fluxo geral do trânsito seja semelhante à situação actual na cidade”.

Empresas apoiam

A Sands China foi uma das operadoras que reagiu a este plano, referindo que “está a aproveitar os ricos recursos culturais e turísticos de Macau para apoiar a iniciativa, em sintonia com os esforços do Governo para promover o crescimento económico comunitário e ajudar as PME nas áreas comunitárias locais a atrair clientes”.

Wilfred Wong, vice-presidente executivo da Sands China, disse mesmo que a empresa está “muito empenhada em apoiar as directrizes do Governo da RAEM relativas à diversificação económica moderada, através de um vasto leque de iniciativas destinadas a revitalizar a economia local”.

Entretanto, a DSEDT criou um website para este programa, com “conteúdos como horários, pontos de paragens, mapas comunitários e pontos turísticos” que podem ser visitados. Não falta uma lista com 300 lojas tradicionais de Macau pelas quais os visitantes podem passar.

Os autocarros operados pela Sociedade de Jogos de Macau (SJM) partem do Grand Lisboa Palace, no Cotai, seguindo um percurso que passa pelo hotel Grand Lisboa, Jai Alai Oceanus, posto fronteiriço, sendo que “as paragens na Rua dos Ervanários e Templo de Hong Kung ficam apenas a cinco minutos a pé” do antigo Centro Comunitário Kam Pek, que a operadora, num comunicado, descreve como um “marco culinário e cultural emblemático”. Isto no contexto do Plano de Revitalização do Distrito San Ma Lo”, levado a cabo pela SJM.

O edifício do antigo Kam Pek foi “cuidadosamente revitalizado para preservar a memória colectiva do distrito de San Ma Lo”, “oferecendo uma diversificada selecção de gastronomia oriental e ocidental”. O actual Mercado Kam Pek “constitui também uma porta de entrada significativa para a história e o património cultural no coração de Macau”, descreve a SJM.

Na visão da empresa, este novo plano de percursos de autocarro, “ao direccionar os visitantes para bairros locais vibrantes”, permite “criar oportunidades para vivenciar o quotidiano dos residentes”, além de “promover um desenvolvimento sinérgico entre os bairros circundantes”. Desta forma, dá-se apoio às PME para que “expandam o alcance de clientes”.

Descreve a SJM que, “com base na rede existente de autocarros de transporte dos operadores de resorts integrados, o programa introduz paragens adicionais dentro das comunidades locais, orientando os visitantes para experiências gastronómicas autênticas, lojas especializadas e uma vasta oferta de cultura e património local”. Estão abrangidos “mais de 1.000 estabelecimentos”.

“Olhar as artérias”

Do lado da Galaxy, a empresa considera que Macau “olha [com este plano] para as suas artérias mais conhecidas”, ajudando desta forma “a explorar de forma mais profunda a cidade, a expandir as rotas de autocarro e a introduzir novas paragens, incentivando a imersão nas diversas culturas comunitárias de Macau”.

Esta operadora diz ter expandido a sua rede de autocarros “em duas fases” a fim de promover “o desvio do fluxo de visitantes dos circuitos habituais para bairros do quotidiano, onde a vida comunitária, a cultura local e os pequenos negócios definem o ritmo da cidade”, tendo sido adicionadas também novas paragens.

“Este programa reflecte o compromisso a longo prazo da Galaxy no apoio às políticas do Governo da RAEM, reforçando a atractividade de Macau como Centro Mundial de Turismo e Lazer”, numa interligação ao nível do “Turismo +”, uma das políticas governamentais em curso.

No percurso operado pela MGM, a partida faz-se no MGM Cotai, sendo que a empresa “pretende facilitar a mobilidade dos visitantes na cidade, ao mesmo tempo que os incentiva a descobrir os bairros históricos de Macau e a experienciar de perto a cultura local única da cidade”.

Neste percurso incluem-se “mais de 30 comerciantes” como o “Artsy Cake Studio”, “Baba’s Kitchen” ou “Barra Cafe”, numa rede de estabelecimentos que a MGM pretende expandir e enriquecer com ofertas para os turistas.

Com o pé direito

No sábado, as autoridades realizaram acções de fiscalização para garantir que tudo corria bem no primeiro dia do funcionamento destes autocarros. As operadoras de jogo colocaram painéis informativos nas paragens, e a Direcção dos Serviços de Turismo destacou funcionários para informar os visitantes.

O Governo diz ter “discutido com representantes das empresas de lazer assuntos sobre a frequência das partidas de autocarros shuttle, os mecanismos de organização e planos de emergência”, “exigindo claramente a colaboração das empresas de lazer” na promoção deste programa. Verificou-se que não foi feita publicidade ao jogo nestes percursos.

No primeiro dia, “foram analisadas as condições das vias comunitárias e avaliada a capacidade de tráfego em diversos troços, tendo o processo decorrido com sucesso, sem impacto significativo na pressão geral do tráfego rodoviário dos bairros”.

O Governo promete agora manter “uma estreita comunicação com as empresas de lazer, promovendo de forma ordenada a implementação” deste programa que funciona ainda como “projecto-piloto”. As autoridades pretendem também “recolher as opiniões de todos os sectores da sociedade, avaliando de modo abrangente a eficácia com base na operação prática” do plano.

Japão | Centenas de bombeiros combatem incêndios florestais

Centenas de bombeiros participaram sábado no combate a incêndios florestais no norte do Japão, onde as autoridades pediram a mais de 3.200 pessoas para abandonarem as casas, anunciaram fontes governamentais.

Os fogos nas zonas montanhosas da região de Iwate destruíram já cerca de 700 hectares de floresta desde que começaram há três dias, disseram as autoridades locais num comunicado citado pela agência de notícias France-Presse (AFP). Uma imponente coluna de fumo, cujo cheiro era perceptível num raio de 30 quilómetros, elevava-se no vale próximo da cidade de Otsuchi, na região de Iwate.

Enquanto dois helicópteros largavam água sobre a floresta em chamas, vários carros de bombeiros tentavam proteger habitações próximas do fogo, segundo a AFP. As autoridades disseram que pelo menos oito edifícios arderam, mas que todos os residentes conseguiram sair a tempo.

Uma dezena de helicópteros e 1.300 bombeiros, bem como as forças de autodefesa do Japão, foram mobilizados hoje para combater os incêndios. “Estamos a envidar todos os esforços para extinguir” os fogos, afirmou um responsável da autarquia de Iwate à AFP. “No final de contas, espero realmente que chova”, declarou um habitante de Otsuchi à estação pública NHK. Invernos cada vez mais secos aumentaram o risco de incêndios florestais no Japão.

Macau ajuda empresas chinesas a assinarem 109 acordos em Portugal e Espanha

O Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento (IPIM) de Macau disse que a delegação empresarial que acompanhou a visita do líder do Governo local assinou 109 acordos de cooperação em Portugal e Espanha.

Num comunicado divulgado no sábado à noite, o IPIM disse que os protocolos foram o resultado de mais de 220 sessões de bolsas de contactos com empresas dos dois países europeus. Em 16 de Abril, o instituto referiu que tinha convidado cerca de 240 representantes governamentais e empresariais de Portugal e Espanha a participar em duas sessões de promoção da cooperação económica e comercial.

A comitiva, que reuniu cerca de 120 representantes dos sectores governamental e empresarial de Macau, Hengqin e de outros locais da China, esteve em Lisboa e Madrid entre 19 e 24 de Abril. A delegação organizada pelo IPIM visitou 16 entidades em Portugal e Espanha, incluindo departamentos económicos e comerciais, bem como projectos ligados às áreas da tecnologia e saúde integrada.

O comunicado sublinha que as empresas portuguesas e espanholas demonstraram interesse em apostar não só em Macau, mas também na vizinha zona económica especial de Hengin (ilha da Montanha). As duas áreas podem, em conjunto “criar uma ponte eficiente e conveniente no sentido de apoiar as empresas portuguesas e espanholas na expansão para o mercado chinês”, defendeu o IPIM.

Périplo de sucesso

Sam Hou Fai, o primeiro chefe do executivo da região semiautónoma chinesa a dominar a língua portuguesa, iniciou em Lisboa uma deslocação que passou ainda por Madrid, Genebra e Bruxelas. Em Portugal, Sam Hou Fai encontrou-se com o Presidente da República, António José Seguro, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, o presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, e o presidente do Supremo Tribunal de Justiça, João Cura Mariano.

De acordo com um comunicado divulgado ontem pelo Governo da região chinesa, Sam Hou Fai manifestou em Bruxelas o desejo de relançar as reuniões da Comissão Mista da União Europeia e Macau. O Chefe do Executivo disse que “espera, no futuro, pode retomar” a comissão, cuja 24.ª reunião estava inicialmente agendada para 2020, mas foi adiada devido ao início da pandemia de covid-19.

Sam Hou Fai sublinhou que Macau assinou, em 1992 – antes da transição de administração do território de Portugal para a China – um acordo de cooperação com a então Comunidade Económica Europeia, a antecessora da União Europeia (UE). Num encontro com o vice-presidente do Parlamento Europeu, Younous Omarjee, o líder do Governo de Macau disse contar com o apoio da instituição para reiniciar o mecanismo da Comissão Mista.

Na sexta-feira, Sam Hou Fai já tinha manifestado esperança de que a UE apoie a difusão e promoção de língua portuguesa em Macau, ajudando a região a formar mais quadros profissionais de tradução.

Pacote laboral da discórdia

O Governo de Montenegro é assim: eu quero, posso e mando que o país tenha uma nova Lei Laboral em detrimento de quem trabalha. Todos os partidos com assento na Assembleia da República, excepto o PSD e CDS, são contra as novas regras laborais que o Governo pretende implementar. Até o secretariado nacional da UGT votou por unanimidade a recusar o novo pacote laboral. E recorde-se que, a UGT tem duas tendências políticas.

Uma social-democrata e outra socialista. E a tendência social-democrata votou contra as pretensões do Governo. Há nove meses que o Governo mantém reuniões com os parceiros sociais para chegar a um acordo. Não há acordo, nem nunca devia haver, apesar de o Presidente da República, estranhamente, o desejar. António José Seguro só tinha que vetar uma legislação que pretende prejudicar os trabalhadores quando estes, nos tempos que correm, apenas deviam ser beneficiados. O anteprojecto de reforma da legislação laboral aprovado pelo Governo, prevê a revisão de mais de uma centena de artigos do Código do Trabalho, adorado pelos patrões e contestado pelas centrais sindicais.

As alterações emanadas do Governo visam essencialmente as licenças parentais, amamentação e luto gestacional, trabalho flexível, período experimental dos contratos de trabalho prevendo ainda um alargamento dos sectores que passam a estar abrangidos por serviços mínimos em caso de greve.

O risível disto tudo é que a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social teve o desplante de afirmar que a nova lei “visa aumentar a competitividade da economia e promover a produtividade das empresas”. Se é assim, como é que a maioria do país discorda de tal desiderato?

Para que possam ficar esclarecidos, podemos salientar que a mudança na Lei Laboral que o Governo entende é enorme e os trabalhadores já realizaram uma greve geral contra: a licença parental poder chegar a seis meses com partilha entre progenitores; Governo quer pais a gozar 14 dias de licença seguidos após o nascimento do filho; Mudanças no subsídio parental; Alterações nas regras relativas à amamentação; Governo quer eliminar falta por luto gestacional; Trabalho flexível e direito de recusa a trabalhar ao fim-de-semana; Auto declaração de doença fraudulentas pode dar direito a despedimento; Governo alarga serviços mínimos a mais sectores; Mexidas nos contratos de trabalho a termo certo e incerto; Mudanças noutros regimes de contratos de trabalho; Banco de horas individual regressa; Horas de formação obrigatórias nas microempresas caem para metade; Fim das restrições ao ‘outsourcing’ após despedimentos; Quotas de emprego para pessoas com deficiência; Trabalhadores independentes; Plataformas digitais; Teletrabalho; Compra de dias de férias; Subsídios de férias e Natal podem ser pagos em duodécimos e fim do período experimental de 180 dias no primeiro emprego.

Obviamente que em face da tendência mega conservadora a classe trabalhadora não podia estar de acordo. A falta de consenso entre as partes em negociação é uma realidade. A discórdia é de tal forma, que a surpresa maior foi para a recusa peremptória da UGT, cuja central sindical tem alinhado com governos de direita.

No centro do desacordo estão 10 pontos críticos identificados pela UGT, os quais se traduzem na manutenção do aumento da duração dos contratos a termo e o alargamento dos fundamentos à sua celebração, beneficiando grandes empresas e tornando mais vulneráveis idosos, jovens e desempregados; A manutenção da reintrodução do banco de horas individual dando poder ao empregador para desregular horários com redução de custos e sem compensações efectivas; A manutenção da possibilidade de mudança de categoria com perda de retribuição por deferimento tácito da Autoridade para as Condições do Trabalho; A manutenção da não aplicação das convenções colectivas aos trabalhadores em ‘outsourcing’, tornando mais barato o trabalho e fomentando a substituição/despedimento dos trabalhadores; A manutenção da eliminação de exigências de fundamentação de denúncias da convenção com a vontade injustificada e infundada do empregador a poder imperar; A manutenção da eliminação da arbitragem de apreciação da denúncia e arbitragem necessária após sobrevivência, dando poder ao empregador para fazer cair convenções pelo mero decurso do tempo e sem negociar; A manutenção da possibilidade (pior, aliás, que na versão inicial do anteprojecto) de extensão de uma convenção colectiva ao nível da empresa por mera vontade do empregador, desvalorizando a vontade dos trabalhadores e de quem os representa; A manutenção da generalização dos serviços mínimos da greve, deixando milhares de trabalhadores fora deste direito fundamental e a manutenção das restrições à actividade sindical nas empresas sem trabalhadores filiados, negando a relevância do papel dos sindicatos na defesa dos trabalhadores.

Estamos perante uma discórdia absoluta porque se trata de um reverso inadmissível nos direitos dos trabalhadores adquiridos com o 25 de Abril comemorado no sábado passado. Estamos perante mais um reverso na política que tem vindo a ser implementada pelo governo AD com o apoio do Chega, reverso que tem vindo a preocupar todos os democratas progressistas.

Tailândia pede ajuda à China face a escassez de fertilizantes

A Tailândia pediu sexta-feira ajuda à China para garantir o fornecimento de fertilizantes aos agricultores, perante problemas de escassez causados pela guerra no Médio Oriente, anunciou o primeiro-ministro tailandês, Anutin Charnkirakul.

O pedido foi feito durante uma reunião em Banguecoque com o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, disse o próprio chefe do Governo da Tailândia aos jornalistas, segundo a agência de notícias espanhola EFE. Anutin qualificou a interrupção no fornecimento de fertilizantes em consequência da guerra no Irão como um dos principais problemas da Tailândia.

“Gostaríamos que a China considerasse o fornecimento de fertilizantes, se dispuser de quantidades suficientes, para ajudar os agricultores tailandeses”, disse o político conservador. Anutin também pediu a Pequim que incluísse a Tailândia nas negociações sobre rotas marítimas e transporte de energia a partir do Médio Oriente.

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura colocou na quinta-feira a Tailândia entre os países com maiores riscos para a segurança alimentar devido à dependência do golfo Pérsico para a exploração dos solos, especialmente o arroz. Sobre o aspecto energético, Anutin assegurou que nas “actuais condições de relativa estabilidade”, numa alusão à trégua e negociações entre Israel, os Estados Unidos e o Irão, não haverá escassez de petróleo nem interrupções no fornecimento. “No entanto, não diria que a situação seja totalmente segura, já que desconhecemos quanto tempo durará a guerra”, afirmou.

Abertura total

Anutin reafirmou que a Tailândia está aberta a mais investimentos chineses em indústrias como robótica, sensores, veículos eléctricos e inteligência artificial, setores nos quais já circula capital do gigante asiático. O ministro chinês, que visitou anteriormente o Camboja e irá a Myanmar no fim de semana, abordou com Anutin as relações entre Banguecoque e Phnom Penh.

Wang ofereceu-se como mediador para que os países avancem na normalização das relações, após os confrontos na fronteira que provocaram dezenas de mortos em Dezembro de 2025. A China tem intensificado nos últimos anos a presença na região do Sudeste Asiático, com um maior peso em investimentos, comércio e cooperação em segurança, num cenário marcado por tensões estratégicas e competição com os Estados Unidos pela influência.

Rússia | Pequim ameaça UE com retaliação por incluir empresas chinesas em sanções

A China ameaçou a União Europeia (UE) de retaliação depois de Bruxelas incluir diversas empresas chinesas na vigésima ronda de sanções devido à invasão da Ucrânia pela Rússia.

“A China tomará as medidas necessárias para proteger resolutamente os direitos e interesses legítimos das empresas chinesas, e a UE arcará com todas as consequências”, disse um porta-voz do Ministério do Comércio chinês em comunicado publicado sábado à noite no site oficial da instituição.

O porta-voz falou do “forte descontentamento” de Pequim com a decisão e acusou Bruxelas de “ignorar as repetidas queixas e a oposição” do país: “Esta iniciativa da UE contraria o espírito de consenso alcançado pelos líderes da China e da UE e prejudica seriamente a confiança mútua e a relação bilateral”.

“A China exige que a UE remova imediatamente as empresas e os cidadãos chineses da lista de sanções (…) e que encontre soluções para suas respectivas preocupações através de diálogo e consultas”, acrescentou o porta-voz do Ministério do Comércio. Na passada semana, as autoridades da UE revelaram detalhes do mais recente pacote de sanções, que inclui 16 entidades de países terceiros que forneceram sistemas de armas ou bens de dupla utilização (civil e militar) à Rússia.

Bruxelas também visou 28 entidades localizadas na China, incluindo as de Hong Kong, Turquia, Emirados Árabes Unidos e Tailândia, acusando-as de “fornecer apoio directo ou indirecto ao complexo militar-industrial da Rússia” ou de “estarem envolvidas na evasão de sanções”.

IA | DeepSeek lança novo modelo de IA

A DeepSeek lançou um novo modelo de inteligência artificial (IA) para o agente de conversação da empresa chinesa, após ter surpreendido o sector em 2025 com desempenhos comparáveis aos de rivais norte-americanos. A indústria tecnológica global aguardava há semanas o anúncio, visto como um indicador das ambições da China no sector da IA.

No início de 2025, a ‘startup’ sediada em Hangzhou, no leste da China, lançou um agente conversacional que, segundo a empresa, rivalizava com sistemas como ChatGPT, Gemini ou Claude, mas a um custo inferior. “Hoje, a pré-versão da nossa nova série de modelos, DeepSeek-V4, está oficialmente disponível e publicada numa fonte aberta”, indicou a empresa, numa nota divulgada na rede social chinesa WeChat.

O novo modelo é apresentado em duas versões, DeepSeek-V4-Pro e DeepSeek-V4-Flash, sendo esta última descrita como menos potente, mas mais económica. “Em comparação com a geração anterior, as capacidades de agente do DeepSeek-V4-Pro foram significativamente reforçadas”, acrescentou a empresa.

Em Janeiro de 2025, o lançamento do agente R1 da DeepSeek, com capacidades avançadas de raciocínio, provocou fortes reacções nos mercados, contribuindo para uma queda das acções tecnológicas nos Estados Unidos. Na quinta-feira, a empresa norte-americana OpenAI anunciou um novo modelo de IA, apresentado como o mais avançado do mercado. O GPT-5.5 é a mais recente geração do modelo que sustenta o ChatGPT, uma interface de IA generativa utilizada por cerca de mil milhões de pessoas em todo o mundo.

Myanmar | Prometida mais cooperação em comércio e segurança

A China e Myanmar prometeram fortalecer os laços comerciais e de segurança, particularmente ao longo da fronteira comum, durante conversas que contaram com Min Aung Hlaing, o ex-líder da junta militar que se tornou presidente. O ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi, concluiu ontem uma viagem pelo Sudeste Asiático a Myanmar (antiga Birmânia), que também incluiu visitas ao Camboja e à Tailândia.

A viagem teve como objectivo fortalecer as relações com estes países diante dos riscos e apresentar Pequim como um parceiro confiável perante a imprevisibilidade do Presidente dos EUA, Donald Trump, e as suas tarifas. Pequim “apoiará firmemente” Myanmar nos seus esforços para salvaguardar a sua soberania e segurança nacionais, afirmou Wang durante uma reunião na capital, Naypyidaw.

“Como este ano marca o primeiro ano do mandato do novo governo em Myanmar, ambos os lados devem aproveitar esta oportunidade para perpetuar e promover sua amizade tradicional”, disse Wang. Min Aung Hlaing tomou posse como presidente no início de Abril, continuando a governar como civil após assumir o poder como chefe da junta militar em um golpe que desencadeou a actual guerra civil.

Após cinco anos de governo autoritário, a sua junta realizou eleições parlamentares em Dezembro e Janeiro, que foram apresentadas como um regresso à democracia.