Análise | Economias locais mais dinâmicas já não são Pequim e Xangai

As economias locais mais dinâmicas da China deixaram de ser metrópoles como Pequim e Xangai e passaram a ser cidades menos conhecidas, incluindo Hangzhou e Hefei, segundo um novo relatório da Economist Intelligence Unit. Shenzhen ficou em quinto lugar, enquanto Pequim, Guangzhou e Xangai não entraram no ‘top 10

As conclusões do estudo da Economist Intelligence Unit (EIU), publicado na terça-feira, reflectem uma mudança crescente no panorama económico do país, à medida que cidades de menor dimensão se afirmam como motores de crescimento, graças à força da indústria transformadora avançada, energias limpas e outros sectores emergentes.

O relatório anual da EIU classifica as cidades chinesas em termos de potencial de crescimento, com Hangzhou – sede do gigante do comércio electrónico Alibaba, da empresa de inteligência artificial DeepSeek e de várias outras grandes tecnológicas – a liderar a lista pelo quinto ano consecutivo.

Segue-se Hefei, cidade no leste da China conhecida como polo de semicondutores e veículos eléctricos, e Chengdu, um importante centro industrial no sudoeste do país. Shenzhen, muitas vezes apelidada de “Silicon Valley” da China, ficou em quinto lugar, enquanto Pequim, Guangzhou e Xangai não entraram no ‘top 10’.

Os resultados “reflectem a ascensão da indústria transformadora e o declínio do sector dos serviços” na China, escreveram os economistas Xu Tianzeng e Su Yue, num contexto em que a prolongada crise imobiliária tem travado o consumo e a economia permanece dependente da produção.

Segundo o relatório, Hangzhou recuperou de forma robusta após as restrições regulatórias impostas por Pequim ao sector tecnológico em 2021. “Desde então, a cidade reafirmou a sua liderança na corrida chinesa à inteligência artificial, impulsionada por empresas como a DeepSeek, ao mesmo tempo que aproveitou as suas vantagens na indústria transformadora avançada”, escreveram os autores, salientando que Hangzhou tem uma das posições fiscais mais sólidas do país.

Hangzhou é também sede dos “seis pequenos dragões” – um grupo de ‘startups’ tecnológicas de destaque, incluindo a DeepSeek, a fabricante de robôs humanoides Unitree Robotics e a rival da Neuralink, BrainCo.

As autoridades da província de Zhejiang, onde se situa Hangzhou, têm dado prioridade ao apoio às empresas de alta tecnologia. Na semana passada, divulgaram um projecto de plano de acção para impulsionar a inovação local, que estabelece como meta que mais de 80 por cento das novas empresas cotadas sejam do sector tecnológico até 2027.

O relatório destaca ainda que Hefei e Chengdu fizeram “investimentos estratégicos e ousados” em tecnologias fundamentais para impulsionar o seu desenvolvimento.

Hefei investiu fortemente na CXMT, um dos principais produtores de ‘chips’ de memória DRAM da China, que se prepara para uma oferta pública inicial, sendo amplamente vista como a melhor aposta do país para competir com a Coreia do Sul e os Estados Unidos no mercado global de semicondutores.

Com pés e cabeça

Chengdu, por sua vez, investiu na fabricante de semicondutores Hygon, uma colaboração com a norte-americana AMD. “Estes empreendimentos não só geraram retornos substanciais para as duas cidades, como também lançaram as bases para ecossistemas industriais mais amplos nas cidades vizinhas”, referem os autores.

A área metropolitana que inclui Chengdu, Deyang, Meishan e Ziyang registou uma taxa média de crescimento superior a 7 por cento no primeiro trimestre de 2025, tornando-se uma das regiões de crescimento mais rápido do país.

De forma semelhante, a aposta da China nas energias limpas está a impulsionar forte crescimento em cidades mais pequenas com bases industriais ligadas às tecnologias de energia renovável. Xinyu e Yichun, na província oriental de Jiangxi, viram a procura crescente por minérios ricos em lítio – essenciais para veículos eléctricos e armazenamento de energia – acelerar o crescimento local.

Já Jinchang, na província noroeste de Gansu, registou uma taxa média anual de crescimento de 12,9 por cento entre 2022 e 2024, impulsionada pela procura de infra-estruturas de energia renovável, que dinamizou a indústria local de metais não ferrosos.

O relatório alerta, contudo, que estas cidades mais pequenas, impulsionadas pela transição energética, também enfrentam “vulnerabilidades”, incluindo a exposição a ciclos de preços de matérias-primas, choques no comércio externo e efeitos indirectos de ajustes de sobrecapacidade industrial.

A memória de lótus dourados que rivalizam com o Sol

Zhang Tingyu (1672-1755), o único alto funcionario, político literato e historiador que, caminhando por «ruelas apertadas com o espírito aberto» (liu chi xiang), resistiu às disputas internas e guerras de ambições que ocorreram ao longo das sucessivas transições entre três brilhantes imperadores da dinastia Qing (1644-1911) – Kangxi, Yongzheng e Qianlong – também foi pai de três influentes cultores das artes do pincel.

O mais velho dos três, Zhang Ruoai (1713-46), na sua vida breve de apenas trinta e três anos, como certas estrelas que muito brilham mas duram pouco tempo, deixou do seu pincel traços que não seriam esquecidos.

Em pinturas como um retrato de Qu Yuan caminhando e cantando (Quzi xingyin tu), poderá ver-se uma representação exemplar da sua condição de criador literato leal ao imperador. Qu Yuan (c.339-278 a.C.) o poeta símbolo da integridade moral e fidelidade nacional era uma figura com quem os literatos gostavam de se identificar.

Das muitas pinturas em álbuns que fez por encomenda imperial nota-se uma curiosa representação de um lugar especial, acarinhado pelos três eminentes imperadores e que já fora pintado por outros pintores da corte, o pavilhão na ilhota Ruyi, diante do monte Yanxun dentro do complexo da Estância imperial de montanha em Chengde, onde os monarcas passavam o Verão.

Nesse ábum Bishu shanzhuang tu bing Qianlong tishi ce, «Ilustrações da estância de Verão de Chengde com poemas do imperador Qianlong», que está no Museu do Palácio Nacional, em Taipé, o imperador escreveu o poema Lótus dourados que se comparam com o sol. Na ilustração ao lado, vêem-se enclausuradas entre longos e geometricamente exactos corredores cobertos, plantadas de modo sistemático, flores de pétalas de um amarelo alaranjado.

Zhang Ruoai não acrescenta qualquer outro elemento que perturbe a exactidão das construções em que se multiplicam abstractas linhas rectas rodeadas por água e o verde das árvores, criando uma impressão de irrealidade, intemporal como um pensamento que surge em meio à natureza.

As grandes e raras flores plantadas, designadas jinlian hua, «lótus dourados» (trollius chinensis) ou flores do globo dourado, dado o aspecto dos longos estames que crescem formando quase uma esfera, vinham do monte Wutai, em Shanxi, e como outras plantas e edifícios da estância de Verão ilustravam a diversidade do império dos Qing.

Outras características das flores como o seu florescimento na época em que lá se encontrava o imperador, a ligeira toxicidade que impedia que fossem tocadas, a cor semelhante à usada exclusivamente pela família real, tornavam-nas especialmente simbólicas. Os três imperadores escreveram poemas sobre a flor, mas Qianlong, que escreveu num seu retrato o poema É um, são dois, Shiyi shier, sabia que a identificação entre duas coisas sugere sempre uma terceira.

MICAF apresenta este fim-de-semana a peça “Um Dia de Astronauta”

O Festival Internacional de Artes para Crianças de Macau (MICAF, na sigla inglesa) apresenta este fim-de-semana uma peça de teatro oriunda de uma companhia chinesa, a Grande Barco. Trata-se do espectáculo “Um Dia de Astronauta”, que sobe ao palco do pequeno auditório do Centro Cultural de Macau (CCM) amanhã, a partir das 19h30, sábado e domingo a partir das 15h.

Esta é uma “aventura em órbita”, descreve a sinopse do espectáculo pensado para os mais pequenos. “Enquanto enormes painéis solares se estendem como asas pelo cenário, meteoritos voam sobre o público. Por entre fantásticos ecrãs LED e efeitos multimédia, esta é mais do que uma simples viagem acima das nuvens, é também uma aventura imersiva”, descreve-se.

Com “Um Dia de Astronauta”, o público é convidado a entrar nesta aventura, podendo os miúdos “transformar-se em estrelas do universo”, pelo que cada apresentação deste espectáculo promete ser “uma experiência única”.

Em palco “a destemida Fei Fei, o físico Orbit e o engenheiro mecânico Da Shou estão sempre ocupados”, com tarefas como “as rotinas diárias e investigações importantes”. “Uns recolhem dados sobre combustões a baixas temperaturas, conhecidas como ‘fogo frio’, enquanto outros cultivam arroz ou estudam painéis de energia solar. É a fascinante vida em órbita a desenrolar-se diante dos nossos olhos”, é descrito.

O espectáculo, em mandarim e com legendas em chinês e inglês, promete dar respostas ao público sobre os grandes mistérios do espaço e do universo, podendo até “despertar novos sonhos cósmicos”.

Fim-de-semana preenchido

Outro dos eventos que decorre amanhã, até ao dia 29 de Agosto, é o “Acampamento Criativo para Crianças”, também no CCM, com bilhetes a 600 patacas. O acampamento destina-se a crianças dos 8 aos 12 anos e é monitorizado pela Macao Applied Theatre Association, organizando-se workshops e actividades onde as crianças podem brincar e aprender em conjunto.

Também esta sexta-feira decorre a última sessão da “Casa Mágica das Estrelas”, nome para outro workshop do MICAF que decorre na Sala de Ensaio do CCM, e que se destina a crianças com necessidades educativas especiais. Destaque ainda para a exposição permanente “A Magia das Linhas: O Mundo Maravilhoso dos Livros Ilustrados de Serge Bloch”.

Museu de Macau | Exposição assinala centenário da morte Sun Yat-sen

O Museu de Macau acolhe, a partir de 8 de Agosto, uma exposição sobre a passagem pelo sul da China, incluindo Macau e Hong Kong, de Sun Yat-sen, médico, revolucionário e um dos protagonistas da revolução republicana chinesa de 1911. A mostra intitula-se “Da Cura de Doentes à Salvação de uma Nação – Dr. Sun Yat-sen em Guangdong, Hong Kong e Macau”

 

A RAEM acolhe uma exposição que conta a história de vida de Sun Yat-sen, mais revolucionário de corpo inteiro do que médico, que passou por Guangdong, Macau e Hong Kong e que foi um dos principais responsáveis pela revolução republicana de 1911 que levou à queda do regime imperial. Sun Yat-sen acabou mesmo por ficar conhecido como “O Pai da China”, no sentido de ter contribuído para a construção de uma nova nação.

Segundo um comunicado do Instituto Cultural (IC), a mostra “Da Cura de Doentes à Salvação de uma Nação – Dr. Sun Yat-sen em Guangdong, Hong Kong e Macau” será inaugurada no dia 8 de Agosto no Museu de Macau e visa comemorar o centenário da morte de Sun Yat-sen. Trata-se de uma iniciativa organizada conjuntamente pelo IC, pelo Departamento de Serviços Culturais e de Lazer do Governo de Hong Kong e pelo Departamento de Cultura, Rádio, Televisão e Turismo de Zhongshan, sem esquecer o Museu Dr. Sun Yat-sen, em Hong Kong, que recebeu a mostra em Junho.

A exposição, que pode ser visitada até 12 de Outubro, presta “uma profunda homenagem às contribuições duradouras do Dr. Sun Yat-sen para a revitalização da nação e a felicidade do povo”, descreve o IC, tratando-se de uma exposição itinerante que nasce “de um projecto de cooperação entre as entidades culturais de Guangdong, Hong Kong e Macau”.

A mostra inclui uma centena de peças ou colecções de imagens históricas, documentos e “valiosas relíquias históricas” da passagem de Sun Yat-sen por Guangdong, Macau e Hong Kong.

A história por fases

Todo o espaço expositivo está dividido em quatro partes, intituladas “O berço do pensamento sobre a salvação da nação”, “O berço da revolução”, “As regiões natais da família”, “Memoriais para o grande espírito”. Em todos estes espaços o público pode “recordar o percurso e a carreira revolucionária do dr. Sun em Guangdong, Hong Kong e Macau”, aponta o IC, apresentando-se ainda “as profundas ligações do dr. Sun com Guangdong, Hong Kong e Macau, expressando-se o profundo respeito destas três regiões” por este revolucionário.

Além da exposição, será projectado um filme relacionado com a personalidade política, sendo também lançada uma exposição online, com recurso à realidade virtual, após a inauguração, a fim de facilitar a visualização dos conteúdos por parte do público.

Segundo informações disponibilizadas pela biblioteca digital da Fundação Jorge Álvares, Sun Yat-sen nasceu no seio de uma família modesta natural da vila de Cuiheng, província de Guangdong.

Já o pai de Sun tinha estado em Macau a trabalhar como sapateiro, tendo voltado depois para a China onde formou família. Sun Yat-sen nasceu a 11 de Novembro de 1866 e partiu para Honolulu, no Hawai, com 13 anos de idade, ao encontro do irmão mais velho.

Estudou Medicina em Honolulu e Hong Kong. Foi nesse período que despertou a sua veia revolucionária. Partiu para Macau aquando da conclusão da licenciatura, em 1892, tendo exercido medicina ocidental no hospital Kiang Wu e, posteriormente, numa clínica fundada por si na Rua das Estalagens.

“Em 1894, já profundamente envolvido na política, fundou a Sociedade para a Regeneração da China que tinha como objectivo derrubar o regime imperial e instalar um governo democrático. No ano seguinte, chegou mesmo a participar numa tentativa de golpe de estado em Guangzhou, mas o golpe falhou, e viu-se obrigado a fugir, exilando-se no Japão. Durante os anos de exílio, viajou bastante pelos Estados Unidos, Canadá e Europa”, lê-se na biblioteca digital.

Ainda no Japão fundou a Sociedade da Aliança Unida que veio dar origem ao partido Kuomitang. Apesar do seu papel ideológico na luta revolucionária, Sun Yat-sen encontrava-se no estrangeiro quando o sistema imperial caiu na China, a 10 de Outubro de 1911, tendo sido por um curto período presidente da nova República da China.

Banca | Menos 429 caixas automáticas no espaço de cinco anos

Por cada cinco caixas de multibanco em funcionamento em 2020, restam hoje apenas quatro. No entanto, o número de terminais para fazer pagamentos electrónicos cresceu de cerca de 70 mil para quase 110 mil

 

Desde o final de 2020, até à actualidade, os bancos passaram a disponibilizar menos 429 caixas automáticas (ou caixas multibanco) à população. O número mais recente, referente ao final de Junho deste ano, foi adiantado ao HM pela Autoridade Monetária de Macau (AMCM), e contrasta com a maior utilização das outras formas de pagamentos electrónicos.

Segundo os dados avançados pela AMCM, no final de Junho havia um total de 1.358 caixas automáticas em funcionamento. Este número mostra que em comparação com o final de 2024 até houve um aumento do número de caixas a funcionar, com mais 29 unidades. No entanto, em comparação com o final de 2020, o ano em que havia mais caixas automáticas a funcionar, a queda tem acontecido de forma praticamente constante.

No final de 2020 estavam em funcionamento 1.787 caixas automáticas, o maior número registado pelo menos desde 2016. Em comparação com Junho de 2025, houve uma redução de 429 caixas automáticas, o equivalente a diminuição de 24 por cento. Esta redução significa que por cada cinco caixas multibanco em funcionamento no final de 2020 uma deixou de estar disponível.

A redução aconteceu de forma progressiva, mas tem acelerado nos últimos anos, à excepção dos primeiros seis meses deste ano. Entre 2020 e 2021 apenas nove caixas deixaram de estar disponíveis. No entanto, entre 2021 e 2022, a diminuição foi de 221 unidades, ou 12,4 por cento.

Entre 2022 e 2023 a quebra do número de caixas automáticas foi mais lenta, com uma redução 56 unidades, para 1.501, quando antes era de 1.557. Entre 2023 e o ano passado a redução voltou a acelerar ao ritmo de 11,5 por cento, com menos 172 máquinas em funcionamento, o que significou que 2024 encerrou com 1.358 máquinas a operar.

Outras alternativas

O encerramento das caixas automáticas dos bancos contrasta com a realidade dos pagamentos através de aplicações para telemóvel que se tem expandido continuamente nos últimos cinco anos.

No final de 2020, de acordo com as estatística publicadas em Janeiro de 2021 pela AMCM, havia cerca de 70 mil máquinas que aceitavam pagamentos móveis. Contudo, no primeiro trimestre de 2020, o número de máquinas era de cerca de 43 mil, o que significa que no espaço de 12 meses o número quase duplicou. Ao longo desse ano o valor das transacções com pagamentos móveis foi de aproximadamente 6,31 mil milhões de patacas.

Todavia, os números do primeiro trimestre de 2025 mostram uma implementação maior deste tipo de pagamentos, tendência para a qual também contribuiu o facto de o Governo de Ho Iat Seng ter utilizado os meios de pagamento electrónico para atribuir apoios ao consumo durante a pandemia.

Segundo os dados mais recentes, no final de Março de 2025, a AMCM contabilizou 108.749 terminais para pagamentos móveis. E só no primeiro trimestre o valor das transacções atingiu 7,9 mil milhões de patacas. Os dados da AMCM mostram também que ao longo de todo 2024 houve um total de 30,3 mil milhões de patacas transaccionados através de pagamentos electrónicos.

Diferença
Caixas Automáticas
1.787
1.358
-24,0%
Terminais de Pagamentos Electrónicos
70.000
108.749
+54,97%

Fonte: Autoridade Monetária de Macau

Alfândega | Rapaz de 14 anos colaborava com rede de contrabando

Os agentes dos Serviços de Alfândega (SA) apanharam, na tarde de segunda-feira, um menor de 14 anos que fazia contrabando em ligação com um grupo que operava na zona norte de Macau.

Segundo um comunicado dos SA, na sequência da investigação ao grupo suspeito, o jovem foi interceptado pelas autoridades quando passava na zona de inspecção do posto fronteiriço das Portas do Cerco, na posse de produtos electrónicos antigos. O rapaz, ainda estudante, admitiu que tinha recebido os produtos e que os ia deixar no outro lado da fronteira.

Através do rapaz, os SA dizem ter conseguido desmantelar a rede de contrabando, tendo apanhado também uma mulher de 60 anos que seria responsável pelo grupo. Dentro de um apartamento foram descobertos 278 computadores portáteis antigos, 900 produtos electrónicos, nomeadamente telemóveis velhos, no valor de 180 mil patacas.

Entretanto, e tendo em conta o colaborador menor de idade, os SA contactaram os pais do rapaz para lhes dar conta do ocorrido, tendo também comunicado o caso à Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude.

TDM | Inês Chan é a administradora mais bem paga

Transferida directamente do Gabinete de Comunicação Social para o cargo de administradora na TDM-Teledifusão de Macau, Inês Chan vai ter o salário mais elevado entre os administradores, ficando apenas atrás da vice-presidente da empresa, Lo Song Man.

De acordo com o portal da Direcção dos Serviços da Supervisão e da Gestão dos Activos Públicos, Chan vai receber anualmente 1,36 milhões de patacas, valor apenas ultrapassado pelo salário de Lo, que recebe 1,40 milhões de patacas por ano. Os restantes administradores a tempo inteiro da empresa têm salários que ficam pelos 1,22 milhões de patacas por ano.

Japão | Alerta de tsunami não impacta residentes de Macau

Ontem foi emitido um alerta de tsunami no Japão, devido ao terramoto na península russa de Kamchatka. Um representante de agências de viagens afirmou que 10 excursionistas de Macau estavam em Hokkaido, onde algumas zonas tiveram aviso de evacuação. Os residentes estão em segurança e não houve pedidos de ajuda

 

A ocorrência de um terramoto ontem na zona de Kamchatka, na Rússia, provocou uma onda de alertas de tsunami e medidas de evacuação em várias regiões junto ao Oceano Pacífico, sendo que o Japão não é excepção.

Segundo informações disponibilizadas por Paul Wong, presidente da Associação da Indústria Turística de Macau, dez residentes de Macau que estão a fazer uma excursão na região japonesa de Hokkaido encontram-se em segurança. Nas declarações proferidas ao canal chinês da Rádio Macau, Paul Wong acrescentou que este grupo de dez pessoas deverá regressar a Macau em breve.

Além disso, o responsável confirmou que as agências de viagens do território têm feito contactos no sentido de perceber quantos residentes de Macau estão a viajar no Japão a título individual, sendo que nenhum deles fez pedidos de ajuda ou de apoio. Paul Wong disse ainda que em Agosto haverá dezenas de excursionistas de Macau em Hokkaido e que, para já, não houve cancelamentos das viagens.

Cerca de dois milhões de pessoas no Japão receberam ontem ordens para abandonar as suas casas ou zonas costeiras devido ao risco de tsunami. O terramoto, ocorrido na península russa de Kamchatka, teve magnitude de 8,8, sendo que em Hokkaido, a maior ilha do arquipélago japonês e a mais próxima de Kamchatka, as autoridades locais emitiram ordem de retirada de nível máximo (5 em 5) para 10.463 cidadãos da cidade costeira de Urakawa.

Além disso, mais de 1,9 milhões de pessoas em 21 prefeituras ao longo da costa do Pacífico do Japão receberam avisos de retirada de nível 4, que apelam para a “retirada de zonas perigosas” – tais como as que se encontram perto do mar e da foz dos rios – “o mais rapidamente possível antes que a situação se agrave”.

SMG emitiram ordem

Entretanto, os Serviços Meteorológicos e Geofísicos emitiram ontem uma nota a dizer que Macau não irá sofrer impactos com a ocorrência deste terramoto. Apenas foi feita uma previsão de que “uma pequena onda de tsunami” poderia atingir a costa de Macau entre as 18h e 19h, “podendo causar uma flutuação do nível da água igual ou inferior a 0,1 metros”, sem “risco significativo” para o território.

As ordens de evacuação das autoridades japonesas baseiam-se nos avisos emitidos pela Agência Meteorológica do Japão (JMA), que estão em vigor desde o início da manhã de ontem para praticamente toda a costa do Pacífico do arquipélago, e que estimam a ocorrência de tsunamis de até três metros de altura.

Até à tarde de ontem (hora de Macau) tinham sido registados tsunamis de até 1,3 metros de altura na localidade de Kuji, na prefeitura de Iwate, e de 80 centímetros na península de Nemuro, em Hokkaido, ambos no norte do país. Foi igualmente observado um tsunami de 30 centímetros no porto de Yokohama, a sul de Tóquio.

Trânsito | Lo Choi In sofre acidente de viação no Interior

A deputada Lo Choi In sofreu um acidente de viação no Interior e teve de ser hospitalizada. O facto foi partilhada pela legisladora ligada à comunidade de Jiangmen, através das redes sociais.

“Lamento informar que sofri um acidente de viação ontem [domingo], quando estava a trabalhar no Interior, mas não se preocupem, a minha vida não corre perigo”, divulgou, numa mensagem partilhada na segunda-feira. “No entanto, como fracturei ossos e as feridas ainda são muito dolorosas o médico obrigou-me a descansar durante alguns dias”, acrescentou.

As condições do acidente não foram reveladas, nem se Lo Choi In ia a conduzir ou seguia apenas como passageira na viatura acidentada. Contudo, a deputada garantiu que como consegue mexer as mãos vai tentar ajudar os residentes através das aplicações móveis e que continua contactável.

A publicação da deputada no Facebook recebeu a atenção de vários internautas que lhe desejaram as melhoras. “Obrigado pela vossa preocupação, não se preocupem, voltarei em breve e voltarei a servir-vos!”, respondeu, face às mensagens de apoio.

Lo Choi In é uma das deputadas que vai deixar o hemiciclo em Outubro, quando os novos deputados tomarem posse. Depois de um mandato, Lo ficou de fora da lista de candidatos ligados à comunidade de Jiangmen.

Chikungunya | Anunciada sexta infecção de residente

Com o número de casos de febre de Chikungunya a subir nos últimos dias, a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, visitou estaleiros e parques públicos, onde foi filmada pelas equipas de propaganda do Governo

 

Um residente de Macau que vive em Zhuhai foi identificado pelos Serviços de Saúde (SS) como o sexto caso importado de febre de Chikungunya. A informação foi divulgada na terça-feira à noite, através de um comunicado em língua chinesa.

Segundo a informação oficial, o homem com febre de Chikungunya tem 66 anos e terá sido infectado durante uma viagem de trabalho ao Sri Lanka, onde esteve entre 7 e 18 de Julho.

Voltou para o território sozinho, mas a 21 de Julho começou a apresentar os primeiros sintomas da infecção, como fatiga, dores nas pernas e joelhos e diarreia. No dia seguinte, 22 de Julho, desenvolveu febre e erupções cutâneas nas pernas. Como a febre não desapareceu até ao dia 26, o homem acabou por procurar tratamento no Centro Hospitalar Conde São Januário. Finalmente, a 27 de Julho, o laboratório público de saúde confirmou o novo caso de febre de Chikungunya.

Os SS explicaram também que o caso foi categorizado como importado devido ao “histórico de viagens” do paciente, o “desenvolvimento dos sintomas” e “os testes do laboratório”. As autoridades apontaram também que o estado do paciente apresenta melhorias.

Segundo os Serviços de Saúde a febre Chikungunya é uma doença viral, transmitida por mosquitos do género Aedes, principalmente os das espécies Aedes aegypti e Aedes albopictus.

O Lam foi ao terreno

Com o número de casos a aumentar, a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, deslocou-se na terça-feira a alguns locais do território, onde estão a ser realizadas acções de extermínio dos mosquitos, como estaleiros de obras, parques e jardins. As imagens das visitas foram partilhadas pelos meios de propagada do Governo.

A deslocação aos estaleiros da Zona A dos Novos Aterros foi justificada com o facto de pelo menos três dos casos de febre Chikungunya identificados na província vizinha de Cantão envolverem operários da construção civil que trabalham na Zona A. “A possibilidade de haver transmissão da febre através dos estaleiros não pode ser excluída”, foi considerado pelos SS.

Na altura em que o comunicado foi emitido, as autoridades justificaram também o reforço das acções de extermínio dos mosquitos com o facto de terem sido registados cinco casos importados em Macau (ainda não tinha sido divulgado o caso mais recente), assim como um caso local de febre de dengue.

Pequim emitiu 63 mil vistos para quadros qualificados para Macau e Hong Kong

A Administração Nacional para a Imigração emitiu cerca de 63 mil vistos para quadrados qualificados de Pequim, Xangai e das cidades da Grande Baía se instalarem em Macau ou Hong Kong. Os números foram revelados ontem, durante uma conferência de imprensa do Gabinete de Informação do Conselho de Estado da China e diz respeito ao período do 14º plano quinquenal, que começou em 2021 e termina este ano.

O director de Gestão de Migração dos Cidadãos Chineses, Xiong Shuren, elogiou a medida e considerou que beneficia o intercâmbio entre o Interior, Hong Kong e Macau. O responsável recordou que 59 cidades do Interior da China emitem vistos individuais para a deslocação a Hong Kong e Macau. “Quanto aos vistos de viagem de Hengqin e Macau, mais de 56 mil residentes gozaram dessa conveniência,” destacou.

Sobre os serviços destinados a residentes de Hong Kong e Macau para a deslocação ao Interior da China, Xiong Shuren apontou que durante o período do 14º plano, 394 mil residentes renovaram o salvo-conduto que permite os residentes de Hong Kong e Macau entrarem e saírem do Interior.

Soluções alternativas

Xiong Shuren recordou que durante a pandemia, vários residentes das RAE não conseguiram pedir a renovação. Como tal, indicou que as autoridades lançaram “prontamente” uma política para alargar o prazo de validade de salvo-conduto. O alargamento do prazo de validade dos salvo-condutos abrangeu 4,4 milhões de residentes de Hong Kong e Macau.

Xiong Shuren também revelou que desde Julho de 2024 foi lançada a política de emissão de salvo-conduto para os residentes das RAE com nacionalidade estrangeira para concretizar o que disse serem “grandes avanços” na gestão de estradas e saídas do Interior, de acordo com o princípio “Um País, Dois Sistema” da nova era. Xiong completou que foram emitidos 85 mil salvos-condutos para estrangeiros.

Grande Baía | Árbitros têm de falar pelo menos uma língua estrangeira

Foram ontem publicadas as orientações para escolher árbitros em litígios jurídicos na Grande Baía. Os escolhidos têm de falar “perfeitamente” chinês e, pelo menos, uma língua estrangeira. Além disso, têm de estar inscritos em instituições de arbitragem de duas das três jurisdições da Grande Baía

 

Os residentes de Macau que pretendam ser árbitros em litígios jurídicos na Grande Baía têm, como regra geral, de dominar “perfeitamente” o mandarim ou o cantonês. Os requisitos para o exercício destas funções foram revelado ontem, através da publicação das “Orientações de trabalho sobre a lista de árbitros da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau”.

Como primeiro requisito é exigido que os árbitros defendam a Constituição do país e as Leis Básicas de Macau e Hong Kong, além disto também se espera que “tenham bom comportamento deontológico, sem registo de sanções por má reputação ou por violação de deontologia profissional”.

Os futuros árbitros têm igualmente de estar na lista de árbitros de instituições de arbitragem de duas das três regiões da Grande Baía, ou seja, têm de ser reconhecidos como árbitros em Macau e no Interior, Macau e Hong Kong, ou Interior e Hong Kong.

Nas exigências consta ainda a necessidade de ter mais de cinco anos de experiência profissional no exercício de funções de árbitro e de ter “desempenhado, cumulativamente, funções de árbitro em pelo menos cinco casos de arbitragem e elaborado decisões arbitrais”. Em relação às decisões arbitrais em pelo menos três dos casos as decisões têm de ter envolvido arbitragem interjurisdicional”.

Finalmente, o documento com as orientações indica que os árbitros têm de dominar “perfeitamente o mandarim (ou cantonês) e, pelo menos, uma língua diferente do chinês”.

Apesar das exigências gerais, as orientações admitem que as autoridades possam isentar os árbitros de cumprir algumas condições, inclusive sobre a necessidade de dominarem o chinês, de “acordo com a situação”. No entanto, as orientações não revelam em que situações a isenção é garantida. O respeito pela Constituição e Leis Básicas, assim como a necessidade de ter um registo deontológico limpo nunca podem ser alvo de isenção.

Mecanismo de cooperação

As orientações foram elaboradas pelo Departamento da Justiça da Província de Guangdong, pelo Departamento da Justiça do Governo de Hong Kong e pela secretaria para a Administração e Justiça do Governo de Macau, e aprovadas pela Reunião Conjunta dos Departamentos Jurídicos da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau. A Reunião Conjunta dos Departamentos Jurídicos da Grande Baía tem os poderes para afastar o cumprimento por parte dos árbitros de alguns requisitos.

É também o órgão da Reunião Conjunta dos Departamentos Jurídicos que vai ter poderes para excluir árbitros da Grande Baía. Esta situação é prevista para quando os árbitros praticam “actos contra a segurança do Estado ou contra o interesse público da sociedade”, cometem uma “violação grave das leis, dos diplomas legais, bem como das regras de arbitragem e da deontologia profissional dos árbitros” ou crimes. A exclusão aplica-se ainda quando os árbitros são afastados da função pública, têm a licença profissional cancelada ou perdem “condições para o exercício de funções em virtude da aplicação da sanção de suspensão do exercício de funções”.

Segundo a versão em português da documento, as orientações permitem ainda o afastamento das árbitros em qualquer situação que a Reunião Conjunta considere que “deve ser concedida a exclusão”.

Gaza | Mais de 60 mil palestinianos já morreram na guerra

Mais de 60 mil palestinianos morreram na guerra entre Israel e o Hamas, que começou há 21 meses, declarou ontem o Ministério da Saúde da Faixa de Gaza, controlado pelo grupo islamita palestiniano. O Ministério da Saúde de Gaza declarou que o número de mortos subiu para 60.034, acrescentando que outras 145.870 pessoas ficaram feridas desde o início da guerra, em 7 de Outubro de 2023.

As autoridades de saúde de Gaza não especificaram quantas destas vítimas mortais eram civis ou combatentes, mas sublinharam que as mulheres e as crianças representam cerca de metade dos mortos. As Nações Unidas e outros especialistas independentes consideram os números apresentados pelas autoridades de saúde do enclave como contagem fiável de vítimas.

A ofensiva israelita destruiu vastas áreas de Gaza, desalojou cerca de 90 por cento da população e provocou uma crise humanitária catastrófica, com especialistas e organizações a alertar para a gravidade da fome no enclave.

A guerra sofreu uma reviravolta drástica no início de Março, quando Israel impôs um bloqueio total de dois meses e meio, impedindo a entrada de alimentos, medicamentos, combustível e outros bens.
Semanas depois, Israel quebrou o cessar-fogo com um bombardeamento e começou a tomar grandes áreas de Gaza, medidas que, segundo Israel, visavam pressionar o Hamas a libertar mais reféns. Pelo menos 8.867 palestinianos foram mortos desde então, segundo as autoridades de Gaza.

Canal do Panamá | China considera neutralidade crucial

A embaixada da China no Panamá considerou crucial a neutralidade do Canal do Panamá, após uma reunião com a administração da via interoceânica em que foram discutidas áreas de cooperação marítima.

Na rede social X, a embaixada chinesa escreveu, na segunda-feira, que “ambas as partes trocaram pontos de vista sobre o intercâmbio e a cooperação em áreas como assuntos marítimos e transporte naval entre [China e Panamá], coincidindo na importância crucial de manter a neutralidade permanente do Canal”.

A reunião, realizada na sexta-feira, no edifício da Administração do canal, foi liderada pela embaixadora chinesa no Panamá, Xu Xueyuan, e pelo administrador da via, Ricaurte Vásquez, no âmbito de uma visita de “cortesia” da diplomata, informou a Autoridade do Canal do Panamá (ACP) em comunicado.

Segundo a ACP, Vásquez e a subadministradora, Ilya Espino de Marotta, mantiveram com a delegação chinesa um “diálogo cordial sobre temas de interesse comum, incluindo cooperação em comércio marítimo, inovação tecnológica e sustentabilidade”. O encontro ocorre numa altura de reiteradas acusações dos Estados Unidos sobre a alegada “influência maligna” da China no canal, rejeitadas tanto pelo Governo chinês como pelo panamiano.

Este mês, o porta-voz da embaixada chinesa no Panamá criticou as “mentiras” que o embaixador norte-americano no país “repete até à exaustão sobre a China e as relações sino-panamianas”.

Com base na alegada ingerência chinesa no Canal do Panamá, o Presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçou “recuperar” a via, construída e operada pelos EUA no século passado até à sua transferência para o Estado panamiano, há 25 anos.

Camboja e Tailândia suspenderam os movimentos de tropas na fronteira

Os exércitos da Tailândia e do Camboja concordaram ontem suspender o movimento de tropas na fronteira, cumprindo o cessar-fogo alcançado na segunda-feira após cinco dias de confrontos. A suspensão do movimento de efectivos militares foi anunciada pelas autoridades tailandesas referindo-se às zonas perto da fronteira entre a Tailândia e o Camboja.

O porta-voz do Exército tailandês, Winthai Suvaree, explicou que os comandantes regionais dos dois países realizaram ontem três reuniões, que terminaram com o acordo que determinou a paragem do movimento de tropas. Devido aos combates dos últimos dias, cerca de 300 mil civis foram obrigados a abandonar os respectivos locais de residência.

Além da paralisação das tropas, as partes concordaram estabelecer comunicações directas entre os chefes militares assim como se vai facilitar o regresso dos feridos e a entrega de restos mortais.

De acordo com fontes militares e governamentais da Tailândia, 15 civis e 14 militares perderam a vida na última semana devido ao agravamento do conflito. Segundo a mesma fonte, 126 militares e 53 civis ficaram feridos, alguns com gravidade.

O Ministério da Defesa do Camboja não actualizou o balanço comunicado no passado fim-de-semana. Os militares do Camboja disseram na altura que cinco militares morreram e 21 ficaram feridos tendo-se registado oito mortes entre a população civil.

Cessar, mas pouco

O exército tailandês acusou ontem o Camboja de violar o cessar-fogo, afirmando que os confrontos continuaram, apesar de a trégua ter entrado em vigor à meia-noite.

“Após a declaração do cessar-fogo, foram relatados distúrbios na área de Phu Makua, causados pelo lado cambojano, levando a uma troca de tiros entre os dois lados, que continuou até esta manhã”, escreveu ontem num comunicado o porta-voz adjunto do exército tailandês, Ritcha Suksuwanon. Além disso, “ocorreram também confrontos na área de Sam Taet e continuaram até as 05h30 (06h30 em Macau)”.

As reuniões de ontem fazem parte do acordo de cessar-fogo alcançado na segunda-feira entre Banguecoque e Phnom Pen, com a mediação da Malásia. O cessar-fogo foi anunciado pelo primeiro-ministro da Malásia, Anwar Ibrahim, na qualidade de presidente da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN). Os combates começaram na quinta-feira passada, após várias semanas de tensões em vários pontos dos 820 quilómetros da fronteira comum entre os dois países.

O Camboja e a Tailândia estão em conflito há muito tempo sobre o traçado da fronteira de mais de 800 quilómetros, definida em grande parte por acordos celebrados durante a ocupação francesa da chamada Indochina, entre final do século XIX e meados do século XX.

A saúde sexual é complexa — e ainda bem

Numa época em que se fala cada vez mais de saúde mental, a discussão pública sobre saúde sexual permanece tímida — muitas vezes limitada a temas como infeções sexualmente transmissíveis (IST) ou gravidez indesejada. O artigo recentemente publicado na International Journal of Sexual Health, da autoria de Manão, Brazão e Pascoal, intitulado “How to Define Sexual Health? A Qualitative Analysis of People’s Perceptions”, devolve-nos alguma da complexidade do conceito a partir da perspetiva das pessoas.

O estudo, que analisa as respostas de 151 participantes em Portugal à pergunta aberta “o que significa para si saúde sexual?”, oferece um retrato multifacetado.

A primeira conclusão relevante é que, para estas pessoas, a saúde sexual não se resume à ausência de doença. Para muitos dos inquiridos, trata-se de uma realidade que abrange o corpo, mas também as emoções, os relacionamentos, a autonomia pessoal e o contexto social e político. Esta visão vai ao encontro da definição mais abrangente proposta pela Organização Mundial de Saúde, uma proposta que tem em conta os muitos fatores que influenciam a saúde e o bem-estar de diferentes modos.

Os temas emergentes — sobre a fisicalidade do sexo, a autonomia, as questões relacionais e íntimas, e a justiça sexual — revelam uma evolução progressiva face à visão tradicional (biomédica e genital), no sentido de um conceito mais inclusivo e contextualizado. É revelador, por exemplo, que muitos participantes associem saúde sexual à capacidade de sentir prazer, de comunicar desejos com o parceiro ou de se sentirem respeitados nas suas escolhas.

Num momento em que se retiram temas de sexualidade da disciplina de Cidadania nas escolas portuguesas, em resposta a receios “ideológicos” infundados, estudos como este evidenciam a importância de continuar a discutir abertamente a sexualidade — e, em particular, a saúde sexual. Esta deve ser entendida como um sistema multifatorial complexo, que exige espaços de igualdade, respeito e liberdade para se ser quem se é, sem medo de discriminação.

É essencial que a saúde sexual seja plenamente integrada nos modelos de saúde, para que a sua força epistémica ganhe novo vigor. A ausência de preconceito, a existência de políticas públicas inclusivas e o acesso equitativo a serviços de saúde sexual foram identificados por alguns participantes como elementos estruturantes, para que cada pessoa possa cuidar efetivamente da sua saúde sexual. A sexualidade, afinal, não é apenas um assunto privado, mas também um campo político.

Outro aspeto relevante diz respeito à responsabilização individual, refletida no tema sobre autonomia. Muitos participantes reconhecem que cabe a cada pessoa cuidar da sua sexualidade, procurar informação, comunicar com o parceiro e, quando necessário, recorrer a serviços especializados.

Esta autonomia é, sem dúvida, essencial. No entanto, a ênfase exclusiva na responsabilidade pessoal pode facilmente escorregar para uma lógica de healthismo — uma ideologia que transfere o peso da saúde inteiramente para o indivíduo, ignorando os determinantes sociais, económicos e culturais. É precisamente aqui que a perspetiva crítica do artigo — e deste campo de estudos — se torna fundamental: não basta promover a saúde sexual como escolha individual; é necessário criar condições estruturais para que essa escolha seja realmente possível.

A saúde sexual é mais do que um tema de consultório ou de sala de aula; faz parte dos mecanismos de significado que sustentam a vida social. É um reflexo direto da sociedade que construímos. O tipo de saúde sexual que promovemos revela muito sobre os nossos valores coletivos — sobre o quanto valorizamos o corpo, a liberdade, o respeito e a justiça.

Importa ter presente que, apesar da sofisticação conceptual evidenciada neste estudo, se trata de uma amostra de 151 pessoas, na sua maioria com ensino superior, recolhida através de uma técnica de amostragem em bola de neve — ou seja, os participantes foram sendo referenciados uns pelos outros. Não podemos ignorar que estes dados representam uma visão situada, e não necessariamente generalizável à população em geral. O que quer dizer que há mais formas de compreensão que podem não estar a ser acedidas, muitas delas que podem ainda ser problemáticas ou indesejáveis.

Qualquer tentativa de desconstruir modelos biomédicos de saúde a favor de uma abordagem socio-política mais abrangente é, de facto, de extrema importância. A saúde sexual não se define apenas pela ausência de vírus ou bactérias, mas por uma compreensão mais completa de bem-estar, em que os fatores socio-políticos precisam de ser analisados, compreendidos e, em algumas situações, transformados. Se há uns tempos este era um trabalho relevante, agora é um trabalho urgente.

Henan | Nomeado abade de templo Shaolin após escândalo de corrupção

A China nomeou ontem um novo abade para o emblemático templo Shaolin, após a destituição do anterior líder religioso, investigado por corrupção e conduta imprópria, anunciaram as autoridades budistas.

O novo responsável do mosteiro, situado na província central de Henan e conhecido mundialmente pela ligação ao kungfu e ao budismo chan, é o mestre Yinle, que desde 2005 exercia como abade do histórico templo do Cavalo Branco (‘Baima’), na mesma região.

Segundo um comunicado oficial emitido pela administração do templo Shaolin, a nomeação foi realizada “de acordo com os procedimentos” estipulados pela regulação estatal e contou com o apoio da comunidade monástica local. O anúncio ocorre um dia depois de a Associação Budista da China ter revogado o certificado de ordenação do anterior abade, Shi Yongxin, por “graves violações disciplinares”.

As autoridades religiosas acusam-no de desviar fundos ligados ao templo e de manter relações impróprias, incluindo pelo menos um filho reconhecido, em violação dos votos monásticos.

Chuva e inundações matam pelo menos 34 pessoas em Pequim e arredores

As cheias e chuvas intensas provocaram 30 mortos em Pequim, anunciaram ontem as autoridades, elevando para pelo menos 34 o número de vítimas mortais provocadas pelas tempestades que assolam a região. Em comunicado, o governo municipal indicou que 28 pessoas morreram no distrito de Miyun, o mais afectado, e duas no distrito de Yanqing, ambos situados na periferia de Pequim.

Mais de 80 mil residentes foram retirados da cidade, incluindo cerca de 17 mil em Miyun, acrescentou a mesma nota. Durante a noite de segunda-feira voltou a chover com intensidade na área. Nesse dia, as autoridades reportaram ainda um deslizamento de terras que causou quatro mortos na zona rural de Luanping, na vizinha província de Hebei, onde outras oito pessoas continuam desaparecidas. Um residente disse ao jornal estatal Beijing News que as comunicações estão cortadas e não consegue contactar os familiares.

As tempestades causaram uma precipitação média superior a 16 centímetros em Pequim até à meia-noite de segunda-feira, com duas localidades de Miyun a registarem 54 centímetros de chuva, segundo o governo municipal.

As autoridades de Miyun abriram as comportas de uma barragem que atingiu o nível mais elevado desde a sua construção, em 1959, e alertaram a população para se manter afastada dos rios a jusante, cuja subida vai continuar devido à previsão de mais chuva.

O primeiro-ministro chinês, Li Qiang, afirmou na segunda-feira que as cheias em Miyun causaram “graves baixas” e apelou a operações de salvamento, informou a agência noticiosa oficial Xinhua.

O temporal provocou cortes de electricidade em mais de 130 aldeias, destruiu linhas de comunicação e danificou mais de 30 troços de estrada. Na zona de Miyun, as inundações arrastaram automóveis e derrubaram postes de electricidade.

“Em sérios apuros”

Em Taishitun, a cerca de 100 quilómetros a nordeste do centro de Pequim, árvores arrancadas ficaram empilhadas com as raízes expostas e as ruas ficaram cobertas de lama, que atingiu paredes de edifícios. “As águas chegaram de repente, tão rápidas e súbitas. Em pouco tempo, tudo estava a encher”, relatou Zhuang Zhelin, que limpava a lama com a família na sua loja de materiais de construção, citado pela
agência Associated Press.

O vizinho, Wei Zhengming, médico de medicina tradicional chinesa, retirava lama da sua clínica, de chinelos e com os pés cobertos de lodo. “Estava tudo inundado, à frente e atrás. Fugi para o andar de cima e fiquei à espera de resgate. Pensei: se ninguém vier buscar-nos, estamos em sérios apuros”, contou.

As autoridades de Pequim activaram na segunda-feira à noite o nível máximo de emergência, ordenando à população que permanecesse em casa, encerrando escolas, suspendendo obras e actividades turísticas ao ar livre, medidas que vão vigorar até nova indicação.

Economia | Pequim quer reforçar laços com o Brasil face a tarifas de Trump

A China manifestou ontem disponibilidade para reforçar os laços económicos com o Brasil e defender o que classificou de “justiça” no comércio internacional, a poucos dias da entrada em vigor de tarifas dos EUA sobre as exportações brasileiras

 

Em conferência de imprensa em Pequim, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun disse que a China está disposta a trabalhar com o Brasil e outros países do bloco de economias emergentes BRICS e da América Latina para defender um sistema comercial multilateral centrado na Organização Mundial do Comércio.

Guo sublinhou a importância da cooperação com o Brasil no sector da aviação, referindo-se ao insucesso das negociações para anunciar vendas de aeronaves durante a visita de Estado do Presidente chinês, Xi Jinping, a Brasília, em 2023, apesar das tentativas iniciais. “A China valoriza a cooperação orientada para resultados com o Brasil, incluindo na aviação. Estamos prontos para promover a cooperação relevante com base em princípios de mercado e impulsionar o desenvolvimento nacional de ambos os países”, afirmou.

O porta-voz recordou que a Embraer, um dos principais fabricantes mundiais de aeronaves comerciais de médio porte, depende fortemente dos EUA como principal mercado de exportação.

Horas depois, o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês voltou a defender o Brasil, reafirmando, através da rede social X, que as guerras comerciais “não têm vencedores”. A declaração surge num contexto de maior tensão diplomática. No início do mês, o Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou uma tarifa de 50 por cento sobre todas as importações brasileiras, justificando-a com a alegada perseguição política ao seu aliado, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que aguarda julgamento pela participação numa tentativa de golpe de Estado, em 2023.
Segundo a CNN Brasil, um representante da administração Trump sugeriu informalmente que os EUA poderiam negociar o acesso a minerais raros brasileiros em troca da redução das tarifas. A proposta nunca foi tornada pública, mas gerou preocupação em Brasília, onde as autoridades viram na sugestão uma tentativa de usar pressão económica para obter concessões estratégicas.

Tesouros do subsolo

A China domina o mercado global de terras raras, fornecendo cerca de 70 por cento da procura mundial e concentrando ainda mais capacidade de processamento. Nos últimos anos, Pequim tem usado essa posição como instrumento em disputas comerciais, levando os EUA e aliados a procurarem fornecedores alternativos. O Brasil, que detém as segundas maiores reservas conhecidas, tornou-se uma opção cada vez mais relevante.

Um relatório recente do Conselho Empresarial China-Brasil indicou que as exportações brasileiras de compostos de terras raras para a China atingiram 6,7 milhões de dólares no primeiro semestre de 2025, triplicando face ao mesmo período do ano anterior.

Analistas apontaram que o aumento reflecte a estratégia chinesa de diversificar o acesso a minerais críticos e reduzir os custos ambientais do processamento interno.

O Presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, rejeitou publicamente qualquer tentativa norte-americana de pressionar o país a ceder o controlo sobre a sua riqueza mineral. Num evento sobre energia, no Rio de Janeiro, na segunda-feira, criticou o que considerou ser oportunismo de Washington. Lula acrescentou que qualquer empresa interessada em explorar o solo brasileiro precisa de autorização estatal e está proibida de vender ou transferir direitos sem aprovação do Governo.

Com o prazo para as tarifas a aproximar-se, diplomatas brasileiros tentam evitar uma ruptura comercial. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Mauro Vieira, chegou no domingo aos EUA para reuniões nas Nações Unidas, em Nova Iorque, e indicou que poderá deslocar-se a Washington se a administração Trump manifestar abertura para retomar negociações.

Uma delegação de oito senadores brasileiros permanece em Washington para encontros com legisladores, empresários e representantes da sociedade civil, prevendo ficar até quarta-feira e tentar reunir-se com o secretário norte-americano do Comércio, Howard Lutnick.

Budismo na China: Piedades populares

(continuação do número anterior)

Embora as principais escolas tenham desempenhado papéis históricos significativos e sejam importantes para a compreensão de muitos aspectos do budismo chinês, elas representam apenas uma parte das várias tradições budistas que se desenvolveram na China. Além disso, envolveram principalmente as elites clericais e os seus seguidores da classe alta, com uma exceção parcial do movimento da Terra Pura, que se difundiu mais amplamente. Consequentemente, as principais escolas – especialmente as de orientação escolástica, como a Huayan e a Shelun – tiveram relativamente pouco impacto direto na vida religiosa do povo comum, que adoptou uma variedade de crenças populares e práticas cúlticas que muitas vezes esbateram as linhas de demarcação que separavam o budismo do taoísmo e da religião popular.

Os elementos-chave da visão do mundo budista que moldaram as perspectivas prevalecentes e orientaram os comportamentos religiosos quotidianos incluem as crenças na reencarnação e na lei do karma, que no final do período medieval também se tornaram amplamente aceites fora da comunidade budista. Estas crenças fomentavam uma preocupação prevalecente com a obtenção de uma recompensa cármica favorável, que trazia bênçãos na vida atual – incluindo benefícios utilitários como a acumulação de riqueza ou o gozo de uma vida longa e saudável – e assegurava um renascimento auspicioso na vida seguinte.

A acumulação piedosa de karma positivo ou saudável podia envolver todo o tipo de gestos rituais e actos meritórios, juntamente com o cultivo de toda a gama de disciplinas espirituais incluídas no caminho de prática e realização do bodhisattva. Entre as práticas mais prevalecentes estavam a doação de caridade, a observância de preceitos éticos e a adoração de vários Budas e bodhisattvas. Grande parte das doações religiosamente selecionadas destinava-se a apoiar a construção ou manutenção de mosteiros, o que também envolvia o apoio ao clero residente.

Os generosos donativos dos leigos eram também dirigidos para a construção de várias estátuas, santuários e outros objectos ou locais de culto, incluindo stūpas e pagodes. Os budistas estavam igualmente envolvidos em acções de caridade destinadas a aliviar a pobreza, a doença e outras formas de sofrimento. Para esse fim, estabeleceram várias formas de organizações de caridade que prestavam valiosos serviços sociais à comunidade em geral.

Outra expressão comum da piedade budista era a adesão a preceitos éticos. No nível mais básico, isso implicava a observância dos cinco preceitos tradicionais para os leigos budistas, que envolvem a abstenção de matar, roubar, mentir, má conduta sexual e consumo de álcool.

Alguns leigos empenhados, e ainda mais mulheres leigas, também receberam os preceitos do bodhisattva, que se baseavam no (presumivelmente) apócrifo Fan wang jing (Escritura da Rede Brahma). Outra prática prevalecente inspirada no ideal de compaixão universal do bodhisattva era a observância de uma dieta vegetariana, que se encontra entre as caraterísticas definidoras do budismo chinês. Consequentemente, durante o período medieval, a organização de banquetes vegetarianos comunitários tornou-se uma caraterística proeminente dos festivais budistas e de outras celebrações públicas. Embora se esperasse que todos os membros do clero fossem vegetarianos, o vegetarianismo era opcional para os seus apoiantes leigos, embora a adoção parcial ou total de um estilo de vida vegetariano fosse (e ainda seja) amplamente vista como uma marca de compromisso com o caminho budista.

Ao longo da história da China, as manifestações predominantes da fé budista foram geralmente impregnadas de sentimentos devocionais e articuladas através de uma série de actos e observâncias rituais. De facto, o devocionalismo e o ritualismo estavam entre as caraterísticas mais difundidas e facilmente reconhecíveis do budismo chinês. Para além dos serviços litúrgicos regulares que faziam parte das rotinas monásticas quotidianas, o calendário ritual estava também repleto de muitos outros festivais, celebrações comemorativas e outros rituais públicos.

Algumas formas de práticas ritualizadas, como as recitações de sūtra e as elaboradas cerimónias de arrependimento, podiam durar longos períodos – dias ou mesmo semanas de cada vez. O mesmo se pode dizer da série de palestras públicas que forneciam uma exegese sistemática de textos canónicos populares. Todos estes eventos eram também fontes significativas de receitas para os mosteiros, pois atraíam muitos leigos que faziam donativos generosos.

Os budistas chineses tinham uma variedade de escolhas no que diz respeito a objectos de culto e adulação. O panteão budista é complexo e vasto, povoado por um grande número de Budas, bodhisattvas e outros tipos de divindades. Para além de Śākyamuni (Shijia mouni), o Buda histórico, existem também muitos outros Budas celestiais que, supostamente, partilham todos a mesma natureza fundamental, identificada como o “corpo da verdade” (dharmakāya r fashen), que não é outra coisa senão a essência sem forma e inefável da realidade última. Os Budas mais populares são Vairocana (Pilushena), o sublime Buda cósmico que figura nas Escrituras Huayan, Amitābha (Emituo), que preside à sua lendária terra pura no oeste, e Bhai ajyaguru (Yaoshi), o Buda da cura. Há também Maitreya (Mile), o futuro Buda, que é frequentemente referido como um bodhisattva. Após a era Tang, ele foi representado principalmente como o Buda gordo e risonho, uma imagem onipresente baseada no monge Budai, do século X. Ao longo da história do budismo chinês, todos estes Budas foram amplamente venerados e implorados como fontes supremas de autoridade espiritual ou de poder salvífico.

O mesmo se pode dizer dos principais bodhisattvas, alguns dos quais são também comummente representados como encarnações consumadas das principais virtudes budistas. Por exemplo, Avalokiteśvara (Guanyin), de longe o bodhisattva mais popular e um objeto de culto generalizado em toda a China e no resto da Ásia Oriental, é representado como a personificação da compaixão (ver Yü 2001). Enquanto na Índia Avalokiteśvara era tradicionalmente retratado como uma figura masculina aristocrática, na China sofreu uma espécie de transformação de género: a partir do século X, o bodhisattva passou a ser representado numa série de formas femininas. Outros bodhisattvas amplamente adorados incluem Mañjuś ī (Wenshu), a personificação da sabedoria, e K itigarbha (Dizang), que se diz descer aos vários infernos para salvar os seus infelizes habitantes. Os cultos dominantes dos bodhisattvas também se tornaram intimamente associados à prática da peregrinação. Este facto é exemplificado pelas quatro principais montanhas budistas da China – Putou, Wutai, Jiuhua e Emei – cada uma das quais é identificada como o principal santuário de um bodhisattva-chave.

De acordo com os costumes e ideais Mahāyāna prevalecentes, especialmente o ethos da compaixão universal, a realização de rituais e a participação em todo o tipo de práticas eram supostamente dedicadas ao bem-estar e à salvação de todos os seres vivos. No entanto, muitas vezes as principais fontes de motivação eram muito mais pessoais ou subjectivas. Havia, naturalmente, o objetivo básico da salvação pessoal; no entanto, este era frequentemente misturado ou substituído pela procura de todo o tipo de benefícios mundanos, não só para o próprio, mas também para os membros da sua família. A inclusão de outros baseava-se na crença de que o mérito acumulado pela dádiva ou patrocínio de determinados rituais poderia ser direcionado para a realização de objectivos específicos, incluindo a salvação de outras pessoas. Esta crença estava em sintonia com atitudes profundamente enraizadas e com as observâncias rituais habituais centradas no culto dos antepassados, que se tornaram elementos-chave da vida social e religiosa chinesa muito antes da introdução do budismo. Ao proporcionar locais de encontro para o clero budista foi capaz de se integrar ainda mais nas matrizes sociais e culturais centrais da vida chinesa. Isso também lhe permitiu explorar fontes adicionais de apoio económico, mesmo que a realização de rituais para compensação monetária levasse frequentemente a negligenciar outros aspectos da vida monástica, incluindo a prática contemplativa.

Declínio e renascimento da era imperial tardia

As principais crenças, doutrinas, práticas, escolas e instituições que são emblemáticas do budismo chinês desenvolveram-se todas durante o primeiro milénio da história da religião na China. O núcleo principal do cânone também estava praticamente completo antes do final da era Tang, embora muitos textos adicionais tenham sido escritos ou compilados durante os séculos seguintes. De um modo geral, os impactos do budismo na cultura e sociedade chinesas foram visivelmente mais fracos durante o segundo milénio, que coincide, na sua maior parte, com a era imperial tardia da história chinesa.

Estas realidades, juntamente com outros factos históricos relacionados, levaram Kenneth Ch’en, na sua influente história do budismo chinês, a esboçar a história do budismo durante este período como uma narrativa de declínio progressivo, uma queda gradual em relação às glórias da era Tang (Ch’en 1964: 389-454). Esta ampla caraterização não é, na sua maior parte, problemática, sendo aceite pela maioria dos budistas e académicos da Ásia Oriental. O mesmo se pode dizer dos historiadores da China imperial tardia, que, entre outras coisas, chamam a atenção para as formas como a tradição confucionista ressurgente, especialmente na versão neo-confucionista for- mulada por Zhu Xi (1130-1200), eclipsou largamente o budismo a partir do período Song.

Há, no entanto, algumas vozes discordantes que divergem da narrativa dominante de declínio, representadas principalmente por académicos americanos que trabalham sobre o budismo da era Song. Na sua vontade de sublinhar a importância da época e do tema que estudam, alguns chegaram mesmo a sugerir que o budismo Song, afinal, merece corretamente o epíteto de “idade de ouro” do budismo chinês (Gregory e Getz 1999: 2-4). É verdade que o estudo de Ch’en está bastante desatualizado e que muitas das suas interpretações, incluindo partes do seu tratamento largamente desdenhoso do budismo chinês posterior, podem ser questionadas. Além disso, há uma série de questões que complicam o mapeamento de trajectórias históricas mais vastas, e o mesmo se pode dizer das comparações quantitativas e qualitativas de diferentes épocas. No entanto, sem entrar nos pormenores de argumentos específicos ou das circunstâncias que conduzem a este tipo de debate académico, a essência básica da narrativa geral de Ch’en sobre o budismo na China imperial tardia permanece mais próxima da realidade histórica do que as tentativas pouco convincentes de revisionismo histórico acima mencionadas.

Mesmo assim, é verdade que houve um considerável florescimento do budismo durante a era Song. Durante este notável período de efervescência cultural, os mosteiros budistas e outros locais de culto continuaram a ser importantes misturas na paisagem social, e a religião tinha numerosos seguidores entre as elites sociopolíticas e os plebeus. Os mosteiros budistas continuavam a albergar numerosos monges e a ser objeto do impacto budista nas artes durante este período é evidente nas muitas estátuas graciosas e nas belas pinturas que apresentam temas ou imagens budistas. O mesmo se pode dizer dos escritos de intelectuais notáveis, como Su Shi (1037-1101), o famoso escritor, poeta, pensador e oficial, que esteve entre as principais personalidades da era Song.

Apesar dos sinais de declínio intelectual e institucional, durante a era Song houve desenvolvimentos notáveis numa variedade de áreas, incluindo o escolasticismo Tiantai e a produção literária Chan. Além disso, muitos elementos do budismo chinês tardio que ainda hoje são evidentes foram formulados durante a era Song. Isso inclui as codificações peculiares da vida monástica representadas pelas “regras de pureza” (qinggui) que foram desenvolvidas pela escola Chan, que era a tradição de elite dominante do budismo Song.

Outros exemplos são as várias formas de piedade popular incluídas na tradição da Terra Pura, vagamente estruturada (discutida no capítulo de Jimmy Yu neste volume), e alguns dos principais estilos de prática contemplativa, epito- mizados pela abordagem “observando a frase crítica” (kan huatou) da meditação Chan que foi defendida por Dahui (1089-1163). Estas e outras caraterísticas do Budismo Song foram também exportadas para a Coreia e para o Japão, com ramificações significativas para o desenvolvimento subsequente do Budismo em ambos os países.

Na sua maioria, não se registaram muitos desenvolvimentos inovadores ou mudanças de paradigma notáveis após a era Song. A falta de inovação e criatividade em áreas como a especulação filosófica, a exegese das escrituras, o desempenho ritual ou o desenvolvimento institucional foram acompanhados por uma prevalência de atitudes conservadoras. Mesmo quando houve tentativas intermitentes de reavivamentos budistas, estas envolveram frequentemente evocações de glórias passadas e esforços algo frustrados para recapturar elementos-chave de antigas tradições budistas.

Isso é evidente, por exemplo, no renascimento das formas clássicas do Chan durante o século XVII, que, entre outras coisas, envolveu a imitação de estilos retóricos e de ensino iconoclásticos que, de acordo com a tradição popular do Chan, estavam ligados aos grandes mestres das eras Tang e (em menor grau) Song. Isso incluía a gritaria ritualizada e o espancamento de estudantes. Embora este tipo de actos dramáticos se destinasse supostamente a evocar o verdadeiro espírito do Chan, eram também criticados por serem pouco mais do que representações teatrais, destinadas principalmente a impressionar audiências monásticas e leigas não sofisticadas (ver Wu 2008).

Isso não significa que o budismo tenha deixado de ser uma parte notável da paisagem religiosa na China imperial tardia. No entanto, em muitas áreas significativas, o budismo foi ensombrado por uma ortodoxia neo-confucionista abrangente que não só dominava a vida intelectual, social e política, como também proporcionava aos literatos vias apelativas de cultivo espiritual.

A relativa fraqueza do Budismo é evidente na falta de respostas convincentes e eficazes aos desafios colocados pela primazia do Confucionismo. Ao mesmo tempo, um olhar mais atento sobre a sociedade chinesa local revela que a relação entre o budismo e o neo-confucionismo era um pouco mais complexa do que muitas vezes se supõe. Por exemplo, durante o final da era Ming (1368-1644), muitos membros da nobreza local, apesar da sua educação e lealdade neo-confucionista, eram visitantes frequentes e importantes patronos de mosteiros budistas (Brook 1994). Havia também as actividades de uma variedade de reformadores budistas – como Yunqi, Zhuhong (1535-1615) e Zibo Zhenke (1543-1603) – que tentaram formular novas respostas a situações sociais e culturais em mudança. Alguns deles foram também bastante bem sucedidos na mobilização dos leigos.

Entre os acontecimentos significativos que tiveram lugar durante o período imperial tardio, esteve a transmissão de formas tibetanas de budismo para algumas partes da China, incluindo a capital imperial de Pequim. A introdução inicial do budismo tibetano ocorreu no início da dinastia Yuan (1271-1368), durante o reinado do grande Khublai Khan (r. 1260-1294), o fundador da dinastia e o primeiro monarca mongol a estabelecer um domínio estável e duradouro sobre a China.

Na sequência da conquista mongol do Tibete em 1252, Khubilai Khan e as elites mongóis viraram-se para o budismo tibetano como a sua religião de eleição, embora continuassem a manter uma política geral de tolerância religiosa. O mais notável missionário budista tibetano foi o ‘Phags-pa Lama (1235-1280), que foi convidado para a capital mongol. Aí ofereceu instrução religiosa a Khubilai e a outros membros da corte imperial. ‘Phags-pa e os seus seguidores também transmitiram várias formas de rituais e práticas tântricas que estavam em voga na altura.

As variedades tântricas do budismo tibetano e mongol foram também patrocinadas pelos governantes manchus da dinastia Qing (1644-1911). Isto foi parcialmente motivado por considerações políticas, uma vez que os imperadores Qing estavam interessados em consolidar a sua influência sobre o Tibete e a Mongólia. O imperador Qianlong (r. 1735-1795) chegou mesmo a apresentar-se como uma encarnação de Mañjuśri (Wenshu), o popular bodhisattva que era adorado como uma personificação da sabedoria.

No entanto, estas formas exóticas de budismo tiveram pouco impacto na vida religiosa dos súbditos chineses governados pelos manchus, uma vez que os estilos tradicionais chineses de culto e prática permaneceram dominantes no meio budista mais vasto da China Qing. Uma grande perturbação durante a última parte da dinastia Qing, que teve consequências particularmente negativas para a sorte do budismo, foi a violenta rebelião de Taiping (1850-1864), que pôs de joelhos a outrora poderosa dinastia. Liderados por Hong Xiuquan (1814-1964), que se inspirava no cristianismo e se autoproclamava filho de Deus, os zelosos rebeldes tinham má vontade para com o budismo e muitos mosteiros budistas foram danificados ou destruídos durante este período sangrento e angustiado.

Cotai | Zona de espectáculos ao ar livre com futuro incerto

A presidente do Instituto Cultural, Deland Leong Wai Man, reconheceu que o futuro do Local de Espectáculos ao Ar Livre ainda está por decidir e que a continuidade ainda não está garantida, depois do período experimental actualmente a decorrer. A posição foi tomada ontem pela presidente do IC depois de uma reunião do Conselho Consultivo para o Desenvolvimento Cultural.

Em reacção ao anúncio de que um espectáculo agendado para o início de Setembro (Festival S20) tinha sido cancelado pelo organizador, Leong revelou que está previsto que o espaço gerido pelo Governo receba, pelo menos, mais três espectáculos até ao final do ano. Os espectáculos estão agendado para os finais de Setembro, Outubro e Dezembro.

A responsável pelo IC explicou também que o funcionamento da zona de espectáculos no futuro não está garantida e que o IC vai fazer uma ponderação, quando terminar o período experimental de um ano. Leong prometeu também o anúncio da decisão para “um momento oportuno”.

Ontem, em declarações aos jornalistas, Deland Leong revelou também que a 2ª edição do Festival Internacional de Artes para Crianças de Macau vai receber mais de 1.000 actividades e espectáculos. O evento realizado entre Julho e Agosto conta com um orçamento de cerca de 20 milhões de patacas.

Segundo o jornal Ou Mun, a responsável não conseguiu apresentar os dados estatísticos para a participação neste ano, porque o festival ainda se encontra a decorrer. Deland Leong recordou que houve cerca de 210 mil participantes no ano passado, e que a proporção de residentes foi maior do que a de turistas. Actualmente, mais de 80 por cento dos bilhetes para os eventos estão vendidos.

Art Macao | Projecto dos artistas The Haas Brothers para ver no COD

Está aí mais uma exposição integrada no cartaz da “Art Macao: Bienal Internacional de Arte de Macau 2025”. Desta vez o público terá a oportunidade de ver o projecto “The Haas Brothers: Clair de Lune”, patente no City of Dreams

 

Depois da apresentação no The A4 Art Museum, em Chengdu, no ano passado, eis que “Clair de Lune”, obra dos artistas The Haas Brothers chega a Macau, integrada no cartaz da “Art Macao: Bienal Internacional de Arte de Macau 2025”, na secção de exposições especiais.

Estando disponível para visitas no City of Dreams (COD), no Cotai, até ao dia 12 de Setembro, “Clair de Lune” apresenta uma série de peças e instalações dos dois irmãos nascidos em Austin, Texas, numa “viagem onde a memória e a emoção convergem num imersivo mundo de arte”, descreve o COD numa nota.

Em “Clair de Lune”, a luz transforma-se numa “metáfora, construindo uma narrativa emocionalmente rica que é acompanhada por uma personagem antropomórfica”, tratando-se de uma aposta do COD na “exploração da arte e compromisso para com a cultura multidisciplinar”.

Ainda segundo a mesma nota, esta exposição “reflecte a filosofia criativa consistente dos artistas”, que procuram “quebrar barreiras entre disciplinas, activar os sentidos e evocar uma ressonância emocional”, sendo que o nome da mostra remete para a composição do francês Claude Debussy, “Clair de Lune”.

Os The Haas Brothers também foram buscar inspiração às memórias de infância das chamadas “Moon Towers” [Torres de Lua], estruturas utilizadas para iluminar Austin à noite. Para os dois irmãos, estas torres “tornaram-se um último símbolo das suas memórias de infância, ultrapassando a linha entre a verdadeira lua e a lua artificial”.

Aqui, a lua torna-se numa metáfora “para a migração emocional, em que o fluxo de luz representa os dois caminhos de uma jornada entre ‘o chegar e o partir'”. Convida-se, assim, o público a desfrutar e interpretar à sua maneira estes jogos de luzes e sombras, construindo-se uma jornada de “percepção, reflexão e exploração emocional”.

Seis peças com significado

“Clair de Lune”, no COD, inclui seis instalações que “constroem um mundo poético e imaginativo” em conexão com a lua, apresentando-se cinco esculturas com lâmpadas inspiradas nas “Moon Towers”, com nomes como “A Street Light Named Desire”, “Let There be Street Light”, “A Light in the Streets and Freak in the Sheets”, “Lamp of Approval” e “Light to Remain Silent”.

Os trabalhos, com “títulos evocativos e formas expressivas”, constituem “um reflexo de temas como o desejo, o reconhecimento ou o silêncio”. A sexta peça apresentada, “Reach-able Moment” apresenta uma personagem semelhante a um macaco que “simboliza a busca, não apenas por amor, paciência e devoção, mas também por um significado mais profundo”, tal como uma “reflexão pacífica e filosófica do sentido da existência”.

Os The Haas Brothers são Simon e Nikolai Haas, vivendo actualmente em Los Angeles. Nos últimos anos “desenvolveram uma linguagem artística multidisciplinar e distinta, trabalhando com moda, cinema, música e design criativo”. A sua prática artística “continua a expandir as possibilidades da expressão artística ao desafiar ambientes convencionais”, apresentando “uma abordagem antropomórfica” na “experimentação de formas e materiais”. Nesse processo, ambos “questionam e respondem às funções sociais da arte e contextos da cultura onde estas habitam”.

Mais concretamente sobre “Clair de Lune” e o poder da luz da lua, os dois artistas referiram, citados pela mesma nota, que se trata de algo “fugaz, mas poderoso”, que “muda tudo aquilo em que toca, que transforma o comum em algo fantástico”. “Essa transformação é aquilo que somos depois. Se conseguirmos levar o observador a um mundo tranquilo, humorístico e de reflexão, então fizemos o nosso trabalho como artistas”, referiram.

Chikungunya | Diagnosticado quinto caso importado

Os Serviços de Saúde anunciaram na segunda-feira à noite o quinto caso importado de febre de Chikungunya. Na nota de imprensa divulgada em língua chinesa, é indicado que a doente é uma residente com 70 anos, que entre 14 e 18 de Julho viajou sozinha no Interior, na cidade de Foshan.

Após regressar, a 25 de Julho começou a apresentar os primeiros sintomas, como dores nas articulações das pertas. Num primeiro momento, a mulher tomou medicamentos de alívio rápido. Contudo, como no domingo desenvolveu alergia e erupções cutâneas no joelho e num dos braço deslocou-se ao Centro Hospitalar Conde São Januário, onde acabou por ser diagnosticada.

A mulher está livre de perigo e em condição estável. Após o caso ser detectado, foram realizadas acções de extermínio de mosquitos junto da habitação da mulher, que fica próxima da Avenida do Lam Mau, no norte da cidade.

Hengqin | UM pagou 173,3 milhões por projecto de arquitectura e design

O Instituto de Investimento em Design Arquitectónico da Universidade de Tecnologia do Sul da China foi escolhido para o projecto de arquitectura e design do campus da Universidade de Macau em Hengqin. A informação oficial não permite conhecer as outras entidades convidadas a apresentar propostas, nem os preços

 

A Universidade de Macau pagou 153,8 milhões de renminbis (173,3 milhões de patacas) pelo projecto de design arquitectónico do futuro campus da instituição de ensino na Zona de Cooperação Aprofundada. O montante foi divulgado através da Direcção dos Serviços da Supervisão e da Gestão dos Activos Públicos (DSSGAP), uma vez que o pagamento foi feito através da empresa Guangdong Hengqin UM Higher Education Development.

A informação oficial indica que a empresa escolhida para a prestação do serviço foi o Instituto de Investimento em Design Arquitectónico da Universidade de Tecnologia do Sul da China. A selecção da empresa resultou de uma consulta directa realizada pelo braço de investimento da Universidade de Macau em Hengqin. No entanto, a informação oficial não permite saber que outras empresas foram convidadas a apresentar propostas para o design arquitectónico, nem o valor a pagar pelo serviço constante nessas propostas.

Desde o início do ano que esta é a segunda adjudicação a empresas localizadas no Interior da China realizada pela Guangdong Hengqin UM Higher Education Development em relação aos trabalhos do novo campus. A outra adjudicação, no valor de 35,9 milhões de renminbis (40,5 milhões de patacas), foi feita ao escritório de Pequim da consultora Rider Levett Bucknall, que tem a sede principal em Hong Kong, e também resultou de uma consulta de preços.

Os serviços prestados pela Rider Levett Bucknall visaram o “serviço de controlo de custos” face às obras do campus nos lotes de terreno identificados como A1 a A6 da Zona de Cooperação Aprofundada.

Novo Campus

A empresa Guangdong Hengqin UM Higher Education Development foi criada pela Universidade de Macau no Interior da China para construir o novo campus. Actualmente, o capital social da empresa é de 4 mil milhões de renminbis.

Como resultado deste investimento, a UM aceitou pagar 1,4 mil milhões de patacas à Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau, na Ilha da Montanha, pelo terreno de 375.600 metros quadrados que vai receber o novo campus. Este investimento significou o pagamento de 2.758 patacas por metro quadrado.

De acordo com os planos anunciados anteriormente pela UM, o terreno está dividido em 9 lotes, dos quais 6 vão ser utilizados para construir laboratórios, faculdades, e outras instalações universitárias, enquanto outros três lotes se prendem com a obrigação da UM construir as estradas da Zona de Cooperação Aprofundada. São esperados pelo menos 10 mil alunos no campus que deverá ficar concluído até 2028, ano em que iniciará as operações com 8 mil alunos, entre os quais 4 mil a frequentarem licenciaturas. Espera-se também que o campus necessite de cerca de 500 funcionários para operar.