Habitação | Menos transacções e casas mais baratas

O mercado de habitação continua a diminuir de forma consistente. Em termos anuais, Novembro registou uma redução de 20,4 por cento no número de transacções e de 10,9 por cento no preço médio do metro quadrado

Em Novembro, o número e transacções de habitação apresentou uma redução anual e 20,4 por cento, de acordo com os dados mais recentes publicados pela Direcção dos Serviços de Finanças (DSF). No mês passado, registaram-se 238 transacções, quando em Novembro de 2024 se contabilizaram 299 transacções, uma redução de 61 negócios.

O mercado mais activo em Novembro deste ano, foi o da Península de Macau com 173 transacções, menos 35 que no ano passado, o que representou um queda de 16,8 por cento. Na Taipa, foram registadas 44 vendas de habitação, menos 24 do que no ano passado, quando foram registadas 68. Finalmente, em Coloane registaram-se 21 transacções, uma redução de duas vendas em relação ao período homólogo.

Em termos dos preços da habitação, o mês de Novembro ficou marcado por uma redução no metro quadrado, em relação ao mesmo mês de 2024, de 74.364 patacas para 69.311 patacas. Esta representou uma diferença anual de 5.053 patacas ou 6,8 por cento.

A redução do preço foi comum a todos os três mercados. Em Coloane, o preço médio do metro quadrado caiu de 93.970 patacas para 83.707 patacas, uma diferença de 10,9 por cento por cento. Na Península e na Taipa os preços apresentaram igualmente uma tendência negativa. Em Macau, o metro quadrado desvalorizou no espaço de um ano de 70.526 patacas para 66.303 patacas, uma diferença de 6,0 por cento. Na Taipa, a redução foi de 78.144 patacas para 71.155 patacas, uma desvalorização anual de 8,9 por cento.

Duplamente negativo

Também a comparação mensal mostra um mercado a encolher ao nível do número de transacções e dos preços praticados. Entre Outubro e Novembro deste ano, o preço médio do metro quadrado apresentou uma redução de 4,9 por cento, de 72.873 patacas por metro quadrado para 69.311 patacas por metro quadrado.

A redução do preço deveu-se ao mercado da Península, com uma diminuição de 72.629 patacas para 66.303 patacas, o correspondente a 8,7 por cento e a Coloane, com uma redução dos preços de 87.535 patacas para 83.707 patacas, correspondente a 4,4 por cento. Já na Taipa, o metro quadrado valorizou 11,5 por cento no espaço de um mês de 63.802 patacas para 71.155 patacas, contrariando a tendência geral.

Iniciativa de Macau | Manifesto defende aposta na tecnologia

O Fórum Internacional de Intercâmbio Civilizacional terminou ontem com a divulgação da ‘Iniciativa de Macau’ de um manifesto que apela aos jovens para aproveitarem a tecnologia ao serviço do diálogo e cooperação entre civilizações. Na cerimónia de encerramento, a presidente do Instituto Cultural de Macau, que organizou o fórum, leu o documento, que “encoraja os jovens a aproveitar as novas tecnologias, como a digitalização e as aplicações inteligentes”.

Leong Wai Man afirmou que é preciso formar as novas gerações “para que se tornem herdeiros e inovadores da aprendizagem mútua entre civilizações” e construam um mundo “inclusivo, cooperativo e virado para o futuro”. O manifesto defende ainda a necessidade de não apenas proteger o património partilhado da humanidade, mas também de reforçar “a utilização inovadora das várias formas de património cultural tangível e intangível”.

O documento apela à “exploração profunda do valor contemporâneo das culturas históricas de todos os países”, usando a “transformação criativa” para aplicar a “sabedoria tradicional” no mundo moderno. Macau é o local ideal para esta iniciativa, refere o manifesto, devido à “valiosa experiência de coexistência harmoniosa de civilizações reflectida no centro histórico” da região. O fórum assinalou ainda os 20 anos desde que a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) classificou o centro histórico de Macau como Património Mundial, em 2005.

Metro Ligeiro | Qingmao vai ser centro de ligação de várias linhas

A estação de Metro Ligeiro de Qingmao vai ser vir para fazer a ligação entre diferentes linhas, pelo que o custo das obras subiu para 7,59 mil milhões de patacas, quando originalmente era de 3,04 mil milhões de patacas.

De acordo com o canal chinês da Rádio Macau, a informação consta do relatório da Execução Orçamental do Plano de Investimentos e Despesas de Desenvolvimento da Administração (PIDDA), no qual o projecto de extensão da Linha Leste surge com uma nova denominação.

A nova denominação identifica a estação como o ponto de ligação entre a Linha Leste e o Jardim Desportivo para os Cidadãos no Lote do Antigo Canídromo.

A mudança de nome foi identificada na Assembleia Legislativa, no âmbito dos trabalhos da Comissão de Acompanhamento para os Assuntos de Finanças Públicas, liderada pela deputada Song Pek Kei. Segundo a presidente da comissão, que citou explicações do Governo, o número de estações vai ser aumentado de um para dois, o que conjugado com os custos das obras, materiais e sistemas a instalar, vai fazer o custo subir para 7,59 mil milhões de patacas.

SJM | Luz verde a aquisição do casino L’Arc

O Governo aprovou ontem o negócio que irá “salvar” o único casino-satélite do território, dando luz verde à aquisição do Royal Arc pela SJM Resorts. A aprovação, que surge dois dias depois do voto favorável dos accionistas do grupo, requereu pareceres de vários de serviços públicos

É oficial. O casino L’Arc faz parte do portfólio de propriedades exploradas pela concessionária de jogo SJM Resorts. O Governo deu ontem luz verde ao negócio através de um despacho do secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam Vai Man, publicado no Boletim Oficial.

A aprovação permite a exploração de jogo, para lá de 31 de Dezembro de 2025, ao único casino-satélite do território a sobreviver às alterações que regulam a indústria dos casinos.

Assim sendo, o despacho do secretário para os Transportes e Obras Públicas indica que “foi autorizada a transmissão da concessão, de acordo com o proposto no parecer da Comissão de Terras”, depois do pedido de transmissão da fracção onde está o casino e hotel ter sido apresentado no dia 11 de Novembro.

No pedido, a SJM alegou que a “transmissão visa manter a exploração e operação contínuas do casino existente nessa fracção autónoma, que funciona como um casino satélite, transformando-o num casino pertencente à concessionária de jogos”. Além do parecer positivo da Comissão de Terras, depois de uma reunião no passado dia 4 de Dezembro, a transferência contou com a aprovação de vários serviços públicos.

“Reunidos os pareceres da Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos e da Direcção dos Serviços de Turismo, o pedido foi apreciado pela Direcção dos Serviços de Solos e Construção Urbana, que se pronunciou favoravelmente por não estar em dívida prémios, foros, rendas, taxas ou impostos respeitantes à concessão e não haver indícios de que a transmissão é pedida para fins especulativos”, é indicado no despacho de Raymond Tam Vai Man.

Passo a passo

O edifício onde está o casino tem “62 pisos, incluindo dois pisos de refúgio, dois pisos de mezanine e três pisos em cave, destinado à habitação, comércio, hotel de 5 estrelas, estacionamento para habitação e estacionamento para hotel”.

Recorde-se que a SJM Holdings realizou na segunda-feira uma assembleia-geral extraordinária onde os accionistas votaram esmagadoramente a favor da aquisição do antigo casino-satélite L’Arc, segundo uma nota enviada pelo grupo à bolsa de valores de Hong Kong. A aquisição, aprovada por 99,93 por cento, irá custar 1,75 mil milhões de dólares de Hong Kong.

Nove dos 11 “casinos-satélite” de Macau já encerraram. O último a fechar portas, em 09 de Dezembro, foi o Fortuna, com mais de 550 funcionários. O décimo, o Landmark, que tem 1.169 trabalhadores, vai encerrar em 30 de Dezembro.

A SJM sublinhou que todos os funcionários dos ‘casinos-satélite’ com estatuto de residente em Macau e directamente contratados pela empresa têm emprego garantido noutros casinos do grupo. Já os outros trabalhadores locais, “são convidados a candidatarem-se a vagas relacionadas” dentro do grupo, “com prioridade para contratação” e com condições iguais às que tinham.

Administração | Wong Sio Chak dá posse a Sónia Chan e Lo Pin Heng

O secretário para a Administração e Justiça, Wong Sio Chak, presidiu ontem de manhã à cerimónia de tomada de posse da nova Directora dos Serviços de Identificação (DSI), Sónia Chan, e da nova Directora do Centro de Formação Jurídica e Judiciária, Lo Pin Heng.

De acordo com um comunicado emitido pelo gabinete de Wong Sio Chak, o governante “reconheceu plenamente a vasta experiência de gestão e a excelente capacidade de liderança das duas directoras, destacando a sua consciência conjuntural e capacidade de execução”. No dia da tomada de posse, as nomeações foram também oficializadas através de despachos publicados no Boletim Oficial. A comissão de serviço de Lo Pin Heng começou ontem e tem um período de um ano, à semelhança da nomeação de Sónia Chan à frente da DSI.

Wong Sio Chak incitou o pessoal da DSI, sob a liderança de Sónia Chan, a aprofundar a inovação na reforma, melhorar o serviço ao público e responder às necessidades de desenvolvimento da Grande Baía e da Zona de Cooperação em Hengqin. Em relação a Lo Poin Heng, Wong Sio Chak espera que sob a sua liderança, o Centro de Formação Jurídica e Judiciária forneça formação mais profissional, de qualidade e adequada ao Governo, aos órgãos judiciais e ao sector jurídico.

FAOM | Nova direcção liderada por Lam Lon Wai quer mais patriotismo

A promoção do patriotismo é a grande prioridade da nova direcção da Federação das Associações dos Operários de Macau, que vai ser liderada pelo deputado Lam Lon Wai

O patriotismo é a principal prioridade da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) para os próximos anos. A garantia foi deixada por Lam Lon Wai, que na terça-feira foi eleito como novo presidente da direcção, após a primeira reunião ordinária da direcção da FAOM.

Em declarações ao jornal Ou Mun, Lam Lon Wai afirmou que vai continuar a promover a “tradição gloriosa do amor a pátria e a Macau da associação”, unindo os trabalhadores no apoio à governação da RAEM, de acordo com as leis em vigor. O presidente da associação também apontou que vai apostar na melhoria dos serviços da FAOM, de forma a contribuir para a “prática do princípio ‘Um País, Dois Sistemas’”, ao mesmo tempo que eleva a “atracção, coesão e capacidade de serviços” que a associação presta.

Em relação aos restantes membros da associação, num nível hierárquico inferior face a Lam Lon Wai, Kong Ioi Fai foi eleito presidente da administração da associação. Embora não seja deputado, Kong foi o mandatário da lista da FAOM, a União para o Desenvolvimento, nas últimas eleições legislativas realizadas a 14 de Setembro.

Sobre as metas para este mandato, Kong Ioi Fai indicou que os objectivos passam por apostar na defesa dos direitos laborais, em aumentar a participação na governação, ao fazer a ponte entre a população e o Governo, e ainda pela promoção de uma sociedade mais harmoniosa. A associação promete também trabalhar para implementar novos sindicatos, à luz da nova lei.

Patriotismo nas empresas

Kong Ioi Fai revelou também que a associação vai apostar na promoção do patriotismo no sector laboral, esperando criar uma cultural patriótica forte nas empresas. Esta aposta passa pelo desenvolvimento de manuais e conteúdos para os trabalhadores sobre patriotismo.

O responsável ainda revelou que a associação vai continuar a organizar concursos de competências profissionais e actividades de atribuição de prémios, para destacar os funcionários considerados de excelência em diferentes áreas.

Ao mesmo tempo, a nova direcção vai organizar mais aulas sobre inteligência artificial e comércio electrónico transfronteiriço, para formar os quadros qualificados necessários da diversificação económica de Macau. Kong Ioi Fai destacou também que a FAOM vai explorar a Zona A dos Novos Aterros Urbanos e fornecer mais apoios sociais.

Em relação aos restantes cargos da nova direcção da FAOM, a presidente da direcção anterior, Ho Sut Heng, foi eleita como presidente do Conselho Fiscal. Na nova direcção são mantidos alguns dos membros mais mediáticos dos últimos anos, como os actuais deputados Ella Lei, Leong Sun Iok, Leong Pou U e os ex-deputados Lei Chan U e Lee Chong Cheng. A nova direcção vai tomar posse a 20 de Janeiro.

Governo | Secretários empenhados em cumprir orientações de Xi

No rescaldo do balanço de um ano de governação apresentado por Sam Hou Fai em Pequim, os titulares dos principais cargos públicos prometeram empenho na articulação com o 15.º plano quinquenal. Além disso, comprometeram-se em nortear o rumo do desenvolvimento de Macau pelas “importantes instruções” dadas por Xi Jinping

Todo o elenco governativo, e restantes titulares dos principais cargos como a Comissária contra a Corrupção, ou o Procurador da RAEM, emitiram ontem comunicados a demonstrar empenho no cumprimento das orientações dadas pelo Presidente Xi Jinping durante a apresentação do balanço do primeiro ano de governação do Executivo liderado por Sam Hou Fai em Pequim.

Ainda antes de chegar ontem à tarde a Macau, o Chefe do Executivo “expressou a sua sincera gratidão ao Presidente pelo total reconhecimento do trabalho do governo da RAEM, bem como pela orientação valiosa e instruções importantes”. Sam Hou Fai sublinhou que o Governo irá estudar e compreender “seriamente” as orientações dadas por Xi Jinping, “bem como implementá-las, firmemente” nas Linhas de Acção Governativa do próximo ano.

Recorde-se que Xi Jinping indicou que Sam Hou Fai, liderou o novo Governo da RAEM no avanço resoluto e na acção pragmática, na defesa firme da soberania, da segurança e dos interesses do desenvolvimento do país, reconhecendo “plenamente o trabalho desenvolvido pelo Chefe do Executivo e o Governo da RAEM”. O Presidente chinês frisou que a governação se deve articular com o 15.º Plano Quinquenal, “insistir e melhorar a predominância do poder Executivo, impulsionar, de forma sólida, o desenvolvimento da diversificação adequada da economia, elevar constantemente a eficiência da governação e integrar melhor a conjuntura do desenvolvimento nacional e servi-lo”.

Entusiasmo generalizado

As reacções de todos os secretários seguiram-se numa sucessão de comunicados. O secretário para a Administração e Justiça, Wong Sio Chak, “afirmou que as importantes instruções dadas pelo Presidente Xi Jinping nortearam o rumo de desenvolvimento de Macau”, e que todo o pessoal da sua tutela está “bastante entusiasmado” e empenhado em implementar as orientações.

Como todos os secretários, Wong Sio Chak garantiu que “a área da Administração e Justiça irá agir proactivamente na articulação com o 15.º Plano Quinquenal do país”, e continuar a aprofundar a reforma da administração pública, promover a governação electrónica e melhorar o funcionamento dos serviços públicos.

Já a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura afirmou que as “importantes directrizes” de Xi Jinping reforçaram a confiança e foram um “grande estímulo para a equipa” da sua tutela. O Lam acrescentou que as instruções do Presidente “são clarividentes, apresentando uma forte dimensão política, ideológica, estratégica e orientadora”, que serão tomadas como “guia de acção”.

Na mesma linha, o secretário para os Transportes e Obras Públicas afirmou que o 15.º Plano Quinquenal Nacional delineia, de forma sistemática, um grandioso projecto para o desenvolvimento nacional nos próximos cinco anos”. Raymond Tam Vai Man destacou as disposições sobre a optimização do layout económico regional e a Grande Baía, que “fornecem uma orientação fundamental para os trabalhos na área dos Transportes e Obras Públicas”. O governante acrescentou que é preciso ultrapassar os estrangulamentos do desenvolvimento de Macau através de grandes projectos de infra-estruturas de transportes e expandido o espaço urbano por meio de aterros e da renovação urbana.

Guardiões do país

Também o secretário para a Economia e Finanças, Anton Tai Kin Ip, afirmou que implementará as importantes directrizes do Presidente Xi Jinping. Além disso, garantiu que “serão consolidadas as funções de ‘um centro, uma plataforma, uma base’, aproveitando a vantagem única de Macau como ‘interlocutor de precisão’ entre a China e os países lusófonos para promover a cooperação com estes países”. O secretário acrescentou que a sua tutela está empenhada em ampliar intercâmbios internacionais, “narrando bem o capítulo de Macau das Histórias da China”.

Por sua vez, o secretário para a Segurança comprometeu-se em salvaguardar “firmemente a soberania, a segurança e os interesses do desenvolvimento do Estado, definindo os rumos sob a liderança do 15.º Plano Quinquenal, preparando-se para as adversidades em tempos prósperos”.

A intensificação da prevenção e redução dos efeitos de desastres naturais foi também destacada por Chan Tsz King, que se comprometeu em agir “contribuindo para a construção de um país forte e para a grande causa do rejuvenescimento nacional com a modernização ao estilo chinês”.

Outra prioridade avançada por Chan Tsz King, foi a facilitação das passagens fronteiriças, com particular foco na ligação entre Macau e Hengqin.

Já o director-geral dos Serviços de Alfândega (SA), Adriano Marques Ho, garantiu que, “como guardiões da segurança nacional”, irá implementar “inabalavelmente os requisitos da “perspectiva geral da segurança nacional”, combatendo “severamente” todas as actividades que ameacem a segurança nacional. O responsável acrescentou que os SA estou “incumbidos da pesada responsabilidade de salvaguardar a ordem económica da RAEM”

A comissária contra a Corrupção, Ao Ieong Seong, optou por destacar que o 15.º Plano Quinquenal exige lucidez e firmeza na luta contra a corrupção e abusos de poder.

À chegada

Durante a apresentação a Xi Jinping do balanço da sua governação, Sam Hou Fai percebeu a grande importância e preocupação que o Presidente chinês e o Governo Central atribuem ao desenvolvimento de Macau, afirmou o Chefe do Executivo à chegada à RAEM, ainda no aeroporto. O governante local reiterou os “sinceros agradecimentos” pelo apoio de Pequim e garantiu que irá unir e liderar todos os sectores da sociedade para estudar, implementar e executar plenamente os discursos e instruções “importantes” de Xi Jinping, de acordo com o canal chinês da Rádio Macau.

Sam Hou Fai afirmou ainda que as directrizes indicadas pelo Presidente chinês vão guiar o planeamento das tarefas-chave do Executivo para o próximo ano, e anos seguintes. Segundo o Chefe do Executivo, o líder chinês pediu melhorias no sistema jurídico e nos mecanismos de aplicação da lei para salvaguardar a segurança nacional.

UCM | Livro Branco sugere métodos para acelerar diversificação económica

O “Livro Branco sobre a Cooperação Científica e Tecnológica entre a China e os Países de Língua Portuguesa”, produzido na Universidade Cidade de Macau, refere desigualdades no relacionamento entre países e conclui que “a diversificação económica tem avançado a um ritmo lento”. Bárbara Morais, redactora principal do documento, explica as principais conclusões da análise

Foi lançado, no passado dia 3 de Dezembro, um Livro Branco que traça um olhar e análise à forma como a cooperação nas áreas científicas e tecnológica entre a China, Macau e os países de língua portuguesa tem decorrido, traçando algumas críticas, não apenas neste tema, mas também no rumo económico que a RAEM está a tomar.

O documento, intitulado “Livro Branco sobre a Cooperação Científica e Tecnológica entre a China e os Países de Língua Portuguesa”, foi produzido pela Universidade Cidade de Macau (UCM) e teve Bárbara Morais, aluna de doutoramento da instituição, como redactora principal.

Esta descreve, em entrevista ao HM, que, em Macau, “a diversificação económica tem avançado a um ritmo mais lento do que o desejado, mantendo a economia estruturalmente dependente do jogo e do turismo”.

“A mensagem central do Livro Branco é clara: Macau precisa de acelerar a transição para funções de maior valor acrescentado. No entanto, o contexto actual oferece uma janela de oportunidade renovada. Com o apoio da Grande Baía e, muito especificamente, da Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin, Macau dispõe agora de novas oportunidades estruturais para recuperar o ritmo perdido e reposicionar-se, não apenas como uma ponte cultural, mas como uma verdadeira plataforma de inovação”, é referido.

Ainda sobre o território, mas a propósito do Fórum Macau, é referido o “sucesso na institucionalização do diálogo político”, mas o Livro Branco “aponta o dedo à insuficiência dos mecanismos de execução”. “Para agilizar o papel do Fórum e transformá-lo numa ferramenta de resultados tangíveis, o Livro Branco preconiza uma mudança de paradigma: é necessário passar das declarações de intenções para a tecnicidade”, descreve Bárbara Morais. A doutoranda sugere “a criação de grupos técnicos de trabalho especializados, sobretudo na esfera tecnológica, e a definição rigorosa de indicadores de desempenho, como o número de patentes registadas, startups criadas ou projectos de investigação conjuntos”.

“Paralelamente, sugere-se o estabelecimento de uma agenda comum focada em áreas de futuro, como a energia verde, a saúde, a economia do mar e a inteligência artificial, sujeita a uma avaliação periódica de progressos”, disse ainda.

O lugar da arbitragem

Tendo em conta estes parcos desenvolvimentos, o Livro Branco sugere que Macau se afirme “como centro de arbitragem tecnológica e governação de propriedade intelectual”.

O HM questionou Bárbara Morais sobre o que deve ser feito em termos efectivos, tendo em conta a existência, há vários anos, de um centro de arbitragem, e de ser um tópico na agenda política do território há muito tempo. A aluna de doutoramento destaca que “para que estas ideias, debatidas há anos, deixem de ser retórica e passem a realidade, a RAEM necessita de criar um quadro legal especializado em litígios tecnológicos alinhado com os padrões internacionais mais exigentes”.

“É fundamental atrair peritos e árbitros internacionais através de incentivos competitivos e estabelecer um centro de arbitragem que goze de reconhecimento tanto nos países lusófonos como na Grande Baía. O objectivo é desenvolver serviços de mediação, certificação e gestão de activos de propriedade intelectual, posicionando Macau como um ‘porto seguro’, neutro e eficiente, para a resolução de disputas tecnológicas internacionais”, acrescentou.

Cooperação desigual

Em termos globais, e no que diz respeito à cooperação entre a China e os Países de Língua Portuguesa (PLP), o Livro Branco refere o “planeamento de topo” por parte de Pequim para a cooperação nas universidades e em investigação científica. Porém, o planeamento “não se traduz, linearmente, em mecanismos de execução igualmente eficazes no terreno, nem garante resultados homogéneos entre os nove países lusófonos”.

O planeamento implica “directrizes claras, prioridades definidas e instrumentos diplomáticos mobilizados para orientar esta cooperação”, com políticas como “Made in China 2025” ou a “Rota Digital da Seda”, que “integram a cooperação tecnológica com os PLP na própria medula da política externa e de inovação nacional chinesa”, destaca a autora.

Porém, verificam-se “desigualdades, que são, porventura, o traço mais marcante desta relação”, conforme explica Bárbara Morais. “O cenário actual revela uma profunda assimetria, caracterizada por uma ‘bicefalia’ na cooperação. (…) As principais capacidades científicas, a infra-estrutura tecnológica robusta e o volume de cooperação efectiva estão esmagadoramente concentrados em Portugal e no Brasil”. Pelo contrário, “os países africanos de língua portuguesa (PALOP) e Timor-Leste apresentam uma participação significativamente menor”.

Segundo Bárbara Morais, a “disparidade não decorre de falta de vontade política, mas sim de limitações estruturais de financiamento, escassez de recursos humanos qualificados e fragilidade das instituições de investigação locais”. Verifica-se, assim, “uma cooperação a duas velocidades, muito assimétrica dentro da própria comunidade lusófona”.

O Livro Branco realça a “encruzilhada histórica” em relação à cooperação entre a China e os PLP, o que significa “a urgente necessidade de passar do potencial à concretização” nesta matéria.

“Existem visões ambiciosas e planos estratégicos, mas os resultados práticos permanecem aquém do possível. Para resolver esta encruzilhada, o caminho proposto passa por fortalecer mecanismos de execução, investir massivamente em talento e educação técnico-científica, criar ecossistemas de inovação colaborativa genuína entre a China, Macau e os PLP, e, acima de tudo, ter a coragem de medir resultados e reformular estratégias com base na evidência empírica, abandonando o discurso de circunstância em favor do pragmatismo económico e científico.”

Lacunas em África

Outra das conclusões do Livro Branco é a “tenuidade” das ligações académicas com o continente africano, que Bárbara Morais descreve como “cenário de fragilidade”. “Há uma tríade de factores: a escassez de capacidade científica instalada, a falta crónica de financiamento e programas de mobilidade consistentes”, sem esquecer “a ausência de estruturas estáveis de investigação conjunta”.

“Para colmatar este fosso e criar uma massa crítica duradoura, o Livro Branco não se limita ao diagnóstico, sugerindo medidas concretas como o reforço robusto de bolsas de investigação, a criação de programas de doutoramento conjunto, a implementação de laboratórios colaborativos e o desenho de mecanismos de mobilidade académica especificamente orientados para a realidade africana”, acrescenta.

O documento fala ainda do impacto negativo das “assimetrias geopolíticas”, tal como as “restrições tecnológicas da União Europeia e NATO a Portugal”. Segundo referiu Bárbara Morais, estão em causa “impactos reais e restritivos”. “Estas limitações condicionam a participação de Portugal e, por extensão, de outros actores lusófonos que cooperam em rede com Lisboa, em projectos de alta tecnologia que envolvam a China. O impacto é particularmente sensível em áreas nevrálgicas como as telecomunicações 5G, a defesa, a inteligência artificial e a ciber-segurança, criando barreiras que exigem uma navegação diplomática complexa.”

Novas estratégias

O Livro Branco foi desenvolvido no Instituto de Investigação sobre os Países de Língua Portuguesa da UCM, e redigido por Bárbara Morais com a participação do académico João Simões. O projecto baseia-se na revisão de literatura académica sobre o tema e ainda nos resultados do “Seminário do Lançamento da Cooperação Tecnológica”, realizado a 22 de Julho de 2025 na UCM.

A obra analisa áreas como a “evolução estratégica”, “mecanismos institucionais”, “marcos tecnológicos” e “desafios estruturais”, pretendendo “fornecer estratégias baseadas em evidências para transformar o potencial da parceria China-PLP numa realidade concreta, criando um novo modelo de cooperação tecnológica para o Sul Global”, refere um comunicado da UCM.

Brasil | CMOC compra quatro minas de ouro no por 863 milhões de euros

A gigante mineira chinesa CMOC vai adquirir as operações da canadiana Equinox no Brasil por 863 milhões de euros, passando a deter direitos de exploração sobre quatro minas de ouro, incluindo reservas em Maranhão, Bahia e Minas Gerais. Num comunicado publicado no seu portal oficial, a empresa chinesa indica que espera concluir a operação no primeiro trimestre de 2026, estando ainda sujeita à aprovação dos reguladores competentes.

A venda será concretizada através de um pagamento inicial de 900 milhões de dólares e outro adicional de 115 milhões de dólares, condicionado ao volume de vendas durante o primeiro ano após a conclusão oficial do negócio. A CMOC ficará com três explorações que totalizam cerca de 3,87 milhões de onças de ouro em reservas: Aurizona, no estado de Maranhão (nordeste do Brasil); o complexo de Bahia (este), que inclui as minas de Fazenda e Santa Luz; e RDM, no estado de Minas Gerais (centro).

“Tendo em conta os ricos recursos naturais e o ambiente geopolítico estável do Brasil, esta aquisição representa uma adição estratégica aos nossos activos existentes, criando uma sinergia mais forte e uma presença crescente da CMOC na América do Sul”, afirmou o presidente da empresa, Liu Jianfeng.

A companhia adianta que, com esta compra e o arranque das operações na mina de Odin (Equador), a sua produção aurífera poderá ultrapassar as 20 toneladas anuais. Segundo o jornal de informação económica Securities Times, estes níveis colocariam a CMOC entre os principais produtores de ouro da China, embora ainda atrás dos líderes do sector, Zijin Mining e Shandong Gold.

O jornal recorda que a CMOC já é actualmente o maior produtor mundial de cobalto e figura entre os dez maiores produtores de cobre. O ouro, considerado um activo de refúgio em períodos de incerteza, tem oscilado nos últimos dias. Especialistas antecipam que o metal continuará a subir em 2026, impulsionado pelas compras dos bancos centrais.

FRC | Venda de imagens revertem para vítimas de Tai Po

Foi inaugurada ontem mais uma exposição de fotografia de Gonçalo Lobo Pinheiro, patente na galeria da Fundação Rui Cunha (FRC) até ao dia 10 de Janeiro do próximo ano. “O que foi, não volta a ser…” é o segundo volume de um projecto fotográfico já lançado em livro, e que ganha agora uma nova edição. Mas o destaque vai para o facto de as receitas da venda deste material reverterem para as vítimas do incêndio na zona de Tai Po, em Hong Kong.

Segundo um comunicado, Gonçalo Lobo Pinheiro explicou que este segundo volume “continua a ser um encontro entre o passado e o presente”, revelando-se imagens de lugares de Macau que se transformaram profundamente pela força do tempo.

“Tal como no primeiro livro, durante pouco mais de um ano fui recolhendo imagens antigas do território, a preto e branco ou sépia, com diferentes formatos. Adquiri em leilões, na Internet, a particulares, em lojas e até em Portugal. Algumas imagens também me foram emprestadas”, referiu o autor, acrescentando que nesta última empreitada, há uma fotografia captada no século XIX, no Cemitério Protestante.

Para o fotojornalista, “Macau mudou muito nos últimos anos”, e “as fotografias antigas atestam isso”. “E agora, o que fazer com elas? Se, por um lado, ainda é possível recriar alguns cenários, por outro lado, é impossível obter pontos de contactos noutras fotografias, porque simplesmente as coisas já não existem no território. É um trabalho difícil. Tudo mudou. Por isso, na grande maioria dos casos, o que foi não volta a ser…”, notou ainda

Com prefácio escrito pelo escritor e professor português Henrique Levy, que foi residente em Macau nos anos de 1980, o livro tem design de Carlos Canhita e chancela da Ipsis Verbis, contando com 40 fotografias ao longo de quase 80 páginas. O valor de venda é de 250 patacas.

A minha boca é um cravo

«… Na tua boca desfeito, nascem cravos murcham cravos desfolhados no meu peito»

Estávamos em 1968 e Adriano cantou a profecia. Adriano Correia de Oliveira, o mais expressivo jogral dos nossos tempos cuja vida breve, por muitos não foi esquecida. Foi uma presença modeladora que nos brindou, a sua quase visionária voz só tomou corpo anos mais tarde quando a vida não contemplava muito mais merecimento por ter sido um canto de plena aurora, e nos deixou entregues à sarna do intervencionismo especulativo das vozes de ocasião. Por isso nos tempos das guerras das flores, ele canta ainda, e encanta a todos aqueles que em seu presente nos trazem futuro.

Adriano é nome de Imperador, e também tinha aquele perfil tão nítido e imperturbável, grave e distinto, sabia bem olhá-lo e, foi ainda numa manhã clara de Abril que nasceu com timbre de Primavera na graça de um chão de flores; era um jogral, bem distinto de um cantor, ele será para sempre o mais eloquente dos cancioneiros com um não sei quê de profeta e de senhor pleno de disciplina e nostalgia, aqueles seres que não há, mas existem para sempre em nosso imaginário; este Adriano que nos recita na sequência da canção cantada, que: «o coração só desfolha se lhe apodrece a raiz/triste destino da gente, da gente do meu país» Mas, ” outro cravo é o coração/ desfolhado no teu peito” foi um grande intérprete da canção e um arauto pleno de amanhãs.

Toda esta gente não merece flores, que elas se dão e contemplam no ciclo iniciático das promessas, nas germinais conquistas do amor, nas seivas poderosas da ternura e nos ciclos sociais das grandes conquistas, esta gente não merece flores. Arrancadas à terra. Há guerras de Alecrim e Manjerona, uma comédia de enganos de António José da Silva em pleno século dezoito, o nosso «Judeu» mas a vegetal interpretação dará agora azo a trocadilhos carnavalescos entre rosas e cravos, o que não difere em nada do propósito humorístico do autor. Muitas vezes os mais ferozes seres optam por coisas singulares de brancura gélida, nevoeiros e rosas brancas, eles são exclusivamente puristas na abordagem da matéria e nos reflexos das claríssimas ornamentações, só que nada disso corresponde ao vislumbre da Supraconsciência do outro lado do portal. São assim porque sim, mas nunca sensíveis nem fraternos, rubros, amantes e intensos como os escarlates seres de generosa afirmação.

Rosas no Inverno, já Dom Dinis desconfiara, mas enfim, quem planta pinhais, acresce-lhes roseiras, e os milagres são sempre bem-vindos, e mesmo assim o rei mais esclarecido deixou passar como sinal de amor, só que ele morreria em pleno Inverno com dúvidas acerca das suas “flores de verde pino” mas nunca se escusando ao superlativo acto de uma crença real. Infelizmente que não o temos mais entre nós para dizer de sua senhoria as coisas estranhas que o acometeram, mas não duvidemos jamais da sua boca em cravo desfeito em amores estivais tão rubros quanto o seu ardor. Nesse tempo teríamos um Adriano inebriante e um rei com recitativos e cravos em sua boca, e toda a beleza que se desfaz e recomeça, nos beijos que damos somente no tempo de todas as flores.

Docomomo | Documentário de José Maneiras regista carreira do arquitecto

Chama-se simplesmente “Maneiras” e faz o registo audiovisual de uma obra única que não só marcou uma geração de arquitectos como deixou a sua marca no modernismo em Macau. O documentário de António Sanmarful, produzido pela Docomomo em memória de José Maneiras, começou a ser pensado em 2018 e contém testemunhos do próprio sobre aquilo que projectou

Falecido no passado dia 24 de Novembro, com 90 anos, José Maneiras, arquitecto macaense, fez muito mais do que simplesmente projectar edifícios num território exíguo e cheio de particularidades. Foi também uma figura com relevante participação cívica.

Mas a fim de deixar um registo audiovisual da sua obra como arquitecto, a Docomomo Macau começou a pensar e a planear, a partir de 2018, a produção de um documentário sobre o legado de José Maneiras, tendo convidado o realizador local António Sanmarful para o fazer. Maneiras não viveu já tempo suficiente para assistir ao documentário sobre si, apresentado esta terça-feira no auditório Stanley Ho, no Consulado-geral de Portugal, mas deixou registados bastantes testemunhos sobre aquilo que projectou.

Ao HM, Rui Leão, presidente da Docomomo Macau, diz ter trabalho de forma estreita com António Sanmarful neste projecto, a partir da exposição dedicada a José Maneiras apresentada em 2018 no jardim Lou Lim Ieoc.

“Nessa altura fizemos um levantamento das suas obras. Tratava-se de uma exposição simples, em que pretendíamos mostrar o conjunto dessa obra construída em Macau e perceber a sua importância, e percebemos que estava pouco estudada. Fazia sentido deixar o registo porque, no caso de Macau, por causa da escala da cidade e da falta de massa crítica, é praticamente inexistente o estudo de obras construídas.”

Há muito que Rui Leão se debruça a estudar e olhar a arquitectura modernista que se fez em Macau, de que José Maneiras foi um dos autores. Chama, por isso, de “ingrato” ao território, devido a essa ausência de auto-análise. “As pessoas têm um desconhecimento quase total sobre a arquitectura modernista de Macau, e nesse sentido acho que é um sítio bastante ingrato, porque não há uma cultura que celebre a memória.”

Imperava, pois, a importância de fazer este documentário, por não existir essa “diferenciação” entre as coisas boas e más que se vão fazendo, por não existir uma catalogação e análise. “Foi com essa perspectiva, e com um sentimento de uma certa tristeza por parte do arquitecto Maneiras [que se fez o documentário]”, disse ainda Rui Leão, acrescentando que “pelo facto de a obra estar tão danificada, e não se falar dela, apercebemo-nos de que era importante fazer algo que tivesse um carácter de maior permanência”.

Algumas amarguras

Formado na Escola de Belas Artes do Porto, José Maneiras trouxe maneiras diferentes de fazer arquitectura ao território. “O documentário baseia-se nas filmagens de algumas das suas obras e nos seus depoimentos. Percebemos o que um arquitecto, chegado de fresco a Macau, e com formação feita em Portugal, via de importante nas obras. Havia, digamos, uma formação modernista e coisas que Maneiras trouxe [à prática da arquitectura] de forma bastante científica, e que tinha a ver com a exposição solar [dos edifícios]. Isso era mais urgente em Macau, em relação a Portugal, por estarmos num sítio subtropical.”

Um dos primeiros projectos foi o edifício residencial São Francisco, em frente ao Clube Militar, destacando Rui Leão a preocupação de Maneiras em deixar um espaço livre em conjugação com o edifício histórico em frente.

“Ele fala um pouco sobre essa intervenção no documentário, e que de certa maneira salvaguarda o Clube Militar, ao permitir que haja ali um espaço não construído à frente [do edifício São Francisco]. Isso tem a ver com a dimensão cívica que ele também teve, de ter a preocupação com o património. Aí ele foi chamado para resolver um problema que ninguém sabia como tratar, que era aquele confronto com o Clube Militar.”

José Maneiras “teve o cuidado de rodar a torre para não ocupar a frente do Clube Militar, criando uma abertura visual e um bloco mais pequeno do outro lado, pelo que se fez ali uma praceta”, o que constitui “uma preocupação cívica notável”, defendeu Rui Leão.

O presidente da Docomomo confessou ainda algumas amarguras com que partiu José Maneiras, por ver muita da sua obra já danificada ou sem a manutenção devida. No caso do edifício São Francisco, pode ser alvo de demolição ou de obras, e “ele viveu um bocado infeliz com isso”.

“Não sei muito bem como está a situação, mas falei com o José Maneiras sobre a possibilidade de os blocos mais baixos desse edifício estarem na iminência de ser demolidos, e ele estava muito triste com isso”, acrescentou Rui Leão.

Ainda assim, “há outros edifícios dele que foram recuperados, como as residências junto ao Centro Hospitalar Conde de São Januário”, ou a residência para invisuais na zona da Areia Preta.

Projectar com pouco

José Maneiras começa a projectar em Macau ainda nos anos da administração portuguesa, quando em Portugal vigorava o regime do Estado Novo e o território estava sujeito, tal como os restantes territórios ultramarinos, aos Planos de Fomento para as questões orçamentais. O dinheiro era, por isso, pouco e controlado.

“No documentário ele fala também de coisas que eram importantes na altura, como o começar a construir em altura, o que era uma novidade, e também a economia de construção, porque nos anos 50 e 60 não havia muito dinheiro e havia uma necessidade muito maior se fazer essa economia de construção.”

José Maneiras pertenceu ao rol de arquitectos macaenses que deixaram marca, como Canavarro Nolasco da Silva e Aureliano Guterres Jorge, apesar da formação de base destes ser em engenharia; ou ainda José Lei.

“Eram pessoas integradas na sociedade de uma maneira completamente diferente [em relação a quem vinha de fora], e que entendiam as questões, estando mais perto do cliente, partilhando o mundo e modos de criar. Não digo que, teoricamente, a arquitectura de uns e outros fosse estilisticamente diferente, mas falo do facto de fazerem propostas e colocarem questões diferentes”, rematou Rui Leão.

Tailândia quer que Camboja seja o primeiro a assumir uma trégua

A Tailândia declarou ontem que tem de ser o Camboja a assumir um cessar-fogo entre ambos, num conflito fronteiriço que já fez pelo menos 32 mortos em 10 dias e cerca de 800 mil deslocados.

“O Camboja deve anunciar o cessar-fogo primeiro, por ser o agressor em território tailandês”, afirmou a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros tailandesa, Maratee Nalita Andamo, em conferência de imprensa. Aquela responsável governamental frisou que, “em segundo lugar, o cessar-fogo deve ser implementado e deve ser mantido”. “Em terceiro lugar, o Camboja deve cooperar sinceramente com os esforços de desminagem (nas áreas de fronteira)”, acrescentou.

De acordo com os últimos números oficiais, 17 pessoas foram mortas do lado tailandês (16 soldados e um civil) e 15 do lado cambojano, todos civis. O Camboja acusou na segunda-feira a Tailândia de bombardear a província de Siem Reap, onde estão localizados os célebres templos de Angkor, pela primeira vez desde o reinício dos confrontos fronteiriços em 07 de Dezembro.

“O exército tailandês ampliou o alcance do seu violento ataque, utilizando um caça F-16 para lançar duas bombas perto de um campo de civis deslocados no distrito de Srei Snam”, indicou o Ministério da Defesa do Camboja em comunicado. A Tailândia confirmou que os combates continuavam ontem nas regiões fronteiriças, sem mencionar, porém, a província de Siem Reap.

O distrito de Srei Snam fica a cerca de 70 quilómetros da fronteira disputada e a menos de uma hora e meia de carro do complexo de Angkor Wat, joia da arquitetura khmer e principal atração turística do Camboja.

Dedos apontados

Os dois países acusam-se mutuamente de terem desencadeado as hostilidades, que levaram à retirada de cerca de 800 mil pessoas de ambos os lados da fronteira. Um primeiro episódio de violência causou 43 mortes em Julho, antes de uma trégua e da assinatura de um acordo de cessar-fogo em Outubro, que teve a intervenção do presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump.

Trump afirmou na sexta-feira que os líderes da Tailândia e do Camboja aceitaram uma trégua após um telefonema, mas o Governo tailandês negou e os combates continuaram durante o fim de semana.

Comércio | Taxas até 19,8% sobre carne de porco europeia

As autoridades chinesas anunciaram novas taxas sobre a importação de carne de porco europeia a serem aplicadas durante os próximos cinco anos. Os valores, que variam entre 4,9 por cento e 19,8 por cento, são significativamente mais baixos dos que vigoravam actualmente

O Ministério do Comércio da China anunciou ontem que vai aplicar taxas até 19,8 por cento às importações de carne de porco da União Europeia, na sequência de uma investigação por alegada concorrência desleal iniciada em 2024. No entanto, as novas taxas, que entram hoje em vigor e terão uma duração de cinco anos, são significativamente inferiores às tarifas provisórias de até 62,4 por cento aplicadas desde Setembro ao sector suíno europeu.

Segundo o comunicado publicado no portal oficial do ministério, as taxas vão variar entre 4,9 por cento – aplicadas exclusivamente à empresa espanhola Litera Meat, incluída como amostra na investigação – e 19,8 por cento, que incidirão sobre as empresas que não colaboraram no processo, bem como sobre a produtora Vion, dos Países Baixos.

Para as empresas que colaboraram com a investigação, a tarifa definitiva será de 9,8 por cento. A investigação foi lançada em 2023 e prorrogada em Junho deste ano, com as autoridades chinesas a justificarem a extensão do prazo com a “complexidade” do caso. O processo abrangeu carne de porco refrigerada ou congelada, vísceras e gorduras, e procurou determinar se as exportações europeias violaram regras de concorrência e prejudicaram a indústria local.

Espanha foi um dos países mais visados, por ser o maior fornecedor europeu de carne de porco à China, especialmente de despojos com fraca procura no mercado europeu, como orelhas, focinhos ou patas, mas bastante valorizados no mercado chinês. Em 2024, Espanha exportou para a China cerca de 540 mil toneladas de produtos suínos, no valor de 1.097 milhões de euros, o que representou quase 20 por cento do volume total e 12,5 por cento do valor das exportações do setor, segundo dados da associação Interporc.

Outras investigações

A investigação ao sector suíno integra um pacote mais amplo de medidas comerciais adoptadas por Pequim em retaliação contas as taxas ‘antidumping’ impostas pela Comissão Europeia, em outubro de 2024, sobre veículos eléctricos fabricados na China – numa votação em que Espanha se absteve.

Desde então, as autoridades chinesas abriram também investigações ‘antidumping’ a outros produtos europeus, como brandy e laticínios. Estas medidas agravaram as tensões entre a China e Bruxelas, num contexto já marcado por disputas comerciais, restrições ao acesso de empresas europeias ao mercado chinês, controlos às exportações de terras raras e fricções nas cadeias de abastecimento.

A prática de ‘dumping’ consiste na venda de produtos num mercado estrangeiro a um preço inferior ao custo de produção. A prática é possibilitada pela atribuição de subsídios.

MTC | Antigo responsável julgado por corrupção

O antigo director da Administração Nacional de Medicina Tradicional Chinesa Yu Wenming vai ser julgado por crimes de corrupção e abuso de poder, após uma investigação conduzida pela Comissão Nacional de Supervisão (CNS), anunciou ontem a agência anticorrupção chinesa.

Yu, de 62 anos, ocupou o cargo entre 2018 e 2023 e estava a ser investigado desde Junho por suspeitas de má conduta no exercício de funções públicas. Segundo a CNS, a investigação foi concluída e o processo foi entregue às autoridades judiciais.

O ex-dirigente é acusado de ter aceitado convites para banquetes “com potencial para comprometer o exercício justo das suas funções”, além de ter recebido presentes e dinheiro em numerário. A CNS acusa ainda Yu de ter abusado do cargo para beneficiar familiares, transformar recursos públicos em instrumentos de enriquecimento pessoal e de ter aceitado subornos em troca da atribuição de licenças para o registo de medicamentos.

Yu liderava actualmente a Associação de Medicina Tradicional da China, tendo sido, durante os anos em funções públicas, uma das figuras centrais na promoção da medicina tradicional chinesa, alinhado com a política oficial do Governo de fomentar o seu uso e desenvolvimento.

Futebol | Sporting quer apoiar Hengqin na formação

A pretensão do clube de Lisboa foi manifestada após uma visita à Europa da Comissão Executiva da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin

O Sporting Clube de Portugal demonstrou interesse em colaborar com Hengqin, junto a Macau, na formação de jovens futebolistas, disseram as autoridades da zona económica especial chinesa. De acordo com uma nota divulgada na segunda-feira à noite, uma delegação da Comissão Executiva da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin esteve na Europa no início do mês.

Em Portugal, a delegação visitou o Sporting Clube de Portugal, descrito como “uma potência do futebol europeu”, e “investigou o sistema de formação juvenil” da Academia Cristiano Ronaldo. De acordo com o comunicado, o clube português “expressou a disponibilidade para introduzir um sistema de formação de futebol juvenil de alto nível” na Ilha da Montanha.

Em Abril, o Governo de Macau disse que quer contratar uma equipa europeia para dar formação em futebol às camadas mais jovens, numa aposta no desenvolvimento deste desporto no território. “Este ano, vamos tentar expandir a formação de futebol para os jovens, vamos tentar contratar uma equipa da Europa para formar jovens”, disse o então presidente do Instituto de Desporto da região, na Assembleia Legislativa.

Sem avançar com detalhes sobre esta equipa europeia, Luís Gomes disse ainda que outros eventos de futebol estão para ser lançados: vão ser convidados “jovens das cidades da Grande Baía para jogar” em Macau e vai ser criada uma “taça Hengqin-Macau para promover o desporto entre os jovens”.

Muito por recuperar

A selecção masculina de Macau, composta por jogadores amadores, está actualmente classificada na 193.ª posição do ranking mundial da FIFA, composto por 210 equipas. Entre os países ou regiões de língua oficial portuguesa, apenas Timor-Leste se encontra atrás de Macau, em 198.º.

A selecção de futebol de Macau não vence um jogo desde Junho de 2019, na altura no âmbito da qualificação para o Mundial de 2022. A selecção local venceu o Sri Lanka por 1-0, na primeira mão de qualificação. No entanto, a associação abdicou do segundo jogo, porque os dirigentes tiveram medo de visitar o Sri Lanka, após a ocorrência de ataques terroristas. Desde então a selecção soma 12 encontros, com 11 derrotas e um empate.

Em Março, o deputado Eddie Wu Chou Kit defendeu a cooperação com a Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) para organizar jogos amigáveis com “equipas de topo da Europa” em Macau.

Numa intervenção no parlamento, Eddie Wu propôs “estabelecer [uma] cooperação profunda” com a LPFP para a criação, “em conjunto, de uma base permanente de treino”. O deputado explicou que o objectivo seria “atrair equipas de topo da Europa para formação e realização de jogos itinerantes, promovendo o intercâmbio desportivo e cultural a nível internacional”.

Associação Económica | Previsto crescimento de 5,4% do PIB

O crescimento anual do produto interno bruto (PIB) de Macau para 2025 deverá atingir 5,4 por cento em relação ao ano anterior, de acordo com um relatório publicado na segunda-feira pela Associação Económica de Macau.

A previsão da associação local fica 0,8 pontos percentuais acima da projecção da Fitch Ratings, que reviu em baixa as suas estimativas de um crescimento do PIB de 6,9 por cento este ano, para 4,6 por cento.

Em relação ao próximo ano, o relatório da associação aponta para “inúmeras incertezas e elementos imprevisíveis na economia mundial”. Porém, a economia de Macau manter-se-á “estável” e com boas perspectivas de crescimento, graças a factores macroeconómicos como a recuperação no Interior da China e os esforços do Governo e da indústria do turismo para impulsionar os mercados turísticos regionais e internacionais. Também o índice de prosperidade económica nos próximos três meses deverá permanecer estável, de acordo com a estimativa, com um ligeiro aumento entre Janeiro e Fevereiro.

SJM | Aprovada aquisição do casino L’Arc

A concessionária de jogo SJM Holdings realizou na segunda-feira uma assembleia-geral extraordinária onde os accionistas votaram esmagadoramente a favor da aquisição do antigo casino-satélite L’Arc, segundo uma nota enviada pelo grupo à bolsa de valores de Hong Kong.

A aquisição, aprovada por 99,93 por cento, irá custar 1,75 mil milhões de dólares de Hong Kong. Os accionistas aprovaram também um acordo de empréstimo do grupo a Angela Leong no valor de 177,3 milhões de dólares de Hong Kong.

Na altura do anúncio da aquisição e do encerramento do casino Ponte 16, Daisy Ho afirmou que o “Hotel L’Arc tem uma localização central dentro de um aglomerado activo de jogo, hotelaria e tráfego de turistas na Península de Macau que, combinado com as atracções turísticas das redondezas, cria oportunidades que poucos lugares conseguem igualar”.

Trânsito | Professora portuguesa detida por excesso de álcool

Uma professora, com cerca de 30 anos foi detida, por conduzir com excesso de álcool. A informação foi divulgada ontem pelo Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), e citada pelo jornal Ou Mun.

Segundo as autoridades, a mulher, com nacionalidade portuguesa e residente local, foi detida na madrugada de domingo, por volta das 3h, durante uma operação stop. Quando foi mandada parar, na Rua do Campo, realizou o teste do álcool, que resultou na quantidade de 1,49 gramas de álcool por litro de sangue. A mulher terá confessado às autoridades que antes de pegar na viatura tinha estado a beber com os amigos.

Esta não foi a única detenção relacionada com o consumo de álcool apresentada pelas autoridades no dia de ontem. Também um condutor com cerca de 30 anos foi detido no domingo, depois de ter falhado uma rotunda e embatido num canteiro de flores. O caso foi divulgado ontem pelo Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) e citado pelo jornal Ou Mun.

O acidente aconteceu por volta das 6h, numa das rotundas do Cotai, quando o homem perdeu o controlo do veículo e embateu num dos canteiros. Quando a polícia chegou ao local, apercebeu-se de um forte cheiro a álcool no condutor, a quem foi pedido que fizesse o teste do balão. O homem acusou um resultado de 2,13 gramas de álcool por litro de sangue

Imobiliário | Índice revela declínio histórico na RAEM

O Índice da Grande Baía da Centaline mostra que os preços de imóveis em Macau atingiram o valor mais baixo desde que os dados são compilados pela agência imobiliária. Entre as 12 cidades da Grande Baía, apenas Hong Kong e Zhaoqing subiram, com mais 0,36 e 5 por cento, respectivamente

A agência imobiliária Centaline publicou na segunda-feira o Índice da Grande Baía, que reflecte as flutuações dos preços de imóveis para habitação nas 12 cidades incluídas no projecto regional. O panorama apresentado pela agência mostrou uma tendência geral de declínio dos preços, com os mercados de 10 das 12 cidades, com o índice geral a cair pelo quarto mês consecutivo em Novembro, com a última variação negativa a mostrar um declínio de 0,65 por cento.

Segundo um comunicado da agência, o índice de Macau em Novembro foi de 67,36, e no mês anterior de 67,53, numa métrica em que o valor base é 100. Aliás, o índice de Macau não só atingiu o nível mais baixo desde que esta análise é feita, como apresenta o valor mais baixo de todas as cidades da Grande Baía.

Entre as 12 cidades da região, apenas Hong Kong e Zhaoqing registaram subidas mensais em Novembro de 0,36 por cento e 5 por cento, respectivamente. Também em relação ao número de fracções vendidas, a agência imobiliária destaca que o tímido crescimento em Hong Kong foi o único verificado nas quatro principais cidades da Grande Baía, com Macau, Shenzhen e Guangzhou.

Pegar de empurrão

O vice-presidente do departamento residencial da agência, Chan Wing-kit, salientou que em Outubro foi aprovado o 15.º Plano Quinquenal do país e que as cidades da Grande Baía lançaram incentivos económicos, que acabaram por estimular as vendas no mercado imobiliário.

O responsável exemplificou que o volume dos imóveis em segunda mão vendidos em Guangzhou voltou a ultrapassar 9.000 transacções em Outubro (9.191), o que representou uma subida mensal de 23 por cento, isto apesar das vendas gerais terem caído.

O índice de preços do imobiliário em Shenzhen caiu pelo terceiro mês consecutivo em Novembro, atingido o nível mais baixo de sempre registado pela Centaline, apesar das vendas terem subido, face a Outubro, 6,6 por cento, para um total de 4.472 transacções.

Face a esta realidade regional, Chan Wing-kit espera que na região o foco seja impulsionar o volume de vendas, como prioridade face aos preços, cuja recuperação não estará num horizonte próximo. O índice da Grande Baía é calculado tendo em conta os preços de transacções de imóveis novos e em segunda mão, combinados com o Produto Interno Bruto anual de cada cidade.

Saúde mental | Nova Juventude pede aposta em animais de estimação

A Associação de Nova Juventude Chinesa de Macau defende a aposta na “economia dos animais de estimação”, como forma de lidar com os problemas mentais dos jovens e incentivar o desenvolvimento dos mercados ao ar-livre. A posição foi tomada ontem, após a apresentação de um estudo da associação sobre o desenvolvimento dos mercados de Macau, citado pelo jornal Ou Mun.

O estudo teve por base 644 inquéritos, com pessoas com idades entre os 18 e 44 anos, e concluiu que 56,1 por cento acreditam que o actual modelo de desenvolvimento dos mercados tradicionais é o mais correcto. Além disso, cerca de 71,1 por cento dos inquiridos acreditam que devem ser criadas mais marcas locais focadas nos mercados ao ar-livre, impulsionadas e promovidas por empresários jovens.

Face às conclusões, a associação que se fez representar por Kuok Meng Chit, vice-presidente, defendeu uma maior aposta do Governo nas medidas para promover a “economia dos animais de estimação nos mercados locais ar-livre. Esta aposta é igualmente encarada como uma forma de promover a saúde mental dos mais jovens. Macau lida desde a pandemia da covid-19 com um aumento das tentativas de suicídio e suicídios, com grande impacto entre os mais jovens, que fez com que as autoridades deixassem de divulgar estatísticas.

No âmbito da “economia dos animais de estimação”, a associação pediu mais espaço nos mercados ao ar-livre para os caninos e felinos e também serviços como espaços temáticos sobre animais e a possibilidade de se alugarem carrinhos para passear os animais.

Com estas ideias em mente, a associação acredita que vai ser criado “um ambiente social de alta qualidade onde as pessoas e os animais de estimação coexistem” e que a “economia dos animais de estimação vai ser uma nova força motriz para o desenvolvimento da economia de mercado de Macau”.

Trânsito | UMTEC paga 9,22 milhões a especialistas de Chongqin

A empresa de investigação controlada pela Universidade de Macau voltou a recorrer aos serviços do Instituto de Estudo de Planeamento de Tráfego da Cidade de Chongqing e da Associação de Pesquisa de Desenvolvimento Sustentável de Recursos e Economia de Chongqing no âmbito do Planeamento Geral do Trânsito e Transportes Terrestres de Macau

A UMTEC, empresa de investigação controlada pela Universidade de Macau, vai pagar 9,22 milhões de patacas a duas instituições de Chongqin, no âmbito dos trabalhos de revisão do Planeamento Geral do Trânsito e Transportes Terrestres de Macau. A informação sobre a revisão do plano que está em vigor até 2030 foi divulgada através do portal da Direcção dos Serviços da Supervisão e da Gestão dos Activos Públicos (DSSGAP).

Os trabalhos foram adjudicados no passado dia 9 de Dezembro e as entidades do Interior envolvidas são o Instituto de Estudo de Planeamento de Tráfego da Cidade de Chongqing e a Associação de Pesquisa de Desenvolvimento Sustentável de Recursos e Economia de Chongqing. Estas instituições estiveram igualmente envolvidas na criação do plano, em 2022, que posteriormente foi alvo de uma consulta pública.

Os serviços prestados pelas duas instituições à empresa da Universidade de Macau passam por auxiliar em aspectos como a análise de modelos de transporte, avaliação da eficácia do planeamento e formulação de propostas de optimização das infra-estruturas actuais. O contrato prevê a prestação dos serviços até Março de 2027, ou seja, um serviço de praticamente dois anos.

O valor pago pela DSAT à UMTEC não se encontrava ontem, à hora de fecho no HM, no portal da DSAL na zona de ajustes directos nem de adjudicações.

Revisão prevista

A revisão do Planeamento Geral do Trânsito e Transportes Terrestres de Macau estava prevista desde 2022, altura em que o actual plano entrou em vigor, na altura com o objectivo de desenvolver uma infra-estrutura de trânsito na cidade para integrar Macau na Grande Baía.

A revisão vai passar por medir a evolução de alguns indicadores das políticas de trânsito e transportes como a taxa de partilha dos transportes públicos, velocidade média de circulação nas horas de ponta, grau de satisfação em relação aos transportes públicos, emissão de gases poluentes por transportes terrestres, taxa de acidentes de viação ou a taxa anual de crescimento de veículos motorizados.

Também em 2030, quando se atingir o último ano da execução do plano está prevista uma nova avaliação, que também deverá contar com o contributo do Instituto de Estudo de Planeamento de Tráfego da Cidade de Chongqing e Associação de Pesquisa de Desenvolvimento Sustentável de Recursos e Economia de Chongqing.

Estas duas instituições estiveram igualmente ligadas aos trabalhos iniciais, embora nessa altura nunca tivesse sido tornado público o montante recebido pelos trabalhos prestados à UMTEC. O assunto chegou a ser abordado pelo deputado José Pereira Coutinho numa interpelação escrita, no final de 2022, com a DSAT a admitir que desconhecia o montante pago. A única certeza adiantada foi o facto da UMTEC ter recebido 20 milhões de patacas pelo trabalho.

Turismo | Previsão de visitantes mantida em 39 milhões

A directora dos Serviços de Turismo, Helena de Senna Fernandes, reiterou ontem a estimativa que até ao final do ano o território deve receber cerca de 39 milhões de turistas. As declarações foram prestadas por Senna Fernandes à margem do Fórum de Economia de Turismo Global.

De acordo com os dados oficiais, até ao final de Novembro chegaram ao território 36,5 mil milhões de turistas, o que significa que ao longo deste mês devem visitar Macau mais 2,5 milhões de pessoas.

Em relação ao número de turistas internacionais, de acordo com o jornal Ou Mun, espera-se que o número atinja 80 por cento dos níveis pré-pandemia. Sobre o futuro, Senna Fernandes espera que mais turistas possam ser atraídos para o território face à possibilidade de maior cooperação com as cidades do Interior na Grande Baía.

Intercâmbio | RAEM defende iniciativa para diálogo entre civilizações

O Governo da RAEM deixou ontem um desafio à humanidade, durante o Fórum Internacional de Intercâmbio Civilizacional, defendendo que todas as civilizações devem ser encaradas de forma igual, através da promoção do diálogo e cooperação

A secretária para os Assuntos Sociais e Cultura de Macau, O Lam, defendeu ontem o lançamento de uma iniciativa mundial para promover o diálogo e a cooperação entre civilizações. O apelo de O Lam surgiu durante um discurso na cerimónia de abertura da edição inaugural do Fórum Internacional de Intercâmbio Civilizacional, que durante dois dias reúne 40 especialistas e dirigentes de uma dezena de países. Entre os convidados estão académicos de Portugal, China continental, Egipto, Indonésia, Tunísia, Itália, Alemanha, Reino Unido e Canadá.

O programa inclui intervenções do presidente do Observatório da China, Rui Lourido, e de Maria José de Freitas, arquitecta que trabalha em Macau e presidente do comité científico do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (ICOMOS) sobre património construído partilhado.

O Lam lançou um desafio aos participantes do Fórum: “lançar uma ‘Iniciativa de Macau’, olhando para todas as civilizações de forma igual, promovendo o diálogo e cooperação”. A secretária defendeu que a cidade, que durante mais de 400 anos esteve sob administração portuguesa, “foi pioneira no diálogo e integração”, assim como na “coexistência harmoniosa” entre civilizações.

O Lam rejeitou o ‘choque de civilizações’, teoria do influente académico norte-americano Samuel Huntington (1927-2008), e defendeu que a história mundial prova que “o progresso nunca se separa da aprendizagem mútua”. Também na cerimónia de abertura, a presidente do Instituto Cultural, que organiza o fórum, reiterou “o empenho” do território “em participar no diálogo global entre as civilizações”.

Maior abertura

Leong Wai Man defendeu que a região tem o potencial para “construir uma plataforma para o diálogo que transcenda as fronteiras entre as nações”. A dirigente sublinhou que Macau “sempre teve uma atitude aberta e inclusiva para aceitar as influências positivas das civilizações estrangeiras”, dando como exemplo a calçada portuguesa no centro histórico da cidade.

O Fórum assinala ainda os 20 anos desde que a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) classificou o centro histórico de Macau como Património Mundial, em 2005. Também o vice-ministro da Informação chinês apontou para “as marcas de mais de 400 anos de fusão e coexistência” de civilizações que tornaram Macau numa “ponte cultural que liga a China ao mundo”.

Wang Gang referiu que, além de respeitar as diferenças, as civilizações devem “aprender com os valores comuns”, entre os quais destacou a liberdade e a democracia. Apesar de a China ser, na prática, um regime de partido único, desde 2019 que o Partido Comunista Chinês defende o conceito político ‘democracia popular ao longo de todo o processo’.

Pequim alega que este conceito promove a participação contínua dos cidadãos na governação da China, mesmo na ausência do sufrágio universal e eleição directa da liderança do país.