Lam Lon Wai pede mais apoios depois de alerta da presidente do TUI Andreia Sofia Silva e Nunu Wu - 22 Out 2025 O deputado Lam Lon Wai considerou que devem ser reforçados os apoios às famílias para que possam lidar com os problemas comportamentais e desviantes dos jovens. O deputado reagiu, assim, ao jornal Ou Mun, depois do discurso de Song Man Lei, presidente do Tribunal de Última Instância (TUI), apresentado esta terça-feira na abertura do ano judiciário 2025/2026. Lam Lon Wai, recentemente reeleito e ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), salientou que o aumento da criminalidade associada a menores de idade envolve vários factores, como mudanças do foro social ou o desenvolvimento tecnológico, sendo cada vez mais fácil os jovens terem acesso a informações que possam trazer complicações ou levar a comportamentos desviantes. O também subdirector da Escola Secundária para Filhos e Irmãos dos Operários falou também do facto de a família ter pouca capacidade de supervisão do comportamento dos jovens, enquanto as escolas têm falta de educação jurídica e não existe uma grande abrangência de medidas na área da saúde mental. Lam Lon Wai entende que deve haver um reforço em todas estas áreas, sugerindo uma reforma do regime tutelar educativo dos jovens infractores, a fim de responder ao panorama actual. Esforço colectivo No discurso desta terça-feira, Song Man Lei lembrou que “pelo segundo ano consecutivo registou-se um aumento do número de processos cíveis entrados nos Juízos Cíveis do Tribunal Judicial de Base (TJB)”, sendo “cada vez mais graves os problemas de desvio de comportamento de menores e de ofensas “. “No ano judiciário transacto, os processos relativos ao regime de protecção social geral e ao regime tutelar educativo, entrados no Juízo de Família e de Menores do TJB, aumentaram de 45 e 54 para 72 e 85, respectivamente, registando aumentos de 60 e 57 por cento”, lembrou. Song Man Lei descreveu que estes dados “evidenciam a tendência ascendente de situações em que os menores se encontram em risco ou em ambientes desfavoráveis para o seu crescimento e da situação de delinquência juvenil”. Trata-se de processos “intimamente relacionadas com o ambiente familiar, e o aumento simultâneo dos números demonstra que algumas famílias apresentam disfunções em termos de educação, comunicação e apoio emocional”, onde “os pais não conseguem exercer eficazmente as suas responsabilidades parentais por estarem ocupados com o trabalho, por não possuírem conhecimentos na área da educação ou por enfrentarem pressões emocionais e económicas”.
Assistentes Sociais | Paul Pun mantém-se na liderança do conselho Hoje Macau - 22 Out 2025 Paul Pun Chi Meng vai manter-se nos próximos três anos como presidente do Conselho Profissional dos Assistentes Sociais, de acordo com a informação publicada ontem no Boletim Oficial. Este é um cargo que actualmente já é desempenhado pelo secretário-geral da Cáritas Macau. A secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, optou também por renovar os mandatos de Alice Wong, chefe da Divisão Jurídica e de Tradução do Instituto de Acção Social, Lok Chan Nei, representante da Universidade da Cidade de Macau e dos assistentes sociais Sou Keng Ieong e Ieong Sok Chong. As novas nomeações integram ainda o Conselho Profissional dos Assistentes Sociais Chan Keng Fan, da Universidade Politécnica de Macau, Francisco Botelho, da Universidade de São José, Im Ka Wai, da Associação dos Assistentes Sociais de Macau, e os assistentes sociais Choi Wan Hon e Chao Kam Kin. O Conselho Profissional dos Assistentes Sociais controla o acesso à profissão ao elaborar, aprovar e mandar publicar os critérios para a acreditação profissional, aprovar os novos pedidos de acreditação profissional, além de coordenar a realização de acesso à profissão assim como a certificação da acreditação profissional.
CCPPC | Visita a Portugal com pedido a chineses ultramarinos Andreia Sofia Silva e Nunu Wu - 22 Out 2025 Iniciou-se a 14 de Outubro uma visita a Portugal do Comité de Ligação com Hong Kong, Macau, Taiwan e Chineses Ultramarinos da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês. Num colóquio, Liu Cigui, director do Comité, defendeu um maior trabalho dos chineses que vivem fora do país na defesa da unificação do país O Comité de Ligação com Hong Kong, Macau, Taiwan e Chineses Ultramarinos da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC) está em Portugal em visita oficial, iniciada a 14 de Outubro. Segundo o jornal Ou Mun, Liu Cigui, director do referido Comité, defendeu, num colóquio, que os chineses a residir em Portugal devem defender de forma firme a unificação do país, opondo-se a todas as ideias de independência. Liu Cigui, também chefe da delegação, participou no colóquio juntamente com representantes das empresas portuguesas com capital chinês investido, da Associação de Comerciantes e Industriais Luso-Chinesa e dos chineses ultramarinos. O responsável disse ainda no colóquio que a união e uma ligação alargada com os chineses a residir no estrangeiro são trabalhos essenciais do Comité da CCPPC, esperando-se que estes chineses se unam para construir uma comunidade harmoniosa fora do país, promovendo o crescimento de novas gerações de chineses. Ponte cultural O director desejou ainda que os chineses ultramarinos recorram à cultura como ponte de ligação ao país, divulgando as vozes positivas da China. Liu Cigui lembrou que este ano se celebram os 20 anos de estabelecimento, entre a China e Portugal, de uma parceria estratégica abrangente, sendo que ao longo desse tempo ambos os países têm reforçado a confiança política mútua. Para Liu Cigui, há resultados profícuos dessa cooperação em várias áreas. Em relação ao futuro da relação bilateral, o responsável disse esperar que a China e Portugal continuem a manter os laços tradicionais de amizade e possam reforçar o alinhamento de estratégias de desenvolvimento, expandido a cooperação em áreas como a inovação, economia verde, oceanos e medicina, entre outras. Liu Cigui falou também sobre o papel de Macau nesta relação. Segundo noticiou o Ou Mun, este considerou que a RAEM pode ter um papel único como ponte de ligação entre os dois países, devendo aproveitar bem o mecanismo do Fórum Macau e incentivar o intercâmbio cultural, educativo, turístico e da investigação científica. Liu Cigui deixou também o desejo de que as empresas com capital chinês em Portugal e a comunidade chinesa assumam as vantagens que possuem e dêm um contributo reforçado à cooperação e amizade entre os dois países. No âmbito desta visita a Portugal, a delegação deslocou-se ainda à Quinta da Marmeleira, situada em Alenquer, um projecto de produção vinícola com investimento do empresário de Macau já falecido, Wu Zhiwei. Liu Cigui deixou elogios ao projecto e lembrou que, nos últimos anos, tem desempenhado um papel de ponte entre Macau, China e Portugal, participando de forma activa nos projectos da Grande Baía e desenvolvimento de Hengqin. Trata-se, para o responsável, de um bom exemplo de uma empresa de Macau que se integra no desenvolvimento nacional e chega ao exterior através da RAEM.
Efeméride | Celebração dos 80 anos do fim do domínio japonês em Taiwan Hoje Macau - 22 Out 2025 A China vai organizar este fim de semana uma cerimónia para assinalar os 80 anos da “retrocessão” de Taiwan, nome dado por Pequim à devolução da ilha após a rendição japonesa em 1945, anunciaram ontem fontes oficiais. Segundo a porta-voz do Gabinete para os Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado, Zhu Fenglian, o evento visa “recordar a história da guerra de resistência contra o Japão, prestar homenagem aos mártires e preservar os resultados” dessa transferência. A cerimónia contará com a presença de representantes de vários sectores, incluindo convidados oriundos de Taiwan, e será acompanhada de actividades de intercâmbio antes e depois do evento, indicou Zhu. A porta-voz afirmou que a devolução de Taiwan à China foi “uma vitória alcançada com o sacrifício de todos os chineses, incluindo os compatriotas taiwaneses”, acrescentando que o objectivo do evento é “reforçar o sentimento de uma nação comum e o objetcivo da ‘reunificação’ sob a liderança de Pequim”. A 25 de Outubro de 1945, após a rendição do Japão – que colonizava Taiwan desde 1895 –, a República da China assumiu a administração da ilha ao abrigo dos termos de capitulação japoneses. Na mesma conferência de imprensa, Zhu afirmou que Pequim continuará a promover contactos com todos os partidos políticos da ilha, incluindo o partido de oposição Kuomintang (KMT), com base no chamado “Consenso de 1992”, segundo o qual ambas as partes reconhecem a existência de “uma só China”. Zhu recordou ainda que o Presidente chinês, Xi Jinping, enviou a 19 de Outubro uma mensagem de felicitações a Cheng Li-wun, pela sua eleição como nova líder do KMT, gesto que, segundo Pequim, “traça o caminho a seguir” nas relações entre os dois partidos.
Aviação | China acusa a Austrália de provocação e nega manobras perigosas Hoje Macau - 22 Out 2025 Pequim acusou ontem a Austrália de “intrusão ilegal” no seu espaço aéreo sobre as ilhas Paracel e de “distorcer os factos”, depois de Camberra denunciar manobras “inseguras” de caças chineses contra um avião militar australiano. “As alegações da Austrália confundem o certo com o errado e procuram encobrir uma grave violação da soberania chinesa”, afirmou o porta-voz do Ministério da Defesa Jiang Bin, num comunicado. Jiang indicou que o Comando do Teatro do Sul do Exército de Libertação Popular “organizou forças para interceptar e expulsar, de forma legítima, legal, profissional e contida” a aeronave australiana. O Ministério apelou ainda à Austrália para “cessar imediatamente todas as provocações e o sensacionalismo”, “restringir as operações aéreas e navais” e “evitar danos nas relações bilaterais e nos laços entre as Forças Armadas de ambos os países”. Na segunda-feira, o ministro da Defesa australiano, Richard Marles, revelou que um avião de patrulha marítima P-8 da Força Aérea australiana foi interceptado no domingo por dois caças chineses Su-35, que lançaram sinalizadores luminosos “muito perto” do aparelho, descrevendo o incidente como “inseguro e pouco profissional”. Segundo Marles, o avião realizava uma missão de vigilância de rotina sobre o mar do Sul da China quando foi interceptado. Pequim sustenta que o aparelho australiano entrou sem autorização no espaço aéreo das Xisha – nome chinês das ilhas Paracel –, arquipélago cuja soberania a China reclama quase na totalidade e onde mantém instalações militares. O mar do Sul da China é um dos focos de tensão mais persistentes da Ásia.
Gaza | Médicos Sem Fronteiras retoma parcialmente actividade Hoje Macau - 22 Out 2025 A organização não-governamental Médicos Sem Fronteiras (MSF) anunciou ontem que retomou parcialmente a actividade na cidade de Gaza, ao abrigo do acordo de cessar-fogo entre o movimento islamita palestiniano Hamas e o Governo de Israel. A MSF, que suspendeu as suas actividades na cidade de Gaza a 24 de Setembro, devido aos constantes bombardeamentos e ao avanço dos tanques israelitas, antes da assinatura da trégua, precisou ontem que a prioridade é atender as centenas de pessoas que regressaram ao norte do enclave palestiniano. As equipas da organização não-governamental (ONG) trataram mais de 500 doentes, a maioria dos quais com traumatismos, desde que, a 15 de Outubro, reabriram a sua clínica na capital da Faixa de Gaza. Da mesma forma, retomaram o transporte de água em camiões-cisterna e conseguiram fornecer entre 90 e 120 metros cúbicos de água por dia a até 14 pontos de distribuição. A ONG, que continua a prestar apoio à distância à maternidade Al-Helu e ao hospital Al-Shifa, informou também que está a avaliar “o possível aumento das actividades das suas equipas em função da situação de segurança” na cidade de Gaza. A MSF estimou ontem mesmo em 15.600 os doentes que aguardam na Faixa de Gaza para serem quanto antes transportados para o exterior, para receberem tratamento médico, e advertiu de que o cessar-fogo “não põe fim ao sofrimento extremo dos palestinianos” no enclave. Números do horror Israel e o Hamas anunciaram na noite de 08 de Outubro um acordo de cessar-fogo na Faixa de Gaza, a primeira fase de um plano de paz proposto pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, após negociações indirctas mediadas pelo Egipto, Qatar, Estados Unidos e Turquia. Esta fase da trégua envolveu a retirada parcial do Exército israelita para a denominada “linha amarela” demarcada pelos Estados Unidos, linha divisória entre Israel e a Faixa de Gaza, a libertação de 20 reféns vivos em posse do Hamas e de 1.968 prisioneiros palestinianos. O cessar-fogo visa pôr fim a dois anos de guerra em Gaza, desencadeada pelo ataque de 07 de Outubro de 2023 do Hamas a Israel, no qual cerca de 1.200 pessoas foram mortas e 251 sequestradas. A retaliação de Israel fez pelo menos 68.229 mortos – entre os quais mais de 20.000 crianças – e de 170.369 feridos, na maioria civis – não só vítimas de fogo israelita, mas também de fome -, segundo números ontem actualizados (já com vítimas registadas após a entrada em vigor do cessar-fogo) pelas autoridades locais, que a ONU considera fidedignos.
Triângulo Estratégico Global (I) Jorge Rodrigues Simão - 22 Out 2025 “The divergence between American and European strategic analysis is more instrumental than sincere.” José Milhazes A guerra na Ucrânia não é apenas uma tragédia regional. É o reflexo de uma transição sistémica que atravessa o mundo, onde o equilíbrio entre potências, alianças e civilizações está em reconfiguração. O conflito, embora localizado, contém em si três dimensões interligadas que o tornam um dos eventos mais significativos da era pós-Guerra Fria. A primeira dimensão, visceral e imediata, é a mais sangrenta. Trata-se do confronto entre o que resta do império russo movido por uma pulsão de grandeza histórica e a nação ucraniana, que procura afirmar-se como Estado soberano e independente, livre da influência moscovita. Esta luta, que mistura elementos de guerra civil com disputas de sucessão pós-soviética, é marcada por memórias imperiais, ressentimentos históricos e ambições nacionais. A Ucrânia, ao tentar consolidar a sua identidade política e cultural, desafia directamente a narrativa russa de unidade eslava e continuidade imperial. A segunda dimensão, mais estrutural e de alcance continental, envolve o espaço euro atlântico em processo de transformação. Desde o colapso da União Soviética, a expansão da influência ocidental para leste tem sido constante. A integração da antiga Alemanha Oriental, a adesão dos países bálticos, da Polónia, da Roménia e, mais recentemente, da Finlândia e da Suécia à OTAN, desenham uma trajectória de aproximação à fronteira russa. A ofensiva militar de Moscovo contra Kiev surge como reacção a essa marcha oriental, tentando impedir que a Ucrânia se transforme numa plataforma avançada de influência americana. Sob esse prisma, os combatentes ucranianos tornam-se peças num tabuleiro maior, onde Washington projecta poder através de alianças e apoios indirectos. A retórica do “Ocidente colectivo”, embora usada como instrumento de mobilização interna pela Rússia, revela-se útil para conferir à intervenção o estatuto de guerra patriótica. A terceira dimensão, mais silenciosa mas decisiva, inscreve-se no desafio sistémico entre potências globais. A Ucrânia tornou-se um campo de teste para a resiliência das alianças, a eficácia das estratégias de contenção e a capacidade de adaptação das grandes potências. O conflito desenha uma geometria de pares com a Ucrânia e Estados Unidos de um lado; Rússia e seus parceiros estratégicos do outro. A China, embora não envolvida directamente, observa com atenção e prudência, calibrando os seus movimentos num tabuleiro onde a estabilidade regional e a autonomia estratégica são prioridades. A sua postura, marcada pela moderação e pelo pragmatismo, contribui para evitar uma escalada descontrolada e preserva canais de diálogo que podem ser cruciais para uma eventual resolução. Neste cenário, a guerra na Ucrânia contém os ingredientes para uma escalada de alcance mundial, caso um dos vértices do triângulo geopolítico Washington, Moscovo ou Pequim decida romper o equilíbrio tácito. A única saída sustentável parece residir num entendimento entre essas três potências, capaz de evitar que Kiev se torne o palco de uma nova guerra global, à semelhança das que marcaram o século passado. A Europa, por seu lado, assiste com crescente apatia ao desenrolar da tragédia. A sua fronteira oriental arde, mas o público europeu, fatigado e dividido, hesita entre o envolvimento e o distanciamento. A Ucrânia, tecnicamente falida e dependente de ajuda externa, vê metade da sua população viver em diáspora. Os que permanecem enfrentam uma guerra de sobrevivência, conscientes de que a vitória total é improvável. O objectivo tácito parece ser enfraquecer a Rússia, mesmo que isso implique a erosão da estabilidade europeia. A frente nordeste da OTAN, centrada na Polónia e estendida do Ártico ao Mar Negro, emerge como possível ponto de ignição. A Alemanha, com memória histórica e responsabilidade geopolítica, será determinante na reconstrução da Ucrânia pós-conflito. A sua influência, discreta mas profunda, contrasta com a assertividade polaca, marcada por rivalidades regionais. No horizonte, vislumbra-se um cenário de cessar-fogo ao estilo coreano, com uma nova cortina de aço a dividir o país. A reconstrução será partilhada entre os aliados ocidentais, com feudos demarcados e interesses cruzados. A Rússia, por sua vez, poderá consolidar uma Nova Rússia, estendendo-se da Transnístria ao Báltico, homenageando os czares que projectaram o império em direcção à Europa. A lógica das capacidades militares, mais do que as intenções declaradas, alimenta a possibilidade de confrontos preventivos. A escalada nuclear táctica, embora indesejada, torna-se uma consequência quase automática num ambiente de desconfiança mútua. Os Estados Unidos, cautelosos, preferem deslocar o foco para o Indo-Pacífico, enquanto os europeus, divididos entre ambições e ressentimentos, enfrentam o dilema de rearmar-se sem o guarda-chuva nuclear americano. A divergência estratégica entre americanos e europeus é mais funcional do que ideológica. Em Washington, a retirada parcial da Europa é vista como oportunidade para redistribuir recursos e testar a autonomia dos aliados. Na Europa, essa retirada é interpretada como oportunidade de reconfigurar ambições e ajustar contas históricas. (Continua)
Contribuindo com um exemplo vívido da governação da China para o desenvolvimento da causa global das mulheres Hoje Macau - 22 Out 2025 Por Liu Xianfa Comissário do Ministério dos Negócios Estrangeiros da República Popular da China na Região Administrativa Especial de Macau A Reunião de Líderes Globais sobre as Mulheres, com o tema “Um Futuro Partilhado: Processo Novo e Acelerado para o Desenvolvimento Integral das Mulheres”, teve lugar em Beijing, de 13 a 14 de outubro, em comemoração do 30º aniversário da IV Conferência Mundial sobre as Mulheres e com vista a debater sobre o desenvolvimento da causa global das mulheres. O Presidente Xi Jinping participou na cerimónia de abertura da Reunião e proferiu o discurso principal intitulado “Levar avante o espírito da Conferência Mundial de Beijing sobre as Mulheres e promover o novo e acelerado processo para o desenvolvimento integral das mulheres”, no qual demonstrou de forma abrangente e sistemática as conquistas da modernização chinesa e da causa das mulheres na China da nova era, apresentou as propostas da China para acelerar o novo processo de desenvolvimento integral das mulheres à luz das tendências globais e anunciou as soluções da China para apoiar ainda mais o desenvolvimento da causa global das mulheres. Com práticas bem-sucedidas e realizações frutíferas, a China contribuiu para o mundo inteiro com mais um exemplo vívido da “governação chinesa” . Na China, a causa das mulheres sempre constitui uma parte importante do processo de modernização chinesa. Desde a sua fundação em 1921, o Partido Comunista da China tem-se empenhado na libertação das mulheres e na igualdade de género. Após o estabelecimento da República Popular da China, foi promulgada uma série de leis e regulamentos que protegiam os direitos e interesses das mulheres, alcançando melhorias históricas na condição das mulheres no sentido de educação, emprego, participação política e autonomia conjugal. Entrando na nova era, o Comité Central do PCC, com o Camarada Xi Jinping como o núcleo, enfatizou como componentes integrantes da modernização chinesa a salvaguarda dos direitos e interesses legítimos das mulheres, a promoção da igualdade de género e o desenvolvimento integral das mulheres. Tem sido tomada uma série de decisões e planos pioneiros, gerais e de longo prazo e a causa das mulheres da China realizou conquistas e mudanças históricas. Vencemos a maior batalha contra a pobreza da história da humanidade e, assim, trouxemos prosperidade moderada a 690 milhões de mulheres. Reduzimos a taxa de mortalidade materna em quase 80% desde 1995 e juntámo-nos aos principais países de rendimento médio-alto nos indicadores essenciais de saúde materna-infantil. Atualmente, as mulheres representam mais de 40% da força de trabalho total da China e mais de metade dos empreendedores de startups de internet no país. Na nova era, as mulheres chinesas, mais confiantes e vibrantes, participam em todo o processo de governação do país e sociedade. A causa das mulheres na China tem gozado de espaços de desenvolvimento mais amplos e de perspetivas mais promissoras do que nunca. Após o seu regresso à pátria, Macau experimentou uma época dourada no desenvolvimento da causa das mulheres. O nível de escolaridade, a participação no mercado de trabalho, a cobertura industrial, o nível profissional e os rendimentos das mulheres em Macau melhoraram significativamente. Com grande coragem e entusiasmo, Mulheres deram contributos significativos em todas as esferas de vida, sustentando metade do céu para o desenvolvimento de Macau. Desde 2008, a Associação Geral das Mulheres de Macau obteve o estatuto consultivo especial junto do Conselho Económico e Social das Nações Unidas, assim foi qualificada oficialmente pelas Nações Unidas para assistir aos assuntos internacionais e, desde então, esta participou nas sessões da Comissão sobre o Estatuto da Mulher (CSW) por 15 anos consecutivos. Macau já se tornou numa força indispensável no sentido de contar bem as histórias da China e da prática bem-sucedida de “um país, dois sistemas” em Macau junto da comunidade internacional. A China tem dado apoio firme e contribuição ativa ao desenvolvimento da causa global das mulheres. Como salientou o Presidente Xi Jinping, as mulheres desempenham um papel importante na criação, promoção e desenvolvimento da civilização humana, e a comunidade internacional tem a responsabilidade partilhada de promover a causa das mulheres. A China defende a visão de construir uma comunidade com futuro partilhado para a humanidade e tem transformado a Iniciativa de Desenvolvimento Global, a Iniciativa de Segurança Global, a Iniciativa de Civilização Global e a Iniciativa de Governação Global em ações concretas para promover o desenvolvimento integral das mulheres, de modo a proporcionar ativamente oportunidades e apoio à causa global das mulheres através do seu desenvolvimento. A China participa ativamente na governação global no domínio das mulheres, apoia as Nações Unidas na priorização de trabalhos de mulheres, cria o Prémio para a Educação de Meninas e Mulheres em parceria com a UNESCO e tem anunciado três doações de 10 milhões de dólares à ONU Mulheres. Face aos desafios globais, a China tem enviado mais de 1.200 oficiais e militares femininos para participar em operações de manutenção da paz da ONU, prestando assistência humanitária a mulheres e crianças afectadas por conflitos e catástrofes. A China tem vindo a aprofundar o intercâmbio e a cooperação global entre mulheres, mantendo relações de amizade com organizações e instituições femininas de mais de 140 países, implementando projetos no valor de mais de 40 milhões de dólares no setor feminino em mais de 20 países, cultivando mais de 200 mil talentos femininos em mais de 180 países e regiões e prestando assistência para o emprego feminino em mais de 100 países. O desenvolvimento da causa das mulheres na China proporcionou uma solução chinesa para a causa global das mulheres que pode ser referenciada, o que é amplamente reconhecida e elogiada pela comunidade internacional. Renovando a nossa dedicação ao propósito da Conferência Mundial de Beijing sobre as Mulheres e unindo esforços para criar um futuro melhor para o desenvolvimento da causa global das mulheres. Globalmente, a violência de género, a desigualdade digital e a sombra da guerra e do conflito ainda persistem. Olhando para o futuro, devemos renovar-nos em prol do propósito da Conferência Mundial de Beijing sobre as Mulheres para construir consenso maior, alargar os caminhos a seguir e tomar medidas mais concretas, com o objetivo de acelerar o novo processo de desenvolvimento integral das mulheres. O Presidente Xi Jinping, no auge do progresso da civilização humana e do desenvolvimento pacífico do mundo, com uma visão global e sentido de responsabilidade como líder de um grande país, propôs quatro sugestões para a causa global das mulheres, quais são: “promover em conjunto um ambiente propício para o crescimento e desenvolvimento das mulheres”, “cultivar em conjunto um impulso vigoroso para o desenvolvimento de alta qualidade da causa das mulheres”, “construir em conjunto estruturas de governação para proteger os direitos e interesses das mulheres” e “escrever em conjunto um novo capítulo na promoção da cooperação global em prol das mulheres”. Foi anunciada também uma série de medidas novas tomadas pela China para apoiar o desenvolvimento da causa global das mulheres. A China está disposta a trabalhar com todos os países do mundo para superar os desafios globais, com visão orientada para a acção, acelerar o novo processo de desenvolvimento integral das mulheres com unidade, confiança, coragem e prática, levar avante a construção de um sistema de governação global mais justo e razoável e unir esforços para avançar em direcção a uma comunidade com futuro partilhado para a humanidade. Com destino partilhado e de mãos dadas, as mulheres encaminharão para um futuro promissor. Como defensora activa e firme da cooperação global na causa das mulheres, a China continuará a trabalhar com todos países para tomar as acções aceleradas, de forma a escrever um novo capítulo no processo de desenvolvimento integral das mulheres!
Tailândia | Ex-PM demite-se de liderança do partido fundado pelo pai Hoje Macau - 22 Out 2025 A ex-primeira-ministra tailandesa Paetongtarn Shinawatra, destituída em Agosto pelo Tribunal Constitucional, renunciou ontem ao cargo de presidente do Pheu Thai, partido fundado pelo seu pai, Thaksin Shinawatra, também ele ex-chefe do Governo. “A minha demissão permitirá que o partido se modernize para que possamos finalmente vencer as eleições”, afirmou Paetongtarn num comunicado divulgado pelo Pheu Thai. A política de 39 anos acrescentou que se manterá, no entanto, como membro do partido e “continuará a trabalhar arduamente” pela Tailândia. Filha do ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, Paetongtarn foi suspensa de funções em Julho, depois de ser acusada de não ter defendido a Tailândia durante um contacto telefónico em Junho com o ex-poderoso líder cambojano Hun Sen, que foi divulgado online. Num veredicto proferido no final de Agosto, nove juízes do Tribunal Constitucional do país consideraram que a ex-primeira-ministra não respeitou as normas éticas exigidas a um chefe do Governo durante essa chamada. Paetongtarn Shinawatra tornou-se assim o terceiro membro da família a abandonar a chefia do governo, depois do pai e da tia Yingluck, ambos derrubados por golpes militares. “Não importa quem presida o Pheu Thai, sempre será dirigido pela família nos bastidores”, disse em declarações à AFP Yuttaporn Issarachai, cientista político da Universidade Aberta Sukhothai Thammathirat. Segundo o analista, esta demissão visa principalmente proteger o partido contra processos judiciais. Durante décadas, a dinastia Shinawatra partilhou o poder com a elite conservadora da Tailândia, mas reveses jurídicos recentes fizeram com que a sua influência diminuísse.
Tarifas | Seul volta a enviar negociadores a Washington Hoje Macau - 22 Out 2025 Dois altos funcionários sul-coreanos viajaram ontem para Washington, poucos dias após regressarem dos Estados Unidos com sinais de avanços importantes nas negociações conducentes a um acordo que reduza as tarifas dos EUA sobre a Coreia do Sul. “[Seul e Washington] reduziram as diferenças em várias questões-chave, mas ainda há uma ou duas áreas em que as nossas posições continuam divididas”, disse o chefe de gabinete para Assuntos Políticos, Kim Yong-beom, antes de embarcar no Aeroporto Internacional de Incheon, a oeste de Seul, citado pela agência de notícias local Yonhap. Kim Yong-beom, que acabara de chegar de Washington no domingo, volta a viajar acompanhado pelo ministro da Indústria e Comércio, Kim Jung-kwan, que tinha regressado a Seul na segunda-feira. O alto representante sul-coreano prevê reunir-se novamente com o secretário do Comércio dos EUA, Howard Lutnick, depois de ter anunciado um “grande avanço” no encontro anterior com o mesmo responsável da Administração do Presidente Donald Trump. As negociações visam concretizar os termos de um pacote de investimento de 350 mil milhões de dólares acordado em Julho, destinado a reduzir as tarifas de 25 por cento para 15 por cento.
Timor-Leste | Governo declara 5 Junho como Dia Nacional do Mar Hoje Macau - 22 Out 2025 O Governo timorense aprovou ontem uma resolução, em reunião do Conselho de Ministros, que determina o dia 5 de Junho como o Dia Nacional do Mar de Timor-Leste. Segundo o comunicado do Conselho de Ministros, a criação do Dia Nacional do Mar, cuja resolução foi apresentada pelo primeiro-ministro, Xanana Gusmão, destina-se a celebrar e preservar o mar e a biodiversidade marinha de Timor-Leste e a promover o envolvimento da sociedade na sua proteção. A “consagração” deste dia “reflecte o reconhecimento da importância do mar para o equilíbrio ambiental, o sustento das comunidades e o desenvolvimento sustentável do país, bem como o compromisso do Governo com a conservação dos recursos marinhos e com a implementação Política e Plano de Acção para a Promoção de uma Economia do Mar Resiliente e Sustentável 2025-2035”, sublinha o comunicado. O primeiro-ministro timorense iniciou na terça-feira, em Díli, a apresentação da “Política e Plano de Acção para a Promoção de uma Economia Marítima Resiliente e Sustentável de Timor-Leste” às autoridades municipais, líderes comunitários e outros parceiros estratégicos. Xanana Gusmão tem previsto viajar pelo país no próximo ano para realizar ações de sensibilização semelhantes. Proteger o futuro A protecção dos oceanos e da biodiversidade marinha é uma das principais prioridades do Governo. A política para a Economia Azul reflecte, segundo o Governo, uma abordagem moderna, ambientalmente responsável e centrada nas pessoas, com vista ao desenvolvimento sustentável do país. Em Timor-Leste, a Economia Azul é definida como um conjunto de políticas e ações integradas que promovem o desenvolvimento económico e social através da utilização sustentável dos recursos marinhos e costeiros, com base em práticas ambientais sólidas. A resolução do Governo estabelece ainda que as comemorações do Dia Nacional do Mar sejam realizadas anualmente, de forma alternada, “em cada município e região do país” para reforçar o “valor cultural e espiritual do mar para o povo timorense e o compromisso nacional com a preservação dos oceanos”, acrescenta o comunicado.
Aviação | Pequim reafirma cooperação com Airbus Hoje Macau - 22 Out 2025 O ministro do Comércio chinês, Wang Wentao, reuniu-se em Pequim com o presidente executivo da Airbus, Guillaume Faury, para reforçar a cooperação com a empresa e garantir a estabilidade das cadeias industriais, informou ontem o seu ministério. Durante o encontro, realizado na terça-feira, Wang apelou à Airbus para tirar partido da entrada em funcionamento da segunda linha de montagem do modelo A320 em Tianjin, no norte da China, de modo a aprofundar a cooperação com o país asiático e expandir a oferta de produtos e serviços no país. O governante garantiu que o ministério “continuará a promover a resolução dos problemas e preocupações” que a empresa possa enfrentar nas operações locais, e trabalhará para “manter a estabilidade das cadeias industriais e de abastecimento globais”. Faury expressou “total confiança” na economia chinesa e no desenvolvimento da aviação civil no país, sublinhando que a nova unidade em Tianjin “proporciona condições favoráveis para aprofundar a colaboração industrial”. O encontro insere-se num contexto de reaproximação entre Pequim e as principais economias europeias, após vários anos de tensões comerciais. A Airbus mantém presença consolidada na China desde 2008, quando inaugurou em Tianjin a primeira linha de montagem de aviões de corredor único. Após abordar questões operacionais e de investimento, Wang enquadrou a reunião na estratégia de abertura económica da China, frisando que o mercado chinês “mantém uma expansão constante” e é actualmente o segundo maior do mundo em consumo e importações. Acrescentou que o país continuará a promover um ambiente favorável para as empresas estrangeiras e a defender a estabilidade das cadeias globais de abastecimento perante o aumento do proteccionismo. A Airbus é actualmente o principal fornecedor de aeronaves à China, que, em paralelo, procura reduzir a sua dependência externa com o desenvolvimento do avião comercial C919, produzido pela estatal COMAC.
Peste suína | Taiwan suspende exportações de carne de porco Hoje Macau - 22 Out 2025 O Governo de Taiwan suspendeu ontem temporariamente as exportações de carne de porco, após a detecção de um possível surto de peste suína africana no centro da ilha, informou a agência noticiosa CNA. Em conferência de imprensa, a vice-ministra da Agricultura, Tu Wen-jane, afirmou que, no cumprimento da “responsabilidade como país exportador”, Taiwan só retomará as exportações de carne suína “quando a situação epidemiológica estiver esclarecida”. O director do Departamento de Pecuária, Lee Yi-chien, indicou que os inventários actuais de carne de porco correspondem a cerca de um mês de consumo, o que “deverá ser suficiente para satisfazer a procura no curto prazo”. As medidas foram anunciadas após a detecção de um possível surto de peste suína africana na cidade de Taichung, concretamente no distrito costeiro de Wuqi, onde morreram 117 suínos infectados entre 10 e 20 de Outubro, segundo o Ministério da Agricultura. Como parte das medidas de prevenção, o ministério anunciou a proibição, desde ontem, do transporte e abate de suínos em todo o território durante cinco dias, além da proibição do uso de restos alimentares na alimentação dos animais. A peste suína africana não afecta os seres humanos, mas é altamente letal para os suínos, com taxas de mortalidade que podem atingir os 100 por cento nas formas mais agudas.
MNE | China espera que UE “apoie o livre comércio” e se “oponha ao proteccionismo” Hoje Macau - 22 Out 2025 Os representantes do Comércio chinês e europeu mantiveram uma conversa telefónica com vista a encontrar pontos de equilíbrio na relação entre os dois blocos A China disse ontem esperar que a União Europeia “apoie o comércio livre” e “se oponha ao proteccionismo”, depois de o ministro do Comércio chinês, Wang Wentao, e o comissário europeu do Comércio, Maros Sefcovic, conversarem por telefone. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun declarou, em conferência de imprensa, que “a essência das relações económicas e comerciais entre a China e a UE reside na complementaridade e no benefício mútuo”. Guo transmitiu o seu desejo de que “a UE cumpra o seu compromisso de apoiar o comércio livre e de se opor ao protecionismo comercial, e proporcione um ambiente empresarial justo, transparente e não discriminatório para as empresas de todos os países”. Segundo o porta-voz, a China espera que os 27 “adoptem medidas concretas para defender a economia de mercado e as normas da Organização Mundial do Comércio [OMC]” e “persistam na resolução adequada das diferenças comerciais através do diálogo”. Durante a chamada, Sefcovic convidou as autoridades chinesas a visitar Bruxelas para procurar “soluções urgentes” para os controlos à exportação de terras raras impostos por Pequim, medidas que a UE considera “injustas”. O comissário europeu do Comércio explicou que o ministro chinês aceitou o convite do executivo comunitário para abordar a questão nos “próximos dias” na capital belga, uma visita ainda não confirmada pelas autoridades chinesas. “Após a conversa desta manhã, não temos interesse numa escalada, mas a situação ensombra a nossa relação, pelo que é fundamental uma resolução rápida”, afirmou o comissário europeu. Sefcovic, que classificou a discussão como “construtiva”, lembrou que Bruxelas considera que o aumento dos controlos chineses às exportações desde Abril é “injustificado e prejudicial” e danifica a relação bilateral entre ambas as partes, ao mesmo tempo que vai contra as tentativas de alcançar um comércio mais estável e fiável. O comissário europeu abordou com Wang a proibição à empresa Nexperia de exportar semicondutores produzidos na sua fábrica na China, na sequência da decisão dos Países Baixos de intervir na empresa para impedir a transferência de conhecimento para a China por parte da empresa, que foi fundada nos Países Baixos, mas em 2019 foi adquirida por um grupo chinês. Nesse sentido, disse que ambas as partes lhe comunicaram a intenção de “resolver a situação e trabalhar para um acordo prático que restaure as cadeias de abastecimento, proporcione uma certeza muito necessária e evite paralisações na produção mundial”. Nos últimos meses, Bruxelas expressou preocupação com as restrições ao acesso ao mercado chinês e o uso de terras raras como instrumento de pressão. Além disso, persistem atritos entre Pequim e os 27 por causa das tarifas europeias sobre veículos eléctricos chineses e as investigações chinesas sobre conhaque, carne de porco e laticínios europeus.
Rússia | Serguei Lavrov rejeita pôr fim à guerra Hoje Macau - 22 Out 2025 O ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, rejeitou ontem a possibilidade de a Rússia pôr fim aos combates na Ucrânia, argumentando que isso significaria desistir das razões pelas quais o conflito foi iniciado. “Se simplesmente pararmos, isso significará esquecer as causas originais do conflito”, disse Lavrov numa conferência de imprensa realizada antes da cimeira de Budapeste, entre o Presidente russo, Vladimir Putin, e o Presidente norte-americano, Donald Trump, que poderá acontecer na próxima semana. “Agora ouvimos de Washington que devemos parar imediatamente [a guerra] e que não devemos discutir mais nada. Parem e deixem a História julgar”, acrescentou Lavrov. Na sua opinião, a cessação das hostilidades constituiria “uma contradição” relativamente ao que foi acordado na cimeira de Agosto no Alasca entre os dois líderes, e acusou os europeus de tentarem convencer a Casa Branca a mudar de posição e a não procurar um “acordo duradouro”. “Sabemos quem está a fazer isto. São os europeus, os patrocinadores e os mestres de [o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky”, apontou. O ministro russo lembrou que Putin e Trump concordaram no Alasca em “concentrar-se nas causas profundas e na necessidade de a Ucrânia abandonar a tentativa de aderir à NATO e, se possível, garantir plenamente os direitos legítimos da população russa e russófona”. Lavrov acrescentou que “um cessar-fogo agora significaria apenas uma coisa: grande parte da Ucrânia permaneceria sob o regime nazi de Kiev”. “Essa parte da Ucrânia”, continuou, “seria o único lugar na Terra onde uma língua inteira seria proibida por lei, sem mencionar o facto de ser uma língua oficial da ONU e falada pela maioria da população”. Vladimir Putin e Donald Trump deverão reunir-se na Hungria para encontrar uma solução para a guerra na Ucrânia. Passo a passo Já Dimitri Peskov, disse esperar que a cimeira sirva para “fazer avançar um acordo pacífico” sobre a Ucrânia, mas não se pronuncia sobre a possibilidade de o homólogo ucraniano participar no encontro. Peskov adiantou que Moscovo pretende que “se avance, antes de mais, num acordo pacífico sobre a Ucrânia” no encontro de Budapeste, onde Zelensky se mostrou interessado em estar se for convidado. O diplomata russo manifestou ainda surpresa com as notícias dos Estados Unidos — avançadas pela televisão CNN — sobre um possível adiamento do seu encontro com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, com quem falou ontem ao telefone. No entanto, reconheceu que, na sua conversa telefónica, nunca discutiram o encontro, mas apenas a possibilidade de voltarem a falar. A notícia da CNN também foi referida na conferência de imprensa diária do porta-voz da presidência russa. “Não se pode adiar algo que não estava programado”, observou Dmitri Peskov.
Japão | Sanae Takaichi eleita primeira mulher a liderar o Governo Hoje Macau - 22 Out 2025 A nova líder do Japão é conhecida pelas suas posições conservadoras. Chega ao poder graças a uma aliança com o partido reformista de direita, Ishin, mas não detém maioria absoluta no parlamento nipónico A nacionalista Sanae Takaichi foi ontem nomeada primeira-ministra do Japão, tornando-se a primeira mulher a ocupar este cargo, graças a uma coligação parlamentar formada na véspera, após negociações de última hora. A Câmara Baixa do Parlamento japonês nomeou Takaichi, de 64 anos, logo na primeira votação e a sua nomeação será oficializada quando se encontrar com o imperador Naruhito. A quinta líder do arquipélago no mesmo número de anos enfrenta uma situação política delicada no país, mas também uma agenda internacional densa, que tem como primeiro ponto mais alto a visita ao Japão do Presidente norte-americano, Donald Trump, já na próxima semana. Sanae Takaichi conquistou, em 04 de Outubro, a presidência do Partido Liberal Democrático (PLD), a formação conservadora de direita no poder, quase ininterruptamente desde 1955, mas que nos últimos meses perdeu a maioria nas duas câmaras do Parlamento nipónico devido, nomeadamente, a escândalos financeiros. O aliado tradicional do PLD, o partido centrista Komeito, abandonou a coligação em vigor desde 1999, incomodado com os escândalos e as opiniões conservadoras de Sanae Takaichi. Para garantir a eleição para a chefia do Governo e suceder ao primeiro-ministro cessante, Shigeru Ishiba, Takaichi formou na segunda-feira uma aliança com o Partido Japonês para a Inovação (Ishin), uma formação reformista de centro-direita. “À escandinava” A nova líder do Governo do Japão, admiradora da ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher, apelidada de “Dama de Ferro”, prometeu um Executivo com um número de mulheres “à escandinava”, em contraste com apenas duas na equipa do antecessor. Uma delas deverá ser Satsuki Katayama, ex-ministra da Revitalização Regional, que ocupará o cargo de ministra das Finanças, de acordo com a imprensa japonesa. O Japão está classificado em 118.º lugar entre 148 no relatório de 2025 do Fórum Económico Mundial sobre a disparidade entre os sexos e a câmara baixa do Parlamento nipónico é exemplo disso mesmo, contando com apenas 15 por cento de mulheres. Takaichi quer trazer para agenda das políticas publicas uma nova sensibilidade para as dificuldades relacionadas com a saúde das mulheres e não hesita em falar abertamente sobre os seus sintomas relacionados com a menopausa. No entanto, as suas posições políticas sobre a igualdade de género colocam-na à direita de um PLD já conservador. Por exemplo, a nova chefe do Executivo opõe-se à revisão de uma lei que obriga os casais a usarem o mesmo apelido e apoia uma sucessão imperial reservada aos homens. Takaichi também enfrentará a luta contra o declínio demográfico do Japão e a recuperação da quarta maior economia mundial. Além disso, a coligação com o Ishin representa 231 assentos no Parlamento, abaixo dos 233 necessários para a maioria absoluta, pelo que terá que negociar com outros partidos para governar. Sanae Takaichi já se manifestou a favor do aumento da despesa pública para reanimar a economia, seguindo o exemplo de seu mentor, o ex-primeiro-ministro Shinzo Abe, e sua vitória impulsionou a Bolsa de Tóquio a atingir níveis recordes, sobretudo devido à reputação “pomba fiscal”, com a empresas a apostarem num novo ciclo de redução dos impostos. No plano externo, Takaichi também moderou o discurso sobre a China e, na semana passada, absteve-se prudentemente de visitar o santuário Yasukuni, símbolo do passado militarista japonês, agressivo contra os vizinhos do Japão. A nível interno, finalmente, a primeira mulher líder do PLD e por inerência primeira chefe de Governo nipónico tem como principal desafio recuperar a popularidade do seu partido depois de uma série de reveses eleitorais que viram a ascensão do Sanseito, um pequeno partido populista que qualifica a imigração como uma “invasão silenciosa”.
DeepSeek lança modelo de IA que combina texto e imagem para reduzir custos computacionais Hoje Macau - 22 Out 2025 A empresa chinesa de inteligência artificial DeepSeek apresentou um novo modelo multimodal que combina texto e informação visual para processar documentos extensos com menos recursos computacionais, anunciou ontem o jornal South China Morning Post. O sistema, denominado DeepSeek-OCR, utiliza a percepção visual como meio de compressão para reduzir significativamente o número de tokens – as unidades mínimas de texto processadas por modelos linguísticos. Segundo a empresa, o método permite reduzir o volume de texto entre sete e vinte vezes, tornando possível o processamento de grandes quantidades de informação sem aumento significativo dos custos computacionais. Disponível em código aberto nas plataformas Hugging Face e GitHub, o modelo é composto por um codificador visual (DeepEncoder) e um descodificador com arquitetura Mixture-of-Experts (MoE), com 570 milhões de parâmetros. Para além de reconhecer texto, o sistema consegue interpretar elementos visuais como tabelas, fórmulas e diagramas, o que o torna aplicável em áreas como finanças, investigação científica e análise documental. Muito à frente Nos testes publicados pela empresa, o DeepSeek-OCR superou outros modelos de reconhecimento óptico de carateres (OCR), como o GOT-OCR 2.0 e o MinerU 2.0, ao manter uma precisão de 97 por cento com compressão inferior a dez vezes. A DeepSeek garante que o sistema pode gerar mais de 200.000 páginas de dados de treino por dia utilizando apenas uma placa gráfica Nvidia A100-40G. O lançamento integra a estratégia da empresa sediada em Hangzhou de desenvolver modelos mais eficientes e de menor custo, a par dos anteriores modelos V3 e R1, focados em raciocínio e aprendizagem por reforço. A DeepSeek integra a nova geração de desenvolvedores chineses de inteligência artificial de código aberto, a par de empresas como Baidu, Tencent ou Alibaba. No entanto, especialistas alertam que as rigorosas regras de controlo de conteúdo na China podem limitar a expansão internacional destes sistemas.
HK | Sany vai estrear-se na bolsa por 1.375 MME Hoje Macau - 22 Out 2025 O fabricante chinês de maquinaria de construção Sany vai entrar na bolsa de Hong Kong em 28 de Outubro, com uma operação de 1.600 milhões de dólares, reforçando o dinamismo do mercado local. A Sany, que já está cotada em Xangai, planeia vender mais de 580 milhões de acções por um valor total de 12.360 milhões de dólares de Hong Kong, noticiou ontem a imprensa local. A empresa fabrica escavadoras, maquinaria para betão, plataformas elevatórias, equipamentos de perfuração e compactação, e pavimentadoras, ocupando actualmente o terceiro lugar no sector a nível mundial. Com 62 por cento do volume de negócios proveniente do estrangeiro, a Sany continua a considerar a China o seu principal mercado, mas alertou para os riscos decorrentes da prolongada crise no sector imobiliário chinês. De acordo com o jornal South China Morning Post, a empresa vai canalizar 45 por cento dos fundos angariados para expandir as suas vendas internacionais e a rede de assistência técnica. A mesma fonte sublinha que a próxima semana será marcada por outras três grandes ofertas públicas iniciais (IPO, na sigla em inglês) em Hong Kong: a CIG Shanghai, fabricante de dispositivos de conectividade, com uma operação avaliada em 595 milhões de dólares; a empresa de soluções de inteligência artificial Deepexi, com 91 milhões de dólares; e a marca de chá Bama Tea, com 58 milhões. Estes lançamentos, combinados com cerca de 290 pedidos activos para IPO registados em Setembro, colocam a bolsa de Hong Kong como uma forte candidata ao título de principal mercado mundial de estreias bolsistas em 2025. Entre as próximas estreias mais esperadas contam-se as dos dois principais operadores chineses de veículos autónomos (‘robotáxis’), Pony.ai e WeRide, que poderão captar até 2.300 e 1.100 milhões de dólares.
Trump anunciou que visitará a China “no início do próximo ano” Hoje Macau - 22 Out 2025 O Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou segunda-feira que viajará para a China “no início do próximo ano” para se encontrar com o homólogo chinês Xi Jinping. “Fui convidado para ir à China e provavelmente irei no início do próximo ano. Está praticamente tudo organizado”, disse Trump aos jornalistas, ao lado do primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, que recebeu na Casa Branca. Trump deverá encontrar-se presencialmente com Xi no final deste mês, à margem da cimeira da Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC), na Coreia do Sul, naquele que será o primeiro encontro bilateral desde 2019. O encontro esteve em risco devido às tensões entre os dois países devido aos controlos anunciados por Pequim sobre a exportação de terras raras, bem como de máquinas e tecnologias que permitem o seu refinamento e transformação. Em resposta, Trump ameaçou aumentar as tarifas a Pequim depois daquela que qualificou como uma decisão “extremamente agressiva” por parte da China. Trump também expressou segunda-feira, na mesma ocasião e na presença de jornalistas, dúvidas sobre uma possível invasão chinesa a Taiwan. “Acho que tudo vai correr bem com a China. A China não quer fazer isso”, adiantou. Paz e defesa Também segunda-feira, o líder taiwanês, William Lai, afirmou que a paz entre China e Taiwan não se alcança “com um simples acordo”, em declarações na sequência da eleição da nova líder do partido de oposição Kuomintang, favorável ao diálogo com Pequim. Num discurso dirigido a representantes da diáspora taiwanesa, Lai defendeu que tanto ele como a sua antecessora, Tsai Ing-wen (2016-2024), apostaram em “reforçar a defesa nacional”, uma vez que “a paz deve ser um ideal, mas não uma ilusão”. “A paz não pode ser obtida através de um simples acordo. Tampouco se pode alcançar a paz aceitando as propostas da China, como o chamado ‘Consenso de 1992’ ou o princípio de ‘uma só China'”, declarou, referindo-se ao entendimento tácito entre o KMT e o Partido Comunista Chinês (PCC), segundo o qual ambos reconhecem a existência de “uma só China”, embora com interpretações distintas.
Hong Kong | Acolhida entidade multilateral dedicada à mediação internacional Hoje Macau - 22 Out 2025 O organismo de mediação deverá, segundo o Chefe do Executivo, John Lee, ter um estatuto semelhante ao do Tribunal Internacional de Justiça A Organização Internacional para a Mediação (IOMed) iniciou ontem formalmente actividades em Hong Kong, com representantes de mais de 30 países, afirmando-se como o primeiro organismo multilateral dedicado à mediação internacional. O chefe do Executivo de Hong Kong, John Lee, já havia afirmado em Maio que a nova entidade teria um estatuto “análogo ao do Tribunal Internacional de Justiça”, em Haia, pelo papel como centro de resolução de disputas, o que, segundo disse, “reforçará o prestígio externo da cidade, gerará vantagens económicas e consolidará o Estado de Direito”. Durante a cerimónia de inauguração, a vice-ministra dos Negócios Estrangeiros da China Hua Chunying destacou que a Convenção da IOMed foi assinada, entrou em vigor e permitiu a criação formal da organização em apenas cinco meses, o que considerou um “recorde histórico” e prova do apoio internacional à iniciativa, segundo o jornal oficial Diário do Povo. Ligada à Iniciativa para a Governação Global promovida por Pequim, a nova organização “promove a conciliação, a equidade e a cooperação, dando um impulso construtivo para uma comunidade internacional mais integrada”, afirmou Hua. O Governo local salientou que, num contexto internacional de incerteza e tensões, a mediação ganha relevância como mecanismo para preservar relações e fomentar o diálogo. “Hong Kong, com profissionais altamente qualificados, vai liderar esta tarefa”, declarou John Lee. Trata-se do primeiro organismo intergovernamental dedicado exclusivamente à mediação de litígios transnacionais, oferecendo mecanismos próprios de resolução de disputas, promovendo métodos actualizados e acolhendo encontros internacionais, com atenção especial aos países em desenvolvimento. Marco jurídico A IOMed procurará ainda cooperar com outras entidades multilaterais, conforme estipulado na Convenção assinada em Maio. A jurista de Hong Kong Teresa Cheng, antiga secretária da Justiça (2018–2022) e especialista em arbitragem internacional, foi nomeada secretária-geral da organização. Louis Chen, da Fundação de Intercâmbio Jurídico de Hong Kong, classificou a inauguração como “um marco para a cultura jurídica”, sublinhando que a nova entidade “combina diferentes sistemas normativos, oferece soluções acessíveis e reforça a arquitectura legal global”. A região administrativa especial chinesa, que opera segundo o princípio “Um país, dois sistemas”, procura afirmar-se como ponte entre a Ásia e o resto do mundo. Segundo o professor Willy Fu, da Associação Chinesa de Estudos sobre Hong Kong e Macau, a independência judicial e o elevado número de profissionais bilingues tornam a cidade “um ambiente ideal para tratar disputas multiculturais”. A IOMed apresenta-se assim como a primeira entidade multilateral vocacionada exclusivamente para a mediação em litígios internacionais, alinhada com os princípios da Carta das Nações Unidas, num contexto global marcado por tensões crescentes e pelo questionamento dos canais tradicionais de resolução de conflitos. A criação da organização coincide com críticas ao custo e à morosidade de mecanismos como o sistema de resolução de litígios da Organização Mundial do Comércio (OMC) ou os processos de arbitragem no investimento internacional.
Festival da Lusofonia | Calema, de São Tomé, actuam este sábado Andreia Sofia Silva - 22 Out 2025 O concerto dos Calema acontece já este fim-de-semana em mais uma edição do Festival da Lusofonia. A dupla de irmãos sobe ao palco das Casas Museu da Taipa no sábado, a partir das 21h30. Há, porém, sonoridades de outros países do universo da lusofonia, como Rui Orlando, de Angola a actuar domingo ou Memu Sunhu, Carimbó Paidégua e Negros Unidos, grupo da Guiné Equatorial São os irmãos António e Fradique Mendes Ferreira e juntos compõem os Calema. Oriundos de São Tomé e Príncipe, e a residir em Portugal, os dois irmãos deslocam-se esta semana a Macau para participar em mais uma edição do popular Festival da Lusofonia. As luzes e a música fazem-se sentir no palco das Casas Museu da Taipa, este sábado, a partir das 21h30, num espectáculo com entrada gratuita. Em Portugal, os Calema têm sido um caso de sucesso. Iniciaram a carreira há cerca de 15 anos e já actuaram em palcos imponentes como o Estádio da Luz e em dezenas de festivais de música. O primeiro álbum foi editado em 2010, intitulando-se “Ni Mondja Anguené”, seguindo-se “Bomu Kêlê”, lançado em 2014, e ainda “A Nossa Vez”, em 2017. Segue-se “Yellow Voyage”, editado em 2020″, e “Voyage – Part II”, editado quatro anos depois, e ainda “Voyage – Part III”. Em 2019, chegou um álbum que parece ser uma espécie de consagração, quando a dupla editou “Ao Vivo no Campo Pequeno”, uma das mais importantes salas de espectáculos em Lisboa. O single “Maria Joana”, gravado com os cantores Nuno Ribeiro e a fadista Mariza, lançado mais recentemente, venceu os Play – Prémios da Música Portuguesa na categoria de Canção do Ano. Mas os Calema têm estado imersos em projectos de solidariedade, indo além da música. Um dos exemplos é o facto de, em Agosto deste ano, a dupla ter recebido a designação de embaixadores da boa vontade da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) na área da cultura e música, tendo frisado que querem ser um exemplo para os jovens. “Nós, quando estávamos a começar, não tínhamos nenhum exemplo porque tudo parecia muito difícil. (…) Eu acho que, de uma certa forma, podes mostrar-lhes [aos jovens] que é possível, que há um processo e que se trabalhares, se acreditares, o teu sonho pode-se tornar realidade, mas depende muito de ti. É essa luz que a gente quer”, declarou Fradique Mendes Ferreira à Lusa, aquando da recepção desta nomeação. Já António Mendes Ferreira, frisou que a designação de embaixadores da CPLP é um orgulho. “Nós sempre fizemos música com o intuito de alegrar as pessoas, de comunicar com elas, conectar com elas, e fazer parte desta família que é a CPLP é incrível. Nós crescemos dentro da comunidade e da sua cultura”, referiu António. Outros sons O palco da Lusofonia vai preencher-se com outras sonoridades em língua portuguesa, como é o caso de Rui Orlando, que actua no domingo, 26, a partir das 20h40. Oriundo de Angola, Rui é músico, compositor e instrumentista, tendo vencido o concurso televisivo “Angola Encanta” em 2011. Rui Orlando é formado em contabilidade e gestão, mas a paixão pela música venceu. Aos 20 anos fez um curso intensivo em Lisboa e aí começou a dedicar-se à carreira artística. Da Guiné-Bissau chegam os Memu Sunhu, que actuam esta sexta-feira a partir das 20h40. Trata-se de um grupo bem recente, formado em 2021 por quatro músicos: Ninanca Alfredo Carlos Banca, Desejado Carlos Gomes Sadjó, Sadibo Coté e Malam Djudju Mané. O colectivo é conhecido por misturar diversos géneros musicais com a música mais tradicional da Guiné-Bissau. Do Brasil, chegam ainda os Carimbó Paidégua, que actuam no domingo a partir das 19h10. Esta banda assume-se como um colectivo de pesquisa em música e danças ligadas à floresta da Amazónia e que está sediada na cidade de São Paulo. Destaque ainda para a actuação dos Negros Unidos, vindos da Guiné Equatorial, com actuação marcada para sábado a partir das 19h55. O festival da Lusofonia prossegue no fim-de-semana seguinte com mais actuações musicais, gastronomia e espaços de artesanato. Com Lusa
Albergue SCM acolhe 11ª festa de Halloween este fim-de-semana Hoje Macau - 22 Out 2025 Decorre este sábado e domingo, dias 25 e 26 de Outubro, o “11º Halloween Albergue SCM”, com diversas actividades para crianças e adultos, em que se promete transportar o público “para um mundo de abóboras e festividades cativantes de Halloween”. Segundo uma nota do Albergue da Santa Casa da Misericórdia, o evento deste ano tem como tema “Festa Fantasma”, incluindo-se a actividade “Túnel da Aranha” e uma variedade de “decorações fantasmagóricas”. Assim, ao início da noite, haverá no largo do Albergue SCM “barracas de maquilhagem gratuita, apresentações de palhaços e um emocionante desafio na ‘Casa Assombrada das Baratas’, adequado para participantes de todas as idades”. Além disso, será apresentada, entre as 15h e as 18h, a actividade “Albergue SCM – Let’s Trick or Treat”, um “evento emocionante que convida crianças dos 5 aos 12 anos, acompanhadas por um adulto, a embarcar numa aventura emocionante, em busca de tesouros escondidos no bairro de São Lázaro”. Aqui, os participantes estão equipados com um mapa e podem explorar “ruas e becos únicos, coleccionando ‘padrões misteriosos’ e podendo ganhar doces deliciosos no regresso ao Albergue SCM”. 11 anos de festa Destaque ainda para a realização, entre sábado e terça-feira, do “Concurso de Fantasias de Halloween do Albergue SCM”, em que para poderem ganhar prémios os participantes têm de tirar uma fotografia da sua fantasia dentro do espaço do Albergue, partilhando e comentando a imagem nas redes sociais. O comentário com mais gostos receberá um prémio. Para a organização do evento, “o Halloween não é apenas um festival que celebra a colheita do Outono, mas também uma plataforma para o intercâmbio cultural global”. Para estas actividades há a necessidade de inscrição prévia através dos contactos oficiais do Albergue SCM ou nas redes sociais. Foi em 2013 que o Albergue SCM, através do CAC – Círculo de Amigos da Cultura, começou a celebrar o Halloween, com o apoio do Instituto Cultural de Macau.
UM / Direito | Estudo destaca “sucesso” da licenciatura bilingue Andreia Sofia Silva - 22 Out 2025 Um estudo desenvolvido por três docentes da Faculdade de Direito da Universidade de Macau fala do “sucesso” da licenciatura bilingue nessa área, defendendo que pode servir como um “modelo”. Outra conclusão, é a de que quase metade dos alunos do curso conseguiu um melhor nível de português com um período de estudos em Portugal face aos que ficaram em Macau A licenciatura em Direito Chinês-Português da Universidade de Macau (UM) é tida como um caso de sucesso e um exemplo a ser tido em conta na academia local. Esta é uma das conclusões do estudo “Experiences in Bilingual Legal Education: The Case of Macau SAR’s Chinese–Portuguese Bachelor of Law” [Experiências na Educação Jurídica Bilingue: O caso da Licenciatura em Direito Chinês-Português da RAEM], da autoria dos docentes Teresa Lancry Robalo, Cheng Hang Leong e João Ilhão Moreira, da Faculdade de Direito da UM. Os autores falam do “sucesso” deste programa de licenciatura, que “combina a formação jurídica rigorosa com imersão linguística estratégica”, consistindo num “modelo para a educação jurídica bilingue”. É ainda defendido que esta licenciatura constitui “um modelo para outras jurisdições que procuram desenvolver uma educação jurídica bilingue ou multilingue, independentemente de operarem em sistemas bilingues”. O estudo analisa uma década de dados, de 2014 a 2024, e um universo de 333 estudantes. Em dez anos “o programa formou 99 estudantes bilingues, com flexibilidade que permite transferências para um curso apenas em chinês se os padrões de referência linguísticos não forem atingidos”. O facto de 99 alunos do curso terem concluído o curso “demonstra a capacidade do programa para formar profissionais do direito tanto em chinês como em português”, defendem os autores. Além disso, houve “67 estudantes considerados como não tendo alcançado proficiência bilingue suficiente”, e que passaram “para o Bacharelato em Direito em Chinês, formando-se nesse programa”, é referido. Desta forma, considera-se que, “após uma década de implementação e cinco turmas de formandos a entrar no mercado de trabalho, o programa provou que pode cumprir os objectivos ambiciosos e demonstrou que é possível uma educação jurídica bilingue eficaz, mesmo em jurisdições onde uma das línguas jurídicas não é amplamente falada pela população”, lê-se. Questão de línguas Outra conclusão do estudo, prende-se com os maiores benefícios obtidos pelos alunos que optam por estudar português em Portugal. Isto porque “48,77 por cento dos estudantes que estudaram em Portugal alcançaram a proficiência B2” em língua portuguesa, que no Quadro Europeu Comum de Referência para Línguas significa um “usuário independente”, alguém capaz de compreender as ideias essenciais de um texto mais complexo, e ter diálogo com alguma espontaneidade com falantes nativos. Enquanto isso, apenas 20,83 por cento dos alunos que permaneceram em Macau atingiram esse nível de proficiência em português. O estudo destaca que “a pandemia da covid-19 interrompeu a mobilidade internacional, reduzindo drasticamente os ganhos de proficiência nas turmas afectadas”. A análise feita no estudo demonstra que a taxa de graduação mais alta “foi registada no ano inaugural do programa (2014-2015), com 96,43 por cento dos estudantes inscritos a formarem-se”. Trata-se, para os autores, de um “resultado excepcional”, que “pode ser atribuído à utilização de uma definição mais flexível de proficiência bilingue durante a implementação inicial do programa”. Pelo contrário, “a taxa de graduação mais baixa ocorreu no ano lectivo de 2019-2020, com apenas 13,64 por cento dos alunos matriculados a concluírem o programa”. O estudo descreve que “uma razão provável para este declínio são as restrições impostas durante a covid-19”. Mas há um “desafio” no meio do sucesso: o facto de “alguns licenciados apresentarem níveis variados de proficiência em português, o que prova a necessidade de um aperfeiçoamento contínuo dos métodos de ensino”, devendo pensar-se a “incorporação de novas abordagens tecnológicas, que podem ajudar a superar estes obstáculos”. Na licenciatura em Direito Chinês-Português o primeiro ano é composto por disciplinas básicas como Introdução ao Direito ou História do Direito, sendo que logo aí os alunos “iniciam uma formação linguística intensiva, com um currículo destinado a desenvolver a proficiência oral e escrita”, com foco na compreensão oral e escrita. No segundo ano, há uma concentração na aprendizagem da língua, quer em Macau ou Portugal, e nos três anos seguintes “os alunos continuam os seus estudos com uma combinação de disciplinas de Direito ministradas em ambas as línguas”, sendo que os alunos do curso bilingue “não frequentam aulas separadas, mas sim aulas dos programas de bacharelato em Direito em chinês e de bacharelato em Direito em português”. Os autores do estudo deixam várias sugestões, como a ideia de as “instituições poderem introduzir um programa bilingue adicional com custos de incremento mínimos, melhorando a sua oferta académica e atraindo um grupo mais amplo de potenciais estudantes”.
C-PLPEX com recorde de expositores lusófonos e “icónica camisola” de Pelé Hoje Macau - 22 Out 2025 A Exposição Económica e Comercial China-Países de Língua Portuguesa (C-PLPEX) arranca hoje em Macau, com 320 expositores lusófonos e, num “toque desportivo”, a exibição da icónica camisola usada por Pelé no Mundial de 1962. Na segunda edição da C-PLPEX, a Deep Robotics, empresa de inovação chinesa fundada em 2017, vai apresentar dois cães robots. São “produtos já muito amadurecidos”, que podem, por exemplo, ser enviados para avaliar a situação em cenário de incêndio, explicou aos jornalistas um representante do BPS Global Group, agente da Deep Robotics na Austrália, Hong Kong e Macau. Com a participação na C-PLPEX, salientou Wong, a empresa tem “como prioridade Macau”, mas as portas podem abrir-se a outras latitudes. “Temos de saber se os países de língua portuguesa têm interesse e se a empresa mãe tem algum projecto para expandir e para quais países de língua portuguesa”, complementou o responsável, durante uma visita dos jornalistas ao local da feira, que decorre até sábado. A Deep Robotics vai ocupar um dos quase 500 expositores da China e dos países da lusofonia presentes este ano na C-PLPEX. Só da lusofonia contam-se 320 expositores, o que representa “um aumento de 23 por cento face à primeira edição”, anunciou, em conferência de imprensa, o presidente do Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM). “Um terço são do Brasil, um terço de Portugal e o resto são de [outros] países de língua portuguesa”, completou Che Weng Keong. Anos de estreias Em paralelo, vai decorrer este ano, pela primeira vez, a Expo Internacional Agrícola China-Países de Língua Portuguesa. O Brasil, considerou o responsável do IPIM, pesou na decisão de lançar esta nova mostra. “Brasil é um país muito grande, ligado à produção de alimentos, à produção agrícola e, tendo isso em consideração, decidimos realizar essa exposição. No interior da China, esta área [agrícola] é muito avançada e pode ter uma boa relação com os países de língua portuguesa”, justificou ainda o presidente do IPIM. Alan Ho, coordenador da C-PLPEX, notou ainda que trazer a Macau “muitas pessoas” do universo lusófono e do interior da China é “crucial para promover a plataforma de Macau”. Num “toque desportivo e cultural” desta feira, continuou Alan Ho, este ano vai ser exibida “pela primeira vez em Macau, a camisola amarela número 10 usada por Pelé em 1962”, durante o Mundial.