Governo não descarta estação de TGV, mas diz que não há espaço

A possibilidade de Macau vir a ter uma estação que faça a ligação do território com a futura linha de comboios de alta velocidade entre Guangzhou e Zhuhai não é descartada pelo Governo, mas coloca-se o problema da falta de espaço para mais um projecto desta dimensão.

A ideia foi deixada pelo secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam, no debate de ontem na Assembleia Legislativa (AL), em resposta a uma interpelação oral da deputada Ella Lei.

“Será possível criar uma estação de alta velocidade em Macau? Isto exige um espaço que não é pequeno. Se introduzirmos uma estação em Macau teremos de considerar a sua dimensão. Não afastamos qualquer hipótese, mas temos de ultrapassar o obstáculo face ao nosso espaço.”

Na sua interpelação oral, Ella Lei lembrou que o 15º Plano Quinquenal da China promove “a construção de uma linha de TGV entre Guangzhou e Zhuhai (Macau), para impulsionar o desenvolvimento regional”. Segundo a deputada, “as novas estradas e a linha de TGV irão facilitar a circulação de pessoas, mercadorias e turismo entre Macau e as cidades vizinhas”.

Assim, o território “deve aperfeiçoar a rede do Metro Ligeiro e o trânsito, para uma integração mais profunda na rede regional de transportes e o reforço dos laços entre Macau e Guangdong”, sendo necessário “aperfeiçoar as infra-estruturas e as instalações complementares”.

Ella Lei lembrou também que “com o estreitamento da relação entre Macau e as cidades vizinhas, muitos residentes deslocam-se diariamente entre Macau, Zhuhai e Guangzhou, para trabalhar ou viver”, mas “a deslocação implica vários transbordos”, o que “afecta a integração dos residentes no círculo de vida da Grande Baía”.

Assim, e “face aos projectos de transporte ferroviário regional, como o TGV entre Guangzhou e Zhuhai (Macau), como o Governo vai reforçar a comunicação e coordenação com os serviços competentes do Interior da China, de modo a assegurar, quanto antes, a ligação das infraestruturas e o planeamento do trânsito de Macau”, questionou.

Metro em melhoria

O deputado Leong Hong Sai também sugeriu a construção de uma estação de ligação em Macau. “Como é que se vai concretizar a articulação com o comboio de alta velocidade entre Guangzhou e Zhuhai? Futuramente vai haver uma estação em Macau, como há em Hong Kong? Isso pode contribuir para a vida da nossa população.”

O debate centrou-se ainda na necessidade de interligar o sistema do Metro Ligeiro com as carreiras de autocarros. Raymond Tam disse que o aumento da circulação do Metro Ligeiro será gradual. “Os autocarros ainda são o meio de transporte principal da nossa população. Vamos fazer um estudo estratégico porque queremos aumentar as linhas do Metro Ligeiro. A linha leste será a primeira desta fase de alargamento, passando pela Zona A e indo até às Portas do Cerco. Após a conclusão desta obra, em 2029, o número de passageiros vai aumentar. Vamos estender a linha leste para o posto fronteiriço de Qingmao para aumentar a cobertura”, explicou.

A linha leste do Metro Ligeiro terá um traçado de cerca de 7,7 quilómetros de comprimento, prevendo-se seis estações que estabelecem a ligação entre as Portas do Cerco, Zona A e Zona E dos Novos Aterros Urbanos, bem como a Estação do Terminal Marítimo da Taipa, na Linha da Taipa.

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