Exposição | Artistas de Macau apresentam a sua visão do Mercado Vermelho

O Albergue SCM e a Associação Cultural d’As Entranhas lançaram o repto a 15 artistas locais: pensar o Mercado Vermelho fora do quadrado, mas dentro da caixa. A ideia era juntar diferentes propostas, com base em formações e técnicas diversas, num formato de 40X40 centímetros. A inauguração é a 24 de Abril

“MERCADO VERMELHO” é o título da mostra colectiva que no próximo dia 24 de Abril, quarta-feira, inaugura pelas 18h30 na galeria D1 do Albergue SCM. Quinze artistas locais foram convidados a interpretar o tema, criando as suas versões do icónico edifício em formato de caixas de luz, através das quais o público vai poder conhecer as diferentes leituras que resultaram da proposta inicial. As reflexões exprimem as técnicas artísticas e as formações dos participantes – pintores, designers, arquitectos, fotógrafos e outros entusiastas da cultura local – que tiveram cerca de três meses para apresentar a sua ideia.

“A proposta que fiz aos artistas, creio que, mais do que os orientar, desorientou-os… Disse-lhes que gostava de fazer uma exposição sobre o Mercado Vermelho e que tinham uma caixa de luz, cada um, para trabalhar. Porque a exposição não vai ser na parede, é uma exposição para ser apresentada do ponto de vista de quem vê, na vertical, como se fossem as bancas do mercado. Dei-lhes então um quadrado de 40 por 40 para eles trabalharem”, explica a curadora da exposição, e produtora cultural do Albergue SCM, Vera Paz.

As obras originais têm a assinatura de Carlos Marreiros, Guilherme Ung Vai Meng, António Leong, Adalberto Tenreiro, Bernardo Amorim, Chan Hin Io, Henrique Silva, João Palla, Alexandre Marreiros, António Salas Sanmarful, Pedro Paz, António Mil-Homens, Cai Guo Jie, Chan Chi Lek e Vera Paz. “Todas as abordagens são diferentes, as peças são muito díspares”, confidencia a responsável, para quem começa agora a colocação em cena dos trabalhos.

“O repto foi lançado no início deste ano”, conta Vera Paz, mas era já uma vontade antiga. “O Mercado Vermelho faz parte das minhas memórias de infância. Em 1984, quando cheguei a Macau, lembro-me de ir com a minha mãe ao mercado e de aquilo me impressionar bastante. Tinha 10 anos e era tão diferente do que estávamos habituados em Portugal: a luz vermelha, os peixes cortados ao meio, tudo aquilo vivo, o cheiro… nunca mais me esqueço da impressão que me causou. E a água, sempre a correr, parecia-me sempre um cenário um pouco aterrorizador. De modo que, quando voltei, 35 anos depois, fiquei com vontade de fazer um fresco, uma reflexão, sobre estes ambientes e essas impressões que ainda eram tão presentes para mim”. A demanda individual passou a trabalho colectivo, buscando com outros artistas, residentes de longa data no território, variações sobre a mesma ideia de base.

Enquanto edifício de carácter público, [o Mercado Vermelho] é talvez “o melhor embaixador do período do ArtDeco ou Tropical-Deco em Macau dos anos trinta”.

Embaixador do ArtDeco

Concebido pelo arquitecto macaense Júlio Alberto Basto em 1934, o Mercado Vermelho foi inaugurado em Junho de 1936, e classificado como “edifício de interesse arquitectónico” em 1992. Enquanto edifício de carácter público, é talvez “o melhor embaixador do período do ArtDeco ou Tropical-Deco em Macau dos anos trinta”, conforme descrevia Carlos Marreiros – um dos artistas da exposição colectiva –, num artigo de 1985 da Revista Nam Van.

“De todos os bairros existentes em Macau, nenhum há que ofereça melhores condições de desenvolvimento urbano, em linhas modernas, que a Flora e o Mong Há, situados como se encontram, na zona mais plana da Colónia”, começava a memória descritiva do projecto de arquitectura de Júlio Alberto Basto, com data de 09.11.34, para a construção de um mercado, mais tarde nomeado Mercado Municipal Almirante Lacerda, hoje vulgarizado como Mercado Vermelho, segundo o mesmo artigo do arquitecto Carlos Marreiros.

Situado ao fundo da Avenida Almirante Lacerda, a obra foi, à época, alvo de forte oposição pelos negociantes e proprietários de comércio do mercado adjacente, de San Kio, que temiam perder a sua fonte de rendimento e clientela. Segundo documentação do Arquivo de Macau, o Leal Senado avançou, assim mesmo, com a intenção de construir uma infra-estrutura de maior dimensão, correspondente à estandardização moderna de higiene para aquela altura, que iria satisfazer a necessidade de crescimento contínuo da população de San Kio e de Sa Kong, o que aconteceu em dobro e em triplo, de acordo com a mesma fonte.

Saídos de uma nova geração de arquitectos, Júlio Alberto Basto, juntamente com Bernardino de Senna Fernandes e Canavarro Nolasco, entre outros, viriam a introduzir elementos de modernidade à instalada corrente neo-classizante que até aí predominava, pode ler-se ainda no antigo texto de Carlos Marreiros.E hoje, 82 anos depois da sua edificação, o que evoca o Mercado Vermelho para todos estes artistas? É ir ver às bancas de luz do mercado improvisado do Albergue, de amanhã a uma semana.

Albergue | Season Lao e Haguri Sato mostram trabalhos

É inaugurada esta quarta-feira uma nova exposição no espaço do Albergue SCM, com trabalhos de Season Lao e Haguri Sato. Vão estar expostos 36 trabalhos marcados pelo design gráfico de Season Lao, que, apesar de ter nascido em Macau, mudou-se para o Japão, mais precisamente para Hokkaido. Será também mostrado o trabalho de Haguri Sato, natural do Japão e que trabalha essencialmente com escultura. Season Lao licenciou-se no Instituto Politécnico de Macau e tem estado envolvido em inúmeros projectos de design. Desde o tremor de terra de grandes dimensões que assolou o Japão, em 2011, o artista sentiu necessidade de enfatizar, no seu trabalho, a forma como seres humanos e o meio ambiente coexistem no mesmo espaço. A sua obra mantém não só uma ligação à arte oriental como também reflecte os problemas contemporâneos da globalização. A exposição conta com o apoio da Fundação Macau e estará patente até ao dia 8 de Maio, com entrada gratuita.


IC | Abertas candidaturas para Exposição de Artistas de Macau 2019

O Instituto Cultural (IC) está a aceitar candidaturas de trabalhos para integrar na Exposição de Artistas de Macau 2019. As propostas podem ser entregues até ao próximo dia 20 de Maio. Esta iniciativa conta com organização do Museu de Arte de Macau (MAM) e do Museu Nacional de Arte da China (NAMOC) e tem como objectivo “promover a interacção entre as comunidades artísticas de Macau e do Interior da China e reforçar a transmissão de tradições e a inovação no desenvolvimento das artes visuais de Macau”. Os candidatos devem ter idade igual ou superior a 18 anos e possuir Bilhete de Identidade de Residente permanente ou não permanente de Macau, e concorrer individualmente. Os trabalhos apresentados devem ser originais concluídos nos últimos dois anos e nunca terem sido exibidos publicamente. As categorias de meios de expressão artística são: pintura e caligrafia chinesas, pintura ocidental e artes tridimensionais ou cross media.


Concerto | LMA recebe banda de tributo a Foo Fighters a 27 de Abril

Os Faux Fighters, banda de tributo ao conjunto liderado por Dave Grohl, actuam no LMA no próximo dia 27 de Abril às 21h. Formados em 2012 por S. Chelsea Scott, que por coincidência é muito parecido com o líder dos Foo Fighters e ex-baterista de Nirvana, a banda de covers é conhecida pelos concertos intensos e divertidos, captando na perfeição a essência dos Foo Fighters. Quem quiser ouvir “Everlong” e “Learn to Fly” tem de desembolsar 100 patacas, se comprar o ingresso antecipadamente, ou 120 patacas à porta da sala da Coronel Mesquita.

17 Abr 2019

Homenagem | Rubye de Senna Fernandes celebrada hoje no Albergue

“Flor eterna” é o evento de homenagem a Rubye de Senna Fernandes que tem lugar esta noite no Albergue SCM. Carlos Marreiros e Miguel de Senna Fernandes querem proporcionar um serão capaz de invocar a memória de Rubye, a professora que cantava o fado

 

Rubye de Senna Fernandes vai ser homenageada hoje. A iniciativa é do Albergue SCM e da Associação dos Macaenses e tem lugar às 18.30h no Albergue.
A ideia foi do arquitecto Carlos Marreiros, presidente do Albergue SCM, e do presidente da Associação dos Macaenses, Miguel de Senna Fernandes.
O objectivo é celebrar àquela que marcou a música cantada em Macau nas décadas de 50 e 60. “É uma homenagem póstuma. Em vez de se celebrar apenas uma missa, como normalmente se faz, eu e o Carlos Marreiros achamos que talvez uma sessão de conversa fosse melhor”, contou Senna Fernandes ao HM. A sessão tem como objectivo “invocar as memórias dessa senhora e fazer um serão capaz de ficar na memórias das pessoas”, acrescentou.
Rubye de Senna Fernandes nasceu em Macau no ano de 1925. Ainda pequena, aos seis anos, mudou-se para Portugal. No regresso à Ásia trouxe na bagagem a música que a marcou do outro lado do mundo. “A Rubye vinha de Portugal onde participou em muitas tertúlias onde se cantava o fado”, revelou o jurista.
De regresso a Macau, desempenhou funções como professora e directora do Jardim de Infância D. José da Costa Nunes. Para Miguel de Senna Fernandes, além de ter uma “personalidade invulgar e interessante”, Rubye marcou uma época em Macau com a música que não se dispensava de cantar. Durante os anos 50, “foi a responsável pela popularização do fado por cá”, afirma o advogado.
No entanto, não se tratava de uma fadista, considerou, mas sim “de uma intérprete incrível deste género musical”, acrescentou. Miguel de Senna Fernandes recorda a imagem da mulher, que personificava o fado à sua maneira. “Lá vinha ela com o xaile e cantava tão bem”, refere.

Cantora apaixonada

Numa altura em que a música ligeira americana reunia o gosto dos residentes, “ela deu uma outra achega em relação ao fado e as pessoas passaram a ouvir este género de uma outra maneira”. A razão para que isso tivesse acontecido é óbvia: “a forma apaixonada com que cantava e que transbordava para quem a ouvia”, justificou.
No repertório trazia sempre Amália ou Hermínia da Silva, as estrelas da altura.
Miguel de Senna Fernandes não viveu estes tempos mas recordou o que lhe foi contado, sobretudo pelo pai: “em todas as festas que aparecia havia um fado com certeza, e mesmo que não fosse o fado, pegava na sua viola e tocava música ligeira da altura”, disse. Prova disso são as muitas fotografias em que Rubye de Senna Fernandes aparecia de viola em riste e prestes entregar-se a uma canção.

21 Ago 2018

Albergue SCM | “O Homem e o Arquitecto” homenageia Vicente Bravo

O Albergue SCM vai prestar homenagem a Vicente Bravo, com uma iniciativa intitulada “O Homem e o Arquitecto”. O evento, em português e em chinês, tem lugar pelas 15 horas. A apresentação vai ficar a cargo de Carlos Marreiros, Adalberto Tenreiro, Cheang Kun Wai, Fernando Botelho, Jay Ho Pui Kei, José Maneiras, José Silveirinha, Maria José Freitas e Nuno Soares. Vicente Bravo, que viveu cerca de três décadas em Macau, morreu a 28 de Julho em Portugal, aos 71 anos. A entrada é livre, mas devido a limitações de espaço, a organização recomenda aos interessados que realizem a pré-inscrição para garantir a participação no seminário.

9 Ago 2018

Chui Tak Kei | João Guedes lança fotobiografia do tio do Chefe do Executivo

O jornalista e autor João Guedes lança no próximo sábado a obra “Chui Tak Kei – História numa biografia”, dedicado à vida do tio do actual Chefe do Executivo, Chui Sai On. Chui Tak Kei foi um dos principais elos de ligação entre as comunidades chinesa e portuguesa, a par de nomes como Roque Choi e Ho Yin

O Albergue SCM promove o lançamento, este sábado, da fotobiografia sobre o tio do actual Chefe do Executivo, Chui Sai On, uma figura histórica da comunidade chinesa em Macau, falecida em 2007. “Chui Tak Kei – a História numa biografia” é da autoria de João Guedes, ex-jornalista da TDM e autor de várias obras sobre a história de Macau.

João Guedes desvendou ao HM um pouco sobre a obra que ele próprio propôs realizar e que contou de imediato com o apoio de Carlos Marreiros, arquitecto e director do Albergue SCM. Além disso, a Fundação Macau também apoia o projecto.

“Não há biografias em Macau e o que existe são pequenos artigos de jornal ou resumos biográficos”, contou. “A única biografia de fôlego que conheço foi a que foi publicada sobre o Roque Choi [da editora Livros do Oriente, de Rogério Beltrão Coelho e Cecília Jorge]. Há uma quantidade enorme de pessoas com interesse que não têm biografias”, acrescentou.

Chui Tak Kei é um nome proveniente da família Chui, uma das mais importantes de Macau. Tio de Chui Sai On, foi empresário nos mais diversos ramos, um dos quais o imobiliário. No plano político destacou-se como vice-presidente da Assembleia Legislativa e participou no processo de transferência de soberania de Macau e na elaboração da Lei Básica.

Como membro da comunidade chinesa, Chui Tak Kei foi uma das figuras que serviu de elo de ligação com a comunidade portuguesa. João Guedes prefere destacar a época da II Guerra Mundial e a crise do “1,2,3”, no período da Revolução Cultural, como dois momentos importantes na vida de Chui Tak Kei.

“Durante a guerra pertencia à Associação Tung Sin Tong e deu auxílio a refugiados. Esse é um ponto importante porque é aí que inicia a sua vida política. Também fazia parte da Associação Comercial de Macau, que era uma espécie de governo sombra da comunidade chinesa na altura”, contou. De frisar que a família Chui ainda hoje está ligada à Tung Sin Tong, uma das associações de caridade mais antigas de Macau.

Versão trilingue

A vida de Chui Tak Kei é contada e revelada num livro que estará disponível em português, inglês e chinês, e que contém 240 páginas repletas de “fotografias impressas em alta qualidade e documentação sobre Chui Tak Kei que, até agora, nunca tinham estado disponíveis ao público.” De acordo com um comunicado do Albergue, Chui Tak Kei foi uma “personalidade de invulgar dimensão humana e cívica, que Macau ainda lembra com saudade e respeito”.

Chui Tak Kei nasceu em Macau em 1911. Licenciado em Farmácia e com o curso técnico de Arquitectura, assume os negócios da família, ligados à construção civil, a partir de 1935. Figura preponderante do mundo empresarial de Macau, presidente da Associação Comercial de Macau, funda, nos anos 70, a Associação de Construtores Civis de Macau, de que seria o presidente executivo e mais tarde presidente honorário até ao fim da vida.

Foi uma figura de vulto nas instituições públicas e privadas do território e nos órgãos políticos de Macau, tendo ocupado o cargo no Conselho Consultivo do Governador e na Vereação do Leal Senado. Foi membro do Conselho da Redacção da Lei Básica da RAEM e da Comissão Preparatória da RAEM, bem como presidente do Comité Consultivo para a Lei Básica da RAEM. Amante de música e de Belas Artes, dedicou-se, nos tempos livres, ao desenho, pintura e caligrafia chinesa, além de ser um grande apreciador e coleccionador de arte chinesa.

5 Abr 2018

Exposição de Raquel Gralheiro inaugurada segunda-feira no Albergue SCM

O Albergue SCM acolhe, a partir de segunda-feira, “O meu zodíaco chinês”, uma exposição da pintora portuguesa Raquel Gralheiro. O mostra apresenta uma releitura artísticas dos 12 signos, com a particularidade de aliar os animais à figura humana

A ideia surgiu depois de uma viagem pela Ásia com um grupo de amigos. Após passagens pelo Brasil, Moçambique e Cabo Verde em intercâmbios artísticos, a curiosidade de conhecer os lugares onde os portugueses deixaram a sua marca, trouxe Raquel Gralheiro a Macau para viver a cidade e mostrar o seu trabalho. Eis que surge “O meu zodíaco chinês”, uma mostra que resulta da simbiose entre o animal e a mulher, um imagem de marca da pintora natural de Viseu, mas radicada no Porto.

“Há alguns anos que tenho explorado na minha linguagem pictórica a relação entre o ser humano e o animal. Inicialmente, eram os animais de estimação, mas fui alargando o universo – também porque hoje em dia a relação com eles é diferente – e, de repente, tinha quase um jardim zoológico”, diz, em jeito de brincadeira, a pintora portuguesa ao HM. A imagem da mulher, essa, esteve sempre lá (ora sozinha ora acompanhada) e continua, talvez por ser essa a sua condição, afirma.

O projecto de trabalhar os signos chineses surgiu “de repente”, exactamente há um ano, depois da viagem ao Oriente, onde ficou fascinada com as “cores fortes” – dos vermelhos aos dourados –, “muito próximas” das que utiliza habitualmente nos seus quadros.

A coincidência de ter trabalhos com animais que integram o zodíaco chinês – como o galo, o porco ou a serpente – foram meio caminho andado para pôr o projecto em marcha. “Quando estava em Hong Kong decidi enviar uma proposta ao Albergue SCM a propor uma colecção para expor em Macau. Reuni com o arquitecto Carlos Marreiros para apresentar a minha ideia e mostrei três ou quatro pinturas que seleccionei”, indica Raquel Gralheiro.

“Como o meu trabalho tem sempre o animal e a figura humana presentes e como andava com a mania de conhecer Macau pensei em juntar o útil ao agradável”, realça.

“O meu zodíaco chinês” resulta de um ano de dedicação, que incluiu estudar a simbologia da cultura chinesa. “Não queria cometer nenhum erro nem ferir qualquer tipo de susceptibilidade” dadas as diferenças culturais, salienta Raquel Gralheiro. Como tal, a artista contou com a ajuda de um chinês, amigo de uma amiga, que visitou o seu ateliê no Porto para atestar que estava tudo bem.

A exposição reúne, ao todo, 25 obras inéditas. Entre elas 13 telas em acrílico, 12 para cada um dos signos e uma que reúne todos no mesmo quadro. Noutras perspectiva, a mostra tem também 12 caixas, em técnica mista, que, com um vidro na frente, se assemelham a uma redoma. No interior, as figuras em miniatura de cada um dos animais do zodíaco surgem a dourado, com a imagem da mulher sempre em pano de fundo numa combinação de pinturas e colagens.

Paixão à obra

Numa visão global das obras, Raquel Gralheiro não consegue escolher uma imagem predilecta. “Estou muito satisfeita com o trabalho final. Gosto de todos: são quase como filhos”. Para a pintora portuguesa, também não poderia ser de outra maneira. “Tenho que estar apaixonada. Não consigo assinar um trabalho sem gostar dele. Tenho de ser a primeira a gostar, não é?”
Mesmo no meio da indecisão emocional, um dos quadros é particularmente especial para a artista. “Acho que o quadro que reúne os 12 signos é fabuloso. Adorei fazê-lo. Foram mais de três meses de trabalho, porque é muito minucioso, até nisso tem um pouco a ver com a cultura oriental. Deu-me mesmo luta e até pensei em desistir a meio porque tinha muitas ideias na cabeça”.
As expectativas são elevadas. “Francamente, acho que vão gostar”, diz entre risos.

“Dediquei-me durante um ano e trabalhei com entusiasmo num projecto que idealizei para ter a minha marca, mas também a pensar na afinidade” que podia gerar com público. “Espero que achem engraçado que uma portuguesa tenha explorado [o zodíaco chinês]. Penso que vão poder sentir bastantes referências e ligações à sua cultura”.

Todos os trabalhos da exposição, que vai ficar patente até 13 de Maio, encontram-se disponíveis para venda, com os preços a oscilarem entre 8.600 e 45.000 patacas. No entanto, a artista não esconde que gostaria de poder ir mais além. “Adorava levar a exposição para Hong Kong ou para a grande China”, afirma a pintora, de 48 anos, que expõe curiosamente desde 1999, tendo participado em mostras individuais e colectivas.

A exposição no Albergue SCM surge integrada na iniciativa ARTFEM – a primeira bienal internacional de mulheres artistas, no âmbito da qual tem também um quadro que se encontra exposto no Museu de Arte.

23 Mar 2018

Mercado de Natal no Albergue mostra trabalho de 16 artesãos locais

É já no próximo dia 3 de Dezembro que o Albergue acolhe a primeira edição do Mercado de Natal, uma ideia que partiu de Cátia Silva, gestora da empresa de eventos Bad Bad Maria. São 16 os artesãos locais que vão mostrar os seus produtos, seja comida, artigos de decoração, roupas ou acessórios.

“Este evento nasce precisamente da paixão que tenho por artesanato. Juntando três factores, a época do ano, um sítio lindíssimo como é o Albergue e esta vontade de fazer coisas novas, pensei em promover um evento que pudesse proporcionar um dia diferente”, contou ao HM Cátia Silva, que tem a responsabilidade da organização de toda a iniciativa, que tem o patrocínio do Albergue SCM.

“O projecto serve para apoiar os artesãos locais que fazem coisas à mão, quer seja roupa, comida, acessórios, decoração. Tentámos apoiá-los e promover um evento ligado à época natalícia, e aí surge esta sinergia. Espero que haja mais edições. O projecto foi apresentado há algum tempo e tem sido uma loucura (em termos de organização). Mas é efectivamente uma coisa que gosto de fazer”, disse ainda.

A primeira edição não pretende, para já, apoiar projectos de cariz social, mas poderá fazê-lo um dia, confirmou a mentora do Mercado de Natal. “Enquanto projecto inicial não pensámos em acções de caridade, mas temos um participante, o Le Petit Chef, e os lucros dos produtos que venderem vão para uma obra de caridade. O projecto inicial foi feito só para apoiar os artesãos locais e promover um evento de Natal. Mas nas próximas edições podemos pensar nisso.”

Para Cátia Silva, são necessárias mais iniciativas deste género para promover o trabalho artesanal que é feito por muitas mãos, sem grande conhecimento do público. “É necessário este tipo de eventos para envolver a comunidade. Todas as pessoas que fazem estes trabalhos, a maior parte, não têm negócios, uma loja. É uma oportunidade única de mostrarem o trabalho que fazem ao longo do ano.” O Mercado de Natal tem entrada gratuita e as portas estão abertas entre as 11h e as 19h.

22 Nov 2016