Covid-19 | Marcelo Rebelo de Sousa diz que autoridades estão a fazer tudo para transferir português infectado no Japão

[dropcap]O[/dropcap] Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, afastou hoje a possibilidade de fazer regressar ao país o português infectado com o novo coronavirus, e defendeu que as autoridades devem continuar a pressionar para encontrar uma solução.
“Aparentemente o que se diz é que primeiro é preciso ter a noção exacta da situação e tem de ser no Japão. Trazê-lo para Portugal podia ser uma temeridade para ele. Não vale a pena correr esse risco”, disse o Chefe de Estado, citado pela agência Lusa.
Para o Presidente da República, as autoridades portuguesas têm de “pressionar como têm feito permanentemente com diligências que permitam não apenas ir conhecendo melhor a situação como, se possível, tratar de uma eventual transferência para uma unidade hospitalar”.
Marcelo Rebelo de Sousa defendeu que a transferência para um hospital “seria naturalmente preferível porque é lá que se podem fazer análises, que noutros sítios é mais difícil”.
O Presidente disse que falou com a mulher do português doente no navio cruzeiro, e que ela compreendia “a situação em que não faz sentido nenhum trazer o marido para Portugal”.
“Sabe-se que tem de se respeitar o diálogo com as autoridades japonesas para uma eventual transferência para um hospital”, sublinhou.
Marcelo Rebelo de Sousa relatou que a mulher tinha, entretanto, recebido informação da ministra da Saúde de que, terminada a noite no Japão, se tentaria fazer uma avaliação da situação para apurar se de facto haverá condições para a transferência para uma unidade hospitalar.
O Presidente indicou ainda que houve também contacto com o comandante do navio, e disse que compreende que a situação “deve ser muito complicada”, com tantos casos tão diferentes.
Marcelo Rebelo de Sousa referiu ainda que as autoridades portuguesas estão a fazer os contactos todos para resolver os problemas apontados pelo português.
“Vamos ver como é que se gere, não é muito fácil. A situação é talvez das mais complicadas, um navio com tanta gente, uma unidade autónoma acostada a um território de um Estado que também tem de fazer a gestão do que se passa”, frisou. O Presidente assegurou ainda que Portugal não tem “notícia de mais nenhum caso até ao presente”.
As autoridade japonesas confirmaram hoje que o português Adriano Maranhão, canalizador no navio Diamond Princess, atracado no porto de Yokohama, no Japão, deu teste positivo ao coronavírus Covid-19.

Covid-19 | Português infectado e retido em navio no Japão foi visto por um médico

[dropcap]O[/dropcap] português que está infectado com o novo coronavírus, retido no navio Diamond Princess, no Japão, foi visto hoje pelo médico do barco que o medicou para a febre, disse à Lusa a sua mulher Emmanuelle Maranhão.

“A situação dele tinha piorado hoje com mais febre e dor. Na sequência do agravamento do estado de saúde foi visto pelo médico do navio que lhe deu Ben-uron para a febre”. Contudo, o médico não soube dizer quando vai ser possível transferi-lo para um hospital”, avançou.

De acordo com Emmanuelle Maranhão, Adriano foi medicado e continua na cabine, sem previsão de transferência para uma unidade hospitalar.

No domingo, as autoridades japonesas confirmaram que o português Adriano Maranhão, canalizador no navio Diamond Princess, atracado no porto de Yokohama, deu teste positivo ao coronavírus Covid-19, de acordo com fonte oficial do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Esta fonte disse que o ministério está a “insistir junto das autoridades locais para que se proceda à sua transferência para o hospital de referência”, no Japão.

Já em Portugal, deu negativo o resultado da análise ao cidadão português que está internado no Hospital de São João, no Porto, por suspeitas de infeção por novo Coronavírus (COVID-19), segundo uma nota da Direcção-Geral da Saúde (DGS).

Este é o 13.º caso suspeito de infecção com Covid-19 detetado em Portugal. Todos os 12 casos anteriores foram negativos.

Covid-19 | Português infectado e retido em navio no Japão foi visto por um médico

[dropcap]O[/dropcap] português que está infectado com o novo coronavírus, retido no navio Diamond Princess, no Japão, foi visto hoje pelo médico do barco que o medicou para a febre, disse à Lusa a sua mulher Emmanuelle Maranhão.
“A situação dele tinha piorado hoje com mais febre e dor. Na sequência do agravamento do estado de saúde foi visto pelo médico do navio que lhe deu Ben-uron para a febre”. Contudo, o médico não soube dizer quando vai ser possível transferi-lo para um hospital”, avançou.
De acordo com Emmanuelle Maranhão, Adriano foi medicado e continua na cabine, sem previsão de transferência para uma unidade hospitalar.
No domingo, as autoridades japonesas confirmaram que o português Adriano Maranhão, canalizador no navio Diamond Princess, atracado no porto de Yokohama, deu teste positivo ao coronavírus Covid-19, de acordo com fonte oficial do Ministério dos Negócios Estrangeiros.
Esta fonte disse que o ministério está a “insistir junto das autoridades locais para que se proceda à sua transferência para o hospital de referência”, no Japão.
Já em Portugal, deu negativo o resultado da análise ao cidadão português que está internado no Hospital de São João, no Porto, por suspeitas de infeção por novo Coronavírus (COVID-19), segundo uma nota da Direcção-Geral da Saúde (DGS).
Este é o 13.º caso suspeito de infecção com Covid-19 detetado em Portugal. Todos os 12 casos anteriores foram negativos.

Covid-19 | Coreia do Sul anuncia mais duas mortes e 161 novos casos

[dropcap]A[/dropcap]s autoridades da Coreia do Sul anunciaram hoje mais duas mortes e 161 novos casos de pessoas infectadas com o coronavírus Covid-19. Com esta atualização, o número de mortos subiu para sete e o de infectados para 763.

O presidente da Coreia do Sul colocou no domingo o país sob alerta máximo para doenças infecciosas, ordenando que as autoridades tomassem medidas “poderosas e sem precedentes” para conter o surto, que está a propagar-se rapidamente em torno da cidade de Daegu, no sudoeste do país.

Desde que foi detectado no final do ano passado, na China, o coronavírus Covid-19 provocou quase 2.500 mortes e infectou mais de 78 mil pessoas a nível mundial.

A maioria dos casos ocorreu na China, em particular na província de Hubei, no centro do país, a mais afectada pela epidemia.

As autoridades chinesas isolaram várias cidades da província de Hubei para tentar controlar a epidemia, medida que abrange cerca de 60 milhões de pessoas.

O segundo país mais afetado é o Japão, com 769 casos (quatro dos quais mortais), incluindo pelo menos 364 no cruzeiro ‘Diamond Princess’ onde no sábado foi detetada a infeção de um cidadãos português.

Itália surge em quarto lugar dos países e territórios com mais casos, registando 132 casos de infecção por Covid-19, dois deles mortais.

Covid-19 | Coreia do Sul anuncia mais duas mortes e 161 novos casos

[dropcap]A[/dropcap]s autoridades da Coreia do Sul anunciaram hoje mais duas mortes e 161 novos casos de pessoas infectadas com o coronavírus Covid-19. Com esta atualização, o número de mortos subiu para sete e o de infectados para 763.
O presidente da Coreia do Sul colocou no domingo o país sob alerta máximo para doenças infecciosas, ordenando que as autoridades tomassem medidas “poderosas e sem precedentes” para conter o surto, que está a propagar-se rapidamente em torno da cidade de Daegu, no sudoeste do país.
Desde que foi detectado no final do ano passado, na China, o coronavírus Covid-19 provocou quase 2.500 mortes e infectou mais de 78 mil pessoas a nível mundial.
A maioria dos casos ocorreu na China, em particular na província de Hubei, no centro do país, a mais afectada pela epidemia.
As autoridades chinesas isolaram várias cidades da província de Hubei para tentar controlar a epidemia, medida que abrange cerca de 60 milhões de pessoas.
O segundo país mais afetado é o Japão, com 769 casos (quatro dos quais mortais), incluindo pelo menos 364 no cruzeiro ‘Diamond Princess’ onde no sábado foi detetada a infeção de um cidadãos português.
Itália surge em quarto lugar dos países e territórios com mais casos, registando 132 casos de infecção por Covid-19, dois deles mortais.

Covid-19 | Coreia do Sul adia início da temporada de futebol

[dropcap]A[/dropcap]s autoridades sul-coreanas de futebol adiaram indefinidamente o início da temporada de 2020 devido ao surto do coronavírus Covid-19 que já fez sete mortos e infectou 763 pessoas no país. A liga fez o anúncio após uma reunião de emergência na capital, Seul.

As autoridades da Coreia do Sul tinham anunciado hoje mais duas mortes e 161 novos casos de pessoas infectadas com o coronavírus Covid-19.

O presidente da Coreia do Sul colocou no domingo o país sob alerta máximo para doenças infecciosas, ordenando que as autoridades tomassem medidas “poderosas e sem precedentes” para conter o surto, que está a propagar-se rapidamente em torno da cidade de Daegu, no sudoeste do país.

O número de mortos devido ao coronavírus Covid-19 subiu hoje para 2.592 na China continental, contabilizando ainda mais de 75 mil infectados, quase todos na província de Hubei.

Além das vítimas fatais na China continental, morreram oito pessoas no Irão, quatro no Japão, duas na região chinesa de Hong Kong, sete na Coreia do Sul, três em Itália, uma nas Filipinas, uma em França, uma nos Estados Unidos e outra em Taiwan.

Covid-19 | Coreia do Sul adia início da temporada de futebol

[dropcap]A[/dropcap]s autoridades sul-coreanas de futebol adiaram indefinidamente o início da temporada de 2020 devido ao surto do coronavírus Covid-19 que já fez sete mortos e infectou 763 pessoas no país. A liga fez o anúncio após uma reunião de emergência na capital, Seul.
As autoridades da Coreia do Sul tinham anunciado hoje mais duas mortes e 161 novos casos de pessoas infectadas com o coronavírus Covid-19.
O presidente da Coreia do Sul colocou no domingo o país sob alerta máximo para doenças infecciosas, ordenando que as autoridades tomassem medidas “poderosas e sem precedentes” para conter o surto, que está a propagar-se rapidamente em torno da cidade de Daegu, no sudoeste do país.
O número de mortos devido ao coronavírus Covid-19 subiu hoje para 2.592 na China continental, contabilizando ainda mais de 75 mil infectados, quase todos na província de Hubei.
Além das vítimas fatais na China continental, morreram oito pessoas no Irão, quatro no Japão, duas na região chinesa de Hong Kong, sete na Coreia do Sul, três em Itália, uma nas Filipinas, uma em França, uma nos Estados Unidos e outra em Taiwan.

Covid-19 | Kuwait e Bahrein registam primeiros casos

[dropcap]O[/dropcap] Kuwait e o emirato do Bahrein anunciaram hoje os primeiros casos de pessoas infectadas com o coronavírus Covid-19, indivíduos que regressaram do vizinho Irão, que registou 43 casos e oito mortes.

O Ministério da Saúde do Kuwait disse que três pessoas, que voltaram da cidade de Machhad, no nordeste do Irão, deram positivo no teste ao vírus.

Já as autoridades do Bahrein indicaram que um homem foi também diagnosticado com o novo coronavírus, que foi transportado para um hospital para tratamento, tendo sido convocados para realizarem exames aqueles que entraram em contacto com o indivíduo.

Muitos cidadãos árabes xiitas dos países do Golfo viajam frequentemente ao Irão, onde se deslocam em peregrinação aos locais sagrados xiitas do país.

O crescente número de casos de infeção no Irão, que se tornou o principal foco da epidemia na região, levou muitos países vizinhos a fecharem as fronteiras ou a restringirem o comércio com o país.

O Kuwait suspendeu voos, mas organizou operações para retirar os seus cidadãos do Irão, deixando também de acolher navios daquele país nos seus portos.

O número de mortos provocados pelo Covid-19 no Irão aumentou no domingo de cinco para oito, e o total de casos confirmados passou de 28 para 43, segundo anunciou igualmente domingo o porta-voz do Ministério da Saúde, Kianoush Jahanpour.

Na zona urbana de Teerão, onde vivem cerca de sete milhões de pessoas, é cada vez mais visível o número daqueles que andam de máscara e usam luvas, evitando o contacto físico.

Numa passagem por várias farmácias, a Lusa notou serem muitos os que compram máscaras.

O receio estende-se a vários setores. Nos hotéis, os trabalhadores das receções alertam os estrangeiros e nacionais para terem cuidado e evitarem o contacto físico e a Lusa confirmou que, nalguns hotéis da capital, já se contabilizam prejuízos devido à anulação de reservas.

O número de mortos devido ao coronavírus Covid-19 subiu hoje para 2.592 na China continental e foram reportados 409 novos infectados, quase todos na província de Hubei.

Segundo a atualização diária emitida pela Comissão Nacional de Saúde da China, 150 pessoas morreram até à meia-noite de hoje. Entre os novos casos, 398 foram reportados pela província de Hubei, onde várias cidades estão em quarentena desde 23 de janeiro, numa medida que afeta cerca de 60 milhões de pessoas.

O número de pacientes em todo o país fixou-se, no total, em 77.150. A Comissão Nacional de Saúde indicou que, no total, a China soma 9.915 casos graves de infeção, enquanto 24.734 pessoas já estão curadas e receberam alta.

A mesma fonte acrescentou que, até ao momento, 635.531 pessoas foram colocadas sob observação, após terem tido contacto próximo com os infetados, entre os quais 97.481 ainda estão a ser acompanhados.

Além dos mortos na China continental, morreram oito pessoas no Irão, quatro no Japão, duas na região chinesa de Hong Kong, sete na Coreia do Sul, três em Itália, uma nas Filipinas, uma em França, uma nos Estados Unidos e outra em Taiwan.

Covid-19 | Kuwait e Bahrein registam primeiros casos

[dropcap]O[/dropcap] Kuwait e o emirato do Bahrein anunciaram hoje os primeiros casos de pessoas infectadas com o coronavírus Covid-19, indivíduos que regressaram do vizinho Irão, que registou 43 casos e oito mortes.
O Ministério da Saúde do Kuwait disse que três pessoas, que voltaram da cidade de Machhad, no nordeste do Irão, deram positivo no teste ao vírus.
Já as autoridades do Bahrein indicaram que um homem foi também diagnosticado com o novo coronavírus, que foi transportado para um hospital para tratamento, tendo sido convocados para realizarem exames aqueles que entraram em contacto com o indivíduo.
Muitos cidadãos árabes xiitas dos países do Golfo viajam frequentemente ao Irão, onde se deslocam em peregrinação aos locais sagrados xiitas do país.
O crescente número de casos de infeção no Irão, que se tornou o principal foco da epidemia na região, levou muitos países vizinhos a fecharem as fronteiras ou a restringirem o comércio com o país.
O Kuwait suspendeu voos, mas organizou operações para retirar os seus cidadãos do Irão, deixando também de acolher navios daquele país nos seus portos.
O número de mortos provocados pelo Covid-19 no Irão aumentou no domingo de cinco para oito, e o total de casos confirmados passou de 28 para 43, segundo anunciou igualmente domingo o porta-voz do Ministério da Saúde, Kianoush Jahanpour.
Na zona urbana de Teerão, onde vivem cerca de sete milhões de pessoas, é cada vez mais visível o número daqueles que andam de máscara e usam luvas, evitando o contacto físico.
Numa passagem por várias farmácias, a Lusa notou serem muitos os que compram máscaras.
O receio estende-se a vários setores. Nos hotéis, os trabalhadores das receções alertam os estrangeiros e nacionais para terem cuidado e evitarem o contacto físico e a Lusa confirmou que, nalguns hotéis da capital, já se contabilizam prejuízos devido à anulação de reservas.
O número de mortos devido ao coronavírus Covid-19 subiu hoje para 2.592 na China continental e foram reportados 409 novos infectados, quase todos na província de Hubei.
Segundo a atualização diária emitida pela Comissão Nacional de Saúde da China, 150 pessoas morreram até à meia-noite de hoje. Entre os novos casos, 398 foram reportados pela província de Hubei, onde várias cidades estão em quarentena desde 23 de janeiro, numa medida que afeta cerca de 60 milhões de pessoas.
O número de pacientes em todo o país fixou-se, no total, em 77.150. A Comissão Nacional de Saúde indicou que, no total, a China soma 9.915 casos graves de infeção, enquanto 24.734 pessoas já estão curadas e receberam alta.
A mesma fonte acrescentou que, até ao momento, 635.531 pessoas foram colocadas sob observação, após terem tido contacto próximo com os infetados, entre os quais 97.481 ainda estão a ser acompanhados.
Além dos mortos na China continental, morreram oito pessoas no Irão, quatro no Japão, duas na região chinesa de Hong Kong, sete na Coreia do Sul, três em Itália, uma nas Filipinas, uma em França, uma nos Estados Unidos e outra em Taiwan.

Covid-19 | Número de mortos na China sobe para 2.592, maioria das províncias sem novos casos

[dropcap]O[/dropcap] número de mortos devido ao coronavírus Covid-19 subiu hoje para 2.592 na China continental e foram reportados 409 novos infectados, quase todos na província de Hubei, enquanto a maioria do país não contabilizou novos casos.

Segundo a atualização diária emitida pela Comissão Nacional de Saúde da China, 150 pessoas morreram até à meia-noite de hoje. Entre os novos casos, 398 foram reportados pela província de Hubei, onde várias cidades estão em quarentena desde 23 de janeiro, numa medida que afeta cerca de 60 milhões de pessoas.

O número de pacientes em todo o país fixou-se, no total, em 77.150. No entanto, apenas sete entre as 34 províncias e regiões autónomas da China continental reportaram novos casos diários.

A Comissão Nacional de Saúde indicou que, no total, a China soma 9.915 casos graves de infeção, enquanto 24.734 pessoas já estão curadas e receberam alta.

A mesma fonte acrescentou que, até ao momento, 635.531 pessoas foram colocadas sob observação, após terem tido contacto próximo com os infectados, entre os quais 97.481 ainda estão a ser acompanhados.

Além dos mortos na China continental, morreram oito pessoas no Irão, quatro no Japão, duas na região chinesa de Hong Kong, sete na Coreia do Sul, três em Itália, uma nas Filipinas, uma em França, uma nos Estados Unidos e outra em Taiwan.

Covid-19 | Número de mortos na China sobe para 2.592, maioria das províncias sem novos casos

[dropcap]O[/dropcap] número de mortos devido ao coronavírus Covid-19 subiu hoje para 2.592 na China continental e foram reportados 409 novos infectados, quase todos na província de Hubei, enquanto a maioria do país não contabilizou novos casos.
Segundo a atualização diária emitida pela Comissão Nacional de Saúde da China, 150 pessoas morreram até à meia-noite de hoje. Entre os novos casos, 398 foram reportados pela província de Hubei, onde várias cidades estão em quarentena desde 23 de janeiro, numa medida que afeta cerca de 60 milhões de pessoas.
O número de pacientes em todo o país fixou-se, no total, em 77.150. No entanto, apenas sete entre as 34 províncias e regiões autónomas da China continental reportaram novos casos diários.
A Comissão Nacional de Saúde indicou que, no total, a China soma 9.915 casos graves de infeção, enquanto 24.734 pessoas já estão curadas e receberam alta.
A mesma fonte acrescentou que, até ao momento, 635.531 pessoas foram colocadas sob observação, após terem tido contacto próximo com os infectados, entre os quais 97.481 ainda estão a ser acompanhados.
Além dos mortos na China continental, morreram oito pessoas no Irão, quatro no Japão, duas na região chinesa de Hong Kong, sete na Coreia do Sul, três em Itália, uma nas Filipinas, uma em França, uma nos Estados Unidos e outra em Taiwan.

O Fok Tak Chi da Avenida António Sérgio

[dropcap]H[/dropcap]oje, dia 2 da 2.ª Lua celebra-se o aniversário de Tou Tei.
Em Macau encontram-se nichos com o Tou Tei em toda a parte, uns pequenos colocados ao nível do chão na entrada de lojas e habitações, que actualmente tem vindo rapidamente a desaparecer, e outros em pequenos pavilhões, muitos estranhamente situados pois fora do alinhamento das ruas. Há ainda pequenos edifícios feitos para albergar o deus da terra (Tou Tei) em quase todos os bairros de Macau e o único que não tem creio ser S. Lázaro. Dois dos mais interessantes pequenos templos na península de Macau situam-se na Rua da Barca da Lenha e na Rua do Patane.

Já os três principais templos são, o Tou Tei miu do Largo do Pagode do Patane, o Fok Tak Chi na Rua de Tomás da Rosa, no bairro da Horta da Mitra e o Templo da Felicidade e da Virtude da Avenida do Almirante Sérgio, entre os prédios 131 e 133. É sobre este último que aqui vamos escrever, através do que lemos da folha entregue pela senhora Va, que dele toma conta.

Sendo o maior templo a Fok Tak em Macau, foi construído em 1868, sétimo ano do reinado Tong Zhi (1862-1874), após o governo português, por Portaria Provincial de 8/2/1867, ordenar que fossem ultimados os aterros que iam das Portas do Cerco até à Barra. Dava-se preferência aos proprietários locais, anteriores residentes nessa margem do Rio Oeste, que os quisessem aproveitar, retirando-lhes se os não ultimassem, ou exigissem um prazo excessivo para o fazer. Nesse local existira já um pequeno templo, como se constata no Edital de 29/10/1828, quando o mandarim de Heong-San proibia ao português Miguel Benvindo continuar as obras efectuadas à esquerda dum pequeno templo e à direita duma misteriosa pedra, denominada de Manduco, assim chamada devido a uma rocha aí existente e que pelo bater das águas parecia o coaxar das rãs, ou manducos, como são conhecidas em Macau as rãs grandes de água doce.

Segundo o Boletim da Província de Macau e Timor de 24/2/1869: “Em Macau o aterro do rio, para o lado da Barra, acha-se já unido ao terreno do Pagode chinês, de sorte que hoje as povoações da Barra e Patane se acham em comunicação pela estrada marginal.”

A zona da Praia do Manduco, sendo de grande actividade comercial, estava já toda ocupada com estabelecimentos e casas de habitação. Arranjou-se então um pequeno espaço (que pela localização acima referida era a do anterior templo) e aí os locais decidiram mandar construir o templo a Fok Tak. Por isso, o geomante que decidiu sobre a sua construção teve pouco espaço de manobra, pois os habitantes queriam rapidamente o templo para os ajudar a fazer bons negócios.

Num artigo anterior referimos ser Fok Tak (Fu De) o nome dado em algumas províncias da China aos locais deuses da terra, que se tornou também o Deus da Riqueza devido a propiciar prosperidade a quem homenageava o falecido Zhang Fu De (张福德, 1044-973), cujo nome de cortesia era LianHui (濂辉). Oficial cobrador de impostos durante a dinastia Zhou do Oeste foi muito querido da população pela sua honestidade e bondade e por isso, após a sua morte espalhou-se a fama de proporcionar prosperidade a quem lhe oferecia sacrifícios.

Nos três primeiros anos, as pessoas, que ofereceram dinheiro para a construção do templo, foram muito ajudadas pela divindade Fok Tak, correndo muito bem os negócios, levando muita gente a aí se dirigir para lhe pedir ajuda. Mas depois começaram os problemas devido ao fong-soi (Feng Shui) do templo. Um tufão ao passar por Macau em 2 de Setembro de 1871 levou-lhe todo o telhado, mas as casas ao lado não sofreram nada; algo muito estranho. Então as pessoas facilmente deram dinheiro para a sua reconstrução.

O Templo da Felicidade e da Virtude da Avenida do Almirante Sérgio têm o ancião Weiling como o deus local da terra, cuja estátua no nicho principal é a única em Macau do Tou Tei com o tamanho de uma pessoa, sendo mesmo a maior existente na cidade; está sentada e é feita de madeira, que foi dourada.

Outras são as divindades aqui adoradas, onde não poderia faltar Tin Hau, não estivesse o templo outrora junto à água de um dos ramais do Xijiang.

Apresenta também um incensório em cobre de 1827, sétimo ano do reinado do Imperador Daoguang da dinastia Qing, sobre uma mesa de sacrifício do ano de 1868, uma das vinte mesas que no templo existiram. Já na última visita, encontramos na parede um papel encaixilhado onde o Instituto Cultural referia ter dali levado cinco peças do espólio, uma mesa, um carimbo em madeira, duas caixas onde os deuses Ziwei e Guan Yi se encontravam protegidos, assim como um tchim t’ông, recipiente cilíndrico de bambu onde são colocados dezenas de pauzinhos numerados, os tchôk tchim.

Festa de Panchong Grande

No B.O. de 1867 há uma pequena referência à Festa do Panchão Grande realizada no largo da Fonte do Lilau, mas uma das primeiras descrições sobre a festividade aparece num jornal de 1873. Ocorrida em Macau no dia 2 da segunda Lua, era então o deus da terra chamado deus penate, numa alusão ao Deus romano do Lar e da Família.

Celebrada pelos chineses em vários quarteirões da cidade, era-lhe então dada o nome popular de Festa de Panchong Grande, talvez devido à longa tira de cartuchos de pólvora, o panchão grande, que aceso, interminavelmente vai estourando e provoca um imenso estardalhaço com uma intensa fumarada.

A crónica referia: “Houve este ano grande emulação entre os festeiros, que se esmeraram principalmente em fazer longas e pomposas procissões, acompanhadas de muitas bandas de música, grandes bandeiras, lindos quadros e bailéus, em cima dos quais apareciam meninos e meninas representando vários episódios da mitologia chinesa, sendo o mais notável deles em que uma menina parecia estar de pé sobre um leque aberto, pois o ferro que sustentava a criança estava tão bem escondido, que fazia uma completa ilusão aos espectadores.

Os chineses levam a origem desta festa aos tempos imemoriais, e não há casa nem família alguma que não tenha o seu deus penate, em honra do qual queima em certos dias da lua pivete e velas de cebo.
Deu-se em Macau a esta festa o nome de panchong grande por queimarem por essa ocasião grandes petardos e muitos foguetes.

Os chineses entusiasmam-se e dão muito dinheiro para as despesas da festa, porque julgam que quanto maior for a pompa e mais estrondosa for a festa, mais felizes serão os festeiros, os quais além disto se esforçam à porfia para apanharem o resto dos foguetes depois da explosão, porque encontram nisso um bom agouro.

Cada quarteirão da cidade faz a sua festa em separado; as diversas comissões dos festeiros esforçam-se para sobressaírem uns aos outros, e com isso gasta-se uma grande quantidade de dinheiro.

Há em Macau dois pagodes especialmente destinados aos deuses penates, um em Sankio, e outro na Praia do Manduco, e por isso são muito concorridos nestes dias, tanto por homens como por mulheres.
Festa onde não entram os bonzos, porque não têm ligação com as religiões de Fo [Budismo] e Tau.”

Samarra

[dropcap]O[/dropcap] mundo desaba em Abu Dahbi e recompõe-se em Samarcanda. Um terramoto afunda uma cidade no Chile e um vulcão soterra de cinzas nas Filipinas. O Covid-19 mata nas Fidji, em Madagáscar e Santa Helena. Um tornado atinge o centro dos EUA, enquanto há dissidências na casa real britânica e o Benfica não ganha há quatro jogos seguidos.

O que hei-de fazer? Nas ruas, as máscaras riem-se do reconhecimento facial. Os becos permanecem teimosamente vazios. Travessas enfadadas prendem cabelos. Avenidas de presunção deslizam por ecrãs. Autoestradas cintilam vistas do espaço. Um atentado terrorista ocorre em Islamabad. Outro não terrorista desaloja uma família em Samarra.

O que vim eu fazer a Samarra? Fica no Iraque Samarra. Dantes fazia parte do império sassânida, como fez parte do de Alexandre, um dos mais rápidos da História. De Bagdad a Samarra não é muito longe mas a viagem demora uma vida. Eu finalmente cheguei, embora não saiba ao que vim. Ninguém sabe o que vem fazer a Samarra. Na melhor das hipóteses, encontrarei um amigo.

Apocalipse, não

[dropcap]P[/dropcap]ermitam-me um devaneio de ficção na direcção oposta à tranquila racionalidade com que as autoridades locais têm tratado a epidemia do coronavírus. Acabei de chegar a Macau (sexta-feira), depois de umas férias largas que começaram na última semana de Janeiro. Quando parti para Portugal estávamos longe dos cenários de ruas vazias e de toda a fantasmagoria subsequente. Passados alguns frangos assados e imperiais em Lisboa, começaram a chegar notícias do encerramento de casinos, da corrida às farmácias na busca de máscaras, quarentenas forçadas e escassez de tudo e mais alguma coisa.

Entretanto, as imagens de Wuhan sugeriam um cenário de apocalipse zombie a lembrar os clássicos do mestre George Romero.

No dia que regressei a Macau, um amigo contextualizou o timing das minhas férias uma forma simples: “agora as coisas já estão a voltar ao normal”. Parece que escapei a uma espécie de pena de prisão domiciliária, que não testemunhei no contacto com amigos mais próximos, que não se coibiram de tomar uns copos.

Outro aspecto que importa referir é o alarmismo com que os média portugueses trataram este assunto, sedentos de sensacionalismo que veremos se será saciado com a confirmação do primeiro infectado português. Visto de Portugal, parecia que Macau estava a morrer de fome e sede, sem mantimentos, sem máscaras, sem esperança. Realidade contrariada com publicações nas redes sociais de prateleiras de supermercado cheias.

Outro lamentável episódio foi o triste circo que fizeram com o retorno dos portugueses retidos em Wuhan e da relativa desilusão face à ausência de infectados. Uma vergonha completa.

Feito o contexto, hoje sinto-me um personagem de um filme de zombies, com uma ligeira diferença. Em vez de despertar de um coma no pico do apocalipse, depois do total colapso de todas as instituições fundamentais da sociedade, (como Cillian Murphy em “28 Days Later”, ou Andrew Lincoln em “The Walking Dead”), abri a pestana já com situação controlada.

É precisamente aqui que vou injectar um pouco de ficção nesta crónica, com uma pitada de crítica política. Imaginemos que não existe Estado, Governo e esferas de protecção pública num caso destes (o sonho molhado dos libertários e anarcocapitalistas). Em quanto tempo desceríamos para a total barbárie? Sem querer tecer grandes comentários à reacção das autoridades de Hubei, e Pequim (que cometeram erros gravíssimos no início da epidemia), o que seria de Wuhan sem um poder público forte.

Sinceramente, alguém consegue imaginar um cenário em que privados, movidos pelo propósito basilar da busca de lucro, seriam chamados a intervir num cenário destes? Seria o apocalipse zombie. A natureza não discrimina entre ricos e pobres, entre membros de conselho de administração e empregadas de limpezas e está-se nas tintas para os mercados.

Nunca escondi a minha veia “trashy” em termos culturais. Um gajo não pode só encher a pança de clássicos, não se come filet mignon todos os dias. Às vezes apetece mesmo um prato de bifanas. Os filmes de terror orgulhosamente maus, especialmente os de zombies, fazem parte do meu imaginário desde criança.

Assim sendo, face às notícias alarmistas que chegavam a Portugal, depressa comecei a imaginar um cenário de “salve-se quem puder” em Macau. Quem viu filmes como “Dawn of the Dead” sabe que a sobrevivência num apocalipse zombie depende de quatro requisitos. Acesso a comida, água e medicamentos, um arsenal considerável de armamento, a segurança de um local fortificado e de difícil acesso a zombies e não esbanjar confiança a todos os que aparecem a pedir ajuda. Sobreviver ao desespero humano, por vezes, é mais difícil do que sobreviver aos avanços de uma horda de mortos-vivos.

A Torre de Macau parece-me um dos locais ideais para montar fortaleza, com a possibilidade de isolar pisos caso as portas de entrada cedam. Restaurantes e acesso a mantimentos não faltam. A estrutura oferece também um ponto de vantagem para vigilância e defesa, se juntarmos à equação um par de carabinas sniper a coisa até se poderia tornar divertida.

Importa referir que este tipo de cenário, roubado à ficção mais tola, é para muita gente uma espécie de nirvana ideológico preferível ao pavor de ter de pagar impostos e à brotoeja dogmática nascida da mais paranóica alergia estatal.

Como é óbvio, estou a brincar. Mas, não me leiam mal, a possibilidade de uma coisa destas resultar em caos é bem real, principalmente face à gula humana por antibióticos e ao factor multiplicador das alterações climáticas na microbiologia. Até lá, aproveitem ao máximo a estabilidade social e a segurança de vivermos numa sociedade estruturada capaz de responder a ameaças invisíveis.

Covid-19 | Itália regista 132 casos de contaminação

[dropcap]A[/dropcap]s infecções pelo novo coronavírus em quatro regiões do norte de Itália elevam-se a 132, depois de realizadas análises a cerca de 3.000 pessoas com sintomas suspeitos, informou ontem o presidente da Proteção Civil italiana, Angelo Borrelli.

O surto, que teve origem na China, já infectou mais de 78.000 pessoas em todo o mundo, segundo os números das autoridades de saúde dos cerca de 30 países afectados.

Em Itália, a maioria dos casos regista-se na Lombardia, com 89 infectados, seguida de Veneto, com 24 casos, dois dos quais na cidade de Veneza.

Em Piacenza, na região de Emilia Romanha, há nove casos confirmados, em Piemonte seis e na Lácio dois, neste caso turistas chineses. Duas pessoas morreram pela infecção por Covid-19 em Itália, uma na região de Veneto e outra na da Lombardia.

A Protecção Civil não conseguiu até ao momento determinar o “paciente zero”, o primeiro caso em território italiano, pelo que “é difícil prever a propagação” do vírus no país, explicou Borrelli.

O presidente da Lombardia, Attilio Fontana, fez eco destas informações afirmando, numa entrevista à SKYTV24, que os casos no norte de Itália já são “mais de 100” e pedindo ao governo central “controlos acrescidos nas fronteiras”.

Nesta região, a mais rica de Itália, todas as escolas e universidades vão estar encerradas na próxima semana e foi decretada a suspensão de todos os eventos públicos e atividades de caráter comercial.

A nível nacional, segundo o presidente da Protecção Civil, “há milhares de camas” disponíveis, depois de o exército ter disponibilizado 3.142 camas e a Força Aérea 1.750.

Cerco ao vírus

O governo colocou em quarentena 11 cidades da Lombardia e de Veneto para tentar conter o surto, área que totaliza cerca de 52.000 habitantes.

O principal foco do que as autoridades admitem poder ser um surto de Covid-19 autónomo, não-relacionado com a cidade chinesa de Wuhan onde surgiram os primeiros casos, é Codogno, uma localidade de 15.000 habitantes, muitos dos quais trabalham nos arredores de Milão, a capital da Lombardia.

O coronavírus Covid-19 surgiu em Dezembro em Hubei, no centro da China, país onde estão registados, a nível continental, 76.936 casos, 2.462 dos quais mortais.

Covid-19 | Itália regista 132 casos de contaminação

[dropcap]A[/dropcap]s infecções pelo novo coronavírus em quatro regiões do norte de Itália elevam-se a 132, depois de realizadas análises a cerca de 3.000 pessoas com sintomas suspeitos, informou ontem o presidente da Proteção Civil italiana, Angelo Borrelli.
O surto, que teve origem na China, já infectou mais de 78.000 pessoas em todo o mundo, segundo os números das autoridades de saúde dos cerca de 30 países afectados.
Em Itália, a maioria dos casos regista-se na Lombardia, com 89 infectados, seguida de Veneto, com 24 casos, dois dos quais na cidade de Veneza.
Em Piacenza, na região de Emilia Romanha, há nove casos confirmados, em Piemonte seis e na Lácio dois, neste caso turistas chineses. Duas pessoas morreram pela infecção por Covid-19 em Itália, uma na região de Veneto e outra na da Lombardia.
A Protecção Civil não conseguiu até ao momento determinar o “paciente zero”, o primeiro caso em território italiano, pelo que “é difícil prever a propagação” do vírus no país, explicou Borrelli.
O presidente da Lombardia, Attilio Fontana, fez eco destas informações afirmando, numa entrevista à SKYTV24, que os casos no norte de Itália já são “mais de 100” e pedindo ao governo central “controlos acrescidos nas fronteiras”.
Nesta região, a mais rica de Itália, todas as escolas e universidades vão estar encerradas na próxima semana e foi decretada a suspensão de todos os eventos públicos e atividades de caráter comercial.
A nível nacional, segundo o presidente da Protecção Civil, “há milhares de camas” disponíveis, depois de o exército ter disponibilizado 3.142 camas e a Força Aérea 1.750.

Cerco ao vírus

O governo colocou em quarentena 11 cidades da Lombardia e de Veneto para tentar conter o surto, área que totaliza cerca de 52.000 habitantes.
O principal foco do que as autoridades admitem poder ser um surto de Covid-19 autónomo, não-relacionado com a cidade chinesa de Wuhan onde surgiram os primeiros casos, é Codogno, uma localidade de 15.000 habitantes, muitos dos quais trabalham nos arredores de Milão, a capital da Lombardia.
O coronavírus Covid-19 surgiu em Dezembro em Hubei, no centro da China, país onde estão registados, a nível continental, 76.936 casos, 2.462 dos quais mortais.

Um semáforo na Etiópia

[dropcap]L[/dropcap]uzes coloridas. Vermelho, verde. As acções doseadas no fluir do tráfego por cores. Sempre para uns uma e para os outros a de sinal contrário. Quem conduz adora as ondas verdes de semáforos a mudar à sua passagem sem interrupção. Chegar cedo. Mas para cada onda verde, existe transversalmente uma enorme onda vermelha a barrar a pressa de outras vidas. Num avanço interrompido e sincopado como a subida ao castelo. A atenção aos sinais nos pequenos capítulos do dia. E haver sempre um sinal escondido. Amarelo intermitente. Um peão que pode passar com sinal vermelho se não vem carro, um automóvel a virar a curva quando não vê peão.

Os dias de episódios anódinos que perfazem o quotidiano. Em tudo insignificantes e idênticos aos de outros dias. Mas que ficam a macerar lentamente, desesperantemente, muito depois. Como a ânsia de resolução de uma equação simples e determinante que invade a consciência sem aviso. Nesta construção invisível em que se manipulam irreversíveis conjuntos concorrentes e aleatórios de circunstâncias, de que se é alvo e de cujos efeitos se fica pendente, na ignorância do que poderia ter sido. Se de outro modo.

Virar num cruzamento e à curva parar o carro para deixar passar um homem, por acaso idoso, por acaso de uma cor qualquer, que começa a atravessar, com o semáforo vermelho dos peões a dizer-lhe para não o fazer e eu a fazê-lo hesitar. Deixar passar. Porque era uma pessoa. Porque era um idoso. Porque tinha uma cor qualquer, e por uma razão qualquer. Porque ele não tinha razão e eu não tinha pressa. Por nada de especial que simplesmente me parou. Ele. Como poderia não ter sido assim, ele não estava em risco, eu nunca tenho tempo. Coisas sem importância. E não batalhas para ganhar uma guerra qualquer.

Perder quinze segundos na corrida da manhã e logo um pouco mais à frente parar num sinal vermelho. Uma sequência com uma moderada dose de consequência. Nada de especial. Mas foi aí que sem o pensar, sei agora, algo se imiscuiu no anódino do episódio como se dissesse para comigo que ali é que a porca torce o rabo. Não que eu tenha olhado para o sinal a mudar como quem olha para a arrogância de que quem exerce um daqueles pequenos poderes que dão satisfação a alguns egos. Mas dei comigo a revirar as possibilidades de todos os ângulos como se daí adviesse como resposta, o sentido da vida. Que mente a minha. A precisar de respostas.

Mas não, o sinal vermelho não foi claro na arrogância apressada de cair naquele momento, para parecer determinante o ínfimo pedaço de tempo que tinha despendido a parar e deixar passar, a meter uma nova mudança e avançar. Estava simplesmente lá porque mudou ao seu ritmo. Podia pensar que os céus não recompensaram a escolha feita, com um sinal verde. Mas também que confirmam que mais minuto menos minuto perdido a deixar passar o homem, não alterara relevantemente o curso do dia. O sinal vermelho fez parar de uma maneira ou de outra. Perder trinta segundos. E depois pensar que, se não tivesse deixado passar o homem, poderia ler o inevitável sinal vermelho como a condenação do gesto mesquinho. Ou como a confirmação de que deixá-lo passar em nada teria atrasado o meu caminho. E se caísse o sinal verde?

Pensaria que tinha valido a pena o gesto egoísta, caso não tivesse passado o homem, ou que era a recompensa por tê-lo deixado passar se assim fosse? Duas hipóteses: deixar ou não deixar passar. Para cada uma, duas luzes de semáforo de colorido diferente e ambas possíveis a seguir. Para cada cor da luz, duas leituras possíveis. Recompensa ou penalização. Não há uma ética no acaso. E no final do pequeno episódio, de novo o sinal íntimo e intermitente. Não imaginar. O que poderia ter-se cruzado num dia qualquer, como destino, em resposta a um minuto que se perdeu ou se ganhou. Como se alguém mexesse fios de marionetas e como se o fôssemos. A aproximar ou afastar de sonhos.

As luzes são sinais. De trânsito. De curta validade. A respeitar, de qualquer modo e para além deles. Sinais da importância de um sinal. A cumprir ou a não cumprir. E só. Sem mais respostas, sem validação sem orientação para além do momento curto e logo obsoleto. Outros sinais são como um semáforo na Etiópia.

Uma agulha num palheiro. Lembro-me daquela praça em Adis Abeba onde nunca estive. Um cruzamento de loucos e sem semáforos. Onde o único sentido que prevalece, é o de cada um. E chegar onde se quer.
Não. A vida não se apresenta clara nem dá respostas unívocas. Esconde a causalidade das pequenas coisas, como quem se reserva para o melhor ou não pretende assustar. Como o platonismo de Kafka. Uma realidade sempre a caminho de ser e nunca sendo. Não uma direcção e não um fim, somente um sentido. Mas algumas respostas são prévias, como mantimentos para o caminho.

E a única resposta vem de dentro. Como num teste de escolha múltipla. Avaliamos, escolhemos e voltamos a avaliar. Mas o caminho é às cegas, tirando pequenos sinais. Onde está o sorriso da cor e o nosso, a cor dos segredos – isso – diálogos a sós.

Jogo | Lawrence Ho diz que impacto do Covid-19 vai durar meses



Após um lucro de 3 mil milhões de patacas no ano passado, a Melco Resorts & Entertainment prepara-se para uma recuperação lenta do mercado em Macau devido ao surto do novo coronavírus

 

[dropcap]O[/dropcap] empresário Lawrence Ho, que controla a concessionária do jogo Melco Resorts & Entertainment, admitiu que o impacto do coronavírus para a principal industria do território vai fazer sentir-se durante “um longo período de tempo”. O cenário foi traçado pelo presidente da Melco na apresentação dos resultados para o ano de 2019.

“O início de 2020 foi fenomenal. Já em 2019 tínhamos tido um ano fantástico com recordes em todos indicadores do desempenho financeiro, até ao nível da quota do mercado alcançamos o valor mais alto da empresa. Mas, claro, assim que o coronavírus apareceu tudo caiu abruptamente”, começou por explicar o filho de Stanley Ho. “A nossa opinião, como a de outras concessionárias do jogo, é que para voltarmos ao nível onde estávamos vai levar muito tempo […] antecipamos que o mercado de Macau fique muito ‘quieto’ durante um longo período de tempo”, acrescentou.

Entre os desafios, além do vírus, está a mobilidade dos turistas do principal mercado, o Interior da China. “Como é que as pessoas vão vir do Interior para Macau? E quanto tempo vai levar até que possam regressar? Há muitos pormenores que ainda têm de ser resolvidos”, apontou.

Também na apresentação dos resultados compareceu David Sisk, director de operações dos empreendimentos integrados da Melco em Macau, que revelou que após a reabertura dos casinos, o Studio City e o City of Dreams receberam apenas 30 clientes. “Quando abrimos o Studio City houve 10 clientes que apareceram. E quando abrimos o Cityf of Dreams eram 10 ou 12 clientes. Quando saí, às 02h00, o número devia ser de 20 clientes, mas isto mostra que vamos ter de esperar”, vincou Sisk.

O mesmo membro da direcção da empresa admitiu ainda esperar um período de recuperação entre os quatro e seis meses.

Grandes apostadores

Por outro lado, a direcção da Melco acredita que o eventual regresso à normalidade vai ser feito principalmente à conta dos grandes apostadores, os jogadores VIP, numa primeira fase. Só depois é que o mercado de massas deverá regressar à RAEM, quando forem emitidos novos vistos individuais de viagem no Interior e as excursões forem autorizadas a regressar.

“Neste primeiro mês em que vamos reabrir não esperamos muita gente. Portanto, inicialmente a recuperação deve ser principalmente motivada pelo sector VIP. Depois, de forma gradual, vamos ver os visitantes individuais a regressar e mais tarde os excursionistas”, indicou Lawrence.

Finalmente, a empresa tem até 24 de Julho de 2021 para terminar as obras de construção da 2.ª Fase do casino Studio City. Sobre este aspecto, Lawrence Ho admitiu que a empresa ainda está à espera da licença de construção do Governo, que deverá demorar, uma vez que a prioridade do Executivo passa agora por combater o coronavírus. No entanto, nesta altura, recusa admitir um cenário de atraso nas obras.

Em relação aos resultados para 2019, a Melco apresentou um lucro de 3 mil milhões de patacas, o que representa um aumento de 9,7 por cento face a 2018, quando o lucro tinha sido de 2,7 mil milhões de patacas.

Jogo | Lawrence Ho diz que impacto do Covid-19 vai durar meses



Após um lucro de 3 mil milhões de patacas no ano passado, a Melco Resorts & Entertainment prepara-se para uma recuperação lenta do mercado em Macau devido ao surto do novo coronavírus

 
[dropcap]O[/dropcap] empresário Lawrence Ho, que controla a concessionária do jogo Melco Resorts & Entertainment, admitiu que o impacto do coronavírus para a principal industria do território vai fazer sentir-se durante “um longo período de tempo”. O cenário foi traçado pelo presidente da Melco na apresentação dos resultados para o ano de 2019.
“O início de 2020 foi fenomenal. Já em 2019 tínhamos tido um ano fantástico com recordes em todos indicadores do desempenho financeiro, até ao nível da quota do mercado alcançamos o valor mais alto da empresa. Mas, claro, assim que o coronavírus apareceu tudo caiu abruptamente”, começou por explicar o filho de Stanley Ho. “A nossa opinião, como a de outras concessionárias do jogo, é que para voltarmos ao nível onde estávamos vai levar muito tempo […] antecipamos que o mercado de Macau fique muito ‘quieto’ durante um longo período de tempo”, acrescentou.
Entre os desafios, além do vírus, está a mobilidade dos turistas do principal mercado, o Interior da China. “Como é que as pessoas vão vir do Interior para Macau? E quanto tempo vai levar até que possam regressar? Há muitos pormenores que ainda têm de ser resolvidos”, apontou.
Também na apresentação dos resultados compareceu David Sisk, director de operações dos empreendimentos integrados da Melco em Macau, que revelou que após a reabertura dos casinos, o Studio City e o City of Dreams receberam apenas 30 clientes. “Quando abrimos o Studio City houve 10 clientes que apareceram. E quando abrimos o Cityf of Dreams eram 10 ou 12 clientes. Quando saí, às 02h00, o número devia ser de 20 clientes, mas isto mostra que vamos ter de esperar”, vincou Sisk.
O mesmo membro da direcção da empresa admitiu ainda esperar um período de recuperação entre os quatro e seis meses.

Grandes apostadores

Por outro lado, a direcção da Melco acredita que o eventual regresso à normalidade vai ser feito principalmente à conta dos grandes apostadores, os jogadores VIP, numa primeira fase. Só depois é que o mercado de massas deverá regressar à RAEM, quando forem emitidos novos vistos individuais de viagem no Interior e as excursões forem autorizadas a regressar.
“Neste primeiro mês em que vamos reabrir não esperamos muita gente. Portanto, inicialmente a recuperação deve ser principalmente motivada pelo sector VIP. Depois, de forma gradual, vamos ver os visitantes individuais a regressar e mais tarde os excursionistas”, indicou Lawrence.
Finalmente, a empresa tem até 24 de Julho de 2021 para terminar as obras de construção da 2.ª Fase do casino Studio City. Sobre este aspecto, Lawrence Ho admitiu que a empresa ainda está à espera da licença de construção do Governo, que deverá demorar, uma vez que a prioridade do Executivo passa agora por combater o coronavírus. No entanto, nesta altura, recusa admitir um cenário de atraso nas obras.
Em relação aos resultados para 2019, a Melco apresentou um lucro de 3 mil milhões de patacas, o que representa um aumento de 9,7 por cento face a 2018, quando o lucro tinha sido de 2,7 mil milhões de patacas.

Táxis | Petição pede activação de fundos públicos para apoiar empresas 

[dropcap]U[/dropcap]ma petição entregue na sexta-feira ao Chefe do Executivo por representantes de táxis, e apoiada pelo deputado José Pereira Coutinho, defende a activação e melhor uso de fundos públicos para apoiar este sector de actividade.

“Temos em Macau cerca de 30 fundos públicos em plena actividade, pelo que sugeríamos, em primeiro lugar, a plena intervenção e simplificação dos apoios financeiros ao invés de os complicar e criar desigualdades, como tem acontecido com os vales electrónicos do ‘Macau Pass’. Isto porque os taxistas acabam por ficar de fora, por não disporem destes aparelhos”, aponta um comunicado.

Além disso, a petição faz referência à ausência de “seguros específicos e obrigatórios à interrupção temporária da actividade económica”. “Nem mesmo a existência de 30 fundos públicos são suficientes para ajudar a ultrapassar as dificuldades de muitas Pequenas e Médias Empresas que ficaram de fora do pacote dos apoios financeiros”, acrescenta o comunicado enviado por Pereira Coutinho às redacções.

Os pedidos de apoio surgem no âmbito da crise gerada pelo surto do Covid-19, que “teve graves consequências nas empresas que gerem os táxis concessionados pelo Governo”. “Até à data, o Governo ainda não avançou com medidas específicas a esta actividade económica, limitando-se a ajudar parcialmente outras. Não podemos esquecer que os condutores de táxis contribuíram bastante para a boa estadia dos cerca de 50 milhões de visitantes que anualmente Macau recebe”, defende o deputado.

Além disso, Pereira Coutinho deixa o alerta a Ho Iat Seng para o facto de “muitas PME estarem à beira da falência, o que põe em risco muitas famílias que estão na iminência de estarem em estado de insolvência devido às amortizações, salários e rendas a pagar durante a sua inactividade”.

Táxis | Petição pede activação de fundos públicos para apoiar empresas 

[dropcap]U[/dropcap]ma petição entregue na sexta-feira ao Chefe do Executivo por representantes de táxis, e apoiada pelo deputado José Pereira Coutinho, defende a activação e melhor uso de fundos públicos para apoiar este sector de actividade.
“Temos em Macau cerca de 30 fundos públicos em plena actividade, pelo que sugeríamos, em primeiro lugar, a plena intervenção e simplificação dos apoios financeiros ao invés de os complicar e criar desigualdades, como tem acontecido com os vales electrónicos do ‘Macau Pass’. Isto porque os taxistas acabam por ficar de fora, por não disporem destes aparelhos”, aponta um comunicado.
Além disso, a petição faz referência à ausência de “seguros específicos e obrigatórios à interrupção temporária da actividade económica”. “Nem mesmo a existência de 30 fundos públicos são suficientes para ajudar a ultrapassar as dificuldades de muitas Pequenas e Médias Empresas que ficaram de fora do pacote dos apoios financeiros”, acrescenta o comunicado enviado por Pereira Coutinho às redacções.
Os pedidos de apoio surgem no âmbito da crise gerada pelo surto do Covid-19, que “teve graves consequências nas empresas que gerem os táxis concessionados pelo Governo”. “Até à data, o Governo ainda não avançou com medidas específicas a esta actividade económica, limitando-se a ajudar parcialmente outras. Não podemos esquecer que os condutores de táxis contribuíram bastante para a boa estadia dos cerca de 50 milhões de visitantes que anualmente Macau recebe”, defende o deputado.
Além disso, Pereira Coutinho deixa o alerta a Ho Iat Seng para o facto de “muitas PME estarem à beira da falência, o que põe em risco muitas famílias que estão na iminência de estarem em estado de insolvência devido às amortizações, salários e rendas a pagar durante a sua inactividade”.

Casa de Portugal | Surto do Covid-19 coloca actividades em causa

A cerca de dois meses da data que assinala a Revolução dos Cravos, a realização do tradicional evento da Casa de Portugal é uma incógnita. À agência Lusa, Amélia António colocou em cima da mesa a possibilidade de a celebração para este ano ser cancelada

 

[dropcap]A[/dropcap]s tradicionais celebrações do 25 de Abril da Casa de Portugal estão em causa, devido ao surto do coronavírus. A revelação foi feita por Amélia António, presidente da instituição, em declarações à Lusa.

No entanto, o jantar de comemoração da Revolução dos Cravos não é o único evento que poderá ser suspenso e o mesmo poderá acontecer com a abertura da nova sede, assim como a realização do Campo de Férias.

Com mais de um milhar de associados, a Casa de Portugal é incapaz neste momento de prever o reinício das aulas da Escola de Artes e Ofícios, adiou a transferência para a nova sede e está a avaliar o cancelamento de uma série de actividades que vai desde a realização de campos de férias, na Páscoa e no Verão, e de projectos ligados às celebrações do 25 de Abril, explicou Amélia António.

“São tudo incógnitas”, sublinhou a responsável, à frente da associação há cerca de 15 anos, que admitiu “um grande impacto” na Casa de Portugal devido às medidas de prevenção face ao risco de epidemia no território.

“Está tudo parado” em relação ao processo de mudança de sede, que estava programado. “Neste momento não conseguimos avaliar quando recomeçamos as aulas”, acrescentou.

Para as comemorações do 25 de Abril, existiam projectos, mas a associação está agora a ponderar “avançar ou não”.

Amélia António salientou “a actividade cultural muito activa e intensa [da associação], que tem de começar a funcionar o mais cedo possível”, de forma “a contribuir para a normalização da vida do território e para transmitir” aos portugueses “alguma tranquilidade e confiança”.

O pessoal foi enviado para casa, para se reduzir o risco de contágio, “mas a Casa de Portugal não forçou férias a ninguém”, frisou. “Ficam em casa nas mesmas condições [a receber os respectivos salários], como se estivéssemos abertos. Eu acho que é uma questão de imperativo moral, imperativo de solidariedade, não é quando aparece uma dificuldade que começamos todos a sacudir a água do capote”, argumentou.

Ensino preocupa

Já no que diz respeito à comunidade portuguesa, Amélia António apontou a preocupação com o encerramento das escolas, apesar de a medida ser apoiada.

“De uma maneira geral, acho que as pessoas têm estado extremamente calmas, preocupadas, atentas, mas sem entrar em grandes histerismos”, frisou Amélia António.

Contudo, ressalvou, uma das grandes preocupações dos pais resulta do encerramento does estabelecimentos escolares, “sobretudo por não se perceber qual vai ser a extensão da paragem e não se perceber ainda o problema dos exames”, tanto aqueles que dizem respeito à passagem de ano, como de acesso ao ensino superior. “Esses anos de exame são os mais problemáticos. Preocupam os pais”, completou.

Casa de Portugal | Surto do Covid-19 coloca actividades em causa

A cerca de dois meses da data que assinala a Revolução dos Cravos, a realização do tradicional evento da Casa de Portugal é uma incógnita. À agência Lusa, Amélia António colocou em cima da mesa a possibilidade de a celebração para este ano ser cancelada

 
[dropcap]A[/dropcap]s tradicionais celebrações do 25 de Abril da Casa de Portugal estão em causa, devido ao surto do coronavírus. A revelação foi feita por Amélia António, presidente da instituição, em declarações à Lusa.
No entanto, o jantar de comemoração da Revolução dos Cravos não é o único evento que poderá ser suspenso e o mesmo poderá acontecer com a abertura da nova sede, assim como a realização do Campo de Férias.
Com mais de um milhar de associados, a Casa de Portugal é incapaz neste momento de prever o reinício das aulas da Escola de Artes e Ofícios, adiou a transferência para a nova sede e está a avaliar o cancelamento de uma série de actividades que vai desde a realização de campos de férias, na Páscoa e no Verão, e de projectos ligados às celebrações do 25 de Abril, explicou Amélia António.
“São tudo incógnitas”, sublinhou a responsável, à frente da associação há cerca de 15 anos, que admitiu “um grande impacto” na Casa de Portugal devido às medidas de prevenção face ao risco de epidemia no território.
“Está tudo parado” em relação ao processo de mudança de sede, que estava programado. “Neste momento não conseguimos avaliar quando recomeçamos as aulas”, acrescentou.
Para as comemorações do 25 de Abril, existiam projectos, mas a associação está agora a ponderar “avançar ou não”.
Amélia António salientou “a actividade cultural muito activa e intensa [da associação], que tem de começar a funcionar o mais cedo possível”, de forma “a contribuir para a normalização da vida do território e para transmitir” aos portugueses “alguma tranquilidade e confiança”.
O pessoal foi enviado para casa, para se reduzir o risco de contágio, “mas a Casa de Portugal não forçou férias a ninguém”, frisou. “Ficam em casa nas mesmas condições [a receber os respectivos salários], como se estivéssemos abertos. Eu acho que é uma questão de imperativo moral, imperativo de solidariedade, não é quando aparece uma dificuldade que começamos todos a sacudir a água do capote”, argumentou.

Ensino preocupa

Já no que diz respeito à comunidade portuguesa, Amélia António apontou a preocupação com o encerramento das escolas, apesar de a medida ser apoiada.
“De uma maneira geral, acho que as pessoas têm estado extremamente calmas, preocupadas, atentas, mas sem entrar em grandes histerismos”, frisou Amélia António.
Contudo, ressalvou, uma das grandes preocupações dos pais resulta do encerramento does estabelecimentos escolares, “sobretudo por não se perceber qual vai ser a extensão da paragem e não se perceber ainda o problema dos exames”, tanto aqueles que dizem respeito à passagem de ano, como de acesso ao ensino superior. “Esses anos de exame são os mais problemáticos. Preocupam os pais”, completou.

Transportes públicos | Lei Chan U pede medição de temperatura

[dropcap]O[/dropcap] deputado Lei Chan U considera que deve ser introduzida a medição da temperatura corporal nos transportes públicos de Macau. A medida de prevenção contra o novo tipo de coronavírus, surge numa altura em que o território, à semelhança do que acontece em muitas cidades do Interior da China, procura retomar alguma normalidade com o regresso progressivo dos cidadãos ao trabalho, facto que, de acordo com Lei Chan U, aumenta, não só o número de passageiros nos transportes, mas também, “o risco de propagação”, pode ler-se num comunicado enviado às redacções.

Apontando que em Cantão já foram introduzidos termómetros de rosto para medição de temperatura que “verificam a temperatura em segundos e (…) não necessitam da intervenção directa dos motoristas”, o vice-presidente da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) afirma que “Macau deve tomar a iniciativa e considerar a instalação destes equipamentos (…) em algumas carreiras mais movimentadas”.

Lei Chan U considera ainda, que a instalação dos termómetros possa vir a ser estendida a algumas estações mais concorridas do metro ligeiro e ainda, a departamentos governamentais e edifícios de escritórios, por forma “a reduzir recursos humanos e a sobrecarga de trabalho dos funcionários”.