Consumo | Preços voltam a cair em Agosto Hoje Macau - 10 Set 2025 Os preços ao consumidor na China voltaram a cair em Agosto, evidenciando persistentes pressões deflacionistas, enquanto uma descida mais moderada nos preços à saída da fábrica sugere um efeito da campanha de Pequim contra as guerras de preços. O índice de preços no consumidor (IPC), principal indicador da inflação, recuou 0,4 por cento em termos homólogos no mês passado, segundo dados divulgados ontem pelo Gabinete Nacional de Estatísticas (GNE) do país asiático. O valor ficou abaixo das expectativas do mercado, depois de uma sondagem da agência financeira Wind prever uma queda de 0,2 por cento. Em Julho, o IPC permaneceu inalterado face ao mesmo mês de 2024. A segunda maior economia mundial enfrenta há mais de dois anos pressões deflacionistas, com a fraca procura interna e o excesso de capacidade industrial a penalizarem os preços, enquanto a incerteza no comércio internacional dificulta o escoamento de produtos por parte dos fornecedores. A deflação consiste numa queda dos preços ao longo do tempo, por oposição a uma subida (inflação). O fenómeno reflecte debilidade no consumo doméstico e investimento e é particularmente perigoso, já que uma queda no preço dos activos, por norma contraídos com recurso a crédito, gera um desequilíbrio entre o valor dos empréstimos e as garantias bancárias. Outro dos efeitos, é o de levar ao adiamento das decisões de consumo e investimento em resultado de expectativas de preços mais baixos no futuro, podendo criar uma espiral descendente de preços e procura difícil de inverter, afectando a economia por inteiro.
Hong Kong | Reconhece parentalidade conjunta a casal lésbico Hoje Macau - 10 Set 2025 Um tribunal de Hong Kong considerou ilegal impedir que um casal lésbico registe conjuntamente a maternidade do filho concebido por fertilização in vitro, ao considerar que essa exclusão viola os direitos à privacidade e à vida familiar da criança. A decisão do tribunal de primeira instância, divulgada na terça-feira pela imprensa local, representa um marco na luta pelos direitos das famílias homoparentais na região administrativa especial chinesa. O casal, identificado como R, de nacionalidade chinesa, e B, cidadã sul-africana com residência permanente em Hong Kong, casou-se no estrangeiro em 2019. O filho, identificado como K e nascido em 2021, foi concebido através de fertilização in vitro recíproca, com um óvulo de R e gestação por B. Contudo, o registo civil local reconheceu apenas B como mãe legal, deixando R – que tem o único vínculo genético com a criança – sem qualquer estatuto parental oficial. A disputa remonta a 2022, quando o casal deu início a uma acção judicial para reinterpretar a legislação local e garantir o reconhecimento de R como mãe. A juíza Queeny Au reconheceu R como “progenitora segundo o direito consuetudinário”, mas sem clarificar os direitos concretos, por considerar que tal ultrapassaria as competências do tribunal. Face à recusa do Departamento de Justiça em alterar o certificado de nascimento, foi pedida uma nova revisão judicial em 2023. Outras perspectivas O juiz Russell Coleman, que presidiu à audiência mais recente, classificou a decisão anterior como “vazia”, por não conferir a R quaisquer direitos ou obrigações legais efectivos. Sublinhou que a omissão de R no certificado de nascimento poderia pôr em causa o seu papel parental, afectando a dignidade e identidade da criança. “Reflecte um sentimento de inferioridade decorrente da ausência de um quadro legal de reconhecimento”, afirmou o magistrado, citando uma decisão de 2023 do Tribunal de Última Instância que obriga à protecção dos direitos das uniões entre pessoas do mesmo sexo. Coleman rejeitou o argumento do Governo de que o certificado de nascimento era “pouco relevante” e frisou que imprecisões nesse documento podem prejudicar a privacidade e o desenvolvimento da identidade da criança em momentos importantes da sua infância. O juiz rejeitou também a sugestão governamental de que R deveria pedir tutela legal da criança, considerando que “um progenitor é um progenitor” e que tal alternativa é insuficiente. O tribunal instou os advogados a proporem medidas concretas para executar a sentença. Em Hong Kong, o casamento entre pessoas do mesmo sexo não é reconhecido de forma plena, sendo apenas admitido para efeitos limitados, como tributação ou heranças, após disputas judiciais. Em 2023, o Tribunal de Última Instância deu dois anos ao Governo para criar um quadro legal claro para os casais do mesmo sexo. Contudo, um projecto de lei sobre direitos médicos e decisões póstumas enfrenta forte oposição e estava prevista para ontem uma votação no Conselho Legislativo. A decisão judicial representa um avanço na luta pela igualdade de direitos da comunidade LGBTQ em Hong Kong, onde o reconhecimento legal das uniões entre pessoas do mesmo sexo continua restrito e controverso.
Nepal | China espera “restabelecimento da ordem social o mais rapidamente possível” Hoje Macau - 10 Set 2025 A China afirmou ontem esperar que o Nepal “restabeleça a ordem social e a estabilidade o mais rapidamente possível”, após uma vaga de distúrbios que causou dezenas de mortos e levou à demissão do primeiro-ministro, K.P. Sharma Oli. “China e Nepal são tradicionalmente vizinhos amistosos”, afirmou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian, em conferência de imprensa, acrescentando que Pequim espera que “todos os sectores do Nepal lidem adequadamente com os seus assuntos internos”. O porta-voz indicou ainda que as autoridades chinesas recomendaram aos cidadãos chineses no Nepal que “estejam atentos à sua segurança”. O exército nepalês, que assumiu o controlo da segurança no país, anunciou ontem a extensão do recolher obrigatório a nível nacional até hoje, após uma vaga de protestos violentos que provocou pelo menos 25 mortos. As forças armadas manifestaram também disponibilidade para facilitar conversações entre as partes envolvidas, com o objectivo de encontrar uma saída política para a crise. O ponto de partida da revolta popular foi a controversa proibição de 26 plataformas de redes sociais, mas os protestos reflectem uma frustração acumulada face à corrupção sistémica e ao nepotismo, simbolizados em campanhas virais contra os chamados “Nepo Kids” – filhos da elite – e contra uma classe política que tem alternado no poder ao longo de décadas. Durante anos, um dos maiores desafios e legados de K.P. Sharma Oli foi a gestão do delicado equilíbrio entre os dois gigantes asiáticos, China e Índia. Oli ganhou reputação como político próximo de Pequim, com quem o Nepal partilha uma fronteira de quase 1.400 quilómetros nos Himalaias, tendo assinado acordos considerados “históricos” para reduzir a dependência de Nova Deli e ganhado popularidade interna ao “desafiar o irmão mais velho indiano”.
Redes Sociais | Bloqueadas 1.200 contas por divulgar notícias alegadamente falsas Hoje Macau - 10 Set 2025 As autoridades chinesas anunciaram ontem o encerramento ou bloqueio de mais de 1.200 contas nas redes sociais por se fazerem passar por órgãos de imprensa e divulgarem conteúdos informativos sem autorização. De acordo com a Administração do Ciberespaço da China, entre os casos identificados estão perfis em plataformas como Weibo – equivalente chinês da rede X, bloqueada no país –, WeChat ou Baijiahao, que usavam nomes, logótipos ou imagens semelhantes aos de órgãos oficiais para publicar notícias alegadamente falsas. O regulador indicou que foram também eliminadas contas que realizavam entrevistas e reportagens sem licença, outras que utilizavam fotografias de apresentadores da televisão estatal para reforçar publicações sensacionalistas, bem como várias que, segundo as autoridades, difundiam informações falsas ou difamatórias sobre empresas. A medida insere-se numa série de campanhas lançadas recentemente para reforçar o controlo sobre o espaço digital: em Julho, as autoridades intensificaram a supervisão sobre vídeos curtos com conteúdos considerados enganadores e, em Fevereiro, anunciaram o encerramento de mais de 10.000 portais ‘online’ desde o início do ano. Nos últimos anos, os reguladores chineses têm promovido diversas campanhas contra comportamentos como ostentação de riqueza, “informações falsas”, “conteúdos inapropriados” e “valores erróneos” nas redes sociais, o que levou ao encerramento de milhares de contas. A China é o país com mais utilizadores da Internet no mundo – mais de 1.100 milhões – mas também um dos que impõe maior controlo sobre conteúdo ‘online’: serviços populares no resto do mundo, como Google, Facebook, X (antigo Twitter) ou YouTube, estão bloqueados no país há vários anos.
Mandarim | Analisadas novas leis para fomentar unidade étnica Hoje Macau - 10 Set 2025 O projecto de lei em análise visa o reforço da integração étnica e a consciência de uma unidade nacional A China analisou na segunda-feira dois projectos legislativos destinados a reforçar a integração étnica e a promoção do uso do mandarim entre minorias, no âmbito da estratégia do Presidente Xi Jinping para consolidar a identidade nacional. Segundo informou ontem a imprensa local, um dos diplomas, a proposta de “Lei para a Promoção da Unidade e Progresso Étnicos”, foi apresentada ao Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional (APN), o órgão legislativo máximo do país. A agência noticiosa oficial Xinhua considerou o projecto de lei como “um requisito urgente para fomentar um forte sentido de comunidade da nação chinesa e avançar na construção de uma identidade nacional unificada”. Com sete capítulos que abrangem identidade cultural, integração social, desenvolvimento económico, supervisão e responsabilidades legais, a proposta sublinha a promoção de intercâmbios interétnicos através de iniciativas culturais, educativas e turísticas. O projecto estava inscrito no plano quinquenal da 14.ª legislatura da APN, que termina este ano, e foi igualmente discutido pelo Politburo do Partido Comunista Chinês em Agosto, numa reunião presidida por Xi Jinping. Em paralelo, foi apresentada uma revisão à “Lei sobre a Língua Chinesa Comum Escrita e Falada”, com 32 artigos distribuídos por cinco capítulos, que prevê medidas abrangentes para padronizar e promover o uso do mandarim em sectores como os serviços públicos, a educação, a comunicação internacional e o espaço digital. Segundo a Xinhua, o mandarim “é um elemento fundamental da cultura chinesa e um símbolo nacional, tal como a bandeira, o hino e o emblema”. A revisão estabelece ainda a terceira semana de Setembro como a “Semana Nacional de Promoção do Mandarim”. Sentido de comunidade As propostas enquadram-se na política de Xi Jinping para construir “um sentido de comunidade da nação chinesa”, lançada em 2014 e reafirmada em 2021, e surgem em contexto de crescente escrutínio internacional sobre a abordagem de Pequim às minorias étnicas em regiões como o Tibete e Xinjiang, onde as autoridades intensificaram a regulação da língua e da cultura locais. Contas à língua De acordo com dados oficiais, mais de 80 por cento da população chinesa fala mandarim e 95 por cento dos adultos alfabetizados usam carateres normalizados, com a taxa de iliteracia a rondar 2,7 por cento. Contudo, permanecem desafios relacionados com a promoção desigual da língua, a regulação insuficiente nos serviços públicos e no espaço digital e a necessidade de adaptação à era digital e da inteligência artificial. O projecto de revisão reforça também os princípios legais ao acrescentar como objectivos “o fortalecimento da consciência da comunidade da nação chinesa e a consolidação da confiança cultural”, prevendo que “nenhuma organização ou indivíduo poderá impedir os cidadãos de aprender e utilizar a língua comum nacional”.
Ricardo Borges fala este sábado sobre os anos do conflito sino-japonês Andreia Sofia Silva - 10 Set 2025 “Laponicus ad Portas (do Cerco): a new perspective of Macau during the Second Sino-Japanese War” é o nome da palestra protagonizada por Ricardo Borges este sábado, entre as 14h30 e 16h30, no Instituto de Estudos Europeus de Macau (IEEM). Tal como o nome indica, trata-se de apresentar novas perspectivas históricas dos anos da II Guerra Mundial e do impacto que o conflito teve em Macau, mas a partir do ponto de vista da fronteira das Portas do Cerco. Ricardo Borges é investigador sobre a história militar de Macau desde 2016 e tem “estado activamente envolvido na continuação desta pesquisa”, continuando a desenvolver entrevistas com antigos responsáveis militares e tratando a grande maioria da informação disponível em arquivos que continua por analisar, em fontes históricas que são consideradas essenciais para contar a história da presença militar no território. Neste caso, Ricardo Borges irá basear-se em estudos e investigações já feitas para contar como foram os anos de 1939 a 1945 em Macau, pautados por uma grande vaga de refugiados oriundos de Hong Kong e da China continental, então ocupada por japoneses, o que gerou um período de grande tensão social. O orador vai procurar “enfatizar novos aspectos que moldaram a pequena Macau e a sua Guarnição Militar”, analisando-se também “as fases iniciais das operações das forças imperiais japonesas no Sul da China, especialmente nas áreas em torno de Macau”. Nessa fase, os japoneses forçaram o bloqueio junto ao Rio das Pérolas e “efectivamente retiraram o regime de Chiang Kai-Shek do comércio internacional naval e da potencial ajuda que vinha do estrangeiro”. Pretende-se também analisar a questão da neutralidade de Macau neste período, tendo em conta que o território tinha administração portuguesa e Portugal assumiu desde o início da II Guerra a sua neutralidade, movendo-se entre as forças aliadas e de Hitler. Desta forma, Macau acabou por se tornar “num dos poucos territórios na Ásia que manteve a neutralidade enquanto estava completamente rodeado de batalhas”.
Teatro | Comuna de Pedra apresenta espectáculo “Narrativas na Margem” Andreia Sofia Silva - 10 Set 2025 A associação local Comuna de Pedra, dedicada às artes do espectáculo, traz este mês ao Centro Cultural de Macau uma nova peça de teatro, “Corpo/Desconstrução 2025 – Narrativas na Margem: Iluminar”, nos dias 20 e 21. Trata-se de um trabalho autobiográfico sobre as vidas difíceis, mas por vezes divertidas, de Nada e Rui: ela com um passado de pobreza, ele a ser portador de paralisia cerebral. Antigos colegas de escola, encontram-se finalmente em palco Jenny Mok está habituada a pegar em pessoas que habitualmente não subiriam aos palcos e fazer deles actores e criadores. Essa ideia inicial de que nunca subiriam a um palco prende-se com o facto de serem portadores de uma deficiência, o que à partida os afastaria desta área. Porém, a fundadora da associação Comuna de Pedra tem transformado ideias feitas em espectáculos e formas expressivas diferentes, e eis que apresenta, em Setembro um novo espectáculo no Centro Cultural de Macau (CCM), nos dias 20 e 21, em que um dos actores tem paralisia cerebral. A peça “Corpo/Desconstrução 2025 – Narrativas na Margem: Iluminar”, apresenta a ideia de deixar, “na escuridão do teatro, recolher a luz que cada um deixou cair”, contando as histórias reais da vida dos actores Nada Chan e Rui. Ao HM, Jenny Mok explicou como surgiu este espectáculo, que é um “trabalho autobiográfico, em que os materiais do espectáculo são gerados a partir das histórias reais dos actores. “O Rui viveu toda a vida com paralisia cerebral, enquanto Nadia lidou, na infância, com o estatuto social e a pobreza. Nascemos em circunstâncias diferentes, mas todos lidamos com a vida, por mais difíceis que essas circunstâncias possam ser para alguns de nós. É isso que torna a história deles tão interessante.” Em palco, o público pode conhecer melhor “as suas próprias histórias, em que algumas são difíceis, mas em que também há humor e momentos divertidos”. “A vida não é feita apenas de algodão-doce, mas também não é só feita de amargura e limões”, exemplificou Jenny Mok. A fundadora da Comuna de Pedra confessa que sempre teve “interesse e a intenção de abordar a questão da deficiência e da inclusão através do teatro”, mas neste caso, trabalhar com a Nadia e Rui mostra como eles são “seres humanos cativantes ao serem simplesmente eles próprios”, sendo que “há muitas diferenças entre eles e, ao mesmo tempo, muito em comum”. Na apresentação do espectáculo, lê-se que esta peça é “o encontro inesperado de duas linhas paralelas”, em que ele “tem o corpo preso pela paralisia cerebral”, sendo “um jovem caçador do vento a habitar-lhe o coração, sonhando poder correr livremente pela terra firme”. Já ela, “cresceu entre brechas e restrições, sendo filha sensata entre cinco irmãos, mas sempre preferiu viver como uma soberana da sua própria aventura nas profundezas do mar”. Nada e Rui “foram colegas de escola, mas nunca se conheceram verdadeiramente”, pelo que foi o “destino, depois de tantas voltas, que os trouxe ao mesmo palco”. Quando as luzes se acenderem, “as suas histórias vão começar, finalmente, a entrelaçar-se”, num espectáculo que “não é uma lenda épica, nem mesmo uma narrativa de super-heróis”, mas sim uma história “de duas pessoas comuns que, à sua maneira, vivem uma vida que lhes pertence”. A questão é se, do lado do público, o espectador consegue ver nestes actores “um reflexo de si mesmo”. Primeiros encontros Jenny Mok cruzou-se com os dois actores em momentos diferentes do seu percurso artístico. “A Nada e o Rui são dois actores com quem já tinha trabalhado anteriormente, mas apenas em ocasiões separadas. Com a Nada Chan trabalho desde 2018 em diferentes projectos meus, e ela sempre foi uma actriz muito dedicada e atenciosa. Tive a oportunidade de conhecer o Rui em 2021, quando foi curador da primeira edição do Todos Fest!”, festival esse que também apresenta uma forma inclusiva de fazer arte.” Jenny Mok confessa ter ficado “fascinada com a forma como ele [Rui] dançava e movia o corpo”. “Para mim, a sua história de vida está inscrita no corpo e ele move-se com um conteúdo imenso dentro da sua fisicalidade. Desde então começámos a trabalhar juntos e sempre pensei em criar um solo com ele. Ele tem tanto para partilhar e é tão interessante de ver em palco. No ano passado, durante a quarta edição do Todos Fest!, a Nada veio assistir ao espetáculo e contou-me que tinha sido colega de turma do Rui. Que coincidência! A partir daí surgiu a ideia de juntá-los num dueto em palco. A responsável considera ser “óptimo trabalhar com a Nada e o Rui”, pois “a comunicação é sempre uma tarefa interminável, não apenas entre diferentes capacidades, mas simplesmente entre seres humanos”. Há dificuldades no processo, e “nem sempre é fácil compreendermo-nos, mas o tempo e a paciência ajudam”, assume. Existências políticas Para Jenny Mok, “em palco há certas existências que serão sempre políticas”, no sentido em que “pessoas que ocupam lugares marginais na sociedade têm corpos que já carregam conteúdo só por estarem presentes em cena”. Assim, a presença de Rui em palco “será sempre política”, defende a fundadora da Comuna de Pedra, uma vez que “o seu corpo contém significados que podem ser lidos e interpretados de várias formas, e o mesmo acontece com a Nada”. “Acredito que o corpo, apresentado como conteúdo em palco, pode ser uma forma de re-imaginar a relação entre o indivíduo e a sociedade, assim como a nossa identidade”, defendeu. Com “Corpo/Desconstrução 2025 – Narrativas na Margem: Iluminar”, a Comuna de Pedra pretende transmitir a ideia de que “somos todos diferentes, mas não ouvimos o suficiente uns dos outros”, isto porque “simplesmente não há tempo e espaço para isso”. “O bonito do teatro é precisamente o facto de ser um lugar onde podemos criar tempo e espaço para nos conhecermos e escutarmos as histórias uns dos outros”, revelou Jenny Mok.
Suicídio | Destacado dia mundial de prevenção Hoje Macau - 10 Set 2025 Os Serviços de Saúde (SS) destacaram a celebração, ontem, do Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, definido pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio em 2003. Numa nota, é referido que foram criadas consultas externas de saúde mental e psicoterapia em nove centros de saúde, dando subsídios a duas instituições sem fins lucrativos para a prestação de serviços de consulta psicológica. Os SS explicam ainda que o Serviço de Psiquiatria do Centro Hospitalar Conde de São Januário criou “um mecanismo de contacto urgente com os centros de saúde e as instituições de serviço social para acompanhar e encaminhar os casos” mais prementes. Além disso, entre os meses de Junho e Agosto Macau acolheu diversas actividades comunitárias para aumentar a consciencialização sobre esta temática. Os SS dizem ainda ter uma colaboração estreita com o Instituto de Acção Social, a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude e instituições de serviço social, “a fim de proporcionar os serviços relacionados com a saúde mental, aumentar a acessibilidade contínua dos serviços, e alargar a rede de apoio social”. Todos aqueles que estejam emocionalmente angustiados ou considerem que se encontram numa situação de desespero devem ligar para ligar para a Linha Aberta “Esperança de vida da Caritas” através do telefone n.º 28525222 de forma a obter serviços de aconselhamento emocional.
Saúde / IA | Projecto-piloto em Macau e Évora Hoje Macau - 10 Set 2025 Um projecto académico entre a Universidade de São José e a Universidade de Évora criou um sistema de inteligência artificial para ajudar profissionais de saúde a acelerar diagnósticos e terapias. O projecto deu origem a uma empresa, sediada no Alentejo, que pretende desenvolver um projecto-piloto em Portugal e Macau em 2026 Uma nova empresa tecnológica sediada em Évora quer criar um sistema de inteligência artificial (IA) que ajude profissionais de saúde a determinarem, de forma mais rápida, o diagnóstico e terapêutica dos doentes, revelou na terça-feira um dos responsáveis. A empresa Trustworthy AI foi criada, este mês, por Paulo Quaresma e Vítor Nogueira, docentes do Departamento de Informática da Universidade de Évora, em conjunto com Jianbiao Dai, da Universidade de São José, em Macau. “Não pretendemos, nem achamos que seja possível, nem desejável, nem vantajoso qualquer tipo de substituição” dos profissionais de saúde, mas será “um apoio à decisão”, afirmou à agência Lusa Paulo Quaresma. Segundo o docente e sócio da empresa, o sistema de IA a desenvolver pela Trustworthy AI vai “ter a capacidade de explicar [aos profissionais de saúde] o porquê de chegar a uma determinada proposta diagnóstica ou terapêutica” de uma doente. O sistema de IA vai analisar “os sintomas, a história clínica, o contexto e todas as características” do doente e, depois, explicar a médicos ou enfermeiros, “com níveis de confiança, o porquê de estar a fazer a sugestão”, salientou. Paulo Quaresma assinalou que a solução terá “o histórico de aprendizagem com muitas situações”, pelo que “pode até, eventualmente, alertar o profissional de saúde para situações que, no momento, podia não estar a ter em conta”. Com este sistema, “há a questão, claramente, de ganhar tempo e de também poder contribuir para melhorar a prestação de serviços de saúde”, considerou. Olhos no futuro De acordo com o responsável, o sistema, que pode constituir-se como um apoio aos profissionais de hospitais, centros de saúde e lares, baseia-se em metodologias de IA auditáveis, explicáveis e éticas para lhe conferir “um grau superior de confiança”. Ou seja, terá “a capacidade, por um lado, de começar por explicar exactamente o porquê de chegar a uma determinada geração de uma resposta” e de ser auditável para que “alguém externamente possa, com autorização, fazer uma auditoria para perceber e identificar exactamente todo esse processo”, explicou. Já instalada num espaço no Parque do Alentejo de Ciência e Tecnologia (PACT), a Trustworthy AI está agora a trabalhar em processos de candidatura a financiamento comunitário do programa regional Alentejo 2030 e a apoios em Macau. O docente e sócio realçou que a empresa pretende desenvolver, durante o próximo ano, um projecto-piloto no Alentejo e outro em Macau para testar e avaliar a solução, de forma a que, no final de 2026, possa ser alargado a outros locais.
Gastronomia | Festival junto à Torre de Macau em Novembro Hoje Macau - 10 Set 2025 Decorre no próximo mês de Novembro mais uma edição do Festival da Gastronomia, organizado pela União das Associações dos Proprietários de Estabelecimentos de Restauração e Bebidas de Macau. O evento decorre entre os dias 14 e 30 de Novembro junto à Torre de Macau, na praça do lago Sai Van, e traz um total de 150 bancas. Segundo o comunicado, Chan Chak Mo, ex-deputado, presidente desta União e responsável pela comissão de organização, avançou que nesta 25.ª edição o número de bancas se mantém semelhante à edição de 2024, sendo que cada edição costuma atrair mais de 200 inscrições de comerciantes ou empresários da restauração. Além da possibilidade de o público poder desfrutar de petiscos de todo o mundo, a 25.ª edição é tempo de festa e oferece também alguns eventos especiais, como é o caso do “Campeonato Internacional de Chefs de Culinária Chinesa”, que conta com equipas de mais de 40 países e regiões de todo o mundo. Haverá ainda a I Exposição Internacional de Equipamentos Inteligentes para a Restauração que “abrange os produtos, equipamentos, tecnologias e serviços mais recentes para o sector da restauração e hotelaria”. O anúncio do evento foi feito na terça-feira.
Turismo | Arranca novo programa de apoio financeiro Hoje Macau - 10 Set 2025 A Direcção dos Serviços de Turismo (DST) recebe, a partir de amanhã, candidaturas a apoios financeiros atribuídos a associações ou entidades que desenvolvam projectos, no próximo ano, na área do turismo comunitário. Trata-se de projectos sobre áreas como “Viajar por Macau”, actividades de promoção gastronómica sobre “Sabores de Macau” e eventos de turismo marítimo, com o nome “Diversões na Orla Costeira”. As candidaturas podem ser submetidas até ao dia 3 de Outubro, devendo ser apresentadas no website do “Programa de Apoio Financeiro para 2026” da DST. A DST explica, em comunicado, que deverá dar uma resposta aos candidatos em Dezembro deste ano, sendo que as actividades aprovadas serão lançadas entre 1 de Janeiro e 31 de Dezembro de 2026. Em 2025, foram aprovadas, no âmbito do Programa de Apoio Financeiro, 54 actividades alvo de apoio financeiro, nomeadamente visitas guiadas, feiras, produção gastronómica ou passeios marítimos. Até Agosto deste ano, foram concluídas 25 actividades, estando as restantes actividades a ser lançadas sucessivamente este ano, descreve a DST na mesma nota.
Caritas | Padaria em S. Lázaro e clínica na Areia Preta abertas este ano João Luz e Nunu Wu - 10 Set 2025 A Caritas Macau vai alargar os serviços comunitários com a abertura ainda neste ano de uma padaria na freguesia de São Lázaro, que irá empregar utentes de lares de reabilitação de saúde mental. Os produtos serão doados a pessoas carenciadas. Além disso, abrirá também uma clínica médica na Areia Preta A Caritas Macau irá acrescentar dois serviços à sua rede de apoio social, indicou Paul Pun, secretário-geral da organização de caridade ligada à Diocese de Macau, na terça-feira, numa conferência de imprensa sobre a gala deste ano da instituição, que se realiza no dia 20 de Setembro. Os dois projectos são uma padaria, que irá abrir ainda este ano na freguesia de São Lázaro e uma clínica médica e de fisioterapia na Areia Preta. Segundo o jornal Ou Mun, para a abertura da padaria solidária faltam afinar apenas alguns detalhes, como a contratação de um mestre pasteleiro, tarefa para a qual Paul Pun aproveitou a exposição mediática para chamar a atenção de potenciais candidatos ao cargo. Sobre a padaria que irá operar em São Lázaro, o secretário-geral da Caritas Macau revelou que irá empregar utentes de lares de reabilitação de saúde mental, permitindo-lhes a experiência de trabalho e a interacção com o público. Os produtos que a padaria irá disponibilizar serão gratuitos e têm como destinatárias famílias monoparentais ou pessoas carenciadas. Quanto à clínica comunitária, Paul Pun referiu que terá instalações na Areia Preta, disponibilizando serviços de medicina, fisioterapia, medicina dentária e pediatria. Para já, a Caritas Macau deu início ao processo de pedido de licença médica para operar junto dos Serviços de Saúde. No passado, o responsável apontou que o objectivo era oferecer aos utentes o serviço simultâneo de três consultórios. Toda a ajuda Em relação à gala de caridade, Paul Pun afirmou que se irá realizar no The Plaza Restaurant, e terá, com sempre, o objectivo de angariar fundos para que a instituição continue a prestar serviços sociais às camadas mais desfavorecidas e necessitadas da população. Como tem acontecido nos anos anteriores, a gala conta com várias actuações de variedades, que podem ser patrocinadas por participantes. Cada actuação terá duração entre três e cinco minutos. Ao mesmo tempo, serão colocadas à venda lembranças e artigos de artesanato também com o intuito de angariar fundos. O responsável recordou que no ano passado, durante a gala foram doadas verbas no valor de cerca de meio milhão de patacas. Os fundos angariados foram usados serviços como o transporte de deficientes e idosos.
Finanças | Shenzhen emite em Macau mil milhões em títulos de dívida Hoje Macau - 10 Set 2025 O Governo Popular de Shenzhen emitiu pela primeira vez em Macau títulos de dívida “offshore” no valor de mil milhões de renminbis (RMB), indicou ontem a Autoridade Monetária de Macau (AMCM). A iniciativa das autoridades de Shenzhen foi a primeira emissão em Macau de obrigações verdes destinadas ao combate às alterações climáticas. Como é habitual nestas situações, a AMCM saudou o sucesso da emissão, “manifestando o seu agradecimento pelo apoio prestado pelo Ministério das Finanças da República Popular da China e pelo Governo Popular de Shenzhen” ao desenvolvimento de novos sectores financeiros de Macau. A emissão de terça-feira destina-se a investidores profissionais e terá um prazo de três anos e taxa de juro de 1,74 por cento. A AMCM indica que “os fundos angariados serão utilizados em projectos de transporte limpo desenvolvidos em Shenzhen”. As autoridades realçam que esta emissão de títulos de dívida “offshore” em RMB representa um avanço inovador na colaboração financeira transfronteiriça entre Shenzhen e Macau, sendo também um marco significativo no desenvolvimento do mercado obrigacionista de Macau. Além disso, é referido que a iniciativa demonstra “a capacidade do mercado obrigacionista de Macau em servir como plataforma de financiamento externo para governos locais e empresas do Interior da China”.
EPM | Neto Valente acusa DSEDJ de interferir na autonomia pedagógica Andreia Sofia Silva e João Santos Filipe - 10 Set 2025 Jorge Neto Valente, presidente da Fundação da Escola Portuguesa de Macau, acusou a DSEDJ de “interferir na autonomia pedagógica” da instituição de ensino no que diz respeito ao processo de verificação das competências de professores oriundos de Portugal O presidente da Fundação da Escola Portuguesa de Macau (FEPM) acusa a Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) de interferir na autonomia pedagógica da instituição de ensino no que diz respeito à qualificação das competências dos professores oriundos de Portugal que vão dar aulas na EPM, que tem um currículo português. “Não achamos bem que os Serviços de Educação [DSEDJ] interfiram na nossa autonomia pedagógica e achem que um professor que é qualificado, e que tem dezenas de anos de experiência em Portugal, possa não ser qualificado para dar aulas na escola”, disse ontem Neto Valente à margem da visita do primeiro-ministro português, Luís Montenegro, à EPM. Há, portanto, “divergências na maneira de apreciar as capacidades e competências dos professores”, porque “a escola não recruta professores para outras escolas internacionais ou da RAEM, recruta apenas para a escola portuguesa”. Neto Valente diz que não existem entidades com “mais qualificações para apreciar a qualidade dos professores” do que “a EPM ou entidades responsáveis de Portugal, como o Ministério da Educação, Ciência e Inovação”. “Não são, com certeza, os Serviços de Educação que têm parâmetros locais para aferir a competência de professores chineses que ensinam currículos chineses. Basta pensar o que aconteceria se professores de currículo chinês fossem para Portugal integrar quadros do Ministério da Educação. Não era possível”, exemplificou. Desta forma, o presidente da FEPM pede que “cada um [fique] no seu sítio”. “É o que queremos que aconteça, e temos tido alguma dificuldade em fazer reconhecer” as competências dos docentes, acrescentou. BIR, mas pouco Outra queixa que Neto Valente fez aos jornalistas à margem da visita do primeiro-ministro português foi a demora na resposta dos pedidos de Bilhete de Identidade de Residente (BIR) para professores da EPM junto da Comissão de Desenvolvimento dos Quadros Qualificados. “É um problema, infelizmente, porque essa instituição dos talentos é muito demorada a tomar decisões. Há mais de um ano que fizemos diligências e ainda não temos respostas. Para nós é um problema”, admitiu. O presidente da FEPM garantiu também a neutralidade na escolha e contratação de professores, numa referência à antiga polémica com a saída de alguns docentes da EPM. “Não sei se têm prestado atenção, tem havido concursos para a selecção de professores, não são amigos deste ou daquele, isso não se passa agora. Esses quadros são seleccionados de entre as melhores pessoas que são validadas com décadas de experiência.” Neto Valente negou ainda que já haja discussões em torno da personalidade que o irá substituir à frente da FEPM. “Não abordámos isso [numa reunião recente], nem tenciono que se discuta. O que é que há para discutir? Que eu saiba, não estou para sair já.” “EPM é um activo importantíssimo” Luís Montenegro considerou a Escola Portuguesa de Macau um activo importantíssimo, durante a visita de ontem, que durou cerca de uma hora. “A Escola Portuguesa de Macau é um activo importantíssimo ao qual nós atribuímos uma relevância estratégica grande na promoção do ensino do português, mas também na possibilidade de dar condições de formação e qualificação a muitas centenas de jovens todos os anos”, afirmou Montenegro. “O interesse do Governo [de Portugal] será sempre o de apoiar a preservação da nossa identidade, da nossa cultura, da nossa projecção no mundo, da nossa presença aqui em Macau”, indicou. O Primeiro-Ministro descerrou uma placa, como tradicionalmente acontece na visita de governantes portugueses à instituição, e considerou a EPM “sinónimo” do que afirmou ser a “vocação universal” e da “perspectiva de olhar para o mundo” de Portugal.
Eleições | Detido homem que vandalizou cartaz de Coutinho Hoje Macau - 10 Set 2025 Um residente, na casa dos 40 anos, foi detido na tarde de terça-feira, por suspeitas de ter vandalizado um cartaz de campanha eleitoral com um cigarro, uma ofensa que viola a lei eleitoral pelo dano a materiais de campanha. O caso foi encaminhado para o Ministério Público e, segundo o Corpo de Polícia de Segurança Pública, a lista envolvida, liderada pelo deputado Pereira Coutinho, procura a responsabilização legal do suspeito. As autoridades acrescentam que o suspeito faz biscates, por exemplo, em obras de remodelação ou construção, mora na Ilha Verde e foi identificado através do sistema de videovigilância “Olhos no Céu”. Quando foi detido na sua residência, os agentes da polícia encontraram um pacote de cigarros da mesma marca das beatas encontradas junto ao cartaz vandalizado, assim como as roupas que usava na altura das acções que levaram à sua detenção. Quanto à motivação, o suspeito terá afirmado que estava mal-humorado na altura, e que não teve intenção de vandalizar especificamente o cartaz da lista Nova Esperança, nem teve motivações políticas. Recorde-se que no final da semana passada a lista de encabeçada por Pereira Coutinho apresentou queixas à Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL) e à polícia na sequência deste incidente.
Eleições | Sam Hou Fai deu instruções para funcionários votarem João Luz - 10 Set 202510 Set 2025 O Chefe do Executivo voltou a dar instruções aos funcionários públicos para votarem nas eleições legislativas, evento descrito como um dos mais importantes acontecimentos políticos do ano. Sam Hou Fai vincou que eleições podem reforçar a implementação do princípio de “Macau governada por patriotas” Após o envio de cartas a todos os trabalhadores da Função Pública, na semana passada a afirmar que o exercício do voto é uma demonstração de lealdade à RAEM, Sam Hou Fai voltou a dar “instruções para os funcionários públicos cumprirem o seu dever com competência e responsabilidade e apoiarem as eleições para Assembleia Legislativa”. As instruções foram dadas na sequência de uma reunião com “dirigentes a nível de direcção e superior, sobre o trabalho e as instalações preparadas para permitir aos funcionários públicos votarem nas eleições”, que se realizou na tarde de terça-feira. Segundo um comunicado do Gabinete de Comunicação Social, emitido na noite de terça-feira, Sam Hou Fai sublinhou que votar “não é só um direito, como também um dever cívico”, apelando a toda a população para a participação no sufrágio. Além de mencionar por inúmeras vezes que as eleições legislativas são um dos mais importantes momentos políticos deste ano, o Governo não se tem poupado a esforços para inverter os níveis de abstenção históricos registados nas últimas eleições, após a desqualificação de múltiplas listas de candidatura. Promover responsabilização Os esforços redobrados para alcançar uma grande participação eleitoral são também compreensíveis após as alterações às leis eleitorais e a exclusividade de representação no hemiciclo de associações tradicionais, designadas como patriotas. “Sam Hou Fai indicou que estas eleições serão as primeiras a realizar depois da revisão, no ano passado, da Lei Eleitoral para a Assembleia Legislativa, no sentido de reforçar a implementação do princípio de ‘Macau governada por patriotas’ e como um evento político de enorme importância para a RAEM e uma tarefa política de grande destaque para o actual Governo desde a sua tomada de posse”, é indicado. Como tal, Sam Hou Fai defende que “os líderes a nível de direcção devem assumir um papel de ligação entre superiores e subordinados, promover o cumprimento de responsabilização, apoiar em conjunto os trabalhos eleitorais, votar activamente no dia das eleições”. O governante refere mesmo que apoiar o Governo no objectivo de elevar a participação nas eleições “constitui um requisito básico dos princípios ético e moral da função pública”. O Chefe do Executivo encorajou ainda todos os serviços e entidades públicas a cooperarem, apoiarem, comunicarem uns com os outros, durante o processo eleitoral. Kaifong | Pedidos mais votos no sul da península A União Promotora para o Progresso, ou seja, a lista da União Geral das Associações dos Moradores de Macau (UGAMM) que é candidata às eleições legislativas deste domingo, 14, apelou ao voto na zona sul da península, isto no âmbito de uma acção de campanha na noite da terça-feira. Segundo uma publicação da lista candidatada nas redes sociais, baseada nos principais discursos feitos nessa noite, o presidente da UGAMM, Chan Ka Leong, confessou que a equipa não está optimista com os resultados das eleições. Por seu turno, Ho Ion Sang, deputado eleito por sufrágio indirecto, e que concorre novamente nesse campo político, pelo sector da Educação, citou os responsáveis dos Kaifong, que consideram que estas eleições legislativas serão como uma “dura guerra” que têm de travar para tentar obter assentos no hemiciclo.
Visita | Montenegro acredita em regime de vistos “mais ágil” para portugueses João Santos Filipe - 10 Set 2025 Numa visita a Macau, que durou apenas algumas horas, o líder do Governo de Portugal mostrou-se confiante num novo regime para agilizar a vinda de portugueses para Macau. Montenegro elogiou ainda o desenvolvimento do território e falou numa fase “muito positiva” das relações entre Portugal e Macau O Primeiro-Ministro de Portugal, Luís Montenegro, acredita que a RAEM vai criar um regime de vistos “mais ágil” para os cidadãos portugueses. As declarações foram prestadas ontem aos jornalistas, quando Montenegro foi confrontado com o facto de a RAEM ter eliminado a atribuição de um regime preferencial para cidadãos portugueses no acesso ao Bilhete de Identidade de Residente. De acordo com o político português, o assunto foi discutido na manhã de ontem, num encontro com o Chefe do Executivo, que decorreu antes da visita à Escola Portuguesa de Macau. “Temos uma preocupação relativamente aos vistos de residência de todos aqueles [portugueses] que se dirigem para este território com vontade de trabalhar e de ajudar as instituições macaenses a poderem executar o seu trabalho”, reconheceu o líder do Governo de Portugal. “Os nossos staffs estão em contacto e ficou combinado dar sequência àquilo que já se tinha iniciado com a visita do senhor Ministro de Estado e de Negócios Estrangeiros, no passado mês de Março, […] Creio que as coisas estarão encaminhadas para podermos vir a ter a consagração de um regime mais ágil, mais fácil, mais expedito, e, portanto, para que se possa ultrapassar esse constrangimento que sabemos que existe”, acrescentou. Quando questionado sobre se o regime seria igual ao aplicado antes do Governo de Ho Iat Seng propor a sua eliminação, aprovada pela Assembleia Legislativa, Montenegro recusou entrar em pormenores. “Eu não posso estar agora a entrar nesse detalhe. Aquilo que nós queremos, no ponto de vista das autoridades de ambos os lados, é que toda esta dinâmica seja o mais facilitada possível e, portanto, que as regras sejam rápidas e sejam também de modo a não desincentivar esta mobilidade [de portugueses em Macau] que é uma mobilidade positiva”, vincou. Fase positiva da cooperação Montenegro considerou igualmente ter sentido vontade do lado de Macau para continuar a receber portugueses. “Eu creio que sim [que há vontade de ter portugueses em Macau], creio que ficou muito claro da conversa que tivemos”, afirmou. Quanto às relações entre Portugal e Macau, Montenegro considerou que atravessam “uma fase muito positiva” de cooperação, a nível das vertentes económica, social, cultural e histórica e de entidade. “Nós registamos um compromisso muito forte do Executivo de Macau na preservação do património arquitectónico, do património histórico, que faz parte também daquilo que é a identidade de Macau”, atirou. “Nós queremos, de facto, que continue a haver o cumprimento de uma relação de cooperação mútua, que está alicerçada nos documentos que presidiram à transição […] e que atribui responsabilidades a todos. E nós estaremos à altura de poder cumprir as nossas [responsabilidades] e também, naturalmente, solicitar o cumprimento aos outros”, acrescentou. Alguns obstáculos Em relação à situação de Macau, Montenegro afirmou ser “um bom exemplo”, embora com alguns “obstáculos” e “tensões”, que explicou serem normais deste tipo de relações entre regiões. “Eu acho que no global este é um bom exemplo de como foi possível organizar um processo de transição, acautelar os interesses mais relevantes em presença e contribuir para o desenvolvimento económico e social deste território”, disse o Primeiro-Ministro de Portugal. Os números, embora não expressem tudo, são um bom instrumento para nós podermos aferir o sucesso económico e social deste trajecto e deste processo que não é isento de tensões, não é isento de obstáculos. É como em todos os processos que implicam mudanças, algo que nunca está verdadeiramente acabado e que nos impele a sermos pró-activos”, atirou. O líder do Governo de Portugal não especificou os “obstáculos” nem as “tensões”. Fora da agenda Em declarações aos jornalistas, Montenegro abordou ainda o caso da detenção do ex-deputado Au Kam San, que também tem nacionalidade portuguesa. O Primeiro-Ministro revelou que o caso não fez parte da agenda desta deslocação e que deve ser tratado com discrição. “Não foi objecto da nossa conversa, mas é um assunto, esse e outros, que nós acompanhamos e que nós promovemos com a necessária descrição, porque há alguns assuntos que merecem também algum recato no tratamento. E esse é um deles”, explicou. Montenegro recusou também explicar se houve alguma movimentação para apoiar o detido. “Nós não estamos a discutir esse caso, eu não vou particularizar. Neste contexto da visita, o que eu quero reiterar é o nosso firme propósito em levar mais longe a nossa relação de cooperação aos mais variados níveis e a preservação de uma ligação que tem dado frutos, apesar de ter também os seus problemas”, justificou. Sam Hou Fai garante direitos de portugueses O Chefe do Executivo afirmou que o Governo de Macau atribui grande importância aos direitos e tradições dos portugueses residentes no território. As declarações de Sam Hou Fai foram proferidas na manhã de ontem, quando recebeu Luís Montenegro, de acordo com o Gabinete de Comunicação Social (GCS). Numa nota de imprensa, consta que o representante da RAEM frisou “que o Governo da RAEM tem atribuído sempre, ao longo do seu desenvolvimento, grande importância à protecção e ao respeito pelos direitos, costumes e tradições culturais dos portugueses residentes de Macau”. O líder do Governo associou ainda as tradições portuguesas ao “ensino e a difusão da língua portuguesa”, que indicou ser alvo de uma promoção pró-activa por parte do Executivo. O líder do Governo também “destacou que a amizade entre os povos chinês e português é longa e duradora, e os dois países têm estabelecido, há 20 anos, uma parceria estratégica mais abrangente, com ênfase especial no aproveitamento da plataforma de Macau na promoção do intercâmbio e da cooperação sino-portuguesa”. Como resposta, o GCS indica que Montenegro defendeu a implementação do princípio um país, dois sistemas. “O primeiro-ministro português, Luís Montenegro enalteceu a implementação bem-sucedida do princípio ‘um país, dois sistemas’ em Macau e os enormes avanços alcançados desde o seu regresso à pátria. Elogiou ainda a preservação da diversidade cultural em Macau, incluindo da cultura portuguesa”, foi comunicado. Segurança | Visita de Montenegro com grande aparato Ao contrário das visitas de outros dirigentes portugueses a Macau, como aconteceu com Marcelo Rebelo de Sousa, em 2019, a passagem de Luís Montenegro ficou marcada por um grande aparato de segurança, que foi garantida por uma equipa com seguranças e agentes chineses, assim como das forças da RAEM. Antes do primeiro-ministro de Portugal chegar à Escola Portuguesa de Macau (EPM), todos os que desejavam estar no interior da instituição tiveram de ser revistados. Também os jornalistas ou repórteres de imagem que não se tivessem registado de antemão não puderam entrar. No interior da instituição havia também um cão a acompanhar um dos agentes. No exterior da escola, quando chegou o carro que transportava Montenegro, polícias afastaram os transeuntes e impediram a passagem. Durante a paragem da viatura que transportava Montenegro, o carro estava a ser protegido por uma carrinha mais alta, que parou ao lado, para bloquear um dos ângulos de visão. Após a passagem pela EPM, a zona entre o Consulado de Portugal e a zona da Sé estava repleta de agentes de segurança. Cultura | Montenegro destaca “valores” portugueses Durante o discurso da recepção à comunidade portuguesa, Luís Montenegro destacou os “valores” trazidos pela comunidade em Macau, e em principal a difusão da língua. “Quero dizer-vos que atribuímos uma especial importância àqueles que aqui estão, nas mais variadas afinidades, que trazem os valores de Portugal, que trazem e transportam e preservam a cultura e a tradição portuguesa, que são, portanto, um elo de ligação entre os nossos países e os nossos povos”, afirmou. O governante disse também que a comunidade “por via do trabalho” pode “levar mais longe” a “preservação da língua”, que considerou ser um “factor identitário insubstituível e também como um factor de aproximação”. Na vertente económica, Montenegro considerou que a comunidade contribui para o objectivo comum de construção de “sociedades com prosperidade”, com “oportunidades para todos” e que promove “igualdade e justiça social”. O primeiro-ministro prometeu ainda apoiar a comunidade: “Contem com o Governo de Portugal, nós contamos também muito convosco”, afirmou.
Sul-coreanas forçadas a prostituir-se durante décadas processam EUA Hoje Macau - 10 Set 2025 Mais de 100 mulheres sul-coreanas forçadas a prostituir-se para militares norte-americanos entre as décadas de 1950 e 1980 apresentaram um processo inédito contra os Estados Unidos, acusando-os de violência sexual, anunciaram ontem os advogados das denunciantes. Dezenas de milhares de mulheres sul-coreanas trabalharam em bordéis aprovados pelo Estado durante este período, de acordo com historiadores e activistas. Os seus clientes eram militares norte-americanos que protegiam os sul-coreanos da Coreia do Norte. Em 2022, o mais alto tribunal da Coreia do Sul decidiu que o Governo tinha “criado, gerido e operado” ilegalmente estes bordéis para os militares norte-americanos. O tribunal ordenou o pagamento de indemnizações a aproximadamente 120 denunciantes. Na semana passada, 117 vítimas apresentaram um novo processo, acusando formalmente os militares norte-americanos pela primeira vez e exigindo um pedido de desculpas. Pedem 10 milhões de wons (aproximadamente 6.116 euros) por vítima pelos danos causados e procuram especificamente a responsabilização dos Estados Unidos. Numa declaração conjunta, os activistas dos direitos das mulheres que apoiam as vítimas alegaram que os militares norte-americanos “ignoraram a Constituição sul-coreana”, privaram estas mulheres das suas liberdades e “destruíram as suas vidas”. “Este julgamento visa responsabilizar tanto o Governo sul-coreano como as autoridades militares norte-americanas”, disse a advogada Ha Ju-hee à agência de notícias AFP. O processo nomeia formalmente o Governo sul-coreano como réu, uma vez que Seul é legalmente responsável por indemnizar as vítimas de soldados norte-americanos em serviço. Seul deve então procurar o ressarcimento de Washington, disseram os advogados. Corpo do negócio Ao contrário das “mulheres de conforto”, abusadas sexualmente pelos soldados japoneses na Segunda Guerra Mundial, as mulheres sul-coreanas entregues aos norte-americanos permaneceram praticamente invisíveis, em parte devido aos fortes laços entre Washington e Seul. A economia ligada às bases norte-americanas – incluindo bordéis, restaurantes, salões de beleza e bares – representou 25 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) da Coreia do Sul nas décadas de 1960 e 1970, segundo os historiadores. Os Estados Unidos mantêm actualmente 28.500 soldados no país para o proteger da Coreia do Norte, que possui armas nucleares.
Das Fábulas Amélia Vieira - 10 Set 2025 Rua do Sol ao Rato, e a saudosa Matilde Rosa Araújo exclama com aquele seu ar de fada: uma fábula! De facto é um nome que somente a criatura debruçada nos efeitos juvenis sabe identificar como uma casualidade onírica. A maneira como o disse e transmitiu deixou entrever que vivemos entre definições extremamente poéticas e que tudo ao nosso redor é da ordem da própria fábula, que seu antropomorfismo vem de muito longe, ao tempo dos sumérios, que já incluíam formas curtas e directas para nomear ou contar histórias. Nós somos todos construtores de fábulas até pela permanência dos nossos animais de estimação, eles falam-nos, e reproduzimos as suas vozes que depois se soltam por grandes silogismos que nenhuma narrativa deve esquecer, e vamos às de Esopo, as mais famosas, não desmerecendo as de La Fontaine muitos séculos mais tarde.- Podemos sim, apelidar como fábulas, ruas, conceitos, tendências, na inscrição do insolitamente inesperado da sua própria correlação, aliás, neste aspecto, Portugal é uma fábula que a si mesmo se desconhece, mas será necessário um pouco mais que a armadura das inventivas nomeações para que ela se construa e entenda: a fábula é uma composição literária em prosa ou verso não muito longa onde a permanência animal é constante, paradoxalmente fá-lo entre animais na vertente “fabulare” que significa falar, um refrão encoberto pela sabedoria popular tendo sido adaptado ao sistema educativo infantil, que como todos sabem, povo e infância tinham em comum essa capacidade de construtores de mundos. Dessa analogia peculiar foi ainda um escravo chamado Fedro a trabalhá-la muito depois do escravo Esopo que foi o verdadeiro artífice da matéria e nos deu tanto quanto foi possível imaginar o seu legado mais precioso, mas também se diz que fora apenas um contador em formato oral na sua Grécia onde tudo isto era popular desde remota antiguidade, pois que há evidências que não foi encontrado nada escrito e ainda aconteceu que papiros egípcios relataram certas histórias que viriam a adaptar-se a estas outras. Dir-se-ia que estamos diante de textos morais metafóricos em forma de crítica, que o engenho linguístico é o dom daqueles que no pântano cinzelam e fazem brilhar os seus cristais, mais tarde falariam ainda por parábolas e a sensação que fica é que nada de nós existe sem o verbo, a palavra, o “fabulare” que leva à fábula. Para não esmorecer a tónica do sujeito, teremos sempre as Mil e uma Noites – noites da Arábia- que é a Fábula elevada à categoria de quimera. A criatura da fábula, Esopo, seria assassinada, talvez pela incisiva capacidade transgressiva da linguagem, e se tanto o foi, é já distante, mas hoje, mesmo na ruína da imaginação, estamos convictos da perigosidade do falar (apenas excluídos os frenéticos falantes deixados ao suplício de Prometeu). Ao contrário do que se julga, a língua e a escrita são plataformas de encantamento, sabedoria, que devem escusar qualquer razão, armadilha argumentista, que todas as lesões ao seu estatuto devem ser entendidas como um duro golpe na própria consciência verbal. Nenhum sistema fonético humano está adequado a um tal transtorno de emoções desavindas e cálculos de intenções que provocam um ruído inaudível e uma artificial labuta pela inteligência. Há ainda o fabuloso fabulista, um sírio de nome Bábrio a que muitos referem a autoria de duzentas compilações que nos chegaram e cujo Vaticano possuí algumas em folhas de papiro. La Fontaine é em certa medida aquele nome que nos traz também a fábula em sonoridade de fonte e fontanário; «Fábulas escolhidas» onde praticamente metade são aquelas atribuídas a Esopo e Horácio em lindíssimo verso livre, uma espécie de Naus Catrinetas, tão cantáveis como memorizáveis, e muitas ainda, memoráveis.
Supremo tailandês decreta prisão para ex-PM Thaksin Shinawatra Hoje Macau - 10 Set 2025 O Supremo Tribunal da Tailândia ordenou ontem que o influente ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra cumpra um ano de prisão, depois de, em 2023, ter passado parte de uma pena por corrupção num hospital em vez de na prisão. Os 180 dias que Thaksin, figura-chave da política tailandesa nas últimas décadas, passou hospitalizado sob custódia policial alegando problemas de saúde “não podem ser contabilizados na sua pena”, explicou o tribunal num comunicado. O poderoso ex-governante foi detido para cumprir várias penas pendentes por corrupção em Agosto de 2023, quando regressou à Tailândia, coincidindo com o regresso ao poder do seu partido, o Pheu Thai, depois de ter passado 15 anos no Dubai em fuga da justiça, mas foi-lhe permitida uma hospitalização sob custódia policial. Thaksin permaneceu no hospital por seis meses e depois aceitou um regime de prisão domiciliária, que terminou em Agosto de 2024. “O réu beneficiou com a permanência no hospital”, quando “sofria apenas de doenças crónicas que podiam ter sido tratadas em regime ambulatório, sem necessidade de internamento”, decidiu hoje o Supremo Tribunal. O tribunal salientou ainda que Thaksin optou por “submeter-se a cirurgias não urgentes” devido a problemas num dedo e no ombro direito, o que “resultou no prolongamento da sua hospitalização”. Na sombra A Justiça tailandesa analisou o argumento de Thaksin sobre os problemas de saúde num momento em que o ex-líder, de 76 anos, mantém uma agenda recheada de viagens ao exterior e aparições em eventos públicos, e é considerado o líder na sombra dos governos do clã político da família Shinawatra, entre eles o de sua filha Paetongtarn. Na noite da última quinta-feira, o magnata voou de Tailândia para Dubai no seu jacto particular, alegando, mais uma vez, motivos de saúde, o que gerou rumores de que poderia ter fugido novamente. No entanto, Thaksin retornou esta segunda-feira ao país para cumprir a obrigação de comparecer na audiência agendada pelo Supremo Tribunal. A viagem do ex-governante, inicialmente planeada para realizar um exame médico na vizinha Singapura, ocorreu horas antes da votação realizada na sexta-feira no Parlamento para a eleição de um novo primeiro-ministro depois da destituição de Paetongtarn, da qual saiu vencedor o conservador Anutin Charnvirakul. Paetongtarn, afastada do poder pelo Tribunal Constitucional por ter criticado o Exército, disse ontem à imprensa à saída do tribunal, onde se deslocou para acompanhar o pai que a “família agradece a clemência real ao reduzir a pena” de Thaksin para um ano. O patriarca dos Shinawatra passará, em princípio, um ano na prisão, depois de ter sido absolvido no passado dia 22 de Agosto de uma acusação de lesa-majestade, um crime que protege a Casa Real da Tailândia de qualquer insulto e que, nos últimos anos, tem sido utilizado como uma arma legal para desacreditar adversários políticos.
Cooperação | China, Rússia e Mongólia realizam manobras conjuntas Hoje Macau - 10 Set 2025 China, Rússia e Mongólia realizaram entre 08 e 09 de Setembro o exercício “Cooperação Fronteiriça-2025”, as primeiras manobras conjuntas organizadas pelas forças de defesa de fronteiras dos três países, informou ontem a imprensa oficial chinesa. O exercício teve lugar numa zona fronteiriça partilhada e focou-se na “prevenção e combate a actividades terroristas e de sabotagem em áreas limítrofes”, segundo a mesma fonte. Durante as manobras, as três partes estabeleceram um posto de comando conjunto em território chinês, sob o princípio de “quem organiza no seu território, lidera”, com consultas multilaterais e comando paralelo. As actividades incluíram operações de reconhecimento conjunto, bloqueio, ataques coordenados, controlo de danos e entrega de suspeitos, entre outras. As autoridades chinesas indicaram que o objectivo do exercício foi “elevar o nível de coordenação estratégica, reforçar a capacidade de resposta a ameaças à segurança nas fronteiras e consolidar a confiança mútua”, testando ainda um novo modelo de cooperação fronteiriça. Após a conclusão do simulacro, representantes dos três países trocaram experiências sobre gestão de fronteiras e mecanismos de controlo. É a primeira vez que as forças de defesa de fronteiras da China, Rússia e Mongólia participam num exercício conjunto deste tipo, que, segundo Pequim, visa “demonstrar uma cooperação pragmática e aprofundar a amizade tradicional” entre os três países vizinhos.
Coreia do Norte | Xi felicita Kim Jong-un pelos 77 anos do país Hoje Macau - 10 Set 2025 O Presidente chinês, Xi Jinping, enviou ontem uma mensagem de felicitações ao líder norte-coreano, Kim Jong-un, por ocasião do 77.º aniversário da fundação da Coreia do Norte, reiterando a vontade de Pequim em manter e desenvolver os laços bilaterais. Na mensagem, divulgada pela televisão estatal chinesa, Xi assinala que, nas últimas décadas, a Coreia do Norte “tem impulsionado o desenvolvimento dos seus projectos socialistas”, e expressa confiança na capacidade do país para enfrentar com sucesso os próximos desafios políticos e económicos. O chefe de Estado chinês recorda que a China e Coreia do Norte são “vizinhos tradicionais unidos por montanhas e rios” e sublinha que “manter, consolidar e desenvolver” os laços bilaterais constitui uma “estratégia inabalável” para Pequim. Xi mencionou ainda a recente visita de Kim a Pequim para participar nas celebrações do 80.º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial no Pacífico, ocasião em que ambos os líderes se reuniram e “traçaram uma rota” para a cooperação futura. O líder chinês afirmou estar disposto a “reforçar a comunicação estratégica” com Pyongyang e a “avançar lado-a-lado” para contribuir para a paz e estabilidade na região.
BRICS | Xi afirma que Sul Global deve fazer-se ouvir Hoje Macau - 10 Set 2025 O líder chinês participou na reunião virtual extraordinária convocada pelo Brasil e voltou a apelar ao trabalho conjunto em prol do multilateralismo O Presidente chinês afirmou segunda-feira que o bloco BRICS deve “fazer ouvir a voz do Sul Global”, opor-se a “qualquer forma de proteccionismo” e trabalhar em conjunto para enfrentar “desafios externos”. “As guerras comerciais estão a acelerar e o grupo BRICS [que integra Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul] deve manter-se forte na defesa do multilateralismo”, defendeu Xi Jinping, no discurso proferido no início desta reunião extraordinária virtual, convocada pelo Presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva. O chefe de Estado chinês sustentou também que é necessária “mais democracia nas relações internacionais e fazer ouvir a voz do Sul Global”, ao mesmo tempo insistindo em que o grupo de economias emergentes deve demonstrar “solidariedade e cooperação em prol do desenvolvimento comum” para “enfrentar os desafios exteriores”. O BRICS é um grupo criado em 2009, actualmente composto por 10 economias emergentes e que funciona como um fórum de articulação e cooperação do Sul Global, centrado no desenvolvimento económico, político e social. Além dos cinco fundadores, tem como Estados-membros: Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irão. O líder chinês sublinhou que “o hegemonismo, o unilateralismo e o proteccionismo estão cada vez mais descontrolados” e que “as guerras comerciais e tarifárias conduzidas por um determinado país [Estados Unidos] estão a perturbar gravemente a economia mundial e a minar as regras do comércio internacional”. “Só conseguiremos enfrentar estes desafios se formos capazes de gerir os nossos próprios assuntos em primeiro lugar”, afirmou, antes de salientar que “os BRICS representam cerca de metade da população mundial, cerca de 30% da produção económica global do mundo e um quinto do comércio global”. “Quanto mais trabalharmos juntos, mais resistentes seremos perante os desafios. A China está pronta para trabalhar para reforçar a cooperação e aproveitar os pontos fortes de cada membro para trazer mais benefícios práticos aos nossos povos”, acrescentou. Em conjunto Xi vincou que os países não podem prosperar sem um ambiente internacional aberto e que “nenhum país pode dar-se ao luxo de se retirar para um isolamento auto-imposto”. “Independentemente da evolução da situação internacional, temos de continuar empenhados em construir uma economia global aberta, partilhar oportunidades e alcançar uma cooperação assente no benefício mútuo”, afirmou. O Presidente chinês destacou igualmente a necessidade de serem “mais práticos e mais produtivos” e de “salvaguardar um sistema internacional com as Nações Unidas no seu centro”, a partir do qual possa “defender-se o multilateralismo”. “Devemos também defender uma globalização inclusiva, na qual os países do Sul Global possam participar em pé de igualdade, e salvaguardar a ordem económica e comercial internacional. A globalização é a tendência histórica, devemos continuar empenhados numa economia global e opor-nos a todas as formas de protecionismo”, sustentou. A cimeira extraordinária do bloco, que reúne as principais economias do Sul Global, decorre num contexto de tensões sobre a guerra comercial conduzida pelo Governo do Presidente norte-americano, Donald Trump. A anterior cimeira do grupo realizou-se em Julho de 2025 na cidade brasileira do Rio de Janeiro, e a próxima cimeira estava agendada para 2026 na Índia.
Banda desenhada | Associação “Somos!” lança competição para residentes Hoje Macau - 10 Set 2025 A “Somos! – Associação de Comunicação em Língua Portuguesa”, lança em Outubro uma competição de artes visuais, mais concretamente de banda desenhada, a pensar num público de residentes jovens com idades compreendidas entre os 15 e os 25 anos. Esperam-se trabalhos com tema livre, contando também com um workshop de Wesley Chan, presidente da Hyper Comic Society, e com o cartoonista local Rodrigo de Matos Está quase a surgir uma competição para os amantes de artes visuais e usam esta forma artística para expressar a sua visão. Trata-se do concurso “BD-Macau”, promovido pela “Somos! – Associação de Comunicação em Língua Portuguesa” (Somos – ACLP), que será lançado em Outubro. Trata-se de uma competição direccionada para um público jovem local, pretendendo-se, segundo uma nota da associação, “incentivar a criação de banda desenhada original” sobre o território. Naquela que será a primeira edição deste concurso, que se pretende bi-anual, o tema é livre. O evento será precedido por um workshop dirigido pelo cartoonista local Rodrigo de Matos, nome habitual dos cartoons editoriais publicados no jornal Ponto Final e também no semanário português Expresso, e ainda Welsey Chan, presidente da Hyper Comic Society, que prometem relevar todos os segredos e mestrias para desenhar um bom cartoon ou banda desenhada. O prazo de inscrições decorre até ao dia 5 de Outubro, sendo que os trabalhos finais deverão ser submetidos de 12 de Outubro a 30 de Novembro. Os participantes têm de ser residentes de Macau, com idades compreendidas entre os 15 e 25 anos. Cada trabalho deve ter no mínimo quatro pranchas, utilizando-se a narração por imagens e a linguagem típica da banda desenhada. As especificidades socioculturais de Macau devem ser destacadas, com a acção das “histórias aos quadradinhos” a desenrolar-se na cidade, ilustrando-se a sua paisagem urbana. No caso de haver incorporação de texto, este deve ser escrito numa das línguas oficiais, o chinês ou português. Podem ser submetidos a concurso trabalhos originais feitos anteriormente, desde que nunca tenham sido premiados. O workshop decorre a 11 de Outubro, esperando-se que os participantes possam “aprender ou consolidar as técnicas básicas de desenho e de criação de personagem, assim como de desenvolvimento de narrativa para este género literário”. Uma estreia Não sendo o primeiro concurso da “Somos!”, que já apresentou iniciativas na área da fotografia ou do desenho, com uma ligação ao mundo da lusofonia, esta é a primeira vez que se apresenta um concurso virado para a BD. Com este projecto, a associação pretende apoiar o desenvolvimento criativo na área do desenho e ilustração e impulsionar o surgimento de mais obras locais nesta expressão artística, é referido na mesma nota. O júri irá escolher o grande vencedor e os segundo e terceiro classificados, sendo-lhes atribuídos, respectivamente, prémios pecuniários de 7000, 4000 e 2000 patacas. Além disso, uma eventual edição em livro de algumas das bandas desenhadas a concurso poderá ser considerada, mediante uma avaliação qualitativa prévia por parte do júri e da Somos – ACLP. A associação visa, assim, contribuir para o aumento de livros produzidos e editados em Macau, bem como para o registo imagético e escrito do progresso da cidade e das suas mutações. Com a organização da Competição de Arte Visual: “BD-Macau”, a Somos – ACLP pretende celebrar Macau e a sua riqueza arquitectónica e histórica, como local de confluência cultural e base sino-lusófona. As inscrições devem ser feitas através da página electrónica da Somos – ACLP.