Imobiliário | Preço da habitação desvalorizou 14,1% em 2025

Apesar de o preço médio da habitação estar em queda desde 2018, nunca a diferença de um ano para o outro tinha sido tão elevada em termos relativos. No ano passado, a Taipa foi o local onde os imóveis habitacionais mais perderam valor

No ano passado, o preço médio do metro quadrado da habitação apresentou uma redução de 14,15 por cento, de acordo com os dados mais recentes publicados pela Direcção de Serviços de Finanças Públicas (DSF). Ao mesmo tempo, o número de transacções caiu 9,2 por cento.

Em 2025, o preço médio do metro quadrado das casas caiu para 73.949 patacas, quando no ano anterior o valor tinha registado uma média de 86.137 patacas por metro quadrado. Esta redução significa que uma habitação com 76 metros quadrados, que em 2024 custava 6,55 milhões de patacas, passou a estar avaliada em 5,62 milhões de patacas, uma diferença de 930 mil patacas.

Coloane continua a ser o local onde as habitações atingem os valores mais altos, com uma média de 82.013 patacas por metro quadrado. Ainda assim, houve uma desvalorização de 20,7 por cento, dado que no ano passado o metro quadrado era transaccionado por 103.386 metros quadrados.

Na Península de Macau, o preço médio em 2025 foi de 79.549 patacas, uma redução anual de 8,4 por cento face a 2024, quando o preço médio era de 72.869 por metros quadrado.

A maior desvalorização anual registou-se na Taipa, com o valor do metro quadrado a afundar 21,5 por cento para 74.044 patacas, quando no ano anterior tinha sido de 94.298 patacas.

Oitos anos a descer

Os resultados divulgados pela DSF confirmam também a tendência de desvalorização do imobiliário que se prolonga há oito anos e que levou a uma redução do preço geral dos imóveis de 33,5 por cento. Em 2018, o metro quadrado era avaliado em 111.237 patacas, mas terminou em 2025 nas 73.949 patacas.

Esta diferença significa que uma habitação com 76 metros quadrados, que em 2018 custava 8,45 milhões de patacas, passou a estar avaliada em 5,62 milhões de patacas, uma perda de 2,83 milhões de patacas.

Entre 2017 e 2018, o preço médio do metro quadrado subiu anualmente 10,6 por cento de 100.569 patacas para 111.237 patacas. No entanto, após esse crescimento somaram-se reduções anuais, embora nunca com a magnitude registada entre 2024 e 2025.

Até este ano, a maior redução relativa do valor foi registada entre 2021 e 2022, quando o preço médio caiu de 101.310 patacas para 92.134 patacas, o que representou 8,88 por cento.

Este nível só encontrou paralelo com os anos de 2020 e de 2024, quando foram registadas quedas anuais do valor do metro quadrado de 6,34 por cento e 6,06 por cento, respectivamente.

Habitação Social | Pedida melhor gestão e articulação com moradores

Chan Lai Kei alerta para soluções questionáveis na reparação de habitações sociais e pede um melhor controlo de qualidade. O deputado ligado à comunidade de Fujian defende que o Governo deve ouvir melhor os moradores dos edifícios

Chan Lai Kei defende que para reflectir o espírito da reforma administrativa, o Governo deve estabelecer um sistema mais rigoroso de supervisão da qualidade das habitações públicas. O assunto foi abordado pelo deputado ligado à comunidade de Fujian através de uma interpelação escrita.

O legislador exemplificou com o Edifício Cheng Chun, de habitação social na Ilha Verde, inaugurado em 2007, e que em menos de 20 anos ficou com as portas de ferro da entrada no lobby danificadas, o design dos acessos para pessoas com dificuldades motoras revelou-se de má qualidade, os equipamentos de lazer degradaram-se e os elevadores avariam frequentemente.

Chan La Kei indicou que no ano passado os três elevadores deste edifício tiveram um total de 29 avarias, uma média superior a uma avaria por mês. O legislador apontou também que num mês em particular, os três elevadores tiveram de ser todos alvo de operações de manutenção, para resolver avarias.

O membro da Assembleia Legislativa aponta que a RAEM é a proprietária das habitações sociais, pelo que é preciso uma maior consciência no cumprimento dos seus deveres enquanto senhorio e responsável pelos mecanismos de supervisão. “Quanto às avarias ou danos frequentes das instalações das habitações sociais […] como é que as autoridades vão elaboram padrões mais claros sobre se deve haver uma substituição das peças danificadas ou haver reparação, em caso de avarias?”, questionou. “E será que vão revelar aos residentes do edifício os critérios da decisão?”, insistiu.

O deputado pede que as obras e manutenção dos edifícios sejam adjudicadas por preços razoáveis, para evitar situações em que os trabalhos são de má qualidade.

Dar ouvidos

Chan Lai Kei defendeu ainda que o Governo pode ouvir as opiniões de moradores sobre a gestão, manutenção e segurança das instalações em espaços públicos das habitações sociais.

O deputado afirmou que o exemplo dos condomínios nos edifícios privados pode servir como modelo, convidando os moradores de cada bloco das habitações sociais a juntarem-se a uma equipa de acompanhamento da gestão dos edifícios. Esta equipa seria utilizada para recolher opiniões e sugestões dos moradores, que depois seriam apresentadas ao Instituto de Habitação.

Além disso, como cada vez há mais projectos de habitação social a serem inaugurados na Zona A dos Novos Aterros Urbanos, Chan Lai Kei sugere que o Governo recorra às novas tecnologias, para supervisionar as instalações públicas dessas contruções.

Obras | Governo quer facilitar demolições

O Governo anunciou a intenção de alterar o regime jurídico da construção urbana e uma das mudanças passa por facilitar a demolição de obras ilegais. A opção foi apresentada ontem em conferência de imprensa do Conselho Executivo.

Se a Assembleia Legislativa aprovar as alterações propostas pelo Governo, as obras ilegais “de risco relativamente baixo” vão poder ser demolidas sem necessidade de obter uma licença ou de realizar qualquer comunicação prévia às entidades fiscalizadoras.

O diploma, que não foi revelado na versão inicial e apenas será conhecido quando der entrada na Assembleia Legislativa, propõe também uma revisão das sanções que vão ser aplicadas. “Com vista a aumentar a eficiência da aplicação da lei, foram introduzidos ajustamentos às disposições relativas às medidas de tutela da legalidade urbanística, ao regime sancionatório e às formas de notificação”, foi indicado.

Além disso, a comunicação prévia e o pedido de realização de obras em fracções autónomas com uma área bruta de utilização não superior a 120 metros quadrados e que não tenha fim habitacional vai passar a ser praticamente automática, desde que o pedido seja feito electronicamente. Com esta medida, foi explicado na conferência de imprensa, as obras vão poder começar “no dia seguinte”. “Com vista a garantir a fiabilidade da operação por via electrónica, foram aditados no diploma legal em causa disposições sancionatórias em caso de fornecimento de elementos inexactos ou errados”, foi explicado.

Cuidadores | Subsídio sobe e é alargado a pessoas com deficiência mental

A partir deste mês, o subsídio para cuidadores aumenta 10,3 por cento para 2.400 patacas, a primeira actualização desde que começou a ser distribuído de forma permanente em Dezembro de 2023. Este ano, o subsídio passa também a contemplar quem cuida de pessoas com deficiência mental

O montante do subsídio para cuidadores será alargado, a começar este mês, assim como os critérios de atribuição. Desde que passou a ser um apoio definitivo, o subsídio para apoiar cuidadores de idosos ou pessoas dependentes por doença ou incapacidade manteve-se pouco mais de dois anos em 2.175 patacas por mês. A partir deste mês, a prestação do apoio passará a ser de 2.400 patacas mensais, ou seja, um aumento de 10,3 por cento.

Os critérios de atribuição do subsídio também foram alargados, passando a incluir como beneficiárias pessoas com deficiência mental (autismo ou psicose primária) de grau grave ou profundo.

Segundo o despacho assinado pela secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, publicado ontem no Boletim Oficial, o apoio será alargado também a quem cuida de pessoas portadoras de deficiência motora de grau grave ou profundo, assim como de pessoas que “não consigam realizar acções de sentar e levantar sem ser assistidas por terceira pessoa ou objecto de apoio, devido à incapacidade funcional”.

O Governo efectou também “várias melhorias, designadamente o aumento do limite máximo do total de rendimento mensal do agregado familiar e a aceitação dos pedidos apresentados por residentes da RAEM que vivam em Hengqin”.

Também cobertos pelo apoio, serão crianças com menos de quatro anos de idade que apresentem as deficiências referidas, ainda sem grau formalmente atribuído.

O que fazer

O Instituto de Acção Social (IAS) disponibiliza a partir de hoje no seu portal de internet o novo regulamento para atribuição do subsídio para cuidadores, assim como os formulários para requerer o apoio. Para solicitar a atribuição do subsídio, é necessário apresentar atestado médico emitido por instituição médica designada pelo IAS.

“No que se refere aos pedidos apresentados para pessoas portadoras de deficiência intelectual, mental (autismo/psicose primária) ou motora, de grau grave ou profundo, deverá contactar a Divisão de Serviços de Reabilitação do IAS”, foi acrescentado num comunicado divulgado ontem.

Ao longo de cinco anos, que incluíram três anos em que o apoio ainda tinha carácter provisório, o IAS distribuiu mais de 18 milhões de patacas a 310 cuidadores.

Presidenciais | Marques Mendes venceu em Macau

António José Seguro e André Ventura passam à segunda volta, mas em Macau o grande vencedor foi o candidato apoiado pelo Partido Social Democrata, que conseguiu mais votos do que Seguro e Ventura juntos

 

Luís Marques Mendes foi o candidato a presidente de Portugal mais votado no consulado em Macau com um total de 1.073 votos, equivalente a 47,19 por cento dos votos. No entanto, os resultados nacionais deixam o político apoiado pelo Partido Social Democrata (PSD) afastado da segunda volta, que vai ser disputada por António José Seguro, o grande vencedor da noite em Portugal apoiado pelo Partido Socialista (PS), e André Ventura, candidato apoiado pelo Chega (CH).

Em Macau, Luís Marques Mendes registou mais votos do que os resultados de Seguro e Ventura juntos. O candidato apoiado pelo PS ficou no segundo lugar com a preferência de 477 eleitores (20,98 por cento). O presidente do Chega ficou em terceiro, com 282 votos (12,40 por cento).

No entanto, o resultado de Marques Mendes em Macau ganha uma outra dimensão, porque mesmo juntando os 191 votos (8,40 por cento) do quarto mais votado, João Cotrim Figueiredo, candidato apoiado pela Iniciativa Liberal, aos de Seguro e Ventura, o resultado não é suficiente para ultrapassar o número de preferências obtido pelo candidato do PSD. Os candidatos que ficaram entre segundo e quarto juntos somaram 950 votos, menos 123 que Mendes.

Marques Mendes conseguiu superar a votação de Marcelo Rebelo de Sousa em 2021, quando o actual presidente juntou 926 votos, e confirmou o segundo mandato.

Segunda metade

Em quinto lugar, ficou Henrique Gouveia e Melo com 133 votos (5,85 por cento), seguido por Manuel João Vieira. O cantor e comediante conseguiu 39 votos (1,72 por cento), superando em Macau candidatos consagrados como políticos, casos de Catarina Martins, apoiada pelo Bloco de Esquerda, que teve 28 votos (1,23 por cento), e de António Filipe, candidato do Partido Comunista Português, que juntou 20 votos (0,88 por cento).

No nono lugar ficou André Pestana, candidato independente que juntou 14 votos (0,62 por cento), à frente de Jorge Pinto, apoiado pelo Livre de Rui Tavares, que não foi além dos 12 votos (0,53 por cento). Finalmente, no último lugar em Macau ficou Humberto Correia, com cinco votos (0,22 por cento).

Ao longo dos dois dias de votação no Consulado de Portugal em Macau houve ainda 66 votos nulos (2,78 por cento) e 32 votos em branco (1,43 por cento).

Cenário nacional

O bom resultado de Luís Marques Mendes não teve reflexo nos resultados eleitorais gerais.

Quando faltavam apurar os resultados dos denominados “postos consulares” de México, Arábia Saudita, Costa do Marfim, Etiópia, Luanda, Pequim e Berlim, António José Seguro estava confirmado como o vencedor da noite, com um total de 1.754.895 votos (31,11 por cento), seguido por André Ventura, com 1.326.44 votos (23,52 por cento).

Os dois candidatos vão disputar a segunda volta a 8 de Fevereiro, com a votação em Macau a ocorrer durante esse fim-de-semana, ao longo de 7 e 8 de Fevereiro.

No terceiro lugar a nível global ficou João Cotrim Figueiredo, com 902.564 votos (16,00 por cento), seguido por Henrique Gouveia e Melo, com 695.088 votos (12,32 por cento), e Luís Marques Mendes, com 637.394 (11,30 por cento).

Mais afastado do grupo dos cinco primeiros ficaram Catarina Martins (116.303 votos/2,06 por cento), António Filipe (92.589 votos/1,64 por cento), Manuel João Vieira (60.899 votos/1,08 por cento), Jorge Pinto (38.536 votos/0,68 por cento), André Pestana (10.893 votos/0,19 por cento) e Humberto Correia (4.622 votos/0,08 por cento).

A nível global houve ainda 61.226 votos em branco (1,06 por cento) e 65.381 votos nulos (1,13 por cento).

 

 

 

Resultados Presidenciais Macau 2026

Candidato Percentagem de Votos Total de Votos

Luís Marques Mendes 47,19% 1.073 votos

António José Seguro 20,98% 477 votos

André Ventura 12,40% 282 votos

João Cotrim Figueiredo 8,40% 191 votos

Henrique Gouveia e Melo 5,85% 133 votos

Manuel João Vieira 1,72% 39 votos

Catarina Martins 1,23% 28 votos

António Filipe 0,88% 20 votos

André Pestana da Silva 0,62% 14 votos

Jorge Pinto 0,53% 12 votos

Humberto Correia 0,22% 5 votos

 

Em Branco 1,43% 34 votos

Nulos 2,78% 66 votos

 

Votantes 4,11%

Abstenção 95,89%

2.374 votantes

57.748 inscritos

 

 

Resultados Presidenciais Macau 2021

Candidato Percentagem de Votos Total de Votos

Marcelo Rebelo de Sousa 64,62% 926 votos

Ana Gomes 14,45% 207 votos

André Ventura 8,03% 115 votos

Tiago Mayan Gonçalves 4,61% 66 votos

Marisa Matias 3,49% 50 votos

João Ferreira 2,93% 42 votos

Vitorino Silva 1,88% 27 votos

 

Em Branco 1,02% 15 votos

Nulos 1,76% 26 votos

 

Votantes 2,10%

Abstenção 97,90%

1.474 votantes

70.134 inscritos

Nova associação quer contribuir para o estudo de direito em Macau

A Associação de Estudos Jurídicos de Macau e Portugal nasceu para dar vida a uma mega empreitada, a publicação do Código de Processo Civil de Macau anotado, e, mais tarde, de obras “fora dos temas mais badalados”.
David Sá Machado, advogado português a trabalhar em Macau, é o ideólogo daquela que vai ser a primeira versão anotada, publicada na íntegra, do Código de Processo Civil da região semiautónoma chinesa.
Os três volumes, com a contribuição de cerca de 60 autores, entre “advogados, magistrados, professores académicos, assessores e outros juristas de Portugal e Macau”, deverão ver a luz do dia ainda este ano, explica à Lusa o responsável, notando que se encontram em fase de revisão. “Havendo alterações ao código em vista, podemos atrasar um pouco”, acrescenta.
Para facilitar a publicação da obra, “uma mais-valia” que pretende ser uma “contribuição para o direito em Macau”, foi criada a Associação de Estudos Jurídicos de Macau e Portugal.
“Depois outros projectos vão surgir”, refere à Lusa Sá Machado, presidente da associação, indicando a intenção de, no futuro, organizar “iniciativas mais pedagógicas e mais didácticas”.
Ainda sobre este projecto de cerca de três mil páginas e com coordenação de duas mulheres – Maria José Capelo, professora associada da faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, e Teresa Leong, magistrada aposentada de Macau – o advogado nota que vai ser produzido em português, embora se projecte também uma versão chinesa, já que “o público-alvo são os juristas de Macau”.
“Um código anotado deve servir para esclarecer o leitor dos vários sentidos interpretativos das normas e, se calhar, acrescentar alguma coisa do ponto de vista do direito a constituir”, indica. “Penso que enriquece sempre qualquer ordenamento jurídico”, acrescenta

Versões existentes
Macau conta com versões anotadas do Código Civil, do Código Penal e do Código de Processo Penal, sendo que chegaram a ser publicados, entre 2006 e 2008, os dois primeiros volumes do Código de Processo Civil anotado e comentado de autoria de Cândida da Silva Antunes Pires e Viriato de Lima. A obra, porém, ficou por concluir, lembra o advogado.
Sá Machado, também um dos autores, defende a importância do projecto: “Estamos sempre a recorrer aos códigos de Portugal, às anotações de Portugal. Ficamos com uma coisa nossa”.
Ainda sobre o trabalho, que vai ser publicado em Portugal pela Edições Almedina – depois de feitas “algumas abordagens em Macau, informalmente” -, o advogado diz que “gostava que fosse uma obra de referência”.

UE / EUA | Macron pedirá mecanismo anti-coerção se Trump impuser sobretaxas

Emmanuel Macron, que esteve ontem “em contacto o dia todo com os homólogos europeus”, pedirá “a activação do instrumento anti-coerção” da UE se as ameaças de sobretaxas alfandegárias de Donald Trump forem executadas, informou fonte próxima do Presidente francês.
Esta ferramenta, cuja implementação requer a maioria qualificada dos países da União Europeia, permite, entre outras medidas, o congelamento do acesso aos mercados públicos europeus ou o bloqueio de certos investimentos.
As ameaças comerciais norte-americanas “levantam a questão da validade do acordo” sobre tarifas alfandegárias concluído entre a União Europeia e os Estados Unidos em Julho passado, observou fonte próxima do líder gaulês.
Entretanto, Berlim anunciou que irá coordenar com os parceiros europeus a reacção da UE, caso as sobretaxas de Trump se concretizem.
O porta-voz do Governo alemão, Stefan Kornelius, disse que a Alemanha “tomou nota” do anúncio de Trump de impor tarifas aos países europeus que enviaram soldados para a Gronelândia e que coordenará a sua reacção com os outros parceiros europeus.
O Governo alemão tomou nota do que foi expresso pelo Presidente dos EUA. O Governo está em contacto próximo com os parceiros europeus. “No seu momento decidiremos sobre as sanções adequadas”, disse Kornelius na sua conta do X.
Até ontem, no fecho desta edição, nem o chanceler, Friedrich Merz, nem nenhum dos seus ministros se tinham pronunciado.

Muda de rumo
Na Alemanha, da parte das empresas privadas, houve reacções e, por exemplo, o presidente da Patronal, Dirk Jandura, disse, em declarações recolhidas pelo jornal Handelsblatt, que se a imposição de tarifas se tornar uma arma política, no final só haverá perdedores.
O director do Instituto de Estudos Económicos de Berlim, Marcel Fratzscher, defendeu que era hora de a UE e a Alemanha fortalecerem as cooperações globais com a China e outros parceiros para enfrentar Trump.
“A Europa cedeu permanentemente a Trump no conflito comercial em vez de defender os seus próprios interesses e o multilateralismo. O erro está a ser pago agora porque Trump viu a fraqueza da Europa”, disse ao Handelsblatt.

Donald ameaça
O líder americano, Donald Trump, ameaçou no sábado vários países (Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia) com a imposição de novas tarifas alfandegárias até que “um acordo seja alcançado para a venda completa e integral da Groenlândia”.
Esta sobretaxa de 10 por cento, que recai sobre os países que enviaram soldados para a Gronelândia, entrará em vigor a partir de 01 de Fevereiro e poderá subir para 25 por cento em 01 de Junho, disse Trump.
Donald tem reiterado a intenção de os Estados Unidos assumirem o controlo da Gronelândia, “a bem ou a mal”.
A Gronelândia é um território autónomo sob soberania da Dinamarca, estrategicamente localizado no Ártico, com uma população de cerca de 50 mil pessoas.

Este país não é para grávidas

As jovens em Portugal vivem num dilema. As que estudam e acabam um curso superior. As que trabalham nas mais diversas profissões, nomeadamente na limpeza das ruas das cidades, como cuidadoras informais, empregadas de restaurantes, em fábricas, coordenadoras de plataformas digitais, enfermeiras, advogadas, motoristas da Uber, funcionárias de lojas, médicas, arquitectas e tantas, tantas profissões que podemos imaginar. E o dilema é o seu futuro. Ao terminarem um curso ou começar a trabalhar, grande número de jovens com 25, 30 e até 35 anos continuam a viver nas casas dos pais porque o rendimento mensal não lhes é suficiente para comprar ou arrendar uma casa. Outras, ao conseguirem a sua independência e ao comprometerem-se com um namoro ou casamento, depois deparam-se com a realidade. O sonho de ter filhos.
O facto de engravidar e ter um filho parece, à primeira vista, algo de normal. Mas não é. Nos dias de hoje em Portugal sabemos que a natalidade tem diminuído muito e que o país já possui um número maior de velhos do que jovens. Quanto à natalidade, vários factores contribuem para que as jovens e até já mulheres com 40 anos, mesmo as comprometidas com um companheiro ou marido, deparam-se com casas cada vez mais caras, com um salário que não lhes permite sequer arrendar uma casa, se concretamente viverem em Lisboa, Porto, Coimbra ou Évora. As jovens começam a fazer contas à vida e pensam logo como é que será possível engravidar se continuam nas casas dos pais, algumas com o companheiro, então, como é possível arrendar uma casa para poder ter um filho se o salário mínimo nacional é um dos mais baixos da Europa, como é que podem comprar uma casa a prestações se nem os pais se disponibilizam para ser fiadores, como é que vão engravidar se depois passam meses em consultas hospitalares com uma espera de horas e horas e faltando ao trabalho, como é que podem engravidar se começam em pânico ao ouvir as notícias de que uma grávida teve o parto em casa sem apoio médico, numa ambulância, no carro particular do marido ou mesmo no chão da rua, como é que podem pensar em ter filhos se essas mesmas notícias que ouvem transmitem a sensação de dor e amargura porque ficam a saber que a maioria das urgências de Pediatria e Ginecologia – Obstetricia encontram-se encerradas e que as grávidas chegam a ser transportadas de ambulância numa distância de 200 e 300 quilómetros andando de hospital em hospital para encontrar uma urgência aberta. Alguns dirão que o Governo melhorou o serviço de atendimento do INEM e que as grávidas podem saber qual a urgência que está disponível. Pois, disponível a mais de 100 quilómetros. E não falemos em INEM. Se formos por aí, nem existem ambulâncias e respectivas macas que cheguem para socorrer a população. Ainda recentemente assistimos à morte de três portugueses por falta de socorro do INEM. De tal forma, o facto foi de extrema gravidade que os bombeiros voluntários decidiram colocar as suas ambulâncias ao dispor do INEM. Uma medida a merecer os melhores encómios a este acordo entre os bombeiros e o INEM, que salvou de imediato a vida de vários pacientes. Mas, claro, tinha de aparecer o “demónio”. Acto contínuo, uma Protecção Civil, que tem servido para disponibilizar “tachos” aos amigos dos governantes, veio logo a público deixar-nos de boca aberta. A Protecção Civil teve o desplante de manter uma posição contrária ao acordo entre os bombeiros voluntários e o INEM. Obviamente que os bombeiros mandaram a Protecção Civil cavar batatas e dar uma volta até às Berlengas…
Num panorama assim, como é que uma jovem pode pensar em engravidar sem receio, sem pânico, sem ansiedade? Não pode e, assim, chegamos ao ponto fulcral: a natalidade em Portugal tem de diminuir e cada vez mais se regista um número menor de mulheres grávidas. Conclusão: este país não é para grávidas.

Suspeitos de enviar drones para Coreia do Norte trabalhavam em gabinete de ex-líder do Sul

Dois civis suspeitos de estarem envolvidos nos recentes envios de drones para a Coreia do Norte trabalhavam no gabinete do ex-presidente Yoon Suk-yeol, de acordo com uma investigação publicada ontem pela agência de notícias local Yonhap.
A notícia foi divulgada numa altura em que está a ser levada a cabo uma investigação em Seul em resposta às acusações de Pyongyang sobre a presença de drones na Coreia do Norte, em Setembro de 2025 e no início deste ano.
O primeiro suspeito, um homem com cerca de 30 anos, que aparentemente só terá trabalhado no fabrico do drone, foi durante o Governo de Yoon supervisor de notícias no gabinete do porta-voz presidencial, de acordo com a agência.
O outro suspeito, igualmente na casa dos 30 e também com trabalho desempenhado no complexo presidencial durante o governo Yoon, afirmou publicamente ter operado os drones, numa entrevista transmitida na sexta-feira pelo canal local Channel A. O suspeito está neste momento a fazer estudos de pós-graduação em jornalismo numa universidade particular em Seul.
Os dois suspeitos estudaram na mesma universidade e fundaram uma empresa de fabrico de drones em 2024, ainda de acordo com a Yonhap.
A investigação não especifica os anos exactos em que trabalharam para Yoon, que iniciou o mandato em Maio de 2022 e terminou em Abril do ano passado, depois de ter sido destituído pela breve declaração de lei marcial, em Dezembro de 2024.
Yoon Suk-yeol, actualmente em prisão preventiva, enfrenta acusações de abuso de poder e outros crimes relacionados com o suposto envio de drones para a Coreia do Norte, para disseminar propaganda anti-Pyongyang.
O Ministério Público alega que o então presidente ordenou a operação para provocar uma reacção do país vizinho e justificar a imposição da lei marcial.

Voos da discórdia
A Coreia do Norte acusou o Sul na ONU, em Fevereiro do ano passado, de enviar drones em Outubro de 2024 para espalhar propaganda sobre a capital Pyongyang.
O trabalho da Yonhap indica ainda que o primeiro suspeito já foi interrogado na sexta-feira pela equipa de investigação das forças armadas e da polícia sul-coreanas.
O homem terá sido denunciado às autoridades em Novembro por pilotar um drone não registado na área de Yeoju, a cerca de 70 quilómetros a sudeste de Seul, sendo que o modelo do aparelho coincidia com o que a Coreia do Norte alega ter abatido na mais recente denúncia.
Em entrevista a um canal local, o segundo suspeito disse que, desde Setembro do ano passado, realizou diversos voos sobre a Coreia do Norte e que o objectivo era medir os níveis de radiação e contaminação por metais pesados numa fábrica de urânio perto do rio Ryesong, em território norte-coreano.
A Coreia do Norte denunciou em 10 de Janeiro que drones sul-coreanos sobrevoaram o território em Setembro do ano passado e novamente em 04 de Janeiro deste ano.
O Governo do actual Presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, negou que os drones fossem aeronaves militares e iniciou uma investigação esta semana, sem descartar a possibilidade de envolvimento de civis.
A acusação norte-coreana foi uma surpresa, visto que Lee tinha declarado à agência de notícias EFE, em Dezembro, que Seul poderia ter de pedir desculpa a Pyongyang pelos supostos voos com drones durante a presidência de Yoon.

Diplomacia |Relações “saudáveis e estáveis” serve interesses de China e Canadá

A visita do líder do governo canadiano à China marcou o regresso do entendimento saudável entre as duas nações após um período de tensões e divergências.
O Presidente da China, Xi Jinping, afirmou sexta-feira que o desenvolvimento de relações “saudáveis e estáveis” com o Canadá serve os interesses de ambos os países, durante um encontro com o primeiro-ministro canadiano.
Xi reuniu-se em Pequim com Mark Carney, naquela que é a primeira visita de um chefe de Governo canadiano ao país em quase uma década e que visa normalizar as relações bilaterais, que atravessaram períodos de tensão nos últimos anos, devido a disputas diplomáticas e comerciais.
Durante o encontro, realizado no Grande Palácio do Povo, Xi afirmou que o “desenvolvimento saudável e estável” das relações entre a China e o Canadá “corresponde aos interesses comuns de ambos os países” e contribui para “a paz, estabilidade e prosperidade mundiais”, segundo a televisão estatal chinesa CCTV.
O líder chinês destacou que o contacto prévio entre ambos, em Outubro, à margem de uma cimeira na Coreia do Sul, deu início a uma nova fase de aproximação. Xi apelou à construção de “um novo tipo de parceria estratégica” capaz de colocar os laços entre Pequim e Otava numa trajectória “sustentável e duradoura”.
Carney agradeceu a recepção e manifestou a vontade do Canadá de trabalhar com a China “com base na boa cooperação passada”, para desenvolver uma relação estratégica adaptada ao actual contexto internacional e promotora de “estabilidade, segurança e prosperidade” para ambos os países e para a região do Pacífico.
Na véspera, o primeiro-ministro canadiano reuniu-se com o homólogo chinês, Li Qiang. Os dois abordaram temas como cooperação económica, energia e comércio, e testemunharam a assinatura de vários acordos nas áreas aduaneira e comercial.

Laços reforçados
Segundo a CCTV, Carney reiterou o interesse do Canadá em reforçar a cooperação nas cadeias de abastecimento e em sectores estratégicos, bem como o compromisso com o multilateralismo e o sistema de comércio internacional.
Li Qiang defendeu o alargamento da cooperação em áreas como energia limpa, agricultura moderna, tecnologias digitais e indústria aeroespacial.
Também à margem da visita, o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, reuniu-se com a ministra canadiana dos Negócios Estrangeiros, Anita Anand, sublinhando a necessidade de eliminar interferências e fortalecer a confiança mútua para promover uma relação “estável, sólida e saudável”.
A visita de Carney é a primeira de um primeiro-ministro canadiano à China desde a deslocação de Justin Trudeau em 2017, e ocorre num contexto de crescente instabilidade no comércio internacional, com Otava a procurar diversificar as parcerias económicas.

Fu Shan, o Daoísta Protegido Pelo Traje Cor de Cinábrio

Jiang Shinian, também conhecido como Shennong, o «Agricultor Divino», patrono dos praticantes da medicina tradicional (zhongyi), é também conhecido como Yandi, o «imperador das chamas» e por aí capaz de controlar o «vento em chamas», o excesso de calor que provoca sintomas como tremores, confusão ou a febre súbita.
Na prática religiosa, esse «fogo no vento» é entendido como o fumo que resulta da queima de incenso ou papéis que levam até aos céus orações, ofertas ou mensagens para os deuses, antepassados ou espíritos. Esse fogo, figurado pela cor vermelha, é associado entre outras à imortalidade, às forças positivas de energia ou à protecção contra o mal.
Tonalidades da cor vermelha foram adoptadas de forma notória pelos imperadores da dinastia Ming que tinham Zhu, «vermelhão ou cinábrio» como seu nome de família. Um dos exemplos mais publicamente manifestos foi pintar de púrpura os muros da «Cidade imperial proíbida», Zijincheng, como forma de protecção dos ocupantes no seu interior ou atribuir às vestes dos funcionários letrados a cor do cinábrio.
Quando a dinastia caíu e para muitos literatos se tornou intolerável obedecer aos novos imperadores, alguns adoptaram as mais diversas e subtis estratégias de resistência. Um letrado do Norte que, na pluralidade dos seus saberes e vocações chegou a usar mais de trinta nomes de pincel, engendrou para si o nome Zhuyi daoren, o «Daoísta vestido de cinábrio» como se ao usar essa cor protectora, só reconhecia como única fronteira ou muro o seu próprio corpo.
Na vida comum chamava-se Fu Shan (1607-1684), nascido em Yangqu, Shanxi, e da recusa em servir os novos senhores, que prejudicaram o seu dia-a-dia, despontariam inúmeros talentos celebrados ainda hoje em dois jardins da cidade de Taiyuan, a capital provincial. E embora fosse de todos os literatos que o conheceram, reconhecidas as suas qualidades de calígrafo, pintor ou poeta, os mais próximos viam-no como praticante da medicina tradicional, em particular como conhecedor de doenças de senhoras.
Fu Shan preferia que a sua caligrafia fosse «grosseira, não habilidosa; feia, não sedutora; deformada, não fina; espontânea, não premeditada». E tal como em pinturas gostava dos formatos verticais longilíneos como se pode ver num dístico que está no Smithonian (tinta sobre papel, 226 x 45,5 cm) onde, reflectindo a sua dupla preocupação com o espírito e o corpo, escreveu:

«Se o espírito está tranquilo, a mente naturalmente alcança a distância;
Quanto mais o teu corpo está descontraído, mais da vida poderás apreciar».

É-lhe atribuída a criação de uma «sopa de oito tesouros», feita com oito ingredientes que restabelecia os mais debilitados. E, no entanto, quando foi obrigado a ir à corte em Pequim para o ritual de obediência à nova dinastia, atirou-se para o chão afectando incapacitante moléstia.

Caminhando na margem do rio, apreciando as flores, 6 (de 7):

O acesso à casa dos sogros de Huangsi
está repleto de flores por todos os lados,
São mil, dez mil flores pressionando
os ramos, de tão plenos, dobrados.
Repetidamente convidam as borboletas a ficar
constantemente a dançar,
Escuto os papa-figos: como são afinados
no seu delicado piar.

Du Fu (712-770)

Cancelados mais dois espectáculos com artistas japoneses

Os espectáculos da boys band Nexz, constituída por artistas japoneses e coreanos, foram cancelados na sexta-feira, sem qualquer explicação oficial, de acordo com um comunicado da concessionária Sands China. Os dois concertos estavam agendados para sábado e domingo e tinham lotação esgotada.
Inicialmente, a banda gerida pela JYP, uma das principais empresas coreanas de entretenimento, só tinha previsto um concerto em Macau. Todavia, a grande procura, logo em Dezembro, levou a que fosse agendado um segundo espectáculo, no dia seguinte.
Na sexta-feira, a um dia do primeiro concerto, surgiu o cancelamento. “Informamos que o concerto “NEXZ SPECIAL CONCERT in MACAO”, originalmente agendado para os dias 17 e 18 de Janeiro de 2026, foi cancelado”, comunicou a concessionária, através das redes sociais. “Pedimos as mais sinceras desculpas por qualquer inconveniente causado e agradecemos a compreensão e apoio contínuo”, foi acrescentado.
Os espectáculos com a participação de artistas japoneses em Macau começaram a ser cancelados, depois de um agravar das tensões diplomáticas entre o Japão e a China relacionado com Taiwan.

Cultura de cancelamento
A vaga de cancelamento dos espectáculos com artistas japoneses na China começou no Interior. No entanto, a tendência estendeu-se a Macau. A primeira visada na RAEM foi a cantora pop Ayumi Hamasaki, cujo concerto, agendado para 10 de Janeiro, foi cancelado a 9 de Dezembro. Dias antes, a 29 de Novembro o concerto de Hamasaki em Xangai também tinha sido cancelado.
Os cancelamentos não se ficaram por aqui, e no início do ano foi a vez do concerto da cantora japonesa Mika Nakashima ser cancelado. Na altura, foi apresentada como justificação a existência de “circunstâncias incontornáveis”.
O cancelamento de espectáculos não é novo. Em Janeiro de 2024, as pressões dos IC levaram ao cancelamento do espectáculo “Made by Beauty” devido à participação de drag queens. No entanto, a presidente do IC, Deland Leong, negou qualquer envolvimento com a vaga de cancelamentos recentes.

CCM | Peça “Adeus, Minha Concubina” com workshops e actividades

Entre os dias 29 de Janeiro e 1 de Fevereiro, a companhia Teatro do Povo de Pequim apresenta quatro sessões da peça “Adeus, Minha Concubina” no Estúdio II do Centro Cultural de Macau (CCM). Os bilhetes custam 220 patacas e estão à venda na Bilheteira de Enjoy Macao. Os espectadores podem gozar de um desconto de 50 por cento, “mediante a apresentação de Bilhete de Identidade de Residente de Macau, Cartão de Estudante a tempo inteiro, Cartão de Professor de Macau, Cartão de Benefícios Especiais para Idosos ou Cartão de Registo de Avaliação de Deficiência válidos”, indicou na sexta-feira o Instituto Cultural.
A apresentação da peça apresentada pelo Teatro do Povo de Pequim é um dos pontos altos da “1.ª Temporada de Espectáculos de Cultura Chinesa”, que começou no fim de Novembro do ano passado e decorre até Março.

O ciclo é organizado pelo IC e o Departamento de Publicidade, Cultura e Desporto do Gabinete de Ligação do Governo Popular Central na RAEM, com o patrocínio da secretaria para os Assuntos Sociais e Cultura.
A peça, descrita pela organização como como imersiva, foi escrita por Mo Yan, laureado com o Prémio Nobel da Literatura. O IC acrescenta que a encenação de “Adeus, Minha Concubina” que irá subir ao palco do CCM “rompe com a estrutura narrativa tradicional do drama histórico, explorando temas intemporais como o poder, a sobrevivência e a responsabilidade através de múltiplos encontros e uma estrutura de diálogos entrelaçados temporalmente, entre as personagens Yu Ji e Lü Zhi”.

Com um design cénico imersivo, o público ficará rodeado pelo acampamento do Exército de Chu, sentado em almofadas ou bancos de palha dispostos em vários níveis, para testemunhar de perto os intensos enredos de amor e ódio entre as personagens.

Aprender com arte

Além das quatro sessões de teatro, “serão também organizados workshops e actividades complementares que convidam o público a participar e a experienciar a beleza da cultura tradicional chinesa sob múltiplas perspectivas”, é descrito pelo IC.

Nos dias 30 e 31 de Janeiro, após o espectáculo (entre as 22h e as 22h30), os espectadores vão ter a oportunidade de conversar com os artistas. No dia 27 de Janeiro, em jeito de antecipação, será organizado o “Diálogo Inter-regional entre Jovens Artistas”, que contará com “os principais criadores da produção e jovens actores do Interior da China e de Macau”. O objectivo desta actividade é lançar uma “discussão aprofundada sobre a construção de personagens e as artes performativas, desconstruindo o processo criativo, as percepções e as técnicas de representação de personagens dramáticas a partir de múltiplas dimensões, como a acção, a personalidade e a imagem”. A conversa, marcada para o Auditório do Museu de Arte de Macau, é dirigida a grupos de teatro e jovens actores sediados em Macau e a admissão será feita por ordem de chegada.

Além das conversas, será realizada uma oficina de joalharia em esmalte, no dia 31 de Janeiro entre as 16h30 e as 17h30 na Sala de Conferências do Centro Cultural de Macau, que tem como destinatários residentes de Macau maiores de 6 anos
No dia seguinte, no mesmo lugar e às mesmas horas, realiza-se o Workshop de Caligrafia para Idosos para residentes de Macau com mais de 55 anos de idade.
As vagas são limitadas e os interessados podem inscrever-se na aplicação Conta Única de Macau.

Natalidade | Igualdade e equilíbrio entre vida e trabalho essenciais

Uma académica da UPM considera que Macau deve legislar licenças parentais iguais, promovendo a igualdade de género e o equilíbrio entre a vida pessoal e o trabalho, que afirma serem factores essenciais para reverter a baixa da natalidade.
“O equilíbrio entre a vida profissional e pessoal é um factor chave para impulsionar a taxa de fertilidade”, afirmou à Lusa Lok Cheng, académica da Universidade Politécnica de Macau (UPM) que estuda políticas públicas.
A investigação de Lok, que compara as políticas parentais de Macau com as de países como Alemanha, Suécia e Estados Unidos, apoia esta conclusão.
Macau registou a taxa de natalidade mais baixa do mundo em 2024 e o número mais reduzido de nascimentos em quase 50 anos em 2025, disse, no início do ano, o director substituto do hospital público de Macau, Tai Wa Hou, citado pelo canal em chinês da emissora pública TDM Macau. Este declínio persistiu apesar de um orçamento revisto aprovado no ano passado para reforçar apoios sociais, incluindo subsídios para pais com crianças até três anos, aumentos dos abonos de natalidade e subsídios de casamento.
Macau oferece actualmente 70 dias de licença de maternidade e apenas cinco dias de licença de paternidade para trabalhadores do sector privado (no público são 90 dias para as mães e cinco para os pais), lembrou a especialista: “Menos do que os 98 dias recomendados pela Organização Internacional do Trabalho”, referiu.
Esta disparidade, argumentou Lok, reforça a ideia de que as mulheres têm a principal responsabilidade pelos recém-nascidos, o que também tem impacto na carreira profissional. “Aceitámos tacitamente que as mulheres têm uma responsabilidade maior no cuidado dos recém-nascidos, e isso reflecte-se no local de trabalho”, continuou.

Olhar para fora
Em contraste, a especialista, que também é funcionária pública, aponta para políticas europeias. “A Suécia tem uma política parental bem estabelecida e registou um aumento na taxa de natalidade no início dos anos 2000”, disse. “Tanto a Alemanha como a Suécia proporcionam licenças de maternidade mais longas e estão a promover activamente a participação do pai”, reforçou.
Lok explicou que a Suécia oferece mais de 300 dias de licença parental partilhada, sendo 90 dias reservados exclusivamente para o pai.
“Macau actualmente não tem regulamentação relevante quanto ao pai”, observou a académica, sugerindo que a região poderia aprender com este modelo para implementar uma licença parental igualitária e “promover a igualdade de género no local de trabalho”.
Tal política, disse, ajudaria as famílias a partilhar o cuidado das crianças e “eliminaria o preconceito de género que coloca as mulheres como as principais cuidadoras”. “Este preconceito é prejudicial para o desenvolvimento profissional das mulheres”, avaliou.
De acordo com os últimos dados oficiais da Base de Dados das Mulheres de Macau, o salário médio mensal da população feminina em 2024 era de 16.800 patacas, inferior às 19.300 patacas auferidas pelos homens.
Lok explicou que muitas mulheres hesitam em ter filhos, receando o aumento dos deveres familiares e a estagnação das carreiras. Mas quando o cuidado das crianças é partilhado, “isso pode aumentar a vontade de ter filhos e reduzir os custos associados”.
Tal mudança também beneficiaria as mulheres profissionalmente, acrescentou. Se os deveres parentais forem distribuídos de forma mais igualitária, “as empresas estariam menos preocupadas com o género ao contratar mulheres em idade fértil, e as mulheres poderiam prosseguir carreiras em pé de igualdade”.
Lok reconheceu que pode ser um desafio para Macau adoptar um sistema como o da Suécia, mas é necessário “avançar gradualmente”. “O primeiro passo é aumentar a licença de maternidade para 98 dias, de acordo com o padrão internacional”, concluiu.

One Oasis | Pedido adiamento de entrada em vigor de nova lei

O condomínio do complexo habitacional One Oasis vai entrar em contacto com a administração para tentar adiar a entrada em vigor da nova lei que proíbe a contratação de serviços de agências de turismo para transporte de moradores do edifício. A decisão foi tomada na sexta-feira, depois de uma reunião de condomínio que contou com a participação de mais de 120 pessoas, incluindo representantes das empresas de transportes públicos, e a solução visa ganhar tempo para implementar outras medidas.
A polémica com os serviços shuttle dos edifícios surgiu depois do Governo ter proposta uma lei, aprovada pela Assembleia Legislativa no ano passado, por unanimidade, que veio esclarecer o tipo de serviços que podem ser prestados pelas agências de turismo. Como consequência, o Executivo prometeu uma campanha contra estas agências quando disponibilizam o serviço de shuttle bus para prédios habitacionais. Num comunicado, a Direcção de Serviços de Turismo também indicou que a lei não vem mudar nada, e que a proibição já existia.
A mudança de lei apanhou muitos residentes desprevenidos. A reunião do condomínio de quinta-feira do One Oasis visou procurar uma solução para o problema. O caminho passa assim por contratar uma das únicas duas empresas que passam a poder disponibilizar o serviço. A Transmac cobra 420 patacas por cada viagem de autocarro, com um veículo com 22 lugares sentados e 38 de pé, uma média 7,1 patacas por pessoa. A TCM não apresentou um orçamento a tempo da reunião. No entanto, o condomínio considerou que precisa de mais tempo para aplicar o novo modelo, e procura obter um adiamento da entrada em vigor da nova lei por parte do Governo.

Macau Legend | Governo cabo-verdiano toma posse de hotel-casino

O Governo cabo-verdiano anunciou na sexta-feira que tomou posse dos bens e edifício do hotel-casino que a operadora Macau Legend, que enfrenta dificuldades financeiras, começou a construir na capital, Praia, mas abandonou há anos.
A posse concretizou-se na sexta-feira, concluindo o processo de reversão relativo ao projecto que teve por base um memorando de entendimento assinado com o Estado, em 2014, para “investimento turístico-imobiliário, na Baía da Cidade da Praia, incluindo o Ilhéu de Santa Maria e a praia da Gamboa”, informou o Governo.
Em comunicado, o executivo reiterou que “fez tudo para assegurar a implementação do projecto”, mas os contratos “foram irremediavelmente incumpridos” por parte dos investidores.
Em 2015, o empresário macaense David Chow anunciava um investimento de 250 milhões de euros. Após revisões, a conclusão da primeira fase do projecto estava prevista para 2021. No final de 2023, o presidente da Macau Legend, Li Chu Kwan, disse que o grupo pretendia encerrar os projectos em Cabo Verde e Camboja.
Actualmente, existem apenas guardas nos portões do recinto, uma área de cerca de 160 mil metros quadrados, que inclui o ilhéu, parcialmente esventrado e, uma ponte asfaltada de poucos metros que o liga a um prédio de cerca de oito andares, vazio e vedado com taipais – que, entretanto, começaram a ser retirados.

Jogo | Receitas VIP subiram 24,1% ao longo de 2025

As receitas vindas dos grandes apostadores, um segmento conhecido em Macau como jogo VIP, subiram 24,1 por cento em 2025, de acordo com dados oficiais divulgados na sexta-feira. O jogo bacará VIP atingiu receitas de 68 mil milhões de patacas no ano passado, revelou a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ).
Só no último trimestre, as receitas das grandes apostas aumentaram 45 por cento em comparação com o período entre Outubro e Dezembro de 2024, para 20,3 mil milhões de patacas.
No entanto, o jogo VIP em Macau continua longe dos picos históricos atingidos antes da pandemia da covid-19. Em 2019, o bacará para este segmento representava 46,2 por cento das receitas totais dos casinos. Mas em 2025 ficou-se por uma fatia de 27,5 por cento.
As grandes apostas foram afectadas pela detenção do líder da maior empresa angariadora de apostas VIP do mundo, em Novembro de 2021.
O antigo director executivo da Suncity Alvin Chau Cheok Wa foi condenado, em Janeiro de 2023, a 18 anos de prisão, num caso que fez cair de 85 para 18 o número de licenças de promotores de jogo emitidas em Macau.
De acordo com dados da DICJ, o número de licenças tem vindo a recuperar e atingiu a marca de 30 no final de Julho, número que se mantinha na mais recente actualização, em 15 de Dezembro. Ainda assim, permanece aquém do limite máximo fixado pelo Governo, que é de 50.

Número a aumentar
Também as receitas do jogo mais popular em Macau, o bacará no chamado mercado de massas, aumentaram 3,4 por cento em 2025, para 137,9 mil milhões de patacas.
O bacará de massas representou 57,7 por cento do total das receitas dos casinos no território no ano passado, sendo de longe o jogo de fortuna e azar mais procurado pelos apostadores chineses.
As receitas das máquinas de jogos aumentaram 7,3 por cento em comparação com 2024, para 13,9 mil milhões de patacas.
Em 2025, os casinos de Macau registaram receitas totais de 247,4 mil milhões de patacas, um aumento de 9,1 por cento.
O Governo de Macau tinha previsto, no orçamento inicial para 2025, receitas do jogo de 240 mil milhões de patacas, o que representaria um aumento de 6 por cento em comparação com o ano anterior.
Mas, em 11 de Junho, a Assembleia Legislativa aprovou um novo orçamento, proposto pelo Executivo, que reduziu em 4,56 mil milhões de patacas a previsão para as receitas públicas.
O secretário para a Economia e Finanças, Anton Tai Kin Ip, admitiu aos deputados que o corte se deveu ao facto de as receitas brutas do jogo no primeiro trimestre de 2025 terem “ficado ligeiramente abaixo do previsto”.

Eleições | Portugueses em Macau pedem atenção a quem está longe

À porta do histórico edifício do Consulado-Geral de Portugal em Macau, portugueses que escolheram votar no sábado celebram o momento democrático e exigem “mais cuidado” com quem vive longe. Vários eleitores voltaram a sugerir a implementação do voto electrónico.
Foi uma campanha presidencial “algo confusa – como está o mundo neste momento -“, mas que Cristina Osswald fez questão de acompanhar. E neste dia de Inverno, mas de sol, em Macau, a portuguesa celebra a possibilidade de escolha. “Sempre que possível ia ouvindo entrevistas, debates e apresentações dos candidatos. Mas pareceu-me que, se calhar, há essa questão de uma dispersão de votos, que faz parte da democracia, não é? E sobretudo quando se vive num regime que não é democrático, claramente mais se aprecia a democracia”, diz à Lusa a docente da Universidade Politécnica de Macau depois de votar.
Mas o caminho que um eleitor de Macau percorre até ao momento do voto, sublinha Osswald, não é o ideal. A viver há seis anos fora de Portugal, a docente nota que os “procedimentos têm melhorado”, embora “continuem abaixo das expectativas”. “O mundo é cada vez mais global, não vejo razão para não haver voto electrónico”, considera a docente, que, antes de Macau, passou por Florença, onde para votar tinha de se deslocar a Milão. “Podemos ir ao banco [‘online’], às finanças, e não conseguirmos votar ‘online’ parece uma coisa que não faz muito sentido. Acho que seria por aí que deveria também haver um maior investimento. Por exemplo, aqui, pessoas com pouca mobilidade não podem vir votar”, declara.
Cristina Osswald olha para a escadaria que conduz ao consulado, onde nesse momento, idosos sobem os degraus com dificuldade – apesar de, nas traseiras do edifício, haver uma outra porta com acesso a elevador.
“É a democracia que perde. Em tempos que são complicados e são, diria, quase dramáticos, acho que era uma coisa extremamente simples poder votar-se ‘online'”, continua a professora, referindo ainda a “pouca informação” em Macau sobre os procedimentos que antecedem o acto eleitoral. “Conheço muita gente aqui em Macau, sobretudo pessoas mais idosas, que não vêm votar, porque não foi divulgado que tínhamos que nos inscrever antes”, nota.

Pretensão antiga
A escolha electrónica tem sido uma reivindicação de longa data do Conselho das Comunidades Portuguesas, órgão consultivo do Governo para as políticas relativas à emigração e às comunidades portuguesas no estrangeiro. Rui Marcelo, presidente do Conselho Regional das Comunidades Portuguesas da Ásia e Oceânia, disse à Lusa, no ano passado, que o tema “foi abordado várias vezes e com vários governos”.
Félix Teixeira, técnico de laboratório reformado a viver em Macau há 30 anos, defende que votar ‘online’ poderia servir sobretudo regiões onde “a deslocação está dificultada”. “Macau é pequeno, aqui tanto faz”.
E que expectativas tem das presidenciais? Para o antigo funcionário do Instituto para os Assuntos Municipais, a multiplicidade de caras nos boletins é bom prenúncio: “Ouvem-se mais vozes”, diz. E para os emigrantes, sublinha, estar hoje aqui é aproximar-se de casa: “Se não estiver em contacto directo com o país, está-se fora de todo o circuito, da política e da esfera social”, concretiza.

Sentir à distância
De acordo com o consulado, existem mais de 150 mil portadores de passaporte português entre os residentes de Macau e Hong Kong. No entanto, inscritos para votar, o número é quase três vezes inferior: 57.748, segundo dados cedidos à Lusa pela representação diplomática.
Do topo das escadarias do histórico edifício do consulado – antigo Hospital de São Rafael, fundado em 1569 – o casal de macaenses Francisco Xavier Leong e Alina da Luz pedem mais atenção a quem está no exterior. “Esperamos que o novo presidente tenha mais cuidado com os cidadãos estrangeiros, não só de Portugal”, refere Leong. “Votamos porque somos portugueses e, enquanto bons cidadãos, é nosso dever”, completa a mulher.
Para o casal, que vive ali perto, votar presencialmente é mais simples. Francisco Leong admite mesmo “mais dificuldade” com a opção electrónica. “Felizmente em Portugal sempre tivemos grande confiança nos resultados eleitorais. Há muitas pessoas que têm dúvidas relativamente ao voto electrónico, mas julgo que se for bem conduzido, é uma boa opção”, diz, por sua vez, José Paulo Esperança.
À Lusa, o professor de Finanças da Universidade Cidade de Macau assume que espera elevada participação no escrutínio, porque “há preocupações para a democracia portuguesa” e “candidatos preocupantes”. “Portugal – e o mundo – está com evoluções que me preocupam. Porque há cada vez mais subida da extrema direita e de fenómenos que são muito preocupantes”, afirma.
Nas presidenciais de 2021 votaram em Macau 1.479 pessoas, ou seja 2,1 por cento do total de inscritos (70.134). Marcelo Rebelo de Sousa venceu nesta região chinesa com 64,62 por cento dos votos, seguindo-se Ana Gomes (14,45 por cento) e André Ventura (8,03 por cento).

Saúde | Reunião junta autoridades de Macau, Hong Kong e Interior da China

Na passada quinta-feira, a RAEM acolheu a 20.ª Reunião Conjunta das Cúpulas da Administração de Saúde do Interior da China, Hong Kong e Macau, onde se discutiu a formação de quadros qualificados, a saúde comunitária e o desenvolvimento dos cuidados de saúde inteligentes.
A reunião juntou mais de 70 altos quadros da administração de saúde e especialistas médicos dos três territórios também com os objectivos de “aprofundar o intercâmbio, a partilha de experiências e a discussão sobre o futuro rumo de cooperação”, indicaram na sexta-feira os Serviços de Saúde.
A secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, salientou que o Governo da RAEM irá dar implementar a estratégia de dar “prioridade à saúde” contemplada no “Décimo Quinto Plano Quinquenal Nacional” e executar o “Plano de Acção para Macau Saudável”, integrando os elementos de saúde física e mental nas políticas públicas. A dirigente salientou também o arranque do programa “Estação de Bem-estar e Saúde”, para aproveitar os recursos de saúde dos bairros comunitários.
Cumprindo a iniciativa nacional “Ano de gestão do peso”, O Lam afirmou que serão “aumentados os postos de auto-exame da saúde comunitária” e os residentes serão incentivados a “ser os ‘primeiros responsáveis’ pela sua própria saúde”.

Governo | Sam Hou Fai fala de “bom início” de mandato

O Chefe do Executivo considera que o Governo teve “um bom início”. Foi desta forma que Sam Hou Fai fez o balanço do primeiro ano de governação, num encontro com 70 membros da Administração para reiterar a necessidade dos governantes “implementarem o espírito” dos discursos de Xi Jinping.
De acordo com a versão oficial do encontro, divulgada pelo Gabinete de Comunicação Social, Sam Hou Fai “afirmou que o trabalho do primeiro ano deste governo decorreu de forma estável, sucessiva e tranquila, com reformas, inovações, avanços e resultados”, o que considerou ser “um bom início”.
O Chefe do Executivo elogiou os serviços públicos por terem como prioridade “os interesses fundamentais do País e os interesses integrais de Macau” que são encarados como “o ponto de partida para instalar uma mentalidade global que garanta firmemente a soberania, a segurança nacional e o interesse de desenvolvimento do País, e assegure a situação estável e harmoniosa de Macau”.
Em segundo lugar, Sam destacou os esforços dos funcionários no reforço da “colaboração e cooperação interdeapartamental a fim de elevar a eficiência executiva” e destacou a concretização “com precisão” das acções governativas.
Sam Hou Fai referiu ainda “a importância de haver mais consciência das insuficiências” e a necessidade de as insuficiências “serem verificadas à medida que o trabalho é realizado, de forma a analisar os problemas existentes e executar o devido aperfeiçoamento”.

Seguir o espírito
Em relação ao corrente ano, Sam Hou Fai prometeu que vai continuar “a implementar plenamente o espírito dos discursos do Presidente Xi Jinping para planear os próximos trabalhos”.
O líder do Governo pediu ainda um Governo de pensamento único, que maximiza o “papel central do Chefe do Executivo”. “Todas as tutelas e serviços devem unificar o mesmo pensamento, envidar todo o seu esforço e colaborarem proactivamente, com um elevado sentido de responsabilidade e de missão e assim criar uma enorme força para trabalhar e avançar juntos, de modo a que, em conjunto, completem esta tarefa prioritária do governo da RAEM para este ano”, afirmou. “Paralelamente, deve instar e aperfeiçoar a predominância do poder executivo, maximizando o papel central do Chefe do Executivo e do governo da RAEM no sistema de governação”, acrescentou.
E nesta organização centralizada à volta do Chefe do Executivo, a Assembleia Legislativa também está incluída: “Deve a Secretária para a Administração e Justiça cumprir efectivamente as suas atribuições e responsabilidades, reforçando a coordenação e cooperação para garantir que o governo da RAEM assuma as suas funções centrais de governação com profissionalismo e pragmatismo, no sentido de criar uma estrutura de governação com uma interligação entre os níveis superiores e inferiores e uma sinergia de cooperação entre os serviços, e de promover uma interacção positiva entre os poderes executivo e legislativo que cooperem, apoiem e promovam reciprocamente, a nível institucional, político e operacional”, atirou.

Eleições | Portugal prepara-se para escolher o próximo Presidente da República

Portugal vai a votos no domingo para escolher o próximo Presidente da República. Dos 11 candidatos, apenas dois têm mandatários por Macau: Bessa Almeida do PSD, e Neto Valente do PS. O ex-presidente da Associação dos Advogados de Macau realça que António José Seguro “não alinha em provocações à China”, enquanto Bessa Almeida considera que Marques Mendes é o homem certo para o momento

 

Onze candidatos vão a votos no domingo para a escolha do próximo Presidente da República portuguesa, para um mandato de cinco anos. Trata-se de um número recorde, sendo que apenas sete tem apoio de partidos políticos. Concorrem ao cargo Luís Marques Mendes, apoiado pelo Partido Social-Democrata (PSD), e que nomeou António Bessa Almeida para seu mandatário na RAEM. Segue-se António José Seguro, com apoio do Partido Socialista (PS), que tem Jorge Neto Valente, presidente da Fundação da Escola Portuguesa de Macau e advogado, como seu mandatário. São os únicos candidatos à Presidência da República que escolheram figuras para mandatários da RAEM.

Os restantes candidatos são Henrique Gouveia e Melo, João Cotrim de Figueiredo, Catarina Martins, António Filipe, André Ventura Jorge Pinto, Manuel João Vieira, André Pestana e Humberto Correia.

Ao HM, António Bessa Almeida, militante do PSD e explicou as razões para apoiar Marques Mendes. “Na altura que Portugal atravessa, o país necessita de um candidato como Marques Mendes, profundo conhecedor das diversas políticas”, começou por apontar.

Questionado sobre o tipo de acções desenvolvidas em Macau para captar o eleitorado para o voto em Marques Mendes, Bessa Almeida apenas referiu que “a campanha em Macau é totalmente diferente da de Portugal”, sendo que as acções desenvolvidas passam por “aquilo que o candidato vai procedendo na proximidade com o povo, passando informação”.

Para Bessa Almeida, “o eleitorado em Macau, do lado chinês, também é constituído por portugueses”, e que “tem acompanhado estas eleições como qualquer outro português acompanha, com visões seguras para o futuro de Portugal”.

No passado dia 6 de Janeiro, o mandatário divulgou uma nota a realçar a importância da candidatura de Marques Mendes, que neste momento está longe dos lugares cimeiros nas sondagens. “Sempre nos preocupamos com tudo o que está relacionado com Portugal e neste momento, a nível mundial, as mudanças políticas são bruscas e inesperadas. Por isso precisamos de um presidente visionário, experiente e ponderado na condução dos destinos de Portugal e dos portugueses nascidos e radicados fora do país.”

 

Uma volta segura

Em Portugal as sondagens relativas às eleições presidenciais têm sido quase diárias, e mostram um volte face na escolha dos candidatos. Se inicialmente António José Seguro estava algo afastado dos lugares cimeiros, uma sondagem realizada pela Universidade Católica Portuguesa para a RTP, Antena 1 e jornal Público, entre os dias 6 e 9 de Janeiro e divulgada esta semana, mostra como Seguro está em empate técnico com André Ventura, candidato do Chega, garantindo 23 por cento das intenções de voto, quando Ventura arrecada 24 por cento. João Cotrim de Figueiredo surge em terceiro lugar, com 19 por cento, havendo possibilidade de ir à segunda volta de eleições, seguindo-se Marques Mendes e Gouveia e Melo com 14 por cento.

Outra sondagem, desta vez para a TVI, CNN, TSF e Jornal de Notícias, com dados recolhidos nos dias 10, 11 e 12 de Janeiro, mostram Seguro com 23,9 por cento das intenções de voto, seguindo-se Cotrim de Figueiredo com 20,8 por cento e Ventura com 20,5 por cento. Marques Mendes cai para quinto lugar, com 13,2 por cento.

Seguro escolheu, na RAEM, Jorge Neto Valente para seu mandatário, que não atendeu a chamada do HM. Num comunicado divulgado nos jornais esta quarta-feira, o ex-presidente da Associação dos Advogados de Macau declarou que Seguro “propõe uma visão de futuro assente na modernização do país, na valorização da educação e aposta na inovação”. Referindo-se especificamente às relações Portugal-China, Neto Valente destaca que “diferentemente de outros candidatos, Seguro não alinha em provocações à China no que respeita ao estatuto de Taiwan, sendo também um candidato que “conhece Portugal, a Europa e o mundo”.

Neto Valente afirmou também que Seguro “é um homem decente”. “Participou em todos os debates, revelou educação, defendeu as suas ideias com firmeza, nunca foi excessivo na linguagem e, ao contrário dos outros, não insultou adversários, nem lhes fez insinuações maliciosas.”

 

Um “percurso consistente”

Paulo Pisco, mandatário da campanha de Seguro para a emigração, recordou ao HM que o candidato “chegou a exprimir a opinião que, dado tratar-se de um voto presencial [para as eleições presidenciais], o Governo poderia ter feito muito mais, designadamente cumprindo aquilo que diz a lei eleitoral para a Presidência da República, que é a possibilidade de serem abertas mais mesas de voto”.

Seguro defendeu ainda, segundo Paulo Pisco, “que poderia ter sido também aplicado o voto em mobilidade, tendo por base a experiência anteriormente realizada nas últimas eleições para o Parlamento Europeu”.

Paulo Pisco refere que António José Seguro tem feito um “percurso muito consistente, sólido e objectivo”, que o permitiu chegar aos primeiros lugares das sondagens. Relativamente ao eleitorado que está emigrado, o deputado destaca que Seguro “não se desviou dos propósitos, forma e valores com que pretende exercer a Presidência da República”.

Além disso, é “um garante da estabilidade do sistema político e também da democracia”. “Esta imagem que o candidato António José Seguro tem passado neste seu percurso tem-lhe valido uma maior receptividade por parte dos eleitores”, destacou Paulo Pisco.

O mandatário não esquece que “Seguro é o candidato que tem mais mandatários por país na nossa diáspora”. “São 18, dez na Europa e oito fora da Europa. Julgo que isto consubstancia um compromisso muito firme do candidato para com o exercício de funções como Presidente da República, e na relação que pretende ter com a diáspora”, frisou.

Olhando para os candidatos nos lugares mais abaixo nas sondagens, temos muitos rostos da esquerda. A mesma sondagem com dados recolhidos nos dias 10, 11 e 12 de Janeiro coloca Catarina Martins, do Bloco de Esquerda, com 2,5 por cento; seguindo-se António Filipe, do PCP, com 1,4 por cento, taco a taco com Jorge Pinto, do Livre, que tem 1,3 por cento. Manuel João Vieira, artista plástico e músico, obtém 1 por cento das intenções de voto.

Tailândia | Novo colapso de guindaste faz dois mortos e um ferido

Duas pessoas morreram e uma ficou ferida após um guindaste ter caído sobre uma estrada, nos arredores da capital da Tailândia, um dia depois de um incidente semelhante que fez pelo menos 32 mortos.

“Duas pessoas morreram e uma ficou ferida”, disse o polícia Saranyapong Aonsingh à agência de notícias EFE, acrescentando que os agentes de segurança estavam no local do acidente, onde estava a ser construído um viaduto.

De acordo com relatos dos serviços de resgate e bombeiros tailandeses na rede social Facebook, o guindaste colapsou por volta das 09:15, por razões ainda desconhecidas, num estaleiro de construção na autoestrada Rama II, na província de Samut Sakhon, nos arredores de Banguecoque, atingindo dois automóveis.

Este acidente aconteceu um dia depois de um outro guindaste ter caído sobre um comboio de passageiros, com 171 pessoas a bordo, no nordeste da Tailândia, causando pelo menos 32 mortos e mais de 50 feridos.

Em ambos os casos, os projectos estavam ligados à empresa local Italian-Thai Development, de acordo com o ministro dos Transportes tailandês, Phiphat Ratchakitprakarn, numa entrevista concedida hoje a uma televisão.

“Não sabemos exactamente o que aconteceu à empresa (…). Se a situação se mantiver, poderemos ter de anunciar uma paragem temporária de todas as suas operações em todo o país”, acrescentou.

 

Depois da casa roubada, trancas à porta

Existe um velho ditado chinês que diz, “Não é tarde de demais para arranjar a cerca depois das ovelhas terem fugido”, que tem o mesmo sentido do nosso provérbio “Depois da casa roubada, trancas à porta”. Só depois de termos ficado sem os nossos bens, é que percebemos que temos de tomar medidas que possam impedir prejuízos futuros, mas que não permitem recuperar o que se perdeu.

O incêndio no Wang Fuk Court, um grande complexo habitacional no distrito de Tai Po, em Hong Kong, destruiu muitas vidas e muitas casas. O Governo de Hong Kong prestou imediatamente ajuda às vítimas, mandou inspeccionar rapidamente as redes que cobrem os andaimes de todos os edifícios que estão em manutenção na cidade e criou um Comité Independente para investigar as causas do incêndio no Wang Fuk Court. A Comissão Independente contra a Corrupção (ICAC sigla em inglês) e a Polícia também agiram prontamente, prendendo e acusando os responsáveis pelo fogo. As medidas que foram tomadas depois do acidente demonstram a grande preocupação das autoridades pelo sucedido. No entanto, se os diversos problemas originados pelos trabalhos de manutenção tivessem sido detectados mais cedo, ter-se-ia podido evitar o fogo? Embora apagar os incêndios seja necessário, preveni-los é mais importante. Enquanto vizinha de Hong Kong, Macau, embora não tenha sofrido nenhum incêndio devastador em 2025, tem muitos aspectos que precisam de ser melhorados.

A estabilidade e o desenvolvimento de uma sociedade são inseparáveis dos seus sistemas políticos e económicos. Depois da mudança do Chefe do Executivo da RAEM em 2024, a eleição para a Assembleia Legislativa em 2025 testemunhou pela segunda vez a desqualificação de candidatos, juntamente com a remodelação de dirigentes-chave. De acordo com a emenda à Lei “Eleitoral para a Assembleia Legislativa da Região Administrativa Especial de Macau”, “da decisão da CAEAL de que um candidato não possui a capacidade para ser candidato……, não cabe reclamação nem recurso contencioso”, os candidatos desqualificados não ficaram a saber as razões para ser considerado que “não defendem a Lei Básica ou que não são fiéis à Região Administrativa Especial de Macau da República Popular da China”.

Além disso, o facto de Cheong Weng Chon ter passado de Secretário para a Administração e Justiça a Presidente da VIII Assembleia Legislativa, estabeleceu um precedente para esta Assembleia. Estas acções tomadas pelo Governo da RAEM estabeleceram um precedente absoluto da predominância do poder executivo estabelecida pela Lei Básica para os próximos anos. A ausência de vozes dissidentes e a coordenação estreita entre os ramos executivo e legislativo têm a vantagem de unificar o pensamento e a acção, o que conduz a uma implementação mais fluida e eficiente das políticas e medidas adoptadas. Contudo, é preocupante que quando surgem problemas durante o processo de implementação, não existam vozes de oposição. E a melhoria da eficiência não garante bons resultados. Não devemos esperar pelos problemas para os resolver, pelo contrário, devemos perceber as causas dos problemas antes que ocorram. Depois de ver o relatório sobre o fogo em Hong Kong, torna-se óbvio que a tragédia podia ter sido evitada.

Os desafios que a diversificação da economia de Macau enfrenta são mais complexos do que as dificuldades com que se deparou durante a transformação ocorrida nos primeiros tempos após o regresso à soberania chinesa. Se apenas olharmos par o escalar do número de turistas, para o RNB per capita situado em 572.614 patacas e o PIB per capita em 579.533 patacas, em 2024, pensaremos que a economia de Macau deve estar florescente, sem lojas encerradas, com os residentes a desfrutarem de altos rendimentos e os restaurantes a abarrotar de clientes. É mesmo este o caso? Os responsáveis pela economia sabem a verdade, e os cidadãos conseguem ver a realidade claramente. O encerramento dos casinos- satélite era previsível, ao passo que a criação de distritos comerciais e cafés ao ar livre são apenas acontecimentos recentes. Tendências de consumo como as compras do lado de lá da fronteira e as compras online estão a ganhar grande popularidade, embora o Governo tenha tomado medidas de emergência como o “Grande prémio para o consumo nas zonas comunitárias” e os “Descontos para comer nos estabelecimentos de restauração em celebração do Regresso de Macau à Pátria”. Mas o que vem a seguir? Quando o planeamento prévio fica muito aquém do curso dos acontecimentos, e quando todas as críticas são silenciadas, o que resta é um profundo arrependimento. Um bom pastor não permite que uma só ovelha se extravie e a chave para impedir que se percam tem-na o pastor.

FAM | IC acolhe propostas para nova edição do festival

O Instituto Cultural (IC) está a acolher propostas de espectáculos e iniciativas que possam ser integradas na 36ª edição do Festival de Artes de Macau (FAM), que se realiza entre os meses de Maio e Junho deste ano. Segundo um comunicado, a ideia é proporcionar oportunidades a personalidades artísticas e organizações locais.

“Ao longo dos anos, o FAM tem procurado incentivar o desenvolvimento das artes locais e disponibilizar uma plataforma de qualidade para a apresentação e o intercâmbio das artes performativas em Macau”, descreve o IC numa nota.

Pretende-se, com o FAM, “expandir a plataforma de exibição das artes performativas locais e incorporar mais trabalhos criativos com características locais”.

Para a edição deste ano, o tema é “Encontro Cultural na Rota Marítima da Seda”, convidando-se os participantes a “inspirarem-se no património cultural único de Macau”, para apresentar obras centradas no território ou “que incorporem elementos específicos da cidade, como a arquitectura histórica, figuras notáveis, locais e contos populares, explorando o encanto distinto da cidade”.

As propostas a concurso devem integrar-se em duas categorias, nomeadamente “Programas Individuais”, que incorpora “todos os géneros de espectáculos, como teatro, ópera cantonense, dança, espectáculos infantis e artes performativas multimédia”. Nesta categoria, o IC encoraja “a inovação e avanços criativos na criação artística”.

Por sua vez, a segunda categoria, “Mostra de Espectáculos ao Ar Livre” consiste num “programa comunitário popular que procura apresentações ao ar livre para toda a família e em formatos variados”.

Os programas seleccionados pelo IC irão receber apoio financeiro para suportar os custos de produção. As associações locais e indivíduos interessados ​​devem inscrever-se até ao dia 10 de Fevereiro. Os candidatos aprovados na primeira fase de selecção deverão comparecer a uma entrevista com o júri nesse mesmo mês.