Futebol | PJ tenta prevenir apostas ilegais durante Mundial

A Polícia Judiciária levou a cabo uma campanha de prevenção de apostas ilegais durante o Mundial de Futebol, que começa amanhã. Os agentes visitaram bares e áreas de lazer e convívio e alertaram para as consequências de violar a lei e para as tácticas de “indivíduos sem escrúpulos”

Com a aproximação do pontapé de saída do Mundial de Futebol, marcado para amanhã no Estádio Azteca na Cidade do México, a Polícia Judiciária (PJ) jogou na antecipação e lançou uma campanha de sensibilização contra as apostas ilegais.

Segundo um comunicado divulgado ontem pela PJ, a campanha de prevenção de apostas ilegais decorreu entre o dia 2 de Junho e a passada segunda-feira, levando equipas de agentes a bares e áreas de lazer e convívio em todo o território.

As autoridades alertam para o facto de eventos da escala do Mundial de Futebol atraírem frequentemente indivíduos sem escrúpulos que aliciam amantes do desporto para se envolverem em apostas ilegais.

Durante a operação, agentes e estagiários da PJ prestaram esclarecimentos e distribuíram folhetos ao público e a empresas, além de terem sublinhado os perigos e a responsabilidades legais decorrentes da participação em apostas ilegais durante o Mundial. A mensagem das autoridades incidiu particularmente nas “apostas offshore” em jogos de futebol, que também são crimes de acordo com a legislação local, e detalharam os métodos mais comuns utilizados pelos criminosos para atrair as pessoas para o jogo.

Juventude cumpridora

As autoridades também focaram a campanha nos mais novos, distribuindo folhetos de prevenção da criminalidade a estudantes nas proximidades das escolas e em locais públicos frequentados por adolescentes.

Mais uma vez, as tácticas criminais para atraírem jovens foram apresentadas. Métodos de previsão de resultados de jogos, estatísticas e promessas de lucros rápidos estão entre os “iscos” usados para atrair jovens para apostas em redes sociais ou em aplicações móveis de chat. As autoridades apelaram também aos mais novos para não caírem na armadilha de más influências ou em ceder à curiosidade que resulte na prática de crimes. Além da possibilidade de enfrentarem acusações criminais, as autoridades avisaram também para a possibilidade de elevadas perdas financeiras.

O papel preventivo foi também passado à população, assim como a responsáveis de espaços onde serão transmitidos os jogos, para manter a vigilância e comunicar às autoridades, ou à família, actividades suspeitas.

A PJ realizou ainda seminários de prevenção da criminalidade em conjugação com algumas organizações comunitárias em Macau, apresentando casos específicos de crimes graves decorrentes do jogo ilegal, incluindo fraudes, agiotagem e crimes violentos relacionados.

10 Jun 2026

Droga | PJ anuncia maior apreensão de marijuana de sempre

A Polícia Judiciária (PJ) anunciou ontem a maior apreensão de marijuana de sempre, que totalizou 35 quilogramas. A intercepção, que levou à detenção de um homem de Hong Kong, foi apresentada em conferência de imprensa.

Segundo os contornos divulgados, o caso foi detectado na noite de segunda-feira, no Aeroporto Internacional de Macau (AIM), quando o detido, que tem 25 anos e é natural de Hong Kong, foi interceptado. No interior de duas malas que trazia, vindo de um país do Sudeste Asiático, as autoridades encontram 60 pacotes de marijuana num total de 35 quilogramas. Esta quantidade é avaliada pelo mercado negro em cerca de 35 milhões de patacas.

A investigação do caso envolveu a PJ, o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) e os Serviços de Alfândega (SA).

Quando o homem foi interrogado afirmou trabalhar como técnico de palco. As autoridades acreditam que para transportar esta quantidade de droga para Macau o homem iria receber cerca 60 mil dólares de Hong Kong.

O caso foi encaminhado para o Ministério Público e o indivíduo está indiciado de ter cometido o crime de tráfico ilícito de estupefacientes e de substâncias psicotrópicas, cuja moldura penal pode variar entre 5 anos e 15 anos, se não forem consideradas outras agravantes.

CPSP | Homem furta bens de supermercado

O Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) anunciou a detenção de um homem, com cerca de 50 anos, que furtou algumas vezes bens de um supermercado, na Avenida da Amizade, depois de ter perdido todo o dinheiro no casino. Segundo a informação veiculada pelo jornal Ou Mun, o homem, nacional da Mongólia, dirigia-se ao supermercado para tirar produtos quando estava sem dinheiro, depois de jogar.

O homem terá cometido este crime mais do que uma vez, mas no domingo os funcionários acabaram por apresentar queixa às autoridades, relatando o desaparecimento de produtos avaliados em 200 patacas. As imagens de videovigilância mostraram o suspeito a furtar bens em quatro ocasiões diferentes, no espaço de dois dias. Quando foi interrogado sobre os crimes, o homem confessou.

10 Jun 2026

Jogo | Receitas com ritmo “sólido” em Junho, mas Mundial terá impacto

O banco UBS acredita que as receitas do jogo deste mês vão sofrer uma redução anual, dado o valor elevado de Junho de 2025, mas também porque é estimado que muito do dinheiro que iria parar às mesas dos casinos seja canalizado para apostas no Mundial de Futebol

Na primeira semana de Junho, as receitas brutas dos casinos atingiram um montante “sólido”, mas espera-se que o Campeonato Mundial de Futebol tenha um impacto negativo, devido às apostas nos jogos. O cenário foi traçado pelo banco de investimento UBS, através de um relatório citado pelo portal GGRAsia.

Segundo os dados avançados pelos analistas, com base nas verificações feitas nas mesas de jogo de Macau, até 7 de Junho as receitas médias diárias foram de 700 milhões de patacas, um valor que não apresentou alterações em comparação com os dados de Junho do ano passado. Nesse mês as receitas brutas nos casinos de Macau atingiram 21,1 mil milhões de patacas.

No entanto, até ao final deste mês espera-se uma redução das receitas, por causa do Campeonato Mundial de Futebol e também pelo facto de as receitas do ano passado terem sido elevadas.

No cenário actual, os analistas explicam que os casinos precisam de gerar 695 milhões de patacas por dia ao longo de todo o mês para que a redução face ao período homólogo fosse apenas de 1 por cento. Para atingir esse valor negativo era necessário que nos 23 dias do mês que não foram contabilizados no relatório da UBS, as receitas médias diárias fossem de 694 milhões de patacas.

O banco de investimento não acredita que essa média seja alcançável: “A realização do próximo Campeonato Mundial de Futebol (entre 11 de Junho e 19 e Julho) e o efeito de base elevada de comparação anual vão provavelmente conduzir a uma ligeira queda homóloga nas receias brutas em Junho e em Julho”, é previsto.

Queda mensal

Em termos mensais, as receitas entre Maio e Junho apresentam igualmente uma redução: “Entre os segmentos, a receita diária média no mercado de massas apresentou uma descida entre 3 por cento e 5 por cento face ao mês anterior. O volume médio diário das receitas do segmento VIP registou uma descida de cerca de 5 por cento a 8 por cento, em relação ao mês anterior, com a taxa de retenção do segmento VIP a situar-se entre cerca de 2,9 por cento e 3,1 por cento”, foi revelado.

A diferença do mercado, tendo em conta todos os segmentos, é quatro por cento. No entanto, os analistas consideram que os números de Maio foram bastante elevados, quando as receitas atingiram 22,6 mil milhões de patacas.

Apesar da redução, a UBS destaca que a diferença entre Maio e Junho é inferior este ano em relação ao que se verificava antes da pandemia, e principalmente entre 2015 e 2019. Nesses anos, as receitas de Junho costumavam apresentar uma redução média mensal de 9 por cento.

10 Jun 2026

Preços | Fornecedores admitem subida de bens essenciais

O aumento dos custos do combustível e a valorização do renminbi face ao dólar americano está a fazer com que bens essenciais como vegetais e ovos vindos do Interior cheguem com preços mais altos a Macau. O cenário é mais grave nas importações internacionais

O presidente da Associação da União dos Fornecedores de Macau, Ip Sio Man, reconheceu que os bens alimentares estão mais caros, embora a subida seja considerada dentro de níveis aceitáveis. As declarações foram prestadas ao jornal Ou Mun, num artigo em que é abordada a inflação dos produtos alimentares.

Segundo Ip Sio Man os bens alimentares estão mais caros, principalmente em produtos como a carne de frango, porco, mariscos, frutas, vegetais e ovos. Estes aumentos são explicados com o facto de grande parte destes produtos serem importados do Interior, numa altura em que o renminbi está num período de valorização face ao dólar americano e ao dólar de Hong Kong e à pataca.

Ao mesmo tempo, estes produtos têm de ser transportados para Macau, o que também está a contribuir para este aumento devido aos preços dos combustíveis.

Ip Sio Man explicou que os maiores aumentos de preços têm acontecido ao nível dos ovos, embora tenha considerado que a subida “não foi significativa” e que “não representa um encargo grande nas despesas diárias dos residentes”.

De fora é pior

Quando os produtos são importados do estrangeiro, o cenário também é de subida, e neste caso de forma mais signifcativa.

Segundo os números apontados no jornal Ou Mun, o preço da viagem de um contentor para o transporte de produtos congelados entre os Estados Unidos e a Ásia mais do que duplicou. Anteriormente, o transporte de um contentor custava cerca de 10 mil patacas, mas nos últimos tempos subiu para valores entre 20 mil e 30 mil patacas.

Esta diferença faz com que os produtos de mercados como a Europa, Estados Unidos, América do Sul e Sudeste Asiáticos estejam cada vez mais caros e de forma acentuada para os importadores. Contudo, face a esta situação, Ip Sio Man explicou que os importadores estão a absorver grande parte dos aumentos, passando apenas uma pequena parte do aumento para os consumidores.

O artigo do jornal local com maior número de leitores cita também um importador anónimo a explicar que muitas vezes os produtos que vêm para Macau do Interior sofrem flutuações diferentes, porque nem sempre são pagos em renminbis, mas em dólares americanos ou dólares de Hong Kong. Ainda assim, indica que o principal desafio para a economia local não é o aumento dos preços, mas antes o facto de cada vez mais residentes consumirem no outro lado da fronteira.

10 Jun 2026

CPSP | Menos portugueses em Macau e maioria tem vínculo precário

O número de portugueses que imigraram para Macau tem vindo a cair e, nos últimos dois anos, a maioria chegou ao território com vínculos laborais precários. No ano passado, apenas 10 pedidos de residência de portugueses foram aceites

Numa resposta escrita à Lusa, o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) indicou que o número de trabalhadores imigrantes de nacionalidade portuguesa – ou seja, que chegam a Macau sem o estatuto de residente – passou de 39 no final de 2023 para 78 no fim do ano passado.

Macau não aceita desde Agosto de 2023 novos pedidos de residência de portugueses para o “exercício de funções técnicas especializadas”, permitindo apenas justificações de reunião familiar ou anterior ligação ao território.

Em resultado, o número de portugueses a tornar-se residente de Macau caiu de 70 em 2023 para 23 no ano passado, muito longe do recorde máximo de 390 registado em 2013, de acordo com dados fornecidos à Lusa pela Direcção dos Serviços de Identificação. O CPSP afirmou que recebeu 14 pedidos de residência de portugueses em 2025, dos quais 10 foram aceites, todos por reunião familiar. Dos restantes, dois ainda estão a ser analisados, enquanto um foi rejeitado e outro cancelado.

As novas orientações, que eliminam uma prática firmada após a transição de Macau, em 1999, apenas deixam como alternativa para os portugueses o chamado ‘blue card’. Esta autorização está limitada ao vínculo laboral, sem os benefícios dos residentes, nomeadamente ao nível da saúde ou da educação, e, em caso de despedimento, o trabalhador tem apenas oito dias para sair de Macau.

Memorial com vento

A única alternativa para garantir o bilhete de identidade de residente passa agora por uma candidatura ao programa de captação de quadros qualificados, que entrou em vigor em Julho de 2023. O programa procura captar, nomeadamente com benefícios fiscais, quadros do sector financeiro e das áreas de investigação e desenvolvimento científico e tecnológico, entre eles vencedores de prémios Nobel.

Em 2024, o então secretário-geral da Comissão de Desenvolvimento de Talentos, Chao Chong Hang, admitiu que a maioria das 464 candidaturas aprovadas vinha do Interior da China (80 por cento) e de Hong Kong (10 por cento).

Em Abril passado, o novo coordenador da comissão, Kong Chi Meng, disse que a terceira fase do programa, que começou em Dezembro e decorre durante um ano, valoriza mais quadros com diplomas de universidades de Portugal e do Brasil.

Também o terceiro Plano Quinquenal de Desenvolvimento Socioeconómico (2026-2030), que está em consulta pública até 28 de Junho, prevê a optimização do programa, “no sentido de criar elementos favoráveis à captação de quadros qualificados internacionais e dos países de língua portuguesa”.

10 Jun 2026

Lei laboral | Deputados pedem aumento da licença de paternidade

Foi ontem aprovada, na generalidade, a nova proposta de lei laboral que apresenta um aumento dos dias de licença de maternidade de 70 para 90 dias, subsídios às empresas e mais dias de férias anuais. Porém, vários deputados exigiram ao Governo começar a ponderar aumentar também os dias de licença de paternidade

A Assembleia Legislativa (AL) aprovou ontem, na generalidade, a proposta de revisão da lei laboral que traz um aumento dos dias de licença de maternidade dos actuais 70, no sector privado, para 90; a atribuição de subsídios às pequenas e médias empresas (PME) para apoiar o pagamento de salários às grávidas em licença e ainda o aumento dos dias de férias anuais.

Porém, vários deputados entendem que é preciso as autoridades fazerem mais, nomeadamente aumentar a licença de paternidade.

“A proposta de lei não se refere à licença de paternidade, e, de facto, são matérias complementares. Pode-se ponderar o aditamento dos dias de paternidade, para que os pais e maridos possam prestar mais cuidados às suas mulheres?”, questionou Nick Lei.

O deputado destacou também alguns resultados da consulta pública sobre este assunto, pois cerca de “80 por cento [dos participantes] não está de acordo” com a proposta do Executivo, pedindo mais dias de licença de maternidade.

“Espero que o Governo pondere sobre o aumento do número dos dias de licença de maternidade, e também a capacidade das PME”, disse.

Também a deputada Ella Lei alertou para a necessidade de “aumentar as faltas por licença de paternidade dos cinco para sete dias”, já que Macau se encontra “numa era de baixa taxa de natalidade”.

“A alteração da lei é simples e passa [a licença de maternidade] de 70 para 90 dias, mas temos de pensar nas faltas por licença de paternidade e na protecção dos postos de trabalho das mulheres, pois há situações em que as grávidas podem ser despedidas”, alertou.

Cenários distintos

Tendo em conta que ainda não foi escolhido o novo secretário para a Economia e Finanças, quem respondeu aos deputados e apresentou a proposta de lei foi o chefe de gabinete de Tai Kin Ip, antigo secretário.

Lo Chi Fai declarou, sobre o aumento dos dias da licença de paternidade, que “esta é uma proposta sobre a qual temos de encontrar grande consenso junto da sociedade”. “Tendo em conta o actual desenvolvimento sócioeconómico, numa próxima fase poderemos rever esta parte. Nesta consulta pública estivemos mais empenhados na [revisão] da licença de maternidade, para ser igual à das mulheres na Função Pública”, acrescentou.

Em relação ao subsídio atribuído às PME, será permanente graças à elaboração futura de um novo regulamento administrativo. “Há que prolongar o actual regulamento e vamos elaborar um novo [diploma] para o subsídio, porque vamos subsidiar as PME através do erário público”, disse o chefe de gabinete.

Lo Chi Fai disse ainda, sobre a licença de maternidade, que há vários cenários no sector privado. “Entre as partes pode sempre haver um acordo para mais de 90 dias, até 98 dias”, prazo que chegou a ser proposto por algumas opiniões no processo de consulta pública.

“Isso reflecte também a responsabilidade da parte da entidade patronal, e podemos pressupor que, devido à diferente dimensão das empresas, as regalias e condições podem ser diferentes”, rematou o responsável.

10 Jun 2026

Prostituição | 12 arguidos ficam em prisão preventiva

O Ministério Público (MP) anunciou que 12 dos 26 suspeitos de estarem envolvidos numa rede organizada de prostituição desmantelada pela PJ ficaram em prisão preventiva, incluindo três agentes da polícia no activo.

Num comunicado, o MP revelou que os elementos em causa são um guarda da Polícia de Segurança Pública (PSP), um chefe de divisão e um segundo-comandante, de 60 anos e de apelido Leong. De acordo com o portal Macau News Agency, o oficial em questão é Leong Heng Hong, que desde 2019 era segundo-comandante, a segunda posição mais importante na hierarquia da PSP.

O Juízo de Instrução Criminal aplicou a medida de prisão preventiva devido à “gravidade da criminalidade organizada e a eventual fuga dos arguidos para se eximirem da responsabilidade criminal”, referiu o MP.

Segundo o comunicado, o juiz que analisou o caso concluiu que existem “fortes indícios da prática de crimes”, incluindo associação ou sociedade secreta, corrupção passiva para acto ilícito, favorecimento pessoal praticado por funcionário e branqueamento de capitais.

O MP disse que aos restantes 14 suspeitos foram aplicadas “outras medidas de coacção legalmente previstas”, sem revelar detalhes.

Segundo o comunicado, uma investigação preliminar concluiu que os arguidos pertenciam a três grupos criminosos de Macau que operavam saunas e casas de massagens para recrutar mulheres vindas da Ásia e da Europa de Leste “com vista ao exercício de prostituição”. “Alguns arguidos envolvidos terão tido contacto periódico com os agentes no activo das forças de Segurança e agentes aposentados da Polícia Judiciária de Macau para entrega de subornos”, indicou o MP.

Em troca, receberiam “informações sobre operações policiais, permitindo, assim, a continuidade das actividades criminosas de exploração de prostituição praticadas pelos grupos criminosos”.

9 Jun 2026

MGM Resorts International | Pansy Ho vende totalidade das acções

Numa altura em que o grupo People Inc. procura assumir o controlo do grupo, a filha de Stanley Ho desfez-se das acções de que era proprietária por 140,14 milhões de dólares americanos. O negócio não afecta a participação de Pansy, na concessionária local MGM China

A empresária Pansy Ho Chiu King desfez-se de todas as acções no grupo MGM Resorts International, que controla a concessionária de Macau MGM China. A notícia foi avançada ontem pelo portal GGRAsia, que cita a informação divulgada na Bolsa de Hong Kong.

Antes das operações mais recentes, a empresária, filha de Stanley Ho com a segunda mulher, tinha uma participação de 1,20 por cento, naquela que é uma das principais empresas de jogo em Las Vegas e que actua igualmente no mercado das apostas online.

No entanto, ao realizar cinco transacções entre 28 de Maio e 3 de Junho, a empresária e política vendeu a sua participação social e recebeu cerca de 140,14 milhões de dólares americanos, o equivalente a 1,13 mil milhões de patacas. Ao mesmo tempo, as acções da empresária ficaram reduzidas zero. Pelo menos desde 2019 que Pansy Ho se tem vindo a desfazer da sua participação no grupo norte-americano, dado que em Novembro era titular de 3,13 por cento das acções da multinacional.

Esta operação não tem impacto na concessionária de Macau, na MGM China, onde Pansy Ho mantem uma participação de 22,49 por cento do total das acções. No entanto, a maior accionista da concessionária continuar a ser a MGM Resorts International com uma participação de 55,95 por cento.

Proposta de compra

A venda das acções por parte da empresária surge depois de ter sido tornado público que o grupo People Incorporated, do multimilionário Barry Diller, apresentou uma proposta para controlar a totalidade da empresa MGM Resorts International.

A proposta apresentada pelo grupo People Incorporated avaliou a MGM Resorts International em 18 mil milhões de dólares americanos, o que significa um preço de 48,30 patacas por acção.

Actualmente, a People Incorporated é titular de 26,1 por cento do capital social da gigante americana. Em comunicado, Barry Diller, presidente e director executivo da People Inc., destacou que a oportunidade para investir na MGM surgiu há seis anos: “Acreditávamos que se tratava de um tipo de negócio raro: um negócio com activos no mundo real que a inteligência artificial não consegue replicar facilmente e que tem oportunidades de crescimento digital excepcionais”, afirmou Diller. “Essa convicção só se reforçou com o passar do tempo”, acrescentou.

O empresário considerou ainda que o mercado tem subvalorizado “significativamente” os activos da MGM, o que torna a proposta ainda mais interessante. Diller afirmou igualmente que a proposta é atractiva para os accionistas porque podem recebem um valor acima do mercado.

9 Jun 2026

Direito | Recém-licenciados da UM vêem português essencial

Recém-licenciados de Direito em português e em chinês da Universidade de Macau acreditam que o português vai continuar a ser uma ferramenta essencial na prática jurídica do território. Este ano, 30 alunos licenciaram-se no curso de direito bilingue, e dois no curso em português

A língua portuguesa continuará a desempenhar um papel fundamental na justiça e advocacia em Macau, segundo indicaram à Lusa jovens recém-licenciados dos cursos de Direito em português e em chinês da Universidade de Macau (UM). A universidade oferece a única licenciatura em Direito Chinês-Português do mundo, um curso que prepara juristas para o sistema jurídico de Macau, de tradição romano-germânica e matriz portuguesa.

A UM realizou a 30 de Maio a cerimónia de graduação que conferiu diplomas a mais de 1.700 licenciados, com 30 alunos licenciados no curso de direito bilingue, e dois no curso administrado somente em português.

Tam Sio Pang confessou à Lusa que não tinha interesse na língua portuguesa antes da universidade, com o curso bilingue a ser uma “escolha estratégica” para o futuro profissional. “Continuo a considerar que a língua portuguesa desempenha um papel importante em certas áreas, sobretudo no Direito. É previsível que no futuro haja mais chineses a trabalhar em Macau e é preciso preparar-se, aprender algo que muitos chineses não sabem, o que considero ser a principal razão pela qual escolhi o [curso] bilingue”, destacou.

O estudante chinês de Macau considera que aprender português o ajudou consideravelmente no estudo de Direito local, por existirem “poucas referências jurídicas escritas em chinês”.

Ao mesmo tempo, apesar de admitir uma certa redução no seu uso na cidade, mostra-se “positivo” quanto ao futuro da língua portuguesa em Macau. “De acordo com a política do Governo chinês, Macau é a cidade de ligação aos países lusófonos. Não acredito que um bom governante abandonasse a característica mais icónica que a cidade tem em comparação com outras cidades chinesas”, apontou.

Dois lados da moeda

Juliana Tavares, uma estudante luso-descendente, cuja língua materna é o cantonês, decidiu apostar na internacionalização completando o curso de direito em português da UM. “Escolhi estudar Direito em português porque não falava uma única palavra de português antes da universidade e queria mergulhar num ambiente de língua portuguesa para poder aprender”, explicou.

Em Setembro deste ano vai iniciar um mestrado no Porto em Direito Internacional e Europeu, mas mantém planos de regressar temporariamente a Macau. “Pretendo trabalhar em Macau durante algum tempo depois disso para passar no exame [equivalente ao] da Ordem dos Advogados,” apontou.

Para Juliana, o português continua a ser relevante, e “apesar cada vez menos utilizado”, continua a ser a língua oficial e assim permanecerá até 2049. “Macau está a tentar afirmar-se como uma plataforma intermediária entre a China e os países de língua portuguesa, e penso que também aí existem oportunidades.”

Por sua vez, Cheang Pak In sublinhou à Lusa ter escolhido o curso bilingue por sempre ter tido interesse “em ciências humanas e de línguas.” “Dentro das escolhas disponíveis, o direito bilingue pareceu-me a opção mais adequada”, disse.

O recém-licenciado pretende continuar a estudar em Macau para compreender melhor as diferenças entre a jurisprudência local e a portuguesa. “Acho que é melhor saber ambas as perspectivas, se estudasse em Portugal só iria saber a perspectiva de Portugal”, apontou

Já no plano profissional, está decidido a continuar a trabalhar em Macau, e que “não vale a pena ir a Portugal e arriscar perder oportunidades” que existem no território. “A sociedade precisa de juristas que saibam chinês e português. Dizer isto pode parecer um cliché, mas é verdade”, descreveu.

9 Jun 2026

Administração | Leong Pou U critica fraca aposta em carros eléctricos

O deputado ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau questiona a reduzida proporção de veículos eléctricos comprados pelos serviços públicos e pede ao Governo para dar o exemplo

O deputado Leong Pou U pretende que o Governo explique o baixo nível de adopção de veículos eléctricos nos serviços públicos, principalmente tendo em conta o aumento recente do preço dos combustíveis. O assunto foi abordado pelo legislador ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), eleito pela via indirecta, através de uma interpelação escrita.

Segundo o deputado, nos últimos anos, o Executivo tem promovido “vigorosamente” a adopção de veículos eléctricos através de “várias medidas”, mas os resultados são limitados. Leong indica que no final do ano passado, o “número total de veículos motorizados em Macau era de 254.393”, dos quais 16.339 eram veículos eléctricos, o que representou 6,4 por cento do total.

A proporção era ainda mais baixa na Administração Pública: “Quando o Governo adquire ou substitui veículos, deve, sempre que possível, adquirir veículos eléctricos. No entanto, no final de 2025, dos 4.074 veículos do Governo, apenas 242 eram eléctricos, representando 5,9 por cento”, afirma Leong Pou U.

Por isso, tendo em conta a “actual situação geopolítica” e a “crescente incerteza quanto ao futuro abastecimento e custo da energia tradicional”, o legislador quer o Executivo dê o exemplo. “Por uma questão de estabilidade e para garantir a prestação global de serviços do Governo, gostaria de perguntar: o Governo dará o exemplo e assumirá um papel mais proactivo na substituição dos seus veículos por veículos movidos a energias renováveis?”, pergunta.

Mais subsídios

Leong Pou U reconhece que recentemente o Executivo afirmou que “não há planos para introduzir um regime de subsídios para a substituição de automóveis ligeiros por veículos movidos com energias alternativas”.

Todavia, o legislador quer saber se os mais recentes desenvolvimentos internacionais, que nunca são nomeados, mas que dizem respeito aos bombardeamentos norte-americanos e israelitas no Irão e ao encerramento do estreito de Ormuz, podem levar a uma nova posição. “Tendo em conta a crescente incerteza em torno do futuro abastecimento e custo das fontes de energia tradicionais devido a factores geopolíticos, e tendo em mente a estabilidade social global, poderá o Governo introduzir medidas adicionais para acelerar a adopção de veículos movidos a novas energias”, questiona.

9 Jun 2026

Taipa | Gestão e exploração de heliporto sem concurso público

A gestão e exploração do Heliporto do Terminal Marítimo da Taipa foi entregue por ajuste directo à Heliporto de Macau, Limitada, empresa do universo Shun Tak. A decisão foi justificada pela “especial qualificação técnica” da empresa, e contraria a abertura assumida pelo Governo a candidaturas de operadoras de helicópteros de outras regiões

O Chefe do Executivo dispensou a realização de concurso público para atribuir a “concessão do serviço público da gestão e exploração do Heliporto do Terminal Marítimo de Passageiros da Taipa”, através de um despacho publicado ontem no Boletim Oficial.

A concessão foi atribuída por ajuste directo à sociedade Heliporto de Macau, Limitada, por ter “especial qualificação técnica no domínio da gestão e exploração de aeródromos”. Sam Hou Fai acrescenta ainda que a concessão “traz benefícios significativos para a Região Administrativa Especial de Macau”.

A decisão de entregar a gestão do heliporto à empresa do universo Shun Tak representa uma reviravolta no processo. Há sensivelmente três meses, o Executivo mostrava abertura à participação de empresas de fora para gerir e explorar a estrutura no Terminal Marítimo da Taipa, numa resposta a uma interpelação escrita do deputado Leong Pou U assinada pelo presidente da Autoridade de Aviação Civil, Pun Wa Kin.

“O Governo da RAEM e a CAM estão a promover activamente os preparativos para a operação das novas instalações, tendo em devida conta o melhor desenvolvimento do serviço de helicópteros da Grande Baía. Para além das operadoras existentes, o Governo da RAEM está aberto à candidatura das operadoras de helicópteros de outras regiões para a exploração do serviço de transporte transfronteiriço de passageiros entre Macau e a Grande Baía”, indicou Pun Wa Kin no passado dia 1 de Abril.

História que se arrastou

Foi também publicada ontem uma ordem executiva que oficializa a delegação de “todos os poderes necessários” no secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam Vai Man, para representar a RAEM na qualidade de outorgante, na escritura pública do contrato a celebrar entre a RAEM e a sociedade Heliporto de Macau, Limitada.

O projecto do heliporto do Terminal Marítimo de Passageiros da Taipa está nos planos do Governo desde 2021, pelo menos de forma assumida nas Linhas de Acção Governativa para esse ano, onde se indicava que devia entrar em operação em 2022.

Porém, as obras só foram concluídas este ano, depois de terem sido consignadas em Setembro de 2024. Os trabalhos implicaram a remodelação de uma área de cerca de 3.350 metros quadrados, abrangendo parte do rés-do-chão, até ao quatro piso do terminal marítimo, bem como o respectivo heliporto.

9 Jun 2026

Ambiente | Mais de dois quilos de resíduos produzidos per capita em 2025

O “Relatório do Estado do Ambiente de Macau 2025”, divulgado ontem pela Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental, indica que no ano passado foram produzidos em Macau 2,3 quilos de resíduos per capita. Governo diz que qualidade do ar melhorou e número de veículos eléctricos aumentou

Num ano em que o território recebeu mais de 40 milhões de turistas, a produção de resíduos aumentou, ainda que ligeiramente. É o que revela o mais recente relatório sobre a situação ambiental em Macau, o “Relatório do Estado do Ambiente de Macau 2025”, produzido pela Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA).

Em 2025, “a quantidade de resíduos sólidos urbanos produzidos foi de 532.053 toneladas, o que representa um aumento de 1 por cento em relação a 2024”. Já “a quantidade de resíduos sólidos urbanos per capita foi de 2,13 quilos por dia”.

A DSPA indica que “embora a população de Macau seja relativamente reduzida, a intensidade do turismo é elevada”, pelo que estas “características únicas da estrutura sócio-económica” levam a uma grande produção de resíduos sólidos urbanos, sendo sempre superior à “quantidade normal produzida pela população local”.

A DSPA diz ter lançado, neste contexto, “um estudo sobre a gestão de resíduos sólidos”, com o objectivo de “implementar políticas e linhas orientadoras de ‘redução de resíduos a partir da fonte, e a transformação de resíduos em recursos'”. Porém, o relatório não apresenta dados sobre este estudo.

Dar vida ao que é velho

No tocante à reciclagem, a DSPA também fala em melhorias, tendo-se registado, em 2025, uma taxa de recolha de resíduos recicláveis “de cerca de 21,1 por cento”. “A quantidade total dos vários tipos de resíduos recicláveis recolhidos pelo Governo subiu para 6,9 por cento em termos anuais”, descreve o Governo, relatando que, em termos de peso, “os resíduos recicláveis com maior quantidade recolhida, em 2025, foram, por ordem decrescente, o papel, equipamentos electrónicos e eléctricos, o vidro e o plástico”.

São divulgados números concretos para cada um destes itens, verificando-se que “as latas de alumínio ou ferro, o plástico e o vidro registaram os maiores aumentos em termos anuais”, 19,9; 15,4 e 9,3 por cento, respectivamente.

Centro de resíduos em 2027

Ainda relativamente às políticas de reciclagem, o Executivo promete “continuar a alargar a rede de reciclagem junto da comunidade”, para “incentivar a recolha selectiva”. No ano passado foram criados dois novos Centros Ambientais Alegria situados na Avenida Marginal do Lam Mau e na Avenida de Venceslau de Morais, somando aos mais de quatro mil pontos de recolha no território.

Segundo a DSPA, estes pontos incluem “serviços de recolha abrangem o papel, plástico, metal, garrafas de vidro, resíduos alimentares, equipamentos electrónicos e eléctricos, pilhas e baterias, lâmpadas fluorescentes e roupas usadas”.

O Governo menciona também o projecto de construção do Centro de Recuperação de Resíduos Orgânicos, cuja conclusão deverá acontecer em 2027. A ideia é que, após a inauguração, “funcione em coordenação com o programa de reciclagem centralizado nos resíduos alimentares provenientes da indústria e comércio, com vista a aumentar a taxa de recuperação de recursos”.

Pretende-se também “continuar a expandir e aperfeiçoar a rede comunitária de recolha de resíduos recicláveis, com o intuito de aumentar a conveniência da prática da reciclagem de materiais recicláveis por parte dos cidadãos”.

Um ar que se respira

Outro indicador ambiental avaliado neste relatório é a qualidade do ar no território, descrevendo a DSPA que “nos últimos anos têm vindo a diminuir as concentrações médias anuais de poluentes atmosféricos”, bem como “o volume de emissão de gases com efeito de estufa”, que “registou uma queda em comparação a 2024”.

No caso da emissão das partículas PM10 [partículas em suspensão no ar com diâmetro igual ou inferior a dez micrómetros, inaláveis e com impacto na saúde humana], houve uma diminuição anual de 3,5 por cento em termos de concentração média anual na atmosfera. Destaque também para a quebra de 2,3 por cento nas emissões de PM2,5 e de 1,7 por cento nas partículas NO2 [dióxido de nitrogénio].

Por sua vez, aumentou em 2,3 por cento a emissão de S02 [dióxido de enxofre] e 2,4 por cento de 03 [ozono] entre 2024 e 2025, sendo que no caso das partículas CO [monóxido de carbono], as emissões “mantiveram-se praticamente inalteradas”, descreve-se.

A DSPA considera que “de modo geral a qualidade de ar em Macau tem continuado a melhorar”, descrevendo como estas emissões sofreram uma grande redução em comparação há dez anos. Assim, em relação a 2016, as concentrações médias anuais de PM 2,5 reduziram 32,9 por cento, enquanto que no caso das PM10 a quebra foi de 17,6 por cento.

A maior quebra regista-se no dióxido de enxofre, com menos 45 por cento, bem como a redução de 29,2 por cento no dióxido de nitrogénio. Já no que diz respeito ao dióxido de carbono a redução foi de 25 por cento em dez anos.

Aponta a DSPA que “em termos anuais a maioria das emissões de poluentes atmosféricos diminuiu”, enquanto que “as emissões de GEE [Gases com Efeitos de Estufa] diminuíra 1,8 por cento”. Destaca-se também “que a percentagem de dias em que os níveis de qualidade do ar foram classificados de ‘Bom’ ou ‘Moderado’ nas seis estações de monitorização da qualidade do ar de Macau chegou aos 90 por cento”.

É referido no relatório que, à “excepção das estações [de medição da qualidade do ar] do Conselheiro Ferreira de Almeida e Toi San, as concentrações médias anuais de dióxido de azoto (NO2) foram inferiores ao valor padrão”, por exemplo.

A DSPA aponta ainda que “os transportes terrestres e marítimos, a construção civil e a incineração de resíduos foram as principais fontes de emissão de poluentes atmosféricos”.

Enquanto isso, a principal fonte de emissão de NH3 [amoníaco] deveu-se ao tratamento de águas residuais, enquanto os solventes orgânicos constituíram a principal fonte de emissão de COVNM [Compostos Orgânicos Voláteis Não Metânicos].

Neste contexto, o relatório dá conta que a DSPA tem procurado limitar “a importação de produtos que excedam o limite do teor de compostos orgânicos voláteis”, além de regulamentar “a gestão da recuperação de vapores nos postos de abastecimento de combustíveis e nos depósitos de combustíveis”.

Mais ligados à ficha

A DSPA destaca no documento ontem divulgado como as políticas de promoção do uso de veículos eléctricos parecem estar a gerar resultado, já que “o número de veículos eléctricos tem vindo continuamente a aumentar nos últimos anos”. No ano passado, “o número de veículos eléctricos em Macau era de 16.339, o que representa um aumento de 34,6 por cento relativamente ao ano anterior”, pode ler-se.

No que diz respeito ao total de novos veículos registados em 2025, “a proporção de veículos eléctricos em relação aos automóveis ligeiros aumentou de cerca de 4 por cento em 2019 para 38,5 por cento”. Já o “número de ciclomotores e motociclos eléctricos aumentou cerca de 16 vezes comparativamente ao ano anterior ao do lançamento do plano de apoio financeiro, em 2022”. Revela-se que a “percentagem de residentes que optaram por motociclos eléctricos no momento da compra de motociclos aumentou de cerca de 2 para 36,8 por cento”. Tal “demonstra que o trabalho do Governo da RAEM na promoção de veículos eléctricos já produziu algum efeito”.

Sobre os postos de carregamento deste tipo de carros e motas, havia no fim de 2025 “mais de 3.400 lugares de carregamento eléctrico na maioria dos parques de estacionamento e em vias públicas”, tendo sido instalados “armários de baterias de motociclos eléctricos para troca em oito parques de estacionamento públicos e em quatro vias ou bairros”.

O relatório não ignora os dados da temperatura e precipitação, sinais do impacto das alterações climáticas. No ano passado, a temperatura média em Macau foi de 23,2º, mais 0,4º do valor médio registado entre 1991 e 2020.

Além disso, “o número de dias de tempo muito quente foi de 37 dias, o que representa um aumento de 5,7 dias em relação ao valor médio climático”, descreve a DSPA, enquanto que “o número de dias de tempo muito frio foi de 27 dias, menos 12,1 dias do que o valor médio climático”.

9 Jun 2026

Prostituição | Rede desfeita com cinco polícias entre os detidos

A Polícia Judiciária anunciou a detenção de 26 pessoas, incluindo três polícias e dois agentes reformados, por alegadamente estarem envolvidos numa rede de prostituição. Entre 2024 e o fim das operações, as saunas controladas pelo grupo terão gerado lucros de 790 milhões de patacas

“A nossa agência desmantelou uma rede criminosa de exploração sexual organizada, desmantelou vários locais de prostituição e deteve 26 homens e mulheres de Macau, da China continental e de Hong Kong”, escreveu a Polícia Judiciária (PJ) na sexta-feira numa mensagem enviada aos jornalistas.

De acordo com o canal de rádio em língua chinesa da TDM, o grupo criminoso operava desde 2019, com saunas ligadas ao grupo a gerarem lucros de 790 milhões de patacas desde 2024.

A TDM, que citou um porta-voz da PJ, afirmou que os três agentes da lei no activo do Corpo de Polícia da Segurança Pública (CPSP) e os dois reformados da PJ aceitaram “subornos substanciais”, de três milhões de patacas cada, em troca de fornecerem informações sobre rusgas policiais. Os cinco são suspeitos de associação criminosa, exploração de prostituição e corrupção passiva.

A operação, realizada na segunda-feira da semana passada pela PJ, envolveu buscas em três saunas, cinco escritórios e outros 23 locais. As autoridades apreenderam bens no valor de 50 milhões de patacas, “livros de registos” e “uma grande quantidade de utensílios criminais”.

De acordo com a TDM, o grupo criminoso explorava saunas sob o pretexto de fornecer serviços de ‘spa’ e massagem, contratando mulheres para prestarem serviços sexuais a preços entre aproximadamente 2.000 patacas e 8.000 patacas por sessão.

Os estabelecimentos em causa operavam um sistema de classificação e tabela de preços com base na nacionalidade das mulheres e nos serviços prestados. As mulheres recebiam entre 1.000 patacas e 2.000 patacas por acto sexual.

Profundamente chocados

Durante a operação, a PJ levou para investigação um total de 381 pessoas, incluindo trabalhadores ilegais, trabalhadores não documentados, pessoas em situação de estada irregular e prostitutas.

Numa nota enviada à Lusa, o CPSP afirmou que os três agentes deste departamento foram encaminhados para o Ministério Público para investigação pela suspeita de envolvimento numa rede de prostituição. “O nosso gabinete está profundamente chocado e entristecido com este incidente e cooperará plenamente com as investigações”, afirmou o CPSP.

O CPSP acrescentou que leva o assunto “muito a sério” e instaurou processos disciplinares contra os funcionários envolvidos, estando estes em suspensão preventiva. A PJ, por sua vez, declarou dedicar “grande atenção” à suposta prática de crimes por agentes reformados, de acordo com um comunicado.

“A PJ reitera que não tolera qualquer acto ilegal e que vai actuar com imparcialidade e justiça, sem qualquer favorecimento, defendendo firmemente a equidade e a justiça no cumprimento da lei e a boa reputação da polícia,” declarou.

8 Jun 2026

DICJ | Negada manipulação de casinos para prejudicar clientes

A Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ) veio negar algumas publicações na rede social chinesa “Pequeno Livro Vermelho”, que acusam os casinos de manipularem a distribuição das cartas de jogo

Após terem começado a circular publicações na rede social chinesa “Pequeno Livro Vermelho”, a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ) veio a terreiro negar a existência de batota nos casinos do território. A posição foi tomada numa resposta enviada ao Canal Chinês da Rádio Macau.

“A DICJ salienta que todo o equipamento de jogo em funcionamento nos casinos de Macau é rigorosamente regulamentado e tem o dever de cumprir das leis, normas técnicas e requisitos de segurança relevantes”, pode ler-se na resposta à emissora. “Todo o equipamento de jogo electrónico, deve ser submetido a testes e certificação por entidades independentes, acreditadas pelas DICJ, antes da entrada em funcionamento. Este processo confirma a sua conformidade com as normas técnicas, e os equipamentos só podem ser utilizados após a DICJ ter feito uma análise a autorizado a utilização”, foi acrescentado.

A DICJ explicou também que “para garantir a conformidade contínua dos equipamentos” que são realizadas “inspecções nos locais de jogo em todos os casinos, através de visitas programadas e também inspecções sem aviso prévio”.

As inspecções “abrangem a integridade dos selos dos equipamentos, comparações de versões de software, verificações de software, registos operacionais e mecanismos de geração de números aleatórios”. As autoridades revelaram também que as inspecções mais recentes tinham sido feitas entre 27 a 29 de Maio, não tendo havido o registo de “violações em nenhum dos equipamentos”.

Abertos a denúncias

Na tomada de posição, as autoridades garantem também que se forem “detectadas anomalias”, os equipamentos serão retirados dos locais de jogo e aplicadas as “medidas legais” necessárias, que não foram especificadas.

A DICJ comunicou ainda que tem agentes destacados para os casinos 24 horas por dia e se os clientes tiverem dúvidas sobre o funcionamento das máquinas podem abordar esses agentes que acompanharão o caso imediatamente.

No final da resposta à emissora, a DICJ apelou ainda ao “público a não acreditar nem a partilhar mensagens online não verificadas”, e prometeu continuar a “regulamentar rigorosamente o equipamento de jogo” para “manter a imagem positiva de Macau”.

Segundo algumas publicações na rede social chinesa “Pequeno Livro Vermelho”, as caixas que baralham as cartas são manipuladas por alguém que está nos casinos, de forma a alterar a distribuição das cartas e atribuir uma mão fraca aos jogadores. O conteúdo das publicações indica também que as pessoas perdem em Macau porque há batota e não porque têm azar.

Jogo | Controlo de Capitais vai assustar investidores

O banco de investimentos CLSA acredita que a nova legislação que intensifica o controlo de fuga de capitais do Interior vão ter impacto na indústria do jogo. Segundo o relatório mais recente da CLSA, citado pelo portal GGRAsia, não se espera que o impacto aconteça ao nível das receitas de jogo, mas antes na forma como os investidores mostram vontade para comprar acções na bolsa das concessionárias.

No relatório, a corretora justifica que os canais para trazer dinheiro do Interior para Macau “já são alvo de um escrutínio e de controlos rigorosos há muitos anos”, pelo que não espera que as mudanças “alterem significativamente” a forma como a maioria dos visitantes financia as suas actividades de jogo. As novas medidas de Pequim visam essencialmente um maior controlo dos canais existentes que permitem aos cidadãos e às empresas comprarem acções no exterior.

8 Jun 2026

929 Challenge | José Alves alerta para contraste com discursos oficiais

Um dos fundadores da competição sino-lusófona 929 Challenge, José Alves, avisa que os obstáculos ao empreendedorismo fazem sentir-se principalmente entre estrangeiros que tentam lançar empresas na RAEM

Um dos fundadores da competição sino-lusófona 929 Challenge insistiu na sexta-feira que, apesar dos discursos oficiais sobre inovação e diversificação económica, Macau continua a impor barreiras práticas que dificultam a vida dos empreendedores, sobretudo estrangeiros.

A sexta edição da competição de ‘startups’ foi anunciada na sexta-feira, com José Alves, reitor da Faculdade de Negócios da Universidade da Cidade de Macau, a apontar que o evento ajudou a criar consciência e diálogo sobre inovação e empreendedorismo, mas insistiu que Macau deve “ir além da retórica”.

Com uma economia profundamente dependente da indústria do jogo, as autoridades de Macau têm vindo a tentar diversificar a economia local para indústrias seleccionadas, incluindo tecnologia, saúde, eventos culturais e finanças.

“As políticas da cidade incentivam o empreendedorismo, mas persistem obstáculos práticos, sobretudo para fundadores estrangeiros. Um empreendedor estrangeiro pode registar uma empresa em Macau. Mas não pode operar sem uma autorização de trabalho”, disse.

Para o co-fundador da competição isto gera um “ciclo vicioso” e um “bloqueio estrutural” do sistema, em que regras de imigração, práticas de contratação pública e exigências de gestão de risco das empresas criam fricções que impedem novos projectos de avançar.

“A economia de Macau continua altamente concentrada, com seis operadoras de jogo e 34 departamentos governamentais a dominar os recursos”, apontou. Alves defendeu que estas operadoras e o Governo poderiam desempenhar um “papel decisivo” ao abrir projectos-piloto e janelas de contratação em áreas como transformação digital, Inteligência Artificial (IA), eficiência energética ou turismo inteligente.

Solidariedade empresarial

“As ‘startups’ não precisam de caridade. Precisam de oportunidade”, sublinhou, alertando que “sem clientes iniciais e contratos” nenhum ecossistema de ‘startups’ “pode sobreviver”. “Consciência sem acesso gera frustração, e incentivo sem oportunidade gera estagnação”, afirmou, acrescentando que a diversificação permanecerá “uma aspiração em vez de um resultado mensurável”, sem “alinhamento entre política, ambição, e realidade administrativa”.

Desde a sua primeira edição em 2021, a competição atraiu mais de 1.420 equipas e mais de 6.000 participantes de Angola, Brasil, Cabo Verde, Moçambique, Guiné-Bissau, Portugal, Macau e Hong Kong.

As novidades para a edição deste ano da competição incluem uma parceria inédita com uma exposição de tecnologia e a colaboração com o Parque Científico e Tecnológico de Qianhai, em Shenzhen, uma expansão que a organização diz irá alargar o alcance do evento à zona da Grande Baía.

Os eventos principais da competição vão realizar‑se de 3 a 4 de Dezembro deste ano como parte da AIE Expo, uma exposição global de IA e tecnologia, realizada em paralelo no hotel-casino The Venetian Macao e em Zhuhai.

Pensar na Grande Baía

Segundo a organização, ao integrar pela primeira vez os eventos na AIE Expo, as ‘startups’ participantes terão acesso directo a mais de 900 expositores e 50 mil visitantes profissionais, incluindo compradores nas áreas da robótica, inteligência artificial, equipamentos inteligentes, saúde digital, mobilidade e electrónica de consumo, além de parceiros da cadeia de fornecimento da Grande Baía e visibilidade junto de grandes marcas tecnológicas globais.

A edição de 2026 introduz ainda um programa de aceleração, uma iniciativa pós‑competição para apoiar a entrada de ‘startups’ nos mercados da Grande Baía e de Macau, com estratégias de acesso ao mercado, formação para investidores, orientação regulatória e de mais de 100 especialistas.

“A China está rapidamente a tornar‑se o ecossistema de inovação mais dinâmico do mundo. Com os nossos novos programas de Aceleração e Soft Landing, esperamos ajudar os fundadores a passar do ‘pitch’ [apresentações] ao mercado, construindo negócios reais, parceiros reais e clientes reais”, afirmou Marco Duarte Rizzolio, co-fundador do 929 Challenge. O primeiro grupo de ‘startups’ deverá participar neste programa no início de 2027, com candidaturas abertas em Dezembro de 2026.

8 Jun 2026

APOMAC esclarece que aumentos de pensões em Portugal são automáticos

A Associação dos Aposentados, Reformados e Pensionistas de Macau (APOMAC) emitiu um comunicado a esclarecer que a actualização de pensões em Portugal se deveu à lei, e não a uma decisão do Executivo liderado por Luís Montenegro.

Foi desta forma que a associação que tem como presidente da Assembleia Geral Jorge Fão reagiu às notícias e publicações colocadas a circular pela Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM), sem nunca identificar esta instituição.

Numa mensagem dirigida “a todos os aposentados e pensionistas de sobrevivência residentes na RAEM” é indicado que as “pensões são actualizadas sempre que se tenha verificado inflação e aumento no custo de vida, uma vez que a actualização é, hoje automática, não estando dependente, por conseguinte, da boa vontade ou do capricho de quem esteja a governar em Portugal”. A APOMAC indica também que a actualização decorre assim do “dever de cumprir a Lei que, por bem, foi promulgada, em tempo oportuno”.

“Uma notícia propagada aos ‘quatro ventos’, como aquela que anda a circular, carece, normalmente, de fundamentos, o que não aconteceu no caso em apreço. Merece, por isso, o presente esclarecimento, para que os incautos e, mais ainda, os iliteratos não sejam seduzidos pela vertigem de quem pretende disseminar informações para fins inconfessáveis”, foi acrescentado.

Comunicado da discórdia

Na semana passada, a Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) emitiu um comunicado, assinado pelo presidente e deputado de Macau, José Pereira Coutinho, sobre uma visita de Rita Santos a Portugal.

Durante um encontro com Emídio Sousa, secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Rita Santos era citada a agradecer a decisão de Luís Montenegro de actualizar as pensões para este ano. No encontro, a conselheira das comunidades portuguesas era igualmente citada a pedir um aumento das pensões para o próximo ano.

Este tipo de mensagens foi igualmente divulgado nas redes sociais, principalmente através das páginas da conselheira. No comunicado de ontem, a APOMAC nunca identifica a ATFPM nem refere os seus dirigentes, apesar de citar o conteúdo dos comunicados e indicar a existência da visita.

8 Jun 2026

Cooperação | Macau quer promover laços entre Hebei e a lusofonia

O Chefe do Executivo quer ajudar Hebei a “fortalecer o intercâmbio e a cooperação” com os países lusófonos. Numa reunião com o Governador da província chinesa, Sam Hou Fai levantou a possibilidade de partilha de experiências na formação de quadros qualificados no sector do turismo

O Governo de Macau “está empenhado em tornar-se numa ponte importante para a abertura de alto nível do país e uma janela crucial para o intercâmbio e a aprendizagem mútua entre as civilizações chinesa e ocidental”, afirmou o Chefe do Executivo numa reunião com o Governador da província de Hebei, Wang Zhengpu, na passada quinta-feira. Com a missão de desempenhar o papel, Sam Hou Fai indicou que Macau pode “ajudar a província de Hebei a fortalecer o intercâmbio e a cooperação com os países lusófonos”, segundo um comunicado divulgado pelo Gabinete de Comunicação Social (GCS) na quinta-feira à noite.

Para tal, Sam Hou Fai sugeriu o aprofundamento da cooperação entre Hebei e Macau em áreas como economia, comércio, cultura, turismo e educação, para que os dois territórios se possam expandir para mercados internacionais.

A partilha de experiências na formação de quadros qualificados foi também referida pelo Chefe do Executivo como uma oportunidade de cooperação no “sector do turismo e na organização de projectos de convenções e exposições”.

Solidez industrial

Em relação aos objectivos da RAEM, Sam Hou Fai salientou a missão de diversificar a economia e promover o desenvolvimento saudável da sociedade, “alavancando melhor as suas vantagens únicas”, como o “apoio da pátria-mãe e interligação com o mundo”, de forma a construir “um centro, uma plataforma, uma base” e um “pólo de quadros qualificados”.

Por sua vez, o governador Wang Zhengpu afirmou que a província de Hebei possui uma longa história, património e inúmeros recursos culturais e turísticos. O responsável frisou que Hebei é uma província importante no domínio da medicina tradicional chinesa, com uma base industrial sólida, pelo que as perspectivas para o aprofundamento da cooperação com Macau nesta indústria são amplas.

O Governador garantiu que a província de Hebei continuará a participar em conferências, exposições e actividades de promoção económica e comercial em Macau para ajudar empresas de Hebei a “globalizarem-se” e “a promover a cooperação económica e comercial e de indústrias com os países de língua portuguesa e espanhola”.

A nota divulgada pelo GCS não indica a presença no encontro de qualquer representante de países lusófonos ou de língua espanhola.

8 Jun 2026

CCCM | “China tem ainda dificuldade em seduzir”, diz ex-ministro

Nuno Severiano Teixeira, professor e antigo ministro, defende que a China ainda não é uma potência global na área do “soft power”, porque “consegue conquistar, mas ainda tem dificuldade em seduzir”. A ideia foi avançada durante a apresentação do livro “Is China a Global Power?”, de Francisco José Leandro

Será a China uma verdadeira potência global nas vertentes militar, económica e do chamado “soft power”, ou seja, na capacidade de influência de outros países por uma via mais branda? O novo livro de Francisco José Leandro, “Is China a Global Power? The Three Great Walls of the Middle Kingdom” afirma que o país tem um maior poderio militar e tecnológico a nível global, o que confere o estatuto de potência, mais do que pela via negocial com outros países, ou na arte de influenciar de forma plena as relações internacionais.

A obra, editada pela Palgrave Macmillian no ano passado, foi apresentada na semana passada no Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM), tendo sido comentada por Nuno Severiano Teixeira, professor catedrático na área da Ciência Política e Relações Internacionais e antigo Ministro da Administração Interna e Ministro da Defesa Nacional.

Na sessão, Severiano Teixeira indicou que a China ” está ainda longe de atingir” esse estatuto de potência global” ‘no soft power’. “No que diz respeito aos aspectos culturais e da vida imaterial, ainda não atingiu o seu objectivo. Usando a expressão de Joseph Nye, se no ‘hard power’ a China o atingiu, no ‘soft power está ainda longe de o atingir. Ou seja, a China consegue conquistar, mas tem ainda dificuldades em seduzir”, acrescentou.

A obra de Francisco José Leandro, professor na Universidade de Macau (UM), apresenta a metáfora da muralha para descrever as várias vertentes em que a China demonstra o seu poder, seja a nível militar, cultural, económico ou de negociação diplomática, da chamada “governança global”. Segundo explicou Nuno Severiano Teixeira, “em cada uma destas muralhas o ponto em que a China se encontra é diferente”, sendo que a nível económico e tecnológico, o país “atingiu o seu objectivo de ser uma potência global “.

Neste contexto, o docente da UM disse “ter quase a certeza que os próximos cinco a dez anos vão ser surpreendentes do ponto de vista da evolução tecnológica e económica”. Estes dois aspectos estão, aliás, interligados num dos capítulos do livro, estando em causa “uma estratégia financeira com vários níveis de governação”.

Francisco José Leandro apresentou vários exemplos de como a China tem evoluído em termos tecnológicos, o que lhe pode conferir o estatuto de potência global neste domínio. Relativamente ao sistema europeu de satélites, “a China não teve acesso e criou o seu sistema, que é um dos melhores do mundo”. Depois há a aposta no Espaço: “temos uma estação internacional e depois temos a estação chinesa, exactamente porque à China não foi dada essa possibilidade”.

“Em termos de capacidades militares, a China já ultrapassou, em muito, o número de activos [face a outros países]”, declarou o académico, referindo que “a China foi a potência que mais satélites colocou no espaço em 2012”, apresentando-se “uma taxa de sucesso impressionante comparativamente às agências europeia e americana”.

Outra visão

Nuno Severiano Teixeira declarou como a China tem hoje “uma visão alternativa para a ordem internacional em que vivemos”, podendo-se questionar se o país “é um consumidor das regras, das normas internacionais, ou se é um produtor” de normas; ou se é “capaz de legitimar, do ponto de vista internacional, essa visão ou não”.

A obra de Francisco José Leandro destaca como Pequim não domina ainda o mundo a nível da chamada governança global. Conforme disse Nuno Severiano Teixeira, “a China não é ainda um grande arquitecto, mas um grande artesão que está, a pouco e pouco, a mudar”. “Diria que, depois de ler o livro, que a China é quase uma potência global, está muito perto de o ser, disso não há dúvidas nenhumas”, assumiu. Isto numa altura em que existe “numa ordem internacional complexa e muito inútil”, disse Nuno Severiano Teixeira, que defendeu que a China tem aproveitado para desenvolver algumas áreas tendo em conta as últimas políticas norte-americanas, nomeadamente “as asneiras que o Presidente Trump está a fazer com as universidades americanas”.

A China capta talentos, desenvolve o conhecimento científico, “mas não encontrou ainda o seu Hollywood”, disse o professor, numa referência à aposta que os Estados Unidos fizeram na indústria cinematográfica para se expandir e que, é hoje, das mais importantes do mundo.

Muralhas imaginárias

“Is China a Global Power?” nasce das provas de agregação que Francisco José Leandro fez no ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, sob o tema “Contemporary China”, em 2022. O livro traz reflexões em torno de quatro temas, nomeadamente as três “muralhas” do “acesso tecnológico e económico”, que permitem o acesso do país ao poder material; a muralha do “acesso cultural e intangível”, que levam ao “poder intangível” e ainda a muralha “do acesso político e governança global”, que permite o “poder da governação” a Pequim. O livro faz ainda a “avaliação da capacidade de poder abrangente da China”, com recurso a “observações no terreno em que o autor argumenta que a China possui uma visão e ambição globais, posicionando-se como uma quase-potência global”, descreve-se numa sinopse divulgada pelo ISCTE.

Tiago Vasconcelos, outro dos oradores da sessão do CCCM, e docente nas áreas de Estratégia e Geopolítica, destacou que a obra deixa a reflexão sobre se as três muralhas “são as que a China tem de construir para se proteger ou controlar os fluxos de ideias, pessoas, capitais, bens e serviços, ou as suas fronteiras, um pouco à maneira da grande muralha original”; ou se, pelo contrário, “são muralhas que a China teve de derrubar ou ultrapassar, para se tornar, ou ser percebida como potência global”, isto “se já o for?”.

“No domínio material do poder o autor presta atenção à importância global da China nas questões económicas, incluindo as que respeitam a competição tecnológica entre a China e os Estados Unidos da América. A questão que aqui se invoca é que se a China já ultrapassou esta grande muralha, que dificulta o acesso de novos entrantes ao patamar do poder económico e tecnológico de classe global”, questiona o académico.

Desta forma, “a conclusão [do livro], é que actualmente a China já é reconhecida como uma potência económica global”. Porém, Tiago Vasconcelos acrescentou que, ao nível “das questões culturais globais” e do “domínio intangível do poder”, a China é ainda, segundo o livro, “uma potência predominantemente interregional”.

Um certo receio

Tiago Vasconcelos disse ainda ser importante evitar “categorizações simplistas” para avaliar “um fenómeno tão complexo como é o crescimento do poder da China”. Porém, o analista considerou ser “bastante natural a preocupação com as possíveis consequências de um fenómeno tão potencialmente transformador da política mundial como é a ascensão da China, e isto é inegável”.

Em “Is China a Global Power?”, Francisco José Leandro “observa como em certas áreas o poder crescente da China tem precipitado narrativas de securização”, com o fomento de “medo nas elites e no público em geral”, por estar em causa “um fenómeno realmente novo para a maior parte das pessoas vivas, mas que alimenta, por vezes, populismos que perturbam processos de decisão”, adiantou Tiago Vasconcelos.

8 Jun 2026

Festival de cinema ‘queer’ em Macau é espaço para dialogar

O Festival Internacional de Cinema Queer de Macau (MIQFF, na sigla inglesa), que arranca esta sexta-feira, pretende ser um palco de diálogo e onde se questionam preconceitos, disse ontem à Lusa o director Jay Sun.

A decorrer entre 05 e 27 de Junho, o MIQFF apresenta 24 propostas, com “uma parte significativa” das obras com origem em países europeus, disse à Lusa o director e fundador do evento, ressaltando “a estreita colaboração com consulados europeus e internacionais”.

“Não se limita, de forma alguma, à Europa. Contamos também com a ‘Asian Vision’, que apresenta histórias queer de toda a Ásia”, sublinha.

É precisamente com uma obra de Hong Kong que arranca a quarta edição deste evento cinematográfico: “Cyclone” (2026), de Philip Yung, narra a história de uma mulher trans da China continental que viaja até Hong Kong para fazer uma cirurgia de redesignação sexual.

A projecção do filme, com estreia mundial no Festival Internacional de Cinema de Roterdão, vai contar com a presença do realizador, do actor Liu Yuqiao e da argumentista Annabelle Kayee Li.

Outro dos destaques desta edição, indica Sun, é “Rosebush Pruning” (2026), uma tragicomédia do brasileiro Karim Ainouz, que estreou mundialmente no Festival Internacional de Cinema de Berlim, onde integrou a competição oficial, e tem agora estreia asiática em Macau. Inspirado no clássico italiano de 1965, “De Punhos nos Bolsos”, esta co-produçao de vários países europeus acompanha uma família abastada e disfuncional isolada numa propriedade em Espanha.

O filme aparece descrito no portal da Berlinale como uma “sátira negra”, no Festival de Cinema de Sydney, onde vai estar em cartaz este mês, como “comédia e filme LGBTQIA+” e no ‘site’ especializado de cinema IMDB atribui como “comédia negra, thriller e drama”. Na classificação etária em Macau, as autoridades atribuíram a categoria de “Pornografia”, aparecendo no programa a imagem de promoção deste filme – uma fotografia de família – desfocada.

Sobre esta decisão, Jay Sun, diz “ser inapropriado comentar”, uma vez que “a classificação é da competência do Instituto Cultural” (IC), não estando o festival “envolvido no processo”.

A agência Lusa perguntou ontem ao IC qual o critério para esta classificação, mas até ao momento não recebeu nenhuma resposta. De acordo com a lei de Macau, são considerados produtos “pornográficos ou obscenos” aqueles que “contenham palavras, descrições ou imagens que ultrajem ou ofendam o pudor público ou a moral pública”. “Ainda assim podemos mostrar o filme, desde que respeitemos a lei: projectar após as 23:30 e pagar a taxa correspondente”, nota.

Mais participação

Na secção asiática, destaque para “East Palace, West Palace” (1996), do chinês Zhang Yuan, e “3670” (2025), obra do sul-coreano Park Joon-ho. Ao longo destes dias, é possível também assistir a “Whisperings of the Moon” (2025), filme cambojano da cineasta chinesa Lai Yuqing, que morreu há poucos meses aos 23 anos.

O festival presta ainda homenagem a Rosa von Praunheim (1942-2025), nome artístico de Holger Mischwitzki, com a exibição de várias obras do cineasta alemão, um dos mais influentes defensores dos direitos LGBTQ+ na Alemanha. Sobre a receção do MIQFF, já na quarta edição, Jay Sun, refere que hoje existe “mais abertura para ao cinema ‘queer’ e eventos culturais LGBTQ+”: “Vemos um maior interesse por parte do público, uma maior representação nos ‘media’ tradicionais e mais pessoas dispostas a envolver-se com diferentes tipos de histórias.”

Mas o “progresso não é uma linha recta”, admite. “Continuamos a assistir a retrocessos em várias partes do mundo, seja na forma de censura ou de restrições aos direitos da comunidade LGBTQ+. Por isso, não creio que possamos dar por concluído o trabalho”, continua.

Por essa razão, diz, este tipo de eventos continua a ser importante, com os filmes a “gerarem diálogos, a desafiarem preconceitos e ajudarem a criar empatia”.

5 Jun 2026

Aperfeiçoamento contínuo | Suspeitos de burlas no programa

O CCAC detectou um caso suspeito de burla num estabelecimento de ensino envolvendo subsídios do Programa de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento Contínuo. O responsável da instituição terá oferecido descontos em supermercados para aliciar familiares e amigos a inscreverem-se nos cursos subsidiados

O Comissariado contra a Corrupção (CCAC) revelou ontem ter detectado um caso suspeito de burla praticada por uma instituição de ensino para obtenção de subsídios no âmbito do Programa de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento Contínuo. O caso nasceu de informação enviado pelo Comissariado da Auditoria sobre a suspeita de registos falsos em cursos subsidiados.

Após investigação, o CCAC considerou que existiam fortes indícios de o responsável da instituição de ensino e 13 residentes de Macau terem praticado o crime de burla para a obtenção de subsídios atribuídos através do Programa de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento Contínuo.

As autoridades alegam que o responsável da instituição usou “vales de desconto para supermercados, entre outras vantagens, como contrapartidas para aliciar, familiares, amigos e outros residentes a inscreverem-se em diferentes cursos”. Os subsídios seriam aproveitados, “através das contas de aperfeiçoamento individual de cada um, atribuídos pela Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude”.

Verdade e consequência

O CCAC acrescenta que “alguns indivíduos admitiram” ter feito “inscrições nos cursos com o único objectivo de obter os vales de desconto para supermercados”, e que “não sabiam nada sobre os cursos em que se inscreveram”, nem tinham intenção de os frequentar.

Os cursos suspeitos terão sido ministrados a partir de Setembro de 2023 até este ano, no âmbito dos programas referentes aos anos 2023 a 2026.

“O responsável da instituição de ensino e 13 residentes de Macau são suspeitos da prática do crime de burla previsto no Código Penal, tendo o caso sido encaminhado para o Ministério Público para os devidos efeitos”, referiu ainda o CCAC.

Foi também sublinhada a importância de cumprir a lei no uso de subsídios do Governo. O CCAC acrescentou que “os serviços responsáveis devem também reforçar proactivamente a fiscalização, para assegurar uma utilização adequada do erário público”.

5 Jun 2026

Eléctricos | Pedidos carregamentos em postos tradicionais

Leong Sun Iok pede ao Governo que equacione distribuir apoios para incentivar as gasolineiras a diversificar a oferta para carregamentos eléctricos. O deputado diz que a falta de infra-estruturas de carregamento é o principal desafio à compra de veículos menos poluentes

O deputado Leong Sun Iok quer saber se o Governo tem planos para instalar postos de carregamento para veículos eléctricos nos postos de combustíveis tradicionais. O assunto é abordado através de uma interpelação escrita do legislador ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM).

Segundo o deputado, a adopção de veículos eléctricos faz cada vez mais sentido devido à oscilação dos preços dos combustíveis tradicionais, assim como a necessidade de adoptar políticas ambientais.

No entanto, o caminho da diversificação dos veículos em circulação apresenta resultados limitados. “Nos últimos anos, Macau tem envidado grandes esforços na promoção de veículos eléctricos, mas até ao primeiro trimestre deste ano este tipo de veículos ocupava apenas cerca de 7 por cento do total de veículos existentes”, afirmou Leong Sun Iok.

O deputado explicou igualmente que apesar de “muitos residentes manifestarem interesse em utilizar veículos eléctricos em prol da protecção ambiental”, há “vários desafios”, como a natureza dos bairros antigos, com grande densidade populacional, que fazem com que faltem infra-estruturas de carregamento de veículos eléctricos.

Segundo Leong Sun Iok, as limitações indicadas “contribuem para a desistência dos residentes na utilização dos veículos eléctricos”, o que faz com que a população tenha de “suportar os custos das deslocações” e “pressão dos preços dos produtos decorrentes das oscilações do preço dos combustíveis”.

Seguir Hong Kong

O legislador sugere ao Governo para seguir a “experiência de Hong Kong” e incentivar os postos de combustíveis tradicionais a disponibilizarem espaço para carregamento de veículos eléctricos. “Olhando para Macau, existem 21 postos de abastecimento de combustível com uma vasta cobertura geográfica e potencialidades para a reconversão”, considerou.

Leong admite que não é a primeira vez que aborda este assunto, mas que no passado o Executivo recusou distribuir incentivos às gasolineiras para fazer a reconversão, por considerar que essa mudança tem de partir das empresas, enquanto acto comercial. Agora, o deputado volta a insistir e quer que o Governo distribua apoios financeiros para que a conversão seja acelerada.

Além disso, Leong pretende a criação de “um grupo de trabalho interdepartamental” para rever e alterar os diplomas legais, e ainda definir objectivos para acelerar a construção de infra-estruturas para novas energias.

5 Jun 2026

Trânsito | Conselheiros pedem medidas imediatas após atropelamento

Vários membros do Conselho Consultivo de Serviços Comunitários da Zona Central pediram medidas para reforçar a segurança rodoviária, de forma garantir a integridade de condutores e peões

A necessidade de implementar medidas de segurança junto das passadeiras marcou a reunião do Conselho Consultivo de Serviços Comunitários da Zona Central, que se realizou na quarta-feira. Após o atropelamento mortal na semana passada de uma criança de 10 anos, vários conselheiros abordaram o assunto nas intervenções antes da ordem do dia.

De acordo com o jornal Cheng Pou, o membro do conselho Leong Kim Kio foi um dos presentes a abordar a questão da segurança rodoviária para indicar que recentemente tem ocorrido “uma vaga de acidentes com peões em várias zonas de Macau”. Para justificar estas ocorrências, o interveniente atribuiu responsabilidades aos condutores e aos peões. Em relação aos que dirigem os veículos acusou-os de terem por hábito não ceder prioridade nas passadeiras, nem sequer abrandar a velocidade dos veículos. No que diz respeito aos peões, Leong indicou que tanto os residentes como os turistas estão demasiado focados nos seus telemóveis, pelo que atravessam as estradas sem terem o cuidado de garantir que o fazem em segurança.

O conselheiro defendeu assim a instalação nas passadeiras de sistemas de avisos aos peões, para que se foquem na estrada, em vez dos telemóveis. O responsável pediu que se siga o modelo de Hong Kong, com sinais sonoros e também luzes e marcações na estrada, para alertar melhor os peões de que estão a atravessar uma passadeira, assim como indicações pintadas no solo a indicar “olhe para a esquerda” e “olhe para a direita”.

Em relação às medidas para os veículos, Leong pediu a instalação de semáforos com a cor amarela intermitentes nas rectas e proximidades das escolas para lembrar os condutores que devem reduzir a velocidade.

Diferenças regionais

Por sua vez, a conselheira Tam Nga Lei, ligada à Associação dos Moradores, defendeu que “que as diferentes interpretações das regras de trânsito e os hábitos de circulação” nas várias regiões estão a dar origem a “problemas cada vez mais graves”.

Tam acusou os condutores de fora de apenas saberem obedecer aos semáforos e “ignorarem por completo” qualquer marcação na estrada, como passadeiras ou sinais indicativos de cedências de passagem. A conselheira considerou que todas as pessoas que tiraram a carta fora de Macau devem “frequentar” um curso online, que inclui um teste escrito, para poderem conduzir na RAEM.

Em relação às passadeiras, Tam Nga Lei defendeu a instalações de mais sinais luminosos, a pensar nas travessias da estrada à noite, mas também de pinos a separar as diferentes vias de trânsito, para impedir ultrapassagem antes das passadeiras.

Também o conselheiro Tam Chi Hou abordou o assunto, defendendo a instalação de sinais de zonas perigosas e riscos de atropelamento junto de passadeiras e cruzamentos com mais acidentes.

5 Jun 2026

EPL | Actividade na guarnição com mensagem de harmonia e igualdade

No domingo, centenas de alunos do ensino primário participaram numa actividade no Quartel militar da Taipa de celebração da “consciência da etnia” e patriotismo. O IAS garante que o evento ensinou os estudantes a respeitar diferentes culturas e etnias, e ao mesmo tempo a amar a sua própria

No passado domingo, em jeito de celebração do Dia Mundial da Criança, centenas de estudantes do ensino primário de Macau participaram na “Representação cultural e artística dos estudantes do ensino primário e da Guarnição em Macau do Exército de Libertação do Povo Chinês”, no Quartel militar da Taipa. Segundo o comunicado do Instituto de Acção Social (IAS) que antecipou o evento, o programa incluiu “uma sessão de interacção entre os estudantes do ensino primário e os militares do exército, de modo a permitir que os estudantes do ensino primário sintam a atmosfera festiva e celebrem a consciência da etnia e promovam o amor pela Pátria e por Macau”.

Em resposta ao HM, o IAS indicou que as actividades para celebrar o Dia da Criança “têm como objectivo sensibilizar o público para os direitos e o bem-estar das crianças, bem como facilitar o intercâmbio cultural e artístico entre crianças de diferentes culturas e etnias, transmitindo mensagens de harmonia e igualdade”.

A entidade liderada por Hon Wai salienta que desde o regresso à pátria, o Governo da RAEM tem organizado todos os anos actividades para assinalar o Dia Internacional da Criança, recebendo sempre o apoio e resposta entusiástica das escolas locais.

Além disso, o IAS realça o aspecto educativo da actividade na guarnição em Macau. “Por um lado, permite aos estudantes presenciar de perto o valor e galhardia dos militares, aprender com a sua excelente disciplina e ganhar um entendimento intuitivo do desenvolvimento nacional. Por outro lado, permite aos estudantes aprender a respeitar diferentes culturas e etnias, e ao mesmo tempo a amar a sua própria cultura”, acrescentou o IAS.

Como o arco-íris

O IAS enfatiza que, na implementação de políticas e actividades relacionadas com crianças, “o Governo da RAEM respeita sempre a Convenção sobre os Direitos da Criança, assegurando que os direitos das crianças são respeitados, sem discriminação baseada em raça, nacionalidade ou contexto social”.

Sobre os valores que a organização pretendia passar às crianças do ensino primário na actividade na Guarnição em Macau do Exército de Libertação do Povo Chinês, o IAS apontou à relevância de inculcar sentidos nacionalistas.

“O Governo da RAEM sempre atribuiu grande importância à promoção e transmissão dos valores fundamentais do amor à pátria e a Macau, e está empenhado em formar uma nova geração dotada de patriotismo e perspectiva internacional”.

5 Jun 2026

Iao Hon | Um dia num dos bairros mais densamente povoados do mundo

O bairro do Iao Hon vive a braços com problemas de higiene e prostituição, enquanto espera a reabilitação de edifícios muito degradados. O processo não tem sido fácil, numa das zonas mais densamente povoadas do mundo onde o progresso teima em não chegar

Ratos e manchas de urina, lixo espalhado, cabos emaranhados, canos a pingar, avisos sobre prostitutas, gaiolas de aço nas janelas, idosos às compras, assim é Iao Hon, um dos bairros mais densamente povoados no mundo.

No plano da rua, tudo parece normal: ourivesarias abertas, supermercados, cafés, restaurantes, um templo… Ao olhar-se para cima, porém, vê-se as fachadas a desfazerem-se, bolor negro e esverdeado, janelas partidas, fissuras, cimento em falta, ferro enferrujado.

Construído nos anos 1970, o Iao Hon tem sete quarteirões, 46 edifícios e 2.566 unidades, maioritariamente residenciais. A última estimativa, em 2020, registou 12.014 residentes, numa densidade superior a 140.000 por quilómetro quadrado. É uma das áreas mais densamente povoadas do planeta, na cidade que tem também uma das maiores concentrações de população em todo o mundo.

Chiu Mingming, 57 anos, passou toda a vida no Iao Hon. Embora viva agora com o filho num “edifício melhor” nas redondezas, continua a gerir uma banca de artigos religiosos chineses no mercado ao ar livre, um lugar que ocupa há mais de três décadas.

Os pais de Chiu imigraram da China continental para Macau e trabalharam nas limpezas em fábricas e nos sete quarteirões do Iao Hon. Chiu recorda que, quando era jovem, a luta por espaço era constante.

“Eu, os meus pais e os meus irmãos, cinco pessoas, vivíamos todos num quarto, e depois havia uma casa de banho lá em cima”, conta à Lusa, apontando para um edifício chamado Kat Cheong. O apartamento inteiro tinha cerca de 30 metros quadrados. “Era pequeno, escuro, e não se conseguia respirar”, é como Chiu descreve a casa, que dava para uma viela estreita entre edifícios.

GONÇALO LOBO PINHEIRO/LUSA

Enquanto fala, Chiu cumprimenta os vizinhos, idosas param para lhe comprar incenso, parece saber o nome de toda a gente.

Antes do bairro ser construído, continua, o terreno era um hipódromo. Na década de 1970, a área do Iao Hon era ocupada por quintas, fábricas e casas com telhados de zinco. A família de Chiu já aí vivia antes de se mudar para o Iao Hon. “Até criávamos porcos”, recorda com um sorriso.

A caminho de um pequeno parque dentro do Iao Hon, onde numerosos idosos se sentam de ombros colados, paredes e recantos exibem vários avisos aos transeuntes, escritos e afixados pelos residentes: “Se ali fores, vai dar que falar”, diz um alerta para dissuadir a prostituição. Outro: “cão, não mijes e não cagues aqui”.

Vida que passa devagar

No parque, alguns idosos conversam, outros fazem exercício, outros passeiam aves engaioladas, outros ainda limitam-se a olhar o vazio.

A poucos passos da banca de Chiu, numa viela ao lado de um restaurante, uma mulher desdentada está atarefada a apertar e amontoar pilhas de cartão. Ao lado, vários idosos conversam, sentados em cadeiras de plástico. Não se percebe o que dizem, mas, se questionados sobre a vida ali, queixam-se da higiene, da desordem e da segurança. Nos últimos dois anos, dizem, têm notado “pessoas suspeitas”, com bolsas, a vaguear pela área. Ninguém sabe exactamente o que fazem ali.

GONÇALO LOBO PINHEIRO/LUSA

Catarina Chan, jornalista de 32 anos, frequentou uma escola perto do Iao Hon. Naquela época, recorda-se de ver das janelas da escola homens a falar com prostitutas. Hoje ainda tem medo de atravessar o bairro. “Era muito assustador”, diz. “Havia prostitutas na rua, e os homens passavam para perguntar o preço. A forma como olhavam para mim e para as minhas amigas… Ficávamos aterrorizadas”, conta.

Chan Kam Peng, 67 anos, reformada da construção civil, está sentada com um grupo de idosos com uma marmita que acaba de custar-lhe 20 patacas, comprada a um vendedor ambulante.

Concorda em mostrar à Lusa o apartamento onde vive sozinha. O marido morreu há uns dez anos. Tem um filho e uma filha, que a visitam às vezes. A caminho de casa, um corredor liga os apartamentos: “Isto aqui cheira tão mal, parece um caixote do lixo”, diz. Para trás vão ficando frigoríficos abandonados, máquinas de lavar, mesas, paletes, camas desmontadas, roupas penduradas, sacos com objectos, tudo alinhado no corredor estreito. “Aqui há muitos ratos e prostitutas”, solta.

Nas escadas, o cimento dos degraus desfaz-se sob os pés e cada parede parece descascar-se. Em alguns poucos espaços de parede plana, novos avisos, desta vez um específico sobre prostitutas vietnamitas.

Enquanto sobe, Chan pára várias vezes para descansar, está ofegante depois de subir cinco andares. Os filhos são ambos casados, também eles com filhos, trabalham em casinos onde ganham, um como a outra, cerca de 20.000 patacas, diz Chan. Às vezes, quando a filha trabalha no turno da noite, dorme lá em casa. Como desta vez, por isso a Lusa não pode entrar.

Luta pela requalificação

Chan Wo In tem 81 anos e, como a grande maioria das pessoas no Iao Hon, é imigrante da China continental, e trabalhou como funcionária pública antes de se reformar. Pertence ao movimento que luta pela requalificação do Iao Hon. Criou dois filhos no apartamento onde mora, e hoje também vive sozinha.

Chan Wo In, sim, abriu a porta de casa à Lusa. Uma pequena estátua de uma deusa chinesa guarda a entrada. Os ladrilhos do chão axadrezados brancos e verdes, típicos dos anos 70, conduzem a uma cadeira de madeira junto à porta. Uma panela de sopa de galinha e um par de pauzinhos ainda estão sobre a mesa do almoço. Uma cama de casal ocupa a maior parte do quarto arrumado. No tecto, uma fissura larga estende-se por mais de dois metros. As paredes estão forradas com bolor. “Comprei esta casa porque não tinha dinheiro”, diz.

Uma empresária de 70 anos de apelido Leong é proprietária da Farmácia Chinesa Iao Kei, que vende ginseng, cogumelos e barbatanas de tubarão. Imigrou para Macau e abriu a loja no Iao Hon na década de 1980. “A segurança era má naquela altura”, recorda. A loja foi assaltada várias vezes. Roubaram-lhe o colar de ouro nos anos 80 e, desde então, nunca mais usou joias.

Sou Fong tem 71 anos e é proprietária de uma banca de frutas no mercado, onde trabalha todos os dias. Comprou um apartamento de apenas um quarto de dormir no quarto andar do prédio onde mora por 30.000 patacas nos anos 2000. “Olhar para cima e ver o sol, conversar um pouco, é mais um dia”, diz em resumo da vida. “Não é tão bom não nos preocuparmos tanto com tudo? Os filhos já são crescidos e tenho dinheiro suficiente do Governo para as refeições”, conclui.

Sou, como tantos proprietários privados em Iao Hon, arrenda o apartamento que comprou a trabalhadores migrantes, que hoje são cerca de um terço da população do bairro.

Uma porta entreaberta de uma dessas casas permite contar rapidamente quatro ou cinco camas com redes mosquiteiras penduradas sobre elas, amontoadas numa sala de estar sem janelas. Ocupantes, nenhum. No Iao Hon, já quase não há crianças e só os idosos andam por lá durante o dia.

5 Jun 2026