Hoje Macau EventosMaria João Pires distinguida com Praemium Imperiale do Japão A pianista portuguesa Maria João Pires foi distinguida, na área da Música, com o Praemium Imperiale, um prémio internacional atribuído pela Associação de Arte do Japão, anunciou esta terça-feira a organização. O Praemium Imperiale reconhece anualmente o contributo internacional de cinco personalidades nas Artes e na Cultura e, na 35ª. edição, uma das artistas premiadas é a pianista portuguesa Maria João Pires. Além da intérprete portuguesa, este ano o Praemium Imperiale reconhece o percurso artístico da artista plástica francesa Sophie Calle, da escultora colombiana Doris Salcedo, do arquiteto japonês Shigeru Ban e do realizador taiwanês Ang Lee. Segundo a organização, o prémio tem um valor monetário de 15 milhões de ienes (cerca de 95.000 euros) e será entregue aos cinco laureados numa cerimónia marcada para 19 de novembro, em Tóquio. Na rede social Linkedin, Vítor Sereno, actual embaixador de Portugal no Japão e ex-cônsul em Macau, comentou o prémio atribuído à pianista portuguesa. “Este prémio, considerado o ‘Nobel das Artes’, é um reconhecimento merecido do imenso talento e impacto cultural que a pianista tem deixado no mundo. A sua capacidade de nos emocionar através da música transcende fronteiras, e o seu contributo para a música clássica coloca Portugal no mapa das grandes expressões artísticas internacionais”, escreveu. Reputada pianista Maria João Pires, que completou 80 anos em Julho, é a mais internacional e reputada dos pianistas portugueses, com um percurso artístico que remonta a finais dos anos de 1940, quando se apresentou pela primeira vez em público, aos quatro anos. Na próxima semana, prepara-se para iniciar uma digressão pela Coreia do Sul, que se estenderá até ao final de Outubro, prosseguindo depois com uma dezena de actuações na Europa. Entre os prémios conquistados pelo talento artístico contam-se o primeiro prémio do concurso internacional Beethoven (1970), o prémio do Conselho Internacional da Música, pertencente à organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO, 1970) e o Prémio Pessoa (1989). Na década de 1970, o seu nome tornou-se recorrente nos programas das principais salas de concerto a nível mundial e nos catálogos das principais editoras de música clássica: a Denon, primeiro, para a qual gravou a premiada integral das Sonatas de Mozart (1974); a Erato, a seguir, nos anos de 1980, onde deixou Bach, Mozart e uma das mais celebradas interpretações das “Cenas Infantis”, de Schumann; e depois a Deutsche Grammophon, a partir de 1989. Maria João Pires fundou ainda, em 1999, o Centro Belgais para o Estudo das Artes, em Escalos de Baixo, Castelo Branco, um projecto educativo, pedagógico e cultural dedicado à música. O Praemium Imperiale foi criado em 1988 pela Associação de Arte do Japão para reconhecer “o trabalho excepcional” em Pintura, Escultura, Arquitectura, Música e Teatro ou Cinema. “O prémio homenageia personalidades de todo o mundo que transcendem as fronteiras nacionais e étnicas, dando corpo à cultura e às artes do nosso tempo”, lê-se na página oficial do prémio.
Andreia Sofia Silva EventosJá são conhecidos alguns dos filmes da nova edição do DocLisboa “Sempre”, de Luciana Fina, será o documentário a estrear a edição deste ano do DocLisboa, um festival inteiramente dedicado ao género documentário que decorre em Lisboa entre os dias 17 e 27 de Outubro. Segundo uma nota de imprensa, o evento encerrará com “O Dia Que Te Conheci”, de André Novais Oliveira. A organização descreve que o público poderá esperar “um programa rico que gera uma conversa entre um presente, um passado e um futuro, onde convergem, de formas diversas e inesperadas, uma série de reflexões necessárias sobre o cinema do nosso tempo”. “Sempre”, o filme de arranque do festival, estreou recentemente n Festival de Veneza e faz uma reflexão sobre “o 25 de Abril [de 1974] e os seus ecos”, tratando-se de um filme que “revisita e traz para o presente os filmes, imagens, rostos e os ideais esquecidos ou por cumprir da revolução”. Luciana Fina, artista italiana radicada em Portugal desde os anos 1990, mostra no DocLisboa um “filme feito de filmes”, elaborado a partir de um convite da Cinemateca Portuguesa para conceber uma instalação por ocasião dos 50 anos de Abril, recorrendo ao arquivo fílmico nacional e ao repositório de imagens da RTP. O filme de encerramento, “O Dia Que Te Conheci”, é a história “de um homem e de uma mulher que tentam permanecer à tona num mundo desajustado, e que um dia se conhecem”. Programa do futuro Destaque para a apresentação da selecção “Back To The Future”, programa especial com curadoria de Jean-Pierre Rehm, colaborador habitual do festival. “Back to the Future” propõe-se “percorrer em alguns filmes o vínculo que liga o modernismo, ou seja, nada mais nada menos do que a utopia do século XX, e o cinema”, explica o também crítico e professor no texto que apresenta este conjunto de filmes. Destacam-se, assim, vários títulos até agora inéditos em Portugal, como “Traité de bave et d’éternité” (1951), de Isidore Isou; “Per Speculum”, de Adrian Paci, onde “o espectador acede a um espaço que não carece de definição, onde um grupo de crianças entra num diálogo com a luz do sol através de fragmentos de um espelho, que resulta numa experiência visual livre e dinâmica”. Da Albânia apresenta-se “If and If Only” do artista Anri Sala, em que um caracol se passeia ao longo de um arco de viola, afectando uma execução da peça ‘Elegia para viola solo’, de Stravinsky, perturbação essa que leva o maestro a adaptar o concerto às condições impostas pela nova relação física que ali se gera. Um último destaque para “Phantoms of Nabua” do tailandês Apichatpong Weerasethakul, um filme que tem a luz como personagem principal e onde se explora o conforto de casa, por um lado, e a sua destruição, por outro, descreve a organização. A programação completa da 22.ª edição do DocLisboa 2024 será apresentada dia 1 de Outubro.
Andreia Sofia Silva EventosUCCLA | Mostra com artistas de Macau inaugurada em Lisboa A UCCLA – União de Cidades Capitais de Língua Portuguesa apresenta esta quinta-feira uma exposição com artistas contemporâneos de Macau. Com curadoria de James Chu e José Drummond, “Aqui e Agora” junta-se à AFA – Art for All Society para celebrar os 25 anos da transição da administração portuguesa de Macau para a China Pode ser vista até ao dia 20 de Dezembro, data que assinala o 25.º aniversário da transição de Macau, uma exposição que não é mais do que o espelho de culturas que permanece no território desde sempre. “Aqui e Agora”, com curadoria de James Chu e José Drummond, apresenta-se na sede da UCCLA – União de Cidades Capitais de Língua Portuguesa e reúne trabalhos de 25 artistas, o mesmo número do aniversário da RAEM. Segundo uma nota divulgada pela organização do evento, nesta exposição “cada obra de arte funciona como um marco temporal, capturando e preservando as experiências, memórias e emoções dos artistas no contexto actual”. “Tal como um retrato do presente, estas obras fixam no tempo a evolução cultural de Macau, reflectindo as transições e continuidades que definem a sua identidade”, escreve-se. A UCCLA junta-se, nesta iniciativa, à AFA – Art for All Society, contando com apoios do Governo da RAEM, o Fundo de Desenvolvimento da Cultura, a Comissão Temática de Promoção e Difusão da Língua Portuguesa dos Observadores Consultivos da CPLP [Comunidade dos Países de Língua Portuguesa], Câmara Municipal de Lisboa e Observatório da China. Ainda segundo a organização, o 20 de Dezembro de 1999 “marcou um novo capítulo na rica e multifacetada história de Macau”, sendo que, em “Aqui e Agora”, o público será levado a fazer “uma introspeção profunda sobre a complexidade e a riqueza do património cultural de Macau, uma cidade que se distingue como um espaço singular de encontro entre as culturas portuguesa e chinesa”. Dinamismo civilizacional Na nota que divulga a associação, é descrito que “a interação dinâmica entre estas duas civilizações [chinesa e portuguesa], ao longo de mais de quatro séculos, moldou uma identidade cultural única e híbrida, que se manifesta de forma vibrante nas obras apresentadas”. Desta forma, “Aqui e Agora” quer “fomentar um diálogo reflexivo entre os visitantes e as obras de arte, incentivando uma apreciação das nuances culturais que definem esta região única”. O nome da mostra “remete-nos à ideia de presença e de captura do momento actual”, pois “cada obra de arte funciona como um marco temporal, capturando e preservando as experiências, memórias e emoções dos artistas no contexto actual”. “Tal como um retrato do presente, estas obras fixam no tempo a evolução cultural de Macau, reflectindo as transições e continuidades que definem a sua identidade. Este conceito sublinha a importância de reconhecer e valorizar os momentos significativos que moldam a nossa compreensão do passado e a nossa visão do futuro”, lê-se ainda. A organização entende também que Macau, sendo há muito “um ponto de encontro entre o Oriente e o Ocidente, tem desempenhado um papel crucial na promoção de um diálogo intercultural que enriquece não só as suas tradições locais, mas também o património global”. “Este diálogo é reflectido na arte do território, que frequentemente incorpora elementos visuais, simbólicos e filosóficos de ambas as culturas, criando uma estética única, uma visão multifacetada, que desafia e enriquece o espectador”. Em “Aqui e Agora”, as obras apresentadas “exploram temas que vão desde a identidade cultural até às transformações urbanas e sociais”, descobrindo-se que “a pintura, escultura, instalação, fotografia e vídeo revelam um talento e uma sensibilidade que reflectem tanto a continuidade quanto a transformação cultural num testemunho de contemporaneidade e herança cultural”.
Hoje Macau EventosFotografia | Gonçalo Lobo Pinheiro lança “Close to Me” O fotojornalista Gonçalo Lobo Pinheiro lança esta sexta-feira, na sede da Casa de Portugal em Macau, o livro “Close to Me”. Trata-se de uma obra “pessoal”, num “formato inusitado”, com “fotografias a preto e branco, numa edição tipo nicho, algo muito especial, a começar pelo surpreendente formato, em forma de carteira”, revela o autor O fotojornalista português Gonçalo Lobo Pinheiro, radicado em Macau há 14 anos, apresenta, esta sexta-feira, 13 de Setembro, pelas 18h30, na sede da Casa de Portugal, o seu livro “Close to Me”. Este livro nasce do trabalho realizado para o mestrado em Nova Fotografia Documental na LABASAD – School of Arts & Design, em Barcelona, e também para a edição de 2021 do “24HourProject – Photographers for Social Change”, tendo “um formato invulgar, de carteira, e especial”, bem como “um número limitado de 150 exemplares, numerados e assinados”. Gonçalo Lobo Pinheiro refere, num comunicado, que estas imagens são do dia-a-dia frenético com os filhos. “A ideia inicial deste projecto foi captar a loucura matinal com os meus filhos que acordam todos os dias entre as seis e as sete da manhã, revigorados, prontos para mais um dia cheio de energia. Facto é que, na hora de dormir, as coisas acabam por não ser muito diferentes em alguns aspectos e acabei por misturar os dois momentos do dia, começando à noite”, afirma. Este é um projecto antigo, mas que só agora ganha forma. “Este livro, que queria ter lançado em 2022, apenas chega agora, mas chega com a sensação de que fiz um bom trabalho de casa na procura de uma edição diferente, muito diferente daquilo que têm sido os meus livros desde 2015, altura em que apresente ‘Macau 5.0’, o meu primeiro livro”, descreve. Uma “bela surpresa” Segundo a mesma nota, o fotojornalista declara que a edição de “Close to Me”, que não estava prevista para este ano, acaba por ser uma “bela surpresa”, pois é uma obra “muito pessoal” e “muito específica”. “É a minha família que está ali retratada. Os meus filhos, a minha mulher. A edição, com fotografias a preto e branco, acaba por ser uma obra de autor, uma edição tipo nicho, algo muito especial, a começar pelo surpreendente formato, em forma de carteira”, refere. A escolha deste formato é facilmente explicada por Gonçalo Lobo Pinheiro. “Este formato de carteira serve precisamente para manter as fotos perto de mim, perto de si que compra o livro, assim como quase todos nós, que levamos fotos dos nossos queridos familiares connosco, na carteira”, explica, acrescentando que tem novo livro para ser lançado em Dezembro, que versará sobre fotografia de rua em Macau e terá uma edição mais ao estilo daquilo que vem habituando quem segue os seus projectos ou compra os seus trabalhos fotográficos. “Close to Me”, que é o seu sexto livro editado, estará à venda por 150 patacas no website oficial do fotojornalista e em algumas livrarias de Macau e Portugal. O livro conta com o design da ilustradora Yang Sio Maan e tem a chancela da Ipsis Verbis.
Andreia Sofia Silva EventosLisboa | Cinema Ideal com mostra de filmes de Hong Kong este mês Entre os dias 26 e 29 de Setembro será apresentado no Cinema Ideal, em Lisboa, um ciclo de cinema inteiramente dedicado a Hong Kong e aos seus realizadores. A iniciativa “Making Waves – Navigators of Hong Kong Cinema” contará com a presença de actores e realizadores da região vizinha junto ao Bairro Alto Os amantes do cinema asiático, e em particular de Hong Kong, poderão desfrutar de uma selecção de sete filmes com a assinatura de realizadores da região vizinha, conhecida por ter uma importante indústria cinematográfica desde há várias décadas. A casa de acolhimento do ciclo de cinema “Making Waves – Navigators of Hong Kong Cinema” será o Cinema Ideal, localizado junto ao Bairro Alto, em Lisboa, e que entre os dias 26 e 29 deste mês apresenta sete películas, sendo que o ciclo de cinema contará também com a presença de actores e realizadores. Segundo uma nota do evento, a iniciativa é da Sociedade do Festival Internacional de Cinema de Hong Kong em parceria com a Associação Blue Lotus, sediada em Lisboa. Irão exibir-se sete filmes contemporâneos de Hong Kong, sendo que seis são obras mais recentes e um é um clássico, que se apresentará nas telas do Cinema Ideal com uma cópia restaurada. Trata-se de “Rouge”, de Stanley Kwan, de 1987. Segundo uma nota informativa da associação Blue Lotus, o festival “Making Waves” tem a sua estreia em Lisboa este ano, tratando-se de um evento criado em 2022 e que já passou por várias cidades do mundo, nomeadamente Udine, em Itália; Londres, Pequim, Copenhaga, Tóquio ou Estocolmo. Com este evento, pretende-se “dar a conhecer ao público internacional os novos talentos da região”. Louca história de amor “Rouge”, o único clássico que se apresenta nesta edição do “Making Waves”, é protagonizado pelas estrelas do cantopop Anita Mui Yim-fong e Leslie Cheung Kwok-wing, que, tal como vários artistas de Hong Kong, sempre desenvolveram carreiras paralelas como cantores e actores. Este é considerado um filme icónico da chamada “Segunda Nova Vaga” do cinema de Hong Kong, sendo o realizador Stanley Kwan considerado um dos pioneiros dos filmes LGBT melodramáticos. “Rouge” conta a história de um romance trágico entre uma humilde cortesã e o descuidado descendente de uma família rica, que abraçam a morte num pacto suicida no meio das opulentas casas de chá da Hong Kong dos anos 30. A história prossegue 50 anos mais tarde, quando a cortesã regressa a Hong Kong para encontrar essa história de amor perdida, atraindo um jovem casal para a sua busca pelo amor antigo, que roça a ilusão. Destaque ainda para os filmes “Twilight of the Warriors: Walled In”, de Soi Cheang; “Time Still Turns the Pages”, de Nick Cheuk; “Fly Me To The Moon”, de Sasha Chuk; “In Broad Daylight”, de Lawrence Kan; “The Goldfinger”, de Felix Chong e ainda “Keep Rolling”, de Man Lim Chung. Este último é um documentário realizado em 2020 centrado na carreira de 40 anos de Ann Hui, uma das mais conhecidas realizadoras de Hong Kong e um dos nomes fundamentais do movimento “New Wave” do cinema feito na RAEHK.
Hoje Macau EventosFundação Serralves com mostras de Francis Alÿs, Godard e Francisco Tropa O programa de exposições da Fundação de Serralves, no Porto, nos próximos meses vai contar com uma das maiores mostras do belga Francis Alÿs na Europa, uma selecção de trabalhos do cineasta Jean-Luc Godard e uma exposição de Francisco Tropa. Depois do encerramento, no dia 29 deste mês, da exposição de Yayoi Kusama, o Museu de Serralves vai abrir, em 17 de Outubro, uma exposição do artista belga Francis Alÿs, em parceria com o londrino Barbican. “Desenvolvida em estreita colaboração com o artista, apresentará a série ‘Jogos de Crianças’ (1999-presente), aclamada pela crítica e recentemente expandida após a apresentação do Pavilhão Belga na Bienal de Veneza de 2022. Os visitantes serão envolvidos numa instalação cinematográfica com vários ecrãs, reflectindo a natureza espontânea e auto-organizada das crianças enquanto brincam”, pode ler-se na informação disponibilizada pela fundação. Residente na Cidade do México desde 1986, Alÿs formou-se como arquitecto e foi inspirado pelo seu novo país para se tornar artista visual, como relata o texto biográfico disponível no ‘site’ da galeria David Zwirmer, que o representa. Há duas décadas que Alÿs filma crianças a brincar na rua e “Jogos de Crianças” inclui “cadeiras musicais” no México, saltos no Iraque, saltos à corda em Hong Kong e “lobo e cordeiro” no Afeganistão, refere o ‘site’ do Barbican, onde a exposição “Ricochets” esteve patente até ao passado dia 1. Tropa de regresso Também no museu, mas no dia 7 de Novembro, regressa a Serralves o português Francisco Tropa, que, “misturando arte e engenhosidade técnica, […] recorre a vários suportes – escultura, desenho, performance, gravura, instalação, fotografia e filme – para transmitir uma série de reflexões catalisadas pelas diferentes tradições da escultura, da mitologia e da ciência”. Tropa já marcou presença em Serralves em 1998, 2006 e 2010, tendo sido o representante de Portugal na Bienal de Veneza de 2011. No mesmo mês, a Casa do Cinema Manoel de Oliveira recebe, a partir de dia 12, “Jean-Luc Godard: Tendo em conta os tempos actuais” que “apresenta pela primeira vez uma ampla selecção de desenhos e pinturas da sua infância, demonstrativos da precocidade de temas, motivos e estratégias formais que viriam a marcar o seu cinema, bem como cadernos, esquissos e colagens relacionados com muitos dos seus projetos fílmicos”, segundo a fundação. “Além de trazer pela primeira vez a público um vastíssimo conjunto de obras e documentos inéditos que em muito contribuirão para reavaliar o alcance da sua cruzada iconoclasta, a exposição recordará, ainda, o encontro de Godard com Manoel de Oliveira, em 1995”, acrescentou Serralves. Entre outras iniciativas, como uma exposição na Casa de Serralves que vai assinalar o centenário de Mário Soares, a fundação vai contar com a habitual Festa do Outono, no final de Setembro, e o ciclo Museu como Performance, em Outubro.
Andreia Sofia Silva EventosLivro | Lançado hoje “Macau. Arquitectura e mutações no tecido urbano: uma antologia” É hoje lançado, no Porto, mais uma obra com o cunho da BABEL – Organização Cultural. “Macau. Arquitectura e mutações no tecido urbano: uma antologia” é a obra que compila ensaios e reflexões sobre o panorama arquitectónico e urbanístico de Macau em diversos períodos históricos, nomeadamente desde a revolução republicana chinesa de 1911 até à transição, em 1999 A BABEL – Organização Cultural lança hoje, na Feira do Livro do Porto, um novo livro dedicado à arquitectura e urbanismo de Macau e à sua evolução nos últimos anos. A obra, que tem a chancela da “Circo de Ideias”, intitula-se “Macau. Arquitectura e mutações no tecido urbano: uma antologia” e inclui ensaios e reflexões seleccionados por Tiago Saldanha Quadros, arquitecto, e curadoria fotográfica de Margarida Saraiva. Ambos criaram a BABEL em Macau em 2013, desenvolvendo actualmente projectos culturais e artísticos com esta entidade em Portugal. O lançamento, que acontece a partir das 18h, conta ainda com a presença do arquitecto Jorge Figueira, autor de um dos textos da obra. Porém, este livro inclui muitas outras reflexões sobre um território que tem sofrido profundas mudanças no seu tecido urbano nos últimos anos, à conta dos investimentos na área do jogo, que levaram à construção dos resorts e casinos, ou mesmo do crescimento do turismo. Assim, esta obra “contempla um estudo das transformações no tecido urbano de Macau, com especial foco nas figuras-chave, movimentos e textos que informaram e animaram o discurso arquitectónico das últimas décadas”, aponta um comunicado da BABEL. Além da participação de Jorge Figueira, incluem-se outros autores que se envolveram directamente na obra, nomeadamente Álvaro Siza, Fernando Távora, Francisco Figueira, José Maneiras, Manuel Graça Dias e Manuel Vicente, ambos já falecidos; Mário Duque ou Pedro Vieira de Almeida. Tratam-se de textos que são também “testemunhos e histórias pessoais”. Com apoio Este livro resulta de um estudo financiado pelo Instituto de Estudos Europeus de Macau, com uma bolsa de investigação académica de 2020. Além disso, a edição da obra faz-se com o apoio do Fundo de Desenvolvimento da Cultura do Governo da RAEM, Banco Nacional Ultramarino e Fundação Oriente. O livro divide-se em três partes, pautadas por três momentos históricos: a revolução republicana na China, em 1911; a ocorrência do movimento “12,3” em Macau entre Novembro de 1966 e inícios de 1967; e ainda a fase da transição da administração portuguesa de Macau para a China, em 1999. Incluem-se, assim, “escritos seleccionados, compilados e organizados por arquitectos, professores, investigadores, jornalistas, viajantes e exploradores, provenientes da Ásia, mas também da Europa, América do Norte e Oceania, agora publicados, pela primeira vez, num único volume”. Segundo a BABEL, os três acontecimentos históricos que orientam o conteúdo do livro foram “muito relevantes na história do território, na sua expansão e desenvolvimento”, funcionando “como enquadramento temporal do estudo”. Estes textos assumem uma importância “não só para arquitectos, estudantes e investigadores, mas também para todos aqueles que pretendam compreender melhor as questões identitárias e culturais do urbanismo e da arquitectura de Macau, aliados à qualidade dos textos e à sua dispersão em edições, algumas das quais inacessíveis”, é referido na mesma nota. Abordam-se, assim, no estudo académico que dá origem ao livro, “vários planos temáticos, que vão desde 1911 ao tempo presente, com especial enfoque nas figuras-chave, movimentos e textos que informaram e animaram o discurso arquitectónico das últimas décadas e que documentam as mais significativas transformações verificadas no tecido urbano de Macau”. A obra agrega textos sobre alguns edifícios icónicos do território que se misturam com “ensaios dedicados à discussão de ideias e temas comuns a cada uma das três partes”. Questão de imagem O livro hoje lançado inclui depois um “ensaio visual que integra imagens de obras de artistas que, de algum modo, desenvolveram trabalho sobre Macau, com ênfase na cidade e na arquitectura do território”. Exploram-se aqui fotografias, “stills” de vídeos de artístas e documentos provenientes dos acervos de instituições dedicadas à investigação e estudo da arquitectura. Deste modo, construiu-se “uma narrativa que procura documentar algumas das mutações verificadas no tecido urbano de Macau durante as últimas décadas”. Segundo a BABEL, este livro “não pretende ser uma história recente da arquitectura e do urbanismo de Macau, antes uma leitura interpretativa e crítica de uma sequência cronológica de um conjunto de textos e ensaios aqui coligidos”. Apresenta-se, assim, “uma antologia que configura uma cartografia possível de textos, dos seus autores e dos respectivos planos temáticos”.
Andreia Sofia Silva EventosPoesia | “Poemografia de Macau”, de António Mil-Homens, lançado em Lisboa O fotógrafo António Mil-Homens, antigo residente de Macau, lança hoje em Lisboa, no Centro Científico e Cultural de Macau, o livro “Poemografia de Macau”, onde reúne poemas e fotografias da sua autoria que espelham uma visão muito própria do território. A obra foi editada pelo Instituto Cultural em 2019 Volta hoje a ser lançado o livro “Poemografia de Macau”, da autoria do fotógrafo António Mil-Homens, no Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM). Ex-residente de Macau, para onde foi viver em meados dos anos 90, António Mil-Homens destacou-se como uma personalidade ligada à arte e à imagem, até que decidiu, com esta obra, apostar também na escrita. Este é um lançamento feito alguns anos após a primeira edição de “Poemografia de Macau”, editado em 2019 pelo Instituto Cultural (IC), e que se integra na colecção “Escritores Chineses e Lusófonos”, estando disponível em chinês, português e inglês. Ao HM, António Mil-Homens, que actualmente está radicado em Portugal, disse que esta obra “transcreve” de forma poética a sua experiência com o território. “A intenção de fazer chegar a obra a um público tão vasto quanto possível tinha-me levado à encomenda da tradução para chinês e inglês dos poemas. O título deriva também da ideia de enriquecer o conteúdo com a inclusão de fotografias minhas, captadas desde a minha primeira estadia em Macau, em 1996”, apontou. Mil-Homens explica que, como toda a sua poesia, “o conteúdo [do livro] foi produzido de forma espontânea”, ao contrário da selecção das fotografias para ilustrar o livro. “Se, em termos gráficos, a minha intenção original era de ter um formato maior, quadrado, e daí o formato das fotografias, senti-me honrado com a inclusão da obra na mencionada colecção [do IC]. A anunciada apresentação no CCCM pareceu-me oportuna, na medida em que tem estado patente no mesmo a minha exposição fotográfica ‘Macau, agora e sempre'”. A obra foi lançada em Macau, na Casa Garden, há quatro anos, tendo o autor dito, na altura, que sempre se sentiu bastante ligado à cultura chinesa, e que esse livro é reflexo disso mesmo. “Tenho uma enorme admiração e um profundo respeito. Não ignoro as diferenças e procuro entendê-las. É a minha postura normal relativamente a outras culturas: procurar e analisá-las sem grandes pré-concepções, porque essa é a única forma. Prefiro ter um olhar mais transparente sobre aquilo que me rodeia.” Um dos poemas incluídos neste livro descreve a chegada de António Mil-Homens a Macau em 1996. Mas o autor foi escrevendo de formas diferentes ao longo dos tempos, precisamente pela absorção da cultura chinesa. “De repente ganhei consciência de que o estilo [de escrita] é mais configurativo. Se calhar o estilo de escrita dos poemas reflecte muito daquilo que em mim foi sendo inculcado pela cultura chinesa. Diria que são poemas meus, mas se calhar são muito chineses na forma como foram naturalmente escritos, sem ter tido consciência ou intenção disso”, referiu ao HM na altura. Último dia De frisar que a exposição “Macau, Agora e Sempre” tem estado patente no CCCM e chega amanhã ao fim. Desde o dia 3 de Junho que o público pode ver, de forma gratuita, as melhores imagens captadas por este ex-residente de Macau, que no território trabalhou também como fotojornalista. António Mil-Homens tem estado ligado a outras iniciativas culturais promovidas pelo CCCM, nomeadamente na realização do workshop “Fotografia Elementar”, que decorre nos dias 24 e 25 deste mês. A ideia é que os alunos possam fotografar ou “escrever com a luz”, tendo o Museu de Macau, no piso térreo do CCCM, como base de trabalho.
Hoje Macau EventosCinema | Tim Burton ganha estrela no “Passeio da Fama” O realizador de cinema Tim Burton foi homenageado na terça-feira com uma estrela no passeio da fama em Hollywood, numa cerimónia em que esteve acompanhado pelos actores do seu mais recente filme, ‘Beetlejuice Beetlejuice’, que estreia sexta-feira nos cinemas. O cineasta norte-americano, de 66 anos, destapou a estrela número 2.788, aplaudido por centenas de pessoas que se reuniram em frente à ‘Hollywood Toys & Costumes’, uma conhecida loja de Halloween onde foi decidido imortalizar o seu nome. “Quando soube que [a estrela] estaria aqui quase comecei a chorar, porque venho aqui desde pequeno e a loja não mudou nada”, contou. O realizador fez-se acompanhar pelos atores Winona Ryder e Michael Keaton, estrelas de ‘Beetlejuice Beetlejuice’, sequela do filme de sucesso ‘Beetlejuice’, de 1988, que estreia esta sexta-feira e que conta ainda com a participação de Jenna Ortega (‘Wednesday’) e da sua companheira, Monica Bellucci, protagonista do filme ‘Maléna’. Tanto Ryder como Keaton, que fizeram parte do elenco do primeiro filme de ‘Beetlejuice’, celebraram a criatividade, originalidade e contributo do seu “grande amigo” para o cinema. “O Tim tem uma compreensão tão bela e única do coração humano. Ele conhece a dor dos incompreendidos, do estranho e do invulgar. Não só os compreende, como os celebra. Quer sejam párias, esquisitos, assustadores ou engraçados, ele dá-lhes profundidade, humor e sempre um certo cavalheirismo e isso dá-lhes dignidade”, frisou Ryder, num discurso como convidado de honra da cerimónia. Formação na Califórnia Burton cresceu em Burbank, no condado de Los Angeles, e frequentou o California Institute of the Arts (CalArts), onde estudou animação de personagens e criou as suas primeiras curtas-metragens. Enquanto trabalhava na Disney, em 1982, realizou a sua primeira curta-metragem, ‘Vincent’, um filme a preto e branco de seis minutos que conta a história de um introvertido rapaz de 7 anos chamado Vincent Malloy, que sonha ser igual ao seu ídolo, o ator norte-americano Vincent Price. Sob o seu estilo distinto e o seu tema gótico sombrio, as suas obras incluem inúmeros títulos, como ‘Corpse Bride’ (‘A Noiva Cadáver’), ‘Batman’, ‘Edward Scissorhands’ (‘Eduardo Mãos de Tesoura’) o ‘Planet of the Apes (‘O Planeta dos Macacos’). Com ‘Sweeney Todd: O Terrível Barbeiro de Fleet Street’, ganhou o Globo de Ouro de 2007 para Melhor Filme (Musical ou Comédia). Filmes como ‘Ed Wood’ (1994), ‘Sleepy Hollow’ (‘A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça’, 1999), ‘Big Fish’ ou ‘Alice in Wonderland’ (‘Alice no País das Maravilhas’, 2010) recebeu inúmeras nomeações e prémios para os Óscares, BAFTA e Globos de Ouro, consolidando o seu estatuto de um dos maiores cineastas de todos os tempos.
Hoje Macau EventosUCCLA | Camões merecia “maior reconhecimento” O secretário-geral da União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA) considera que “a grandeza da personalidade universalista” de Camões merecia “um maior e mais cuidado reconhecimento”, nomeadamente nas comemorações oficiais do V centenário do nascimento do poeta. Vítor Ramalho falava à Lusa a propósito da homenagem que vai ser feita a Luís Vaz de Camões, assim como ao líder africano Amílcar Cabral, durante o XII Encontro de Escritores de Língua Portuguesa, que decorre entre esta quinta-feira e domingo na capital cabo-verdiana. “Era necessário, dada a grandeza da personalidade universalista que é o Luís Vaz de Camões, e invulgar ao nível do que representou e tem representado desde o século XVI, um maior e mais cuidado no reconhecimento, sem prejuízo das investigações que estão a ser feitas e das publicações a que deram lugar”, disse. E prosseguiu: “Acho que seria muito mais consequente a missão que foi constituída, e que parece que, do ponto de vista financeiro, não foi dotada das verbas adequadas”. Ainda assim, enalteceu “o conjunto de obras que foram publicadas por várias editoras, quer de escritores consagrados, como foi o Jorge de Sena, quer depois de investigadores; e são inúmeros os livros que foram publicados. A esse nível diria que há um esforço das editoras para o fazer”. Luís de Camões “não é apenas o homem dos Lusíadas, é um homem da lírica, é um viajante do mundo, um homem que esteve em Macau, na ilha de Moçambique, passou por África”, adiantou. “Teria sido interessante, útil e necessário ter-se feito esta mais-valia do que ele representa, enquanto pessoa, e dar a conhecer o orgulho da dimensão que um português tem tido ao longo dos séculos”, observou. O secretário-geral da UCCLA lembra que “não é por acaso que o 10 de Junho [dia de Camões] é, no fundo, o dia de Portugal e das próprias comunidades espalhadas pelo mundo”.
Andreia Sofia Silva EventosCCCM | João Miguel Barros fala sobre história da fotografia chinesa Decorre amanhã, no Centro Científico e Cultural de Macau, mais uma sessão da iniciativa “Conversas Sábias”, desta vez com João Miguel Barros, advogado e fotógrafo radicado em Macau. “A Fotografia Chinesa desde a Revolução Cultural até ao século XXI” será o tema da sessão, onde o co-fundador da associação Halftone promete falar do impacto desse período da história chinesa na fotografia O Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM) acolhe amanhã mais uma sessão da iniciativa “Conversas Sábias”, que conta com convidados que tiveram experiências em Macau, China ou no mundo asiático em geral e que pretendem partilhar, de forma informal, essas vivências com o público. Desta vez o convidado é João Miguel Barros, advogado e fotógrafo, que irá falar sobre “A Fotografia Chinesa desde a Revolução Cultural até ao século XXI”. Na descrição do evento, pode ler-se que os anos da Revolução Cultural na China, entre meados dos anos 60 e 70, representaram “um período de asfixia na produção artística em todos os sectores da sociedade chinesa”, sendo que “a prática fotográfica era genericamente propagandística e de apologia do regime”. Porém, “com a morte de Mao Zedong, a nova liderança política tolerou a criação de diversos movimentos, nem todos orgânicos, e de novas práticas artísticas”. Desta forma, o advogado e fotógrafo vai tentar identificar “os principais movimentos que estiveram na origem do nascimento da fotografia contemporânea chinesa”, além de evidenciar “alguns dos fotógrafos mais importantes dos finais do séc. XX, cuja influência ainda se faz sentir em parte das novas gerações de artistas chineses”. Livros na galeria Radicado há vários anos em Macau, João Miguel Barros começou a apostar mais na fotografia e na curadoria de exposições nos últimos anos, possuindo actualmente uma galeria de fotografia em Lisboa, a Ochre Space. João Miguel Barros diz ter-se preparado para esta sessão de “Conversas Sábias” com base nos mais de três mil livros de fotografia que possui na galeria, pertencentes à sua biblioteca pessoal. A Ochre Space é um “espaço vocacionado para promover a fotografia contemporânea e a vídeo arte”. A iniciativa “Conversas Sábias” no CCCM decorre durante os próximos meses. A sessão da próxima quinta-feira, 12, será com Carlos Leone, que irá falar da temática “Do Golfo à Ásia Menor”. Carlos Leone, formado em Filosofia, tem experiência como jornalista, autor, professor e tradutor. Durante 10 anos foi analista político da embaixada dos Emirados Árabes Unidos em Lisboa. Actualmente, é investigador do Centro de Estudos Globais da Universidade Aberta. Pelo CCCM, para estas sessões, já passaram convidados como Marco Duarte Rizzolio, residente de Macau e co-fundador do concurso de empreendedorismo “929 Challenge”, ou ainda José Sales Marques, economista, que no dia 18 de Julho falou sobre a relação entre Macau e a União Europeia.
Andreia Sofia Silva EventosCinemateca Paixão | Três filmes com géneros distintos para ver em Setembro Terror, comédia e drama. Três ingredientes disponíveis nos filmes incluídos na selecção “Amuletos de Setembro”, para ver nos próximos dias na Cinemateca Paixão. Destaque para “Black Dog”, filme chinês que obteve grande destaque na última edição do Festival de Cinema de Cannes Arranca hoje a habitual secção de filmes intitulada “Amuletos de…” e neste caso são os “Amuletos de Setembro” que trazem, para já, três películas para ver em várias sessões. A primeira exibição do filme de terror “Long Legs”, do realizador Oz Perkins, conhecido actor, tem lugar já amanhã. Com exibições repetidas este sábado e dia 12, na próxima semana, “Long Legs”, “Coleccionador de Almas” na versão portuguesa, é considerado “o filme de terror mais arrepiante do ano”, contando no elenco com o famoso actor Nicolas Cage. Nesta história, uma agente do FBI, interpretada por Maika Monroe, persegue um assassino em série. No percurso acaba por descobrir uma série de pistas ocultas que a levam a desvendar uma onda de assassinatos que deixaram marcas terríveis. O filme tem sido um enorme sucesso, com mais de 20 milhões de dólares nas bilheteiras no fim-de-semana de estreia nos Estados Unidos. Superou mesmo, em receitas de bilheteira, o filme “Hereditário”, tornando-se no filme de terror com maiores receitas de bilheteira da última década. Do terror passamos para a comédia com “Problemista”, exibido esta quarta-feira a partir das 19h30, e com repetição na próxima terça-feira, dia 10 de Setembro, no mesmo horário. Com realização de Julio Torres, escritor do programa “Saturday Night Live” e com a conhecida actriz Tilda Swinton no grande ecrã, o filme não é mais do que uma “comédia distópica de imigrantes americanos”. Na tela, revela-se a história de Alejandro, um “menino da mamã” e designer de brinquedos natural de El Salvador, que viaja para Nova Iorque para realizar o seu “sonho americano”, à semelhança de tantos imigrantes. Porém, perante a possibilidade de ter de deixar os EUA com o fim do visto de trabalho, recorre à mulher de um artista peculiar para ser a sua fiadora. Ao lidar com as exigências estranhas do seu patrão, Alejandro embarca numa aventura surrealista pela cidade de Nova Iorque. História da China O cartaz deste mês completa-se com a exibição de “Black Dog”, exibido pela primeira vez esta quinta-feira e com repetições no domingo, quarta-feira dia 11, sexta-feira 13 e depois no sábado dia 21 de Setembro. Trata-se de um filme que fez furor na edição deste ano do Festival de Cinema de Cannes, obtendo o prémio “Palma de Ouro do Júri” e ganhando na secção “Un Certain Regard” para melhor filme. Em 2008, a personagem principal, Erlang, acaba de sair da prisão e regressa à sua cidade natal, que está repleta de cães vadios. Ao juntar-se a uma equipa de resgate de animais, acaba por adoptar um cão preto, formando-se então laços emocionais fortes entre os dois. Este mês podem ainda ser revistos películas em exibição, nomeadamente “Do Not Expect Too Much From the End of The World”, que repete esta sexta-feira; “Millenium Mambo”, com repetição no sábado; e ainda “Un Actor Malo”, com nova exibição este domingo.
Hoje Macau EventosAntónio Chainho despede-se dos palcos aos 86 anos O guitarrista e compositor António Chainho decidiu pôr fim à carreira aos 86 anos, realizando um último espectáculo este mês, em Lisboa, uma decisão que justificou por “sentir dificuldades em tocar alguns temas”. “Comecei a sentir que estava na hora de deixar a guitarrinha, que nunca vou deixar. Quem começa a brincar com este instrumento aos 6 anos é impossível largá-lo”, disse o músico, em entrevista à agência Lusa. O espectáculo de despedida dos palcos, “Lisboa Saudade”, está marcado para 13 de Setembro. Com cerca de 60 anos de carreira, Chainho afirmou à Lusa que um dos motivos que o levou a tomar esta decisão foi quando notou problemas no dedo indicador da mão direita, “que é base para tocar”. “Nas coisas que eu aprendi com os grandes guitarristas, nas mais complicadas, aí já sinto uma certa dificuldade”, disse o autor de “Voando sobre o Alentejo”, comparando os dedos de um guitarrista às pernas dos corredores. “Eu estou a sentir agora os problemas dos quase 90 anos de idade”. A vida numa guitarra António Chainho nasceu a 27 de Janeiro de 1938 em Santiago do Cacém, e conseguiu a proeza de gravar um disco, “O Abraço da Guitarra”, depois dos 85 anos. “Não tenho conhecimento de alguém que tenha gravado depois dos 60 anos. Carlos Paredes ainda tentou gravar, e em relação aos outros guitarristas não tenho conhecimento de alguém que tenha gravado depois dos 80 anos”, disse. António Chainho recordou os primeiros passos que deu na aprendizagem da guitarra portuguesa, o seu instrumento de eleição, de objecto de brincadeira, também por influência do pai “que tinha magníficos dedos”, aliando o seu “bom ouvido musical”, escutando as melodias que ouvia na rádio, por aqueles a quem chama os seus mestres, Armandinho, Raul Nery, Jaime Santos, entre outros. O serviço militar obrigatório levou-o a Lisboa, onde contactou directamente com o meio fadista, “estreando-se” em meados de 1960, numa casa de fados na Praça do Chile, onde tocou ainda “vestido à magala” e saiu em ombros, tal o êxito alcançado. Cumpriu o serviço militar em Moçambique, e regressou, quando se deu o seu encontro com o seu conterrâneo Carlos Gonçalves (1938-2020), autor das músicas de “Lavava no Rio, Lavava” ou “Lá Vai Maria”, de autoria e criação de Amália Rodrigues. Carlos Gonçalves convenceu-o a ficar no seu lugar na casa de fados Retiro da Severa, onde permaneceu cerca de seis meses, mudando-se depois para o restaurante O Folclore, também em Lisboa, que era apoiado pelo então Secretariado Nacional de Informação, Cultura Popular e Turismo (SNI). Iniciou uma carreira de acompanhante e, a determinada altura porque “não tinha tempo para estudar” as melodias e compor, optou por acompanhar os fadistas Carlos do Carmo e Frei Hermano da Câmara, durante mais de 20 anos, e também, “mas menos tempo”, Teresa Tarouca. Mais tarde, trabalhou com Rão Kyao, com quem fez o álbum “Pão, Azeite e Vinho” e realizou uma digressão. A lista de músicos que acompanhou e com quem gravou é vasta e inclui nomes como Maria Bethânia, Adriana Calcanhotto, Marta Dias, António Calvário, Paco de Lucia, John Williams, María Dolores Pradera, José Carreras, Jürgen Ruck, Pedro Abrunhosa, Paulo de Carvalho, Ana Bacalhau, Sara Tavares ou Rui Veloso. O músico reconheceu que sentirá saudades da carreira à qual põe termo, mas continuará “a tocar para os amigos” e a acompanhar a escola que ostenta o seu nome em Santiago do Cacém. Apontado como “um dos virtuosos da guitarra portuguesa” pela “Enciclopédia da Música em Portugal no século XX”, António Chainho foi condecorado pelo Presidente da República, em Março de 2022, com o grau de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique.
Hoje Macau EventosMAM | Exposição de Bronzes Chineses inaugurada esta sexta-feira O Museu de Arte de Macau inaugura, esta sexta-feira, a exposição “O Esplendor dos Bronzes Chineses: Obras-Primas do Museu Nacional da China”, que pretende mostrar a beleza dos antigos artefactos feitos em bronze. O público pode ver 150 peças cedidas pelo Museu Nacional da China Os interessados pela história e cultura da China podem desfrutar, a partir de sexta-feira, de uma nova exposição que lhes apresenta os antigos artefactos feitos em bronze no país nos tempos do Império. É inaugurada, a partir das 18h de sexta-feira, no Museu de Arte de Macau (MAM), a mostra “O Esplendor dos Bronzes Chineses: Obras-primas do Museu Nacional da China”, que dará a conhecer mais de 150 artefactos de bronze antigos da colecção do Museu Nacional da China. Incluem-se, segundo um comunicado do Instituto Cultural, 28 artefactos nacionais “de primeira classe”, nomeadamente o “Nao”, instrumento musical chinês, feito em bronze e com o padrão de elefante, ou o “Yan – Zuo Ce Ban”, um vaporizador feito em bronze também, ou o “Gui – Liu Nian Diao Sheng”, um recipiente ritual para os alimentos, tal como o “Gui – Shi You”. Segundo a mesma nota, “os artefactos de bronze antigos que fazem parte do património cultural mais significativos da China têm um papel crucial na história da arte mundial com as suas múltiplas categorias, formas únicas, padrões elegantes, inscrições diversas e técnicas complexas de fundição e modelagem”. Estas peças eram designadas por “Jin” ou “Jijin” na China antiga, tratando-se de “artefactos de bronze que estiveram quase sempre associados ao alvor da civilização, tratando-se da prova mais representativa da origem, desenvolvimento e prosperidade da civilização chinesa”. Bronze ao quadrado O IC descreve que a iniciativa “é a maior e mais excepcional exposição de bronze antigo alguma vez realizada em Macau”. O público pode ver as peças distribuídas por cinco secções, nomeadamente “Arte Visual dos Artefactos de Bronze, Decoração e Padrões, Inscrição e Caligrafia, Perícia Técnica na Produção de Artefactos de Bronze e Ferrugem e Corrosão”. Para o IC, o público terá acesso a uma “exposição intrigante, onde se poderá ver uma panóplia de artefactos de múltiplas épocas, várias categorias e formas, alguns dos quais serão exibidos pela primeira vez fora do continente”. Haverá ainda o complemento de experiências multimédia interactivas, que serão “educativas e de fácil compreensão”, proporcionando aos espectadores “a oportunidade de compreender melhor o desenvolvimento da antiga civilização chinesa, bem como as ricas conotações e as características essenciais da cultura chinesa”. No sábado, terá lugar uma palestra e um workshop sobre a temática dos bronzes antigos na China. Trata-se da “Palestra Dedicada à Exposição dos Artefactos de Bronze: Características Estruturais e do Significado Cultural do ‘Padrão Tigre Devorador de Homem’ Surgido nas Dinastias Shang e Zhou”. O orador será Zhai Shengli, vice-director do Departamento de Exposições e investigador do Museu Nacional da China, sendo analisada “uma selecção de artefactos com este padrão do Museu Nacional da China e as descobertas de estudos relevantes”. O workshop sobre artefactos chineses antigos feitos em bronze será ministrado por Hao Shuangjun, educadora do Departamento de Educação Social do Museu Nacional da China, destinando-se a crianças dos sete aos dez anos. Estes irão aprender mais sobre “o processo de fundição do bronze, orientando-os no processo de criação de caldeirões de bronze em miniatura”. As inscrições para estas actividades podem ser feitas na plataforma da Conta Única de Macau até esta quarta-feira, dia 4. A exposição no MAM pode ser visitada até ao dia 10 de Novembro.
Hoje Macau EventosColoane | Galeria Hold On to Hope recebe exposição de fotografia A Halftone – Associação Fotográfica de Macau associou-se ao projecto Hold On to Hope para apresentar, em Coloane, uma nova exposição de fotografia intitulada “Pequeno Formato”. A inauguração acontece este domingo na Galeria Hold On to Hope, às 16h, na Aldeia de Nossa Senhora de Ká-Hó, em Coloane, e ficará patente até 29 de Setembro. Segundo um comunicado da organização, esta exposição inclui trabalhos de fotografia de “onze dos talentosos membros da Halftone”, nomeadamente Elói Scarva, Francisco Ricarte, Gonçalo Lobo Pinheiro, Joana Freitas, João Palla, José Sales Marques, Lurdes de Sousa, Nelson Silva, Ricardo Meireles, Rusty Fox e Sara Augusto. Tratam-se de pessoas com ou sem experiência na fotografia que, muitas vezes, além das suas profissões, gostam de captar imagens e momentos com a sua máquina. A organização do evento denota que “embora o espaço disponível na galeria possa ser limitado, esta exposição prova que a arte impactante pode prosperar mesmo em formatos compactos”. “Cada fotografia exposta foi cuidadosamente elaborada para maximizar o impacto artístico dentro das dimensões da parede. Através desta exposição, a Halftone visa não apenas celebrar o espírito criativo dos seus fotógrafos, mas também apoiar o importante trabalho da Associação ARTM, à qual será doada uma parte dos lucros”. A ARTM – Associação de Reabilitação dos Toxicodependentes de Macau é a associação que gere a Hold On to Hope. Com esta exposição, convida-se o público a “descobrir o poder da fotografia compacta e contemplativa, contribuindo para uma causa filantrópica significativa”.
Andreia Sofia Silva EventosTorre de Macau | “Curiouser and Curiouser” para ver até Setembro Chama-se “Curiouser and Curiouser – Excursion in Alice’s Secret Garden” e é uma iniciativa cultural que está de regresso ao piso térreo do Centro de Convenções e Exposições da Torre de Macau até ao dia 20 de Setembro. Com curadoria de Mel Cheong, a quarta edição do evento apresenta espectáculos de mímica, dança, teatro e obras criativas Pode ser vista até ao dia 20 de Setembro, no átrio da Torre de Macau, a nova edição de um projecto artístico com curadoria de Mel Cheong intitulado “Curiouser and Curiouser – Excursion in Alice’s Secret Garden”. Trata-se de uma iniciativa organizada pela Associação Rota das Artes [Route Arts Association” e o Centro de Convenções e Exposições da Torre de Macau, contando com o apoio do Fundo de Desenvolvimento da Cultura. Tendo como base o mundo de “Alice no País das Maravilhas”, pretende-se dar a conhecer o trabalho de diversos artistas de Macau, além desta exposição ser o mote para comemorar o 75.º aniversário de implantação da República Popular da China e o 25.º aniversário da Região Administrativa Especial de Macau. “Esperamos que os artistas de Macau possam também oferecer às crianças locais presentes misteriosos exclusivos sob a forma de criação artística, incluindo música ao vivo, mímica, leitura de livros e oficinas criativas, permitindo que as crianças passem um ano cheio de alegria através deste evento”, refere-se num comunicado da organização. Com este evento, pretende-se “mostrar a criatividade dos artistas locais, de modo a despertar o interesse das pessoas por diferentes formas criativas”. Assim, com “Curiouser and Curiouser”, pretende-se “dar aos artistas a oportunidade de criar e partilhar isso com o público”. Workshops e companhia Além da exposição propriamente dita, “Curiouser and Curiouser” inclui workshops artísticos e de leitura de livros em parceria com a Cooperativa Distância Zero. O objectivo passa por “proporcionar uma experiência diferente de leitura de livros, realizando-se workshops criativos”. Assim, o público pode ver “uma instalação artística misteriosa” e desfrutar de uma “experiência de teatro caloroso com música ao vivo”. Desde o dia 5 de Agosto que esta iniciativa decorre no átrio da Torre de Macau. Todos os domingos realizam-se espectáculos de teatro com música às 15h e 16h, organizando-se também workshops criativos todos os sábados às 14h30 e 16h. Mais concretamente, o espectáculo de mímima com música ao vivo realizou-se, pela primeira vez, no último domingo, repetindo-se nos dias 1, 8 e 15 de Setembro. Haverá ainda sessões de leitura de livros e oficina criativa no dia 31 de Agosto e também nos dias 7 e 14 de Setembro. Além disso, no dia 7 de Setembro irá decorrer um workshop especial de beneficência. Vale tudo para descobrir o maravilhoso mundo de “Alice no País das Maravilhas”, com eventos para crianças e os mais adultos. A entrada é livre para todos os eventos.
Hoje Macau EventosFogo Artifício | Oleiros encerra concurso internacional Chama-se “Pirotecnia Oleirense” e é a empresa portuguesa escolhida pela Direcção dos Serviços de Turismo para encerrar o Concurso Internacional de Fogo-de-Artifício. O evento deste ano é descrito como especial por celebrar os 75 anos da implantação da República Popular da China e os 25 anos da RAEM A empresa Pirotecnia Oleirense, com sede em Oleiros, distrito de Castelo Branco, vai encerrar, a 6 de Outubro, o Concurso Internacional de Fogo-de-Artifício de Macau, foi ontem anunciado. Numa conferência de imprensa, a Direcção dos Serviços de Turismo (DST) referiu que a equipa portuguesa irá apresentar o espectáculo intitulado “O Olhar Humano”, o último dos dez espectáculos da 32.ª edição do concurso. De acordo com a DST, o espetáculo da Pirotecnia Oleirense vai reflectir sobre os “significados mitológicos das estrelas”, em “uma viagem sem espaço nem tempo definidos”, que será “o final perfeito para o concurso”. Além de Portugal, o concurso deste ano vai apresentar espectáculos com uma duração de 20 minutos, a combinar fogo-de-artifício e música, de companhias vindas da Rússia, França, Canadá, Tailândia, Espanha, Filipinas, Japão, China continental e Itália. A edição deste ano irá também comemorar, a partir de 7 de Setembro, os 75 anos da fundação da República Popular da China e dos 25 anos da transferência de administração de Macau. Casinos ajudam O subdirector da DST, Cheng Wai Tong, disse à Lusa que o orçamento aumentou 2,5 por cento em comparação com 2023, para 18 milhões, sobretudo devido à “subida do preço de transporte” do fogo de artifício. A maioria do orçamento vai ser financiado pelas seis operadoras de jogo em Macau, referiu Cheng. O dirigente prevê que, dependendo das condições climatéricas, o concurso poderá atrair à cidade tantos turistas como no ano passado, “mais ou menos 700 mil”. Na edição de 2023, a primeira após uma pausa de três anos devido à pandemia de covid-19, a Macedos Pirotecnia, com sede no concelho de Felgueiras, no distrito do Porto, apresentou o espectáculo “Supernova”. O Reino Unido foi o vencedor e a China e o Japão ficaram no segundo e terceiro lugares, respectivamente. O concurso coincide parcialmente com a chamada ‘semana dourada’ do Dia Nacional da China. No ano passado, Macau recebeu mais de 116.500 turistas por dia nesse período, que concentrou vários feriados, entre 29 de Setembro e 06 de Outubro.
Andreia Sofia Silva EventosHistória | Centenário da viagem do “Pátria” origina podcast Foi em 1924 que Brito Pais, Sarmento de Beires e Manuel Gouveia viveram aquela que viria a ser a aventura das suas vidas. A viagem do avião “Pátria” aconteceu há cem anos, ligou pela primeira vez Portugal e Macau por via aérea e, para comemorar essa efeméride, foi criado um podcast produzido pela Força Aérea Portuguesa e pela Universidade do Porto, com o apoio do jornal Público O primeiro episódio intitula-se “Vila Nova de Milfontes – Málaga: sob chuva e vento” e relata os primórdios de uma aventura com cem anos que ficou para a história da aviação portuguesa. É assim o novo podcast sobre o centenário da viagem do “Pátria”, que começou em 1924 e que ligaria, pela primeira vez, Portugal e Macau pelo ar. A produção é da responsabilidade da Universidade do Porto e da Força Aérea Portuguesa, e conta com o apoio do jornal Público. Na introdução ao projecto, lê-se que “foi há cem anos que três portugueses voaram pela primeira vez entre Portugal e Macau, numa altura em que a audácia humana testava continuamente os limites de uma aviação nascente”. Nessa altura, “a viagem transcontinental de Brito Pais, Sarmento de Beires e Manuel Gouveia, apoiada e seguida atentamente pelos portugueses de então, deixou uma marca na história da aviação”. Brito Pais, Sarmento Beires e Manuel Gouveia meteram-se num pequeno avião e a primeira paragem fez-se em Málaga, Espanha, conforme descreve o primeiro episódio de um podcast já com quatro capítulos e que pode ser ouvido na plataforma Spotify. “A cada minuto é preciso fugir aos montes que quase razamos por vezes. Fugir às nuvens. (…) Durante cerca de meia hora, somos forçados a meter-nos proa a su-sudoeste, depois de termos tentado, debalde, romper o temporal que redobra. (…) Finalmente, o mar, enraivecido e cavernoso (…), os últimos contrafortes da serra de Cádiz balaçavam-nos implacavelmente”, descreve o narrador do primeiro episódio quando conta como os aviadores conseguiram ultrapassar a fúria da tempestade. No segundo episódio, intitulado “Málaga – Túnis: calma no Mediterrâneo ocidental”, a “travessia do Mediterrâneo decorre sem grandes problemas”. “Os aviadores sobrevoam as terras argelinas sob domínio francês, fascinados com uma paisagem que não lhes é habitual, e são testemunhas dos esforços de ligar por via aérea os principais centros urbanos do Magrebe – e estes à Europa – e vencer o Saara. Mas subsistem focos de resistência à ação colonizadora francesa”, lê-se na descrição do episódio. Chegada ao deserto No terceiro episódio do podcast já os aviadores vão mais longe na aventura. “Túnis – Trípoli: às portas do Saara” conta como “ainda fascinados pelo exotismo da antiga Túnis, os nossos aviadores recebem notícias dos seus colegas que, um pouco por todo o mundo, querem mostrar a capacidade dos aviões para a realização de viagens de longo curso”. Na viagem, Brito Pais, Sarmento Beires e Manuel Gouveia “acompanham a costa tunisina e, do alto, o esplendor do Saara revela-se-lhes pela primeira vez”. Além disso, chegam à chamada “Líbia italiana, onde se mantém um conflito feroz e prolongado entre os colonizadores e as populações locais”. No quarto e último episódio, o foco faz-se na travessia do deserto entre Trípoli, na Líbia, e o Cairo, no Egipto. “Saindo de Trípoli, o ‘Pátria’ segue a costa da Líbia e atravessa a extensão mediterrânea do Saara sob um forte vento, o ‘guibli’, que o envolve numa escaldante tempestade de areia. Mas não tem sucesso na travessia logo à primeira tentativa. Os portugueses chegam a uma Bengazi que é um centro militar, mas também uma cidade colonial em construção, numa região em que a força conjunta de árabes e berberes se opõe tenazmente à colonização italiana. Depois, é de novo o deserto – quente, mas menos ameaçador – até ao delta do Nilo”, é referido na descrição do episódio. Este ano tem sido pautado por diversos eventos comemorativos de uma viagem que marcou a história da aviação portuguesa e que acabou por cair um pouco no esquecimento. No caso de Macau, o centenário da viagem foi celebrado com uma exposição itinerante, a apresentação do livro “De Portugal a Macau, a Viagem do Pátria”, a realização de diversas conferências e o descerramento de uma placa comemorativa. Estas actividades integraram mesmo o cartaz do “Junho – Mês de Portugal” que todos os anos celebra o 10 de Junho – Dia de Portugal, Camões e das Comunidades Portuguesas.
Hoje Macau EventosConcurso | Dois jovens músicos ganham prémio do IC Na 42.ª edição do Concurso para Jovens Músicos de Macau, promovido pelo Instituto Cultural, dois residentes sagraram-se vencedores: Lam Cheok Seng e Wang Iat Ham. Os prémios foram entregues no passado dia 15 e foi premiada a música chinesa e ocidental Chegou ao fim a 42.ª edição do Concurso para Jovens Músicos de Macau, uma iniciativa do Instituto Cultural (IC), tendo sido premiados dois jovens: Lam Cheok Seng e Wang Iat Ham. Os prémios foram entregues no passado dia 15 na Escola Oficial de Seac Pai Van. Lam Cheok Seng, de 20 anos de idade, venceu o “Prémio Instituto Cultural (Solo Instrumental Chinês)”, nomeadamente o título de “Grande Campeão no Nível Avançado da categoria de Solo Instrumental Chinês”. O jovem começou a aprender percussão chinesa aos oito anos de idade, sob a tutela de Li Chang, no Conservatório de Macau, tendo também recebido orientação de Wang Jianhua, “conceituado instrutor de percussão chinês”, e Chen Zuohui, “intérprete de primeira classe a nível nacional”, descreve o IC, numa nota. Lam Cheok Seng é, assim, instruendo da percussão chinesa há mais de 12 anos, tendo já participado em diversos concertos e concursos. Actualmente é membro da Associação Chinesa de Percussão de Macau. No caso de Wang Iat Ham, com 12 anos, sagrou-se vencedora do “Prémio Instituto Cultural (Solo Instrumental/Vocal Ocidental)”, obtendo o título de “Grande Campeão no Nível Avançado da categoria de Solo Instrumental/Vocal Ocidental”. Nascida no seio de uma família musical, Wang estudou violino com Wang Hao, violista da Orquestra de Macau, e Ivan Chan, professor associado de Música de Câmara de Cordas na Academia de Artes Performativas de Hong Kong. Começou a aprender violino aos quatro anos de idade, tendo revelado o seu talento musical desde muito jovem: venceu o título de Grande Campeão no Concurso de Prémios Especiais (Nível Elementar) no 36.º Concurso para Jovens Músicos de Macau aos cinco anos de idade e obteve um Certificado ABRSM de Grau 8 com Distinção aos oito anos de idade. Além destes dois nomes, o IC entregou ainda 20 prémios especiais nas categorias de música chinês e música ocidental. Grande participação A 42ª edição do Concurso para Jovens Músicos de Macau contou com a participação de mais de 900 concorrentes, tendo decorrido de 24 de Julho a 11 de Agosto, com um total de 74 sessões de provas em 67 categorias musicais. Os vencedores do primeiro prémio de cada categoria e os concorrentes ou agrupamentos recomendados pelo júri deste ano puderam competir nas categorias de solo de nível elementar, intermédio e avançado, e agrupamento do Concurso de Prémios Especiais. Relativamente a estes prémios, o músico Chu Hok In foi o “Grande Campeão” na categoria de Solo Instrumental Chinês, seguindo-se o “Vice-Campeão” Lei U Kio e Ho Cheok Hei como o “Segundo Vice-Campeão no Nível Elementar”. No caso do “Prémio de Melhor Actuação” na categoria de Agrupamento Instrumental Chinês foi atribuído a Li Cheng In, Suen Chi Kei e Wu Ka Yu. Já na categoria de Solo Instrumental/Vocal Ocidental o “Grande Campeão” foi Au Chon Kin. O “Prémio de Melhor Actuação” na categoria de Agrupamento Instrumental/Vocal Ocidental foi atribuído a Ho Nok Hin e Wang Iat Ham.
Andreia Sofia Silva EventosCreative Macau | Nova exposição colectiva inaugurada amanhã Vários modos de expressão artística estarão patentes, a partir de amanhã, na galeria da Creative Macau. Na exposição “Século XXI – Exposição Colectiva de Membros do 21.º Aniversário” cabem 29 participantes, onde se inclui o fotógrafo e arquitecto Francisco Ricarte, o cartunista Rodrigo de Matos ou o designer João Jorge Magalhães Chama-se “Século XXI – Exposição Colectiva de Membros do 21º Aniversário” e é a nova exposição apresentada amanhã na Creative Macau. O público terá a oportunidade de conhecer as obras de 29 artistas locais nas mais diversas modalidades artísticas, incluindo a fotografia de Francisco Ricarte, os cartoons de Rodrigo de Matos, que habitualmente desenha para os jornais Ponto Final e Expresso, em Portugal; e ainda o design do macaense João Jorge Magalhães. Podem também ser vistas obras do pintor Denis Murrell, radicado em Macau há muitos anos, ou de Elisa Vilaça, especialista no trabalho com marionetas e ligada à Escola de Artes e Ofícios da Casa de Portugal em Macau. Segundo uma nota da Creative Macau, a ideia aqui é revelar vários tipos de estilos artísticos. “Ao longo dos últimos séculos, a arte tem sido classificada em diferentes períodos, estilos e doutrinas, como o Renascimento, o estilo Barroco, a Pop Art, a Arte Contemporânea, entre outros. Estes movimentos artísticos distintos surgiram em resposta aos fenómenos sociais das suas respectivas épocas.” A Creative Macau recorda que “as origens da arte remontam à Idade Paleolítica”, sendo que ao longo dos séculos têm sido vários os movimentos, expressões e meios para desenvolver essa mesma arte. Uma delas foi a era digital e da Internet, influenciando “significativamente a produção criativa dos artistas” e permitindo “que os artistas se ligassem e comunicassem uns com os outros, integrassem diferentes culturas na sua arte e chegassem a um público global”. Arte em rede Com o tema “Rede Criativa no Século XXI”, a exposição da Creative Macau é um reflexo de como “a Internet tem desempenhado um papel vital na indústria cultural enquanto meio de ligação entre as pessoas”. No caso da Creative Macau – Centro das Indústrias Criativas, em particular, em 21 anos de existência “tem estado na vanguarda desta tendência [da ligação em rede da arte], reunindo artistas de várias áreas para partilharem as suas criações com o público e comunicarem entre si”. Uma vez que os 21 anos da entidade se celebram este ano, pretende-se, com esta mostra, “proporcionar uma plataforma para os seus membros partilharem livremente a sua criatividade com o público, através de exposições e outras actividades que organiza todos os anos como um meio de mostrar obras de arte”. Outros artistas que colaboram com esta exposição, e que já expuseram os seus trabalhos na Creative Macau, em mostras individuais ou colectivas, são Ada Mok, Alan Chang, Alice Costa, Angel Chan, Carmen Lei, Christopher Lei, Coco Cheong e David Chio. Destaque também para o nome de Maria João Das, designer de moda que tem vários anos de experiência na área da indústria têxtil e do designer, tendo sido docente nos cursos de moda da Universidade de São José.
Hoje Macau EventosMoMA, em Nova Iorque, exibe cinema português Um ciclo dedicado ao cinema português que percorre 50 anos de história, do realizador Manoel de Oliveira a Miguel Gomes, vai decorrer entre Outubro e Novembro no Museu de Arte Moderna (MoMA) de Nova Iorque, segundo a programação. Intitulado “The Ongoing Revolution of Portuguese Cinema” (“A revolução em curso no cinema português”, em tradução livre), o ciclo vai decorrer entre 17 de Outubro e 19 de Novembro, partindo dos 50 anos da Revolução dos Cravos que “pôs fim a quatro décadas de fascismo em Portugal”, recorda um texto sobre o evento divulgado na página do museu na Internet. A organização do ciclo é da responsabilidade de Francisco Valente, crítico de cinema, realizador e programador, assistente de curadoria do Departamento de Cinema do MoMA, que contou com a colaboração do Arquivo Nacional de Imagens em Movimento e da Cinemateca Portuguesa. “Sob a influência de Manoel de Oliveira – que questionava continuamente as linhas entre a vida e a sua representação – a geração do ‘Cinema Novo’ expandiu as inovações da ‘nova vaga’ internacional dos anos 60, no meio de um ambiente social sufocante no país e de uma guerra colonial brutal em África”, refere um texto de apresentação do ciclo. Inspirado na Nova Vaga do cinema francês e no neorrealismo italiano, o Novo Cinema português surgiu na década de 1960, ainda durante o regime do Estado Novo e, com uma linguagem inovadora, rompeu com os cânones do cinema tradicional. Tradição que se revela Este ciclo, ainda sem programação concreta divulgada, “traz à luz uma tradição estética em que fazer filmes, sendo que vê-los se torna em um gesto político e existencial, criando um espaço de resistência às forças homogéneas e opressivas que nos constrangem na nossa vida – uma busca, numa palavra, de liberdade”, indica o MoMA. O mesmo texto contextualiza que, em 1974, “estava também em curso uma outra revolução: uma vaga de filmes que, sob o peso da censura, quebrou as distinções entre realidade e ficção no ecrã”. “Antes que a noção de ´cinema híbrido´ ganhasse força em todo o mundo, o cinema português utilizava ferramentas do documentário para criar ficção (e vice-versa) e oferecer um novo domínio para os sentidos; tal como um processo revolucionário, estabelecia uma ligação entre a vida quotidiana e as confluências políticas que afetam o seu curso”, acrescenta. O museu recorda ainda que, após a revolução, o movimento por ela desencadeado “centrou-se nas comunidades operárias com uma dignidade renovada e atraiu cineastas estrangeiros, como Robert Kramer e Thomas Harlan, para captar a atmosfera política febril de Portugal”. “O espírito independente do cinema português continuaria a desbravar novos caminhos com as obras de João César Monteiro, inspiradas em fábulas, e com os documentários de António Reis e Margarida Cordeiro, Manuela Serra e António Campos, que redefiniram a arte do real e influenciaram cineastas como João Pedro Rodrigues, Pedro Costa e Miguel Gomes”, aponta ainda. Além da programação de exposições, o MoMA – que possui uma coleção de arte moderna com mais de 150 mil peças e um arquivo sobre cerca de 70 mil artistas – organiza actividades paralelas culturais e educativas.
Hoje Macau EventosTurismo | Concurso de fogo-de-artifício de Macau com presença portuguesa A nova edição do Concurso Internacional de Fogo-de-Artifício de Macau começa já no dia 7 de Setembro e irá contar com a presença de uma equipa portuguesa, como tem sido habitual nos últimos anos. Este evento, anunciado ontem, servirá ainda de celebração ao chamado “duplo aniversário”: os 25 anos da transferência de administração portuguesa de Macau para a China e os 75 anos de implantação da República Popular da China Uma equipa portuguesa vai estar presente no Concurso Internacional de Fogo-de-Artifício de Macau, entre 7 de Setembro e 6 de Outubro, disse ontem à Lusa a Direcção dos Serviços de Turismo (DST). Um dos dez espectáculos previstos para a 32.ª edição do concurso será apresentado por uma empresa vinda de Portugal, disse um porta-voz da DST, acrescentando que mais detalhes só serão revelados na próxima semana. Na edição do ano passado, a primeira após uma pausa de três anos devido à pandemia de covid-19, a Macedos Pirotecnia apresentou o espectáculo “Supernova”, em 1 de Outubro, Dia Nacional da China. A Macedos Pirotecnia, com sede no concelho de Felgueiras, no distrito do Porto, participou pela quinta vez no concurso, tendo vencido em 2000, a 12.ª edição, a primeira realizada depois da transição de administração de Macau de Portugal para a China. Além de Portugal, o concurso de 2023 apresentou espetáculos com uma duração de 18 minutos, a combinar fogo-de-artifício e música, de companhias vindas da Austrália, da Suíça, da Áustria, da Rússia, das Filipinas, do Japão, do Reino Unido, da Alemanha e da China. O Reino Unido foi o vencedor e a China e o Japão ficaram no segundo e terceiro lugares, respectivamente. Celebrações mil A edição deste ano irá decorrer no âmbito das celebrações dos 75 anos da fundação da República Popular da China e dos 25 anos da transferência de administração portuguesa de Macau para a China. O concurso coincide parcialmente com a chamada “Semana Dourada” do Dia Nacional da China de 1 de Outubro. No ano passado, Macau recebeu mais de 116.500 turistas por dia nesse período, que concentrou vários feriados, entre 29 de Setembro e 6 de Outubro. Segundo uma nota ontem divulgada pela DST, “companhias de fogo-de-artifício de dez países de várias partes do mundo irão apresentar espectáculos coloridos aos residentes e visitantes, enriquecendo as actividades nocturnas e impulsionando a economia comunitária de Macau”. As exibições de fogo-de-artifício decorrem nos dias 7, 14, 21 de Setembro e ainda nos dias 1 e 6 de Outubro às 21h00 e 21h40 na zona ribeirinha em frente à Torre de Macau. A DST destaca ainda os “cinco melhores pontos de visionamento do fogo-de-artifício”, nomeadamente na Avenida Dr. Sun Yat-Sen, do Centro Ecuménico Kun Iam até à Zona de Lazer Marginal da Estátua de Kun Iam; no passeio ribeirinho do Centro de Ciência de Macau, na Avenida de Sagres, ao lado do Hotel Mandarim Oriental; no espaço Anim’Arte Nam Van, junto aos lagos Nam Van, e na Avenida do Oceano, na Taipa.
Hoje Macau EventosFRC | Mostra de pintura Gongbi abre ao público terça-feira A galeria da Fundação Rui Cunha inaugura na próxima terça-feira ao fim da tarde a exposição colectiva “Essence Unbounded”, que reúne 32 quadros de membros da Associação de Pintura Gongbi de Macau. A pintura Gongbi é uma forma de expressão artística ancestral marcada pelo realismo e a representação colorida de cenários naturais Na próxima terça-feira, 27 de Agosto, a partir das 18h30, a galeria da Fundação Rui Cunha (FRC) inaugura a Exposição da Associação de Pintura Gongbi de Macau “Essence Unbounded”, uma mostra colectiva dos membros da Associação de Pintura Gongbi de Macau, que conta com curadoria do Mestre Li Jinxiang, que também dirige a associação. O conjunto é composto por 32 obras de arte, criadas por 32 membros da associação, onde a tradicional pintura meticulosa chinesa figura em temas diversos, como representações realísticas de peixes, gatos e pássaros. A mostra estará patente até 7 de Setembro. O Gongbi é uma técnica de grande precisão, realista e cuidadosa, geralmente mais descritiva do que interpretativa, que exige pinceladas de inabalável detalhe e delicadeza. É uma arte de paciência e perseverança, cujo desenho requer linhas finas para representar os objectos com minúcia e semelhança exageradas, a que se acrescentam em seguida camadas de tinta e cor, sobre papel de arroz ou seda, até o artista se aproximar da perfeição e do requinte da arte. Aprender a arte Segundo o Mestre Li Jinxiang, responsável pela curadoria da mostra, esta expressão artística remonta aos tempos da Dinastia Han (206 AC – 220 DC). “A ‘essência’ da pintura Gongbi é representada através do detalhe meticuloso que tenta captar com realismo o objecto. Já o aspecto ‘ilimitado’ da pintura Gongbi refere-se à capacidade de os artistas retratarem cada aspecto com infinita e desmedida minúcia, dando vida aos temas e transmitindo um sentido que vai além da chamada replicação fotográfica”, refere o curador da mostra explicando o significado do título da exposição “Essence Unbounded”. Segundo um comunicado da FRC, Li Jinxiang graduou-se em Caligrafia e Pintura pela Universidade Renmin da China, em Pequim, e é formador profissional de Pintura Gongbi, a que se tem dedicado nas últimas duas décadas. Ocupa actualmente o cargo de presidente da Associação de Pintura Gongbi de Macau, e é membro da Associação Chinesa de Pintura Gongbi e da Sociedade de Artistas de Macau. O curador da mostra é também director do Centro de Educação de Pintura Moquxuan Gongbi de Macau e um artista regularmente convidado pela Associação de Calígrafos e Pintores Chineses. O seu trabalho tem sido amplamente reconhecido, com pinturas seleccionadas para prestigiadas exposições e concursos em Macau, Hong Kong, Taiwan e Interior da China. Em paralelo com a exposição, Li Jinxiang irá conduzir um Workshop de Pintura Gongbi na FRC, que se realiza no dia 2 de Setembro (segunda-feira), das 16h às 18h, em cantonês e limitado a oito participantes. O artista irá ainda apresentar quatro sessões de demonstração ao vivo na galeria da FRC nos dias 28 e 30 de Agosto, e 4 e 6 de Setembro, sempre entre as 15h e as 17h.
Andreia Sofia Silva EventosBienal de Veneza | Académica destaca presença da timorense Maria Madeira Leonor Veiga, crítica de arte e curadora, acaba de publicar um artigo académico de análise ao trabalho de Maria Madeira, a primeira artista timorense a participar na Bienal de Arte de Veneza, onde aponta que, a partir de agora, as atenções do mundo estarão mais viradas para o panorama artístico do país. “Kiss and Don’t Tell”, o projecto de Maria Madeira, pode ser visto até Novembro na icónica cidade italiana Qual a importância da estreia de uma artista timorense naquela que é a mais antiga bienal de arte do mundo, mas também uma das mais influentes? Pela primeira vez, Timor-Leste faz-se representar na Bienal de Arte de Veneza com a artista Maria Madeira e o projecto “Kiss and Don’t Tell”, patente num pequeno pavilhão. Leonor Veiga, curadora, crítica de arte e ex-residente de Macau, acaba de publicar na revista académica “Third Text – Critical Perspectives on Contemporary Art and Culture”, um artigo que analisa a importância da presença inaugural de Maria Madeira nesta bienal, não só para ela própria como artista, mas também para o país que representa. No artigo “‘Don’t Kiss and Tell’: The work of Maria Madeira in the Timor-Leste pavilion at the 2024 Venice Biennale”, Leonor Veiga começa por lembrar que “Timor-Leste é um país novo, onde o ecossistema artístico (educação, espaços, mercado e público) ainda não está totalmente desenvolvido”. A Arte Moris – Escola Livre de Arte, a primeira a ser criada no país, acabou por ser desmantelada em 2022 no contexto da covid-19. Tratou-se de um acontecimento que levou a uma “revolta dos estudantes”, que foi “dramática”. Porém, a presença da artista timorense na Bienal de Veneza pode agora espoletar novos rumos, “apesar da fragilidade do ecossistema artístico local”. “É de esperar que, após uma primeira interacção bem-sucedida, o regresso de Timor-Leste à Bienal de Veneza demonstre mais arte timorense”, descreveu. Leonor Veiga destaca que “Timor-Leste tem uma comunidade artística próspera, que inclui várias gerações de artistas”, mas “não tem um museu e uma escola de arte”, pelo que “dar o salto para um local altamente reputado e profissional como a Bienal de Veneza é de celebrar, pois ilustra um sentimento de orgulho e entusiasmo nacional”. Assim, “espera-se que esta participação na Bienal de Veneza contribua para a restauração do ecossistema artístico local, ao mesmo tempo que desempenha um papel na pacificação da geração de artistas Arte Moris”. Caminho de activismo Maria Madeira começou a pintar nos anos 90 e desde então que tem feito da arte uma forma de activismo, conforme destaca o artigo de Leonor Veiga, que recorda que Maria Madeira começou por ser “uma voz contra a ocupação indonésia, desde o seu regresso a Timor-Leste, em 2000”, tendo-se tornado numa “voz das mulheres”. Com “Kiss and Don’t Tell”, apresentado num pavilhão localizado num palacete do século XVI, Maria Madeira prestou homenagem “a um dos grupos de pessoas mais afastadas do país, as mulheres timorenses anónimas que sofreram violência sexual às mãos dos militares indonésios” durante os anos de ocupação de Timor-Leste pela Indonésia, entre 1975 e 1999. Maria Madeira deu início, assim, ao trabalho de “Kiss and Don’t Tell” no ano de 2000, um projecto desenvolvido progressivamente até 2023. A presença na Bienal de Veneza permitiu-lhe concluir o trabalho. Assim, conforme descreve Leonor Veiga no artigo, “nos primeiros tempos, [Maria Madeira] tinha curiosidade em conhecer a cultura do país e, por isso, o uso da noz de bétel e a tecelagem de tais foram-lhe naturais”. Porém, ao tomar conhecimento das antigas salas de tortura, a artista “mudou o rumo do seu activismo, no sentido da ausência de referências ao contributo das mulheres para a resistência”. “Hoje, como me contou em Veneza, está a tentar localizar sepulturas de mulheres timorenses que, estranhamente, parecem não existir. Isto demonstra como a desigualdade é galopante, mas como através do seu trabalho artístico e académico a artista está a tentar dissecar as injustiças sociais. Como tal, a apresentação (…) para a Bienal de Veneza não pode ser desligada das suas origens como activista”, pode ler-se. Relativamente à escolha do local de exposição, “corresponde perfeitamente à dimensão do país”, mas “em contraste directo com essa escala está a profundidade do conteúdo apresentado, que, embora extremamente local devido à sua relação direta com uma história real timorense, transmite um problema global: o das violações dos direitos humanos contra as mulheres, e particularmente as que resultam de histórias de conflito de guerra, ocupação e colonização”, destaca-se no artigo. Para Leonor Veiga, o trabalho de Maria Madeira “está à altura da história”, pois “mulheres timorenses precisavam de ser resgatadas da invisibilidade; precisavam de escapar às salas de tortura e de ser consagradas”. Desta forma, “um palácio veneziano do século XVI é uma boa opção para esse fim”. A Bienal de Veneza, que termina a 24 de Novembro, conta ainda com um espaço dedicado a Macau, que se faz representar com a exposição “Acima de Zobeida”, de Wong Weng Cheong, com curadoria de Chang Chan. O trabalho pode ser visto no Instituto Santa Maria della Pietà, em Veneza. Esta é uma instalação inspirada na obra “As Cidades Invisíveis”, de Italo Calvino, que aborda a cidade fictícia de Zobeida. Segundo a apresentação oficial da exposição, “Wong Weng Cheong mergulha, com este projecto, numa exploração da crise escondida da mutação”, apresentando “um mundo ficcional situado numa zona acima das ruínas de uma cidade, habitado exclusivamente por um grupo de herbívoros com pernas alongadas”.