Hoje Macau EventosLai Chi Vun | Associação realiza festival este fim-de-semana O Centro de Desenvolvimento Local da União Geral das Associações dos Moradores de Macau (UGAMM) realiza, entre hoje e domingo, a primeira edição do “Festival da Povoação de Lai Chi Vun”, com eventos que também acontecem na ilha de Coloane. Segundo um comunicado da organização, o festival visa “revitalizar a área dos estaleiros de Lai Chi Vun”, tendo como tema “Aventura na Ilha Mágica”. “A zona de Coloane estará dividida em seis zonas de actuações, sendo que, juntamente com a zona dos estaleiros de Lai Chi Vun, o festival irá acolher uma série de actuações ao ar livre, experiências interactivas, mercados criativos, workshops de artesanato, visitas guiadas e exibição de filmes”, pode ler-se. Pretende-se que os participantes possam desfrutar “de uma experiência imersiva pelas ruas de Coloane e Lai Chi Vun”. Amanhã, dia 31, acontece a cerimónia oficial de abertura do festival. Entre as 16h e 17h tem lugar uma parada com início no Largo Eduardo Marques, em Coloane, e fim nos estaleiros de Lai Chi Vun. Das 17h às 18h é a vez de a “Gala da Ilha”, com músicos e bailarinos protagonizarem um espectáculo inspirado em temas como “o mar, vilas piscatórias e património da construção de barcos”. A entrada para o festival é livre. Hoje há actividades das 15h às 18h, sendo que este fim-de-semana as actividades decorrem das 12h às 18h.
João Santos Filipe EventosMúsica | Grupo japonês DOES estreia-se em Hong Kong a 8 de Novembro Foi preciso esperar mais de 20 anos, mas a banda conhecida pela ligação com a série de anime Gintama vai finalmente actuar pela primeira vez em Hong Kong. Este vai ser o primeiro espectáculo do trio após o vocalista, Wataru Ujihara, ter revelado sofrer de problemas musculares que o impedem de tocar guitarra Após mais de 20 anos de carreira, a banda japonesa de rock DOES vai estrear-se em Hong Kong com um concerto na sala de espectáculos Portal, no edifício The Burrow, em Kowloon, às 20h. Na região vizinha, os fãs vão ter a oportunidade de ouvir os êxitos da banda como Shura, Donten, Guren ou Bakuchi Dancer. Os DOES chegam a Hong Kong como parte da digressão “Thanksloving! Overseas” que começa na RAEHK e inclui ainda espectáculos em Banguecoque, na Tailândia, e em Kuala Lumpur, na Malásia. Criado em 2000, na cidade de Fukuoka, o grupo de rock alternativo/garagem é constituído pelo vocalista e guitarrista Wataru Ujihara, pelo baixista Yasushi Akatsuka, e pelo baterista Keisaku Morita. Nos primeiros anos da carreira, quando o trio não tinha contrato com qualquer produtora, Wataru, Yasushi e Keisaku lançaram músicas como “DOES”, “Outside”, “Fish for You” e “Fish for You No. 2”. Os êxitos comerciais surgem a partir de 2006, quando o grupo se muda para Tóquio e assina um contrato com a produtora Ki/oon Records, que faz parte da gigante Sony Music Entertainment. Com o apoio de uma grande produtora, os DOES lançam os singles “Shura” (2007) e “Donten” (2008). Esta última música garantiu a entrada no top três do ranking de vendas Oricon, um dos mais importantes do Japão. Mundo Gintama As duas faixas foram ainda escolhidas como as músicas de introdução (Donten) e encerramento (Shura) da 5.ª temporada da série Gintama, um dos animes mais populares no Japão entre 2003 e 2019. Esta escolha marcou também o percurso musical dos três artistas ao iniciar a ligação com a indústria televisiva. A ligação com a série de comédia Gintama valeu aos DOES o reconhecimento do grande público jovem, e o grupo foi ainda responsável pelas músicas de introdução (Bakuchi Dancer) e encerramento (Baku) do filme Gintama (2010) e da música de introdução da 17.º temporada da série com o tema “Know Know Know (2016). Este tema foi o último produzido antes de uma pausa na carreira dos DOES, que se prolongou entre 2016 e 2020. Os sucessos de “Shura” e “Donten” abriram as portas a outras parcerias na indústria do anime, e em 2012 os DOES lançaram o tema “The World Seen in Dreams”, utilizado como introdução da terceira temporada da série Space Brothers. Em 2015, chega um novo sucesso, com o lançamento de “Guren”, tema que foi utilizado como introdução da série de anime Naruto: Shippuden. Além do sucesso televisivo, o grupo foi lançando diferentes álbuns como Newold (2006), Subterranean Romance (2007), The World’s Edge (2009), Modern Age (2010), Katharsivilization (2012) Other side of DOES (2013), DOES (2014) e Innocence (2016). Regresso em força Com as celebrações do 10.º aniversário, em 2016, os DOES anunciaram uma interrupção na actividade da banda, que foi justificada com a pretensão dos membros de descansarem e se dedicarem a projectos pessoais. Em 2019, surgiu o primeiro sinal de um regresso à actividade, quando o trio foi convidado a participar no festival da série Gintama. O espectáculo na Arena Ryogoku Kokugikan, em Tóquio, contou com cerca de 20 mil fãs, actuações das bandas musicais ligadas à série, e a recriação de alguns dos momentos mais marcantes da série, com os actores a darem voz à animação, em directo, enquanto as imagens eram transmitidas nos ecrãs da arena. No ano seguinte, os DOES confirmaram o regresso à actividade, com o lançamento de novos singles como Douraku Shinjou (2021), Backbeat (2022) ou In The Sun (2022). Este regresso levou também à realização de vários espectáculos no Japão, no Interior e uma grande digressão na América, com concertos esgotados em países como o México, Chile, Peru ou Estados Unidos. A estreia em Hong Kong dos DOES acontece numa altura extramente complicada para o vocalista e guitarrista Wataru Ujihara. Na semana passada, o músico revelou sofrer de problemas no nervo ulnar que fazem com que sinta os dedos da mão direita dormentes, o que o impede de tocar guitarra. Apesar disso, Wataru vai continuar a cantar nos espectáculos ao vivo. A guitarra vai ficar a cargo de um substituto. Os preços dos bilhetes para estreia dos DOES no território vizinho já se encontram à venda e podem ser adquiridos por 580 ou 780 dólares de Hong Kong.
Hoje Macau EventosMúsica | Banda portuguesa INDIGNU estreia-se na Ásia com cinco concertos na China Foto: Gonçalo Delgado A banda portuguesa INDIGNU, formada em Barcelos há mais de duas décadas, vai estrear-se na Ásia com uma digressão de cinco concertos na China, entre 01 e 07 de Novembro, anunciou ontem o grupo. A digressão, organizada pela promotora Infinite Limits, passará por Pequim, Hangzhou, Xangai, Cantão e Shenzhen, marcando uma nova etapa na internacionalização do grupo português, segundo um comunicado enviado à Agência Lusa. Durante os concertos, os INDIGNU vão apresentar pela primeira vez ao vivo composições inéditas que integrarão o próximo álbum de originais, cujo lançamento está previsto para 2027. A digressão arranca no domingo, 01 de Novembro, na sala DDC, em Pequim, seguindo-se actuações em Hangzhou, no dia 04, no espaço UN!, e em Xangai, no dia 05, no Yuyintang Music Town. Os dois últimos concertos estão marcados para Cantão, no dia 06, na sala Omni Space, e Shenzhen, no dia 07, no HOU Live. Em Hangzhou, o grupo português partilhará o palco com os Crymeans, enquanto em Xangai actuará com os AN Corporation e, em Shenzhen, com os Donald from Tempest. Formados em Barcelos em 2004, os INDIGNU começaram por explorar influências do rock e do punk de intervenção, com temas cantados em português, antes de evoluírem para uma sonoridade predominantemente instrumental, associada ao pós-rock.
Hoje Macau EventosOktoberfest | Nova edição no MGM Cotai até 8 de Novembro O empreendimento MGM Cotai acolhe, até ao dia 8 de Novembro, mais uma edição do “Oktoberfest Macau”, um evento que já faz parte do cartaz das celebrações mais importantes do território e que reproduz a tradicional festa alemã. Segundo um comunicado da MGM, este ano apresenta-se a novidade das “Cantopop DJ Nights”, e que trazem “uma nova forma de viver a experiência do Oktoberfest”, nomeadamente com a presença do grupo “Cantomania”. Esta actuação acontece amanhã e sábado, dias 30 e 31 de Outubro, cruzando “as tradições alemãs com a cultura pop cantonense através da música”. Nestes dias, o “Oktoberfest Macau” acolhe também o “Concurso do Melhor Disfarce de Halloween”, convidando-se os participantes a vestirem-se com as roupas mais assustadoras e originais. Outro destaque musical da edição deste ano do Oktoberfest Macau, é a presença da banda alemã Sakrisch Guat, que já conta com “mais de 15 anos de experiência em digressões”, é referido na mesma nota. No terraço do primeiro andar do MGM Cotai, onde acontece o Oktoberfest, este grupo irá apresentar “uma mistura energética de música tradicional bávara, êxitos internacionais de música pop e clássicos em língua chinesa, convidando o público a cantar e dançar”. Além da música e da festa, o público pode desfrutar dos petiscos tradicionais do Oktoberfest, como é o caso de joelho de porco assado, salsichas, pretzels e frango assado, acompanhados por cerveja alemã. O Oktoberfest acontece todos os dias entre as 18h e as 00H até ao dia 8 de Novembro. Segundo a nota do MGM Cotai, este evento recebeu, ao longo dos anos, “mais de 200 mil participantes”. Kenneth Feng, director-executivo e administrador da MGM China Holdings Limited, destacou como este evento “se tem mantido entre os eventos preferidos dos residentes e visitantes, preservando as tradições e introduzindo também novas experiências que criam expectativas para cada edição”.
Hoje Macau EventosIIM | Nova biblioteca abriu ontem portas Entrou em funcionamento ontem a biblioteca do Instituto Internacional de Macau (IIM), um local renovado com o apoio da Fundação Macau (FM) e que visa proporcionar “um espaço amplo dedicado à leitura e investigação”. A biblioteca estará aberta de terça-feira a sábado, das 10h às 19h. Segundo um comunicado do IIM, o espaço inclui um balcão para a aquisição das edições do IIM e ainda um “Cantinho para os Pequenos Leitores”. Os leitores e demais interessados têm acesso a um acervo de livros sobre Macau, a China e o mundo lusófono, e também edições sobre o sudeste asiático, principalmente em português, chinês e inglês. Além da área dedicada aos livros, existe também um corredor com uma galeria dedicada a acolher exposições temporárias de fotografia, pintura e “outras manifestações culturais e artísticas”, aponta a mesma nota. Pretende-se que este espaço renovado tenha várias funções e que possa receber “artistas, entidades e associações culturais, académicas e escolas”, funcionando também como um “centro de estudos e investigação”. A ideia é que, com esta biblioteca, se possa promover “a memória, legado e cultura sobre Macau e a sua identidade, bem como o seu papel actual no contexto da Grande Baía, e de plataforma entre a China e os países de língua portuguesa”. Na cerimónia de abertura, foi também entregue o Prémio Identidade IIM ao semanário católico O Clarim, que é alvo de uma exposição no referido corredor. O Clarim, fundado em 1948, é o jornal de língua portuguesa mais antigo de Macau ainda em publicação regular, sendo propriedade da Diocese de Macau. O IIM destaca a actual edição em português, chinês e inglês, estando “ao serviço da população católica de Macau de variadas origens, espelhando a evolução demográfica do território”.
Andreia Sofia Silva EventosLivraria Portuguesa | Exposição de Mónica Coteriano explora mudanças de Macau Pode ser vista até 15 de Novembro a nova exposição de instalação e fotografia de Mónica Coteriano, fundadora da 10 Marias – Associação Cultural. Em “Monochrome”, são exploradas as profundas transformações que Macau tem atravessado nos últimos anos espelhadas em rostos e objectos, numa conjugação da memória com algum sentido de humor Mónica Coteriano, fundadora da 10 Marias – Associação Cultural, apresentou esta terça-feira “Monochrome”, uma nova exposição de instalação e fotografia patente na Livraria Portuguesa até ao dia 15 de Novembro. Segundo um comunicado, o público pode ver “uma instalação com humor sobre memória e transformação” do território. Para contar esta história, Mónica Coteriano juntou “um conjunto de obras onde são revisitadas pessoas, lugares, linguagens e hábitos de Macau, cruzando fotografia, colagem, objectos, luz e participação do público”. O território é, assim, apresentado como um “espaço de memória, mudança e algumas contradições”, tratando-se de uma exposição onde Macau é olhada “a partir de situações aparentemente simples: o rosto de quem já não se volta a ver, uma loja antiga, uma placa de rua, um jogo de damas, uma garrafa de cerveja ou a neblina que esconde a Torre de Macau”. Mónica Coteriano não pretende, com “Monochrome”, construir uma “visão monumental ou definitiva da cidade”, mas sim trazer ao público “uma narrativa feita de fragmentos”. “As obras recuperam presenças e gestos do quotidiano, confrontam as transformações urbanas e reflectem sobre as marcas deixadas por diferentes culturas, línguas e gerações. O humor e a ironia atravessam a instalação, não como simples efeitos cómicos, mas como formas de olhar para aquilo que desaparece, permanece ou se transforma”, revelam-se no mesmo comunicado. Percurso de memória A primeira etapa da mostra explora “a memória como forma de resistência à ausência”. Uma das histórias exploradas é a de um alfaiate que teve uma loja na Rua dos Mercadores. Mónica Coteriano pegou nela, recuperou “uma figura da vida quotidiana de Macau e transformou essa fotografia numa homenagem e lugar de permanência”. Esta obra em particular “preserva não apenas um rosto, mas também o seu sorriso, aberto, generoso e luminoso, que se torna o ponto de partida para uma reflexão sobre os ofícios, lojas antigas e relações discretas que compõem a memória colectiva da cidade”. Outro tema abordado em “Monochrome”, é a linguagem e herança colonial, explorados “com humor” na obra “O poder da língua já não é o que era”. Aqui coloca-se “em tensão” o lugar da língua portuguesa no território, sendo presença em “placas de ruas e nomes de lugares”. Porém, revela-se o contraste pelo facto de não ser um idioma falado no dia-a-dia em Macau. “A fotografia de um caracter chinês que significa ‘para sempre’ acrescenta uma camada irónica e poética: de um lado, uma língua histórica cuja influência já não é a mesma; do outro, uma palavra que promete uma permanência absoluta. Entre a língua viva e a língua inscrita, a peça questiona o que fica verdadeiramente na memória de uma cidade”, é explicado. Há ainda obras que “confrontam o visitante com diferentes formas de olhar”, como é o caso de “Ignora a realidade”, com “um tubo que obriga a observar através de um enquadramento estreito, no fundo do qual surge a frase que dá título à peça”. Aqui, o visitante “torna-se voyeur e vê as fotografias dos casinos a partir de uma posição simultaneamente curiosa e clandestina”. Permanecem “o brilho, o desejo, o risco e a promessa de uma realidade diferente que entram em conflito com a ordem para ignorar aquilo que está diante dos olhos”. “Ignora a realidade” coloca-nos uma questão: “se ignoramos realmente a realidade ou se apenas escolhemos cuidadosamente o que queremos ver”. Monochrome constitui “um retrato de Macau feito de presenças frágeis e persistentes”, onde o território “aparece como arquivo vivo, lugar de conflito entre o antigo e o novo”. Macau surge também como um lugar “onde as memórias pessoais se cruzam com a história colectiva”. Nesta exposição, “as obras não procuram fixar Macau numa imagem única”, revelando “uma cidade que se reinventa, que esconde e expõe, que conserva vestígios e produz novos símbolos”. Mónica Coteriano diz recorrer “ao humor, ironia e participação” para contar todas estas mudanças. O visitante é convidado “a olhar de novo para aquilo que parece familiar”. Observa-se, num jogo permanente de contrastes, “a ausência e permanência, a língua e inscrição, a realidade e ilusão, o lamento e riso”. “Monochrome” faz-nos pensar o que “ainda conseguimos reconhecer numa cidade em transformação, e que parte dessa cidade continua, afinal, a viver dentro de nós”.
Hoje Macau EventosAuditório do Carmo | Exposição de livros ilustrados até domingo Está patente até domingo, 1 de Novembro, a “Exposição de Livros Ilustrados em Chinês e Português” no Auditório do Carmo, na Taipa. Sob o tema “Os Livros nutrem a Alma”, a mostra faz parte do cartaz da oitava edição do “Encontro em Macau – Festival de Artes e Cultura entre a China e os Países de Língua Portuguesa”, organizado pelo Instituto Cultural (IC). Segundo um comunicado do IC, a exposição integra também uma feira do livro, e “apresenta uma selecção de livros ilustrados e literatura infantil, com mais de mil livros para venda”. O objectivo é “dar a conhecer melhor ao público as publicações da China e dos países de língua portuguesa, bem como promover o intercâmbio cultural entre a China e os países de língua portuguesa”. Destaque ainda para a realização de duas sessões de promoção de livros e seis workshops de livros ilustrados. Estes workshops incluem “sessões de narração de histórias e interacções variadas”, e que pretendem conduzir os mais novos “à descoberta do prazer de leitura, transformando a simples leitura numa experiência dinâmica que estimula plenamente a criatividade”. A exposição conta ainda com um espaço adicional na Feira do Carmo, disponível para o público este sábado e domingo, dias 31 de Outubro e 1 de Novembro, entre as 14h e 20h. Por sua vez, a exposição pode ser vista gratuitamente das 12h às 22h. As inscrições para os workshops podem ser feitas na plataforma Conta Única de Macau.
Hoje Macau EventosLeilão | Retrato de Brigitte Bardot pintado por Kees van Dongen vendido por 1,35 ME Um retrato da actriz francesa Brigitte Bardot (1934-2025), feito pelo pintor Kees van Dongen (1877-1968), foi vendido por 1,35 milhões de euros num leilão realizado em Paris, informou a leiloeira Artcurial. A obra, que permaneceu durante mais de 60 anos no atelier do artista, foi alvo no sábado de uma intensa disputa de 40 minutos durante um leilão de arte moderna e contemporânea, no âmbito da semana da Art Basel Paris, informou a Artcurial em comunicado. O retrato, intitulado ‘B.B. aux yeux d’autruche’ (Brigitte Bardot com olhos de avestruz), foi criado em 1959 e entrou no mercado com uma estimativa de preço entre os 800 mil e os 1,2 milhões de euros. Trata-se de um óleo sobre tela de 130 por 97 centímetros que retrata Bardot nos anos que se seguiram à estreia de ‘E Deus… Criou a Mulher’ (1956), filme que ajudou a torná-la um ícone internacional. A sessão fotográfica que serviu de base ao retrato foi organizada pela revista Paris Match e documentada pelo fotógrafo Izis, segundo a Artcurial. Van Dongen, nascido nos Países Baixos e radicado em Paris, foi um dos mais notáveis retratistas da sociedade francesa do século XX. O seu estilo é marcado por cores intensas e contrastes, elementos presentes no fundo amarelo do retrato de Bardot.
Hoje Macau EventosDocLisboa | Festival apresenta documentários de três continentes O festival DocLisboa está de volta a Macau. Entre os dias 5 e 19 de Novembro, é possível ver uma panóplia de documentários de três continentes diferentes, graças a uma parceria com o Instituto Português do Oriente. O festival, dirigido por Hélder Beja, apresenta filmes chineses como “Voo Nupcial”, de Chan Chon Sin A extensão do Doclisboa 2025 regressa a Macau entre 5 e 19 de Novembro com a apresentação de dez documentários, incluindo obras dos vencedores do festival de curtas local, anunciou ontem o Instituto Português do Oriente (IPOR). “Ao integrar na programação os filmes apresentados nas competições de 2025 do DocLisboa e do Festival Internacional de Curtas de Macau, o IPOR enriquece a oferta cultural da cidade, cruzando obras marcantes do documentário contemporâneo do Ocidente e do Oriente e reafirmando a identidade cultural de Macau”, lê-se numa mensagem da directora do IPOR, Patrícia Quaresma, no programa divulgado. Hélder Beja, jornalista que viveu em Macau, é o director do DocLisboa. A abertura do festival, a 5 de Novembro, vai ser dedicada a três obras distinguidas no Festival Internacional de Curtas de Macau. “Voo Nupcial”, de Chan Chon Sin, acompanha um “homem de movimentos graciosos” que começou certo dia “a ver as suas órbitas oculares a encherem-se de sombras irregulares que não desapareciam”, lê-se no programa. Já “O Desenvolvimento de Macau”, de Zhang Linliang, centra-se na experiência pessoal e criação do fotógrafo Chen Xianyao, radicado em Macau. Em “Na Órbita Sem Ti”, Leong Hou Wang traz ao grande ecrã a vida da “Tia da Banca”, proprietária de uma loja local. Neste primeiro dia ainda é possível assistir ao documentário “Maneiras”, de António Sanmarful, sobre “a notável história inerente a três edifícios emblemáticos desenhados” em Macau pelo arquitecto José Maneiras (1935-2025). Outras histórias, outros lugares A programação inclui ainda “Explode São Paulo, Gil”, da realizadora brasileira Maria Clara Escobar, que vai estar em Macau para o festival. Esta produção luso-brasileira conta o percurso de Gil, que sonha ser cantora e se muda para São Paulo, onde trabalha como doméstica. “Maria Clara propõe fazer um filme sobre ela. Gil torna-se famosa e elas explodem duas cidades e reflectem sobre sonhos, trabalho e esquecimento”, refere-se no programa. “As Estações”, da luso-francesa Maureen Fazendeiro, combina depoimentos de trabalhadores rurais e notas de campo de um casal de arqueólogos, imagens de arquivo amador e desenhos científicos, lendas e poemas e canções para dar forma a “uma viagem pela história real e inventada” do Alentejo “e dos povos que aí viveram”. “As brigadas revolucionárias na luta contra a ditadura”, de Luiz Gobern Lopes, “O Riso e a Faca”, de Pedro Pinho, e “Bulakna”, de Leonor Noivo são as outras obras de cineastas portugueses que constam da programação desta edição da extensão a Macau do Doclisboa 2025. “Bulanka” acompanha mulheres filipinas que “hoje, enfrentam uma nova forma de colonização, a migração forçada pelo trabalho”, refere-se ainda na apresentação, onde se descreve que milhares de filipinas trabalham como empregadas domésticas e cuidadoras em países estrangeiros, “sustentando economias alheias enquanto deixam as próprias famílias para trás”. O filme chega agora a Macau, onde vive uma numerosa comunidade migrante originária deste país do Sudeste Asiático. Ainda parte do festival, está a obra do franco-americano Eugène Green “A Árvore do Conhecimento”, uma fábula sobre Gaspar, um adolescente dos subúrbios de Lisboa que cai nas mãos do Ogre, um homem que fez um pacto com o diabo e usa o rapaz para atrair turistas, transformando-os em animais para depois os abater, numa “crítica nem sempre velada ao modo como a cidade se rendeu ao turismo”, lê-se na apresentação desta obra no portal do Doclisboa.
Andreia Sofia Silva EventosExposição de Li Gang a partir de hoje na Ochre Space A galeria Ochre Space, em Lisboa, projecto criado pelo advogado, fotógrafo e curador João Miguel Barros, inaugura hoje, a partir das 18h30, uma nova exposição, encerrando o ciclo de três exposições sobre o Ano do Cavalo do horóscopo chinês. Desta vez, o fotógrafo em destaque é Li Gang. “Appearance and Abstraction” é a última mostra da Ochre Space deste ano e pode ser vista até ao dia 14 de Novembro. Segundo uma nota da Ochre Space, nesta exposição pode ver-se como o trabalho de Li Gang “explora as fronteiras entre a fotografia e o abstracto através de um tema inesperado: o cavalo”. “Há mais de uma década que Li Gang dedica a sua prática fotográfica aos cavalos, passando da observação das suas vidas e comportamentos para representações cada vez mais poéticas e experimentais. Em ‘Appearance and Abstraction’, esta exploração segue uma nova direcção. Em vez de fotografar os cavalos como figuras reconhecíveis, aproxima-se tanto deles que as suas formas começam a desvanecer-se”, é explicado. Neste projecto, Li Gang trabalha sobretudo entre o preto e o branco e ainda “tonalidades intermédias”, explorando “a relação entre presença e ausência, movimento e imobilidade, ocultação e revelação”. Observa-se uma “linguagem visual reúne as qualidades expressivas da arte tradicional chinesa e as possibilidades formais da abstracção ocidental”. Nas imagens de Li Gang, “os cavalos a galope transformam-se em vestígios, com os seus corpos a desvanecerem-se na paisagem envolvente”; enquanto em outras fotografias os animais “permanecem imóveis, com os corpos encostados uns aos outros até que as formas individuais dão lugar a uma única composição”. É aqui que se dá um toque quase poético, com o “branco das pelagens [dos cavalos] a fundir-se com a luz” e ainda “o negro das crinas que evoca os traços expressivos da caligrafia chinesa”. “Aquilo que, à primeira vista, poderá parecer uma imagem abstracta revela gradualmente a sua origem no mundo físico”, é acrescentado. Sombras e imagens Com esta exposição, a Ochre Space convida os visitantes a “olhar além do reconhecimento e da representação”, onde o “cavalo nunca desaparece verdadeiramente, permanecendo presente em cada curva, cada sombra e movimento, mesmo no momento em que a imagem parece transformar-se em algo completamente diferente”. Nascido em Henan, na China, em 1947, Li Gang recebeu várias distinções pelo seu trabalho, incluindo o “Prémio Estátua de Ouro da Fotografia da China”, em 2009, a mais alta distinção do país nesta área. Entre as suas publicações contam-se, em 2016, “Reincarnation” e ainda o livro que dá origem a esta mostra, “Appearance and Abstraction”, publicado em 2019. Este trabalho foi ainda distinguido em 2020 pelo projecto “The Beauty of Books in China”.
Hoje Macau EventosFRC acolhe exposição de fotografia sobre imagética do Cristianismo É hoje inaugurada na Fundação Rui Cunha (FRC) uma nova mostra de fotografia, a partir das 18h30. Trata-se de “Imagética do Cristianismo”, do “fotógrafo veterano” de Macau Chendra Thamsir. Segundo um comunicado da FRC, a exposição acolhe 27 fotografias captadas nos últimos 20 anos, “explorando temas como a fé, paisagem e presença visual do Cristianismo”. De destacar que esta exposição assinala os 450 anos da Diocese de Macau, sendo Chendra Thamsir um “cristão devoto”. Este tem, nos últimos anos, dedicado o seu tempo a “documentar cerimónias religiosas, criando séries fotográficas que espera que encontrem eco junto da população local, e também dos cristãos de todo o mundo que visitam Macau”. “Além da fotografia arquitectónica convencional, Thamsir centra-se na relação harmoniosa entre os espaços sagrados e os ambientes que os rodeiam”, descreve a FRC. “O que vejo é a forma extraordinária como os espaços naturais e as igrejas se reflectem e complementam mutuamente — ou seja, o esplendor sagrado”, afirmou o fotógrafo, citado pela mesma nota, descrevendo a qualidade destas cenas como uma espécie de magia visual e espiritual. Carreira na imagem Nascido na Indonésia, no seio da comunidade chinesa ultramarina, Chendra Thamsir concluiu o ensino secundário em Macau, em 1974. Em 1988, partiu para o estrangeiro para prosseguir os seus estudos de fotografia no Tokyo College of Photography, no Japão. Após regressar a Macau, construiu uma carreira como fotógrafo, tendo ensinado fotografia no então Instituto Politécnico de Macau [actual Universidade Politécnica de Macau] e também na Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau. O trabalho de Thamsir abrange áreas tão diversas como a moda, o retrato, as antiguidades, os artefactos culturais e a joalharia. Em 2001, publicou a sua primeira colectânea de fotografia, Carita’ Service – A Different Outlook on Life, à qual se seguiu Temples of Macao, em 2002. A exposição na FRC pode ser vista até ao próximo dia 7 de Novembro deste ano.
Andreia Sofia Silva EventosAlbergue SCM | Pedro Proença apresenta pinturas sobre Luís de Camões É inaugurada amanhã “Amor e Entendimento, Luís Vaz de Camões – Exposição de Pedro Proença, Comemorações do Quinto Centenário”, no Albergue da Santa Casa da Misericórdia de Macau. O público pode ver uma série de 40 aguarelas influenciadas pela escrita daquele que é considerado o maior poeta português de sempre, autor de alguns dos mais belos e conhecidos poemas de amor O poeta português Luís Vaz de Camões, autor de “Os Lusíadas”, obra maior da língua portuguesa, e de muitos sonetos de amor, é protagonista da nova exposição de pintura de Pedro Proença, inaugurada amanhã, quarta-feira, dia 28, na galeria A2 do Albergue da Santa Casa da Misericórdia. “Amor e Entendimento, Luís Vaz de Camões – Exposição de Pedro Proença, Comemorações do Quinto Centenário” apresenta-se ao público a partir das 18h30, numa iniciativa do CAC – Círculo dos Amigos da Cultura de Macau. São 40 obras em aguarela onde Pedro Proença interpreta o tema “Amor e Entendimento”, numa tentativa de tradução da “sensibilidade literária numa linguagem visual”. Convida-se, assim, o público a “descobrir o encanto singular do encontro entre a literatura portuguesa e a pintura”, aponta o Albergue SCM, em comunicado. Pedro Proença cita as palavras do próprio poeta para justificar a temática. Camões escreveu um dia “E sabei que segundo o amor tiverdes / Tereis o entendimento de meus versos”, enunciando-se a “experiência necessária para entrar na ‘sua’ poesia”. “Nesta exposição é a arquitectura do amor, tão platónico quanto erótico, que nos faz mover. Mesmo quando revisito episódios dos Lusíadas, que por diversas vezes ilustrei, é a doce cor de oriental safira (Dante) que viceja contra a retórica tronitonante e os maneirismos do épico – mais esgalhada, pincelada, aguarelada, rápida”, escreve Pedro Proença. O artista assume que desde a adolescência que desenha e pinta com o “comum pincel chinês”, mesmo “quando em puro preto e branco imito, noutra escala, gravuras quinhentistas e seiscentistas”. “Nos últimos seis anos enamorei-me da aguarela e das subtilezas desta técnica. Por vezes de um só gesto saem, como por magia, coisas muito concretas, o que ainda me surpreende”, acrescenta Pedro Proença. Entre a Babilónia e o Sião Camões, poeta que viveu entre os anos de 1525 e 1580, escreveu os “Lusíadas” que não é mais do que um longo poema que conta, em verso, a Epopeia dos Descobrimentos portugueses. Mas são conhecidos muitos dos seus sonetos de amor, como o célebre “Amor é fogo que arde sem se ver”, que nos traz os contrastes e contradições deste sentimento, que pode acarretar um “contentamento descontente” ou ser uma “ferida que dói e não se sente”. Com recurso às tintas e aos pincéis, Pedro Proença transfere para a arte as interpretações destas palavras e poemas, nomeadamente do poema “Sôbolos rios que vão”, a “longa redondilha do fim da vida de Camões”, e que se apresenta na série “Babel & Sião”. “Embora não acompanhe o ‘pathos’ pessimista do poeta, sinto-me embriagado do estilo”, confessa. “Nas composições arquitectónicas aqui presentes uso o tema para compor com o descalabro, o desequilíbrio, como se o pensamento fosse émulo do mundo, entre a catástrofe e o seu contrário, num equilíbrio difícil, e, no entanto, naturalíssimo”, acrescenta o artista na sua nota. Em “Sôbolos rios que vão”, Luís Vaz de Camões olha para a sua vida passada, descrevendo como se encontrou na Babilónia e chorou sentado “as lembranças de Sião e quanto nela passei”. “Ali, o rio corrente / de meus olhos foi manado, / e, tudo bem comparado, / Babilónia ao mal presente, / Sião ao tempo passado”, descreve o poema. Nascido em Lubango, Angola, em 1962, Pedro Proença vive e trabalha actualmente em Lisboa. Começou a participar em exposições colectivas em 1981 e realizou a sua primeira exposição individual em 1984. Desde então, apresentou exposições individuais em instituições como a Fundação Calouste Gulbenkian (1994), o Frankfurter Kunstverein (1988) e a Galeria Camargo Vilaça (1988), entre outras. Mais recentemente, expôs no Museu Nacional de História Natural e da Ciência, em 2025. Esta mostra tem entrada gratuita e está patente até ao dia 6 de Dezembro deste ano.
Andreia Sofia Silva EventosArmazém do Boi | “Ambiente sonoro” de Macau contado por Berend Strik Com que sons se faz Macau? Foi a esta pergunta que o artista holandês Berend Strik quis responder. A resposta surge agora com uma nova exposição a inaugurar hoje no Armazém do Boi, no antigo Matadouro Municipal, e intitulada “Stolen Light – Drawing the Sounds of Macau: Berend Strik”. Em entrevista, o artista diz, por exemplo, que o “som do cantonês é muito peculiar” O Armazém do Boi inaugura hoje, a partir das 18h30 no antigo Matadouro Municipal, três exposições que nascem de residências artísticas feitas em Macau. Uma delas é a do artista holandês Berend Strik, protagonista da mostra “Stolen Light – Drawing the Sounds of Macau” [Luz Roubada – Desenhando os Sons de Macau], que esteve no território durante um curto período a perceber de que sonoridades este é feito. A curadoria está a cargo de Liu Gang, tratando-se de uma mostra que traz uma panóplia de apresentações artísticas, com Zoe Tam Hio Tong a dar voz à música apresentada e Yasmijn Karhof no vídeo, num percurso desenhado entre a Santa Casa da Misericórdia de Macau e os casinos. A sinopse desta exposição revela que a “história de Macau não é apenas escrita pelos casinos modernos, mas está profundamente envolvida com narrativas de destino e escolha”. “Durante a residência no Armazém do Boi, o artista holandês Berend Strik traduziu a paisagem sonora distinta da cidade – do som dos corredores dos casinos até aos sinos do centro histórico – em quinze partituras gráficas”, revelando-se um pouco da história de Macau e das próprias línguas que fazem parte do território. Questionado, em entrevista ao HM, como o território se revela nesta mostra, Berend Strik explica que “escolher olhar para Macau pode ser comparado à história de um casal que se apaixona”. “No fundo, todas as pessoas têm a mesma estrutura: nascemos e depois morremos. E, quando morremos, já não temos nada com que nos preocupar, é simplesmente o fim. Mas enquanto estamos vivos, temos de fazer o nosso melhor para tornar possíveis coisas belas e para concretizar aquilo que desejamos. No livro ‘City of Broken Promises’ [Cidade das Promessas Quebradas], há um casal cuja história começa com o amor e se torna complicada. Entretanto, acontecem coisas extraordinárias, e vão continuar a acontecer. Macau revela-se através da história de um casal ali viveu.” Esta história acaba por contar também “a história da evolução da cidade”, numa narrativa “composta por 32 desenhos e apresentada em forma de libreto”. É aqui que Zoe Tam interpreta o libreto através do canto, “acompanhado por movimentos muito delicados”. Berend Strik considera que este projecto pode revelar Macau ao público sob uma perspectiva diferente, desde que as pessoas “dediquem tempo a apreciar a actuação de Zoe Tam e observem com atenção os trabalhos têxteis e os desenhos expostos nas duas paredes”. Isto porque, no conjunto, “o projecto transmite uma forma de estar que combina humor, beleza e experiências significativas”. Diversidade por entender Berend Strik nasceu em 1960 na Holanda, vivendo actualmente em Amesterdão. Segundo uma nota do Armazém do Boi, o seu trabalho foca-se essencialmente no “significado das imagens”, sendo que “o som e a música mantiveram-se presentes em toda a sua carreira como um tema contínuo”. Nas suas mãos as imagens são transformadas através dos tecidos e bordados, ganhando novas perspectivas e mensagens. No contacto com as sonoridades de Macau, o artista destaca como “as máquinas de jogo produzem sons por todo o lado, mas a questão está em criar um significado mais contextual para esses sons”. “O som do cantonês é muito peculiar e parece difícil de compreender. Por vezes, é intenso, agudo e alto, parece que nada é aquilo que significa. Aprender verdadeiramente a língua exige muito mais tempo”, referiu. “Sempre pensei que os sons são mais universais do que a linguagem. Basta pensar nos sons das máquinas de jogo. Escrever esses sons em inglês não significava que pudessem ser transcritos em cantonês. As línguas são muito diferentes. Pelo que percebi, não existem palavras ou sons que possam ser escritos em cantonês da mesma forma que em inglês. O cantonês tem mais tons diferentes do que o inglês. Foi assim que aprendi que, em cantonês, também é preciso ter aulas sobre os tons, para além de aprender o significado das palavras”, referiu, quando questionado sobre a paisagem sonora que encontrou na RAEM. Para Berend Strik, “a diversade cultural torna tudo ainda mais complicado”, sendo que “uma cultura complexa e diversificada precise, talvez, de mais tempo e não possa ser apressada, e essa é a parte positiva”. Neste sentido, “Macau parece precisar de mais tempo para assimilar todas essas diferenças”. A possibilidade de fazer uma residência artística em Macau surgiu depois de um projecto em Pequim. “Há cerca de 15 anos quis alargar horizontes e decidi, através de um amigo, que poderia ir para Pequim. Havia uma fábrica de madeira que tinha sido reconvertida por Sam e sua família, juntamente com a minha amiga Nina van Zinninnq Bergmann, criando-se um espaço específico para artistas no interior da fábrica. Eu fui a cobaia.” Nascia assim o “W.O.W”, um “espaço dedicado a designers, artistas e arquitectura”, onde Berend Strik conheceu Liu Gang, artista e curador deste projecto agora revelado no Armazém do Boi. Outra mostra hoje revelada é a dos artistas Gu Wenjia e Pan Zishen, intitulada “Doube Helix: Macau Folded”, com curadoria de Zhang Ting. Aqui, existe a metáfora da dupla hélice e da teoria da “dobra” de Gilles Deleuze, recursos usados para analisar as movimentações culturais em Macau. As obras dos dois artistas apresentam, assim, perspectivas de passado e de futuro, em conjugação. O tríptico de exposições encerra-se com “Love in the South — In Limbo”, de Fang Lu & Arie Kishon, com curadoria de Wang Jing. As três mostras podem ser visitadas até ao dia 24 de Novembro de forma gratuita.
Andreia Sofia Silva EventosIPOR | Edição chinesa de “Para sempre Vilarinho da Furna!” lançada amanhã O livro “Para sempre Vilarinho da Furna” evoca, em banda desenhada, a história desta aldeia portuguesa na zona do Gerês. Da autoria de Luciana Castelli, a obra ganhou versão chinesa e é apresentada amanhã no Instituto Português do Oriente. Eis um projecto que nasceu da grande paixão de Manuel Antunes, docente e último morador da Vilarinho da Furna, pela aldeia O Instituto Português do Oriente (IPOR) acolhe amanhã, a partir das 16h, na Biblioteca Camilo Pessanha, o lançamento da edição em chinês da obra de banda desenhada, pensada para crianças, “Para Sempre Vilarinho da Furna!”. Segundo uma nota do IPOR, trata-se de uma história que dá a conhecer “às novas gerações o património, as tradições e a memória de Vilarinho da Furna, a aldeia do Gerês submersa nos anos 70”. “Com a tradução em chinês, esta mensagem ultrapassa barreiras linguísticas e aproxima crianças e famílias de Macau e de todo o universo cultural chinês”, lê-se. Da autoria de Luciana Castelli, que escreve como se fosse uma menina de dez anos a contar a história, o livro nasce da grande paixão do professor Manuel Antunes pela sua aldeia. O fundador da AFURNA – Associação dos Antigos Habitantes de Vilarinho da Furna – foi o último morador a sair de Vilarinho da Furna, nos anos 70. Ao HM, Manuel Antunes conta o trabalho que tem feito nos últimos anos para manter a memória desta aldeia, e que inclui a criação do Museu Etnográfico de Vilarinho da Furna, que abriu portas em 1989. “Tive a ideia mirabolante de criar um museu etnográfico evocativo da aldeia. Pensei que seria a coisa mais normal do planeta fazer-se qualquer coisa, evocar algo, e criar um espaço que lembrasse a aldeia que desapareceu com a barragem. Lancei essa ideia em 1978 ou 1979, e demorei aí uns 20 anos até construir o museu. Sou teimoso, os meus projectos são sempre assim, demora-se 20 anos, mas realizam-se.” Manuel Antunes saiu de Vilarinho da Furna a 1 de Janeiro de 1971, a barragem foi inaugurada a 21 de Maio de 1972. O museu fez-se, em parte, com as pedras que restaram das casas. “Soube que estavam a retirar as pedras de umas casas e eu e o arquitecto João Rosado Correia, que fez o projecto do museu, fomos lá escolher umas pedras. Por mim, trazia a aldeia toda, mas trouxemos duas casas com as pedras todas numeradas.” Nessa época, Manuel Antunes estudava Filosofia e fez todo esse trabalho nas férias de Verão, já na casa da tia, moradora de uma aldeia vizinha. Desde então que com a AFURNA, fundada em 1985, faz um trabalho de divulgação da aldeia, nomeadamente junto dos seus alunos. Luciana Castelli foi aluna de Manuel Antunes e foi assim que nasceu o livro que amanhã se apresenta. Emoções à flor da pele De pedidos de apoio em pedidos de apoio, Manuel Antunes acabou por estabelecer contactos com a comunidade chinesa de Macau, o que abriu portas à apresentação da obra em Macau. “Esperamos que tenha sucesso. Vai ser muito agradável apresentar este livro na sua versão em chinês e só de pensar que as crianças chinesas de Macau vão saber a história e que as vamos pôr a contar a história de Vilarinho das Furnas, até fico emocionado”, contou. Uma das entidades apoiantes desta obra foi a OMNI Investments. Numa nota divulgada no website da empresa, refere-se que Luciana Castelli disse que este livro foi “um projecto particularmente desafiante”, já que “nunca tinha escrito para crianças”. “O resultado foi uma obra de linguagem simples, acessível e envolvente, mas profundamente rica em sentimentos, memórias e valores humanos. Através destas páginas, as novas gerações são convidadas a conhecer a história da aldeia comunitária de Vilarinho da Furna, preservando a memória colectiva de um património único da cultura portuguesa”, lê-se na mesma nota. “Para sempre Vilarinho da Furna!” ganhou uma menção honrosa no Prémio Nacional do Ambiente Fernando Pereira 2023. Coube à OMNI “o apoio e coordenação da tradução integral da obra para chinês simplificado, bem como a respectiva impressão, permitindo que a história de Vilarinho da Furna chegue a novos leitores e diferentes contextos culturais”, é ainda descrito.
Andreia Sofia Silva EventosColóquio internacional na UM debate papel da IA no ensino superior A Universidade de Macau (UM) acolhe a partir de hoje, e até sábado, dia 24, o colóquio internacional “A World Without Humanities – Rethinking the Role of Universities in the Age of AI” [Um Mundo sem Humanidades – Repensar o Papel das Universidades na Era da IA]. A organização está a cargo do departamento de português da UM e conta com a colaboração dos docentes Raquel Abi-Sâmara, Chen Keyi, Rivaldo Freire Tavares e Raquel de Sá. As sessões decorrem nas salas E1-UM Gallery e E22-G015. A primeira sessão começa hoje às 10h tendo como orador Zhang Longxi que irá falar sobre “IA, Subjectividade Humana e Criatividade”. No período da tarde, a partir das 14h, é vez de subir ao palco o professor da Universidade de Potsdam, Ottmar Ette, que irá falar da “Filologia na Era Digital: Sobre a Vida Longa das Humanidades”. Ligação à literatura Não faltam neste colóquio sessões sobre a conexão entre a IA e a literatura e os actos de leitura. Hoje à tarde, a partir das 16h, Raquel Abi-Sâmara, da UM, fala sobre “A Poesia Digital de André Vallias: Da Poesia Concreta aos Novos Actos de Leitura e a Questão do Humano”. De frisar que André Vallias, poeta brasileiro de 63 anos, é visto como um pioneiro na relação entre a poesia e a Internet. Raquel Abi-Sâmara regressa a esta temática no último dia da conferência, ao falar, a partir das 16h30, dos “70 Anos da Poesia Concreta e 70 Anos da IA: O ‘SonetarIA’ de André Vallias e a Máquina de Fazer-SonetosIA”. Por sua vez, amanhã, Li Li, da Universidade Politécnica de Macau aborda a questão “O que pode a Tecnologia fazer à Literatura? Navegando no Espaço Emocional da Poesia dos Heterónimos de Fernando Pessoa.” Júlio Jatobá, da UM, e Lu Shi Yi, do Instituto Português do Oriente, falam, a partir das 15h50, também esta quinta-feira, de como a IA pode impactar a leitura, com a sessão “Lendo o Humano na Era da IA: Robots e Infância na Literatura Chinesa e Portuguesa”.
Andreia Sofia Silva EventosMOIDF | Festival de documentário arranca sábado Começa este sábado, dia 24, a nona edição do Festival Internacional de Cinema Documental de Macau, que decorre até ao dia 8 de Novembro no Bona Cinema Macau. Com 22 documentários disponíveis numa iniciativa subjacente ao tema “Registar / Recordar”, o festival arranca com “A Simple Soldier”, passado no contexto da guerra da Ucrânia O Festival Internacional de Cinema Documental de Macau (MOIDF, na sigla inglesa) está de regresso a partir deste sábado, dia 24, depois de um ano de ausência. Os filmes com um cunho de realidade são exibidos até ao dia 8 de Novembro no Bona Cinema Macau, situado no empreendimento YOHO Treasure Island Resorts World Hotel. Em exibição, estarão 22 documentários locais e estrangeiros. Uma das novidades desta edição é a categoria “New Voices Competition” [Competição Novas Vozes], e que inclui a atribuição de dois prémios. De resto, há muitas histórias para ver e conhecer no MOIDF, nomeadamente com cenários de guerra pelo meio. Uma destas histórias conta-se no filme de abertura, que tem a guerra na Ucrânia como pano de fundo. Com exibição este sábado, dia 24, a partir das 16h30, “A New Soldier” é a história do fotógrafo ucraniano Artem que se alistou no exército. “Com uma câmara e espingarda nas mãos, dirigiu-se para a linha da frente para registar a vida e morte dos seus camaradas, bem como o quotidiano da vida militar. Os tiroteios eram muito mais brutais do que ele tinha imaginado. À medida que os seus companheiros de armas eram mortos um após o outro, a solidão aumentava e os sentimentos foram-se desgastando com o derramamento de sangue”, revela a sinopse do filme. O documentário volta a ser exibido no dia 1 de Novembro. “Birds of War”, exibido no domingo, também a partir das 16h30, sai da Ucrânia para a Síria, país que também foi marcado por um longo conflito. “Ao longo de treze anos de guerra, revolução e exílio, como se atravessa um céu cheio de fogo? Uma entrevista que começou durante a luta em Aleppo, em 2016, leva uma jornalista libanesa a viver em Londres a ser fotógrafa na linha da frente na Síria”, pode ler-se na sinopse. De Amílcar à Fábrica Há também filmes com um cunho de lusofonia, na categoria “A Taste of Portuguese”, nomeadamente com a exibição de “Amílcar”, de Miguel Eek, exibido dia 27. Este documentário conta a história de Amílcar Cabral, poeta e lutador anti-fascista com ligações à Guiné-Bissau e Cabo Verde. “Seguindo-se os seus poemas, escritos políticos e cartas enviadas às suas duas mulheres, o filme navega nos arquivos coloniais, em imagens da revolução e em microfilmes de 16 milímetros para reconstruir o seu diálogo interior”, revela-se na sinopse. O documento sobre um homem que foi assassinado em 1973, “quando a independência nacional estava prestes a ser atingida”, deixou um rasto de coisas por descobrir e muitos mistérios. “Uma causa que não foi atingida e cadernos que registam amor, poder e traição.” A nona edição do MOIDF traz também histórias de cariz social, como é o caso do documentário “Titicut Follies”, com uma cópia restaurada exibida também este sábado, mas às 20h30, com repetição a 6 de Novembro. O realizador, Frederick Wiseman, desenvolveu este projecto quando era professor de Direito na Universidade de Boston e depois de ter levado estudantes seus ao Hospital de Massachusetts, que albergava autores de crimes e portadores de doença mental. “Com a permissão do superintendente para filmar, [Frederick Wiseman] começou a sua carreira como realizador. Sem formação numa escola de cinema ou experiência profissional por detrás da câmara, Wiseman explorou a instituição a fundo e registou de forma muito próxima doentes e médicos, enfermeiros, guardas e assistentes sociais, registando um lado do hospital raramente visto.” No último dia do MOIDF, destaca-se a exibição de “Factory”, às 16h. A história passa-se na fábrica da Lenovo, em Wuhan, em Fevereiro de 2020, ou seja, em plena pandemia. Qi Yue era gerente da fábrica e regressou à unidade para que a produção voltasse ao normal, tendo sido implementado um sistema de controlo da pandemia. O documentário conta, portanto, o lado do gestor, “passando depois para os administradores, técnicos e operários na linha de produção”, e a forma como viveram as difíceis regras de confinamento. “No final, um veículo robótico segue um percurso algorítmico pela oficina, como uma nova espécie a observar friamente e a ouvir de soslaio as conversas humanas. Avança a uma velocidade constante e nunca diz uma palavra”, lê-se na sinopse de “Factory”.
Hoje Macau EventosFRC | Livro de crónicas de Nelson Moura lançado hoje A Fundação Rui Cunha (FRC) acolhe hoje o lançamento da obra ” Let’s All Persevere — Covid, Gaming and Other Macau Oddities”, da autoria do jornalista Nelson Moura, actualmente na agência Lusa. Entre as 18h30 e as 20h, o autor estará presente na sessão moderada pelo também jornalista José Carlos Matias, director da revista “Macau Business” e da agência noticiosa “Macau News Agency” (MNA). Esta obra reúne crónicas escritas no período da pandemia, abrangendo o período de Fevereiro de 2020 a Julho de 2023. Segundo um comunicado da FRC, o livro “retrata as profundas transformações socioeconómicas, o quotidiano e a resiliência discreta de Macau durante a resposta a uma pandemia global sem precedentes na história recente”. As crónicas foram publicadas na revista “Macau Business” e na MNA, combinando “análise jornalística incisiva com uma boa dose de sátira e humor”. Desta forma, o leitor tem acesso a uma “perspectiva profundamente humana sobre uma época histórica”, com textos de opinião que revelam “histórias por detrás das manchetes de uma cidade que enfrentou, de forma conjunta, um período de incerteza”.
Hoje Macau EventosMarcas de Macau presentes no festival “City’Super” em Hong Kong Decorre até ao final deste mês o “Festival de Macau da City’Super 2026: De regresso a Macau”, com a apresentação de 20 marcas locais em quatro lojas da City’Super, no empreendimento comercial New Town Plaza, em Sha Tin. As marcas de Macau também podem ser vistas em locais como o IFC Mall, na zona de Central; Times Square, Causeway Bay; e ainda Harbour City, em Tsim Sha Tsui. Este evento nasce da parceria entre a Associação Industrial de Macau e a operadora de jogo MGM. Segundo um comunicado da MGM, pretende-se com esta iniciativa “apoiar a expansão das marcas de Macau” e ainda “alargar o alcance das empresas locais no mercado de Hong Kong”. Serão expostos “mais de 400 produtos”, numa “vasta selecção de artigos produzidos em Macau”, sendo que muitos deles têm a certificação de qualidade “M-Mark”. Esta é a terceira edição do evento, sendo que a primeira aconteceu em 2024. Segundo a mesma nota, o festival “ajudou um total de 16 marcas de Macau a entrar no mercado de Hong Kong, afirmando-se como um modelo de apoio à expansão comercial das empresas locais”. MTC e gastronomia Citado pela mesma nota, o presidente da associação, Fong Son Kin, declarou que o tema desta edição do festival é ” De Regresso a Macau — Uma Viagem Gastronómica Intemporal”, com artigos que abrangem áreas como alimentação e bebidas, medicina tradicional chinesa, produtos de bem-estar, artigos provenientes dos países de língua portuguesa e produtos culturais e criativos. “Com esta iniciativa, pretendemos proporcionar às empresas de Macau uma plataforma valiosa para alargarem a sua presença no mercado e reforçarem o valor das suas marcas”, afirmou. Thomas Woo, presidente do grupo City Super, declarou que com este festival há uma “combinação seleccionada de gastronomia, arte e experiências interactivas”, proporcionando-se aos consumidores “uma viagem cultural memorável e enriquecedora”. Com a exposição dos produtos “Made in Macau” existem mais “oportunidades de intercâmbio e colaboração entre os sectores de Hong Kong e Macau”, destacou.
Hoje Macau EventosOrquestra de Macau | “Obras-primas do Século XX” em novo concerto A chegada do Outono traz um novo espectáculo da Orquestra de Macau. “Rophé e Skride Interpretam Obras-Primas do Século XX” é o nome do concerto marcado para o dia 7 de Novembro no grande auditório do Centro Cultural de Macau. O violino de Baiba Skride e o trabalho de maestro de Pascal Rophé destacam-se no cartaz O Instituto Cultural (IC) apresenta no próximo dia 7 de Novembro, às 20h, um concerto de música clássica cujos protagonistas são a Orquestra de Macau (OM) e “músicos de renome internacional”. Segundo um comunicado do IC, são eles a violinista Baiba Skride e o maestro francês Pascal Rophé, nomes de relevo do concerto “Rophé e Skride Interpretam Obras-Primas do Século XX”, que acontece no grande auditório do Centro Cultural de Macau (CCM). Nesta sala de espectáculos será interpretado o “Concerto para Violino nº2 em Dó Sustenido Menor”, do compositor Shostakovich. Além disso, a OM vai interpretar a “Suite Sinfónica ‘Printemps’ (Primavera)”, de Claude Debussy, e ainda a “magistral criação” para Orquestra “Sinfonia em Três Andamentos” de Stravinsky. Durante cerca de 1h30, o concerto compõe-se de “obras emblemáticas do século XX, proporcionando ao público uma experiência musical memorável”. Os bilhetes já estão à venda na Bilheteira “Enjoy Macao”, com preços a variar entre 150 e 300 patacas. O melhor dos melhores O IC descreve o maestro Pascal Rophé como sendo “um dos mais aclamados maestros franceses no actual panorama musical internacional, destacando-se particularmente pela mestria na interpretação do repertório sinfónico do século XX e contemporâneo”. Assim, é tido como “um dos intérpretes de referência das obras do século XX”. No caso da violinista Baiba Skride, ganhou o primeiro prémio no concurso “Queen Elisabeth”, aliando “uma técnica impecável a uma profunda expressividade artística”. “A violinista apresenta-se frequentemente com orquestras de renome internacional, tais como a Berliner Philharmoniker, a New York Philharmonic, a Dresden Philharmonie e a San Francisco Symphony. É de salientar que o seu disco com os concertos para violino de Shostakovich, lançado em 2025, foi nomeado para o prémio Opus Klassik na categoria ‘Gravação de Concerto do Ano'”, explica o IC.
Hoje Macau EventosJornalista e escritor Joaquim Letria morre aos 82 anos O escritor e jornalista Joaquim Letria morreu sexta-feira, aos 82 anos, em sua casa, disse à Lusa fonte familiar. O jornalista encontrava-se há já algum tempo debilitado, mas não estava doente, acrescentou a mesma fonte. Nascido no dia 08 de Novembro de 1943, Joaquim Letria afirmou-se cedo no jornalismo português e foi fundador dos semanários O Jornal, Tal&Qual e revista Sábado. Ainda jovem, foi presidente da Comissão Pró-Associação dos Estudantes do Ensino Liceal, um dos mais importantes movimentos associativos e de resistência estudantil à ditadura do Estado Novo em Portugal, fundamental na crise académica de 1962. A sua carreira jornalística arrancou em 1963 no Diário de Lisboa, tendo trabalhado também na revista Flama e no Rádio Clube Português. Foi repórter internacional da Associated Press (AP) e correspondente da alemã Deutsche Presse-Agentur, antes de se mudar para Londres, em 1970, para trabalhar na BBC. Joaquim Letria foi um dos primeiros colaboradores do Expresso, a partir de Londres, e regressou a Portugal após o 25 de Abril de 1974 para fazer parte da direcção de informação da RTP, tendo sido, no ano seguinte, um dos fundadores do semanário O Jornal. Na televisão, esteve ligado ao noticiário do segundo canal da RTP, o Informação 2, tendo-se destacado como autor e apresentador de programas como Diretíssimo e Tal&Qual, que juntavam entrevistas, informação, entretenimento, e nos quais ensaiou as primeiras rubricas de “Apanhados”, em Portugal, que mais tarde ganharam autonomia, na televisão pública e noutros canais, sob a mesma e novas designações. Gente de peso No dia 06 de Novembro de 1975, moderou, juntamente com José Carlos Megre, o famoso debate que pôs frente a frente Mário Soares (líder do PS) e Álvaro Cunhal (líder do PCP) e que ficaria para sempre associado à expressão “olhe que não, olhe que não”. Entre as personalidades que entrevistou, contam-se nomes como o pintor surrealista espanhol Salvador Dalí e o líder revolucionário e primeiro presidente de Moçambique após a independência, Samora Machel. Como repórter internacional, ao serviço da AP, cobriu os acontecimentos relacionados com a morte do guerrilheiro marxista Ernesto “Che” Guevara, em 1967, na Bolívia. Joaquim Letria passou também pela agência de notícias ANOP, fundou o semanário Tal&Qual, em 1980, e esteve na origem da primeira série da revista Sábado, que dirigiu, em 1988. Entre 1981 e 1986, foi porta-voz do Presidente da República Ramalho Eanes. Exerceu funções como presidente do Sindicato dos Jornalistas (1987-1988) e leccionou jornalismo durante mais de duas décadas, tendo passado pela Escola Superior de Jornalismo do Porto, pelas universidades Independente e Autónoma de Lisboa e pelo Instituto Superior de Ciências da Informação e da Administração, em Aveiro. O jornalista colaborou ainda com a Rádio Comercial e com o diário 24 Horas. Recebeu o Prémio da Imprensa relativo a 1974, na categoria de televisão. Como escritor, a sua atividade incluiu livros de crónicas e de reflexão sobre o jornalismo, a censura e o exercício da profissão. Entre os livros que publicou contam-se “Histórias para Ler e Deitar Fora” (1987), “A Verdade Confiscada — Escândalo — A Armadilha da Nova Censura” (1998), “Pequeno Breviário Jornalístico — Géneros, Estilos e Técnicas” e “Livro de Assentos”, ambos de 1999, e “A Arte da Crónica — Um Pontapé nos Textículos” (2023).
Hoje Macau Eventos MancheteFestival da Lusofonia | Fafá de Belém traz ritmos quentes do Brasil Ainda que com um cartaz mais curto, a 29.ª edição do Festival da Lusofonia, nas Casas-Museu da Taipa, não poupa nos ritmos latinos. A cantora brasileira Fafá de Belém é o grande destaque, actuando esta sexta-feira e sábado. Além dos músicos locais, o público pode ouvir os sons dos grupos Epo Dance, da Guiné Equatorial, e Timor Furak, de Timor-Leste A cantora brasileira Fafá de Belém será a cabeça de cartaz do 29.º Festival da Lusofonia que decorre no próximo fim-de-semana, de 23 a 25 de Outubro, anunciou o Instituto Cultural (IC). Nascida Maria de Fátima Palha de Figueiredo, Fafá de Belém conta com cerca de 15 milhões de discos vendidos numa carreira que começou no início dos anos 70, e que incluiu até uma passagem pelo teatro. Num comunicado, o IC disse que, uma vez que se está a celebrar o Ano Cultural China-Brasil, o Festival da Lusofonia dará destaque à cultura brasileira, com a presença do artista de arte urbana Fábio Panone Lopes, especializado em murais e graffiti. Além de Fafá de Belém, os grupos de dança EPO Dance, da Guiné Equatorial, e Timor Furak, de Timor-Leste, irão actuar nas Casas da Taipa, juntamente com mais de 40 grupos artísticos lusófonos locais. São eles João Gomes e Banda, Tuna Macaense, Jandira Silva ou Concrete / Lotus, entre muitos outros. O programa inclui ainda espectáculos de música e dança tradicional em vários bairros da cidade, uma exposição de livros ilustrados em chinês e português, sessões de promoção da leitura e oficinas criativas destinadas às famílias. O Festival da Lusofonia, realizado desde 1998, inclui normalmente expositores culturais, bancas de comida e bebida e jogos populares, e um cartaz musical com artistas de cada um dos dez países e regiões lusófonos. A edição de 2025 contou com as atuações de artistas como os Calema, de São Tomé e Príncipe, e a cantora portuguesa Marisa Liz. Reduções e desilusões Questionada em 30 de Setembro sobre a decisão de reduzir a duração do festival de seis para apenas três dias (sexta-feira e um fim de semana), a presidente do IC, Leong Wai Man, explicou que, após avaliações realizadas em edições anteriores, foi considerado que esse formato é o mais adequado. “Houve uma edição com duas semanas de duração e várias actividades, mas, depois da avaliação, pensamos que uma semana é mais adequada. Foi um consenso alcançado entre várias partes”, indicou. Segundo reportou a emissora pública TDM – Teledifusão de Macau, a interrupção do modelo alargado deve-se à ausência de patrocínio da operadora de jogo Galaxy Entertainment Group, uma mudança que obrigou a limitações orçamentais e a uma reestruturação do programa. Dirigentes de associações de matriz lusófona como a Associação dos Macaenses e a Casa de Portugal em Macau indicaram à emissora pública estar desiludidos com uma edição mais reduzida e a falta de apoio orçamental. O Festival da Lusofonia faz parte do Festival de Artes e Cultura entre a China e os Países de Língua Portuguesa, que irá incluir ainda um concerto do músico moçambicano Stewart Sukuma, em conjunto com a Orquestra Chinesa de Macau, a 14 de Novembro. Um dos músicos mais premiados de Moçambique e um dos principais impulsionadores do estilo musical marrabenta, quer a solo quer com a Banda Nkhuvu, Stewart Sukuma já realizou várias digressões por África, Europa, Ásia, Estados Unidos, América Latina e Caraíbas.
Andreia Sofia Silva EventosImagens para ver na galeria Ochre Space até ao dia 24 A galeria Ochre Space, em Lisboa, fundada pelo curador, fotógrafo e advogado João Miguel Barros, apresenta até ao próximo dia 24 a exposição de fotografia “Kamaitachi”, de Hosoe Eikoh. A coordenação e curadoria está a cargo do próprio João Miguel Barros, sendo este um dos mais importantes fotógrafos japoneses do período contemporâneo. Segundo o catálogo da mostra, são 13 as imagens deste fotógrafo que podem ser vistas pelo público português. “Esta exposição parte de uma pergunta simples: o que muda quando algumas fotografias de um livro passam das páginas para as paredes de uma sala? Para responder, escolhemos treze imagens de ‘Kamaitachi’ e demos-lhes uma ordem própria, inspirada na lenda que dá nome ao projecto. Explicar essa ordem obriga a começar pelo livro e pelo nome”, é explicado. “Kamaitachi” é um livro de fotografia com grande no género de dança do pós-II Guerra Mundial, intitulado “Ankoku Butoh”, também conhecido como “dança das trevas” ou “dança da escuridão”. A primeira edição aconteceu em 1969, em Tóquio, mas já várias edições posteriores da mesma obra foram realizadas. Projecto de monta Conforme explica João Miguel Barros no texto que acompanha a exposição, “antes de ser livro, ‘Kamaitachi’ foi uma viagem”, já que o fotógrafo tentou lidar com as memórias da sua saída de Tóquio em 1944, em plena II Guerra Mundial, com apenas 11 anos. “Viveu até Setembro de 1945 em Yonezawa, onde nascera, junto da família materna. Duas décadas depois escolheu Akita, terra natal de Hijikata Tatsumi, figura fundadora do ankoku butō. A memória do fotógrafo encontraria no corpo do bailarino uma experiência próxima da sua, embora vivida por outra pessoa. Em Setembro de 1965, trabalharam dois dias na aldeia de Tashiro, em plena colheita do arroz.” O termo “Kamaitachi” remete para “cortes súbitos na pele, atribuídos ao vento, sem que se veja o que os provocou”, ou ainda “o nome da criatura invisível que os provocaria, frequentemente imaginada como uma doninha de garras em forma de foice que habita o redemoinho”. “A criatura chega, fere e vai-se embora; quem a recebe encontra o corte, mas não vê o que o causou. Nesta exposição, a dobra e a ferida sugerem duas relações com o que não se vê: a página aberta revela a fotografia que ocultava; o corte é a marca de uma causa que permanece invisível”, acrescenta-se. O público pode ver 13 imagens dispostas em oito paredes com uma organização muito própria.
Hoje Macau Eventos MancheteCasa de Portugal em Macau leva teatro e arqueologia às escolas A Casa de Portugal em Macau está a organizar o festival “Conta-me histórias”, que leva arqueólogos e uma companhia teatral de Tondela a escolas locais, para despertar o interesse pelo património e pela memória. Na sexta-feira, a Trigo Limpo Teatro Associação Cultural e Recreativa de Tondela (ACERT) leva ao auditório da Escola Portuguesa de Macau (EPM) a peça “Queres que te conte?”. Ilda Teixeira, que concebeu e interpreta a peça, disse à Lusa que “o espectáculo, basicamente, é um tear, o cenário e uma dobadoira, com lã, e é tudo contado com recurso a novelos de lã”. Para preparar “Queres que te conte?”, Teixeira foi falar com uma associação que trabalha com linho e com a Universidade Sénior para “ouvir contar histórias, as músicas antigas que os avós lhe cantavam”. A peça, explicou a actriz, “tem tudo a ver com as histórias que se transmitiam dos avós para netos e que iam passando de boca em boca. E todo o espectáculo foi construído com base nessa tradição oral”. Outras histórias “Queres que te conte?” é um dos dois espectáculos do festival abertos ao público em geral. O outro é “O Bosque”, que a Trigo Limpo irá apresentar na Universidade de Macau, no domingo. “Além de serem os nossos espectáculos mais portáteis, trabalham ambos sobre o que é a memória e a passagem da memória”, disse Ilda Teixeira, encenadora de “O Bosque”, interpretada por Pedro Sousa, Ricardo Augusto e Sandra Santos. A peça é “sobre as memórias antigas de uma cidade, fala sobre as árvores que vão ficando, os edifícios, as moedas que se vão encontrando”, explicou Pedro Sousa à Lusa. O objectivo, disse o actor, é “deixar sementes para os mais novos e os mais velhos conversarem entre eles”. “Nós damos a matéria-prima, mas também há trabalho que tem de ser feito pelos pais e pelos professores”, acrescentou. O festival arrancou na segunda-feira e decorre até 23 Outubro, com o Trigo Limpo a levar os dois espectáculos e momentos de formação em representação e música à EPM e à Escola Luso-Chinesa Luís Gonzaga Gomes. O Trigo Limpo ACERT, que está a comemorar 50 anos de vida, já apresentou espectáculos em países como Angola, Cabo Verde, Brasil, Moçambique, Luxemburgo, Bélgica, Grécia e Alemanha, e irá também à Guiné-Bissau, de 24 de Novembro a 01 de Dezembro. Ontem, hoje e amanhã Além do teatro, o festival inclui sessões de promoção de arqueologia para crianças, contadas em escolas por Natalina Guerreiro e José Luís Monteiro, ambos funcionários do Património Cultural de Portugal. Natalina Guerreiro, do Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática, vai contar histórias de tesouros perdidos no mar devido a dois naufrágios que aconteceram em Portugal. “Tentamos mostrar que, para arqueologia, o tesouro não é só ouro, porque às vezes, um fragmento de cerâmica pode nos dar muito mais informação sobre de onde ela veio”, explicou Guerreiro. Já José Luís Monteiro quer apresentar “uma perspectiva da arqueologia não tradicional”, graças às “tecnologias que revolucionaram completamente” este campo de conhecimento. Há situações “em que já nem é necessário escavar, porque temos tecnologia que nos consegue identificar o que está no solo”, incluindo drones, fotografia área e modelos a três dimensões a partir de fotografia de objectos, disse. Mas mais do que encorajar futuros arqueólogos, o objectivo é “tentar motivar e incentivar os miúdos para as questões do património, seja ele arqueológico ou qualquer património cultural”, sublinhou Monteiro.
Andreia Sofia Silva EventosHong Kong | Pianista Bruce Liu inaugura edição do Festival de Artes Já é conhecido o cartaz da 55.ª edição do Festival de Artes de Hong Kong, cujos bilhetes começaram a ser vendidos no passado dia 7. O cartaz arranca dia 18 de Fevereiro de 2027 com o concerto de Bruce Liu, pianista canadiano que se faz acompanhar da Orquestra Sinfónica de Montreal. Destaque ainda para as apresentações de “Spartacus”, com a Companhia Estatal de Bailado do Teatro de Ópera de Astana, do Cazaquistão; e “Macbeth” Foto de Antoine Salto São 55 anos de um cartaz responsável por trazer a Hong Kong espectáculos de qualidade que vão desde o bailado ao teatro. Já é conhecido o programa da 55.ª edição do Festival de Artes de Hong Kong, cujo espectáculo de estreia acontece a 18 de Fevereiro de 2027 com o concerto do pianista canadiano Bruce Liu. Este senta-se ao piano no palco do Centro Cultural de Hong Kong fazendo-se acompanhar da Orquestra Sinfónica de Montreal. O maestro será Rafael Payare. Bruce Liu conquistou a medalha de ouro no 18.º Concurso Internacional de Piano Chopin ao interpretar o 2.º Concerto para Piano de Rachmaninov, compositor russo. A fechar o festival, já a 19 de Março, estará o bailado “Spartacus”, apresentado pela Companhia Estatal de Bailado do Teatro de Ópera de Astana, do Cazaquistão. Este espectáculo também acontece no Centro Cultural de Hong Kong. “Considerada uma obra marcante do bailado soviético, a encenação heróica de ‘Spartacus’, de Yuri Grigorovich, combina dança masculina de grande intensidade, uma história de amor comovente e a magnífica partitura de Aram Khachaturian, interpretada ao vivo pela Orquestra Filarmónica de Hong Kong”, lê-se na mesma nota de imprensa. Apresentam-se, no total, mais de 190 apresentações com 1500 artistas locais e internacionais, num total de 45 programas. Fazem ainda parte do programa as iniciativas “Plus”, com 300 actividades complementares que se focam na educação e sensibilização do público em prol da arte. Os bilhetes estão à venda desde o dia 7 deste mês. Citado por uma nota de imprensa, Lo Kingman, presidente do Festival, indica que esta edição conta com um orçamento superior a 160 milhões de dólares de Hong Kong. “Organizar um evento artístico internacional desta dimensão exige um enorme esforço todos os anos para angariar os fundos necessários”, destacou. O Governo de Hong Kong financia “cerca de 11 por cento das receitas anuais”, explicou o presidente, juntando-se “mais 21 por cento [de receitas] provenientes do programa de financiamento por contrapartida”. Por sua vez, a venda de bilhetes representa 24 por cento” das receitas. Flora Yu, directora-executiva do Festival, falou da intenção de trazer “a Hong Kong os melhores artistas e obras de todo o mundo”. “O público poderá descobrir uma extraordinária variedade de obras inovadoras, criadas por artistas visionários. Realizadores e intérpretes de renome reinterpretam obras tradicionais com novas abordagens, dando origem a produções teatrais contemporâneas, emocionalmente intensas, inspiradas em clássicos do teatro.” Além disso, “a ópera e a ópera chinesa ocupam lugar de destaque, com tesouros da tradição lírica ocidental e obras consagradas da tradição operática chinesa”. De Bach ao “K-pop” No capítulo da ópera, o público pode assistir à produção “Johann Strauss II – O Morcego”, com a companhia de Ópera e Bailado do Teatro Nacional da Eslovénia, de Ljubljana. Eis a oportunidade para o público “apreciar o humor, o encanto e o virtuosismo vocal de uma grande ópera cómica”. O cartaz musical traz “um programa rico e diversificado, reunindo orquestras de nível internacional, grandes mestres, solistas de renome, instituições corais históricas, jovens talentos e colaborações que cruzam diferentes géneros”. Jaeden Izik-Dzurko, que venceu a Medalha de Ouro no Concurso de Leeds de 2024, actua com a Orquestra Sinfónica de Montreal para apresentar o 4.º Concerto para Piano de Beethoven, “num programa que inclui também obras de Denis Gougeon e Richard Strauss”. Há 300 anos estreava a composição “Paixão segundo São Mateus”, de Bach, e para celebrar essa efeméride apresenta-se a interpretação do coro Thomanerchor Leipzig, “cujo cantor-mor foi o próprio Bach, acompanhado pela Gewandhausorchester Leipzig, uma das orquestras mais antigas do mundo”. Bach, nomeadamente a sua obra sacra, faz-se ouvir no espectáculo “René Jacobs, B’Rock Orchestra e Zürcher Sing-Akademie — Paixão segundo São João, de Bach”. Em palco, haverá instrumentos de época com direcção de René Jacobs, especialista em música barroca. Numa onda musical diferente, destaque para o concerto de “K-pop” intitulado “Hankyung Art Philharmonic x SM Classics”, onde “os grandes êxitos do ‘K-pop’ chegam à sala de concertos em versões sinfónicas”. A orquestra filarmónica de Seul interpreta arranjos orquestrais de temas do catálogo da SM Entertainment, acompanhada por vocalistas convidados. Em termos de grupos locais, apresenta-se “A Princesa das Flores – Cantata para Orquestra Chinesa, Narrador e Seis Cantores”, com a Orquestra Chinesa de Hong Kong. No jazz, apresenta-se o pianista e musicólogo Ralph van Raat, que interpreta “The Köln Concert”, do “lendário” pianista de jazz Keith Jarrett. Para quem gosta de ópera chinesa, o 55.º Festival de Artes de Hong Kong pretende “celebrar a das tradições operáticas chinesas, com a conclusão do projecto trienal dedicado à ópera cantonense e uma celebração marcante da ópera de Pequim e da ópera Kunqu”. Este projecto trienal intitula-se “300 anos de Ópera Cantonense: O Próximo Capítulo – ‘O Órfão Zhao'”, fazendo-se a “reinterpretação contemporânea de um dos clássicos mais duradouros do teatro chinês, sob a direcção artística de Yuen Siu-fai e com texto de Keith Lai”. Faz-se ainda a “celebração da ópera de Pequim e da ópera Kunqu”, apresentando-se clássicos em palco. No que à dança diz respeito, destaque para “Sonho de uma Noite de Verão”, de Alexander Ekman, apresentado pelo Ballett Dortmund. É uma “adaptação contemporânea em bailado do clássico de Shakespeare, que assinala a estreia em Hong Kong desta obra coreográfica de longa duração e visualmente impressionante”. Este espectáculo acontece no dia 19 de Fevereiro. Ainda no capítulo teatral, apresenta-se “Macbeth”, de William Shakespeare, mas com uma “nova e importante produção em língua chinesa”, especialmente encomendada para o Festival. Em palco, podem ver-se os “consagrados actores Hu Jun e Lu Fang nos papéis de Macbeth e Lady Macbeth, respectivamente”. Já a encenação está a cargo do “aclamado” realizador francês Arthur Nauzyciel.