Hoje Macau EventosLisboeta | “Toy Story 5” exibido em sessão aberta a animais de estimação Os Cinemas Emperor, no Lisboeta Macau, acolhem no próximo dia 11 de Julho a exibição do filme “Toy Story 5”, uma iniciativa aberta a animais de estimação. A ideia, segundo um comunicado do Lisboeta Macau, é que o público possa levar os seus animais de estimação, a fim de criar “memórias inesquecíveis” e uma maior conexão entre os donos e os seus cães. Cada cão recebe um brinquedo alusivo ao filme, decorrendo ainda outras actividades como o “Live Custom Sketching”, onde “artistas profissionais vão realizar retratos personalizados dos convidados e seus cães em bilhetes de cinema comemorativos”, e que servem de lembrança após a visualização do filme. O Lisboeta Macau vai ainda apresentar um “mercado para animais de estimação”, onde se apresenta “uma variedade de produtos para que hóspedes e cães desfrutem de um fim-de-semana repleto de diversão na H853 Fun Factory”, lê-se ainda. Os bilhetes de cinema estão disponíveis para venda no portal do Lisboeta Macau ou no WeChat num grupo destinado a membros do Lisboeta Macau.
Andreia Sofia Silva EventosAssociação Cultural da Taipa | Aniversário celebrado com exposição itinerante São dez anos a revelar perspectivas artísticas e a celebrar o fascínio que a Taipa velha proporciona. “Walking Culture 2.0 – Outdoor and Indoor Collective Exhibition” é a exposição que a Associação Cultural da Vila da Taipa apresenta a partir de amanhã, com trabalhos de artistas como Clara Brito, André Carrilho, Ana Aragão ou Rusty Fox A Associação Cultural da Vila da Taipa apresenta a partir de amanhã uma nova exposição que é também uma forma de celebração. “Walking Culture 2.0 – Outdoor and Indoor Collective Exhibition” é o nome da mostra que apresenta trabalhos de 14 artistas, locais ou com ligações a Macau, e que nos últimos dez anos apresentaram a sua arte na Vila da Taipa. São eles P.I.B.G., graffiter cujo trabalho é pioneiro em Macau; os fotógrafos Chan Hin Io, Ieong Man Pan e Rusty Fox; os ilustradores portugueses Ricardo Lima, André Carrilho, Ana Aragão e Sara Hung, esta última natural de Macau. Esta exposição apresenta também a obra de Fan Sai Hong, mestres de pintura chinesa como Lio Man Cheong e Chao Iok Leng; a designer de moda Clara Brito, bem como as artistas plásticas Crystal W. M. Chan e Bianca Lei Sio-Chong. Segundo um comunicado da Associação Cultural da Vila da Taipa, trata-se de uma “exposição inovadora” por reunir “uma combinação invulgar de instalações artísticas ao ar livre e exposições em espaços interiores de obras seleccionadas de 14 talentos individuais de Macau e de todo o mundo”. Desta forma, o público tem acesso a um “espectáculo visualmente rico” que revela também perspectivas do património cultural local”, onde “os amantes da arte ao ar livre” são convidados “a passear pelos locais com património e ruelas históricas da Vila da Taipa, enquanto exploram a cultura, o encanto e a atmosfera única do bairro”. Um mapa com arte Tratando-se de uma mostra interactiva, no sentido em que o público não só tem acesso a obras dentro de uma galeria de arte, num formato mais tradicional, como também recorre a um mapa para ver obras expostas no exterior, “Walking Culture 2.0 – Outdoor and Indoor Collective Exhibition” acaba por “esbater a distinção entre galeria e paisagem urbana”. Isto porque, na parte da exposição dentro de portas, “os visitantes podem explorar obras de arte originais”, existindo depois “banners apelativos estrategicamente colocados por toda a vila, em que cada um destaca o perfil e visão criativa do artista”. A exposição propões aos visitantes “uma viagem de descoberta”, a fim de poderem “explorar o encanto único e o património cultural da Taipa enquanto desfrutam de um passeio tranquilo”. Ao mesmo tempo, também se procura estabelecer “uma ligação entre as instalações ao ar livre e as obras de arte originais expostas na galeria”. João Ó, arquitecto e presidente da associação, disse, citado pela mesmo nota, que “esta exposição celebra uma história partilhada de intercâmbio artístico, ao mesmo tempo que reafirma a posição da vila da Taipa como uma plataforma viva para a criatividade contemporânea”. Os trabalhos seleccionados para esta iniciativa reflectem, segundo João Ó, “a riqueza e pluralidade que têm vindo a definir o programa” da associação nos últimos anos, adiantou. A mostra pode ser vista até ao dia 11 de Setembro de forma gratuita, funcionando na Galeria de Exposições junto às Casas Museu da Taipa, entre as 10h e 19h, e em diversas ruas da Vila da Taipa.
Hoje Macau EventosGrande Baía | CURB assume presidência da Aliança de Design O CURB – Centro de Arquitectura e Urbanismo, sediado em Macau e presidido pelo arquitecto Nuno Soares, assumiu a presidência da Great Bay Area Urban Design Alliance (Aliança do Design Urbano da Grande Baía). Segundo um comunicado do CURB, a presidência “posiciona Macau como um centro de excelência regional” nesta área, sendo que a anterior presidência da entidade esteve a cargo da Sociedade de Planeamento Urbano de Shenzhen. O CURB irá presidir à Aliança nos próximos dois anos, pretendendo colocar a RAEM “no centro de uma rede regional dedicada a promover a excelência no design urbano e a colaboração interdisciplinar”, trabalhando “em estreita colaboração com organizações parceiras, numa agenda clara para melhorar a qualidade de vida através de espaços públicos dinâmicos”. Pretende-se ainda “contribuir activamente para o desenho urbano nas principais cidades da região da Grande Baía”, lê-se na mesma nota. A Aliança de Design Urbano da Grande Baía foi criada “para promover o diálogo, a colaboração e a inovação no design urbano e no planeamento”, reunindo “instituições profissionais de referência de toda a região”, nomeadamente o Instituto de Design Urbano de Hong Kong, a Associação de Planeamento Urbano de Guangzhou, a Sociedade de Planeamento Urbano de Shenzhen, a Associação da Indústria de Exploração e Design de Planeamento de Zhuhai e o CURB.
Andreia Sofia Silva EventosIC | Nova edição de festival infantil de artes arranca esta semana Cinema, espectáculos e muita magia: arranca amanhã a terceira edição do Festival Internacional de Artes para Crianças de Macau. O cartaz traz produções de companhias de teatro locais e ainda a participação da Trupe Fandanga, de Portugal, com “Os Lobos de Pedra” Começa amanhã mais uma edição, a terceira, do Festival Internacional de Artes para Crianças de Macau (MICAF, na sigla inglesa), que traz muitos espectáculos destinados aos mais novos, workshops e cinema exibido na Cinemateca Paixão. Com um cartaz repleto de actividades até Agosto, o festival, que é organizado pelo Instituto Cultural (IC), apresenta também exposições de arte, uma feira artística, sessões de leitura para crianças e também um “Acampamento Criativo para Crianças”. O objectivo, segundo uma nota do IC, é “incentivar crianças, adolescentes e famílias a aproximarem-se e a experimentar a arte”, bem como promover o desenvolvimento artístico dos mais novos. É oferecida “uma variedade de experiências culturais e de entretenimento familiar, permitindo que crianças e adultos criem memórias inesquecíveis e emocionantes com as suas famílias durante as férias de Verão”. Um dos destaques da programação vai para a presença do grupo “Trupe Fandanga”, de Portugal, que apresenta entre os dias 14 e 17 de Agosto o espectáculo de marionetas “Os Lobos de Pedra”, no Estúdio I do Centro Cultural de Macau (CCM). Neste espectáculo entra-se “no coração de um menino” e embarca-se “numa aventura divertida e emotiva”, em que a brincadeira “se desenrola numa ilha feita de madeira, chapas de metal e objectos estranhos, onde tudo pode, de repente, desmanchar-se, transformando-se em novos lugares, como por magia”, descreve a sinopse do espectáculo. Este menino é o Pedro que “imerge até ao mais profundo do seu ser”, um lugar “onde vivem lobos pretos, brancos e, por vezes, cinzentos”, sendo este espectáculo uma nova interpretação do clássico “Pedro e o Lobo”. Nos dias 1 e 2 de Agosto é a vez do espectáculo de produção local – “Os Hamesters de Chong Chong”, do Teatro de Marionetas Rolling Puppet, que se apresenta no pequeno auditório do CCM. Pretende-se aqui “reavivar uma história plena de momentos ternurentos”, sobre o momento em que Chong Chong “ganha o seu primeiro hamster e a criaturinha se torna, inesperadamente, no seu guia, ajudando-o a lidar com a perda”, e também a lidar com “a aventura de crescer”. A peça fala “de amizade e de despedidas”, lê-se na sinopse. Ainda em Julho, nos dias 11 e 12, a Escola de Dança do Conservatório de Macau apresenta o espectáculo “Crescer com a Dança 2026 – A Minha Cidade, o Meu Sonho”, que “tece uma narrativa comovente sobre uma pequena cidade e as suas grandes aspirações, traçando um retrato emocionante e onírico através de histórias fantásticas e coreografia brincalhona”. Destaca-se ainda, na programação, a presença de outro grupo internacional, o Erth Visual & Physical Inc. da Austrália, que apresenta, já esta semana, sexta-feira e sábado, o espectáculo “O Zoo dos Dinossauros de Earth”, no grande auditório do CCM. O espectáculo propõe uma “gigantesca diversão para pequenitos exploradores”, numa “emocionante viagem no tempo”, em que o público é transportado para um tempo em que havia dinossauros. Estes, personificados em marionetas, marcam presença no palco do CCM com outras criaturas, como “insectos e herbívoros de tempos antigos”. Além disso, do Interior da China chega a Companhia Artística Anjo da Paz Soong Ching Ling, que apresenta o espectáculo de variedades infantil “Paz e Futuro”. Trata-se de uma estreia em Macau, apresentando-se ao público “ópera de Pequim, música e actuações corais, mostrando o encanto diversificado da cultura tradicional chinesa”. Livros e companhia O tema da edição deste ano do festival é “crescimento, comunicação e legado”, pretendendo-se “levar crianças e adultos a experimentar a vida através de histórias comoventes e emocionantes no ecrã”, descreve uma nota do IC. O cartaz apresenta também, nos meses de Julho e Agosto, a “Festa de Fim-de-Semana com MICAF”, que se realiza, como indica o título, todos os fins-de-semana na praça do CCM. Os participantes podem aproveitar os jogos, experiências interactivas com insufláveis e oficinas de artes, sendo que nas últimas duas semanas de Agosto, entre sexta-feira e domingo, realiza-se a actividade “Artes em Festa”, com uma área infantil de disfarces, espectáculos interactivos, visitas aos bastidores, workshops, zona de restauração e bancas de jogos. Destaca-se ainda a “Livraria das Crianças”, em formato “pop-up”, aberta todos os sábados e domingos, de Julho a Agosto, na Sala ARTmusing do CCM, onde se incluem “mais de 600 tipos de livros ilustrados, livros para jovens leitores, livros com imagens, cartilhas e outros produtos culturais e criativos de vários países e regiões”. Cinema na cidade Outro ponto alto do festival é o ciclo de cinema infantil que passa não apenas nos ecrãs da Cinemateca Paixão como também em alguns locais públicos. É o caso do filme de animação “Flow”, do realizador Gints Zilbalodis, que fez um brilharete nos Óscares, exibido dia 11 de Julho, às 20h30, no Jardim do Mercado do Iao Hon. Nesta história, um gato vai descobrindo o mundo destruído aos poucos pela presença humana, tendo de sobreviver a inúmeros perigos. Também no mesmo dia, e no mesmo local, será exibido “Monstros da Montanha”, a partir das 18h, do realizador Yu Shui. Este festival parece estar a ter boa adesão por parte do público, ao ponto de o IC ter criado sessões adicionais para alguns espectáculos, cujos bilhetes começaram a ser vendidos no sábado. É o caso dos espectáculos “O Zoo dos Dinossauros”, “O Bosque das Maravilhas”, “Crescer com a Dança 2026 – A Minha Cidade, o Meu Sonho”, “Acampamento Artístico Familiar” e “Acampamento Criativo para Crianças”. Algumas sessões de cinema também já estão esgotadas, sendo que, para as exibições ao ar livre, os bilhetes têm de ser levantados na Cinemateca Paixão. Os bilhetes para o festival estão à venda na plataforma Enjoy Macao.
Hoje Macau EventosG Box | Banda de rock Mango Jump ao vivo no Galaxy no dia 5 O grupo Mango Jump vai actuar no espaço G Box, no hotel e casino Galaxy a 5 de Julho, às 18h, como parte do tour “Heartbeat Defense <3 Rescue Your Heart”. Com um estilo de música rock-indie, o grupo é constituído por Kuo Chih-Ching, Tsai Chien-Hung, Li Chi-Hsien e Huang Sheng-Chih tornou-se conhecido através da internet, principalmente no YouTube, tendo lançado até ao momento dois álbuns: “Shin Formosa Youth”, em 2022, e “Mission Heartbeat Defense”, em 2023. O grupo de Taiwan tem como principais singles “Mayday Mayday” (2022), “Let’s Get Fat” (2023), “99 Nights Chase” (2023), “Wake Up” e “Collapse” (ambos de 2025). Os bilhetes ainda estão disponíveis e encontram-se à venda nas plataformas habituais com preços de 598 patacas ou 758 patacas. Todos os lugares são de pé, mas, por motivos de segurança, a entrada de grávidas está barrada.
Hoje Macau EventosFotografia | Gonçalo Lobo Pinheiro expõe em Hong Kong “O que foi não volta a ser…” Um total de 30 fotografias dos dois volumes de “O que foi não volta a ser…”, de Gonçalo Lobo Pinheiro, vão estar em exibição no Clube de Correspondentes Estrangeiros de Hong Kong entre 2 e 31 de Julho. As obras expostas convidam à reflexão sobre a inevitabilidade da mudança A partir de 2 de Julho o Clube de Correspondentes Estrangeiros de Hong Kong (FCC) recebe a exposição fotográfica “O que foi não volta a ser…”, da autoria de Gonçalo Lobo Pinheiro. O anúncio foi feito ontem, através de um comunicado, e a exposição vai permanecer em exibição na RAEHK até 31 de Julho. A inauguração oficial da mostra do fotógrafo português vai acontecer a 7 de Julho, terça-feira, às 18h30, na Van Es Wall do FCC, um espaço dedicado à apresentação de trabalhos de fotógrafos e artistas. Com curadoria do fotógrafo e professor canadiano Ben Marans, a exposição reúne uma selecção de 30 fotografias escolhidas de um conjunto mais vasto de 80 imagens, publicadas em dois livros em 2022 e 2025. Desde o início, o criador do projecto pretendeu desafiar o público “a reflectir sobre a inevitabilidade da mudança e a certeza de que o que foi não volta a ser”. Os livros apresentavam assim imagens antigas e recentes, estas últimas captadas pelo fotógrafo, num trabalho que não esteve livre de dificuldades: “Macau mudou muito nos últimos anos. As fotografias antigas atestam isso. E agora, o que fazer com elas? Se, por um lado, ainda é possível recriar alguns cenários, por outro lado, é impossível obter pontos de contactos noutras fotografias, porque simplesmente as coisas já não existem no território. É um trabalho difícil. Tudo mudou. Por isso, na grande maioria dos casos, o que foi não volta a ser…”, explicou. Cidade de encontros O trabalho mostra também Macau enquanto ponto de encontro. “O que foi não volta a ser mostra-nos Macau como uma cidade de encontros, de fusões culturais e de convivência entre mundos que se entrelaçam. Aqui, a herança portuguesa coabita com a tradição chinesa e com múltiplas influências asiáticas”, explicou Gonçalo Lobo Pinheiro, no final do ano passado. O autor do projecto destacou ainda que “o território, por força das suas gentes, e mais do que pela arquitectura, torna-se palco de gestos humanos, moldura de histórias diárias, testemunho silencioso das interacções que definem a cidade” e que espaços como “igrejas, templos ancestrais, arcos de pedra e praças revelam-se como arenas poéticas onde o humano se ilumina na sua dimensão ética e estética”.
Hoje Macau EventosApresentada hoje no IPOR versão portuguesa de “Macau’s Historical Witnesses” O tédio da pandemia levou-os a vasculhar os segredos da sua cidade e a ter contacto com a sua história e as inúmeras personalidades que tem dentro. O casal Cristopher Chu e Maggie Hoi editaram, em 2022, a obra “Macau’s Historical Witnesses”, que ganha agora versão em português com a edição de “Testemunhas da História de Macau – 22 Histórias desconhecidas e presenciadas pelos marcos históricos da cidade que todos deveriam conhecer”. A apresentação, enquadrada no cartaz de “Junho – Mês de Portugal na RAEM 2026”, acontece hoje na Biblioteca do IPOR – Instituto Português do Oriente a partir das 18h30. Trata-se, segundo um comunicado enviado pelos autores, de um “livro de contos que narra o passado da cidade sob a perspectiva dos seus edifícios, igrejas e outros monumentos”. A obra não é “um manual escolar nem um panfleto turístico, mas sim algo intermédio” entre esses dois mundos. Christopher Chu e Maggie Hoi procuraram fazer uma crónica “da história única de [ligações] de quinhentos anos entre as comunidades portuguesa e chinesa”, apostando-se numa escrita de parágrafos curtos e “fácil leitura, contados do ponto de vista dos marcos históricos da cidade”. Num anterior comunicado divulgado, Cristopher Chu adiantou que o livro “procura desafiar o mantra genérico do ‘encontro entre oriente e ocidente’ muitas vezes usado para descrever Macau e a sua história, ao adoptar as perspectivas de vários pontos de referência da cidade em vez das nossas perpectivas”. “Assim sendo, perguntámos a edifícios, estátuas e ruas as experiências porque passaram nos últimos 400 anos e como as mudanças alteraram as cidades e aqueles que cá vivem”, acrescentou. O lugar de Pessanha Esta era a versão traduzida que faltava, tendo em conta que, além da publicação original em inglês, o público dispõe também de uma versão em chinês. Coube a Ivo de Noronha Vital, macaense e doutorando na Universidade de Macau, a responsabilidade pela tradução para a língua de Camões. Ivo de Noronha Vital é também vice-presidente da Associação de Tradutores de Português. Na sessão de hoje no IPOR, o tradutor vai também “abordar os desafios do processo de tradução e a arte de conectar ideias além das línguas”. Uma das personalidades em destaque no livro de Cristopher Chu e Maggie Hoi é Camilo Pessanha, poeta, docente e jurista, que viveu e faleceu em Macau. Segundo contou o co-autor, a ligação do poeta ao território foi tão forte, e geradora de tantas histórias, que acabou por dar origem a um segundo livro escrito pelo casal, “Camilo Pessanha’s Macau Stories”. “A história de Camilo Pessanha foi acrescentada ao livro como um suplemento, mas a sua vida em Macau foi tão fascinante que decidi escrever um segundo livro dedicado exclusivamente à sua estada em Macau”, indicou Cristopher Chu que, em entrevista concedida ao HM, falou de como Pessanha ajuda também a descobrir a história do território que o acolheu. “Ele foi isso mesmo, uma testemunha histórica. Viu tantos acontecimentos notáveis desenrolarem-se à sua frente, participou em alguns. É um óptimo instrumento para compreender o que se passou em Macau, perceber como o mundo evoluiu, as muitas mudanças que aconteceram naqueles anos e que continuam a ser palpáveis nos dias de hoje.”
Hoje Macau EventosExposição | “A Poesia que Contém” para ver na Livraria Portuguesa É hoje inaugurada, às 18h30, a mostra “A Poesia que Contém (a Poesia do Espaço)”, com fotografias e pinturas da autoria de Shee Va e Lam Kuong Kao. Trata-se de uma iniciativa integrada no cartaz de “Junho – Mês de Portugal na RAEM 2026”, apresentando-se ao público até ao dia 24 de Julho. Numa nota da organização sobre a exposição, lê-se que os trabalhos são fruto de passeios pelas ruas de Macau, onde os artistas “observam as suas gentes, ruas e casas”. Esse processo encara “o material urbano da cidade onde vivemos e passeamos”, sendo que cada pessoa “vê com os seus olhos um instante, e somados os momentos da sua experiência nesta vivência é capaz de interiorizar, transformar e expor sob as formas mais diversas”. Passar estes passeios e vivências “para um texto ou uma crónica do quotidiano é uma hipótese”, “cantá-la num poema é outra alternativa”. Porém, os dois artistas decidiram mesmo retratar estes momentos com recurso à fotografia e pintura, transformando a realidade vista “em duas dimensões para uma folha de papel”, numa tentativa de se obter “a emoção contida no coração do autor”. “Lam Kuong Kao e Shee Va mostram a poesia que o espaço de Macau contém”, descreve a mesma nota da organização.
Hoje Macau EventosFRC | Exposição de caligrafia inspirada em Fernando Pessoa para ver até Julho “Poemas de Fernando Pessoa – Exposição Conjunta de Caligrafia” pode ser vista até 4 de Julho. A exposição celebra os escritos de um dos grandes poetas portugueses com recurso à caligrafia, através de 44 obras dos artistas Fernando António e Choi Chun Heng A Fundação Rui Cunha (FRC) acolhe, desde ontem, a mostra “Poemas de Fernando Pessoa – Exposição Conjunta de Caligrafia”, protagonizada pelos artistas Fernando António e Choi Chun Heng, e que reúne 44 obras em representação da poesia do escritor português do século XX, através da arte da caligrafia nas duas línguas de Macau, o português e o chinês. As obras vão estar patentes ao público até ao próximo dia 4 de Julho. Segundo um comunicado da FRC, a ideia para esta exposição surgiu no seguimento da última exposição desta dupla de artistas, intitulada “Caligrafia do Pensamento em Português e Chinês”, que se realizou em Maio de 2024. Na exposição, há pouco mais de dois anos, apresentaram-se aforismos orientais caligrafados nas duas línguas, contando com uma “grande afluência de visitantes” que “mereceu a apreciação geral, devido à sua característica singular”, referem os artistas, citados pela mesma nota. Essa experiência esteve na génese da exposição agora patente na galeria da FRC. O projecto inicial nasceu pela mão de Fernando António, que há dois anos, após inúmeras tentativas, teve a oportunidade de convidar o mestre de caligrafia Choi Chun Heng, para uma exposição conjunta sobre pensamentos caligrafados em duas línguas. Desta vez, a ambição foi maior, levando a poesia portuguesa a passar sob o pincel tradicional chinês para chegar a novos públicos e entendimentos, no mês em que se assinala a expansão da portugalidade pela diáspora, ou seja, a propósito do 10 de Junho – Mês de Portugal, Camões e das Comunidades Portuguesas. Uma longa paixão Fernando António, já nos tempos de escola, começou a sentir interesse pela caligrafia. Continuou a “praticar nas décadas seguintes”, tendo melhorado “substancialmente as habilidades”. “Ao longo dos anos, tive a oportunidade de fazer aulas de Caligrafia e Pintura Tradicional Chinesa, onde aprendi sobre o pincel chinês Hui e a tinta Hui, bem como o papel Xuan (papel de arroz) com o seu sabor distinto”, disse ainda. Calígrafo e coleccionador local, Fernando António é hoje presidente do conselho fiscal da Associação de Pintura e Caligrafia do Oriente de Macau. Participou também na terceira Exposição de Obras dos Membros da referida associação, co-organizada pela FRC em Setembro de 2019. Por sua vez, Choi Chun Heng é amador de caligrafia, pintura, música, arte popular e coleccionismo, e presidente da Casa de Arte Da Feng Tang de Macau. Hoje aposentado da Administração Portuguesa, tem-se dedicado à arte como instrutor do curso de formação em Caligrafia Chinesa na Universidade de Macau, além de diversas escolas primárias e secundárias e outras associações locais. Nos últimos 20 anos, realizou muitas exposições de caligrafia e pintura em Hong Kong, Macau, Taiwan e outras cidades da região. O seu trabalho ganhou o Campeonato de Caligrafia de Macau em 1989 e chegou a apresentar os programas de educação moral “Disciple Rules” e “Normal Mind – Ordinary Things”, nos canais de televisão de Macau.
Andreia Sofia Silva EventosFotografia | Wang Zhengping com exposição inédita em Lisboa A galeria Ochre Space, em Lisboa, apresenta até 4 de Julho a mostra “Wang Zhengping: O Cavalo Selvagem da Mongólia Interior”, a primeira exposição do fotógrafo chinês em Portugal. Ao HM, Wang diz que os cavalos são como os humanos e conta como a fotografia sempre foi uma paixão Wang Zhengping, um dos fotógrafos chineses contemporâneos mais importantes, tem, nos últimos dias, fotografado alguns dos sítios mais icónicos de Portugal ao sabor da vontade da sua lente. Esteve no Cabo da Roca e aproveitou para fotografar muito o Oceano Atlântico, as ruelas do Porto ou a baixa de Lisboa, com as suas gentes. Wang Zhengping esteve em Portugal a propósito da inauguração de uma exposição em nome próprio, a primeira vez que tal acontece. É na galeria de fotografia Ochre Space, projecto do advogado, fotógrafo e curador João Miguel Barros, que se pode ver, até 4 de Julho, “Wang Zhengping: O Cavalo Selvagem da Mongólia Interior”. A mostra e baseada no livro “Mongolian Horse in North Wind” publicado em Pequim, em 2024. Destaque para o facto de o trabalho de Wang Zhengping já ter sido revelado em Macau no âmbito de uma edição do festival literário Rota das Letras, com a exposição “The Wind Blows Through the Grassland”. O HM conversou com Wang Zhengping na cave da Ochre Space um dia antes da inauguração da mostra. O cavalo é, para si, muito mais do que um animal, mas quase como um humano. E com a fotografia, Wang revela mais do que a cultura das estepes da Mongólia Interior, de onde é natural: uma quase magia demonstrada em imagens de grande qualidade estética. “Para mim os cavalos são como pessoas, têm emoções, como se estivessem tristes ou felizes, então fotografo os cavalos com se fossem pessoas”, contou. Citado por uma nota da organização, João Miguel Barros, fundador da Ochre Space e curador da exposição, descreve como estas imagens “revelam uma prática fotográfica que oscila entre a observação documental e a visão poética”, nas quais os cavalos “surgem não apenas como sujeitos fotográficos, mas como símbolos de resistência, liberdade e continuidade cultural numa das paisagens mais marcantes da Ásia”. Neste projecto pode ser encontrada uma “diversidade de registos e atmosferas”, como “retratos silenciosos de cavalos solitários contra a vastidão da estepe coberta de neve, composições banhadas pela luz dourada do crepúsculo e imagens cruas do Inverno, esculpidas pelo vento norte que dá nome ao livro”, descreve ainda João Miguel Barros. Questionado sobre se o seu trabalho contribui para aumentar a atenção para a cultura mongol e das estepes, aponta-nos, como resposta, uma entrevista que recentemente deu à revista “China Photography”, em Junho. “Alguns dizem que documento uma civilização nómada em desaparecimento. Não gosto de rótulos. Organizo o meu arquivo em três grandes núcleos: cavalos, mongóis e estepe”, disse à publicação. Paragem na carreira Wang Zhengping é natural da Mongólia Interior, região autónoma do Norte da China, e há mais de 15 anos que fotografa o cavalo mongol e as paisagens que lhe estão associadas. É fotógrafo desde os anos 80 e formou-se na Academia de Belas-Artes Lu Xun em 1987, mas muito antes, em 1982, fez um curso de fotografia em Harbin, orientado por Wu Yinxian e Li Zhensheng. Ao HM, recorda como já gostava de fotografia desde os anos da escola secundária. “Antes de entrar para a Academia de Belas-Artes Lu Xun já costumava ver fotografias de outros fotógrafos chineses, e ficava fascinado com elas. Depois comecei a gostar dos seus trabalhos, e comecei aí a gostar de fotografia e de tirar boas fotografias, e tirei fotografias do pôr-do-sol, fiz retratos…” No ano em que se formou, Wang Zhengping venceu a Medalha de Ouro na primeira Exposição Nacional de Fotografia de Paisagem, e continuou a vencer por oito ou nove anos. Até que parou. “Comecei a participar em alguns concursos de fotografia na China, e até ganhei algumas medalhas, mas depois de ganhar uma medalha de ouro num concurso, percebi que este prémio não era bem o que queria”, recordou ao HM. Fez uma pausa de três anos em que não disparou a máquina, ao mesmo tempo que trabalhava numa galeria. Em 1990 dedicou-se ao comércio. Wang assume que nunca deixou por completo o mundo das artes, mas, na fotografia, buscava algo mais, algo que ainda não tinha visto na China. “Quando via o trabalho de alguns fotógrafos, tudo me parecia muito normal e tradicional”, como se houvesse uma única forma de fotografar no país, acrescenta. O período em que trabalhou na galeria, e o contacto que teve com outras formas de arte, acabaram por o influenciar esteticamente e fazê-lo regressar à fotografia. Afinal de contas, a paixão ainda estava longe de terminar. “Gosto de fotografia desde criança e não podia desistir. Não fotografei durante três anos, e tentei evitar olhar para livros de fotografia ou [o trabalho] de outros fotógrafos chineses.” A magia dos cavalos À “China Photography”, Wang Zhengping descreveu como chegou a fotografar “os cavalos no Inverno, alugando um pequeno automóvel por 300 yuan por dia”. Na conversa com o HM, destaca o momento em que sentiu uma conexão com o animal. “Na estepe, quando houve uma corrida com centenas de cavalos, tirei uma fotografia. Mas um dos cavalos parou e baixou-se na minha direcção, mas não me magoou. Senti uma ligação, como se os cavalos se baixassem para me salvar.” Imagem sem planos Em 2009, Wang Zhengping foi distinguido com o Prémio Golden Statue de Fotografia da China, o mais prestigiado galardão fotográfico do país. Porém, isso não mudou o olhar humilde que tem sobre o seu próprio trabalho. “Não tenho referências de outros artistas porque, para mim, a fotografia é como um hobby. Pego na câmara e uso-a como uma ferramenta, jogo com ela.” “Na verdade, trabalho como fotógrafo há mais de 40 anos, e posso dizer que sou um fotógrafo profissional. Numa fase inicial procurava ganhar prémios, mas, depois, deixaram de ser importantes. [Percebi que] só através do processo [de fotografar] podia conhecer-me”, como pessoa e como fotógrafo, explicou. Wang Zhengping diz não estar a trabalhar em nenhum novo projecto. Fotografa uns meses e depois pára, conforme “a percepção sobre a sociedade, o mundo e a experiência de fotografia”. “Não me vejo como um artista maravilhoso”, disse. Confessa que desde 2016 que não trabalha mediante um tema. Agora, as imagens que capta vão sendo organizadas em ficheiros pessoais, e depois o tempo decide o destino a dar a essas fotografias. “Posso dizer que todos os lugares do país [China], até de países estrangeiros, vejo o que tenho de fotografar, e só depois é que organizo.” Numa era em que cada vez mais se fotografa com o telemóvel, e em que a inteligência artificial é, crescentemente, produtora de imagens, Wang Zhengping não afasta nenhuma destas possibilidades, apesar de não fotografar muito com o telemóvel. “Qualquer ferramenta que sirva para fotografar é boa. Não importa qual é a câmara. Contudo, prefiro usar máquina fotográfica, para mim é melhor porque não compreendo muito bem como funciona o telemóvel, há muitas funcionalidades que não sei usar. Comecei a usar a câmara digital em 2011 e tinha medo que gozassem comigo por não a saber usar.”
Hoje Macau EventosReconhecidos promotores oficiais de património cultural intangível Macau anunciou o reconhecimento de oito pessoas como promotores oficiais de património cultural intangível, com Miguel de Senna Fernandes incluído na lista pela sua promoção do teatro em patuá, um dialecto crioulo de origem portuguesa. O patuá é um sistema linguístico criado pela comunidade luso-descendente de Macau ao longo dos últimos quatrocentos anos, tendo o português como base, mas misturando-o com malaio, cantonense, inglês e espanhol. Após a terceira reunião plenária do Conselho do Património Cultural, a presidente do Instituto Cultural de Macau, Deland Leong Wai Man, anunciou que o departamento recebeu mais de 10 candidaturas, e que, “depois da avaliação, seleccionou oito pessoas para integrar a lista” de transmissores de património intangível de nível nacional em Macau. Os transmissores de património são: Tsang Tak Hang, de Escultura de Imagens Sagradas em Madeira; Ng Peng Chi, da Música Ritual Taoista; Au Kuan Cheong, de Canções Narrativas; Chan Kin Chun, da Crença e Costumes de A-Má; Cheang Kun Kuong e Ip Tat, da Crença e Costumes de Na Tcha; Lo Seng Chung, da Crença e Costumes de Tou Tei; e Henrique Miguel Rodrigues de Senna Fernandes, do Teatro em Patuá. “Ao longo dos anos, este grupo de transmissores tem continuado a promover a protecção do património cultural imaterial de Macau”, afirmou Leong. Prémios transmitidos Após o reconhecimento, os transmissores podem receber apoios, financiamento e um certificado por parte do Governo, para “promoverem melhor” o património cultural imaterial. Quando questionada sobre o orçamento para prémios e apoios aos oito transmissores agora reconhecidos, Leong Wai Man disse que o valor dos prémios ainda está a ser definido. A responsável acrescentou que o inventário do património imaterial de Macau conta actualmente com 24 elementos e lembrou que, anteriormente, já foram anunciadas 19 unidades de protecção.
Hoje Macau Eventos ManchetePatuá | Lançado novo dicionário para despertar interesse das novas gerações O dicionário foi lançado pelo investigador Raul Leal Gaião com o apoio da Universidade de Macau durante o 2º Fórum Internacional das Línguas Chinesa e Portuguesa O investigador português Raul Leal Gaião lançou um novo dicionário do crioulo de Macau, o patuá, que está “gravemente ameaçado de extinção”, segundo a Organização da ONU para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO). Embora o patuá “já não seja exactamente uma língua viva”, Gaião disse esperar que a obra “desperte o interesse pela língua para que continue a ser estudada e compreendida, sobretudo pela nova geração de macaenses”. O académico recordou que o patuá foi criado ao longo dos últimos 400 anos no seio dos macaenses, uma comunidade euro-asiática composta sobretudo por luso-descendentes e com raízes no território. “Papiá Nôsso Língu, Dicionário de Patuá di Macau” foi publicado com o apoio da Universidade de Macau e apresentado no início do 2º Fórum Internacional das Línguas Chinesa e Portuguesa, que decorreu em Macau. Gaião disse que os três volumes representam uma extensão de um primeiro dicionário, lançado em 2019, então apenas a partir de um levantamento dos escritos de José dos Santos Ferreira. Mais conhecido por Adé (1919-1993), escreveu poesia, novelas e teatro em patuá e é considerado um dos expoentes literários dos macaenses, juntamente com o escritor Henrique de Senna Fernandes (1923-2010). O novo dicionário integra outras fontes, sublinhou Raul Leal Gaião, incluindo o trabalho do filho de Henrique, Miguel de Senna Fernandes, encenador do grupo Dóci Papiaçám, que uma vez por ano leva a palco uma peça de teatro em patuá. Comparação com Malaca As definições das expressões incluem, quando possível, uma comparação com o crioulo de Malaca, uma cidade portuária da Malásia onde, ainda hoje, vivem cerca de dois mil descendentes de portugueses, no chamado Bairro Português. A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO, na sigla em inglês) considera o patuá como “gravemente ameaçado”, o nível antes da extinção. O patuá começou a desaparecer devido à obrigação de aprendizagem do português nas escolas, imposta pela administração portuguesa, assim como ao estigma em torno do crioulo. “Era considerada uma língua das ‘nhonhas’ [mulheres em patuá] e das pessoas pouco instruídas”, lamentou Raul Leal Gaião. A publicação do dicionário é “muito bom” para a língua patuá, disse a macaense Anabela Ritchie, primeira mulher a ocupar a presidência da Assembleia Legislativa de Macau (1992-1999). “Espero que se torne uma obra de referência para os estudiosos da nossa língua”, acrescentou Ritchie, que falou em patuá durante o fórum. A antiga professora revelou ainda que o portal Macanese Families (‘Famílias Macaenses’), que reúne informação sobre a diáspora da comunidade, pretende usar o dicionário para “registar o patuá falado”. Apesar de não haver certeza sobre quantas pessoas dominam o crioulo, em Macau ou na diáspora, Ritchie disse que ainda tem familiares “que não aprenderam português e só falam o que restou do patuá”. Sobre o futuro do crioulo, a macaense garantiu ser “uma optimista por natureza” e apontou para o “interesse muito grande” dos jovens em aprender patuá para participar nas peças do Dóci Papiaçám di Macau.
Hoje Macau EventosFRC | Conteúdo de Museu de Macau em Lisboa em palestra A Fundação Rui Cunha (FRC) acolhe hoje, a partir das 18h30, a sessão “O Museu de Macau em Lisboa e o seu Catálogo”, que terá como oradora a presidente do Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM), Carmen Amado Mendes. O objectivo desta sessão é falar do património expositivo do CCCM e também do “Catálogo da Colecção do Museu de Macau em Lisboa”, uma obra publicada em dois volumes que, segundo os organizadores, “reúne e contextualiza de forma sistemática um acervo de excepcional riqueza e diversidade, oferecendo novas perspectivas sobre as colecções do Museu do CCCM e sobre a relevância para o estudo das relações entre a Ásia e a Europa”. O Museu do CCCM está vocacionado para o estudo e divulgação das relações luso-chinesas, possuindo mais de 3.500 peças divididas por diversas tipologias, entre as quais estatuária, trajes e peças de carácter utilitário e decorativo, e por diversos materiais, entre os quais terracota, têxteis e porcelana. O Museu é constituído por dois núcleos distintos e complementares: o núcleo sobre A Condição Histórico-cultural de Macau nos Séculos XVI e XVII, e o núcleo sobre a Colecção de Arte Chinesa. O CCCM é um instituto público integrado na administração indirecta do Estado, e sob tutela do Ministério da Educação, Ciência e Inovação, dotado de autonomia administrativa e património próprio. Além disso, promove e patrocina projectos de investigação, bolsas de Doutoramento, publicação de teses, serviços de apoio à formação académica, educativa e cultural.
Andreia Sofia Silva EventosIIM | Inaugurada exposição “Padrões de Macau 2.0”, de Eva Bucho O Instituto Internacional de Macau (IIM) acolhe, a partir de hoje, mais uma exposição integrada no cartaz das celebrações de “Junho – Mês de Portugal 2026”. Trata-se de “Padrões de Macau 2.0”, da autoria de Eva Bucho, uma extensão de trabalhos já expostos em 2024 e que, desta vez, inclui os padrões e ornamentos encontrados na Taipa e em Coloane Eva Bucho regressou ao seu projecto “Padrões de Macau”, realizado e apresentado ao público em 2024, estendendo a sua pesquisa às ilhas de Taipa e Coloane. “Padrões de Macau 2.0” é o resultado desse trabalho, com a exposição a ser inaugurada hoje no Instituto Internacional de Macau (IIM) a partir das 18h. A autora do projecto quis explorar todos os padrões culturais presentes em portas, janelas, pavimentos e demais ornamentos, revelando traços patrimoniais e arquitectónicos muito particulares de uma mistura de vivências e culturas. Estes padrões revelam-se em fotografias, tratando-se de um novo trabalho editorial mais completo sobre o que se pode encontrar no território, contou Eva Bucho ao HM. “Mantivemos a maior parte dos padrões e acrescentámos alguns novos às freguesias existentes, dando oportunidade a quem não adquiriu a primeira edição de ficar a conhecer este projecto. Mas a grande novidade é que expandimos o conceito e agora temos uma edição completa com padrões de Macau, Taipa e Coloane. Lanço também uma colecção de merchandise — assim, os padrões saem do livro e ganham nova vida”, disse. O objectivo foi manter “a identidade central” do projecto, mas melhorando “a experiência e alcance”. Para Eva Bucho, estes padrões contam “a história de um território híbrido e único”, e de como Macau sempre foi “um espaço de grande interesse visual, onde o diferente se encontra sem se anular”. “O mais bonito é que, mesmo sendo património, estes padrões continuam vivos — nas ruas, nos mercados, nos azulejos das lojas antigas. O meu projecto tenta tornar esse olhar mais consciente e duradouro, ajudando-nos a olhar melhor à nossa volta e a dar mais valor ao que existe e vemos todos os dias”, acrescentou. Longo processo Eva Bucho recolhe estes padrões há muitos anos, e fá-lo porque “são testemunhas silenciosas da identidade única de Macau”. “Muitas vezes, passamos por eles todos os dias sem os ver realmente — nas portas, nos azulejos, nas fachadas dos edifícios antigos. O meu objectivo é tirá-los do esquecimento quotidiano e dar-lhes um novo lugar de destaque, num formato editorial que os preserve e celebre”, disse a responsável pelo projecto. Em relação ao processo de selecção, foram escolhidos “os que tinham mais força visual, história cultural e também os que estão a desaparecer”, verificando-se, em “Padrões de Macau 2.0”, “um olhar pessoal e duradouro sobre o que nos rodeia”. Eva Bucho voltou a padrões fotografados há dez anos, aos quais quis voltar, por exemplo, e que já desapareceram. Assim, esta recolha é também como uma preservação de algo tão único e, muitas vezes, esquecido. “Há também outros, em portas, cujas portas mudaram de cor desde a primeira edição. Cada padrão que se perde ou se altera é um pequeno silêncio na memória visual do território — e é por isso que este projecto continua a fazer sentido.” Eva Bucho gostava de fazer uma terceira edição de “Padrões de Macau”, sendo que o “olhar” que deu origem às duas primeiras edições “não se esgotou”. A autora nota ainda um sentimento de perda face a padrões que têm desaparecido à conta das constantes renovações e mudanças no território. “Há sempre novos padrões para descobrir, novos detalhes em fachadas esquecidas, novas cores em portas antigas. Além disso, desde 2016 que venho a perder padrões que gostaria de ter registado — e essa urgência mantém-se. Por isso, sim, há sempre espaço para novas edições, se houver novo material significativo a acrescentar — novos padrões, novas histórias, ou um novo olhar sobre o que já foi registado.” Acima de tudo, “o caderno de campo continua aberto, e Macau continua a surpreender”, resume. A mostra de fotografia fica patente até ao dia 31 de Julho. Hoje, no IIM, é também apresentado o quinto volume de “Figuras de Jade – Os Portugueses no Extremo Oriente”, de António Aresta, bem como os últimos cinco volumes das crónicas de Jorge Rangel, presidente do IIM. Estes volumes dizem respeito à obra “Falar de Nós – Acontecimentos, Personalidades, Instituições, Diáspora, Legado e Futuro”.
Hoje Macau EventosFAM apresenta “O Lago dos Cisnes” com o Ballet de Xangai O programa do Festival de Artes de Macau (FAM) prossegue com a apresentação, esta sexta-feira e sábado, de mais um clássico. Trata-se de “O Lago dos Cisnes”, protagonizado pelo Ballet de Xangai, e com coreografia do britânico Derek Deane. Segundo o Instituto Cultural (IC), o público pode esperar “uma interpretação deslumbrante” e uma “produção que oferece ao público uma experiência de actuação com maior profundidade e dimensão”. O Ballet de Xangai apresenta-se ao público de Macau com um “estilo eclético, elegante e refinado, aliado à cenografia e requintados figurinos”, pelo que o que se apresenta no grande auditório do Centro Cultural de Macau (CCM) este fim-de-semana é uma “produção de grande impacto visual e poder estético”. O “Lago dos Cisnes” é uma composição clássica de Tchaikovsky que ganha agora uma nova perspectiva, sendo que, segundo o IC, Derek Deane conseguiu trazer ao palco “uma interpretação fresca e deslumbrante”. Neste espectáculo conta-se a história de Odette, “uma princesa transformada em cisne pela maldição de um feiticeiro”, sendo que, “à medida que deriva entre o amor, traição e redenção, Odette enfrenta os desafios de Odile, o Cisne Negro”. “A rivalidade simboliza o contraste entre inocência e sedução, reflectindo as complexidades da identidade e do desejo. Um conflito emocional entre duas personagens que acaba por ter consequências trágicas”, descreve a sinopse do espectáculo. Produções locais O FAM apresenta também, nos próximos dias, duas produções locais, nomeadamente “A Velha Casa das Orquídeas”, da Associação de Arte Teatral Dirks, e ainda “A Noite de Zheng Guanying – Dança Teatro Ambiental”, cuja sessão deste sábado já está esgotada. “A Velha Casa das Orquídeas” acontece no Estúdio II do Centro Cultural de Macau e combina “narrativa, teatro e música ao vivo”, contando a vida da protagonista que está ligada ao antigo tráfico de cules. Cules é o nome dado a trabalhadores chineses contratados e transportados em navios para locais como a América Latina, em condições laborais e de vida a roçar a escravatura. Muito desse comércio passou por Macau. Este espectáculo acontece sábado e domingo. Além disso, “A Noite de Zheng Guanying – Dança Teatro Ambiental” é um espectáculo produzido pela Associação de Dança Hou Kong e leva o público a descobrir a Casa do Mandarim, monumento classificado como Património Mundial da UNESCO. A Casa do Mandarim foi também a residência de Zheng Guanying, figura histórica que se refugiu em Macau, onde escreveu a obra “Advertências em Tempos de Prosperidade. O ponto de encontro para este espectáculo é no Largo do Lilau. O IC lançou ainda, no âmbito do FAM, o concurso “Captivating Moments — Step into the Magic of ‘Swan Lake'”, podendo o público ganhar prémios oferecidos pela Air Macau e sucursal de Macau do Banco da China. O passatempo, cujas regras constam na página do Festival de Artes de Macau no Facebook, termina às 23h58 desta quinta-feira, 18.
Andreia Sofia Silva EventosFestival LGBTQ+ com filmes nos cinemas Emperor este fim-de-semana Há cinema para ver este fim-de-semana ligado ao universo LGBTQ+ no âmbito do Festival Internacional de Cinema Queer de Macau (MIQFF, na sigla inglesa), que decorre até ao dia 27 deste mês, com as sessões a terem lugar nos cinemas Emperor. Esta quinta-feira, às 20h, pode ser visto pela segunda vez o filme de estreia, “Cyclone”, do realizador Philip Yung, que conta a história de uma mulher trans da China continental que viaja até Hong Kong para fazer uma cirurgia de redesignação sexual. “Rosebush Pruning”, de Karim Ainouz, é a escolha para sábado, às 23h40. Classificado em Macau como pornografia e, portanto, recomendado para maiores de 18 anos, este filme revela os traços peculiares de uma família americana rica que vive na Catalunha, numa espécie de isolamento, procurando o amor e validação uns nos outros. Porém, segundo a sinopse oficial do filme, a chegada de alguém de fora a esse núcleo faz com que surjam tensões familiares e o rompimento de laços de sangue que existiam até então. Segundo a Lusa, o filme surge no website da Berlinale como uma “sátira negra”; no Festival de Cinema de Sydney como “comédia e filme LGBTQIA+” e no ‘site’ especializado de cinema IMDB como “comédia negra, thriller e drama”. Jay Sun, director do festival, não quis comentar a decisão das autoridades de classificar este filme como pornografia, dizendo “ser inapropriado comentar”, uma vez que “a classificação é da competência do Instituto Cultural” (IC). Além disso, o festival não esteve “envolvido no processo”, adiantou. Romances no ar Também este sábado, mas na sessão das 17h15, pode ser visto “Iván & Hadoum”, do realizador Ian de la Rosa. Eis uma história passada em Espanha entre Iván, um trabalhador transgénero, e Hadoum, um trabalhador marroquino que acaba de chegar ao país. Este filme = retrata não apenas diferenças culturais nos relacionamentos como a vida dos trabalhadores migrantes e os meandros do amor e do desejo. Por sua vez, “Trial of Hein” é exibido no domingo, às 20h, um trabalho do realizador Kai Stanicke. Também no domingo, às 17h15, é exibido “Saccharine”, de Natalie Erika James, um filme que explora um universo negro, de terror e, ao mesmo tempo, de desejos inerentes ao universo “Queer”. Já no sábado, apresenta-se a película “Away”, de Gerard Oms. Esta sexta-feira, o festival exibe ainda “To Dance is to Resist”, uma história em torno dos bailarinos ucranianos Jay e Vol’demar, ligados ao universo escondido da cena “Queer” da cidade de Kyiv. Desde 2022, e sobretudo desde o conflito entre a Rússia e Ucrânia, que o realizador Julian Lautenbacher tem acompanhado este par, revelando as possibilidades de manter a arte e a vivência “Queer” num mundo virado do avesso.
Hoje Macau EventosGrande Baía | CURB lança nova edição de concurso de fotografia O CURB – Centro de Arquitectura e Urbanismo aceita, até ao dia 16 de Agosto, candidaturas de fotografias sobre a zona da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau. “Tesouros da Grande Baía” pretende revelar ao grande público locais e perspectivas diferentes da região onde Macau se integra, com foco nas “aldeias urbanas” Decorre até ao dia 16 de Agosto o prazo de submissões de fotografias sobre cidades e lugares da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau, no âmbito da segunda edição do concurso de fotografia “Tesouros da Grande Baía”. A iniciativa é do CURB – Centro de Arquitectura e Urbanismo, que declara, numa nota, pretender que os participantes “se aventurem nos recantos mais recônditos das cidades a usar as câmaras para descobrir e documentar a vida quotidiana tranquila, comum, mas vibrante, das aldeias urbanas” da Grande Baía. O concurso tem três categorias – Grupo Aberto de Macau, Grupo de Estudantes de Macau e Grupo Aberto da Grande Baía, este último aberto a Hong Kong e às cidades da Grande Baía na China. A Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau é composta pelas Regiões Administrativas Especiais de Hong Kong e Macau, e ainda por nove cidades que pertencem à província de Guangdong, nomeadamente Guangzhou, Shenzhen, Zhuhai, Foshan, Huizhou, Dongguan, Zhongshan, Jiangmen e Zhaoqing. A Grande Baía tem uma vasta área de 56 mil quilómetros quadrados, e pretende ser uma região que aposta no desenvolvimento económico com foco na cooperação regional promovida por Pequim. Sucesso desde o início Relativamente à primeira edição do concurso, realizada em 2024, registou-se o “sucesso da estreia regional”, com 157 participantes e um total de 377 imagens submetidas. Agora, o CURB assume querer “alcançar um público mais vasto e envolver o público na exploração da arquitectura da região da Grande Baía através da sua própria perspectiva”. É também objectivo “fomentar o sentimento de pertença e de ligação entre as cidades da região da Grande Baía”. O CURB realiza ainda outro concurso de fotografia, mas com maior foco em Macau, contando no seu percurso com cinco edições do “Concurso de Fotografia de Arquitectura de Macau”. Desde 2022, que a entidade organizadora recebeu propostas de 831 participantes e 1.917 trabalhos. Segundo a mesma nota, “este evento foi único no seu género em Macau e incentivou as pessoas a explorar e registar a cidade através da lente da câmara, a reflectir sobre o ambiente construído e a cultivar o sentimento de pertença dos cidadãos ao local onde vivem”. O mesmo espera agora o CURB com o concurso alargado à Grande Baía.
Hoje Macau EventosEscrita é “viagem inútil”, diz Camila Sosa Villada A escritora argentina Camila Sosa Villada defende que a literatura “não serve para nada”, no sentido de uma função terapêutica ou utilitária da escrita, assumindo o ofício como prática “inútil”, mas essencial na relação silenciosa entre livro e leitor. Em entrevista à Lusa, numa passagem por Lisboa, a propósito de “A viagem inútil”, obra agora publicada pela Quetzal, embora escrita anos antes, a autora explica que o próprio título traduz uma posição estética e ética. Este livro constitui o relato cru da própria vida de Camila Sosa Villada, as suas origens, a sua dolorosa infância, a sua vivência como travesti que conheceu a prostituição, mas também o êxito no teatro e o exercício da escrita. Como escreveu a própria autora, quis que a sua história se soubesse, a do seu travestismo, da família e da tristeza precoce que a marcou – o alcoolismo do pai, as carências da mãe, as mudanças que a afastaram de tudo o que lhe dava segurança -, da sua infância e da luta devastadora contra a pobreza, que virou todos contra todos, deixando-os doentes de “rancores, desamor e indiferença”. “Que [a escrita] seja inútil, não significa que seja melhor ou pior. Uma tal viagem a lugares inúteis não precisa de defesa, nem de argumentação”, afirmou a autora, recusando a ideia de que a literatura tenha de justificar a sua existência. Para Camila Sosa Villada, escrever é um gesto sem finalidade prática e prefere vê-lo como uma “coisa inútil, que não serve para nada, que não tem um objectivo na vida e que, no entanto, anda por aí a fazer companhia às pessoas, estas sentem-se menos sós ou descobrem algo sobre si próprias”. Sem funções Pegando nos ‘clichés’ frequentemente associados a quem escreve, sobretudo obras de cariz autobiográfico com pendor traumático ou doloroso, como é o seu caso – a escrita terapêutica ou que salva, que permite o autoconhecimento, que cura traumas ou sana feridas, entre outros -, a autora prefere não atribuir funções à literatura. “Se atribuíssemos à leitura alguma capacidade farmacêutica, de ser um meio de descoberta pessoal, um instrumento para alguma coisa, estaríamos a dizer que a literatura é um instrumento de domesticação. Temos de ter lucro com tudo?”, questiona. Apesar disso, reconhece o impacto que a leitura pode ter no leitor, como admite tiveram consigo as leituras de Sharon Olds ou de Marguerite Duras, que têm sido uma forma de aprender a ser quem é. A “viagem” da escrita não tem destino definido, “vai para onde as palavras a levam”, e às vezes “acaba ao colo de um leitor numa viagem, num comboio ou em sua casa ou numa fila de hospital ou numa fila do banco, e começa a falar”. Da honestidade No caso de “A viagem inútil”, Camila Sosa Villada explica que o livro nasceu de um impulso de compreensão do seu próprio percurso enquanto escritora. “Queria ser honesta sobre… como nasce um escritor por dentro”, afirma, descrevendo uma genealogia afectiva marcada pela família, pela importância que o pai e a mãe tiveram na sua descoberta da literatura e da escrita, uma origem que se liga também à construção da sua identidade. “Tinha necessariamente de falar sobre este ritual: Um homem que ensinou o filho a escrever, uma mulher que ensinou o filho a ler, um filho que, a dada altura, decide ser travesti, e como a literatura e o travestismo acontecem no mesmo momento”, contou. Questionada sobre até que ponto aquilo que escreve é uma forma de manter vivas as memórias ou é uma reinvenção daquilo que realmente viveu, a autora admite não controlar totalmente o processo narrativo. “Algumas coisas são simplesmente imagens, recordações de algo, mas não necessariamente coisas que me tenham acontecido, por isso, para mim, foi algo do género de uma tese sobre o porquê de me ter tornado escritora, mas a partir daí o que surge como autobiográfico e o que surge como puramente ensaístico no livro, não sei como o fiz. Deixei-me levar”, revelou. A dimensão autobiográfica da obra não implica, contudo, reconciliação emocional, sublinhou, reforçando que o livro não a ajudou a sarar feridas, antes pelo contrário. “Foi pior porque o meu pai ficou zangado comigo. Disse qualquer coisa como: ‘nesse livro fazes-me parecer um filho da mãe’. Portanto, foi pior. De facto, tive crises profundas depois disso. Quando termino um livro, as crises são muito grandes, são muito difíceis de ultrapassar. No final dos livros, há um enorme luto. E sofro muito com isso, mais do que quando as estou a escrever, muito, muito mais”, confessou. É por isso que a única coisa que pede a um livro “é que seja escrito, a partir daí, a dor mantém-se. O livro foi editado, traduzido, viajado. Viaja ainda mais do que eu, conheceu mais pessoas do que eu, pessoas gostaram mais dele do que de mim. E ele tem a sua vida”. Essa transformação reflecte-se também no ritmo do livro, que “se demora até chegar a um final que é tremendo, que é terrível, que é como uma morte”, evocando episódios marcantes da vida da autora.
Andreia Sofia Silva Eventos10 de Junho | David Mourão-Ferreira recordado hoje no IPOR Faz hoje 30 anos que faleceu o poeta português David Mourão-Ferreira, e que agora é recordado numa palestra intitulada “Recordar David Mourão-Ferreira: A poesia de um amor feliz”, na Biblioteca Camilo Pessanha, do Instituto Português do Oriente. Pedro D’Alte e Lia D’Alte protagonizam uma sessão pensada no âmbito das comemorações do 10 de Junho “E por vezes as noites duram meses / E por vezes os meses oceanos / E por vezes os braços que apertamos / nunca mais são os mesmos.” É assim que começa um dos poemas mais conhecidos de David Mourão-Ferreira, poeta português contemporâneo falecido há exactamente 30 anos e que hoje é recordado numa palestra que decorre na biblioteca Camilo Pessanha, do Instituto Português do Oriente (IPOR), a partir das 18h30. Os académicos e docentes Pedro D’Alte e Lia D’Alte protagonizam a sessão intitulada “Recordar David Mourão-Ferreira: A poesia de um amor feliz”, que visa recordar “o especial contributo de David Mourão-Ferreira para as letras nacionais”, disse ao HM Pedro D’Alte. O poema com que este texto se inicia, “E por vezes”, é, para Pedro D’Alte, “dos mais belíssimos poemas portugueses o que, por si, já diz muito da capacidade estética do autor”. Mas como recorda o responsável, Mourão-Ferreira não foi apenas poeta, tendo também escrito em prosa e exercendo crítica literária. “David Mourão-Ferreira foi letrista para Amália Rodrigues, escrevendo fados icónicos que, hoje, são transversais tanto ao gosto popular como das elites. Tem a particularidade de ser um teórico, professor académico, conhecedor literário. Este conhecimento é plasmado nas suas composições, mesmo que aparentemente simples.” Pedro D’Alte destaca que, na obra do poeta, “são relevantes as inúmeras referências intertextuais e os diálogos profundos com outros autores de renome”. “Numa perspectiva mais pessoal, é singular o ascendente sensorial na representação do erotismo e, também, de enaltecer a quantidade e a qualidade da produção e a incursão em diferentes esferas de produção que perpassam a música, a poesia e a estética romanesca”, acrescenta. A sessão de hoje no IPOR “irá centrar-se na presença do Amor, do Erotismo, da figura feminina, e dos aspectos mais exploratórios deste ascendente sensorial” nos poemas deste autor. Será dada “primazia a ‘Antologias Poéticas’, organizadas pelo próprio autor em vida, ou organizadas por outros teóricos já após o seu falecimento”, fazendo-se depois o cruzamento com uma “esfera narrativa”, com edições como “Os amantes e outros contos” ou “As quatro estações”. Pedro D’Alte anunciou que no próximo ano deverá ser celebrado o centenário do nascimento do poeta português, pelo que a sessão de hoje não pretende “esgotar nem ampliar em demasia os conteúdos sobre este autor, de modo a não sobrecarregar o nosso público de Macau com demasiados tópicos ou linhas de leitura”. Escrever “contra-corrente” Pedro D’Alte recorda que David Mourão-Ferreira “não foi um autor estático”, mas sim “errático e, por vezes, em contra-corrente”. “Basta lembrar-se o quão desafiante e contrária foi, para os poderes instalados e para a sua própria vida pessoal, a produção de letras para o fado, determinadas capas nas suas obras ou a maneira explícita como o Erótico se assume eixo central em determinadas composições. Creio que, neste sentido, David Mourão-Ferreira nos relembra a história e o sentido de ser-se português, pelo menos no seu viés mais salutar e celebrado”, defende o co-orador e organizador da sessão de hoje. O poeta recusou “o conforto e o fácil e, em oposição, [procurou] a insurgência, a inquietação, o favorecimento e o prevalecimento da descoberta de novos caminhos, do êxtase e do gosto pela vida, do uso do tempo pessoal para a construção de um nome maior, nas mais diferentes esferas”. David Mourão-Ferreira é, assim, mais um dos “bons nomes que Portugal tem para celebrar neste 10 de Junho”, remata Pedro D’Alte, que é pós-doutorado em Estudos Portugueses pela Universidade Aberta e professor da Universidade Politécnica de Macau. Lia D’Alte é, por sua vez, mestre em Estudos de Língua Portuguesa pela Universidade Aberta e colaboradora da Escola Portuguesa de Macau.
Hoje Macau EventosExposição de fotografia “O Fio do Tempo” patente no Arquivo de Macau Pode ser vista até 30 de Setembro a mostra de fotografia “Cidade e Imagem: o Fio do Tempo – Exposição de Imagens Históricas do Acervo do Arquivo de Macau”, disponível no Arquivo de Macau. A exposição revela ao público “imagens históricas e contemporâneas que reflectem a transformação da cidade ao longo de um século”, descreve o Instituto Cultural (IC) em comunicado. A inauguração da exposição aconteceu na última sexta-feira, tendo em conta as celebrações do “Dia do Património Cultural e Natural da China” e “Dia Internacional dos Arquivos”. Apresentam-se, assim, “uma selecção do acervo do Arquivo, com uma abordagem curatorial que justapõe imagens históricas e contemporâneas”. São imagens onde a “lente da câmara [é utilizada] como ponte entre o passado e o presente”, revelando-se “detalhes visuais preciosos em diferentes dimensões desde as mudanças da paisagem urbana de Macau, os meios de subsistência da população até ao desenvolvimento das infraestruturas da cidade”. A nossa memória Desta forma, o público pode “compreender a trajectória de desenvolvimento de Macau através de imagens intuitivas e, assim, salvaguardar a memória histórica colectiva da cidade”. O IC conta ainda que uma das funções do Arquivo de Macau é a “recolha, restauro, organização e preservação de arquivos históricos locais”, a fim de enriquecer “a base de dados de documentação histórica local, providenciando assim importantes registos físicos para a investigação sobre a história de Macau”. Estes registos permitem ainda a investigação sobre a “história do comércio e trocas culturais entre a China e o exterior”. O IC diz esperar, com esta mostra, que “arquivos valiosos saiam do depósito e sejam expostos ao público, aprofundando a compreensão da comunidade sobre a preservação de arquivos e a história local”. Além disso, pretende-se promover “a popularização e a transmissão da história e cultura de Macau”. “Cidade e Imagem: o Fio do Tempo – Exposição de Imagens Históricas do Acervo do Arquivo de Macau” pode ser vista no Arquivo de Macau, na Avenida do Conselheiro Ferreira de Almeida.
Hoje Macau EventosCinema | Festival “Saracoteio – Dança no Ecrã” mostra 13 filmes O “Rollout Dance Film Festival” de Macau vai exibir em Dezembro 13 vídeos de dança no âmbito do festival Saracoteio – Dança no Ecrã. O evento realiza-se em parceria com festivais congéneres de Cabo Verde e Portugal. Mary Wong, curadora do “Rollout”, conta que um dos vídeos retrata a vida no bairro do Iao Hon Um programa conjunto vai mostrar 13 filmes e vídeos de dança provenientes de cinco países e territórios lusófonos em festivais de Macau, Portugal e Cabo Verde, disse a organização à Lusa. Mary Wong, curadora do Rollout Dance Film Festival de Macau, revelou que o programa Saracoteio – Dança no Ecrã seleccionou obras de Portugal, Moçambique, Macau, Brasil e Guiné-Bissau. A convocatória recebeu cerca de 60 filmes e vídeos, e a escolha final coube a três curadores, de cada um dos três festivais: o Rollout, a 34.ª Quinzena de Dança de Almada e o Festival Uabá de Cabo Verde. As obras seleccionadas irão integrar os três festivais, a começar pelo Uabá, na ilha de Santiago, entre 21 e 25 de Setembro, logo seguido por Almada, de 25 de Setembro a 11 de Outubro, com o Rollout de Macau previsto para Dezembro. Wong disse que a escolha teve como um dos principais critérios obras que não são “apenas uma apresentação de dança, mas que utilizam a linguagem da cinematografia, o movimento corporal e a coreografia, tanto das pessoas como da lente”. Os curadores procuraram também “obras mais inovadoras”, que “tentam romper com que já foi feito”, explicou a bailarina, que nasceu em Macau antes da transição de administração para a China e tem nacionalidade portuguesa. Wong deu como exemplo um vídeo em que “a coreografia do movimento corporal não provém apenas da dança, mas da escalada” e outro que “mostra a ligação entre um bailarino humano e um cavalo”. Filmar o Iao Hon Entre os quatro trabalhos de Macau seleccionados, a curadora destacou um que tem como palco o Iao Hon, um dos bairros mais densamente povoados no mundo, com mais de 12 mil habitantes, construído na década de 1970, e que as autoridades pretendem demolir. “Não tem nada a ver com a arquitectura histórica de Macau, mas reflecte a vida real das pessoas daqui, e acho interessante que seja possível ver esse aspecto comunitário num sentido muito estéctico”, disse Wong. Os curadores, acrescentou Wong, também procuraram filmes com “algum tipo de mensagem sociocultural, que realmente reflicta a vida contemporânea”, que coloque o público “a pensar e falar”. Wong deu como exemplo obras vindas do Brasil e de Moçambique, onde “as disputas e a instabilidade políticas são frequentemente mencionadas”. Em declarações à Lusa em Abril, Wong sublinhou que, mais do que uma parceria pontual, o objectivo do Saracoteio passa por estreitar laços entre artistas de diferentes paragens. No início de Outubro, bailarinos de Macau irão a Portugal apresentar quatro obras. No início de Dezembro, será a vez da Quinzena de Dança de Almada levar trabalhos de dança à RAEM.
Hoje Macau EventosMacau presente nas Marchas Populares de Lisboa, que Alfama venceu Alfama venceu a edição deste ano do Concurso das Marchas Populares de Lisboa, anunciou no sábado a Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural (EGEAC), responsável pela organização da iniciativa. Em segundo lugar ficou Alcântara e em terceiro Madragoa. “Oito anos depois, a Marcha de Alfama volta a vencer o concurso das Marchas Populares de Lisboa, com o tema ‘Os santos devem estar loucos’, que retrata o contraste entre a tradição da marcha e as mudanças sentidas no bairro”, lê-se num comunicado da EGEAC. Outros grupos estiveram este ano no concurso: Graça (4.º), Bairro Alto (5.º), Beato e Bica (6.º ex-aequo), Carnide e Olivais (8.º ex-aequo), Mouraria (10.º), Alto do Pina (11.º), Marvila e Penha de França (12.º ex-aequo), Benfica (14.º), São Vicente (15.º), São Domingos de Benfica (16.º), Bela Flor Campolide (17.º), Bairro da Boavista e Castelo (18.º ex-aequo) e Ajuda (20.º). Em 2025, Alcântara e Bairro Alto tinham vencido o concurso. De acordo com informação da EGEAC, Alfama e Madragoa ganharam na categoria de Melhor Coreografia. A Melhor Cenografia foi para Alcântara, que venceu também o Melhor Figurino, em conjunto com a Bica. A distinção da Melhor Letra foi para Alcântara, Alfama, Graça e Olivais. Quem venceu a Melhor Musicalidade foram as marchas do Alto do Pina e de Alfama, e a Melhor Composição Original foi para Alfama com “Os Santos devem estar loucos”, para a Graça com “Na Graça o 13 é sorte” e Alcântara com “À moda de Alcântara”. O Melhor Desfile na Avenida foi para Alfama. Macau presente O desfile teve início com a tradição folclórica chinesa Dança do Dragão e dos Leões Dourados, apresentada pela Associação Geral Desportiva de Macau Lo Leong. Numa nota de imprensa, a DST descreve como esta actuação representou “uma demonstração de dança do leão e dança do dragão, ambas classificadas como Património Cultural Intangível de Macau”, além de evidenciar “o fascínio singular de Macau enquanto destino de ‘Turismo + Cultura’, e a sua imagem de coexistência multicultural”, Antes das Marchas em concurso, desfilaram a Marcha Infantil das Escolas de Lisboa, a Marcha Infantil A Voz do Operário, a Marcha dos Mercados e a Marcha Santa Casa. Sob o tema “Somos Lisboa. Somos Europa”, as 20 marchas a concurso, que já se apresentaram na MEO Arena, foram avaliadas e pontuadas por um júri consoante os figurinos, as músicas e as coreografias originais, retratando os vários bairros lisboetas participantes. Além das Marchas, casamentos e arraiais, a programação das Festas de Lisboa tem este ano, durante o mês de Junho, mais de 40 iniciativas, “maioritariamente gratuitas”, espalhadas pela cidade, com concertos, cinema ao ar livre, exposições e festivais multiculturais. O encerramento das Festas de Lisboa decorre no dia 26 de Junho nos Jardins da Torres de Belém.
Hoje Macau EventosIoga | Dia Internacional celebrado este domingo O espaço H853 Entertainment Place (H853 Fun Factory), no Lisboeta Macau, acolhe este domingo as actividades de celebração do 12.º Dia Internacional do Ioga, promovidas pela Associação Cultural Indiana de Macau (ICAM, na sigla inglesa) e em colaboração com o Consulado-geral da Índia em Hong Kong e Macau. O tema central das celebrações deste ano é “Ioga para um envelhecimento saudável”, sendo que o evento “convida residentes e visitantes a juntarem-se a este movimento global em prol da saúde holística e da harmonia”, destaca um comunicado da organização. O objectivo é explorar o debate em torno “do papel dos cuidados preventivos no envelhecimento saudável”, tendo em conta que o Ioga “serve de ponte entre a saúde física e a clareza mental”. O evento acontece entre as 9h e as 10h30, e cada participante deve levar o seu tapete de Ioga e vestir roupa confortável. Na mesma nota, lê-se que a associação “continua comprometida em promover o intercâmbio cultural e o bem-estar através da antiga ciência do Ioga”. Com este evento, pretende-se também “fortalecer os laços comunitários e celebrar o património cultural partilhado entre a Índia e Macau”.
Hoje Macau EventosMundial 2026 | Lisboeta Macau acolhe exposição sobre história do futebol Por ocasião do arranque do Mundial 2026, o espaço “H853 Fun Factory”, no Lisboeta Macau, acolhe a mostra “Reviver os Clássicos: Exposição da História do Futebol Mundial”, organizada pela Macau SLOT. Até ao dia 19 de Julho, será possível fazer, de forma gratuita, uma “viagem imersiva pela história e pelos momentos lendários do futebol mundial”. Na área destinada à “História do Futebol Mundial” são exibidas 70 peças de colecção, troféus e camisolas “que retratam a história do futebol desde 1930 até aos dias de hoje”, não faltando uma área destinada ao futebolista brasileiro Pelé, tido como um dos maiores jogadores da história. Neste espaço, os visitantes podem “reviver os momentos mais marcantes”, da sua carreira, não faltando o “Corredor das Camisolas de Pelé”, com 14 camisolas autografadas. Destaque também para a “Área de Exposição dos Troféus dos Campeões do Mundo”, com a exibição de “dois troféus emblemáticos”. Segundo uma nota da organização, esta mostra “não só destaca o profundo legado deste desporto, como também conduz os visitantes por uma viagem através da evolução histórica e das glórias do desporto mais popular do mundo”.