Colóquio internacional na UM debate papel da IA no ensino superior

A Universidade de Macau (UM) acolhe a partir de hoje, e até sábado, dia 24, o colóquio internacional “A World Without Humanities – Rethinking the Role of Universities in the Age of AI” [Um Mundo sem Humanidades – Repensar o Papel das Universidades na Era da IA].

A organização está a cargo do departamento de português da UM e conta com a colaboração dos docentes Raquel Abi-Sâmara, Chen Keyi, Rivaldo Freire Tavares e Raquel de Sá. As sessões decorrem nas salas E1-UM Gallery e E22-G015.

A primeira sessão começa hoje às 10h tendo como orador Zhang Longxi que irá falar sobre “IA, Subjectividade Humana e Criatividade”. No período da tarde, a partir das 14h, é vez de subir ao palco o professor da Universidade de Potsdam, Ottmar Ette, que irá falar da “Filologia na Era Digital: Sobre a Vida Longa das Humanidades”.

Ligação à literatura

Não faltam neste colóquio sessões sobre a conexão entre a IA e a literatura e os actos de leitura. Hoje à tarde, a partir das 16h, Raquel Abi-Sâmara, da UM, fala sobre “A Poesia Digital de André Vallias: Da Poesia Concreta aos Novos Actos de Leitura e a Questão do Humano”. De frisar que André Vallias, poeta brasileiro de 63 anos, é visto como um pioneiro na relação entre a poesia e a Internet.

Raquel Abi-Sâmara regressa a esta temática no último dia da conferência, ao falar, a partir das 16h30, dos “70 Anos da Poesia Concreta e 70 Anos da IA: O ‘SonetarIA’ de André Vallias e a Máquina de Fazer-SonetosIA”.

Por sua vez, amanhã, Li Li, da Universidade Politécnica de Macau aborda a questão “O que pode a Tecnologia fazer à Literatura? Navegando no Espaço Emocional da Poesia dos Heterónimos de Fernando Pessoa.” Júlio Jatobá, da UM, e Lu Shi Yi, do Instituto Português do Oriente, falam, a partir das 15h50, também esta quinta-feira, de como a IA pode impactar a leitura, com a sessão “Lendo o Humano na Era da IA: Robots e Infância na Literatura Chinesa e Portuguesa”.

22 Out 2026

MOIDF | Festival de documentário arranca sábado

Começa este sábado, dia 24, a nona edição do Festival Internacional de Cinema Documental de Macau, que decorre até ao dia 8 de Novembro no Bona Cinema Macau. Com 22 documentários disponíveis numa iniciativa subjacente ao tema “Registar / Recordar”, o festival arranca com “A Simple Soldier”, passado no contexto da guerra da Ucrânia

O Festival Internacional de Cinema Documental de Macau (MOIDF, na sigla inglesa) está de regresso a partir deste sábado, dia 24, depois de um ano de ausência. Os filmes com um cunho de realidade são exibidos até ao dia 8 de Novembro no Bona Cinema Macau, situado no empreendimento YOHO Treasure Island Resorts World Hotel.

Em exibição, estarão 22 documentários locais e estrangeiros. Uma das novidades desta edição é a categoria “New Voices Competition” [Competição Novas Vozes], e que inclui a atribuição de dois prémios. De resto, há muitas histórias para ver e conhecer no MOIDF, nomeadamente com cenários de guerra pelo meio.

Uma destas histórias conta-se no filme de abertura, que tem a guerra na Ucrânia como pano de fundo. Com exibição este sábado, dia 24, a partir das 16h30, “A New Soldier” é a história do fotógrafo ucraniano Artem que se alistou no exército. “Com uma câmara e espingarda nas mãos, dirigiu-se para a linha da frente para registar a vida e morte dos seus camaradas, bem como o quotidiano da vida militar. Os tiroteios eram muito mais brutais do que ele tinha imaginado. À medida que os seus companheiros de armas eram mortos um após o outro, a solidão aumentava e os sentimentos foram-se desgastando com o derramamento de sangue”, revela a sinopse do filme. O documentário volta a ser exibido no dia 1 de Novembro.

“Birds of War”, exibido no domingo, também a partir das 16h30, sai da Ucrânia para a Síria, país que também foi marcado por um longo conflito. “Ao longo de treze anos de guerra, revolução e exílio, como se atravessa um céu cheio de fogo? Uma entrevista que começou durante a luta em Aleppo, em 2016, leva uma jornalista libanesa a viver em Londres a ser fotógrafa na linha da frente na Síria”, pode ler-se na sinopse.

De Amílcar à Fábrica

Há também filmes com um cunho de lusofonia, na categoria “A Taste of Portuguese”, nomeadamente com a exibição de “Amílcar”, de Miguel Eek, exibido dia 27. Este documentário conta a história de Amílcar Cabral, poeta e lutador anti-fascista com ligações à Guiné-Bissau e Cabo Verde.

“Seguindo-se os seus poemas, escritos políticos e cartas enviadas às suas duas mulheres, o filme navega nos arquivos coloniais, em imagens da revolução e em microfilmes de 16 milímetros para reconstruir o seu diálogo interior”, revela-se na sinopse.

O documento sobre um homem que foi assassinado em 1973, “quando a independência nacional estava prestes a ser atingida”, deixou um rasto de coisas por descobrir e muitos mistérios. “Uma causa que não foi atingida e cadernos que registam amor, poder e traição.”

A nona edição do MOIDF traz também histórias de cariz social, como é o caso do documentário “Titicut Follies”, com uma cópia restaurada exibida também este sábado, mas às 20h30, com repetição a 6 de Novembro. O realizador, Frederick Wiseman, desenvolveu este projecto quando era professor de Direito na Universidade de Boston e depois de ter levado estudantes seus ao Hospital de Massachusetts, que albergava autores de crimes e portadores de doença mental.

“Com a permissão do superintendente para filmar, [Frederick Wiseman] começou a sua carreira como realizador. Sem formação numa escola de cinema ou experiência profissional por detrás da câmara, Wiseman explorou a instituição a fundo e registou de forma muito próxima doentes e médicos, enfermeiros, guardas e assistentes sociais, registando um lado do hospital raramente visto.”

No último dia do MOIDF, destaca-se a exibição de “Factory”, às 16h. A história passa-se na fábrica da Lenovo, em Wuhan, em Fevereiro de 2020, ou seja, em plena pandemia. Qi Yue era gerente da fábrica e regressou à unidade para que a produção voltasse ao normal, tendo sido implementado um sistema de controlo da pandemia. O documentário conta, portanto, o lado do gestor, “passando depois para os administradores, técnicos e operários na linha de produção”, e a forma como viveram as difíceis regras de confinamento.

“No final, um veículo robótico segue um percurso algorítmico pela oficina, como uma nova espécie a observar friamente e a ouvir de soslaio as conversas humanas. Avança a uma velocidade constante e nunca diz uma palavra”, lê-se na sinopse de “Factory”.

22 Out 2026

FRC | Livro de crónicas de Nelson Moura lançado hoje

A Fundação Rui Cunha (FRC) acolhe hoje o lançamento da obra ” Let’s All Persevere — Covid, Gaming and Other Macau Oddities”, da autoria do jornalista Nelson Moura, actualmente na agência Lusa. Entre as 18h30 e as 20h, o autor estará presente na sessão moderada pelo também jornalista José Carlos Matias, director da revista “Macau Business” e da agência noticiosa “Macau News Agency” (MNA).

Esta obra reúne crónicas escritas no período da pandemia, abrangendo o período de Fevereiro de 2020 a Julho de 2023. Segundo um comunicado da FRC, o livro “retrata as profundas transformações socioeconómicas, o quotidiano e a resiliência discreta de Macau durante a resposta a uma pandemia global sem precedentes na história recente”.

As crónicas foram publicadas na revista “Macau Business” e na MNA, combinando “análise jornalística incisiva com uma boa dose de sátira e humor”. Desta forma, o leitor tem acesso a uma “perspectiva profundamente humana sobre uma época histórica”, com textos de opinião que revelam “histórias por detrás das manchetes de uma cidade que enfrentou, de forma conjunta, um período de incerteza”.

21 Out 2026

Marcas de Macau presentes no festival “City’Super” em Hong Kong

Decorre até ao final deste mês o “Festival de Macau da City’Super 2026: De regresso a Macau”, com a apresentação de 20 marcas locais em quatro lojas da City’Super, no empreendimento comercial New Town Plaza, em Sha Tin. As marcas de Macau também podem ser vistas em locais como o IFC Mall, na zona de Central; Times Square, Causeway Bay; e ainda Harbour City, em Tsim Sha Tsui.

Este evento nasce da parceria entre a Associação Industrial de Macau e a operadora de jogo MGM. Segundo um comunicado da MGM, pretende-se com esta iniciativa “apoiar a expansão das marcas de Macau” e ainda “alargar o alcance das empresas locais no mercado de Hong Kong”.

Serão expostos “mais de 400 produtos”, numa “vasta selecção de artigos produzidos em Macau”, sendo que muitos deles têm a certificação de qualidade “M-Mark”.

Esta é a terceira edição do evento, sendo que a primeira aconteceu em 2024. Segundo a mesma nota, o festival “ajudou um total de 16 marcas de Macau a entrar no mercado de Hong Kong, afirmando-se como um modelo de apoio à expansão comercial das empresas locais”.

MTC e gastronomia

Citado pela mesma nota, o presidente da associação, Fong Son Kin, declarou que o tema desta edição do festival é ” De Regresso a Macau — Uma Viagem Gastronómica Intemporal”, com artigos que abrangem áreas como alimentação e bebidas, medicina tradicional chinesa, produtos de bem-estar, artigos provenientes dos países de língua portuguesa e produtos culturais e criativos.

“Com esta iniciativa, pretendemos proporcionar às empresas de Macau uma plataforma valiosa para alargarem a sua presença no mercado e reforçarem o valor das suas marcas”, afirmou.

Thomas Woo, presidente do grupo City Super, declarou que com este festival há uma “combinação seleccionada de gastronomia, arte e experiências interactivas”, proporcionando-se aos consumidores “uma viagem cultural memorável e enriquecedora”. Com a exposição dos produtos “Made in Macau” existem mais “oportunidades de intercâmbio e colaboração entre os sectores de Hong Kong e Macau”, destacou.

21 Out 2026

Orquestra de Macau | “Obras-primas do Século XX” em novo concerto

A chegada do Outono traz um novo espectáculo da Orquestra de Macau. “Rophé e Skride Interpretam Obras-Primas do Século XX” é o nome do concerto marcado para o dia 7 de Novembro no grande auditório do Centro Cultural de Macau. O violino de Baiba Skride e o trabalho de maestro de Pascal Rophé destacam-se no cartaz

O Instituto Cultural (IC) apresenta no próximo dia 7 de Novembro, às 20h, um concerto de música clássica cujos protagonistas são a Orquestra de Macau (OM) e “músicos de renome internacional”. Segundo um comunicado do IC, são eles a violinista Baiba Skride e o maestro francês Pascal Rophé, nomes de relevo do concerto “Rophé e Skride Interpretam Obras-Primas do Século XX”, que acontece no grande auditório do Centro Cultural de Macau (CCM).

Nesta sala de espectáculos será interpretado o “Concerto para Violino nº2 em Dó Sustenido Menor”, do compositor Shostakovich. Além disso, a OM vai interpretar a “Suite Sinfónica ‘Printemps’ (Primavera)”, de Claude Debussy, e ainda a “magistral criação” para Orquestra “Sinfonia em Três Andamentos” de Stravinsky.

Durante cerca de 1h30, o concerto compõe-se de “obras emblemáticas do século XX, proporcionando ao público uma experiência musical memorável”. Os bilhetes já estão à venda na Bilheteira “Enjoy Macao”, com preços a variar entre 150 e 300 patacas.

O melhor dos melhores

O IC descreve o maestro Pascal Rophé como sendo “um dos mais aclamados maestros franceses no actual panorama musical internacional, destacando-se particularmente pela mestria na interpretação do repertório sinfónico do século XX e contemporâneo”. Assim, é tido como “um dos intérpretes de referência das obras do século XX”.

No caso da violinista Baiba Skride, ganhou o primeiro prémio no concurso “Queen Elisabeth”, aliando “uma técnica impecável a uma profunda expressividade artística”.

“A violinista apresenta-se frequentemente com orquestras de renome internacional, tais como a Berliner Philharmoniker, a New York Philharmonic, a Dresden Philharmonie e a San Francisco Symphony. É de salientar que o seu disco com os concertos para violino de Shostakovich, lançado em 2025, foi nomeado para o prémio Opus Klassik na categoria ‘Gravação de Concerto do Ano'”, explica o IC.

21 Out 2026

Jornalista e escritor Joaquim Letria morre aos 82 anos

O escritor e jornalista Joaquim Letria morreu sexta-feira, aos 82 anos, em sua casa, disse à Lusa fonte familiar.

O jornalista encontrava-se há já algum tempo debilitado, mas não estava doente, acrescentou a mesma fonte. Nascido no dia 08 de Novembro de 1943, Joaquim Letria afirmou-se cedo no jornalismo português e foi fundador dos semanários O Jornal, Tal&Qual e revista Sábado.

Ainda jovem, foi presidente da Comissão Pró-Associação dos Estudantes do Ensino Liceal, um dos mais importantes movimentos associativos e de resistência estudantil à ditadura do Estado Novo em Portugal, fundamental na crise académica de 1962.

A sua carreira jornalística arrancou em 1963 no Diário de Lisboa, tendo trabalhado também na revista Flama e no Rádio Clube Português. Foi repórter internacional da Associated Press (AP) e correspondente da alemã Deutsche Presse-Agentur, antes de se mudar para Londres, em 1970, para trabalhar na BBC.

Joaquim Letria foi um dos primeiros colaboradores do Expresso, a partir de Londres, e regressou a Portugal após o 25 de Abril de 1974 para fazer parte da direcção de informação da RTP, tendo sido, no ano seguinte, um dos fundadores do semanário O Jornal.

Na televisão, esteve ligado ao noticiário do segundo canal da RTP, o Informação 2, tendo-se destacado como autor e apresentador de programas como Diretíssimo e Tal&Qual, que juntavam entrevistas, informação, entretenimento, e nos quais ensaiou as primeiras rubricas de “Apanhados”, em Portugal, que mais tarde ganharam autonomia, na televisão pública e noutros canais, sob a mesma e novas designações.

Gente de peso

No dia 06 de Novembro de 1975, moderou, juntamente com José Carlos Megre, o famoso debate que pôs frente a frente Mário Soares (líder do PS) e Álvaro Cunhal (líder do PCP) e que ficaria para sempre associado à expressão “olhe que não, olhe que não”.

Entre as personalidades que entrevistou, contam-se nomes como o pintor surrealista espanhol Salvador Dalí e o líder revolucionário e primeiro presidente de Moçambique após a independência, Samora Machel. Como repórter internacional, ao serviço da AP, cobriu os acontecimentos relacionados com a morte do guerrilheiro marxista Ernesto “Che” Guevara, em 1967, na Bolívia.

Joaquim Letria passou também pela agência de notícias ANOP, fundou o semanário Tal&Qual, em 1980, e esteve na origem da primeira série da revista Sábado, que dirigiu, em 1988. Entre 1981 e 1986, foi porta-voz do Presidente da República Ramalho Eanes.

Exerceu funções como presidente do Sindicato dos Jornalistas (1987-1988) e leccionou jornalismo durante mais de duas décadas, tendo passado pela Escola Superior de Jornalismo do Porto, pelas universidades Independente e Autónoma de Lisboa e pelo Instituto Superior de Ciências da Informação e da Administração, em Aveiro.

O jornalista colaborou ainda com a Rádio Comercial e com o diário 24 Horas. Recebeu o Prémio da Imprensa relativo a 1974, na categoria de televisão. Como escritor, a sua atividade incluiu livros de crónicas e de reflexão sobre o jornalismo, a censura e o exercício da profissão.

Entre os livros que publicou contam-se “Histórias para Ler e Deitar Fora” (1987), “A Verdade Confiscada — Escândalo — A Armadilha da Nova Censura” (1998), “Pequeno Breviário Jornalístico — Géneros, Estilos e Técnicas” e “Livro de Assentos”, ambos de 1999, e “A Arte da Crónica — Um Pontapé nos Textículos” (2023).

20 Out 2026

Festival da Lusofonia | Fafá de Belém traz ritmos quentes do Brasil

Ainda que com um cartaz mais curto, a 29.ª edição do Festival da Lusofonia, nas Casas-Museu da Taipa, não poupa nos ritmos latinos. A cantora brasileira Fafá de Belém é o grande destaque, actuando esta sexta-feira e sábado. Além dos músicos locais, o público pode ouvir os sons dos grupos Epo Dance, da Guiné Equatorial, e Timor Furak, de Timor-Leste

A cantora brasileira Fafá de Belém será a cabeça de cartaz do 29.º Festival da Lusofonia que decorre no próximo fim-de-semana, de 23 a 25 de Outubro, anunciou o Instituto Cultural (IC). Nascida Maria de Fátima Palha de Figueiredo, Fafá de Belém conta com cerca de 15 milhões de discos vendidos numa carreira que começou no início dos anos 70, e que incluiu até uma passagem pelo teatro.

Num comunicado, o IC disse que, uma vez que se está a celebrar o Ano Cultural China-Brasil, o Festival da Lusofonia dará destaque à cultura brasileira, com a presença do artista de arte urbana Fábio Panone Lopes, especializado em murais e graffiti.

Além de Fafá de Belém, os grupos de dança EPO Dance, da Guiné Equatorial, e Timor Furak, de Timor-Leste, irão actuar nas Casas da Taipa, juntamente com mais de 40 grupos artísticos lusófonos locais. São eles João Gomes e Banda, Tuna Macaense, Jandira Silva ou Concrete / Lotus, entre muitos outros.

O programa inclui ainda espectáculos de música e dança tradicional em vários bairros da cidade, uma exposição de livros ilustrados em chinês e português, sessões de promoção da leitura e oficinas criativas destinadas às famílias.

O Festival da Lusofonia, realizado desde 1998, inclui normalmente expositores culturais, bancas de comida e bebida e jogos populares, e um cartaz musical com artistas de cada um dos dez países e regiões lusófonos. A edição de 2025 contou com as atuações de artistas como os Calema, de São Tomé e Príncipe, e a cantora portuguesa Marisa Liz.

Reduções e desilusões

Questionada em 30 de Setembro sobre a decisão de reduzir a duração do festival de seis para apenas três dias (sexta-feira e um fim de semana), a presidente do IC, Leong Wai Man, explicou que, após avaliações realizadas em edições anteriores, foi considerado que esse formato é o mais adequado.

“Houve uma edição com duas semanas de duração e várias actividades, mas, depois da avaliação, pensamos que uma semana é mais adequada. Foi um consenso alcançado entre várias partes”, indicou.

Segundo reportou a emissora pública TDM – Teledifusão de Macau, a interrupção do modelo alargado deve-se à ausência de patrocínio da operadora de jogo Galaxy Entertainment Group, uma mudança que obrigou a limitações orçamentais e a uma reestruturação do programa. Dirigentes de associações de matriz lusófona como a Associação dos Macaenses e a Casa de Portugal em Macau indicaram à emissora pública estar desiludidos com uma edição mais reduzida e a falta de apoio orçamental.

O Festival da Lusofonia faz parte do Festival de Artes e Cultura entre a China e os Países de Língua Portuguesa, que irá incluir ainda um concerto do músico moçambicano Stewart Sukuma, em conjunto com a Orquestra Chinesa de Macau, a 14 de Novembro.

Um dos músicos mais premiados de Moçambique e um dos principais impulsionadores do estilo musical marrabenta, quer a solo quer com a Banda Nkhuvu, Stewart Sukuma já realizou várias digressões por África, Europa, Ásia, Estados Unidos, América Latina e Caraíbas.

20 Out 2026

Imagens para ver na galeria Ochre Space até ao dia 24

A galeria Ochre Space, em Lisboa, fundada pelo curador, fotógrafo e advogado João Miguel Barros, apresenta até ao próximo dia 24 a exposição de fotografia “Kamaitachi”, de Hosoe Eikoh. A coordenação e curadoria está a cargo do próprio João Miguel Barros, sendo este um dos mais importantes fotógrafos japoneses do período contemporâneo.

Segundo o catálogo da mostra, são 13 as imagens deste fotógrafo que podem ser vistas pelo público português. “Esta exposição parte de uma pergunta simples: o que muda quando algumas fotografias de um livro passam das páginas para as paredes de uma sala? Para responder, escolhemos treze imagens de ‘Kamaitachi’ e demos-lhes uma ordem própria, inspirada na lenda que dá nome ao projecto. Explicar essa ordem obriga a começar pelo livro e pelo nome”, é explicado.

“Kamaitachi” é um livro de fotografia com grande no género de dança do pós-II Guerra Mundial, intitulado “Ankoku Butoh”, também conhecido como “dança das trevas” ou “dança da escuridão”. A primeira edição aconteceu em 1969, em Tóquio, mas já várias edições posteriores da mesma obra foram realizadas.

Projecto de monta

Conforme explica João Miguel Barros no texto que acompanha a exposição, “antes de ser livro, ‘Kamaitachi’ foi uma viagem”, já que o fotógrafo tentou lidar com as memórias da sua saída de Tóquio em 1944, em plena II Guerra Mundial, com apenas 11 anos. “Viveu até Setembro de 1945 em Yonezawa, onde nascera, junto da família materna. Duas décadas depois escolheu Akita, terra natal de Hijikata Tatsumi, figura fundadora do ankoku butō. A memória do fotógrafo encontraria no corpo do bailarino uma experiência próxima da sua, embora vivida por outra pessoa. Em Setembro de 1965, trabalharam dois dias na aldeia de Tashiro, em plena colheita do arroz.”

O termo “Kamaitachi” remete para “cortes súbitos na pele, atribuídos ao vento, sem que se veja o que os provocou”, ou ainda “o nome da criatura invisível que os provocaria, frequentemente imaginada como uma doninha de garras em forma de foice que habita o redemoinho”.

“A criatura chega, fere e vai-se embora; quem a recebe encontra o corte, mas não vê o que o causou. Nesta exposição, a dobra e a ferida sugerem duas relações com o que não se vê: a página aberta revela a fotografia que ocultava; o corte é a marca de uma causa que permanece invisível”, acrescenta-se. O público pode ver 13 imagens dispostas em oito paredes com uma organização muito própria.

16 Out 2026

Casa de Portugal em Macau leva teatro e arqueologia às escolas

A Casa de Portugal em Macau está a organizar o festival “Conta-me histórias”, que leva arqueólogos e uma companhia teatral de Tondela a escolas locais, para despertar o interesse pelo património e pela memória.

Na sexta-feira, a Trigo Limpo Teatro Associação Cultural e Recreativa de Tondela (ACERT) leva ao auditório da Escola Portuguesa de Macau (EPM) a peça “Queres que te conte?”. Ilda Teixeira, que concebeu e interpreta a peça, disse à Lusa que “o espectáculo, basicamente, é um tear, o cenário e uma dobadoira, com lã, e é tudo contado com recurso a novelos de lã”.

Para preparar “Queres que te conte?”, Teixeira foi falar com uma associação que trabalha com linho e com a Universidade Sénior para “ouvir contar histórias, as músicas antigas que os avós lhe cantavam”. A peça, explicou a actriz, “tem tudo a ver com as histórias que se transmitiam dos avós para netos e que iam passando de boca em boca. E todo o espectáculo foi construído com base nessa tradição oral”.

Outras histórias

“Queres que te conte?” é um dos dois espectáculos do festival abertos ao público em geral. O outro é “O Bosque”, que a Trigo Limpo irá apresentar na Universidade de Macau, no domingo.

“Além de serem os nossos espectáculos mais portáteis, trabalham ambos sobre o que é a memória e a passagem da memória”, disse Ilda Teixeira, encenadora de “O Bosque”, interpretada por Pedro Sousa, Ricardo Augusto e Sandra Santos. A peça é “sobre as memórias antigas de uma cidade, fala sobre as árvores que vão ficando, os edifícios, as moedas que se vão encontrando”, explicou Pedro Sousa à Lusa.

O objectivo, disse o actor, é “deixar sementes para os mais novos e os mais velhos conversarem entre eles”. “Nós damos a matéria-prima, mas também há trabalho que tem de ser feito pelos pais e pelos professores”, acrescentou.

O festival arrancou na segunda-feira e decorre até 23 Outubro, com o Trigo Limpo a levar os dois espectáculos e momentos de formação em representação e música à EPM e à Escola Luso-Chinesa Luís Gonzaga Gomes.

O Trigo Limpo ACERT, que está a comemorar 50 anos de vida, já apresentou espectáculos em países como Angola, Cabo Verde, Brasil, Moçambique, Luxemburgo, Bélgica, Grécia e Alemanha, e irá também à Guiné-Bissau, de 24 de Novembro a 01 de Dezembro.

Ontem, hoje e amanhã

Além do teatro, o festival inclui sessões de promoção de arqueologia para crianças, contadas em escolas por Natalina Guerreiro e José Luís Monteiro, ambos funcionários do Património Cultural de Portugal.

Natalina Guerreiro, do Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática, vai contar histórias de tesouros perdidos no mar devido a dois naufrágios que aconteceram em Portugal. “Tentamos mostrar que, para arqueologia, o tesouro não é só ouro, porque às vezes, um fragmento de cerâmica pode nos dar muito mais informação sobre de onde ela veio”, explicou Guerreiro.

Já José Luís Monteiro quer apresentar “uma perspectiva da arqueologia não tradicional”, graças às “tecnologias que revolucionaram completamente” este campo de conhecimento. Há situações “em que já nem é necessário escavar, porque temos tecnologia que nos consegue identificar o que está no solo”, incluindo drones, fotografia área e modelos a três dimensões a partir de fotografia de objectos, disse.

Mas mais do que encorajar futuros arqueólogos, o objectivo é “tentar motivar e incentivar os miúdos para as questões do património, seja ele arqueológico ou qualquer património cultural”, sublinhou Monteiro.

16 Out 2026

Hong Kong | Pianista Bruce Liu inaugura edição do Festival de Artes

Já é conhecido o cartaz da 55.ª edição do Festival de Artes de Hong Kong, cujos bilhetes começaram a ser vendidos no passado dia 7. O cartaz arranca dia 18 de Fevereiro de 2027 com o concerto de Bruce Liu, pianista canadiano que se faz acompanhar da Orquestra Sinfónica de Montreal. Destaque ainda para as apresentações de “Spartacus”, com a Companhia Estatal de Bailado do Teatro de Ópera de Astana, do Cazaquistão; e “Macbeth”


Foto de Antoine Salto

São 55 anos de um cartaz responsável por trazer a Hong Kong espectáculos de qualidade que vão desde o bailado ao teatro. Já é conhecido o programa da 55.ª edição do Festival de Artes de Hong Kong, cujo espectáculo de estreia acontece a 18 de Fevereiro de 2027 com o concerto do pianista canadiano Bruce Liu. Este senta-se ao piano no palco do Centro Cultural de Hong Kong fazendo-se acompanhar da Orquestra Sinfónica de Montreal.

O maestro será Rafael Payare. Bruce Liu conquistou a medalha de ouro no 18.º Concurso Internacional de Piano Chopin ao interpretar o 2.º Concerto para Piano de Rachmaninov, compositor russo.

A fechar o festival, já a 19 de Março, estará o bailado “Spartacus”, apresentado pela Companhia Estatal de Bailado do Teatro de Ópera de Astana, do Cazaquistão. Este espectáculo também acontece no Centro Cultural de Hong Kong.

“Considerada uma obra marcante do bailado soviético, a encenação heróica de ‘Spartacus’, de Yuri Grigorovich, combina dança masculina de grande intensidade, uma história de amor comovente e a magnífica partitura de Aram Khachaturian, interpretada ao vivo pela Orquestra Filarmónica de Hong Kong”, lê-se na mesma nota de imprensa.

Apresentam-se, no total, mais de 190 apresentações com 1500 artistas locais e internacionais, num total de 45 programas. Fazem ainda parte do programa as iniciativas “Plus”, com 300 actividades complementares que se focam na educação e sensibilização do público em prol da arte. Os bilhetes estão à venda desde o dia 7 deste mês.

Citado por uma nota de imprensa, Lo Kingman, presidente do Festival, indica que esta edição conta com um orçamento superior a 160 milhões de dólares de Hong Kong.

“Organizar um evento artístico internacional desta dimensão exige um enorme esforço todos os anos para angariar os fundos necessários”, destacou. O Governo de Hong Kong financia “cerca de 11 por cento das receitas anuais”, explicou o presidente, juntando-se “mais 21 por cento [de receitas] provenientes do programa de financiamento por contrapartida”. Por sua vez, a venda de bilhetes representa 24 por cento” das receitas.

Flora Yu, directora-executiva do Festival, falou da intenção de trazer “a Hong Kong os melhores artistas e obras de todo o mundo”. “O público poderá descobrir uma extraordinária variedade de obras inovadoras, criadas por artistas visionários. Realizadores e intérpretes de renome reinterpretam obras tradicionais com novas abordagens, dando origem a produções teatrais contemporâneas, emocionalmente intensas, inspiradas em clássicos do teatro.”

Além disso, “a ópera e a ópera chinesa ocupam lugar de destaque, com tesouros da tradição lírica ocidental e obras consagradas da tradição operática chinesa”.

De Bach ao “K-pop”

No capítulo da ópera, o público pode assistir à produção “Johann Strauss II – O Morcego”, com a companhia de Ópera e Bailado do Teatro Nacional da Eslovénia, de Ljubljana. Eis a oportunidade para o público “apreciar o humor, o encanto e o virtuosismo vocal de uma grande ópera cómica”.

O cartaz musical traz “um programa rico e diversificado, reunindo orquestras de nível internacional, grandes mestres, solistas de renome, instituições corais históricas, jovens talentos e colaborações que cruzam diferentes géneros”. Jaeden Izik-Dzurko, que venceu a Medalha de Ouro no Concurso de Leeds de 2024, actua com a Orquestra Sinfónica de Montreal para apresentar o 4.º Concerto para Piano de Beethoven, “num programa que inclui também obras de Denis Gougeon e Richard Strauss”.

Há 300 anos estreava a composição “Paixão segundo São Mateus”, de Bach, e para celebrar essa efeméride apresenta-se a interpretação do coro Thomanerchor Leipzig, “cujo cantor-mor foi o próprio Bach, acompanhado pela Gewandhausorchester Leipzig, uma das orquestras mais antigas do mundo”.

Bach, nomeadamente a sua obra sacra, faz-se ouvir no espectáculo “René Jacobs, B’Rock Orchestra e Zürcher Sing-Akademie — Paixão segundo São João, de Bach”. Em palco, haverá instrumentos de época com direcção de René Jacobs, especialista em música barroca.

Numa onda musical diferente, destaque para o concerto de “K-pop” intitulado “Hankyung Art Philharmonic x SM Classics”, onde “os grandes êxitos do ‘K-pop’ chegam à sala de concertos em versões sinfónicas”. A orquestra filarmónica de Seul interpreta arranjos orquestrais de temas do catálogo da SM Entertainment, acompanhada por vocalistas convidados.

Em termos de grupos locais, apresenta-se “A Princesa das Flores – Cantata para Orquestra Chinesa, Narrador e Seis Cantores”, com a Orquestra Chinesa de Hong Kong. No jazz, apresenta-se o pianista e musicólogo Ralph van Raat, que interpreta “The Köln Concert”, do “lendário” pianista de jazz Keith Jarrett.

Para quem gosta de ópera chinesa, o 55.º Festival de Artes de Hong Kong pretende “celebrar a das tradições operáticas chinesas, com a conclusão do projecto trienal dedicado à ópera cantonense e uma celebração marcante da ópera de Pequim e da ópera Kunqu”. Este projecto trienal intitula-se “300 anos de Ópera Cantonense: O Próximo Capítulo – ‘O Órfão Zhao'”, fazendo-se a “reinterpretação contemporânea de um dos clássicos mais duradouros do teatro chinês, sob a direcção artística de Yuen Siu-fai e com texto de Keith Lai”. Faz-se ainda a “celebração da ópera de Pequim e da ópera Kunqu”, apresentando-se clássicos em palco.

No que à dança diz respeito, destaque para “Sonho de uma Noite de Verão”, de Alexander Ekman, apresentado pelo Ballett Dortmund. É uma “adaptação contemporânea em bailado do clássico de Shakespeare, que assinala a estreia em Hong Kong desta obra coreográfica de longa duração e visualmente impressionante”. Este espectáculo acontece no dia 19 de Fevereiro.

Ainda no capítulo teatral, apresenta-se “Macbeth”, de William Shakespeare, mas com uma “nova e importante produção em língua chinesa”, especialmente encomendada para o Festival. Em palco, podem ver-se os “consagrados actores Hu Jun e Lu Fang nos papéis de Macbeth e Lady Macbeth, respectivamente”. Já a encenação está a cargo do “aclamado” realizador francês Arthur Nauzyciel.

16 Out 2026

Salão de Outono | Nova edição inaugura parceria com museu de Xangai

Arranca esta sexta-feira, dia 16, a 17.ª edição do Salão do Outono, que traz mais de uma centena de obras de artistas locais à Casa Garden. Uma obra feita ao vivo por Fortes Pakeong Sequeira é um dos destaques do cartaz, mas a grande novidade é a exportação do evento para o Museu Powerful de Xangai

A Casa Garden, sede da Fundação Oriente (FO) em Macau, acolhe, a partir desta sexta-feira, dia 16, e até 22 de Novembro, mais uma edição do Salão de Outono, que há 17 anos acontece em Macau. Porém, a iniciativa promovida pela AFA – Art for All Society, traz, além do habitual concurso para jovens artistas, uma novidade: em Março do próximo ano, o Salão de Outono passa a fronteira e marca presença no Museu Powerful de Xangai. Esta cooperação faz parte “da nova estratégia” da organização, com o estabelecimento, pela primeira vez, “de uma colaboração inter-regional com instituições de referência do interior da China”. Além deste museu, foi estabelecida uma parceria com a entidade Art Infinity, cuja directora-executiva é Linwood Lin, de Hong Kong, e que está ligada à área da gestão, curadoria e profissionalização do mundo das artes.

Segundo um comunicado da AFA, a exposição de Macau terá a cerimónia de inauguração no próximo dia 24, a partir das 18h30. Com a edição deste ano, e de Xangai, o Salão de Outono quer transformar-se numa “plataforma de exposições internacional para os artistas de Macau”.

No tocante à mostra de Macau, a curadoria está a cargo de Kitman Leong e Julia Lam Tsz Kwan, e contou com a orientação de Alice Kok, presidente da AFA. Foram submetidas 187 obras para esta edição, tendo sido seleccionadas 133 trabalhos assinados por 96 artistas locais. A exposição abrange diversas formas de expressão artística contemporânea, incluindo pintura chinesa, pintura a óleo, aguarela, escultura, fotografia, cerâmica, instalação, vídeo, inteligência artificial e arte digital, “revelando a dinâmica criativa dos artistas de Macau”, é explicado.

Do rol de artistas incluem-se nomes bem conhecidos do panorama artístico local como Alexandre Marreiros, Catarina Cottinelli Costa, presidente da Casa Garden; Diogo Dias dos Santos, Alice Kok, Alice Costa, Leong Kit Man ou Francisco Ricarte.

Esta edição do Salão de Outono traz ainda o novo vencedor do “Prémio de Arte da FO”, anunciado dia 24. O prémio visa “apoiar jovens artistas locais na realização de residências artísticas em Portugal e será anunciado durante a cerimónia de abertura, simbolizando a continuidade e o desenvolvimento do ecossistema artístico local”.

Fortes Pakeong ao vivo

A AFA revela ainda aquele que será “um dos principais destaques da exposição deste ano”: a criação artística ao vivo do artista de Macau Fortes Pakeong Sequeira. Este fim-de-semana, de sexta-feira a domingo, e depois entre os dias 22 e 24 de Outubro, sempre entre das 13h e as 18h, Pakeong Sequeira recorre ao lápis e papel de desenho para apresentar o projecto “Do As I Am”.

Segundo a AFA, “num contexto marcado pela turbulência, o artista transforma a tela, partindo de um estado de total ‘vazio’ para uma ‘respiração’ fria e concentrada, numa exploração progressiva que passa do ambiente exterior para o estado interior da mente”.

“Embora os meios materiais sejam limitados, a imaginação não conhece fronteiras. Pakeong demonstrará ao público como descobrir o macro no micro, transformando um pequeno espaço num universo, e convidará os visitantes a experimentar a liberdade absoluta proporcionada pelo desprendimento durante este processo de criação imersiva”, é explicado.

Modelo para Macau?

A AFA quer ainda, com esta edição do Salão de Outono, promover uma “integração profunda dos recursos de exposição com os mecanismos de mercado”. Assim, foi também estabelecida uma parceria com a Universidade de Turismo de Macau, que acolhe um debate. O “Seminário de Administração da Arte e Fórum do Salão de Outono AFA: Quebrar Barreiras, Capacitar e Co-criar — Construir um Ecossistema Sustentável para a Arte Contemporânea de Macau” tem lugar já na próxima terça-feira, 20, das 19h às 21h, no Grande Auditório FG51 do campus da Taipa da instituição de ensino.

Pretende-se, com esta sessão, “ultrapassar as fronteiras existentes e impulsionar a evolução do ecossistema artístico e cultural de Macau para um modelo profissional de indústria cultural”. A moderação está a cargo de Alice Kok, marcando presença em Macau Wendy Xu, directora do Museu Powerlong de Xangai.

A ideia é debater como o modelo aplicado neste museu “poderá ser introduzido em Macau”. Trata-se de uma fórmula que “combina o reconhecimento académico de um museu de arte sem fins lucrativos, o alcance público de um centro de arte e a capacidade comercial de uma galeria”. Desta forma, procura-se “criar um percurso sistemático e de qualidade que permita às obras de arte ultrapassar a distância entre o meio académico e o mercado”.

A mesa redonda conta com Linwood Lin; Bai Shui, artista emergente seleccionado pela Forbes China em 2025; Cindy Ng, curadora do Pavilhão de Macau na 61.ª Bienal de Veneza; e Eric Fok, artista local que participou na Bienal de Veneza. Segundo a AFA, este “conseguiu estabelecer relações de representação com galerias e integrar-se no circuito internacional de coleccionismo”.

Nesta sessão terão lugar “três questões centrais”, nomeadamente como se pode criar “um centro eficaz que permita aos artistas de Macau estabelecer ligações com os mercados nacional e internacional”. O debate irá também abordar “como formar coleccionadores e públicos especializados” e ainda como se pode “aproveitar a experiência dos sistemas da cadeia de valor da indústria artística do Interior da China”, a fim de se “promover a industrialização e a profissionalização do ecossistema artístico e cultural de Macau”.

15 Out 2026

Hengqin | Festival da Cultura Lusófona este fim-de-semana

O Centro Cultural e Artístico de Hengqin recebe este fim-de-semana, de sexta-feira a domingo, o Festival da Cultura Lusófona de Hengqin, organizado pelo Instituto Cultural (IC) e organismos ligados à Zona de Cooperação Aprofundada de Guangdong e Macau em Hengqin.

Segundo uma nota da organização, o festival acontece entre as 16h e as 21h, não faltando mascotes e muitas representações da cultura portuguesa e macaense. Há, portanto, a “doçura e sabor inconfundível dos pastéis de nata” no espaço dedicado à gastronomia lusófona.

Destaque para a participação da chef macaense Antonieta Manhão, mais conhecida como chef Neta, que apresenta as receitas de bifana de porco com açafrão e pão com chouriço. Haverá ainda duas demonstrações de culinária ao vivo por dia com foco na gastronomia macaense, apostando-se na confecção de pratos como o minchi ou porco balichão tamarindo.

O festival traz uma exposição de artesanato com objectos dos países de língua portuguesa, com “oficinas práticas em que os visitantes podem fazer pintura de azulejos tradicionais portugueses, leques de papel, crochet e pintura com areia”, sendo que cada sessão tem 30 vagas.

Outro foco do festival, é a reprodução da festa de São João do Porto. “Com o preenchimento de um questionário os visitantes recebem um martelo insuflável colorido para espalhar votos de boa fortuna através de divertidas e leves marteladas”, destaca a mesma nota.

Além de um expositor dedicado ao Grande Prémio de Macau, o cartaz inclui também 20 “espectáculos temáticos” que vão desde o Fado às danças brasileiras, com grupos escolares.

14 Out 2026

Música | Achun lança dois novos singles em plataformas digitais

O músico local Achun tem novidades no mercado discográfico, com dois novos singles. “Energetic” já está disponível nas plataformas digitais de streaming desde o dia 2 de Outubro; “A Lonesome Soul”, será lançado posteriormente. Eis Achun em nome próprio a explicar as influências destas composições, que vão da dança ao cinema

Achun está de regresso às canções, mas não com um disco. Em entrevista ao HM, o músico de Macau disse que decidiu lançar apenas dois singles, um deles apresentado no passado dia 2, e de nome “Energetic”, já disponível em várias plataformas de streaming, como é o caso do “Spotify”. Será também lançado “A Lonesome Soul”. As origens destas produções são diferentes, mas a génese está na mesma pessoa que assume fazer música por pura paixão.

E essas influências vagueiam entre géneros musicais ligados às lides culturais urbanas, como é o caso de “Chicago Ghetto House”.

“No passado, a minha estratégia de lançamentos baseava-se nos EPs e nos álbuns. Agora, simplesmente quero mudar a minha abordagem e manter cada lançamento com uma só faixa. O impulso criativo por detrás de ‘Energetic’ surgiu da minha paixão de longa data [pelos géneros] Chicago Ghetto House, Footwork e Juke. Esta categoria está dentro da linhagem House, e já fiz este ‘estilo Footwork’ antes. Desta vez, ‘Energetic’ está direccionado para o House.”

“Também sou um apaixonado por filmes, e já tenho alguma experiência em aparecer em algumas produções. ‘A Lonesome Soul’ cresceu a partir da influência de determinados filmes e séries”, acrescentou.

Em meados de 2023, Achun lançou um outro single, intitulado “The Dance of a Heart Alone”, música na qual trabalhou por mais de dois anos. Aí começou a pensar mais na possibilidade de fazer canções e, simplesmente, disponibilizá-las em meios digitais. “No final estava a ficar cada vez menos motivado; e o único caminho que restou, enquanto ainda não queria desistir da canção, era fazer o ‘upload’ para as plataformas de streaming e deixá-la lá. Depois de ter saído, não fiz nenhuma promoção. Se o algoritmo trouxe [a canção] para uma plataforma de ‘streaming’, era esse o seu destino; se nunca for ouvida, não se perde nada. Pode-se dizer que esta foi a forma mais passiva de sempre de lançar uma canção, ou a mais experimental, ou ainda numa forma de tentativa-erro”, admitiu.

Porém, com “‘Energetic’ e ‘A Lonesome Soul’ a abordagem foi completamente diferente, e quis que o lançamento destes dois singles fosse organizado, com alguma extensão desta espécie de experiência”, explicou.

Acto de um crente

Um dos primeiros álbuns de Achun data de 2014, e intitula-se “The Gloaming Time”, contando com faixas como “Here Comes the Moon”, “Yesteryear” ou “Hologram World”. “Everywhere”, por sua vez, surgiu em 2022 e contém oito faixas, nomeadamente a que dá nome ao álbum; “I Can’t Stand” e “I Forgot to React”.

Por entre faixas e discos, fazer música é mesmo o grande amor de Achun. “Não é um mero hobby para mim, e existe quase com um sentido religioso, no sentido em que me defino como músico como um crente se define como alguém com fé.”

Porém, ser músico em Macau acarreta lidar com desafios e tomar decisões. “O maior desafio de fazer música em Macau é que a maioria do público tem pouco entusiasmo pelos músicos ou mesmo um baixo nível de aceitação”, começa por dizer.

“A música quase não é vista como tendo valor comercial a nível local, e algumas pessoas até a detestam e encaram-na como barulho. O Governo e alguns entusiastas, e as pessoas da indústria que estão na comunidade já recorreram a todos os métodos que podem para promover actividades relacionadas com a música, e lançamentos, incluindo bandas estrangeiras e músicos que chegam a Macau, [apostando-se também] no crescimento de bandas locais e músicos, mas nenhum foi adoptado pelo mercado.”

A acrescentar a este cenário, os espaços para concertos ao vivo “têm encerrado um atrás do outro” e, no final, “sem terem mais onde tocar, as pessoas vão para a rua, e a polícia costuma aparecer para as impedir”.

Desta forma, “estes factores objectivos constituem, sem dúvida, um grande obstáculo e desafio para os músicos de Macau. Nestas condições difíceis, tentei entrar no mercado da China continental”.

Álbum na China

Foi, assim, na China que Achuna lançou todas as cartas de que dispunha ao editar “On The Other Side”, o seu primeiro álbum, em 2012. “Na altura, até os meus amigos de Macau pensavam que eu me tinha mudado para Xangai de vez. Quanto a Hong Kong, em tempos considerei-a uma cidade onde era mais fácil desenvolver-me como músico do que em Macau, e também mais favorável à música, embora os músicos locais possam não ver as coisas dessa forma.”

Achun actuou na região vizinha pela primeira vez em 2010, “quando Lai Fai, que dirigia o ‘Heavy HK’, colectivo de baixo/reggae de Hong Kong, e que na altura ainda não se tinha focado no reggae, me convidou para dar o meu primeiro concerto em Hong Kong no ‘Backstage Live House, em Lan Kwai Fong, um espaço que já fechou há muito tempo”.

Esse tempo levam Achun a recordar a origem de um outro projecto, de 2021. Trata-se do LP de vinil de 180 g “Keep Da Vibez Goin’”, pela XXX Records.

“Lembro-me que naquela noite, por entre a multidão, um estrangeiro andava a circular pelo público a distribuir panfletos para outra festa musical. O panfleto era mais pequeno do que a palma da mão. Essa pessoa era o Enso

(Cassady Winston), que dirigia outro espaço de espectáculos [em Hong Kong], a ‘XXX Gallery’. Independentemente dos rumos que a ‘XXX Gallery’ tenha tomado mais tarde em Hong Kong, ela ainda me proporcionou, nos dez anos seguintes, muitas oportunidades de fazer atcuações ao vivo ou sessões de DJ nesse espaço”. Foi assim que Enso o ajudou a lançar o LP de 2021.

14 Out 2026

Língua portuguesa | Universidade Cidade de Macau acolhe conferência esta semana

“What´s in a language? – Reflexões sobre a Língua Portuguesa na Ásia (memória linguística e cultural), dentro do contexto colonial e pós-colonial” é o nome da conferência que a Universidade Cidade de Macau (UCM) promove esta semana, quarta, quinta e sexta-feira (dias 14, 15 e 16 de Outubro).

Segundo um comunicado da UCM, a conferência conta com quatro oradores de países de língua portuguesa, incluindo Macau como território que tem o português como língua oficial. Trata-se da professora universitária Maria José Grosso, da Universidade de Macau (UM); Hélder Gomes e Maria Célia Lima-Hernandes, da Universidade de São Paulo; e ainda João Marcelo Mesquita Martins, da Universidade do Minho.

A organização está a cargo da secção portuguesa da Faculdade de Humanidades e Ciências Sociais da UCM, tendo o apoio do IROPC — Instituto de Investigação sobre os Países de Língua Oficial Portuguesa, que também pertence à mesma instituição de ensino. A iniciativa insere-se num projecto de investigação conjunto entre a UCM e a Universidade de São Paulo.

Propõe-se, com esta conferência, fazer “uma reflexão profunda sobre o papel da língua portuguesa na Ásia e a memória cultural a ela associada, abrangendo a literatura e o cinema nos contextos colonial e pós-colonial”.

O debate alarga-se ainda “à problemática do ensino do português na RAEM e ao mundo lusófono em geral, cruzando as realidades específicas do Brasil, de África e de Portugal”. É ainda analisado “o vasto interesse da China no espaço da lusofonia, com especial ênfase no papel estratégico de Macau no âmbito das relações internacionais”. A conferência acontece nos dois campus da UCM, na Taipa e em Macau.

Debates transversais

O programa arranca esta quarta-feira, realizando-se, a partir das 16h30, a palestra “A sobrevida da língua e da cultura portuguesa em Macau: estratégias e práticas”, no campus da Taipa. Aqui juntam-se “representantes de diversas instituições que promovem de há muito a língua e a cultura portuguesa na RAEM”, nomeadamente Jorge Rangel, presidente do Instituto Internacional de Macau; Catarina Cottineli da Costa, presidente da delegação da Fundação Oriente em Macau, Patrícia Quaresma, directora do Instituto Português do Oriente; Rui Pedro Cunha, da Fundação Rui Cunha; e Maria José Grosso, da UM. A moderação está a cargo da professora Vera Borges, da UCM.

Na quinta-feira, a partir das 14h30, acontece no campus da UCM de Macau a sessão “Bridging China and the Lusophone World: The Portuguese Language and China’s Global Initiatives” [Ligando China e o Mundo Lusófono: A Língua Portuguesa e as Iniciativas Globais da China], com presença de Pedro Steenhagen, Li Guofeng, J. Renato Peneluppi Jr. e Bárbara Morais. A moderação é da responsabilidade de João Simões, professor na UCM ligado ao IROPC.

Também na quinta-feira será lançado o livro da investigadora da Universidade de São Paulo, professora Maria Célia Lima-Hernandes, que se intitula “Macau – Lótus do Oriente”. Trata-se de uma obra que faz a “exaltação da diversidade e da resiliência do povo macaense”.

Este livro convida a uma reflexão “sobre as complexidades da identidade num mundo globalizado, onde as fronteiras culturais se encontram cada vez mais emaranhadas, afirmando-se como uma leitura essencial para compreender a riqueza cultural de Macau e a dinâmica viva das suas comunidades”, lê-se na mesma nota.

As sessões decorrerão na UCM, nos dias 14, 15 e 16 (de manhã) de Outubro no campus da Taipa (sala HG01, nos dias 14 e 16; Centro Cultural, no dia 15); na tarde do dia 16, será no campus de Macau, no Golden Dragon (sala GD2213).

13 Out 2026

Arquitectura | Fórum discute “coexistência” com a Grande Baía

Acontece este sábado, dia 17, na Universidade de Ciências e Tecnologia de Macau o Fórum de Arquitectura 2026, da responsabilidade da Associação de Arquitectos de Macau. Com moderação de Carlos Marreiros e convidados como Zhang Li, da União Internacional de Arquitectos, o evento visa olhar a crescente integração do território na zona da Grande Baía

A Associação de Arquitectos de Macau (AAM) promove este sábado, 17 de Outubro, mais uma edição do Fórum de Arquitectura 2026, que acontece na Universidade de Ciências e Tecnologia de Macau (UCTM), entre as 14h e as 18h. Segundo informação divulgada nas redes sociais da AAM, a conversa conta com moderação do arquitecto macaense Carlos Marreiros, e marcam presença inúmeras figuras do sector, como é o caso de Zhang Li, presidente da União Internacional de Arquitectos; e Wu Jiang, presidente da ARCASIA – Architects Regional Council Asia (Conselho Regional dos Arquitectos para a Ásia).

No painel, constam ainda nomes como o de Joseph Lee Hunwei, presidente da MUST e com uma larga experiência na área da engenharia, incluindo ao nível da investigação. O quadro completa-se com Joseph Kwan Kwok Lok, vice-presidente da Rehabilitation International para a região da Ásia-Pacífico.

O tema deste fórum é “Coexistência Resiliente: Macau e as cidades da Grande Baía rumo ao desenvolvimento sustentável” e analisa temáticas como as alterações climáticas e a transformação das formas de construir e de habitação.

Na informação divulgada pela AAM, lê-se que um dos tópicos abordados diz respeito ao facto de Macau “ser uma cidade costeira com elevada densidade populacional”, existindo a “necessidade de equilibrar o desenvolvimento económico, a gestão ambiental e o bem-estar social”.

Desta forma, é necessário “reforçar a resiliência urbana e promover a coexistência harmoniosa entre pessoas e natureza”, sendo pontos “essenciais para alcançar um futuro sustentável”.

Assim, pretende-se analisar “estratégias de adaptação para cidades costeiras de alta densidade no contexto das alterações climáticas, abordagens para a construção de comunidades resilientes e práticas inovadoras de desenvolvimento urbano ecológico na Zona de Cooperação Aprofundada de Guangdong e Macau em Hengqin, e noutras cidades da Grande Baía”.

Cidades pensadas

Prometendo um “diálogo interdisciplinar”, o fórum explora como as áreas de “arquitectura, planeamento urbano, engenharia, design ambiental e políticas públicas podem trabalhar em conjunto para reforçar a resiliência urbana e melhorar a qualidade de vida”.

A AAM destaca como este fórum está também alinhado com as ideias presentes no congresso mundial da União Internacional de Arquitectos que decorreu este ano em Barcelona, entre Junho e Julho, sob o tema “Becoming: Architectures for a Planet in Transition” [Transformações: Arquitecturas num Planeta em Transição], sobretudo no que diz respeito ao papel que o urbanismo e arquitectura podem ter na criação de novos espaços para as populações.

“Serão apresentados casos inovadores e de aplicação prática, com o objectivo de promover o intercâmbio e a cooperação entre Macau e cidades da Grande Baía no domínio do desenvolvimento urbano sustentável”, contribuindo-se “para a construção de um futuro urbano mais resiliente, habitável e sustentável”, descreve a AAM. O fórum acontece no auditório do bloco N, sala N101. O evento decorre em mandarim e inglês. A inscrição deve ser feita junto da própria AAM.

13 Out 2026

O que escritores de língua portuguesa mudariam no idioma

A língua portuguesa é matéria-prima dos escritores lusófonos e alguns deles estão reunidos no XIV Encontro de Escritores de Língua Portuguesa, promovido pela União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA) e Câmara Municipal da Praia. Os participantes assumem, em entrevista à Lusa, que, se pudessem mudavam alguns aspectos neste idioma que é falado por 300 milhões de pessoas.

Hugo Pinto, ex-jornalista em Macau e investigador dedicado ao estudo de Macau, não mudava nada, mas sim “a ideia de que é preciso mandar na língua, que é preciso decretar, porque isso não funciona, não existe”.

“A língua é feita todos os dias por todos, é uma construção permanente, é uma história de muitas histórias, de portas abertas e se eu pudesse mudar alguma coisa não mudava na língua, mas na maneira como se olha para a língua; e tentava tirar essa ideia de que é possível mudar a língua por vontade própria de alguém ou de uma política ou um decreto”, afirmou à Lusa.

Alberto Oliveira Pinto, o autor da “História de Angola”, não tem dúvidas de que começaria por revogar o Acordo Ortográfico, obrigatório em Portugal desde 2015, e também com os estrangeirismos, retomando os conceitos dos substantivos, além de promover um regresso à gramática da sua infância.

Mais palavras

O poeta brasileiro José Inácio Vieira de Melo gostaria de acrescentar novas palavras, o que já faz, ao criar neologismos na sua poesia. “A poesia é exactamente isso: você ter uma língua e não ficar preso ao que a língua oferece”, disse à Lusa, à margem do encontro.

A escritora cabo-verdiana Mana Guta (pseudónimo de Augusta Évora) não mudava nada, mas, se tivesse uma varinha de condão, investiria mais na formação dos professores, de modo a existir “uma metodologia mais afectuosa, mais próxima aos alunos, para que o aprendizado venha a ser algo também lúdico”.

Neste evento participa também a escritora galega Maria do Rosário Bello, que defende a unidade linguística entre o galego e o português. “Se pudesse, faria com que todas as escolas galegas tivessem um professor ou professora de português, para que toda a gente pudesse ser alfabetizada no galego-português, que é também uma língua internacional”, disse.

Amadú Dafé representa a Guiné-Bissau neste encontro e não mudava nada na língua portuguesa, a não ser na forma como é divulgada e transmitida. “Mudava a forma como é ensinada na Guiné-Bissau e talvez em alguns Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), como Angola e Moçambique, que são multilingues e às vezes o ensino do português não se adapta a essa realidade e é ensinada exactamente da mesma maneira como é ensinada em Portugal ou no Brasil, com as pessoas que já têm a língua portuguesa como língua materna”.

Já o músico e escritor moçambicano António Costa Neto considera que “ainda há demasiados complexos em relação aos sotaques”. “Não é preciso mudar, é só aprender a aceitarmo-nos uns aos outros. Falar bem não é ter determinado sotaque”, defendeu o autor de “Marrabenta”.

E gostaria que existisse “um debate mais profundo sobre determinados termos”. “Por exemplo, devíamos definir se chamamos a alguém de origem africana ‘negro’ ou ‘preto’”, referiu, explicando que algumas palavras nasceram com o efeito discriminatório e é necessário reaprender o seu uso.

É preciso reflectir

A professora portuguesa e directora do Departamento de Literaturas Românicas na Faculdade de Letras de Lisboa, Joana Matos Frias, não mudava nada na língua portuguesa, mas em relação aos seus usos defendeu “alguma reflexão”.

“Embora precisemos de regras e normas, acho que há um certo tipo de imposições que eu preferia que não fossem extrínsecas aos verdadeiros falantes da língua, que têm registos muito diferentes, que variam do ponto de vista geográfico, social e profissional”.

Olinda Beja, escritora de São Tomé e Príncipe, não hesita em afirmar que, se pudesse mudar alguma coisa na língua portuguesa, seria acabar com os estrangeirismos.

12 Out 2026

Património | Dança portuguesa atrai cada vez mais chineses

A Associação de Danças e Cantares Portugueses ‘Macau no Coração’ continua a divulgar o património cultural de Macau. Os convites para espectáculos de folclore português aumentam e cativam cada vez mais chineses dentro e fora do território

Um ano depois de a dança folclórica portuguesa se tornar património de Macau, a líder de um grupo disse à Lusa que há mais convites para espectáculos, mas que são os chineses que mais querem aprender.

Em 13 de Outubro de 2025, Macau anunciou a inscrição de 12 manifestações, incluindo a dança folclórica portuguesa e os pastéis de nata locais, inspirados no pastel português, na Lista do Património Cultural Intangível da região.

O efeito já se faz sentir, com “muito mais convites” para actuações, incluindo na China continental, diz a presidente da Associação de Danças e Cantares Portugueses ‘Macau no Coração’, a macaense Ana Manhão Sou.

Ironicamente, diz Selina, a única funcionária a tempo inteiro da associação, é em Macau que o número de espectáculos diminuiu em comparação com antes da pandemia de covid-19. “Há cerca de 10 anos, ainda tínhamos a oportunidade de actuar todos os domingos”, nas Ruínas de S Paulo e perto das Casas-Museu da Taipa, recorda Selina.

A região recebeu quase 29 milhões de visitantes até Agosto, mas os turistas “não têm hipótese de ver como é, de facto, a dança folclórica portuguesa em Macau”, lamenta. “É até um pouco triste”.

História de sucesso

Durante as actuações do outro lado da fronteira, muitos espectadores “ficam confusos” revela Selina, “e perguntam se somos de Xinjiang”. “Temos de lhes explicar um bocadinho da história de Macau”, diz.

Também Davy, 62 anos, membro do rancho Macau no Coração, lamenta que a comunidade macaense continue a ser desconhecida na China continental. “Quero preservar a cultura. Como a dança [folclórica] vem de Portugal e aqui a cultura é chinesa, eu poder dançá-la é algo que valorizo muito”, diz.

Davy chegou ao Macau no Coração por acidente. “No início, não sabia o que era a dança portuguesa, não sabia mesmo do que se tratava”, admite, quase 20 anos depois.

Como em geral no mundo da dança, os homens continuam a ser uma minoria no grupo, confirma Ana Manhão Sou, com um sorriso: “são santos, a gente não os chateia e eles até podem dizer o que querem comer”.

Antes de um ensaio, Manhão Sou diz que o grupo, que está a comemorar 20 anos de existência, mudou “um bocadinho a estratégia” depois da pandemia, face às dificuldades em atrair pessoas para aprender a dançar.

“Começámos a entrar em escolas, para atrair a nova geração”, diz a dirigente, dando como exemplo a Escola Portuguesa de Macau. “Vêm os meninos pequeninos e vêm os pais. Dois pelo preço de um”, explica, com um sorriso. Desde a listagem como património, o grupo tem feito “seis ou sete” workshops por ano em escolas locais, de infantários a universidades, diz Selina.

“Há vozes a dizer que são os chineses que estão a dançar. Eu percebo, mas onde estão os portugueses que queiram dançar? Não digo que não há, mas é que eu não consegui encontrar. A porta está aberta”, sublinha Manhão So.

Esta sublinha que são os chineses que mostram maior interesse, incluindo universitários da China acabados de chegar a Macau, para os quais aprender dança folclórica portuguesa “até ajuda na integração”.

“Dentro do ‘Macau no Coração’ nós não temos nacionalidade, isso é uma coisa muito simples. Por isso não notamos se é um chinês, um português, há todos, há da Venezuela, há da Colômbia, há tailandeses, há tudo”, diz a presidente.

12 Out 2026

Prémio Nobel da Literatura atribuído à canadiana Anne Carson

A escritora canadiana Anne Carson foi ontem galardoada com o Prémio Nobel da Literatura 2026, anunciou a Academia Sueca. Anne Carson foi distinguida “pela sua obra ousada e inventiva que, num diálogo lúdico com a tradição clássica, criou novas formas para a literatura contemporânea”, anunciou hoje Ingrid Carlberg, secretária permanente da Academia Sueca.

“Ao longo de toda a sua carreira, Anne Carson conciliou a escrita de poesia com o trabalho de tradução e o ensino em várias universidades. Quase toda a sua produção literária se tem centrado no cruzamento entre a obsessão do filólogo pelas palavras e o desejo do poeta de encontrar novos significados. A própria autora identificou a etimologia das palavras como o ponto de partida de toda a sua obra”, destacou a academia.

Ingrid Carlberg revelou que falou ao telefone com a escritora laureada, que foi “apanhada de surpresa” pela notícia e que se mostrou muito feliz. “Não tivemos muito tempo para conversar e tudo o que teve tempo de me dizer foi que, neste momento, está na Islândia a ouvir o vento”, acrescentou.

Por seu lado, o presidente do Comité Nobel da Literatura, Anders Olsson, destacou a forma como a escritora cruza a tradição clássica com autores modernos, criando obras que ultrapassam as fronteiras entre a poesia, os géneros literários e outras formas de expressão artística.

Anne Carson nasceu em 1950, em Toronto, no Canadá, e doutorou-se em Estudos Clássicos em 1981, com uma tese intitulada “Odi et Amo Ergo Sum”.

Entre as suas traduções do grego clássico, consideradas obras autónomas, destacam-se “If Not, Winter” (2002), uma interpretação dos fragmentos poéticos de Safo, e tragédias como “Electra” (2001) e “Antigona” (2015), de Sófocles, e “Bakkhai” (2015), de Eurípides.
No ensaio “Eros, o amargo e doce” (1986), editado em Portugal pelas Edições 70, que lançou as bases da sua obra posterior, Anne Carson explora a concepção do amor na poesia de Safo, marcada pela coexistência da dor e do prazer.

Esta abordagem, assente no confronto de diferentes vozes e perspectivas, atravessa também obras como “Economy of the Unlost” (1999), em que cruza a obra do poeta grego Simónides de Ceos, do século VI a.C., e a do poeta Paul Celan, e “Homens nas horas vagas” (2000), editado pela (Não Edições), em que estabelece relações entre Tucídides e Virginia Woolf.

Cocktail literário

Na década de 1990, publicou “Glass, Irony, and God” (1995), que inclui “The Glass Essay” (“O Ensaio de Vidro”), um longo poema sobre a perda e o amor não correspondido, no qual a história de uma mulher abandonada pelo marido se cruza com a vida e a obra de Emily Brontë.

Em 1998, publicou “Autobiography of Red: A Novel in Verse”, frequentemente apontado como uma das suas obras mais importantes, na qual recupera o mito grego de Gérion, o monstro morto por Héracles, transformando-o numa personagem sensível que vive uma história de amor com o herói que acabará por destruí-lo. Seguiu-se “The Beauty of the Husband: A Fictional Essay in 29 Tangos” (2001), obra que relata uma relação conjugal marcada pela mentira e pelo conflito, estruturada em 29 episódios que começam com versos do poeta romântico John Keats.

Estas obras estão publicadas em Portugal, pela (Não Edições), com os títulos “Vidro, Ironia e Deus”, “Autobiografia do Vermelho” e “A Beleza do Marido”.

9 Out 2026

António Mil-Homens apresenta nova mostra de fotografia

É uma exposição de sóis e luas aquela que o fotógrafo António Mil-Homens apresenta amanhã na Casa de Vidro do Tap Seac, com inauguração marcada a partir das 18h30.

“Põe-se o sol, nasce a Lua…” é o nome dado a um projecto de contemplação sobre o céu, sol e lua, elementos da natureza que compõem, por vezes, poéticas paisagens. “Há um tempo, todos os meses, em que a luz muda do dia para a noite numa transição suave. O sol põe-se e a lua nasce. E, se a paisagem ajudar, a Natureza é o palco perfeito para uma peça fotográfica se desenrolar. Basta pegar na câmara e fotografar, fotografar! Difícil é parar. Pode acontecer que, com o Sol há muito tempo desaparecido, dê consigo a desfrutar do brilho da Lua”, descreve uma nota da Casa de Portugal em Macau (CPM), que promove a iniciativa.

Parabéns a você

Amélia António, presidente da CPM, descreve que a exposição, que fica patente até ao dia 8 de Novembro deste ano, chega ao público no dia do aniversário de António Mil-Homens, que celebra 77 anos. Reúne-se, assim, “um conjunto de fotografias que convida a contemplar a beleza efémera do nascer e do pôr do sol, tendo Portugal como cenário privilegiado”.

Há muito que o fotógrafo, que viveu em Macau muitos anos, mantém uma colaboração regular com a CPM. “A sua ligação à Casa de Portugal foi igualmente reforçada através dos inúmeros cursos e workshops de fotografia que aqui leccionou, partilhando conhecimentos, formando novos entusiastas da arte
fotográfica e inspirando sucessivas gerações de fotógrafos”, é frisado.

António Duarte Mil-Homens nasceu em Lisboa a 9 de Outubro de 1949. Essencialmente autodidacta, começou a fotografar regularmente em 1974, no dia 25 de Abril, quando teve nas mãos a primeira máquina fotográfica. Com o Curso Profissional da Associação Portuguesa de Arte Fotográfica, frequentou igualmente vários workshops de Fotografia Digital. Com uma carreira de mais de 52 anos, passou pelo fotojornalismo, publicidade, eventos e desporto.

9 Out 2026

Hush! | DJ Branko, dos Buraka Som Sistema, ao vivo em Macau

O DJ português João Barbosa, conhecido como Branko, vai actuar no festival de praia hush!, em Macau, em Novembro, anunciaram ontem os organizadores. Branko, natural de Lisboa, tornou-se conhecido como parte dos Buraka Som Sistema e “cria música contemporânea que mistura ritmos angolanos e brasileiros”, de acordo com a organização do evento.

Iniciativa do Instituto Cultural e da concessionária de jogo MGM, o “hush! Concertos na Praia x Festival do Bem-Estar Desportivo Urbano 2026” terá lugar nos dias 14 e 15 de Novembro na praia de Hác Sá, em Coloane.

“Este é já o nosso quarto ano de trabalho com o Instituto Cultural (IC) e com todas as organizações que nos apoiam para construir uma nova cidade na Praia de Hác Sá “, afirmou em conferência de imprensa Catarina Lio, responsável de marketing da MGM. De acordo com o ‘site’ da MGM, o evento reúne palcos de música, desportos urbanos e experiências de bem-estar “num ambiente de praia inovador, oferecendo aos residentes e visitantes uma plataforma cultural e desportiva ao ar livre refrescante e multidimensional”.

Além de aulas de ioga e fitness, o programa deste ano inclui uma Festa de Dança Afro e reúne 40 bandas locais, incluindo bandas juvenis e infantis, bem como mais de 20 bancas de comida.

A presidente do IC, Deland Leong Wai Man, disse que o instituto dá “grande importância” ao evento, utilizando-o “para reunir recursos internacionais e estabelecer uma plataforma de intercâmbio no seio do sector das artes performativas de Macau”.

9 Out 2026

Hong Kong | Clockenflap regressa com The Jesus and Mary Chain e Slowdive

O Clockenflap está de volta entre 4 e 6 de Dezembro e já são conhecidos alguns nomes em cartaz: The Jesus and Mary Chain, Queens of The Stone Age e Slowdive. Os bilhetes estão à venda e custam 2.180 dólares de Hong Kong para os três dias e 1.380 dólares de Hong Kong para um dia

 

O Central Harbourfront Event Space vai receber, em Dezembro, mais uma edição do festival de música Clockenflap, que habitualmente traz a Hong Kong um punhado de bandas com estilos de música muito diversos, tanto locais como internacionais.

Os primeiros nomes do cartaz foram anunciados esta quarta-feira e incluem bandas com longa carreira como The Jesus and Mary Chain e Slowdive, que actuam no último dia do festival, e Queens of The Stone Age que promete encher o Central Harbourfront no sábado. Importa ainda frisar as confirmações de Hayley Williams, Keshi ou Malcolm Todd, a “estrela em ascensão do R&B alternativo”, descreve a organização em comunicado.

Os The Jesus and Mary Chain são uma dupla escocesa de rock alternativo formada em 1984. Os irmãos Jim e William Reid decidiram parar durante oito anos e voltaram aos palcos em 2007. “Just Like Honey”, gravada nos anos 80, é um dos seus êxitos, tendo feito parte da banda sonora do filme “Lost in Translation – Um Amor é um Lugar Estranho”, de Sofia Coppola.

Hayley Williams, vocalista dos Paramore e “conceituada artista a solo”, será um dos destaques do cartaz no sábado, 5 de Dezembro. Já Keshi, “fenómeno do R&B alternativo”, sobe ao palco do festival logo no dia de arranque, sexta-feira.

Os Slowdive actuam domingo, no mesmo dia que os The Jesus and Mary Chain. A banda britânica de rock surgiu em 1989 em Berkshire, Inglaterra, sendo composta por Nick Chaplin, Rachel Goswell – que é co-vocalista, teclista e guitarrista – Neil Halstead e Christian Savill.

Numa entrevista recente concedida ao semanário português Expresso, a propósito da actuação da banda em Portugal, Rachel Goswell disse que não há planos para gravar um novo álbum. “Quando acabámos a digressão de 2025, em Julho, pensámos em tirar um ano sabático, descansar, com as nossas famílias… Mas continuámos a receber ofertas para tocar. Portanto, andamos a dar uns concertos – e na verdade tem sido bom. Normalmente, demoramos três anos até gravar um álbum, pelo que não começámos sequer a falar sobre isso.”

O palco do Clockenflap recebe na sexta-feira ainda Kim Gordon, que foi vocalista dos Sonic Youth, banda que esteve nos palcos entre os anos de 1981 e 2011.

Dentro do género jazz o público pode ver e ouvir DOMi & JD Beck, ou ainda os Digable Planets, “lendários pioneiros do hip-hop alternativo”. O cartaz fica preenchido com a cantora e compositora Daniela Andrade, artista com raízes nas Honduras e no Canadá e que vem a Hong Kong mostrar o seu talento.

No website oficial da artista lê-se que Daniela, como alguém que faz música de forma independente, construiu um percurso que aposta “na simplicidade acústica, em soul com influências de jazz, R&B e produção electrónica experimental”.

“O facto de se mover entre o inglês e espanhol dá à sua música uma larga panóplia de emoções e permite-lhe contar histórias dos dois lados do seu percurso”, lê-se ainda.

O festival tem ainda confirmado o “aclamado duo de pós-punk” Sleafor Mods, bem como Marcel Dettmann, DJ alemão que tem marcado pontos no mundo da música electrónica. Dentro do género house e techno o cartaz do festival apresenta o projecto local “HE.R Soundsystem”, composto pelos DJ Cocoa Zhou e Alex Nude.

Experiências paralelas

A organização do festival destaca o “impressionante cenário ao ar livre” para ouvir esta panóplia de artistas, estando “enquadrado pelo imponente horizonte urbano”. Oferece-se aos amantes de música “a experiência completa de um festival de classe mundial que o tornou num evento imperdível”.

Além dos palcos, o público pode desfrutar de outro tipo de actividades, como instalações artísticas, workshops e outro tipo de espectáculos pensados para toda a família.

O Clockenflap Music & Arts Festival já tem bilhetes à venda, sendo que o passe para os três dias custa 2.180 dólares de Hong Kong, enquanto um ingresso para um dia 1.380 dólares de Hong Kong. O cartaz ainda não está fechado e há mais nomes de bandas e músicos a serem confirmados nas próximas semanas.

9 Out 2026

Lusofonia | Cabo Verde acolhe escritores do Brasil, Macau e Timor

O encontro de escritores de língua portuguesa, que começa hoje e termina no sábado em Cabo Verde, será este ano mais próximo da população e reforçará a participação do Brasil, Macau e Timor-Leste, segundo a organização.

Com o tema geral “A língua portuguesa como elemento de adaptação num mundo de mudanças”, o XIV Encontro de Escritores de Língua Portuguesa vai, como nas edições anteriores, juntar escritores, investigadores, editores, professores, críticos literários e leitores de várias nações lusófonas na cidade da Praia, na ilha de Santiago.

Em declarações à Lusa, a secretária-geral adjunta da União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA), que organiza o evento, em conjunto com a Câmara Municipal da Praia, sublinhou que o encontro terá este ano uma presença mais forte do Brasil, de Macau e de Timor-Leste.

Um dos objectivos do evento é levar a este encontro de escritores os que estão mais longe, nomeadamente devido à sua distância física e geográfica, que tem resultado numa “participação menos completa”, disse Paula Leal da Silva.

“Estamos muito contentes com a presença do ministro [da Administração Estatal] de Timor-Leste”, disse, lembrando que também a poesia brasileira terá um destaque nesta edição do encontro, contando com vários especialistas do Brasil que estarão na Praia a falarem sobre este assunto.

Hugo Pinto irá representar Macau, enquanto Joana Matos Frias é a autora portuguesa presente no encontro. Os promotores do encontro pretendem que este ano o mesmo seja mais próximo da população. “A ideia é que as pessoas que leem o possam acompanhar, o possam integrar, mas também as pessoas que não leem, porque nós pretendemos justamente trazer ao povo este encontro”, disse.

8 Out 2026

Díli | Lançada nova obra de arte sustentável de Bordalo II

A nova obra arte sustentável de Bordalo II na capital de Timor-Leste foi oficialmente lançada ontem, numa parceria que juntou o artista português, a Arte Moris, o BNU Timor e a Fundação Tasi Fest.

“Jumping Dolphins”, que representa dois golfinhos (mãe e cria) a saltar em direcção ao mar, foi instalada na fachada exterior do edifício do BNU em Díli e foi construída a partir de resíduos, incluindo lixo eletrónico e plástico.

“É uma imagem sobre os oceanos que nos rodeiam e que nos sustentam, sobre a família e sobre o futuro que queremos deixar para os jovens. Que aquilo que era lixo possa voltar a ser beleza, isto é a mensagem desta obra”, disse Luís Simões, da Fundação Tasi Fest.

Segundo Luís Simões, a obra no centro de Díli “fala para quem passa todos os dias, de graça”. “É a cultura que educa, é a educação que embeleza a cidade, é o convite a cada timorense para olhar para o oceano como aquilo que é a nossa maior riqueza aqui em Timor e a nossa maior responsabilidade também”, salientou.

8 Out 2026

Cotai | Concerto de mandopop com Jane Zhang este sábado no Galaxy

São 21 anos de carreira celebrados da melhor forma: em palco. É já este sábado que a Galaxy Arena recebe o espectáculo da diva de mandopop Jane Zhang. O regresso da cantora a Macau será marcado por um repertório feito de mais de duas décadas de sucessos

 

A sala de espectáculos Galaxy Arena acolhe este sábado, a partir das 20h, um concerto que não só tem o género musical mandopop como protagonista como também celebra os 21 anos de carreira de uma artista bem conhecida neste universo. Jane Zhang traz a Macau a sua digressão mundial “Chasing World Tour”, fechando uma série de espectáculos que já a levaram a diversos locais, um deles Singapura, em Agosto.

“Vinte e um anos depois, ela continua a perseguir os seus sonhos, a evoluir e superar-se a si própria”, lê-se no website do Galaxy. Jane Zhang é a “grande estrela do mandopop”, prometendo uma “noite marcante” em Macau, ou não fosse o espectáculo de sábado “o grande final da digressão mundial”.

“Ao longo das últimas duas décadas que Jane Zhang manteve-se empenhada em ultrapassar os seus limites através da música, abraçando novas possibilidades em cada marco e transformação. Esta noite não é apenas o brilhante final de ‘Chasing’, mas é também uma promessa especial entre Jane e os fãs”, é descrito.

O concerto no Galaxy Arena deverá ser uma forma de “celebração de memórias partilhadas e da jornada que percorreram juntos”, ou seja, a cantora e os fãs que nunca deixaram de acompanhar as suas músicas. Sábado promete ser um dia de união “do amor e da música”.

A “princesa” de Chengdu

Jane Zhang, de nome Zhang Liangying, é uma artista com voz melodiosa e um percurso de sucesso em crescimento desde 2005, quando participou num concurso televisivo que lhe mudou a vida. Nasceu em Chengdu em 1984 e é conhecida como a “Princesa Golfinho” [Dolphin Princess] da pop cantada em mandarim. O sucesso começou em 2005 quando ficou em terceiro lugar num concurso de talentos intitulado “Super Girl”.

Segundo escreveu o South China Morning Post sobre a artista em 2019, a morte precoce do pai obrigou Jane a trabalhar cedo, nunca pensando que a música seria a sua vida e carreira. No vídeo que fez para o concurso “Super Girl”, disse: “Sempre gostei de música quando era criança”, admitiu. A sua referência era a cantora Mariah Carey.

Após o concurso, assinou contrato com a editora Huayi Music, editando o primeiro disco logo em Dezembro de 2005, intitulado “The One”. No ano seguinte venderia um milhão de cópias. “Update”, o seu segundo álbum de estúdio, tornou-se um dos mais vendidos na China desse ano.

O sucesso continuou, culminando na actuação nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, quando interpretou “One World, One Dream”, em dueto com Andrea Bocelli. Depois a carreira internacional começou a ganhar passos com o contrato assinado em 2009 com o Universal Music Group. Em Maio desse ano foi convidada no programa de Oprah Winfrey, nos Estados Unidos, tendo cantado, pela primeira vez, músicas em chinês para o público americano.

Em 2014 a cantora mudaria novamente de editora, desta vez para a Sony Music Entertainment, e gravou o seu sexto álbum de estúdio, “The Seventh Sense”.

Dois anos depois lançou uma canção em inglês, intitulada “Dust My Shoulders Off”. Com esta canção Jane Zhang actuou no desfile da marca Victoria’s Secret em Xangai. Abril de 2019 marcou a edição do seu primeiro disco em inglês, “Past Progressive”. Todo este percurso de gravações bem-sucedidas pode ser visto e ouvido de perto no concerto de sábado na Galaxy Arena.

8 Out 2026