FRC | Conteúdo de Museu de Macau em Lisboa em palestra

A Fundação Rui Cunha (FRC) acolhe hoje, a partir das 18h30, a sessão “O Museu de Macau em Lisboa e o seu Catálogo”, que terá como oradora a presidente do Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM), Carmen Amado Mendes.

O objectivo desta sessão é falar do património expositivo do CCCM e também do “Catálogo da Colecção do Museu de Macau em Lisboa”, uma obra publicada em dois volumes que, segundo os organizadores, “reúne e contextualiza de forma sistemática um acervo de excepcional riqueza e diversidade, oferecendo novas perspectivas sobre as colecções do Museu do CCCM e sobre a relevância para o estudo das relações entre a Ásia e a Europa”.

O Museu do CCCM está vocacionado para o estudo e divulgação das relações luso-chinesas, possuindo mais de 3.500 peças divididas por diversas tipologias, entre as quais estatuária, trajes e peças de carácter utilitário e decorativo, e por diversos materiais, entre os quais terracota, têxteis e porcelana. O Museu é constituído por dois núcleos distintos e complementares: o núcleo sobre A Condição Histórico-cultural de Macau nos Séculos XVI e XVII, e o núcleo sobre a Colecção de Arte Chinesa.

O CCCM é um instituto público integrado na administração indirecta do Estado, e sob tutela do Ministério da Educação, Ciência e Inovação, dotado de autonomia administrativa e património próprio. Além disso, promove e patrocina projectos de investigação, bolsas de Doutoramento, publicação de teses, serviços de apoio à formação académica, educativa e cultural.

18 Jun 2026

IIM | Inaugurada exposição “Padrões de Macau 2.0”, de Eva Bucho

O Instituto Internacional de Macau (IIM) acolhe, a partir de hoje, mais uma exposição integrada no cartaz das celebrações de “Junho – Mês de Portugal 2026”. Trata-se de “Padrões de Macau 2.0”, da autoria de Eva Bucho, uma extensão de trabalhos já expostos em 2024 e que, desta vez, inclui os padrões e ornamentos encontrados na Taipa e em Coloane

Eva Bucho regressou ao seu projecto “Padrões de Macau”, realizado e apresentado ao público em 2024, estendendo a sua pesquisa às ilhas de Taipa e Coloane. “Padrões de Macau 2.0” é o resultado desse trabalho, com a exposição a ser inaugurada hoje no Instituto Internacional de Macau (IIM) a partir das 18h.

A autora do projecto quis explorar todos os padrões culturais presentes em portas, janelas, pavimentos e demais ornamentos, revelando traços patrimoniais e arquitectónicos muito particulares de uma mistura de vivências e culturas. Estes padrões revelam-se em fotografias, tratando-se de um novo trabalho editorial mais completo sobre o que se pode encontrar no território, contou Eva Bucho ao HM.

“Mantivemos a maior parte dos padrões e acrescentámos alguns novos às freguesias existentes, dando oportunidade a quem não adquiriu a primeira edição de ficar a conhecer este projecto. Mas a grande novidade é que expandimos o conceito e agora temos uma edição completa com padrões de Macau, Taipa e Coloane. Lanço também uma colecção de merchandise — assim, os padrões saem do livro e ganham nova vida”, disse.

O objectivo foi manter “a identidade central” do projecto, mas melhorando “a experiência e alcance”. Para Eva Bucho, estes padrões contam “a história de um território híbrido e único”, e de como Macau sempre foi “um espaço de grande interesse visual, onde o diferente se encontra sem se anular”.

“O mais bonito é que, mesmo sendo património, estes padrões continuam vivos — nas ruas, nos mercados, nos azulejos das lojas antigas. O meu projecto tenta tornar esse olhar mais consciente e duradouro, ajudando-nos a olhar melhor à nossa volta e a dar mais valor ao que existe e vemos todos os dias”, acrescentou.

Longo processo

Eva Bucho recolhe estes padrões há muitos anos, e fá-lo porque “são testemunhas silenciosas da identidade única de Macau”.

“Muitas vezes, passamos por eles todos os dias sem os ver realmente — nas portas, nos azulejos, nas fachadas dos edifícios antigos. O meu objectivo é tirá-los do esquecimento quotidiano e dar-lhes um novo lugar de destaque, num formato editorial que os preserve e celebre”, disse a responsável pelo projecto.

Em relação ao processo de selecção, foram escolhidos “os que tinham mais força visual, história cultural e também os que estão a desaparecer”, verificando-se, em “Padrões de Macau 2.0”, “um olhar pessoal e duradouro sobre o que nos rodeia”.

Eva Bucho voltou a padrões fotografados há dez anos, aos quais quis voltar, por exemplo, e que já desapareceram. Assim, esta recolha é também como uma preservação de algo tão único e, muitas vezes, esquecido.

“Há também outros, em portas, cujas portas mudaram de cor desde a primeira edição. Cada padrão que se perde ou se altera é um pequeno silêncio na memória visual do território — e é por isso que este projecto continua a fazer sentido.”

Eva Bucho gostava de fazer uma terceira edição de “Padrões de Macau”, sendo que o “olhar” que deu origem às duas primeiras edições “não se esgotou”. A autora nota ainda um sentimento de perda face a padrões que têm desaparecido à conta das constantes renovações e mudanças no território.

“Há sempre novos padrões para descobrir, novos detalhes em fachadas esquecidas, novas cores em portas antigas. Além disso, desde 2016 que venho a perder padrões que gostaria de ter registado — e essa urgência mantém-se. Por isso, sim, há sempre espaço para novas edições, se houver novo material significativo a acrescentar — novos padrões, novas histórias, ou um novo olhar sobre o que já foi registado.” Acima de tudo, “o caderno de campo continua aberto, e Macau continua a surpreender”, resume.

A mostra de fotografia fica patente até ao dia 31 de Julho. Hoje, no IIM, é também apresentado o quinto volume de “Figuras de Jade – Os Portugueses no Extremo Oriente”, de António Aresta, bem como os últimos cinco volumes das crónicas de Jorge Rangel, presidente do IIM. Estes volumes dizem respeito à obra “Falar de Nós – Acontecimentos, Personalidades, Instituições, Diáspora, Legado e Futuro”.

18 Jun 2026

FAM apresenta “O Lago dos Cisnes” com o Ballet de Xangai

O programa do Festival de Artes de Macau (FAM) prossegue com a apresentação, esta sexta-feira e sábado, de mais um clássico. Trata-se de “O Lago dos Cisnes”, protagonizado pelo Ballet de Xangai, e com coreografia do britânico Derek Deane.

Segundo o Instituto Cultural (IC), o público pode esperar “uma interpretação deslumbrante” e uma “produção que oferece ao público uma experiência de actuação com maior profundidade e dimensão”.

O Ballet de Xangai apresenta-se ao público de Macau com um “estilo eclético, elegante e refinado, aliado à cenografia e requintados figurinos”, pelo que o que se apresenta no grande auditório do Centro Cultural de Macau (CCM) este fim-de-semana é uma “produção de grande impacto visual e poder estético”.

O “Lago dos Cisnes” é uma composição clássica de Tchaikovsky que ganha agora uma nova perspectiva, sendo que, segundo o IC, Derek Deane conseguiu trazer ao palco “uma interpretação fresca e deslumbrante”. Neste espectáculo conta-se a história de Odette, “uma princesa transformada em cisne pela maldição de um feiticeiro”, sendo que, “à medida que deriva entre o amor, traição e redenção, Odette enfrenta os desafios de Odile, o Cisne Negro”.

“A rivalidade simboliza o contraste entre inocência e sedução, reflectindo as complexidades da identidade e do desejo. Um conflito emocional entre duas personagens que acaba por ter consequências trágicas”, descreve a sinopse do espectáculo.

Produções locais

O FAM apresenta também, nos próximos dias, duas produções locais, nomeadamente “A Velha Casa das Orquídeas”, da Associação de Arte Teatral Dirks, e ainda “A Noite de Zheng Guanying – Dança Teatro Ambiental”, cuja sessão deste sábado já está esgotada.

“A Velha Casa das Orquídeas” acontece no Estúdio II do Centro Cultural de Macau e combina “narrativa, teatro e música ao vivo”, contando a vida da protagonista que está ligada ao antigo tráfico de cules. Cules é o nome dado a trabalhadores chineses contratados e transportados em navios para locais como a América Latina, em condições laborais e de vida a roçar a escravatura. Muito desse comércio passou por Macau. Este espectáculo acontece sábado e domingo.

Além disso, “A Noite de Zheng Guanying – Dança Teatro Ambiental” é um espectáculo produzido pela Associação de Dança Hou Kong e leva o público a descobrir a Casa do Mandarim, monumento classificado como Património Mundial da UNESCO.

A Casa do Mandarim foi também a residência de Zheng Guanying, figura histórica que se refugiu em Macau, onde escreveu a obra “Advertências em Tempos de Prosperidade. O ponto de encontro para este espectáculo é no Largo do Lilau.

O IC lançou ainda, no âmbito do FAM, o concurso “Captivating Moments — Step into the Magic of ‘Swan Lake'”, podendo o público ganhar prémios oferecidos pela Air Macau e sucursal de Macau do Banco da China. O passatempo, cujas regras constam na página do Festival de Artes de Macau no Facebook, termina às 23h58 desta quinta-feira, 18.

17 Jun 2026

Festival LGBTQ+ com filmes nos cinemas Emperor este fim-de-semana

Há cinema para ver este fim-de-semana ligado ao universo LGBTQ+ no âmbito do Festival Internacional de Cinema Queer de Macau (MIQFF, na sigla inglesa), que decorre até ao dia 27 deste mês, com as sessões a terem lugar nos cinemas Emperor.

Esta quinta-feira, às 20h, pode ser visto pela segunda vez o filme de estreia, “Cyclone”, do realizador Philip Yung, que conta a história de uma mulher trans da China continental que viaja até Hong Kong para fazer uma cirurgia de redesignação sexual.

“Rosebush Pruning”, de Karim Ainouz, é a escolha para sábado, às 23h40. Classificado em Macau como pornografia e, portanto, recomendado para maiores de 18 anos, este filme revela os traços peculiares de uma família americana rica que vive na Catalunha, numa espécie de isolamento, procurando o amor e validação uns nos outros. Porém, segundo a sinopse oficial do filme, a chegada de alguém de fora a esse núcleo faz com que surjam tensões familiares e o rompimento de laços de sangue que existiam até então.

Segundo a Lusa, o filme surge no website da Berlinale como uma “sátira negra”; no Festival de Cinema de Sydney como “comédia e filme LGBTQIA+” e no ‘site’ especializado de cinema IMDB como “comédia negra, thriller e drama”. Jay Sun, director do festival, não quis comentar a decisão das autoridades de classificar este filme como pornografia, dizendo “ser inapropriado comentar”, uma vez que “a classificação é da competência do Instituto Cultural” (IC). Além disso, o festival não esteve “envolvido no processo”, adiantou.

Romances no ar

Também este sábado, mas na sessão das 17h15, pode ser visto “Iván & Hadoum”, do realizador Ian de la Rosa. Eis uma história passada em Espanha entre Iván, um trabalhador transgénero, e Hadoum, um trabalhador marroquino que acaba de chegar ao país. Este filme = retrata não apenas diferenças culturais nos relacionamentos como a vida dos trabalhadores migrantes e os meandros do amor e do desejo.

Por sua vez, “Trial of Hein” é exibido no domingo, às 20h, um trabalho do realizador Kai Stanicke. Também no domingo, às 17h15, é exibido “Saccharine”, de Natalie Erika James, um filme que explora um universo negro, de terror e, ao mesmo tempo, de desejos inerentes ao universo “Queer”. Já no sábado, apresenta-se a película “Away”, de Gerard Oms.

Esta sexta-feira, o festival exibe ainda “To Dance is to Resist”, uma história em torno dos bailarinos ucranianos Jay e Vol’demar, ligados ao universo escondido da cena “Queer” da cidade de Kyiv. Desde 2022, e sobretudo desde o conflito entre a Rússia e Ucrânia, que o realizador Julian Lautenbacher tem acompanhado este par, revelando as possibilidades de manter a arte e a vivência “Queer” num mundo virado do avesso.

17 Jun 2026

Grande Baía | CURB lança nova edição de concurso de fotografia

O CURB – Centro de Arquitectura e Urbanismo aceita, até ao dia 16 de Agosto, candidaturas de fotografias sobre a zona da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau. “Tesouros da Grande Baía” pretende revelar ao grande público locais e perspectivas diferentes da região onde Macau se integra, com foco nas “aldeias urbanas”

Decorre até ao dia 16 de Agosto o prazo de submissões de fotografias sobre cidades e lugares da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau, no âmbito da segunda edição do concurso de fotografia “Tesouros da Grande Baía”.

A iniciativa é do CURB – Centro de Arquitectura e Urbanismo, que declara, numa nota, pretender que os participantes “se aventurem nos recantos mais recônditos das cidades a usar as câmaras para descobrir e documentar a vida quotidiana tranquila, comum, mas vibrante, das aldeias urbanas” da Grande Baía.

O concurso tem três categorias – Grupo Aberto de Macau, Grupo de Estudantes de Macau e Grupo Aberto da Grande Baía, este último aberto a Hong Kong e às cidades da Grande Baía na China.

A Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau é composta pelas Regiões Administrativas Especiais de Hong Kong e Macau, e ainda por nove cidades que pertencem à província de Guangdong, nomeadamente Guangzhou, Shenzhen, Zhuhai, Foshan, Huizhou, Dongguan, Zhongshan, Jiangmen e Zhaoqing. A Grande Baía tem uma vasta área de 56 mil quilómetros quadrados, e pretende ser uma região que aposta no desenvolvimento económico com foco na cooperação regional promovida por Pequim.

Sucesso desde o início

Relativamente à primeira edição do concurso, realizada em 2024, registou-se o “sucesso da estreia regional”, com 157 participantes e um total de 377 imagens submetidas. Agora, o CURB assume querer “alcançar um público mais vasto e envolver o público na exploração da arquitectura da região da Grande Baía através da sua própria perspectiva”. É também objectivo “fomentar o sentimento de pertença e de ligação entre as cidades da região da Grande Baía”.

O CURB realiza ainda outro concurso de fotografia, mas com maior foco em Macau, contando no seu percurso com cinco edições do “Concurso de Fotografia de Arquitectura de Macau”. Desde 2022, que a entidade organizadora recebeu propostas de 831 participantes e 1.917 trabalhos.

Segundo a mesma nota, “este evento foi único no seu género em Macau e incentivou as pessoas a explorar e registar a cidade através da lente da câmara, a reflectir sobre o ambiente construído e a cultivar o sentimento de pertença dos cidadãos ao local onde vivem”. O mesmo espera agora o CURB com o concurso alargado à Grande Baía.

17 Jun 2026

Escrita é “viagem inútil”, diz Camila Sosa Villada

A escritora argentina Camila Sosa Villada defende que a literatura “não serve para nada”, no sentido de uma função terapêutica ou utilitária da escrita, assumindo o ofício como prática “inútil”, mas essencial na relação silenciosa entre livro e leitor.

Em entrevista à Lusa, numa passagem por Lisboa, a propósito de “A viagem inútil”, obra agora publicada pela Quetzal, embora escrita anos antes, a autora explica que o próprio título traduz uma posição estética e ética.

Este livro constitui o relato cru da própria vida de Camila Sosa Villada, as suas origens, a sua dolorosa infância, a sua vivência como travesti que conheceu a prostituição, mas também o êxito no teatro e o exercício da escrita.

Como escreveu a própria autora, quis que a sua história se soubesse, a do seu travestismo, da família e da tristeza precoce que a marcou – o alcoolismo do pai, as carências da mãe, as mudanças que a afastaram de tudo o que lhe dava segurança -, da sua infância e da luta devastadora contra a pobreza, que virou todos contra todos, deixando-os doentes de “rancores, desamor e indiferença”.

“Que [a escrita] seja inútil, não significa que seja melhor ou pior. Uma tal viagem a lugares inúteis não precisa de defesa, nem de argumentação”, afirmou a autora, recusando a ideia de que a literatura tenha de justificar a sua existência.

Para Camila Sosa Villada, escrever é um gesto sem finalidade prática e prefere vê-lo como uma “coisa inútil, que não serve para nada, que não tem um objectivo na vida e que, no entanto, anda por aí a fazer companhia às pessoas, estas sentem-se menos sós ou descobrem algo sobre si próprias”.

Sem funções

Pegando nos ‘clichés’ frequentemente associados a quem escreve, sobretudo obras de cariz autobiográfico com pendor traumático ou doloroso, como é o seu caso – a escrita terapêutica ou que salva, que permite o autoconhecimento, que cura traumas ou sana feridas, entre outros -, a autora prefere não atribuir funções à literatura.

“Se atribuíssemos à leitura alguma capacidade farmacêutica, de ser um meio de descoberta pessoal, um instrumento para alguma coisa, estaríamos a dizer que a literatura é um instrumento de domesticação. Temos de ter lucro com tudo?”, questiona.

Apesar disso, reconhece o impacto que a leitura pode ter no leitor, como admite tiveram consigo as leituras de Sharon Olds ou de Marguerite Duras, que têm sido uma forma de aprender a ser quem é.

A “viagem” da escrita não tem destino definido, “vai para onde as palavras a levam”, e às vezes “acaba ao colo de um leitor numa viagem, num comboio ou em sua casa ou numa fila de hospital ou numa fila do banco, e começa a falar”.

Da honestidade

No caso de “A viagem inútil”, Camila Sosa Villada explica que o livro nasceu de um impulso de compreensão do seu próprio percurso enquanto escritora.

“Queria ser honesta sobre… como nasce um escritor por dentro”, afirma, descrevendo uma genealogia afectiva marcada pela família, pela importância que o pai e a mãe tiveram na sua descoberta da literatura e da escrita, uma origem que se liga também à construção da sua identidade.

“Tinha necessariamente de falar sobre este ritual: Um homem que ensinou o filho a escrever, uma mulher que ensinou o filho a ler, um filho que, a dada altura, decide ser travesti, e como a literatura e o travestismo acontecem no mesmo momento”, contou.

Questionada sobre até que ponto aquilo que escreve é uma forma de manter vivas as memórias ou é uma reinvenção daquilo que realmente viveu, a autora admite não controlar totalmente o processo narrativo.

“Algumas coisas são simplesmente imagens, recordações de algo, mas não necessariamente coisas que me tenham acontecido, por isso, para mim, foi algo do género de uma tese sobre o porquê de me ter tornado escritora, mas a partir daí o que surge como autobiográfico e o que surge como puramente ensaístico no livro, não sei como o fiz. Deixei-me levar”, revelou.

A dimensão autobiográfica da obra não implica, contudo, reconciliação emocional, sublinhou, reforçando que o livro não a ajudou a sarar feridas, antes pelo contrário.

“Foi pior porque o meu pai ficou zangado comigo. Disse qualquer coisa como: ‘nesse livro fazes-me parecer um filho da mãe’. Portanto, foi pior. De facto, tive crises profundas depois disso. Quando termino um livro, as crises são muito grandes, são muito difíceis de ultrapassar. No final dos livros, há um enorme luto. E sofro muito com isso, mais do que quando as estou a escrever, muito, muito mais”, confessou.

É por isso que a única coisa que pede a um livro “é que seja escrito, a partir daí, a dor mantém-se. O livro foi editado, traduzido, viajado. Viaja ainda mais do que eu, conheceu mais pessoas do que eu, pessoas gostaram mais dele do que de mim. E ele tem a sua vida”.

Essa transformação reflecte-se também no ritmo do livro, que “se demora até chegar a um final que é tremendo, que é terrível, que é como uma morte”, evocando episódios marcantes da vida da autora.

16 Jun 2026

10 de Junho | David Mourão-Ferreira recordado hoje no IPOR

Faz hoje 30 anos que faleceu o poeta português David Mourão-Ferreira, e que agora é recordado numa palestra intitulada “Recordar David Mourão-Ferreira: A poesia de um amor feliz”, na Biblioteca Camilo Pessanha, do Instituto Português do Oriente. Pedro D’Alte e Lia D’Alte protagonizam uma sessão pensada no âmbito das comemorações do 10 de Junho

“E por vezes as noites duram meses / E por vezes os meses oceanos / E por vezes os braços que apertamos / nunca mais são os mesmos.” É assim que começa um dos poemas mais conhecidos de David Mourão-Ferreira, poeta português contemporâneo falecido há exactamente 30 anos e que hoje é recordado numa palestra que decorre na biblioteca Camilo Pessanha, do Instituto Português do Oriente (IPOR), a partir das 18h30.

Os académicos e docentes Pedro D’Alte e Lia D’Alte protagonizam a sessão intitulada “Recordar David Mourão-Ferreira: A poesia de um amor feliz”, que visa recordar “o especial contributo de David Mourão-Ferreira para as letras nacionais”, disse ao HM Pedro D’Alte.

O poema com que este texto se inicia, “E por vezes”, é, para Pedro D’Alte, “dos mais belíssimos poemas portugueses o que, por si, já diz muito da capacidade estética do autor”. Mas como recorda o responsável, Mourão-Ferreira não foi apenas poeta, tendo também escrito em prosa e exercendo crítica literária.

“David Mourão-Ferreira foi letrista para Amália Rodrigues, escrevendo fados icónicos que, hoje, são transversais tanto ao gosto popular como das elites. Tem a particularidade de ser um teórico, professor académico, conhecedor literário. Este conhecimento é plasmado nas suas composições, mesmo que aparentemente simples.”

Pedro D’Alte destaca que, na obra do poeta, “são relevantes as inúmeras referências intertextuais e os diálogos profundos com outros autores de renome”. “Numa perspectiva mais pessoal, é singular o ascendente sensorial na representação do erotismo e, também, de enaltecer a quantidade e a qualidade da produção e a incursão em diferentes esferas de produção que perpassam a música, a poesia e a estética romanesca”, acrescenta.

A sessão de hoje no IPOR “irá centrar-se na presença do Amor, do Erotismo, da figura feminina, e dos aspectos mais exploratórios deste ascendente sensorial” nos poemas deste autor.

Será dada “primazia a ‘Antologias Poéticas’, organizadas pelo próprio autor em vida, ou organizadas por outros teóricos já após o seu falecimento”, fazendo-se depois o cruzamento com uma “esfera narrativa”, com edições como “Os amantes e outros contos” ou “As quatro estações”.

Pedro D’Alte anunciou que no próximo ano deverá ser celebrado o centenário do nascimento do poeta português, pelo que a sessão de hoje não pretende “esgotar nem ampliar em demasia os conteúdos sobre este autor, de modo a não sobrecarregar o nosso público de Macau com demasiados tópicos ou linhas de leitura”.

Escrever “contra-corrente”

Pedro D’Alte recorda que David Mourão-Ferreira “não foi um autor estático”, mas sim “errático e, por vezes, em contra-corrente”.

“Basta lembrar-se o quão desafiante e contrária foi, para os poderes instalados e para a sua própria vida pessoal, a produção de letras para o fado, determinadas capas nas suas obras ou a maneira explícita como o Erótico se assume eixo central em determinadas composições. Creio que, neste sentido, David Mourão-Ferreira nos relembra a história e o sentido de ser-se português, pelo menos no seu viés mais salutar e celebrado”, defende o co-orador e organizador da sessão de hoje.

O poeta recusou “o conforto e o fácil e, em oposição, [procurou] a insurgência, a inquietação, o favorecimento e o prevalecimento da descoberta de novos caminhos, do êxtase e do gosto pela vida, do uso do tempo pessoal para a construção de um nome maior, nas mais diferentes esferas”.

David Mourão-Ferreira é, assim, mais um dos “bons nomes que Portugal tem para celebrar neste 10 de Junho”, remata Pedro D’Alte, que é pós-doutorado em Estudos Portugueses pela Universidade Aberta e professor da Universidade Politécnica de Macau. Lia D’Alte é, por sua vez, mestre em Estudos de Língua Portuguesa pela Universidade Aberta e colaboradora da Escola Portuguesa de Macau.

16 Jun 2026

Exposição de fotografia “O Fio do Tempo” patente no Arquivo de Macau

Pode ser vista até 30 de Setembro a mostra de fotografia “Cidade e Imagem: o Fio do Tempo – Exposição de Imagens Históricas do Acervo do Arquivo de Macau”, disponível no Arquivo de Macau. A exposição revela ao público “imagens históricas e contemporâneas que reflectem a transformação da cidade ao longo de um século”, descreve o Instituto Cultural (IC) em comunicado.

A inauguração da exposição aconteceu na última sexta-feira, tendo em conta as celebrações do “Dia do Património Cultural e Natural da China” e “Dia Internacional dos Arquivos”.

Apresentam-se, assim, “uma selecção do acervo do Arquivo, com uma abordagem curatorial que justapõe imagens históricas e contemporâneas”. São imagens onde a “lente da câmara [é utilizada] como ponte entre o passado e o presente”, revelando-se “detalhes visuais preciosos em diferentes dimensões desde as mudanças da paisagem urbana de Macau, os meios de subsistência da população até ao desenvolvimento das infraestruturas da cidade”.

A nossa memória

Desta forma, o público pode “compreender a trajectória de desenvolvimento de Macau através de imagens intuitivas e, assim, salvaguardar a memória histórica colectiva da cidade”.

O IC conta ainda que uma das funções do Arquivo de Macau é a “recolha, restauro, organização e preservação de arquivos históricos locais”, a fim de enriquecer “a base de dados de documentação histórica local, providenciando assim importantes registos físicos para a investigação sobre a história de Macau”. Estes registos permitem ainda a investigação sobre a “história do comércio e trocas culturais entre a China e o exterior”.

O IC diz esperar, com esta mostra, que “arquivos valiosos saiam do depósito e sejam expostos ao público, aprofundando a compreensão da comunidade sobre a preservação de arquivos e a história local”. Além disso, pretende-se promover “a popularização e a transmissão da história e cultura de Macau”.

“Cidade e Imagem: o Fio do Tempo – Exposição de Imagens Históricas do Acervo do Arquivo de Macau” pode ser vista no Arquivo de Macau, na Avenida do Conselheiro Ferreira de Almeida.

15 Jun 2026

Cinema | Festival “Saracoteio – Dança no Ecrã” mostra 13 filmes

O “Rollout Dance Film Festival” de Macau vai exibir em Dezembro 13 vídeos de dança no âmbito do festival Saracoteio – Dança no Ecrã. O evento realiza-se em parceria com festivais congéneres de Cabo Verde e Portugal. Mary Wong, curadora do “Rollout”, conta que um dos vídeos retrata a vida no bairro do Iao Hon

Um programa conjunto vai mostrar 13 filmes e vídeos de dança provenientes de cinco países e territórios lusófonos em festivais de Macau, Portugal e Cabo Verde, disse a organização à Lusa. Mary Wong, curadora do Rollout Dance Film Festival de Macau, revelou que o programa Saracoteio – Dança no Ecrã seleccionou obras de Portugal, Moçambique, Macau, Brasil e Guiné-Bissau.

A convocatória recebeu cerca de 60 filmes e vídeos, e a escolha final coube a três curadores, de cada um dos três festivais: o Rollout, a 34.ª Quinzena de Dança de Almada e o Festival Uabá de Cabo Verde.

As obras seleccionadas irão integrar os três festivais, a começar pelo Uabá, na ilha de Santiago, entre 21 e 25 de Setembro, logo seguido por Almada, de 25 de Setembro a 11 de Outubro, com o Rollout de Macau previsto para Dezembro.

Wong disse que a escolha teve como um dos principais critérios obras que não são “apenas uma apresentação de dança, mas que utilizam a linguagem da cinematografia, o movimento corporal e a coreografia, tanto das pessoas como da lente”.

Os curadores procuraram também “obras mais inovadoras”, que “tentam romper com que já foi feito”, explicou a bailarina, que nasceu em Macau antes da transição de administração para a China e tem nacionalidade portuguesa.

Wong deu como exemplo um vídeo em que “a coreografia do movimento corporal não provém apenas da dança, mas da escalada” e outro que “mostra a ligação entre um bailarino humano e um cavalo”.

Filmar o Iao Hon

Entre os quatro trabalhos de Macau seleccionados, a curadora destacou um que tem como palco o Iao Hon, um dos bairros mais densamente povoados no mundo, com mais de 12 mil habitantes, construído na década de 1970, e que as autoridades pretendem demolir.

“Não tem nada a ver com a arquitectura histórica de Macau, mas reflecte a vida real das pessoas daqui, e acho interessante que seja possível ver esse aspecto comunitário num sentido muito estéctico”, disse Wong. Os curadores, acrescentou Wong, também procuraram filmes com “algum tipo de mensagem sociocultural, que realmente reflicta a vida contemporânea”, que coloque o público “a pensar e falar”. Wong deu como exemplo obras vindas do Brasil e de Moçambique, onde “as disputas e a instabilidade políticas são frequentemente mencionadas”.

Em declarações à Lusa em Abril, Wong sublinhou que, mais do que uma parceria pontual, o objectivo do Saracoteio passa por estreitar laços entre artistas de diferentes paragens. No início de Outubro, bailarinos de Macau irão a Portugal apresentar quatro obras. No início de Dezembro, será a vez da Quinzena de Dança de Almada levar trabalhos de dança à RAEM.

15 Jun 2026

Macau presente nas Marchas Populares de Lisboa, que Alfama venceu

Alfama venceu a edição deste ano do Concurso das Marchas Populares de Lisboa, anunciou no sábado a Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural (EGEAC), responsável pela organização da iniciativa. Em segundo lugar ficou Alcântara e em terceiro Madragoa.

“Oito anos depois, a Marcha de Alfama volta a vencer o concurso das Marchas Populares de Lisboa, com o tema ‘Os santos devem estar loucos’, que retrata o contraste entre a tradição da marcha e as mudanças sentidas no bairro”, lê-se num comunicado da EGEAC.

Outros grupos estiveram este ano no concurso: Graça (4.º), Bairro Alto (5.º), Beato e Bica (6.º ex-aequo), Carnide e Olivais (8.º ex-aequo), Mouraria (10.º), Alto do Pina (11.º), Marvila e Penha de França (12.º ex-aequo), Benfica (14.º), São Vicente (15.º), São Domingos de Benfica (16.º), Bela Flor Campolide (17.º), Bairro da Boavista e Castelo (18.º ex-aequo) e Ajuda (20.º).

Em 2025, Alcântara e Bairro Alto tinham vencido o concurso. De acordo com informação da EGEAC, Alfama e Madragoa ganharam na categoria de Melhor Coreografia. A Melhor Cenografia foi para Alcântara, que venceu também o Melhor Figurino, em conjunto com a Bica. A distinção da Melhor Letra foi para Alcântara, Alfama, Graça e Olivais.

Quem venceu a Melhor Musicalidade foram as marchas do Alto do Pina e de Alfama, e a Melhor Composição Original foi para Alfama com “Os Santos devem estar loucos”, para a Graça com “Na Graça o 13 é sorte” e Alcântara com “À moda de Alcântara”. O Melhor Desfile na Avenida foi para Alfama.

Macau presente

O desfile teve início com a tradição folclórica chinesa Dança do Dragão e dos Leões Dourados, apresentada pela Associação Geral Desportiva de Macau Lo Leong.

Numa nota de imprensa, a DST descreve como esta actuação representou “uma demonstração de dança do leão e dança do dragão, ambas classificadas como Património Cultural Intangível de Macau”, além de evidenciar “o fascínio singular de Macau enquanto destino de ‘Turismo + Cultura’, e a sua imagem de coexistência multicultural”,

Antes das Marchas em concurso, desfilaram a Marcha Infantil das Escolas de Lisboa, a Marcha Infantil A Voz do Operário, a Marcha dos Mercados e a Marcha Santa Casa.

Sob o tema “Somos Lisboa. Somos Europa”, as 20 marchas a concurso, que já se apresentaram na MEO Arena, foram avaliadas e pontuadas por um júri consoante os figurinos, as músicas e as coreografias originais, retratando os vários bairros lisboetas participantes.

Além das Marchas, casamentos e arraiais, a programação das Festas de Lisboa tem este ano, durante o mês de Junho, mais de 40 iniciativas, “maioritariamente gratuitas”, espalhadas pela cidade, com concertos, cinema ao ar livre, exposições e festivais multiculturais. O encerramento das Festas de Lisboa decorre no dia 26 de Junho nos Jardins da Torres de Belém.

15 Jun 2026

Ioga | Dia Internacional celebrado este domingo

O espaço H853 Entertainment Place (H853 Fun Factory), no Lisboeta Macau, acolhe este domingo as actividades de celebração do 12.º Dia Internacional do Ioga, promovidas pela Associação Cultural Indiana de Macau (ICAM, na sigla inglesa) e em colaboração com o Consulado-geral da Índia em Hong Kong e Macau.

O tema central das celebrações deste ano é “Ioga para um envelhecimento saudável”, sendo que o evento “convida residentes e visitantes a juntarem-se a este movimento global em prol da saúde holística e da harmonia”, destaca um comunicado da organização. O objectivo é explorar o debate em torno “do papel dos cuidados preventivos no envelhecimento saudável”, tendo em conta que o Ioga “serve de ponte entre a saúde física e a clareza mental”.

O evento acontece entre as 9h e as 10h30, e cada participante deve levar o seu tapete de Ioga e vestir roupa confortável.

Na mesma nota, lê-se que a associação “continua comprometida em promover o intercâmbio cultural e o bem-estar através da antiga ciência do Ioga”. Com este evento, pretende-se também “fortalecer os laços comunitários e celebrar o património cultural partilhado entre a Índia e Macau”.

12 Jun 2026

Mundial 2026 | Lisboeta Macau acolhe exposição sobre história do futebol

Por ocasião do arranque do Mundial 2026, o espaço “H853 Fun Factory”, no Lisboeta Macau, acolhe a mostra “Reviver os Clássicos: Exposição da História do Futebol Mundial”, organizada pela Macau SLOT. Até ao dia 19 de Julho, será possível fazer, de forma gratuita, uma “viagem imersiva pela história e pelos momentos lendários do futebol mundial”.

Na área destinada à “História do Futebol Mundial” são exibidas 70 peças de colecção, troféus e camisolas “que retratam a história do futebol desde 1930 até aos dias de hoje”, não faltando uma área destinada ao futebolista brasileiro Pelé, tido como um dos maiores jogadores da história. Neste espaço, os visitantes podem “reviver os momentos mais marcantes”, da sua carreira, não faltando o “Corredor das Camisolas de Pelé”, com 14 camisolas autografadas. Destaque também para a “Área de Exposição dos Troféus dos Campeões do Mundo”, com a exibição de “dois troféus emblemáticos”.

Segundo uma nota da organização, esta mostra “não só destaca o profundo legado deste desporto, como também conduz os visitantes por uma viagem através da evolução histórica e das glórias do desporto mais popular do mundo”.

12 Jun 2026

Wondera | Festival dedicado ao bem-estar acontece este fim-de-semana na Barra

A primeira edição do “Wondera – Festival de Bem-estar e Cultura de Macau” tem hora marcada para acontecer este fim-de-semana nos Estaleiros Navais n.º 1 e 2 na zona da Barra. Há sessões de arte terapia, Ioga, gastronomia e workshops para quem quer ter experiências saudáveis ligadas ao corpo e à mente

Os Estaleiros Navais n.º 1 e 2 da Barra, na península de Macau, já estão a postos para receber a primeira edição do “Wondera – Festival de Bem-estar e Cultura de Macau”, que, como o nome indica, traz actividades relacionadas com o bem-estar interior e do corpo, sem esquecer iniciativas ligadas à cultura, prática desportiva e workshops.

Embora hoje tenha lugar uma sessão, entre as 11h e as 18h, sobre como comunicar com minerais, intitulada “Mineral Communication – A Crystal Dialogue Workshop”, a verdade é que a abertura do festival se faz oficialmente amanhã às 15h, na zona exterior do Estaleiro Naval n.º1.

Os participantes podem desfrutar de mais de 32 programas relacionados com o bem-estar físico, mental e espiritual, bem como 42 bancas de mercado locais, explica a organização, em comunicado. Haverá ainda palestras e música ao vivo.

O evento conta com cinco zonas, nomeadamente o “Healiverse Market”, que junta 42 bancas de negócios e produtos locais ligados às áreas do bem-estar, artesanato e gastronomia; a zona “Sonic Tribe”, onde se disponibilizam “banhos sonoros, sessões com taças tibetanas e experiências de atenção plena acompanhadas por café, saqué e chá”.

O público poderá também assistir à “Astra Tribe”, onde se apresentam palestras sobre a área do bem-estar, enquanto na “Pulse Tribe” haverá sessões de Ioga, Fitness e actuações de música ao vivo. Por sua vez, na “HeART Tribe” disponibilizam-se “sessões de transcrição do Sutra do Coração” e também actividades ligadas à arte como forma de terapia para problemas do foro psicológico.

Segundo uma nota da organização, o “Wondera Festival” tem a temática central ligada à ideia de que “tudo é cura”, visando apresentar propostas de cura alternativa e “actividades que ultrapassam os formatos tradicionais”, a fim de criar “uma cultura do bem-estar enraizada em Macau”.

“No período pós-pandemia a procura global por experiências de bem-estar tem crescido rapidamente, com mais pessoas a darem prioridade ao equilíbrio interior e à saúde mental. Como cidade onde as tradições orientais e ocidentais se encontram, Macau possui condições naturais para o florescimento de uma cultura de bem-estar dinâmica”, considera a organização.

O “Wondera Festival” coincide com o Dia Global do Bem-Estar e o Dia Internacional do Ioga, ambos celebrados em Junho, pelo que pretende transformar-se numa “plataforma acessível, acolhedora e positiva para a promoção da cultura do bem-estar, assente nos valores da descoberta, cura, criatividade, ligação humana e identidade local”, descreve a mesma nota.

Exercícios de existência

Amanhã, sábado, terão lugar actividades relacionadas, por exemplo, com as áreas da numerologia ou da limpeza espiritual de espaços, como é o caso da actividade “Five Senses Sound Bath Space”, com Fefe Chan, entre as 14h e as 14h30. Entre as 13h30 e as 14h30, decorre a sessão “Healing Living Room: Collective OH Card Exploration”; enquanto que entre as 15h30 e as 17h30, na área “Astra Tribe”, acontece a sessão “Numerology – Space Floristry: Your Home Energy Floral Arrangement Workshop”. Este workshop “alia uma leitura personalizada de numerologia à criação prática de arranjos florais, permitindo aos participantes criar um vaso personalizado destinado a potenciar a sua sorte”, é explicado.

O público pode ainda participar na “Noite dos Escritores”, com a escritora Galilee Ma, com sessões de “escrita cronometrada e motivação entre pares”, para potenciar a expressão escrita dos participantes. Esta sessão acontece no domingo entre as 19h e as 22h na zona “Pulse Tribe” no Estaleiro Naval n.º2.

Por sua vez, a realizadora Harriet Wong e Chon Cheng lideram a actividade “The Uncertainty Practice – A Play on Love, Freedom and Responsability”, que não é mais do que “um diálogo situado na intersecção entre teatro e psicologia, explorando temas como o amor, a liberdade e a responsabilidade”. Esta sessão acontece amanhã entre as 15h45 e as 17h.

Na música, destaca-se a actuação de Daniel, artista sonoro, com o evento “EMC:EMI – Electromagnetic compatibilities and interferences”, que acontece entre as 20h e 21h no Estaleiro Naval n.º2, na zona “Pulse Tribe”. Aqui, o artista recorre a “interferências magnéticas entre as máquinas como uma metáfora”, conectando “sinais electrónicos, sensores e ondas sonoras de rádio para explorar uma alegoria sonora da harmonia e discórdia nas relações humanas”.

O festival é organizado pelas entidades Oneness Space, CYCA Macao e Long Fung Drama Club. A participação nas actividades faz-se através de inscrição prévia através de um formulário disponível nas redes sociais ou de um código QR, funcionando este sistema por ordem de chegada. O “Wondera Festival” realiza-se entre as 10h e as 22h, sendo que a zona do mercado estará aberta entre as 12h e as 21h.

12 Jun 2026

10 de Junho | Galeria Amagao apresenta obras de Raquel Gralheiro

A pintora portuguesa Raquel Gralheiro está de regresso às exposições na RAEM com a mostra “Pop lá”, depois de ter exposto, em 2018, “My Chinese Zodiac” e “Pop Pin”, dois anos depois. A exposição, inaugurada amanhã na galeria Amagao, integra a programação do “Junho – Mês de Portugal na RAEM 2026”

A galeria Amagao acolhe, a partir de amanhã, uma exposição da pintora Raquel Gralheiro que se intitula “Pop lá”. A cerimónia tem lugar partir das 18h30, no Artyzen Grand Lapa, onde está situada a galeria, que desta forma se junta às celebrações de “Junho – Mês de Portugal na RAEM 2026”, em jeito de comemoração do 10 de Junho – Dia de Portugal, Camões e das comunidades portuguesas. O trabalho de curadoria está a cargo de Lina Ramadas, co-fundadora da Amagao, em colaboração com o artista e designer Victor Hugo Marreiros. A exposição está patente ao público até ao dia 2 de Agosto.

“Pop lá” é a terceira mostra de Raquel Gralheiro no território, depois de ter protagonizado, em 2018, “My Chinese Zodiac”, que teve lugar na Santa Casa da Misericórdia de Macau; e “Pop Pin”, apresentada em 2020. Destaque ainda para o facto de Raquel Gralheiro ter levado também “My Chinese Zodiac” [O Meu Zodíaco Chinês], em 2019, ao Nanjing Fine Art University Museum, na China.

O escritor Valter Hugo Mãe descreve Raquel Gralheiro como “uma artista irónica que trabalha no limiar do bom gosto para analisar a relação entre arte e decoração”, e que as suas “telas, excessivas e provocadoras, são sempre um meio de representar a figura como um elemento que contrasta com vários padrões, como se alguém vivesse no papel de parede, no padrão do sofá, no cartaz”.

Nesta mostra em Macau há uma procura permanente pelo equilíbrio entre Oriente e Ocidente, conforme descreve a sinopse da exposição, no programa de “Junho – Mês de Portugal na RAEM 2026”. “Entre o cá e o lá, entre o Oriente e o Ocidente, a minha pintura afirma-se como uma linguagem visual pop que cruza distâncias, fundindo imaginários num diálogo vibrante de cor e memória”, revela a própria pintora.

A Amagao descreve como no conjunto de trabalhos, “através de uma série de pinturas cativantes, Raquel Gralheiro explora encontros culturais, as histórias do quotidiano e a atmosfera única de Macau, criando um mundo onde a realidade e a fantasia se cruzam”.

Desta forma, convidam-se os “amantes da arte, entusiastas da cultura, residentes e visitantes a celebrar a rica herança portuguesa que continua a moldar a identidade única de Macau”, de que esta mostra é exemplo.

Pintar galos

Raquel Gralheiro, que vive e trabalha no Porto, levou “O Meu Zodíaco Chinês” no âmbito da primeira Bienal dedicada à arte no feminino, intitulada ARTEFM 2018. A artista plástica formou-se em Pintura pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, tendo a figura feminina como tema central das suas obras.

Em entrevista ao Jornal Tribuna de Macau, Raquel Gralheiro levantou um pouco do véu sobre a forma como a figura feminina foi ganhando predominância nas suas criações. “Nem sempre pintei mulheres, também tenho pinturas com homens, mas ultimamente tem aparecido sempre a figura feminina, talvez porque é a minha condição. Só sei ser mulher e estar no mundo como mulher”, adiantou.

Valter Hugo Mãe, no texto que escreveu sobre a artista, diz que Raquel Gralheiro “empreende uma exploração extrema do corpo e do imaginário femininos enquanto bastião do desejo e da sofisticação”, parecendo “aludir ao luxo, dada a noção invariável de requinte, ao mesmo tempo que remete, fatalmente, para o erotismo, conferindo poder às figuras e definindo para elas uma personalidade muito específica que irá confrontar os estereótipos há muito enraizados na sociedade”.

Em 2020, o trabalho de Raquel Gralheiro esteve presente em Macau novamente integrada na “Exposição das Obras Artísticas de Portugal, Timor-Leste e Macau”, ligada à 12.ª Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa.

Segundo uma nota oficial sobre a exposição “Pop Pin”, Raquel Gralheiro revelou toda a sua alegria natural “numa exploração extrema do corpo feminino e do imaginário”, num “misto figurativo e realista que, por vezes, chega a lembrar a Pop Art”, movimento artístico que teve Andy Warhol como um dos artistas mais exemplificativos.

Integrados na exposição “Pop lá”, a pintora irá conduzir workshops de pintura, intitulados “Galo Painting Workshop”, no sábado e domingo na Amagao, entre as 15h e as 18h. O preço para participar nos workshops é 400 patacas.

11 Jun 2026

Leituras interiores de MCZ_Thomas para ver na Creative Macau

O artista local MCZ_Thomas, cujo nome verdadeiro é Lo Si In, apresenta até ao dia 24 de Junho o seu trabalho na exposição “MIR: Lotus”, patente na Creative Macau em parceria com a Sociedade de Artes Visuais da Cidade de Macau. A inauguração aconteceu esta segunda-feira.

Segundo um comunicado da Creative Macau, a exposição tem como tema central “Pó Cósmico e os Ecos da Folha Metálica: A Poética Interior da Conexão Humana”, visando explorar “a conexão emocional, a percepção interior e a ressonância na era digital”.

Este objectivo pretende ser atingido através de “instalações artísticas imersivas” e de uma “interacção participativa” com os visitantes. O projecto que dá origem à mostra segue viagem para a cidade japonesa de Osaka e Taiwan “ainda este ano”, a fim de promover “o intercâmbio artístico inter-regional através da arte contemporânea”.

O alumínio como arte

Lo Si In, ou MCZ_Thomas, faz neste trabalho o uso do papel de alumínio do dia-a-dia “como meio artístico central para reimaginar as relações subtis entre a humanidade e o cosmos, os indivíduos e o mundo emocional interior de cada um”, sem esquecer a conexão com a “realidade exterior”.

Desta forma, ao criar “superfícies reflectoras, rugas e texturas” através deste material, transformando-o em obra de arte, o artista explora de forma metafórica “a tensão emocional entre protecção e vulnerabilidade, solidão e conexão”. Desta forma, convida-se o público a pensar sobre “relações autênticas e a consciência emocional na sociedade contemporânea”.

A curadora Cassidy Chan disse, citada pela mesma nota, que a mostra “MIR: Lotus” pretende “reavivar as ligações e percepções subtis, muitas vezes ignoradas, entre as pessoas”, sendo que a sua deslocação para o Japão e Taiwan visa “trazer as suas próprias experiências de vida para a obra, criando novas interpretações e ressonâncias”.

A “MIR: Lotus” é ainda descrita como uma forma de “exploração da consciência emocional, ligação humana e ressonância cultural”, sendo que com as mostras em três lugares diferentes pretende-se “estabelecer um diálogo cultural significativo e posicionar a arte contemporânea original de Macau num contexto internacional”.

11 Jun 2026

Pintura | Os regressos e reflexões de Anabela Canas em exposição em Lisboa

“São Rosas e Dias Líquidos – Arquivo e Redundância” é a nova exposição de Anabela Canas, pintora, docente e ex-residente de Macau, patente até Julho na Universidade Nova de Lisboa. Nesta mostra, Anabela Canas conjuga obras antigas e novas, procurando encontrar um ponto de reflexão sobre o presente

Anabela Canas, antiga docente de Artes em Macau, actualmente a dar aulas na escola António Arroio, em Lisboa, e pintora, está de regresso às exposições com a mostra “São Rosas e Dias Líquidos – Arquivo e Redundância”, patente até ao dia 23 de Julho na Sala de Exposições da Biblioteca da NOVA FCT, Universidade Nova de Lisboa, no campus do Monte da Caparica.

A artista faz um exercício retrospectivo que é, em simultâneo, uma reflexão sobre o tempo presente, colocando quadros mais antigos, nomeadamente de 2018, em conjugação com novas pinturas. Há muita água nestes quadros, bem como representações da natureza e figuras, mas o convite à reflexão sobre os tais dias líquidos vai muito além do que pode ver a olho nu. “Esta exposição tem dois conjuntos de trabalhos, embora façam parte da mesma série, sendo que o primeiro, mais antigo, é de 2018, de uma exposição que fiz, e retomei acrescentando trabalhos mais recentes”, conta a pintora ao HM.

Esta mostra anterior também se chamava “São Rosas e Dias Líquidos” e, segundo a artista, tinha a ver “com a questão da impermanência”, tal como a nova exposição. “Na altura, havia um diálogo entre um conjunto de telas que são paisagens, mais ou menos abastractas, mas que têm referências muito óbvias à água, céu, nuvens, portanto, a parte etérea da paisagem.”

Estas imagens entram “em diálogo com outra série [de trabalhos], mais figurativa, e que tinha a ver com temáticas clássicas de museu, digamos assim. Tem sempre a ver com esse diálogo e a nossa reacção à impermanência, aquela noção já tão explorada pela filosofia de que tudo passa e tudo volta, até os ritmos da natureza que nunca são iguais exactamente”.

Anabela Canas foi buscar referências à filosofia, nomeadamente ao filósofo e sociólogo polaco Zygmunt Bauman, quanto à ideia de modernidade líquida. A artista destaca “a época de maior virtualidade, a todos os níveis”, em que vivemos, e como as coisas se modificam, inclusivamente “os ritmos da natureza”. “Tudo volta e nunca é exactamente igual”, referiu.

“Bauman falou da modernidade líquida e foi uma coincidência, pois quando comecei a estudar este tema encontrei uma referência a ele e li sobre isso. De facto, diz-me muito esta sensação de que tudo nos ultrapassa porque nada se consegue agarrar. Hoje em dia vivemos muito mais esta noção de que tudo é mais virtual”, explicou.

Regressos e realidades

Anabela Canas voltou a 2018 tal como voltaria a um outro tempo, a outros quadros, algo comum no seu processo criativo. “Muitas vezes retomo temas que explorei noutras alturas, e não o faço com a intenção de voltar a fazer um projecto com eles, mas porque tenho essa vontade de revisitar. É como revisitar lugares que gostamos, e isso acontece pelo puro prazer de voltar a mergulhar naquele imaginário.”

É aqui que vem ao de cima a ideia de redundância, do regresso a uma mesma realidade ou temática, com a certeza de que “as coisas nunca saem iguais obviamente, mas são um bocadinho como os dias e as noites: podem ser muito parecidos, mas nunca são iguais”.

“Quando voltamos a um lugar conhecido que gostamos, ou não, e sobretudo lugares afectivos, também vemos sempre coisas diferentes, e é a isso que chamo de redundância. Muitas vezes ponho-me a trabalhar só porque sim, pelo puro prazer e vontade de fazer as coisas e o prazer de voltar àqueles lugares. As coisas nunca saem iguais e há sempre uma evolução qualquer”, explicou ainda sobre a criação em torno desta mostra.

Há, portanto, nesta exposição de Anabela Canas um regresso a algumas temáticas, neste caso “espaços, paisagens bastante etéreas, com elementos mais volantes como o ar, nuvens e a água que está sempre a passar”. Neste processo de regressos, Anabela Canas confessa que o seu trabalho como artista “inclui, às vezes, a descoberta, a tentativa e o erro, o acaso, a exploração do aleatório”, existindo “sempre surpresas e novas coisas que vão surgindo”.

Relativamente à ideia de “Rosas” presente no título, diz respeito a um quadro presente na mostra, com papoilas, mas também à tradicional história do “Milagre das Rosas”, quando a Rainha Santa Isabel, ou Isabel de Aragão, respondeu ao esposo, o Rei D. Dinis: “São Rosas, senhor!”, quando, na verdade, distribuía pão aos mais desfavorecidos.

“O D. Dinis dizia que não podia dar pães aos pobres, e ela disse ‘São rosas, senhor!’, e afinal não eram rosas, tinham sido pães antes. Isto [a referência à palavra ‘Rosas’ no título] é uma brincadeira sobre as papoilas [do quadro na exposição], porque a realidade nunca é exactamente como é.”

Por outro lado, os dias líquidos, também presentes na exposição, são uma alusão ao quotidiano que “não se pode prender com as mãos”, ou seja, a realidade que está além do alcance e controlo e vai mudando. “Uma pessoa põe a mão, tenta apanhar a água e apenas por um instante consegue retê-la, porque ela foge”, disse Anabela Canas.

Citado pelo catálogo da exposição, José Moura, comissário para as actividades culturais do campus da NOVA FCT, referiu que “a obra de Anabela Canas abre-se como um espaço de sensibilidade, onde a matéria inserida em paisagens, recriadas, está em constante transformação”.

“Nesta exposição, cada obra transmite tensão entre gesto e intenção, presença e memória, como se cada forma guardasse vestígios de outras anteriores. Por isso, o seu trabalho aproxima-se da ideia de arquivo: um lugar onde a memória surge em camadas, feita de repetições, desvios e reaparições (… benvindas as redundâncias, que aqui não são desnecessárias)”, descreveu.

Desta forma, adiantou José Moura, “o olhar do espectador é conduzido por percursos onde a repetição revela diferença, e onde o mesmo nunca é exatamente igual”.

10 Jun 2026

10 de Junho | Alexandre Marreiros revela o seu estúdio em exposição

“O Estúdio de Alexandre Marreiros: Desenho e Pintura” é o nome da nova exposição individual de Alexandre Marreiros, artista e arquitecto, revelada hoje ao público na Fundação Rui Cunha. Integrada no cartaz de “Junho – Mês de Portugal”, a mostra revela o olhar do próprio autor sobre a sua obra, num exercício permanente de reflexão

A Fundação Rui Cunha (FRC) apresenta hoje, a partir das 18h30, a exposição “O Estúdio de Alexandre Marreiros: Desenho e Pintura”, de Alexandre Marreiros, arquitecto e artista plástico natural de Macau e que é um dos nomes mais sonantes do panorama artístico local.

Segundo uma nota da FRC, pode-se observar, nesta exposição, uma “interpretação crítica do autor sobre o seu processo criativo, numa análise abrangente da sua produção artística desenvolvida ao longo da última década”.

Reúne-se, na galeria da FRC, 48 obras de arte, reveladoras de uma “imensa variedade de técnicas e materiais”, como desenho, pintura, fotografia, colagem, serigrafia, gravura e técnica mista, em papel, tela e alumínio.

Este é um “ensaio visual”, propondo-se “ao visitante a identificação de constantes estéticas, rupturas conceptuais e do léxico visual, que caracteriza este período de criação de Alexandre Marreiros”. Desta forma, o espaço de exposição é transformado num “estúdio”, ilustrativo da “investigação estética e produção artística” de Alexandre Marreiros, descreve a mesma nota.

A ideia é que a galeria da FRC seja também “um organismo vivo”, repleta de “mesas de trabalho, registos vernaculares e o imaginário iconográfico que circunda a prática artística do artista”. Todos estes elementos são “elevados à categoria de documentos fundamentais, permitindo compreender cada obra não apenas como produto final, mas também como processo contínuo de observação e maturação da sua prática artística”.

Assim, a FRC descreve como “O Estúdio de Alexandre Marreiros: Desenho e Pintura” procura “estabelecer diálogos entre peças de diferentes períodos, revelando continuidades técnicas e conceptuais que a ordem cronológica tende a ocultar”.

Nos bastidores

Nesta mostra, Alexandre Marreiros não expõe, apenas, trabalhos artísticos com o seu nome, mas revela também ao grande público “os bastidores do seu trabalho”. A ideia é dar a conhecer “grupos temáticos da sua obra, unidos por fios condutores específicos, sejam eles os temas, as cores, as texturas ou os suportes utilizados, grupos esses enquadrados por peças de mobiliário ou materiais artísticos existentes no seu estúdio”.

Todos eles “constituem meios de suporte e de criação de ambientes necessários ao seu processo criativo e de produção artística”, lê-se.

Alexandre Marreiros é macaense, tem nacionalidade portuguesa, residiu em Portugal e no Brasil, mas fixou residência há dez anos em Macau. Nos últimos anos tem vindo a desenvolver um “percurso estético e de investigação no domínio do desenho e da pintura, centrados em conceitos como a presença humana em territórios de permeabilidade”, como é o caso das favelas no Brasil.

O artista também tem feito um trabalho investigativo ao nível da “cor e texturas em ambientes edificados”, procurando “reflectir sobre as mais recentes transformações no ambiente urbano e social de Macau”. Trata-se de uma leitura na qual “o arquitecto nunca perde de vista na sua obra livre e contemporânea”. A mostra, enquadrada no programa “Junho – Mês de Portugal na RAEM 2026”, que celebra o 10 de Junho – Dia de Portugal, Camões e das Comunidades Portuguesas, está disponível para visita gratuita até ao dia 20 deste mês.

9 Jun 2026

Angela’s Café com nova actuação musical este mês

Decorre no próximo dia 20 de Junho, a partir das 19h, mais uma actuação musical no Angela’s Café and Lounge, no empreendimento Lisboeta Macau, localizado no Cotai. Trata-se do segundo espectáculo integrado na iniciativa “First Beats Where the Music Begins”, que conjuga música com “refeições de inspiração portuguesa”.

Desta vez é apresentado ao público o talento de “três jovens músicos de Macau”, que tocam clarinete, piano e flauta, oferecendo-se no Angela’s Café “uma experiência cultural onde a alta gastronomia se cruza com a música ao vivo”, descreve o Angela’s Café numa nota.

As artistas escolhidas para esta actuação são a clarinetista Eevee Lee, a pianista Emily Ka Lei Au e a flautista Iris Lo. No caso de Eevee Lee, esta estudou com a professora Yuan Yuan, clarinetista principal da Orquestra Filarmónica da China, tendo conquistado “inúmeros prémios” a nível internacional.

Descreve-se que o seu estilo de execução “é delicado, mas poderoso, conferindo uma perspectiva musical diversificada” à actuação. Já Emily Ka Lei Au é pianista e também docente, “destacando-se tanto em actuações a solo como em colaborações”, tendo “uma presença em palco que cativa o público”. Iris Lo, por sua vez, é “aclamada pelo tom de flauta claro”, tendo já actuado na digressão nacional do Poly Theatre. As jovens apresentam composições de Shostakovich, Joe Hisaishi e Taro Hakase.

Petiscos musicais

A ideia do “First Beats Where the Music Begins” é que o público possa ouvir música enquanto prova petiscos macaenses e portugueses, existindo um pacote especial com um custo de 298 patacas por pessoa, que inclui o espectáculo e a refeição. Trata-se do “Pacote de Jantar Português” que pode incluir o tradicional bitoque, com bife da alcatra, acompanhado com legumes e presunto fumado, ou ainda um prato de peixe, nomeadamente robalo frito com azeitona verde, “que traz um autêntico estilo português através do sabor fresco das azeitonas sobre o robalo”, descreve a mesma nota.

Os participantes têm ainda direito a bebidas de boas-vindas, petiscos e vinho da casa ou cerveja à discrição. A junção de música ao vivo serve para “criar o ambiente para uma celebração vibrante de sabor e arte”.

9 Jun 2026

Alunas da UM vencem concurso internacional de escrita em português

Duas estudantes chinesas descreveram à Lusa como a violência doméstica e os direitos das mulheres as inspiraram para escrever as histórias vencedoras de um concurso internacional de contos em português.

Li Renlan e Wang Siyi, ambas do Departamento de Português da Faculdade de Letras da Universidade de Macau (UM), receberam o primeiro prémio nas categorias Jovens e Adultos da competição “Contos do Dia Mundial da Língua Portuguesa”, impondo-se entre mais de 120 candidaturas oriundas da Ásia, Europa, América e África.

O concurso foi coorganizado pela Porto Editora, pelo Instituto Camões e pelo Plano Nacional de Leitura (PNL) do Governo português, tendo como tema “Direitos Humanos: mudam-se os tempos, mudam-se as vontades?”.

Na categoria Jovens e Adultos (nível C1–C2), Wang Siyi, estudante de 21 anos da província de Jiangxi (sudeste), venceu com ‘O Batom’, uma obra que transforma o batom vermelho em “símbolo de dignidade, resistência e liberdade”.

“Escolhi este tema porque também sou mulher e é natural que me sinta próxima dos assuntos relacionados com a vida, os direitos e a voz das mulheres”, explicou. “Esse contexto ajudou-me a ligar a história de uma mulher à ideia de liberdade, mudança e conquista de direitos”, descreveu.

Para a aluna, ganhar esta distinção é “uma grande honra”, que lhe dá “confiança e motivação para continuar a estudar português e a desenvolver a escrita criativa”.

“Para mim, aprender português significa muito. A língua portuguesa ajudou-me a conhecer melhor o mundo, a aproximar-me de mais pessoas e a descobrir novas formas de pensar”, afirmou à Lusa.

O lugar da avó

A outra premiada, Li Renlan, inspirou-se na história da avó para o conto ‘O Lugar ao Lado da Cozinha’, vencedor na categoria Jovens e Adultos (nível B1–B2), numa história que considera “marcada pelo silêncio e sacrifício de uma geração de mulheres invisíveis”.

“Queria mostrar que, com a mudança dos tempos, também mudaram as vontades, a consciência e a voz das mulheres. O esforço dessas mulheres não deve ficar invisível, merece ser reconhecido e lembrado”, afirmou a estudante de 21 anos, da província de Anhui (leste).

A estudante descreveu que aprender português começou por curiosidade, que acabou por se transformar em paixão e “verdadeiro desafio”. “Acabei por me apaixonar pela língua. Receber esta distinção foi uma grande surpresa. Mais do que um prémio, significa que a história da minha avó e a minha reflexão sobre a mudança social foram ouvidas e valorizadas”, afirmou

Ambas as vencedoras foram orientadas pela professora Carla Lopes, que destacou o “esforço notável” das alunas. “Escrever um conto em português, sendo esta uma língua estrangeira, é um desafio exigente, porque implica não só domínio linguístico, mas também criatividade e sensibilidade para tratar temas complexos, ligados aos direitos humanos. Penso que ambas conseguiram fazê-lo com muita maturidade e com uma voz própria”, disse.

A docente sublinhou ainda que a distinção “reconhece o talento, o trabalho e a evolução das alunas” e constitui “um reconhecimento importante para a Universidade de Macau e para o Departamento de Português”, pois mostra que os seus alunos “conseguem participar com qualidade num espaço internacional de criação literária”.

8 Jun 2026

10 de Junho | Clube Militar serve comida mirandesa de Lídia Brás

Começa hoje mais uma iniciativa – desta vez gastronómica – do programa “Junho – Mês de Portugal na RAEM”. Trata-se do “Festival de Gastronomia e Vinhos de Portugal – Primavera 2026”, no Clube Militar de Macau, onde se pode provar os pratos de Lídia Brás e do seu assistente, Fernando Araújo

Lídia Brás é uma cozinheira de mão-cheia e será ela a protagonista do já habitual festival de gastronomia que o Clube Militar acolhe todos os anos. Nesta edição do “Festival de Gastronomia e Vinhos de Portugal – Primavera 2026”, integrante do cartaz de celebrações de “Junho – Mês de Portugal na RAEM”, espera-se comida transmontana genuína e alguns dos melhores vinhos portugueses. Na cozinha de Lídia estará também Fernando Araújo como seu assistente. O evento começa hoje e termina dia 15.

Numa nota do Clube Militar, descreve-se como este evento celebra também os 156 anos de existência desta entidade, “uma das mais antigas associações sociais de Macau”. O sentimento por receberem um evento ligado à cultura portuguesa é de felicidade e honra, destaca a nota assinada pelo presidente da direcção, Ambrose So.

O festival em causa “já tem uma tradição de mais de duas décadas no nosso Clube, coincidido, desde 2015, com a celebração do ‘Mês de Portugal na RAEM’. Sentimo-nos muito honrados pela integração nas actividades da celebração” organizada por diversas entidades, nomeadamente o Consulado-geral de Portugal na RAEM.

Mais do que experimentar comida portuguesa, este festival traz a Macau a verdadeira comida transmontana de Miranda do Douro, de onde é natural Lídia Brás, que foi, até há bem pouco tempo, chef de cozinha no restaurante Stramuntana, em Vila Nova de Gaia. “Stramuntana” quer dizer Transmontana em mirandês, um dos dialectos falados no país e que apresenta uma ligação com o espanhol, nomeadamente da zona da Galiza.

Nas redes sociais do restaurante lê-se que o Stramuntana “pretende representar o verdadeiro espírito transmontano; começando pelo nome em mirandês e passando por toda a cozinha de conforto aqui praticada”. Lídia anunciou nas redes sociais, em Março deste ano, que iria deixar a liderança do restaurante e abraçar novos projectos.

“Informo que, a partir deste momento, deixo de ter qualquer vínculo profissional, colaboração ou ligação aos projetos Stramuntana e Proua. Foi um percurso ao qual me entreguei com dedicação, responsabilidade e respeito, e pelo qual guardo gratidão por tudo o que foi construído ao longo desse caminho”, escreveu. A chef acrescentou ainda que iria iniciar “uma nova etapa na Bondlair”. Fernando Araújo continua à frente do projecto Stramuntana.

Lídia e Fernando são um casal que está junto na vida e na cozinha, transmitindo “a paixão das raízes transmontanas de Lídia em que o minhoto Fernando se integra perfeitamente”. Fernando, por sua vez, traz também para a cozinha o seu “conhecimento aprofundado e alargado sobre vinhos”. Associado à cozinha, juntam-se elementos desta região portuguesa como os caretos de Podence, gaitas-de-foles, cabaças, referências ao poeta Miguel Torga, nascido em São Martinho da Anta, em Trás-os-Montes.

Aposta desde 2006

Lídia Brás nasceu em Miranda do Douro e faz, no seu restaurante e também neste festival no Clube Militar, uma elegia à sua terra. Formou-se em Artes, mas depressa percebeu que a sua vida passaria pelos tachos e por transmitir a cultura do lugar onde nasceu.

O Clube Militar, na mesma nota, descreve como o trabalho de Lídia “preserva a autenticidade, sazonalidade e características da cozinha portuguesa, por vezes com um toque pessoal de inovação”, investigando ainda o “receituário Transmontano ancestral, ligado maioritariamente a tradições de festas populares, comidas do campo e rituais específicos daquela região”.

Fernando Araújo nasceu em Vila Nova de Gaia, mas tem raízes minhotas em Adaúfe. “Herdou desde cedo o palato apurado e o gosto pelo saber-fazer da gastronomia nortenha: os peixes e mariscos do litoral, os enchidos tradicionais e os pratos ricos de carne da terra”, é descrito.

Bem mais a Sul de Portugal, no “Alentejo profundo”, Fernando Araújo “aprofundou o conhecimento sobre a riqueza da gastronomia nacional, absorvendo tradições, sabores e técnicas que marcariam o seu percurso profissional”. O primeiro negócio do casal na área da gastronomia abriu portas em 2006, tendo-se iniciado “um percurso de crescimento contínuo na restauração e no universo vínico”.

No “Stramuntana” apresenta-se muita comida de tacho e feita em tradicionais panelas ao lume, como antigamente, prometendo-se o mesmo sabor no festival acolhido pelo Clube Militar. São as “memórias gastronómicas que existem em cada um de nós”, como as “comidinhas de conforto que nos remetem à infância e que, por mais simples que sejam, são sempre especiais, porque nos fazem lembrar de pessoas e de momentos”, lê-se na página de Facebook do restaurante. Na mesma publicação, apresenta-se a versão em mirandês: “Eisisten, an cada un de nós, las mimórias gastronómicas; las comidinhas de cunfuorto que mos remeten a l’anfáncia. Por mais simples que séian, son siempre speciales porque mos fázen lhembrar de pessonas i de momientos.”

NOTA: Notícia editada online com a nova informação de que Lídia Brás deixou o projecto Stramuntana este ano.

8 Jun 2026

Festival de cinema ‘queer’ em Macau é espaço para dialogar

O Festival Internacional de Cinema Queer de Macau (MIQFF, na sigla inglesa), que arranca esta sexta-feira, pretende ser um palco de diálogo e onde se questionam preconceitos, disse ontem à Lusa o director Jay Sun.

A decorrer entre 05 e 27 de Junho, o MIQFF apresenta 24 propostas, com “uma parte significativa” das obras com origem em países europeus, disse à Lusa o director e fundador do evento, ressaltando “a estreita colaboração com consulados europeus e internacionais”.

“Não se limita, de forma alguma, à Europa. Contamos também com a ‘Asian Vision’, que apresenta histórias queer de toda a Ásia”, sublinha.

É precisamente com uma obra de Hong Kong que arranca a quarta edição deste evento cinematográfico: “Cyclone” (2026), de Philip Yung, narra a história de uma mulher trans da China continental que viaja até Hong Kong para fazer uma cirurgia de redesignação sexual.

A projecção do filme, com estreia mundial no Festival Internacional de Cinema de Roterdão, vai contar com a presença do realizador, do actor Liu Yuqiao e da argumentista Annabelle Kayee Li.

Outro dos destaques desta edição, indica Sun, é “Rosebush Pruning” (2026), uma tragicomédia do brasileiro Karim Ainouz, que estreou mundialmente no Festival Internacional de Cinema de Berlim, onde integrou a competição oficial, e tem agora estreia asiática em Macau. Inspirado no clássico italiano de 1965, “De Punhos nos Bolsos”, esta co-produçao de vários países europeus acompanha uma família abastada e disfuncional isolada numa propriedade em Espanha.

O filme aparece descrito no portal da Berlinale como uma “sátira negra”, no Festival de Cinema de Sydney, onde vai estar em cartaz este mês, como “comédia e filme LGBTQIA+” e no ‘site’ especializado de cinema IMDB atribui como “comédia negra, thriller e drama”. Na classificação etária em Macau, as autoridades atribuíram a categoria de “Pornografia”, aparecendo no programa a imagem de promoção deste filme – uma fotografia de família – desfocada.

Sobre esta decisão, Jay Sun, diz “ser inapropriado comentar”, uma vez que “a classificação é da competência do Instituto Cultural” (IC), não estando o festival “envolvido no processo”.

A agência Lusa perguntou ontem ao IC qual o critério para esta classificação, mas até ao momento não recebeu nenhuma resposta. De acordo com a lei de Macau, são considerados produtos “pornográficos ou obscenos” aqueles que “contenham palavras, descrições ou imagens que ultrajem ou ofendam o pudor público ou a moral pública”. “Ainda assim podemos mostrar o filme, desde que respeitemos a lei: projectar após as 23:30 e pagar a taxa correspondente”, nota.

Mais participação

Na secção asiática, destaque para “East Palace, West Palace” (1996), do chinês Zhang Yuan, e “3670” (2025), obra do sul-coreano Park Joon-ho. Ao longo destes dias, é possível também assistir a “Whisperings of the Moon” (2025), filme cambojano da cineasta chinesa Lai Yuqing, que morreu há poucos meses aos 23 anos.

O festival presta ainda homenagem a Rosa von Praunheim (1942-2025), nome artístico de Holger Mischwitzki, com a exibição de várias obras do cineasta alemão, um dos mais influentes defensores dos direitos LGBTQ+ na Alemanha. Sobre a receção do MIQFF, já na quarta edição, Jay Sun, refere que hoje existe “mais abertura para ao cinema ‘queer’ e eventos culturais LGBTQ+”: “Vemos um maior interesse por parte do público, uma maior representação nos ‘media’ tradicionais e mais pessoas dispostas a envolver-se com diferentes tipos de histórias.”

Mas o “progresso não é uma linha recta”, admite. “Continuamos a assistir a retrocessos em várias partes do mundo, seja na forma de censura ou de restrições aos direitos da comunidade LGBTQ+. Por isso, não creio que possamos dar por concluído o trabalho”, continua.

Por essa razão, diz, este tipo de eventos continua a ser importante, com os filmes a “gerarem diálogos, a desafiarem preconceitos e ajudarem a criar empatia”.

5 Jun 2026

FRC | Quarteto de cordas com canções de embalar amanhã

A Fundação Rui Cunha (FRC) apresenta amanhã, a partir das 17h, o concerto “Ainda Mais Canções de Embalar à Volta do Mundo”, conduzido pelo Quarteto Familiar de Cordas de Vit Polášek, a que se juntam desta vez quatro vozes locais para interpretar cantigas tradicionais infantis de diferentes nacionalidades. Nesta sessão, o público vai ser convidado a escutar 12 novos temas, em representação da Chéquia, Dinamarca, Alemanha, Índia, Mali, Filipinas e China.

A família de Vit Polášek tem vindo a recolher diferentes canções de embalar, provenientes dos quatro cantos do globo, pedindo a amigos que vivem em Macau, amadores e profissionais, que as cantem ao vivo e as partilhem com os espectadores na Galeria da FRC. A família gravou e publicou no YouTube alguns temas no passado, mas a maioria terá estreia neste evento, segundo o mentor do projecto.

O quarteto de cordas – composto por dois violinos, uma violeta e um violoncelo – foi fundado por Vit Polášek e a mulher Lu Yan, ambos membros profissionais da Orquestra de Macau, acompanhados pelos seus dois filhos, Vit e Lukas, também já peritos em instrumentos de cordas.

5 Jun 2026

FRC | Recital “Canções à Janela, Sombras da Flauta” acontece hoje

Acontece hoje, na Fundação Rui Cunha, mais uma sessão musical com o recital de voz e flauta “Canções à Janela, Sombras da Flauta”. A partir das 18h o público pode desfrutar das actuações de Omyl e Claire, alunas do Curso Vocacional de Música do Colégio Baptista de Macau

Em mais uma parceria com a comunidade local, a Fundação Rui Cunha (FRC) apresenta hoje, a partir das 18h, o recital “Canções à Janela, Sombras da Flauta”, com a voz de Omyl que se junta ao som da flauta de Claire. Ambas são alunas do Curso Vocacional de Música do Colégio Baptista de Macau, sendo acompanhadas ao piano pela professora Irene Leong Kei Tong.

Segundo uma nota da FRC, o repertório de hoje inclui peças dos compositores franceses Camille Saint-Saëns e Francis Poulenc, o austríaco Wolfgang Amadeus Mozart, o italiano Giuseppe Verdi, o russo Aleksandr Alyabyev, e os chineses Li Yan e Hu Yanjiang.

“A educação artística é uma área de ensino que o Colégio Baptista de Macau sempre privilegiou e continua a implementar no seu programa escolar”, pode ler-se, sendo que desde 2006 “que o ensino fundamental oferece aulas de música instrumental aos novos alunos, para que todos tenham a possibilidade de aprender um instrumento”.

A criação do Curso Vocacional de Música em 2008, ao nível do ensino secundário, “veio aprofundar o ensino das competências musicais”, sendo uma iniciativa de sucesso, já que os alunos têm sido aceites “em instituições musicais de prestígio na China – como o Conservatório Central de Música em Pequim ou o Conservatório de Música de Xinghai em Cantão –, em Hong Kong, Taiwan, Singapura, Estados Unidos, ou Suíça, produzindo resultados encorajadores”.

Talentos natos

Hoje pode ouvir-se a voz de Omyl, que se dedica ao estudo de Canto sob orientação da professora Wang Yali, e é também membro do Ensemble Vocal e Coral do CBM. Omyl participou em apresentações importantes e competições internacionais e nacionais, incluindo o 12.º Concurso Internacional de Canto, o 8.º Concurso Liszt-Ferenc, os 13.º Jogos Mundiais de Coros nas categorias de Música Sacra e Ensino Secundário, o 2.º Festival de Música Jovem Pequim-Hong Kong-Macau (BMF), das 36.ª à 41.ª Competição Interescolar de Canto de Macau, entre outras actividades.

A aluna possui ainda o certificado ABRSM de Grau 8 em Canto e o certificado de Grau 5 em Teoria Musical. Após a sua graduação, Omyl frequentará o Departamento de Música da Universidade Nacional Sun Yat-Sen (Kaohsiung, Taiwan) para se especializar em Performance Vocal.

Claire também integra o Curso Vocacional de Música, onde estuda Flauta com a professora Chow Wai lam. É membro da Banda Sinfónica B e da Orquestra do CBM, bem como do Quinteto de Sopros. Ingressou na Orquestra Jovem de Sopros de Macau em 2020 e, em 2024, recebeu o certificado de Grau 8 em Flauta da ABRSM, com distinção.

A estudante participou no 3.º Concurso Internacional de Flauta de Hong Kong e no Concurso Internacional de Flauta Clássica MAESTRIO, frequentou masterclasses com Vincent Lucas (Flautista Principal da Orquestra de Paris), Federica Lotti (Professora de Flauta do Conservatório de Veneza), Gareth Davies (Flautista Principal da Orquestra Sinfónica de Londres) e o flautista húngaro András Adorján. Após a licenciatura, Claire dará continuidade aos estudos de Performance de Flauta na Academia de Artes Cénicas de Hong Kong.

Irene Leong Kei Tong é uma jovem pianista, natural de Macau, formada pela Universidade de Educação de Hong Kong com um Mestrado em Educação Musical. Possui os certificados de Piano e Teoria Musical de Grau 8 da Royal Schools of Music (ABRSM), o Diploma de Performance de Piano da ABRSM (DipABRSM) e a Licenciatura da Royal Schools of Music em Performance de Piano (LRSM). Durante os estudos, recebeu orientação do conceituado pianista britânico Jeremy Carter. Participou em diversas apresentações e competições nacionais e internacionais em Macau, Hong Kong, Zhuhai e Taiwan. Actualmente, é Professora Assistente na Escola de Música da Academia de Artes Performativas de Macau e colaboradora da Orquestra Jovem de Zhuhai.

5 Jun 2026

Zhuhai | Novo espaço do LMA abre em Wanzai

A Live Music Association, espaço de música ao vivo que funcionou durante vários anos na Avenida do Coronel Mesquita, terá agora nova morada do outro lado da fronteira, em Wanzai, Zhuhai. O acesso mais fácil para lá chegar é através do Terminal Marítimo de Passageiros do Porto Interior, na Ponte 16.

O anúncio da reabertura do espaço foi feito ontem na página de Facebook do LMA, com a mensagem “New LMA open in China now!” [Novo LMA abre na China!]. O primeiro concerto está agendado para o dia 13 deste mês, a partir das 21h, com a actuação dos “Fusion Rock Power Project” com os músicos Chung e Ka Hou.

Vincent Cheang, responsável pelo projecto do LMA, disse ao HM que o novo espaço em Wanzai “combina actuações ao vivo com o estúdio de arte pessoal”. “O espaço apenas estará aberto ao público para concertos, e irá funcionar como antes”, isto quando o LMA tinha portas abertas em Macau.

Recorde-se que o LMA começou por suspender temporariamente a actividade, encerrando depois de forma definitiva, no período da covid-19. Vincent Cheang contou que o novo LMA “está instalado numa antiga fábrica de cassetes e CDs”, “um local profundamente ligado à música”, motivo que cativou o responsável pelo espaço.

A abertura do lado de lá da fronteira aconteceu devido a alguns entraves em Macau relacionados com a lei do ruído. “As actuais leis de ruído de Macau são demasiado rigorosas, e os cidadãos abusam do mecanismo de reclamação. Então, para nós, é quase impossível encontrar um local em Macau que não resulte na apresentação de mais reclamações.”

Vincent Cheang diz querer “continuar a missão de promover a música independente num local que seja próximo de Macau”, uma proximidade que seja “conveniente para bandas, produtores musicais, DJs e o público”.

4 Jun 2026