Hoje Macau EventosFundação Jorge Álvares cede piano para novo polo de investigação A Universidade Nova de Lisboa inaugura, no dia 10 deste mês, um polo de investigação no Palácio Nacional de Mafra, onde vai ter laboratórios e um projecto de digitalização do património ligados à música, disse fonte da reitoria. “Este polo não existia antes com as mesmas capacidades técnicas e vai ter condições de acolhimento e de trabalho”, afirmou à agência Lusa a pró-reitora para a Cultura, Impacto Social e Comunidades, Elsa Peralta. O espaço associado ao Instituto de Arte e Tecnologia vai ter laboratórios de acústica musical, informática musical e património digital, cujos equipamentos foram financiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência, além de outras três salas de trabalho, com capacidade para dez investigadores. “Vamos cruzar competências das artes e da cultura com as competências tecnológicas que podem ser aplicadas às artes”, referiu. Além disso, Macau marca presença de forma indirecta, através da Fundação Jorge Álvares. Esta vai ceder ao polo de investigação um piano de cauda Steinway & Sons, de 1889, homenageando o pianista e compositor Filipe de Sousa, que residiu em São Miguel de Alcainça, no concelho de Mafra, nos últimos anos de vida, e que morreu em 2006. Investigação global No espaço vão trabalhar investigadores ligados a um projecto de digitalização do património musical, um programa desenvolvido em articulação entre a Faculdade de Ciências e Tecnologia e a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas dedicado à aplicação de tecnologias digitais à documentação, preservação e valorização do património cultural. O polo vai beneficiar da proximidade ao Museu Nacional da Música, que ocupa outro espaço do monumento, e ao Arquivo Nacional do Som, a ser construído na vila, criando condições favoráveis à colaboração da universidade com estas instituições musicais. O trabalho laboratorial está associado à actividade académica, mas vai existir programação cultural e actividades formativas abertas à comunidade, como ‘workshops’ e cursos de Verão, existindo para tal um auditório com capacidade para meia centena de pessoas. “Queremos gerar conhecimento e desenvolver o território”, sublinhou Elsa Peralta. Resultante de uma parceria estabelecida em 2021 com o Município de Mafra, o polo tem na música a sua matriz, enquanto campo de investigação, inovação e criação, mas também enquanto património material e imaterial, inscrito em monumentos, arquivos, repertórios, práticas, espaços e memória sonora. “Ao cruzar a nossa forte herança musical — viva nos nossos órgãos históricos, carrilhões ou na riquíssima tradição das nossas bandas filarmónicas — com a inovação digital e a investigação científica, estamos a elevar a música de Mafra a uma nova dimensão, gerando um impacto cultural e educativo que enriquece todo o nosso território”, afirmou Hugo Moreira Luís, presidente da Câmara Municipal de Mafra, citado em nota de imprensa. O contrato de comodato entre o Município e a Universidade Nova de Lisboa é válido por dez anos, podendo ser renovado.
Andreia Sofia Silva EventosBarra Slow Festival | Música e gastronomia no fim-de-semana A partir desta sexta-feira, a zona da Barra volta a ganhar nova vida com mais uma edição do Barra Slow Festival, desta vez focado na temática da gastronomia, com muitos produtos de padaria e pastelaria. Há mais de uma centena de bancas com padeiros premiados a nível mundial, bem como concertos com as cantoras de Hong Kong Yoyo Sham e Gigi Cheung Está aí mais uma edição do Barra Slow Festival, que entre esta sexta-feira, 4, e domingo, 6, acolhe música e muitas iniciativas relacionadas com o mundo da gastronomia, mais concretamente as áreas da padaria e pastelaria. O evento, promovido pelo Centro de Desenvolvimento Local da União Geral das Associações dos Moradores de Macau (UGAMM), tem entrada gratuita e realiza-se na zona da Barra, tendo como tema “Cozinhar sem pressa, saborear o Verão”. Segundo um comunicado da organização, espera-se uma edição dedicada ao universo dos pães e bolos, realizando-se um mercado e muitos concertos das cantoras de Hong Kong Yoyo Sham e Gigi Cheung, mas não só. Esta edição acontece depois de edições anteriores do Barra Slow Festival dedicadas ao chá e café. No que diz respeito à parte musical há um total de dez artistas em cartaz, incluindo nomes como Gwenji ft. Songchi, Theseus, Guoch Choi e Winifai. A sessão de encerramento do Barra Slow Festival, dia 9, apresenta a “Edição Especial de Macau” do Offside Festival, com os grupos e músicos Zhaoze, HUPO, Summer Fades Away e WhyOceans como cabeças de cartaz. Desta forma, proporciona-se “um grande final instrumental e de post-rock”, descreve a organização. A ideia é proporcionar espectáculos “ao ar livre, ao pôr do sol, proporcionando-se um fim-de-semana descontraído e marcado pelo cheiro do pão acabado de cozer” e ainda “experiências imersivas de música ao vivo”. Campeões do pão Na área da panificação, o público pode conhecer padeiros e pasteleiros premiados em diversas competições de nível mundial, escolhidos pelos embaixadores chineses do “Mondial du Pain”, cuja 13.ª edição aconteceu em Janeiro deste ano em Paris. Em primeiro lugar ficou uma equipa chinesa. Inclui-se ainda o “campeão chinês da 10.ª edição do Campeonato Mundial do Pão”, bem como o “campeão da final global da 9.ª edição e o vencedor medalha de ouro da 2.ª Competição Nacional”. No mercado podem ver-se várias marcas conhecidas das áreas da padaria e pastelaria, nomeadamente a “Jiangren Zhiwei”, responsável pela venda de 350 mil pães no Bund International Bread Festival, realizado em Março em Xangai. O público pode provar ainda as iguarias da “One Roll Bakery”, descrita como uma “marca de referência em pães de arroz”. Promete-se o lançamento de receitas exclusivas de pão apenas para o festival da Barra, para que os participantes possam provar novos produtos. O Barra Slow Festival sempre se apresentou como um evento que promove um estilo de vida mais tranquilo e saudável, e, nesta edição, essa componente não deixará de marcar presença. Apresenta-se, assim, um mercado com bancas onde se podem encontrar produtos de cerâmica, artigos perfumados para criar ambientes relaxantes, artesanato em fibras vegetais, artigos em linho, acessórios requintados e ornamentos culturais criativos. Com a presença de diversas marcas, apresentam-se “peças artesanais únicas e novas colecções de produtos, prolongando a experiência de um estilo de vida tranquilo”, com ligação à gastronomia. O Barra Slow Festival decorre de sexta-feira a domingo das 12h às 20h nos estaleiros navais nº 1 e 2 e também na zona exterior da Barra. O evento começa oficialmente às 17h desta sexta-feira.
Andreia Sofia Silva EventosMostra | Pinturas e poesia de Carlos Morais José na Casa Garden Carlos Morais José, escritor e director do Hoje Macau, apresenta amanhã uma nova exposição de poesia e arte. Trata-se de “Quarentena”, um longo poema apresentado ao lado de 30 pinturas, num projecto que tem curadoria de Lin Jiangquan (LAM) A Casa Garden, sede da Fundação Oriente (FO) em Macau, acolhe a partir de amanhã uma nova exposição de Carlos Morais José, director do Hoje Macau e escritor. Com inauguração a partir das 18h30, “Quarentena” é o nome dado à mostra e é, ao mesmo tempo, um longo poema que se apresenta ao público acompanhado por 30 pinturas do autor. Segundo um comunicado, a curadoria está a cargo do artista contemporâneo Lin Jiangquan (LAM), sendo que a exposição “recria a apresentação da poesia através de uma abordagem multimédia inovadora, reunindo três componentes – texto, pintura e sons – num diálogo preciso com o poema ‘Quarentena'”. Este poema “narra os dias de isolamento do poeta” no período da pandemia, tratando-se de uma “viagem ao mundo interior, onde o ‘eu’ do poema se questiona a si e ao mundo”. Esta quarta-feira será realizada uma sessão de leitura do livro acompanhada com arte sonora e performativa, “permitindo que a poesia seja regenerada ao vivo no espaço”. O livro com o poema será apresentado por Sérgio Guimarães de Sousa, da Universidade de Macau. Este é doutorado em Ciências da Literatura, com especialização em Literatura Portuguesa, pela Universidade do Minho. Defendeu a tese de doutoramento em 2006, que se intitula “Entre-dois. Desejo e Antigo Regime na ficção camiliana”. Sentimentos e manuscritos A mostra inclui ainda 40 manuscritos de Carlos Morais José, “arrancados de cadernos de notas do escritor”. Citado pela mesma nota, este explicou que se tratam de “restos de um auto-de-fé dos cadernos (que não me devem sobreviver), onde a mão, por vezes firme, doutras hesitante, registou em caligrafia o que uma máquina é ainda incapaz de registar”. Todos estes escritos possuem, segundo o autor, “uma dimensão infinita” graças “às possibilidades de interpretações”. “São talvez os últimos testemunhos de uma era”, acrescentou. Também o curador da exposição destaca que a apresentação de “Quarentena” será uma mistura de “arte textual e instalação de livro”, ficando a promessa de que, na galeria da Casa Garden “a poesia deixa de ser apenas poesia; transforma-se numa ‘arte textual legível’ que partilha a mesma função de observação que uma obra de arte, convertendo a linguagem em força visual”. Lin Jiangquan (LAM) destaca também como as 30 pinturas são, na sua maioria, “imagens abstractas com uma elevada ‘identificabilidade poética'”, pautadas por cores como o azul, branco, cinzento e preto. São imagens “executadas em pinceladas rápidas que transmitem incerteza, ambiguidade, complexidade e contradição”, tratando-se de quadros que “criam uma tensão visual entre construção e destruição”. A ideia é a evocação de uma “forte ‘corporeidade individual’ e uma ‘meditação solitária'”, pelo que as pinturas se transformam “num local onde a percepção do tempo durante o confinamento se acumula”, frisa o curador. “Quarentena” estará em exposição até ao dia 9 de Setembro, com entrada gratuita entre as 10h e as 19h, apenas com encerramento às segundas-feiras.
Andreia Sofia Silva EventosHotel Lisboa com quartos e fachada renovados O Hotel Lisboa apresenta, este mês, o projecto de renovação de 427 quartos da chamada “Ala Oeste”, tratando-se de uma mudança na decoração de um empreendimento hoteleiro inaugurado em 1970. Segundo um comunicado do Hotel Lisboa, este novo projecto de decoração manteve “o ADN arquitectónico”, além de que foi restaurada a fachada amarela cheia de janelas, uma “marcante e intemporal linguagem geométrica” com assinatura do arquitecto Eric Byron Cumine. Uma das zonas interiores do hotel que também sofreu uma transformação foram os corredores, “transformados em espaços expositivos” que apresentam “esboços arquitectónicos, evocativos cartazes antigos, fotografias de arquivo e peças antigas que retratam quatro extraordinários capítulos da evolução do hotel entre 1970 e 2000”. Desta forma, “cada tijolo e superfície parecem sussurrar a narrativa entrelaçada do Hotel Lisboa e da própria Macau”, fazendo-se “uma sentida homenagem ao passado rico em histórias e um olhar atento sobre o futuro”. As renovações dos quartos também merecem destaque, já que cada um traduz “uma época histórica distinta, sendo decorado com mapas autênticos de Macau que documentam a transformação da cidade desde o século XIX”. E como o território é palco do Grande Prémio desde há muito, a renovação da Ala Oeste também lembrou esta competição de automobilismo que é também uma marca de Macau. A “Suite Temática de Corridas” visa transmitir aos hóspedes “a adrenalina da lendária Curva do Lisboa e do Circuito da Guia, protagonistas do Grande Prémio de Macau”, existindo “camas personalizadas em forma de carros desportivos” e “murais que retratam as curvas e desafios do icónico circuito urbano”. Espaços gastronómicos A mesma nota descreve o tradicional Hotel Lisboa como um “ícone incontornável da península de Lisboa”. Recorde-se que o empreendimento foi, durante décadas, o edifício mais alto do território. A renovação que agora foi concretizada seguiu o conceito “Herança Reinterpretada: Uma Transformação Intemporal”. Além dos quartos e fachada, houve também algumas mudanças nos espaços gastronómicos do hotel. Um deles foi a renovação do “Café Noite e Dia”, que abre portas em Outubro e cuja decoração se inspirou “na época dourada das viagens românticas de ferry em Macau”. Nas paredes podem ser vistos, por exemplo, “antigos bilhetes de ferry”. Para o Hotel Lisboa, a conclusão da renovação da Ala Oeste “representa um capítulo decisivo na ampla visão de revitalização”, do empreendimento, sendo símbolo “do mais de meio século de conquistas e transformações de Macau”. Pretende-se que o Hotel Lisboa continue a manter “uma profunda relevância cultural e elegância contemporânea, afirmando-se como um novo ícone”.
Hoje Macau EventosIC | 43.ª edição de “Os Livros e a Cidade” destaca Henrique de Senna Fernandes Acaba de ser lançada, por parte do Instituto Cultural (IC), a 43ª edição de “Os Livros e a Cidade”, uma revista que pretende atrair a atenção dos mais jovens para a importância dos livros. Um dos destaques desta edição da revista é o autor macaense Henrique de Senna Fernandes, graças ao testemunho de Iok Kan Fu Barreto, tradutora de “Mong-Há”, livro de contos que “apresenta aos leitores o antigo modo de vida de Macau, recriando-se o quotidiano das comunidades portuguesa e chinesa da época”. Esta edição tem como tema “Leitura Divertida na Comunidade”, apresentando-se as secções “Biblioteca Itinerante”, “10 Minutos de Leitura” e ainda “Serviço de Entrega de Livros” e ainda outros serviços externos. A ideia é promover a biblioteca junto da comunidade em contacto com o quotidiano dos leitores, destaca o IC. A secção da revista “Manual da Biblioteca” faz a retrospectiva do “Macau Lê – Semana Nacional de Leitura 2026”, enquanto a secção “Lupa” destaca “os novos recursos electrónicos recentemente disponibilizados e várias exposições de livros de temas específicos que terão lugar no segundo semestre do ano”, explica o IC. Esta revista é gratuita, podendo ser levantada em todas as bibliotecas dependentes do IC, em instituições de ensino superior, na Galeria Tap Seac e em várias livrarias, bem como nos diversos espaços culturais e artísticos de Macau. Foram impressos três mil exemplares.
Andreia Sofia Silva EventosIC | Porto acolhe mostra “Um Vislumbre da Cultura Chinesa” A estação de São Bento do Metro do Porto acolhe até ao dia 12 de Setembro a exposição “Um Vislumbre da Cultura Chinesa”, uma iniciativa do Instituto Cultural e Associação Sino-Lusófona de Amizade e Intercâmbio Cultural de Macau. Pretende-se, com este projecto, estabelecer um “diálogo intercultural entre Portugal e China” Desde o dia 28 de Setembro de 2023 que o jornal Diário de Notícias (DN) publica todas as semanas, em parceria com o jornal Macao Daily News (Ou Mun), uma página com o título “Um Vislumbre da Cultura Chinesa”. Esta parceria editorial dá agora origem a uma exposição, patente até ao dia 12 de Setembro na estação de São Bento do Metro do Porto. A mostra tem o mesmo nome – “Um Vislumbre da Cultura Chinesa”, e é organizada pelo Instituto Cultural (IC) e Associação Sino-Lusófona de Amizade e Intercâmbio Cultural de Macau, celebrando “três anos de colaboração editorial” entre os dois jornais. Além disso, pretende-se promover “o diálogo intercultural entre Portugal e a China”. Segundo um comunicado da organização, a curadoria está a cargo de Sara Neves, convidando-se o público “a descobrir tradições, histórias e curiosidades da cultura chinesa através das páginas publicadas ao longo deste período”. Na estação de Metro há duas instalações que combinam “o processo tradicional de impressão de jornais com o uso de tecido — material que evoca os laços históricos e culturais entre a China e o resto do mundo, desde as sedas que cruzaram a Rota da Seda até às velas dos navios portugueses que aportaram em Macau”, pode ler-se. Ao ser escolhida a estação para acolher a exposição, pretende-se “trazer o conteúdo ao dia-a-dia dos moradores e visitantes”. “Não implica uma deslocação propositada; pelo contrário, introduz a experiência cultural num momento que seria apenas utilitário, democratizando o acesso à informação e ao conteúdo”, é acrescentado. Curiosidades múltiplas Nestas instalações, há também “um percurso de curiosidades extraídas das edições especiais, organizado por temáticas e inspirado nos antigos Cabinets of Curiosity [do período] da Europa renascentista”, ou seja, armários que serviam para “guardar objectos raros trazidos de longas viagens para mostrar a amigos e visitas”. “Macau surge como ponto de partida e de chegada, reafirmando o seu papel enquanto elo privilegiado entre o mundo lusófono e a China”, sendo objectivo “aproximar o público português de aspectos frequentemente desconhecidos da cultura chinesa, reforçando a importância da cooperação cultural e editorial entre instituições de ambos os territórios”. Em três anos de publicação de conteúdos entre o DN e Ou Mun, foram publicados 150 artigos com “conteúdos em língua portuguesa que revelam aspectos variados da cultura chinesa — tradições, histórias, figuras, lugares, práticas, gastronomia, património”. Na exposição, fez-se uma selecção dos conteúdos a partir dos textos publicados, tendo sido definidas “seis linhas temáticas fundamentais”: Macau — 25 anos como Região Administrativa Especial da China; Festivais, Figuras Históricas e Tradições; Lugares, Paisagens e Arquitectura; Arte, Artesanato e Património Imaterial; Gastronomia, Sabores e Culinária; e o Centro Histórico de Macau — 20 anos de Património Mundial. O comunicado da organização dá ainda conta de que na exposição “era importante apresentar as páginas de jornal no seu formato original”, já que “a presença da estética do jornal relembra o meio que deu origem a esta iniciativa”, daí terem sido concebidas as instalações em tecido. Recorde-se que a primeira apresentação deste projecto ocorreu em Abril, no Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM), em Lisboa.
Hoje Macau EventosArtista japonesa Yayoi Kusama morre aos 97 anos A artista japonesa ‘avant-garde’ Yayoi Kusama, conhecida como a “Rainha das Bolinhas”, faleceu aos 97 anos, anunciou ontem a sua empresa, em comunicado. “É com profunda tristeza que anunciamos o falecimento de Yayoi Kusama num hospital de Tóquio, no dia 14 de Agosto de 2026, aos 97 anos”, refere o comunicado, sem fornecer mais informações sobre a causa da morte. Kusama “continuou a pintar até aos seus últimos dias, nunca largando o pincel, e continuou a explorar o amor eterno e a alma imortal”, afirma a nota. Nascida em 1929, a artista, mundialmente famosa pelos seus padrões às bolinhas e instalações imersivas, imediatamente reconhecível pela sua peruca vermelha vibrante, inspirava-se nas alucinações que experimentava desde a infância. Nascida numa família abastada de comerciantes, Kusama sofreu de alucinações e transtorno obsessivo-compulsivo com tendências suicidas desde a infância, período durante o qual confessou em diversas ocasiões ter sofrido abusos físicos e psicológicos às mãos da mãe. Figura chave do psicadelismo e uma das artistas mais importantes do século 20, transformou este universo mental numa prolífica obra que abrange a pintura, a escultura, a performance, a literatura e a poesia. Formação em Artes Formada em Nihonga, um estilo tradicional de pintura japonesa definido no final do século XIX, na Escola Municipal de Artes e Ofícios de Quioto (oeste do Japão), Kusama emigrou para os Estados Unidos no final da década de 1950, fugindo ao formalismo rígido do país natal e procurando construir uma reputação dentro da vanguarda artística. Na cidade de Nova Iorque, começou a criar obras de arte em espaços públicos, como o Central Park, onde realizou protestos contra a Guerra do Vietname. O activismo antiguerra da artista japonesa nasceu aos 16 anos, quando os Estados Unidos lançaram duas bombas atómicas sobre as cidades de Hiroshima e Nagasaki, no final da Segunda Guerra Mundial. Apesar do sucesso nos EUA, onde influenciou contemporâneos como Andy Warhol e Claes Oldenburg, Kusama regressou ao Japão em 1973, após o agravamento dos seus problemas de saúde mental. Em 1990, a artista internou-se voluntariamente numa instituição psiquiátrica, de onde continuou a produzir obras em diversos formatos. “Ao longo de uma vida extraordinária inteiramente dedicada à criação artística, Yayoi Kusama construiu uma carreira aclamada mundialmente como uma artista pioneira da vanguarda, cuja prática criativa abrangeu as artes visuais, a performance, a ficção e a poesia”, escreveu a sua empresa. “Daremos continuidade ao legado de Yayoi Kusama e, através da arte, continuaremos a levar esperança e força para o futuro às pessoas de todo o mundo”, acrescentou o comunicado. Kusama expôs em museus de todo o mundo e recebeu inúmeros prémios, como a Ordem das Artes e Letras do Japão e a Ordem da Cultura do Japão. Em 2006, tornou-se a primeira mulher a receber o Praemium Imperiale da Associação de Arte do Japão, um dos mais prestigiados prémios de arte internacionais do mundo.
Andreia Sofia Silva EventosRoadhouse | Macau volta a receber Arraial de São Cosme e Damião Vem aí mais uma celebração do tradicional Arraial de São Cosme e Damião no Roadhouse Macau. A partir das 19h no dia 26 de Setembro, sábado, é tempo de dançar com a música de Jandira Silva e teatralizar o “casamento da roça” tal como se faz no Brasil, lembrando os santos padroeiros Camila Oliveira esteve recentemente ligada ao ensino do português no Leitorado Guimarães Rosa, entidade do Ministério das Relações Exteriores do Brasil e que tem conexão à Universidade de São José (USJ). Foi aí que surgiu a ideia de organizar o Arraial de São Cosme e Damião num formato semelhante ao da celebração que se faz no Brasil. Este ano chega a terceira edição deste arraial que acontece no Roadhouse Macau no sábado, 26 de Setembro, a partir das 19h, e que conta com o apoio de diversas entidades, nomeadamente a Associação dos Jovens Macaenses. Ao HM, Camila Oliveira explica em que consiste esta festa que celebra os santos padroeiros, gémeos, Cosme e Damião, e que mete os convidados a teatralizar o tradicional “casamento da roça”, com a distribuição de pequenos sacos. “O objectivo principal do evento é a divulgação e promoção do Brasil e da sua cultura. Queremos criar momentos para que as pessoas conheçam mais sobre o Brasil. É muito bom o Consulado-geral de Portugal ou a Casa de Portugal em Macau promoverem Portugal, mas sempre senti falta disso em relação ao Brasil, pois não temos muitos eventos ligados ao país”, explicou. Nas celebrações focadas na língua portuguesa e no universo da lusofonia, é certo que o Brasil marca presença, mas Camila Oliveira sempre sentiu falta de uma maior representação do seu país. Este arraial quer também mostrar a nação brasileira “além do samba, futebol e carnaval”. As celebrações dos santos padroeiros Cosme e Damião começaram há três anos. Camila Oliveira cresceu com esta festa. “Em Portugal não se celebra, mas no Brasil é uma data bastante celebrada, e era, sobretudo, celebrado na minha época. As pessoas distribuíam saquinhos de doces na rua e nós saíamos de casa para os apanhar.” A primeira edição do arraial em Macau fez-se nas datas de São Cosme e Damião e, por essa razão, distribuíram pequenos sacos de doces improvisados. “No ano passado decidimos fazer uma segunda edição, e aí já colocámos o nome de Arraial de Cosme e Damião. A Jandira [Silva, cantora brasileira há vários anos radicada em Macau] cantou músicas mais viradas para o forró e sertanejo, que são as músicas que usamos mais no arraial, mais rural. Também deu certo”, relatou. O “casamento” na rua Neste arraial brasileiro, a dança chama-se “quadrilha”, dançada na rua onde se situa o Roadhouse sempre “de forma improvisada”. “É um momento engraçado e divertido, em que chamamos todo o mundo para dançar”, destaca Camila Oliveira sobre o momento em que se dança após o teatro em torno do “casamento na roça”, e que é uma sátira aos casamentos feitos no século passado. Há uma noiva que costuma estar grávida antes do casamento e também um padre, sendo que estes “actores” estão vestidos com roupas características como calças de ganga, camisas de xadrez ou chapéus de palha. Não falta ainda detalhes a este enredo ficcionado, em que o pai obriga, por exemplo, o homem a casar com a filha. Depois de muita diversão com estes momentos, é a vez de dançar. Camila Oliveira assegura que esta festa não tem orçamento e é, sobretudo, feita com o apoio do Roadhouse Macau e de muitos voluntários. “Não temos um orçamento definido, é tudo feito com a ajuda de voluntários e do próprio Roadhouse que paga o básico: o DJ e a música. Os docinhos do Cosme Damião são pagos com o nosso dinheiro, e desta vez trouxe os saquinhos do Brasil, porque antes adaptávamos com que o que tínhamos aqui. É tudo muito artesanal e feito com muito amor, e feito também pela crença e ideologia, e por querer mostrar o quão lindo é o meu país”, destacou.
Andreia Sofia Silva EventosTurismo | Concurso de Fogo de Artifício a partir de dia 12 Foram ontem anunciados os detalhes de mais uma edição do Concurso Internacional de Fogo-de-Artifício de Macau, a 34.ª. O tema é “Rumo a Macau, onde brilha a Rota da Seda”, e começa a 12 de Setembro com a participação de equipas de todo o mundo. Os drones marcam presença pela primeira vez A 34.ª edição do Concurso Internacional de Fogo-de-Artifício de Macau (CIFAM) está a chegar, e pela primeira vez traz drones combinados com o espectáculo de luzes que habitualmente enche o céu de Macau. O evento começa a 12 de Setembro e termina a 4 de Outubro, prometendo-se, segundo a Direcção dos Serviços de Turismo (DST), “espectáculos pirotécnicos deslumbrantes”, que estão sujeitos à temática “Rumo a Macau, onde brilha a Rota da Seda”. A novidade é mesmo a junção do “fogo-de-artifício com espectáculos de drones, proporcionando ao público um banquete audiovisual”, organizando-se também o Arraial do Fogo-de-Artifício e diversas actividades de extensão. Citada por uma nota da DST, Helena de Senna Fernandes, directora do organismo, referiu que o CIFAM “é um evento anual de marca representativo de Macau que, desde a sua criação, tem mantido o princípio da inovação e diversidade”. Este ano contam-se 10 espectáculos de fogo-de-artifício com a presença de empresas de fogo-de-artifício do Brasil, Suíça, Itália, Canadá, Portugal, Coreia do Sul, Tailândia, China, Filipinas e Reino Unido. Por esta ordem, as equipas vão apresentar espectáculos de cerca de 18 minutos cada, em torno do tema central escolhido. Concretamente, as datas do evento abrangem os dias 12, 19 e 25 de Setembro, e 1 e 4 de Outubro, às 21h e 21h40, na zona ribeirinha em frente à Torre de Macau, incluindo as festividades do Bolo Lunar e o Dia Nacional. Muitas novidades A edição deste ano do tradicional concurso traz ainda como novidade a presença de novas empresas do Brasil, Suíça, Itália e Portugal, “enquanto as restantes seis já participaram em edições anteriores”. Explica a DST que, “de entre as que voltam ao evento estão as três equipas vencedoras do CIFAM no ano passado, vindas do Reino Unido, Filipinas e China, evidenciando a vantagem de Macau enquanto plataforma de intercâmbio internacional”. O público pode esperar um concurso dividido em três partes : “Encontro com a História”, “Encontro com a Civilização” e “Encontro com o Futuro”. Na noite do dia 12 de Setembro dá-se lugar aos espectáculos relacionados com a parte “Encontro com a História”, sendo a última noite marcada pelo “Encontro com o Futuro” e um “espectáculo de grande escala com mais de 3.400 drones”. Tendo em conta que na noite de 25 de Setembro é véspera da Festividade do Bolo Lunar, actuam as companhias de Portugal e da Coreia; enquanto que, na noite de 1 de Outubro, Dia Nacional, sobem ao palco as equipas da Tailândia e da China. Na noite de 4 de Outubro, após os dois últimos espectáculos, terá lugar a cerimónia de entrega de prémios, com o anúncio dos resultados do concurso. Pontos de vista Outras novidades do evento, incluem novos pontos de visionamento do fogo-de-artifício em Zhuhai e Hengqin, mantendo-se os seis pontos tradicionais em Macau para ver e tirar fotos: a Avenida Dr. Sun Yat-Sen entre o Centro Ecuménico Kun Iam e a Zona de Lazer Marginal da Estátua de Kun Iam, o passeio à beira-mar do Centro de Ciência de Macau, a Avenida de Sagres (ao lado do Hotel Mandarin Oriental de Macau), o Anim’Arte NAM VAN, o Caminho Marginal do Lago (ao lado do Hotel YOHO Ilha de Tesouro) e a Avenida do Oceano da Taipa. Fora de Macau há um total de cinco novos pontos de visionamento: Shizimen, Jialinshan e sul da Estrada dos Namorados, em Zhuhai; e a Ilha Financeira e a Ponte de Hengqin. A Rádio Macau, no canal chinês (FM100.7), transmitirá em directo a música de fundo dos espectáculos às 21h e 21h40 de cada noite de espectáculo. A Teledifusão de Macau (TDM) – Canal Macau e Canal de Entretenimento de Macau – transmitirá o evento em directo o evento. No conjunto de actividades de extensão inclui-se o Concurso de Fotografia, o Concurso de Desenho para Estudantes e o Concurso de Arte Generativa com Inteligência Artificial (IA), “incentivando estudantes, entusiastas da fotografia e da criação com IA a dar asas à criatividade”. Os detalhes constam no website oficial do CIFAM.
Hoje Macau EventosÓbito | Cantora country Dolly Parton morre aos 80 anos A compositora, cantora e actriz norte-americana Dolly Parton morreu esta terça-feira, aos 80 anos, anunciou o sobrinho Brian Seaver, em nome da família, através de um vídeo nas redes sociais. “Dolly abriu portas a gerações de cantores, compositores, músicos e sonhadores de todos os caminhos da vida e por todos os continentes. Seguindo o seu exemplo, acreditámos que tudo era possível”, afirmou Seaver, responsável pela segurança de Parton nas últimas duas décadas, depois de o pai já ter exercido o cargo. Dolly Parton era “conhecida pelas suas curvas voluptuosas, perucas loiras volumosas e roupas justíssimas que reflectiam o seu humor autodepreciativo, foi uma das personalidades mais acarinhadas da música e de outros meios — uma celebridade rara cujo apelo transcendia gerações, geografia e política”, escreve a agência noticiosa Associated Press. O jornal britânico The Guardian, por seu turno, escreve: “Tão talentosa que escreveu duas das maiores canções do século XX – ‘Jolene’ e ‘I Will Always Love You’ – num único dia”. O diário acrescenta que “a composição de Parton se caracterizava pela sua narrativa vívida, acuidade emocional e força melódica, tudo cantado com uma clareza estridente”. Com um catálogo com centenas de canções, Dolly Parton obteve o recorde de 25 ‘singles’ número 1 na tabela ‘country’ dos Estados Unidos, e 47 álbuns no top 10 do mesmo género musical. Também alcançou sucesso nas tabelas de música pop com “9 to 5”, que alcançou o primeiro lugar nos Estados Unidos em 1980. Apelidada de “Rainha da Country”, conciliou a carreira musical com a representação, tendo sido por duas vezes nomeada para os Globos de Ouro, e o seu programa de literacia “Imagination Library” doou mais de 150 milhões de livros a crianças. Dolly Parton estreou-se em disco em 1967 com o disco “Hello, I’m Dolly”, primeiro de 50 álbuns de estúdio. Ao longo da carreira recebeu 11 prémios Grammy e três prémios Emmy, um Óscar honorário humanitário e um Tony.
Hoje Macau EventosGastronomia | EL&N Deli & Bakery abre portas no Mercado Kam Pek Pão, pastelaria e café. Eis os produtos pelos quais é conhecido o EL&N Deli & Bakery, novo espaço gastronómico a funcionar no Mercado Kam Pek, bem no coração de Macau, e que está também de portas abertas no Grand Lisboa Palace. Ambos os espaços estão sob alçada da operadora de jogo Sociedade de Jogos de Macau (SJM). Segundo um comunicado, o que se apresenta ao público é “um novo conceito de padaria e bebidas” com ligação à área do Life&Style, tendo em conta a decoração do espaço e o formato de funcionamento. O negócio tem localização central na Avenida de Almeida Ribeiro. “Situado no centro histórico de Macau, o Mercado Kam Pek tornou-se um animado centro de gastronomia contemporânea, juntando conceitos inovadores num dos bairros mais característicos do território. A EL&N Deli & Bakery proporciona um sítio convidativo de paragem depois de explorar a ‘San Ma Lo’ e ruas circundantes, seja para saborear um doce acabado de sair do forno ou para levar algo prático”, no formato take-away, pode ler-se. A marca traz dois produtos “criados em exclusivo” para Macau, como é o caso do “EL&N Deli Special Pineapple Bun with Butter”, ou seja, o tradicional pão com crosta, barrado a manteiga, e que é típico de Hong Kong. Apresenta-se ainda o cheesecake de San Sebastián, estando também disponível uma selecção de “bebidas exclusivas” enlatadas e prontas a levar. Fundada em Londres em 2017 por Alexandra Miller, a EL&N passou de um café em Mayfair a “fenómeno global de estilo de vida com um público fiel”. A SJM procura, com esta nova abertura, apostar na diversidade de locais gastronómicos e de oferta, é referido na mesma nota.
Hoje Macau EventosGrand Lisboa Palace acolhe edição 2026 do Fortune Leaders Forum O empreendimento Grand Lisboa Palace, no Cotai, será palco da edição deste ano do Fortune Leaders Forum, a 8 de Setembro. Segundo um comunicado, o evento “reúne os principais executivos, especialistas em inovação e decisores globais”. Incluem-se também empresários que constam na lista Fortune 500, ligados a sectores como negócios, finanças, viagens, área de cuidados de saúde e outros. Num evento que conta com a presença de Daisy Ho, directora-executiva da Sociedade de Jogos de Macau (SJM), concessionária que detém o Grand Lisboa Palace, pretende-se “explorar a agenda empresarial global em constante evolução, num contexto de transformação impulsionada pela Inteligência Artificial e de mudanças geopolíticas”. O tema da edição deste ano do Fortune Leaders Forum é “Liderança na Era da Convergência e da Complexidade”, centrando-se nas “questões que os líderes têm de enfrentar no actual ambiente empresarial”, nomeadamente “geopolítica, incerteza económica, transformação organizacional e as dinâmicas em constante mudança que moldam a tomada de decisões em tempo real”. Da IA à Grande Baía Outros oradores presentes no painel de conferências, a 8 de Setembro, são David Mann, economista-chefe para a região da Ásia-Pacífico da Mastercard e Serene Nah, directora-executiva e chefe para a região da Ásia-Pacífico da Digital Realty, empresa americana com sede em Austin especializada na gestão de centros de dados. Um dos painéis matinais do Fórum intitula-se “The Global Economy: Signals for the Year Ahead”, com Andrew Staples, co-presidente do Fortune Leaders Forum e Louis-Vincent Gave, dirigente da Gavekal, empresa do sector financeiro de Hong Kong. Destaque ainda para o painel “New Strategies for Growth: Walmart’s Next 30 Years in China”, que analisa a presença desta empresa americana no país, e que vai contar com os testemunhos de Christina Zhu, presidente e CEO da Walmart China, e Lee Williamson, co-presidente do Fortune Leaders Forum. Não faltam painéis sobre as repercussões da inteligência artificial nos domínios económico e financeiro, ou ainda sobre o poder da tecnologia nestas áreas. É o caso de “Paying it Forward: What’s Next in Digital Finance?”, com foco na mudança para a moeda digital no continente asiático, e que conta com apresentação de Fang Wang, directora-executiva da Shanghai Fortune China. O projecto da Grande Baía será também analisado em “The GBA Decade: Opportunity, Innovation and Global Impact”, com o contributo de Edward Au, partner da consultora Deloitte China, e Alex Che Weng Keong, presidente da direcção do Instituto de Promoção do Comércio e Investimento (IPIM).
Andreia Sofia Silva EventosHK | 37ª edição de festival de cinema LGBTQ+ arranca em Setembro Os filmes dedicados ao universo LGBTQ+ preenchem a 37.ª edição do Hong Kong Lesbian & Gay Film Festival, que decorre entre 4 e 20 de Setembro na sala de cinema Premiere Elements, em Kowloon. Ray Yueng, director, destaca a importância da divulgação das “narrativas Queer” com um festival que traz “Stop! That! Train!” e “Montréal, My Beautiful” como películas de abertura A região vizinha recebe, entre os dias 4 e 20 de Setembro, a 37.ª edição do Hong Kong Lesbian & Gay Film Festival, dedicado ao cinema cujo tópico são as minorias LGBTQ+. O festival acontece na sala de cinema Panorama Elements, em Kowloon, e tem como director Ray Yeung. No website do evento este deixa uma mensagem sobre a edição deste ano e de como é importante continuar a contar histórias de gays, lésbicas e pessoas transgénero. “Há quem se pergunte se um festival de cinema Queer ainda é necessário nos dias de hoje. Embora muitos jovens sejam alvo de maior aceitação e tenham sido registados progressos significativos, vivemos também num mundo profundamente polarizado, onde a desinformação e a hostilidade se espalham rapidamente na Internet, alimentando a discriminação e o ódio. É precisamente por isso que as narrativas Queer continuam a ser essenciais.” O director destaca os filmes de abertura, nomeadamente “Stop! That! Train!”, apresentado como um “espectáculo extravagante” de RuPaul e que conta com a “superestrela drag asiático-americana Jujubee ao lado de uma constelação de ícones drag”. “Montréal, My Beautiful” é outro filme de abertura do festival, que tem a actriz Joan Chen “no papel de uma mãe que, de forma inesperada, começa a descobrir a própria sexualidade”. Este filme é exibido a 4 de Setembro a partir das 19h15. Os bilhetes para todo o festival podem ser adquiridos no website da Premiere Elements. Nesta edição do festival, promete-se a defesa de “narrativas LGBTQ+ diversificadas” e “histórias verdadeiras”. “A programação reúne longas-metragens e curtas-metragens que retratam as vidas Queer como complexas, alegres e resilientes, desafiando estereótipos ao mesmo tempo que afirmam a visibilidade, a dignidade e a igualdade”, explica ainda o director. Para fechar Relativamente aos filmes que encerram o festival, Ray Yeung fala em “contrastes marcantes”. “Tiger” é referida como sendo uma película “simultaneamente sensual e comovente, explorando tensões familiares e homofobia enquanto se aventura na indústria japonesa de filmes para adultos”. Por sua vez, “Zsazsa Zaturnnnah” é uma “alegre comédia romântica animada com super-heróis”. A 37ª edição do Hong Kong Lesbian & Gay Film Festival apresenta ainda como destaques na programação “MasPalomas”, que não é mais do que uma “reflexão comovente sobre o envelhecimento, a identidade e o sentimento de pertença”, e ainda “The Education of Jane Cumming”, descrito como um “drama de época que analisa de forma ponderada as questões raciais, de classe e de sexualidade”. O festival associa-se também a outro evento dedicado ao cinema alemão, o Kino Film Festival, apresentando-se o trabalho das cineastas Rosa von Praunheim e Monika Treut. Na secção “Apresentações Especiais” incluem-se os filmes “Test”, produção americana que acaba de ser lançada, e que conta com a realização de Sam McConnell. Aqui apresenta-se a história de Eddie, um “culturista amador de uma pequena cidade que mantém os olhos firmemente fixos no troféu”, confrontando-se depois com a sua sexualidade graças a uma paixão inesperada. Outro filme integrado nesta secção é “Leviticus”.
Andreia Sofia Silva EventosFábrica de Panchões | Mais três meses para ver mostra na Sands Gallery Em exibição desde Março, na Sands Gallery, “Um Século da Fábrica de Pólvora Iec Long em Esplendor – Uma Exposição sobre a História Ressonante e a Memória Estética dos Panchões de Macau” ganha agora mais tempo de vida, com a exposição a poder ser vista até 29 de Novembro. Novos elementos recolhidos por Ung Vai Meng foram acrescentados A Sands Gallery estendeu o prazo de exibição da mostra “Um Século da Fábrica de Pólvora Iec Long em Esplendor – Uma Exposição sobre a História Ressonante e a Memória Estética dos Panchões de Macau”. Patente desde Março, e com curadoria do artista e ex-presidente do Instituto Cultural, Guilherme Ung Vai Meng, este projecto conta a história da antiga Fábrica de Panchões Iec Long, na Taipa velha, hoje transformada num espaço de lazer e entretenimento, e que também acolhe iniciativas culturais. Segundo um comunicado da Sands China, esta extensão deve-se à “forte adesão do público” a uma exposição que mostra aos visitantes “materiais de arquivo raros”. Porém, o público terá acesso a novidades neste período de extensão, sendo apresentados “novos documentos históricos e artefactos relacionados com a produção de panchões, recolhidos pessoalmente pelo curador Ung Vai Meng em várias regiões”. Do leque de artefactos exibidos contam-se “ferramentas tradicionais utilizadas no fabrico de panchões recolhidas durante visitas de investigação a Hunan e Jiangxi, importantes regiões produtoras de panchões na China”. São ainda expostos “vários cartazes originais raros da Fábrica de Panchões Po Sing”, podendo o público ver de perto “vários produtos semiacabados produzidos segundo técnicas tradicionais de fabrico de panchões de Macau”. Estes produtos são, por exemplo, “bolos” de panchões ou mesmo “panchões com embalagens vermelhas, brancas e azuis; e sovelas utilizadas durante o processo de fabrico”. Rica experiência A ideia é “aprofundar o impacto da revitalização” da antiga Fábrica, sendo que os novos elementos históricos prometem “enriquecer a experiência dos visitantes e proporcionar ao público uma viagem mais aprofundada pelo diversificado património de Macau”. A organização relata que esta mostra foi preparada durante cerca de dois anos, propondo uma “abordagem multidimensional ao património dos panchões de Macau, explorando a sua história, técnicas de produção, memória e estética”. “Um Século da Fábrica de Pólvora Iec Long em Esplendor” apresenta “mais de 400 peças de valor histórico, incluindo objectos provenientes das colecções do Museu de Macau, do Arquivo de Macau e da Biblioteca da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST)”. Época “de ouro” Este acervo na Sands Gallery é complementado com “histórias orais, ferramentas utilizadas no fabrico de panchões, recibos comerciais, rótulos originais das embalagens de panchões e correspondência com mais de um século”. Assim, esta mostra “recria a época dourada desta indústria e conta a história da cidade através do espírito de ‘Fabricado em Macau'”, demonstrando a importância que os panchões têm para a cultura chinesa. A organização destaca, na mesma nota, como a exposição tem sido bem aceite nos últimos meses, recebendo “residentes, escolas, associações e visitantes provenientes do Interior da China, Hong Kong, Japão, Coreia do Sul, Índia, Rússia, Estados Unidos e Europa”. Além disso, tem sido proporcionado “um intercâmbio profundo entre descendentes de famílias ligadas às fábricas de panchões, coleccionadores internacionais e interessados em cultura”. A antiga Fábrica de Panchões Iec Long é considerado o “maior complexo industrial de produção de panchões ainda existente em Macau”, e também “o mais bem preservado da região do Mar do Sul da China”. “A sua revitalização representa não só a preservação do património industrial, mas também um passo concreto para dar a conhecer uma história com mais de um século”, pode ler-se. Haverá ainda visitas guiadas todas as quartas e sextas-feiras, às 15h e 16h, além da possibilidade de marcação de visitas privadas para escolas e associações comunitárias. Paralelamente, a Biblioteca da MUST acolhe a exposição “Legado do Tempo – Exposição de Documentos Históricos sobre a Indústria de Panchões de Macau”, também prolongada até ao dia 29 de Novembro.
Hoje Macau EventosMAM | Pinturas da dinastia Qing são destaque em nova exposição O Museu de Arte de Macau acolhe, até ao dia 2 de Novembro, a mostra “Lucidez numa Era Próspera: Pinturas de Guangdong da Dinastia Qing”, que traz ao público de Macau trabalhos que representam a arte de Lingnan e que visam promover “o intercâmbio cultural na Grande Baía” O Instituto Cultural (IC) promove uma nova exposição no Museu de Arte de Macau (MAM) que revela ao público local pintura representativa da arte Lingnan feita nos anos da dinastia Qing. Trata-se da mostra “Lucidez numa Era Próspera: Pinturas de Guangdong da Dinastia Qing”, e que é organizada em parceria com o Museu Lu Xun de Guangzhou, Museu de Arte de Guangzhou, e Museu de Arte de Hong Kong. O que se pode ver nesta mostra é um conjunto de trabalhos de pintura figurativa e “obras sobre temas históricos”, que constituem a colecção de pintura de Guangdong do período da dinastia Qing do MAM. Segundo um comunicado do IC, conta-se com “um acervo valioso e abundante de peças de alta qualidade de mestres como Su Liupeng e He Chong”. Há ainda, nesta nova exposição, peças oriundas do Museu Lu Xun de Guangzhou, Museu de Arte de Guangzhou e do Museu de Arte de Hong Kong, podendo ser vistas um total de 136 peças ou conjuntos de trabalhos de pintura. Actos exploratórios O IC explica que esta exposição “dá a conhecer experimentações dos pintores de Guangdong nas técnicas de pincel e tinta”, revelando-se também “a diversificação temática e a fusão cultural de influências chinesas e ocidentais”. Desta forma, com a mostra “Lucidez numa Era Próspera: Pinturas de Guangdong da Dinastia Qing”, pretende-se ilustrar “o percurso da pintura de Guangdong da periferia à corrente principal, e da tradição à inovação, e servindo de importante registo visual para redefinir o contexto cultural da região”. A mesma nota dá conta que a colaboração entre o MAM e diversas instituições de arte das regiões vizinhas, como é o caso da província de Guangdong e Hong Kong, acaba por promover, de forma eficaz, “o intercâmbio cultural regional, traduzindo-se numa acção prática para a construção conjunta de uma Grande Baía cultural”. As visitas guiadas para o público terão início a 5 de Setembro, realizando-se aos sábados em cantonense, bem como aos domingos e feriados em mandarim. As visitas para grupos podem ser agendadas mediante marcação prévia. Ao longo do período da exposição, serão promovidas diversas actividades de extensão, como palestras, workshops e concertos. A exposição Lucidez numa Era Próspera: Pinturas de Guangdong da Dinastia Qing estará patente no Museu de Arte de Macau de 22 de Agosto a 2 de Novembro, das 10h às 19h.
Hoje Macau EventosNovo filme de Ivo M. Ferreira em pré-selecção para os Óscares A Academia Portuguesa de Cinema (APC) revelou na sexta-feira os seis filmes pré-seleccionados no processo de candidatura ao Óscar de Melhor Filme Internacional, iniciando-se agora a votação pelo escolhido. Em comunicado, a APC anunciou que os filmes pré-seleccionados são “18 Buracos para o Paraíso”, de João Nuno Pinto, “A Memória do Cheiro das Coisas”, de António Ferreira, “Maria Vitória”, de Mário Patrocínio, “Primeira Pessoa do Plural”, de Sandro Aguilar, “Projecto Global”, de Ivo M. Ferreira, e “Terra Vil”, de Luís Campos. De destacar que Ivo M. Ferreira tem uma forte relação com Macau, onde viveu muitos anos e que foi cenário de muitos dos seus filmes, nomeadamente “Hotel Império”, de 2018 e protagonizado por Margarida Vila-Nova; ou “O Homem da Bicicleta – Diário de Macau”, filme de 1997. “Projecto Global”, de Ivo M. Ferreira, é, dos seis filmes em pré-selecção, a obra com mais espectadores da lista, totalizando 9.200 desde a estreia em Abril. O filme recria o tempo polarizado dos anos 1980 em Portugal, numa democracia recente e em construção, em que um grupo armado – Forças Populares 25 de Abril (FP-25) -, descontente com o rumo do país, organizou dezenas de assaltos violentos, atentados e acções consideradas terroristas, que causaram 17 mortes. Votos até Setembro Os membros da APC podem votar no filme que vai ser candidato a uma nomeação aos Óscares de Hollywood até 10 de Setembro. João Nuno Pinto foi motivado a fazer “18 Buracos para o Paraíso” pela transformação do território do Alentejo através da especulação imobiliária, agricultura intensiva e seca extrema, com o filme a estrear-se nos cinemas portugueses em junho. Por seu lado, “A Memória do Cheiro das Coisas” é uma narrativa ficcional, cuja história se centra em Arménio, que, à beira de completar 80 anos, passa a viver num lar, contrariado por ser tratado como os outros utentes idosos e incapaz de aceitar apoio de uma auxiliar portuguesa negra. Já “Maria Vitória”, de Mário Patrocínio, é interpretado por Mariana Cardoso, Miguel Borges e Miguel Nunes, os actores que compõem o núcleo familiar desta história rodada na região da Serra da Estrela. O título do filme remete para a personagem principal, uma adolescente (Mariana Cardoso) do interior do país, para quem o pai (Miguel Borges) sonha um futuro como guarda-redes profissional, num clube numa grande cidade. Há ainda o irmão (Miguel Nunes), que regressa à aldeia depois de vários anos emigrado, confrontando a família com mágoas do passado, nomeadamente sobre a mãe, que morreu num grande incêndio que assolou a região. “Primeira Pessoa do Plural”, de Sandro Aguilar, é protagonizado por Albano Jerónimo e Isabel Abreu, nos papéis de um casal à beira de celebrar 20 anos de casamento, e conta também com Eduardo Aguilar, que interpreta o filho adolescente. A história de amparo entre duas famílias fragmentadas é o centro do filme “Terra Vil”, uma ficção na qual o realizador Luís Campos quis também retratar uma comunidade e uma região marcadas pela tragédia de Entre-os-Rios. “Terra Vil” é a primeira longa-metragem de ficção de Luís Campos e evoca, de forma indirecta, os acontecimentos ocorridos há 25 anos, com a queda da ponte que ligava Entre-os-Rios e Castelo de Paiva, e que causou 59 mortos. O comité de pré-selecção dos filmes foi composto pelos produtores Andreia Esteves e Paulo Trancoso, pela editora e ‘designer’ de som Elsa Ferreira, pelos actores Hoji Fortuna e Valerie Braddell, pela caracterizadora Íris Peleira, pelo realizador Paolo Marinou-Blanco e pelo supervisor de efeitos visuais Ricardo Ferreira. “A composição do comité reflectiu o compromisso da Academia Portuguesa de Cinema com uma representação diversificada das diferentes áreas da criação e produção cinematográfica, reunindo profissionais com percursos distintos e reconhecida experiência no sector”, pode ler-se no comunicado da APC.
Hoje Macau EventosComediante faz piada sobre Partido e espectáculos são cancelados Os espectáculos de Guo Degang foram cancelados e o comediante de stand-up, um dos mais conhecidos da China, está sob investigação oficial depois de ter feito piadas sobre uma canção do Partido Comunista Chinês. Guo Degang foi acusado de violar a moral pública depois de ter improvisado a sua própria letra para uma famosa canção revolucionária durante uma actuação em Wuhan, capital da província de Hubei (centro), em 24 de Julho. De acordo com uma queixa apresentada por um membro do público e posteriormente publicada pelo meio de comunicação chinês The Paper, o comediante foi acusado de “distorcer e vulgarizar uma obra revolucionária clássica” e de “violar a moral pública e os padrões de conduta aceites”. A canção original, composta em 1956, homenageia os soldados que combateram as forças japonesas durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). A letra original diz: “O sol está prestes a pôr-se no Oeste, tudo está calmo no lago Weishan”. Guo alterou a segunda linha para dizer, em vez disso, “tudo está calmo na Cidade Proibida”, apresentando a adaptação num estilo cómico. No dia 11 de Agosto, o Gabinete Municipal de Cultura e Turismo de Wuhan lançou uma investigação oficial sobre o assunto. “Embora o espectáculo tivesse obtido a autorização legal necessária, os segmentos da canção adaptada por Guo Degang não foram incluídos na documentação submetida para aprovação, o que é suspeito de violar o Regulamento sobre a Administração de Espectáculos Comerciais”, refere uma carta de resposta, citada pelo The Paper. Actuação em Macau Guo encontrava-se a meio de uma digressão nacional que assinalava o 10.º aniversário do seu grupo de teatro. No entanto, um espectáculo agendado para 15 de Agosto em Xi’an, na província de Shaanxi, foi cancelado, e outro que teria lugar neste fim de semana em Yantai, província de Shandong, também foi anulado, de acordo com a plataforma de bilheteira Damai. A Damai informou os detentores de bilhetes de que os cancelamentos se deviam a “questões relacionadas com o local” e que “os detentores de bilhetes serão reembolsados automaticamente”. De destacar que o comediante já actuou em Macau, no Venetian Theatre, em 2017, ao lado de Yu Qian, no espectáculo intitulado “De Yun She World Tour Macao”. Esta não é a primeira vez que um comediante é alvo de suspensão ou de sanções: em 2023 o comediante chinês Li Haoshi foi multado em 14,7 milhões de yuan depois de ter utilizado uma frase do Presidente Xi Jinping, associada ao exército chinês, ao contar uma história sobre dois cães vadios. Depois de a piada ter suscitado a ira das autoridades, Li pediu desculpa. No entanto, foi proibido de actuar por tempo indeterminado e, desde então, não voltou a ser visto em público.
Andreia Sofia Silva EventosChina | “Think Tank” divulga relatório sobre cultura Kunlun Há na China uma extensa zona montanhosa que contém uma cultura única e diversos grupos étnicos, e que foi agora alvo de um relatório por parte das autoridades. Trata-se das montanhas Kunlun, situadas na zona oeste da China e que se estendem por cerca de 2.500 quilómetros, indo até às regiões de Xinjiang, Tibete e Qinghai A importância cultural e as raízes históricas das montanhas Kunlun, na zona oeste da China, constam de um relatório da autoria de um “think tank” ligado à agência Xinhua, intitulado “National High-Level Think Tank of Xinhua News Agency”. O documento, intitulado “Roots and Echoes of a Civilization: The Historical Origins, Spiritual Essence and Contemporary Value of Kunlun Culture”, [Raízes e Ecos de uma Civilização: As Origens Históricas, Essência Espiritual e Valor Contemporâneo da Cultura Kunlun], foi apresentado no Fórum sobre a Cultura Kunlun, que se realizou esta terça-feira em Xining, capital da província de Qinghai. Segundo um comunicado, o relatório descreve que “as imponentes montanhas Kunlun são veneradas desde há muito como ‘a ancestral de todas as montanhas e a fonte de todas as águas'”. As montanhas estendem-se por mais de 2.500 quilómetros na zona oeste da China, possuindo ainda mais de 5 mil metros de altitude. Estas montanhas começam no planalto Pamir, perto da fronteira com a Ásia Central, passam pelas regiões de Xinjiang e Tibete e terminam na província de Qinghai. Tendo em conta “provas arqueológicas e registos históricos”, destaca-se como a cultura associada às montanhas Kunlun “preserva a memória histórica das origens partilhadas e da coexistência entre diferentes grupos étnicos em três dimensões”, nomeadamente a “concepção do universo dos primeiros povos chineses” ou o “símbolo territorial da antiga China”. São ainda identificados cinco conceitos que se podem associar à cultura das montanhas Kunlun, tal como a “harmonia entre o ser humano e a natureza, a grande unidade, a busca pelo aperfeiçoamento pessoal, a valorização da vida e o cuidado com o povo” e ainda a ideia de que “sob um só céu, todos são uma só família”. O mesmo relatório dá conta que “as regiões locais têm aproveitado os recursos culturais de Kunlun e feito esforços para a promoção da preservação cultural, a unidade étnica, a conservação ecológica e o desenvolvimento de indústrias”. No documento são também sugeridas actividades que podem ser feitas para preservar a cultura de Kunlun, nomeadamente “visitas de estudo temáticas, espectáculos de cultura popular ou a integração da cultura com o turismo”. Simbolismo e mitologia Muito além da dimensão e extensão, as montanhas Kunlun têm importância para a mitologia chinesa, sendo consideradas o “pico sagrado onde reside a Rainha-Mãe do Ocidente e onde o Imperador Amarelo, considerado um dos progenitores culturais da nação chinesa, construiu palácios que deram início à civilização dos ritos e da música”. Esta zona alberga cerca de 20 grupos étnicos, nomeadamente os Qiang, Yi, Jingpo e Pumi. Vários especialistas e académicos falaram da importância das montanhas Kunlun e da sua cultura no referido Fórum, que decorreu esta semana. Um deles foi Zhao Zongfu, antigo presidente da Academia de Ciências Sociais de Qinghai, que referiu que a cultura destas montanhas “transcende as fronteiras geográficas, étnicas e linguísticas”, sendo também “um elo cultural partilhado”. Já Hu Yu, docente na Universidade de Tsinghua, disse que as montanhas Kunlun contêm uma “memória histórica que é partilhada por muitos grupos étnicos e em diferentes regiões e épocas, incorporando a sabedoria dos primeiros antepassados com os laços afectivos, as raízes históricas e culturais comuns dos vários grupos étnicos”. O relatório divulgado pelo “think tank” dá ainda conta que as montanhas Kunlun têm uma importância histórica, por terem constituído “um eixo natural de ligação entre o Oriente e o Ocidente”. Mil anos antes da formação da Rota da Seda, “a Rota do Jade, estabelecida através da circulação do jade de Kunlun, contribuiu tanto para a integração cultural interna da China como para os primeiros intercâmbios civilizacionais entre a China e outras regiões da Eurásia”, é referido.
Hoje Macau EventosHistória da princesa Diana contada pelo irmão pela primeira vez em livro Quase 30 anos depois da morte da princesa Diana, o seu irmão, Charles Spencer, conta pela primeira vez num livro a história da vida que partilharam e a semana da morte da princesa, a partir da sua perspectiva. Intitulado “O Canto do Cisne: Diana, a minha irmã”, o livro, editado em Portugal pela Penguin, vai ser publicado em todo o mundo, com tradução para 12 línguas, e chega às livrarias portuguesas no dia 22 de Setembro, anunciou ontem a editora, em comunicado. Em Setembro de 1997, na Abadia de Westminster, Charles Spencer fez o elogio fúnebre da irmã perante os olhos do mundo, num discurso que a editora considera um dos “mais marcantes do século XX”. Agora, quando se aproximam os 30 anos da morte de Diana, Charles Spencer decidiu pôr por escrito os seus “pensamentos e memórias de uma vez por todas”, depois de voltar a receber numerosos pedidos de entrevistas sobre a irmã, “em vez de ser sujeito ao incómodo de tornar a ler as opiniões de outros, muitas das quais baseadas em inverdades que se tornaram aceites ao longo dos anos”, como afirmou o próprio, citado no comunicado. Nas palavras de Charles Spencer, o objectivo do livro é “contar a verdade sobre Diana da perspectiva do seu irmão”, tal como procurou fazer no elogio fúnebre, falando dela “de uma forma abertamente positiva”. Memória viva O autor espera que o livro interesse aos que continuam a estimar a memória de Diana e que permita também às pessoas que são demasiado jovens para se lembrarem dela “no seu auge” conhecerem a mulher que descreve como “uma pessoa única e dinâmica, cheia de amor, carisma e insegurança”. Charles Spencer afirma ainda que Diana “deu tudo por tudo na vida e fez do mundo um lugar muito melhor”, apesar de ter morrido ainda muito jovem. O editor do livro, Daniel Bunyard, destaca a importância da obra por contar a história de “uma das figuras mais icónicas e culturalmente relevantes do século XX” através de uma perspectiva íntima. Daniel Bunyard sublinha ainda as diferentes facetas de Charles Spencer, enquanto irmão de Diana, escritor de memórias e historiador, considerando que contribuíram para um livro “extraordinariamente comovente, belissimamente escrito e assinalavelmente franco”. Segundo o editor, o livro contém “inúmeras revelações” que deverão atrair atenção, mas constitui também um tributo à princesa Diana.
Andreia Sofia Silva EventosCreative Macau | Mostra colectiva para celebrar o 23º aniversário Trata-se de uma galeria que é talvez um dos expoentes máximos do sector das indústrias criativas de Macau. A Creative Macau, junto ao Centro Cultural de Macau, traz “PRESENT”, a mostra que celebra os 23 anos de existência deste projecto e que alberga muitos artistas locais. Para ver a partir do dia 28 deste mês A Creative Macau apresenta, no dia 28 de Agosto, uma nova mostra que é também uma forma de celebração. Trata-se de “PRESENT” e que reúne, até ao dia 25 de Setembro, uma série de artistas de Macau e que já fizeram da Creative Macau a sua galeria e espaço para revelar o seu trabalho. Desta forma, o público pode descobrir trabalhos nas mais variadas formas artísticas, nomeadamente a pintura e fotografia, entre tantas outras, nas mais variadas linguagens. Segundo um comunicado, “PRESENT” visa “despertar a paixão artística” de quem a vê e organiza, celebrando “a liberdade criativa sem limites”. Trata-se de uma mostra que “valoriza cada voz única e convida os membros da Creative Macau a dar asas às suas visões interiores através da arte visual surrealista”. O nome “PRESENT” não surge por acaso – trata-se de uma designação “com duplo significado”, ou seja, “um presente artístico que transporta as emoções mais profundas do criador”, e também “como momento fugaz congelado na arte eterna”. Revelam-se, novamente, talentos que são “encorajados a aproveitar a linguagem vanguardista do surrealismo — utilizando metáforas simbólicas, perspectivas distorcidas e colagens irracionais em vários meios de expressão — para transcender a realidade”. Segundo a mesma nota, as obras escolhidas para “PRESENT” acabam por estabelecer “uma ponte entre o criador, a obra de arte e o público, oferecendo reflexões profundas sobre o momento presente como um presente para o mundo”. Múltiplas artes Um dos nomes presentes nesta mostra é o de Lúcia Lemos, que durante anos foi directora da Creative Macau desde a sua fundação, a 28 de Agosto de 2003. Trabalhando essencialmente com fotografia, a autora apresentou, em Março, “A White Diamond”, uma exposição de imagens a preto e branco sobre o edifício da Casa da Música, no Porto. Na pintura, surge o nome de Alice Costa (Lili), nome artístico de Alice Leonor das Neves Costa, que começou por se formar em Direito, mas que sempre teve paixão pelo mundo das artes. Alice Costa (Lili) fez formação em pintura na Casa de Portugal em Macau e começou a explorar o mundo da pintura figurativa, focando-se também em trabalhos mais abstractos. A mostra da Creative Macau conta ainda com trabalhos do pintor Denis Murrell, radicado no território há várias décadas; Irene Chio, Maria João Das, Angel Chan e Alex Chao Io Chong, entre tantos outros.
Andreia Sofia Silva EventosMúsica Sacra | Concerto na Sé com o Instituto Gregoriano de Lisboa A Sé Catedral de Macau será palco, dia 28, de uma apresentação do Coro de Câmara do Instituto Gregoriano de Lisboa. Trata-se de um concerto dentro do género de música sacra ligado à “Série de Apreciação de Música Sacra da Comissão Litúrgica Diocesana”, e conta com Filipa Palhares no lugar de maestra e Ricardo Vicente como pianista O fim do mês reserva uma novidade para aqueles que gostam de música sacra. Trata-se da apresentação do Coro de Câmara do Instituto Gregoriano de Lisboa, um dos mais conceituados dentro do género, que protagoniza um concerto no dia 28 de Agosto, a partir das 20h, na Sé Catedral de Macau. Segundo um comunicado do IPOR – Instituto Português do Oriente, que apoia a iniciativa juntamente com o Consulado-geral de Portugal em Macau e Hong Kong, e Fundação Rui Cunha, entre outras entidades, o espectáculo integra-se na “Série de Apreciação da Música Sacra da Comissão Litúrgica Diocesana”. O programa do concerto é composto por “música sacra europeia que abrange um vasto arco histórico”, e que começa pelo “canto visigótico e terminando com um espiritual, passando por vários períodos e tradições da música sacra”. Filipa Palhares será a maestra do espectáculo, enquanto Ricardo Vicente será o pianista, tocando no órgão da Igreja. O evento é organizado pela Escola Artística do Instituto Gregoriano de Lisboa e conta ainda com apoios da XCESSU e Diocese de Macau. Fica assim a promessa de “uma noite de espiritualidade e beleza musical no emblemático cenário da Sé Catedral”, descreve a mesma nota. Simpósio mundial O Coro de Câmara do Instituto Gregoriano de Lisboa é descrito como um grupo “de referência no panorama coral português”, tendo actuado com a Orquestra Gulbenkian, a Orquestra Sinfónica Portuguesa e a Orquestra Metropolitana de Lisboa. Já interpretou obras importantes como “War Requiem”, de Benjamin Britten; e a “Sinfonia nº 3” de Gustav Mahler. A importância do grupo revela-se em distinções internacionais, incluindo medalhas de ouro no European Choir Games (2019) e primeiro prémio no Certamen Juvenil de Habaneras (2015). Filipa Palhares, por sua vez, é mestre em Direcção Coral e lecciona no Instituto Gregoriano de Lisboa desde 2006, tendo a seu cargo os coros infantil e juvenil. Também estes grupos “acumulam múltiplas distinções em concursos internacionais”, é revelado. Macau tem sido palco do World Symposium on Choral Music, que termina precisamente no dia 28 de Agosto, e que tem recebido, neste contexto, o Coro de Câmara do Instituto Gregoriano de Lisboa. Este simpósio de cariz mundial é patrocinado pela Federação Internacional de Música Coral e arrancou a 23 de Agosto, tratando-se, segundo o website oficial sobre o evento, de “um encontro dos mais prestigiados maestros e coros do mundo”. O tema do simpósio deste ano é “Reimaginar o Futuro”, promovendo-se a “excelência artística, a cooperação e o intercâmbio” com “os melhores coros e líderes corais para actuações, seminários, workshops, exposições e sessões de leitura coral”.
Andreia Sofia Silva EventosVila Nova de Cerveira | “Error Island” imprime o nome da RAEM à Bienal A edição deste ano da Bienal de Vila Nova de Cerveira apresenta um projecto de Macau. Trata-se da exposição “Error Island”, de Cai Guo Jie, com curadoria de Kathine Lam. O território está representado, até final do ano, numa mostra que reflecte sobre ideias de “soberania, pertença e especulação” Nascido em Taiwan, mas a viver na RAEM desde há alguns anos, Cai Guo Jie foi o artista escolhido para representar o território na edição deste ano na Bienal de Vila Nova de Cerveira, no Norte de Portugal. Até Dezembro deste ano, pode ser vista no Museu Bienal de Cerveira e também no espaço público o projecto “Error Island”, no Pavilhão de Macau. Tendo estreado a 18 de Julho, esta iniciativa “explora as ambiguidades das fronteiras e dos sistemas de propriedade a partir das ilhas da Boega e dos Amores, na fronteira luso-espanhola”. Segundo a descrição no programa da Bienal, a “Ilha do Erro”, na tradução literal para português, é uma iniciativa artística que “questiona ideias de soberania, pertença e especulação, propondo uma reflexão crítica sobre território e habitação no mundo contemporâneo”. O projecto conta com apoio do Fundo de Desenvolvimento da Cultura, do Instituto Cultural, e, segundo a Macau Business, o artista explora conceitos e ideias em torno da ilha da Boega, situada na zona de Vila Nova da Cerveira e muito perto da fronteira com Espanha. Desta forma, o artista explorou as ideias de pertença e soberania em torno de um pedaço de terra com cerca de 50 hectares que está ao abandono há muitos anos. Em 2004, Cai Guo Jie começou a desenvolver o seu projecto “Half-Field Plan”, mediante a ideia de que um “mapa cadastral é um mapa de erros”, e esta mostra na Bienal de Vila Nova de Cerveira é uma continuidade disso. Que fronteiras? Ainda segundo a Macau Business, o artista descreve a ilha da Boega como um exemplo de um espaço de “erro”, revelando-se “Error Island” como um espaço “para o diálogo sobre o nosso desejo de liberdade, pertença e de um lugar a que chamamos casa”. Neste projecto, Cai Guo Jie também reflectiu sobre as “zonas de indeterminação que existem nos limites legais e administrativos do território”. “Territórios sem Fronteira” é o tema desta Bienal, que tem Mafalda Santos como directora artística daquela que é a 24.ª edição de um evento com muita história e também com relações com Macau. Destaca-se, por exemplo, a presença da Fundação Bienal de Arte de Cerveira na “Arte Macau: Bienal Internacional de Arte de Macau 2023”, seguindo-se, no ano passado, a mostra “Aqueles que nos desejam Falar”, das artistas portuguesas Susana Gaudêncio e Carla Castiajo. Esta exposição, patente no Albergue da Santa Casa da Misericórdia, foi o resultado da parceria feita em 2023 e também contou com Mafalda Santos no acompanhamento artístico. Cai Guo Jie nasceu em Hsin Chu, Taiwan, tendo-se mudado para Macau em 2011. É formado pelo Colégio de Belas-Artes (College of Fine Arts), da Universidade Nacional de Taiwan em Pintura, possuindo também um mestrado na mesma área, com especialização em instalação. O artista já fez inúmeras exposições a solo ou em grupo expostas em Macau e Taiwan.
Hoje Macau EventosFilme de animação chinês de baixo orçamento viral dispara nas bilheteiras O filme chinês de animação “Niu Lai”, realizado com um orçamento baixo e estreado praticamente sem promoção, transformou-se num dos fenómenos de bilheteira mais inesperados do Verão no país depois de se tornar viral nas redes sociais. A produção, estreada a 05 de Agosto, já acumula 9,31 milhões de yuan nas bilheteiras, segundo dados da plataforma especializada Maoyan, que tinha registado apenas 10.000 yuan de receita durante a primeira semana nos cinemas do país. A mesma plataforma prevê agora que o filme possa arrecadar 18,4 milhões de yuans (nos 30 dias seguintes ao lançamento. Com 86 minutos e realizada com uma animação tridimensional rudimentar, “Niu Lai” ocupava este domingo o sexto lugar da bilheteira diária chinesa. “É incrível que um filme de tão baixa qualidade tenha sido estreado em salas”, comentou uma utilizadora na rede social Weibo, semelhante à rede social X, bloqueada na China. O título, que se pode traduzir como “Vem aí o touro”, acompanha um vitelo que, após ouvir uma cotovia vinda do deserto, mergulha num sonho em que cresce até se tornar num guerreiro disposto a assumir maiores responsabilidades. O filme foi produzido pela Dalian Jingyuan Culture Film and Television Media, uma empresa anteriormente especializada em decoração de interiores, antes de mudar de foco para a animação em 2021. O realizador Xin Yumeng e a argumentista Sun Lifang são os únicos membros da equipa de produção e responsáveis pelas vozes das personagens. A distribuidora disse aos meios de comunicação chineses que, inicialmente, aconselhou o realizador a não lançar o filme, mas que este insistiu, tendo passado cinco anos a criá-lo manualmente. O salto de popularidade ocorreu depois de imagens gravadas pelos primeiros espectadores começarem a circular nas redes sociais, chamando a atenção pelo aspecto dos personagens e cenários. Sorte grande Na versão chinesa do TikTok, vídeos do filme acumulavam ontem 1.460 milhões de visualizações, enquanto outros temas relacionados somavam dezenas ou centenas de milhões, constatou a EFE. O filme chegou a liderar as tendências do Weibo, ultrapassando em popularidade o filme “A Odisseia”, de Christopher Nolan. Segundo o meio local The Paper, a receita diária multiplicou-se por 200 em apenas uma jornada, passando de cerca de 3.000 yuan para aproximadamente 600.000 yuan, enquanto a escassez inicial de sessões levou ao esgotamento de bilhetes em algumas projecções. O fenómeno gerou ainda uma onda de memes e cartazes criados pelos próprios internautas, que parodiaram títulos famosos como “Os Condenados de Shawshank”, “Titanic” ou “A Odisseia”, usando os personagens de Niu Lai. Analistas citados pela imprensa local comparam o sucesso de Niu Lai ao estatuto de culto adquirido de “O Quarto”, filme de Tommy Wiseau de 2003, célebre precisamente pelas suas deficiências técnicas.
Hoje Macau EventosCentenário evoca obra da poeta e jornalista Noémia de Sousa A poeta e jornalista Noémia de Sousa, consagrada como a “mãe dos poetas moçambicanos” por ter feito da literatura uma arma contra o colonialismo, assinala 100 anos em 20 de Setembro, data que evoca o seu legado. Pioneira da poesia no seu país e a primeira mulher negra a publicar em Moçambique, Carolina Noémia Abranches de Sousa Soares (1926-2002), mais conhecida como Noémia de Sousa, deixou a sua marca na cultura e no jornalismo em língua portuguesa. Nascida em 20 de Setembro de 1926, em Catembe, Moçambique, e criada no histórico bairro da Mafalala, em Maputo, foi aí que escreveu os seus poemas que exaltam os valores africanos e de denúncia da opressão, como o célebre poema “Deixa passar o meu povo”. Perseguida pela Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE) pelo seu activismo e pela ligação aos movimentos de libertação, Noémia de Sousa assinava com o pseudónimo literário Vera Micaia para contornar a censura do Estado Novo. Quando começou a escrever poemas, utilizava também as iniciais N. S., embora por motivos pessoais. A sua escrita concentrou-se num período muito curto, entre 1948 e 1951, mas a sua obra dispersa acabou por influenciar decisivamente as futuras gerações intelectuais do seu país. Exílio na Europa A perseguição política forçou-a ao exílio em Portugal, em 1951, e mais tarde a uma fuga “a salto” para Paris, França, em 1964. A fuga para Paris deveu-se à ligação que tinha com o Centro de Estudos Africanos, cujas reuniões eram realizadas na Casa da Tia Andreza, tia da poeta são-tomense Alda Espírito Santo. Após o regresso a Lisboa, dedicou a vida ao jornalismo. Já depois de ter trabalhado na ANI, ingressou na agência Reuters em 1972, transitando mais tarde para as agências de notícias portuguesas ANOP (1982-1986) e Lusa (1986-2001), onde continuou a trabalhar mesmo depois de se reformar. Em 2001, foi publicada uma colectânea dos poemas, que escreveu entre 1948 e 1951, intitulada “Sangue Negro”, pela Associação de Escritores Moçambicanos (AEMO), sendo depois reeditado por Nelson Saúte em Moçambique e, mais tarde, lançado no Brasil pela editora Kapulana. Em Outubro de 2024, a obra ganhou uma edição em francês, com o título ‘Sang Noir’, publicada pela editora ‘Project’îles’. Para assinalar a data do seu centenário, a agência Lusa vai promover uma homenagem que reunirá antigos colegas de profissão, representantes da comunidade moçambicana e artistas cuja criação continua a ser influenciada pela obra da autora. Além desta iniciativa, o escritor moçambicano Nelson Saúte vai lançar uma obra biográfica, intitulada “Se me quiseres conhecer – Noémia de Sousa: Biografia literária”, que vai ser apresentada em 1 de Setembro no Brasil, pela editora Kapulana, em Setembro a edição moçambicana do livro também será lançada e será depois apresentada, em Lisboa, em 20 de Setembro.