Canções narrativas Naamyam amanhã na Casa de Lou Kau

A Associação de Ópera Chinesa Au Kuan Cheong realiza amanhã, sábado, o “Recital de Naamyam do Património Cultural Imaterial 2026 – Especial Festival do Meio do Outono”, que decorre na Casa de Lou Kau entre as 14h30 e as 17h.

Segundo um comunicado da organização, pretende-se dar a conhecer a “dimensão emotiva” das canções narrativas de Naamyam, que originalmente eram cantadas por cegos. Nos anos 50, a Rádio Vila Verde de Macau transmitia estas narrativas cantadas, e que hoje estão inscritas na Lista do Património Cultural Intangível de Macau.

O recital conta com a participação do mestre Au Kuan Cheong, uma das figuras mais importantes na preservação e transmissão ao público das narrativas Naamyam, procurando este evento “criar uma forte ligação com o espírito de festividade” do Festival do Meio Outono.

O repertório inclui canções como “Tristezas de Outono de um Viajante”, bem como “O Senhor Guan Acompanha as suas Cunhadas”, onde se destacam sentimentos como a lealdade e a honra. As emoções humanas estão também presentes em “Lamento ao Longo das Cinco Vigílias da Noite”, além de que um amor não correspondido é a história por detrás de “Nuvens Persistentes da Devoção”.

Repertório variado

Canções como “A Confissão do Erudito Wang”, ou “Li Qingzhao” fazem também parte do repertório do espectáculo na Casa de Lou Kau, sendo que esta última “retrata a extraordinária resiliência e a profunda sinceridade da célebre poetisa da Dinastia Song”. Com a canção “O Palácio da Vida Eterna” revela-se a “devastadora impotência e a trágica despedida”, enquanto “Uma Visita numa Noite de Neve ao Monge Apaixonado” traz sentimentos e ideias de “serenidade e desprendimento filosófico”.

A organização espera que, com este recital, “mais residentes e visitantes possam conhecer e apreciar esta forma de património cultural imaterial”, existindo o compromisso de “salvaguardar e divulgar as canções narrativas Naamyam, procurando preservar a sua vitalidade e manter a sua relevância na sociedade contemporânea”.

De destacar que desde 1995 que a Associação de Ópera Chinesa Au Kuan Cheong, fundada por este, se dedica a promover as canções narrativas Naamyam com sessões de formação e espectáculos. É a entidade reconhecida pelas autoridades como sendo responsável pela preservação deste património.

25 Set 2026

Galaxy Promenade com peças do escultor chinês Gao Xiaowu

Uma exposição de arte do escultor chinês Gao Xiaowu, intitulada “Dream Voyage at Galaxy Resort: Gao Xiaowu’s Art Exhibition”, pode ser vista no Galaxy Promenade, no empreendimento Galaxy Macau, até ao dia 17 de Novembro.

Segundo um comunicado da operadora de jogo, trata-se de uma “viagem imersiva pelos sonhos, gratidão e amor”, apresentando-se seis conjuntos de obras representativas de Gao Xiaowu. Estas dispõem-se em “cinco capítulos temáticos que exploram diferentes etapas da vida e a procura dos sonhos”.

Na obra “Dreams Begin” estão patentes os sentimentos de esperança e imaginação, enquanto em “Breaking the Mold” pode-se sentir a “celebração da individualidade”. Já em “Dreams Return”, trata-se de uma peça que “incentiva os visitantes a reencontrarem as suas aspirações originais e a reavaliarem os seus sonhos”, enquanto com o trabalho “Gratitude Shared” faz uma “homenagem ao apreço sincero”.

A “viagem” pelo trabalho deste escultor termina com a peça “Love Expressed”, focado na ideia de que o amor “constitui uma força poderosa, capaz de sustentar os sonhos e reforçar ligações significativas”.

O aqui e agora

Na mesma nota, é descrito como Gao Xiaowu é, nos dias de hoje, “um dos mais reconhecidos escultores contemporâneos da China”, sendo “amplamente conhecido pela filosofia do ‘the moment that is'”. Faz-se, portanto, a apologia do momento presente, e também da prática das “popular arts”, ou seja, artes que “pertencem às pessoas comuns”, como se lê no website oficial do artista.

“Gao Xiaowu procura inspiração nas experiências, emoções e aspirações das pessoas comuns. Através de uma linguagem visual marcada pelo humor, calor humano e acessibilidade, Gao explora a vida urbana, as questões sociais e as relações humanas, transmitindo simultaneamente um forte sentido de empatia e de envolvimento com o público”, lê-se ainda.

Nascido em 1976, em Fujian, Gao Xiaowu formou-se na Xia Men Art Academy em Escultura, curso que terminou em 1999. Formou-se na mesma área, mas na Central Academy of Fine Arts em 2004. Passou pela Catalunha, Espanha, para fazer um mestrado em “Film Business and Management” na Catalan School of Film and Audiovisual Studies, vivendo actualmente em Pequim.

25 Set 2026

Exposição | Dinastia Tang é protagonista em “Imperatriz Reinante”

Foi inaugurada esta quarta-feira mais uma mostra patente no Museu de Macau. Trata-se de “A Imperatriz Reinante – Wu Zetian e a Divina Capital de Luoyang”, com mais de uma centena de peças que remontam aos anos da dinastia Tang. Trata-se de artefactos cedidos por instituições culturais da província de Henan

O terceiro andar do Museu de Macau acolhe até ao dia 28 de Fevereiro mais uma mostra que junta cultura e história da China. Tal é possível com a exposição “A Imperatriz Reinante – Wu Zetian e a Divina Capital de Luoyang”, que apresenta em Macau 126 itens ou conjuntos de artefactos cedidos por oito instituições culturais e museus da província de Henan, nomeadamente o Museu de Henan, a Academia das Grutas de Longmen, o Museu de Luoyang, o Instituto de Arqueologia de Luoyang, o Museu de Túmulos Antigos de Luoyang, o Museu Cultural do Grande Canal das Dinastias Sui e Tang, o Museu de Yanshi e o Museu do Condado de Xin’an.

Segundo uma nota disponibilizada pelo Instituto Cultural (IC), pretende-se, com esta mostra, “promover o intercâmbio histórico e cultural entre Henan e Macau”, além de se “destacar o papel de Macau como janela importante para o intercâmbio e a aprendizagem mútua entre as civilizações chinesa e ocidental”. Esta é uma organização conjunta do Governo de Macau e da Administração Provincial do Património Cultural da Província de Henan.

Era dourada

Destaca-se, do conjunto de peças em exposição, 21 itens ou conjuntos que são “relíquias culturais de Primeira Classe, incluindo a Faixa de Ouro de Absolvição de Wu Zetian, uma estátua de pedra de uma figura guardiã, uma estátua de Tathagata de pé, figuras de cerâmica pintadas de um cavalo e seu domador ou um cavalo de esmalte tricolor e um espelho de bronze com motivos de criaturas marinhas e uvas”.

Há cinco áreas em que se divide a mostra, que apresenta, desta forma, “um panorama multidimensional da era gloriosa da dinastia Tang sob as perspectivas do planeamento urbano, filosofia, cultura, vida social, sistemas rituais e jurídicos e dos intercâmbios internacionais”.

A mostra inclui também uma forte componente multimédia de interacção com o público, nomeadamente uma “cabine fotográfica com Inteligência Artificial”, o que permite “uma forma acessível e envolvente de aprender sobre a cultura, a arte e a sociedade da dinastia Tang”.

A exposição terá, posteriormente, uma versão digital com recurso a realidade virtual, e que pode ser vista a qualquer altura no website do Museu de Macau.

Uma vez que Macau celebra o Festival do Meio Outono, que antecede as celebrações da implantação da República Popular da China, o Museu de Macau e o Jardim da Fortaleza do Monte estarão abertos hoje até às 22h30, estando também abertos este sábado e domingo até às 21h. Nestes dias o jardim terá uma decoração temática da dinastia Tang, uma zona para fotografias e uma área para a prática de pickleball.

25 Set 2026

SCML | Cinema de Macau apresentado hoje em Lisboa

A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) apresenta hoje uma sessão dedicada ao cinema de Macau, apresentando quatro curtas-metragens realizadas entre os anos de 1923 e 1974. As sessões decorrem na Casa Ásia – Coleção Francisco Capelo a partir das 18h, estando limitadas a 50 vagas, com um custo de dez euros por pessoa.

Segundo uma nota disponibilizada no website da SCML, pretende-se, com esta sessão, fazer uma “viagem pela história de Macau através do cinema”, mostrando ao público “diferentes olhares sobre Macau e a forma como o cinema retratou, ao longo do século XX, o encontro entre o Ocidente e o Oriente”.

Revelam-se trabalhos cinematográficos disponibilizados pela Cinemateca Portuguesa e que têm a assinatura de Manuel Antunes Amor, Ricardo Malheiro e António Lopes Ribeiro. “As obras permitem acompanhar diferentes formas de representar o território ao longo do século XX: do progresso urbano e monumental registado nos anos 1920 à valorização da herança histórica e religiosa nas décadas seguintes, passando pelas visitas institucionais e pela construção de uma imagem de Macau enquanto lugar de encontro entre culturas”, descreve-se.

Na tela observa-se, assim, “um percurso de cinco décadas de imagens, que permite revisitar a história de Macau e compreender diferentes perspectivas sobre as relações entre Portugal e o território”.

24 Set 2026

Cinema asiático em destaque no DocLisboa 2026

A edição deste ano do DocLisboa, festival inteiramente dedicado ao género documentário, traz algumas produções asiáticas. O evento decorre entre os dias 15 e 25 de Outubro em várias salas de cinema de Lisboa e conta com Hélder Beja, ex-residente em Macau, como director.

Nas competições internacionais inclui-se ” The Measured Everlasting Is 1.334 Billion Years”, do realizador tailandês Thunska Pansittivorakul, que faz a sua estreia mundial e é uma produção conjunta da Tailândia, Hong Kong e China.

Segundo a sinopse, “o filme foi pensado como a carta de suicídio do realizador – um registo de ansiedades, medos, desejos e últimas memórias”. Mas algumas dessas memórias “permanecem profundamente enraizadas, surgindo num limbo ou como visões no leito de morte”, sendo que o filme “está repleto de imagens do órgão sexual masculino, inegavelmente o motor por trás da própria civilização, impulsionando o mundo tanto na sua beleza como na sua depravação”.

Este documentário aborda, “a partir desta provocação”, a “ascensão e queda da imprensa pornográfica homossexual na Tailândia, sempre entrelaçada com o clima político instável do país”.

Viagens e mitos

Destaque ainda para a estreia de “13 Alfinetes”, de João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata, dois realizadores que já filmaram em Macau. Neste documentário explora-se o papel do sagrado no mundo contemporâneo, nomeadamente o Santo António de Lisboa através da pintura de Goya. Na sinopse do festival, lê-se que este documentário é “uma história de amor, vingança e sangue”, partindo “de uma encenação de um episódio supostamente ocorrido na Lisboa medieval, filtrado no cosmopolita século XVIII madrileno e desaguando, de novo, em Lisboa, hoje, onde milagres, na verdade, não acontecem”.

Na secção “Da Terra à Lua”, com documentários que “interrogam as imagens e aquilo que elas revelam sobre o passado e o presente”, apresenta-se “Du Ling zhi ying (Torino Shadow)”, de Jia Zhangke. Na tela conta-se a viagem de uma mulher num percurso do sul da China até Turim, em Itália, em busca do marido. Porém, “a partida inesperada a conduz a um reencontro consigo própria — e com o cinema”.

24 Set 2026

Fogo-de-Artifício | Pirotecnia Duarte conta chegada dos portugueses a Macau

É amanhã, sexta-feira, a partir das 21h, que a empresa Pirotecnia Duarte, que representa Portugal na 34.ª edição do Concurso Internacional de Fogo-de-Artifício de Macau, apresenta um espectáculo inspirado na história que une o país ao território. Nos céus da RAEM estarão espelhados os Descobrimentos, a presença portuguesa e séculos de convivência

Lina Guedes está em Macau em nome da Pirotecnia Duarte, empresa portuguesa que concorre na 34.ª edição do Concurso Internacional de Fogo-de-Artifício de Macau (CIFAM). Amanhã, a partir das 21h, o público poderá ver um espectáculo de luzes e cor com muitas mensagens pelo meio, ou não fosse uma empresa portuguesa a participar no evento de uma terra tão distante e, ao mesmo tempo, tão próxima.

A presença dos portugueses em Macau e as rotas marítimas da Seda são o tema e a influência principal deste espectáculo de fogo-de-artifício. “Para nós, Pirotecnia Duarte, é realmente motivo de grande orgulho poder estar num dos maiores festivais internacionais de pirotecnia. Decidimos pensar um espectáculo pirotécnico que traduzisse a profunda relação e ligação de Macau a Portugal, pelo que atribuímos ao nosso espectáculo o título de ‘442’, que remete, precisamente, para os 442 anos de presença portuguesa em Macau”, explicou.

Desta forma, a Pirotecnia Duarte promete apresentar um espectáculo que traduz “séculos de encontros, diálogos, trocas, de influências culturais e também artísticas que contribuíram para a construção da identidade tão particular e única de Macau”.

Lina Guedes adiantou que, em termos de narrativa visual, a Pirotecnia Duarte vai tentar “retratar a partida dos navegadores portugueses, a travessia dos oceanos, os desafios que foram encontrados durante toda a viagem no mar, a descoberta das novas rotas comerciais, traduzir todo um percurso marítimo até à chegada a Macau”.

“442” é, assim, “uma metáfora visual do tempo”, em que a música também irá marcar uma presença especial. “Toda a sonoplastia desenhada para este espectáculo foi inspirada na rota marítima desbravada pelos portugueses até à chegada a Macau, e inclui todas as sonoridades características desta viagem, nomeadamente marítimas, da chegada, da euforia sentida, da confluência de duas civilizações e culturas.”

Inovação em português

Lina Guedes referiu que o público pode esperar “uma simbiose entre elementos artísticos, artefactos pirotécnicos e toda a componente musical utilizada também para o espectáculo”, tratando-se “442” de uma “celebração pelo facto de, durante 442 anos, termos tido uma relação tão próxima e profunda que nos ligou para o futuro”.

Desta forma, a criação da empresa portuguesa faz também “uma celebração para o futuro, com a criação de pontos culturais, profundos e históricos que nunca serão apagados”, acrescentou. A responsável destacou que a presença da Pirotecnia Duarte nesta edição do CIFAM é algo positivo para o sector em Portugal, tratando-se de um “palco para as empresas portuguesas se poderem apresentar”.

“Trata-se de um concurso internacional muito prestigiado. Não é só o reconhecimento de que a arte pirotécnica portuguesa é realmente muito apreciada, elogiada e reconhecida internacionalmente, mas a presença assídua e frequente das empresas portuguesas neste festival é também uma forma de reconhecimento da qualidade que apresentam.”

Na visão de Lina Guedes, esta presença faz-se notar pela “forma diferente, em termos estéticos, artísticos e de composição, que as empresas portuguesas apresentam nos seus espectáculos”. “Esta é uma forma de reconhecimento, pois somos verdadeiramente elogiados internacionalmente e requisitados pela qualidade artística que temos”, rematou.

Uma vez que Lina Guedes é também presidente da Associação Nacional de Empresas de Produtos Explosivos (ANEPE), questionámo-la acerca do panorama do sector em Portugal. E a verdade é que este “evoluiu de forma brutal nos últimos 20 anos”, disse a dirigente.

“Todos os desafios artísticos associados à pirotecnia a nível internacional já estão a ser implementados por empresas portuguesas, e temos também, neste momento, empresas portuguesas a desenvolver soluções ainda mais avançadas para outras componentes de espectáculo. Temos portugueses a desenvolver protótipos de artigos e artefactos para serem usados internacionalmente por outras empresas mais competitivas, e que têm outros tipos de mercados.”

Também amanhã actua, a partir das 21h40, a empresa “Faseecom”, da Coreia do Sul. Os espectáculos podem ser vistos na zona ribeirinha perto dos lagos Nam Van, Sai Van e Torre de Macau.

24 Set 2026

Albergue SCM | Festival do Meio Outono celebrado esta sexta-feira

O Albergue da Santa Casa da Misericórdia (SCM) acolhe, esta sexta-feira, uma festa de celebração do Festival do Meio Outono, com o nome “Celebration of the Moon – Mid-Autumn Festival 2026” [Celebração da Lua – Festival do Meio-Outono 2026].

A celebração tem entrada gratuita e decorre entre as 18h30 e as 21h, sendo que neste dia também será inaugurada a exposição das tradicionais lanternas do coelho, intitulada “Little Rabbit Lanterns – An Exhibition by Carlos Marreiros and Friends – Part 20 | Celebration of the 77th Anniversary of the People’s Republic of China” [Lanternas do Coelhinho – Uma Exposição de Carlos Marreiros e Amigos – Parte 20 | Celebração do 77.º Aniversário da República Popular da China].

Segundo um comunicado do Albergue SCM, haverá “diversas actividades” para celebrar esta data do calendário, muito ligada à cultura chinesa, disponibilizando-se também petiscos tradicionais e música ao vivo. Do rol de actividades inclui-se, por exemplo, uma “sessão de partilha e decoração de lanternas”.

Na festa participam também membros da Associação de Mulheres Calígrafas, Pintoras e Escultoras de Macau [Macau Women Calligraphers, Painters and Sculptors Association], que prometem apresentar “os seus dotes artísticos” nesta sessão com as lanternas. “Os participantes poderão levar consigo uma lanterna decorada com tinta e assistir a demonstrações de caligrafia chinesa ao vivo”, é revelado.

A exposição, que pode ser vista até ao dia 25 de Outubro, apresenta lanternas com criações únicas de artistas locais, tratando-se de uma “mostra cativante que combina cultura e criatividade de artistas de várias partes do mundo”.

O evento é organizado pelo CAC – Círculo dos Amigos da Cultura de Macau, fundado no território em 1985 por figuras reconhecidas do panorama artístico local, alguns deles já falecidos, como é o caso do pintor Mio Pang Fei. Carlos Marreiros, Kwok Woon, Un Chi Iam, Ung Vai Meng e Victor Marreiros também fizeram parte do grupo fundador do CAC.

23 Set 2026

Pintura | Novos trabalhos de Alice Costa em “A Piece of Art, A Piece of Mind”

É hoje inaugurada uma nova exposição de Alice Costa (Lili), que trocou uma carreira na área jurídica para abraçar o mundo das artes. É na Vic’s Art Gallery, nova galeria de arte na Doca dos Pescadores, que se apresenta “A Piece of Art, A Piece of Mind”, repleta de trabalhos recentes em pintura

A artista abandonou uma carreira no mundo da justiça para pintar o que lhe vai na alma e na mente. As pinturas de Alice Costa (Lili), pintora macaense, preenchem, a partir de hoje, a Vic´s Art Gallery, a nova galeria de arte da Doca dos Pescadores e que se situa no Vic’s Restaurant, no Rocks Hotel. “A Piece of Art, A Piece of Mind” é hoje inaugurada a partir das 18h30, podendo ser visitada até 7 de Novembro.

Ao HM, a artista confessou que vai apresentar ao público “uma série de obras recentes” feitas de propósito para esta mostra. “O meu processo criativo é muito intuitivo e emocional. Começo geralmente por uma base de sentimentos ou uma memória específica, e depois vou construindo camadas de tinta, muitas vezes usando espátula, pincel, acrílico, óleo. Deixo que a tela me guie, adicionando e retirando elementos até sentir que a obra alcançou a energia que eu queria transmitir”, descreveu.

Alice Costa (Lili), de nome completo Alice Leonor das Neves Costa, formou-se em Direito na Universidade de Macau, tendo sido a primeira mulher juíza local no território.

Porém, a paixão pela arte acabou por falar mais alto. “Conciliar a magistratura com a arte foi um exercício de equilíbrio. A carreira jurídica exigia de mim objectividade, rigor e racionalidade, enquanto a arte me pedia subjectividade, emoção e liberdade. Apesar de gostar muito da minha carreira jurídica, a área que mais me preenche como pessoa é, sem dúvida, a arte. É na pintura que encontro a minha total expressão e plenitude.”

A artista destaca como a arte e mente estão “intrinsecamente ligadas”.

“O meu processo de pintura é uma forma de meditação e autoconhecimento. Quando estou diante da tela, o mundo exterior desliga-se e foco totalmente no momento presente. A pintura é o meu refúgio e a minha forma de comunicação mais honesta.”

Desta forma, acrescenta, os seus quadros representam a sua liberdade, identidade e “uma forma de transformar as inquietações e alegrias em algo visual que possa tocar outras pessoas”.

“Um panorama artístico único”

Numa altura em que o território vê inaugurar um novo espaço de exposições, Alice Costa (Lili) considera que Macau “tem um panorama artístico único e em crescimento”.

“É uma fusão fascinante de culturas, onde a tradição chinesa se cruza com a herança portuguesa, o que cria uma identidade visual muito própria”, disse, apontando que, neste contexto, “a comunidade artística de Macau é muito resiliente e unida”. “Há cada vez mais apoio e interesse por parte do público e das entidades locais”, frisou.

Questionada sobre as suas principais influências na pintura, Alice Costa (Lili) diz serem “bastante ecléticas”, indo “desde os grandes mestres da arte abstracta e do expressionismo, como Jackson Pollock ou Joan Mitchell, até artistas contemporâneos que trabalham a textura e a matéria”.

Porém, a sua “maior influência” é “a própria vida: as cores da natureza, as emoções humanas, as viagens e a rica mistura cultural de Macau”. Todos estes elementos “acabam por transparecer nas minhas telas”.
Alice Costa (Lili) fez um curso de pintura na Casa de Portugal em Macau com o também pintor Joaquim Franco. Desde aí não mais deixou de fazer criações na área da pintura figurativa e abstraccionismo.

A última mostra a título individual que fez foi em Janeiro deste ano, com “Flow”, apresentada na Creative Macau.

23 Set 2026

“Artes na Rua” | Visita comentada este sábado no Consulado

Chega ao fim este sábado, dia 26, a exposição “As Artes estão na Rua! Portugal 1974-1978”, sendo que o público pode ter acesso, às 16h, a uma visita comentada com Catarina Cortesão Terra, Conselheira do Conselho Consultivo da área consular de Macau e Hong Kong.

Segundo um comunicado do Consulado-geral de Portugal em Macau e Hong Kong, Catarina Cortesão Terra “acompanhou a execução do projecto e irá abordar a sua perspectiva sobre a relação entre as artes e o espaço público durante o período revolucionário português (1974-1978)”, ou seja, quando terminou o regime ditatorial do Estado Novo, a 25 de Abril de 1974. A mostra abrange também os meses do chamado PREC – Processo Revolucionário em Curso, em 1975, e a implementação da primeira Constituição pós-ditadura, em 1976.

Esta mostra teve curadoria de Margarida Brito Alves e Cristina Pratas Cruzeiro, apresentando uma narrativa crítica estruturada em cinco temas, nomeadamente “Celebração, Cooperação, Participação, Comunicação e Dissensão”. Foi inaugurada, pela primeira vez, a 11 de Abril, em Portugal.

Segundo a mesma nota, convidam-se os interessados “a participar num evento de celebração e reflexão sobre a arte, a cidadania e a memória”.

22 Set 2026

Gastronomia | Clube Militar apresenta pratos de Belmiro de Jesus

O Clube Militar acolhe uma nova edição do Festival de Gastronomia e Vinhos de Portugal – Sabores e Aromas do Outono 2026, com as iguarias do chef português Belmiro de Jesus, fundador do restaurante Belmiro, em Lisboa. Na cozinha, vai estar também José dos Santos

Em Lisboa é o nome por detrás do restaurante Belmiro. Em Macau, o chef português Belmiro de Jesus promete apresentar as suas melhores criações gastronómicas já a partir desta semana, entre os dias 25 de Setembro e 4 de Outubro, no Clube Militar. A vinda do chef português acontece por ocasião da nova edição do Festival de Gastronomia e Vinhos de Portugal – Sabores e Aromas do Outono-2026, sendo que Belmiro de Jesus se faz acompanhar do seu assistente, José dos Santos. De notar que este evento se realiza há mais de 20 anos.

Segundo uma nota do Clube Militar, Belmiro de Jesus é “um reconhecido chefe português”, sendo conhecido pelas suas criações dentro do universo da gastronomia tradicional portuguesa. Natural de Fiolhoso, em Trás-os-Montes, o chef construiu uma carreira sólida ao longo de várias décadas dedicadas à restauração, tornando-se uma referência na preservação e valorização dos sabores autênticos da cozinha nacional.

O percurso na cozinha começou em 1990, tendo trabalhado na “Adega da Tia Matilde”, em Lisboa. Em 2005 ajudou a criar o restaurante “Salsa & Coentros”, tendo depois lançado o projecto “Bel’empada”, marcado pelas empadas artesanais, que se tornaram na sua imagem de marca.

O restaurante Belmiro, “um dos seus projectos mais pessoais”, abriu portas em 2020, sendo um espaço onde “apresenta uma cozinha genuinamente portuguesa, com especial destaque para pratos de caça, receitas tradicionais de tacho e preparações que respeitam os métodos clássicos da culinária nacional”.

Sempre a qualidade

No Belmiro, o seu criador defende “uma cozinha baseada na qualidade dos ingredientes, no respeito pelas tradições e na valorização do património gastronómico nacional”. Já José dos Santos construiu uma carreira sólida e multifacetada em hotelaria e restauração, tendo já 43 anos de experiência nestas áreas. Ao longo do seu percurso, passou por prestigiadas unidades hoteleiras portuguesas e pelo exigente sector dos cruzeiros internacionais.

Segundo a nota do Clube Militar, José dos Santos integrou equipas na Quinta da Penha Longa, Hotel Albatroz e o histórico Hotel Palácio Estoril, “tendo adquirido elevados padrões de qualidade, rigor e atenção ao detalhe”, é descrito.

A parceria com Belmiro de Jesus existe desde 2000, tendo-se transformado também “numa amizade duradoura, muito assente na paixão comum pela defesa e valorização da cozinha tradicional portuguesa”. Ambos “procuram preservar e promover os sabores, os produtos e as tradições que fazem parte da identidade gastronómica nacional”.

22 Set 2026

Sérgio Raimundo destaca importância da escritora moçambicana

O escritor moçambicano Sérgio Raimundo, 34 anos, vencedor de vários prémios literários, atribui à poeta Noémia de Sousa a sua voz e acredita que foi ela que o ensinou a estar dentro do verso, da poesia e no mundo.

O autor de “A ilha dos mulatos”, que se encontra em Macau a escrever um romance histórico, disse à agência Lusa que tem com Noémia de Sousa uma relação “artificialmente familiar”, criada pela “intimidade literária”.

“Ela ensinou-me a minha própria voz; mostrou-me como eu devia ser e estar dentro do verso, da poesia e no mundo”, afirmou. Raimundo começou por passar pelos poemas de Noémia de Sousa, que este ano completaria 100 anos, “como quem passa por uma rua desconhecida”.

“Isso aconteceu, em grande parte, porque tive professores que não nos acendiam o amor por coisas belas como a literatura; professores que se punham na sala de aula, muitas vezes, simplesmente para cumprir o seu dia laboral. Entretanto, mesmo no meio daquele matagal, eu sentia qualquer coisa que me interessava na Noémia de Sousa”, referiu.

“Influência gigante”

Sérgio Raimundo identifica uma “influência gigante” de Noémia de Sousa na sua caminhada “enquanto cidadão, pai, filho e pessoa”.

“A poesia de Noémia de Sousa tem diversas dimensões humanas impressionantes. Admira-me muito quando hoje falamos, no meu país, sobre cidadania, luta e direitos humanos sem nunca termos lido um poema de Noémia. Para mim, ela é uma verdadeira escola de coragem, de cidadania e, acima de tudo, de justiça. A poesia engajada da Noémia, a sua militância e a sua humildade desarmante na escrita são marcas que ficaram profundamente gravadas em mim. Creio que bebi muito dessa essência”, adiantou.

Apesar de considerar que “Noémia de Sousa é conhecida em Moçambique”, defende que “podia ser muito mais divulgada” e sublinha: “Afinal, a Noémia é nossa”. “Arrisco-me a dizer que, por exemplo, o Brasil celebra, estuda e investiga mais a obra de Noémia do que o meu próprio país. Noémia era uma voz universal, mas nós temos o dever de celebrá-la, estudá-la e mantê-la viva, porque ela é nossa!”.

E assume que gostaria que a voz da Noémia fosse hoje ouvida sem filtros. “Ouvindo a sua voz, iríamos, em grande parte, compreender tudo a que hoje assistimos. A luta das mulheres no meu país, por exemplo, se olhasse para a poesia de Noémia, ganharia um pilar firme e desarmante para sustentar as suas causas. A Noémia deveria ser uma das primeiras referências nacionais quando se fala na mulher moçambicana. Mas ninguém se recorda de Noémia, da sua luta, do quanto ela sofreu. Ninguém se recorda. E Noémia lutou até aos seus últimos dias”, prosseguiu.

Carolina Noémia Abranches de Sousa Soares, mais conhecida como Noémia de Sousa, nasceu em 20 de Setembro de 1926 em Calembe, Moçambique. A jornalista, tradutora e poeta moçambicana é considerada uma das figuras mais marcantes da literatura moçambicana e da resistência antifascista, sendo conhecida como “a mãe” dos poetas moçambicanos.

21 Set 2026

“MasterChef Asia” | Programa filmado no território estreia esta semana

Os dez episódios do concurso de culinária “MasterChef Ásia” filmados em Macau terão estreia esta semana em países como a Índia e Coreia. Mercados e bairros históricos serviram de pano de fundo a um programa que conta com chefs bem conhecidos do público, como Edward Lee, “Pam” Pichaya S. e Kelvin Cheung

Estreia esta semana em vários países asiáticos a série de dez episódios do “MasterChef Ásia” filmada em Macau. Segundo uma nota da Direcção dos Serviços de Turismo (DST), o popular concurso de descoberta de talentos culinários, e que tem edições em todo o mundo, conta com chefs famosos no júri, como Edward Lee, “Pam” Pichaya S. e Kelvin Cheung.

O programa, produzido pela Warner Bros. Discovery e CreAsia Studio, como parte da produtora Endemol Shine India, estreia no canal TLC, no Sudeste Asiático, amanhã, 22; seguindo-se a estreia no Discovery Channel na quarta-feira, 23 de Setembro. O “MasterChef Ásia” também pode ser visto na plataforma de streaming HBO Max. A série será ainda lançada na TLC Índia e Médio Oriente, respectivamente amanhã, dia 22, e quinta-feira, dia 24 de Setembro, sem esquecer a estreia no canal Discovery Channel na Coreia do Sul esta quarta-feira, dia 23 de Setembro.

Segundo uma nota da DST, esta série do concurso contou com “desafios culinários que tiveram lugar em mercados emblemáticos de zonas comunitárias”, sem esquecer os “restaurantes estrela-Michelin em resorts integrados”, reunindo-se dez concorrentes, incluindo uma participante de Macau, de nome Sandy Tang.

Os restantes concorrentes são o chef vietnamita-australiano Khanh Ong; o dono de restaurante Sahadol “Pond” Tantrapim; Marcus Low, chef de pastelaria da Malásia; a especialista de gastronomia coreana Areum Yoon; Nambie Jessica Marak, “Embaixadora Culinária e Cultural de Meghalaya”; e ainda os chefs de cozinha asiática Audrey Wicksana, Therese Lum, Mime Kataniwa e Ivory Yat.

A ideia do “MasterChef Asia” é pôr chefs de diferentes países e regiões à prova, “à medida que estes põem à prova as suas capacidades, criatividade e versatilidade, sendo avaliados por um elenco de renome da cozinha asiática”.

Património na televisão

Segundo a DST, esta série de episódios revela “o património cultural de Macau de encontro entre o Oriente e o Ocidente, a forte oferta de restauração e o desenvolvimento [de Macau] como Cidade Criativa da UNESCO em Gastronomia”.

O programa será marcado por “uma nova ronda de exigentes desafios culinários que mostrarão o charme único do destino [Macau] a públicos de mercados que são fontes de visitantes internacionais prioritários para a DST”, é revelado.

Além do júri repleto de nomes bem conhecidos, há também outras personalidades convidadas, como é o caso do criador de conteúdos de comida Mark Wiens e os chefs Ken Chong e Julien Tongourian, que trabalham em Macau. A DST destaca como as filmagens deste programa na RAEM servem para “preparar terreno” para as celebrações do 10.º aniversário de Macau como

Cidade Criativa de Gastronomia, que decorrem no próximo ano. Assim, o “MasterChef Asia” contribui também para “mostrar a cultura gastronómica singular do destino e o seu dinâmico desenvolvimento como um centro mundial de turismo e lazer”.

O “MasterChef” é reconhecido pelo “Guinness World Records” como o “programa de cozinha em formato para televisão mais popular do mundo”, tendo sido adaptado para 74 mercados. O programa já tem mais de 750 temporadas e mais de 16 mil episódios exibidos. Criado por Franc Roddam e lançado em 1990, o popular programa é conhecido e apreciado em todo mundo.

21 Set 2026

FRC | Músico Zé Eduardo actua amanhã à noite

A Fundação Rui Cunha (FRC) apresenta amanhã, a partir das 21h, o concerto de Zé Eduardo, conhecido músico de jazz português que há muito mantém colaborações com Macau.

O “Zé Eduardo Jazz Workshop Presentation Concert” é, portanto, resultado de uma das muitas sessões formativas que o músico tem levado a cabo com talentos locais. Numa entrevista de 2023 com o HM, Zé Eduardo falou do trabalho feito com a Associação de Promoção do Jazz de Macau.

“Há dez anos começaram a ter aulas comigo e agora os que foram meus alunos já dão aulas. Notei que os alunos que participaram agora neste workshop são muito melhores do que aqueles que encontrei até aos anos da pandemia. Nestes anos treinaram os alunos de base, os iniciados. Agora há um nível de entrada [na carreira musical] que não é nada mau, e foi isso que me surpreendeu pela positiva”, referiu, falando da evolução da aprendizagem dos músicos locais na área do jazz.

18 Set 2026

Exposições | Caligrafia de Ung Si Meng para ver no Parisian

Ung Si Meng apresenta cerca de 80 trabalhos de caligrafia em mais uma mostra que celebra não apenas o seu percurso de dedicação à arte, mas também os 70 anos da Sociedade de Artistas de Belas-Artes de Macau. “Devoção à Sociedade e à Pátria: Caligrafia de Ung Si Meng” é o nome da iniciativa que pode ser vista no The Parisian Macau até Outubro

O artista de caligrafia chinesa Ung Si Meng protagoniza uma mostra com o seu nome que celebra não apenas este género artístico como a sua carreira no mundo das artes. Mas “Devoção à Sociedade e à Pátria – Caligrafia de Ung Si Meng” é uma exposição que marca também o aniversário da Sociedade dos Artistas de Belas-Artes de Macau, que este ano celebra 70 anos de existência. A mostra pode ser vista no terceiro piso do The Parisian Macau, no Cotai, até ao dia 15 de Outubro.

Segundo uma nota do Instituto Cultural (IC), que dá apoio à organização, apresentam-se cerca de 80 trabalhos de caligrafia, “predominantemente em escrita clerical e escrita de selo, abrangendo formatos como rolos verticais, peças para centro de sala, folhas de leque e dísticos”.

O artista retrata, com o pincel, “citações do Presidente Xi Jinping, máximas inspiradoras, poesia clássica chinesa, bem como reflexões do artista durante o processo de doação para a construção da Ponte Ci’an, em Xi’an”.

Segundo a mesma nota, “a produção artística de Ung Si Meng está consistentemente impregnada de um profundo sentimento pela Pátria, e nas suas obras exprime o respeito pela cultura nacional e apresenta uma reflexão sobre a responsabilidade social”.

Tendo em conta a celebração dos 70 anos da Associação dos Artistas de Belas-Artes de Macau, esta mostra revela também “as conquistas artísticas [de Ung Si Meng] na arte da caligrafia”, além de prestar “homenagem aos esforços e contributos de longa data para o desenvolvimento da área das belas-artes em Macau”.

Ung Si Meng conta já com 90 anos de idade, tendo dito na inauguração da mostra que sempre foi um “entusiasta amador que percorreu o caminho da caligrafia durante quase sete décadas”. Além disso, o artista explicou que sempre encarou esta arte como a “reflexão da pessoa”, e cada obra da sua autoria “incorpora as suas reflexões sobre a vida, fazendo a reverência pela arte”.

Para Ung Si Meng, “a caligrafia não é apenas uma forma de expressão artística, mas também um exercício de cultivo da mente e do espírito, que exige anos de prática árdua e uma contínua reflexão interior”.

Uma vida cheia

Ung Si Meng nasceu em Macau em 1934. Nos primeiros anos de carreira, leccionou na Escola Hou Kong, tendo dedicado depois muito do seu tempo ao serviço social. Foi deputado, na 9.ª e 10.ª legislaturas, da Assembleia Popular Nacional, bem como membro do Presidium e director do Comité Executivo da Comissão dos Diversos Sectores de Macau para as Actividades de Celebração do Retorno de Macau à Pátria.

Em 2002, foi agraciado pelo Governo de Macau com a Medalha de Honra Lótus de Prata, sendo, actualmente, membro honorário da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau. No âmbito artístico, exerceu durante longos anos cargos de direcção na Associação dos Artistas de Belas-Artes de Macau, da qual é actualmente presidente honorário vitalício.

Destaca-se o facto da obra de caligrafia da autoria de Ung Si Meng, “Prefácio da Cidade Proibida”, integrar a colecção da MGM Art Gallery, no MGM COTAI.

No discurso de abertura desta mostra, que decorreu esta terça-feira, dia 15, a presidente do IC, Leong Wai Man, destacou como o percurso do artista “não constitui apenas uma marca pessoal da sua vida, sendo também um retrato vivo da transmissão da cultura chinesa em Macau”. Para a responsável, o pincel e a tinta não representam apenas “o aperfeiçoamento da técnica, mas também o profundo afecto pela pátria e a firmeza cultural de um veterano de Macau”, destacou, citada por uma nota da organização.

18 Set 2026

Portugal candidata filme “A Memória do Cheiro das Coisas” aos Óscares

O filme “A Memória do Cheiro das Coisas”, de António Ferreira, foi a obra escolhida para representar Portugal na candidatura à nomeação para os Óscares, anunciou a Academia Portuguesa de Cinema.

“A Academia Portuguesa de Cinema felicita António Ferreira, a produtora, toda a equipa artística e técnica e os restantes profissionais envolvidos na realização de ‘A Memória do Cheiro das Coisas’, desejando-lhes o maior sucesso nesta nova etapa do percurso do filme”, pode ler-se no comunicado da academia.

O filme esteve em votação nas últimas semanas, entre os membros da academia, a par de “18 Buracos para o Paraíso”, de João Nuno Pinto, “Maria Vitória”, de Mário Patrocínio, “Primeira Pessoa do Plural”, de Sandro Aguilar, “Projeto Global”, de Ivo M. Ferreira, e “Terra Vil”, de Luís Campos. O filme de António Ferreira é uma narrativa ficcional que fala de racismo, envelhecimento e traumas de guerra.

A história centra-se em Arménio que, à beira de completar 80 anos, passa a viver num lar, contrariado por ser tratado como os outros utentes idosos e incapaz de aceitar apoio de uma auxiliar portuguesa negra.

É em Hermínia, a mulher negra, que Arménio descarrega o preconceito e o racismo, ao mesmo tempo que revive, em pesadelos, o tempo em que combateu na Guerra Colonial em África.

Mensagens principais

À Lusa, antes da estreia, António Ferreira contou que quis fazer um filme sobre o envelhecimento, esse momento irreversível do fim da vida e ao mesmo tempo falar sobre o que ainda subsiste na sociedade portuguesa décadas depois do fim da guerra nos territórios colonizados.

Os militares portugueses “tiveram uma lavagem cerebral para ver o negro como inimigo. Quando a guerra acaba, o país tem uma revolução e ninguém explicou nada a estes homens o que foi aquilo que lhes foi metido na cabeça, nunca ninguém desmontou essas ideias e esses preconceitos que perduram ao longo de décadas”, lamentou António Ferreira.

O realizador, nascido em 1970, fez pesquisa junto de ex-combatentes, de psicólogos e inspirou-se na sua experiência pessoal, enquanto filho de um homem que ficou com marcas de guerra. “A Memória do Cheiro das Coisas” é protagonizado por José Martins no papel de Arménio, que tenta pacificar-se com o passado e com o envelhecimento enquanto se confronta com Hermínia, papel interpretado por Mina Andala.

O filme valeu a José Martins o prémio de melhor actor no Festival de Cinema de Xangai, na China, e a António Ferreira o de melhor argumento, co-escrito com Tiago Cravidão, no festival de cinema de Tânger, em Marrocos.

Co-produzido por Portugal e Brasil, “A Memória do Cheiro das Coisas” chegou aos cinemas portugueses em Novembro do ano passado e é quinta longa-metragem de António Ferreira, juntando-se a “A Bela América” (2023), “Pedro e Inês” (2018), “Embargo” (2010) e “Esquece tudo o que te disse” (2002).

17 Set 2026

Concertos | Academia de Música da MUST actua em Portugal

Os poemas e canções presentes em “O Livro dos Cantares”, que contém muita da cultura da China antiga, estarão em destaque em três espectáculos que a Academia de Música da Universidade de Ciências e Tecnologia de Macau vai dar em Portugal a partir do dia 29 de Setembro

Um grupo vai apresentar em Portugal poesia e canções da China antiga, algumas com mais de três mil anos, disse esta terça-feira a Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST, na sigla em inglês) à Lusa.

Um grupo da Academia de Música da MUST vai actuar em Lisboa, Aveiro e Porto entre 29 de Setembro e 3 de Outubro, num espectáculo que tem como base o Livro dos Cantares. Esta é uma antologia compilada a partir de obras de diferentes autores anónimos e é considerada a mais antiga coleção de poemas chineses, com 305 obras que datam dos séculos XI a VII a.C.

Mais de metade dos poemas eram provavelmente canções populares originais, que retratam temas como o amor, o casamento, o trabalho e a guerra. Outros incluem poemas judiciais e contos lendários que elogiam os fundadores da dinastia Zhou (1046-256 a.C.).

Primeira paragem

A MUST afirmou que Portugal foi escolhido como o primeiro destino da etapa internacional como homenagem à Rota Marítima da Seda. O grupo segue depois para a Gran Canaria e Tenerife (Espanha) e, finalmente, para Milão (Itália).

A Rota Marítima da Seda foi uma antiga rede de rotas comerciais marítimas que ligava a China ao Sudeste Asiático, à Índia, ao Médio Oriente e à Europa desde o século II a.C., tendo florescido até ao século XV d.C.

“Portugal foi o país que inaugurou a Era dos Descobrimentos e serviu como ponto de partida europeu para a extensão para ocidente da Rota Marítima da Seda, enquanto Macau foi o mais importante centro de intercâmbio marítimo entre Portugal e o Oriente durante esse período”, afirmou a MUST, numa resposta escrita.

“Ao mesmo tempo, Portugal tem uma longa tradição poética, o que constitui um ponto de convergência natural para um diálogo entre a sua cultura poética e a do Livro dos Cantares”, acrescentou a universidade.

A MUST afirmou que o espectáculo vai inspirar-se nas características fonéticas e rítmicas antigas da antologia, procurando “recriar a música de corte do Livro dos Cantares no palco contemporâneo”.

“Com a promoção da excelente cultura tradicional chinesa como núcleo espiritual, o concerto mergulha profundamente nos sentimentos humanísticos, ideais morais e universos estéticos embutidos na tradição literária milenar do Livro dos Cantares, destacando a integridade, o carácter e as aspirações espirituais únicos dos literatos chineses”, salientou.

17 Set 2026

FM | História de Macau traduzida para português e inglês

A Fundação Macau (FM) acaba de editar as versões em português e inglês de uma obra ilustrada sobre a história de Macau. Em português, a obra intitula-se “Esta cidadezinha ao longo do tempo – Uma introdução simples à história de Macau”, da autoria de três académicos locais: Alex Chan, Alex Lou e Sio Kit Meng.

Segundo um comunicado da FM, a versão original, em chinês, foi editada em 2022, estando organizada em cinco partes e 20 capítulos. O livro conta a história do território desde a “Idade da Pedra” até 1945. A tradução aconteceu para a “eliminação das barreiras linguísticas na disseminação cultural” e também para “promover a história e cultura de Macau”.

A FM destaca como a tradução desta obra vai permitir que “a história de Macau não seja apenas partilhada entre leitores chineses, ajudando a construir uma base sólida para a disseminação internacional da história e cultura de Macau”.

O livro já vendeu mais de 3.500 exemplares desde que foi publicado, indo já na terceira edição. A tradução para português foi feita por Mu Shuang, mestre pela Universidade de Macau, cujo trabalho foi revisto pelo sinólogo, autor e docente Giorgio Sinedino, director do Centro de Ensino Bilingue e Formação em Chinês e Português da Universidade de Macau.

A FM destaca como os livros, nas versões traduzidas, se mantém “fiéis ao conteúdo e essência do original, contendo uma linguagem clara e fluente”, a fim de permitir um maior acesso por parte dos leitores.

Cada livro tem um custo de 50 patacas e está à venda em diversos locais, como a Livraria Portuguesa e outras livrarias, estando a ser planeado, para breve, o seu envio para as escolas do território.

16 Set 2026

Exposição | Sons e imagens criam “experiência sensorial” de Macau

Há um novo projecto artístico na capital portuguesa que junta o trabalho de um fotógrafo de Macau com o de uma artista portuguesa. A fazer lembrar as relações que Macau e Portugal mantiveram durante anos, “Into the Radiant Darkness” apresentou-se ao público no passado dia 10 na galeria Procur.arte, podendo ser vista até 9 de Outubro.

Eis a oportunidade de vivenciar “uma experiência sensorial e performativa”, que vagueia entre “a luz e o movimento”, com imagens de Tang Kuok Hou e partituras áudio-cinestésicas de Inês Zinho Pinheiro.

Segundo a descrição oficial do projecto, a fotografia, em junção com os sons, “posiciona a paisagem urbana como um ambiente de co-criação gerado a partir de distintas perspectivas culturais e disciplinas artísticas”. Também se articulam “as várias formas de pensamento que estão enraizadas no quotidiano das duas cidades”.

Tang Kuok Hou fez uma série de fotografias sobre a iluminação de Macau, pautada, na sua maioria, pelo brilho dos casinos, e que se chama “Photosynthesis”. Inês Zinho Pinheiro transformou estas imagens em “texturas sensoriais e estruturas rítmicas, entrelaçando as suas memórias familiares e da sua viagem para Macau”.

Desta forma, a artista compôs uma peça áudio de “prompts cinestésicos”, que acaba por traçar e revelar “o intrincado tecido urbano da cidade”.

A interacção entre os dois artistas faz-se notar também através de um “passeio sonoro coreografado por Inês Pinheiro”, em Lisboa, e que é fotografado por Tang Kuok Hou. Cria-se, assim, “uma nova série de fotografias sobre a cidade”, num “quadro interactivo que encara Macau como o domínio da ressonância, ao mesmo tempo que designa Lisboa como uma presença encarnada”, descreve-se sobre a mostra.

“Into the Radiant Darkness” é uma iniciativa do projecto MyLand Culture e tem curadoria de Pal Lok Chok e Mary Wong. Ao HM, Pal Lok destaca como o objectivo desta mostra foi “criar um espaço liminar onde as perspectivas estabelecidas sobre a forma de olhar para uma cidade e para os seus mecanismos subjacentes sejam reformuladas”.

“Pensamos que a noite oferece frequentemente um encanto diferente, uma quietude em que os nossos sentidos parecem despertar de novo. Por isso, escolhemo-la como contexto para esta colaboração. A escuridão torna evidente o que permanece invisível sob o brilho do dia, enquanto as luzes artificiais ditam os nossos percursos e o que vemos.”

Mary Wong acrescentou que o trabalho de Tang Kuok Hou trouxe a inspiração “para perceber o primeiro nível de contraste”. “A iluminação urbana radiante começa a traçar linhas através das arquiteturas à medida que a noite escura cai, ligando-nos às estruturas e genealogias tácitas, às pequenas fracturas dos nossos acontecimentos quotidianos ou às memórias que guardamos no fundo da nossa mente, abrindo uma rede alternativa da cidade em acção.”

No entanto, adiantou a curadora, “uma vez que existe um registo visual de quietude distanciada nas fotografias de Tang, a sensação de calor sugerida pelo termo ‘radiante’ aponta também para um segundo nível de contraste, contribuído pela artista Inês Zinho Pinheiro”. A artista portuguesa “introduziu um encontro fenomenológico íntimo entre o eu e a cidade à noite através das suas partituras áudio cinestésicas”.

Primeira de muitas

Segundo a mesma nota, esta é a primeira exposição a ser organizada no âmbito da série “Macao&”, e que visa “promover um intercâmbio entre disciplinas e territórios, ligando Macau ao panorama artístico internacional”.

Desta forma, esta mostra constitui um “diálogo interdisciplinar entre Macau e Lisboa”, fazendo-se uma nova conceptualização “dos laços entre duas cidades histórica e culturalmente ligadas, através da observação social e recorrendo a práticas artísticas contemporâneas”.

Nascido em Macau em 1989, o fotógrafo Tang Kuok Hou trabalha bastante sobre as ligações entre os moradores de uma cidade, as paisagens, as diversas existências humanas que aí se podem encontrar e a natureza.

Com as suas imagens, Tang trabalha temáticas como a cidade, o tempo, a memória e a cultura local. É um dos fundadores do colectivo fotográfico de Macau “Dialect”, tendo obras com a sua assinatura presentes nas colecções da Fundação Oriente ou Museu de Arte de Macau, entre outros.

Por sua vez, Inês Zinho Pinheiro, nascida em Lisboa em 1993, é bailarina, formadora e investigadora, cujo trabalho combina movimento, escrita e práticas colectivas. É professora na Escola de Dança do Instituto Politécnico de Lisboa e investigadora.

16 Set 2026

Grand Lisboa Palace | Convenção traz rapper Yamy a Macau

Macau acolhe nos dias 10 e 11 de Outubro aquela que é considerada a maior feira de ténis do mundo, a “Sneaker Con. Macau 2026”, à qual não faltarão grandes estrelas do mundo da música. O evento dedicado ao calçado, que decorre no The Grand Hall, no empreendimento Grand Lisboa Palace, no Cotai, traz a rapper chinesa e ex-líder do grupo Rocket Girls 101, Yamy.

Outro nome da lista de concertos para este dia é o do rapper e compositor chinês Last King, que irá actuar em alternância com Yamy. Destaca-se ainda a presença do influencer Bostick Chen na apresentação do concerto, desempenhando também o papel de “gerente de loja”, ou seja, responsável pela interacção com o público durante a convenção.

O painel de música traz também ao Grand Lisboa Palace MC aRBOW, DJ ZEBRA e DJ Ziyang. A ideia é proporcionar “uma experiência imersiva que junta ténis, cultura de rua e música num só espaço”.
Além da música, o evento conta com a presença de duas personalidades importantes: “as lendas do basquetebol Metta World Peace, campeão da NBA de 2010, e Marcus Smart, lendário jogador defensivo do ano”.

Em Macau, os dois convidados irão partilhar histórias das suas carreiras no basquetebol e outras experiências pessoais.

Segundo a Sociedade de Jogos de Macau (SJM), operadora que detém o Grand Lisboa Palace, a Sneaker Con
foi criada em 2009 e desde então que se realiza em várias cidades do mundo. A aposta faz-se nas grandes marcas de ténis, na apresentação de modelos únicos e no contacto entre fãs e coleccionadores. Esta edição tem por tema “Regresso” e é organizada pela Yue Seng Sports Culture Co., Ltd. e pela marca local de roupa desportiva MACCREW.

15 Set 2026

Livraria Portuguesa | AFA apresenta pinturas de Chan Man Kin

Chan Man Kin apresenta, a partir do dia 21 deste mês, “Vessel – Raging Waves”, uma mostra individual organizada pela AFA – Art for All Society. A exposição, com curadoria do arquitecto Andre Lui, pode ser vista na Livraria Portuguesa

 

A AFA – Art for All Society tem apostado na exibição de trabalhos dos seus parceiros através da “Série de Exposições Individuais dos Novos Membros da AFA”. É neste contexto que se apresenta, entre 21 de Setembro e 22 de Outubro deste ano, na Livraria Portuguesa, a exposição “Vessel – Raging Waves” [Embarcações – Ondas Violentas], de Chan Man Kin, com curadoria do arquitecto Andre Lui.

Segundo um comunicado da AFA, a exposição é composta por “uma selecção de obras representativas de diferentes períodos da carreira de Chan”. Desta forma, é traçada a sua “evolução artística desde o realismo figurativo, passando pela desconstrução de formas estabelecidas”, chegando-se a um “estado incessante de abstração pura”.

Algumas destas obras são “Boxes” e “Peaches”, quadros que carregam em si “um significado interno” e que começaram a ser pensados e trabalhados a partir dos anos de pandemia. Segue-se a série de trabalhos intitulada “The Box”, onde “chamas misteriosas simbolizam o conflito interior e o transbordar das fronteiras”, descreve a organização.

Já “Nuclear Fission” é uma obra que remete para um controlo que é “abandonado para abraçar forças primárias, através de processos que envolvem o corpo”. Por sua vez, em “Raging Waves”, onde a tela é “libertada de todos os objectos reconhecíveis, permitindo que o material se transforme através da gravidade e do acaso”. Desta forma, há uma “profunda passagem” entre “ver o objecto” e a fase de “contemplar a mente”.

A AFA destaca como a exposição está muito ligada aos anos da pandemia, quando o artista sofreu uma espécie de transformação na forma de pintar e criar. Ao abrir, nos anos de confinamento, caixas de encomendas, o artista começou a reflectir sobre os “motivos visuais” desse objecto e de como podem representar “a ordem racional”. Chan Man Kin também olhou para diversas formas naturais, nomeadamente pêssegos, como símbolo de “vitalidade e perecibilidade”.

Ao longo das obras do artistas, contrates e conceitos encontram um lugar de expressão artística através da pintura. “A imposição destes elementos fundamentalmente diferentes no mesmo campo de visão cria uma poderosa tensão psicológica, reflectindo as contradições interiores [do artista] não resolvidas entre razão e emoção, confinamento e liberdade”, destaca a AFA.

Mescla de influências

Chan Man Kin não é um artista com uma só linguagem artística. Segundo a AFA, o seu vocabulário visual “combina de forma magnífica as tradições artísticas orientais e ocidentais”. A sua obra é sinal da fusão da “pincelada vigorosa do expressionismo abstracto americano com as técnicas tradicionais ‘juam-shui’ e ‘juam-fan’ (infusão de água e pó) da Escola de Pintura de Lingnan”.

Estas “práticas materiais que envolvem um envolvimento físico”, sendo que Chan Man Kin faz um “questionamento contínuo sobre os limites, mutação e libertação”.

O público que visitar a mostra patente na Livraria Portuguesa é desafiado a seguir “o pincel desde uma cena estável de pintura observacional, passando por um labirinto de imagens de matéria em chamas e formas fragmentadas”. No final, acede-se a um “espaço espiritual formado por imensas ondas de abstração”.

15 Set 2026

FIMM | Bilhetes para nova edição já estão à venda

Os bilhetes para o XXXVIII Festival Internacional de Música de Macau (FIMM) estão à venda desde domingo nos postos de venda da bilheteira “Enjoy Macao”, sendo também possível reservar ingressos por telefone ou online. O festival decorre entre os dias 2 de Outubro e 29 de Novembro, tendo como tema “Ressonâncias de Seda”.

Esta edição do festival apresenta dez programas musicais protagonizados por artistas de renome e jovens talentos emergentes, “oferecendo ao público um banquete musical que integra ritmos da Rota da Seda”, descreve o Instituto Cultural (IC) numa nota.

O espectáculo de abertura do festival intitula-se “O Meu Jardim da Bela Vista – Ópera Yue”, e é apresentado pela Companhia de Ópera Yue Xiaobaihua de Zhejiang. A consagrada actriz Chen Lijun entra no espectáculo que irá permitir ao público “mergulhar num universo onírico onde a ópera tradicional e a estética contemporânea se entrelaçam”.

Destaca-se também, na programação, o espectáculo “Turandot – Ópera em Três Actos de Giacomo Puccini”, dirigida pela “estrela internacional” Jackie Chan, que se estreia como encenador de ópera. O FIMM traz também “Ritmos do Corpo Brasileiro”, do grupo Barbatuques do Brasil. Trata-se de um espectáculo que visa assinalar o “Ano Cultural China-Brasil”. Outro grande destaque do programa do FIMM é o concerto “Lang Lang – Série Além dos Limites”.

Há diversos descontos disponíveis, nomeadamente de 30 por cento caso seja feita uma compra antecipada de bilhetes entre os dias 13 e 20 de Setembro. No dia de abertura de bilheteiras, a compra de bilhetes é limitada a um máximo de 10 ingressos por espectáculo e por pessoa. Para o espectáculo “O Meu Jardim da Bela Vista – Ópera Yue”, só podem vender-se quatro bilhetes por espectáculo e por pessoa.

14 Set 2026

Literatura | Sérgio Raimundo escreve em Macau sobre piratas chineses

Sérgio Raimundo, escritor moçambicano, vai estar no território durante um mês para escrever sobre a deportação de piratas chineses para Moçambique em 1910. Trata-se de um projecto desenvolvido no âmbito da terceira edição do Programa de Apoio a Residências de Criação Literária do Instituto Internacional da Língua Portuguesa

O escritor moçambicano Sérgio Raimundo está a realizar uma residência em Macau para preparar um livro de ficção cujo enredo parte da deportação, em 1910, de piratas chineses para o norte de Moçambique.

Em Julho de 1910, forças portuguesas atacaram a ilha de Coloane e libertaram dezenas de crianças que tinham sido raptadas por piratas de uma tríade chinesa. Oito cabecilhas foram depois condenados a 28 anos de degredo em Moçambique.

Os piratas foram deportados para a ilha de Ibo, no arquipélago das Quirimbas, para cumprirem “penas de trabalhos forçados longe das suas redes de influência”, explicou à Lusa Raimundo, que vive em Portugal desde 2020.

O escritor estará em Macau durante um mês, após ter sido um dos quatro seleccionados da terceira edição do Programa de Apoio a Residências de Criação Literária do Instituto Internacional da Língua Portuguesa.

“Eu parto de um personagem que é o principal nesse livro, que é um descendente desses piratas, mas nascido em Moçambique e que decide sair para Macau em busca das suas outras raízes”, disse Raimundo.

Coloane como pretexto

Mas o também professor, jornalista e cronista sublinhou que “não vai ser um livro histórico”, mas sim usar o episódio de Coloane “como pretexto para desenvolver vários outros assuntos”, incluindo a natureza do poder.

“Ainda vivemos uma espécie de uma madrugada colonial, ainda nos falta um amanhecer nosso, porque a estrutura de poder que temos é uma estrutura colonial”, disse o autor do livro “O colono preto saiu do guarda-fato”.

Raimundo publicou em 2023 “As ancas do camarada chefe”, um conjunto de crónicas que lhe valeram ameaças, sobretudo devido ao termo “camarada chefe”, usado para identificar as lideranças do partido no poder (Frelimo).

As palavras do escritor também foram utilizadas, como palavras de ordem, durante os protestos da juventude que se seguiram à morte em 2023 do ‘rapper’ Azagaia, um cantor de intervenção social.

Raimundo compara a deportação de piratas de Macau com o envio de “pessoas totalmente despreparadas, que só fizeram seis, sete meses de tropa” para combater a actual insurgência armada na província de Cabo Delgado.

Cabo Delgado (norte), rica em gás natural, enfrenta desde 2017 ataques de grupos associados ao Estado Islâmico, que provocaram mais de 6.600 mortos e 1,2 milhões de deslocados, segundo organizações internacionais.

Identidade ao barulho

Outro tema do livro será a identidade, uma questão que “todos os países falantes de português em África andam a discutir muito a questão” e algo que Raimundo já tinha abordado no romance “A Ilha dos Mulatos”.

A obra recebeu em 2019 o Prémio Literário da Imprensa Nacional Casa da Moeda Moçambique / Eugénio Lisboa, um galardão que visa homenagear o escritor moçambicano que lhe dá o nome. “Parece-me que estamos a voltar a um discurso que nos torna mais fechado, esta questão de pensar que é moçambicano quem tem uma cor da pele um pouco mais escura”, lamentou Raimundo, de 34 anos.

“Não é bem assim. Até a própria luta de libertação em Moçambique nos mostra o inverso. Tivemos dentro das fileiras dos nossos combatentes pessoas que eram de origem portuguesa”, recordou o escritor.

Esta é uma questão sem “respostas imediatas”, defende Raimundo, “principalmente num país como Moçambique e ainda mais num continente como África, onde não existe uma única identidade, são identidades”.

14 Set 2026

“À Procura do Dramaturgo” chega ao CCM no final do mês

O pequeno auditório e bastidores do Centro Cultural de Macau (CCM) recebem, nos dias 26 e 27 de Setembro, quatro sessões do espectáculo “À Procura do Dramaturgo”, uma obra encomendada pelo Instituto Cultural (IC) no âmbito do programa “Comissionamento de Produções de Artes Performativas”.

Trata-se de um projecto concebido pelo PO Art Studio e encenado por Leong Son U, numa “produção interactiva envolve o público no teatro, permitindo-lhe participar em primeira mão e até influenciar o enredo — conduzindo a um final imprevisível”, descreve o IC numa nota. Os bilhetes estão à venda desde as 12h de ontem na bilheteira “Enjoy Macao”.

“Inspirando-se em ecos de produções passadas, a companhia olha para trás, para um espaço prestes a sofrer uma transformação fictícia, recorrendo ao público para obter a sua avaliação”. Assim, revela a sinopse, “nesta atmosfera, o elenco e a plateia procuram vestígios incorporados em obras-primas clássicas, reunindo fragmentos literários e revelando o que um dramaturgo deixou para trás — analisando tanto o texto como as condições que o moldam”.

O PO Art Studio é reconhecido pelo “estilo eclético e em constante evolução”, sendo que as mais recentes produções “deixaram boas indicações tanto junto do público como da crítica”.

Por sua vez, Leong Son U, formado pelo Conservatório de Macau, conquistou o Prémio de Prata na categoria de Design de Iluminação no World Stage Design 2025, em Sharjah, Emirados Árabes Unidos. Foi o primeiro designer de iluminação local a ser distinguido neste concurso internacional, pelo trabalho na peça “Nove Paisagens Sonoras”. Actualmente, Leong dedica-se ao teatro a tempo inteiro, tendo criado e encenado inúmeras produções.

Sessão especial

Além dos quatro espectáculos agendados, realiza-se no dia 27 de Setembro, às 16h45, a “Sessão de Apresentação do Programa Local” no CCM, com o objectivo de “ajudar o sector das artes performativas de Macau a explorar oportunidades de cooperação para obras originais”.

As inscrições para esta sessão já estão abertas, podendo participar associações ou companhias locais ligadas às artes performativas, legalmente registadas em Macau, ou indivíduos com idade igual ou superior a 18 anos que possuam o Bilhete de Identidade de Residente de Macau. A sessão será conduzida em mandarim, sem tradução, e cada apresentação terá a duração máxima de 5 minutos.

11 Set 2026

ACERT | Companhia portuguesa traz teatro a Macau

A Associação Cultural e Recreativa de Tondela (ACERT) faz 50 anos e acaba de estabelecer relações mais próximas com Macau e Guiné-Bissau, dois territórios que passam a integrar a história de parcerias entre comunidades. A ACERT promete trazer ao território, em Outubro, os espectáculos “O Bosque” e “Queres que eu te conte”

Foto: Daniel Nunes

Macau e Guiné-Bissau vão passar a integrar a história de encontros e relações entre comunidades da Associação Cultural e Recreativa de Tondela (ACERT), que está a comemorar 50 anos de vida.

Em Outubro e Novembro, a companhia Trigo Limpo Teatro ACERT fará digressões internacionais a Macau e à Guiné-Bissau, levando os espectáculos “O Bosque” e “Queres que eu te conte”, num final de ano que será também preenchido por três dezenas de espectáculos e outras iniciativas.

“Estes são os espectáculos mais portáteis e que trabalham a nossa memória de Tondela e a nossa memória portuguesa e para nós é importante mostrá-los”, explicou a actriz Ilda Teixeira, durante a apresentação da programação para a última temporada do ano.

Segundo a actriz, em Macau, de 12 a 25 de Outubro, os dois espectáculos serão apresentados em escolas (entre elas a Escola Portuguesa de Macau) e no Centro Cultural de Macau, haverá encontros com vários grupos locais e momentos de formação teatral e musical.

De 24 de Novembro a 1 de Dezembro, a equipa da ACERT estará na Guiné-Bissau para participar no festival de teatro “Djintis”, promovido pelo Ur-GENTE — Centro de Formação em Artes Cénicas Transdisciplinar de Bissau, que é financiado pela organização não-governamental Vida.

“É um grupo muito recente. Querem receber formação e saber das experiências que outros grupos de teatro têm nos seus países de origem”, contou Ilda Teixeira. A actriz avançou que a ideia é dar continuidade a esta ligação com a Ur-GENTE, com a coprodução de um espectáculo de teatro em 2030, que trará actores da Guiné-Bissau até Tondela, no distrito de Viseu.

Ligação à lusofonia

O Trigo Limpo já apresentou espectáculos em países como Angola, Cabo Verde, Brasil, Moçambique, Luxemburgo, Bélgica, Grécia e Alemanha.

Entre Setembro e Dezembro, a associação de Tondela convida o público para 12 propostas de teatro, música, circo, cinema e artes visuais, às quais que se junta o programa do Festival Internacional de Teatro da ACERT (FINTA), com os seus 17 espectáculos de companhias de cinco países (a apresentar posteriormente).

Apesar da digressão nacional intensa, com apresentações em Tomar, Montemuro, Caldas da Rainha, Seia, Santa Comba Dão, Coimbra, Vila Real, Covilhã, Viseu, Águeda e Guarda, para Tondela o Trigo Limpo está a preparar a estreia, na sexta-feira, do espectáculo “Voar no tempo”, uma produção que conta com a companhia espanhola/argentina Voalá e com a Orquestra Smooth.

O espectáculo de teatro musical foi criado especialmente para a abertura da Feira Industrial e Comercial de Tondela (FICTON) e para celebrar os 50 anos da ACERT, com o apoio do município.

No Parque Urbano de Tondela irão juntar-se teatro, bailado aéreo e pirotecnia, durante o espectáculo que também conta com a participação do Ensemble de Cordas do Conservatório de Música e Artes do Dão, da Filarmónica Tondelense, do Coral Polifónico da Casa do Povo de Tondela e de artistas locais.

O director artístico da ACERT José Rui Martins explicou que o objectivo foi “haver uma única equipa a trabalhar no mesmo sentido” no processo de criação. “É um espectáculo cuja dramaturgia, e também a parte musical, incide sobretudo nas ansiedades locais, ou seja, no grande amor pela terra, pelo nosso chão”, frisou o responsável, acrescentando que “é uma dramaturgia extraordinariamente acessível”.

A ópera para bebés “A Casinha de Chocolate”, da Associação Setúbal Voz, o café-concerto “Livre|Mente”, de Ariana Neves, o espectáculo de teatro-circo “Pharol 54”, de Thorsten Grütjen (Tosta Mista/Caracol Cultural), “Black Box – Uma Saga Familiar”, de Hugo Torres, e “Partida, Lagarta, Fugida!”, de Catarina Caetano, são outras propostas até ao final do ano.

11 Set 2026