FAM | Apresentada programação de edição de 2026. Tiago Rodrigues traz nova peça ao festival

Arranca no próximo dia 8 de Maio mais uma edição do Festival de Artes de Macau, que traz ao território uma peça do encenador português Tiago Rodrigues. O monólogo “Entrelinhas” é interpretado por Tonan Quito e é um dos destaques da programação, que traz também mais uma peça dos Doci Papiaçam di Macau: “Agora como?” (E agora?), em patuá

O monólogo “Entrelinhas” do português Tiago Rodrigues, interpretado por Tónan Quito, é um dos destaques da 36.ª edição do Festival de Artes de Macau (FAM), que arranca a 8 de Maio, foi ontem anunciado.

Numa conferência de imprensa, a presidente do Instituto Cultural de Macau (ICM), Leong Wai Man, sublinhou que apesar de ser um monólogo, o espectáculo consegue, “através de uma pessoa a actuar num palco, contar uma história completa”. “Entrelinhas” estará a 19 e 20 de Maio na Galeria dos Espelhos do Teatro D. Pedro V. Dada a ligação histórica entre Macau e Portugal, a peça “faz todo o sentido” para a edição de 2026 do FAM, cuja tema é “Rota Marítima da Seda como Ponte para o Intercâmbio Cultural”.

O ICM sublinhou que Tiago Rodrigues, dramaturgo, encenador, actor, director artístico do Festival d´Avignon, escreveu a peça especialmente para Tónan Quito, numa das várias colaborações entre os dois. “Através de um labirinto narrativo, entrelaça o Édipo Rei de Sófocles com as cartas de um recluso à sua mãe — palavras encontradas nas entrelinhas de uma tragédia grega descoberta na biblioteca de uma prisão”, explicou o ICM.

Na apresentação do programa, o ICM recordou que a “relação intimista com o público” de “Entrelinhas” valeu a Tónan Quito a nomeação para Melhor Actor pela revista Time Out em 2024. Em Abril de 2025, Macau recebeu a peça “O Cerejal”, original do dramaturgo russo Anton Tchékhov, com encenação de Tiago Rodrigues e interpretada pela actriz francesa Isabelle Hupert.

Apoio cultural

Com um orçamento de 22 milhões de patacas, menos 6 por cento do que em 2025, o FAM vai apresentar, entre 8 de Maio e 27 de Junho, espectáculos e actividades de ópera, dança, música, artes teatrais e exposições.

A companhia local Dóci Papiaçám di Macau irá levar ao palco do Centro Cultural de Macau (CCM) a peça em patuá “Agora como?” (E agora?), em 23 e 24 de Maio. O teatro neste crioulo de origem portuguesa faz parte da Lista de Património Cultural Imaterial Nacional chinesa desde 2021. À margem da apresentação, o encenador dos Dóci Papiaçam, Miguel Senna Fernandes, disse que a peça irá abordar “a distância bastante grande” entre “a recuperação brutal” dos negócios dos casinos e as dificuldades económicas dos pequenos negócios.

“No fundo, é questionar até que ponto, para aqueles que gostam de Macau, querem ficar e recusam-se a partir, o que fazer?” explicou Senna Fernandes. O encenador acrescentou que será “uma espécie de tragicomédia”, mas “com muita picardia”. “Afinal, julgo que neste momento somos o único grupo de sátira aqui em Macau”, sublinhou Senna Fernandes.

Doci não encerram

Ao contrário do que é tradição, os Dóci Papiaçám di Macau não irão encerrar o festival. A presidente do ICM justificou a alteração com a extensão da FAM, que este ano “dura mais tempo, quase dois meses”. Mas Leong Wai Man lembrou que o patuá “faz parte da cultura de Macau”, defendeu que a peça “continua a ser uma actividade de destaque” e que “é muito amada pelos residentes”.

A dirigente disse que o festival irá ainda assinalar o ano de intercâmbio cultural entre a China e o Cazaquistão, que se celebra em 2026. O espectáculo de abertura é “O Lótus na Rota da Seda – Tradições em Movimento”, que junta no CCM o Grupo de Danças e Cantares Birlik, do Cazaquistão, com grupos de dança locais.

Também do Cazaquistão vem a Companhia de Dança Teatro Jolda, que leva ao palco do CCM o trabalho “Duo de Dança”, em 22 e 23 de Maio. O programa inclui ainda uma mostra de espectáculos ao ar livre, de entrada gratuita, nos dias 22, 23 e 24 de Maio, no Jardim do Mercado de Iao Hon, com a participação da associação Casa de Portugal em Macau.

29 Abr 2026

Souto de Moura ganha medalha da União Internacional dos Arquitectos

O arquitecto português Eduardo Souto de Moura vai receber a Medalha de Ouro da União Internacional dos Arquitectos (UIA), tornando-se no segundo português com esta distinção, anunciou ontem a Ordem dos Arquitectos. Em comunicado, a Ordem – que submeteu a candidatura do arquitecto do Porto – realçou que se trata da “mais alta honra mundial atribuída a um arquitecto em vida”, o que “representa um marco histórico para a obra de Eduardo Souto Moura, para Portugal e para a Arquitectura Portuguesa”.

Citado em comunicado, o presidente da Ordem dos Arquitectos, Avelino Oliveira, afirmou que “Souto Moura é autor de uma obra maior, disruptiva e intemporal”, tratando-se esta medalha do “culminar de um percurso pessoal e profissional de ampla produção arquitectónica e que faz de Portugal um dos lugares incontornáveis da arquitectura contemporânea”.

“Para a Ordem, este é um momento de projecção internacional que reforça a imagem de Portugal como referência mundial na arquitectura dos nossos dias. Para a arquitectura portuguesa, trata-se da confirmação de uma escola sólida, reconhecida e admirada globalmente”, pode ler-se no mesmo comunicado. Segundo a Ordem dos Arquitetos, a entrega da Medalha de Ouro vai ocorrer no dia 30 de Junho, na Basílica da Sagrada Família, em Barcelona, no âmbito do Congresso Mundial de Arquitectos.

Carreira de sucesso

A carreira de Eduardo Souto de Moura, nascido no Porto em 1952, soma mais de uma dezena de prémios, como o Leão de Ouro da Bienal de Veneza, atribuído em 2018, e o Pritzker, o “Nobel da arquitetura”, em 2011, pelo conjunto da obra. Entre outras distinções, recebeu o Prémio da X Bienal Ibero-americana de Arquitectura e Urbanismo, em 2016, o Prémio Wolf de Artes, de Israel, em 2013, o Prémio Pessoa, em 1998, e o Prémio da Associação Internacional de Críticos de Arte – Portugal, em 1996.

Nos Estados Unidos, a sua carreira foi reconhecida pela Academia Americana de Artes e Letras, com o Prémio Arnold W. Brunner 2019.

A Casa das Histórias Paula Rego (Cascais), o Estádio Municipal de Braga, a Torre Burgo (Porto), o Centro de Arte Contemporânea Graça Morais (Bragança), a remodelação do Museu Nacional Grão Vasco (Viseu) e os interiores dos Armazéns do Chiado (Lisboa) contam-se entre os seus projectos, assim como o pavilhão da Serpentine Gallery, em Londres, feito em parceria com Álvaro Siza, com quem iniciou a carreira, em 1981.

29 Abr 2026

Museu de Macau | Mostra “Grandioso Espírito de Han” até Junho

O Museu de Macau acolhe até ao dia 14 de Junho a mostra “Grandioso Espírito de Han – Exposição de Tesouros da Dinastia Han de Xuzhou”, que inaugurou no passado dia 17 de Abril. Segundo um comunicado do Instituto Cultural (IC), pretende-se “fomentar o intercâmbio histórico e cultural entre Jiangsu e Macau e promover a civilização chinesa”.

O público pode ver quatro secções temáticas integradas nesta mostra, nomeadamente “Palácios e Funcionários Um Sistema Paralelo ao da Capital”, “Os Valorosos Soldados de Chu e Han Um Exército Poderoso e Bem-Equipado”, “Prosperidade e Esplendor de uma Era Próspera” e “O Sonho da Eternidade Tratar a Morte como se Fosse a Vida”.

No museu, são apresentadas cem peças ou conjuntos de obras que pertencem ao Museu de Xuzhou, “incluindo sinetes de rara perfeição, estátuas de terracota minuciosamente preservadas e jades translúcidos”, sendo que esta colecção “oferece um retrato multidimensional da história do Reino de Chu da dinastia Han e das diversas facetas da vida quotidiana durante esse período”.

O IC descreve que o público, ao visitar esta exposição, pode também ficar a conhecer “a força e prosperidade da dinastia Han e a sua influência duradoura nas gerações posteriores”. O MAM oferece ainda projecções de música e dança da dinastia Han, “permitindo ao público mergulhar no ambiente artístico do período”, além de ter sido criada uma mostra virtual que permite um acesso mais alargado a esta iniciativa.

29 Abr 2026

Filme “Justa” de Teresa Villaverde premiado em festival de Pequim

O filme “Justa”, de Teresa Villaverde, recebeu o Prémio Tiantan para Melhor Contribuição Artística no Festival Internacional de Cinema de Pequim, na China, e Madalena Cunha, de 13 anos, venceu na categoria de melhor actriz secundária.

“Justa recebeu o prémio Tiantan para Melhor Contribuição Artística e a actriz Madalena Cunha, de 13 anos e natural das Caldas da Rainha, recebeu o prémio Tiantan para melhor Actriz Secundária”, anunciou, em comunicado, a agência Portugal Film. Os prémios foram atribuídos pela actriz francesa Juliette Binoche, que presidiu ao júri, pelos realizadores Bi Gan, Tran Anh Hung e Gabriel Mascaro, pelo compositor Simon Franglen, e pelos actores Zhang Yi e Zhang Xiaofei.

“Justa” é uma co-produção entre a Alce Filmes (Portugal) e a Epicentre Films (França). Do elenco fazem ainda parte Betty Faria, Filomena Cautela, Robinson Stévenin e Ricardo Vidal. A acção da longa-metragem decorre em 2017, na sequência do incêndio em Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, que matou 66 pessoas e feriu outras 253. Cerca de 500 habitações e 50 empresas foram destruídas.

Ficção e realidade

“Justa” não é um documentário, as histórias que se cruzam são ficcionais, mas de alguma forma representativas do que é sobreviver a uma tragédia como a de Pedrógão Grande, sem que haja necessidade de mostrar labaredas.

Entre essas histórias ficcionadas há a de Justa, uma menina que procura entender a morte da mãe no incêndio, e apoia o pai, que ficou com o corpo mutilado pelas chamas. No filme cruzam-se ainda uma mulher que ficou cega, depois da morte do marido, ou uma psicóloga que tenta aliviar o sofrimento. Um ano depois daquele incêndio, Teresa Villaverde passou pela região e ficou marcada pelo que viu e ouviu.

“Atravessei aquelas estradas quando estava tudo ardido, e nas imagens que se vêem na televisão ou em fotografias não se percebe o impacto de quilómetros e quilómetros de tudo preto, era uma coisa impressionante, e o silêncio total. […] Parecia o som da terra que nos acusa”, contou em entrevista à Lusa, aquando da estreia nos cinemas.

Teresa Villaverde entende que “Justa” pode ser uma homenagem aos vivos, porque todos os anos são recordados apenas os que morreram naquele incêndio. O filme já teve estreia em Portugal e França e, brevemente, chegará às salas de cinema no Brasil, com selecções em festivais na Alemanha, Austrália, Grécia, Suíça, Brasil, Itália, entre outros.

28 Abr 2026

Concerto | Grupo EXO actua no Galaxy a 22 e 23 de Maio

“EXO Planet #6 EXhOrizon (Macau)” é o nome do espectáculo, em dose dupla, que o Galaxy Arena traz aos fãs da “boys-band” sul coreana. Os EXO actuam nos dias 22 e 23 de Maio no território, mostrando porque são um dos grupos mais famosos do meio. Juntos desde 2012, o álbum de estreia revelou-se um sucesso instantâneo

A Coreia do Sul é um país pródigo em colocar no mercado musical novos talentos, sobretudo ligados à música pop e em grupos de jovens rapazes e raparigas com rostos perfeitos, numa verdadeira indústria. O K-Pop, ou pop coreano, já é conhecido em todo o mundo, com legiões de fãs em vários países, e os EXO enquadram-se, definitivamente, num dos grandes nomes a reter deste universo da música coreana.

Os fãs de Macau terão a oportunidade de os ouvir, incluindo o público que os pode ouvir pela primeira vez, em dois concertos no Galaxy Arena agendados para os dias 22 e 23 de Maio.

A estreia dos EXO deu-se em 2012, sendo conhecidos pelas suas performances em palco cheias de coreografias capazes de encantar o público. O seu primeiro álbum de estúdio vendeu mais de um milhão de cópias, sendo que o conceito por detrás da banda é que cada membro tem uma espécie de “super-poder” dentro de um “universo” muito concreto. No Galaxy Arena, a audiência poderá ver e ouvir “um novo capítulo” deste universo EXO, que “tem como tema o ‘Horizonte’, simbolizando um novo começo”, descreve-se na apresentação oficial do espectáculo.

Novo álbum na estrada

Inicialmente, os EXO eram formados por 12 rapazes, mas actualmente são nove os que fazem parte do grupo: Xiumin, Suho, Lay, Baekyun, Chen, Chanyeol, D.O., Kai e Sehun. Além de cantarem em coreano, também o fazem em mandarim e japonês, decerto a pensar chegar a um público mais vasto e a outros mercados discográficos da Ásia.

Os EXO acabam também de lançar um novo álbum, que decerto poderá ser ouvido no Galaxy Arena. Trata-se de “REVERXE – The 8th Album”, que inclui faixas como “Crown”, que deu origem a um videoclip filmado numa casa antiga, cheio de adrenalina e efeitos especiais; “Back it Up”, “Crazy”, “Suffocate”, “Moolight Shadows”, “Back Pocket”, “Touch & Go”, “Flatline” e “I’m Home”, também uma canção escolhida para a produção de um videoclip.

O último álbum de estúdio lançado pelo grupo aconteceu em 2023, intitulando-se “EXIST – The 7th Album”. Na plataforma digital Spotify, os EXO têm mais de seis milhões de ouvintes por mês.

Numa crítica ao disco de Robin Murray, para a plataforma ClashMusic, lê-se que “REVERXE” é um bom regresso da banda às grandes canções. Trata-se de um regresso dos EXO “em plena forma”, tratando-se de um trabalho discográfico que “combina as habilidades individuais dos membros para criar algo inovador”, lê-se no artigo.

“Crown”, a faixa que deu origem ao single de lançamento, é descrito como um “um tema pop cativante com um toque verdadeiramente ousado”. Citados no artigo da ClashMusic, os EXO explicaram a escolha desta canção, o que a tornou “especialmente significativa”.

“É uma canção que personifica quem somos como EXO — e, em última análise, os EXO-Ls são a nossa coroa. Estamos orgulhosos e felizes por sermos os EXO, e agora só queremos aproveitar este momento com os nossos fãs e criar memórias duradouras juntos”, pode ler-se.

28 Abr 2026

Quatro décadas de joias de Vivienne Westwood expostas em Macau

Quatro décadas do trabalho de joalharia da estilista britânica Vivienne Westwood (1941-2022) vão estar expostas no hotel-casino Grand Lisboa Palace a partir de 29 de Abril, anunciou a organização. Macau é a quarta paragem desta exposição, depois de “Vivienne Westwood & Jewellery” ter passado pela Nova Zelândia e pelas cidades chinesas de Xangai (este) e Chengdu (centro).

“Esta prestigiada exposição chega agora à região da Grande Baía, unindo elegantemente o Oriente e o Ocidente através dos designs visionários deste lendário ícone britânico”, lê-se num comunicado da concessionária de jogo SJM [Sociedade de Jogos de Macau] Resorts.

A mostra, que decorre até 15 de Julho, tem curadoria da equipa Vivienne Westwood, apresentando “quatro décadas de joias raras de arquivo e de passarela reunidas pela primeira vez como colecção única”. O evento, lê-se ainda na nota, oferece uma “perspectiva única sobre o mundo de Vivienne Westwood, uma das designers de moda e activistas mais influentes dos séculos XX e XXI”.

Percurso original

A organização apresenta outras razões para visitar a mostra, com entrada gratuita. Trata-se de uma oportunidade de explorar a “linguagem de design e o espírito subversivo” de Westwood, num percurso por oito salas, e descobrir “combinações ecléticas de joias e peças de vestuário que demonstram a requintada mestria da casa de design britânica e a sua profunda influência na moda, na cultura e na sustentabilidade”.

Ainda de acordo com a operadora, a apresentação da colecção “exemplifica o compromisso contínuo da SJM em enriquecer a experiência turística de Macau através de ofertas culturais” e contribui para a estratégia do Governo local de diversificação da economia do território, profundamente dependente do sector do jogo em casino.

Vivienne Westwood nasceu em Derbyshire, Inglaterra, em 1941, tendo sido uma das designers de moda mais conhecidas do mundo pelas suas roupas irreverentes e provocadoras. Juntamente com o seu parceiro, Malcolm Mclaren, músico e manager dos Sex Pistols, estendeu a sua maneira de vestir e de fazer roupa ao mundo do punk, estabelecendo uma ligação com os próprios Sex Pistols, nos anos 70. Vivienne Westwood morreu em Londres, em 2022.

27 Abr 2026

FRC | Literatura de António Lobo Antunes hoje em discussão

A Fundação Rui Cunha apresenta hoje uma sessão dedicada à literatura de António Lobo Antunes, um dos grandes vultos das letras portuguesas contemporâneas recentemente falecido. A sessão, integrada no ciclo “Pauta de Histórias”, chama-se “António Lobo Antunes: Quando escrever é ouvir com força”, começa às 18h30 e conta com Sérgio Guimarães de Sousa, professor catedrático da Universidade de Macau

A Fundação Rui Cunha (FRC) apresenta hoje, a partir das 18h30, a conferência “António Lobo Antunes: Quando escrever é ouvir com força”, dedicada ao conhecido escritor português falecido no passado dia 5 de Março.

A palestra de hoje insere-se no ciclo “Pautas de Histórias” e tem a presença de Sérgio Guimarães de Sousa, professor catedrático do Departamento de Português da Universidade de Macau. Segundo uma nota da FRC, pretende-se nesta sessão “oferecer uma visão panorâmica da obra de António Lobo Antunes, de modo a enfatizar o merecimento literário ímpar da sua vasta criação romanesca”, fazendo-se uma homenagem ao “gigante da nossa literatura”.

A ideia é oferecer aos participantes “a visão de António Lobo Antunes sobre a escrita, não como um acto de invenção pura, mas como um processo de escuta intensa e profunda do que está oculto”, relativamente às “vozes interiores, as memórias e a realidade, muitas vezes dolorosa”.

“A expressão terá surgido numa entrevista, após a publicação de um dos seus livros, quando questionado sobre o projecto seguinte. O escritor e médico psiquiatra terá respondido que se sentia “angustiado, à espera que surjam novas vozes”, descreve Guimarães de Sousa, citado pela mesma nota. Lobo Antunes terá dito também que “escrever é escutar com mais força. É só organizar as vozes, é um delírio organizado”, sendo estas ideias debatidas na conferência de hoje.

Prémio adiado

Repetidamente indicado como potencial candidato ao Prémio Nobel da Literatura, que em Portugal foi unicamente, até à data, atribuído a José Saramago, António Lobo Antunes foi “um autor lúcido e atormentado, acutilante e sorumbático, dono de uma melancolia seca, muitas vezes irónica, resultante das experiências que o marcariam para a vida: a guerra do ultramar, a medicina e a escrita”, é descrito.

Esteve na guerra do Ultramar, como tantos jovens da sua idade, sendo que a passagem por Angola, onde foi alferes miliciano, “está reflectida em grande parte da sua obra, de modo inequívoco e fracturante”.

Uma das obras de Lobo Antunes onde a guerra está muito presente é na colectânea de cartas que escreveu à sua esposa nestes anos, intitulada “Cartas da Guerra – D’este Viver Aqui Neste Papel Descripto”, e adaptada ao cinema por Ivo M. Ferreira, no filme “Cartas da Guerra”.

Lobo Antunes nasceu em Lisboa, em 1942, e tirou o curso de Medicina na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, tendo-se especializado em Psiquiatria. A mobilização para o serviço militar chegou em 1970. Os seus primeiros livros foram “Memória de Elefante” e “Os Cus de Judas”, seguindo-se “Conhecimento do Inferno” em 1980. “A Ordem Natural das Coisas”, editado em 2025, foi o seu último livro publicado.

Carreira cheia

Sérgio Guimarães de Sousa é doutorado em Literatura Portuguesa pela Universidade do Minho, onde começou a leccionar em 1997. Não obstante a sua especialização em estudos camilianos, é co-autor do “Dicionário da Obra de António Lobo Antunes”, publicado pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda em 2008, ao lado de Maria Alzira Seixo, Graça Abreu, Eunice Cabral, Maria Fernanda Afonso, e Agripina Carriço Vieira.

Em 2015, a Texto Editora lançou também a obra “Quem sou eu? Ensaios sobre António Lobo Antunes”, em que é autor individual do VI Volume da Colecção António Lobo Antunes.

Actualmente a leccionar na Universidade de Macau, Sérgio Guimarães de Sousa foi ainda professor convidado na Universidade Blaise Pascal (Clermont Ferrand, França) e na Universidade de São Paulo, Brasil; foi FLAD/Visiting Associate Professor na Brown University, nos EUA, e Associate Professor na mesma instituição, por concurso internacional; foi também Professor Visitante na University of Massachusetts Dartmouth, EUA, e na Universidade Federal do Paraná, Brasil.

É ainda coordenador científico do Centro de Estudos e da Casa-Museu de Camilo Castelo Branco, em Vila Nova de Famalicão, Conselheiro da Cátedra Camilo Castelo Branco (Universidade de Lisboa/Câmara Municipal de Sintra), Director do Centro de Estudos Mirandinos e membro dos órgãos sociais da Fundação Cupertino de Miranda. É também membro do PEN Club português, da Associação Portuguesa de Críticos Literários e da Associação Portuguesa de Estudos Franceses.

27 Abr 2026

Novo filme de Tiago Guedes apresentado no festival de cinema francês

O filme “Aquí”, do realizador português Tiago Guedes, baseado na ‘trilogia de Jesus’ do escritor sul-africano J.M. Coetzee, integra a Selecção Oficial do 79.º Festival de Cinema de Cannes, que acontece em Maio em França.

De acordo com a organização do festival, num comunicado divulgado esta quarta-feira, o filme de Tiago Guedes, uma produção da Leopardo filmes, é apresentado na secção Cannes Première, fora de competição. O filme será exibido em 18 de Maio, na presença do realizador, dos actores, do produtor Paulo Branco e do escritor J.M. Coetzee.

“Aquí”, cujo argumento, de Tiago Guedes e Luís Araújo é baseado na trilogia de J.M. Coetzee, que inclui “A infância de Jesus” (2013), “A vida escolar de Jesus” (2015) e “A morte de Jesus” (2019), tem estreia agendada nas salas de cinema portuguesas para 3 de Dezembro.

O filme conta no elenco com Manolo Solo, Patricia López Arnaiz, Álex Peláez, Hugo Encuentra, Daniel Elías, Lambert Wilson, Sergi López e Camille Decourtye, e com a participação especial de Ángela Molina, Itsaso Arana, Fernando Trueba e Albano Jerónimo. “Aquí” é coproduzido com a RTP e a APM, de Portugal, e Alfama Films, de França.

Almodóvar e outras histórias

Este ano o festival decorrerá de 12 a 23 de Maio e a competição oficial terá, entre outros, “Amarga Navidad”, do realizador espanhol Pedro Almodóvar, “Parallel Tales”, filme do cineasta iraniano Asghar Farhadi rodado em França, “Sheep in the box”, do japonês Hirokazu Kore-eda, “The man I love”, do norte-americano Ira Sachs, e “Minotaur”, do russo Andrey Zvyagintsev.

A Palma de Ouro de carreira será atribuída à actriz e cantora norte-americana Barbra Streisand e ao realizador neozelandês Peter Jackson. O realizador sul-coreano Park Chan-wook vai presidir o júri da selecção oficial. Ainda no cinema português, a programação integra as curtas-metragens “Algumas Coisas que Acontecem ao Lado de um Rio”, de Daniel Soares, em estreia mundial, e “Onde Nascem os Pirilampos”, de Clara Vieira.

24 Abr 2026

Cinema | “The Violin Case”, de Maxim Bessmertny, estreia em Maio

Maxim Bessmertny, filho do conhecido pintor Konstantin Bessmertny, trouxe para a tela uma história verídica passada com o pai para a sua primeira longa-metragem. “The Violin Case” esteve em rodagem e produção desde 2020 e tem finalmente estreia marcada no dia 15 de Maio, primeiro nos cinemas Studio City, e depois nos cinemas locais para um público maior

Já há data para ver a primeira longa-metragem do realizador local Maxim Bessmertny. “The Violin Case” apresenta-se pela primeira vez ao público no cinema Studio City dia 15 de Maio, apresentando-se depois nos restantes cinemas locais a partir do dia 22 de Maio. Portugal também vai receber “The Violin Case”, nomeadamente a 11 de Setembro, no Museu do Oriente, sendo o país o primeiro “de uma série de locais onde o filme vai estrear internacionalmente”, destaca um comunicado oficial.

Esta é uma película “Made in Macau”, contando a história de um pintor que se depara com “a pior noite da sua vida quando deixa a sua maior obra artística na mala de um táxi”. Trata-se de uma “história inspirada em factos reais, que tem no centro o renomado artista Konstantin Bessmertny, radicado em Macau desde 1992, para onde veio com o filho, o realizador deste filme, então com quatro anos”, descreve-se na mesma nota.

O elenco de “The Violin Case” é “multicultural e multilíngue”, pretendendo incorporar “a verdadeira essência de Macau”, nomeadamente “das suas gentes e da sua cultura única”. A estreia do filme em Portugal integra-se ainda “no âmbito de uma ampla exposição sobre o crescente panorama cinematográfico de Macau, a sua diversidade artística e o seu património cultural”, é descrito.

Pauline persegue Theo

A personagem principal do filme é “Theo”, protagonizada por Kelsey Wilhelm, que interpreta o pintor estrangeiro que procura o violino que deixou num táxi. “A perda desta que é a sua mais valiosa obra de arte deixa Theo em maus lençóis e numa gigante crise financeira – e artística”. Pauline, personagem interpretada pela designer Clara Brito, é galerista e começa a perseguir Theo, sendo uma mulher “fria e calculista”.

“A odisseia de Theo em busca do violino leva o artista a conhecer a estonteante Evelyn (Mi Lee), uma empresária da área vinícola, que apresenta ao artista um lado mais boémio e eclético da cidade”, descreve ainda a sinopse do filme. Na noite que avança, a aventura de Theo continua pelos becos de Macau, ocorrendo “reviravoltas surreais – até sair completamente fora do controlo do artista”.

“The Violin Case” é descrito como “uma autêntica história de Macau para um público mundial”, sendo “uma longa-metragem independente, feita em Macau, com um elenco com várias nacionalidades e narrada em inglês, cantonês e português”. O realizador quis também, neste filme, captar “o espírito único de Macau que nenhum forasteiro consegue replicar sem conhecimento de causa”, nomeadamente “as contradições e as nuances entre o Oriente e o Ocidente, o antigo e o novo”.

Desafios de rodagem

No ano passado, o realizador Max Bessmertny e a produtora Virginia Ho levaram “The Violin Case” a dez mercados e festivais de cinema no âmbito de uma iniciativa patrocinada pelo Fundo de Desenvolvimento da Cultura do Governo de Macau para promover o filme.

Participaram em eventos importantes da indústria do cinema asiática como o Hong Kong International Film Festival & TV Market (FILMART) ou o Asian Art Film Awards, ou ainda o Singapore International Film Festival Industry Days, entre tantos outros.

A “viagem global” que esta longa-metragem vai fazer por outros países e regiões inclui Europa, Hong Kong e a restante Ásia e ainda os EUA, estando programadas “exibições, festivais, workshops, actividades comunitárias”. O que se pretende é, não só, “um profundo envolvimento com o público”, como “dar a conhecer a fascinante dinâmica deste centro de entretenimento e lazer que é Macau – mas que vai muito além dos casinos”, descreve a mesma nota.

“The Violin Case” demorou quase seis anos a ficar concluído e passou por muitos desafios até ver a luz do dia, com destaque para o facto de “quase não ter sido concretizado”. A primeira concepção do filme arrancou em 2020, em plena pandemia, contando com o apoio de “cinéfilos e mecenas das artes”, com financiamento individual feito por etapas. A estreia do filme no Studio City faz-se com o apoio da operadora de jogo Melco, por exemplo.

Maxim Bessmertny estreou a sua curta-metragem “Tricycle Thief” no Festival Internacional de Cinema de Toronto em 2014, tendo vencido o Prémio Kodak de Ouro.

“À medida que Macau se torna cada vez mais conhecida internacionalmente, Max Bessmertny partilha histórias das mudanças sem precedentes que a cidade sofreu, relembrando as suas origens humildes até à sua presença no cenário mundial, proporcionando ao público uma compreensão autêntica da beleza e do mistério de Macau – e do lugar que a cidade merece no cinema”, é apontado.

24 Abr 2026

FRC acolhe mostra de Tam Keng

A Fundação Rui Cunha (FRC) acolhe até ao dia 2 de Maio a mostra “Galopando”, da autoria de Tam Keng, que “presta homenagem ao Ano Lunar do Cavalo” e que reúne 26 imagens capturadas em diversas deslocações à Mongolia Interior, entre 2013 e 2019, em diferentes paisagens e épocas do ano.

Segundo uma nota da FRC, a exposição conta com organização da Associação de Fotógrafos Chineses no Estrangeiro (Macau) China e evoca o signo auspicioso do zodíaco chinês em 2026, no sentido em que o cavalo representa “a boa sorte e o progresso”, personificando o “significado de ‘sucesso imediato'”.

Nesta mostra, o artista “revela uma profunda perícia fotográfica, utilizando uma lente sensível para captar o espírito nobre e o carácter do cavalo”, revela o prefácio do projecto. O fotógrafo realizou, ao longo dos anos, “campanhas nos desertos e estepes da Região Autónoma da China, com a participação de figurantes da minoria étnica mongol, cavalos militares”, que actualmente são usados “apenas para demonstrações culturais”, capturando também imagens de “manadas de cavalos selvagens avistados depois de alguma perseverança e sorte”, segundo explicou Tam Keng.

Tam Keng já expôs na FRC e, na anterior mostra, descreveu como, em cada trabalho da sua autoria, espera sempre “contar uma história e criar uma ligação afectiva”. “Mesmo que eu o reveja depois de muito tempo, será sempre um momento tocante para mim”, adiantou.

Tam Keng nasceu em Xangai, na China, tendo-se mudado para Macau no início dos anos 80. Em 1988 fundou a “Art House”, inicialmente focada em design publicitário. Em 2000 começou a publicar postais e livros de arte, a partir das suas pinturas e fotografias “Monumentos de Macau”.

Por sua vez, em 2016 apresentou a exposição individual “Fotografia”, patrocinada pelo Programa de Promoção de Artistas de Macau, enquanto que em 2018, expôs “História da Antiga Casa de Chá”, projecto individual organizado pela Sociedade de Fotografia Digital de Macau.

Os seus trabalhos fotográficos ganharam medalhas de ouro da Photographic Society of America (PSA), da Photographic Society of Great Britain (RPS), da International Federation of Photographic Art (FIAP) e de outras instituições de referência em diversos países.

Tam Keng é ainda presidente da Associação de Fotógrafos Chineses no Estrangeiro (Macau) China, presidindo à Associação de Fotografia Aérea de Macau; Presidente Honorário da União dos Fotógrafos de Macau, estando ligado também a mais entidades relacionadas com a fotografia.

23 Abr 2026

MAM | Exposição revela paisagens do período das dinastias Ming e Qing

Chama-se “Duetos da Natureza: Pinturas de Paisagem das Dinastias Ming e Qing do Museu Nacional da China” e é a nova exposição patente no Museu de Arte de Macau a partir desta sexta-feira. Eis a oportunidade para ver pintura chinesa clássica que nos revela um pouco da história artística do país

O Museu de Arte de Macau (MAM) acolhe a partir de amanhã, sexta-feira 24, e até ao dia 26 de Julho, a exposição “Duetos da Natureza: Pinturas de Paisagens das Dinastias Ming e Qing do Museu Nacional da China”, apresentando 65 obras ou conjuntos de pinturas de paisagens criadas entre os séculos XV e XIX, e que pertencem à colecção do Museu Nacional da China.

O MAM apresenta ainda três projectos digitais que, segundo um comunicado do Instituto Cultural (IC), demonstram “o auge artístico da pintura de paisagem dos literatos das dinastias Ming e Qing” e oferecem “uma viagem imersiva pela natureza e uma experiência estética envolvente”.

O IC explica que as pinturas de paisagem das dinastias Ming e Qing, sobretudo as que foram “criadas pelos literatos, representam o ponto alto da pintura tradicional chinesa”.

Destacam-se algumas obras-primas nesta mostra, como “Oito Visões de Pequim” de Wang Fu ou “Pico de Feilai” de Shen Zhou. Estão também expostas obras de outros mestres notáveis ​​como Tang Yin, Shitao, Wang Yuanqi e Wu Li. Trata-se de obras que “retratam a natureza e reflectem as ideias filosóficas e a busca estética dos artistas através das imagens e da ambiência”, descreve o IC.

RV e palestras

O público pode desfrutar desta mostra com recurso à realidade virtual, nomeadamente através da “Experiência RV de ‘Oito Visões de Pequim'”, que inclui um painel digital do longo rolo horizontal “Viagem Meridional do Imperador Qianlong”, e ainda um segundo painel digital intitulado “Paisagens, ao estilo dos antigos mestres”.

Através desta experiência digital pretende-se mostrar aos participantes “o encanto de pinturas famosas, destacando-se a beleza da pintura tradicional sob uma nova perspectiva”. No sábado, 25 de Abril, acontece no MAM a palestra temática “Sobre Pintura ‘Viagem Meridional do Imperador Qianlong’” apresentada por Chen Qingqing, curadora e investigadora associada do Museu Nacional da China.

Nesta sessão, e com recurso às obras de arte, serão interpretados “os cenários político, económico e sociocultural da China de meados do século XVIII”. Decorre ainda, no mesmo dia, a actividade dos Amigos do MAM, “Explorar Paisagens com Antigos Pintores – Oficina para Pais e Filhos”, conduzida por Mei Songsong, directora adjunta e investigadora associada do Departamento de Educação Social do Museu Nacional da China.

No dia 3 de Maio decorre o concerto “Música no Museu de Arte de Macau” com uma actuação da Orquestra Chinesa de Macau. Por sua vez, a 17 de Maio tem lugar o workshop pensado para pais e filhos “Duetos da Natureza”, na Praça dos Lótus, Bairro da Ilha Verde.

23 Abr 2026

Fotografia | “À distância de um braço” para ver na Galeria Lumina

A título pessoal João Miguel Barros, advogado que se tem dedicado bastante à fotografia e curadoria nos últimos anos, tem também uma nova exposição. “À distância de um braço” pode ser vista na galeria Lumina, em Lisboa, sendo a terceira mostra que João Miguel Barros realiza em Portugal.

“Esta exposição tem um conjunto de ‘short-stories’ retiradas maioritariamente do projecto ‘Zine Photo’, mas inclui também quadro imagens grandes retiradas do livro ‘The Incidental Moments’, o meu último livro de fotografia”, contou ao HM.

A curadoria é do próprio João Miguel Barros, que sobre esta mostra descreve, no texto curatorial, que “quem percorre a exposição confronta-se com imagens que solicitam aproximação, pedem tempo e atenção demorada, mas resistem à apropriação imediata”.

Desta forma, em “À distância de um braço”, a obra “está próxima, acessível ao olhar, porém nunca totalmente disponível, e é precisamente essa incompletude que a mantém viva, que preserva a possibilidade do regresso”.

A mostra “propõe uma desaceleração” de tempos e modos de ver imagens, isto “num tempo em que estas circulam à velocidade do gesto que desliza sobre um ecrã”. Essa “desaceleração” surge “não como nostalgia, mas como método”, no sentido em que “demorar o olhar é uma forma de restituir à imagem a sua espessura, de a devolver ao corpo e ao tempo que a produziram”.

Num texto intitulado “A memória da luz”, Manuel Falcão escreveu que “da prática de advogado, entre Lisboa e Macau, [João Miguel Barros] trouxe para a sua forma de fotografar o estudo, a preparação e a preocupação em analisar um caso, encontrar uma argumentação (visual, neste caso) e tomar uma posição”.

Assim, “em cada uma das séries desta exposição, as fotografias são como que fotogramas de cenas de vários filmes que se vão desenrolando, fragmentos de histórias que se vão ligando umas às outras”, remata Manuel Falcão.

22 Abr 2026

CCCM | Livro de João Miguel Barros apresentado hoje em Lisboa

O Centro Científico e Cultural de Macau acolhe o lançamento, hoje, do livro “Impossible Truth”, da autoria de João Miguel Barros, sobre um dos mais conhecidos projectos artísticos da arte chinesa contemporânea, intitulado “To Add One Meter to the Anonymous Mountain”. Há também planos para apresentar a obra na Photo Shangai no próximo mês

João Miguel Barros, fotógrafo e curador, apresenta hoje, dia 22, a partir das 17h30, o livro “The Impossible Truth”, sobre a performance artística “To Add One Meter to an Anonymous Mountain”, realizada por um grupo de dez artistas chineses em Maio de 1995, nos arredores de Pequim. O que se fez na altura foi um “gesto radical de empilhar corpos nus para alterar a paisagem”, algo que se transformou “num símbolo da vanguarda chinesa e um marco na arte performativa”, descreve a galeria Ochre Space no seu website.

A exposição sobre esta performance aconteceu na Ochre Space, em Lisboa, entre Maio e Junho do ano passado, e foi nesse contexto que nasceu a publicação “The Impossible Truth”. João Miguel Barros, fundador da Ochre Space, foi o grande impulsionador desta iniciativa.

Ao HM, o autor admitiu, “sem falsas modéstias”, tratar-se de um livro “importante no contexto da temática que aborda”, por se tratar de uma “famosa performance” sobre “o percurso de vários artistas que a fizeram durante a quase totalidade da década de 1990”.

“Considero que o livro é importante porque reúne um conjunto alargado de depoimento de artistas, curadores e professores que abordam a arte chinesa daquela época, e está muito documentado com elementos recolhidos nos Arquivos da Bienal de Veneza que documentam as grandes tensões existentes entre os artistas durante o período que antecedeu e culminou com a realização da Bienal de Veneza de 1999”, descreveu ainda.

Na sessão do CCCM estará Cláudia Ribeiro, autora e investigadora sobre cultura chinesa, e Filipe Figueiredo, professor no IADE – Universidade Europeia.

João Miguel Barros disse ainda que “The Impossible Truth” tem tido “grande impacto em certos meios artísticos na China”, tratando-se de uma obra bilingue, em chinês e inglês. Na calha, está também a apresentação da obra na Photo Shangai, entre os dias 7 e 10 de Maio.

Celebrar o Ano do Cavalo

Entretanto, a galeria Ochre Space prepara-se para receber, este ano, novas mostras que celebram o Ano do Cavalo. Uma das exposições é “Mongolian Horse in North Wind”, com imagens de Wang Zhengping, um dos mais importantes fotógrafos chineses contemporâneos, conhecido pelo trabalho que faz a retratar os cavalos da Mongólia. A inauguração desta exposição está agendada para 16 de Junho. Para Julho, está programada “40ºC”, de A Yin, seguindo-se “Kamaitachi”, nome do conhecido livro do fotógrafo Hosoe Eikoh, entre os dias 15 de Setembro e 10 de Outubro; e ainda “Appearance and Abstraction”, de Li Gang, agendada para os dias 20 de Outubro a 14 de Novembro.

“O Ano Novo Chinês do Cavalo é um bom motivo para mostrar a arte de grandes mestres chineses que têm dedicado a vida a registar a vida e os ciclos dos cavalos na China. As duas primeiras exposições – de Wang Zhengping e A Yin – focam-se no cavalo da Mongólia. E [a mostra de] Li Gang foca-se no cavalo de Henan. As exposições são de algum modo complementares, porque mostram abordagens distintas do cavalo. Mas são de um rigor estético e de uma beleza documental únicas, que só os grandes mestres conseguem mostrar”, descreve João Miguel Barros.

A Ochre Space, com menos de dois anos de actividade, já faz parte da Rede Portuguesa de Arte Contemporânea da DGArtes [Direcção-geral das Artes] do Governo português, planeando agora actividades de extensão, ou de uma “internacionalização dentro de portas”.

“A Ochre é um projecto multidisciplinar”, assume João Miguel Barros, que quer agora apostar “numa maior divulgação das suas actividades através dos canais da DGArtes”, além de procurar ter “um potencial de colaboração com outras entidades para projectos comuns”.

O plano inclui também a iniciativa “Ochre Kids, um projecto educacional que funciona desde Novembro de 2024 na Escola Básica Alexandre Herculano, na zona da Ajuda, em Lisboa. Neste contexto de uma maior interligação da galeria com outras entidades, João Miguel Barros diz desejar “estabelecer parcerias para a extensão das exposições”, sendo que “a próxima exposição do Wang Zhengping será um bom exemplo disso”.

22 Abr 2026

CCM | Obras de Xian Xinghai em concerto do Colégio Batista de Macau

É hoje que o grande auditório do Centro Cultural de Macau acolhe o espectáculo “Remando em Frente, Pelo Amor à Pátria”, que não só dá destaque às composições de Xian Xinghai, nascido em Macau, como celebra os 70 anos do Colégio Batista de Macau. Um dos destaques será a apresentação de uma versão mais internacional de “Cantata do Rio Amarelo”

O grande auditório do Centro Cultural de Macau (CCM) recebe hoje, dia 21, a partir das 20h, o espectáculo “Remando em Frente, Pelo Amor à Pátria”, com foco nas composições de Xian Xinghai, compositor ligado a Macau. O concerto serve também para celebrar os 70 anos do Colégio Batista de Macau, contando com músicos locais, nomeadamente dois solistas, uma orquestra sinfónica de 60 músicos e o Coro Xinghai de Panuy, de Cantão, com cerca de uma centena de vozes.

O maestro brasileiro Oswaldo Veiga Jardim, ligado à organização do espectáculo e ao currículo musical da escola, contou ao HM que alguns dos destaques musicais da noite são a “Cantata do Rio Amarelo”, apresentada na versão inglesa e chinesa, e ainda a “Sinfonia nº1”, composta por Xian Xinghai entre os anos de 1935 e 1941.

O público pode assistir a “um concerto inteiramente dedicado à música de Xian Xinghai”, apresentando “o primeiro andamento da Sinfonia nº1 ‘Libertação Nacional’ Op.5”, disse Veiga Jardim.

“Em 2025, quando o projecto ainda estava na fase inicial, pensámos em apresentar uma selecção de obras sinfónicas chinesas, incluindo a Rapsódia Chinesa, Op. 26, uma peça bastante interessante. Da minha parte, sonhava secretamente em apresentar a Cantata do Rio Amarelo, obra composta em 1939 durante a invasão japonesa, cuja versão para piano e orquestra tive a oportunidade de dirigir diversas vezes”, confessou.

Porém, “as dificuldades inerentes à apresentação da cantata são enormes e desencorajadoras, sobretudo porque é uma obra longa que exige um grande coro, uma grande orquestra, actores, dois solistas de alto nível e um narrador, mais de 200 pessoas”, pelo que “Cantata do Rio Amarelo quase ficou de fora do programa.

No entanto, quando Oswaldo Veiga Jardim descobriu a tese de doutoramento de Hong Xiang-tang, de 2009, intitulada “Performing the Yellow River Cantata”, percebeu que podia, afinal, incluir esta composição no programa.

“O facto de Xian Xinghai, na sua correspondência com colegas e amigos, ter manifestado o desejo de ver suas obras executadas nos palcos internacionais, foi a faísca que acendeu o nosso entusiasmo para ultrapassar as dificuldades e pensar concretamente na apresentação desta obra em inglês, tendo em conta o público cosmopolita de Macau. A partir daí, tudo foi se encaixando de uma forma que beira o sobrenatural”, referiu.

Sobre o grupo coral de Cantão que participa no concerto, Oswaldo Veiga Jardim diz ser composto “por entusiastas com vasta experiência na apresentação das obras corais de Xin Xinghai”, e que acompanha outro grupo coral ligado ao Colégio Batista de Macau. Sobre a apresentação de “Sinfonia nº1”, o maestro diz que “informações fidedignas sobre esta obra são bastante escassas”, não existindo, segundo o seu conhecimento, “qualquer gravação comercial da obra”.

Desta forma, “o material de orquestra que vamos usar no concerto foi totalmente preparado por nós e é baseado na única versão da partitura disponível ao público: uma edição soviética de 1955, publicada pela Muzgiz, a editora estatal de música soviética que, na sequência da Revolução Russa de 1917, assumiu o controlo da antiga editora Jurgenson”.

Oswaldo Veiga Jardim destaca, portanto, o “sentimento de orgulho” no facto de ser “um grupo de Macau a apresentar uma obra inédita de um compositor chinês nascido em Macau”.

Para a História

A realização deste concerto em homenagem a Xian Xinghai não surge por acaso, dado que no ano passado se celebraram os 80 anos da vitória na guerra de resistência contra a agressão japonesa e o fim da II Grande Guerra Mundial, destaca Oswaldo Veiga Jardim, que acrescenta o assinalar dos 80 anos da morte deste compositor, nascido em 1905 e falecido em 1945.

Xian Xinghai foi “o mais célebre compositor chinês que deixou uma vasta obra que inclui sinfonias, bandas sonoras de filmes, centenas de canções patrióticas e a Cantata do Rio Amarelo, certamente a sua obra mais conhecida”.

“Parece brincadeira dizer isso, mas como ele nasceu e morreu em anos terminados em cinco, Xian é um daqueles compositores que sempre merecem duplas homenagens, tanto pelo aniversário da morte quanto pelo do nascimento”, disse o consultor do currículo musical do Colégio Batista de Macau.

“Cantata” internacional

Oswaldo Veiga Jardim considera que a “Cantata do Rio Amarelo” é uma composição de “grande beleza e monumentalidade” que, no entanto, “nunca conseguiu se estabelecer na tradição coral ocidental devido principalmente às barreiras linguísticas impostas pelo texto em mandarim, que exige cantores que dominem o idioma, e aos desafios técnicos de incorporar elementos étnicos tradicionais às apresentações ocidentais”.

Houve apenas uma apresentação americana em 1943 “com Paul Robeson e uma produção russa de meados da década de 1950 no Conservatório Tchaikovsky de Moscovo”, recorda o maestro, mas é uma obra que “permanece amplamente associada à sua tradição em língua chinesa”.

Desta forma, a apresentação de “Cantata do Rio Amarelo” no território “faz todo o sentido”, por Macau ser uma “cidade de vocação cosmopolita e local de nascimento de Xian Xinghai”. O que se fez com este concerto foi “tomar a dianteira na apresentação de uma versão ‘mais internacional’ da cantata e, atendendo às aspirações do próprio compositor, torná-la mais acessível ao grande público”.

Também “Sinfonia nº1” nunca “mereceu a devida atenção”, aponta Oswaldo Veiga Jardim. “A mensagem mais importante [deste concerto] é a de reconectar, sob o ponto de vista musical, Xian Xinghai, o homem, às suas origens cosmopolitas de Macau”, nomeadamente na sua ligação “à colónia piscatória da Rua da Praia do Manduco, onde sua família vivia, valorizando uma ligação que certamente teve importância decisiva no futuro do pequeno Xian”.

A escolha do repertório focou-se no “desejo de apresentar ao público de Macau dois lados distintos da personalidade musical do compositor”, nomeadamente “a cantata, de inspiração folclórica, como instrumento popular de resistência durante um período trágico da história da China”, e também a sinfonia.

Esta última “como uma tentativa mais complexa e estruturalmente ambiciosa de reconciliar o ‘universo folclórico chinês’ com o academismo musical ocidental que Xian absorveu em Paris, tendo como pano de fundo a luta pela libertação nacional”.

Numa nota biográfica divulgada pela organização do concerto, lê-se que Xian Xinghai viveu uma vida “marcada pela pobreza e dificuldades”, tendo nascido pobre numa família de Tanka, nome dado a habitantes em barcos, em Macau. O seu pai, Xian Xitai, morreu no mar antes do filho nascer, tendo este sido criado pela mãe, Huang Suyin, “cujas canções folclóricas e canções de embalar influenciaram, sem dúvida, a sua obra posterior”.

Xian cresceu em Guangzhou, em Panyu, onde foi criado pelo avô materno, tendo a família ido depois para Singapura, em 1912, aquando da morte do avô e em busca de melhores condições de vida, tendo voltado depois a Guangzhou. Foi nessa altura que Xian teve os primeiros contactos com a música ocidental, nomeadamente no Lingnan College, onde aprendeu violino e clarinete e começou a estudar as obras de mestres como Bach e Beethoven.

Depois de uma passagem por França onde estudou música, Xian regressou à China em 1935, tendo escrito canções para cinema, rádio e para o Movimento Nacional de Salvação da Canção, num “esforço patriótico que surgiu no final da década de 1930 para fomentar uma frente unida contra a invasão japonesa e pôr fim à guerra civil”.

Foi assim que Xian Xinghai se envolveu no movimento comunista, “compondo ‘canções de massas’ e oferecendo aulas de música gratuitas a cadetes do Partido Comunista”.

Em Maio de 1940 o Comité Central do Partido Comunista enviou Xian para a União Soviética numa missão de trabalho. Na sequência do início da II Guerra Mundial e da invasão alemã da URSS, o equipamento e o pessoal do estúdio foram evacuados para Almaty, no Cazaquistão. Xian passou lá os últimos anos de vida, a ensinar e a compor, vivendo na casa do colega e compositor Bakhytzhan Baikadamov. Após um período de saúde debilitada, Xian foi transferido para Moscovo, onde faleceu em 1945, aos 40 anos.

21 Abr 2026

IIM com diversas actividades de promoção da leitura

O Instituto Internacional de Macau (IIM) aderiu à iniciativa do Instituto Cultural (IC) de promoção da leitura, intitulada “Macau Lê – Semana Nacional da Leitura 2026” e promove, esta semana, lançamento de livros e actividades de incentivo ao consumo de literatura.

Hoje, é apresentado, na Escola Secundária Luso-Chinesa Luís Gonzaga Gomes, o livro bilingue “À Busca da Luz em Duas Línguas: Palavras da Juventude”, uma edição conjunta do IIM com a Escola Secundária Luso-Chinesa de Luís Gonzaga Gomes e a Escola Secundária de Cacilhas-Tejo.

Segundo uma nota do IIM, esta obra faz “uma compilação de dez textos dos alunos da Escola Secundária Luso-Chinesa de Luís Gonzaga Gomes e 12 textos dos alunos da Escola Secundária de Cacilhas-Tejo”. O que se pretende é que haja um “cruzamento de textos criativos e de poesia entre alunos de Macau e de Portugal, em chinês e português”, tratando-se de “um trabalho que o IIM vai continuar a fazer, no futuro, com a Escola Secundária Luso-Chinesa de Luís Gonzaga Gomes”.

Dia da vitória

Por sua vez, amanhã, dia 21, acontece na Escola Portuguesa de Macau (EPM) uma sessão de leitura relacionada com o acontecimento histórico da batalha de Macau e da tentativa de invasão holandesa em 1622. A sessão acontece com um livro editado pelo IIM e pela editora Mandarina, intitulado “Vitória, Vitória – Um Episódio da Nossa História”, que conta com ilustrações de Rodrigo de Matos. Na sessão, far-se-á a projecção de um vídeo recente do IIM sobre o Arraial de São João, “marcando assim a promoção de um episódio importante de Macau aos alunos da EPM”, é destacado na mesma nota.

Esta quinta-feira, o IIM junta-se à “Noite de Quiz”, habitual evento de perguntas e respostas, com um concurso de cultura geral, que se realiza no café e livraria “Bookand”. O evento, promovido pela associação “None of Your Business”, conta com a colaboração da Associação dos Jovens Macaenses (AJM). O “quiz” desta quinta-feira terá perguntas “relacionadas com uma selecção dos livros publicados pelo IIM sobre Macau”.

Além destes eventos o IIM pretende, até ao mês de Junho, “inaugurar o renovado espaço da biblioteca na sua sede, oferecendo mais um espaço cultural e de leitura à comunidade local, investigadores e académicos”.

20 Abr 2026

“Reflexos do Mar de Espelhos” | Sam Hou Fai inaugurou nova exposição

Foi o pontapé de saída para a visita de Sam Hou Fai, Chefe do Executivo, a Portugal: o governante esteve na inauguração, este sábado, de uma nova exposição patente no Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM). “Reflexos do Mar de Espelhos: Exposição de 500 anos de Intercâmbio entre as Civilizações Chinesa e Ocidental em Macau” visa “mostrar a herança cultural de Macau ao público”

O Chefe do Executivo de Macau, Sam Hou Fai, já está em Lisboa para uma visita oficial, a primeira do seu mandato ao país, e inaugurou este sábado, no Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM), em Lisboa, uma exposição que visa “mostrar a herança cultural de Macau ao público português e internacional, bem como apresentar o intercâmbio e a aprendizagem mútua secular entre a China e Portugal”.

Trata-se de “Reflexos do Mar de Espelhos: Exposição de 500 Anos de Intercâmbio entre as Civilizações Chinesa e Ocidental em Macau”, patente no CCCM até ao dia 30 de Junho, organizada pelo CCCM e Instituto Cultural (IC). O que se pretende com esta iniciativa, segundo uma nota oficial, é “aprofundar o intercâmbio cultural entre Macau e Portugal e promover o rico património cultural de Macau”.

Segundo a mesma nota, a mostra apresenta quatro temas, nomeadamente “A Transmissão da Arte de Artesanato”, “A Harmonia dos Costumes”, “O Sabor da Arte” e “Arte da Fusão”, revelando-se “uma interpretação multidimensional de Macau como ponto de encontro das civilizações chinesa e ocidental”.

O público poderá ver “uma criteriosa selecção de bens do património cultural intangível de Macau, abrangendo actuações artísticas, artesanato tradicional, e festas e cerimónias”, tendo sido também organizados diversos workshops interactivos do património cultural intangível de Macau.

Janela de ligação

No discurso de inauguração da exposição, Carmen Amado Mendes, presidente do CCCM, destacou como “nos últimos 500 anos Portugal e Macau desenvolveram uma ligação única, marcada pelo encontro de culturas, pela partilha de conhecimento, pela aprendizagem mútua e pela convivência entre civilizações”.

O CCCM é, na sua visão, “o espelho deste estreito relacionamento e dos laços de amizade que fomos construindo e nos unem, norteando a sua acção por preservar, valorizar e projectar para o futuro este caminho comum, mantendo viva e dinâmica a presença de Macau em Portugal e na Europa”. Leong Wai Man, presidente do IC, discursou em mandarim, buscando referências históricas que justificam a mostra, nomeadamente o facto de, “desde meados do século XVI, que as civilizações chinesa e ocidental se encontram e conhecem em Macau”.

A responsável destacou ainda que “a chegada dos portugueses a Macau abriu uma importante janela de intercâmbio entre o Oriente e o Ocidente”, transformando-se o território num “entreposto fundamental da Rota da Seda Marítima” e uma “ponte para o intercâmbio cultural, científico e religioso”.

Leong Wai Man deu exemplos de “inúmeros marcos pioneiros na China”, como a publicação do primeiro dicionário Inglês-Chinês “A Dictionary of the Chinese Language” e o primeiro jornal em língua estrangeira “A Abelha da China”.

A presidente do IC acrescentou também que a exposição patente no CCCM “fundamenta-se nos elos da Rota da Seda Marítima para apresentar ao mundo, através de pinturas históricas, artefactos de exportação e peças do património cultural intangível, um diálogo profundo entre as civilizações chinesa e ocidental”.

“Pretendemos que o mundo conheça melhor o estilo único e a conotação cultural desta ‘Pérola da China’, continuando Macau a ser um praticante fiel do diálogo duradouro e do respeito mútuo entre a China e Portugal, e entre as civilizações oriental e ocidental”, referiu Leong Wai Man.

20 Abr 2026

Júlio Resende dá concerto para celebrar os 18 anos do Museu do Oriente

É nos dias 8 e 10 de Maio que Júlio Resende sobe ao palco para um concerto que celebra o Japão e a sua cultura e, ao mesmo tempo, os 18 anos do Museu do Oriente. “Júlio Resende: Zen, Yuu, Mii – Piano, Japão, Silêncio, Fado” acontece no auditório da Fundação Oriente (FO), com a sessão de sexta-feira a começar às 20h, e a de domingo às 17h.

Segundo uma nota da organização, trata-se da “estreia mundial de um concerto inédito de Júlio Resende, concebido especificamente para o Museu do Oriente”.

“O piano de Júlio Resende vai começar a tocar à hora certa, porque no Japão o zero dos minutos e dos segundos é igual ao infinito respeito que os japoneses têm pelo grupo. Chegar atrasado é não ter ‘Yuu’. Cuidado, e sem cuidado, foco e dedicação não se constrói nada com ‘Mii’, Beleza. Por isso pedimos para que chegue dez minutos antes da música começar, para escutar o silêncio, como num templo”, é explicado.

Um lugar especial

Júlio Resende já fez duas viagens ao Japão “com o seu piano, a solo, e aprendeu a amar o lugar onde não se gosta de usar a palavra ‘não’ perante os outros, para não se ser indelicado”, procurando “entrar em ‘Zazen’, o lugar da escola Zen que estimula a Meditação Sentada”.

“O Piano sempre foi o meu lugar de Zazen, esse lugar onde sentado, mas ao mesmo tempo em extrema actividade, me abrigo dos perigos ou me aventuro no mundo”, disse o pianista, citado pela mesma nota. O concerto de Maio é, assim, “um ensaio sobre o Japão e os pilares do Zen”.

Júlio Resende é um dos mais conhecidos pianistas e compositores portugueses da actualidade, destacando-se pela sua identidade musical singular e pela constante procura de novas formas de expressão artística. Com uma carreira marcada pela liberdade criativa, iniciou o seu percurso no jazz, editando os primeiros trabalhos em formato de trio e quarteto, onde revelou desde cedo a sua forte capacidade de improvisação e composição.

Ao longo dos anos, o músico tem vindo a expandir o seu universo sonoro, cruzando o jazz com outras linguagens musicais e artísticas.

17 Abr 2026

Arquitectura | Novembro recebe nova edição do Open House Macau

Já tem data marcada a edição deste ano do Open House Macau, uma iniciativa de cariz internacional que visa mostrar ao público os segredos escondidos em muitos lugares icónicos de arquitectura. O CURB promove esta iniciativa entre os dias 7 e 8 de Novembro, com o tema “Diálogos Arquitectónicos”. Na próxima semana é editado o primeiro livro sobre o evento

O CURB – Centro de Arquitectura e Urbanismo volta a trazer à RAEM, este ano, mais uma edição do Open House Macau, uma iniciativa que revela ao público em geral os segredos de muitos locais históricos e com valor arquitectónico reconhecido, possibilitando visitas guiadas e uma descoberta mais aprofundada do seu significado e importância no tecido urbano local.

Segundo uma nota do CURB, o evento decorre entre os dias 7 e 8 de Novembro e tem como tema “Diálogos Arquitectónicos”, abrindo novamente “os edifícios de Macau ao público e oferecendo um acesso raro à arquitectura da cidade”.

Aquele que pode ser considerado um festival de arquitectura é apoiado pelo Fundo de Desenvolvimento da Cultura do Governo e integra a rede global Open House Worldwide. Alguns dos edifícios que fizeram parte das edições anteriores do Open House Macau foram a Escola Pui Tou, edifício de cor verde e traços antigos situado na Avenida da Praia Grande, ou a Escola Portuguesa de Macau, com assinatura do arquitecto português Raúl Chorão Ramalho. Outro edifício que fez parte das visitas, foi o do jardim de infância D. José da Costa Nunes.

Nesta fase, a organização do festival está a acolher propostas de locais para visitar, além de aceitar a inscrição de voluntários para as mais diversas actividades.

Livro a caminho

Tendo em conta o número de anos de organização do festival no território, cuja primeira edição aconteceu em 2018, o CURB entendeu chegar a altura de lançar uma obra que conta a história desta iniciativa. Assim, o “Livro Open House Macau” será lançado na próxima semana, quarta-feira 22, a partir das 18h30, na Ponte 9 – Plataforma Criativa, situada na zona do Porto Interior e que acolhe as actividades do CURB.

Este livro “assinala um novo capítulo” e revisita “a histórica primeira edição [do festival] através de uma selecção de fotografias e documentação de projectos, captando a energia e ambição do primeiro evento Open House da Ásia”.

“Lançada em 2018, a iniciativa recebeu milhares de participantes e reuniu mais de 100 voluntários em 50 edifícios. O lançamento reunirá partes interessadas, arquitectos, parceiros, voluntários e o público em geral, oferecendo um momento para recordar a energia da primeira edição e para celebrar o regresso do OHM em 2026”, descreve a mesma nota.

Por detrás do CURB, do Open House Macau e de tantas outras iniciativas locais ligadas à arquitectura está Nuno Soares, arquitecto e urbanista sediado em Macau desde 2003.

É director do Departamento de Arquitectura e Design da Universidade de São José, em Macau, tendo fundado o CURB como “organização sem fins lucrativos que promove a investigação, a educação, a produção e a divulgação de conhecimento em arquitectura e urbanismo, levando as questões locais a um público global”. Nuno Soares é também co-director do Conselho de Validação da UNESCO-UIA e secretário-geral do Conselho de Arquitectos de Língua Portuguesa (CIALP). Tem ainda um gabinete de arquitectura, a UP – Urban Practice, que “desenvolve projectos que vão desde a escala urbana à arquitectura e design em Macau e no estrangeiro”.

17 Abr 2026

“Macau Antigo” | Revelados registos fotográficos do Convento e Igreja de S. Francisco

Há 18 anos que o blogue “Macau Antigo” continua a desvendar pedaços da história de Macau pela mão do seu autor e criador, o jornalista João Botas. Com mais de quatro milhões de visualizações, o blogue traz agora uma novidade aos leitores: novos registos fotográficos do Convento e Igreja de S. Francisco, demolidos em 1860, sendo que uma das imagens poderá ser de Marciano Baptista

Numa altura em que os blogues foram, há muito, ultrapassados pelas redes sociais e outro tipo de publicações ou criações de conteúdo, o “Macau Antigo”, alojado na plataforma “Blogspot”, permanece activo há 18 anos e está para durar, trazendo agora novidades aos leitores.

Criado pelo jornalista e autor João Botas, o projecto prepara-se para mostrar na blogosfera novas imagens do antigo Convento e Igreja de S. Francisco, demolidos em meados de 1861. Segundo contou João Botas ao HM, até à data apenas se conhecia um registo fotográfico desse empreendimento religioso, da autoria de Jules Itier, datado de 1844, isto numa altura em que fotografar era algo bastante raro, com muitas das vezes a pintura a servir como registo para a posteridade de locais, pessoas e momentos.

“Desde 2008 que, todos os dias, publico uma nova história e faço trabalho de pesquisa. Foi numa dessas pesquisas que ‘descobri’ uma referência ao antigo Convento e Igreja de S. Francisco que me despertou a atenção por se tratar de uma imagem”, começou por dizer.

João Botas explicou que “existem vários registos iconográficos dos locais, mas a maioria são desenhos ou pinturas”, sendo que o conhecido pintor George Chinnery fez, por exemplo, quadros do convento e da igreja entre os anos de 1825 e 1852. “Tanto quanto sei, até agora só se conhecia um registo fotográfico do local, feito em 1844 por Jules Itier, ainda como daguerreótipo.” No lugar onde existiram este convento e igreja está hoje alojado o Quartel de S. Francisco.

Origem da descoberta

Uma das imagens encontradas por João Botas é de 1859 ou 1860, sendo da autoria de Marshall Milton Miller. “Foi publicada em 1863 pela empresa norte-americana E. & H. T. Anthony no suporte stereoviews (estereoscópio) feitos por Milton Miller na China, Macau e Japão. Na colecção ‘Anthony’s Stereoscopy Views’ há uma imagem com a legenda ‘View in Macao – showing fort on the Hill’ no stereoview n.º 25, e outra onde pode ver-se parte da Baía da Praia Grande, com o Convento e Forte de S. Francisco à direita e no topo a ermida e Fortaleza da Guia”, explicou.

Na descoberta de João Botas consta ainda uma imagem publicada em 1868 editada pela publicação “The China Magazine”, que surge com a legenda “The Public Gardens Macao, and Convent of San Francisco”. A publicação era dirigida por C. Langdon Davies.

“A impressão é de péssima qualidade e terá sido essa a razão pela qual a referida imagem ter passado despercebida até hoje”, adiantou o autor do blogue, que recorreu à inteligência artificial para restaurar e recuperar as imagens.

No caso desta fotografia publicada na “The China Magazine”, “estamos perante o terceiro registo fotográfico do Convento de S. Francisco”, não existindo referência ao autor da fotografia. Porém, João Botas destaca “um dado que permite especular [quanto à autoria da mesma] com algum grau de certeza”.

E esse nome é Marciano Baptista, pintor macaense. “Ainda que o escocês John Thomson tenha colaborado com [C. Langdon] Davies, a verdade é que só chegou a Hong Kong depois da demolição do convento [e igreja]. Assim, a hipótese mais provável é tratar-se do macaense Marciano Baptista (1826-1896) que já tinha estabelecido residência na então colónia britânica.”

João Botas assume que a autoria da imagem será do macaense dado que na edição de “The Chronicle & Directory for China, Japan, Philippines etc”, de 1869, surge “o nome ‘M. Baptista referido como ‘the photographic printer for the China Magazine'”.

O facto de surgirem registos fotográficos do antigo convento e igreja é algo importante, dado “a fotografia ser ainda incipiente naqueles tempos”. “Macau, Hong Kong e outros locais do Sul da China seriam amplamente fotografados por estrangeiros itinerantes como John Thomson, William Pryor Floyd, Milton Miller, mas só a partir do final da década de 1860”, disse ainda.

Complexo imponente

Segundo João Botas, o complexo do convento e da igreja, onde hoje existe o Quartel de S. Francisco, foi construído por “missionários espanhóis, liderados por frei Pedro de Alfaro, espanhol que foi das Filipinas para Macau em 1579”, tendo começado a funcionar a 2 de Fevereiro de 1580.

“O complexo religioso era um dos mais imponentes da cidade, e ainda não existia a Igreja Mater Dei e o Colégio de São Paulo, situado na extremidade leste da península, junto à Praia Grande, onde também existia, contíguo, o Forte de S. Francisco”, recorda.

João Botas diz-se “muito satisfeito” por ter conseguido ultrapassar a marca das quatro milhões de visualizações do seu projecto pessoal. “São números avassaladores. Ainda há apenas oito meses tinha atingido os três milhões, pelo que [o blogue conseguiu] mais de 125 mil visualizações a cada mês que passou”.

“Num projecto com quase 20 anos de existência julgo ser uma prova do fulgor e importância do que vai sendo publicado todos os dias, e já são mais de 6.300 publicações, consolidando-se cada vez mais como o maior acervo documental online sobre a história de Macau, disponível 24 por dia em várias línguas e em todo o mundo”, rematou.

16 Abr 2026

Eventos da Semana da Leitura a partir de segunda-feira

Decorrem a partir da próxima segunda-feira, dia 20, diversas actividades organizadas pelo Instituto Cultural (IC) para a promoção da leitura, no âmbito da “Semana Nacional da Leitura” e também da celebração do “Dia Mundial do Livro”, a 23 de Abril.

Desta forma, a iniciativa “Macau Lê – Semana Nacional da Leitura 2026”, decorre entre segunda-feira e domingo (dias 20 a 26 de Abril) e visa a promoção do hábito da leitura junto dos residentes, bem como “a consolidação de Macau como uma ‘Cidade da Leitura'”. Apresenta-se, segundo uma nota do IC, um “programa rico e diversificado”, nomeadamente o novo projecto “10 Minutos de Leitura”, que não só traz “um programa de recompensas” como inclui a iniciativa “Cantinho de Leitura de 10 Minutos.

Segundo o IC, o público pode esperar “diversas iniciativas de extensão entre Abril e Maio, incluindo workshops, sessões de leitura, leitura em família, exposições temáticas de livros, e cerimónias de entrega de prémios, adequadas a diferentes faixas etárias, criando um forte ambiente de envolvimento do público com a leitura”.

Festa partilhada

No dia 23, acontece na Praça do Centro Cultural de Macau (CCM) uma cerimónia sobre o Dia Mundial do Livro, fazendo-se a ligação às cidades de Shenzhen, Guangzhou, Dongguan, Hong Kong, Nanning e Haikou. O evento que acontece em simultâneo nestas cidades intitula-se “Actividade ‘Juntos para Meia Hora de Leitura’ de Guangdong, Hong Kong, Macau, Guangxi e Hainan”. Com esta iniciativa pretende-se criar uma “rede inter-regional que evidencia o encanto da integração cultural regional”.

Na tarde do dia 23 decorre ainda, com a Federação das Associações dos Sectores Culturais de Macau, o clube de leitura intitulado “Leitura em Conjunto: Da Grande Baía ao Mundo”, no CCM.

Até ao final deste mês, podem ser feitas as inscrições no programa “Pontos de Leitura”, no qual se incentiva a participação de instituições e entidades de Macau e da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin na organização de “actividades de leitura voluntárias”. A ideia, com este projecto, é estabelecer “uma rede de leitura por toda a cidade”.

Depois, no sábado e domingo (dias 25 e 26), a praça do CCM acolhe novamente actividades que visam promover a leitura, como a “Troca de Livros” ou “Venda de Revistas”, sem esquecer stands de jogos, actividades de leitura conjunta em família e demais zonas interactivas relacionadas com o mundo do livro.

16 Abr 2026

FRC | História da Diocese de Macau contada por Beatriz Basto da Silva

A antiga docente em Macau e investigadora Beatriz Basto da Silva protagoniza hoje, por videoconferência, uma palestra na Fundação Rui Cunha centrada na história da Diocese de Macau, que está a celebrar 450 anos de existência. “A Diocese de Macau – Scientia et Virtus” é o nome da sessão, integrada no ciclo “Serões com História”

A Fundação Rui Cunha (FRC) apresenta hoje, a partir das 18h30, uma sessão dedicada à história da Diocese de Macau que conta com a presença online de Beatriz Basto da Silva, ex-residente no território, docente e investigadora na área da história de Macau.

A sessão, integrada no ciclo “Serões com História”, que acontece desde 2024, intitula-se “A Diocese de Macau – Scientia et Virtus: Corolário de um impulso com História” e é co-organizada pela Associação dos Antigos Alunos da Escola Comercial Pedro Nolasco (AAAEC). A moderação está a cargo de José Basto da Silva, presidente desta entidade.

Segundo uma nota da FRC, Beatriz Basto da Silva irá falar sobre a criação da Diocese de Macau, há 450 anos, pela mão do Papa Gregório XIII, o 226.º sumo pontífice da Igreja Católica. “A legitimação outorgada pela Bula de Gregório XIII, em 1576, consagra em seus termos a criação da Diocese em Macau. Ao novo Bispo é conferida a necessária jurisdição para actuar no Extremo-Oriente”, refere Beatriz Basto da Silva, citada pela mesma nota.

Segundo esta, a decisão “teve as raízes nas bulas papais do Século XV, conducentes ao documento ‘Inter Cætere’ do Papa Calisto III (1456)”, tendo sido criado depois o chamado “Padroado Português”, que foi responsável pela “propagação da Fé Cristã”.

Um papel importante

Nascia, assim, a 23 de Janeiro de 1576, a Diocese de Macau, “inicialmente com jurisdição eclesiástica sobre a China, o Japão e as ilhas adjacentes”, tendo a sua criação confirmado, à época, “o papel que a então colónia portuguesa de Macau desempenhava, como centro de formação e de partida de missionários católicos, nomeadamente jesuítas, para os diferentes países da Ásia”, explica a mesma nota.

Para a docente e investigadora, “não consideramos que tal instrumento apostólico seja, na conjuntura, um ponto de chegada, nem se revelará só um ponto de partida”, mas será “talvez que, à luz dessa nova energia, eclode em Macau um fecundo viveiro de rápido crescimento”.

Beatriz Amélia Alves de Sousa Oliveira Basto da Silva nasceu na Anadia, Portugal, em 1944, e licenciou-se em História pela Universidade de Coimbra. Chegou em 1970 a Macau, onde foi professora de História no ensino secundário e também professora da cadeira de História de Macau no Centro de Formação de Magistrados. Desempenhou outros cargos de relevo locais, tais como os de Directora da Escola do Magistério Primário e Directora do Arquivo Histórico de Macau, desde a sua criação, em 1979, até 1984.

Foi deputada nomeada da V Legislatura da Assembleia Legislativa de Macau, de 1992 a 1996, e integrou o Conselho de Gestão da Fundação Macau, quando se reformou da Função Pública.

Pertenceu ainda diversas associações, nomeadamente a Associação Promotora da Instrução dos Macaenses (APIM), a Santa Casa da Misericórdia e a Asianostra/Estudo de Culturas. Além disso, é Membro Académico Correspondente da Sociedade Portuguesa de História, Membro do Conselho Internacional de Arquivos e sócia efectiva da Sociedade de Geografia de Lisboa.

Tem várias obras publicadas e conferências proferidas, nomeadamente um livro dedicado ao comércio dos cules em Macau, intitulado “Emigração de cules: Dossier Macau 1851-1894”, além de ter vasta colaboração dispersa por revistas culturais de Macau e de Portugal. A investigadora regeu ainda cursos na área da sua especialidade, tendo feito parte de diversas Comissões, criadas pelo Governo e pela Diocese de Macau.

15 Abr 2026

MGM Macau | Exposição “Silk Roads” apresenta um tapete persa e dois quadros italianos

A mostra “Silk Roads Beyond Borders”, patente no Poly MGM Museum, no MGM Macau, acaba de receber novas peças que fazem a sua estreia na Ásia. Trata-se de uma “nova fase” de uma exposição que pretende mostrar a história da Rota Marítima da Seda e de como Macau foi importante nesse percurso comercial.

Segundo uma nota do MGM, as novas peças adicionadas à exposição são “duas importantes obras do século XVIII de mestres da Escola Veneziana”, e que chegam ao território com o apoio do Consulado Geral de Itália em Hong Kong e Macau.

São elas “O Molo do Bacino di San Marco”, de Canaletto, nome artístico de Giovanni Antonio Canal; e “Ca’ Foscari e Palazzo Balbi alla volta del Canal Grande”, de Michele Marieschi. Trata-se de um empréstimo da Fundação Paolo e Carolina Zani, sendo dois quadros pintados a óleo sobre tela que “captam a prosperidade de Veneza como um importante nó nas Rotas da Seda”.

Assim, estas duas obras “apresentam a prosperidade de Veneza como porto de transbordo para as mercadorias da Rota da Seda que entravam na Europa”, sendo exibidas “ao lado da seda chinesa, porcelana e outros artefactos”, ilustrando, desta forma, “os processos históricos através dos quais as Rotas da Seda facilitaram o intercâmbio cultural”.

Ao lado destes quadros apresenta-se “Golden City”, uma “representação moderna de Veneza” da autoria do artista franco-chinês Zao Wou-Ki.

Vindo de Lisboa

No rol das novidades disponíveis nesta exposição consta um tapete persa, nomeadamente o “Tapete Farahan com Padrão Herati”, proveniente do Museu Medeiros e Almeida, em Lisboa, Portugal, e que está exposto ao lado do “Tapete do Trono com Padrão de Dragão”, que já é propriedade do MGM.

Desta forma, “ao comparar os materiais, motivos e técnicas de tecelagem destes dois tapetes, os visitantes obtêm uma compreensão intuitiva do fluxo bidirecional da arte têxtil ao longo das Rotas da Seda, e de como as tradições artesanais quotidianas refletem séculos de intercâmbio estético entre as civilizações chinesa e ocidental, enriquecendo ambas as tradições”.

Outro destaque desta exposição, é a “Marco Polo VR Experience”, com recurso à realidade virtual, tratando-se de uma “viagem imersiva de dez minutos que transporta os visitantes a mais de 700 anos atrás, colocando-os nas pegadas de Marco Polo enquanto viajam de Veneza por locais-chave do intercâmbio cultural entre o Oriente e o Ocidente”.

A mostra “Silk Roads Beyond Borders” está disponível para visita desde Outubro de 2025 e trata-se de uma exposição de cariz anual. Contém cerca de 200 peças do tempo da Dinastia Zhou até aos presentes dias, e que espelham todas as trocas comerciais existentes ao longo dos séculos entre a China, Macau e os países ligados à Rota Marítima da Seda.

15 Abr 2026

“Barra Slow Festival” | Segunda edição traz música e workshops aos Estaleiros Navais

Decorre no fim-de-semana de 1 a 3 de Maio mais uma edição do “Barra Slow Festival”, que aposta no tema do chá como património para a realização de workshops, concertos e eventos culturais nos Estaleiros Navais. Em destaque, a criação de dois espaços em bambu pela mão da dupla de arquitectos João Ó e Rita Machado

A zona da Barra, nomeadamente os Estaleiros Navais junto ao Templo de A-Má, voltam a acolher a segunda edição do “Barra Slow Festival”, uma iniciativa organizada pela União Geral das Associações de Moradores de Macau (UGAMM, ou Kaifong) e que acontece no fim-de-semana de 1 a 3 de Maio, das 12h às 20h, nos Estaleiros Navais nº 1 e 2. O tema deste ano é “Um Sorvo de Chá, Um Vislumbre do Património”, apresentando-se ao público, pela primeira vez dois mercados, nomeadamente o “Mercado da Cultura Asiática do Chá” e o “Mercado do Património Cultural Imaterial”.

No que diz respeito a eventos culturais, destaca-se a realização do desfile de moda étnica da região de Guizhou, China, intitulado “Village T”, decorrendo depois a iniciativa “Espelho de Água: Cerimónia de Degustação de Chá” guiada por mestres do chá.

O programa do festival inclui ainda “Infuse & Indulge: Cerimónia Culinária do Chá”, bem como duas instalações com bambu, onde se inclui o “Pavilhão do Chá” e o “Palco de Espectáculos do Chá”. O comunicado da organização dá ainda conta da realização, nesse fim-de-semana, de workshops, masterclasses, exposições de design e concertos com entrada gratuita, visando explorar o universo do chá como património.

Nesta edição vão estar representadas “cerca de 40 marcas de chá de várias regiões”, disponibilizando-se ao público bebidas, cocktails e demais produtos ligados ao chá num mercado que decorre nos estaleiros navais. A ideia é mostrar “sabores tradicionais robustos” e “bebidas criativas”, revelando-se “o papel diversificado do chá na vida quotidiana”.

Destaque para o facto de a primeira edição do “Barra Slow Festival” ter sido realizada em Novembro do ano passado, tendo obtido, segundo a organização, “uma resposta esmagadora”.

Com cunho português

Na segunda edição do “Barra Slow Festival” participa a dupla de arquitectos João Ó e Rita Machado com a criação de dois espaços feitos em bambu, nomeadamente o “Pavilhão do Chá” e o “Palco de Espectáculos do Chá”, a fim de “promover ainda mais o chá e o património cultural imaterial”.

Desta forma, o ” Pavilhão do Chá” promete funcionar “como um espaço tranquilo onde os visitantes podem sentar-se e saborear chá”, dando lugar à iniciativa “Espelho de Água: Cerimónia de Degustação de Chá”. Nesta cerimónia “os convidados são servidos por três mestres de chá diferentes, que irão partilhar perspectivas sobre os chás seleccionados durante uma sessão de degustação de uma hora”.

Irá ainda decorrer a “Infuse & Indulge: Cerimónia Culinária do Chá”, uma experiência culinária de dez pratos inspirada no chá e liderada pela chef local Maggie Chiang, formada pelo Le Cordon Bleu. Haverá uma sessão diária deste evento, que combina “a cultura do chá com uma refeição requintada, servida num ambiente envolvente”. Por sua vez, o “Palco de Apresentações do Chá” acolhe “uma série dinâmica de espectáculos e actividades experienciais”.

Relativamente ao desfile de moda étnica, participam mais de 50 marcas locais, sendo que a “Village T” foi fundada GU-A-XIN (Yang Chunlin) em Julho de 2024, tendo já realizado mais de 500 desfiles com a marca, incluindo a participação na Gala do Festival da Primavera da Televisão Central da China (CCTV), a London Fashion Week e New York Fashion Week.

14 Abr 2026

Exposição de fotografia de Greg Girard para ver em Hong Kong

Está patente na Galeria WKM, em Hong Kong, uma nova exposição de fotografia de Greg Girard, que viveu durante vários anos na região vizinha e que retratou, entre outras coisas, a antiga “Kowloon Walled City”, demolida em 1994.

“HKG-TYO 1974-2023” é o nome da exposição individual do fotógrafo canadiano “conhecido pelas fotografias íntimas e cinematográficas de cenas nocturnas urbanas, paisagens urbanas e o quotidiano de trabalhadores e habitantes locais”, descreve a nota oficial sobre a exposição. Nesta mostra, apresentam-se imagens não apenas de Hong Kong mas de outra “casa” de Greg Girard, nomeadamente o Japão, revelando-se “a era de industrialização e crescimento” do país.

Assim, “guiado por uma curiosidade investigativa inabalável e pela apreciação do que é ignorado, as composições exuberantes, encantadoras e, por vezes, melancólicas de Girard capturam a vulnerabilidade e a vitalidade de duas cidades em plena metamorfose”, é descrito.

As fotografias que o público pode ver nesta exposição “oferecem um ponto de acesso à euforia e às dores de crescimento que acabaram por moldar Hong Kong e Tóquio tal como as conhecemos hoje, tornando-se cápsulas do tempo que apontam simultaneamente para o presente e para o futuro”.

De Kowloon a Tóquio

Greg Girard nasceu em Vancouver em 1955, tendo começado a fotografar quando era ainda um aluno do ensino secundário. Depois foi para Hong Kong, Japão e Xangai, tendo ficado “cativado pelas cidades chocantemente futuristas que encontrou”, documentando depois, ao longo da carreira, diversos locais da Ásia numa carreira de fotojornalista.

Em “HKG-TYO 1974-2023” reúnem-se, pela primeira vez, as fotografias de Girard de Hong Kong e Tóquio dos anos 70 até aos dias de hoje, sendo que o primeiro contacto do fotógrafo com a região vizinha aconteceu em 1974. Depois chegou a vez de Tóquio, em 1976.

A mesma nota dá conta de que “as fotografias desta exposição transportam-nos de volta à perspectiva de um descobridor deslumbrado a cartografar território inexplorado”, mostrando-se locais como Shibuya e Shinjuku, com os seus “letreiros intermináveis que deslumbram acima do pavimento húmido” e que servem de “complemento às calçadas repletas de carros do bairro dos bares de Hong Kong”.

São “cidades que nunca dormem e que partilham muitas semelhanças” retratadas nestas fotografias. Não faltam ainda imagens da “fortaleza distópica” da “Cidade Muralhada de Kowloon”, em “Kowloon Walled City from SE Corner”, uma imagem de 1987, que se conjuga com “Platform Conductor, Ikebukuro”, de 1976, uma fotografia que “nos atinge como uma forte rajada de ar à medida que um comboio de metro vermelho reluzente passa a toda a velocidade”. Há ainda “fotografias mais recentes” da série “Snack Sakura”, tiradas entre 2017 e 2025, também relacionadas com estes anos.

14 Abr 2026