Lisboa | Casa de Macau acolhe projecto de Cheong Kin Man e Marta Sala

A exposição “As Espantosas e Curiosas Viagens”, já revelada a vários públicos pelos artistas Marta Stanisława Sala e Cheong Kin Man, volta a ver a luz do dia na Casa de Macau em Lisboa. A mostra integra o rol de apresentações artísticas do “Lisbon Art Weekend” e recebe visitas guiadas este fim-de-semana

A Casa de Macau em Lisboa acolhe, entre hoje e domingo, a exposição “As Espantosas e Curiosas Viagens – Casa di Macau”, da dupla de artistas Marta Stanisława Sala e Cheong Kin Man.

A exposição integra a programação do “Lisbon Art Weekend”, sendo inaugurada hoje entre as 16h e 18h, com possibilidades de visita amanhã e sábado, das 12h às 17h; e também este domingo com visitas guiadas pelos artistas entre as 14h e 17h. A exposição continua patente na Casa de Macau até ao dia 30 de Novembro.

A curadoria está a cargo de Ricardo Barbosa Vicente, sendo esta mostra um cruzamento entre linguagens visuais, instalação e trabalho com tecidos, onde se revelam memórias em torno da comunidade macaense. Segundo uma nota da organização, “a dupla cruza arte e antropologia, explorando relações entre línguas, culturas e memórias”.

Para este projecto, foram recolhidas histórias e retalhos de tecido junto da diáspora macaense, incluindo a que vive em Portugal, com “materiais do quotidiano a transformarem-se em obras têxteis, em imagens e línguas inventadas”.

Marta Stanisława Sala, natural da Polónia, e Cheong Kin Man, de Macau, formam uma dupla de criação artística e investigação com actividade entre Berlim, Macau, Cracóvia, Katowice e Lisboa. Desde 2021, desenvolvem uma prática conjunta que cruza arte e antropologia, explorando a memória afectiva, a migração e as relações entre línguas e culturas.

“As Espantosas e Curiosas Viagens” é uma exposição que já marcou presença no Museu do Centro Científico e Cultural de Macau, no ano passado. Esta série de exposições foi iniciada em 2024, já passou por Macau e Brasil, e “evoca a tradução alemã histórica da ‘Peregrinação’, de Fernão Mendes Pinto”.

Artes pela cidade

O Lisbon Art Weekend reúne 60 espaços com a promoção de 95 eventos distribuídos por vários espaços culturais da capital portuguesa, sendo esta a maior edição de sempre do encontro dedicado à divulgação da arte contemporânea, indica a organização.

Segundo noticiou a Lusa, nesta oitava edição o evento mantém a entrada gratuita nos espaços participantes e propõe um programa que inclui exposições, visitas guiadas, conversas com artistas, performances, visitas a museus, galerias de arte, coleções privadas, estúdios de artistas, e oficinas para crianças e famílias.

Entre as instituições participantes estarão o Centro de Arte Moderna Gulbenkian (CAM), a Fundação Arpad Szenes – Vieira da Silva, o Museu de Arte, Arquitectura e Tecnologia (MAAT), o Museu de Arte Contemporânea e Centro de Arquitectura do Centro Cultural de Belém (MAC/CCB), o Museu de Arte Contemporânea Armando Martins (MACAM), o Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado (MNAC) e o Pavilhão Julião Sarmento.

A programação inclui uma performance do artista português António Poppe no MNAC, que cruza artes visuais, poesia e performance, reflectindo a natureza interdisciplinar do seu trabalho, que tem apresentado desde 1996.

No MAC/CCB, uma visita guiada à exposição “Here I Stand” dá a conhecer o trabalho da artista portuguesa Ângela Ferreira, com uma leitura das suas esculturas e instalações e das relações que estabelecem entre arquitetura, história colonial e poder político.

Já no Pavilhão Julião Sarmento, a conversa “Encounters Between the Artist, the Work and the Public” propõe um encontro com a artista Iris Buchholz Chocolate, nascida na Alemanha e ligada a Angola desde 2003, com uma prática que cruza tradições ancestrais e artesanais angolanas com abordagens conceptuais europeias, incidindo em temas como memória, herança colonial e identidade.

No CAM, estão previstas uma visita orientada por curadores à exposição “Lugares que se Desenham”, e uma oficina para famílias, enquanto o MAAT propõe a oficina “Estas Obras MAATam-me”, dirigida a crianças e adolescentes dos 8 aos 12 anos, que combina movimento, desenho e criação colectiva de narrativas a partir das obras.

O Lisbon Art Weekend é uma organização sem fins lucrativos fundada por Merve Pakyürek e Marc Kean Paker, que se mudaram para Lisboa há uma década, e decidiram reunir espaços independentes e instituições culturais num circuito de acesso livre para reforçar a articulação entre os diferentes intervenientes da arte contemporânea e dar visibilidade à produção artística. Com Lusa

5 Nov 2026

Obras de Eric Fok para ver no MGM Cotai

O artista local Eric Fok apresenta novas obras em várias zonas do empreendimento MGM Cotai. “The Geography of Wind Directions: 1924”, um trabalho criado este ano, pode ser visto, “por tempo limitado” no Lion Lobby Entertainment Zone. Segundo a informação oficial do MGM, trata-se de uma obra inspirado “na histórica viagem dos aviadores portugueses que chegaram a Macau em 1924, combinando mapas antigos, registos de voo e paisagens regionais para recriar uma visão de exploração que abrange a Europa e a Ásia”.

Mas Eric Fok tem outros trabalhos em exposição no MGM Cotai, como é o caso do quadro “Paradisus – 1557”, no Emerald Lobby. Neste projecto, Eric Fok recorreu “ao estilo dos mapas antigos, e que evoca a história colonial de Macau”. Recorre-se a “papel utilizado para os desenhos é previamente tratado com chá e tinta acrílica, criando um efeito envelhecido que confere às pinturas a aparência dos mapas dos séculos XVI e XVII”.

No Bar Patuá está ainda disponível a peça “1557 – Carrack”, em que “uma nau surge a flutuar num oceano misterioso, navegando à descoberta de novas terras, num espaço exótico onde se cruzam a ilusão e a realidade”.

“O papel, previamente tratado com chá e tinta acrílica, contribui para criar a aparência de um mapa antigo dos séculos XVI e XVII. A reduzida dimensão da pintura evidencia igualmente o rigor e a minúcia do trabalho artesanal do artista”, é ainda explicado.

Arte na praça

Outro local do MGM Cotai que exibe peças de arte de Eric Fok, é o “The Spectacle”, com a obra “Giraffe meets Qilin”. Trata-se “da primeira grande obra digital de Eric Fok e dá continuidade ao conceito inovador de ‘Art-Tech’ da MGM”, é explicado pela operadora de jogo.

Este projecto “alarga os horizontes da arte em espaços públicos, transformando o The Spectacle num museu de arte a 360 graus, através da apresentação de um antigo mapa de navegação nos maiores ecrãs LED interiores da Ásia”. Eric Fok apresenta uma criação que junta a “cartografia náutica antiga e a arquitectura icónica”, proporcionando “uma experiência imersiva e fascinante de intercâmbio cultural entre o Oriente e o Ocidente e das respectivas transformações”. A experiência percorre “o período dos Descobrimentos até à actualidade”.

Outra das obras que podem ser vistas gratuitamente pelo público no The Spectacle, é “Connectivity”, de Kun Wang Tou. Trata-se de uma “obra de arte pós-fotográfica concebida no contexto da nova era digital”, sendo a “primeira apresentação dinâmica de uma obra num formato multicamada, e num espaço público de grandes dimensões”.

Kun Wang Tou, natural de Macau, “apresenta uma paisagem digital surrealista e que é construída a partir de imagens diversificadas da Grande Baía, incluindo fotografias, capturas de ecrã e vistas de ruas obtidas através de mapas de satélite”. Pode ainda ser vista no The Spectacle “Watercolor Story”, de Zheng Chongbin.

5 Nov 2026

Cinco equipas seleccionadas em Macau para os prémios “Bocuse d’Or 2026”

Macau acolheu a “Eliminatória Ásia-Pacífico” dos prémios de culinária “Bocuse d’Or 2026” entre domingo e segunda-feira, tendo sido seleccionadas oito equipas do Vietname, Índia, China, Sri Lanka, Nova Zelândia, Malásia, Japão e Tailândia. Em primeiro lugar ficou o chef japonês, Tetsuya Asano, seguindo-se o chef Chutima Srichai, da Tailândia.

Os chefes de cozinha que ganharam os cinco primeiros lugares seguem agora para as finais desta competição, a decorrer no “Sirha Lyon”, o Salão Internacional da Restauração, Hotelaria e Alimentação a decorrer na cidade francesa de Lyon, em Janeiro de 2027.

Segundo uma nota da Direcção dos Serviços de Turismo (DST), que ajudou a organizar as chamadas “olimpíadas da gastronomia”, a realização destas eliminatórias em Macau foi uma estreia para o território e mostrou “o encanto único do destino enquanto Cidade Criativa de Gastronomia da UNESCO”.

Cada equipa participante nestas provas contou com o chef e um auxiliar de cozinha (commis), tendo tido apenas cinco horas e trinta minutos para preparar e apresentar os pratos “Platter Theme” e “Plate Theme”. Coube depois ao júri de degustação, de cozinha, de avaliação visual dos pratos e dos commis fazer a análise das melhores propostas.

Um “ingrediente-chave”

Cheng Wai Tong, director substituto da DST, referiu, na cerimónia de divulgação dos cinco vencedores, que “a gastronomia é um ingrediente-chave para o sucesso de Macau no desenvolvimento como um centro mundial de turismo e lazer”.

O concurso “Bocuse d’Or” foi criado em 1987 pelo chef francês Paul Bocuse e é conhecido pelo seu nível profissional e rigor do sistema de competição. A edição em curso atraiu mais de 70 equipas, que ao longo de dois anos passaram por eliminatórias nacionais, continentais e pela Grande Final Mundial.

As eliminatórias continentais estão divididas em cinco regiões – Europa, Ásia-Pacífico, Américas, Médio Oriente e África. Um total de 24 equipas marcarão presença na Grande Final Mundial em Janeiro do próximo ano, é referido pela nota da DST.

4 Nov 2026

Grande Baía | Lugar político de mulheres revela-se em exposição

“Outros Portos – Outros Olhares. Digressão de Exposição de Fotografia pela Grande Baía” é o nome da mostra inaugurada este sábado no Rooftop Art Center em Cantão. O projecto, com co-curadoria da designer Clara Brito, conta com trabalhos de Mina Ao, Margarida Gouveia, Ting Song, Xing Danwen e O Zhang

É inaugurada este sábado, dia 7, uma exposição de fotografia que traz o “debate da mulher enquanto sujeito político”, explorando-se a “visão feminista” dos conceitos de identidade e resistência. No Rooftop Art Center, em Cantão, apresenta-se “Outros Portos – Outros Olhares. Digressão de Exposição de Fotografia pela Grande Baía”, com trabalhos de Mina Ao, Margarida Gouveia, Ting Song, Xing Danwen e O Zhang.

A cerimónia de inauguração começa às 18h30, ficando patente no número 8 da Yuwei West Road até 31 de Dezembro. Esta mostra tem um cariz itinerante, já que depois de uma passagem por Zhuhai, Shenzhen e até pela cidade do Porto, marcará presença também em Foshan, no Art On Space, a partir do dia 5 de Março do próximo ano.

“Outros Portos, Outros Olhares” tem curadoria da designer local Clara Brito e de Gu Zhenqing, de Pequim, numa iniciativa da Associação Cultural +853 e do colectivo Tomorrow’s Heritage.

Segundo comunicado da organização, esta mostra “cria uma narrativa visual organizada em volta de dois eixos significativos do debate relativo ao lugar da mulher enquanto tema político e, de um modo mais abrangente, no contexto dos feminismos contemporâneos”.

O público pode observar estes temas nas obras de Mina Ao e Xing Danwen, por exemplo, já que “incidem sobre territórios de violência”, sejam eles “simbólicos ou materiais”. “Ao invés de se renderem ao medo e à vergonha, tentam demonstrar um olhar sincero e reflectir sobre estes assuntos”, é explicado.

Relações intrínsecas

Já os trabalhos de Ting Song, exploram temáticas como a “subjectividade feminina, tecnologia, colonialismo e culturas indígenas”. Olha-se ainda “o poder da cultura e de mulheres líderes em contextos políticos com desafios ao nível dos direitos e dinâmicas de ‘negociação cultural’ constante”.

Por outro lado, O Zhang partiu do facto de desde 1991 ser possível a adopção de crianças chinesas por famílias americanas para documentar esta prática. Desde então foram adoptadas “mais de 55,000 crianças, sobretudo meninas”.

Um dos trabalhos que mostra esta realidade é “Daddy & I” [O papá & Eu], explorando “a forma como diferentes aspectos étnicos e culturais afectam pais e filhas, em particular as percepções sobre estas novas famílias numa sociedade tão propensa a preconceitos”.

Estas fotografias de O Zhang foram já reveladas no “Getxophoto International Festival”, tendo a fotógrafa criado “uma alegoria sobre o potencial da China enquanto nação e da sua capacidade de se adaptar a novas circunstâncias, aprendendo com o Ocidente””.

“Outros Portos, Outros Olhares” quer mostrar arte em todas as cidades e territórios que compõem a Grande Baía, narrando “uma viagem de sinceridade e questionamento, sem constrangimentos ou receios, aceitando o modo como estas artistas sentem e vêem e questionam o género feminino”.

Este sábado Clara Brito, co-curadora, estará no Rooftop Art Center para realizar uma visita guiada com interessados, estando ainda agendada uma conversa com artistas e curadores. A exposição em Cantão pode ser vista entre segunda-feira e domingo, das 9h às 20h.

No tocante aos promotores deste projecto, a Associação +853, fundada em Macau em 2006, promove actividades anuais em Macau e em Portugal. A conexão à zona do Delta do Rio das Pérolas começou em 2015, e não faltam eventos no Brasil, organizados a partir de 2018. Esta mostra foi responsável por organizar 15 edições do festival “This is My City”, em Macau.

No caso do projecto “Tomorrow’s Heritage”, desenvolvido em parceria com esta associação, conta com várias personalidades do mundo da arte, cultura e design e visa desenvolver “uma visão intercultural que questiona as possibilidades utópicas de legados futuros, além de cruzar patrimónios culturais seculares de duas regiões: a Grande Baía, na China, e os Países de Língua Portuguesa”.

4 Nov 2026

“Fórum de Intercâmbio Civilizacional” realiza-se no sábado

Acontece este sábado, dia 7, e no dia 10 de Novembro o “Fórum Internacional de Intercâmbio Civilizacional 2026”, não se conhecendo ainda o local da sua realização. Segundo uma nota da Direcção dos Serviços de Cultura e Desporto, o evento pretende “valorizar o contributo de Macau para criar uma plataforma de alto nível entre civilizações”, realizando-se em parceria com a Academia Chinesa de História, ligada à Academia Chinesa de Ciências Sociais.

Este evento tem ainda como objectivos a promoção do “intercâmbio humanístico e cultural a nível internacional e reforço do papel de Macau enquanto janela de encontro das culturas chinesa e ocidental”, sem esquecer o seu papel como “plataforma para o diálogo intercivilizacional global”.

O Fórum tem como tema “Aprendizagem Mútua entre Civilizações, Herança e Desenvolvimento”, tendo na programação três sessões temáticas principais: “Diálogo Transfronteiriço entre Civilizações”, “Conexões Civilizacionais entre a China e os Países de Língua Portuguesa” e ainda “A Luz das Civilizações na Era da IA”.

O evento deverá reunir vários académicos que vão analisar e debater “o valor contemporâneo da herança e do intercâmbio cultural entre civilizações a partir de múltiplas perspectivas”. O leque de oradores e participantes inclui “representantes de departamentos governamentais de vários países e regiões, organizações internacionais, bem como especialistas e académicos de renome, tanto nacionais como estrangeiros”.

Terra de fusões

O público pode contar com uma programação que apresenta “40 sessões temáticas”, servindo este Fórum para mostrar como Macau é “testemunho do encontro entre as civilizações chinesa e ocidental”, com uma “fusão da cultura tradicional de Lingnan e dos costumes portugueses”.

Verifica-se na RAEM, segundo a mesma nota, uma “interacção entre edifícios históricos e património cultural intangível, bem como a coexistência harmoniosa de diversas comunidades étnicas”.

“Macau serve como ponte humanística entre o Interior da China e o mundo, construindo uma plataforma para o intercâmbio académico internacional regular e abrindo um novo capítulo no intercâmbio e aprendizagem mútua entre civilizações”, lê-se ainda.

A primeira edição do “Fórum Internacional de Intercâmbio Civilizacional” realizou-se em Dezembro do ano passado. Neste contexto, foi publicado o livro “Aprendizagem Mútua entre Civilizações, Herança e Desenvolvimento: Uma Iniciativa de Macau”.

Na perspectiva das autoridades, esta conferência vai revelar, em dois dias, “o papel singular de Macau no processo de aprendizagem mútua entre civilizações e a sua posição para o desenvolvimento, utilizando a cultura como elo e o diálogo como ponte”.

3 Nov 2026

MyLand Culture | Exposição de trabalhos da infância para ver no espaço Riverside

A terceira exposição de arte infantil “Coisas de que Não Me Esqueço 2026 – Oceano de Memórias” pode ser vista na zona da Barra, espaço Riverside, até ao dia 27 de Novembro. A mostra “multissensorial e interactiva”, promovida pela associação MyLand Culture, explora as memórias daqueles que nasceram já na era digital, promovendo a criação artística sem recurso aos ecrãs

Pode ser vista até ao dia 27 de Novembro a terceira edição do projecto “Things I Can’t Forget 2026 – Ocean of Memories” [Coisas de que Não Me Esqueço 2026 – Oceano de Memórias], promovida pela associação MyLand Culture. A mostra, patente no espaço Riverside, situado no número 291 da Rua do Almirante Sérgio, na Barra, explora as “memórias reais de mais de 20 jovens artistas da ‘Geração Alpha'”, ou seja, os que nasceram já na era digital, a partir de 2010. Os artistas presentes neste colectivo têm entre seis e 14 anos.

Segundo um comunicado da MyLand Culture, trata-se de uma “exposição multissensorial e interactiva” que tem como tema “Oceano de Memórias”.

Explora-se, através da arte, “o universo interior da ‘Geração Alpha’ – os chamados nativos digitais, nascidos a partir de 2010 e habituados à utilização constante de ecrãs e a respostas imediatas”.

“Numa época em que a tecnologia digital se tornou tão natural como respirar, o projecto coloca uma questão essencial: quando a tecnologia passa para segundo plano e o ritmo da vida abranda, que memórias emergem das experiências físicas e emocionais autênticas destas crianças?”, questiona a associação.

Estas obras nasceram de oficinas de arte realizadas no Verão, durante dois meses, tendo artistas e educadores acompanhado os jovens em diversas actividades. Uma delas, “A Minha Cidade! Instalação Artística dos Cinco Sentidos”, foi orientada por Dian Long; enquanto que “A Minha Vida! Pensamento e Criação de Videoarte” contou com coordenação do actor Pak Hou Wong.

O público pode ver 20 obras de arte que resultam de “20 pontos de memória” diferentes, como a instalação interactiva de vídeo intitulada “Espaço do Caracol” ou ainda a instalação “Praça do Lilau”, que inclui a projecção do filme de dança “Memórias Borbulhantes”.

Nesta mostra da MyLand Culture há ainda para ver a instalação interactiva “A Forma dos Sons” e “uma área de instalações sensoriais dedicada às memórias olfactivas”, é explicado.

Obras em Chengdu

Pal Lok Chok, fundadora da associação MyLand Culture, e também curadora deste projecto, considera que “através do olhar puro e atento destas crianças esperamos que esta viagem multissensorial desperte a criança que existe dentro de cada visitante, proporcionando uma pausa acolhedora e revigorante na rotina do quotidiano”.

Uma das novidades desta mostra passa pela apresentação de algumas das obras em Chengdu no próximo ano, no Festival de Arte Infantil iSTART. Este é, segundo a MyLand Culture, “um projecto nacional de grande dimensão dedicado à educação estética nos domínios público e social”.

A mostra faz-se acompanhar de diversas oficinas para o público jovem interessado na arte. Este sábado, 7, acontece a “Oficina de Leitura de Livros Ilustrados” com orientação do poeta e mentor de filosofia para crianças Daxiang Lin (Xiangjun Lin). Pretende-se analisar o livro “O Gato que Viveu um Milhão de Vidas”, sendo esta oficina pensada para crianças dos 8 aos 12 anos. Destaque ainda para a realização, no mesmo dia, da oficina “A Forma dos Sons”, com orientação de Dian Long. No dia 22 de Novembro é a vez de Mary Wong, educadora de dança, orientar a oficina “O Corpo no Momento”, pensada para crianças dos 8 aos 12 anos. Pretende-se aqui que estas crianças tomem “consciência da sua presença física e expressem, através do movimento, as memórias e imaginação sobre a vida”.

3 Nov 2026

Lai Chi Vun | Associação realiza festival este fim-de-semana

O Centro de Desenvolvimento Local da União Geral das Associações dos Moradores de Macau (UGAMM) realiza, entre hoje e domingo, a primeira edição do “Festival da Povoação de Lai Chi Vun”, com eventos que também acontecem na ilha de Coloane.

Segundo um comunicado da organização, o festival visa “revitalizar a área dos estaleiros de Lai Chi Vun”, tendo como tema “Aventura na Ilha Mágica”. “A zona de Coloane estará dividida em seis zonas de actuações, sendo que, juntamente com a zona dos estaleiros de Lai Chi Vun, o festival irá acolher uma série de actuações ao ar livre, experiências interactivas, mercados criativos, workshops de artesanato, visitas guiadas e exibição de filmes”, pode ler-se.

Pretende-se que os participantes possam desfrutar “de uma experiência imersiva pelas ruas de Coloane e Lai Chi Vun”.

Amanhã, dia 31, acontece a cerimónia oficial de abertura do festival. Entre as 16h e 17h tem lugar uma parada com início no Largo Eduardo Marques, em Coloane, e fim nos estaleiros de Lai Chi Vun. Das 17h às 18h é a vez de a “Gala da Ilha”, com músicos e bailarinos protagonizarem um espectáculo inspirado em temas como “o mar, vilas piscatórias e património da construção de barcos”.

A entrada para o festival é livre. Hoje há actividades das 15h às 18h, sendo que este fim-de-semana as actividades decorrem das 12h às 18h.

30 Out 2026

Música | Grupo japonês DOES estreia-se em Hong Kong a 8 de Novembro

Foi preciso esperar mais de 20 anos, mas a banda conhecida pela ligação com a série de anime Gintama vai finalmente actuar pela primeira vez em Hong Kong. Este vai ser o primeiro espectáculo do trio após o vocalista, Wataru Ujihara, ter revelado sofrer de problemas musculares que o impedem de tocar guitarra

Após mais de 20 anos de carreira, a banda japonesa de rock DOES vai estrear-se em Hong Kong com um concerto na sala de espectáculos Portal, no edifício The Burrow, em Kowloon, às 20h. Na região vizinha, os fãs vão ter a oportunidade de ouvir os êxitos da banda como Shura, Donten, Guren ou Bakuchi Dancer.

Os DOES chegam a Hong Kong como parte da digressão “Thanksloving! Overseas” que começa na RAEHK e inclui ainda espectáculos em Banguecoque, na Tailândia, e em Kuala Lumpur, na Malásia. Criado em 2000, na cidade de Fukuoka, o grupo de rock alternativo/garagem é constituído pelo vocalista e guitarrista Wataru Ujihara, pelo baixista Yasushi Akatsuka, e pelo baterista Keisaku Morita.

Nos primeiros anos da carreira, quando o trio não tinha contrato com qualquer produtora, Wataru, Yasushi e Keisaku lançaram músicas como “DOES”, “Outside”, “Fish for You” e “Fish for You No. 2”. Os êxitos comerciais surgem a partir de 2006, quando o grupo se muda para Tóquio e assina um contrato com a produtora Ki/oon Records, que faz parte da gigante Sony Music Entertainment.

Com o apoio de uma grande produtora, os DOES lançam os singles “Shura” (2007) e “Donten” (2008). Esta última música garantiu a entrada no top três do ranking de vendas Oricon, um dos mais importantes do Japão.

Mundo Gintama

As duas faixas foram ainda escolhidas como as músicas de introdução (Donten) e encerramento (Shura) da 5.ª temporada da série Gintama, um dos animes mais populares no Japão entre 2003 e 2019. Esta escolha marcou também o percurso musical dos três artistas ao iniciar a ligação com a indústria televisiva.

A ligação com a série de comédia Gintama valeu aos DOES o reconhecimento do grande público jovem, e o grupo foi ainda responsável pelas músicas de introdução (Bakuchi Dancer) e encerramento (Baku) do filme Gintama (2010) e da música de introdução da 17.º temporada da série com o tema “Know Know Know (2016). Este tema foi o último produzido antes de uma pausa na carreira dos DOES, que se prolongou entre 2016 e 2020.

Os sucessos de “Shura” e “Donten” abriram as portas a outras parcerias na indústria do anime, e em 2012 os DOES lançaram o tema “The World Seen in Dreams”, utilizado como introdução da terceira temporada da série Space Brothers. Em 2015, chega um novo sucesso, com o lançamento de “Guren”, tema que foi utilizado como introdução da série de anime Naruto: Shippuden.

Além do sucesso televisivo, o grupo foi lançando diferentes álbuns como Newold (2006), Subterranean Romance (2007), The World’s Edge (2009), Modern Age (2010), Katharsivilization (2012) Other side of DOES (2013), DOES (2014) e Innocence (2016).

Regresso em força

Com as celebrações do 10.º aniversário, em 2016, os DOES anunciaram uma interrupção na actividade da banda, que foi justificada com a pretensão dos membros de descansarem e se dedicarem a projectos pessoais.

Em 2019, surgiu o primeiro sinal de um regresso à actividade, quando o trio foi convidado a participar no festival da série Gintama. O espectáculo na Arena Ryogoku Kokugikan, em Tóquio, contou com cerca de 20 mil fãs, actuações das bandas musicais ligadas à série, e a recriação de alguns dos momentos mais marcantes da série, com os actores a darem voz à animação, em directo, enquanto as imagens eram transmitidas nos ecrãs da arena.

No ano seguinte, os DOES confirmaram o regresso à actividade, com o lançamento de novos singles como Douraku Shinjou (2021), Backbeat (2022) ou In The Sun (2022).

Este regresso levou também à realização de vários espectáculos no Japão, no Interior e uma grande digressão na América, com concertos esgotados em países como o México, Chile, Peru ou Estados Unidos.

A estreia em Hong Kong dos DOES acontece numa altura extramente complicada para o vocalista e guitarrista Wataru Ujihara. Na semana passada, o músico revelou sofrer de problemas no nervo ulnar que fazem com que sinta os dedos da mão direita dormentes, o que o impede de tocar guitarra. Apesar disso, Wataru vai continuar a cantar nos espectáculos ao vivo. A guitarra vai ficar a cargo de um substituto.

Os preços dos bilhetes para estreia dos DOES no território vizinho já se encontram à venda e podem ser adquiridos por 580 ou 780 dólares de Hong Kong.

30 Out 2026

Música | Banda portuguesa INDIGNU estreia-se na Ásia com cinco concertos na China

Foto: Gonçalo Delgado

A banda portuguesa INDIGNU, formada em Barcelos há mais de duas décadas, vai estrear-se na Ásia com uma digressão de cinco concertos na China, entre 01 e 07 de Novembro, anunciou ontem o grupo.

A digressão, organizada pela promotora Infinite Limits, passará por Pequim, Hangzhou, Xangai, Cantão e Shenzhen, marcando uma nova etapa na internacionalização do grupo português, segundo um comunicado enviado à Agência Lusa.

Durante os concertos, os INDIGNU vão apresentar pela primeira vez ao vivo composições inéditas que integrarão o próximo álbum de originais, cujo lançamento está previsto para 2027. A digressão arranca no domingo, 01 de Novembro, na sala DDC, em Pequim, seguindo-se actuações em Hangzhou, no dia 04, no espaço UN!, e em Xangai, no dia 05, no Yuyintang Music Town.

Os dois últimos concertos estão marcados para Cantão, no dia 06, na sala Omni Space, e Shenzhen, no dia 07, no HOU Live. Em Hangzhou, o grupo português partilhará o palco com os Crymeans, enquanto em Xangai actuará com os AN Corporation e, em Shenzhen, com os Donald from Tempest.

Formados em Barcelos em 2004, os INDIGNU começaram por explorar influências do rock e do punk de intervenção, com temas cantados em português, antes de evoluírem para uma sonoridade predominantemente instrumental, associada ao pós-rock.

29 Out 2026

Oktoberfest | Nova edição no MGM Cotai até 8 de Novembro

O empreendimento MGM Cotai acolhe, até ao dia 8 de Novembro, mais uma edição do “Oktoberfest Macau”, um evento que já faz parte do cartaz das celebrações mais importantes do território e que reproduz a tradicional festa alemã.

Segundo um comunicado da MGM, este ano apresenta-se a novidade das “Cantopop DJ Nights”, e que trazem “uma nova forma de viver a experiência do Oktoberfest”, nomeadamente com a presença do grupo “Cantomania”. Esta actuação acontece amanhã e sábado, dias 30 e 31 de Outubro, cruzando “as tradições alemãs com a cultura pop cantonense através da música”. Nestes dias, o “Oktoberfest Macau” acolhe também o “Concurso do Melhor Disfarce de Halloween”, convidando-se os participantes a vestirem-se com as roupas mais assustadoras e originais.

Outro destaque musical da edição deste ano do Oktoberfest Macau, é a presença da banda alemã Sakrisch Guat, que já conta com “mais de 15 anos de experiência em digressões”, é referido na mesma nota. No terraço do primeiro andar do MGM Cotai, onde acontece o Oktoberfest, este grupo irá apresentar “uma mistura energética de música tradicional bávara, êxitos internacionais de música pop e clássicos em língua chinesa, convidando o público a cantar e dançar”.

Além da música e da festa, o público pode desfrutar dos petiscos tradicionais do Oktoberfest, como é o caso de joelho de porco assado, salsichas, pretzels e frango assado, acompanhados por cerveja alemã. O Oktoberfest acontece todos os dias entre as 18h e as 00H até ao dia 8 de Novembro.

Segundo a nota do MGM Cotai, este evento recebeu, ao longo dos anos, “mais de 200 mil participantes”. Kenneth Feng, director-executivo e administrador da MGM China Holdings Limited, destacou como este evento “se tem mantido entre os eventos preferidos dos residentes e visitantes, preservando as tradições e introduzindo também novas experiências que criam expectativas para cada edição”.

29 Out 2026

IIM | Nova biblioteca abriu ontem portas

Entrou em funcionamento ontem a biblioteca do Instituto Internacional de Macau (IIM), um local renovado com o apoio da Fundação Macau (FM) e que visa proporcionar “um espaço amplo dedicado à leitura e investigação”. A biblioteca estará aberta de terça-feira a sábado, das 10h às 19h.

Segundo um comunicado do IIM, o espaço inclui um balcão para a aquisição das edições do IIM e ainda um “Cantinho para os Pequenos Leitores”. Os leitores e demais interessados têm acesso a um acervo de livros sobre Macau, a China e o mundo lusófono, e também edições sobre o sudeste asiático, principalmente em português, chinês e inglês.

Além da área dedicada aos livros, existe também um corredor com uma galeria dedicada a acolher exposições temporárias de fotografia, pintura e “outras manifestações culturais e artísticas”, aponta a mesma nota.

Pretende-se que este espaço renovado tenha várias funções e que possa receber “artistas, entidades e associações culturais, académicas e escolas”, funcionando também como um “centro de estudos e investigação”.

A ideia é que, com esta biblioteca, se possa promover “a memória, legado e cultura sobre Macau e a sua identidade, bem como o seu papel actual no contexto da Grande Baía, e de plataforma entre a China e os países de língua portuguesa”.

Na cerimónia de abertura, foi também entregue o Prémio Identidade IIM ao semanário católico O Clarim, que é alvo de uma exposição no referido corredor. O Clarim, fundado em 1948, é o jornal de língua portuguesa mais antigo de Macau ainda em publicação regular, sendo propriedade da Diocese de Macau.

O IIM destaca a actual edição em português, chinês e inglês, estando “ao serviço da população católica de Macau de variadas origens, espelhando a evolução demográfica do território”.

29 Out 2026

Livraria Portuguesa | Exposição de Mónica Coteriano explora mudanças de Macau

Pode ser vista até 15 de Novembro a nova exposição de instalação e fotografia de Mónica Coteriano, fundadora da 10 Marias – Associação Cultural. Em “Monochrome”, são exploradas as profundas transformações que Macau tem atravessado nos últimos anos espelhadas em rostos e objectos, numa conjugação da memória com algum sentido de humor

Mónica Coteriano, fundadora da 10 Marias – Associação Cultural, apresentou esta terça-feira “Monochrome”, uma nova exposição de instalação e fotografia patente na Livraria Portuguesa até ao dia 15 de Novembro. Segundo um comunicado, o público pode ver “uma instalação com humor sobre memória e transformação” do território. Para contar esta história, Mónica Coteriano juntou “um conjunto de obras onde são revisitadas pessoas, lugares, linguagens e hábitos de Macau, cruzando fotografia, colagem, objectos, luz e participação do público”.

O território é, assim, apresentado como um “espaço de memória, mudança e algumas contradições”, tratando-se de uma exposição onde Macau é olhada “a partir de situações aparentemente simples: o rosto de quem já não se volta a ver, uma loja antiga, uma placa de rua, um jogo de damas, uma garrafa de cerveja ou a neblina que esconde a Torre de Macau”.

Mónica Coteriano não pretende, com “Monochrome”, construir uma “visão monumental ou definitiva da cidade”, mas sim trazer ao público “uma narrativa feita de fragmentos”.

“As obras recuperam presenças e gestos do quotidiano, confrontam as transformações urbanas e reflectem sobre as marcas deixadas por diferentes culturas, línguas e gerações. O humor e a ironia atravessam a instalação, não como simples efeitos cómicos, mas como formas de olhar para aquilo que desaparece, permanece ou se transforma”, revelam-se no mesmo comunicado.

Percurso de memória

A primeira etapa da mostra explora “a memória como forma de resistência à ausência”. Uma das histórias exploradas é a de um alfaiate que teve uma loja na Rua dos Mercadores. Mónica Coteriano pegou nela, recuperou “uma figura da vida quotidiana de Macau e transformou essa fotografia numa homenagem e lugar de permanência”.

Esta obra em particular “preserva não apenas um rosto, mas também o seu sorriso, aberto, generoso e luminoso, que se torna o ponto de partida para uma reflexão sobre os ofícios, lojas antigas e relações discretas que compõem a memória colectiva da cidade”.

Outro tema abordado em “Monochrome”, é a linguagem e herança colonial, explorados “com humor” na obra “O poder da língua já não é o que era”. Aqui coloca-se “em tensão” o lugar da língua portuguesa no território, sendo presença em “placas de ruas e nomes de lugares”. Porém, revela-se o contraste pelo facto de não ser um idioma falado no dia-a-dia em Macau.

“A fotografia de um caracter chinês que significa ‘para sempre’ acrescenta uma camada irónica e poética: de um lado, uma língua histórica cuja influência já não é a mesma; do outro, uma palavra que promete uma permanência absoluta. Entre a língua viva e a língua inscrita, a peça questiona o que fica verdadeiramente na memória de uma cidade”, é explicado.

Há ainda obras que “confrontam o visitante com diferentes formas de olhar”, como é o caso de “Ignora a realidade”, com “um tubo que obriga a observar através de um enquadramento estreito, no fundo do qual surge a frase que dá título à peça”.

Aqui, o visitante “torna-se voyeur e vê as fotografias dos casinos a partir de uma posição simultaneamente curiosa e clandestina”. Permanecem “o brilho, o desejo, o risco e a promessa de uma realidade diferente que entram em conflito com a ordem para ignorar aquilo que está diante dos olhos”. “Ignora a realidade” coloca-nos uma questão: “se ignoramos realmente a realidade ou se apenas escolhemos cuidadosamente o que queremos ver”.

Monochrome constitui “um retrato de Macau feito de presenças frágeis e persistentes”, onde o território “aparece como arquivo vivo, lugar de conflito entre o antigo e o novo”. Macau surge também como um lugar “onde as memórias pessoais se cruzam com a história colectiva”.

Nesta exposição, “as obras não procuram fixar Macau numa imagem única”, revelando “uma cidade que se reinventa, que esconde e expõe, que conserva vestígios e produz novos símbolos”. Mónica Coteriano diz recorrer “ao humor, ironia e participação” para contar todas estas mudanças. O visitante é convidado “a olhar de novo para aquilo que parece familiar”.

Observa-se, num jogo permanente de contrastes, “a ausência e permanência, a língua e inscrição, a realidade e ilusão, o lamento e riso”. “Monochrome” faz-nos pensar o que “ainda conseguimos reconhecer numa cidade em transformação, e que parte dessa cidade continua, afinal, a viver dentro de nós”.

29 Out 2026

Auditório do Carmo | Exposição de livros ilustrados até domingo

Está patente até domingo, 1 de Novembro, a “Exposição de Livros Ilustrados em Chinês e Português” no Auditório do Carmo, na Taipa. Sob o tema “Os Livros nutrem a Alma”, a mostra faz parte do cartaz da oitava edição do “Encontro em Macau – Festival de Artes e Cultura entre a China e os Países de Língua Portuguesa”, organizado pelo Instituto Cultural (IC).

Segundo um comunicado do IC, a exposição integra também uma feira do livro, e “apresenta uma selecção de livros ilustrados e literatura infantil, com mais de mil livros para venda”. O objectivo é “dar a conhecer melhor ao público as publicações da China e dos países de língua portuguesa, bem como promover o intercâmbio cultural entre a China e os países de língua portuguesa”.

Destaque ainda para a realização de duas sessões de promoção de livros e seis workshops de livros ilustrados. Estes workshops incluem “sessões de narração de histórias e interacções variadas”, e que pretendem conduzir os mais novos “à descoberta do prazer de leitura, transformando a simples leitura numa experiência dinâmica que estimula plenamente a criatividade”.

A exposição conta ainda com um espaço adicional na Feira do Carmo, disponível para o público este sábado e domingo, dias 31 de Outubro e 1 de Novembro, entre as 14h e 20h. Por sua vez, a exposição pode ser vista gratuitamente das 12h às 22h. As inscrições para os workshops podem ser feitas na plataforma Conta Única de Macau.

28 Out 2026

Leilão | Retrato de Brigitte Bardot pintado por Kees van Dongen vendido por 1,35 ME

Um retrato da actriz francesa Brigitte Bardot (1934-2025), feito pelo pintor Kees van Dongen (1877-1968), foi vendido por 1,35 milhões de euros num leilão realizado em Paris, informou a leiloeira Artcurial.

A obra, que permaneceu durante mais de 60 anos no atelier do artista, foi alvo no sábado de uma intensa disputa de 40 minutos durante um leilão de arte moderna e contemporânea, no âmbito da semana da Art Basel Paris, informou a Artcurial em comunicado.

O retrato, intitulado ‘B.B. aux yeux d’autruche’ (Brigitte Bardot com olhos de avestruz), foi criado em 1959 e entrou no mercado com uma estimativa de preço entre os 800 mil e os 1,2 milhões de euros.

Trata-se de um óleo sobre tela de 130 por 97 centímetros que retrata Bardot nos anos que se seguiram à estreia de ‘E Deus… Criou a Mulher’ (1956), filme que ajudou a torná-la um ícone internacional. A sessão fotográfica que serviu de base ao retrato foi organizada pela revista Paris Match e documentada pelo fotógrafo Izis, segundo a Artcurial.

Van Dongen, nascido nos Países Baixos e radicado em Paris, foi um dos mais notáveis retratistas da sociedade francesa do século XX. O seu estilo é marcado por cores intensas e contrastes, elementos presentes no fundo amarelo do retrato de Bardot.

28 Out 2026

DocLisboa | Festival apresenta documentários de três continentes

O festival DocLisboa está de volta a Macau. Entre os dias 5 e 19 de Novembro, é possível ver uma panóplia de documentários de três continentes diferentes, graças a uma parceria com o Instituto Português do Oriente. O festival, dirigido por Hélder Beja, apresenta filmes chineses como “Voo Nupcial”, de Chan Chon Sin

A extensão do Doclisboa 2025 regressa a Macau entre 5 e 19 de Novembro com a apresentação de dez documentários, incluindo obras dos vencedores do festival de curtas local, anunciou ontem o Instituto Português do Oriente (IPOR).

“Ao integrar na programação os filmes apresentados nas competições de 2025 do DocLisboa e do Festival Internacional de Curtas de Macau, o IPOR enriquece a oferta cultural da cidade, cruzando obras marcantes do documentário contemporâneo do Ocidente e do Oriente e reafirmando a identidade cultural de Macau”, lê-se numa mensagem da directora do IPOR, Patrícia Quaresma, no programa divulgado. Hélder Beja, jornalista que viveu em Macau, é o director do DocLisboa.

A abertura do festival, a 5 de Novembro, vai ser dedicada a três obras distinguidas no Festival Internacional de Curtas de Macau. “Voo Nupcial”, de Chan Chon Sin, acompanha um “homem de movimentos graciosos” que começou certo dia “a ver as suas órbitas oculares a encherem-se de sombras irregulares que não desapareciam”, lê-se no programa.

Já “O Desenvolvimento de Macau”, de Zhang Linliang, centra-se na experiência pessoal e criação do fotógrafo Chen Xianyao, radicado em Macau. Em “Na Órbita Sem Ti”, Leong Hou Wang traz ao grande ecrã a vida da “Tia da Banca”, proprietária de uma loja local.

Neste primeiro dia ainda é possível assistir ao documentário “Maneiras”, de António Sanmarful, sobre “a notável história inerente a três edifícios emblemáticos desenhados” em Macau pelo arquitecto José Maneiras (1935-2025).

Outras histórias, outros lugares

A programação inclui ainda “Explode São Paulo, Gil”, da realizadora brasileira Maria Clara Escobar, que vai estar em Macau para o festival. Esta produção luso-brasileira conta o percurso de Gil, que sonha ser cantora e se muda para São Paulo, onde trabalha como doméstica.

“Maria Clara propõe fazer um filme sobre ela. Gil torna-se famosa e elas explodem duas cidades e reflectem sobre sonhos, trabalho e esquecimento”, refere-se no programa.

“As Estações”, da luso-francesa Maureen Fazendeiro, combina depoimentos de trabalhadores rurais e notas de campo de um casal de arqueólogos, imagens de arquivo amador e desenhos científicos, lendas e poemas e canções para dar forma a “uma viagem pela história real e inventada” do Alentejo “e dos povos que aí viveram”.

“As brigadas revolucionárias na luta contra a ditadura”, de Luiz Gobern Lopes, “O Riso e a Faca”, de Pedro Pinho, e “Bulakna”, de Leonor Noivo são as outras obras de cineastas portugueses que constam da programação desta edição da extensão a Macau do Doclisboa 2025.

“Bulanka” acompanha mulheres filipinas que “hoje, enfrentam uma nova forma de colonização, a migração forçada pelo trabalho”, refere-se ainda na apresentação, onde se descreve que milhares de filipinas trabalham como empregadas domésticas e cuidadoras em países estrangeiros, “sustentando economias alheias enquanto deixam as próprias famílias para trás”.

O filme chega agora a Macau, onde vive uma numerosa comunidade migrante originária deste país do Sudeste Asiático.

Ainda parte do festival, está a obra do franco-americano Eugène Green “A Árvore do Conhecimento”, uma fábula sobre Gaspar, um adolescente dos subúrbios de Lisboa que cai nas mãos do Ogre, um homem que fez um pacto com o diabo e usa o rapaz para atrair turistas, transformando-os em animais para depois os abater, numa “crítica nem sempre velada ao modo como a cidade se rendeu ao turismo”, lê-se na apresentação desta obra no portal do Doclisboa.

28 Out 2026

Exposição de Li Gang a partir de hoje na Ochre Space

A galeria Ochre Space, em Lisboa, projecto criado pelo advogado, fotógrafo e curador João Miguel Barros, inaugura hoje, a partir das 18h30, uma nova exposição, encerrando o ciclo de três exposições sobre o Ano do Cavalo do horóscopo chinês. Desta vez, o fotógrafo em destaque é Li Gang.

“Appearance and Abstraction” é a última mostra da Ochre Space deste ano e pode ser vista até ao dia 14 de Novembro. Segundo uma nota da Ochre Space, nesta exposição pode ver-se como o trabalho de Li Gang “explora as fronteiras entre a fotografia e o abstracto através de um tema inesperado: o cavalo”.

“Há mais de uma década que Li Gang dedica a sua prática fotográfica aos cavalos, passando da observação das suas vidas e comportamentos para representações cada vez mais poéticas e experimentais. Em ‘Appearance and Abstraction’, esta exploração segue uma nova direcção. Em vez de fotografar os cavalos como figuras reconhecíveis, aproxima-se tanto deles que as suas formas começam a desvanecer-se”, é explicado.

Neste projecto, Li Gang trabalha sobretudo entre o preto e o branco e ainda “tonalidades intermédias”, explorando “a relação entre presença e ausência, movimento e imobilidade, ocultação e revelação”. Observa-se uma “linguagem visual reúne as qualidades expressivas da arte tradicional chinesa e as possibilidades formais da abstracção ocidental”.

Nas imagens de Li Gang, “os cavalos a galope transformam-se em vestígios, com os seus corpos a desvanecerem-se na paisagem envolvente”; enquanto em outras fotografias os animais “permanecem imóveis, com os corpos encostados uns aos outros até que as formas individuais dão lugar a uma única composição”.

É aqui que se dá um toque quase poético, com o “branco das pelagens [dos cavalos] a fundir-se com a luz” e ainda “o negro das crinas que evoca os traços expressivos da caligrafia chinesa”. “Aquilo que, à primeira vista, poderá parecer uma imagem abstracta revela gradualmente a sua origem no mundo físico”, é acrescentado.

Sombras e imagens

Com esta exposição, a Ochre Space convida os visitantes a “olhar além do reconhecimento e da representação”, onde o “cavalo nunca desaparece verdadeiramente, permanecendo presente em cada curva, cada sombra e movimento, mesmo no momento em que a imagem parece transformar-se em algo completamente diferente”.

Nascido em Henan, na China, em 1947, Li Gang recebeu várias distinções pelo seu trabalho, incluindo o “Prémio Estátua de Ouro da Fotografia da China”, em 2009, a mais alta distinção do país nesta área. Entre as suas publicações contam-se, em 2016, “Reincarnation” e ainda o livro que dá origem a esta mostra, “Appearance and Abstraction”, publicado em 2019. Este trabalho foi ainda distinguido em 2020 pelo projecto “The Beauty of Books in China”.

27 Out 2026

FRC acolhe exposição de fotografia sobre imagética do Cristianismo

É hoje inaugurada na Fundação Rui Cunha (FRC) uma nova mostra de fotografia, a partir das 18h30. Trata-se de “Imagética do Cristianismo”, do “fotógrafo veterano” de Macau Chendra Thamsir.

Segundo um comunicado da FRC, a exposição acolhe 27 fotografias captadas nos últimos 20 anos, “explorando temas como a fé, paisagem e presença visual do Cristianismo”. De destacar que esta exposição assinala os 450 anos da Diocese de Macau, sendo Chendra Thamsir um “cristão devoto”.

Este tem, nos últimos anos, dedicado o seu tempo a “documentar cerimónias religiosas, criando séries fotográficas que espera que encontrem eco junto da população local, e também dos cristãos de todo o mundo que visitam Macau”.

“Além da fotografia arquitectónica convencional, Thamsir centra-se na relação harmoniosa entre os espaços sagrados e os ambientes que os rodeiam”, descreve a FRC.

“O que vejo é a forma extraordinária como os espaços naturais e as igrejas se reflectem e complementam mutuamente — ou seja, o esplendor sagrado”, afirmou o fotógrafo, citado pela mesma nota, descrevendo a qualidade destas cenas como uma espécie de magia visual e espiritual.

Carreira na imagem

Nascido na Indonésia, no seio da comunidade chinesa ultramarina, Chendra Thamsir concluiu o ensino secundário em Macau, em 1974. Em 1988, partiu para o estrangeiro para prosseguir os seus estudos de fotografia no Tokyo College of Photography, no Japão. Após regressar a Macau, construiu uma carreira como fotógrafo, tendo ensinado fotografia no então Instituto Politécnico de Macau [actual Universidade Politécnica de Macau] e também na Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau.

O trabalho de Thamsir abrange áreas tão diversas como a moda, o retrato, as antiguidades, os artefactos culturais e a joalharia. Em 2001, publicou a sua primeira colectânea de fotografia, Carita’ Service – A Different Outlook on Life, à qual se seguiu Temples of Macao, em 2002. A exposição na FRC pode ser vista até ao próximo dia 7 de Novembro deste ano.

27 Out 2026

Albergue SCM | Pedro Proença apresenta pinturas sobre Luís de Camões

É inaugurada amanhã “Amor e Entendimento, Luís Vaz de Camões – Exposição de Pedro Proença, Comemorações do Quinto Centenário”, no Albergue da Santa Casa da Misericórdia de Macau. O público pode ver uma série de 40 aguarelas influenciadas pela escrita daquele que é considerado o maior poeta português de sempre, autor de alguns dos mais belos e conhecidos poemas de amor

O poeta português Luís Vaz de Camões, autor de “Os Lusíadas”, obra maior da língua portuguesa, e de muitos sonetos de amor, é protagonista da nova exposição de pintura de Pedro Proença, inaugurada amanhã, quarta-feira, dia 28, na galeria A2 do Albergue da Santa Casa da Misericórdia.

“Amor e Entendimento, Luís Vaz de Camões – Exposição de Pedro Proença, Comemorações do Quinto Centenário” apresenta-se ao público a partir das 18h30, numa iniciativa do CAC – Círculo dos Amigos da Cultura de Macau.

São 40 obras em aguarela onde Pedro Proença interpreta o tema “Amor e Entendimento”, numa tentativa de tradução da “sensibilidade literária numa linguagem visual”. Convida-se, assim, o público a “descobrir o encanto singular do encontro entre a literatura portuguesa e a pintura”, aponta o Albergue SCM, em comunicado.

Pedro Proença cita as palavras do próprio poeta para justificar a temática. Camões escreveu um dia “E sabei que segundo o amor tiverdes / Tereis o entendimento de meus versos”, enunciando-se a “experiência necessária para entrar na ‘sua’ poesia”.

“Nesta exposição é a arquitectura do amor, tão platónico quanto erótico, que nos faz mover. Mesmo quando revisito episódios dos Lusíadas, que por diversas vezes ilustrei, é a doce cor de oriental safira (Dante) que viceja contra a retórica tronitonante e os maneirismos do épico – mais esgalhada, pincelada, aguarelada, rápida”, escreve Pedro Proença.

O artista assume que desde a adolescência que desenha e pinta com o “comum pincel chinês”, mesmo “quando em puro preto e branco imito, noutra escala, gravuras quinhentistas e seiscentistas”.

“Nos últimos seis anos enamorei-me da aguarela e das subtilezas desta técnica. Por vezes de um só gesto saem, como por magia, coisas muito concretas, o que ainda me surpreende”, acrescenta Pedro Proença.

Entre a Babilónia e o Sião

Camões, poeta que viveu entre os anos de 1525 e 1580, escreveu os “Lusíadas” que não é mais do que um longo poema que conta, em verso, a Epopeia dos Descobrimentos portugueses. Mas são conhecidos muitos dos seus sonetos de amor, como o célebre “Amor é fogo que arde sem se ver”, que nos traz os contrastes e contradições deste sentimento, que pode acarretar um “contentamento descontente” ou ser uma “ferida que dói e não se sente”.

Com recurso às tintas e aos pincéis, Pedro Proença transfere para a arte as interpretações destas palavras e poemas, nomeadamente do poema “Sôbolos rios que vão”, a “longa redondilha do fim da vida de Camões”, e que se apresenta na série “Babel & Sião”. “Embora não acompanhe o ‘pathos’ pessimista do poeta, sinto-me embriagado do estilo”, confessa.

“Nas composições arquitectónicas aqui presentes uso o tema para compor com o descalabro, o desequilíbrio, como se o pensamento fosse émulo do mundo, entre a catástrofe e o seu contrário, num equilíbrio difícil, e, no entanto, naturalíssimo”, acrescenta o artista na sua nota.

Em “Sôbolos rios que vão”, Luís Vaz de Camões olha para a sua vida passada, descrevendo como se encontrou na Babilónia e chorou sentado “as lembranças de Sião e quanto nela passei”. “Ali, o rio corrente / de meus olhos foi manado, / e, tudo bem comparado, / Babilónia ao mal presente, / Sião ao tempo passado”, descreve o poema.

Nascido em Lubango, Angola, em 1962, Pedro Proença vive e trabalha actualmente em Lisboa. Começou a participar em exposições colectivas em 1981 e realizou a sua primeira exposição individual em 1984. Desde então, apresentou exposições individuais em instituições como a Fundação Calouste Gulbenkian (1994), o Frankfurter Kunstverein (1988) e a Galeria Camargo Vilaça (1988), entre outras. Mais recentemente, expôs no Museu Nacional de História Natural e da Ciência, em 2025. Esta mostra tem entrada gratuita e está patente até ao dia 6 de Dezembro deste ano.

27 Out 2026

Armazém do Boi | “Ambiente sonoro” de Macau contado por Berend Strik

Com que sons se faz Macau? Foi a esta pergunta que o artista holandês Berend Strik quis responder. A resposta surge agora com uma nova exposição a inaugurar hoje no Armazém do Boi, no antigo Matadouro Municipal, e intitulada “Stolen Light – Drawing the Sounds of Macau: Berend Strik”. Em entrevista, o artista diz, por exemplo, que o “som do cantonês é muito peculiar”

O Armazém do Boi inaugura hoje, a partir das 18h30 no antigo Matadouro Municipal, três exposições que nascem de residências artísticas feitas em Macau. Uma delas é a do artista holandês Berend Strik, protagonista da mostra “Stolen Light – Drawing the Sounds of Macau” [Luz Roubada – Desenhando os Sons de Macau], que esteve no território durante um curto período a perceber de que sonoridades este é feito.

A curadoria está a cargo de Liu Gang, tratando-se de uma mostra que traz uma panóplia de apresentações artísticas, com Zoe Tam Hio Tong a dar voz à música apresentada e Yasmijn Karhof no vídeo, num percurso desenhado entre a Santa Casa da Misericórdia de Macau e os casinos. A sinopse desta exposição revela que a “história de Macau não é apenas escrita pelos casinos modernos, mas está profundamente envolvida com narrativas de destino e escolha”.

“Durante a residência no Armazém do Boi, o artista holandês Berend Strik traduziu a paisagem sonora distinta da cidade – do som dos corredores dos casinos até aos sinos do centro histórico – em quinze partituras gráficas”, revelando-se um pouco da história de Macau e das próprias línguas que fazem parte do território.

Questionado, em entrevista ao HM, como o território se revela nesta mostra, Berend Strik explica que “escolher olhar para Macau pode ser comparado à história de um casal que se apaixona”.

“No fundo, todas as pessoas têm a mesma estrutura: nascemos e depois morremos. E, quando morremos, já não temos nada com que nos preocupar, é simplesmente o fim. Mas enquanto estamos vivos, temos de fazer o nosso melhor para tornar possíveis coisas belas e para concretizar aquilo que desejamos. No livro ‘City of Broken Promises’ [Cidade das Promessas Quebradas], há um casal cuja história começa com o amor e se torna complicada. Entretanto, acontecem coisas extraordinárias, e vão continuar a acontecer. Macau revela-se através da história de um casal ali viveu.”

Esta história acaba por contar também “a história da evolução da cidade”, numa narrativa “composta por 32 desenhos e apresentada em forma de libreto”. É aqui que Zoe Tam interpreta o libreto através do canto, “acompanhado por movimentos muito delicados”.

Berend Strik considera que este projecto pode revelar Macau ao público sob uma perspectiva diferente, desde que as pessoas “dediquem tempo a apreciar a actuação de Zoe Tam e observem com atenção os trabalhos têxteis e os desenhos expostos nas duas paredes”. Isto porque, no conjunto, “o projecto transmite uma forma de estar que combina humor, beleza e experiências significativas”.

Diversidade por entender

Berend Strik nasceu em 1960 na Holanda, vivendo actualmente em Amesterdão. Segundo uma nota do Armazém do Boi, o seu trabalho foca-se essencialmente no “significado das imagens”, sendo que “o som e a música mantiveram-se presentes em toda a sua carreira como um tema contínuo”.

Nas suas mãos as imagens são transformadas através dos tecidos e bordados, ganhando novas perspectivas e mensagens. No contacto com as sonoridades de Macau, o artista destaca como “as máquinas de jogo produzem sons por todo o lado, mas a questão está em criar um significado mais contextual para esses sons”.

“O som do cantonês é muito peculiar e parece difícil de compreender. Por vezes, é intenso, agudo e alto, parece que nada é aquilo que significa. Aprender verdadeiramente a língua exige muito mais tempo”, referiu.

“Sempre pensei que os sons são mais universais do que a linguagem. Basta pensar nos sons das máquinas de jogo. Escrever esses sons em inglês não significava que pudessem ser transcritos em cantonês. As línguas são muito diferentes. Pelo que percebi, não existem palavras ou sons que possam ser escritos em cantonês da mesma forma que em inglês. O cantonês tem mais tons diferentes do que o inglês. Foi assim que aprendi que, em cantonês, também é preciso ter aulas sobre os tons, para além de aprender o significado das palavras”, referiu, quando questionado sobre a paisagem sonora que encontrou na RAEM.

Para Berend Strik, “a diversade cultural torna tudo ainda mais complicado”, sendo que “uma cultura complexa e diversificada precise, talvez, de mais tempo e não possa ser apressada, e essa é a parte positiva”. Neste sentido, “Macau parece precisar de mais tempo para assimilar todas essas diferenças”.

A possibilidade de fazer uma residência artística em Macau surgiu depois de um projecto em Pequim. “Há cerca de 15 anos quis alargar horizontes e decidi, através de um amigo, que poderia ir para Pequim. Havia uma fábrica de madeira que tinha sido reconvertida por Sam e sua família, juntamente com a minha amiga Nina van Zinninnq Bergmann, criando-se um espaço específico para artistas no interior da fábrica. Eu fui a cobaia.”

Nascia assim o “W.O.W”, um “espaço dedicado a designers, artistas e arquitectura”, onde Berend Strik conheceu Liu Gang, artista e curador deste projecto agora revelado no Armazém do Boi. Outra mostra hoje revelada é a dos artistas Gu Wenjia e Pan Zishen, intitulada “Doube Helix: Macau Folded”, com curadoria de Zhang Ting.

Aqui, existe a metáfora da dupla hélice e da teoria da “dobra” de Gilles Deleuze, recursos usados para analisar as movimentações culturais em Macau. As obras dos dois artistas apresentam, assim, perspectivas de passado e de futuro, em conjugação.

O tríptico de exposições encerra-se com “Love in the South — In Limbo”, de Fang Lu & Arie Kishon, com curadoria de Wang Jing. As três mostras podem ser visitadas até ao dia 24 de Novembro de forma gratuita.

26 Out 2026

IPOR | Edição chinesa de “Para sempre Vilarinho da Furna!” lançada amanhã

O livro “Para sempre Vilarinho da Furna” evoca, em banda desenhada, a história desta aldeia portuguesa na zona do Gerês. Da autoria de Luciana Castelli, a obra ganhou versão chinesa e é apresentada amanhã no Instituto Português do Oriente. Eis um projecto que nasceu da grande paixão de Manuel Antunes, docente e último morador da Vilarinho da Furna, pela aldeia

O Instituto Português do Oriente (IPOR) acolhe amanhã, a partir das 16h, na Biblioteca Camilo Pessanha, o lançamento da edição em chinês da obra de banda desenhada, pensada para crianças, “Para Sempre Vilarinho da Furna!”.

Segundo uma nota do IPOR, trata-se de uma história que dá a conhecer “às novas gerações o património, as tradições e a memória de Vilarinho da Furna, a aldeia do Gerês submersa nos anos 70”. “Com a tradução em chinês, esta mensagem ultrapassa barreiras linguísticas e aproxima crianças e famílias de Macau e de todo o universo cultural chinês”, lê-se.

Da autoria de Luciana Castelli, que escreve como se fosse uma menina de dez anos a contar a história, o livro nasce da grande paixão do professor Manuel Antunes pela sua aldeia. O fundador da AFURNA – Associação dos Antigos Habitantes de Vilarinho da Furna – foi o último morador a sair de Vilarinho da Furna, nos anos 70.

Ao HM, Manuel Antunes conta o trabalho que tem feito nos últimos anos para manter a memória desta aldeia, e que inclui a criação do Museu Etnográfico de Vilarinho da Furna, que abriu portas em 1989.

“Tive a ideia mirabolante de criar um museu etnográfico evocativo da aldeia. Pensei que seria a coisa mais normal do planeta fazer-se qualquer coisa, evocar algo, e criar um espaço que lembrasse a aldeia que desapareceu com a barragem. Lancei essa ideia em 1978 ou 1979, e demorei aí uns 20 anos até construir o museu. Sou teimoso, os meus projectos são sempre assim, demora-se 20 anos, mas realizam-se.”

Manuel Antunes saiu de Vilarinho da Furna a 1 de Janeiro de 1971, a barragem foi inaugurada a 21 de Maio de 1972. O museu fez-se, em parte, com as pedras que restaram das casas. “Soube que estavam a retirar as pedras de umas casas e eu e o arquitecto João Rosado Correia, que fez o projecto do museu, fomos lá escolher umas pedras. Por mim, trazia a aldeia toda, mas trouxemos duas casas com as pedras todas numeradas.”

Nessa época, Manuel Antunes estudava Filosofia e fez todo esse trabalho nas férias de Verão, já na casa da tia, moradora de uma aldeia vizinha. Desde então que com a AFURNA, fundada em 1985, faz um trabalho de divulgação da aldeia, nomeadamente junto dos seus alunos. Luciana Castelli foi aluna de Manuel Antunes e foi assim que nasceu o livro que amanhã se apresenta.

Emoções à flor da pele

De pedidos de apoio em pedidos de apoio, Manuel Antunes acabou por estabelecer contactos com a comunidade chinesa de Macau, o que abriu portas à apresentação da obra em Macau.

“Esperamos que tenha sucesso. Vai ser muito agradável apresentar este livro na sua versão em chinês e só de pensar que as crianças chinesas de Macau vão saber a história e que as vamos pôr a contar a história de Vilarinho das Furnas, até fico emocionado”, contou.

Uma das entidades apoiantes desta obra foi a OMNI Investments. Numa nota divulgada no website da empresa, refere-se que Luciana Castelli disse que este livro foi “um projecto particularmente desafiante”, já que “nunca tinha escrito para crianças”.

“O resultado foi uma obra de linguagem simples, acessível e envolvente, mas profundamente rica em sentimentos, memórias e valores humanos. Através destas páginas, as novas gerações são convidadas a conhecer a história da aldeia comunitária de Vilarinho da Furna, preservando a memória colectiva de um património único da cultura portuguesa”, lê-se na mesma nota.

“Para sempre Vilarinho da Furna!” ganhou uma menção honrosa no Prémio Nacional do Ambiente Fernando Pereira 2023.

Coube à OMNI “o apoio e coordenação da tradução integral da obra para chinês simplificado, bem como a respectiva impressão, permitindo que a história de Vilarinho da Furna chegue a novos leitores e diferentes contextos culturais”, é ainda descrito.

23 Out 2026

Colóquio internacional na UM debate papel da IA no ensino superior

A Universidade de Macau (UM) acolhe a partir de hoje, e até sábado, dia 24, o colóquio internacional “A World Without Humanities – Rethinking the Role of Universities in the Age of AI” [Um Mundo sem Humanidades – Repensar o Papel das Universidades na Era da IA].

A organização está a cargo do departamento de português da UM e conta com a colaboração dos docentes Raquel Abi-Sâmara, Chen Keyi, Rivaldo Freire Tavares e Raquel de Sá. As sessões decorrem nas salas E1-UM Gallery e E22-G015.

A primeira sessão começa hoje às 10h tendo como orador Zhang Longxi que irá falar sobre “IA, Subjectividade Humana e Criatividade”. No período da tarde, a partir das 14h, é vez de subir ao palco o professor da Universidade de Potsdam, Ottmar Ette, que irá falar da “Filologia na Era Digital: Sobre a Vida Longa das Humanidades”.

Ligação à literatura

Não faltam neste colóquio sessões sobre a conexão entre a IA e a literatura e os actos de leitura. Hoje à tarde, a partir das 16h, Raquel Abi-Sâmara, da UM, fala sobre “A Poesia Digital de André Vallias: Da Poesia Concreta aos Novos Actos de Leitura e a Questão do Humano”. De frisar que André Vallias, poeta brasileiro de 63 anos, é visto como um pioneiro na relação entre a poesia e a Internet.

Raquel Abi-Sâmara regressa a esta temática no último dia da conferência, ao falar, a partir das 16h30, dos “70 Anos da Poesia Concreta e 70 Anos da IA: O ‘SonetarIA’ de André Vallias e a Máquina de Fazer-SonetosIA”.

Por sua vez, amanhã, Li Li, da Universidade Politécnica de Macau aborda a questão “O que pode a Tecnologia fazer à Literatura? Navegando no Espaço Emocional da Poesia dos Heterónimos de Fernando Pessoa.” Júlio Jatobá, da UM, e Lu Shi Yi, do Instituto Português do Oriente, falam, a partir das 15h50, também esta quinta-feira, de como a IA pode impactar a leitura, com a sessão “Lendo o Humano na Era da IA: Robots e Infância na Literatura Chinesa e Portuguesa”.

22 Out 2026

MOIDF | Festival de documentário arranca sábado

Começa este sábado, dia 24, a nona edição do Festival Internacional de Cinema Documental de Macau, que decorre até ao dia 8 de Novembro no Bona Cinema Macau. Com 22 documentários disponíveis numa iniciativa subjacente ao tema “Registar / Recordar”, o festival arranca com “A Simple Soldier”, passado no contexto da guerra da Ucrânia

O Festival Internacional de Cinema Documental de Macau (MOIDF, na sigla inglesa) está de regresso a partir deste sábado, dia 24, depois de um ano de ausência. Os filmes com um cunho de realidade são exibidos até ao dia 8 de Novembro no Bona Cinema Macau, situado no empreendimento YOHO Treasure Island Resorts World Hotel.

Em exibição, estarão 22 documentários locais e estrangeiros. Uma das novidades desta edição é a categoria “New Voices Competition” [Competição Novas Vozes], e que inclui a atribuição de dois prémios. De resto, há muitas histórias para ver e conhecer no MOIDF, nomeadamente com cenários de guerra pelo meio.

Uma destas histórias conta-se no filme de abertura, que tem a guerra na Ucrânia como pano de fundo. Com exibição este sábado, dia 24, a partir das 16h30, “A New Soldier” é a história do fotógrafo ucraniano Artem que se alistou no exército. “Com uma câmara e espingarda nas mãos, dirigiu-se para a linha da frente para registar a vida e morte dos seus camaradas, bem como o quotidiano da vida militar. Os tiroteios eram muito mais brutais do que ele tinha imaginado. À medida que os seus companheiros de armas eram mortos um após o outro, a solidão aumentava e os sentimentos foram-se desgastando com o derramamento de sangue”, revela a sinopse do filme. O documentário volta a ser exibido no dia 1 de Novembro.

“Birds of War”, exibido no domingo, também a partir das 16h30, sai da Ucrânia para a Síria, país que também foi marcado por um longo conflito. “Ao longo de treze anos de guerra, revolução e exílio, como se atravessa um céu cheio de fogo? Uma entrevista que começou durante a luta em Aleppo, em 2016, leva uma jornalista libanesa a viver em Londres a ser fotógrafa na linha da frente na Síria”, pode ler-se na sinopse.

De Amílcar à Fábrica

Há também filmes com um cunho de lusofonia, na categoria “A Taste of Portuguese”, nomeadamente com a exibição de “Amílcar”, de Miguel Eek, exibido dia 27. Este documentário conta a história de Amílcar Cabral, poeta e lutador anti-fascista com ligações à Guiné-Bissau e Cabo Verde.

“Seguindo-se os seus poemas, escritos políticos e cartas enviadas às suas duas mulheres, o filme navega nos arquivos coloniais, em imagens da revolução e em microfilmes de 16 milímetros para reconstruir o seu diálogo interior”, revela-se na sinopse.

O documento sobre um homem que foi assassinado em 1973, “quando a independência nacional estava prestes a ser atingida”, deixou um rasto de coisas por descobrir e muitos mistérios. “Uma causa que não foi atingida e cadernos que registam amor, poder e traição.”

A nona edição do MOIDF traz também histórias de cariz social, como é o caso do documentário “Titicut Follies”, com uma cópia restaurada exibida também este sábado, mas às 20h30, com repetição a 6 de Novembro. O realizador, Frederick Wiseman, desenvolveu este projecto quando era professor de Direito na Universidade de Boston e depois de ter levado estudantes seus ao Hospital de Massachusetts, que albergava autores de crimes e portadores de doença mental.

“Com a permissão do superintendente para filmar, [Frederick Wiseman] começou a sua carreira como realizador. Sem formação numa escola de cinema ou experiência profissional por detrás da câmara, Wiseman explorou a instituição a fundo e registou de forma muito próxima doentes e médicos, enfermeiros, guardas e assistentes sociais, registando um lado do hospital raramente visto.”

No último dia do MOIDF, destaca-se a exibição de “Factory”, às 16h. A história passa-se na fábrica da Lenovo, em Wuhan, em Fevereiro de 2020, ou seja, em plena pandemia. Qi Yue era gerente da fábrica e regressou à unidade para que a produção voltasse ao normal, tendo sido implementado um sistema de controlo da pandemia. O documentário conta, portanto, o lado do gestor, “passando depois para os administradores, técnicos e operários na linha de produção”, e a forma como viveram as difíceis regras de confinamento.

“No final, um veículo robótico segue um percurso algorítmico pela oficina, como uma nova espécie a observar friamente e a ouvir de soslaio as conversas humanas. Avança a uma velocidade constante e nunca diz uma palavra”, lê-se na sinopse de “Factory”.

22 Out 2026

FRC | Livro de crónicas de Nelson Moura lançado hoje

A Fundação Rui Cunha (FRC) acolhe hoje o lançamento da obra ” Let’s All Persevere — Covid, Gaming and Other Macau Oddities”, da autoria do jornalista Nelson Moura, actualmente na agência Lusa. Entre as 18h30 e as 20h, o autor estará presente na sessão moderada pelo também jornalista José Carlos Matias, director da revista “Macau Business” e da agência noticiosa “Macau News Agency” (MNA).

Esta obra reúne crónicas escritas no período da pandemia, abrangendo o período de Fevereiro de 2020 a Julho de 2023. Segundo um comunicado da FRC, o livro “retrata as profundas transformações socioeconómicas, o quotidiano e a resiliência discreta de Macau durante a resposta a uma pandemia global sem precedentes na história recente”.

As crónicas foram publicadas na revista “Macau Business” e na MNA, combinando “análise jornalística incisiva com uma boa dose de sátira e humor”. Desta forma, o leitor tem acesso a uma “perspectiva profundamente humana sobre uma época histórica”, com textos de opinião que revelam “histórias por detrás das manchetes de uma cidade que enfrentou, de forma conjunta, um período de incerteza”.

21 Out 2026

Marcas de Macau presentes no festival “City’Super” em Hong Kong

Decorre até ao final deste mês o “Festival de Macau da City’Super 2026: De regresso a Macau”, com a apresentação de 20 marcas locais em quatro lojas da City’Super, no empreendimento comercial New Town Plaza, em Sha Tin. As marcas de Macau também podem ser vistas em locais como o IFC Mall, na zona de Central; Times Square, Causeway Bay; e ainda Harbour City, em Tsim Sha Tsui.

Este evento nasce da parceria entre a Associação Industrial de Macau e a operadora de jogo MGM. Segundo um comunicado da MGM, pretende-se com esta iniciativa “apoiar a expansão das marcas de Macau” e ainda “alargar o alcance das empresas locais no mercado de Hong Kong”.

Serão expostos “mais de 400 produtos”, numa “vasta selecção de artigos produzidos em Macau”, sendo que muitos deles têm a certificação de qualidade “M-Mark”.

Esta é a terceira edição do evento, sendo que a primeira aconteceu em 2024. Segundo a mesma nota, o festival “ajudou um total de 16 marcas de Macau a entrar no mercado de Hong Kong, afirmando-se como um modelo de apoio à expansão comercial das empresas locais”.

MTC e gastronomia

Citado pela mesma nota, o presidente da associação, Fong Son Kin, declarou que o tema desta edição do festival é ” De Regresso a Macau — Uma Viagem Gastronómica Intemporal”, com artigos que abrangem áreas como alimentação e bebidas, medicina tradicional chinesa, produtos de bem-estar, artigos provenientes dos países de língua portuguesa e produtos culturais e criativos.

“Com esta iniciativa, pretendemos proporcionar às empresas de Macau uma plataforma valiosa para alargarem a sua presença no mercado e reforçarem o valor das suas marcas”, afirmou.

Thomas Woo, presidente do grupo City Super, declarou que com este festival há uma “combinação seleccionada de gastronomia, arte e experiências interactivas”, proporcionando-se aos consumidores “uma viagem cultural memorável e enriquecedora”. Com a exposição dos produtos “Made in Macau” existem mais “oportunidades de intercâmbio e colaboração entre os sectores de Hong Kong e Macau”, destacou.

21 Out 2026