“À Procura do Dramaturgo” chega ao CCM no final do mês

O pequeno auditório e bastidores do Centro Cultural de Macau (CCM) recebem, nos dias 26 e 27 de Setembro, quatro sessões do espectáculo “À Procura do Dramaturgo”, uma obra encomendada pelo Instituto Cultural (IC) no âmbito do programa “Comissionamento de Produções de Artes Performativas”.

Trata-se de um projecto concebido pelo PO Art Studio e encenado por Leong Son U, numa “produção interactiva envolve o público no teatro, permitindo-lhe participar em primeira mão e até influenciar o enredo — conduzindo a um final imprevisível”, descreve o IC numa nota. Os bilhetes estão à venda desde as 12h de ontem na bilheteira “Enjoy Macao”.

“Inspirando-se em ecos de produções passadas, a companhia olha para trás, para um espaço prestes a sofrer uma transformação fictícia, recorrendo ao público para obter a sua avaliação”. Assim, revela a sinopse, “nesta atmosfera, o elenco e a plateia procuram vestígios incorporados em obras-primas clássicas, reunindo fragmentos literários e revelando o que um dramaturgo deixou para trás — analisando tanto o texto como as condições que o moldam”.

O PO Art Studio é reconhecido pelo “estilo eclético e em constante evolução”, sendo que as mais recentes produções “deixaram boas indicações tanto junto do público como da crítica”.

Por sua vez, Leong Son U, formado pelo Conservatório de Macau, conquistou o Prémio de Prata na categoria de Design de Iluminação no World Stage Design 2025, em Sharjah, Emirados Árabes Unidos. Foi o primeiro designer de iluminação local a ser distinguido neste concurso internacional, pelo trabalho na peça “Nove Paisagens Sonoras”. Actualmente, Leong dedica-se ao teatro a tempo inteiro, tendo criado e encenado inúmeras produções.

Sessão especial

Além dos quatro espectáculos agendados, realiza-se no dia 27 de Setembro, às 16h45, a “Sessão de Apresentação do Programa Local” no CCM, com o objectivo de “ajudar o sector das artes performativas de Macau a explorar oportunidades de cooperação para obras originais”.

As inscrições para esta sessão já estão abertas, podendo participar associações ou companhias locais ligadas às artes performativas, legalmente registadas em Macau, ou indivíduos com idade igual ou superior a 18 anos que possuam o Bilhete de Identidade de Residente de Macau. A sessão será conduzida em mandarim, sem tradução, e cada apresentação terá a duração máxima de 5 minutos.

11 Set 2026

ACERT | Companhia portuguesa traz teatro a Macau

A Associação Cultural e Recreativa de Tondela (ACERT) faz 50 anos e acaba de estabelecer relações mais próximas com Macau e Guiné-Bissau, dois territórios que passam a integrar a história de parcerias entre comunidades. A ACERT promete trazer ao território, em Outubro, os espectáculos “O Bosque” e “Queres que eu te conte”

Foto: Daniel Nunes

Macau e Guiné-Bissau vão passar a integrar a história de encontros e relações entre comunidades da Associação Cultural e Recreativa de Tondela (ACERT), que está a comemorar 50 anos de vida.

Em Outubro e Novembro, a companhia Trigo Limpo Teatro ACERT fará digressões internacionais a Macau e à Guiné-Bissau, levando os espectáculos “O Bosque” e “Queres que eu te conte”, num final de ano que será também preenchido por três dezenas de espectáculos e outras iniciativas.

“Estes são os espectáculos mais portáteis e que trabalham a nossa memória de Tondela e a nossa memória portuguesa e para nós é importante mostrá-los”, explicou a actriz Ilda Teixeira, durante a apresentação da programação para a última temporada do ano.

Segundo a actriz, em Macau, de 12 a 25 de Outubro, os dois espectáculos serão apresentados em escolas (entre elas a Escola Portuguesa de Macau) e no Centro Cultural de Macau, haverá encontros com vários grupos locais e momentos de formação teatral e musical.

De 24 de Novembro a 1 de Dezembro, a equipa da ACERT estará na Guiné-Bissau para participar no festival de teatro “Djintis”, promovido pelo Ur-GENTE — Centro de Formação em Artes Cénicas Transdisciplinar de Bissau, que é financiado pela organização não-governamental Vida.

“É um grupo muito recente. Querem receber formação e saber das experiências que outros grupos de teatro têm nos seus países de origem”, contou Ilda Teixeira. A actriz avançou que a ideia é dar continuidade a esta ligação com a Ur-GENTE, com a coprodução de um espectáculo de teatro em 2030, que trará actores da Guiné-Bissau até Tondela, no distrito de Viseu.

Ligação à lusofonia

O Trigo Limpo já apresentou espectáculos em países como Angola, Cabo Verde, Brasil, Moçambique, Luxemburgo, Bélgica, Grécia e Alemanha.

Entre Setembro e Dezembro, a associação de Tondela convida o público para 12 propostas de teatro, música, circo, cinema e artes visuais, às quais que se junta o programa do Festival Internacional de Teatro da ACERT (FINTA), com os seus 17 espectáculos de companhias de cinco países (a apresentar posteriormente).

Apesar da digressão nacional intensa, com apresentações em Tomar, Montemuro, Caldas da Rainha, Seia, Santa Comba Dão, Coimbra, Vila Real, Covilhã, Viseu, Águeda e Guarda, para Tondela o Trigo Limpo está a preparar a estreia, na sexta-feira, do espectáculo “Voar no tempo”, uma produção que conta com a companhia espanhola/argentina Voalá e com a Orquestra Smooth.

O espectáculo de teatro musical foi criado especialmente para a abertura da Feira Industrial e Comercial de Tondela (FICTON) e para celebrar os 50 anos da ACERT, com o apoio do município.

No Parque Urbano de Tondela irão juntar-se teatro, bailado aéreo e pirotecnia, durante o espectáculo que também conta com a participação do Ensemble de Cordas do Conservatório de Música e Artes do Dão, da Filarmónica Tondelense, do Coral Polifónico da Casa do Povo de Tondela e de artistas locais.

O director artístico da ACERT José Rui Martins explicou que o objectivo foi “haver uma única equipa a trabalhar no mesmo sentido” no processo de criação. “É um espectáculo cuja dramaturgia, e também a parte musical, incide sobretudo nas ansiedades locais, ou seja, no grande amor pela terra, pelo nosso chão”, frisou o responsável, acrescentando que “é uma dramaturgia extraordinariamente acessível”.

A ópera para bebés “A Casinha de Chocolate”, da Associação Setúbal Voz, o café-concerto “Livre|Mente”, de Ariana Neves, o espectáculo de teatro-circo “Pharol 54”, de Thorsten Grütjen (Tosta Mista/Caracol Cultural), “Black Box – Uma Saga Familiar”, de Hugo Torres, e “Partida, Lagarta, Fugida!”, de Catarina Caetano, são outras propostas até ao final do ano.

11 Set 2026

Galeria Tap Seac | Mostra sobre general Ye Ting a partir de amanhã

A Galeria do Tap Seac acolhe, a partir de amanhã, a mostra “Luz e Espada: Obras Fotográficas do General Ye Ting”, uma iniciativa do Instituto Cultural (IC) que visa comemorar os 130 anos do nascimento desta figura histórica.

Segundo um comunicado do IC, esta exposição é coordenada pelo Museu de Macau, contando com a colaboração da Associação de Estudos de Ye Ting de Macau. A inauguração está marcada para as 10h30. Com esta mostra pretende-se que o público reviva “os anos tumultuosos dos antigos revolucionários”, a fim de poder “apreciar o seu espírito inabalável”.

Segundo a mesma nota, o general Ye Ting foi um dos fundadores do Exército de Libertação do Povo Chinês e comandante do Novo Quarto Exército. Nutria um profundo interesse pela fotografia e, sobretudo na fase em que foi comandante do Novo Quarto Exército, deixou um valioso acervo de imagens documentais de guerra.

A mostra divide-se em três áreas, como “Um Vislumbre da sua Vida”, “Fotografia no Campo de Batalha” e “Anos em Macau”. Podem ver-se 300 imagens históricas e fotografias do general Ye Ting, sendo possível revisitar a sua carreira militar durante a Expedição do Norte, a Revolta de Nanchang, a Revolta de Guangzhou e a Guerra de Resistência contra a Agressão Japonesa.

A exposição revela ainda “o seu apoio ao trabalho de resistência contra a Agressão Japonesa em Macau e a sua enorme contribuição para a libertação nacional e a causa do rejuvenescimento do país”. Esta iniciativa pode ser visitada e vista até ao dia 31 de Outubro deste ano.

10 Set 2026

Semana do Cinema Chinês em Portugal de 18 a 20 de Setembro em Lisboa

A longa-metragem “Her story”, da realizadora e argumentista Shao Yihui, premiada no festival de Xangai 2025, é um dos cinco filmes da Semana do Cinema Chinês em Portugal, que vai decorrer em Lisboa, de 18 a 20 de Setembro.

Com sessões marcadas para o Cinema Ideal e o Cinema Fernando Lopes, a Semana do Cinema Chinês, concentrada num único fim de semana, promete cinco produções “recentes, de diferentes géneros e com distintas abordagens sobre a sociedade e a cultura chinesas contemporâneas”.

A programação abre na sexta-feira, dia 18, no Cinema Ideal, com “A Table for Two”, da argumentista e realizadora Wu Jing, uma produção deste ano seleccionada para o Student Film Festival de Pequim, que também será exibida no dia seguinte, no Cinema Fernando Lopes.

A longa-metragem de animação “Nobody” (2025), de Yu Shui, abre a programação do segundo dia. Recorde de bilheteira, tendo por base um conto tradicional chinês, o filme foi produzido pelo histórico Shanghai Animation Film Studio, fundado na década de 1950, que esteve encerrado durante a Revolução Cultural, de 1966 a 1976.

“Her story” (2024), de Shao Yihui, um dos filmes mais premiados do cinema asiático no ano passado, encerra a programação de sábado, dia 19. Entre a comédia e o drama, acumulou 48 prémios, em pouco mais de um ano, incluindo o de melhor filme chinês, no Festival de Cinema de Xangai, e o de melhor realização da associação chinesa de realizadores.

Para o último dia, ficam “Writer’s Odyssey II” (2025), filme de acção de Lu Yang, espécie de ‘blockbuster’ chinês, e a produção independente de orçamento reduzido “Water Flows” (2026), de Bian Zhuo, que encerra a programação.

Uma parceria

“Water Flows”, outro filme presente no festival, é uma história de luto e reconciliação, tendo sido distinguido como melhor filme na competição de Novos Talentos do Festival de Cinema de Xangai, assim como no festival de Hong Kong, e obteve o prémio do público no Festival de Cinema Alula, em Los Angeles.

O realizador, Bian Zhuo, formado nos Estados Unidos, na Academia das Artes de São Francisco, tem em desenvolvimento um novo projecto, um ‘road movie’ dedicado a expressões tradicionais de teatro das minorias étnicas do sul da China.

A Semana do Cinema Chinês resulta de uma parceria entre o Festival Internacional de Cinema de Xangai e a Associação Il Sorpasso – responsável pela organização da Festa do Cinema Italiano -, com apoio da Film Administration de Xangai e da China Film Administration.

A sessão de abertura, no Cinema Ideal, conta com a presença da produtora Jessica Chen e de representantes do Festival de Xangai e da Film Administration de Xangai. Todas as outras sessões realizam-se no Cinema Fernando Lopes.

10 Set 2026

CURB | Lançado novo livro de fotografia de arquitectura

O CURB – Centro de Arquitectura e Urbanismo inaugura no próximo dia 19 de Setembro o livro “Amazing Macau: Fotografia de Arquitectura entre Património e Modernidade”, uma obra que reúne 149 imagens resultantes do Concurso de Fotografia de Arquitectura de Macau. No mesmo dia são também revelados os vencedores de um concurso fotográfico sobre as aldeias da Grande Baía

A beleza e singularidades arquitectónicas de Macau e da Grande Baía irão reunir-se num só dia num evento promovido pelo CURB – Centro de Arquitectura e Urbanismo. Na Ponte 9 apresenta-se, às 16h30, o livro “Amazing Macau: Fotografia de Arquitectura entre Património e Modernidade”, que compila 149 fotografias de quatro edições do Concurso de Fotografia de Arquitectura de Macau, realizado desde 2022, celebrando-se a “dupla entidade” de um território que balança entre o antigo e o novo.

Segundo um comunicado do CURB, esta colecção de fotografias “destaca a combinação única de charme histórico e arquitectura moderna de Macau”, sendo que cada edição do concurso propôs “uma forma diferente de olhar para a arquitectura — desde perspectivas pessoais a edifícios frequentemente ignorados, contrastes e espaços interiores”. A iniciativa resultou na submissão de mais de 1.600 fotografias da autoria de 650 participantes.

A edição está a cargo do arquitecto Nuno Soares, presidente do CURB, e da designer Filipa Simões. Expõe, essencialmente, os dois lados de Macau, como “o património, com as ruas estreitas, casas tradicionais, templos e recantos do quotidiano”, e que acabam por “preservar a identidade histórica de Macau”.

Há depois o lado moderno, onde o jogo fica mais evidente, com imagens centradas “nos resorts integrados de casinos da Taipa e de Cotai, os novos edifícios cívicos e culturais, as zonas ribeirinhas recuperadas e nas linhas de horizonte iluminadas, que redefiniram o território ao longo de uma única geração”.

Desta forma, “Amazing Macau” oferece ao leitor “o retrato de uma cidade onde património e modernidade coexistem e se iluminam mutuamente”.

Tesouros na aldeia

Também no dia 19 de Setembro, será a vez de se inaugurar a exposição relativa ao concurso “Tesouros da Grande Baía: Concurso de Fotografia sobre Aldeias Urbanas na Grande Baía”, criado de raiz em 2024. As duas edições juntaram 291 participantes e 700 fotografias dedicadas à “celebração da Grande Baía” e da beleza da arquitectura existente em Macau, Hong Kong e nove cidades da província de Guangdong. Na segunda edição, dedicada às aldeias, os trabalhos premiados foram escolhidos de um total de 323 fotografias enviadas por 134 participantes.

Esta terça-feira, foram também conhecidos os vencedores desta edição dedicada às mais belas imagens sobre aldeias da região.

Na “Categoria Aberta da Grande Baía” venceu Liu Ye, ganhando Philip Kwong Lung Wong o segundo lugar, enquanto Wong Ho Chun ficou em terceiro lugar. Iain Cocks ganhou uma menção honrosa com a imagem intitulada “Down the Line”.

Por sua vez, na “Categoria Aberta de Macau”, o primeiro prémio foi arrecadado por Lei Heong Ieong, seguindo-se o segundo e terceiro prémios atribuídos a Tang Chan Seng e Chao Kin Man. Diogo Dias dos Santos venceu uma menção honrosa com “Twins”.

Não faltou também a categoria dedicada à fotografia mais amadora, nomeadamente a “Categoria de Estudantes de Macau”, ganha por Lam Chi Kuan.

10 Set 2026

Museu de Arte de Macau recebe oficinas artísticas para crianças

O Museu de Arte de Macau (MAM) vai organizar a “Arte Sem Fronteiras – Oficina para Crianças”, entre Outubro e Dezembro deste ano. Segundo um comunicado do Instituto Cultural (IC), o programa integra sete sessões destinadas a crianças e jovens dos 4 aos 16 anos, tendo como objectivo “incentivá-los a observar e imaginar a arte clássica através da fusão de formas de arte tradicionais e contemporâneas”. Pretende-se também a exploração “das diversas expressões da arte contemporânea e a experimentar as infinitas possibilidades da criação”.

As inscrições já começaram e estão abertas até ao dia 27 de Setembro, podendo ser feitas na plataforma da Conta Única de Macau. Segundo a mesma nota, as oficinas focam-se nas pinturas da província de Guangdong do período da dinastia Qing e também nas obras de Mio Pang Fei, pioneiro do Neo-Orientalismo em Macau.

Desta forma, os participantes são levados a “apreciar a delicadeza das pinceladas da pintura tradicional e as técnicas abstractas da arte moderna, bem como a explorar práticas artísticas criativas que integram métodos clássicos e contemporâneos”.

Sessões para adolescentes

Há cinco sessões disponíveis para inscrição, sendo que uma delas se intitulada “Uma Aventura Através do Tempo e do Espaço – Oficina Criativa de Arte para Crianças”, em chinês e inglês, para crianças dos 5 aos 10 anos. Já a “Rapsódia Oriental – Oficina Criativa para Jovens” destina-se a adolescentes dos 11 aos 16 anos, na qual irão explorar “ricas texturas através de diversos meios, desde a arte bidimensional à tridimensional, para criar pinturas abstractas com estilo pessoal”.

Por sua vez, a “Fundindo Passado e Presente, Oriente e Ocidente – Oficina Criativa para Pais e Filhos” é adequada para crianças dos 4 aos 6 anos acompanhadas pelos pais, permitindo-lhes partilhar “uma ressonância criativa através da comparação entre pinceladas tradicionais e traços abstractos”.

Cada oficina tem a duração de 12 horas e uma taxa de 240 patacas, realizando-se no Espaço Zero, no rés-do-chão do MAM, ou no Quadrado de Arte, no rés-do-chão do Museu das Ofertas sobre a Transferência de Soberania de Macau.

9 Set 2026

Fotografia | Ochre Space, em Lisboa, apresenta “-40ºC”, de A Yin

Foi inaugurada ontem “-40ºC”, uma exposição de fotografia de A Yin, na Ochre Space, em Lisboa. A mostra pode ser vista até 26 de Setembro e é a segunda de uma série de exposições alusivas ao Ano do Cavalo. As imagens reflectem a graciosidade dos animais fotografados na Mongólia Interior

Estamos no Ano do Cavalo segundo o zodíaco chinês e, a pensar nisso, a galeria Ochre Space, em Lisboa, tem uma programação pensada para celebrar a efeméride. Depois da mostra de Wang Zengping, foi inaugurada ontem a segunda exposição temática relacionada com o cavalo. “-40ºC”, de A Yin, é um projecto fotográfico a preto e branco onde este animal é protagonista, assim como a beleza das paisagens da Mongólia Interior.

A Yin, um artista visual chinês mongol que há muito explora este universo, vê, assim, o seu trabalho exposto em Lisboa num espaço dedicado à fotografia, e que nasceu da vontade de João Miguel Barros, residente de Macau, fotógrafo e curador.

Segundo a apresentação oficial da exposição, em “-40ºC” o frio “não é apenas uma condição atmosférica, mas o elemento que determina a paisagem, o corpo e a própria experiência de olhar”. Desta forma, a estepe, nome da pradaria mongol com campo de visão ilimitado, “deixa de ser uma paisagem distante para se tornar um espaço onde a vida é reduzida às suas condições mais essenciais”.

A forma como são fotografados faz com que os movimentos dos cavalos sejam captados de uma forma única, que deambula entre “a presença e o desaparecimento”, é descrito. “À distância, os rebanhos transformam-se em pequenos vestígios escuros na imensidão branca; de perto, revelam corpos marcados pela neve, pelo gelo e pelo vento.”

Com curadoria a cargo de João Miguel Barros, a exposição não tem como únicos protagonistas os cavalos, mas também incide sobre “aquilo que permanece quando quase tudo é reduzido ao essencial: resistência, silêncio, movimento e sobrevivência”.

Diz o curador que A Yin “trabalha o preto e branco como uma ética do despojamento”. “A cor, que poderia seduzir ou distrair, desaparece. Ficam as relações essenciais: claro e escuro, cheio e vazio, linha e massa, silêncio e movimento. A neve torna-se página, mas uma página instável; o céu torna-se peso; o cavalo torna-se inscrição viva”, é acrescentando.

Assim, há imagens de A Yin cuja composição se aproxima “da tradição oriental do vazio, em que o espaço não preenchido não é ausência, mas respiração”. Há outros casos em que “a fotografia impõe a rudeza documental da matéria: o animal não é metáfora pura, é corpo exposto ao Inverno”.

Três décadas de beleza

Há 30 anos que A Yin se dedica a um intenso trabalho de análise e estudo à cultura nómada da Mongólia. Numa nota oficial sobre a mostra, A Yin assume: “Amo os cavalos mongóis” e revela a profunda conexão que tem com um universo que lhe é tão próprio. “Quando eu tinha sete anos, o meu pai começou a ensinar-me a montar a cavalo. A minha mãe abençoou-me: “Boa sorte sobre o cavalo!”.
“Sou um mongol da Mongólia Interior e descendente de Gengis Khan”, disse ainda.

Sobre a sua carreira, diz que ganhou “muitos prémios com que a maioria dos fotógrafos sonha”. “Tenho uma certa influência neste meio, dentro e fora do país. Mas nunca abandonei a minha amada estepe, os cavalos mongóis e os nómadas. Estou sempre aqui, nesta terra, de alma e coração, a registar o meu povo, a minha estepe e os meus cavalos mongóis… Amo os cavalos mongóis”, aponta.

A Ochre Space descreve como a fotografia é, para o artista, “uma forma de preservar uma herança cultural profundamente ligada ao território e simultaneamente de registar as transformações sociais, históricas e ambientais que têm vindo a alterar esse modo de vida”.

A Yin é autor de uma trilogia sobre a cultura nómada, com títulos como “Os Nómadas Mongóis da China”, “A Terra Sagrada dos Nómadas” e “Os Buriates”. Fez também os projectos “As Escolas Primárias Mongóis da China” e “−40 °C (Cavalos Mongóis)”.

É ainda o único fotógrafo proveniente de uma das minorias étnicas do país a ter sido nomeado por duas vezes entre os “Dez Melhores Fotógrafos Retratistas Chineses”, além de ter recebido o Prémio Estátua de Ouro, a mais alta distinção da China em fotografia, o Prémio Humanidade e o Prémio “All Roads” da National Geographic. Nascido em 1970 numa família de pastores das estepes da Mongólia, A Yin apresenta-se como um fotógrafo independente e autodidacta.

9 Set 2026

Cinemateca Paixão | Reabertura com novo filme de Pedro Almodóvar

Depois de um período sem filmes, a Cinemateca Paixão regressa à programação e trará a Macau a nova película de Pedro Almodóvar, “Natal Amargo”, ainda sem datas de exibição. Para já, há cinema europeu para ver, um deles com a alemã Sandra Hüller

A Cinemateca Paixão voltou a abrir portas no passado dia 1 com nova concessão, e uma das novidades é a exibição do novo filme do cineasta espanhol Pedro Almodóvar. Com uma história que expõe relacionamentos falhados, a relação intrínseca com o cinema e a escrita, e que funciona como um espelho do próprio realizador, “Natal Amargo” não tem ainda datas de exibição, mas promete estrear brevemente.

Depois de “Mães Paralelas”, um filme que conta com a actriz Penélope Cruz num dos papéis principais, e que nos remete para os anos da Guerra Civil Espanhola, o realizador espanhol aclamado mundialmente estreou-se com um filme em inglês com “O Quarto ao Lado”, com Tilda Swinton e Julianne Moore a interpretar os papéis de duas amigas que se cuidam mutuamente num momento de dor e doença.

Em “Natal Amargo”, esta época festiva nem sequer é protagonista da história. Pedro Almodóvar conta o momento em que uma directora de publicidade enfrenta a morte da mãe e vai para a ilha de Lanzarote procurar alguma paz interior. Pelo meio, há confrontos com uma amiga e muitas tensões interiores, em narrativas cruzadas que revelam emoções fortes e que nos fazem pensar sobre as relações humanas.

Em exibição a partir de hoje está “Rose”, protagonizado pela actriz alemã Sandra Hüller, e com o qual venceu um Urso de Prata para Melhor Interpretação Principal no Festival de Cinema de Berlim. Markus Schleinzer assina um drama a preto e branco que se passa na Alemanha dos anos 30, e onde Sandra encarna Rose a fazer lembrar uma Joana D’Arc, ou seja, uma mulher lutadora que se faz passar por homem. A história que dá origem a Rose é real e passou-se em meados do século XVII, durante a Guerra dos Trinta Anos, quando chegou à aldeia uma pessoa chamada de “Soldado”, e que trazia consigo um documento que o identificava como herdeiro de uma quinta abandonada. Depressa ficou e ganhou a confiança dos habitantes da aldeia, mas o facto de ser mulher trouxe muitos problemas.

A vida dos imigrantes

“Take Out”, com Sean Baker – realizador de “A Florida Project” ou “Anora”, premiado com um Óscar – também se exibe na Cinemateca Paixão entre hoje e 13 de Setembro. Eis a história do imigrante chinês Ming Ding que, sem estar legalizado, tenta aguentar-se em Manhattan, Nova Iorque, trabalhando como estafeta de um restaurante chinês. Na noite em que é apanhado por cobradores de uma rede de tráfico de pessoas, tudo muda e as dificuldades aumentam ainda mais. Este filme tem também um forte cunho documental, ao retratar a comunidade de imigrantes chineses nos EUA.

“Três Vezes Adeus”, com a actriz Alba Rohrwacher tem uma única exibição esta quarta-feira, 9. Trata-se de uma adaptação do livro “Tre Ciotole”, a autobiografia da escritora italiana Michela Murgia, e com realização de Isabel Coixet, realizadora espanhola distinguida pelos Prémios Goya. Os personagens são Marta e Antonio, um casal que termina a relação, um momento que com fortes consequências emocionais em ambos.

Com uma elevada carga de erotismo chega “Good Vibes Only”, um filme francês com exibições entre os dias 11 e 16 de Setembro. Com uma grande componente de comédia, este filme conta o momento em que Fanny diz ao marido que, em 20 anos de casamento, nunca teve um orgasmo. É então que ambos decidem explorar brinquedos sexuais, workshops e muitas outras opções que vão mudar a sua vida como casal. “Bodyhackers” será exibido entre os dias 17 e 22 de Setembro.

8 Set 2026

Maria João Pires organiza academia online com residências

A pianista Maria João Pires anunciou no último domingo o lançamento da primeira edição da “MJP Piano Academy”, espaço ‘online’ dedicado ao ensino de piano, prevendo, para breve, abertura de inscrições para ‘masterclasses’, no Centro de Artes de Belgais, Portugal.

Num comunicado assinado por “Maria João Pires e equipa”, é adiantado que o novo projecto da pianista “oferece também reservas para ‘Explicações Online’ e, em breve, para um novo formato de aula, os ‘Workshops Online'”, semanais, para grupos de três a quatro alunos inscritos no programa da academia.

“Estes ‘workshops’ estarão igualmente disponíveis para espectadores e ouvintes através de um plano de subscrição, permitindo que outros estudantes, professores ou amantes de música assistam aos eventos mensais e participem numa sessão mensal de perguntas e respostas ‘online'”, com Maria João Pires.

Um plano de reabertura do projecto do Centro de Artes de Belgais, no distrito de Castelo Branco, está também a ser trabalhado pela equipa, com o objectivo de oferecer “uma maior variedade de eventos e experiências presenciais”. Desta vez, porém, partilhando as actividades “numa Plataforma Online de Belgais dedicada a pessoas de todo o mundo”, esclarece no comunicado. Esta plataforma, “assim que for lançada”, poderá vir a acolher a “MJP Piano Academy”, lê-se ainda.

“’Ensinar’ é uma expressão comum que todos usam, e é por isso que eu também a uso”, afirma Maria João Pires, citada pelo comunicado. “No entanto, é muito mais do que isso — é uma forma de diálogo através da música, um ‘dar e receber’, uma troca de impressões, uma aprendizagem partilhada na arte de ouvir, uma busca pelo equilíbrio. Descobrir em conjunto requer um acordo mútuo na experiência. Em última análise, é um trabalho interior que nos trará certamente uma consciência mais clara”.

Menos palco

Maria João Pires, de 82 anos, anunciou o afastamento dos palcos, em Novembro do ano passado, afirmando estar num “processo de mudança radical”, poucos meses depois de ter tido um problema de saúde, que pôs fim à digressão que mantinha entre palcos europeus e asiáticos.

Este anúncio foi feito na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, durante a entrega do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, com que foi distinguida, tendo a artista afirmado que adoeceu porque tentou “ultrapassar-se e ir até limites proibidos”.

“Agora encontro-me num processo de mudança radical, numa procura de verdade, verdades, num caminho de aceitação, talvez de compreensão daquilo que nunca aceitei antes. É bom pensar que o futuro é incerto, desconhecido, talvez surpreendente”, afirmou então.

No passado mês de Julho, quando recebeu o doutoramento Honoris Causa atribuído pela Universidade de Évora, Maria João Pires afastou o regresso ao activo para um derradeiro concerto, mas admitiu a possibilidade de voltar aos estúdios para “fazer algumas gravações”.

Nascida em Lisboa, em 23 de Julho de 1944, a mais internacional e reputada dos pianistas portugueses tem uma carreira que remonta a finais da década de 1940, quando se apresentou pela primeira vez em público, aos 4 anos.

Após a conquista do primeiro prémio do concurso internacional Beethoven, em 1970, o seu nome tornou-se recorrente nos programas das principais salas de concerto a nível mundial e nos catálogos das maiores editoras de música clássica: a Denon, primeiro, para a qual gravou a premiada integral das Sonatas de Mozart (1974); a Erato, a seguir, nos anos de 1980, onde deixou Bach, Mozart e uma das mais celebradas interpretações das “Cenas Infantis”, de Schumann; e depois a Deutsche Grammophon, em 1989. Nesse ano, fundou o Centro Belgais para o Estudo das Artes, em Escalos de Baixo, Castelo Branco.

8 Set 2026

Lisboa | Container Tais, com ligações a Timor, apresenta-se no LX Factory

Natalino Fernandes Ximenes, guitarrista da banda timorense The Kraken, queria um estúdio, mas uma viagem a Lisboa e uma visita ao Lx Factory levaram à criação do Container Tais, um espaço que cruza arte, cultura, criatividade e empreendedorismo. “Criámos esta ideia para resolver o problema interno da nossa banda, mas agora o espaço é multiusos”, explicou à Lusa Natalino Fernandes Ximenes.

Instalado no Institute of Business, em Díli, o Container Tais transformou-se num espaço multifuncional com escritório, estúdio, loja de música, cafetaria, palco de eventos com o foco na arte e no empreendedorismo e onde os jovens talentos podem desenvolver a sua criatividade.

É ali, num conjunto de contentores sobrepostos pintados com os bordados dos tais (panos tecidos por mulheres timorenses), que se cria, que se fazem espectáculos e formações.

“Pegamos na ideia do contentor e fizemos uma combinação com a identidade cultural dos timorenses, com o tais, um património cultural que já tem reconhecimento internacional. A ideia é simples: pegar no contentor e tais e combinar a inovação com a tradição”, explicou Natalino Fernandes Ximenes.

Um lamento

O Container Tais foi criado com o apoio de um programa do Procultura Palop-TL, financiado pela União Europeia, cofinanciado e gerido pelo Camões – Instituto da Cooperação e da Língua.

Natalino Fernandes Ximenes lamenta, mas compreende, que o sector da cultura ainda não seja uma prioridade para o investimento em Timor-Leste, que ainda se concentra muito nas infraestruturas, saúde e educação.

“Mas a cultura é como uma raiz e temos de a manter e preservar e adaptar, para que as pessoas tenham vontade de investir e apoiar”, disse.

A ausência de apoios estatais às artes e espectáculos, não paralisou Natalino Fernandes Ximenes, que iniciou agora no Container Tais um projecto para a criação de uma base de dados de artistas timorenses, em todas as categorias.

A base de dados inclui os contactos dos artistas, apoio na criação de ‘portfolios’ e na colaboração com artistas internacionais, bem como ajuda para concorrer a apoios e financiamentos de organizações às artes e cultura.

Para o futuro, Natalino Fernandes Ximenes espera levar o Container Tais a todos os municípios de Timor-Leste e afirmar o projeto como um polo de criação e de residências artísticas para a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa e para a Associação das Nações do Sudeste Asiático.

7 Set 2026

FIMM | Cartaz traz pianista Lang Lang e Lisboa String Trio

A edição XXXVIII do Festival Internacional de Música de Macau acontece entre 2 de Outubro e 29 de Novembro e traz, de Portugal, o grupo Lisboa String Trio e Sofia Vitória. Celebra-se também o “Ano Cultural China-Brasil” com o grupo Barbatuques do Brasil. Não faltam ondas mais clássicas, como a ópera de Giacomo Puccini, Turandot”, ou as sonoridades do pianista chinês Lang Lang

Foi apresentando, na sexta-feira, mais um cartaz do Festival Internacional de Música de Macau (FIMM), um dos eventos culturais mais aguardados do território pela mescla de sonoridades que habitualmente apresenta. E a 38.ª edição não falha nesse campo, trazendo grandes nomes ligados à música clássica e ópera, mas também espectáculos com relação à cultura lusófona. O FIMM acontece entre os dias 2 de Outubro e 29 de Novembro e os bilhetes já se encontram à venda.

De Portugal, chega o Lisboa String Trio e Sofia Vitória de Portugal, que trazem o concerto “Canções Concretas e Outras Histórias”. Segundo um comunicado do Instituto Cultural (IC), o público pode ouvir um concerto que combina “sofisticação clássica, improvisação de jazz e música do mundo”, verificando-se um “diálogo entre a guitarra e o contrabaixo, o sitar e uma cativante voz feminina”. Desta forma, o Lisboa String Trio, com a voz de Sofia Vitória, apresenta a Macau “o encanto da tradição musical portuguesa”.

Dentro da onda lusófona, o FIMM também aproveita para celebrar o Ano Cultural China-Brasil, que se celebra este ano, apresentando o concerto “Ritmos do Corpo Brasileiro”, interpretado pelo grupo Barbatuques do Brasil. Tal irá transformar “batidas do coração, palmas, pés e vozes numa poderosa e criativa percussão corporal”, sendo uma iniciativa realizada com o apoio do Comissariado do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China na RAEM e da Embaixada da China no Brasil.

Sob o tema “Ressonâncias de Seda”, a 38.ª edição do FIMM inspira-se “nos encontros culturais ao longo da Rota Marítima da Seda”.

A voz aos clássicos

Um dos destaques no leque das sonoridades clássicas é a celebração do centenário da ópera “Turandot”, de Giacomo Puccini, compositor italiano falecido em 1924. Apresenta-se “Turandot – Ópera em Três Actos de Giacomo Puccini”, dirigida pela “estrela internacional” Jackie Chan, que se estreia como encenador de ópera. Segundo a mesma nota, funde-se “a obra-prima de Puccini com a essência oriental através da força e beleza das artes marciais, revelando-se um brilho artístico que atravessa o tempo e o espaço”.

O público pode ver também “O Meu Jardim da Bela Vista – Ópera Yue”, apresentada pela Companhia de Ópera Yue Xiaobaihua de Zhejiang. Protagonizada pela actriz Chen Lijun, “esta produção combina canto delicado e melodioso com uma estética de encenação moderna, permitindo mergulhar num universo onírico onde a ópera tradicional e a estética contemporânea se entrelaçam”.

Do leque de nomes conhecidos trazidos a Macau pelo FIMM consta ainda o do pianista chinês Lang Lang, que protagoniza o concerto “Lang Lang em Recital: Rapsódia Ibérica”, com a promessa de uma “experiência musical magnífica”.

Não faltará um “diálogo interdisciplinar” entre Lang Lang e o “mestre de efeitos visuais” Richard Taylor, vencedor de um Óscar, juntando-se, desta forma, “os universos da música e das artes visuais”.

A magia local

O FIMM traz também o aclamado compositor e maestro Tan Dun que, juntamente com o Coro e Orquestra Sinfónica Nacional da China, apresenta “Tan Dun Rege Nona Sinfonia de Beethoven e Nove”. Desta forma, irá criar-se um “diálogo intemporal entre a clássica Sinfonia nº 9 de Beethoven com a obra inspirada na antiga mitologia oriental Nove.

Haverá ainda um segundo concerto com Tan Dun, nomeadamente “Tan Dun Rege Mozart e Beethoven”, que abre o palco com a composição “As Criaturas de Prometeu de Beethoven”.

O FIMM proporciona também a possibilidade de jovens de Macau tocarem com músicos mais experientes. Haverá “dois talentos emergentes das cordas locais”, nomeadamente a violinista Nina Wong e o violista Hoi Yan Lok, que com o maestro Tan Dun vão interpretar “Concerto para Violino e Viola de Mozart”.

Já o jovem pianista de Macau Chan Chon Teng actuará ao lado dos músicos da Orquestra de Macau no concerto “Bravo Macau!”, que não só é dedicado ao território como também “evidencia a vitalidade das novas gerações”.

A 38.ª edição do FIMM apresenta ainda em Macau o maestro Laurence Cummings, muito conhecido no panorama da música antiga britânica, que colabora com a Orquestra de Macau num concerto de música barroca a ter lugar na Igreja da Sé. Ao lado, surge o contratenor Cameron Shahbazi para “oferecer a sonoridade rigorosa, meticulosa e etérea da era barroca”.

Festival traz “Notas Flutuantes pela Cidade”

A 38.ª edição do Festival Internacional de Música de Macau (FIMM) não acontece apenas dentro de portas, nomeadamente no Centro Cultural de Macau (CCM), mas também nos vários bairros de Macau. A ideia, segundo um comunicado do Instituto Cultural (IC), é “ampliar mais o alcance por parte da comunidade e os benefícios dos eventos artísticos e culturais”.

Desta forma, apresentam-se 12 iniciativas de “Notas Flutuantes pela Cidade”, com 44 sessões que estão sujeitas a marcações através da Conta Única de Macau.

O cartaz inclui o concerto “Orquestra Reinventada: wHiRlwiND”, apresentado pela banda local thetiredeyes, e que se destaca “na fusão de jazz, R&B, neo-soul, hip-hop e pop, tendo arranjos provenientes da música clássica”. Desta forma, criam-se “texturas sonoras ricas e diversificadas”.

Já o concerto “Melodias Velejantes Encantam Macau: Concerto do Coro Infantil Yip” é protagonizado pelo Coro Infantil Yip de Hong Kong e Coro Juvenil de Macau. O maestro Laurence Cummings sai dos bastidores e dos palcos para participar na “Conversa Pré-espectáculo: Laurence Cummings e a Orquestra de Macau”, onde se explora “a essência do repertório do concerto, mergulhando-se nos universos musicais de Vivaldi, Bach e Haendel”.

Teatro na rua

“Notas Flutuantes pela Cidade” fará com que outro grande espectáculo esteja mais próximo da comunidade, nomeadamente com a iniciativa “Visita aos Bastidores: Turandot”, onde o público pode conhecer os bastidores tendo um “olhar exclusivo do ambiente atrás do palco da ópera Turandot”. Há ainda “Conversa: Turandot”, onde se discute a produção do espectáculo “a partir de diferentes perspectivas profissionais”.

Entre os dias 10 de Outubro e 22 de Novembro haverá ainda várias actividades promocionais em bairros de Macau, como “À Escuta de Xinghai: Uma Viagem Musical Fantástica com Xian Xinghai, Filho de Macau”, “Percussão Ecológica na Rua”, ou ainda “Piano pela Cidade”. entre outros.

Além da música, haverá cinema, ou ambos: a Cinemateca Paixão apresenta “Música na Tela: Cinemateca Paixão”, com o público a poder ter “uma visão mais profunda e um encontro com as múltiplas dimensões da música, enriquecendo assim a sua apreciação artística”. Estas actividades podem receber inscrições a partir do dia 14 de Setembro.

7 Set 2026

Wynn | 20.º aniversário celebrado com espectáculo de luzes

A operadora de jogo Wynn está há 20 anos em Macau e, para celebrar a efeméride, haverá espectáculo de luzes com drones às 20h este sábado e domingo, 5 e 6 de Setembro.

Segundo um comunicado, cada espectáculo terá a duração de 15 minutos, com três mil drones a “iluminar o céu nocturno num deslumbrante espectáculo de luzes”. No sábado, a performance terá lugar no lago do Wynn Macau. Já no domingo, o espectáculo acontece junto ao lago Nam Van.

O tema dos 20 anos é “Duas Décadas de Sucesso Partilhado, Empenhados na Parceria para um Futuro Sustentável”, adoptando-se a junção de tecnologia com arte para desenvolver um “conceito criativo” que aproxima o público.

Desta forma, combina-se a arte dos drones com uma coreografia artística, o que irá “transformar o céu nocturno de Macau, em junção com a arquitectura icónica do Wynn, num palco cativante”. “Guiados pela emblemática borboleta do Wynn, os espectadores embarcarão numa viagem visual por duas décadas de crescimento e progresso, celebrando a notável história que o Wynn e Macau escreveram em conjunto”, lê-se na mesma nota.

3 Set 2026

Lisboeta | James Chu, designer e artista, apresenta nova exposição

Um dos mais conhecidos artistas de Macau está de regresso às exposições. “The Practice of Time: Contemporary Art by James Chu” apresenta-se no Lisboeta Macau a partir do dia 18 de Setembro, numa iniciativa da Associação Cultural da Vila da Taipa. Eis o hábito de escrever diariamente transformado em arte nos seus mais diversos formatos e conceitos

“The Practice of Time: Contemporary Art by James Chu” [A Prática do Tempo: Arte Contemporânea por James Chu] é o nome da nova mostra promovida pela Associação Cultural da Vila da Taipa para Setembro. Com inauguração apontada para o dia 18 deste mês, o projecto pode ser visto no empreendimento Lisboeta Macau, no Cotai, revelando novas obras daquele que é um dos mais conhecidos artistas de Macau, já com uma carreira firmada no mundo das artes.

Segundo um comunicado da organização, apresenta-se “um conjunto de obras contemporâneas que são moldadas por sete anos de prática contínua”, e onde se exploram as vertentes da escrita, “repetição, materialidade e transformação”. O público pode, assim, ver, trabalhos com caligrafia, esculturas, instalações e técnicas mistas.

Trata-se de uma mostra que “reflecte sobre a forma como uma prática criativa contínua pode transformar um gesto simples numa experiência física e contemplativa”, descreve João Ó, ligado à associação e também curador da exposição.

Os trabalhos que se apresentam nesta mostra também são reflexo de um hábito de James Chu, nomeadamente o de “escrever textos à mão diariamente durante sete anos”. Com este acto repetitivo, a escrita acabou por se transformar “num registo do tempo”, mas também uma forma de “disciplina e concentração”.

Desta forma, o artista quase que atinge um estado meditativo ao escrever todos os dias, já que se verifica “uma prática rítmica em que a atenção sustentada cria uma sensação de quietude e presença”.

Novas noções de tempo

Nesta mostra, a obra central é uma “escultura tridimensional em papel construída a partir de sete anos de páginas manuscritas”, e que “transforma um texto de apenas 260 caracteres chineses numa ampla estrutura física, convertendo a linguagem em matéria e os gestos individuais numa forma colectiva”, descreve o curador.

Em “A Prática do Tempo” podem também ser vistas “figuras em papel de grande escala e formas de mãos, produzidas através de técnicas artesanais tradicionais classificadas como património cultural imaterial, combinam técnicas históricas com a instalação contemporânea”.

Neste projecto, os textos manuscritos “tornam-se elementos visuais e materiais, enquanto a iluminação integrada revela a relação entre a escrita, a transparência, a sombra e o espaço”.

Mas há também trabalhos com pintura e tijolos reutilizados, “marcados por décadas de exposição às intempéries”, onde o artista explora não apenas a caligrafia como a própria história dos materiais. “O papel frágil, os materiais arquitectónicos envelhecidos, a pedra e a luz tornam-se diferentes suportes do tempo, criando um diálogo entre os vestígios acumulados do passado e a intervenção artística contemporânea”, é referido.

Outro conceito bastante ligado a esta exposição, é o espírito Zen e as ideias de “simplicidade, presença e perseverança”. James Chu, “em vez de apresentar formas históricas de escrita e criação como tradições fixas, aborda-as como linguagens visuais em constante evolução, através das quais convergem a memória, a matéria, o tempo e a contemplação”, explica o curador.

Com este processo, “o acto quotidiano de criar transforma-se numa investigação silenciosa sobre a forma como o tempo pode ser registado, transformado e, em última análise, experienciado através da arte”.

Retrato de vida

Nascido em Macau, James Chu estudou técnicas de gravura no Atelier de Gravura Bartolomeu Cid dos Santos, da Academia de Artes Visuais de Macau, em 1990. No início de 1998 licenciou-se em Design Gráfico na Escola de Artes do então Instituto Politécnico de Macau, hoje Universidade Politécnica de Macau, tendo feito mestrado na área das artes na Universidade de Lingnan, Hong Kong, dez anos depois.

Realizou dez exposições individuais de pintura, fotografia e instalações em Macau e Pequim, tendo participado em mais de uma centena de exposições colectivas em todo o mundo. Enquanto curador, organizou mais de uma centena de exposições de arte e design de Macau em importantes cidades internacionais, incluindo Pequim, Xangai, Shenzhen, Cantão, Zhuhai, Taipé, Hong Kong, Macau, Paris, Roma, Tóquio, Banguecoque, Singapura, Seul, Nova Iorque, Londres, Lisboa, Porto e Melbourne.

As suas obras integram as colecções da Fundação Macau, da Fundação Oriente, do Museu de Arte de Macau, da Fundação Philippe Charriol, do Museu Shanghai Zendai Himalayas, do Hyatt Regency Hong Kong, bem como de mais de 30 coleccionadores privados em todo o mundo.

3 Set 2026

70 anos da Sociedade de Artistas celebrados com exposição

Há 70 anos, nascia a Sociedade de Artistas de Macau (MAS, na sigla inglesa), uma das entidades ligadas ao panorama artístico mais antigas do território. A pensar nisso, a galeria do empreendimento Sands Macao acolhe, até ao dia 15 de Setembro, a exposição “Arte na Nova Era – Exposição Convidada do 70.º Aniversário da Sociedade de Artistas de Macau”, com cerca de 200 obras de arte que podem ser vistas no quarto andar do Sands Macao.

Esta é uma iniciativa do Instituto Cultural (IC) em parceria com a Sociedade de Artistas de Macau, e conta também com o apoio da operadora de jogo Sands China e da Federação das Associações dos Sectores Culturais de Macau.

Citado por uma nota da organização, Lok Hei, presidente da MAS, referiu que o organismo “tem-se mantido empenhado em unir a comunidade artística, promover a educação e formar talento, utilizando a arte para testemunhar a transformação da cidade”.

O público pode ver trabalhos de “artistas de renome de várias regiões”, não apenas de Macau, nomeadamente dos EUA, França, Japão, Coreia do Sul, Hong Kong, Taiwan e China Continental. Apresenta-se “uma ampla diversidade de estilos e meios artísticos, em resposta às novas correntes artísticas”, o que revela “a vitalidade vibrante da arte contemporânea”.

Lok Hei expressou ainda “a esperança de que os visitantes possam sentir, através das obras expostas, a paixão acumulada ao longo de sete décadas e as ilimitadas possibilidades que se abrem para o futuro”.

Ajuda ao desenvolvimento

Leong Wai Man, presidente do IC, disse que a Sociedade, nas últimas sete décadas, tem “participado de forma activa no desenvolvimento cultural local”, passando pela “organização de exposição e formação de talentos” e na aproximação “das artes comunitárias ao diálogo internacional”.

Já Wilfred Wong, vice-presidente executivo da Sands China, defendeu “o papel fundamental na comunidade artística e cultural” da MAS em Macau, que tem recorrido à arte “para registar as diferentes épocas da evolução de Macau”. “A Sociedade tem dado importantes contributos para o contínuo crescimento do sector artístico e cultural de Macau”, frisou.

Esta exposição pode ser vista todos os dias, incluindo feriados, das 11h às 19h, com entrada gratuita.

3 Set 2026

Fundação Jorge Álvares cede piano para novo polo de investigação

A Universidade Nova de Lisboa inaugura, no dia 10 deste mês, um polo de investigação no Palácio Nacional de Mafra, onde vai ter laboratórios e um projecto de digitalização do património ligados à música, disse fonte da reitoria.

“Este polo não existia antes com as mesmas capacidades técnicas e vai ter condições de acolhimento e de trabalho”, afirmou à agência Lusa a pró-reitora para a Cultura, Impacto Social e Comunidades, Elsa Peralta.

O espaço associado ao Instituto de Arte e Tecnologia vai ter laboratórios de acústica musical, informática musical e património digital, cujos equipamentos foram financiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência, além de outras três salas de trabalho, com capacidade para dez investigadores. “Vamos cruzar competências das artes e da cultura com as competências tecnológicas que podem ser aplicadas às artes”, referiu.

Além disso, Macau marca presença de forma indirecta, através da Fundação Jorge Álvares. Esta vai ceder ao polo de investigação um piano de cauda Steinway & Sons, de 1889, homenageando o pianista e compositor Filipe de Sousa, que residiu em São Miguel de Alcainça, no concelho de Mafra, nos últimos anos de vida, e que morreu em 2006.

Investigação global

No espaço vão trabalhar investigadores ligados a um projecto de digitalização do património musical, um programa desenvolvido em articulação entre a Faculdade de Ciências e Tecnologia e a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas dedicado à aplicação de tecnologias digitais à documentação, preservação e valorização do património cultural.

O polo vai beneficiar da proximidade ao Museu Nacional da Música, que ocupa outro espaço do monumento, e ao Arquivo Nacional do Som, a ser construído na vila, criando condições favoráveis à colaboração da universidade com estas instituições musicais.

O trabalho laboratorial está associado à actividade académica, mas vai existir programação cultural e actividades formativas abertas à comunidade, como ‘workshops’ e cursos de Verão, existindo para tal um auditório com capacidade para meia centena de pessoas. “Queremos gerar conhecimento e desenvolver o território”, sublinhou Elsa Peralta.

Resultante de uma parceria estabelecida em 2021 com o Município de Mafra, o polo tem na música a sua matriz, enquanto campo de investigação, inovação e criação, mas também enquanto património material e imaterial, inscrito em monumentos, arquivos, repertórios, práticas, espaços e memória sonora.

“Ao cruzar a nossa forte herança musical — viva nos nossos órgãos históricos, carrilhões ou na riquíssima tradição das nossas bandas filarmónicas — com a inovação digital e a investigação científica, estamos a elevar a música de Mafra a uma nova dimensão, gerando um impacto cultural e educativo que enriquece todo o nosso território”, afirmou Hugo Moreira Luís, presidente da Câmara Municipal de Mafra, citado em nota de imprensa.

O contrato de comodato entre o Município e a Universidade Nova de Lisboa é válido por dez anos, podendo ser renovado.

2 Set 2026

Barra Slow Festival | Música e gastronomia no fim-de-semana

A partir desta sexta-feira, a zona da Barra volta a ganhar nova vida com mais uma edição do Barra Slow Festival, desta vez focado na temática da gastronomia, com muitos produtos de padaria e pastelaria. Há mais de uma centena de bancas com padeiros premiados a nível mundial, bem como concertos com as cantoras de Hong Kong Yoyo Sham e Gigi Cheung

Está aí mais uma edição do Barra Slow Festival, que entre esta sexta-feira, 4, e domingo, 6, acolhe música e muitas iniciativas relacionadas com o mundo da gastronomia, mais concretamente as áreas da padaria e pastelaria. O evento, promovido pelo Centro de Desenvolvimento Local da União Geral das Associações dos Moradores de Macau (UGAMM), tem entrada gratuita e realiza-se na zona da Barra, tendo como tema “Cozinhar sem pressa, saborear o Verão”.

Segundo um comunicado da organização, espera-se uma edição dedicada ao universo dos pães e bolos, realizando-se um mercado e muitos concertos das cantoras de Hong Kong Yoyo Sham e Gigi Cheung, mas não só. Esta edição acontece depois de edições anteriores do Barra Slow Festival dedicadas ao chá e café.

No que diz respeito à parte musical há um total de dez artistas em cartaz, incluindo nomes como Gwenji ft. Songchi, Theseus, Guoch Choi e Winifai. A sessão de encerramento do Barra Slow Festival, dia 9, apresenta a “Edição Especial de Macau” do Offside Festival, com os grupos e músicos Zhaoze, HUPO, Summer Fades Away e WhyOceans como cabeças de cartaz. Desta forma, proporciona-se “um grande final instrumental e de post-rock”, descreve a organização.

A ideia é proporcionar espectáculos “ao ar livre, ao pôr do sol, proporcionando-se um fim-de-semana descontraído e marcado pelo cheiro do pão acabado de cozer” e ainda “experiências imersivas de música ao vivo”.

Campeões do pão

Na área da panificação, o público pode conhecer padeiros e pasteleiros premiados em diversas competições de nível mundial, escolhidos pelos embaixadores chineses do “Mondial du Pain”, cuja 13.ª edição aconteceu em Janeiro deste ano em Paris. Em primeiro lugar ficou uma equipa chinesa.

Inclui-se ainda o “campeão chinês da 10.ª edição do Campeonato Mundial do Pão”, bem como o “campeão da final global da 9.ª edição e o vencedor medalha de ouro da 2.ª Competição Nacional”. No mercado podem ver-se várias marcas conhecidas das áreas da padaria e pastelaria, nomeadamente a “Jiangren Zhiwei”, responsável pela venda de 350 mil pães no Bund International Bread Festival, realizado em Março em Xangai.

O público pode provar ainda as iguarias da “One Roll Bakery”, descrita como uma “marca de referência em pães de arroz”. Promete-se o lançamento de receitas exclusivas de pão apenas para o festival da Barra, para que os participantes possam provar novos produtos.

O Barra Slow Festival sempre se apresentou como um evento que promove um estilo de vida mais tranquilo e saudável, e, nesta edição, essa componente não deixará de marcar presença. Apresenta-se, assim, um mercado com bancas onde se podem encontrar produtos de cerâmica, artigos perfumados para criar ambientes relaxantes, artesanato em fibras vegetais, artigos em linho, acessórios requintados e ornamentos culturais criativos. Com a presença de diversas marcas, apresentam-se “peças artesanais únicas e novas colecções de produtos, prolongando a experiência de um estilo de vida tranquilo”, com ligação à gastronomia.

O Barra Slow Festival decorre de sexta-feira a domingo das 12h às 20h nos estaleiros navais nº 1 e 2 e também na zona exterior da Barra. O evento começa oficialmente às 17h desta sexta-feira.

2 Set 2026

Mostra | Pinturas e poesia de Carlos Morais José na Casa Garden

Carlos Morais José, escritor e director do Hoje Macau, apresenta amanhã uma nova exposição de poesia e arte. Trata-se de “Quarentena”, um longo poema apresentado ao lado de 30 pinturas, num projecto que tem curadoria de Lin Jiangquan (LAM)

A Casa Garden, sede da Fundação Oriente (FO) em Macau, acolhe a partir de amanhã uma nova exposição de Carlos Morais José, director do Hoje Macau e escritor. Com inauguração a partir das 18h30, “Quarentena” é o nome dado à mostra e é, ao mesmo tempo, um longo poema que se apresenta ao público acompanhado por 30 pinturas do autor.

Segundo um comunicado, a curadoria está a cargo do artista contemporâneo Lin Jiangquan (LAM), sendo que a exposição “recria a apresentação da poesia através de uma abordagem multimédia inovadora, reunindo três componentes – texto, pintura e sons – num diálogo preciso com o poema ‘Quarentena'”.

Este poema “narra os dias de isolamento do poeta” no período da pandemia, tratando-se de uma “viagem ao mundo interior, onde o ‘eu’ do poema se questiona a si e ao mundo”. Esta quarta-feira será realizada uma sessão de leitura do livro acompanhada com arte sonora e performativa, “permitindo que a poesia seja regenerada ao vivo no espaço”.

O livro com o poema será apresentado por Sérgio Guimarães de Sousa, da Universidade de Macau. Este é doutorado em Ciências da Literatura, com especialização em Literatura Portuguesa, pela Universidade do Minho. Defendeu a tese de doutoramento em 2006, que se intitula “Entre-dois. Desejo e Antigo Regime na ficção camiliana”.

Sentimentos e manuscritos

A mostra inclui ainda 40 manuscritos de Carlos Morais José, “arrancados de cadernos de notas do escritor”. Citado pela mesma nota, este explicou que se tratam de “restos de um auto-de-fé dos cadernos (que não me devem sobreviver), onde a mão, por vezes firme, doutras hesitante, registou em caligrafia o que uma máquina é ainda incapaz de registar”.

Todos estes escritos possuem, segundo o autor, “uma dimensão infinita” graças “às possibilidades de interpretações”. “São talvez os últimos testemunhos de uma era”, acrescentou.

Também o curador da exposição destaca que a apresentação de “Quarentena” será uma mistura de “arte textual e instalação de livro”, ficando a promessa de que, na galeria da Casa Garden “a poesia deixa de ser apenas poesia; transforma-se numa ‘arte textual legível’ que partilha a mesma função de observação que uma obra de arte, convertendo a linguagem em força visual”.

Lin Jiangquan (LAM) destaca também como as 30 pinturas são, na sua maioria, “imagens abstractas com uma elevada ‘identificabilidade poética'”, pautadas por cores como o azul, branco, cinzento e preto. São imagens “executadas em pinceladas rápidas que transmitem incerteza, ambiguidade, complexidade e contradição”, tratando-se de quadros que “criam uma tensão visual entre construção e destruição”.

A ideia é a evocação de uma “forte ‘corporeidade individual’ e uma ‘meditação solitária'”, pelo que as pinturas se transformam “num local onde a percepção do tempo durante o confinamento se acumula”, frisa o curador.

“Quarentena” estará em exposição até ao dia 9 de Setembro, com entrada gratuita entre as 10h e as 19h, apenas com encerramento às segundas-feiras.

1 Set 2026

Hotel Lisboa com quartos e fachada renovados

O Hotel Lisboa apresenta, este mês, o projecto de renovação de 427 quartos da chamada “Ala Oeste”, tratando-se de uma mudança na decoração de um empreendimento hoteleiro inaugurado em 1970.

Segundo um comunicado do Hotel Lisboa, este novo projecto de decoração manteve “o ADN arquitectónico”, além de que foi restaurada a fachada amarela cheia de janelas, uma “marcante e intemporal linguagem geométrica” com assinatura do arquitecto Eric Byron Cumine.

Uma das zonas interiores do hotel que também sofreu uma transformação foram os corredores, “transformados em espaços expositivos” que apresentam “esboços arquitectónicos, evocativos cartazes antigos, fotografias de arquivo e peças antigas que retratam quatro extraordinários capítulos da evolução do hotel entre 1970 e 2000”.

Desta forma, “cada tijolo e superfície parecem sussurrar a narrativa entrelaçada do Hotel Lisboa e da própria Macau”, fazendo-se “uma sentida homenagem ao passado rico em histórias e um olhar atento sobre o futuro”.

As renovações dos quartos também merecem destaque, já que cada um traduz “uma época histórica distinta, sendo decorado com mapas autênticos de Macau que documentam a transformação da cidade desde o século XIX”.

E como o território é palco do Grande Prémio desde há muito, a renovação da Ala Oeste também lembrou esta competição de automobilismo que é também uma marca de Macau. A “Suite Temática de Corridas” visa transmitir aos hóspedes “a adrenalina da lendária Curva do Lisboa e do Circuito da Guia, protagonistas do Grande Prémio de Macau”, existindo “camas personalizadas em forma de carros desportivos” e “murais que retratam as curvas e desafios do icónico circuito urbano”.

Espaços gastronómicos

A mesma nota descreve o tradicional Hotel Lisboa como um “ícone incontornável da península de Lisboa”. Recorde-se que o empreendimento foi, durante décadas, o edifício mais alto do território. A renovação que agora foi concretizada seguiu o conceito “Herança Reinterpretada: Uma Transformação Intemporal”.

Além dos quartos e fachada, houve também algumas mudanças nos espaços gastronómicos do hotel. Um deles foi a renovação do “Café Noite e Dia”, que abre portas em Outubro e cuja decoração se inspirou “na época dourada das viagens românticas de ferry em Macau”. Nas paredes podem ser vistos, por exemplo, “antigos bilhetes de ferry”.

Para o Hotel Lisboa, a conclusão da renovação da Ala Oeste “representa um capítulo decisivo na ampla visão de revitalização”, do empreendimento, sendo símbolo “do mais de meio século de conquistas e transformações de Macau”. Pretende-se que o Hotel Lisboa continue a manter “uma profunda relevância cultural e elegância contemporânea, afirmando-se como um novo ícone”.

1 Set 2026

IC | 43.ª edição de “Os Livros e a Cidade” destaca Henrique de Senna Fernandes

Acaba de ser lançada, por parte do Instituto Cultural (IC), a 43ª edição de “Os Livros e a Cidade”, uma revista que pretende atrair a atenção dos mais jovens para a importância dos livros.

Um dos destaques desta edição da revista é o autor macaense Henrique de Senna Fernandes, graças ao testemunho de Iok Kan Fu Barreto, tradutora de “Mong-Há”, livro de contos que “apresenta aos leitores o antigo modo de vida de Macau, recriando-se o quotidiano das comunidades portuguesa e chinesa da época”.

Esta edição tem como tema “Leitura Divertida na Comunidade”, apresentando-se as secções “Biblioteca Itinerante”, “10 Minutos de Leitura” e ainda “Serviço de Entrega de Livros” e ainda outros serviços externos. A ideia é promover a biblioteca junto da comunidade em contacto com o quotidiano dos leitores, destaca o IC.

A secção da revista “Manual da Biblioteca” faz a retrospectiva do “Macau Lê – Semana Nacional de Leitura 2026”, enquanto a secção “Lupa” destaca “os novos recursos electrónicos recentemente disponibilizados e várias exposições de livros de temas específicos que terão lugar no segundo semestre do ano”, explica o IC.

Esta revista é gratuita, podendo ser levantada em todas as bibliotecas dependentes do IC, em instituições de ensino superior, na Galeria Tap Seac e em várias livrarias, bem como nos diversos espaços culturais e artísticos de Macau. Foram impressos três mil exemplares.

1 Set 2026

IC | Porto acolhe mostra “Um Vislumbre da Cultura Chinesa”

A estação de São Bento do Metro do Porto acolhe até ao dia 12 de Setembro a exposição “Um Vislumbre da Cultura Chinesa”, uma iniciativa do Instituto Cultural e Associação Sino-Lusófona de Amizade e Intercâmbio Cultural de Macau. Pretende-se, com este projecto, estabelecer um “diálogo intercultural entre Portugal e China”

Desde o dia 28 de Setembro de 2023 que o jornal Diário de Notícias (DN) publica todas as semanas, em parceria com o jornal Macao Daily News (Ou Mun), uma página com o título “Um Vislumbre da Cultura Chinesa”. Esta parceria editorial dá agora origem a uma exposição, patente até ao dia 12 de Setembro na estação de São Bento do Metro do Porto. A mostra tem o mesmo nome – “Um Vislumbre da Cultura Chinesa”, e é organizada pelo Instituto Cultural (IC) e Associação Sino-Lusófona de Amizade e Intercâmbio Cultural de Macau, celebrando “três anos de colaboração editorial” entre os dois jornais. Além disso, pretende-se promover “o diálogo intercultural entre Portugal e a China”.

Segundo um comunicado da organização, a curadoria está a cargo de Sara Neves, convidando-se o público “a descobrir tradições, histórias e curiosidades da cultura chinesa através das páginas publicadas ao longo deste período”.

Na estação de Metro há duas instalações que combinam “o processo tradicional de impressão de jornais com o uso de tecido — material que evoca os laços históricos e culturais entre a China e o resto do mundo, desde as sedas que cruzaram a Rota da Seda até às velas dos navios portugueses que aportaram em Macau”, pode ler-se.

Ao ser escolhida a estação para acolher a exposição, pretende-se “trazer o conteúdo ao dia-a-dia dos moradores e visitantes”. “Não implica uma deslocação propositada; pelo contrário, introduz a experiência cultural num momento que seria apenas utilitário, democratizando o acesso à informação e ao conteúdo”, é acrescentado.

Curiosidades múltiplas

Nestas instalações, há também “um percurso de curiosidades extraídas das edições especiais, organizado por temáticas e inspirado nos antigos Cabinets of Curiosity [do período] da Europa renascentista”, ou seja, armários que serviam para “guardar objectos raros trazidos de longas viagens para mostrar a amigos e visitas”.

“Macau surge como ponto de partida e de chegada, reafirmando o seu papel enquanto elo privilegiado entre o mundo lusófono e a China”, sendo objectivo “aproximar o público português de aspectos frequentemente desconhecidos da cultura chinesa, reforçando a importância da cooperação cultural e editorial entre instituições de ambos os territórios”.

Em três anos de publicação de conteúdos entre o DN e Ou Mun, foram publicados 150 artigos com “conteúdos em língua portuguesa que revelam aspectos variados da cultura chinesa — tradições, histórias, figuras, lugares, práticas, gastronomia, património”.

Na exposição, fez-se uma selecção dos conteúdos a partir dos textos publicados, tendo sido definidas “seis linhas temáticas fundamentais”: Macau — 25 anos como Região Administrativa Especial da China; Festivais, Figuras Históricas e Tradições; Lugares, Paisagens e Arquitectura; Arte, Artesanato e Património Imaterial; Gastronomia, Sabores e Culinária; e o Centro Histórico de Macau — 20 anos de Património Mundial.

O comunicado da organização dá ainda conta de que na exposição “era importante apresentar as páginas de jornal no seu formato original”, já que “a presença da estética do jornal relembra o meio que deu origem a esta iniciativa”, daí terem sido concebidas as instalações em tecido.

Recorde-se que a primeira apresentação deste projecto ocorreu em Abril, no Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM), em Lisboa.

31 Ago 2026

Artista japonesa Yayoi Kusama morre aos 97 anos

A artista japonesa ‘avant-garde’ Yayoi Kusama, conhecida como a “Rainha das Bolinhas”, faleceu aos 97 anos, anunciou ontem a sua empresa, em comunicado. “É com profunda tristeza que anunciamos o falecimento de Yayoi Kusama num hospital de Tóquio, no dia 14 de Agosto de 2026, aos 97 anos”, refere o comunicado, sem fornecer mais informações sobre a causa da morte.

Kusama “continuou a pintar até aos seus últimos dias, nunca largando o pincel, e continuou a explorar o amor eterno e a alma imortal”, afirma a nota. Nascida em 1929, a artista, mundialmente famosa pelos seus padrões às bolinhas e instalações imersivas, imediatamente reconhecível pela sua peruca vermelha vibrante, inspirava-se nas alucinações que experimentava desde a infância.

Nascida numa família abastada de comerciantes, Kusama sofreu de alucinações e transtorno obsessivo-compulsivo com tendências suicidas desde a infância, período durante o qual confessou em diversas ocasiões ter sofrido abusos físicos e psicológicos às mãos da mãe.

Figura chave do psicadelismo e uma das artistas mais importantes do século 20, transformou este universo mental numa prolífica obra que abrange a pintura, a escultura, a performance, a literatura e a poesia.

Formação em Artes

Formada em Nihonga, um estilo tradicional de pintura japonesa definido no final do século XIX, na Escola Municipal de Artes e Ofícios de Quioto (oeste do Japão), Kusama emigrou para os Estados Unidos no final da década de 1950, fugindo ao formalismo rígido do país natal e procurando construir uma reputação dentro da vanguarda artística.

Na cidade de Nova Iorque, começou a criar obras de arte em espaços públicos, como o Central Park, onde realizou protestos contra a Guerra do Vietname.

O activismo antiguerra da artista japonesa nasceu aos 16 anos, quando os Estados Unidos lançaram duas bombas atómicas sobre as cidades de Hiroshima e Nagasaki, no final da Segunda Guerra Mundial. Apesar do sucesso nos EUA, onde influenciou contemporâneos como Andy Warhol e Claes Oldenburg, Kusama regressou ao Japão em 1973, após o agravamento dos seus problemas de saúde mental.

Em 1990, a artista internou-se voluntariamente numa instituição psiquiátrica, de onde continuou a produzir obras em diversos formatos. “Ao longo de uma vida extraordinária inteiramente dedicada à criação artística, Yayoi Kusama construiu uma carreira aclamada mundialmente como uma artista pioneira da vanguarda, cuja prática criativa abrangeu as artes visuais, a performance, a ficção e a poesia”, escreveu a sua empresa.

“Daremos continuidade ao legado de Yayoi Kusama e, através da arte, continuaremos a levar esperança e força para o futuro às pessoas de todo o mundo”, acrescentou o comunicado.

Kusama expôs em museus de todo o mundo e recebeu inúmeros prémios, como a Ordem das Artes e Letras do Japão e a Ordem da Cultura do Japão. Em 2006, tornou-se a primeira mulher a receber o Praemium Imperiale da Associação de Arte do Japão, um dos mais prestigiados prémios de arte internacionais do mundo.

28 Ago 2026

Roadhouse | Macau volta a receber Arraial de São Cosme e Damião

Vem aí mais uma celebração do tradicional Arraial de São Cosme e Damião no Roadhouse Macau. A partir das 19h no dia 26 de Setembro, sábado, é tempo de dançar com a música de Jandira Silva e teatralizar o “casamento da roça” tal como se faz no Brasil, lembrando os santos padroeiros

Camila Oliveira esteve recentemente ligada ao ensino do português no Leitorado Guimarães Rosa, entidade do Ministério das Relações Exteriores do Brasil e que tem conexão à Universidade de São José (USJ). Foi aí que surgiu a ideia de organizar o Arraial de São Cosme e Damião num formato semelhante ao da celebração que se faz no Brasil.

Este ano chega a terceira edição deste arraial que acontece no Roadhouse Macau no sábado, 26 de Setembro, a partir das 19h, e que conta com o apoio de diversas entidades, nomeadamente a Associação dos Jovens Macaenses.

Ao HM, Camila Oliveira explica em que consiste esta festa que celebra os santos padroeiros, gémeos, Cosme e Damião, e que mete os convidados a teatralizar o tradicional “casamento da roça”, com a distribuição de pequenos sacos.

“O objectivo principal do evento é a divulgação e promoção do Brasil e da sua cultura. Queremos criar momentos para que as pessoas conheçam mais sobre o Brasil. É muito bom o Consulado-geral de Portugal ou a Casa de Portugal em Macau promoverem Portugal, mas sempre senti falta disso em relação ao Brasil, pois não temos muitos eventos ligados ao país”, explicou.

Nas celebrações focadas na língua portuguesa e no universo da lusofonia, é certo que o Brasil marca presença, mas Camila Oliveira sempre sentiu falta de uma maior representação do seu país. Este arraial quer também mostrar a nação brasileira “além do samba, futebol e carnaval”.

As celebrações dos santos padroeiros Cosme e Damião começaram há três anos. Camila Oliveira cresceu com esta festa. “Em Portugal não se celebra, mas no Brasil é uma data bastante celebrada, e era, sobretudo, celebrado na minha época. As pessoas distribuíam saquinhos de doces na rua e nós saíamos de casa para os apanhar.”

A primeira edição do arraial em Macau fez-se nas datas de São Cosme e Damião e, por essa razão, distribuíram pequenos sacos de doces improvisados.

“No ano passado decidimos fazer uma segunda edição, e aí já colocámos o nome de Arraial de Cosme e Damião. A Jandira [Silva, cantora brasileira há vários anos radicada em Macau] cantou músicas mais viradas para o forró e sertanejo, que são as músicas que usamos mais no arraial, mais rural. Também deu certo”, relatou.

O “casamento” na rua

Neste arraial brasileiro, a dança chama-se “quadrilha”, dançada na rua onde se situa o Roadhouse sempre “de forma improvisada”. “É um momento engraçado e divertido, em que chamamos todo o mundo para dançar”, destaca Camila Oliveira sobre o momento em que se dança após o teatro em torno do “casamento na roça”, e que é uma sátira aos casamentos feitos no século passado. Há uma noiva que costuma estar grávida antes do casamento e também um padre, sendo que estes “actores” estão vestidos com roupas características como calças de ganga, camisas de xadrez ou chapéus de palha. Não falta ainda detalhes a este enredo ficcionado, em que o pai obriga, por exemplo, o homem a casar com a filha. Depois de muita diversão com estes momentos, é a vez de dançar.

Camila Oliveira assegura que esta festa não tem orçamento e é, sobretudo, feita com o apoio do Roadhouse Macau e de muitos voluntários. “Não temos um orçamento definido, é tudo feito com a ajuda de voluntários e do próprio Roadhouse que paga o básico: o DJ e a música. Os docinhos do Cosme Damião são pagos com o nosso dinheiro, e desta vez trouxe os saquinhos do Brasil, porque antes adaptávamos com que o que tínhamos aqui. É tudo muito artesanal e feito com muito amor, e feito também pela crença e ideologia, e por querer mostrar o quão lindo é o meu país”, destacou.

28 Ago 2026

Turismo | Concurso de Fogo de Artifício a partir de dia 12

Foram ontem anunciados os detalhes de mais uma edição do Concurso Internacional de Fogo-de-Artifício de Macau, a 34.ª. O tema é “Rumo a Macau, onde brilha a Rota da Seda”, e começa a 12 de Setembro com a participação de equipas de todo o mundo. Os drones marcam presença pela primeira vez

A 34.ª edição do Concurso Internacional de Fogo-de-Artifício de Macau (CIFAM) está a chegar, e pela primeira vez traz drones combinados com o espectáculo de luzes que habitualmente enche o céu de Macau. O evento começa a 12 de Setembro e termina a 4 de Outubro, prometendo-se, segundo a Direcção dos Serviços de Turismo (DST), “espectáculos pirotécnicos deslumbrantes”, que estão sujeitos à temática “Rumo a Macau, onde brilha a Rota da Seda”.

A novidade é mesmo a junção do “fogo-de-artifício com espectáculos de drones, proporcionando ao público um banquete audiovisual”, organizando-se também o Arraial do Fogo-de-Artifício e diversas actividades de extensão.

Citada por uma nota da DST, Helena de Senna Fernandes, directora do organismo, referiu que o CIFAM “é um evento anual de marca representativo de Macau que, desde a sua criação, tem mantido o princípio da inovação e diversidade”.

Este ano contam-se 10 espectáculos de fogo-de-artifício com a presença de empresas de fogo-de-artifício do Brasil, Suíça, Itália, Canadá, Portugal, Coreia do Sul, Tailândia, China, Filipinas e Reino Unido. Por esta ordem, as equipas vão apresentar espectáculos de cerca de 18 minutos cada, em torno do tema central escolhido.

Concretamente, as datas do evento abrangem os dias 12, 19 e 25 de Setembro, e 1 e 4 de Outubro, às 21h e 21h40, na zona ribeirinha em frente à Torre de Macau, incluindo as festividades do Bolo Lunar e o Dia Nacional.

Muitas novidades

A edição deste ano do tradicional concurso traz ainda como novidade a presença de novas empresas do Brasil, Suíça, Itália e Portugal, “enquanto as restantes seis já participaram em edições anteriores”.

Explica a DST que, “de entre as que voltam ao evento estão as três equipas vencedoras do CIFAM no ano passado, vindas do Reino Unido, Filipinas e China, evidenciando a vantagem de Macau enquanto plataforma de intercâmbio internacional”.

O público pode esperar um concurso dividido em três partes : “Encontro com a História”, “Encontro com a Civilização” e “Encontro com o Futuro”. Na noite do dia 12 de Setembro dá-se lugar aos espectáculos relacionados com a parte “Encontro com a História”, sendo a última noite marcada pelo “Encontro com o Futuro” e um “espectáculo de grande escala com mais de 3.400 drones”.

Tendo em conta que na noite de 25 de Setembro é véspera da Festividade do Bolo Lunar, actuam as companhias de Portugal e da Coreia; enquanto que, na noite de 1 de Outubro, Dia Nacional, sobem ao palco as equipas da Tailândia e da China. Na noite de 4 de Outubro, após os dois últimos espectáculos, terá lugar a cerimónia de entrega de prémios, com o anúncio dos resultados do concurso.

Pontos de vista

Outras novidades do evento, incluem novos pontos de visionamento do fogo-de-artifício em Zhuhai e Hengqin, mantendo-se os seis pontos tradicionais em Macau para ver e tirar fotos: a Avenida Dr. Sun Yat-Sen entre o Centro Ecuménico Kun Iam e a Zona de Lazer Marginal da Estátua de Kun Iam, o passeio à beira-mar do Centro de Ciência de Macau, a Avenida de Sagres (ao lado do Hotel Mandarin Oriental de Macau), o Anim’Arte NAM VAN, o Caminho Marginal do Lago (ao lado do Hotel YOHO Ilha de Tesouro) e a Avenida do Oceano da Taipa.

Fora de Macau há um total de cinco novos pontos de visionamento: Shizimen, Jialinshan e sul da Estrada dos Namorados, em Zhuhai; e a Ilha Financeira e a Ponte de Hengqin. A Rádio Macau, no canal chinês (FM100.7), transmitirá em directo a música de fundo dos espectáculos às 21h e 21h40 de cada noite de espectáculo. A Teledifusão de Macau (TDM) – Canal Macau e Canal de Entretenimento de Macau – transmitirá o evento em directo o evento.

No conjunto de actividades de extensão inclui-se o Concurso de Fotografia, o Concurso de Desenho para Estudantes e o Concurso de Arte Generativa com Inteligência Artificial (IA), “incentivando estudantes, entusiastas da fotografia e da criação com IA a dar asas à criatividade”. Os detalhes constam no website oficial do CIFAM.

27 Ago 2026

Óbito | Cantora country Dolly Parton morre aos 80 anos

A compositora, cantora e actriz norte-americana Dolly Parton morreu esta terça-feira, aos 80 anos, anunciou o sobrinho Brian Seaver, em nome da família, através de um vídeo nas redes sociais.

“Dolly abriu portas a gerações de cantores, compositores, músicos e sonhadores de todos os caminhos da vida e por todos os continentes. Seguindo o seu exemplo, acreditámos que tudo era possível”, afirmou Seaver, responsável pela segurança de Parton nas últimas duas décadas, depois de o pai já ter exercido o cargo.

Dolly Parton era “conhecida pelas suas curvas voluptuosas, perucas loiras volumosas e roupas justíssimas que reflectiam o seu humor autodepreciativo, foi uma das personalidades mais acarinhadas da música e de outros meios — uma celebridade rara cujo apelo transcendia gerações, geografia e política”, escreve a agência noticiosa Associated Press.

O jornal britânico The Guardian, por seu turno, escreve: “Tão talentosa que escreveu duas das maiores canções do século XX – ‘Jolene’ e ‘I Will Always Love You’ – num único dia”. O diário acrescenta que “a composição de Parton se caracterizava pela sua narrativa vívida, acuidade emocional e força melódica, tudo cantado com uma clareza estridente”.

Com um catálogo com centenas de canções, Dolly Parton obteve o recorde de 25 ‘singles’ número 1 na tabela ‘country’ dos Estados Unidos, e 47 álbuns no top 10 do mesmo género musical. Também alcançou sucesso nas tabelas de música pop com “9 to 5”, que alcançou o primeiro lugar nos Estados Unidos em 1980.

Apelidada de “Rainha da Country”, conciliou a carreira musical com a representação, tendo sido por duas vezes nomeada para os Globos de Ouro, e o seu programa de literacia “Imagination Library” doou mais de 150 milhões de livros a crianças.

Dolly Parton estreou-se em disco em 1967 com o disco “Hello, I’m Dolly”, primeiro de 50 álbuns de estúdio. Ao longo da carreira recebeu 11 prémios Grammy e três prémios Emmy, um Óscar honorário humanitário e um Tony.

27 Ago 2026