Ensino | Chui Sai Cheong lidera Conselho da Universidade Politécnica

O irmão do anterior Chefe do Executivo vai auferir de um salário de 50 mil patacas nos próximos três. Carlos André e Leonel Alves passam também a fazer parte do órgão que decide as linhas de desenvolvimento da instituição de ensino

 

Chui Sai Cheong, irmão do anterior Chefe do Executivo, foi nomeado presidente do Conselho Geral da Universidade Politécnica de Macau (UPM). A decisão foi publicada ontem no Boletim Oficial, num despacho assinado pela secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, Elsie Ao Ieong U.

O também vice-presidente da Assembleia Legislativa vai suceder a Lei Heong Iok, que se encontrava no cargo desde 2020. Pelo desempenho das funções na UPM, Chui vai receber um salário mensal ligeiramente superior a 50 mil patacas, que junta ao vencimento de presidente da Assembleia Legislativa, de quase 120 mil patacas e que inclui viatura oficial.

Chui Sai Cheong é, de acordo com a informação do portal da Assembleia Legislativa, vice-presidente da Comissão da Lei Básica da Região Administrativa Especial de Macau, do Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional e presidente da Direcção da Associação de Divulgação da Lei Básica de Macau.

No sector privado é sócio principal da sociedade de auditores CSC & Associados, Administrador e Gerente-Geral da Companhia de Investimento Predial Chui’s, Limitada.

O despacho publicado ontem representa uma promoção para o irmão do ex-Chefe do Executivo, Fernando Chui Sai On, que nos últimos três anos desempenhou as funções de vogal no Conselho Geral da UPM.

O Conselho Geral é responsável pela definição e execução das linhas de desenvolvimento da UPM, o que implica competências para a aprovação do plano de desenvolvimento, do plano anual de actividades, do orçamento ou propor nomes para atribuição do grau de doutor honoris causa e outras distinções honoríficas.

Entradas e saída

Na lista com os nomeados para o novo mandato de três anos consta Leonel Alves, membro do Conselho Executivo e presidente da Mesa da Assembleia da Associação dos Advogados de Macau. A nomeação marca a estreia do advogado para o órgão.

No lote das entradas está também Carlos André, antigo director da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e actual Coordenador do Centro Pedagógico e Científico da Língua Portuguesa da UPM, assim como Chan Hong, ex-deputada e vice-directora da escola Hou Kong.

No sentido contrário, abandonam o Conselho Geral o ex-deputado e empresário do sector da construção Mak Soi Kun, e Ma Iao Hang, membro da família Ma, uma das mais influentes do território e membro do conselho de Curadores da Fundação Macau.

Na mesma posição fica Lok Po, como vice-presidente do Conselho Geral da UPM. O proprietário do Jornal Ou Mun vai continuar a auferir um salário superior a 25 mil patacas, como acontecia no anterior mandato.

Consulado | Cônsul diz que greve não afecta casos urgentes

O cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong, Alexandre Leitão, garantiu que a greve agendada pelo Sindicato dos Trabalhadores Consulares e das Missões Diplomáticas no Estrangeiro não deverá afectar os casos urgentes. As declarações foram prestadas por Alexandre Leitão, ontem, à margem da assinatura de um protocolo entre o Instituto Camões e a SJM Resorts.

“Eu estarei aqui e faremos tudo o que for possível para que os casos urgentes, críticos sejam atendidos”, afirmou, citado pela Rádio Macau. O cônsul considerou ainda que as greves são um direito dos funcionários e próprias de “uma sociedade democrática como Portugal”.

Alexandre Leitão não divulgou o número de funcionários que se espera que adiram à greve, mas considerou que têm “sentido de missão” e que “quando os assuntos são mesmo críticos ou graves não há ninguém que tenha ficado com um problema por resolver no consulado”. O sindicato dos trabalhadores da administração pública portuguesa no estrangeiro agendou 13 dias de greve no próximo mês, entre 3 e 24 de Abril.

PCC | IFT organiza sessão de partilha do espírito das duas sessões

O Instituto de Formação Turística de Macau juntou-se ontem ao vasto número de instituições que organizaram palestras no território com o objectivo de partilhar o espírito das duas sessões da Assembleia Popular Nacional e Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC). A sessão de foi conduzida pela presidente do instituto Fanny Vong.

A também membro da CCPPC transmitiu à audiência a importância de apreender o espírito das duas sessões por professores e estudantes. Numa mensagem dirigida aos alunos, Fanny Vong demonstrou esperança de que os jovens de Macau se dediquem aos estudos e trabalhem com afinco, de forma a aproveitarem as oportunidades facultadas pelo desenvolvimento do país.

A responsável descreveu as duas sessões como momentos de grande significado histórico, não apenas por ser o primeiro ano em que se “implementa o espírito do 20º Congresso Nacional, mas também por ser um ano importante de aplicação do 14º plano quinquenal”, segundo descreve um comunicado divulgado ontem pelo IFT.

Fanny Vong referiu que “a resposta do Governo Central face aos desafios sem precedentes num século” foi positiva, enumerando conquistas nacionais como “o desenvolvimento económico, erradicação da pobreza, avanços científicos e tecnológicos e optimização da estrutura económica nacional”.

Além disso, a responsável destacou a promoção da equidade e qualidade educativa do sistema de ensino nacional e sublinhou as repetidas expressões de apoio do Governo Central às economias e ao bem-estar das populações de Macau e Hong Kong.

Portugal | Ho Iat Seng tem encontros marcados com Marcelo e Costa

O Chefe do Executivo vai a Portugal, entre 18 e 22 de Abril, promover as oportunidades de investimento na Zona Aprofundada de Cooperação em Hengqin junto de empresas portuguesas. Durante a viagem deve ainda encontrar-se com o embaixador da China em Lisboa, Zhao Bentang

 

O Chefe do Executivo vai encontrar-se com Marcelo Rebelo de Sousa, presidente da República Portuguesa, e António Costa, primeiro-ministro, durante a deslocação a Portugal, entre 18 e 22 de Abril. A informação foi adiantada ontem pela Rádio Macau, depois de o Governo ter confirmado uma deslocação, que tinha sido antecipada há semanas pelo semanário Plataforma.

De acordo com a emissora outro dos encontros previstos será com João Gomes Cravinho, o ministro dos Negócios Estrangeiros. Com Ho Iat Seng vai viajar o secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, numa deslocação que deverá ainda incluir reuniões com o embaixador da China em Lisboa, Zhao Bentang, e com os bolseiros de Macau que estudam na capital Portuguesa.

Além do secretário, a comitiva de Macau deve incluir cerca de 40 empresários, que deverão também acompanhar o Chefe do Executivo ao longo de visitas a “várias empresas portuguesas”.

Promoção na Praça do Comércio

De acordo com a emissora, um dos objectivos da visita do Chefe do Executivo é a divulgação das potencialidades da Grande Baía, de forma a atrair investimento para a Zona Aprofundada de Cooperação entre Macau e Cantão em Hengqin.

Neste sentido, para 19 de Abril está prevista uma recepção presidida pelo Chefe do Executivo que conta com a participação da comitiva de empresários e personalidades ligadas a Macau e ainda convidados portugueses. Nesta sessão será feita uma apresentação sobre a Zona de Cooperação Aprofundada.

Também entre 15 e 22 de Abril, a Praça do Comércio, em Lisboa vai ser palco de uma acção de promoção do turismo de Macau. Além da Direcção dos Serviços de Turismo (DST) vão estar representadas no evento as seis concessionárias de jogo e o Instituto Cultural.

Para a semana entre 15 e 22 de Abril está ainda programado um espectáculo de luz e imagem sobre Macau nas fachadas da Praça do Comércio, com quatro apresentações por noite. Os Serviços de Turismo vão também organizar uma sessão de apresentação com operadores turísticos portugueses e de Macau.

Ucrânia | Putin diz que plano de paz chinês poderá ser a base para resolver conflito

No segundo dia de conversações, Xi Jinping e Vladimir Putin deram uma conferência imprensa conjunta onde apostaram no reforço da relação bilateral nas áreas da economia e energia. Putin diz que plano de paz chinês pode servir de base a uma eventual resolução do conflito ucraniano. NATO pede diálogo da China com Zelensky. Visita chegou ontem ao fim com a assinatura de mais acordos

 

O Presidente russo, Vladimir Putin, admitiu esta terça-feira que o plano de paz para a Ucrânia apresentado pela China pode servir de base para uma resolução do conflito quando o Ocidente estiver preparado para isso.

“Muitas das disposições do plano de paz apresentado pela China são consonantes com as abordagens russas”, disse Putin, citado pela agência russa TASS. O líder russo afirmou que tais disposições “podem ser tomadas como base para um acordo pacífico quando estiverem prontas para ele no Ocidente e em Kiev”.

Mas, “por enquanto, não vemos tal disposição” do outro lado, disse Putin ao lado do líder chinês, Xi Jinping, após assinar vários acordos no Kremlin, em Moscovo.

“A Rússia e a China podem encontrar uma solução até para os problemas mais complicados”, acrescentou, citado pela agência espanhola EFE.

Xi Jinping assegurou que a China está empenhada na paz e no diálogo, e “apoia activamente a reconciliação e o reinício das negociações”, que foram suspensas na Primavera de 2022, após mediação da Turquia.

“Gostaria de sublinhar que na busca da resolução do conflito ucraniano confiamos invariavelmente nos estatutos da ONU e temos a uma posição objectiva e imparcial”, disse Xi, citado pela EFE.

O plano de paz chinês foi discutido ao detalhe nas reuniões. Entre os pilares da iniciativa chinesa estão o respeito pela “soberania de todos os países” e a “sua integridade territorial” e o abandono da “mentalidade da guerra fria” e o respeito pelas “legítimas preocupações de segurança dos países”, algo que Pequim tem reiterado desde o início do conflito, em referência à Rússia.

Pequim defende um cessar-fogo e um apelo à “contenção” para “evitar que a crise se agrave ainda mais ou até mesmo saia do controlo” e a retoma das conversações de paz, já que “o diálogo e a negociação são a única saída viável para resolver a crise”.

O plano de paz da China pretende também a resolução da crise humanitária, “protegendo eficazmente a segurança dos civis” e “estabelecendo corredores humanitários para a sua evacuação das zonas de guerra” e apoiar a “troca de prisioneiros entre a Rússia e a Ucrânia”.

A China pede também a cessação dos “ataques a instalações civis”, a protecção da segurança das centrais nucleares e a cessação de “ataques armados contra centrais nucleares” ou a “redução do risco estratégico”, que inclui uma ênfase de que “a guerra nuclear não deve e não pode ser combatida”.

Defende ainda a garantia da exportação de cereais, na qual as Nações Unidas devem “desempenhar um papel importante” e a cessação das “sanções unilaterais” por “não resolverem os problemas, podendo mesmo criar novos”.

Pequim pede também a protecção da estabilidade das cadeias industriais e de abastecimento, o que inclui um pedido a todas as partes para “se oporem” à politização e instrumentalização da economia mundial e o apoio à reconstrução da Ucrânia após a guerra, algo para o qual a China está disposta a “ajudar”.

O plano chinês foi divulgado em 24 de Fevereiro, no dia do primeiro aniversário da invasão russa da Ucrânia. A Rússia rejeitou inicialmente o plano chinês, alegando que não estavam ainda reunidas as condições necessárias para uma solução pacífica do conflito. Sobre a iniciativa chinesa, Kiev exigiu a retirada das tropas russas do território ucraniano antes de qualquer negociação e observou que o plano de Pequim não aborda a questão das regiões ucranianas anexadas pela Rússia.

O Kremlin afirmou que Putin e Xi falaram sobre a Ucrânia durante as conversações informais na segunda-feira, primeiro dia da visita do Presidente chinês na capital russa, um diálogo que se prolongou por quatro horas e meia. O Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês indicou que Xi transmitiu a Putin que “a maioria dos países apoia o abrandamento das tensões” entre Moscovo e Kiev.

“Querem que a paz e as conversações sejam promovidas, e opõem-se a que se atire mais lenha para a fogueira”, disse o ministério chinês, segundo a EFE.

Amigo energético

Vladimir Putin garantiu ao seu homólogo chinês que a Rússia está em condições de satisfazer as crescentes necessidades energéticas da China. “As empresas russas são capazes de satisfazer a crescente procura de energia da China”, disse Putin a Xi durante as conversações entre as duas delegações oficiais no Kremlin, segundo a agência francesa AFP.

Putin salientou que o objectivo é fornecer à China pelo menos 98 mil milhões de metros cúbicos de gás e 100 milhões de toneladas de gás natural liquefeito (GNL) até 2030.

A Rússia é alvo de sanções por parte dos aliados ocidentais que têm penalizado a economia do país, incluindo as exportações de gás e petróleo. Desde o início do conflito na Ucrânia que cerca de 120 empresas ocidentais, de uma vasta gama de sectores, cessaram temporariamente as actividades na Rússia ou saíram definitivamente do país, afectando a economia russa, que procura alternativas.

Putin ofereceu apoio às empresas chinesas que desejam preencher os nichos deixados pelas empresas ocidentais. “Estamos prontos a apoiar as empresas chinesas para substituir a produção das empresas ocidentais que deixaram a Rússia”, disse Putin, citado pela agência espanhola EFE.

Xi reiterou querer “reforçar a cooperação e a coordenação” entre a China e a Rússia, dois membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas com poder de veto. “Estou pronto a elaborar convosco um plano para reforçar as relações bilaterais”, disse também o líder chinês, de acordo com a tradução oficial russa das suas observações.

Citado pela Xinhua, o Presidente chinês adiantou que com “esforços de ambos os lados”, as relações entre os dois países “têm mantido um momento de desenvolvimento vigoroso, saudável e estável”. “Os dois países têm aprofundado a confiança política, convergindo interesses e continuado a cooperação avançada nas áreas da economia, comércio, investimento, energia, intercâmbio de pessoas e cultural”, adiantou o governante.

Referindo os princípios definidos no XX Congresso do Partido Comunista Chinês, Xi Jinping apontou que o país vai procurar sempre “atingir um novo paradigma de desenvolvimento com maior rapidez, promovendo um desenvolvimento de alta qualidade e avançar na modernização chinesa em todos os aspectos”.

Após as conversações, Putin e Xi assinaram duas declarações conjuntas, uma das quais sobre o aprofundamento da parceria global e da cooperação estratégica entre os dois países, noticiou a agência oficial russa TASS.

A outra declaração, visa desenvolver áreas-chave da cooperação económica entre a Rússia e a China até 2030. No total, como resultado da visita de Xi, está prevista a assinatura de mais de dez documentos sobre o desenvolvimento da cooperação entre Moscovo e Pequim em vários domínios, segundo a TASS.

Resposta da NATO

Após a conferência de imprensa conjunta dos dois líderes, a NATO reagiu, defendendo que a China deve dialogar directamente com o Presidente da Ucrânia para, de facto, construir um acordo de paz duradouro, reconhecendo pontos positivos no plano de Pequim.

“A Ucrânia é que tem de decidir o que são condições aceitáveis para uma resolução pacífica”, sustentou Jens Stoltenberg, em conferência de imprensa no quartel-general da Organização do Tratados do Atlântico Norte (NATO), em Bruxelas, na Bélgica.

Questionado sobre a visita de Xi Jinping a Moscovo, e a consideração por parte do Kremlin do plano de paz que Pequim apresentou, Stoltenberg considerou que primeiro a “China tem de perceber a perspectiva ucraniana e falar com o Presidente Zelensky se, de facto, está comprometida com a paz”.

“É preciso lembrar que a China ainda não condenou a agressão russa”, completou Stoltenberg. No entanto, o plano apresentado por Pequim tem “elementos positivos” que o secretário-geral da NATO apoia, nomeadamente, o respeito pela integridade e soberania territoriais da Ucrânia, a “importância da segurança nuclear e a da protecção de civis”.

Estas partes, acrescentou, também estão no plano apresentado há meses por Volodymyr Zelensky, mas com o qual a Rússia não concordou. E alertou que menos do que isto só vai ‘empurrar’ o conflito: “Qualquer solução que não respeite a soberania da Ucrânia só vai ser uma maneira de congelar a guerra e de fazer com que a Rússia possa reconstituir-se, reagrupar-se e voltar a atacar.”

Interpelado também sobre a decisão de avançar com uma reunião com as autoridades ucranianas, apesar das objecções de Budapeste, Stoltenberg desvalorizou a questão. O formato da reunião ainda não está decidido, mas Stoltenberg confirmou que está prevista a participação de Volodymyr Zelensky.

“Quero sempre que haja consenso entre os Estados-membros [da NATO], mas quando não há é sempre a minha prerrogativa fazer reuniões com quaisquer Estados que importem”, afirmou.

Sobre a possibilidade de a China enviar armamento e munições para a Rússia, o secretário-geral da NATO respondeu que não há confirmações, mas “há sinais de que a Rússia fez esse pedido” e que “está a ser considerado em Pequim”. “A nossa mensagem é clara: a China não deve fazê-lo”, completou. A presidência russa não poupou em recursos para receber o líder chinês Xi Jinping.

Ainda na segunda-feira, Putin ofereceu a Xi um jantar privado de sete pratos, e que durou quatro horas e meia, antes do jantar de Estado de terça-feira, no antigo palácio imperial, que serviu para conversações que envolveram altos funcionários de ambos os países. Na terça-feira, numa cerimónia fortemente coreografada e cheia de grandeza imperial, os dois líderes entraram na enorme sala com lustres e apertaram as mãos, ao som dos hinos nacionais russo e chinês.

Zelensky aguarda “resposta da China”

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, saudou na terça-feira a visita a Kiev do primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida, um “poderoso defensor da ordem internacional” e disse aguardar “uma resposta da China” para um diálogo sobre o conflito na Ucrânia.

“Estou feliz por acolher em Kiev o primeiro-ministro japonês Fumio Kishida, um defensor verdadeiramente potente da ordem internacional e um amigo de longa data da Ucrânia”, declarou em mensagem no Telegram após um encontro entre os dois dirigentes. Pouco depois, e no decurso de uma conferência de imprensa, Zelensky anunciou ter “convidado” a China a dialogar e disse “aguardar uma resposta”.

“Propusemos à China que se torne num parceiro” para a busca de uma solução do conflito na Ucrânia, indicou Zelensky. “Convidamo-lo ao diálogo, aguardamos a vossa resposta”, acrescentou, ao indicar que até ao momento “recebeu sinais, mas nada de concreto”.

O Presidente ucraniano também anunciou que vai participar, através de videoconferência, na cimeira do G7 prevista para Maio em Hiroxima, no Japão. “Aceitei o convite (…) e participarei na cimeira do G7 em Hiroxima num formato ‘on line’”, declarou Zelensky no decurso da conferência de imprensa conjunta com Fumio Kishida.

Alexandre Leitão espera mais parcerias com visita de Ho Iat Seng

O cônsul-geral português em Macau disse ontem esperar que a visita do Chefe do Executivo a Portugal permita “procurar vias ambiciosas” para desenvolver e aprofundar a parceria existente entre os dois lados. “Espero que aproveitemos este momento e circunstância para trabalhar em assuntos concretos e procurar vias ambiciosas de desenvolvimento e aprofundamento da parceira que existe” entre Macau e Portugal, considerou Alexandre Leitão sobre a visita de Ho Iat Seng a Lisboa, a decorrer entre 18 e 22 do próximo mês.

As datas da visita, anunciada pelo Governo de Macau em 17 de Fevereiro depois de um encontro com Alexandre Leitão, foram agora divulgadas em comunicado.

Além de simbólica, por ser a primeira visita de Ho ao estrangeiro e ter escolhido Portugal, o diplomata acrescentou esperar que seja “um momento quase instrumental neste processo de recuperação económica dos dois lados”, depois da pandemia de covid-19.

O cônsul-geral considerou que Portugal tem “trunfos na área da diversificação, empresas jovens em formação, em aceleração, bons centros de investigação (…) e uma economia com grande incorporação de inovação”.

Um bom acordo

Alexandre Leitão falava aos jornalistas no final da assinatura de renovação de um protocolo na área da promoção e ensino da língua portuguesa no interior da China entre a Sociedade de Jogos de Macau (SJM) e o Camões-Instituto da Cooperação e da Língua. Este acordo, que visa a promoção “do ensino do português como língua estrangeira”, assegura “a presença de um leitor em Pequim”, o que é de “enorme importância” para Portugal e para o “trabalho de natureza cultural” que se pretende desenvolver na China, na Área da Grande Baía, em Macau e em Hong Kong, afirmou.

“Esta é uma das nossas principais missões aqui: a valorização e a promoção da língua portuguesa e da cultura portuguesa e da cultura dos países lusófonos que formaram esta mistura, esta identidade específica de Macau, que importa preservar, não apenas em nome do seu valor histórico, da sua referência histórica, mas também de tudo aquilo que pode representar em termos da diversificação económica que todos procuram, seja na área do turismo, seja na utilização do português como língua de contacto, de negócios e de relações entre povos”, salientou.

A presidente da SJM, Daisy Ho, manifestou satisfação em continuar esta segunda fase do protocolo, indicando estar disponível para novas possibilidades de cooperação. Através de um fundo criado pela SJM, que vai ser renovado por mais quatro anos, a concessionária de jogo “reforça, assim, o seu contributo para a valorização da língua portuguesa como língua internacional na República Popular da China”, de acordo com um comunicado divulgado na terça-feira pelo Consulado Geral de Portugal em Macau e Hong Kong.

EUA | Ida de Blinken e duas secretárias à China em equação

Os EUA pretendem que o chefe da diplomacia norte-americana retome a visita à China, suspensa em Fevereiro, e estão a “discutir activamente” com Pequim a visita de dois ministros para realizar um diálogo económico, adiantou fonte da Casa Branca.

John Kirby, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da presidência norte-americana, explicou ontem que a secretária das Finanças, Janet Yellen, e a secretária do Comércio, Gina Raimondo, esperam visitar a China para “discutir questões económicas”.

O chefe da diplomacia norte-americana, Antony Blinken, cancelou em Fevereiro, ‘em cima da hora’, uma viagem à China, após a descoberta de um balão chinês a sobrevoar território norte-americano, e que, segundo Washington, estava a realizar operações de espionagem. “Esta visita foi adiada, não cancelada”, garantiu ontem John Kirby, acrescentando que o Governo de Joe Biden pretende que Blinken “vá a Pequim”.

O chefe de Estado norte-americano, Joe Biden, tinha indicado recentemente que manteria um encontro com o seu homólogo chinês, mas este ainda não foi oficializado até ao momento, adiantou o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional.

Maus momentos

As relações entre os EUA e a China passaram por um período de tensão durante o governo de Donald Trump (2017-2021), quando ambas as nações se envolveram numa guerra comercial com a imposição mútua de taxas.
Estas tensões pareceram diminuir depois de uma reunião em Novembro que Biden e Xi realizaram à margem do G20 em Bali, na qual concordaram em trabalhar juntos em algumas áreas, incluindo as alterações climáticas.

No entanto, as relações bilaterais voltaram a ‘azedar’ em Fevereiro, depois dos EUA terem derrubado um alegado balão espião chinês que sobrevoava território norte-americano e que levou ao cancelamento da viagem de Blinken.
Washington está a acompanhar de perto a visita do Presidente Xi Jinping à Rússia e o anúncio sobre a disponibilidade de governantes norte-americanos visitarem a China ocorre durante esta viagem.

Vários membros do governo dos EUA, incluindo Blinken e o próprio Kirby, demonstraram cepticismo sobre esta reunião e expressaram dúvidas sobre o papel que a China pode desempenhar na guerra na Ucrânia.

Em conferência de imprensa, Blinken acusou ontem Xi de não querer que Putin responda pela invasão da Ucrânia, depois do Tribunal Penal Internacional (TPI) ter um mandado de detenção contra o líder russo na sexta-feira.

Já Kirby, tal como fez na sexta-feira, expressou ontem a oposição dos Estados Unidos a um cessar-fogo na Ucrânia, considerando que isso “consolidaria” os avanços que a Rússia tem feito no campo de batalha.

Além disso, o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional encorajou Xi a falar por telefone com o Presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, para obter a perspectiva de Kiev sobre o conflito e não apenas a de Putin.

Tailândia com eleições marcadas para 14 de Maio

A comissão eleitoral da Tailândia marcou ontem as eleições gerais para 14 de Maio, um dia após o primeiro-ministro, Prayut Chan-O-Cha, ter dissolvido a Assembleia Nacional. A coligação liderada por Prayut, um antigo general que chegou ao poder num golpe de Estado de 2014, tem dominado o parlamento desde as eleições de 2019.
Prayut, 68 anos, enfrentará uma oposição reforçada pela sua impopularidade à frente do Governo, segundo a agência francesa AFP.

As sondagens mais recentes dão a vitória ao principal partido da oposição, Pheu Thai, liderado por Taetongtarn Shinawatra, filha do influente bilionário e antigo primeiro-ministro (2001-2006) Thaksin Shinawatra.

O Pheu Thai obteria quase metade dos votos, contra 17 por cento do partido Move Forward, também da oposição, e 12 por cento do Nação Unida Tailandesa, de Prayut, segundo uma sondagem citada pela agência espanhola EFE.
Taetongtarn Shinawatra, 36 anos, tem de lidar com uma Constituição redigida pela junta militar em 2017, que favorece os candidatos próximos das forças armadas e, por conseguinte, Prayut.

O Move Forward, a surpresa nas urnas em 2019 graças ao seu eleitorado jovem, espera conseguir o apoio de eleitores que participaram nas manifestações pró-democracia em 2020.

Em campanha

A dissolução do parlamento deu oficialmente início à campanha eleitoral, que tinha começado informalmente há algumas semanas, com comícios e acções de rua.

O primeiro-ministro é indicado pelos deputados e por 250 senadores nomeados pelo Governo, que tendem a favorecer um candidato próximo dos militares. O reino da Tailândia, antigo Sião, tem uma história política repleta de golpes militares, com 12 bem-sucedidos desde o fim da monarquia absoluta em 1932.

O país do Sudeste Asiático, com mais de 67 milhões de habitantes, tem como chefe de Estado o rei Maha Vajiralongkorn, que sucedeu ao pai, Bhumibol Adulyadej, no trono entre 1946 e 2016.

Matar o pai

SIZA Vieira tinha de levar uma grande bofetada e, dada a sua dimensão internacional, só o presidente da mais importante autarquia portuguesa poderia dar-lha. Para tanto, Moedas, foi driblando sucessivas tentativas de atendimento solicitadas pela Comissão de Honra constituída na Associação Conquistas da Revolução que pretende erigir em Lisboa um monumento em memória de Vasco Gonçalves.

Escapando a este embate, deixou-se entrevistar por um jornalista que, por pudor, não quero nomear, num jornal que não leio nem recomendo. Diz-me, no entanto, uma testemunha fiável que o homem das moedas falsas terá, então, revelado que, enquanto for ele a riscar na Câmara de Lisboa, nunca haverá na capital portuguesa uma estátua ou sequer um busto do culto e humaníssimo general de abril e principal impulsionador do novo Portugal que, em grande parte, ainda temos.

Conheci em Beja, no “Diário do Alentejo”, o seu pai, isto é, o poeta e jornalista Zé Moedas que tinha por Vasco Gonçalves um enormíssimo respeito e não escondia o facto de ser comunista. Vendo a atitude do seu filho, único e desnaturado, temo que este se tenha deixado formatar por aquela engrenagem edipiana que põe o adolescente a matar o pai para poder desposar a mãe. Neste caso, a augusta figura maternal chama-se ideologia reaccionária e só pode ter nascido da terrível herança gonçalvista de que deixo aqui alguns tópicos:

– Igualdade de direitos para homens e mulheres (na magistratura, por exemplo, não existiam, assim como na administração pública);
– Direito à habitação para todos os portugueses (dois milhões viviam em bairros de barradas);
– Direito à educação (88% dos portugueses tinham menos que a antiga 4.ª classe e 26% nem sequer sabiam ler);
– Direito à escolaridade tendencialmente gratuita em todos graus de ensino;
– Direito à saúde, universal e gratuito.
– Direito à greve.

E isto para não me alongar noutros direitos verdadeiramente civilizacionais como os 90 dias de licença na situação de maternidade, o divórcio nos casamentos católicos, a reparação material e moral para os deficientes das Forças Armadas, o salário mínimo e a pensão social, os subsídios de desemprego, de férias, de Natal e vitalício de proteção na velhice, etc.

De facto, é preciso ter muita lata para ir incomodar Carlos Moedas, reclamando um monumento de homenagem a um general para quem povo e pátria eram sinónimos operativos e até saiu mais pobre dos cinco governos provisórios que comandou.

Consta, aliás, que são também dessa era a Constituição da República Portuguesa e a independência das ex-colónias que hoje se nos irmanam nos PALOP.

Não consigo entender que o arquitecto Álvaro Siza Vieira, genial como é, tenha aderido, com o maior entusiasmo, à assunção da autoria do monumento que, honrando Vasco Gonçalves, também honra Portugal.

Para que conste

CHEGAM do Médio Oriente notícias cada vez mais inquietantes. No dia 7, aviões israelitas bombardearam o aeroporto de Alepo, por onde entra na Síria a ajuda humanitária internacional. Foi uma frutuosa maneira de agravar os efeitos do sismo catastrófico que no mês passado arrasou grande parte do país e da vizinha Turquia.

No dia 12, helicópteros norte-americanos, aproveitando a maré de azar, transportaram da prisão de Al-Sinaa elementos do Estado Islâmico, para o enclave de Shaddadi, no Sul de Hasakeh, devendo seguidamente passar para a base militar que os EUA mantêm ilegalmente em Tanef, na Síria, junto à fronteira com o Iraque. Aí vão estes mercenários receber formação especial para atos terroristas a cometer contra o exército sírio e populações.
Enquanto isto, no vasto deserto sírio de Al-Badieh aumentam as ações destes fundamentalistas islâmicos orientados pelos serviços secretos de alguns países da NATO.

APRESENTADO foi também, no dia 13 de março, o projeto de orçamento militar dos EUA, propondo para o ano fiscal de 2024 uma verba recorde de 842 mil milhões, o que significa um aumento de 3,2 por cento em relação ao que este ano está em vigor e que já era bastante superior aos anteriores.

O Pentágono assume publicamente que está no horizonte uma confrontação decisiva com a China e a Rússia. Para o arsenal nuclear a fatia é de 37,7 mil milhões de dólares. É caso para perguntar aos propagandistas da pax americana, se ainda estamos bem aqui.

E, para não parecer fofoquice minha, cito um americano insuspeito, William Hartung, investigador do Instituto Quincy para a Governança responsável, que declara os EUA como o maior traficante de armas do mundo.

Segundo do Instituto Internacional de Estudos para Paz, com sede em Estocolmo, as vendas de armamento norte-americano, entre 2018 e 2022, constituíram 40 por cento de todas de todas as vendas de armas no mundo e foram para 103 países, tendo seguido para o Médio Oriente 41 das encomendas aviadas. Para que conste.

Exposição | A arte da xilogravura no Dr. Sun Yat-sen Memorial Hall

Chama-se “Carving in Three Styles: One Woodblock, Multiple Impressions” e é a exposição de xilogravura patente até ao dia 2 de Abril na galeria do Dr. Sun Yat-sen Memorial Hall, na Taipa. O público poderá ver trabalhos de três artistas, Hsu Yi Hsuan, Lam King Ting e Mel Cheong Hoi I, que é também curadora da mostra

 

Está patente, desde o dia 12 deste mês, uma nova exposição no centro da Taipa, no terceiro andar do Dr. Sun Yat-sen Memorial Hall. Chama-se “Carving in Three Styles: One Woodblock, Multiple Impressions – Taiwan-Hong Kong-Macau Woodblock Print Exchange Exhibition” e, tal como o nome indica, revela o trabalho na área da xilogravura de três artistas, nomeadamente Hsu Yi Hsuan, Lam King Ting e a artista local Mel Cheong Hoi I, que faz também a curadoria do projecto. A mostra é organizada pela Associação de Xilogravura de Macau [Macau Woodblock Print Association].

Segundo uma nota de imprensa, podem ser vistas, até ao dia 2 de Abril, 55 trabalhos de xilogravura que revelam três técnicas diferentes, sendo que as impressões “mostram uma rica diversidade de estilos e temas para deleite do olhar do público”.

“A xilogravura constitui uma categoria especial no meio de vários materiais de impressão. [Esta exposição] revela a paixão dos três artistas pela impressão. Diferentes técnicas de escultura artesanal e ideias fazem destes trabalhos distintos nos seus temas e composição. Com antecedentes e experiências de vida distintas, os três artistas apresentam diferentes paisagens ao público”, lê-se na mesma nota.

No caso de Hsu Yi Hsuan, revelam-se as paisagens campestres de Taiwan onde animais vivem livremente numa terra de fantasia. O artista trabalhou essencialmente com óleo e técnicas de impressão ocidentais. Lam King Ting trabalhou com o relevo de madeiras de Taiwan, inspirado pela natureza. Daí que o seu trabalho tenha árvores e flores como tema principal.

Por sua vez, Mel Cheong adoptou a tradicional impressão à base de água e faz as suas obras de forma policromada com recurso ao Baren, uma ferramenta manual em formato de disco própria da xilogravura japonesa.

Algumas das ideias destes trabalhos baseiam-se numa infância vivida nas grandes cidades que faz surgir um desejo por uma maior proximidade à natureza. Assim, o trabalho de Mel Cheong apresenta “uma concepção artística rica e vibrante”, traçando um retrato da arquitectura da cidade, mas também dos animais “esquecidos nos jardins e espaços verdes esquecidos nas cidades, incluindo personagens como animais vadios ou ursos polares que se vêm forçados a migrar”. As peças de Mel Cheong mostram “os seus pensamentos sobre a Metrópolis”.

Exercício de partilha

Ao HM, Mel Cheong contou que o principal objectivo desta exposição é revelar a diversidade que a impressão no formato de xilogravura pode ter. Sobre o seu trabalho em específico, a artista disse que optou por expôr apenas 20 peças, “a maioria pertencente a uma série continuada, como é o caso da colecção ‘Macau Series’ que fiz sobre Macau como colónia. Outra é a série ‘Urso Polar'”.

Este projecto nasce de uma história. “A primeira impressão é sobre a urbanização do Pólo Norte, em que o urso polar olha para o céu, em vez de olhar para a habitual aurora, e vê as luzes do prédio. A segunda impressão fala do urso que não consegue estar mais no seu icebergue, necessitando de continuar a nadar até encontrar uma nova casa.

A terceira impressão mostra já a sua nova casa. Ele percebeu que está mobilada, porque nós, humanos, já deitámos a mobília ao mar. Uma quarta impressão fala do urso polar a procurar salmão.”

Mel Cheong adiantou que a Associação de Xilogravura de Macau visa “criar uma plataforma para que artistas que trabalham na Ásia possam partilhar as suas técnicas de impressão em gravura. Por norma não precisamos de um atelier ou estúdio, trabalhamos sozinhos em casa”.

Ao fazer esta exposição em conjunto, Mel Cheong acredita que os três artistas “podem partilhar o conhecimento que têm dos materiais e da pesquisa que fazem, bem como as ferramentas com que trabalham o artesanato, as técnicas de impressão ou as novidades das exposições”. “Por norma planeamos mostrar as nossas exposições em diferentes conferências profissionais, mas como esta é uma associação baseada em Macau, quando recolho os trabalhos dos membros prefiro mostrá-los primeiro ao público local, como se fosse uma apresentação prévia para um público VIP”, acrescentou.

A associação conta com membros de várias nacionalidades e não apenas de Macau. Exemplo disso é o caso de uma artista, oriunda da Noruega, que iniciou o projecto “Tales that Splits Apart”, com o qual juntou diferentes trabalhos dos membros da associação e os apresentou no seu país.

Taiwan | Primeira visita ministerial alemã em 26 anos

A ministra da Educação da Alemanha viajou ontem para Taiwan para a primeira visita em 26 anos de um ministro alemão à ilha, para assinar uma parceria tecnológica. A China opõe-se regularmente às visitas trocas oficiais entre Taiwan e os seus parceiros internacionais.

A ministra alemã Bettina Stark-Watzinger disse que o acordo, celebrado com o Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia de Taiwan (NSTC), visa “melhorar a cooperação com base em valores democráticos, transparência, abertura, reciprocidade e liberdade científica”.

Bettina Stark-Watzinger considerou um “grande prazer e honra” tornar-se o primeiro membro de um governo alemão a visitar a ilha em mais de duas décadas. Questionada sobre a presença de chineses contrários à sua visita, a Stark-Watzinger não quis responder. A China aumentou a sua pressão diplomática e militar sobre Taiwan em retaliação com uma série de visitas de autoridades dos Estados Unidos, Europa, entre outros.

De acordo com a imprensa, a gigante de tecnologia taiwanesa TSMC, a maior fabricante de chips do mundo, está actualmente em negociações para construir a sua primeira fábrica europeia na Alemanha. Em Dezembro, a empresa tinha dito que “não tinha planos concretos” para montar uma unidade de produção na Alemanha.

Economia | Fórum de Desenvolvimento acontece presencialmente em Pequim

O Fórum de Desenvolvimento da China 2023 (FDC) acontecerá presencialmente na Casa de Hóspedes Estatais Diaoyutai, em Pequim, de 25 a 27 de Março.

Com o tema “Recuperação Económica: Oportunidades e Cooperação”, o FDC deste ano concentrar-se-á nas oportunidades no mercado chinês, na estabilização das cadeias industriais globais e na transição verde, revelou Zhang Laiming, vice-director do Centro de Pesquisa de Desenvolvimento (CPD) do Conselho de Estado em conferência de imprensa esta segunda-feira.

Mais de 100 delegados estrangeiros participarão no fórum, incluindo executivos das principais multinacionais, académicos estrangeiros e representantes de organizações internacionais, apontou Zhang, citado pelo Diário do Povo, acrescentando que oficiais dos departamentos do governo central chinês apresentarão a orientação política da China no fórum.

“A construção de um consenso contribuirá para a recuperação económica global”, explicou.
Organizado pelo CPD, o FDC é uma conferência internacional anual de alto nível comprometida em “Engajar-se com o Mundo para a Prosperidade Comum”.

Timor-Leste | China e Indonésia lideram contratos de aprovisionamento público

No top 5 dos contratos de projectos de aprovisionamento com o governo timorense, surgem ainda países como a França e Portugal com negócios no valor de 168,6 milhões de dólares e 51,59 milhões de dólares, respectivamente

 

Empresas da China e da Indonésia obtiveram o maior número de projectos de aprovisionamento do Governo timorense entre firmas estrangeiras entre 2011 e 2023, com um valor total de mais de 1.200 milhões de dólares, segundo dados oficiais.

Os dados de aprovisionamento foram apresentados por responsáveis da Comissão Nacional de Aprovisionamento (CNA) num seminário sobre infraestruturas em Díli, em que detalharam dados das nacionalidades das empresas a quem foram atribuídos contratos.

A informação indica que entre 2011 e o final de Fevereiro de 2023 empresas de nacionalidade timorense obtiveram um total de 2.351 contratos, no valor total de mais de 2.124 milhões de dólares. Empresas da China obtiveram 44 contratos no valor total de mais de 714,6 milhões de dólares e empresas da Indonésia conseguiram 72 contratos no valor de quase 499 milhões de dólares.

No topo

O top cinco inclui ainda a França, com nove contratos no valor de 168,6 milhões de dólares e Portugal, com 30 contratos num valor total de 51,59 milhões de dólares. Globalmente, e ao longo desse período, a CNA registou um total de 2.598 contratos de aprovisionamento, com um valor total de cerca de 3.781 milhões de dólares.

Em termos regionais, e excluindo os contratos atribuídos a empresas de Timor-Leste, empresas da Ásia obtiveram contratos no valor de 1.364 milhões de dólares. Fora destas únicas regiões o único país no top 15 com contratos foi o Canadá, com 12 projectos no valor total de 28 milhões de dólares.

O seminário de três dias de “reflexão sobre 20 anos de desenvolvimento de infraestruturas em Timor-Leste, qualidade, resiliência e sustentabilidade”, foi organizado pelo Conselho de Administração do Fundo de Infraestruturas (CAFI).

Covid-19 | Mais de 60% dos profissionais de saúde com esgotamento

Um estudo elaborado por académicos da Universidade de Macau revela que os trabalhadores do sector público enfrentam condições mais propensas ao desenvolvimento de esgotamentos. O estudo foi realizado no final de 2021

 

Mais de metade dos profissionais de saúde de Macau admitiram sofrer esgotamentos cerebrais (burnout em inglês) durante as fases menos intensas da pandemia. A conclusão faz parte do estudo “Esgotamento dos Profissionais de Saúde durante a Covid-19”, elaborado por académicos da Universidade de Macau, que inquiriu quase 498 trabalhadores no território, entre Outubro e Novembro de 2021.

“O estudo permite concluir que os trabalhadores de saúde enfrentaram esgotamentos psicológicos relacionados com motivos pessoais (60,4 por cento dos inquiridos), profissionais (50,6 por cento), e devido aos pacientes (31,5 por cento) durante uma fase menos intensa da pandemia”, consta no documento publicado na revista Plos One, que tem sede em São Francisco, nos Estados Unidos.

Nos casos de esgotamentos foram igualmente identificados sintomas de depressão (63,4 por cento) e ansiedade (60,6 por cento). “A ansiedade e a depressão estão muito associadas a todos os tipos de esgotamento detectados”, foi justificado.

A maior parte dos inquiridos era do sexo feminino, médicos ou enfermeiros, com idades entre 25 e 44 anos. Trabalhavam todos em Macau, e mais de 50 por cento nos dois hospitais do território.

Foi ainda revelado pelo estudo que os esgotamentos afectaram mais as pessoas directamente envolvidas nos trabalhos de resposta à pandemia, do que os profissionais que não tiveram directamente envolvidos. “Os profissionais de saúde que participaram nos trabalhos ligados à covid-19 estavam mais vulneráveis ao desenvolvimento de esgotamentos em comparação com os colegas que não assumiam essas funções”, foi escrito.

Pior no sector público

O estudo conclui ainda que as condições para os médicos e enfermeiros no sector público, liderado por Alvis Lo, director dos Serviços de Saúde, estiveram na origem de mais esgotamentos do que as condições verificadas no sector privado.

“A probabilidade de desenvolver um esgotamento está mais associada ao trabalho no sector público, no contexto de hospital, e no desempenho de funções relacionadas directamente com a covid-19”, é revelado. “À semelhança de várias outras partes do mundo, Macau tinha falta de experiência e capacidade para lidar com uma pandemia como a covid-19. Como consequência, foi necessário reorganizar a distribuição dos profissionais de saúde”, foi dito sobre os maiores desafios do sector público.

Face a estas conclusões, os autores aconselham que a resposta ao desenvolvimento de esgotamentos mentais do pessoal médico e enfermeiro seja considerado uma prioridade, porque no futuro pode ter potencial para afectar a capacidade de resposta a pandemias.

O estudo tem como autores Zheng Yu, Tang Pou Kuan, Lin Guohua, Hu Hao, Liu Jiayu, Anise Wu Man Sze e Carolina Ung Oi Lam, todos eles académicos na Universidade de Macau.

Português | SJM e Instituto Camões renovam parceria

A SJM e o Instituto Camões renovaram o protocolo que visa apoiar o desenvolvimento da língua portuguesa na República Popular da China. O anúncio foi feito ontem, através de um comunicado emitido pelo secretariado do Cônsul-Geral de Portugal em Macau e Hong-Kong.

O primeiro protocolo tinha sido assinado em 2019, altura em que a SJM – Sociedade de Jogos de Macau se tornou a primeira empresa na Ásia a receber o estatuto de Empresa Promotora da Língua Portuguesa. Através do protocolo foi criado o Fundo SJM para a Língua Portuguesa, um projecto de promoção e ensino de Português Língua Estrangeira (PLE) em Pequim, gerido pelo IPOR, como entidade que representa o Camões I.P. na região.

O posto de docência do IPOR em Pequim, após levantamento de potenciais interessados, arrancou em Maio de 2020 com cursos de curta duração de PLE, em formato online, tendo até ao momento, promovido 32 acções de formações de carácter geral, 6 cursos de preparação para exame CAPLE em colaboração com a Maxdo College da Universidade Normal de Pequim e leccionado 5 tutorias personalizadas.

PJ | Alerta para boatos sobre roubo com narcótico

A Polícia Judiciária (PJ) lançou ontem um alerta para desmistificar um boato que circulava na internet sobre supostos casos de roubo. “A PJ teve informação nos últimos dias, de um boato a circular na rede dizendo que têm ocorrido roubos em Macau, em que o malfeitor ao chegar junto a transeuntes usa um fumo de entorpecente fazendo com que a vítima lhe revele o código do cartão de ATM e levante o dinheiro que lhe é pedido”.

As autoridades vincam que nunca receberam qualquer denúncia semelhante, e que “após apuramento feito pela respectiva subunidade de investigação, não se encontrou indícios de ter ocorrido tal facto”.

Como tal, é pedido aos cidadãos que confirmem “a autenticidade das informações antes de as partilharem na internet ou nas redes sociais, evitando causar especulações ou pânico desnecessários”. A par disso, para evitar que caiam na armadilha dos criminosos, a PJ alerta os cidadãos de que devem estar sempre atentos a gente desconhecida na rua que os abordam, desconfiando no assunto e na identidade alegada.

Páscoa | Preços de viagens disparam com aumento da procura

As agências de viagem estão a sentir um grande aumento da procura e há quem fale de um momento “muito bom” para o negócio. Japão, Coreia do Sul, Tailândia e Taiwan são os destinos mais populares

 

Com a maior procura de viagens no período da Páscoa, os preços estão a registar aumentos significativos, que em alguns casos atingem os 30 por cento. O relato da situação foi feito, ao canal chinês da Rádio Macau, por Chao, funcionária de uma agência de viagens.

De acordo com a profissional ouvida, as agências de viagem tem tido um grande aumento da procura para a época da Páscoa, sendo os destinos mais populares o Japão, Coreia do Sul, Tailândia e Taiwan.

Segundo a mesma responsável, o negócio está “muito bom” e nem os preços com aumentos que chegam a 30 por cento têm sido um entrave à marcação das férias. A mesma fonte revelou que as viagens em excursões para os destinos mais populares estão mesmo esgotadas.

O levantamento das várias restrições de circulação, impostas pelo Governo, que seguiu a política de zero casos do Interior, é apontado como um dos motivos que volta a permitir aos residentes voltarem a voar. Antes destas alterações, quem fosse para qualquer outro destino que não o Interior estava obrigado a cumprir quarentena, que a certa altura da pandemia chegou a ser de 28 dias.

Novas tendências

O canal chinês da Rádio Macau ouviu também a proprietária de outra agência de viagens, identificada como “senhora Hong”, que traçou um cenário semelhante. No entanto, Hong afirmou que em relação ao período anterior à pandemia emergiu um novo modelo de viagem, com as pessoas a preferirem viajar sozinhas, em vez de recorrerem às excursões.

Para responder a esta nova procura, Hong revelou que a agência tem preparados mais pacotes de viagens para turistas independentes. Em relação aos pacotes de viagens em excursões, a responsável reconheceu que o sudeste asiático é muito popular e que “houve um certo aumento dos preços”, embora sem especificar valores.

Também para fazer face a uma maior procura, e depois de três anos em que praticamente só voou para o Interior, a Air Macau anunciou recentemente um aumento do número dos voos a partir dos últimos dias de Março, para destinos como Tailândia, Japão ou Singapura.

Direitos Humanos | Governo atribui “segundas intenções” a relatório americano

O Governo da RAEM contesta o relatório, acusa os EUA de difamação e defende que “o Governo Central tem implementado de forma firme, plena e correctamente os princípios ‘Um País, Dois Sistemas’ e ‘Macau governado pelas suas gentes’”

 

O relatório anual sobre direitos humanos elaborado pelo Departamento de Estado norte-americano aponta “restrições graves à liberdade dos jornalistas” e ainda à “interferência substancial no direito de reunião pacífica” em Macau. O relatório, disponibilizado ontem no portal do Departamento de Estado, foi imediatamente contestado pelo Governo da RAEM.

O documento, que avalia a situação dos direitos humanos em 2022, destaca ainda a “incapacidade dos cidadãos [da RAEM] de mudarem o seu Governo pacificamente através de eleições livres e justas, restrições graves e não razoáveis à participação política, incluindo a desqualificação de candidatos pró-democracia nas eleições, e tráfico de pessoas”.

No relatório, o departamento governamental nota que as autoridades de Macau adoptaram “medidas para perseguir e punir os funcionários que cometeram abusos de direitos humanos ou se envolveram em corrupção”. Na secção relativa ao “Respeito pelas liberdades civis – Liberdade de Expressão, incluindo para membros da Imprensa e Outros Meios de Comunicação”, é considerado que “o Governo usurpou este direito”, embora sinalize que a legislação prevê a liberdade de expressão, incluindo para os membros da imprensa e outros meios de comunicação.

“O Governo restringiu de forma significativa quaisquer declarações públicas que defendia que prejudicariam a ‘harmonia social’ ou que ‘ameaçavam’ o interesse nacional ou ‘público’”, acrescenta-se no relatório.

Relatos de censura

“Houve relatos de aumento da censura, especialmente sobre temas relacionados com as autoridades da RAEM, China, e os incidentes da Praça Tiananmen de 1989. Altos funcionários governamentais declararam esperar que a imprensa aderisse a um ‘amor pela pátria e amor por Macau’”, é detalhado.

A este respeito, o documento do Departamento de Estado norte-americano recorda que em Outubro de 2021, o portal electrónico pró-democracia Macau Concealers, “que publicava regularmente notícias satíricas, suspendeu as operações, citando um agravamento do panorama político e restrições orçamentais”.

Na secção relativa à liberdade de participação em actividades políticas, o relatório salienta que a lei “limita a capacidade de os eleitores mudarem o seu governo através de eleições periódicas livres e justas porque não houve sufrágio universal nas eleições para a maioria dos cargos eleitos”.

Segundas intenções

Horas depois, o Governo da RAEM reagiu ao comunicado e saiu em defesa do Governo Central. “Desde o regresso de Macau à Pátria, o Governo Central tem implementado de forma firme, plena e correctamente os princípios ‘Um País, Dois Sistemas’ e ‘Macau governado pelas suas gentes’ com alto grau de autonomia, insistindo na governação de Macau de acordo com a lei”, pode ler-se num comunicado do Gabinete de Comunicação Social. Foi ainda defendido que os “residentes de Macau gozam dos direitos e liberdades conferidas pela Constituição e pela Lei Básica”.

O Governo de Macau considerou ainda que a RAEM se opõe à posição assumida por Washington. “O Relatório sobre Práticas de Direitos Humanos por País relativo ao ano de 2022, publicado pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos da América, tem segundas intenções, ignora a realidade e difama Macau e a sua situação de direitos humanos, interferindo de forma arbitrária nos assuntos de Macau e nos assuntos internos da China, por essa razão, a Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) manifesta o seu mais firme repúdio e oposição”, foi acusado. “O sucesso do desenvolvimento histórico de Macau não pode ser difamado”, foi acrescentado.

Juventude | Federação organiza palestra sobre as duas sessões

A Federação da Juventude da China em Macau organizou no fim-de-semana uma palestra de aprendizagem do espírito das duas sessões da Assembleia Nacional Popular e da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês.

Segundo um comunicado partilhado no Facebook da associação, o vice-presidente, Alvis Lo, que todos os membros devem ter como objectivo e prioridade servir o desenvolvimento nacional. O director dos Serviços de Saúde insistiu na ideia de que os jovens de Macau devem “alinhar-se activamente com as estratégias de desenvolvimento nacional, assim como impulsionar a implementação plena, correcta e firme do princípio ‘Um País, Dois Sistemas’ e contribuir para “o sonho chinês de rejuvenescimento da nação”.

Outra oradora do evento, foi a filha do Chefe do Executivo, Ho Hoi Kei, que referiu que a Federação da Juventude da China vai ter como referência nas suas acções o pensamento de Xi Jinping sobre o socialismo com características chinesas na nova era, concretizando o espírito do 20.º Congresso Nacional. Ho Hoi Kei apontou ainda à necessidade de os jovens de Macau aproveitarem as vantagens específicas da região para alavancar o rejuvenescimento da nação.
Participaram ainda na sessão a deputada Song Pek Kei, e o filho do deputado Vong Hin Fai, Joaquim Vong Keng Hei.

AL | Coutinho quer que jovens conheçam trabalho dos deputados

O deputado Pereira Coutinho quer que o Governo promova o conhecimento dos jovens sobre o funcionamento da Assembleia Legislativa e do trabalho dos deputados. Coutinho gostaria de ver revertido o “desinteresse generalizado dos estudantes” pela vida política e os níveis participação cívica

 

O deputado Pereira Coutinho gostaria de ver a juventude de Macau mais envolvida na vida política e cívica da região. Numa interpelação escrita divulgada ontem, Pereira Coutinho voltou a insistir na promoção do conhecimento dos trabalhos legislativos entre os mais novos, lembrando que já em 8 de Agosto do ano passado havia pedido “medidas concretas pelas autoridades competentes, na área da educação, em escolas e universidades públicas, e privadas, de uma estrutura com características semelhantes a um Parlamento Jovem”.

A sugestão direccionada a jovens dos ensino básico, secundário e superior tem como objectivo “promover o gosto pela participação cívica, e política, dando a conhecer o funcionamento interno da Assembleia Legislativa (AL), promovendo o debate e o respeito pela diversidade de opiniões, desenvolvendo assim o espírito crítico e a capacidade de diálogo”.

Além de pretender potenciar o conhecimento legislativo e político dos mais novos, Pereira Coutinho quer combater a apatia, o desapego das novas gerações pelas questões políticas e de administração do território.

“O desinteresse generalizado dos estudantes, quer das escolas secundárias, ou de ensino superior, está relacionado com o desconhecimento dos jovens, e dos cidadãos, de uma forma geral, pelas questões referentes ao funcionamento e aos trabalhos da AL, e dos seus deputados.”

Cumprir mínimos

Num apelo anterior do legislador, o Governo respondeu, através da Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) afirmando ter realizado “uma ‘sessão de esclarecimento para o sector educacional’ e uma visita de alunos do ensino secundário complementar de Macau às assembleias de voto”. Além disso, a DSEDJ “realizou uma votação simulada, com vista a aprofundar os conhecimentos do pessoal docente, e não docente, e dos estudantes, sobre as eleições da Assembleia Legislativa, e o processo de votação, incentivando-os a tornarem-se eleitores e a cumprirem os seus deveres cívicos”.

No fim de contas, o deputado considera que os esforços do Governo nesta matéria são insuficientes. “É de elementar dedução, que uma única sessão de esclarecimento, para o sector educacional, e uma única visita de alunos (…) a assembleias de voto, são actividades manifestamente insuficientes para o aprofundamento de conhecimentos dos trabalhos desenvolvidos pela Assembleia Legislativa, e pelos deputados”, argumenta Coutinho.

Ao invés, o deputado sugere visitas de estudo, que propiciem aos jovens conhecimento sobre o trabalho legislativo, como participação em sessões plenárias da Assembleia Legislativa, visitas aos Gabinetes de Atendimento dos Cidadãos dos deputados. Pereira Coutinho sugere também a organização de “sessões de esclarecimento, apresentadas por deputados, sobre os trabalhos desenvolvidos pelas três comissões permanentes, e diversas comissões especializadas.”

Ucrânia | Xi diz a Putin que “maioria dos países apoia alívio das tensões”

A visita de três dias de Xi Jinping a Moscovo prosseguiu ontem com apelos para “encontros regulares” entre os primeiros-ministros dos dois países e um convite a Vladimir Putin para estar presente na terceira cimeira sobre o projecto “Uma Faixa, Uma Rota”. Sobre o conflito na Ucrânia, o Presidente chinês disse a Putin que o “alívio das tensões” é a palavra de ordem para a maioria dos países. Editorial do Global Times fala do caso bem-sucedido das relações sino-russas

 

No primeiro dia de visita oficial de Xi Jinping a Moscovo, a reunião com o seu homólogo russo, Vladimir Putin, durou quatro horas e dela saíram algumas palavras em prol de uma tentativa de pacificação em relação ao conflito na Ucrânia. Num comunicado difundido pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) chinês, surge a informação de que Xi Jinping informou Putin que a “maioria dos países apoia um reduzir das tensões” na Ucrânia.

Além disso, Xi enfatizou que “há cada vez mais vozes racionais e pacíficas” e que a “maioria dos países apoia um aliviar das tensões”. Estes países “querem que a paz e as negociações sejam promovidas e opõem-se a que seja atirada mais lenha para a fogueira”, apontou Xi.

Segundo o líder chinês, “historicamente, os conflitos sempre foram resolvidos com base no diálogo e na negociação”. Xi lembrou que a China emitiu um plano para a paz na qual apelou a “uma solução política” e se opôs a sanções unilaterais.

“Acreditamos que quanto mais difícil é, mais espaço deve ser deixado para a paz. Quanto mais complexo o conflito, mais esforços devem ser feitos para não abandonar o diálogo”, defendeu.

O líder chinês enfatizou também que a China está disposta a “continuar a desempenhar um papel construtivo na promoção de uma solução política para o conflito”. Num artigo escrito por Xi e publicado por um jornal russo, o líder chinês descreveu a sua deslocação à Rússia como uma “visita de amizade, cooperação e paz”. De frisar que, depois de visitar Moscovo, Xi Jinping deverá falar por telefone com o homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky.

Ontem, Xi Jinping apelou à realização de “encontros regulares” entre os primeiros-ministros de ambos os países, tendo convidado Mikhail Mishustin, primeiro-ministro russo, para uma visita à China, escreveu a Xinhua. Além disso, Vladimir Putin recebeu um convite formal para participar, este ano, na terceira edição do Fórum Uma Faixa, Uma Rota para a Cooperação Internacional, noticiou também a Xinhua. O Presidente russo participou nas duas primeiras edições do evento em 2017 e 2019.

De frisar que o primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida, resolveu fazer ontem uma visita surpresa à Ucrânia. Segundo o canal televisivo NBC, Kishida reuniu com Volodymyr Zelensky, sendo esta a segunda vez que um líder asiático visita o país, depois de Joko Widodo, Presidente da Indonésia, ter visitado a Ucrânia em Junho do ano passado. A visita do governante japonês foi antecipada antes da reunião do G7, que irá decorrer no Japão em Maio.
Kishida, que viajou para Kiev, capital ucraniana, de comboio a partir da Polónia, deveria ter regressado ontem a Tóquio depois de se ter reunido com o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, em Nova Deli na segunda-feira.

Em Janeiro, Kishida disse no parlamento japonês que visitaria a Ucrânia “se as condições fossem adequadas”. O primeiro-ministro japonês “expressará o seu respeito a Zelensky pela coragem e perseverança do povo ucraniano”, disse o Ministério dos Negócios Estrangeiros japonês num comunicado citado pela agência espanhola EFE.
“Como membro do G7, o primeiro-ministro transmitirá directamente a nossa solidariedade e apoio inabalável à Ucrânia”, acrescentou a diplomacia japonesa.

A imprensa japonesa referiu que a viagem a Kiev não podia ser programada com grande antecedência ou tornada pública devido a preocupações de segurança. A China manifestou ontem a esperança de que a viagem de Kishida à Ucrânia sirva para “arrefecer a situação” e não o contrário.

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Wenbin, disse que a comunidade internacional deve “promover conversações que criem as condições necessárias para uma solução política para a ‘crise’ na Ucrânia”.

O Governo de Kishida aprovou uma série de sanções contra a Rússia, incluindo o congelamento dos bens de altos funcionários governamentais, como o primeiro-ministro, Mikhail Mishustin.

“Rejeitaremos firmemente qualquer mudança unilateral do ‘status quo’ através de agressão e força por parte da Rússia”, disse o Ministério dos Negócios Estrangeiros japonês sobre a visita de Kishida a Kiev. “Reafirmaremos a nossa determinação em manter a ordem internacional baseada no Estado de direito”, acrescentou.
Kishida era o único líder do G7 que ainda não se tinha deslocado à Ucrânia, depois das visitas dos líderes dos Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Alemanha, Itália e França.

O Japão preside actualmente ao grupo que reúne os sete países mais industrializados do mundo, em que também participa a União Europeia. Após a visita à Ucrânia, Fumio Kishida regressará à Polónia para uma visita oficial na quarta-feira, para coordenar com Varsóvia os esforços para prestar ajuda humanitária à Ucrânia, segundo o ministério japonês.

Boas relações

Entretanto, um editorial do Global Times, jornal oficial do Partido Comunista Chinês (PCC), apontou, esta segunda-feira, que os laços sino-russos são um “exemplo vivo de sucesso” de um novo tipo de relações internacionais, que “exclui a formação de alianças ou confrontação” com terceiras partes.

O mesmo editorial destacou o “enorme valor” da relação entre Pequim e Moscovo, face à “confrontação entre blocos” e à “nova tempestade de uma Guerra Fria impulsionada pelos Estados Unidos”.

A relação sino-russa “ultrapassa completamente” as “pequenas cliques formadas por divisões ideológicas e grupos de países ocidentais” e “transcende os antigos paradigmas de divisão de poder, troca de interesses e relações entre dominador/submisso”, pode ler-se.

A deslocação de Xi Jinping a Moscovo, numa altura em que o conflito na Ucrânia já dura há cerca de um ano, surge num período de crescente isolamento de Putin no cenário internacional e em que Xi, o líder chinês mais forte das últimas décadas, tenta projectar uma imagem de estadista global, à medida que reclama para a China um “papel central” na governação das questões internacionais.

Em particular, o líder chinês avançou com a Iniciativa de Segurança Global, que visa construir uma “arquitectura global e regional de segurança equilibrada, eficaz e sustentável”, ao “abandonar as teorias de segurança geopolíticas ocidentais”.

A China considera a parceria com a Rússia fundamental para contrapor a ordem democrática liberal, numa altura em que a relação com os Estados Unidos atravessa também um período de grande tensão, marcada por disputas em torno do comércio e tecnologia ou diferendos em questões de Direitos Humanos, o estatuto de Hong Kong ou Taiwan e a soberania dos mares do Sul e do Leste da China.

“Uma vez que a China e a Rússia se dão bem, outros países também podem fazer o mesmo”, destacou o Global Times. “Pode-se imaginar que, quanto mais países construírem um novo tipo de relações internacionais, mais pacífico o mundo se tornará”, lê-se no editorial.

O jornal afirmou que, “por outro lado, os preconceitos, a obsessão ideológica e o egoísmo geopolítico que existem [nas relações] entre países constituem obstáculos para alcançar o estado ideal das relações internacionais”.
O jornal acusou ainda “alguma opinião pública” nos EUA e no Ocidente de “pequenez de espírito”, ao “exagerarem maliciosamente” as “trocas normais entre China e Rússia”, tentando “distorcê-las como uma espécie de má conduta”.

A viagem de Xi segue ainda o anúncio surpresa do restabelecimento das relações diplomáticas entre o Irão e a Arábia Saudita, após uma reunião, em Pequim, numa vitória diplomática para a China.

Num plano para a paz, proposto no final de Fevereiro, Pequim destacou a importância de “respeitar a soberania de todos os países”, numa referência à Ucrânia, mas apelou também para o fim da “mentalidade da Guerra Fria”, numa crítica implícita ao alargamento da NATO. A China pediu ainda o fim das sanções ocidentais impostas à Rússia. Putin e Xi já se encontraram cerca de 40 vezes desde que o líder chinês assumiu o poder, em 2012.

Recordar o Iraque

O primeiro dia da visita de Xi Jinping a Moscovo aconteceu no vigésimo aniversário da invasão do Iraque pelos EUA, apoiados por outros países ocidentais, em busca de armas nucleares após o 11 de Setembro de 2001. Num comentário publicado ontem pela agência noticiosa Xinhua, é feita uma análise que fala de uma “invasão descarada” por parte dos norte-americanos, cujos “crimes contra o Iraque continuam sem punição”.

“Apesar de terem passado 20 anos desde que os EUA lançaram uma invasão descarada no Estado soberano do Iraque, a justiça ainda não foi feita pelo Iraque e a sua população. Muitas pessoas estão ainda a sofrer da dor criada por uma guerra injusta. Durante uma guerra que durou mais de oito anos mais de 200 mil civis foram mortos e houve mais de nove milhões de refugiados. Muitas das infra-estruturas do país foram também destruídas pelas implacáveis bombas lançadas pela coligação liderada pelos EUA”, pode ler-se.

O comentário da Xinhua aponta ainda que o Iraque, “um país rico antes da invasão, degenerou rapidamente num Estado pobre que é ainda afectado pela pobreza e caos devido à instabilidade política e dificuldades económicas causadas pelo impacto da invasão dos EUA”.

Tailândia | PM dissolve Parlamento e antecipa legislativas

O primeiro-ministro tailandês, Prayut Chan-O-Cha, dissolveu ontem o Parlamento, uma medida que abre caminho para eleições parlamentares antecipadas, em Maio. Esta votação, a segunda desde o golpe de 2014, deve ocorrer entre 45 e 60 dias após a dissolução do Parlamento. Provavelmente será marcada para 7 ou 14 de Maio, de acordo com a imprensa tailandesa. O órgão encarregado de fiscalizar as eleições na Tailândia divulgará a data nos próximos dias.

A votação coloca o impopular Prayut, que chegou ao poder através de um golpe militar, contra a filha do ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, um desafecto do Exército que apesar de um exílio de mais de 10 anos continua a animar a vida política tailandesa.

Prayut, de 68 anos, legitimado no poder em 2019 através de eleições legislativas polémicas, tem uma longevidade rara para um líder na Tailândia, cuja história política é repleta de golpes [12 bem-sucedidos desde o fim da monarquia absoluta em 1932].

Sangue novo

A dois meses das eleições, Prayut está atrás do principal partido da oposição, Pheu Thai, que obteve metade das intenções de voto, contra 12 por cento para o partido do primeiro-ministro [United Thai Nation Party], segundo uma sondagem realizada com 2.000 pessoas e publicada no domingo.

A líder do partido de oposição, Paetongtarn Shinawatra, de 36 anos, é o novo rosto da família cuja oposição ao poderoso Exército, autoproclamado defensor da monarquia, estrutura a vida política tailandesa há mais de vinte anos.

O seu pai Thaksin serviu como primeiro-ministro entre 2001 e 2006, antes de ser derrubado, enquanto a sua tia Yingluck liderou o governo de 2011 a 2014 até o golpe de Prayut. O partido Move Forward [17 por cento das intenções de voto], a surpresa nas urnas em 2019 graças ao seu jovem eleitorado, espera capitalizar os eleitores que participaram nas manifestações pró-democracia em 2020.

O primeiro-ministro é indicado tanto pelos deputados quanto pelos 250 senadores, indicados pelo governo, que tendem a favorecer um candidato próximo aos militares.

Pyongyang | Kim Jong-Un dirigiu simulação de contra-ataque nuclear

O líder norte-coreano Kim Jong-Un dirigiu durante dois dias exercícios militares “simulando um contra-ataque nuclear” e envolvendo um lançamento de míssil balístico equipado com uma “ogiva nuclear falsa”.

A informação foi avançada domingo pela agência estatal da Coreia do Norte, KCNA, recebida em Seul.
Kim Jong-Un afirmou-se satisfeito depois dos exercícios do fim de semana, segundo a KCNA.

Foi a quarta demonstração de força de Pyongyang numa semana, ao mesmo tempo que Seul e Washington conduzem os maiores exercícios militares conjuntos em cinco anos.

A Coreia do Norte considera todos os exercícios do género como ensaios para uma invasão do seu território e tem advertido repetidamente que responderá de forma “esmagadora”. “O míssil foi equipado com uma ogiva que simulava uma ogiva nuclear”, disse a KCNA.

Na quinta-feira, Pyongyang disparou um míssil balístico intercontinental (ICBM) Hwasong-17, o mais poderoso do seu arsenal, na presença do líder Kim Jong-Un e da filha, pouco antes de uma visita ao Japão do Presidente sul-coreano, Yoon Suk Yeol.

Este foi o segundo teste ICBM de Pyongyang este ano, que a KCNA descreveu na altura como uma resposta aos exercícios militares “frenéticos” da Coreia do Sul e dos Estados Unidos.

República Centro-Africana | Nove cidadãos chineses mortos em ataque

A China confirmou ontem a morte de nove cidadãos chineses, num ataque ocorrido, este domingo, na República Centro-Africana, e pediu “punição severa” para os autores do crime.

O ministério dos Negócios Estrangeiros chinês explicou, em comunicado, que o país “activou imediatamente um mecanismo consular de emergência” e que o Presidente, Xi Jinping, atribui “grande importância” a este incidente.
Xi pediu “punição severa” e disse que a segurança dos cidadãos chineses deve ser garantida, de acordo com o ministério.

O ataque, que também causou ferimentos graves a dois cidadãos chineses, ocorreu numa mina administrada pela firma de capital chinês Gold Coast Group, a 25 quilómetros da cidade de Bambari. Um grupo de homens armados abriu fogo contra as instalações da empresa.

O ministério dos Negócios Estrangeiros alertou para um “risco extremamente alto” na República Centro-Africana, excepto na capital, Bangui, e pediu aos cidadãos chineses para serem “muito cautelosos”.

O ministério anunciou que vai pedir às embaixadas do país asiático em África que “tomem mais medidas para garantir a segurança dos cidadãos e das empresas chinesas”.

A República Centro-Africana sofre violência sistémica desde o final de 2012, quando uma coligação de grupos rebeldes de maioria muçulmana – os Séléka – tomou Bangui e derrubou em Março de 2013 o Presidente, François Bozizé, após dez anos de governo (2003-2013), desencadeando uma guerra civil.

Nos últimos meses, foram registados vários ataques contra cidadãos chineses no exterior, o que levou as embaixadas do país a emitir alertas de segurança e realizar evacuações.