Fortes nevões no Japão causam pelo menos 30 vítimas mortais nas últimas duas semanas Hoje Macau - 4 Fev 2026 Fortes nevões mataram 30 pessoas no Japão nas últimas duas semanas, incluindo uma mulher de 91 anos encontrada soterrada na neve em frente à sua casa, anunciaram ontem as autoridades. A maioria das mortes, 12, ocorreu na província de Niigata, na região central do arquipélago. Outras 324 pessoas ficaram feridas em todo o país, algumas com gravidade, enquanto nove mortes, possivelmente relacionadas com a neve, ainda não foram oficialmente registadas, aguardando investigação. O Governo japonês mobilizou militares para auxiliar os residentes da província de Aomori, a zona mais atingida, onde se acumularam até 4,5 metros de neve em zonas isoladas. A primeira-ministra Sanae Takaichi convocou ontem uma reunião de emergência do seu gabinete, instando os ministros a fazerem todo o possível para proteger vidas. Uma forte massa de ar frio trouxe fortes nevões nas últimas semanas ao longo da costa do mar do Japão, com algumas áreas a receberem mais do dobro da quantidade habitual de neve. De 20 de janeiro até ontem, 30 pessoas morreram na sequência do mau tempo, segundo a Agência Japonesa de Gestão de Incêndios e Desastres. Entre elas estava Kina Jin, de 91 anos, cujo corpo foi encontrado debaixo de três metros de neve, em frente à sua casa em Aomori, no norte de Honshu, a maior ilha do arquipélago, disse um agente da polícia local à agência de notícias France-Presse. A polícia acredita que foi soterrada pela neve que caiu do telhado e morreu por asfixia, disse o agente. Uma pá foi encontrada junto ao corpo. O governador de Aomori, Soichiro Miyashita, disse na segunda-feira que pediu ao exército que oferecesse assistência em caso de desastre e ajudasse os idosos a limpar a neve das suas casas. Paredes de neve que atingem os 183 centímetros de altura cobrem o solo na capital da província — também chamada Aomori —, acrescentou Miyashita, referindo que as equipas de remoção de neve estavam sobrecarregadas. “O risco de acidentes potencialmente fatais, por exemplo, devido à queda de neve dos telhados ou ao colapso de edifícios, é iminente”, alertou o governador, em conferência de imprensa. Sobe e desce As autoridades meteorológicas esperam que as temperaturas subam ligeiramente a partir de hoje, mas voltem a descer durante o fim de semana em todo o arquipélago. A neve poderá regressar à costa do mar do Japão já no domingo, o mesmo dia em que o país realiza eleições gerais antecipadas. A emissora pública japonesa NHK disse que várias agências estão a trabalhar para garantir que as eleições decorrem sem incidentes, e as autoridades pediram aos eleitores que tenham cuidado e verifiquem as condições meteorológicas antes de se deslocarem para votar, incluindo durante o período de votação antecipada. De acordo com as sondagens mais recentes, Takaichi está a caminho de uma vitória esmagadora nas eleições, convocadas pela líder conservadora há apenas duas semanas para aproveitar as elevadas taxas de aprovação e reforçar o mandato popular para o seu novo governo de coligação. Esta será a primeira vez desde a década de 1990 que o Japão realiza eleições em Fevereiro.
Visita | Xi defende mundo multipolar e globalização inclusiva em encontro com PR do Uruguai Hoje Macau - 4 Fev 2026 A viagem do Presidente uruguaio à China fica assinalada pela assinatura de vários acordos e o reforço das relações entre as duas nações O Presidente chinês, Xi Jinping, apelou ontem à promoção de um mundo “multipolar e equitativo” e a uma “globalização económica inclusiva”, durante um encontro com o homólogo uruguaio, Yamandú Orsi, no Grande Palácio do Povo, em Pequim. Durante a reunião, Xi reafirmou que a China “atribui sempre grande importância às relações com a América Latina” e reiterou o apoio de Pequim aos países da região “na defesa dos seus interesses de soberania, segurança e desenvolvimento”. “A China está disposta a trabalhar com o Uruguai e os países latino-americanos para promover de forma profunda e substancial a construção de uma comunidade de futuro partilhado China – América Latina”, declarou, segundo a transcrição divulgada pelo Diário do Povo, órgão oficial do Partido Comunista Chinês. O líder chinês manifestou ainda o apoio à actuação do Uruguai em fóruns multilaterais, como a presidência rotativa do Grupo dos 77 e China, a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) e o Mercosul. Xi enquadrou estas declarações num cenário internacional de “complexidade e turbulência crescentes”, com o aumento de práticas unilaterais e de pressão entre Estados, uma posição recorrente no discurso diplomático chinês. O líder chinês defendeu o reforço do multilateralismo, do sistema internacional centrado nas Nações Unidas e de uma globalização “inclusiva e benéfica para todos”, como princípios que devem nortear a cooperação entre países em desenvolvimento. Entre amigos No plano bilateral, Xi apelou ao aprofundamento da parceria estratégica integral entre a China e o Uruguai, com reforço do apoio mútuo em assuntos centrais e ampliação da cooperação nas áreas do comércio, agricultura, infraestruturas, finanças e tecnologias de informação. O líder chinês mencionou ainda oportunidades em sectores emergentes como desenvolvimento verde, economia digital, inteligência artificial e energias limpas, além de destacar a importância dos intercâmbios culturais, educativos e entre governos locais. Orsi elogiou os avanços da China nas últimas décadas e afirmou que a relação bilateral atravessa o seu “melhor momento histórico”, sublinhando que o fortalecimento dos laços com Pequim é uma política de Estado, com apoio transversal no Uruguai. O Presidente uruguaio manifestou vontade de aprofundar a cooperação com o país asiático em áreas económicas, científicas e tecnológicas e reiterou o apoio ao princípio de ‘Uma Só China’. Parceiro principal Após o encontro, os dois chefes de Estado assistiram à assinatura de mais de uma dezena de acordos e emitiram uma declaração conjunta para aprofundar a parceria estratégica integral, quando se assinala o 38.º aniversário do estabelecimento de relações diplomáticas entre os dois países. A China é, há mais de uma década, o principal parceiro comercial do Uruguai, representando cerca de 26 por cento das exportações do país, sobretudo de produtos agroindustriais. A agenda de Orsi em Pequim inclui ainda encontros com o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, e com o presidente da Assembleia Nacional Popular (órgão máximo legislativo), Zhao Leji, antes de seguir viagem para Xangai, onde terá compromissos de carácter económico e comercial.
PC Chinês e oposição taiwanesa defendem “nação comum” e rejeitam confronto Hoje Macau - 4 Fev 2026 Responsáveis do Partido Comunista Chinês e do principal partido da oposição em Taiwan concordaram ontem que os povos de ambos os lados do Estreito de Taiwan pertencem à mesma nação e rejeitaram um cenário de confronto. “Embora a China continental e Taiwan tenham sistemas políticos diferentes, os povos de ambos os lados pertencem à mesma nação, são descendentes do imperador Yan e do imperador Amarelo, e devem apoiar-se mutuamente e cooperar para revitalizar a China”, afirmou o vice-presidente do Kuomintang (KMT), Hsiao Hsu-tsen, citado pela agência de notícias oficial taiwanesa CNA. “O confronto ou mesmo o conflito entre as duas margens do Estreito não serve os interesses do povo taiwanês, nem os interesses comuns de ambos os povos, muito menos os interesses gerais da nação chinesa”, acrescentou. Também o director do Gabinete para os Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado chinês, Song Tao, defendeu que a situação actual é “complexa e grave” e sublinhou que o Partido Comunista Chinês (PCC) e o KMT têm uma “responsabilidade inelutável” de promover o “desenvolvimento pacífico” das relações através do diálogo. Song reiterou ainda a “firme oposição” de Pequim à independência de Taiwan, afirmando que não haverá “tolerância nem mão branda” face ao secessionismo. Todos juntos As declarações foram proferidas durante um fórum realizado ontem em Pequim, promovido por institutos de investigação associados aos dois partidos, e que marcou a retoma do intercâmbio institucionalizado entre o PCC e o KMT após quase uma década de interrupção, informou a televisão estatal chinesa CCTV. Participaram no evento representantes partidários, especialistas, académicos e empresários, que discutiram temas como turismo, indústria, meio ambiente e desenvolvimento sustentável, com o objectivo de “deliberar em conjunto sobre o rumo das relações” e “promover o bem-estar das populações de ambos os lados do Estreito”. A delegação do KMT foi liderada por Hsiao Hsu-tsen e pelo vice-presidente da Fundação de Política Nacional, Lee Hong-yuan. Estão previstas outras visitas e encontros em Pequim, segundo a CCTV, que não avançou pormenores. O fórum é visto como um possível passo preparatório para uma eventual reunião, ainda este semestre, entre o Presidente chinês, Xi Jinping, e a nova líder do KMT, Cheng Li-wun.
Segurança | Proibidas maçanetas embutidas em carros a partir de 2027 Hoje Macau - 4 Fev 2026 A China vai proibir, a partir de 2027, a venda de veículos equipados unicamente com pegas embutidas na carroçaria, populares por razões estéticas, mas consideradas perigosas em caso de acidente, anunciou o Governo chinês. Estas maçanetas, comuns em muitos veículos eléctricos vendidos no país, têm ganho popularidade ao longo da última década pelo seu design aerodinâmico e minimalista. No entanto, podem tornar-se um risco mortal se o sistema eléctrico falhar, impedindo a abertura manual das portas. Segundo as novas regras divulgadas na segunda-feira pelo ministério da Indústria e das Tecnologias da Informação, os veículos vendidos no mercado chinês deverão, a partir de 01 de Janeiro de 2027, estar obrigatoriamente equipados com mecanismos mecânicos de abertura, tanto exteriores como interiores. Os modelos já homologados terão um prazo adicional de dois anos para se adaptarem à nova norma, indicou o ministério, sublinhando que a medida visa “melhorar o nível de segurança”. A decisão surge na sequência de crescente preocupação na China com a segurança destas maçanetas embutidas. Um caso mediático ocorreu em Outubro, quando os socorristas não conseguiram abrir as portas de um veículo eléctrico da marca Xiaomi que se incendiou após um acidente em Chengdu, no sudoeste do país. O condutor, que estaria alcoolizado, morreu no local. As novas regras determinam ainda que os fabricantes reforcem a visibilidade das maçanetas interiores, exigindo sinalização obrigatória dentro do veículo. A China é actualmente o maior mercado mundial de veículos elétricos, com dezenas de construtores a operar no sector e a expandir as suas actividades para o exterior. Segundo estatísticas divulgadas em Janeiro, o fabricante chinês BYD ultrapassou, pela primeira vez, a norte-americana Tesla em vendas anuais de veículos eléctricos em 2025, tornando-se o maior produtor mundial deste segmento.
Mostra de Alexandre Simões apresentada na Livraria Portuguesa Hoje Macau - 4 Fev 2026 A Livraria Portuguesa acolhe, a partir desta quinta-feira, 18h, a exposição de fotografia de Alexandre Simões. “What Are You Doing The Rest of Your Life?” é o nome do projecto que, segundo uma nota de imprensa, “reúne um conjunto de imagens da década de 90 até à actualidade”. Trata-se de “apontamentos num diário visual, captados no universo autoral”, com os quais Alexandre Simões construiu “um labirinto de imagens em múltiplos planos temporais que subjectivamente providenciam a preservação da identidade de uma época inextinta”. Nesta mostra, revela-se “uma devoção à fotografia analógica”, mas na qualidade de “narrativa na permanência”, em termos de “conexão com as pessoas e a vida real, os encontros e intimidade”, sem esquecer “a presença da música e do cinema”. Descreve-se ainda que a “riqueza estética” do trabalho de Alexandre Simões “atravessa o tempo autêntico que sobre(vive) e se retroalimenta no diálogo imagético permanente com o indelével e as suas camadas”. Neste caso, “as fotografias assumem a durabilidade do passado que se prolonga e amplia no presente, com narrativas de solidão, espectros da nostalgia, do amor e da ausência, do estilo de vida e as suas referências culturais, atravessados pela estética que assinala o seu desígnio”. Sem distracções Em “What Are You Doing The Rest of Your Life?” revela-se um “trabalho fotográfico que submerge através do diálogo entre as imagens”, bem como “na significação das experiências [que ocorrem] na passagem inexorável do tempo”. Há uma “escolha estética que não é causal” e onde não existem “distracções” de quem está atrás da lente. “O olhar recai nas sombras e no inaudito, na subtileza de quem empresta a sua alma para captar o que observa e sente. O tempo corre lento no olhar de quem é convidado à viagem pelas fotografias, acoplado à poética, à beleza das coisas, às linhas e aos planos, aos corpos e às relações volúveis”, descreve-se sobre a mostra. A exposição está disponível para visita na cave da Livraria Portuguesa até ao dia 26 deste mês.
Ano Novo Chinês | Música, exposições e workshops recebem Cavalo Andreia Sofia Silva - 4 Fev 2026 Já é conhecido o programa do Instituto Cultural para celebrar o Ano do Cavalo. Destaque para a realização de dois concertos de música clássica ainda este mês, apresentações de folclore tradicional das regiões de Xinjiang e Chongqing em diversos bairros e ainda a realização de eventos que visam reunir pais e filhos Vem aí o Ano do Cavalo e para celebrar um novo começo o Instituto Cultural (IC) preparou um programa cultural recheado, marcado por música clássica, apresentações da cultura chinesa, exposições e workshops para toda a família. O tema deste conjunto de eventos é “O Cavalo da Sorte Traz Bênçãos para o Ano Novo, Macau Irradia Encantos Tradicionais e Modernos”. Ainda este mês, apresentam-se dois concertos de música clássica. São eles “Música no Património Mundial”, que acontecem na Igreja de S. Domingos no dia 12 de Fevereiro, às 15h e 17h. Aqui “a Orquestra Chinesa de Macau interpretará um repertório de peças festivas, promovendo o diálogo entre a arquitectura histórica e a música, para criar momentos memoráveis durante as celebrações”, descreve o IC, em comunicado. Depois, no dia 14 de Fevereiro, acontece o “Concerto de Primavera 2026”, protagonizado pela Escola de Música do Conservatório de Macau, e que terá lugar no auditório desta instituição de ensino. Apresentam-se “obras chinesas e ocidentais interpretadas a solo e em grupo”, com os bilhetes a estarem disponíveis para venda na plataforma da Conta Única de Macau a partir do dia 9 deste mês. Folclore para todos O Ano Novo Chinês acontece na segunda metade de Fevereiro, pelo que o IC preparou, entre o primeiro e o terceiro dia do Ano Novo (17 a 19 de Fevereiro), um cartaz recheado de eventos. Trata-se do programa “Série de Eventos ‘Happy Chinese New Year’ – Actividades integradas na Festividade do Ano Novo Lunar 2026”, em que um dos destaques é a realização, em diversos bairros, de “apresentações folclóricas de Xinjiang e Chongqing”. Desta forma, locais como a Rotunda de Carlos da Maia, a Fortaleza do Monte, o Largo do Pagode da Barra, a Praça dos Lótus no Bairro da Ilha Verde, o espaço lateral do Jardim da Cidade das Flores na Taipa, o Jardim Eduardo Marques em Coloane e o espaço Anim’Arte NAM VAN vão acolher estas actuações. Além disso, “representantes do património cultural intangível de Xinjiang e Chongqing vão demonstrar as suas técnicas em bancas próprias que servirão de espaço para mostra e venda de peças artesanais”. Em seguida, do quinto ao sexto dia do Ano Novo Lunar (dias 21 e 22 de Fevereiro), o grupo Trupe Artística das Minas de Carvão da China apresenta o espectáculo “O Calor das Artes no Ano Novo” em locais icónicos do território, como é o caso das Ruínas de São Paulo, Rotunda de Carlos da Maia, Largo Camões (Largo do Templo de Pak Tai) na Taipa e Parque do Mercado Iao Hon. Aqui o público pode ter acesso a “uma série de actuações artísticas tradicionais que visam enriquecer o ambiente festivo junto de residentes e visitantes”, declara o IC. Chegam depois as festividades relacionadas com artes e ofícios e que visam pais e filhos. Até ao dia 15 de Março – algumas actividades começaram no dia 2 deste mês – decorrem workshops com os mais variados temas da cultura chinesa, nomeadamente “Maquilha-te para a Ópera Cantonense’”, “Veste-te e Dança como MuLan’” e “Celebrar a Chegada do Ano Novo Chinês do Cavalo – Criação de Dísticos Alusivos”. Todos estes workshops decorrem na Casa da Literatura de Macau. Além disso, as oficinas “Arte do bordado Shu de Chongqing” e “Arte do bordado de Xinjiang” estão programados para acontecer no Museu Memorial de Xian Xinghai. Realizam-se ainda as actividades “Arte de Família: Reflexos das Ligações Marítimas” e “Pequenos Artistas”, no Museu de Arte de Macau, bem como “Mundo das Histórias” e “Ler para Crescer”, na Biblioteca Pública de Macau. Exposições mil O IC não esquece também as mostras patentes nos próximos dias, nomeadamente “Reflexos das Ligações Marítimas: O Intercâmbio Cultural Sino-Português entre os Séculos XVI e XIX” do Museu de Arte de Macau. A propósito desta iniciativa, decorre, a 8 de Março, a conversa “‘A Antiga Arte do Vidro e do Esmalte na Corte da Dinastia Qing’ – Série de Palestras”. Além disso, o Museu de Macau apresenta “Um Novo Impulso – Área da Grande Baía Cultivada, Um Património Cultural Intangível Brilhante: Mostra do Património Cultural Intangível da Zona da Grande Baía de Guangdong-Hong-Kong-Macau”. Já na Galeria Tap Seac pode ser vista, a partir do dia 12 deste mês, a mostra “Cores Esplêndidas: Exposição de Arte do Bordado de Chongqing e da Região Autónoma Uigur de Xinjiang”. Na área das letras apresenta-se “Um Novo Caminho em Galope – Exposição Temática de Livros das Colecções da Biblioteca Pública” na Biblioteca Central de Macau e na Biblioteca Sir Robert Ho Tung a partir de 10 de Fevereiro. O mesmo evento tem lugar na Biblioteca do Patane e na Biblioteca da Taipa a partir de 21 de Março.
Uber | Serviços locais de táxi e transporte entre HK lançados João Luz - 4 Fev 2026 A Uber anunciou ontem a oferta de serviços de táxi em Macau, através de carros já licenciados, assim como transportes entre a RAEM e Hong Kong. A confirmação surge depois de a empresa ter divulgado estar a recrutar em Macau motoristas de táxi licenciados A Uber está de regresso a Macau, depois de ter operado no território por menos de dois anos, entre 2015 e 2017. Na segunda-feira, a empresa publicou um anúncio de recrutamento de condutores entre taxistas licenciados e ontem confirmou o lançamento do serviço de táxis na cidade e entre Macau e Hong Kong. “A Uber está a introduzir viagens de táxi em Macau através da aplicação Uber. Os passageiros podem solicitar táxis licenciados de Macau, com tarifas cobradas de acordo com o taxímetro oficial e pagas directamente na aplicação. A aplicação permite o uso de vários idiomas e elimina a necessidade de pagamentos em dinheiro ou aplicações adicionais, oferecendo uma experiência consistente para visitantes e residentes”, indicou a empresa em comunicado. Como é habitual nas aplicações de táxis, os passageiros vão poder acompanhar o itinerário, a hora estimada de chegada, assim como aceder a um serviço de assistência em casos de emergência. Entre A e B A outra novidade em termos de serviços de transporte, é a ligação entre Macau e Hong Kong, permitindo a ligação de ponto a ponto nos dois sentidos, através da marcação de “limousines”, indicando o preço da viagem antecipadamente, incluindo portagens de Ponte do Delta e túneis. Este serviço privado será fornecido por um operador de transportes transfronteiriços, a empresa Kwoon Chung Bus Holdings, sem a necessidade de mudar de veículo. Para aceder a este serviço, os passageiros precisam marcar a viagem na aplicação com, pelo menos, 24 horas de antecedência. As reservas podem ser feitas até um máximo de 90 dias antes da viagem e podem ser canceladas gratuitamente até seis horas antes da hora designada para a partida. “Temos o prazer de introduzir uma nova forma de viajar facilmente entre Hong Kong e Macau, assim como dentro de Macau. É óptimo poder contribuir para os objectivos do turismo de Macau, assim como ajudar os residentes locais a movimentarem-se pela cidade e proporcionar novas oportunidades aos condutores de Macau”, afirmou o director-geral da Uber Hong Kong, Estyn Chung. Obrigatório usar táxis registados Após o anúncio da entrada em Macau da Uber, a Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) emitiu um comunicado a recordar que as aplicações têm de contratar táxis oficiais para a prestação do serviço. “A exploração dos serviços de táxis deve cumprir as disposições do ‘Regime jurídico do transporte de passageiros em automóveis ligeiros de aluguer’, designadamente através da utilização de táxis com alvará válido e da condução”, foi comunicado. “Paralelamente, caso os condutores de táxi não cobrem as tarifas de acordo com a lei ou faltem ao serviço após aceitação da chamada, poderão incorrer em infracção relativamente às normas supramencionadas sobre cobrança abusiva ou recusa de prestação de transporte, sendo que as duas entidades procederão nos termos da lei”, foi acrescentado. No anúncio do regresso a Macau, a empresa Uber comprometeu-se a utilizar os táxis licenciados. O serviço vai incluir travessias entre Macau e Hong Kong, outro aspecto visado pelas autoridades. “A Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) e o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) constataram que, recentemente, algumas empresas de plataforma lançaram os serviços dos ‘veículos especiais transfronteiriços entre Hong Kong e Macau’ e ‘táxis com taxímetros’ de Macau”, foi apontado. “A DSAT e o CPSP recordam que a exploração dos serviços de veículos de aluguer de transporte transfronteiriço entre Hong Kong e Macau e de táxis de Macau carece de autorização nos termos da lei, devendo as respectivas plataformas cooperar com veículos legalmente autorizados para o efeito”, foi vincado. O comunicado indica ainda que o “Governo está a promover, de forma activa, os trabalhos de revisão da lei para a supervisão das plataformas de serviços de táxis online, planeando introduzir uma gestão normalizada de modo a salvaguardar de forma mais eficaz os direitos e interesses dos passageiros e condutores”.
Médicos | Abertas inscrições para exame do Interior da China Hoje Macau - 4 Fev 2026 Os Serviços de Saúde indicaram ontem que estão abertas as inscrições para o Exame Nacional de Qualificação de Médico do Interior da China de 2026, para médicos, médicos dentistas e médicos de medicina tradicional chinesa autorizados a exercer em Macau. São elegíveis profissionais autorizados para a prática da actividade em Macau, e que exerçam actividade de prestação de cuidados de saúde no território há mais de um ano, com um “grau académico superior ao de licenciado em especialidade de medicina ou de estomatologia (medicina dentária) no Interior da China”. Os médicos devem ser residentes permanentes da RAEM. As condições para clínicos de medicina tradicional chinesa são semelhantes, mas é pedida licenciatura, ou grau académico superior, conferido por instituição de ensino superior do Interior da China reconhecida pelo Serviço Administrativo de Educação do Conselho de Estado, ou pela Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau. O primeiro passo, é a inscrição online, no portal da Rede Nacional de Exames Médicos, até 11 de Fevereiro. Em seguida, os candidatos devem deslocar-se à Divisão de Licenciamento para o Exercício de Actividades de Saúde dos Serviços de Saúde (no Centro de Saúde da Ilha Verde), entre 3 e 10 de Março.
Local de Espectáculos | Defendido arrendamento por zonas João Santos Filipe - 4 Fev 20264 Fev 2026 Face ao que considera ser uma baixa taxa de utilização do Local de Espectáculos ao Ar Livre de Macau, a deputada das Mulheres, Wong Kit Cheng, sugere que o Governo divida o local e faça diferentes arrendamentos ao mesmo tempo. O objectivo passa por facultar o espaço ao mercado local A deputada Wong Kit Cheng quer saber se o Governo vai dividir o Local de Espectáculos ao Ar Livre de Macau para permitir diferentes arrendamentos por grupos de espectáculos locais. A questão faz parte de uma interpelação escrita, divulgada no portal da Assembleia Legislativa (AL). Segundo a legisladora ligada à Associação das Mulheres, a “dimensão da área de espectáculos e o custo substancial do arrendamento de toda a zona” diminuem a vontade dos grupos locais realizarem actividades no Local de Espectáculos ao Ar Livre de Macau, situado no Cotai. Para fazer face a estes condicionamentos, Wong acredita que deve ser pensada uma divisão do local em diferentes espaços, para haver mais arrendamentos, além de se ter de pensar em “apoios específicos ao desenvolvimento das artes performativas locais e dos grupos comunitários”. “As autoridades vão explorar activamente a implementação de um modelo de arrendamento mais flexível por zonas para a área de espectáculos?”, questiona. “Por exemplo, vão permitir que alguns grupos locais se candidatem ao arrendamento parcial da área para realizar eventos de média dimensão, com reduções das taxas para diminuir as barreiras de utilização?”, acrescentou. Wong Kit Cheng indica que o modelo que apresenta na interpelação é inspirado no modelo de exploração do Parque da Vitória em Hong Kong. A legisladora pede igualmente explicações sobre como é que as autoridades vão implementar um modelo de exploração do espaço que permita a montagem de campos de basquetebol e outras opções de divertimento para as famílias. Concentrações preocupam Na interpelação, Wong Kit Cheng critica ainda o facto de “as taxas de utilização” do espaço “continuarem baixas”, apesar de já terem sido acolhidos “vários eventos de grande escala”. Apesar do espaço explorado pelo Governo ser arrendado frequentemente para grandes espectáculos, os cancelamentos tornaram-se habituais. Em Setembro do ano passado, o festival S20, que inclui música e jactos de água, foi cancelado, sem que houvesse qualquer explicação oficial. Este mês, o festival MBC Show! Music Core in Macau, que devia decorrer neste fim-de-semana, foi igualmente cancelado, com os media sul-coreanos a indicarem que se deveu à recusa das autoridades em permitir que os artistas japoneses obtivessem vistos temporários de trabalho. Mesmo com baixas taxas de utilização, a deputada alerta para os problemas repetidos de congestionamentos e excesso de concentração de pessoas, quando os espectáculos acabam, por incapacidade da rede de transportes públicos. “A localização do Local de Espectáculos na periferia do Cotai apresenta desafios”, apontou. Embora o local esteja ligado por metro ligeiro, as ligações de transportes públicos em geral, as disposições temporárias de estacionamento e as indicações […] continuam a ser inadequadas”, avisou. “A gestão do fluxo de pessoas e do tráfego após os eventos representam um desafio notável. Se estas instalações de apoio continuarem a ser inadequadas, mesmo com a expansão do âmbito de utilização da área de espectáculos vai afectar negativamente a vontade dos residentes de utilizar o local e a sua experiência geral”, apontou.
CCAC iliba Administração de ilegalidades, mas reduz altura de construção João Santos Filipe - 4 Fev 2026 O Comissariado contra a Corrupção (CCAC) ilibou a Administração de qualquer ilegalidade no processo de aprovação da construção de um edifício com 90 metros de altura no lote n.º 465-513 na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues. Apesar deste aspecto, o CCAC sugere que a altura do projecto do edifício seja reduzida para 60 metros, como foi proposto pela Associação Novo Macau. Os resultados divulgados ontem pelo CCAC colocam assim um ponto final num inquérito que demorou quase cinco anos. Para justificar que não foram cometidas ilegalidades pelas Obras Públicas, o CCAC considerou que a Administração calculou a altura máxima de construção de 90 metros com base na Circular n.º 01/DSSOPT/2009. “Como os serviços de obras públicas tomaram-na como padrão de apreciação e aprovação no âmbito dos indicadores de altura dos edifícios e de construção em lotes, é entendimento do CCAC que não se verificou qualquer ilegalidade ou irregularidade administrativa”, foi explicado. “Os serviços de obras públicas, durante o processamento do projecto de planta de condições urbanísticas, recorreram às descrições relativas ao índice de utilização do solo máximo permitido e ao índice de ocupação do solo máximo permitido de acordo com o disposto na referida circular”, foi acrescentado. A informação sobre o inquérito não apresenta cálculos para indicar o motivo que torna legal a adopção da altura de 90 metros. Apoiar o recuo No entanto, o CCAC sugere que o Governo aprove apenas uma altura de 60 metros de altura para aquele local. A proposta do CCAC tem por base o recuo do Executivo, tornado público anteriormente, depois do Centro do Património Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) ter começado a acompanhar esta construção. A questão à volta da altura de 90 metros prende-se com um eventual bloqueio da paisagem visual para o Farol da Guia. As obras no local não deverão avançar tão depressa, explica o CCAC, porque “o planeamento e o projecto de construção” só “podem avançar depois da resolução tomada pelo Centro do Património Mundial na próxima fase”. Os resultados do inquérito foram enviados ao Chefe do Executivo.
Metro Ligeiro | Ano arranca com recorde de passageiros em Janeiro Hoje Macau - 4 Fev 2026 Impulsionado pelo turismo, o Metro Ligeiro é cada vez mais utilizado. No primeiro mês do ano, o transporte público registou uma média diária de 30 mil passageiros O Metro Ligeiro registou, em média, 30 mil passageiros por dia em Janeiro, o número mais elevado para o primeiro mês do ano desde a inauguração, disse ontem a operadora. De acordo com dados oficiais divulgados pela Sociedade do Metro Ligeiro de Macau, a média de passageiros aumentou 8,7 por cento, em comparação com Dezembro, e subiu 18,6 por cento em relação ao mesmo mês de 2024. O Metro Ligeiro foi inaugurado a 10 de Dezembro de 2019 e esse mês continua a deter o recorde absoluto, com uma média diária de 33 mil passageiros, sendo que nessa altura as viagens eram gratuitas. Em Fevereiro de 2020, com o início da cobrança de tarifas e a detecção dos primeiros casos de infecção pelo novo coronavírus em Macau, a média diária de passageiros caiu para 1.100. O Metro Ligeiro voltaria a registar este valor mínimo em Julho de 2022, mês em que a cidade esteve em confinamento durante duas semanas devido a um surto de covid-19. Em Dezembro de 2024, começou a operar a extensão do Metro Ligeiro de superfície que liga Macau à vizinha Ilha da Montanha, com 2,2 quilómetros. Um mês antes, foi inaugurada a linha que vai até Seac Pai Van, um bairro de Coloane onde o Governo de Macau construiu 60 mil apartamentos de habitação pública. O Metro Ligeiro arrancou com apenas uma linha, que circulava só na ilha da Taipa, com uma extensão de 9,3 quilómetros e 11 estações, com uma frequência de 10 a 15 minutos, durante quase 17 horas diárias. A ligação do metro até à Barra, no sul da península de Macau, através do piso inferior da ponte Sai Van, começou a operar em Dezembro de 2023. Com a extensão do Metro Ligeiro, as autoridades prevêem que o volume de passageiros atinja 137 mil pessoas por dia, em 2030. Linha Leste em construção O Governo lançou no final de 2022 os concursos para a concepção e construção da Linha Leste, que fará a ligação ao norte da península de Macau, onde se situa a principal fronteira com a China continental. No final de Janeiro, o secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam Vai Man, disse que a operadora prometeu, ainda este ano, implementar o pagamento electrónico, assim como um sistema de transbordo entre os autocarros e o Metro Ligeiro. Está a decorrer, até 28 de Fevereiro, uma consulta pública sobre o desenvolvimento do transporte, que prevê que a construção da Linha Leste seja concluída em 2029. Os planos incluem uma Linha Sul, que irá ligar o posto fronteiriço da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau à estação da Barra, uma Linha Oeste, da fronteira de Qingmao à Barra, e uma ligação à vila de Coloane. A primeira linha, prometida durante mais de uma década, custou 10,2 mil milhões de patacas.
Comissão vai escolher advogados em casos de Segurança Nacional Hoje Macau - 4 Fev 2026 A lei que enquadra a futura Comissão de Defesa da Segurança de Estado de Macau vai mexer nas audiências em julgamentos de processos relativos a segurança nacional passando o juiz a decidir se serão abertos, foi segunda-feira anunciado. O secretário para a Administração e Justiça de Macau, Wong Sio Chak, que apresentou a proposta de lei “Comissão de Defesa da Segurança de Estado [CDSE] da Região Administrativa Especial de Macau [RAEM], referiu ainda que os mandatários dos réus envolvidos em julgamentos enquadrados pela Lei de Segurança Nacional terão que ter “certas características e ser aprovados por um juiz”. Este tipo de processos, mas não exclusivamente, vão passar a ser julgados por “um juiz especial”, disse também o governante no final da reunião do Conselho Executivo. De acordo com um comunicado do Conselho, o articulado “procede à alteração e aditamento” da Lei de Bases da Organização Judiciária, “estabelecendo disposições excepcionais sobre a audiência nos processos judiciais, as situações especiais de jurisdição e o regime relativo aos actos processuais dos mandatários judiciais, quando estes intervenham em assuntos envolvendo a segurança do Estado”. Segue para a AL A discussão da proposta de lei foi concluída na segunda-feira pelo Executivo de Sam Hou Fai e segue para a Assembleia Legislativa para apreciação, “sem carácter de urgência”, especificou Wong, sem esclarecer, nas declarações aos jornalistas, se a apreciação geral e na especialidade do articulado será concluída pelo parlamento ainda este ano. Do ritmo dos trabalhos no parlamento de Macau dependerá se Au Kam San, ex-deputado e cidadão português, detido no final de Julho do ano passado e até agora o primeiro e único caso relacionado com a Lei de Segurança Nacional, será julgado sob a nova moldura legal. Até agora não é conhecido o nome do advogado, ou “mandatário”, na terminologia jurídica utilizada, do ex-deputado, assim como também nada se sabe sobre a acusação nem quando será julgado. Uma vez aprovada em votação final no parlamento, a lei entrará em vigor no dia seguinte ao da publicação, e substituirá o Regulamento Administrativo nº 22/2018, que criou a CDSE, estrutura que manterá, no entanto, várias características orgânicas e competências, designadamente a de continuar a ser presidida pelo chefe do Executivo. A futura lei dispõe ainda sobre os cargos de assessor para os assuntos de segurança nacional e de assessor técnico para os assuntos de segurança nacional, “bem como sobre o serviço de execução e apoio da CDSE”, segundo um comunicado divulgado pelo Governo.
TJB | Testemunhas negaram assinar formulário da lista Ou Mun Kong I João Luz e Nunu Wu - 4 Fev 2026 Na última sessão do julgamento em que Lee Sio Kuan é acusado de corrupção eleitoral nas eleições de 2021, 13 testemunhas negaram ter assinado o reconhecimento da lista Ou Mun Kong I, apesar do formulário conter os seus números de cartão de residente. Uma testemunha confirmou a entrega de detergente para a roupa e guarda-chuvas durante uma excursão Na sessão de julgamento de segunda-feira em que Lee Sio Kuan é acusado de corrupção eleitoral nas eleições legislativas de 2021, e que envolve mais 17 arguidos, 13 testemunhas negaram alguma vez ter assinado os documentos de pedido de reconhecimento da lista de candidatura Ou Mun Kong I. Isto, apesar de na sessão no Tribunal Judicial de Base (TJB) o delegado do Ministério Público ter mostrado o documento de reconhecimento da lista, contendo assinaturas e o número do bilhete de identidade de residente das testemunhas, de acordo com o relato do canal chinês da Rádio Macau. Logo na primeira sessão do julgamento, outras testemunhas negaram assinar documentos semelhantes, com a acusação também a mostrar em tribunal pedidos com as suas assinaturas e número do bilhete de identidade de residente. Recorde-se que o Lee Sio Kuan é acusado de ter montado um esquema para oferecer viagens, refeições e presentes a mais de 200 residentes. Na audiência de segunda-feira, foi ouvida uma testemunha que confirmou ter sido contratada para serviços de guia turístico numa viagem, com duração de meio dia, organizada pelo mandatário da lista Ou Mun Kong I, Lee Sio Kuan. A testemunha confirmou ter recebido 300 patacas pelo trabalho e ter visto pessoas que iriam participar na viagem a assinar documentos no local de encontro antes do arranque da excursão. Porém, a guia ressalvou não ter visto o conteúdo dos documentos, não confirmando tratarem-se de pedidos de reconhecimento de candidatura para as eleições legislativas. Pequenos delitos A guia turística que testemunhou no TJB, uma de oito outros profissionais que diz terem trabalhado no mesmo serviço, afirmou ainda que durante a excursão os organizadores distribuíram detergente para lavar a roupa e guarda-chuva entre os participantes. O processo chegou ao TJB depois de uma investigação do Comissariado contra a Corrupção (CCAC), concluída em Dezembro de 2022. “Na sequência do encaminhamento do caso pelo Ministério Público, o CCAC procedeu à instauração de um processo de inquérito e descobriu que o referido mandatário e um guia turístico se responsabilizavam pela organização de um passeio turístico de meio dia, tendo providenciado refeições e distribuído prendas tais como detergentes líquidos para roupa e guarda-chuvas com os dizeres “votem nesta lista de candidatura” impressos nos mesmos. Tais actividades e prendas foram todas financiadas pelo referido mandatário, tendo conseguido angariar mais de 200 eleitores para preencherem os seus dados de identificação pessoal e assinarem os respectivos boletins de propositura da lista em causa”, foi indicado à altura.
Marcelo Loureiro, autor e docente: “O indigenato foi uma continuação da escravidão” Andreia Sofia Silva - 4 Fev 2026 Esteve recentemente em Macau para apresentar o livro “Colonial Citizenship: law, race and rights through the Portuguese empire”. A obra de Marcelo Loureiro explora a forma como, no império português, a cidadania portuguesa foi sendo moldada conforme a cor da pele. Macau não foi excepção, ainda que com outros contornos face a África, argumenta o docente da Universidade de Leicester Imagem: Fundação Rui Cunha Como começou esta investigação e como surgiram os temas do colonialismo e cidadania? Tudo nasceu de uma experiência pessoal e familiar. Cresci no Rio de Janeiro, numa família marcada pela diáspora portuguesa por um lado, e pelo silêncio colonial do outro. A minha avó paterna, portuguesa, guardava no fundo de um armário os documentos que me permitiram, aos treze anos, reclamar a cidadania portuguesa. A minha outra avó, mestiça, cafuza, não tinha papéis, não tinha histórias para contar; de ela para mim, existia apenas um silêncio. Esta divisão, entre quem tem direito a documentos e a voz e quem é forçado ao apagamento, foi o ponto de partida para questionar a construção legal da cidadania e da nacionalidade. Quando cheguei a Portugal para estudar Direito em Coimbra, comecei a perceber que a lei que me reconhecia como português era a mesma que historicamente negou esse reconhecimento a milhões de pessoas com base na raça, na ‘civilização’ e na cor da pele. O livro é, em parte, uma tentativa de compreender essa estrutura jurídica de inclusão e exclusão, é uma denúncia da injustiça por detrás dos direitos. É uma denúncia da cidadania como método de exclusão. No contexto do império português, quando surgem as primeiras noções de cidadania e quais os critérios utilizados? As primeiras noções formais de pertença nacional em Portugal aparecem nas Ordenações Filipinas de 1603, que estabelecem quem deve ser considerado ‘natural’ do reino. É interessante perceber que a inclusão da noção de nacionalidade só foi incluída na lei portuguesa durante a União Ibérica, durante a dinastia Filipina, quando Espanha controlou Portugal por meio dos Habsburgo. Foi nesse contexto que a lei espanhola foi transposta para Portugal para separar portugueses de espanhóis. Contudo, a construção prática da cidadania portuguesa começa muito antes, por oposição: através da escravatura. Desde o século XV, com bulas papais (como a Dum Diversas de 1452 e a Romanus Pontifex de 1454), Portugal obteve legitimação canónica para escravizar africanos e conquistar os seus territórios. A cidadania portuguesa foi-se construindo assim, em oposição à figura do ‘outro’ – o mouro, o negro, o pagão, o ‘selvagem’, e finalmente, o ‘indígena’. Quais eram os critérios de diferenciação? Os critérios eram essencialmente civilizacionais e raciais: ser cristão e, progressivamente, ser branco ou reconhecido como ‘civilizado’ segundo padrões europeus. A conversão ao cristianismo funcionava, em períodos, como uma espécie de ‘branqueamento espiritual’, mas mesmo os convertidos raramente alcançavam plena igualdade jurídica o que continuou sendo imposta por séculos. A lei chamava indígenas a todos aqueles que existiam fora do padrão de civilização esperado de cidadãos, que eram as populações não-brancas de Angola, Moçambique, Guiné e Timor. Macau terá ocupado sempre uma “posição privilegiada” no contexto deste império. Concretamente, como? Em termos de cidadania, Macau nunca foi sujeito ao Estatuto do Indigenato, que vigorou em Angola, Moçambique, Guiné e Timor. Esta exclusão não foi acidental. O Estatuto do Indigenato aplicava-se a populações consideradas ‘não civilizadas’ segundo critérios raciais e culturais europeus, sendo, em termos práticos, essencialmente populações negras da África continental e de Timor. Em Macau, a população chinesa, muitas vezes chamados de ‘Chins de Macau’, embora não sendo europeia, foi tratada de forma diferente. Havia leis que regulavam os direitos e costumes da população macaense, com uma lei completa entrando em vigor em 1909 e só abolida em 1949, por exemplo. A presença portuguesa em Macau sempre foi ladeada de diversos outros factores, como a influência britânica por contacto de Hong Kong, a progressiva presença política de Pequim, a instabilidade política portuguesa e o questionamento da existência do próprio império português internacionalmente. Tal levou a que Portugal não tenha conseguido impor em Macau uma soberania tão potente quanto àquela imposta em África e Timor. Houve casos de discriminação contra as comunidades chinesa e macaense antes do século XX? A discriminação existiu, embora de natureza diferente da imposta em África. Podemos mesmo ver na literatura, nas obras de Senna Fernandes, por exemplo, como a existência de muralhas, lados e partes de Macau, às vezes até ideológicas, para diferentes populações, de aldeais chinesas a cidades cristãs. A mesma divisão ocorria no mundo dos direitos, só que de uma forma indirecta, e não pela imposição directa do indigenato e da condição de nacional de segunda classe. A segregação e a diferença ocorriam de forma social, de dificuldade de aceder a determinadas carreiras, a falta de convites para aniversários por não serem ‘brancos’. Essa discriminação não assumiu a forma jurídica sistemática do indigenato, como dito. Os macaenses ocupavam uma posição intermédia, frequentemente funcionando como intermediários entre portugueses e chineses. A sua ‘portugalidade’ era reconhecida de forma ambígua: eram portugueses, mas de outro tipo. Podemos referir que a cor da pele foi decisiva para não colocar Macau sob o Estatuto do Indigenato. Sim, a cor da pele era absolutamente decisiva. O Estatuto do Indigenato aplicou-se em Angola, Moçambique, Guiné e Timor, territórios com populações maioritariamente negras ou ‘não brancas’ no sentido colonial. A lei portuguesa até criou o termo ‘raça oceânica’ para identificar timorenses durante a imposição do indigenato para que pudessem aproximar essa população racialmente das populações africanas. Macau, Índia Portuguesa, Cabo Verde, e, de certa forma São Tomé e Príncipe, foram excluídos dessa classificação. Os critérios oficiais estabeleciam ‘usos e costumes’ e ‘civilização’ como os parâmetros para identificar esses povos, mas na realidade essas categorias funcionavam apenas como um substituto para raça: eram raça, mas por outro nome. As populações da Índia Portuguesa e de Macau, embora não europeias, foram sempre poupadas da aplicação de leis abertamente racistas, apesar de práticas e políticas locais imporem, na maioria das vezes indirectamente, restrições a cidadania completa dessas populações, como descrevi. Tendo em conta o Estatuto do Indigenato, que evolução pode traçar em termos do conceito de cidadania portuguesa? O Estatuto do Indigenato, consolidado no início dos anos 1930, representou a codificação jurídica máxima da exclusão racial. O indigenato foi uma forma jurídica de segregação racial que criou duas categorias de ser português, nomeadamente o ser cidadão português (brancos e assimilados) e ser indígena português (a maioria negra). Os indígenas eram juridicamente portugueses, mas não eram cidadãos; não viviam com acesso a direitos, mas a restrições, viviam, como chamo no livro, num estatuto de ‘nacionalidade negatória’. Indígenas não podiam votar, não podiam circular livremente, não tinham direito a advogados, estavam sujeitos a trabalho forçado, pagavam impostos especiais por razão da raça, não podiam frequentar as mesmas escolas ou hospitais que os brancos. A evolução do conceito de cidadania portuguesa neste contexto é paradoxal: formalmente, todos eram ‘portugueses’, mas materialmente, a cidadania era reservada para quem demonstrasse ‘civilização’ por meio da cor da pele ou provando ser assimilado suficiente apesar de ser negro. A assimilação era o único caminho jurídico para sair do indigenato, mas exigia provar domínio da língua portuguesa, abandono de ‘usos e costumes’ africanos, emprego estável, ‘boa conduta moral’, e serviço militar. Pouquíssimos conseguiam. Quais os casos mais flagrantes de negação de direitos que pode apontar? Um dos mais flagrantes é o sistema de trabalho forçado, que funcionava como uma continuação da escravatura sob outro nome. Os indígenas eram obrigados a trabalhar em plantações, minas e obras públicas, frequentemente longe das suas famílias, em condições desumanas. Outro caso é a segregação espacial e social: hospitais separados para brancos e indígenas, bairros segregados, escolas diferentes. Na Guiné, indígenas eram forçados a usar colares com placas metálicas. Em Moçambique eram forçados a pagar impostos de rádio, caso tivessem um aparelho. Em Timor eram obrigados a pagar taxas caso se mudassem de uma autoridade local a outra, ou quando se divorciassem segundo os costumes locais. Os arquivos mostram também casos de indígenas que, apesar de se terem mudado para Lisboa, ainda continuavam a ser tratados como indígenas. Tudo graças a uma lei de 1955 que impôs o estatuto do indigenato a qualquer indígena em qualquer parte do império português – o que antes só era aplicado nas colónias de indigenato. Esse foi o caso dos chamados ‘Pedidos de Lisboa’, um grupo de requerimentos de assimilação que encontrei no Arquivo Ultramarino de Lisboa, onde indígenas que, tendo emigrado para a metrópole, tentavam obter reconhecimento como cidadãos. O Estatuto do Indigenato seria abolido anos mais tarde, mas os efeitos parecem ter permanecido. Concordo absolutamente. E digo mais: o indigenato foi uma continuação da própria escravidão, um reflexo que ainda é sentido hoje por tantas e tantas comunidades tocadas pelo império português. O Estatuto foi abolido em 1961, mas décadas de exclusão jurídica, educacional e económica não se apagam por decreto. As populações africanas foram sistematicamente impedidas de aceder a educação, propriedade, mobilidade e participação política durante gerações. Isso explica, em certa medida, a diferença entre as diferentes partes do império português, onde Brasil, Angola, Macau e Índia ocupam espectros completamente diversos em relação a níveis de protecção e acesso a direitos. Quando o Estatuto foi abolido, já estava consolidado um contexto de restrição e necessidade onde a maioria negra sobrevivia sem educação formal e sem acesso a direitos básicos. Os efeitos pós-coloniais são igualmente profundos: o indigenato ensinou gerações de africanos que a sua cultura, língua e modo de vida eram inferiores, e que para serem formalmente alguém, para serem reconhecidos como plenamente humanos perante a lei, tinham de se tornar brancos, tinham de se assemelhar, o máximo possível, ao colonizador. Mas mesmo essa assimilação formal raramente se traduzia em protecção real: o reconhecimento legal não garantia acesso efectivo a direitos. A assimilação marca não só um período histórico, mas uma forma de ver, sentir e sobreviver à história colonial. Esta violência deixou marcas que persistem nas sociedades pós-coloniais lusófonas e que só se pode pensar em serem sanadas quando existir um processo de acolhimento, verdade e reconstrução — algo que o Estado português ainda não foi capaz de fazer.
Portugal | Macau e Hong Kong alertam para atrasos no correio Hoje Macau - 3 Fev 2026 Os Correios das regiões chinesas de Macau e Hong Kong alertaram ontem que as cartas e encomendas com destino a Portugal poderão sofrer atrasos devido à destruição causada pela depressão Kristin. Num comunicado, o Hongkong Post anunciou que “os serviços de entrega de correio para Portugal estão sujeitos a atrasos devido às condições meteorológicas adversas”, de acordo com indicação dos CTT – Correios de Portugal. Os Correios da vizinha região de Macau disseram, numa resposta escrita à Lusa, que também foram notificados pelos CTT que, “devido às condições meteorológicas adversas em Portugal, os serviços de entrega de correio de Macau para aquele destino vão sofrer atrasos”. O Governo português decretou situação de calamidade, que foi no domingo prolongada até 08 de Fevereiro, numa reunião extraordinária do Conselho de Ministros.
TNR | Macau contratou mais de 1.100 trabalhadores migrantes em 2025 Hoje Macau - 3 Fev 2026 As empresas e famílias de Macau contrataram 1.100 trabalhadores migrantes em 2025, segundo dados oficiais ontem divulgados. De acordo com o Corpo de Polícia de Segurança Pública, no final de Dezembro, Macau tinha 183.679 trabalhadores sem estatuto de residente, mais 1.137 do que no fim de 2024. A mão-de-obra vinda do exterior, incluindo da China continental, está no valor mais elevado desde Junho de 2020, no início da pandemia de covid-19. Desde o pico máximo de 196.538, atingido no final de 2019, antes da pandemia, e até Janeiro de 2023, a cidade perdeu quase 45 mil não-residentes, que correspondiam a 11,3 por cento da população activa. Em Janeiro de 2023, quando acabou o fim da política ‘zero covid’, que esteve em vigor em Macau e na China continental durante quase mais de três anos, Macau tinha menos de 152 mil migrantes, o número mais baixo desde Abril de 2014. As estatísticas, divulgadas pela Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais, revelam que, desde o fim da política ‘zero covid’, o número de trabalhadores não-residentes aumentou em 31.801. A principal razão para o crescimento da mão-de-obra migrante em 2025 foram os empregados domésticos, cujo número ultrapassou 28.611 no final de Dezembro, o valor mais elevado desde Março de 2021. Em todo o ano passado, as famílias de Macau contrataram mais 1.176 empregados domésticos. A partir de Agosto, a DSAL passou a apresentar de forma separada as estatísticas para os empregados domésticos dos restantes trabalhadores migrantes, não os incluindo na soma total da mão de obra não residente.
Rota das Letras com tributo a Camilo Pessanha e concerto de Rodrigo Leão João Luz - 3 Fev 20263 Fev 2026 O festival literário Rota das Letras estará de volta entre os dias 5 e 15 de Março, com uma programação variada que irá além da literatura, apresentando ao público uma panóplia de eventos de fotografia, teatro e música ao vivo, com destaque para o regresso de Rodrigo Leão aos palcos do território. A edição deste ano do festival, a 15.ª, terá como palco principal a Casa Garden. Este ano, será prestado um tributo especial a Camilo Pessanha, no centenário do seu falecimento. “A sua ligação profunda a Macau e o seu legado literário serão revisitados através de diversas iniciativas, sublinhando o papel da cidade como ponte entre mundos. António Carlos Cortez, Carlos Morais José e Christopher Chu são alguns dos autores envolvidos na celebração”, apontou ontem a organização do Rota das Letras em comunicado. No dia da abertura do festival, 5 de Março, destaque para a inauguração da exposição “Territórios Humanos: Fotografia, Pertença e Memória”, que reúne os olhares distintivos do fotógrafo português Alfredo Cunha e do fotógrafo chinês Liu Zheng. Entre os autores do mundo lusófonos, a organização do festival confirma a presença em Macau dos jornalistas e escritores João Miguel Tavares e Miguel Carvalho, que publicaram recentemente trabalhos de investigação sobre o ex-primeiro ministro José Sócrates e o Partido Chega. Outras duas jornalistas portuguesas, Filipa Queiroz e Andreia Sofia da Silva, estarão de regresso a Macau, a primeira para exibir o documentário “Salatinas”, sobre um caso histórico de ameaça ao património arquitectónico em Coimbra, a segunda para apresentar o livro “Lápis Vermelho”, sobre a censura à imprensa em Macau ao tempo do Estado Novo. Continuando a valorização do panorama literário local, o Rota das Letras de 2026 irá contar com autores de Macau como Yao Feng, Rai Matsu, Zita Si Tou Chi U, Cheung Wai Man, Ka Lo, Kam Um Loi, Nick Groom, Konstantin Bessmertny e Veiga Jardim. Também a obra do arquitecto macaense José Maneiras, recentemente falecido, será recordada por Rui Leão e Maria José de Freitas. Como tem sido tradição no festival literário, a música será um dos momentos mais marcantes da programação, desta feita com o concerto de Rodrigo Leão, no Centro Cultural de Macau, na noite de 11 de Março. Outro dos regressos deste ano será protagonizado pela actriz Margarida Vila-Nova, que volta a Macau para a representação na peça de teatro “À Primeira Vista”, encenada pelo realizador Tiago Guedes, que irá apresentar também dois dos seus filmes (“A Herdade” e “Restos do Vento”). Do mundo e arredores Entre os autores internacionais que vão participar no Rota das Letras deste ano, destaque para Amitav Ghosh, autor de uma trilogia de romances centrada no tempo e no espaço das Guerras do Ópio e para Hernán Diaz, o mais recente vencedor do Prémio Pulitzer. Entre a sexta e a sétima arte, participam no festival deste ano Lawrence Osborne e Mike Goodridge, associados ao romance e à adaptação cinematográfica de “Ballad of Small Players”, filme rodado em Macau e estreado em 2025. A lista de convidados internacionais confirmados inclui ainda o biógrafo Adam Sisman, romancista franco-suiça de origem coreana Elisa Shua Dusapin, o cartoonista de viagens Guy Delisle e o poeta e artistas de spoken word Carlos Andrés Gomez. Na literatura chinesa, destaque para a confirmação de Bi Feiyu, um dos nomes maiores da sua geração, vencedor do Prémio Lu Xun e do Man Asia Literary Prize com o romance “Three Sisters”. A programação deste ano conta ainda com outro vencedor do Prémio Lu Xun: Xiao Bai, jornalista e mestre do thriller. A lista de autores chineses inclui ainda Gu Shi, uma das principais vozes da nova geração da ficção científica, o poeta Lu Jian e especialista em literatura chinesa contemporânea Xie Youshun.
Abandonar os indesejáveis (3) David Chan - 3 Fev 2026 Há duas semanas, começámos a analisar a publicação de uma clínica privada do Condado de Yinan, na Província de Shandong, China continental, que declarava ir concentrar os seus recursos nos pacientes que possam pagar os tratamentos. Estas afirmações desencadearam discussões acesas. Os departamentos competentes da China continental investigaram a situação e consideraram que o conteúdo da publicação não é ético, ordenando que a clínica o corrigisse de imediato. A propósito desta notícia, e recorrendo às reflexões expressas no livro de medicina “A Sinceridade do Bom Médico”, do especialista de renome Sun Simiao, que viveu na antiga China no tempo da Dinastia Tang, explorámos os conceitos de dedicação e benevolência. Hoje, vamos debater o significado de “mãos benevolentes e habilidosas” e como clínicas e pacientes devem lidar com a questão do pagamento dos tratamentos. Como é que Sun Simiao demonstrou ter mãos benevolentes e habilidosas na sua prática clínica? O que é a habilidade médica benevolente? O Imperador Taizong solicitou os serviços de Sun porque a sua esposa estava a ter um parto difícil. Na antiga sociedade feudal, a noção de estatuto social estava profundamente enraizada e os homens e as mulheres estavam estritamente proibidos de estabeleceram qualquer contacto físico. Sun era apenas um plebeu, e não um médico imperial, e não podia examinar directamente o pulso da Imperatriz. Primeiro, procurou inteirar-se do seu estado através da criada, depois analisou o plano de tratamento prescrito pelo médico da corte. Finalmente, pediu à criada que atasse uma ponta de um fio vermelho ao pulso direito da sua Senhora, enquanto ele segurava na outra extremidade, podendo assim sentir as vibrações do pulso da Imperatriz. Acabou por conseguir que ela desse à luz em segurança. O leitor alguma vez considerou esta possibilidade para sentir a pulsação de outra pessoa? Este método inovador e a observação meticulosa caracterizam um médico altamente dotado. Isto é medicina benevolente. Por conseguinte, ter um “coração benevolente e mãos habilidosas” é tratar os doentes com amor incondicional combinado com grande habilidade e competência. Depois de analisarmos os critérios indispensáveis a um médico altamente dotado, voltemos ao comunicado. Os “pacientes indesejáveis” são os que não podem pagar os tratamentos. Segundo o comunicado, estes pacientes não só não podem pagar tratamentos caros, como estão sempre à espera de descontos, e pretendem obter a troco de um dólar consultas que custam dez, e serviços médicos que custam centenas e milhares. Por outro lado, os pacientes com categoria, podem pagar os tratamentos. Julgar o paciente apenas pelo seu estatuto social e pela sua capacidade financeira, é um padrão tendencioso e falso, especialmente se considerarmos a importância da compaixão e da competência. Perante a doença, existe diferença entre os ricos e os pobres? Não, porque cada um de nós tem apenas uma vida e todos devem receber tratamento adequado. É aqui que o coração compassivo de um médico deve revelar-se — com cuidados desinteressados e ilimitados para cada paciente. Administrar uma clínica implica custos que os médicos têm de pagar. Além disso, como também são seres humanos têm as suas despesas pessoais e familiares; não podem deixar de ganhar dinheiro. Acresce ainda, que por vezes são confrontados com exigências descabidas por parte dos doentes. Estes são os problemas com que têm de lidar e aos quais não podem fugir; apenas podem dar o seu melhor para salvar os doentes, com compaixão dentro destas limitações; o que não é o mesmo que amor e compaixão incondicionais. A solução, claro está, é os pacientes pagarem um pouco mais e os médicos cobrarem um pouco menos. E haverá outros meios de tratar quem não tem dinheiro? Por exemplo, através da segurança social, de subsídios do Governo, de seguros de saúde. As clínicas podem tratar estes doentes se se candidatarem a estes apoios, que podem cobrir algumas despesas, garantindo ao mesmo tempo o mínimo rendimento da clínica. Por outro lado, as clínicas podem reduzir despesas operacionais. Por exemplo, duas ou três pequenas clínicas poderiam fundir-se, operar em conjunto e partilhar o mesmo espaço, reduzindo o pessoal médico. As clínicas podem também procurar outras fontes de receita para responder aos custos operacionais. Por exemplo, apostar na mais na prevenção do que no tratamento das doenças. Fazer todo o tipo de exames médicos pode ao mesmo tempo ajudar a detectar o problema precocemente e ainda aumentar as receitas. As clínicas poderiam também ter serviço de tele-consultas com horários flexíveis, poupando aos pacientes o tempo da deslocação e gerando assim rendimentos fora do horário comercial. Mas acima de tudo, estaríamos a apostar no entendimento mútuo. Hoje, os médicos prestam serviços grátis; amanhã, os pacientes virão retribuir a bondade dos médicos. Este cenário não é um acordo pré-combinado, mas uma manifestação concreta de compreensão mútua. Vemos frequentemente placas onde se encontra escrito “Coração Benevolente e Mãos Habilidosas” entregues aos médicos por pacientes que curaram, um testemunho da sua profunda gratidão. As clínicas podem considerar dar o primeiro passo e deixar os pacientes darem o segundo, ultrapassando assim em conjunto este problema.
Moeda | Xi Jinping quer renmimbi com estatuto de divisa de reserva mundial Hoje Macau - 3 Fev 2026 Xi quer que o renmimbi deixe de ser visto como uma “moeda grande” e passa a ser usado como uma “moeda forte” O Presidente chinês, Xi Jinping, defendeu que a China deve construir uma “moeda forte” com utilização alargada no comércio internacional, investimento e mercados cambiais, capaz de atingir o estatuto de divisa de reserva global. O apelo consta de trechos de um discurso proferido por Xi em 2024, divulgados no fim de semana pela Qiushi, a principal revista teórica do Partido Comunista Chinês. Na intervenção dirigida a quadros provinciais e ministeriais, Xi traçou os atributos essenciais de uma potência financeira: uma base económica sólida, força tecnológica de topo, instituições financeiras competitivas, centros financeiros internacionais influentes e uma moeda credível e amplamente utilizada. “A economia da China já se encontra entre as maiores do mundo em activos bancários, reservas cambiais e dimensão dos mercados de capitais, mas continua a ser ‘grande, mas não forte’”, afirmou o líder chinês, sublinhando que transformar o país numa potência financeira será uma tarefa de longo prazo. A divulgação do discurso surge num momento em que Pequim intensifica os esforços para internacionalizar o renmimbi e reforçar a sua estabilidade, numa conjuntura marcada por incerteza nos mercados globais e crescentes dúvidas sobre a força do dólar norte-americano. Nos últimos meses, a moeda chinesa tem-se mantido relativamente firme face ao dólar, apesar das tensões comerciais com os Estados Unidos. Ainda assim, analistas como o banco de investimento Goldman Sachs consideram que o renmimbi permanece subvalorizado – até 25 por cento abaixo do seu valor justo, segundo um relatório de Janeiro. A posição de Pequim é de cautela: o banco central prefere uma moeda estável, mas evita valorizações rápidas. Apesar disso, a utilização internacional do renmimbi continua limitada. A compensação diária de pagamentos transfronteiriços ronda os 100 mil milhões de dólares, muito abaixo dos cerca de dois biliões movimentados pelo sistema interbancário em dólares. Sinais de avanço Um sinal recente da expansão do uso do renmimbi foi dado pela Zâmbia, que começou, em Janeiro, a cobrar impostos e dividendos a empresas mineiras chinesas directamente em moeda chinesa, canalizando-a depois para o financiamento de importações e pagamento de dívida a Pequim. Especialistas citados pelo jornal de Hong Kong South China Morning Post afirmaram que a decisão reflecte, sobretudo, a necessidade urgente da Zâmbia de mitigar a escassez de dólares e gerir melhor a sua dívida. No entanto, representa também um avanço silencioso na estratégia chinesa de promover o renmimbi como alternativa em países com forte dependência comercial da China. “Ao aceitar a moeda do seu maior credor e parceiro comercial, o governo dá um passo racional para reduzir custos de transação e aliviar pressões na balança de pagamentos”, comentou Charles Mak, docente da Universidade de Bristol. Xi defendeu que uma verdadeira potência financeira requer, além de estabilidade macroeconómica, “um sistema legal sólido, regulamentação eficaz e um número suficiente de profissionais financeiros com elevada competência”. Acrescentou ainda que o país deve “melhorar continuamente a capacidade de regular os mercados, prevenir riscos sistémicos e manter a estabilidade financeira global”.
FRC | Impacto psicológico da Inteligência Artificial hoje em discussão João Luz - 3 Fev 20264 Fev 2026 O professor Christian Montag, da Universidade de Macau, apresenta hoje na Fundação Rui Cunha uma sessão do ciclo Roda de Ideias, intitulada “O Impacto da Inteligência Artificial na Sociedade: Uma Perspectiva Psicológica”. Em discussão, estará a intersecção entre psicologia, neurociência e tecnologias digitais Apesar de ainda não ser um diagnóstico clínico reconhecido, expressões como “psicose de chatbot”, ou “psicose de inteligência artificial” começaram a entrar no léxico da área da psicologia e psiquiatria. Vagas de paranoia e delírio provocadas pelo uso de ferramentas de inteligência artificial com implicações sérias na sociedade começaram a fazer manchetes e a originar discussões entre profissionais de saúde. Uma dessas conversas está marcada para hoje, às 18h30, na Fundação Rui Cunha (FRC) numa sessão do ciclo Roda de Ideias, intitulada “O Impacto da Inteligência Artificial na Sociedade: Uma Perspectiva Psicológica”. A palestra será conduzida pelo professor Christian Montag, do Centro de Ciências Cognitivas e Cerebrais (CCBS) da Universidade de Macau. A partir do momento em que o ChatGPT foi lançado, as questões sobre a forma como a inteligência artificial poderia moldar o mundo começaram a multiplicar-se em vários ramos do saber. “Estas discussões carecem frequentemente de critérios de avaliação quantificáveis, não indo além de opiniões entre os pessimistas e os optimistas da Inteligência Artificial. A realidade é muito mais complexa. Neste contexto, o sistema de referência IMPACT será apresentado como um guia para avaliar com maior precisão o impacto da Inteligência Artificial nas sociedades”, refere o académico, citado por um comunicado da FRC. A sigla IMPACT refere-se à Interacção entre a Modalidade, a Pessoa, a Área, o País/Cultura e a Transparência. Christian Montag acrescenta que “todas variáveis devem ser consideradas para compreender como a Inteligência Artificial, uma tecnologia de uso geral comparável à electricidade, pode ser medida e calculada”. Entre os melhores Christian Montag juntou à Universidade de Macau em Abril de 2025 como director associado do Instituto de Inovação Colaborativa (ICI). O seu trabalho centra-se na intersecção entre a psicologia, a neurociência e as tecnologias digitais, incluindo o impacto da Inteligência Artificial no comportamento e a fenotipagem digital. É formado em Psicologia pela Universidade de Giessen, na Alemanha (2006), e fez o doutoramento também em Psicologia pela Universidade de Bona, Alemanha (2009), onde fez a dissertação de habilitação “vénia legendi” (permissão para leccionar) em 2011. No ano passado, Christian Montag foi nomeado para a prestigiada lista dos 2 por cento melhores cientistas do mundo. Este ranking, compilado pela Universidade de Stanford (Califórnia, EUA), avalia os cientistas com base em indicadores padronizados e amplamente reconhecidos. Publicou mais de 400 publicações revistas por pares, o seu trabalho aborda questões urgentes, como as perturbações do uso da internet e a influência da IA na saúde mental. Como é habitual nos eventos realizados na FRC, a sessão tem entrada livre e, desta feita, será conduzida em inglês.
Moeda | Associação diz que após lei de troca ilegal crime aumentou Hoje Macau - 3 Fev 20263 Fev 2026 A Associação Profissional de Promotores de Jogo de Macau considera que desde que entrou em vigor a lei que criminalizou a troca ilegal de moeda, em Outubro de 2024, o fenómeno não diminuiu, muito pelo contrário. Em declarações ao jornal de Hong Kong Ming Pao, o presidente da associação, U Io Hung, destacou que os efeitos da criminalização apenas incidem sobre os meios indirectos de câmbio através de casas de penhores e lojas de mariscos secos. Porém, a troca de yuan, ou outra divisa, por dólares de Hong Kong passaram para as ruas ou para as proximidades das áreas de jogo, como os centros comerciais dos grandes resorts com casinos. O dirigente associativo acrescentou que a troca ilegal de moeda é uma realidade decorrente do facto de os turistas do Interior da China serem sujeitos ao controlo de saída de capitais quando viajam para Macau, o que limita o montante de dinheiro que trazem. Assim sendo, se quiserem continuar a jogar têm de recorrer a quem troca moeda ilegalmente, combinando a transferência de fundos por dinheiro vivo em locais mais recatados, como quartos de hotel. U Io Hung salienta o perigo destas actividades passarem para a via pública. “O mais perigoso é que, quando uma pessoa passa perto de casinos pode ser abordada por indivíduos que fazem troca ilegal de moeda. Depois de trocar uma pequena quantia de dinheiro na rua, se a pessoa entra no casino é presa”, indicou. U Io Hung indicou ainda que, a partir do momento em que as autoridades reforçaram o combate à actividade, as taxas cobradas aos jogadores para câmbios clandestinos aumentaram para 1,65 por cento, quando antes da lei era de 0,04 por cento, e pouco depois da entrada em vigor passou para 1,1 por cento.
Crime | Apanhado no aeroporto com mais de 4,5 quilos de heroína João Luz - 3 Fev 20263 Fev 2026 A Polícia Judiciária deteve no sábado um homem do Interior da China no aeroporto de Macau suspeito de transportar mais de 4,5 quilogramas de heroína. Segundo as autoridades, a droga apreendida vale 6,38 milhões de patacas no mercado negro No sábado passado, a Polícia Judiciária deteve um indivíduo do Interior da China, com 20 anos de idade, no Aeroporto Internacional de Macau por suspeitas de tráfico de droga. Segundo avançaram ontem as autoridades policiais, o homem trazia na bagagem dois sacos de plástico, com o exterior tingindo por óleo de chilis e café moído, uma táctica usada para ocultar cheiro de estupefacientes. No interior dos sacos estavam 4.559 gramas de heroína, que a Polícia Judiciária indica ter um valor no mercado negro de 6,38 milhões de patacas. Comentando os materiais que manchavam os sacos onde era transportada a heroína, as autoridades indicaram que a utilização de substâncias com forte cheiro é usada para diluir o cheiro das drogas e escapar à detecção de cães farejadores de droga. Com a investigação ainda em curso, a Polícia Judiciária referiu que a origem e o destino final da heroína ainda não foram apurados, mas que Macau seria um ponto de passagem. As autoridades ainda desconhecem o envolvimento de mais pessoas suspeitas. Armadilha pronta Segundo o relato das autoridades, citado pelo canal chinês da Rádio Macau, a Polícia Judiciária recebeu informações de que iria aterrar no aeroporto de Macau, vindo do estrangeiro, um passageiro suspeito de estar a traficar droga. A operação que conduziu à detenção do jovem desempregado foi montada em conjunto com os Serviços de Alfândega e o Corpo de Polícia de Segurança Pública. O suspeito foi detido quando se preparava para recolher a mala no cinto de bagagem. Durante a inspecção, os agentes policiais repararam que apesar de estar vazia, a mala apresentava um peso anormalmente excessivo. Como tal, cortaram o forro de tecido da bagagem, onde encontraram os sacos com estupefacientes. As autoridades apuraram ainda que o suspeito terá sido recrutado por uma organização criminosa que se dedica ao tráfico de droga, e que terá confessado que receberia 5.000 renminbis após a entrega da heroína. O indivíduo foi encaminhado para o Ministério para a continuação da investigação, suspeito da prática do crime de tráfico de drogas. A Polícia Judiciária alertou ontem a população para a gravidade do crime de tráfico de drogas, que pode ser punido com pena de prisão até 15 anos, e para não aceitarem transportar encomendas com artigos de origem desconhecida para Macau.
Emprego | Disponibilizadas 142 vagas no sector da restauração Hoje Macau - 3 Fev 2026 A Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) e a Federação da Associação dos Operários de Macau (FAOM) vão organizar três sessões de emparelhamento de emprego que disponibilizam 142 ofertas de emprego, dirigidas principalmente ao sector da restauração. O anúncio foi feito ontem num comunicado na DSAL e as sessões vão acontecer entre 9 e 12 de Fevereiro, com as inscrições a decorrerem entre as 9h de hoje e o meio-dia de 8 de Fevereiro. As sessões foram justificadas com a intenção de “ajudar a integração laboral dos residentes de Macau com necessidade de emprego o mais breve possível e atenuar a pressão do sector na procura de recursos humanos”. Na tarde do dia 9 de Fevereiro vai ser realizada a sessão de emparelhamento para o sector de restauração, com as empresas participantes a Bright Luck Gourmet Company Ltd, Café Good Fortune e Good Fortune Kitchen. As posições disponíveis são para emprego para supervisor, chefe, cozinheiro, empregado de serviços de restauração, ajudante de cozinheiro, empregado logístico de armazém, motorista de veículos de mercadorias, Na manhã do dia 11 de Fevereiro, é realizada a sessão de emparelhamento para a Venetian Macau, com um total de 85 vagas de emprego para gestor de restauração II, chefe de restauração, supervisor de gestão, técnico de chá, cozinheiro I (cozinha chinesa/ocidental), empregado de serviços de restauração, empregado de limpeza de talheres e de utensílios de cozinha. No dia 12 de Fevereiro, de manhã e à tarde, é realizada uma sessão com a Galaxy”, com um total de 32 vagas de emprego, para assistente de gerente de restauração, supervisor dos serviços de atendimento, chefe da equipa de cozinheiros, agente de recepção e empregado de serviços de restauração.
Habitação | 760 fracções entraram no mercado Hoje Macau - 3 Fev 2026 No quarto trimestre de 2025, seis empreendimentos habitacionais privados obtiveram licença de utilização, o que corresponde a 760 fracções habitacionais. Os dados foram divulgados ontem pela Direcção dos Serviços de Solos e Construção Urbana (DSSCU), no âmbito da estatística sobre a construção de empreendimentos. Além dos prédios que ficaram disponíveis para habitar, estavam em construção ou em fase de vistoria mais 41 empreendimentos habitacionais privados que vão proporcionar 1.671 fracções habitacionais. Encontram-se ainda em fase de projecto, um total de 70 empreendimentos habitacionais que segundo a DSSCU vão disponibilizar 5.993 fracções habitacionais. Quanto aos hotéis, no final do ano passado havia três unidades hoteleiras em construção, que vão disponibilizar 204 quartos. Contabilizavam-se ainda 12 hotéis em fase de projecto que se espera acrescentem mais 1.432 quartos à oferta do território. Em relação aos números do ano passado, registaram-se um total de 1.068 fracções habitacionais a entrar no mercado, depois de receberem licença de ocupação. Foi ainda registado o início das obras de 669 fracções, feitas vistorias em 821 fracções e aprovada a construção de mais 1.458 fracções habitacionais. Ainda a nível dos hotéis, em 2025 foi concluído um empreendimento que juntou ao mercado mais 2.724 quartos.