AL | Apresentado projecto que reduz intervenções do Governo

A Comissão de Regimento e Mandatos apresentou um projecto de lei para reduzir as intervenções do Governo durante as sessões de interpelações orais. A opção reduz a intervenção do Executivo em cinco minutos e agrega mais perguntas em bloco

A Comissão de Regimento e Mandatos da Assembleia Legislativa (AL) apresentou um projecto de lei que vai reduzir o tempo das intervenções do Executivo. O projecto com as alterações foi divulgado no portal do hemiciclo.

De acordo com o modelo actual, quando um deputado faz a interpelação oral, os membros do Executivo têm um período de resposta inicial de 10 minutos. Após as primeiras explicações, o deputado responsável pela interpelação pode fazer uma nova intervenção, para pedir esclarecimentos adicionais. Segue-se a segunda resposta do Governo, que se pode prolongar por cinco minutos.

Acabada a interacção entre o deputado responsável pela interpelação oral e o Governo, os outros deputados são autorizados a intervir. As intervenções dos legisladores são recolhidas em bloco, com o Executivo a ter direito a uma última intervenção de 10 minutos, em que pode responder às perguntas.

No entanto, com a nova proposta, o Governo vai ter menos cinco minutos para responder às perguntas e a intervenção face ao pedido de esclarecimentos do deputado que colocou as questões iniciais vai ser concentrada com as questões dos outros deputados. Com o novo modelo, os membros do Executivo apenas têm de intervir duas vezes, a primeira para responderem ao deputado e uma segunda vez para prestarem esclarecimentos adicionais a esse deputado e para responderem às dúvidas dos outros legisladores. Actualmente, intervêm três vezes.

Interpelações conjuntas

O novo projecto vem também alterar a forma como são conduzidas as interpelações orais assinadas por mais do que um deputado, um mecanismo pouco utilizado pela Assembleia Legislativa.

Segundo o novo projecto, quando uma interpelação oral é subscrita por mais do que um deputado, todos vão ter a oportunidade de pedir esclarecimentos extra, após a primeira intervenção dos membros do Executivo. Esta é uma realidade diferente da actual, em que apenas o primeiro subscritor tem a oportunidade de intervir para pedir esclarecimentos adicionais. O segundo assinante, e seguintes, não podem intervir nem na fase de esclarecimentos nem na aberta a todos os outros deputados.

“A alteração que a Comissão vem sugerir aos senhores Deputados assegura que todos os Deputados tenham a possibilidade de intervir em todas as interpelações, permitindo, simultaneamente, que o Governo responda de forma concentrada e num único momento a todas as questões colocadas”, foi justificado, pela comissão liderada por José Chui Sai Peng.

Fazem ainda parte da Comissão de Regimento e Mandatos os deputados Iau Teng Pio, Ângela Leong, Wong Kit Cheng, Song Pek Kei, Ip Sio Kai e Lei Wun Kong.

Cartão de deputado com alterações

A Comissão de Regimento e Mandatos propôs alterações ao cartão dos deputados. De acordo com o novo modelo, o cartão passa a incluir que Macau é uma região da República Popular da China. Anteriormente, as palavras República Popular da China apenas estavam escritas em chinês e dentro do símbolo da RAEM.

Rota das Letras | Filme de Filipa Queiroz conta história de desalojados da Alta de Coimbra

“Salatinas – Histórias da Velha Alta de Coimbra” traz de novo a Macau a jornalista Filipa Queiroz, juntamente com Rafael Vieira e Tiago Cerveira, co-autores do documentário que integra o cartaz do Rota das Letras. O filme conta a história de como, em pleno Estado Novo, cerca de três mil moradores foram expulsos da Alta de Coimbra para permitir a construção da Cidade Universitária

A Cidade Universitária na Alta de Coimbra é um dos pontos turísticos da cidade, oferendo uma paisagem deslumbrante. Porém, apesar da beleza, a história da construção da Cidade Universitária está repleta de sofrimento. No documentário “Salatinas – Histórias da Velha Alta de Coimbra”, Filipa Queiroz, Rafael Vieira e Tiago Cerveira contam a história das pessoas que viviam no local na década de 40 e que se viram subitamente desalojadas e sem um plano B. O filme integra o cartaz do Festival Literário Rota das Letras, que começa no próximo dia 5 de Março.

“Esperamos que, em Macau, a história possa ter impacto em toda a gente e em particular nos tantos conimbricenses que sabemos que residem no território”, contou ao HM Filipa Queiroz, que viveu vários anos em Macau, tendo sido jornalista do HM e da TDM – Teledifusão de Macau.

Está feliz por voltar e por revelar esta história desconhecida para muitos. E deixa os maiores elogios a um festival que viu nascer, há 15 anos. “Acho a programação desta edição do Rota das Letras particularmente corajosa e relevante tendo em conta os contextos de Portugal, de Macau e do mundo neste momento. Fazemos por apresentar o filme onde faz sentido e é precisamente este o caso. É um filme sobre pessoas, mas também sobre poder, resistência, identidade e o preço do progresso – temas que Macau conhece tão bem”, destacou.

Filipa Queiroz teve contacto com a história destas pessoas através de uma reportagem. “O Rafael Vieira colaborava comigo como jornalista, pois dirigia uma publicação em Coimbra [Coimbra Coolectiva] e disse-me que havia ali uma história [interessante], e que queria contar histórias fora da caixa, mais invisíveis, digamos assim.”

Nasceu assim o “Salatinas”, em referência ao nome dado às gentes que viviam na Alta de Coimbra, onde já havia as faculdades de Letras, Direito e a biblioteca. Porém, o Estado Novo desalojou estas pessoas para fazer as construções actualmente existentes. Foram três mil pessoas que deixaram as suas casas, sendo esta “uma das maiores transformações urbanísticas em Portugal, num tempo em que desalojamentos forçados, falta de acesso à habitação e segregação social ainda fazem manchetes”, descreve a sinopse do documentário.

“Salatinas” é, portanto, “uma viagem à memória do bairro histórico varrido do mapa sob o ímpeto renovador do regime e ao burburinho de estudantes, tricanas, merceeiros e alfaiates que se esconde por baixo das faculdades”, acrescenta a mesma sinopse.

Sair depressa

“O que aconteceu foi uma vontade do Governo daquela altura”, diz Filipa Queiroz, para explicar como uma decisão política mudou a vida a tanta gente. “A Universidade de Coimbra andou entre Lisboa e Coimbra durante muitos anos, mas depois ficou instalada em Coimbra e era a única do país, onde estavam os cérebros do país, a elite. Houve então a decisão de que a universidade precisava de crescer e tinha de ser ali. O próprio Salazar tinha estudado ali [Faculdade de Direito], além de que havia um hospital. Não se tratou de uma requalificação, mas destruíram mesmo o que havia para construir por cima.”

O que se seguiu foi uma profunda transformação nas famílias da zona. Muitos nunca recuperaram completamente. “Quando começou a destruição, basicamente o Governo avisou as pessoas que lá moravam de que tinham todas de sair dali. Deram valores às casas [para indemnizações], completamente desproporcionais e muito inferiores ao valor das casas”.

“Há uma pessoa que mencionamos no filme que fazia parte do círculo de Salazar, era médica e uma pessoa ilustre, e conseguiu que a sua casa fosse das últimas a ser retirada, mas mesmo assim foi [desalojada]. Quanto mais pobres e humildes eram as pessoas, mais rapidamente tiveram de sair, com uma mão à frente, outra atrás. Estas pessoas foram atiradas para bairros da cidade, que nem podemos chamar de bairros, porque foi algo improvisado na altura”, conta a co-autora do documentário.

Falamos de zonas com casas “frágeis”. Porém, a precariedade da habitação já vinha de trás. “Foram construídas casinhas que não tinham uma qualidade incrível, mas já as casas na Alta de Coimbra também não tinham, muitas delas. Não havia saneamento básico, aquilo precisava de ser requalificado.”

Uma “identidade própria”

Filipa Queiroz destaca como “a solução foi acabar com tudo, não se valorizando o facto de ser um bairro, e com uma identidade própria, e esta é a questão principal”. O bairro era o Salatina. “Salatinas são as pessoas que trabalhavam ou viviam na Alta da cidade, ou que tinham nascido ali, e que se cruzavam diariamente com a elite estudantil. Essa diversidade tinha uma riqueza muito grande, que acabou por ter efeitos no aspecto cultural, na música, por exemplo”.

Coimbra é terra associada a nomes da música portuguesa, sobretudo de intervenção, como Zeca Afonso e Carlos Paredes, e por entre os “doutores” havia também “os futricas”, ou seja, “as pessoas do povo de Coimbra, mas desses nunca mais ninguém se lembrou”. Filipa Queiroz destaca que “muita gente, inclusive de Coimbra, não sabe o que se passou ali”. “Havia ali uma cidade, uma malha urbana muito concentrada e cheia de gente e de vida, com as fogueiras de São João, eventos culturais, tudo coisas muito identitárias.” Tudo coisas destruídas com a requalificação e expansão da Cidade Universitária.

Filipa Queiroz destaca que nos dias de hoje, e apesar das vivências universitárias, a Alta da cidade deixou de ter a dinâmica que tinha. “Tem aquela arquitectura austera e à noite, não se passa nada.”

“Salatinas” deu voz a um tema pouco falado. “As pessoas estão muito emocionadas e sentem-se muito valorizadas. Tivemos pessoas que foram à estreia [em Coimbra, na zona da Alta] e que nos disseram: ‘Parece que houve aqui uma reparação’. Isto provocou, inclusivamente, a morte de algumas pessoas, porque se suicidaram com o desgosto, porque tiveram de deixar o sítio onde construíram o seu negócio e a sua vida”.

Filipa Queiroz agradece ainda a Ricardo Pinto, director do Rota das Letras, pelo convite feito. “Convidou-nos sabendo apenas a ideia do filme. Isto vai permitir levar os meus colegas a conhecerem, pela primeira vez, este sítio, Macau, que é tão especial para mim.”

Filipa Queiroz quer continuar a contar histórias através de imagens. Tendo feito documentários ligados a Macau, como “Boat People” e “Era uma Vez em Ka-Hó”, a ideia é continuar num género audiovisual tão próximo do jornalismo.

“O documentarismo acrescenta uma camada artística e um tempo que o jornalismo não permite. Sim, gostava de fazer [mais documentários], isso está sempre no meu horizonte. Há sempre desafios, com o financiamento dos trabalhos e o tempo que se pode dedicar a eles, mas sem dúvida que sim, gostava de continuar.”

Taxas | Ásia responde aos novos anúncios dos EUA

Diversos países e regiões da Ásia reagiram sábado à decisão do Supremo Tribunal dos EUA que anulou as tarifas impostas pelo Presidente, bem como à nova taxa global de 10 por cento que Donald Trump instituiu após a decisão judicial.

Tóquio descarta que a invalidação das taxas afecte os investimentos previamente acordados, segundo o jornal económico Nikkei, enquanto Taiwan e Hong Kong prevêem um efeito “limitado” da nova tarifa global. A China ainda não se pronunciou.

Em resposta à resolução, que invalida as chamadas “tarifas recíprocas” e outros impostos generalizados aplicados por Trump, com uma taxa mínima de 10 por cento, o Presidente assinou uma tarifa global de 10 por centos obre todos os países. A lei que sustenta esta nova ordem executiva só permite aumentar as tarifas até 15 por cento e por períodos de 150 dias, pelo que não é claro como será articulada a longo prazo, escreve a agência de notícias EFE.

A Coreia do Sul afirmou que o acordo comercial com Washington, que prevê compromissos como um investimento sul-coreano de 350 mil milhões de dólares e tarifas de 15 por cento por parte de Washington, continua intacto.

Segundo a agência de notícias Yonhap, as autoridades sul-coreanas convocaram uma reunião de emergência para avaliar o impacto da invalidação das tarifas.

Os governos de Taiwan e Hong Kong consideram que a tarifa global de 10 por cento anunciada por Trump terá um “impacto limitado” nas suas economias. A Indonésia, que na quinta-feira assinou um acordo comercial com os EUA, indicou que manterá “novas conversações” com Washington diante das “dinâmicas que estão a ocorrer”.

A Malásia assegurou que “continuará a diversificar as suas relações comerciais e a reforçar a cooperação económica regional e multilateral”, apesar da decisão que invalida grande parte das tarifas de Trump.

Tailândia | Vírus mata 72 tigres em parque de vida selvagem

As autoridades do norte da Tailândia disseram que 72 tigres morreram nas últimas semanas num parque de vida selvagem devido a uma infecção viral e bacteriana.

Os testes detetaram a presença do vírus da esgana canina, altamente contagioso, bem como bactérias que afectam o sistema respiratório, informou o Departamento Provincial de Pecuária de Chiang Mai, em comunicado, na sexta-feira.

“Quando os tigres adoecem, é mais difícil detectar a doença do que em animais como gatos ou cães. Quando percebemos que estavam doentes, já era tarde demais”, disse o director do Departamento de Pecuária da Tailândia, Somchuan Ratanamungklanon, à imprensa local.

Os felinos pertenciam ao parque de vida selvagem Tiger Kingdom, de propriedade privada. Os turistas podem “abraçar, tocar e tirar fotografias de perto com os tigres” no local, de acordo com a página do parque na Internet.

“Estes tigres morreram como viveram: em sofrimento, cativeiro e medo”, disse à agência de notícias France-Presse a organização de defesa dos direitos dos animais PETA Ásia. “Se os turistas evitassem estes locais, rapidamente se tornariam inviáveis e tragédias como esta teriam muito menos probabilidade de ocorrer”, acrescentou a organização.

Inconsciência total

19 mortos na sequência das intempéries registadas em Portugal durante duas semanas. 19? É verdade, infelizmente registaram-se na semana passada mais duas mortes por inconsciência total. No segundo dia da tempestade Kristin as águas do rio Mondego começaram a subir e adivinhava-se o pior. O caudal do rio começou a alagar vários terrenos e a invadir diversas estradas. O senhor Venâncio e a dona Fátima, moradores perto de Soure, no concelho de Montemor-o-Velho, resolveram pegar no seu Citroen e ir a Coimbra a uma consulta médica, quando as autoridades municipais já começavam a avisar para que as pessoas não saíssem de casa.

Era uma terça-feira e à tarde a Protecção Civil anunciou que se encontravam várias estradas regionais encerradas ao trânsito por causa das cheias que estavam a progredir devido ao aumento do caudal do rio Mondego. O senhor Venâncio de 68 anos e sua mulher de 65 terminaram a consulta hospitalar em Coimbra e resolveram regressar a casa. Ainda jantaram na cidade dos estudantes em casa de um familiar, mas não quiseram pernoitar na casa onde estavam ou gastar 70 ou 80 euros num quarto de hotel.

Resolveram mesmo regressar a casa, apesar de terem terminado de ver na televisão durante o jantar que as estradas ao redor de Montemor-o-Velho estavam perigosas. Aí foram eles. A dada altura, o senhor Venâncio telefonou a um amigo dizendo que não estava a orientar-se muito bem sobre o caminho a tomar e que a estrada onde estava não lhe era conhecida. O amigo entendeu que o senhor Venâncio estaria perdido, porque nem sequer deveria estar ao volante devido a ter tido ultimamente algumas perturbações mentais que poderiam indicar algum tipo de demência.

A inconsciência total do senhor Venâncio fez que entrasse numa estrada que já estava coberta de água e o carro resvalou para um arrozal que já estava completamente inundado. As horas passaram e a filha do casal começou a ficar preocupada, os telemóveis dos pais não respondiam e resolveu dar o alerta às autoridades policiais. A partir daí e durante quase uma semana os canais de televisão só noticiavam que um casal estava desaparecido.

As buscas foram incessantes. Um esforço enorme de mergulhadores e de patrulhas marítimas, de bombeiros e de militares da GNR. Passados dias e depois do nível das águas começar a baixar uns caminhantes avistaram o tejadilho de um carro imerso no arrozal e alertaram as autoridades. A confirmação entristeceu profundamente a população de Varride, onde o senhor Venâncio e a dona Fátima residiam. Os seus corpos estavam no interior do Citroen e o número de vítimas das cheias cifrava-se em 19.

Agora, é tempo de reconstrução em várias zonas afectadas, especialmente em Leiria e na Marinha Grande. No debate na Assembleia da República com a presença do Governo, o primeiro-ministro anunciou todo o apoio às vítimas da calamidade, apesar de ainda haver muita gente que não recebeu apoio governamental e que ficou sem nada nos últimos incêndios. Uma nota importante: o trabalho exemplar da presidente da Câmara Municipal de Coimbra. Ana Abrunhosa recebeu os maiores encómios de todos os quadrantes, excepto do partido Chega, porque Abrunhosa não foi populista e demagoga.

O distrito de Leiria foi a zona mais afectada pelas tempestades e onde se verifica maior destruição, onde caíram entre cinco e oito milhões de árvores, mas podemos anunciar em primeira mão que a edilidade leiriense convidou já uma personalidade que deixou um vasto e louvável trabalho na arborização de Macau enquanto viveu na antiga colónia portuguesa.

O engenheiro António Paula Saraiva foi convidado a estudar a reconstrução do principal jardim em frente à Câmara Municipal e onde quase todas as árvores caíram devido às fortes rajadas de vento. António Saraiva já visitou o local e prontificou-se de imediato a estudar a reconstrução arbórea do jardim leiriense. Um aplauso para este técnico excepcional, que apesar de reformado prontificou-se logo a cooperar para o bem-estar dos leirienses que gostam de frequentar o seu principal jardim.

A reconstrução das zonas destruídas será um trabalho árduo e dispendioso. Poderá ultrapassar os 10 mil milhões de euros, mas como disse Luís Montenegro no Parlamento, terá de ser uma reconstrução levada a cabo por todos os portugueses. O país continua, a vida não para, mas desejamos que as promessas não falhem, como se tem registado em outros casos.

Portugal foi notícia pelas piores razões contempladas por fenómenos naturais, mas que Portugal volte a ser notícia quando puder anunciar ao mundo que os portugueses atingidos por uma calamidade voltaram à sua vida normal.

Mais espectáculos de Ano Novo Chinês nos próximos dias

A Direcção dos Serviços de Turismo (DST) continua a organizar, nos próximos dias, espectáculos de celebração da chegada do Ano do Cavalo com fogo-de-artifício.

Uma das iniciativas é a realização de três edições de “2026 – Espectáculos de Drones e Fogo-de-Artifício”, onde se introduz, pela primeira vez, os drones neste tipo de apresentação, numa combinação de “tecnologia com arte, aumentando-se a sensação e apreciação dos espectáculos de fogo-de-artifício”, a fim de “enriquecer as experiências festivas”. Uma dessas apresentações decorre hoje, sétimo dia do Ano Novo Chinês, e depois a 3 de Março, décimo quinto dia do primeiro mês do Ano Novo Chinês. Estes espectáculos acontecem na baía junto à Torre de Macau.

Destaque ainda para a realização sábado, dia 28, o 12.º dia do Ano Novo Lunar, do “Segundo desfile de carros alegóricos com actuações culturais”. Entre as 20h e as 21h30, e com ponto de partida na Rua Norte do Patane, o desfile inclui ainda um espectáculo cultural no Jardim do Mercado Municipal do Iao Hon. Haverá 17 carros alegóricos neste desfile, oito deles em representação de departamentos do Governo e os restantes nove de entidades turísticas locais.

O público poderá assistir a este desfile desde o seu início, na Rua Norte do Patane, e junto aos passeios pedonais no percurso do desfile até ao ponto de chegada, no Jardim do Mercado Municipal de Iao Hon.

A galope no ZAPE

No ZAPE, decorre a iniciativa “Gala a galope no ZAPE” até ao dia 1 de Março, “em articulação com o Ano Novo Chinês e o Dia dos Namorados”, mais concretamente na zona circundante entre a Rua de Cantão e Rua de Pequim. Segundo uma nota da DST, o que se pretende é, “através de instalações características da quadra festiva, aumentar a atmosfera festiva dos bairros e a atracção turística, atraindo pessoas para os bairros comunitários”.

Esta “Gala a galope no ZAPE” conta com “a participação dos comerciantes do ZAPE e de várias empresas de turismo e lazer integrado”, e integra o lançamento de pacotes promocionais para atrair mais turistas.

Concerto | “Clássicos em Cordas” em Março no CCM

Março será tempo de receber o concerto “Clássicos em Cordas”, protagonizado pela Orquestra de Macau, e que traz ao território dois violinistas: Julian Rachlin e Sarah McElravy. Eis a oportunidade para ouvir interpretações das composições de Beethoven e Felix Mendelssohn Bartholdy

A Orquestra de Macau (OM) será protagonista de mais um concerto de música clássica agendado para Março, nomeadamente no dia 14, e que se apresenta no grande auditório do Centro Cultural de Macau (CCM). O concerto será dirigido por Julian Rachlin, tido como “violinista de renome mundial”, segundo descreve uma nota do Instituto Cultural (IC), que apoia o espectáculo. Junta-se ainda ao palco a violinista Sarah McElravy.

“Clássicos de Cordas” é o nome deste espectáculo, que apresenta “um verdadeiro festim de fascinantes obras para cordas”, tal como “Abertura Coriolano” de Beethoven, a “Sinfonia Concertante em Mi-bemol Maior” de Mozart e a “Sinfonia nº 3 em Lá Menor ‘Escocesa'” de Feliz Mendelssohn Bartholdy, compositor e pianista alemão.

Esta última composição data dos anos de 1829 e 1841, tendo sido estreada na cidade de Leipzig a 3 de Março de 1842. Trata-se de uma das últimas obras de grande envergadura compostas por este mestre do Romantismo, tendo a sua composição tido início numa viagem à Escócia.

No caso de “Abertura Coriolano”, de Beethoven, tem a duração de oito minutos e teve a sua estreia em Viena, em Março de 1807, sendo conhecida por ter inaugurado dois formatos de concertos no período de Oitocentos, nomeadamente a abertura de concerto e o poema sinfónico.

Nomes distintos

Numa nota do IC, descreve-se a carreira de Julian Rachlin, natural de Viena, sendo um “violinista e violista austríaco aclamado internacionalmente”. Rachlin colaborou ainda “com inúmeras orquestras e diversos maestros de renome internacional durante mais de três décadas”, sendo que, nos últimos anos, foi Maestro Convidado Principal da Royal Northern Sinfonia, no Reino Unido.

Dirigiu ainda várias orquestras internacionais, como a Orquestra Filarmónica de Oslo e a Filarmónica de Munique.

Já Sarah McElravy, instrumentista canadiana também de violino e viola, conta com várias actuações em palco na Europa, América e Ásia. É “reconhecida pela sua técnica excepcional, tendo colaborado com orquestras de renome e participou em diversos festivais de música”.

McElravy é tida como alguém com uma “profunda experiência performativa”, dedicando-se também “à promoção da educação musical, tendo fundado uma associação de música de câmara no México para levar concertos de nível internacional às comunidades locais”.

O concerto “Clássicos em Cordas” terá a duração aproximada de uma hora e meia, incluindo um intervalo. Os bilhetes já estão à venda, com preços que variam entre 150 e as 300 patacas.

Superbikes | Miguel Oliveira de último a sétimo na segunda corrida na Austrália

O piloto português Miguel Oliveira (BMW) terminou a segunda corrida deste fim de semana de estreia do Mundial de Superbikes na sétima posição, depois de ter largado do 21.º e último lugar e de um oitavo lugar no sábado.

Numa prova disputada debaixo de chuva, Miguel Oliveira terminou a 32,135 segundos do vencedor, o italiano Niccolo Bulega (Ducati), que bateu o compatriota Axel Bassani (Bimota) por 11,336 segundos, com o espanhol Alvaro Bautista (Ducati) em terceiro, a 17,790.

O piloto português largou da cauda do pelotão depois de ter tido problemas mecânicos nas últimas voltas da corrida superpole, disputada três horas antes, que o relegaram do nono lugar que ocupava na penúltima volta para o 18.º posto final.

A segunda corrida ficou marcada pela chuva, que caiu em força e provocou seis quedas. O piloto natural de Cascais, que habitualmente se dá bem com as pistas molhadas, a meio da prova já era 10.º classificado.

Miguel Oliveira, que fez a sua estreia este fim de semana no Mundial de Superbikes, depois de 14 anos nas MotoGP, ainda recuperou até ao sétimo posto na última volta, após ultrapassar o espanhol Iker Lecuona (Ducati) a poucos metros de cruzar a linha de meta.

O italiano Nicollo Bulega, favorito à partida deste campeonato com 12 rondas, completou o fim de semana perfeito, juntando a vitória na corrida principal deste domingo, a 23.ª da sua carreira, às vitórias na superpole e na primeira corrida, no sábado. Foi o sexto triunfo consecutivo na Austrália do piloto italiano.

O piloto luso, de 31 anos, é o oitavo classificado do Mundial após esta primeira das 12 rondas previstas, a 45 do comandante, Bulega, que soma a pontuação máxima (62) após esta primeira ronda. A próxima prova do campeonato será em Portugal, no Autódromo Internacional do Algarve (AIA), em Portimão, a 29 de Março.

Karting: nova competição IAME nasce em Macau

É já no próximo fim-de-semana que o Kartódromo de Coloane recebe a primeira das sete jornadas do mais recente campeonato integrado na família internacional de competições de karting IAME, a IAME Series Macau

Depois de a RAEM se ter afirmado como paragem obrigatória no calendário da IAME Series Asia e de o Grande Prémio de Karting Internacional de Macau ter acolhido a Final da IAME Asia, foi confirmado, ainda antes do Novo Ano Lunar, o lançamento da IAME Series Macau, composta por sete provas a disputar em Coloane. O calendário apresentado acompanha o já estabelecido Campeonato de Karting da AAMC.

Segundo a breve comunicação divulgada nas redes sociais pela IAME Asia Series, “a herança do desporto automóvel de Macau é profunda e a sua paixão pelas corridas é reconhecida mundialmente”. Para o promotor da IAME no continente asiático, com base em Singapura, levar a competição para a RAEM constitui “mais um passo decisivo no crescimento do karting na Ásia-Pacífico, criando mais percursos, mais oportunidades e uma comunidade mais forte para os jovens talentos”.

Todos iguais

As IAME Series são campeonatos de karting organizados sob a égide da italiana IAME (Italian American Motor Engineering), um dos maiores fabricantes mundiais de motores para a modalidade. O calendário da IAME Series Asia conhecerá igualmente um alargamento no próximo ano: além das jornadas na Malásia e na Tailândia, Macau receberá a quarta de seis provas da temporada, agendada para 23 e 24 de Maio.

Independentemente do país ou da região, todos os participantes competem com motores IAME, ao abrigo de regulamentos técnicos uniformes que asseguram igualdade de condições em pista. O modelo privilegia o controlo de custos e a sustentabilidade da competição, colocando a tónica no talento individual e na equidade desportiva.

Para além de Macau e do campeonato asiático, a IAME já promove competições no Interior da China, Japão, Malásia, Tailândia, Sri Lanka, Índia e Filipinas. Nesse contexto, a organização acredita que “juntos, continuamos a construir uma plataforma interligada em toda a região”.

Conforme anteriormente anunciado, a Final da IAME Asia, abrangendo todas as categorias, regressará pelo terceiro ano consecutivo ao programa do Grande Prémio de Karting Internacional de Macau. A edição deste ano está marcada para decorrer entre 11 e 14 de Dezembro.

Como anteriormente anunciado, a Final da IAME Asia, para todas as categorias, regressará pelo terceiro ano consecutivo ao programa do Grande Prémio de Karting Internacional de Macau. A data já está marcada, com o evento a decorrer entre 11 e 14 de Dezembro.

Calendário de provas de 2026:*

Ronda 1 – 1 de Março

Ronda 2 – 22 de Março

Ronda 3 – 26 de Abril
Ronda 4 – 17 de Maio
Ronda 5 – 28 de Junho
Ronda 6 – 6 de Setembro
Ronda 7 – 27 de Setembro

*todas as provas serão disputadas no Kartódromo de Coloane

Hong Kong | Governo de Hong Kong exige que Japão proteja residentes após ataque em Sapporo

O Governo de Hong Kong disse que exigiu a Tóquio que proteja os residentes da região chinesa que visitem o Japão, após um morador ter sido alvo de um ataque em Sapporo. O executivo de Hong Kong “manifestou preocupação” ao cônsul-geral japonês no território, Jun Miura, e instou as autoridades nipónicas a “garantir a segurança pessoal” dos viajantes de Hong Kong no Japão.

Num comunicado divulgado na quinta-feira à noite, as autoridades do território disseram que estão a colaborar com a representação diplomática de Pequim em Hong Kong e com o consulado da China em Sapporo, no norte do Japão.

O objectivo, explicou o Governo de Hong Kong, é “compreender a situação, dar seguimento ao caso e prestar assistência prática de acordo com os desejos” do residente alvo do ataque. O consulado chinês em Sapporo disse que o homem foi atingido na cabeça por uma garrafa de cerveja num restaurante, na madrugada de quarta-feira, e que a polícia japonesa já tinha detido um suspeito.

A representação diplomática da China voltou a recomendar aos turistas que não viajem para o Japão, porque “a tendência de ocorrência de ataques no Japão contra cidadãos chineses tem vindo a aumentar”. No entanto, operadores turísticos de Hong Kong disseram ao jornal South China Morning Post que o ataque foi provavelmente um incidente isolado que não afectaria o interesse dos residentes em visitar o Japão.

Ano Novo Lunar | Gastos dos consumidores a crescer

Os consumidores chineses receberam o feriado da Festa da Primavera com uma explosão de gastos, lotando restaurantes e shoppings e viajando por todo o país, o que proporcionou um impulso no início do ano para o sector de consumo, indica a Xinhua.

Nos primeiros quatro dias do feriado, as vendas médias diárias nas principais empresas de retalho e catering aumentaram 8,6 por cento face ao mesmo período do ano anterior, de acordo com dados do Ministério do Comércio. A onda de gastos misturou tradição com novos hábitos, com plataformas online relatando uma forte procura por dispositivos inteligentes.

Os gastos com serviços contribuíram para o impulso. O consumo de turismo doméstico nas principais plataformas aumentou 4,5 por cento em termos anuais nos primeiros três dias do feriado, incluindo um salto de 26 por cento nas reservas de aluguer de carros.

O governo introduziu uma série de medidas de apoio antes do feriado de nove dias, incentivando as autoridades locais e as empresas a combinar eventos promocionais com incentivos políticos, incluindo vouchers de compras e melhores serviços de pagamento para os visitantes.

Casa Branca | Donald diz que visita à China vai “ser algo selvagem”

A Casa Branca anunciou que Donald Trump vai fazer uma viagem oficial à China, de 31 de Março a 02 de Abril. Trump e o Presidente chinês, Xi Jinping, já se reuniram pessoalmente por cinco vezes.

“Vou à China em Abril. Vai ser algo selvagem”, tinha dito Trump na quinta-feira. Esta visita realiza-se depois de o Supremo Tribunal de Justiça dos EUA ter anulado parcialmente as taxas alfandegárias que Trump tinha instituído. Estas taxas têm sido um dos principais focos de tensão entre EUA e China.

A disputa comercial acalmou com um acordo de emergência, em Maio de 2025, em Genebra, que se consolidou por um ano, desde Outubro de 2025, quando a China levantou as restrições às suas exportações das ditas terras raras e os EUA reduziram parte das taxas.

Donald e XI devem também abordar as relações bilaterais na tecnologia e a segurança na região Ásia-Pacífico, além da questão específica de Taiwan. No final de 2026, em sentido inverso, está previsto que Xi Jinping se desloque à Casa Branca.

Visita | Chanceler alemão em Pequim esta semana

Friedrich Merz chega à capital chinesa na quarta-feira, naquela que é a sua primeira viagem à China desde que tomou posse como chanceler no ano passado

O chanceler alemão, Friedrich Merz, realiza esta semana, e até 26 de Fevereiro, uma visita de Estado à República Popular da China, anunciou sexta-feira o Governo.

Merz parte de Berlim na terça-feira e chega a Pequim na quarta-feira, sendo recebido pelo primeiro-ministro chinês, Li Qiang, estando previsto encontrar-se ainda com o Presidente, Xi Jinping, disse um porta-voz do Governo alemão. A visita vai decorrer numa altura em que as autoridades de Pequim se apresentam mais como um parceiro de confiança para os europeus, especialmente em contraste com os Estados Unidos.

Trata-se da primeira visita à República Popular da China desde que Friedrich Merz assumiu o cargo de chanceler, em Maio de 2025, e acontece poucos dias depois do fim das celebrações do Ano Novo Lunar.

O porta-voz do Governo alemão acrescentou que as discussões vão concentrar-se nas relações bilaterais, bem como em questões de política económica e de segurança, salientando a vontade de Berlim em manter “relações justas” com Pequim em termos comerciais.

Na quinta-feira, o chanceler alemão visita a Cidade Proibida, em Pequim, antes de um encontro com a delegação do grupo automóvel alemão Mercedes-Benz, em que devem ser apresentados novos veículos.

Agenda preenchida

Da agenda oficial consta uma visita a Hangzhou, uma cidade na costa leste da China, bem como duas deslocações de âmbito empresarial: uma à companhia Unity, um grupo de robótica, e à empresa alemã de energia Siemens Energy.

Os dois países têm fortes laços comerciais, actualmente tensos devido às acusações de concorrência desleal e proteccionismo dirigidas a Pequim. Mesmo assim, Berlim e Pequim demonstraram vontade de ultrapassar as diferenças, particularmente no contexto da ordem mundial imposta pela actual Administração dos Estados Unidos.

Em meados de Fevereiro, à margem da Conferência de Segurança de Munique, o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, disse a Merz que encarava Berlim como uma “força motriz” na cooperação entre a UE e a China.

Economicamente, a relação entre Berlim e Pequim alterou-se drasticamente na última década, com a China a passar de melhor cliente das indústrias exportadoras alemãs a principal concorrente. A economia alemã regista dificuldades e a concorrência chinesa está a causar preocupação a algumas empresas alemãs, particularmente na actividade automóvel.

Os Sonhos de Xu Xianqing Com a Mãe e Com Confúcio

Confúcio (c.551-c.479 a. C.), segundo o que está escrito nos Analectos (Lunyu), terá exclamado um dia: «Que mal tenho andado! Há quanto tempo não sonho com o duque de Zhou», o que seria apenas inicialmente entendido como um lamento sobre a perda de ideais mas mais tarde tomado à letra, dado o modo como o seu nome capturou a imaginação das gerações seguintes.

Ji Dan, o duque de Zhou, ou Zhou gong Dan, o filósofo que foi regente no início da dinastia Zhou (r.1042-1035 a. C.), seria já então uma idealizada figura de um mestre de pensamento que teria contribuído na elaboração de conceitos basilares como o Mandato Celeste para justificar o poder imperial ou participado nos mais importantes textos que exprimem a singular perspectiva nacional sobre o Mundo e a correcta conduta humana nele, como o I Ching, o Clássico da poesia (Shijing) ou o livro dos Ritos de Zhou (Zhouli).

O seu nome também surge como autoria inicial simbólica, para lhe conferir autoridade, ligado a um manual de interpretação de sonhos Zhougong Jiemeng, que seria no início um auxiliar para a tomada de decisões dos dirigentes mas cuja versão actual datará já da dinastia Tang (618-907) nele se agregando adivinhação, filosofia e cultura popular.

Aí se encontram métodos de oneiromancia como fanmeng que faz a interpretação inversa de um sonho; se este tem um conteúdo angustiante obterá resultados favoráveis, ou chaizi, o jogo de palavras que destas deriva sentidos ocultos. Se foram muitas vezes descartados como superstição, em certos períodos os sonhos tomaram especial relevo.

Durante a dinastia Ming, um alto funcionário da corte chamado Xu Xianqing (1537-1602) quis deixar para a posteridade a sua autobiografia de um modo preciso e concreto, solicitando para tal o auxílio de dois pintores conhecidos pelo seu apurado método realista de retratar edifícios, vestuários e situações e da qual constam dois sonhos.

Yu Shi e Wu Yue fizeram com esse álbum de 1588 (vinte seis folhas duplas, tinta e cor sobre seda, 62 x 58,5 cm, no Museu do Palácio em Pequim) um elucidativo documento sobre a vida e os lugares por onde se movimentava um alto funcionário naquele tempo. Cada situação mostrada é acompanhada de poemas, comentários ou reflexões escritas pelo próprio biografado, que diz com exactidão a idade que tinha quando ela ocorreu. Na primeira, tinha então doze anos, morreu a sua mãe e vê-se o menino despertado ao lado do pai adormecido, sonhando com a mãe de pé junto à porta. Na décima quinta situação o título diz: «Sonhando com Confúcio e convalescendo», está o funcionário com 45 anos deitado na cama de onde sai, como um balão, outra situação onde está representado Confúcio num carro. Sonhos volitivos que falam do amor filial e da lealdade aos Ming, o objectivo afinal expresso no título Huanji, «Traços de um servidor público».

Suicídio | Linha de Apoio da Cáritas recebeu cerca de 30 chamadas por dia

Entre 16 e 19 deste mês, os últimos três dias do ano lunar passado, a linha de apoio da Cáritas para a prevenção do suicídio intitulada Caritas LifeHope recebeu cerca de 30 chamadas diárias. O número foi indicado pela responsável da linha telefónica, Ng Lai Ieng, citada pelo jornal Ou Mun.

A responsável explicou que o número de chamadas diárias foi semelhante ao dos outros dias úteis. Ng Lai Ieng revelou que sete destas chamadas foram pedidos de ajuda relacionados com suicídio, mas que felizmente não passaram de pensamentos, sem qualquer tipo de planeamento ou acção associada. Ng apontou que nestes casos as chamadas são classificadas como casos de baixo risco.

Os outros pedidos de ajuda foram motivados por conflitos conjugais ou problemas de adaptação em situações de divórcio, stress, e outros casos de instabilidade mental e emocional.

Todos aqueles que estejam emocionalmente angustiados ou considerem que se encontram numa situação de desespero devem ligar para a Linha Aberta “Esperança de vida da Caritas” através do telefone n.º 28525222 de forma a obter serviços de aconselhamento emocional.

Portugal | BNU e Misericórdia juntam-se a campanha solidária

Seis entidades de matriz portuguesa em Macau e Hong Kong anunciaram uma campanha de angariação de fundos para ajudar as vítimas das tempestades em Portugal. Depois da Cáritas Macau, a onda solidária engloba o BNU, Misericórdia, Casa de Portugal, Conselho das Comunidades Portuguesas, Grupo de Escuteiros Lusófonos de Macau e o Club Lusitano

Depois de a Cáritas Macau ter anunciado há cerca de duas semanas que estava a recolher fundos para ajudar as vítimas das tempestades que afectaram Portugal e Espanha nas últimas semanas, a campanha solidária em Macau e Hong Kong foi alargada a seis entidades de matriz portuguesa.

Os donativos monetários podem ir para uma conta do Banco Nacional Ultramarino (BNU), que se associou à iniciativa, de acordo com um comunicado conjunto.

Os fundos serão depois reencaminhados “para uma ou mais instituições de solidariedade social portuguesas com actuação no terreno, garantindo-se a transparência e a rastreabilidade de todo o processo”, acrescentaram na mesma nota. Lembrando a “melhor tradição de fraternidade e solidariedade que une os povos de língua portuguesa”, o comunicado faz “um apelo público à mobilização da comunidade lusófona em Macau e na Região da Grande Baía”.

Além de contar com o apoio institucional do consulado, a campanha foi lançada pela associação Casa de Portugal em Macau, o Círculo da China do Conselho das Comunidades Portuguesas e o Grupo de Escuteiros Lusófonos de Macau.

Longo desafio

Em Hong Kong, a iniciativa conta com a participação do Club Lusitano, a maior instituição da comunidade lusodescendente da antiga colónia britânica, com cerca de 400 membros, fundada em 1866. Recorde-se que em 10 de Fevereiro, a organização católica Cáritas Macau lançou uma campanha de angariação de fundos, durante três meses, para os afectados pelas tempestades na Península Ibérica.

Numa nota publicada nas redes sociais, a organização católica lamentou as “tempestades devastadoras” que provocaram “inundações catastróficas” e deslizamentos de terras em Portugal e Espanha, destruindo infra-estruturas e casas. “Milhares de pessoas estão desalojadas e necessitam urgentemente de água, alimentos e cuidados médicos. As equipas locais trabalham incansavelmente, mas a recuperação será longa e desafiante”, alertou a Cáritas Macau.

Na quarta-feira, a União das Misericórdias Portuguesas disse ter recebido um donativo no valor de 300 mil euros da Misericórdia de Macau para apoiar as congéneres que sofreram danos significativos provocados pela depressão Kristin.

Dezanove pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados. A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afectadas. A situação de calamidade que abrangia os 68 concelhos mais afectados terminou a 15 de fevereiro.

Saúde | Abertas inscrições para formação em medicina clínica

Estão abertas, até 4 de Março, as inscrições para o “curso de formação em competências básicas de medicina clínica”, indicaram os Serviços de Saúde na sexta-feira.

O curso, organizado em conjunto com o Hospital das Ilhas e o Hospital Kiang Wu, tem como objectivo “a elevação do nível dos serviços de cuidados de saúde”, “promover o desenvolvimento sinérgico dos sistemas de saúde público e privado”, e “melhorar as capacidades técnicas e a competitividade dos profissionais de saúde de Macau”.

O presente curso de formação será leccionado por médicos dos Serviços de Saúde, e dos hospitais das Ilhas e Kiang Wu, com um programa centrado na introdução sistemática às competências básicas de medicina clínica para generalistas e médicos residentes.

Serão disponibilizadas 50 vagas para profissionais interessados em se médicos generalistas ou médicos residentes em hospitais públicos ou privados da região. As sessões de formação estão marcadas para os fins-de-semana entre 7 e 22 de Março na sala multifunções da Academia Médica de Macau, no Edifício Dynasty Plaza, na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, Macau. Os cursos serão ministros em chinês.

Natalidade | Prevista subida de taxa em 4,5 por cento

Após visitar os primeiros bebés do Ano do Cavalo, Tai Wa Hou indicou que a previsão de aumento se deve ao facto de o Governo ter lançado “serviços de alta qualidade” para promover a natalidade

O líder do hospital público previu que deverá haver mais de três mil nascimentos em 2026, uma subida de pelo menos 4,5 por cento, na região com a mais baixa natalidade do mundo. De acordo com o canal em chinês da emissora pública TDM Macau, o director substituto do Centro Hospitalar Conde de São Januário disse estar confiante em que os jovens casais do território irão ter mais filhos.

Após visitar os primeiros bebés nascidos no Ano Lunar do Cavalo de Fogo, que agora arrancou, Tai Wa Hou defendeu que o Governo lançou “serviços de alta qualidade” para promover a natalidade. Em Julho, o parlamento local aprovou uma revisão do orçamento para reforçar os apoios sociais, incluindo a criação de um subsídio, no valor total de 54 mil patacas, para as crianças até aos três anos.

O Governo lançou também uma consulta pública sobre o aumento, no sector privado, da licença de maternidade, de 70 para 90 dias, e das férias anuais, de seis para 12 dias para “obter um melhor equilíbrio entre o trabalho e a vida familiar”.

A mãe da primeira bebé do ano, nascida às 00h11 no Conde de São Januário, de apelido Fung, disse à TDM ter planos para ter mais filhos e esperar que a recém-nascida cresça com “muitos irmãos”. A estimativa feita por Tai Wa Hou representa, ainda assim, uma queda em comparação com a previsão feita há praticamente um ano, também no primeiro dia do Ano Novo Lunar.

Números negros

Em 29 de Janeiro de 2025, o subdirector dos Serviços de Saúde de Macau, Kuok Cheong U, previu que o ano iria terminar com menos de 3.500 nascimentos.

Em 01 de Janeiro passado, Tai Wa Hou revelou que Macau registou 2.871 recém-nascidos em 2025, o menor número em quase 50 anos, desde 1978, quando a cidade, então sob administração portuguesa, registou 2.407 recém-nascidos.

No entanto, enquanto em 1978 Macau tinha menos de 249 mil habitantes, no final de Setembro de 2024 a região já tinha uma população de quase 687 mil. O número de nascimentos caiu, assim, pelo sexto ano consecutivo e está cada vez mais longe do máximo histórico de 7.913, fixado em 1988.

Macau registou em 2024 apenas 0,58 nascimentos por mulher, muito longe do valor necessário para a substituição de gerações (2,1), a menor taxa de fecundidade de sempre na região e a mais baixa do mundo, de acordo com dados oficiais.

DST | Mercado português é prioritário

A directora dos Serviços de Turismo (DST), Maria Helena de Senna Fernandes, disse que Portugal será uma das prioridades de Macau no que toca a atrair mais visitantes estrangeiros. Numa mensagem transmitida pela emissora pública TDM – Teledifusão de Macau, a propósito do Ano Lunar do Cavalo de Fogo, Senna Fernandes apontou entre os alvos para este ano “mercados europeus, como Portugal e Espanha”.

A dirigente mencionou ainda o Sudeste Asiático, o Nordeste da Ásia – região que inclui o Japão, a Mongólia e o extremo oriente da Rússia – e “os mercados turísticos emergentes no Médio Oriente e na Ásia Central”. Senna Fernandes previu que Macau receba 41 milhões de visitantes em 2026, depois de ficar perto de 40,1 milhões de visitantes no ano passado, um novo máximo histórico. A maioria (90,6 por cento) dos turistas veio do Interior da China ou Hong Kong.

Turismo | Pedidos planos para incentivar consumo

O deputado Chan Lai Kei quer que o Governo tire ilações em relação às estatísticas do turismo e dos padrões de consumo dos visitantes para implementar medidas que potenciem o aumento da permanência dos turistas em Macau e do comércio nos bairros residenciais fora dos roteiros turísticos. Numa interpelação escrita, o deputado ligado à comunidade de Fujian indicou que durante este Ano Novo Lunar, o Governo apostou muitos recursos para organizar grandes eventos, que não conseguiram beneficiar as pequenas e médias empresas das zonas menos procuradas por turistas.

Chan Lai Kei defende que o Governo deve aperfeiçoar o sistema de transportes durante os períodos de feriados nacionais, de forma a facilitar a visita aos bairros residenciais, afastados dos centros de turismo mais populares. O deputado pediu também ao Executivo de Sam Hou Fai medidas práticas que melhorem as experiências dos turistas internacionais e eliminem os obstáculos actuais, como a falta de pagamentos electrónicos internacionais e as barreiras linguísticas.

Local de Espectáculos | IC vai lançar novas medidas

A presidente do Instituto Cultural (IC), Deland Leong, revelou que o IC vai lançar uma plataforma online para as empresas consultarem os pedidos de aluguer do Local de Espectáculos ao Ar Livre de Macau. As mudanças fazem parte dos objectivos do Governo para “ampliar e reforçar as funções” do local de concertos e foram reveladas no programa matinal Fórum Macau do canal chinês da Rádio Macau.

Este objectivo tinha sido revelado anteriormente pela secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, durante a apresentação das Linhas de Acção Governativa, na Assembleia Legislativa. Nessa altura, a secretária apontou que no futuro o espaço pode vir a receber campos de basquetebol 3×3 ou outras instalações para actividades desportivas em família. Deland Leong reconheceu também que o Governo vai rever parte dos regulamentos e orientações para a utilização do espaço.

Fronteiras | Secretário quer segurança contra forças externas

O secretário para a Segurança prometeu que a região irá reforçar a segurança nas fronteiras em 2026, “para evitar a interferência de forças externas”. Chan Tsz King destacou a importância da colaboração com as secretas do Interior da China e de Hong Kong

O secretário para a Segurança, Chan Tsz King, comprometeu-se com o reforço da segurança nos postos fronteiriços de Macau ao longo deste ano, “para evitar a interferência de forças externas”, mas sem apontar quaisquer ameaças.

“Aprimoraremos ainda mais a vigilância de segurança nos portos marítimos e terrestres, para evitar a interferência de forças externas”, disse Chan à emissora pública TDM – Teledifusão de Macau.

Numa mensagem a propósito do Ano Lunar do Cavalo de Fogo, que começou na semana passada, o dirigente não identificou quais as ameaças vindas do estrangeiro, mas prometeu “salvaguardar integralmente a segurança nacional”. “Continuaremos a fortalecer as nossas capacidades de recolha e análise de inteligência, especialmente através de intercâmbios de inteligência contínuos com a China continental e Hong Kong”, disse também Chan Tsz King.

Em Novembro, o secretário prometeu criar, em 2026, um sistema de alerta de riscos contra a segurança nacional e alertou contra “actos de interferência e destruição” por parte de “forças externas”.

Discórdia perigosa

Em 31 de Julho, a polícia de Macau anunciou a detenção do ex-deputado Au Kam San, cidadão português, no primeiro caso ao abrigo da lei de segurança nacional.

Em 5 de Fevereiro, o director da Polícia Judiciária garantiu aos jornalistas que havia provas suficientes para justificar a detenção de Au Kam San. “As provas são muitas e estamos a entrar no processo de julgamento, por isso não podemos divulgar os detalhes”, disse Sit Chong Meng.

Três dias antes, a organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch disse que o caso de Au Kam San ilustra a “erosão da autonomia e das liberdades fundamentais” em Macau.

Em Novembro, o chefe da Delegação da União Europeia (UE) em Hong Kong e Macau escreveu nas redes sociais que se tinha encontrado com o secretário para a Economia e Finanças de Macau, Anton Tai Kin Ip. “Também expressei preocupação com questões políticas”, acrescentou o britânico Harvey Rouse. Mas a representação da UE escusou-se a revelar à Lusa se o processo contra Au Kam San foi mencionado na reunião.

Em Setembro, durante uma visita a Macau, o primeiro-ministro Luís Montenegro admitiu que não discutiu a detenção do cidadão português com o líder do território, Sam Hou Fai. “Há alguns assuntos que merecem também algum recato no tratamento e esse é um deles”, defendeu o primeiro-ministro.

Táxis | Mulheres querem que Governo controle aplicações

A Associação das Mulheres defende que a utilização das plataformas online para chamar táxis deve estar sujeita a um mecanismo de controlo permanente pelo Governo. A opinião consta de um documento divulgado da sexta-feira, pela associação que conta com duas representantes na Assembleia Legislativa, numa altura em que a Uber, uma aplicação que não é chinesa, começou a operar na RAEM.

A associação afirma que o objectivo seria permitir ao Governo saber em tempo real as necessidades de táxis no território, através da utilização de tecnologias de inteligência artificial.

Com foco nas horas de pico e feriados, a abordagem permitirá a coordenação com os operadores de plataformas para alocar dinamicamente a capacidade de transporte, melhorando a cobertura entre distritos e reduzindo períodos de inactividade de táxis. A “abordagem sistémica aumentará a eficiência operacional dos táxis”, foi defendido.

Justiça | Deputado diz que julgamentos à porta fechada não violam Lei Básica

O deputado e subdirector da Faculdade de Direito da Universidade de Macau Iau Teng Pio defendeu que a realização à porta fechada de julgamentos ligados à segurança nacional não viola a Lei Básica da RAEM. Num artigo citado pela emissora pública TDM – Teledifusão de Macau, Iau defendeu que “o princípio de exclusão da publicidade” não equivale a “um segredo absoluto” do julgamento.

No artigo, publicado na sexta-feira, o deputado defendeu que a proposta “está em conformidade com o espírito” do Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos (PIDCP), aplicável em Macau através da Lei Básica.

Iau defendeu que um julgamento à porta fechada continua a ser “um processo justo” porque os advogados mantêm “diferentes direitos processuais”, que previnem “negociações secretas”. O jurista sublinhou que países como França e Alemanha – de direito civil, semelhante ao utilizado em Portugal, que serviu de base ao sistema legal de Macau -também preveem a exclusão de publicidade em casos que envolvam “segredo de Estado”.

No artigo, Iau não faz qualquer comentário sobre as restrições à nomeação de advogado em casos de segurança nacional, algo que analistas ouvidos pela Lusa consideram inconstitucional.

Ano Novo | Sam faz “votos de paz e prosperidade à grande Pátria”

O Chefe do Executivo entrou no ano do Cavalo de Fogo com desejos de prosperidade nacional e apontou a “novos horizontes” para Macau, sob a “firme” liderança do Presidente Xi Jinping

No tradicional discurso de entrada no Ano Novo Lunar, o Chefe do Executivo deixou desejos de “paz e prosperidade à grande Pátria”. A mensagem foi transmitida num vídeo gravado, divulgado na véspera no Ano Novo Lunar.

“O sino do Ano do Cavalo vai tocar. Neste momento, a Primavera sente-se em todo o seu esplendor em Macau e esta pérola brilha incessantemente na palma da mão da Pátria”, afirmou Sam Hou Fai. “Apresento votos de paz e prosperidade à grande Pátria; à RAEM, votos de estabilidade e desenvolvimento próspero; a todos os residentes de Macau, votos de felicidades e muita saúde”, acrescentou.

Em relação à entrada no novo ano, o governante afirmou que o “cavalo simboliza lealdade, coragem, espírito explorador e liberdade” e que estas qualidades “devem ser promovidas” para enfrentar “o futuro”. “Perspectivando o Ano do Cavalo, devemos, com espírito de liderança, coragem e perseverança, promover da melhor maneira o desenvolvimento de Macau em todas as vertentes; devemos, com persistência e dedicação, continuar a executar adequadamente os trabalhos para melhorar a vida da população em prol do seu bem-estar”, destacou.

Ficar mais fortes

Na mensagem, o Chefe do Executivo destacou ainda a necessidade da RAEM e o país continuarem a fortalecerem-se para alcançar novos êxitos. “Como diz a citação chinesa: ‘O movimento do céu é vigoroso; portanto, uma pessoa nobre deve esforçar-se incansavelmente por se fortalecer’”, vincou. “A história de sucesso do princípio ‘Um País, Dois Sistemas’ na RAEM é escrita geração após geração pelas gentes de Macau. Estou convicto de que, sob a firme liderança do Senhor Presidente Xi Jinping e do Governo Central, contando com a grande Pátria como respaldo inabalável, desde que tenhamos coragem para a reforma e a inovação, potenciando melhor as vantagens institucionais do princípio ‘Um País, Dois Sistemas’, seremos certamente capazes de alcançar êxitos, abrindo novos horizontes de desenvolvimento e criando novos êxitos esplêndidos”, apontou o líder do Governo da RAEM.

Património | Histórias das lojas da Rua Cinco de Outubro contadas em livro

Natalie Fu acaba de lançar um livro sobre o comércio tradicional da Rua Cinco de Outubro, a convite da Associação de Estudos de Reinvenção do Património Cultural de Macau. “Macao’s Historical House Taxonomy – The Shophouses at the Rua Cinco de Outubro” conta a história secular de lojas-casa que foram o “coração da comunidade chinesa de Macau”

Acaba de ser editado um livro que revela um pouco da história do comércio feito pela comunidade chinesa na Rua Cinco de Outubro, localizada no Porto Interior, palco de muitas movimentações comerciais ao longo dos séculos. A obra explica também como estas lojas, que, ao mesmo tempo, são casas, revelam detalhes sobre a história de Macau.

“Macao’s Historical House Taxonomy – The Shophouses at the Rua Cinco de Outubro”, da autoria de Natalie Fu, doutoranda na Universidade de São José, surge a convite da Associação de Estudos de Reinvenção do Património Cultural de Macau, cuja edição depende também “do apoio e da assistência de muitas outras pessoas”, contou a autora ao HM. Um dos espaços de venda do livro, que não tem versão em português, é a Pin-to Livros.

“A investigação começou com o amor por Macau e pelos seus edifícios antigos”, revela a autora, que começou o trabalho de investigação em torno destes prédios em 2022, em plena pandemia.

“A Rua de Cinco de Outubro sempre foi uma importante zona comercial em Macau. Outrora, era o coração da comunidade chinesa de Macau. Ainda hoje, muitas lojas antigas permanecem próximas do bairro local. As lojas são edifícios de uso misto”, explica ainda a autora.

Este é o palco da diversidade comercial, uma vez que a Rua Cinco de Outubro “alberga vários negócios, tais como padarias tradicionais chinesas, lojas de medicina chinesa, lojas de chá e lojas de fruta”.
Segundo a apresentação da obra, feita nas redes sociais pela própria associação, este tipo de imóvel constitui “um tipo comum de edifício residencial multifuncional”, onde a “planta dos edifícios é geralmente rectangular, com dois a três pisos”. Normalmente, o piso térreo é usado para a loja ou como armazém, enquanto que os pisos superiores estão reservados para a habitação.

“Este tipo de construção consegue adequar-se ao clima local, apresentando grande flexibilidade nos métodos de construção e nos materiais utilizados. Devido à diversidade dos usos quotidianos, as casas-loja foram outrora o principal tipo de edificação das ruas de Macau, possuindo importante valor histórico, social, cultural, arquitectónico e estético”, lê-se ainda.

Desafios de preservação

Ainda segundo a mesma nota, o livro chama a atenção para a importância de se preservar este tipo de construção e, consequentemente, um símbolo do património local. “Infelizmente, por se tratarem de edifícios de pequena escala e dispersos, e por não estarem plenamente protegidos pela Lei de Protecção do Património de Macau, têm vindo a desaparecer gradualmente com o rápido desenvolvimento da sociedade”, sendo que, actualmente, “apenas um pequeno número destas construções tem a classificação de ‘monumento’ e está protegido”.

Para Natalie Fu, “a preservação das lojas de Macau enfrenta muitos desafios, um dos quais é o facto de não estarem incluídas na lista existente de edifícios antigos protegidos de Macau”, além de que, na sua visão, “as alterações nas leis de construção também dificultaram a manutenção destes edifícios antigos”.

Questionada sobre o futuro desta rua icónica do Porto Interior, a autora reconhece que “o crescimento de uma cidade envolve inevitavelmente a renovação e o desaparecimento de edifícios”, pelo que “determinar quais os edifícios que devem ser preservados e como preservá-los é um desafio a longo prazo”.

Natalie Fu fala mesmo da necessidade de alargar a investigação a mais ruas de Macau que também são zonas de comércio tradicional. “A investigação e documentação das lojas na Rua Cinco de Outubro e em Macau são urgentes, uma vez que o seu número está a diminuir. Além disso, são necessárias investigações académicas adicionais e discussões com a comunidade local para informar a direcção futura da área do Porto Interior.”

Em relação ao panorama na Rua Cinco de Outubro, a autora descreve que se deve apostar na manutenção, mantendo os espaços comerciais abertos. “As lojas que são mantidas em utilização destacam melhor o seu valor social. Tomando como exemplo algumas lojas na Rua Cinco de Outubro, a existência de lojas centenárias enfatiza ainda mais o valor cultural e histórico da área e das lojas. Além disso, ‘mantê-las em uso’ permite a monitorização e manutenção de forma mais imediata, o que constitui a forma mais directa de proteger a arquitectura antiga.”

Uma certa influência

Num território que pautado pela coexistência das culturas portuguesa e chinesa, o livro de Natalie Fu mostra como estas casas sofreram influências de outras culturas. “As arquitecturas chinesa e ocidental em Macau sempre se influenciaram mutuamente ao longo do desenvolvimento histórico, sendo esta característica particularmente visível na aparência das casas-loja.” Desta forma, este livro ajuda a cimentar essa característica, “estabelecendo um sistema de classificação das casas-loja de Macau, consolidando a sua definição arquitectónica”.

Este livro é, portanto, um “estudo classificativo das antigas casas-loja de Macau”, constituindo “o primeiro passo para a sua salvaguarda”, descreve, na mesma nota, a associação que apoiou o projecto editorial e investigação.

“A autora realizou um registo e levantamento detalhados [das lojas], começando por realizar visitas e levantamentos de cartografia na zona do Porto Interior. Foram elaborados mapas de localização das casas-loja existentes nessa rua, fichas de análise com base em trabalho de campo, registos fotográficos e entrevistas aos comerciantes e moradores actuais, de modo a compreender a história do uso de cada edifício.”

Além disso, a obra documenta sete casos em particular, “fornecendo informações sobre a sua história, evolução e utilização actual, bem como uma discussão preliminar sobre possíveis direcções de preservação”. O livro deixa ainda o registo de dois exemplos de casas-loja que já desapareceram. “Espera-se que esta obra incentive mais pessoas a descobrirem a ‘beleza de Macau’. Tendo as casas-loja como tema central, é esperada a promoção do intercâmbio e da discussão entre académicos de diferentes áreas”, aponta ainda a associação.

Natalie Fu convidou “vários especialistas e académicos para partilhar as suas ideias, experiências e sugestões sobre a protecção e o futuro deste tipo de edifícios”, é descrito.

Nascida e criada em Macau, Natalie Fu teve a oportunidade de visitar todo o Sudeste Asiático desde muito jovem, viagens que a levaram a “fomentar uma profunda apreciação e paixão pela arquitectura”. A autora é licenciada em Arquitectura, descrevendo-se também como uma pessoa interessada pela área da conservação do património e uma “estudiosa da arquitectura histórica formada em Macau”.