Seguros | Vendedores não conseguem receber comissões

Os veículos com matrículas duplas de Macau e Hong Kong precisam de três seguros para circular na Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau. No entanto, quando os vendedores de Macau contribuem para a compra dos seguros fora da RAEM estão legalmente impedidos de receber comissão

Os vendedores de seguros em Macau que ajudam os proprietários de veículos com matrícula dupla de Hong Kong e de Macau a obterem seguros para circularem na Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau não estão a receber comissões pelo serviço. A situação foi denunciada pelo deputado Leong Sun Iok, que indica existirem impedimentos legais em Hong Kong a bloquear o pagamento das comissões.

Actualmente, uma vez que grande parte da ponte fica na jurisdição do Interior, os residentes com matrícula de Macau e Hong Kong precisam de adquirir seguros nas três jurisdições. Estes seguros podem ser comprados em Macau, através dos serviços “one stop”.

No entanto, mesmo quando a compra acontece em Macau e por veículos de Macau, a legislação em vigor em Hong Kong impede que se paguem comissões sobre esses seguros em Macau. Segundo Leong, o “sector” dos seguros “presta apoio aos residentes no tratamento dos seguros legais dos três locais para ‘veículos de dupla matrícula de Hong Kong e de Macau’, através do mecanismo ‘one stop’”, mas depois “esses trabalhadores não conseguem obter a respectiva retribuição pelo serviço prestado”.

Frutos do desenvolvimento

Neste sentido, e dado que muitas vezes o registo inicial da viatura aconteceu em Macau, onde a primeira matrícula foi emitida e o veículo circula principalmente, Leong Sun Iok pede ao Governo que crie um mecanismo com as autoridades de Hong Kong, para permitir pagamentos aos trabalhadores em Macau. “Sugere-se que se estude, em conjunto com Hong Kong, a possibilidade da criação de um ‘mecanismo de conformidade’, com base no ‘local onde foi efectuado o registo inicial e a primeira matrícula de veículo’, para permitir que os referidos trabalhadores de Macau possam obter uma retribuição correspondente”, apontou.

Leong argumenta ainda que esta questão passa por defender “os direitos e interesses” dos trabalhadores locais que contribuem para a compra dos seguros, pelo que no seu entender devem ter direito a receber uma comissão.

Na interpelação divulgada no portal da Assembleia Legislativa, Leong Sun Iok pede ainda que as autoridades acelerem a política de reconhecimento de seguros equivalentes para os veículos que só têm matrícula de Hengqin ou matrícula dupla de Guangdong e de Macau, para ficarem dispensados da compra de dois seguros de responsabilidade civil de automóvel.

UCCLA | Sam Hou Fai promete expandir cooperação sino-lusófona

Decorreu esta segunda-feira a 43.ª assembleia-geral da UCCLA – União de Cidades Capitais da Língua Portuguesa, com uma delegação a reunir com Sam Hou Fai. O Chefe do Executivo da RAEM disse, no encontro, que o Governo “irá continuar a expandir plataformas de intercâmbio e cooperação sino-lusófonas” com “influência internacional”

A UCCLA – União de Cidades Capitais da Língua Portuguesa esteve em Macau para realizar a sua 43ª assembleia-geral, que decorreu esta segunda-feira no Complexo da Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa. Porém, no contexto deste encontro, o Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, reuniu com representantes da delegação da UCCLA.

Citado por uma nota oficial, Sam Hou Fai disse ser “inquestionável o posicionamento [de Macau] enquanto Centro Mundial de Turismo e Lazer e a sua função como plataforma sino-lusófona”. Ficou ainda a promessa de que o Executivo “irá continuar a expandir as plataformas de intercâmbio e cooperação sino-lusófonas de influência internacional”, apostando em “cooperações pragmáticas com diversos países e regiões de língua portuguesa”.

Esta foi a quarta vez que a UCCLA realizou uma assembleia-geral no território, tendo Sam Hou Fai destacado que Macau “foi um dos [territórios] fundadores desta organização”, mantendo “uma cooperação estreita com a UCCLA com vista a promover um desenvolvimento coordenado entre Macau e as diversas cidades de língua portuguesa”.

Sam Hou Fai disse esperar que “os membros da União possam também comprovar os resultados significativos e as profundas mudanças que a RAEM alcançou nos últimos 26 anos desde o seu estabelecimento”.

Rasaque Silvano Manhique, presidente da UCCLA, destacou “as vantagens particulares e contributos significativos de Macau na promoção de cooperação entre as cidades de língua portuguesa, na transmissão da multiculturalidade e no apoio para o intercâmbio e cooperação entre a China e os países de língua portuguesa”.

O responsável adiantou que a UCCLA vai “continuar a aprofundar as relações de cooperação com o território”, esperando criar “uma rede de cooperação mais estreita entre cidades de língua portuguesa, através das suas funções de coordenação transregional e de cooperação externa de cidades”.

Macau preside

Na 43.ª assembleia-geral estiveram 35 representantes e empresários das cidades membros de países de língua portuguesa, designadamente, Angola, Cabo Verde, Moçambique, Portugal, e São Tomé e Príncipe.

Neste encontro, foram eleitos os novos órgãos sociais para o biénio 2026-2028, sendo que a RAEM foi eleita para a presidência da comissão executiva. Foram aprovadas as adesões da cidade de Calumbo, de Ícolo e Bengo, em Angola, e da cidade de Viseu, em Portugal, assim como o Plano de Actividades para este ano.

A UCCLA é uma organização intermunicipal, sem fins lucrativos, que se dedica ao fomento do intercâmbio e da cooperação entre os seus membros em vários domínios. Constituída em 1985, tem entre as cidades fundadoras Bissau, Lisboa, Luanda, Macau, Maputo, Praia, Rio de Janeiro e São Tomé/Água Grande. Actualmente, congrega 106 membros, entre os quais 24 efectivos, 44 associados, 28 apoiantes e 10 observadores.

Segundo a agência Lusa, o secretário-geral da UCCLA, Luís Campos Ferreira, indicou que as cidades lusófonas têm “muito a aprender com a China”.

“A República Popular da China deposita em Macau a sua plataforma para os países de língua portuguesa e, neste caso concreto, para as cidades de língua portuguesa. A China é muito útil e tem muito conhecimento a transmitir. Todos nós temos muito a aprender com a China também”, afirmou. O antigo secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, entre 2013 e 2015, destacou também ser preciso melhorar a cooperação entre cidades lusófonas para além dos campos económicos e culturais.

“O que sentimos é que há uma vontade de colaborar ainda mais, de as cidades partilharem conhecimento umas com as outras, para responder melhor às necessidades dos cidadãos”, afirmou Ferreira. O responsável destacou que a comunicação já existe em várias dimensões, “nomeadamente na cultural e na económica”, mas que precisa de ser reforçada. Com Lusa

Electricidade | Governo analisa novos fornecimentos de energia

Ip Kuong Lam, director da Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA), garantiu, numa resposta à interpelação escrita da deputada Song Pek Kei, que “no futuro, e à medida que a cooperação entre Macau e Hengqin se for aprofundando, serão estudadas novas modalidades de fornecimento de energia eléctrica adequadas a Macau”.

Actualmente, este fornecimento “ainda se baseia, principalmente, na importação de energia eléctrica do Interior da China, sendo complementado pela produção local”, disse o director, que acrescentou “estarem em curso estudos e o planeamento para a quarta interligação de transmissão de energia eléctrica”. Neste contexto, “não há planos para construção de novas unidades geradoras”.

Song Pek Kei deixou questões sobre a construção de um sistema de energia eléctrica de baixo carbono, tendo Ip Kuong Lam dito que, de momento, “todas as centrais eléctricas locais operam com geradores a gás natural para a produção de electricidade”. “As unidades geradoras a fuelóleo existentes são apenas utilizadas em situações de emergência”. Desta forma, “o novo contrato de concessão de electricidade está em linha com o rumo definido na Estratégia de Descarbonização a Longo Prazo de Macau”.

Aeroporto | Coutinho denuncia falta de estacionamento

O deputado José Pereira Coutinho interpelou o Governo sobre a “crónica falta de lugares de estacionamento no Aeroporto Internacional de Macau”, tendo por base “as muitas opiniões recebidas regularmente” no seu gabinete de cidadãos.

Segundo descreve o deputado na interpelação escrita, os veículos normais e também as viaturas de turismo “são quase sempre forçadas a estacionar temporariamente nas vias adjacentes ou nas entradas e acessos” ao aeroporto, o que causa “engarrafamentos e ocupação de uma das faixas rodoviárias, o que afecta a fluidez do tráfego”.

O deputado entende que “residentes e turistas do interior do continente têm aproveitado as facilidades de transporte da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau (HZMB), que proporciona um melhor acesso dos residentes ao Aeroporto Internacional de Hong Kong”. Desta forma, o deputado questiona “que medidas concretas e eficazes estão a ser implementadas para expandir a capacidade de estacionamento do aeroporto, designadamente através da ligação com o parque do Terminal de Pac On”.

Tabaco | Consulta pública com mais de 2.500 opiniões

Terminou o processo de consulta pública relativo à alteração da Lei de Controlo do Tabagismo. Segundo uma nota dos Serviços de Saúde (SS), foram recolhidas mais de 2.500 opiniões que serão agora analisadas e incluídas no relatório final, que ficará depois disponível para consulta da população.

A consulta decorreu entre os dias 8 de Março e 8 de Abril deste ano, tendo sido recolhidas 2.569 opiniões enviadas por meios electrónicos ou presenciais. Foram ainda realizadas três sessões de consulta que registaram 230 participantes.

Segundo a nota dos SS, “os pontos principais da consulta pública abrangem o alargamento das áreas de proibição de fumar ao ar livre, a proibição do fabrico e da circulação de bolsas de nicotina, cigarros à base de plantas e cachimbos de água (incluindo tabaco/pasta de tabaco para cachimbo de água e narguilé)”, ou ainda “a proibição da posse de cigarros electrónicos em locais públicos”, entre outras alterações.

Quadros qualificados | Macau quer atrair mais talentos lusófonos

A meta foi traçada por Kong Chi Meng, coordenador da Comissão de Desenvolvimento de Quadros Qualificados, que promete um esforço mais activo na captação de talentos da lusofonia

O coordenador da Comissão de Desenvolvimento de Quadros Qualificados de Macau disse que a região chinesa quer promover o programa de “captação de talentos” nos países lusófonos, incluindo Portugal e Brasil. Kong Chi Meng prometeu “promover de forma proactiva a política de atracção de talentos no estrangeiro, incluindo nos países de língua portuguesa”, de acordo com a emissora pública TDM – Teledifusão de Macau.

“Estamos também a trabalhar com o Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento para promover de forma simultânea o investimento e a captação de talentos”, acrescentou Kong. O também director dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude revelou que o programa já recebeu mais de duas mil candidaturas, com cerca de 900 já aprovadas.

A terceira fase do programa, que começou em Dezembro e decorre durante um ano, atraiu quase 300 candidaturas, acrescentou Kong. O dirigente sublinhou que a terceira fase inclui novos critérios, incluindo uma maior valorização de quadros qualificados com diplomas de universidades de Portugal e do Brasil.

Macau estabeleceu em Julho de 2023 um programa de captação de quadros qualificados do sector financeiro e das áreas de investigação e desenvolvimento científico e tecnológico, entre eles detentores do Prémio Nobel. O programa prevê, entre outras vantagens, benefícios fiscais.

Caminho único

Este programa tornou-se a única alternativa para os cidadãos portugueses obterem o bilhete de identidade de residente no território.

Macau não aceita desde Agosto de 2023 novos pedidos de residência de portugueses para o “exercício de funções técnicas especializadas”, permitindo apenas justificações de reunião familiar ou anterior ligação ao território. As orientações eliminam uma prática firmada após a transição de Macau, em 1999.

Aos portugueses resta a emissão de um ‘blue card’, autorização limitada ao vínculo laboral, sem os benefícios dos residentes, nomeadamente ao nível da saúde ou da educação. Os censos de 2021 indicam mais de 2.200 pessoas nascidas em Portugal a viver em Macau. A última estimativa dada à Lusa pelo Consulado-geral de Portugal apontava para cerca de 155 mil portadores de passaporte português entre os residentes de Macau e Hong Kong.

23 BIRs

No ano passado, houve um total de 23 bilhetes de identidade de residente (BIR) atribuídos a cidadãos portugueses, mais dois do que no ano anterior, quando foram autorizados 21 bilhetes de identidade de residente. Os dados da Direcção dos Serviços de Identificação (DSI) foram divulgados ontem pelo jornal Ponto Final. Os números dos últimos dois anos foram os mais baixos desde 2000. Desde 2021, um dos anos da pandemia em que havia fortes restrições de entrada no território, que o número nunca ficou acima das 100 autorizações, como acontecia regularmente desde 2000.

Igreja | Papa sem medo da Administração de Trump

O Papa rejeitou ontem ter medo da Administração dos Estados Unidos e querer entrar em debate com o chefe de Estado norte-americano, após as críticas feitas por Trump a Leão XIV. “Não sou político, não tenho qualquer intenção de entrar em debate com ele. A mensagem é sempre a mesma: promover a paz”, argumentou o Papa em declarações aos jornalistas que o estão a acompanhar na sua visita a Argélia.

Leão XIV chegou à Argélia ontem para uma visita histórica, a primeira de um Papa ao país, no início de uma viagem de onze dias por África, que foi perturbada antes de começar pelas duras críticas do Presidente norte-americano. Num contexto internacional de tensão provocada pela guerra no Médio Oriente, o Presidente norte-americano lançou fortes críticas contra o Papa, dizendo que “não era grande fã” dele.

Leão XIV tinha proferido um discurso contra o conflito no Médio Oriente. Num gesto que poderia ser interpretado como um apoio ao Papa, a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni — próxima de Trump — divulgou uma declaração na manhã de ontem a desejar ao Papa uma viagem proveitosa a quatro países africanos.

Em Argel, o Papa foi recebido com honras debaixo de chuva pelo Presidente argelino, Abdelmadjid Tebboune. Uma salva de tiros foi disparada quando desembarcou do avião papal. Esta viagem à Argélia “é muito especial”, disse Leão XIV ao chegar à terra natal de Santo Agostinho, cujo pensamento perpassa o seu pontificado.

Este grande pensador cristão do século IV é “uma ponte muito importante no diálogo inter-religioso”, e “esta viagem representa uma oportunidade muito preciosa para continuar a promover a paz e a reconciliação com respeito e consideração por todos os povos”, acrescentou.

Viver em paz

A coexistência pacífica estará no centro da mensagem do Papa neste país de 47 milhões de habitantes, onde o Islão sunita é a religião oficial. Na primeira paragem da sua visita de dois dias, o Papa Leão XIV prestará homenagem no Monumento aos Mártires às vítimas da Guerra da Independência contra a França (1954-62), um gesto de reconhecimento da história dolorosa da nação.

Será depois recebido pelo Presidente Tebboune e fará o seu primeiro discurso às autoridades e ao corpo diplomático. À tarde, visitará a Grande Mesquita, um complexo monumental com o minarete mais alto do mundo (267 m), antes de seguir para a Basílica de Nossa Senhora de África, uma emblemática igreja cristã com vista para a Baía de Argel.

Durante uma celebração inter-religiosa que vai reunir cristãos e muçulmanos, o líder dos 1,4 mil milhões de católicos vai apelar à fraternidade num país onde os católicos representam menos de 0,01% da população. Esta viagem marca o início da primeira grande viagem internacional do Papa, de 70 anos, que o levará aos Camarões, Angola e Guiné Equatorial [de 13 a 23 de Abril], uma maratona de 18.000 quilómetros com uma agenda bastante preenchida.

Numa peregrinação mais pessoal, o Papa viajará na terça-feira para Annaba (leste), perto da fronteira com a Tunísia, a antiga Hipona Régia, cujo bispo foi Santo Agostinho (354-430).

Macau | Feira de Turismo fecha com 60 acordos assinados

A Expo Internacional de Turismo de Macau encerrou após três dias de actividades, marcados pela assinatura de cerca de 60 protocolos de cooperação e pela estreia de pavilhões dedicados à tecnologia turística e à economia de baixa altitude. A 14.ª edição do evento teve lugar de 10 a 12 de Abril no hotel-casino Venetian Macau e contou com mais de 700 expositores dos mercados nacional e internacional, e nove de países de língua portuguesa.

Segundo a organização, perto de 120 instituições e associações ligadas à cultura e ao turismo participaram na cerimónia de assinatura realizada no sábado, abrangendo áreas como a expansão global do turismo, a indústria digital e inteligente, a integração da medicina com o turismo e a iniciativa Nova Rota da Seda.

Um dos destaques da expo foi o “Pavilhão da Tecnologia Turística”, que reuniu empresas como a AutoNavi, a iFlytek e a Companhia de Telecomunicações de Macau (CTM), apresentando produtos e serviços tecnológicos aplicados ao sector. Também estreou o “Pavilhão da Economia de Baixa Altitude”, com empresas como a gigante chinesa de drones DJI e a empresa de aeronaves EHang a mostrarem soluções para tráfego aéreo urbano e turismo de baixa altitude.

A economia de baixa altitude é um novo sector económico focado no uso de aeronaves civis tripuladas e não tripuladas (drones) em altitudes entre 1.000 a 3.000 metros. A expo apostou também na demonstração de ferramentas digitais para a indústria do turismo, incluindo um sistema inteligente de navegação 3D para orientar os visitantes em Macau.

Na abertura do evento, o secretário para a Economia e Finanças de Macau, Tai Kin Ip, disse que face “às incertezas da conjuntura internacional e da geopolítica”, Macau espera alargar a origem dos turistas. As autoridades de Turismo de Macau declararam estar a ponderar cobrir os custos de transporte dos turistas internacionais que aterrarem no aeroporto de Guangzhou, no sul da China, para se deslocarem ao território.

Voltar ao Titanic (I)

Na noite de 14 de Abril de 1912, o Titanic, considerado “inaufragável,” chocou contra um icebergue no Oceano Atlântico e afundou, provocando 1.500 mortes—uma tragédia que chocou o mundo. Em 1997, a 20th Century Fox produziu o clássico romântico “Titanic”, inspirado no desastre marítimo. Este navio que carrega o peso da história e da dor de uma era, foi envolvido no filme por uma aura de romance.

Hoje, muitos esqueceram o profundo significado histórico deste desastre: foi precisamente devido à grave escassez de botes salva-vidas que a tragédia se agravou. Posteriormente, para prevenir situações semelhantes, foi implementada uma grande reforma das regulamentações marítimas internacionais, exigindo explicitamente que os navios estivessem equipados com botes salva-vidas proporcionais ao número de passageiros que transportavam. No entanto, influenciadas pelo filme, o que comove as pessoas acima de tudo é a cena em que, enquanto o navio se afunda lentamente no mar, Jack segura a mão de Rose, proferindo uma promessa, “Se saltares, eu salto”—o voto mais fervoroso de amor inabalável até à morte.

Vinte e cinco anos depois, uma “sequela do Titanic” gerada por IA chegou mesmo a circular online. Esta versão não oficial conta a história da descoberta décadas depois, por uma expedição submarina, dos restos mortais de Jack congelados pelo frio extremo do Atlântico. Os cientistas descongelam-nos e ele acorda miraculosamente no mundo moderno, no qual a sua amada Rose é uma mulher idosa. Os dois acabam por viver um reencontro comovente fora do tempo.

Hoje, quando voltamos a falar do Titanic, já não nos referimos ao maior desastre marítimo, nem meramente a um romance popular, fazemo-lo em virtude de uma reflexão sincera sobre o brilhantismo da humanidade—o amor grandioso permanece neste mundo. No passado mês de Março, The History Press, uma editora britânica, lançou um novo livro, “The Aristocrat and the Able Seaman” (A Aristocrata e o Marinheiro Habilidoso). A protagonista é Noël, Condessa de Rothes, e a autora é a sua bisneta, Angela Young.

Enquanto organizava os pertences da bisavó, a autora encontrou por acaso uma grande quantidade de documentos relacionados com o Titanic, que provavam que ela tinha sido uma das sobreviventes da tragédia. A sua correspondência de décadas com o marinheiro Thomas Jones revela detalhes pouco conhecidos e verdades sobre os botes salva-vidas na noite do naufrágio.

Thomas, de trinta e quatro anos, foi designado pelo Capitão Smith para dirigir o bote salva-vidas número 8. Este pequeno barco, que podia transportar sessenta e cinco pessoas, só levou vinte e oito, das quais vinte e três eram passageiras, dois eram marinheiros e os outros três camareiros.

Porque a tripulação do bote carecia de experiência e de força, não havia quem pudesse remar. Então, Noël, a sua prima Gladys Cherry e a criada Roberta Maioni, ofereceram-se para pegar nos remos. Ela chegou a oferecer-se para ir leme, afirmando que sabia conduzir barcos. No frio e escuro oceano, Noël calma e gentilmente confortou as mulheres e crianças aterrorizadas, demonstrando coragem e compostura notáveis.

Thomas recordou mais tarde que ela não era apenas uma corajosa timoneira, mas também um pilar de apoio para toda a tripulação do salva–vidas.

Depois do naufrágio do Titanic, Thomas e Noël foram dos poucos a bordo a querer voltar para trás para resgatar pessoas que se estavam a afogar. Contudo, a maioria dos passageiros estava aterrorizada, temendo que o bote se virasse ou fosse pelo arrastado para o fundo pela poderosa sucção do navio, e por isso opôs-se ao regresso. Por fim, só conseguiam ouvir impotentes os débeis pedidos de ajuda na escuridão, um arrependimento que Thomas e Noël nunca conseguiriam superar para o resto das suas vidas.

Depois de ser resgatado pelo navio Carpathia, Thomas retirou a chapa de latão com o número 8 da proa do bote salva-vidas, fixou-o numa tábua de madeira e ofereceu-o a Noël como tributo à coragem que ela demonstrou perante o perigo. Noël retribuiu com um relógio de bolso em prata que tinha gravado “15 de Abril, de 1912.” Os dois passaram a corresponder-se frequentemente. Numa era de classes sociais extremamente rígidas, quase ninguém acreditava que um marinheiro pudesse manter uma amizade tão duradoura com uma condessa.

Depois desta tragédia, Noël envolveu-se ainda mais no serviço social. Após a deflagração da Primeira Guerra Mundial, converteu parte da sua propriedade num hospital militar e formou-se como enfermeira, cuidando dos soldados feridos que regressavam diariamente das linhas da frente.

Foi também uma firme apoiante da Cruz Vermelha Britânica, ajudando a estabelecer filiais locais e liderando os esforços de angariação de fundos durante muitos anos. Participou em várias obras de caridade: como a criação de bolsas de estudo para raparigas cegas, o fornecimento de leite a famílias carenciadas e a angariação de fundos para veteranos, demonstrando responsabilidade e boa vontade através das suas acções.

Noël estimou a chapa com o número 8 durante toda a sua vida, o presente que Thomas lhe ofereceu. Os dois trocavam postais todos os Natais, uma amizade preciosa que durou até à sua morte a 12 de Setembro de 1956. A sua lápide funerária tem inscrito:
“Grandeza é ir ao encontro do quotidiano e caminhar ao seu lado com sinceridade.”

Este artigo será publicado a 14 de Abril, uma data verdadeiramente memorável. Quero mais uma vez agradecer ao jornal Hoje Macau por publicá-lo, permitindo-me partilhar a história do Titanic com os meus leitores. Continuaremos com este tema na próxima semana.

Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau
Professor Associado da Faculdade de Ciências de Gestão da Universidade Politécnica de Macau
cbchan@mpu.edu.mo

Dili prepara orçamento rectificativo após subida de preços

O Governo de Timor-Leste está a preparar um orçamento rectificativo devido ao aumento dos preços provocados pelo conflito do Médio Oriente, anunciou ontem a ministra das Finanças timorense, Santina Viegas.

Segundo a ministra, citada num comunicado da Presidência timorense, o ajuste visa mitigar o impacto da subida dos preços globais através da garantia de fundos para subsídios essenciais, incluindo a segurança alimentar e os custos dos combustíveis, para proteger o poder de compra dos timorenses.

A ministra reuniu-se ontem com o Presidente timorense, José Ramos-Horta, no Palácio da Presidência, em Díli. Santina Viegas informou que o trabalho está a ser feito, mas não precisou o valor, nem as alterações a introduzir, salientando que cada ministério está a analisar os dados para poder contribuir.

O chefe de Estado sublinhou a “importância da coordenação interministerial para assegurar que as medidas financeiras propostas respondem efectivamente às necessidades da população durante este período desafiante”, pode ler-se no comunicado da Presidência timorense.

O Governo de Timor-Leste aprovou no início de Abril uma despesa de 168,8 milhões de dólares para garantir combustível até ao final do ano devido ao conflito no Médio Oriente. No final de Março, o executivo, liderado por Xanana Gusmão, já tinha aprovado um diploma a estabelecer limites máximos para o preço dos combustíveis no país.

Xanana Gusmão admitiu, na semana passada, a possibilidade de cortar o fornecimento da electricidade, entre as 23:00 e as 05:00, caso se prolongue o conflito no Médio Oriente.

Caos lançado

Os Estados Unidos e Israel lançaram, em 28 de Fevereiro, um ataque militar ao Irão, que justificaram com a falta de flexibilidade da República Islâmica nas negociações para pôr fim ao enriquecimento de urânio no âmbito do seu programa nuclear, que afirma destinar-se apenas a fins civis.

Em retaliação, o Irão encerrou o Estreito de Ormuz e lançou ataques contra alvos em Israel, bases norte-americanas e infraestruturas civis em países da região, como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Jordânia, Omã e Iraque.

Depois de negociações durante no fim de semana em Islamabad, Paquistão, sem chegar a um acordo, os Estados Unidos anunciaram que o exército norte-americano vai iniciar um bloqueio dos portos iranianos.

Consumidores timorenses pedem mais fiscalização ao preço dos combustíveis

A Associação de Consumidores de Timor-Leste (Tane) pediu ontem mais fiscalização ao preço dos combustíveis, depois de visitar 23 postos de abastecimento na capital de timorense, tendo detectado variações de preço que, em alguns casos, chega aos 14 por cento.

“A Tane insta as autoridades a adoptarem medidas urgentes para assegurar que os preços dos combustíveis em Timor-Leste sejam transparentes, competitivos e justos para todos”, pode ler-se num comunicado divulgado à imprensa. Segundo o levantamento feito pela associação, o preço da gasolina varia entre 1,33 (1,14 euros) e 1,50 dólares (1,28 euros) por litro, enquanto o gasóleo varia entre 1,45 (1,24 euros) e 1,65 dólares (1,41) por litro.

“Esta diferença pode atingir os 14 por cento, o que é considerado elevado para um produto essencial numa mesma área geográfica”, salienta a associação. A Tane refere também que as zonas de Fatuhada e Balide, em Díli, são as que apresentam os preços mais competitivos em comparação com outras zonas da capital timorense.

“Esta variação de preços implica custos adicionais para os consumidores, sobretudo para as famílias e operadores de transporte que dependem fortemente dos combustíveis. A falta de informação clara sobre os preços dificulta também a tomada de decisões informadas por parte dos consumidores”, afirma a associação. No comunicado, a Tane manifesta preocupação com a insuficiente monitorização e fiscalização dos preços, com a ausência de uma concorrência saudável no mercado e com a falta de transparência e de protecção adequada aos consumidores.

Mais transparência

A associação recomenda ao Governo e às autoridades competentes para estabelecer um sistema de monitorização dos preços do combustível, aumentar a transparência do mercado, incluindo a publicação semanal dos preços dos combustíveis e reforçar a fiscalização. O Governo timorense definiu em 25 de Março limites máximos para o preço dos combustíveis no país devido ao impacto do conflito no Médio Oriente.

Num diploma, o executivo definiu o limite máximo de venda de gasolina em 1,50 dólares por litro, do gasóleo em 1,65 dólares por litro, do combustível de aviação (avtur) em 2,50 dólares (2,14 euros) por litro e do gás de petróleo liquefeito (GPL) em 4,2 dólares (3,59 euros) por quilograma.

Energia | Coreia do Sul e Polónia acordam aumento de cooperação

A parceria bilateral entre as duas nações ganha novos contornos no campo militar e energético face à actual crise internacional

Seul e Varsóvia acordaram ontem ampliar a cooperação em matéria de defesa e fornecimento energético, num contexto marcado por conflitos na Europa e no Médio Oriente. “A cooperação mutuamente benéfica entre os nossos dois países na indústria de defesa será ampliada ainda mais”, afirmou o Presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, numa declaração conjunta sobre os resultados da sua reunião com Tusk.

Segundo uma nota publicada depois da reunião, ambos os países decidiram ainda elevar a relação bilateral a uma parceria estratégica integral, após terem reforçado a cooperação em defesa nos últimos anos, em plena guerra entre a Ucrânia e a Rússia.

Em Dezembro passado, o Governo da Polónia assinou um contrato de cerca de quatro mil milhões de dólares com um consórcio liderado pela empresa sul-coreana Hanwha Aerospace para o fornecimento de foguetes guiados, destinados aos sistemas de lançadores múltiplos Chunmoo, e para a sua produção em território polaco.

Também em 2025, foi assinado um acordo que pretende transformar a Polónia num centro-chave de montagem de armamento sul-coreano na Europa, bem como contratos de compra de aeronaves e tanques militares sul-coreanos por parte de Varsóvia, desde 2022.

Preocupações mútuas

Os avanços nas relações bilaterais surgem num contexto de crescente preocupação na Polónia, país vizinho da Ucrânia, com uma possível expansão do conflito entre Kiev e Moscovo, bem como após a condenação conjunta de Seul e Varsóvia ao envio de soldados norte-coreanos em apoio à Rússia.

Neste quadro, ambos os líderes concordaram que a segurança na península coreana e na Europa está estreitamente interligada, e decidiram intensificar a comunicação estratégica para responder aos desafios globais, disse Lee. Seul e Varsóvia comprometeram-se também a reforçar a cooperação em matéria de cadeias de fornecimento energético para contribuir para a sua estabilização num contexto de incerteza derivado do conflito no Irão.

No domínio comercial, o chefe de Estado sul-coreano destacou o papel das empresas do país asiático no sector das baterias para veículos elétricos na Polónia. A cimeira decorre no âmbito da primeira visita de um primeiro-ministro polaco à Coreia do Sul em 27 anos, embora em 2024 o então presidente polaco Andrzej Duda tenha visitado a capital sul-coreana para uma cimeira bilateral.

Imprensa | Visita de Sánchez à China dada como exemplo da relação desejável com Europa

A quarta visita do primeiro-ministro espanhol à China, está a ser vista como um exemplo de uma relação sólida que deveria ser estendida a toda a Europa

A imprensa estatal chinesa destacou ontem a visita do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, apresentando-a como exemplo das relações que a China pretende manter com a Europa. “Europa e China voltam a ver-se ao espelho espanhol”, titula um editorial do jornal oficial Global Times, que descreve Espanha como uma “ponte vital” entre o país asiático e a Europa e sustenta que “ainda hoje é evidente o espírito duradouro da ligação com Madrid”.

Segundo o editorial, a aproximação de Espanha à China “não representa de forma alguma um afastamento da Europa nem uma tentativa de demonstrar que Madrid mantém melhores relações com Pequim do que os seus vizinhos”.

Pelo contrário, “o pragmatismo e a abertura espanhóis demonstram uma corrente positiva e de longa data nas relações China – Europa que é actualmente abafada pelo ruído político: a disposição para aceitar a complexidade do outro e procurar consensos e benefícios através da interação”, lê-se no editorial do Global Times.

“Ao traçar o futuro das relações entre a China e a Europa, talvez devêssemos olhar além das mesas de negociação em Bruxelas e espreitar o ‘espelho espanhol’”, vincou o jornal. Num tom semelhante, o China Daily e o Diário do Povo destacaram a visita de Sánchez, sublinhando as quatro deslocações ao país asiático em quatro anos e a solidez da relação bilateral.

A imprensa chinesa deu também destaque à agenda privada do chefe do Executivo espanhol e da esposa durante o fim de semana, quando foram vistos – e filmados por vários transeuntes – a passear por locais emblemáticos de Pequim, como o Palácio de Verão e bairros tradicionais (‘hutong’) em torno das históricas torres do Tambor e da Campainha.

Focos da visita

A agenda oficial de Sánchez começou ontem com uma visita e um discurso na Universidade Tsinghua, na capital chinesa, uma das mais prestigiadas do país, seguindo-se uma deslocação à Academia Chinesa de Ciências e ao parque científico-tecnológico da empresa Xiaomi, uma das maiores tecnológicas do país.

O principal foco político da visita está previsto para hoje, quando Sánchez se reunirá com o Presidente chinês, Xi Jinping, o primeiro-ministro, Li Qiang, e o presidente do Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional, Zhao Leji, além de presidir à assinatura de acordos bilaterais com este último.

A visita decorre num contexto marcado pela guerra no Irão, pelas tensões comerciais globais e pelo interesse de Espanha em reduzir o défice comercial, atrair investimento chinês e reforçar a cooperação tecnológica.

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O primeiro-ministro espanhol instou ontem a China a reforçar o seu papel no sistema multilateral, defendendo maior pressão para o cumprimento do direito internacional e o fim de conflitos como os do Médio Oriente ou da Ucrânia. Pedro Sánchez fez estas declarações na Universidade Tsinghua, em Pequim, no arranque da visita oficial ao país, sublinhando que sem a cooperação das grandes potências não será possível alcançar um sistema multilateral equilibrado.

“A China faz muito, e saudamos isso, mas pode fazer mais, exigindo, como tem feito, que o direito internacional seja respeitado e que cessem conflitos como os do Irão, Líbano, Cisjordânia ou Ucrânia”, afirmou.

O chefe do Executivo espanhol insistiu que “o direito internacional é a base de tudo” e apelou a um maior envolvimento de Pequim para promover a estabilidade global. No plano económico, Sánchez pediu que a China “se abra” para evitar que a Europa “tenha de se fechar”, defendendo a necessidade de corrigir o actual défice comercial entre Madrid e Pequim.

Segundo o líder espanhol, este desequilíbrio, que aumentou 18 por cento no ano passado, é “insustentável” a médio prazo devido aos “movimentos isolacionistas e aos agravamentos sociais que provoca”.

IA desenvolvida na China resolve problema matemático sem intervenção humana

Uma equipa de investigadores liderada pela Universidade de Pequim desenvolveu um sistema de inteligência artificial (IA) capaz de resolver e verificar um problema matemático em aberto sem intervenção humana relevante.

O modelo conseguiu, em poucas horas, formalizar a solução de uma conjectura apresentada em 2014, através de um sistema de duplo agente que combina raciocínio em linguagem natural e verificação formal, noticiou ontem o jornal de Hong Kong South China Morning Post. O sistema, descrito num artigo preliminar publicado no repositório arXiv, abordou um problema de álgebra comutativa proposto pelo matemático norte-americano Dan Anderson e concluiu a verificação em cerca de 80 horas de execução.

Segundo os investigadores, o modelo integra um agente de raciocínio informal, responsável por explorar estratégias e construir possíveis demonstrações, com outro de verificação formal que traduz essas provas para um formato matemático rigoroso e verificável por máquina.

A equipa indicou que a única intervenção humana consistiu em fornecer acesso a documentos restritos que o sistema não conseguiu obter autonomamente, sem necessidade de julgamento matemático durante o processo. Os autores defendem que esta abordagem permite automatizar tarefas que exigiam até agora colaboração entre especialistas e supervisão contínua, embora o trabalho ainda não tenha sido sujeito a revisão por pares.

Sempre a abrir

O desenvolvimento insere-se no avanço dos modelos de linguagem e dos sistemas baseados em agentes aplicados à investigação matemática, um domínio onde persistem desafios como a fiabilidade das demonstrações geradas por IA. Os investigadores sublinharam que a combinação de raciocínio em linguagem natural e verificação formal poderá facilitar a resolução de problemas complexos e reforçar a validação de resultados nesta área.

O projecto surge após a emergência, nos últimos meses, de novos modelos chineses como o DeepSeek e outros desenvolvidos por grandes tecnológicas como Alibaba e ByteDance, que têm aumentado a visibilidade internacional do sector e reavivado a competição tecnológica com os Estados Unidos.

A inteligência artificial foi também um dos temas centrais da reunião anual da Assembleia Popular Nacional, realizada em Março, na qual Pequim reafirmou a aposta na integração desta tecnologia em vários sectores da economia e na promoção do emprego associado.

Pequim pede navegação “sem entraves” face a bloqueio de portos iranianos

A China defendeu ontem a necessidade de garantir uma navegação “sem entraves” no Estreito de Ormuz, horas antes do bloqueio anunciado de portos iranianos pelos Estados Unidos, e pediu a Washington e Teerão para manterem o cessar-fogo.

“O Estreito de Ormuz é uma via comercial internacional crucial para bens e energia, e é do interesse comum da comunidade internacional garantir a sua segurança, estabilidade e um tráfego sem entraves”, afirmou o porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun, em conferência de imprensa. O responsável reiterou que a guerra desencadeada pelos Estados Unidos e por Israel é a “causa principal” da quase paralisação do Estreito de Ormuz.

“A solução passa por um cessar-fogo imediato e pelo fim das hostilidades. Todas as partes devem manter a calma e exercer contenção”, acrescentou. A diplomacia chinesa tem sido apontada como um dos factores que contribuíram para o actual cessar-fogo entre o Irão e os Estados Unidos, apesar da discrição de Pequim.

A China é um parceiro importante do Irão, que antes da guerra destinava ao país asiático mais de 80 por cento das suas exportações de petróleo, segundo a consultora Kpler. Mais de metade das importações chinesas de petróleo transportado por via marítima provinha do Médio Oriente e transitava maioritariamente pelo Estreito de Ormuz, segundo a mesma fonte. “A China está disposta a continuar a desempenhar um papel positivo e construtivo”, afirmou Guo Jiakun.

Via do diálogo

Pequim apelou a Teerão e Washington para prosseguirem a via diplomática, apesar do fracasso das negociações no Paquistão, considerando que essas conversações “constituem um passo rumo à paz”. “A China espera que as partes respeitem o acordo temporário de cessar-fogo, continuem a resolver as divergências por meios políticos e diplomáticos, evitem retomar as hostilidades e criem condições para um rápido regresso à paz”, afirmou.

Tarifas | China rejeita ameaças das autoridades americanas

A China rejeitou ontem a ameaça do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor tarifas de 50 por cento sobre produtos chineses caso Pequim forneça armamento ao Irão, defendendo uma política de exportação de material militar “responsável”.

O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun afirmou, em conferência de imprensa, que a China aplica “controlos rigorosos” à exportação de produtos militares, em conformidade com a sua legislação e obrigações internacionais. O responsável acrescentou que Pequim “se opõe a difamações infundadas ou associações maliciosas” relacionadas com alegados envios de equipamento militar ou tecnologia de duplo uso para o Irão.

Trump fez esta advertência durante o fim de semana, numa entrevista à cadeia televisiva Fox News, na qual afirmou que, se Washington detectar esse tipo de transferências, irá impor uma tarifa de 50 por cento sobre os produtos chineses, uma medida que classificou como “uma quantia impressionante”. O líder norte-americano já tinha avisado, um dia antes, que Pequim enfrentaria “grandes problemas” nesse cenário.

As declarações surgem após notícias de órgãos como a CNN indicarem que os serviços de informações dos Estados Unidos consideram que a China poderá estar a preparar o envio de equipamento militar para o Irão, numa altura em que Teerão procura reforçar as suas capacidades em plena guerra na região.

Este cenário coincide com um período de elevada tensão no Médio Oriente, após semanas de confrontos entre o Irão, os Estados Unidos e Israel, bem como com negociações em curso entre Washington e Teerão para tentar pôr fim ao conflito, iniciadas no fim de semana em Islamabade, sem avanços concretos.

As advertências de Trump surgem também a poucas semanas de uma visita prevista a Pequim para se reunir com o Presidente chinês, Xi Jinping, num contexto marcado por tensões comerciais e tecnológicas entre as duas potências e pelo impacto global do conflito na segurança energética e nas cadeias de abastecimento.

A oração de Su Xun diante de uma pintura

Su Shi (1037-1101), o irrequieto poeta da dinastia Song que caracterizaria a sua acidentada existência, semelhante a «um mero insecto flutuando na vastidão do Universo», em sucessivos ideais. Que, na liberdade da juventude o aproximavam do desprendimento daoísta, na clareza do meio da vida, do cumprimento do dever confuciano e na idade avançada o reconciliavam com a serenidade do desapego budista.

Segundo o seu pai Su Xun (1009-1066), devia toda essa agradecida intensidade vital a uma oração proferida diante de uma pintura. Como conta num texto escrito numa pedra e de que existe um esfregaço a tinta sobre papel no Museu de Arte de Princeton (rolo vertical, 74 x 33,2 cm) no décimo quinto dia do primeiro mês lunar do ano 1030, dirigiu-se ao mosteiro Yuju guan, a Norte de Chengdu (Sichuan) «trazendo uma oferta para parar uma dificuldade de ter filhos». Foi lá que viu «um retrato pintado com elegância e um especial trabalho de pincel representando o imortal Zhang xian», do qual se dizia que as orações realizadas diante dele seriam atendidas.

Logo ofereceu por ele um huang de jade, um artefacto em forma de anel usado pendente à cinta e que quando a pessoa que o usava se movimentava, produzia um agradável tilintar. A prece foi ouvida.

O retrato, que também faz parte do esfregaço, mostra a personagem do folclore daoísta, famosa por disparar o seu arco contra o negro «cão do céu» tiangou, que figura no Clássico dos mares e das montanhas, Shanhai jing, como uma força que, quando negativa, era capaz de comer o sol ou a lua causando eclipses e atemorizando crianças. Está sentado sobre uma rocha à maneira das personalidades budistas, só um pé tocando o chão, as vestes de mares e nuvens de um poderoso. À sua volta crianças; à direita uma, segura um ceptro ruyi, dois acocorados parecem brincar com o sapo de três pernas, o jinchan, o quarto segura um prato com pedrinhas redondas de que o quinto, de pé junto de uma árvore, segura uma na mão direita, na outra o arco de Zhang xian; no céu esvoaça o tiangou. Figuras de crianças tornaram-se muito populares nessa dinastia Song mas nunca deixariam de o ser.

Xia Kui (act. c. 1405-45) na dinastia Ming, faria uma inesperada inversão do auspicioso tema dos «cem meninos» que é preciso proteger, mostrando-os como se foram adultos. Mas no tempo de Su Shi, como escreveu num empolgante poema que compôs no meio da vida quando era governador em Mizhou (1074-76), parecia mais importante a protecção dos outros. Aí também refere um arco e um cão, o tianlang xin, «a estrela do cão celeste», o astro sirius que é o luzeiro mais brilhante no céu nocturno, entendido como um sinal de aviso à possibilidade de invasão pelas tribos do Norte. O poeta promete: «Assestarei o meu arco lavrado até à forma da lua cheia, farei pontaria ao Noroeste e acertarei na estrela tianlang.»

“Barra Slow Festival” | Segunda edição traz música e workshops aos Estaleiros Navais

Decorre no fim-de-semana de 1 a 3 de Maio mais uma edição do “Barra Slow Festival”, que aposta no tema do chá como património para a realização de workshops, concertos e eventos culturais nos Estaleiros Navais. Em destaque, a criação de dois espaços em bambu pela mão da dupla de arquitectos João Ó e Rita Machado

A zona da Barra, nomeadamente os Estaleiros Navais junto ao Templo de A-Má, voltam a acolher a segunda edição do “Barra Slow Festival”, uma iniciativa organizada pela União Geral das Associações de Moradores de Macau (UGAMM, ou Kaifong) e que acontece no fim-de-semana de 1 a 3 de Maio, das 12h às 20h, nos Estaleiros Navais nº 1 e 2. O tema deste ano é “Um Sorvo de Chá, Um Vislumbre do Património”, apresentando-se ao público, pela primeira vez dois mercados, nomeadamente o “Mercado da Cultura Asiática do Chá” e o “Mercado do Património Cultural Imaterial”.

No que diz respeito a eventos culturais, destaca-se a realização do desfile de moda étnica da região de Guizhou, China, intitulado “Village T”, decorrendo depois a iniciativa “Espelho de Água: Cerimónia de Degustação de Chá” guiada por mestres do chá.

O programa do festival inclui ainda “Infuse & Indulge: Cerimónia Culinária do Chá”, bem como duas instalações com bambu, onde se inclui o “Pavilhão do Chá” e o “Palco de Espectáculos do Chá”. O comunicado da organização dá ainda conta da realização, nesse fim-de-semana, de workshops, masterclasses, exposições de design e concertos com entrada gratuita, visando explorar o universo do chá como património.

Nesta edição vão estar representadas “cerca de 40 marcas de chá de várias regiões”, disponibilizando-se ao público bebidas, cocktails e demais produtos ligados ao chá num mercado que decorre nos estaleiros navais. A ideia é mostrar “sabores tradicionais robustos” e “bebidas criativas”, revelando-se “o papel diversificado do chá na vida quotidiana”.

Destaque para o facto de a primeira edição do “Barra Slow Festival” ter sido realizada em Novembro do ano passado, tendo obtido, segundo a organização, “uma resposta esmagadora”.

Com cunho português

Na segunda edição do “Barra Slow Festival” participa a dupla de arquitectos João Ó e Rita Machado com a criação de dois espaços feitos em bambu, nomeadamente o “Pavilhão do Chá” e o “Palco de Espectáculos do Chá”, a fim de “promover ainda mais o chá e o património cultural imaterial”.

Desta forma, o ” Pavilhão do Chá” promete funcionar “como um espaço tranquilo onde os visitantes podem sentar-se e saborear chá”, dando lugar à iniciativa “Espelho de Água: Cerimónia de Degustação de Chá”. Nesta cerimónia “os convidados são servidos por três mestres de chá diferentes, que irão partilhar perspectivas sobre os chás seleccionados durante uma sessão de degustação de uma hora”.

Irá ainda decorrer a “Infuse & Indulge: Cerimónia Culinária do Chá”, uma experiência culinária de dez pratos inspirada no chá e liderada pela chef local Maggie Chiang, formada pelo Le Cordon Bleu. Haverá uma sessão diária deste evento, que combina “a cultura do chá com uma refeição requintada, servida num ambiente envolvente”. Por sua vez, o “Palco de Apresentações do Chá” acolhe “uma série dinâmica de espectáculos e actividades experienciais”.

Relativamente ao desfile de moda étnica, participam mais de 50 marcas locais, sendo que a “Village T” foi fundada GU-A-XIN (Yang Chunlin) em Julho de 2024, tendo já realizado mais de 500 desfiles com a marca, incluindo a participação na Gala do Festival da Primavera da Televisão Central da China (CCTV), a London Fashion Week e New York Fashion Week.

Exposição de fotografia de Greg Girard para ver em Hong Kong

Está patente na Galeria WKM, em Hong Kong, uma nova exposição de fotografia de Greg Girard, que viveu durante vários anos na região vizinha e que retratou, entre outras coisas, a antiga “Kowloon Walled City”, demolida em 1994.

“HKG-TYO 1974-2023” é o nome da exposição individual do fotógrafo canadiano “conhecido pelas fotografias íntimas e cinematográficas de cenas nocturnas urbanas, paisagens urbanas e o quotidiano de trabalhadores e habitantes locais”, descreve a nota oficial sobre a exposição. Nesta mostra, apresentam-se imagens não apenas de Hong Kong mas de outra “casa” de Greg Girard, nomeadamente o Japão, revelando-se “a era de industrialização e crescimento” do país.

Assim, “guiado por uma curiosidade investigativa inabalável e pela apreciação do que é ignorado, as composições exuberantes, encantadoras e, por vezes, melancólicas de Girard capturam a vulnerabilidade e a vitalidade de duas cidades em plena metamorfose”, é descrito.

As fotografias que o público pode ver nesta exposição “oferecem um ponto de acesso à euforia e às dores de crescimento que acabaram por moldar Hong Kong e Tóquio tal como as conhecemos hoje, tornando-se cápsulas do tempo que apontam simultaneamente para o presente e para o futuro”.

De Kowloon a Tóquio

Greg Girard nasceu em Vancouver em 1955, tendo começado a fotografar quando era ainda um aluno do ensino secundário. Depois foi para Hong Kong, Japão e Xangai, tendo ficado “cativado pelas cidades chocantemente futuristas que encontrou”, documentando depois, ao longo da carreira, diversos locais da Ásia numa carreira de fotojornalista.

Em “HKG-TYO 1974-2023” reúnem-se, pela primeira vez, as fotografias de Girard de Hong Kong e Tóquio dos anos 70 até aos dias de hoje, sendo que o primeiro contacto do fotógrafo com a região vizinha aconteceu em 1974. Depois chegou a vez de Tóquio, em 1976.

A mesma nota dá conta de que “as fotografias desta exposição transportam-nos de volta à perspectiva de um descobridor deslumbrado a cartografar território inexplorado”, mostrando-se locais como Shibuya e Shinjuku, com os seus “letreiros intermináveis que deslumbram acima do pavimento húmido” e que servem de “complemento às calçadas repletas de carros do bairro dos bares de Hong Kong”.

São “cidades que nunca dormem e que partilham muitas semelhanças” retratadas nestas fotografias. Não faltam ainda imagens da “fortaleza distópica” da “Cidade Muralhada de Kowloon”, em “Kowloon Walled City from SE Corner”, uma imagem de 1987, que se conjuga com “Platform Conductor, Ikebukuro”, de 1976, uma fotografia que “nos atinge como uma forte rajada de ar à medida que um comboio de metro vermelho reluzente passa a toda a velocidade”. Há ainda “fotografias mais recentes” da série “Snack Sakura”, tiradas entre 2017 e 2025, também relacionadas com estes anos.

Albergue SCM | Trabalhos de Hio Lam Lei para ver até dia 24

Decorre, até ao dia 24 de Abril, a mostra “Cruising Through This Mortal Coil – Exposição Individual de Hio Lam Lei”, que desde o dia 25 de Março está patente no Albergue da Santa Casa da Misericórdia (SCM).

Trata-se de uma iniciativa da AFA – Art for All Society, e tem curadoria de Chang Chan. Segundo uma nota oficial sobre o evento, os trabalhos artísticos expostos versam sobre “os rituais de oferendas do Festival dos Espíritos Famintos, examinando como as práticas rituais aliviam a ansiedade face à morte e constroem um itinerário simbólico”.

Neste projecto, Hio Lam Lei “parte das ansiedades infantis face à morte para confrontar o medo da morte na obra ‘If They Really Exist'”, sendo que, através do vídeo, instalação e desenho, “reimagina as rotas dos espíritos errantes”.

“Ao utilizar as jornadas póstumas como um espelho distorcido das trajectórias dos vivos, as obras invertem o olhar: questionam como se pode habitar adequadamente a passagem finita do Ponto A ao Ponto B no tempo, e se os rastos de fantasmas solitários reflectem as vidas outrora vividas pelos vivos”, é ainda descrito.

Hengqin | Mais de 700 casos judiciais ligados a Macau

Os tribunais de Hengqin resolveram, entre 2022 e Dezembro do ano passado, um total de 730 casos judiciais relacionados com Macau. Os dados foram noticiados pelo jornal Ou Mun e revelam que estes processos envolveram pedidos de auxílio judiciária à RAEM, nomeadamente a obtenção de provas num período de oito dias, tido como o mais rápido possível, a cumprir pelos tribunais locais.

No início de 2022, o Supremo Tribunal Popular da China autorizou os tribunais da Zona da Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin, bem como os tribunais de Qianhai, Shenzhen, Nansha, Guangzhou e o Tribunal de Última Instância de Macau a tratarem de pedidos mútuos de citações ou notificações em processos judiciais, ou relacionados com as provas inerentes aos casos.

Motociclos | Registadas mais de seis mil infracções em 2025

O CPSP aplicou, no ano passado, mais de seis mil infracções a motas que estacionaram de forma ilegal ou que obstruíram a entrada e saída de outros motociclos. Conselheiro do trânsito sugere incentivos para que os residentes consigam estacionar no sítio certo

Continuam elevadas as multas aplicadas aos condutores de motociclos que estacionam onde não podem, e de forma ilegal. Dados fornecidos pelo Corpo de Polícia de Segurança Público (CPSP), e noticiados pelo canal chinês da Rádio Macau, revelam que só no ano passado houve 6095 motociclos que, por estarem mal estacionados, causaram problemas de congestionamento de trânsito, bloqueando acessos ou impedindo a saída de outras motas.

Deste grupo de multas, 664 dizem respeito a motociclos que estacionaram de forma errada, impedindo a saída de outra mota do lugar onde estava estacionada. Os responsáveis do CPSP adiantaram que muitos residentes estacionam os seus motociclos de forma errada, o que faz com que uma mota ocupe dois lugares, obstruindo as faixas adjacentes.

O CPSP explica ainda que, durante as inspecções realizadas pelos agentes, estes analisam o panorama do estacionamento das motas, aplicando multas caso parte da mota esteja a ocupar a outra faixa, obstruindo a circulação no local; ou ainda se as motas estiverem estacionadas de forma a impedir a entrada ou saída de outros motociclos do lugar de estacionamento.

Mais videovigilância

Sobre os lugares onde ocorrem mais infracções do género, o CPSP prometeu comunicar mais com outros departamentos públicos na partilha de informações e opiniões, equacionando a instalação de câmaras de videovigilância ou de detecção de estacionamento ilegal, a fim de melhorar o panorama das multas.

Por seu turno, o membro do Conselho Consultivo do Trânsito, Wong U Kei, sugeriu que as autoridades lancem ofertas ou acções de promoção em parques de estacionamento a fim de levar os condutores de motociclos a escolher, com prioridade, estes parques para procurarem lugares de estacionamento antes de se deslocarem.

“Podem ser oferecidos mais incentivos aos motociclistas para parques de estacionamento. Recentemente alguns parques públicos oferecem os primeiros 15 ou 30 minutos, o que faz com que os residentes optem pelos parques” ao invés de estacionarem na rua. O responsável acrescentou que os incentivos, como minutos gratuitos ou outros, evitam que “um lugar de estacionamento fique ocupado com dois motociclos”, podendo até “mudar os hábitos de deslocação”.

“Eu sou um desses exemplos, porque antes de me deslocar procuro sempre ver onde há vagas de estacionamento para motos”, disse Wong U Kei.

Ópera cantonense | Lançado apoio financeiro extra

O Fundo de Desenvolvimento da Cultura (FDC) lança até ao final deste mês um processo de candidaturas para o “Plano de Apoio Financeiro aos Projectos de Destaques de Ópera Cantonense”.

Este plano complementar surge dada “a procura da comunidade por actividades culturais relacionadas com a ópera cantonense”, no âmbito do “Plano de Apoio Financeiro aos Projectos do Património Cultural Intangível de 2026”.

Desta forma, podem “candidatar-se todas as associações ou fundações sem fins lucrativos inscritas em Macau”, sendo que os projectos candidatos “devem ser públicos ou acessíveis ao público”. O apoio financeiro dado é através do subsídio, com prazo máximo até 31 de Dezembro, sendo o montante financiado máximo, por projecto, de 20 mil patacas.

CAM | Menos comissões explicam redução de lucro

A redução das receitas e o aumento das despesas, incluindo com salários dos trabalhadores, justificam a redução dos lucros da CAM- Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau.

Segundo o relatório divulgado ontem, através do portal da Direcção dos Serviços de Supervisão e da Gestão dos Activos Públicos (DSSGAP), a empresa apresentou ganhos de 210,2 milhões de patacas em 2025, uma redução anual de 128,6 milhões de patacas, ou 38 por cento. A redução dos lucros era conhecida, mas a informação mais recente permite ter acesso aos factores que contribuíram para a diminuição dos ganhos.

A nível da redução das receitas de exploração, as principais diferenças prenderam-se com as cobranças por aterragens, estacionamento e outros serviços que caíram para 676,7 milhões de patacas, uma diferença anual de 7,5 milhões de patacas. No entanto, a principal diferença verificou-se com as receitas recebidas como comissões, que caíram de 508,7 milhões de patacas para 426,1 milhões de patacas uma diferença de 82,6 milhões de patacas.

Ao nível das despesas, os custos de exploração do aeroporto cresceram de 470,6 milhões de patacas para 490,2 milhões de patacas, um aumento de quase 20 milhões de patacas.