CEM | Investimento caiu 13% para 967 milhões em 2025

No ano passado, a Companhia de Electricidade de Macau caiu 12,8 por cento em termos anuais, fixando-se em 967 milhões de patacas, de acordo com o relatório anual de resultados e contas de 2025 publicado ontem no Boletim Oficial.

Dos 967 milhões do investimento total da empresa, 586 milhões de patacas foram investidos “na rede de transporte e distribuição para impulsionar continuamente melhorias na rede”. É também indicado que o projecto da subestação de Tai On, que inclui o Novo Centro de Despacho na Nova Zona Urbana A, está a progredir de acordo com o planeado”, para já estão em funcionamento as redes de 110 e 11 quilovolts.

A CEM refere ainda que “a construção das subestações da Barra e da Central Térmica de Macau está a seguir o cronograma traçado, tendo sido oficialmente iniciado o primeiro projecto de modernização para 66 quilovolts na subestação Lisboa, que está em funcionamento há 42 anos.

Em relação ao consumo de electricidade em 2025, a companhia revela um ligeiro aumento de 0,4 por cento face ao ano anterior, e que 87,2 por cento dessa energia foi importada do Interior da China, com o remanescente a ser produzido localmente nas instalações da CEM e na Central de Incineração de Resíduos.

11 Jun 2026

Ensino | O Lam diz que expansão para Hengqin é caminho a seguir

A expansão das universidades de Macau para Hengqin é “o caminho para o desenvolvimento de alta qualidade do ensino superior de Macau”, indicou a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, durante a cerimónia de graduação deste ano da Universidade Politécnica de Macau (UPM), que se realizou na terça-feira. A governante referia-se à Cidade (Universitária) de Educação Internacional de Macau e Hengqin, um dos mega-projectos pedidos por Pequim à RAEM.

O Lam destacou as conquistas da UPM na formação de “um grande número de quadros excepcionais para a sociedade de Macau e para o País, particularmente em áreas como a formação de quadros bilingues em chinês e português, a saúde e as ciências do desporto”.

Por seu turno, o reitor da UPM, Zhou Zhongrong, “encorajou os graduados a herdar o espírito de “amor pela pátria e por Macau” e dedicar-se a servir o país e a prosperar Macau”, descreve a instituição de ensino em comunicado.

O reitor afirmou ainda esperar que os graduados mantenham “o entusiasmo pelo saber e naveguem com coragem a vaga da inovação científica, que se pautem pelo pragmatismo e pela responsabilidade e forjem a glória através do empenho e da luta”. A cerimónia marcou o “início de uma nova jornada da vida” de cerca de 1.700 graduados, é acrescentado.

11 Jun 2026

Acácio de Brito sai de Macau para assumir direcção da Escola Portuguesa de Luanda

O Conselho de Administração da Escola Portuguesa de Macau votou e pretendia renovar o mandato de Acácio de Brito como director da Escola Portuguesa de Macau, mas o destino do dirigente da instituição educativa deverá passar por Angola. A revelação foi feita por Fernando Alexandre, Ministro da Educação, à margem das celebrações do dia de Portugal na RAEM.

“A Escola Portuguesa de Macau está muito bem e quero deixar uma palavra de agradecimento ao professor Acácio Brito. Tivemos alguma turbulência no início, mas, neste momento, a escola está a funcionar muito bem”, afirmou Fernando Alexandre, de acordo com a Rádio Macau.

O ministro português revelou depois ter convidado Acácio de Brito para trabalhar no país africano: “Lancei pessoalmente um desafio ao Dr. Acácio Brito. Temos um grande desafio em Luanda, e o Dr. Acácio Brito deverá ficar a liderar a Escola Portuguesa de Luanda”, revelou. “O Dr. Acácio de Brito irá liderar a Escola Portuguesa de Luanda. Já fez um trabalho em Timor, fez agora aqui em Macau, e agora terá este novo desafio”, disse, segundo a Agência Lusa, para depois frisar que as escolas portuguesas no estrangeiro são “instituições importantíssimas” que o Governo tem vindo a valorizar.

O ministro sublinhou ainda que se trata de uma decisão estratégica e não relacionada com a “turbulência” inicial vivida na instituição.

Macau no vazio

Sobre o futuro da Escola Portuguesa de Macau, o ministro garantiu que “ainda não há nomes” e está a ser trabalhada “outra solução” em articulação com o Conselho de Administração, assegurando continuidade e expansão.

“A escola tem vindo a crescer, já ultrapassou os 800 alunos, quando foi projectada para 400. Há procura e o compromisso do Governo português – e estou certo também do executivo da Região Administrativa Especial de Macau – é de consolidar e expandir este projecto”, afirmou.

Fernando Alexandre prometeu ainda o total apoio do Governo ao envio de professores de Portugal para Macau, mas avisou que pode ser difícil atrair docentes: “Também há uma dimensão financeira [nas decisões dos professores], a situação em Portugal melhorou significativamente e é mais difícil atrair professores. Mas são decisões individuais”, atirou.

Associação de Pais “estupefacta”

Filipe Regêncio Figueiredo, presidente da Associação de Pais da Escola Portuguesa de Macau (EPM), disse ao HM que recebeu a notícia da saída de Acácio de Brito do cargo de director com “estupefacção”, não tendo proferido comentários por estarem em causa as celebrações do Dia de Portugal e não querer “criar quezílias”.

Acácio de Brito tinha sido reconduzido como director da EPM pela Fundação que gere a escola, mas aquando da visita do ministro Fernando Alexandre, foi anunciado que irá para a Escola Portuguesa de Luanda. Questionado pelo HM sobre a sua saída, Acácio de Brito não quis fazer qualquer comentário.

11 Jun 2026

Filipinas | Sismo de segunda-feira fez pelo menos 41 mortos e 450 feridos

O sismo de segunda-feira nas Filipinas fez pelo menos 41 mortos, disseram ontem fontes provinciais de Mindanao contactadas pela Agência France-Presse (AFP), acrescentando que cerca de 450 pessoas ficaram feridas.

O sismo, de magnitude 7,8, ocorreu ao largo da ilha de Mindanao, de acordo com os departamentos de gestão de catástrofes das Filipinas. Segundo a AFP, várias pessoas feridas receberam cuidados ao ar livre, enquanto os esforços das equipas de resgate foram dificultados pelas várias réplicas registadas na mesma zona.

Muitas estradas de acesso ficaram bloqueadas e, conforme referiram várias fontes à agência noticiosa francesa, milhares de cidadãos permanecem desalojados.

Na região de Glan, onde pelo menos 13 pessoas morreram num deslizamento de terras, um funcionário hospitalar disse que mais de 60 doentes estavam deitados em camas transferidas para o exterior do edifício, por temerem que os tremores tivessem enfraquecido a estrutura.

O sismo levou à emissão de ordens de retirada das zonas costeiras do sul das Filipinas e da Indonésia, e foram emitidos alertas de tsunami, entretanto cancelados.

10 Jun 2026

Executivo de Hong Kong promete “prudência” na classificação de crimes

O Chefe do Executivo de Hong Kong, John Lee, comprometeu-se ontem a exercer com “prudência e seriedade” a sua nova competência para classificar crimes comuns como infracções relacionadas com a segurança nacional.

Lee defendeu em conferência de imprensa a nova legislação subsidiária da Lei de Segurança Nacional, com a qual o Governo da região administrativa especial chinesa procura definir, de forma mais ágil, quais as condutas que podem ser enquadradas na categoria de “crimes contra a segurança nacional”, um âmbito que, na antiga colónia britânica, acciona procedimentos judiciais mais severos do que os previstos para causas penais comuns.

“O objectivo da introdução da legislação subsidiária é esclarecer, tornar muito, muito mais claro, como é que os crimes […] que põem em risco a segurança nacional ao abrigo da legislação de Hong Kong serão classificados como tal”, afirmou Lee aos jornalistas.

“Não se pretende, nem se irá alargar a definição dos crimes, nem se irá introduzir novos crimes, novos poderes ou novas sanções. Também não se alarga o âmbito de aplicação da lei”, acrescentou.

Segundo o líder do Executivo de Hong Kong, “a relevância da mudança não reside na criação de novos crimes”, mas na capacidade de classificar determinados casos dentro deste quadro desde uma fase inicial do processo.

No quadro desta alteração legislativa, basta que o Chefe do Executivo emita um certificado oficial para que o caso fique sujeito às regras aplicáveis às investigações e julgamentos de segurança nacional, incluindo restrições mais severas ao acesso à liberdade sob caução e a intervenção de juízes designados para este tipo de processos.

Prós e contras

A proposta suscitou críticas entre sectores jurídicos e observadores locais, devido ao alargamento da margem discriccionária do Chefe do Executivo e à capacidade limitada de controlo sobre as suas decisões.

Em reação às objecções, Lee sustentou que o território enfrenta riscos complexos, incluindo supostos actos de espionagem ou sabotagem impulsionados por “actores estatais estrangeiros profissionais e sofisticados”, e defendeu que esse tipo de ameaças exige um tratamento especial devido à sensibilidade da informação envolvida.

“Grande parte da informação disponível é confidencial, muito sensível e não adequada para divulgação pública”, explicou, para justificar o sigilo oficial.

Além disso, Lee salientou que a norma não alarga as definições de subversão ou sedição nem introduz punições inéditas, mas pretende “reduzir o risco de controvérsias nos tribunais” através de uma classificação mais clara dos crimes.

O Governo de Hong Kong anunciou na segunda-feira que o líder do território poderá classificar qualquer caso criminal como envolvendo a segurança nacional da China, permitindo assim o agravamento da moldura penal até à pena perpétua.

10 Jun 2026

Ensino Superior | Candidaturas para bolsas arrancam a 22 de Junho

As candidaturas para os três planos de bolsas de estudo disponibilizadas no âmbito do Programa de Bolsas de Estudo para o Ensino Superior do Fundo Educativo (FE) arrancam a 22 de Junho. A informação foi divulgada ontem pela Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ).

As candidaturas para o plano de financiamento de bolsas de estudo para o ensino superior decorrem até 10 de Julho, incluem o financiamento desde os cursos pré-universitários até doutoramentos e destinam-se a alunos com dificuldades financeiros ou desempenho académico de excelência.

Também as candidaturas para as bolsas do Plano de Bolsas de Mérito para a Frequência das Melhores Instituições de Ensino Superior no Ranking Mundial decorrem até 22 de Junho. Estas bolsas visam apoiar os alunos inscritos nas melhores universidades mundiais. Finalmente, as candidaturas para as bolsas do Plano de Pagamento dos Juros ao Crédito para os Estudos prolongam-se até mais tarde, 30 de Dezembro. Este plano destina-se aos candidatos que prossigam os estudos em cursos pré-universitários ou cursos do ensino superior com grau de licenciatura ou inferior.

10 Jun 2026

Lançada plataforma de formação para supervisores de seguros lusófonos

O Governo anunciou o lançamento de uma plataforma de formação online para supervisores de seguros lusófonos, com vista a reforçar o papel da cidade na cooperação financeira entre a China e os países de língua portuguesa.

A nova Plataforma de Formação Online da Associação de Supervisores de Seguros Lusófonos (ASEL) permite aos membros da associação participar em acções de formação à distância, facilitando o intercâmbio de conhecimentos e práticas de supervisão, indicou na segunda-feira à noite a Autoridade Monetária de Macau (AMCM). Um supervisor de seguros é uma entidade governamental responsável por fiscalizar, regular e normatizar o mercado de seguros de um país.

A AMCM descreveu que a entrada em funcionamento da plataforma online representa “uma medida concreta para implementar e aprofundar a cooperação em matéria de supervisão financeira”, manter uma comunicação estreita com as entidades de supervisão dos países lusófonos e explorar novas oportunidades de cooperação no sector dos seguros e noutras áreas financeiras.

Um saltinho a Hengqin

Em Abril, AMCM e a Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF) assinaram um protocolo de cooperação para a formação de quadros técnicos da ASEL. A ASEL agrega as autoridades de supervisão de seguros e de fundos de pensões dos países e território de língua oficial portuguesa. Na altura, uma formação foi realizada com 18 supervisores da ASEL de Angola, Brasil, Cabo Verde, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e Macau, com sessões sobre a aplicação da norma internacional IFRS 17 e conteúdos actuariais ministrados por especialistas da Associação Actuarial Internacional.

Os programas incluíram também visitas à vizinha Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau, em Hengqin, e a empresas de tecnologia financeira, em Shenzhen e Zhuhai, também no sul da China.

“Na qualidade de membro fundador da ASEL, a AMCM tem promovido o intercâmbio em matéria de supervisão de seguros. No passado, organizou em Macau acções de formação e visitas de estudo em parceria com a ASF, abordando temas como a supervisão tecnológica aplicada aos seguros”, indicaram as autoridades do território. Segundo a AMCM, estas iniciativas têm permitido aprofundar a compreensão sobre o desenvolvimento económico do Interior da China e reforçar o papel de Macau como ponte na cooperação entre Pequim e os países de língua portuguesa.

10 Jun 2026

Droga | PJ anuncia maior apreensão de marijuana de sempre

A Polícia Judiciária (PJ) anunciou ontem a maior apreensão de marijuana de sempre, que totalizou 35 quilogramas. A intercepção, que levou à detenção de um homem de Hong Kong, foi apresentada em conferência de imprensa.

Segundo os contornos divulgados, o caso foi detectado na noite de segunda-feira, no Aeroporto Internacional de Macau (AIM), quando o detido, que tem 25 anos e é natural de Hong Kong, foi interceptado. No interior de duas malas que trazia, vindo de um país do Sudeste Asiático, as autoridades encontram 60 pacotes de marijuana num total de 35 quilogramas. Esta quantidade é avaliada pelo mercado negro em cerca de 35 milhões de patacas.

A investigação do caso envolveu a PJ, o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) e os Serviços de Alfândega (SA).

Quando o homem foi interrogado afirmou trabalhar como técnico de palco. As autoridades acreditam que para transportar esta quantidade de droga para Macau o homem iria receber cerca 60 mil dólares de Hong Kong.

O caso foi encaminhado para o Ministério Público e o indivíduo está indiciado de ter cometido o crime de tráfico ilícito de estupefacientes e de substâncias psicotrópicas, cuja moldura penal pode variar entre 5 anos e 15 anos, se não forem consideradas outras agravantes.

CPSP | Homem furta bens de supermercado

O Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) anunciou a detenção de um homem, com cerca de 50 anos, que furtou algumas vezes bens de um supermercado, na Avenida da Amizade, depois de ter perdido todo o dinheiro no casino. Segundo a informação veiculada pelo jornal Ou Mun, o homem, nacional da Mongólia, dirigia-se ao supermercado para tirar produtos quando estava sem dinheiro, depois de jogar.

O homem terá cometido este crime mais do que uma vez, mas no domingo os funcionários acabaram por apresentar queixa às autoridades, relatando o desaparecimento de produtos avaliados em 200 patacas. As imagens de videovigilância mostraram o suspeito a furtar bens em quatro ocasiões diferentes, no espaço de dois dias. Quando foi interrogado sobre os crimes, o homem confessou.

10 Jun 2026

DSEDJ | Escolas promovem saúde mental

A Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) organizou uma série de eventos em três escolas do território para promover a saúde física e mental dos alunos, assim como um estilo de vida positivo.

A iniciativa, que decorreu na Escola Secundária Luso-Chinesa de Luís Gonzaga Gomes, Escola Luso-Chinesa Técnico-Profissional e Escola Oficial Zheng Guanying, incluíram jogos, performances musicais de alunos e professores, actividades desportivas e locais onde os estudantes aprenderam a aliviar o stress, a gerir emoções e a adquirir conhecimentos psicológicos através de jogos e experiências interactivas.

A DSEDJ, num comunicado divulgado ontem apenas em chinês, não refere a data dos eventos, mas indica que foram organizados tendo em conta a semana da saúde física e mental. A DSEDJ acrescentou que pretende aumentar a motivação dos alunos para praticarem exercício físico e cultivar o hábito de praticar desporto com regularidade e participarem nas competições desportivas entre escolas.

10 Jun 2026

Restrições à residência afastam docentes portugueses de Macau

A directora do Instituto Português do Oriente (IPOR) disse à Lusa que as restrições impostas por Macau aos pedidos de residência têm afastado docentes que estavam interessados em vir trabalhar para a região.

O Centro de Língua do IPOR tem actualmente 16 professores em Macau e um em Pequim, para dar mais de 100 cursos previstos para este ano, um número semelhante ao registado em 2019, antes da quebra devido à pandemia.

Nos últimos dois anos, o IPOR contratou quatro docentes vindos de Portugal, para substituir outros que “ou regressam a Portugal ou têm outras oportunidades de emprego aqui em Macau”, explicou Patrícia Ribeiro. Todos vieram como trabalhadores imigrantes, recebendo o chamado ‘blue card’, uma autorização limitada ao vínculo laboral, sem os benefícios dos residentes, nomeadamente ao nível da saúde ou da educação.

Patrícia Ribeiro admitiu que a mudança teve impacto: “algumas das pessoas seleccionadas, e já nos aconteceu em alguns concursos, depois de saberem as condições, recusam”. A dirigente diz que alguns candidatos “não sentem que têm segurança para o futuro em termos de trabalho e também condições para viver em Macau”, nomeadamente que “não lhes compensa financeiramente”.

Ribeiro dá como exemplo uma professora que queria inscrever a filha na Escola Portuguesa de Macau (EPM), onde, sem estatuto de residente, teria de pagar a propina por inteiro. A EPM cobra anualmente 36.870 patacas no ensino primário e 47.700 patacas no ensino secundário, valores que caem para menos de metade para alunos residentes, graças a um subsídio do Governo da RAEM. “Ela repensou e não quis vir para Macau nessas condições”, diz a directora do IPOR.

Que futuro?

A Lusa perguntou também ao presidente da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Chinesa (CCILC) em Macau se os membros da associação tinham sentido dificuldades em contratar portugueses, mas Carlos Cid Álvares preferiu não comentar.

Mas, em Abril, Cid Álvares, também presidente do Banco Nacional Ultramarino, que pertence ao Grupo Caixa Geral de Depósitos, disse que não basta ensinar a língua portuguesa e que é preciso “olhar para o futuro”. “Não vejo muito como é que a influência portuguesa se pode manter aqui, mantendo esta situação. Uma coisa é os chineses falarem português, outra coisa muito diferente é os portugueses estarem em Macau”, sublinhou.

10 Jun 2026

CPSP | Menos portugueses em Macau e maioria tem vínculo precário

O número de portugueses que imigraram para Macau tem vindo a cair e, nos últimos dois anos, a maioria chegou ao território com vínculos laborais precários. No ano passado, apenas 10 pedidos de residência de portugueses foram aceites

Numa resposta escrita à Lusa, o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) indicou que o número de trabalhadores imigrantes de nacionalidade portuguesa – ou seja, que chegam a Macau sem o estatuto de residente – passou de 39 no final de 2023 para 78 no fim do ano passado.

Macau não aceita desde Agosto de 2023 novos pedidos de residência de portugueses para o “exercício de funções técnicas especializadas”, permitindo apenas justificações de reunião familiar ou anterior ligação ao território.

Em resultado, o número de portugueses a tornar-se residente de Macau caiu de 70 em 2023 para 23 no ano passado, muito longe do recorde máximo de 390 registado em 2013, de acordo com dados fornecidos à Lusa pela Direcção dos Serviços de Identificação. O CPSP afirmou que recebeu 14 pedidos de residência de portugueses em 2025, dos quais 10 foram aceites, todos por reunião familiar. Dos restantes, dois ainda estão a ser analisados, enquanto um foi rejeitado e outro cancelado.

As novas orientações, que eliminam uma prática firmada após a transição de Macau, em 1999, apenas deixam como alternativa para os portugueses o chamado ‘blue card’. Esta autorização está limitada ao vínculo laboral, sem os benefícios dos residentes, nomeadamente ao nível da saúde ou da educação, e, em caso de despedimento, o trabalhador tem apenas oito dias para sair de Macau.

Memorial com vento

A única alternativa para garantir o bilhete de identidade de residente passa agora por uma candidatura ao programa de captação de quadros qualificados, que entrou em vigor em Julho de 2023. O programa procura captar, nomeadamente com benefícios fiscais, quadros do sector financeiro e das áreas de investigação e desenvolvimento científico e tecnológico, entre eles vencedores de prémios Nobel.

Em 2024, o então secretário-geral da Comissão de Desenvolvimento de Talentos, Chao Chong Hang, admitiu que a maioria das 464 candidaturas aprovadas vinha do Interior da China (80 por cento) e de Hong Kong (10 por cento).

Em Abril passado, o novo coordenador da comissão, Kong Chi Meng, disse que a terceira fase do programa, que começou em Dezembro e decorre durante um ano, valoriza mais quadros com diplomas de universidades de Portugal e do Brasil.

Também o terceiro Plano Quinquenal de Desenvolvimento Socioeconómico (2026-2030), que está em consulta pública até 28 de Junho, prevê a optimização do programa, “no sentido de criar elementos favoráveis à captação de quadros qualificados internacionais e dos países de língua portuguesa”.

10 Jun 2026

Guizhou | Chuvas intensas obrigam à retirada de cerca de 10 mil pessoas

Chuvas “excepcionalmente intensas” registadas durante o fim de semana na província chinesa de Guizhou, no centro do país, provocaram inundações e levaram à retirada de cerca de 10 mil pessoas, informou ontem a agência noticiosa oficial Xinhua.

As áreas mais afectadas foram as cidades de Qianxi e Zunyi e a vila de Changshun, segundo a agência. As autoridades locais ativaram operações de emergência permanentes e retiraram até ao momento 1.377 residentes de 491 famílias, além de terem resgatado mais de 50 pessoas que ficaram cercadas pelas águas.

Em Changshun, mais de três mil habitantes de cerca de mil habitações situadas a jusante da barragem de Bancong foram transferidos para zonas seguras, após uma falha de energia ter afetado o funcionamento da infraestrutura e provocado o seu transbordo.

O Ministério dos Recursos Hídricos e a Administração Meteorológica da China emitiram no domingo à tarde um alerta vermelho, o nível mais elevado do sistema chinês, devido ao risco de enxurradas em áreas do sudeste de Guizhou entre domingo e ontem.

Até à noite de domingo, quase cinco mil residentes foram retirados preventivamente na prefeitura autónoma de Qiandongnan, enquanto prosseguia a retirada de outras cerca de 22 mil pessoas.

As chuvas afectam também outras regiões do sul da China. A província de Guangdong activou na noite de sábado um plano de resposta de emergência devido à previsão de precipitação intensa, tempestades localizadas e possíveis cheias acima dos níveis de alerta em rios de pequena e média dimensão.

Desde meados de Maio, a China enfrenta uma sucessão de episódios de chuva intensa no centro e sul do país, com inundações e deslizamentos de terras em várias províncias. Os serviços meteorológicos chineses atribuíram o adiantamento da época das chuvas a sistemas atmosféricos anómalos.

9 Jun 2026

Filipinas | Sobe para 12 número de mortos na sequência de sismo

Pelo menos 12 pessoas morreram e mais de 200 ficaram feridas na sequência de um sismo de magnitude 7,8, no sul das Filipinas, de acordo com um novo balanço das autoridades. Um balanço anterior da polícia dava conta de um morto e de quatro feridos, além do desabamento de vários edifícios no arquipélago.

O sismo teve o epicentro no mar, a cerca de 13 quilómetros a sudoeste de General Santos, uma cidade com mais de 700 mil habitantes, na ilha de Mindanau, um centro de processamento de atum e de outras actividades comerciais na região de Mindanau, no sul do arquipélago. O sismo provocou um tsunami com ondas de um metro de altura nas zonas costeiras próximas.

O Presidente Ferdinand Marcos Jr. exortou a população a dirigir-se para terrenos mais elevados nas zonas mais vulneráveis a um tsunami, e as autoridades indonésias, malaias e japoesas também emitiram alertas para as áreas costeiras próximas.

O líder filipino afirmou que as agências de resposta a catástrofes estavam em estado de alerta para intervir. “O Governo nacional está em acção e não vamos deixar Mindanau para trás”, disse Marcos. O Centro de Alerta de Tsunamis do Pacífico afirmou que a ameaça de um tsunami passou cerca de cinco horas após o sismo, ocorrido às 07:37.

Pelo menos sete pessoas morreram e outras 130 ficaram feridas em General Santos, onde alguns edifícios pequenos ruíram parcialmente e várias estruturas, incluindo uma ponte importante, sofreram fissuras perigosas, disse o director regional do Gabinete de Defesa Civil, Rod Sosmeña, à agência Associated Press (AP).

Outras cinco pessoas morreram nas províncias meridionais de Cotabato do Sul e Davau Ocidental, e na ilha de Balut, afirmaram Sosmeña e outro responsável, Ednar Dayanghirang.

9 Jun 2026

Visita | Xi declara que amizade entre Pequim e Pyongyang “perdurará para sempre”

O Presidente chinês defendeu ontem a continuidade da aliança entre China e Coreia do Norte e apelou ao reforço da coordenação face “à hegemonia” e “política de força”, num artigo no jornal norte-coreano Rodong Sinmun.

O texto, divulgado também pela agência de notícias estatal chinesa Xinhua, foi publicado por ocasião da viagem de Xi Jinping à Coreia do Norte, a primeira em sete anos, e no ano em que se comemora o 65.º aniversário do Tratado de Amizade, Cooperação e Assistência Mútua entre os dois países. Xi afirmou que a relação bilateral se encontra num “novo ponto de partida histórico” e sustentou que Pequim pretende “impulsionar o desenvolvimento” dos laços com Pyongyang.

Isto após anos em que as relações arrefeceram devido aos ensaios nucleares norte-coreanos e num momento em que Pequim procura preservar a influência face à crescente aproximação da Coreia do Norte à Rússia. O líder chinês salientou que a “amizade tradicional” entre os dois países “perdurará para sempre” e recordou que se reuniu seis vezes com o líder norte-coreano, Kim Jong-un, nos últimos anos.

Xi defendeu também que Pequim e Pyongyang preservem o sistema internacional centrado nas Nações Unidas e a ordem baseada no direito internacional, ao mesmo tempo que se opõem “à hegemonia” e à “política da força”.

O dirigente chinês condenou ainda qualquer tentativa de “reavivar o militarismo”, uma expressão que as autoridades chinesas têm usado de forma reiterada nos últimos meses em referência ao Japão. O artigo não menciona a desnuclearização da Coreia do Norte, um assunto que Pyongyang voltou a descartar no domingo, ao afirmar que o estatuto nuclear do país é irreversível.

A visita do líder chinês ocorre em pleno reatamento dos contactos entre Pequim e Pyongyang, após uma reunião que Xi e Kim mantiveram em Setembro de 2025 em Pequim, uma visita do ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, à Coreia do Norte em Abril e o reinício, em Março, das ligações ferroviárias e aéreas de passageiros entre ambos os países, após seis anos de suspensão.

9 Jun 2026

HK | Casos criminais podem ser ligados à segurança da China

O Chefe do Executivo da antiga colónia britânica passa a poder classificar casos que envolvam crimes como atentados à segurança nacional e, logo, sujeitos à pena de prisão perpetua

O Governo de Hong Kong anunciou ontem que o líder do território poderá classificar qualquer caso criminal como envolvendo a segurança nacional da China, permitindo assim a condenação à pena perpétua.

As autoridades divulgaram propostas para alterar a lei de segurança nacional, quase seis anos depois de o Governo Central chinês ter imposto esta legislação à região semiautónoma. As mudanças incluem a criação de um mecanismo que permite ao Chefe do Executivo de Hong Kong, através de um certificado, classificar casos como envolvendo “crimes que põem em perigo a segurança nacional”.

Quaisquer outros crimes de que um arguido seja acusado no mesmo processo seriam também automaticamente classificados como envolvendo a segurança nacional. Como tal, os julgamentos estariam a cargo de juízes nomeados especificamente pelo Governo de Hong Kong, poderiam decorrer à porta fechada e os suspeitos sujeitos a fianças mais elevadas.

As alterações vão ser enviadas para o Conselho Legislativo, através do chamado “processo de aprovação prévia”, que dá ao parlamento apenas 28 dias para discutir, alterar ou rejeitar as propostas.

As comissões parlamentares da Segurança e dos Assuntos Legais e Judiciários já realizaram uma reunião conjunta para começar a analisar as propostas. De acordo com a imprensa local, as autoridades afirmaram que pretendem concluir o processo e implementar as mudanças “o mais rapidamente possível”, sem especificar um calendário.

Outros ajustes

Em Março, o Governo de Hong Kong introduziu uma outra revisão da legislação, para punir quem se recusar a desbloquear dispositivos electrónicos em casos ligados à segurança nacional. A revisão autoriza os agentes das forças policiais, com mandados judiciais, a exigir que uma pessoa sob investigação forneça uma palavra-passe ou método de desencriptação para dispositivos.

Qualquer pessoa que conheça a palavra-passe ou o método de desencriptação, que esteja autorizada a aceder ao dispositivo ou que o detenha, controle ou utilize, fica obrigada a cumprir a exigência policial.

Caso alguém se recuse a desbloquear os dispositivos, pode enfrentar uma multa máxima de 100 mil dólares de Hong Kong ou uma pena de prisão de até um ano. O documento estipula que esta obrigação se impõe mesmo nos casos onde exista “obrigação de sigilo ou qualquer outra restrição à divulgação de informações”, incluindo jornalistas, médicos e advogados.

As autoridades de Hong Kong afirmam que a lei de segurança nacional restaurou a ordem, após os protestos contra a lei de extradição para a China continental, em 2019.

9 Jun 2026

10 de Junho | Alexandre Marreiros revela o seu estúdio em exposição

“O Estúdio de Alexandre Marreiros: Desenho e Pintura” é o nome da nova exposição individual de Alexandre Marreiros, artista e arquitecto, revelada hoje ao público na Fundação Rui Cunha. Integrada no cartaz de “Junho – Mês de Portugal”, a mostra revela o olhar do próprio autor sobre a sua obra, num exercício permanente de reflexão

A Fundação Rui Cunha (FRC) apresenta hoje, a partir das 18h30, a exposição “O Estúdio de Alexandre Marreiros: Desenho e Pintura”, de Alexandre Marreiros, arquitecto e artista plástico natural de Macau e que é um dos nomes mais sonantes do panorama artístico local.

Segundo uma nota da FRC, pode-se observar, nesta exposição, uma “interpretação crítica do autor sobre o seu processo criativo, numa análise abrangente da sua produção artística desenvolvida ao longo da última década”.

Reúne-se, na galeria da FRC, 48 obras de arte, reveladoras de uma “imensa variedade de técnicas e materiais”, como desenho, pintura, fotografia, colagem, serigrafia, gravura e técnica mista, em papel, tela e alumínio.

Este é um “ensaio visual”, propondo-se “ao visitante a identificação de constantes estéticas, rupturas conceptuais e do léxico visual, que caracteriza este período de criação de Alexandre Marreiros”. Desta forma, o espaço de exposição é transformado num “estúdio”, ilustrativo da “investigação estética e produção artística” de Alexandre Marreiros, descreve a mesma nota.

A ideia é que a galeria da FRC seja também “um organismo vivo”, repleta de “mesas de trabalho, registos vernaculares e o imaginário iconográfico que circunda a prática artística do artista”. Todos estes elementos são “elevados à categoria de documentos fundamentais, permitindo compreender cada obra não apenas como produto final, mas também como processo contínuo de observação e maturação da sua prática artística”.

Assim, a FRC descreve como “O Estúdio de Alexandre Marreiros: Desenho e Pintura” procura “estabelecer diálogos entre peças de diferentes períodos, revelando continuidades técnicas e conceptuais que a ordem cronológica tende a ocultar”.

Nos bastidores

Nesta mostra, Alexandre Marreiros não expõe, apenas, trabalhos artísticos com o seu nome, mas revela também ao grande público “os bastidores do seu trabalho”. A ideia é dar a conhecer “grupos temáticos da sua obra, unidos por fios condutores específicos, sejam eles os temas, as cores, as texturas ou os suportes utilizados, grupos esses enquadrados por peças de mobiliário ou materiais artísticos existentes no seu estúdio”.

Todos eles “constituem meios de suporte e de criação de ambientes necessários ao seu processo criativo e de produção artística”, lê-se.

Alexandre Marreiros é macaense, tem nacionalidade portuguesa, residiu em Portugal e no Brasil, mas fixou residência há dez anos em Macau. Nos últimos anos tem vindo a desenvolver um “percurso estético e de investigação no domínio do desenho e da pintura, centrados em conceitos como a presença humana em territórios de permeabilidade”, como é o caso das favelas no Brasil.

O artista também tem feito um trabalho investigativo ao nível da “cor e texturas em ambientes edificados”, procurando “reflectir sobre as mais recentes transformações no ambiente urbano e social de Macau”. Trata-se de uma leitura na qual “o arquitecto nunca perde de vista na sua obra livre e contemporânea”. A mostra, enquadrada no programa “Junho – Mês de Portugal na RAEM 2026”, que celebra o 10 de Junho – Dia de Portugal, Camões e das Comunidades Portuguesas, está disponível para visita gratuita até ao dia 20 deste mês.

9 Jun 2026

Angela’s Café com nova actuação musical este mês

Decorre no próximo dia 20 de Junho, a partir das 19h, mais uma actuação musical no Angela’s Café and Lounge, no empreendimento Lisboeta Macau, localizado no Cotai. Trata-se do segundo espectáculo integrado na iniciativa “First Beats Where the Music Begins”, que conjuga música com “refeições de inspiração portuguesa”.

Desta vez é apresentado ao público o talento de “três jovens músicos de Macau”, que tocam clarinete, piano e flauta, oferecendo-se no Angela’s Café “uma experiência cultural onde a alta gastronomia se cruza com a música ao vivo”, descreve o Angela’s Café numa nota.

As artistas escolhidas para esta actuação são a clarinetista Eevee Lee, a pianista Emily Ka Lei Au e a flautista Iris Lo. No caso de Eevee Lee, esta estudou com a professora Yuan Yuan, clarinetista principal da Orquestra Filarmónica da China, tendo conquistado “inúmeros prémios” a nível internacional.

Descreve-se que o seu estilo de execução “é delicado, mas poderoso, conferindo uma perspectiva musical diversificada” à actuação. Já Emily Ka Lei Au é pianista e também docente, “destacando-se tanto em actuações a solo como em colaborações”, tendo “uma presença em palco que cativa o público”. Iris Lo, por sua vez, é “aclamada pelo tom de flauta claro”, tendo já actuado na digressão nacional do Poly Theatre. As jovens apresentam composições de Shostakovich, Joe Hisaishi e Taro Hakase.

Petiscos musicais

A ideia do “First Beats Where the Music Begins” é que o público possa ouvir música enquanto prova petiscos macaenses e portugueses, existindo um pacote especial com um custo de 298 patacas por pessoa, que inclui o espectáculo e a refeição. Trata-se do “Pacote de Jantar Português” que pode incluir o tradicional bitoque, com bife da alcatra, acompanhado com legumes e presunto fumado, ou ainda um prato de peixe, nomeadamente robalo frito com azeitona verde, “que traz um autêntico estilo português através do sabor fresco das azeitonas sobre o robalo”, descreve a mesma nota.

Os participantes têm ainda direito a bebidas de boas-vindas, petiscos e vinho da casa ou cerveja à discrição. A junção de música ao vivo serve para “criar o ambiente para uma celebração vibrante de sabor e arte”.

9 Jun 2026

Prostituição | 12 arguidos ficam em prisão preventiva

O Ministério Público (MP) anunciou que 12 dos 26 suspeitos de estarem envolvidos numa rede organizada de prostituição desmantelada pela PJ ficaram em prisão preventiva, incluindo três agentes da polícia no activo.

Num comunicado, o MP revelou que os elementos em causa são um guarda da Polícia de Segurança Pública (PSP), um chefe de divisão e um segundo-comandante, de 60 anos e de apelido Leong. De acordo com o portal Macau News Agency, o oficial em questão é Leong Heng Hong, que desde 2019 era segundo-comandante, a segunda posição mais importante na hierarquia da PSP.

O Juízo de Instrução Criminal aplicou a medida de prisão preventiva devido à “gravidade da criminalidade organizada e a eventual fuga dos arguidos para se eximirem da responsabilidade criminal”, referiu o MP.

Segundo o comunicado, o juiz que analisou o caso concluiu que existem “fortes indícios da prática de crimes”, incluindo associação ou sociedade secreta, corrupção passiva para acto ilícito, favorecimento pessoal praticado por funcionário e branqueamento de capitais.

O MP disse que aos restantes 14 suspeitos foram aplicadas “outras medidas de coacção legalmente previstas”, sem revelar detalhes.

Segundo o comunicado, uma investigação preliminar concluiu que os arguidos pertenciam a três grupos criminosos de Macau que operavam saunas e casas de massagens para recrutar mulheres vindas da Ásia e da Europa de Leste “com vista ao exercício de prostituição”. “Alguns arguidos envolvidos terão tido contacto periódico com os agentes no activo das forças de Segurança e agentes aposentados da Polícia Judiciária de Macau para entrega de subornos”, indicou o MP.

Em troca, receberiam “informações sobre operações policiais, permitindo, assim, a continuidade das actividades criminosas de exploração de prostituição praticadas pelos grupos criminosos”.

9 Jun 2026

Autocarros de Lazer | Mais frequências e linhas entre Macau e Cotai

A partir de sábado, os autocarros de turismo e lazer vão passar a circular em dois sentidos, indicou ontem o Governo num comunicado conjunto de várias direcções de serviços. Até agora, o transporte garantindo pelas concessionárias de jogo para promover a economia dos bairros residenciais, funcionava apenas do Cotai para Macau.

Para permitir que os “serviços sejam alargados a visitantes hospedados na Península de Macau, a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos articulou com as seis empresas de lazer para ajustar o percurso com circulação nos dois sentidos, acrescentando o trajecto Macau – Cotai”. O Governo espera que a alteração proporcione “pontos de paragem comunitários ao longo do percurso”.

A linha Zape também vai passar a operar regularmente aos fins-de-semana, depois de ter funcionado apenas durante os feriados do Dia do Trabalhador. O Governo está confiante que o trajecto é capaz de atrair visitantes para a zona do Museu de Grande Prémio e a Zona de Lazer da Marginal da Estátua de Kun Iam.

Foi ainda indicado que até ao fim de Maio, cerca de 10.000 turistas apanharam o transporte em diferentes paragens, levando-os a visitar as zonas residenciais. Além disso, “a página electrónica móvel sobre o Autocarro de Turismo e Lazer registou mais de 14.000 acessos para consulta de informações.

9 Jun 2026

Direito | Recém-licenciados da UM vêem português essencial

Recém-licenciados de Direito em português e em chinês da Universidade de Macau acreditam que o português vai continuar a ser uma ferramenta essencial na prática jurídica do território. Este ano, 30 alunos licenciaram-se no curso de direito bilingue, e dois no curso em português

A língua portuguesa continuará a desempenhar um papel fundamental na justiça e advocacia em Macau, segundo indicaram à Lusa jovens recém-licenciados dos cursos de Direito em português e em chinês da Universidade de Macau (UM). A universidade oferece a única licenciatura em Direito Chinês-Português do mundo, um curso que prepara juristas para o sistema jurídico de Macau, de tradição romano-germânica e matriz portuguesa.

A UM realizou a 30 de Maio a cerimónia de graduação que conferiu diplomas a mais de 1.700 licenciados, com 30 alunos licenciados no curso de direito bilingue, e dois no curso administrado somente em português.

Tam Sio Pang confessou à Lusa que não tinha interesse na língua portuguesa antes da universidade, com o curso bilingue a ser uma “escolha estratégica” para o futuro profissional. “Continuo a considerar que a língua portuguesa desempenha um papel importante em certas áreas, sobretudo no Direito. É previsível que no futuro haja mais chineses a trabalhar em Macau e é preciso preparar-se, aprender algo que muitos chineses não sabem, o que considero ser a principal razão pela qual escolhi o [curso] bilingue”, destacou.

O estudante chinês de Macau considera que aprender português o ajudou consideravelmente no estudo de Direito local, por existirem “poucas referências jurídicas escritas em chinês”.

Ao mesmo tempo, apesar de admitir uma certa redução no seu uso na cidade, mostra-se “positivo” quanto ao futuro da língua portuguesa em Macau. “De acordo com a política do Governo chinês, Macau é a cidade de ligação aos países lusófonos. Não acredito que um bom governante abandonasse a característica mais icónica que a cidade tem em comparação com outras cidades chinesas”, apontou.

Dois lados da moeda

Juliana Tavares, uma estudante luso-descendente, cuja língua materna é o cantonês, decidiu apostar na internacionalização completando o curso de direito em português da UM. “Escolhi estudar Direito em português porque não falava uma única palavra de português antes da universidade e queria mergulhar num ambiente de língua portuguesa para poder aprender”, explicou.

Em Setembro deste ano vai iniciar um mestrado no Porto em Direito Internacional e Europeu, mas mantém planos de regressar temporariamente a Macau. “Pretendo trabalhar em Macau durante algum tempo depois disso para passar no exame [equivalente ao] da Ordem dos Advogados,” apontou.

Para Juliana, o português continua a ser relevante, e “apesar cada vez menos utilizado”, continua a ser a língua oficial e assim permanecerá até 2049. “Macau está a tentar afirmar-se como uma plataforma intermediária entre a China e os países de língua portuguesa, e penso que também aí existem oportunidades.”

Por sua vez, Cheang Pak In sublinhou à Lusa ter escolhido o curso bilingue por sempre ter tido interesse “em ciências humanas e de línguas.” “Dentro das escolhas disponíveis, o direito bilingue pareceu-me a opção mais adequada”, disse.

O recém-licenciado pretende continuar a estudar em Macau para compreender melhor as diferenças entre a jurisprudência local e a portuguesa. “Acho que é melhor saber ambas as perspectivas, se estudasse em Portugal só iria saber a perspectiva de Portugal”, apontou

Já no plano profissional, está decidido a continuar a trabalhar em Macau, e que “não vale a pena ir a Portugal e arriscar perder oportunidades” que existem no território. “A sociedade precisa de juristas que saibam chinês e português. Dizer isto pode parecer um cliché, mas é verdade”, descreveu.

9 Jun 2026

Património | Publicado regulamento de prémios de salvaguarda

O regulamento dos prémios para a salvaguarda do património cultural da RAEM foi divulgado ontem, através de um despacho do Chefe do Executivo, publicado no Boletim Oficial. Os prémios têm como objectivo “distinguir os indivíduos ou as entidades que tenham prestado contributos relevantes para a protecção e valorização do património cultural”.

Segundo o modelo que aparenta constar no despacho assinado por Sam Hou Fai, cujo texto em português é tudo menos perceptível, são criados quatro prémios. No entanto, apenas é atribuído um tipo de prémio a cada ano.

As distinções incluem o prémio de projecto arquitectónico, o prémio de conservação e restauro do património cultural e o prémio de salvaguarda do património cultural intangível. Todos os prémios têm previsto um pagamento de 30 mil patacas ao vencedor. Se houver mais do que um vencedor as 30 mil patacas são divididas pelos distinguidos.

Além disso, é criado o prémio de valorização do património cultural, que contempla o vencedor com 20 mil patacas. Também neste caso, se houver mais do que um vencedor, o dinheiro é dividido pelos contemplados. Os prémios estavam previstos na Lei de Salvaguarda do Património Cultural, que entrou em vigor em 2013, mas apenas ontem foi aprovado o regulamento.

9 Jun 2026

Saúde | Consultas comunitárias na zona norte

Entrou ontem em funcionamento um novo serviço de consultas externas comunitárias no Centro Policlínico da Associação de Bem-Estar dos Moradores de Macau da Zona Norte, ligada à União Geral das Associações dos Moradores de Macau. Segundo uma nota dos Serviços de Saúde (SS), que operam o serviço em parceria com a associação, serão prestados “serviços gratuitos de tratamento e diagnósticos de doenças agudas comuns aos residentes”.

O objectivo é “facilitar o acesso aos serviços médicos comunitários e proceder ao desvio de utentes das consultas não marcadas dos Centros de Saúde de Fai Chi Kei e da Areia Preta”. O serviço “Consultas Externas Comunitárias” é prestado na Avenida do General Castelo Branco, n.º 489, funcionando das 08h30 às 18h e prestando serviços ao nível de “doenças agudas comuns, tais como constipações e gastroenterites”.

Os SS destacam que no ano passado “o volume de consultas não marcadas nos centros de saúde de Macau superou os 250 mil atendimentos”, e que se verificou o “aumento contínuo da procura de serviços médicos para doenças agudas pelos residentes”, pelo que se prevê a aposta crescente neste tipo de consultas prestadas nos bairros comunitários.

9 Jun 2026

Local de Espectáculos | Chan Lai Kei pede calendário de actividades

O deputado Chan Lai Kei pretende que o Executivo divulgue o calendário dos eventos que vão ser realizados no denominado Local de Espectáculos ao Ar Livre de Macau, durante a segunda metade do ano. O assunto foi abordado através de uma interpelação escrita.

Na interpelação, o legislador ligado à comunidade de Fujian espera que o calendário dos espectáculos seja revelado, mas pede ao Executivo que explore neste local mais actividades, além dos concertos.

A exploração pelo Instituto Cultural do Local de Espectáculos ao Ar Livre de Macau tem ficado marcada por espectáculos constantemente cancelados por diferentes motivos, como a recusa de participação de artistas com nacionalidades não autorizadas.

Face aos sucessivos cancelamentos, o Executivo começou a preparar o local para outras actividades, mais viradas para a população, com campos de basquetebol 3×3 ou pistas de “mini karting”. Sobre estes serviços, e tendo em conta a chegada do Verão, e o facto de crianças e jovens terem mais tempo livre, o deputado quer saber se o horário de funcionamento vai ser prolongado.

Por último, Chan Lai Kei questiona o Executivo sobre o andamento do concurso público de atribuição da exploração do local que foi apresentado pelo Governo como uma aposta para realizar grandes espectáculos, com audiências de cerca de 50 mil pessoas.

9 Jun 2026

Xangai | China ainda carece de cultura futebolística, diz Leonel Pontes

O director técnico do clube chinês Shanghai Shenhua, Leonel Pontes, considera que a China tem condições para desenvolver um futebol competitivo a nível internacional, mas aponta a falta de cultura futebolística como um dos principais obstáculos.

“A China tem um potencial gigante”, afirmou à agência Lusa o responsável português, que desde 2023 coordena a estrutura técnica de um dos clubes mais históricos do país.

Pontes salientou que a China investiu fortemente em infraestruturas e dispõe de jovens atletas com qualidade: “Os jovens chineses têm muito talento, muita qualidade técnica, muita capacidade e são muito disciplinados”, afirmou.

Contudo, sublinhou que o desenvolvimento de jogadores exige tempo e experiência competitiva. “O talento tem de ser trabalhado ao longo dos anos. Isso requer tempo, requer cometer erros e voltar a corrigi-los”, explicou.

Segundo Pontes, a pandemia marcou uma interrupção no crescimento do futebol no país asiático, após um período em que os clubes investiram fortemente na contratação de treinadores e jogadores estrangeiros.

“A China deu um salto qualitativo antes da pandemia, porque investiu nos clubes para tornar a liga mais competitiva”, disse. O futebol na China está a reerguer-se após três anos da política de ‘zero casos’ de covid-19, que ditou o encerramento das fronteiras e paralisou a atividade económica.

Durante aquele período, a competição foi disputada em estádios vazios e vários jogos foram adiados durante semanas ou meses. Devido aos bloqueios rigorosos, os jogadores permaneceram presos em hotéis e várias estrelas estrangeiras não conseguiram voltar do exterior e acabaram por ser dispensadas.

Dezenas de clubes entraram em falência, expondo a insustentabilidade dos gastos que nos anos anteriores à pandemia abalaram o mercado de transferências: entre 2016 e 2019, estrelas como Alex Teixeira, Hulk, Carlos Tévez ou Ricardo Goulart rumaram à China, em contratações avaliadas em dezenas de milhões de euros e beneficiando de salários sem precedentes.

A exuberância dos gastos resultou também num maior escrutínio por parte das autoridades, que impuseram um tecto salarial de dois milhões de euros e passaram a taxar a 100 por cento as contratações de futebolistas estrangeiros acima de 5,5 milhões de euros.

Apesar disso, Leonel Pontes considera que o país ainda não possui uma tradição futebolística comparável à das principais potências. “O futebol na China não tem muitos anos. Os clubes ainda não têm cultura do que é o futebol de alto nível”, afirmou.

Limites ao crescimento

Pontes identificou também factores sociais que dificultam o recrutamento de jovens praticantes. “Os pais não querem que os seus filhos joguem futebol. Preferem que estudem”, observou.

Para o treinador português, essa realidade reduz a base de recrutamento e limita o crescimento competitivo. Como exemplo, apontou Xangai, uma cidade com mais de 25 milhões de habitantes, mas que conta actualmente com apenas quatro clubes nas três principais divisões profissionais.

“Para uma cidade com mais de 25 milhões de habitantes, provavelmente poderíamos ter muito mais clubes nas ligas profissionais”, afirmou. Apesar das dificuldades, Pontes acredita que o país reúne condições para evoluir.

“A China tem capacidade de crescimento porque tem condições, tem atletas e tem meios. Acredito que os responsáveis estão interessados em desenvolver o futebol e aumentar a sua representatividade internacional”, concluiu.

8 Jun 2026