Hoje Macau China / ÁsiaGolfo de Omã | Três marinheiros indianos mortos em ataque dos EUA O Governo da Índia confirmou ontem a morte de três marinheiros indianos que tinham sido dados como desaparecidos após um ataque norte-americano ao petroleiro MT Settebello, de bandeira de Palau, no Golfo de Omã. “É com profunda tristeza que tomamos conhecimento do trágico incidente a bordo do MT Settebello”. “A morte dos três marinheiros indianos, inicialmente dados como desaparecidos, foi confirmada após os seus corpos terem sido localizados e identificados”, indicou o ministro dos Transportes Marítimos da Índia, Sarbananda Sonowal, na rede social X. Os militares norte-americanos confirmaram que um dos seus caças abriu fogo na quarta-feira contra o Setebello, que, segundo os EUA, tentava exportar petróleo do Irão, apesar do bloqueio imposto por Washington. O Comando Central dos EUA (Centcom) afirmou no X que o ataque teve como alvo a “casa das máquinas” do navio “depois de a tripulação se ter recusado a cumprir as ordens das forças norte-americanas”. A Índia convocou o encarregado de negócios norte-americano em Nova Deli, na noite de quarta-feira, e manifestou um forte protesto em relação ao ataque, disse à Agência France Presse um alto funcionário do Governo indiano. Vinte e quatro marinheiros indianos seguiam a bordo do petroleiro alvo do ataque. O Setebello é o oitavo navio atacado desde o início do bloqueio dos EUA aos portos iranianos, segundo os militares norte-americanos. Na segunda-feira, as equipas de resgate omanitas retiraram de helicóptero 24 marinheiros indianos de outro petroleiro registado em Palau, o Marivex, que foi alvo de disparos dos EUA enquanto navegava na costa de Omã.
Hoje Macau China / ÁsiaFilipinas | Sismo faz pelo menos 47 mortos As autoridades das Filipinas elevaram ontem para 47 o número de mortos devido ao sismo de magnitude 7,8 que abalou na segunda-feira a ilha de Mindanau, no sul do país. Um balanço divulgado pelas autoridades na quarta-feira dava conta de 46 mortos. Este novo balanço, divulgado pelo Conselho Nacional para a Redução e Gestão do Risco de Catástrofes, indica ainda um total de 688 feridos e 31 desaparecidos. As operações de resgate prosseguem em várias províncias do sul do arquipélago, onde dezenas de estruturas ficaram danificadas ou destruídas pelo sismo e pelas mais de duas mil réplicas que se seguiram. As autoridades mantêm mobilizados efectivos da Defesa Civil, das forças armadas e voluntários para localizar possíveis sobreviventes sob os escombros. O forte sismo, um dos mais intensos registados nas Filipinas nas últimas décadas, afectou cerca de 390 mil pessoas, de acordo com dados actualizados ontem pelo Departamento de Bem-Estar Social e Desenvolvimento do Governo. O relatório eleva também para 18.614 o total de casas danificadas, das quais 3.330 ficaram completamente destruídas, e estima em 39.293 o número de pessoas deslocadas pela catástrofe, com danos e alcance ainda por ser quantificados. O sismo também causou danos em edifícios públicos, estradas, pontes e redes de abastecimento de electricidade e água potável em várias zonas de Mindanau, a segunda maior ilha do arquipélago. De forma preliminar, o Governo estima que as perdas em infraestruturas ultrapassem nove milhões de dólares. As Filipinas situam-se no chamado Anel de Fogo do Pacífico, uma das zonas com maior atividade sísmica e vulcânica do planeta, onde os terramotos são frequentes.
Hoje Macau China / ÁsiaOrmuz | Irão volta a fechar estreito O Irão voltou ontem a encerrar completamente o estreito de Ormuz, uma passagem estratégica para o transporte de petróleo e gás, em resposta aos mais recentes ataques norte-americanos, anunciou a autoridade marítima iraniana. “Devido às tensões provocadas pela agressão das forças americanas na região, o estreito de Ormuz está fechado até nova ordem”, afirmou em comunicado a Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico, que gere a passagem. O Irão controla o estreito desde o início do conflito desencadeado por ataques norte-americanos e israelitas contra o regime de Teerão a 28 de Fevereiro, mas os militares têm permitido a passagem diária de cerca de 20 navios. A Guarda Revolucionária Islâmica iraniana disse ontem ter lançado mísseis balísticos contra uma base norte-americana na Jordânia, após anunciar ataques a bases dos EUA no Kuwait e Bahrein, em resposta aos últimos ataques de Washington. A ofensiva de Teerão surge depois de o exército norte-americano ter lançado, na quarta-feira, novos ataques contra “múltiplos alvos” no Irão como “resposta às agressões” do país persa, de acordo com a justificação do Centcom. “As forças do Comando Central dos EUA começaram a lançar bombardeamentos adicionais de autodefesa hoje [quarta-feira] às 17:15 contra múltiplos alvos no Irão, sob a ordem do comandante-chefe”, o Presidente norte-americano, Donald Trump, escreveu o organismo, com sede na Florida, numa mensagem na rede social X. O Centcom, que não esclareceu a duração dos ataques nem os alvos, afirmando apenas que os “bombardeamentos são uma resposta às agressões injustificadas e contínuas do Irão”. Ferro e fogo A agência iraniana Mehr informou que as defesas antiaéreas foram activadas em Teerão, enquanto a Fars relatou explosões em cidades do sul, como Sirik e a ilha de Qeshm, entre outras. Tanto o secretário da Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, como Trump anunciaram durante uma conferência de imprensa na quarta-feira que os bombardeamentos contra o Irão seriam retomados nas horas seguintes, depois de ataques anteriores na sequência do abate de um helicóptero norte-americano Apache na segunda-feira, e após Trump ter dito no início da semana que o acordo de paz estaria em fase e últimos acertos e deveria ser assinado em “um ou dois dias”. Esta quarta-feira, o Presidente norte-americano voltou a acusar Teerão de estar a empatar as negociações para pôr fim à guerra no Médio Oriente. Sem sentido O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão admitiu ontem que o cessar-fogo que entrou em vigor entre Teerão e Washington a 08 de Abril deixou de ter sentido após os ataques aéreos dos Estados Unidos. Um comunicado divulgado pela diplomacia iraniana, salienta-se que os ataques “ilegais e criminosos” levados a cabo pelos Estados Unidos nas últimas horas foram uma violação flagrante da Carta das Nações Unidas. Na mesma linha, os diplomatas do Irão sublinharam que os ataques norte-americanos tornaram o cessar-fogo num acordo “praticamente sem efeito”.
Hoje Macau EventosIoga | Dia Internacional celebrado este domingo O espaço H853 Entertainment Place (H853 Fun Factory), no Lisboeta Macau, acolhe este domingo as actividades de celebração do 12.º Dia Internacional do Ioga, promovidas pela Associação Cultural Indiana de Macau (ICAM, na sigla inglesa) e em colaboração com o Consulado-geral da Índia em Hong Kong e Macau. O tema central das celebrações deste ano é “Ioga para um envelhecimento saudável”, sendo que o evento “convida residentes e visitantes a juntarem-se a este movimento global em prol da saúde holística e da harmonia”, destaca um comunicado da organização. O objectivo é explorar o debate em torno “do papel dos cuidados preventivos no envelhecimento saudável”, tendo em conta que o Ioga “serve de ponte entre a saúde física e a clareza mental”. O evento acontece entre as 9h e as 10h30, e cada participante deve levar o seu tapete de Ioga e vestir roupa confortável. Na mesma nota, lê-se que a associação “continua comprometida em promover o intercâmbio cultural e o bem-estar através da antiga ciência do Ioga”. Com este evento, pretende-se também “fortalecer os laços comunitários e celebrar o património cultural partilhado entre a Índia e Macau”.
Hoje Macau EventosMundial 2026 | Lisboeta Macau acolhe exposição sobre história do futebol Por ocasião do arranque do Mundial 2026, o espaço “H853 Fun Factory”, no Lisboeta Macau, acolhe a mostra “Reviver os Clássicos: Exposição da História do Futebol Mundial”, organizada pela Macau SLOT. Até ao dia 19 de Julho, será possível fazer, de forma gratuita, uma “viagem imersiva pela história e pelos momentos lendários do futebol mundial”. Na área destinada à “História do Futebol Mundial” são exibidas 70 peças de colecção, troféus e camisolas “que retratam a história do futebol desde 1930 até aos dias de hoje”, não faltando uma área destinada ao futebolista brasileiro Pelé, tido como um dos maiores jogadores da história. Neste espaço, os visitantes podem “reviver os momentos mais marcantes”, da sua carreira, não faltando o “Corredor das Camisolas de Pelé”, com 14 camisolas autografadas. Destaque também para a “Área de Exposição dos Troféus dos Campeões do Mundo”, com a exibição de “dois troféus emblemáticos”. Segundo uma nota da organização, esta mostra “não só destaca o profundo legado deste desporto, como também conduz os visitantes por uma viagem através da evolução histórica e das glórias do desporto mais popular do mundo”.
Hoje Macau China / ÁsiaPequim quer impulsionar ainda mais a integração entre ferrovias e turismo A China promoverá ainda mais o desenvolvimento integrado dos sectores ferroviário e turístico e implementará mais medidas para expandir o consumo de serviços, de acordo com um documento governamental divulgado na quarta-feira, indica o diário do Povo. A China fortalecerá o apoio fiscal e financeiro para impulsionar a renovação de estações ferroviárias voltadas para o turismo e a construção de instalações de serviços turísticos, afirmou um comunicado conjunto emitido por oito autoridades, incluindo o Ministério do Comércio, o Ministério da Cultura e Turismo e a China State Railway Group Co., Ltd. Localidades qualificadas são incentivadas a direccionar o investimento de capital privado para o desenvolvimento e operação de produtos de turismo ferroviário em conformidade com as leis e regulamentos, indica o comunicado. O documento solicitou que as instituições financeiras forneçam melhor financiamento para a modernização tecnológica e a renovação de equipamentos de comboios turísticos. Serão realizados esforços para avançar no projecto e desenvolvimento de comboios turísticos transfronteiriços entre a China e o Laos, a China e o Cazaquistão, a China e o Vietname, bem como a China e a Rússia, observou o documento, destacando ainda a necessidade de lançar comboios adaptados para turistas estrangeiros, acrescenta a publicação. Os governos locais e as operadoras ferroviárias receberão apoio para integrar recursos turísticos, incluindo pontos turísticos, hospedagem, alimentação e eventos desportivos, às rotas de transporte ferroviário, rodoviário e hidroviário. O documento também propõe medidas para a construção de um sistema de big data sobre turismo ferroviário, com o objectivo de monitorar, prever e analisar os fluxos turísticos e apoiar o planeamento, o desenvolvimento, o marketing e a operação de produtos de turismo ferroviário.
Hoje Macau China / ÁsiaXing’an | Explosão numa rua faz sete mortos e 17 feridos Pelo menos sete pessoas morreram e 17 ficaram feridas na sequência de uma explosão ocorrida ontem numa rua da localidade de Xing’an, na região autónoma de Guangxi, no sul da China, informaram as autoridades locais. Segundo um comunicado divulgado pelo Departamento de Segurança Pública do distrito de Xing’an, a explosão ocorreu pelas 01:40 locais, na rua Lingxiang. As autoridades de Guilin e Xing’an mobilizaram agentes da polícia, bombeiros, equipas médicas e serviços de emergência para as operações de socorro e busca. Após quatro rondas de buscas no local, foi confirmada a morte de sete pessoas, enquanto os 17 feridos transportados para hospitais se encontram fora de perigo, indicou a mesma fonte. Outras pessoas com ferimentos ligeiros receberam assistência médica no local e foram posteriormente realojadas. As operações de resgate prosseguiam ontem na zona afectada. As investigações preliminares afastaram a hipótese de a explosão ter sido provocada por uma fuga de gás em condutas ou por factores semelhantes. A polícia mantém aberta uma investigação para apurar as causas do incidente.
Hoje Macau China / Ásia MancheteAutomóveis | BYD quer tornar-se a maior fabricante do mundo até 2030 O desenvolvimento tecnológico de carros eléctricos chineses processa-se a toda a velocidade. A BYD já ultrapassou a Tesla como maior vendedora mundial de automóveis eléctricos A fabricante automóvel chinesa BYD pretende tornar-se o maior produtor mundial de veículos até 2030, em termos de produção e de vendas, afirmou o fundador e presidente da empresa, Wang Chuanfu, durante a assembleia anual de accionistas. Citado ontem pelo portal económico chinês Yicai, Wang considerou que um “sistema tecnológico maduro” permitirá à BYD expandir simultaneamente os mercados doméstico e internacional. O responsável destacou que o mercado chinês continua pressionado por uma intensa guerra de preços e pela redução dos incentivos fiscais à compra de veículos eléctricos. Após o lançamento de uma nova geração de baterias e de tecnologias de carregamento rápido, concebidas para responder aos principais desafios enfrentados pelos utilizadores de veículos eléctricos, Wang prometeu a introdução de “muitas mais” tecnologias “novas e exclusivas” nos próximos dois anos. Com sede na cidade de Shenzhen, no sul da China, a BYD deixou de fabricar veículos com motores de combustão em 2022 e ultrapassou a norte-americana Tesla como maior vendedora mundial de automóveis eléctricos. Em 2025, as vendas globais da empresa aumentaram 8 por cento, para cerca de 4,6 milhões de veículos, o que a colocou na quinta posição mundial do sector, ainda longe da japonesa Toyota, que vendeu mais de 10 milhões de unidades pelo quinto ano consecutivo, segundo o Yicai. Wang considerou que a actual conjuntura, marcada pela subida dos preços dos combustíveis devido à guerra no Irão e ao bloqueio do estreito de Ormuz, é favorável à BYD. Percalços ultrapassados A empresa foi afectada no primeiro trimestre pela redução das isenções fiscais concedidas por Pequim à compra de veículos eléctricos, que passaram de 10 por cento para 5 por cento, com um limite máximo equivalente a 2.200 dólares. Como consequência, as vendas da BYD caíram 30 por cento face ao mesmo período do ano anterior, para pouco mais de 700 mil unidades. No entanto, a recuperação registada nos dois meses seguintes fez com que o balanço dos primeiros cinco meses do ano fosse praticamente idêntico ao de 2025. A desaceleração do mercado interno levou a BYD, à semelhança de outras fabricantes chinesas, a apostar na internacionalização para sustentar o crescimento. Em Maio, as vendas da empresa no exterior aumentaram 81 por cento, ultrapassando os 160 mil veículos, impulsionadas em parte pela produção local em países como Brasil, Tailândia e, futuramente, Hungria. Paralelamente, a empresa está a estudar um investimento de cerca de dois mil milhões de euros para instalar uma rede de 3.000 postos de carregamento ultrarrápido de 1.500 quilowatts na Europa até ao final do próximo ano, depois de já ter iniciado a instalação de estações na Alemanha e no Reino Unido. Segundo Wang, a BYD conseguiu construir uma imagem de marca “premium” nos mercados internacionais, prevendo que a empresa ultrapasse este ano a meta de 1,5 milhões de veículos vendidos no exterior.
Hoje Macau China / ÁsiaBanguecoque | China apoia condenação à morte de dois uigures por atentado A China apoiou ontem a decisão da justiça tailandesa de condenar à morte dois homens identificados como uigures pelo atentado de Banguecoque de 2015, que provocou 20 mortos, incluindo sete cidadãos chineses. O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Lin Jian, afirmou que os autores do ataque cometeram crimes “extremamente graves” e classificou-os como “completamente desumanos”. “A China apoia a Tailândia na condução do julgamento de acordo com a lei e na punição severa dos responsáveis”, declarou Lin, em conferência de imprensa. Um tribunal de Banguecoque condenou ontem à pena de morte Yusufu Mieraili e Bilal Mohammed, dois cidadãos chineses de etnia uigur, por envolvimento no atentado contra o santuário hindu de Erawan, um dos locais mais frequentados por turistas na capital tailandesa. Segundo o tribunal, os dois homens foram considerados culpados de homicídio premeditado e de outros crimes relacionados com a colocação de um engenho explosivo no recinto religioso, em 17 de Agosto de 2015. A explosão matou 20 pessoas, entre as quais vários turistas chineses, e feriu mais de uma centena. Durante a leitura da sentença, um dos juízes afirmou existirem “provas suficientes” para concluir que os arguidos cometeram homicídio e tentativa de homicídio com premeditação. Os dois condenados negaram as acusações e anunciaram que vão recorrer da decisão, segundo o advogado de defesa. O processo prolongou-se durante quase uma década, devido à pandemia de covid-19 e a sucessivos atrasos processuais, incluindo dificuldades na obtenção de tradutores. O atentado ocorreu semanas após a junta militar então no poder na Tailândia ter deportado à força 109 uigures para a China, o que levou vários observadores a interpretar o ataque como uma retaliação. A polícia tailandesa identificou inicialmente 17 suspeitos, mas apenas Mieraili e Mohammed chegaram a ser detidos e julgados.
Hoje Macau Via do MeioA influência do pensamento confucionista na formação individual e social chinesa Por Zhang Wen Jiao张文姣 Introdução A cultura confucionista encontra-se profundamente enraizada na sociedade chinesa. Após milénios de evolução histórica, os seus princípios continuam a manifestar-se na educação familiar, na organização escolar e nos valores sociais dominantes. Cresci imersa neste sistema cultural, recebendo desde a infância orientações assentes no estudo diligente, no cumprimento das regras e no esforço contínuo. Os meus pais aconselhavam-me a dedicar-me integralmente aos estudos, a obter bons resultados no gaokao — o exame nacional de admissão ao ensino superior — e a ingressar numa universidade de prestígio. Após a conclusão da licenciatura, esperava-se que prosseguisse estudos de pós-graduação ou que me candidatasse a funções públicas, de modo a integrar o sistema estatal, considerado um percurso de vida seguro, estável e socialmente valorizado. Além disso, era-me recomendado que evitasse relações amorosas durante a universidade, a fim de concentrar a minha energia apenas em atividades consideradas produtivas. Ao refletir sobre a minha experiência, compreendo que este planeamento de vida e estas normas de comportamento constituem, em grande medida, uma continuidade das tradições confucionistas na sociedade contemporânea. Ao mesmo tempo, revelam algumas das limitações deste pensamento: a valorização da ordem coletiva, da disciplina e da estabilidade social tende, frequentemente, a sobrepor-se à atenção dedicada ao mundo interior do indivíduo, às suas emoções e à sua realização pessoal. Desenvolvimento O pensamento confucionista surgiu no contexto da civilização agrícola tradicional. Neste modelo de produção, o rendimento dependia diretamente da quantidade de trabalho investido, razão pela qual a diligência, a perseverança e o empenho eram considerados virtudes fundamentais, enquanto a ociosidade era socialmente condenada. Por essa origem histórica, o confucionismo sempre incentivou os indivíduos a serem trabalhadores, prudentes e orientados para objetivos socialmente úteis. O seu ideal educativo consistia na formação do junzi, isto é, da “pessoa de bem”, caracterizada pela autodisciplina, pela obediência às normas e pelo respeito pela hierarquia. O principal objetivo desta doutrina era assegurar a estabilidade social. Contudo, ao privilegiar a ordem e a harmonia coletiva, o confucionismo raramente conferiu centralidade às necessidades emocionais, ao bem-estar psicológico ou à procura da satisfação individual. Ao longo do tempo, esse sistema de pensamento transformou-se, em muitos contextos, num conjunto de normas que regulam não apenas o comportamento social, mas também a própria forma como os indivíduos pensam, sentem e se percecionam. Esta disciplina manifesta-se em diferentes dimensões da vida quotidiana. Nas relações entre professores e alunos, por exemplo, o respeito tradicional pelos mestres pode ser levado ao extremo. Mesmo perante críticas injustas ou tratamentos inadequados, espera-se muitas vezes que o aluno aceite a autoridade sem a questionar. No contexto familiar, os jovens são frequentemente pressionados a aceitar as decisões dos mais velhos, sendo qualquer forma de contestação interpretada como falta de respeito. Assim, a hierarquia, inicialmente apresentada como mecanismo de organização social, pode converter-se num instrumento de limitação da autonomia individual. O gaokao constitui uma das expressões mais evidentes da educação utilitarista influenciada por esta tradição cultural. Desde a infância, muitos estudantes aprendem que este exame representa a principal via para transformar o seu destino social. Por essa razão, o gaokao funciona, simultaneamente, como promessa de mobilidade e como mecanismo de pressão. Gerações de estudantes são levadas a competir intensamente por um lugar numa universidade de prestígio. Para indivíduos provenientes de famílias com recursos modestos, como é o meu caso, o risco de falhar ao abandonar o percurso convencional é demasiado elevado, o que torna difícil escolher caminhos alternativos. A vivência neste ambiente contribui também para a formação de determinados traços psicológicos coletivos. A valorização da discrição e da modéstia pode gerar dificuldades de expressão pessoal e uma certa resistência em afirmar a própria identidade. Muitos indivíduos sentem desconforto perante a atenção alheia e desenvolvem uma perceção diminuída do seu próprio valor. Além disso, torna-se comum adiar a felicidade para um futuro indefinido, acreditando que a realização pessoal só será possível depois de alcançadas determinadas metas académicas, profissionais ou sociais. Deste modo, a vida passa a ser organizada em torno da conquista permanente de objetivos, em detrimento da apreciação do presente. Na sociedade chinesa, existe ainda uma crença amplamente difundida segundo a qual suportar o sofrimento constitui uma virtude. No entanto, a minha experiência leva-me a questionar esta ideia. O sofrimento, por si só, não produz necessariamente crescimento, maturidade ou sabedoria. Pelo contrário, muitos sofrimentos desnecessários resultam apenas em esgotamento mental, desgaste físico e empobrecimento da experiência individual. Para além disso, a sociedade tende a rejeitar aqueles que decidem afastar-se das normas estabelecidas. Quem abandona o percurso de vida considerado convencional torna-se frequentemente alvo de julgamento, crítica ou troça. Mais problemático ainda é o facto de, neste sistema de valores, apenas aqueles que alcançam sucesso segundo critérios socialmente reconhecidos parecerem adquirir legitimidade para falar sobre as suas dificuldades. Sem conquistas valorizadas pela sociedade, muitos indivíduos não encontram espaço para expressar o seu sofrimento, as suas dúvidas ou os seus desejos. Conclusão Em suma, o pensamento confucionista, nascido no contexto da civilização agrícola, contribuiu para a construção de um sistema social e educacional centrado na ordem, no trabalho, na hierarquia e nos interesses coletivos. A sua influência foi determinante na formação de uma sociedade diligente, disciplinada e orientada para a estabilidade. Contudo, os aspetos desta tradição que reprimem a individualidade, negligenciam a saúde mental e impõem um modelo único de realização pessoal revelam-se cada vez menos adequados às exigências da sociedade contemporânea. Do ponto de vista individual, torna-se fundamental reconhecer a ambivalência da cultura tradicional. O confucionismo possui elementos historicamente relevantes, mas também limites que devem ser criticamente analisados. Libertar-se de normas ultrapassadas, cuidar da vida interior e aceitar a própria singularidade são atitudes essenciais para que os indivíduos possam construir percursos mais livres, conscientes e saudáveis. zhangwenjiao280@gmail.com
Hoje Macau SociedadeHengqin | Campus luso-chinês reforça cooperação académica e científica O primeiro campus comum entre universidades de Portugal e Macau vai nascer em Hengqin, e segundo o ministro da Educação português terá impacto directo na investigação, inovação e mobilidade académica entre Portugal e a China. Um protocolo foi assinado pelos reitores da Universidade de Coimbra (UC) e a Universidade Politécnica de Macau (UPM) para a criação de um Campus Global Conjunto UPM-UCoimbra em Hengqin. “Este é um passo decisivo para a projecção da Universidade de Coimbra a nível internacional”, afirmou o reitor da UC, sublinhando que o campus permitirá “desenvolver programas conjuntos de licenciatura, mestrado e doutoramento com graus duplos reconhecidos em Portugal e Macau”, e dinamizar projectos de investigação, criar incubadoras e laboratórios conjuntos, e fomentar o intercâmbio académico. O ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, explicou que a inovação do acordo reside na criação de um campus físico em Hengqin, com dois laboratórios dedicados onde “trabalharão investigadores das duas instituições”. Segundo o ministro, este acordo insere-se numa rede já consolidada de cooperação académica e científica entre Portugal e a China.
Hoje Macau SociedadeVício do jogo | Associação recebe mais de 1.200 pedidos de apoio Entre Janeiro e Maio, o Gabinete Coordenador dos Serviços Sociais Sheng Kung Hui Macau recebeu 1.254 pedidos de auxílio relacionados com o vício do jogo. Os números foram divulgados pela directora da linha de apoio 24 horas da associação, Lao Mei I. O número apresentado num artigo do jornal Ou Mun representa um aumento de 17 por cento em comparação com o período homólogo. Entre as pessoas que pediam apoio através da linha telefónica, 31 por cento, praticamente uma pessoa em cada três, tinha 35 anos ou menos. Além disso, e dado o Campeonato Mundial de Futebol, que começou esta madrugada, Lao Mei I revelou que 14 por cento dos pedidos de auxílio estavam relacionados com o vício em apostas online. Como o Mundial é considerado época propícia às apostas online, Lao aconselhou as famílias a acompanharem-se mutuamente, para detectar de forma precoce sinais de vício ou de situações menos saudáveis.
Hoje Macau PolíticaDSAL | Abertos estágios em empresas chinesas com negócios ibéricos Na segunda-feira vão abrir candidaturas para estágios, destinados a jovens de Macau, em empresas do Interior da China com negócios nos países de língua portuguesa e espanhola. As inscrições, disponíveis no portal da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), podem ser feitas até 30 de Junho. O programa, com duração de 12 semanas, oferece 15 vagas de estágio e será conduzido em Hengqin. As empresas que vão acolher os estagiários operam nas áreas comerciais, recursos humanos e administração, finanças e assuntos jurídicos. Segundo a DSAL, o programa tem como objectivos “melhorar as competências linguísticas e profissionais e alargar os espaços de desenvolvimento da carreira profissional dos jovens de Macau”. Os estágios estão abertos a residentes de Macau com menos de 35 anos, que tenham BIR ou salvo-conduto para entrar na China, e licenciatura ou grau académico superior. A DSAL fornecerá um subsídio de subsistência de 5.000 patacas de quatro a quatro semanas e um subsídio, por uma única vez, de 500 patacas para o transporte de ida e regresso, além de seguro de viagem.
Hoje Macau Manchete PolíticaFronteiras | Alargado reconhecimento de íris a TNR estrangeiros As autoridades acreditam que a passagem fronteiriça com reconhecimento de íris é “higiénica” e dois segundos mais rápida do que a utilização de impressões digitais. O reconhecimento da íris também pode ser usado por alunos universitários estrangeiros A polícia anunciou que, desde ontem, os trabalhadores migrantes e os estudantes universitários internacionais poderão passar a usar o reconhecimento por íris para atravessar as fronteiras. Num comunicado divulgado na quarta-feira à noite nas redes sociais, o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) anunciou o alargamento do Sistema de Recolha de Dados Biométricos, “para elevar a eficiência nas passagens fronteiriças”. O sistema, que permite usar a íris para atravessar canais electrónicos automáticos nas fronteiras, passa a estar disponível para estudantes não chineses que frequentam instituições de ensino superior em Macau e trabalhadores não-residentes (TNR). A maioria dos portugueses que emigraram para Macau nos últimos dois anos – desde que o território restringiu os pedidos de residência para portugueses, em agosto de 2023 – chegou com autorização de trabalho. De acordo com dados do CPSP, disponibilizados à Lusa, o número de trabalhadores migrantes de nacionalidade portuguesa que chegaram à região passou de 39 em 2023 para 78 no ano passado. Esta autorização está limitada ao vínculo laboral, sem os benefícios dos residentes, nomeadamente ao nível da saúde ou da educação, e, em caso de despedimento, o trabalhador tem apenas oito dias para sair de Macau. Rápido e higiénico O CPSP disse que o reconhecimento por íris é “rápido e higiénico durante todo o processo, sendo que a eficiência global da verificação é um a dois segundos mais rápida do que a verificação por impressões digitais”. De acordo com a polícia, o serviço de passagem fronteiriça via reconhecimento da íris foi oficialmente lançado em Outubro de 2023, inicialmente destinado apenas aos residentes de Macau. Até ao momento, nos seis postos fronteiriços de Macau – as Portas do Cerco, a Ponte de Hong Kong-Zhuhai-Macau, os terminais marítimos do Porto Exterior, do Porto Interior e da Taipa, e o Aeroporto Internacional de Macau – há um total de 152 canais de passagem automática via reconhecimento da íris de segunda geração. O CPSP disse que, até ao fim de Maio, mais de 340 mil residentes de Macau efectuaram o registo da íris e utilizaram o serviço mais de 35 milhões de vezes nas passagens fronteiriças. Em Janeiro, a polícia tinha também anunciado que os nacionais de 82 países, incluindo Portugal, Brasil e Cabo Verde, podem usar canais electrónicos automáticos para entrar na China continental através da maior ponte marítima do mundo. A medida, que cobre a fronteira que liga Macau à cidade vizinha de Zhuhai, parte da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, abrange todos os cidadãos dos 82 países isentos de visto de entrada no território.
Hoje Macau Manchete PolíticaDSF | Despesa cai 1,7% até Maio devido a obras públicas A despesa pública caiu 1,7 por cento nos primeiros cinco meses do ano, sobretudo devido ao recuo de 15,6 por cento nos gastos em obras públicas. Do outro lado, as receitas correntes aumentaram 12,4 por cento devido aos impostos pagos pelas concessionárias de jogo Dados publicados ‘online’ pela Direcção dos Serviços de Finanças (DSF) na quarta-feira indicam que Macau gastou até ao final de Maio 31,1 mil milhões de patacas, 28,5 por cento do previsto para todo o ano. A principal razão para a queda das despesas foram os gastos com obras públicas – o Plano de Investimentos e Despesas da Administração (PIDDA) – que recuaram 15,6 por cento até Maio, para 5,8 mil milhões de patacas. O orçamento para este ano já previa uma queda de 8,6 por cento no PIDDA, que inclui grandes projectos como a Linha Leste do Metro Ligeiro. Os dados mostram ainda uma diminuição de 59,7 por cento, para 379,9 milhões de patacas, nos gastos em “acções e outras participações”. As despesas com os funcionários públicos também diminuíram 1,7 por cento, para 6,05 mil milhões de patacas, depois da função pública não ter tido aumentos salariais em 2026, pelo segundo ano consecutivo. As despesas públicas caíram apesar do reforço dos gastos em apoios e subsídios sociais, que cresceram 7,8 por cento, para 16,5 mil milhões de patacas. O orçamento aprovado em Novembro inclui benefícios fiscais para atrair sociedades gestoras de fundos de investimento, fundos de investimento especiais e investidores em fundos, para ajudar a desenvolver o sector financeiro. Além disso, o Governo isentou do imposto de selo a compra da primeira habitação por parte de residentes, até seis milhões de patacas, num documento que previa uma subida de 4,3 por cento nos apoios e subsídios sociais. Sobe e desce Ao contrário da despesa pública, a receita corrente de Macau subiu 12,4 por cento nos primeiros cinco meses de 2026, para 48,6 mil milhões de patacas. A principal razão para o aumento foi um acréscimo de 14,6 por cento, para 42,5 mil milhões de patacas, nas receitas dos impostos sobre o jogo – que representam 85,6 por cento do total. As receitas totais dos casinos atingiram entre Janeiro e Maio 108,4 mil milhões de patacas, um aumento de 10,9 por cento em comparação com o mesmo período do ano passado. Com as despesas a cair e as receitas a subir, Macau registou um excedente nas contas públicas de 18,6 mil milhões de patacas, mais 55,5 por cento do que até Maio de 2025. No orçamento para todo o ano 2026, o Governo de Sam Hou Fai tinha previsto um excedente muito menor, no valor de 5,22 mil milhões de patacas.
Hoje Macau PolíticaEconomia digital | Acordos com Cabo Verde e S. Tomé e Príncipe A Direcção dos Serviços da Protecção de Dados Pessoais (DSPDP) anunciou a assinatura de protocolos com a Comissão Nacional de Protecção de Dados de Cabo Verde (CNPD) e com a Agência Nacional de Protecção de Dados Pessoais de São Tomé e Príncipe. Num comunicado divulgado na quarta-feira à noite, a DSPDP disse que os acordos de cooperação irão impulsionar “o desenvolvimento regulado e robusto da economia digital transnacional”. A reguladora acrescentou que os memorandos de entendimento “reflectem uma visão baseada na cooperação internacional como instrumento indispensável para enfrentar desafios globais e emergentes da economia digital”. Os acordos irão também aperfeiçoar “a cadeia de cooperação entre a China e os países lusófonos nas áreas de segurança de dados e de protecção da privacidade pessoal”, acrescentou a DSPDP. Estão previstos projectos de sensibilização e formação, a partilha de boas práticas e experiências em regulamentação e fiscalização, bem como o desenvolvimento de estudos conjuntos.
Hoje Macau PolíticaCheque pecuniário | Associações “treinadas” para ajudar residentes O Governo organizou uma sessão de esclarecimento para trabalhadores da linha da frente de associações locais para ajudar residentes dos bairros comunitários a obter informações sobre o Plano de Comparticipação Pecuniária, indicou ontem o Fundo de Segurança Social (FSS) e a Direcção dos Serviços de Finanças. A sessão contou com a participação de 70 funcionários de associações, a quem o vice-presidente do Conselho de Administração do FSS, Luís Gomes, agradeceu o apoio. A ideia é capacitar estes profissionais de “associações enraizadas na comunidade” a informar residentes com precisão, reduzindo “deslocações desnecessárias” aos serviços públicos “por desconhecimento das formalidades”. A partir das 09h de segunda-feira, os residentes vão poder aceder a toda a informação relativa ao plano, assim como fazer uma consulta para saber se preenchem os requisitos para receber o cheque pecuniário, na aplicação móvel Conta Única e no portal do Plano de Comparticipação Pecuniária.
Hoje Macau PolíticaFuncionários Públicos | Leong Pou U alerta para “pressão” nos serviços O deputado Leong Pou U, ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), escreveu uma interpelação escrita em que alerta o Governo para o facto da pressão dos funcionários públicos estar a aumentar. O documento consta do portal da Assembleia Legislativa. De acordo com o legislador, o cenário é agravado com o facto de ter sido adoptada uma política em que os funcionários que se demitem, são despedidos ou os que se reformam deixaram de ser substituídos. “O facto de alguns serviços públicos adoptarem, há já muito tempo, a estratégia de “não arranjar alguém para substituir quem saiu” leva ao aumento da pressão do pessoal da linha da frente”, afirma o legislador. Como resultado, o número de trabalhadores foi reduzido de 35.101, em Abril de 2020, para 33.856 no ano passado. Contudo, embora sem contestar esta política, Leong Pou U pede uma facilitação da mobilidade entre serviços, para se dotarem os departamentos que mais precisam de novos recursos, vindos de outro sectores. “Face ao rigoroso cumprimento do regime de gestão de quotas de trabalhadores, como é que o Governo vai dotar, rapidamente, pessoal através dos regimes de mobilidade, a fim de minimizar os impactos decorrentes da saída de trabalhadores nos serviços públicos?”, questionou.
Hoje Macau China / ÁsiaIrão | China pede “calma e moderação” após ataques dos EUA e retaliação A China apelou ontem à “calma e moderação” após os ataques dos Estados Unidos contra o Irão e a retaliação iraniana contra bases norte-americanas no Médio Oriente, defendendo um cessar-fogo rápido e o regresso à via diplomática. O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian manifestou, em conferência de imprensa, a “profunda preocupação” de Pequim com a situação e apelou a todas as partes envolvidas para que adotem “medidas concretas” destinadas a reduzir as tensões. Lin afirmou ainda que os diferendos devem ser resolvidos por meios políticos e diplomáticos e defendeu a concretização, “o mais rapidamente possível”, de um cessar-fogo “abrangente e duradouro”. As declarações surgem depois de os Estados Unidos terem realizado três vagas de ataques contra o Irão, em resposta ao abate de um helicóptero Apache norte-americano no estreito de Ormuz, uma operação à qual Teerão respondeu com ataques contra bases militares dos EUA na Jordânia, Kuwait e Bahrein. O ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano reafirmou ontem o “direito à autodefesa” da República Islâmica e advertiu os países do Golfo sobre a sua “responsabilidade” em impedir que os Estados Unidos utilizem os seus territórios para atacar o Irão. Segundo a Guarda Revolucionária iraniana, entre os alvos da retaliação esteve a Quinta Frota norte-americana estacionada no Bahrein, enquanto a Jordânia assegurou ter interceptado vários mísseis sem registo de vítimas ou danos materiais. A nova escalada ocorre apesar de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter afirmado que continua a ser possível alcançar um acordo com Teerão dentro de “dois ou três dias”, após várias semanas de negociações com a República Islâmica.
Hoje Macau China / ÁsiaUE | China promete defender empresas visadas por novas sanções A China prometeu ontem defender os interesses das suas empresas perante novas sanções da União Europeia contra entidades ligadas ao esforço de guerra russo, após Bruxelas confirmar que o próximo pacote incluirá companhias sediadas no país asiático. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian reiterou, em conferência de imprensa, que Pequim opõe-se “firmemente” a sanções unilaterais que não tenham base no direito internacional nem autorização do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Lin afirmou que a China apresentou, em diversas ocasiões, protestos junto da parte europeia e instou Bruxelas a “corrigir as suas práticas erradas” e a revogar as sanções, que classificou como “ilegais”. O responsável acrescentou que Pequim continuará a acompanhar de perto a evolução da situação e adoptará as medidas necessárias para proteger os direitos e interesses legítimos das empresas chinesas. As declarações surgem depois de a Comissão Europeia ter apresentado, na terça-feira, o 21.º pacote de sanções contra a Rússia devido à guerra na Ucrânia, centrado nos sectores da energia, finanças e comércio. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, explicou que as novas medidas incluem restrições adicionais à chamada “frota fantasma” russa e visam manter a pressão sobre as fontes de receita de Moscovo. A vice-presidente da Comissão Europeia, Kaja Kallas, indicou que o pacote incluirá também controlos às exportações e medidas contra cerca de cinquenta empresas de países terceiros, incluindo entidades sediadas na China, Turquia, Quirguistão, Cazaquistão, Emirados Árabes Unidos e Índia, que Bruxelas acusa de contribuírem para o complexo militar-industrial russo.
Hoje Macau EventosLeituras interiores de MCZ_Thomas para ver na Creative Macau O artista local MCZ_Thomas, cujo nome verdadeiro é Lo Si In, apresenta até ao dia 24 de Junho o seu trabalho na exposição “MIR: Lotus”, patente na Creative Macau em parceria com a Sociedade de Artes Visuais da Cidade de Macau. A inauguração aconteceu esta segunda-feira. Segundo um comunicado da Creative Macau, a exposição tem como tema central “Pó Cósmico e os Ecos da Folha Metálica: A Poética Interior da Conexão Humana”, visando explorar “a conexão emocional, a percepção interior e a ressonância na era digital”. Este objectivo pretende ser atingido através de “instalações artísticas imersivas” e de uma “interacção participativa” com os visitantes. O projecto que dá origem à mostra segue viagem para a cidade japonesa de Osaka e Taiwan “ainda este ano”, a fim de promover “o intercâmbio artístico inter-regional através da arte contemporânea”. O alumínio como arte Lo Si In, ou MCZ_Thomas, faz neste trabalho o uso do papel de alumínio do dia-a-dia “como meio artístico central para reimaginar as relações subtis entre a humanidade e o cosmos, os indivíduos e o mundo emocional interior de cada um”, sem esquecer a conexão com a “realidade exterior”. Desta forma, ao criar “superfícies reflectoras, rugas e texturas” através deste material, transformando-o em obra de arte, o artista explora de forma metafórica “a tensão emocional entre protecção e vulnerabilidade, solidão e conexão”. Desta forma, convida-se o público a pensar sobre “relações autênticas e a consciência emocional na sociedade contemporânea”. A curadora Cassidy Chan disse, citada pela mesma nota, que a mostra “MIR: Lotus” pretende “reavivar as ligações e percepções subtis, muitas vezes ignoradas, entre as pessoas”, sendo que a sua deslocação para o Japão e Taiwan visa “trazer as suas próprias experiências de vida para a obra, criando novas interpretações e ressonâncias”. A “MIR: Lotus” é ainda descrita como uma forma de “exploração da consciência emocional, ligação humana e ressonância cultural”, sendo que com as mostras em três lugares diferentes pretende-se “estabelecer um diálogo cultural significativo e posicionar a arte contemporânea original de Macau num contexto internacional”.
Hoje Macau China / ÁsiaChina | Exportações automóveis sobem 73 por cento em Maio As exportações chinesas de automóveis de passageiros aumentaram 73 por cento em Maio, em termos homólogos, para cerca de 809.000 unidades, impulsionadas pelo crescente interesse em veículos eléctricos num contexto de subida dos preços dos combustíveis devido à guerra no Irão. A Associação Chinesa de Fabricantes de Automóveis (CAAM) indicou ontem que as exportações de veículos totalmente eléctricos e híbridos mais do que duplicaram face ao mesmo mês do ano passado, atingindo cerca de 435.000 unidades, mais de metade do total. O resultado supera as cerca de 796.000 viaturas exportadas em Abril, segundo dados da mesma associação. Fabricantes chineses como a BYD têm acelerado a expansão internacional, apostando em mercados da América Latina, Ásia e Europa, numa altura em que a procura doméstica enfrenta pressões devido, em parte, à redução dos incentivos governamentais para a substituição de automóveis convencionais por eléctricos. As vendas domésticas de automóveis de passageiros caíram 23,4 por cento em Maio, em termos homólogos, para 1,44 milhões de unidades, registando o sétimo mês consecutivo de quedas. As vendas de veículos com motores de combustão interna, incluindo automóveis a gasolina e gasóleo, recuaram quase 42 por cento, enquanto a quota dos veículos eléctricos continuou a crescer. Analistas do banco suíço UBS estimam que as exportações chinesas de automóveis de passageiros aumentem cerca de 40 por cento em 2026, face ao ano anterior, enquanto as exportações de veículos eléctricos poderão crescer cerca de 80 por cento. “O preço elevado do petróleo traduziu-se claramente num maior interesse pelos veículos eléctricos”, afirmou Paul Gong, responsável pela análise do sector automóvel chinês no UBS. Segundo o analista, as exportações automóveis chinesas superaram as expectativas nos primeiros meses do ano, enquanto as vendas domésticas ficaram abaixo do previsto. Sempre a crescer Claire Yuan, analista da S&P Global Ratings, prevê que as exportações chinesas mantenham um forte dinamismo em 2026, apontando para um crescimento anual entre 30 por cento e 50 por cento. De acordo com a Agência Internacional da Energia (AIE), cerca de um em cada quatro automóveis novos vendidos no mundo no ano passado foi eléctrico. A organização prevê que as vendas globais destes veículos atinjam 23 milhões de unidades em 2026, representando quase 30 por cento do mercado mundial. A China é o maior produtor mundial de veículos eléctricos e fornece a maioria dos modelos vendidos a nível global. A BYD, maior fabricante chinesa de veículos eléctricos, vendeu mais de 160.000 automóveis no exterior em Maio, um aumento de 80 por cento face ao mesmo período do ano passado. A empresa pretende vender 1,5 milhões de veículos fora da China este ano, acima dos 1,05 milhões registados em 2025. A fabricante sediada no sul da China ultrapassou a Tesla no ano passado como a maior produtora mundial de veículos eléctricos em volume de vendas. A expansão internacional poderá também melhorar a rentabilidade das fabricantes chinesas, após uma intensa guerra de preços no mercado doméstico ter pressionado as margens do sector.
Hoje Macau China / ÁsiaPCC | Chefe de gabinete de Xi à frente da principal escola de quadros A academia mais importante na formação de dirigentes políticos passa a contar com a liderança de Cai Qi, membro do Comité Permanente do Politburo, um homem da inteira confiança do Presidente chinês O chefe de gabinete do Presidente chinês, Xi Jinping, foi nomeado director da Escola Central do Partido Comunista Chinês (PCC), instituição que desempenha um papel central na formação ideológica dos quadros do regime e na preparação dos futuros dirigentes. Cai Qi, membro do Comité Permanente do Politburo, a cúpula do poder na China, assumiu na semana passada a liderança da academia sediada em Pequim, considerada a principal escola de formação de quadros do PCC. A nomeação é vista como um sinal da importância atribuída por Xi ao trabalho ideológico e ao controlo político dos funcionários do partido, numa altura em que Pequim procura reforçar a auto-suficiência tecnológica, a segurança das cadeias de abastecimento e a disciplina interna. Ao longo das últimas três décadas, a direcção da Escola Central do Partido foi tradicionalmente reservada ao sucessor designado do líder chinês ou ao principal responsável pela ideologia do regime. O próprio Xi Jinping dirigiu a instituição entre 2007 e 2012, antes de ascender à liderança máxima da China, enquanto o seu antecessor, Hu Jintao, ocupou o cargo entre 1993 e 2002. Entre ambos esteve Zeng Qinghong, antigo vice-presidente chinês e responsável pelos assuntos partidários, que liderou a escola enquanto integrava o Comité Permanente do Politburo. Após Xi, a instituição foi dirigida por Liu Yunshan, então principal responsável pela ideologia do PCC, e posteriormente por Chen Xi, antigo colega universitário de Xi Jinping e considerado um dos seus mais próximos aliados políticos. Modelo exemplar Fundada em 1935, na cidade de Yan’an, durante a guerra civil chinesa, a Escola Central do Partido teve um papel determinante na formação política dos quadros comunistas e na consolidação do movimento liderado por Mao Zedong. Depois do fim da Revolução Cultural, em 1976, a instituição tornou-se um espaço importante para a reflexão interna sobre os erros cometidos durante a era maoista e manteve-se como o principal centro de formação de dirigentes antes da sua promoção a cargos superiores. Sob a liderança de Xi Jinping, a escola ganhou ainda mais relevância. Num discurso em 2015, Xi defendeu um controlo apertado da orientação ideológica dos quadros comunistas. O líder chinês argumentou que estas instituições são essenciais para preservar a fidelidade ao marxismo e impedir a influência de valores ocidentais, apontando países como Iraque, Síria e Líbia como exemplos de Estados mergulhados no caos após a adopção de modelos políticos estrangeiros. Espaço de eleição Xi tem utilizado regularmente a Escola Central do Partido para apresentar a altos funcionários as suas visões sobre governação, segurança nacional e desenvolvimento económico. Nos últimos anos, a instituição passou também a oferecer formação em áreas consideradas prioritárias pelo Governo chinês, incluindo segurança das cadeias de abastecimento e gestão dos recursos de terras raras. A influência da escola estende-se igualmente ao recrutamento das elites políticas chinesas. Dois dos actuais 22 membros do Politburo, Li Shulei, responsável pela propaganda do PCC, e Shi Taifeng, chefe do Departamento de Organização, construíram grande parte das suas carreiras académicas e políticas na instituição. Ambos trabalharam na Escola Central do Partido durante décadas e foram colegas de Xi Jinping quando este dirigiu a academia antes de assumir a liderança da China.
Hoje Macau SociedadeCidade Universitária | Admitido alinhamento com Plano Quinquenal Nacional O director da Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude, Kong Chi Meng, admitiu que a construção da Cidade Universitária de Educação Internacional de Macau e Hengqin é uma directiva do 15.º Plano Quinquenal Nacional. As declarações foram prestadas durante a mais recente reunião do ano do Conselho de Educação, que aconteceu na segunda-feira. Segundo o comunicado oficial sobre o encontro, “Kong Chi Meng referiu que, no âmbito do 15.º Plano Quinquenal do País, foi claramente definida a promoção da construção da Cidade (Universitária) de Educação Internacional de Macau e Hengqin, no sentido de apoiar a extensão pedagógica das instituições de ensino superior de Macau em Hengqin”. O director da DSEDJ explicou também que como este é “um dos grandes projectos do Governo da RAEM” a esperança é que resulte no “desenvolvimento integrado da educação, da ciência e tecnologia e dos quadros qualificados, aprofundando a integração e o progresso sinérgico entre Macau e Hengqin”. Ainda no encontro, Kong Chi Meng afirmou que face ao “grande desafio para o sistema educativo de Macau” que decorre da “baixa natalidade”, o Governo vai lançar um programa para financiar a transformação das escolas, incluindo o apoio a fusões de instituições de ensino, mas também a “formação de reconversão” dos docentes.